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COLEÇÃO

E S T U D O S D IR E C IO N A D O S

V&rtywrtfccw & re&pcntcvy


F ern an do C apez
R o d rig o C o ln a g o
coordenadores

Direito civil
direito das sucessões
Eliana Raposo Maltinti

21

2010

Editora
S a ra iv a
,— Editora I S B N 9 7 8 - 8 5 - 0 2 - 0 5 7 5 8 - 6 o b r a c o m p le t a
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SUMÁRIO

DIREITO DAS SUCESSÕES

I Considerações iniciais .................................................................. 7


II Sucessão em g e r a l........................................................................ 9
III Sucessão legítima ........................................................................ 48
IV Sucessão testamentária ............................................................... 80
V Do inventário e da p artilha........................................................... 162
Referências .................................................................................... 199

5
DIREITO DAS SUCESSÕES

I - CONSIDERAÇÕES IN IC IAIS

1) Qual a abrangência do termo "sucessão"?

transmissão de um direito, de um
Sucessão

sentido amplo sujeito para outro. Ex.: compra e


venda de um apartamento
transmissão de um patrimônio,
sentido estrito
em razão da morte de seu titular

Obs.: É possível aduzir que existem dois modos de sucessão, quais


sejam "a sucessão por ato entre vivos (inter vivos) e aquela por força da
morte (causo morfis). A sucessão por ato entre vivos ocorre quando o acordo
entre as partes transfere certos bens, como é comum nos contratos".1

2) Em que consiste o "Direito das Sucessões"?


Trata-se de um conjunto de normas e princípios que regulam a
transmissão da herança ou do legado ao herdeiro ou legatário, em virtude
da morte de alguém.
Obs.: Em outras palavras, "o direito das sucessões disciplina a
destinação do patrimônio da pessoa física após a sua morte. Melhor
dizendo, contempla as normas jurídicas que norteiam a superação de
conflitos de interesses envolvendo a destinação do patrimônio de pessoa
falecida. Sua matéria, portanto, é a transmissão causa morfis".2

1. Flávio Tartuce e José Fernando Simão. Direito civil: direito das sucessões. (Série
concursos públicos, 6). 2. ed. São Paulo: M étodo, 2008. p. 20.
2. Fábio Ulhoa Coelho. Curso de direito civil: fam ília; sucessões. 2 ed. São Paulo: Saraiva,
2009. v. 5, p. 227.

7
3) Qual o princípio que figura como fundamento do Direito Sucessório?
O princípio da perpetuidade da propriedade.

Fundamento do Direito Princípio da perpetuidade


Sucessório da propriedade

4) Quais as fontes do Direito Sucessório?


Figuram como fontes do Direito Sucessório as seguintes:

✓testamento
Fontes do ✓ lei
Direito
✓contrato, no caso do
Sucessório
art. 2.018 do CC

5) O direito de herança é garantido pela Constituição Federal?


Sim. Tal direito é assegurado pelo art. 5-, XXX, da CF.

Resguardado pela
Direito de herança
Constituição Federal

6) Quais os títulos que compõem o Direito das Sucessões?

Títulos ✓"da Sucessão em Geral"


que compõem ✓"da Sucessão Legítima"
o Direito das ✓"da Sucessão Testamentária"
Sucessões ✓"do Inventário e da Partilha"

8
II - SUCESSÃO EM GERAL

1) Em que consiste o princípio da saisiné?


Cuida-se de postulado segundo o qual, no mesmo instante em que se
dá a morte de um determinado indivíduo, abre-se a respectiva sucessão,
ocorrendo a transmissão automática da herança aos herdeiros legítimos e
testamentários, ainda que estes ignorem tal falecimento (art. 1.784 do CC).

No mesmo instante em que se dá a morte


de um determinado indivíduo, abre-se
Princípio a respectiva sucessão, ocorrendo
da saisine a transmissão automática da herança
aos herdeiros legítimos e testamentários,
ainda que estes ignorem tal falecimento

2) Qual a abrangência da mencionada transmissibilidade, no que se refere


aos herdeiros legítimos e testamentários?
A transmissibilidade, no que se refere a tais sujeitos, abarca tanto o
domínio quanto a posse dos bens, a partir da morte de um dado indivíduo,
e independe da prática de qualquer ato por parte daqueles.

Domínio e posse dos


Abrangência da bens (e independe
Herdeiros rr rr
transmissibilidade da prática de
qualquer ato)

3) E no que concerne aos legatários?


A situação dos legatários é diversa:

Leeatários - Abrangência da transmissibilidade


✓a propriedade se transfere a partir da morte
coisa legada
(abertura da sucessão), salvo se o legado estiver
infungível
sob condição suspensiva (art. 1.923, coput, do CC)
coisa legada ✓a propriedade se transfere com a partilha
fungível

9
Obs.: Em se tratando de posse, independentemente da coisa ser
fungível ou infungível, a transmissibilidade se dá com a partilha.

4) Qual a lei que deve ser aplicada à sucessão e à legitimação para suceder?
Deve ser aplicada a lei vigente ao tempo da abertura da sucessão
(art. 1.787 do CC).

Lei aplicável à sucessão


Lei vigente ao tempo da
e à legitimação para
abertura da sucessão
suceder

5) Como é denominada a massa patrimonial deixada pelo autor da herança,


a qual é desprovida de personalidade jurídica?

Espólio i Massa patrimonial deixada pelo autor da herança

6) O que se entende pela expressão "delação sucessória"?


Referida expressão é utilizada para designar o lapso temporal
compreendido entre a abertura da sucessão e a aceitação ou renúncia
da herança.

Lapso temporal entre a abertura


Delação sucessória da sucessão e a aceitação
ou renúncia da herança

7) Onde deve ser aberta a sucessão?


No lugar do último domicílio do falecido (art. 1.785 do CC).
Obs.: Esse é também o foro competente para o processamento do
inventário, mesmo que o óbito tenha se verificado no estrangeiro (art. 96,
caput, do CPC).

Abertura da sucessão Último domicílio do falecido

8) E se o autor da herança não tiver domicílio certo?


Nesse caso, será competente o foro da situação dos bens (art. 96,
parágrafo único, I, do CPC).

10
Se o autor da
será competente o Foro da situação
herança não tiver
dos bens
domicílio certo

9) E se, além do autor da herança não possuir domicílio certo, restar


demonstrado que ele tem bens em lugares diversos?
Na situação em comento, será competente o foro da localidade onde
se deu o óbito (art. 96, parágrafo único, II, do CPC).

Se o autor da herança
não tiver domicílio será competente o Foro da localidade
certo e possuir bens ► onde se deu o óbito
em lugares diversos

10) Quais as espécies de sucessão no que concerne à fonte de onde emanam?


De acordo com o art. 1.786 do CC, a sucessão dá-se por:

Espécies de sucessão quanto à fonte de onde emanam


lei ✓sucessão legítima ou ab intestoto
disposição de ✓sucessão testamentária
última vontade

1 1 ) 0 que ocorrerá em se verificando a morte de uma pessoa, sem que ela


tenha deixado testamento?
Será a herança transmitida aos herdeiros legítimos (art. 1.788, 1- parte,
do CC).

Pessoa morre sem Herança transmitida


deixar testamento aos herdeiros legítimos

12) Qual a ordem de vocação que deve ser observada na sucessão legítima?
Segundo determina o art. 1.829 do CC, a sucessão legítima defere-se
na ordem seguinte:

11
1. aos descendentes, em
concorrência com o cônjuge
sobrevivente, salvo se casado
este com o falecido no regime da
Ordem de vocação
comunhão universal, ou no da
separação obrigatória de bens
(art. 1.640, parágrafo único, do CC);
ou se, no regime da comunhão
parcial, o autor da herança não
houver deixado bens particulares
2. aos ascendentes, em concorrência
com o cônjuge
3. ao cônjuge sobrevivente
4. aos colaterais

O bs.l: Note-se que a menção feita no art. 1.829, I, do CC, ao art.


1.640, parágrafo único, está incorreta, sendo certo que o legislador quis
fazer alusão ao art. 1.641 do Estatuto Civil, dispositivo este que enumera
as hipóteses em que se mostra imprescindível a realização do casamento
sob regime de separação obrigatória de bens.
Obs.2: Não se pode olvidar que o companheiro também figura como
herdeiro do falecido (art. 1.790 do CC).

13) Em que casos a herança deverá ser transmitida aos herdeiros legítimos?
De acordo com o art. 1.788 do CC, será a herança transmitida aos
herdeiros legítimos:

Hipóteses em que a herança será transmitida


aos herdeiros legítimos
✓se a pessoa morrer sem deixar testamento
✓se o autor da herança deixar bens não
abrangidos pelo testamento
✓se o testamento caducar
✓se o testamento deixado for reputado
como nulo

12
14) Quando se diz que a sucessão testamentária coexiste com a sucessão
legítima?

A sucessão testamentária coexiste com


a sucessão legítima quando:
✓o testamento fizer referência a apenas
parte dos bens do testador
✓houver herdeiro necessário, o qual tem
resguardado pela lei o direito à legítima

15) O que se entende pela locução "herdeiro necessário"?


Trata-se de expressão utilizada para designar todo parente em linha
reta, desde que não excluído da sucessão por indignidade ou deserdação,
bem como o cônjuge do falecido.
Obs.l: Figuram como herdeiros necessários os descendentes, os
ascendentes e o cônjuge do de cujus (desde que sucessíveis).
Obs.2: A presença de herdeiros necessários restringe a liberdade de doar
e de testar, porquanto o ordenamento jurídico lhes assegura o direito à
legítima.

16) De acordo com nosso ordenamento, quem são os herdeiros necessários?


Consoante preceito encartado no art. 1.845 do CC, tem-se que:

■1 1 • ✓os descendentes (filhos, netos, bisnetos etc.)


neraeiros \ ✓os ascendentes (pais, avós, bisavós etc.)
✓o cônjuge

O bs.l: Registre-se que os colaterais (até quarto grau) não constam


desse rol, sendo concebidos como herdeiros facultativos.
Obs.2: Quanto ao companheiro, embora haja posicionamento em
sentido contrário3, predomina o entendimento de que também ele se
apresenta como herdeiro facultativo.

3. Caio M ário da Silva Pereira. Instituições de direito civil: direito das sucessões. 15. ed.
Rio de Janeiro: Forense, 2005. v. 6, p. 154.

13
17] Qual o direito resguardado por lei aos herdeiros necessários?
O direito à legítima, isto é, à metade dos bens da herança (art. 1.846
do CC).
O b s.l: Reforçando tal proposição, deparamo-nos com o art. 1.789 do
estatuto em análise, o qual determina que, "havendo herdeiros necessários,
o testador só poderá dispor da metade da herança".
Obs.2: Se não existirem herdeiros necessários, será absoluta a
liberdade de testar, bem como de doar.

Herdeiros necessários Direito à legítima

18) Como é denominado o restante da herança que não integra a legítima?


Porção ou quota disponível.

Parcela da herança que Porção ou quota


não integra a legítima disponível

19) É correto afirm ar que o herdeiro necessário, a quem o testador tenha


deixado a parte disponível, ou algum legado, perderá o direito à
legítima?
Não. De acordo com o preceito encartado no art. 1.849 do CC, "o
herdeiro necessário, a quem o testador deixar a sua parte disponível, ou
algum legado, não perderá o direito à legítima".
Obs.: Isso porque, pode o testador dispor livremente de tal porção da
herança, da maneira que melhor lhe aprouver.

20) Podem os herdeiros colaterais ser excluídos da sucessão?


Sim, porquanto eles não figuram como herdeiros necessários.
Obs.: Os colaterais não têm direito à legítima.

podem ser Excluídos porque Não são herdeiros


Colaterais
da sucessão necessários

21) De acordo com o Código Civil, o que deve fazer o testador para excluir
da sucessão os herdeiros colaterais?
Basta que o testador disponha de seu patrimônio sem os contemplar
(art. 1.850 do CC).

14
Obs.: Flávio Tartuce e José Fernando Simão advertem: "a regra é inútil
e incompleta. Inútil porque, se os colaterais não são herdeiros necessários,
por óbvio basta que o testador elabore testamento sem os contemplar para
que eles automaticamente nada herdem. E incompleta porque, se o
companheiro também é herdeiro facultativo, deveria o dispositivo
mencioná-lo em sua redação".4

22) É correto afirm ar que nosso ordenamento não admite a sucessão


contratual?
Sim. De acordo com o art. 426 do CC, a herança de pessoa viva não
pode ser objeto de contrato.
Obs.: E dotada de validade a partilha feita por ascendente, por ato
entre vivos ou de última vontade, desde que não prejudique a legítima dos
herdeiros necessários (art. 2.018 do CC). Cuida-se de verdadeira sucessão
antecipada, mas que se restringe aos bens presentes.

23) Como também é chamada a sucessão contratual?


A sucessão contratual é também conhecida como "sucessão pactícia"
ou "poeto corvina".

"Sucessão pactícia"
Sucessão contratual ir ou "pac/a corvina"

24) É correto afirm ar que a sucessão testamentária representa a vontade


presumida do autor da herança?
Não. A sucessão testamentária representa a vontade manifesta do
falecido, a qual é expressa por meio de testamento ou codicilo.
Obs.: A sucessão legítima é que traduz a vontade presumida do autor
da herança.

Vontade manifesta
Sucessão testamentária
do falecido

Vontade presumida
Sucessão legítima
do falecido

4. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 270.

15
25) De que forma pode ser classificada a sucessão no que se refere aos
seus efeitos?

Classificação da sucessão quanto aos seus efeitos


✓aquela em que se verifica a
sucessão a título
transferência da totalidade do acervo
universal
deixado pelo morto ou fração dele
sucessão a título ✓aquela que recai sobre coisa
singular determinada (legado)

26) Quais as espécies de sucessores que podem ser instituídos por meio da
sucessão testamentária?

27) Por que se diz que a sucessão legítima é sempre a título universal?
Porque nela sempre haverá a transferência, aos herdeiros, da totalidade
ou de fração ideal do patrimônio do falecido.

Sucessão legítima sempre A título universal

28) E quanto à sucessão testamentária?


A sucessão testamentária, dependendo da vontade do testador, pode
ser a título universal ou a título singular.

A título universal
Sucessão
testamentária
A título singular

16
29) Em que consiste a "sucessão anômala"?
Denomina-se sucessão anômala ou irregular aquela regulada por
normas próprias, não observando, pois, a ordem de vocação hereditária
estabelecida no art. 1.829 do CC para a sucessão legítima.5
Ex.: art. 520 do diploma em estudo, segundo o qual o direito de
preferência estipulado no contrato de compra e venda não se transmite aos
herdeiros, dentre outros.

Regulada por normas próprias,


Sucessão anômala não observando, pois, a ordem
ou irregular de vocação hereditária do
art. 1.829 do CC

30) Até que se verifique a partilha, o que ocorre com o direito dos
coerdeiros, no que se refere à propriedade e posse da herança?
Até a partilha, o direito dos coerdeiros, quanto à propriedade e posse
da herança, será indivisível, e deve ser regulado pelas normas relativas ao
condomínio (art. 1.791, parágrafo único, do CC).

Direito dos coerdeiros


Até a
(propriedade e posse Indivisível
partilha
da herança)
"= !>

31) Cite algumas conseqüências oriundas da regra examinada anteriormente.

Implicações decorrentes da regra prevista


no art. 1.791, parágrafo único, do CC:
✓antes da partilha, é vedado ao coerdeiro
alienar coisa certa e determinada, salvo se
houver autorização judicial e anuência dos
demais coerdeiros

5. Carlos Roberto Gonçalves. Direito das sucessões. (Col. sinopses jurídicas, 4). 7. ed.
São Paulo: Saraiva, 2004. p. 5.

17
✓antes de alienar seus direitos sucessórios a
terceiros, o coerdeiro deverá ofertá-los aos
demais coerdeiros (direito de preferência)
✓aquele que adquirir os direitos sucessórios
não poderá registrar a cessão no Registro de
Imóveis, tendo em vista a falta de previsão
legal para tanto
✓admite-se que qualquer dos coerdeiros
ajuíze demanda possessória ou petitória
em face de terceiro, a fim de promover
a defesa de toda a herança

32) O direito à sucessão aberta é considerado bem móvel ou imóvel?


O direito à sucessão aberta é considerado bem imóvel por
determinação legal (art. 80, II, do CC).

Direito à Bem imóvel por


sucessão aberta determinação legal

33) Que são "bens imóveis por determinação legal"?


Trata-se de bens concebidos como imóveis pela lei, em prol da
segurança das relações jurídicas, haja vista ser o regime de proteção destes
muito mais rígido do que o atinente aos móveis.
Obs.l: São reputados imóveis para efeitos legais: os direitos reais sobre
imóveis e as ações que os asseguram, bem como o direito à sucessão aberta
(CC, art. 80).
Obs.2: Note-se que, em razão da sobredita equiparação, a celebração
de ajustes que os englobem requer sejam satisfeitos os mesmos requisitos
referentes aos negócios jurídicos que abranjam bens imóveis. Ex.: outorga
uxória ou marital.

34) O herdeiro responde por encargos superiores às forças da herança?


Via de regra, não. E o que determina o art. 1.792 do CC.
Obs.: Vale acrescentar que lhe incumbe, porém, fazer prova do excesso,
salvo se houver inventário que a escuse, demonstrando o valor dos bens
herdados.

18
via de regra Não responde por encargos
Herdeiro superiores às forças da herança

35) Pode o direito à sucessão aberta ou o quinhão de que disponha o


coerdeiro ser objeto de cessão?
Sim, desde que isso se faça por meio de escritura pública ou termo nos
autos do inventário (art. 1.793, coput, do CC).
Obs.: E necessária, ainda, a outorga do cônjuge, salvo se o regime for
o da separação de bens.

Direito à sucessão
Pode ser objeto
aberta ou quinhão
de cessão
do coerdeiro

36) Como é reputada a cessão, pelo coerdeiro, de seu direito hereditário


sobre qualquer bem da herança considerado singularmente?
E reputada como ineficaz, haja vista que a herança consiste numa
universalidade indivisível, sendo apenas com a partilha determinados
os bens que comporão o quinhão de cada herdeiro (art. 1.793, § 2-,
do CC).

Cessão, pelo coerdeiro, de


seu direito hereditário sobre
Ineficaz
qualquer bem da herança
considerado singularmente

37) De que forma é considerada a disposição, sem prévia autorização do


juiz da sucessão, por qualquer herdeiro, de bem componente do acervo
hereditário, pendente de indivisibilidade?
Tal disposição é considerada como ineficaz (art. 1.793, § 3-, do CC).

38) Pode o coerdeiro ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à


sucessão, se outro coerdeiro a quiser, tanto por tanto?
Não. No caso em apreço, a cessão da quota hereditária restará
inviabilizada (art. 1.794 do CC).
O bs.l: Faz-se mister atentar para o direito de preferência dos demais
coerdeiros.

19
Obs.2: "A regra é decorrência natural da indivisibilidade e guarda forte
relação com a questão da venda de bem indivisível em condomínio, prevista
na disciplina do contrato de compra e venda (art. 504 do CC)."6

39) O que poderá fazer o coerdeiro a quem não se der conhecimento da


cessão das quotas a pessoa estranha?
Ele poderá, depositado o preço, haver para si a quota cedida a
estranho, desde que venha a exercer tal direito de preferência em até 180
dias após a transmissão (art. 1.795, caput, do CC).

40) E se vários forem os coerdeiros a exercer tal preferência?


Na situação em apreço, deve entre eles ser distribuído o quinhão
cedido, na proporção das respectivas quotas hereditárias (art. 1.795,
parágrafo único, do CC).

41) Qual o prazo para que seja requerido o inventário e a partilha?


Ambos, via de regra, devem ser requeridos dentro de 60 dias,
contados da abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 meses subse­
quentes (art. 983, caput, 1 - parte, do CPC, com redação dada pela Lei
n. 11.441/07).
Obs.1: "Observe-se, de início, que este novo regramento revoga,
quanto ao prazo, o estabelecido pelo art. 1.796 do estatuto civil que, na
esteira do presente art. 983, instituía o lapso temporal de 30 dias para
instauração do inventário."7
Obs.2: Vale deixar consignado que o dispositivo em análise tem sido
alvo de críticas por não contemplar, em caso de descumprimento dos
mencionados lapsos, qualquer reprimenda que seja.
O bs.3: A omissão do legislador não impede que cada Estado institua
multa, como sanção pelo retardamento do início ou da ultimação do
inventário. Tal comportamento, inclusive, não pode ser reputado como
inconstitucional (Súmula 542 do STF).

6. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 33.


7. Antônio Cláudio da Costa M achado. Código de Processo Civil interpretado e anotado.
2. ed. São Paulo: Manole, 2008. p. 1.549.

20
Início: dentro de 60 dias
da abertura da sucessão
Inventário
e partilha
Fim: nos 12 meses
subsequentes

42) A quem caberá a administração da herança, até que se dê o com­


promisso do inventariante?
Estabelece o art. 1.797 do CC que, até o compromisso do inventariante,
a administração da herança caberá, sucessivamente:

1- ao cônjuge ou companheiro, se com o


O
u» outro convivia ao tempo da abertura da
c sucessão
p
o
_c II - ao herdeiro que estiver na posse e
-8 administração dos bens, e, se houver mais
O
ia de um nessas condições, ao mais velho
I III - ao testamenteiro
c IV - à pessoa de confiança do juiz, na falta ou
•IA
MB

E escusa das indicadas nos incisos antecedentes,


3 ou quando tiverem de ser afastadas por
motivo grave levado ao conhecimento do juiz

Obs.: "Na prática, somente em heranças de vulto, ou quando há


dificuldade para nomear-se um inventariante, é que surge administrador
provisório."8

43) Quais as pessoas legitimadas a suceder?


Consoante preceito encartado no art. 1.798 do CC, legitimam-se a
suceder:

8. Sílvio de Salvo Venosa. Direito civil: direito das sucessões. 5. ed. São Paulo: Atlas,
2005. v. 7, p. 53.

21
Pessoas legitimadas a suceder
✓as pessoas nascidas (vivas) ao
tempo da abertura da sucessão
✓as já concebidas no momento da
abertura da sucessão (nascituro)

Obs.l: Somente a pessoa natural herdará pela sucessão legítima.


Obs.2: "A regra do art. 1.798 do Código Civil deve ser estendida aos
embriões formados mediante o uso de técnicas de reprodução assistida,
abrangendo, assim, a vocação hereditária da pessoa humana a nascer
cujos efeitos patrimoniais se submetem às regras previstas para a petição
da herança" (Enunciado 267, aprovado na III Jornada de Direito Civil).
Obs.3: Flávio Tartuce e José Fernando Simão observam que, "para a
sucessão legítima, a regra de que a pessoa deva existir não comporta
exceções, diferentemente do que ocorre na sucessão testamentária, em
que podem ser chamadas a suceder pessoas não concebidas (art. 1.799,
I, do CC)".9

44) No que se refere à sucessão testamentária, quais as pessoas que podem,


ainda, ser chamadas a suceder?
Segundo previsão do art. 1.799 do CC, na sucessão testamentária
podem, ainda, ser chamados a suceder:

1- os filhos, ainda não concebidos,


de pessoas indicadas pelo testador,
Podem, ainda, desde que vivas estas ao abrir-se a
suceder sucessão (prole eventual)
(sucessão II - as pessoas jurídicas
testamentária) III - as pessoas jurídicas, cuja
organização for determinada pelo
testador sob a forma de fundação

9. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit.# p. 42.

22
O bs.l: Atente-se que não será lícito ao testador nomear, como
herdeiro, sua própria prole eventual (a pessoa cujos filhos, ainda não
concebidos, serão beneficiados, deve estar viva quando da abertura da
respectiva sucessão).
Obs.2: Predomina o entendimento de que o inciso I do dispositivo em
comento abarca também os filhos adotivos.10
Obs.3: "O art. 1.799, II, do Código Civil confere legitimação às pessoas
jurídicas na sucessão testamentária. Elas podem, então, ser nomeadas
herdeiras ou legatários. Mas precisam existir, legalmente. Pessoa jurídica sem
existência legal nem pessoa jurídica é, rigorosamente, e, não tendo
personalidade jurídica, não pode ser beneficiada em testamento."11
Obs.4: Lembre-se que a pessoa jurídica somente pode suceder em duas
hipóteses: na sucessão testamentária (art. 1.799, II, do CC) e em caso de
herança vacante.12
O bs.5: "A alínea III do art. 1.799 do Código Civil de 2002 usa um
circunlóquio desnecessário para atribuir validade à deixa testamentária
destinada a constituir uma fundação. A matéria já foi polêmica no passado.
Hoje não se discute mais a validade da constituição de uma fundação por
testamento (art. 62), considerando-se fundador o próprio disponente."13

45) A quem serão confiados os bens da herança, após a liquidação ou


p a rtilh a , em se verificando que o testador os deixou para a prole
eventual?
Na hipótese em comento, os bens da herança serão confiados, após
a liquidação ou partilha, a curador nomeado pelo juiz (art. 1.800, caput,
do CC).

46) A quem caberá o exercício da curatela?


Salvo disposição testamentária em contrário, a curatela caberá à pessoa
cujo filho o testador esperava ter por herdeiro, e, sucessivamente, às pessoas
indicadas no art. 1.775 (art. 1.800, § 1-, do CC).

10. Zeno Veloso. N ovo Código Civil comentado. Coord. Ricardo Fiúza. São Paulo: Saraiva,
2006. p. 1.495.
11. Silvio Rodrigues. Direito civil: direito das sucessões. 26. ed. 3. tir. São Paulo: Saraiva,
2007. v. 7, p. 43-44.
12. Fábio Ulhoa Coelho, op. cit., p. 237.
13. Caio M ário da Silva Pereira, op. cit., p. 34.

23
O bs.l: O art. 1.775 do CC estabelece, primeiramente, como curador
o cônjuge ou companheiro, não separado judicialmente ou de fato. Na
ausência deste, é curador legítimo o pai ou a mãe do falecido e, em sua
falta, o descendente que se afigurar mais apto, sendo que os mais
próximos precederão aos mais remotos. Por derradeiro, não havendo
qualquer das pessoas anteriormente designadas, competirá ao juiz a
escolha do curador.
Obs.2: "O dispositivo não se aplica bem à hipótese, pois o concepturo
não terá cônjuge ou companheiro, muito menos descendentes. Ora, se
não foi concebido ainda, como pode ser casado ou ter filhos? Realmente,
do artigo em questão aplicar-se-ia apenas a nomeação de pessoa de
confiança do juiz. Isso porque os pais do concepturo são naturalmente
curadores por força do art. 1.800, § 1 -, do CC. Em sua ausência, nomeará
o juiz pessoa de sua confiança para assumir a guarda e conservação dos
bens testados/714

47) Qual a conseqüência advinda do nascimento com vida do herdeiro


esperado?
Caso o herdeiro esperado venha a nascer com vida, ser-lhe-á deferida
a sucessão, com os frutos e rendimentos relativos à deixa, a partir da morte
do testador (art. 1.800, § 3-, do CC).

48) E se, decorridos 2 anos após a abertura da sucessão, não for concebido
o herdeiro esperado?
Nesse caso, os bens reservados, salvo disposição em contrário do
testador, caberão aos herdeiros legítimos (art. 1.800, § 4-, do CC).

Bens reservados,
salvo disposição
Decorridos 2 Não concebido
em contrário do
anos da abertura o herdeiro
da sucessão
• o V
esperado
III
testador, caberão
aos herdeiros
legítimos

14. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 44.

24
49) E se o herdeiro aguardado nascer morto?
Nascendo morto o herdeiro aguardado, os bens também caberão aos
herdeiros legítimos.

Se o herdeiro aguardado Bens também caberão


nascer morto aos herdeiros legítimos

50) Quais as pessoas que não podem ser nomeadas nem como herdeiras
nem como legatários?
De acordo com o disposto no art. 1.801 do CC, não podem ser
nomeados herdeiros nem legatários:

I - a pessoa que, a rogo, escreveu


o testamento, nem o seu cônjuge
ou companheiro, ou os seus
ascendentes e irmãos______________
II - as testemunhas do testamento
Não podem III - o concubino do testador casado,
ser nomeados
salvo se este, sem culpa sua, estiver
herdeiros nem
separado de fato do cônjuge há mais
legatários
de 5 anos_________________________
IV - o tabelião, civil ou militar, ou o
comandante ou escrivão, perante
quem se fizer, assim como o que fizer
ou aprovar o testamento

Obs.l: Com relação ao art. 1.801, I, do CC, cumpre-nos advertir que


"o dispositivo citado não menciona o descendente daquele que escreveu a
rogo como pessoa não legitimada à sucessão, mas, por força do art. 1.802,
parágrafo único, do CC, este também se inclui como não legitimado7'.15

15. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 50.

25
Obs.2: "A vedação do art. 1.801, III, do Código Civil não se aplica à
união estável, independentemente do período de separação de fato (art.
1.723, § 1 -)" (Enunciado 269, aprovado na III Jornada de Direito Civil).
Obs.3: No que concerne ao lapso temporal estipulado no art. 1.801,
III, do CC, oportuno atentar que "esse prazo é excessivo e até entra em
contradição com a regra do art. 1.830, que não reconhece direito
sucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, estava
separado de fato há mais de dois anos, salvo prova neste caso, de que essa
convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente".16

51) Qual a natureza das mencionadas hipóteses?


Cuida-se de hipóteses de falta de legitimação, porquanto, em casos
específicos, tais pessoas não podem figurar como herdeiras ou legatárias.
Obs.: "Essas pessoas não podem ser sucessoras na herança com a qual
tiveram vínculo apontado na lei. O conceito é, na verdade, mais próximo da
falta de legitimação para a sucessão do que propriamente uma
incapacidade. A idéia de suspeição está literalmente presente nesse artigo.
Todas as pessoas aí colocadas estão em posição de alterar indevidamente a
vontade do testador, que deve ser a mais livre possível."17

Hipóteses de falta de
Art. 1.801 do CC
legitimação para suceder

52) Como são consideradas as disposições testamentárias feitas em favor de


pessoas não legitimadas a suceder?
Aludidas disposições são reputadas nulas, ainda quando simuladas sob
a forma de contrato oneroso, ou feitas mediante interposta pessoa (art.
1.802, caput, do CC).

Disposições testamentárias
feitas em prol de pessoas não Nulas
legitimadas a suceder

16. Zeno Veloso, op. cit., p. 1.499.


17. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 68.

26
53) Quais as pessoas presumidas como interpostas?
Consoante disposição do art. 1.802, parágrafo único, do CC,
presumem-se pessoas interpostas os ascendentes, os descendentes, os
irmãos e o cônjuge ou companheiro do não legitimado a suceder.

54) Nosso ordenamento admite que o testador beneficie indiretamente o


concubino, deixando bens para o filho deste?
Em princípio, não. Será lícita, no entanto, a deixa ao filho do concubino,
quando também o for do testador (art. 1.803 do CC).
O bs.l: Nos termos da Súmula 447 do STF, "é válida a disposição
testamentária em favor de filho adulterino do testador com sua
concubina".
Obs.2: Tal discussão perdeu importância, em virtude da igualdade
constitucional assegurada aos filhos (art. 227, § 6-, da CF).

55) Em que consiste a "aceitação da herança"?


Aceitação da herança "é o ato pelo qual o herdeiro manifesta sua
vontade de receber a herança que lhe é devolvida."18

Aceitação Ato por meio do qual o herdeiro exterioriza


da herança sua vontade de receber a herança

56) Como também é chamada a aceitação da herança?


Adição da herança.

Aceitação da herança sinommo Adição da herança

57) Quais as espécies de aceitação da herança?

Aceitação da herança
✓aquela que decorre de declaração escrita, seja ela
expressa
pública ou particular (art. 1.805, 1 - parte, do CC)

18. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7. p. 53.

27
✓aquela resultante da prática, pelo herdeiro, de ato
tácita positivo que revela o seu desejo de receber
a herança (art. 1.805, 2- parte, do CC)

Obs.l: Há autores que admitem, ainda, a existência da denominada


"aceitação presumida"19. O instituto restaria configurado nas hipóteses em
que o herdeiro permanece inerte, mesmo depois de notificado judicialmente
a se manifestar, caso em que, o silêncio implicaria aceitação da herança.
Obs.2: Tal concepção decorre de preceito encartado no art. 1.807 do
CC, pelo qual o interessado em que o herdeiro declare se aceita ou não a
herança poderá, 20 dias após a abertura da sucessão, requerer ao juiz
prazo razoável, não maior de 30 dias, para, nele, se pronunciar o herdeiro,
sob pena de se haver a herança por aceita.

58) Os atos oficiosos, como o funeral do finado, os meramente conservatórios


e os de administração e guarda provisória exprimem aceitação de herança?
Não, porquanto são praticados de forma altruísta (art. 1.805, § 1-, do
CC).

Atos oficiosos, meramente


Não exprimem
conservatórios e de administração
aceitação de herança
e guarda provisória

59) E quanto à cessão gratuita, pura e simples, da herança aos demais


coerdeiros?
Também ela não importa aceitação da herança (art. 1.805, § 2-, do CC).
Obs.: Oportuno, aqui, atentar que, "na realidade, embora o legislador
equivocadamente refira-se à 'cessão', que implica a ideia de transferência
de um direito que se acha em nosso patrimônio, está a se referir à renúncia,
que indica abstenção, recusa da herança. Estamos diante de um caso típico
de repúdio tácito".20

19. Flávio Augusto M onteiro de Barros. M anual de direito civil: fam ília e sucessões. São
Paulo: Método, 2004. v. 4, p. 187.
20. Eduardo de Oliveira Leite. Comentários ao N ovo Código Civil do direito das sucessões.
4. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2004. v. 21, p. 129.

28
60) Cite algumas das características do ato de aceitação da herança.

Características do ato de aceitação da herança


✓exige para o seu aperfeiçoamento uma
unilateral
única manifestação de vontade
✓não demanda comunicação a terceiros
não receptício
para que venha a irradiar efeitos
✓via de regra, não se pode aceitar ou
indivisível
renunciar à herança em parte
✓não se admite a aceitação ou renúncia
incondicional
da herança, sob condição ou a termo
✓a aceitação retroage à data da
irrevogável
abertura da sucessão

Obs.: Registre-se que a aceitação torna, outrossim, definitiva a


transmissão da herança.

61) É possível a aceitação ou renúncia da herança em parte, sob condição


ou a termo?
Não. Como já se viu, a aceitação e a renúncia da herança, via de regra,
não admitem condição, termo e retratação.
Obs.: Ocorre que em duas hipóteses tais atos poderão ser parciais,
a saber:

Hipóteses excepcionais em que a aceitação ou renúncia


da herança pode ser parcial
em se tratando de pré- ✓indivíduo apresenta-se como herdeiro
-legado ou legado precípuo e legatário (art. 1.808, § 1-, do CC)
quando o herdeiro recebe ✓sujeito figura, na mesma sucessão,
a herança sob títulos como herdeiro legítimo e testamentário
sucessórios diversos (art. 1.808, § 2o-, do CC)

62) Qual a prerrogativa inerente ao herdeiro, chamado, na mesma sucessão,


a mais de um quinhão hereditário, sob títulos sucessórios diversos?
Ele pode livremente deliberar quanto aos quinhões que aceita e aos
que renuncia (art. 1.808, § 2-, do CC).

29
63) Caso o herdeiro venha a falecer antes de declarar se aceita a herança,
a quem competirá tal incumbência?
Na situação em epígrafe, o poder de aceitar a herança transmite-se
aos herdeiros, a menos que se trate de vocação adstrita a uma condição
suspensiva, ainda não verificada (art. 1.809, caput, do CC).
Obs.: Vale deixar consignado que o direito de aceitar a herança não é
personalíssimo.

64) Qual a condição para que os sucessores do herdeiro falecido antes da


anuência possam aceitar ou renunciar à primeira herança?
Devem eles concordar em receber a segunda herança (art. 1.809,
parágrafo único, do CC).

65) Nosso ordenamento admite que o herdeiro volte atrás, optando por não
mais aceitar ou então por renunciar à herança já aceita?
Não. Os atos de aceitação e de renúncia da herança são irrevogáveis,
porque retroagem à data da abertura da sucessão (art. 1.812 do CC).
O bs.l: Busca-se, assim, dar consecução ao princípio da segurança
jurídica.
Obs.2: O Código Civil de 1916, em seu art. 1.590, aventava a
possibilidade de revogação da aceitação desde que não houvesse pre­
juízos a terceiros.

Aceitação e renúncia da herança Irrevogáveis

66) Uma vez aceita a herança, sua transmissão torna-se definitiva ao


herdeiro desde que instante?
Desde a abertura da sucessão (art. 1.804, caput, do CC).

Sua transmissão
Desde a abertura
torna-se definitiva
da sucessão
ao herdeiro

67) E se o herdeiro renunciar à herança?


Nesse caso, tal transmissão tem-se por não verificada (art. 1.804,
parágrafo único, do CC).

30
68) Em que consiste a "renúncia"?
"Renúncia não é outra coisa senão a demissão da qualidade de
herdeiro. Constitui ato unilateral, que não cria para o renunciante qualquer
direito. Ela não é considerada transmissão da propriedade, nem
liberalidade. Ao renunciante se considera como se não existisse, ou melhor,
como se nunca tivesse herdado."21
Obs.: Em outras palavras, pode a renúncia ser concebida como
declaração unilateral de vontade por meio da qual o herdeiro abre mão de
seus direitos sucessórios.

K Declaração unilateral de vontade


Renúncia por meio da qual o herdeiro abre
mão de seus direitos sucessórios

69) Cite algumas das características inerentes à renúncia à herança.

Características da renúncia à herança


ato jurídico ✓aperfeiçoa-se desde o momento da
unilateral emissão solene da declaração de vontade
✓não se admite a renúncia tácita, ou seja,
aquela inferida de meras conjecturas,
expressa afigurando-se necessária a declaração
inequívoca de que o herdeiro abre mão
de seus direitos sucessórios
✓deve constar, obrigatoriamente, de
instrumento público ou termo judicial,
solene
lançado nos autos do inventário
(art. 1.806 do CC)
✓retroage à data da abertura da sucessão
irrevogável
(art. 1.812 do CC)

21. Washington de Barros Monteiro. Curso de direito civil: direito das sucessões. 35. ed.
São Paulo: Saraiva, 2003. v. 6, p. 53.

31
70) Pode a renúncia ser tácita ou presumida?
Não. A renúncia deve ser, necessariamente, expressa, porquanto implica
abdicação de direitos (art. 1.806 do CC).
Obs.: No caso de herdeiro testamentário ou legatário nomeado sob
encargo, poderá ocorrer a renúncia tácita ou presumida.

71) Quais as espécies de renúncia?

Espécies de renúncia
✓própria, pura e simples ou abdicativa
✓imprópria ou translativa

Obs.: "Negócio jurídico unilateral, a renúncia constitui-se em manifes­


tação de vontade abdicativa do direito à herança. A renúncia só pode ser
abdicativa. A impropriamente denominada renúncia translativa é, na
verdade, negócio jurídico de alienação e não renúncia."22

72) Quando se verifica a "renúncia abdicativa"?


Quando o herdeiro simplesmente abre mão dos seus direitos sucessórios.
O bs.l: "E a verdadeira renúncia. Para que se caracterize, o renun-
ciante deve renunciar indistinta e pura e simplesmente em favor de todos
os coerdeiros."23
Obs.2: Como se vê, trata-se da renúncia pura e simples, em que não
há a indicação de qualquer favorecido e não é considerada como fato de
transmissão de propriedade.
Obs.3: A renúncia abdicativa não deve ser confundida com a acei­
tação tácita.

Renúncia Herdeiro abre mão dos seus


abdicativa direitos sucessórios

73) E quanto à denominada "renúncia translativa"?


A "renúncia translativa" tem ensejo quando o herdeiro renuncia em prol
de uma determinada pessoa.

22. Nelson Nery Junior e Rosa M aria de Andrade Nery. Código Civil anotado e legislação
extravagante. 2. ed. São Paulo: RT, 2003. p. 794.
23. Nelson Nery Junior e Rosa M aria de Andrade Nery, op. cit., p. 794.

32
O bs.l: Parte da doutrina considera que não se trata de renúncia, mas de
cessão de direitos ou desistência, haja vista que o herdeiro, num primeiro
instante, aceita tacitamente a herança, para, depois, doá-la a alguém.
Obs.2: A questão é enfrentada por Nelson Nery Junior e Rosa Maria de
Andrade Nery nos seguintes termos: "não é propriamente renúncia.
E negócio jurídico de alienação, pelo qual o renunciante (recfius: alienante)
abre mão de sua quota-parte na herança em favor de alguém perfeitamente
individualizado (pessoa física ou jurídica). Esse negócio jurídico implica
prévia aceitação da herança e posterior alienação do quinhão hereditário
ao favorecido individualizado".24

Herdeiro renuncia
"Renúncia rr ------ jk> Não é propriamente em prol de uma
transi ativa" --------- V renúncia determinada
pessoa

74) Quais os impostos devidos em cada uma das espécies de renúncia?

Espécie de renúncia Imposto devido


abdicativa somente o imposto causo mortis
translativa impostos causa mortis e inter vivos

75) A renúncia à herança requer, para sua validade, aquiescência do


cônjuge?

A questão não é pacífica, havendo posicionamentos em sentidos díspares


✓ Por configurar ato unilateral, de não-aceitação de direito
hereditário, não se poderia exigir a vênia conjugal. Esta se
Não
afigura imprescindível apenas nas hipóteses de disposição
patrimonial atinente a bem imóvel25

24. Nelson Nery Junior e Rosa M aria de Andrade Nery, op. cit., p. 794.
25. José Luiz G avião de A lm eida. C ódigo Civil comentado. São Paulo: Atlas, 2003.
v. 18, p. 132.

33
✓A renúncia exige, para sua validade, a anuência do
respectivo cônjuge do renunciante, exceto se casados
Sim pelo regime da separação absoluta de bens (art. 1.647),
haja vista que a sucessão aberta é reputada como bem
imóvel (art. 80, II, do CC)26

76) Os incapazes podem renunciar à herança?


Na prática, não. Isto porque, o incapaz, para renunciar ao
recebimento da herança, deverá não só ser representado ou assistido
pelo respectivo representante legal, como também, mister se faz que
haja autorização judicial para tanto, a qual será dada desde que se
demonstre a necessidade ou evidente utilidade para aquele que a
pleiteia (art. 1.691 do CC).

77) Caso o herdeiro venha a prejudicar os seus credores, renunciando à


herança, o que poderão estes razer?

Se o herdeiro renunciar Estes poderão, com autorização


à herança para prejudicar judicial, aceitá-la em nome
í>
seus credores do renunciante

78) Uma vez pagas as dívidas do renunciante, o que ocorrerá com o


remanescente?
Será o saldo devolvido aos demais herdeiros (art. 1.813, § 2-,
do CC).

Pagas as dívidas Devolvido aos


Saldo
do renunciante t> demais herdeiros

79) Qual o prazo para habilitação dos credores do renunciante na herança?


A habilitação dos credores se fará no prazo de 30 dias seguintes ao
conhecimento do fato (art. 1.813, § 2°, do CC).

26. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 62.

34
Prazo para habilitação dos credores 30 dias

80) Quais os efeitos decorrentes da renúncia?

✓o herdeiro renunciante é excluído da sucessão;


✓na sucessão legítima, a parte do renunciante
acresce à dos outros herdeiros da mesma classe
Efeitos da
e, sendo ele o único desta, devolve-se ao
renúncia
subsequente (art. 1.810 do CC);
✓proíbe-se a sucessão por direito
de representação (art. 1.811 do CC).

Obs.: Muito embora seja a questão um tanto quanto polêmica, cabe-


nos advertir que a redação do art. 1.810 apresenta-se imperfeita, uma vez
que "não recebem todos da mesma classe, mas os da mesma classe, grau
e linha do renunciante".27

81) Nosso ordenamento admite que alguém venha a suceder, representando


herdeiro renunciante?
Não. E o que determina o art. 1.811, 1 - parte, do CC.

Herdeiro renunciante DZ ^> Ninguém pode suceder, representando-o

82) E se o renunciante for o único herdeiro legítimo da sua classe, ou se todos


os outros da mesma classe renunciarem à herança?
Em tais hipóteses, poderão os filhos do renunciante vir à sucessão, por
direito próprio, e por cabeça (art. 1.811, 2a- parte, do CC).

Se o renunciante for o único Os filhos do renunciante


herdeiro legítimo da sua classe ou poderão vir à sucessão,
se todos os outros da mesma por direita próprio
classe renunciarem à herança e por cabeça

27. José Luiz Gavião de Alm eida, op. cit., p. 141.

35
83) Em se tratando de sucessão testamentária, quais as conseqüências
advindas da renúncia do herdeiro?

Sucessão testamentária
Conseqüências oriundas da renúncia do herdeiro
✓a parte do renunciante acrescerá aos
se não houver especificação
da quota pelo testador demais herdeiros testamentários ou
legatários (art. 1.943 do CC)
✓verifica-se a caducidade da instituição,
de modo que a parte do renunciante irá
se houver especificação para os herdeiros legítimos do testador,
da quota pelo testador
desde que o testador não tenha
indicado substituto (art. 1.947 do CC)

84) Pode o sucessor promover a retratação da renúncia?


Não. Os atos de aceitação ou de renúncia da herança são irrevogáveis,
porque retroagem à data da abertura da sucessão (art. 1.812 do CC).

85) Em que hipóteses a renúncia será considerada absolutamente inválida?

Hipóteses de renúncia absolutamente inválida


✓quando não houver sido feita por escritura pública ou
termo judicial, em desconformidade com o art. 1.806 do CC
✓quando manifestada por pessoa absolutamente incapaz,
não representada e inexistente autorização judicial

86) Quando se diz que a renúncia encontra-se maculada por invalidade


relativa?

Hipóteses de renúncia relativamente inválida


✓quando oriunda de erro, dolo ou coação
✓quando não houver autorização do cônjuge para tanto,
salvo se se tratar do regime da separação absoluta de bens

36
Obs.: Lembre-se que, como vimos anteriormente, há autores que en­
tendem que a renúncia à herança não exige vênia conjugal (Questão n. 75).

87) Pode o herdeiro ou legatário ser privado do direito sucessório?


Sim, desde que tenha praticado contra o autor da herança ou contra
seu cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente, atos ofensivos,
ou seja, de indignidade, os quais se encontram enumerados no art. 1.814
do CC.

pratica atos ofensivos

fica privado do direito sucessório

88) O que se entende pelo termo "indignidade"?


Cuida-se de uma espécie de pena civil, consistente na perda da herança
ou do legado, aplicada ao herdeiro ou ao legatário que tenha praticado
contra o de cujus (ou contra seu cônjuge, companheiro, ascendente ou
descendente) atos ofensivos (de ingratidão) enumerados no art. 1.814 do
Código Civil.
Obs.: Washington de Barros Monteiro ensina que a indignidade
"constitui pena civil cominada a herdeiro acusado de atos criminosos ou
reprováveis contra o de cujus. Com a prática desses atos, incompatibiliza-
-se ele com a posição de herdeiro, tornando-se incapaz de suceder".28

Espécie de pena civil, consistente na perda da


herança ou do legado, aplicada ao herdeiro ou
ao legatário que tenha praticado contra o de
Indignidade ► cujus (ou contra seu cônjuge, companheiro,
ascendente ou descendente) atos ofensivos (de
ingratidão) enumerados no art. 1.814 do CC

28. Washington de Barros M onteiro, op. cit., p. 62.

37
89) Em que hipóteses resta verificada a exclusão dos herdeiros ou
legatários da sucessão?
Segundo determina o art. 1.814 do CC, são excluídos da sucessão os
herdeiros ou legatários:

I - que houverem sido autores,


coautores ou partícipes de homicídio
doloso, ou tentativa deste, contra a
pessoa de cuja sucessão se tratar,
seu cônjuge, companheiro, ascendente
ou descendente______________________
São excluídos II - que houverem acusado
da sucessão
caluniosamente em juízo o autor da
os herdeiros
herança ou incorrerem em crime
ou legatários
contra a sua honra, ou de seu cônjuge
ou companheiro
III - que, por violência ou meios
fraudulentos, inibirem ou obstarem o
autor da herança de dispor livremente
de seus bens por ato de última vontade

90) Para que se reconheça a indignidade com base no art. 1.814,1, do CC,
é preciso ter havido condenação na esfera criminal?
Não. Isso porque, consoante preceito encartado no art. 935 do CC, a
responsabilidade civil é independente da criminal.
Obs.: Para a aplicação da sanção civil consistente na perda do direito
sucessório, basta que haja absolvição com fundamento outro que não
acerca da inexistência do fato ou da autoria ou do reconhecimento do
estado de necessidade ou legítima defesa.

91) O cometimento de homicídio culposo ou tentativa deste, nos termos do


art. 1 .814,1, do CC, tem o condão de acarretar na exclusão do herdeiro ou
legatário da respectiva sucessão?
Não. O referido dispositivo faz expressa alusão à prática de homicídio
doloso, ou tentativa deste, contra a pessoa de cuja sucessão se tratar, seu
cônjuge, companheiro, ascendente ou descendente.

38
Homicídio Não implica exclusão do herdeiro
culposo ou legatário da sucessão

92) A hipótese de exclusão contemplada no art. 1.814, II, do CC, pressupõe


condenação no juízo criminal?

Para se responder à indagação formulada, faz-se mister atentar para o


fato de que sobredito inciso contempla duas hipóteses distintas, a saber
✓não se exige condenação na esfera
acusação caluniosa, em criminal, de sorte que a prova da
juízo, do autor da herança denunciação caluniosa pode,
perfeitamente, ser feita no juízo cível
cometimento de crime ✓ao empregar a expressão "incorrer
contra a honra do autor da em crime", o legislador deixa claro que
herança ou de seu cônjuge é necessário, aqui, que tenha havido
ou companheiro condenação criminal

93) A ofensa à honra de ascendente ou descendente do falecido pode ser


concebida como causa de exclusão?
Não. O art. 1.814, II, do CC, é claro ao estatuir que configura causa
de exclusão a ofensa à honra do autor da herança, de seu cônjuge ou
companheiro.

94) Em que circunstância aquele que incorrer em atos que determinem a


exclusão da herança será admitido a suceder?
Aquele que incorrer em atos que determinem a exclusão da herança
será admitido a suceder se o ofendido o tiver expressamente reabilitado em
testamento ou em outro ato autêntico (art. 1.818, coput, do CC).
Obs.: Saliente-se que " o que o art. 1.818 chamou de ato autêntico,
sem dúvida, é a escritura pública, e melhor seria se tivesse se utilizado da
denominação própria e inequívoca".29

29. Zeno Veloso, op. cit., p. 1.515.

39
Se o ofendido
Aquele que
o tiver
incorrer em atos
Será admitido expressamente
que determinem
v a suceder v reabilitado em
a exclusão da
testamento ou em
herança
outro ato autêntico

95) O dispositivo mencionado na questão anterior faz alusão a que instituto?


Ao instituto da reabilitação, remissão ou perdão do indigno.

Art. 1.818 Reabilitação, remissão


n--------N
do CC \/ ou perdão do indigno

96) Admite-se o perdão tácito do indigno?


Sim. Isso ocorrerá em uma única situação, qual seja, por meio de
testamento, na hipótese do autor da herança, após a ofensa, contemplar o
indigno, com parte de seus bens ou direitos (art. 1.818, parágrafo único,
do CC).
Obs.: Haverá, portanto, perdão tácito, mas restrito à gratificação
contida naquela disposição testamentária.

Se o autor da herança, após


Perdão tácito a ofensa, contemplar, em seu
do indigno testamento, o indigno, com
parte de seus bens ou direitos

97) Em que consiste a "deserdação"?


"A deserdação vem a ser o ato pelo qual o de cujus exclui da sucessão,
mediante testamento, com expressa declaração da causa (CC, art. 1.964),
herdeiro necessário, privando-o de sua legítima, por ter praticado
qualquer ato taxativamente enumerado no Código Civil, arts. 1.814,
1.962 e 1.963."30

30. M aria Helena Diniz. Curso de direito civil brasileiro: direito das sucessões. 17. ed.
São Paulo: Saraiva, 2003. v. 6, p. 157.

40
Obs.l: Em outras palavras, a "deserdação é ato pelo qual o testador
retira a legítima do herdeiro necessário. Não se confunde com indignidade,
embora coincidam seus efeitos e respectivas causas geradoras".31
Obs.2: Embora seja herdeiro necessário, o cônjuge somente poderá ser
deserdado pelos motivos previstos no art. 1.814 (art. 1.961 do CC). No que
toca às hipóteses elencadas nos arts. 1.962 e 1.963 do Estatuto Civil, elas
se referem, respectivamente, à deserdação dos descendentes por seus
ascendentes e à deserdação dos ascendentes pelos descendentes.

Privação da legítima do
Deserdação herdeiro necessário, por
vontade motivada do testador

98) Quais as principais diferenças entre a indignidade e a deserdação?

Diferenças
Indignidade Deserdação
✓as causas são expressamente ✓é o de cujus quem, de
enumeradas pela lei alguma forma, aplica uma
reprimenda a um de seus
herdeiros necessários, por
meio de disposição
testamentária
✓figuram como causas da ✓suas causas encontram-se
indignidade aquelas previstas elencadas nos arts. 1.814,
no art. 1.814 do CC 1.962 e 1.963 do CC
✓a indignidade constitui ✓a deserdação, por sua vez,
instituto da sucessão legítima, é própria da sucessão
podendo se referir, também, ao testamentária (art. 1.964
legatário do CC)

31. Washington de Barros M onteiro, op. cit., p. 239.

41
✓a indignidade pode alcançar ✓a deserdação, contudo,
todos os sucessores, sejam eles atinge os herdeiros
legítimos ou testamentários, necessários, de modo que
inclusive os legatários só assim podem eles ser
privados do direito à legítima
(vide obs. 2 da questão
anterior)

99) De que forma deve ser declarada a exclusão do herdeiro ou legatário?


A exclusão do herdeiro ou legatário, em qualquer dos casos de
indignidade, deve ser declarada por sentença (art. 1.815, copuf, do CC).

100) Quando se verificará a extinção do direito de demandar a exclusão,


por indignidade, do herdeiro ou legatário?
Em 4 anos, contados da abertura da sucessão (art. 1.815, parágrafo
único, do CC).
Obs.l: Cuida-se de prazo decadencial.
Obs.2: A demanda contra o deserdado deverá, igualmente, ser
ajuizada em 4 anos, computados, entretanto, da abertura do testamento
(art. 1.965, parágrafo único, do CC).

101) Quem poderá ajuizar ação específica, com o propósito de obter a


exclusão do indigno?
Aquele que tiver interesse na sucessão.
Obs.l: O Município poderá intentar referida ação se, com a exclusão,
a herança se tornar jacente.
Obs.2: Se, contudo, ninguém propuser tal demanda, o excluído
herdará, pois o Parquet, via de regra, não detém legitimidade para tanto,
haja vista se tratar de interesse privado.
Obs.3: Saliente-se, no entanto, que "o Ministério Público, por força do
art. 1.815 do Código Civil, desde que presente o interesse público, tem
legitimidade para promover a ação visando à declaração da indignidade
do herdeiro ou legatário" (Enunciado 116, aprovado na I Jornada de
Direito Civil).

Ação específica para obter legitimidade At1uele <lue íiver


a exclusão do indigno ----------------- ► interesse na sucessão

42
102) Quem poderá figurar como interessado na exclusão do indigno?

✓o herdeiro ou legatário
favorecido com a
exclusão do indigno
✓o Município, se não
Interessados houver sucessores
na exclusão
legítimos e testamentários
do indigno
✓o credor prejudicado
com a desídia das
pessoas mencionadas
anteriormente

103) A partir de que instante a indignidade produzirá efeitos?


A partir da sua declaração por sentença.

A partir da sua
declaração por
sentença

104) Como são considerados os efeitos da exclusão por indignidade?


Os efeitos da exclusão por indignidade são pessoais (art. 1.816, caput,
1 - parte, do CC).

Efeitos da exclusão Pessoais (não atingem os


por indignidade descendentes do excluído)

105) Os descendentes do excluído por indignidade podem suceder?


Sim. Conforme estabelece o art. 1.816, caput, 2 - parte, do CC, os
descendentes do herdeiro excluído sucedem, como se ele morto fosse antes
da abertura da sucessão.

106) A que direitos o excluído da sucessão por indignidade não fará jus?
Segundo preceito encartado no art. 1.816, parágrafo único, do CC, o
excluído da sucessão não terá direito:

43
O excluído da sucessão não terá direito
✓ao usufruto ou à administração dos bens
que a seus sucessores couberem na herança
✓à sucessão eventual dos bens que a seus
sucessores couberem na herança

107) As alienações onerosas de bens hereditários a terceiros de boa-fé e os


atos de administração legalmente praticados pelo herdeiro antes da sentença
de exclusão são reputados como válidos?
Sim. Observe-se, no entanto, que aos herdeiros subsiste, quando prejudi­
cados, o direito de demandar-lhe perdas e danos (art. 1.817, coput, do CC).

108) O excluído da sucessão é obrigado a restituir os frutos e rendimentos


que dos bens da herança houver percebido?
Sim. Terá, contudo, direito a ser indenizado pelas despesas decorrentes
da conservação deles (art. 1.81 7, parágrafo único, do CC).
Obs.: Isso porque nosso ordenamento veda o enriquecimento sem causa.

109) O que são "bens ereptícios"?


Cuida-se dos bens retirados do indigno, ou seja, aqueles que ele deixar
de herdar, os quais serão devolvidos às pessoas que os receberão como se
mencionado indivíduo nunca tivesse ostentado a condição de herdeiro.32

Bens ereptícios Ll > Bens retirados do indigno

110) Em que hipótese se diz que a herança é "jacente"?


Quando alguém vier a falecer sem deixar testamento nem herdeiro
legítimo notoriamente conhecido (art. 1.819 do CC).

Aquela que tem ensejo quando


alguém vier a falecer sem deixar
Herança jacente
testamento nem herdeiro legítimo
notoriamente conhecido

32. Carlos Roberto Gonçalves, op. cit., v. 4, p. 22.

44
1 1 1 )0 que ocorrerá em se verificando que a herança é jacente?
Os bens da herança, depois de arrecadados, ficarão sob a guarda e
administração de um curador, livremente nomeado pelo juiz, até a sua
entrega ao sucessor devidamente habilitado ou à declaração de sua
vacância (art. 1.819 do CC).
Obs.: Como se vê, a jacência não é duradoura.

112) Quais as incumbências inerentes ao curador?


Estabelece o art. 1.144 do CPC:

✓representar a herança em juízo ou fora dele,


com assistência do órgão do Ministério Público
✓ter em boa guarda e conservação os bens arrecadados
Incumbe e promover a arrecadação de outros porventura existentes
ao
✓executar as medidas conservatórias dos direitos da herança
curador
✓apresentar mensalmente ao juiz um balancete da receita
e da despesa
✓prestar contas ao final de sua gestão

113) O que deve ocorrer após a arrecadação dos bens?


Deve o juiz mandar expedir edital, por três vezes, com intervalo de 30
dias para cada um, no órgão oficial e na imprensa da comarca, para que
venham a habilitar-se os sucessores do finado no prazo de 6 meses
contados da primeira publicação (art. 1.152, caput, do CPC).

114) Em que hipóteses será a herança declarada vacante?


Será a herança declarada vacante se, passado um ano da primeira
publicação do edital (art. 1.152, caput, do CPC), não houver herdeiro
habilitado nem habilitação pendente (arts 1.820 do CC e 1.157 do CPC).

Hipóteses em que a herança será declarada vacante


✓se, passado um ano da primeira publicação do edital (art.
1.152, caput, do CPC), não houver herdeiro habilitado nem
habilitação pendente (arts 1.820 do CC e 1.157 do CPC)
✓se todos os indivíduos chamados a suceder renunciarem
à herança (art. 1.823 do CC)

45
115) Pode a declaração de vacância da herança vir a prejudicar os herdeiros
que legalmente se habilitarem?
Em regra, não. E o que se extrai da redação do art. 1.822, coput, 1-
parte, do CC.

116) Quando os bens arrecadados passarão ao domínio do Poder Público?


De acordo com o art. 1.822, caput, 2 - parte, do CC, decorridos 5 anos
da abertura da sucessão, caso não apareçam herdeiros, os bens
arrecadados passarão ao domínio:

Decorridos 5 anos da abertura da sucessão, não aparecendo


herdeiros, os bens arrecadados passarão ao domínio
✓do Município ou do Distrito ✓se localizados nas
Federal respectivas circunscrições
✓da União ✓quando situados em
território federal

117) O que ocorrerá com os colaterais que não se habilitarem até a


declaração de vacância?
Ficarão eles excluídos da sucessão (art. 1.822, parágrafo único, do CC).

Colaterais que não se


Ficarão excluídos
habilitarem até a
da sucessão
declaração de vacância

118) Qual o direito assegurado por nosso ordenamento jurídico aos credores
do falecido?
O direito de pedir o pagamento das dívidas reconhecidas, nos limites
das forças da herança (art. 1.821 do CC).

Pedir pagamento das dívidas


Direito dos credores
reconhecidas, respeitadas as
do falecido
forças da herança

46
119) Pode o herdeiro, em ação de petição de herança, demandar o
reconhecimento de seu direito sucessório?
Sim. Consoante preceito encartado no art. 1.824 do CC, pode o
herdeiro, por meio de ação de petição de herança, demandar o
reconhecimento de seu direito sucessório, a fim de obter a restituição da
herança, ou de parte dela, contra quem, na qualidade de herdeiro, ou
mesmo sem título, a possua.
Obs.: "A petição de herança é a ação destinada ao reconhecimento de
direito sucessório e à restituição da herança a quem o titularizava, mas foi
preterido na partilha."33

120) Ainda que exercida por somente um dos herdeiros, pode tal ação
abranger todos os bens hereditários?
Sim. E o que se depreende da redação do art. 1.825 do CC.

121) Nosso ordenamento admite que o herdeiro venha a demandar os bens


da herança, ainda que em poder de terceiros?
Sim. Pode o herdeiro fazê-lo, sem prejuízo da responsabilidade do
possuidor originário pelo valor dos bens alienados (art. 1.827, caput, do CC).

122) Como são reputadas as alienações feitas, a título oneroso, pelo herdeiro
aparente a terceiro de boa-fé?
São elas consideradas eficazes (art. 1.827, parágrafo único, do CC).
Obs.: A expressão "herdeiro aparente" tem por escopo designar "aquele
que se apresenta, à vista de todos, como o verdadeiro herdeiro"34, muito
embora, a bem da verdade, não seja titular de direito sucessório algum.

Alienações feitas, a
título oneroso, pelo
Eficazes
herdeiro aparente a
terceiro de boa-fé

33. Fábio Ulhoa Coelho, op. cit., p. 253.


34. Nelson G odoy Bassil Dower. Direito civil: direito das sucessões. (Col. curso moderno
de direito civil, 6). São Paulo: Nelpa, 2004. p. 97.

47
123) O herdeiro aparente que de boa-fé houver pago um legado está
obrigado a prestar o equivalente ao verdadeiro sucessor?
Não. Note-se, contudo, que ao verdadeiro sucessor fica ressalvado o
direito de proceder contra quem o recebeu (art. 1.828 do CC).

124) Quando se dará a prescrição da pretensão referente à petição de herança?


Em 10 anos, conforme estabelece o art. 205 do CC.

Pretensão referente à prescreve em 10 anos


petição de herança

III - SUCESSÃO LEGÍTIMA

1) Quais as espécies de sucessão no que concerne à fonte de onde emanam?


De acordo com o art. 1.786 do CC, a sucessão se dá por:

Espécies de sucessão quanto à fonte de onde emanam


lei sucessão legítima
disposição de última vontade sucessão testamentária

2) Como também pode ser chamada a sucessão legítima?


Sucessão ab intesfato.

Sucessão legítima sinonimo Sucessão ab intestato

3) Em que hipóteses tem ensejo a sucessão legítima?


De acordo com o art. 1.788 do CC, será a herança transmitida aos
herdeiros legítimos:

48
Hipóteses em que a herança será transmitida aos herdeiros legítimos
✓se a pessoa morrer sem deixar testamento
✓se o autor da herança deixar bens não abrangidos pelo testamento
✓se o testamento caducar__________________________________________
✓se o testamento deixado for reputado nulo

Obs.: Portal razão, afirma-se que a sucessão legítima traduz a vontade


presumida do falecido e tem caráter meramente supletivo.

4) Quando se diz que a sucessão testamentária coexiste com a sucessão


legítima?

A sucessão testamentária coexiste


com a sucessão legítima quando:
✓o testamento fizer referência a apenas
parte dos bens do testador
✓houver herdeiro necessário, o qual tem
resguardado pela lei o direito à legítima

5) Como é denominada a ordem de chamamento dos sucessores?


Ordem de vocação hereditária.

Ordem de chamamento Ordem de vocação


dos sucessores hereditária

ó) Quais as classes de herdeiros previstas no Código Civil?

✓descendentes (filhos, netos, bisnetos etc.)


✓ascendentes (pais, avós, bisavós etc.)
Classes de
✓cônjuge ou companheiro sobrevivente
herdeiros
✓colaterais até o quarto grau (irmãos, tios,
sobrinhos etc.)

49
Obs.: Note-se que os demais parentes do falecido, como os afins, não
são sucessíveis, de sorte que "não herdam, a não ser que tenham sido
lembrados na declaração de última vontade do autor da sucessão, ou seja,
em seu testamento".35

7) Qual a ordem de vocação que deve ser observada na sucessão legítima?


Segundo determina o art. 1.829 do CC, a sucessão legítima defere-se
na ordem seguinte:

1. aos descendentes, em
concorrência com o cônjuge
sobrevivente, salvo se casado
este com o falecido no regime
da comunhão universal, ou no
da separação obrigatória de
bens (art. 1.640, parágrafo
Ordem de
único, do CC) ou se, no regime
vocação
da comunhão parcial, o autor
da herança não houver deixado
bens particulares
2. aos ascendentes, em
concorrência com o cônjuge
3. ao cônjuge sobrevivente
4. aos colaterais

O bs.l: Note-se que a menção feita no art. 1.829, I, do CC, ao art.


1.640, parágrafo único, está incorreta, sendo certo que o legislador quis
fazer alusão ao art. 1.641 do Estatuto Civil, dispositivo este que enumera
as hipóteses em que se mostra imprescindível a realização do casamento
sob regime de separação obrigatória de bens.
Obs.2: Não se pode olvidar que o companheiro também figura como
herdeiro do falecido (art. 1.790 do CC).

35. Fábio Ulhoa Coelho, op. cit., p. 229.

50
8) O que significa dizer que o chamamento dos herdeiros é, via de regra,
sucessivo e excludente?
Significa que "a existência de herdeiros de uma classe exclui do
chamamento à sucessão herdeiros da classe seguinte".36
O bs.l: Tal premissa tinha aplicabilidade, quando da vigência do
Código Civil de 1916.
Obs.2: Aludida regra, no entanto, na atual sistemática, deve ser
concebida com algumas ressalvas, quais sejam:

Exceções à regra de que o chamamento dos herdeiros


é sucessivo e excludente:
✓ possibilidade de concorrência entre os descendentes do de cujus e o
cônjuge sobrevivente (salvo se casado este com o falecido no regime
da comunhão universal ou da separação obrigatória ou se, no regime
da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens
particulares) - (art. 1.829, I, do CC)
✓concorrência entre os ascendentes do falecido e o cônjuge sobre­
vivente (qualquer que seja o regime de bens) - (art. 1.829, II, do CC)
✓concorrência entre os descendentes do falecido e o companheiro
sobrevivente (somente no que se refere aos bens adquiridos onerosa-
mente na constância da união estável) - (art. 1.790, I e II, do CC)
✓concorrência entre outros parentes sucessíveis e o companheiro
sobrevivente (apenas no que concerne aos bens adquiridos de forma
onerosa na vigência da união estável) - (art. 1.790, III, do CC)

9) Qual a primeira classe de herdeiros chamada a suceder?


Trata-se da classe dos descendentes.
Obs.l: Não se pode olvidar que os descendentes concorrerão com o
cônjuge sobrevivente, exceto se casado este com o falecido no regime da
comunhão universal ou da separação obrigatória ou se, no regime da

36. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 134.

51
comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens
particulares (art. 1.829, I, do CC).
Obs.2: Os descendentes concorrerão, outrossim, com o companheiro,
quanto aos bens adquiridos onerosamente na constância da união estável.

10) Em que hipótese a sucessão de bens de estrangeiros situados no país


será regulada pela lei brasileira?
De acordo com a redação dada ao art. 5-, XXXI, da CF, "a sucessão de
bens de estrangeiros situados no país será regulada pela lei brasileira em
benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja
mais favorável a lei pessoal do de cujus".

11) Entre os descendentes, quais aqueles que gozam de preferência na


ordem de sucessão?
Entre os descendentes, vigora a regra segundo a qual os de grau mais
próximo excluem os mais remotos (art. 1.833 do CC).
Ex.: o filho prefere ao neto.

Os de grau mais
Exceção: direito
próximo excluem
de representação
os mais remotos

12) Em que hipótese tal regra não terá aplicabilidade?


Quando se tratar do direito de representação.

13) De que maneira se dá a sucessão na linha descendente?


Estabelece o art. 1.835 do CC que na linha descendente:

Sucessão na linha descendente


✓sucedem por cabeça
filhos
(direito próprio)
✓sucedem por cabeça
(direito próprio) ou por estirpe
outros (direito de representação),
descendentes
conforme se achem ou não no
mesmo grau

52
14) Na hipótese do de cujus ter deixado quatro filhos e ser viúvo, em que
proporção deve se dar a divisão dos respectivos bens e direitos?
Na situação em comento, verifica-se que cada um dos filhos herdará
por direito próprio ou por cabeça, fazendo jus a 1/4 da herança.

de cujus

1/4 1/4 1/4


® ® ® ®« “
1/4

15) E se o de cujus, viúvo, deixar dois filhos e dois netos, sendo estes filhos
de uma filha pré-morta?
Em tal hipótese, cada um dos filhos vivos do de cujus herdará por direito
próprio, devendo receber 1/3 da herança. Com relação aos netos, cada
um fará jus a 1/6 da herança (direito de representação), porquanto sua
mãe, se viva fosse, receberia também a mesma parte que coube aos seus
irmãos, isto é, 1/3.

de cujus

(T ) ( 2) ( T ) filhos
1/3 1/3 1/3

/ \
(3A) (3B) netos
1/6 1/6

16) É correto afirm ar que a representação na linha descendente tem limites?


Não. A representação na linha descendente é infinita.

53
Representação na linha
descendente
II Ilimitada

17) Se o de cujus falecer, deixando somente netos, porquanto seus filhos são
pré-mortos, de que maneira deve se dar a sucessão na linha descendente?
A sucessão deve se dar por direito próprio e não por representação, de
modo que todos os netos receberão quotas iguais.
Obs.: Isso porque, em tal hipótese, todos os herdeiros encontram-se
num mesmo grau, qual seja, descendentes de segundo grau.

de cujus

filhos

netos
1/6 1/6 1/6 1/6 1/6 1/6

18) Na situação contemplada na questão anterior, como são chamadas as


quotas recebidas pelos netos?
Quotas avoengas.

19) Em que situações não será reconhecido direito sucessório ao cônjuge


sobrevivente?
Interpretando-se o art. 1.830 do CC, a contrario sensu, temos o
seguinte quadro:

Não será reconhecido direito sucessório ao cônjuge


sobrevivente se, ao tempo da morte do outro:
✓estavam separados judicialmente_______________
✓estavam separados de fato há mais de 2 anos
(salvo prova, neste caso, de que essa convivência se
tornara impossível sem culpa do sobrevivente)

54
O bs.l: "Se ao tempo da morte estavam os cônjuges judicialmente
separados, não há que se falar em sucessão do sobrevivente. O fato é
objetivo e comprova-se documentalmente. No entanto, também não haverá
direito sucessório do supérstite se estava o casal separado de fato há mais
de dois anos. Aqui já se abre margem a infindáveis discussões judiciais,
porque pode o de cujus ter falecido em união estável, que pode ser
reconhecida na separação de fato. A questão será então definir quem será
herdeiro; o cônjuge ou o companheiro. Ainda, não bastasse esse aspecto,
pode o cônjuge sobrevivente provar que a separação ocorreu porque a
convivência se tornara impossível sem sua culpa. Neste ponto, poderão se
abrir discussões muito mais profundas que o legislador poderia ter evitado.
Aliás, esse dispositivo, em sua totalidade, será um pomo de discórdias, e
terá muita importância o trabalho jurisprudencial."37
Obs.2: Note-se que essa questão da ausência de culpa, por ser
considerada como de alta indagação, não poderá ser decidida no bojo do
inventário, havendo necessidade de ajuizamento de ação autônoma para
tal fim.

20) Em que hipóteses o cônjuge sobrevivente não concorrerá com os


descendentes do de cujus, ficando a herança somente para estes últimos?
Conforme redação dada ao art. 1.829,1, do CC, o cônjuge sobrevivente
não concorrerá com os descendentes do de cujus se casado com o falecido:

O cônjuge sobrevivente não concorrerá com os


descendentes do de cujus se casado com o falecido:
✓no regime da comunhão universal de bens
✓no regime da separação obrigatória de
bens (art. 1.641 do CC)
✓no regime da comunhão parcial de bens
(desde que o autor da herança não tenha
deixado bens particulares)

37. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 147.

55
Obs.l: Note-se que existem, na comunhão universal, bens que não se
comunicam (art. 1.668 do CC), razão pela qual, há uma corrente que
entende que se na comunhão parcial o cônjuge herda os bens particulares
do morto, também deveria fazê-lo em relação à comunhão integral.
Obs.2: E certo, no entanto, que a lei não previu tal possibilidade.

21) Quando o cônjuge sobrevivente concorrerá com os descendentes do


de cujus?

O cônjuge sobrevivente concorrerá com


os descendentes do de cujus:
✓se casado pelo regime da separação convencional de bens
✓se casado pelo regime da comunhão parcial de bens
(desde que o autor da herança tenha deixado bens
particulares)
✓se casado pelo regime de participação final nos aquestos

Obs.l: Com relação à primeira situação aventada, cumpre-nos deixar


consignado que não há unanimidade acerca de seu reconhecimento,
havendo julgados que equiparam a separação convencional à obrigatória,
operando-se a proibição de que o cônjuge sobrevivente figure como
herdeiro (art. 1.829, I, do CC).
Obs.2: De acordo com o Enunciado 270, aprovado na III Jornada de
Direito Civil, "o art. 1.829, inciso I, só assegura ao cônjuge sobrevivente o
direito de concorrência com os descendentes do autor da herança quando
casados no regime da separação convencional de bens ou, se casados nos
regimes da comunhão parcial ou participação final nos aquestos, o falecido
possuísse bens particulares, hipóteses em que a concorrência restringe-se
a tais bens, devendo os bens comuns (meação) ser partilhados exclusiva­
mente entre os descendentes".

22) Qual o direito que assiste ao cônjuge, independentemente do regime de


bens escolhido?
O direito real de habitação, o qual consiste na prerrogativa de residir
gratuitamente no imóvel destinado à residência da família, desde que seja
o único daquela natureza a inventariar (art. 1.831 do CC).
O bs.l: "O objetivo da norma é garantir ao cônjuge o direito de
continuar vivendo no mesmo local em que residia, antes do passamento

56
de seu marido ou mulher, mesmo que não seja mais o proprietário de todo
o im óvel/'38
Obs.2: O usufruto vidual, cuja previsão encontrava-se no art. 1.611,
§ 1-, do CC/16, não mais existe.

Direito que assiste ao cônjuge,


Direito real de
independentemente do
habitação
regime de bens escolhido

23) Qual o quinhão cabível ao cônjuge, quando houver concorrência com


os descendentes do de cujus?
Em havendo concorrência com os descendentes, caberá ao cônjuge
quinhão igual ao dos que sucederem por cabeça (direito próprio), sendo
que se for ascendente dos herdeiros com que concorrer, não poderá a sua
quota ser inferior a 1/4 da herança (art. 1.832 do CC).

Quinhão mínimo filhos 1 /4 da


cabível ao cônjuge comuns herança

24) Se o de cujus, casado pelo regime da separação convencional de bens,


houver deixado três filhos, de que forma deve se dar a divisão da herança?
A herança deve ser dividida em quatro partes idênticas, de modo que
a esposa fará jus a quota idêntica à destinada aos três filhos do falecido,
qual seja, 1/4.

25) E se o falecido, nas mesmas condições da questão anterior, houver


deixado quatro filhos comuns?

A herança, na situação em apreço, deverá ser dividida da seguinte maneira:


✓ 1/4 para a esposa (é o mínimo que ela receberá quando concorrer
com filhos comuns)
✓os 3/4 restantes deverão ser divididos entre os quatro filhos

38. Fábio Ulhoa Coelho, op. cit., p. 274.

57
26) E se os quatro filhos deixados pelo falecido não forem comuns?
Em tal hipótese, a herança deverá ser dividida em cinco partes idênticas,
sendo que a esposa receberá quota idêntica à destinada aos quatro filhos
do de cujus, isto é, 1/5 para cada um.
Obs.: Predomina o entendimento de que não haverá reserva de Va da
herança ao cônjuge sobrevivente na concorrência híbrida com os
descendentes do falecido (filhos comuns e não comuns).39

de cujus

E ) esposa - 1/5

®
1/5
®
1/5
© ®
1/5 1/5
«|
h «
27) Na falta de descendentes, quem deve ser chamado à sucessão?
Não havendo descendentes, devem ser chamados à sucessão os
ascendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente (art. 1.836,
coput, do CC).
Obs.: O cônjuge sobrevivente sempre concorrerá com os ascendentes,
independentemente do regime de bens do casamento.

28) Qual a regra que prepondera em relação à sucessão dos ascendentes?


Segundo preceito encartado no art. 1.836, § 1 -, do CC, "na classe
dos ascendentes, o grau mais próximo exclui o mais remoto, sem distinção
de linhas".

Classe dos O grau mais próximo


regra
ascendentes exclui o mais remoto,
sem distinção de linhas

39. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 199.

58
29) E se houver igualdade em grau e diversidade em linha?
Nesse caso, devem os ascendentes da linha paterna herdar metade,
cabendo a outra aos da linha materna (art. 1.836, § 2-, do CC).

Igualdade em Vi da herança
grau e para a linha
Ascendentes
diversidade paterna e V2 para
em linha a linha materna

30) De que forma deve ser dividida a herança de falecido, solteiro, sem
filhos, que tenha deixado pai e mãe vivos?
A herança deve ser dividida em duas partes iguais: uma para o pai,
outra para a mãe.

50% mae pai 50%

de cujus

31) E se o falecido, solteiro e sem filhos, tiver deixado avó materna


e pai vivos?
Nesse caso, o pai terá direito à integralidade da herança, haja vista
que na classe dos ascendentes, o grau mais próximo exclui o mais remoto,
sem distinção de linhas (art. 1.836, § 1-, do CC).

59
32) E se o falecido, solteiro e sem filhos, deixar somente avó materna viva e
avó e avô paternos vivos?
Na situação em comento, a herança deverá ser dividida da seguinte
maneira: 1/2 para a linha materna e 1/2 para a linha paterna. Assim, a
avó materna terá direito a 50% da herança, enquanto a avó e o avô
paternos farão jus, cada um, a 25% dos bens e direitos deixados pelo
falecido (art. 1.836, § 2-, do CC).

50% 25 % 25%

33) É correto falar em representação na linha ascendente?


Não. Na linha ascendente não existe o direito de representação.

Direito de Não existe na


representação “— ^ linha ascendente

34) Em que hipótese o cônjuge sobrevivente concorrerá com os ascendentes


do falecido?
O cônjuge sobrevivente sempre concorrerá com os ascendentes do
falecido, independentemente do regime de bens escolhido.

Sempre concorrerá com


Cônjuge sobrevivente
os ascendentes do falecido

35) Qual o quinhão cabível ao cônjuge sobrevivente, caso venha a concorrer


com os ascendentes do falecido?
Determina o art. 1.837 do CC que caberá ao cônjuge sobrevivente:

60
Caberá ao cônjuge sobrevivente
que concorrer com ambos
os ascendentes em ✓ 1/3 da herança
primeiro grau do morto
que concorrer com apenas
um dos ascendentes em
✓ 1/2 da herança
primeiro grau do morto ou
se maior for o grau

36) De que forma deverá se dar a divisão da herança, na hipótese do


falecido ser casado e ter deixado vivos pai e mãe?
No caso em apreço, a herança deverá ser dividida em três partes
idênticas, cabendo 1/3 à esposa, 1/3 ao pai e 1/3 à mãe, em conformidade
com a regra encartada no art. 1.837, 1 - parte, do CC.

1/3

1/3

37) E se o falecido for casado e tiver deixado apenas mãe viva?


Em tal hipótese, deverá a herança ser cindida em duas partes iguais,
cabendo 50% dos bens e direitos à esposa do falecido e os 50% restantes
à mãe do de cujus.

1/2

1/2

61
38) Qual a quota a que fará jus a esposa, caso o falecido tenha deixado,
também, avós paternos e maternos vivos?
Na situação em análise, deverá ser aplicada a regra encartada no art.
1.837, 2 - parte, cabendo 50% da herança à esposa do falecido, sendo que
a metade restante há de ser dividida entre todos os avós sobreviventes,
observando-se o disposto no art. 1.836, § 2o-, do CC.

39) Não havendo descendentes nem ascendentes, a quem deverá ser


deferida, por inteiro, a sucessão?
Ao cônjuge sobrevivente (art. 1.838 do CC).
Obs.: Registre-se que tal ocorrerá independentemente do regime de
bens do casamento.

Não havendo sucessão ao Cônjuge


descendentes Por inteiro
deferida sobrevivente
nem ascendentes

40) Quais as condições que deverão ser satisfeitas pelo cônjuge do falecido,
para que possa ter reconhecido o direito sucessório?
De acordo com o art. 1.830 do CC, somente será reconhecido o
direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao tempo da morte do outro,
não estavam:

62
Somente será reconhecido o direito sucessório ao cônjuge
sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não estavam:
✓separados judicialmente
✓separados de fato há mais de 2 anos (salvo prova, neste caso, de que
essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente)

O bs.l: "Se ao tempo da morte estavam os cônjuges judicialmente


separados, não há que se falar em sucessão do sobrevivente. O fato é
objetivo e comprova-se documentalmente. No entanto, também não haverá
direito sucessório do supérstite se estava o casal separado de fato há mais
de dois anos. Aqui já se abre margem a infindáveis discussões judiciais,
porque pode o de cujus ter falecido em união estável, que pode ser
reconhecida na separação de fato. A questão será então definir quem será
herdeiro; o cônjuge ou o companheiro. Ainda, não bastasse esse aspecto,
pode o cônjuge sobrevivente provar que a separação ocorreu porque a
convivência se tornara impossível sem sua culpa. Neste ponto, poderão se
abrir discussões muito mais profundas que o legislador poderia ter evitado.
Aliás, esse dispositivo, em sua totalidade, será um pomo de discórdias, e
terá muita importância o trabalho jurisprudencial."40
Obs.2: Note-se que essa questão da ausência de culpa, por ser consi­
derada como de alta indagação, não poderá ser decidida no bojo do inven­
tário, havendo necessidade de ajuizamento de ação autônoma para tal fim.

41) No caso de anulação do casamento, é correto afirm ar que o cônjuge


herdará?
Depende. Para que isso se verifique, deverão ser observados dois
requisitos:

Requisitos para que, em caso de anulação do casamento,


o cônjuge venha a herdar:
✓ reconhecimento judicial da boa-fé (putatividade do casamento)
✓anulação post mortem

40. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 147.

63
42) Caso o falecido não tenha deixado descendentes, ascendentes e cônjuge
que satisfaçam as condições elencadas no art. 1.830 do CC, quem deverá
ser chamado a suceder?
Os colaterais até o quarto grau (arts. 1.592 e 1.839 do CC).
O b s.l: São eles: os irmãos, os tios, os sobrinhos, o tio-avô, o sobrinho-
-neto e o primo-irmão.
Obs.2: "Relembrando, na linha colateral, os graus de parentesco
contam-se por geração, subindo até o ascendente comum e, depois,
descendo até onde se quer chegar (CC, art. 1.594)."41
Obs.3: Deixando o falecido companheiro vivo e ausentes descendentes
ou ascendentes, os colaterais (até quarto grau) herdarão todos os bens não
adquiridos a título oneroso na constância da união estável e parcela dos
bens adquiridos onerosamente, observada a proporção estipulada no art.
1.790,111, do CC.
Obs.4: Registre-se que os colaterais (até quarto grau) são concebidos
como herdeiros facultativos.

43) Em que hipótese os demais colaterais, que não os de até quarto grau,
serão chamados a suceder?
Somente se o falecido tiver deixado testamento, porquanto, como já se
viu, foram eles excluídos da sucessão legítima.

Sucedem somente se o
Demais colaterais, que
falecido houver deixado
não os de até 49 grau
testamento

44) Qual a regra que prepondera na sucessão do colateral?


Estabelece o art. 1.840 do CC que "na classe dos colaterais, os mais
próximos excluem os mais remotos, salvo o direito de representação
concedido aos filhos de irmãos".

Classe dos Os mais próximos excluem os mais


regra
remotos, salvo o direito de representação
colaterais
concedido aos filhos de irmãos

41. Fábio Ulhoa Coelho, op. cit., p. 282.

64
45) Qual o quinhão cabível aos colaterais, caso todos se encontrem no
mesmo grau?
Todos receberão quotas iguais, haja vista todos herdarem por direito
próprio.
Obs.: Isso somente ocorrerá se o falecido não houver deixado
descendentes, ascendentes ou cônjuge.

46) E se concorrerem à herança colaterais de graus diversos, tais como


sobrinhos e irmãos do falecido?
No caso em apreço, em observância à regra contida no art. 1.840 do
CC, os irmãos do falecido herdarão por direito próprio, enquanto os
sobrinhos sucederão por estirpe ou em representação.

47) Como se dará a divisão da herança caso o falecido, solteiro, tenha


deixado três irmãos vivos e três sobrinhos, filhos de um irmão pré-morto?
Na situação contemplada, cada irmão vivo do falecido fará jus a 1/4
da herança. Com relação aos sobrinhos, cada um receberá 1/12 dos bens
e direitos deixados. Isto porque, o 1/4 referente ao irmão pré-morto deverá
ser dividido entre seus três filhos.

1/12 1/12 1/12

48) A representação sempre se verificará na sucessão do colateral?


Não. A representação, na sucessão do colateral, somente terá ensejo
em uma única situação: quando concorrerem à herança os sobrinhos do
morto (filhos de irmão pré-morto), com os irmãos do falecido.
Obs.: Na hipótese aventada, aqueles herdarão representando o pai
pré-morto.

49) Écorreto afirmar que, na sucessão do colateral, os mais próximos sempre


excluirão os de grau mais remoto?
Não. Há uma exceção a tal regra, qual seja, quando houver o direito
de representação concedido aos filhos de irmãos (art. 1.840 do CC).

65
O bs.l: Nosso ordenamento admite que concorram à herança os
sobrinhos (filhos de irmão pré-morto) do falecido com os irmãos do morto,
sendo aqueles parentes do de cujus em terceiro grau e estes em segundo
grau.
Obs.2: Como se vê, ambos farão jus às suas respectivas quotas partes,
não havendo que se falar na exclusão dos sobrinhos da sucessão.

Os mais Direito de
Classe dos regra próximos exceção representação
colaterais excluem os concedido aos
mais remotos filhos de irmãos

50) De que maneira herdam os colaterais de quarto grau?


Os colaterais de quarto grau, tais como o tio-avô, o sobrinho-neto e o
primo-irmão, somente herdam por direito próprio, não havendo que se
falar, in cosu, em direito de representação.

Colaterais de Somente herdam por


quarto grau direito próprio

51) Quando concorrerem à herança do falecido irmãos bilaterais com irmãos


unilaterais, qual a quota cabível a cada um?
Na situação em exame, cada um dos irmãos unilaterais receberá
metade do que cada irmão bilateral herdar (art. 1.841 do CC).

Concorrendo à herança Cada um dos unilaterais


irmãos bilaterais receberá Vi do que cada
com unilaterais irmão bilateral herdar

52) E se concorrerem à herança somente irmãos unilaterais?


Não concorrendo à herança irmão bilateral, herdarão, em partes
iguais, os unilaterais (art. 1.842 do CC).
Obs.: O mesmo se diga quando somente concorrerem à herança
irmãos bilaterais.

66
Se só concorrerem Eles herdarão em
irmãos unilaterais partes iguais

53) Não havendo irmãos do falecido, a quem caberá o direito de suceder?


Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo,
os tios (art. 1.843 do CC).
Obs.: Muito embora os sobrinhos e os tios do falecido sejam parentes
em terceiro grau, a lei confere preferência àqueles primeiros, em
detrimento destes últimos.

Na falta de irmãos n------ \ Herdarão os Não os havendo,


do falecido u— i / sobrinhos o os tios

54) De que maneira se dará a sucessão, na hipótese de concorrerem à


herança do morto apenas os filhos de irmãos já falecidos?
Concorrendo à herança do morto somente filhos de irmãos falecidos,
estes herdarão por cabeça ou por direito próprio (art. 1.843, § 1-, do CC).

55) E se concorrerem à herança do morto os filhos de irmãos bilaterais com


os filhos de irmãos unilaterais?
Nesse caso, cada um dos filhos de irmãos unilaterais herdará a metade
do que receber cada um dos filhos de irmãos bilaterais (art. 1.843, § 2-,
do CC).

Concorrendo à herança
Cada um destes herdará
filhos de irmãos bilaterais
Vi do que receber
com filhos de irmãos
cada um daqueles
unilaterais

56) E se forem todos filhos de irmãos bilaterais?


Todos herdarão por igual (art. 1.843, § 3-, do CC).
Obs.: O mesmo se diga se todos forem filhos de irmãos unilaterais.

57) Quais os bens que a companheira ou o companheiro poderá herdar?


Somente os bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável.

67
Obs.l: Atente-se que "quanto aos bens sobre os quais o companheiro
tem a meação decorrente da comunhão parcial, terá também direito à
sucessão. Já com relação aos bens particulares, o companheiro não tem a
meação, em decorrência do regime, e não tem também qualquer direito
sucessório".42
Obs.2: Tal situação opõe-se diametralmente às normas que regulam
a sucessão do cônjuge.

Herdará somente os bens


adquiridos onerosamente na
vigência da união estável

58) O que ocorrerá com os demais bens de propriedade do companheiro


falecido?
No que se refere aos demais bens deixados pelo companheiro, deverá
ser seguida a ordem de vocação hereditária contida no art. 1.829 do CC.

Demais bens deixados Seguirão ordem de vocação


pelo companheiro hereditária prevista
falecido no art. 1.829 do CC

59) Como deve se dar a participação do companheiro ou companheira na


sucessão do falecido?
Conforme estabelece o art. 1.790 do CC, a companheira ou o
companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos
onerosamente na vigência da união estável, nas condições seguintes:

Participação do companheiro na sucessão do falecido


I - se concorrer com filhos comuns, terá direito a uma quota
equivalente à que por lei for atribuída ao filho

42. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 220.

68
II - se concorrer com descendentes só do autor da herança,
tocar-lhe-á 1/2 do que couber a cada um daqueles
III - se concorrer com outros parentes sucessíveis, terá direito
a 1/3 da herança
IV - não havendo parentes sucessíveis, terá direito à
totalidade da herança

Obs.: "Aplica-se o inciso I do art. 1.790 também na hipótese de


concorrência do companheiro sobrevivente com outros descendentes
comuns e não apenas na concorrência com filhos comuns" (Enunciado 266,
aprovado na III Jornada de Direito Civil).

60) Quais os bens do falecido que não poderão ser herdados por sua
companheira, caso haja algum parente sucessível?

Bens que não poderão ser herdados pela companheira,


caso haja algum parente sucessível:
✓bens adquiridos gratuitamente (ainda que na constância
da união estável)________________________________________
✓bens adquiridos (gratuitamente ou onerosamente) antes do
estabelecimento da união estável ou após a sua cessação

61) Na hipótese do indivíduo falecer, deixando três filhos comuns e sua


companheira, como deve se dar a divisão dos bens e direitos?

A divisão da herança deve seguir as seguintes regras:


em relação aos bens ✓a herança é dividida em quatro partes
adquiridos onerosamente na iguais, cabendo 1/4 a cada um dos três
constância da união estável filhos comuns e 1/4 à companheira
✓a herança é dividida somente entre os
em relação aos filhos comuns, cabendo a cada um, no
demais bens caso, 1/3 dos bens e direitos deixados
pelo falecido

69
62) Quando o companheiro ou companheira fará jus à integralidade da
herança deixada pelo falecido?
Somente se não existir qualquer parente sucessível (art. 1.790, IV,
do CC).

Companheira (o) somente fará jus quando Não existir qualquer


à integralidade da herança parente sucessível

63) Qual a fração cabível à companheira ou ao companheiro do de cujus


que concorrer com os ascendentes ou colaterais até quarto grau?
Caberá à companheira ou ao companheiro 1/3 dos bens adquiridos
onerosamente na vigência da união estável, quando concorrer com outros
parentes sucessíveis, que não os filhos comuns ou descendentes só do autor
da herança (art. 1.790, III, do CC).

Companheira (o) que


concorrer com outros
Quota: 1 /3 dos bens
parentes sucessíveis, que
adquiridos onerosamente na
não os filhos comuns ou
vigência da união estável
descendentes só do autor
da herança

64) O companheiro sobrevivente também fará jus ao direito real de


habitação?

A questão é controvertida, haja vista inexistir, no Código Civil de


2002, qualquer regra expressa disciplinando o tema. Confira-se:
✓Uma primeira corrente entende que o direito real de
habitação terá aplicabilidade à união estável, por força do
que preconiza o art. 7-, parágrafo único, da Lei n. 9.278/96
("dissolvida a união estável por morte de um dos conviventes,
o sobrevivente terá direito real de habitação, enquanto viver
ou não constituir nova união ou casamento, relativamente ao
imóvel destinado à residência da família")

70
✓ Há, no entanto, quem defenda que aludida prerrogativa
não assistirá ao companheiro, porquanto o dispositivo legal
supracitado teria sido revogado tacitamente pelo Estatuto Civil
em vigor

Obs.: Prevalece o entendimento adotado no Enunciado 11 7, aprovado


na I Jornada de Direito Civil, qual seja, "o direito real de habitação deve
ser estendido ao companheiro, seja por não ter sido revogada a previsão
da Lei 9.278/96, seja em razão da interpretação analógica do art. 1.831,
informado pelo art. 6-, caput, da CF/88").

65) Em não havendo cônjuge ou companheiro, nem qualquer parente


sucessível, ou tendo eles renunciado à herança, a quem competirá o
recolhimento da mesma?
Determina o art. 1.844 do CC que, na situação em comento, a herança
deverá ser devolvida:

Não sobrevivendo cônjuge ou companheiro, nem parente algum


sucessível, ou tendo eles renunciado à herança, esta se devolverá:
✓ao Município ou ao Distrito ✓se localizada nas
Federal respectivas circunscrições
✓à União ✓quando situada em
território federal

66) Por que razão se costuma dizer que o Poder Público é o único "herdeiro
forçado"?
Porque ao Município, ao Distrito Federal ou à União é vedado renunciar
à herança.
Obs.: Eles somente promoverão o recolhimento dos bens na falta de
herdeiros, não possuindo, pois, o domínio e a posse da herança no instante
da abertura da sucessão.

Único herdeiro Não pode renunciar


Poder Público
■=!> forçado à herança

71
67] Quando se verifica o direito de representação?
O direito de representação tem ensejo quando a lei chama determi­
nado parente do falecido a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia,
se vivo fosse (art. 1.851 do CC).
Obs.: Atente-se que pode, ainda, haver representação, em se tratando
de representado ausente ou incapaz de suceder.

Lei chama determinado parente do


Direito de
E falecido a suceder em todos os direitos,
representação
em que ele sucederia, se vivo fosse

68) É correto falar em representação quando da sucessão testamentária?


Não. A representação somente existe na sucessão legítima, não se
verificando, pois, na sucessão testamentária.
Obs.: "A representação é própria da sucessão legítima e não se aplica
à sucessão testamentária. Isso porque também decorre da presunção de
afetividade do falecido com relação a determinados parentes. Em suma,
imagina a lei que, se um testamento fosse elaborado, tais parentes seriam
beneficiados."43

Representação Somente na sucessão legítima

69) Quais os requisitos necessários para a configuração do direito de


representação?
Segundo leciona Maria Helena Diniz44, figuram com requisitos do direito
de representação:

Requisitos do direito de representação


✓haver o representado falecido antes do autor da herança,
salvo nas hipóteses de ausência, indignidade e deserdação

43. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 138.


44. M aria Helena Diniz, op. cit., p. 126-127.

72
✓descender o representante do representado________________
✓ter o representante legitimação para herdar do representado
no instante da abertura da sucessão (representante não
pode ter sido excluído da sucessão do representado)
✓não ocorrer solução de continuidade no encadeamento
dos graus entre representante e sucedido

Obs.: Também se mostra necessária a existência, ao menos, de um filho


do falecido ou, na linha colateral, um irmão do de cujus.

70) Por que razão se exige a existência de, no mínimo, um filho do falecido
ou, na linha colateral, um irmão do de cujus, para a configuração do direito
de representação?

Motivos de tal exigência para a configuração do direto de representação


se todos os filhos do ✓os netos herdarão por direito próprio
falecido já tiverem morrido

se todos os irmãos do de ✓os sobrinhos herdarão por direito


cujus forem pré-mortos próprio

71) Pode haver direito de representação na linha reta ascendente?


Não. Consta do art. 1.852 do CC que o direito de representação
dá-se na linha reta descendente, mas nunca na ascendente.

Direito de Dá-se na linha reta descendente


representação (nunca na ascendente)

72) E no que se refere à linha transversal?


No que concerne à linha transversal, o direito de representação
somente tem ensejo em um único caso, qual seja, em favor dos filhos de
irmãos do falecido, quando com irmãos deste concorrerem (art. 1.853
do CC).

73
Única hipótese: em favor
Direito de n------\ Linha dos filhos de irmão
representação 1 ------1/ transversal í> falecido, quando com
irmãos deste concorrerem

73) Como deve ser dividida a herança na hipótese do falecido ter deixado
somente três sobrinhos e dois filhos de um sobrinho pré-morto?
Em tal hipótese, a herança deve ser dividida de forma igualitária
somente entre os três sobrinhos vivos.
Obs.: Os sobrinhos-netos (filhos do sobrinho pré-morto) não terão
direito de representar o pai.

74) Pode haver representação de herdeiro renunciante?


Determina o art. 1.811 do CC que a ninguém é dado "suceder,
representando herdeiro renunciante".
Obs.: Se ele for o único legítimo da sua classe, ou se todos os outros
da mesma classe renunciarem à herança, poderão os filhos vir à sucessão,
por direito próprio e por cabeça.

75) Qual o principal efeito da representação?


O principal efeito da representação é conferir o direito de sucessão a
pessoas que, em regra, não deveriam suceder, haja vista a existência de
herdeiros de grau mais próximo.
Conferir o direito de
sucessão a pessoas que,
em regra, não deveriam
Representação
■=!> suceder (porque existe
herdeiro de grau mais
próximo)

76) Qual a parte da herança cabível aos representantes, conjuntamente?


Os representantes só podem herdar, como tais, o que herdaria o
representado, se vivo fosse (art. 1.854 do CC).

Representantes herdam montante que herdaria o representado

74
77] De que forma deve ser feita a divisão do quinhão do representado?
Deve o quinhão do representado ser dividido por igual entre os
representantes (art. 1.855 do CC).

Quinhão do deve ser Dividido por igual entre


representado os representantes

78) Pode o renunciante à herança de uma pessoa representá-la na sucessão


de outra?
Sim. Isso porque a renúncia não se estende à outra herança.

Renunciante à herança pode Representá-lo na sucessão


de um indivíduo de outra pessoa

79) Qual a obrigação inerente aos netos que, representando os seus pais,
venham a suceder aos avós?
São os netos obrigados a trazer à colação, ainda que não o hajam
herdado, o que os pais teriam de conferir (art. 2.009 do CC).

Netos que representarem Trazer à colação as


seus pais na sucessão obrigação doações que seus pais
dos avós receberam (dos avós)

80) O que se entende pela expressão "herdeiro necessário"?


Trata-se de expressão utilizada para designar todo parente em linha
reta, desde que não excluído da sucessão por indignidade ou deserdação,
bem como o cônjuge do falecido.
O bs.l: Figuram como herdeiros necessários os descendentes, os
ascendentes e o cônjuge do de cujus (desde que sucessíveis).
Obs.2: A presença de herdeiros necessários restringe a liberdade de
doar e de testar, porquanto o ordenamento jurídico lhes assegura o direito
à legítima.

81) De acordo com nosso ordenamento, quem são os herdeiros necessários?


Consoante preceito encartado no art. 1.845 do CC, tem-se que:

75
✓os descendentes (filhos, netos, bisnetos etc.)
Herdeiros
✓os ascendentes (pais, avós, bisavós etc.)
necessários
✓o cônjuge

O bs.l: Registre-se que os colaterais (até quarto grau) não constam


desse rol, sendo concebidos como herdeiros facultativos.
Obs.2: Quanto ao companheiro, embora haja posicionamento em
sentido contrário45, predomina o entendimento de que também ele se
apresenta como herdeiro facultativo.

82) Quais as expressões também utilizadas para designar o herdeiro


necessário?
Herdeiro legitimário ou reservatório.

Herdeiro sinônimos Herdeiro legitimário


necessário ou reservatório

83) Qual o direito resguardado por lei aos herdeiros necessários?


O direito à legítima, isto é, à metade dos bens da herança (art. 1.846
do CC).
Obs.l: Reforçando tal proposição, deparamo-nos com o art. 1.789 do
estatuto em análise, segundo o qual, "havendo herdeiros necessários, o
testador só poderá dispor da metade da herança".
Obs.2: Não existindo herdeiros necessários, será absoluta a liberdade
de dispor gratuitamente dos bens.

Herdeiros necessários íor Direito à legítima

84) Como é chamado o restante da herança que não integra a legítima?


Porção ou quota disponível.

45. C aio M ário da Silva Pereira, op. cit., p. 154.

76
Parcela da herança que n--------\ Porção ou quota
não integra a legítima “— F disponível

85) De que forma deve se dar o cálculo da legítima?


A legítima ou reserva é calculada sobre o valor dos bens existentes na
abertura da sucessão, excluídas as dívidas e as despesas do funeral,
adicionando-se, em seguida, o montante correspondente aos bens sujeitos
à colação (art. 1.847 do CC).

Valor dos
Dívidas e Montante
Legítima bens excluídas acrescido
calculada despesas dos bens
ou existentes
sobre do sujeitos à
reserva na abertura
funeral colação
da sucessão

86) Em que hipótese o valor da legítima pode superar o da parte


disponível?
Quando o testador houver feito doações aos descendentes ou ao
cônjuge, as quais devem, em regra, vir à colação.
Obs.: Pode o doador dispensar o beneficiado da colação (art. 2.005
do CC).

87) Qual o propósito da colação?


A colação tem por fim igualar, na proporção estabelecida no Código
Civil, as legítimas dos descendentes e do cônjuge sobrevivente (art. 2.003,
1 - parte, do CC).

Igualar, na proporção estabelecida


Colação objetivo no CC, as legítimas dos descendentes
e do cônjuge sobrevivente

88) É necessário que os bens doados aos ascendentes sejam colacionados?


Não. As doações aos ascendentes não obrigam à colação.

Doações a Não obrigam


ii-------- N
ascendentes V à colação

77
89) É correto afirm ar que o herdeiro necessário, a quem o testador tenha
deixado a parte disponível, ou algum legado, perderá o direito
à legítima?
Não. De acordo com o preceito encartado no art. 1.849 do CC, "o
herdeiro necessário, a quem o testador deixar a sua parte disponível, ou
algum legado, não perderá o direito à legítima".
Obs.: Isso porque pode o testador dispor livremente de tal porção da
herança, da maneira que melhor lhe aprouver.

90) Podem os herdeiros colaterais ser excluídos da sucessão?


Sim, porquanto eles não figuram como herdeiros necessários.
Obs.: Os colaterais não têm direito à legítima.

Colaterais podem ser porque

91) De acordo com o Código Civil, o que deve fazer o testador para excluir
da sucessão os herdeiros colaterais?
Basta que o testador disponha de seu patrimônio sem os contemplar
(art. 1.850 do CC).
Obs.: Flávio Tartuce e José Fernando Simão advertem: "a regra é inútil
e incompleta. Inútil porque, se os colaterais não são herdeiros necessários,
por óbvio basta que o testador elabore testamento sem os contemplar para
que eles automaticamente nada herdem. E incompleta porque se o
companheiro também é herdeiro facultativo, deveria o dispositivo
mencioná-lo em sua redação".46

92) É possível o testador estabelecer a conversão dos bens da legítima em


outros de espécie diversa?
Não, conforme art. 1.848, § 1-, do CC.

Não pode estabelecer a conversão dos bens


Testador
da legítima em outros de espécie diversa

46. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 270.

78
93) Pode o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade, impenhora-
bilidade ou incomunicabilidade sobre os bens da legítima?
Em regra, não. Poderá, contudo, se houver justa causa declarada no
testamento para tanto (art. 1.848, coput, do CC).
Obs.: Registre-se que tal limitação é restrita ao testador e à legítima,
não atingindo a parte disponível e tampouco o doador.

Cláusula de
inalienabilidade,
Somente se houver
impenhorabilidade
justa causa declarada
ou incomunicabilidade
no testamento
sobre os bens
da legítima

94) Pode ocorrer a venda de imóvel gravado com cláusula de


inalienabilidade?
Desde que demonstrada justa causa, pode o juiz autorizar a venda de
imóvel gravado com cláusula de inalienabilidade.
Obs.: Note-se, contudo, que o produto da alienação deve ser
convertido em outros bens, os quais ficarão sub-rogados no ônus daquele
primeiro (art. 1.848, § 2-, do CC).

95) Qual a conseqüência da existência de cláusula de inalienabilidade


imposta aos bens por ato de liberalidade?
Conforme disposto no art. 1.911 do CC, "a cláusula de inalienabi­
lidade imposta aos bens por ato de liberalidade implica impenhorabilidade
e incomunicabilidade".

Cláusula de
inalienabilidade imposta conseqüência Impenhorabilidade e
aos bens por ato de incomunicabilidade
liberalidade

79
IV - SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA

1) Pode o autor da herança dispor de seu patrimônio, promovendo


alterações na ordem de vocação hereditária?
Sim, desde que observado o direito à legítima, assegurado aos
herdeiros necessários (art. 1.857, § 1-, do CC).
Obs.: "Quando ocorre o falecimento de alguém, a primeira
verificação é saber se o de cujus deixou testamento. Se sim, a sucessão
ocorre de acordo com a declaração de vontade do falecido, que indica
como serão partilhados os seus bens, destinando-os livremente a qualquer
pessoa, seu parente ou não, desde que não possua herdeiros necessários,
pois pertence a estes metade dos bens da herança, por constituir a
legítima."47

Dispor de seu
patrimônio,
Observado
Autor da pode promovendo
desde o direito à
herança alterações na
que legítima
ordem de vocação
hereditária

2) É correto afirm ar que a sucessão testamentária representa a vontade


presumida do autor da herança?
Não. A sucessão testamentária representa a vontade manifesta do
falecido, a qual é expressa por meio de testamento ou codicilo.

Representa
Sucessão a vontade
testamentária manifesta
do falecido

47. Nelson G odoy Bassil Dower, op. cit., p. 144.

80
3) Quais as espécies de sucessores que podem ser instituídas por meio da
sucessão testamentária?

t
a título a título
universal singular

4) Nosso ordenamento admite que a herança de pessoa viva figure como


objeto de um contrato?
Não. De acordo com o art. 426 do CC, a herança de pessoa viva não
pode ser objeto de contrato. Via de regra, não se admite o "pacta corvina".
Obs.: Note-se, contudo, que é dotada de validade a partilha feita por
ascendente, por ato entre vivos ou de última vontade, desde que não pre­
judique a legítima dos herdeiros necessários (art. 2.018 do CC).

Herança de Não pode ser objeto


pessoa viva
m— N de contrato
“-------- V

5) O que se entende pelo termo "testamento"?


O vocábulo em questão tem por escopo designar o "negócio jurídico
unilateral e gratuito, de natureza solene, essencialmente revogável, pelo
qual alguém dispõe dos bens para depois de sua morte, ou determina a
própria vontade sobre a situação dos filhos e outros atos de última
vontade, que não poderão, porém, influir na legítima dos herdeiros
necessários".48

48. Washington de Barros M onteiro, op. cit., p. 124.

81
"negócio jurídico unilateral e gratuito, de
natureza solene, essencialmente revogável,
pelo qual alguém dispõe dos bens para depois
Testamento de sua morte, ou determina a própria vontade
sobre a situação dos filhos e outros atos de
última vontade, que não poderão, porém,
influir na legítima dos herdeiros necessários"

6) A quem nossa legislação confere a prerrogativa de dispor, por testamento,


da totalidade dos seus bens, ou de parte deles, para depois de sua morte?
Tal prerrogativa é atribuída a toda pessoa capaz e imbuída de pleno
discernimento (arts. 1.857 e 1.860 do CC).
Obs.l: Logo, não poderão, via de regra, elaborar testamento os relativa
e os absolutamente incapazes.
Obs.2: Ressalve-se que, nos termos do art. 1.860, parágrafo único, do di­
ploma em epígrafe, os maiores de 16 anos poderão testar validamente, sem
que se afigure necessária eventual assistência por parte de seus pais ou tutores.

7) É correto afirm ar que, ainda que o testador somente a elas se tenha


limitado, são dotadas de validade as disposições testamentárias de caráter
não patrimonial?
Sim. E isso, aliás, o que preceitua o art. 1.857, § 2-, do CC, afastando,
pois, a ideia de que o testamento serve somente para que o autor da
herança elabore disposições acerca de seu patrimônio.

8) Cite algumas das disposições testamentárias desprovidas de caráter


patrimonial.
Podem ser mencionadas como disposições testamentárias de caráter
não patrimonial, dentre outras:

Disposições testamentárias de caráter NÃO patrimonial


✓a criação de fundação (art. 62 do CC)
✓o reconhecimento de filhos havidos fora
do casamento (art. 1.609, III, do CC)
✓a nomeação de tutor para filho menor
(art. 1.729, parágrafo único, do CC)_________________
✓a reabilitação do indigno (art. 1.818 do CC)

82
9) Em que lapso temporal restará verificada a extinção do direito de
impugnar a validade do testamento?
Em 5 anos, contados da data do seu registro (art. 1.859 do CC).
Obs.l: O dispositivo em destaque tem sido alvo de severas críticas, haja
vista se referir "à impugnação da validade do testamento, quebrando a regra
geral expressa no art. 169 do Código Civil onde o negócio jurídico nulo não
é suscetível de confirmação, nem convalesce pelo decurso de tempo''.49
Obs.2: Predomina, no entanto, o entendimento de que o art. 1.859 do
CC tem aplicabilidade tanto às hipóteses de nulidade relativa quanto às de
nulidade absoluta.

Direito de impugnar a extingue-se em 5 anos, contados da


validade do testamento data do seu registro

10) Quais as principais características do testamento?

✓negócio jurídico
✓unilateral
✓personalíssimo
Características ✓unipessoal
do testamento ✓revogável (via de regra)
✓gratuito
✓ato de última vontade ou causo mortis
✓solene

11) O que significa dizer que o testamento constitui "negócio jurídico


unilateral"?
Significa que o testamento se perfaz mediante uma única manifestação
de vontade, qual seja, a do testador, que efetua disposições de cunho
patrimonial e outras de caráter não patrimonial.
O bs.l: Não importa, pois, se houve ou não aceitação por parte do
herdeiro ou legatário.

49. Eduardo de O liveira Leite, op. cit., p. 319.

83
Obs.2: A questão é enfrentada por Caio Mário da Silva Pereira, nos
seguintes termos: "tendo em vista que o testamento se constitui de uma
declaração de vontade, destinada à produção dos efeitos jurídicos queridos
pelo disponente, inscreve-se como negócio jurídico".50

12) O testamento é ato personalíssimo?


Sim. O testamento é ato privativo do testador, não se concebendo a
interferência de outra vontade, ainda que se trate de procurador dotado de
poderes especiais (art. 1.858, 1 - parte, do CC).

Testamento II Ato privativo do testador

13) O testamento é ato unipessoal?


Sim. Não pode haver no testamento a participação de mais de uma
pessoa num mesmo instrumento (art. 1.863 do CC).
O bs.l: A lei veda a feitura do "testamento conjuntivo", também
chamado de "testamento de mão comum".
Obs.2: "Testamento conjunto, conjuntivo ou de mão comum. E o feito
por duas ou mais pessoas, por intermédio do mesmo documento, em
proveito recíproco ou de terceiro. Antes da vigência do CC/1916, a doutrina
admitia o testamento de mão comum, feito por marido e mulher, com
instituição recíproca. A proibição, que já constava no C C/1916 1630,
repousa no fato de ser o ato de testar personalíssimo e revogável. Segundo
os doutrinadores que defendem a proibição do testamento de mão comum,
a presença de mais de um testador, celebrando o mesmo ato, revestiria o
negócio com o caráter da irrevogabilidade."51

14) Quais as espécies de testamento conjuntivo?

Testamento conjuntivo
aquele em que há, num mesmo instrumento, a
simultâneo participação de duas ou mais pessoas, restando
beneficiado um terceiro indivíduo

50. Caio M ário da Silva Pereira, op. cit., p. 195.


51. Nelson Nery Junior e Rosa M aria de Andrade Nery. Código civil anotado e legislação
extravagante, p. 814.

84
aquele em que um e outro sujeitos promovem, num
recíproco
mesmo instrumento, a instituição de benefícios mútuos
aquele em que os testadores efetuam disposições em
correspectivo
razão de retribuição de outras correspondentes.

Obs.: "Clóvis identifica três espécies de testamento de mão comum ou


conjuntivo: a) o testamento simultâneo: que comporta a hipótese de duas
ou mais pessoas testarem, conjuntamente, em benefício de terceiro;
b) o testamento recíproco: quando comporta instituição recíproca de
herdeiros, devendo suceder o patrimônio do outro aquele que sobreviver;
c) o testamento correspectivo: que permite instituições testamentárias que
têm natureza de retribuição de outras correspondentes."52

15) Nosso ordenamento admite a feitura de testamento conjuntivo?


Não. Consta do art. 1.863 do CC proibição expressa à elaboração de
testamento conjuntivo, independentemente de ser ele simultâneo, recíproco
ou correspectivo, porquanto, se possível fosse sua feitura, restariam violadas
algumas das suas características essenciais, quais sejam, a revogabilidade
e condição de ato personalíssimo.

16) Pode o testamento ser alterado a qualquer tempo?


Via de regra, sim. E, aliás, o que determina o art. 1.858, 2 - parte, do CC.
Obs.: Também consta do art. 1.969 do mencionado diploma, que o
testamento pode ser revogado pelo mesmo modo e forma como pode
ser feito.

j
via de regra Pode ser
, alterado a
Testamento
qualquer tempo

17) Quais as exceções à regra da revogabilidade do testamento?


Via de regra, o testamento é suscetível de revogação. Ocorre, no
entanto, que duas são as cláusulas irrevogáveis, a saber:

52. Nelson Nery Junior e Rosa M aria de Andrade Nery. Código civil anotado e legislação
extravagante., p. 814.

85
✓aquela relativa ao
reconhecimento de filho
Cláusulas havido fora do casamento
irrevogáveis (art. 1.609, III, do CC)
do testamento ✓aquela que concede
perdão ao indigno
(art. 1.818 do CC)

18) Por que se costuma dizer que o testamento constitui ato gratuito?
Porque sua elaboração, via de regra, não gera qualquer vantagem para
o autor da herança.
Obs.: Discute-se se o testamento com encargo figura ou não como
exceção a tal regra. Há posicionamentos em ambos os sentidos.

19) O que significa dizer que o testamento constitui disposição de última


vontade ou causa mortis?
Significa que o negócio jurídico em questão somente irradiará efeitos
após a morte do testador, prevalecendo, pois, a última vontade exteriorizada
pelo autor da herança.
Obs.: Antes que tenha ensejo sua morte, o testamento existe, é válido,
mas ineficaz.

20) É correto afirm ar que, quando da elaboração do testamento, faz-se


imprescindível a observação das solenidades pertinentes?
Sim. A manifestação de vontade contida no testamento deve observar
as formalidades essenciais previstas em lei, as quais objetivam conferir
garantia e certeza à vontade do testador.
Obs.: O rigor da lei decorre do fato de que o testamento tem o condão
de alterar o destino da herança, afastando a ordem de vocação hereditária.

21) Quais as pessoas que, segundo a lei, não podem testar?


De acordo com o disposto no art. 1.860, caput, do CC:

✓os incapazes
Não podem ✓os que, no ato de
testar fazê-lo, não tiverem
pleno discernimento

86
Obs.: "Entretanto, o Código Civil cometeu flagrante equívoco ao não
esclarecer com precisão o alcance do art. 1.860. Pela leitura, poder-se-ia
concluir, por exemplo, que os ébrios ou toxicômanos (relativamente
incapazes) não podem fazer testamento. Pondera Zeno Veloso que 'não há
razão para se decidir que os ébrios habituais, os viciados em tóxico e os
que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido (reduzido,
note-se bem) sejam proibidos de testar. Quanto a estes últimos, se, apesar
de reduzido, diminuído o discernimento, tenham entendimento ou
compreensão suficiente para saber o que estão fazendo no momento em
que outorgam a disposição de última vontade, isso é bastante e vale o
testamento. E o ébrio habitual pode estar sóbrio quando testa; o viciado em
tóxico pode estar livre do poder das drogas no momento em que dispõe
causo mortis'."53

22) Nosso ordenamento permite que o maior de 16 anos elabore


testamento?
Sim. Consoante preceito encartado no art. 1.860, parágrafo único,
do CC, podem os maiores de 16 anos testar.
O bs.:l. Como se vê, trata-se de uma exceção em que se admite que
o relativamente incapaz elabore disposição de última vontade, dispensada
a assistência de seu representante legal.
Obs.2: Note-se que a capacidade para testar pressupõe que o
indivíduo disponha de discernimento para tanto.

Maiores de 16 anos Podem testar

23) Pode o surdo-mudo fazer testamento?


Depende. Caso o surdo-mudo não possua desenvolvimento mental
completo, não poderá fazê-lo. Será permitido, contudo, se puder manifestar
sua vontade, hipótese em que deverá o testamento ser, necessariamente,
cerrado, atendendo ao disposto no art. 1.873 do CC.

Surdo-mudo que puder Poderá fazer


manifestar sua vontade testamento (cerrado)

53. Zeno Veloso. Comentários ao Código Civil. São Paulo: Saraiva, 2003. v. 21. apud
Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 284.

87
24) Em que ocasião deve ser aferida a capacidade testamentária ativa?
Deve o testador ter pleno discernimento no instante em que o
testamento é redigido (art. 1.861 do CC).
O bs.l: Lembre-se que a constatação de sua incapacidade
superveniente não invalida o testamento já elaborado.
Obs.2: Não é possível, igualmente, a validação do testamento do
incapaz, ainda que diante da superveniência da capacidade. Resta, in casu,
evidente a nulidade do documento.

Capacidade No instante em que o


testamentária ativa testamento é redigido

25) Quais as formas de testamento contempladas por nosso sistema jurídico?

Formas de testamento contempladas por nosso sistema jurídico


comuns ou ✓aquelas que figuram como regra geral
ordinárias
especiais ou ✓aquelas que têm incidência em situações
extraordinárias específicas enumeradas pela lei

Obs.: "As formas ordinárias de testamento estão à disposição das


pessoas em geral, que não se encontram em situações que dificultem a
manifestação de última vontade. Já as formas especiais se destinam a
atender os testadores surpreendidos em local que os impossibilita de
formalizar seu testamento de modo ordinário. Tanto assim que o testamento
especial não terá eficácia se, uma vez superada a circunstância que
dificultava a elaboração do ordinário, não se preocupou o testador em
providenciá-lo."54

26) Quais as espécies de testamentos especiais ou extraordinários?


Estabelece o art. 1.886 do CC que são testamentos especiais ou
extraordinários:

54. Fábio Ulhoa Coelho, op. cit., p. 292.

88
27) Quais as espécies de testamentos comuns ou ordinários?
Determina o art. 1.862 do CC que são testamentos comuns ou
ordinários:

28) Em que consiste o "testamento público"?


Cuida-se de "ato aberto, no qual um oficial público exara a última
vontade do testador, conforme seu ditado ou suas declarações espontâneas,
na presença de duas testemunhas".55

"Ato aberto, no qual um


oficial público exara a última
vontade do testador,
Testamento público conforme seu ditado ou suas
declarações espontâneas,
na presença de duas
testemunhas"

29) Qual a principal vantagem do testamento público?


Figura como principal vantagem do testamento público o fato de que

55. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 221.

89
"este não se perderá, pois ficará arquivado no Tabelionato de Notas, sendo
grandes as chances de ser cumprido. Em síntese, pode-se dizer que a
segurança de o seu conteúdo ser efetivado na prática é maior".56

30) Quais os requisitos essenciais do testamento público?


Segundo preceitua o art. 1.864, caput, do CC, figuram como requisitos
essenciais do testamento público:

I - ser escrito por tabelião ou por seu substituto legal em


o seu livro de notas, de acordo com as declarações do
25 testador, podendo este servir-se de minuta, notas ou
2l apontamentos
■§ II - lavrado o instrumento, ser lido em voz alta pelo tabelião
| ao testador e a duas testemunhas, a um só tempo; ou pelo
2(/» testador, se o quiser, na presença destas e do oficial
.o
III - ser o instrumento, em seguida à leitura, assinado pelo
testador, pelas testemunhas e pelo tabelião

31) Qual o número de testemunhas exigido para a feitura do testamento


público?
O Código Civil de 2002, dando consecução ao princípio da
operabilidade, determina que devem presenciar a leitura do testamento
público duas testemunhas, sendo que tal número não pode ser
diminuído (art. 1.864, II, do CC).
Obs.: Note-se que o diploma anterior exigia a presença de 5 pessoas.

Testamento público Duas testemunhas

32) O que deverá ser feito caso o testador não saiba ou não possa assinar?
Deverá o tabelião ou seu substituto legal declarar a impossibilidade,
assinando, neste caso, pelo testador, e, a seu rogo, uma das testemunhas
instrumentárias (art. 1.865 do CC).

56. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 294.

90
33) Pode o testamento público ser escrito manualmente ou mecanicamente?
Sim. De acordo com o art. 1.864, parágrafo único, do CC, o
testamento público pode ser escrito manualmente ou mecanicamente, bem
como ser feito pela inserção da declaração de vontade em partes impressas
de livro de notas, contanto que rubricadas todas as páginas pelo testador,
se mais de uma.

34) Qual o procedimento a ser adotado em se tratando de testamento público


de indivíduo inteiramente surdo?
Segundo redação do art. 1.866 do CC, o indivíduo inteiramente surdo:

0 indivíduo inteiramente surdo:


sabendo ler ✓lerá o seu testamento
se não o ✓designará quem o leia em seu
souber lugar, presentes as testemunhas

35) Qual a única forma de testamento permitida para os deficientes visuais?

36) Quais as peculiaridades inerentes ao testamento público dos cegos?


Deve o testamento ser lido, em voz alta, duas vezes, uma pelo tabelião
ou por seu substituto legal, e a outra por uma das testemunhas, designada
pelo testador, fazendo-se de tudo circunstanciada menção no testamento
(1.867 do CC).

37) Qual a única forma de testamento admitida para os analfabetos?


O testamento público, porquanto não se permite que eles façam
testamento particular e tampouco testamento cerrado (arts. 1.872 e 1.876,
§ 1?, do CC).

91
38) Quais as pessoas que se encontram impedidas de elaborar testamento
público?

Pessoas impedidas de ✓os mudos


elaborar testamento publico ✓os surdos-mudos

Obs.: Isso porque eles não satisfazem um dos requisitos exigidos pelo art.
1.864, I, do CC, qual seja, a necessidade do testador efetuar as declarações
pertinentes, de viva-voz, perante o tabelião ou seu substituto legal.

39) O que se entende por "testamento cerrado"?


A expressão em destaque é empregada para designar escrito feito "pelo
próprio testador, ou por alguém a seu rogo e por aquele assinado, com
caráter sigiloso, completado pelo instrumento de aprovação lavrado pelo
tabelião ou oficial público substituto, presentes duas testemunhas".57
Obs.l: Cuida-se de uma forma de testamento ordinário intermediária
entre o testamento público e o particular.
Obs.2: "A sua grande vantagem é seu caráter sigiloso, guardando o
segredo de seu conteúdo até a sua abertura; antes disso, apenas o testador
conhece o seu teor."58

57. Washington de Barros M onteiro, op. cit., p. 138.


58. M aria Helena Diniz, op. cit., p. 173.

92
Escrito feito "pelo próprio
testador, ou por alguém a seu
rogo e por aquele assinado,
com caráter sigiloso, completado
Testamento cerrado «— ’> pelo instrumento de aprovação
lavrado pelo tabelião ou oficial
público substituto, presentes
duas testemunhas"

40) Quais as outras expressões utilizadas para designar sobredita forma de


testamento?

Testamento cerrado sinônimos Testamento secreto ou místico

41) Quais as formalidades inerentes ao testamento cerrado que devem ser


observadas?
De acordo com o disposto no art. 1.868, caput, do CC, o testamento
escrito pelo testador, ou por outra pessoa, a seu rogo, e por aquele
assinado, será válido se aprovado pelo tabelião ou seu substituto legal,
observadas as seguintes formalidades:

1- que o testador o entregue ao tabelião


em presença de duas testemunhas
Testamento cerrado -

II - que o testador declare que aquele é o


seu testamento e quer que seja aprovado
formalidades

III - que o tabelião lavre, desde logo,


o auto de aprovação, na presença de
duas testemunhas, e o leia, em seguida,
ao testador e testemunhas
IV - que o auto de aprovação seja
assinado pelo tabelião, pelas testemunhas
e pelo testador

42) Pode a cédula testamentária ser escrita mecanicamente?


Sim, desde que seu subscritor numere e autentique, com a sua
assinatura, todas as páginas (art. 1.868, parágrafo único, do CC).

93
43) A partir de que instante se diz que o testamento cerrado está apto a
produzir efeitos?
Somente após a lavratura do auto de aprovação pelo tabelião, na
presença de duas testemunhas.

Somente após a
lavratura do auto
Testamento Aptidão para de aprovação pelo
n-------N
cerrado -----------]/ irradiar efeitos tabelião, na
presença de duas
testemunhas

44) Qual a conseqüência advinda do rompimento do lacre do testamento


cerrado?
O testamento cerrado que tenha sido aberto ou dilacerado pelo testador
ou por outrem com o consentimento daquele seró reputado como revogado
(art. 1.972 do CC).
Obs.l: Na concepção de Maria Helena Diniz, "como o que importa é
o onimus do testador, não há a presunção absoluta; assim sendo, poderão
subsistir tais testamentos se se provar que o rompimento foi acidental; daí
a matéria de fato, que deverá ser apreciada pelo magistrado em cada caso
concreto".59
Obs.2: Tal entendimento, contudo, é minoritário.

Testamento consequencia
Revogação
cerrado

45) A cédula testamentária tem que ser escrita pelo próprio testador?
Não, necessariamente. Admite-se que ela seja escrita por alguém a seu
rogo, contanto que não se trate do herdeiro ou do legatário, seu cônjuge ou
companheiro ou seus ascendentes e irmãos (art. 1.801, I, do CC).
Obs.: Com relação ao art. 1.801, I, do CC, cumpre-nos advertir que
"o dispositivo citado não menciona o descendente daquele que escreveu

59. M aria Helena Diniz, op. cit., p. 223.

94
a rogo como pessoa não legitimada à sucessão, mas, por força do art.
1.802, parágrafo único, do CC, este também se inclui como não
legitimado".60

46) É possível que o mesmo tabelião que tenha escrito o testamento a rogo
do autor da herança venha a lavrar o auto de aprovação?
Sim. Estabelece o art. 1.870 do CC que ainda que o tabelião tenha
escrito o testamento a rogo do testador, poderá, perfeitamente, aprová-lo.

47) Nosso ordenamento admite que um indivíduo que não saiba ou não possa
ler disponha de seus bens por meio da elaboração de testamento cerrado?
Não. E o que se extrai do art. 1.872 do CC.
Obs.: Isso porque o indivíduo em tais condições não terá meios, pela
leitura, para se certificar acerca do conteúdo do respectivo testamento.

Não poderá dispor


Quem não souber
de seus bens por
ou não puder ler
testamento cerrado

48) Qual o procedimento a ser seguido pelo surdo-mudo que queira fazer
testamento cerrado?
Por força do disposto no art. 1.873 do CC, deverá o surdo-mudo:

✓escrever todo o testamento


e o assinar de sua mão
Testamento ✓ao entregá-lo ao oficial público,
cerrado: deverá diante de duas testemunhas, escrever,
o surdo-mudo na face externa do papel ou do
envoltório, que aquele é o seu
testamento, cuja aprovação lhe pede

O bs.l: O mesmo trâmite deverá ser observado pelo indivíduo mudo


que optar pela sobredita forma ordinária de testamento.

60. Flávio Tartuce e José Fernando Simão, op. cit., p. 50.

95
Obs.2: Note-se que não se admite, na hipótese em comento, o
emprego de meios mecânicos.

49) Em que línguas pode ser escrito o testamento cerrado?


A lei faculta a possibilidade de que o testamento cerrado seja escrito
em língua nacional ou estrangeira, pelo próprio testador, ou por outrem, a
seu rogo (art. 1.871 do CC).

50) O que ocorrerá depois da entrega, ao tabelião, da cédula testa­


mentária?
Imediatamente depois da última palavra do testador, deverá o tabelião
dar início à lavratura do auto de aprovação, declarando, sob sua fé, que o
testador lhe entregou para ser aprovado na presença das testemunhas (art.
1.869, 1 - parte, do CC).
Obs.: Após, todos assinarão o instrumento.

51) E se não houver espaço na última folha do testamento, para o início da


aprovação?
Em tal situação, o tabelião aporá nele o seu sinal público, mencio­
nando a circunstância no auto (art. 1.869, parágrafo único, do CC).

52) Em que consiste a fase do cerramento?


Cuida-se da fase final da elaboração do testamento cerrado, na qual o
tabelião, "uma vez formalizado o auto de aprovação, o dobrará, juntamente
com a cédula testamentária, num só invólucro, que será por ele cerrado e
cosido com cinco pontos de retrós, segundo praxe cartorária, lacrando-se o
testamento nos pontos de costura"61 (art. 1.869, 2a- parte, do CC).

Fase final da
elaboração do
testamento cerrado

53) O que se sucede após a fase de aprovação e cerramento?


Ultrapassada a fase de aprovação e cerramento, será o testamento

61. M aria Helena Diniz, op. cit., p. 1 75.

96
entregue ao testador, e o tabelião lançará, no seu livro, nota do lugar,
dia, mês e ano em que o testamento foi aprovado e entregue (art. 1.874
do CC).
Obs.: Cumpre-nos deixar consignado que o tabelião não ficará com
cópia do testamento cerrado.

54) Falecido o testador, qual o procedimento a ser observado?


Deverá o testamento ser apresentado ao juiz, que o abrirá e o fará
registrar, ordenando seja cumprido, se não achar vício externo que o torne
eivado de nulidade ou suspeito de falsidade (art. 1.875 do CC).
Ato contínuo, será entregue cópia autêntica ao testamenteiro, que procederá
à sua juntada no processo de inventário, conforme determina o art. 1.127,
parágrafo único, do CPC.

55) O que se entende pela expressão "testamento particular"?


"A terceira modalidade do testamento ordinário ou comum é o
particular, privado ou hológrafo. Escrito pelo próprio testador, ou redigido
por meio de processo mecânico, é lido a três testemunhas e por todos
assinado. E a mais acessível forma de dispor, embora não seja entre nós a
mais usual, pelos riscos que suscita."62
Obs.: Como se vê, a feitura de tal espécie de testamento não demanda
a intervenção de funcionário do Estado.

"Escrito pelo próprio


testador, ou redigido por
meio de processo
Testamento particular
mecânico, é lido a três
testemunhas e por
todos assinado"

56) Quais as expressões que também podem ser utilizadas para designar o
testamento particular?
Testamento hológrafo ou halógrafo.

62. C aio M ário da Silva Pereira, op. cit., p. 244.

97
sinommos Testamento hológrafo
Testamento particular
ou halógrafo

57) De que maneiras pode o testamento particular ser escrito?


Consoante determina o art. 1.876, caput, do CC, o testamento par­
ticular pode ser:

0 testamento particular ✓de próprio punho ou


pode ser escrito: ✓mediante processo mecânico

58) Quais os requisitos essenciais à validade do testamento particular escrito


de próprio punho?
Figuram como requisitos essenciais à validade do testamento particular
escrito de próprio punho: seja lido e assinado por quem o escreveu, na
presença de pelo menos 3 testemunhas, que o devem subscrever (art.
1.876, § I o-, do CC).

Testamento
Requisitos essenciais
particular escrito
à sua validade
de próprio punho

Na presença de
Deve ser lido e
peío menos 3
assinado por
testemunhas (que o
quem o escreveu
devem subscrever)

59) E se se tratar de testamento particular elaborado por processo


mecânico?
Nesse caso, não poderá conter rasuras ou espaços em branco, devendo
ser assinado pelo testador, depois de o ter lido na presença de pelo menos
3 testemunhas, que o subscreverão (art. 1.876, § 2°, do CC).

98
Testamento Ausência de
particular Requisitos essenciais rasuras ou
elaborado por à sua validade espaços em
processo mecânico branco

V
Na presença de
Deve ser lido e
pelo menos 3
testemunhas (que o <; assinado pelo
testador
subscreverão)

60) Por que razão se diz que o testamento particular constitui forma inse­
gura de testar?
Porque ele exige, após a abertura da sucessão, confirmação, pelas
testemunhas, em juízo.

Exige, após a
abertura da
Forma porque sucessão,
Testamento
insegura confirmação,
particular
de testar pelas
testemunhas,
em juízo

61) Em que hipótese pode um mero escrito particular ser concebido como
testamento particular válido?
De acordo com o art. 1.879 do CC, em circunstâncias excepcionais
declaradas na cédula, pode o testamento particular escrito de próprio
punho e assinado pelo testador, sem testemunhas, ser confirmado, a
critério do juiz.
Obs.: Note-se que a expressão "circunstâncias excepcionais" consiste
numa "cláusula geral" (princípio da operabilidade).

99
Testamento
Em
particular escrito
circunstâncias Pode ser
de próprio punho
especiais confirmado (a
e assinado pelo
declaradas critério do juiz)
testador, sem
na cédula
testemunhas

62) Nossa legislação admite que o testamento particular seja escrito em


língua estrangeira?
Sim, desde que as testemunhas a compreendam (art. 1.880 do CC).

63) Quem pode elaborar o testamento particular?


Aquele que pode ler e escrever.

Pode ser elaborado


Testamento particular por aquele que pode
ler e escrever

64) Qual o procedimento que deve ser observado, quando da morte do autor
da herança?
Uma vez morto o testador, deve o testamento particular ser publicado
em juízo, com citação dos herdeiros legítimos (art. 1.877 do CC).

Publicação
do testamento citação
particular em juízo

65) Quando se dará, via de regra, a confirmação do testamento particular?


O testamento particular será confirmado se as testemunhas forem
contestes sobre o fato da disposição, ou, ao menos, sobre a sua leitura
perante elas, e se reconhecerem as próprias assinaturas, assim como a do
testador (art. 1.878, caput, do CC).

100
Se as testemunhas
forem contestes Se reconhecerem
Confirmação
sobre o fato da as próprias
do testamento
disposição, ou, ao assinaturas e a
particular
menos, sobre a do testador
leitura perante elas

66) Em que situações, ainda que não presentes em juízo todas as


testemunhas, haverá a confirmação do testamento particular?
Poderá o testamento particular ser confirmado, ainda que tenham
faltado testemunhas, por morte ou ausência, se pelo menos uma delas o
reconhecer, e se, a critério do juiz, houver prova suficiente de sua veracidade
(art. 1.878, parágrafo único, do CC).

Se faltarem
e se Pelo menos uma
testemunhas (por
delas o reconhecer
morte ou ausência)

A critério do juiz,
Poderá o testamento
houver prova se particular ser
suficiente de sua
confirmado
veracidade

67) O que se entende pelo vocábulo "codicilo"?


Cuida-se de "ato simplificado de última vontade, para as disposições
de pequena monta".63
O bs.l: "Trata-se, portanto, de um pequeno testamento, um ato
simplificado de última vontade, que deve ser escrito pelo próprio
disponente, assinado e datado, sem as formalidades previstas para a
feitura do testamento. Não necessita de testemunhas. Se o documento

63. Silvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 248.

101
estiver fechado, abre-se do mesmo modo que o testamento cerrado (CC,
art. 1.885)."ó4
Obs.2: A noção da expressão "pequena monta" deve ser tomada
levando-se em consideração a totalidade de bens deixados pelo falecido.

"ato simplificado de última


Codicilo vontade, para as disposições
de pequena monta"

68) Quais os requisitos que devem ser observados para que o codicilo tenha
validade?
Conforme preceito encartado no art. 1.881 do CC, deve o codicilo ser
elaborado por pessoa capaz de testar, mediante escrito particular, datado
e assinado.
Obs.: Note-se que não se exige a presença de testemunhas.

Elaborado por pessoa


capaz de testar
Codicilo

Mediante escrito
particular datado
e assinado

69) De que maneira pode o codicilo ser classificado no que se refere à


existência ou não de testamento?
Segundo prevê o art. 1.882 do CC, pode o codicilo ser reputado como:

Classificação do codicilo
autônomo ✓aquele que tem ensejo quando não houver testamento
✓aquele que coexiste com testamento também deixado
complementar
pelo autor da herança

64. Nelson G odoy Bassil Dower, op. cit., p. 172.

102
70) Em que consiste a chamada "cláusula codicilar"?
Cuida-se de disposição apregoando que o testamento eivado por
nulidade poderá ser aceito, ao menos, como codicilo.
Obs.: Tal prática não é admitida por nossa legislação.

Disposição apregoando que


o testamento eivado por
Cláusula codicilar
nulidade poderá ser aceito,
ao menos, como codicilo

71) Cite algumas das finalidades para as quais se faz uso do codicilo.

✓reconhecer filhos havidos fora do casamento


(art. 1.609, II, do CC)
✓reabilitar o indigno (art. 1.818 do CC)
✓fazer disposições especiais sobre
o próprio enterro (art. 1.881 do CC)
✓deixar esmolas de pouca monta a certas e
Finalidades determinadas pessoas, ou, indeterminadamente,
do codicilo aos pobres de certo lugar (art. 1.881 do CC)
✓legar móveis, roupas ou jóias, de pouco valor,
de uso pessoal (art. 1.881 do CC)
✓nomear ou substituir testamenteiros
(art. 1.883 do CC)
✓fazer sufrágios por intenção da alma do
codicilante (art. 1.998 do CC)

72) De que forma são revogados os codicilos?

Os codicilos podem ser revogados


✓quando da existência de outro codicilo posterior
expressamente
que faça alusão direta à revogação
✓quando se verificar a existência de outro codicilo que
tacita mente
contenha disposição incompatível com o anterior

10 3
Obs.: Nos termos do art. 1.884 do CC, a elaboração de testamento
posterior, de qualquer natureza, implicará revogação automática do codicilo
se aquele não proceder à confirmação ou modificação deste.

73) De que maneira deve ser aberto o codicilo, caso este esteja fechado?
Deve o codicilo ser aberto da mesma forma que o testamento cerrado
(art. 1.885 do CC).

74) Quais as espécies de testamentos especiais ou extraordinários?


Estabelece o art. 1.886 do CC que são testamentos especiais ou
extraordinários:

75) Nosso ordenamento admite a criação de outros testamentos especiais


que não os elencados no Código Civil?
Não. O art. 1.887 do CC, inclusive, é expresso nesse sentido.

76) Quando terá cabimento a elaboração do testamento marítimo?


Quando um determinado indivíduo, estando em viagem, a bordo de navio
nacional, de guerra ou mercante, optar por testar perante o comandante,
tendo em vista o surgimento de algum risco de vida e a impossibilidade de
desembarque em um porto próximo (art. 1.888, caput, do CC).

Quando um o surgimento de algum


indivíduo, a risco de vida
bordo de navio
Testamento nacional, optar
marítimo por testar
perante o a impossibilidade de
comandante, desembarque em um
tendo em vista porto próximo

104
77) Qual o número de testemunhas necessário para que o testamento
marítimo seja reputado como válido?

Testamento marítimo 2 testemunhas

78) Qual a forma do testamento marítimo?


Ele tanto pode revestir-se de forma similar ao testamento público como
também ao cerrado (art. 1.888, in fine, do CC).
Obs.: Cabe-nos ponderar, "no entanto, que essa aplicação dos
preceitos referentes às duas formas ordinárias indicadas no art. 1.888 não
deve ser feita mecanicamente, com extremo rigor e compreensão literal.
A parificação não pode ser absoluta e completa, senão o testamento
marítimo não passaria de um testamento público ou cerrado feito sobre as
águas, e tendo o comandante do navio como notário. Não é esta, com
certeza a rotio legis".65

79) Onde deverá ser feito o respectivo registro, em se observando a forma


de testamento público?
O registro do testamento será feito no diário de bordo, conforme
estabelece o art. 1.888, parágrafo único, do CC.

80) Se o navio estiver em porto onde o testador possa desembarcar e


testar na forma ordinária, será considerado válido o testamento marítimo
elaborado?
Não. Em tal hipótese, ainda que feito no curso de uma viagem, não
terá validade o testamento marítimo (art. 1.892 do CC).

Se o navio estiver
em porto onde o
Testamento marítimo será
testador possa
elaborado no curso Inválido
desembarcar e
da viagem
testar na forma
ordinária

65. Zeno Veloso, op. cit., p. 1.581.

105
81) Quem pode elaborar testamento aeronáutico?
De acordo com o art. 1.889 do CC, quem estiver em viagem, a bordo
de aeronave militar ou comercial, poderá testar perante pessoa designada
pelo comandante, desde que observado o preceito encartado no art. 1.888
(testamento marítimo).
O bs.l: O dispositivo em comento estabelece que a feitura do testamento
requer a presença de duas testemunhas, podendo ser adotada forma que
corresponda ao testamento público ou ao cerrado.
Obs.2: Oportuno, aqui, atentar para a observação tecida na Questão n. 78.

Quem estiver
em viagem, Poderá testar
desde que ^ Observado o
a bordo de perante pessoa
disposto no art.
aeronave designada pelo
1.888 do CC
m ilitar ou comandante
comercial

82) A quem compete a guarda do testamento marítimo ou aeronáutico?


A guarda do testamento marítimo ou aeronáutico compete ao
comandante, que o entregará às autoridades administrativas do primeiro
porto ou aeroporto nacional, contra recibo averbado no diário de bordo
(1.890 do CC).

Guarda do testamento
compete ao
marítimo ou Comandante
aeronáutico

83) Quando se verificará a caducidade do testamento marítimo ou aeronáutico?


O testamento marítimo ou aeronáutico caducará se o testador não
morrer na viagem, nem nos 90 dias subsequentes ao seu desembarque
em terra, onde possa fazer, na forma ordinária, outro testamento
(art. 1.891 do CC).
Se o testador não morrer na
Testamento viagem, nem nos 90 dias
marítimo ou n— y Caducidade subsequentes ao seu
aeronáutico desembarque em terra, onde
possa fazer, na forma
ordinária, outro testamento

106
84) E se o autor da herança houver efetuado o reconhecimento de filho
havido fora do casamento?
Em tal hipótese, o testamento marítimo ou aeronáutico não caducará,
porquanto no que se refere ao reconhecimento de filho havido fora do
casamento é ele irrevogável (art. 1.609, III, do CC).

Reconhecimento de filho
Irrevogável
havido fora do casamento

85) Quem detém legitimidade para elaborar o testamento militar?


Os militares e demais pessoas a serviço das Forças Armadas em
campanha, dentro do País ou fora dele, assim como em praça sitiada, ou
que esteja de comunicações interrompidas (art. 1.893, caput, do CC).

86) Quais as formas de testamento militar?

✓forma semelhante ao
testamento público
Testamento ✓forma equivalente ao
militar
testamento cerrado
✓testamento nuncupativo

87] A quem a lei incumbe o dever de escrever o testamento m ilitar


assemelhado ao público?

Legitimidade para escrever o testamento


m ilitar assemelhado ao público
se o autor da herança ✓o testamento será escrito pelo respectivo
pertencer a corpo ou comandante, ainda que de graduação ou
seção de corpo destacado posto inferior (art. 1.893, § 1 -, do CC)
✓o testamento será escrito pelo respectivo
se o testador estiver em
oficial de saúde ou pelo diretor do
tratamento em hospital
estabelecimento (art. 1.893, § 2-, do CC)
se o testador for o oficial ✓o testamento será escrito por aquele que
mais graduado o substituir (art. 1.893, § 3-, do CC)

107
88) Qual o número de testemunhas exigido para a elaboração do testa­
mento em análise?
Exige-se que o testamento seja lavrado na presença de duas
testemunhas e assinado por ambas e pelo autor da herança (art. 1.893
caput, do CC).
Obs.: Caso o testador não possa ou não saiba assinar, são necessárias
3 testemunhas (uma delas deverá assinar por ele).

Testamento Exceção: 3
militar n-------- 1 Regra: duas testemunhas (quando
assemelhado y — t testemunhas testador não puder ou
ao público não souber assinar)

89) Pode o testador fazer o testamento m ilitar de seu punho?


Sim. Na forma semelhante ao testamento cerrado, o testador, sabendo
escrever, poderá fazê-lo de seu próprio punho, desde que o date e assine
por extenso, e o apresente aberto ou cerrado, na presença de duas
testemunhas ao auditor, ou ao oficial de patente, que lhe faça as vezes em
tal mister (art. 1.894, caput, do CC).

Testador poderá fazê-lo de seu


próprio punho, desde que o date e
Testamento militar
assine por extenso, e o apresente
assemelhado ao
(aberto ou cerrado), na presença
cerrado
de duas testemunhas ao auditor
ou oficial de patente

90) O que deve fazer o auditor ou oficial a quem o testamento se apresente?


O auditor ou o oficial a quem o testamento se apresente notará, em
qualquer parte dele, lugar, dia, mês e ano, em que lhe for apresentado,
nota esta que será assinada por ele e pelas testemunhas (art. 1.894,
parágrafo único, do CC).

91) Em que consiste o testamento nuncupativo?


Trata-se do testamento feito de viva-voz pelas pessoas designadas no
art. 1.893, quando estas estiverem empenhadas em combate ou feridas,

108
desde que o ato seja presenciado por duas testemunhas (art. 1.896,
caput, do CC).
Obs.: Cuida-se de espécie de testamento em que não se verifica
forma solene.

Testamento nuncupativo < ]: 2 testemunhas

não solene (viva-voz)

em combate ou feridas

92) Quando se diz que o testamento nuncupativo não surtirá efeitos?


Segundo dispõe o art. 1.893, parágrafo único, do CC, o testamento
nuncupativo não terá efeito:

Hipóteses em que o testamento


nuncupativo não surtirá efeitos:
✓se o testador não morrer na guerra
✓se o testador convalescer do ferimento

93) Quando se considera caduco o testamento militar?


O testamento militar caduca, desde que, depois dele, o testador esteja,
90 dias seguidos, em lugar onde possa testar na forma ordinária, salvo se
esse testamento apresentar as solenidades prescritas no parágrafo único
do art. 1.894, ou seja, se tomar a forma de testamento cerrado (art. 1.895
do CC).

94) Como são reputadas as disposições testamentárias inquinadas de erro,


dolo ou coação?

Disposições testamentárias inquinadas


Anuláveis
de erro, dolo ou coação

109
95) Dentro de quanto tempo extingue-se o direito de anular a disposição
maculada por tais vícios?
Tal direito extingue-se em 4 anos, contados de quando o interessado
tiver conhecimento do vício (art. 1.909, parágrafo único, do CC).
O bs.l: Trata-se de prazo decadencial.
Obs.2: Note-se que a regra difere daquela encartada no art. 178, I e
II, do CC (a contagem do prazo é feita a partir de quando cessar a coação
ou da celebração do negócio inquinado por erro ou dolo).

Direito de anular disposições extingue-se 4 anos (do


testamentários inquinadas conhecimento
em
de erro, dolo ou coação do vício)

96) Na hipótese da cláusula testamentária possuir diversas interpretações,


qual deve prevalecer?
Deve preponderar a que melhor assegure a observância da vontade do
testador (art. 1.899 do CC).
Obs.: E, aliás, o que determina o princípio encartado no art. 112 do
estatuto em epígrafe ("Nas declarações de vontade se atenderá mais à
intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem").

97) O erro na designação da pessoa do herdeiro, do legatário ou da coisa


legada tem o condão de anular a disposição testamentária?
Sim, desde que pelo contexto do testamento, por outros documentos ou
por fatos inequívocos, não se possa identificar a pessoa ou coisa a que o
testador queria fazer alusão (art. 1.903 do CC).

98) Como deverá ser feita a interpretação da disposição geral em favor dos
pobres, dos estabelecimentos particulares de caridade ou dos de assistência
pública?
De acordo com o art. 1.902, caput, do CC, entender-se-á relativa aos
pobres do lugar do domicílio do testador ao tempo de sua morte, ou dos
estabelecimentos aí sitos, salvo se manifestamente constar que tinha em
mente beneficiar os de outra localidade.

99) Quais as instituições que gozarão de preferência?


Para os fins previstos no art. 1.902 do CC, as instituições particulares
preferirão sempre às públicas.

110
Instituições preferirão Instituições
particulares sempre às públicas

100) Como deve se dar a divisão da porção disponível, caso sejam nomeados
dois ou mais herdeiros, sem que se lenha discriminado a parte de cada um?
Deve a porção disponível ser partilhada por igual, entre todos (art.
1.904 do CC).
Obs.: A regra em apreço reflete preceito encartado no art. 257 do CC,
dispositivo este que cuida das obrigações divisíveis.

101) E se o testador tiver nomeado certos herdeiros individualmente e outros


coletivamente?
Nesse caso, a herança será dividida em tantas quotas quantos forem
os indivíduos e os grupos designados (art. 1.905 do CC).

102) Caso as quotas de cada um dos herdeiros, determinadas pelo


testamento, não absorvam toda a herança, o que deverá ser feito com o
remanescente?
O remanescente pertencerá aos herdeiros legítimos, em conformidade
com a ordem da vocação hereditária (art. 1.906 do CC).
Obs.: Silvio Rodrigues critica a existência da norma em comento,
aduzindo que "o art. 1.906 é outro dispositivo supérfluo. E óbvio e já foi visto
que, se o testamento não abranger todos os bens do testador, o remanescente
caberá aos herdeiros legítimos. Não havia mister de repetir".66

Se quotas dos
herdeiros,
determinadas pertencerá Herdeiros
pelo testamento, Remanescente
aos legítimos
não absorverem
toda
a herança

66. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7, p. 183.

111
103) De que maneira deve ser distribuída a parte disponível da herança,
caso o testador tenha determinado os quinhões de uns, mas não de outros
herdeiros?
Depois de completas as porções hereditárias dos herdeiros cujos
quinhões foram determinados de antemão, deve o restante ser distribuído
de modo igualitário entre os demais beneficiários (art. 1.907 do CC).

104) Caso o testador disponha que não caiba ao herdeiro instituído certo e
determinado objeto dentre os da herança, a quem deve o mesmo ser
conferido?
Aos herdeiros legítimos, consoante preceito encartado no art. 1.908
do CC.

105) Em que hipótese a ineficácia de uma disposição testamentária


importará a de outras?
Quando houver uma relação de dependência entre elas, de modo que
as outras não teriam sido determinadas pelo testador sem aquela primeira
(art. 1.910 do CC).

Ineficácia de uma Relação de


quando houver
disposição testamentária ■ ■"■» dependência
importará a de outras entre elas

10Ó) Nosso ordenamento admite a nomeação de herdeiro a termo?


Via de regra, a designação do tempo em que deva começar ou cessar
o direito do herdeiro será reputada como não escrita. O herdeiro será
considerado como tal assim que se operar a abertura da sucessão (art.
1.898 do CC).
Obs.: Isso somente não ocorrerá em se tratando de disposições
fideicomissárias.

Nomeação Exceção:
Regra: reputada
de herdeiro disposições
como não escrita
a termo fideicomissárias

107) E quanto ao legatário?


Como nossa legislação fez expressa referência à proibição no tocante

112
à nomeação de herdeiro a termo, tem se admitido a nomeação de
legatário em tais circunstâncias, posição esta reforçada pelo disposto no
art. 1.924 do CC.

Nomeação de legatário a termo Admissível

108) Quais as disposições testamentárias reputadas nulas pela ordem jurí­


dica pátria?
Determina o art. 1.900 do CC ser nula a disposição:

1- que institua herdeiro ou legatário


sob a condição captatória de que este
disponha, também por testamento,
É nula a disposição

em benefício do testador, ou de terceiro


testamentária

II - que se refira a pessoa incerta, cuja


identidade não se possa averiguar
III - que favoreça a pessoa incerta,
cometendo a determinação de sua
identidade a terceiro
IV - que deixe a arbítrio do herdeiro,
ou de outrem, fixar o valor do legado
V - que favoreça as pessoas a que
se referem os arts. 1.801 e 1.802 do CC

Obs.: A hipótese aventada no inc. II distingue-se daquela elencada no


inc. III, porque nela a pessoa incerta é indicada pelo próprio testador e não
por terceiro.

109) Em que hipótese valerá a disposição em favor de pessoa incerta?


Valerá disposição em favor de pessoa incerta que deva ser determinada
por terceiro, dentre duas ou mais pessoas mencionadas pelo testador, ou
pertencentes a uma família, ou a um corpo coletivo, ou a um estabele­
cimento por ele designado (art. 1.901, I, do CC).
Obs.: Note-se que, muito embora haja, a pr/or/, certa indeterminação
quanto ao sujeito beneficiado pela disposição, a pessoa passa a ser
determinável em razão das características apontadas pelo testador.

11 3
110) Em que hipótese valerá a disposição que deixar ao arbítrio do herdeiro
ou de outrem a fixação do valor do legado?
Quando se tratar de legado em remuneração a serviços prestados ao
testador, por ocasião da moléstia de que faleceu (art. 1.901, II, do CC).

111) De que maneira pode se dar a nomeação de herdeiro ou legatário?

A nomeação de herdeiro ou legatário pode ser feita:


✓de forma pura e simplesmente (art. 1.897 do CC)
✓sob condição (art. 1.897 do CC)
✓por meio de encargo (para certo fim ou modo) (art. 1.897 do CC)
✓por certo motivo (art. 1.897 do CC)
✓a termo

112) A partir de que instante a nomeação de herdeiro ou legatário pura e


simples tem o condão de irradiar efeitos?
A nomeação pura e simples produz efeitos no mesmo instante em que
se dá a abertura da sucessão.

113) Em que hipótese se diz que a nomeação de herdeiro ou legatário é feita


sob condição?
Quando a eficácia de tal ato ficar subordina a evento futuro e incerto.

114) O que se entende por "condição"?


E uma cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes,
subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto (art. 121
do CC).

Condição Evento futuro e incerto

115) Quais os requisitos necessários para a configuração da condição?

114
116) O que se entende por "futuridade"?
Cuida-se da imprescindibilidade de que o evento ainda não tenha sido
verificado quando da celebração do ajuste.

117) E se o fato for passado ou presente; é possível falar em condição?


Não. Se o fato for anterior ou concomitante à celebração da avença,
não se verificará a futuridade. Em tais hipóteses, ou o negócio é eficaz
(se o fato tiver ocorrido) ou não gerará qualquer efeito (se o fato não
tiver ensejo).

118) A "incerteza" refere-se a que aspecto do negócio?


A incerteza diz respeito à ocorrência do evento, que pode ou não se
verificar.

119) É correto falar em "condição", ainda que haja certeza em relação à


ocorrência do fato?
Não. Havendo certeza no que toca à ocorrência do fato, não se pode
falar em "condição", mas sim em "termo".

120) Como podem ser classificadas as condições no que se refere ao modo


de atuação?

1 2 1 )0 que se entende por "condição suspensiva"?


E aquela que impede a produção de efeitos do ato até que se constate
a realização do evento futuro e incerto.
Ex.: tio que promete ao sobrinho uma viagem se este ingressar numa
boa faculdade.
Impede a produção de
efeitos do ato até que se
Condição suspensiva
constate a realização do
evento futuro e incerto

115
122) Qual a conseqüência advinda da subordinação da eficácia do negócio
jurídico à condição suspensiva?
Não se terá adquirido o direito enquanto não verificar a ocorrência da
condição suspensiva (art. 125 do CC).

Subordinação do Não se terá adquirido o


conseqüência
negócio jurídico à direito enquanto não se
condição suspensiva verificar sua ocorrência

123) O que se entende por "condição resolutiva"?


E aquela que implica extinção do direito transferido pelonegócio,
quando da constatação do evento futuro e incerto.
Obs.: Note-se que, o negócio, até o implemento dacondição, gera
efeitos.
Ex.: pacto de retrovenda.

Implica extinção do direito transferido


pelo negócio, quando da constatação
do evento futuro e incerto

124) Qual a conseqüência advinda da subordinação da eficácia do negócio


jurídico à condição resolutiva?
Segundo estabelece o art. 127 do CC, "se for resolutiva a condição,
enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercer-
-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido".

125) O que ocorre caso a condição resolutiva venha a se verificar?


Sobrevindo a condição resolutiva, o direito a que ela se opõe será
extinto, para todos os efeitos (art. 128, 1 - parte, do CC).

126) Como são classificadas as condições no que concerne à sua licitude?

116
127) O que são "condições lícitas"?
São aquelas que, em geral, não se mostram contrárias à lei, à ordem
pública ou aos bons costumes (art. 122, 1 - parte, do CC).

128) O que são "condições ilícitas"?


São aquelas que atentam contra a lei, a ordem pública e os bons
costumes e, em regra, tornam o negócio nulo.

129) Quais as condições que invalidam os negócios jurídicos que lhes são
subordinados?

✓condições que privem de todo efeito


o negócio jurídico ou o sujeitem ao
puro arbítrio de uma das partes
(art. 122, 2a- parte, do CC)__________
✓condições física ou juridicamente
Invalidam o
impossíveis, quando suspensivas
negócio jurídico
(art. 123, I, do CC)
✓condições ilícitas ou de fazer coisa
ilícita (art. 123, II, do CC)
✓condições incompreensíveis ou
contraditórias (art. 123, III, do CC)

130) Quais os efeitos decorrentes das condições ilícitas?


Os efeitos variam conforme o tipo de condição:

se suspensivas o negócio será integralmente nulo


Efeitos a condição será considerada
das condições
se resolutivas como não escrita ou inexistente
ilícitas
(art. 124 do CC)

131) Quais os desdobramentos advindos da condição de não fazer coisa


impossível?
Nenhum. Tal condição é considerada como não escrita (art. 124
do CC).

117
132) Como são chamadas as condições que subordinam a eficácia do
negócio ao mero arbítrio de uma das partes?
Condições puramente potestativas, as quais são reputadas como ilícitas
por nosso ordenamento (art. 122, 2- parte, do CC).

Condições que subordinam a Condições


eficácia do negócio ao mero puramente
arbítrio de uma das partes potestativas

133) Qual a conseqüência advinda da verificação de que a parte a quem


desfavorecer o negócio está empreendendo esforços para, maliciosamente,
frustrar o implemento da condição resolutiva?
Em tal hipótese, reputa-se verificada, quanto aos efeitos jurídicos, a
mencionada condição (art. 129, 1 - parte, do CC).

134) E se o beneficiário do negócio estiver maliciosamente forjando a


verificação da condição?
Considera-se, in casu, não verificada a condição (art. 129, 2a- parte,
do CC).

135) Quando a nomeação do herdeiro ou legatário será feita por meio de


encargo?
Quando o autor da herança impuser um ônus ou uma obrigação ao
beneficiário.

136) Em que consiste o "m odo" ou "encargo"?


Trata-se de uma cláusula acessória imposta a alguns negócios jurídicos,
por meio da qual são restringidas vantagens afetas ao beneficiário.

Cláusula acessória imposta a alguns negócios


Modo ou
jurídicos, por meio da qual são restringidas
encargo
vantagens afetas ao beneficiário

137) O modo somente pode existir quando da celebração de negócios


gratuitos?
O modo, em princípio, tem ensejo nos negócios jurídicos gratuitos.
Todavia, pode ele ser constatado quando da realização de negócios onerosos.

118
138) Pode o encargo im plicar suspensão da aquisição ou do exercício
do direito?
Via de regra, não. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício
do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo
disponente, como condição suspensiva (art. 136 do CC).

139) Quem poderá exigir o cumprimento do modo ou encargo pelo


beneficiário do negócio jurídico firmado?

Legitimados a exigir o cumprimento


do modo ou encargo pelo beneficiário
do negócio jurídico firmado
✓terceiro que se beneficiar com o encargo
✓Ministério Público (se o encargo for de
interesse geral)

140) Quais as medidas que podem ser adotadas pelo instituidor do encargo
quando se verificar que o beneficiário do negócio não o cumpriu?

Medidas que podem ser adotadas pelo


instituidor do encargo quando se verificar que
o beneficiário do negócio não o cumpriu
✓ajuizar ação revocatória
✓exigir judicialmente o adimplemento
do encargo

141) Caso o encargo não seja cumprido, quem possui legitimidade para
ajuizar ação revocatória?
Somente aquele que institui o encargo ou modo.

142) Qual a conseqüência da estipulação de encargo ilícito ou impossível?


Via de regra, ele é reputado como não escrito, considerando-se o
negócio puro e simples.
Obs.: Isto não ocorrerá se o encargo constituir o motivo determi­
nante da liberalidade, caso em que se invalida o negócio jurídico (art. 137
do CC).

119
143) Quando se diz que a nomeação de herdeiro ou legatário é feita por
motivo certo?
Quando o autor da herança declarar a razão que o levou a realizar a
liberalidade, fazendo, pois, alusão a fatos pretéritos.
Obs.: Trata-se da denominada "cláusula ou disposição motivada".

Quando o autor
da herança
Nomeação de
declarar a razão
herdeiro ou K Cláusula ou
que o levou
legatário feita H - í 1/
> disposição
a realizar
por motivo motivada
a liberalidade,
certo
fazendo alusão a
fatos pretéritos

144) O que se entende pelo vocábulo "termo"?


E o acontecimento futuro e certo que subordina o início ou o término
da eficácia de um determinado negócio jurídico.

Termo Evento futuro e certo

145) Qual a principal diferença entre o termo e a condição?


Diferentemente do que ocorre com a condição, que tem como traço
característico a incerteza, o termo é dotado de certeza no que concerne à
sua ocorrência.
Obs.: Note-se que o termo nem sempre se mostrará certo em relação
à data de sua constatação.

146) Como pode ser classificado o termo quanto ao modo de atuação?

120
147) O que se entende por "termo inicial"?
E aquele que suspende o exercício de um direito, mas não a sua
aquisição (art. 131 do CC). E, ainda, o momento em que a eficácia de um
ato jurídico deve começar.67
Obs.: O titular, no caso em comento, já possui o direito sobre a coisa,
de modo que somente o exercício fica obstado enquanto não se verificar o
implemento do termo.

148) O que se entende por "termo final"?


E aquele que importa extinção dos efeitos do negócio jurídico.

149) Qual a abrangência do vocábulo "prazo"?


E o lapso temporal verificado entre a declaração e o advento do termo.

150) De que maneira devem ser computados os prazos?


Não havendo disposição legal ou convencional em sentido contrário,
os prazos devem ser computados excluindo-se o dia do começo e incluindo-
-se o do vencimento (art. 132, caput, do CC).

151) E se o dia do vencimento cair em feriado?


Considera-se prorrogado o prazo até o dia útil subsequente (art. 132,
§ l* ,d o CC).

152) Como são presumidos os prazos nos testamentos e nos contratos?


De acordo com o art. 133, 1 - parte, do CC, presumem-se os prazos:

67. Silvio Rodrigues. Direito civil: parte geral. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. v. 1, p. 255.

121
153) Quais as conseqüências práticas advindas de tal regra?

Conseqüências advindas da presunção dos prazos


✓se o testador fixar prazo para
a entrega do legado, considerar-
nos testamentos -se-á que foi estipulado em favor
do herdeiro obrigado ao
pagamento, e não do legatário
✓pode o devedor renunciar ao
nos contratos prazo e antecipar o pagamento
da dívida

154) Nosso ordenamento admite a imposição, pelo testador, de ônus ou


gravame sobre os bens que integram a parte disponível da herança?
Sim. E o que se depreende do art. 1.911 do CC, o qual determina que
a cláusula de inalienabilidade, imposta aos bens por ato de liberalidade,
implica impenhorabilidade e incomunicabilidade.

155) Pode o testador estabelecer cláusula de inalienabilidade, impenho­


rabilidade ou incomunicabilidade sobre os bens da legítima?
Em regra, não. Poderá, contudo, se houver justa causa, declarada no
testamento, para tanto (art. 1.848, caput, do CC).
Obs.: Registre-se que tal limitação é restrita ao testador e à legítima,
não atingindo a parte disponível e tampouco o doador.

156) Até que momento podem os mencionados ônus ser retirados pelo doador?
Até o instante de sua morte. Quando esta se verificar, a cláusula se
tornará irretratável.
Obs.: Note-se, contudo, que nosso ordenamento permite que os bens
gravados sejam desapropriados ou alienados por conveniência econômica do
donatário ou do herdeiro, desde que haja autorização legal para tanto, ou
ainda para fins de sub-rogação do vínculo, de modo que o produto
arrecadado deve ser convertido em outros bens, sobre os quais incidirão as
mencionadas restrições (arts. 1.848, § 2 - e 1.911, parágrafo único, do CC).

157) O que se entende pelo vocábulo "legado"?


Cuida-se de "disposição testamentária a título singular, pela qual o

122
testador deixa à pessoa estranha ou à não sucessora legítima um ou mais
objetos individualizados ou certa quantia em dinheiro".68

Legado Bens específicos deixados


pelo testador ao legatário

158) De que forma ocorre a sucessão do legatário?


A sucessão do legatário ocorre a título singular.
Obs.: O herdeiro será sempre sucessor a título universal.

Legatário sucessão A título singular

159) Qual a expressão utilizada para assinalar a situação em que o bem


específico é deixado pelo autor da herança para um determinado herdeiro
legítimo?
Fala-se, in casu, em "legado precípuo" ou "prelegado".

Bem específico é deixado pelo


Legado precípuo
autor da herança para um
ou prelegado
determinado herdeiro legítimo

160) Quais as figuras existentes no legado?

Figuras existentes no legado


legante ✓testador
legatário ✓indivíduo beneficiado pela deixa
onerado ✓herdeiro incumbido de cumprir o legado

Obs.: Não havendo nomeação de um herdeiro específico para dar


cumprimento ao legado, todos serão responsáveis portal incumbência.

68. Maria Helena Diniz, op. cit., p. 252.

123
161) Via de regra, como é considerado o legado de coisa certa que, quando
da abertura da sucessão, não mais pertença ao testador?
O legado, em tais circunstâncias, é considerado como ineficaz,
conforme determina o art. 1.912 do CC.
Obs.: Tem aplicabilidade aqui a máxima segundo a qual ninguém pode
transferir mais direitos do que tem.

Legado de coisa certa que,


quando da abertura da sucessão, via de regra Ineficaz
não mais pertença ao testador

162) Quais as exceções à regra encartada no art. 1.912 do CC?

Exceções à regra de que é ineficaz o legado de coisa certa que não


pertença ao testador no momento da abertura da sucessão:
✓quando o testador ordenar que o herdeiro ou
art. 1.913 legatário entregue coisa de sua propriedade a outrem,
do CC hipótese em que se ele não o cumprir, entender-se-á
que renunciou à herança ou ao legado
✓quando se tratar de legado de coisa que se
art. 1.915 determine pelo gênero, hipótese em que deverá o
do CC mesmo ser cumprido, ainda que tal coisa não exista
entre os bens deixados pelo testador

O bs.l: Será, ainda, reputado eficaz o legado na hipótese do bem não


pertencer ao testador, quando da elaboração do testamento, mas passar a
pertencer por ocasião da abertura da sucessão.
Obs.2: Frise-se que "essa aquisição ulterior produz efeito retro-
operante, convalidando o ato, tornando válida a liberalidade desde o
instante da elaboração da cláusula testamentária".69

69. Maria Helena Diniz, op. cit., p. 255.

124
163) Na hipótese do testador ordenar que o herdeiro ou legatário entregue
coisa de sua propriedade a outrem, qual a expressão utilizada paro designar
este último?
O terceiro é chamado de sublegatário.

164) Valerá o legado se a coisa fo r comum e tão somente em parte


pertencer ao testador, ou, no caso do art. 1.913 do CC, ao herdeiro ou
ao legatário?
O legado valerá somente em relação à mencionada parte (art. 1.914
do CC).
Obs.: Ele será ineficaz se incidir sobre coisa alheia.

165) Terá eficácia o legado caso o testador venha a legar coisa sua,
singularizando-a?
Em tal situação, somente terá eficácia o legado se, ao tempo do seu
falecimento, a coisa se achar entre os bens da herança (art. 1.916, 1q parte,
do CC).

166) E se a coisa legada existir entre os bens do testador, mas em quantidade


inferior à do legado?
Nesse caso, o legado será eficaz apenas quanto à coisa existente (art.
1 .9 1 6 ,2 - parte, do CC).

167) Quando se considerará eficaz o legado de coisa que deva encontrar-


se em um dado lugar?
O legado de coisa que deva estar habitual e permanentemente em
determinado lugar somente terá eficácia se nele for achada, exceto se se
verificar sua remoção a título transitório (art. 1.917 do CC).

168) Admite-se a existência de legado que tenha por objeto crédito ou


quitação de dívida?
Sim. Note-se, contudo, que o legado de crédito ou de quitação de
dívida terá eficácia somente até a importância desta, ou daquele, ao tempo
da morte do testador (art. 1.918, caput, do CC).

169) De que forma é cumprido o legado de crédito ou de quitação de dívida?


O legado de crédito ou de quitação de dívida é cumprido mediante
a entrega, pelo herdeiro, do título respectivo ao legatário (art. 1.918,
§ l * , d o CC).

125
cumprido Entrega, pelo herdeiro,
Legado de crédito ou de
do título respectivo
quitação de dívida mediante ao legatário

170) O referido legado abrange as dívidas posteriores à data do testamento?


Não, por força do que dispõe o art. 1.918, § 2-, do CC.

171) Caso o testador seja devedor do legatário, o legado deixado a este


pode ser considerado como compensação de sua dívida?
Somente se houver declaração expressa do testador nesse sentido (art.
1.919, coput, do CC).

172) Qual a abrangência do legado de alimentos?


Segundo dispõe o art. 1.920 do CC, o legado de alimentos abarca:

0 legado de alimentos abarca


o sustento, a cura, ✓enquanto o legatário viver
o vestuário e a casa
a educação ✓se o legatário for menor

173) Quem deverá fixar o valor de eventual pensão alimentícia?


Via de regra, caberá ao próprio testador fazê-lo.
Obs.: Sua omissão poderá ser suprida pela autoridade judiciária,
levando-se em consideração não só as necessidades do legatário, como
também as forças da herança.

Fixação do valor de caberá, via


Testador
eventual pensão alimentícia de regra, ao

174) Caso o testador não estabeleça o tempo do legado de usufruto, como


deve ele ser concebido?
Como se vitalício fosse, ou seja, para toda a vida do legatário (art.
1.921 do CC).

Se o testador não estabelecer


Vitalício
o tempo do legado de usufruto

126
175) As novas aquisições ajuntadas posteriormente a um dado imóvel
legado pelo testador são, também, concebidas como liberalidade?
Em regra, não. Segundo estabelece o art. 1.922 do CC, caso aquele
que venha a legar um imóvel lhe ajunte depois novas aquisições, estas,
ainda que contíguas, não se compreendem no legado, a não ser que haja
expressa declaração do testador em sentido contrário.

176) Em que hipóteses as novas aquisições ajuntadas pelo testador ao imóvel


legado serão compreendidas no legado?

Hipóteses em que as novas aquisições ajuntadas pelo


testador ao imóvel legado serão compreendidas no legado:
✓quando houver expressa declaração do testador
nesse sentido (art. 1.922, parte final, do CC)
✓quando se tratar de benfeitorias necessárias, úteis
ou voluptuárias feitas no prédio legado (art. 1.922,
parágrafo único, do CC)

177) É correto afirm ar que em relação ao legado também tem aplicabilidade


o princípio da sa/s/ne?
Não. Entende-se pelo referido princípio que, uma vez aberta a
sucessão, o herdeiro adquire, desde logo, a propriedade e a posse da
herança. Isto não se verifica no que concerne ao legado. Com a abertura
da sucessão, o legatário somente adquire a propriedade da coisa certa
existente no acervo, salvo se o legado estiver sob condição suspensiva (art.
1.923, caput, do CC).
Com a abertura da
sucessão, o legatário
somente adquire a
Princípio da propriedade da coisa
saisine
ir certa existente no
acervo (salvo se o
legado estiver sob
condição suspensiva)

178) E se se tratar de coisa fungível?


Se a coisa legada for fungível, o legatário somente adquirirá sua
propriedade quando da partilha dos bens.

127
179) A posse da coisa legada pode ser deferida, de imediato, ao legatário?
Não. E o que determina o art. 1.923, § 1 -, 1 - parte, do CC, posto
que o herdeiro não se encontra obrigado a dar cumprimento imediato
ao legado.^
Obs.: E preciso, antes, verificar se o espólio é solvente.

180) Pode o legatário buscar obter a posse da coisa legada por sua própria
autoridade?
Não. E o que dispõe o art. 1.923, § 1-, 2 - parte, do CC. Somente
poderá o legatário pedi-la aos herdeiros.
Obs.: Do contrário, incorrerá no crime de exercício arbitrário das
próprias razões (art. 345 do CP).

181) Nosso ordenamento admite o exercício do direito de pedir o legado


enquanto houver discussão acerca da validade do testamento?
Não. O direito de pedir o legado não pode ser exercido enquanto se
litigue acerca da validade do testamento (art. 1.924, 1 - parte, do CC).
Obs.: Isso porque a propositura de tal ação impede que o testamento
irradie efeitos.
Não pode ser exercido
Direito de pedir
enquanto se litigar acerca
o legado
da validade do testamento

182) No que concerne ao legado condicional ou a prazo, a partir de que


instante poderá o legatário pleitear a entrega da coisa certa?
Somente a partir do implemento da condição ou do vencimento do
prazo, conforme o caso (art. 1.924, 2- parte, do CC).

A partir do
Legatário
Legado somente implemento da
poderá pleitear
condicional condição ou do
a entrega da
ou a prazo vencimento
coisa certa
do prazo

183) E quanto ao legado modal ou com encargo?


A modalidade de legado em questão não impede a aquisição do
domínio e do direito de pedir, de imediato, a coisa certa aos herdeiros,
figurando, pois, como se fosse puro e simples. Atente-se, contudo, que ele
obriga o legatário ao seu cumprimento (art. 1.938 do CC).

128
184) Em que hipóteses o legado de coisa certa existente na herança não
transferirá ao legatário os frutos que produzir?
Via de regra, o legado de coisa certa existente na herança transfere
também ao legatário os frutos que produzir, desde a morte do testador (art.
1.923, § 2-, do CC). Isto somente não ocorrerá se dependente de:

O legado de coisa certa


existente na herança não
transferirá ao legatário os
frutos que produzir se
dependente de
✓condição suspensiva
✓termo inicial

185) É possível afirm ar que o herdeiro, no momento da abertura da


sucessão, deve entregar ao legatário a coisa certa, tal como se encontra,
computados os acréscimos sobrevindos?
A princípio, sim. Ocorre, no entanto, que a referida regra comporta
algumas exceções, as quais foram enumeradas por Carlos Roberto
Gonçalves70, a saber:

✓o legado em dinheiro só vencerá juros a partir do dia em que se


constituir em mora a pessoa obrigada a prestá-lo (art. 1.925 do CC)
Exceções

✓em se tratando de legado condicional ou a termo, o legatário


somente terá direito aos frutos depois de verificado o implemento
da condição ou o advento da data fixada
✓excluem-se os frutos, desde a morte do testador, no legado de
coisa incerta ou não encontrada entre os bens por ele deixados

Obs.: No que concerne à norma encartada no art. 1.925 do CC, ensina


Silvio Rodrigues que "permitir que o herdeiro guarde os juros vencidos, entre

70. Carlos Roberto Golçalves, op. cit., v. 4, p. 73.

129
a data do falecimento e o momento da interpelação, é consentir em um
enriquecimento sem causa".71

186) Em se tratando de legado de renda vitalícia ou pensão periódica,


a partir de que instante esta ou aquela passa a correr?
A partir da morte do testador (art. 1.926 do CC).

187) E se se cuidar de legado de quantidades certas, em prestações periódicas?


Nesse caso, o primeiro período datará da morte do testador, e o
legatário terá direito a cada prestação, uma vez encetado cada um dos
períodos sucessivos, ainda que venha a falecer antes do termo dele
(art. 1.927 do CC).

188) Quando podem ser exigidas as prestações periódicas?


Em princípio, as prestações periódicas somente podem ser exigidas ao
fim de cada período (art. 1.928, caput, do CC).

Somente podem ser


Prestações via de regra
exigidas ao fim de
periódicas
cada período

189) Aludida regra afigura-se absoluta?


Não. Caso as prestações tenham sido deixadas a título de alimentos,
pagar-se-ão no começo de cada período, sempre que outra coisa não tenha
disposto o testador (art. 1.928, parágrafo único, do CC).
Obs.: Isso se dá porquanto "em tais casos, a sua natureza impõe que
sejam pagos adiantadamente, visto que supõe dele urgentemente necessitar,
o legatário, para poder sobreviver".72

Pagamento no início de
Prestações
cada período (salvo se
a título de
outra coisa não tenha
alimentos
disposto o testador)

71. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7, p. 211.


72. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7, p. 212.

130
190) Na hipótese de legado de coisa determinada pelo gênero, a quem
caberá a respectiva escolha?
Em se tratando de legado de coisa incerta, caberá ao herdeiro
promover tal escolha (art. 1.929 do CC).

Promove
herdeiro a escolha

191) Pode o herdeiro optar por coisa de qualidade ínfima?


Não. Deve o herdeiro optar por algo que guarde o meio-termo entre
as congêneres da melhor e pior qualidade (art. 1.929 do CC).
Obs.: Note-se que, ainda nos casos em que a escolha deva ser feita
por terceiro ou pelo próprio juiz (quando o terceiro não quiser ou não
puder exercer tal tarefa), é imprescindível que se observe o critério do valor
médio (art. 1.930 do CC).

Valor médio
Legado de coisa Escolha do entre as
herdeiro, de critério
determinada congêneres da
pelo gênero terceiro ou melhor e pior
do juiz qualidade

192) Se a opção pela coisa for deixada a cargo do legatário, o que poderá
este fazer?
Caso a escolha tenha sido deixada ao legatário, este poderá optar, do
gênero determinado, pela melhor coisa que houver na herança (art. 1.931,
1 - parte, do CC).

Poderá optar, do
Legado de Escolha do gênero determinado,
n-------N
coisa incerta W------- 1/ legatário pela melhor coisa que
houver na herança

193) E se na herança não houver coisa de tal gênero?


Nesse caso, deverá ser dada ao legatário, pelo herdeiro, outra coisa

131
congênere, observado o já mencionado critério do valor médio (art. 1.931,
2- parte, do CC).

194) A quem compete o exercício da escolha, em se tratando de legado


alternativo?
Na situação em comento, presume-se deixada ao herdeiro tal opção
(art. 1.932 do CC).
Obs.: Isso somente não ocorrerá se o testador houver atribuído a
escolha a terceiro ou ao próprio legatário.

Exceção: testador
escolha Regra: pode atribuí-la
herdeiro a terceiro ou
ao legatário

195) A quem incumbirá a escolha, caso o herdeiro ou legatário venha a


falecer antes de exercê-la?
Tal prerrogativa competirá aos seus herdeiros (art. 1.933 do CC).

196) No silêncio do testamento, a quem compete o cumprimento dos


legados?
Em tais circunstâncias, o cumprimento dos legados incumbe aos
herdeiros e, não os havendo, aos legatários, na proporção do que
herdaram (art. 1.934, caput, do CC).

197) E se o testador determinar qual herdeiro ou legatário deva promover a


execução do legado?
Nesse caso, somente o sucessor nomeado responderá pela execução

132
do legado, restando os demais exonerados de tal gravame (art. 1.934,
parágrafo único, do CC).
Obs.: Quando indicados mais de um, os onerados dividirão entre si o
ônus, na proporção do que recebam da herança.

198) A quem incumbirá cumprir o legado, caso este consista em coisa


pertencente a herdeiro ou legatário?
Se algum legado consistir em coisa pertencente a herdeiro ou legatário
(art. 1.913 do CC), somente a ele incumbirá cumpri-lo, com direito de
regresso contra os coerdeiros, pela quota de cada um, salvo se o contrário
expressamente dispôs o testador (art. 1.935 do CC).

199) Quem deve arcar com as despesas e suportar os riscos advindos da


entrega do legado?
Caso o testador não tenha estabelecido o contrário, as despesas e os
riscos da entrega do legado devem correr por conta do legatário
(art. 1.936 do CC).

Despesas e riscos Por conta do legatário,


da entrega ir--------S se não dispuser

v
do legado diversamente o testador

200) Onde e em que estado deve ser entregue a coisa legada?


A coisa legada deve ser entregue, juntamente com seus acessórios, no
lugar e estado em que se achava ao falecer o testador, passando ao
legatário com todos os encargos que a onerarem (art. 1.937 do CC).

201) Em que hipóteses é possível que o legado deixe de produzir os efeitos


que lhe são inerentes?

O legado deixará de produzir


os efeitos que lhe são inerentes
em se verificando:
✓a nulidade do testamento
✓a ineficácia do testamento
(revogação ou caducidade)

13 3
202) O que se entende pelo termo "caducidade"?
O termo quer designar "a perda, por circunstância superveniente, da
razão de existir de um ato determinado, que foi feito de maneira válida. No
caso do legado, trata-se de disposição testamentária que ordinariamente
produziria todos os seus efeitos. Todavia, em virtude da superveniência de
uma circunstância, ou melhor, de um evento, a cláusula testamentária deixa
de operar".73

"a perda, por circunstância


superveniente, da razão de
Caducidade
existir de um ato determinado,
que foi feito de maneira válida"

203) Como podem ser classificadas as causas que geram a caducidade


do legado?

Espécies de causas que geram a caducidade do legado


✓aquelas em que há ausência do
objetivas
objeto do legado
✓aquelas em que se verifica a falta
subjetivas da pessoa do legatário

204) Quais as causas objetivas de caducidade dos legados?

Causas objetivas de caducidade dos legados


✓a/feração da coisa: caducará o legado se, depois
do testamento, o testador modificar a coisa legada,
ao ponto de já não ter a forma nem lhe caber a
denominação que possuía (art. 1.939, I, do CC)

73. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7, p. 215.

134
t/alienação da coisa: caducará o legado se o
testador, por qualquer título, alienar no todo ou
em parte a coisa legada; a caducidade, neste
caso, terá ensejo até onde a coisa deixou de
pertencer ao testador (art. 1.939, II, do CC)
%/perecimento da coisa: caducará o legado
se a coisa perecer ou for evicta, vivo ou morto o
testador, sem culpa do herdeiro ou legatário
incumbido do seu cumprimento (art. 1.939, III,
do CC)

Obs.: Vale atentar para o fato de que, a bem da verdade, as duas


primeiras causas consistem em hipóteses de revogação tácita.

205) Em se tratando de legado alternativo, caso alguma das coisas venha a


perecer, o que deve ocorrer com as demais?
Deve o legado subsistir em relação às coisas restantes (art. 1.940,
1 - parte, do CC).

206) E se perecer apenas parte de uma das coisas?


Perecendo parte de uma das coisas, valerá, quanto ao seu
remanescente, o legado (art. 1.940 do CC).

207) É possível haver o perecimento de legado de gênero?


Não, porquanto o gênero jamais perecerá.
Obs.: De acordo com o disposto no art. 1.915 do CC, "se o legado for
de coisa que se determine pelo gênero, será o mesmo cumprido, ainda que
tal coisa não exista entre os bens deixados pelo testador".

Será
cumprido,
ainda que a
Legado
coisa não
de gênero
exista entre os
bens deixados
pelo testador

135
208) Quais as causas subjetivas de caducidade dos legados?
Figuram como causas subjetivas de caducidade dos legados:74

✓falta de legitimidade do legatário, quando


da abertura da sucessão (art. 1.802 do CC)
de caducidade dos legados

✓exclusão do legatário por indignidade, nos


Causas subjetivas

termos do art. 1.815 (art. 1.939, IV, do CC)


✓falecimento do legatário antes do testador
(art. 1.939, V, do CC)
✓renúncia do legatário por inteiro
(art. 1.943 do CC)
✓falecimento do legatário antes que se tenha
verificado o implemento da condição suspensiva
a que estava subordinada a eficácia do negócio
(art. 1.943 do CC)

209) Quando se verificará o direito de acrescer entre herdeiros?


O direito de acrescer terá ensejo quando vários herdeiros, pela
mesma disposição testamentária, forem conjuntamente chamados à
herança, em quinhões não determinados, e qualquer deles não puder ou
não quiser aceitá-la (art. 1.941 do CC).

210) Em que situações sobredito direito se verificará em relação aos co-


-legatários?
De acordo com o art. 1.942 do CC, o direito de acrescer competirá aos
co-legatários:

O direito ✓quando nomeados conjuntamente a respeito


de acrescer de uma só coisa, determinada e certa
competirá aos ✓quando o objeto do legado não puder ser
co-legatários dividido sem risco de desvalorização

74. Carlos Roberto Gonçalves, op. cit., v. 4, p. 79.

136
211) Em que hipóteses o nomeado (coerdeiro ou colegatário) não poderá
proceder ao recolhimento da herança ou do legado?
De acordo com a redação do art. 1.943, caput, do CC, podem ser
mencionadas as seguintes hipóteses:

✓quando ele morrer antes


do testador
Hipóteses em que ✓quando ele renunciar à herança
o nomeado não ou ao legado
poderá proceder ✓quando se der sua exclusão por
ao recolhimento indignidade ou falta de legitimação
da herança ou ✓quando não se verificar o
do legado adimplemento da condição sob
a qual foi instituída a herança
ou o legado

212) O que deve ocorrer, em tais condições, com o quinhão pertencente ao


coerdeiro?
O quinhão do nomeado deve ser acrescido à parte correspondente aos
demais sucessores conjuntos, salvo se o próprio testador houver
designado um substituto, hipótese em que este recolherá integralmente a
fração em comento (arts. 1.941 e 1.943 do CC).
Obs.: Note-se, contudo, que se o testador, ao efetuar a nomeação
conjunta, houver estabelecido a fração cabível a cada um dos seus
sucessores, não se verificará o direito de acrescer, porquanto, presume-se
que era sua vontade que cada um recebesse somente a quota estipulada.

213) Quais os requisitos que devem ser verificados para que tenha
cabimento o direito de acrescer?
De acordo com os ensinamentos de Maria Helena Diniz75, para que te­
nha ensejo o direito de acrescer, devem estar presentes os seguintes
requisitos:

75. Maria Helena Diniz. op. cit., p. 278-279.

137
✓nomeação de coerdeiro ou colegatários, na mesma
Direito cláusula testamentária para recolher o acervo
de acrescer: hereditário ou porção dele
requisitos ✓deixa dos mesmos bens ou da mesma porção de bens
✓ausência de determinação das quotas de cada um

214) Caso não se verifique o direito de acrescer, quem deve ser contemplado
com a quota vaga do nomeado?
No caso em comento, a quota vaga do nomeado deve ser transmitida
aos herdeiros legítimos (art. 1.944 do CC).
Obs.: Não existindo direito de acrescer entre os colegatários, a quota
do que faltar será acrescida ao herdeiro ou ao legatário incumbido de
satisfazer esse legado, ou a todos os herdeiros, na proporção dos
respectivos quinhões, se o legado se deduziu da herança (art. 1.944,
parágrafo único, do CC).

215) Os coerdeiros ou colegatários, aos quais acresceu o quinhão daquele


que não quis ou não pôde suceder, ficam sujeitos às obrigações ou encargos
que o oneravam?
Sim. E, aliás, o que determina expressamente o art. 1.943, parágrafo
único, do CC.
Obs.: Vale deixar consignado, por oportuno, que restarão excluídos, in
cosu, somente os encargos personalíssimos.

216) Pode o beneficiário do acréscimo repudiá-lo separadamente da herança


ou legado que lhe caiba?
Em regra, não. Poderá, no entanto, se o acréscimo comportar encargos
especiais impostos pelo testador, hipótese em que, uma vez repudiado,
reverte o acréscimo para a pessoa a favor de quem os encargos foram
instituídos (art. 1.945 do CC).

217) Tendo sido legado um só usufruto conjuntamente a duas ou mais


pessoas, a parte da que faltar deve ser acrescida a quem?
Aos colegatários (art. 1.946, caput, do CC).

Legado um só usufruto
conjuntamente a duas Colegatários
ou mais pessoas

138
218) E se não houver conjunção entre os colegatários, ou se, apesar de
conjuntos, só lhes foi legada certa parte do usufruto?
Na situação em exame, consolidar-se-ão na propriedade as quotas dos
que faltarem, à medida que eles forem faltando (art. 1.946, parágrafo
único, do CC).

219) O que se entende pela expressão "substituição testamentária"?


Cuida-se da designação de outra pessoa para que esta venha a reco­
lher a herança ou o legado, caso o herdeiro ou o legatário nomeado não
queira ou não possa fazê-lo.
Obs.: Ainda que o testador somente faça alusão a uma dessas
alternativas, presume-se que a substituição tenha sido determinada para
ambos os casos (art. 1.947 do CC).

Designação de outra
pessoa para recolher a
Substituição herança ou o legado, caso
II
testamentária o herdeiro ou o legatário
nomeado não queira ou
não possa fazê-lo

220) Quais as espécies de substituição testamentária?

(^Substituição testam entária^

vulgar ou
fideicomissária
ordinária

221) Em que consiste a "substituição testamentária vulgar ou ordinária"?


'Trata-se de instituição condicional, estabelecida para o caso em que o
beneficiário não queira ou não possa recolher a herança ou o legado.
Consiste na designação, pelo testador, da pessoa que deve ocupar o lugar
do herdeiro ou do legatário, que não quer ou não pode aceitar a herança
ou o legado. Essa forma de substituição chama-se também direta, porque

139
nenhum intermediário se interpõe entre o testador e o substituto, como em
contraste sucede na substituição fideicomissária."76

Indicação, pelo
testador, de pessoa
que deva ocupar o
Substituição lugar do herdeiro
testamentária ou do legatário
vulgar ou nomeado, que
ordinária não queira ou não
possa aceitar a
herança
ou o legado

222) Quando o substituto ficará sujeito à condição ou encargo imposto ao


substituído?
Conforme consta da redação do art. 1.949 do CC, o substituto ficará
sujeito à condição ou encargo imposto ao substituído, quando:

✓não for diversa a intenção


O substituto ficará
manifestada pelo testador
sujeito à condição ou
✓não resultar outra coisa
encargo imposto ao
substituído, quando da natureza da condição
ou do encargo

Obs.: A regra não terá aplicabilidade se se tratar de encargo de cunho


personalíssimo.

223) É correto afirm ar que há, ín casu, dois sucessores sucessivos?


Não. O substituto não herda do substituído, mas sim diretamente do
testador, de quem é sucessor.

76. Washington de Barros Monteiro, op. cit., p. 224.

140
224) Quais as subespécies de substituição testamentária vulgar?

225) O que se entende por "substituição singular"?


Trata-se de modalidade de substituição testamentária vulgar na qual se
verifica a indicação de apenas um substituto ao herdeiro ou legatário
nomeado.
Ex.: Paulo é nomeado herdeiro; caso ele não possa ou não queira
receber a herança, os bens deverão ficar com Henrique.

Modalidade de substituição
testamentária vulgar na qual se
Substituição
verifica a indicação de apenas
singular
um substituto ao herdeiro ou
legatário nomeado

226) Qual o significado da expressão "substituição plural"?


Cuida-se de modalidade de substituição testamentária vulgar em que
se dá a indicação de mais de um substituto ao herdeiro ou legatário
nomeado.
Ex.: Paulo é nomeado herdeiro; caso ele não possa ou não queira
receber a herança, os bens deverão ficar com Henrique e Francisco.

Modalidade de substituição
testamentária vulgar em que se
Substituição
dá a indicação de mais de um
plural
substituto ao herdeiro ou
legatário nomeado

141
227) O que se entende por "substituição recíproca"?
"A substituição recíproca é aquela em que o testador, ao instituir uma
pluralidade de herdeiros ou legatórios, os declara substitutos uns dos outros
(CC, art. 1.948), para o caso de qualquer deles não querer ou não poder
aceitar a liberalidade."77
Ex.: Paulo e Ana são nomeados herdeiros; caso um deles não queira
ou não possa receber a herança, os bens deverão ficar com o outro.

Modalidade de substituição testamentária


Substituição vulgar em que o testador, ao nomear uma
recíproca pluralidade de herdeiros ou legatórios, os
declara substitutos uns dos outros

228) Pode o testador acrescentar aos substitutos um terceiro que não era
herdeiro originalmente?
Sim, conforme dispõe o art. 1.950, parágrafo único, 2- parte, do CC.
Obs.: E o que ocorre no exemplo que segue: Paulo e Ana são
nomeados herdeiros; caso um deles não queira ou não possa receber a
herança, os bens deverão ficar com o outro e com Henrique.

229) Caso, entre muitos coerdeiros ou legatórios de partes desiguais, seja


estabelecida substituição recíproca, de que maneira deverá ser fixada, na
segunda disposição, a proporção dos quinhões?
"No caso de serem contemplados em partes desiguais, manter-se-á na
segunda disposição a mesma proporção dos quinhões fixadas na primeira.
Quer dizer que o quinhão do que venha a falecer (ou recusar) será
partilhado entre os demais, não em partes iguais, porém na proporção do
que o disponente fixara ao nomeá-los herdeiros (Novo Código Civil, art.
1.950, I o- parte)."78

230) E se, juntamente com aquelas anteriormente nomeadas, for incluída


mais alguma pessoa na substituição?
Nesse caso, o quinhão vago pertencerá em partes iguais aos substitutos
(art. 1.950, caput, 2- parte, do CC).

77. M aria Helena Diniz, op. cit., p. 287.


78. Caio Mário da Silva Pereira, op. cit., p. 295.

142
231) Em que consiste a "substituição fideicomissária"?
Cuida-se da situação em que o testador (fideicomitente) indica um
determinado indivíduo (fiduciário), que desfrutará dos bens deixados por
certo tempo ou até o implemento de uma condição, ou ainda até sua morte,
resolvendo-se o direito deste em favor de outrem (fideicomissário), o qual
recolherá a herança ou legado de modo definitivo (art. 1.951 do CC).
O b s.l: Washington de Barros Monteiro aborda a questão nos seguintes
termos: "dá-se a substituição fideicomissária quando, em ordem sucessiva,
é chamado o fiduciário à propriedade da coisa, para transmiti-la ao
fideicomissário depois de sua morte, do decurso de certo tempo ou sob certa
condição".79
Obs.2: "Surgem, assim, dois beneficiários sucessivos. O testador deixa
seus bens ao fiduciário, que deles se torna senhor, por ocasião da abertura
da sucessão. Todavia, restringindo aquele domínio, existe cláusula criando
para o fiduciário a obrigação de transmitir, a certo tempo, os mesmos bens
ao segundo beneficiário, ou seja, ao fideicomissário."80
Obs.3: Trata-se, pois, de modalidade indireta de substituição.
Ex.: Paulo deixa um apartamento para Ana, sendo que, por ocasião da
morte desta, deverá o imóvel passar a seu primeiro filho (prole eventual).

herança ou
legado

após certo tempo ou


até o adimplemento
testador nomeia de uma condição
ou, ainda, até
a sua morte

herança ou
legado

79. Washington de Barros Monteiro, op. cit., p. 227-228.


80. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7, p. 243.

14 3
232) Em que hipótese é permitida a substituição fideicomissária?
Somente em favor dos indivíduos ainda não concebidos quando da
morte do testador (art. 1.952, caput, do CC).
Obs.: Lembre-se que se o testador criar um fideicomisso além do
segundo grau, este será nulo no que tange aos graus excedentes (arts.
1.959 e 1.960 do CC).

233) Ese, ao tempo da morte do testador, já houver nascido o fideicomissário?


Em tal situação, o fideicomissário adquirirá a propriedade dos bens
fideicometidos, convertendo-se em usufruto o direito do fiduciário (art.
1.952, parágrafo único, do CC).

234) Quais as espécies de fideicomisso?

✓aquele em que a substituição


vitalício tem ensejo com a morte
do fiduciário
✓aquele em que a substituição
a termo
u ocorre no instante
predeterminado pelo testador
• mm
U m ✓aquele em que a substituição
condicional
é cabível quando do implemento
de uma dada condição resolutiva

235) O fiduciário detém a propriedade da herança ou legado?


Sim. O fiduciário pode exercitar todos os direitos inerentes ao domínio.
Cuida-se, no entanto, de propriedade restrita e resolúvel (art. 1.953, caput,
do CC), devendo o fiduciário promover a conservação dos bens gravados,
para, posteriormente, restituí-los, ao fideicomissário.

23ó) Tem o fiduciário o dever de proceder ao inventário dos bens gravados?


Sim. De acordo com o disposto no art. 1.953, parágrafo único, do CC,
deve o fiduciário, ainda, prestar caução de restituí-los, se assim exigir
o fideicomissário.

237) Em aceitando a herança ou o legado, o fideicomissário fará jus a que


parte dos bens e direitos deixados?
Terá o fideicomissário direito à parte que, ao fiduciário, em qualquer
tempo acrescer (art. 1.956 do CC).

144
238) Caso sobrevenha a sucessão, responderá o fideicomissário por quais
encargos?
Pelos encargos da herança que ainda restarem (art. 1.957 do CC).

239) Qual a conseqüência advinda da renúncia, pelo fideicomissário, da


herança ou legado?
Na situação em exame ocorrerá a caducidade do fideicomisso,
deixando de ser resolúvel a propriedade do fiduciário, contanto que não
haja disposição contrária do testador (art. 1.955 do CC).

240) Pode o fideicomissário aceitar a herança ou legado, caso o fiduciário


a tenha renunciado?
Sim, desde que não haja disposição em contrário do testador (art.
1.954 do CC).

Salvo Se o fiduciário
Defere-se ao
disposição renunciar à
fideicomissário o
em contrário herança ou
poder de aceitar
do testador ao legado

241) Cite algumas hipóteses de caducidade do fideicomisso.

✓se o fideicomissário, após a abertura


da sucessão, renunciar à herança ou
ao legado, deixando de ser resolúvel
a propriedade do fiduciário, se não
houver disposição contrária do testador
(art. 1.955 do CC)
Hipóteses de
✓se o fideicomissário morrer antes
caducidade do
do fiduciário, ou antes de realizar-se
fideicomisso
a condição resolutória do direito deste
último, hipótese em que a propriedade
se consolidará no fiduciário, nos termos
do art. 1.955 (art. 1.958 do CC)
✓se a coisa perecer, sem culpa
do fiduciário

145
242) Podem os fideicomissos ultrapassar o segundo grau?
Não. Os fideicomissos que ultrapassem o segundo grau, isto é,
aqueles que forem além da pessoa do fideicomissário, serão reputados
nulos (art. 1.959 do CC).
O b s.l: "Aliás, esse já era o entendimento prevalecente no direito
anterior, pois, embora não houvesse regra tão precisa a respeito, as
Ordenações (Liv. IV, Tít. 87, § 12) falavam apenas de um substituto, o
que conduzia à persuasão de se não permitir fideicomisso além do
segundo grau."81
Obs.2: Somente o excesso, ou seja, o que extrapolar tal limite será
considerado nulo (art. 1.960 do CC), em conformidade com o princípio
da conservação dos negócios jurídicos.
Obs.3: Note-se, igualmente, que não é lícito instituir fideicomisso
sobre a legítima.

243) Quais as principais diferenças entre o fideicomisso e o usufruto?

Diferenças
Fideicomisso Usufruto
✓consiste em modalidade de ✓é direito real sobre coisa
substituição testamentária alheia
✓é permitido em relação à ✓somente admite sejam
prole eventual beneficiadas pessoas certas e
determinadas
✓nele, cada titular detém ✓há uma bipartição
a propriedade plena dos poderes da propriedade
entre o usufrutuário (uso e gozo)
e o nu-proprietário (disposição
e direito de reaver a coisa de
quem injustamente a detenha)

244) Em que consiste a "deserdação"?


"A deserdação vem a ser o ato pelo qual o de cujus exclui da sucessão,

81. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7, p. 249.

146
mediante testamento, com expressa declaração da causa (CC, art. 1.964),
herdeiro necessário, privando-o de sua legítima, por ter praticado
qualquer ato taxativamente enumerado no Código Civil, arts. 1.814,
1.962 e 1.963."82
O b s .l: Em outras palavras, a "deserdação é ato pelo qual o testador
retira a legítima do herdeiro necessário. Não se confunde com
indignidade, embora coincidam seus efeitos e respectivas causas
geradoras".83
Obs.2: Embora seja herdeiro necessário, o cônjuge somente poderá ser
deserdado pelos motivos previstos no art. 1.814 (art. 1.961 do CC). No que
toca às hipóteses elencadas nos arts. 1.962 e 1.963 do Estatuto Civil, elas
se referem, respectivamente, à deserdação dos descendentes por seus
ascendentes e à deserdação dos ascendentes pelos descendentes.

Privação da legítima do herdeiro necessário,


Deserdação
por vontade motivada do testador

245) Quais os requisitos da deserdação?

✓validade e eficácia do testamento


(art. 1.964 do CC)
✓ existência de herdeiros necessários (arts. 1.845
e 1.961 do CC)
Deserdação

✓declaração expressa, no testamento, do fato


que ensejou a deserdação (arts. 1.818, 1.962
e 1.963 do CC)
✓inexistência de novo testamento, deixando de
fazer menção à deserdação
✓prova da existência da causa determinante, em
juízo, pelo herdeiro instituído ou por aqueles a
quem aproveite a deserdação (art. 1.965 do CC)

82. M aria Helena Diniz, op. cit., p. 157.


83. Washington de Barros Monteiro, op. cit., p. 239.

147
246) A deserdação realizada em testamento nulo, caduco ou revogado tem
o condão de irradiar efeitos?
Não. E imprescindível que o testamento seja dotado de validade
e eficácia.
Obs.: Note-se que "a causa invocada para justificar a deserdação
constante de testamento deve preexistir ao momento de sua celebração,
não podendo contemplar situações futuras e incertas" (STJ, 4- Turma, REsp
124313/SP, Rei. Min. Luis Felipe Salomão, j. 16.04.09).

Deserdação realizada em testamento


II Não produz efeitos
nulo, caduco ou revogado

247) Nosso ordenamento admite que se efetue a deserdação de modo


implícito?
Não. A deserdação somente pode ser ordenada por meio de expressa
declaração de sua causa em testamento (art. 1.964 do CC).

Expressa declaração de
Deserdação
sua causa em testamento

248) A mera reconciliação do deserdado com o testador implicará "perdão"


implícito?
Não. A deserdação somente não surtirá efeitos se o testador elaborar
um novo testamento, deixando, neste caso, de fazer menção a ela.

249) Quais as causas que autorizam a deserdação dos descendentes por


seus ascendentes?
Segundo estabelece o art. 1.962 do CC, além das causas men­
cionadas no art. 1.814, autorizam a deserdação dos descendentes por seus
ascendentes:

I - ofensa física______________________
II - injúria grave______________________
Autorizam a III - relações ilícitas com a madrasta
deserdação dos
ou com o padrasto___________________
descendentes por
IV - desamparo do ascendente em
seus ascendentes
alienação mental ou grave enfermidade

148
Obs.l: Com relação à ofensa física, interessante atentar que consiste
ela em "qualquer forma de agressão contra o corpo da vítima. A lei não
distingue, não falando da gravidade da ofensa. Destarte, mesmo a ofensa
leve é causa de deserdação".84
Obs.2: "No tocante à injúria grave (também figura penal), por
palavras escritas ou orais, e, ainda, por gestos (injuria real),
consubstancia-se na improvocada e dolosa depreciação da honra do
lesado, a ponto suficientemente grave a tornar intolerável o convívio com
o injuriador, visto desencadear, não raro, ferida que não se cicatriza,
sofrimento, quiçá maior que o suscitado pela agressão física. Sua
avaliação é subjetiva."85
Obs.3: O inciso III trata das relações ilícitas, devendo ser consideradas
como tais as de caráter afetivo, íntimo ou sexual, de sorte que "pouco
importa que tais relações sejam hetero ou homossexuais. Não há que se
distinguir."86
Obs.4: "O último inciso do art. 1.962 fala do desamparo do ascen­
dente em alienação mental ou grave enfermidade. Tais casos demonstram
o desprezo pelo ascendente, o desamor, a falta de carinho. Se, porém, o
ascendente estiver em estado de alienação mental, não poderia validamente
testar. A questão reporta-se à reaquisição da capacidade mental. O
desamparo é eminentemente econômico, na medida do que podia o
descendente amparar. Todavia, não se descarta o desamparo moral e
intelectual, da dicção legal. O caso concreto e o prudente exame das
circunstâncias pelo juiz ditarão a procedência da causa da deserdação.
O testamento deve descrever a enfermidade e a forma do desamparo,
ainda que sucintamente."87

250) Quais as causas que autorizam a deserdação dos ascendentes pelos


descendentes?
De acordo com o art. 1.963 do CC, além das causas enumera­
das no art. 1.814, autorizam a deserdação dos ascendentes pelos
descendentes:

84. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 327.


85. Ney de Mello Almada. Sucessões. São Paulo: Malheiros, 2006. p. 152.
86. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 328-329.
87. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 329.

149
I - ofensa física
II - injúria grave
Autorizam a
III - relações ilícitas com a mulher ou
deserdação dos
companheira do filho ou a do neto, ou com o
ascendentes pelos
descendentes marido ou companheiro da filha ou o da neta
IV - desamparo do filho ou neto
com deficiência mental ou grave enfermidade

O bs.l: "Os castigos físicos moderados, que têm a função educativa,


aos menores de pouca idade, não podem ser levados em conta para se
inserirem nas ofensas físicas desse dispositivo."88
Obs.2: "No essencial, as observações tecidas a respeito do art. 1.962
são aqui aproveitáveis."89

251) Os mencionados elencos são exemplificativos?


Não. Tanto o rol constante do art. 1.962, como o previsto no art. 1.963
do CC, são taxativos, não se admitindo qualquer tipo de analogia.
Obs.l: Isso porque cuida-se de normas restritivas de direito.
Obs.2: Por tal razão, diferentemente do que leciona Sílvio de Salvo
Venosa90, consideramos que a relação ilícita havida entre o descendente e
o companheiro do ascendente não pode dar azo à causa de deserdação
prevista no art. 1.962, III, do CC, visto que a lei não contempla,
expressamente, tal hipótese.91

Causas de deserdação Rol taxativo

252) A quem incumbe demonstrar a veracidade da causa de deserdação


alegada pelo testador?
Ao herdeiro instituído ou àquele a quem aproveite a deserdação (art.
1.965, caput, do CC).

88. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 329.


89. Ney de Mello Alm ada, op. cit., p. 153.
90. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 329.
91. Washington de Barros Monteiro, op. cit., p. 242.

150
Prova da veracidade Ao herdeiro instituído
da causa de incumbe ou àquele a quem
deserdação aproveite a deserdação

253) Em que prazo se extingue o direito de provar a causa da deserdação?


Tal direito extingue-se no prazo decadencial de 4 anos, contados da
data da abertura do testamento (art. 1.965, parágrafo único, do CC).
Obs.: A demanda contra o indigno deverá, igualmente, ser ajuizada
em 4 anos, computados, entretanto, da abertura da sucessão (art. 1.815,
parágrafo único, do CC).

Direito de provar a
Prazo decadencial de 4 anos
causa da deserdação ■ =>

254) Como são considerados os efeitos decorrentes da deserdação?


A questão é controvertida, havendo posicionamentos em sentidos
antagônicos acerca dos efeitos oriundos da deserdação:

✓a indignidade gera efeitos pessoais


em relação à figura do indigno
Corrente
minoritária (art. 1.816 do CC) e a deserdação,
diversamente, atinge os herdeiros
do deserdado92
✓tanto a indignidade quanto a
deserdação irradiam efeitos idênticos,
ou seja, pessoais (art. 1.816 do CC),
Corrente
consagrando a ideia de personalização
majoritária
da pena. Assim, os descendentes do
deserdado ou do indigno herdarão
por representação93

92. José Luiz Gavião de Almeida, op. cit., p. 156.


93. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7, p. 261-262.

151
255) O que ocorrerá com as disposições testamentários que venham a
exceder a parte disponível?
Deverão as mesmas ser reduzidas aos limites da parte disponível,
observando-se o disposto no art. 1.967, §§ 1 - e 2-, do CC.

Disposições testamentários que


Deverão ser reduzidas
excederem a parte disponível

256) A redução das disposições testamentários sempre se fará mediante o


ajuizamento de ação de redução?
Não. Em havendo acordo entre os interessados, poderá a redução ser
efetuada nos próprios autos do inventário, haja vista não se tratar de
questão de alta indagação.

Ajuizamento de ação
Redução das de redução
disposições ou
testamentários Acordo nos próprios
autos do inventário

257) Como também é chamada a ação de redução?

sinônimos Ação de suplemento de


Ação de redução
legítima ou expletória

258) Quem será atingido, em primeiro lugar, pela redução das disposições
testamentários?
O herdeiro instituído. Em se verificando que as disposições
testamentários excedem a porção disponível, serão proporcionalmente
reduzidas as suas quotas, até onde baste (art. 1.967, § 1-, do CC).

Redução das atingirá


disposições O herdeiro instituído
primeiramente
testamentários

152
259) E se tal redução não for suficiente?
Se tal redução não se mostrar suficiente, serão atingidos, também, os
legados, na proporção do seu valor (art. 1.967, § 1-, do CC).

Os legados
Se a redução serão
(na proporção
não for suficiente atingidos
do seu valor)

260) E se, ainda sim, não se conseguir atingir o limite previsto em lei?
Deve-se recorrer, na hipótese em comento, à redução das doações,
preferindo-se as mais recentes.
Obs.l: Se elas tiverem ocorrido na mesma data, a redução deve ser
proporcional.
Obs.2: Pode o testador, prevenindo o caso, dispor de forma diversa,
determinado que a redução se faça somente em certos quinhões
(art. 1.967, § 2-, do CC).

261) A quem pertencerá o remanescente, caso o testador só em parte


disponha da quota hereditária disponível?

Remanescente
pertencerá
da herança

262) Caso o legado sujeito a redução consista em prédio divisível, de que


forma deve ser feito seu fracionamento?
Deve o prédio ser dividido proporcionalmente (art. 1.968, caput, do CC).

263) O que ocorrerá se o bem for indivisível e o excesso do legado montar


a mais de 1 /4 do valor do prédio?
Deverá o legatário deixar o imóvel inteiro aos herdeiros, ficando com o

15 3
direito de pedir a estes, em dinheiro, o valor que o couber na parte
disponível (art. 1.968, § 1 -, 1 - parte, do CC).

264) E se o excesso não for de mais de 1/4?


Em tal hipótese, o legatário ficará com o prédio, entregando aos
herdeiros, em dinheiro, o excesso necessário para preservar a legítima (art.
1.968, § 1-, 2- parte, do CC).

265) Pode o testamento ser alterado a qualquer tempo?


Via de regra, sim. E, aliás, o que determina o art. 1.858, 2 - parte, do
CC, de modo que nula será a cláusula que dispuser o contrário.

via de regra Pode ser alterado


Testamento
a qualquer tempo

266) Quais as exceções à regra da revogabilidade do testamento?

✓aquela relativa ao reconhecimento


Cláusulas de filho havido fora do casamento
irrevogáveis (art. 1.609, III, do CC)_____________
do testamento ✓aquela que concede perdão ao
indigno (art. 1.818 do CC)

267) Pode o testamento ser revogado pelo mesmo modo e forma como
foi feito?
Sim. E o que se depreende do art. 1.969 do CC.
Obs.: Vale atentar, por oportuno, que pode, por exemplo, um
testamento público ser revogado por outro cerrado. Isto porque, não é
preciso que um testamento tenha, necessariamente, a mesma forma do
outro que está por ser revogado.

268) Produzirá efeitos a revogação, ainda que o testamento que a encerre


venha a caducar por exclusão, incapacidade ou renúncia do herdeiro nele
nomeado?
Sim, conforme dispõe o art. 1.971, 1 - parte, do CC.

154
Obs.: O testamento caduco era, a priori, válido, de modo que somente
não poderá ser cumprido em virtude da falta da coisa ou do beneficiário.

269) E se o testamento revogatório for anulado por omissão ou infração de


solenidades essenciais ou vícios intrínsecos?
Nesse caso, a revogação não valerá, uma vez que o novo testamento
não era dotado de validade (art. 1.971, 2- parte, do CC).

270) Nosso ordenamento admite o fenômeno da repristinação das


disposições testamentárias?
Via de regra, não.
Obs.: Poderá, no entanto, haver a repristinação se o novo testamento
assim dispuser.

Repristinação via de regra


das disposições Não é admitida
testamentárias

271) De que maneira pode ser classificada a revogação do testamento, no


que se refere à sua extensão?
Segundo estabelece o art. 1.970 do CC, a revogação do testamento
pode ser:

272) Quais as espécies de revogação do testamento, no que concerne à sua


forma?

155
273) O que se entende por "revogação expressa"?
Cuida-se da revogação manifestada de modo inequívoco no novo
testamento.

Manifestada de
Revogação expressa modo inequívoco
no novo testamento

274) Quando a revogação do testamento será tácita?

✓quando o testador não declarar


expressamente que revoga o testamento
2
u anterior, mas houver incompatibilidade
2 entre as disposições deste e do mais recente
o
IO (art. 1.970, parágrafo único, do CC)
✓quando se verificar a abertura ou a
§>
OIá dilaceração do testamento cerrado pelo
próprio testador ou por outrem com seu
consentimento (art. 1.972 do CC)

Obs.: No que concerne à segunda hipótese aventada, cumpre-nos


atentar para a observação feita na Questão n. 44.

275) Em que hipóteses restará verificado o rompimento do testamento?

✓sobrevier descendente sucessível


ao testador (que não o tinha ou não
o conhecia quando testou), desde
O rompimento que esse descendente sobreviva
do testamento ao testador (art. 1.973 do CC)
ocorrerá quando ✓o testamento for feito na
ignorância de existirem outros
herdeiros necessários (art. 1.974
do CC)

156
Obs.l: O instituto em epígrafe é também designado como "revogação
ficta" ou "presumida".
Obs.2: Com o rompimento, o respectivo conteúdo do testamento será
totalmente desconsiderado.
Obs.3: "O testamento só se rompe com a superveniência de filhos,
quando o testador não os tinha anteriormente; se os possuía, quando testou,
o nascimento de outro não provoca a ruptio testamenti."94

276) Pode o testador dispor da sua metade, não contemplando os herdeiros


necessários de cuja existência saiba, ou os excluindo dessa parte?
Sim. Note-se que ainda que o testador o faça, não se verificará o
rompimento do testamento (art. 1.975 do CC).
Obs.: Atente-se que se não for respeitado o direito dos herdeiros neces­
sários à legítima, terá ensejo a redução das disposições testamentárias.

277) Quem é o "testamenteiro"?


E aquele que dá cumprimento às disposições de última vontade do
falecido.
Obs.l: O termo é utilizado para designar "a pessoa a quem cabem os
encargos de uma testamentaria, com a finalidade de se cumprir as
disposições de um testamento. Portanto, a execução do testamento está
vinculada à pessoa do testamenteiro. (...). E cargo de confiança, visto que o
testador o nomeia na defesa do seu ato de última vontade".95
Obs.2: Pode o testador nomear um ou mais testamenteiros, conjuntos ou
separados, para tal mister (art. 1.976 do CC).
Obs.3: A inexistência do testamenteiro não prejudica a validade do
testamento.

Aquele que dá
cumprimento às
Testamenteiro disposições de
última vontade
do falecido

94. Washington de Barros Monteiro, op. cit., p. 259.


95. Nelson Godoy Bassil Dower, op. cit., p. 270.

157
278) De que forma é feita a nomeação, pelo autor da herança, do
testamenteiro?
Por meio de testamento ou no próprio codicilo (arts. 1.883 e 1.976
do CC).

279) A quem compete a execução testamentária, caso não haja


testamenteiro nomeaao pelo testador?
Não havendo testamenteiro nomeado pelo testador, a execução
testamentária será dativa e incumbirá ao cônjuge ou, na falta deste, ao
herdeiro nomeado pelo juiz (art. 1.984 do CC).
Obs.: Não havendo pessoas em tais condições, caberá a pessoa
estranha à família fazê-lo.

280) Quem poderá figurar como testamenteiro?


Qualquer pessoa, desde que capaz e idônea.
Obs.: Em razão de tal encargo ser personalíssimo, não poderá ele ser
atribuído à pessoa jurídica ou aos entes despersonalizados.

281) O encargo em estudo pode ser transmitido aos herdeiros do


testamenteiro? E ele delegável?
Não. O mencionado encargo não se transmite aos herdeiros do
testamenteiro, nem é delegável (art. 1.985 do CC).
Obs.: Pode o testamenteiro, no entanto, fazer-se representar, em juízo
e fora dele, mediante mandatário com poderes especiais.

Não se transmite
Encargo da Nem é
aos herdeiros do
testamentaria delegável
testamenteiro

282) Aponte algumas das obrigações do testamenteiro.

✓cumprir as disposições testamentários,


no prazo marcado pelo testador (art.
Obrigações do 1.980, 1 - parte, do CC)
testamenteiro ✓prestar contas do que recebeu e
despendeu (art. 1.980, 2- parte,
do CC)

158
✓defender a validade do testamento,
com ou sem o concurso do inventariante
e dos herdeiros instituídos
(art. 1.981 do CC)____________________
✓desempenhar outras atribuições que
Obrigações do lhe tenham sido conferidas pelo testador,
testamenteiro nos limites da lei
(art. 1.982 do CC)____________________
✓requerer o inventário dos bens,
na hipótese de se encontrar na posse
e administração da herança
(art. 1.978 do CC)

O bs.l: Poderá, ainda, o testamenteiro nomeado ou qualquer parte


interessada requerer, ao detentor do testamento, que o leve a registro (art.
1.979 do CC).
Obs.2: Tal providência poderá ser ordenada, de ofício, pelo juiz.

283) Até quando subsiste a responsabilidade do testamenteiro?


Tal responsabilidade subsiste enquanto durar a execução do testamento
(art. 1.980, parte final, do CC).

Enquanto durar
Responsabilidade subsiste a execução
do testamenteiro
do testamento

284) Como é chamado o testamenteiro nomeado pelo testador?

Testamenteiro instituído Nomeado pelo testador

285) E o nomeado pelo juiz?

Testamenteiro dativo

159
286) Como é conhecido o testamenteiro a quem se concede a posse e a
administração da herança ou de parte dela?

Posse e administração da
Testamenteiro universal
herança ou de parte dela

287) Quando pode o testador conceder ao testamenteiro a posse e a


administração da herança ou de parte dela?
Quando não houver cônjuge ou herdeiros necessários, ou quando estes
não a quiserem ou não puderem exercê-la (art. 1.977, caput, do CC).

Não houver cônjuge ou


Testamenteiro: posse e
quando^ herdeiros necessários ou se
administração da herança
estes não a quiserem ou
ou de parte dela
não puderem exercê-la

288) Qual a prerrogativa a que, em regra, faz jus o testamenteiro que não
seja herdeiro instituído nem legatário?
Salvo disposição testamentária em contrário, o testamenteiro que não
seja herdeiro instituído nem legatário terá direito a um prêmio, conhecido
como "vintena" (art. 1.987, caput, do CC).

Testamenteiro que não prerrogativa


Vintena
seja herdeiro ou legatário em regra

289) Qual o montante da vintena?


Se o testador não o houver instituído, o valor da vintena será fixado
pelo juiz, em 1 a 5% sobre a herança líquida, levando-se em consideração
a maior ou menor dificuldade na execução do testamento.
Obs.l: A expressão "herança líquida" é utilizada para designar, não a
totalidade de bens deixados pelo falecido, mas tão somente o que foi objeto
de testamento.
Obs.2: Note-se que, existindo herdeiros necessários, tal prêmio será
pago à conta da parte disponível (art. 1.987 do CC).

160
se o testador não de 1 a 5% sobre a
Vintena
a houver fixado herança líquida

290) Assiste ao herdeiro ou ao legatário nomeado testamenteiro o direito à


vintena?
Nos termos do art. 1.988 do CC, o direito à vintena assiste ao herdeiro
ou ao legatário nomeado testamenteiro, desde que ele prefira o prêmio à
herança ou ao legado.
Obs.: "Se o testador expressamente autorizar, poderá o testamenteiro
receber cumulativamente prêmio e legado ou herança."96

291) O que ocorrerá com o prêmio pago ao testamenteiro, caso este seja
removido ou não tenha dado cumprimento ao testamento?
Em tal hipótese, perderá o testamenteiro o prêmio, sendo este revertido
à herança (art. 1.989 do CC).

292) Em que casos se verificará a perda da vintena?


De acordo com os ensinamentos de Carlos Roberto Gonçalves97,
a vintena será perdida nos seguintes casos:

✓remoção, por terem sido glosadas as despesas por ilegais


1 ou não conformes ao testamento
c
s ✓remoção por negligência, em razão de não ter sido dado
o
"D cumprimento ao testamento (art. 1.989 do CC)
a
✓não-promoção da inscrição da hipoteca legal (art. 1.497 do CC)
"8
a. ✓incapacidade superveniente

96. M aria Helena Diniz, op. cit., p. 240.


97. Carlos Roberto Gonçalves, op. cit., v. 4, p .l 02.

161
V - DO INVENTÁRIO E DA PARTILHA

1) Em que diploma é tratado o procedimento do inventário?


O procedimento do inventário é regulado pelo Código de Processo Civil
(arts. 982 a 1.021).
Obs.: Os arts. 982 e 983 do CPC sofreram algumas alterações
advindas da promulgação das Leis 11.441/07 e 11.965/09.

Procedimento do inventário 11 / Regulado pelo CPC

2) Em que consiste o "inventário"?


Trata-se de instituto que tem por escopo apurar o patrimônio deixado
pelo morto com a finalidade de partilhá-lo entre os eventuais sucessores.
Para tanto, é feita a arrecadação, descrição e avaliação dos bens e de outros
direitos pertencentes ao falecido, cobrando-se as dívidas ativas e
procedendo-se ao pagamento das passivas, dos legados e do imposto couso
mortis, após o que, realiza-se a partilha.
Obs.l: "Rompendo com a longa tradição do nosso direito de exigir a
obrigatória participação do Poder Judiciário para a concretização de
qualquer inventário e partilha dos bens a título causo mortis, surge a
revolucionária Lei n. 11.441/2007 para alterar a redação do presente art.
982 do CPC e restringir expressamente a atuação judicial aos inventários
fundados em testamento ou aos inventários de que participe algum incapaz
como interessado (...). Além desses dois requisitos negativos, é necessária
expressa concordância de todos os herdeiros capazes, para que se viabilize
o inventário e partilha por escritura pública."98
Obs.2: Assim, antes do advento da Lei n. 11.441/07, o inventário
consistia, necessariamente, em processo judicial de cunho contencioso.
Todavia, após as alterações promovidas pelo referido diploma,
inexistindo testamento e em sendo todos os interessados capazes e
concordes, admite-se a feitura do inventário por meio de escritura
pública (inventário extrajudicial).

98. Antônio C láudio da Costa M achado, op. cit., p. 1.548.

162
Instituto que tem por escopo
apurar o patrimônio deixado
Inventário pelo morto com a finalidade
de partilhá-lo entre os
eventuais sucessores

3) Quais os objetivos do inventário?


De acordo com os ensinamentos de Fábio Ulhoa Coelho, quatro são
os objetivos do inventário." Confira-se:

Objetivos do inventário
✓definir a herança, estabelecendo quais são os bens
deixados pelo de cujus e quais os que devem ser
assim considerados
✓proceder à satisfação das dívidas deixadas pelo
falecido, bem como ao pagamento do imposto
incidente sobre a transmissão causa mortis
✓fazer o pagamento dos legados e cumprir as
demais disposições de última vontade
✓ partilhar o acervo remanescente entre os herdeiros

4) A quem compete a administração da herança no período que vai da


assinatura do compromisso até a homologação da partilha?
Compete ao inventariante (art. 1.991 do CC).
Obs.: Figura o inventariante como administrador do espólio.

Desde a
assinatura do
Administração compromisso Será exercida
da herança lc^ até a «=;> pelo inventariante
homologação
da partilha

99. Fábio Ulhoa Coelho, op. cit., p. 32 0-3 21.

16 3
5) Até que o inventariante preste o compromisso, quem figurará como
encarregado da herança?
Até que o inventariante preste o compromisso, o espólio permanecerá
na posse do administrador provisório nomeado pelo juiz (art. 985 do CPC).

Continuará
Até que o inventariante o espólio na posse
preste o compromisso do administrador
provisório

6) Quais as incumbências inerentes ao administrador provisório?


De acordo com o disposto no art. 986 do CPC, o administrador
provisório:

✓representa ativa e passivamente


o espólio________________________
✓é obrigado a trazer ao acervo
os frutos que desde a abertura
O administrador da sucessão percebeu
provisório
✓tem direito ao reembolso das
despesas necessárias e úteis que fez
✓responde pelo dano a que, por
dolo ou culpa, der causa

7) A partir de que instante os nomes dos herdeiros passam a constar do


Registro de Imóveis?
Somente após o registro do formal de partilha.
Obs.: Note-se, contudo, que, pelo princípio da saisine, aberta a
sucessão, os herdeiros legítimos e testamentários, desde logo, adquirem a
propriedade dos bens deixados pelo falecido (art. 1.784 do CC).

Nomes dos
herdeiros passam Após o registro do
a constar do formal de partilha
Registro de Imóveis

164
8) Quais as espécies de inventário existentes em nosso sistema?
Consoante preceito encartado no art. 982, caput, do CPC, com redação
dada pela Lei n. 11.441/07, constituem espécies de inventário:

Espécies de inventário
inventário judicial inventário extrajudicial
✓terá ensejo quando ✓será feito mediante
o falecido houver escritura pública (que
deixado testamento constituirá título hábil
ou existir algum para o registro
interessado incapaz imobiliário), desde
ou, ainda, quando que não exista
não houver concor­ testamento e todos os
dância entre os interessados sejam
interessados capazes capazes e concordes.

Obs.: Oportuno salientar que o inventário extrajudicial constitui


faculdade pela qual as partes poderão ou não optar.

9) Para que o tabelião venha a lavrar tal escritura pública, o que deverá
ser observado?
De acordo com o art. 982, § 1-, do CPC, com redação modificada pela
Lei n. 11.965/09, o tabelião somente lavrará a escritura pública se todas
as partes interessadas estiverem assistidas por advogado comum,
advogados de cada uma delas ou, ainda, por defensor público, cuja
qualificação e assinatura constarão do ato notarial.
Obs.: Nos termos do art. 982, § 2 -, do CPC, introduzido pela Lei
n. 11.965/09, "a escritura e demais atos notariais serão gratuitos àqueles
que se declararem pobres sob as penas da lei".

10) Qual o prazo para que seja requerido o inventário e a partilha?


O inventário e a partilha, via de regra, devem ser requeridos dentro de
60 dias, contados da abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 meses
subsequentes (art. 983, caput, 1 - parte, do CPC, com redação dada pela
Lein. 11.441/07).
O bs.l: "Observe-se, de início, que este novo regramento revoga,
quanto ao prazo, o estabelecido pelo art. 1.796 do estatuto civil que, na

165
esteira do presente art. 983, instituía o lapso temporal de 30 dias para
instauração do inventário."100
Obs.2: Vale deixar consignado que o dispositivo em análise tem sido
alvo de críticas por não contemplar, em caso de descumprimento dos
mencionados lapsos, qualquer reprimenda que seja.
Obs.3: A omissão do legislador não impede que cada Estado institua
multa, como sanção pelo retardamento do início ou da ultimação do
inventário. Tal comportamento, inclusive, não pode ser reputado como
inconstitucional (Súmula 542 do STF).

Início: dentro de 60
dias da abertura
da sucessão

Fim: nos 12 meses


subsequentes

11) Podem os mencionados prazos ser dilatados?


Sim. Segundo determina o art. 983, caput, 2 - parte, do CPC, com
redação alterada pela Lei n. 11.441/07, tais prazos podem ser prorrogados
pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte.

Processo de Prazos podem ser prorrogados


inventário e U_______ 1/ pelo juiz (de ofício ou a
partilha requerimento da parte)

12) Qual a conseqüência advinda do atraso no encerramento do inventário,


no que toca à figura do inventariante?
Ao inventariante se aplicará a pena de remoção do cargo, desde que

100. Antônio C láudio da Costa M achado, op. cit., p. 1.549.

166
haja requerimento por parte de algum interessado e seja demonstrada
sua culpa.
Obs.: Em se tratando de testamenteiro, este perderá o prêmio ao qual,
em regra, faz jus (art. 1.989 do CC).

13) Quem possui legitimidade para requerer a abertura do inventário?


Via de regra, possui legitimidade para requerer a abertura do
inventário aquele que estiver na posse e administração do espólio (art. 987
do CPC).
Obs.: O requerimento em questão há de ser instruído com a certidão
de óbito do autor da herança.

Legitimidade
para requerer via de regra Aquele que estiver na passe
a abertura do e administração do espólio
inventário

14) Quem possui legitimidade concorrente para requerer a abertura do


inventário?
Segundo rol constante do art. 988 do CPC, possui legitimidade concorrente:

Legitimados concorrentes_______________
✓o cônjuge supérstite
✓o herdeiro
✓o legatário
✓o testamenteiro
✓o cessionário do herdeiro ou do legatário
✓o credor do herdeiro, do legatário ou do autor da herança
✓o síndico da falência do herdeiro, do legatário,
do autor da herança ou do cônjuge supérstite
✓o Ministério Público, havendo herdeiros incapazes
✓a Fazenda Pública, quando tiver interesse

O bs.l: Muito embora não conste expressamente da lei, também o


companheiro detém legitimidade concorrente para requerer a abertura
do inventário.

167
Obs.2: Vale deixar consignado, por oportuno, que o síndico
desempenhava importante papel no processo de falência, então regulado
pelo já revogado Dec.-lei n. 7.661/45. Ocorre, no entanto, que, com o
advento da Nova Lei de Falência e Recuperação Judicial (Lei n. 11.101/05),
tal figura foi abolida, tendo sido criado, pelo legislador, o posto de
administrador judicial.

15) O que ocorrerá se nenhuma das pessoas legitimadas a fazê-lo requerer


a abertura do inventário no prazo fixado pela lei?
Determinará o juiz, in casu, de ofício, que se inicie o inventário (art.
989 do CPC).
Obs.l: Sobredito dispositivo contempla uma exceção ao princípio da
inércia da jurisdição.101
Obs.2: Por força do disposto na Súmula 542 do STF, pode o Estado-
-membro instituir multa como forma de sanção pelo retardamento do início
ou da ultimação do inventário.

Se nenhum dos
legitimado requerer a Determinará o juiz,
abertura do inventário de ofício, o seu início
no prazo legal

16) Qual o foro em que deve se processar o inventário?


Via de regra, é o foro do último domicílio do autor da herança.
Obs.: Nos termos do art. 96, caput, do CPC, tem-se que "o foro do
domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário,
a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade
e todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido
no estrangeiro".

Foro do último
Processamento do via de regra domicílio do autor
inventário
da herança

101. Nelson Nery Junior e Rosa M aria de Andrade Nery. C ódigo de Processo Civil
comentado e legislação extravagante. 9. ed. São Paulo: RT, 2006. p. 1.016.

168
17] Sobredita regra tem aplicabilidade irrestrita?
Não, de acordo com o art. 96, parágrafo único, do CPC, será,
porém, competente:

Foro em que se deve processar o


inventário (exceções à regra do
art. 96, caput , do CPC):
✓se o autor da
foro da situação
herança não possuía
dos bens
domicílio certo
✓se o autor da
foro do lugar herança não tinha
em que domicílio certo e
ocorreu o óbito possuía bens em
lugares diferentes

18) Falecendo o cônjuge meeiro supérstite antes da partilha dos bens do pré-
morto, o que ocorrerá com ambas as heranças?
Na situação em apreço, as duas heranças serão cumulativamente
inventariadas e partilhadas, desde que os herdeiros de ambos sejam os
mesmos (art. 1.043, caput, do CPC).
O bs.l: Haverá, in casu, um só inventariante para os dois inventários.
Obs.2: O segundo inventário será distribuído por dependência, pro-
cessando-se em apenso ao primeiro.

19) De acordo com nossa legislação, quais as questões que devem ser
resolvidas no próprio inventário?
Segundo estabelece o art. 984 do CPC, deve o juiz decidir:

Questões que devem ser resolvidas no próprio inventário


✓todas as questões de direito
✓as questões de fato (quando se acharem provadas por documento)

20) Quais as questões que devem ser remetidas para a via ordinária?
As questões de fato que exigirem alta indagação ou dependerem de
outras provas (art. 984, 2- parte, do CPC).

169
21) Qual a ordem preferencial existente para a nomeação do inventariante?
Trata-se daquela prevista no art. 990, caput, do CPC, qual seja:

ü 1- o cônjuge sobrevivente casado sob


E
.5
k. o regime de comunhão, desde que
Bc estivesse convivendo com o outro ao
tempo da morte deste
c2
O II - o herdeiro que se achar na posse
"D e administração do espólio, se não
O
IO houver cônjuge supérstite ou este não
n
O puder ser nomeado
c III - qualquer herdeiro, nenhum estando
a na posse e administração do espólio
n
2 IV - o testamenteiro, se lhe foi confiada
8.
a administração do espólio ou toda
.2
u
C a herança estiver distribuída
so em legados
n V - o inventariante judicial, se houver
Q.
E VI - pessoa estranha idônea, onde não
-8 houver inventariante judicial
ò (inventariante dativo)

Obs.: Muito embora o inciso I do artigo em questão faça menção,


unicamente, ao cônjuge sobrevivente, cumpre-nos assinalar que também o
companheiro deve ser abarcado portal hipótese.

22) A ordem a que se fez alusão na questão anterior é absoluta?


Predomina o entendimento de que referida ordem deve, neces­
sariamente, ser observada pelo magistrado.
Obs.: Há, contudo, julgados em sentido contrário, permitindo eventuais
alterações, desde que haja razões plausíveis para tanto.

23) Qual o prazo em que o inventariante, intimado da nomeação, deve


prestar compromisso?
Deve o inventariante, intimado da nomeação, prestar, dentro de 5 dias,
o compromisso de bem e fielmente desempenhar o cargo (art. 990,
parágrafo único, do CPC).

170
Prestar compromisso
Inventariante deve de bem e fielmente dentro
intimado da 5 dias
desempenhar de
nomeação
o cargo

24) Cite algumas das atribuições inerentes ao inventariante.


De acordo com o art. 991 do CPC, incumbe ao inventariante:

✓ representar o espólio ativa e passi­


vamente, em juízo ou fora dele,
observando-se, quanto ao dativo, o
disposto no art. 12, § 1-, do CPC
✓administrar o espólio, velando-lhe
os bens com a mesma diligência
Atribuições inerentes ao inventariante

como se seus fossem


✓prestar as primeiras e últimas
declarações pessoalmente ou por
procurador com poderes especiais
✓ exibir em cartório, a qualquer
tempo, para exame das partes,
os documentos relativos ao espólio
✓juntar aos autos certidão do
testamento, se houver
✓trazer à colação os bens recebidos
pelo herdeiro ausente, renunciante
ou excluído
✓prestar contas de sua gestão
ao deixar o cargo ou sempre que
o juiz lhe determinar
✓ requerer a declaração de
insolvência (art. 748 do CPC)

25) Quais as incumbências do inventariante que dependem de prévia oitiva


dos interessados e de autorização do juiz?
Segundo estabelece o art. 992 do CPC, incumbe, ainda, ao
inventariante, ouvidos os interessados e com autorização do juiz:

171
Incumbe, ainda, ao inventariante, ouvidos os
interessados e com autorização do juiz:
✓ alienar bens de qualquer espécie_________
✓transigir em juízo ou fora dele
✓ pagar dívidas do espólio
✓fazer as despesas necessárias com a
conservação e o melhoramento dos bens
do espólio

26) Em que hipóteses poderá o inventariante, a requerimento de qualquer


interessado, ser removido?
Determina o art. 995 do CPC que o inventariante será removido:

✓se não prestar, no prazo legal, as primeiras


e as últimas declarações
✓se não der ao inventário andamento
-8
regular, suscitando dúvidas infundadas
•§
ou praticando atos meramente protelatórios
1 ✓se, por culpa sua, se deteriorarem, forem
'O
fc- dilapidados ou sofrerem dano bens do espólio
8
£ ✓se não defender o espólio nas ações em
c que for citado, deixar de cobrar dívidas ativas
.2l .
2 ou não promover as medidas necessárias
c
para evitar o perecimento de direitos
c8 ✓se não prestar contas ou as que prestar
O não forem julgadas boas___________________
✓se sonegar, ocultar ou desviar bens
do espólio

27) O rol mencionado é taxativo?


Não. O elenco a que se fez alusão anteriormente é meramente
exemplificativo, podendo, perfeitamente, haver a remoção do inventa­
riante por razões diversas, desde que incompatíveis com o exercício do
respectivo cargo.

172
28) Requerida a remoção por qualquer interessado, qual o prazo concedido
ao inventariante para defender-se e produzir provas?
Na situação em comento, deve o inventariante ser intimado para, no
prazo de 5 dias, defender-se e produzir as provas pertinentes (art. 996,
caput, do CPC).
Obs.: O incidente da remoção correrá em apenso aos autos do
inventário.

29) Quais os documentos que devem, necessariamente, instruir o


requerimento de abertura do inventário?

✓a certidão de óbito do autor


Requerimento de
da herança (art. 987 do CPC)
abertura do inventário:
✓ procuração outorgada ao
documentos necessários
advogado que subscrever a petição

30) Ultimadas as citações, os interessados terão 10 dias para se manifestar


acerca das primeiras declarações. Em tal oportunidade, o que deverá a
parte fazer?
Segundo preceitua o art. 1.000 do CPC, caberá à parte:

✓arguir erros e omissões


Caberá ✓ reclamar contra a nomeação do inventariante
à parte ✓contestar a qualidade de quem foi incluído
no título de herdeiro

31) Qual a providência a ser adotada, caso a impugnação referente a erros


e omissões seja julgada procedente?
Em tal hipótese, o juiz mandará retificar as primeiras declarações
ofertadas (art. 1.000, parágrafo único, 1 - parte, do CPC).

Procedência da
Retificação das
impugnação conseqüência primeiras
referente a erros
declarações
e omissões

17 3
32) E se for acolhida reclamação contra a nomeação do inventariante?
Acolhido o mencionado pedido, deverá o juiz nomear outro inventariante,
observada a preferência legal (art. 1.000, parágrafo único, 2- parte, do CPC).

Acolhimento do Nomeação de outro


pedido contra conseqüência inventariante
nomeação do (observada a
inventariante preferência legal)

33) E se se verificar que a disputa sobre a qualidade de herdeiro constitui


matéria de alta indagação?
O juiz, na situação em apreço, remeterá a parte para os meios ordi­
nários e sobrestará, até o julgamento da ação, a entrega do quinhão que
na partilha couber ao herdeiro admitido (art. 1.000, parágrafo único, 3-
parte, do CPC).

34) Findo o prazo a que se refere o art. 1.000 do CPC, sem que tenha havido
impugnação ou sem que se tenha decidido a que, eventualmente, houver
sido oposta, o que deverá fazer o juiz?
Não havendo na comarca avaliador judicial, deverá o magistrado
nomear um perito para avaliar os bens inventariados (art. 1.003, caput,
do CPC).

35) O que deverá ser feito após a aceitação do laudo ou a resolução das
impugnações suscitadas?
Deverá ser lavrado o termo de últimas declarações (art. 1.011 do CPC).
Obs.: Poderá o inventariante, no sobredito termo, emendar, aditar ou
completar as primeiras declarações.

Termo de K Nele o inventariante emendará,


últimas aditará ou complementará
11 VV >
declarações as primeiras declarações

36) Ouvidas as partes sobre as últimas declarações, no prazo comum de 10


dias, qual a providência que terá ensejo?
Terá ensejo o cálculo do respectivo imposto (art. 1.012 do CPC).

174
Obs.: Feito o cálculo, sobre ele serão ouvidas todas as partes, inclusive
o membro do Ministério Público (se houver interesse de menores ou
incapazes), no prazo comum de 5 dias, que correrá em cartório e, em
seguida, a Fazenda Pública (art. 1.013, caput, do CPC).

37) O que ocorrerá após a homologação do cálculo?


Serão expedidas guias para o pagamento, finalizando-se, destarte,
o inventário.

Expedição
Homologação das guias Fim do
do cálculo para o inventário
pagamento

38) Qual a fase que terá início após o inventário?


Trata-se da partilha.

Fase que se iniciará


Partilha
após o inventário "= ^ >

39) Quais as modalidades de partilha?

Modalidades de partilha
✓decorre de acordo entre os interessados,
amigável
desde que capazes
judicial ✓aquela realizada nos autos do inventário

40) Optando os interessados pela partilha amigável, de que forma deverá


a mesma ser apresentada?
Segundo estabelece o art. 2.015 do CC, se os herdeiros forem capazes,
poderão fazer partilha amigável:

✓por escritura pública


Partilha
✓termo nos autos do inventário ou
amigável
✓escrito particular

175
41) O que deverá ser observado para que o juiz proceda à homologação
da partilha amigável?
A partilha amigável, celebrada entre pessoas capazes, nos termos do
art. 2.015 do CC, será homologada de plano pelo juiz, mediante a prova
da quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas (art.
1.031, caput, do CPC, com redação dada pela Lei n. 11.441/07).

Homologação Prova da quitação dos


judicial da partilha requer tributos relativos aos bens
amigável do espólio e às suas rendas

42) O procedimento a que se fez alusão na questão anterior, atinente à


partilha amigável, também pode ser aplicado ao pedido de adjudicação?
Sim, desde que haja um único herdeiro (art. 1.031, § 1 -, do CPC).

43) O que deverão fazer os herdeiros na petição de inventário, que se


processará na forma de arrolamento sumário?
De acordo com o disposto no art. 1.032 do CPC, na petição de
inventário, que se processará na forma de arrolamento sumário, indepen­
dentemente da lavratura de termos de qualquer espécie, os herdeiros:

Na petição de inventário, os herdeiros:


✓requererão ao juiz a nomeação do inventariante que designarem
✓declararão os títulos dos herdeiros e os bens do espólio,
observado o disposto no art. 993 do CPC
✓atribuirão o valor dos bens do espólio, para fins de partilha

44) Quais os documentos que deverão instruir a petição inicial?

✓ partilha_____________________
Documentos que ✓certidão de óbito_____________
instruirão a petição
✓certidões negativas dos tributos
da inicial
referentes aos bens do espólio

45) É preciso realizar a avaliação dos bens do espólio?


Via de regra, não. Segundo preceitua o art. 1.033 do CPC, ressalvada
a hipótese encartada no parágrafo único do art. 1.035 do diploma em

176
comento, não se procederá à avaliação dos bens do espólio para qualquer
finalidade.

46) Em que hipótese a avaliação dos bens do espólio será necessária?


Quando houver credores com direito à reserva de bens suficientes para
o pagamento da dívida e estes, regularmente notificados, impugnarem a
estimativa (art. 1.035, parágrafo único, do CPC).

47) Uma vez transitada em julgado a sentença de homologação de partilha


ou adjudicação, quando serão expedidos e entregues o respectivo formal,
bem como os alvarás referentes aos bens por ele abrangidos?
Transitada em julgado a sentença de homologação de partilha ou
adjudicação, o respectivo formal, bem como os alvarás referentes aos bens
por ele abrangidos, somente serão expedidos e entregues às partes após a
comprovação, verificada pela Fazenda Pública, do pagamento de todos os
tributos (art. 1.031, § 2-, do CPC).

48) Em que hipótese terá cabimento o denominado "arrolamento comum ou


ordinário"?
Nos termos do art. 1.036, caput, do CPC, referida modalidade de
arrolamento terá cabimento nos casos de partilha judicial em que o valor
dos bens do espólio seja igual ou inferior a 2.000 OTNs.
Obs.l: Com a extinção do índice em comento, pela Lei n. 7.730/89, a
atualização de tal valor passou a ser feita por meio da TR.
Obs.2: Referida forma de arrolamento toma por base o valor dos bens
inventariados.
Obs.3: Cumpre ressaltar que, "dá-se a designação de arrolamento ao
procedimento sucessório mortis causa simplificado quanto aos atos, forma
e prazos processuais. Trata-se de subespécie do inventário, caracteri­
zada pela renúncia às solenidades maiores (próprias do inventário),
supressão de termos, compressão de formalidades e, por fim, encur­
tamento de prazos".102

49) Em se tratando de arrolamento comum, o que deverá o inventariante


nomeado fazer?
Caberá ao inventariante nomeado, independentemente da assinatura

102. Ney de M ello A lm ada, op. cit., p. 350.

177
de termo de compromisso, apresentar, juntamente com suas declarações,
a atribuição do valor dos bens do espólio e o plano da partilha (art. 1.036,
caput, do CPC).

50) E se qualquer das partes impugnar a estimativa?


Se qualquer das partes ou o Ministério Público impugnar a estimativa,
o juiz nomeará um avaliador que oferecerá laudo em 10 dias (art. 1.036,
§ 1-, do CPC).
Obs.: Interessante deixar consignado que a feitura do mencionado
laudo distingue o arrolamento comum do arrolamento sumário.

51) O que deverá fazer o juiz, após a apresentação do laudo pelo


avaliador nomeado?
Apresentado o laudo, o juiz, em audiência que designar, deliberará
sobre a partilha, decidindo de plano todas as reclamações e mandando
pagar as dívidas não impugnadas (art. 1.036, § 2-, do CPC).

52) É correto afirm ar que regras inerentes ao arrolamento sumário podem


ser aplicadas ao arrolamento comum?
Sim. Segundo consta da redação do art. 1.036, § 4 -, do CPC,
"aplicam-se a esta espécie de arrolamento, no que couberem, as
disposições do art. 1.034 e seus parágrafos, relativamente ao lançamento,
ao pagamento e à quitação da taxa judiciária e do imposto sobre a
transmissão da propriedade dos bens do espólio".

53) Quando deverá o juiz julgar a partilha?


Após a demonstração da quitação dos tributos relativos aos bens do
espólio e às suas rendas (art. 1.036, § 5 -, do CPC).

Provada a quitação
dos tributos relativos O juiz julgará
aos bens do espólio a partilha
e às suas rendas

54) Quais os atos posteriores à homologação da partilha ou da adjudicação?

Atos ✓recolhimento do imposto causa mortis


posteriores ✓expedição do respectivo formal ou carta de adjudicação

178
55) O que são "bens sonegados"?
São bens que "deviam entrar na partilha, porém foram ciente e
conscientemente dela desviados, quer por não terem sido descritos ou
restituídos pelo inventariante ou por herdeiros, quer por este último não os
haver trazido à colação, quando esse dever se lhe impunha".103

Bens que deveriam


entrar na partilha,
Bens sonegados
mas foram dela
desviados

56) Quem poderá praticar tais infrações?


Tais infrações poderão ser praticadas:

✓quando este, dolosamente, não


indicar bens em seu poder, ou
pelo com o seu conhecimento, no de
herdeiro outrem, ou ainda quando omitir
Infrações

os bens doados pelo falecido, os


quais deveriam ser colacionados
✓quando este, dolosamente,
pelo
omitir bens ou valores, ao prestar
inventariante
as primeiras e últimas declarações
pelo ✓quando este, dolosamente,
testamenteiro sonegar bens ao inventário

57) Em que termos o Código Civil brasileiro contempla a denominada "pena


de sonegados"?
Preceitua o art. 1.992 do CC que "o herdeiro que sonegar bens da
herança, não os descrevendo no inventário quando estejam em seu poder,
ou, com o seu conhecimento, no de outrem, ou que os omitir na colação, a

103. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7, p. 323.

179
que os deva levar, ou que deixar de restituí-los, perderá o direito que sobre
eles lhe cabia".
Obs.: O bem sonegado retornará ao monte-mor, sendo partilhado entre
outros herdeiros.

Herdeiro que Perderá o direito


sonegar bens conseqüência que sobre eles
da herança lhe cabia

58) E se o bem sonegado não mais se encontrar no patrimônio do sonegador?


Em tal hipótese, pagará o sonegador a importância dos valores que
ocultou, além das perdas e danos (art. 1.995 do CC).

Se o bem sonegado Este deverá pagar:


não mais se encontrar a importância dos
no patrimônio valores que ocultou +
do sonegador perdas e danos

59) Qual a reprimenda cabível ao sonegador inventariante que não seja


herdeiro nem meeiro?
Será cabível, na hipótese aventada, a remoção do cargo (art. 1.993
do CC).
Obs.: E preciso, para tanto, demonstrar a sonegação ou que tal sujeito
refutou a existência dos bens indicados.

Sonegador
inventariante que reprimenda Remoção
não seja herdeiro do cargo
nem meeiro

60) E se o sonegador inventariante figurar ainda como herdeiro ou meeiro?


Nesse caso, além da pena de remoção do cargo, sofrerá ele a perda
do direito ao bem sonegado (arts. 1.992 e 1.993 do CC).
Obs.: Há, contudo, quem defenda que, em se tratando de inven­
tariante cônjuge meeiro, não se aplicará a perda de direitos ao
bem sonegado.

180
61) Qual a pena aplicável ao testamenteiro que sonegar bens ao inventário?
Será removido e perderá o prêmio a que faria jus (vintena). E o que se
extrai do art. 1.140 do CPC.

Testamenteiro que Remoção do


sonegar bens ao reprimenda cargo + Perda
inventário da vintena

62) A partir de que momento é possível arguir de sonegação o inventariante?


Somente depois de encerrada a descrição dos bens, com a declaração,
por ele feita, de não existirem outros por inventariar e partir (art. 994 do
CPC e art. 1.996, 1 - parte, do CC).

Encerrada a descrição dos


Só se pode arguir bens, com a declaração,
de sonegação o depois de por ele feita, de não
inventariante existirem outros por
inventariar e partir

63) A perda do direito aos bens pelo herdeiro ou inventariante-meeiro


acusado de sonegação pode ser imposta nos próprios autos?
Não. Conforme preceitua o art. 1.994, caput, do CC, tal pena somente
pode ser requerida e imposta em ação movida pelos herdeiros ou pelos
credores da herança, haja vista se tratar de questão de alta indagação.

Somente pode ser


imposta em ação
Pena de sonegados
movida pelos herdeiros
ou credores da herança

64) A sentença proferida na ação de sonegados, ajuizada por qualquer um


dos herdeiros ou credores, aproveitará aos demais interessados?
Sim. E, aliás, o que determina o art. 1.994, parágrafo único, do CC.

Sentença proferida na Aproveita a todos


ação de sonegados os interessados

181
65) Quem deve responder pelas dívidas deixadas pelo falecido?
Via de regra, a herança responde pelo pagamento das dívidas do
falecido. Feita, no entanto, a partilha, só respondem os herdeiros, cada qual
em proporção da parte que na herança lhe coube (art. 1.997 do CC).104

Dívidas do se já houve quotas dos


responde herança
falecido partilha herdeiros

66) Quais os encargos da herança?


Figuram como encargos da herança:105

✓despesas funerárias (art. 1.998 do CC)


✓vintena do testamenteiro
Encargos
✓dívidas do falecido (respeitadas as
da herança
forças da herança)
✓cumprimento do legado

Obs.: Deduzidos da herança líquida tais encargos, tem-se o monte


partível.

67) As despesas funerárias sempre sairão do monte da herança? E quanto


às despesas de sufrágios por alma do falecido?
As despesas funerárias, existam ou não herdeiros legítimos, sairão do
monte da herança. As despesas de sufrágios por alma do falecido, no
entanto, só obrigarão a herança quando ordenadas em testamento ou
codicilo. E o que se extrai do art. 1.998 do CC.

104. Sílvio de Salvo Venosa, op. cit., p. 420.


105. Carlos Roberto Gonçalves, op. cit., v. 4, p. 115.

182
68) Devem os herdeiros responder pelos encargos que extrapolarem as
forças da herança?
Não. Via de regra, os herdeiros responderão pelas dívidas do morto
até o limite da herança.
Obs.: Há, contudo, uma exceção prevista no art. 1.792 do CC, que
estatui que, se o morto deixar mais dívidas do que bens, o herdeiro deve
fazer inventário negativo, sob pena de responder pela integralidade dos
encargos, ainda que estes se mostrem superiores às forças da herança.

Responderão
via de regra até o Limite da
Herdeiros pelas dívidas
herança
do morto

69) Podem os legados ser atingidos e absorvidos pelo pagamento das


dívidas contraídas pelo falecido?
Sim. Isso ocorrerá quando o monte não for suficiente para liquidar
o passivo.
Atingidos e
absorvidos pelo 0 monte não
serao pagamento for suficiente
Legados das dívidas para liquidar
contraídas pelo o passivo
falecido

70) O que deverá fazer o inventariante, caso, atingidos os legados, ainda


sim, subsistam dívidas?
Deverá o inventariante requerer a declaração de insolvência do espólio
(art. 748 do CPC).

Se, atingidos os deverá Requer a declaração


legados, as dívidas — Inventariante de insolvência
subsistirem do espólio

71) De que maneira se faz a cobrança, pelos credores, de dívidas contraídas


pelo falecido?
Via de regra, tal cobrança se faz por meio da habilitação do credor no
inventário, consoante preceito encartado no art. 1.01 7 do CPC.

18 3
Obs.: Note-se, contudo, que é perfeitamente possível que o credor opte
por ajuizar ação de cobrança ou promover a execução contra devedor
solvente, desde que possua título hábil.

Cobrança, pelos via de regra Habilitação no


credores, de dívidas
por meio de inventário
contraídas pelo falecido

72) O que ocorrerá caso a habilitação de dívida vencida e exigível não


seja impugnada?
Concordando as partes com tal pedido, o juiz, ao declarar habilitado o
credor, mandará que se faça a separação de dinheiro ou, em sua falta, de
bens suficientes para o seu pagamento. Separados os bens, o juiz mandará
aliená-los em hasta pública se o credor não preferir que lhe sejam
adjudicados (art. 1.017, §§ 2 - e 3-, do CPC).

73) E se houver impugnação?


Não havendo concordância de todas as partes sobre o pedido de
pagamento feito pelo credor, será ele remetido para os meios ordinários.
Obs.: Na situação em comento, o juiz mandará, porém, reservar em
poder do inventariante bens suficientes para pagar o credor, quando a
dívida constar de documento que comprove suficientemente a obrigação
e a impugnação não se fundar em quitação (art. 1.018, parágrafo único,
do CPC).

74) Qual o principal fator que distingue a reserva de bens da separação?


A reserva de bens tem cabimento enquanto a dívida não é impugnada,
ao passo que a separação somente se verifica após seu questionamento.

75) Pode o credor de dívida líquida e certa, ainda não vencida, requerer
habilitação no inventário?
Sim, consoante preceito encartado no art. 1.019 do CPC.
Obs.: Concordando as partes com tal pedido, o juiz, ao julgar
habilitado o crédito, mandará que se faça separação de bens para o
futuro pagamento.

Credor de dívida líquida e pode Requerer habilitação


certa, ainda não vencida no inventário

184
76) Há em nosso ordenamento algum tipo de preferência do credor do
falecido, em detrimento do credor do herdeiro?
Sim. Estabelece o art. 2.000 do CC que "os legatários e credores da
herança podem exigir que do patrimônio do falecido se discrimine o do
herdeiro, e, em concurso com os credores deste, serão à eles preferidos no
pagamento".

77] Em que hipóteses o legatário será parte legítima para manifestar-se


sobre as dívidas do espólio?
Segundo dispõe o art. 1.020 do CPC, o legatário será parte legítima
para manifestar-se sobre as dívidas do espólio:

Legatário será ✓quando toda a herança


parte legítima for dividida em legados
para manifestar-se ✓quando o reconhecimento
sobre as dívidas das dívidas importar
do espólio: redução dos legados

78) Realizada a partilha, de quem os credores deverão cobrar os seus


respectivos créditos?
Realizada a partilha, os credores deverão cobrar os seus respectivos
créditos dos próprios herdeiros.
Obs.: Note-se que tal cobrança deve guardar relação com a quota da
herança a que cada herdeiro fez jus.

Credores
Realizada deverão Dos próprios
partilha cobrar seus herdeiros
créditos

79) Há solidariedade entre os herdeiros?


Não há solidariedade entre os herdeiros.
Obs.: Ocorre, no entanto, que se se tratar de dívida indivisível, aquele que
efetuar o pagamento terá direito de regresso contra os outros, diluindo-
-se a parte do coerdeiro insolvente entre os demais (art. 1.999 do CC).

80) O que se entende pelo vocábulo "colação"?


E o ato por meio do qual os descendentes e o cônjuge sobrevivente,

185
que concorrem à sucessão do morto, são chamados a declarar no
inventário as liberalidades recebidas do de cujus, antes de sua abertura,
objetivando assim igualar as legítimas, na proporção estabelecida pelo
diploma em estudo (arts. 2.002 e 2.003 do CC).
O bs.l: Valendo-se de outras palavras, "consiste ela na restituição, ao
monte, das liberalidades recebidas em vida, para obter-se a igualdade dos
quinhões hereditários, ao se realizar a partilha".106
Obs.2: Pela atual sistemática, também o cônjuge sobrevivente, quando
concorrer com os descendentes, deverá proceder à colação.
Obs.3: Os ascendentes e os colaterais estão dispensados da colação.

Ato por meio do qual os


descendentes e o cônjuge
sobrevivente, que concorrem ò
sucessão do morto, são chamados
Colação a declarar no inventário as
liberalidades recebidas do de
cujus, antes de sua abertura,
objetivando assim igualar
as legítimas

81) Qual outro termo também pode ser utilizado para designar a colação?
Trata-se do vocábulo "conferência".

Colação sinommo Conferência

82) O que ocorrerá se o herdeiro não proceder a tal declaração?


Restará verificada a sonegação.

Se o herdeiro não Restará verificada


efetuar tal declaração a sonegação

106. C aio M ário da Silva Pereira, op. cit., p. 404.

186
83) Como é chamado o herdeiro que recebe um dado bem em doação, o
qual extrapola o valor da legítima e, posteriormente, deve ser colacionado?
Herdeiro reponente.

Aquele que recebe um


dado bem em doação, que
Herdeiro reponente extrapola o valor da
legítima e, posteriormente,
deve ser colacionado

84) Qual o objetivo da colação?


A colação tem por fim igualar, na proporção estabelecida no Código
Civil, as legítimas dos descendentes e do cônjuge sobrevivente (art. 2.003,
1 - parte, do CC).

Igualar as legítimas
objetivo dos descendentes e do
Colação
cônjuge sobrevivente

85) Quais os principais aspectos que distinguem a colação da redução das


liberalidades?
"A colação tem em vista restabelecer a igualdade das legítimas dos
herdeiros necessários, ainda quando as liberalidades se compreendam no
âmbito da meação disponível do doador. A redução tem a finalidade de
fazer que as liberalidades se contenham dentro daquela metade, quer
beneficie algum herdeiro, quer favoreça um estranho. A colação assenta
teoricamente na vontade presumida do morto, ao passo que a redução é
de ordem pública, em conseqüência, é válida a dispensa de colação; mas
não pode o falecido dispensar a redução."107

86) É correto afirm ar que a colação obrigará também os donatários que, ao


tempo do falecimento, já não mais possuam os bens doados?
Sim. E o que determina o art. 2.003, 2- parte, do CC.

107. Washington de Barros Monteiro, op. cit., p. 405.

187
Obrigará também os
donatários que, ao
Colação tempo do falecimento, já
não mais possuam os
bens doados

87] O que deverá ser colacionado?


Deverão ser colacionadas as doações de ascendentes a descen­
dentes, ou de um cônjuge ao outro, porquanto, salvo vontade expressa
do doador, toda doação feita em vida pelo autor da herança aos des­
cendentes ou ao seu cônjuge será reputada como adiantamento de
herança (art. 544 do CC).

Doações feitas em vida pelo


via de regra Adiantamento
autor da herança aos
da herança
descendentes e ao seu cônjuge

88) O que deverá ser feito caso, computados os valores das doações feitas
em adiantamento de legítima, não houver no acervo bens suficientes para
igualar as legítimas dos descendentes e do cônjuge?
Deverão os bens assim doados retornar em espécie à massa da
herança.
Obs.: Se deles já não dispuser o donatário, poderá a colação,
excepcionalmente, ser feita por estimação, voltando ao monte-mor apenas
o seu valor, quando da realização da liberalidade (art. 2.003, parágrafo
único, do CC).

89) Quais as duas espécies de colação?

Espécies de colação
por substância ✓o bem doado é restituído
ou in natura ao acervo hereditário
✓imputa-se no quinhão do
por estimação
herdeiro donatário o valor
ou imputação
dos bens doados

188
90) O valor de colação dos bens deve ser apurado em que ocasião?

A questão afigura-se controvertida, havendo, em nosso ordenamento,


dispositivos conflitantes a seu respeito. Vejamos:
✓"O valor de colação dos bens doados será
art. 2.004,
aquele, certo ou estimativo, que lhes atribuir o
caput, do CC
ato de liberalidade."
✓"Os bens que devem ser conferidos na partilha,
art. 1.014, assim como as acessões e benfeitorias que o
parágrafo
donatário fez, calcular-se-ão pelo valor que
único, do CPC
tiverem ao tempo da abertura da sucessão."

O bs.l: Entendemos, a exemplo do que o fazem Silvio Rodrigues108


e Antônio Cláudio da Costa Machado109, que o Código Civil de 2002
revogou a disposição encartada no Estatuto Processual.
Obs.2: Todavia, em sentido contrário, deparamo-nos com o Enunciado
119, aprovado na I Jornada de Direito Civil, o qual dispõe que: "para
evitar o enriquecimento sem causa, a colação será efetuada com base no
valor da época da doação, nos termos do caput do art. 2.004,
exclusivamente na hipótese em que o bem doado não mais pertença ao
patrimônio do donatário. Se, ao contrário, o bem ainda integrar seu
patrimônio, a colação se fará com base no valor do bem na época da
abertura da sucessão, nos termos do art. 1.014 do CPC, de modo a
preservar a quantia que efetivamente integrará a legítima quando esta se
constituiu, ou seja, na data do óbito (resultado da interpretação sistemática
do art. 2.004 e seus parágrafos, juntamente com os arts. 1.832 e 884 do
Código Civil)".

91) Em que hipótese deverão os netos proceder à colação?


Os netos que, quando representando os seus pais, sucederem aos avós,
serão obrigados a trazer à colação, ainda que não o hajam herdado, o que
os pais teriam de conferir (art. 2.009 do CC).

108. Silvio Rodrigues, op. cit., v. 7, p. 319.


109. Antônio C láudio da Costa M achado, op. cit., p. 1.588.

189
Netos deverão Representando os
proceder quando seus pais, sucederem
à colação aos avós

92) Aquele que renunciou à herança ou dela fo i excluído também tem o


dever de conferir as doações recebidas, repondo a parte inoficiosa?
Sim. De acordo com a redação dada ao art. 2.008 do CC, "aque­
le que renunciou a herança ou dela foi excluído, deve, não obstante,
conferir as doações recebidas, para o fim de repor o que exceder
o disponível".

Aquele que renunciou Conferir as doações recebidas,


à herança ou dela para o fim de repor o que
foi excluído exceder o disponível

93) Em que prazo deverá o herdeiro obrigado à colação conferir por termo
nos autos os bens que recebeu ou, se já os não possuir, trazer-lhes o valor
correspondente?
No prazo concedido às partes para falar sobre as primeiras declara­
ções (art. 1.014, caput, do CPC).

94) Como deverá proceder o juiz, caso o herdeiro venha a negar o


recebimento dos bens ou a obrigação de os conferir?
Deverá o juiz ouvir as partes no prazo máximo de 5 dias, após o que,
decidirá à vista das alegações e provas produzidas (1.016, caput, do CPC).

95) O que deverá fazer o juiz, caso, declarada improcedente a oposição, o


herdeiro, no prazo improrrogável de 5 dias, não proceder à conferência?
Deverá o juiz mandar sequestrar-lhe, para serem inventariados e
partilhados, os bens sujeitos à colação, ou imputar ao seu quinhão
hereditário o valor deles, se já os não possuir (art. 1.016, § 1°, do CPC).

96) E se tratar de matéria de alta indagação?


Nesse caso, o juiz remeterá as partes para os meios ordinários, não
podendo o herdeiro receber o seu quinhão hereditário, enquanto pender a
demanda, sem prestar caução correspondente ao valor dos bens sobre que
versar a conferência (art. 1.016, § 2°, do CPC).

190
97] Pode o doador dispensar o donatário da colação?
Sim. Segundo determina o art. 2.005, caput, do CC, são dispensadas
da colação as doações que o doador reputar excluídas da parte disponível,
desde que não a excedam, computado o seu valor ao tempo da doação.

As doações
São
que o doador reputar desde que
dispensadas
excluídas da parte
da colação
disponível

98) A dispensa da colação, pelo doador, deve se dar por meio de que
instrumentos?
Consoante preceito encartado no art. 2.006 do CC, a dispensa da
colação pode ser outorgada pelo doador:

Dispensa ✓em testamento; ou


da colação ✓no próprio título de liberalidade.

99) Os gastos ordinários do ascendente com o descendente, enquanto menor,


deverão vir à colação?
Não. Conforme redação dada ao art. 2.010 do CC, "não virão à
colação os gastos ordinários do ascendente com o descendente, enquanto
menor, na sua educação, estudos, sustento, vestuário, tratamento nas
enfermidades, enxoval, assim como as despesas de casamento, ou as feitas
no interesse de sua defesa em processo-crime".

100) Devem as doações remunerafórias de serviços feitos ao ascendente ser


levadas à colação?
Não. As doações remuneratórias de serviços feitos ao ascendente
também não se sujeitam à colação (art. 2.011 do CC).
Obs.: Isso porque a doação remuneratória é aquela "feita em
retribuição a serviços prestados, cujo pagamento não pode ser exigido pelo
donatário".110

110. Carlos Roberto Gonçalves. Direito das obrigações: parte especial. (Col. sinopses
jurídicas, 6, I). 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2004. p. 83.

191
Doações remuneratórias
Não se sujeitam
de serviços feitos
à colação
ao ascendente

101) O que deve o juiz fazer findo o inventário?


Deve o juiz facultar às partes que, no prazo comum de 10 dias,
formulem o pedido de quinhão. Após, proferirá, no prazo de 10 dias, o
despacho de deliberação da partilha, resolvendo os pedidos das partes e
designando os bens que devam constituir quinhão de cada herdeiro e
legatário (art. 1.022 do CPC).

102) Em que consiste a "partilha"?


A partilha consiste na repartição dos bens da herança, ou seja, na
distribuição do acervo hereditário entre os respectivos herdeiros.111
Obs.: A questão é enfrentada por Caio Mário da Silva Pereira nos
seguintes termos: "a partilha é o ponto culminante da liquidação da
herança. Põe termo ao estado de indivisão. Discrimina e especifica os
quinhões hereditários. Fixa o momento em que o acervo deixa de ser uma
res communis dos herdeiros, operando a mutação em coisas particulares
de cada um".112

Repartição dos bens da


herança, ou seja,
Partilha distribuição do acervo
hereditário entre os
respectivos herdeiros

103) É correto afirm ar que o herdeiro sempre gozará da prerrogativa de


requerer a partilha?
Sim. Consoante redação dada ao art. 2.013 do CC, o herdeiro sempre
poderá requerer a partilha, ainda que o testador o proíba.
Obs.: Tal faculdade também caberá aos seus cessionários e credores.

111. Washington de Barros M onteiro, op. cit., p. 319.


112. C aio M ário da Silva Pereira, op. cit., p. 4 0 2-4 03.

192
104) Quais as modalidades de partilha?

Modalidades de partilha
amigável ou ✓decorre de acordo entre os
extrajudicial interessados, desde que capazes
✓aquela realizada nos autos do
judicial
inventário

105) Quando se diz que a partilha será judicial?


De acordo com o art. 2.016 do CC, será sempre judicial a partilha, se:

Partilha ✓os herdeiros divergirem;


judicial ✓algum dos herdeiros for incapaz.

106) Em que hipótese se reputará válida a partilha feita em vida por


ascendente?
A partilha feita por ascendente, por ato entre vivos ou de última
vontade, será considerada válida, desde que não prejudique a legítima dos
herdeiros necessários (art. 2.018 do CC).

Partilha feita por ascendente, Válida, desde que não


por ato entre vivos ou de prejudique a legítima dos
última vontade herdeiros necessários

107) Pode o testador indicar os bens e valores que devam compor os


quinhões hereditários?
Sim. Segundo consta do art. 2.014 do CC, "pode o testador indicar os
bens e valores que devem compor os quinhões hereditários, deliberando
ele próprio a partilha, que prevalecerá, salvo se o valor dos bens não
corresponder às quotas estabelecidas".

108) Como são feitas as partilhas amigáveis postmortem?


As partilhas amigáveis post mortem são feitas no curso do inventário ou
do arrolamento, por escritura pública, termo nos autos, ou escrito particular,
homologado pelo juiz (art. 2.015 do CC).

19 3
109) Qual a ordem que deverá ser observada pelo partidor no que se refere
aos pagamentos?
Consoante preceito encartado no art. 1.023 do CPC, o partidor
organizará o esboço da partilha de acordo com a decisão, observando nos
pagamentos a seguinte ordem:

1. dívidas atendidas
2. meação do cônjuge
Ordem de
3. meação disponível
pagamento
4. quinhões hereditários, a começar
pelo coerdeiro mais velho

110) O que deverá ser observado, quando da realização da partilha dos bens?
Há que se observar, no partilhar os bens, quanto ao seu valor, natureza
e qualidade, a maior igualdade possível (art. 2.01 7 do CC).

111) Feito o esboço da partilha, o que deverá ser providenciado?


Deverão as partes manifestar-se acerca do esboço, no prazo comum
de 5 dias.
Obs.: Resolvidas as reclamações, será a partilha lançada nos autos (art.
1.024 do CPC).

112) O que ocorrerá depois do pagamento do imposto de transmissão a


título de morte e da juntada aos autos da certidão ou informação negativa
de dívida para com a Fazenda Pública?
Deverá o juiz proceder ao julgamento da partilha, por meio de sentença
(art. 1.026 do CPC).

113) É correto afirm ar que também a partilha amigável deverá ser julgada
por sentença?
Não. A partilha amigável deverá ser, sim, homologada (art. 1.029
do CPC).

Partilha amigável > É homologada pelo juiz

114) O que receberá o herdeiro após o trânsito em julgado da sentença que


julgar a partilha?
De acordo com o art. 1.027, caput, do CPC, passada em julgado a

194
sentença que julgar a partilha, receberá o herdeiro os bens que lhe tocarem
e um formal, do qual constarão as seguintes peças:

✓termo de inventariante e título de herdeiros


✓avaliação dos bens que constituíram
Formal de o quinhão do herdeiro
partilha ✓pagamento do quinhão hereditário
✓quitação dos impostos
✓sentença

115) Em que hipótese poderá o formal de partilha ser substituído par


certidão do pagamento do quinhão hereditário?
O formal de partilha poderá ser substituído por certidão do
pagamento do quinhão hereditário quando este não exceder 5 vezes o
salário mínimo vigente na sede do juízo; hipótese em que se transcreverá
nela a sentença de partilha transitada em julgado (art. 1.027, parágrafo
único, do CPC).

1 lá ) Pode a partilha amigável ser anulada?


Sim. A partilha amigável, lavrada em instrumento público, reduzida a
termo nos autos do inventário ou constante de escrito particular
homologado pelo juiz, pode ser anulada, por dolo, coação, erro essencial
ou intervenção de incapaz (art. 1.029, caput, do CPC).

117) Em que prazo deve ser proposta a ação anulatória da partilha


amigável?
Determina o art. 1.029, parágrafo único, do CPC, que o direito de
propor ação anulatória de partilha amigável deve ser exercido dentro de
1 ano, contado este prazo:

Direito de anular a partilha amigável deve ser exercido


dentro de 1 ano, contado este prazo:
no caso de coação ✓do dia em que ela cessou
no de erro ou dolo ✓do dia em que se realizou o ato
quanto ao incapaz ✓do dia em que cessar a incapacidade

Obs.: Também o art. 2.027, parágrafo único, do CC, preconiza que


o direito de anular a partilha extingue-se em 1 ano.

195
118) Em que casos será rescindível a partilha julgada por sentença?
Consta do art. 1.030 do CPC que a partilha julgada por sentença
será rescindível:

✓ nos casos mencionados no art. 1.029 do


Será rescindível estatuto em comento
a partilha ✓se feita com preterição de formalidades legais
✓se preteriu herdeiro ou incluiu quem não o seja

119) Qual o prazo em que deve ser proposta a ação rescisória?


O prazo é de 2 anos, contados do trânsito em julgado da decisão (art.
495 do CPC).

prazo 2 anos, contados do trânsito


Ação rescisória
em julgado da decisão

120) Poderá a partilha ser emendada, ainda que a respectiva sentença tenha
passado em julgado?
Sim. Ainda depois de passar em julgado a sentença, poderá a partilha
ser emendada nos mesmos autos do inventário, concordando todas as
partes, caso se tenha verificado erro de fato na descrição dos bens (art.
1.028 do CPC).
Obs.: Note-se que será permitido ao juiz, de ofício ou a requerimento
da parte, a qualquer tempo, corrigir-lhe as inexatidões materiais.

121) O que se entende pelo termo //sobrepartilha//?


Sobrepartilha ou partilha adicional consiste numa "nova partilha de
bens que, por razões fáticas ou jurídicas, não puderam ser divididos entre
os titulares dos direitos hereditários".113

"nova partilha de bens que, por razões


Sobrepartilha ou fáticas ou jurídicas, não puderam ser
partilha adicional divididos entre os titulares dos
direitos hereditários"

113. M aria Helena Diniz, op. cit., p. 368.

196
122) Quais os bens sujeitos à sobrepartilha?
Consoante dispõe o art. 1.040, caput, do CPC, ficam sujeitos à
sobrepartilha os bens:

I - sonegados________
II - da herança que
se descobrirem depois
da partilha___________
III - litigiosos, assim
Bens sujeitos
como os de liquidação
à sobrepartilha
difícil ou morosa
IV - situados em lugar
remoto da sede do
juízo onde se processa
o inventário

123) Caso os herdeiros prefiram relegar os bens mencionados nos incisos III
e IV do art. 1.040 do CPC à sobrepartilha, a quem competirá a guarda e
administração dos mesmos?
Competirá ao mesmo inventariante ou a outro que a maioria dos
herdeiros indicar (arts. 1.040, parágrafo único, do CPC e 2.021 do CC).

124) O que deve ser observado na sobrepartilha dos bens?


Na sobrepartilha dos bens deve se observar o processo de inventário e
partilha (art. 1.041 do CPC).

125) Em que autos deverá correr a sobrepartilha?


A sobrepartilha correrá nos autos do inventário do autor da herança
(art. 1.041, parágrafo único, do CPC).

Correrá nos autos do inventário


Sobrepartilha
do autor da herança

126) Uma vez julgada a partilha, a que ficará circunscrito o direito de cada
um dos herdeiros?
O direito de cada um dos herdeiros ficará circunscrito aos bens do seu
quinhão (art. 2.023 do CC).

197
127] É correto afirm ar que os coerdeiros serão reciprocamente obrigados a
indenizar-se no caso de evicção dos bens aquinhoados?
Sim, conforme estabelece o art. 2.024 do CC.
Obs.: Evicção consiste na perda parcial ou total da coisa, por parte do
adquirente (evicto), em razão de sentença judicial que a confere a terceiro
(evictor), por causa jurídica anterior ou concomitante à celebração
do ajuste.

No caso de evicção Coerdeiros serão obrigados


dos bens aquinhoados a indenizar-se

128) Em que hipótese tal obrigação cessará?


A obrigação mútua a que se fez alusão na questão antecedente cessará
quando houver convenção em contrário ou quando a evicção decorrer de
culpa do evicto ou de fato posterior à partilha (2.025 do CC).

129) Em que proporção deverá o evicto ser indenizado pelos coerdeiros?


Deverá o evicto ser indenizado pelos coerdeiros na proporção de suas
quotas hereditárias (art. 2.026, 1 - parte, do CC).

Indenização das quotas dos


na proporção
do evicto coerdeiros

130) E se algum dos coerdeiros se achar insolvente?


Nesse caso, os demais responderão na mesma proporção, pela parte
do insolvente, menos a quota que corresponderia ao indenizado (art. 2.026,
2 - parte, do CC).

131) Uma vez feita e julgada a partilha, em que hipótese poderá a mesma
ser anulada?
A partilha, uma vez feita e julgada, só será anulável pelos vícios e defeitos
que invalidam, em geral, os negócios jurídicos (art. 2.027, caput, do CC).

198
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