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Tubulão é opção pouco

mecanizada para fundação de solo


superficial ruim
Executada a céu aberto ou com ar comprimido, técnica é capaz de
suportar cargas elevadas. Contudo, envolve riscos altos, exigindo
controles rigorosos

Texto: Juliana Nakamura


Os tubulões são elementos de fundação profunda moldados in
loco empregados quando as camadas superficiais do solo não apresentam
características de resistência e de deformabilidade compatíveis com as exigidas
pelo projeto. Consistem na escavação e concretagem de um poço, e pelo
encamisamento da estrutura do fuste com anéis de concreto ou tubos de aço.
Podem ser executados a céu aberto, com e sem escoramento, e a ar comprimido,
com revestimento metálico ou de concreto.

Os tubulões podem ser usados como fundação de todos os tipos de estrutura (foto: shutterstock/Steve
Hamann)
Esse tipo de fundação é utilizado em obras que precisam suportar cargas
elevadas, como na construção de pontes, viadutos e edifícios de grande porte, em
áreas com dificuldade de adoção de técnicas de fundação mais mecanizadas.
“Como limitações dessa metodologia, pode-se citar a presença do nível de água,
que inviabiliza o uso de tubulões a céu aberto e restringe a profundidade dos
tubulões a ar comprimido”, comenta a engenheira Gisleine Campos, pesquisadora
do IPT especialista em geotecnia.
TUBULÕES A CÉU ABERTO
Por serem fundações moldadas in loco de grandes dimensões,
os tubulões apresentam boa capacidade de carga
Ilan Davidson Gotlieb

Caracterizados pela escavação sem revestimento e sem aplicação de ar


comprimido, os tubulões a céu aberto são indicados exclusivamente parasolos
coesivos, caso das argilas, dos siltes argilosos e das areias argilosas. “Por serem
fundações moldadas in loco de grandes dimensões, os tubulões apresentam boa
capacidade de carga e, por isso, podem ser utilizados como fundação de todos os
tipos de estrutura, desde que o solo local tenha as características que permitam
sua execução com segurança”, diz o engenheiro Ilan Davidson Gotlieb, presidente
da Associação Brasileira das Empresas de Projeto e Consultoria em Engenharia
Geotécnica (ABEG).
A escavação dos tubulões a céu aberto normalmente é manual, dependente de
uma equipe que inclui um poceiro, um ajudante e um sarilho. Seja na execução,
seja na fiscalização dos serviços, a técnica requer a decida de operários em local
confinado. O trabalho envolve riscos e exige o atendimento a normas de
segurança do trabalho rigorosas com relação ao uso de equipamentos de proteção
individual e verificação de presença de gases no solo.

TUBULÕES A AR COMPRIMIDO
Diferente do que acontece com os tubulões a céu aberto,
os tubulões pneumáticos ou a ar comprimido podem ser executados em solos
menos coesivos e, portanto, instáveis durante a escavação. Isso porque a técnica
prevê a escavação acompanhada de revestimento.
Os tubulões a ar comprimido têm alta capacidade de carga e oferecem, como
vantagem extra, a possibilidade de serem utilizados em solos permeáveis abaixo
do nível do lençol freático. Daí sua utilização em fundações de pontes e
viadutos.

SEGURANÇA NO TRABALHO
Os métodos para execução de tubulões diferem entre si com relação aos
equipamentos utilizados. Tubulões a ar comprimido utilizam campânula,
compressor de ar, guinchos e encamisamento. Já os tubulões a céu aberto
escavados manualmente necessitam apenas de sarilho, balde e picaretas, além de
bomba submersa nos casos em que tiver presença de água.
Embora riscos de desmoronamento na escavação estejam presentes em ambas
as técnicas, em especial quando o projeto prevê base alargada, o tubulão a ar
comprimido envolve maiores riscos à saúde dos operários. “Uma das principais
dificuldades decorre do fato de o pessoal trabalhar sob altas pressões exigindo
cuidados para compressão e descompressão das campânulas, além de equipe de
primeiros socorros preparada para tratar casos de pessoas com embolias
decorrentes de trabalho sob altas pressões”, comenta Gotlieb.

CONTROLES DE EXECUÇÃO
O projeto de tubulões deve partir de uma investigação geológico-
geotécnica adequada à obra e ao terreno. Na fase de escavação, é importante
que haja o controle sistemático da geometria e da estabilidade da perfuração.
No caso de elevadas taxas de armadura, porém, deve-se
garantir que o concreto tenha a fluidez necessária para
preencher toda a escavação
Gisleine Campos

Em relação ao concreto, a dosagem não difere da usada em demais elementos


estruturais. “No caso de elevadas taxas de armadura, porém, deve-se garantir que
o concreto tenha a fluidez necessária para preencher toda a escavação”, alerta
Gisleine Campos. Também é importante a caracterização de eventual presença de
contaminantes no solo que possam atacar o concreto.
Além do controle da resistência do concreto e do aço utilizados, é fundamental ter
a presença de engenheiro geotécnico para a inspeção e liberação
dos tubulões antes de sua concretagem. “Tal cuidado é necessário para garantir
que as dimensões e solo de apoio estejam adequados, como previsto em projeto”,
destaca Gotlieb. Concluído o tubulão, devem ser realizados ensaios de verificação
da integridade (PIT) ou ensaios de carregamento (provas de carga estática ou de
carregamento dinâmico), a depender das exigências e especificações de projeto.
A ABNT NBR 6122:2010 - Projeto e Execução de Fundações é a principal norma
que traça condições de projeto e execução deste tipo de fundação. O “Manual de
Execução de Fundações e Geotecnia”, da Associação Brasileira das Empresas de
Fundações e Serviços Geotécnicos (ABEF), também aborda as questões
executivas dos tubulões, tanto a céu aberto, quanto a ar comprimido.