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MELHORAMENTO GENÉTICO VISANDO RESISTÊNCIA A INSETOS

Aluna: Michelle da Fonseca Santos


Orientador: José Baldin Pinheiro

Resistência genética é uma tática de controle de insetos praga amplamente conhecida, sendo
controlada por um ou mais genes. O desenvolvimento da pesquisa em resistência de plantas a
insetos pode ser dividido em três fases: anterior à II Guerra Mundial, imediatamente posterior à II
Guerra e o período atual (a partir de 1960). Entretanto, o advento dos marcadores moleculares e a
obtenção de plantas transgênicas resistentes a insetos estão marcando o início de um novo período
de pesquisas com resistência de plantas.
Segundo Rossetto (1973), “planta resistente é aquela que devido à sua constituição
genotípica é menos danificada que outra, em igualdade de condições”. Ao se comparar o
comportamento de variedades ou espécies de plantas frente ao ataque de determinado inseto,
verifica-se diferentes níveis de resposta, podendo-se atribuir diferentes graus de resistência:
imunidade, alta resistência, resistência moderada, suscetibilidade e alta suscetibilidade.
Os mecanismos de resistência foram propostos por Painter (1951),sendo estes agrupados em
três categorias: não-preferência, que é a resistência decorrente do efeito adverso da planta sobre o
comportamento do inseto; antibiose, que inclui os efeitos adversos exercidos pela planta na biologia
do inseto; e tolerância, quando a planta mostra capacidade para crescer e produzir sem perdas
significativas, apesar de atacada por uma população de insetos aproximadamente igual à que
prejudica a produção de plantas suscetíveis.
Um programa de melhoramento visando resistência a insetos envolve diversas etapas, sendo
essencial que o programa conte com uma equipe multidisciplinar, havendo uma cooperação entre
entomologistas e melhoristas. Inicialmente deve-se identificar qual inseto praga ocasiona maior
prejuízo para a espécie de interesse, e então buscar fontes de resistência para início do
melhoramento genético.
O pulgão da soja (Aphis glycines Matsumura) representa o principal problema da soja no
meio-oeste americano, sendo este o local de introdução desta espécie na América do Norte a partir
de 2000. A infestação severa do pulgão pode reduzir o rendimento de sementes em mais de 50%.
Dessa forma, vários grupos de pesquisa nos EUA têm direcionado esforços na identificação de
genótipos resistentes ao pulgão. Essa resistência é freqüentemente qualitativa, sendo controlada por
um único gene dominante nas cultivares Dowling e Jackson (Hill et al., 2006a,b). O gene em Dowling
foi designado Rag1, enquanto o gene em Jackson ainda não foi nomeado. Li et al. (2007) mapeou
esses dois genes na mesma região genômica no grupo de ligação M. Em contraste, relatos indicam
que a resistência na PI 567541B e PI 567598B é controlada por dois genes recessivos (Mensah et al.,
2008). Kaczorowski et al. (2008) identificou quatro SNPs (Simple Sequence Repeat) no loco de
resistência ao pulgão. Além disso, dois QTLs (Quantitative Trait Loci) controlando resistência ao
pulgão foram encontrados nos grupos de ligação F e M (Zhang et al., 2009).
Os programas de melhoramento convencionais são limitados pela necessidade de fontes de
resistência nas espécies selvagens, embora apresentem considerável sucesso. Esta é uma limitação
que pode ser atenuada com o uso da engenharia genética. Dentre as estratégias de plantas
transgênicas com resistência a insetos citam-se as abordagens envolvendo: Bacillus thuringiensis
Berliner, colesterol oxidase, lectinas, inibidores de α-amilase, inibidores de proteinases entre outras.
Embora plantas transgênicas ofereçam muitas oportunidades para o manejo da população de
insetos praga, elas também apresentam novos desafios, sendo um dos principais a evolução de
resistência do inseto à toxina ou inibidor. Esta área de estudo representa uma grande ferramenta
para o controle de importantes insetos e aliada ao desenvolvimento de novos genótipos resistentes
nos programas de melhoramento contribuirão sobremaneira no manejo de pragas. Isto porque a
incorporação de cultivares resistentes assume grande importância por ser compatível com outras
táticas de controle possibilitando a minimização do uso de inseticidas químicos, refletindo na redução
de custos de produção e de riscos de impacto ambiental negativo.

Referências Bibliográficas:
Hill CB, Li Y, Hartman GL. A single dominant gene for resistance to to the soybean aphid in the
soybean cultivar Dowling. Crop Science, 46:1601-1605, 2006a.
Hill CB, Li Y, Hartman GL. Soybean aphid resistance in soybean Jackson is controlled by a single
dominant gene. Crop Science, 46:1606–1608, 2006b.
Kaczorowski KA, Kim KS, Diers BW, Hudson ME. Microarray-based genetic mapping using soybean
near-isogenic lines and generation of SNP markers in the Rag1 aphid-resistance interval. The Plant
Genome, v.1, n.2, 89-98, 2008.
Li Y, Hill CB, Carson SR, Diers BW, Hartman GL. Soybean aphid resistance gene in the soybean
cultivars Dowling and Jackson map to linkage group M. Molecular Breeding, 19:25–34, 2007.
Mensah C, DiFonzo C, Wang D. Inheritance of soybean aphid resistance in PI 567541B and PI
567598B. Crop Science, v.48, 1759-1763, 2008.
Painter, R. H. Insect resistance in crop plants. New York, The Macmillan Company, 1951, 520p.
Rossetto, C. J. Resistência de plantas a insetos. Piracicaba-SP, ESALQ-USP, 1973. 171p.
Zhang G, Gu C, Wang D. Molecular mapping of soybean aphid resistance genes. Theoretical and
Applied Genetics, 118:473-482, 2009.