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Migração

A discussão da migração tem um caráter estratégico no desvendamento da


relação entre dinâmica populacional e o processo de acumulação de capital, para
alem da concepção de crescimento natural – a do excesso de nascimentos sobre
mortes.

Mais de 50 milhões de europeus foram para o estrangeiro. O maior volume se


dirigiu para a America do Norte. Com relação aos países da America Latina, foi
significativa a migração para Argentina e Brasil.

As condições de desenvolvimento do capitalismo nos seus países de origem


explicam a saída de milhões de indivíduos. Embora os movimentos de população
não tenham necessariamente o caráter compulsório, como no caso da
mercantilizarão do escravo, eles resultam de constrangimentos.

Na maioria das vezes é um empreendimento controlado, um ato político.

No Brasil, a maioria da imigração envolveu uma população expropriada e


empobrecida.

Tanto as migrações internacionais, como as migrações internas - rural-


urbana, rural-rural - comprovam o processo de expropriação (a concentração da
propriedade), e de exploração, que marcam o desenvolvimento do capitalismo em
países como o Brasil..

[...] O processo de migração envolve interesses contraditórios. E possível


grandes proprietários de terra, agentes do processo de expropriação, reagirem em
determinado momento com o êxodo, diante da perda de mão-de-obra barata, ou até
gratuita, de suas fazendas; e em outro momento, inversamente, diante da
mobilização política dos trabalhadores, induzirem, á migração.

Os antigos latifundiários foram substituídos pelas grandes empresas


capitalistas, nacionais e multinacionais, coro interesses agropecuários beneficiados
pelos incentivos do Estado, como assistência técnica gratuita e empréstimos
bancários coro juros subsidiados, isto é, coro taxas inferiores as taxas normais de
juros de mercado.
Um fato fundamental, nesse movimento de população, é que a migração
rural-urbana, quando teve um caráter mais permanente, (isto é, quando o migrante
se estabeleceu definitivamente), criou a expectativa de que, na cidade, o migrante
teria um emprego, que permanentemente o reproduziria na condição de
trabalhador, bem como, a sua farru1ia.

O processo de concentração da propriedade fundiária no campo, como


desenvolvimento do capitalismo no Brasil, que continua expulsando milhares de
pequenos lavradores de suas terras, justifica, segundo José de Souza Martins, que
se continue a estudar o processo de expropriação combinado ao de exploração, na
definição dos termos específicos desse desenvolvimento

Dos 40 milhões de migrantes no Brasil, muitos são os que saem para depois
voltar para sua área de origem; muitos o fazem de forma intermitente: trabalhadores
rurais que migram temporariamente para as cidades, em busca de trabalho na
indústria, na construção civil ou no setor de serviços; ou que migram
temporariamente para outras zonas rurais, aproveitando o período de entressafra de
suas próprias lavouras; "trabalhadores assalariados (os chamados 'bóias-frias') que
se afastam de seus lugares de residência por vários dias ou semanas, levados pelo
'gato' para trabalhos temporários''; camponeses e seus filhos levados para trabalhar
como peões na derrubada de mata e formação de fazendas, especialmente, na
região amazônica, etc.

José de Souza Martins define três grandes correntes internas de migração: a


mais antiga, a de trabalhadores do Nordeste para o Sul, "particularmente São Paulo,
Rio e Paraná, procedentes sobretudo do Rio Grande do Norte, Paraíba,
Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Do Nordeste particularmente Ceará, Piauí e
Maranhão sai um outro fluxo migratório em direção ao Norte e ao Centro Oeste, ou
Amazônia Legal. Urna outra mais recente é a que se dirige do Rio Grande do Sul e
do Paraná para o Mato Grosso e Rondônia".

[...] os componentes da dinâmica populacional podem ser examinados no


interior dos processos sociais, de mais de uma maneira Podem manter relações
externas com outros elementos desses processos, permitindo quantificações e
comparações, mas mantendo urna imagem simplificada, redutora deles. Ou, podem
ser concebidos como urna face particular, rica dos processos sociais.