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Análise de Riscos – Prof.

Daniel Farias

1.0. INTRODUÇÃO

Gerência de Riscos é o processo de planejar, organizar,


dirigir e controlar os recursos humanos e materiais de uma

ANÁLISE DE organização, no sentido de minimizar os efeitos dos riscos sobre


essa organização ao mínimo possível.

RISCOS
É um conjunto de técnicas que visa reduzir ao mínimo os
efeitos das perdas acidentais, enfocando o tratamento aos riscos
que possam causar danos pessoais, ao meio ambiente e à
imagem da empresa.

Atualmente, nos países desenvolvidos, todas as grandes


empresas e muitas pequenas e médias se utilizam, com êxito, da
Gerência de Riscos, pois ela proporciona uma correta proteção
dos ativos e do patrimônio dos acionistas, eliminando ou
reduzindo, efetivamente, a maioria dos riscos acidentais.
Prof. Msc.Daniel Farias
O gerenciamento dos riscos não é uma maneira ideal
concebida para evitar que os acidentes ocorram, ou identificar
todos os perigos implícitos no sistema, ou mesmo descrever como
as decisões devam ser tomadas. O gerenciamento dos riscos
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oferece recomendações para que a empresa busque tomar ✓ Funcionários motivados


melhores decisões acerca dos riscos, levando em consideração as ✓ Aumento da produção e competitividade
incertezas (Duarte, 2006). Fitzgerald (2003) ressalta que o 1.1. Definições

gerenciamento de riscos pode ser definido como a tomada de Risco - É a medida dos efeitos (injúrias, ambientais,

decisão levando em consideração as incertezas. O econômicos) de uma ocorrência em termos de probabilidade e da

desenvolvimento de um programa de gerenciamento de incertezas magnitude de suas conseqüências. Pode também ser conceituado

só é possível a partir do entendimento do problema e de uma como a probabilidade de eventos indesejados acontecerem em
um período específico ou em circunstâncias específicas causadas
avaliação quantitativa dos cenários identificados, ou seja, é
pela realização de um perigo específico, podendo ser expresso
entender como os acidentes ocorrem e a outra é entender o que
como uma freqüência ou uma probabilidade.
fazer com o risco. Identifica as ameaças mais prováveis de
O termo risco surgiu no final do Renascimento, em um
ocorrência, analisando as vulnerabilidades encontradas na
ambiente de intensas transformações sociais, culturais e grandes
organização e possibilitando a tomada de decisão em relação aos
descobertas nas ciências e nas técnicas. Anteriormente, porém, o
riscos principais. Conhecendo os riscos principais de um
homem já possuía a noção de risco, associada às manifestações
processo, pode-se tomar uma das seguintes medidas: eliminá-
dos deuses, relativas a fenômenos da natureza, principalmente
los, minimizá-los, compartilhá-los ou assumi-los (CETESB, 2003;
os catastróficos.
AIChE, 1995).
A palavra risco faz parte do nosso cotidiano e a
Principais benefícios da gerência de riscos. empregamos de diversas formas e com diversos sentidos. O risco
✓ Seguros adequados do acidente, o risco de dar errado, o risco iminente, o risco
✓ Redução de riscos com conseqüência redução de prêmios elevado são alguns exemplos corriqueiramente encontrados nas
✓ Retenções conscientes de riscos nossas literaturas técnica ou leiga, cujo sentido predominante
✓ Bens e vida humana preservadas é o de representar uma certa chance de algo acontecer.
✓ Manutenção do fluxo produtivo Assim, costuma-se dizer que o risco é iminente ou que o risco é
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elevado para algo que nos parece certo ou com grande chance antigas preocupações, ou medos, com catástrofes, resultantes de
de acontecer. Estar vivo, por exemplo, significa “arriscar castigo divino, foram aos poucos diminuindo.
diariamente”. Atravessar a rua, ir ao jogo de futebol ou dirigir Formalmente, o risco tratado dentro da visão mencionada
são exemplos de situações que envolvem fatores de risco; mas é definido como a combinação entre a freqüência de ocorrência
como já estamos acostumados a enfrentá-los, formamos um de um acidente e a sua conseqüência. A adequada composição
instinto natural para o cálculo de energia utilizada para minimizar destes fatores possibilita estimar o risco de um empreendimento,
e controlar estes riscos. Não é difícil intuir que “a chance de sendo o estudo de análise de risco a ferramenta utilizada para
algo acontecer” está relacionada com um certo efeito esse fim. Como dito anteriormente, o risco pode ser estimado
observável sobre um bem que se quer proteger, podendo ser quantitativa ou qualitativamente. Se a probabilidade e a
esse bem o homem, uma espécie vegetal ou animal, ou ainda severidade podem ser quantificadas, o risco é simplesmente
propriedades e equipamentos. Sob a ótica ambiental é igual a probabilidade do evento pela severidade das
costumeiro observar os efeitos das substâncias químicas conseqüências do evento. No entanto, estimar o risco nem
consideradas poluentes sobre o homem ou mais amplamente, sempre é tarefa fácil. Muitas vezes as conseqüências de um
sobre o meio ambiente. Os efeitos podem decorrer das emissões evento podem ser incertas (probabilidade de o carro quebrar
contínuas ou intermitentes provenientes das indústrias, das amanhã) ou discutíveis (severidade do aquecimento global). Com
diversas formas de transporte ou, genericamente, da atividade a estimativa realizada, é possível comparar as diversas formas
antrópica. O conceito de risco em função da probabilidade, como de expressão do risco com padrões previamente estabelecidos,
é atualmente conhecido, é fruto de uma evolução do fazendo-se então a avaliação do risco, sendo, portanto possível
conhecimento humano. À medida que o conhecimento científico e decidir sobre a viabilidade ambiental de um empreendimento.
tecnológico evoluía, a probabilidade começou a ser utilizada para A expressão risco é freqüentemente utilizada no âmbito
expressar previsões de situações e eventos perigosos popular como também pela mídia nos mais variados sentidos,
(principalmente os da natureza) que eram desvendados. Aquelas tais como: risco de negócio, risco social, risco econômico, risco
de investimentos, risco militar, risco país, etc. O conceito
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inerente da expressão risco (risk) envolve sempre incertezas e Neste caso, o risco é definido como sendo o nível de perigo
algum tipo de perda ou dano. Nessas condições, pode-se combinado com:
escrever a relação “risco = incertezas + dano”, enquanto que a) A probabilidade de o perigo levar a um acidente e,
o perigo (hazard) é subtendido como uma fonte em potencial, b) A exposição ou duração do perigo (latência).
sempre existente, que pode induzir a ocorrência de algum Muitas vezes os termos risco e incerteza são confundidos e
acidente. Portanto, risco indica a severidade de perda ou lesão e usados como se tivessem o mesmo significado. Incerteza é a
o grau de probabilidade dessas perdas, ou seja, a probabilidade condição sob a qual não se tem a necessária informação para
da conversão de sua fonte em potencial, representada pelo atribuir probabilidades para os resultados, o que dificulta a
perigo, em um acidente. Simbolicamente, este conceito pode ser definição do problema e a identificação de soluções alternativas.
expresso por “risco = perigo/salvaguarda” onde a expressão A incerteza representa ignorância parcial ou falta de informações
salvaguarda deve ser entendida como o resguardo ou proteção a perfeitas sobre fenômenos ou modelos mal caracterizados e é,
uma fonte potencial que possa causar um dano. Dessa fundamentalmente, uma propriedade do analista de risco, sendo
expressão, pode-se concluir que o risco pode ser tão pequeno redutível através de medidas e estudos adicionais.
quanto se deseja, mas nunca zero. O inter-relacionamento entre É importante fazer a distinção entre perigo e risco. “Podemos
os conceitos de risco e perigo é apresentado na Figura 1 No mudar o risco sem modificar o perigo” Muhlbauer [3]
desenvolvimento deste trabalho é adotada esta abordagem. esclarece que o risco não é sinônimo de perigo. Define risco
como a combinação da probabilidade de ocorrência de um
evento, durante um período de tempo de interesse, com as
conseqüências, geralmente negativas, associadas a esse evento
(API RP 580 [2]). Perigo (Hazard, em inglês), é uma
característica ou um grupo de características que determinam o
Fig. 1 Componentes do Risco
potencial para a ocorrência de uma perda. Risco para a indústria
é definido como a possibilidade de ocorrência de um evento que
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causa uma perda e a magnitude desta perda. O transporte ou A análise de perigo é parte integrante da análise de
transferência de produtos perigosos através de dutos se constitui risco. Tal análise corresponde às atividades onde são
em risco devido ao potencial destes produtos causarem uma identificadas e/ou quantificadas, por um processo adequado, os
perda, se houver algum vazamento. O evento de vazamento do níveis de perigo (gravidade e a probabilidade de ocorrência do
conteúdo de um duto é comumente chamado de falha do duto. perigo) decorrentes do uso de sistemas ou equipamentos. O
Por definição, o risco aumentará sempre que a probabilidade de perigo não é uma propriedade inerente de um sistema, mas um
ocorrência do evento aumentar ou a magnitude da perda, as conjunto de condições (estados) associadas ao sistema que tem
conseqüências do evento, aumentar. o potencial para causar algum mal ou que possa conduzir a um
acidente. Portanto, o perigo é dependente da forma como os
O perigo tem duas importantes características: a
limites do sistema foram desenhados, isto é, da definição clara
gravidade (algumas vezes denominada de severidade) e a
de quais condições são consideradas partes do perigo e quais são
probabilidade de sua ocorrência; a combinação de ambas é
pertinentes ao ambiente do sistema analisado.
denominada nível do perigo. Portanto, quanto maior o nível do
Neste contexto, uma aeronave que esteja em rota de vôo
perigo, maior a chance de ocorrência do acidente. A exposição
pode atingir um estado perigoso. Se um acidente aéreo é
ou duração do perigo é uma componente do risco que afeta o
definido como a colisão entre duas aeronaves, então o estado de
cálculo do nível de risco total do sistema sob análise, ou seja, a
perigo apropriado a ser considerado neste caso é a falta de
coincidência de determinados eventos e necessários para a
separação (lateral, vertical e/ou longitudinal) mínima entre as
ocorrência de um acidente (probabilidade de o perigo conduzir a
aeronaves. Nessas condições, a análise de perigo está
um acidente) pode ter, estatisticamente uma baixa
relacionada com a identificação/avaliação do nível do perigo de
probabilidade, mas a probabilidade de coincidência desses
colisão entre as aeronaves. Na análise de risco são levados em
eventos pode ser aumentada, caso o perigo esteja presente por
consideração outros parâmetros como a duração do estado de
longos períodos de tempo.
perigo e as conseqüências resultantes em termos das
probabilidades de danos às pessoas, ao ambiente e a
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propriedade. Conexão entre risco e perigo é chamada de para tomada de decisão no momento de crise. Segundo Kletz,
evento, ou seja, uma situação em que alguém ou algo fica pode parecer para um observador externo que acidentes industriais
exposto ao perigo. Por exemplo, uma panela com água fervente ampliados ocorrem por que nós não sabemos como preveni-los,
constitui um perigo e não risco, uma vez que pode causar dano a porém eles ocorrem por que nós não usamos o conhecimento
algo ou ferimento a alguém que esteja exposto. Já um evento, disponível. É cada vez mais necessário investir esforço,
considerando que uma pessoa esbarre e derrube a panela, pode tempo e recursos para desenvolver um embasamento
levar à estimativa da probabilidade e severidade e, assim, ao científico do que está em risco.
risco. Portanto, só existe risco quando existir algo ou
alguém que esteja exposto a um perigo. Em uma indústria química, por exemplo, o risco

A quantificação do risco inclui definir o perigo, identificar o recorrente a uma operação normal é verificado em padrões de

evento inicial que causaria o perigo, determinar as higiene industrial, acidentes não relacionados ao processo

conseqüências ao sistema receptor e atribuir probabilidades de buscam pontos de referência na legislação mais apropriada e

ocorrência desse evento. acidentes de processo procuram sua referência nas análises de

Por definição, o risco é diretamente proporcional a risco referentes àquele determinado procedimento. Para a
definição dessas referências, especialmente no que diz respeito a
probabilidade de ocorrência do evento indesejável e as suas
avaliação dos riscos, três perguntas se tornam essenciais para o
conseqüências e inversamente proporcional medidas preventivas e
início de todo trabalho nessa área: Quão freqüente é a
mitigadoras. Contudo, as medidas mitigadoras e preventivas de
ocorrência de incidentes para com aquele risco? O que pode dar
proteções devem estar em conformidade com o tipo de evento
errado com atividade relacionada ao risco? E quais seriam os
mais provável de acontecer. Devem ser previstos a quantidade de
impactos relacionados a esse risco? Essas perguntas servem
material que irá queimar e o tempo associado, tendo-se por
como base para a caracterização do risco, a partir da formação
finalidade ajudar os técnicos a formarem uma opinião sobre as
do conjunto de análise formado pelo cenário de ocorrência, a
possíveis conseqüências e estabelecer o embasamento necessário
freqüência e as conseqüências relacionadas.

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Em cima dessa teoria verificou-se que a análise de risco pode ser incerteza quanto à ocorrência de um determinado evento
apresentada com o objetivo principal de providenciar o (acidente) e também a chance de perda ou perdas que uma
enquadramento para desenvolver a informação de risco empresa pode sofre por causa de um acidente ou série de
necessária para ajudar no processo de decisão. Da mesma acidentes.
maneira que se tem atividades diversas que envolvem riscos f) Segurança: é freqüentemente definida como “isenção de
diversos, temos diferentes ramos da análise de risco risco”. Entretanto, é praticamente impossível a eliminação
relacionados a especificidade de cada aspecto dessas atividades, completa de todos os riscos. É, portanto, um compromisso
como aspectos de segurança (segurança humana), ambientais/ acerca de uma relativa proteção da exposição a riscos. É o
ecológicos (ecossistemas/ habitats), valores patrimoniais (valor) antônimo de perigo.
e financeiros (econômicos). g) Desastre = Risco (Harzad) X Vulnerabilidade e
Outros Conceitos Relacionados: h) Risco de Desastre = Risco (Harzad) X Vulnerabilidade X
a) Causa: é a origem do caráter humano ou material Maneabilidade, onde Desastre é o evento resultante da ação
relacionado com o evento catastrófico (acidente), pela de um ou mais riscos sobre a vulnerabilidade de um elemento
materialização de um risco, resultando danos. ou elementos.
b) Dano: é a gravidade de perda humana, material ou financeira Risco é o potencial de ocorrência de um desastre; ou é um
que pode resultar se o controle sobre o risco for perdido. evento ameaçador que pode causar perda de vidas ou danos a
c) Incidente: qualquer evento ou fato negativo com potencial propriedades ou ao ambiente.
para provocar danos. É também chamado “quase-acidente”; Vulnerabilidade: trata sobre a suscetibilidade de populações
situação onde não há danos macroscópicos. humanas, estruturas físicas, componentes ambientais sensíveis e
d) Perda: Prejuízo sofrido por uma organização sem garantia de outros.
ressarcimento por seguro ou outros meios. Maneabilidade é o nível ou grau de planejamento para um
e) Perigo: expressa uma posição relativa a um risco, que controle de risco e de elementos vulneráveis.
favorece a sua materialização em danos. Pode significar ainda a
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O gerenciamento de risco é um processo onde A avaliação de acidentes indústrias deve exigir o


operadores, gerentes, proprietários e órgão regulador aprofundamento do estudo de situações e eventos de risco em
responsável tomam decisões com respeito à segurança, suas diferentes fases e características. Para tal, devem ser
mudanças nos regulamentos e o modo de operação do sistema. desenvolvidas abordagens mais sofisticadas de quantificação da
A base para a tomada de decisão são os dados gerados na exposição às situações de risco, que especificam o risco por tipo
AVALIAÇÃO DE RISCOS em termos da configuração e dos de operação/atividade e classificam os acidentes de acordo com
parâmetros operacionais do sistema. Adicionalmente, podem ser causas tecnologias e organizacionais envolvidas.
levados em consideração outros fatores como econômico,
A elaboração de um estudo de análise de riscos permite a
político, meio ambiente, regulamentação e produtividade.
estimativa numérica dos riscos, sendo também uma ferramenta
poderosa na identificação das seqüências de acidentes e as
2.0. AVALIAÇÃO DE RISCOS vulnerabilidades associadas à planta, esta metodologia é
amplamente e serve como base para o desenvolvimento do
O processo técnico e científico pelo qual o risco previsto
gerenciamento de risco do empreendimento.
em um sistema é modelado e quantificado. A avaliação de risco
permite fornecer dados qualitativos e quantitativos para 2.1. Etapas de um Estudo de análise de risco EAR
posterior tomada de decisão na fase de gerenciamento de risco.
As etapas para a realização de uma EAR estão baseadas em
Na execução da avaliação de risco e, portanto, incluindo as
três elementos fundamentais, primeiro a identificação dos
atividades de ANÁLISE DE RISCOS (EAR), várias técnicas de
perigos, a estimativa da freqüência e a estimativa da
análise de riscos podem ser utilizadas para a
conseqüência, de forma a caracterizar o risco, constituída por
identificação/quantificação das causas de uma dada situação de
cinco etapas:
perigo em particular. As técnicas de análise de riscos são
divididas em métodos qualitativos e quantitativos.  Caracterização do empreendimento e da região;

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 Identificação de perigos e consolidação dos cenários


acidentais;
 Estimativa dos efeitos físicos e análise de vulnerabilidade;
 Estimativa de freqüências;
 Estimativa e avaliação de riscos;

Um estudo de análise de riscos deve ter por principal


objetivo responder as seguintes questões:

 O que pode ocorrer de errado ?

 Quais são as causas básicas dos eventos indesejados ?

 Quais são as conseqüências ?

 Quais as freqüências de ocorrência dos acidentes ?

 Os riscos são toleráveis ?

A Figura 2.1 ilustra as etapas para a realização de uma EAR


de acordo com a CETESB (2003), chegando até o programa de
gerenciamento de riscos.

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Esses dados são de especial importância para que seja


possível caracterizar o empreendimento, contemplando seus
aspectos construtivos e operacionais, além das peculiaridades da
região onde o mesmo se encontra ou será instalado (AIChE,
Figura 2.1 – Etapas estabelecidas para estudo de análise de risco. Fonte: 1995).
CETESB, P4. 621, 2003
Segundo a CETESB (2003) a caracterização do
2.1.1. Caracterização do empreendimento empreendimento e da região tem por finalidade:

Esta fase inicial do estudo é muito importante porque nela ▪ Identificar aspectos comuns que possam interferir,
são estabelecidos de forma clara os limites, isto é, as fronteiras e tanto no empreendimento, como no meio ambiente;
como o sistema será estudado. Ou seja, as fronteiras, os
▪ Identificar, na região, atividades que possam interferir
objetivos e o escopo definem até onde se vai investigar e com
no empreendimento, sob o enfoque operacional e de
que grau de profundidade.
segurança;
Por exemplo, se uma instalação industrial contém apenas
uma esfera de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) e um tanque de ▪ Estabelecer uma relação direta entre o
óleo diesel e se localiza muito próximo a uma área de proteção empreendimento e a região sob influência.

ambiental (APA), numa área onde há ocupação residencial, uma Como resultados práticos são esperados:
análise de riscos completa deverá envolver todos os aspectos do
▪ A obtenção de um diagnóstico das interfaces existentes
problema.
entre o empreendimento em análise e o local de sua
A primeira etapa para a elaboração de um EAR é a
instalação;
compilação de dados relativos às características do
empreendimento, necessários para o desenvolvimento do
trabalho.

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▪ A caracterização dos aspectos relevantes que ▪ Localização do empreendimento:


subsidiarão os estudos de análise de riscos, definindo
 planta planialtimétrica do entorno da instalação;
os métodos, diretrizes ou necessidades específicas;
 mapas, cartas náuticas, etc;
▪ o auxílio na determinação do nível de abrangência do
estudo. ▪ Corpos d’ água:

Assim, essa etapa inicial do trabalho deve contemplar os  consumo humano;


seguintes aspectos:
 abastecimento industrial;
▪ realização de levantamento fisiográfico da região sob
 utilização agropecuária;
influência do empreendimento;
 geração de energia;
▪ caracterização das atividades e dos aspectos
operacionais;  psicultura;
▪ cruzamento das informações e interpretação dos  recreação;
resultados.
 sem utilização específica.
Observação
▪ Áreas litorâneas
Em se tratando de empreendimentos lineares, como por
exemplo, sistemas de dutos, deverá ser realizada uma análise  manguezais;
detalhada do seu traçado, identificando e caracterizando as  praias (abertas ou protegidas);
diferentes áreas sob influência e as devidas interferências no
 costões;
empreendimento.

Aspectos fisiográficos:  estuários;

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 portos e áreas de navegação.  adutoras;

▪ Núcleos habitacionais.  galerias;

 Estimativa e caracterização do tipo e número de  eletrodutos;


habitantes, bem como do perfil da população,
 gasodutos e oleodutos;
considerando idade, tipos de moradias, grau de
instrução e capacidade de percepção de riscos, entre  linhas de transmissão de energia elétrica;
outros aspectos.
 áreas geotecnicamente instáveis;
 áreas urbanas;
 regiões sujeitas a inundações;
 áreas de expansão urbana;
 áreas de preservação ou de proteção ambiental;
 áreas rurais
 áreas ecologicamente sensíveis.
▪ Sistemas viários:
▪ Características meteorológicas:
 vias urbanas, considerando fluxo e tipo de tráfego;
 temperatura;
 rodovias;
 índices de pluviosidade;
 ferrovias;
 umidade relativa do ar;
 hidrovias;
 velocidade e direção de ventos.
 aeroportos. ▪ Características das instalações:
▪ Cruzamentos e/ou interferências relevantes:
 planta geral da instalação;

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 arranjo físico (layout);  temperatura.

 especificação dos equipamentos;  sistemas de segurança.

 descrição das operações e procedimentos de


segurança;
2.1.2. Identificação de perigos e consolidação dos
 identificação e caracterização de fontes de ignição; cenários acidentais

 substâncias envolvidas: Essa etapa tem por objetivo identificar os possíveis

 inventários; eventos indesejáveis que podem levar à materialização de um


perigo, para que possam ser definidas as hipóteses acidentais
 formas de manipulação e de movimentação;
que poderão acarretar conseqüências significativas.

 condições de armazenamento; Na identificação de perigos podem ser empregadas diversas

 características físico-químicas; técnicas para detectar os possíveis eventos acidentais que


podem ocorrer numa determinada instalação. As técnicas mais
 características toxicológicas;
utilizadas são: Avaliação Preliminar de Perigos (APP), Análise
 fluxogramas de engenharia e de processo; What-If (E-SE), Identificação de Perigos e Operabilidade (Hazard
and Operability - HAZOP) e Análise de Modos de Falhas e Efeitos
 P & IDs;
(Failure Modes and Effects Analysis - FMEA), ou alguma
 dados operacionais: combinação dessas técnicas (CCPS/AICHE, 1995; Fundacentro,
2002).
 pressão;

 vazão;

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Finalidade Técnicas de Análise de risco


A análise quantitativa de Risco AQR é realizada a partir da
aplicação da técnica de avaliação preliminar de riscos (APR), a Análise histórica
qual basicamente consiste primeiramente em caracterizar o
Lista de verificação(“Checklist”)
empreendimento e a região, posteriormente identificar os perigos
e caracterizar a substância em estudo, para assim dar E se? (“Wha if?”)
Identificação de Perigos
continuidade ao estudo completo da quantificação dos riscos
Identificação de Perigos (HAZID)
(AIChE, 1995).
Estudo de Perigos e Operabilidade (HAZOP)
As principais técnicas utilizadas na identificação de perigos
Análise de Modos e Efeitos de Falhas (FMEA)
conforme sua finalidade é apresentada pela PETROBRAS N-2782
(2008) no quadro 02 abaixo: Avaliação qualitativa de
Análise Preliminar de Riscos (APR)

riscos
Estudos de Perigos e Operabilidade (HAZOP)

Análise por Árvore de eventos

Análise de Conseqüências Modelagem de efeitos físicos, tais como:


propagação de incêndio, explosão,dispersão de
gases inflamáveis, tóxicos e fumaça

Análise por Árvore de falhas

Análise de Freqüência Análise por Árvore de eventos

Redes Bayesianas

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Quadro 02 – Listagem de Técnicas Aplicáveis Conforme sua Finalidade ou da própria operação da planta que opera com materiais

Fonte: Adaptado pelo autor. PETROBRAS N-2782 (2008) perigosos.

Desta forma, as técnicas de análise de risco permitem responder Sua origem se deu no programa de segurança militar do

aos seguintes questionamentos: O que pode acontecer de errado? Departamento de Defesa dos EUA (CETESB, 2003). Através

(i.e.,busca listar os eventos); Como e por que pode acontecer? dessa técnica é possível identificar os acidentes que podem

(i.e., busca listar as causas básicas dos eventos indesejáveis) e, ocorrer na instalação, cujos resultados devem ser

com isso, identificar certo número de cenários. documentados, também abrangendo os subsistemas pertinentes,
as causas e os dispositivos de segurança existentes (e.g.,
No entanto, a etapa de identificação de perigos deve ser válvulas de segurança) (FUNDACENTRO, 2002).
adequadamente estruturada, visto que os riscos significativos não
Ainda segundo FUNDACENTRO (2002), a APR permite ser
identificados serão excluídos das próximas análises (AS/ NZS
aplicada na fase inicial da concepção de um projeto, antes de sua
4360, 1999).
conclusão, com o objetivo de verificar as possibilidades de
A seguir, serão apresentadas, sucintamente, as principais técnicas introduzir modificações que reduzem ou eliminem os riscos,
de identificação de perigos, com conhecida aplicação em indústrias atenuem as conseqüências de acidentes, ou ambas.
químicas, cujos comentários permitem proporcionar uma visão
Por se tratar de uma avaliação preliminar de perigos, a
mais acurada de suas particularidades.
limitação inerente ao processo qualitativo e subjetividade da
avaliação, tem um potencial de prover informações fundamentais
Avaliação Preliminar de Risco (APR)
sobre os riscos globais de uma instalação, sendo um importante

É uma técnica indutiva estruturada para identificar os aliado quando se requer agilidade na obtenção de resultados

potenciais perigos decorrentes da instalação de novas unidades para uma rápida tomada de decisão e priorização na alocação de
recursos em medidas preventivas e/ou mitigadoras de riscos.

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Os efeitos e danos esperados decorrentes dos riscos principais ocorrência de cenários de acidentes, da severidade das
contemplam, explicitamente, os seguintes tipos a serem conseqüências e do risco associado (AICHE, 1995).
averiguados de forma isolada e agregada a saber: incêndios;
Além disso, são sugeridas medidas preventivas e/ou
explosões; danos a corpos d’água causados por vazamento de
mitigadoras dos perigos, com uma tentativa de eliminar as
produtos perigosos; lesões ao público externo; lesões aos
causas ou reduzir as conseqüências dos cenários de acidentes
operadores; danos à propriedade; perda de equipamentos e
identificados.
instalações; e perda de continuidade operacional.

Sendo assim, a técnica APR compreende a execução das


Embora as avaliaçãos qualitativas de riscos, obtidas com uma
seguintes etapas:
avaliação preliminar de perigo, possam parecer simples à
primeira vista, estas requerem • Definição dos objetivos da avaliação;
• Definição das fronteiras do processo/ instalação
experiência em avaliação de riscos e um sólido conhecimento da
analisada;
instalação em que a técnica é aplicada, além de profissionais
• Coleta de informações sobre a região, instalação e os
especialistas em processamento, operação, automação industrial,
perigos envolvidos;
segurança do trabalho, meio ambiente, dentre outras, para se
• Subdivisão do processo/ instalação em módulos de
obter resultados consistentes. Neste aspecto, CALIXTO (2006)
avaliação;
aponta que na execução de uma APP é necessária a participação
• Realização da APP propriamente dita (preenchimento da
de um grupo multidisciplinar.
planilha);
Na APR são levantadas as causas que podem promover a • Elaboração das estatísticas dos cenários identificados por
ocorrência de eventos e as suas respectivas conseqüências, categorias de risco (freqüência e severidade);
sendo, então, feita uma avaliação qualitativa da freqüência de • Avaliação dos resultados e preparação do relatório.

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Uma APR deve conter o risco, a causa associada, os efeitos Quadro 3.1 – Modelo de Avaliação Preliminar de Risco
físicos, a categoria de severidade e observações e
Segue abaixo a descrição das informações a serem
recomendações, de acordo com a CETESB (2003), podendo ainda
preenchidos segundo o modelo acima:
conter outras informações relevantes. O quadro 3.1 ilustra o
modelo de APR. 1. Unidade: Identifica a unidade do empreendimento, como,
por exemplo, Unidade de destilação atmosférica (UDA);
2. Sistema: Função específica de um conjunto de
equipamentos, acessórios e tubulações dentro da

Avaliação Preliminar de Risco (APR) unidade, como Reação, Fracionamento, Carga;


3. Trecho: Identifica o trecho contido no cenário analisado,
Siste
Unidade: Trecho: com suas delimitações (ex.: da bomba B-240001 até o
ma:
vaso V-240001);
Revisã 4. Referência: Identificação dos documentos utilizados para
Referência: Data:
o: elaboração da APR;
5. Data: Data da elaboração da APR em seu estado final,
Recomenda
Perigos Efeitos Modos de
Causas Ccat. Ccat. Ccat. ções / após a última revisão;
Identific Possívei Detecção/S Cenário
Prováveis Freq. Sev. Risco Observaçõe
ados s alvaguardas 6. Revisão: Indica a quantidade de vezes que a APR teve
s
que passar por uma revisão por requerimento da empresa
ou do órgão pertinente;
7. Perigos Identificados: Possíveis eventos iniciadores com
potencial para causar danos às instalações, operadores,
público ou meio ambiente. Contém identificação do fluido

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como inflamável e/ou tóxico, respectiva temperatura e podem ter a probabilidade de causar danos ao meio ambiente,
pressão; além de danos às instalações e à saúde das pessoas.
8. Causas Prováveis: Descrição das causas que podem levar
ao perigo identificado, como fissura ou ruptura em
determinada linha ou equipamento;
9. Efeitos Possíveis: Possíveis efeitos físicos oriundos do
evento, como queimaduras, incêndio em poça, BLEVE;
10. Modo de Detecção/Salvaguardas: Detecção da Tabela 3.1 – Categoria de Freqüência
ocorrência do evento iniciador através de instrumentação
ou detecção humana;
11. Categoria de Freqüência: Classificação do evento Categoria Descrição
quanto à sua freqüência, de acordo com a Tabela 3.1:
A indicação qualitativa do nível de risco resultante da
combinação da freqüência de ocorrência de um evento acidental A Conceitualmente possível, mas extremamente
com a severidade de conseqüências de cada um dos cenários de improvável na vida útil da instalação. Sem
Extremamente Remota
acidentes identificados, seja para as pessoas, comunidade, referências históricas.

sistema e propriedade, é obtida de forma global.


B Não esperado ocorrer durante a vida útil da

Neste contexto, se faz necessário obter uma indicação instalação, apesar de haver referências
Remota
históricas.
qualitativa do grau de severidade de conseqüências para o meio
ambiente, tendo em vista a exigência de legislações para com os C
Possível de ocorrer até uma vez durante a
empreendimentos industriais, em realizarem estudos de
vida útil da instalação.
Pouco Provável
avaliação de riscos que permitam obter estimações de riscos que

18
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

D Crítica intramuros. Lesões leves em pessoas extramuros.


Esperado ocorrer mais de uma vez durante a
vida útil da instalação.
Provável IV
Provoca morte ou lesões graves em 1 ou mais

E pessoas intra ou extramuros.


Esperado ocorrer muitas vezes durante a vida Catastrófica

útil da instalação.
Freqüente Fonte: EIA/RIMA – RNEST, (2006).

Fonte: EIA/RIMA – RNEST, (2006).


13. Categoria do Risco: Indicação qualitativa do nível de
12. Categoria de Severidade: Classificação do evento
risco de cada cenário, resultado do cruzamento das
quanto à severidade (Tabela 3.4)
categorias de Freqüência e de Severidade, conforme
Tabela 3.2 – Categoria de Severidade
ilustrado na Tabela 3.5. O risco é qualificado como
Tolerável, Moderado ou Não Tolerável. Para riscos
toleráveis, não há necessidade de medidas adicionais,
Categoria Descrição
sendo a monitoração necessária e suficiente para
garantir que os controles sejam mantidos.
Para riscos qualificados como moderados, devem ser
I
Sem lesões, ou no máximo casos de primeiros
avaliados controles adicionais, objetivando redução dos
socorros, sem afastamento.
Desprezível riscos. A classificação como riscos não toleráveis é uma
indicação de que os controles existentes são
II
Lesões leves em empregados e terceiros. Ausência
insuficientes. Devem ser considerados métodos
de lesões extramuros.
Marginal alternativos para redução da probabilidade de ocorrência
e de conseqüências;
III
Lesões de gravidade moderada em pessoas
Quadro 3.2 – Categorias de Risco

19
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Categorias de Risco consideradas relevantes, levando-se em conta a severidade do


dano decorrente da falha identificada” (CETESB, 2003, p.22)
A B C D E
Esta norma considera tolerável um risco baixo, em que não é
IV M M NT NT NT
necessário aplicar medidas adicionais no sistema analisado, além
Categorias da

das medidas preventivas e mitigadoras identificadas na fase


severidade

III T M M NT NT
inicial de projeto. Essa categoria de risco é admitida quase que
II T T M M M
exclusivamente para uma severidade insignificante (ou
I T T T T M desprezível), pelo fato de os danos à saúde das pessoas, aos
equipamentos, às instalações, bem como ao meio ambiente
serem insignificantes.
Fonte: EIA/RIMA – RNEST, (2006).

Desse modo, a existência de sistemas de segurança numa


14. Recomendações/observações: Recomendações de medidas
determinada indústria permite obter o funcionamento normal das
preventivas ou mitigadoras que devem ser tomadas de modo
operações, mesmo que existam falhas que tenham uma
a diminuir a freqüência e/ou severidade do cenário;
freqüência rara, remota, ocasional e até mesmo provável de
15. Cenário: Identificação do cenário, nomeado
ocorrer.
seqüencialmente.
Identificados todos os perigos do objeto de estudo, devem ser Quando o evento se torna freqüente, apesar de a

claramente elencados os cenários acidentais considerados, os conseqüência ser insignificante, o risco passa a ser moderado,

quais serão estudados detalhadamente nas etapas posteriores do tendo em vista a possibilidade da repetitividade de uma dada

trabalho. “Para tanto, deve-se estabelecer detalhadamente o falha afetar as próprias operações normais da planta, o que, de

critério considerado para a escolha das hipóteses acidentais certa forma, pode se refletir num problema que pode ser

20
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

solucionado adotando-se controles adicionais, para obter uma freqüência remota (que não são esperados a ocorrer durante a
redução significativa dos riscos. vida útil do empreendimento) e ocasional (que são possíveis de
ocorrer até uma vez), apesar de suas freqüências serem
Com a mudança da severidade insignificante para a menor (ou
pequenas, suas conseqüências são significativas, haja vista que
marginal), os impactos se tornam leves nas pessoas, nas
lesões leves em pessoas extra-muros são possíveis de ocorrer,
instalações e no meio ambiente, o que não deixa de ser
além de danos internos significativos às pessoas, aos
relevante. Nesse caso, a partir do momento em que a freqüência
equipamentos/instalações e ao meio ambiente, resultando em
tende a aumentar da ocasional para a freqüente, os impactos
risco médio.
tendem a refletir a necessidade de adicionar medidas de
controle, a fim de que esse risco possa ser reduzido. Mesmo Havendo um aumento da freqüência, observa-se que o risco
assim, como já foi dito, o risco moderado é considerado torna-se não tolerável, revelando que os controles existentes nas
tolerável, conforme a norma. instalações não são suficientes para reduzir a probabilidade de
ocorrência dos eventos.
Como pode ser observado no quadro 3.2 o risco tolerável se
mantém para os eventos raros e remotos quando a conseqüência Nota-se no quadro 3.2, quando se refere aos eventos raros e
é menor (ou marginal). Isso se deve, principalmente, à remotos podendo resultar em conseqüências catastróficas, o
probabilidade desses eventos serem pequenas para ocasionar risco é considerado moderado. Nesse caso, basta que eventos
lesões leves em empregados e terceiros, aos equipamentos e ao como esses ocorram uma vez para que causem lesões graves em
meio ambiente, resultando num risco baixo, ou seja, tolerável. empregados, terceiros e/ou em pessoas fora do limite de bateria
Ao atingir uma situação moderada, ainda pode ser considerado da planta.
um risco baixo associado aos eventos raros que, segundo a
Para que isso não ocorra, é necessário rever as medidas de
norma, são eventos improváveis de ocorrer justamente por
controle existentes ou considerar métodos alternativos para que
serem eventos que não têm referências históricas de que já
ocorreram no mundo. Ao contrário desses eventos, os de
21
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

seja reduzida a probabilidade de ocorrência desses eventos, fenômenos físicos em estudo, de acordo com os cenários
como também as suas conseqüências. acidentais identificados e com as características e
comportamento das substâncias envolvidas. Assim, por exemplo,
As incertezas quanto à definição de um risco moderado ou não
quando por perda de contenção um dado material lançado na
tolerável ser tolerável ou não sempre irão existir, mesmo que um
atmosfera, devemos ser capazes de descrever os modelos
estudo de avaliação de risco seja adequadamente elaborado. O
matemáticos que simulem a taxa mássica do vazamento e seus
próprio conhecimento sobre os processos analisados requer que
efeitos físicos subseqüente.
sejam disponibilizadas informações atualizadas de como estes
funcionam, tais como, plantas de fluxos de processo, detalhes A segunda etapa é a avaliação da vulnerabilidade dos
sobre os equipamentos e produtos perigosos presentes, entre receptores envolvidos no sistema, por intermédio de modelos
outros. matemáticos, devemos prever os impactos danosos ao ser
humano, instalações e meio ambiente, baseado em limites de
Desvantagem: requer um maior tempo para a execução de todo
tolerância pré-determinados.
processo até o relatório final, necessitando de uma equipe com
grande experiência em várias áreas de atuação como: processo, Estudo de caso, exemplo de um acidente provocado por
projeto, manutenção e segurança. um vazamento em uma refinaria de petróleo, é imprescindível o
3.0. ESTIMATIVA DOS EFEITOS FÍSICOS E ANÁLISE DE entendimento da evolução de um vazamento para a
VULNERABILIDADE caracterização dos riscos (ou seja, quantificação da
vulnerabilidade do receptor). As nuvens flamáveis os
A primeira etapa numa estimativa de efeitos físicos é,
gases/vapores são combustíveis. Se a nuvem possuir bolsões de
portanto, a investigação dos efeitos físicos associados a cada
concentração maior do que o menor limite de flamabilidade e se
cenário acidental. Para a CETESB, (2003) a estimativa dos
uma fonte de ignição estiver presente poderá ocorrer uma
efeitos físicos deverá ser realizada através da aplicação de
deflagração ou uma detonação. Se não ocorrer ignição haverá a
modelos matemáticos que efetivamente representem os

22
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

formação de uma nuvem tóxica. A evolução de um vazamento impacto térmico (i.e. incêndios) ou das ondas de choque
acidental segue as seguintes etapas: (i.e. explosão).
7. Se a substância liberada estiver no estado líquido e sofre
1. Inicialmente há um vazamento de uma substância
ignição um incêndio de poça será iniciado.
perigosa, a qual poderá ser flamável, tóxica ou tóxica e
Se houver um vazamento nas proximidades de uma fonte de
flamável para o ambiente. Esse vazamento poderá ser na
ignição, os prováveis eventos de acontecer são incêndio de jato
forma gasosa, líquida ou bifásica, conforme mencionado
(jet fire), incêndio de poça (pool fire), flash fire, Boiling Liquid
na descrição das formas de vazamentos.
Expand Vapour Explosion- BLEVE, ou explosão de nuvem.
2. Se a substância estiver na fase líquida, ocorrerá a
evaporação do líquido. A vazão inicial de um vazamento acidental depende da
3. Se a substância estiver na fase gasosa e sua pressão interna do equipamento ou tubulação, dimensões e
concentração estiver dentro dos limites de flamabilidade formato do furo, estado em que a substância é liberada se na
há a possibilidade de uma ignição imediata. forma gasosa, líquida ou bifásica. A vazão do vazamento diminui
4. Se a substância estiver na fase gasosa e for tóxica, ou com o tempo à medida que o equipamento ou linha é
flamável e não sofrer ignição imediata, essa poderá se despressurizado. Essa redução é função do inventário e,
dispersar no ambiente. sobretudo, das ações desencadeadas para isolar o vazamento.
5. Se a substância for tóxica essa poderá causar fatalidades,
danos a saúde ou ao ambiente se os limites de tolerância
dos contaminantes estiverem acima dos limites
aceitáveis.
6. Se houver ignição de uma nuvem flamável é provável
ocorrer fatalidades ou danos a saúde decorrente do

23
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

ELEMENTO FALHA TIPICA TAMANHO DO FURO ILUSTRAÇÃO


A magnitude de um vazamento é função do diâmetro do
furo. Como parte integrante da avaliação e supervisão do Vazamento por Flange 1) 20% do diâmetro da

desenvolvimento industrial, o Banco Mundial (World Bank) avalia tubulação

a eficácia das medidas de controle de acidentes que afetam as Vazamento na 2) 100% e 20% do
Tubulação
pessoas e ao meio ambientes oriundos de instalações industriais. Tubulação (corrosão) diâmetro da tubulação

A seguir são apresentados na tabela 3.1, os critérios Vazamento na solda 3) 20% do diâmetro da
tubulação
estabelecidos pelo Banco Mundial, para relacionar pequenos e
grandes vazamentos aos equipamentos, acessórios e tubulações, Vazamento pelo corpo 1) 20% do diâmetro da

os quais podem ser considerados na metodologia proposta. tubulação


Filtros
Vazamento na 2) 100% e 20% do
Tabela 3.1 – Falhas Típicas por elementos e tamanho de furos
tubulação diâmetro da tubulação
Fonte: World Bank, 1985 ( adaptado pelo autor).
Vazamento pelo corpo 1) 100% e 20% do
da válvula diâmetro da tubulação

Vazamento pelo 2) 20% do diâmetro da


Válvulas
fechamento da válvula tubulação

Vazamento pela haste 3) 20% do diâmetro da


da válvula tubulação

Vazamento pelo corpo 1) 100% e 20% do


da bomba diâmetro da tubulação
Bombas
Vazamento pelo selo e 2) 20% do diâmetro da
a gaxeta tubulação

24
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Vazão mássica c) do tipo químico, resultantes de liberações ou fuga


descontrolada de substâncias tóxicas ou contaminantes, tendo
Os Maiores acidentes industriais ocorrem devido a vazamentos maior probabilidade de afetar comunidades.
acidentais, no qual se iniciam normalmente com a perda do
inventario contido no equipamento ou tubulação por uma ruptura Uma vez em que ocorre a liberação do material para o meio

ou fissura, provocando grandes e pequenas liberações de ambiente, a evolução vai depender do estado físico da

materiais tóxicos e inflamáveis. substância, uma representação simplificada das tipologias


acidentais que poderão resultar de um vazamento acidental e os
De acordo com Yellow Book (2005) Os vazamentos acidentais efeitos físicos associados é apresentada na figura 3.2.
podem ocorre em instalações industriais ou durante o transporte
de materiais perigosos, surgem normalmente da falha no
processo ou estocagem do material perigoso, a origem da causa
pode ser corrosão, impacto mecânico ou um erro humano.

O entendimento da evolução e conseqüências de um


vazamento acidental é imprescindível para a caracterização dos
efeitos físicos provocados. Segundo LOZOVEY (2006), os
acidentes podem produzir três tipos de efeito físico:

a) tipo mecânico, no caso de explosão, resultando em ondas de


pressão e projéteis de diversas formas e materiais;

b) do tipo térmico, tais como radiações térmicas; e

25
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Tipologias Efeitos
Acidentais
Físicos
Líquido
Vazamento Solo Poluição

Líquido Vazamento Água


Poluição

V
V
a Líquido
Evaporização Térmico
z Incêndio
a
m
e Flash Fire
n Inflamável Térmico Mecânico
Bifásico
t
o
Nuvem de Gás Disper.
Tóxica Atmosf. Químico

Bifásico Baixa Velocidade


Incêndio Térmico

Bifásico Alta Velocidade Dispersão Atmosférica


Químico

Gás
Explosão Bleve Mecânico

26
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Figura 3.2 - Representação simplificada dos acidentes que poderão resultar de Tc Temperatura Critica
um vazamento acidental e os efeitos físicos associados (CASAL, 2002).
P Pressão
O Yellow Book (2005) fornece a descrição dos modelos de
descarga mássica de um vazamento acidental, para uma Tm Ponto de Fusão
substância mantida no estado termodinâmico, na forma de gás
PVº Pressão de vapor saturado
comprimido, gás liquefeito e liquido.
TB Ponto de ebulição
A tabela 3.2 mostra as principais condições físicas que um
material tem que ser submetido de acordo com seu estado
termodinâmico.
Vazamento de líquidos

Tabela 3.2 – Estado termodinâmico Se o material é mantido em uma temperatura entre o seu
ponto de ebulição TB (P) e seu ponto de fusão Tm, ele vai estar
Estado termodinâmico Condição Física
no estado líquido, logo após o vazamento, uma poça de liquido
I. Gás comprimido T>TC ou P<PVº(T) será formada (Yellow Book, 2005).

II. Gás liquefeito P= PVº(T) A taxa de descarga mássica de líquidos em um recipiente

III. Liquido Tm<T<TB (P) através de um orifício pode ser estimada através da equação de
Bernoulli.
Fonte: Yellow Book, 2005.
Considerando que é a velocidade inicial do líquido dentro do
Onde,
recipiente é desprezível, a taxa descarga mássica de líquidos

T Temperatura dependerá da área de secção do vazamento, do coeficiente de

27
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

descarga, da diferença de pressão interna e externa ao Cd Coeficiente de descarga


recipiente e da densidade do líquido.
Ah Área abertura do orifício (m2)
A equação 3.1 a seguir apresenta a expressão da taxa
ρL Densidade do líquido (Kg/m3)
mássica para um liquido (Yellow Book, 2005).

Pa Pressão Atmosférica (Pa);

(3.1) Ph Pressão Hidráulica (Pa);

Pal Pressão interna do gás inerte (Pa)

A pressão de armazenamento do liquido equação 3.2 contido G Constante gravitacional (m/s2)


no reservatório depende a pressão hidráulica do liquido e da
HL Altura do líquido acima do ponto de vazamento (m)
pressão do gás inerte dentro do tanque.

(3.2)
Gás compressível
A pressão hidráulica equação 3.3 depende do nível do liquido
Se a substância possuir uma temperatura maior que a sua
contido no recipiente.
temperatura critica ou a pressão menor que a pressão de vapor

(3.3) saturado está será liberada no estado gasoso (Yellow Book,


2005).
Onde:
Devido à liberação do gás para fora de um confinamento
qS Taxa da descarga (Kg/s)
(vaso ou tubulação), o restante do gás rapidamente irá expandi-
se, acarretando a uma redução da temperatura e pressão no

28
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

confinamento. No caso das misturas de gases componentes O Coeficiente de fluxo ψ2 é dado pela equação 3.5 ou 3.6
menos voláteis pode condensar. abaixo, este fator depende da velocidade de saída do gás, se for
A expressão para taxa de descarga mássica através de um próximo à velocidade do som naquele ambiente, o escoamento
orifício pode ser estimada pela equação 3.4 a seguir (Yellow encontra-se em condições críticas, ou seja, o fluxo é sônico,
Book, 2005). enquanto que se a velocidade do gás for menor que a do som o
fluxo é subsônico (Yellow Book, 2005).

Fluxo sônico:
(
Onde,
Fluxo subsônico:
qS Taxa da descarga (Kg/s)

Cd Coeficiente de descarga

Ah Área abertura do orifício (m2)


Onde,

Ρ0 Densidade
Pa Pressão atmosférica (Pa)

É a relação (Cp/Cv)
Po Pressão interna (Pa)

P0 Pressão interna (Pa);


Segundo os autores (YUHUA et al., 2003; SANTAMARÍA,

Ψ Coeficiente de fluxo 1998) a distinção entre o fluxo sônico e subsônico poderá ser
determinada pela razão crítica de pressão, definida pela equação
3.7, que é baseada no comportamento do gás ideal, onde éa
relação Cp/Cv.
29
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Define-se a condição de lançamento do gás, para o


escoamento subsônico como aquele correspondente à condição
lançamento do gás, equação 3.8. O escoamento crítico é
expresso pela equação 3.9. Os índices 0 e 1 referem-se à
Onde, pressão interna da tubulação à pressão externa (ambiente),
respectivamente.
P1 Pressão inicial (Pa)

Po Pressão interna do equipamento ou duto (Pa)

É a relação Cp/Cv

Gás liquefeito pressurizado

Se a substancia for estocada, transportada ou processada em


uma temperatura acima do seu ponto de ebulição ou pressão
igual à pressão de vapor saturado, o material está sendo
mantido na forma de gás liquefeita pressurizado, caso ocorra
uma vazamento, está será liberada no estado bifásico (Yellow
Book,
( 2005).
3
Quando o material confinado for liberado para atmosfera
.
acidentalmente, ocorrerá uma evaporação repentina “flash”,
7
criando uma mistura arrefecida de vapor e líquido (mistura
)
30
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

bifasica), em seguida uma percentagem da substancia vai


vaporizar e posteriomente condensára, e a outra percentagem
Onde,
poderá ainda permanecer na nuvem na forma de aerossol ou
neblina fazendo com que essa mistura se torne mais densa que o ρF Densidade média do fluído (kg/m3)
ar.
ρv Densidade vapor (kg/m3)
A expressão para taxa de descarga mássica da mistura
bifásica é apresentada na equação 3.10, (Yellow Book, 2005). ρL Densidade do liquido (kg/m3)

Fração Flasheada

Onde, No vazamento do gás liquefeito pressurizado ocorrerá uma


violenta despressurizarão no interior do recipiente e uma rápida
qS Taxa da descarga (Kg/s) vaporização do liquido, esta rápida vaporização deve-se a
diferença de pressão entre o sistema e a atmosfera.
Cd Coeficiente de descarga

A percentagem de vapor ou a fração da massa vaporizada é


A Área abertura do orifício (m2)
determinada pela Fração Facheada (Yellow Book, 2005).
ρF Densidade média do fluído (kg/m3) • Vapor puro =1
• Bifásico 0< <1
Pa Pressão atmosférica (Pa)
• Liquido =0
P0 Pressão interna (Pa);

Onde ρF é a densidade média da mistura bifásica, dada na


equação 3.11:

31
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Evaporação da Poça

A taxa de evaporação da poça é influenciada pela radiação Onde,

solar, pela temperatura da superfície, velocidade do vento acima


Hc Fluxo de calor por condução (J/(m2s))
da poça, do ponto de ebulição do material liberado e a dimensão
da poça (Yellow Book, 2005). A dimensão da poça dependerá da Ts.0 Temperatura inicial no solo

sua taxa de alimentação, das características do produto e do tipo


Tb Ponto de ebulição, (K)
de solo.
as Difusividade térmica do solo (m2/s)
Quando o material liberado possuir um ponto de ebulição
menor que a temperatura da superfície, o liquido vai evaporar Condutividade térmica do solo (J/ (m.s. K))
rapidamente após o lançamento. A taxa de evaporação pode
t Tempo de liberação do líquido (s)
simplesmente ser estimada pela equação 3.12 e 3.13 (Yellow
Book, 2005). Quando o liquido possuir um ponto de ebulição superior a
temperatura da superfície, a taxa de evaporação da poça
(3.12)
dependera da troca de calor acima da poça. A taxa de
Onde, evaporação pode ser estimada pelas equações 3.14, 3.15, 3.16 e
3.17 (Yellow Book, 2005).
qv Taxa de evaporação (Kg/s)

Hc Fluxo de calor por condução (J/(m2s)

Lv/(Tb) Calor de vaporização na temperatura de ebulição (J/Kg)

A Área da Poça (m2)

32
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Dispersão Atmosférica

A dispersão da nuvem de um poluente no ar depende


fortemente de como a emissão atmosférica interage com o vento
Onde,
em razões das condições climáticas de estabilidade. Por isso ao
qv Taxa de evaporação (Kg/s) estudar o comportamento de uma nuvem formada por uma
substância química é muito importante levar em conta as
Km Coeficiente de transferência de massa (m/s)
condições atmosféricas, principalmente a velocidade do vento e a
Pv(T) Pressão de vapor (N/m2) classe de estabilidade atmosférica, a Norma da CETESB (2003)
apresenta as categorias de estabilidade em função das condições
r raio da poça do liquido (m)
atmosféricas, vista anteriormente na seção (3.5.1) deste
R Constante do gás (J/ (mol-1. K)) capítulo.

Cm&m 0,004786 (m0,33/s0,22) O material perigoso liberado acidentalmente para atmosfera


pode ser transportado e diluido pelo vento. Estas seção fornece
Da Coeficiente de difusão do vapor no ar
modelos matematicos que permite prever a concentração do

Sc Numero de Schmidt (-) material em função do tempo em qualquer lugar em seu entorno.

Tps Temperatura do liquido na supercie da poça A dispersão de uma nuvem depende também de suas
características físico químico e do ambiente, tais como a
uw,10 Velocidade do vento padrão em 10 metros de altura (m/s)
densidade do gás, temperatura ambiente, velocidade e direção

Peso molecular da substância i (Kg/mol) do vento na região onde se tem o vazamento, classe de
estabilidade atmosférica, confinamento e obstruções ao
Velocidade cinemática do vapor ( m2/s) escoamento da nuvem (AICHE, 2000).

33
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

3.4.7.1 Dispersão Passiva


c (x, y, z) Concentração na posição x, y, z. (g/m3)
Situações em que a dispersão da nuvem é função apenas da
turbulência atmosférica são chamadas de dispersão passiva. O q Taxa mássica (Kg/s)

estado da atmosfera da nuvem não é alterado pela presença do


ua Velocidade do vento ambiente (m/s)
material no ar (Yellow Book, 2005).
h Altura no centro da pluma até a superfície
Os modelos utilizados para modelar a dispersão passiva, são
conhecidos como modelos Gaussianos de dispersão, este modelo σx, σy e σz Parâmetros de dispersão
só é aplicável a gases com a mesma densidade do ar. Os
x Distância a sotavento da fonte (m)
modelos gaussianos são baseados numa equação simples que
descreve um campo de concentração tri-dimensional, considera y Distância Horizontal do eixo central da pluma (m)
que a concentração ao longo da linha de centro da pluma é
z Distância acima do solo (m)
gerada por uma fonte pontual (Yellow Book, 2005).

A expressão básica para o modelo gaussiana para uma


A expressão básica para o modelo de pluma gaussiana para
liberação instantânea é dada na equação 3.19.
uma liberação continua, é dada na equação 3.18:

(3.19)

Onde,
Onde,

34
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

c (x, y, z) Concentração na posição x, y, z. (g/m3) • Baixa temperatura e alta pressão, na fuga a nuvem de
gás será mais densa que o ar, mesmo que seu principal
Q Massa liberada (Kg)
constituinte tenha uma massa molar inferior à massa

h Altura no centro da pluma até a superfície molar do ar.


• Evaporação repetina, certos materiais quando
σx, σy e σz Parâmetros de dispersão
transportados sob altas temperatura e altas pressões ou

x Distância a sotavento da fonte (m) armazenados sob forma liquefeita por efeito de uma
pressão elevada. Quando forem liberados para atmosfera
y Distância Horizontal do eixo central da pluma (m) acidentalmente, ocorrerá uma evaporação repentina
“flash”, criando uma mistura arrefecida de vapor e
z Distância acima do solo (m)
líquido. A presença do aerossol (suspensão de partículas)

t Tempo de liberação (s) faz com que a mistura se torne mais densa que o ar. A
evaporação das gotículas arrefece a mistura envolvente
aumentando mais ainda a densidade da nuvem; Por outro
lado a turbulência diminui no seio da nuvem, reduzindo a
Dispersão de gás denso
capacidade de misture com o ar (Yellow Book, 2005).
• Reações químicas que ocorrem entre os materiais ou
Vários fatores podem contribuir para que um gás se comporte mesmo com o vapor d’água do ambiente podem
como um gás denso, tais como: aumentar ou diiminuir a densidade da nuvem. No caso de
alguns gases sob altas temperaturas reagem com o vapor
• Massa molar elevada superior á massa molar do ar o gás
d’água do ambiente produzindo uma neblina. Esta neblina
é considerado um gás denso;
arrefece a nuvem e consequentemente aumenta a sua
densidade, condensando.
35
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

A dispersão atmosférica de gases mais densos que o ar é


afetada por fenômenos físicos que não ocorrem ou não são
relevantes na dispersão de gases com a mesma densidade em
forma de dispersão passiva. O principal fenômeno e a expansão
por ação da força gravitacional

A liberação de material mais denso que o ar ambiente,


Figura 3.3 - Expansão de uma nuvem de gás denso por ação da
introduz um escoamento induzido pela força gravítica, que leva a
gravidade. Fonte: CPR14E (2005).
nuvem a deslocar-se na direção do solo e que gera frentes
pronunciadas que favorecem uma rápida expansão radial. Estas O modelo matématico apropriado que representa a dispersão
frentes são usualmente descritas como intensos vórtices Estes de gases mais densos que o ar é o modelo SLAB, este modelo foi
vórtices estão presentes tanto em liberações instantaneas como desenvolvido pelo “Lawrence Livermore National Laboratory’s”
em liberações continuas em atmosferas estáveis (Yellow Book, (E.U.A.). Os tipos de emissão tratados por este modelo incluem:
2005). emissão de poça no solo, emissão por jato horizontal elevado,
emissão por jato vertical elevado e uma emissão volumétrica
Depois que a ação da força de gravitacional diminui, ocorrerá
instantânea. A dispersão é calculada resolvendo-se as equações
principalmente em zonas mais afastadas da fonte de liberação a
de conservação de massa, “momentum” e energia (Yellow Book,
variação vertical da densidade da nuvem. Finalmente o efeito da
2005). A concentração tri-dimensional de uma dispersão densa,
densidade será disperso e insignificante e a dispersão tornará a
para uma liberação continua, é dada pela equação 3.20.
ser passiva, conforme ilustrado na figura 3.3 (Yellow Book,
2005).

Onde,

36
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

C (x,y,z) Concentração volumétrica na posição (x,y,z) borda da nuvem e um região dentro da faixa de
inflamabilidade. O percentual da nuvem de vapor em cada
Fy (y,b,Cy) Função do perfil horizontal;
região varia de acordo com diferentes fatores, tais como,
Fz (z,h, σz) Função do perfil vertical.
tipo e quantidadade do material liberado, pressão na
liberação, o tamanho da abertura, grau de confinamento
Explosão em Nuvem
da nuvem, umidade e outros aspectos ambientais.

Segundo Lea (2002), explosão é a geração e expansão • Em quarto, os efeitos produzidos pela explosão de uma

repentina de gases associadas com o aumento da temperatura e nuvem são determinados pela velocidade de propagação

pressão capaz de causar danos estruturais. Para LEES (1996) da chama. Quanto mais rápido for a velocidade da frente

explosão é a liberação repentina e violenta de energia. de chama, maior será a pressão excessiva na nuvem, o
que aumentará a explosão.
De um modo geral, várias condições precisam estar presentes Existem dois mecanismos básicos de propagação da chama:
para que uma explosão em nuvem ocorra (Yellow Book, 2005). deflagração e detonação.
A deflagração ocorre quando a queima é mantida basicamente
• Em segundo, uma nuvem deve ser formada, esta etapa é
por transferência térmica de energia do material em combustão
conhecida como fase de dispersão da nuvem, nela
para a parcela não-queimada da mistura, ou seja, por radiação e
depende do tempo que o gás teve para se misturar com a
difusão molecular de calor e massa. Esta é uma reação química
atmosfera antes que ocorra a ignição (ignição retardada);
realizada a baixa pressão (Yellow Book, 2005). A frente de
• Em terceiro, uma parte da nuvem deve estar dentro da
chama numa deflagração pode ser laminar ou turbulenta, porém
faixa que se encontra entre os limites inferior (LII) e
em condições especiais, poderá ocorrer a transição de
superior (LSI) de inflamabilidade. A nuvem de vapor,
deflagração para um tipo de queima diferente uma detonação.
geralmente tem três regiões, uma região rica perto do
A detonação é uma reação química explosiva caracterizada
ponto de lançamento da nuvem, um região pobre na
pela velocidade da chama muito alta de queima Em função da
37
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

quantidade de energia envolvida no processo, far-se-á sempre Pode-se chegar a ponto de apenas considerar as parcelas da
acompanhada de uma onda de choque. As Detonações são nuvem onde existe possibilidade de geração de turbulência para
capazes de produzir muito mais danos do que deflagração. o cálculo de efeitos da explosão – que atualmente é aceito como
Entre os motivos que podem levar à passagem de deflagração a forma correta de entendimento do fenômeno e foi amplamente
a detonação pode-se citar a existência de obstáculos no caminho difundido como Método de Multienergia (Yellow Book, 2005).
da frente de chama (que induzem turbulência aumentando a
velocidade desta ou causam reflexão da onda de choque de
3.4.7.2 Método de Multi energia (TNO)
pressão), e o confinamento parcial da mistura explosiva entre
outros (Lees, 1996).
A energia liberada por uma explosão de nuvem poderá ser
Uma característica das explosões é (Blastwave) conhecida
estimada através do método multienergia, desenvolvido por
como ondas de pressão. A explosão caracteriza-se por
pesquisadores do Prins Mauritz Labotatory (TNO). Este método
combustão rápida em que os produtos em altas temperaturas se
propõe que uma explosão é gerada apenas quando a mistura
expandem e afetam o entorno. Desta forma, o calor de
inflamável é parcialmente confinada ou obstruída. Seguem – se
combustão de uma mistura de gás é parcialmente convertido
alguns passos necessários para aplicação deste método:
energia mecânica. A energia mecânica é transmitida para a
1 – Identificar locais de concentração de gases dentro das áreas
atmosfera na forma de (Blastwave), as ondas de pressão (Yellow
congestionadas, considerando que normalmente gases pesados
Book, 2005).
se movem e se concentram em áreas baixas;
É importante ressaltar que os modelos atuais levam em
2 – Estimar a energia da carga ar-combustível equivalente,
grande consideração as características geométricas do local onde
sendo importante considerar cada nuvem separadamente, o
a explosão ocorre, tais como confinamento parcial de frações da
valor médio da energia de combustão liberada por um
mistura e fatores de obstrução da passagem da frente da chama
hidrocarboneto inflamável por unidade de volume é
que agem como indutores de turbulência.
3,5x10 (J/m );
6 3

38
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

3 - Determinar um valor de intensidade da explosão entre 1 e partir da escolha da intensidade da explosão curvas de (1 a 10)
10, para cada volume considerado, ou seja, se ela está mais (Lees, 1996)
próxima de uma detonação ou de uma deflagração. Sendo que
10 representa um explosão intensidade máxima e direciona
normalmente a análise para um visão conservativa.
4 – Calcular a distância em escala r’ adimensional, que é a
distância r do local sob consideração didivido pela energia
disponível que é normalizada pela pressão atmosférica conforme
a equação 3.27.

(3.27)

5 - Multiplicar os valores de sobrepressão escalonada pela


pressão ambiente, resultando nos picos de sobrepressão, dada
na equação 3.28.

(3.28)

6 - Calcular o tempo de duração da fase positiva de pressão


conforme equação 3.29.

(3.29)
Vê – se na figura 3.4, os gráficos utilizados para obter os
efeitos normalizados em função da distância normalizada, a

39
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Radiação Térmica

A transferência de calor provocado por um incêndio libera um


fluxo de calor com o potencial de causar danos aos receptores na
área circundante. Em geral, a energia de combustão das chamas
pode ser transferida por radiação, convecção e condução, em
alguns metros de distância a radiação é predominante (Yellow
Figura 3.4 – Gráficos de efeitos normalizados em função da
Book, 2005).
distância normalizada para sobrepressão (acima á esquerda),
pressão dinâmica (acima a direita) e duração da fase positiva Uma série de modelos matemáticos tem sido proposta por
(abaixo).Fonte: (Yellow Book, 2005). diversos autores, a fim de estimar a radiação térmica dos

40
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

incêndios, os modelos que serão apresentados nesta seção, são O fluxo de calor será modelado em uma situação estática, ou
modelos semi-empíricos. seja, a forma e as dimensões do incêndio são tomadas como
constante. Alguns parâmetros importantes para a modelagem da
Os modelos semi-empíricos incorporam tanto o conhecimento
radiação térmica Solid flame model serão discutidos a seguir:
teórico, como o conhecimento adquirido com experimentos, é um
• View factor (FView)
modelo relativamente simples capaz de prever o fluxo de calor
emitido em um receptor a certa distância. Conhecido como Solid É a relação entre a quantidade de radiação térmica emitida

flame model, este modelo pressupõe que a fonte de radiação por um chama e a quantidade de radiação térmica recebida por

térmica é emitida pela superfície de um sólido que abrange todo um receptor que não está em contato com a chama. Esta relação

o volume visível da chama, geralmente na forma de cone ou depende da forma e dimensão do incêndio, da distância entre a

cilindro, conforme apresentado na figura 3.5. chama e o recpetor, da posição relativada da chama e superfície
do alvo (Yellow Book, 2005).

• Transmissividade atmosférica ( )

A transmissividade atmosférica é o parâmetro que explica o


fato de que a radiação emitida é parcialmente absorvida pelo ar
presente entre a chama e o receptor irradiado. Esta absorção
ocorre dentro da área de comprimento de onda da radiação de
calor, o dióxido de carbono e vapor de água são os principais
componentes de absorção. O parâmetro de transmissividade
atmosférica é igua a 1, mas depende das propriedades de
absorção do componetes do ar em relação ao espectro de
Figura 3.5 - Solid flame model. Fonte: CASAL, (2002)
radiação, a equação 3.30 a seguir mostra essa relação CPR14E
(2005).

41
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

SEPmax Surface Emissive Power , J/(m2.s)

Q’ Energia de combustão por segundo , J/s

Onde, αw é o Fator de absorção da água e αc o fator de A Área da Superficíe da chama , m2


absorção do dióxido de carbono. Ambos os fatores dependem
Fs Fração da energia radiada
da pressão parcial de vapor, do comprimento abrangido pela
O SEPatual considera a radiação térmica emitida pelo volume da
radiação, da temperatura de radiação e da temperatura
chama invisível e a fumaça envolvida pela chama, através da
ambiente. A pressão parcial de vapor de dióxido de carbono
equação 3.32.
depende sempre da temperatura e da umidade.

• Surface Emissive Power (SEP)


(3.32)
É o calor radiante emitida por unidade da superficíe da chama Onde,
e por unidade de tempo. De acordo com a abordagem do modelo
SEPMax Surface Emissive Power Maximo (J/m2);
solid flame model, este parâmetro representa a radiação de calor
SEP soot Surface Emissive Power coberto por fuligem (J/m2);
emitida pelo volume da chama visível (Yellow Book, 2005). O
maximo Surface Emissive Power (SEP) pode ser calculado pela Q’ Energia de combustão (J/s);
equação 3.31.
FS Fração da energia radiada;

A Área da superfície da chama (m 2);


(
Fração da superfície da chama coberto por
3
fumaça.
.

Onde,

42
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Alguns autores, como Mudan (1984) considera que a fração Incêndio em poça
da superfície da chama coberta por fumaças (cinzas) é cerca de
Um incêndio de poça ocorre quando um vazamento de um
80%.
líquido forma uma poça, a qual sobre ignição. A energia térmica
• O fluxo de calor radiado proveniente de um vazamento de hidrocarbonetos depende de

“O fluxo de calor radiado q” a certa distância do incêndio, que vários parâmetros, os quais incluem (AICHE, 1995):

é experimentado por um receptor por unidade de área, pode ser a) composição do hidrocarboneto;

calculada pela equação 3.33.


b) tamanho e forma e duração do incêndio;

c) distância entre o incêndio e o alvo e


Onde,
d) das características do alvo.
q” Fluxo de calor radiado a certa distância (J/m2);

SEP act Surface Emissive Power (J/m2); A caracterização de um incêndio de poça envolve a
caracterização da geometria do incêndio, caracterização do
F view View factor
incêndio e a estimativa da energia liberada pela chama. A
Transmissividade atmosférica. caracterização da geometria do incêndio abrange a determinação

O fluxo de calor radiado difere para cada tipo de incêndio. da velocidade de propagação da chama no líquido e das
dimensões física do incêndio (tais como altura, diâmetro e
• Incêndio em Poça;
inclinação da chama).
• Jet Fire;
• Bleve; Para a maioria dos combustíveis líquidos a taxa de
• Flash Fire. transferência de calor por radiação e a velocidade da chama
aumentam com o diâmetro da poça, ou melhor, para poças com

43
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

diâmetro maior do que 1 metro a radiação é o modo de Um jet fire é normalmente bastante destrutivo a qualquer
transferência de calor dominante (AIChE, 1994). estrutura nas suas proximidades, devido à radiação térmica e ao
calor de convecção, além das extremidades da chama. A alta
Jet Fire
velocidade de escape dos gases e a adição de ar no jato tornam
A maioria dos incêndios envolvendo gases liberados sob
sua combustão mais eficiente do que a de um incêndio de poça.
pressão está associada com altas pressões e são denominados
Os primeiros 10% do comprimento do jet fire é considerado gás
incêndios de jato (i.e. jet fire), ou melhor, dado que um
e não sofre ignição, podendo ocorrer um lift off. O lift off
vazamento sob pressão seja deflagrado e sofra ignição entre 2 e
representa a separação entre o ponto de liberação do gás e o
3 minutos após iniciado o vazamento, o resultado é um intenso
início da chama, devido a velocidade e concentração do gás
jato de chamas. Em líquidos ou gases liberados sob pressão de
nessa região. O lift off poderá ser definido como sendo o ponto
forma continua. Jet fire não tem inércia atingindo a intensidade
ou região onde aparece uma chama azul. O maior fluxo de calor
máxima quase instantaneamente. O jet fire ou parte dele pode
normalmente ocorre a uma distância além de 40% do
ser defletido por estruturas ou equipamentos existentes nas
comprimento da chama, a partir de sua fonte (AICHE, 1995).
proximidades do vazamento. O jet fire é também afetado pela
direção e velocidade dos ventos (AICHE, 1995). Bleve
Se ocorrer um rompimento em um reservatório causado por
A velocidade do jato de gás influi significativamente no
incêndio e seu conteúdo for gás liquefeito inflamável, parte deste
comportamento do jet fire. A velocidade é um parâmetro
gás sofrerá mudança de fase com grande aumento de volume,
importante para o cálculo das dimensões da chama. Primeiro as
gerando o fenômeno conhecido como BLEVE (Boiling liquid
propriedades dos materiais inflamáveis são necessários para o
Expanding Vapour Explosion) seguido de uma bola de fogo, uma
cálculo da velocidade de saída do gás, tais como, o peso
das mais danosas formas de explosão tanto para as instalações
molecular, a constante de Poisson e as condições de
próximas como, por exemplo, o pessoal envolvido no combate ao
armazenamento do gás, como temperatura e pressão (Yellow
incêndio que lhe deu origem (AICHE, 1995).
Book, 2005).
44
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Flash Fire Os principais perigos de um flash fire são a radiação e o


O flash fire conhecido também como incêndio em nuvem contato direto com a chama. O tamanho da nuvem inflamável
ocorre quando uma nuvem de gás queima sem gerar determina a área possível de contato direto com a chama.
sobrepressões significativas, usualmente se dá em regiões não (AICHE, 1995).
confinadas ou desobstruídas. A nuvem sofre ignição na sua
porção mais externa, i.e., distante da fonte do vazamento. A Análise de Vulnerabilidade

duração do flash fire é curta. É pouca provável que o flash fire


Esta seção vai descrever os modelos matemática para
cause danos estruturais. A modelagem matemática dos flash fire
determinar a probabilidade de morte dada à exposição a
é pouco conhecida e o método disponível para estimar as
substâncias perigosas, bem como a fração da população para a
dimensões da chama é proposto por Ray and Emmons, o qual é
qual a exposição é fatal. Toda a seção é uma adaptação de
semi-empírico. O maior perigo de um incêndio em nuvem reside
(Yellow Book, 2005).).
nos efeitos térmicos da combustão e se restringe a área ocupada
pela porção que esta dentro dos limites de flamabilidade. Para expressar os efeitos letais, dois parâmetros serão usados ao
logo desta seção:
Quando a ignição ocorre em uma nuvem inflamável, a chama
vai começar a propagar longe do ponto de ignição. Os produtos • A probabilidade de morte PE, que indica a probabilidade
de combustão expandir causando fluxo da chama de frente. Caso de um indivíduo morrer pela exposição. Assume-se que o
este fluxo esteja em condições laminar, a velocidade de chama indivíduo está outdoors, logo está desprotegido.
dos hidrocarbonetos normais será na ordem de 5 a 30 m/s que é • A fração da população morrendo FE, que indica a fração
baixo demais para produzir qualquer pressão significativa. da população morrendo numa certa localidade devido à
exposição. Pelo menos parte da população indoors é
Sob estas condições a taxa de combustão não deverá ser
protegida por usar roupas de proteção. Por esse motivo,
intensificada, a nuvem de vapor simplesmente queimara e o
dois valores são usados, FE indoors e FE outdoors, para denotar,
evento é descrito como um flash de fire (Yellow Book, 2005).
45
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

respectivamente, frações da população morrendo indoors Esta relação entre y e Probabilidade é mais facilmente obtida
e outdoors. com o uso da Tabela 6. Assim, sabendo-se as características da
explosão, determina-se o pico de sobrepressão da onda de
Modelo de vulnerabilidade de Eisenberg choque na distância onde se encontra a estrutura ou a pessoa.
O modelo de vulnerabilidade de Eisenberg, método que faz Com o nível de sobrepressão, encontra-se o valor da variável de
uso das equações matemática conhecida como Probit (LEES, Probit e com ela a probabilidade de ocorrência dos danos. As
1996). A equação Probit (AIChE, 2000) representam uma relação equações de Probit (AIChE, 2000) representam uma relação
entre a intensidade do efeito causador do dano e a variável de entre a intensidade do efeito causador do dano e a variável de
Probit (Probability Unit), onde esta está diretamente ligada à Probit (Probability Unit), onde esta está diretamente ligada à
probabilidade de observação do dano. probabilidade de observação do dano. Na Tabela 6, encontram-
se as equações de Probit coletadas da literatura para este estudo
Diversos efeitos resultantes de uma explosão de nuvem de gás
e, ao lado de cada uma, o respectivo dano no qual será usada.
têm sido estudados há muitos anos e podem ser classificados de
duas formas: danos às pessoas e danos às estruturas. Os efeitos .As equações de Probit (AIChE, 2000) representam uma relação
causados pela passagem de uma onda de choque podem ser entre a intensidade do efeito causador do dano e a variável de
estimados pelo modelo de vulnerabilidade de Eisenberg, método Probit (Probability Unit), onde esta está diretamente ligada à
que faz uso das equações de Probit. probabilidade de observação do dano. No quadro 7.1,
encontram-se as equações de Probit coletadas da literatura para
O modelo de vulnerabilidade está relacionado com a função
este estudo e, ao lado de cada uma, o respectivo dano no qual
matemática conhecida como Probit (LEES, 1980; LEAL e ZUCHI,
será usada.
2003). A equação Probit (AIChE, 2000) representam uma relação
entre a intensidade do efeito causador do dano e a variável de
Probit (Probability Unit), onde esta está diretamente ligada à
probabilidade de observação do dano.
46
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

% 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

0 -- 2,67 2,95 3,12 3,25 3,36 3,45 3,52 3,59 3,66

(3.34)
10 3,72 3,77 3,82 3,87 3,92 3,96 4,01 4,05 4,08 4,12

20 4,16 4,19 4,23 4,26 4,29 4,33 4,36 4,39 4,42 4,45 Onde,

30 4,48 4,50 4,53 4,56 4,59 4,61 4,64 4,67 4,69 4,72

40 4,75 4,77 4,80 4,82 4,85 4,87 4,90 4,92 4,95 4,97
Esta relação entre Pr e Probabilidade é mais facilmente
50 5,00 5,03 5,05 5,08 5,10 5,13 5,15 5,18 5,20 5,23 obtida com o uso da Tabela 3.5. Assim, encontra-se o valor da

60 5,25 5,28 5,31 5,33 5,36 5,39 5,41 5,44 5,47 5,81
variável de Probit e com ela a probabilidade de ocorrência dos
danos.
70 5,52 5,55 5,58 5,95 5,99 6,04 6,08 6,13 6,18 6,23

Exposição a nuvens tóxicas


80 5,84 5,88 5,92 5,95 5,99 6,04 6,08 6,13 6,18 6,23
A probabilidade de morte devido à exposição a uma nuvem
90 6,28 6,34 6,41 6,48 6,55 6,64 6,75 6,88 7,05 7,33
tóxica, PE, é calculada com o uso de uma função probit e a
% 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 relação da Tabela xx. A função probit utilizada para a morte

99 7,33 7,37 7,41 7,46 7,51 7,58 7,65 7,75 7,88 8,09
devido à exposição tóxica é dada pela equação 3.36.

(3.36)
A Fonte: CCPS, 1994.
Onde,
relação entre a probabilidade de um efeito, P, e a sua função
probit correspondente, Pr, é dada pela equação 3.34 e 3.35. Pr Probit correspondente à probabilidade de morte.

47
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Substância a b n para a função probit com a concentração, C (mg/m3) e o tempo


de exposição, t (min). (purple Book, 2005).
Amônia -15,6 1 2

Dióxido de Enxofre -19,2 1 2,4

Monóxido de Carbono -7,4 1 1 Caso a concentração, C, seja constante durante o tempo de


exposição, t, a probit fica simplificada na equação 3.37.
Sulfeto de hidrogênio -11,5 1 1,9

Dióxido de nitrogênio -18,6 1 3,7

a, b, n Constantes que descrevem a toxicidade da substância.


(3.37)
C Concentração (mg/m3)

T Tempo de exposição (minutos)


O tempo de exposição é limitado a um máximo de 30
minutos, a partir da chegada da nuvem tóxica no local. Para
determinar o contorno da nuvem tóxica, serão consideradas as
A Tabela 3.6 mostra valores para as constantes as quais
seguintes concentrações:
descrevem a toxicidade de NH3, SO2 e H2S. Para constantes de
mais substâncias, ver a base de dados de substâncias em (purple • IDLH (Immediately Dangerous to Life or Health):
Book, 2005). concentração máxima à qual uma pessoa pode ficar
exposta por um período de exposição de 30 minutos sem
causar prejuízos irreparáveis a sua saúde;
Tabela 3.6 - valores para as constantes que descrevem a • Probabilidade de morte, PE, igual a 1% em todos os
toxicidade de uma substância (a, b e n). Os valores são válidos pontos do contorno.

48
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Permanecer indoors reduz a dose tóxica, pois a concentração


indoors é menor do que outdoors, durante a passagem da
nuvem.

IMPACTO TÉRMICO

As pesquisas e experimentos com humanos e animais relacionam


1º Grau 2º Grau 3º Grau
a energia irradiada com os limites da dor. A pele humana
consiste de duas camadas epiderme e derme. A área da pele no FIGURA 7.1 Níveis de queimadura na pele humana.
se humano é de aproximadamente 1,80 m 2. O impacto da
A pele suporta uma temperatura de aproximadamente
energia térmica na pele poderá se apresentar em vários níveis:
44ºC sem dor. Acima de 44ºC o impacto térmico cresce
queimaduras do primeiro, segundo e terceiro grau. Queimaduras
rapidamente com a temperatura, ou seja, o impacto a 50ºC é
do primeiro grau estão restritas a epiderme e caracteriza-se por
100 vezes maior do que entre 44-45ºC. A tabela 7.2 mostra
uma vermelhidão. Nas queimaduras do segundo grau há o
valores de radiação térmica e o provável impacto em seres
comprometimento de toda a epiderme e parte de derme dando
humanos.
origem a bolhas. E, em queimaduras do terceiro grau toda a
epiderme, derme e outros tecidos mais profundos são atingidos, Os modelos disponíveis para a estimativa dos efeitos térmicos
e se caracteriza pela carbonização dos tecidos (i.e., cor preta). sobre as pessoas estão fundamentados em pesquisas
experimentais em humanos, animais e estruturas. O probit
A Tabela 7.1. apresenta tempos limite de exposição para pessoas
model adotado para estimar o índice de fatalidades decorrente
de acordo com a intensidade de energia irradiada.
de um flash fire ou incêndio de poça foi o proposto por Eisenberg
et al (1975), equação 14. No evento de um incêndio, em geral, o

49
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

tempo de resposta das pessoas é cerca de 5 segundos, segundo TEMPO ATÉ TEMPO ATÉ SENTIR
Pietersen. E uma velocidade de deslocamento entre 4m/s e INTENSID
SENTIR DOR DOR

6m/s. ADE
(queimadura 1º (queimadura 2º
grau) grau)
Y = -14,9 +2,56 LN(TI4/3/104) equação 14 (kW/m²)

A etapa de identificação de perigos deve ser adequadamente 22 2,0 s 3,0 s

estruturada, visto que os riscos significativos não identificad


18 2,5 s 4,3 s

11 5,0 s 8,5 s

TABELA 7.2 Efeitos da radiação térmica sobre a pele 8 8,0 s 13,5 s

desprotegida.
5 16,0 s 25 s

2,5 40,0 s 65 s

Fonte: http://www.cipanet.com.br

Segundo SKLAVOUNOS E RIGAS (2005) o limite a dor é de 1,5


kW/m² para um tempo de exposição de 60 segundos.

No caso de incêndios, segundo o TNO (2004), a vulnerabilidade


das conseqüências originadas por esses fenômenos são

50
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

determinadas pela aplicação de metodologias do tipo Probit, 5 Limite de dor alcançado após 15 segundos
resultando na estimativa da probabilidade de ocorrência de um
Limite de dor alcançado após 8 segundos
determinado dano, ou percentual de pessoas afetadas, em 6,4
Queimaduras de 2ª grau após 20 segundos
função das doses de radiação recebidas e dos tempos de
exposição. Fusão de tubulações plásticas.

Ignição de roupas.
A Tabela 7.3 apresenta diferentes probabilidades de fatalidade e 12,5
Ignição “pilotada” da madeira.
os efeitos observados para vários níveis de radiação.
Queimaduras de 1ª grau após 10 segundos

16 Queimaduras graves após 5 segundos

Tabela 7.3 - Efeitos de Radiação Térmica.


25 Ignição espontânea da madeira Perigo a vida

37,5 Danos aos equipamentos industriais. Perigo a Vida

INTENSIDADE EFEITO OBSERVADO Fonte: http://www.cipanet.com.br

(kW/m²)

1 Sol ao meio-dia

1,6 Não causa efeito por longa exposição

1,75 Limite de dor alcançado após 60 segundos.

2 Danos aos cabos com isolamento em PVC

4 Limite de dor alcançado após 20 segundos

51
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

IMPACTO OVERPRESSURE Y = -77,1 + 6,91ln (Po) equação 16

O principal impacto direto da explosão de uma nuvem sobre os Ruptura dos tímpanos:
indivíduos é o aumento repentino da pressão em conseqüência
do deslocamento das ondas de choque. O corpo humano é
composto em sua maior parte por água que é um fluido não Y= -12,6 + 1,524ln(Po) equação 17
compressivo, logo ele suporta relativamente bem o impacto das
ondas de pressão. As fatalidades no evento de uma explosão são
causadas por hemorragia pulmonar. O probit model utilizado é
expresso pela equação 15 a 17, o qual foi proposto por Eisenberg
em 1975.

A equação de Probit, [Po]= N/m 2 , os efeitos de Colapso de Tabela 7.4 - Efeitos de Sobrepressão

estruturas:
Fonte: http://www.cipanet.com.br

Y= -23,8 + 2,92ln (Po) equação 15

Morte por hemorragia pulmonar:

52
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

4.0. ESTIMATIVA DE FREQUENCIA


SOBREP
RESSÃO
DANO ESPERADO Nas instalações em que os efeitos físicos extrapolem os limites
(bar) da empresa e possam afetar pessoas, os riscos do
empreendimento deverão ser calculados; para tanto, deverão ser
0,002 Quebra ocasional de janelas grandes, que já estão sob tensão
estimadas as freqüências de ocorrência dos cenários acidentais

0,006 Quebra de janelas pequenas sob tensão. identificados (CETESB, 2003).

0,01 Pressão típica para trinca nos vidros De acordo com a CETESB (2003), em alguns estudos de
análise de riscos as freqüências de ocorrência dos cenários
0,027 Limite inferior de dano estrutural
acidentais poderão ser estimadas através de registros históricos
1,05 – Faixa de1 a 99% de fatalidades das populações expostas, devido
constantes de bancos de dados ou de referências bibliográficas,
2,0 ao efeito direto da explosão.
desde que efetivamente tenham representatividade para o caso
em estudo, no caso de dutos, a estimativa das freqüências de
ocorrência de uma determinada tipologia acidental (flashfire,
UVCE, dispersão, etc.), normalmente expressas em
ocorrências/m.ano.

Apenas os eventos que contribuem para o risco individual ou


para a sociedade devem ser incluídos na AQR, nas condições de
que, de acordo com (1) a freqüência de ocorrência é igual ou
superior a 10-8 por ano e (2) ocorre letalidade maior que 1% fora
dos limites do estabelecimento, de acordo com (purple Book,
2005).

53
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

As freqüências atribuídas para eventos de perda de materiais Quadro 3.3 - Eventos de perda de matéria para vasos
para diversos casos são apresentadas a seguir (purple Book, pressurizados em estado estacionário.
2005).
G1 Liberação instantânea e completa do inventário

Tanque e vasos pressurizados em estado estacionário G2 Liberação contínua e completa do inventário em 10 minutos a taxa constante

G3 Liberação contínua a partir de um orifício de 10 mm de diâmetro efetivo


• Vaso de Pressão: Vaso de armazenamento cuja pressão
é substancialmente maior do que 1 bar. Fonte: purple Book, (2005).
• Vaso de Processo: Em um vaso de processo ocorre uma
Quadro 3.4 - Freqüências dos eventos de perda de matéria para
mudança nas propriedades físicas da substancia, como
tanques e vasos pressurizados em estado estacionário.
temperatura ou fase. Alguns exemplos de Vasos de
Processo são colunas de destilação, condensadores e Equipamento G1 G2 G3
filtros. Vasos onde apenas o nível de liquido mudara
Vasos de pressão 5.10-7 ano -1
5.10-7 ano -1
1.10-5 ano -1

podem ser considerados como vasos de pressão.


• Vasos de Reação: Nos Vasos de Reação ocorre uma Vasos de Processo 5.10-6 ano -1
5.10-6 ano -1
1.10-4 ano -1

mudança química na substancia. Exemplos de vasos de


Vasos de Reatores 5.10-6 ano -1
5.10-6 ano -1
1.10-4 ano -1

reação são reatores contínuos e de batelada. Um vaso em


que um mistura de substancias muito exotérmica ocorre
Fonte: purple Book, (2005).
também pode ser considerado um vaso de reação.
Os eventos de perda de matéria para vasos de pressão,
Tubulações
processo e reação são dados no quadro 3.3, e suas freqüências
são apresentadas no quadro 3.4. Os possíveis eventos apresentados no quadro 3.7 são válidos
para todos os tipos de tubulações de processo acima do solo. As

54
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

freqüências são determinadas a partir do diâmetro da tubulação, 5.0. ESTIMATIVA DE RISCO


e apresentadas no quadro 3.8.
De acordo com a CETESB (2003), a estimativa e avaliação dos
Quadro 3.7 - Eventos de perda de matéria para tubulações. riscos de um empreendimento dependem de uma série de
variáveis, por vezes pouco conhecidas e cujos resultados podem
G1 Ruptura Total (Liberação ocorre nos dois lados da ruptura)
apresentar diferentes níveis de incerteza.
Fissura (Liberação ocorre em um orifício de diâmetro efetivo de 10%
G2 do diâmetro nominal da tubulação, podendo atingir o máximo de 50 A estimativa e avaliação dos riscos é a etapa final de uma
mm) AQR e, portanto, é onde os resultados são calculados e
apresentados. Os riscos a serem avaliados devem contemplar o
Fonte: purple Book, (2005). levantamento de possíveis vítimas fatais, bem como os danos à
saúde da comunidade existente nas circunvizinhanças do
Quadro 3.8 – Freqüências dos eventos de perda de matéria para
empreendimento.
tubulações.
O procedimento de cálculo descrito é baseado em CPR18E
Tubulação G1 G2
(2003). Este procedimento é usado em vários programas
d< 75 mm 1.10-7 m-1 ano-1 5.10-6 m-1 ano-1 computacionais e não suporta todas as possibilidades de
possíveis eventos. Porém, tem por principal objetivo ilustrar os
75 mm≤ d ≤ 150 mm 3.10-7 m-1 ano-1 2.10-6 m-1 ano-1
princípios do cálculo na forma de Risco Social e Risco Individual.
d> 150 mm 1.10-7 m-1 ano-1 5.10-6 m-1 ano-1

3.6.1. Definição da célula


Fonte: purple Book, (2005).

Para calcular o risco individual e o risco social, é necessário


definir uma célula sob a área de interesse. O risco individual

55
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

deverá ser calculado no centro de cada célula, separadamente. O De acordo com a CETESB (2003), a estimativa do risco social
tamanho da célula deverá ser pequeno o bastante de modo que num estudo de análise de riscos requer as seguintes
o risco individual no ponto-centro não varie significativamente, informações:
em relação aos outros pontos da célula.
• Tipo de população (residências, estabelecimentos comerciais,
O próximo passo é determinar a população dentro de cada indústrias, áreas rurais, escolas, hospitais, etc);
célula, conforme as diretrizes no capítulo 3. • Efeitos em diferentes períodos (diurno e noturno) e
respectivas condições meteorológicas, para o adequado
3.6.2. Risco social dimensionamento do número de pessoas expostas;
• Características das edificações onde as pessoas se encontram,
Risco social representa o risco para um grupo de pessoas
de forma que possam ser levadas em consideração eventuais
constituído pela comunidade exposta aos efeitos dos acidentes
proteções.
passíveis de ocorrer nas instalações em análise. Assim, o risco
Os passos seguintes, adaptados a partir de purple Book,
social diz respeito à população presente na zona de alcance dos
(2005) descrevem o método para o cálculo do Risco Social:
efeitos físicos gerados pelos diferentes cenários de acidentes.
1. Selecionar:
Normalmente, o risco social é expresso através das “curvas f-
N”, as quais fornecem a freqüência esperada de ocorrência de • Um evento inicial, S, com freqüência fS
acidentes, em geral expressa em base anual, com um número de • Uma direção do vento, k, com freqüência fk
vítimas maior ou igual a um determinado valor. A vantagem • Um evento de ignição, i, com probabilidade pi de
dessas curvas é que elas mostram graficamente todo o espectro ocorrência (apenas para substâncias inflamáveis)
dos riscos associados às instalações de interesse, indicando o 2. Selecionar uma célula e definir o número populacional na
potencial associado a acidentes maiores. célula, Ncel.

56
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

3. Calcular a fração de mortes, Fd, na célula, dado o evento 6. Calcular a freqüência, da combinação do evento inicial S, a
inicial, a direção do vento e o evento de ignição. A altura de direção do Vento k e o evento de ignição i pela equação 3.41.
referências para o cálculo dos efeitos é igual a 1 metro.
(3.41)
4. Calcular o número esperado de mortes na célula, dado o
evento inicial, a direção do vento e o evento de ignição pela
equação 3.39. Repetir o cálculo dos passos 1 a 6 para todos os eventos
iniciais, direções do vento e eventos de ignição. A curva F-N é
agora construída pela freqüência acumulada de todas as
(3.39) freqüências para as quais é maior do que N, equação 3.42.

(3.42)
O número esperado de mortes na célula não é
necessariamente um número inteiro.

5. Repetir passos 2 a 4 para todas as células. Calcular a A Figura 3.10 mostra a curva F-N adotada por CETESB
contribuição de todas as células para o total de número de (2000) como critério para avaliação do risco social. Os riscos
mortes, para o evento inicial S, a direção do vento k e o evento situados na região ALARP (As Low As Reasonably Praticable),
de ignição i pela equação 3.40. apesar de estarem abaixo da região intolerável, devem ser
reduzidos tanto quanto possível.

(3.40)

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Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

Como mencionado anteriormente, o risco individual é,


comumente, representado por meio dos contornos de iso-risco.
Frequência de N ou mais fatalidades

1E-02 Esses contornos ligam os pontos de mesmo nível de risco,


1E-03 fornecendo uma indicação gráfica dos níveis de risco nas
1E-04 Intolerável
1E-05
circunvizinhanças das instalações em estudo.
1E-06
Região ALRP
1E-07 De acordo com a CETESB (2003), o cálculo do risco individual
Negligenciável
1E-08 num determinado ponto da vizinhança de uma planta industrial,
1E-09
pode-se assumir que as contribuições de todos os eventos
1 10 100 1000 10000
o
possíveis são somadas. Dessa forma, o risco individual total num
N de Fatalidades
determinado ponto pode ser calculado pela somatória de todos
os riscos individuais nesse ponto, conforme equação 3.43.
Figura 3.10 – Curva F-N de tolerabilidade para risco social. Fonte:
CETESB, (2003).

3.6.3. Risco individual (3.43)

O risco individual pode ser definido como sendo a freqüência Onde,

esperada, normalmente expressa em base anual, a que um


indivíduo situado numa determinada posição em relação às
instalações em análise, venha a sofrer certo dano, em geral RIx,y = Risco individual total de fatalidade no ponto x,y;
fatalidade, em decorrência de acidentes que eventualmente
(chance de fatalidade por ano (ano-1))
venham a ocorrer nessas instalações.
RIx,y,i = Risco de fatalidade no ponto x,y devido ao evento i;

58
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

(chance de fatalidade por ano (ano-1)) como partes integrantes do processo de gerenciamento de
riscos; entretanto, independentemente da adoção dessas
n = Número total de eventos considerados na análise.
medidas, uma instalação que possua substâncias ou processos

Os dados de entrada na equação anterior são calculados a perigosos deve ser operada e mantida, ao longo de sua vida útil,

partir da equação 3.44. dentro de padrões considerados toleráveis, razão pela qual um
Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) deve ser
(3.44)
implementado e considerado nas atividades, rotineiras ou não,

Onde, de uma planta industrial.


Embora as ações previstas no PGR devam contemplar
RIx,y,i = Risco de fatalidade no ponto x,y devido ao evento i; todas as operações e equipamentos, o programa deve considerar
os aspectos críticos identificados no estudo de análise de riscos,
(chance de fatalidade por ano (ano-1))
de forma que sejam priorizadas as ações de gerenciamento dos
fi = Freqüência de ocorrência do evento i; riscos, a partir de critérios estabelecidos com base nos cenários
acidentais de maior relevância.
pfi = Probabilidade que o evento i resulte em
fatalidade no ponto x,y, de acordo com os efeitos O objetivo do PGR é prover uma sistemática voltada para
resultantes das conseqüências esperadas. o estabelecimento de requisitos contendo orientações gerais de
gestão, com vistas à prevenção de acidentes.

Programa de Gerenciamento de Riscos I


ETAPAS DO GERENCIAMENTO DE RISCOS

As recomendações e medidas resultantes do estudo de O escopo aqui apresentado se aplica a empreendimentos de


análise e avaliação de riscos para a redução das freqüências e médio e grande porte, devendo contemplar as seguintes
conseqüências de eventuais acidentes, devem ser consideradas atividades:

59
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

 Informações de segurança de processo; Toda a documentação de registro das atividades realizadas no


 Revisão dos riscos de processos; PGR, como por exemplo os resultados de auditorias, serviços de
 Gerenciamento de modificações; manutenção e treinamentos, devem estar disponíveis para
 Manutenção e garantia da integridade de sistemas críticos; verificação sempre que necessária pelos órgãos responsáveis,
 Procedimentos operacionais; razão pela qual devem ser mantidas em arquivo por, pelo
 Capacitação de recursos humanos; menos, seis anos.
 Investigação de incidentes;
Informações de segurança de processo
 Plano de ação de emergência (PAE);
 Auditorias. As informações de segurança de processo são fundamentais
No âmbito do licenciamento ambiental, o PGR é parte no gerenciamento de riscos de instalações perigosas. O PGR
integrante do processo de avaliação do estudo de análise de deve contemplar a existência de informações e documentos
riscos. Dessa forma, as empresas em avaliação pelo órgão atualizados e detalhados sobre as substâncias químicas
ambiental deverão apresentar um relatório contendo as diretrizes envolvidas, tecnologia e equipamentos de processo, de modo a
do PGR, no qual deverão estar claramente relacionadas as possibilitar o desenvolvimento de procedimentos operacionais
atribuições, as atividades e os documentos de referência, tais precisos, assegurar o treinamento adequado e subsidiar a
como normas técnicas, legislações e relatórios, entre outros. revisão dos riscos, garantindo uma correta operação do ponto de
Todos os itens constantes do PGR devem ser claramente vista ambiental, de produção e de segurança. Assim, as
definidos e documentados, aplicando-se tanto aos procedimentos informações de segurança de processo devem incluir:
e funcionários da empresa, como em relação a terceiros
 Informações das substâncias químicas do processo: incluem
(empreiteiras e demais prestadores de serviço) que desenvolvam
informações relativas aos perigos impostos pelas substâncias,
atividades nas instalações envolvidas nesse processo.
inclusive intermediárias, para a completa avaliação e definição
dos cuidados a serem tomados, quando consideradas as

60
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

características perigosas relacionadas com inflamabilidade, Revisão dos riscos de processo


reatividade, toxicidade e corrosividade, entre outros riscos;
O estudo de análise e avaliação de riscos implementado
assim, é de fundamental importância a disponibilidade de
durante o projeto inicial de uma instalação nova deve ser
fichas de informação e orientações específicas sobre tais
revisado periodicamente, de modo a serem identificadas novas
riscos.
situações de risco, possibilitando assim o aperfeiçoamento das
 Tecnologia de processo: inclui informações do tipo diagrama
operações realizadas, de modo a manter as instalações operando
de blocos, fluxogramas de processo, balanços de materiais e
de acordo com os padrões de segurança requeridos.
de energia, contendo inventários máximos, limites superiores
e inferiores, além dos quais as operações podem ser A revisão dos estudos de análise de riscos deverá ser
consideradas inseguras para parâmetros como temperatura, realizada em periodicidade a ser definida no PGR, a partir de
pressão, vazão, nível e composição e respectivas critérios claramente estabelecidos, com base nos riscos inerentes
conseqüências dos desvios desses limites. às diferentes unidades e operações.
 Equipamentos de processo: inclui informações sobre os
materiais de construção, diagramas de tubulações e
instrumentação (P & IDs), classificação de áreas, projetos de A realização de qualquer alteração ou ampliação na instalação
sistemas de alívio e ventilação, sistemas de segurança, shut- industrial, a renovação da licença ambiental ou a retomada de
down e intertravamentos, códigos e normas de projeto. operações após paradas por períodos superiores a seis meses,
 Procedimentos operacionais: esses procedimentos são partes são situações que requerem obrigatoriamente a revisão dos
integrantes das informações de segurança do processo, razão estudos de análise de riscos, independentemente da
pela qual um plano específico deve estabelecer os periodicidade definida no PGR, considerando-se sempre os
procedimentos a serem seguidos em todas as operações critérios para a classificação de instalações industriais.
desenvolvidas na planta industrial.
Gerenciamento de modificações

61
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

As instalações industriais estão permanentemente sujeitas nas instalações do processo à montante e à jusante das
a modificações com o objetivo de melhorar a operacionalidade e instalações a serem modificadas;
a segurança, incorporar novas tecnologias e aumentar a  Necessidade de alterações em procedimentos e instruções
eficiência dos processos. Assim, considerando a complexidade operacionais, de segurança e de manutenção;
dos processos industriais, bem como outras atividades que  Documentação técnica necessária para registro das
envolvam a manipulação de substâncias químicas perigosas, é alterações;
imprescindível ser estabelecido um sistema gerencial apropriado  Formas de divulgação das mudanças propostas e suas
para assegurar que os riscos decorrentes dessas alterações implicações ao pessoal envolvido;
possam ser adequadamente identificados, avaliados e  Obtenção das autorizações necessárias, inclusive licenças
gerenciados previamente à sua implementação. Dessa forma, o junto aos órgãos competentes.
PGR deve estabelecer e implementar um sistema de
gerenciamento contemplando procedimentos específicos para a
Manutenção e garantia da integridade de sistemas críticos
administração de modificações na tecnologia e nas instalações.
Entre outros, esses procedimentos devem considerar os
seguintes aspectos:
Os sistemas considerados críticos em instalações ou
 Bases de projeto do processo e mecânico para as alterações atividades perigosas, sejam estes equipamentos para processar,
propostas; armazenar ou manusear substâncias perigosas, ou mesmo
 Análise das considerações de segurança e de meio ambiente relacionados com sistemas de monitorização ou de segurança,
envolvidas nas modificações propostas, contemplando devem ser projetados, construídos e instalados no sentido de
inclusive os estudos para a análise e avaliação dos riscos minimizar os riscos às pessoas e ao meio ambiente.
impostos por estas modificações, bem como as implicações
Para tanto, o PGR deve prever um programa de
manutenção e garantia da integridade desses sistemas, com o
62
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

objetivo de garantir o correto funcionamento dos mesmos, por  Sistema de revisão e alterações nas inspeções e testes.
intermédio de mecanismos de manutenção preditiva, preventiva
e corretiva. Assim, todos os sistemas nos quais operações
Procedimentos operacionais
inadequadas ou falhas possam contribuir ou causar condições
ambientais ou operacionais inaceitáveis ou perigosas, devem ser Todas as atividades e operações realizadas em instalações
considerados como críticos. industriais devem estar previstas em procedimentos claramente
estabelecidos, que devem contemplar, entre outros, os seguintes
Esse programa deve incluir o gerenciamento e o controle de
aspectos:
todas as inspeções e o acompanhamento das atividades
associadas com os sistemas críticos para a operação, segurança  Cargos dos responsáveis pelas operações;
e controle ambiental. Essas operações iniciam com um programa  Instruções precisas que propiciem as condições necessárias
de garantia da qualidade e terminam com um programa de para a realização de operações seguras, considerando as
inspeção física que trata da integridade mecânica e funcional. informações de segurança de processo;
Dessa forma, os procedimentos para inspeção e teste dos  Condições operacionais em todas as etapas de processo, ou
sistemas críticos devem incluir, entre outros, os seguintes itens: seja: partida, operações normais, operações temporárias,
paradas de emergência, paradas normais e partidas após
 Lista dos sistemas e equipamentos críticos sujeitos a
paradas, programadas ou não;
inspeções e testes;
 Limites operacionais.
 Procedimentos de testes e de inspeção em concordância com
Os procedimentos operacionais devem ser revisados
as normas técnicas e códigos pertinentes;
periodicamente, de modo que representem as práticas
 Documentação das inspeções e testes, a qual deverá ser
operacionais atualizadas, incluindo as mudanças de processo,
mantida arquivada durante a vida útil dos equipamentos;
tecnologia e instalações. A freqüência de revisão deve estar
 Procedimentos para a correção de operações deficientes ou
que estejam fora dos limites aceitáveis;
63
Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

claramente definida no PGR, considerando os riscos associados incluindo as ações relacionadas com a pré-operação e
às unidades em análise. paradas, emergenciais ou não.
 Treinamento periódico: o programa de capacitação deve
Capacitação de recursos humanos
prever ações para a reciclagem periódica dos funcionários,

O PGR deve prever um programa de treinamento para considerando a periculosidade e complexidade das instalações

todas as pessoas responsáveis pelas operações realizadas na e as funções; no entanto, em nenhuma situação a
empresa, de acordo com suas diferentes funções e atribuições. periodicidade de reciclagem deve ser inferior a três anos. Tal

Os treinamentos devem contemplar os procedimentos procedimento visa garantir que as pessoas estejam

operacionais, incluindo eventuais modificações ocorridas nas permanentemente atualizadas com os procedimentos

instalações e na tecnologia de processo. operacionais.


 Treinamento após modificações: quando houver modificações
O programa de capacitação técnica deve ser devidamente
nos procedimentos ou nas instalações, os funcionários
documentado, contemplando as seguintes etapas:
envolvidos deverão, obrigatoriamente, ser treinados sobre as
alterações implementadas antes do retorno às suas
atividades.
 Treinamento inicial: todo o pessoal envolvido nas operações
da empresa deve ser treinado antes do início de qualquer
atividade, de acordo com critérios pré-estabelecidos de Investigação de incidentes

qualificação profissional. Os procedimentos de treinamento


Todo e qualquer incidente de processo ou desvio
devem ser definidos de modo a assegurar que as pessoas que
operacional que resulte ou possa resultar em ocorrências de
operem as instalações possuam os conhecimentos e
maior gravidade, envolvendo lesões pessoais ou impactos
habilidades requeridos para o desempenho de suas funções,
ambientais devem ser investigados. Assim, o PGR deve
contemplar as diretrizes e critérios para a realização dessas
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Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

investigações, que devem ser devidamente analisadas, avaliadas obtidos no estudo de análise e avaliação de riscos, quando
e documentadas. realizado, e na legislação vigente, devendo também contemplar
os seguintes aspectos:
Todas as recomendações resultantes do processo de
investigação devem ser implementadas e divulgadas na  Introdução;
empresa, de modo que situações futuras e similares sejam  Estrutura do plano;
evitadas.  Descrição das instalações envolvidas;
 Cenários acidentais considerados;
A documentação do processo de investigação deve contemplar
 Área de abrangência e limitações do plano;
os seguintes aspectos:
 Estrutura organizacional, contemplando as atribuições e

 Natureza do incidente; responsabilidades dos envolvidos;


 Causas básicas e demais fatores contribuintes;  Fluxograma de acionamento;

 Ações corretivas e recomendações identificadas, resultantes  Ações de resposta às situações emergenciais compatíveis com

da investigação. os cenários acidentais considerados, de acordo com os


impactos esperados e avaliados no estudo de análise de
riscos, considerando procedimentos de avaliação, controle
emergencial (combate a incêndios, isolamento, evacuação,

Plano de Ação de Emergência (PAE) controle de vazamentos, etc.) e ações de recuperação;


 Recursos humanos e materiais;
Independentemente das ações preventivas previstas no  Divulgação, implantação, integração com outras instituições e
PGR, um Plano de Ação de Emergência (PAE) deve ser elaborado manutenção do plano;
e considerado como parte integrante do processo de  Tipos e cronogramas de exercícios teóricos e práticos, de
gerenciamento de riscos. O PAE deve se basear nos resultados acordo com os diferentes cenários acidentais estimados;

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 Documentos anexos: plantas de localização da instalação e Após os acidentes industriais ocorridos na década de 70 e início
layout, incluindo a vizinhança sob risco, listas de acionamento da década de 80, que repercutiram em todo mundo, as
(internas e externas), listas de equipamentos, sistemas de organizações internacionais elaboraram recomendações,
comunicação e alternativos de energia elétrica, relatórios, etc. diretrizes e legislações sobre planejamentos de ações de
Para Kletz, pode parecer para um observador externo que emergências.
acidentes industriais ampliados ocorrem por que nós não
Estas diretrizes em geral de caráter prescritivo, são abordadas as
sabemos como preveni-los, porém eles ocorrem por que nós não
fases de prevenção, preparação, resposta e recuperação passo a
usamos o conhecimento disponível. Contudo, hoje já dispomos
passo de forma abrangente, não especificando qual é o tipo de
de conhecimento suficiente que possibilita realizar uma avaliação
indústria ou quais são os tipos de efeitos ou eventos tratados,
de desempenho sofisticada (completa).
entretanto, para que o plano de emergência estabeleça
O entendimento da evolução dos Major Disater (ou seja, procedimentos aceitáveis, é importante que estes se enquadrem
acidentes sérios e grandes, i.e. de dimensões consideráveis) é nas diretrizes definidas em leis e normas vigentes.
imprescindível para elaboração do planejamento de emergência,
O planejamento de emergência baseado no desempenho
por exemplo, um efeito indesejável de uma explosão é a
compreende uma metodologia estruturada e sistemática para
projeção de fragmentos, provocado por um vazamento pode
análise dos riscos, em que devem ser analisadas as instalações
desencadear novos acidentes e outras fontes de vazamentos este
caso a caso, e cada um dos cenários de acidentes a serem
fenômeno conhecido como efeito dominó aumenta a severidade
considerados no plano de emergência, para que possa ser
das conseqüências na unidade industrial.
incorporado ás decisões sobre quais ações serão executadas no
É possível que sob determinadas condições um acidente momento de crise.
em uma instalação industrial que tenha tido origem em uma
Segundo Sami Atallat (Atallat, S. (1993). um plano de
unidade ou área da planta propague-se nas suas adjacências
emergência deve ser capaz de atingir os seguintes objetivos:
criando uma cadeia de acidentes.
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Análise de Riscos – Prof. Daniel Farias

1. Cada cenário plausível, os quais resultarão em um major


disaster, deve ser descrito, bem como os procedimentos,
responsabilidades e ações a serem tomadas. Tendo por
intenção limitar a quantidade de material perigoso
liberado para o meio ambiente e neutralizar os seus
efeitos adversos.
2. Mostrar como será feita a comunicação dos perigos e
riscos em potencial para os funcionários, autoridades e
comunidade afetados pelo acidente (i.e. major disaster).
3. Identificar rotas de fugas e locais de refugio seguro (se a
decisão é proteger as pessoas no local) para os
funcionários e comunidade dentro e fora dos limites
bateria da planta, respectivamente.
Figura 7.3 – O plano de emergência (Adaptação Lees, 2002)
4. Estabelecer procedimentos para o restabelecimento após
a emergência da planta e comunidade do entorno.
Segundo Lees (LEES, F.P., 2001), a estruturação do
planejamento de emergência, basicamente estão envolvidos
vários elementos que precisam ser perfeitamente definidos para
que os seus objetivos possam ser alcançados. A Figura 7.3
apresenta um esquema da participação destes elementos no
plano.

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