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Direto Penal – Teoria e Exercícios

Carlos Alfama

Olá amigos!

Hoje vamos para nossa Aula 03.

Aula 01 - Infração penal: elementos; espécies; sujeito ativo e sujeito


passivo. Princípios da legalidade e da anterioridade. Aplicação da lei
penal. A lei penal no tempo e no espaço. Irretroatividade da lei penal.
Tempo e lugar do crime. Territorialidade e extraterritorialidade da lei
penal. Lei penal excepcional, especial e temporária (OK).

Aula 02 - Pena cumprida no estrangeiro. Eficácia da sentença


estrangeira. Contagem de prazo. Frações não computáveis da pena.
Interpretação da lei penal. Analogia. Conflito aparente de normas
penais (OK).

Aula 03 – O fato típico e seus elementos. Ilicitude e causas de


exclusão. Culpabilidade: elementos e causas de exclusão.
Imputabilidade penal.

Aula 04 – Crime consumado e tentado. Pena de tentativa. Concurso


de pessoas. Concurso de crimes. Punibilidade. Excesso punível.

Aula 05 – Crimes contra a pessoa.

Aula 06 – Crimes contra o patrimônio.

Aula 07 – Crimes contra a fé pública.

Aula 08 - Dos Crimes contra a administração pública.

Aula 09 - Crimes contra a previdência social. Crimes contra as


finanças públicas.

Aula 10 - Crimes contra o sistema financeiro nacional. Crimes contra


o mercado de capitais.

Aula 11 - Crimes contra a ordem tributária. Crimes de lavagem de


dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores.

Aula 12 - Crimes de fraude a credores em processos de recuperação


judicial, extrajudicial e na falência do empresário e da sociedade
empresária.

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Carlos Alfama

Sei que estudar Direito Penal, para quem não é da área jurídica, é um
grande desafio. Mas, como em todo desafio, a satisfação de conseguir
superá-lo certamente fará valer a pena todo o esforço!

Nossa aula de hoje é importantíssima, pois iremos estudar um dos


temas mais cobrados do Direito Penal em concursos públicos: a
teoria do crime.

Não tenho dúvidas de que o assunto irá lhe ser cobrado na sua prova,
por isso, veremos o conteúdo da forma mais completa possível!

Também comentaremos, ao final da aula, 41 questões sobre o


assunto estudado. Desta maneira, você certamente não será
surpreendido no dia do certame.

Não custa lembrar-vos que estou sempre ao dispor caso surja


qualquer dúvida.

Bons estudos a todos!

Carlos Alfama.

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Teoria do Crime

No Direito Penal, o crime é conceituado sob 03 diferentes aspectos:

A) Aspecto Material: Sob o aspecto material, crime é o


comportamento humano causador de relevante lesão ou
perigo de lesão a um bem jurídico tutelado pelo Direito
Penal.

O aspecto material desconsidera a existência de uma norma


penal para a caracterização do crime, apenas leva em conta a
lesão/perigo de lesão a um bem jurídico relevante.

Importante! Decorre do aspecto material do conceito de crime a


conclusão de que não há crime sem objeto jurídico*, pois a missão do
direito penal é proteger os bens jurídicos importantes para a
convivência entre os homens.

*Obs.: Objeto jurídico x Objeto material

 O objeto jurídico do delito é o bem ou interesse juridicamente


tutelado naquele tipo penal.

Ex. 01: A vida, objeto jurídico do crime de homicídio (CP,


art. 121), é um bem jurídico tutelado pelo Direito Penal!

Ex. 02: O patrimônio, objeto jurídico do crime de furto


(CP, art. 155), é um bem jurídico tutelado pelo Direito
Penal.

 O objeto material do delito é a pessoa ou coisa sobre a qual recai


a conduta criminosa, ou seja, aquilo que a ação delituosa atinge.

Ex.: Furto de uma caneta.


Objeto jurídico do tipo penal de furto: patrimônio.
Objeto material do delito: caneta.

Como vimos, não há crime sem objeto jurídico, no entanto é


perfeitamente possível a existência de crimes sem objeto material,

Exs.: crimes de ato obsceno (art. 233) e de falso testemunho (art.


342).

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B) Aspecto Formal: Sob o aspecto formal, crime é a conduta


humana que se adequa a um determinado tipo penal.

A acepção formal do crime leva em consideração apenas a


subsunção¹ do fato à norma penal.

¹Subsunção é o enquadramento do fato concreto ao conceito


abstrato contido na norma jurídica.

No caso do furto (art. 155, do CP), por exemplo, ao dispor que é


crime “Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel” o
legislador prevê o conceito abstrato do furto.

Ocorrerá a subsunção, quando em um fato concreto, alguém praticar


uma conduta que preencha todos os elementos previstos no tipo
penal. Por exemplo, quando Mévio tomar para si (subtrair) uma
caneta de Tício (coisa alheia móvel).

No Direito Penal há duas possibilidades de subsunção:

 A adequação típica imediata (tipicidade imediata): Ocorre


a adequação típica imediata quando o agente pratica
justamente a conduta prevista no tipo penal, sem depender
outra norma para intermediar a adequação.

Por exemplo, quando alguém efetua um disparo de arma de fogo


almejando a morte de alguém que vem a falecer em razão do
disparo. Perceba que, nesse caso, a conduta do agente se adequa ao
tipo penal homicídio previsto no art. 121, do CP: “Matar alguém”.

Trata-se de uma adequação típica imediata: uma conduta que se


adequa a uma norma jurídica tendo como consequência uma sanção
penal!

 A adequação típica mediata (tipicidade mediata): É aquela


em que o agente pratica uma conduta que, se não for
intermediada por outra norma, não haveria subsunção, pois
diretamente não há adequação típica.

Seria o exemplo de alguém que efetua um disparo de arma de fogo


almejando a morte de alguém que não vem a óbito por ter sido
submetida a procedimentos médicos que lhe salvaram a vida.

Nesse caso, há tentativa de homicídio. Trata-se da aplicação de


duas normas ao caso: o art. 121, do CP: “Matar alguém” e o art. 14,
II, do CP: “Diz-se o crime tentado, quando, iniciada a execução, não
se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente ”.
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Trata-se de uma adequação típica mediata: duas ou mais normas


jurídicas para se a subsunção de apenas um fato!

Adequação Típica Imediata

CONDUTA NORMA SANÇÃO

Adequação Típica Mediata

NORMA 01
CONDUTA SANÇÃO
NORMA 02

C) Aspecto Analítico: O aspecto analítico leva em


consideração os elementos que compõe a infração penal.

Há várias teorias sobre os elementos que compõem a infração penal,


mas, para fins de concurso, devemos adotar a posição das teorias
tripartites, segundo as quais o crime é formado por três elementos:
fato típico, ilicitude e culpabilidade.

CRIME

FATO ILICITUDE CULPABILIDADE


TÍPICO

Na aula de hoje, nossa missão será dissecar o conceito analítico do


crime estudando esses três elementos.

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O Fato Típico e seus elementos

Fato Típico é uma conduta humana indesejada que produz de um


resultado e que se adequa formal e materialmente a um determinado
tipo penal.

São elementos do Fato Típico:

CONDUTA

RESULTADO
FATO TÍPICO
NEXO CAUSAL ENTRE A CONDUTA E O RESULTADO

TIPICIDADE FORMAL E CONGLOBANTE

CONDUTA

Conduta é o comportamento humano voluntário


psiquicamente dirigido a uma finalidade.

Hipóteses de ausência de conduta por ausência de


voluntariedade

Sabendo que conduta é um comportamento humano voluntário,


conclui-se que não havendo voluntariedade não há conduta e
não há sequer crime, pois não haverá Fato Típico.

Dessa maneira excluem a conduta, por ausência de voluntariedade:

 A coação física irresistível.

Há coação física irresistível, por exemplo, quando alguém, valendo-se


de sua superioridade física, utiliza-se de força para pressionar o dedo
de outrem que empunhava uma arma de fogo, acertando terceiro,
que vem a óbito em razão do disparo.

Apesar de o dedo que ter efetuado o disparo ser do sujeito coagido,


ele não praticou a conduta, por ter sido vítima de coação física
irresistível. Assim, não responderá por crime algum.

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Importante! Para descaracterizar a conduta a coação física deve ser


irresistível.

Importante! A coação moral irresistível não exclui a conduta,


mas sim a culpabilidade, conforme veremos adiante!

 Movimentos Reflexos Imprevisíveis.

É o caso de alguém que, ao empunhar uma arma, leva um choque


elétrico e, ato reflexo, dispara o gatilho. Não há conduta, pois não há
voluntariedade.

Importante! O movimento reflexo deve ser imprevisível.

Haverá conduta se, por exemplo, o agente voluntariamente encosta


parte de seu corpo em fiação condutora de eletricidade ao empunhar
uma arma de fogo e esta vem a disparar em virtude de seu
movimento reflexo ao levar o choque.

Não há que se falar, nesse caso em movimentos reflexos


involuntários, pois é previsível que ao encostar voluntariamente em
fiação elétrica o ato reflexo de contrair o dedo iria acontecer em
virtude do choque!

 Estados de Inconsciência.

Exemplo de estado de inconsciência é o sonambulismo! O agente que


pratica qualquer ato durante o estado sonâmbulo não responderá por
nenhum crime, pois não haverá sequer conduta.

Há ainda, na doutrina, o exemplo do agente que age por efeito de


hipnose.

Formas de Conduta

A conduta humana pode ser uma ação ou uma omissão.

A) Crimes Comissivos: São crimes descritos em seu tipo penal


através de verbos que denotam uma ação e praticados pelo
autor através de uma ação.

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Os tipos que descrevem uma ação são denominados tipos


proibitivos, pois descrevem a conduta proibida pelo
Direito Penal cominando uma pena a quem a pratica.

Ex.:

Furto
CP, art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia
móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

A conduta descrita nesse tipo penal (subtrair, para si ou para outrem,


coisa alheia móvel) é a conduta proibida pelo Direito Penal.

Assim, o agente que toma para si um objeto de outrem pratica o


crime de furto comissivamente, ou seja, através de uma ação.
Infringe, assim, o tipo proibitivo previsto no art. 155, do CP.

Importante! Nos crimes comissivos, a conduta do


agente infringe um tipo proibitivo.

B) Crimes Omissivos Próprios: São crimes descritos em seu tipo


penal através de verbos que denotam uma omissão.

Os tipos que descrevem uma omissão são denominados tipos


mandamentais, pois, ao cominar uma pena a quem deixa de
praticar a conduta, manda que todos a pratiquem sob pena de
serem alvos do poder de punir do Estado.

Omissão de socorro
CP, art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível
fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou
extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou
em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o
socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

O tipo penal da omissão de socorro manda que qualquer que veja


criança abandonada ou extraviada, ou pessoa inválida ou ferida, ao
desamparo ou em grave e iminente perigo preste assistência se
puder fazer sem gerar risco pessoal ou peça socorro à autoridade
pública.

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Nesse caso, o agente que se omitir ao ver uma criança abandonada


mesmo podendo agir, pratica omissivamente, ou seja, através de
uma omissão, o crime de Omissão de Socorro.

Importante! Nos crimes omissivos, a conduta do agente


infringe um tipo mandamental.

C) Crimes Omissivos Impróprios ou Comissivos por


omissão: São crimes descritos em seu tipo penal através de
verbos que denotam ação, mas praticados através de uma
omissão por um agente que tinha o dever jurídico de
evitar o resultado e, que, podendo agir, se omite.

É a omissão do “garante”, figura prevista no art. 13, §2°, do CP.

O garante que se omite, podendo agir, responde pelo


resultado como se tivesse praticado uma ação, pois sua
omissão é penalmente relevante.

Ex.: O garante que, podendo agir, deixa de evitar a morte ao se


omitir responde por homicídio.

Importante! O art. 13, §2°, do CP funciona como norma


mandamental geral.
Assim, nos crimes comissivos por omissão, o agente que tinha
o dever jurídico de evitar o resultado e, podendo agir, se omite
viola uma norma mandamental geral.

São garantes, no Direito Penal, quem:

C.1) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou


vigilância (art. 13, §2°, ‘a’, do CP).

Ex.: Se um médico ou bombeiro militar deixar de prestar assistência,


quando possível fazê-lo, à pessoa ferida e esta vier a óbito em
decorrência dessa omissão, responderá por homicídio e não por
omissão de socorro.

Ex. 02: A mãe é garante do recém-nascido, pois tem a obrigação de


cuidado do filho. Caso a mãe deixe de alimentar seu filho e este vier
a óbito, responderá por homicídio praticado através de omissão
imprópria.

Ex. 03: O policial que deixa de agir diante da agressão de um agente


a terceiro, responde pelo resultado da agressão (lesão corporal ou
morte), se, no caso, pudesse ter agido.

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C.2) de outra forma, assumiu a responsabilidade de


impedir o resultado (art. 13, §2°, ‘a’, do CP).

Ex. 01: O vigilante de uma instituição bancária é garante, pois,


apesar de não ter obrigação legal de agir, assumiu a responsabilidade
de impedir o resultado através do contrato de trabalho. Assim, se o
vigilante podendo agir tiver se omitido, responderá pelo resultado
que vier a ocorrer.

Ex. 02: O mesmo ocorre com o Salva-Vidas de um clube que se


omite diante de um afogamento de uma criança. Se tivesse, no caso
a possibilidade física de agir, responderá pelo resultado que vier a
ocorrer.

C.3) com seu comportamento anterior, criou o risco


da ocorrência do resultado (art. 13, §2°, ‘a’, do CP).

Ex.: É o caso de quem empurra uma pessoa que não sabe nadar em
uma piscina. Diante desse comportamento que gerou o risco de
morte, o agente torna-se garante e, caso se omita mesmo podendo
agir, responderá pelo resultado que vier a ocorrer como se o tivesse
causado comissivamente.

Situação Exemplo Pessoa Comum Garante


O agente deixa de prestar
Responde por
assistência à pessoa ferida,
Omissão de Responde por homicídio
mesmo podendo fazê-lo, e a
Socorro
pessoa vem a óbito.
O agente deixa de prestar
assistência à pessoa ferida,
Não responde por Não responde por crime
em situação que justifique a
crime algum. algum.
omissão, e a pessoa vem a
óbito.

Importante! O Direito Penal não exige heroísmo de ninguém, o


garante só responderá pelo resultado caso tenha se omitido mesmo
podendo agir no caso concreto.

Conduta dolosa ou culposa

Quando estudamos o conceito de conduta, dissemos que é um


comportamento humano voluntário psiquicamente dirigido a uma
finalidade.

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O fim a que é dirigida a conduta do agente, ou seja, a vontade do


sujeito ao praticar a ação ou omissão é o elemento subjetivo de
sua conduta, que pode ser o dolo ou a culpa.

Importante! Inexistindo dolo e culpa não haverá conduta e,


portanto, não haverá sequer crime, por ausência de fato típico, como
nos casos de força maior e de caso fortuito, por exemplo.

Conduta Dolosa
Teorias do Dolo

A) Teoria da Vontade: Para a teoria da vontade, há dolo quando


o agente tem a previsão do resultado e aja querendo praticar a
conduta prevista no tipo penal.

B) Teoria da Representação: Para a teoria da representação, há


dolo quando o agente tem a previsão do resultado, e decide
prosseguir com a conduta, ainda que não tenha aceitado a
ocorrência do resultado.

C) Teoria do Consentimento: Para essa teoria, há dolo quando o


agente tem a previsão do resultado e aceita sua ocorrência
(assume o risco) decidindo prosseguir com a conduta.

Importante! O Código Penal, no seu art. 18, I, adotou as


teorias da vontade e do consentimento em relação aos
crimes dolosos:

O crime é doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu o


risco de produzi-lo (art. 18, I, do CP).

Conceito de Dolo

Dolo é a vontade consciente dirigida a realizar ou aceitar


realizar a conduta prevista no tipo penal incriminador.

Ex. 01: O inimigo capital de Mévio que dispara um projétil em


direção ao seu crânio objetivando surrupiar-lhe a vida
responderá por homicídio doloso se Mévio vier a falecer,
pois quis o resultado.

Ex. 02: O lutador de artes marciais que desfere um soco em


região da cabeça da vítima que sabe ser frágil não objetivando
o resultado morte, mas aceitando conscientemente que a
morte pudesse ocorrer, assumiu o risco. Se a vítima vier a
falecer responderá por homicídio doloso.

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Ex. 03: A esposa, enfurecida diante de flagrante de traição do


marido, lhe desfere um forte chute na região genital, com
intenção de lesioná-lo. O esposo tem parte do intestino
dilacerado em razão da agressão, o que o leva à morte. A
esposa não deve responder por homicídio, pois não quis a
morte, nem assumiu o risco de produzi-la, mas somente por
lesão corporal seguida de morte.

Elementos do Dolo

 Consciência: elemento intelectivo.


 Vontade: elemento volitivo.

Espécies de Dolo

A) Dolo Direto: É a vontade consciente dirigida a realizar a


conduta prevista no tipo penal incriminador.

O Dolo Direto pode ser de 1° grau ou de 2° grau:

 No dolo direto de 1° grau o agente prevê o resultado e age na


busca de realizá-lo.

o Ex.: A esposa, com intenção de matar, dispara um tiro de


arma de fogo no tórax do marido, que vem a falecer em
razão da conduta. A esposa responderá por homicídio
doloso (dolo direto de 1° grau).

 No dolo de 2° grau ou dolo de consequências necessárias o


resultado é consequência necessária da conduta do agente que
age, mesmo tendo consciência de que o resultado ocorrerá.

o É o caso de um terrorista que, almejando a morte do


Presidente dos Estados Unidos, lança uma bomba em
direção à Casa Branca. O terrorista responderá por tantos
homicídios quantos vierem a ocorrer. Mas com dolo
direto de 1° grau em relação ao homicídio do
Presidente e com dolo direto de 2° grau em relação
a todas as demais pessoas que vierem a falecer em
decorrência de sua conduta.

B) Dolo Indireto: Há duas subespécies de Dolo Indireto, quais


sejam:

 Dolo Indireto Eventual: O agente prevê que o resultado pode


ocorrer em decorrência de sua conduta, mas, mesmo não o
desejando, assume o risco de produzi-lo.
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o O STF entende que quem pratica racha (corrida


automotiva) em via pública assume o risco de
Importante! causar a morte de alguém. Assim, o competidor do
racha que causar morte de terceiro responderá por
homicídio doloso, a título de dolo eventual. Informativo
n° 645, STF.

 Dolo Indireto Alternativo: O agente prevê uma pluralidade


de resultados que podem ocorrer em decorrência de sua
conduta e dirige sua conduta para realizar um ou outro com
igual vontade.

o É o caso do agente que desfere um golpe de barra


de ferro contra a cabeça de alguém desejando, com
igual vontade, matar ou lesionar a vítima.

Conduta Culposa

CP, art. 18, II: “Diz-se o crime culposo, quando o agente deu causa
ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia”.

Nos crimes culposos, a conduta não é psiquicamente dirigida a um


fim ilícito, como acontece nos crimes dolosos.

O agente pratica um fato ilícito não querido e nem aceito, por


ter violado o dever de cuidado que é imposto a todos os que
vivem em sociedade.

Ex.: O pai que, ao levar seu filho para a escola, imprudentemente


imprime uma velocidade não permitida em seu veículo atropelando
pedestre que passava na via naquele momento. Não quis o resultado
morte que ocorreu, nem mesmo aceitou que viesse a ocorrer ao
praticar sua conduta. Todavia, violou um dever objetivo de
cuidado e causou um resultado que era previsível a quem
dirige a velocidades elevadas. Deve responder por homicídio
culposo!

Requisitos do Crime Culposo

01) Conduta humana voluntária

02) Violação de um dever de cuidado objetivo, através de:


a. Imprudência: atos afoitos.
b. Negligência: omissão decorrente de falta de precaução.
c. Imperícia: inaptidão para o exercício de arte, ofício ou profissão.

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03) Resultado Naturalístico Involuntário: não há crime culposo sem


resultado natural (que causa alteração física no mundo externo).

04) Nexo causal entre a conduta e o resultado.

05) Previsibilidade Objetiva do Resultado! Para preencher esse


requisito pergunta-se se o homem de inteligência mediana seria capaz de
prever a possibilidade de ocorrência do resultado no caso concreto. Se
não houver sequer a previsibilidade não haverá conduta, pois o
comportamento não será nem doloso, nem culposo!
06) Tipicidade: Em regra, os todos os tipos penais previstos em qualquer
lei penal só são punidos na forma dolosa. Assim, só há punição por
crime culposo nos casos expressos em lei!

Os crimes culposos são tipos penais abertos! A


lei não descreve quais condutas são negligentes,
imperitas e imprudentes, cabe ao julgador,
conforme seu conhecimento e experiência,
complementar o sentido da lei aplicando-a ao caso
concreto!
IMPORTANTE!
Assim, é diante dos fatos concretos que o juiz vai
analisar se houve ou não violação do dever objetivo
de cuidado! Por isso, a mera inobservância de
disposição regulamentar não presume negligência!
Isso significa que não é mais aceita no Direito Penal
a culpa presumida (culpa in re ipsa).

Espécies de crimes culposos


 Culpa Consciente: O agente prevê o resultado, mas não o
aceita como possível, pois acredita poder evitá-lo com suas
habilidades pessoais!

o Entendimento recente do STF: O Supremo entendeu


que o simples fato de um motorista matar alguém
ao dirigir alcoolizado não caracteriza Dolo Eventual,
já que, mesmo tendo previsão de que de sua conduta
poderia resultar a morte, não se pode presumir que o
agente assumiu o risco de matar.
Assim, em regra, matar ao dirigir alcoolizado gera
responsabilidade por Homicídio Culposo, na modalidade
Culpa Consciente. Vide HC 107801 SP (STF).

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 Culpa Inconsciente: O agente não prevê o resultado que lhe


era, no entanto, previsível!

Impossibilidade de compensação de culpas no Direito Penal


Brasileiro

Imagine um acidente entre dois veículos automotores que provoca


lesões graves nos dois motoristas. Na investigação da causa do
acidente conclui-se que ambos dirigiam embriagados e acima do
limite de velocidade da via.

No caso, ambos são autores e vítimas do crime de lesão corporal.

No caso, ambos devem responder pelo crime que cometeram,


ainda que tenham sido vítimas em igual medida, pois no
Direito Penal Brasileiro não existe compensação de culpas!

Espécies de Dolo X Espécies de Culpa

Consciência Vontade

Há previsão do
DOLO DIRETO O agente quer o resultado.
resultado.

O agente não quer o resultado, mas


Há previsão do
DOLO EVENTUAL assume o risco de provoca-lo com
resultado.
sua conduta.

O agente não quer o resultado, nem


assume o risco de produzi-lo.
CULPA Há previsão do
CONSCIENTE resultado. Pratica a conduta por acreditar que
pode evitar o resultado que previu
com suas habilidades pessoais.

Não há previsão do
resultado, mas há
previsibilidade objetiva!
O agente não quer nem aceita nem
CULPA Ou seja, o homem assume o risco de produzir o
INCONSCIENTE médio seria capaz de resultado.
prever a possível
ocorrência do
resultado!

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RESULTADO

O resultado, de que depende a existência do crime, pode ser:

01) Resultado naturalístico: quando da conduta resulta alteração


física no mundo exterior.

Ex.: A morte de uma pessoa é um resultado naturalístico.

02) Resultado normativo: quando da conduta não resulta


alteração física no mundo exterior, mas sim lesão ou perigo de
lesão a um bem jurídico tutelado.

Ex.: Uma grave ofensa dirigida a alguém não provoca nenhuma


alteração física no mundo exterior, mas provoca lesão à honra, objeto
jurídico do crime de Injúria e bem juridicamente tutelado pelo Direito
Penal.

Importante! Há crime sem resultado material, mas não


há crime sem resultado normativo!

Classificação dos crimes quanto ao Resultado

A) Crimes materiais

Os crimes materiais são aqueles que descrevem no tipo penal um


resultado naturalístico, o qual é indispensável para sua
consumação.
Ex.: Homicídio.

B) Crimes formais

Os crimes formais são aqueles que descrevem no tipo penal um


resultado naturalístico, o qual é dispensável para consumação do
delito, constituindo mero exaurimento do fato delituoso.

Ex.: Na extorsão, basta que o criminoso exija vantagem indevida


para que se consuma o crime, ainda que não haja entrega da
vantagem econômica objeto material do crime.

C) Crimes de mera conduta

Os crimes de mera conduta são aqueles que não geram resultado


naturalístico.

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Ex.: Porte Ilegal de Arma de Fogo: não há modificação no mundo


exterior (resultado naturalístico), mas há perigo de lesão à
incolumidade pública, que é um bem juridicamente tutelado,
havendo, portanto, somente um resultado normativo.

NEXO DE CAUSALIDADE

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente


é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou
omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

Importante! O Código Penal adotou, em seu art. 13, Teoria


dos Equivalentes Causais, também chamada de Teoria da
Causalidade Simples ou Teoria da Conditio Sine Qua Non.

Para essa teoria, toda ação ou omissão sem a qual o resultado não
teria ocorrido é considerada causa.

Para aplicar a Teoria dos Equivalentes Causais utiliza-se a Teoria da


Eliminação Hipotética dos Antecedentes Causais (Teoria de
Thyrén).

A Teoria de Thyrén é, na verdade, um método para saber o que é


causa ou não do delito na Teoria dos Equivalentes Causais.

Funciona assim: caso o resultado persista mesmo que se elimine


hipoteticamente um determinado evento da linha de antecedentes do
fato, tal evento não é causa.

Como exemplo, vamos aplicar a Teoria de Thyrén na linha do tempo


de um crime de homicídio:

Primeiro beijo Disparo em


do agente. direção à vítima.

(...)

Nascimento do Aquisição, pelo Morte da Vítima


agente. agente, de
arma de fogo.

Assim, utilizando a Teoria de Thyrén, descobrimos o que é causa ou


não do delito quando se adota a Teoria dos Antecedentes
Causais:

 Se não houvesse o disparo em direção à vítima o resultado não


teria ocorrido: então o disparo da arma em direção à vítima é
causa da morte.
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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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 Se o agente não tivesse adquirido a arma de fogo o resultado


não teria ocorrido: então a aquisição da arma pelo agente é
causa da morte.

 Mesmo se o agente não tivesse dado o primeiro beijo, o


resultado teria ocorrido da mesma maneira: então o primeiro
beijo não é causa da morte.

 Se o agente não tivesse nascido o resultado morte não teria


ocorrido: então o nascimento do agente é causa da morte.

Percebam que, segundo a teoria da causalidade simples, até mesmo


o nascimento do agente é causa do delito, pois sem tal evento o
resultado não teria ocorrido.

Dá pra ir mais adiante: se a mãe do agente não tivesse nascido, o


agente não teria nascido e, por conseguinte, o resultado não teria
ocorrido... Assim, segundo a teoria adotada no nosso Código Penal, o
nascimento da mãe do agente é causa do delito.

Dessa maneira chegamos a uma conclusão:

Importante! A Teoria dos Equivalentes Causais permite um regresso


infinito ao considerar como causa toda ação ou omissão sem o qual o
resultado não teria ocorrido.

Qual o fundamento jurídico que essa teoria utiliza para não cometer a
injustiça de se imputar o resultado dos crimes às mães dos agentes
que praticam crimes?

Na Teoria dos Equivalentes Causais o crime só não é imputado a


todos os que praticaram condutas consideradas causas do resultado
porque não são todas as condutas-causas que há o elemento
subjetivo do crime (dolo ou culpa).

Teoria da Imputação Objetiva

Para corrigir a possibilidade de regresso ao infinito da Teoria dos


Equivalentes Causais, surgiu a Teoria da Imputação Objetiva, que
tem sido adotada pelos nossos tribunais superiores.

Para a Teoria da Imputação Objetiva, causa é a ação ou omissão


criadora de um risco não tolerado pela sociedade sem a qual o
resultado não teria ocorrido.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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Sob a luz da teoria da imputação objetiva, o nascimento da mãe do


agente não é causa do delito, pois, apesar de ser um evento sem o
qual o resultado não teria ocorrido, não é uma ação ou omissão
criadora de um risco proibido.

Requisitos da Teoria da Imputação Objetiva

Para que determinada conduta seja considerado causa, sob a ótica da


Teoria da Imputação Objetiva, ela deve:

 Criar um risco não tolerado pela sociedade.


 Concretização o risco no resultado.

Risco não tolerado (risco proibido) e Princípio da Confiança

Associada à teoria da imputação objetiva, a doutrina sust enta que


vigora o princípio da confiança, segundo o qual a conduta de quem
confia que o outro se comportará prudentemente, não tendo razão
suficiente para duvidar ou crer o contrário, não pode ser entendida
como um risco não tolerado.

Foi com base na adoção da Teoria da Imputação Objetiva e no


princípio da confiança que o STJ concedeu ordem de Habeas Corpus
para trancar ação penal que corria em desfavor de um grupo que
atirou um estudante na piscina, que veio a morrer afogado por estar
sob efeito de substâncias entorpecentes:

Processual penal. Habeas corpus. Homicídio culposo.


Morte por afogamento na piscina. Comissão de
formatura. Inépcia da denúncia. Acusação genérica.
Ausência de previsibilidade, de nexo de causalidade e
da criação de um risco não permitido. Princípio da
confiança. Trancamento da ação penal. Atipicidade da
conduta. Ordem concedida.

1. Afirmar na denúncia que “a vítima foi jogada dentro da


piscina por seus colegas, assim como tantos outros que
estavam presentes, ocasionando seu óbito” não atende
satisfatoriamente aos requisitos do art. 41 do Código de
Processo Penal, uma vez que, segundo o referido dispositivo
legal, “A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato
criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do
acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo,
a classificação do crime e, quando necessário, o rol das
testemunhas.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

2. Mesmo que se admita certo abrandamento no tocante ao rigor


da individualização das condutas, quando se trata de delito de
autoria coletiva, não existe respaldo jurisprudencial para uma
acusação genérica, que impeça o exercício da ampla defesa,
por não demonstrar qual a conduta tida por delituosa,
considerando que nenhum dos membros da referida comissão
foi apontado na peça acusatória como sendo pessoa que
jogou a vítima na piscina.

3. Por outro lado, narrando a denúncia que a vítima afogou-se


em virtude da ingestão de substâncias psicotrópicas, o que
caracteriza uma autocolocação em risco, excludente da
responsabilidade criminal, ausente o nexo causal.

4. Ainda que se admita a existência de relação de causalidade


entre a conduta dos acusados e a morte da vítima, à luz da
teoria da imputação objetiva, necessária é a
demonstração da criação pelos agentes de uma
situação de risco não permitido, não-ocorrente, na
hipótese, porquanto é inviável exigir de uma Comissão de
Formatura um rigor na fiscalização das substâncias ingeridas
por todos os participantes de uma festa.

5. Associada à teoria da imputação objetiva, sustenta a doutrina


que vigora o princípio da confiança, as pessoas se
comportarão em conformidade com o direito, o que não
ocorreu in casu, pois a vítima veio a afogar-se, segundo a
denúncia, em virtude de ter ingerido substâncias
psicotrópicas, comportando-se, portanto, de forma contrária
aos padrões esperados, afastando, assim, a responsabilidade
dos pacientes, diante da inexistência de previsibilidade do
resultado, acarretando a atipicidade da conduta.

6. Ordem concedida para trancar a ação penal, por atipicidade


da conduta, em razão da ausência de previsibilidade, de nexo
de causalidade e de criação de um risco não permitido, em
relação a todos os denunciados, por força do disposto no art.
580 do Código de Processo Penal. HC 46.525-MT, da Quinta
Turma do STJ, rel. Min. Arnaldo Esteves, j. 21.03.06,
DJU de 10.04.06, p. 245

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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Concausas

Causa superveniente relativamente independente

CP, art. 13, § 1º - A superveniência de causa relativamente


independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o
resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os
praticou.

O dispositivo legal acima dispõe sobre a causa superveniente


relativamente independente.

Causa superveniente relativamente independente é aquela que se


origina após a conduta do agente, mas em razão dela.

Importante! Em relação ao dispositivo previsto no art. 13, § 1°, do


CP, deve-se saber que a Teoria da Causalidade Adequada,
segundo a qual somente haverá imputação de um fato ao agente se,
na análise do conjunto das causas, a conduta do agente foi razoável e
idônea para, por si só, gerar o resultado.

Assim, para saber se uma causa superveniente relativamente


independente era idônea para, por si só, gerar o resultado, deve-se
perguntar se ela estava na linha de desdobramento normal da
conduta do agente:

 Se sim: o resultado deve ser imputado ao agente.

 Se não: somente imputam-se ao agente os atos que praticou.

Exemplo 01: Tício, com intenção de matar Mévio, golpeia-o com uma
barra de ferro na região do crânio. No entanto, Mévio somente vem a
falecer em virtude de acidente que a ambulância que o socorreu sofre
a caminho do hospital.
O acidente que a ambulância sofre é uma causa superveniente
relativamente independente em relação à conduta de Tício.

Pergunta: Um acidente da ambulância está da linha de


desdobramento normal de um golpe de barra de ferro? NÃO! Portanto,
é excluída a imputação de Tício pelo resultado e ele somente responde
pelos atos que praticou: tentativa de homicídio no caso.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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Exemplo 02: Tício, com intenção de matar Mévio, golpeia-o com uma
barra de ferro na região do crânio. No entanto, Mévio soment e vem a
falecer em virtude de infecção hospitalar contraída ao ser internado,
em decorrência das lesões, no hospital público da cidade.
A infecção hospitalar é uma causa superveniente relativamente
independente em relação à conduta de Tício.

Pergunta: Uma infecção hospitalar está da linha de desdobramento


normal de um golpe de barra de ferro ao causar ferimentos que
deixam o corpo vulnerável à bactérias? SIM! Portanto, não é excluída
a imputação: Tício responde por homicídio.

Demais concausas e suas consequências

A causa superveniente relativamente independente é a única


positivada no Código Penal. A doutrina analisa as consequências das
outras possibilidades de concausas:

Absolutamente
CONCAUSA Relativamente Independente
Independente

É quando a causa efetiva preexiste à


conduta do agente.
Se a causa efetiva
é totalmente
Ex.: A vítima é portadora de hemofilia, o
independente da
agente a golpeia com uma faca. A vítima
conduta do agente
Preexistente morre de hemorragia, por não conseguir
não se pode
estancar o sangue. Não morreria não fosse
imputar a ele o
sua doença preexistente.
resultado.
O resultado só pode ser imputado ao agente
caso este conhecesse a causa preexistente.

É quando a causa efetiva ocorre


simultaneamente e em virtude da conduta
Se a causa efetiva
do agente.
é totalmente
independente da
Ex.: Tício dispara contra Mévio, que, em
conduta do agente
Concomitante decorrência da emoção gerada pelo
não se pode
acontecimento, sofre um infarto e vem
imputar a ele o
à óbito.
resultado.
O resultado é imputado ao agente!

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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Se a causa efetiva
é totalmente
independente da
Superveniente É o caso estudado no art. 13, §1°, do CP. conduta do agente
não se pode
imputar a ele o
resultado.

TIPICIDADE

A tipicidade é a soma de dois aspectos:

 Tipicidade formal; e
 Tipicidade conglobante.

A) Tipicidade Formal: Há tipicidade formal quando uma situação


concreta se adequa a todos os elementos previstos em abstrato
em determinado tipo penal. Os tipos penais podem conter os
seguintes elementos:

 Elementos Objetivos: Conforme ensina Nucci, são os que não


dizem respeito à vontade do agente, embora possam estar por ela
envolvidos. Dividem-se em:

o Elementos Descritivos: São os que descrevem


circunstâncias externas do fato e da pessoa do autor que
podem ser captáveis pelos sentidos humanos. Ex.: O verbo
“matar”, no tipo que prescreve o homicídio. A conduta que
leva à morte de alguém pode ser detectada pela visão
humana.

o Elementos Normativos: São aqueles elementos do tipo


penal que necessitam de uma valoração por parte do
intérprete. Ex.: art. 121, §3°. “Se o homicídio é culposo:”.
Cabe ao juiz valorar a conduta do caso concreto para
caracterizá-la como negligente ou imperita ou imprudente.

 Elementos Subjetivos: São os elementos que dizem respeito à


vontade do agente (elemento anímico).

Em regra é o dolo, mas há casos em que o tipo prevê uma finalidade


específica para sua caracterização.
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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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É o caso da prevaricação, por exemplo: “CP, art. 312. Retardar ou


deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra
disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou
sentimento pessoal”.

Elemento subjetivo do tipo

Importante! Há uma classificação, já em desuso no Direito Penal,


mas às vezes cobrada em concursos públicos, que considera como
Tipos Normais aqueles que contêm apenas elementos descritivos
(homicídio, por exemplo), e como Tipos Anormais aqueles que
contêm elementos normativos ou subjetivos (crimes culposos, p.ex.).

B) Tipicidade Conglobante

A Tipicidade Conglobante, por sua vez, se divide em:

 Tipicidade material;

 Ato antinormativo.

B.1) Tipicidade Material: Aduz ao conceito material de crime.


Só haverá tipicidade material se houver relevante lesão ou
perigo de lesão ao bem jurídico tutelado.

Ex.: Quando alguém toma para si uma borracha de outrem, pratica


uma conduta em que há tipicidade formal (furto, art. 155, CP), mas
em que não há tipicidade material. Explico: uma borracha tem um
valor tão ínfimo que tal comportamento não causa relevante lesão ao
patrimônio, objeto jurídico do crime de furto e bem jurídico tutelado
pelo Direito Penal.

Assim, quando a conduta praticada pelo agente atingir de forma


ínfima o bem tutelado pela norma penal não haverá crime algum, em
decorrência da atipicidade material da conduta!

Trata-se do princípio da insignificância.

Importante! O princípio da insignificância ou da bagatela


exclui a tipicidade material da conduta.

o Requisitos para que o princípio da insignificância


afaste a tipicidade material:

 Inexpressividade da lesão provocada no bem


jurídico tutelado.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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 Mínima ofensividade da conduta.

 Reduzido grau de reprovabilidade do


comportamento.

 Inexistência de periculosidade social do ato .

Importante! Em decorrência dos requisitos da inexistência de


periculosidade social do ato e do reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento, os tribunais superiores não reconhecem a aplicação
do princípio da insignificância ao crime de roubo, em que há o
emprego de violência, de grave ameaça ou de meio que reduza a
impossibilidade de resistência da vítima, ainda que seja ínfimo o
objeto material do delito (STJ - HC 149877/MG).

B.2) Ato antinormativo: Para que haja tipicidade


conglobante, o ordenamento jurídico deve ser considerado
como um bloco monolítico, de forma que, quando algum
ramo do direito permitir ou determinar a prática de uma
conduta formalmente típica, o fato será considerado atípico.

o Ex. 01: Quando a polícia, por ordem judicial, viola um


domicílio, contra vontade do morador, para cumprir
regularmente um mandado de busca e apreensão, apesar
de praticar um fato formal e materialmente típico
(violação de domicílio, art. 150, CP), não pratica um ato
antinormativo, pois sua conduta é determinada pelo
Direito! Não havendo ato antinormativo não há crime no
exemplo, pois, não há Tipicidade Conglobante.

o Ex. 02: Quando o cidadão, ao surpreender agente que


empreitava contra ele um furto, prende em flagrante o
meliante, apesar de praticar um ato formal e
materialmente típico, não pratica um ato antinormativo,
pois sua conduta é incentivada pelo Direito (qualquer do
povo pode prender quem esteja em flagrante delito –
CPP, art. 301). Não havendo ato antinormativo, não há
crime, por inexistir a Tipicidade Conglobante.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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ILICITUDE ou ANTIJURIDICIDADE

Ilicitude é a contradição entre a conduta e o ordenamento jurídico.

Caráter indiciário do Fato Típico em relação à ilicitude

Importante! A tipicidade da conduta é um indício de sua


ilicitude. Teoria da ratio cognoscendi.

Ou seja, sem tipicidade, não há antijuridicidade penal, pois,


comportadas as exclusões legais, todo fato típico é antijurídico.

Todo fato antijurídico é um fato típico, mas nem todo fato


típico é ilícito.

Ex.: O agente desfere um tiro de arma de fogo na direção da vítima


com intenção de matá-la. A vítima vem, então, a falecer em razão da
agressão.

Não há dúvida que a ação do agente é um fato típico, pois há uma


conduta dolosa que gerou um resultado o qual se adequa formal e
materialmente ao tipo penal previsto no art. 121, do CP (homicídio).

Caracterizado o fato típico presume-se também sua ilicitude.

Todavia, pode ser que reste comprovado que o agente agiu em


legítima defesa, se, por exemplo, demonstrar que a vítima, na
verdade, era um meliante que, naquele momento, assaltava-o
empunhando também uma arma de fogo.

Nesse caso, apesar de o fato ser típico, não é ilícito, pois foi
demonstrada uma causa excludente da ilicitude: a legítima defesa.

Fato Injusto

Quando uma conduta consubstancia um fato típico e ilícito, temos o


denominado injusto penal!

INJUSTO PENAL FATO TÍPICO ILICITUDE

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Causas de Exclusão da Ilicitude (Descriminantes ou


Justificantes)

As causas de exclusão da ilicitude são as exceções em que um fato


típico não é ilícito. Presente uma causa de exclusão da ilicitude, não
haverá crime.

As causas de exclusão da ilicitude são também denominadas


descriminantes ou justificantes.

Há, no Direito Penal, as seguintes descriminantes:

A) As previstas no art. 23 do Código Penal

Exclusão de ilicitude

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:

I - em estado de necessidade;

II - em legítima defesa;

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular


de direito.

Assim, são 04 causas excludentes de ilicitude na parte geral do


Código Penal (art. 1° ao art. 120):

ESTADO DE NECESSIDADE

CAUSAS GERAIS LEGÍTIMA DEFESA


EXCLUDENTES
DA ILICITUDE ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL

EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO

Tais descriminantes aplicam-se a todos os delitos do ordenamento


jurídico brasileiro.

B) Previstas na parte especial do Código Penal

Aplicam-se apenas aos delitos a que se referem.

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Ex.: O aborto necessário, previsto no art. 128, I, do CP, que exclui


a ilicitude da conduta de abortar quando praticada por médico, desde
que não haja outro meio de salvar a vida da gestante.

C) Previstas em leis extravagantes

Também se aplicam somente às condutas a que se referem.

Ex.: Legitima Defesa da Posse, prevista no art. 1.210, §1°, do


Código Civil. Não é a mesma legitima defesa prevista no Código
Penal, pois, considera legítima a reação mesmo contra agressão já
consumada à propriedade, enquanto no CP a reação só é legítima
contra agressão atual ou iminente.

D) Causa supralegal de exclusão da ilicitude

Embora não haja previsão legal, entende-se que o consentimento


do ofendido exclui a ilicitude da conduta, desde que o bem jurídico
seja disponível e que o ofendido seja capaz.

Ex.: Lesão corporal leve decorrente de tatuagem. Apesar de o


tatuador praticar um fato típico, entende-se que não é um ato ilícito,
pois o consentimento do tatuado é uma descriminante no caso.

ESTADO DE NECESSIDADE

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato


para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem
podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício,
nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever


legal de enfrentar o perigo.

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito


ameaçado, a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

Quem age em estado de necessidade sacrifica um bem penalmente


tutelado para salvar de perigo atual outro bem, próprio ou de
terceiro.

Para caracterização do estado de necessidade, a decisão de sacrificar


um bem jurídico para salvar outro deve ser inevitável.

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Além disso, o estado de necessidade só exclui a ilicitude se não fosse


razoável exigir o sacrifício do bem em perigo que foi salvo.

Ex.: O agente que, para salvar uma criança que se encontrava


sozinha em uma casa em chamas, arromba a porta de entrada e
entra em domicílio alheio sem permissão do morador. O fato
praticado é típico (violação de domicílio), mas não é ilícito, posto que ,
no caso, o sacrifício do bem jurídico (inviolabilidade do domicílio) teve
como finalidade salvar de perigo atual a vida de um ser humano, não
sendo razoável do agente que aceitasse a morte da criança ao não
adentrar na casa.

Ex. 02: Furto famélico – o furto de alimentos, quando atitude


inevitável para salvar o agente da fome, não configura crime, pois
considera-se que o agente agiu em estado de necessidade.

Requisitos do Estado de Necessidade

A) Perigo Atual

No Estado de Necessidade o perigo deve ser atual. Não basta que


seja iminente!

B) Situação de perigo não gerada dolosamente pelo agente

O causador doloso de uma situação de perigo não pode sacrificar


direito alheio alegando agir em estado de necessidade.

Ex.: Quem dolosamente provoca um incêndio em uma sala de


cinema, não pode, ao fugir para salvar-se, alegar que as lesões que
causou em terceiros foram decorrentes de situação de estado de
necessidade.

C) Para salvar direito próprio ou de terceiro

A alegação de estado de necessidade de terceiro não depende de


consentimento do terceiro. O agente que salva direito alheio de
perigo atual não precisa buscar conhecer se a pessoa desejava ou
não ter seu bem salvo.

É o caso de alguém que, ao ver alguém se afogando na piscina de


uma residência, entra sem permissão do morador e salva a pessoa do
afogamento. Descobre posteriormente que se tratava de uma
tentativa de suicídio. Não responderá por violação de domicílio
em virtude de ter agido em estado de necessidade de terceiro.

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D) Inexistência de dever legal de enfrentar o perigo

Quem tem o dever legal de enfrentar o perigo não pode alegar estado
de necessidade (art. 24, §1°).

Entende-se que os garantes, previstos no art. 13, §2°, do CP, têm o


dever legal de enfrentar o perigo, não podendo sacrificar direito
alheio para salvar direito próprio sob alegação de estado de
necessidade.

Segundo a Exposição de Motivos do Código Penal, a finalidade desse


dispositivo é evitar que pessoas obrigadas a vivenciar situações de
perigo, ao menor sinal de risco, se furtem ao seu compromisso.

No entanto, o Direito Penal não exige de ninguém atos de heroísmo,


o bombeiro, por exemplo, não está obrigado a se matar para salvar
terceiros.

E) Inevitabilidade do comportamento lesivo

Para caracterizar a descriminante do estado de necessidade, o


sacrifício do bem deve ser inevitável para se salvar da situação de
perigo atual.

Guilherme de Souza Nucci cita o exemplo do agente que, ao ser


atacado por um cão feroz, embora possa, fechando o portão,
esquivar-se da investida, mata o animal a pretexto de agir em estado
de necessidade. A lesão causada era evitável no caso, assim,
não pode o agente alegar estado de necessidade.

F) Proporcionalidade do sacrifício do bem ameaçado

Importante! O Código Penal adota a Teoria Unitária do Estado de


Necessidade. Só se pode alegar estado de necessidade quando
o bem sacrificado era tão valioso ou mais valioso quanto o
bem salvo do perigo atual.

Ex.: Não se pode sacrificar uma vida, para salvar patrimônio!

Diferentemente da Teoria Diferenciadora, em que no caso de haver


desproporção entre o bem sacrificado (mais valioso) e o bem salvo
(menos valioso) resta excluída a culpabilidade, na teoria adotada
pelo CP se o bem jurídico sacrificado for mais valioso que o
bem salvo haverá crime, incidindo apenas uma redução de pena.

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G) CONHECIMENTO DA SITUAÇÃO DE FATO JUSTIFICANTE

O agente deve conhecer a situação de perigo atual que o levou a


sacrificar o bem.

Ex.: O agente que, com intuito de furtar uma loja, quebra o vidro que
impedia a entrada e com essa atitude salva o vigilante que lá estava
de um incêndio que se alastrava velozmente, não pode alegar estado
de necessidade para se eximir de sua conduta!

Impossibilidade de aplicação do Estado de Necessidade em


crimes habituais e permanentes

A jurisprudência é reiterada no sentido de que no caso dos


crimes habituais e permanentes não cabe alegação de estado
de necessidade. RT 399/309, 383/197, 376/252, 395/368,
377/239;

Estado de Defesa Defensivo X Estado de Defesa Ofensivo

Estado de Defesa Defensivo: é aquele em que o agente dirige sua


ação contra a coisa que promana o perigo para o bem jurídico
defendido. Ex.: Agente que, atacado por um cão feroz, mata o animal
agressor.

Estado de Defesa Ofensivo: é aquele em que a ação do agente se


dirige contra coisa diversa daquela que promana o perigo para o bem
jurídico defendido. Ex.: Agente que, para salvar da morte alguém que
sofre de infarto, furta veículo de terceiro.

A classificação não gera diferentes efeitos penais, pois ambos são


descriminantes (excludentes de ilicitude). A importância dessa
classificação reside no âmbito da responsabilidade civil.

LEGÍTIMA DEFESA

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando


moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão,
atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.

Legítima Defesa, na precisa definição de Jiménez de Asúa, “é a


repulsa da agressão ilegítima, atual ou iminente, por parte do
agredido ou em favor de terceira pessoa, contra o agressor, sem
ultrapassar a necessidade da defesa e dentro da racional proporção
dos meios empregados para impedi-la ou repeli-la”.

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Requisitos da Legítima Defesa

A) Agressão humana injusta: Pode-se considerar agressão


injusta um crime (tentativa de roubo, injúria, p.ex.) ou até
mesmo um fato atípico (tentativa de furto famélico, p.ex.).

B) Agressão deve ser atual ou iminente: Agressão passada


não dá ensejo à legítima defesa, muito menos cabe alegar
legítima defesa contra agressão futura.

C) Reação usando moderadamente os meios necessários:

a. Meio necessário: entende-se por meio necessário o


menos lesivo dentre os que estão à disposição do
agredido que é capaz de repelir a injusta agressão.

b. Uso moderado do meio necessário: uso moderado é


aquele sem excesso.

Exemplo. Injusta agressão de agente desarmado contra vítima que


tinha a sua disposição arma de fogo e um cassetete: o meio
necessário é o menos gravoso à disposição para repelir a agressão,
no caso o cassetete, já o uso moderado deve ser aferido com o uso
progressivo da força.

D) Reação para salvar direito próprio ou alheio.

E) Conhecimento da situação de fato justificante.

Ex.: Tício, portando arma de fogo, dirige-se à casa de Mévio, seu


inimigo, para matá-lo. Ao chegar lá, vê seu desafeto na janela.
Reconhecendo-o, dispara repetidas vezes em sua direção, causando-
lhe a morte. Embora Tício não soubesse, Mévio estava naquele
instante apontando uma arma para sua esposa, que foi salva da
injusta agressão em virtude da conduta de Tício.

Todavia, como Tício agiu desconhecendo a situação de fato que


afastaria a ilicitude de sua conduta não pode invocar a legitima
defesa, pois não há um dos requisitos de sua alegação.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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Diferenças entre o Estado de Necessidade e a Legítima Defesa

LEGÍTIMA DEFESA ESTADO DE NECESSIDADE

A conduta constitui uma reação. A conduta constitui uma ação.

Constitui reação a uma O perigo decorre de fato


agressão humana injusta. humano ou fato da natureza.

A agressão injusta tem O perigo não tem destinatários


destinatário certo. certos.

A injusta agressão deve ser


atual ou iminente. O perigo deve ser atual.

O agressor age injustamente Tanto o bem sacrificado quanto


(não existe legítima defesa o bem salvo são de interesses
contra agressão justa). legítimos.

Não é exigida a inevitabilidade


É exigido como requisito para
da reação.
caracterização do Estado de
Ninguém é obrigado a fugir de Necessidade a inevitabilidade da
agressão injusta. A reação reação.
moderada com os meios
necessários é legítima.

O agente somente pode se O agente pode se voltar contra


voltar contra o agressor. terceiro inocente.

Legítima Defesa Defensiva X Legítima Defesa Ofensiva

 Legítima Defesa Defensiva: É quando a reação do agente


não constitui um fato típico.
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 Legítima Defesa Ofensiva: É quando a reação do agente


constitui uma conduta típica.

ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL

Trata-se da conduta praticada em estrito cumprimento de uma


determinação imposta por lei, seja ela penal ou não.

Importante! Entende-se que o termo dever legal foi utilizado em


sentido amplo, compreende, assim, decretos, regulamentos, e,
também, decisões judiciais, as quais se limitam a aplicar a letra da lei
ao caso concreto submetido ao exame do Poder Judiciário.

Ex.: O policial que, cumprindo uma ordem de prisão, faz uso de força
diante da resistência do agente e causa-lhe lesões corporais. Não
será punido pelas lesões, pois agiu em estrito cumprimento de seu
dever de efetuar a prisão.

Requisitos do Estrito Cumprimento do Dever Legal

a) Razoabilidade;
b) Proporcionalidade;
c) Conhecimento da situação de fato justificante.

Importante! Adotada a Tipicidade Conglobante, o estrito


cumprimento do dever legal afasta a própria tipicidade e não mais a
ilicitude, pois não enseja a um ato antinormativo.

EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO

O exercício regular de um direito justifica ações de cidadãos comuns


que, embora descritas em algum tipo penal, são autorizadas por lei
diante das circunstâncias do caso concreto.

Ex. 01: As lesões praticadas no esporte: apesar de se adequarem ao


tipo penal de lesão corporal, não são ilícitas, pois são autorizadas
pelo Direito.

Requisitos do Exercício Regular de Direito

a) Indispensabilidade (impossibilidade de recurso útil aos meios


coercitivos normais).

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34
Direto Penal – Teoria e Exercícios
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b) Proporcionalidade.

c) Conhecimento da situação de fato justificante.

Importante! Adotada a Tipicidade Conglobante, o exercício regular


de direito afasta a própria tipicidade e não mais a ilicitude, pois não
enseja a um ato antinormativo.

Excesso nas Descriminantes

Regra: Se o agente exceder-se ao se valer de qualquer das causas


de justificação deverá ser responsabilizado pelo excesso, seja
ele doloso ou culposo.

Exceção: Se, no caso concreto, verificar-se que, diante das


circunstâncias, era inexigível conduta diversa do agente que se
excedeu, não haverá responsabilização por ausência de culpabilidade
na conduta.

DESCRIMINANTES PUTATIVAS

São causas de exclusão da ilicitude imaginadas pelo autor do fato.

 Estado de Necessidade Putativo;


 Legítima Defesa Putativa;
 Estrito Cumprimento do Dever Legal Putativo; e
 Exercício Regular de Direito Putativo.

As descriminantes putativas podem ser de duas espécies:

A) Quando o agente imagina que a situação de fato em que se


encontra justifica sua conduta em razão de erro quanto à
existência ou limites da descriminante.

Nesse caso, o agente erra ao acreditar que poderia agir de


determinada maneira diante das circunstâncias em que se encontra.

Não se trata de desconhecimento da lei: sabe que a conduta é


infração penal, mas desconhece a proibição diante do caso concreto.

Ex.: O pai que imagina agir em legítima defesa ao matar o


estuprador de sua filha, mesmo depois de cessada a agressão
(Legitima Defesa Putativa).

Trata-se, aqui, de um Erro de Proibição.

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35
Direto Penal – Teoria e Exercícios
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A.(1) Consequências:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a


ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá
diminuí-la de um sexto a um terço.

 Se inevitável: exclui a culpabilidade, em decorrência da


ausência de um de seus requisitos, a potencial consciência da
ilicitude.

 Se evitável: reduz a pena de 1/6 a 1/3.

B) O agente engana-se quanto aos pressupostos fáticos do evento.

O agente imagina-se numa situação que não condiz com a realidade,


age com dolo, mas somente porque imaginou estar em situação que,
se existisse de fato, o permitiria agir daquela maneira.

Ex.: Tício, policial militar em operação de pacificação em uma favela


do Rio de Janeiro, imaginando falsamente estar sob a mira de arma
de fogo, saca arma da cintura e, antecipando-se ao imaginário
atirador, dispara e o mata. Posteriormente constata que se tratava,
na verdade, de uma criança que brincava com arma de brinquedo.
Enganou-se quanto aos pressupostos fáticos do evento, agindo,
portanto, em Legítima Defesa Putativa.

Nesse caso, trata-se de uma falsa percepção da realidade,


portanto, um ERRO SOBRE ELEMENTOS DO TIPO!

Art. 20, §1. É isento de pena quem, por erro plenamente justificado
pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse,
tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro
deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo

 Se o erro for inevitável: exclui o fato típico, pois não há o


dolo ou culpa em quem comete o erro inevitável.

 Se for evitável: Exclui o dolo, mas permite a punição na forma


culposa, se houver previsão legal.

Importante! Trata-se do que a doutrina denomina de culpa


imprópria! O agente age dolosamente (com vontade consciente de
praticar a conduta), mas é punido somente a título de culpa, se
houver previsão legal para seu comportamento.

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36
Direto Penal – Teoria e Exercícios
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CULPABILIDADE: ELEMENTOS E CAUSAS DE EXCLUSÃO

Culpabilidade é o juízo de reprovação e de censura que recai sobre


alguém que pratica um fato típico e ilícito.

Um fato típico e ilícito que não for culpável não é considerado


infração penal, pois, adotada a teoria tripartite, a culpabilidade é um
dos elementos do delito.

Um exemplo de fato típico e ilícito, mas que não é culpável é o caso


do homicídio culposo cometido por uma criança ao brincar com a
arma de fogo do pai: apesar de o fato ser típico (por se ajustar à
conduta descrita no art. 121, § 3°), ilícito (por ser contrário ao
ordenamento jurídico), não é culpável, pois em uma criança não recai
o juízo de reprovação do Direito Penal, pois se presume que o menor
não possui capacidade de entendimento do caráter injusto do fato
que praticou.

Elementos da culpabilidade

Para que um fato seja considerado culpável, deve possuir os


seguintes elementos:

EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA

CULPABILIDADE POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE

IMPUTABILIDADE

As ausências desses elementos constituem causas de exclusão


da culpabilidade, também denominadas dirimentes.

EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA

Para que sobre um fato recaia o juízo de reprovação e de censura que


consubstancia a culpabilidade, deve-se poder exigir do agente que
atuasse de maneira diversa.

Há casos em que apesar de o fato praticado ser típico e ilícito, não se


pode exigir de ninguém que agisse diferente do que agiu. O Código
Penal apresenta duas hipóteses exemplificativas:

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37
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

 A coação moral irresistível; e


 A obediência hierárquica.

A) Coação moral irresistível

Se o fato é cometido sob coação moral irresistível, só é punível o


autor da coação (CP, art. 22).

É o caso do gerente de banco que colabora com um assalto em sua


agência para salvar da morte sua família que está sob a mira das
armas de outros integrantes da quadrilha.

Não pode responder por crime de roubo, pois apenas colaborou com
o fato por estar sendo coagido. Não se pode exigir que atuasse de
maneira diversa.

Importante! A coação moral irresistível exclui a


culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa.

Requisitos da coação moral irresistível

Para excluir a culpabilidade a coação deve ser:

 Moral: Conforme estudamos, a coação física exclui a tipicidade,


por ausência de voluntariedade da conduta.

 Irresistível: Se a coação for resistível é sim exigida do agente


uma conduta diversa do que ceder à coação: a resistência.

B) Obediência Hierárquica

Se o fato é cometido em estrita observância à ordem não


manifestamente ilegal de superior hierárquico só é punível o autor da
ordem (CP, art. 22).

O agente público tem o dever de obedecer às ordens de seu superior


hierárquico, salvo se manifestamente ilegais. Assim, se pratica
um fato típico e ilícito em obediência hierárquica não é punido, pois
não se pode exigir dele conduta diversa.

Importante! A obediência hierárquica exclui a


culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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Requisitos da obediência hierárquica

Para excluir a culpabilidade a obediência hierárquica deve ser:

 Obediência à ordem de superior hierárquico.


 Obediência à ordem ilegal, cuja ilegalidade não é evidente.

POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE

Para que recaia o juízo de reprovação do Direito Penal sobre um fato


é necessário que se possa exigir do agente que tenha previsibilidade
da proibição do seu comportamento.

O agente que não tem como conhecer a proibição de seu


comportamento diante das circunstâncias do caso em que se
encontra não pode ser punido.

Trata-se do Erro de Proibição.

O erro de proibição, se inevitável, exclui a culpabilidade por


ausência de potencial consciência da ilicitude.

É descrito na segunda parte do art. 21, do CP: “O erro sobre a


ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá
diminuí-la de um sexto a um terço”.

Para caracterizar a inevitabilidade do erro, deve-se analisar se


era possível ao agente, nas circunstâncias do caso concreto,
ter ou atingir a consciência da ilicitude de sua conduta (art. 21,
parágrafo único).

Ex.: Um indígena criado sem nenhum contato com a civilização, que


mantém seu sustento através da caça e da pesca, não pode ser
punido por matar um animal silvestre, pois, nas circunstâncias em
que viveu não era possível conhecer a proibição de seu
comportamento. Age em erro de proibição inevitável, o que exclui o
crime por ausência de culpabilidade, em virtude da inexistência de
potencial consciência da ilicitude.

De modo diverso, não se pode dizer o mesmo em relação a um índio


já adaptado à vida em sociedade. Há casos de indígenas , por
exemplo, que vendem animais silvestres para, com os frutos de sua
conduta criminosa, ostentar riquezas da sociedade capitalista. O
Direito Penal não os exime da responsabilidade penal sob alegação de
que desconhecem a ilicitude de seu comportamento.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

Importante! Não há exclusão da culpabilidade pelo


simples fato de o agente ser indígena (também
denominados de silvícolas). Diante de cada caso deve-se
averiguar se o agente possuía ou não a potencial consciência da
ilicitude.

IMPUTABILIDADE

Imputabilidade é o conjunto das condições pessoais que permitem ao


agente ter entendimento do caráter ilícito do fato, comportando-se de
acordo com esse conhecimento.

Assim, sendo a imputabilidade um elemento da culpabilidade, a


inimputabilidade afasta a caracterização do crime, por
inexistência de um de seus substratos.

Critérios para averiguar a inimputabilidade

A) Biológico: Leva em consideração apenas o desenvolvimento


mental do agente, isto é, se possui ou não um desenvolvimento
mental completo.

Não é adotado como a regra no nosso Direito Penal! O critério


biológico apenas subsiste em relação à inimputabilidade em razão
da idade do agente: “Os menores de 18 (dezoito) anos são
penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas
na legislação especial”.

O menor de 18 anos é inimputável, pois há uma presunção absoluta


de que não possui um desenvolvimento mental que lhe confira a
possibilidade de entender o caráter ilícito dos atos que pratica.

Para o critério biológico é irrelevante a capacidade do agente


no momento da conduta.

B) Psicológico: Leva em consideração apenas a capacidade do


agente no momento da conduta, independentemente de sua
condição mental.

Não é adotado no Código Penal.

Nesse sentido, o art. 28, I, do CP, dispõe que a emoção e a paixão


não excluem a imputabilidade.

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40
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

Os crimes passionais (motivados pela paixão), portanto, possuem


todos os elementos necessários para caracterização do delito. O autor
desse tipo de crime não se exime da responsabilidade penal cm
fundamento na alegação de seu sentimento em relação à vítima.

C) Biopsicológico: Leva em consideração para aferição da


imputabilidade penal do agente tanto sua condição mental
como sua capacidade de entendimento no momento da
conduta.

O critério biopsicológico é adotado como regra no Código


Penal Brasileiro.

Hipóteses de Inimputabilidade

As hipóteses de inimputabilidade, excludente da culpabilidade,


são taxativamente apresentadas no Código Penal:

São três:

A) Inimputabilidade em razão da idade do agente;

B) Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica; e

C) Inimputabilidade em razão de embriaguez proveniente


de caso fortuito ou força maior.

A) Inimputabilidade em razão da idade do agente

CP, art. 27 – “Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente


inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação
especial”.

Critério adotado: Biológico.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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a) Inimputabilidade em razão de anomalia psíquica: CP, art.


26, caput: “É isento de pena o agente que, por doença mental
ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento”.

Critério adotado: Biopsicológico.

Não basta a doença mental ou o desenvolvimento mental incompleto


ou retardado, para ser inimputável o agente também devia ser, ao
tempo da ação ou omissão, inteiramente incapaz de entender o
caráter ilícito do fato ou determinar-se de acordo com esse
entendimento:

Inimputabilidade em razão de anomalia


psíquica

Doença mental ou o desenvolvimento mental


incompleto ou retardado

Incapacidade completa de entender o caráter ilícito


do fato ou determinar-se de acordo com esse
entendimento.

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42
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

b) Inimputabilidade em razão de embriaguez proveniente


de caso fortuito ou força maior: É isento de pena o agente
que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou
força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento (CP, art. 28,
§1º).

Critério adotado: Biopsicológico.

Não basta a embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou


força maior, para ser gerar a inimputabilidade do agente. Ele também
deve ser, ao tempo da ação ou omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou determinar-se de acordo com
esse entendimento:

Inimputabilidade em razão de embriaguez


proveniente de caso fortuito ou força maior

Embriaguez acidental completa, ou seja:


o Completa; e
o Proveniente de caso fortuito ou
força maior.

Inteira incapacidade de entender o caráter ilícito do


fato ou determinar-se de acordo com esse
entendimento.

Obs.: A embriaguez não acidental não exclui a imputabilidade!

Importante! Aos casos de embriaguez não acidental, seja


voluntária ou culposa, aplica-se a teoria da actio libera in
causa, segundo a qual, ainda que no momento da conduta o
agente fosse inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento,
a constatação da imputabilidade do agente transfere-se para o
momento anterior à conduta.
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43
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

Hipóteses de semi-imputabilidade

As hipóteses que a doutrina denomina de semi-imputabilidade não


são causas de exclusão da culpabilidade, mas meras causas
gerais de redução de pena.

Por isso, as hipóteses de semi-imputabilidade também são chamadas


de imputabilidade com responsabilidade penal diminuída.

Há dois casos em que a pena é reduzida pela semi-imputabilidade:

A) Semi-imputabilidade em virtude de perturbação da saúde


mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou
retardado: CP, art. 26, parágrafo único. A pena pode ser
reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental
incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento.

Semi-
Inimputabilidade imputabilidade Obs.:

Notem que a
semi-
imputabilidade se
Doença mental ou o Perturbação de caracteriza pela
desenvolvimento saúde mental ou mera
mental incompleto desenvolvimento perturbação da
ou retardado. mental incompleto saúde mental,
ou retardado. enquanto para ser
inimputável deve
haver uma
doença mental.
O agente, no
O agente, no
momento da A incapacidade
momento da
conduta, é de entender a
conduta, não é
inteiramente ilicitude do fato
inteiramente capaz
incapaz de entender é completa na
de entender o
o caráter ilícito do inimputabilidade
caráter ilícito do fato
fato ou de e parcial na
ou de determinar-se
determinar-se de semi-
de acordo com esse
acordo com esse imputabilidade.
entendimento.
entendimento.

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44
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

B) Semi-imputabilidade em virtude de embriaguez acidental


não completa: CP, art. 28, §2°. A pena pode ser reduzida de
um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de
caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou
da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do
fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Embriaguez

Espécie Origem Consequência


 Se completa:
Exclui a
imputabilidade.
Embriaguez Caso fortuito ou
 Se incompleta:
acidental força maior.
Redução de pena
– caso de semi-
imputabilidade.
Teoria da actio libera
Embriaguez Voluntária ou in causa: não exclui a
não acidental culposa. imputabilidade (art.
28, II).

Assim finalizamos o conteúdo da nossa Aula 03.

Vamos agora aos exercícios!

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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01. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia) A tentativa e


o crime omissivo impróprio são exemplos de tipicidade mediata.

Vimos que tipicidade mediata é aquela em que o agente pratica


uma conduta que, se não fosse intermediada por outra norma, não
haveria subsunção, pois diretamente não há adequação típica.

Ou seja, dizemos que há adequação típica mediata quando são


necessárias duas normas jurídicas para abranger os
elementos do caso concreto.

A tentativa é um exemplo de tipicidade mediata.

Se alguém tentar matar alguém, mas não obtiver o resultado


almejado por circunstâncias alheias à sua vontade, responde pelo
delito de homicídio (art. 121, do CP) combinado com a causa geral
de redução de pena para os crimes tentados (art. 14, II, do CP).

Perceba que são necessárias duas normas para abranger a conduta


de tentativa de homicídio.

Os crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão também


são exemplos de tipicidade mediata (adequação típica mediata).

Os crimes omissivos impróprios são aqueles em que o tipo penal


prevê uma ação, mas que são praticados através de uma omissão por
um agente que tinha o dever jurídico de agir (garante).

O garante, que se omite mesmo podendo agir, responde pelo


resultado que vier a ocorrer, pois sua omissão é penalmente
relevante, de acordo com o art. 13, §2°, do CP.

Assim, se um médico deixar de prestar assistência à pessoa em grave


estado e ela vier a falecer em consequência da omissão, responderá
por homicídio (art. 121, do CP) em decorrência da norma que
determina que o garante que se omite, podendo agir, responde pelo
resultado (art. 13, §2°, do CP).

Em ambos os casos (tentativa e omissão imprópria), há uma


norma intermediadora sem a qual não haveria tipicidade.

A questão está, portanto, correta, quando afirma que a tentativa e o


crime omissivo impróprio são exemplos de tipicidade mediata.

Gabarito: Item Correto!

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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02. (CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) A


participação, no concurso de pessoas, é considerada hipótese
de tipicidade mediata ou indireta.

Na próxima aula estudaremos o concurso de pessoas, mas essa


questão pode ser resolvida por agora, pois aborda o tema ainda s ob o
prisma da tipicidade mediata.

Sabemos que há adequação típica mediata quando são necessárias


duas normas jurídicas para abranger os elementos do caso
concreto. Pois bem, mas o que seria a participação?

Quando estudamos os sujeitos da infração penal, vimos que há dois


tipos de personagens que podem figurar no polo ativo da infração
penal:

 O autor, que é aquele que pratica a conduta descrita no tipo


penal (no homicídio é quem mata, no furto é quem subtrai...).

 O partícipe, que é quem, de qualquer forma concorre para a


prática do crime.

Em relação ao autor, há tipicidade imediata, pois sua conduta


é descrita em uma só norma.

Ora, a conduta de quem subtrai, para si ou para outrem, coisa alheia


móvel se adequa perfeitamente à norma abstrata prevista no art.
155, do CP (furto).

Todavia, em relação ao partícipe não se pode dizer o mesmo.

O mandante de um homicídio, por exemplo, não matou alguém. Mas,


responde por homicídio (“matar alguém”), por ser considerado
partícipe do crime. Qual o fundamento jurídico para isso?

Bem, o fundamento é o art. 29, do CP, que determina que “quem, de


qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade”.

Assim, o partícipe, apesar de não ter praticado a conduta prevista no


tipo penal, responde pelo crime em decorrência do art. 29, do CP,
que funciona como norma intermediadora.

Perceberam que são necessárias duas normas para concluir pela


necessidade de responsabilização penal do partícipe?

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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Por isso, a questão está correta ao afirmar que a participação, no


concurso de pessoas, é considerada hipótese de tipicidade mediata ou
indireta.

Gabarito: Item Correto.

03. (CESPE - 2009 - DPF - Agente da Polícia Federal) São


elementos do fato típico: conduta, resultado, nexo de
causalidade, tipicidade e culpabilidade, de forma que, ausente
qualquer dos elementos, a conduta será atípica para o direito
penal, mas poderá ser valorada pelos outros ramos do direito,
podendo configurar, por exemplo, ilícito administrativo.

Vimos que o crime é composto por três elementos: fato típico,


ilicitude e culpabilidade.

O fato típico, por sua vez, possui quatro elementos:

 Conduta (dolosa ou culposa)


 Resultado
 Nexo de causalidade entre a conduta e o resultado
 Tipicidade

A segunda parte da questão está correta, pois de fato, ausente


qualquer desses elementos, a conduta poderá até ensejar uma
sanção na esfera cível ou administrativa, mas será atípica para o
direito penal e consequentemente não gerará qualquer
responsabilização criminal.

O erro da questão está ao afirmar que a culpabilidade é elemento do


fato típico.

Gabarito: Item Errado!

04. (CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia Civil) A


tipicidade exige a adequação perfeita da conduta do agente ao
modelo abstrato previsto na lei penal, razão pela qual é atípica
a conduta do agente que subtrai coisa alheia móvel não com o
fim de possuí-la, mas com a intenção de usá-la, uma vez que,
no tipo penal, não existe previsão de furto de uso.

Em decorrência do princípio da legalidade penal, só há crime se


houver uma lei que assim o defina.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

Assim, de acordo com o aspecto formal do crime, a questão está


correta quando afirma que, para que haja tipicidade, deve existir uma
adequação perfeita do caso concreto à norma penal em abstrato.

No caso do furto, a norma penal (art.155, do CP) assim o descreve:


“Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel”.

Quando o tipo penal descreve o furto incluindo o elemento subjetivo


especial “para si ou para outrem”, prevê que, para que a subtração
de uma coisa alheia móvel seja considerada crime, o agente deve
agir com a finalidade de assenhoramento definitivo da coisa, ou
seja, deve ter a finalidade de ser o “novo senhor” da coisa, o seu
dono.

Nesse sentido, o agente que se apodera momentaneamente de um


objeto alheio, com intenção apenas de usá-lo e depois devolvê-lo,
não pratica crime de furto, pois lhe falta a finalidade específica
prevista no tipo penal respectivo.

Essa conduta, de subtrair coisa alheia móvel para usar e depois


devolver, é denominada furto de uso.

O furto de uso não é crime, pois, em decorrência da ausência da


tipicidade, é um fato atípico.

Portanto, está correta a questão quando afirma que é atípica a


conduta do agente que subtrai coisa alheia móvel não com o fim de
possuí-la, mas com a intenção de usá-la, uma vez que, no tipo penal,
não existe previsão de furto de uso.

Gabarito: Item Correto!

05. (CESPE - 2010 - ABIN - Oficial Técnico De Inteligência)


Além das causas legais de exclusão da ilicitude previstas na lei,
há, ainda, as chamadas causas supralegais de exclusão da
ilicitude, verificadas, por exemplo, no caso de uma mãe furar a
orelha de sua filha para a colocação de um brinco, a situação
que configura um fato típico, embora a genitora não responda
pelo delito de lesão corporal, visto que atua amparada pela
exclusão de ilicitude.

Ao lado do aspecto formal do crime, vimos também o aspecto


material, segundo o qual crime é o comportamento humano
causador de relevante lesão ou perigo de lesão a um bem jurídico
tutelado pelo Direito Penal.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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A conduta de uma mãe ao furar a orelha de sua filha não causa


relevante lesão à integridade física da criança.

Trata-se, portanto, de uma conduta materialmente atípica!

Assim, a questão acerta ao afirmar que a genitora não responde por


crime de lesão corporal, mas erra o afirmar que o fundamento é a
exclusão da ilicitude!

Na verdade, não há crime por não haver sequer o fato típico, em


virtude da ausência da tipicidade material.

Gabarito: Item Errado!

06. (CESPE - 2009 - DPE-AL - Defensor Público) São


elementos do fato típico culposo: conduta, resultado
involuntário, nexo causal, tipicidade, ausência de previsão,
quebra do dever de cuidado objetivo por meio da imprudência,
negligência ou imperícia e previsibilidade subjetiva.

Vimos que os elementos do fato típico culposo são:

01) Conduta humana voluntária

02) Violação de um dever de cuidado objetivo, através de:


a. Imprudência: atos afoitos.
b. Negligência: omissão decorrente de falta de precaução.
c. Imperícia: inaptidão para o exercício de arte, ofício ou profissão.
03) Resultado Naturalístico Involuntário: não há crime culposo sem
resultado natural (que causa alteração física no mundo externo).

04) Nexo causal entre a conduta e o resultado.

05) Previsibilidade Objetiva do Resultado! Para preencher esse


requisito pergunta-se se o homem de inteligência mediana seria capaz de
prever a possibilidade de ocorrência do resultado no caso concreto. Se
não houver sequer a previsibilidade não haverá conduta, pois o
comportamento não será nem doloso, nem culposo!
06) Tipicidade: Em regra, os todos os tipos penais previstos em qualquer
lei penal só são punidos na forma dolosa. Assim, só há punição por
crime culposo nos casos expressos em lei!

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

Assim, a questão erra ao afirmar que a previsibilidade subjetiva é


elemento do crime culposo, pois conforme vimos, o que é exigido é a
previsibilidade objetiva.

Outro erro é afirmar que a ausência de previsão é elemento do crime


culposo.

De fato, via de regra, não há previsão do resultado nos crimes


culposos, mas sim a mera possibilidade de um homem médio o
prever (previsibilidade objetiva).

Todavia, no caso da culpa consciente, o agente tem sim a previsão


do resultado, mas não o quer nem o aceita como possível, pois
acredita fielmente que pode evitá-lo com suas habilidades ou
conhecimentos pessoais.

Questão duplamente errada, portanto.

Gabarito: Item Errado!

07. (CESPE - 2009 - DPE-AL - Defensor Público) Segundo a


teoria da tipicidade conglobante, o ordenamento jurídico deve
ser considerado como um bloco monolítico, de forma que,
quando algum ramo do direito permitir a prática de uma
conduta formalmente típica, o fato será considerado atí pico.

Para a tipicidade conglobante, além da tipicidade formal e


material, para a caracterização do crime a conduta deve ser
também antinormativa.

Assim, por não ser antinormativa, a conduta que for incentivada


ou determinada pelo Direito não é considerada crime.

Gabarito: Item Correto!

08. (CESPE - 2009 - MPE-RN - Promotor de Justiça) Em uma


festividade natalina que ocorria em determinado restaurante, o
garçom, ao estourar um champanhe, afastou-se do dever de
cuidado objetivo a todos imposto e lesionou levemente o olho
de uma cliente, embora não tivesse a intenção de machucá-la.
Levada ao hospital para tratar a lesão, a moça sofreu um
acidente automobilístico no trajeto, vindo a falecer em

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51
Direto Penal – Teoria e Exercícios
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consequência exclusiva dos ferimentos provocados pelo


infortúnio de trânsito.

Com referência a essa situação hipotética e ao instituto do nexo


causal no ordenamento jurídico brasileiro, assinale a opção
correta.

a) O garçom deverá responder pelo delito de homicídio culposo.

b) O garçom poderá responder apenas pelo delito de lesão


corporal culposa.

c) O garçom não deverá responder por nenhum delito.

d) Em regra, o CP adotou a teoria da causalidade adequada para


identificar o nexo causal entre a conduta e o resultado.

e) Segundo a teoria da imputação objetiva, o garçom, por ter


criado um risco absolutamente proibido pela sociedade, deveria
responder pelo delito de homicídio doloso.

A questão exige do candidato o conhecimento da consequência penal


da superveniência de causa relativamente independente.

O tema tem previsão legal:

CP, art. 13, § 1º - A superveniência de causa relativamente


independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o
resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os
praticou.

Ao estudar esse artigo, vimos que para saber se uma causa


superveniente relativamente independente era idônea para, por si
só, gerar o resultado, deve-se perguntar se ela estava na linha de
desdobramento normal da conduta do agente:

 Se sim: o resultado deve ser imputado ao agente.

 Se não: somente imputam-se ao agente os atos que praticou.

Então vamos aplicar nosso conhecimento à questão:

Um acidente automobilístico está da linha de desdobramento normal


de uma lesão no olho? NÃO! Portanto, é excluída a imputação do
garçom pelo resultado e ele somente responde pelos atos que
praticou: lesão corporal culposa, no caso.
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Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

Gabarito: B

09. (CESPE - 2009 - DPE-ES - Defensor Público) Considere a


seguinte situação hipotética. Alberto, pretendendo matar
Bruno, desferiu contra este um disparo de arma de fogo,
atingindo-o em região letal. Bruno foi imediatamente socorrido
e levado ao hospital. No segundo dia de internação, Bruno
morreu queimado em decorrência de um incêndio que assolou o
nosocômio. Nessa situação, ocorreu uma causa relativamente
independente, de forma que Alberto deve responder somente
pelos atos praticados antes do desastre ocorrido, ou seja, lesão
corporal.

Novamente uma questão que cobra o conhecimento da consequência


penal da superveniência de causa relativamente independente.

Causa superveniente relativamente independente é aquela que se


origina após a conduta do agente, mas em razão dela.

A primeira parte da questão está correta quando afirma que o


incêndio no nosocômio que causou a morte de Bruno é uma causa
relativamente independente em relação ao disparo de arma de fogo
efetuado por bruno, pois, não fosse tal conduta o agente, a vítima
sequer seria levada ao hospital.

Mas para saber se o agente responde pelo resultado ou somente


pelos atos praticados temos que perguntar se a causa efetiva da
morte estava na linha de desdobramento normal da conduta do
agente:

 Se sim: o resultado deve ser imputado ao agente.

 Se não: somente imputam-se ao agente os atos que praticou.

Vamos lá: um incêndio no hospital está da linha de desdobramento


normal de um disparo de arma de fogo? NÃO! Portanto, é excluída a
imputação de Alberto pelo resultado e ele somente responde pelos
atos que praticou: tentativa de homicídio, no caso.

Assim, a segunda parte da questão está errada ao afirmar que


Alberto responderá por lesão corporal, pois a conduta que praticou foi
a tentativa de homicídio.

Gabarito: Item Errado!


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53
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

10. (CESPE - 2007 - TSE - Analista Judiciário) Para a


configuração da tipicidade da conduta, exige-se apenas a
tipicidade formal, sendo desnecessária a presença da tipicidade
material.

A tipicidade engloba tanto a tipicidade formal, quanto a tipicidade


material.

Além disso, adotada a tipicidade conglobante, também se exige que o


ato seja antinormativo para que haja tipicidade.

Gabarito: Item Errado!

11. (CESPE - 2009 - DPE-ES - Defensor Público) Seria


desproporcional eventual condenação criminal, com a
consequente imposição de pena privativa de liberdade, de
agente que tentasse furtar de um supermercado duas latas de
azeite, 6,5 kg de carne bovina e 1,6 kg de bacalhau, pois a
ofensividade de sua conduta é mínima e não há nenhuma
periculosidade social na ação por ele cometida, além de a
reprovabilidade do seu comportamento ser de grau
reduzidíssimo e a lesão ao bem jurídico, inexpressiva, segundo
o STJ.

Vimos que o princípio da insignificância ou da bagatela exclui a


tipicidade material da conduta, sob o fundamento da
desproporcionalidade de aplicação de uma sanção penal a condutas
ínfimas e que não causam relevante lesão ou perigo de lesão a um
bem jurídico penalmente tutelado.

Para aplicação do princípio da insignificância, devem, no entanto,


restarem preenchidos os seguintes requisitos:

 Inexpressividade da lesão provocada no bem


jurídico tutelado.

 Mínima ofensividade da conduta.

 Reduzido grau de reprovabilidade do


comportamento.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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 Inexistência de periculosidade social do ato.

Percebam que todos os requisitos constam na descrição da conduta


no enunciado da questão, que está, portanto, correta!

Gabarito: Item Correto!

12. (CESPE - 2007 - TSE - Analista Judiciário) A tipicidade


conglobante surge quando comprovado, no caso concreto, que
a conduta praticada pelo agente é antinormativa, ou seja,
contrária à ordem jurídica, bem como quando é ofensiva a bens
jurídicos relevantes para o direito penal.

De fato, a tipicidade conglobante abrange:

 A tipicidade material;

 Ato antinormativo.

Gabarito: Item Correto!

13. (CESPE - 2010 - DETRAN-ES – Advogado) Fato ilícito ou


injusto é a contrariedade entre o fato e a lei, não comportando
escalonamentos de índole subjetiva.

O fato injusto (injusto penal) é a conduta que consubstancia um


fato típico e ilícito!

INJUSTO PENAL FATO TÍPICO ILICITUDE

Há, portanto, dois erros na questão:

01°) O primeiro consiste na afirmação de que o fato injusto é a


contrariedade entre o fato e a lei, pois, na verdade, é um fato
típico contrário ao ordenamento jurídico.

02°) O segundo consiste na afirmação de que o injusto penal não


admite escalonamentos de ordem subjetiva, quando na verdade,
ao incluir o fato típico no seu conceito, comporta os elementos
subjetivos do crime: dolo e culpa.

Gabarito: Item Errado

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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14. (CESPE - 2009 - SEJUS-ES - Agente Penitenciário) A


tipicidade, elemento do fato típico, é a correspondência entre o
fato praticado pelo agente e a descrição de cada espécie de
infração contida na lei penal incriminadora, de modo que, sem
tipicidade, não há antijuridicidade penal, pois, comportadas as
exclusões legais, todo fato típico é antijurídico.

A questão exige do candidato o conhecimento do caráter indiciário


do fato típico em relação à ilicitude.

Vimos que prevalece a Teoria da ratio cognoscendi, segundo a qual, a


tipicidade da conduta é um indício de sua ilicitude.

PARA LEMBRAR: Todo fato antijurídico é um fato típico,


mas nem todo fato típico é ilícito.

Assim, correta a questão ao afirmar que sem tipicidade, não há


antijuridicidade penal, pois, comportadas as exclusões legais, todo
fato típico é antijurídico.

Gabarito: Item Correto!

15. (CESPE - 2011 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz) As causas de


exclusão de ilicitude são taxativas e estão previstas na parte
geral do CP, tendo o legislador pátrio fornecido o conceito
preciso de cada uma delas, de modo a evitar interpretações não
previstas na norma, em benefício do autor da conduta.

As causas de exclusão de ilicitude não se esgotam nas hipóteses


previstas no art. 23, do Código Penal.

Há causas de exclusão da ilicitude:

A) Previstas na parte geral do Código Penal (art. 23, CP);

B) Previstas na parte especial do Código Penal;

C) Previstas em leis extravagantes;

D) Causa supralegal de exclusão da ilicitude (consentimento


do ofendido).

Outro erro da questão consiste na afirmação de que o legislador


pátrio forneceu o conceito preciso de cada uma das excludentes da
ilicitude previstas na parte geral do CP.
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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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Apenas existe a definição legal do estado de necessidade e da


legítima defesa. Coube à doutrina a definição do que seria o estrito
cumprimento do dever legal e o exercício regular de direito.

Gabarito: Item Errado!

16. (CESPE - 2010 - MPE-RO - Promotor de Justiça) O


dispositivo legal que prevê o estado de necessidade é uma
norma penal não incriminadora permissiva justificante porque
tem por finalidade afastar a ilicitude da conduta do agente.

Não apenas o que prevê o estado de necessidade, mas todos os


dispositivos que preveem excludentes de ilicitude são normas
justificadoras, no sentido de tornarem lícitos comportamentos
inicialmente definidos como crime.

Além disso, também são normas penais não incriminadoras


permissivas, pois não descrevem crimes, ao contrário, permitem a
prática de condutas típicas em determinadas circunstâncias.

Gabarito: Item Correto!

17. (CESPE - 2011 - STM - Analista Judiciário - Execução de


Mandados) No ordenamento jurídico nacional, admitem-se, de
forma expressa, as causas supralegais de exclusão de
antijuridicidade.

O consentimento do ofendido, causa supralegal de exclusão da


ilicitude, não encontra amparo expresso em nosso Direito Penal
positivado.

Trata-se de criação doutrinária pacificamente aceita na


jurisprudência.

Gabarito: Item Errado!

18. (CESPE - 2009 - OAB - Exame de Ordem Unificado) Em


relação às causas de exclusão de ilicitude, assinale a opção
incorreta.

a) Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato


para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo


sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

b) Considera-se causa supralegal de exclusão de ilicitude a


inexigibilidade de conduta diversa.

c) Um bombeiro em serviço não pode alegar estado de


necessidade para eximir-se de seu ofício, visto que tem o dever
legal de enfrentar o perigo.

d) Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente


dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou
iminente, a direito seu ou de outrem.

a. Item Correto! De acordo com o art. 24, do CP, “considera-se


em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de
perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se”.

b. Item Incorreto! A inexigibilidade de conduta diversa é causa


de exclusão da culpabilidade, não da ilicitude!

c. Item Correto! O art. 24, §1°, dispõe que “não pode alegar
estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o
perigo”.

d. Item Correto! É o conteúdo do art. 25, do CP: “Entende-se em


legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a
direito seu ou de outrem”.

Gabarito: B

19. (CESPE - 2009 - PC-RN - Agente de Polícia) Marco e Matias


pescavam juntos em alto-mar quando sofreram naufrágio.
Como não sabiam nadar bem, disputaram a única tábua que
restou do barco, ficando Matias, por fim, com a tábua, o que
permitiu o seu resgate com vida após ficar dois dias à deriva. O
cadáver de Marco foi encontrado uma semana depois.

A conduta de Matias, nessa situação, caracteriza:


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a) estado de necessidade.

b) estrito cumprimento do dever legal.

c) legítima defesa própria.

d) exercício regular de direito.

e) homicídio culposo.

A conduta de Matias está amparada pelo estado de necessidade,


pois todos os requisitos dessa justificante estão preenchidos:

Sacrificou a vida de seu companheiro de pesca para se salvar de


perigo atual de morte por afogamento.

O bem sacrificado é de mesmo valor do que o bem salvo e, diante do


caso, era inevitável exigir de Matias o sacrifício de sua vida.

Além disso, agiu com consciência da situação de fato em que se


encontrava.

Gabarito: A

20. (CESPE - 2009 - PC-RN - Delegado de Polícia) A atuação


em estado de necessidade só é possível se ocorrer na defesa de
direito próprio, não se admitindo tamanha excludente se a
atuação destinar-se a proteger direito alheio.

O art. 24, do CP, dispõe que: “considera-se em estado de


necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito
próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se”.

Portanto, a atuação em estado de necessidade só é possível tanto na


defesa de direito próprio como na defesa de direito alheio.

Gabarito: Item Errado!

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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21. (CESPE - 2010 - ABIN - Oficial Técnico De Inteligência)


Considere a seguinte situação hipotética. Ana estava passeando
com o seu cão, da raça pitbull, quando, por descuido, o animal
soltou-se da coleira e atacou uma criança. Um terceiro, que
passava pelo local, com o intuito de salvar a vítima do ataque,
atingiu o cão com um pedaço de madeira, o que causou a
morte do animal. Nessa situação hipotética, ocorreu o que a
doutrina denomina de estado de necessidade agressivo.

O Estado de Defesa Ofensivo ou Agressivo é aquele em que a ação


do agente se dirige contra coisa diversa daquela que promana o
perigo para o bem jurídico defendido.

No caso apresentado na questão, a conduta do agiu se dirigiu


contra a coisa da qual provinha o perigo.

Trata-se, portanto, de estado de defesa defensivo!

Gabarito: Item Errado!

22. (CESPE - 2011 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz) Para o


reconhecimento da causa de exclusão de ilicitude, há
necessidade da presença dos pressupostos objetivos e da
consciência do agente de agir acobertado por uma excludente,
de modo a evitar o dano pessoal ou de terceiro, admitindo-se
as causas supralegais de justificação.

Além dos requisitos objetivos, que variam de descriminante para


descriminante, é requisito comum a todas as causas de exclusão
da ilicitude o conhecimento do agente da situação de fato
justificante!

Também está correta a questão quando afirma que o Direito Penal


admite causas supralegais de justificação.

O consentimento do ofendido, caso o bem seja disponível e a vítima


capaz, é uma causa supralegal de exclusão da ilicitude.

Gabarito: Item Correto!

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23. (CESPE - 2011 - STM - Analista Judiciário - Área


Judiciária) Por expressa disposição legal, não há crime quando
o agente pratica o fato no exercício regular de direito ou em
estrito cumprimento de dever legal.

O art. 23, do CP, prevê como excludentes da ilicitude as seguintes


situações:
ESTADO DE NECESSIDADE

CAUSAS GERAIS LEGÍTIMA DEFESA


EXCLUDENTES
DA ILICITUDE ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL

EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO

Nesses casos, não há crime, por ausência de um de seus elementos:


a ilicitude.

A questão está correta, portanto, ao afirmar que, por expressa


disposição legal, não há crime quando o agente pratica o fato no
exercício regular de direito ou em estrito cumprimento de dever legal.

Gabarito: Item Correto!

24. (CESPE - 2010 - ABIN - Oficial Técnico De Inteligência)


O estrito cumprimento do dever legal, causa de exclusão da
ilicitude, consiste na realização de um fato típico por força do
desempenho de uma obrigação imposta diretamente pela lei,
não compreendendo a expressão dever legal a obrigação
prevista em decreto ou regulamento.

Trata-se da conduta praticada em estrito cumprimento de uma


determinação imposta por lei, seja ela penal ou não.

Todavia, diferente do que afirma a questão, o termo “dever legal”


deve ser interpretado em sentido amplo, compreende, assim,
decretos, regulamentos, e, também, decisões judiciais, as quais se
limitam a aplicar a letra da lei ao caso concreto submetido ao exame
do Poder Judiciário.

Gabarito: Item Errado!

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25. (CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) Se o bem


jurídico tutelado pela norma penal for disponível,
independentemente da capacidade da vítima, o consentimento
do ofendido constitui causa supralegal de exclusão da ilicitude.

O consentimento do ofendido é causa supralegal de exclusão da


antijuridicidade, mas desde que preenchidos os seguintes requisitos:

 Disponibilidade do bem jurídico tutelado pela norma penal;

 Capacidade do ofendido para dispor sobre o bem.

A questão erra, portanto, ao afirmar que a exclusão da ilicitude pelo


consentimento do ofendido independe da capacidade da vítima.

Gabarito: Item Errado!

26. (CESPE - 2012 - TJ-PI - Juiz) Considere que Antônio seja


agredido por Lucas, de forma injustificável, embora lhe fosse
igualmente possível fugir ou permanecer e defender-se. Nessa
situação, como o direito é instrumento de salvaguarda da paz
social, caso Antônio enfrentasse e ferisse gravemente Lucas,
ele deveria ser acusado de agir com excesso doloso.

Em relação à Legítima Defesa, não é exigida a inevitabilidade da


reação.

Em decorrência disso, entende-se que ninguém é obrigado a fugir de


agressão injusta.

A reação moderada com os meios necessários é legítima.

Gabarito: Item Errado!

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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27. (CESPE - 2012 - TJ-PI – Juiz) No que se refere ao terceiro


que sofre a ofensa, o estado de necessidade classifica -se em
agressivo, quando a ação é dirigida contra o provocador dos
fatos, e defensivo, quando o agente destrói bem de terceiro
inocente.

A questão inverteu os conceitos!

 Estado de Defesa Defensivo: é aquele em que o agente


dirige sua ação contra a coisa da qual provém o perigo para o
bem jurídico defendido.
Ex.: Agente que, atacado por um cão feroz, mata o animal
agressor.

 Estado de Defesa Ofensivo: é aquele em que a ação do


agente se dirige contra coisa diversa daquela a qual provém o
perigo para o bem jurídico defendido.
Ex.: Agente que, para salvar da morte alguém que sofre de
infarto, furta veículo de terceiro.

Gabarito: Item Errado!

28. (CESPE - 2010 - DPU - Defensor Público) A


responsabilidade penal do agente nos casos de excesso doloso
ou culposo aplica-se às hipóteses de estado de necessidade e
legítima defesa, mas o legislador, expressamente, exclui tal
responsabilidade em casos de excesso decorrente do estrito
cumprimento de dever legal ou do exercício regular de direito.

Se o agente exceder-se ao se valer de qualquer das causas de


justificação deverá ser responsabilizado pelo excesso, seja ele
doloso ou culposo.

Gabarito: Item Errado!

29. (CESPE - 2008 - TJ-DF - Analista Judiciário) São causas


que excluem a ilicitude do fato, não havendo crime em
conseqüência, o estado de necessidade, a legítima defesa, o
estrito cumprimento do dever legal e o exercício regular de
direito. Em tais casos, se houver excesso, o sujeito ativo
somente responderá a título de dolo.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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A primeira parte da questão está correta ao dizer que as causas que


excluem a ilicitude excluem o próprio crime, afinal a ilicitude é o 2°
elemento do delito.

Também estão corretas causas excludentes da ilicitude listadas:

 Estado de necessidade
 Legítima Defesa
 Estrito Cumprimento do Dever Legal
 Exercício Regular de Direito.

Todavia, a questão erra ao afirmar que, havendo excesso na


utilização das justificantes o sujeito ativo somente responderá a título
de dolo.

Sabemos que o agente que exceder-se ao se valer de qualquer das


causas de justificação deverá ser responsabilizado pelo excesso,
seja ele doloso ou culposo.

Gabarito: Item Errado!

30. (CESPE - 2008 - OAB - Exame de Ordem Unificado)


Supondo o agente, equivocadamente, que está sendo agredido,
e repelindo a suposta agressão, configura-se a legítima defesa
putativa, considerada na lei como caso sui generis de erro de
tipo, o denominado erro de tipo permissivo.

O agente que se engana quanto aos pressupostos fáticos do evento,


crendo estar em situação que, se existisse, excluiria a ilicitude de sua
conduta, age em erro de tipo.

Pode ocorrer em relação a todas as descriminantes:

 Estado de Defesa Putativo;


 Legítima Defesa Putativa;
 Estrito Cumprimento do Dever Legal Putativo;
 Exercício Regular de Direito Putativo.

A questão cita corretamente um exemplo de Legítima Defesa


Putativa.

Gabarito: Item Correto!

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31. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia) A falta de


consciência da ilicitude, se inevitável, exclui a culpabilidade.

A questão exige o conhecimento do Erro de Proibição. A previsão


legal do tema está no art. 21, do CP:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a


ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá
diminuí-la de um sexto a um terço.

Assim, o erro sobre a ilicitude do fato (erro de proibição) isenta de


pena se for inevitável.

A justificativa dessa exclusão é a ausência de potencial


consciência da ilicitude, que é elemento da culpabilidade!

Gabarito: Item Correto!

32. (CESPE - 2011 - STM - Analista Judiciário) As causas


legais de exclusão da culpabilidade por inexigibilidade de
conduta diversa incluem a estrita obediência a ordem não
manifestamente ilegal de superior hierárquico. Caso o agente
cumpra ordem ilegal ou extrapole os limites que lhe foram
determinados, a conduta é culpável.

A primeira parte da questão está correta, de fato a


inexigibilidade de conduta diversa exclui a culpabilidade!

Tratam-se de casos em que apesar de o fato praticado ser típico e


ilícito, não se pode exigir de ninguém que agisse diferente do que
agiu.

O Código Penal apresenta duas hipóteses exemplificativas de


inexigibilidade de conduta diversa:

 A coação moral irresistível; e


 A obediência hierárquica.

Em relação à obediência hierárquica, para que possa excluir a


culpabilidade deve ser:

 Estrita obediência à ordem de superior hierárquico.


 Obediência à ordem ilegal, cuja ilegalidade não é evidente.

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Assim, a questão também está correta ao afirmar que, caso o agente


cumpra ordem ilegal ou extrapole os limites que lhe foram
determinados, a conduta é culpável.

Aqui cumpre frisar a diferença entre ordem ilegal de ordem não


manifestamente ilegal.

Ambas são ordens ilegais, mas em uma a ilegalidade é manifesta e


em outra não.

Como consequência, enquanto a obediência à segunda exclui a


culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa, a desobediência
à primeira não exclui a culpabilidade.

Gabarito: Item Correto!

33. (CESPE - 2008 - STJ - Analista Judiciário) Na obediência


hierárquica, para que se configure a causa de exclusão de
culpabilidade, é necessário que exista dependência funcional do
executor da ordem dentro do serviço público, de forma que não
há que se falar, para fins de exclusão da culpabilidade, em
relação hierárquica entre particulares.

Quando estudamos a dirimente da obediência hierárquica dissemos


que “O agente público tem o dever de obedecer às ordens de seu
superior hierárquico, salvo se manifestamente ilegais”.

Portanto, a questão está correta quando afirma que a


obediência não tem aplicação na relação hierárquica entre
particulares, mas somente em relação a agente públicos.

Gabarito: Item Correto!

34. (CESPE - 2010 - TRE-BA - Analista Judiciário) A


imputabilidade penal é um dos elementos que constituem a
culpabilidade e não integra a tipicidade.

A culpabilidade é formada dos seguintes elementos:

 Exigibilidade de conduta diversa;


 Potencial consciência da ilicitude;
 Imputabilidade penal.

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Portanto, correta a questão. A imputabilidade penal, de fato, é


elemento da culpabilidade, não integrando o fato típico.

Gabarito: Item Correto!

35. (CESPE - 2009 - PC-PB - Agente de Investigação e


Agente de Polícia) No ordenamento jurídico brasileiro, a
imputabilidade penal:

a) exclui a ilicitude do fato criminoso pela legítima defesa ou


pela falta de discernimento.

b) é irrelevante para a aplicação da pena, pois não impede a


condenação do criminoso.

c) é a capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de


determinar-se de acordo com esse entendimento.

d) equivale à potencial consciência da ilicitude.

e) equivale à exigibilidade de conduta diversa.

Imputabilidade penal é a capacidade do agente de entender o caráter


ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento
no momento da conduta.

No ordenamento jurídico brasileiro, a imputabilidade penal exclui a


culpabilidade, que é pressuposto do crime.

Gabarito: C

36. (CESPE - 2011 - TJ-ES - Analista Judiciário) No direito


penal, o critério adotado para aferir a inimputabilidade do
agente, como regra, é o biopsicológico.

O Critério biopsicológico é aquele que leva em consideração para


aferição da imputabilidade penal do agente tanto sua condição mental
como sua capacidade de entendimento no momento da conduta.

O critério biopsicológico é adotado como regra no Código


Penal Brasileiro.

Gabarito: Item Correto!

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37. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia) Nos termos


do Código Penal, é inimputável aquele que, por doença mental
ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao
tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento.

Trata-se da inimputabilidade em razão de anomalia psíquica,


prevista no CP, art. 26, caput: “É isento de pena o agente que, por
doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado,
era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento”.

Gabarito: Item Correto!

38. (CESPE - 2009 - SEJUS-ES) Suponha que um indivíduo


penalmente capaz, em estado de embriaguez completa, tenha
praticado determinado crime, sendo, por consequência,
processado criminalmente por sua conduta. Nessa situação,
esse indivíduo deve ser absolvido, pois a embriaguez complet a
no momento do delito, por si só, é suficiente para excluir a
culpabilidade do agente.

Não basta a embriaguez completa para ser gerar a inimputabilidade


do agente. A embriaguez deve ser proveniente de caso fortuito ou
força maior e o agente, ao tempo da ação ou omissão, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou determinar-se de
acordo com esse entendimento.

Gabarito: Item Errado!

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68
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

39. (CESPE - 2009 - PC-RN - Agente de Polícia) A


imputabilidade penal pode ser excluída pela embriaguez:

a) proposital.

b) pré-ordenada.

c) voluntária.

d) culposa.

e) por caso fortuito.

Vocês se recordam do quadro sinótico dos efeitos penais da


embriaguez?

Espécie Origem Consequência


 Se completa:
Exclui a
imputabilidade.
Embriaguez Caso fortuito ou
 Se incompleta:
acidental força maior.
Redução de pena
– caso de semi-
imputabilidade.
Teoria da actio libera
Embriaguez Voluntária ou in causa: não exclui a
não acidental culposa. imputabilidade (art.
28, II).

Assim, os únicos casos de embriaguez que podem excluir a


imputabilidade são os casos de caso fortuito ou força maior.

A única alternativa correta, portanto, é a letra E.

Gabarito: E

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69
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

40. (CESPE - 2011 - TRE-ES - Analista Judiciário) Abel, em


completo estado de embriaguez proveniente de caso fortuito,
cometeu delito de roubo, tendo sido comprovado que, ao tempo
do crime, ele era inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato. Nessa situação, embora tenha praticado fato
penalmente típico e ilícito, Abel ficará isento de pena.

Nesse caso verificamos todos os requisitos para a inimputabilidade


em razão de embriaguez proveniente de caso fortuito ou força
maior:

Inimputabilidade em razão de embriaguez


proveniente de caso fortuito ou força maior

Embriaguez acidental completa, ou seja:


o Completa; e
o Proveniente de caso fortuito ou
força maior.

Inteira incapacidade de entender o caráter


ilícito do fato ou determinar-se de acordo com
esse entendimento.

Gabarito: Item Correto!

41. (CESPE - 2008 - TJ-DF - Analista Judiciário) Considere a


seguinte situação hipotética. Raimundo praticou, em outubro de
2007, crime de furto mediante fraude. Dois meses após a
prática do crime, laudo pericial comprovou que, por doença
mental, Raimundo passou a ser inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato, embora na data do delito não
possuísse tal distúrbio.

Nessa situação, é correto afirmar que a doença mental


adquirida após a prática do crime isenta Raimundo de pena.

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70
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

A verificação dos elementos que compõem o ilícito penal (fato típico,


ilício e, para alguns, culpável) se dá no momento da conduta
criminosa.

Em relação à inimputabilidade em razão de anomalia psíquica, ainda


há previsão expressa nesse sentido, no Código Penal:

Art. 26. “É isento de pena o agente que, por doença me ntal ou


desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da
ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento”.

A questão, portanto, está incorreta.

Gabarito: Item Errado!

_______________________________________________________

Questões trabalhadas

01. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia) A


tentativa e o crime omissivo impróprio são exemplos de
tipicidade mediata.

02. (CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) A


participação, no concurso de pessoas, é considerada hipótese
de tipicidade mediata ou indireta.

03. (CESPE - 2009 - DPF - Agente da Polícia Federal)


São elementos do fato típico: conduta, resultado, nexo de
causalidade, tipicidade e culpabilidade, de forma que, ausente
qualquer dos elementos, a conduta será atípica para o direito
penal, mas poderá ser valorada pelos outros ramos do direito,
podendo configurar, por exemplo, ilícito administrativo.

04. (CESPE - 2009 - PC-RN - Escrivão de Polícia Civil) A


tipicidade exige a adequação perfeita da conduta do agente ao
modelo abstrato previsto na lei penal, razão pela qual é atípica
a conduta do agente que subtrai coisa alheia móvel não com o
fim de possuí-la, mas com a intenção de usá-la, uma vez que,
no tipo penal, não existe previsão de furto de uso.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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05. (CESPE - 2010 - ABIN - Oficial Técnico De


Inteligência) Além das causas legais de exclusão da ilicitude
previstas na lei, há, ainda, as chamadas causas supralegais de
exclusão da ilicitude, verificadas, por exemplo, no caso de uma
mãe furar a orelha de sua filha para a colocação de um brinco,
a situação que configura um fato típico, embora a genitora não
responda pelo delito de lesão corporal, visto que atua
amparada pela exclusão de ilicitude.

06. (CESPE - 2009 - DPE-AL - Defensor Público) São


elementos do fato típico culposo: conduta, resultado
involuntário, nexo causal, tipicidade, ausência de previsão,
quebra do dever de cuidado objetivo por meio da imprudência,
negligência ou imperícia e previsibilidade subjetiva.

07. (CESPE - 2009 - DPE-AL - Defensor Público) Segundo


a teoria da tipicidade conglobante, o ordenamento jurídico
deve ser considerado como um bloco monolítico, de forma que,
quando algum ramo do direito permitir a prática de uma
conduta formalmente típica, o fato será considerado atípico.

08. (CESPE - 2009 - MPE-RN - Promotor de Justiça) Em


uma festividade natalina que ocorria em determinado
restaurante, o garçom, ao estourar um champanhe, afastou-se
do dever de cuidado objetivo a todos imposto e lesionou
levemente o olho de uma cliente, embora não tivesse a
intenção de machucála. Levada ao hospital para tratar a lesão,
a moça sofreu um acidente automobilístico no trajeto, vindo a
falecer em consequência exclusiva dos ferimentos provocados
pelo infortúnio de trânsito.

Com referência a essa situação hipotética e ao instituto do nexo


causal no ordenamento jurídico brasileiro, assinale a opção
correta.

a) O garçom deverá responder pelo delito de homicídio culposo.

b) O garçom poderá responder apenas pelo delito de lesão


corporal culposa.

c) O garçom não deverá responder por nenhum delito.

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72
Direto Penal – Teoria e Exercícios
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d) Em regra, o CP adotou a teoria da causalidade adequada para


identificar o nexo causal entre a conduta e o resultado.

e) Segundo a teoria da imputação objetiva, o garçom, por ter


criado um risco absolutamente proibido pela sociedade, deveria
responder pelo delito de homicídio doloso.

09. (CESPE - 2009 - DPE-ES - Defensor Público)


Considere a seguinte situação hipotética. Alberto, pretendendo
matar Bruno, desferiu contra este um disparo de arma de fogo,
atingindo-o em região letal. Bruno foi imediatamente socorrido
e levado ao hospital. No segundo dia de internação, Bruno
morreu queimado em decorrência de um incêndio que assolou
o nosocômio. Nessa situação, ocorreu uma causa relativamente
independente, de forma que Alberto deve responder somente
pelos atos praticados antes do desastre ocorrido, ou seja, lesão
corporal.

10. (CESPE - 2007 - TSE - Analista Judiciário) Para a


configuração da tipicidade da conduta, exige-se apenas a
tipicidade formal, sendo desnecessária a presença da tipicidade
material.

11. (CESPE - 2009 - DPE-ES - Defensor Público) Seria


desproporcional eventual condenação criminal, com a
consequente imposição de pena privativa de liberdade, de
agente que tentasse furtar de um supermercado duas latas de
azeite, 6,5 kg de carne bovina e 1,6 kg de bacalhau, pois a
ofensividade de sua conduta é mínima e não há nenhuma
periculosidade social na ação por ele cometida, além de a
reprovabilidade do seu comportamento ser de grau
reduzidíssimo e a lesão ao bem jurídico, inexpressiva, segundo
o STJ.

12. (CESPE - 2007 - TSE - Analista Judiciário) A


tipicidade conglobante surge quando comprovado, no caso
concreto, que a conduta praticada pelo agente é antinormativa,
ou seja, contrária à ordem jurídica, bem como quando é
ofensiva a bens jurídicos relevantes para o direito penal.

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73
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

13. (CESPE - 2010 - DETRAN-ES – Advogado) Fato ilícito


ou injusto é a contrariedade entre o fato e a lei, não
comportando escalonamentos de índole subjetiva.

14. (CESPE - 2009 - SEJUS-ES - Agente Penitenciário) A


tipicidade, elemento do fato típico, é a correspondência entre o
fato praticado pelo agente e a descrição de cada espécie de
infração contida na lei penal incriminadora, de modo que, sem
tipicidade, não há antijuridicidade penal, pois, comportadas as
exclusões legais, todo fato típico é antijurídico.

15. (CESPE - 2011 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz) As causas de


exclusão de ilicitude são taxativas e estão previstas na parte
geral do CP, tendo o legislador pátrio fornecido o conceito
preciso de cada uma delas, de modo a evitar interpretações
não previstas na norma, em benefício do autor da conduta.

16. (CESPE - 2010 - MPE-RO - Promotor de Justiça) O


dispositivo legal que prevê o estado de necessidade é uma
norma penal não incriminadora permissiva justificante porque
tem por finalidade afastar a ilicitude da conduta do agente.

17. (CESPE - 2011 - STM - Analista Judiciário - Execução


de Mandados) No ordenamento jurídico nacional, admitem-
se, de forma expressa, as causas supralegais de exclusão de
antijuridicidade.

18. (CESPE - 2009 - OAB - Exame de Ordem Unificado)


Em relação às causas de exclusão de ilicitude, assinale a opção
incorreta.

a) Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato


para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade
nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

b) Considera-se causa supralegal de exclusão de ilicitude a


inexigibilidade de conduta diversa.

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74
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

c) Um bombeiro em serviço não pode alegar estado de


necessidade para eximir-se de seu ofício, visto que tem o dever
legal de enfrentar o perigo.

d) Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente


dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou
iminente, a direito seu ou de outrem.

19. (CESPE - 2009 - PC-RN - Agente de Polícia) Marco e


Matias pescavam juntos em alto-mar quando sofreram
naufrágio. Como não sabiam nadar bem, disputaram a única
tábua que restou do barco, ficando Matias, por fim, com a
tábua, o que permitiu o seu resgate com vida após ficar dois
dias à deriva. O cadáver de Marco foi encontrado uma semana
depois.

A conduta de Matias, nessa situação, caracteriza


a) estado de necessidade.

b) estrito cumprimento do dever legal.

c) legítima defesa própria.

d) exercício regular de direito.

e) homicídio culposo.

20. (CESPE - 2009 - PC-RN - Delegado de Polícia) A


atuação em estado de necessidade só é possível se ocorrer na
defesa de direito próprio, não se admitindo tamanha
excludente se a atuação destinar-se a proteger direito alheio.

21. (CESPE - 2010 - ABIN - Oficial Técnico De


Inteligência) Considere a seguinte situação hipotética. Ana
estava passeando com o seu cão, da raça pitbull, quando, por
descuido, o animal soltou-se da coleira e atacou uma criança.
Um terceiro, que passava pelo local, com o intuito de salvar a
vítima do ataque, atingiu o cão com um pedaço de madeira, o
que causou a morte do animal. Nessa situação hipotética,

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75
Direto Penal – Teoria e Exercícios
Carlos Alfama

ocorreu o que a doutrina denomina de estado de necessidade


agressivo.

22. (CESPE - 2011 - TRF - 1ª REGIÃO - Juiz) Para o


reconhecimento da causa de exclusão de ilicitude, há
necessidade da presença dos pressupostos objetivos e da
consciência do agente de agir acobertado por uma excludente,
de modo a evitar o dano pessoal ou de terceiro, admitindo-se
as causas supralegais de justificação.

23. (CESPE - 2011 - STM - Analista Judiciário - Área


Judiciária) Por expressa disposição legal, não há crime
quando o agente pratica o fato no exercício regular de direito
ou em estrito cumprimento de dever legal.

24. (CESPE - 2010 - ABIN - Oficial Técnico De


Inteligência) O estrito cumprimento do dever legal, causa de
exclusão da ilicitude, consiste na realização de um fato típico
por força do desempenho de uma obrigação imposta
diretamente pela lei, não compreendendo a expressão dever
legal a obrigação prevista em decreto ou regulamento.

25. (CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) Se o


bem jurídico tutelado pela norma penal for disponível,
independentemente da capacidade da vítima, o consentimento
do ofendido constitui causa supralegal de exclusão da ilicitude.

26. (CESPE - 2012 - TJ-PI - Juiz) Considere que Antônio


seja agredido por Lucas, de forma injustificável, embora lhe
fosse igualmente possível fugir ou permanecer e defender-se.
Nessa situação, como o direito é instrumento de salvaguarda
da paz social, caso Antônio enfrentasse e ferisse gravemente
Lucas, ele deveria ser acusado de agir com excesso doloso.

27. (CESPE - 2012 - TJ-PI – Juiz) No que se refere ao


terceiro que sofre a ofensa, o estado de necessidade classifica -
se em agressivo, quando a ação é dirigida contra o provocador
dos fatos, e defensivo, quando o agente destrói bem de
terceiro inocente.

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76
Direto Penal – Teoria e Exercícios
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28. (CESPE - 2010 - DPU - Defensor Público) A


responsabilidade penal do agente nos casos de excesso doloso
ou culposo aplica-se às hipóteses de estado de necessidade e
legítima defesa, mas o legislador, expressamente, exclui tal
responsabilidade em casos de excesso decorrente do estrito
cumprimento de dever legal ou do exercício regular de direito.

29. (CESPE - 2008 - TJ-DF - Analista Judiciário) São


causas que excluem a ilicitude do fato, não havendo crime em
conseqüência, o estado de necessidade, a legítima defesa, o
estrito cumprimento do dever legal e o exercício regular de
direito. Em tais casos, se houver excesso, o sujeito ativo
somente responderá a título de dolo.

30. (CESPE - 2008 - OAB - Exame de Ordem Unificado)


Supondo o agente, equivocadamente, que está sendo
agredido, e repelindo a suposta agressão, configura-se a
legítima defesa putativa, considerada na lei como caso sui
generis de erro de tipo, o denominado erro de tipo permissivo.

31. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia) A falta


de consciência da ilicitude, se inevitável, exclui a culpabilidade.

32. (CESPE - 2011 - STM - Analista Judiciário) As causas


legais de exclusão da culpabilidade por inexigibilidade de
conduta diversa incluem a estrita obediência a ordem não
manifestamente ilegal de superior hierárquico. Caso o agente
cumpra ordem ilegal ou extrapole os limites que lhe foram
determinados, a conduta é culpável.

33. (CESPE - 2008 - STJ - Analista Judiciário) Na


obediência hierárquica, para que se configure a causa de
exclusão de culpabilidade, é necessário que exista dependência
funcional do executor da ordem dentro do serviço público, de
forma que não há que se falar, para fins de exclusão da
culpabilidade, em relação hierárquica entre particulares.

34. (CESPE - 2010 - TRE-BA - Analista Judiciário) A


imputabilidade penal é um dos elementos que constituem a
culpabilidade e não integra a tipicidade.

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Direto Penal – Teoria e Exercícios
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35. (CESPE - 2009 - PC-PB - Agente de Investigação e


Agente de Polícia) No ordenamento jurídico brasileiro, a
imputabilidade penal:

a) exclui a ilicitude do fato criminoso pela legítima defesa ou


pela falta de discernimento.

b) é irrelevante para a aplicação da pena, pois não impede a


condenação do criminoso.

c) é a capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de


determinar-se de acordo com esse entendimento.

d) equivale à potencial consciência da ilicitude.

e) equivale à exigibilidade de conduta diversa.

36. (CESPE - 2011 - TJ-ES - Analista Judiciário) No


direito penal, o critério adotado para aferir a inimputabilidade
do agente, como regra, é o biopsicológico.

37. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia) Nos


termos do Código Penal, é inimputável aquele que, por doença
mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado,
era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de
entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo
com esse entendimento.

38. (CESPE - 2009 - SEJUS-ES) Suponha que um indivíduo


penalmente capaz, em estado de embriaguez completa, tenha
praticado determinado crime, sendo, por consequência,
processado criminalmente por sua conduta. Nessa situação,
esse indivíduo deve ser absolvido, pois a ebriez completa no
momento do delito, por si só, é suficiente para excluir a
culpabilidade do agente.

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78
Direto Penal – Teoria e Exercícios
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39. (CESPE - 2009 - PC-RN - Agente de Polícia) A


imputabilidade penal pode ser excluída pela embriaguez:

a) proposital.

b) pré-ordenada.

c) voluntária.

d) culposa.

e) por caso fortuito.

40. (CESPE - 2011 - TRE-ES - Analista Judiciário) Abel,


em completo estado de embriaguez proveniente de caso
fortuito, cometeu delito de roubo, tendo sido comprovado que,
ao tempo do crime, ele era inteiramente incapaz de entender o
caráter ilícito do fato. Nessa situação, embora tenha praticado
fato penalmente típico e ilícito, Abel ficará isento de pena.

41. (CESPE - 2008 - TJ-DF - Analista Judiciário)


Considere a seguinte situação hipotética. Raimundo praticou,
em outubro de 2007, crime de furto mediante fraude. Dois
meses após a prática do crime, laudo pericial comprovou que,
por doença mental, Raimundo passou a ser inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato, embora na data
do delito não possuísse tal distúrbio.

Nessa situação, é correto afirmar que a doença mental


adquirida após a prática do crime isenta Raimundo de pena.

GABARITO

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15
C C E C E E C B E E C C E C E

16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
C E B A E E C C E E E E E E C

31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41
C C C C C C C E E C E

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