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Ernesto G.

Garcia

ROCA
Mcuíõtmfid
Escola Huang Li Chun

Ernesto G. Garcia
Nacionalidade Cubana. Doutor em Medicina, especialista em Medicina Tradicional
Chinesa (MTC) por Universidades da República Popular da China, nas províncias de Bei
Jing, Si Chuan y Shang Hai. Domina Técnicas de Acupuntura Somática,
Auriculoterapia, entre outros microssistemas, Métodos de Cronopuntura (Zi Wu Liu
Zhu, Ling Gui Ba Fa, Fei Teng Ba FaJ, Massagem Tradicional ChinesaTui Na,
Medicina Interna Chinesa (Fitoterapia), Qi Gong e T a i Ji Quan. Ministrou cursos a
cubanos e estrangeiros de Auriculoterapia, Semiologia e Propedêutica da MTC,
Terapêutica da MTC, aplicação do Qi Gong nas Enfermidades Crônicas não
Transmissíveis, Tai Ji Quan para o Tratamento da Hipertensão Arterial, como método
projilático geral. Membro do Comitê Organizador dos eventos de Medicina Tradicional
do Bairro Chinês da Cidade de Havana. Membro da Federação de Artes Marciais de
Cuba. Assessor Científico do Instituto Tai Yi de Pesquisas na Medicina Tradicional
Chinesa, São Paulo. Palestrante em diversos eventos nacionais e internacionais.

ROCA
Traduzido do Original: Auriculoterapia

Copyright © 1999 da Edição pela Editora Roca Ltda.


ISBN-10: 85-7241-278-6
ISBN-13: 978-7241-278-0

Copyright © 2003 da 1- Reimpressão da 1- Edição pela Editora Roca Ltda.


Copyright © 2006 da 2- Reimpressão da \í} Edição pela Editora Roca Ltda.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, guardada pelo sistema
“retrieval” ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, seja este
eletrônico, mecânico, de fotocópia, de gravação, ou outros, sem prévia autorização
escrita da Editora.

Tradução
Dra. Ednéa Iara Souza Martins

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)


(CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO, SP, BRASIL)

González Garcia. Ernesto


Auriculoterapia: Escola Huang Li Chun/Ernesto González Garcia:
[tradução Ednéa Iara Souza Martins). - - Sào Paulo: Roca, 1999.

Título original: Auriculoterapia.


Bibliografia.
ISBN-10: 85-7241-278-6
ISBN-13: 978-7241-278-0

1. Auriculoterapia 2. Medicina chinesa 3. Orelhas 4. Pontos de acupuntura


I. Título.
CDD-636.5089
99-0551 NLM-WB 369

ín dices para catálogo sistem ático:

1. Auriculoterapia: Acupuntura: Terapêutica


615.892

T od o s os d ireito s p a ra a lín g u a p o rtu g u e s a sã o reserva d os p e la

E D IT O R A R O C A L T D A .
Rua Dr. Cesário Mota Jr., 73
CEP 01221-020 - São Paulo - SP
Tel.: (11) 3331-4478 - Fax: (11) 3331-8653
E-mail: vendas@ editoraroca.com .br - www.editoraroca.com .br

Impresso no Brasil
P rin te d in B ra z il
Traduzido do Original: Auriculoterapia

Copyright © 1999 da l - Edição pela Editora Roca Ltda.


ISBN-10: 85-7241-278-6
ISBN-13: 978-7241-278-0

Copyright © 2003 da 1- Reimpressão da 1- Edição pela Editora Roca Ltda.


Copyright © 2006 da 2- Reimpressão da 1§ Edição pela Editora Roca Ltda.

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“retrieval" ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, seja este
eletrônico, mecânico, de fotocópia, de gravação, ou outros, sem prévia autorização
escrita da Editora.

Traduçáo
Dra. Ednéa Iara Souza Martins

DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)


(CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO, SP, BRASIL)

González Garcia. Ernesto


Auriculoterapia: Escola Huang Li Chun/Ernesto González Garcia:
(tradução Ednéa Iara Souza Martins]. — São Paulo: Roca, 1999.

Título original: Auriculoterapia.


Bibliografia.
ISBN-10: 85-7241-278-6
ISBN-13: 978-7241-278-0

1. Auriculoterapia 2. Medicina chinesa 3. Orelhas 4. Pontos de acupuntura


I. Título.
CDD-636.5089
99-0551 NLM-WB 369

índices para catálogo sistem ático:

1. Auriculoterapia: Acupuntura: Terapêutica


615.892

Todos os direitos p a ra a língua p ortu g u e sa são reservad os p ela

E D IT O R A R O C A L T D A .
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Impresso no Brasil
P rin ted in B ra zil
'Prefácio

A presente obra é o produto da boa vontade do Dr. Ernesto Garcia,


de dar a conhecer pela primeira vez no Ocidente, as bases teórico-
práticas da Escola de Auriculoterapia da Professora Huan Li Chung,
de quem o autor é discípulo.
Ernesto Garcia, nascido em Cuba, conseguiu, neste livro, vincular
concepções da Medicina Tradicional Chinesa e da Medicina Moderna
e procurou dar ênfase à fundamentação da utilidade diagnostica e
terapêutica dos pontos auriculares, tanto desde o enfoque da fisiolo-
gia Tradicional da Medicina Chinesa, como desde o ponto de vista da
Medicina Moderna, por intermédio da descrição de experimentos cien­
tíficos ilustrativos.
Esta obra pode ser considerada como um excelente texto para prin­
cipiantes de Auriculoterapia e como uma referência importante para
praticantes, mas especialmente para aqueles que já têm um conheci­
mento das teorias básicas da Medicina Tradicional Chinesa e da ana­
tomia funcional da Medicina Moderna.
Agradecimentos

À professora Huang Li Chun por gerar a idéia e brindar todo o


conhecimento de Auriculoterapia contido neste livro.
Aos professores Sun Zuo Lu, Chefe do Departamento de Acupun­
tura do Hospital Militar Geral da província de Shang Hai; ao professor
Liu Zhen Cai, Vice-presidente do Comitê de Exame da China e inves­
tigador do Instituto da Terceira Idade da província de Si Chuan; aos
professores Lian Nan, Feng Tao Guan e Zhang An Ren do Hospital
Militar Geral da província de Si Chuan; ao professor Gong Run Li,
Chefe do Departamento de Tui Na e Fisioterapia do Hospital Militar
Geral da província de Shang Dong, ao professor He Xiang Wu, Chefe
do Departamento de Acupuntura e Tui Na do Hospital Militar Geral
da província de He Nan e ao professor Zhang Jing Ping pela ajuda
prestada em favor de minha formação como médico tradicionalista.
A minha esposa e família por toda a paz, compreensão e harmonia
oferecidas.
À inigualável ajuda do Dr. Armando Font Chou, Tamara Hervis
Lee, Pedro Pablo Arias Capdet e Lázaro Hernández, por seus conse­
lhos e revisões na possibilidade da materialização deste livro.
A Dra. Ednéa Iara Souza Martins pela detalhada e excelente tra­
dução realizada deste livro ao português.
Introdução

A Medicina Tradicional é um dos mais valiosos legados que a cultura


e história do povo chinês deixou para a humanidade. Ainda que envolta
em uma linguagem metafórica e hermética, pode ser introduzida em
nosso mundo atual rompendo esquemas e variando pontos de vista.
Hoje refletimos sobre o vertiginoso auge e desenvolvimento que vem ga­
nhando esta milenária medicina nos países do ocidente tanto desenvol­
vidos, subdesenvolvidos, como em via de desenvolvimento. Este podero­
so empreendimento da Medicina Tradicional Chinesa nesta parte do
mundo, não só conseguiu esmorecer à guerra silenciosa que os labora­
tórios de medicamentos desataram contra o que se denominou medici­
na alternativa, tratando com esta classificação de abrangê-la como um
método terapêutico alternativo à medicina moderna e sem solidez cien­
tífica; contrariando este critério, a Medicina Tradicional Chinesa vem
sendo tomada com uma seriedade crescente nos setores médicos e pa­
ramédicos, desenvolvendo investigações que não só se limitam às ciên­
cias médicas, como também à física, química, etc.
Esta guinada que o mundo ocidental está realizando para o orien­
te talvez jogue um papel protagonista na decadência atual do logicismo
cartesiano e no despertar para um raciocínio mais holístico e totalitá­
rio do mundo e seus fenômenos. Quem sabe o homem asfixiado de
tecnologia, de drogas químicas, de sedentarismo e de um estilo de
vida nefasto, tenha percebido consciente ou inconscientemente o gri­
to desesperado de sua natureza interior.
X Auriculoterapia

Toda pessoa que se aproxima com uma mente aberta e flexível do


raciocínio oriental antigo e em nosso caso à Medicina Tradicional Chi­
nesa, reconhece como necessidade primária a mudança de pensamento
obrigatória para poder entender este conhecimento. Esta mudança im­
plica, em primeira instância, tirar-lhe o fio do mistério e dar-nos conta
que estamos frente a uma ciência milenária que embora baseada em
princípios diferentes dos que hoje reconhecemos como ciência, leva consigo
a experiência de mais de 4.000 anos de busca e validação.
A Medicina Tradicional Chinesa possui um amplo e profundo cor­
po teórico, sendo rica, além disso, em métodos tanto ativos como pas­
sivos de intervenção, os quais, em sentido geral, podem-se classificar
em: medicina externa e medicina interna. Como medicina externa
são definidos todos os métodos terapêuticos que atuam influenciando
o interior do organismo a partir da superfície do corpo, como: a Acu­
puntura, com os diferentes microssistemas que a conformam, a mo-
xibustão, o Tui Na ou massagem tradicional chinesa, as automassa-
gens, os exercícios terapêuticos de controle energético como o Tai Ji
Quan. Qi Gong, Yi Jirx Jing, Ba Duang Jing, etc. Enquanto que, como
medicina interna se define à farmacologia chinesa obtida de plantas,
minerais e animais.
Dentro dos microssistemas da Acupuntura, a auriculoterapia é,
na atualidade, um dos mais populares, tanto dentro como fora da
China, é um método que conseguiu impor-se pelos resultados obtidos
e por ser geralmente pouco invasivo, o que faz com que seja bem
aceito pelos pacientes.
A auriculoterapia da China tem sido pouco difundida no ocidente,
isto obedece a múltiplos fatores entre eles, os que podemos chamar: a
dificuldade na tradução de textos escritos no idioma chinês sobre a
temática, o qual limita em grande parte o intercâmbio de informação
entre a China e o resto do mundo, somado à política de porta fechada
aplicada pela China antes e durante a revolução cultural, o que tor­
nava difícil a comunicação de suas experiências para os países oci­
dentais e por último a incredulidade dos setores médicos ocidentais
sobre a MTC e conseqüentemente, da auriculoterapia. o que limitou a
expansão e popularização destas terapias em nossos países. Quem
sabe o trabalho realizado pelo professor Nogier na França sobre a
auriculoterapia, em todos estes anos, tenha sido um passo vital na
preparação do terreno propício para que hoje, através de livros como
este, possa dar-se a conhecer aos países do ocidente a rica experiên­
cia da auriculoterapia chinesa, no diagnóstico e tratamento das en­
fermidades, com um alto nível de aceitação.
São múltiplas as diferentes tendências que tomou a auriculotera­
pia dentro da China após a experiência acumulada por cada especia­
Introdução XI

lista, mas todas se sustentam em um espírito comum que as fazem


diferentes das escolas ocidentais. A coluna vertebral que caracteriza a
escola chinesa, é a de contar com todo o respaldo teórico da MTC,
tanto no diagnóstico, como no tratamento, sem deixar de lado os no­
vos conceitos da medicina moderna. Assim, um ponto auricular pode
ser usado sob o critério dos canais e colaterais, dos Zang Fu, etc. Por
exemplo, no caso de uma lombalgia, além dos pontos que refletem a
zona afetada, pode-se selecionar o ponto bexiga, que ativa a circula­
ção do sangue e da energia ao longo do canal da bexiga, removendo a
estagnação e acalmando a dor e o ponto rim já que segundo expõe a
fisiologia dos Zang Fu, a região lombar é o palácio do rim. Com este
exemplo podemos claramente ilustrar as diferenças, nos fundam en­
tos teóricos, de ambas as escolas.
Dentro da auriculoterapia chinesa a experiência acumulada pela
professora Huang Li Chun, em mais de três décadas de trabalho e
investigação ininterrupta na temática, a faz ser considerada na atua­
lidade uma das mais prestigiosas escolas, dentro de China.
Este livro seguiu fielmente a linha da escola Huang Li Chun de
auriculoterapia, acumulando-se nele, parte da rica experiência que
esta professora nos deu em seu desejo de desenvolver a auriculotera­
pia nos países do ocidente.
índice

1. O rig e m do D ia g n ó stic o e T ra ta m e n to A u ric u la r n a


C h i n a ........................................................................................ 1

PAVILHÃO AURICULAR.................................................................. 2
R elaçào com o S istema de C anais e C o l a t e r a is ............................................ 2
R elação com os Z a n g F u ...................................................................................3

U T IL IZ A Ç Ã O D O P A V ILH Ã O A U R IC U L A R NO D IA G N Ó S T IC O D A S
E N F E R M ID A D E S ............................................................................................4
U tilização nas E nfermidades ............................................................................ 7
Prevenção.......................................................................................................7
Tratamento ................................................................................................... 7

P O N T O S A U R IC U L A R E S ................................................................................... 12
R ecopilaçào de C om entários .......................................................................... 12

A U R IC U L O P U N T U R A ........................................................................................ 15
D esenvolvimento A tual do D iagnóstico e T ratamento ............................... 15
Década de 50 a 6 0 ...................................................................................... 15
Década de 60 a 7 0 ...................................................................................... 20
Década de 80 até a Atualidade.................................................................. 26

2. Princípios Fisiológicos que Fundamentam o Diagnóstico


e Tratamento Auricular .......................................................................29

PONTOS AU R ICU LAR ES 29


XTV Auriculoterapia

R elação com o S istema de C anais e C olaterais ....................................... 29


R elaçào com os Z a n g F u ............................................................................ 34
Material e M étodo.................................................................................. 36
M étodo................................................................................................... 37
Resultados ............................................................................................ 37
Conclusão..............................................................................................38
R elação com o S istema N ervoso C entral ................................................. 40
R elação com o S istema N eurovegetativo..................................................42
R elação com as B iomoléculas ..................................................................43

3 . A n a t o m i a d o P a v i l h ã o A u r i c u l a r .................................................47

N OM ENCLATURA A N A T Ô M IC A ................................................................. 48
Face A nterior do Pavilhão A uricular ....................................................... 48
F ace P osterior do Pavilhão A uricular ..................................................... 50

ESTRUTURAS ANATÔ M ICAS DO PAVILHÃO A U R IC U L A R .................... 50


V ascularização .......................................................................................... 50
V asos L infáticos ........................................................................................ 52
M úsculos....................................................................................................52
Inervação ....................................................................................................52
Nervos Espinais..................................................................................... 53
Nervos Cerebrais................................................................................... 53
Nervos Simpáticos................................................................................. 54

4 . D e fin iç ã o , F u n ç ã o e D ia g n ó s t ic o d o s P o n t o s
A u r i c u l a r e s ........................................................................................... 61

D E F IN IÇ Ã O .................................................................................................... 61

CLASSIFICAÇÃO DOS PONTOS A U R IC U L A R E S ..................................... 62


P ontos da Z ona C orrespondente.............................................................. 63
P ontos dos C inco Z a n g e S eis F u .............................................................. 63
P ontos do S istema N ervoso .......................................................................64
P ontos do S istema E ndócrino ....................................................................64
P ontos E specíficos .................................................................................... 64
P ontos do D orso da O relha e O u tr o s ..................................................... 65

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS A U R IC U L A R E S ....................................... 65

LOCALIZAÇÃO, FUNÇÃO E DIAGNÓSTICO DOS PONTOS


A U R IC U L A R E S ....................................................................................... 67
L óbulo ........................................................................................................ 67
Ponto Dente........................................................................................... 67
Ponto Paladar Inferior............................................................................ 68
Ponto Paladar Superior.......................................................................... 68
Ponto Língua......................................................................................... 68
Ponto Maxilar Superior.......................................................................... 68
Ponto Maxilar Inferior............................................................................ 69
índice XV

Ponto Lóbulo A n terio r................................................................................. 69


Ponto O lh o ................................................................................................... 69
Ponto Ouvido Interno ................................................................................. 69
Ponto Amígdala ........................................................................................... 70
Área de B ochecha........................................................................................ 70
A ntitrag o .......................................................................................................... 71
Ponto Parótid a............................................................................................. 71
Ponto A s m a ................................................................................................. 71
Ponto T e m p o ra l........................................................................................... 72
Ponto Fronte ............................................................................................... 72
Ponto O ccip ita l............................................................................................ 73
Ponto V é rte x ................................................................................................ 73
Ponto H ip ó fise ............................................................................................. 73
Ponto Cérebro ............................................................................................. 74
Área de Vertigem ......................................................................................... 74
Área de N eu rasten ia................................................................................... 74
Ponto Tálam o .............................................................................................. 74
Ponto E xcitação........................................................................................... 75
Área de S u b có rtex ...................................................................................... 75
Ponto T estícu lo ............................................................................................ 76
F ossa S uperior do A ntitr ag o ......................................................................... 76
Ponto Tronco C ereb ra l................................................................................ 76
Ponto Laringe D e n te ................................................................................... 77
T r a g o ................................................................................................................. 77
Ponto Ápice do T r a g o .................................................................................. 78
Ponto S u p ra-ren al...................................................................................... 78
Ponto Nariz Externo ................................................................................... 78
Ponto do Órgão C o ra ç ã o ............................................................................ 79
Ponto Laringe-faringe ................................................................................. 79
Ponto Nariz Interno .................................................................................... 79
Ponto do Nervo Auriculotem poral.............................................................. 80
Ponto F o m e ................................................................................................. 80
Ponto S e d e .................................................................................................. 80
I ncisura S upratrago .........................................................................................80
Ponto Ouvido E xterno................................................................................. 80
A nti- hélix ......................................................................................................... 81
Região C ervica l............................................................................................ BI
Região D o rs a l.............................................................................................. 82
Região Lombar ............................................................................................ 82
Região Sacra ............................................................................................... 82
Ponto C óccix................................................................................................ 83
Ponto Pescoço.............................................................................................. 83
Ponto T ó r a x ................................................................................................. 83
Ponto A b d ôm en ........................................................................................... 83
Ponto Ombro e E sp a ld a ............................................................................. 84
Ponto da Região Intercostal .......................................................................84
Ponto dos Músculos Lom bares.................................................................. 84
Ponto da Articulação Sacroilíaca............................................................... 84
Ponto das Glândulas Mamárias ................................................................ 85
Ponto da Região do Hipocôndrio ............................................................... 85
XVI Auriculoterapia

Ponto T iró id e............................................................................................ 85


Ponto C a lo r..............................................................................................85
C ruz I nferior do A nti- h é lix .........................................................................85
Ponto da Região Glútea............................................................................ 86
Ponto do Nervo Ciático............................................................................. 86
Ponto do Nervo Sim pático....................................................................... 86
C ruz S uperior do A nti- hélix ........................................................................87
Ponto Artelhos.......................................................................................... 87
Ponto do Calcãneo................................................................................... 87
Ponto da Articulação do Tornozelo.......................................................... 87
Ponto Articulação do Q uadril.................................................................. 88
Ponto Articulação do Joelho.................................................................... 88
Ponto Joelho.............................................................................................88
Ponto da Prega Poplítea........................................................................... 88
Ponto dos Músculos Gastrocnêmios....................................................... 88
Ponto do Músculo Quadríceps................................................................ 89
F ossa escafóide ............................................................................................89
Ponto Falanges......................................................................................... 89
Ponto Clavícula ....................................................................................... 90
Ponto Articulação do Punho.................................................................... 90
Ponto Cotovelo.......................................................................................... 90
Ponto O m bro............................................................................................ 90
Ponto Articulação do O m bro................................................................... 90
Ponto A lergia............................................................................................91
F ossa T riangular ..........................................................................................91
Ponto Hipotensor..................................................................................... 91
Ponto Pelve............................................................................................... 92
Ponto Shen M en....................................................................................... 92
Ponto Hepatite..........................................................................................93
Ponto Genitais Internos........................................................................... 93
Ponto Anexos do Útero ............................................................................ 93
Ponto Colo do Ú tero................................................................................. 94
Ponto Articulação Coxofem oral...............................................................94
Ponto Constipação................................................................................... 94
R aiz do H é l ix ................................................................................................ 95
Ponto Ouvido Central .............................................................................. 95
Ponto Diafragma...................................................................................... 95
P ontos que R odeiam a R aiz do H é l ix ......................................................... 96
Ponto B o ca ............................................................................................... 96
Ponto Esôfago...........................................................................................97
Ponto C á rd ia............................................................................................97
Ponto Estômago....................................................................................... 98
Ponto Duodeno........................................................................................ 98
Ponto Intestino Delgado...........................................................................98
Ponto Intestino Grosso ............................................................................ 99
Ponto Apêndice......................................................................................... 99
C oncha C im b a ............................................................................................. 100
Ponto Rim .............................................................................................. 100
Ponto Próstata....................................................................................... 101
Ponto Bexiga .......................................................................................... 102
índice XVII

Ponto Fígado ............................................................................................. 102


Pontos Vesícula Biliar e Pâncreas ........................................................... 103
Ponto Centro da Concha C im b a .............................................................. 104
C oncha C a v a ................................................................................................... 104
Ponto C o ra çã o ........................................................................................... 104
Ponto P u lm ã o ............................................................................................ 105
Ponto T ra q u é ia .......................................................................................... 106
Ponto B rônquios........................................................................................ 106
Ponto B a ç o ................................................................................................. 107
Ponto S a n J ia o .......................................................................................... 108
Ponto da Tu b ercu lose............................................................................... 108
I ncisura I ntertrago ....................................................................................... 109
Ponto E ndócrino........................................................................................ 109
Ponto Visão 1 ............................................................................................ 110
Ponto Visão 2 ............................................................................................ 110
Ponto H ipertensor...................................................................................... 110
Ponto O vário.............................................................................................. 110
H élix ................................................................................................................ 110
Ponto Ápice da O re lh a .............................................................................. 110
Ponto  n u s ................................................................................................. 111
Ponto Órgãos Genitais Externos ............................................................. 111
Ponto U retra............................................................................................... 112
Ponto R eto .................................................................................................. 112
Ponto Yang do F íg a d o ............................................................................... 112
Pontos Hélix d e l a 6 ................................................................................. 112
Nervo Occipital M e n o r.............................................................................. 113
D orso da O r e l h a ........................................................................................... 113
Raiz Superior do P avilh ão........................................................................ 114
Raiz Central do Pavilhão.......................................................................... 114
Raiz Inferior do P avilh ã o.......................................................................... 114
Sulco Posterior da O re lh a ........................................................................ 114
Ponto Coração do Dorso da Orelha ......................................................... 114
Ponto Baço do Dorso da O re lh a .............................................................. 114
Ponto Rim do Dorso da O relh a................................................................ 114
Ponto Fígado do Dorso da O relh a............................................................ 116
Ponto Pulmão do Dorso da O re lh a .......................................................... 116

5. Agrupamento de Pontos de Acordo com sua


Função 117

DEZ G RU PO S QUE SEDAM OU A C A L M A M ........................................... 119


A calmam a D o r .............................................................................................. 119
A calmam a V ertigem ...................................................................................... 120
A calmam a C o n v u ls ã o ................................................................................... 121
A calmam a T o s s e ............................................................................................ 122
A calmam a D is p n é ia ........................................................................................ 122
A calmam o P r u r id o ........................................................................................ 124
A calmam o T in id o ........................................................................................... 125
A calmam o V ô m ito .......................................................................................... 125
XVIII Auriculoterapia

A calmam a A cidez ....................................................................................... 126


A calmam a L eucorréia............................................................................... 126

SEIS G R U PO S CO M FU N Ç Õ E S A N T A G Ô N IC A S .................................... 127


P ontos que S edam e E x c ita m .................................................................... 127
Pontos que Sedam ................................................................................ 127
Pontos que Excitam .............................................................................. 128
P ontos H ipotensores e H ipertensores ..................................................... 128
Pontos Hipotensores............................................................................. 128
Pontos Hipertensores............................................................................ 129
P ontos que D iminuem e A umentam o R itmo C ardíaco ............................. 129
Pontos que Diminuem o Ritmo Cardíaco............................................. 129
Pontos que Aumentam o Ritmo C ardíaco............................................ 130
P ontos H emostáticos e A tivadores da C irculação S angüínea ................ 130
Pontos Hemostáticos ............................................................................ 130
P ontos A tivadores da C irculação S angüínea .......................................... 131
P ontos D iuréticos e A ntidiuréticos ......................................................... 132
Pontos Diuréticos................................................................................. 132
Pontos Antidiuréticos ........................................................................... 132
P ontos L axantes e A ntidiarréicos............................................................ 133
Pontos Laxantes................................................................................... 133
P ontos A ntidiarréicos............................................................................... 134

CINCO G RUPO S Q U E BENE FICIAM OS Ó R G ÃO S DOS


S E N T ID O S ................................................................................................. 134
P ontos que D renam a G arganta ............................................................... 134
P ontos para C larear a V is ã o .................................................................... 135
P ontos para A judar a A udição ................................................................. 136
P ontos para D renar o N a r iz ..................................................................... 136
P ontos para a B eleza ................................................................................ 137

T R Ê S GRU PO S DE PO NTO S COM FU N Ç ÃO IM U N O L Ó G IC A .............. 138


P ontos A ntlalérgicos................................................................................ 138
P ontos A ntiinfecciosos............................................................................. 139
P ontos anti- reumáticos ............................................................................. 139

UM G RU PO COM FU N Ç ÃO A N T IP IR É T IC A ............................................ 140


TR Ê S G R U PO S DE PO NTO S COM FU N Ç ÃO R E G U L A D O R A ............... 141
P ontos que R egulam a A tividade N eurovegetativa.................................. 141
P ontos que R egulam a A tividade E ndócrina ........................................... 142
P ontos que R egulam a M enstruação ....................................................... 143

DOIS G R U PO S COM FU N Ç ÃO T O N IF IC A D O R A .................................... 144


P ontos T onificadores de R i m .................................................................... 144
P ontos T onificadores do S ang u e ............................................................. 145

TR Ê S G R U PO S F O R T A L E C E D O R E S ........................................................ 146
P ontos F ortalecedores do C érebro ........................................................ 146
P ontos F ortalecedores do F ígado e S ang u e .......................................... 147
índice XIX

P ontos F ortalecedores do B aço e sua F u n ç à o ........................................ 148

S E T E O U T R O S G R U P O S ................................................................................ 149

P ontos para E stimular a L a c t a ç ã o .............................................................. 149


P ontos para R egular o Q i e E liminar a D is t e n s ã o ................................... 149
P ontos H ipoglicemiantes .............................................................................. 150
P ontos A ntiespasmódicos ............................................................................. 151
P ontos que D renam a V esícula B il ia r ........................................................ 151
P ontos S oníferos ........................................................................................... 153
P ontos A dstringentes ................................................................................... 154

6 . D i a g n ó s t i c o ................................................................................................. 157

P R IN C ÍP IO S D O D IA G N Ó S T IC O A U R I C U L A R .......................................... 157

M É T O D O S D E D IA G N Ó S T IC O A U R IC U L A R ............................................. 158

D iagnóstico A través da O bservação .......................................................... 158


D iagnóstico A través dos P ontos D olorosos à P r e s s ã o .......................... 158
D iagnóstico A través da M arca D eixada ã P r e s s ã o .................................. 159
D iagnóstico A través da P alpação ................................................................ 159
D iagnóstico A través da E xploração E lé tr ic a ........................................... 159
M étodo S intetizado de D iagnóstico A uricu lar ......................................... 160
Observação................................................................................................ 161
Palpação..................................................................................................... 161
Exploração Elétrica .................................................................................. 161
Diferenciação de Síndrom es.................................................................... 161

D IA G N Ó S T IC O A U R IC U L A R - C A R A C T E R ÍS T IC A S S E M IO L Ó G IC A S ... 161
D iagnóstico A través da O eíservação .......................................................... 161
Mudanças da Coloração .......................................................................... 162
Reações de Cor V erm elh a.................................................................. 162
Reações de Cor B ra n c a ..................................................................... 162
Reações de Cor C in za-escu ro............................................................ 163
Reações de Cor Parda ou Castanho-escuro..................................... 163
Mudanças M orfológicas........................................................................... 163
Proeminências .................................................................................... 163
Depressões ......................................................................................... 164
Porosidades e Irregularidades .......................................................... 164
Reações em Forma de Pápulas................................................................ 164
Reação de Descam ação............................................................................ 164
Reações Vasculares .................................................................................. 165
Relação Entre as Reações Positivas e o Tipo de Enfermidade ............. 166
Enfermidades Inflamatórias A g u d a s ................................................ 166
Enfermidades Crônicas de Caráter Estrutural................................ 166
Enfermidades D erm atológicas.......................................................... 166
Enfermidades Neoplásicas ................................................................ 166
Como se Realiza este M étodo............................................................. 166
Aspectos a se Levar em C onsideração.................................................... 167
XX Auriculoterapia

D IA G N Ó S T IC O A T R A V É S D A P A L P A Ç Ã O ................................................ 168
E xploração com L ápis E xplorador ou com E xplorador E létrico ........... 168
Pressão Exploratória.............................................................................. 168
Relação Entre os Pontos Sensíveis à Dor e o Tipo de Enfermidade 168
Como se Realiza este M étodo........................................................... 170
Aspectos a se Levar em Consideração............................................. 171
Rastreamento Exploratório.................................................................... 171
Como se Realiza este M étodo........................................................... 171
Aspectos a se Levar em Consideração............................................. 172
Mudanças Morfológicas Obtidas Mediante este M étodo...................... 172
Proeminências .................................................................................. 172
Depressões ....................................................................................... 173
M arcas............................................................................................... 173
Edemas ............................................................................................ 174
E xploração D ig ita l ..................................................................................... 174
Como se Realiza este M étod o................................................................. 174
Mudanças Morfológicas Obtidas Mediante este Método Segundo
o Local do Pavilhão A u ricu lar.......................................................... 175
Lóbulo da O relh a ............................................................................. 175
Anti trago........................................................................................... 175
Fossa escafóide................................................................................. 175
Anti-hélix.......................................................................................... 175
Cruz Superior da Anti-hélix............................................................. 175
Concha C im b a.................................................................................. 175
Hélix da O relha................................................................................. 176
Aspectos a se Levar em Consideração................................................... 176

D IA G N Ó ST IC O A T R A V É S D A E X P LO R A Ç Ã O E LÉ T R IC A ..................... 176
C omportamento E létrico dos P ontos A uricu lares ................................. 176
T ipos de E quipamentos E xploradores A uricu lares ................................. 177
C onsiderações G erais dos P ontos de A lta C ondutibilidade .................. 178
D eterminação dos P ontos de A lta C ondutibilidade ................................ 179
Diferença entre os Pontos Normais e os de Alta Condutibilidade....... 179
Pontos norm ais................................................................................. 179
Pontos de Alta Condutibilidade ....................................................... 179
Reação Positiva D é b il....................................................................... 179
Reação P ositiva................................................................................. 179
Reação Positiva F o rte ....................................................................... 179
Diferença entre os Pontos de Alta Condutibilidade Fisiológica e
os Pontos de Alta Condutibilidade de Reação Positiva................... 180
C aracterísticas D iagnosticas dos P ontos de A lta C ondutibilidade ...... 181
R egras G erais das R eações nos P ontos de A lta C ondutibilidade .......... 181
R elação entre as R eações de A lta C ondutililidade, os S intomas
C línicos e o E stado da E nfermidade .................................................... 183
Passos a S eguir na E xploração E létrica do P avilhão A uricu lar ........... 185
Ação Inicial.............................................................................................. 185
Regular o Valor da Resistência E létrica................................................ 185
Método de Regulação............................................................................. 185
M étodo de E xploração .............................................................................. 186
índice XXI

Método Exploratório de Form a L in e a r..................................................... 186


Exploração de Acordo com a A n a to m ia ............................................. 186
Exploração por Sistem as e A p a relh o s............................................... 186
Diferenças Individuais na Exploração de Am bas as O re lh a s ......... 187
Método Exploratório Exercendo Pressão sobre o P o n to ......................... 187
Como se realiza este Método .............................................................. 187
R egras E stabelecidas durante a E xploração E létrica do P avilhão
A u r ic u la r ..................................................................................................... 188
C lassificação dos P ontos com R eação P o sitiv a .......................................... 188
A spectos a se L evar em C onsideração ......................................................... 189

D IA G N Ó S T IC O A T R A V É S D A D IF E R E N C IA Ç Ã O D E S Í N D R O M E S .... 190
M étodos de D eterminação D ia g n o s t ic a ...................................................... 191
Análise das Zonas R eativas....................................................................... 191
Análise de Acordo com as Normas Estabelecidas nas Mudanças de
Reação P o s itiv a .................................................................................... 191
Análise de Acordo com a Teoria dos Canais e Colaterais e dos
Zang F i i ................................................................................................. 191
Análise Diagnostica de Acordo com a Teoria da Medicina Moderna .... 192

D IA G N Ó S T IC O D A S E N F E R M ID A D E S M A IS C O M U N S ......................... 193
M edicina I n te r n a .............................................................................................. 193
Sistema D ig e s tiv o ....................................................................................... 193
Gastrite A g u d a ...................................................................................... 193
Gastrite C rôn ica.................................................................................... 193
Gastrite Crônica e Aguda em Período de C r is e s .............................. 194
Úlcera P ép tic a ....................................................................................... 194
Úlcera D u o d e n a l.................................................................................. 194
D u od en ite.............................................................................................. 195
Enterite A g u d a ...................................................................................... 195
Diarréia Crônica .................................................................................. 195
C on stipação.......................................................................................... 196
Desordens Intestinais ......................................................................... 196
Síndrome de Má Absorção nas C ria n ça s........................................... 196
Hepatite A g u d a ..................................................................................... 196
Hepatite C rô n ic a .................................................................................. 197
Cirrose H e p á tic a .................................................................................. 197
H epatom egalia...................................................................................... 197
Colecistite A g u d a ................................................................................. 198
Colecistite C rô n ic a ............................................................................... 198
C olecistolitíase...................................................................................... 199
A n gio c o lite ............................................................................................. 199
E splenom egalia..................................................................................... 199
Sistem a Respiratório ................................................................................. 200
Resfriado Comum ................................................................................ 200
Bronquite C rôn ica................................................................................ 200
Asm a B ronqu ial........................................................................................... 200
B ronqu iectasia...................................................................................... 200
Tuberculose P u lm o n a r........................................................................ 201
Sistema C ardiovascu lar............................................................................. 201
XXII Auriculoterapia

Hipertensão e Hipotensão A rterial................................................... 201


Cardiopatia Isqu êm ica..................................................................... 202
Taquicardia Paroxística.................................................................... 203
Bradicardia....................................................................................... 203
Bloqueio Atrioventricular................................................................. 203
Cardiopatia Reumática .................................................................... 203
Sistema N ervoso..................................................................................... 203
Cefaléia Frontal ................................................................................ 203
Cefaléia Temporoparietal.................................................................. 204
Cefaléia O ccipital............................................................................. 204
Cefaléia em V é rte x ........................................................................... 204
Cefaléia de toda a Cabeça ................................................................ 204
Vertigens............................................................................................ 204
Neurastenia...................................................................................... 205
Desordens da Atividade Neurovegetativa........................................ 205
Neuralgia do Trigêmeo ..................................................................... 205
U rologia ...................................................................................................... 206
Glomerulonefrite C rônica................................................................. 206
Pielonefrite Crônica.......................................................................... 206
Cistite C rônica.................................................................................. 206
Infecção das Vias Urinárias............................................................. 206
Disfunção Sexu al.............................................................................. 206
E ndócrino .................................................................................................... 207
Diabetes M elito ................................................................................. 207
O rto ped ia .................................................................................................... 207
Lesão Aguda dos Tecidos Moles Articulares................................... 207
Lesão Recidivante dos Tecidos Moles Articulares........................... 207
Artrite A g u d a .................................................................................... 207
Artrite C rônica.................................................................................. 208
Lesão da Musculatura Paralom bar................................................. 208
Hiperplasia das Vértebras Lom bares.............................................. 208
Miofibrosite do Ombro e da Espalda............................................... 208
Esporão C alcãneo............................................................................ 209
Espasmo dos Músculos Gastrocnêmios.......................................... 209
C iatalgia........................................................................................... 209
Cervicalgia........................................................................................ 209
C irurgia ....................................................................................................... 209
Hem orróides..................................................................................... 209
Fissura A n a l..................................................................................... 210
Prostatite C rôn ica............................................................................ 210
Hiperplasia da Próstata.................................................................... 210
G inecologia .................................................................................................210
Inflamação Pélvica ........................................................................... 210
Anexite .............................................................................................. 211
Cervicite ........................................................................................... 211
Menstruações Irregulares................................................................. 211
Hemorragia Uterina Disfuncional.................................................... 211
Fibroma Uterino................................................................................ 212
Leucorréia......................................................................................... 212
D ermatologia ...............................................................................................212
índice XXIII

Urticária Aguda .................................................................................. 212


Urticária C rô n ic a ................................................................................ 212
Neuroderm atite.................................................................................... 213
Dermatite S eb o rréica .......................................................................... 213
Prurido D erm atológico....................................................................... 213
E nfermidades dos C inco Ó rgãos dos S e n tid o s ......................................... 213
Faringite C rô n ic a ................................................................................ 213
Amigdalite C rônica.............................................................................. 213
Rinite Sim ples...................................................................................... 214
Rinite H ipertróíica............................................................................... 214
Rinite A lérgica...................................................................................... 214
S in u s ite ................................................................................................ 214
Gengivorragia ...................................................................................... 214
Gengivite .............................................................................................. 215
Úlceras B u ca is..................................................................................... 215
Miopia .................................................................................................. 215
Astigm atism o....................................................................................... 215

T e r a p ê u t i c a A u r i c u l a r - C a r a c t e r í s t i c a s e M é t o d o s ..... 217

CARACTERÍSTICAS......................................................................... 217
T ratamento de E nfermidades D o lo ro sas ................................................... 217
Dores por Traumas E xtern os................................................................... 217
Dores Pós-operatórias............................................................................... 218
Dor Derivada de Processos In flam atórios............................................... 218
Dor de Origem N eu rológica...................................................................... 218
Dor Derivada de Enfermidades O ncológicas.......................................... 218
T ratamento de E nfermidades I nflam atórias ...............................................219
T ratamento das E nfermidades do T ecido C olágeno ................................. 219
T ratamento das E nfermidades E ndocrinometabóliças e do S istema
U r o g e n ital ................................................................................................. 219
T ratamento de E nfermidades de C aráter F u n cio n al ................................ 220
T ratamento de E nfermidades de C aráter C r ô nico .................................... 220
T ratamento de E nfermidades I nfecto - contagiosas .................................... 220
A spectos a se L evar em C o n s id e r a ç ã o ........................................................221

M É T O D O S ........................................................................................................... 221
T ratamento com A gulhas F ilifo rm es ........................................................... 222
Preparação do M a teria l............................................................................. 222
Seleção dos Pontos Auriculares .............................................................. 222
Manipulações Durante a Puntura com Agulha F ilifo rm e ..................... 223
Inserção da A g u lh a ............................................................................. 223
Intensidade da Puntura ..................................................................... 223
Método de Puntura ............................................................................. 224
Profundidade da P u n tu ra ................................................................... 224
Direção da Pu n tu ra............................................................................. 225
Retenção da A g u lh a ............................................................................ 225
Tonificação e D ispersão...................................................................... 225
Modo de Retirar a A g u lh a ................................................................... 226
XXIV Auriculoterapia

Ciclo de T ratam en to.............................................................................. 226


O D e Q i .................................................................................................. 227
O que é o De Qi e o que Significa que Chegue ao Local Enfermo?.. 227
O Qi e sua Relação com o Resultado Terapêutico........................... 227
Aspectos a se Levar em Consideração.................................................. 228
Reações Secundárias............................................................................. 229
Lipotim ia.......................................................................................... 229
Manifestações clínicas.................................................................. 229
O que fazer?.................................................................................. 229
Como Evitar a Lipotim ia?............................................................. 230
Outras Reações................................................................................ 230
Infecções................................................................................................ 230
Infecção da P e le ............................................................................... 231
O que fazer?.................................................................................. 231
Infecção da Cartilagem.................................................................... 231
O que fazer?.................................................................................. 231
T ratamento com A gulha I ntradérmica ou P ermanente ............................ 232
Método de Tratam ento........................................................................... 232
Aspectos a se Levar em Consideração.................................................. 233
T ratamento com E letroauriculopuntura.................................................. 234
Método de Tratam ento........................................................................... 234
Aspectos a se Levar em Consideração.................................................. 234
T ratamento de C olocação de S ementes ................................................... 235
Método de Tratam ento........................................................................... 236
Preparação do Material ................................................................... 236
Preparação da placa de acrílico ................................................... 236
Modo de U s o .................................................................................... 236
Direção do Estímulo........................................................................ 237
Ciclo de Tratam ento.............................................................................. 238
A spectos a se L evar em C onsideração ..................................................... 238
T ratamento de M esopuntura ..................................................................... 239
Tipos de Medicamentos a U s a r............................................................. 240
Enfermidades que se Tratam com M esopuntura................................. 240
Método de Tratam ento........................................................................... 240
Aspectos a se Levar em Consideração.................................................. 241
T ratamento M ediante C ortes e E mplastros de M edicamentos ..............242
Preparação do Material......................................................................... 243
Medicamentos a U s a r............................................................................ 243
Pasta de Alho e Pimenta.................................................................. 243
Pasta de Gengibre............................................................................ 243
Enfermidades que se Tratam com este Método ................................... 243
Método de Tratam ento........................................................................... 243
Aspectos a se Levar em Consideração.................................................. 244
T ratamento M ediante Parches M ed icinais ...............................................244
Enfermidades que se Tratam com este Método ................................... 244
Tipos de Emplastros a U sar.................................................................. 244
Método de Tratam ento........................................................................... 245
T ratamento com M oxibustáo ..................................................................... 245
Método de Tratam ento........................................................................... 246
Moxibustão com Bastão de M o x a ................................................... 246
índice XXV

Moxibustão com a Planta “Deng Xin Cao” ........................................ 247


Método de Moxibustão com “Moxa de Arom a Leve” ........................ 247
Moxibustão com “Pequeno Cone de Moxa” ....................................... 247
Aspectos a se Levar em C on sid eração.................................................... 248
T ratamento M ediante S ang ria ...................................................................... 248
Método de T ratam ento.............................................................................. 248
Aspectos a se Levar em C on sideração.................................................... 249
Seleção do Ponto de Sangria Segundo a Enfermidade ......................... 249
Sangria no Ápice da O relh a ............................................................... 249
Sangria em Ponto Yang de Fígado..................................................... 250
Sangria no Ápice do Trago ................................................................ 250
Sangria no Sulco H ipotensor............................................................. 250
Sangria no Dorso da O re lh a .............................................................. 250
T ratamento com R adio isó to po s ....................................................................250
Preparação do M aterial............................................................................. 251
Método de Tratam ento.............................................................................. 251
Aspectos a se Levar em C onsideração.................................................... 251
T ratamento com M ag n eto te r apia ................................................................ 251
Método de Tratam ento.............................................................................. 252
Magnetoterapia D ireta........................................................................ 252
Magnetoterapia In d ireta..................................................................... 252
Magnetoterapia com Agulha Intradérmica M agnetizada................. 253
Etroacupuntura M agn ética............................................................... 253
Magnetoterapia com o Uso de Lodo M agnético................................ 253
Aspectos a se Levar em C onsideração.................................................... 253
T ratamento com L aserpuntura .....................................................................254
Método de Tratam ento.............................................................................. 255
Aspectos a se Levar em C on sideração.................................................... 255
M étodo de T ratamento com B r in c o s ..........................................................256
T ratamento com o M artelo de “F lor de A meixeira ” ................................. 256
Método de T ratam en to.............................................................................. 256
Aspectos a se Levar em C on sid eração.................................................... 257
T ratamento M ediante M assag e m ..................................................................257
Massagem Geral do Pavilhão A u ricu lar.................................................. 257
Massagem de todo o P avilh ão............................................................ 258
Massagem da hélix da o r e lh a ............................................................ 258
Alar e Levantar o Lóbulo da O re lh a .................................................. 259
Massagem de Pontos Específicos ............................................................ 259
Ponteio ................................................................................................ 259
Pinçam ento.......................................................................................... 259
Sovam en to........................................................................................... 260
Características da Manipulação Segundo a Zona do Pavilhão
A u ric u la r............................................................................................. 260
R eações mais C omuns D urante a A uriculoterapia .................................... 261
Reações do Pavilhão A u ricu la r................................................................ 261
Reações em Outras Partes do Corpo ...................................................... 262
Reações a Nível dos Canais e C olaterais................................................. 262
Reações Sistêm icas................................................................................... 263
Reação Conectiva ..................................................................................... 263
Reação com R etard o................................................................................. 264
XXVI Auriculoterapia

Reação de Caráter Intermitente ............................................................ 264


Reação L etárgica................................................................................... 264
Reação de Efeito Contrário ................................................................... 265
PR IN C ÍPIO S PAR A A SELE Ç Ã O D O S P O N T O S ....................................... 265
S eleção S egundo a Z ona C orrespondente ............................................... 265
Seleção Segundo a Diferenciação de Síndromes por Z ang F u e por
C anais e C olaterais............................................................................... 266
S eleção S egundo os C ritérios da M edicina M oderna .............................267
S eleção S egundo sua F u nção ................................................................... 268
S eleção S egundo a E xperiência C línica ................................................... 268

8 . P a to lo g ia s e T e r a p ê u tic a 27 1

M E D IC IN A IN T E R N A .................................................................................... 271
S istema D igestivo ...................................................................................... 271
Gastrite.................................................................................................. 271
Tratam ento...................................................................................... 272
Explicação dos pontos.................................................................. 272
Úlcera Péptica Gastroduodenal............................................................. 273
Tratam ento...................................................................................... 273
Explicação dos pontos.................................................................. 274
Caso Clínico..................................................................................... 274
Gastroenterite Aguda............................................................................. 275
Tratam ento...................................................................................... 275
Explicação dos pontos.................................................................. 276
Pancreatite Crônica............................................................................... 276
Tratam ento...................................................................................... 277
Explicação dos pontos.................................................................. 277
Experiência C lín ica.......................................................................... 278
Constipação ........................................................................................... 278
Etiopatogenia................................................................................... 278
Tratam ento...................................................................................... 279
Explicação dos Pontos.................................................................. 279
Diarréias................................................................................................ 280
Tratam ento...................................................................................... 281
Explicação dos pontos.................................................................. 282
Náuseas e Vômitos ................................................................................ 282
Tratam ento...................................................................................... 283
Explicação dos pontos.................................................................. 283
Espasmos do Diafragma ou Soluço...................................................... 283
Tratam ento...................................................................................... 284
Explicação dos pontos.................................................................. 284
Experiência C línica.......................................................................... 285
Esofagite ................................................................................................ 285
Tratam ento...................................................................................... 285
Explicação dos pontos.................................................................. 285
Colecistite .............................................................................................. 286
Tratam ento...................................................................................... 286
Explicação dos pontos.................................................................. 287
índice XXVII

Hepatite ..................................................................................................... 287


T ratam en to.......................................................................................... 287
Explicação dos p o n to s..................................................................... 288
S istema R espiratório ..................................................................................... 288
B ronqu ite................................................................................................... 288
T ratam en to.......................................................................................... 289
Explicação dos p on tos..................................................................... 290
Asma Bronquial......................................................................................... 290
T ratam en to.......................................................................................... 291
Explicação dos p on tos..................................................................... 291
Tratam en to.......................................................................................... 292
S istema C ardiovascular ................................................................................292
Hipertensão Arterial ................................................................................. 292
T ratam en to.......................................................................................... 294
Explicação dos p on tos..................................................................... 294
Experiência C lín ic a ............................................................................ 295
H ipotensão................................................................................................. 295
Tratam en to.......................................................................................... 296
Explicação dos p on tos..................................................................... 296
Cardiopatia Isqu êm ica.............................................................................. 296
T ratam en to.......................................................................................... 297
Explicação dos p on tos..................................................................... 298
Experiência C lín ic a ............................................................................. 298
Arritmias Cardíacas.................................................................................. 298
T ratam en to.......................................................................................... 299
Explicação dos p on tos..................................................................... 300
Experiência C lín ic a ............................................................................ 300
Insuficiência Arterial P eriférica............................................................... 300
T ratam en to.......................................................................................... 301
Explicação dos p on tos..................................................................... 301
Experiência C lín ic a ............................................................................ 302
Neurose C a rd ía ca ..................................................................................... 302
T ratam en to.......................................................................................... 303
Explicação dos p on tos..................................................................... 303
S istema N ervo so ............................................................................................ 304
Neurastenia............................................................................................... 304
T ratam en to.......................................................................................... 305
Explicação dos p on tos.............................................................. ...... 305
Experiência C lín ic a ............................................................................ 306
Caso C lín ico......................................................................................... 307
R eceita.............................................................................................. 307
H is te ria ...................................................................................................... 307
T ratam en to.......................................................................................... 308
Explicação dos p on tos.....................................................................308
C efa léia ...................................................................................................... 309
T ratam en to.......................................................................................... 310
Explicação dos p on tos..................................................................... 310
Seqüelas da Comoção C ereb ra l............................................................... 310
T ratam en to.......................................................................................... 311
Explicação dos p on tos..................................................................... 311
XXVIII Auriculoterapia

P sico se..................................................................................................... 312


Tratam en to........................................................................................ 312
Explicação dos p on tos................................................................... 313
Experiência C lín ica ........................................................................... 313
Neuralgia do T rigêm eo............................................................................ 313
Tratam ento........................................................................................ 314
Explicação dos pontos.................................................................... 315
Espasmo F a cia l....................................................................................... 315
Tratam ento........................................................................................ 316
Explicação dos p ontos................................................................... 316
Experiência C lín ica........................................................................... 317
Desordens do Sistema Neurovegetativo................................................. 317
Tratam ento........................................................................................ 318
Explicação dos p ontos................................................................... 318
Paralisia F a cial........................................................................................ 319
Tratam ento........................................................................................ 320
Explicação dos p ontos.................................................................... 320
Experiência C lín ica ........................................................................... 321
E pilepsia.................................................................................................. 321
Tratam ento........................................................................................ 323
Explicação dos pontos.................................................................... 323
Experiência C lín ica........................................................................... 324
Dor Fantasma ......................................................................................... 324
Tratam ento........................................................................................ 324
Explicação dos pon tos................................................................... 325
Experiência C lín ica........................................................................... 325
Casos Clínicos ................................................................................... 326
S istema E ndócrino ....................................................................................... 327
Diabetes M elito........................................................................................ 327
Tratam ento........................................................................................ 328
Explicação dos pontos................................................................... 328
Experiência C lín ica........................................................................... 329
Diabetes Insípido..................................................................................... 329
Tratam ento........................................................................................ 330
Explicação dos pontos................................................................... 330
Caso c lín ic o ....................................................................................... 331
Hipertiroidismo ....................................................................................... 331
Tratam ento........................................................................................ 332
Explicação dos pontos................................................................... 333
Caso Clínico....................................................................................... 334

O R T O P E D IA E T R A U M A T O L O G L A ..............................................................334
E ntorse e C o n tu s ã o ....................................................................................334
Tratam ento........................................................................................ 334
Explicação dos pontos................................................................... 335
Experiência C lín ica ........................................................................... 335
T orcicolo ..................................................................................................... 335
Tratam ento........................................................................................ 336
Explicação dos pontos................................................................... 336
P eriartrite do O m b r o ..................................................................................336
índice XXIX

T ra ta m e n to ........................................................................................... 337
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 337
Experiência C lín ic a .............................................................................. 337
ClATALGIA........................................................................................................... 338
T ra ta m en to ........................................................................................... 339
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 339
Experiência C lín ic a .............................................................................. 340
C e r v ic a lg ia ....................................................................................................... 340
T ra ta m en to ........................................................................................... 340
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 340
Experiência C lín ic a .............................................................................. 341
L esão da M usculatura L o m b a r .....................................................................342
T ra ta m en to ........................................................................................... 342
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 342
Experiência C lín ic a .............................................................................. 343
A rtrite R e u m a t ó id e ........................................................................................ 343
T ra ta m en to ........................................................................................... 344
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 344
Experiência C lín ic a .............................................................................. 345
E picondilite E xterna do Ú m e r o ....................................................................345
M anifestações c lín ica s...................................................................... 346
T ra ta m en to ........................................................................................... 346
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 346
Experiência C lín ic a .............................................................................. 347
COCCIGODINIA .................................................................................................... 347
T ra ta m en to ........................................................................................... 347
Explicação dos P on tos......................................................................... 347
Experiência C lín ic a .............................................................................. 347

C IR U R G IA ............................................................................................................. 348
T romboangiite O b lite r a n te ............................................................................348
T ra ta m en to ........................................................................................... 348
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 349
Zona correspondente........................................................................ 349
Experiência C lín ic a .............................................................................. 349
T romboflebite .................................................................................................. 350
T ra ta m en to ........................................................................................... 350
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 351
Experiência C lín ic a .............................................................................. 351
E nfermidade de R ayn au d ................................................................................ 351
T ra ta m en to ........................................................................................... 352
Experiência C lín ic a .............................................................................. 352
D isplasla M a m á r ia ........................................................................................... 352
T ra ta m en to ........................................................................................... 353
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 353
Experiência C lín ic a .............................................................................. 354
M a s t it e ............................................................................................................. 354
T ra ta m en to ........................................................................................... 354
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 355
XXX Auriculoterapia

H emorróides ................................................................................................. 355


Tratam en to........................................................................................ 356
Explicação dos p on tos................................................................... 356
Experiência C lín ica ........................................................................... 356
P rolapso R e t a l ............................................................................................. 357
Tratam ento........................................................................................ 357
Explicação dos pontos................................................................... 357
Experiência C lín ica ........................................................................... 358
L infadenite .................................................................................................... 358
Tratam ento........................................................................................ 359
Explicação dos pontos................................................................... 359
E r isipe la ....................................................................................................... 360
Tratam ento........................................................................................ 360
Explicação dos pontos................................................................... 361
Experiência C lín ica ........................................................................... 361
N euralgla I nterco stal ................................................................................ 361
Tratam ento........................................................................................ 362
Explicação dos p ontos................................................................... 362
Experiência C lín ica ........................................................................... 363
Bócio S im p l e s ...............................................................................................363
Tratam ento........................................................................................ 363
Explicação dos p ontos................................................................... 364
Experiência C lín ica........................................................................... 364

U R O L O G IA ....................................................................................................... 364
L itíase R e nal ................................................................................................. 364
Tratam ento........................................................................................ 365
Explicação dos p ontos................................................................... 365
Experiência C lín ica........................................................................... 366
PlELONEFRITE.................................................................................................. 366
Tratam ento........................................................................................ 367
Explicação dos pontos................................................................... 367
Experiência C lín ica........................................................................... 367
C istite ........................................................................................................... 368
Tratam ento........................................................................................ 368
Explicação dos pontos................................................................... 368
Experiência C lín ica........................................................................... 369
P rostatite ..................................................................................................... 369
Tratam ento........................................................................................ 369
Explicação dos pontos................................................................... 369
Experiência C lín ica........................................................................... 370
O rquite ......................................................................................................... 370
T ratam ento........................................................................................ 370
Explicação dos pontos................................................................... 370
Experiência C lín ica........................................................................... 371
I mpotência ..................................................................................................... 371
Tratam ento........................................................................................ 371
Explicação dos pontos................................................................... 372
Experiência C lín ica........................................................................... 372
índice XXXI

E sperm ato rréia ............................................................................................... 372


T ra ta m e n to ........................................................................................... 372
Explicação dos p o n to s ..................................................................... 373
E n u r e s e ............................................................................................................ 373
T ratam en to ........................................................................................... 374
Explicação dos p o n to s...................................................................... 374
Experiência C lín ic a ............................................................................. 375
P o la c iú r ia ........................................................................................................ 375
T ratam en to ........................................................................................... 375
Explicação dos p on tos...................................................................... 376
Experiência C lín ic a ............................................................................. 376
R etenção U r in á r ia ..........................................................................................376
T ratam en to ........................................................................................... 377
Explicação dos p on tos...................................................................... 377
Experiência C lín ic a ............................................................................. 378

E N F E R M ID A D E S D O S C IN C O Ó R G Ã O S D O S S E N T ID O S .................... 378
V ertigem por T ranstornos do O uvido I n te r n o ...........................................378
T ra ta m e n to ........................................................................................... 378
Explicação dos p o n to s ..................................................................... 379
Experiência C lín ic a ............................................................................. 379
T inido e H ipoacusla .........................................................................................379
T ratam en to ........................................................................................... 380
Explicação dos p on tos..................................................................... 380
Experiência C lín ic a ............................................................................. 381
A migdalite ........................................................................................................ 381
T ratam en to ........................................................................................... 382
Explicação dos p o n to s ..................................................................... 382
L aringofaringite A g u d a ..................................................................................382
T ratam en to ........................................................................................... 382
Explicação dos p o n to s ..................................................................... 383
Experiência C lín ic a ............................................................................. 383
Ú lceras B ucais R e cid ivan te s ........................................................................ 383
T ratam en to ........................................................................................... 384
Explicação dos p o n to s ..................................................................... 384
Experiência C lín ic a ............................................................................. 384
O dontalgia ....................................................................................................... 384
T ra ta m en to ........................................................................................... 385
Explicação dos p o n to s ..................................................................... 385
Experiência C lín ic a ............................................................................. 386
R inite C r ô n ic a ................................................................................................ 386
T ratam en to ........................................................................................... 386
Explicação dos p o n to s ..................................................................... 386
Experiência C lín ic a ............................................................................. 387
Rinite A lé rg ic a ............................................................................................ 387
T ratam en to ........................................................................................... 388
Explicação dos p o n to s ..................................................................... 388
Experiência C lín ic a ............................................................................. 388
C onjuntivite A g u d a ......................................................................................... 389
XXXII Auriculoterapia

Tratam ento...................................................................................... 389


Explicação dos pontos.................................................................. 389
Experiência C línica.......................................................................... 389
T e r ç o l ......................................................................................................... 389
Tratam ento...................................................................................... 390
Explicação dos pontos.................................................................. 390
Experiência C línica.......................................................................... 390
M io p ia .......................................................................................................... 390
Tratam ento...................................................................................... 391
Explicação dos pontos.................................................................. 391
Experiência C línica.......................................................................... 391
P eriodontite ............................................................................................... 391
Tratam ento...................................................................................... 392
Explicação dos pontos.................................................................. 392
G engivorragia ............................................................................................. 393
Tratam ento...................................................................................... 393
Explicação dos pontos.................................................................. 393
O tite M édia C rônica .................................................................................. 393
Tratam ento...................................................................................... 394
Explicação dos pontos.................................................................. 394
E pistaxe ...................................................................................................... 395
Tratam ento...................................................................................... 395
Explicação dos pontos.................................................................. 395
O t a l g ia ....................................................................................................... 396
Tratam ento...................................................................................... 396
Explicação dos pontos.................................................................. 397
Experiência C lín ica.......................................................................... 397
G laucoma .................................................................................................... 398
Tratam ento...................................................................................... 398
Explicação dos pontos.................................................................. 399

G IN E C O L O G IA ............................................................................................... 399
M enstruações I rregulares ....................................................................... 399
Tratam ento...................................................................................... 400
Explicação dos pontos.................................................................. 400
Experiência C línica.......................................................................... 401
D ismenorréla .............................................................................................. 401
Tratam ento...................................................................................... 402
Explicação dos pontos.................................................................. 402
Experiência C línica.......................................................................... 402
A menorréia ................................................................................................. 403
Tratam ento...................................................................................... 403
Explicação dos pontos.................................................................. 404
Experiência C línica.......................................................................... 404
H emorragia U terina D isfuncional.............................................................404
Tratam ento...................................................................................... 405
Explicação dos pontos.................................................................. 405
Experiência C lín ica......................................................................... 405
C ervicite ..................................................................................................... 406
índice XXXIII

T ra ta m e n to ............................................................................................ 406
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 406
Experiência C lín ic a ............................................................................... 407
I nflamação P é l v ic a ........................................................................................... 407
T ra ta m e n to ............................................................................................ 407
Explicação dos p o n to s ...................................................................... 408
P rolapso U t e r in o ............................................................................................. 408
T ra ta m e n to ............................................................................................ 408
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 409

D E R M A T O L O G IA ................................................................................................. 409
P r u r id o ...............................................................................................................409
T ra ta m e n to ............................................................................................ 410
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 410
Experiência C lín ic a .............................................................................. 410
U r t ic á r ia ........................................................................................................... 411
T ra ta m e n to ............................................................................................ 412
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 412
Experiência C lín ic a .............................................................................. 412
D ermatite de C ontato .................................................................................... 413
T ra ta m e n to ............................................................................................ 413
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 413
H erpes Z o s t e r .................................................................................................. 414
T ra ta m e n to ............................................................................................ 414
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 415
Experiência C lín ic a ............................................................................... 415
A cne J u v e n il ..................................................................................................... 416
T ra ta m e n to ............................................................................................ 417
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 417
Experiência C lín ic a ...............................................................................418
L íquen P l a n o ..................................................................................................... 418
T ra ta m e n to ............................................................................................ 418
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 419
Experiência C lín ic a .............................................................................. 419
PSORÍASE............................................................................................................. 419
T ra ta m e n to ............................................................................................ 420
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 420
Experiência C lín ic a ............................................................................... 420
D ermatite S e b o r r é ic a ..................................................................................... 421
T ra ta m e n to ............................................................................................ 421
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 422
Experiência C lín ic a ............................................................................... 422
C l o a s m a ............................................................................................................. 422
T ra ta m e n to ............................................................................................ 423
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 423
Experiência C lín ic a ............................................................................... 424
VlTILIGO ............................................................................................................... 424
T ra ta m e n to ............................................................................................ 424
Explicação dos p o n to s ....................................................................... 425
XXXIV Auriculoterapia

Experiência C lín ica......................................................................... 425


A lo pec ia A r e a t a .................................................................................... 426
Tratam ento...................................................................................... 427
Explicação dos pontos................................................................. 427
Experiência C línica......................................................................... 428
Bibliografia.......................................................................................... 429
índice Rem issivo................................................................................. 433
1. Origem do (Diagnóstico e
‘Tratamento fturicuíar na
Cfiina

Pode-se assegurar sem tem or algum, que o diagnóstico e trata­


mento através do m icrossistem a da orelha teve sua origem na China.
Já nos textos antigos, como o Huang Ti Nei Jing, se justificava a es­
treita relação do pavilhão auricular com o resto do corpo, nutrindo-se
este conhecimento, com a experiência posterior.
Em 1973, an trop ólogos chineses, en contraram nas escavações,
realizadas na província de Hu Nan, um livro antigo do período Han,
escrito em duas partes in titu ladas Os Onze C anais dos Braços e
das Pernas na M oxibu stão e Os Onze C anais Yin e Yang na M oxi­
bustão. Segundo a opinião dos especialistas, possivelm en te esta
seja a obra m ais antiga onde se abordou o estudo dos canais e
vasos no tratam en to com m oxibustão. Na parte do livro Os Onze
C anais Yin e Yan g na M oxib u stão declara-se: “ Os m em bros, os
olhos, a fa c e e a garganta, todos se reúnem, at ravés dos canais e
vasos, na orelha". N esta frase podem -se perceber de m aneira clara
os fu ndam entos da teoria básica quanto à relação da orelha com o
resto da fisiologia.
O povo chinês foi. provavelmente, o primeiro a esboçar a estreita
relação existente entre o pavilhão auricular, os canais e colaterais, os
Zang Fu e o resto do organismo, além de legar as bases teóricas para
o diagnóstico e tratamento, através do pavilhão auricular.
2 Auriculoterapia

PAVILHÃO AURICULAR

R e l a ç ã o c o m o S i s t e m a d e C a n a is e C o l a t e r a i s
Desde o N ei J ing se postulam enunciados que justificam a estreita
relação do pavilhão auricular com os canais e colaterais. Por exemplo, na
parte do livro referida ao trajeto dos canais na orelha, se descreve de
forma detalhada e completa, a estreita relação do pavilhão auricular com
os canais principais, os canais distintos e os tendino musculares. Assim
também, no capítulo A Energia Perversa que Invade os Zang Fu do Ling
Shu, se descreve: “O Q ie o Xue dos doze canais regalares e os trezentos
colaterais, ascendem em direção à ja ce e correm em direção às aberturas,
a essência do Yang Qi corre em direção aos olhos para dar-lhes claridade e
a outra parte do Qi corre em direção ã orelha para dar audição".
O L ing S hu , no capítulo Canais e Vasos, refere: “ O canal Tai Yang da
mão possui um ramo que penetra no centro do ouvido: o canal Shao Yang
da mão tem um ramo que penetra na parte posterior do ouvido, logo ascen­
de para sair pelo ângulo superior da orelha e outro ramo, desde a parte
posterior da orelha, penetra em direção ao centro do ouvido, para logo sair
em direção ã parte anterior de pavilhão auricular. O canal Shao Yang do pé
possui um ramo que penetra no centro do ouvido para sair pela parte ante­
rior do pavilhão auricular: o canal distinto do Yang Ming da mão, penetra
no ouvido e se reúne no Zong Mai, o canal Yang Ming do pé ascende até a
parte anterior do pavilhão auricular: o canal Tai Yang do pé possui um
ramo que vai desde o vértex até o ângulo superior da orelha".
O L ing S h u , no mesmo capítulo, também cita: “Os canais tendino-
musculares do Yang Ming do pé, o Tai Yang da mão e o Shao Yang da
mão, têm uma estreita relação com o pavilhão da orelha".
De acordo com o trajeto dos canais e vasos descritos no L ing S h u ,
se estabelece que os três canais Yang das mãos e os três Yang dos pés
têm em seu trajeto uma estreita relação com o pavilhão auricular.
Além disso, os três canais Yin, ainda que em suas trajetórias regula-
res não entrem diretamente no pavilhão, o fazem através de seus ca­
nais distintos. O que se pode resumir dizendo que os doze canais
chegam ao pavilhão auricular.
A respeito, o L ing S h u , no capítulo Perguntas e Respostas, refere:
"Tudo se reúne no Zong M ai da orelha".
Durante a dinastia Song (420 - 479 d.C.), o famoso médico Yang
Shi Ying escreveu: “Os doze canais, acima se reúnem na orelha, é aqui
uma das zonas principais, onde o Yang e o Yin se inter-relacionam".
Durante o período Qin e Yuan, são diversos os tratados escritos
sobre os canais e sua relação com o pavilhão auricular. Por exemplo.
Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 3

Liu Wan Si, em seu livro Seis Volumes Sobre o Tinido, assinala: “A
orelha é a abertura do rim e os canais Tai Yang, Shao Yang da mão e
Jue Yin, Shao Yin e Shao Yang do pé se reúnem nela".
Li Bao, em seu livro Shi Shu Er Xiao Sheng Pian, assinala: “Os
canais da vesícula biliar e San Jiao, ambos brotam na orelha''.
Lou Tian Yin em seu livro, O Tesouro da Saúde, refere: “Os canais
dos cinco órgãos e das seis vísceras, possuem colaterais que penetram
na orelha”.
Mei Zhen Tin, famoso médico do mesmo período e autor do texto
Dan Xi Xin Fa, assinala: “Os doze canais se reúnem através de um
colateral com a orelha1'.
Huan Pai Ren, no livro Desenvolvimento dos Doze Canais, assinala:
"O canal Shao Yang da mão. penetra no centro da orelha através do
ponto Yi Feng e o canal Shao Yang do pé, penetra no centro da orelha,
desde a parte póstero-temporal, através do mesmo ponto'.
Durante a dinastia Ming (1368 - 1644), as referências bibliográfi­
cas sobre a relação entre o pavilhão auricular e os canais e colaterais,
chegaram a ser ainda mais numerosas. Por exemplo, Li Shi Zhen, em
seu tratado Exame dos Oito Vasos e os Canais Extraordinários, assi­
nala a relação existente entre os oito vasos maravilhosos, os canais e
o pavilhão auricular, dizendo: “Os vasos Yang Qiao e Yin Qiao em seu
trajeto penetram na parte posterior da orelha; o vaso Yan Wei desde a
cabeça penetra na orelha".
Nesse mesmo período, Xu Chun Fu, no tratado Compêndio de Medi­
cina Atual e Antiga, anotou: “JVa orelha os doze canais se reúnem, o
Yin e o Yang se inter-relacionam. a essência e a energia se regulam e
harmonizam, o sangue e a energia se fa zem suficientes e então há boa
capacidade auditiva".
Zhang Jie Ping, em seu livro Lei Jing, escreveu: “Os três canais Yin
e Yang das mãos e dos pés, todos penetram no centro do ouvido".
Durante a dinastia Qin, o médico Zheng Qin Yu, em seu livro Za
Bin Yuan Liu Ji Chong, anotou: “O vaso Yang Qiao, penetra no ponto
Feng Chi, desde a parte póstero-inferior da orelha".
Através de todos os comentários anteriores, dos quais recopilamos
uma abundante referência de textos antigos, nos diferentes períodos
da história médica da China, podemos concluir dizendo que os canais
e colaterais atravessam, se detêm, se reúnem e se agrupam no pavi­
lhão da orelha. O que constitui a base teórica para o posterior desen­
volvimento da auriculopuntura.

R e la ç ã o com o s Z a n g F u

A orelha e os órgãos internos têm uma estreita relação fisiológica.


no capítulo Wu Yue Wu Shi, anota: “A orelha é o palácio do
O L in g S h u ,
4 Auriculoterapia

rim". O Zi Wen, no capítulo Qin Gui Zheng Yang Lun, refere: “Em
direção ao sul está a cor vermelha que penetra no coração, o coração
encontra na orelha sua abertura e armazena aí sua essência”. No capí­
tulo Zang J i Fa Shi Lun, do mesmo livro, anota-se: “Se o fígado adoece
e há vazio, então o ouvido perde sensibilidade, se o Qi se inverte, a
cabeça dói e há surdez". Este livro, no capítulo Yu Ji Zheng Zang Lun,
refere: "Se o baço está deficiente, então, os nove orifícios do homem não
se comunicam". O N an J ing , na dificuldade quarenta, esboça: "O pul­
mão emite a voz e o ouvido recepciona a voz". O L ing Shu, no capítulo
Du Mai, expressa: “O Qi do rim se comunica com o ouvido, se o Qi do
rim está harmonioso, então, o ouvido perceberá os cinco sons".
Durante a dinastia Tang, o famoso médico Cun Si Miao, em seu
livro Mil Receitas de Ouro, expõe: “O espírito é controlado pelo coração,
o palácio do coração é a língua, se o Qi do coração se comunica com a
língua, então, a língua será harmoniosa e poderá perceber os cinco
sabores; mas, o coração também usa o ouvido como abertura, por isso,
se o Qi do coração chega ao ouvido, então, se pode entender o que do
mundo nos chega".
No livro Zhen Zhi Zhun Gui encontra-se: “O ouvido é a abertura
principal do rim e por sua vez a abertura secundária do coração".
Na dinastia Qin, o médico Zhen Qin Yu, em seu livro, nos decla­
ra: "A orelha relaciona-se com o canal Shao Yin do pé, pelo que cons­
titui a abertura do rim; o ouvido se fo rm a com a essência do rim; se a
energia e a essência são harmoniosas e o Qi do rim é abundante,
então, existe boa audição. Quando a energia e o sangue são danifi­
cados. então, o vento patogênico se cria a partir deste vazio, a essên­
cia do rim está desmoronada e aparece a surdez. A água nasce do
metal, o pulmão controla a energia e esta se comunica no ouvido com
o resto do organism o".
Além disso, todos estes dados anteriores, que confirmam a estrei­
ta relação da orelha com os Zang Fu, no ano 1888, período onde ainda
dominava a dinastia Qin, os médicos Zhang Zhen Qin e seu irmão
mais novo, Zhang Ti Shang, escreveram um livro intitulado Li Zhen
An Mo Yao Shu, onde se realiza pela primeira vez a localização dos
cinco órgãos no dorso da orelha e constitui, além disto, a base da
teoria dos microssistemas na China.

UTILIZAÇÃO DO PAVILHÃO AURICULAR NO


DIAGNÓSTICO DAS ENFERMIDADES
Já no Huang Ti Nei Jing se fazia menção ao uso do pavilhão auri­
cular como método diagnóstico. Os médicos da antigüidade, através
Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 5

da observação do pavilhão auricular, de seu tamanho, textura, colo­


ração e forma, determinavam o estado dos Zang Fu.
No L ing S h u , no seu capítulo Fundamentos dos Órgãos, se esboça:
“Quando a orelha tem uma cor enegrecida e é de tamanho pequeno,
manifesta que se possui um rim pequeno: se a orelha é espessa, então, o
rim é grande: se a orelha é alta o rim está alto: se a orelha tem uma
grande depressão posterior, então, o rim se encontra baixo: se a orelha é
forte, o rim também o será: se a orelha éfin a e débil, então, o rim é débil".
Na dinastia Tang, o famoso médico Cun Si Miao, de acordo com
sua rica experiência clínica, expressou: “Quando a textura da orelha é
sólida eforte, então, o rim também o será. (o indivíduo) não se enfermará
facilm ente e os quatro membros sofrerão pouco de dores": em outra
parte do texto, o mesmo autor expressa: “Quando a orelha é fin a , en­
tão. o rim será débil, o calor atacará sua debilidade e p or causa disto
se produzirão acúfenos". Tam bém esboça: “Se a orelha é grande ou
pequena, está alta ou baixa, é espessa ou fina, alargada ou mais re­
donda, tudo isto manifesta o estado do rim. Se a orelha é pequena e de
cor escura, pode-se instalar um difícil padecim ento do rim: se a orelha
é espessa o rim será grande, p or ser grande provoca vazio e por ser
vazio o frio o invadirá produzindo tinidos, hipoacusia, dor lombar e
sudorese: se a orelha está inclinada para a frente, o rim estará alto e
portanto, cheio, o que fa rá que o rim se aqueça: se a parte posterior da
orelha apresenta uma depressão, o rim estará, então, baixo e por estar
baixo, se padecerá de lombalgia, prolapso e hérnias: a boa orelha é a
que se inclina para fre n te e está na linha com Ya Che, desta maneira a
ponta do rim está direita e será difícil adoecer".
Tam bém sobre o diagnóstico através do pavilhão da orelha o livro
L ing S h u , em seu capítulo Vinte e Cinco Tipos de Pessoas Yin e Yang,
assinala: “Sobre o Shao Yang da mão, o sangue e a energia são abun­
dantes, por isso há sobrancelhas form osas e compridas e as orelhas
carregam uma cor form osa: se o sangue e a energia são escassas, en­
tão as orelhas se tornam murchas e de má coloração": aqui se expressa
como através do exame do pavilhão auricular se pode determinar o
estado do sangue e da energia.
Wang KenTang, em seu tratado, Zhen Zhi Zhun Gui escreveu: “Quan­
do se nasce a cor do hélix da orelha é rosada; quando a cor da orelha se
torna amarela, negra ou violácea, então, se está à porta da morte”.
Os antigos expressavam: “O interno se reflete através da fo rm a ex­
terna". Desta form a fica claro, que o estado dos órgãos internos e o
estado da superfície do corpo, tem uma estreita relação. Desde a an­
tigüidade era bem conhecido que através das mudanças observadas
no pavilhão auricular, se poderiam estabelecer as variações patológicas
dos Zang Fu.
6 Auriculoterapia

No texto antigo, Tratado Sobre a Varíola, anota-se de maneira cla­


ra: “A parte superior e posterior da orelha, reflete o coração, quando se
padece de varíola e o calor invade o coração, o pavilhão da orelha,
nesta área mostra uma coloração vermelha”.
Em relação às reações que produzem sobre o pavilhão auricular
as enfermidades do rim e a varíola, também se comenta: “Quando a
parte anterior do pavilhão está de cor enegrecida, isto refere que se
está produzindo uma dor por hérnia; quando há um golpe de vento que
ataca o canal Yang Ming, a orelha se torna edemaciada na parte ante­
rior e posterior; quando o músculo que se insere na orelha, em sua
parte superior, toma uma coloração esverdeada, isto quer dizer que se
produziu vento interno do fígado".
O L ing S h u , no capítulo Tratamento e Diagnóstico das Enfermida­
des, esboça: “Quando a orelha tem uma cor esverdeada há dor pun­
gente". O mesmo livro, no capítulo. Anormalidades na Circulação do
Wei Qi, esboça: “Quando o hélix apresenta -se como queimada ou suja
por pó, se pensa, então, que a enfermidade está nos ossos; se a parte
inferior do hélix e a concha estão como queimadas e secas, isto é mani­
festação do carbúnculo nos intestinos”.
Nos outros anexos do Huan Ti Nei Jing descreve-se: “Quando há
enfermidade no intestino delgado, a parte anterior da orelha se torna
quente: quando há cefaléia Jue Yin e esta se torna muito severa, então,
as artérias da parte anterior e posterior da orelha, se fazem proeminen­
tes e se tornam quentes".
No livro, Zhen Jiu Jia Yi Jing no Capítulo 11, sobre enfermidades
infantis, esboça-se: “Quando os vasos da orelha da criança se mos­
tram de cor esverdeada, então, esta sofre de dor abdom inal'.
Em outro tratado antigo sobre enfermidades infantis, intitulado
Xiao Er Wu Zi Bu Zhi Ke, esboça-se: “Quando há uma cor esverdeada,
que segue em direção transversa ao olho e penetra na orelha da crian­
ça, isto quer dizer que estamos diante de uma síndrome grave que prog­
nostica morte; se na parte interna da orelha aparecem úlceras com
petéquias de cor negra, o médico deve considerar que a criança deve
suspender a medicamentação".
Durante o período da dinastia Qin, o diagnóstico através do pavi­
lhão da orelha, ganhou grande peso dentro da teoria diagnostica da
Medicina Tradicional. Num livro intitulado Wan Zhen Zun Jing e que
pode ser traduzido como Tratado do Diagnóstico Através da Observa­
ção aconselham-se princípios para o diagnóstico mediante o pavilhão
da orelha.
Com a recopilação das experiências anteriores, se conseguiu esta­
belecer fundamentos diagnósticos a partir da observação da colora­
ção e da forma do pavilhão auricular, estreitando desta maneira mais
Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 7

a relação entre a teoria da Medicina Tradicional e o diagnóstico auri­


cular. Entre as teorias esboçadas neste livro, encontra-se a vinculação
das mudanças de coloração nas diferentes partes do pavilhão, com a
teoria dos cincos movimentos e a localização dos Zang Fu, dentro do
pavilhão auricular.
Após todas estas anotações e recopilações dos textos antigos, pode-
se obter um enorme íluxo de conhecimentos, que ainda se aplicam
amplamente na prática médica atual. Nos últimos 10 anos, seguiu-se
aprofundando no estudo da patologia, embriologia, e após o desenvol­
vimento destas teorias, podem-se realizar novos aportes ao diagnósti­
co auricular. Por exemplo, os médicos patologistas e pediatras encon­
traram uma estreita relação entre o desenvolvimento do rim da crian­
ça e a forma da cartilagem auricular. Assim também, nas afecções
congênitas do metabolismo dos polissacarídeos, se produzem proble­
mas de caráter ósseo (mucopolissacarídeo de grau 1), inclusive apare­
cem retardo mental, malformações esqueléticas, transtornos na au­
dição, transtornos ao nível da visão e mudanças na forma do pavilhão
auricular, entre outras características. Estas descobertas feitas pela
medicina moderna, confirmam as antigas teorias da Medicina Tradi­
cional sobre a relação do rim com a qualidade dos ossos e de como o
ouvido constitui sua abertura.

U t iliz a ç ã o nas E n fe r m id a d e s

Prevenção
São vastos os tratados antigos da Medicina Tradicional Chinesa,
que fazem referência ao uso de estímulos sobre o pavilhão auricular,
para o tratamento e prevenção das enfermidades.
No livro Pang Zhen Liang Fan, da dinastia Zong, comenta-se:
“Massagear as orelhas e os olhos ajuda o fortalecim ento do Zhen Q i'.
Na dinastia Yuan escreve-se o título, Shi Yi de Xiao Fan, no qual se
comenta: “Ao tamponar a orelha com um emplastro fe ito das plantas Bi
Ma Zi, Da Zao Rou e Ren Ru, pode-se tratar a debilidade do sangue e
da energia, o tinido e a hipoacusia".
No livro Dong Yi Bao Qin, escrito no período da dinastia Ming, se
recopilaram numerosos métodos taoístas de massagem sobre o hélix
da orelha, com o quais se fortalecia a saúde e se tonificava o Qi do rim.

Tratamento
H á n u m e r o s o s c o m e n t á r io s n o N ei J ing s o b r e o u s o d o p a v ilh ã o
d a o r e lh a n o tr a t a m e n t o d a s e n fe r m id a d e s , p o r e x e m p lo , o L ing S h u ,
8 Auriculoterapia

F IG U R A 1.1 - Tratam ento auricular com moxa.


Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 9

no capítulo As Cinco Energias Perversas, explica: “Quando a energia


perversa se encontra no fígado e há dor em ambas as regiões intercos-
tais. se trata punturando o vaso esverdeado da orelha".
O mesmo livro, no capítulo Enfermidades Jue, refere: “Quando há
surdez e tinido, se deve punturar o centro da orelha .
No Zhen Jiu Jia Yi Jing refere: “A o fazer uma rasgadura com um
canudo de bambu, no centro da orelha raspando em direção ao lado
esquerdo um cun quadrado, pode ser tratado o alcoolism o".
Na dinastia Tang, o médico Cun Si Miao, em seu livro Bei Ji Qian
Qin Yao Fan, anota: “Através do ponto do centro da orelha, pode ser
tratado o ictérico e as invasões infecciosas por fr io ou por calor". Na
mesma dinastia. Wan Tai Pu definiu: "O Qi penetra no centro da orelha
e daqui ajuda a drenar os cinco colaterais".
Gui Ying Ling, em seu livro Shi Yi de Xiao Fang, apontou “Ao rea­
lizar estiramentos nas partes avermelhadas do dorso da orelha, pode
eliminar-se o fu n go dos p é s ”.
Na dinastia Ming, o terapeuta Yang Ju Yuan, no livro Zhen Jiu da
Cheng comenta: “A o fa z e r moxa sobre o ápice da orelha de até 5 cones
pequenos, podem ser tratadas afecções dos olhos"', em outra parte do
mesmo texto, nos diz: “Quando punturamos o ponto porta da orelha,
podem -se curar as afecções dos dentes".
Durante a dinastia Ming, Wu Shang Xian, em seu livro, esboça:
“Se cobrirm os am bas as orelhas com pele de serpente, podem solu ­
ciona r as síndrom es de Shao Yang; quando há epistaxe, se o san-
gra m ento é do lado d ireito tapa-se a orelha esquerda e vice-versa,
d esta m aneira se ativa a circulação do sangue e se desobstrui a
energia".
Com o podem os ver, na an tigü idade os m étodos de estím u lo do
pavilh ão auricular, não só estavam dirigidos a tratar diretam ente
as afecções da audição tais com o o tinido, h ip oacu sia e surdez,
com o tam bém , a orelh a era usada com o base para o tratam ento
das afecções do resto do corpo, tais como: cefaléia, en ferm idades
visuais, odontalgias, epistaxes, icterícia, etc., aplican d o-se d ife ­
rentes m étodos de tratam en to como: punção com agulhas, sa n ­
gria, m oxibustão, m assagem , tam ponam ento com m edicam entos,
raspagem com bam bu, etc.
Assim como estes, outros métodos também populares, foram trans­
mitindo-se de geração em geração, entre eles: punturar a hélix da
orelha para tratar a parotidite, beliscar o lóbulo da orelha para tratar
o resfriado, punturar a boca do conduto auditivo até sangrá-la, para
tratar a dor de estômago, sangrar as veias do dorso da orelha para
tratar os eczemas, etc.
10 Auriculoterapia

Em 1935, se tornou popular na China, fazer eauterizações sobre o


ápice da orelha com o azeite usado para as lâmpadas, para o trata­
mento da conjuntivite. No povoado de Jian Jiang tornou-se popular
fazer queimaduras na orelha com álcool, para o tratamento da
odontalgia e molhar a orelha com álcool, para o tratamento da bron­
quite crônica.
Todos estes exemplos constatam o valioso legado que desde a an­
tigüidade se transmitia de maneira popular, sobre o amplo uso do
pavilhão auricular, para o tratamento das enfermidades. Um exemplo
mais disso, é o ancião médico de 76 anos de idade, que viveu em Han
Zhou na década de 30 e que era chamado “O médico das orelhas de
ouro", por sua renomada fama no uso do pavilhão auricular para tra­
tar enfermidades.
Nos finais da dinastia Qin, existiu um médico da província de Shang
X, chamado Sun San Ye, que se tornou altamente renomado pelo uso
da auriculopuntura. Este famoso médico passou todo seu legado a
seu filho Sun Li You, que posteriormente escreveu: “Na orelha os pon­
tos surgem como mananciais e os canais e colaterais se relacionam
form ando um sistema, a orelha esquerda representa o coração e a ore­
lha direita o rim, desta maneira as duas energias Yin e Yang podem
retroceder até o vazio ou fortalecer-se, controlando-se o coração e o es­
pírito, fortalecendo-se o fígado e o sangue, nutrindo-se o Yin e regulan­
do a água do rim: assim se harmoniza o homem, o céu e a terra (o céu
representa-se na cabeça, o homem no ventre e a terra nas plantas dos
pés)”. Este autor com seu tratado, deixou estabelecido muitas das
funções dos pontos auriculares como:
• O hélix da orelha pode drenar e desobstruir o baço e o pulmão.
• A parte baixa do pavilhão pode penetrar no rim e fortalecer o
coração.
• Os sulcos superior e inferior do pavilhão, alcançam as aberturas
Yin e Yang: podem tratar a invasão do vento no tronco e portanto
as dores da espalda.
• O centro do ouvido e sua vizinhança trata os transtornos do
metabolismo, também pode tratar os nove tipos de cefaléias (por
vento, por fogo, temporal, frontal, posterior, do arco superciliar,
do Tai Yang, de toda a cabeça e do vértex).
• O lóbulo da orelha trata a epilepsia, as cefaléias, fortalece o co­
ração e controla a mente.
• A raiz inferior da orelha trata a surdez e a afonia.
• A raiz do trago trata a opressão torácica e dá a sensação como de
corrente.
• A prega da orelha pode tratar a inversão do estômago, o vômito e
a dor do ventre.
Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China

a a tx a s g v in

F IG U R A 1.3 - M étodo de sopro na orelh a com tu bo de bam bu.


12 Auriculoterapia

PONTOS AURICULARES

R e c o p il a ç ã o d e C o m e n t á r io s
São muitas as referências bibliográficas que nos chegam da anti­
güidade sobre os pontos auriculares. Já no N ei J ing , os pontos Tin
Gong (palácio da audição) e E rZhong (centro da orelha) eram notabili­
zados entre outros. N o capítulo Discussão Sobre os Pontos de Energia
do Zi Wen esboça-se: “O ponto Er Zhong contém em si mesmo a dois
pontos". O capítulo Enfermidades Jue do L ing S hu aclara mais sobre a
função deste ponto: “Diante do padecimento de surdez é necessária a
seleção do ponto Er Zhong'.
Posteriormente, nos livros Zhen Jiu Jia Yi, Qian Qin Yao Fang, Lei
Jing Tu Xun, entre outros, se faz uma distribuição mais ampla dos
pontos sobre o pavilhão auricular (Fig 1.4).
Durante a dinastia Tang, o famoso médico Cun Si Miao, descreve
em seu livro Pei Ji Qian Qin Yao Fang: “Ao fazer Acupuntura nos pon­
tos Er Zhong e Er Men (porta da orelha), pode-se curar a icterícia e a
invasão patogênica do frio ou do calor de verão'; no mesmo livro, esbo­
ça também: “Por trás da orelha encontra-se um ponto chamado Yang
Wei, este ponto está sobre uma parte da cartilagem em Jorma de corda
de alaúde. que corre para frente e pode ser usado para tratar o tinido".
Posteriormente, o médico Huang Zhu Wen, em seu livro Ji Xue Yan
Jiu, que pode ser traduzido como Estudo dos Pontos Extraordinários,
faz referência também à posição e uso do ponto Yang Wei dentro do
pavilhão auricular.
O livro Zhen Jiu Da Cheng assinala: “Ao punturar o ápice da orelha
podem-se tratar as enfermidades da vista".
Também há muitas anotações antigas referentes aos pontos situa­
dos na ponta da pérola (o ápice do trago), o lóbulo da orelha, a parte
posterior do pavilhão, etc.
No livro Zhen Jiu Jing Wai Ji Xue Zhi Liao Que diz-se: “Para tratar
a odontalgia, fa z e r três cones de moxa no ápice da orelha".
No texto Zhen Jiu Kong Xue Ji Liao Xiao Pian Lang escreveu-se:
"Ao introduzir a agulha até um fe n ou fa z e r três cones de moxa no
ápice do trago, pode-se tratar a dor de ouvido e de molares".
Durante a dinastia Qin, em 1888, publicou-se um livro intitulado
Li Zhen An Mo Yao Shu. onde se expressa com clareza a distribuição
e o uso clínico dos cinco órgãos no dorso da orelha (Fig. 1.5).
Resumindo, podemos dizer que a origem e uso dos pontos auricu­
lares para o diagnóstico e tratamento das enfermidades, é um valioso
legado da milenária experiência médica da cultura chinesa, servindo
como base para chegar a nossos dias, por meio de um ininterrupto
desenvolvimento a conformar a auriculoterapia de nossos tempos.
Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China

F IG U R A 1.4 - M apa auricu lar chinês anterior ao século XVIII.


14 Auriculoterapia

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FIG U R A 1.5 - Localização dos cinco Zang no dorso do pavilhão auricular.


Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 15

AURICULOPUNTURA

D e s e n v o l v i m e n t o A t u a l d o D ia g n ó s t ic o e T r a t a m e n t o
Depois da fundação da nova China, o sistema médico neste país ga­
nhou um amplo e rápido desenvolvimento, que serviu de base para que no
final da década de 80 e princípios da de 90, ficasse instituída a auriculote­
rapia como uma especialidade dentro do estudo da Acupuntura.
O desenvolvimento atual da auriculopuntura pode ser dividido em
três etapas que são: da década de 50 a 60, das décadas de 60 a 80 e
da década de 80 até a atualidade.
A primeira etapa é um período onde se estabeleceram a localiza­
ção e aplicação dos pontos auriculares.

Década de 50 a 60
Na década de 50, o desenvolvim ento da auriculoterapia era ainda
pobre, mas com eçava a ser m otivo de atenção cada vez m ais cres­
cente dentro da prática clínica. Em 1956, no distrito de Cai Xi, da
província de Shan Dong, se expôs uma tese sobre o tratam ento da
am igdalite aguda com a auriculoterapia. Em dezem bro de 1958,
Ye Xiao Wu publica na revista de M edicina Tradicion al de Shangai
os estudos realizados pelo m édico francês P. Nogier, sobre a rela­
ção de certas zonas do pavilhão da orelha, com os órgãos internos,
a partir da observação das m udanças que se produziam no p a vi­
lhão auricular, ante processos patológicos dos órgãos internos: foi
Nogier o prim eiro a representar na orelha um feto em posição pré-
natal.
Este mapa auricular com a representação do feto em posição pré-
natal, serviu aos médicos chineses de grande impulso, para começar
um profundo estudo da auriculoterapia, tanto dentro como fora da
China, tomando-se como base para este estudo, a experiência captu­
rada nos textos antigos, assentando desta maneira, as bases da auri­
culoterapia chinesa atual.
E neste período de tempo, que tanto na França, como na China,
começa a descrição de novos pontos de estímulo auricular, desta
maneira em 1960. num periódico científico de Pequim, é mostrado o
estudo realizado pelo médico Xu Zuo Lin, no Hospital de Ping An du­
rante 1956, num trabalho científico que resumia a experiência clínica
do uso da auriculoterapia em 255 pacientes, sendo naquele momento
o trabalho mais relevante, já que conseguiu descobrir 15 pontos no
pavilhão da orelha e mostrar seus formidáveis resultados na expe­
riência clínica (Quadro 1.1; Fig. 1.6).
16 Auriculoterapia

Quadro 1.1 - Novos Pontos de Estímulo no Pavilhão Auricular por Xu Zuo Ling

Nome do ponto Localização Efeito terapêutico

Tian Gui Na parte anterior do cen­ Dismenorréia, menstrua­


tro da fossa triangular ções irregulares
Shen (espírito) Na fossa triangular, ligei­ Insônia, ansiedade,
ramente abaixo de acalma o espírito
Tian Gui
Qi (energia) No bordo inferior da con­ Dispnéia
cha cava
Jing (essência) Na concha cava, entre a Sonhos úmidos e a esper-
área cervical e a zona matorréia
do Qi
Er Long (pavilhão da ore­ No bordo externo do hélix, Amigdalite
lha) em três partes acima,
no meio e abaixo
Ting (vértex) Na parte inferior da fossa Cefaléias do vértex
escafóide, entre o ponto
occipital e frontal
Gong (área do cotovelo ao No centro da fossa esca­ Algias desta zona
ombro) fóide entre o ponto coto­
velo e ombro
Bi (braço) Toma a fossa escafóide Dores do braço
desde cima até em baixo
Zhan (palma da mão) Na parte superior da fossa Dores nesta área
escafóide, entre os pon­
tos dedos e punho
Gu (coxa) No anti-hélix, entre os Dores da coxa
pontos joelho e nádegas
Ti Zhui (região sacra) Na parte inferior da raiz Dores desta área
inferior do anti-hélix,
entre o ponto lombar
e órgãos genitais externos
Yang do Jlgado No dorso da orelha, direta­ Hipertensão arterial
mente oposto à raiz su­
perior do anti-hélix
San Guang (clarear a visão) No bordo externo da inci- Todas as enfermidades vi­
sura intertrago suais
Qin Guang (rejuvenescer No bordo interno da inci- Enfermidades visuais
a visão) sura intertrago
Ápice da orelha No extremo mais alto da Neste ponto se sangra e é
hélix usado para dispersar o
fogo dos olhos
Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China

F IG U R A 1.6 - M apa de Xu Zuo Linen, 1960.


Auriculoterapia

FIG U R A 1.7 - Mapa auricular descrito em Shangai em


Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 19

YW

F IG U R A 1.8 - M apa do gru p o de estu do da a u ricu loterapia em 1959.


20 Auriculoterapia

Estes pontos foram denominados de acordo com os critérios teóri­


cos da Medicina Tradicional e área anatômica correspondente. Estes
pontos descritos serviram de base, sobre a qual se continuam desen­
volvendo os pontos auriculares.

Décadas de 60 a 70
Nas décadas de 60 e 70, a auriculoterapia na China obteve um
grande impulso, aprofundando-se mais no conhecimento dos pon­
tos auriculares, este constitui o período no qual o diagnóstico, tra­
tamento e descrição dos pontos auriculares chega a seu mais alto
grau. Em 1970, na cidade de Guang Zhou, foi editada uma série
completa de mapas de Acupuntura entre os quais se encontrava
um da orelha, que descrevia 107 pontos auriculares. Em 1971, o
Instituto Científico de Investigações Biológicas da China, editou um
livro intitulado Er Zhen Liao Fa que pode ser traduzido como O
Tratamento de Auriculoterapia, no qual são descritos 112 pontos
do pavilhão da orelha.
Durante 1972, o doutor Wang Zhong Tang escreveu um livro intitu­
lado Er Zhen que é traduzido como Auriculopuntura, o doutor Wang
chega a descrever neste livro 131 pontos auriculares (Fig. 1.9).
Em 1974, o Instituto de Medicina Tradicional De Shangai, edita o
livro Zhen Jiu Xue, dos médicos Chen Gong Sun e Xu Rui Zhen, apre­
sentando 154 pontos no pavilhão da orelha (Fig 1.10).
Durante 1979, o médico Hao Qin Kai escreveu o livro Mapas dos
Pontos Fora de Meridiano, onde reconhece 199 pontos auriculares.
Neste mesmo período, a localização de pontos na parte posterior do
pavilhão aumenta considerável e vertiginosamente.
Em 1972, o Instituto Médico de Jiang Pan Xin editou, em 65 par­
tes e sem ainda chegar a finalizar a obra. um texto cujo título traduzi­
do é Origens e Desenvolvimento dos Pontos Auriculares, Aplicação
Clínica e Função Fisiológica, chegando-se a descrever neste texto, 284
pontos.
A grande quantidade de pontos encontrados são os resultados das
experiências obtidas através de um minucioso estudo das diferentes
reações do pavilhão auricular mas, depois do desenvolvimento das
investigações pelas diferentes partes implicadas neste tema. surgiu
uma dificuldade ao ser denominado com diferentes nomes o mesmo
ponto ou com o mesmo nome diferentes pontos, trazendo isto uma
influência negativa no intercâmbio de experiências na temática, tudo
isto promoveu a feitura do que hoje é o “Esquema Padrão dos Pontos
Auriculares".
Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 21

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F IG U R A 1.9 - M apa a u ricu la r de W a n g Z h on g T a n g em 1972.


Auriculoterapia

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F IG U R A 1.10 - M apa de Chen G ong Su n e X u Rui Zhen.


Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 23

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FIG U R A 1.11 —Mapa estandardizado dos pontos auriculares.


24 Auriculoterapia

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F IG U R A 1.12 - M apa auricular da professora H uang Li Chun.


Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 25

As décadas de 60 e 70 foram frutíferas para a auriculoterapia na Chi­


na, não só quanto à descrição da maior parte dos pontos de uso atual, que
consolidaram o microssistema da orelha, como, também, porque se reali­
zaram um grande número de trabalhos para determinar todas as funções
dos pontos. Nas investigações realizadas não só se usou de base a descri­
ção feita por Nogier, na distribuição do feto no pavilhão auricular, além
disso, na China grande parte das investigações foram dirigidas a estabele­
cer os princípios que se relacionavam ao microssistema da orelha, com o
sistema teórico tradicional de Zang Fu e canais e colaterais, elevando-se
assim os níveis na investigação do método quanto a anatomia auricular,
embriologia auricular. etc., obtendo-se em todas importantes resultados.
A aplicação dos pontos auriculares na anestesia, a influência dos
pontos na fisiologia, entre outros, têm sido temas de investigação de
diferentes instituições científicas na China, como o Instituto de Inves­
tigação da Medicina Tradicional da China, Instituto de Fisiologia de
Shangai, Instituto Científico de Investigações Biológicas da China,
Universidade de Medicina de Ha Er Bing, entre outras instituições
científicas chinesas de alto nível.
Continuando o aprofundamento no estudo dos pontos auricula­
res, seu uso diagnóstico e aplicação na prática clínica, chegaram a
ser, também, motivo de profunda investigação os métodos diagnósti­
cos na auriculoterapia. Estes podem-se classificar em: diagnóstico
através da observação, diagnóstico através da pressão sobre o ponto
doloroso, diagnóstico através da exploração elétrica e diagnóstico atra­
vés da impressão que deixa à palpação.
A descrição de patologias tratadas com auriculoterapia, também
obteve um amplo desenvolvimento, chegando-se a validar o tratamento
em torno de 150 patologias, distribuídas em enfermidades de m edici­
na interna, cirurgia, ginecologia, pediatria, otorrinolaringologia, orto­
pedia, etc. O tratamento com este método, não só se reduziu às en fer­
midades agudas ou crônicas de caráter funcional, como abrangeu,
também, as enfermidades de caráter epidêmico e infeccioso.
Para o tratamento e a prevenção das enfermidades, foram usados
na orelha métodos terapêuticos tais como: agulhas filiformes, agu­
lhas permanentes, estímulo elétrico, sangrias, martelo Mei Hua (“flor
de ameixeira"), massagem, raspagem dos pontos auriculares, injeção
de medicamentos nos pontos, moxibustão, método de colocação de
sementes, métodos combinados, etc., no total chegaram a ser em tor­
no de 20 métodos de tratamento.
Por tudo isso, podemos assegurar que as décadas de 60 e 70, fo­
ram vitais no impulso e desenvolvimento de novos métodos de diagnós­
tico e tratamento na auriculoterapia, que ofereceram à auriculoterapia
um corpo teórico sólido para a chegada da década de 80.
26 Auriculoterapia

Década de 80 até a Atualidade


Na década de 80, novos passos foram dados nas investigações so­
bre auriculoterapia. O estudo dos mecanismos fisiológicos pelos quais
atua a auriculoterapia, não somente foi incorporado às unidades as-
sistenciais dedicadas à Medicina Tradicional e Centros de Investiga­
ções da Medicina Tradicional, mas, além disto, foi motivo de estudos
por hospitais da medicina ocidental. Trabalhando-se em temáticas
como anatomia, fisiologia, os canais e colaterais, o sistema nervoso,
os fluidos corporais, etc.
Começou uma nova era no estudo dirigido a fundir os critérios da
medicina moderna e a tradicional, utilizando os corpos teóricos de
cada uma com o objetivo de alcançar grau mais alto na investigação e
aplicação com um caráter mais sistêmico da auriculoterapia, conse­
guindo completar-se como especialidade dentro da medicina.
A criação de uma linha forte na auriculoterapia chinesa, marcou o
desenvolvimento do organismo pedagógico da especialidade em nível
nacional. Em 1982, ficou fundado na China o Grupo Nacional de T ra ­
balho em Auriculoterapia, instituindo-se um organismo para o estu­
do do método. Em novembro de 1984, em Kun Ming Shao, realizou-se
a a ssem b léia n a cio n a l para o estu d o da a u ric u lo te ra p ia e a
craniopuntura, marco que serviu para o intercâmbio de experiências,
nos tra b a lh o s c lín ic o s so b re o d ia g n ó s tic o e tra ta m e n to de
auriculopuntura.
Em junho de 1987, ficou instituído na cidade de An Hui o Grupo
Nacional para a Investigação em Auriculoterapia, desenvolvendo-se
um congresso onde ficou estabelecido o Mapa Estandardizado dos
Pontos Auriculares.
Em outubro de 1989, celebrou-se em Pequim o Primeiro Congres­
so Internacional de Auriculoterapia, o qual marcou outra etapa mais
no desenvolvimento atual desta terapia, tanto na China, como no
mundo.
Neste momento, a auriculoterapia constitui uma especialidade
universitária, motivo de estudo tanto de médicos formados na Medici­
na Tradicional como ocidental.
São numerosos os livros de auriculoterapia editados na China
nestes últimos tempos, o que facilitou o intercâmbio e sistematização
da experiência acumulada nesta temática. Assim por exemplo:
• O grupo de investigações sobre auriculoterapia da província de
Yun Nan, editou um livro intitulado Tratado de Auriculoterapia
Chinesa.
• Uma editora de Shangai publicou os livros O Tratamento com
Auriculoterapia e Seleção de Auriculoterapia.
Origem do Diagnóstico e Tratamento Auricular na China 27

• Na província de Nan Jing, publicou-se o livro Aplicação Clínica


da Auriculopuntura.
• O Hospital de Medicina Tradicional da província de Guang Zhou
editou o livro Experiência Clínica da Auriculopuntura.
• Na província de Tian Jing, também publicou-se o título Expe­
riências sobre o Uso Diagnóstico dos Pontos Auriculares.
• Em Pequim, editou-se o livro Manual sobre Aplicação Diagnosti­
ca e Terapêutica dos Pontos Auriculares.
• Na p rovín cia de An Hui, o livro T ra ta d o A claratório sobre
Auriculopuntura.
• Em 1991, a professora Huang Li Chun editou em Pequim um
dos tratados mais importantes de auriculoterapia publicados na
China intitulado Tratado sobre o Diagnóstico e Tratamento Atra­
vés dos Pontos Auriculares.
Com estes títulos mostrados e que são só uma parte dos livros
publicados na China sobre a temática, queremos deixar claro o verti­
ginoso desenvolvimento que tem alcançado a auriculoterapia nos úl­
timos 30 anos dentro de China.
2. (Princípios f‘ isiofójjicos que
f‘undamentam o (Diagnóstico
e (Tratamento Ruricuíar

A auriculoterapia constitui uma parte importante da Medicina Tra­


dicional Chinesa, sendo na atualidade um ramo na especialidade da
Acupuntura, que se encontra constituída, por sua vez, por um corpo
teórico independente no tratamento e diagnóstico das enfermidades.
A auriculoterapia foi oficializada pela OMS como uma terapia de
microssistema, mas aqui nos perguntamos: Por que podemos através
dos pontos auriculares diagnosticar e tratar as enfermidades? Que
princípios teóricos respaldam este fato?
Em torno dos pontos auriculares têm-se realizado e realizam-se
inumeráveis investigações para resolver esta questão, a maioria dos
trabalhos realizados chegam a conformar cada uma das especialida­
des científicas, mas somente um enfoque de investigação sistêmica,
nos pode aproximar das respostas sobre os princípios teóricos que
fundamentam a auriculoterapia.

PONTOS AURICULARES

R elação com o S is t e m a de C a n a is e C o l a t e r a is
em seu capítulo Hai Lun, diz: “ O homem está form a d o
O L in g S h u ,
por doze canais , em seu interior se comunicam com os Zang Fu e em
30 Auriculoterapia

seu exterior os colaterais o relacionam com as extremidades". O siste­


ma de canais e colaterais distribui-se por cada parte do corpo huma­
no, não existindo lugar aonde não chegue. Nos oito vasos maravilho­
sos, o canal Du é denominado mar dos canais Yang, o que quer dizer
que nele se reúne o Yang de todo o corpo e portanto controla e regula
o Qi de todos os canais Yang; o Ren Mai é o mar dos canais Yin e da
mesma forma regula a atividade do Qi de todos os canais Yin do cor­
po. Os vasos Yin Weie Yang Wei são drenos dos seis canais Yange dos
seis canais Yin, desta maneira mantém o equilíbrio entre os canais
Yang e Yin. Pelo exposto anteriormente, podemos dizer que o sistema
de canais e colaterais conecta cada tecido, órgão e orifício do corpo
humano, dando-lhe um caráter de sistema.
A fisiologia dos canais e colaterais está baseada no movimento do
sangue e da energia, na manutenção do equilíbrio Yin e Yang, no for­
talecimento da energia antipatogênica e na expulsão da patogênica,
mantendo, desta maneira, a saúde.
Na presença de um estado patológico, a energia perversa penetra
no corpo em certo canal e colateral ou órgão e na dependência de sua
situação, assim será o reflexo sintomático da enfermidade. Por isso
através da punção dos pontos de Acupuntura, auriculopuntura, etc.,
se tenta desobstruir os canais e colaterais, regulando o vazio e a ple­
nitude, restabelecendo a atividade funcional de cada parte do corpo e
fazendo conservar o equilíbrio dos opostos. Assim, sob este princípio
é concebido o tratamento das enfermidades, na Medicina Tradicional
Chinesa.
Na prática clínica, tem se verificado que ao estimular um ponto
auricular, podemos nos deparar com diferentes manifestações senti­
das pelo paciente, como por exemplo, sensação de corrente, energia
que corre pelo corpo, ou, em geral, calor que corre pelo pavilhão da
orelha e que se reflete em partes específicas do corpo. Através das
experiências realizadas, pode-se constatar a direta relação destas áreas
por onde transcorrem tais sensações, com o trajeto dos canais e cola­
terais. Assim, desta maneira, se pode estandardizar 48 trajetos está­
veis de sensações específicas expedidas por pontos do pavilhão auri­
cular e que guardam em 87% estreita relação com o trajeto de canais
e colaterais.
O Grupo Cooperativo de Auriculoterapia, da cidade de Shangai,
realizou um trabalho investigativo em 200 casos nos quais foram ob­
servados a relação entre a irradiação do estímulo auricular e o trajeto
dos canais, vasos e colaterais, obtendo-se os resultados seguintes:
• De acordo com o número de vezes em que se produziu a irradia­
ção, das 200 pessoas tratadas, em 59 delas se encontraram rea­
ções de irradiação para cerca de 29,5%; em 9 casos se encon-
Princípios Fisiológicos que Fundam entam o Diagnóstico e Tratam ento Auricular

Yang Ming das m ão1

Shao Yang do pé

Shao Yang da mão


Tai Yang da mão»
Tai Yang do pé
C a n a is q u e c o r r e m p e lo p a v ilh ã o a u ric u la r.
32 Auriculoterapia

trou irradiação em direção ao canal Tai Yang do pé ao punturar


o ponto auricular do nervo ciático; no restante foram encontra­
das reações de irradiação ao tratar os pontos auriculares do in­
testino grosso, pulmão e endócrino.
• Tomando-se em conta as radiações em direção às zonas enfer­
mas, pode-se observar a presença de sensações de intumesci-
mento que irradiavam desde a zona do ponto auricular em am­
bas as orelhas.
• Quanto à relação entre o aparecimento da irradiação e a mani­
pulação se observou: ao examinar 59 casos, houve irradiação
em 45, com aplicação de manipulações fortes e em 14, com ma­
nipulações leves.
No Hospital Central da província de Shangai, realizou-se um es­
tudo em 300 casos com o objetivo de estabelecer as relações entre o
ponto doloroso à pressão e o trajeto das radiações reflexas obser-
vando-se:
• Que o trajeto da irradiação e o grau de insensibilidade do pa­
ciente tinham estreita relação, aparecendo irradiações mais cla­
ras ou mais evidentes em pacientes mais sensíveis.
• Estabeleceu-se a relação entre a descrição de uma irradiação e a
direção em que se girava a agulha. Em 5 pacientes onde se
punturou o ponto do nervo ciático, ao rodar a agulha em disper­
são, a irradiação da sensação era em direção à zona temporal da
cabeça, o paciente chegava a sentir dor de cabeça e distensão
mas, ao mudar a manipulação para tonificação, então, a sensa­
ção entrava e se desenvolvia ao longo do canal da vesícula biliar.
• Demonstrou-se que o ponto de reação específica guardava es­
treita relação com seu homólogo a nível somático. Por exemplo,
ao punturar o ponto do punho no pavilhão auricular, o paciente
sentia uma sensação de estímulo elétrico que se irradiava até o
dorso da mão pelo bordo externo fazendo o trajeto do canal do
intestino delgado, mas depois de punturar o ponto A Shi na ar­
ticulação do punho, a sensação que irradiava desde o ponto da
orelha, desaparecia; ao se retirar a agulha do ponto A Shi do
punho e se estimulasse novamente o ponto auricular, a sensa­
ção procedente do pavilhão auricular não regressava.
No Departamento de Investigação de Anestesia Acupuntural do
Instituto de Medicina Tradicional da província de Guang Xi, realiza­
ram-se provas sobre o trajeto das irradiações pelos canais, ao punturar
os pontos corporais e auriculares.
Em 104 exames realizados, em 90 casos põde-se constatar a es­
treita relação entre as irradiações do pavilhão auricular e o trajeto
dos canais, para 86,5% dos 104 exames realizados. Em 14 casos,
Princípios Fisiológicos que Fundamentam o Diagnóstico e Tratamento Auricular 33

aproximadamente, as irradiações correspondiam aos mesmos canais,


em outros casos, com canais acoplados ou com outros trajetos de
canais. Também, neste exame se fizeram outras anotações tais como:
sinalizar um diagram a com o conteúdo do fluxo sangüíneo e
mioelétrico, etc.
Em 1973, em uma sala de Acupuntura do Hospital de Medicina
Tradicional de Bao Ting, realizou-se uma exploração em pessoas de
alta sensibilidade usando os pontos: fígado, vesícula biliar, coração,
estômago, bexiga e pulmão do pavilhão auricular. Pôde-se verificar
que ao estimular estes pontos a sensação começava no pavilhão auri­
cular, irradiando-se, em cada caso, a seu canal correspondente e de-
tendo-se em um ponto determinado do mesmo.
Nestes pacientes se usou, também, estímulo elétrico em outros
pontos, como pontos dos 5 órgãos dos sentidos, das extremidades e
da coluna vertebral. Ao serem estimulados os mesmos, o fenômeno
da irradiação se repetiu e novamente, a sensação partiu da orelha e
se deteve na parte do corpo correspondente à zona utilizada, fato que
aclara a estreita relação existente entre as diferentes partes do orga­
nismo e os pontos auriculares.
Há informações recebidas sobre trabalhos similares feitos fora da
China. Em 1972, no Japão, realizou-se um estudo que demostrava
que todos os canais e colaterais do corpo chegavam a alcançar o pon­
to Ting Hui (VB-2); nesta experiência se assinalava como cada canal e
colateral, depois de alcançar este ponto começava então a irradiar-se
até o pavilhão auricular, detalhando, nesta experiência, trajetos sin­
gulares dos canais e colaterais no pavilhão auricular.
Do que foi descrito anteriormente e dos resultados das experiên­
cias realizadas, se deduz que existe uma estreita relação entre os ca­
nais, colaterais e pontos auriculares. Graças ao movimento do Qi e
Xue, através dos mesmos, se interconecta o interior com a superfície
e vice-versa, garantindo-se a nutrição de todo o organismo. Por isso,
seja com o uso dos pontos somáticos, ou do pavilhão da orelha, todos
podem regular a atividade dos canais e colaterais e desta maneira,
tratar as enfermidades.
A MTC tem o seguinte preceito: “ Quando os canais estão desobs­
truídos não há dor. se estão obstruídos aparecerá a dor". Quando por
um estado patológico está obstruído algum canal e a circulação do
sangue e da energia perdem seu fluxo normal, podem, como reação
reflexa, aparecer pontos dolorosos tanto a nível somático, como a ní­
vel do pavilhão auricular.
Estes pontos serão, então, a chave para o diagnóstico e o trata­
mento na auriculoterapia.
34 Auriculoterapia

R elação com os Zang Fu


Não cabe nenhuma dúvida sobre a estreita relação que guardam
os pontos auriculares com a atividade dos Zang Fu, que está validado
com o uso adequado do pavilhão auricular no diagnóstico e tratamen­
to das enfermidades.
Na prática clínica, tem-se observado a estreita relação entre a apa­
recimento dos pontos de alta condutividade elétrica e a desarmonia
funcional dos Zang Fu, respondendo estes sinais, em um nível de coin­
cidência elevado, aos postulados da fisiologia tradicional.
Em uma investigação realizada em 113 casos de tromboangiíte
obliterante, observou-se a mais alta condução elétrica nos pontos:
coração, rim, endócrino e área cardiovascular do subcórtex.
De acordo com os critérios da MTC, a tromboangiíte obliterante é
diferenciada como uma deficiência do Yuan Qi que produz desarmo­
nia entre o rim e o coração, o que justifica que sejam os pontos antes
mencionados os que ofereçam mais alta condução elétrica.
Na exploração realizada em 360 casos de neurastenia, puderam
mostrar-se como pontos de mais alta condutividade elétrica os se­
guintes: coração, Shen Men, área nervosa do subcórtex e ponto de
neurastenia, rim, fígado, vesícula biliar, baço e estômago. A neurastenia
é um desequilíbrio na atividade psíquica do homem, a atividade do
coração é prejudicada e portanto, do espírito, tendo-se em conta que
para a Medicina Tradicional o coração armazena o espírito, quando o
espírito não está tranqüilo, então aparece a insônia, os sonhos exces­
sivos e os pesadelos, como alguns dos sintomas da neurastenia. Esta
enfermidade é produzida por várias síndromes para o critério tradi­
cional e que são: o rim e o coração perdem sua conexão, deficiência de
Qi do baço e coração, deficiência de Qi do coração e vesícula biliar,
estagnação do Qi no fígado e perda da função de descendência do
estômago. Por isso, no tratamento da neurastenia os pontos: coração,
Shen Men, ponto de neurastenia e área nervosa de subcórtex são con­
siderados como principais e o resto dos pontos de alta condução elé­
trica aparecem de acordo com a síndrome em que está implicada a
patologia.
O diagnóstico das enfermidades, de acordo com as reações positi­
vas encontradas nos pontos auriculares, tem suas características es­
pecíficas, há casos em que a enfermidade está representada por um
só ponto reativo, há casos em que um ponto se faz reativo para várias
enfermidades e em outros casos, são vários os pontos que se tornam
reativos com o aparecimento de uma enfermidade.
Na prática clínica, os pontos representativos dos cinco órgãos e das
seis vísceras se mostram, cada um deles reativos ante muitas enfermi­
Princípios Fisiológicos que Fundamentam o Diagnóstico e Tratamento Auricular 35

dades, uma vez que não se relacionam somente com a enfermidade


própria do órgão mas, com a síndrome que representa o estado patoló­
gico para o qual transita o paciente no momento do diagnóstico.
Por exemplo, o ponto rim mostra reações positivas em quase todas
as enfermidades crônicas ou por debilidade, como: glomerulonefrite,
disfunção renal, cistite, uretrite, impotência, esperm atorréia,
leucorréia, menstruações irregulares, tinido, surdez e hipoacusia, neu-
rastenia, alopecia areata, diarréias crônicas, entre outras.
Todas estas enfermidades ainda que não guardem uma relação
aparente entre si, para a medicina moderna, sustenta uma estreita
relação para as funções fisiológicas do rim na visão da Medicina Tra­
dicional Chinesa.
A atividade fisiológica dos órgãos internos e os estados patológicos
dos mesmos produzem em todos os casos, uma atividade reflexa que
nos permite, através de sua análise, julgar o estado do organismo e
dos processos mórbidos existentes.
Os trabalhos realizados na auriculoterapia e que estabelecem a
estreita relação entre os Zang Fu e os pontos auriculares, não somen­
te foram o resultado da experiência clínica, como também de investi­
gações dirigidas a estabelecer esta relação.
No Instituto de Investigações Básicas de Anestesia Acupuntural
de Pequim, realizou-se uma investigação em coelhos de laboratório
aos quais, mediante uma intervenção cirúrgica, se lhes obstruiu o
ramo ântero-inferior da artéria coronária, provocando-lhes um infar-
to do miocárdio; para o grupo-experiência realizaram-se um eletro-
cardiograma antes da operação que deu registros normais e outro
depois da operação, que refletiu o infarto agudo do miocárdio, depois
de transcorrer dois meses sem nenhum tratamento, o eletrocardio-
grama foi paulatinamente recuperando seus valores normais mas,
durante o período do infarto na depressão situada no terço inferior do
pavilhão da orelha, do coelho se podia observar um ponto reativo de
baixa resistência elétrica em comparação com a mesma zona antes da
operação. Nesta experiência, fica refletida a estreita relação que existe
entre o pavilhão auricular e o coração.
Na Cátedra de Medicina da Universidade de Pequim e no Hospital
Número 3 da mesma cidade, realizou-se um trabalho investigativo
sobre as mudanças morfológicas, de coloração e de resistência elétri­
ca dos pontos auriculares durante o infarto agudo do miocárdio. Obser­
vou-se uma queda da resistência elétrica nos pontos: coração, Shen
Men, simpático, intestino delgado e subcórtex e um aumento paulati­
no da mesma com a melhora da enfermidade, pode-se constatar que o
valor da resistência elétrica na área de coração mostrava uma dife­
rença de aproximadamente 30 quilo-ohms entre o período agudo da
36 Auriculoterapia

enfermidade e o período posterior ao tratamento; nos pontos Shen


Men, simpático e subcórtex a resistência elétrica mantinha-se por volta
de 20 quilo-ohms para baixo. Através deste trabalho, pode-se estabe­
lecer que com a medição da resistência elétrica no ponto coração do
pavilhão auricular, pode-se chegar a conhecer a evolução do infarto
do miocárdio.
Em 30 pacientes com infarto agudo do miocárdio, 86,7% mostrava
a formação de telangiectasia na área do ponto coração, 73,3% mos­
trou na área de intestino delgado uma formação em forma de gomo de
cor vermelha, em 56,7% as manifestações dos pontos do coração e
intestino delgado apareceram ao mesmo tempo. Estas observações
refletem como resultado, a validação da teoria da Medicina Tradicio­
nal sobre a relação exterior-interior do intestino delgado e coração.
No Departamento de Cardiologia do Hospital Número 2 da cidade
de Pequim, junto com o Instituto Científico de Investigações Biológi­
cas, realizaram uma experiência determinando a influência do uso de
radiações luminosas. Para o trabalho, utilizaram 42 pacientes
cardiopatas, como grupo-experiência e 20 pessoas sadias, como gru-
po-controle.
No grupo-experiência e ao grupo-controle, incidiram o espectro de
luz na área do coração de ambas orelhas. Resultando desta experiên­
cia que nas pessoas sadias não se observaram disparidades na área
de coração em ambos os pavilhões, mas ao repetir a manobra nos
pacientes cardiopatas, as diferenças tornaram-se notáveis e mais evi­
dentes na área de coração da orelha esquerda.
Com o objetivo de indagar sobre a relação existente entre o pavi­
lhão auricular, os canais, colaterais e os Zang Fu, as mesmas institui­
ções realizaram um trabalho investigativo no qual se selecionou um
ponto auricular, um corporal e o órgão correspondente a estes.
O trabalho consistiu na medição da temperatura e da resistência
elétrica na área de coração do ponto auricular e nos pontos corporais
tais como: Nei Guan (PC-6), Wai Guan (TA-5), etc. tudo isto, em pa­
cientes cardiopatas.

Material e Método
Usou-se o equipamento BKT do Instituto Científico de Investiga­
ções Biológicas para a medição da temperatura.
Grupo-experiência

Usaram-se 39 pacientes cardiopatas com sintomas como opres­


são torácica, dispnéia, dor precordial e eletrocardiograma com valo­
res anormais.
Usou-se um grupo de 33 pessoas sadias.
Princípios Fisiológicos que Fundam entam o Diagnóstico e Tratam ento Auricular 37

• Grupo-controle
Usou-se um grupo de 96 cardiopatas.
• Pontos utilizados
Auriculares - coração, intestino delgado, ponto do órgão coração e
subcórtex.
Somáticos - Nei Guan (PC-6), Shen Men (C-7), Wai Guan (TA-5),
Yang Chi (TA-4), Yang Ling Quan (VB-34) e Qiu X u (VB-40).
• Pontos estimulados

Auriculares - No grupo de cardiopatas e no grupo sadio: coração,


intestino delgado, ponto do órgão coração e subcórtex.
No grupo-controle usaram-se os pontos: intestino grosso, occipi-
tal, grupo de pontos errôneos 1, grupo de pontos errôneos 2.
Somáticos - Nei Guan (PC-6).

Método
Nos três grupos utilizados fizeram medição da temperatura e da
resistência elétrica em cada um dos pontos, tanto somáticos, como
auriculares antes de ser estimulados, fazendo anotações das cifras
obtidas.
Posteriormente, procedeu-se da seguinte maneira:
Primeiro, realizou-se Acupuntura no ponto Nei Guan (PC-6) e se
explorou a temperatura nos pontos: coração, órgão coração, subcórtex
e intestino delgado do pavilhão auricular.
Posteriormente, no grupo de cardiopatas se usou o método de co­
locação de sementes, com a pílula Qi Tong Wan nos pontos auricula­
res: coração, intestino delgado, órgão do coração e subcórtex, toman­
do-se amostra da temperatura corporal e da resistência elétrica nos
pontos somáticos.
No grupo-controle, estimulou-se o ponto auricular do intestino
grosso, occipital, grupo de pontos errôneos 1 e grupo de pontos errô­
neos 2.
Cada grupo de pontos auriculares era pressionado, continuamen­
te, durante 30s, logo deixava-se descansar durante 20min e então, se
mostravam os resultados.

Resultados
1. Ao estimular os pontos auriculares: coração, intestino delgado,
órgão do coração e subcórtex, observaram-se mudanças de tem­
peraturas nos pontos somáticos. No grupo de cardiopatas os
pontos: Nei Guan (PC-6). Wai Guan (TA-5). Yang Chi (TA-4) e Shen
Men (C-7), mostraram um aumento considerável da temperatu­
38 Auriculoterapia

ra em comparação com a que possuíam antes de ser estimula­


dos os pontos auriculares com o método de colocação de semen­
tes; nos pontos Yang Ling Quan (VB-34) e Qiu Xu (VB-40), as
mudanças de temperatura observadas foram praticamente in­
significantes.
No grupo-controle, onde foram usados pontos que não guardam
nenhuma relação com a afecção, não se observaram diferenças notá­
veis na temperatura dos pontos corporais antes e depois da estimula­
ção auricular.
No grupo de pessoas sadias, onde se estimulou o ponto auricular
do coração, intestino delgado, órgão do coração e subcórtex não hou­
ve claras diferenças de temperatura nos pontos corporais.
2. Ao estimular o ponto corporal Nei Guan (PC-6), no grupo de pa­
cientes cardiopatas, podem-se observar nos pontos auriculares:
coração, intestino delgado, órgão do coração e subcórtex um au­
mento considerável da temperatura em comparação com a que
possuíam antes de ser estimulado o ponto Nei Guan (PC-6). Ao
punturar o mesmo ponto no grupo de pessoas sadias, não se
observaram mudanças evidentes nos pontos auriculares antes
mencionados.
3. Ao estimular os pontos auriculares: coração, intestino delgado,
ponto do órgão do coração e subcórtex, no grupo de pacientes
cardiopatas se observaram mudanças evidentes na resistência
elétrica dos pontos Nei Guan (PC-6) e Shen Men (C-7); no ponto
Nei Guan (PC-6) do lado esquerdo, este fenômeno ficou mais sig­
nificativo. Ao estimular os mesmos pontos no grupo de pessoas
sadias não se produziram mudanças nos valores da resistência
elétrica em nenhum dos pontos somáticos.

Conclusão
Do que foi mencionado anteriormente, podemos concluir decla­
rando que o estímulo dos pontos, tanto auriculares como somáticos
nos pacientes cardiopatas, produziram mudanças tanto da tempera­
tura como da resistência elétrica dos mesmos, enquanto que, no gru­
po comparativo e no grupo de pessoas sadias, náo se chegou a obser­
var nenhuma mudança notável. Sendo demonstrado desta maneira,
que as mudanças patológicas produzidas a nível dos Zang Fu, podem
repercutir na superfície do corpo mostrando-se através de reações
nos pontos somáticos e auriculares. No caso dos pacientes cardiopatas,
usando os pontos tanto auriculares como somáticos empregados no
experimento pode ser tratada sua afecção e obtendo-se resultados
terapêuticos.
Princípios Fisiológicos que Fundam entam o Diagnóstico e Tratamento Auricular 39

A auriculopuntura também pode produzir influência direta so­


bre os movimentos peristálticos. O Grupo de Investigações de Auri­
culoterapia da cidade de Tian Jing, o Grupo de Trabalho de Auricu­
loterapia da cidade de Shangai e o Instituto de Tratamento de Qi
Gong, da mesma cidade, realizaram um trabalho investigativo em
104 pessoas sadias sem história de sofrimentos digestivos superio­
res e para os quais foram feitos exames comparativos com bário
antes e depois de aplicar a Acupuntura na área do ponto estômago
do pavilhão auricular. Observou-se que depois da puntura, o tempo
de abertura do piloro se tornou menor, passando dos 68s que pos­
suía antes da punção, para 54s e os movimentos peristálticos fica­
ram mais profundos.
No Instituto de Medicina Tradicional da província de Shang Dong,
foi realizado um trabalho investigativo aplicando eletroAcupuntura
na área do estômago do pavilhão auricular e verificando sua influên­
cia na atividade gástrica. Para este trabalho, selecionaram-se 119
pacientes com enfermidades gastroduodenais, que se dividiram em:
60 pacientes nos quais se estimulou o ponto estômago e um grupo-
controle deste, 28 pacientes, nos quais se usou a área do ponto cora­
ção, 31 pacientes nos quais se estimulou o ponto estômago e o ápice
da orelha. Em todos estes grupos se observaram as mudanças elétri­
cas, a nível gástrico, antes e depois do estímulo.
Os resultados foram os seguintes:
• No grupo onde se selecionou o ponto estômago, estabeleceu-se a
relação de condução elétrica após a passagem de 10 ondas para
determinar o cálculo, o que estabeleceu que houve mudanças
elétricas a nível gástrico enquanto a amplitude e freqüência, as
quais tinham valores baixos antes do estímulo e aumentaram,
consideravelmente, depois deste. Este resultado foi mais notável
no grupo onde se estimulou somente o ponto estômago, sendo
menos evidentes nos demais, o que mostra que ao estimular o
ponto estômago do pavilhão auricular, produz-se uma influên­
cia na atividade elétrica do estômago e por fim, na regulação de
sua atividade funcional, produzindo uma mudança positiva nas
patologias do estômago e duodeno.
São numerosos os trabalhos realizados nos últimos tempos para
estabelecer a relação entre os pontos auriculares e os Zang Fu, em
cada uma das investigações efetuadas sobre a temática, os resulta­
dos apontam à ratificação da estreita vinculação que guardam os pon­
tos do pavilhão auricular com a atividade funcional dos órgãos e das
vísceras e como fato mais significativo, a validação atual das milenárias
teorias dos Zang Fu e dos canais e colaterais através da tecnologia
moderna.
40 Auriculoterapia

R elação com o S is t e m a N e r v o s o C entral

Não há dúvidas que a rica inervação do pavilhão auricular tem


grande peso na obtenção de resultados terapêuticos através do uso
dos pontos auriculares. O pavilhão auricular está inervado principal­
mente por nervos espinhais do plexo cervical como o auricular maior
e o occipital menor e por nervos cerebrais como o auriculotemporal,
facial, glossofaríngeo, ramos do vago e simpático.
Estes quatro nervos cerebrais e dois espinhais, ramificam-se e dis­
tribuem-se em todo o pavilhão auricular, conectando-o com o Siste­
ma Nervoso Central (SNC). Assim temos, por exemplo, que:
• O auriculotemporal parte do ramo inferior do trigêmeo, pelo que
não só guarda relação com os movimentos de deglutição e sensi­
bilidade da face e da cabeça, como também se relaciona com a
medula espinhal.
• O nervo facial controla o movimento dos músculos superficiais
da face e da região das adenóides.
• Do bulbo raquidiano partem o vago e o glossofaríngeo, que con­
trolam o centro respiratório, o centro cardíaco, o centro vasomotor
e o centro das secreções salivares (o vômito e a tosse).
• O auricular maior e occipital menor comandam a atividade do
tronco e os quatro membros, os movimentos musculoesqueléti-
cos e o movimento dos órgãos e das vísceras.
Do exposto anteriormente, depreende-se que através dos nervos
que chegam ao pavilhão auricular podemos influenciar todo o resto
do soma.
Os múltiplos métodos de estímulo usados no pavilhão auricular
como: implantação de agulhas, pressão mecânica sobre os pontos,
estímulos elétricos, ultra-sônicos, campos magnéticos, etc., provocam
a sensação de chegada da energia (De Qi), que é produzida provavel­
mente pela excitação de numerosos receptores, especificamente re­
ceptores dolorosos, os que enviam o impulso até o núcleo do trato
medular do nervo trigêmeo, onde posteriormente é enviado à estrutu­
ra reticular do tronco cerebral.
O centro reticular compreende uma estrutura formada por neurô­
nios ao longo do tronco cerebral e que vão do bulbo ao tálamo. Esta
estrutura reticular tem uma composição característica, na qual, este
sistema neuronal possui um alto grau de agrupamento dos impulsos
nervosos, pelo que nesta região, cada impulso regulador da atividade
dos órgãos internos e regulador a nível sensorial, desempenha um
importante papel.
As células do núcleo reticular estão conformadas por neurônios
de associação do tronco cerebral, elas além de relacionar os impulsos
Princípios Fisiológicos que Fundam entam o Diagnóstico e Tratamento Auricular 41

do cérebro e da medula, também relacionam as fibras aferentes dos


segmentos superiores e inferiores do tronco cerebral, recebem inume­
ráveis impulsos dos ramos laterais do trato e volta a enviá-los deste
até o córtex; assim, desta maneira, a estrutura reticular elabora um
sistema especial de síntese de sinais, que nos permite considerar à
mesma como um viabilizador da ação da auriculopuntura no sistema
nervoso, não só no tratamento da dor, como também, na regulação da
atividade dos órgãos internos.
O Grupo de Investigação de Auriculoterapia da cidade de Tian Jing,
fez considerações de acordo com um estudo realizado nos pontos de
reação do pavilhão auricular e sua relação com a atividade do córtex
cerebral. Realizaram-se observações em pessoas em coma ou com
anestesia geral, por meio do uso de cloropromacina, nas quais se cons­
tatou uma queda nos níveis de condução elétrica dos pontos auri­
culares. Assim, nos pacientes que ficavam pela anestesia em incons­
ciência profunda, os níveis de condução elétrica nos pontos baixava a
zero e nos casos onde o nível da anestesia era mais leve, a queda da
condução elétrica dos pontos era menor, o que nos fala de uma rela­
ção entre os níveis de profundidade dos estados de inconsciência e o
grau de condução elétrica dos pontos auriculares.
Em pacientes esquizofrênicos que usavam a cloropromacina e para
aqueles que se foi eliminando lentamente, causando uma diminuição
paulatina na repressão do sistema reticular, observou-se que a con­
dução elétrica dos pontos auriculares foi, pouco a pouco, aumentan­
do até recuperar seus níveis normais.
Continuando as investigações sobre o tema, no Instituto de Inves­
tigações de Acupuntura da província de An Hui, o professor Liu Wei
Zhou, realizou cortes nos ramos dos nervos que inervam a orelha em
coelhos de laboratório, observando as mudanças elétricas no estôma­
go e nos intestinos do animal, ao realizar a Acupuntura auricular.
Dividiu o experimento em um grupo-controle e quatro grupos-expe-
riência. No primeiro, realizou cortes do ramo do nervo vago que inerva
a orelha, no segundo, cortou os nervos auricular maior e occipital
menor, no terceiro grupo, cortou o ramo do nervo simpático que che­
ga ao pavilhão e no último grupo, fez um corte total de todos os nervos
que inervam o pavilhão auricular.
Os resultados obtidos foram os seguintes:
1. A atividade elétrica gastrointestinal se mostrou da seguinte ma­
neira:
• No grupo onde se realizou o corte do ramo do nervo simpático, a
atividade elétrica do estômago diminuiu.
• Nos grupos onde se fizeram cortes de cada um dos nervos, a
resposta terapêutica depois da Acupuntura auricular se man­
42 Auriculoterapia

tinha, mas a atividade elétrica gastrointestinal, antes e depois


da Acupuntura nos pontos auriculares, mostrava mudanças
evidentes.
• No grupo onde se seccionaram todos os nervos que inervam a
orelha, a resposta terapêutica diminuiu consideravelmente ou
desapareceu, ao realizar a Acupuntura, antes e depois, a ativi­
dade elétrica gastrointestinal não mostrou grandes mudanças.
2. Medição do valor da amplitude elétrica gastrointestinal:
• Neste caso ao realizar a punção dos pontos auriculares, antes e
depois, os resultados foram idênticos aos da medição da ativida­
de elétrica.
3. Medição do número de atividades elétricas e das áreas que abran­
gem a reação:
• Ao realizar a Acupuntura, antes e depois, nos grupos onde se
cortou um só nervo, comparado com o grupo-controle, as diferen­
ças não foram evidentes; no grupo onde foram cortados todos os
nervos, as mudanças da atividade elétrica gastrointestinal, antes
e depois, da Acupuntura, foram de 37,5 a 62,5%, enquanto que,
no grupo-controle se mantiveram de 58,4 a 93,8%, sendo mais
habitual de 80%, a mais.
Depois desta experiência pode-se avaliar o resultado da seguinte
maneira:
O funcionamento básico dos pontos auriculares não se subscreve
somente a um ramo de um nervo em específico, nem para seu uso diagnós­
tico, nem terapêutico. Provavelmente o sistema de nervos que inerva o
pavilhão auricular desempenha um papel importante, mas não deter­
minante na função dos pontos, esta depende de regras específicas e
características particulares segundo combinação de várias estruturas
que resultam no ponto. A função dos pontos responde a estruturas com­
plexas, através das quais se relaciona com o resto do sistema e desta
maneira, influencia e regula cada centro.
Os exemplos anteriores, deixam ver a estreita relação que guarda
a atividade elétrica dos pontos auriculares com o Sistema Nervoso
Central, mas consideramos que, na atualidade, as respostas sobre os
mecanismos de ação neste campo são ainda insuficientes.

R e lação com o S is t e m a N e u r o v e g e t a t iv o

No Instituto de Medicina de Fu Jian, realizou-se uma investigação em


cachorros de laboratório, nos quais se induziu uma gastrite, depois da
qual se puderam encontrar nas conchas de seus pavilhões auriculares
pontos em que se produziram um aumento da condução elétrica.
Princípios Fisiológicos que Fundam entam o Diagnóstico e Tratam ento Auricular 43

Posteriormente, nas raízes do pavilhão, especificamente no ramo


do nervo vago que inerva a parte posterior do pavilhão, realizou-se
um bloqueio com uma injeção de novocaína. Depois desta manobra,
pode-se observar imediatamente uma diminuição da condutividade
elétrica dos pontos reativos. Mas ao desaparecer o efeito da novocaína,
o nível de condução elétrica aumentou novamente.
Ao realizar um bloqueio similar no pavilhão auricular de seres
humanos, observou-se o mesmo fenômeno, uma diminuição da con­
dução elétrica imediata nos pontos reativos do que antes do bloqueio
m ostravam uma alta condutividade e um restabelecim ento da
condutividade elétrica destes pontos, 30min depois.
Como continuação desta pesquisa, injetou-se ergotamina ou ou­
tro medicamento repressor da atividade neurovegetativa, observan­
do-se que a condução elétrica também diminuiu. Mas se pode consta­
tar que depois de injetar atropina para reprimir a atividade parassim-
pática, o simpático foi excitado, elevando-se novamente a condutividade
elétrica dos pontos.
Do exposto anteriormente, pode-se concluir declarando que o com­
portamento da condutividade elétrica, nos pontos auriculares, guar­
da estreita relação com o sistema neurovegetativo.
Segundo um informe do Grupo de Investigação de Auriculopuntura
da província de Tian Jing, sobre uma investigação realizada em coe­
lhos de laboratório dos quais se seccionaram os ramos dos nervos
vago e simpáticos cervicais que inervam o pavilhào e posteriormente
injetaram-lhes adrenalina com o objetivo de aumentar o ritmo car­
díaco. Aplicou-se Acupuntura no ponto coração do pavilhão auricular,
para fazer regressar o ritmo cardíaco a seus níveis normais. Obteve-
se como resultado que através do estímulo do ponto auricular não se
pode restabelecer a atividade do ritmo cardíaco. Tudo isto nos faz
pensar que uma importante parte da relação que se estabelece entre
os pontos auriculares e o resto do organismo seja realizada pelo sis­
tema neurovegetativo.
As investigações realizadas nos últimos tempos, no campo da
eletrofisiologia, assinalam à neurofisiologia como substrato dos me­
canismos de ação da auriculoterapia, embora possa se considerar como
uma asseveração, a priori e absolutista, posto que são muitas as la­
cunas que ainda ficam ao tentar revelar os mecanismos de ação da
auriculoterapia.

R elação com as B io m o l é c u l a s

Todos os processos fisiológicos do organismo estão mediados por


agentes bioquímicos que conformam a estrutura humoral do corpo hu­
44 Auriculoterapia

mano. Razão pela qual é impossível discutir sobre a relaçao do pavilhão


da orelha com o resto do organismo, sem tomar em consideração as
biomoléculas que participam como viabilizadoras deste processo.
Em um experimento realizado em animais de laboratório, no Insti­
tuto da própria professora Huang Li Chun, ratifica-se esta declaração.
Dois animais ficaram relacionados entre si através do sistema san­
güíneo, com o uso de transfusão direta do sangue do animal 1 ao
animal 2 e vice-versa. No animal 1 realizou-se analgesia Acupuntural,
comprovando-se que em poucos minutos, no animal 2, também se
havia obtido um efeito analgésico.
Este interessante experim ento nos aclara que a anestesia
Acupuntural usa a via humoral para sua ação.
No Instituto de Investigações de Medicina Tradicional de Mei Yuan,
realizou-se um experimento intercambiando o sangue em coelhos de
laboratório, colocando um trocarte na artéria carótida de um e conec­
tando com a veia auricular posterior do outro. O primeiro coelho foi
exposto a um estímulo elétrico com um eletrodo no coração, durante
4h, depois do que o estímulo se deteve e começou a realizar-se a troca
sangüínea entre ambos animais. Ao mesmo tempo se explorava a
condutividade elétrica dos pontos auriculares de ambos os animais,
encontrando como resultado que: a condutividade elétrica do ponto
auricular em ambos os animais aumentou de maneira evidente, com­
parado com o nível que apresentavam antes de começar o estímulo e
o intercâmbio sangüíneo. Em ambos os animais foram realizados ele-
trocardiogramas que se comportaram da seguinte maneira: no coelho
que recebeu o estímulo elétrico, o eletrocardiograma mostrava mu­
danças, enquanto que no outro coelho, não.
Nos 5 pares de coelhos utilizados, as mudanças na condutividade
elétrica dos pontos, antes e depois, se mostraram evidentes, assim
como, o resultado do eletrocardiograma. Depois de transcorrer 5 dias
todos os valores regressaram à sua normalidade.
Neste trabalho, selecionou-se um grupo-controle no qual se utili­
zou o mesmo procedimento de transfusão sangüínea, mas não se rea­
lizou estímulo elétrico no coração de nenhum dos coelhos utilizados
observan do-se que não se produziu nenhum a m udança na
condutividade elétrica do ponto auricular nos coelhos.
Os resultados obtidos neste experimento nos demonstram que cada
mudança patológica que se produza em um órgão interno é refletida
no ponto correspondente do pavilhão auricular e que a via humoral
desempenha um importante papel na transmissão desta informação
ao pavilhão auricular.
Uma vez demonstrado a importância das vias humorais na trans­
missão da informação ao pavilhão auricular, realizou-se um expe­
Princípios Fisiológicos que Fundam entam o Diagnóstico e Tratam ento Auricular 45

rimento com o objetivo de verificar o papel das glândulas supra-re-


nais neste mecanismo de ação. Para isto foram utilizados novamente
coelhos de laboratórios dos quais se extirparam as glândulas supra-
renais observando-se as reações dos pontos auriculares, nestes ca­
sos.
Em tal experimento, pode-se constatar que nos coelhos em que se
extirparam as glândulas, depois de ser submetidos a 4h de estímulos
elétricos no coração, as reações dos pontos auriculares diminuíram,
em comparação com o grupo onde não se haviam extirpado tais glân­
dulas.
Chegou-se à conclusão que as secreções das glândulas supra-re-
nais têm grande peso no estabelecimento do enlace entre os órgãos
internos e o pavilhão auricular.
Nos últimos tempos, tem-se dado muita importância à serotonina
(5-hidroxitriptamina), que é um hormônio tecidual de ação local e que
foi encontrado também no SNC. Parece que a analgesia Acupuntural
e a quantidade de serotonina a nível local tem um papel importante.
Quando os níveis de serotonina são elevados, o efeito analgésico é
satisfatório.
A noradrenalina é um neurotransmissor liberado pelas fibras adre-
nérgicas. Segundo estudos realizados quando os níveis de noradrena­
lina baixam, o efeito da analgesia Acupuntural é melhor.
Em outros experimentos realizados, pode-se comprovar como, de­
pois da punção Acupuntural, os níveis de acetilcolina no tálamo au­
mentam e a atividade da colinesterase diminui. Se injetamos colina
em um ventrículo do cérebro, bloqueia-se a acetilcolina dentro do cé­
rebro e o efeito analgésico da Acupuntura se vê claramente diminuí­
do. Tudo isto nos faz notar que a ação da acetilcolina na analgesia
Acupuntural é também significativa.
De acordo com os trabalhos científicos realizados nos últimos tem­
pos, pode-se determinar a influência que se produzem em substân­
cias como a 17-hidroxicorticosterona, a monoaminoxidase, as secre­
ções do lóbulo posterior da hipófise, a catecolamina, etc., depois do
estímulo dos pontos auriculares. Tudo isto nos ratifica a influência
sistêmica que provoca a auriculoterapia e o importante papel das
biomoléculas na viabilização de seus resultados terapêuticos.
Como podemos analisar, de todo o exposto anteriormente, os me­
canismos de ação da auriculoterapia não se subscrevem a uma só
via, podemos encontrar algumas respostas tanto sob a teoria de ca­
nais e colaterais, a dos Zang Fu, no Sistema Nervoso Central, o Siste­
ma Neurovegetativo ou das vias humorais. Tudo isto nos faz pensar
na complexidade na hora de tratar de explicar como funciona a
auriculoterapia. É necessário uma visão mais holística do fenômeno e
46 Auriculoterapia

um enfoque multicausal, onde todas as vias, antes descritas, desem­


penham um papel de igual importância.
Nos últimos tempos, desenvolveram-se diferentes teorias, tanto
dentro, como fora da China, para tratar de enfocar o fenômeno da
auriculoterapia como:
• A teoria da transmissão de correntes bioelétricas, onde lhe brin­
da grande peso a mudança de potencial de membrana.
• A teoria de repressão biológica, na qual se pensa que a auriculo­
terapia funciona pela repressão de um sinal nervoso sobre outro
ou pela elevação do limiar doloroso.
• A teoria do sistema sintetizado de sinais: a qual está baseada no
descobrimento em 1973, pelo professor Zhang do microssistema
do segundo metacarpiano e onde se trata de explicar a chave do
fenômeno a nível histológico e bioquímico.
• A teoria das comportas, onde a explicação está fundamentada
na abertura e fechamento das portas que deixam passar o sinal
doloroso pelas fibras aferentes e a teoria imunológica, onde se
dá grande peso à ação da auriculopuntura sobre a imunologia
celular.
De nossa parte, deixamos este capítulo à consideração do leitor e
não nos aventuramos nem nos detivemos em nenhum ponto de vista.
3. Sinatomia do ‘Paviífwo
Auricuíar

O pavilhão da orelha é uma lâmina dobrada sobre si mesma, em


diversos sentidos, ovalada, com uma extremidade superior espessa.
Em seu conjunto tem a forma de um pavilhão de corneta musical,
destinado a captar as ondas sonoras.
O pavilhão da orelha estã situado em ambos os lados da cabeça,
atrás da articulação temporomandibular e da região parotídea, antes
da região mastóide e abaixo da temporal, unindo-se à cabeça pela
parte média de seu terço anterior.
O pavilhão auricular está constituído por um tecido fibrocartilagi-
noso, como sustentação de suas estruturas anatômicas, está forma­
do também por ligamentos, tecido adiposo e músculos. A parte infe­
rior do pavilhão, é rica em nervos, vasos sangüíneos e linfáticos, mas
os terços superiores deste estão formados, basicamente, por cartila­
gem. e o lóbulo da orelha é constituído, em sua maior parte, por teci­
do adiposo e conjuntivo.
O pavilhão da orelha é coberto de pele aderente à fibrocartilagem,
na face externa e é móvel, na face interna. A pele do pavilhão está
separada da fibrocartilagem por um tecido celular subcutâneo muito
denso sobre a face externa enquanto, é frouxo sobre a face interna,
onde contém alguns grânulos adiposos. A derme do pavilhão é com­
parativamente mais espessa e, nesta, se distribuem glândulas sebá-
ceas, sudoríparas, capilares, nervos e vasos linfáticos. O tecido adipo-
48 Auriculoterapia

so e as glândulas sebáceas são mais abundantes nas imediações do


conduto auditivo.

NOMENCLATURA ANATÔMICA

O pavilhão é dividido, para seu estudo, em duas faces e uma cir­


cunferência. Na sua face anterior se observa uma série de proeminên-
cias alternando com depressões, que circunscrevem uma escavação
profunda, a concha, no fundo da qual se abre o canal auditivo exter­
no. As proeminências presentes no pavilhão auricular são: hélix, anti-
hélix, trago e antitrago. Além destes, o pavilhão da orelha é formado
por: lóbulo, raiz do hélix, tubérculo auricular, fossa triangular, fossa
escafóide, incisura supratrago, etc. (Fig. 3.1).

F ace A n t e r io r d o P a v il h ã o A u r ic u l a r

Hélix - O hélix é a mais excêntrica das proeminências do pavi­


lhão. Começa na cavidade da concha por uma crista oblíqua para
cima e para frente, a raiz do hélix: margina em seguida a metade
superior da circunferência do pavilhão, primeiro para frente, depois
para cima e logo para trãs, e por fim, termina na parte superior do
lóbulo.
Raiz do hélix - Uma proeminência horizontal que divide as con­
chas e que constitui o extremo ínfero-anterior do hélix.
Tubérculo auricular - Proeminência pequena, na parte póstero-
superior do hélix.
Anti-hélix - O anti-hélix, concêntrico à hélix, ascende paralela­
mente ao segmento posterior desta e se divide na parte superior, em
dois ramos que limitam uma depressão conhecida com o nome de
fosseta do anti-hélix, fosseta navicular ou triangular.
Fossa triangular - A depressão formada entre os ramos superior
e inferior do anti-hélix.
Fossa escafóide - Entre o hélix e o anti-hélix corre um sulco
curvilíneo, chamado canal do hélix, goteira do hélix ou fossa
escafóide.
T r a g o -O trago é uma proeminênciaaplanada, triangular, coloca­
da antes da concha e debaixo do hélix, que se projeta de maneira de
um opérculo, para diante e por fora do orifício do conduto auditivo
externo. A base do trago está dirigida para diante e para dentro: o
vértex livre, arredondado, olha para trás e para fora.
Incisura superior do trago (supratrago) - Uma depressão for­
mada pelo hélix e o bordo superior do trago.
Anatom ia do Pavilhão Auricular 49

Cruz superior do
anti-hélix

F IG U R A 3 . 1 - Nom enclatura anatômica. Ver também Prancha 1 colorida.


50 Auriculoterapia

Antitrago - O antitrago é igualmente uma pequena proeminência


triangular, situada abaixo do anti-hélix e por trás do trago, do qual está
separado por uma profunda chanfradura, a chanfradura da concha.
Incisura do intertrago - A depressão formada entre o trago e o
antitrago.
Fossa superior do antitrago - Depressão pequena que se forma
entre o antitrago e o anti-hélix.
Lóbulo da orelha - Porção carnosa inferior do pavilhão da orelha.
Concha - É uma profunda escavação limitada para frente pelo
trago e por trás pelo anti-hélix e o antitrago. A raiz do hélix divide a
concha em duas partes: uma superior e estreita denominada concha
cimba e outra inferior muito mais larga, que é contínua com o condu­
to auditivo externo chamada concha cava.
Orifício do conduto auditivo externo.

F a c e P o s t e r io r do P a v il h ã o A u r ic u l a r

A face posterior do pavilhão está formada por quatro eminências,


quatro sulcos e três faces (Fig. 3.2).
As três faces são:
• Face dorsal do hélix.
• Face dorsal do lóbulo.
• Face que se localiza entre a parte dorsal da fossa escafóide e o
dorso do lóbulo.
Os quatro sulcos são:
• Sulco posterior do anti-hélix.
• Sulco da cruz inferior do anti-hélix.
• Sulco da raiz do hélix.
• Sulco do antitrago.
As quatro eminências são:
• Eminência posterior da fossa escafóide.
• Eminência posterior da fossa triangular.
• Eminência posterior da concha cava.
• Eminência posterior da concha cimba.

ESTRUTURAS ANATÔMICAS DO PAVILHÃO AURICULAR

V a s c u l a r iz a ç ã o

As artérias que irrigam o pavilhão auricular, procedem da artéria


temporal superficial e da artéria auricular posterior. A artéria tempo-
Anatom ia do Pavilhão Auricular 51

Eminência posterior da fossa triangular

Face dorsal do hélix


Sulco posterior do anti-hélix

Eminência da
fossa escafóide

Sulco da cruz inferior

Eminência posterior
da concha cimba

Sulco da raiz do hélix


Sulco do antitrago
Eminência posterior
da concha cava

Face dorsal entre o lóbulo


e fossa escafóide

Face dorsal do lóbulo

F IG U R A 3.2 - Nom enclatura anatômica. Ver também Prancha 2 colorida.


52 Auriculoterapia

ral superficial se ramifica para frente do conduto auditivo externo em


três ramos: superior, média e inferior, as quais irrigam fundamental­
mente a face anterior do pavilhão. A artéria auricular posterior, tam­
bém se ramifica em três desde a raiz inferior da orelha, para desta
maneira irrigar o lado posterior do pavilhão.
As veias terminam anteriormente na veia temporal superficial: por
trás nas veias auriculares posteriores e na veia mastóidea, e por baixo
na jugular externa.

V a s o s L in f á t ic o s
Os linfáticos da parte anterior do hélix e do trago passarão ao
gânglio parotídeo pré-auricular. Os da face anterior do pavilhão e os
que nascem em sua face posterior, por trás da concha, são tributários
dos gânglios mastóideo, parotídeo e subesternomastóideo.

M ú scu lo s

Os músculos se dividem em extrínsecos e intrínsecos. Os mús­


culos extrínsecos são os músculos auriculares anterior, superior
e posterior.
Os músculos intrínse cos se estendem desde a cartilagem até a
pele do pavilhão, ou bem unem duas partes da cartilagem.
Músculo maior do hélix - Estende-se verticalmente sobre a parte
anterior do hélix.
Músculo menor do hélix - Corresponde ao bordo livre da raiz do
hélix.
Músculo do trago - É formado por feixes verticais situados sobre
a face externa do trago.
Músculo do antitrago - Vai do antitrago à extremidade inferior
do anti-hélix.
Músculos transverso e oblíquo - Ocupam a face interna do pavi­
lhão e se estendem desde a concha até as convexidades determinadas
pela fossa escafóide.
Todos estes músculos são estruturas rudimentares, em vias de
regressão e não têm nenhuma ação sobre o pavilhão da orelha.

Inervaçâo
São abundantes os nervos que inervam o pavilhão auricular, po­
demos dividi-los de acordo com sua origem em nervos espinais, ner­
vos cerebrais e nervos simpáticos.
Anatom ia do Pavilhão A uricular 53

Os nervos motores provêm do facial. Os nervos sensitivos têm du­


pla origem, o auriculotemporal dá seus ramos à parte anterior do
hélix e ao trago e o ramo auricular do plexo cervical superficial inerva
o resto do pavilhão.

Nervos Espinais
Os nervos espinais incluem o nervo auricular maior e o nervo occi-
pital menor.
N erv o a u r ic u la r m a io r - Desempenha um papel importante no
pavilhão auricular, origina-se no segundo e terceiro pares do plexo
cervical, aprofunda-se por trás do músculo esternocleidomastóideo,
até alcançar o pavilhão auricular onde se divide em dois ramos: o
ramo inferior ou ramo anterior e o ramo superior ou posterior.
O ramo inferior é espesso e parte da raiz do lóbulo da orelha
para subdividir-se em três: ramo do lóbulo, ramo central e ramo
superior.
O ramo do lóbulo toma forma de guarda-chuva por baixo da pele
do lóbulo, com pequenos ramos que por sua vez penetram distribuin-
do-se para o lado externo do lóbulo e outra parte correndo para o
trago para entrecruzar-se com o auriculotemporal.
O ramo central é, comparativamente mais espesso, o qual se divi­
de por sua vez em dois ramos mais, um que corre para a região do
antitrago e outro que ascende desde a região do ponto occipital, para
alcançar a face externa do pavilhão.
O ramo superior inerva a face interna do pavilhão e se divide por
sua vez, em dois ramos, um que atravessa a cartilagem para alcançar
a face externa do pavilhão, distribuindo-se ao longo da fossa escafóide
e outro que ascende pelo bordo interno do pavilhão.
O ramo superior ou posterior do nervo auricular maior se distribui
pela parte posterior do pavilhão, obliquamente para cima até alcan­
çar o músculo posterior da orelha, atravessar a cartilagem e distri­
buir-se pela face interna do pavilhão.
N e rv o o c c ip it a l m e n o r - Origina-se também no segundo e tercei­
ro pares do plexo cervical, ascende de maneira oblíqua por trás do
esternocleidomastóideo até alcançar o nível da raiz do hélix, para pe­
netrar na cartilagem e distribuir-se em vários ramos que inervam a
face anterior, posterior e superior do pavilhão, desta maneira abrange
o ápice da orelha, a fossa triangular, a cruz superior e inferior do anti-
hélix e a parte superior da fossa escafóide.

Nervos Cerebrais
N e rv o a u r ic u lo te m p o r a l - Procede do ramo inferior do trigêmeo e
eorre para a face anterior e superior do pavilhão auricular, dividindo-
54 Auriculoterapia

se em finos ramos que inervam a parede anterior do conduto auditivo


externo, o trago, o lado superior da raiz do hélix e ascende pelo hélix
até a fossa triangular. Em alguns casos, o nervo auriculotemporal
estende-se até o lóbulo da orelha e da concha cava, entrecruzando-se
com os nervos auricular maior, occipital menor e com a ramo auri­
cular do vago.
R a m o a u r ic u la r d o v a g o - De um segmento do vago que acompa­
nha as veias cervicais, sai um ramo que se une com o nervo glossofa-
ríngeo e com fibras do nervo facial para penetrar na orelha, de onde se
distribui no bordo interno do pavilhão e no músculo posterior da ore­
lha, abrangendo a raiz do hélix, a concha cava e em alguns casos chega
até a fossa escafóide.

Nervos Simpáticos
De acordo com a inervação do pavilhão auricular podemos assina­
lar que o lóbulo, o hélix, a fossa escafóide e o anti-hélix, se encontram
inervados principalmente por nervos espinais, enquanto que as con­
chas se encontram inervadas pelos nervos auriculotemporal, vago,
facial e glossofaríngeo, principalmente.
Como detalhe curioso podemos assinalar que na fossa triangular
chegam quase todos os nervos do pavilhão auricular.
Os ramos simpáticos que inervam a orelha, procedem das fibras
que acompanham a as artérias cervicais.
Anatom ia do Pavilhão Auricular 55

Artéria
temporal
superficial

Artéria auricular
posterior

F IG U R A 3.3 - Artérias e veias do pavilhão auricular. Ver também Prancha 3 colorida.


56 Auriculoterapia

Pacote de
gânglios
posteriores

Pacote de
gânglios
anteriores

Pacote de
gânglios
posteriores

FIGURA 3.4 - Distribuição linfática. Ver também Prancha 4 colorida.

M. auricular
superior
M. menor
do hélix

M. oblíquo
M. maior
do hélix

M. auricular
anterior

M. auricular
M. do trago
posterior

F IG U R A 3.5 - Músculos auriculares. Ver também Prancha 4 colorida.


Anatom ia do Pavilhão Auricular 57

. auricular
m aior

Ramo do
trigêmeo

N. facial

N. vago

FIGURA 3.6 - Nervos auriculares. Ver também Prancha 5 colorida.

F IG U R A 3.7 - M etâm eros auriculares. Ver tam bém Prancha 5 colorida.


58 Auriculoterapia

Ramo anterior iricular posterior


da artéria occipital menor
temporal no anterior do n.
superficial occipital menor

lar posterior
. occipital menor

Ramo anterior iricular posterior


do n. auricu­ auricular maior
lotemporal
mo posterior que
N. aurículotem netra para frente
poral do n. facial
Ligamento
anterior da orelha
Veia temporal
*amo anterior do
superficial
vago da orelha
Ramo anterior
da artéria
temporal
superficial
auricular maior
Parótida
íamo anterior da
artéria auricular
posterior

Ramo anterior do n.
auricular maior

F IG U R A 3.8 - Face anterior do pavilhão auricular. Ver também Prancha 6 colorida.


PRANCHA 1

Cruz superior do
anti-hélix

Lóbulo
P

F IG U R A 3.1 - Nomenclatura anatômica.


PRANCHA 2

Eminência posterior da fossa triangular

F IG U R A 3.2 - Nomenclatura anatômica.


PRANCHA 3

Veia
temporal
superficial

Veia auricular posterior

F IG U R A 3 .3 - Artérias e veias do pavilhão auricular.


PRANCHA 4

Pacote de
gânglios
)
anteriores )

Pacote de
gânglios
posteriores

FIGURA 3.4 - Distribuição linfática.

M. auricular
superior
M. menor
do hélix

M. oblíquo
M. maior
do hélix

M. auricular
anterior

M. auricular
M. do trago posterior

F IG U R A 3.5 - M úsculos auriculares.


PRANCHA 5

N. occipital
m enor

auricular
maior

Ramo do
trigêmeo

N. facial

N. vago

FIGURA 3.6 - Nervos auriculares.

N. occipital m enor

N. glossofaríngeo
Ramo do

N. facial

N. vago
N. auricular
maior

N. vago

F IG U R A 3.7 - M etâm eros auriculares.


PRANCHA 6

Ramo anterior | Artéria auricular posierior


da artéria occipital menor
temporal no anterior do n.
superficial occipital menor

iricular posterior
. occipital menor

Ramo anterior posterior


do n. auricu­ auricular maior
lotemporal
posterior que
N. aurículotem para frente
poral do n. facial
Ligamento
anterior da orelha
Veia temporal
lía m o anterior do
superficial
■M. vago da orelha
Ramo anterior -
da artéria
temporal
superficial
N. auricular maior
Parótida
Ramo anterior da
artéria auricular
posterior

Ramo anterior do n.
auricular maior

F IG U R A 3.8 - Face anterior do pavilhão auricular.


PRANCHA 7

Ramo posterior do N. occipital menor


n. occipital menor

Ramo da artéria Ramo posterior do


auricular posterior n. facial

M. auricular posterior
Ramo posterior do n.
Ramo posterior do
auricular maior
n. facial

Veia auricular
posterior
Ramo anterior da
Ramo anterior do n.
artéria auricular
auricular maior
posterior

N. auricular maior
Artéria auricular posterior

Ramo do n. facial que


inerva a face anterior
Osso temporal
Ramo posterior do
n. facial Veia cervical
Ramo que inerva
Ramo auricular
a face anterior do
do vago
n. vago
N. vago
Ramo do n. facial
N. facial

Ramo auricular do N. glossofaríngeo


n. vago
Mastóide
Ramo auricular do
n. facial

Ramo auricular do
n. vago
Artéria auricular posterior

F IG U R A 3.9 - A e B) Face posterior do pavilhão auricular.


PRANCHA 8

N. auricular maior
N. occipital menor
N. vago, glossofaríngeo e facial
N. auriculotemporal

F IG U R A 3.10 - Distribuição de nervos.


Anatom ia do Pavilhão A uricular 59

Ramo posterior do N. occipital m enor


n. occipital menor

Ramo da artéria Ramo posterior do


auricular posterior n. facial

M. auricular posterior
Ramo posterior do n
auricular maior Ramo posterior do
n. facial

Veia auricular
posterior

Ramo anterior do n Ramo anterior da


auricular maior artéria auricular
posterior

N. auricular m aior

Artéria auricular posterior

Ramo do n. facial que


inerva a face anterior
Osso temporal
Ramo posterior do
n. facial Veia cervical
Ramo que inerva
Ramo auricular
a face anterior do
do vago
n. vago
N. vago
Ramo do n. facial
N. facial

Ramo auricular do N. glossofaríngeo


n. vago

Ramo auricular do Mastóide


n. facial

Ramo auricular do
n. vago
Artéria auricular posterior

B
FIGURA 3.9 - A e B) Face posterior do pavilhão auricular. Ver também Prancha 7
colorida.
60 Auriculoterapia

---- N. auricular maior


---- N. occipital menor
N. vago, glossofaríngeo e facial
---- N. auriculotemporal

F IG U R A 3.10 - Distribuição de nervos. Ver também Prancha 8 colorida.


4. (Definição, função e
íDiagnóstico dos Pontos
AuricuCares

DEFINIÇÃO

Que são os pontos auriculares e por que sua utilidade terapêutica?


Os pontos auriculares são zonas específicas distribuídas na su­
perfície auricular, que refletem fielmente a atividade funcional de
todo nosso corpo. O pavilhão auricular está estreitamente relacio­
nado com um grande número de canais e colaterais, através dos
quais o Qi e o Xue se comunicam expressando a atividade funcional
de todo o organismo.
Por exemplo, quando sucedem mudanças patológicas em nosso
organismo, estas se manifestam fielmente no ponto ou área específica
da região comprometida, através de mudanças morfológicas, da colo­
ração da pele, dor á exploração táctil, presença de edemas ou
cordõezinhos, uma reação positiva ao exame elétrico, etc. O ponto
diagnosticado como positivo se emprega para o tratamento, utilizan­
do sua estimulação mecânica ou com a aplicação das agulhas, moxas,
eletroestímulo, laser, etc., obtendo-se assim, a melhora sintomática e
a resolução da enfermidade.
Podemos concluir expressando que os pontos auriculares não são
mais que determinadas regiões distribuídas em todo o pavilhão auri­
cular. que pelas estreitas relações energéticas e funcionais que esta-
62 Auriculoterapia

belecem com os canais, colaterais e Zang Fu, nos permitem o diagnós­


tico e tratamento através de seu emprego.
Na atualidade, realizaram-se investigações que apóiam esta teo­
ria milenária. Do ponto de vista neurofisiológico, o pavilhão auri­
cular se comporta como um receptáculo de informação periférica e
central de alta fidelidade. Por esta razão, o ponto auricular se mani­
festa como uma estação de sinais, também, podemos defini-lo como
uma estação comunicadora com os canais, colaterais, fluido corpo­
ral, nervos, etc.
Ao estimular mecanicamente ou com a aplicação direta da agulha,
o sinal captado pelos nervos aferentes é enviado à medula espinhal e
daí é conduzido ao córtex cerebral, onde aparece a sensação de ser
picado com a agulha.
Em experimentos realizados com animais de laboratório, se
demostrou que os sinais emitidos pelo estímulo produzido sobre um
ponto auricular específico e o estímulo procedente de uma ferida pro­
vocada no animal na região análoga ao ponto auricular mas a nível
somático, são recolhidos pelos nervos periféricos aferentes e enviados
à medula espinhal, reunindo-se ao mesmo nível. Este fato singular
revela que o sinal proveniente da agulha exerce uma repressão a nível
medular sobre o sinal criado pela ferida realizada no animal. Este
critério é válido para os demais pontos auriculares, assim como para
o resto de nosso organismo. Ainda fica na penumbra da investigação
científica os complexos mecanismos bioenergéticos e outros, que por
sua complexidade e por não ser objetivo de nosso texto, não faremos
menção.

CLASSIFICAÇÃO DOS PONTOS AURICULARES

Podemos dizer que a auriculoterapia constitui um ponto de parti­


da para a integração da Medicina Tradicional e a ocidental. O
microssistema da orelha nos oferece a possibilidade de localizar e uti­
lizar pontos sob o respaldo, tanto da teoria dos Zang Fu e Jing Luo,
como sob os princípios da fisiologia moderna. Assim, desta maneira,
os pontos auriculares foram classificados e denominados de acordo
com a anatomia, fisiologia dos Zang Fu e Jing Luo, sistema nervoso,
sistema endócrino, funções específicas dos pontos, etc.
Por intermédio de seus aproximados 20 anos de experiência clíni­
ca e investigação no campo da auriculoterapia, a professora Huang Li
Chun classificou, no pavilhão auricular, os pontos de acordo com seu
caráter, função, atividade específica e experiências, em seis classes
que contêm a totalidade dos 154 pontos mais utilizados na clínica.
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 63

ainda em nosso texto, faremos menção a 126 pontos que mostrare­


mos neste capítulo.

P o nto s da Z ona C orrespondente

Estes pontos são os representantes da anatomia corporal dentro


do pavilhão auricular, razão pela qual recebem o nome da zona, arti­
culação, membro ou órgão que representam. Estes pontos têm a ca­
racterística de tornarem-se reativos ante um processo patológico em
sua zona correspondente, podendo abranger um ponto específico ou
uma zona determinada do pavilhão auricular, assim temos, por exem­
plo, que no pavilhão da orelha não há nenhum ponto específico para
o braço, mas sim, toda uma área que representa este membro, onde
podemos localizar pontos do punho, cotovelo, etc. Também as dife­
rentes partes dos órgãos internos encontram pontos auriculares que
o representam, como no caso do pulmão, dos brônquios e da tra-
quéia, da bexiga, dos ureteres, da vesícula, dos condutos biliares, dos
ouvidos interno e externo, etc.
Podemos assegurar que aproximadamente 46,10% dos pontos
auriculares são classificados como pontos da zona correspondente.
Estes pontos desempenham um importante papel tanto no diagnósti­
co como no tratamento, podemos considerar que não existe estratégia
terapêutica onde sejam obviados os pontos da zona correspondente.

P o n t o s d o s C in c o Z a n g e S e i s Fu
De acordo com a teoria dos Jing Luo e Zang Fu são chamados
onze pontos no pavilhão auricular que representam os órgãos e
vísceras. Estes pontos são coração, fígado, baço, pulmão, rim, in­
testino grosso, intestino delgado, vesícula biliar, bexiga, estômago
e San Jiao. Estes onze pontos também podem ser denominados
como pontos da zona correspondente mas diferem, no fato de que
os mesmos representam não só a anatomia do Zang ou do Fu, como
também, sua função energética e fisiológica. Pelo exposto anterior­
mente, podemos deduzir que os pontos dos cinco Zang e seis Fu são
os mais importantes para o diagnóstico e tratamento através do
pavilhão auricular, sendo utilizados na terapêutica em 90% das
enfermidades.
Por exemplo, o ponto pulmão além de tratar e diagnosticar as en­
fermidades próprias deste órgão, também é usado no diagnóstico e
tratamento de enfermidades dermatológicas, do nariz, garganta, etc.
Isto responde aos princípios fisiológicos dos Zang Fu e à teoria do
trajeto dos canais e colaterais.
64 Auriculoterapia

Os pontos dos Zang Fu representam 7,14% dos pontos auriculares


e desempenham um importantíssimo papel diagnóstico.

P o nto s do S is t e m a N ervoso

Os pontos do sistema nervoso não somente representam, a nível


de estruturas, partes do sistema nervoso, como por exemplo, o cére­
bro, tronco cerebral, tálamo, simpático, ciático, etc. como também
representam determinadas atividades excitadoras ou repressoras do
sistema nervoso, como no caso dos pontos Shen Men e excitação; em
outros casos os pontos são denominados segundo a desordem do sis­
tema nervoso que tratam, como no caso do ponto e a área de neuras-
tenia. Também, os pontos do sistema nervoso presentes no pavilhão
auricular podem receber o nome do nervo que estimulam diretamente
como é o caso do nervo auriculotemporal, nervo auricular maior, occi­
pital menor. etc.
Os pontos do sistema nervoso presentes no pavilhão auricular ocu­
pam 11,69% e seu uso, na prática clínica, potencializa o resultado
terapêutico de muitas enfermidades.

P o nto s do S is t e m a E n d ó c r in o
Estes pontos representam cada uma das glândulas do sistema
endócrino dentro do pavilhão auricular como a hipófise, tiróide, su-
pra-renais, pâncreas, gônadas, ovários, próstata, mais o ponto endó­
crino que representa todo o sistema, em sua totalidade. Os pontos do
sistema endócrino constituem 5,19% dos pontos auriculares; estes
podem produzir uma poderosa influência na liberação de determina­
dos hormônios como é o caso dos corticóides pelas supra-renais e
atuam na regulação da atividade intrínseca destas glândulas, por exem­
plo, na atividade funcional do pâncreas.
O ponto endócrino é um regulador sistêmico da atividade endócrina
e metabólica do organismo, este mantém o equilíbrio funcional das glândulas
vigorizando a função das que hipofuncionam e reprimindo as que
hiperfuncionam, razão pela qual, podemos dizer que é o ponto central
para o tratamento de qualquer enfermidade do sistema endócrino. corn-
binando-se, segundo seja o caso, com o resto das glândulas implicadas
no processo patológico. Por exemplo, ao tratar a amenorréia seleciona­
mos o ponto endócrino, mais, os pontos ovários, hipófise e útero.

P o nto s E s p e c íf ic o s

Como pontos específicos, classificam-se aqueles que têm uma de­


limitada função diagnostica e terapêutica. No caso do diagnóstico es­
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 65

tes pontos estão limitados a ser reativos diante de enfermidades espe­


cíficas e enquanto a tratamento, ainda em geral, são combinados com
outros pontos, sua eficácia é mais significativa em um reduzido nú­
mero de patologias, as quais respondem a sua função específica, como
por exemplo, os pontos: alergia, tuberculose, hipertensor, área 1 e 2
do tumor, etc.
Estes pontos ocupam 16,23% dos pontos auriculares e jogam um
importantíssimo papel no diagnóstico clínico.

P onto s do D o rso da O relh a e O utros

No dorso da orelha foram localizados, desde 1888, pontos repre­


sentativos dos cinco Zang. Estes pontos guardam estreita relação com
os pontos da face ventral do pavilhão, por exemplo, o ponto baço do
dorso do pavilhão se encontra diretamente em oposição com o ponto
estômago da face ventral; o ponto fígado dorsal se encontra em direta
oposição com o ponto fígado ventral; o ponto pulmão dorsal está em
direta oposição com o ramo superior da zona do pulmão pela parte
ventral; o ponto coração dorsal está diretamente por trás do ponto
Shen Men, o que justifica o princípio tradicional de que “o coração
armazena a mente": o ponto rim, localizado no dorso do pavilhão,
guarda estreita relação com o ponto cérebro da face anterior do mes­
mo, o que justifica o princípio de que “o rim gera a medula e o cérebro
é o mar da medula".
O dorso da orelha apresenta três raízes e um sulco. O sulco é
denominado sulco hipotensor e as raízes são definidas como: raiz su­
perior, média e inferior da orelha. A raiz média do pavilhão fica em
direta oposição com o ponto centro da orelha traduzindo que, através
do mesmo, podemos estimular diretamente o nervo vago.
Além dos pontos assinalados anteriormente, através da milenária
experiência clínica do povo chinês, foram localizados no pavilhão ou­
tros pontos de amplo uso e que são denominados de acordo com a
posição que localizam na anatomia auricular, como por exemplo, os
pontos ápice da orelha, ápice do trago, centro da concha cimba, hélix
1 a 6, etc. Estes pontos ocupam 13,64% dos pontos auriculares.

DISTRIBUIÇÃO DOS PONTOS AURICULARES

Na prática clínica, podemos observar uma grande diversidade de


pavilhões auriculares que variam quanto a tamanho e forma mas, em
todos se encontram distribuídos os pontos auriculares, seguindo os
mesmos princípios.
66 Auriculoterapia

Como fundamento para encontrar os pontos auriculares, temos a


localização de um feto em posição cefálica, como já mencionamos
anteriormente. Este feto marcará os princípios gerais para a repre­
sentação de cada uma das partes do corpo humano dentro do pavi­
lhão auricular (Fig. 4.1).

FIGURA 4.1 - Distribuição dos pontos auriculares.

Distribuindo-se da seguinte forma:


Lóbulo da orelha - Região cefálica e facial.
Antitrago - Cabeça e cérebro.
Fossa superior do antitrago - Tronco cerebral.
Trago - Laringe-faringe, nariz externo e interno, supra-renal, nervo
temporoauricular, etc.
Incisura do supratrago - Ouvido externo.
Anti-hélix - Tronco, na cruz inferior do anti-hélix se localiza a
região glútea, e na cruz superior os membros inferiores.
Fossa escafóide - Membros superiores.
Fossa triangular - Região pélvica e os órgãos genitais internos.
Raiz do hélix - Diafragma e em torno do hélix se distribui o apa­
relho digestivo.
Concha cava - Cavidade torácica.
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 67

In c is u ra d o in te r tr a g o - Glândulas endócrinas.
C o n ch a c im b a - Pontos da cavidade abdominal.
Como se percebe, os pontos do pavilhão auricular e das zonas do
corpo humano possuem leis para estabelecer seu vínculo. Se memori­
zamos cada uma destas leis, podemos facilitar a localização e seleção
dos pontos no tratamento. Ainda em tempo, existem alguns pontos
que em sua distribuição não correspondem completamente a esta dis­
posição, como: supra-renal, útero, testículos, etc.

LOCALIZAÇÃO, FUNÇÃO E DIAGNÓSTICO DOS PONTOS


AURICULARES

L ó bu lo
Para facilitar a localização dos pontos do lóbulo da orelha, este é
dividido em 9 quadrantes ou zonas, começando a enumerar-se desde
a incisura do intertrago e seguindo uma ordem de localização de den­
tro para fora e de cima para baixo (Fig. 4.2).

Ponto Dente
(também chamado anestesia dental ou ponto odontalgia)
Localização - Este ponto encontra-se no centro da zona 1 do lóbulo.
Função - É um ponto específico para o tratamento das odontalgias
e das periodontites.

Ponto
cordal

FIGURA 4.2 - Localização dos pontos do lóbulo da orelha. 1 = ponto dente: 2 = paladar
inferior: 3 = paladar superior: 4 = língua; 5 = maxilar superior; 6 = maxilar inferior; 7 = lóbulo
anterior; 8 = olho; 9 = ouvido interno; 10 = amígdala; 11= área da bochecha.
68 Auriculoterapia

Ponto Paladar Inferior


Localização - Dividindo-se em três partes iguais o bordo superior da
zona 2 do lóbulo, o ponto se localiza no primeiro terço desta linha.
Função - Ponto utilizado no tratamento das afecções inílamatórias
dos lábios, como também da cavidade bucal, as quais incluem as
úlceras bucais, periodontite e as neuralgias do trigêmeo.
Diagnóstico - Quando o ponto mostra uma reação positiva intensa à
exploração elétrica acompanhado de dor à pressão com grau II ou III. nos
indica a presença de uma neuralgia do trigêmeo, em seu ramo inferior. Se
os pontos paladar superior e inferior e o ponto língua revelam uma proe­
minência ou uma depressão de forma irregular, tanto na exploração visual
ou tátil e acompanhado de uma reação positiva à exploração elétrica isto
nos faz pensar que estamos em presença de úlceras bucais.

Ponto Paladar Superior


Localização - Este ponto localiza-se sobre a linha que une as zo­
nas 2 e 3. sobre o quarto inferior da mesma.
Função - Ponto utilizado também no tratamento das afecções an­
tes mencionadas, pelo que, em muitas ocasiões, se emprega simulta­
neamente com o ponto anterior.
Diagnóstico - Se este ponto à exploração elétrica mostra uma rea­
ção positiva intensa com dor à palpação grau II ou III, isto nos confir­
ma o diagnóstico de neuralgia do trigêmeo. Se os pontos paladar su­
perior e inferior e o ponto língua revelam uma proeminência de forma
irregular isto nos assinala a presença de úlceras bucais.

Ponto Língua
Localização - Lançando uma linha entre o ponto paladar superior
e inferior, o ponto localiza-se no centro desta linha.
Função - Ponto empregado no tratamento das afecções da língua,
que incluem a glossite, fissura lingual, úlceras linguais e outras
afecções da mesma.
Diagnóstico - De singular importância no diagnóstico e tratamen­
to das afecções da língua. Se neste ponto se observa uma proeminên­
cia em forma de ponto de cor vermelha, isto nos leva a pensar no
diagnóstico de glossite ou de úlceras linguais.

Ponto Maxilar Superior


Localização - Encontra-se no centro da zona 3 do lóbulo.
Função - Ponto empregado no tratamento das odontalgias, que
podem incluir as periodontites, pulpites, etc. Além disso, tratam a
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 69

artrite, a subluxação da articulação temporomandibular, neuralgias


do trigêmeo, etc.
Diagnóstico - Se na observação o ponto mostra uma depressão, este
fato nos revela que, na maioria dos casos, ocorreu extração dentária, se
na palpação se obtém uma dor de grau II ou III com uma reação positiva
à exploração elétrica então podemos afirmar que o paciente é portador de
odontalgia. Em outras situações, observa-se uma proeminência no ponto
com dor à pressão de grau I, que nos assinala para a presença de proces­
sos inflamatórios. Na afecção nevrálgica do trigêmeo, observa-se uma pro­
eminência no ponto associado a dor de intensidade II-III.

Ponto Maxilar Inferior


Localização - Encontra-se no centro da linha superior da zona 3
do lóbulo.
Função - Ponto com propriedades terapêuticas iguais ao anterior.
Este ponto cobre uma área maior no lóbulo auricular, o qual permite
observar, nesta região, uma área dental maior, refletida.

Ponto Lóbulo Anterior


(também chamado ponto de neurastenia)
Localização - Encontra-se no centro da zona 4 do lóbulo.
Função - Utilizado no tratamento dos estados de neurastenia e os
transtornos do sono, tais como: sono leve de curto tempo de duração
e que uma vez alcançado, o paciente desperta com facilidade, não
conseguindo voltar ao mesmo, pesadelos e sonhos excessivos.
Diagnóstico - Quando o ponto de neurastenia apresenta uma rea­
ção positiva ao diagnóstico elétrico, associada ou não, a uma depres­
são ao tato, nos sugere que o paciente é portador dos transtornos
antes mencionados.

Ponto Olho
Localização - Encontra-se no centro da zona 5 do lóbulo da orelha.
Função - Empregado no tratamento de todas as afecções oftalmo-
lógicas como a conjuntivite aguda, calázio, ametropia, glaucoma,
blefarite, ceratite, etc.
Diagnóstico - Constitui um ponto específico para o diagnóstico de
todas as afecções oftalmológicas.

P on to O uvido In tern o
Localização - Encontra-se no centro da zona 6 do lóbulo.
Função - Empregado no tratamento das afecções corresponden­
tes a esta região do ouvido, as quais compreendem a hipoacusia,
70 Auriculoterapia

tinidos, a otite, os estados vertiginosos causados por alteração ves-


tibulococlear.
Diagnóstico
• O ponto mostra uma reação positiva ã exploração elétrica, que
pode estar acompanhada de uma depressão em forma de pontos
ou de linhas, quando o tinido é leve. Se a afecção tem uma evo­
lução crônica, percebe-se em torno do ponto o começo do sulco
que diagnostica o tinido.
• Hipoacusia - Nesta situação o ponto ouvido interno apresenta
uma reação positiva forte ao diagnóstico elétrico e o sulco do
tinido torna-se mais acentuado.
• Transtorno timpãnico - Quando observamos o ponto ouvido in­
terno, podemos ver uma depressão em forma de ponto, se reali­
zamos a palpação a depressão se acentua muito mais.
• Otite média - Nesta afecção o ponto aparece com uma proemi-
nência edematosa, se esta afecção tem um curso agudo, então, a
proeminência apresentará uma coloração vermelha e/ou está
associada à presença de aranhas vasculares, no diagnóstico táctil
se obtém uma dor de grau I e à exploração elétrica uma reação
positiva.

Ponto Amígdala
Localização - Encontra-se no centro da zona 8 do lóbulo.
Função - Ponto empregado no tratamento da amigdalite e da
faringite.
Diagnóstico
• Amigdalite aguda - Mostra na área do ponto uma coloração ver­
melha, associada à presença de edemas. Na palpação o ponto
resulta extremamente doloroso podendo alcançar o grau II ou
III, na exploração elétrica se obtém uma reação elétrica muito
forte.
• Amigdalite crônica - A área revela uma proeminência de cor es­
branquiçada que pode estar acompanhada de um ponteado de
cor vermelha, com uma reação positiva à exploração elétrica.

Área da Bochecha
Localização - Esta área se distribui nas zonas 3, 5 e 6, formando
um óvulo de maneira oblíqua.
Função - Área empregada no tratamento das afecções faciais que
incluem a paralisia facial, os espasmos da musculatura facial, as neu-
ralgias do trigêmeo, as afecções dermatológicas da face, se emprega
por isto na manutenção da beleza facial.
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 71

Diagnóstico - Se ao exame, esta área se mostra dolorosa à explora­


ção táctil de grau II ou III, então, nos faz expor o diagnóstico de uma
neuralgia do trigêmeo.

A n t it r a g o

Para facilitar a localização dos pontos do antitrago, lançaremos


uma linha desde a ponta do mesmo até seu lado externo, outra desde
a ponta até seu lado interno, e uma, em forma de arco, desde o bordo
inferior ao superior.
Podendo recorrer com estas linhas a distribuição dos pontos nesta
zona (Fig. 4.3).

Ponto Parótida
Localização - Encontra-se localizado exatamente na ponta do
antitrago.
Função - Ponto utilizado no tratamento e diagnóstico da parotidi-
te, além disso, emprega-se no tratamento das dermatites neurogênicas,
pruridos, dermatites, em geral.
Diagnóstico - Não tem referência diagnostica.

Ponto Asma
Localização - Encontra-se no lado externo do antitrago, 2 mm por
baixo do ponto parótida.

FIGURA 4.3 - Localização dos pontos do antitrago. 1 = ponto parótida; 2 = asma; 3 =


temporal; 4 = freste; 5 = occipital; 6 = vértex: 7 = hipófise; 8 = cérebro; 9 = vertigem;
10 = á re a d e n e u ra s te n ia .
72 Auriculoterapia

Função - Ponto empregado no diagnóstico e tratamento da asma,


em relação ao diagnóstico, se os pontos brônquios, dispnéia, alergia,
revelam uma reação positiva à exploração elétrica, podemos afirmar
que estamos em presença de um quadro de alergia, mas se o ponto
brônquio oferece uma reação positiva e o ponto dispnéia negativa,
isto nos confirma um quadro de bronquite ou uma bronquiectasia.

Ponto Temporal
(também chamado ponto Tai Yang)
Localização - Encontra-se no lado externo do antitrago, por baixo
do ponto asma, no centro da linha em forma de arco traçada desde o
bordo superior ao inferior do mesmo.
Função
• Analgésica, é um ponto usado para tratar as enxaquecas ou ce-
faléias temporais, como se usássemos o ponto Tai Yang localiza­
do na região temporal.
• Clareia a visão e ajuda a audição. O mesmo pode selecionar-se
para tratar a ametropia, o tinido e a hipoacusia.
D ia gnóstico- Quando o ponto mostra reação positiva em ambos os
lados, expressa cefaléia na região temporal nos dois lados da cabeça.
Quando a reação positiva é de um só lado, acompanhado de uma
proeminência em forma de gomo e com um cordão interno de certa
dureza que se sente ao tato, então, podemos assegurar que o paciente
padece de enxaqueca.

Ponto Fronte
Localização - Encontra-se no lado externo do antitrago, no extre­
mo ântero-inferior da linha em forma de arco.
Função
• Fortalece a mente, clareia e ajuda à visão - É usado para tratar
as sensações de peso e distensão na cabeça, trata também a
perda da memória, a falta de concentração, a sonolência, a que­
da nos níveis de atenção, as síndrome de estagnação e a hiper­
tensão arterial. Este ponto é fundamental para fortalecer e des­
pertar a mente.
• Analgésica - Este ponto é usado para tratar a cefaléia frontal de
qualquer etiologia.
D iagnóstico- Quando este ponto mostra uma reação positiva acom­
panhada de uma proeminência com forma circular ou com forma alar­
gada, como um cordão ou raminho, o paciente seguramente refere
padecer de cefaléia de tipo frontal. Se esta proeminência logra alcan­
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 73

çar ainda de maneira difusa as áreas dos pontos vértex e occipital,


então podemos dizer que o paciente seguramente padece de cefaléia
que alcança toda a cabeça.

Ponto Occipital
Localização - Encontra-se no lado externo do antitrago, no extre­
mo póstero-superior da linha traçada em forma de arco.
Função
• Acalm a a vertigem - Este ponto acalma a vertigem produzida
pelo transtorno do ouvido interno, deficiência cerebro-vascu-
lar causado pela arteriosclerose, vertigens produzidas por trans­
tornos neurovegetativos, como sintoma da hipertensão, v e r ­
tigem causada pelo transporte em autos, barcos, aviões, etc.
Pelo exposto anteriorm ente, podemos dizer que o ponto occi­
pital é de suma im portância no tratamento da vertigem e a
tontura.
• Sedante - Este ponto é usado para acalmar a tosse, dispnéia,
prurido, dor, vômito e diarréia; este ponto tem a função de acal­
mar o espírito e também como função hipotensora; é principal
no tratamento da cefaléia occipital.
• Acalma o pânico e a convulsão - Este ponto é usado para tratar
a histeria e a paralisia facial.
• Clarear a vista - É um ponto importante para tratar a ametropia.
D iagnóstico - Quando há padecimento de cefaléias de tipo occipi­
tal, na área do ponto occipital aparece uma reação positiva acompa­
nhada de uma depressão de cor vermelho-clara, indicando padeci­
mento de vertigens.

Ponto Vértex
Localização - Encontra-se no lado externo do antitrago, aproxima­
damente a 1 mm por baixo do ponto occipital.
Função - Ponto utilizado para o tratamento das cefaléias no vértex
e nos estados de neurastenia.
Diagnóstico - Quando na área do ponto se observa uma proemi-
nência em forma de montículo, com uma reação positiva ao diagnós­
tico elétrico, isto nos sugere e nos confirma que o paciente é portador
de cefaléias no vértex.

Ponto Hipófise
Localização - Encontra-se no bordo superior do antitrago, próxi­
mo à fossa superior do antitrago.
74 Auriculoterapia

Função
• Tratamento das afecções ginecológicas causadas por transtor­
nos do sistema endócrino, tais como: a amenorréia, menstrua­
ções irregulares e impotência.
• Tratamento das afecções causadas pelos transtornos da hipófise,
tais como: nanismo, adenomas de hipófise, diabetes sacarino.
• Tratamento das enfermidades hemorrágicas, tais como melena,
metrorragia, hemorragia uterina funcional, etc.
Diagnóstico - Este ponto não tem referência diagnostica.

Ponto Cérebro
Localização - Encontra-se no lado interno e superior do antitrago.
Função - Ponto empregado no tratamento das enfermidades cere­
brais, tais como insuficiência cerebro vascular, ataxia cerebelosa, epi­
lepsia, hipercinesia e para fortalecer a capacidade cognitiva.
Diagnóstico - Este ponto não tem utilidade no diagnóstico.

Área de Vertigem
Localização - Encontra-se na fossa superior do antitrago, entre os
pontos tronco cerebral e hipófise.
Função - Zona específica no diagnóstico e tratamento da vertigem,
quando ã exploração táctil se encontra a presença de um cordão ou
uma depressão com a observação de telangiectasias, nos aponta para
um diagnóstico de vertigem.

Área de Neurastenia
Localização - Esta área se encontra no bordo externo do antitrago,
por trás dos pontos occipital e vértex.
Função - Esta zona é utilizada no tratamento da neurastenia, difi­
culdade para conciliar o sono, como requisito na obtenção de uma
maior resposta ao tratamento, este ponto se reforça anterior e poste­
riormente.
Diagnóstico - Quando há manifestações de neurastenia ou de difi­
culdades para conciliar o sono, esta área pode mostrar a presença de
um cordão proeminente com certa dureza à exploração táctil.

Ponto Tálamo
Localização - Encontra-se no lado interno do antitrago, no extre­
mo interno de uma linha traçada entre os pontos parótida e pulmão,
imediatamente por baixo deste último (Fig. 4.4).
Dejm ição, Função e D iagnóstico dos Pontos Auriculares 75

FIGURA 4.4 - 8 = cérebro; 11 = tálamo; 12 = excitação; 13 = subcórtex; 14 = testículo.

Função - Este ponto refere-se à localização específica do hipotála-


mo, centro de mando da atividade neurovegetativa, reguladora da fi-
siologia dos órgãos internos.
Suas funções principais incluem o controle da temperatura corpo­
ral, a eficiência na absorção dos alimentos pela atividade digestiva, a
homeostase do metabolismo hidromineral e o controle central da ati­
vidade endócrina. Por estas funções antes mencionadas, utiliza-se no
tratamento das afecções endócrinometabólicas (obesidades endóge-
nas e exógenas, diabetes melito, etc.), edemas, sonolência ou letargia.
Diagnóstico - Este ponto não tem utilidade diagnostica.

Ponto Excitação
Localização - Encontra-se no lado interno do antitrago, entre os
pontos testículo e tálamo.
Função - A função deste ponto consiste na estimulação do córtex
cerebral, pelo que suas indicações terapêuticas incluem o tratamento
dos estados de letargia, a enurese noturna, obesidade, hipofunções
do sistema endócrino, tais como impotência e amenorréia.
Diagnóstico - Este ponto nâo tem utilidade diagnostica.

Área do Subcórtex
Localização- Encontra-se no lado interno do antitrago, na metade
da distância de uma linha que une os pontos tálamo e ovário. Está
dividido em três áreas: nervosa, cardiovascular e digestiva.
76 Auriculoterapia

Função - O ponto subcórtex regula a função do córtex cerebral e é


um ponto que é constituído por três áreas que são: área nervosa do
subcórtex, área digestiva do subcórtex e área cardiovascular do
subcórtex.
• A área nervosa do subcórtex regula a atividade do córtex cere­
bral mantendo o equilíbrio de excitação, depressão da mesma, o
que permite tratar enfermidades como neurastenia, transtorno
do sistema neurovegetativo, neuroses e esquizofrenia.
• Através da área digestiva do subcórtex podem se tratar todas as
afecções do sistema digestivo, tais como dispepsia, gastrite, úlce­
ras gástricas e duodenais, vômitos, náuseas, distensão abdomi­
nal, diarréias, constipação, enfermidades do fígado e da vesícula.
• Com a área cardiovascular do subcórtex podem ser tratadas
enfermidades do sistema cardiovascular, tais como hipertensão,
flebites, tromboangiíte obliterante, enfermidade de Raynaud, car-
diopatias, arritmias, etc.
Diagnóstico - Este ponto se utiliza para diagnosticar enfermidades
dos sistemas digestivo, cardiovascular e nervoso.

Ponto Testículo
Localização - Localiza-se no lado interno do antitrago, 2 mm por
trás do ponto parótida.
Função - Ponto utilizado no tratamento das afecções do testícu­
lo, as quais incluem, orquite, impotência, esterilidade masculina e
prostatite.
D ia gn óstico- Se este ponto tem uma reação positiva na exploração
elétrica e se associado também a mudanças positivas nas áreas dos
órgãos genitais internos, pelve, endócrino e rim, nos sugere a formu­
lação de um diagnóstico correto de impotência ou disfunção sexual.

F o s s a S u p e r io r do A n t it r a g o

Nesta zona fica refletida a área do tronco cerebral (Fig. 4.5).

Ponto Tronco Cerebral


Localização - O ponto localiza-se no bordo superior da fossa
intertrago.
Função - Este ponto tem função sedante, estimula a mente e acal­
ma o espírito. É um ponto usado para acalmar o pânico, a convulsão,
tratar a tosse e diminuir a febre, também, muitas vezes, se usa para
tratar a epilepsia, esquizofrenia, neurose, meningite e bronquite.
Diagnóstico - Este ponto não tem referência diagnostica.
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 77

FIGURA 4.5 - Área do tronco cerebral. 1 = tronco cerebral; 2 = laringe-dente.

Ponto Laringe-dente
Localização - Encontra-se no bordo externo e inferior da fossa
intertrago, 2 mm por baixo do ponto tronco cerebral.
Função - Ponto utilizado no diagnóstico e tratamento das afecções
da orofaringe e das odontalgias.

T rago

Esta área do pavilhão auricular reflete a laringe-faringe, nariz e


glândulas supra-renais. Além disso é inervado pelo nervo temporoau-
ricular. Os pontos se distribuem pelo lado externo e interno do trago
(Fig. 4.6).

FIG URA 4.6 - Pontos de distribuição do trago. 1 = ápice do trago; 2 = supra-renal;


3 = n a r iz e x t e r n o ; 4 = p o n t o d o ó r g a n o c o r a ç ã o ; 5 = la r in g e fa r in g e : 6 = n a r iz in te r
n o; 7 = n e r v o a u r ic u lo t e m p o r a l; 8 = p o n t o fo m e ; 9 = p o n to s e d e .
78 Auriculoterapia

Ponto Ápice do Trago


Localização - Encontra-se na metade superior do trago por seu
lado externo, por cima da proeminência central do ápice.
Função - Ponto que conta entre suas funções mais importantes
a antiinflamatória, antipirética, sedante e analgésica, motivo pelo
qual se emprega no tratamento das febres de qualquer etiologia,
este ponto em geral é usado para realizar a sangria, como método
terapêutico.

Ponto Supra-renal
Localização - Encontra-se sobre a metade inferior do lado externo
do trago, por baixo da proeminência central deste.
Função
• Tonifica e ativa as funções das glândulas supra-renais, razão
pela qual é empregado no tratamento da enfermidade de Addison
e Cushing.
• Têm propriedades antialérgica, antiinfecciosa, antiinflamatória,
que permitem tratar as enfermidades infecciosas, do colágeno,
alérgicas e inflamatórias.
• Utilizado para descer a temperatura, causa pela qual emprega-
se nas enfermidades febris.
• Também controla o tõnus vasomotor do sistema vascular, moti­
vo pelo qual está contra-indicado nos pacientes com hiperten­
são arterial de base, já que seu emprego se limita a elevar a
tensão arterial (hipotensão ortostática, choque tensional), por
esta função de vasoconstrição, utiliza-se no tratamento das me-
trorragias, hemorragia uterina disfuncional, melenas, epistaxes,
etc.
• Elimina os estados de rigidez das fibras musculares lisas bron-
quiais, fato pelo qual se emprega na asma bronquial, bronquite
aguda e qualquer episódio bronquial causado pela rigidez bron­
quial.
Diagnóstico - Não tem referência diagnostica.

Ponto Nariz Externo


Localização - Encontra-se sobre a face externa do trago, formando
um triângulo com os pontos supra-renal e ápice do trago.
Função - Ponto empregado nas afecções da área do nariz, como as
inflamações da área, máculas, acne juvenil, inflamação das coanas
nasais, etc.
Diagnóstico - Não tem referência diagnostica.
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 79

Ponto do Órgão Coração


L o ca liza çã o - Encontra-se por cima e por dentro do ponto ápice do
trago, na metade de distância de uma linha traçada desde o ponto
sede até o ouvido externo.
Função - Ponto utilizado no tratamento das patologias próprias do
órgão, tais como taquicardia paroxística, fibrilação auricular.
Diagnóstico - Se a área de coração mostra uma reação positiva e
no quarto inferior da mesma se encontra a presença de um cordãozinho
à palpação, acompanhada de uma reação positiva no ponto órgão de
coração e na área cardiovascular do subcórtex, podemos então, afir­
mar que estamos em presença de um quadro de taquicardia.

Ponto Laringe-faringe
Localização - Encontra-se na face interna do trago, sobre a meta­
de superior deste.
Função - Ponto empregado no tratamento da afecções laringofarín-
geas, tais como os casos de episódios de faringite, amigdalites agudas e
crônicas, afonias, traqueíte, bronquite, asma bronquial, etc.
Diagnóstico - Ponto importante no diagnóstico das afecções da la­
ringe e da faringe.

Ponto Nariz Interno


Localização - Encontra-se na face interna do trago, sobre a meta­
de inferior deste.
Função - Ponto empregado no tratamento das afecções próprias
da nariz tais como rinites alérgicas, epistaxes, resfriado comum, obs­
trução nasal, sinusite, etc.
Diagnóstico
• Rinite - A área do ponto nariz interna apresenta uma reação
positiva ao diagnóstico elétrico, não se observam mudanças
morfológicas, nem de coloração.
• Rinite hipertrófica - Na área correspondente percebe-se uma pro­
eminência de cor esbranquiçada, com certa dureza à palpação e
reação positiva à exploração elétrica.
• Rinite atópica - Na área percebe-se uma proeminência de cor
esbranquiçada, geralmente acompanhada de edema, que à pal­
pação deixa uma depressão profunda, os pontos alergia e nariz
interno mostram uma reação positiva ao diagnóstico elétrico e
deixam marcas à palpação.
• Sinusite - Na ãrea de nariz interno percebe-se uma proeminên­
cia em forma de gomo, que se associa também a uma proemi-
80 Auriculoterapia

nência no ponto fronte, na primeira situação pode mostrar uma


textura de certa dureza e ao realizar a exploração elétrica os
pontos nariz interno, pulmão e fronte, têm uma reação positiva.

Ponto do Nervo Auriculotemporal


Localização - Encontra-se na face interna do trago, entre os pon­
tos laringe-faringe e nariz interno, mas ligeiramente mais adentrado
no conduto auditivo externo, formando um triângulo com os pontos
anteriores.
Função - Ponto utilizado para o tratamento das neuralgias do tri­
gêmeo, principalmente no trajeto de seu ramo inferior, também é em­
pregado no tratamento das afecções do pavilhão auricular, cefaléias,
enxaquecas, vertigens e nas enfermidades causadas por transtornos
dos nervos craniais.
Diagnóstico - Este ponto não tem referência no diagnóstico.

Ponto Fome
Localização - Encontra-se na metade da distância da linha que
conecta o ponto nariz externo ao ponto supra-renal.
Função - Ponto empregado para regular o apetite, por isto, é utili­
zado no tratamento da obesidade, do hipertiroidismo, polifagia de ca­
ráter neurológico.
Diagnóstico - Não tem uso diagnóstico.

Ponto Sede
Localização - Encontra-se na metade da distância da linha que
une os pontos nariz externo e ápice do trago.
Função - Ponto que regula o mecanismo da sede, por isto é utiliza­
do no tratamento do diabetes melito, na enurese e na polidipsia de
caráter neurológico.
Diagnostico - Não tem uso diagnóstico.

ÍNCISURA d o S upratrago
(ver Fig. 4.6)

Ponto Ouvido Externo


Localização - O ponto encontra-se sobre a área que forma a de­
pressão entre a fossa do supratrago e o hélix.
Função - Ponto empregado no tratamento das afecções do ouvido,
tais como a surdez, tinido, hipoacusia, assim como as afecções do
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 81

FIGURA 4.7 - Pontos de distribuição do anti-hélix. 1 = região cervical; 2 = região


dorsal; 3 = região lombar; 4 = região sacra; 5 = ponto lócix; 6 = ponto pescoço; 7 =
ponto tórax; 8 = ponto abdômen; 9 = ponto ombro e espalda; 10 = região intercostal;
11= músculos lombares; 12 = ponto da articulação sacroilíaca; 13 = glândulas ma­
márias; 14 = hipocôndrio; 15 = tiróide; 16 = ponto calor.

conduto auditivo externo que incluem as lesões dermatológicas e neu-


ralgias do pavilhão auricular. Este ponto tem quatro funções funda­
mentais:
• Acalmar a dor.
• Acalmar a vertigem e as tonturas.
• Drenar as fossas nasais.
• Garantir a função auditiva.
O exposto anteriormente nos permite seu emprego no tratamento
das afecções seguintes: cefaléias do tipo enxaqueca, neuralgias do
trigêmeo, síndrome de Menière, afecções vertiginosas, dor suboccipi-
tal, rinites e sinusites.
Diagnóstico - Não tem referência no diagnóstico.

A n t i - h é l ix

Esta parte do pavilhão auricular está relacionada com o tronco e


as regiões cervicais, dorsais e lombares (Fig. 4.7).

Região Cervical
Localização - Esta zona abrange o primeiro quinto da parte infe-
rior do anti-hélix.
82 Auriculoterapia

Função - Ponto empregado no tratamento das afecções da região


cervical de qualquer etiologia, que inclui as inflamações fibróticas da
musculatura da região cervical, torcicolo, etc.
Diagnóstico - Sua exploração evidencia-nos os transtornos da re­
gião cervical, hiperplasia óssea cervical (ver Capítulo Diagnóstico).

Região Dorsal
Localização - Esta região abrange o segundo quinto e o terceiro
quinto do anti-hélix, de baixo para cima consecutivamente.
Função - Similar ao ponto anterior utiliza-se no tratamento das
afecções da região dorsal, hiperplasia óssea, algias dorsais de etiolo­
gia traumática ou por subluxações, etc.
Diagnóstico - Ponto cuja exploração revela a existência de mudan­
ças patológicas que ocorrem a este nível, por exemplo, quando ao tato
se percebe a presença de um cordãozinho isto nos indica a hiperpla­
sia desta região, se a anormalidade anterior se acompanha de uma
reação positiva no ponto da tuberculose (Tb), isto nos fala da Tb ex-
trapulmonar, neste caso, na estrutura óssea dorsal.

Região Lombar
Localização - Encontra-se sobre o anti-hélix entre a região sacra e
dorsal.
Função- Ponto utilizado no tratamento das afecções da coluna lom­
bar, hiperplasia óssea lombar e as lombalgias de qualquer etiologia.
Diagnóstico - Quando o ponto revela a presença de um cordãozi­
nho, este fato nos indica hiperplasia óssea. Se nele se encontra uma
proeminência edematosa de cor branca, onde persiste a marca à
pressão táctil, quer dizer que estamos diante de uma lombalgia por
uma síndrome de deficiência do rim. Quando a área mostra uma
depressão em forma de pontos com reação positiva à exploração
elétrica, todas estas são manifestações de uma lombalgia com lesão
dos tecidos moles.

Região Sacra
Localização - Encontra-se na parte superior do anti-hélix justo
antes de que se separem a cruz superior e inferior do anti-hélix.
Função- Ponto empregado no tratamento das afecções que se apre­
sentam a este nível, sacrolombalgias, espermatorréia, etc.
Diagnóstico - Nas sacrolombalgias este ponto mostra à exploração
táctil a presença de um cordãozinho. Quando se obtém uma reação
positiva que abrange as zonas lombar e sacra e se estende até o ponto
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 83

da articulação do quadril, este fato nos leva a expor o diagnóstico da


subluxação do quadril ou da artrite da mesma.

Ponto Cóccix
Localização - No ponto de união da cruz superior e inferior do
anti-hélix.
Função - Ponto utilizado no tratamento da coccigodinia.
Diagnóstico - Na afecção por coccigodinia, o ponto se mostra com
uma reação positiva e a presença de um cordãozinho.

Ponto Pescoço
Localização - Encontra-se a nível da região cervical, mas pelo bor­
do interno do anti-hélix.
Função - Ponto de utilidade terapêutica nas afecções desta região,
por exemplo, a inflamação da cadeia ganglionar do pescoço, hipotiroi-
dismo, etc.
Diagnóstico - Não possui referência diagnostica.

Ponto Tórax
Localização - Encontra-se a nível da região torácica mas sobre o
bordo interno do anti-hélix.
Função - Usado no tratamento das mudanças patológicas desta
zona, isto inclui a angina do peito, sensação de opressão torácica,
neuralgias intercostais, osteocondrites, herpes zoster, etc.
Diagnóstico - Se o ponto tem uma reação positiva pode-se fazer o
diagnóstico de um quadro anginoso ou de sensação de opressão torá­
cica. Num quadro de osteocondrite, a presença de um cordãozinho à
exploração táctil torna o diagnóstico correto.

Ponto Abdômen
Localização - Encontra-se sobre o bordo interno do anti-hélix ao
mesmo nível da região sacrolombar.
Função - Ponto empregado no tratamento das mudanças patológi­
cas que têm lugar a este nível, tais como ente ri te, constipação, dor
pós-parto, dismenorréia, além disso, se utiliza no tratamento da obe­
sidade, etc.
Diagnóstico - Quando encontramos reação próxima da cruz infe­
rior do anti-hélix, é representativo das afecções a nível do hipogástrio.
Pelo contrário, se a resposta reativa se localiza mais próxima do ponto
da região do hipocôndrio, isto nos leva a pensar em uma afecção loca­
lizada no epigástrio.
84 Auriculoterapia

Ponto Ombro e Espalda


Localização - Este ponto está localizado a nível da região cervical
mas sobre a parte mais próxima à fossa escafóide.
Função - Este ponto se utiliza no tratamento das cervicalgias,
cervieobraquialgias e nas dores da espalda e do ombro causadas por
fibroses da musculatura desta área.
Diagnóstico - Quando o paciente é portador de um quadro de
fibromiosite da musculatura do ombro e da espalda, no ponto se pode
observar uma proeminência em forma de cordão esbranquiçado que
se estende para o bordo externo do anti-hélix, com uma textura de
certa dureza à palpação.

Ponto da Região Intercostal


Localização - Encontra-se ao nível da região torácica, sobre a par­
te mais próxima à fossa escafóide.
Função- Este ponto é empregado no tratamento das afecções onde
se compromete esta região do corpo, tais como os traumas, herpes
zoster, neuralgias psicogênicas e intercostais e sensação de plenitude
torácica, etc.
Diagnóstico - Não tem referência diagnostica.

Ponto dos Músculos Lombares


Localização - Encontra-se sobre o anti-hélix a nível da zona lom­
bar, mas no bordo mais próximo ã fossa escafóide.
Função - Ponto utilizado para tratar as afecções da musculatura
paralombar.
Diagnóstico - Frente a um quadro de lombalgia aguda, pode-se
observar, nesta região, uma mudança da coloração da pele para um
tom vermelho, acompanhada de uma disposição tortuosa dos capila­
res. Além disso, na exploração táctil aparece dor de graus I II, com
uma reação elétrica positiva.
Num quadro de evolução prolongada onde esteja comprometida a
musculatura paralombar, podemos observar no ponto uma proemi­
nência de cor esbranquiçada que se estende para o bordo externo do
anti-hélix de forma incompleta, que oferece certa dureza ao tato ou, a
presença de um cordãozinho com uma reação positiva débil à explora­
ção elétrica.

Ponto da Articulação Sacroilíaca


Localização - Localiza-se na metade da distância de uma linha
traçada entre o ponto sacro e o da articulação do quadril.
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 85

Função - Ponto utilizado no diagnóstico e tratamento dos trans­


tornos desta articulação, subluxação sacroilíaca, artrite da articula­
ção, etc.

Ponto das Glândulas Mamárias


Localização - Este está conformado por dois pontos em representa­
ção de cada mama. O ponto que se localiza sobre o anti-hélix entre o
ponto tórax e a região das vértebras torácicas representa a mama do
lado contrário ao da orelha que se puntura; enquanto que o ponto que
se localiza entre as vértebras torácicas e o ponto da regiáo das coste­
las representa a mama do lado da orelha que se puntura.
Função - Ponto empregado no tratamento das afecções da glându­
la mamária, as quais incluem mastite, hiperplasia do conduto lactífero,
tumores do parênquima, displasias, etc.
Diagnóstico - Não tem referência no diagnóstico.

Ponto da Região do Hipocôndrio


Localização - Este ponto localiza-se sobre o bordo interno do anti-
hélix entre o ponto tórax e o abdômem.
Função - Ponto utilizado no tratamento das moléstias no hipocôn­
drio, através do mesmo se pode ter um prognóstico do tamanho hepá-
tico (hepatomegalia).

Ponto Tiróide
Localização -Encontra-se entre a área do pescoço e o ponto tronco
cerebral.
Função - Ponto utilizado para o diagnóstico e tratamento das pa­
tologias de tiróide, tais como hipotiroidismo, hipertiroidismo e nódu-
los da tiróide.

Ponto Calor
Localização - Encontra-se na metade de distância da linha que se
lança entre o ponto cóccix e o ponto abdômem.
Função - Ponto que favorece e incrementa a circulação sangüínea
a nível distai, eleva a temperatura da pele pelas propriedades funcio­
nais deste ponto, utiliza-se no tratamento da tromboangiíte obliteran-
te e na enfermidade de Raynaud.

C ruz I n f e r io r do A n t i - h é l ix

Na cruz inferior do anti-hélix fica representada a região glútea e


em específico três pontos auriculares (Fig. 4.8).
86 Auriculoterapia

FIGURA 4.8 - a = região glútea; b = nervo ciático; c = nervo simpático; 1 = artelhos;


2 = calcãneo; 3 = tornozelo; 4 = articulação do quadril; 5 = ponto da articulação do
joelho; 6 = ponto joelho; 7 = prega poplítea; 8 = músculos gastrocnêmios.

Ponto da Região Glútea


Localização - Encontra-se sobre o primeiro terço da cruz inferior
do anti-hélix.
Função - Empregado no tratamento das algias da região glútea, do
sacro e das ciatalgias.

Ponto do Nervo Ciático


Localização - Encontra-se sobre o terço central da cruz inferior do
anti-hélix.
F unção- Este ponto tem a função de comunicar os canais e desobs­
truir os colaterais, o que favorece sua função sedante e analgésica. É
um ponto específico no tratamento da ciatalgia. Quando se realiza
este tratamento, deve-se colocar o ponto pela parte anterior e poste­
rior do pavilhão auricular, ficando ambos em oposição direta. Através
do tratamento, ordena-se ao paciente que caminhe, observando, em
seguida, um resultado notável.

Ponto do Nervo Simpático


Localização - Encontra-se sobre o terço interno da cruz inferior do
anti-hélix onde esta se insere no lado interno do hélix.
Função
• Regula a função do sistema neurovegetativo, motivo pelo qual,
se usa para tratar todos os transtornos do mesmo.
• Relaxa os espasmos da musculatura lisa, por isso, pode acalmar
os dores dos órgãos internos, é um ponto importante para tratar
dores produzidas por espasmos gastrointestinais, cálculos re­
nais e das vias urinárias, colecistolitíases, gastrites, úlceras gás-
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 87

tricas e duodenais, asma, etc. Este ponto não deve ser usado na
distensão abdominal.
• Função vasodilatadora, razão pela qual, se usa para tratar a
tromboangiíte obliterante, hipertensão, etc.
• Regula as secreções internas, por isso, se usa para tratar a hipe-
ridrose, a enurese infantil, a dermatite seborréica, a alopecia, e
por ser um ponto importante para deter a acidez trata a hipera-
cidez gástrica.
Diagnóstico - Este ponto não tem referência diagnostica.

C ruz S u p e r io r d o a n t i - h é l ix

Nesta parte do pavilhão auricular localizam-se todos os pontos


representativos dos membros inferiores (ver Fig. 4.8).

Ponto Artelhos
Localização - Encontra-se sobre o bordo externo da cruz superior
do anti-hélix, na parte onde se insere no bordo interno do hélix.
Função - Utilizado no tratamento das entorses da articulação dos
a rte lh o s , tra u m a s, d e b ilid a d e v a s c u la r das e x tre m id a d e s ,
intumescimento, aversão ao frio e nas micoses.
Diagnóstico - Não tem referência diagnostica.

Ponto do Calcâneo
Localização - Encontra-se sobre o bordo interno da cruz superior
do anti-hélix, na parte onde se insere no bordo interno do hélix.
Função - Ponto utilizado para tratar esporões do calcâneo, dor do
calcâneo devido a deficiência do rim.
Diagnóstico - Diante de um quadro doloroso do calcâneo, encon­
tramos no ponto uma reação positiva à exploração elétrica, se o ponto
possui, além disso, um cordãozinho, então, podemos afirmar que o
paciente é portador de um esporão do calcâneo.

Ponto da Articulação do Tornozelo


Localização - Encontra-se lançando uma linha entre o ponto
calcâneo e articulação da joelho, na metade da distância desta linha.
F u n çã o- Ponto utilizado no tratamento dos mudanças patológicas
desta articulação, que compreende entorse do tornozelo, inflamação
da articulação, etc.
Diagnóstico - Frente a uma entorse do tornozelo observa-se neste
ponto a presença de um cordãozinho.
88 Auriculoterapia

Ponto da Articulação do Quadril


Localização - Encontra-se no ponto central do área onde começa a
cruz superior do anti-hélix.
Função - Emprega-se no tratamento das afecções da articulação
do quadril, dores lombares e do quadril, assim como nas ciatalgias.
Diagnóstico - Não tem referência no diagnóstico.

Ponto da Articulação do Joelho


Localização - Encontra-se exatamente no centro da cruz superior
do anti-hélix.
Função -T ra ta as afecções desta articulação, por exemplo, artrites
da articulação de diversas etiologias, entorses, traumas e dores em
geral.
Diagnóstico - Quando se produz uma dor aguda na articulação do
joelho, no ponto se observa uma coloração vermelha e aparecem capi­
lares tortuosos que podem chegar a se distribuir em forma de leque,
sobre a área.
Nas afecções crônicas, o ponto revela à exploração a presença de
um cordão, como sinal principal.

Ponto Joelho
Localização - Encontra-se no lado mais próximo à fossa escafóide,
no nível do ponto onde começa a cruz superior do anti-hélix.
Função - Ponto empregado no tratamento das afecções do joelho.
Diagnóstico - Durante o diagnóstico de enfermidades como a dor
articular, lesão dos tecidos moles, entorse e inflamação do joelho, este
ponto mostra uma reação positiva.

Ponto da Prega Poplitea


Localização - Se traçamos uma linha entre o ponto articulação do
quadril e o ponto Shen Men, o ponto prega poplitea encontra-se na
metade desta linha.
Função - Ponto utilizado no tratamento das dores reflexas da pre­
ga poplitea, causada no curso da ciatalgia.
Diagnóstico - Frente a um quadro de ciatalgia encontramos uma
reação positiva nos pontos prega poplitea, músculo gastrocnêmio, ar­
ticulação do quadril e, em algumas ocasiões, os pontos calcâneo e
artelhos também mostram uma reação positiva.

Ponto dos Músculos Gastrocnêmios


Localização - Encontra-se na metade da distância entre os pontos
artelhos e joelho.
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 89

Função - Ponto empregado no tratamento das afecções do múscu­


lo gastrocnêmio, desde os espasmos do músculo gastrocnêmio, as
fibroses e inflamação do mesmo e as dores reflexas deste músculo,
causados no curso da ciatalgia.
Diagnóstico - Não tem referência para o diagnóstico.

Ponto do Músculo Quadríceps


Localização - Encontra-se na metade de distância entre o ponto
articulação do joelho e articulação do quadril.
Função - Ponto empregado no diagnóstico e tratamento das alte­
rações patológicas dos músculos da coxa.

F ossa E s c a f ó id e

Na fossa escafóide localizam-se os pontos correspondentes aos


membros superiores (Fig. 4.9).

Ponto Falanges
Localização - Localiza-se no extremo superior da fossa escafóide.
Função - Empregado no tratamento de todas as afecções das fa­
langes, que incluem entorses, luxações, síndrome de Raynaud, hipe-

FIGURA 4.9 - 1 = falanges; 2 = clavícula; 3 = articulação do punho; 4 = cotovelo; 5 =


ombro; 6 = articulação do ombro: 7 = alergia.
90 Auriculoterapia

ridrose, dermatite, parestesias dos dedos devido a transtornos radi-


culares da cervical.

Ponto Clavícula
Localização - Encontra-se sobre o centro da fossa escafóide, ao
mesmo nível da fossa do intertrago e do ponto coração.
Função - Ponto empregado no tratamento da periartrite do ombro,
dores da região cervicobraquial e da espalda, etc.
Diagnóstico - Ponto importante para o diagnóstico da periartrite
do ombro, quando existe impotência funcional devida a uma periartrite
desta parte do corpo, os pontos clavícula e articulação do ombro têm
uma reação positiva que se expressa fortemente.

Ponto da Articulação do Punho


Localização - Este ponto é localizado ao dividir a fossa escafóide,
desde o ponto falanges até o ponto clavícula, em cinco partes iguais,
na união da primeira parte com a segunda, de cima para baixo, ao
centro da fossa.
Função - Empregado no tratamento de todas as afecções do pu­
nho, tais como tenossinovite, síndrome do túnel carpiano, etc.

Ponto Cotovelo
Localização - O ponto localiza-se na terceira das cinco partes em
que se dividiu a fossa escafóide, contando-se de cima para baixo, ao
nível do centro da fossa.
Função - Ponto que intervém no tratamento das afecções do cotove­
lo, entorses do cotovelo, epicondilite, traumas, artrite reumatóide, etc.

Ponto Ombro
Localização - Localiza-se sobre a quarta divisão das realizadas na
fossa escafóide, ao centro da mesma.
Função - Este ponto é usado no tratamento da periartrite do ombro,
o entorse desta área, entre outras afecções desta articulação, além dis­
so, é fundamental no diagnóstico e tratamento das afecções desta re­
gião, sobretudo nos movimentos de abdução e supinação do ombro.

Ponto da Articulação do Ombro


Localização - Encontra-se entre o ponto ombro e o ponto clavícula.
Função - Utilizado no tratamento da periartrite do ombro e en­
torse desta região. Os pontos clavícula, ombro e articulação do om­
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 91

bro são denominados os três pontos do ombro e têm uso específico na


periartrite e bursite desta articulação.
Diagnóstico- Este ponto é fundamental no diagnóstico das afecções
do ombro.

Ponto Alergia
(também chamado ponto da urticária ou manancial de vento)
Localização - Localiza-se na metade da distância entre os pontos
falange e articulação do punho.
Função - Ponto utilizado no diagnóstico e tratamento das enfermi­
dades alérgicas, tais como asma bronquial, dermatite atópica, rinite
atópica, púrpuras atópicas, espru tropical, urticária atópicas. Nos casos
de afecções de começo agudo como a urticária, na área de alergia do
pavilhão auricular, observa-se a presença de telangiectasias de as­
pecto rosado pálido. Nas afecções de curso crônico ou nas atopias por
medicamentos ou por intolerância alimentar, a área do ponto mostra
uma diminuição na resistência elétrica, acompanhada de uma de­
pressão com edemas de coloração esbranquiçada que deixa marca
fácil à exploração táctil com o instrumento.

F ossa T r ia n g u l a r

Na fossa triangular encontramos os pontos auriculares que repre­


sentam os órgãos genitais internos e outros pontos de caráter funcio­
nal (Fig. 4.10).

Ponto Hipotensor
Localização - Encontra-se sobre o bordo interno superior da fossa
triangular, próximo ao bordo interno do hélix.

FIGURA 4.10 - 1 = ponto hipotensor; 2 = ponto pelve; 3 = shen men; 4 = hepatite;


5 = genitais internos; 6 = anexos do útero; 7 = colo do útero: 8 = articulação coxofe-
moral; 9 = constipação.
92 Auriculoterapia

Função - Ponto específico no diagnóstico e tratamento da hiper­


tensão e nos oferece informação sobre o estado da tensão arterial do
paciente. Este ponto combinado com o ponto hipertensor são explora­
dos no paciente, para ter uma valorização do estado de tensão arte­
rial, que se realiza de forma comparativa, segundo seja o predomínio
de reação positiva frente ao explorador elétrico, este nos concede a
prevalência de um estado de tensão sobre o oposto.

Ponto Pelve
Localização - Encontra-se no ponto onde se cruzam a cruz supe­
rior e inferior do anti-hélix por seu bordo interno.
Função- Ponto utilizado no tratamento da inflamação pélvica, pros-
tatite, dismenorréia e nas dores do baixo ventre.
Diagnóstico - Nas mulheres casadas, o ponto pelve mostra uma
coloração rosada e caso se acompanhe de uma reação positiva à ex­
ploração elétrica, nos sugere a presença de um quadro de inflamação
pélvica. Nos casos das mulheres solteiras, se o ponto revela uma rea­
ção positiva à exploração elétrica, nos indica que a paciente é porta­
dora de quadros dismenorréicos.
Nos homens, quando o ponto tem uma reação positiva ao diagnós­
tico elétrico, nos indica que o paciente é portador de algumas das
seguintes afecções, prostatite ou dores no hipogástrio.

Ponto Shen Men


Localização - Encontra-se traçando uma linha entre o ponto
hipotensor e o ponto pelve no primeiro terço da mesma.
Função
• Analgésica - É usado para tratar cada tipo de enfermidade dolo­
rosa, é um ponto importante para acalmar a dor.
• Sedante - É usado para acalmar a tosse, a dispnéia, o prurido,
a diarréia, a leucorréia e a vertigem, tem também função hipo-
tensora e acalma o espírito, é usado, em geral, para tratar en­
fermidades do sistema nervoso, cardiovascular, respiratório e
digestivo.
• Antiinflamatória - É usado para tratar cada tipo de padecimento
inílamatório.
Diagnóstico - Quando o ponto Shen Men mostra uma reação
positiva é indicativo de paciente com enfermidade dolorosa ou neu­
rastenia.
Também o ponto é usado para estabelecer a resistência elétrica
basal no pavilhão da orelha.
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 93

Ponto Hepatite
Localização - Encontra-se na mesma linha que une ao ponto
hipotensor e o ponto pelve mas no terço superior da mesma.
Função- Ponto de singular importância no tratamento das afecções
hepáticas e da vesícula biliar.
Diagnóstico - Ponto utilizado para determinar os mudanças fun­
cionais que se produzem no fígado (ver Capítulo Diagnóstico).

Ponto Genitais Internos


(também chamado ponto útero)
Localização - Encontra-se na depressão interna e central da fossa
triangular.
Função - Ponto utilizado no tratamento das menstruações irregu­
lares, das dismenorréias, da amenorréia, das leucorréias, da hem or­
ragia disfuncional uterina, das endometrioses. das endometrites, da
hiperplasia do endométrio e das disfunções sexuais.
Diagnóstico- Ponto utilizado no diagnóstico de numerosas afecções,
entre as quais podemos encontrar a hemorragia uterina disfuncional,
as menstruações irregulares, etc. Se observamos a presença de um
cordão que se estende até a porção inferior da fossa triangular, com
uma certa dureza ao tato, nos permite confirmar mudanças patológi­
cas a nível do útero, tais como a endometrite, a hiperplasia do endo­
métrio, etc. Quando aparece telangiectasias que se estendem para o
resto da fossa triangular, podemos afirmar que a mulher se encontra
em seu ciclo menstruai, pelo contrário, se a telangiectasia se apresen­
ta com uma cor cinzento-violácea, nos indica, então, que a mulher
terminou seu ciclo menstruai.
Nos homens, quando este ponto, mais rim, endócrino, coração e
subcórtex têm uma reação positiva, nos indica que o paciente é porta­
dor de um quadro de disfunção sexual, se o ponto tem uma reação
positiva, associado aos pontos pelve e próstata, este fato nos indica
que o paciente padece de prostatite.

Ponto Anexos do Útero


Localização - Localiza-se traçando uma linha entre os pontos ge­
nitais internos e pelve, no terço posterior da mesma.
Função - Ponto u tilizad o no tratam ento das anexites, das
leucorréias, das dismenorréias, etc.
Diagnóstico - Ponto de particular importância no diagnóstico das
anexites, nas mulheres casadas, o ponto pode mostrar a presença de
um cordãozinho ou uma proeminência em forma de gomo, quando
94 Auriculoterapia

esta se acompanha de uma reação positiva ao diagnóstico elétrico,


nos indica que a paciente é portadora de um quadro de anexite, com
a particularidade de que se a reação positiva se apresenta ou não,
simultaneamente, em ambos os pontos, nos indicará o caráter unila­
teral ou bilateral da afecção.
Nas mulheres solteiras, quando o ponto se mostra com uma rea­
ção positiva nos indicará transtornos dismenorréicos.
Nos homens, quando o ponto tem uma reação positiva nos indica­
rá que o paciente sofre de um quadro de prostatite ou de dores no
baixo ventre.

Ponto Colo do Útero


Localização - Encontra-se na linha que une os pontos genitais in­
ternos e pelve, no terço anterior da mesma.
Função - Ponto empregado no tratamento das afecções próprias
desta região, incluem cervicite, ectopias do colo, leucorréias, etc.
Diagnóstico - Quando o ponto colo do útero e a área adjacente têm
diante da inspeção uma depressão de cor rosada associada a uma
descamação da pele zonal, de caráter sebáceo, e na exploração táctil é
possível que a pele se lacere ao extremo de sangrar, nos faz pensar no
diagnóstico de cervicite.
Se o ponto tem uma depressão de cor rosada, acompanhada de
descamação da área, associada a uma reação positiva à exploração
elétrica, nos indica a presença de leucorréia nas mulheres solteiras.
Nos homens, se aparece uma reação positiva, então, podemos ex­
por o diagnóstico de prostatite.

Ponto da Articulação Coxofemoral


Localização - Encontra-se formando um triângulo entre o ponto
da região glútea e o ponto do nervo ciático mas sobre o bordo inferior
da fossa triangular.
Função - Ponto empregado no tratamento das algias da região do
hipogástrio, da inflamação da cadeia ganglionar da região inguinal,
da varicocele e da funiculite, etc.
Diagnóstico - Não tem referência no diagnóstico.

Ponto Constipação
Localização - Encontra-se formando um triângulo com os pontos
nervo ciático e simpático mas, sobre o bordo inferior da fossa triangular.
Fun çã o- Ponto específico para o diagnóstico e tratamento da cons­
tipação, se na exploração táctil deste ponto se encontra a presença de
Definição, Fnnção e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 95

um cordãozinho, este fato nos confirma o diagnóstico de um quadro


de constipação.

R a iz d o h é l ix

Na região da raiz do hélix fica representado o diafragma (Fig. 4.11).

Ponto Ouvido Central


(Também chamado ponto zero)
Localização - Este ponto localiza-se sobre o nascimento da raiz do
hélix.
É um ponto que se conecta diretamente ao ramo do nervo vago.
Função - Este ponto tem várias denominações tais como, ponto do
nervo vago, ponto ramo e ponto zero; sua função resume-se em regu­
lar a atividade funcional dos órgãos internos, por isto, é utilizado no
tratamento das afecções do aparelho digestivo e cardiovascular, com
uma significativa ação na enurese noturna.
Diagnóstico - Não tem referência diagnostica.

Ponto Diafragma
Localização - Este ponto encontra-se sobre a raiz do hélix, ao nível
do conduto auricular.

F IG U R A 4.11 - 1 = ponto ouvido central; 2 = ponto diafragma.


96 Auriculoterapia

F u n ça o- Ponto que intervém na função da homeostase sangüínea,


refresca o sangue, libera os espasmos, as propriedades anteriores nos
permite seu uso no tratamento dos espasmos do diafragma, enfermi­
dades hemorrágicas que incluem a hemorragia disfuncional uterina,
melenas, etc. Além disto, se emprega no tratamento das afecções der­
matológicas, tais como psoríase, eczemas, acne, etc.
Diagnóstico - Não tem referência no diagnóstico.

P onto s que C ir c u n d a m a R a iz do H é l ix

Todos os pontos que se encontram circundando a raiz do hélix


representam o sistema digestivo desde a boca até o intestino grosso.
(Fig 4.12).

Ponto Boca
Localização - Na parte póstero-superior do conduto auditivo ex­
terno, no primeiro terço que une o conduto auditivo com a região
onde começa a raiz do hélix.
Função
• Trata as afecções da cavidade bucal e laringe, faringe, tais como
úlceras bucais, glossite, gengivite, gengivorragia e transtornos
da articulação temporomandibular, laringofaringite.
• Tem a função de acalmar a tosse, além de ser utilizado no trata­
mento da traqueíte aguda e crônica.

FIGURA 4.12 - 1 = boca; 2 = esôfago; 3 = cárdia; 4 = estôm ago; 5 = duodeno;


6 = intestino delgado; 7 = intestino grosso; 8 = apêndice.
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 97

• Sedante, por isto se emprega no tratamento da insônia, é deno­


minado em alguns textos como ponto de hipnose.
• Fora da China, este ponto é também chamado de ponto que res­
tabelece o cansaço, além disso, se emprega no tratamento da
dor da região lombar, das pernas e nos estados de cansaço ex­
cessivo onde há perda da força muscular.
Diagnóstico - Quando na área do ponto boca aparecem depressões
em forma de pontos, isto nos revela que no paciente foram realizadas
extrações dentárias.
Quando a área do ponto boca mostra um edema de grande magni­
tude, que na palpação se transforma em uma depressão, nos indica
que o paciente foi portador ou sofre de gengivorragia.

Ponto Esôfago
Localização - Imediatamente por baixo da raiz do hélix ao nível do
ponto ouvido central.
Função - T e m como função garantir o livre deslocamento dos mo­
vimentos diafragmáticos, descongestiona a cavidade torácica, harmo­
niza o correto funcionamento do esôfago no processo digestivo, pelas
funções mencionadas anteriormente, utiliza-se no tratamento da eso-
fagite, da opressão torácica, da disfagia, etc.
Diagnóstico - Se o ponto do esôfago mostra uma resistência elétri­
ca baixa e que pode ser interpretada como uma reação positiva, em
nenhum caso se deve assumir como uma anormalidade na sensibili­
dade do ponto, já que isto é um fenômeno que ocorre com freqüência
neste ponto, sem dúvida caso se apresente uma reação positiva forte,
acompanhada de dor moderada ou intensa ao tato, sem reações posi­
tivas nas áreas de tumoração 1 e 2 podemos dirigir nossa atenção no
diagnóstico de uma esofagite mas, se estas reações do ponto de esôfa­
go estão acompanhadas de uma reação positiva forte na zona corres­
pondente à área de tumoração 1, então, estamos diante de um diagnós­
tico positivo de câncer de esôfago.

Ponto Cárdia
Localização - Este ponto encontra-se por baixo da raiz do hélix,
entre o ponto estômago e o esôfago.
Função - Utilizado nas afecções da cárdia tais como, perda do tô-
nus constritor, que se manifesta através de episódios eméticos de re-
fluxo gastroesofágico, sensação de plenitude torácica, náuseas, etc.
Diagnóstico - O ponto cárdia mostra sempre uma reação positiva
nos pacientes com manifestações de náuseas ou vômitos de caráter
recorrente, se a reação positiva se associa a dor produzida à explora­
98 Auriculoterapia

ção táctil, nos revela a perda total do controle esfincteriano da cárdia.


Se o ponto cárdia e a área de tumoração 1 mostram uma reação posi­
tiva forte nos sugerem a presença de um processo tumoral nesta área.

Ponto Estômago
Localização- Encontra-se no ponto onde desaparece a raiz do hélix.
Função - Ponto útil no tratamento das afecções, tais como gastri­
te, úlceras gástricas, espasmos estomacais e transtornos gastrointes­
tinais.
É a base da energia do céu posterior (adquirida), também definido
como o mar dos líquidos e os cereais. O baço é o órgão acoplado ao
estômago, por esta razão através deste ponto, harmoniza-se a ativida­
de funcional de ambos, tonifica a energia do Jiao médio, facilita e
garante uma boa drenagem do fígado e regula a energia.
O estômago faz descer harmoniosamente a energia, o que justifica
sua utilização no tratamento de náuseas, vômitos, soluço, regurgitações
ácidas, eructações, etc.
O canal entra nos dentes, ascende através da fronte até alcançar a
linha anterior do nascimento do cabelo, este trajeto permite sua utili­
zação no tratamento das odontalgias, cefaléia frontal, afecções do sis­
tema nervoso, tais como a histeria e a depressão.
Diagnóstico - Este ponto tem um amplo uso diagnóstico, pelo que
remetemos o leitor ao capítulo correspondente.

Ponto Duodeno
Localização - Encontra-se sobre o bordo superior da raiz do hélix,
ao nível do ponto cárdia.
Função - Ponto específico no tratamento da duodenite e das úlce­
ras duodenais.
Diagnóstico - Por meio da exploração deste ponto, se obtêm ele­
mentos diagnósticos das úlceras, da duodenite, etc.

Ponto Intestino Delgado


Localização - Encontra-se no bordo superior da raiz do hélix, ao
mesmo nível do ponto esôfago.
Função - O intestino delgado intervém no processo da absorção,
transformação dos alimentos e nutrientes, provenientes do estômago,
nele se realiza a depuração dos líquidos claros dos túrbidos, pelo que
suas funções estão encaminhadas a controlar a absorção do processo
digestivo, dispersa o calor e elimina a umidade, além disso, mobiliza
as fezes e detém as deposições diarréicas, por isso se emprega no
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 99

tratamento das dispepsias, as diarréias, da constipação, da distensão


abdominal e dos transtornos gastrointestinais, etc.
Sua relação interior-exterior é com o coração, fato que permite
seu emprego no tratamento das afecções deste órgão, segundo se ex­
põe pela MTC, se o calor agride o coração este, também, pode se ins­
talar no intestino delgado, fato que perturba sua função no controle
dos fluidos mais densos, por esta razão, este ponto pode ser utilizado
no tratamento da hipogalactia, das afecções da faringe e da laringe,
das úlceras bucais, da hematúria, etc.
Diagnóstico - Quando este ponto mostra uma reação positiva, é
sugestivo de um transtorno na função da absorção do intestino, se
além disso, se observa uma proeminência edematosa ao tato, nos con­
firma, então, um diagnóstico concernente a transtornos intestinais.

Ponto Intestino Grosso


Localização - Encontra-se no bordo superior da raiz do hélix, ao
mesmo nível do ponto boca.
F u n çã o -O intestino grosso tem a função de evacuar os excremen­
tos, constitui o vínculo final na absorção e digestão dos alimentos,
nutrientes e líquidos, entre outras funções realiza a dispersão do ca­
lor de todos os Fu, mobiliza as fezes e detém as deposições diarréicas,
por fim se emprega nas afecções, tais como enterite, transtornos in­
testinais, constipação, distensão abdominal, etc.
Sua relação interior-exterior realiza com o pulmão, o que permite
sua utilização no tratamento das dermatites, enfermidades relaciona­
das com a nariz e a garganta, laringotraqueobronquite, etc.
Diagnóstico - Ver Capítulo Diagnóstico.

Ponto Apêndice
Localização - Encontra-se sobre o bordo superior da raiz do hélix,
entre os pontos intestino grosso e intestino delgado.
Função - Ponto utilizado no tratamento da apendicite aguda, as­
sim como do plastrão apendicular.
Diagnóstico - Diante de um episódio agudo, como o é sem dúvida a
apendicite aguda, este ponto mostra uma coloração vermelha acentuada,
se faz extremadamente doloroso ao tato explorador e apresenta uma rea­
ção fortemente positiva à exploração elétrica. No transcurso evolutivo de
um plastrão apendicular o ponto mostra uma proeminência de cor es­
branquiçada, ao tato, percebe-se a presença de um cordãozinho associa­
da a uma reação positiva à exploração elétrica, este fato revela o caráter
crônico da afecção. Nos pacientes apendicectomizados, a área mostra a
presença de um cordão com uma marca que perdura ao tato.
100 Auriculoterapia

C oncha C im b a

Nesta concha ficam distribuídos os pontos representativos da ca­


vidade abdominal (Fig. 4.13).

Ponto Rim
Localização - Este ponto localiza-se na pequena cavidade que se
forma por baixo da cruz inferior do anti-hélix, ao mesmo nível do pon­
to pelve.
Função - Ponto importante para a manutenção e conservação do
estado de saúde, já que este órgão Zang representa a base da energia
do céu anterior ou ancestral, armazena a essência vital, controla o
fogo do Ming Men (porta da vida), por todos estes fatos comentados
anteriormente, é considerado como a base e sustentáculo da ativida­
de vital do homem. Sua utilização nos permite tonificar a energia Yang,
nutrir a essência, fortalecer a região lombar e a medula espinhal, for­
talecer a função cerebral, drenar e conservar o metabolismo dos líqui­
dos corporais, conservar, fortalecer e clarear a audição e a visão. Por
todas estas propriedades funcionais, seu emprego fica dirigido aos
estados de astenia e debilidade geral no curso das enfermidades crô-

FIGURA 4.13 - Pontos da cavidade abdominal. 1 = rim; 2 = próstata; 3 = bexiga;


4 = fígado; 5 = vesícula biliar e pâncreas; 6 = centro da concha cimba.
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 101

nicas, o que nos permite tratar afecções como a nefrite, glomerulone-


frite, debilidade e dor da região lombar e dos joelhos, dor do calcãneo,
dispepsias, diarréias, impotência, espermatorréia e irregularidades
menstruais, etc.
Controla os ossos, gera a medula, sendo o cérebro o mar da
medula. Estas funções fisiológicas nos permitem o emprego deste
p on to no tr a ta m e n to das a fe c ç õ e s do s is te m a n ervo s o e
osteoarticulares, isto inclui afecções como a neurastenia, transtor­
nos neurovegetativos, artralgias (cervicalgias, lombalgias), além disso,
utiliza-se nos transtornos intelectuais (coeficiente de inteligência
baixo, perda da memória).
O ouvido é a abertura do rim. por isto é utilizado no tratamento do
tinido e na hipoacusia.
O Tratado das Cinco Teorias expõe: “A íris relaciona-se com o rim
por isto, seu emprego nas enfermidades oftalmológicas fica justificado.
O rim expressa-se no cabelo, a qualidade do cabelo é um índice do
estado funcional do rim, seu uso oferece uma melhor textura e força
ao cabelo, por isto, se utiliza no tratamento da alopecia areata e a
seborréica.
Controla o metabolismo dos líquidos, comunica e regula as vias
dos líquidos corporais, esta propriedade funcional do ponto nos é útil
no tratamento da anúria e do edema.
Diagnóstico - Este ponto, normalmente, pode estar reativo em mui­
tas enfermidades, na exploração elétrica nos mostra uma reação, em
geral, positiva ou discretamente débil, o qual nos impede de realizar
uma análise definitiva, quando a reação se torna intensamente posi­
tiva, esta nos faz pensar que a modificação patológica tem sua base
no rim (ver o diagnóstico de cada enfermidade em particular do rim
no capítulo correspondente).

Ponto Próstata
Localização - Este ponto localiza-se no ângulo superior da concha
cimba, por baixo da cruz inferior do anti-hélix no lado mais próximo
ao bordo interno do hélix.
Função - Ponto utilizado no tratamento das afecções da próstata,
tais como prostatite e hiperplasia prostática, sepse do sistema uroge-
nital e transtornos da função sexual.
Diagnóstico - Nas mulheres, se este ponto mostra uma reação po­
sitiva à exploração elétrica, e que também é encontrada no ponto da
uretra, nos sugere o diagnóstico positivo de sepse das vias urinárias,
no caso dos homens, quando estes pontos se mostram de forma idên­
tica nos certificam o diagnóstico de prostatite.
102 Auriculoterapia

Ponto Bexiga
Localização - O ponto localiza-se traçando uma linha desde o pon­
to próstata até o ponto rim, no primeiro terço da mesma, ao nível do
ponto constipação.
Função - A bexiga é a víscera acoplada ao rim, entre suas funções
fisiológicas está a transformação do Q l isto é, separando o Qi túrbido
do claro, este princípio fisiológico nos permite a utilização do ponto
para regular a atividade funcional da bexiga, assim como eliminar a
umidade e o calor patogênico da mesma, por sua relação com o rim sua
utilização tonifica o Qi deste, as propriedades funcionais anteriores nos
permitem a utilização deste ponto no tratamento das seguintes enfer­
midades: polaciúria, disúria, retenção urinária, glomerulonefrite, etc.
Armazena a urina, por isto, é empregado no tratamento da enurese.
incontinência urinária, etc.
O canal da bexiga começa em Jing Ming e em sua ascensão pela
fronte alcança o vértex, lugar onde emite um colateral ao interior do
cérebro e se relaciona, por sua vez, com outros canais, em seu trajeto
descende através da região interescapular, em ambos os lados da li­
nha média até a região sacrolombar, para descer pelos glúteos e al­
cançar a prega poplitea, a partir daí, segue seu trajeto até alcançar o
ponto Zhi Yin. Este canal possui uma ampla relação com muitas re­
giões de nosso corpo, dada extensão de seu trajeto, por esta razão, é
empregado no tratamento da cefaléia occipital, das lombalgias, das
ciatalgias, da neurastenia e da insônia, etc.
Diagnóstico - Quando o ponto mostra uma dor intensa à pressão,
associada a uma reação positiva no ponto uretra, nos permite decla­
rar infecções de caráter agudo do aparelho urogenital, se o ponto tem
uma reação positiva e o ponto uretra, além da reação positiva mostra
ao tato a presença de um cordão, podemos dizer que o paciente é
portador de uma afecção de curso prolongado do aparelho urogenital,
acompanhada de um quadro de inflamação crônica.

Ponto Fígado
Localização - Este ponto se localiza no bordo póstero-inferior da
concha cimba.
Função - Ponto que favorece a atividade funcional do fígado e a
drenagem da vesícula biliar, fortalecendo a função do baço e do estô­
mago. Controla a região intercostal, a drenagem e dispersão do fígado
e regula a energia, além disso, desobstrui os canais e acalma a dor.
Por todo o exposto anteriormente, este ponto é utilizado no tratamen­
to das afecções seguintes, na hepatite crônica, nas seqüelas da hepa­
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 103

tites, nas afecções das vias biliares, na gastrite crônica e na distensão


abdominal.
Controla a drenagem e a dispersão - O canal do fígado percorre o
aparelho genital, alcança o hipogãstrio e se estende até a região das
axilas, seu canal distinto ascende até o vértex, por este trajeto se
emprega no tratamento das afecções ginecoobstétricas, do aparelho
urogenital, na neurose e nas cefaléias do vértex.
Armazena o sangue - Ponto importante no tratamento das discra-
sias sangüíneas, vasculares e na hipertensão.
Controla ligamentos e tendões, além disso é o órgão responsável
dos transtornos por vento interno. Razão pela qual, sua função inclui
o tratamento das afecções por vento interno, elimina fleumas, drena
os ligamentos e tendões acalmando a dor, trata também a vertigem,
as epilepsias, os intumescimentos dos membros, os espasmos de mãos
e pés, assim como a paralisia facial.
Os olhos são a abertura do fígado e este é nutrido pelo rim, por isto
este é importante no tratamento das enfermidades dos olhos, ativa a
circulação do sangue e tonifica a energia.
Diagnóstico - Quando ocorrem mudanças patológicas a nível fun­
cional do fígado, este ponto se mostra reativo, esta reação pode en­
contrar-se, também na zona de hepatomegalia.

Pontos Vesícula Biliar e Pâncreas


Localização - Este ponto localiza-se entre o ponto fígado e o ponto
rim, no bordo externo da concha cimba. Este ponto representa na
orelha esquerda ao pâncrease na orelha direita à vesícula biliar.
Função
• Ponto Pâncreas
Este ponto tem utilidade diagnostica na pancreatite e no diabe­
tes melito, portanto, também é empregado no tratamento de tais
afecções.
• Vesícula Biliar
Sua função fisiológica consiste no armazenamento e excreção da
bílis, é, além disso, o Fu acoplado ao fígado. A relação Zang Fu permite
uma adequada atividade funcional entre ambos, garantindo e favore­
cendo a função do fígado, drena a bílis da vesícula, ademais, intervém
na regulação da energia, acalma a dor, por todo o exposto anteriormen­
te, é empregado no tratamento de enfermidades das vias biliares, sabor
amargo na boca, distensão e plenitude intercostal, herpes zoster, etc.
Devido ao trajeto do canal da vesícula através do ouvido, com este
ponto se podem tratar afecções como o tinido, surdez, enxaqueca,
rigidez de nuca, etc.
D iagnóstico - Ver Capítulo Diagnóstico.
104 Auriculoterapia

Ponto Centro da Concha Cimba


Localização - Este ponto está localizado no centro mesmo da con­
cha cimba e também é denominado, ponto da região periumbilical.
Função - Ponto utilizado no diagnóstico e tratamento das dores
periumbilicais, além disso, emprega-se na dismenorréia, nas dores
abdominais, na prostatite, na litíase renal, áscaris nas vias biliares.

C oncha C ava
Na concha cava se distribuem todos os pontos representativos da
cavidade torácica (Fig. 4.14).

Ponto Coração
Localização - Encontra-se na depressão situada no centro mesmo
da concha cava.
Função- Ponto com uma atividade funcional ampla, entre as quais
se encontram o fortalecimento da atividade funcional do coração, re­
gular a pressão arterial, pacificar o coração e com isto acalmar o espí­
rito, dispersar o fogo do coração, etc.
Controla o sangue e os vasos - A MTC tem como princípio funda­
mental que a energia em seu movimento impulsiona o sangue pelo

FIGURA 4.14 - Distribuição dos pontos representativos da cavidade torácica. 1 = cora­


ção; 2 = pulmão; 3 = traquéia; 4 = brônquios; 5 = baço; 6 = san jiao\ 7 = ponto da tb.
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 105

corpo todo, esta posição está fundamentada na premissa de que a


energia comanda o sangue e este é a mãe da energia. Por esta relação
funcional, o ponto coração é empregado no tratamento da obstrução e
estagnação dos vasos e canais, ativando a circulação do sangue e
eliminando a dor que se origina por causa da mesma, todo o exposto
anteriormente nos permite tratar afecções tais como: enfermidades
cerebrovasculares, enfermidade de Raynaud, vasculites, hipertensão,
cardiopatias e transtornos da condução elétrica do coração.
Armazena a atividade espiritual do homem - Trata enfermidades
do sistema nervoso, nas quais se incluem a neurastenia, transtorno
do sono, desordens do sistema neurovegetativo, neuroses, etc.
Controla a transpiração - A MTC define o suor como o fluido do
coração, por isso, emprega-se este ponto no tratamento da hiperidrose.
A língua é a abertura ou o broto do coração, o canal em seu traje­
tória passa e se distribui para ambos os lados da garganta, o qual nos
permite tratar a faringite, a glossite, a disartria e as úlceras bucais.
O coração expressa-se na face - A palidez facial é a expressão dos
estados de insuficiência de sangue e energia, assim como a cianose
facial é também a expressão da estase de sangue, portanto este ponto
é utilizado para tratar estas afecções.
Diagnóstico - Este ponto apresenta diferentes características em
dependência com a enfermidade diagnosticada:
• Neurastenia - Os pontos coração, área de neurastenia e ponto
de neurastenia, subcórtex e Shen Men, mostram uma reação
positiva ao diagnóstico.
• Na palpitação e nos transtornos do sono, pode-se encontrar na
área de coração uma depressão de forma circular e de coloração
vermelha, que pode estar associada, em algumas ocasiões, a um
edema em forma de pregas.
• Cardiopatias e arritmias - O ponto coração tem manifestações à
observação, tato e ao diagnóstico elétrico (ver Capítulo Diagnóstico).

Ponto Pulmão
Localização - Encontra-se por cima e por baixo do ponto coração,
em ambos os lados como se envolvesse o mesmo, o ramo inferior do
ponto pulmão é o que coincide com o pulmão do lado da orelha trata­
da e a ramo que se localiza por cima do ponto coração corresponde ao
pulmão do lado contrário.
Função - O pulmão controla a energia, comanda a respiração, de­
termina a descendência e a dispersão, também nele se reúnem os
cem vasos, por todo o exposto anteriormente, este ponto é utilizado
para fortalecer as funções antes mencionadas, canalizar ou comuni­
106 Auriculoterapia

car o sangue nos vasos, eliminar a dispnéia, transformar a fleuma e


acalmar a tosse, por isto, este ponto é empregado no tratamento de
todas as afecções do sistema respiratório tais como: bronquite, asma
bronquial, pneumonias, etc.
Regula a via dos líquidos, por isto, se emprega no tratamento dos
estados edematosos de qualquer etiologia.
Controla a pele e os pêlos, ademais, tem a função de eliminar o
vento patogênico instalado na superfície, por esta função em particu­
lar, é empregado no tratamento dos estados iniciais de uma agressão
por vento (resfriado, rinites, algias musculares), além disso, permite
regular uma adequada abertura e fechamento dos poros, neste senti­
do, também é utilizado no tratamento das dermatites, alopecias e trans­
tornos da sudação.
O pulmão tem como janela a garganta e como abertura o nariz.
Esta relação do pulmão com a garganta e o nariz como sua abertura
nos permite sua utilização no tratamento de afecções, tais como
faringites, rinites, sinusites, afonia, perda do sentido do gosto, etc.
O pulmão tem como órgão acoplado o intestino grosso. Esta rela­
ção interior-exterior nos permite seu emprego para dispersar o exces­
so de calor no intestino grosso, drenar a umidade e eliminar a estag­
nação do mesmo, por isto, é empregado no tratamento da constipa­
ção, íleo paralítico, divertículo e pólipos do cólon, etc.
Diagnóstico - Este ponto possui um amplo espectro terapêutico
(ver Capítulo Diagnóstico).

Ponto Traquéia
Localização - Encontra-se no bordo externo imediato do conduto
auditivo externo, na metade da distância entre este e o ponto coração.
Função - Este ponto é utilizado para acalmar a tosse, eliminar a
fleuma e drenar a garganta, por estas funções, emprega-se no trata­
mento dos episódios de laringites aguda e crônica, epiglotite,
laringotraqueobronquite.
Diagnóstico - Ponto empregado para o diagnóstico da laringite,
traqueíte, epiglotite, periodontite, pulpite e gengivite.

Ponto Brônquios
Localização - Encontra-se na metade da distância de uma linha
traçada entre o ponto traquéia e o ponto pulmão.
Função - Ponto que tem, entre suas funções, acalmar a tosse, a
dispnéia, eliminar a fleuma, por isto, emprega-se no tratamento das
bronquites aguda e crônica, da asma bronquial e da bronquiectasia.
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 107

Diagnóstico
• Bronquite aguda - Nesta situação, o ponto brônquio revela uma
reação positiva muito forte.
• Bronquite crônica - Nesta situação, o ponto mostra uma proemi-
nência em forma de gomo que pode estar acompanhada de
pápulas, além disso, pode-se perceber um cordão ao tato e uma
reação positiva ao diagnóstico elétrico.
• Bronquiectasia - Nesta afecção, em geral, percebem-se na área
dos brônquios a presença de múltiplos cordõezinhos na explora­
ção táctil, com menor freqüência podem-se apreciar aranhas vas­
culares que cobrem de forma horizontal em direção à área de
pulmão.

Ponto Baço
Localização - Este ponto localiza-se no bordo supra-externo da
concha cava, na metade da distância de uma linha traçada desde o
ponto estômago até a fossa do intertrago.
Função - A atividade funcional do baço está dirigida para contro­
lar a função de transporte e transformação, é considerada a base da
energia do céu posterior desde o momento que ocorre o nascimento,
portanto, dele depende a qualidade do Qi adquirido, seu emprego está
dirigido a corrigir os transtornos do sistema digestivo, tais como diar­
réias, distensão abdominal, constipação, dispepsias, etc.
O baço gosta da secura e a umidade o danifica, por isto, seu fun­
cionamento correto garante um bom metabolismo hídrico, sua utili­
dade, então, está apoiada em sua função de drenagem da umidade, o
que propicia o tratamento das afecções edematosas da índole das as-
cites, eczema da pele, etc.
Mantém o sangue dentro dos vasos sangüíneos - Esta função nos
permite sua utilização no tratamento das enfermidades hemorrági­
cas, metrorragias, hemorragias uterinas de caráter funcional e outras
afecções hemorrágicas.
Controla a ascensão do Qi - Através da tonificação do Qi do Jiao
médio se evitam as afecções do tipo dos prolapsos nos órgãos inter­
nos, tais como: prolapso do estômago, do reto, vaginal, vesical, hér­
nias, etc.
Controla a qualidade dos músculos e a atividade dos quatro mem­
bros - Esta função nos permite tratar as algias lombares e dos mem­
bros, dos ombros, da espalda, atrofia muscular e a perda da força
muscular nos quatro membros.
A boca é a abertura do baço e se expressa através dos lábios - Esta
função somada à sua propriedade de drenar a umidade e eliminar o
108 Auriculoterapia

calor nos permite tratar afecções como glossite, inflamação dos lá­
bios, úlceras bucais, etc.
Diagnóstico - Em uma deficiência de baço, a exploração do ponto
nos mostrará uma reação positiva. Se esta reação positiva se acompa­
nha de uma proeminência e um cordãozinho ao tato que ascende,
estaremos em presença de uma esplenomegalia.

Ponto San Jiao


Localização - Encontra-se por baixo do conduto auditivo externo,
no bordo interno do antitrago, na metade da distância entre o bordo
inferior do conduto auditivo e o ponto do subcórtex, na zona onde se
unem os ramos dos nervos glossofaríngeo, facial e vago.
Função - Nele se resumem as funções dos cinco Zang e dos seis
Fu, sua relação interior-exterior se estabelece com o pericárdio. Entre
suas funções principais está a regulação da energia, acalma a dor,
tonifica o coração, nutre o pulmão, fortalece o baço e o estômago,
tonifica o rim, elimina os líquidos, transforma a energia e transporta
a essência, produz líquidos corporais e detém a sede, além disso,
desobstrui as articulações, por todas as propriedades antes mencio­
nadas, é utilizado no tratamento das enfermidades do aparelho uro­
genital, do sistema digestivo, distensão abdominal, dor intercostal,
edemas discretos, constipação, tinido, etc.
Neste ponto reúnem-se ramos dos nervos glossofaríngeo, facial e
vago, o que permite sua utilização no tratamento da paralisia facial,
espasmos da musculatura facial, neuralgia do trigêmeo, odontalgia e
afecções da cavidade bucal.
Diagnóstico - Este ponto apresenta uma reação positiva, em geral,
na presença de distensões abdominais e os edemas superficiais.

Ponto da Tuberculose
Localização - Localiza-se por fora do ponto coração, formando um
triângulo entre o ramo inferior do ponto pulmão e do ponto coração.
Função - Ponto importante para estabelecer o diagnóstico positivo
de um quadro de tuberculose pulmonar e extrapulmonar. Se à explo­
ração elétrica este ponto mostra uma reação positiva, nos confirma
uma afecção por bacilo da tuberculose, se somado ao anterior o ponto
de pulmão se mostra com uma reação positiva à exploração, tendo em
consideração a resposta positiva no lado que se realiza a exploração,
então podemos afirmar que o paciente é portador de tuberculose pul­
monar do pulmão direito ou esquerdo, e inclusive de ambos lados na
situação em que a reposta positiva seja simultânea.
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 109

I n c is u r a do Intertrag o
(Fig. 4.15)

Ponto Endócrino
Localização - Encontra-se na parte mas baixa da incisura do
intertrago, a 0,5 mm para dentro.
Função
• Utilizado para regular as funções do sistema endócrino, portan­
to, trata as afecções causadas por transtornos do mesmo, tais
como disfunção da glândula tiróide, diabetes melito.
• Utilizado no tratamento das enfermidades causadas por vento-
umidade, em sua versão clínica se traduz por enfermidades do
colágeno (artrite reumatóide, lúpus eritematoso, esclerodermia,
etc.). além disso, inclui propriedades imunológicas e antiinlla-
matórias, motivo pelo qual, também se emprega no tratamento
das enfermidades alérgicas e infecciosas como inflamação pélvi­
ca ou de outra índole em nosso organismo.
• Utilizado para garantir e controlar uma adequada função diges­
tiva (absorção-digestão) seu tratam ento está dirigido para
dispepsias, gastrites atróficas, etc.
• Drena a umidade e elimina os líquidos, por isto, emprega-se no
tratamento dos edemas de origem endócrina ou vascular, ecze­
mas e na obesidade.
Diagnóstico - Este ponto é empregado para o diagnóstico das en­
fermidades urogenitais, tais como nefrites, menstruações irregulares

FIGURA 4.15 - 1 = endócrino; 2 = visão 1 :3 = visão 2; 4 = ponto hipertensor;


5 = ponto ovário.
110 Auriculoterapia

e hipofunção sexual, também tem grande utilidade no diagnóstico


precoce das tumorações.

Ponto Visão 1
Localização - Encontra-se no bordo ãntero-inferior da incisura do
intertrago.
Função - Ponto empregado para o tratamento do glaucoma, da
retinite, da irite, da queratite, entre outras afecções oftalmológicas.

Ponto Visão 2
Localização - Encontra-se no bordo póstero-inferior da incisura
do intertrago.
Função - Ponto utilizado no tratamento da ametropia, conjuntivi-
tes, calázios e irioceratites.
Diagnóstico - Ponto importante no diagnóstico da ametropia (ver
Capítulo Diagnóstico).

Ponto Hipertensor
Localização - Encontra-se no bordo inferior da incisura intertrago,
entre os pontos visão 1 e 2.
Função - Ponto específico no diagnóstico e tratamento da hipotensão.

Ponto Ovário
Localização - Encontra-se na incisura do intertrago, sobre o come­
ço do bordo interno do antitrago.
Função - Ponto utilizado para tratar transtornos menstruais, anexi­
tes, infertilidade e hemorragias uterinas de caráter funcional, etc.
Diagnóstico - Quando este ponto mostra uma reação positiva ao
diagnóstico elétrico associada a uma proeminência, edema ou um
cordãozinho ao tato, é sinônimo de alterações a nível do ovário, espe­
cialmente para o diagnóstico dos cistos do ovário este estará presente
no lado correspondente ao diagnóstico.

H é l ix
(Fig. 4.16)

Ponto Ápice da Orelha


Localização - Encontra-se no ponto mais alto do pavilhão auri­
cular, na ponta que se cria ao dobrar o pavilhão para frente.
Definição. Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 111

FIGURA 4.16 - 1 = ápice da orelha; 2 = ânus; 3 = órgãos genitais externos; 4 = uretra;


5 = reto; 6 = ponto yang do fígado; 8 = nervo occipital menor.

Função - Ponto com funções antiinflamatória, antipirética, hipo-


tensora, antialérgica, soluciona a mente e clareia a visão, razão pela
qual, é utilizado no tratamento das hipertermias, hipertensão, neu-
rastenia, cefaléias, vertigens, enfermidades oftalmológicas e dermati-
tes em geral.

Ponto Ânus
Localização - Encontra-se sobre o hélix, a nível do bordo inferior
da cruz superior do anti-hélix.
Função - Ponto utilizado no tratamento das hemorróidas internas
e externas ou mistas, prolapso retal e prurido anal.
Diagnóstico - É um ponto de referência no diagnóstico das hem or­
róidas internas, externas ou mistas, assim como na fissura anal, etc.
(ver Capítulo Diagnóstico). Se observamos na pele da área do ponto
uma textura porosa, associada a pregas que podem ser profundas
com mudanças da coloração, isto nos indica que o paciente é porta­
dor de prurido anal.

Ponto Órgãos Genitais Externos


L o ca liz a çã o - Encontra-se sobre o hélix, no nível do ponto simpático.
112 Auriculoterapia

Função - Ponto empregado no tratamento das afecções dos órgãos


genitais externos, como uretrites, balanites, eczema do escroto, pru­
rido genital, impotência, etc.
Diagnóstico - É utilizado no exame diagnóstico dos genitais exter­
nos, por exemplo, se observamos na pele do ponto uma textura poro­
sa acompanhada de pregas que podem ser profundas com mudanças
de coloração, isto nos indica que o paciente padece de prurido genital.

Ponto Uretra
Localização - Localiza-se sobre o hélix, no nível do ponto próstata.
Função - Ponto utilizado no tratamento das afecções uretrais, as
quais incluem sepse das vias urinárias baixas, prostatite, enurese
noturna, polaciúria e poliúria, etc.
Diagnóstico - Ponto de referência importante para o diagnóstico
das infecções do sistema urogenital. Em um quadro de sepse das vias
urinárias, os pontos uretra e próstata apresentam uma reação positi­
va, se esta afecção tiver um curso crônico então aparecerá um cordão
ao tato no ponto uretra. Nas cistites os pontos uretra e bexiga mostra­
ram reações positivas, nas pielonefrites os pontos uretra e rim mos­
traram reações positivas, em com pen sação nas afecções por
glomerulonefrites, não aparece reação positiva no ponto uretra (ver
Capítulo Diagóstico).

Ponto Reto
Localização - Encontra-se sobre o hélix, no nível do ponto intesti­
no grosso.
Função - Ponto empregado no tratamento das hemorróides inter­
nas e externas, do prolapso retal, da incontinência fecal, das enterites
e das disenterias bacilares.
Diagnóstico - Quando o ponto tem uma reação positiva acompa­
nhado de um avermelhamento no ponto intestino grosso, isto nos
sugere a presença de um quadro de enterite ou diarréia.

Ponto Yang do Fígado


Localização - Este ponto localiza-se sobre o tubérculo auricular.
Função - Ponto empregado no tratamento da síndrome de ascen­
são do Yang do fígado e das hepatites.

Pontos Hélix de 1 a 6
Localização - Estes pontos distribuem-se desde o tubérculo auri­
cular para baixo até o bordo inferior da curvatura do lóbulo da orelha.
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 113

Dividindo este trajeto em 5 seções, de cima para baixo, ficam distri­


buídos os 6 pontos, respectivamente, em cada uma destas partes.
Fnnção - Estes pontos em conjunto têm função antiinflamatória e
antipirética, por isto. utiliza-se no tratamento das afecções inflamató-
rias e no curso das enfermidades febris.

Nervo Occipital Menor


Localização - Encontra-se no nível do ponto Yang do fígado, no
tubérculo auricular mas por seu bordo interno.
Função
• Comunica os canais e ativa os colaterais, tem efeito sedante e
analgésico, por isto, é usado para tratar cefaléia occipital, neu-
ralgia do nervo occipital menor e dor do pavilhão auricular.
• Trata os espasmos dos vasos sangüíneos, sendo usado nas se­
qüelas dos acidentes cerebrais, na arteriosclerose cerebral, na
parastesia em uma parte do corpo produzida pela neurose, na
sensação de parestesia na cabeça e na cervicalgia.
Diagnóstico - Este ponto não possui referência diagnostica.

D o rso da O relh a
(Fig. 4.17)

FIGURA 4.17 - 1 = raiz superior do dorso da orelha; 2 = raiz central do dorso da orelha;
3 = raiz inferior do dorso da orelha; 4 = sulco posterior do dorso da orelha; 5 = ponto
coração do dorso da orelha; 6 = ponto baço do dorso da orelha; 7 = ponto rim do dorso
da orelha; 8 = ponto fígado do dorso da orelha; 9 = ponto pulmão do dorso da orelha.
114 Auriculoterapia

Raiz Superior do Pavilhão


Localização - Na proeminência póstero-superior que forma a raiz
superior do pavilhão.
Função - Utilizado no tratamento da epistaxe.

Raiz Central do Pavilhão


Localização - Na parte média da linha que une a raiz superior e
inferior do dorso da orelha, ao mesmo nível da raiz do hélix.
Função - Utilizado no tratamento da colecistite, da colecistolitíase,
da ascaridíase nas vias biliares, da obstrução nasal, da taquicardia,
das diarréias, da úlcera péptica, da duodenite, da cefaléia, etc.

Raiz Inferior do Pavilhão


Localização - No ponto onde se insere o lóbulo da orelha com a
face.
Função - Utilizado no tratamento da hipotensão e nos transtornos
do sistema endócrino.

Sulco Posterior da Orelha


Localização- Encontra-se no dorso da orelha, por trás da cruz supe­
rior e inferior do anti-hélix, na depressão que se forma como um “Y”.
Função - Utilizado no tratamento da hipertensão. É um ponto im­
portante no diagnóstico da hipertensão e hipotensão arterial.

Ponto Coração do Dorso da Orelha


Localização - Na parte superior do dorso da orelha, por trás do
ponto Shen Men, aproximadamente.
Função - Ponto empregado no tratamento das palpitações, ou in­
sônia, sonhos excessivos e pesadelos, assim como na hipertensão e
nas cefaléias.

Ponto Baço do Dorso da Orelha


Localização - No área central do dorso da orelha.
F u n çã o- Utilizado no tratamento da gastrite, ou dor causada pela
úlcera péptica, nas dispepsias e nas anorexias.

Ponto Rim do Dorso da Orelha


Localização - Na parte inferior do dorso da orelha, aproximada­
mente por trás do ponto cérebro.
Definição, Função e Diagnóstico dos Pontos Auriculares 115

Centro do pé

Hipotensor
Hepatite
Gastrocnêmio
Shen Men
Quadriceps

Yang do Fígado
Articulação coxofemoral
(VHélix 1
Constipação
o, menor
Simpático

Genitais externos Cotovelo \

\ \
Hipocôndrio

Centro da concha cimba Hélix 2

Mamas

O/Hélix 3
Tiróide
Clavícula
Tronco cerebral
Laringe-dente
Vertigem
Area de neurastenia
Cordal

Fígado

F IG U R A 4 .1 8 - 1 = área nervosa do subcórtex; 2 = cardiovascular; 3 = digestiva.


1 16 Auriculoterapia

F u n çã o - Utilizado no tratamento das cefaléias, vertigens, neuras-


tenia, transtornos do sistema neurovegetativo e nas neuroses.

Ponto Fígado do Dorso da Orelha


Localização - Na parte central do dorso da orelha, por fora do pon-
to baço.
Função - Utilizado para o tratamento da colecistite, da colecistoli-
tíase, da cólica hepática e das dores do hipocôndrio.

Ponto Pulmão do Dorso da Orelha


Localização - Na parte central do dorso da orelha, mas por dentro
do ponto baço.
Função - Utilizado no tratamento da laringotraqueobronquite, da
bronquite, da asma bronquial e das dermatites atópicas.
5. grupam ento de (Pontos
de Acordo com sua função

De acordo com as experiências clínicas e as investigações realiza­


das sobre a função dos pontos auriculares durante numerosos anos,
podemos representar a aplicação dos pontos principais e secundários
no tratamento dos sintomas mais freqüentemente vistos na prática,
resumindo-os num total de 40 grupos de pontos.
A seleção dos pontos auriculares para formar estes 40 grupos foi
baseada no agrupamento dos mesmos, de acordo com a semelhança e
complementação de suas funções. Com sua posterior aplicação na
prática clínica foram realçados os resultados obtidos.
O agrupamento dos pontos, de acordo com suas funções, se dis­
põe da seguinte maneira:
Dez grupos que sedam ou acalmam
• Acalmam a dor.
• Acalmam a vertigem e a tontura.
• Acalmam a convulsão.
• Acalmam a tosse.
• Acalmam a dispnéia.
• Acalmam o prurido.
• Acalmam o tinido.
• Acalmam o vômito.
• Acalmam a acidez.
• Acalmam a leucorréia.
118 Auriculoterapia

Seis grupos com funções antagônicas


• Pontos que sedam e excitam.
• Pontos hipotensores e hipertensores.
• Pontos que diminuem e aumentam o ritmo cardíaco.
• Pontos hemostáticos e ativadores da circulação sangüínea.
• Pontos diuréticos e antidiuréticos.
• Pontos laxantes e antidiarréicos.
Cinco grupos que beneficiam os órgãos dos sentidos
• Pontos para drenar a garganta.
• Pontos para clarear a visão.
• Pontos para ajudar a audição.
• Pontos para drenar o nariz.
• Pontos para a beleza.
Três grupos com função imunológica
• Pontos antialérgicos.
• Pontos antiinfecciosos.
• Pontos anti-reumáticos.
Um grupo com função antipirética

Três grupos com função reguladora


• Pontos que regulam a atividade neurovegetativa.
• Pontos que regulam a atividade endócrina.
• Pontos que regulam a menstruação.
Dois grupos com função tonificadora
• Pontos tonificadores do rim.
• Pontos tonificadores do sangue.
Três grupos fortalecedores
• Pontos fortalecedores do cérebro.
• Pontos fortalecedores do fígado e do sangue.
• Pontos fortalecedores do baço e de sua função.
Sete outros grupos
• Pontos estimuladores da lactação.
• Pontos para regular o Qi e eliminar a distensão.
• Pontos hipoglicemiantes.
• Pontos antiespasmódicos.
• Pontos que drenam a vesícula biliar.
• Pontos soníferos.
• Pontos adstringentes.
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 119

DEZ GRUPOS QUE SEDAM OU ACALMAM

A calm am a D or

Com o uso da auriculoterapia obtêm-se resultados notáveis no


tratamento das enfermidades dolorosas.
Durante muito tempo se tratou de encontrar uma resposta clara
sobre os mecanismos pelos quais a auriculoterapia pode provocar um
efeito analgésico tão poderoso. Em estudos realizados na universida­
de de Jie Lin, em coelhos de laboratório nos quais aplicaram um estí­
mulo sobre a polpa de um dente e atuaram, em uníssono, sobre o
ponto Shen Men do pavilhão auricular, pôde-se observar que ambos
os impulsos nervosos chegam ao tronco cerebral provocando uma
possível repressão mútua entre o estímulo proveniente da polpa do
dente e aquele procedente do ponto Shen M en, a nível da substância
reticular.
Através deste fenômeno observado, tentou-se explicar o mecanis­
mo pelo qual, ao estimular o ponto Shen Men, pode-se elevar o limiar
doloroso e reprimir a reação dolorosa bulbar, o que aclara a eficaz
função deste ponto para acalmar a dor. Mas, ainda, ficam outras res­
postas para buscar neste sentido, que nos tornem explícitos os meca­
nismos de ação da auriculoterapia, que, ao que parece, não são privi­
légio só do sistema nervoso.

Pontos selecionados
Zona correspondente.
Shen Men.
Zona correspondente - O ponto da zona correspondente é o primei­
ro a selecionar durante o tratamento de sintomas dolorosos. Depois
que é produzida uma mudança patológica no corpo humano, este se
manifesta na zona correspondente do pavilhão auricular, produzindo
as seguintes reações: diminuição do limiar doloroso, descida da resis­
tência elétrica, mudanças de coloração, mudanças morfológica como
pãpulas, descamações, telangiectasias, etc.
Estas reações positivas caracterizam o ponto para seu diagnóstico e
tratamento mas, no caso das enfermidades dolorosas, os pontos da
zona correspondente, não necessariamente, se relacionam com pontos
auriculares descritos, pois, podem ter um espectro mais amplo de loca­
lização, convertendo-se num equivalente aos pontos A Shi no corpo.
Por isto, ao realizar o tratamento de auriculoterapia, é indispensá­
vel a exploração com o instrumento nos pontos auriculares e zonas
reativas, para conseguir, assim, localizar o ponto com manifestações
mais claras de dor.
120 Auriculoterapia

Shen Men - É selecionado como ponto principal por sua função


analgésica.
Como pontos analgésicos, além dos mencionados anteriormente,
podemos, ainda, citar os seguintes:
• Se a dor é de alguma víscera abdominal, se selecionará o ponto
simpático que tem a função de liberar os espasmos da muscula­
tura lisa. Levando-se em consideração que as fibras simpáticas
eferentes têm. também, em parte, atuação na dor visceral, pode­
mos inibir esta condução, usando o ponto simpático, liberando,
desta maneira, o espasmo e acalmando a dor.
• Se a dor é produzida por lesão dos tecidos moles, adicionam-se,
então, os pontos fígado e baço. De acordo com os critérios da
teoria dos Zang Fu, se declara que o fígado nutre os ligamentos e
os tendões e o baço, os músculos e os quatro membros: desta
maneira, selecionando ambos os pontos pode-se promover a re­
cuperação dos tecidos moles e ativar a circulação de Qi e Xue
através dos canais e dos colaterais, acalmando a dor muscular.
• Se a dor é óssea 011 dental, adiciona-se o ponto rim. Segundo a
teoria dos Zang Fu, se declara que o rim nutre os ossos e que os
dentes são o broto dos ossos. Nas mudanças patológicas de tipo
degenerativo a nível da coluna vertebral, articulações e queda
dos dentes, é importante a seleção do ponto rim.

A calm am a V e r t ig e m

Pontos selecionados
Occipital.
Vertigem ou tontura.
Fígado.
Ouvido externo.
Sangria no ápice.
Occipital - É um ponto com função sedante, que desempenha um
papel importante no tratamento da tontura, seja esta acompanhada de
visão turva ou, ocasionada ao transportar-se em auto ou embarcações.
Tontura - É o ponto específico para o tratamento da vertigem ou
da tontura.
Fígado - O ponto fígado conta, entre suas funções, a de acalmar a
tontura. Segundo se expõe no Su W e n : "A vertigem é causada pelo
movimento do vento interno, que é produzido pelo Jígado". Por outra
parte, se declara que a visão turva é um sintoma que acompanha a
vertigem e que, geralmente, é causado pela umidade, a fleuma, o fogo
e o vento interno. Quando existe deficiência de Yin do fígado e rim ou
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 121

deficiência do sangue, a energia e o sangue são insuficientes para


subir para nutrir o cérebro. Quando a causa for a presença de fleuma
patogênica, a estagnação desta, evita a subida do Yang claro ou puro
e a descida do Yin túrbido no cérebro, favorecendo o aparecimento do
sintoma.
Sangria no ápice da orelha - Esta manipulação tem seis funções
principais: hipotensora, antipirética, antiinflamatória, antialérgica,
seda ou acalma e clareia a mente e a visão.
Ouvido externo - Este ponto é usado para o tratamento da verti­
gem e da tontura e da cefaléia do tipo enxaqueca, é um ponto de
experiência.
Estes cinco pontos expostos anteriormente, são os pontos princi­
pais no tratamento da vertigem mas, ainda, podem ser adicionados
outros, de acordo com a diferenciação e etiopatogenia da enfermidade.
• Se a vertigem é devido ã arteriosclerose, adicionamos os pontos
subcórtex e coração.
• Na vertigem ou tontura causada por transtornos neurovegetati-
vos, adicionam-se os pontos simpático e subcórtex.
• Caso a vertigem seja um sintoma da Síndrome de Menière, adi­
cionam-se os pontos ouvido interno e baço.
• Se a vertigem é causada por viagem em barco, auto ou avião,
adicionam-se os pontos cárdia e ouvido interno.
Em caso de vertigem causada por anemia, adicionam-se os pontos
diafragma e baço.

A calm am a C o nvu lsão

Pontos Selecionados
Tronco cerebral.
Occipital.
Shen Men.
Fígado.
Subcórtex.
Nervo occipital menor.
Sangria no ápice.
Tronco cerebral - Este ponto é usado no tratamento do pânico e na
convulsão, por sua função sedante.
Occipital e Shen Men - A combinação destes dois pontos intensifi­
ca a função sedante de ambos, o que justifica seu uso no tratamento
deste sintoma.
Fígado - Tem a função de recuperar a drenagem e a dispersão do
fígado, função que se vê afetada durante um estado de histeria, pâni­
122 Auriculoterapia

co ou convulsão, motivo pelo qual usando este ponto, se controla o


vento interno do fígado.
Subcórtex - Usado neste caso por sua função reguladora da ativi­
dade do córtex cerebral.
Nervo occipital menor - É um ponto sedante que acalma a convul­
são, comunica os canais e ativa a circulação dos colaterais.
Sangria no ápice - Tem função sedante, clareia a mente e a visão.

A calm am a T osse

Pontos selecionados
Zona correspondente.
Ping Chuan.
Boca.
Tronco cerebral.
Shen Men.
Occipital.
Baço.
Zona correspondente - Os pontos da zona correspondente são os
que guardam estreita relação com o local onde ocorre a mudança
patológica. Em geral, a tosse é produzida por alterações a nível da
garganta, traquéia, brõnquios e pulmão, razão pela qual a seleção do
ponto da zona correspondente compreende estes quatro pontos ou
uma parte deles, em dependência do diagnóstico.
Ping Chuan - Este ponto é usado para acalm ar a dispnéia e a
tosse.
Boca e tronco cerebral - O ponto boca, neste caso, é usado como
ponto de experiência e o ponto tronco cerebral tem uma função sedante,
em sentido geral, e acalma a tosse.
Shen Men e occipital - Têm função sedante e acalma a tosse.
Baço - É usado quando existe a presença de ileuma abundante, já
que a produção de fleuma guarda estreita relação com as disfunções
do baço, de outro modo, o vazio e umidade do baço são causa, tam­
bém, da tosse e da dispnéia. O ponto baço tem a função de eliminar a
fleuma e de drenar a umidade.

A calm am a D is p n é ia

Pontos selecionados
Brõnquio.
Pulmão.
Ping Chuan.
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 123

Simpático.
Supra-renal.
Occipital.
Brônquio e pulmão - Estes são os pontos que guardam relação
direta com o sintoma. A bronquite asmática pode ser considerada
como uma reação antígeno-anticorpo a nível da mucosa bronquial
que libera localmente uma série de substâncias ativas (histamina,
serotonina, bradicinina, etc.), que produzem uma alteração da per­
meabilidade capilar, com hipersecreção de muco e contração da mus­
culatura lisa dos brônquios.
Ping Chuan - É um ponto específico para o tratamento da dispnéia.
Simpático e supra-renal - Estes pontos podem controlar a reação
antígeno-anticorpo a nível da mucosa, portanto, controlam também a
mudança que se produz a nível dos eosinófilos, favorecendo a bronco-
dilatação, a capacidade funcional do pulmão e, desta maneira, libera
o espasmo da musculatura lisa bronquial.
Shen Men e occip ita l- Têm função sedante a nível sistêmico, acal­
mando a tosse e a dispnéia.
• Se a dispnéia é causada pela bronquite asmática, adicionam-se
os pontos alergia e endócrino para aumentar o nível imunológico
e a resposta antialérgica do organismo.
• Se a dispnéia é causada por uma bronquite, deve-se adicionar o
ponto endócrino e realizar sangria no ápice, buscando uma ação
antiinfecciosa.
• Se a dispnéia é causada por deficiência ou vazio de rim que não
pode captar o Qi peitoral, deve-se adicionar o ponto rim. Segundo
expõe a MTC, o pulmão controla o Qi e o rim é a raiz deste Q l razão
pela qual, o rim e o pulmão trabalham, em uníssono, no controle
da saída e entrada do Qi. Se há deficiência do pulmão, então, este
não pode controlar o Qi e se o rim é insuficiente, nesse caso, não
pode captar o Q i fato que traz consigo uma inversão na circulação
do Qi e portanto, o aparecimento da enfermidade.
• Se a dispnéia é causada por enfermidades cardiovasculares e
pulmonares, devem-se adicionar os pontos coração, rim e
subcórtex. O ponto coração é usado para reforçar a função deste
órgão de impulsionar a circulação de Qi e Xue, elevando assim, a
função cardíaca. Desde a área cardiovascular do subcórtex, re­
gula-se e se favorece toda a atividade cardiovascular. Por outro
lado, o coração e o rim guardam uma estreita relação fisiológica
de comunicação mútua, onde o rim, como órgão pertencente ao
movimento água, controla o fogo do coração, evitando seu acrés­
cimo, de outra forma, o fogo do coração aquece o Yang do rim, se
124 Auriculoterapia

o Yang de rim é insuficiente, então, falha o metabolismo dos


líquidos corporais, que perturbará a atividade cardíaca e pulmo­
nar, aparecendo a dispnéia.

A calm am o P r u r id o
Pontos selecionados
Sangria na zona correspondente
Sangria no ápice
Pulmão.
Baço.
Coração.
Shen Men.
Alergia.
Diafragma.
Sangria na zona correspondente - A sangria na área correspon­
dente produz um importante efeito no prurido, já que elimina o calor
local e ativa a circulação do sangue a nível dos colaterais.
Sangria no ápice, ponto alergia - Esta combinação tem função
antialérgica e é utilizada para acalmar o prurido.
Pulmão e baço - A área do ponto pulmão pode ser estimulada ou
tratada com sangria, esta manobra produz um notável efeito no trata­
mento das dermatites, por dispersar o calor. É conveniente, ao realizar a
sangria no pulmão, que esta seja efetuada, tanto na área superior, como
inferior do ponto. Por outra parte, a combinação dos pontos baço e pul­
mão são vitais, posto que, como conhecemos, segundo o critério da MTC,
o pulmão controla a pele e os pêlos, motivo pelo qual, ao produzir-se
uma deficiência de Qi de pulmão, este perde seu controle sobre a aber­
tura e fechamento dos poros, o que facilita a invasão do vento e da
umidade, causando prurido. Por outro lado, o baço gosta da secura e é
danificado pela umidade, segundo se expõe no Su W e n : "Os eczemas e
as inflamações são produzidos por acúmulo de umidade e se relacionam
com uma disjunção do baço". Quando há calor no interior pode-se favo­
recer também, a invasão de umidade no baço, ao suceder este fato,
promove-se o calor no tegumento. A combinação da umidade e do calor
provoca o aparecimento de dermatite e prurido dermatológico.
De acordo com a teoria dos cinco movimentos, o pulmão está rela­
cionado com o movimento metal e o baço com o movimento terra,
razáo pela qual ao selecionar o ponto baço é tonificada a função deste
e acrescentada a energia ao pulmão, por ser o baço a mãe do pulmão.
Shen Men, occipital e diafragma - São pontos sedantes e que acal­
mam prurido.
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 125

Coração - O uso do ponto coração é fundamentado pelo exposto


no S u W e n , o qual faz referência à estreita relação que guardam a dor
e o prurido das úlceras com a função do coração, posto que este órgão
controla o fogo, que é a expressão máxima do calor. As úlceras doloro­
sas são uma manifestação do calor excessivo, enquanto que as úlce­
ras com prurido são uma manifestação do calor moderado. Ao ser
usado o ponto coração dispersa-se o fogo e acalma-se o prurido.

A calm am o T in id o

Pontos selecionados
Ouvido interno.
Ouvido externo.
Sulco do tinido.
San Jiao.
Vesícula biliar.
Rim.
Temporal.
Ouvido interno, ouvido externo e sulco do tinido - Estes são os pon­
tos relacionados com a zona correspondente à patologia. Através dos
mesmos, se restabelece a circulação normal de Qi e Xue a nível do
ouvido.
San Jiao e vesícula biliar - Estes são pontos que guardam relação
direta com os canais Shao Yang da mão e do pé, que em seu trajeto
ascendem para a cabeça e penetram no pavilhão auricular. Por outra
parte, a ascensão do fogo do fígado e da vesícula biliar, também, po­
dem causar tinido, por isso, ao selecionarmos estes dois pontos, po­
demos dispersar o fogo e o calor dos canais Shao Yang.
Rim - Entre as funções do rim conta a de nutrir o cérebro e ter sua
abertura externa no ouvido, desta maneira, outra das causas que
provocam o tinido é a deficiência do Qide rim. Sendo assim importan­
te, a seleção deste ponto, no tinido por vazio do rim.
Temporal - Entre as funções deste ponto está a de regular a ativi­
dade do centro da audição, ajudando a eliminar todo tipo de acúfenos
e aumentando o nível de audição.

A calm am o V ô m it o

Pontos selecionados
Cárdia.
Estômago.
Occipital.
126 Auriculoterapia

Subcórtex.
Sherx Men.
Cárdia.
Este é um ponto específico para o tratamento do vômito e das
náuseas, tem um evidente resultado no tratamento destes sintomas e
do espasmo da cárdia.
Estômago - A inversão da circulação do Qi do estômago, conta
entre as causas fundamentais do vômito e das náuseas, ao estimular
este ponto, favorece-se a função de descendência do estômago, acal­
mando-se estes sintomas.
Occipital e Shen Men - Entre as funções sedantes destes pontos,
está a de acalmar o vômito e as náuseas.
Subcórtex - A área digestiva da subcórtex regula a função gas­
trointestinal.

A calm am a A c id e z

Pontos selecionados
Simpático.
Estômago.
Fígado.
Simpático - Este ponto é importante no tratamento da hiperacidez
e da regurgitação ácida, já que, entre suas funções, conta a de contro­
lar as secreções internas.
Estômago e jlgado - A hipersecreção gástrica se produz, segundo a
MTC, por inversão do Qi do estômago, o que, por sua vez, pode ser
provocado pelo ataque transversal do Qi do fígado ao estômago e baço,
ao perder o fígado sua correta função de drenagem e dispersão. Este
fato produz uma síndrome denominada desarmonia entre fígado e
estômago que pode ter, entre seus sintomas, vômitos, náuseas e
regurgitações ácidas. Por isso, ao selecionar os pontos fígado e estô­
mago se ajuda na função de drenagem do fígado e se harmoniza a
função de descendência do Qi de estômago.

A calm am a L eu co rréla
Pontos selecionados
Zona correspondente.
Rim.
San Jiao.
Fígado.
Baço.
Endócrino.
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 127

Zona correspondente - A leucorréia guarda estreita relação com


processos inflamatórios como a endometrite, cervicite, anexite, etc.,
por isso no tratamento da leucorréia são selecionados estes pontos,
de acordo com a localização da mudança patológica.
Rim, baço. San Jiao e jlgado - Para a MTC, a leucorréia guarda
estreita relação com a deficiência de baço ou a estagnação de Qi de
fígado. Ao ser lesionado o Qi de baço, se perde sua função de trans­
porte e transformação, fazendo com que a essência dos alimentos e os
líquidos não possam nutrir, adequadamente, o sangue e que o meta­
bolismo dos líquidos corporais se veja afetado aparecendo o acúmulo
de umidade, que descende ao Jiao inferior lesionando ao Ren Mai.
Por outro lado, a estagnação do Qi do fígado se transforma em
calor, que com a umidade do Jiao inferior, se combina formando "a
umidade calor do Jiao inferior".
Em outros casos, a deficiência de Qi de rim lesiona o Yuan Qi, o
qual não pode ser fixado, fazendo que o Dai Mai perca sua força de
controle sobre o Jiao inferior, aparecendo a leucorréia.
O San Jiao é o encarregado do correto metabolismo e comunica­
ção dos líquidos corporais e das essências, por isso, junto com o rim,
baço e fígado, tem a função de fortalecer a energia e drenar a umidade
acalmando desta maneira as leucorréias.
Endócríno - Este ponto tem função antiinflamatória e regula toda
a atividade do sistema endócrino.

SEIS GRUPOS COM FUNÇÕES ANTAGÔNICAS

P o nto s que S edam e E x c it a m

Pontos que Sedam


Pontos selecionados
Shen Men.
Occipital.
Subcórtex.
Tronco Cerebral.
Coração.
Sangria no ápice.

Shen Men - Occipital, subcórtex, tronco cerebral e sangria no ápice:


Usados, em uníssono, provocam um forte efeito sedante.
Coração - O coração é o imperador do resto dos órgãos e controla
a atividade espiritual, razão pela qual ao estimular este ponto se acal­
mam a mente e o espírito.
128 Auriculoterapia

Pontos que Excitam


Pontos selecionados
• Fronte.
• Endócrino.
• Excitação.
• Tálamo.
• Hipófise.
• Supra-renal.
Estes seis pontos têm a função de excitar e elevar a atividade orgâ­
nica, podem ser usados para tratar os sintomas de sonolência e a
obesidade.

P onto s H ip o t e n s o r e s e H ip e r t e n s o r e s

Pontos Hipotensores
Pontos selecionados
Hipotensor.
Shen Men.
Fígado.
Rim.
Coração.
Fronte.
Occipital.
Sangria no ápice.
Hipotensor - É específico para o diagnóstico e tratamento da hi­
pertensão. Se neste ponto se faz uma sangria importante, se obtém
um notável efeito hipotensor.
Shen Men - Tem função sedante, hipotensora e analgésica. Por
outra parte, este ponto se encontra ao mesmo nível que o sulco
hipotensor mas, pela face ventral do pavilhão auricular. Quando há
uma crise de hipertensão arterial, podemos encontrar reações positi­
vas no sulco hipotensor ao mesmo nível do ponto Shen Men, por isto,
ao selecionar este ponto, podemos produzir um efeito hipotensor.
Fígado, rim e coração - Representam os três órgãos que guardam
estreita relação com o padecimento, segundo os critérios da MTC. As
síndromes de deficiência de Yin do fígado e do rim e ascensão do Yang
do Fígado entram entre as causas fundamentais desta patologia. O
fígado tem a função de armazenar o sangue e o coração de impulsioná-
la, por isso, através destes dois pontos podem-se regular o volume do
sangue na circulação, dispersar o fogo e pacificar o fígado. No entan­
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 129

to, o rim com sua raiz Yin nutre o Yin de todos os órgãos e, em espe­
cial, o do fígado, fazendo com que o nível de Yin seja adequado e o
Yang não ascenda excessivamente.
Fronte, occipital e sangria no ápice - O uso destes pontos desempe­
nha um papel importante nesta patologia, freqüentemente, esta se
acompanha de sintomas tais como cefaléia, vertigens, distensão na
cabeça, etc. Esta combinação tem a função de clarear a mente e a
visão, acalmar a dor e produzir efeito hipotensor.

Pontos Hipertensores
Pontos selecionados
Hipertensor.
Supra-renal.
Hipófise.
Coração.
Fígado.
Rim.
Subcórtex.
Hipertensor - É específico para o diagnóstico e tratamento da hi­
potensão.
Supra-renal e hipófise - Aumentam a vasoconstrição periférica e
incrementam a reação vasomotora das paredes dos vasos, produzin­
do aumento da pressão arterial.
Coração - Controla o sangue e os vasos, por isso, fortalece a ativi­
dade do músculo cardíaco e incrementa a circulação sangüínea.
Fígado - Armazena sangue, por isso, regula o volume deste na
circulação.
Rim - Segundo os critérios da fisiologia moderna, ao estimular o
ponto rim, produz-se um aumento da renina e da angiotensina, que
estimulam o córtex supra-renal, favorecendo a secreção de aldostero-
na e, portanto, a retenção de sódio e água com a conseqüente
hipervolemia que leva à hipertensão arterial.
Subcórtex - Este ponto regula a atividade cardiovascular, manten­
do em estado normal a pressão arterial.

P o n t o s q u e D im inuem e A u m en ta m o R itm o C a r d ía c o

Pontos que Diminuem o Ritmo Cardíaco


Pontos selecionados
Órgão coração.
Subcórtex.
130 Auriculoterapia

Coração.
Shen Men.
Occipital.
Órgão coração - Este ponto é denominado também ponto para fa­
zer descender o ritmo cardíaco, sendo usado para o tratamento da
taquicardia paroxística ventricular e auricular, tem a função de regu­
lar o ritmo cardíaco.
Subcórtex - Regula a atividade do ritmo cardíaco e a atividade car-
diovascular em sentido geral.
Coração - É o ponto da zona correspondente.
Shen Men e occipital - São pontos sedantes que mantêm o ritmo
cardíaco.

Pontos que Aumentam o Ritmo Cardíaco


Pontos selecionados
Simpático.
Supra-renal.
Hipófise.
Subcórtex.
Coração.
Simpático, supra-renal e hipófise - Estes pontos aumentam a ativi­
dade do ritmo cardíaco, usam-se, em geral, no tratamento da bradi-
cardia sinusal e por bloqueio.
Subcórtex - Regula o ritmo cardíaco.
Coração - É o ponto da área correspondente.

P onto s H e m o s t á t ic o s e A t iv a d o r e s d a C ir c u l a ç ã o
S a n g ü ín e a

Pontos Hemostáticos
Pontos selecionados
Supra-renal
Hipófise
Diafragma
Baço
Zona correspondente
Supra-renal e hipójise - Estes dois pontos têm função vasoconstritora.
Diafragma - É um ponto de experiência.
Baço - Entre as funções do baço, segundo a MTC, está a de manter
circulando o sangue dentro dos vasos sangüíneos evitando que estes
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 131

se rompam e se produza a hemorragia, razão pela qual uma deficiên­


cia do Qi de baço faz com que este falhe nesta função, aparecendo
qualquer enfermidade hemorrágica.
Pode-se resumir dizendo que os pontos anteriores são os pontos-
chaves para tratar as enfermidades hemorrágicas através do pavilhão
auricular.
Zona correspondente - Refere-se ao local onde se produz a mudan­
ça patológica.

P o nto s A t iv a d o r e s d a C ir c u l a ç ã o S a n g ü ín e a
Pontos selecionados
Simpático.
Coração.
Fígado.
Pulmão.
Calor.
Subcórtex.
Zona correspondente.
Simpático - Este ponto tem uma função vasodilatadora, aumen­
tando o volume do sangue a nível das extremidades.
Coração, fígado e pulmão - O coração governa o sangue e os vasos,
o fígado armazena o sangue, o pulmão governa o Qi e nele se reúnem
os cem vasos. Sob estas premissas da MTC, se justifica o critério tra­
dicional de que Qi governa o sangue e o sangue é a mãe do Qi. portan­
to, se o Qi circula, o sangue o faz também e se este se estagna, o
mesmo sucede com o sangue. Por todo o exposto anteriormente, resu-
me-se que o uso dos pontos coração, fígado e pulmão, drenam e co­
municam os canais e vasos, ativam a circulação do sangue e transfor­
mam a estagnação, acalmando a dor.
Calor - Este ponto aumenta a circulação do sangue a nível perifé­
rico, elevando a temperatura da pele.
Área cardiovascular do subcórtex - Este ponto regula toda a fun­
ção cardiovascular e produz vasodilatação, por isso, é usado no trata­
mento de todas a enfermidades deste sistema, em transtornos vascu­
lares periféricos, cervicalgias, intumescimento das extremidades e no
tratamento das síndromes Bi. Este ponto, também, aumenta a tem­
peratura da pele e ativa a circulação dos colaterais, o mesmo, junto
com os pontos calor e nervo occipital menor, são denominados os
pontos que produzem calor, provocando o mesmo efeito da manipula­
ção “o fog o arde sobre a montanha , motivo pelo qual, são fundamen­
tais no tratamento das enfermidades vasculares e nas síndromes Bi.
132 Auriculoterapia

P ontos D iu r é t ic o s e A n t id iu r é t ic o s

Pontos Diuréticos
Pontos selecionados
Rim.
Baço.
Pulmão.
San Jiao.
Endócrino.
Ponto de eliminação de líquido.
Zona correspondente.
Rim - A energia Yang do rim é a raiz de todo o Yang do corpo e é a
dirigente principal do metabolismo dos líquidos corporais.
Baço - O baço é outro órgão fundamental no metabolismo dos
líquidos corporais, realizando a drenagem da umidade através de sua
função de transporte e transformação, razão pela qual o edema e o
acúmulo de umidade estão relacionados com a disfunção deste órgão.
Pulmão - O pulmão é o terceiro órgão vital no metabolismo dos
líquidos corporais, regulando e comunicando a via dos líquidos atra­
vés de sua função de descendência e dispersão; o pulmão é chamado
a fonte superior da água.
San Jiao - É o nome que recebe especificamente a função metabó-
lica dos líquidos corporais, é quem comunica e regula a via dos líqui­
dos, transforma o Qi e transporta as essências.
E n dócrin o- As glândulas endócrinas têm uma função mais estru­
tural, elas regulam o equilíbrio hidromineral.
Ponto eliminação de líquido - Este é um ponto específico para dre­
nar e eliminar líquidos acumulados.
Zona correspondente - Neste caso se refere à zona do corpo onde
estão retidos os líquidos e a umidade.

Pontos Antidiuréticos
Pontos selecionados
Bexiga.
Ouvido central.
Hipófise.
Uretra.
Bexiga - Favorece a função de armazenagem de urina pela bexiga.
Hipófise - O lóbulo posterior da hipófise produz hormônio anti-
diurético (ADH), que controla o volume de urina produzido.
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 133

Ouvido central - É usado para aumentar a comunicação entre a


hipófise e bexiga.
Uretra - Este ponto é usado para aumentar a contração do esfínc-
ter uretral.
• Se há enurese noturna, adicionam-se os pontos fronte e excita­
ção. Estes pontos têm a função de aumentar a atividade do cór­
tex cerebral, fazendo com que a criança desperte com mais faci­
lidade, controlando também o centro de eliminação da urina.
• Em caso de incontinência urinária por trauma da coluna verte­
bral, adicionam-se os pontos da zona correspondente ao trau­
ma, como por exemplo, região sacrolombar, com o objetivo de
produzir algum estímulo nas fibras nervosas aferentes e eferen-
tes que inervam a bexiga, a uretra, a pelve e o hipogástrio.
• No caso de polaciúria por bexiga neurogênica, pode-se adicionar
o ponto occipital e/ou área nervosa do subcórtex.

P o n to s L a x a n te s e A n t id ia r r é ic o s

Pontos Laxantes
Pontos selecionados
Intestino grosso.
Baço.
San Jiao.
Abdômen.
Pulmão.
Subcórtex.
Constipação.
Centro da concha cimba.
Intestino grosso- O intestino grosso tem a função de excretar os dejetos
do aparelho digestivo, elimina o calor dos Fu e tem função laxante.
Baço - O baço possui a função de transporte e transformação, que
justifica a influência deste ponto no incremento da atividade gastroin­
testinal, também, o mesmo pode regular o Qi, eliminar a distensão e
produzir um efeito laxante.
San Jiao - Tem a função de transformar o Qi, transportar as es­
sências e favorecer o umedecimento do intestino para a eliminação.
Abdômen e centro da concha cimba - Estes pontos intensificam os
movimentos peristálticos, garantindo um aumento da eliminação.
Pulmão -Tem a função de descendência e dispersão dos líquidos corpo­
rais e guarda relação exterior-interior com intestino grosso, fato este que
favorece o umedecimento do intestino e a normal eliminação neste último.
134 Auriculoterapia

Área digestiva de subcórtex - Este ponto regula a funçao gastroin­


testinal.

P onto s A n t id ia r r é ic o s

Pontos selecionados
Reto.
Intestino grosso.
Baço.
Shen Men.
Occipital.
Endócrino.
Sangria no ápice.
Reto e intestino grosso - São os pontos da zona correspondente à
patologia e têm a função de regular os movimentos peristálticos.
Baço - Entre as funções do baço. encontra-se a de fazer ascender
o Qipuro ou límpido, quando se produz uma deficiência do Qtdo baço
se perde a função de transporte e transformação, o que favorece o
aparecimento de sintomas como distensão abdominal, constipação,
diarréia, etc, por isso, ao selecionar o ponto baço fortalecemos o Qi do
Jiao médio, aquecemos o baço e detemos a diarréia.
Sangria no ápice - Tem efeito antiinflamatório e sedante.
Shen Men e occipital - Têm função sedante e diminuem os movi­
mentos peristálticos.
Endócrino - Tem função antiinflamatória e acalma a dor.
• No caso de colite alérgica, adicionam-se os pontos alergia e
subcórtex, para produzir um efeito antialérgico e regular a ativi­
dade gastrointestinal.
• No caso de diarréia crônica, deve-se adicionar o ponto supra-
renal e realizar a sangria no ápice, com o objetivo de produzir
um efeito antiinflamatório e favorecer a eliminação parasitária.
• Se a diarréia é crônica mas, causada pela deficiência de Yang do
rim e do baço adicionam-se os pontos rim e supra-renal, com o
objetivo de aquecer o Yang do rim e do baço.

CINCO GRUPOS QUE BENEFICIAM OS ÓRGÃOS DOS


SENTIDOS

P ontos que D renam a G arganta


Pontos selecionados
Laringe -faringe.
Boca.
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 135

Traquéia.
Pulmão.
Endócrino.
Laringe-faringe e boca - Estes são pontos que refletem as mudanças
patológicas da zona correspondente, através da estimulação destes, se
logra mobilizar o Qi para a região da garganta, favorecendo a mesma.
Traquéia - É específico para o diagnóstico e tratamento das enfer­
midades da garganta.
Pulmão - O pulmão controla o Qi e com anda a respiração, as­
sim como a descendência e dispersão e a abertura e fechamento
dos poros, favorecendo que através deste ponto, possa ser elim i­
nado o vento patogênico da superfície, transform ada a fleuma e
drenada a garganta.
Endócrino - Tem função antiinflamatória, segundo a experiência
clínica se pode comprovar que este ponto promove a produção de flui­
dos corporais, umedecendo a garganta.
• No caso de laringofaringite aguda adiciona-se o ponto Shen Men
e se realiza sangria no ápice da orelha, o que produz um efeito
antiinflamatório, drena a garganta e acalma a dor.
• No caso de amigdalite, adicionam-se os pontos Shen Men e amíg­
dala e se realiza sangria no ápice, que tem função antiinflama­
tória e analgésica.
• No caso de afonia, adiciona-se o ponto baço.

P o nto s para C larear a V is ã o

Pontos selecionados
Sangria no ápice.
Rim.
Fígado.
Olho.
Visão 2.
Sangria no ápice - Esta manipulação tem a função de clarear a
visão e despertar a mente.
Fígado e rim - Segundo o exposto pelo livro Os Cinco Tratados: “O
fígado controla a córnea e a rim o íris''. O Su W e n , também, declara
que: “A capacidade da visão está determinada pela recepção do san­
gue pelojígado. o canal do fígado se comunica com os olhos e os olhos
são a abertura o fígado\ por isso, ao tratar os pontos fígado e rim
clareia-se a visão. Se tonificamos o rim, nutrimos o fígado, ativando a
circulação do sangue e fortalecendo a visão.
• No caso da miopia, adicionam-se os pontos, baço e simpático,
com o objetivo de liberar os espasmos dos músculos ciliares e
regular a refração.
136 Auriculoterapia

• No caso da conjuntivite aguda, adiciona-se o ponto pulmão. Se­


gundo o exposto em Os Cinco Tratados: “O pulmão controla a
conjuntiva do oího”. A seleção do ponto pulmão dispersa o calor e
elimina a infecção, drena os canais e acalma a dor.
• No caso da blefarite, adicionam-se os pontos coração e baço. De
acordo com o exposto em Os Cinco Tratados: “O coração relacio­
na-se com o bordo interno e externo das pálpebras e o baço com
os pálpebras”, assim, usando estes pontos, dispersa-se o fogo e
elimina-se a infecção.
No caso do terçol, adiciona-se o ponto baço, já que este controla as
pálpebras e dispersa o calor dos canais do baço e estômago.

P onto s par a A ju d ar a A u d iç ã o

Pontos selecionados
Ouvido interno.
Ouvido externo.
Rim.
San Jiao.
Vesícula biliar.
Temporal.
Ouvido interno e ouvido externo - Estes são os pontos da zona cor­
respondente à patologia, os quais, ativam a circulação do sangue e da
energia no ouvido, aumentando a capacidade auditiva.
Rim. San Jiao e vesícula biliar - Os canais do San Jiao e da vesícu­
la biliar ascendem até a cabeça e penetram no centro do ouvido. O
ouvido é a abertura do rim, isto significa que a capacidade auditiva
está diretamente relacionada com o estado do Jing Qi, o qual é arma­
zenado no rim, se a energia do rim é suficiente a capacidade de audi­
ção será boa, mas se o Jing Q ié insuficiente então aparecerão proble­
mas de hipoacusia. Por isso, o uso destes três pontos eleva a capaci­
dade auditiva.
Temporal - Na região temporal do cérebro localiza-se o centro da
audição, razão pela qual ao estimular o ponto temporal, estimula-se e
regula a atividade do nervo auditivo favorecendo, assim, a sensibili­
dade do centro da audição.

P o nto s para D renar o N a r iz


Pontos selecionados
Nariz interno.
Pulmão.
Ouvido externo.
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 137

Nariz interno - É o ponto reflexo da zona correspondente à patologia.


Pulmão - O L ing S hu declara: “ O Qi do pulmão se comunica com o
nariz' e o S u W e n , por outra parte, cita que: “ O nariz é a abertura do
pulmão"-, por isso se estabelece que, se o Qi do pulmão não circula
livremente, o nariz obstrui-se e se perde o sentido da olfação. Razão
pela qual, para tratar as enfermidades nasais, é vital o uso do ponto
pulmão.
Ouvido externo - O ponto ouvido externo é muito eficaz para dre­
nar o nariz, é um ponto de experiência.
• No caso de obstrução nasal causada por resfriado, adicionam-se
sangria no ápice, supra-renal e alergia.
• No caso de rinite alérgica, adicionam-se os pontos alergia, endó­
crino, supra-renal e sangria no ápice.
• No caso de rinite hipertrófica, adicionam-se os pontos supra-
renal e diafragma.
No caso de rinite atrófica, adicionam-se os pontos endócrino e baço.

P o nto s para a B eleza

Pontos selecionados
Área de bochecha.
Zona correspondente.
Pulmão.
Baço.
Fígado.
Endócrino.
Área de bochecha e zona correspondente - Nestes pontos realiza-se
sangria em forma de picadas, com o objetivo de estimular os canais e
colaterais da zona, ativar a circulação de Qi e Xue, favorecer a nutri­
ção da pele, eliminar os sintomas inflamatórios, ajudando no melhor
metabolismo dos melanócitos e a regular a atividade celular.
Pulmão, baço e fígado - Estes pontos drenam o vento patogênico e
liberam a superfície, fortalecem o baço e eliminam a umidade, tonifi­
cam o Q ie nutrem o sangue, favorecendo a textura da pele e acalman­
do o prurido.
Endócrino - Este ponto trata enfermidades dermatológicas relacio­
nadas com transtornos endócrinos como a acne juvenil e enfermida­
des produzidas por transtornos no metabolismo dos melanócitos.
Graças à função deste ponto, podem-se evitar as infecções cutâneas.
Este grupo de pontos básicos no tratamento estético têm uma ampla
aplicação no tratamento estético a nível facial, com alguns reajustes
de acordo com a diferenciação realizada em cada caso.
138 Auriculoterapia

• No caso de enfermidades de caráter inflamatório, como a verru­


ga vulgar, acne juvenil, ptiríase rosada, etc, dispersa-se o calor e
se elimina a infecção, adicionando os pontos supra-renal, intes­
tino grosso e a sangria no ápice.
• No caso de enfermidades com transtorno da pigmentação, como
o cloasma e o vitiligo, adicionam-se os pontos hipófise e supra-
renal, com o objetivo de regular a atividade da hipófise, do siste­
ma endócrino e, portanto, do metabolismo dos melanócitos.
• No caso de e n fe rm id a d e s de c a rá te r n ervo so, com o a
neurodermatite recidivante, busca-se regular a função da córtex
cerebral, evitando a excitação ou depressão excessiva, procu­
rando um efeito sedante e que acalme o prurido, para isto, adi-
cionam-se os pontos subcórtex, occipital e Shen Men.
• No caso das enfermidades por transtornos do metabolismo se-
báceo, como a dermatite seborréica e a alopecia seborréica, bus­
ca-se regular o metabolismo das glândulas sebáceas, controlan­
do sua hipersecreção, para o que se adicionam os pontos pân­
creas, rim e intestino delgado.
• Em enfermidades do tipo reativo, como a dermatite por contato
e a urticária, busca-se elevar a resposta imunológica, adicio­
nando os pontos alergia, supra-renal e sangria no ápice.

TRÊS GRUPOS DE PONTOS COM FUNÇÃO


IM UNOLÓGICA

P onto s A n t ia l é r g ic o s

Pontos selecionados
Sangria no ápice.
Alergia.
Supra-renal.
Endócrino.
Zona correspondente.
Sangria no ápice - Tem uma importante função antialérgica.
Alergia - Este é um ponto específico para o tratamento e diagnós­
tico das enfermidades alérgicas, que pode elevar a resposta imunoló­
gica do organismo.
Supra-renal e endócrino - Uma enfermidade alérgica é o resultado
das mudanças que se produzem no metabolismo celular provocada
pela reação antígeno-anticorpo, o que provoca uma resposta a nível
orgânico de vasodilatação, espasmo da musculatura lisa, etc. Ao esti­
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 139

mular-se o ponto endócrino, incrementa-se a secreção de cada um dos


hormônios, como por exemplo, o aumento de corticóides no sangue, o
qual pode deter a liberação de histamina a nível celular, reprimindo a
exsudação a nível dos vasos, a produção de muco e as reações dos
anticorpos a nível da pele, aumentando, assim, a resposta antialérgica.
Zona correspondente - As enfermidades alérgicas têm diferentes
manifestações, por isso, a zona correspondente responderá ao local
onde a enfermidade alérgica produz sua manifestação.

P onto s A n t iin f e c c io s o s

Pontos Selecionados
Sangria no ápice.
Sangria nos hélix 1 a 6.
Supra-renal.
Endócrino.
Shen Men.
Zona correspondente.
Sangria no ápice e hélix 1 a 6 - Esta manipulação tem a função de
dispersar calor, eliminar a infecção, sedar e acalmar a dor.
Supra-renal e endócrino - O uso destes pontos pode promover a
secreção, tanto do córtex supra-renal, como da medula supra-renal,
ajudando a combater a invasão de agentes infecciosos, elevando a
resposta antiinfecciosa do organismo e reprimindo a inflamação pro­
vocada por a exsudação dos vasos.
Shen Men - Tem função antiinflamatória.
Zona correspondente - Ao tratar a zona reflexa correspondente ao
processo patológico se faz diminuir o processo inflamatório nesta.
Ao tratar com auriculoterapia enfermidades de caráter inflama­
tório, podem-se observar mudanças notáveis. Assim temos que, em
25 casos com amigdalite acompanhados por sintomas de dor e de
hipertrofia da glândula, febre de 38 a 40° e uma quantidade de
linfócitos de 11.000 a 16.000 por mm3, obteve-se a queda da tem ­
peratura depois de 4h em 9 pacientes; o mesmo resultado 32h mais
tarde, em 14 pacientes e a volta à normalidade 3 dias depois do
tratamento.

P o nto s A n t i - r e u m á t ic o s

Pontos selecionados
Sangria no ápice.
Supra-renal.
140 Auriculoterapia

Endócrino.
Rim.
Fígado.
Baço.
San Jiao.
Zona correspondente.
Sangria no ápice - Este ponto tem a função antipirética, antiinfla-
matória, sedante e analgésica.
S u p ra-ren al e en d ócrin o - Têm ca rá ter a n tiin fla m a tó rio e
antiexsudativo evitando a formação de aderência.
Rim, Jlgado, baço. San Jiao - O rim controla os ossos, o fígado os
ligamentos e os tendões e o baço os músculos, San Jiao tem a função
de transportar a essência, o Qi, Xue e Jiri Ye através de todo o corpo,
os músculos, a pele e os Zang Fu, motivo pelo qual nas enfermidades
reumáticas ou por invasão de vento umidade é importante a combi­
nação destes quatro pontos.
Zona correspondente - Neste caso, trata-se da zona que está dire­
tamente afetada pela enfermidade reumática.

UM GRUPO COM FUNÇÁO ANTIPIRÉTICA

Pontos selecionados
Sangria no ápice da orelha, ápice do trago e na supra-renal.
Simpático.
Tálamo.
Pulmão.
Occipital.
Endócrino.
Zona correspondente.
Sangria no ápice da orelha, do trago e na supra-renal - A sangria
nestes pontos é boa para dispersar o calor e liberar a infecção, fazen­
do baixar a febre.
Tálamo e simpático - A região do hipotálamo regula a atividade
neurovegetativa, na atualidade, considera-se que o hipotálamo não é
simplesmente o centro de controle do sistema simpático e parassim-
pático mas constitui o centro regulador mais importante da atividade
dos órgãos internos, também o hipotálamo é um centro altamente
regulador da atividade endócrina, podendo regular a temperatura cor­
poral, o apetite, o equilíbrio hidromineral e secreta determinados hor­
mônios, como parte fundamental de sua atividade fisiológica, por isso.
ao estimular o ponto tálamo iníluencia-se o centro regulador da tem­
A grupam ento de Pontos de A cordo com sua Função 141

peratura corporal localizado no hipotálamo. O ponto simpático regula


a atividade neurovegetativa e provoca vasodilatação que favorece a
dispersão do calor.
Pulmão - Este órgão estimula a função de controle sobre a abertu­
ra e fechamento dos poros, favorecendo, assim, a transpiração e a
dispersão do calor.
O ccip ita l- Tem função sedante e antipirética.
Endócrino - Atua sobre o sistema hipófise-supra-renal, cumprin­
do uma função antiinflamatória e antiexsudativa.
Zona correspondente - Sempre será representativa do lugar onde
se produz a mudança patológica.

TRÊS GRUPOS DE PONTOS COM FUNÇÃO


R EG U LAD O R A

P o nto s que R egulam a A t iv id a d e N e u r o v e g e t a t iv a

Pontos selecionados
Simpático.
Tálamo.
Subcórtex.
Coração.
Rim.
Shen Men.
Occipital.
Simpático, tálamo e subcórtex - Os pontos do pavilhão auricular e
do resto do corpo guardam estreita relação, que se estabelece, em
parte, por interconexão de fibras simpáticas, as paredes dos vasos
que irrigam o pavilhão auricular e os espaços entre estes estão rica­
mente inervados por fibras simpáticas, favorecendo o fato de que ao
estimular um ponto auricular se provoque uma reação reflexa a nível
de certo segmento, ficando marcada a relação dos pontos auriculares
com a pele, os tecidos e os órgãos internos, por uma cadeia de reflexos
que se estabelece a nível simpático. Quando se puntura um ponto
auricular, este produz uma influência na atividade do SNC e, ao mes­
mo tempo, uma regulação no sistema neurovegetativo, que garantem
o equilíbrio e a nutrição do organismo. Por outro lado, através deste
equilíbrio, influencia-se a normal atividade do sistema hipofisário, re­
gulando-se, adequadamente, a produção hormonal. Por isso, é tão
importante a combinação dos pontos simpático, tálamo e subcórtex,
no tratamento dos transtornos neurovegetativos.
142 Auriculoterapia

Coração e rim - Segundo os critérios da MTC, o coração armazena


a mente e é o príncipe que governa o resto dos órgãos, isto implica que
o coração governe toda a atividade consciente e intelectual do ser
humano mas, também, a neurovegetiva, assim temos que as deficiên­
cias de Yin d este órgão, p rovocam tra n s to rn o s do sistem a
neurovegetativo e as deficiências de Yang, produzem transtornos fun­
cionais a nível do córtex.
O coração controla o fogo e o rim o água; a água e o fogo guardam
comunicação direta, segundo a MTC, são as duas forças que mantêm o
equilíbrio dinâmico, sustenta da vida, regulando, portanto, a atividade
espiritual do homem e a atividade funcional dos órgãos internos.
Shen Men e occipital - Têm função sedante.

P ontos que R egulam a A t iv i d a d e E n d ó c r in a

Pontos selecionados
Endócrino.
Hipófise.
Tálamo.
Rim.
Fígado.
Zona correspondente.
Endócrino, hipófise e tá la m o- São pontos fundamentais na regula­
ção da atividade endócrina. O ponto endócrino, no pavilhão auricular,
representa toda a atividade fisiológica do sistema endócrino no corpo
humano, podendo manter a estabilidade e o equilíbrio do meio inter­
no através do controle das secreções endócrinas de cada glândula e
seu transporte, através do sistema sangüíneo. O ponto hipófise é a
representação no pavilhão auricular desta glândula, que pode ser con­
siderada como centro do sistema endócrino, esta glândula, não só
secreta hormônios inerentes a sua função, como regula, através de
suas secreções, a atividade do resto das outras glândulas. O tálamo é
considerado o centro máximo da atividade neurovegetativa mas, tam­
bém, constitui um centro controlador da atividade endócrina, através
de determinados hormônios liberados a nível do hipotálamo, promo-
ve-se a secreção dos hormônios da hipófise que, por sua vez, estimula
a secreção dos hormônios do timo. Por isso, ao se produzir um dese­
quilíbrio endócrino, é importante a seleção destes três pontos.
Fígado e rim - O rim armazena a essência e o fígado o sangue. A
essência e o sangue se produzem mutuamente, o fígado e o rim têm
as mesmas origens porque um cria o sangue e o outro o armazena. As
mudanças patológicas a nível destes órgãos, segundo os critérios da
Agrupam ento de Pontos de A cord o com sua Função 143

MTC, guardam, na maioria dos casos, estreita relação com as enfer­


midades do sistema endócrino. Portanto, com o uso destes dois pon­
tos, se favorece a atividade funcional deste sistema.
Zona correspondente - Neste caso, localiza-se e se estimula o pon­
to que reflete à glândula implicada no processo patológico.

P onto s que R eg ulam a M enstruação

Pontos selecionados
Endócrino.
Hipófise.
Tálamo.
Ovário.
Rim.
Fígado.
Órgãos genitais internos
Endócrino. tálamo, hipófise, ovário e órgãos genitais internos - Des­
de a menarca até a menopausa, o endométrio da mulher sofre perío­
dos cambiantes cada mês que facilitam a reposição dos óvulos no
útero, este processo é regulado pela atividade endócrina, como resul­
tante da participação de hormônios secretados pelo ovário, pela hipó­
fise e pelo hipotálamo. Quando se produz algum transtorno ou dese­
quilíbrio funcional destas glândulas, ocorre uma perda no ciclo nor­
mal deste processo, que é chamado de menstruação; por isso. o uso
dos pontos endócrino, hipófise, tálamo, ovário e órgãos genitais inter­
nos (também denominado ponto útero) são fundamentais na regula­
ção do processo menstruai.
Rim e Jlgado - O rim controla o útero e fixa a atividade dos vasos
maravilhosos Chong e Ren, quando se produz uma deficiência do fíga­
do e rim, a atividade destes dois vasos se faz irregular, por isso, sele­
cionando os pontos rim e fígado tonifica-se a função de ambos os
órgãos, nutre-se o sangue e se regula a menstruação.
• Se a menstruação é escassa ou existe amenorréia, adicionam-se
os pontos excitação, ãrea cardiovascular do subcórtex e o sim­
pático, com o objetivo de ativar a circulação do sangue e comu­
nicar os vasos.
• Se a menstruação é abundante ou existe hemorragia uterina dis­
funcional, adicionam-se os pontos supra-renal, baço, diafragma,
os quais têm a função de fixar o Yuan Qi e deter a hemorragia.
• No caso de dismenorréia se adicionam os pontos abdômen, cen­
tro da concha cimba e Shen Men. Estes têm a função de sedar e
acalmar a dor.
144 Auriculoterapia

DOIS GRUPOS COM FUNÇÃO TONIFICADORA

P o nto s T o n if ic a d o r e s d e R im

Pontos selecionados
Rim.
Fígado.
Coração.
Endócrino.
Hipófise.
Tálamo.
Supra-renal.
Rim - O rim constitui a base da energia do céu anterior ou congê­
nita, armazena a essência vital e controla o fogo da vida (Ming Men),
motivo pelo que se considera como a base da existência humana, se­
gundo se expõe na MTC.
Quando se produz uma síndrome por deficiência de Yin do rim.
podem-se observar sintomas de espermatorréia, tinido, hipoacusia,
alopecia. lombalgia, debilidade da região lombar e das pernas, etc. O
yin do rim insuficiente favorece a exacerbação do fogo de fígado, o
qual pode ascender e afetar, também, as funções do pulmão, apare­
cendo sudorese noturna, emagrecimento, entre outros sintomas.
Quando se produz uma síndrome por deficiência de Yang do rim, a
energia vital não pode ser captada, aparecendo sintomas de diarréias
matutinas, impotência, debilidade lombar com sensação de debilida­
de nas extremidades. Com a deficiência de Yang do rim, os líquidos
corporais não podem ser transformados produzindo-se a retenção de
umidade com sintomas de anúria, sensação de peso no corpo, disten­
são abdominal, etc, tampouco se pode aquecer adequadamente o baço,
o que debilita sua função de transporte e transformação produzindo
outro grupo de sintomas.
Por isso, para tonificar o rim é fundamental o uso deste ponto.
Fígado e coração - Têm a função de tonificar o rim, fixar a essência
vital, nutrir o Yin e fortalecer o Yang.
Endócrino, hipófise, tálamo e supra-renal - As deficiências de rim se
manifestam como disfunções orgânicas sobretudo a nível do sistema
endócrino e, principalmente, na atividade do córtex supra-renal, o qual
desempenha um importante papel dentro das glândulas do sistema
endócrino, este regula o crescimento, desenvolvimento e o metabolis­
mo a nível estrutural. Quando se produz uma deficiência do rim (en­
fermidade renal ou transtorno do córtex supra-renal), é necessário a
seleção dos pontos endócrino, hipófise, tálamo e supra-renal, para re­
gular o metabolismo endócrino e a disfunção do córtex supra-renal.
Agrupam ento de Pontos de Acordo com sua Função 145

Na China, atualmente, se tem uma nova consideração sobre as


deficiências de rim, verificando-se que na bronquite asmática, no lú­
pus eritematoso, na neurastenia, na hemorragia uterina disfuncio-
nal, nas cardiopatias, etc, em determinado período da evolução des­
tas enfermidades, ocorre uma deficiência de rim.
Em estudos realizados em pacientes com deficiência de Yang de rim.
pode-se observar uma baixa quantidade de 17-cetosteróides na urina,
depois de realizar um tratamento com ACTH endovenoso, realizou-se
novamente o cálculo da dosagem de 17-cetosteróides, comprovando-se
que nos pacientes com diagnóstico de deficiência de Yang do rim, os
níveis se mantinham baixos. Neste tipo de pacientes, realizou-se o tra­
tamento de aquecer e tonificar o Yang do rim, comprovando-se depois
do primeiro ciclo de tratamento a volta à normalidade dos 17-cetosteróides
e a recuperação da reação ao estímulo do ACTH. Esta investigação nos
aclara sobre a estreita relação que guarda a função do rim com o siste­
ma hipotálamo-hipófise-supra-renal, o que justifica o uso destes pon­
tos na tonificação do rim e na ativação do córtex supra-renal.

P onto s T o n if ic a d o r e s d o S angue
Pontos selecionados
Baço.
Estômago.
Rim.
San Jiao.
Coração.
Fígado.
Supra-renal.
Baço e estômago - A nutrição do sangue se origina no baço e estô­
mago, os quais através da função de transporte e transformação, cap­
tam as essências nutritivas dos alimentos e dos líquidos, incorporan-
do-os ao fluxo sangüíneo, por isso, os textos antigos dizem que o baço
é a base da energia adquirida ou do céu posterior e o estômago é o
mar dos líquidos e dos cereais. Quando se produz uma deficiência de
baço, perde-se a função de transporte e transformação, o sangue não
pode ser transformado e ocorre anemia. Por isso, para tonificar o san­
gue é vital a seleção dos pontos baço e estômago.
Rim - A raiz Yin do rim gera medula, tanto óssea, como espinal e a
medula óssea cria o sangue, quando há deficiência do Yin do rim,
aparece a anemia. Na atualidade, ficou demostrada a existência de
um hormônio chamado eritropoetina que é produzido pelo rim e é o
encarregado de estimular a eritropoese a nível da medula óssea.
146 Auriculoterapia

S a n J i a o - O San Jiao é o e n c a r r e g a d o d a t r a n s p o r t a ç ã o d a s
e s s ê n c ia s a d q u i r i d a s e f a v o r e c e a f o r m a ç ã o e t r a n s f o r m a ç ã o do
s a n g u e e d a e n e r g ia , n u t r in d o to d o o c o r p o ; o Ling Shu d e c la r a : “ O
Jiao médio capta a energia e transforma em Jluidos nutrindo o san­
gue”, d e s t a m a n e ir a , a o s e l e c i o n a r o p o n t o San Jiao, d r e n a - s e e
n u tre-se o sangue.
Coração - É o órgão relacionado com o impulso e com a circulação
do sangue por todo o organismo, garantindo assim a nutrição e reno­
vação do sangue.
Supra-renal - O aumento de corticóides favorece a produção de
glóbulos vermelhos e da hemoglobina.

TRÊS GRUPOS FORTALECEDORES

P onto s F o rtaleced o res do C érebro

Pontos selecionados
Coração.
Rim.
Tálamo.
Hipófise.
Subcórtex.
Fronte.
Cérebro.
Coração e rim N o Ling Shu, d e c la r a - s e : “ O coração controla os
-

cinco órgãos, as seis vísceras e governa a atividade espiritual do


homem", p o r o u t r a p a r te se e x p õ e q u e : “ O rim armazena a essência
e a essência rege a vontade, a vontade é a raiz da manutenção da
atividade espiritual na vida do ser humano”. N o Su Wen, d iz - s e que:
" O rim gera medula e o cérebro é o mar da medula”, d e s t a m a n e ir a ,
a q u a lid a d e d o Qi d o c o r a ç ã o d a r á e s t a b ilid a d e à a t iv id a d e m e n t a l
d o h o m e m e a q u a lid a d e d o Qi d o rim f o r t a le c e r á o c é r e b r o e fa rá
fir m e s u a v o n ta d e .
Cérebro - É o ponto que representa, no pavilhão auricular, o cére­
bro, por isso, é vital para estimular sua função.
Tálamo e hipófise - Em estímulos Acupunturais feitos sobre ratos
de laboratório conseguiu-se um incremento dos níveis de acetilcolina
dentro do hipotálamo, considerando-se que a capacidade de memória
a nível neuroquímico guarda estreita relação com a acetilcolina, razão
pela qual, para fortalecer o cérebro e a capacidade de memória, é
importante, a combinação dos pontos hipotálamo e hipófise.
Agrupam ento de Pontos de Acordo com sua Função 147

Subcórtex e fronte - A recordação de sucessos passados é um pro­


cesso que ocorre a nível do córtex cerebral, especialmente, a nível do
lóbulo frontal e parietal, por isto, o uso dos pontos subcórtex e fronte
regulam a atividade do córtex e fortalecem a memória.

P o nto s F o r tale c e d o re s do F íg a d o e S angue


Pontos selecionados
Fígado.
Rim.
San Jiao.
Baço.
Endócrino.
Subcórtex.
Zona correspondente.
Fígado e rim - A síndrome Xu de Yin do fígado é causada, funda­
mentalmente, por deficiência do volume do sangue neste órgão ou,
por insuficiência da água do rim que não nutre a madeira, produzin­
do sintomas tais como tinido, vertigens, hipertensão, irritabilidade,
etc. Na síndrome de vazio do sangue do fígado, este não pode nutrir
adequadamente os ligamentos e os tendões, razão pela qual se produ­
zem, facilmente, espasmos musculares, intumescimento dos mem­
bros, unhas sem brilho e mal nutridas, assim como vertigem severa,
em algumas ocasiões. Por isso, selecionando os pontos fígado e rim,
se nutre o Yin e se conserva o Yang em sua posição.
San Jiao - O livro Zhong Cang Jing, declara: “O San Jiao nutre e
mobiliza as essências dos cinco Zang e os seis Fu, nutre os canais e
colaterais, fa z que o Qi viaje do interior ao exterior, da direita à esquer­
da, de cima para baixo e vice-versa, garantindo a comunicação e nutri­
ção de todo o organismo", por isso, o ponto San Jiao é fundamental
para nutrir o sangue do fígado, posto que capta o Qi da respiração,
transporta as essências da alimentação, faz circular a energia Ying e
Wei, criar e transformar o sangue e a energia e nutre todo o corpo.
Baço - Controla a função de transporte e transformação, sendo a
base da energia adquirida, por isso, fortalecendo a função de baço e
estômago, nutre-se o sangue do fígado.
Endócrino - O ponto endócrino é um regulador sistêmico, podendo
dar estabilidade fisiológica ao meio interno, por outro lado, este ponto
nutre o Yin do fígado e do rim.
Subcórtex - A área digestiva do subcórtex, regula toda a atividade
gastrointestinal, com o que garante a correta absorção das essências
e nutrição do sangue, o que, posteriormente, dependendo de sua qua­
lidade, nutrirá o Yin do fígado.
148 Auriculoterapia

Zona correspondente - São os pontos que se correspondem com o


local onde se produz o sintoma ou os sintomas relacionados com a
síndrome de deficiência do sangue de fígado.

P onto s F o rtaleced o res do B aço e sua F unção


Pontos selecionados
Baço.
Estômago.
Intestino delgado.
Pâncreas.
Endócrino.
Subcórtex.
Boca.
Baço e estômago - O estômago capta os alimentos e o baço realiza o
transporte e a transformação destes, podendo-se observar que se os
alimentos não são devidamente transformados, podem produzir-se
transtornos das excreções, tanto fecal como urinária, distensão abdo­
minal com sensação de plenitude, perda de força dos quatro membros,
emagrecimento, etc. Ao selecionar os pontos baço e estômago, promo­
ve-se a boa absorção gastrointestinal elevando-se o metabolismo.
Intestino delgado e pâncreas - Segundo se expõe no Su W e n , o
intestino delgado se encarrega de captar os nutrientes e dar transfor­
mação final ao bolo alimentar. O intestino delgado é fundamental no
processo de absorção digestiva, absorvendo os compostos nutritivos.
Os açúcares, as proteínas e as gorduras são absorvidos, em sua gran­
de maioria, no duodeno, os sais biliares e a vitam ina B 12 são
reabsorvidas no íleo e os líquidos e eletrólitos se intercambiam a nível
de todo o intestino. O pâncreas é uma glândula do sistema endócrino
e sua função fundamental é regular o metabolismo da glicose, ainda,
tem uma função exócrina participando diretamente no processo di­
gestivo, na produção de enzimas como a protease, amilase, lipase e
quimiotripsina. Graças a esta função pancreática, fortalece-se a ca­
pacidade digestiva, por isso, nas deficiências de baço, adelgaçamento
por desnutrição, perda de força, etc, são selecionados os pontos in­
testino delgado e pâncreas, com o objetivo de elevar o metabolismo
digestivo.
Subcórtex e endócrino - Regulam a atividade digestiva e a absorção.
Boca - Promove o apetite e elimina o cansaço.
Este grupo de pontos produz resultados notáveis no tratamento
da indigestão, das síndromes de má absorção e das enfermidades gas­
trointestinais nas crianças.
Agrupamento de Pontos de Acordo com sua Função 149

SETE OUTROS GRUPOS

P o nto s para E s t im u l a r a L actaçâo


Pontos selecionados
Mamas.
H ip ó fis e .
Endócrino.
Tálamo.
Fígado.
Estômago.
Mamas - É o ponto da zona correspondente.
Hipófise, endócrino e tálamo - A hipófise produz hormônios tais
como a somatotropina e a prolactina, além de produzir outro grupo de
hormônios reguladores da atividade endócrina. No hipotálamo se pro­
duzem outros hormônio estimulantes do crescimento das mamas e
que promovem a produção de prolactina, por isso, quando no período
de lactação a produção do leite é insuficiente, selecionando os pontos
hipófise, endócrino e tálamo, promove-se a secreção das mamas.
Fígado e estômago - Os canais do fígado e estômago se relacio­
nam, em seu trajeto, com as mamas, através do ponto fígado do pavi­
lhão auricular, drena-se este órgão e regula-se o sangue, com a sele­
ção do ponto estômago ativa-se e se comunica a circulação do sangue
através do canal, favorecendo a lactação.

P o n t o s p a ra R e g u l a r o Q i e E lim in a r a D is t e n s ã o
Pontos selecionados
Área de distensão abdominal.
Abdômen.
Fígado.
Baço.
Estômago.
San Jiao.
Pulmão.
Intestino grosso.
Subcórtex.
Área de distensão abdominal e abdômen - Estes são pontos que
respondem à zona correspondente á afecção. A área de distensão abdo­
minal é específica para o tratamento e diagnóstico desta afecção.
Fígado, baço e estômago - O fígado controla a drenagem e a dis­
persão, o baço o transporte e a transformação, junto com estômago
são a base da energia adquirida. Quando a energia do fígado é exces­
150 Auriculoterapia

siva, esta faz um ataque transversal contra o baço e estômago, provo­


cando deficiência do baço e perda de sua função de transporte e trans­
formação com inversão do Qi de estômago, promovendo a distensão
abdominal com sensação de plenitude. Por isso, ao selecionar os pon­
tos fígado, baço e estômago, drena-se o fígado, regula-se o Qi, fortale­
ce-se o baço, ajuda-se no transporte e transformação, harmoniza-se o
estômago e se faz descender sua energia.
San Jiao - Regula a transformação da energia em todo o corpo, quando
esta função não é normal, o Qi inverte sua circulação produzindo sensa­
ção de plenitude no abdômen, desta maneira, selecionando o ponto San
Jiao favorece-se a transformação do Qi e o transporte das essências.
Pulmão e intestino grosso - O pulmão comanda o Qi e a descendên­
cia e a dispersão, o intestino grosso guarda relação interior-exterior
com o pulmão e é utilizado para dispersar o calor e o excesso dos Fu,
por isso, com a seleção destes pontos, também se pode regular o Qi e
eliminar a distensão.

P onto s H ip o g l ic e m ia n t e s

Pontos selecionados
Pâncreas.
Glândula do pâncreas.
Endócrino.
Hipófise.
Tálamo.
Subcórtex.
Boca.
Sede.
San Jiao.
Glândula do pâncreas - Este ponto é específico para o tratamento
do diabetes melito.
Pâncreas, tálamo. endócrino e hipófise - A insulina é um hormônio
que se produz nas células beta das ilhotas de Langerhans, no pân­
creas. Quando ocorrem transtornos na secreção de insulina produ-
zem-se notáveis transtornos metabólicos, como amostra mais signifi­
cativa é o aumento de glicose no sangue, que pode ser eliminada atra­
vés da urina, produzindo-se o diabetes. O SNC e o hipotálamo têm a
função de regular as secreções produzidas nas ilhotas do pâncreas,
por isso, no tratamento do diabetes é necessário a seleção dos pontos
tálamo, endócrino, hipófise e pâncreas.
Subcórtex - Este ponto regula toda a atividade dos órgãos, por
isso, pode controlar a produção de insulina e produzir um descida da
glicose no sangue.
Agrupam ento de Pontos de Acordo com sua Função 151

Boca e sede - Estes pontos podem favorecer a secreção de saliva,


umedecendo a boca e acalmando a sede.
San Jiao - Tem a função de transformar a energia, sendo um ponto
muito importante neste tratamento, já que nele se reúnem os nervos
glossofaríngeo, facial e um ramo do nervo vago. De acordo com as expe­
riências atuais, ao excitar-se o nervo simpático, através dos receptores
alfa, controla-se a secreção de insulina; através de um estímulo elétri­
co realizado sobre um ramo do nervo vago que inerva o pâncreas, pode-
se estimular a produção de insulina, por isto, o ponto San Jiao é sele­
cionado sobretudo pelo estímulo que produz a nível do nervo vago.

P o nto s A n t ie s p a s m ó d ic o s

Pon tos selecionados


Zona correspondente.
Simpático.
Subcórtex.
Shen Men.
Zona correspondente - Este ponto se corresponde com o local
onde se produz a dor espasmódica, como podem ser, o espasmo
estomacal, intestinal, espasmo por litíase renal, espasmos por co-
lecistolitíase, espasmos por áscaris, por giardíase e por amebíase.
Desta maneira, a seleção do ponto da zona correspondente é fun­
damental, causando corretamente a transmissão do Qi, através
dos canais e colaterais, ao lugar patológico, ajudando assim à li­
beração da dor espasmódica.
Simpático - Este ponto é fundamental no tratamento das afecções
dos órgãos internos, já que as dores nestes ocorrem principalmente
através de fibras aferentes dos nervos simpáticos, especialmente atra­
vés de fibras do tipo C. Com o estímulo do ponto simpático, este sinal
aferente viaja pelo sistema nervoso, deprimindo o sinal aferente pro­
cedente do lugar lesionado, desta maneira, pode-se liberar o espasmo
da musculatura lisa e elevar o limiar doloroso.
Subcórtex - Regula a atividade do córtex cerebral deprimindo ou
excitando, segundo seja o caso.
Shen Men - É um ponto com função analgésica.

P onto s que D renam a V e s íc u l a B il ia r

Pontos selecionados
Vesícula biliar.
Vias biliares.
152 Auriculoterapia

Fígado.
San Jiao.
Duodeno.
Subcórtex.
Endócrino.
Vesícula biliar e vias biliares - São os pontos da zona correspon­
dente. Ao estimular estes pontos, promove-se a contração da vesícu­
la, aumentando a secreção de bílis e diminuindo a inflamação desta,
chegando inclusive a eliminar cálculos biliares pequenos, em algu­
mas ocasiões.
Fígado - Os canais do fígado e da vesícula biliar guardam rela­
ção interior e exterior e se distribuem ao longo da região intercos-
tal. Por isso, ao estimular o ponto fígado se favorece a atividade da
vesícula.
San Jiao, subcórtex, endócrino e duodeno - A regulação das se­
creções biliares é um processo que se realiza através de receptores
nervosos e neurotransmissores. O nervo vago pode através da ace­
tilcolina transmitir o impulso para que aumente a secreção biliar,
promovendo a contração da vesícula; ao mesmo tempo através da
liberação da gastrina estimula-se a produção de bílis pelo fígado e a
colecistocinina que viaja através do fluxo sangüíneo, excita a vesí­
cula, favorecendo um incremento no ritmo de contração da mesma.
O ponto San Jiao, além de promover a transformação da energia,
provoca um estimulo sobre o nervo vago, favorecendo o desencadea-
mento do processo antes descrito e, portanto, o aumento da secre­
ção biliar.
O ponto subcórtex pode regular a contração da vesícula. O ponto
endócrino promove a produção de gastrina e a pancreatocinina pro­
move, também, a secreção, pela mucosa do intestino delgado, da cole­
cistocinina, favorecendo a drenagem biliar e a expulsão de cálculos.
Através de investigações realizadas na auriculoterapia e na Acu­
puntura para o tratamento da colecistolitíase, conseguiu-se provocar
um aumento na contração da vesícula e na expulsão de bílis de tal
magnitude que logra desobstruir os condutos biliares. Alguns investi­
gadores, em trabalhos realizados sobre cachorros de laboratório sob
anestesia geral, nos quais realizou-se um pinçamento do conduto bi­
liar, posteriormente, produziu-se um estímulo Acupuntural sobre os
pontos Yang Ling Quan, Dan Nan Xue e o ponto vesícula do pavilhão
auricular, todos com estimulação elétrica por 2min, Depois dos quais
se comprovou um aumento da pressão dos condutos biliares e da
freqüência de contração da vesícula. Este fato nos ratifica que tanto
com o uso da Acupuntura como da auriculopuntura se favorecem as
contrações da vesícula.
Agrupam ento de Pontos de Acordo com sua Função 153

P o n t o s S o n íf e r o s
Pontos selecionados
Shen Men.
Rim.
Coração.
Subcórtex.
Occipital.
Neurastenia, área e ponto.
Sangria no ápice.
Sangria no ápice. Shen Men e occipital - A combinação destes pon­
tos tem função sedante e sonífera.
Coração e rim - O coração armazena a mente e comanda toda a
atividade espiritual do homem, através deste ponto, pacifica-se o co­
ração e se acalma o espírito. O rim gera medula e o cérebro é o mar da
medula, por isso, a seleção deste ponto tonifica o cérebro e acalma o
espírito. Por outra parte, o coração guarda relação com o elemento
fogo e o rim, com o elemento água mantendo uma estreita relação
fisiológica de controle e geração mútua, logrando manter o equilíbrio
harmonioso de Yin e Yang no organismo.
Neurastenia. área e ponto - Ambos são fundamentais no trata­
mento e diagnóstico da neurastenia mas a área de neurastenia nos
serve para o diagnóstico e tratamento da dificuldade para começar a
dormir e para sonhos excessivos; enquanto que o ponto de neuraste­
nia nos ajuda no diagnóstico e tratamento do sono leve, de curto tem­
po de duração, com despertar fácil e dificuldade para voltar a conci­
liar o sono. Devem usar-se ambos os pontos reforçados pela face pos­
terior do pavilhão auricular, com o objetivo de incrementar o resulta­
do terapêutico.
Subcórtex - A neurastenia e os transtornos do sono são causa­
dos pela excitação ou depressão anormal do córtex cerebral, atra­
vés da área nervosa do subcórtex, restabelece-se a normal ativida­
de do córtex.
A insônia e a neurastenia são sintomas comuns na prática clínica
que se podem diferenciar nas síndromes seguintes:
• Estagnação do Qi do fígado - Neste caso, adiciona-se o ponto
fígado para favorecer a drenagem do fígado, regular o Qi. nutrir
o Yin e dispersar o fogo.
• Deficiência do coração e vesícula biliar - Neste caso, adicionam-
se os pontos vesícula e fígado, com o objetivo de drenar o fígado,
a vesícula e acalmar o espírito.
• Deficiência de coração e baço - Adiciona-se o ponto baço, para
tonificar o coração e o baço, nutrir o sangue e acalmar o espírito.
154 Auriculoterapia

• Desarmonia de estômago e perda de sua função de descendên­


cia - Neste caso, adicionam-se os pontos estômago e baço, com o
objetivo de fortalecer o baço, nutrir o QU harmonizar o estômago
e devolver sua função de descendência.

P o nto s A d s t r in g e n t e s

Pontos selecionados
Coração.
Simpático.
Subcórtex.
Tálamo.
Supra-renal.
Zona correspondente.
Coração - O suor é o fluido do coração, quando se produz uma
síndrome de deficiência do mesmo pode-se observar sudorese espon­
tânea e com as deficiências de yin do coração produz-se uma sudação
profusa, por isso para deter a hiperidrose, seleciona-se este ponto.
Sim pático- A hiperidrose é causada por uma desordem do sistema
neurovegetativo, as glândulas sudoríparas estão inervadas por recep­
tores simpáticos, por isso, com a seleção deste ponto, regula-se a ati­
vidade do sistema neurovegetativo e por tanto, da hiperidrose.
Subcórtex, tálamo e supra-renal - O SNC, a medula oblonga e o
córtex cerebral são centro do controle da sudação, freqüentemente,
considera-se que o centro da sudação se encontra no hipotálamo e
que a sudação na face, mãos e pés, está relacionada com fibras re­
ceptoras da adrenalina, por isso, quando se estimulam as fibras sim­
páticas pela ação da adrenalina, pode-se produzir sudação nas mãos,
nos pés e na fronte; assim, selecionando os pontos mencionados, pode-
se regular a atividade das glândulas sudoríparas.
Zona correspondente - Refere-se ao lugar onde se produz com maior
intensidade a hiperidrose, a estimulação do ponto da zona correspon­
dente favorece a adstringência.
Q U A D R O 5.1 - Agrupamento de pontos de acordo com sua função.
Função Pontos
Acalmam a dor Zona correspondente. Shen Men.
Se a dor é de alguma víscera abdominal se selecionará o ponto simpático. Se a dor é produzida por lesão dos
tecidos moles, adicionam-se então os pontos fígado e baço. Se a dor é óssea ou dentária, adiciona-se o ponto rim
Acalmam a vertigem e Ponto occipital. vertigem ou tontura, fígado, ouvido externo, sangria no ápice.
a tontura Vertigem causada por arteriosclerose. adicionamos os pontos subcórtex e coração, tontura causada por transtor­
nos neurovegetativos, adicionam-se os pontos simpático e subcórtex, vertigem causada por transportar-se em
barco. auto. ou avião, adicionam-se os pontos cárdia e ouvido interno.
Em caso da vertigem causada por anemia, adicionam-se os pontos diafragma e baço.
Acalmam a convulsão Ponto tronco cerebral, occipital. Shen Men, fígado, subcórtex. nervo occipital menor, sangria no ápice.
Acalmam a tosse Ponto da zona correspondente. Ping Chuan, boca. tronco cerebral. Shen Men, occipital, baço.
Acalmam a dispnéia Ponto brônquio. pulmão. Ping Chuan. simpático, supra-renal. occipital.
Se a dispnéia é causada por bronquite asmática, adiciona-se o ponto alergia e endócrino. Se a dispnéia é causada
por uma bronquite, deve-se adicionar o ponto endócrino e realizar sangria. Se a dispnéia é causada por defi­
ciência ou vazio de rim que não pode captar o Qi peitoral, deve-se adicionar o ponto rim. Se a dispnéia é causada

Agrupamento
por enfermidades cardiovasculares e pulmonares, devem-se adicionar os pontos coração, rim e subcórtex.
Acalmam o prurido Sangria na zona correspondente, sangria no ápice, pulmão, baço. coração. Shen Men, alergia. diafragma.
Acalmam o tinido Ponto cárdia. estômago, occipital. subcórtex. Shen Men.
Acalmam o vômito Ponto cárdia, estômago, occipital, subcórtex. Shen Men.
Acalmam a acidez Ponto simpático, estômago, fígado.

de Pontos de Acordo com


Acalmam a leucorréia Pontos da zona correspondente, rim. San Jiao. fígado, baço, endócrino.
Pontos que sedam e Pontos que sedam: Shen Men. occipital. subcórtex. tronco cerebral, coração. Sangria no ápice.
excitam Pontos que excitam: fronte, endócrino. excitação, tálamo. hipófise, supra-renal.
Pontos hipotensores e Pontos hipotensores : hipotensor. Shen Men. fígado, rim. coração, fronte, occipital. sangria no
hipertensores ápice.
Pontos hipertensores: hipertensor, supra-renal. hipófise. coração, fígado, rim. subcórtex.
Pontos que diminuem Pontos que diminuem o ritmo cardíaco: órgão coração, subcórtex. coração. Shen Men, occipital.
ou aumentam o ritmo Pontos que aumentam o ritmo cardíaco: simpático, supra-renal. hipófise. subcórtex, coração.
cardíaco
Pontos hemostáticos Pontos hemostáticos: supra-renal, hipófise. diafragma, baço, zona correspondente.
e ativadores da Pontos ativadores da circulação sangüínea: simpático, coração, fígado, pulmão, ponto calor, área

sua Função
circulação sangüínea cardiovascular de subcórtex. pontos da área correspondente.
Pontos diuréticos e Pontos diuréticos: rim. baço. pulmão. San Jiao. endócrino, ponto de eliminação de líquido, pontos da zona
antidiuréticos correspondente.
Pontos antidiuréticos: bexiga, ouvido central, hipófise. uretra.
Pontos laxantes e antidiar- Pontos laxantes: Intestino grosso, baço. San Jiao. abdome, pulmão, subcórtex, constipação, centro da con­
réicos cha cimba.

155
Pontos antidiarréicos: reto. intestino grosso, baço, Shen Men, occipital. endócrino, sangria no ápice.
QUADRO 5.1 (Coní.) - Agrupamento de pontos de acordo com sua função.

156
Função Pontos
Pontos para ajudar a g ar­ Laringe-faringe. boca. traquéia. pulmão, endócrino.

Auriculoterapia
ganta
Pontos para aclarar a visão Sangria no ápice. rim. fígado, olho. visão 2.
Pontos para drenar o nariz Nariz interno, pulmão, ouvido externo.
Pontos para ajudar a au­ Ouvido interno, ouvido externo, rim. San Jiao. vesícula biliar. temporal.
dição
Pontos para a beleza Área da bochecha, zona correspondente, pulmão, baço. fígado, endócrino.
Pontos antialérgicos Sangria no ápice, alergia. supra-renal. endócrino. zona correspondente.
Pontos antiinfecciosos Sangria no ápice, sangria no pontos hélix do 1-6, supra-renal. endócrino. Shen Men, zona correspondente.
Pontos anti-reumáticos Sangria no ápice, supra-renal. endócrino. rim, fígado, baço. San Jiao, zona correspondente.
Pontos antipiréticos Sangria no ápice da orelha, na supra-renal e no ápice do trago, simpático, tálamo. pulmão, occipital, endócrino.
zona correspondente.
Pontos que regulam a ati­ Simpático, tálamo. subcórtex, coração, rim. Shen Men, occipital.
vidade neurovegetativa
Pontos que regulam a ati­ Endócrino, hipófise. tálamo. rim. fígado, zona correspondente.
vidade endócrina
Pontos que regulam a Endócrino. hipófise. tálamo. ovário, rim. fígado, órgãos genitais internos.
menstruação
Pontos tonificadores do rim Rim, fígado, coração, endócrino. hipófise. tálamo. supra-renal.
Pontos tonificadores do Baço. estômago, rim, San Jiao, coração, fígado, supra-renal
sangue
Pontos fortalecedores Coração, rim. tálamo, hipófise, subcórtex, fronte, cérebro.
do cérebro
Pontos fortalecedores do Fígado, rim, San Jiao. baço, endócrino. subcórtex. zona correspondente.
fígad o e sangue
Pontos fortalecedores do Baço. estômago, intestino delgado, pâncreas, endócrino. subcórtex, boca.
baço e sua função
Pontos para estimular a Mamas, hipófise. endócrino. tálamo. fígado, estômago.
lactação
Pontos para regular o Qi e Área de distensão abdominal, abdome. fígado, baço. estômago. San Jiao. pulmão, intestino grosso, subcórtex.
eliminar a distensão
Pontos hipoglicemiantes Pâncreas, glândula do pâncreas, endócrino. hipófise, tálamo. subcórtex. boca. ponto sede. San Jiao.
Pontos antiespasmódicos Zona correspondente, simpático, subcórtex, Shen Men.
Pontos que drenam a vesí­ Vesícula biliar. vias biliares. fígado. San Jiao. duodeno. subcórtex, endócrino.
cula biliar.
Pontos soníferos Shen Men, rim. coração, subcórtex, occipital. neurastenia ponto e área. sangria no ápice.
Pontos adstringentes Coração, simpático, subcórtex. tálamo. supra-renal. zona correspondente.
6. (Diagnóstico

PRINCÍPIOS DO DIAGNÓSTICO AURICULAR

O pavilhão auricular é considerado uma parte muito importante


do corpo humano, por conformar um microssistema, sendo capaz de
funcionar como um receptor de sinais de alta especificidade, podendo
refletir todas as mudanças fisiopatológicas dos órgãos e vísceras, dos
quatro membros, do tronco, dos tecidos, dos órgãos dos sentidos, enfim,
de todo o organismo. Quando se produz um estado patológico em
qualquer parte do corpo humano isto é refletido na orelha com rea­
ções positivas de caráter e localidades diferentes, específicos a cada
enfermidade, em particular, e deixando relações muito estreitas entre
os lugares reativos e as partes do organismo implicadas na patologia.
As reações positivas podem ser de diferentes tipos, entre as mais
comuns podemos descrever: mudanças na resistência elétrica das
zonas reativas específicas, mudanças no limiar doloroso, mudanças
de coloração, mudanças morfológicas nestas áreas, descamações, ecze­
mas, presença de telangiectasias, etc. Todas estas reações positivas
podem aparecer no pavilhão auricular, ainda antes que a enfermida­
de se manifeste e, também, desaparecer depois da cura da enfermida­
de, ou ficar como uma marca da mesma.
158 Auriculoterapia

Os pontos de reação positiva no pavilhão auricular podem ir va­


riando suas características, em uníssono, com a evolução da enfermi­
dade, podendo-se encontrar neles diferentes características segundo
o desenvolvimento da patologia.
Por todo o exposto anteriormente, podemos assegurar que os pon­
tos de reação positiva do pavilhão da orelha nos permite conhecer os
sintomas que conformam uma enfermidade, a forma em que evoluiu
a mesma e a maneira em que continuará evoluindo; por isto o diagnós­
tico auricular é um instrumento de inestimável valor no diagnóstico
clínico, que precisa de um estudo minucioso e detalhado.

MÉTODOS DE DIAGNÓSTICO AURICULAR

Ao realizar o diagnóstico através do pavilhão auricular é necessá­


rio o uso de diferentes métodos diagnósticos, para a coleção ordenada
dos sinais específicos em cada caso. Os métodos diagnósticos mais
usados na auriculoterapia são os seguintes:

D ia g n ó s t ic o A través da O bservação

Com o uso deste método diagnóstico, são observados no pavilhão


da orelha, as mudanças de coloração, morfológicas, descamações,
pápulas, aranhas vasculares, entre os sinais mais representativos.
Com a coleta destes sinais no pavilhão, podemos chegar a determi­
nar, entre outras características, se a enfermidade possui um caráter
agudo ou crônico e sua localização.

D ia g n ó s t ic o A través dos P ontos D olorosos à P ressão

Ao produzir-se um estado patológico, podemos encontrar na zona


ou ponto correspondente do pavilhão, uma diminuição do limiar dolo­
roso, um ponto sensível à dor. Isto pode ser observado, com mais
evidência, nas enfermidades agudas e tumores.
Este método é um dos mais freqüentemente utilizados e é realiza­
do usando a ponta romba de um lápis explorador ou com a mesma
ponta do instrumento elétrico para o diagnóstico auricular. Para sua
execução, realiza-se pressão de igual magnitude sobre os pontos ou
áreas relacionados com a patologia, obtendo como zona ou ponto im­
plicado o que mostre uma sensibilidade maior à pressão.
O uso deste método diagnóstico é mais conveniente nas patologias
agudas, enfermidades dolorosas e tumores.
Diagnóstico 159

D ia g n ó s t ic o A través da M arca D e ix a d a A P ressão


Nas zonas ou pontos do pavilhão que guardam estreita relação com
a patologia, podem-se observar, em geral, mudanças morfológicas como
proeminências ou edemas. Ao realizar a pressão sobre ditos pontos, fica
neles uma marca ou impressão como parte da reação do ponto. Nesta
marca, são tomados em conta diferentes características como a profun­
didade, a coloração e o tempo de permanência da mesma.
Na prática clínica, são usadas estas características para determi­
nar o caráter agudo ou crônico da enfermidade e para diferenciar se é
por vazio (Xu) ou plenitude (Shi).

D ia g n ó s t ic o A través da P alpação
Quando se produz uma enfermidade, todo o desenvolvimento e
evolução da mesma vão ficando marcados no pavilhão auricular com
diferentes mudanças morfológicas na estrutura dos pontos ou zonas
que manifestam este estado patológico. Mesmo depois de desaparecer
a enfermidade se mantêm ditas reações nos pontos.
O diagnóstico auricular através da palpação é usado, sobretudo,
para desentranhar as mudanças morfológicas estabelecidas nos pon­
tos auriculares e que nos revela não só o desenvolvimento de uma
enfermidade atual como também outros padecimentos anteriores de
longa duração.
Com o uso do lápis explorador podemos encontrar no pavilhão
proeminências, depressões, cordõezinhos, edemas, entre outras ma­
nifestações que nos ajudam a completar o conhecimento da enfermi­
dade e determinar sua cronicidade.
O diagnóstico auricular através da palpação teve um vertiginoso
desenvolvimento nos últimos 10 anos, que elevou o conhecimento
acerca da aplicação dos pontos auriculares no diagnóstico correto de
muitas enfermidades e no tratamento das mesmas.

D ia g n ó s t ic o A través da E xplo ração E l é t r ic a

Pode-se comprovar que ao se apresentar um estado patológico,


nos pontos que guardam estreita relação com a enfermidade em ques­
tão, se produz uma descida da resistência elétrica num alcance de 20
a 500 quilo-ohms; sendo de 5 a 10 mega-ohms nos pontos que não
guardam relação com a enfermidade.
Este método de diagnóstico é efetivo na exploração de qualquer pon­
to auricular quer seja representativo das extremidades ou dos órgãos
internos, para isso é usado um equipamento explorador desenhado para
160 Auriculoterapia

tal objetivo, que pode mostrar os pontos de baixa resistência elétrica por
diferentes métodos como variações auditivas, uma lâmpada indicadora
ou um miliamperímetro que registre a magnitude da resistência elétri­
ca, em todos os casos acoplado a um circuito oscilador.
O paciente segura em sua mão um pólo do equipamento (terra
ou negativo) e com a ponta do explorador se examinam os pontos
auriculares .
O diagnóstico por exploração elétrica tem um amplo uso que pode
abranger as enfermidades agudas, as crônicas, tumores e enfermida­
des dolorosas, é utilizado também para medir a pressão arterial e
pode ser combinado, em seu emprego, com outros métodos diagnósti­
cos, como a palpação.

M étodo S in t e t iz a d o de D ia g n ó s t ic o A u r ic u l a r

A auriculoterapia possui muitos métodos diagnósticos, cada um


chega a determinar o estado do processo patológico através de dife­
rentes vias. Alguns são mais aplicáveis a enfermidades agudas ou
dolorosas enquanto outros são mais usados para o diagnóstico de
enfermidades crônicas e com mudanças estruturais já estabelecidas.
Na prática clínica, podemos observar que nas enfermidades de cará­
ter agudo os sinais mais visíveis são as mudanças do limiar doloroso do
ponto em questão e a diminuição de sua resistência elétrica. Motivo pelo
qual, em tais casos, são mais usados os métodos de diagnóstico através
dos pontos dolorosos à pressão e da exploração elétrica enquanto que,
no caso das enfermidades crônicas, onde as mudanças morfológicas
nos pontos do pavilhão são os sinais principais, é, freqüentemente, mais
conveniente, o uso do método de palpação.
Por todo o dito anteriormente, podemos assegurar que o uso de
um só método diagnóstico na auriculoterapia, torna-se limitante para
determinar o caráter crônico ou agudo de uma enfermidade e estabe­
lecer um claro diagnóstico da mesma.
Para realizar um correto diagnóstico na auriculoterapia, é neces­
sário conhecer as características de cada uma das mudanças e as
reações positivas observadas nos pontos. Na prática clínica, o uso do
método de diagnóstico sintetizado consegue reunir cada um dos mé­
todos diagnósticos descritos da seguinte maneira:
• Observação.
• Palpação.
• Exploração elétrica.
• Diferenciação de síndromes.
Nestas quatro etapas, ficam resumidos todos os métodos diagnósti­
cos antes mencionados e em seu uso clínico, deve seguir a mesma ordem.
Diagnóstico 161

Observação
Ao chegar o paciente à consulta, o primeiro passo que realizamos
é a observação do pavilhão auricular para conhecer o lugar onde acon­
teceu o processo patológico e a etapa de desenvolvimento do mesmo,
servindo de ante-sala para logo realizar a palpação.

Palpação
Mediante a palpação determinamos os pontos dolorosos mais sen­
síveis, associada ã observação da coloração das marcas que ficam
após o exame dos pontos com um instrumento explorador, nos ajuda­
rá a determinar o caráter crônico ou agudo desta enfermidade.
O método de palpação é muito importante, na prática clínica, já
que nele ficam reunidos os quatro métodos diagnósticos seguintes:
• Diagnóstico através do ponto doloroso à pressão.
• Diagnóstico através da marca deixada pela pressão.
• Diagnóstico através da palpação, usando a ponta dos dedos.
• Diagnóstico através da palpação, usando a ponta romba do lá­
pis explorador.

Exploração Elétrica
Com este método se obtêm as reações positivas do ponto através das
variações auditivas ou visuais do instrumento elétrico usado, no mesmo
se combina a palpação com a exploração elétrica, podendo-se obter, em
uníssono, os dados diagnóstico que brindam ambos os métodos.

Diferenciação de Sindromes
Através da informação obtida pelos métodos de observação, pal­
pação, exploração elétrica, combinados com a história da enfermida­
de e os princípios da fisiopatologia, tanto ocidental como tradicional,
podemos elaborar um diagnóstico nosológico e encaminhar uma tera­
pêutica adequada.

DIAGNÓSTICO AURICULAR - CARACTERÍSTICAS


SEMIOLÓGICAS

D ia g n ó s t ic o A través da O bservação

Através da observação do pavilhão auricular, podemos apreciar os


seguintes dados: mudanças da coloração, mudanças morfológicas,
162 Auriculoterapia

descamações, pápulas, telangiectasias, etc. Estas variações anormais


que se observam na exploração visual nos oferecem um grande apoio
na conformação de um diagnóstico positivo.

Mudanças da Coloração

Reações de C or Verm elha


Estas reações no pavilhão auricular podem-se mostrar com as se­
guintes variações de tonalidade: vermelho-brilhante, vermelho-pálido
e vermelho-escuro. Geralmente, estão acompanhadas de mudanças
morfológicas em forma de fatias, pontos ou de aparência indetermi­
nada.
V erm elho-brilhante - Observa-se nas enfermidades de caráter
agudo recém-começadas e nos episódios dolorosos.
Verm elho-pálido e escuro - Observam-se naquelas afecções com
um período evolutivo crônico, recidivante e intermitente.
Nas lombalgias agudas podemos encontrar na área do rim uma
coloração avermelhada: nos quadros de cervicite, com leucorréia, po­
demos encontrar na exploração visual sobre a fossa triangular uma
área de coloração avermelhada com descamação da pele que a cobre,
assim também, quando estamos diante de um paciente que sofre de
vertigens ou tonturas, podemos perceber sobre a área de tontura
mudanças de coloração averm elhada que adotam a forma de
cordôezinhos ou depressões.

Reações de Cor Branca


As reações de cor branca, usualmente, se encontram acompanhan­
do a mudanças morfológicas em forma de proeminências. Estas va­
riam nos matizes seguintes: branco-brilhante, pálido ou com pontos
de cor mais esbranquiçadas sobre o centro de uma proeminência,
além disso, podem-se observar manifestações brancas em forma de
fatias com pequenos pontos de cor rosada, em seu centro.
Estas variações da cor branca são observadas nas afecções de ca­
ráter crônico. Por exemplo, na gastrite crônica se observa, na área de
estômago, uma reação de cor esbranquiçada distribuída em forma
difusa; na cardiopatia reumática podemos apreciar, na área de cora­
ção, uma cor esbranquiçada, em forma de fatias; na distensão abdo­
minal e na ascite, também, podemos notar, na área de distensão abdo­
minal e no ponto de ascite, uma reação de cor esbranquiçada que
pode estar acompanhada por edema; nos pacientes portadores de um
quadro de gastrite de evolução crônica, quando no momento do
diagnóstico sofre de uma agudização do quadro, podemos perceber
Diagnóstico 163

no centro da reação esbranquiçada, pontos pequenos de cor verme­


lha, distribuídos em forma difusa sobre a área de estômago.

Reações de C or C inza-escuro
As reações deste tipo, estão vinculadas a um mau prognóstico da
enfermidade ou, podem ser uma reação normal depois de realizada
uma pressão sobre os pontos auriculares. Por exemplo, quando esta­
mos diante de uma enfermidade de tipo oncológico podemos obser­
var, tanto na área 2 de tumoração, como no ponto auricular relacio­
nado com a mesma, manifestações de cor cinza-escuro ou parda.

Reações de C or Parda ou C astanho-escuro


Observa-se no curso evolutivo das afecções de caráter crônico ou como
reação de seqüela quando a enfermidade foi curada. Por exemplo, após
haver realizado uma mamectomia, percebe-se na área das mamas uma
reação de cor pardo-escura; nas afecções neurodermatológicas, no ponto
auricular correspondente à área corporal afetada, notam-se mudanças
produzidas por aspereza de cor pardo-escura.

Mudanças Morfológicas
Entre as mudanças morfológicas que podemos descobrir nos pon­
tos auriculares, encontramos proeminências, edemas, depressões,
elevações puntiformes que podem estar acompanhadas de pregas,
porosidades na pele, aumento da espessura de certas áreas da carti­
lagem, etc. As mudanças morfológicos se apresentam, geralmente, no
curso evolutivo das enfermidades crônicas.

Proem inências
As proeminências, geralmente, apresentam-se em forma de nós,
que podem variar seu tamanho desde um gergelim até um feijão. Es­
tas se elevam para cima da pele, aparecendo em certas ocasiões,
encadeadas em grupos de dois, três, até cinco, também, é comum
encontrar proeminências em forma de fatias, cordão, cordõezinhos
ou pequenos ramos.
Por exemplo, nos pacientes que têm quadros de cefalalgia, podem
ser percebidas, na área comprometida, proeminências bem definidas
em forma de nós; em algumas ocasiões, observa-se a presença de
pequenos nódulos em forma de cadeia, vistos em geral na radiculite
hipertrófica; nas artralgias habitualmente encontramos a presença
de cordõezinhos no ponto representativo da articulação afetada; tam­
bém, nos quadros de distensão abdominal notam-se proeminências
164 Auriculoterapia

em forma de fatias; nas miofibrites do ombro e da espalda aparecem


proeminências em forma de ramos mais grossos.

D epressões
As depressões podem ser observadas em forma de pontos, fatias ou de
gomos, sulcos ou linhas. Por exemplo, podemos perceber depressões em
forma de pontos, no tinido e astigmatismo; nas afecções por úlceras gástri­
cas ou duodenais temos a possibilidade de encontrar depressões em for­
ma de gomos ou fatias e nas cardiopatias, hipoacusia e extrações dentá­
rias, observamos depressões em forma de sulcos.

P orosid a d es e Irregularid ad es
Estas podem apresentar manifestações de aspereza, rugas e es-
pessamento na área ou no ponto, são vistas, com freqüência, nas
enfermidades dermatológicas.

Reações em Forma de Pápulas


As reações em forma de pápulas, nos pontos ou áreas auriculares,
podem expressar-se de diferentes formas as quais incluem: pápulas
em forma de pontos, em forma de vesículas e as que se fazem proemi­
nentes na pele, em uma zona bem definida.
De acordo com sua coloração, podem dividir-se em pápulas de cor
vermelha, cor branca, cor branca com os bordos vermelhos, e em
casos excepcionais, observam-se pápulas de cor cinza-escuro.
Segundo a combinação entre as distintas formas e cores, podemos
relacioná-las com as enfermidades da seguinte maneira:
• Pápula de superfície plana que varia sua forma como o bicho-
da-seda - Observa-se, em geral, no prurido.
• Pápula com pontos de cor branca - Observa-se na colecistolitía-
se, bronquite e nas diarréias.
• Pápula de cor pardo-escura como a pele de galinha - Observa-
se, de modo geral, na neurodermatite.
• Pápula alinhada em forma de grão de arroz - Observa-se, habi­
tualmente, nas arritmias cardíacas e nas síndromes por estag­
nação. Em algumas ocasiões, pode ser a manifestação de algu­
mas afecções de caráter estrutural, com evolução aguda ou crô­
nica, além disso, são observadas, nas dermatites atópicas.

Reação de Descamação
Observam-se as descamações, como uma alteração de cor es­
branquiçada na pele do ponto que ao ser raspada, desprende-se
com facilidade.
Diagnóstico 165

• Nas enfermidades dermatológicas, como é o caso da dermatite


seborréica. pode-se notar descamação na área de alergia e no
ponto pulmão.
• Nas afecções ginecológicas de caráter inflam atório e nas
leucorréias, percebe-se a presença de descamações na fossa trian­
gular.
• Quando presenciamos a descamação nos pontos do esôfago e cár­
dia, este fato, nos leva a pensar que o paciente apresenta transtor­
nos dispépticos ou diminuição na atividade funcional digestiva.
• Quando examinamos a descamação de todo o pavilhão auricular
podemos afirmar que o paciente é portador de uma dermatite
seborréica ou de uma psoríase.

Reações Vasculares
Entre as reações vasculares observadas no pavilhão auricular, as
que se apresentam, com mais freqüência, são as telangiectasias em
forma de rede, pregas, cordões, as angiectasias, etc. Mostrando dife­
rentes tonalidades, em sua coloração, desde o vermelho-escuro, ver­
melho-brilhante ao violáceo.
• Angiectasias - Estas podem apresentar-se em forma de leque ou
ramos. As que aparecem em forma de leque são vistas, usual­
mente, nas úlceras pépticas, nas dores lombares e dos membros
inferiores e as que se manifestam em forma de ramos ou segmen­
tos são observadas, com freqüência, nas artralgias, bronquiec-
tasias, etc. Quando as angiectasias possuem uma coloração ver-
melho-brilhante significa que a enfermidade é de caráter agudo
ou muito dolorosa, quando a coloração é violáceo-brilhante, en­
tão, nos indica que a enfermidade foi curada ou, apresenta um
quadro recidivante.
• Telangiectasias em forma curva disseminada em uma área es­
pecífica (os antigos as comparam com um mar de estrelas) -
Estas se expressam quando o paciente sofre de afecções
ulcerosas: quando se observam em forma serpiginosa, estão co-
mumente associadas a paciente portador de cardiopatia isquê-
mica e cardiopatia reumática. Nos pacientes que apresentam
uma tumoração, as telangiectasias se mostram em forma de flor
de ameixa, na área correspondente.
• Telangiectasias em forma de rede ou malha - Observam-se no
curso das enfermidades inflamatórias de caráter agudo, por exem­
plo, laringofaringite, amigdalite, mastite, etc.
• Angiectasias interrompidas em seu trajeto - Em geral, obser-
vam-se em forma de ramo que se interrompem em seu centro,
166 Auriculoterapia

comumente são vistas em paciente portador de uma cardiopatia


isquêmica ou no infarto do miocárdio.

Relação Entre as Reações Positivas e o Tipo de


Enfermidade

E n ferm id a d es Infla m a tória s A gu d a s


Nestes casos, em geral, observam-se nos pontos, manifestações de
cor vermelha, mostrando alguns, uma cor branca em seu centro ou,
uma cor vermelha mais escura, em seus bordos. Em outras ocasiões,
apresenta-se como uma angiectasia dos capilares, de cor vermelho-
brilhante acompanhada de uma superfície gordurosa

E n ferm id a d es C rônicas de C a rá ter E stru tu ra l


No curso das mesmas observam-se proeminências ou depressões,
em forma de pontos ou fatias de cor branca, também, se observam
pápulas de cor branca, com escassa gordura que recobre a pele do
pavilhão, oferecendo pouco brilho. Todas estas manifestações podem
estar acompanhadas por edemas.

E n ferm id a d es D erm atológicas


Nestas afecções, aprecia-se na pele do ponto auricular a presença
de descamações, pápulas, pregas com aspereza, espessamentos, que
podem se apresentar com uma cor pardo-escura.

E n ferm id a d es N eoplá sica s


Nestes pacientes, vamos observar proeminências em forma de nós
ou pontos de cor acinzentado-escura, na zona correspondente. Meio
mês depois de realizada a cirurgia, as cicatrizes pós-cirúrgicas mani­
festam-se, no pavilhão auricular, no ponto da zona correspondente,
por intermédio de um cordãozinho ou, também, através de uma cor
esbranquiçada ou acinzentado-escura.

C om o se R ea liza este M étod o


• O médico deve sentar-se com seu tronco ereto e sem esforço,
realizar a observação do paciente, de forma tal, que o pavilhão
auricular deste fique a um nível adequado para ser examinado.
• O local deve possuir uma iluminação natural ou artificial ade­
quada. Com o auxílio dos dedos indicador e polegar exploramos,
segundo a distribuição anatômica da superfície auricular, reali­
Diagnóstico 167

zando uma tração moderada do pavilhão para chegar com a vis­


ta nas conchas e cavidades das mesmas.
• Quando obtemos uma reação positiva, aconselha-se realizar uma
pressão no dorso do pavilhão auricular ou área positiva para
observar as possíveis mudanças morfológicas, este movimento
deve ser repetido, em várias ocasiões, para determinar a flexibi­
lidade, rigidez, brilho, cor, tamanho, etc., do ponto.
• Quando obtemos de um ponto auricular uma reação positiva,
devemos explorar comparativamente o ponto análogo do pavi­
lhão oposto.
• Se encontramos uma elevação proeminente ou nodosa no pavi­
lhão devemos palpá-la com a ponta dos dedos ou a ponta do
instrumento explorador, desta forma avaliamos as característi­
cas da mesma, isto é, presença ou não de dor, tamanho, mobili­
dade, dureza, limites, etc.
• Quando exploramos as áreas da fossa triangular, concha cimba
e cava, devemos utilizar a ponta do instrumento explorador para
abrir e visualizar melhor estas regiões.

A sp ectos a se L e va r e m C on sid era çã o


• Deve-se ter em conta, as diferentes variedades de pavilhões au­
riculares segundo o sexo, a idade e particularidades anatômicas
individuais de cada pessoa.
• Antes de realizar o diagnóstico visual, o pavilhão auricular não
deve ser esfregado, nem manipulado, evitando um aumento da
vascularização do mesmo e por fim a obtenção de dados falsos
através da observação. Nas situações onde o paciente se apre­
senta com um pavilhão auricular engordurado e empoeirado,
este deve ser limpo com a aplicação gentil de um pouco de algo­
dão seco sobre a superfície auricular seguindo na ordem as es­
truturas anatômicas.
• Quando realizamos o diagnóstico exploratório devemos ter pre­
caução em distinguir os verdadeiros sinais dos falsos, para isto
precisamos considerar a fisiopatologia da enfermidade e acom­
panhar a observação com a pressão do instrumento explorador
sobre os pontos que manifestem reação positiva à inspeção, em
busca de uma resposta dolorosa, distensão, etc. Na ausência
destas respostas, então, esta é considerada como uma reação
positiva falsa.
As reações patológicas encontradas devem ser apoiadas com os co­
nhecimentos teóricos da fisiologia dos Zang Fu da MTC, para poder
realizar uma verdadeira interpretação da diferenciação das síndromes.
168 Auriculoterapia

DIAGNÓSTICO ATRAVÉS DA PALPAÇÃO

Este método se fundamenta na estreita relação que se estabelece


entre as mudanças morfológicos, o limiar doloroso, etc. de certas áreas
e pontos do pavilhão auricular, durante um processo patológico. Para o
agrupamento dos dados, geralmente, utilizamos a ponta de um lápis
explorador, o explorador eletrônico e em alguns casos a ponta dos de­
dos. Assim, localizamos a área ou ponto de maior sensibilidade, a pre­
sença de marcas depois de exercida a pressão ou o aparecimento de
mudanças morfológicas que nos orientem para o diagnóstico.
O diagnóstico através da palpação se divide da seguinte maneira:
• Exploração com o uso do lápis explorador ou com explorador
elétrico:
Pressão exploratória.
Rastreamento exploratório.
• Exploração digital.

E xplo ração com L á p is E x p l o r a d o r ou com E xplo rad o r


E l é t r ic o

Pressão Exploratória
Neste método, utiliza-se o instrumento explorador elétrico ou a
ponta do lápis explorador (ponta romba e de 1,5 mm), preferivelmen­
te, de metal. Com este realizar-se-á a pressão exploratória sobre as
áreas ou pontos da superfície auricular, em busca das zonas de maior
sensibilidade dolorosa, com o propósito de obter dados orientadores
para estabelecer um diagnóstico.
Na prática clínica, emprega-se diante das enfermidades agudas
ou de caráter doloroso, oferecendo, não somente informação diagnos­
tica como também nos assinala os pontos a utilizar no tratamento.

Relação Entre os Pontos Sensíveis à Dor e o Tipo de


Enfermidade
Quando se produz um estado patológico, os pontos no pavilhão
auricular manifestam-se sensíveis à dor . Para cada afecção, em par­
ticular, mostra-se doloroso um grupo determinado de pontos ou áre­
as. O aparecimento destes pontos dolorosos e o desaparecimento dos
mesmos está em estreita relação com o começo, desenvolvimento e
evolução da enfermidade, por isto, as características que se apresen­
tam nestes pontos a ser explorados nos permitem determinar o esta­
do evolutivo da mesma.
Diagnóstico 169

Imediatamente depois de ocorrer uma mudança patológica, mos-


tra-se doloroso o ponto auricular que guarda estreita relação com dito
processo, estas reações são muito mais evidentes nas enfermidades
inflamatórias agudas, dolorosas e nas tumorações. Por exemplo, de­
pois de ocorrer uma entorse lombar, pode-se perceber no ponto cor­
respondente do pavilhão auricular uma evidente diminuição do limiar
doloroso.
No Hospital Central do Município de Yangyun, da província de
Shangai, realizou-se um trabalho de exploração sobre os pontos dolo­
rosos do pavilhão auricular em pacientes portadores de apendicite
aguda. Pode-se demonstrar que a formação dos pontos dolorosos no
pavilhão auricular destes pacientes com apendicite se produzia em
geral, 12h depois que este era consciente de seu sintoma. Os pontos
dolorosos podiam distribuir-se não somente nas áreas adjacentes ao
ponto intestino grosso como também na fossa escafóide e na triangu­
lar. Isto responde que, em geral, os pontos dolorosos seguem às ca­
racterísticas evolutivas da enfermidade, assim temos que se uma en­
fermidade avança e, em sua evolução, se acompanha de novos sinto­
mas, o número de novos pontos dolorosos aumentará; depois de ha­
ver realizado a apendicectomia, os pontos dolorosos começam a desa­
parecer após cinco ou sete dias posteriores à cirurgia.
No Hospital Epidemiológico, da cidade de Fuzhou, utilizou-se o
diagnóstico auricular em 60 casos de hepatites, as reações positivas
encontradas tiveram uma freqüência de 73,2% e, no estado agudo da
enfermidade, a mesma alcançará 92,2%, em contraste com 129 casos
de pessoas sadias do grupo-controle onde na fossa triangular se en­
contraram pontos dolorosos em 12%.
No Hospital Popular de Zhengjiang, exploraram-se os pontos dolo­
rosos em 90 pacientes portadores de adenocarcinoma do esôfago,
encontraram pontos dolorosos na área do esôfago do pavilhão auri­
cular em 71 pacientes, enquanto que em 80 pessoas sadias do grupo
comparativo só se puderam encontrar reações dolorosas na mesma
área em 2 casos.
De acordo com os estudos e investigações realizadas, os pontos
dolorosos à pressão no pavilhão auricular reíletem o estado da pato­
logia e sua localização. O diagnóstico auricular, na prática clínica, é
utilizado, freqüentemente, para determinar patologias inilamatórias
de caráter agudo, dolorosas e é especialmente empregado para o
diagnóstico dos sintomas de um quadro de abdômen agudo. Na Chi­
na, são muitos os informes publicados sobre o uso da auriculotera­
pia, para a exploração dos pontos sensíveis à dor no abdômen agudo
e que não tiveram um diagnóstico conclusivo com outros métodos,
tendo êxito o emprego deste método para evitar, em muitos casos, a
170 Auriculoterapia

intervenção cirúrgica. Em geral, se utiliza no diagnóstico de afecções


do fígado, vesícula biliar, intestino, apendicite, litíase renal e nas en­
fermidades ginecológicas.

Como se Realiza este Método


Ao realizar a pressão sobre os pontos auriculares, com a ponta do
lápis explorador, esta se deve executar com uma força homogênea
sobre cada área e o tempo usado para explorar cada ponto deve ser o
mesmo. A sensibilidade dos pontos dolorosos pode ser classificada
em diferentes graus, a partir dos diferentes sinais que oferece o pa­
ciente, e podem variar de gemer ao sentir a dor, piscar, enrugar as
sobrancelhas, realizar um gesto de retirada das mãos do médico do
pavilhão auricular ou que, simplesmente, não resista ao contato.
A intensidade da dor pode-se classificar da seguinte maneira:
Escala de valores por sinais
(-) Quando não existe reação dolorosa.
(+) Quando existe reação dolorosa referida pelo paciente.
(+) Quando o paciente pisca por causa da dor.
(++) Quando o paciente enruga as sobrancelhas.
(+++) Quando o paciente esquiva o pavilhão, por dor.
(++++) Quando o paciente geme, por dor ou esta é irresistível.
Escala de valores por graus
Grau I - O paciente refere dor no ponto.
Grau II - O paciente refere dor e pisca ou franze as sobrancelhas.
Grau III - O paciente geme à exploração e realiza um gesto para
evitar ser manipulado ou não resiste à exploração.
Ao mesmo tempo que se realiza a pressão sobre os pontos auricu­
lares na busca das áreas dolorosas, deve-se observar a presença de
depressões, de marcas e das mudanças de coloração nas mesmas.
Leva-se em conta, também, o tempo em que estas lesões permane­
cem, depois de realizada a exploração e, em caso de utilizar o explora­
dor elétrico, se levam em consideração as variações da resistência
elétrica do ponto.
No momento em que se realiza a diferenciação diagnostica, neces-
sita-se, além de explorar os pontos auriculares diretamente relacio­
nados com a enfermidade, explorar outros adjacentes ao mesmo, com
o propósito de realizar uma comparação quanto ao limiar doloroso
dos mesmos, selecionando aqueles que realmente sejam dolorosos.
Ao realizar o tratamento com auriculoterapia empregaremos
aqueles pontos que durante a palpação m ostraram -se evidente­
mente dolorosos.
Diagnóstico 171

Aspectos a se Levar em Consideração


• Quando empregamos este método descrito anteriormente, deve­
mos ter presente as classificações antes mencionadas e determi­
nar quais são as sensações que se obtêm do paciente ao explo­
rar seu pavilhão como dor, tumefação, distensão, etc.
• A força na pressão sobre os pontos auriculares deve ser harmo­
niosa, usando um tempo similar de exploração em cada ponto,
com este requisito se evita a coleção de dados falsos.
• A ponta do instrumento explorador deve ter uma superfície re­
gular e romba, com isto se evita causar lesões sobre a delgada
pele do pavilhão auricular.

Rastreamento Exploratório
Este método utiliza a ponta do explorador para realizar a busca
das diferentes mudanças morfológicas do pavilhão auricular, tam­
bém, pode ser empregado para explorar cada parte do mesmo, ainda
que existam ou não, mudanças patológicas nele, fato que nos facilita
obter informação complementar sobre os sinais que se apresentam
sobre o pavilhão auricular. Disto se depreende seu grande uso na
prática clínica.
Através deste método podemos encontrar a relação existente entre
as mudanças morfológicas e as enfermidades. As mudanças observa­
das comumente são, depressões, edemas, etc. Além disso, adicionam-
se os dados obtidos por presença ou não das marcas deixadas pela
exploração, tendo-se em conta, a coloração, profundidade ou superfi­
cialidade e tempo de permanência das mesmas.

Como se Realiza este Método


Utilizamos a ponta do lápis explorador ou do explorador elétrico,
executando um movimento de rastreamento linear seguindo as pau­
tas estabelecidas para isto. Não devemos obviar os pontos sensíveis à
dor que se obtenham durante a exploração. Este método é muito em­
pregado, na prática clínica.
• Primeiro exploramos a porção superior e depois a inferior.
• Primeiro a porção interna e depois a externa.
• Primeiro o lado direito e depois o esquerdo.
• Primeiro se exploram os Zang Fu e depois os membros.
A ordem do trajeto do rastreamento deve reger-se pela anatomia
do pavilhão auricular e ao explicado anteriormente.
A exploração dos órgãos se realiza segundo o pavilhão da seguinte
maneira.
172 Auriculoterapia

• Pavilhão direito - Fígado, vesícula biliar, estômago, duodeno e


apêndice principalmente.
• Pavilhão esquerdo - Pâncreas, coração, baço, intestino delgado
e intestino grosso.

Aspectos a se Levar em Consideração


• Antes de realizar a palpação não devemos esfregar, limpar, mas­
sagear, o pavilhão auricular, evitando assim a obtenção de da­
dos falsos.
• Ao utilizar a ponta do instrumento explorador eletrônico para
realizar a palpação, devemos colocar atenção sobre as mudan­
ças da resistência elétrica dos pontos, ao aparecimento ou não,
de pontos sensíveis à dor, às mudanças morfológicas presentes,
à presença ou não de marcas, sua coloração, assim como o tem­
po de permanência destas.
• Se verificamos ao explorar uma determinada área que esta mos­
tra mudanças morfológicas mas não há mudanças sonoras, isto é
considerado como ponto a analisar no diagnóstico, já que, em
geral, estas são manifestações das enfermidades crônicas.
• Aos movimentos de rastreamento com a ponta do explorador se
deve imprimir uma pressão moderada, tendo sempre presente
os princípios da exploração segundo a distribuição da anatomia
auricular, desta forma metódica evitamos o esquecimento de al­
gumas áreas importantes.
• Quando realizamos o rastreamento devemos pôr atençào na di­
reção em que realizamos a pressão, considerando as caracterís­
ticas da distribuição dos pontos nas conchas e depressões mais
baixas do pavilhão.
• O método diagnóstico através da palpação e da exploração elé­
trica têm em comum os mesmos princípios, ambos constituem
um apoio importante no diagnóstico visual, além de comprovar
os dados obtidos através da observação.

Mudanças Morfológicas Obtidas Mediante este


Método

Proeminências
As proeminências se apresentam com variações específicas para
cada caso em particular, como por exemplo:
• Proeminência em forma de pontos - Apresenta-se, com freqüên­
cia, nas cefaléias, traqueítes e na miopia.
Diagnóstico 173

• Proeminências em forma de fatias - Apresentam-se com freqüên­


cia nas dores lombares, entorse lombar, cefaléia do tipo enxa­
queca, cefaléia occipital, gastrite crônica, plastrão apendicular,
transtornos gastrointestinais, distensão abdominal, úlceras bu­
cais e periodontites.
• Proeminência em forma de ramo grosso - Observa-se nos miomas
uterinos, entorses da musculatura lombar, colecistite, anexite,
constipação, dor precordial e dor nos ombros e na espalda.
• Proeminência em forma de cordãozinho - Observa-se, com fre­
qüência, nos miomas uterinos, gastrite crônica, úlcera duode-
nal de caráter crônico, colecistite crônica, hepatomegalia, trans­
tornos da freqüência cardíaca (arritmias), hemorróides, bron­
quite, hiperplasia óssea da região lombar ou cervical, artrite de
caráter traumático, entre outros tipos de afecções crônicas.
• Proeminências em forma de nós - Observam-se com freqüência
nos miomas uterinos, cefaléias, hiperplasia mamária.
• Hiperplasia da cartilagem - Observa-se nos estados de neuras­
tenia, hepatomegalia, hiperplasia óssea da região cervical.

D epressões
As depressões se apresentam como manifestação de um estado
patológico no ponto correspondente do pavilhão auricular, podem ser
observadas em forma de pontos, linhas, sulcos ou fatias, segundo a
enfermidade que representem.
• Depressões em forma de pontos - Apresentam-se nas extrações
dentárias, daltonismo, úlceras duodenais e tinido.
• Depressões em forma de fatia - São expressões dos estados de colite
crônica, úlcera duodenal, vertigem e nas extrações dentárias.
• Depressões em forma de linhas ou sulco - São observadas nos
transtornos auditivos (hipoacusia, tinido), nas extrações dentá­
rias e na cardiopatia.

M arcas
As marcas que se observam ao realizar a exploração podem se
manifestar das seguintes maneiras: superficiais e profundas, com
mudanças da coloração, brilho e tempo de duração. Estas diferenças,
na prática clínica, nos permitem estabelecer a diferenciação entre as
síndromes por excesso e por vazio.
• Marca profunda de cor branca que permanece por tempo pro­
longado e desaparece lentamente:
Este sinal apresenta-se, usualmente, nas síndromes por vazio, por
exemplo, na anemia, edema, acidose metabólica, tinido, vazio do rim,
lombalgias e nas enfermidades alérgicas.
174 Auriculoterapia

• Marca superficial de cor vermelha que desvanece com rapidez:


Esta característica apresenta-se nas síndromes por excesso, usual­
mente, na clínica manifesta-se na hipertensão arterial, urticária agu­
da, hepatite, distensão abdominal, gastrite aguda, infecção das vias
biliares e na apendicite.

Edem as
Os edemas se apresentam acompanhando as depressões ou for­
mando vesículas ou pregas móveis.
• Edema acompanhando as depressões - Apresenta-se na clínica
na glomerulonefrite aguda, ascite, edemas superficiais, edemas
vasculares, transtornos endocrinometabólicos, linfangiite dos
membros inferiores, insuficiência venosa profunda, lombalgias
por deficiência de rim, distensão abdominal, pielonefrite, me-
trorragia e hemorragia uterina disfuncional .
• Edema com vesículas móveis - Este edema observa-se depois de
passar a ponta do explorador sobre o ponto ou área adjacente,
usualmente, se apresenta como uma vesícula móvel, na clínica
observa-se nas cardiopatias, arritmias, hemorragia uterina fun­
cional e no diabetes melito.

E xplo ração D ig it a l

Este método utiliza a ponta dos dedos para perceber as mudanças


morfológicas do pavilhão auricular, com o objetivo de estabelecer um
diagnóstico. Na clínica, emprega-se no diagnóstico das enfermidades
crônicas e de caráter estrutural.
Através deste método apreciam-se as mudanças morfológicas dos
pontos auriculares como expressão da enfermidade, estas variações
incluem: a hiperplasia da cartilagem, proeminência do tecido cartila­
ginoso, mudanças na dureza da cartilagem e sensibilidade dolorosa
em certas áreas do pavilhão.

C om o se R ealiza este M étodo


Utilizando a ponta do polegar da mão direita, a colocamos sobre o
ponto a explorar, enquanto o dedo indicador da mesma mão é coloca­
do sobre o dorso da orelha, diretamente no local oposto ao polegar.
Ambos os dedos são empregados, mutuamente, na exploração digital
sobre o pavilhão auricular, para descobrir as mudanças presentes. As
zonas representativas do pavilhão auricular de mais fácil acesso para
este método são as áreas correspondentes à cabeça, ao tronco e às
extremidades.
Diagnóstico 175

Mudanças Morfológicas Obtidas Mediante este


Método Segundo o Local do Pavilhão Auricular

Lóbulo da Orelha
Quando realizamos a exploração digital sobre o lóbulo da orelha
podemos encontrar o engrossamento ou não deste, em caso afirmati­
vo o mesmo estará dado por presença de proeminências, por exemplo,
na periodontite podemos palpar sobre os pontos do maxilar superior e
inferior uma proeminência em forma de fatia.

Antitrago
Nas áreas occipital, vértex e cervical podemos palpar engrossa-
mentos da cartilagem como sinal comum. Por exemplo, quando se
palpa uma proeminência em forma de cordão que vai desde o antitrago
até a altura do anti-hélix, podemos imaginar a neurastenia; se no
trajeto médio da parte posterior do antitrago e do hélix há um espes-
samento da cartilagem, então pensamos que o paciente apresenta sin­
tomas de transtorno do sono.

Fossa Escafóide
Se na porção inicial da fossa escafóide se palpa uma proeminência
em forma de ramo grosso, podemos assegurar que o paciente sofre de
fibrose dos músculos da espalda e dos ombros.

Anti-hélix
Nesta área é fácil encontrar proeminências e engrossamentos da
cartilagem. Quando exploramos esta zona e encontramos proeminên­
cias em forma de fatias ou hiperplasia da cartilagem, podemos afir­
mar que existem afecções ósseas ou lesões dos tecidos moles.

Cruz Superior do Anti-hélix


Em presença de hiperplasia de textura dura, podemos afirmar que
existem afecções como dores articulares por traumas externos; se
palpamos uma proeminência em forma de fatias com textura mole,
então, dizemos que o paciente é portador de danos articulares que
envolvem os tecidos moles.

Concha Cimba
Quando encontramos anormalidades morfológicas estas nos reve­
lam as mudanças patológicas dos órgãos internos, por exemplo, no
176 Auriculoterapia

fígado, na vesícula, no baço e no estômago. Ao palpar estas áreas


colocaremos a atenção na presença ou não de nós, cordõezinhos e
proeminências em forma de fatias; além disso, devemos ter presente o
grau de dureza, movimento e sensibilidade dolorosa destas.
Por exemplo, se na área do fígado observamos proeminências em
forma de esponjas marinhas, podemos afirmar que o paciente é por­
tador de esteatose hepática.
Se na área da vesícula biliar encontramos proeminências em for­
ma de fatias com textura dura, então, podemos pensar na presença
de colecistite aguda.

H élix da Orelha
No hélix podemos palpar mudanças no ponto ânus, pequenos nó-
dulos na área de tumoração 2, cordões e sensibilidade dolorosa na
área de tumoração 1.

Aspectos a se Levar em Consideração


• Ao realizar a exploração com este método, se faz necessário fixar
as pontas dos dedos na área, exercendo uma pressão adequada,
para deslizar os mesmos em quatro direções, acima, abaixo, para
a direita e para a esquerda, com o objetivo de encontrar mudan­
ças na textura auricular, etc.
• Quando encontramos uma mudança morfológica no pavilhão é
necessário diferenciar se é congênita ou adquirida.

DIAGNÓSTICO ATRAVÉS DA EXPLORAÇÃO ELÉTRICA

Este método exploratório baseia-se na determinação da resistên­


cia elétrica dos pontos auriculares. De acordo com as variações da
mesma, em cada ponto, levantaremos um correto diagnóstico das
anomalias presentes nos Zang Fu ou no corpo, em geral. Estes pontos
onde cai a resistência elétrica de maneira significativa também deno­
minamos pontos de alta condutividade.

C o m p o r t a m e n t o E l é t r ic o dos P onto s A u r ic u l a r e s

O homem possui uma rede energética autônoma altamente espe­


cializada, que responde aos princípios do desenvolvimento filogenético
das espécies, mantendo cada uma das partes que o conformam em
um equilíbrio mútuo. Em estado fisiológico normal, existem numero­
Diagnóstico 177

sos sistemas de auto-regulação que sustentam o equilíbrio no orga­


nismo humano e, por isto, sua saúde.
Quando em alguns destes sistemas se produzem mudanças ou
desarmonias, então, se perde o equilíbrio funcional do organismo,
isto ocasiona a obstrução do Qi em sua circulação pelos canais e cola­
terais, gerando o aparecimento de mudanças patológicas nas partes
do organismo que estejam estreitamente vinculadas ao sistema em
desequilíbrio. Este processo também se faz manifesto no pavilhão
auricular com o surgimento, antes de mais nada, de variações na
condutividade elétrica dos pontos, em relação ao sistema implicado.
Em investigações realizadas sobre o sistema de sinais corporais,
pode se observar que o pavilhão auricular se comporta como um local
concentrador destes sinais bioenergéticos, e todos podem-se expres­
sar com uma determinada reação no pavilhão auricular.
Quando ocorre um mudança patológica em qualquer parte do cor­
po humano se produz uma evidente diminuição na resistência elétri­
ca da pele, da área ou do ponto representativo de dito estado e por­
tanto, um aumento da condutividade elétrica. A resistência elétrica
do pavilhão auricular varia em seus valores fisiológicos em 100 a 5.000
quiloohms, se tiver lugar uma mudança patológica na variação da
resistência elétrica, pode diminuir em valores de 20 a 500 quiloohms,
o que nos sugere um aumento na condutividade elétrica do ponto
reativo, comparado com o ponto sadio.
Os equipamentos exploradores dos pontos auriculares nos servem
para mostrar estas reações produzidas pelas mudanças patológicas
no organismo, através de variações sonoras, luminosas, ou deflexões
da agulha do miliamperímetro, conseguindo, assim, o diagnóstico.

T ip o s d e E q u ip a m e n t o s E xplo rad o res A u r ic u l a r e s

Os equipamentos utilizados para a exploração auricular foram


construídos com modelos, formas e normas diferentes, apesar disto
se diferenciam em quatro classes principais:
• Modelo indicador por variações sonoras - E um modelo muito
utilizado na prática clínica, por sua facilidade de transporte e
manejo, nele se expressam as variações da resistência elétrica
por mudanças sonoras de uma buzina, os mesmos se testam
com magnitude ou freqüência. As anormalidades sonoras obti­
das nos oferecem informação sobre as mudanças patológicas no
organismo.
• Método utilizando as mudanças luminosas de uma lâmpada -
Neste modelo se emprega um circuito que transmite as varia­
ções elétricas para uma lâmpada de neônio, segundo as mudan­
178 Auriculoterapia

ças da iluminação, a mesma expressará as mudanças energéti­


cas obtidas através da exploração dos pontos auriculares. Com
a dificuldade que implica realizar ambas ações simultâneas (ob­
servar a lâmpada e o ponto), este método na clínica se combina
com o anterior.
• Modelo indicador por agulha deflectora - Este instrumento nos
mostra as mudanças energéticas dos pontos auriculares através
do deslocamento da agulha sobre uma escala determinada, o
anterior nos permite qualificar as mudanças da resistência elé­
trica. O emprego deste instrumento implica na dificuldade de
observar simultaneamente o deslocamento da agulha e o ponto
a explorar, motivo pelo qual limita sua utilização na prática clí­
nica, já que se requer, pelo menos, dois manipuladores, porém,
é muito útil nas investigações de laboratório.
• Modelo encefalográfico - Este método investigativo consiste na
exp loração do p a vilh ã o a u ric u la r com os eletro d o s do
encefalograma, por sua complexidade e análise dos dados obti­
dos é um modelo de estudo exclusivo dos laboratórios.

C o n s id e r a ç õ e s G e r a is d o s P onto s de A lta

C o n d u t iv id a d e
Na prática clínica diária, podemos constatar uma evidente dife­
rença entre a condutividade do ponto que reflete um estado patológi­
co e a do sadio, o anterior obedece a uma diminuição da resistência
elétrica naquelas áreas onde se reflete um estado patológico.
E importante ter presente que uma mesma afecção possui diferen­
tes estados evolutivos e pode se manifestar de formas diferentes ain­
da que no mesmo paciente, por isso, os pontos refletem uma
condutividade mutante em relação ao momento e curso da afecção.
Por exemplo, uma mesma enfermidade presente em dois pacientes
pode expressar diferenças quanto à condutividade dos pontos, já que
a mesma se manifesta com individualidade, desta maneira, podemos
declarar que se a afecção possui um caráter funcional ou estrutural,
agudo ou crônico, a condutividade dos pontos reativos mostrará dife­
rentes graus durante o diagnóstico. Outros fatores a se levar em con­
sideração incluem a idade, o clima, a temperatura, os estados emoci­
onais, que produzem variações na condutividade dos pontos.
Por esta razão, quando exploramos os pontos auriculares as varia­
ções sonoras, luminosas ou de deflexão da agulha em cada caso, serão
diferentes. Por exemplo, em alguns podem aparecer variações sonoras
em vários pontos, enquanto que em outros, em um, dois ou três pon­
tos, somente. Comumente, pode-se dizer que nas pessoas de idade
Diagnóstico 179

avançada, com debilidade fisiológica, obtêm-se reações sonoras em di­


versos pontos e nas enfermidades funcionais ou em uma só enfermida­
de que se desenvolve em crianças ou adultos, os pontos de alta
condutividade serão em menor número que nos casos anteriores.

D e t e r m in a ç ã o d o s P o nto s de A lta C o n d u t iv id a d e

Diferença entre Pontos Normais e de Alta


Condutividade

Pontos norm ais


São aqueles que não guardam relação alguma com os estados pa­
tológicos. Quando realizamos a exploração elétrica neles, não se evi­
denciam mudanças sonoras significativas, sendo débeis e de baixa
freqüência, além disso, não se acompanham de dor à pressão, nem
mudanças morfológicas.

Pontos de A lta C ond utividade


Constituem uma manifestação positiva que expressa sua relação
com o estado patológico, mostrando variações significativas no som,
quando são explorados que podem ser divididas em três grandezas:

R eação Positiva Débil


O som aparece débil, tom baixo e baixa freqüência, não se acompa­
nha de dor à pressão, pode ser expressado graficamente como (+/-).

R eação Positiva
O som aparece com mais rapidez, forte, mas seu tom ainda é bai­
xo, não ocorrem variações importantes em sua freqüência, pode estar
acompanhado de dor à pressão, se expressa graficamente como (+).

R eação Positiva F orte


O som aparece com rapidez, acentuado e com variações no tom
desde freqüências mais baixas até as mais altas, pode estar acompa­
nhado de dor à pressão, se expressa com o sinal (++).
Entre as características gerais destes pontos de alta condutividade
verificamos que os mesmos podem estar acompanhados de dor à pres­
são, mudanças morfológicas, descamações, pápulas, mudanças da
coloração e telangiectasias.
180 Auriculoterapia

Diferença entre Pontos de Alta Condutividade


Fisiológica e Pontos de Alta Condutividade de
Reação Positiva
A condutividade elétrica do pavilhão auricular está condicionada e
modulada pela presença de diferentes estruturas morfológicas do pa­
vilhão, as mais importantes a se ter presentes são as proeminências,
elevações, depressões, etc. As modificações estruturais anteriores
podem expressar-se com um alcance de condutividade elétrica que
flutua de 20 a 30 quilo-ohm; por exemplo, para ilustrar o mencionado
anteriormente, sabemos que nas partes do pavilhão constituídas por
depressões, a resistência elétrica será baixa, enquanto que nas proe­
minências será alta.
Também encontraremos este fenômeno em diferentes pontos do
pavilhão auricular; devemos considerar que os pontos da fossa
escafóide (clavícula, ombro, articulação do ombro, cotovelo, punho,
falange); os pontos da fossa triangular (útero, Shen Men)\ os pontos
da raiz do hélix (boca e esôfago); os pontos da concha cimba (intestino
grosso e bexiga); os pontos da incisura do intertrago (endócrino); pon­
tos da concha cava (coração, pulmão e San Jiao), todos ao serem ex­
plorados eletricamente, mostram uma reação positiva débil mas que
não devem ser considerados como um estado patológico.
Nas pessoas que gozam de uma boa saúde, como os jovens, desportistas,
trabalhadores da aviação, também são encontrados ao explorar o pavi­
lhão auricular, eletricamente, pontos de alta condutividade mas, que
não são manifestações de estados patológicos, corroborado isto através
da busca de outros sinais e exames de laboratório, isto nos levou a
denominar estes pontos, como fisiológicos de alta condutividade, pon­
tos normalmente sensíveis ou pontos de reação positiva falsa.
Durante a realização do diagnóstico clínico, observam-se estes
pontos fisiológicos de alta condutividade, tanto nas pessoas sadias
como nas enfermas sua existência guarda estreita relação com as
estruturas anatômicas, constituição e estado funcional do indivíduo,
portanto, ao examinar eletricamente o pavilhão auricular devemos ter
sempre presente quais são os pontos de alta condutividade fisiológi­
ca, para evitar confusões no momento da elaboração do diagnóstico.
Como método auxiliar para identificar estes pontos, tomamos as ca­
racterísticas elétricas de intensidade, nível e tom no som do equipa­
mento explorador, também, corroborar se estes pontos se acompa­
nham de dor à pressão, mudanças morfológicas, de coloração,
descamações e telangiectasias, todo o exposto anteriormente nos con­
firma a presença de um ponto de reação positiva de alta condutividade
e não a de um ponto fisiológico de alta condutividade.
Diagnóstico 181

C a r a c t e r ís t ic a s D ia g n o s t ic a s d o s P o nto s de A lta

C o n d u t iv id a d e

• Ponto de alta condutividade com reação positiva débil


Em primeiro lugar, nos orienta a pensar que a enfermidade é de
recente começo e/ou se encontra em uma fase de recuperação parcial
ou total.
Em segundo lugar, há ocasiões em que o paciente é portador de
uma afecção de caráter crônico ou com lesão estrutural que se recu­
perou pode se encontrar no ponto correspondente uma marca reativa
que perdura por longo tempo, apesar de não haver manifestações da
enfermidade, nestas situações, o som do equipamento explorador é
ligeiramente débil com relação ao primeiro caso, isto não se considera
como um dado de peso para se fazer o diagnóstico, já que não há
sinais, nem critérios para justificar sua posição.
• Ponto de alta condutividade com reação positiva moderada
Esta característica está presente nas mudanças patológicas orgâ­
nicas estabelecidas, por isto, refletem-se nos pontos homólogos do
pavilhão auricular. Os pontos com esta reação positiva moderada fa­
zem seu aparecimento durante o pleno desenvolvimento da enfermi­
dade e constituem uma valiosa informação a se levar em considera­
ção quando elaboramos o diagnóstico.
• Ponto de alta condutividade com reação positiva forte - Este ponto
é a manifestação do epicentro da enfermidade, nos localiza a
posição principal da patologia no organismo, é considerado o
ponto principal a se tomar em conta quando vamos realizar o
diagnóstico e o tratamento.

R egras G e r a is d a s R eações nos P o nto s de A lta

C o n d u t iv id a d e
• Vários pontos reativos em uma mesma enfermidade
Os pontos de alta condutividade são a expressão de um estado
patológico, por isso, a presença de um grupo de pontos reativos ante
uma enfermidade nos expressa a evolução, o grau e a intensidade da
mesma. No processo patológico de um determinado órgão além de
aparecer o ponto reativo do órgão correspondente, se associa um gru­
po de pontos de reação positiva que guardam relação com o trajeto
dos canais, colaterais implicados nesta afecção; portanto os pontos
reativos de algumas patologias não podem ser determinados sob um
procedimento rígido, já que podem aparecer vários pontos de alta
condutividade, em uníssono, durante uma enfermidade, aos quais de­
nominamos como “o fenôm eno de gm pos de pontos de reação mútua .
182 Auriculoterapia

Tendo-se em conta o mencionado anteriormente, podemos con­


cluir expressando que no momento de analisar as reações de alta
condutividade, se faz necessário refletir sobre os sintomas clínicos da
enfermidade, sua intensidade e fisiopatogenia do órgão implicado, para
poder definir o diagnóstico. Por exemplo, na hepatite crônica aparece
uma reação positiva forte nos pontos fígado e hepatite, mas além dis­
so, podem aparecer como pontos de reação positiva, endócrino,
subcórtex, San Jiao e o centro da concha cimba. Na neurastenia po­
demos achar reações positivas em vários pontos, simultaneamente
como a área de neurastenia, o ponto de neurastenia, o coração, o
subcórtex, o vértex e o Shen Men.
• Ponto que se faz reativo ante muitas enfermidades
Este fato também é comum, na prática clínica, onde em um ponto
se produz uma reação de alta condutividade diante de várias enfermi­
dades. Este fenômeno é mais comum nos pontos correspondentes aos
cinco órgãos e as seis vísceras, que podem manifestar reações positi­
vas ante diferentes tipos de enfermidades, justificados pela teoria tra­
dicional. Por exemplo, uma reação positiva no ponto coração pode se
observar diante de diferentes afecções, já que este Zang controla o
espírito, motivo pelo qual podem aparecer reativos em enfermidades
como na neurastenia e, em geral, na maioria das afecções psíquicas;
o coração controla os vasos e o sangue fato que explica se mostrar
positivo diante da hipertensão, das cardiopatias, das arritmias, das
anginas, etc; o coração tem sua abertura na língua e tem no suor seu
fluido, o que justifica aparecerem reações positivas na glossite, úlce­
ras linguais e hiperidrose.
Os pontos correspondentes aos cinco órgãos e às seis vísceras
como o fígado, baço, pulmão, rim, bexiga, vesícula biliar, etc., todos
mostram alta condutividade e manifestações diante da observação
e palpação em diferentes enfermidades, motivo pelo qual devem ser
analisados cuidadosamente no momento de desenvolver o diagnós­
tico.
• Ponto que reflete o processo da enfermidade
Existem pontos utilizados no diagnóstico e que só servem para
refletir um estado patológico, em geral, pertencem a pontos com fun­
ções específicas que quando se fazem reativos ou de alta condutividade
têm uma expressão diagnostica importante. Entre estes pontos, po­
demos citar: a área de alergia, que mostra sempre uma elevada
condutividade nas afecções alérgicas, o ponto da tuberculose ou a
área de tumoração 1 a que mostra uma reação positiva forte ante
qualquer tumoração presente no organismo.
• Ponto de elevada condutividade que localiza a área ou órgão
afetado
Diagnóstico 183

Estes pontos mostram uma elevada condutividade em compara­


ção com outros presentes na mesma enfermidade mas, que o fazem
com menor intensidade.
Por exemplo, na glom erulonefrite encontramos uma elevada
condutividade nos pontos rim, endócrino e uretra, mas, o ponto que
mais elevada condutividade apresenta é o ponto rim, além disso, o
apóiam outros sinais como a dor à pressão, mudanças morfológicas,
etc. Por isto, o estudo comparativo entre o nível de condutividade en­
tre os pontos e as áreas nos serve para localizar e diagnosticar a posi­
ção exata da patologia, já que o ponto de mais elevada condutividade
será aquele que reflete a localização exata da enfermidade.
• Ponto que em ambos pavilhões refletem diferentes valores na
condutividade elétrica
Este fato é um dado importante a se tomar em consideração quan­
do vamos proceder à localização de uma patologia, posto que as rea­
ções cruzadas entre os pavilhões auriculares são poucas, em alusão
ao antes mencionado, o professor Wang Zhong em seu livro, Er Zhen
Liai Fa, nos refere: “As reações cruzadas dos membros inferiores no
pavilhão auricular, ocupam de aproximadamente 8 a 16%, enquanto
nas demais partes do corpo não existem as reações cruzadas". Pelo
que foi antes explicado, é necessário, ao explorar o pavilhão auri­
cular, tomar em consideração os pontos de alta condutividade de ambas
orelhas, realizando uma análise comparativa para conseguir a locali­
zação do processo patológico. Por exemplo, ao produzir-se uma ar-
tralgia no ombro direito, os pontos ombros e articulação do ombro da
orelha direita mostraram mais alta condutividade que seus homólo­
gos na orelha esquerda.

R elação E ntre R eações de A lta C o n d u t iv id a d e ,

S in t o m a s C l ín ic o s e E stado da E n f e r m id a d e
• Quando a enfermidade se encontra em um período evolutivo
agudo, as manifestações clínicas se expressam fielmente nos
pontos auriculares, com reações positivas evidentes que reve­
lam uma elevada condutividade nos mesmos.
• Quando a enfermidade tem um longo período evolutivo, que a
faz classificar como crônica, a condutividade nos pontos auricu­
lares que refletem a patologia é débil e as reações se fazem es­
cassamente evidentes, por exemplo, na cirrose hepática, na área
do fígado a condutividade se encontra diminuída.
• A condutividade elétrica dos pontos auriculares nas afecções que
já remeteram para a normalidade é baixa. Há enfermidades crôni­
cas ou de caráter estrutural que, depois de curadas, ficam em
184 Auriculoterapia

seus pontos ou zonas correspondentes do pavilhão auricular, im­


pressões ou marcas que perduram por longo tempo mas, não obs­
tante, quando utilizamos o explorador elétrico, encontramos uma
escassa reação positiva, portanto, uma baixa condutividade elétri­
ca, só a exploração táctil mostra as mudanças morfológicas evi­
dentes, por isto, quando realizamos o diagnóstico de uma enfermi­
dade crônica ou estrutural devemos utilizar um método exploratório
combinando o emprego da palpação e da exploração elétrica.
• Os pontos do dorso do pavilhão auricular mostram as mesmas
características de condutividade que em seus homólogos pela
face ventral. O professor Li Jia Ji, do Hospital Zhong Shan, da
cidade de Lou Yang, da província de He Nang, realizou uma in­
vestigação sobre a coincidência da condutividade dos pontos
dorsais e ventrais do pavilhão auricular, encontrando os resul­
tados seguintes:
• Em um núm ero de 20 pontos au riculares explorou-se a
condutividade elétrica dos pontos localizados, tanto na face dor­
sal, como frontal do pavilhão auricular, realizando 2.280 rastre-
amentos, resultando que em 2.143 se obteve coincidência para
um resultado na freqüência deste fenômeno de 94%.
• Em um grupo de 58 pacientes portadores de enfermidades cere-
brovasculares, realizou-se um rastreamento da resistência elé­
trica de 95 pontos para ambas as superfícies do pavilhão auri­
cular. resultando:
• Que a resistência elétrica de 36 pontos da face anterior do pavi­
lhão auricular comportou-se abaixo dos 500 quiloohms calcula­
dos 514 vezes para conseguir uma média de resistência elétrica
de 229 quiloohms.
• Que a resistência elétrica de 36 pontos da face posterior do pavi­
lhão auricular se comportou abaixo dos 500 quiloohms calcula­
dos 514 vezes para conseguir uma média de resistência elétrica
de 266 quiloohms.
• Os pontos da face anterior do pavilhão auricular que não tinham
relação com a enfermidade, promediaram um valor de resistên­
cia elétrica de 7.040 quiloohms.
• Os pontos da face posterior do pavilhão auricular que não ti­
nham relação com a enfermidade, promediaram um valor de re­
sistência elétrica de 7.485 quiloohms.
Do referido anteriormente, podemos concluir expressando que não
existe uma diferença evidente entre resistência elétrica dos pontos
homólogos localizados na face ventral e dorsal do pavilhão auricular,
isto nos oferece uma grande vantagem na elaboração do diagnóstico e
do tratamento das enfermidades alcançando resultados satisfatórios.
Diagnóstico 185

Passos a S e g u ir n a E xplo ração E l é t r ic a d o P a v il h ã o


A u r ic u l a r

Ação Inicial
Em primeiro lugar, será a introdução do plug no instrumento ex­
plorador, logo se entrega o extremo da ponta do eletrodo negativo ao
paciente para que o sustente na mão homóloga ao pavilhão auricular
que vai ser explorado, depois se procede ã ligação do equipamento
levando ao máximo o controle de sensibilidade e com nossa mão, que
sustenta o outro extremo do eletrodo explorador, realizamos um cur-
to-circuito fazendo coincidir este com o eletrodo que o paciente sus­
tenta em sua mão, neste momento o equipamento explorador emite
um som com um nível máximo que é indicativo de que o mesmo está
funcionando corretamente.

Regular o Valor da Resistência Elétrica


Como o valor da resistência elétrica da pele de nosso corpo tem,
fisiologicamente, notáveis diferenças de uma pessoa a outra, se faz
necessário antes de realizar a exploração elétrica sobre os pontos au­
riculares, efetuar a regulação do grau de sensibilidade do equipamen­
to, levando-o a um valor de resistência basal. A regulação de um valor
de resistência basal tem um papel importante, pois evita a coleta de
dados falsos e em situações de ser muito sensíveis ou em casos onde
a resistência elétrica da pele seja muito alta pode escapar a coleta de
reações positivas. O método pelo qual se estabelece o valor da resis­
tência basal realiza-se usando como ponto de referência a raiz supe­
rior da orelha, a qual terá um valor promédio de 282,5 quiloohms
abaixo dos pontos de boa condutividade da orelha, os quais terão um
valor médio de 340 quiloohms, razão pela qual se considera o ponto
da raiz superior da orelha o mais indicado para regular a sensibilida­
de do equipamento explorador.

Método de Regulação
Depois dos passos antes mencionados, utilizamos o lápis explora­
dor para colocá-lo sobre a ponta da raiz superior da orelha e lenta­
mente procedemos à regulação do controle de sensibilidade do equi­
pamento até que este chegue a emitir um som tênue, neste momento
fica regulada a resistência elétrica de acordo com as características
individuais de cada paciente, para proceder à realização da explora­
ção dos pontos auriculares.
186 Auriculoterapia

Qualquer ponto do pavilhão auricular que emita um som superior


ao estabelecido, considera-se como um ponto de reação positiva ou de
boa condutividade. A regulação da resistência basal é individual para
cada paciente, motivo pelo qual, ao examinar um novo paciente deve­
mos ajustar novamente o equipamento e. ainda, quando se termina
de rastrear uma orelha e se começa a explorar a outra deve-se proce­
der à sua regulação. Ao realizar a exploração dos pontos auriculares
levaremos em conta o tempo em que o som aparece, a intensidade do
mesmo e especialmente as mudanças de freqüência deste, logrando
determinar, assim, os pontos de reação positiva média e forte.

M étodo de E xplo ração

Método Exploratório de Forma Linear


Através deste método são rastreados todos os sistemas corporais,
este se emprega geralmente para iniciar o exame diagnóstico sobre o
paciente, oferecendo informação sobre as mudanças patológicas, as­
sim como a história de sua enfermidade; em geral, se efetua tendo em
conta as regras seguintes:

E xploração de A cordo com a A n atom ia


Realiza-se na seguinte ordem:
Fossa triangular.
Concha cimba.
Em torno da raiz do hélix.
Concha cava.
Antitrago.
Incisura do antitrago.
Trago.
Lóbulo da orelha.
Anti-hélix.
Cruz superior e inferior do anti-hélix.
Fossa escafóide.
Hélix.
Dorso da orelha.

Exploração p o r Sistem as e A parelhos


Em primeiro lugar, realizamos a exploração da tensão arterial, logo
a dos órgãos do sistema ginecológico e urogenital, o fígado com seu Fu
acoplado, o pâncreas, o sistema gastrointestinal, o sistema Cardior-
Diagnóstico 187

respiratório, o sistema nervoso, a face e os cinco orifícios (boca, gar­


ganta, etc.) e o sistema osteomioarticular (tronco e extremidades).

D iferenças Individuais na E xploração de A m ba s as Orelhas


Ao realizar o método exploratório, sempre devemos começar pelo
pavilhão direito, os órgãos internos se distribuem em cada pavilhão
auricular segundo a posição destes em sua localização anatômica sis­
têmica, isto é, o fígado, a vesícula (vias biliares), o apêndice, etc. se
exploram no pavilhão auricular direito; por outro lado, temos que o
pâncreas, os intestinos delgado e grosso, coração, baço, etc. se explo­
ram no pavilhão esquerdo. Os pontos como o pulmão e os rins são
explorados em ambos pavilhões.

Método Exploratório Exercendo Pressão sobre o


Ponto
Este método emprega-se para explorar o ponto principal a tratar e
é muito utilizado no diagnóstico de pacientes com uma enfermidade
complexa. Na prática clínica, este método exploratório é empregado
antes de efetuar o tratamento para escolher o ponto específico ou
determinado.

C om o se R ealiza este M étodo


Utiliza-se a ponta do instrumento explorador para realizar uma
pressão constante sobre cada ponto de forma paulatina até detectar o
ponto de reação mais positiva. Para a seleção deste ponto, toma-se
como padrão diagnóstico o limiar doloroso, assim como o grau de
resistência elétrica dos pontos, pelo que quando selecionamos o pon­
to de reação positiva que guarda relação com a enfermidade do pa­
ciente, devem-se explorar de maneira comparativa outros pontos do
pavilhão que não tenham relação com a enfermidade e os sintomas,
com o propósito de isolar o verdadeiro ponto de reação positiva. Por
exemplo, quando se explora o ponto hipotensão para determinar se
existe uma hipertensão, devemos realizar uma exploração comparati­
va sobre o ponto hipertensor para determinar qual dos dois manifesta
uma reação mais positiva, conhecendo o estado de tensão arterial do
paciente; pelo contrário se ambos os pontos não apresentam dor à
pressão, nem mostram mudanças morfológicas, então se fará uma
diferenciação quanto à resposta reativa do ponto que se explora; se o
ponto hipotensor mostra uma reação positiva débil, enquanto o ponto
hipertensor se manifesta por reação forte, isto nos indica que o pa­
ciente apresenta um estado de hipotensão arterial.
188 Auriculoterapia

Em outro exemplo, se quando se explora o ponto rim e este ex­


pressa uma reação positiva eom igual resposta nos pontos, nefrite,
bexiga, próstata e endócrino, mas esta reação é mais forte nos pontos
rim, nefrite e endócrino, então nos faz declarar que o paciente é por­
tador de sepse das vias urinárias.
Ambos os métodos exploratórios mostram-se diferentes, mas não
são antagônicos nem divisíveis, razão pela qual, na prática diária,
emprega-se desde o início da elaboração do diagnóstico e, em geral,
em uníssono.

R e g r a s E s t a b e l e c id a s durante a E xplo ração E l é t r ic a

do P a v il h ã o A u r ic u l a r

• Quando se emprega o lápis explorador para determinar os pon­


tos de reação positiva, devem-se seguir certas normas de mani­
pulação para obter de cada ponto a maior informação diagnosti­
ca. Por exemplo, a pressão que se exerce sobre o ponto deve ser
uniforme, evitando o excesso ou a pobre pressão sobre os pon­
tos que se exploram, desta maneira, podemos obter os seguintes
resultados, segundo a intensidade da pressão, isto quer dizer
que se a pressão sobre o ponto é excessiva podemos obter uma
reação positiva falsa, pelo contrário se a manipulação é leve nos
limita a obtenção de reações positivas durante a exploração, dei­
xando escapar, em muitas ocasiões, as mudanças morfológicas
presentes nos pontos de reação.
• O tempo da pressão que se exerce sobre o ponto com o lápis
explorador deve ser uniforme para todos os pontos auriculares,
considera-se também importante a velocidade no deslocamento
do explorador sobre cada ponto. Devemos seguir as normas an­
teriores, já que do contrário poderíamos obter variações na in­
formação. Por exemplo, se o tempo de permanência sobre um
ponto for excessivo, isto provoca uma maior vascularização da
zona e, portanto, da condutividade elétrica, expressando em
muitas ocasiões manifestações positivas falsas.

Classificação dos Pontos com Reação Positiva


Estes pontos se classificam em quatro tipos principais segundo as
reações que se expressam na continuação:
Ponto saudável ou normal, não aparecem reações positivas.
Ponto de reação positiva débil.
Ponto de reação positiva.
Ponto de reação positiva forte.
Diagnóstico 189

A spectos a se L e v a r em C onsideração
• O aparecimento de reações positivas durante a exploração elé­
trica pode obedecer a múltiplas causas, que variam desde as
características do equipamento utilizado ã forma de manipula­
ção, constituição física do paciente, seja obeso, delgado ou atlé­
tico, estado emocional, umidade e temperatura do pavilhão au­
ricular, etc. Por esta razão, antes de começar a exploração elétri­
ca do pavilhão auricular devemos ter presentes estas variações,
com o fim de que as mesmas não exerçam mudanças na respos­
tas dos pontos.
• Antes de explorar o pavilhão auricular, este não deve ser
higienizado nem manipulado, com a manipulação da limpeza
incrementamos a irrigação sangüínea e a temperatura do pavi­
lhão auricular, isto favorece o aumento da condutividade elétri­
ca de toda a superfície auricular e com isto, os pontos se mos­
tram positivos em todos os casos. Se o paciente possui uma su­
perfície auricular muito oleosa ou realizou atividade física que
incremente a sudação, se faz necessário, então, proceder à lim­
peza da mesma e uma vez realizada, deixa-se em repouso o pavi­
lhão auricular por um tempo não menor que lOmin. Depois dis­
to, realizamos a exploração elétrica.
• No inverno, quando a circulação do Qi se faz mais profunda e lenta,
esperamos 15min com o paciente, uma vez no interior da consulta,
para que iguale sua temperatura à do interior do recinto, é impor­
tante ter este aspecto presente, porque o frio causa uma vasocons-
trição que eleva a resistência elétrica do pavilhão auricular, tornan­
do difícil o aparecimento dos pontos reativos.
• Nas pessoas que trabalham expostas às influências dos raios sola­
res e ao sereno, a textura da pele do pavilhão auricular modifica-se,
evidentemente, expressando um incremento da resistência elétrica
que torna difícil o aparecimento dos pontos de alta condutividade,
nestes casos é conveniente, antes de realizar a exploração, aplicar
sobre a superfície auricular uma solução de soro fisiológico, espe­
rar 15min e realizar o diagnóstico. Se apesar do antes realizado, a
sensibilidade se conserva baixa, então, devemos umedecer o eletro­
do que o paciente sustenta em sua mão com uma solução de álcool
de 75% ou soro fisiológico para aumentar a condutividade.
• A pele do pavilhão auricular das crianças é fina e delicada, razão
pela qual o valor de sua resistência elétrica é muito menor que o
das pessoas adultas, além disso, o desenvolvimento de seu sis­
tema nervoso ainda não se consolidou completamente, isto faz
com que os receptores dolorosos se comportem ainda deficien-
190 Auriculoterapia

tes fisiologicamente, isto cria uma discordância entre os pontos


de alta condutividade e a sensibilidade dolorosa destes, que de­
vemos ter presente no momento de fazer o diagnóstico.
• Antes de realizar a exploração elétrica, devemos ajustar a sensi­
bilidade do equipamento, para isto se emprega como referência
o ponto de resistência basal do pavilhão auricular, que nos ofe­
recerá o nível de resistência limite para começar a explorar.
• É importante conhecer o tipo de explorador que estamos empre­
gando como método de pesquisa, isto quer dizer seu tamanho,
direção com que se manipula e a pressão que se exerce. A ponta
do eletrodo explorador deve ter um diâmetro 1,5 a 2 mm, com
uma superfície romba e lisa, para evitar que a ponta provoque
estímulos fortes sobre o pavilhão auricular, fato que falsifica a
coleta de dados. A direção do movimento de rastreamento deve
seguir as normas estabelecidas de acordo com a distribuição
dos pontos auriculares, demonstrou-se que ao explorar os pon­
tos auriculares em uma direção e depois em outra, os valores da
condutividade modificam-se pelo que podemos esboçar a exis­
tência de pontos que só são explorãveis em uma só direção.
• Existem pontos fisiologicamente sensíveis e aqueles que se apre­
sentam patologicamente sensíveis, fato importante a diferenciar
durante a exploração elétrica, assim temos que, ao realizar a
exploração sobre a fossa triangular, a concha cimba, a fossa
escafóide, a incisura do intertrago, a concha cava, as manipula­
ções de pressão do lápis explorador devem ser leves, simulta­
neamente deve-se dirigir a atenção sobre determinados pontos
dentro destas áreas, por exemplo: útero, bexiga, intestino gros­
so, esôfago, endócrino, cárdia, próstata, ponto da articulação do
ombro e da clavícula, nos quais podemos encontrar um som agu­
do com ou sem estar acompanhados de dor à pressão, assim
como, mostrar ou não mudanças morfológicas. Do mencionado
anteriormente, podemos resumir expressando que sobre estes
pontos é necessário utilizar métodos exploratórios combinados:
por exemplo, se o ponto estômago emite uma reação positiva,
isto nos induz a pensar em uma afecção deste órgão, mas se a
afecção tem um caráter estrutural também podemos obter mu­
danças morfológicas e da coloração do mesmo.

DIAGNÓSTICO ATRAVÉS DA DIFERENCIAÇÃO DE


SÍNDROMES
Através dos métodos de observação, palpação e exploração elétri­
ca, podemos coletar os sinais e manifestações suficientes para a ela­
boração do diagnóstico.
Diagnóstico 191

M é t o d o s d e D e t e r m in a ç ã o D ia g n o s t ic a

Análise das Zonas Reativas


A reação positiva da zona do pavilhão auricular correspondente à
enfermidade nos apóia, não só na realização da diferenciação diagnos­
tica como também que se possa localizar a mudança patológica, na
zona exata do organismo.

Análise de Acordo com as Normas Estabelecidas


nas Mudanças de Reação Positiva
Uma enfermidade pode ter, simultaneamente, vários pontos de rea­
ção positiva e por sua vez, um ponto de reação positiva pode expres­
sar a manifestação de várias enfermidades, além disso, um mesmo
ponto com reação positiva pode manifestar o processo evolutivo da
enfermidade, portanto, a análise diagnostica do pavilhão auricular,
suporta um exame exaustivo.
• Vários pontos reativos para uma mesma enfermidade - Por exem­
plo, na hepatite crônica podemos observar uma reação positiva
nos pontos hepatite, fígado, centro da concha cimba, San Jiao,
baço e área digestiva do subcórtex. Quando estamos frente a um
estado de neurastenia os pontos Shen Men, rim, coração, área e
ponto de neurastenia e a zona nervosa do subcórtex têm uma
reação positiva.
• Quando um só ponto de reação positiva é manifestação de uma
só enfermidade - Por exemplo, frente a um estado de hipotensão
o ponto hipertensor mostra uma reação positiva; frente a um
estado alérgico o ponto de alergia tem uma reação positiva; se
existe Tb o ponto da Tb, também, se expressa de forma positiva;
nas hemorróides o ponto ânus expressa-se com reação positiva,
etc.
• Quando um ponto de reação positiva se faz manifesto ante vá­
rios tipos de enfermidades - Por exemplo, o ponto rim pode mos­
trar uma reação positiva ante afecções renais tais como
pielonefrite e prostatite, mas, também, se mostra positivo em
afecções tais como: hiperplasia óssea, neurastenia, hepatite,
alopecia, tinido, hipoacusia, etc.

Análise de Acordo com a Teoria dos Canais e


Colaterais e dos Zang Fu
A teoria dos Zang Fu, valioso legado da MTC, mantém outro pon­
to de vista sobre a fisiologia e a relação funcional dos órgãos, com
192 Auriculoterapia

um a visã o d ife re n te da m ed icin a m od ern a. O em prego da


auriculopuntura está matizado, em grande medida, pelos princí­
pios teóricos desta disciplina, por esta, razão pode-se justificar a
presença de um único ponto de reação positiva frente a numerosas
manifestações de diversas síndromes. Por exemplo, entre as fun­
ções do rim podemos enumerar as seguintes: armazena a essência
vital, gera a medula óssea e espinal, exterioriza-se através do ouvi­
do, expressa-se na qualidade do cabelo, controla os líquidos corpo­
rais, capta o Qi peitoral, etc., por esta diversidade funcional do rim
nas enfermidades do sistema nervoso, urogenital, respiratório, trans­
tornos da audição, a alopecia, as lombalgias, as nefrites, etc., o
ponto pode se mostrar com reação positiva.
Quando realizamos a exploração elétrica e táctil em afecções onde
esteja implicado o rim, em sua atividade funcional (pielonefrite, glo-
merulonefrite, Tb renal, etc), podemos encontrar uma reação positiva
intensa com sensação dolorosa à pressão, assim também nas cardio-
patias podemos encontrar reações positivas nos pontos do coração e
do intestino delgado, visto neste último pela relação interior-exterior
que tem com o coração .
Nas afecções dermatológicas podemos encontrar reações positivas
nos pontos do pulmão e do intestino grosso, por exemplo, a acne juve­
nil e a constipação com fezes secas nos traduz a presença de calor
acumulado no canal Yang Ming, motivo pelo qual, na exploração elé­
trica da aurícula, encontramos positivos os pontos do pulmão, intes­
tino grosso e estômago, justificado pela relação que estabelece o canal
do pulmão em sua trajetória desde o Jiao médio e sua relação com o
intestino grosso.
Nos quadros de cefaléia do tipo enxaqueca distribuída trajeto do
canal Shao Yang do pé, podemos encontrar ao explorar o pavilhão
auricular, o ponto da vesícula biliar positivo que, normalmente apre-
senta-se, segundo o tempo de evolução, com uma proeminência em
forma de cordãozinho, além disso, a presença ou não de proeminên­
cias nas áreas de Tai Yang e fronte.

Análise Diagnostica de Acordo com a Teoria da


Medicina Moderna
O começo, desenvolvimento e evolução de uma enfermidade é um
processo complexo que se apresenta como um desajuste em algum
local de nossa fisiologia, sistema, estrutura ou órgão e, nos casos gra­
ves, pode repercutir na atividade metabólica e funcional de todo o orga­
nismo, manifestando-se através de uma série de sintomas e sinais com­
plexos. Por isto, é usual encontrar durante a exploração do pavilhão
Diagnóstico 193

auricular vários pontos reativos, alguns dos quais podem ser argu­
mentados sob a análise teórica da medicina moderna. Por exemplo, na
úlcera gastroduodenal podemos encontrar manifestações positivas nos
pontos simpático, subcórtex, estômago e duodeno. Sob as considera­
ções da medicina moderna, as úlceras gastroduodenais guardam uma
estreita relação com a função do córtex cerebral e com os órgãos inter­
nos, isto quer dizer que sob situações estressantes constantes, pode-se
desencadear a formação de úlceras pépticas que aparecem pela in­
fluência que exercem as mudanças neurovegetativas sobre a secreção
de ácido clorídrico, a nível da mucosa gastroduodenal.

DIAGNÓSTICO DAS ENFERMIDADES MAIS COMUNS

M e d ic in a I n t e r n a

Sistema Digestivo

Gastrite Aguda
Observação - Na área de estômago podem-se observar pontos ou
pequenas áreas de cor vermelho-clara, acompanhada de brilho.
Palpação - Encontramos dor à pressão, grau I.
Exploração elétrica - O ponto mostra uma reação positiva do
tipo (+).

Gastrite Crônica
• Gastrite crônica de tipo superficial
Observação - Na área de estômago, observa-se uma proeminência
em forma de gomo de cor branca, sem bordos bem delimitados.
Palpação - A proeminência, antes descrita na observação, pode
ser sentida à palpação com certa dureza, também, pode-se palpar a
presença de cordõezinhos nesta área.
Exploração elétrica - A área de estômago apresenta uma reação
positiva do tipo (+).
• Gastrite crônica do tipo hipertrófica
Observação - A área de estômago mostra uma proeminência que
cobre uma grande zona e que possui bordos bem definidos.
Palpação - Na proeminência, antes descrita, pode-se palpar uma
textura de certa dureza.
Exploração elétrica - Na mesma se mostra uma reação positiva do
tipo (+).
194 Auriculoterapia

• Gastrite crônica do tipo atrófica


Observação - Neste caso, pode-se observar a área de estômago
aplanada ou com uma leve depressão, com a superfície enrugada ou
com marcas, que podem ser de cor vermelha ou branca.
Palpação - Com este método diagnóstico, podemos encontrar dor
à pressão, grau I.
Exploração elétrica- Pode-se constatar uma reação positiva do tipo
(+)•

Gastrite Crônica e Aguda em Período de Crises


Observação - Na área de estômago, observa-se uma proeminência
de cor branca, acompanhada de pontos de cor avermelhada, brilhante.
Palpação - A área de estômago mostra dor à pressão, graus I II.
Exploração elétrica - Mostra uma reação positiva do tipo (+/++).

Úlcera Péptica
• Em período ativo
Observação - Na área de estômago, observa-se a presença de telan-
giectasia, em forma de pontos ou em pequenas áreas circunscritas. Há
ocasiões em que se podem observar depressões do tamanho de um
grão de arroz pequeno ou gergelim, que tem bordos claros e uma textu­
ra brilhante, podendo estar acompanhada de telangiectasia.
Palpação - Quando palpamos podemos perceber a depressão com
dor à pressão, grau II.
Exploração elétrica - Apresenta-se com uma reação positiva evi­
dente do tipo (+).
• Em Período não ativo
Observação - Pode-se perceber, na área de estômago, uma depres­
são com pontos de cor cinza-violáceo.
Palpação - Pode-se palpar dita depressão, mas não se apresenta
dor à pressão.
Exploração elétrica - Percebe-se, no ponto estômago, uma reação
positiva débil do tipo (+/-).
• Úlcera cicatrizada
Observação - Na área do estômago, podemos ver marcas de pon­
tos de cor parda.
Palpação - Pode-se palpar, na área de estômago, um cordãozinho.
Exploração elétrica - Percebe-se uma reação positiva débil do tipo
(+/-)•

Úlcera Duodenal
• Período ativo
Observação - Pode-se observar, na área do ponto duodeno, uma
depressão do tamanho aproximado de um grão de gergelim, com bor­
Diagnóstico 195

dos bem delimitados e cor vermelha. O terço externo da raiz do hélix.


pode apresentar telangiectasias que se ramificam para o ponto pân­
creas, vesícula biliar.
Palpação - Pode-se perceber dor à pressão, graus II-III.
Exploração elétrica - O ponto duodeno mostra uma reação positiva
forte do tipo (++).
• Período não ativo
Observação - Observa-se, na área do ponto duodeno, uma depres­
são do tamanho aproximado de um pequeno grão de gergelim, de bor­
dos bem delimitados e de cor cinza-violáceo. No bordo superior da
raiz do hélix, pode-se ver a presença de telangiectasia de cor violácea.
Palpação - Percebe-se, no ponto, dor à pressão, graus I-II.
Exploração elétrica - Encontramos no ponto uma reação positiva
do tipo (+).
• Úlcera cicatrizada
Observação - Na área do ponto duodeno, observa-se uma depres­
são do tamanho aproximado de um pequeno grão de gergelim, de bor­
dos bem delineados e cor parda. No bordo superior da raiz do hélix
também se podem observar angiectasias de cor violácea.
Palpação - Pode-se palpar um cordãozinho com a ausência de dor
à pressão.
Exploração elétrica - No ponto duodeno pode-se ou não perceber
reação elétrica, se esta aparece é positiva, débil, do tipo (+/-).

Duodenite
Observação - Na área do ponto duodeno, pode-se observar um
avermelhamento de bordos irregulares.
Palpação - Na área do ponto, pode-se palpar uma depressão leve.
Exploração elétrica - O ponto mostra-se com uma reação positiva
do tipo (+).

Enterite Aguda
Observação - Na área do ponto intestino grosso, pode-se observar
uma zona de angiectasia de cor vermelho-clara, com brilho e textura
engordurada; em poucos casos, pode-se ver a presença de pápulas.
Palpação - A superfície do ponto se palpa lisa ou com uma leve
depressão, acompanhada de dor ã pressão, grau 1.
Exploração elétrica- Pode-se constatar uma reação positiva do tipo
(+).

Diarréia Crônica
Observação - Na área do ponto intestino grosso, observa-se uma
zona de depressão de cor vermelho-escura e muito engordurada.
196 Auriculoterapia

Palpação - Sente-se uma depressão, acompanhada de dor à pres­


são, grau I.
Exploração elétrica - O ponto intestino grosso mostra-se com uma
reação positiva do tipo (+). Se os pontos alergia e endócrino também
mostram uma reação positiva à exploração elétrica, é manifestação
de uma colite do tipo alérgica.

Constipação
Observação - Pode-se perceber, na área do ponto intestino grosso,
uma proeminência, em forma de cordão, que pode estar acompanha­
da de descamação.
Palpação - Palpa-se um cordão proeminente, de uma textura sóli­
da ou, também, se pode palpar um cordãozinho mais fino.
Exploração elétrica - O ponto intestino grosso mostra-se com uma
reação positiva débil do tipo (+/-).

Desordens Intestinais
Observação - Na área do ponto intestino delgado, pode-se obser­
var uma proeminência de cor esbranquiçada, que pode estar acompa­
nhada de um edema que se distribui até o ponto centro da concha
cimba. A área do ponto intestino grosso pode mostrar uma superfície
lisa ou uma pequena depressão, em ambos os casos de cor vermelha
ou púrpura.
Palpação - Na área do ponto intestino delgado, pode-se palpar uma
proeminência, também ao examinar os pontos baço e intestino delga­
do, observa-se que fica uma marca à pressão de cor pálida. Tanto na
área do ponto intestino delgado como grosso não se faz clara a pre­
sença de dor à pressão.
Exploração elétrica - Os pontos intestino grosso e delgado, baço,
alergia e subcórtex mostram uma reação positiva do tipo (+).

Síndrome de Má Absorção nas Crianças


No diagnóstico deste processo patológico, a exploração elétrica
desempenha um papel fundamental. Desta maneira, podemos perce­
ber que existe uma reação positiva do tipo (+), nos pontos intestino
delgado, área digestiva do subcórtex, baço e endócrino.

Hepatite Aguda
Observação - Na área representativa do ponto fígado, pode-se ob­
servar a presença de pontos ou pequenas zonas de cor vermelho-cla-
ra, com brilho.
Diagnóstico 197

P a lp a çã o- À palpação podemos observar a presença de uma m ar­


ca de cor vermelha, após passar a ponta do equipamento explorador
pelo ponto, a qual permanece por um tempo prolongado, também, o
ponto fígado manifesta dor à pressão, grau I.
Exploração elétrica - Os pontos hepatite e fígado, mostram uma
reação positiva do tipo (+).

Hepatite Crônica
Observação - A área do ponto fígado mostra uma proeminência de
cor branca, sobre a qual também se podem observar pontos de cor
acinzentada.
Palpação - Pode-se perceber sobre a proeminência de cor branca,
um dor à pressão, grau I. A marca deixada pelo explorador é de cor
branca e permanece durante um tempo prolongado.
Exploração elétrica - Os pontos hepatite e fígado mostram uma
reação positiva do tipo (+). Se o ponto hepatite apresenta uma reação
positiva ao diagnóstico elétrico e o ponto fígado não, na maioria dos
casos, nos fala de história de disfunção hepática no paciente. Por
outro lado, se o ponto hipocõndrio mostra uma reação positiva do tipo
(+), enquanto que no ponto fígado não se observa reação positiva à
exploração elétrica mas, caso se manifeste doloroso à pressão, nos faz
pensar, também, em uma disfunção hepática.

Cirrose Hepática
Observação - Pode-se observar na área do ponto fígado, uma colo­
ração acinzentada, enquanto que no ponto baço observamos a pre­
sença de uma proeminência.
Palpação - A área do fígado não mostra uma dor clara à pressão,
mas na área do ponto baço podemos palpar um cordãozinho ou uma
proeminência em forma de cordão, também, no ponto esôfago palpa-
se um cordãozinho.
Exploração elétrica - Nos pontos fígado, hepatite, esôfago, baço,
subcórtex e endócrino, encontramos uma reação positiva do tipo (+).

Hepatomegalia
Observação - Na área do ponto fígado, observa-se uma proemi­
nência de cor branca com bordos bem delimitados.
Palpação - Ao realizar a manobra de palpação na área do ponto fíga­
do, para determinar a presença ou não de hepatomegalia, deve-se colo­
car especial atenção à existência ou não de cordõezinhos, os quais, de­
sempenham um papel fundamental no diagnóstico desta enfermidade.
198 Auriculoterapia

Para realizar este diagnóstico utiliza-se o seguinte método:


• Primeiramente traçamos uma linha imaginária desde o ponto
estômago até o ponto hipocôndrio, depois do que, se localiza o
ponto central desta linha, ficando estabelecido que desde este
ponto até o ponto hipocôndrio se localizará a zona de hepatome-
galia.
• Posteriormente, esta linha (a qual abrange a zona de hepatome-
galia) é dividida em quatro partes iguais, desde o ponto hipocôn­
drio para dentro, onde cada um destes quartos de linha repre­
sentarão um centímetro de hepatomegalia.
• Ficando estabelecido o padrão de medição seguinte:
a) Quando o tamanho do fígado é normal - Nas imediações do
ponto hipocôndrio, não se palpam a presença de cordõezinhos.
b) Quando se palpam os bordos do fígado no exame físico - Nas
imediações do ponto hipocôndrio. aparecem cordõezinhos alinhados
em paralelo a este ponto.
c) Quando existe hepatomegalia - Para determinar o tamanho da
hepatomegalia, se tomará em conta, quantos quartos da linha, pre­
viamente fragmentada, ocupa ou os cordõezinhos palpados, reali­
zando a conta desde o ponto hipocôndrio, para dentro. Assim temos
que, se o cordãozinho chega ao primeiro quarto de linha, a hepato­
megalia terá o tamanho de lcm, se chega ao segundo quarto de li­
nha, então o aumento de tamanho será de 2cm, assim sucessiva­
mente até os 4cm.

Colecistite Aguda
Observação - Na área do ponto vesícula biliar. observa-se uma
coloração vermelho-clara, com brilho.
Palpação - Se faz evidente a dor à pressão, graus I II.
Exploração elétrica - Os pontos hepatite e vesícula mostram uma
reação positiva do tipo (+).

Colecistite Crônica
Observação - Na área do ponto vesícula biliar pode-se observar
uma proeminência em forma de cordão ou gomo, de cor branca.
Palpação- Palpa-se uma proeminência de textura sólida, que pode
estar acompanhada por um cordãozinho com dor à pressão, grau I.
Este cordão, em geral, corre paralelo ao anti-hélix e, também, pode se
mostrar com a forma de um grão de arroz.
Exploração elétrica - Encontra-se no ponto uma reação positiva
débil do tipo (+/-).
Diagnóstico 199

Colecistolitíase
Observação - No dorso da orelha, a nível da área do ponto vesícula
biliar, a pele assume uma coloração vermelho-clara, com brilho, tam­
bém, se podem observar neste nível, pregas rugosas, com presença de
pápulas, que podem se apresentar em número de uma até várias. Na
área do ponto, pela parte ventral do pavilhão auricular, observamos
uma proeminência de cor branca, que pode ter forma arredondada e
alcançar o tamanho de um grão de arroz.
Palpação - Na palpação sente-se, na área do ponto, a presença de
cordõezinhos e na mesma área pela parte dorsal do pavilhão, pode-se
palpar um quisto redondo.
Exploração elétrica - Tanto na área do ponto vesícula tanto pela
parte ventral da orelha, como por sua parte dorsal, podem-se encon­
trar reações positivas fortes e muito fortes do tipo (+/++).

Angiocolite
Observação - Nos pontos vesícula e duodeno, podem-se observar
depressões de cor vermelho-clara ou cinza violáceo, também, pode-se
ver a presença de telangiectasias de cor violácea.
Palpação - Ao palpar o ponto de vias biliares percebe-se uma de­
pressão, um cordãozinho ou uma proeminência em forma de cordão,
com dor à pressão, graus I-II.
Exploração elétrica - Encontra-se uma reação positiva e positiva
forte (+/++), no ponto vias biliares.

Esplenomegalia
Observação - Na área de baço da orelha esquerda, pode-se obser­
var uma proeminência de cor vermelho-acinzentada.
Palpação - O diagnóstico através da palpação, desempenha um
papel fundamental na determinação da existência de esplenomegalia.
Normalmente, o ponto baço localiza-se traçando uma linha desde
o ponto estômago (lugar onde desaparece a raiz do hélix) e o bordo
interno da incisura inferior do anti-hélix. Quando existe esplenome­
galia, em geral, os pontos reativos correm por cima e por fora desta
linha. Se o ponto baço se encontra normal, mas por cima deste en­
contramos a presença de cordõezinhos, acompanhados de marcas que
perduram após a exploração, isto é indicativo da presença de esple­
nomegalia. Se palpamos cordõezinhos que correm paralelos, à zona
onde desaparece a raiz do hélix ou ao bordo interno do anti-hélix, nos
indica, também, a presença de esplenomegalia.
200 Auriculoterapia

Exploraçao elétrica - O ponto baço mostra uma reação positiva do


tipo (+).

Sistema Respiratório

Resfriado Comum
No resfriado comum, a exploração dos pontos de alta condutividade,
é fundamental para o diagnóstico.
Assim temos que, quando os pontos pulmão, laringe-faringe, nariz
interno e traquéia, mostram uma reação positiva à exploração elétri­
ca do tipo (+), então, podemos considerar que estamos diante de um
resfriado comum.

Bronquite Crônica
Observação - Na área do ponto brónquio, encontramos uma proe­
minência de cor branca e sem brilho; é pouco freqüente, nestes casos,
observar a presença de pápulas.
Palpação - No ponto brônquios pode-se palpar a presença de um
cordãozinho ou de uma proeminência mas, não existe uma dor evi­
dente à pressão.
Exploração elétrica - O ponto brônquios mostra uma reação positi­
va do tipo (+). Se o ponto brônquios e o ponto pulmão apresentam
uma reação positiva (+), ou uma reação positiva forte (++), indica a
presença de bronquite ou enfisema pulmonar.

Asma Bronquial
Na asma, o diagnóstico se realiza, basicamente determinando os
pontos reativos à exploração elétrica, por isso quando os pontos pul­
mão, brônquios, endócrino, Ping Chuan e alergia, mostram uma rea­
ção positiva do tipo (+). pode-se considerar a presença de um quadro
de asma.

Bronquiectasia
Observação - Nos pontos brônquios e pulmão, pode-se observar
um cordão de cor vermelho-escura, sem brilho. Também, no ramo
inferior do ponto pulmão, podemos ver a presença de telangiectasias
que correm horizontalmente, na área de pulmão.
Palpação - Tanto no ponto brônquios, como no ramo inferior do
ponto pulmão, podem-se palpar numerosos cordõezinhos.
Exploração elétrica - O ponto brônquios mostra uma reação positi­
va do tipo (+).
Diagnóstico 201

Tuberculose Pu lm on a r
• Em período ativo
Observação - No ramo inferior do ponto pulmão, pode-se observar
a presença de uma pápula de cor vermelho-clara com brilho. Em pou­
quíssimos casos, sangra depois de limpar a zona com o apósito de
algodão.
Palpação - No ramo inferior do ponto pulmão, podem-se palpar
irregularidades, com a presença de depressões e proeminências.
Exploração elétrica - O ponto da Tb e o ramo inferior do pulmão,
mostram uma reação positiva forte do tipo (++).
• Tb calcificada
Observação - No ramo inferior do ponto pulmão, observam-se de­
pressões, como a marca que deixaria uma agulha ao picar, estas de­
pressões podem ser desde uma até várias. Também podem observar-
se pontos de cor branca ou pápulas de cor acinzentada, de bordos
bem definidos.
Palpação - Pode-se palpar sobre o ramo inferior do ponto pulmão,
a presença de cordõezinhos ou pequenos nódulos.
Exploração elétrica - O ramo inferior do ponto pulmão e o ponto
Tb, mostram uma reação positiva do tipo (+).

Sistema Cardiovascular

H ipertensão e H ipoten são A rterial


Na medição do estado da tensão arterial no paciente, é vital o uso
do equipamento explorador auricular, o que nos ajudará a determi­
nar a mesma segundo as variações da resistência elétrica do ponto,
que por sua vez poderão ser mostradas de acordo com as variações
tonais do aparelho.
Para isto, se testaram somente os pontos hipotensor e hipertensor.
Quando as cifras de tensão arterial são normais, ao medir a reação
nos pontos antes citados, estes darão um tom de igual magnitude em
ambos os pontos, o qual pode variar de uma reação positiva débil a
uma reação positiva.
Quando o paciente tem história de hipertensão ou de hipotensão,
mas no momento do diagnóstico, sua pressão se encontra nas cifras
normais, seja pelo uso de medicamentos ou, outro método, então en­
contraremos uma reação positiva forte de igual magnitude, em ambos
pontos.
Quando a tensão arterial não é normal, a magnitude e freqüência
do tom no aparelho não se mostra igual em ambos pontos. Assim
temos que, se o ponto hipotensor mostra uma reação positiva forte, o
202 Auriculoterapia

que como já sabemos eqüivale ao aumento do volume e freqüência do


tom no aparelho, enquanto que o ponto hipertensor mostra só uma
reação positiva ou positiva débil, podemos assegurar que, nesse mo­
mento, o paciente apresenta a tensão arterial acima dos níveis nor­
mais.
• Hipertensão
Observação - Pode se observar a presença de uma proeminência,
no ponto hipotensor.
Palpação - Quando no ponto hipotensor se palpa um cordãozinho,
podemos dizer que a hipertensão está relacionada com a presença de
arteriosclerose.
Exploração elétrica - No ponto hipotensor encontramos uma rea­
ção positiva forte do tipo (++), enquanto que no ponto hipertensor não
existe reação positiva, é débil ou simplesmente positiva.
• Hipotensão
Observação - Quando o paciente padece de hipotensão crôni­
ca, no ponto hipertensor podemos observar a presença de uma
depressão com uma forma redonda ou triangular. Também, pode
aparecer um sulco, desde o ponto hipotensor até a zona 7 do lóbu­
lo da orelha.
Exploração elétrica - Podemos encontrar no ponto hipertensor, uma
reação positiva forte do tipo (++), enquanto que no ponto hipotensor
não existe reação positiva ou esta é débil. Se não existe nenhuma
reação no ponto hipotensor, significa que a pressão arterial se encon­
tra em 90 a sistólica e 60 a diastólica, aproximadamente, mas se no
ponto hipotensor a reação é positiva, débil ou positiva, então nos indi­
ca que a cifra de hipotensão é de 100 a sistólica e 60 a diastólica,
aproximadamente.

C ardiopatia Isquêm ica


Para o diagnóstico desta enfermidade, usaremos o método de pal­
pação e exploração elétrica, mas na orelha esquerda somente.
Palpação - Podemos considerar que a palpação é o método diagnós­
tico fundamental, nesta patologia. Quando o paciente padece de car­
diopatia, palpam-se as seguintes reações na zona do ponto coração:
• Depressão acompanhada de edema.
• Edema movediço em toda sua periferia, que pode apresentar
pregas e alcançar um tamanho mais ou menos como o de um
grão de ervilha.
• Na metade superior e inferior da zona do coração, podemos pal­
par um cordãozinho ou uma proeminência em forma de cordão.
• O ponto pode mostrar dor à pressão, graus II-II1.
Diagnóstico 203

• A pele da área do ponto coração, pode apresentar uma textura


delgada, que se pode lacerar e sangrar com facilidade ao contato
com a ponta do explorador.
Exploração elétrica - Os pontos coração e área cardiovascular do
subcórtex mostram uma reação positiva ou positiva forte (+/++).
Taqu icard ia P a roxística
No caso desta patologia, se visa, com mais freqüência ao diagnós­
tico através da palpação e da exploração elétrica.
Palpação - No quarto inferior da área do coração, pode-se palpar a
presença de um cordãozinho ou de uma proeminência em forma de
cordão, com dor à pressão, grau I.
Exploração elétrica - O ponto órgão coração, a área cardiovascu­
lar do subcórtex e o ponto coração, mostram uma reação positiva
do tipo (+).
B ra d ica rd ia
Observação - A área do ponto coração perde sua depressão nor­
mal, podendo aparecer uma leve proeminência.
Palpação - Palpam-se irregularidades com uma textura de certa
dureza, na área do ponto coração.
Exploração elétrica - Podemos encontrar, no ponto coração, uma
reação positiva do tipo (+).
B loqu eio A trioven tricu la r
Observação- Podem-se observar, na área do ponto coração, pápulas
pequenas, como pontas de agulha, de cor amarelo-escura.
C ardiopatia R eu m á tica
Observação - Observa-se uma grande irregularidade, na área do
ponto coração, de coloração escura, também, pode-se ver a presença
de telangiectasia de margens bem delimitadas e que pode chegar até o
bordo inferior da raiz do hélix ou até a área do baço.
Palpação - Palpa-se grande irregularidade da área de coração,
acompanhada de dor à pressão, grau II.
Exploração elétrica - Obtém-se na área do ponto coração, uma rea­
ção positiva (+).

Sistema Nervoso
C efaléia Frontal
Observação - Na área do ponto fronte, podemos ver a presença de
uma proeminência, de configuração redonda ou uma proeminência
na forma de um grão de arroz.
204 Auriculoterapia

Palpação - Pode-se palpar um cordão ou uma proeminência de


textura mole, também, podem-se palpar cordõezinhos.
Exploração elétrica - O ponto fronte mostra uma reação positiva
do tipo (+).

Cefaléia Tem poroparietal


Observação - Pode-se observar no ponto temporal de um só lado
(do lado em que predomina a enxaqueca), a presença de uma proemi­
nência, sem um modelo de forma fixa.
Palpação - Palpa-se de um só lado, uma proeminência ou um
cordãozinho, na região do ponto temporal.
Exploração elétrica - Presenciamos no ponto uma reação positiva
do tipo (+).

Cefaléia Occipital
Observação - O ponto occipital mostra uma proeminência.
Palpação - Pode-se palpar, na área do ponto occipital, uma proe­
minência de textura mole.
Exploração elétrica - O ponto occipital mostra uma reação positiva
do tipo (+).

Cefaléia em Vértex
Observação - Na região do ponto vértex, pode-se observar a pre­
sença de uma proeminência.
Palpação - Palpa-se, no ponto vértex, uma proeminência de textu­
ra mole.
Exploração elétrica - A área do ponto vértex mostra uma reação
positiva, do tipo (+).

Cefaléia de toda a Cabeça


Observação - Observa-se a presença de proeminências em todo o
bordo externo do antitrago, sem forma regular, tomando as áreas dos
pontos occipital, vértex, temporal e fronte.
Palpação - No bordo externo do antitrago, podemos palpar a pre­
sença de irregularidades, proeminências ou cordõezinhos.

Vertigens
Observação - Na depressão da área de tontura, pode-se observar a
presença de uma mudança de coloração vermelho-clara.
Palpação - Na área de tontura, palpamos uma depressão pronun­
ciada e na área do ponto occipital, a presença de um edema móvel.
Diagnóstico 205

Exploraçao elétrica - Na área do ponto tontura, obtemos uma rea­


ção positiva do tipo (+).

Neurastenia
Observação - A área de neurastenia mostra uma proeminência
sem forma fixa, em cada caso.
Palpação - Se usamos as pontas dos dedos indicador e polegar,
para palpar o pavilhão auricular, na área de neurastenia por seu lado
tanto anterior como posterior, podemos sentir um espessamento da
cartilagem com uma textura de certa dureza.
Exploração elétrica - Podemos encontrar na área de neurastenia, o
ponto coração e a área nervosa do subcórtex uma reação positiva do
tipo (+). Se o ponto neurastenia mostra também uma reação positiva,
então, é indicativo de que o paciente possui também transtornos do
sono de caráter leve. sonhos abundantes, pesadelos, despertar fácil
com dificuldade para recuperar, novamente, o sono. Se o ponto de
neurastenia e a área de neurastenia mostram uma reação positiva ou
positiva forte, nos assinala que o estado de neurastenia, no paciente,
é severo.

Desordens da A tivida de N eurovegetativa


Neste caso. só levamos em consideração o diagnóstico através da
exploração elétrica, na qual encontramos uma reação positiva do tipo
(+), nos pontos simpático, coração, rim, occipital, fronte e área nervo­
sa do subcórtex.

N euralgia do Trigêm eo
Na neuralgia do trigêmeo, usaremos principalmente o diagnóstico
através da palpação e da exploração elétrica.
Palpação - Os pontos paladar inferior e superior, língua, maxilar
superior e inferior, área do ponto olho e área de bochecha, se mostra­
ram sensíveis à palpação mostrando dor de graus II-III, sendo mais
significativa na orelha do lado afetado.
Exploração elétrica - Os pontos nervo temporoauricular, área da
bochecha, ouvido externo, boca e San Jiao, mostram uma reação po­
sitiva do tipo (+). Para poder determinar que o ramo do nervo trigêmeo
se encontra afetado, levaremos em consideração as amostras de alta
condutividade, sobretudo, nos pontos do paladar e do maxilar. Assim
temos que, se os pontos paladar e maxilar superior mostram uma
reação positiva, então, podemos assegurar que a neuralgia parte do
ramo superior do trigêmeo. Se encontrarmos uma reação positiva nos
206 Auriculoterapia

pontos paladar e maxilar inferior, então, se pode dizer que o ramo


afetado é o que inerva o maxilar inferior mas, se os pontos que mos­
tram uma reação positiva são, olho, fronte e temporal, podemos asse­
gurar que se encontra comprometido o primeiro ramo do trigêmeo.

Urologia
G lom erulonefrite Crônica
Observação - A área de rim mostra uma proeminência em forma
de fatia, de cor branca, com brilho ou pode apresentar uma pápula,
também, com uma superfície brilhante.
Palpação - Os pontos rim, endócrino, alergia e nefrite, se mostram
com dor à pressão, grau II, também, no ponto rim se pode palpar uma
depressão com edema.
Exploração elétrica - Os pontos rim, endócrino, alergia e nefrite
mostram uma reação positiva do tipo (+).

P ielon ejrite Crônica


Palpação - Os pontos rim e uretra mostram-se com dor à pressão,
grau I, também, no ponto uretra pode-se sentir a presença de um
cordãozinho.
Exploração elétrica - Os pontos rim e uretra mostram uma reação
positiva do tipo (+/-).

C istite Crônica
Palpação - Os pontos bexiga e uretra mostram dor à pressão grau I,
também podemos palpar no ponto uretra a presença de um cordãozi­
nho.
Exploração elétrica - Os pontos bexiga e uretra mostram uma rea­
ção positiva débil do tipo (+/-).

Infecção das Vias Urinárias


Palpação - Os pontos próstata, bexiga e uretra mostram dor à
pressão, grau I. também, no ponto uretra podemos palpar um
cordãozinho.
Exploração elétrica - Os pontos próstata, uretra e bexiga mostram
uma reação positiva do tipo (+).

D isfunção Sexual
Neste caso, o diagnóstico é obtido só através da exploração elétri­
ca. Quando os pontos órgãos genitais internos, pelve, próstata, ure­
Diagnóstico 207

tra, rim, testículo e endócrino mostram uma reação positiva do tipo


(+), então, podemos assegurar a existência de disfunções sexuais, como
impotência, frigidez, etc.

Endócrino
D iabetes M elito
Observação - O ponto glândula do pâncreas, mostra um pequeno
edema, de cor esbranquiçada.
Palpação - Levando-se em consideração as variações que mostram
as marcas deixadas pela ponta do explorador, temos que, quando o
paciente está com hiperglicemia, as reações da marca são muito mais
pronunciadas e o edema mais claro e palpável.
Exploração elétrica - Os pontos pâncreas e glândula do pâncreas,
mostram uma reação positiva forte do tipo (++). Se o paciente se en­
contra compensado, então, a reação dos pontos será, simplesmente,
positiva e as reações da marca não serão tão notáveis.

Ortopedia
Lesão A gud a dos Tecidos M oles A rticulares
Observação - Nos pontos da zona correspondente à lesão, perce­
bem-se avermelhamento e edemas.
Palpação -N o ponto da zona correspondente, observa-se que fica uma
marca de cor vermelha, após o uso do lápis explorador, também, podemos
ver que o mesmo ponto se mostra com dor à pressão, grau II.
Exploração elétrica - O ponto da zona correspondente se mostra
com uma reação positiva ou positiva forte (+/ ++).

Lesão R ecid ivan te dos Tecidos M oles A rticulares


Observação - No ponto da zona correspondente, podem-se obser­
var mudanças morfológicas, como proeminências.
Palpação - No ponto da zona correspondente, pode-se palpar a
presença de cordõezinhos, cordões e proeminências.
Exploração elétrica - O ponto da zona correspondente mostra uma
reação positiva, débil (+/-), ou uma reação positiva (+).

A rtrite A gu d a
Observação - No ponto da zona correspondente, podemos obser­
var um avermelhamento ou a presença de telangiectasia de cor ver-
melho-clara.
208 A uriculoterapia

Palpação - No ponto da zona correspondente, obtém-se após a


palpação, uma marca de cor vermelha que desaparece com rapidez e
dor à pressão, graus I-II.
Exploração e lé trica - O ponto da zona correspondente, mostra uma
reação positiva ou positiva lorte (+/++).

A rtrite C rôn ica


Observação - No ponto da zona correspondente, observam-se m u­
danças morfológicas, que pode ser uma proeminência de cor branca.
Palpação - No ponto da zona correspondente, podem-se palpar
irregularidades e a presença de cordõezinhos.
Exploração elétrica - O ponto da zona correspondente mostra uma
reação positiva débil do tipo (+/-).

L e s ã o d a M u s cu la tu ra P a ra lo m b a r
Observação - Esta patologia, em um estado crônico, mostra, na
região lombar do pavilhão auricular, mudanças morfológicas como
proeminências, cordões, irregularidades ou pequenos nódulos. Quando
se encontra em um estado agudo, então, observamos, na região do
ponto da musculatura lombar, um avermelhamento, com a presença
de telangiectasias, de cor vermelho-clara.
Palpação - Podem ser palpadas cada uma das mudanças morfoló­
gicas, descritas na observação.
Exploração elétrica - O ponto da musculatura lombar mostra uma
reação positiva do tipo (+).

H ip e rp la s ia d a s V érteb ra s L o m b a res
Observação - Na região lombar, pode-se observar a presença de
proeminências em forma de segmentos ou como um colar de pérolas.
P a lp a çã o- Ao palpar a região lombar, pode-se sentir a presença de
cordõezinhos que se localizarão de acordo com as vértebras afetadas.
Exploração elétrica - A zona correspondente à região lombar mos­
trará uma reação positiva do tipo (+).

M io fib ro s ite d o O m b ro e d a E s p a ld a
Observação - No bordo externo do extremo inferior do anti-hélix,
pode-se observar uma proeminência de cor branca, de contornos irre­
gulares.
Palpação - Pode-se palpar um espessamento da cartilagem da ore­
lha, nesta parte, com uma textura de certa dureza.
Diagnós tico 209

Exploração elétrica - O ponto da zona correspondente mostra uma


reação positiva do tipo (+).

E sporão C alcãneo
Palpação - No ponto calcanhar, palpa-se um cordãozinho e se faz
doloroso à pressão, grau I.
Exploração elétrica - O ponto calcanhar mostra uma reação positi­
va do tipo (+).

E spasm o dos M úsculos G astrocnêm ios


Neste caso, explora-se, eletricamente, onde podemos ver que o ponto
dos músculos gastrocnêmios mostra uma reação positiva do tipo (+).

C iatalgia
No caso desta patologia, obteremos o resultado diagnóstico só atra­
vés da exploração elétrica, observando nos pontos ciático, quadril,
nádega, prega poplitea, articulação da joelho, músculos gastrocnêmios,
maléolo, calcanhar e artelhos, uma reação positiva ou positiva forte
(+/++).

C ervicalgia
Observação - Podemos observar, na área da região cervical, dife­
rentes mudanças morfológicas, como proeminências em forma de
nódulos ou como um colar de pérolas, também, pode aparecer um
espessamento dessa parte da cartilagem .
Palpação - Na região cervical, palpa-se um espessamento da carti­
lagem, com a presença de cordõezinhos e irregularidades. Dependen­
do da região, mais alta ou baixa do anti-hélix que apresente as mu­
danças morfológicas, poderá, então, se determinar quais vértebras
cervicais são as mais afetadas.
Exploração elétrica - A região cervical mostra reação positiva débil
(+/-) ou, simplesmente, positiva (+).

Cirurgia
H em orróides
Observação - O ponto ânus mostra uma irregularidade, também,
pode mostrar uma proeminência de cor branca. Quando há uma
hemorróide externa, trombosada, esta zona pode apresentar um
avermelhamento ou a presença de telangiectasia.
210 A uriculoterapia

Palpação - Quando há hemorróides externas, o hélix na regiào do


ponto ânus, deixa sentir, por baixo da pele mas, a nível superficial, a
presença de um ou vários cordõezinhos. Quando as hemorróides são
internas, pode-se palpar a existência de um cordãozinho a nível do
ponto ânus mas, com mais dificuldade, precisando, para isto, de mo­
vimentos repetidos, da ponta do explorador, para buscar mais pro­
fundamente.
Exploração elétrica - Q uando há um a hem orróide externa
trombosada, o ponto ânus mostra uma reação positiva, débil.

Fissu ra A n a l
Observação - O ponto ânus pode mostrar a presença de um nódu-
lo com os bordos avermelhados.
Palpação - No ponto ânus, pode-se palpar um nódulo ou um cor­
dãozinho.
Exploração elétrica - O ponto ânus mostra uma reação positiva,
débil (+/-).

Prostatite C rônica
Palpação - Os pontos próstata e uretra se fazem dolorosos à pres­
são, grau I.
Exploração elétrica - Ambos os pontos anteriormente menciona­
dos mostram uma reação positiva do tipo (+).

H iperplasia da Próstata
Observação - Pode-se observar a formação de uma proeminência,
na área do ponto próstata.
Palpação - No ponto próstata, palpa-se uma proeminência com
uma textura de certa dureza e no ponto uretra se palpa a presença de
um cordãozinho.

Ginecologia
Injla m a çã o Pélvica
Observação - O ponto pelve mostra uma proeminência ou pontos
de coloração vermelha.
Palpação - No ponto pelve, palpa-se uma proeminência ou um cor­
dãozinho.
Exploração elétrica - O ponto pelve mostra uma reação positiva do
tipo (+).
Diagnóstico 211

A n exite
Observação - O ponto anexos do útero mostra uma proeminência,
em forma de cordão, ainda também, pode-se observar a presença de
pontos de cor avermelhada.
Palpação - No ponto anexos, pode-se palpar a presença de uma
proeminência, em forma de cordão ou de um cordãozinho. Se estas
mudanças morfológicas se observam em ambas as orelhas, então,
podemos dizer que o processo inflamatório está ocorrendo em ambos
os lados, ou seja, em ambas trompas de Falópio.
Exploração elétrica - O ponto anexo mostra uma reação positiva
do tipo (+).

C ervicite
Observação - O ponto colo do útero mostra uma depressão de cor
vermelha, de superfície engordurada, também, podemos observar a
existência de pápulas e descamações.
Palpação - Na depressão formada no ponto colo do útero, a pele
torna-se fina, podendo se lacerar com facilidade, caso se pressione
com força a ponta do explorador. Também, o ponto pode mostrar dor
à pressão, graus I-II.
Exploração elétrica - O ponto colo do útero mostra uma reação
positiva do tipo (+).

M enstruações Irregulares
• Menstruação abundante e adiantada
Observação - O ponto útero se observa avermelhado, enquanto
que, toda a zona periférica, mostra um edema de cor branca.
Palpação - No ponto útero, palpa-se uma depressão, com a pre­
sença de uma marca que permanece após a pressão.
Exploração elétrica - O ponto útero mostra uma reação positiva ou
positiva forte (+/++).
• Menstruação escassa e atrasada
Observação - Podemos observar, neste caso, que a depressão na­
tural da fossa triangular se torna mais aplanada.
Palpação - No ponto útero, pode-se palpar uma proeminência em
forma de cordão de textura sólida.
Exploração elétrica - O ponto útero mostra uma reação positiva do
tipo (+).

H em orragia U terina D isfuncional


Observação - Na fossa triangular, podemos observar um edema
esbranquiçado.
212 Auriculoterapia

Palpação - Quando usamos a ponta do lápis explorador, para ras-


trear em linha reta desde o ponto pelve até o ponto útero, observamos
a permanência de uma marca de cor branca, profunda e que demora
em desaparecer. Em torno desta marca que registra a ponta do explo­
rador, pode-se perceber a existência de edemas periféricos, em toda a
fossa triangular.

Fibrom a Uterino
Palpação - Durante a palpação, em geral, pode-se sentir nas pa­
cientes portadoras desta patologia, um cordãozinho que, freqüente­
mente, pode ser de 1 mm de grossura e de 2 a 3 mm de largura, sendo
palpável, sempre, no pavilhão auricular do lado onde se encontra o
fibroma. Em mulheres que foram operadas de fibroma uterino, após
um mês de evolução as reexaminamos, notando o desaparecimento
do cordãozinho.
Exploração elétrica - No ponto útero encontramos uma reação po­
sitiva do tipo (+).

Leucorréia
Observação - Na fossa triangular, observa-se uma coloração ver-
melho-clara, brilhante, com a superfície gordurosa, também, pode-se
observar descamação ou pápulas, em forma de pontos.
Palpa çã o-Nos pontos da zona correspondente, pode-se palpar uma
depressão de cor vermelha, com a pele tão delgada que se pode rasgar,
ao passar a ponta do lápis explorador, sangrando com facilidade.
Exploração elétrica - Pode-se encontrar, nos pontos da zona cor­
respondente, uma reação positiva do tipo (+).

Dermatologia
Urticária A guda
Observação - Observa-se um avermelhamento do ponto alergia.
Palpação - O ponto alergia mostra uma marca, ao passar da ponta
do explorador, de cor vermelha e que desaparece com relativa rapidez.
Exploração elétrica - O ponto alergia mostra uma reação positiva
ou positiva forte (+/++).

Urticária Crônica
Observação - O ponto alergia mostra um avermelhamento e no
ponto pulmão aparecem descamações.
Diagnóstico 213

Palpação - No ponto alergia, palpa-se a presença de um edema,


ficando uma marca, ao passar o explorador, de cor branca que desa­
parece com lentidão.
Exploração elétrica - O ponto alergia mostra uma reação positiva
do tipo (+).

N eurod erm a tite


Observação - Na área do ponto pulmão e no ponto da zona corres­
pondente à lesão, observamos uma descamação que não sai com faci­
lidade. No ponto da zona correspondente, também, pode-se observar
que a textura da pele é rugosa e áspera, pode apresentar, da mesma
forma, pregas profundas de coloração mais escura.
Exploração elétrica - O ponto da zona correspondente e o ponto
pulmão mostram uma reação positiva débil, do tipo (+/-).

D erm a tite S eb orréica


Observação - Todo o pavilhão da orelha mostra-se engordurado e
com descamação. com zonas de cor vermelho-clara, com brilho.
Exploração elétrica - Os pontos pulmão e endócrino mostram uma
reação positiva do tipo (+).

Prurido D erm a tológico


O b serva çã o-Todo o pavilhão auricular mostra-se seco, escamoso
e sem brilho, apresentando estes sinais, maior evidência, nas áreas
dos pontos pulmão e alergia.
Exploração elétrica - Os pontos pulmão, alergia e o ponto da zona
correspondente, mostram uma reação positiva do tipo (+).

Enfermidades dos Cinco Órgãos dos Sentidos


F a rin gite C rônica
Observação - Pode-se observar a presença de um edema, desde o
ponto boca até o ponto traquéia.
Palpação - No ponto traquéia, pode-se palpar a presença de uma
depressão.
Exploração elétrica - Os pontos laringe-faringe, boca e traquéia,
mostram uma reação positiva do tipo (+).

A m ig d a lite C rônica
Observação - O ponto amígdala mostra uma proeminência que pode
estar acompanhada de pontos de cor vermelho-clara ou violácea.
214 A uriculoterapia

Palpação - O ponto amígdala apresenta um cordãozinho, ao ser


palpado.
Exploração elétrica - Os pontos amígdala, laringe-faringe e boca
apresentam uma reação positiva do tipo (+).

R in ite Sim ples


O bservação-O ponto nariz interno não apresenta mudanças mor­
fológicas, só de coloração.
Exploração elétrica - O ponto nariz interno mostra uma reação
positiva do tipo (+).

R in ite H ipertróflca
Observação - O ponto nariz interno mostra uma proeminência, de
cor branca que pode estar acompanhada de edema.
Palpação - No ponto nariz interno, palpa-se uma proeminência,
em forma de fatia, com uma textura de certa solidez.
Exploração elétrica - O ponto nariz interno mostra uma reação
positiva do tipo (+).

R in ite A lérgica
Observação - O ponto nariz interno mostra uma proeminência de
cor branca que pode estar acompanhada de edema.
Palpação - O ponto nariz interno apresenta um edema. Após pas­
sar o explorador pelos ponto nariz interno e alergia, observa-se a per­
manência de uma marca.
Exploração elétrica - Os pontos nariz interno e alergia mostram
uma reação positiva do tipo (+).

Sinnsite
Observação - No ponto nariz interno, pode-se observar uma proe­
minência, em forma de fatia, ao mesmo tempo, no ponto fronte pode-
se observar a presença de uma proeminência de forma irregular.
Palpação - Palpa-se no ponto nariz interno uma proeminência de
textura sólida.
Exploração elétrica - Os pontos nariz interno, pulmão e fronte
mostram uma reação positiva do tipo (+).

G engivorragia
Observação - No ponto boca, observa-se uma proeminência, acom­
panhada de edema, que pode chegar até o ponto traquéia. Também,
no ponto maxilar inferior, pode-se encontrar uma proeminência.
Diagnóstico 215

Palpação - Nos pontos maxilar inferior e superior, pode-se palpar


uma proeminência de textura mole e nos pontos boca e traquéia, palpa-
se a presença de um edema.
Exploração elétrica - Os pontos boca, traquéia, maxilar inferior e
superior, mostram uma reação positiva do tipo (+).

G engivite
Observação - Nos pontos boca, maxilar superior e inferior, obser­
va-se uma proeminência, em forma de cordão.
Palpação- Tanto nos pontos boca, como nos de maxilar superior e
inferior, palpa-se uma proeminência de textura mole mas, sem a pre­
sença de marcas após passar a ponta do explorador.
Exploração elétrica - Os pontos boca, maxilar superior e inferior
mostram uma reação positiva do tipo (+).

Úlceras B ucais
Observação - Nos pontos paladar inferior, língua e paladar supe­
rior, pode-se observar uma proeminência de forma irregular.
Palpação - Nos pontos mencionados anteriormente, pode-se pal­
par a presença de uma proeminência, em forma de cordão ou a exis­
tência de um cordãozinho.
Exploração elétrica - O ponto do lóbulo da orelha, correspondente
à zona da boca ulcerada, mostrará uma reação positiva do tipo (+).

M iopia
Observação - No ponto visão 2, observa-se uma proeminência de
forma irregular.
Palpação - N o ponto visão 2, palpa-se uma proeminência de textu­
ra mole.
Exploração elétrica - Os pontos visão 2 e olho mostram uma rea­
ção positiva à exploração elétrica do tipo (+).

A stigm a tism o
Observação - Pode-se observar, nos pontos visão 2 e fronte, a
presença de uma depressão irregular ou em forma de ponto. T am ­
bém, no ponto fronte pode aparecer uma proeminência em forma
de cordão.
Palpação - Nos pontos visão 2 e fronte, palpa-se uma depressão.
Exploração elétrica- Os pontos visão 2, frente e olho mostram uma
reação positiva do tipo (+).
7. ‘Terapêutica Auricuíar
Características e Métodos

Através da experiência clínica acumulada mediante o tratamento


de auriculoterapia, podem-se comprovar os notáveis resultados que
acarreta seu uso em determinadas enfermidades, assim como as si­
tuações em que fica proibido seu uso, devido às conseqüências que
poderia provocar; sobre estes aspectos e sobre os métodos de trata­
mento mais freqüentemente usados tratará o seguinte capítulo.

CARACTERÍSTICAS

T ratam ento de E n f e r m id a d e s D olorosas

Podemos assegurar que o tratamento através dos pontos auricula­


res produz um efeito notável no alívio do sintoma doloroso.
Na continuação, exporemos nossas experiências no tratamento
deste tipo de patologia segundo as características da mesma.

Dores por Traumas Externos


Consideramos como enfermidades dolorosas ocasionadas por trau­
mas externos, aquelas que se encontram associadas a torções, pun-
ções, feridas, fraturas ósseas, torcicolos, queimaduras, luxações. Se-
218 Auriculoterapia

gundo estatísticas confiáveis, no tratamento deste tipo de enfermida­


des dolorosas, especialmente entorses lombares ou de qualquer outra
extremidade, o resultado terapêutico oscila em torno de 95,8%, che­
gando a 67,2% de cura total.

Dores Pós-operatórias
As dores produzidas por intervenções cirúrgicas, seja dos órgãos
internos, cérebro, tórax, cavidade abdominal ou nas extremidades; as
escaras; as dores fantasmas de um membro amputado; as sensações
de intumescimento e as dores articulares próprias da conduta segui­
da pelo paciente no pós-operatório, podem tratar-se com a auriculo­
terapia, garantindo um resultado terapêutico evidente.
Na prática clínica, freqüentemente, é possível substituir o uso de
medicamentos analgésicos potentes como a morfina, pela auriculote­
rapia.

Dor Derivada de Processos Inflamatórios


Usando a auriculopuntura, também podemos tratar as dores pro­
vocadas por processos inflamatórios, tais como amigdalites, laringi-
tes, faringites, erisipelas, prostatites, mastites, inflamações vascula­
res, otites e dores articulares produto de enfermidades reumáticas.

Dor de Origem Neurológica


É conhecida, também, a eficácia do tratamento com auriculoterapia,
nos casos das enfermidades cujas causas devem-se a disfunções neu­
rológicas como: cefaléias, neuralgia do trigêmeo, neuralgias intercos-
tais, herpes zoster e ciatalgia. É possível, também, o tratamento de
dores oncológicas através da injeção de medicamentos em pontos do
pavilhão auricular ou sobre suas raízes, produzindo um considerável
alívio em afecções neoplásicas.

Dor Derivada de Enfermidades Oncológicas


No hospital Jie Lu, da província Guang Zhou, realizou-se um tra­
balho para o tratamento da dor oncológica, usando solução de soro
fisiológico em proporções de 0,1 a 0,2 cc, que se injetou no pavilhão
auricular para tratar certos tipos de dores derivadas do câncer de
pulmão, fígado, tumores cerebrais, etc. Nos 40 pacientes tratados,
100% respondeu à terapia. Ao ser injetado o medicamento, durante
aproximadamente lOmin, obteve-se um efeito analgésico superior ao
produzido pela injeção de 100 mg de dolantina.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 219

T ratam ento de E n f e r m id a d e s I n f l a m a t ó r ia s
Através do pavilhão auricular, também, podem-se tratar enfermi­
dades de caráter inflamatório, tais como conjuntivite aguda, queratite
ulcerosa, piosites, otite média, laringofaringite, amigdalite, parotidite,
pneumonia, bronquite, gastrite, enterite, apendicite, colecistite, infla­
mação pélvica, cervicite, orquite e o processo inflamatório produto do
reumatismo.
Por exemplo, em um consultório da cidade de Lou Yang, província
de Henan, realizou-se um estudo no tratamento da otite média, median­
te o método de colocação de sementes nos pontos auriculares; seleci­
onando os pontos, ouvido interno, ouvido externo e três pontos da
concha cimba. Realizaram-se até 23 sessões de tratamento em pa­
cientes que padeciam da enfermidade, obtendo-se um resultado tera­
pêutico de 86,3%.

T ratam ento das E n f e r m id a d e s do T e c id o C olágeno


A auriculoterapia produz mudanças importantes sobre o tecido
colágeno, por meio dela se pode tratar a rinite alérgica, púrpura alér­
gica, enterite alérgica, lúpus eritematoso, artrite reumatóide, alergia
a certos medicamentos, dermatite alérgica e urticária.
O tratamento sobre o pavilhão auricular permite, além disso, ele­
var a produção de corticóides pelo córtex supra-renal, obtendo-se um
efeito reativo de caráter antiinflamatório, além de elevar o nível imu-
nológico.
Fazendo um estudo comparativo no tratamento da rinite alérgica,
observando e estudando as secreções da mucosa nasal e o cerúmen,
antes e depois da terapia se chegou à conclusão de que os níveis de
IgE, nestas secreções tiveram uma diminuição de 1 grau, proporcio­
nal ao retardo no aparecimento dos sintomas e a diminuição é de
mais de 50%, sobretudo, depois dos 6 meses de tratamento.

T ratam ento das E n f e r m id a d e s E n d o c r in o m e t a b ó l ic a s e


do S is t e m a U r o g e n it a l

O cisto simples de tiróide, o hipertiroidismo, o diabetes, obesida­


de, anorexia, o adenoma de hipófise, podem ser tratados por meio
dos pontos auriculares, motivo pelo qual se considera que estes são
capazes de regular a atividade endócrina e fazer diminuir ou desa­
parecer os sintomas. Há de se ter em consideração, também, a redu­
ção da administração de medicamentos que se produz logo após aplicar
auriculoterapia.
220 Auriculoterapia

T ratam ento de E n f e r m id a d e s d e C a r á t e r F u n c io n a l
A auriculoterapia pode tratar, também, enfermidades de caráter
funcional como as vertigens provocada por transtornos do ouvido in­
terno, a taquicardia, palpitações, hipertensão, disfunções espasmó-
dicas da musculatura, tanto lisa, como estriada, paralisia facial, neu­
rastenia, transtornos no sistema neurovegetativo, transtornos mens-
truais, transtornos endócrinos, hemorragias uterinas disfuncionais,
etc., o que ficou demonstrado na prática clínica.
Mediante a auriculoterapia se logra regular a atividade do córtex
cerebral e as funções do sistema endócrino, conseguindo-se resulta­
dos terapêuticos notáveis, nas enfermidades de tipo funcional.

T ratam ento de E n f e r m id a d e s d e C aráter C r ô n ic o

Nas enfermidades osteomioarticulares degenerativas como a dor


sacrolombar, a cervicalgia, a periartrite escapuloumeral e em outras
enfermidades crônicas como, as seqüelas de traumatismos cerebrais,
a gastrite crônica, as ülceras duodenais, etc., o tratamento com os
pontos auriculares combinados com o uso de medicamentos, nos ga­
rante resultados notáveis mas, se necessita de um período de tempo
mais prolongado que nas patologias de caráter agudo.

T ratam ento de E n f e r m id a d e s I n f e c t o - c o n t a g io s a s
Através do pavilhão auricular podem ser tratadas enfermidades
como a tosse violenta, malária, tuberculose, hepatite, parotidite, etc.
Os pontos auriculares têm função antipirética, eliminam o espasmo e
a dor, por isto, se faz favorável o uso do tratamento auricular nas
enfermidades infecto-contagiosas. Através desta terapêutica, se con­
segue elevar a imunologia, facilitando a recuperação mais rápida do
paciente, valorizando sempre sua combinação com o uso de medica­
mentos.
Por exemplo, em um estudo realizado no Instituto de Medicina
Tradicional de Dian Su, 120 pacientes portadores de bócio, foram
divididos em dois grupos, um de tratamento e outro grupo-controle.
O grupo-experiência recebeu tratamento com auriculoterapia obten-
do-se um resultado de 96,67%, em 3,89 dias de tratamento. O grupo-
controle recebeu tratamento com o medicamento habitual alcançan­
do-se um resultado de 81,67%, durante 6,13 dias de tratamento.
Com a auriculoterapia observou-se um aumento do resultado te­
rapêutico em menos tempo, comparando-a com o uso de medicamen­
tos habituais.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 221

Através dos pontos no pavilhão auricular, podem ser tratados ou­


tros sintomas e enfermidades que não foram anteriormente citados,
como é o caso do tabagismo, o uso de drogas, o alcoolismo, as intoxi­
cações por ingestão de alimentos, vertigens e tonturas ao viajar em
autos e barcos, etc. De maneira similar, mediante auriculoterapia pode
se tratar o resfriado comum, também, pode ser usado como método
profilático e no tratamento estético. Hoje em dia, já ninguém põe em
dúvida seu efeito analgésico em operações cirúrgicas.

A spectos a se Le va r em C onsideração
A auriculoterapia não possui proibições no tratamento das enfer­
midades, mas sim, há características dos pontos auriculares que de­
vemos tomar em conta e, que apresentamos na continuação:
• Nos casos de cardiopatias graves, não é recomendável o uso da
auriculoterapia, muito menos o emprego de um estímulo forte,
como a eletropuntura ou a sangria.
• No caso de enfermidades graves como a anemia intensa, não é
conveniente punturar a orelha com agulhas, se não, usar o mé­
todo de colocação de sementes.
• A partir dos 40 dias até os terceiro mês de gravidez, não é reco­
mendável o uso de Acupuntura, depois dos 5 meses, se o pa­
ciente necessita tratamento pode-se usar o método de colocação
de sementes com uma manipulação leve, levando em conta que
não se devem usar pontos como útero, abdômen, ovário e endó­
crino que podem levar ao aborto.
• Aponta-se que a Acupuntura não deve ser usada durante a mens­
truação mas, após vários anos de experimentos e experiências,
demonstrou-se que no período da menstruação não se produz
nenhum efeito nocivo com o emprego de auriculoterapia. Não
obstante, recomendamos suspender o tratamento durante a
menstruação e continuá-lo uma vez terminada esta.
• Não realizar auriculoterapia quando o pavilhão da orelha esteja
machucado por úlceras ou eczema. Nos casos de presença destes
transtornos ou em que as enfermidades do pavilhão auricular não
sejam de grande magnitude, podemos tratá-las através dos se­
guintes pontos: ouvido externo, supra-renal e sangria no ápice da
orelha. Desta maneira melhoramos a pele do pavilhão da orelha.

MÉTODOS

Na atualidade, os métodos e estímulos que se utilizam sobre os


pontos auriculares para o tratamento das enfermidades continuam
222 Auriculoterapia

apresentando um amplo desenvolvimento. Com a introdução de téc­


nicas novas se ganha cada dia mais em eficiência e resultados. Na
continuação, mostraremos os métodos mais comumente usados para
conseguir o estímulo dos pontos auriculares.

T ratam ento com A g u lh as F il if o r m e s


Desde a antigüidade, na China, tratados clássicos como o Huang
Ti Nei Jin recomendavam o uso das agulhas filiformes, em pontos do
pavilhão auricular, como se refere no capítulo Nove Tipos Básicos de
Agulhas. Na atualidade, apesar de algumas tendências não recomen­
darem a puntura no pavilhão auricular, todavia, se considera conve­
niente o uso das agulhas filiformes no tratamento das enfermidades,
ainda que, com a introdução de certas mudanças quanto à forma e
características das agulhas utilizadas, em comparação às descritas
no Tratado Clássico da Medicina Interna.
As agulhas filiformes que se usam para o tratamento no pavilhão
auricular têm um cumprimento de 5 fe n e um diâmetro que pode
variar nos calibres 26, 28, 30 ou 32 mm. As mesmas estão providas
de cabo, corpo e ponta, como todas as agulhas filiformes que se usam,
normalmente, na Acupuntura somática.

Preparação do Material
Primeiramente, devemos garantir que as agulhas a se utilizarem
se mantenham em uma solução anti-séptica a não menos de 75%,
uma vez comprovado isto, procede-se à exploração do pavilhão auri­
cular, para a busca dos pontos mais reativos e que vão ser seleciona­
dos para a terapia.
Antes de realizar a puntura. devemos proceder à esterilização do
pavilhão auricular, já que a aplicação da Acupuntura no mesmo deve
estar revestida de cuidados especiais, por ser a cartilagem auricular
altamente sensível às infecções e processos inflamatórios. Para a as­
sepsia e anti-sepsia do pavilhão auricular, usaremos álcool ou outra
solução anti-séptica a não menos de 75%. Começaremos de dentro
para fora e de cima para baixo, primeiro a parte ventral e depois a
dorsal, de maneira tal que o pavilhão auricular fique totalmente lim­
po. Deve-se colocar ênfase especial nas três cavidades ou conchas
(cimba, cava e a periorbital do conduto auditivo).

Seleção dos Pontos Auriculares


O primeiro passo a seguir para a seleção dos pontos auriculares é
o diagnóstico no pavilhão auricular, usando o explorador elétrico para
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 223

determinar quais são os pontos reativos. Durante o diagnóstico, os


pontos que reagem de maneira mais evidente e que estejam direta­
mente relacionados com a enfermidade são marcados com a ponta do
explorador, de maneira que fique uma marca visível que nos indique a
posição correta onde inserir-se-á a agulha.
O paciente deve-se sentar corretamente, de forma tal que fique a
uma altura cômoda para a manipulação do terapeuta.
Para a realização da puntura, o pavilhão auricular deve ser sus­
tentado com os dedos polegar e indicador da mão esquerda, com o
objetivo de estabilizar sua posição e com o dedo médio empurra-se
desde a parte dorsal do pavilhão, para fazer sair para fora a zona
que vai ser punturada e desta maneira, podemos dominar com co­
modidade os graus em que a agulha pode ser inserida e manipula­
da. Com a mão direita se sustenta a agulha pelo cabo, a qual se
introduz no pavilhão da orelha, no ponto que foi previamente m ar­
cado pelo explorador.

Manipulações Durante a Puntura com Agulha


Filiforme

Inserção da A gu lh a
A inserção da agulha, no pavilhão, pode ser realizada das seguin­
tes maneiras:
Inserir a agulha rodando-a - Nesta manipulação, a agulha é intro­
duzida no pavilhão auricular, realizando movimentos de rotação rápi­
dos, harmônicos e contínuos.
Inserir com picada - Depois de estabilizar o pavilhão auricular com
a mão esquerda, com a direita aproximamos a ponta da agulha ao
ponto indicado, procedendo à introdução da agulha em um só movi­
mento rápido e seguro.
A intensidade da punção, nível de estímulo e os métodos de mani­
pulação devem ser seguidos de acordo com as características da en­
fermidade e o estado do paciente.

Intensidade da Puntura
A intensidade da puntura pode ser de três tipos:
Intensidade forte.
Intensidade leve.
Intensidade neutra.
A intensidade forte - Utiliza-se, em geral, em pacientes cuja pato­
logia é do tipo agudo ou em síndromes por excesso, síndromes por
224 Auriculoterapia

estagnação e enfermidades dolorosas. Este método é considerado do


tipo dispersante.
Intensidade leve - Utiliza-se em enfermidades com deficiências ou
em enfermidades do tipo crônico. Esta manipulação é considerada
tonificante.
Intensidade neutra - Utiliza-se indistintamente em qualquer pato­
logia e é de uso muito freqüente. É útil quando não há clareza no
diagnóstico e na estratégia terapêutica correta a seguir.

M étod o de Puntura
O tipo de método de puntura com a agulha filiforme depende das
características de cada paciente. Os métodos a usar são:
Método simples.
Método de rotação.
Método de picada.
Método simples - Depois de introduzida a agulha no pavilhão auri­
cular e haver sentido a sensação da chegada do Qi no ponto, mantém-
se a agulha colocada sem necessidade de produzir sobre esta nenhum
movimento ou manipulação. Este método é usado, freqüentemente,
em pacientes anciões e débeis ou em pacientes com enfermidades de
longo período de evolução, assim como no caso das crianças.
Método de rotação - Uma vez introduzida a agulha no ponto auri­
cular, começa-se a fazer movimentos giratórios de poucos graus a
favor dos ponteiros do relógio e depois em sentido contrário, de ma­
neira harmoniosa e com velocidade constante; esta manobra se reali­
za em um período de tempo de 20 a 30s e é aplicada, em geral, em
enfermidades crônicas.
Método de picada - Depois de haver introduzido a agulha no ponto
auricular, realiza-se movimento de picadas, para cima e para baixo,
com força e com uma duração de 10 a 20s. Este tipo de manipulação
é adequada em enfermidades do tipo agudas e dolorosas.

Profundidade da Puntura
Na determinação da profundidade da puntura, levaremos em con­
sideração a espessura da parte do pavilhão auricular que vai ser
punturada. Em geral, a profundidade em que se realiza a puntura é
de 2 a 3 mm. O terapeuta deve assegurar-se que a agulha haja chega­
do à cartilagem, aderindo-se firmemente, sem balanceios ou movi­
mentos.
Existe o critério de que ao realizar uma puntura profunda na car­
tilagem auricular, sem que a agulha chegue a atravessar totalmente a
mesma, produz-se um efeito notável no tratamento de enfermidades
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 225

dermatológicas, especialmente nas síndromes por calor excessivo,


dores agudas e processos inflamatórios.
Pelo contrário, em pacientes com enfermidades de longo período
de evolução, com critério de vazio ou debilidade, deve-se fazer uma
puntura muito mais leve e superficial para obter bons resultados.
Esta puntura pouco profunda deve atravessar só a pele, sem chegar a
aprofundar muito sobre a cartilagem.
Em todos os casos deve-se ter a precaução de não atravessar to­
talmente o pavilhão auricular durante a puntura, já que isto pode
provocar infecções locais.

D ireção da Puntura
A puntura nos pontos das conchas cava, cimba e da fossa triangu­
lar, como órgãos genitais internos, coração, pulmão, etc., deve ser
realizada a 90° com respeito à superfície auricular.
Ao punturar pontos da fossa escafóide ou do lóbulo da orelha,
como alergia, articulação do ombro, ombro, clavícula, etc., a inserção
deve ser oblíqua, a 15° de inclinação.
Na puntura oblíqua é muito freqüente a união de vários pontos
que possuam uma mesma função, ou seja, punturam-se com uma só
agulha vários pontos auriculares com função semelhante. Por exem­
plo, pode-se punturar o ponto pelve, atravessando a agulha, obliqua­
mente, até o ponto órgãos genitais internos. Também, no lóbulo da
orelha pode-se unir o ponto maxilar superior, com o ponto maxilar
inferior ou com a área de bochecha.
Para punturar os pontos do bordo interno do trago ou da fossa do
intertrago, como subcórtex, laringe-faringe, endócrino, nariz interno,
etc., geralmente se insere a agulha de forma oblíqua de 45 a 60°.

R etenção da A gulha
A retenção da agulha refere-se ao tempo que esta deverá permane­
cer inserida no ponto depois de haver realizado a puntura. O tempo
de retenção da agulha muda de acordo com as características da en­
fermidade e do paciente. Em geral, este tempo não é menor que 30min
e o tratamento é mais efetivo quando se realiza em torno de uma
hora, ainda que, existam casos em que a agulha pode ficar retida, até
lOh. Por exemplo, nas enfermidades crônicas e dolorosas, a retenção
da agulha pode ser, comparativamente, mais longa.

Ton ijica çã o e D ispersão


Os métodos de manipulação de dispersão e tonificação no pavilhão
auricular estão diretamente relacionados com o tempo em que se re­
226 Auriculoterapia

tém a agulha, seja este mais longo ou mais curto e com a intensidade
do estímulo com que se manipule a agulha. Nos casos das enfermida­
des por excesso, por calor ou com sintomatologia dolorosa, realizam-se
estímulos fortes, com puntura profunda e um tempo longo de retenção
da agulha para conseguir uma manipulação de natureza dispersante.
Se tratarmos pacientes débeis, com enfermidades por vazio e por frio,
se usam punturas com estímulos leves, de pouca profundidade e com
um tempo de retenção muito mais curto, alcançando com isto um efei­
to tonificante. Em geral, para conseguir a manipulação de tonificação
ou dispersão mediante o uso da agulha filiforme no pavilhão auricular,
é fundamental dar ênfase às características da força, profundidade e
tempo que se imprime ao estímulo realizado.

M odo de R etira r a A gu lh a
Este é o último processo do tratamento com as agulhas filiformes.
A mão esquerda sustenta adequadamente o dorso da orelha ou a par­
te do pavilhão apropriado e com a mão direita se retira a agulha. Este
procedimento podem-se realizar de duas maneiras:
• Tirando a agulha em picada, diretamente, na qual se usa a mão
direita sustentando o cabo da agulha e não se roda a mesma,
apenas se retira com rapidez. Este método é muito adequado,
pois não causa ao paciente a mínima dor.
• O segundo método consiste em rodar e retirar a agulha, simul­
taneamente: com a mão direita se sustenta o cabo da agulha
que é puxado com movimento de rotação concomitante. Este
método produz, no paciente, um forte estímulo no momento que
se realiza a manipulação, podendo proporcionar aumento no re­
sultado do tratamento até o momento final da manobra. Este
método de retirada da agulha é usado, em geral, no caso em que
se fizeram punturas profundas
Depois de haver retirado a agulha, deve-se esterilizar, adequada­
mente, a zona onde se fez a puntura, pressionando, por algum tempo,
o orifício realizado em conseqüência da puntura. Desta maneira, evi­
ta-se a saída de sangue e a produção de algum tipo de infecção.
Se ao retirar o algodão continuar saindo sangue do pavilhão da ore­
lha ou do orifício que fica ao retirar a agulha, pressiona-se novamente
com o algodão a área do ponto até que se detenha o sangramento.

Ciclo de Tratamento
Um ciclo de tratamento pode ser de sete a dez sessões diárias ou,
em dias alternados, com um período de descanso entre cada ciclo de
três a cinco dias.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 227

O De Qi

O que é o De Qi e o que Significa que Chegue ao Local Enferm o?


Depois de haver punturado o ponto auricular, o paciente deve sen­
tir na zona do tratamento uma sensação de distensão, intumescimento,
calor, frialdade, corrente forte que se transmite. Esta sensação pode
correr em linha reta ou em círculos e chegar a comunicar locais dis­
tantes dentro e fora do pavilhão auricular. Esta sensibilidade é o Qi
ou sensação da agulha e os antigos o denominaram “chegada da ener­
gia” (De Qi). Se, ao introduzir a agulha, o paciente refere estas sensa­
ções, a puntura então está corretamente realizada. Se o paciente sen­
te sensação de vazio no ponto, ou seja a ausência das sensações an­
tes mencionadas, então o médico deve novamente retomar a agulha e
fazer mudanças na direção da puntura ou trabalhar na localização do
ponto, garantindo que apareça a sensação da agulha.

O Qi e sua R elação com o R esultado Terapêutico


A chegada do Qi e o resultado terapêutico guardam uma estreita
relação. Quando o Qi chega rápido e a sensação é forte, o resultado
terapêutico será igualmente rápido e satisfatório. Se a sensação da
chegada do Qi é débil, demorada em aparecer ou não existe, então o
resultado terapêutico será tardio ou pobre.
No capítulo Origem das Nove e Doze Agulhas do L in g S h u , se ex­
põe: “ S e chega o Qi há resultados; se há resultados há fé. assim como
as nuvens são movidas graças ao vento". Esta nota do L ing S hu aclara
que somente através da chegada da energia, pode-se produzir um
resultado curativo com o tratamento de Acupuntura. Usa-se a pará­
bola do vento que sopra e faz mover as nuvens pelo céu, para identi­
ficar ou fazer notar que somente com a chegada da energia se movem
e modificam os processos.
No Tratado de Acupuntura e Moxibustão, escrito na dinastia Ming,
se aponta: “Se o Qi chega rápido ou se move rápido, o resultado tera­
pêutico é rápido; se o Qi é lento ou não chega, não há resultado tera­
pêutico".
Pode-se ver que a relação que guarda a chegada do Qi e o resulta­
do terapêutico, no tratamento com Acupuntura é muito estreita: na
prática clínica, podemos constatar que ao punturar o ponto estôma­
go, o paciente pode sentir na região do estômago, sensações de calor;
que ao punturar o ponto calor, nos membros inferiores, o paciente
sente uma corrente ou fluxo que corre para as pernas, provocando
diminuição ou desaparecimento dos sintomas.
228 Auriculoterapia

Se depois de punturar não há sensaçào, o resultado terapêutico


não será evidente e, então, é necessário continuar o tratamento para
conseguir, desta maneira, que o sangue e a energia fluam, desobs­
truam-se os canais e colaterais, permitindo a livre circulação. À medi­
da que aumenta a sensação da puntura, a eficiência terapêutica será
maior.
Podemos concluir dizendo que, alcançando o movimento adequa­
do de sangue e energia, restabelecendo o equilíbrio entre Yin e Yang,
assim como as funções dos órgãos Zang Fu, o paciente necessitará
menos sessões de tratamento, conseguindo o resultado esperado, em
um período de tempo muito menor.

A sp ectos a se Leva r em C onsideração


• Antes de punturar a orelha com a agulha filiforme, deve-se aten­
der à adequada esterilização, tanto do pavilhão da orelha, como
do instrumental que se vai a utilizar.
• Se no momento de realizar o tratamento, o paciente refere ter
muita fome ou haver ingerido grande quantidade de alimentos,
encontra-se embriagado, extremamente cansado depois de uma
longa jornada de trabalho, em um estado de debilidade máxima,
sob uma excitação nervosa intensa, é portador de anemia mar­
cada ou perdeu grande quantidade de sangue; o tratamento deve
ser adiado para outra ocasião.
• Em caso de mulheres grávidas com menos de cinco meses de
gestação, não se deve realizar Acupuntura. Em caso de gravidez
de cinco a nove meses, não é conveniente o uso da Acupuntura
auricular em pontos como órgãos genitais internos, ovário, en­
dócrino, pelve, abdômen, etc., já que poderiam provocar aborto
ou parto prematuro. Portanto, consideramos que, na prática clí­
nica, não é conveniente o uso da Acupuntura nas grávidas.
• Em anciões com arteriosclerose ou hipertensão, depois de
punturar o ponto ou o sulco hipotensor ou realizar uma sangria,
devemos deixá-los descansar durante 20min ao terminar o tra­
tamento. As sangrias não devem ser muito abundantes e se de­
vem observar as reações do paciente durante o tratamento.
• Deve-se evitar fazer tratamento quando o pavilhão da orelha se
encontra machucado, ferido ou inflamado. Em caso de existir
uma inflamação no pavilhão auricular, produto de uma ulcera-
ção ou algum processo dermatológico, então, deve-se realizar a
Acupuntura sobre os pontos ouvido externo, supra-renal, occi­
pital e ponto alergia. Desta maneira, trata-se a afecção do pavi­
lhão, antes de usá-lo no tratamento de outra enfermidade.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 229

Reações Secundárias

Lipotim ia
A lipotimia, durante o tratamento, é um processo que se manifes­
ta de igual maneira na Acupuntura corporal, como na auriculopuntura.
O paciente pode sentir tonturas e palpitações até chegar à lipotimia;
ainda que, no caso da auriculopuntura não é um fenômeno tão fre­
qüente, como na Acupuntura corporal. Este fenômeno, no caso da
auriculoterapia, pode verificar-se, tanto no tratamento com agulhas
filiformes como com o uso do método de colocação de sementes. Este
fenômeno pode ser provocado pela superexcitação do paciente, pela
presença, no paciente, de uma dor intensa, pela debilidade corporal
ou o trabalho excessivo, também, pode ser produzida pelo jejum pro­
longado, pela hipertensão ou por uma hipoglicemia. O estímulo su­
mamente forte em alguns pontos auriculares, pode ser origem, igual­
mente, desta reação.

Manifestações clínicas
Este fato sucede, sobretudo, quando os estímulos ultrapassam os
limites de resistência do paciente ou o tempo de retenção da agulha
se prolonga mais além do que o adequado. Subitamente, o paciente
sente uma perda de fluxo sangüíneo na cabeça, como característica
principal do processo. O mesmo pode ser dividido em três níveis: leve,
médio e severo.
Nível leve - No momento em que se está fazendo a puntura. o pa­
ciente nos refere que sente tontura, visão turva, opressão e incômodo
no peito mas, ainda, a respiração é normal e o pulso é normal.
Nível médio - O paciente sente palpitações difíceis de controlar,
desejos de vomitar e sudação fria espontânea nas extremidades, o
pulso muda e se torna filiforme.
Nível severo - O paciente cai de maneira súbita, com grande
sudação, a pressão arterial baixa, o pulso é difícil de tomar e há perda
total do conhecimento.

O que fazer?
Nível leve - Não se devem retirar as agulhas, ordena-se ao paciente
que se deite e descanse; também, em algumas ocasiões, oferece-se chá
quente ou água com açúcar, conversando animadamente, para distrai-
lo, desviar a atenção psicológica e eliminar a sobretensão nervosa.
Nível médio - Devem retirar-se as agulhas, ordena-se ao paciente
que baixe a cabeça, colocando-a entre as pernas e que afrouxe o cin­
to. Podem-se punturar os pontos subcórtex e supra-renal.
230 Auriculoterapia

Nível severo - Deve deitar-se rapidamente o paciente, afrouxando


suas roupas e com a ponta de uma agulha ou a unha do dedo polegar
do médico, realiza-se um estímulo forte no ponto Ren Zhong (VG-26).
Caso de que o paciente não recobre a consciência, pode-se fazer Acu­
puntura nos pontos Ren Zhong (VG-26), Nei Guan (PC-6), Yong Quan
(R -l) e Zu San Li (E-36).

Como Evitar a Lipotimia?


Quando o paciente se encontra em uma superexcitação nervosa,
deve-se primeiro buscar a forma de relaxá-lo e acalmá-lo; não se deve
realizar tratamento neste estado. Indaga-se se recebeu Acupuntura,
anteriormente, e se tem história prévia de lipotimia. Se o paciente é de
constituição física débil, deve deitar-se efetuando o tratamento nesta
posição, tratando de evitar que os estímulos sejam demasiados fortes
e selecionando poucos pontos em cada tratamento. Deve evitar-se
também que a puntura seja profunda, sobretudo nos pontos coração,
supra-renal, simpático e San Jiao.

O utras R eações
Durante a prática da auriculoterapia, também, podem-se apre­
sentar outros fenômenos anormais, que ainda que menos freqüentes
não podem deixar de ser mencionados.
Entre estes podemos mencionar: as dores no pavilhão auricular
depois da puntura, cefaléias, sensação de incômodo ao abrir e fechar
a boca, sensação de frialdade nos membros inferiores, intumescimento
na metade do corpo, etc. Todos estes sintomas são muito freqüentes,
sobretudo, ao ser tratados os pontos supra-renal, simpático, endócri­
no, rim, San Jiao, coração e órgãos genitais internos, aprofundando
demais as agulhas nos mesmos, em geral, ao retirar levemente as
agulhas e deixá-las a menos profundidade, tendem a desaparecer to­
dos estes sintomas.

Infecções
Podem ser freqüentes as infecções do pavilhão auricular por cau­
sa do uso das agulhas filiformes mas, na maioria dos casos, este fato
é determinado pela inadequada assepsia do pavilhão auricular e do
instrumental, antes de começar o tratamento.
Como conseqüência de que o pavilhão da orelha é uma cartila­
gem, cuja irrigação sangüínea é pouco abundante, com respeito ao
resto do corpo, se produzem infecções no mesmo, que na maioria
dos casos se tornam difíceis de curar. Em casos graves de infecções,
podem originar-se inflamações do pavilhão auricular com perda to­
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 231

tal da circulação sangüínea da cartilagem e, finalmente, gangrena


ou necrose do mesmo, podendo trazer como resultado, a perda do
pavilhão auricular.
É por esta razão que se torna muito importante tratar de evitar,
por todos os meios, as infecções no pavilhão auricular, esterilizando
cuidadosamente, tanto o instrumental como o pavilhão auricular an­
tes do tratamento.

Infecçã o da Pele
Este tipo de infecção é mais freqüente com o uso da agulha per­
manente ou intradérmica, por seu longo período de permanência no
pavilhão. Quando isto sucede, pode-se observar, na área em que foi
colocada a agulha, um avermelhamento ou inflamação da pele a nível
superficial, com uma zona lesionada e dura ou podem aparecer, na
periferia da agulha, supurações ou secreções anormais.

O que fazer?
Se depois de retirada a agulha permanente, observamos que o
paciente mantém dor na zona, com sensação de calor e ardor, deve­
mos aplicar uma solução iodada a 2.5% no pavilhão da orelha, sobre
os pontos lesionados, com uma freqüência de três vezes ao dia. Ao
mesmo tempo, pode-se acompanhar este tratamento, com sangria no
ápice e puntura sobre os pontos supra-renal, Shen Men, pulmão e
ouvido externo, uma vez ao dia. Este tratamento pode estar associado
com algum creme antiinflamatõrio e anti-séptico, deve-se evitar o uso
de antibióticos de uso tópico no pavilhão auricular.

Infecçã o da C artilagem
Esta se produz, em geral, por causa de uma infecção na pele do
pavilhão auricular que não foi tratada adequadamente, aprofundan­
do-se e invadindo a cartilagem, que se inflama aparecendo sintomas
como: avermelhamento, calor, dor, etc. que podem se acompanhar de
outros sintomas corporais.

O que fazer?
Magnetoterapia- Pode-se observar um efeito positivo no tratamento
com magnetoterapia. Para efetuar o mesmo, usam-se peças de imã de
mais de 1.000 a 2.500 UM, que se envolvem em um algodão ou gaze
fina, para posteriormente ser colocados no pavilhão auricular, um
sobre a parte ventral e o outro sobre a dorsal do mesmo, a nível da
região afetada, direcionando o pólo norte de um contra o sul do outro.
232 Auriculoterapia

Posteriormente, são fixados ao pavilhão com esparadrapo, cuidando


de não interferir na irrigação sangüínea da cartilagem. Em caso de
que a dor aumente com o uso deste tratamento, deve-se suspeitar da
presença de pouca vascularização da cartilagem devido à pressão dos
imãs, que poderia conduzir à necrose. Em tal situação, deve-se modi­
ficar a estratégia terapêutica.
Anti sépticos - O uso de anti-sépticos ou antibiótico nestes casos,
depende do tempo de evolução da infecção e do exame físico. Em ge­
ral, os medicamentos que melhores resultados oferecem são a genta-
micina e a kanamicina. Podem-se lavar as úlceras com soluções de
gentamicina a 0,1% e 0,2%.
Moxibustão - Também pode ser usada a moxibustão. expondo o
bastão de moxa sobre o pavilhão auricular durante 15 ou 20min, de
duas a três vezes por dia. Caso se observe que a inflamação não cede,
deve-se parar o tratamento com moxibustão.

T ratam ento com A g u lh a I n t r a d é r m ic a ou P erm anente


O método da agulha intradérmica é um dos mais usados dentro
da auriculopuntura, fundamentalmente, no tratamento de enfermi­
dades crônicas e dolorosas ou naqueles pacientes nos quais não se
pode realizar o tratamento diariamente.
O método de agulha intradérmica. ou também denominado agulha
permanente, consiste em introduzir no pavilhão da orelha, um tipo de
agulha desenhada para esta técnica e que permanecerá em seu local,
durante um tempo prolongado, garantindo o estímulo ao ponto.
Este estímulo constante sobre o ponto é capaz de regular as de­
sarmonias dos Zang Fu e tratar as enfermidades, fazendo desapare­
cer os sintomas. A agulha intradérmica se divide em dois tipos: agu­
lha intradérmica em forma de girino de rã e a agulha intradérmica em
forma de tacha.

Método de Tratamento
O primeiro passo a realizar é a localização do ponto de máxima
reação positiva e que esteja diretamente vinculado ao processo pato­
lógico. Para isto, usaremos a ponta do explorador, com a qual faremos
uma marca sobre o ponto de reação positiva, uma vez que este haja
sido determinado, com o objetivo de não perder sua localização, logo
se procede à assepsia e anti-sepsia minuciosa do pavilhão.
Posteriormente, com a mão esquerda sustenta-se o pavilhão au­
ricular e com a direita usando uma pinça estéril, toma-se a agulha
aproximando-a do ponto auricular escolhido. Usando, então, um
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 233

movimento rápido e preciso se introduz a agulha na pele. Uma vez


inserida se fixa ao pavilhão auricular com um esparadrapo. Selecio-
nam-se de três a cinco pontos da orelha, recomendando o uso de
ambas.
Com a agulha intradérmica, o paciente se auto-estimula pressio­
nando de duas a três vezes cada ponto, diariamente. A agulha se
retém durante um período de três a cinco dias ou de cinco a sete dias,
para completar um ciclo de tratamento

A spectos a se Le va r em C onsideração
• Realizar uma adequada assepsia do pavilhão auricular, para
evitar infecções.
• Em caso de que o pavilhão auricular se encontre inflamado, não
é conveniente o uso da agulha intradérmica.
• Depois de colocada a agulha intradérmica, o paciente se auto-
estimula, pressionando-se as mesmas, de duas a três vezes ao
dia, aumentando desta maneira o estímulo e elevando a eficácia
terapêutica.
• Caso se sinta uma dor pesada na região do ponto, sobretudo
quando se dorme, então, devemos regular a direção em que foi
posta a agulha e a profundidade da mesma. Em geral, depois de
fazer este reajuste desaparece a dor.
• Se a dor no pavilhão auricular, depois de realizado o tratamento,
se acompanha de sensação de distensão cada vez mais forte,
então, devemos reexaminar a zona onde está colocada a agulha
intradérmica, para determinar a presença ou não de infecção.
Caso se observe o começo de um processo séptico, a agulha deve
ser retirada imediatamente.
O lugar onde está colocada a agulha intradérmica não deve ser
molhado. Em períodos climáticos de excessiva umidade e calor, o tempo
de retenção da agulha não deve passar os limites estabelecidos.
• Se na região de tratamento aparecem sinais e sintomas de infec­
ção como: inflamação, avermelhamento, etc.; as agulhas devem
ser retiradas e se devem tomar as seguintes medidas:
a) As agulhas devem ser retiradas imediatamente, examinando as
características da sepse.
b) No lugar infectado, deve-se colocar uma tintura iodada a 2,5%.
Caso a infecção tome maiores dimensões, deve-se fazer um tra­
tamento com medicamentos antiinflamatórios e antibióticos, se­
gundo seja o caso.
c) Pode-se usar a sangria no ápice e a puntura dos pontos ouvido
externo, supra-renal, Shen Men e occipital.
234 Auriculoterapia

T ratam ento com E l e t r o a u r ic u l o p u n t u r a

Este tratamento consiste em combinar o uso de agulhas filiformes,


com um estímulo elétrico para tratar certas enfermidades. Para o es­
tímulo elétrico são usados diferentes tipos de ondas elétricas, as quais
segundo suas características atuam elevando o resultado terapêuti­
co, em certos tipos de enfermidades .
Na prática clínica, este método é usado, freqüentemente, para tra­
tar enfermidades do sistema nervoso, espasmos e dor dos órgãos in­
ternos, tratamento da asma e no uso da anestesia auricular.

Método de Tratamento
Selecionam-se os pontos e se colocam neles as agulhas filiformes,
seguindo para isto as normas explicadas anteriormente.
Leva-se a cabo a ignição e se coloca em funcionamento o equipa­
mento elétrico a utilizar.
De acordo com as características da enfermidade, seleciona-se o
tipo de onda que vamos usar e sua freqüência. Colocam-se, posterior­
mente, as pontas dos terminais sobre as agulhas dos pontos selecio­
nados, para começar, então, o ajuste dos níveis de amplitude, elevan­
do paulatinamente até selecionar o nível de estímulo adequado, se­
gundo a resposta do paciente.
Em geral, o tempo de estímulo elétrico que se aplica, é de 10 a
20min.
O tratamento deve ser diário ou em dias alternados, segundo as
características da enfermidade e do paciente. Depois de 7 ou 10 ses­
sões de tratamento, se conclui um ciclo de tratamento. Entre cada
ciclo de tratamento deve-se dar um descanso ao paciente de dois a
três dias.

A sp ectos a se L e v a r em C onsidera çã o
• O nível de estímulo elétrico que se aplica à agulha é selecionado
de acordo com as características da enfermidade, em geral, se
usa um nível médio de estímulo. Caso se ultrapasse o nível de
estímulo, o paciente pode sentir tonturas, lipotimia, etc.; por
isso, deve-se regular, adequadamente, o mesmo.
Um extremo do condutor deve ser colocado em um ponto da ore­
lha e o outro no ponto homólogo do outro pavilhão auricular. Podem-
se usar mais de dois pontos para apoiar o tratamento. Em caso de se
usar um só ponto em uma só orelha, um extremo do condutor do
equipamento vai colocado sobre a agulha filiforme que está no ponto
e o outro deve ser sustentado pelo paciente, com a mão.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 235

• Antes de começar o tratamento, o médico deve explicar ao pa­


ciente as sensações que pode sentir durante o mesmo; sensa­
ções que podem ser: peso, intumescimento, distensão, calor, etc.
Desta maneira, o médico prepara psicologicamente o paciente
para a realização do tratamento e tranqüiliza seu espírito.
• Mediante a eletroacupuntura pode-se realizar tonificação e dis­
persão durante o tratamento.
Caso se deseje tonificar, o nível de estímulo deve ser leve, a inten­
sidade de corrente débil, sua freqüência lenta e o tempo de tratamen­
to curto.
Caso se deseje dispersar, se induzirá um nível de intensidade mais
alto, um estímulo mais forte, uma freqüência mais alta e um tempo
de tratamento muito mais longo.
• Ao realizar a eletroacupuntura, devem-se examinar adequada­
mente a ponta e o cabo da agulha filiforme, deixando-a se estiver
oxidada, fato que diminuiria o contato e a transmissão elétrica
do terminal à agulha e desta ao pavilhão auricular. Em qualquer
caso, a agulha que esteja deteriorada, não deve ser aproveitada
para utilização no tratamento.

T ratam ento de C olocação de S em entes

Este é um método simples, amplamente usado na auriculoterapia


e muito aumentado nos ültimos tempos por suas vantagens operacio­
nais. O mesmo consiste na seleção de materiais esféricos, de superfí­
cie lisa, que realizem pressão sobre os pontos auriculares. Estes ma­
teriais podem ser pequenas pílulas, esferinhas imantadas ou semen­
tes de certas plantas. O importante é que tenha uma superfície polida
e uma forma o mais redonda possível.
Este método é relativamente novo, vem-se desenvolvendo na Chi­
na, há, aproximadamente, 20 anos, o mesmo se baseou e desenvol­
veu a partir das experiências obtidas com a agulha filiforme e o uso
da agulha intradérmica no pavilhão auricular; sem embargo, consti­
tui um método vantajosamente mais sensível que os anteriores, já
que é melhor aceito pelos pacientes, ao ser menos traumático e dolo­
roso. Entre as vantagens que este método oferece está a de ser muito
mais simples e mais barato; além de com ele se poder tratar um gran­
de nümero de enfermidades, da mesma forma que com os métodos
anteriores, facilitando o tratamento a pessoas da terceira idade e de
constituição física débil, também é muito adequado no tratamento
pediátrico, garantindo ou facilitando que o paciente não tenha que
voltar diariamente à consulta.
236 Auriculoterapia

Método de Tratamento

Preparação do M aterial
Os materiais a usar no método de colocação de sementes podem
ser de vários tipos, entre os que podemos mencionar: sementes de
plantas medicinais ou não, como pode ser a planta Wang Bu Liu Xing,
etc. Também se podem usar certas pílulas ou medicamentos da Medi­
cina Tradicional Chinesa, como as pílulas Ren Dan, Liu Shen Tan,
Hou Zheng Wan, Niu Huang Xiao Yan Wan, etc. Igualmente, podem-
se usar pequenas esferas imantadas. O importante no uso destes ma­
teriais é que tenham certa qualidade no nível de dureza e mantenham
uma superfície o mais lisa possível.
O resto dos materiais necessários compõe-se de esparadrapo, uma
placa de acrílico preparada para este fim, uma pinça mosquito, álcool
a 75%, uma faca de cozinha, iodo a 2,5% para garantir a esterilização,
algodão, agulhas intramusculares esterilizadas para realizar as san­
grias em caso necessário e o explorador auricular.

Preparação da placa de acrílico


Esta placa deve ter um espessura de 0,5 cm e uma área de 14 por
28 cm. Nela se fazem sulcos finos ou marcações de pequenos quadra­
dos que podem ser de 6 por 6 mm ou 8 por 8 mm. Cada ranhura deve
ter uma profundidade de 0,5 mm.
Em cada quadro se realizam um ou dois orifícios, com broca de 1
ou 2 mm e a uma profundidade de 1 mm, de forma tal, que em cada
orifício fica, adequadamente, uma semente. Depois de realizado o pro­
cesso anterior, fica pronta a placa para ser utilizada, cobrindo os ori­
fícios com cada uma das sementes. Após a colocação de cada semente
em seu orifício, se cobre a placa de esparadrapo, o qual é pressiona­
do, adequadamente, para que se adira bem em toda a superfície; pos­
teriormente, é cortado usando como guias as ranhuras ou sulcos pre­
viamente feitos na placa de acrílico. Terminada esta manobra, a placa
está pronta para sua utilização; então, usamos uma pinça mosquito
para retirar o retângulo de esparadrapo com a semente já incorpora­
da, quando tratamos o paciente.

M odo de Uso
Depois de haver utilizado o explorador auricular e haver realizado
uma correta seleção dos pontos de reação positiva correspondentes
com o diagnóstico e diferenciação clínica, procede-se à esterilização
da zona com um algodão e álcool a 75%; então, se sustenta com a
Terapêutica A uricular - Características e M étodos 237

mão esquerda o pavilhão da orelha e com a mão direita se toma um


dos esparadrapos quadriculados da placa com a ajuda da pinça mos­
quito, para colocá-los e pressioná-los sobre o ponto.
Uma vez sustentada a semente com o esparadrapo sobre o ponto,
se pressiona, paulatinamente, procurando que o paciente sinta um
estimulo ou sensação de distensão, que vai aumentando em intensi­
dade, gradualmente. A magnitude do estímulo, em cada caso, respon­
de às características da enfermidade. No caso de crianças, mulheres
grávidas, anciões de constituição física débil, pacientes neurastênicos
ou muito sensíveis, usa-se uma manipulação com estímulo leve; no
caso de enfermidades agudas, inflamatórias, dolorosas, de natureza
quente ou em pessoas de constituição física forte, com a pele do pavi­
lhão auricular espessa devido ao trabalho ao ar livre durante muitos
anos, recomenda-se utilizar a manipulação com um estímulo forte.
Depois de realizado o método de colocação de sementes e haver
obtido a sensação adequada à pressão (De Qi). continua-se pressio­
nando o ponto auricular, durante vários segundos, até que a dor vá
desaparecendo, paulatinamente. Em geral, ao utilizar um estímulo
médio sobre o pavilhão da orelha, o paciente pode obter sensações
como: calor, distensão da zona imediata e um estímulo migratório que
pode viajar a vários lugares do corpo.

D ireçã o do E stím ulo


A direção em que se localizam as sementes e se realiza a pressão
das mesmas, depende da configuração e distribuição dos pontos auri­
culares no pavilhão. Os pontos auriculares mais importantes estão
distribuídos em relação direta com a trajetória dos nervos como, por
exemplo, os pontos relacionados com o aparelho digestivo, estão dire­
tamente vinculados, em sua localização, com um ramo do nervo vago;
por isso, ao tratar pontos como: boca, esôfago, cárdia, estômago, duo-
deno, intestino delgado, apêndice, intestino grosso, etc. a direção na
qual se localizam as sementes e é realizado o estímulo, deve ser em
direção à raiz do hélix. Desta maneira, o resultado terapêutico será
muito maior.
Outro exemplo, é o caso dos pontos que estão relacionados direta­
mente com o sistema musculoesquelético, os quais distribuem-se ao
longo dos ramos do nervo auricular maior; neste sentido, quando se
colocam todos os pontos desta zona, deve-se preocupar que sua dire­
ção de manipulação seja para o anti-hélix.
Também, temos o caso dos pontos ouvido externo e o ponto do
órgão coração, os quais estão diretamente relacionados com ramos do
nervo temporoauricular.
238 Auriculoterapia

O nervo occipital menor se distribui na parte superior do tubércu­


lo do hélix. Por isso, quando se usam os pontos desta zona, devem ser
manipulados em direção ao hélix.
Os pontos que se localizam em depressões e cavidades, ou em
regiões onde a resistência elétrica do pavilhão é baixa, são sumamen­
te sensíveis, pelo que pontos como: coração, pulmão, endócrino, in­
testino grosso, útero, colo do útero, clavícula, dedos, cotovelo, ponto
alergia, etc., devem ser pressionados em direção à parte mais profun­
da da cavidade onde se localizam.
Quando se necessite usar um mesmo ponto por ambas as faces do
pavilhão ao mesmo tempo, com o objetivo de reforçar o tratamento,
em enfermidades do sistema musculoesquelético, como por exemplo:
os transtornos cervicais, dorsais, lombares, hiperplasia, dor da região
do ombro e a espalda, ciatalgia, etc., é importante localizar o ponto
mais delicado à dor, tanto do dorso como da região ventral do pavi­
lhão e colocar as sementes de forma tal que se localizem em oposição
direta, para que o resultado terapêutico seja muito maior.

Ciclo de Tratamento
As sementes colocadas no pavilhão auricular podem permanecer
por um período de 3 a 7 dias, em dependência da enfermidade trata­
da. No caso das enfermidades dolorosas, as sementes podem ser reti­
radas aos três ou quatro dias, com vistas a modificar os pontos esco­
lhidos, segundo a necessidade. Tudo está sujeito à evolução da enfer­
midade e a suas características. Recomenda-se que se a mesma evo­
lui favoravelmente, os pontos escolhidos sejam modificados em torno
dos cinco ou sete dias.
Cada dia o paciente deve estimular as sementes de três a cinco
vezes, automassageando-se as orelhas. Cinco sessões de tratamento
constituem um ciclo e entre cada ciclo de tratamento deve haver um
descanso de um ou dois dias, ou de uma ou duas semanas, antes de
começar um novo, isto dependerá do tempo de evolução da enfermi­
dade, assim como da resposta que se vai obtendo com o tratamento.

A spectos a se L e v a r em C onsideração
• Deve-se evitar molhar os esparadrapos, uma vez colocados na
orelha. Ao serem umedecidos, a força de estímulo diminui, além
disso se podem criar condições propícias para as infecções na
pele.
Pode dar-se o caso de reações alérgicas ao esparadrapo de óxido
de zinco, que se manifestam com pápulas na zona, prurido, edemas e
Terapêutica A uricu la r - Características e M étodos 239

avermelhamento. Em tais casos, pode-se realizar sangria no ápice e


método de colocação de sementes no ponto supra-renal e alergia, mu­
dando o tipo de esparadrapo, por microporo ou outro antialérgico.
• No verão, o método de colocação de sementes deve ser aplicado
com menos freqüência, devido ao incremento da sudação e de
secreção sebácea própria do paciente. Deve-se usar, o período
de permanência das sementes no pavilhão auricular não deve
ser extenso.
• Se no pavilhão da orelha há tumefação, úlceras ou inflamação,
não se deve realizar o método de colocação de sementes.
• Se o paciente se queixa de que ao deitar-se e por a cabeça sobre
o travesseiro, sente uma dor intensa nos pontos tratados, pode-
se afrouxar o esparadrapo ou mover levemente as sementes.
• No caso das mulheres grávidas, a manipulação para o estímulo
pelo método de colocação de sementes deve ser leve, evitando,
por todos os meios, qualquer ponto que promova o aborto.
• Não é conveniente utilizar grande quantidade de sementes no
pavilhão auricular, por isto se recomenda intercalar os pontos
escolhidos, tanto pela face ventral como pela dorsal. Por exem­
plo, no tratamento das enfermidades do ombro ou da região lom ­
bar, devem-se escolher os pontos da face dorsal, elevando assim
a eficácia terapêutica.
• Depois de realizado o método de colocação de sementes, o passo
mais importante é o auto-estímulo que realiza, em si mesmo, o
paciente nos pontos tratados. O estímulo deve ser realizado com
manipulações de pressão sobre a área onde está localizado o
esparadrapo com a semente, evitando esfregar ou friccionar, fa­
tos que podem mover de seu lugar as sementes ou produzir le­
sões na pele.

T ratam ento de M esopuntura

Este método consiste na utilização de pequenas quantidades de


medicamentos que se injetam nos pontos, combinando-se assim, o
estímulo que se produz pela puntura com a ação farmacológica do
medicamento. Isto traz um grande efeito na regulação das funções do
organismo, promovendo a recuperação da enfermidade, e alcançando
seu objetivo de cura através de uma dupla via. Por exemplo: em algu­
mas ocasiões se usam injeções de medicamentos analgésicos no pavi­
lhão auricular, tais como a lidocaína e procaína chamando a isto de
bloqueio do ponto auricular.
Podemos dizer que este método é resultado da combinação de ex­
periências tanto da medicina ocidental como da Tradicional Chinesa,
240 Auriculoterapia

resumindo-se em um só método de tratamento. Por isto, ao utilizar-


se deve ter-se em conta a seleção adequada do medicamento e garan­
tindo uma rápida absorção. Desta forma, na mesoterapia, não só se
aproveitam as funções terapêuticas do ponto como também as do
medicamento selecionado.
Segundo um informe publicado na cidade de Fu Jian, realizou-se
um trabalho investigativo, no tratamento de sintomas dolorosos, com
a aplicação da mesopuntura nos pontos auriculares. Para a amostra
foram selecionados 179 pacientes com enfermidades dolorosas, aos
quais foram realizados o tratamento antes mencionado, obtendo-se
os seguintes resultados: depois de um ciclo de tratamento, que in­
cluía de 1 a 10 sessões, a dor desapareceu completamente em 150
pacientes, obtendo-se um resultado do 87,9%.

Tipos de Medicamentos a Usar



Analgésicos locais: procaína e lidocaína.

Vitaminas: vitamina B, e a vitamina B l2.

Sedantes: clorpromazina e fenobarbital.

Antibióticos: gentamicina.

Analgésicos: dolantina.

Antiasmáticos: corticóides e a aminofilina.

Antiespasmódicos: atropina.

Estimulantes do SNC: cafeína e nialamida.

Hormônios: insulina.

Coagulantes: vitamina K.

Antituberculosos: isoniazida e rifampicina.

Extratos naturais: extrato de placenta.

Medicina Tradicional ou fórmulas naturais: raiz de astragalis,
radix angelicae sinensis e radix isatidis.
Tam bém se pode usar o soro fisiológico em determ inadas oca­
siões.

Enfermidades que se Tratam com Mesopuntura


Com o método de mesoterapia, podem-se tratar enfermidades tais
como: paralisia facial, cefaléia, neurastenia, asma bronquial, hiper­
tensão, tuberculose, odontalgia e úlceras gástricas e duodenais.

Método de Tratamento
Na prática clínica, depois de haver realizado um diagnóstico corre­
to da patologia a tratar e da seleção dos pontos auriculares, escolhe-
se o medicamento que vamos injetar.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 241

Como primeiro passo, realizamos uma adequada assepsia e antis-


sepsia do pavilhão auricular. É necessário usar seringas graduadas,
em mm:i. Depois, com a mão esquerda sustentamos e fixamos de
maneira segura a zona do pavilhão que vamos punturar e com a mão
direita sustentamos a seringa que contém dentro de si o medicamen­
to; introduzimos de forma oblíqua a ponta da agulha na pele, procu­
rando cobrir o espaço entre a pele e a cartilagem e realizamos o empuxo
do êmbolo da seringa de forma suave, lenta e moderada, de maneira
tal, que se observe a formação de uma pápula em forma de grão,
feijão ou, uma proeminência no ponto auricular. Deve-se injetar de
0,1 a 0,3 mm3 de medicamento.
A injeção do medicamento no pavilhão auricular pode produzir
sensação de distensão, calor na zona e avermelhamento da periferia
do ponto auricular.
Uma vez retirada a agulha, observa-se a existência de saída de
sangue ou de medicamento por fora do ponto, e caso isto aconteça,
realiza-se compressão na área da puntura com um algodão. Não é
adequado, em tais casos, depois da puntura, realizar uma pressão
intensa ou massagem sobre o pavilhão.
O medicamento será absorvido paulatinamente pelo pavilhão au­
ricular, cumprindo sua função.
O tratamento deve ser em dias alternados, independentemente de
haver sido tratada uma ou ambas as orelhas. De 7 a 10 sessões, cons­
tituem um ciclo de tratamento.

Aspectos a Levar em C onsideração


• A quantidade de medicamento que se injeta nos pontos auricu­
lares é, em geral, um quinto ou um décimo comparado com a
área do ponto.
Deve-se dar especial atenção à esterilização adequada do pavilhão
auricular e de todos os instrumentos utilizados, com o objetivo de
evitar o aparecimento de infecções.
• Deve conhecer-se de antemão se o paciente é alérgico a alguns dos
medicamentos que se utilizam na mesoterapia, como por exemplo, a
penicilina, a procaína etc., evitando assim que se produzam afecções
ao paciente por alergia ao medicamento selecionado.
• Antes de injetar o medicamento, o médico deve documentar-se
acerca de seu mecanismo de ação, contra-indicações e efeitos
indesejáveis, para evitar possíveis reações secundárias.
• No caso de crianças e anciões muito débeis, tanto o número de
pontos a usar como a quantidade de medicamento, devem ser
pequenos.
242 Auriculoterapia

• Cada vez que se realiza o tratamento da mesoterapia auricular,


deve-se buscar novamente e diagnosticar de novo o ponto auri­
cular.

T ratam ento M e d ia n t e C ortes e E m plastro s de

M e d ic a m e n t o s

Este método consiste em realizar pequenos cortes ou rasgaduras


com um bisturi no pavilhão auricular, que posteriormente serão ta­
pados ou preenchidos com pequenos emplastros de medicamentos.
Daqui deriva o nome que recebe o método.
Este método terapêutico, na atualidade, desenvolve-se na China,
mas é pouco freqüente, na prática clínica, pelo nível de estímulo tão
alto e por ser relativamente mais traumático que os anteriores. Ape­
sar disto, consideramos que é importante fazer menção do mesmo
neste livro, para ampliar o conhecimento acerca do elevado número
de métodos terapêuticos que existem através da orelha.
Este método não só produz uma forte estimulação em todo o pavi­
lhão auricular como também, em toda a região periférica a este, ca­
racterizando-se por provocar mudanças a nível bioquímico com mui­
to mais intensidade. Sua influência sobre o Sistema Nervoso Central
favorece a recuperação do equilíbrio fisiológico.
Por seu intenso efeito analgésico, por sua eficácia acalmando o
prurido e por melhorar a perda da sensibilidade é recomendado, nes­
tes casos.
No Hospital 304 do Exército de Liberação da China, realizou-se
um estudo no tratamento de enfermidades, tais como neurodermatite,
prurido dermatológico, dermatite alérgica, herpes zoster, etc. Ao todo
dez tipos de enfermidades dermatológicas, tratando-se 1.094 casos.
Obtiveram os seguintes resultados, em um período curto de trata­
mento:
• Cura total em 830 casos, para 75,89%.
• Melhora em 231 casos, para 21,11%.
• Não houve resultado terapêutico em 33 casos para 3,02%.
Nestes últimos casos, continuou-se com a terapia por um período
de tempo prolongado até obter o resultado terapêutico desejado.
No Instituto de Medicina de Shangai, também se realizou um es­
tudo em enfermidades gastrointestinais através deste mesmo méto­
do, em 82 casos que padeciam gastrite aguda, úlcera gástrica, úlcera
duodenal.
Depois de fazer-se quatro sessões de tratamento com o método de
corte e emplastro medicamentoso, obteve-se uma mudança impor­
tante nos sintomas que apresentavam os pacientes.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 243

Preparação do Material
Os materiais que se usam para a técnica de corte e emplastro são:
• Um bisturi.
• Álcool a 75%.
• Algodão, esparadrapo e uma pinça mosquito.

Medicamentos a Usar

Pasta de A lh o e Pim enta


Depois de retirada a casca do alho e de macerá-lo até convertê-lo
em uma pasta, misturam-se duas partes de alho com uma de pimen­
ta. Esta mescla se macera continuamente até se converter em uma
pasta que se armazena em um recipiente esterilizado. A pimenta ne­
gra deve ser pulverizada o mais fino possível, antes de mesclar com o
alho e formar a pasta medicamentosa.

Pasta de G engibre
Neste caso, maceramos, igualmente, o gengibre fresco, até convertê-
lo em uma pasta, à qual agregamos uma parte de pimenta para cada
quatro partes de gengibre. O conjunto é macerado, novamente, até
que fique bem misturado e se armazena em um recipiente de porcela­
na ou de cristal bem esterilizado.

Enfermidades que se Tratam com este Método


Esta técnica é muito conveniente em enfermidades dermatológi­
cas, tais como: o herpes zoster, acne juvenil, neurodermatite, urticá­
ria, líquen plano e outras enfermidades como bronquite, asma e
traqueíte.

Método de Tratamento
Realiza-se, primeiramente, uma massagem sobre a orelha, para
facilitar a vasodilatação da mesma.
• Com álcool a 75%, esterilizamos ou limpamos, adequadamente,
todo o pavilhão auricular, por ambas as faces.
• Com agulha de três fios, fazemos uma sangria no terceiro ramo
da veia posterior do pavilhão auricular.
• Com um bisturi de operações oftalmológicas, realizamos na de­
pressão da raiz do hélix cortes repetidos, como se se arranhasse
a pele, estes cortes devem ser superficiais, de um comprimento
244 Auriculoterapia

de, aproximadamente, 2 a 3mm, até que apareça ou brote san­


gue, o que se toma como referência de profundidade.
• Com o medicamento, já antes preparado, segundo o processo
explicado, faz-se uma pequena bola do tamanho de um grão ou
feijão, que se coloca sobre a superfície da ferida realizada e fixa­
da por intermédio de um esparadrapo.
A cada 4 dias, volta-se a realizar esta manipulação de corte; de 5 a
10 sessões, se conforma um ciclo de tratamento e, entre cada um,
deve-se descansar de 7 a 10 dias.

A sp ectos a se L eva r em C onsideração


• A arranhadura ou corte não deve ser muito profundo e portanto
a referência de profundidade que se toma, é o brotar de sangue.
• Os instrumentos a usar devem estar corretamente esterilizados.
• Depois de realizar o tratamento em sua totalidade, o paciente
deve evitar lavar a cabeça, para que não se umedeça a região
onde se encontra o medicamento fixado com o esparadrapo.
• Se o medicamento ou uma parte do mesmo provém de plantas
frescas e está acabado de elaborar, a eficácia terapêutica tende a
aumentar.

T ratam ento M e d ia n t e Parches M e d ic in a is

Neste método, obtém-se o efeito terapêutico, a partir da influência


que exerce o uso de parches medicamentosos pré-elaborados sobre
os pontos auriculares.
No Instituto de Medicina Tradicional da cidade de Shangai, este
método foi investigado no tratamento de enfermidades comuns como
as artralgias, enurese, gastralgia, asma em idades pediátricas, etc. e
obtiveram resultados notáveis, sobretudo, com o uso de parches
ativadores da circulação sangüínea.

Enfermidades que se Tratam com este Método


Observaram-se melhores resultados com o uso deste método em
patologias tais como rinite, laringofaringite, sinusite, bronquite, gas­
tralgia, cefaléias, asma, cardiopatia, lombalgia, artralgia dos quatro
membros e hipertensão.

Tipos de Emplastros a Usar


Emplastros anti-sépticos e antiinjlamatórios - Estes emplastros
abundam dentro da farmacopéia tradicional, por isso, há muitos ti­
Terapêutica A uricular - Características e M étodos 245

pos com os quais se obtêm muitos bons resultados, sendo mais con­
veniente seu uso nas enfermidades pediátricas.
Parches aromáticos e ativadores da circulação sangüínea - Nestes
casos, podemos tomar como exemplo, o parche Fang Xiang Wei Qiang.
Este é usado para drenar e comunicar os colaterais, ativar a circula­
ção do sangue e desta maneira, aliviar a dor das articulações, dor da
região lombar e das pernas.
Parches ativadores da circulação do sangue e que acalmam a d o r -
Estes parches têm um estímulo ainda mais forte e podem ser usados
convenientemente para enfermidades cerebrovasculares.
Parches que acalmam a dor e eliminam os ataques de umidade -
Estes são emplastros com características muito aderentes e portanto
são muito cômodos em seu uso; em geral, são empregados para tratar
as artralgias.
Emplastros hipotensor - É usado sobretudo na hipertensão.

Método de Tratamento
O primeiro passo, é limpar o pavilhão auricular com sabão e álcool
e logo secá-lo com um algodão seco; é importante a secura do pavi­
lhão, já que, desta maneira, se garante a adequada adesão do parche,
fazendo com que as substâncias medicamentosas sejam absorvidas.
Desta forma se alcança a comunicação correta dos canais e colate­
rais, regulando-se o sangue e a energia.
Os emplastros devem ser cortados com uma tesoura, adquirindo
tamanhos que cubram a área do ponto.
O tratamento pode ser realizado em uma ou ambas as orelhas.

T ratam ento com M o x ib u s t ã o

Neste método de tratamento, busca-se, como objetivo, aquecer o


pavilhão auricular, conseguindo desta maneira o tratamento de de­
terminados tipos de enfermidades.
Desde os tempos da dinastia Tang, no livro que tem por nome de
As Mil Receitas de Ouro, fazia-se referência ao tratamento da surdez,
hipoacusia e tinido, através do uso da moxibustão sobre o ponto Yang
Wei posterior da orelha. Até o dia de hoje, manteve-se, como uma
herança cultural e popular, o tratamento da queratite e a parotidite,
com o emprego da moxibustão sobre pontos do pavilhão auricular.
A moxibustão têm uma longa história e herança cultural no povo
chinês, contando com uma rica experiência. Já no Ling S hu se expu­
nha: “Onde não chegue a estimular a agulha, estimula a moxa”. Tam ­
bém. neste tratado se afirma: “Quando usamos a agulha não usamos
246 Auriculoterapia

a moxa; quando usamos a moxa. não usamos a agulha . Outro autor,


Li Ding, em seu livro Porta de Entrada à Medicina, nos diz: “Quando o
tratamento com medicamentos é insuficiente e a Acupuntura não obte­
ve bons resultados, então é importante o uso da moxa’. Outro médico
famoso, em seu tratado Pequenas Receitas declara: “O mestre
acupunturista sabe em que momento usa a moxa”. Do mencionado
anteriormente, podemos assegurar que a moxa cobre certas insufi­
ciências no tratamento, que não podem conseguir restaurar a função
com agulhas, nem com o uso de medicamentos.
A moxa, na auriculoterapia, tem a função de aquecer os canais e
tirar o frio, comunicando os colaterais. Este método é muito usado no
tratamento de síndromes por deficiência, por frio e em enfermidades
dolorosas.

Método de Tratamento

M oxibustão com Bastão de M oxa


O bastão de moxa pode ser usado de três maneiras diferentes na
auriculoterapia:
Aquecendo com o bastão de moxa - Com a mão direita sustenta­
mos o bastão de moxa, aproximando a ponta do mesmo, à pele do
ponto, mantendo-o a uma distância de 2 mm deste. É mantido nesta
posição, sem lhe implicar movimento algum, até que o paciente sinta
a sensação de calor, depois do qual esperamos que se produza um
avermelhamento na área. Em cada tratamento de moxibustão, selecio-
nam-se de um a três pontos e em cada ponto, realiza-se a moxibustão
de 5 a lOmin.
Usar o bastão de moxa como a ave que bica - Da mesma maneira
que no método anterior, sustentamos na mão direita o bastão de moxa
aceso, aproximamos a ponta do bastão à pele do ponto até a distância
de 2 mm, mais ou menos, e começamos então a realizar movimento
como o pássaro que bica, em busca de comida, levantando e baixan­
do, aproximando a ponta da moxa ao ponto e afastando-a, até que o
paciente sinta a sensação de calor e apareça o avermelhamento da
pele; igualmente, em cada sessão do tratamento selecionam-se de um
a três pontos e em cada um, realiza-se a moxibustão, de 5 a lOmin.
Este método é mais conveniente no tratamento de crianças, onde a
sensação de calor é menor e menos traumática.
Usar o bastão de moxa com movimentos de ziguezague - Com o
bastão de moxa aceso em sua ponta e sustentado na mão direita,
aproximamos o mesmo ao área do ponto a tratar, até a distância de
mais ou menos 2 mm, já nesta distância, começamos a realizar movi­
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 247

mentos de ziguezague; de idas e vindas com o bastão, até que o pa­


ciente sinta a sensação de calor na pele e apareça o avermelhamento
na área do ponto moxado. Cada sessão de tratamento deve durar de 5
a lOmin. Este método de moxibustão é mais indicado para casos de
eczemas e inflamações na cartilagem da orelha.

M oxibustão com a P la n ta “D eng X in C a o ”


Desde a dinastia Ming, o uso desta planta para a moxibustão já
era popular, e na atualidade, ainda segue sendo utilizada. Esta planta
tem o nome científico M etullaJunci EJJusie para seu uso tomamos um
ramo da planta com um comprimento aproximado de 1 cm, a qual
acendemos com um fósforo e aproximamos com rapidez do pavilhão
auricular, colocando-a no ponto selecionado. Deve-se sentir um som
de “pac” que indica que foi usado um cone. Assim, desta forma, se
repete a ação de três a nove vezes. Usa-se, diariamente, ou em dias
alternados, uma vez. Este método pode ser usado em ambas as ore­
lhas ou em uma só, segundo a patologia em questão. É muito adequa­
do no tratamento da parotidite, conjuntivite e no herpes zoster.

M étod o de M oxibustão com “M oxa de A rom a L e v e ’’


Neste tipo de moxibustão, usa-se a Amoreira e consta também de
uma rica experiência clínica, na China.
Toma-se um ramo de Amoreira e se elabora a moxa; a mesma se
aproxima acesa ao ponto do pavilhão, à distância de 1 mm e se man­
tém aí, até que o paciente refira sensação de calor. Podem-se usar, no
tratamento, de um a três pontos e a moxa se utiliza de 3 a 5min.
Cinco a dez vezes de tratamento constituem um ciclo. Este método é
muito usado para o tratamento da lombalgia, dor nos pés, torcicolos e
periartrite do ombro.

M oxibustão com “P equ en o C one de M o x a ”


Este método de tratamento vem da dinastia Ming, onde se usava
farinha de trigo para confeccionar pequenos cones, que se colocavam
sobre o lóbulo da orelha. Era aplicado no tratamento de enfermidades
como a paralisia facial, etc.
Para este método, corta-se uma pequena lâmina de alho e se coloca
sobre o ponto selecionado para moxar. Logo, se põe sobre o mesmo, um
cone de farinha ou outro material de moxa, pequeno ou mediano, e se
acende; quando o paciente sinta o calor na área, então se modifica por
um segundo cone. Em uma sessão de tratamento se usam de 1 a 3
pontos; em cada ponto podem empregar-se de 3 a 9 cones.
248 Auriculoterapia

Este método é muito utilizado para tratar a paralisia facial, a con-


juntivite, lombalgia, dores nas pernas, parotidite, herpes zoster, etc.

A spectos a se Leva r em C onsideração


• Ao fazer a moxibustão sobre o pavilhão auricular, deve-se tomar
especial cuidado em proteger o cabelo do paciente, pois com um
descuido este pode incendiar-se.
• Em geral, durante a moxibustão, podem aparecer avermelhamen-
to da pele e eritema, com sensação de dor queimante ou vesícu­
las, nestes casos em que apareçam manifestações mais claras de
queimaduras ou bolhas sobre a pele com cor enegrecida, então
tomamos clara de ovo e aplicamos umas pinceladas sobre a re­
gião afetada. Devemos evitar as queimaduras porque estas facili­
tam posteriormente a instalação de uma infecção do pavilhão
auricular. No caso do aparecimento de bolhas, torna-se proibido
rompê-las, estas devem reabsorver-se de maneira natural. Quan­
do se repete o tratamento é conveniente mudar de pontos.
• A moxibustão não deve ser empregada em pacientes muito ner­
vosos, com enfermidades renais, nem em mulheres grávidas.

T ratam ento M e d ia n t e S a n g r ia
Este método consiste no uso de agulhas filiformes, agulhas intra-
musculares, agulhas triangulares ou bisturi oftalmológico, para reali­
zar picadas, perfurações ou pequenos cortes em zonas e veias especí­
ficas do pavilhão auricular com o objetivo de fazer sangrar.
É utilizado, desde a antigüidade, para eliminar o acúmulo do calor
patogênico, que provoca febre alta e convulsão, também, para tratar
as dores causadas por estagnação de sangue, nas celaléias, vertigens
e visão turva provocadas pelo subida do Yang do fígado e a dor e
inflamação da conjuntiva do olho, a constipação e a dermatite, pro­
duto do calor excessivo acumulado no pulmão e no intestino grosso.
A sangria é um método que ajuda a comunicar e drenar os ca­
nais e colaterais, eliminar a estagnação e facilitar a circulação do
sangue; acalmar e eliminar o calor; é um método antiinflamatório e
analgésico.

Método de Tratamento
Deve realizar-se, primeiramente, uma massagem no pavilhão da
orelha para facilitar a irrigação sangüínea. Posteriormente, limpamos
minuciosamente a área onde se vai a realizar a sangria.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 249

Com a mão esquerda se sustenta fortemente a parte do pavilhão


auricular onde se realizará a sangria; com a mão direita sustentamos
a agulha esterilizada. A manobra de puntura deve ser executada com
rapidez e agilidade, fazendo penetrar a agulha a uma profundidade de
1 a 3 mm, no ponto auricular selecionado.
Cada vez que se faz sangria, podem-se extrair de 3 a 5 gotas. De­
pois de realizada a sangria utiliza-se um algodão seco para deter a
saída excessiva de sangue. A sangria pode ser realizada 1 vez em dias
alternados. Em caso de enfermidades agudas, pode-se fazer até duas
vezes no mesmo dia.

A spectos a se Le va r em C onsideração
• Antes da manobra de sangria, não pode faltar uma massagem
auricular, isto garante uma adequada vasodilatação da zona.
• Se usamos agulhas triangulares, a puntura não pode ser dema­
siada profunda, já que isto pode ocasionar danos na pele ou na
cartilagem.
• A sangria habitualmente não deve ser demasiado abundante,
exceto nos casos de hipertensão, febre alta, cefaléia, tonturas.
• Há enfermidades nas quais o uso da sangria deve ser evitado ou
realizar-se com muita precaução, estas são: as alterações plaquetá-
rias ou da coagulação, anemia, hepatite e durante a menstruação.
• Deve-se ter especial cuidado na esterilização de todo o instru­
mental a usar para a sangria, com o fim de evitar infecções no
pavilhão da orelha.
• Quando se realiza sangria nas veias que emergem do pavilhão
da orelha, deve-se fazer nos extremos mais distantes das mes­
mas, sem efetuar movimentos excessivos do pavilhão, a fim de
evitar a formação de coágulos.
• Há que tomar determinadas medidas para realizar a sangria se­
gundo a área onde se realiza a mesma. Por exemplo, ao efetuá-la
no ápice da orelha, deve-se sustentar o ápice com força, com
auxílio dos dedos indicador e anular. Isto produz mudanças no
limiar doloroso, de maneira tal, que a puntura é menos doloro­
sa. A sangria no ápice, também, pode ser combinada com a san­
gria no sulco hipotensor.

Seleção do Ponto de Sangria Segundo a


Enfermidade
Sangria no Á p ice da O relha
Apresenta seis funções fundamentais: antipirética, antiinflama-
tória, sedante, hipotensora, antialérgica, soluciona a mente e aclara a
250 Auriculoterapia

visão; razão pela qual é muito usada para o tratamento da febre alta,
processos inflamatórios, alergias, hipertensão, cefaléia, choque ou
perda de conhecimento, enfermidades oftalmológicas, neurastenia,
enfermidades dermatológicas, etc.
Na atualidade, a sangria no ápice da orelha é um dos métodos
mais utilizados na prática clínica.

Sangria em Ponto Yang de Fígado


É usada especialmente para tratar os sintomas do síndrome de su­
bida do Yang do fígado, tais como: tontura, a visão turva, tinido, etc.

Sangria no Á p ice do T ra go
Também tem função antipirética, antiinílamatória, sedante e anal­
gésica. É usada para o tratamento de enfermidades inflamatórias
agudas e crônicas, assim como na febre produzida pelo resfriado
comum.

Sangria no Sulco H ipotensor


Trata a hipertensão, a cefaléia e a tontura.

Sangria no D orso da Orelha


Em geral, realiza-se no terceiro ramo das veias posteriores da ore­
lha e se usa para tratar enfermidades dermatológicas, inflamações de
garganta, conjuntivite aguda, bronquite, etc.

T ratam ento com R a d io is ó t o p o s


Com este método, promovem-se diferentes tipos de tratamento ra­
dioativo, com os quais se busca produzir um estímulo sobre os pon­
tos auriculares, a partir do uso tópico ou mediante injeção de peque­
nas quantidades de substâncias radioativas, nos mesmos.
A radioatividade produzida pelo fósforo 32 (P32), é adequada para
ser utilizada neste tipo de tratamento, ao possuir um caráter estimu­
lante que pode ativar a função fisiológica a nível celular, obtendo-se,
com este tipo de terapia, resultados alentadores.
No Instituto Médico de Gui Yang, realizou-se um estudo com o uso
de elementos radioativos no tratamento da hipoacusia, colocando-se os
mesmos no conduto auricular e obtendo-se um relevante resultado.
Escolheram-se 282 pacientes com hipoacusia, que se agruparam
da seguinte forma: 156 pacientes com hipoacusia por causa neuroló­
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 251

gica, 50 pacientes com hipoacusia de causa condutiva, 56 pacientes


de hipoacusia combinada. Obtendo-se um resultado total de 76,3%
de cura. Nos casos de hipoacusia produzida por uma otite média e por
excesso de ruído, obtiveram-se resultados igualmente satisfatórios.
No Instituto de Medicina na cidade de Nang Jing, realizou-se um
trabalho investigativo, no qual se utilizou o P32 combinado com o uso
da semente da planta Wan Bu LinX ing ( Vaccaria Segetalis), colocan­
do-se nos pontos auriculares para tratar afecções como: cefaléia,
lipotimia e neurastenia. Depois de haver usado este método, os resul­
tados foram muito satisfatórios.

Preparação do Material
Selecionam-se 100 sementes da planta Wan Bu LiuXing, as quais
são colocadas em um recipiente de cristal ou tubo de ensaio, que
contenha uma solução de P32, em uma proporção de 0,05 a 0,1 mm
cúbico, para obter uma potência de radiação total de 100 microcuries.
Depois, procede-se à secagem das mesmas, para que possam ser uti­
lizadas. Cada semente, neste momento, teria uma potência de 1
microcurie.

Método de Tratamento
Toma-se, mediante uma pinça, a semente que absorveu, anterior­
mente, a solução radioativa e se coloca no esparadrapo previamente
recortado, para ser colocada, posteriormente, no ponto auricular. Po­
dem-se colocar na orelha de 2 a 4 pontos em cada sessão de trata­
mento, recomendando-se o uso de uma só orelha, em cada tratamen­
to, de maneira alternada. Cada três dias deve-se mudar a semente
radioativa; cinco sessões, constituem um ciclo de tratamento.

A sp ectos a se Le va r em C onsideração
• Para evitar a contaminação radiativa, devem-se retirar a tempo
os elementos do tratamento. Nunca devemos exceder-nos no tem­
po de tratamento.
• Proíbe-se o uso deste tipo de terapia em caso de mulheres grá­
vidas.

T ratam ento com M a g n e t o t e r a p ia

A magnetoterapia auricular é um método que se fundamenta no


uso de imãs, que se colocam sobre os pontos auriculares para o trata­
mento das enfermidades.
252 Auriculoterapia

Já desde o começos da dinastia Ming, o médico Li Shi Zheng, em


seu livro, Bang Cao Gan Mu, assinalava o tratamento da hipoacusia,
através do uso de imãs permanentes, que eram colocados no centro
da orelha, recomendava, além disso, o uso de determinados compo­
nentes naturais, que podiam promover certas funções do organismo
ao influir magneticamente no corpo.
Depois de algumas investigações realizadas, propuseram teses,
nas quais se consideram os pontos auriculares como centros magné­
ticos, em outros casos também se observaram suas propriedades ele­
tromagnéticas. Já é reconhecido que os canais e colaterais são con­
dutos de sinais eletromagnéticas, portanto a magnetoterapia aprovei­
ta estas qualidades do corpo humano em sentido terapêutico. Este
método garante, através de um agente externo de natureza magnéti­
ca, promover as funções terapêuticas dos pontos nos canais e colate­
rais.
Esta terapia é adequada no tratamento da dor. prurido, insônia, a
dispnéia e é também efetiva no tratamento das enfermidades do siste­
ma neurovegetativo.

Método de Tratamento
A magnetoterapia pode ser utilizada de diferentes maneiras e com­
binada com outras técnicas terapêuticas. Na continuação mostramos
cinco métodos diferentes nos quais pode ser utilizada:

M agnetoterapia D ireta
Este tratamento consiste na utilização de pequenas esferas
imantadas, que se colocam sobre um esparadrapo previamente re­
cortado: uma vez determinado, através do diagnóstico, o ponto auri­
cular que vamos tratar, as posicionamos sobre o mesmo, aderindo-as
à pele do pavilhão. Devemos colocar especial atenção na polaridade
do imã, sobretudo, se necessitarmos reforçar o tratamento por ambas
as faces do pavilhão. Em cada sessão de tratamento, não devem ser
utilizadas mais de quatro esferas magnéticas.

M agnetoterapia Indireta
O uso de um material isolante, para separar o imã do contato
direto com a pele, está muito difundido, hoje em dia, na prática clíni­
ca; demonstrou-se que quando o imã é colocado diretamente sobre a
pele, sem a envoltura de um material isolante, pode provocar danos
nesta ou a nível da cartilagem. O imã é separado da pele por um
algodão ou gaze fina e fixado à mesma com esparadrapo.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 253

M agnetoterapia com A gu lh a Intra d érm ica M agnetizada


Neste método, seguem-se todos os requisitos exigidos na coloca­
ção das agulhas intradérmicas ou permanentes, mas, com a peculia­
ridade de que neste caso a agulha levará em seu cabo um pequeno
imã; de igual modo que nos métodos anteriores, ambos, agulha e imã,
serão fixados ao pavilhão auricular, com um esparadrapo.
Como a natureza do estímulo da agulha intradérmica é maior, não
deve ser muito longo o tempo de tratamento, por isso, este se realiza­
rá durante um só dia.
Este tratamento oferece seus melhores resultados nas enfermida­
des dermatológicas e nos sintomas dolorosos.

E troacupuntura M agnética
Para este método se seleciona um imã com mais de 1000 gaos, ao
qual se solda ao cabo da agulha que vai garantir a condução elétrica.
Ao realizar o tratamento, usa-se toda a manobra explicada anterior­
mente para a eletroacupuntura, fixando a agulha no ponto sensível e
colocando o estímulo elétrico nela.
O resultado terapêutico se duplica praticamente ao combinar o
estímulo elétrico com o magnético. Este tipo de tratamento se usa
uma vez em dias alternados, em cada sessão são selecionados um ou
dois pontos em cada orelha e são estimulados durante 10 ou 20min.
minutos. Este método é muito eficaz no tratamento do dor e como
sedante geral.

M agnetoterapia com o Uso de Lodo M agnético


Neste método utilizam-se diferentes tipos de lodo medicinais, os
quais são enriquecidos com pó magnético. Depois de uma prévia pre­
paração, combinam-se lodo e pó para conseguir uma pasta que se
administra sobre os pontos auriculares. Usa-se durante o dia e retira-
se durante a noite, lavando a orelha depois de retirado.

Aspectos a se Leva r em C onsideração


• Em 5 a 10% de pacientes tratados com magnetoterapia, temos
encontrado manifestações de tontura, náusea, perda de forças,
sensação de calor, ardor e a presença de petéquias, na área onde
se colocou o imã. Outras pessoas referem palpitações e insônia e
em alguns estes sintomas se apresentam ao início do tratamen­
to e depois desaparecem, enquanto que em outros casos, man­
têm-se durante vários dias. Nestas situações, os pacientes de­
vem retirar os imãs.
254 Auriculoterapia

• Quando se começa o tratamento com magnetoterapia, não deve­


mos usar quantidades excessivas de pontos e nem por tempo
prolongado de tratamento.
• Deve levar-se em consideração a polaridade dos imãs, ao ser
colocados. Se usamos pela parte ventral da orelha um imã com
polaridade norte e pretendemos reforçar este ponto pela parte
posterior da orelha, o imã que afrontará o lado posterior, deve
ter polaridade sul.
• Em certa s en ferm id a d es crô n icas ao ser tra ta d a s com
magnetoterapia, desaparecem rapidamente os sintomas. Nestes
casos, deve manter-se o tratamento até completar o ciclo e não
ser interrompido, do contrário os sintomas podem aparecer no­
vamente.

T ratam ento com L aserpuntura


A laserpuntura auricular é um método no qual se combinam a
legen dária A cupu ntura, com a m odern a tecn ologia do laser,
fusionando-se em um só método. A laserpuntura utiliza o estímulo
que produz o raio do laser sobre os pontos auriculares, alcançando
desta maneira o objetivo terapêutico.
Os equipamentos de laser têm ampla aplicação em diferentes ra­
mos da ciência e da medicina, assim os há também, hoje em dia,
construídos especificamente para o tratamento da auriculopuntura.
Os equipamentos destinados a este fim dão simplicidade e sensibili­
dade ao tratamento, tornando-o pouco invasivo. Além disso, este mé­
todo tem a vantagem de que o tempo de tratamento é de muito curta
duração, aplicando-se durante 1 ou 2min, somente.
Com este tipo de terapia, podem-se tratar uma grande gama de
patologias, constituindo um método muito efetivo no tratamento de
anciões débeis e de crianças, assim como de pacientes temerosos ou
com propensão à tontura Acupuntural e a lipotimia.
Os equipamentos de laser que se fabricam na atualidade são de
dois tipos fundamentais: laser de hélio neõnio e laser de argônio. Nos
equipamentos de hélio-neõnio, o raio é obtido através da combinação
destes dois elementos e são os mais usados no tratamento de Acu­
puntura por oferecer um estímulo muito mais adequado sobre o cor­
po humano e ser melhor recebidos pela pele.
Em geral, o laser tem uma penetração na pele de uns 10 a 15 mm
de profundidade, o qual é suficiente para conseguir o efeito desejado
na terapia.
Comprovou-se que a laserpuntura é um método forte para esti­
mular o metabolismo, para alcançar a desobstrução e a drenagem
Terapêutica A uricular - Características e Métodos 255

adequada dos canais e vasos e para regular a circulação do sangue e


da energia. Também, pode produzir vasodilatação a níveis mais pro­
fundos dentro do organismo, facilitando e aumentando a velocidade
da circulação sangüínea, potencializando a atividade dos fagócitos e
controlando a proliferação de bactérias no organismo.
A laserpuntura trata também os processos inflamatórios, facili­
tando a absorção e recuperação. Comprovaram-se seus efeitos tera­
pêuticos no tratamento das úlceras bucais, na recuperação de fratu­
ras ósseas e danos neurológicos, promovendo também a atividade
das glândulas supra-renais e o metabolismo protéico.
Por todo o mencionado anteriorm ente, podemos dizer que a
laserpuntura pode se utilizada no tratamento da hipertensão, da asma,
da arritmia, da dismenorréia, da rinite alérgica e úlceras bucais de
caráter recidivante.

Método de Tratamento
Antes de usar o equipamento de laser, deve-se comprovar que es­
teja corretamente conectado à rede elétrica. Logo após ligado, o feixe
luminoso de cor vermelha é regulado até alcançar um nível estável.
O tratamento pode ser realizado diariamente ou em dias alterna­
dos, uma vez cada dia. Cada ponto deve ser tratado durante 2 ou
3min, somente, e segundo as características da enfermidade podem-
se cuidar de ambas as orelhas ao mesmo tempo ou uma só orelha
cada vez. Dez sessões de terapia complementam um ciclo de trata­
mento, entre cada ciclo de tratamento, deve-se descansar de sete a
dez dias.

A spectos a se L e va r em C onsid era çã o


• A forquilha de saída do raio deve estar bem dirigida para evitar
erros na recepção do raio pelo ponto.
• Deve evitar-se que na sala onde se efetua o tratamento se en­
contrem objetos refratários, como uso de lentes ou óculos, me­
tais, etc., para evitar desta maneira danos aos olhos. Os olhos
não podem receber a refração direta do raio laser, já que se pre­
judicariam severamente. A sala, além disso deve estar bem ilu­
minada, para facilitar que a íris do olho se feche e assim dimi­
nuir as probabilidades de dano aos olhos. Poderia ser factível o
uso de lentes ou espelhos para evitar a penetração do feixe lumi­
noso nos olhos.
• Pode-se usar um pano com água salgada, para proteger as áreas
periauriculares da radiação do laser.
256 Auriculoterapia

• Para proteger o equipamento de laser deve-se colocar para fun­


cionar durante 30min, periodicamente (uma ou duas vezes por
mês) e efetuar uma revisão completa de seu estado técnico, para
manter a via de transmissão do raio e o equipamento em condi­
ções ópticas para seu uso.

M étodo de T ratam ento com B r in c o s


Este é um método no qual o paciente participa ativamente em sua
própria terapia. No mesmo, são empregados brincos especialmente
elaborados, que permitem um estímulo sobre os pontos, pela força de
pinçamento que exercem sobre os mesmos.
O mesmo é empregado, sobretudo, para tratar afecções como a
cefaléia, amigdalite, conjuntivite, dor dos ombros e dos braços, etc. É,
freqüentemente, aplicado em pacientes nos quais não se pode utilizar
a Acupuntura e em anciões débeis.
Os pontos, habitualmente, usados são os do lóbulo da orelha, a
fossa escafóide e o lado externo do hélix.
O tratamento pode ser diário durante 30min ou lh. Na atualida­
de, este método é combinado, também, com estímulos elétricos, em
tais casos, o tempo de tratamento será de 10 a 20min.

T ratam ento com o M artelo de “ F lo r de A m e ix e ir a ”

O martelo de “flor de ameixeira” que se emprega na auriculopuntura


é menor e, às vezes, é também substituído por agulhas filiformes, que
se utilizam para picar sobre as áreas e os pontos durante o tratamen­
to de diferentes enfermidades
Este método ajuda a melhorar a circulação pelos canais e colate­
rais, eliminar o calor e a infecção, eliminar a estagnação de sangue e
facilitar a circulação, favorecendo a função dos Zang Fu.
Com o mesmo se obtêm excelentes resultados no tratamento da
paralisia facial, nas neurodermatites, em outras enfermidades der­
matológicas como na acne juvenil, no líquen plano, dermatite sebor­
réica, vitiligo, urticária e também para tratamento da beleza.

Método de Tratamento
Deve-se massagear a orelha do paciente durante vários minutos,
com o objetivo de produzir uma adequada vasodilatação; procede-se,
então, à assepsia e anti-sepsia adequada de todo o pavilhão auricular
e logo, com a mão esquerda se fixa, com força, a área onde se efetuará
o tratamento.
Terapêutica A uricular - Características e Métodos 257

Começa-se a realizar a manipulação de picadas sobre a zona a


tratar de maneira repetida, até que o paciente sinta sensação de calor
e apareçam pequenos pontos de sangue na zona.
Após as picadas, seca-se a zona com algodão estéril e usa-se álco­
ol a 75% para completar a esterilização do pavilhão auricular.
De acordo com as características da enfermidade, realizar-se-á o
tratamento em dias alternados ou cada três ou quatro dias. Após 7
sessões de tratamento se completa um ciclo.

A sp ectos a se Le v a r em C onsideração
• Devem-se revisar adequadamente as pontas do martelo ou das
agulhas filiformes que se utilizem, assegurando-se de que estas
não estejam sem pontas, dobradas ou partidas. Desta maneira,
evitamos que ao realizar as picadas, o paciente sinta uma incre­
mento da dor produzida por este tipo de terapia ou que não se
obtenha o resultado terapêutico esperado.
• Ao realizar as picadas na dermatite alérgica ou em pacientes
com hepatite, deve-se esterilizar corretamente o material e as
agulhas utilizadas depois do tratamento, para evitar que outras
pessoas sejam contaminadas.
• Para o tratamento da beleza facial, usamos a área das boche­
chas, somente.

T ratam ento M e d ia n t e M assagem

A massagem auricular é um método terapêutico muito difundido e


com especiais resultados na profilaxia de algumas enfermidades, o
mesmo se divide em dois tipos fundamentais:
• Massagem geral do pavilhão auricular.
• Massagem específica dos pontos auriculares.

Massagem Geral do Pavilhão Auricular


Na massagem auricular, usam-se manipulações como: pressionar,
massagear, sovar, friccionar, beliscar e pontear. Na automassagem do
pavilhão auricular utilizam-se as mãos para realizar distintos tipos
de manipulações, levantando, beliscando, etc.
Este método de automassagem é muito antigo e difundido na Chi­
na, sobretudo, por sua sensibilidade e resultados terapêutico, além
de ser agradável ao paciente. Com o mesmo se tratam diferentes tipos
de enfermidades como a cefaléia, neurastenia, hipertensão, etc., aju­
dando em cada caso à recuperação do enfermo. Se cada dia, nas ma­
nhãs e nas tardes, realizamos automassagem do pavilhão auricular,
258 Auriculoterapia

durante um tempo prolongado, podemos produzir um estímulo no


Jing Qi ou energia vital, conseguindo também promover a circulação e
a atividade dos canais e colaterais, regular a função dos Zang Fu,
fortalecer o baço e o Jiao médio, tonificar o rim, vitalizar a mente e
ajudar à audição.
Por todo o referido anteriormente, podemos assegurar que a auto-
massagem é um método eficaz no tratamento e na profilaxia das en­
fermidades.
Na continuação apresentaremos alguns métodos de massagem no
pavilhão auricular.

M assagem de Todo o Pavilhão


Começamos esfregando ambas palmas das mãos até que fiquem
quentes. Logo realizamos movimentos de massagem para diante e para
trás sobre a parte ventral e dorsal da orelha. Quando fazemos os mo­
vimentos para diante, se flexiona o pavilhão para frente, de forma tal
que se massageie o lado dorsal da orelha. Esta manobra se realiza
repetidamente de cinco a seis vezes. Também, podem-se fazer movi­
mentos de fricção e amassamento com a área do ponto Lao Gung, da
palma da mão, pressionando e sovando o pavilhão auricular, como se
explicou anteriormente, de 18 a 36 vezes.
Este método trata enfermidades de canais e colaterais e dos
Zang Fu.

M assagem do H élix da Orelha


Este é um método que vem, desde a antigüidade, utilizando-se
para a manutenção da saúde e formando parte de diferentes escolas
de Qi Gong. Recomenda-se que a massagem repetida sobre o hélix
pode tonificar o Qi do rim e evitar a hipoacusia e a surdez, tratando
também os transtornos do sono.
Esta manobra de massagem é realizada da seguinte maneira:
Fechamos a mão em forma de punho (não fortemente mas deixando
espaço entre os dedos), com o polpa do dedo polegar e o bordo ex­
terno do dedo indicador, realizamos massagens sobre o hélix, co­
meçando de cima para baixo, várias vezes seguidas, até que se sin­
ta calor e vasodilatação. Este método pode evitar a impotência, as
hemorróides produzidas por constipação, dor da cintura e pernas,
as enfermidades cervicais, a opressão torácica, a palpitação, as ton­
turas, as cefaléias, etc.
Tem a função de tonificar a mente, ajudar à audição, clarear a
vista, tonificar o rim e fortalecer a saúde, em geral.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 259

A la r e Levantar o Lóbulo da Orelha


A este método também se chama “despregar as duas asas para
voar" e se efetua realizando autobeliscões, alando e levantando o ló­
bulo da orelha com ambas mãos, primeiramente, com força leve, mas
aumentando a força pesada de maneira paulatina, durante 3 ou 5min.
O tratamento pode realizar-se uma vez pela manhã e outra pela tar­
de. Esta técnica de massagem, pode servir para tratar a cefaléia, o
choque, as enfermidades da visão, a febre alta nos crianças e é ade­
quado na profilaxia do resfriado comum. Se a orelha apresentar al­
gum sintoma inflamatório não se deve usar este método.

Massagem de Pontos Específicos


Este método também é denominado massagem forte sobre os pon­
tos auriculares, e em geral, se divide em três manobras:
Ponteio.
Pinçamento.
Sovamento.

Ponteio
Para o método de ponteio se busca ou constrói um palito de ponta
romba, com o qual se realizarão pressões de ponteio sobre os pontos
auriculares, que estão diretamente relacionados com a patologia a
tratar. Em cada ponto, realiza-se a pressão de 1 a 2min, a força de
pressão deve ser, no começo, leve mas, vai aumentando gradualmen­
te em intensidade, até que se sinta uma sensação de calor, distensão
ou dor na zona escolhida. Também se pode fazer a prática de Qi Gong
sobre o ponto, o que se chama “dirigir o Qi para um só ponto". Este
método é usado para tratar enfermidades dolorosas ou para o manu­
tenção da saúde.

Pinçam ento
Neste método, usa-se a polpa do dedo polegar, colocando-se pela
parte ventral do ponto selecionado e o dedo indicador pela parte dor­
sal, de forma tal que coincida diretamente com o ponto selecionado,
ficando ambos os dedos em oposição direta sobre o referido ponto.
Realizam-se, então, movimentos de pinçamento e pressão com força
leve até força intensa. Em caso de pessoas cujo estado seja débil, o
pinçamento deve manter-se com força leve, enquanto que, nas de boa
constituição, o pinçamento pode levar maior força. Em cada massa­
gem de pinçamento, devem-se selecionar de um a três pontos.
260 Auriculoterapia

Este método, é usado para tratar enfermidades dolorosas como


odontalgia, cefaléia, dor epigástrica, dor na região do fígado, no res­
friado e na rinite.

Sovam ento
Neste método pode-se utilizar um palito de ponta romba para
realizar a pressão ou a ponta do dedo indicador, a qual é colocada
sobre o ponto escolhido para o tratamento, efetuando-se sovamentos
com movimentos circulares a favor dos ponteiros do relógio, que se
oferecem de forma leve a intensa, até que o paciente sinta na zona,
sensação de calor e distensão. Este método é agradável e adequado
para o tratamento de crianças e pessoas muito sensíveis à dor. Com
o mesmo, tratam-se enfermidades dolorosas e transtornos do siste­
ma digestivo.

Características da Manipulação Segundo a Zona


do Pavilhão Auricular
O pavilhão auricular está constituído por conchas, elevações, de­
pressões, zonas planas, etc., cada uma das quais, tem um vínculo
estreito com os órgãos e as vísceras, os cinco órgãos dos sentidos, as
extremidades, etc.; por isso, existe uma dosagem da massagem auri­
cular em dependência do objeto da massagem. Na continuação expo­
remos as características desta dosagem:
Massagem do trago - Na massagem do trago da orelha, usam-se
as pontas dos dedos indicador e polegar das mãos, para produzir um
estímulo tanto pela parte interna do trago como pela externa, com
movimentos de sovamento e pressão, de forma repetida de cima para
baixo durante 20 vezes. Este método de massagem pode prevenir o
resfriado comum, a rinite, as dores de garganta, faringite, a tosse, a
dispnéia, a opressão torácica, cefaléia e a tontura.
Massagem do antitrago - Nesta massagem usam-se as pontas dos
dedos indicador e médio pela face ventral do pavilhão e o ponta do
dedo polegar pela dorsal, para realizar de maneira simultânea movi­
mentos de amassamento e beliscar, alando e pressionando o antitrago,
para baixo e para diante, para cima e para fora de forma repetida, de
10 a 20 vezes. Este tratamento serve para tratar a cefaléia, a tontura,
a distensão da cabeça, a insônia, as palpitações, as dores precordiais,
regula a função do córtex cerebral, fortalece a mente, regula a função
dos Zang Fu e fortalece a atividade cardiovascular.
Massagem da fossa triangular - Nesta massagem, utiliza-se a pol­
pa do dedo indicador, para realizar manipulações de sovamento e pres­
Terapêutica A uricular - Características e Métodos 261

são, que se repetem várias vezes sobre a fossa triangular. Com este
procedimento, podem-se tratar enfermidades ginecológicas, de trans­
tornos por deficiência de rim, impotência, prostatite, hipertensão, para
tanto, promove as funções de caráter hipotensor, ajuda na função de
drenagem do fígado, acalma a dor e ajuda à visão.
Massagem sobre a concha cimba - Utilizam-se as pontas do dedo
indicador ou médio, para realizar manipulações de amassamento e
pressão de forma repetida, de dentro para fora e de fora para dentro,
sobre a zona da concha cimba. Com esta massagem podem-se evitar
os transtornos gastrointestinais, a distensão abdominal, a constipa­
ção, a diarréia, as dores abdominais e da região do hipocôndrio, po­
dem-se promover as funções diuréticas, antiinflamatórias, regular as
funções do sistema digestivo e as funções metabólicas.
Massagem sobre a concha cava - Com a ponta do dedo indicador
posto sobre a concha cava, realizam-se manipulações de ponteio, pres­
são e sovamento. para tratar anginas de peito, asma, tosse, palpita­
ções, etc.

R eações m a is C omuns D urante a A u r ic u l o t e r a p ia

No pavilhão auricular se reúnem fundamentalmente dois siste­


mas: o sistema nervoso e o sistema de canais e colaterais. Isto nos
oferece a possibilidade de conseguir uma maior influência sobre os
processos mórbidos, favorecendo a recuperação da saúde através do
uso de diferentes métodos terapêuticos como os já descritos. No trans­
curso do tratamento, se fazem comuns diferentes reações, que nos
mostram a estreita relação existente entre o pavilhão auricular, o sis­
tema de canais e colaterais e o sistema nervoso.
Na continuação mostraremos algumas das reações mais freqüen­
te. na prática clínica, e que nos ajudaram a manter uma adequada
estratégia de tratamento.

Reações do Pavilhão Auricular


Quando realizamos a auriculopuntura, na maior parte dos casos,
o paciente sente uma sensação dolorosa no pavilhão auricular, sendo
menos freqüente os que referem uma sensação de intumescimento,
distensão e frialdade, entre outras manifestações reflexas. Estas sen­
sações podem ser consideradas como normais e estão relacionadas
com o fenômeno que se denomina “De QC ou a chegada do Qi.
O aparecimento de todas estas manifestações, servem de grande
ajuda ao terapeuta, posto que lhe reafirma a certeza do ponto escolhi­
do, de seu correto estímulo e da chegada do Qi. Assinala-nos além
262 Auriculoterapia

disso, que o resultado terapêutico tende a ser ótimo, se não se obtiver


estas manifestações, o resultado terapêutico será duvidoso.

Reações em Outras Partes do Corpo


Depois de realizar a Acupuntura no ponto auricular da zona cor­
respondente, podem aparecer diferentes sensações em regiões do corpo
distais ao pavilhão auricular; em geral, estas manifestações são: sen­
sação de calor ou de conforto, o paciente as percebe nos locais do
corpo, que guardam estreita relação com o processo patológico e por­
tanto com o ponto auricular selecionado.
Em alguns casos o paciente apresenta movimentos involuntários
dos músculos, como, por exemplo, quando tratamos a paralisia do
nervo facial, podem-se produzir nos músculos da região da face, peri-
orbitais, da fronte, etc., movimentos involuntários; durante o trata­
mento da tromboangiíte obliterante, o paciente pode referir uma sen­
sação de fluxo que corre para os membros inferiores; quando se rea­
liza tratamento a pacientes com transtornos gastrointestinais, estes
podem sentir um aumento dos movimentos peristálticos.

Reações a Nível dos Canais e Colaterais


Observou-se que depois da puntura dos pontos auriculares, po­
dem ocorrer manifestações reflexas no trajeto dos canais que estão
diretam ente relacionados com a puntura, como a distensão,
intumescimento, formigamento, etc. Em alguns casos estas manifes­
tações se fazem muito mais evidentes, aparecendo como um estímulo
forte de corrente elétrica. Na prática clínica, observou-se que as sen­
sações referidas anteriormente são mais freqüentes no trajeto dos
canais Tai Yang do pé (bexiga), Yang Ming do pé (estômago) e Shao
Yang do pé (vesícula biliar), também, ao punturar o ponto do nervo
ciático, o paciente chega a perceber sensações no bordo externo da
coxa que correm para baixo. Em muitos casos em que se trataram as
úlceras bucais, usando estímulos sobre o ponto coração, o paciente
teve uma sensação que correu até a língua.
As reações nos canais e colaterais, com o tratamento auricular.
estão diretamente relacionadas com a força ou debilidade do estímulo
com que seja realizado o tratamento. Se usamos um estímulo forte, as
reações são mais positivas e muito mais evidentes, mas se o estímulo
é débil, então, é menos provável o aparecimento destas reações.
Estes fatos aclaram a estreita relação que tem o pavilhão auricular
com o resto do organismo e com o sistema de canais e colaterais.
Se ao realizar o tratamento, obtêm-se estas sensações de forma
rápida, podemos garantir a eficácia do resultado terapêutico.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 263

Reações Sistêmicas
Há ocasiões em que o paciente, ao receber o estímulo auricular,
apresenta reflexos sistêmicos, como: o aumento da força e a vitali­
dade, neste sentido as reações desta natureza contribuem à cura
de sua enfermidade. A este fenômeno, na MTC, se denomina “ le­
vantar o espírito e regular a energia". As reações sistêmicas podem
mostrar-se em diferentes formas, no caso das enfermidades gas­
trointestinais, pode-se apreciar um aumento dos movimentos pe­
ristálticos, assim como do apetite, de maneira imediata; nas enfer­
midades dermatológicas, podem aparecer sensação agradável de
calor ou frescor a nível da pele. Na maioria dos casos, os pacientes
tratados podem sentir depois do tratamento uma sensação de sono
e tranqüilidade.

Reação Conectiva
Há ocasiões, em que ao tratar um determinado sintoma em um
paciente, produz-se a melhora de outros sintomas sem aparente rela­
ção com o primeiro e que não foram objetivo principal do tratamento.
Por exemplo, tratou-se um ancião com dispnéia por causa de uma
bronquite, enquanto se tratava sua tosse e sua dispnéia, foi melho­
rando, em uníssono, uma amiloidose de 20 anos de evolução que atin­
gia a ambos os membros inferiores, começando a ter uma viragem
positiva, evidente. Também, em outros casos ao tratar neurastenia,
eliminou-se uma neurodermatite e desarranjos do ritmo cardíaco como
as palpitações, taquicardia, etc.
Este fenômeno se deve ao fato de que os pontos auriculares
guardam estreita relação com a fisiologia dos Zang Fu e os canais,
desta maneira ao estimular um ponto se restabelece uma síndro-
me e uma síndrome é o resultado de uma falha na circulação do Qi
e Xue a nível dos Zang Fu e dos canais e colaterais, o que provoca
o aparecimento de uma série de sintomas sem aparente conexão
uns com os outros.
Assim temos que um ponto auricular possui um amplo espectro
terapêutico, o que favorece sua aplicação no tratamento de múltiplas
enfermidades .
Segundo a teoria dos Zang Fu. o pulmão controla a pele e os pêlos,
razão pela qual ao tratar uma bronquite asmática, é normal que se
obtenha uma evolução positiva de afecções dermatológicas ou que ao
tratar a arritmia cardíaca, desapareçam outros sintomas como ansie­
dade e neurastenia, respaldada pela teoria da Medicina Tradicional
China de que o coração armazena a mente.
264 Auriculoterapia

Reação com Retardo


Há ocasiões em que, ainda depois de um ciclo de tratamento, os
resultados não são notáveis ou não há nenhum resultado terapêuti­
co. Isto pode obedecer a várias causas:
• Que o paciente tenha uma importante deficiência de Qi e Xue, o
que reduz os recursos com que conta o médico para tratar a
enfermidade.
• Que haja obstrução de canais e colaterais ou que a enfermidade
seja severa e de um longo período de evolução.
• Que a quantidade e intensidade dos estímulos recebidos duran­
te o tratamento sejam insuficientes.
• Que a sensação do paciente ao receber a terapia seja pouca, o
que se traduz em uma má comunicação dos canais e colaterais e
uma deficiente resposta dos Zang Fu, que incide no resultado
terapêutico.
Em alguns casos, depois de ser mantido no tratamento, o paciente
começa a sentir uma melhora paulatina e em pouco tempo uma respos­
ta terapêutica evidente; este efeito é conhecido como “efeito retardado”,
é por isto, que em muitos casos, não se deve perder a fé quando depois
de realizar várias sessões de tratamento o resultado terapêutico não se
faz evidente. É necessário continuar o tratamento durante dois ou três
ciclos mais, ou aumentar o nível de estímulo do mesmo, para restabele­
cer a resposta terapêutica e eliminar o efeito de retardo.

Reação de Caráter Intermitente


Neste caso podem-se considerar aqueles pacientes que depois de
haver evoluído satisfatoriamente ao tratamento, detêm sua resposta
evolutiva, sem responder positivamente ao tratamento. Este fenôme­
no guarda relação com o dano fisiológico ocasionado sobre o ponto,
para que isto não suceda, o terapeuta deve outorgar um descanso
adequado entre cada ciclo de tratamento, com o qual o ponto recupe­
ra sua sensibilidade e seu limiar terapêutico. Não se deve manter um
tratamento contínuo durante um período de tempo muito prolonga­
do, porque diminui a capacidade terapêutica do ponto auricular. Tam­
bém devem manipular-se os pontos auriculares inteligentemente, de
forma tal que se intercambiem freqüentemente os mesmos, usando-
se tanto pela região dorsal, como pela ventral do pavilhão. Desta ma­
neira se protege a sensibilidade do ponto e se logra que a patologia
continue tendo uma resposta que tende à normalidade.

Reação Letárgica
Existe uma minoria de pacientes nos quais, ao realizar a explora­
ção dos pontos, não encontramos correspondência da reação destes,
Terapêutica A uricular - Características e Métodos 265

com a esperada pela fisiopatologia da enfermidade, não mostrando


nenhuma reação importante e sua resistência elétrica sendo muito
alta, também, se observa que ao realizar o tratamento nos mesmos
não se nota o “De Q i'. Este tipo de ponto é denominado letárgico,
dormido ou insensível.
Quando se realiza o tratamento em pacientes com tais caracterís­
ticas, os resultados terapêuticos serão muito escassos; nestes pacientes
não é recomendável usar a auriculoterapia. É um fenômeno observa­
do muito comumente em pacientes moribundos.

Reação de Efeito Contrário


Há ocasiões em que ao realizar o tratamento, não só se deixa de
obter o resultado terapêutico, como, pelo contrário, aparece um agra­
vamento da sintomatologia, acontece sobretudo, para tratar sintomas
como a cefaléia, taquicardia, insônia, hipertensão, etc. Estas caracte­
rísticas aparecem com mais freqüência em pacientes que se encon­
tram muito tensos, naqueles onde usamos grande quantidade de pon­
tos, quando o estímulo é muito forte ou as manipulações não são
corretas. Em algumas ocasiões, este efeito contrário se mantém e,
então, o terapeuta pode optar por duas estratégias: prosseguir o tra­
tamento e observar as reações ou deter o tratamento e modificá-lo por
outro método terapêutico.

PRINCÍPIOS PARA A SELEÇÃO DOS PONTOS

A seleção dos pontos auriculares para o tratamento, fundamenta-


se em determinados princípios, que devem ser levados em considera­
ção ao elaborar uma receita de pontos para ser utilizada em determi­
nada patologia. Os princípios para a seleção dos pontos auriculares
são cinco:
Segundo a zona correspondente.
Segundo diferenciação sindrômica por Zang Fu e por canais e co­
laterais.
Segundo critérios da medicina moderna.
Segundo a função do ponto.
Segundo a experiência clínica.

S eleção S eg u nd o a Z ona C o rrespondente

A seleção adequada dos pontos da zona correspondente é a mano­


bra mais importante dentro do tratamento de auriculoterapia. Como
266 Auriculoterapia

já foi descrito no Capítulo Diagnóstico, os processos patológicos, em


qualquer parte do organismo, são refletidos no pavilhão auricular atra­
vés de pontos que se tornam reativos. O terapeuta deve saber deter­
minar as características destas reações e. portanto, a localização exa­
ta do ponto da zona correspondente, e este precisa ser o primeiro
objetivo de estudo na auriculoterapia.
Os pontos da zona correspondente estão ligados, em geral, ao
sintoma principal que apresenta o paciente ao comparecer à con­
sulta. Por exemplo, no tratamento da periartrite do ombro, selecio­
nam-se os pontos clavícula, articulação do ombro e o ponto ombro,
posto que os três mostram reações positivas na referida patologia.
No caso de uma entorse lombar aguda, seleciona-se mediante a ex­
ploração, o ponto mais sensível e de reação mais positiva, na região
lombar do pavilhão auricular. Desta maneira, podemos concluir di­
zendo que, na terapia auricular, o ponto de reação positiva é o enla­
ce direto com a patologia, convertendo-se no mais importante e efi­
caz durante o tratamento.

S e l e ç ã o S e g u n d o a D i f e r e n c i a ç ã o d e S ín d r o m e s p o r
Zang Fu e p o r C a n a is e C o l a t e r a i s
O método de seleção, está fundamentada nos critérios básicos da
Medicina Tradicional Chinesa. Podemos dizer que este enfoque para a
seleção dos pontos em uma receita é o matiz fundamental que dife­
rencia a escola chinesa de auriculoterapia, da francesa e de outras do
ocidente. Por exemplo, para a MTC o cabelo é um broto do rim e sua
qualidade depende do estado energético do mesmo, razão pela qual
no tratamento da alopecia é necessária a seleção do ponto rim, além
dos implicados diretamente com o sintoma. No caso da dermatite,
considera-se muito importante a seleção do ponto pulmão já que a
Medicina Tradicional declara que este órgão controla a pele e os pe­
los. Outro exemplo representa a acne juvenil, produzida, segundo a
MTC, por uma estagnação de calor nos canais de estômago e pulmão,
que invade a parte superior do corpo e a face, geralmente, a acne
juvenil tem associado sintomas que assinalam a presença de calor no
canal Yang Ming e que se manifestam pela constipação, etc; tendo em
conta a relação exterior-interior do pulmão com intestino grosso e o
controle que realiza o pulmão sobre a pele e os pêlos, se faz impres­
cindível utilizar os pontos estômago, pulmão e intestino grosso.
A teoria dos canais e colaterais constitui, também, uma base es­
sencial no momento de selecionar os pontos adequados para uma
receita, levando-se em conta, tanto a trajetória dos canais e colate­
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 267

rais, como as enfermidades que estes apresentam. A ciatalgia, por


exemplo, está diretamente relacionada com o canal Tai Yang do pé
(bexiga), motivo pelo qual ao tratá-la, é recomendável a utilização do
ponto bexiga, comprovando-se notáveis resultados com a terapia.
Se tratamos também uma cefaléia do tipo enxaqueca e considera­
mos que a mesma está relacionada com o trajeto do canal Shao Yang
do pé, é imprescindível a seleção do ponto vesícula biliar.

S e leç ão S egundo os C r it é r io s d a M e d ic in a M oderna

Quando terminamos a análise da enfermidade, para determinar a


receita de pontos a utilizar, além de levar em conta os critérios da
Medicina Tradicional Chinesa, devem-se tomar em consideração, igual­
mente, os critérios da medicina moderna. Por exemplo, o aparecimen­
to da úlcera péptica está relacionado com disfunções do córtex cere­
bral, devido à atividade ou excitação mental excessiva. Em estudos
realizados sobre o sistema nervoso e sua influência nas mudanças
funcionais dos órgãos internos, pode-se constatar como as atividades
nocivas do córtex cerebral podem produzir mudanças importantes na
função dos órgãos. Levando em consideração estes critérios da medi­
cina moderna, na úlcera péptica seleciona-se o ponto subcórtex, como
parte da receita, para restabelecer a função do córtex cerebral, favore­
cendo a auto-regulação do sistema nervoso, de forma tal que garanta
a secreção normal de sucos gástricos no estômago, restabeleça a qua­
lidade dos movimentos peristálticos e elimine a má absorção de ali­
mentos e líquidos, criando condições favoráveis para a recuperação
do paciente.
A medicina moderna chegou à conclusão de que a atividade exces­
siva do nervo vago é uma das causas principais da hipersecreção áci­
da do estômago e, portanto, da criação do meio propício para as gas­
trite e as úlceras. Em 53 casos com úlceras estomacais ou duodenais,
detectou-se que os pontos subcórtex e simpático manifestavam rea­
ção positiva, em 95% dos casos. Este fato determinou a seleção dos
pontos subcórtex e simpático, na regulação da hipersecreção de ácido
clorídrico.
Como outro exemplo, podemos citar a enurese, na qual a sele­
ção dos pontos hipófise, endócrino e tálamo, é fundamental dentro
da receita; fato que se realiza com o objetivo de estimular a secre­
ção do hormônio antidiurético por parte da hipófise, restabelecen­
do as desordens do sistema endócrino e regulando toda a atividade
neurovegetativa através do ponto tálamo, o que garante a melhora
da enfermidade.
268 Auriculoterapia

S eleç ão S eg u n d o sua F unção


Este critério de seleção também está relacionado com as funções
específicas que realizam os pontos. Por exemplo, o ponto Shen Men
possui uma função basicamente analgésica e é, por isto, que se em­
prega no tratamento de enfermidades dolorosas. Da mesma maneira,
a combinação do ponto Shen Men com o ponto occipital, tem a função
de acalmar e eliminar a vertigem e a tontura. A sangria no ápice tem
função antipirética, hipotensora, antiinílamatória, sedante, antialér-
gica, clareia a mente e a visão, pelo qual, é um ponto de vital impor­
tância para o tratamento da tontura, a perda da memória, febre, hi­
pertensão, as enfermidades alérgicas.

S e leç ão S e g u n d o a E x p e r iê n c ia C l ín ic a

O critério de seleção de pontos segundo a experiência clínica, dife­


re em cada caso, já que se baseia principalmente na experiência clíni­
ca de cada médico. Segundo a experiência alcançada na prática clíni­
ca, se logra vincular os chamados pontos de experiência com a regu­
lação e estabilização da energia no corpo humano, conseguindo desta
forma um melhor resultado terapêutico. Podemos dizer que o objetivo
essencial do tratamento é regular a energia e tonificar o espírito, se­
guindo estes princípios cada médico desenvolve sua própria teoria
sobre os pontos auriculares, que se evidencia, na prática clínica, com
o resultado terapêutico alcançado, possibilitando o desenvolvimento
e sistematização constante deste método.
Por exemplo, os pontos Shen Men e occipital possuem função anal­
gésica, sedante, sonífera, daí por que sua função fundamental seja
inibir, por isso é que no tratamento da hepatite e suas seqüelas não se
deve usar a combinação destes pontos. Se nos encontramos diante de
um caso de distensão abdominal, com sintomas de plenitude epigás-
trica, se faz necessária a seleção dos pontos fígado e baço para forta­
lecer a função de drenagem do fígado e de transporte e transformação
do baço, regulando a energia e eliminando a distensão. Por exemplo,
os pontos fígado, baço, San Jiao, centro da fossa cimba e subcórtex,
seriam os de eleição para tratar este sintoma.
Outro exemplo seria a desarmonia entre fígado e estômago, sín­
drome que normalmente é acompanhado de insônia ou sonhos exces­
sivos e cujo tratamento fundamental será encaminhado na recupera­
ção da função de drenagem do fígado para, desta maneira, solucionar
a desarmonia. Se neste caso tratamos só a insônia e não a síndrome
que a gera, se necessitaria um longo período de tempo para obter um
escasso resultado terapêutico.
Terapêutica Auricular - Características e Métodos 269

A seleção dos pontos de acordo com a experiência clínica, em mui­


tos casos, está fundamentada em estudos e investigações realizadas
sobre os pontos auriculares. Assim, por exemplo, de acordo a investi­
gações realizadas, o ponto simpático regula as funções, tanto do sis­
tema simpático, como do parassimpático. Em um estudo realizado se
puncionou o ponto simpático para validar sua função vasodilatadora
no tratamento de patologias como a tromboangiíte obliterante, a flebite,
etc., podendo-se constatar que o ponto simpático favorece a circula­
ção sangüínea a nível periférico e eleva a temperatura da pele mas, no
tratamento das enfermidades hemorrágicas como a hemorragia uteri­
na disfuncional, está proibido o uso deste ponto.
Outra das funções deste ponto é inibir as secreções ácidas, na
gastrite. Está demonstrada a capacidade do ponto simpático para re­
gular as secreções ácidas do estômago, mas o uso deste ponto em
enfermidades como a gastrite atrófica, está proibido.
Na seleção dos pontos, segundo a experiência clínica, é importan­
te, não só conhecer as características dos pontos escolhidos e suas
funções específicas, como os resultados que se obtêm a partir das
combinações dos referidos pontos. Portanto, deve-se realizar uma di­
ferenciação de síndromes nos pontos auriculares e ao mesmo tempo
atender aos resultados que se alcancem, na prática clínica.
8. Tatoíofiias e Terapêutica

MEDICINA INTERNA

S is t e m a D i g e s t i v o

Gastrite
É denominada gastrite, na medicina moderna, à irritação, da mu­
cosa gástrica, que na clínica se manifesta geralmente por uma dor
epigástrica com sensação de opressão e distensão, assim como de
outros transtornos do sistema digestivo. Para seu estudo, divide-se
em duas classificações gerais: gastrite aguda e gastrite crônica, por
sua vez a gastrite aguda pode ser: exógena simples, corrosiva e
flegmonosa; a crônica: superficial, atrófica e hipertrófica.
A gastrite aguda de tipo simples é uma das mais freqüentes na
prática clínica atormentando o paciente os seguintes sintomas, dor e
desconforto epigástrico, náuseas, vômitos, etc. Por outro lado, a gas­
trite crônica produz sensação de plenitude e distensão epigástrica, dor
por ataques ou recidivantes que podem estar acompanhados, em algu­
mas ocasiões, por regurgitações ácidas, eructações, náuseas, vômitos,
anorexia, etc. No caso da gastrite crônica do tipo atrófica podem apare­
cer outros sintomas como anemia, emagrecimento, glossite, etc.
272 Auriculoterapia

Segundo a patogenia tradicional, esta enfermidade entra dentro


da classificação de enfermidades denominadas Wei Tong que tradu-
zido, significa dor de estômago e X in T o n g , que quer dizer dor de
coração.
Entre as causas da enfermidade se encontram a invasão por frio
patogênico exógeno que lesiona o estômago, a ingestão excessiva de
alimentos frios, semicozidos ou muito picantes, doces ou com muita
gordura, que provocam acúmulo de calor e umidade no interior. Ou­
tra das causas da enfermidade são a atividade mental inadequada, a
preocupação excessiva, irritabilidade, ira e desejos reprimidos que
favorecem a estagnação do Qi do fígado e o ataque transversal ao
estômago. Também, o trabalho excessivo, sem descanso, favorece a
debilidade de estômago e baço ou o frio e vazio do Jiao médio, predis­
pondo ao aparecimento da enfermidade.

T ratam ento
• Pontos principais
Estômago.
Baço.
Subcórtex.
Shen Men.
• Pontos secundários
Gastrite superficial e simples - Simpático.
Gastrite atrófica - Pâncreas, vesícula biliar, endócrino.
Ataque do Qi do fígado ao estômago - Fígado, centro da concha
cimba, San Jiao.

Explicação dos pontos


Baço e estômago - O uso destes pontos fortalece o baço e harmoni­
za o estômago, eles fazem descender o Qi de estômago invertido e
acalmam a dor.
Subcórtex - Este ponto regula a atividade gastrointestinal.
Simpático - Regula a atividade do sistema neurovegetativo, con­
trola a secreção excessiva de ácido clorídrico e libera os espasmos
acalmando a dor.
Shen Men - E um ponto sedante e analgésico.
Pâncreas, vesícula biliar e endócrino - Estes pontos promovem o
aumento da secreção gástrica e elevam a absorção da mucosa gástrica.
Fígado, centro da concha cimba, San Jiao - Regulam o Qi, elimi­
nam a distensão abdominal e promovem a transformação e transpor­
te das essências adquiridas dos alimentos.
Patologias e Terapêutica 273

Úlcera Péptica Gastroduodenal


A úlcera péptica é uma perda circunscrita de tecido que alcança
as capas mucosa, submucosa e muscular, e se produz nas partes
do tubo digestivo expostas à ação do suco gástrico. São múltiplos
os fatores etiológicos que originam esta lesão, entre os quais se en­
contram: o jejum prolongado, a excitação ou estímulo nervoso ex­
cessivo, as desordens neurovegetativas e as mudanças nutricionais,
etc. Na atualidade, descobriu-se a presença de uma bactéria cha­
mada Helicobacter pilory na submucosa gástrica que atua como um
fator agressivo causador da úlcera péptica, ainda que considere­
mos que os fatores causais, antes expostos, favoreçam a criação de
um hábitat propício para que se instale e se desenvolva a referida
bactéria.
O sintoma fundamental é uma dor epigástrica que aparece em
intervalos. No caso da úlcera gástrica, a dor se produz, em geral, de
meia-hora a lh depois da alimentação, mantendo-se durante 1 a 2h e
diminuindo logo, paulatinamente. No caso da úlcera duodenal, o apa­
recimento da dor ocorre de 2 a 4h depois da ingestão do alimento,
com sensação de vazio e de fome, uma vez alimentando-se a dor co­
meça a diminuir. A úlcera gástrica, produz dor no centro do epigástrio
com irradiação para o lado esquerdo, enquanto que na duodenal ocorre
para o lado direito. Ambos os processos, acompanham-se de sinto­
mas como a regurgitação ácida, eructações, náuseas, vômitos, etc. e o
acréscimo das crises guarda relação com mudanças climáticas, exci­
tação nervosa excessiva e cansaço extremo.
De acordo com a patogenia, na MTC, as úlceras gastroduodenais
são diferenciadas como uma enfermidade Wei Tong, da mesma forma
que as gastrite, motivo pelo qual a diferenciação e etipatogenia é a
mesma já explicada anteriormente, no caso da gastrite.

T ratam ento
• Pontos principais
Estômago.
Duodeno.
Subcórtex.
Baço.
Simpático.
Shen Men.
• Pontos secundários
Se desarmonia entre fígado e estômago - Fígado.
Se deficiência de Yin de estômago - Pâncreas, vesícula biliar,
endócrino.
274 Auriculoterapia

Explicação dos pontos


Simpático e subcórtex - O aparecimento da úlcera péptica está re­
lacionada com a hipersecreção de ácido clorídrico, considera-se que a
atividade anormal do córtex cerebral, a superexcitação do SNC e a
estimulação vagai excessiva favorecem a referida hipersecreção, mo­
tivo pelo qual a seleção destes dois pontos regula a atividade do córtex
e do sistema neurovegetativo.
Estômago e duodeno - As úlceras localizadas nestas regiões do
aparelho digestivo produzem espasmo dos mesmos, razão pela qual,
selecionando ambos os pontos promove-se a circulação do sangue e
garante-se uma evolução favorável da enfermidade ao evitar a necro-
se e a hipóxia a nível da úlcera e promovendo sua cicatrização.
Baço - Segundo a teoria dos Zang Fu, o estômago e o baço guar­
dam relação interior e exterior, onde o estômago por ser o Fu relacio-
na-se com a superfície e o baço por ser o Zang, relaciona-se com a
profundidade, sendo o estômago Yang e o baço Yin, o estômago
recepciona os alimentos e o baço, transformando-os e transportando,
dessa mesma maneira, os movimentos da energia, em cada um des­
tes Zang e F u é diferente, assim temos que o baço controla a subida
da energia e o estômago, a descendência. Todas estas funções regu­
lam a digestão e a absorção, por isso, quando se produz uma deficiên­
cia de baço que impede a realização de sua função de transporte, fica
afetada a função de descendência da energia do estômago, chegando
em alguns casos a lesionar-se os colaterais do estômago produzindo
hemorragias. Tendo em conta o antes descrito, selecionamos o ponto
baço para elevar a capacidade defensiva de ambos os órgãos favore­
cendo a cicatrização da úlcera.
Pâncreas, vesícula e endócrino - A seleção destes pontos promo­
vem a secreção de todos os sucos e enzimas gástricas, favorecendo a
digestão e a absorção a nível celular.

Caso Clínico
Paciente masculino de 50 anos, em 1975, por causa de um intenso
trabalho começou a padecer de uma dor persistente no epigástrio com
irradiação não precisa, acompanhado de distensão abdominal, regur­
gitação ácida e eructações. O quadro se tornava mais severo durante
os períodos de primavera e inverno, em conseqüência do paciente não
ter dado atenção a sua moléstia, em 1977, a dor se fez severa e irresis­
tível marcando um ritmo, em seu aparecimento, de 30min a lh; depois
da alimentação, esta se fazia mais moderada, também, referia perda
do apetite e emagrecimento, suas deposições eram normais. Mediante
uma gastroduodenoscopia realizada diagnosticou-se úlcera da curva­
Patologias e Terapêutica 275

tura menor do estômago, inflamação do piloro e gastrotopse de até 9


mm por baixo da linha traçada a nível das cristas ilíacas. Depois disto,
começou-se a realizar tratamento medicamentoso mas, sem resulta­
do, as crises continuaram recidivando. Em julho de 1993, o paciente
chegou à nossa consulta e depois de ser avaliado estabeleceu-se que o
mesmo apresentava uma disfunção de coração e pulmão, tensão na
musculatura por baixo do processo xifóide e dor à pressão em seu
lado esquerdo, ruídos peristálticos normais e adequada atividade das
quatro extremidades e da coluna vertebral.
Para seu tratamento, foram selecionados os pontos simpático, Shen
Men, estômago, baço e área digestiva do subcórtex. Depois de trans­
corridos 21 tratamentos de auriculoterapia a distensão abdominal e a
gastralgia diminuíram, depois de 30 tratamentos as dores desapare­
ceram, recuperou o apetite e se incrementou a quantidade de comida
ingerida, aos 40 tratamentos se realizou outra gastroduodenoscopia e
pôde-se observar que a úlcera havia cicatrizado, que a mucosa do
piloro se encontrava normalmente engrossada e que a gastroptose
havia diminuído a 4,5 mm.
Assim, aproximadamente depois das 20 sessões de tratamento, os
sintomas gerais haviam desaparecido e ao ser consultado novamente,
dois anos mais tarde, não se observou mais nenhum ataque da enfer­
midade.

Gastroenterite Aguda
É uma síndrome clínica aguda de etiologia variada, infecciosa
ou tóxica que se caracteriza por vômitos, diarréias aquosas e fre­
qüentes que podem chegar a ser de até 10 deposições, em um dia,
causando, em alguns pacientes, desequilíbrio eletrolítico e desidra­
tação e em casos extremos, hipotensão e espasmos musculares,
também, se produzem cólicas abdominais com ou sem febre e au­
mento do peristaltismo.
Para a MTC, esta enfermidade é causada por frio-umidade provo­
cada pela ingestão de alimentos em mau estado, frios ou mal cozidos
ou pela invasão do calor de verão ao intestino e estômago provocando
desarmonia na circulação do Qi e perda da normal atividade gastroin­
testinal.

Tratam ento
• Pontos principais
Sangria no ápice.
Estômago.
Baço.
276 Auriculoterapia

Intestino grosso.
Intestino delgado.
Reto.
Endócrino.
Simpático.
• Pontos secundários
Abdômen.
Centro da concha cimba.
Shen Men.
Occipital.

Explicação dos pontos


Estômago, intestino grosso, intestino delgado e reto - t>ao os pontos
da zona correspondente à mudança patológica, regulam a circulação
do Qi a nível local, restabelecendo a atividade gastrointestinal e de-
tendo a diarréia.
Baço - O baço controla a função de transporte e transform a­
ção, ajudando, desta maneira, o processo de digestão do estôm a­
go, a absorção das essências obtidas destes e sua distribuição por
todo o corpo. Por sua relação interna e externa com o estômago, é
vital no processo digestivo e, portanto, na recuperação da função
gastrointestinal.
Simpático - Este ponto libera os espasmos da musculatura lisa,
acalmando, desta forma, a dor.
Shen Men e occipital - Ambos têm função sedante, antiinflama-
tória e analgésica.
Abdômen e centro da concha cimba - Em caso de dor abdominal
severa, são selecionados ambos os pontos para liberar o espasmo,
regular o peristaltismo e acalmar a dor.

Pancreatite Crônica
A pancreatite crônica pode ser de dois tipos: a crônica recidivante
e a sustentada; no caso da primeira é provocada por lesões do pân­
creas com ataques recidivantes e no caso da segunda é uma pancrea­
tite crônica com um curso sustentado. Na pancreatite, podem-se ob­
servar mudanças fibróticas a nível da glândula com atrofia das ilhotas
de Langerhans ou desaparecimento destas, freqüentemente, podem
ver-se calcificações. Entre os fatores que predispõem ao aparecimen­
to da enfermidade encontram-se a colecistolitíase, o alcoolismo, o dia­
betes melito e a infestação por áscaris lumbricóide.
Os sintomas, às vezes, se traduzem por manifestações de diabetes
melito, só, ou associada a esteatorréia, ataques repetidos de dor epi-
Patologias e Terapêutica 277

gástrica com irradiação para ambos os hipocôndrios e que alivia na


posição de oração maometana, náuseas, vômitos, distensão abdomi­
nal, calafrios, diarréias ou constipação, emagrecimento e icterícia.
É mais freqüente depois da quarta década da vida, sendo, na grande
maioria, os homens mais afetados que as mulheres.
Para a MTC, esta enfermidade entra dentro da classificação de
patologias Wei Tong exposta anteriormente ou Zhung Liu que significa
tumoração.

T ratam ento
• Pontos principais
Pâncreas.
Vesícula biliar.
Baço.
Duodeno.
Endócrino.
• Pontos secundários
Subcórtex.
Supra-renal.

Explicação dos pontos


Pâncreas e vesícula biliar - São os pontos correspondentes ao local
patológico, estes favorecem a circulação do sangue e energia a nível
dos canais e colaterais do local em questão, promovendo a recupera­
ção da normal função do pâncreas.
Fígado e baço - O ponto fígado favorece a drenagem da vesícula e a
função de drenagem e dispersão do fígado, o ponto baço promove a
função de transporte e transformação do referido órgão. Ambos os ór­
gãos e ambas as funções guardam uma estreita relação, se a atividade
do fígado é normal e sua função de drenagem e dispersão é harmonio­
sa, isto favorecerá a correta função de ascensão do baço e descendên­
cia do estômago. Quando a energia do baço ascende, pacifica o fígado e
quando a energia de estômago descende, pacifica a vesícula. Caso se
produza uma síndrome de desarmonia entre fígado e baço trará como
conseqüência uma deficiência de Qi deste último, a subida do Qi claro
é insuficiente e se perde a função de transporte e transformação, apa­
recendo dor abdominal e diarréias crônicas. Além disso, para a MTC, o
baço e o pâncreas são considerados como um só órgão.
Em experimentos realizados nos últimos tempos, efetuando Acu­
puntura em pontos do fígado e baço, comprovou-se uma regulação e
elevação da atividade imunológica com incremento da atividade das
células T e da produção de células novas no fígado.
278 Auriculoterapia

Duodeno - No duodeno desembocam as enzimas digestivas pan-


creáticas, razão pela qual uma mudança patológica a nível desta glân­
dula limita a atividade funcional do órgão, por isto, seleciona-se este
ponto.
Subcórtex - Este ponto regula a atividade digestiva.
Endócrino e supra-renal - Ambos os pontos têm função antiinfla-
matória, fazem diminuir a exsudação produto da inflamação e elevam
a capacidade imunológica.

Experiência Clínica
No tratamento da pancreatite crônica com auriculoterapia, o estí­
mulo sobre o ponto pâncreas na orelha esquerda é fundamental, já
que este mesmo ponto na orelha direita representa a vesícula biliar.
Desta maneira, ao realizar o tratamento de auriculoterapia, é impres­
cindível o uso do explorador para conseguir encontrar o ponto de
máxima reação na área do pâncreas. Tendo em conta que a pancrea­
tite é uma enfermidade crônica que evolui por ataques agudos, o pe­
ríodo de tratamento é, relativamente longo, necessitando, em geral,
de 1 a 3 ciclos, de 10 sessões cada um, para obter uma diminuição
dos sintomas.

Constipação
Entende-se por constipação ao atraso da evacuação intestinal. Em
um indivíduo normal, a deposição é de uma vez cada 24h, ainda que,
se pode chamar prisão de ventre habitual, aos casos em que a deposi­
ção deixa de ser diária, não chegando a se considerar patológica. Po­
demos, entáo, definir a constipação como a deposição difícil, com fe­
zes duras e secas, uma vez a cada vários dias e que pode estar acom­
panhada de sintomas, tais como cefaléia, vertigens, cansaço fácil, ná­
useas, palpitações, etc.
A constipação, de acordo com a patogenia tradicional, diferencia-
se em 4 tipos: constipação por calor (Re Mi), constipação por estagna­
ção de energia (Qi Mi), constipação por vazio (Xu Mi) e constipação por
frio (Han Mi).

Etiopatogenia
• Constipação por calor - Quando se produz um aumento ex­
cessivo de Yang no corpo, provocado pela ingestão excessiva
de comidas secas, picantes, gordurosas e doces com pouca
presença de vegetais e frutas na dieta, produz-se um acúmulo
de calor no Yang Ming consumindo-se os líquidos corporais e
Patologias e Terapêutica 279

secando-se as fezes, o que impede a adequada circulação do


Qi pelos Fu, sendo chamado pelos antigos: “a barca não avan­
ça porque o rio se secou".
• Constipação por estagnação de Qi - A atividade mental inade­
quada dada pelo trabalho intelectual excessivo, a irritabilidade,
etc., provocam estagnação do Qi no fígado e a vesícula biliar,
perdendo-se a função de drenagem e dispersão do fígado, o que
provoca desarmonia na circulação do Qi através do intestino e
impossibilitando sua função de mobilizar o bolo fecal.
• Constipação por vazio - Depois de uma enfermidade prolonga­
da, do parto ou tratamento cirúrgico onde ocorreu uma perda de
Qi e Xue que não se pode recuperar, o Qi insuficiente se faz débil
para mobilizar as fezes e o vazio de sangue faz que o intestino
perca sua umidade, produzindo este tipo de constipação.
• Constipação por frio - Nos anciões produz-se, devido ao pro­
cesso de envelhecimento, uma deficiência de Yang do Jiao in­
ferior, o qual favorece o acúmulo de frio, Yin. que impede a
normal circulação da energia e líquidos corporais, dificultan­
do a evacuação.

T ratam ento
• Pontos principais
Intestino grosso.
San Jiao.
Baço.
Abdômen.
Subcórtex.
Pulmão.
Constipação.
• Pontos secundários:
Constipação por calor - Sangria no ápice.
Constipação por estagnação de Qi - Fígado, vesícula biliar.
Constipação por vazio - Endócrino, pâncreas.
Constipação por frio - Endócrino, rim, supra-renal (se não for
hipertenso).

Explicação dos pontos


Intestino g rosso e abd ôm en — O uso de ambos os pontos, além de
ser os que refletem a zona correspondente à patologia, estimulam o
peristaltismo, drenam e comunicam o Qi nos Zang Fu, dispersam o
calor e eliminam as estagnações.
280 Auriculoterapia

Baço e San Jiao - O baço controla o transporte e a transformação


e o San Jiao converte a energia e traslada as essências vitais, os cinco
Zang e os seis Fu guardam estreita relação com o San Jiao. Com o uso
destes dois pontos, garante-se a transformação da energia e o correto
metabolismo dos líquidos, favorecendo-se a eliminação.
Subcórtex - Este ponto tem a função de regular a atividade gas­
trointestinal.
Pulmão - O pulmão é o Zang acoplado a intestino grosso, guardan­
do entre ambos uma relação interior e exterior. Mediante a função de
descendência e dispersão do pulmão, este envia os fluidos corporais
para umedecer o intestino, favorecendo a drenagem e mobilização das
fezes, através do mesmo.
Sangria no ápice - Tem a função de dispersar o calor.
Fígado e vesícula biliar - Com o uso destes dois pontos se elimi­
nam as estagnações de Qi ao favorecer a função de drenagem e dis­
persão do fígado.
Endócrino e pâncreas - A combinação destes pontos tem a função
de tonificar Qi e Xue.
Rim e supra-renal - O uso destes pontos tonifica o Yang de rim,
mobilizando os líquidos corporais e dispersando o frio, sendo apro­
priado seu uso no caso dos anciões.

Diarréias
Entende-se por enfermidade diarréica a todo processo mórbido,
qualquer que seja sua etiologia, que tem, entre seus sintomas mais
importantes, as diarréias e que se podem acompanhar ou não, de
transtornos hidroeletrolíticos e do equilíbrio ácido-básico.
A diarréia define-se como um aumento brusco no número das de­
posições, um acréscimo no volume usual das fezes ou uma mudança
na consistência das mesmas. Considera-se que uma diarréia é aguda
quando sua duração não excede os 21 dias, do contrário, classifica-se
como crônica.
Tendo em conta os mecanismos de produção das diarréias agudas
se classificam da seguinte maneira: secretória, exsudativa, osmótica,
por defeitos na permeabilidade intestinal, por defeitos do transporte
ativo intestinal e por transtornos da motilidade gastrointestinal.
Segundo sua etiologia, podem ser infecciosas ou não infecciosas.
As causas não infecciosas das diarréias agudas são: a desnutrição, os
medicamentos, laxantes, a alergia transitória, afecções endocrinome-
tabólicas, etc. e entre as infecciosas constam: as infecções do trato
respiratório, do trato urinário, assim como infecções enterais por pa­
rasitas, fungos, bactérias, vibriões, etc.
Patologias e Terapêutica 281

Manifestam-se por diarréias de aparecimento súbito e de pouco


tempo de evolução que variam em suas características, segundo o
mecanismo de produção e a etiologia, podendo aparecer diarréias lí­
quidas abundantes, em número e quantidade que podem levar ã desi­
dratação, diarréias mucopiossanguinolentas com puxos e tenesmo,
febre elevada com outros sintomas acompanhantes ou por deposi­
ções de pequeno volume, fezes pastosas ou semipastosas com aver­
melhamento da região perianal.
No caso das diarréias crônicas, estas estão originadas por inume­
ráveis causas, tanto funcionais, como orgânicas, assim temos as diar­
réias crônicas do cólon irritável, da diverticulose de cólon, as diarréi­
as alérgicas, etc.
Considerando-se a síndrome da má absorção intestinal que por
sua sintomatologia tem uma personalidade própria e que inclui o espru
tropical e a enfermidade celíaca. Caracterizam-se por diarréias líqui­
das ou pastosas, abundantes, com restos de alimentos, às vezes gor­
durosas que deixam ardor anal, astenia, anorexia, perda de peso acen­
tuada, aftas bucais, glossite, anemia, manifestações hemorrágicas,
ósseas e neurológicas em casos muito avançados.
A diarréia para a patogenia tradicional é denominada Xie Xie e na
prática clínica, é subdividida em dois grupos: diarréia crônica e diar­
réia aguda.
A diarréia aguda, em geral, está relacionada com a invasão de agen­
tes patogênicos exógenos, dano de tipo alimentar, invasão por parasi­
tas, bactérias ou vírus e é, mais freqüentemente, vista no verão e
outono; esta é classificada como uma síndrome por excesso, aparece,
mais comumente, em síndromes de calor ou umidade ou pela combi­
nação de ambos. Ainda que seja menos freqüente, também, podem-se
observar diarréias, por frio e por frio-umidade.
A diarréia crônica está relacionada com a debilidade de baço e
estômago causada pela atividade espiritual inadequada, como a preo­
cupação excessiva que danifica o baço, também, pela invasão trans­
versal do Qi do fígado ao baço e estômago, engendrada por fatores
endógenos e pela deficiência de Yang de rim que não aquece o baço.
Este tipo de diarréia se classifica como uma síndrome por vazio.

T ratam ento
• Pontos principais
Reto.
Intestino grosso.
Shen Men.
Occipital.
282 Auriculoterapia

Endócrino.
Baço.
Simpático.
• Pontos secundários
Se deficiência de Yang de baço e rim - Rim.
Se ataque transversal de Qi de fígado - Fígado.
Se debilidade de baço e estômago - Estômago, intestino delgado.

Explicação dos pontos


Intestino grosso e reto - São os pontos da zona correspondente à
mudança patológica, estes podem regular a atividade fisiológica do
intestino e ajudar na função de transporte e transformação.
Shen Men e occipital - São pontos com função sedante e antiinfla-
matória, são importantes para deter a diarréia.
Endócrino - Este ponto tem função antiinflamatória e antiinfecciosa.
Baço e rim - Quando se tonifica o Qi de rim. este aquece o Yang do
baço fazendo ascender o Qi do Jiao médio.
Fígado - Drena o fígado, evitando que este ataque o baço e estô­
mago.

Náuseas e Vômitos
As náuseas e os vômitos são sintomas muito freqüentemente vis­
tos, na prática clínica, acompanham a numerosas enfermidades, prin­
cipalmente do SNC e do sistema digestivo, associa-se à sepse das vias
urinárias, cefaléia e gravidez, também, pode-se observar o vômito de
tipo psicogênico.
Segundo a MTC. estes sintomas se englobam dentro do tipo de
patologia Ou Tu. Na etiopatogenia tradicional, o vômito é, fundamen­
talmente, causado por uma inversão de Qi de estômago, de etiologia
múltipla.
A primeira causa é a lesão provocada pela ingestão inadequada de
alimentos que é vista em casos onde a dieta está composta por ali­
mentos frios, mal cozidos, excesso de doces e gorduras. Quando estes
alimentos não são transformados, adequadamente, inverte-se o Qi de
estômago, causando o vômito.
A segunda causa é pela acúmulo de fleuma patogênica no inte­
rior, o que entorpece a função de baço e estômago, os líquidos cor­
porais não podem se comunicar, adequadamente, a fleuma se acu­
mula na cavidade abdominal, obstruindo a circulação do Qi e cau­
sando o vômito.
A terceira causa é pela invasão transversal do Qi do fígado ao estô­
mago, fato que é produzido pela ira excessiva e repentina, que faz
Patologias e Terapêutica 283

ascender abruptamente o Qi de estômago, arrastando com ele os ali­


mentos que se encontram neste.
A quarta causa é por invasão de agentes patogênicos exógenos
como o vento, o frio, o calor de verão e a umidade, estas energias
perversas ao circular pelos canais Yang Ming, invadem o estômago,
fazendo com que este perca sua função de descendência.

Tratam ento
• Pontos principais
Estômago.
Simpático.
Cárdia.
Occipital.
Subcórtex.
• Pontos secundários
Se invasão transversal do Qi de fígado: fígado.

Explicação dos pontos


Estômago e figado - A função de drenagem e dispersão do fígado
favorece a correta digestão, através da seleção deste ponto, evita-se a
estagnação de Qi neste órgão e portanto seu ataque ao estômago, en­
quanto que com o ponto estômago garante-se a recuperação da fun­
ção de descendência do mesmo.
Baço - O baço gosta da secura e o danifica a umidade, através da
seleção deste ponto se fortalece a função de transporte e transforma­
ção, drenando-se a umidade e a fleuma, acalmando, assim, as náu­
seas e os vômitos.
Simpático - Este ponto regula a atividade neurovegetativa, atenua
a excitação vagai deprimindo, assim, o sintoma.
Subcórtex - Este ponto regula a atividade alta do SNC, controlan­
do as desordens a este nível.
Cárdia e occipital - Estes pontos têm função sedante e antiemética.

Espasmos do Diafragma ou Soluço


Este sintoma consiste na contração involuntária e repentina do
diafragma com o fechamento rápido das cordas vocais que produz um
ruído característico, usualmente ocorre em intervalos e os ataques,
geralmente, duram só uns poucos minutos.
O soluço pode ser classificado em central, reflexo e periférico.
O soluço de tipo central é causado por enfermidades internas que
influem sobre o centro respiratório tais como a hipoxia cerebral, a
284 Auriculoterapia

hemorragia cerebral, traumatismos cerebrais, tumores cerebrais, etc.,


este produz um quadro de soluço contínuo que não se acalma.
O soluço de tipo reflexo se produz por um superestímulo do nervo
frênico no curso de enfermidades hepáticas, biliares, gastrointesti­
nais, pulmonares, etc. Também, é freqüentemente visto depois de in­
tervenções cirürgicas do abdômen ou em estados tardios de proces­
sos cancerosos. O soluço produzido por estas causas dura de várias
horas, dias e até meses, mantendo-se dia e noite sem parar.
O soluço de caráter nervoso, está relacionado, em geral, com a
histeria e é visto, freqüentemente, na prática clínica.
De acordo com a diferenciação do soluço na MTC, este pode ser de
dois tipos: soluço do tipo Shi ou, por excesso e soluço de tipo Xu ou,
por vazio.
O soluço por excesso pode ter a seguinte subclassificação, soluço
causado por frio no estômago, o soluço causado pela subida repenti­
no do fogo no estômago e o soluço causado pelo ataque transversal do
Qi do fígado ao estômago. Enquanto que nas síndromes por vazio en­
contramos: o soluço causado pela deficiência de Yang de baço e estô­
mago e o soluço causado pela deficiência de Yin de estômago.

T ratam ento
• Pontos principais
Diafragma.
Estômago.
Shen Men.
Simpático.
Subcórtex.
• Pontos secundários
Síndrome por excesso - Fígado, sangria no ápice.
Síndrome por vazio - Baço.

Explicação dos pontos


Diafragma - Ajuda a liberar os espasmos do mesmo.
Estômago - Restabelece a função de descendência deste órgão,
acalmando a inversão do Qi que é a causa principal do soluço.
Shen Men - Seda o espírito e acalma o soluço.
Simpático - Libera os espasmos da musculatura lisa.
Subcórtex - Regula a atividade gastrointestinal e controla a
superexcitação do córtex.
Fígado - Restabelece a função de drenagem e dispersão e impede o
ataque do fígado ao estômago.
Baço - Fortalece a função de baço e estômago.
Patologias e Terapêutica 285

Experiência Clínica
Em um paciente hemiplégico com um soluço mantido durante 2
anos e meio, com intervalos de alívio de 1 a l,5h, já havia tentado
tratamento medicamentoso e fisioterapia e não conseguira nenhum
resultado. Realizou-se, então, tratamento de auriculoterapia injetan­
do 0.05mg de vitamina B, sobre os pontos diafragma e Shen Men,
combinada com Acupuntura nos pontos Zu San Li, Jiu Wei, Nei Wang,
Ge Shu, com um ciclo de tratamento de seis sessões contínuas, con­
seguindo-se o desaparecimento deste sintoma.

Esofagite
Consiste na inflamação do esôfago. Existem duas formas princi­
pais: a esofagite corrosiva e a esofagite por refluxo.
A esofagite por refluxo é causada pela regurgitação do conteúdo
do estômago no esôfago, em seus estados iniciais apresenta-se com
um quadro de hiperemia da mucosa esofágica com edemas e espas­
mo, que podem chegar à medida que evolui este processo, ao apareci­
mento de úlceras, em estados mais avançados, podem aparecer cica­
trizes e estenose. Entre seus sintomas principais estão: a disfagia,
dor queimante retroesternal, eructações ácidas, vômitos, etc.
A esofagite corrosiva é produzida pela ingestão acidental ou em
caráter suicida de substâncias cáusticas, por seu caráter traumático
provoca queimaduras e estenose de diferentes graus, constitui seu
sintoma principal, a disfagia.
Para a MTC, esta enfermidade é classificada como Ye Ge a qual,
pode ser traduzida como a enfermidade da dificuldade para tragar.

T ratam ento
• Pontos principais
Esôfago.
Cárdia.
Simpático.
Subcórtex.
• Pontos secundários
Shen Men.
Occipital.

Explicação dos pontos


Esôfago e cárdia - São os pontos da zona correspondente, através
dos mesmos, garante-se a boa nutrição do esôfago, o restabelecimen­
to da mucosa e portanto, a evolução positiva do estado patológico.
286 Auriculoterapia

Subcórtex - Através deste ponto regula-se a atividade digestiva.


Simpático - Libera os espasmos da musculatura lisa, acalman-
do a dor.
Shen Men e occipital - Estes pontos têm função sedante e analgésica.

Colecistite
É uma enfermidade freqüentemente vista na prática clínica, pro­
duzida pela inflamação da vesícula biliar. Existem dois tipos, a cole­
cistite aguda e a crônica.
A colecistite aguda é quase sempre causada por cálculos biliares
que obstruem o conduto cístico, o sintoma principal é uma dor aguda
e severa na parte direita do abdômen, justo abaixo das costelas com
irradiação para a omoplata e ombro do mesmo lado, o mesmo piora
com os movimentos e pode acompanhar-se de febre e icterícia.
A colecistite crônica produz-se pelos ataques repetidos da colecis­
tite aguda, os sintomas gastrointestinais atribuídos a esta patologia
são a indigestão, a dor vaga na parte superior do abdômen e náuseas,
os quais podem agravar-se depois de ingerir de alimentos gordurosos.
De acordo com os critérios da MTC, esta patologia pode ser classi­
ficada dentro da enfermidade Lei Tong que se traduz como dor costal
ou a enfermidade Huang Dan que se traduz como icterícia. No primei­
ro caso, a colecistite pode ser causada por uma síndrome de estagna­
ção do fígado ou por umidade-calor que produzem dor costal. No se­
gundo caso, a colecistite pode ser classificada como icterícia do tipo
Yang ou do tipo Yin.
Em cada uma das síndromes descritas anteriormente, se produz
um acompanhamento sintomático que não entra em contradição com
a descrição realizada à patologia na medicina moderna, sendo ali­
mentada pela coleta de outros sinais obviados e que nos favorecem a
diferenciação tradicional.

T ratam ento
• Pontos principais
Sangria no ápice.
Simpático.
Shen Men.
Vesícula biliar.
Vias biliares.
Fígado.
Endócrino.
• Pontos secundários
Se umidade-calor - Baço.
Patologias e Terapêutica 287

Explicação dos pontos


Sangria no ápice - Tem função antiinflamatória, antipirétiea,
sedante e analgésica.
Simpático - Libera os espasmos da m usculatura lisa, acalm an­
do a dor.
Shen Men - Tem função antiinflamatória e analgésica.
Vesícula biliar e vias biliares - Estes pontos promovem a desin-
llamaçáo da vesícula e incrementam a contração desta.
Fígado - Guarda relação exterior e interior com a vesícula, em
geral, os processos inflamatórios da vesícula e das vias biliares estão
relacionados com síndromes de umidade-calor no fígado e vesícula
biliar ou de estagnação de Qi de fígado. Estimulando-se o ponto fíga­
do, recupera-se a função de drenagem e dispersão deste órgão, favo­
recendo-se, também, a drenagem da vesícula.
Baço - Este órgão desempenha um papel fundamental no metabo­
lismo dos líquidos corporais e desta maneira elimina a umidade.

Hepatite
E a inflamação do fígado que se acompanha de dano ou morte dos
hepatócitos, causada mais freqüentemente por infecção viral pelos
vírus de hepatite A, B, C, D e E; outras causas incluem sobredose de
drogas como o acetaminofen, infecção por citomegalovirus, etc.
O sintoma mais comum é a icterícia, que em muitos casos, é pre­
cedida por debilidade marcada, acompanhada de náuseas, vômitos,
perda do apetite, mal-estar no hipocôndrio direito, artralgias e mialgias.
Para a MTC, a hepatite está relacionada com uma síndrome de
estagnação do Qi do fígado ou desarmonia entre fígado e baço, por
isso, o princípio terapêutico seguido nestes casos, é favorecer a dre­
nagem do fígado, regular o Q i, fortalecer o baço e harmonizar o
estômago.

T ra ta m en to
• Pontos principais
Fígado.
Vesícula biliar.
Zona de distensão abdominal.
San Jiao.
Ouvido central.
Subcórtex.
• Pontos secundários
Hepatite.
Endócrino.
288 Auriculoterapia

Baço.
Estômago.

Explicação dos pontos


Fígado e vesícula biliar - Estes pontos favorecem a drenagem do
fígado e da vesícula, liberam as estagnações e regulam a energia.
Zona de distensão abdominal - Regula a energia e elimina a dis­
tensão.
San Jiao - Favorece a transformação da energia e o transporte da
essência.
Ouvido central - Regula a atividade dos Zang Fu, libera os espas­
mos e acalma a dor.
Subcórtex - Regula a atividade neurovegetativa.
Hepatite e endócrino - As alterações da função hepática repercu­
tem no sistema endócrino, com o uso destes pontos se restabelecem
as mesmas.
Baço e estômago - Tem a função de fortalecer o baço e harmonizar
o estômago.

S is te m a R e s p i r a t ó r i o

Bronquite
É a denominação da inflamação dos brônquios que, em geral, está
limitada à mucosa. Pode ser devida a agentes infecciosos, principal­
mente, vírus e bactérias, assim como, a irritantes externos, físicos ou
alérgicos. Segundo sua evolução e quadro clínico, classifica-se em
dois tipos: aguda e crônica.
A bronquite aguda é um processo que aparece de forma súbita e
com um curso limitado, surge como extensão de um processo primá­
rio das vias respiratórias altas, como complicação de uma enfermida­
de infecciosa geral como o sarampo ou a febre tifóide ou como uma
causa primária. Normalmente, começa com sintomas de uma infec­
ção respiratória alta com tosse freqüente, dor retroesternal, titilamento
traqueal, febre leve ou moderada e mal-estar geral, associado, em al­
gumas ocasiões, a manifestações asmatiformes, quando o processo
avança aparece tosse úmida e expectoração mucosa ou mucopuru-
lenta.
A bronquite crônica é um estado patológico caracterizado por hi-
perprodução de muco bronquial e que se expressa clinicamente, por
tosse crônica, com expectoração mucosa, mucopurulenta ou puru-
lenta, três meses por ano, com um mínimo de dois anos consecutivos.
Patologias e Terapêutica 289

O primeiro sintoma que refere o enfermo é a tosse freqüente, às vezes


paroxística, mais intensa em horas da manhã e da noite, geralmente
produtiva. Nos primeiros anos de evolução da enfermidade o paciente
não sofre dispnéia, mas à medida que o processo avança e se produz
hipoxia e hipercapnia, aparece falta de ar ao esforço. Quando se soma
um episódio infeccioso, a dispnéia pode ser grave, demostrando um
severo comprometimento respiratório.
De acordo com os critérios da MTC, a bronquite pode ser classifi­
cada como enfermidade do tipo Ke Suo ou Xiao Shun. Segundo a etio-
patogenia tradicional, a bronquite pode ser causada por agentes pa­
togênicos endógenos ou exógenos, diferenciando-se em uma bronqui­
te do tipo Shi ou por excesso ou do tipo Xu ou por vazio.
A bronquite por excesso é originada pela invasão de vento-frio ou
vento-calor ao pulmão, danificando a circulação normal do Wei Qi e a
função de descendência e dispersão deste órgão, aparecendo um qua­
dro clínico que corresponde ao descrito na bronquite aguda.
A bronquite por vazio pode ser provocada pela debilidade do Zhen
Qi ou agente antipatogênico, devido à disfunção de pulmão, baço e
rim, o que facilita a debilidade do Wei Qi, a entrada fácil de agentes
patogênicos exógenos pela boca e o nariz que originam quadros reite­
rados de bronquite. Ao produzir-se o perda da função de descendên­
cia e dispersão do pulmão e a debilidade do Yang do baço e rim, a
enfermidade instala-se, por longo tempo e se torna difícil de curar,
aparecendo fleuma abundante pela perda da função de transporte e
transformação do baço. Outra causa endógena, ainda que menos fre­
qüente, é a transformação em fogo da estagnação de Qi do fígado que
ataca o pulmão, secando-o. Estas síndromes, antes descritas, produ­
zem um quadro sintomático que correspondem, em geral, à bronquite
crônica.

T ratam ento
• Pontos principais
Sangria no ápice.
Brônquios.
Traquéia.
Pulmão.
Ping Chuan.
Shen Men.
• Pontos secundários
Occipital.
Endócrino.
Se ataque de vento-calor - Intestino grosso.
Se bronquite crônica —Baço, rim.
290 Auriculoterapia

Explicação dos pontos


Pulmão, brônquios e traquéia - São os pontos da zona correspon­
dente, regulara a atividade pulmonar e acalmam a tosse.
Ping Chuan - Acalma a tosse e a dispnéia.
Shen Men e occipital - Estes pontos sedam e são antiinflamatórios.
Baço - O ponto baço tem a função de transformar a fleuma e elimi­
nando a umidade, facilita a desinflamação.
Rim - A MTC declara “O pulmão comanda o Qi e o rim é a raiz do
QC, por isso, através do estímulo do ponto rim se garante o restabele­
cimento da função de descendência e dispersão do pulmão.
Sangria no ápice e endócrino - Estes pontos têm função antiinfla­
matória, antipirética, antiinfecciosa e sedante.
Intestino grosso - Guarda relação interior e exterior com o pulmão,
em caso de invasão de vento-calor este ponto garante dispersar o ca­
lor do pulmão, evitando que se chegue a danificar o Yin deste órgão,
também, por pertencer a um canal Yang Ming, dispersa o calor a nível
sistêmico.

Asma Bronquial
A asma é uma condição de hiper-reatividade bronquial, que se
caracteriza por uma obstrução generalizada dos brônquios, contra­
ção dos músculo de Reissner, hipersecreção e edema da mucosa bron­
quial. Esta obstrução é dinâmica e seu grau pode variar espontanea­
mente ou como conseqüência do tratamento. Esta enfermidade debu­
ta, geralmente, em etapas prematuras da vida, muitas pessoas têm
seu primeiro ataque antes dos cinco anos de idade. Existem dois tipos
fundamentais de asma: a extrínseca, na qual os alérgenos são os que
desencadeiam a crise e a intrínseca, na qual não existe uma causa
aparente externa. O alérgeno mais comumente responsável pelo iní­
cio das crises é o pólen, causador, também, da rinite alérgica. Outros
alérgenos incluem o pó, a umidade, o pêlo dos animais, as penas, etc.
A asma extrínseca, muitas vezes, é desencadeada por infecções
respiratórias como o resfriado e a bronquite, pelo exercício, quando se
está submetido a mudanças bruscas de temperatura, pela aspiração
de fumaça de tabaco ou de outros contaminantes ambientais e pela
alergia a alimentos ou medicamentos como a aspirina.
De acordo com os critérios da MTC. o asma pode ser diferenciado
em asma por excesso ou de tipo Shi ou na asma por vazio ou de tipo Xu.
A asma por excesso pode ser diferenciada, por sua vez, em asma
causada pela invasão de vento-frio e em asma causada invasão por
vento-calor, estas classificações podem coincidir em sua sintomatolo­
gia com a asma do tipo extrínseca.
Patologias e Terapêutica 291

A asma por vazio pode ser causada, por sua vez, por uma síndro-
me de deficiência de pulmão, de deficiência de baço ou de deficiência
de rim, com um acompanhamento sintomático característico para cada
caso mas que, em termos gerais, pode encontrar analogia com a asma
de tipo intrínseca, diferenciada na medicina moderna.

T ratam ento
• Pontos principais
Pulmão.
Brônquios.
Traquéia.
Simpático.
Supra-renal.
Ping Chuan.
Alergia.
Endócrino.
• Pontos secundários
Asma por vento-calor - Intestino grosso.
Asma por vento-frio - Shen Men.
Asma por deficiência - Baço, rim.
Em caso de crise - Sangria no ápice.

Explicação dos pontos


Pulmão, brônquios e traquéia - São os pontos da zona correspon­
dente e ajudam a regular a função do pulmão.
Simpático - Favorece a broncodilatação, liberando os espasmos da
musculatura lisa.
Supra-renal, endócrino e alergia- São de vital importância na asma
de causa alérgica, estes pontos dessensibilizam e ajudam a elevar a
imunologia.
Shen Men - Tem função sedante e acalma a dispnéia.
Ping Chuan - É o ponto específico para deter a tosse e acalmar a
dispnéia.
Rim - Quando o pulmão é deficiente não pode controlar o Qi e
quando o rim é insuficiente não pode captar o Qi peitoral, o que faz
que o Qi se inverta e provoque dispnéia, desta maneira, estimulando o
ponto rim, restabelece-se a função de captar o Qi, por este órgão.
Baço - De acordo com a teoria dos cinco movimentos, o baço como
elemento madeira gera e é mãe do pulmão, elemento metal, por isso, ao
tonificar a mãe se tonifica o filho. Por outra parte, com a correta função
de transporte e transformação do baço, elimina-se a umidade e se trans­
forma a fleuma, favorecendo a eliminação da tosse e a dispnéia.
292 Auriculoterapia

Resfriado comum - O resfriado comum é um complexo sintomático,


causado, em sua imensa maioria, por uma infecção viral das vias respira­
tórias altas, que traz, como resultado, uma inflamação exsudativa aguda.
De modo regular o paciente começa a sentir moléstias e secura da
faringe, acompanhada de febre que pode variar desde leve a intensa,
assim como, de mal-estar geral, cefaléia e mialgias. Ao término de 2 a
4 dias predomina uma secreção ou exsudação de toda a mucosa res­
piratória, desaparecendo este quadro em 10 a 15 dias.
De acordo com os critérios da MTC, o resfriado é causado pela
invasão de agentes patogênicos exógenos e tratado, em geral, sob os
critérios de uma síndrome por excesso, ficando diferenciado da se­
guinte maneira:
• Resfriado pela invasão de vento-frio que se instala na superfície,
entorpecendo a função de dispersão do pulmão e em seu contro­
le sobre a abertura e fechamento dos poros.
• Resfriado pela invasão do vento-calor que invade o pulmão, en­
torpecendo sua função de descendência.
• Resfriado pela invasào da umidade-calor de verão que invade a
superfície, desarmonizando o controle do pulmão sobre o Wei Qi.

T ra tam en to
• Pontos principais
Pulmão.
Nariz interno.
Laringe-faringe.
• Pontos secundários:
Se febre - Sangria no ápice da orelha, ápice do trago e supra-renal.
Se cefaléia central - Fronte.
Se cefaléia parietal - Temporal.
Se cefaléia occipital - Occipital.
Se cefaléia no vértex - Vértex.
Se dor e mal-estar em todo o corpo - Fígado, baço, boca.
Se tosse - Traquéia, brônquios, Ping Chuan.
Se dispepsia, constipação e distensão abdominal - Estômago,
intestino grosso.

S is t e m a C a r d io v a s c u l a r

Hipertensão Arterial
Entende-se por hipertensão arterial à enfermidade que se caracte­
riza pela elevação das pressões sistólica, diastólica ou ambas ao mes­
Patologias e Terapêutica 293

mo tempo, pelo menos em três tomadas casuais. Por conseguinte,


serão classificados como hipertensos, aqueles indivíduos que tenham
cifras de tensão arterial acima de 140 mmHg (sistólica) e de 90 mmHg
(diastólica).
Etiologicam ente, classifica-se em hipertensão sistólica e em
sistodiastólica, desta última 90% não tem causa demostrada denomi­
nando-se hipertensão primária ou essencial, sendo que só 10% são
conseqüência de enfermidades do rim, do SNC, das glândulas supra-
renais, por coarctação aórtica, toxemia da gravidez, ingestão de pílu­
las anticonceptivas, etc.
A hipertensão pode passar por uma série de estados evolutivos, de
acordo com as lesões arteriais que se desenvolvam:
• Hipertensão leve ou estado I - É quase sempre assintomática,
com pressão diastólica abaixo de 110 mmHg, estreitamento
arterial no fundo de olho, sem repercussão nos demais siste­
mas.
• Hipertensão moderada ou estado II - Manifesta sintomas mode­
rados, pressão diastólica entre 110 e 130 mmHg, pinçamento das
veias pelas artérias no fundo de olho e aumento da silhueta car­
díaca.
• Hipertensão severa ou estado III - Existe repercussão cardíaca,
renal e cerebral, pressão diastólica de mais de 130 mmHg e he­
morragias e exsudatos no fundo de olho.
• Hipertensão maligna ou estado IV - Sintomas manifestos de en-
cefalopatia, uremia, insuficiência cardíaca, pressão diastólica
maior de 140 mmHg, papiledema e o resto das alterações no
fundo de olho.
A hipertensão para a MTC é classificada dentro das patologias de
cefaléias com vertigem e pode ser de acordo com sua etiopatogenia
produzida por três causas fundamentais que são:
• Causa de origem nervosa - Esta produz-se pela superexcitação
nervosa durante tempo prolongado, o estresse, a irritabilidade
contida e a preocupação excessiva, os quais produzem estagna­
ção de Qi do fígado que se transforma em fogo, se a evolução é
prolongada; o fogo excessivo pode lesionar o Yin do fígado, quan­
do o Vin é lesionado, não pode conter o Yang, originando-se a
subida do Yang do fígado que produz hipertensão.
• Alimentação inadequada - A ingestão excessiva de comidas do­
ces, gordurosas e de bebidas alcoólicas lesionam a função do
baço de transporte e transformação, favorecendo o acúmulo ex­
cessivo de umidade patogênica no interior, a umidade acumula­
da durante um tempo prolongado transforma-se em calor, o ca­
lor excessivo consome os líquidos corporais convertendo-se em
294 Auriculoterapia

fleuma patogênica que obstrui os colaterais e vasos, evitando a


subida do Qi claro e a descendência do Qi túrbido, ao estagnar-
se o Yang na cabeça, produz-se o quadro hipertensivo.
• Debilidade e lesão no interior - Esta é provocada pelo trabalho
excessivo, a atividade sexual excessiva ou o envelhecimento, to­
das as causas que levem a uma deficiência do Yin de rim. Quan­
do o Yin do rim é deficiente, não nutre o Yin do fígado que tam­
bém se faz insuficiente, não podendo controlar o Yang e apare­
cendo uma síndrome de ascensão do Yang do fígado ou, favore­
cendo o movimento do vento interno do fígado.
Comumente, o começo da hipertensão está relacionado com a sín­
drome de ascensão do Yang do fígado. Na etapa média da evolução da
enfermidade, relaciona-se com a síndrome de deficiência de Yin do
fígado e de rim e no estado mais avançado da mesma, aparece tanto
vazio de Yin como de Yang.

T ratam ento
• Pontos principais
Sangria no ápice.
Sangria em sulco hipotensor.
Hipotensor.
Coração.
Subcórtex.
Fígado.
Simpático.
Occipital.
• Pontos secundários
Se Xu Yin do fígado e rim - Rim.
Se fleuma-calor - Baço, intestino grosso.
Se vertigem - Ouvido externo, área de tontura.

Explicação dos pontos


Sangria no ápice e no sulco hipotensor:
Tem função hipotensora, seda e clareia a mente e a visão.
Hipotensor - É um ponto específico para fazer descer a tensão
arterial.
Subcórtex e simpático - Estes pontos regulam a vasoconstrição,
liberando os espasmos dos vasos sangüíneos.
Occipital - É um ponto com função sedante.
Fígado e coração - O fígado armazena o sangue e o coração contro­
la os vasos sangüíneos, caso se produza vazio de sangue de coração,
este fato pode conduzir ao vazio de sangue do fígado. Quando se pro­
Patologias e Terapêutica 295

duz uma síndrome de vazio de sangue do fígado, o Yang perde sua


função e ascende, elevando a tensão arterial e produzindo sintomas
de tontura, visão turva, etc. Estimulando estes pontos, controla-se o
volume de sangue em circulação, tranqüiliza-se a mente, acalma-se o
espírito e pacifica-se o fígado.
Rim - A nutrição de cada parte do corpo e de cada Zang Fu está
apoiada no Yin de rim, este órgão é a raiz do fluido yin do organismo,
motivo pelo qual, quando o Yin de rim é insuficiente, pode-se favore­
cer o movimento do vento interno do fígado. Estimulando o ponto rim,
nutre-se o Yin e controla-se o Yang.

Experiência Clínica
A sangria no ápice no tratamento da hipertensão deve ser abun­
dante, antes de realizar a sangria deve-se massagear o pavilhão auri­
cular até que se ponha vermelho e quente, posteriormente, executa-
se a sangria no sulco hipotensor que deve ser de 3 a 5 gotas. Em
geral, depois da sangria, o paciente deve sentir uma sensação de leve­
za na cabeça e a vista deve tornar-se ainda mais clara.
As manipulações no tratamento da hipertensão devem ser fortes,
motivo pelo qual o uso do método de colocação de sementes com esfe­
ras magnéticas ou com sementes, método de punção com agulha
filiforme e a permanência de agulhas, são métodos com os quais se
obtêm excelentes resultados.
O tratamento de auriculoterapia na hipertensão arterial de graus
I e II produz resultados notáveis, entretanto, na hipertensão de
grau III, ainda que possa produzir uma transformação positiva
nos sintomas, o tratamento deve ser apoiado com medicamentos.
Depois do tratamento de auriculoterapia, ainda que os sintomas
possam melhorar notavelmente, ao examinar-se a tensão arterial esta
não mostra, em algumas ocasiões, uma evidente queda, gerando-se,
pelo contrário, uma subida nas cifras de tensão, precisando de um
tempo longo para que se produza a descida paulatina desta, depois do
estímulo com as sementes ou com as agulhas.
O uso do ponto supra-renal, em geral, é contra-indicado no trata­
mento da hipertensão, já que tem função vasoconstritora e faz subir a
tensão arterial, mas em certos casos, de hipertensão de causa renal,
como as produzidas por colagenose, este ponto pode ser usado.

Hipotensão
Considera-se como hipotensão à diminuição das cifras de tensão
arterial até 40 a 50 mmHg, esta pode ser de dois tipos: aguda e crôni­
ca. Na hipotensão aguda produz-se uma descida abrupta da tensão
296 Auriculoterapia

arterial que pode ter diferentes etiologias, dando sintomas de verti­


gens, declínio e choque.
A hipotensão crônica aparece quando as cifras se mantêm nor­
malmente baixas e, em geral, está associada a enfermidades do siste­
ma endócrino, a enfermidades degenerativas, má nutrição, enfermi­
dades cardiovasculares, etc.
Para a MTC, a hipotensão é um sintoma dos síndromes de defi­
ciência de Qi, deficiência de Xue ou deficiência de Qi e Xue.

T ratam ento
• Pontos principais
Supra-renal.
Hipertensor.
Hipófise.
Coração.

Explicação dos pontos


Supra-renal - Este ponto estimula a vasoconstrição, elevando des­
ta maneira a tensão arterial.
Hipófise - Este ponto fortalece a atividade cardiovascular e favore­
ce a vasoconstrição.
Hipertensor - No Instituto de Medicina de Zhong Shan, da provín­
cia de Guang Zhou, no ano de 1969, editou-se um informe acerca de
um estudo realizado com o uso do ponto hipotensor do pavilhão auri­
cular, para tratar o fenômeno de hipotensão que se produzia ao apli­
car certos medicamentos analgésicos, obtendo-se resultados notáveis
nesta experiência. Em 15 casos onde a cifra diastólica se encontrava
entre 60 a 70 mmHg, depois de punturar o ponto hipertensor por 10-
15min, as cifras tensionais ascenderam a 110/90.
Coração - O coração controla os vasos, o sangue e promove a ati­
vidade cardiovascular.

Cardiopatia Isquêmica
Diz-se que há insuficiência coronária quando o fluxo de sangue se
modifica em quantidade e qualidade, sem satisfazer as necessidades
orgânicas; isto é, que existe uma desproporção entre o fluxo sangüí­
neo e as necessidades de sangue, e portanto, de oxigênio por parte do
miocárdio. Esta é causada, em geral, pela arteriosclerose que leva a
uma estenose das artérias, com fechamento do lúmen das mesmas e
conduz à isquemia cardíaca, sendo mais freqüente, entre os 40 a 70
anos, no sexo masculino e no curso de certas enfermidades como a
Patologias e Terapêutica 297

hipertensão arterial, o diabetes melito, o hipotiroidismo, a policitemia


vera ou de enfermidades inllamatórias como a sífilis, tuberculose, fe­
bre reumática e poliarterite nodosa.
A insuficiência coronária se expressa em distintas formas, onde
as mais habituais são: angina de peito, infarto agudo do miocárdio,
morte súbita, parada cardíaca primária e a cardiopatia isquêmica não
dolorosa.
Clinicamente, manifesta-se por dor precordial opressiva com irra­
diação para o braço esquerdo, pescoço e maxilar inferior, aparece ao
repouso ou ao esforço, desaparece, ou não, com os nitritos e tem uma
duração determinada, segundo a forma clínica que adote, pode estar
acompanhada de vertigens, desmaios, arritmia cardíaca, cardiome-
galia, sudações, frialdade da extremidades, etc., chegando-se ao
diagnóstico mediante estudos enzimáticos e electrocardiográficos.
De acordo com os critérios da MTC, esta enfermidade é denomina­
da síndrome Bi do peito ou dor verdadeira de coração. Segundo a
etiopatogenia tradicional, esta pode estar relacionada com a debilida­
de de baço. coração e rim produto do envelhecimento, outra causa é a
alimentação inadequada por excesso de doces e gorduras ou pela ati­
vidade mental excessiva, preocupação, etc., todas as causas que con­
duzem à deficiência do baço e à produção de umidade e fleuma que se
acumula no interior, obstruindo a livre circulação do Yang a nível do
tórax, o que favorece o aparecimento da dor precordial, neste caso, a
dor será comparativamente leve e moderada.
Também, é causada pela invasão aguda de frio patogênico, que
provoca obstrução por frio e fleuma dos colaterais e vasos, aparecen­
do dor de caráter mais grave e urgente.
Quando o Bi torácico tem uma evolução prolongada e a fleuma e o
frio patogênico não se transformam, a obstrução do Qi provocada por
esta situação leva à estagnação do sangue, aparecendo uma dor pre­
cordial de caráter pulsante e grave.

T ratam enío
• Pontos principais
Coração.
Intestino delgado.
Subcórtex.
Simpático.
• Pontos secundários
Tórax.
Fígado.
Órgão coração.
298 Auriculoterapia

Explicação dos pontos


Coração - O coração controla o sangue e os vasos sangüíneos, ao
estimular este ponto melhoramos a atividade cardíaca, dando-lhe uma
evolução favorável à isquemia e a hipoxia.
Intestino delgado - O intestino delgado guarda relação interna e
externa com o coração, através do estímulo deste ponto, favorece-se a
circulação cardiovascular.
Subcórtex e simpático - Estes pontos regulam a atividade circula­
tória, favorecendo a vasodilatação.
T ó ra x - É o ponto da zona correspondente, selecionado para tratar
a angina de peito, a opressão torácica e a dor precordial.
Fígado - O fígado armazena o sangue e regula o volume de sangue
em circulação.
Órgão coração - Este ponto é selecionado na arritmia cardíaca já
que regula o ritmo do coração.

E xperiên cia C línica


O tratamento com auriculoterapia na cardiopatia isquêmica, pode
constituir um método paliativo que produz uma evolução positiva dos
sintomas mas sem nenhuma mudança notável a nível do eletrocar­
diograma, o tempo do tratamento deve ser longo, em geral, de mais de
3 meses. Em estados tardios da enfermidade cardíaca, é difícil a obten­
ção de resultados terapêuticos.

Arritmias Cardíacas
Considera-se que existe uma arritmia quando se altera a produ­
ção normal do estímulo cardíaco, seja porque se faça irregular, ou
permanecendo regular, ultrapassa os limites de freqüência aceitos
como fisiológicos e quando em presença de um ritmo regular e fre­
qüências fisiológicas, a análise do traçado eletrocardiográfico não re­
vela uma relação P/QRS normal, nem uma duração e morfologia ade­
quadas de seus diferentes componentes. Se o estímulo segue nascen­
do no nódulo sinusal, a arritmia é normotópica, e caso se origine fora
dele, é heterotópica.
Entre as causas de arritmia ou disritmias cardíacas, assinalam-se
as seguintes: cardite reumática, miocardite, pericardite, miocárdio-
patias, hipertiroidismo, feocromocitoma, anemia marcada, afecções
pulmonares, infarto agudo do miocárdio, angina instável aguda, trans­
tornos hidroeletrolíticos, medicamentos como digitálicos, simpatico-
miméticos, etc.
Existem várias classificações das arritmias, a mais comum está
baseada na perturbação do automatismo e a condução.
Patologias e Terapêutica 299

Os transtornos do automatismo incluem:


• Arritmias normotópicas - Taquicardia sinusal, bradicardia si-
nusal, pausa sinusal e o marcapasso migratório.
• Arritmias heterotópicas - Extra-sístoles, taquicardia paroxísti-
ca. adejo e fibrilações, batimentos e ritmos de escape.
Os transtornos da condução compreendem:
• Arritmias retardadas - Bloqueio auriculoventricular de primei­
ro. segundo e terceiro graus, bloqueios de ramo e fasciculares.
• Arritmias aceleradas - Síndrome da pré-excitação ventricular.
De acordo com a etiopatogenia tradicional, a arritmia pode ser
causada pela debilidade do Qi de coração ou deficiência de sangue
neste, depois de enfermidades de longo tempo de evolução, o que
provoca instabilidade do coração e do espírito. Outra causa pode
ser a alimentação inadequada que danifica o baço favorecendo o
acúmulo de umidade e por sua vez de fleuma, também a preocu­
pação excessiva e irritabilidade leva a um estagnação do Qi que se
transforma em fogo, este combinado com a fleuma produz um quadro
de fleuma e fogo que perturba o coração. A arritmia pode aparecer,
além disso, pela invasão de agentes patogênicos de vento-frio e
vento-calor que obstrui a circulação do sangue e da energia nos
colaterais e vasos do coração, também, a deficiência de Yang de
coração pode favorecer a estagnação da circulação de Qi e Xue,
produzindo a arritmia.
Segundo a diferenciação de síndromes, a arritmia pode ser classi­
ficada em:
• Arritmia por Xu de Qi do coração.
• Arritmia por Xu de Xue do coração.
• Arritmia por fleuma e fogo que perturbam o coração.
• Arritmia por estase de Xue do coração.
O tratamento com auriculoterapia, da taquicardia paroxística e
das extra-sístoles ventriculares tem muito bons resultados.

T ratam ento
• Pontos principais
Coração.
Intestino delgado.
Subcórtex.
• Pontos secundários
Órgão coração.
Simpático.
Shen Men.
Supra-renal.
300 Auriculoterapia

Explicação dos pontos


Coração - É o órgão imperador dos cinco Zang e dos seis Fu, con­
trola a circulação do sangue e os vasos sangüíneos e armazena o
espírito. Quando se produz deficiência de sangue do coração, a mente
perde sua nutrição e o espírito perde sua tranqüilidade, produzindo-
se palpitações, taquicardia, insônia, vertigens, etc. Ao selecionar este
ponto acalmamos a mente, tranqüilizamos o espírito e recuperamos a
função do coração.
Intestino delgado - Guarda relação externa e interna com o coração,
por isso, através deste pode-se regular a atividade cardiovascular.
S u b córtex- Este ponto regula a atividade cardiovascular.
Órgão coração - Este ponto faz descender a freqüência cardíaca,
tratando a taquicardia e as extra-sístoles.
Supra-rencü e simpático - Têm a função de regular a freqüência cardía­
ca e podem tratar a bradicardia. facilitando a desobstrução de Qi e Xue.

E xp eriên cia C línica


O estímulo sobre o ponto coração para o tratamento da taquicar­
dia e as extra-sístoles deve ser com manobras fortes, sendo conveni­
ente rodar a agulha, de 30s a lm in continuamente.

Insuficiência Arterial Periférica


É a denominação do quadro que resulta de processos orgânicos
oclusivos, apresentando-se de maneira crônica ou aguda, causada
por arterite obliterante ou estenosante ou por algumas colagenopatias,
a enfermidade também pode estar relacionada com quadros infeccio­
sos e Tb, podendo-se observar, também, uma história familiar de
arterite. É mais freqüente em mulheres jovens.
Clinicamente, pode ser classificada segundo a localização, encon­
trando-se nas artérias da cabeça, braços, rim, tórax e abdômen e dando
manifestações em membros, inferiores ou superiores, em dependên­
cia do caso.
O empobrecimento da circulação pode estar associado a um pro­
cesso vasoespástico ou mudanças da parede dos vasos sangüíneos,
por esclerose ou inflamação, sobretudo, nos casos crônicos, onde o
quadro se instala de maneira paulatina, permitindo o desenvolvimen­
to de vasos colaterais, às vezes de grande proporção e mascarando a
sintomatologia, neste caso podem-se encontrar sintomas como fadi­
ga, claudicação intermitente, dor, parestesias, mudanças de colora­
ção, mudanças tróficas, frialdade, gangrena e diminuição ou ausên­
cia dos pulsos.
Patologias e Terapêutica 301

Os quadros agudos se apresentam com uma obstrução completa e


brusca do fluxo sangüíneo em uma extremidade, suas causas princi­
pais são a trombose ou embolismo, ainda que possa aparecer como
complicação de uma arteriosclerose obliterante, sua sintomatologia
apresenta-se por dor aguda e dilacerante, parestesia, impotência fun­
cional, frialdade brusca e mudanças de coloração com ausência do
pulso por baixo da oclusão.
De acordo com os critérios da MTC, esta enfermidade é considera­
da como um estagnação de sangue que pode ser produzida pela defi­
ciência do Qi, deficiência do Yang, a invasão de agentes patogênicos
como o vento, a umidade, a fleuma e o frio ou pela disfunção do pul­
mão e do coração.

T ratam ento
• Pontos principais
Pulmão.
Coração.
Simpático.
Fígado.
Subcórtex.
Supra-renal.
Zona correspondente.
• Pontos secundários
Endócrino.
Rim.

Explicação dos pontos


Pnlmão e Coração - O coração controla os vasos e o sangue e no
pulmão se reúnem os cem vasos, os vasos do coração desobstruem o
pulmão, os vasos do pulmão têm comunicação com o coração, o cora­
ção comanda o sangue e o pulmão comanda o Qi, o Qi governa a circu­
lação do sangue e o sangue é a mãe do Qi, por isso, se o Qi circula, o
sangue também circula, se o Qi se estagna, o sangue também se estag­
na. Assim, por exemplo, nas deficiências de Yang de coração, o Qi do
pulmão não pode realizar sua função de dispersão, por isso, o fluido
sangüíneo não corre livremente. Ao combinar os pontos coração e pul­
mão, tonificamos o Qi e ativamos a circulação da sangue.
Fígado - O fígado armazena o sangue e regula o volume de sangue
na circulação.
Simpático e subcórtex - Estes pontos regulam o tônus vascular.
Supra-renal - Este ponto produz vasoconstrição elevando a pres­
são sistólica a nível periférico o que favorece a desobstrução da oclu-
302 Auriculoterapia

são. É, além disso, um ponto com função antiinflamatória. Este ponto


tonifica o Yang do rim que constitui a raiz Yang de todo o corpo e as
deficiências de sangue estão relacionadas com a deficiência de Yang.
Zona correspondente - Este ponto representa a zona isquêmica.
Através do estímulo do mesmo, recupera-se a função fisiológica da
região.
Endócrino - Este ponto tem função antiinflamatória, eleva a imu-
nologia e deve ser sempre usado quando a insuficiência vascular esti­
ver relacionada com colagenopatias.
Rim - O rim está relacionado com o elemento água, controla o Jiao
inferior e representa o Yin, enquanto que o coração se relaciona com o
elemento fogo, controla o Jiao superior e representa o Yang. Pela inter-
relação energética entre coração e rim, mantém-se o equilíbrio de Yin
e Yang no corpo humano, motivo pelo qual, para o tratamento do
acrotismo por insuficiência vascular é necessário estabelecer a corre­
ta relação entre coração e rim.

E xperiência Clínica
O doutor Wan Zhong, da província de Nan Jin, realizou uma in­
vestigação sobre a insuficiência vascular periférica em 86 casos com
tratamento de auriculoterapia, com os resultados segu