Você está na página 1de 65

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 72. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

AÇÃO PENAL N. 4354-37.2015.811.0042 — ID 400135 AUTOR — O MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL RÉUS — JOSÉ GERALDO RIVA e OUTROS

VISTOS ETC.

Trata-se de ação penal decorrente de denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual em desfavor de 15 (quinze) cidadãos, na qual lhes são imputadas as condutas de organização criminosa (art. 288

caput CP') e peculato (art. 312 do CP), sendo que, em relação a 09 (nove) deles, a denúncia ainda imputa a conduta de lavagem de capitais (art. 1°. V da Lei 9.613/982).

1.r

A redação do caput do artigo 288 do CP na época dos fatos narrados na denúncia era a seguinte: Quadrilha ou bati' do - Art. 288- Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de comei/ r cr es: Pena - 'reclusão, de um a três anos. Os fatos são anteriores à tipificação do crime de organização criminosa (lei .850/13). 2 Na época dos fatos, o inciso V do artigo 1°. apontava para os crimes contra a Administração Pública. Os ncisos do

dação: Art. 1 . Ocultar

ou' dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriejla4e dá bens, reitos ou

valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.

artigo 1°. da Lei 9.613/98 foram revogados pela Lei 12.683/12 que deu ao capta a seguint

Selm

)e Santos Arruda Juiza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

A inicial aponta para servidores públicos e para particulares e, em face dos primeiros, são atribuídas, além do crime de formação de quadrilha, condutas criminosas funcionais, em tese, afiançáveis.

Após análise inicial, recebi a denúncia, ocasião em que decretei a prisão preventiva de JOSÉ GERALDO RIVA.

Nestes autos, JOSÉ GERALDO RIVA tem contra si imputadas as condutas de formação de quadrilha (art. 288 "caput" do CP) e peculato (art. 312 do CP), por 26 vezes.

Com a resposta à acusação, analisei as preliminares suscitadas, ocasião em que determinei o desmembramento do feito em relação aos demais acusados, eis que o único preso na ocasião era JOSÉ GERALDO RIVA.

O feito foi desmembrado e teve tramitação regular, com oitivas de colaboradores e testemunhas na ordem legal e interrogatório do acusado, o qual, durante a instrução processual foi colocado em liberdade provisória por decisão proferida em sede de STF, cujo autor é o Ministro Gilmar Mendes.

No primeiro interrogatório o réu negou a prática dos ilícitos, o que se repetiu posteriormente, quando foi reinterrogado.

Selma Rosane

rru ia

Ju z

Direi o

ço3

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

A fase de diligências transcorreu normalmente e em

31.03.2017 o réu foi novamente reinterrogado, quando, após mudar a estratégia de defesa, resolveu confessar a prática criminosa.

A fim de evitar futura alegação de nulidade por

cerceamento de defesa, abri novo prazo para requerimento de diligências e, em seguida, vieram as alegações finais, na ordem legal.

Com elas, o feito veio concluso para sentença.

É O BREVE RELATO. FUNDAMENTO E DECIDO.

Trata-se de Ação Penal que tramitou após deflagração de ação capitaneada pelo GAECO deste Estado, que restou denominada Operação Imperador.

Tal operação originou-se do oferecimento da denúncia e da decretação da prisão preventiva de José Geraldo Riva, requerida pelo Ministério Público.

Os autos retratam um escabroso esquema de desvio de verbas públicas, encabeçado pelo acusado JOSÉ GERALDO RIVA, que

na época dos crimes era ordenador de despesas da Assemb a Leáisla iva

Selma

mitos Arruda Juíza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7g, VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

de Mato Grosso, mediante fraude a contratos licitatórios nas modalidades Carta Convite, Pregão Presencial e Concorrência Pública, que visava tão

somente a aquisição simulada de material de expediente, artigos de informática e outros, junto às empresas ali citadas: LIVROPEL

COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA3. (atualmente MADEIREIRA MATO GROSSO COMÉRCIO DE MADEIRAS E MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA — ME), HEXA COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA.4,

AMPLO COMÉRCIO DE SERVIÇOS E REPRESENTAÇÕES LTDA.5 (atualmente AMPLOFARMA DROGARIA LTDA.), REAL COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA-ME6 e SERVAG

REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA.'

Dessume-se dos autos que o acusado JOSÉ GERALDO RIVA e terceiras pessoas, aliadas às empresas citadas, geridas por boa parte

dos demais acusados na ação principal, simulavam a realização de licitações para possibilitar a ocorrência de pagamentos pela Assembleia,

sem que houvesse a efetiva entrega dos produtos.

3 Carta Convite n. 002/2006 (12$ 79.320,00); Carta Convite 008/2005 (R$ 78.090,30); Pregão Presencial n. 001/2007 (R$ 867.938,84, R$ 657.673,10, R$ 620.595,91, R$ 230.000,01, R$ 705.152,50, R$ 68.818,24, R$ 257.004,49, R$ 390.000,00, R$ 881.301,10, R$ 492.284,51, R$ 549.730,91; R$ 572.088,88, R$ 1.124.013,36, R$ 839.981,51, R$ 839.594,98, R$ 667.842,51, 1t$ 513.539.34, R$ 522.237,39, RS 430.709,19, R$ 738.637,34); Carta Convite ri. 96/2006 (12$ 78.574,6();Carta Convite n. 011/200602$ 78.980,00); Carta Convite n. 22/2005 (125

76.950,00);

4 Carta Convite n. 078/2005 (R$ 79.390,00); Carta Convite n. 005/2006 (12$ 79.333,00); Carta Convite n. 086/2006 (R$ 78.770,00); Pregão Presencial n. 001/2007025 994.476,44, R$ 984.385,24, R$ 1.273.035,00, 839.511,00, R$ 600.000,35, R$ 600.218,93, R$ 695.232,59, 12$ 1.440.000,29, 8$ 870.789,70, 8$ 871.000,50, R$ 887.321,50, R$ 603.322,40, R$ 268.530,15, R$ 668.977,00, 8$ 50.314,50, 8$ 549.298,75, 8$ 206.110,75, R$ 155.183,76, 8$ 267.638,75, 8$ 1.089.272,65).

5 Contrato 15/2006 OU 1.366.043,00); Carta Convite 095/2006 (R$ 79.345,00); Carta Convite n. 032/2005 (R$ 75.437,40), Carta Convite n. 035/2005 (RS 79.029,00); Carta Convite n. 009/2006 (12$ 78.153,00); Pregão Presencial n. 008/2005 (R$ 2.369.000,00; Pregão Presencial n. 008/2006 (RS 592,243,00); Carta Convite n. 017/2005 (12$ 78.450,00). Pregão Presencial n. 002/2008 (R$ 1.167.617,18, R$ 1.319.519,52, R$ 498.605,40, R$ 1.601.333,05, 1.629.172,60, 12$ 235.295,00,12$

500.048,40).

7 Carta Convite n. 92/2006 (R$ 77.860,00), Carta Convite n. 52/2005 (RS 78.880,00); Carta Convite n. 084/2006 (11$ 7400);corrênCarta convite n. 075/2006 (R$ 77.950,00); Carta Convite n. 124/2005 (R$ 45.000,00); Carta Convite n. 007/2006 (RS 78.999,0 Pública n. 005/2004 (12$ 300.000,00,12$ 150.000,00,12$ 679.941,20).

Selma Rosane S 4.u4da Juiza d Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7€1. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Segundo o Ministério Público, EDSON JOSÉ MENEZES, JANETE GOMES RIVA, DJALMA ERMENEGILDO, MANOEL THEODORO DOS SANTOS FILHO e DJAN DA LUZ CLIVATI, diante das funções que exerciam na ALMT, emitiram os atestados de recebimento ideologicamente falsos das mercadorias, produtos e serviços que jamais foram fornecidos ou entregues pelas empresas fornecedoras. Tais fatos ainda estão em apuração em ação penal derivada desta.

Já JEANY LAURA LEITE NASSARDEN, CLARICE

PEREIRA LEITE NASSARDEN e ELIAS ABRÃO NASSARDEN, segundo o Ministério Público, teriam sido destinatários diretos do dinheiro desviado dos cofres públicos e usufruíram de parte deste, cientes da sua origem escusa, fatos também em apuração apartada.

O esquema consistia em fraudar licitações, simular o

pagamento por serviço não prestado ou entrega de mercadoria inexistente, cabendo às empresas colaboradoras o percentual de 20%, enquanto que retornava a JOSÉ GERALDO RIVA e seus comparsas o restante, ou seja, 80% do valor desviado. Para tanto, o líder da organização criminosa valia- se da colaboração prestimosa do já falecido EDEMAR NESTOR ADAMS,

pessoa encarregada de recepcionar o dinheiro devolvido.

Este modus operandi foi esclarecido após a d ção operada por GERCIO MARCELINO MENDONÇA JUNIOR» conhe ida

Selma R

ntos Arruda ititza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7k VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Operação Ararath8, em que o mesmo apontou para o falecido EDEMAR NESTOR ADAMS como sendo o intermediador do esquema de fraudes.

Das declarações de GÉRCIO MARCELINO extrai-se que JOSÉ GERALDO RIVA contraia empréstimos junto a empresas de factoring e, para honrá-los, simulava a contratação das empresas fraudulentas.

Vejamos, resumidamente, o que disse GÉRCIO

MARCELIN09:

Conheceu Jose Geraldo Riva aproximadamente em 2006, apresentado pelo Eduardo Jacob, que era um funcionário do Legislativo. Ele procurou a testemunha porque José Geraldo Riva queria um empréstimo no valor de 2 milhões de reais. Ele agendou uma reunião com Riva na Presidência da Assembleia e então tratou diretamente com ele. Esse foi o primeiro empréstimo que fez a um político e por isso exigiu uma garantia real, então ele lhe deu a residência dele como garantia de pagamento. Já emprestou outras vezes para ele, no ano de 2006 a 2010. Após isso mantiveram com relação de final de relação de empréstimo porque restou um débito e ele não vinha fazendo os pagamentos. O primeiro foi de 2 milhões, os outros sempre em valores altos, de 500 mil, 1 milhão, 3 milhões. Os pagamentos eram feitos através do Secretário Geral

8 Faço o registro apenas para a posteridade: conforme é notório nos dias atuais, a Operação Ararath, deflagrada pela Policia Federal em Mato Grosso, gerou varias ações penais na esfera federal. Segundo notícias veiculadas na midi local, visa apurar crimes contra o Sistema Financeiro, ligados principalmente a delitos contra a Administraç o Pública e à Lavagem de Capitais. Gêrcio Marcelino Mendonça Júnior é o principal colaborador.

9

Nao - se trata de transcrição literal, mas apenas anotações feitas em audiência a partir das - laraçõ s prestadas pelo colaborador.

Selma Rosana

ruda

reito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 'R VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

da Assembleia, Sr. Edemar. Ele que ficou responsável por quitar os empréstimos do Sr. Riva. Os pagamentos eram feitos quando não na Assembleia, no Gabinete do Secretário Geral, ou na empresa Globo Fomento, de sua propriedade, na maioria das vezes, 85 a 90% em dinheiro. Pode ter ocorrido algum depósito, mas a frequência era em espécie, dentro de um envelope. Logo após o primeiro empréstimo criaram uma conta corrente, ele levava 3, 4 parcelas para quitar tudo, quitava 100, 150 mil reais em espécie. Quando era na Assembleia pegava o dinheiro com o Edemar e quando era pago na empresa da testemunha era um motorista que levava o envelope, num carro da Assembleia, um corola de chapa branca. Quando o Riva solicitava os empréstimos a testemunha não questionava muito da necessidade do empréstimo, mas chegou em um momento que tiveram que controlar os limites. Já perguntou para ele porque dos empréstimos e ele disse que era para satisfazer as necessidades do grupo político. Ele dizia que era as necessidades do sistema e da imprensa, ou seja, de deputados e da imprensa. Sabe que Edemar Adams morreu em 2010. Depois disso o compromisso ficou com o próprio Riva, ele que procurava quitar os valores, ele que procurava para cobrar e sentiu que ele estava com dificuldades para quitar os débitos. Ele chegou a pedir mais alguns empréstimos e foram negados, a testemunha dizia que tinha dificuldades, mas ele insistia, mandava mensagens, pressionando, dizia que nunca tinha dado trabalho e que precisava do dinheiro para atender necessidades. Essas mensagens foram inclusive entregues à Justiça Federal quando foi ouvido. No total emprestou ao Riva aproximadam nte 10 milhões de reais. Edemar Adams só tratava com a teste nha Isobr os

Selina

antos Arruda iza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

débitos do Riva, de mais ninguém. Edemar nunca comentou qual era a origem do dinheiro. Como já falou com o Edemar Adams pessoalmente pode reconhecê-lo na foto de fls. 352 dos autos. Ele morava em frente ao Restaurante Pé de Pequi num Edifício. Conheceu Eduardo Jacob por meio de Rogério Silvestrin, um grande amigo seu, em um churrasco na casa dele. Foram apresentados e, em uma conversa, falou para ele que tinha uma financeira. O irmão e sócio da testemunha não concordou em fazer esse tipo de empréstimo, mas a testemunha é que teimou. A casa que foi dada em garantia foi devolvida 2 anos depois, porque o Edemar vinha cumprindo as obrigações assumidas pelo Riva e porque a dívida já estava menor, já na casa de 500 mil reais. Recorda-se que neste período ele era ou Presidente ou Primeiro Secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Ia falar com ele na sala da Presidência em 99 % das vezes, apenas em uma ocasião foi recebido no gabinete da I a. Secretaria. Nesse período o Edemar sempre era o Secretário Geral da Assembleia. Nunca veio dinheiro da conta do Riva pessoa física para a conta da Factoring da testemunha. Os empréstimos eram feitos normalmente, não eram escondidos, a testemunha emitia um cheque nominal a quem ele indicava ou fazia um TED para quem ele indicava. Ou ele pedia para emitir cheques ou para emitir TEDs e o valor era lançado no "conta corrente". Com o Riva sempre foi feito assim, fazia empréstimo para ele e segurava porque se fosse atendê-lo os valores seriam altíssimos, então a testemunha segurava novos empréstimos e aguardava ele abater o valor devido para só depois liberar mais. Sempre que fazia empréstimos pegava cheques dele no valor da dívida. O Riva tinha o controle do que o Edemar s. g v

Selma Rosane S A uda Juí. d; I reit°

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 72. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

sempre que sentavam juntos para falar sobre isso. Ouviu dizer que o Edemar ficou muito doente e faleceu em outubro de 2010. Quando o Riva precisava falar com a testemunha quem fazia a ligação era a Secretaria dele de nome Irene. Às vezes ele mesmo ligava para a testemunha do celular dele. Na Assembleia chegava na recepção, havia 2 secretárias, a Irene recebia, às vezes colocava numa 2". sala para aguardar ele vir atendê-lo. A sala ficava ao lado da em que fazem reunião de colegiados, uma sala pequena. Já recebeu valores em mãos do Sr. Edemar na Assembleia. Ele tirava da gaveta da mesa e entregava, não chegava a contar e conferir, entregava o valor e pronto. Não faziam nenhuma anotação naquele momento nem emitia recibo, mas fazia seu controle cOmo já explicou. Em dado momento lembra que em junho de 2013, quando já não estava mais atendendo ele porque ele não estava pagando o débito, foi quando ele mandou mensagens dizendo que nunca tinha dado trabalho e que precisava fazer uma cirurgia, mas foi para tentar pressionar para receber o empréstimo. Nunca fez TED para hospital ou cirurgião. O Eduardo Jacob disse que ele já tomava empréstimos antes no mercado financeiro, mas não sabe detalhes disso. Quanto a Sérgio Ricardo, ele também fez empréstimo, assim como o Riva (10 milhões), Sérgio Ricardo bem menor e menor ainda o Mauro Savi. Sérgio Ricardo fez o empréstimo pessoal e ele mesmo fez a quitação ele mesmo recolheu a nota promissória. Riva não declarou ter outra renda fora da Assembleia Legislativa. Até o falecimento do Edemar Adams era mais fácil receber, embora eram pagamentos parcelados, mas eram cumpridos. De o s da morte dele o Riva não nomeou outro intermediário Co a experie cia

Selma

os A ruda íza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO ”. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

pode observar que no setor público eles sempre deixam um pouco do débito para trás, sempre deixam um pouco do débito pendente para manter elo com a financiadora. Os valores de TEDS e cheques estão na quebra de sigilo bancário da Operação Ararath. Esses valores a testemunha foi indicando quais eram a mando do Riva. Quanto ao valor de 3 milhões que Riva pediu, ele insistiu muito, quase trancou a testemunha numa sala para arrumar o dinheiro. A testemunha disse que não tinha o dinheiro e ele indicou o caminho de fazer um empréstimo no Banco BIC e emprestar o dinheiro para o Riva. Depois da negociação em que a casa foi a garantia, as demais foram com Nota Promissória ou cheque dele, mas quando ele pagava os títulos eram devolvidos. Uma nota promissória foi apreendida, de R$ 5.721.000,00. Neste caso, assim como nos demais, o dinheiro foi revertido em TEDS e Cheques que o Riva indicou. Quanto a Promissória de R$ 5.721.000,00 que foi apreendida da Ararath, isso foi uma consolidação das dívidas que ele tinha, disso foi pago só 3 parcelas de pouco mais de 400 mil cada. Hoje a dívida dele é de quase 6 milhões novamente, contando com os juros. Não conhece Elias Abrão Nassarden nem o Junior. Mostrou ao réu as fls. 2191, depoimento que prestou ao MP em 2010 e esclarece que na época tinha uma empresa de fomento em VÁRZEA GRANDE, á foram feitas algumas operações com esta pessoa (Elias) na sua empresa, no escritório. Foram poucas operações. Soube que ele era um prestador de serviços para a Assembleia só porque foi informado pelo MP na época, em 2010. Elias gozava de boa reputação e por isso emprestou dinheiro para ele e ele pagou. Ele nunca mencionou nome de Riva e nem de Edemar Adams. Nesse momento nem sabia sue el

Selma Rosane Sa

da

Jui

Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7! . VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

tinha relação com a Assembleia. Acha que a Hexa é a empresa do Elias.

Disse que não conhece o Elias porque não se recorda dele, se o enxergar ele agora não sabe quem é. Nem sabe se falou com o pai ou com o filho, não se recorda. Não costumava fazer empréstimos e quando fez para o Riva pegou a casa dele como garantia, nem tomou a cautela de querer saber de onde vinha o dinheiro, qual a procedência do dinheiro que recebia do Riva. Nem pode executar o Riva porque a promissória está com

o MPF. Todas as vezes que a testemunha lhe negava crédito ele falava alguma coisa, foi assim que ele confidenciou que tinha necessidade de

atender ao Sistema e à imprensa. Foi ele que disse isso. Na Ararath

declarou quais eram essas empresas, porque foi perguntado sobre cada uma delas.

Essas declarações foram bastante elucidativas e posteriormente confirmadas por ELIAS ABRAAO NASSARDEN, também colaborador.

Porém, além desses, algumas testemunhas também trOuxeram ao Juizo a convicção de que as empresas utilizadas nos arranjos fraudulentos praticados pelo réu eram inoperantes, ou seja, "fantasmas".

Vejamos:

TATIANA LAURA DA SILVA GUEDES — Foi casada com Elias Abraão Nassarden Junior, de 1993 até 2007. Tem 3 filhos com? Na época ele teve desde empresa de aplicação de insulfilm em ekulos a

Selma Ros

os Arruda íza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7g. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

empresas que prestavam serviços para setores públicos. Da empresa Livropel a testemunha foi uma das sócias, não lembra se a Áurea também. Nunca administrou nenhuma empresa. Figurou como sócia porque ele era seu marido, ele era um dos sócios. Livropel tratava com venda de material de escritório. Não sabe onde era a sede da empresa. Nunca foi na sede da empresa. Não sabe quantos funcionários ela tinha, nem se tinha algum funcionário. A mãe da testemunha também entrou na sociedade e ela também não trabalhava na empresa e não praticou qualquer ato de gestão, assim como a testemunha. Parece que esta empresa participou de licitações na Assembleia. Além de Livropel era a Servag, também nunca esteve na sede e não sabe onde ficava. Após a separação, percebeu que o padrão de vida do Elias melhorou, aparentemente. Viu que ele viajava mais, só isso. A testemunha nunca foi ao trabalho dele e só falava com ele ao celular. Soube que o Jr estava emprestando dinheiro a juros, isso depois da separação, ficou sabendo que ele fazia agiotagem, isso porque algumas pessoas foram chamadas pelo MP, parentes. Na época da empresa de insulfilm a depoente ia na empresa, e via que ele trabalhava lá. Depois disso ele montou uma empresa prestadora de serviços e fez contratos com prefeitura de Várzea Grande. Nessa época a empresa funcionava na casa da depoente e era uma empresa de locação de automóveis, também de materiais de informática. Nesta época o material ficava armazenado na sua casa, era coisa pouca. Sabe que ele já teve uma empresa na Lagoa, no Jd. Glória, mas nunca foi lá em dia de semana, nunca viu a empresa funcionando. Ele não contava detalhes so empresa, tinham vida financeira bem separada. Hexa não co ece e ne

Selma Ros

os Arruda

de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7! . VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Solidez serviços. Olhando o apenso ID 127275, nos volumes 20, 21, 22 e 26, fls. 4335/8, vol. 22, datados de 8 de julho de 2005. Assinou aqueles documentos porque a empresa estava no seu nome e ele solicitava que assinasse documentos e assim agia. Não lembra de ter assinado os documentos mas reconhece as assinaturas. Os documentos de fls. 4296 reconhece a assinatura, mas não sabe nada sobre isso, não se recorda disso. Nunca foi à Assembleia Legislativa. Quanto aos documentos de fls. 3921/23 vol. 20 do apenso, onde se vê documento datado de 2005, assinado com testemunha, onde declara que a sede da empresa é Várzea Grande e se responsabiliza pelos documentos e onde declara a idoneidade da empresa e onde declara que retirou pessoalmente um convite na Assembleia, reafirma que as assinaturas são suas, mas que nunca esteve na Assembleia, esclarece que essas assinaturas são suas, é a sua rubrica. No vol. 26, fls. 5129, em 11-12-2006, documento direcionado à administração pública, também sobre idoneidade e dizendo que no quadro de empregados não há ninguém menor de 18 anos, nem em trabalho noturno e nem insalubre, também reconhece a assinatura e não sabe se o conteúdo é verdadeiro ou não porque só assinava o que seu marido lhe pedia. Quanto ao documento de fls. 5161, também direcionado à Assembleia, referente a uma licitação, em que assume a responsabilidade por entregar mercadorias, também reconhece a assinatura, mas de novo ignora o conteúdo dele. Ele nunca disse que era fraude, nem que era falso, ele só dizia que vendia e que precisava da assinatura da depoente.

Selma

Sa os Ar uda uíza de Di eito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

ÁUREA MARIA DE ALVARENGA GOMES NASSARDEN — é casada com Jean Carlos Nassarden, corréu do processo principal. Foi sócia da empresa Livropel. Na época a empresa estava em seu nome e da Tatiana, mas o dono era o Elias, seu cunhado. Nunca teve qualquer participação nessa empresa, seu marido é que pediu que figurasse, ele pediu e a depoente aceitou. É analista contábil, mas na época não tinha conhecimento de nada. Não sabe onde é a sede, não sabe nada sobre funcionários, não sabe onde funcionava. A empresa era de papelaria e material de escritório. Jean Carlo teve uma empresa de papelaria depois. Jean não trabalhava na Livropel, não sabe se ele trabalhou na Hexa, mas sabe que o gestor das empresas era o Elias Nassarden. Jean trabalhava com o Elias. Foi ouvida no Gaeco pelo Dr. Sérgio, disse que ele não tinha rotina normal de trabalho, ele trabalhava com o Elias, irmão dele. O tempo ocioso que cita no seu depoimento é porque não tinha horário de oito horas diárias, por isso atrapalhava de ele ficar em casa. Ocioso não quer dizer o dia todo, mas tinha um período, isso acabava incomodando, por causa do mau humor de marido e mulher o dia todo. A sede da empresa era no clube Lagoa Azul que usava como locação para festas, nos dias de semana era a empresa e nos finais de semana alugava para festas. Essa era a sede da Hexa. Nunca foi sócia da HEXA, só da Livropel, bem no início. Quando foi constituída a empresa assinou uma procuração dando plenos poderes ao Elias. Nunca foi na Assembleia Legislativa. Na verdade foi uma vez, mas não desceu do carro, ele que foi lá para pedir uma certidão de tempo de serviço porque ele tinha trabalhado para m ex-deputada, Zilda Pereira Leite, tia dele. Também se re dd te

Selma Ros

Arrud

de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

assinado documento quando a empresa acabou. Quanto a quem era proprietário da Hexa, soube apenas que era Jean Cano agora. Quando foi na Lagoa a empresa que visitou foi a Hexa. Ele não contava a rotina de serviço para a testemunha. A Hexa não tinha funcionários. Recorda-se que o Elias melhorou de vida quando separou da Tatiana, comprou carro, moto. Não viu estoque de mercadorias quando foi na Lagoa, não pode dizer se tinha ou não tinha, porque só foi em uma sala. Ao ver o documento do Vol. 17, fls. 3363 que é um termo de retirada em que consta a assinatura da testemunha dizendo que compareceu na Assembléia e retirou edital de convite de 2006, diz que reconhece a assinatura, mas nunca foi na Assembleia Legislativa. Fls. 3374 também reconhece a assinatura, o documento diz que a empresa é idônea e que não tinha nos quadros da empresa ninguém com menos de 16 anos. O documento de fls. 3391 também reconhece, o documento envia proposta e se disponibiliza a entregar vários materiais, todos são referentes à Livropel. Não se recorda de assinar documentos, mas era o Elias que trazia para assinar e assinava por confiança, não conferia se o conteúdo era verdadeiro, sempre era o Dias que trazia os documentos. No vol. 22 fls. 4363/7, novamente termo de retirada de edital de licitação, confirma a assinatura, mas diz que nunca esteve na Assembleia, esse de 4-1-2006. O mesmo com relação ao documento de fls. 4367. Lembra que separou em . maio de 2006 e os documentos são de janeiro. No vol. 26, fls. 5199 mesma coisa. Jean nunca falou que a empresa era fantasma e que só servia para fraudes.

Selma Ros

Arruda

de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 72. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

EDNA APARECIDA DE MATOS — É servidora concursada do MP há 10 anos. Não tem vincula ção de subordinação com o Gaeco. É vinculada ao CAOP. Elaborou o laudo contábil que está nos autos. Notou que não tem registro contábil, não foi apresentado para a JUCEMAT. Foi detectada a existência de notas fiscais pagas pela Assembleia para empresas. Quando começaram a fazer planilhamento viram que tinha muita quantidade de toner cartuchos e envelopes, eram dezenas de milhares. Uma das empresas vendeu para a Assembleia 70 milhões de envelopes pardos, outra 38 milhões de envelopes brancos, isso que chamou mais atenção. A perícia demorou porque faltava documentos, solicitaram e a Assembleia ainda assim não mandou o que necessitava. A conclusão que teve da análise é que nenhuma nota passou pela receita e que a empresa não teve receita. Se tivesse ocorrido a venda tinha que ter essa movimentação. Não houve também indicativos que a venda foi terceirizada. Já fez outras perícias nesse sentido e nunca tinha visto aquisições tão vultosas, tipo 70 milhões de envelopes pardos. Constatou que exceto a Hexa e a Livropel que declararam movimento baixo, as demais empresas não declararam nada. Não emitiram notas pela SEFAZ. Olhando os processos de licitação viu que formalmente estavam corretos. Fez levantamento de quantas impressoras havia na Assembleia e tinha 140 a 160, conforme a época, mas a aquisição de toners era desproporcional. O relatório que elaborou está nos autos a partir de fls. 3.125 e o segundo a partir defls.3197. Para a elaboração do laudo examinou todas as no22s fiscais das empresas a favor da Assembleia, também o invj táril

Selma Rosan

Arru a a e Direito

a

/fl

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO P. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEMTRIBUTARIA E 'ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Assembleia, planilhou tudo, quantidades e valores e comparou com os arquivos da SEFAZ, que mandou informações sobre a saída de notas das empresas. No arquivo que consta no processo não consta entradas de notas. Também comparou com informações da Receita Federal, ou seja, as informações de receita que as empresas informam à Receita anualmente. Não teve acesso ao controle de bens de consumo porque a Assembleia não forneceu. Não houve compatibilidade entre o declarado pelas empresas e o que fizeram de fato.

As provas trazidas apontam minuciosamente para as ações

fraudulentas, as datas, as pessoas envolvidas e o modo como ocorreram.

Com efeito, restou comprovado nos autos que

LEONARDO MAIA chegou a realizar saques em dinheiro no caixa do

Banco do Brasil, repassando-o a ELIAS JUNIOR, o qual seria incumbido

de leva-lo a EDEMAR ADAMS. Várias condutas desse tipo foram

registradas fotograficamente por equipes de campo do GAECO e estão

documentadas nos autos.

Em audiência, os agentes do GAECO que trabalharam na

investigação confirmaram as diligências em Juízo. Veja:

EVANDRO FERRAZ LESCO — trabalhou no GAECO por 8

anos, foi coordenador militar. Hoje não está mais lotado no G

O.

Assinou junto com um PM vários relatórios de diligênc

o.

Selma Ro

os Arruda uiza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7-g. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Lembra-se que fez monitoramento pessoal algumas vezes do Sr. Jean Carlo, o primeiro 'contato dos serviços operacionais, o Elias Nassardem, Leonardo Maia Pinheiro, Jeane Nassardem e Edemar Nestor Adams. Certa feita, receberam a informação do setor de interceptaçães que o Sr. Jean ia se deslocar até o Banco Itait da Couto Magalhães em Várzea Grande para fazer um saque em dinheiro, estava acompanhado de uma pessoa do sexo masculino. Ele ficou na agência por alguns minutos, havia até indicativo de greve, mas ele foi atendido. Ele estava em um Honda Civic. Dali ele foi ate a Amplofarma, depois conversou com Edemar de Campos, depois foi até a casa dele, ficou alguns minutos e depois foi a um endereço no Jardim Glória em Várzea Grande, onde ficou poucos minutos e saiu. Descobriram que ali morava o Elias Nassarden, irmão do Jean. Quando entrou no banco ele portava uma mochila comum preta. Fizeram registro fotográfico disto. Com relação a esta diligência é o que se recorda. Em outra ocasião, lembra que também na Av. Couto Magalhães, na agência do Banco do Brasil, o Elias chegou, tinham informações que ele ia lá, identificaram a chegada dele e em seguida do Sr. Leonardo. O Leonardo portava uma pasta tipo de notebook. Passaram algum tempo lá, saíram e no estacionamento o Leonardo passou a pasta para o Elias. Nesse dia o Elias foi a Amplofarma, passou na Orion Veículos, dali ele foi em outro estabelecimento comercial, Pokémon motos em Cuiabá. Ali ele desceu com uma sacola branca e ficou lá. Dali ele foi para o Ed. Antares, em Cuiabá, na Lixeira. Subiu num apartamento que não identificaram, saiu, deixou uma pessoa lá, ele estava acompanhado. Nesse dia ele foi para o centro Cuiabá e perderam a vigilância, mas a ERB dele ele estava priti mo

Selma Rosane .: Ju

é

. s Ilida O reitol

1

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7E. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Choppão na Av. Estevão de Mendonça. ERB é estação radio base, que atrai a chamada de telefonia e mostra a região em que a pessoa está quando faz uso do celular naquele momento. Em outra data (15-10, segundo o MP), a informação era que o Leonardo iria na agência do

Banco do Brasil na Couto Magalhães, no centro de Várzea Grande, aventava-se que ele ia fazer um saque de dinheiro. Ele foi lá, monitoraram, dali ele saiu, não se lembra se ele foi na Amplofarma, mas lembra que ele foi no Big Lar da Várzea Grande, no estacionamento. Ali chegou o Elias, e Leonardo desceu do carro dele, sendo que o Leonardo entregou a pasta para o Elias. Conversaram brevemente. Então passaram a monitorar o Elias. Ele saiu dali, passou em alguns endereços, chegando ao Ed. Monreale, na rua Estevão de Mendonça, JD. Cuiabá. Ele desceu, falou com o porteiro, saiu do veículo com a pasta que tinha recebido do Leonardo, ficou brevemente no condomínio e saiu. Ele não estava mais com a pasta quando saiu. Em outra ocasião o Elias ia fazer o saque, mais uma vez em vigilância no Banco do Brasil da Couto Magalhães em Várzea Grande. Entrou com uma pasta semelhante, já estava quase escurecendo. Como ele já tinha ido ao Ed. Monreale colocaram alguém nas proximidades daquele local. O policial ficou por lá, ficou conversando com porteiro, e constatou que o Elias foi no mesmo local, Ed. Monreale. Pegando informações com o policial que estava na guarita aguardando, que tinha uma estória cobertura, ele perguntou sobre o morador para o porteiro e o porteiro falou que o Elias tinha procurado pelo Sr. Edemar, e que o porteiro falou com o apto do Edemar e este disse que jest va

descendo. Então se empenharam em saber quem

era oidemar. I

Selma R

ii os Arruda Juiza de Direito

a

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7il. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

investigando chegaram à conclusão que era Edemar Nestor Adams. Nos

bancos de dados do Gaeco descobriram que ele realmente residia ali e até confirmaram o número do apto dele. Lembra-se que numa das ocasiões em que ele foi ao Monreale ele se mostrava preocupado, chegou a olhar para

a viatura que estava vigiando, em que a testemunha estava. Ele mesmo

assim não desistiu de entregar a maleta no destinatário. Também fizeram diligências e descobriram que numa manhã ele saiu dali de carona, desceu, ficou em frente ao condomínio, a pessoa que deu carona chegou, pegou ele ali e o destino final dele foi a Assembleia Legislativa. Não tem vinculaç'do hierárquica com o Gaeco e não recebeu orientação para incluir ninguém no relatório. Até o momento em que fizeram diligências no Monreale não tinham conhecimento do envolvimento do Edemar Adams. Quanto às interceptações, pode dizer que todos os investigados eram cautelosos para falar ao telefone. Esteve presente em algumas diligências em que as pessoas foram ao banco, não em todas. Lembra também que em certa ocasião, quando estavam monitorando um desembarque do Edemar Adams no aeroporto, o viram descendo do avião junto com o Riva. Lembra

que como a agencia do Banco do Brasil da Couto Magalhães era o local que eles mais se encontravam, foi feita uma requisição ao banco para informar a movimentação dos clientes. Daí o Edemar acabou tomando conhecimento de que estava sendo investigado. Daí ele foi até o Gaeco

para conversar com o MP, mas não participou da conversa. Só que poucos dias depois ele morreu, não sabe exatamente porque, mas ouviu dizer que foi por enfarte. Essa conversa foi com Dr. Sérgio, ele não contou como

a conversa. Edemar não aparentava estar doente. Depois que ele orren a

Selma Rosane

rruda

Ijrejtcj

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

esposa dele foi ao GAECO, não sabe se ela foi intimada ou não. Ela esteve lá. Nunca viu estes investigados irem a alguma papelaria ou em estabelecimento comercial que vende papelaria. Só em uma ocasião o Elias foi a um estabelecimento comercial desse gênero, se não se engana na GRAFITE. Não lembra se ele desceu com a mala, mas lembra que mandou algum policial descer da viatura e ir ver o que ele estava fazendo. Na época quem coordenava a investigação era o Dr. Sérgio.

ARLINDO SANTOS MACEDO — Está lotado no Gaeco desde 2002, é sargento da PM. Confirmou tudo o que o Ten. Cel. Lesco falou quanto às diligências de monitoramento. Foi esta testemunha que falou com o porteiro do Ed. Monreale, usou uma estória cobertura, o Cel. Lesco estava com uma outra viatura, uma Ranger préta. Lembra que em determinado tempo que o veículo ficou lá o Elias ficou preocupado com a viatura e perguntou se o Edemar já havia chegado. Então o porteiro falou no interfone e o Edemar desceu, o Elias foi até ele com a pasta e retornou sem ela. Depois descobriram que era o Edemar Adams da Assembleia que morava lá. Nenhum outro Edemar morava lá. Depois o monitoraram e tiveram certeza que ele morava lá. Em uma diligência entrou na agência bancária e dava para ouvir o barulho das máquinas contando dinheiro, mas não sabe quanto ele retirava. Não ouvia nas tratativas pelo telefone qualquer diálogo sobre papelaria ou sobre empresa, sobre funcionários, etc. Só sabiam que ia haver saques e geralmente quem fazia era da família do Nassarden. Quando ia nas diligências para averiguar sede de empresa não via empresa e nem placa. Numa delas era um clu da fiia

Selma Ro

os Arruda ia de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Nassarden e em outro era uma casa de COHAB uma casa pequena. Nunca soube que Elias era agiota. Nunca recebeu ordem para investigar o Riva, o foco da investigação eram empresas que estariam praticando fraudes com servidores da Assembleia. Depois que identificaram a pessoa de Edemar é que soube que ele era um advogado e que já teria ocupado cargos ligados

à política, inclusive era secretário da Assembleia. O caminho do dinheiro, pelo que percebeu, morria no Edemar. Geralmente quem fazia saques era

o Elias, ou o Leonardo, ou o Jean, irmão do Elias. Em um dos saques feito

pelo Leonardo, ele saiu da agência, foi para a casa dele e de lá foi ao estacionamento do Big Lar. Ali viram a SW4 do Elias. O Leonardo saiu do carro dele com a pasta, entrou no carro do Elias e saiu de lá sem a pasta. Quando esteve na portaria do prédio, na diligência que narrou anteriormente, notou que o Elias era um frequentador assíduo dali. Ele perguntou: Ele já chegou? E quem falou o nome de Edemar foi o porteiro, quando interfonou para o apto do Edemar. O Elias não se identificou, o porteiro já sabia quem ele era, dava para notar que era frequente a presença dele na portaria do Edificio. Nenhum dos saques era feito no caixa eletrônico era sempre dentro da agência e fora do horário de expediente, dava para ver que a operação era feita especialmente para ele. Depois que Edemar morreu a investigação deu uma parada. Lembra de ter notícia de que os saques ultrapassavam 200 mil. Edemar chegou a ser monitorado e em uma das ocasiões o viram chegando no aeroporto em companhia do Riva.

Selma Rosane S Jul

rruda

e Direit

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Constatou-se, ainda, após a instrução criminal, que as

empresas não tinham lastro suficiente para fornecer os bens e serviços contratados, tratando-se de meras "empresas de fachada", destinadas tão somente a acobertar as fraudes do bando. Tais empresas não registraram atividades de comércio, não compraram mercadorias para revenda e

tampouco venderam, nem acusaram movimentação de transporte de mercadorias.

Há nos autos provas documentais de que os valores arrecadados a titulo de ICMS são ínfimos diante das "vendas" realizadas, o que bem reforça as provas já colhidas acerca da existência das fraudes.

Além disso, o teor das conversas telefônicas obtidas mediante autorização judicial regular, revelou a realização de saques na "boca do caixa" por JEAN CARLO, ELIAS ABRÃO JUNIOR e LEONARDO MAIA, concomitantemente à realização dos pagamentos pela Assembleia Legislativa.

Restou ainda comprovado que, em alguns casos, as empresas envolvidas nas fraudes chegaram a adquirir mercadorias em valores razoáveis, mas contrataram a venda com a Assembleia em valores

astronômicos. Este é o caso da LIVROPEL, cujas únicas aquisições de materiais em 2007 foram da PAPELARIA GRAFITE e DA UZE PAPELARIA, mercadorias que, somadas, totalizariam R$ 59.000,96)á a contratação desta empresa (LIVROPEL) com a Assembleia gislativa no

Selma R

tos Ar uda

utza de lir eito

'

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 72. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

mesmo ano (2007) foi de R$ 12.169.144,11 (doze milhões, cento e sessenta e nove mil, cento e quarenta e quatro reais e onze centavos).

Por outro lado, as empresas LIVROPEL e AMPLO COMÉRCIO SERVIÇOS E REPRESENTAÇÕES LTDA. não registraram, no período investigado, qualquer funcionário junto ao GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS1°, o que indica tratar-se de "empresas de fachada".

Quanto à empresa FIEXA COMÉRCIO, restou também provada a simulação da entrega de mercadorias no dia 12.12.2008. Segundo se depreende dos documentos trazidos aos autos, em apenas um dia tal empresa teria feito a "entrega" de mercadorias arroladas na Nota Fiscal n. 000093, na ordem de R$ 1.423.506,84 (um milhão, quatrocentos e vinte e três reais e oitenta e quatro centavos), sem que para tanto houvesse compra ou transporte de mercadorias.

Do mesmo modo, a empresa LIVROPEL simulou a entrega de mercadorias no dia 05.06.2008, portanto, em apenas um dia após terem sido solicitadas via Ordem de Fornecimento, cujo valor constante na Nota Fiscal foi de R$ 1.124.013,36 (um milhão, cento e vinte e quatro mil, treze reais e trinta e seis centavos), sem que para tanto houvesse compra ou transporte de mercadorias.

A lei n°9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por

Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social- GFIP. Desde a competência janeiro de 1999, todas as pessoas fisicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei n° 8.036/90 e legislação posterior, bem como as contribuições e/ou informações à Previdência Social, conforme disposto nas leis n°8.212/91 e 8.2l3/1

e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação.

Deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições pre

e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGT

Selma Rosane Sa

uda

Juiz

eito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7°. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Igualmente, a empresa REAL COMÉRCIO simulou a entrega de mercadorias no dia 13.07.2009 (Empenho n° 1719/2009),

portanto, no mesmo dia em que foram solicitadas via Ordem de Fornecimento, cujo valor constante na Nota Fiscal foi de R$ 1.601.333,05 (um milhão, seiscentos e um mil, trezentos e trinta e três reais e cinco

centavos), sem que para tanto houvesse compra ou transporte de mercadorias.

Ora, uma vez que as empresas não adquiriram materiais manufaturados ou produtos in natura, tendo sido registradas

movimentações ínfimas das empresas LIVROPEL COMÉRCIO E

REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. /SENSUALITA

/MADEREIRA MATO GROSSO, AMPLO/ AMPLOFARMA e SERVAG/ REALFARMA /REI REAL, e se não possuíam estoques nem funcionários, a conclusão óbvia é de que na verdade não houve qualquer

fornecimento de mercadorias à Assembleia por parte dessas empresas.

O esquema de desvios de verbas públicas arquitetado por JOSÉ GERALDO RIVA, utilizando-se das pessoas jurídicas constituídas para fornecer notas fiscais frias, de modo a possibilitar a concretização das fraudes aparece nítido e cristalino nos autos, restando, contudo, aquilatar a

efetiva participação de terceiros e quem seriam estas pessoas, o que é objeto do feito principal. O certo é que, sozinho, JOSÉ GERALDO RIVA não teria obtido êxito em tamanha empreitada criminosa, que esultou o

Selma Ros

s Arruda za de Direilo

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7! . VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

desvio de recursos públicos da ordem de R$ 42.262.003,01 (Quarenta e dois milhões, duzentos e sessenta e dois mil, três reais e um centavos) — valor da época, segundo o Ministério Público.

Restou registrado nos autos que as mercadorias que teriam sido adquiridas, em valores e quantidades, não condiziam nem com o acervo, nem com a quantidade de material de consumo necessário à época, como por exemplo, a aquisição de 33.035 unidades de tonners ou cartuchos de impressão em 2007, enquanto a Assembleia tinha em uso apenas 151 impressoras, o que implicaria em 218 unidades por impressora em um ano, ou mais de 18 unidades por impressora por mês.

Além das provas documentais e das obtidas na instrução processual, especialmente com o testemunho de CLEONICE BERNARDETE ADAMS e de GÉRCIO MARCELINO MENDONÇA JÚNIOR, há nos autos a confissão expressa do réu JOSÉ GERALDO RIVA no que diz respeito à prática de tais atos.

Com efeito, as provas documentais principais encontram- se às fls. 68/90, 99/101, 144/2014, 288/291, 347/352, 353/356, 2482/2554, 3197/3485, além dos relatórios que estão no anexo Id n. 127275, tanto de movimentação bancária das empresas envolvidas, dos denunciados e dos procedimentos licitatórios, onde se constata as assinaturas, comprovantes de pagamentos por parte da Assembleia Legislativa e os fal

Selma Rosane

rruda

e Direito

1 Ç743

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7k VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

(ideologicamente) atestados de recebimento, firmados por terceiras pessoas, tudo no intuído de conferir sucesso às ações criminosas.

O testemunho de CLEONICE foi bastante esclarecedor, porquanto a mesma declara que tinha conhecimento de toda a atividade criminosa de seu esposo, hoje falecido, EDEMAR NESTOR ADAMS, então Secretário Geral da Assembleia Legislativa.

Narra que o mesmo participou do esquema criminoso liderado por JOSÉ GERALDO RIVA, que ocorrida por meio de desvios praticados mediante direcionamento de procedimentos licitatórios. Narrou que era EDEMAR que elaborava relatórios e planilhas sobre os valores exorbitantes pagos às empresas envolvidas e disse, inclusive, que seu esposo antes de falecer lhe pediu que entregasse a JOSÉ GERALDO um pendrive onde tais informações eram armazenadas. Ao que declara a testemunha, realmente entregou ao réu tal dispositivo, que nunca foi encontrado, mesmo após a realização de buscas, tanto na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, quanto na residência do acusado.

Quanto ao evento em que terceira pessoa entrega uma mala de dinheiro na portaria do edifício em que residia com o marido, declara que se recorda do fato e que ele realmente existiu, corroborando as já irrefutáveis provas colhidas na investigação.

Selma Ro

os rruda uíza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO IP. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO .

CLEONICE esclarece, ainda que em razão desse evento, JOSÉ GERALD6 teria tomado ciência de que estaria sob investigação e, por esse motivo, determinou que EDEMAR e a testemunha simulassem a venda de seu apartamento, como meio de justificar a entrega da mala de dinheiro.

CLEONICE confirmou que EDEMAR recebia bilhetes de JOSÉ GERALDO, que indicavam quem seriam os destinatários do dinheiro recebido das empresas e que, em uma das ocasiões, identificou o nome de GÉRCIO MARCELINO MENDONÇA JR como um deles.

Por sua vez, GÉRCIO ratificou suas declarações da fase policial e declarou que a partir de 2006 havia concedido vários empréstimos (mútuos) a JOSÉ GERALDO RIVA, a maioria por meio de cheques ou transferências bancárias, cobrando a aliquota de 3% de juros. Apontou que EDEMAR ADAMS era a pessoa que lhe efetuava os pagamentos, sempre em dinheiro. Disse que por vezes chegou a receber tais quantias dentro do prédio da ALMT e fez interessante afirmação, quando narrou que JOSÉ GERALDO teria lhe dito que tais empréstimos serviriam para atender a necessidade do "sistema" e da imprensa, conforme já narrei acima.

O corréu ELIAS ABRAÃO NASSARDEN JÚNIOR, após celebrar acordo de colaboração premiada, também reiterou as prov produzidas. Disse que representava um grupo de empresas e que p zrtici

Selma Rosane

rruda

reito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO ”. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

de licitações direcionadas, promovidas pela Assembleia Legislativa, procedimentos que garantiam a emissão das notas fiscais ideologicamente falsas, já que não correspondiam a efetivas vendas àquele órgão.

Esse colaborador foi bastante útil. Disse que recebia o pagamento integral relativo aos valores das notas fiscais ideologicamente falsas e que restituía 88% do valor pago pela ALMT. Narrou que tais fatos ocorriam desde o ano de 2003 e que a partir de 2005 foram intensificados. Contou que na maioria das vezes entregava o dinheiro para EDEMAR ADAMS, mas que em uma ocasião o fez diretamente a JOSÉ GERALDO RIVA. A prática criminosa perdurou até 2009, quando EDEMAR passou a desconfiar que estivesse sob monitoramento, motivo pelo qual foi obrigado a assinar vários documentos, no intuito de tentar dar ares de regularidade às falcatruas. Um dos documentos que assinou na ocasião foi o contrato de compra e venda do apartamento de EDEMAR ADAMS, que serviria como álibi para o fato de ter sido visto quando levou a mala de dinheiro até ele.

O próprio JOSÉ GERALDO RIVA confessa o esquema criminoso, relatando que havia, na Assembleia Legislativa, a prática de pagamento de "mensalinho" aos Deputados por parte do Poder Executivo, repassado por meio de créditos adicionais em dotações orçamentárias. JOSÉ GERALDO narrou que tal prática foi intensificada quando BLAIRO MAGGI assumiu a titularidade do Governo do Estado de Mato Grosso, que visava, com isso, maitter a base aliada sob seu poder.

Selma R

antos Arruda Juiza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7!. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Para fazer uso dessa verba e repassá-la aos Deputados, a Presidência da Casa praticava as fraudes à licitação e as simulações de venda ou de prestação de serviços. Com o "lucro" obtido, ou seja, os 88%, é que ele, JOSÉ GERALDO, sustentava o que chama de "sistema".

Em outras palavras, o Governador repassava à Assembleia Legislativa dotação orçamentária suplementar de custeio, visando manter sob seu cabresto os Deputados que receberiam o "mensalinho."

Para transformar essa verba em propina, JOSÉ GERALDO RIVA providenciava, por meio do Secretário Geral da ALMT, em fraudar a licitação, fazendo com que participassem dos certames apenas as empresas que já estavam no esquema.

Ultrapassada esta fase, em que as empresas vencedoras eram escolhidas conforme as necessidades do esquema, passavam elas a emitir notas fiscais ideologicamente falsas, que retratavam vendas inexistentes de mercadorias ou prestações de serviço nunca executadas.

Emitidas as notas, a ALMT efetuava os pagamentos de vendas ou serviços nunca efetivados. Os empresários, então, retiravam o valor pago em dinheiro e repassavam, do total, o percentual de 88% (ou 80%) ao réu JOSÉ GERALDO RIVA, que por sua vez, alimentava o "sistema", pagando os "mensalinhos" aos excelentíssimos deputados.

Selma Rosan

rruda

e Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7!. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Ocorria, também, de JOSÉ GERALDO indicar contas bancárias de terceiras pessoas para o repasse dos valores desviados, a fim de efetuar pagamentos de negócios celebrados por si ou por terceiros, como foi o que aconteceu com GÉRCIO MENDONÇA JR.

Tudo foi descortinado após o importante mecanismo de controle COAF — Conselho de Controle de Atividades Financeiras — ter emitido relatório noticiando que tais empresas tinham movimentação atípica, eis que recebiam vultosas quantias para logo em seguida efetuarem saques em dinheiro.

Essa notícia fez com que o Ministério Público requeresse a quebra do sigilo bancário das empresas e foi através disso que se descobriu que o movimento bancário das mesmas era absolutamente incompatível com o ICMS que recolhiam.

Com efeito, aduz o Ministério Público que tais empresas movimentaram entre 2005 e 2008 quantia superior a R$ 23.000.000,00 (vinte e três milhões de reais), originada dos cofres da ALMT, isso sem contar as movimentações das empresas com conta bancárias no Banco do Brasil S.A., sendo que aproximadamente 80% desse valor foi sacado na boca do caixa por Elias Nassarden ou seu irmão Jean Carlos Nassarden. Além disso, a• documentação acostada aos autos" comprova que alguns cheques foram emitidos destas empresas para a empresa GLOBO

11 Autos 14545-88.2008.811.0042.

Selma Ros

os A Iruda iza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 72. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

FOMENTOS LTDA., de propriedade de GÉRCIO MARCELINO MENDONÇA JR.

As empresas, conforme já aduzido anteriormente, eram meramente "de fachada" e sua existência só se justificava para garantir o sucesso das empreitadas criminosas.

Verificou-se que as empresas não tinham quadro de funcionários, e sequer efetuaram operação de entrada de mercadoria, ou quando o fizeram foi de quantias ínfimas, de modo que seria impossível a saída para a ALMT, ao menos no volume que o Poder Legislativo registrou.

Anote-se que, em audiência, ÁUREA MARIA NASSARDEN e TATIANA LAURA GUEDES LIBARTI, pessoas que constam como sócias de algumas dessas empresas não souberam sequer indicar onde as mesmas funcionariam, ou qual seria a atividade principal.

Restou claro, portanto, a engendração de um grande esquema criminoso que visou apropriar-se de vários milhões de reais, dinheiro público, então pertencente á Assembleia Legislativa de Mato Grosso, cuja liderança cabia a JOSÉ GERALDO RIVA, o qual se utilizava de terceiras pessoas fisicas e jurídicas para obter sucesso em seu desiderato.

Selma

n os Ar da Juíza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Nas alegações finais, o Ministério Público aponta para algumas discrepâncias encontradas nos documentos apreendidos, cujo

absurdo faço questão de reproduzir nesta decisão.

Veja:

Para se ter uma dimensão do rombo aos cofres públicos em razão dos crimes de peculato narrados na presente denúncia, o

memorando juntado às fls. 12976 é elucidativo. Nele, constou que no

exercício de 2008 foram gastos pela Assembleia Legislativa com material

de consumo a quantia de R$ 45.654.905,00 (quarenta e cinco milhões,

seiscentos e cinquenta e quatro mil e novecentos e cinco reais).

Em 2009, o gasto anual aumentou para R$ 48.227.094,00 (quarenta e oito milhões duzentos e vinte e sete mil e noventa e quatro reais).

Traçando comparativo com o ano de 2015, onde nos primeiros seis meses essa mesma despesa caiu para R$ 1.549.356,09 (um milhão quinhentos e quarenta e nove mil trezentos e cinquenta e seis reais e nove centavos), veremos que, se dobrarmos o valor de R$ 1.549.356,09

(um milhão quinhentos e quarenta e nove mil trezentos e cinquenta e seis reais e nove centavos), ter-se-á por estimativa média que no ano inteiro de

2015 o gasto com materiais de consumo foi de aproximadamente R$

Selma Rosa

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7!. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

3.098.712,18 (três milhões noventa e oito mil setecentos e doze reais e dezoito centavos).

Daí, vê-se que:

Em 2008 foi pago mais de 1300% do valor gasto em

2015

pela Assembleia Legislativa com materiais de consumo; e

Em 2009 foi pago mais de 1400% do valor gasto em

2015

pela Assembleia Legislativa com materiais de consumo.

Aliás, esse excesso de material de consumo falsamente adquirido pela Assembleia Legislativa por meio de notas fiscais frias pode ser verificado concretamente através de relatórios de saída do estoque central da Assembleia Legislativa.

No período de 30/09/2009 à 18/12/2009, isto é, em exatamente 80 dias, incluindo sábado, domingos e feriados, foi registrado entre tonners e cartuchos de impressoras e máquinas de xerox (apenas a título de exemplo) o recebimento de 6.826 unidades pelo gabinete do réu José Geraldo Riva, conforme se depreende do documento juntado às fls.

14262/14276.

Se esses materiais tivessem sido realmente entregues, o

teria

gabinete do réu José Geraldo Riva, no interstício de 80 di

Selma Rosane S no A • da Juíza er- i ireito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7a. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

consumido por meio de impressoras e maquinas de xerox a quantidade de 6.826 cartuchos e tonner, o que corresponde ao consumo diário de 85 unidades, incluindo dias úteis sábados, domingos e feriados.

Como bem aduz o Ministério Público, restou provado que o controle de estoque não era feito pelo estoque central ou almoxarifado da Assembleia Legislativa, mas sim pela Secretaria Geral, onde as fraudes e desvios se materializavam, sem passar pela Secretaria de Patrimônio da instituição.

Essa situação é confessada pelo réu JOSÉ GERALDO RIVA em juizo, que esclarece que a regra era distribuir relatórios aos deputados, ondem constassem mercadorias suficientes para cobrir os valores das notas fiscais emitidas por ELIAS NASSARDEN. Tais relatórios eram assinados pelos deputados como se as mercadorias tivessem sido entregues, coisa que não ocorria na realidade.

JOSÉ GERALDO chega a afirmar, em seu interrogatório, que muito poucos deputados não aderiram a este esquema, chegando, inclusive a citar o nome PIVETA como um daqueles.

É óbvio que havia compras verdadeiramente efetuadas e que havia fornecimento real de materiais e serviços, sem o que a Assembleia Legislativa não poderia ter funcionado regularmente. Por restou provado, também, que grande parte desse material quer

Selma Ros

rrud

e Direit

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 711-. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

entrada na Casa, posto que as notas fiscais serviam apenas para legitimar os desvios praticados por JOSÉ GERALDO RIVA e outros.

Aliado a tais provas, às palavras dos colaboradores e aos documentos trazidos está o fato de que boa parte da documentação que

dizia respeito a essa fraude, relativa aos anos anteriores a 2009, simplesmente desapareceu da Assembleia.

Segundo o Memorando n. 0497/2015-SAPI, de 03 de junho de 2015, expedido pela Secretaria de Administração, Patrimônio e Informática daquela Casa de Leis, tais documentos estavam em posse de DJALMA ERMENEGILDO, que também é réu na ação penal de onde estes autos estão desmembrados, o que é bastante sintomático, eis que indica que havia interesse escuso de que esses documentos não servissem como prova contra a ação criminosa do bando.

O quadro ficou assim desenhado:

Segundo JOSÉ GERALDO RIVA, havia um esquema de pagamento de "mensalinhos" por parte do então Governador do Estado para boa parte dos Deputados Estaduais, que era feito mediante repasse de duodécimos extraordinários; JOSÉ GERALDO RIVA, na qualidade de líder e chef do esquema criminoso, bem como na quali de áe

Selma Rosane S4ntoq A ruda

dto

reito

is-1)n

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 74. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Presidente ou 1°.Secretário da ALMT, determinava que

se procedesse a licitações fraudadas, com o fito de inserir na Casa, como fornecedores, empresas fantasmas, geridas por sócios fantasmas. Tais empresas fantasmas simulavam a venda de

mercadorias para a Assembleia Legislativa, mediante a confecção de notas fiscais ideologicamente falsas;

A Assembleia Legislativa, por ordem de JOSÉ

GERALDO RIVA, procedia aos pagamentos dos valores constantes nas notas, ainda que sem receber qualquer mercadoria;

O valor recebido pelas empresas fantasmas e seus

representantes legais era parcialmente revertido (88%) em beneficio de JOSÉ GERALDO RIVA ou de terceiros por ele indicados, tanto em forma de entrega em dinheiro vivo, como em forma de transferência entre titularidades diversas.

Além dos levantamentos efetuados por meio de quebras de sigilo bancário que apontam para essa constatação, tem-se o relatório n.

015/GAECO/2009, produzido por agentes do GAECO que,

puderam constatar que no dia 08/10/2009 foi sacado da conta corrente da

empresa REAL COMÉRCIO o valor de R$ 148.000,00 e entregue na mesma data, por ELIAS NASSARDEN, para EDEMAR NErOR

in loco,

Selma Ros

os Arruda za de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 'P. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

ADAMS, fato sobre o qual os agentes discorreram pormenorizadamente em audiência, como já pude citar.

Outro fato que merece destaque, que foi registrado pelos agentes do GAECO, cujo relatório materializa o modus operandi dos envolvidos é que, em 19/10/2009, LEONARDO MAIA PINHEIRO, também réu na ação principal, promoveu um saque em dinheiro na agência do Banco do Brasil da Av. Couto Magalhães, em Várzea Grande, região metropolitana, saindo de lá de posse de uma maleta. Em seguida dirigiu-se até o estacionamento do Supermercado Big Lar daquela urbe, quando ali chegou ELIAS NASSARDEN, para quem LEONARDO teria repassado tal maleta. ELIAS, por sua vez, deslocou-se até a residência de EDEMAR NESTOR ADAMS, Ed Monreale, sito à Rua Estevão de Mendonça 1021, Bairro Quilombo, nesta Capital. Lá, a equipe constatou que ELIAS ingressou com a pasta e retornou, posteriormente, sem ela.

Tais fatos não se encontram apenas no relatório e na memória dos policiais que participaram das investigações. Foram também confessados por ELIAS NASSARDEN e confirmados por CLEONICE ADAMS, conforme já narrei acima.

Há documentos nos autos anexos (n. 14545- 88.2008.811.0042) que comprovam que entre as empresas apontadas na denúncia e a Assembleia Legislativa, então comandada por J GERALDO RIVA, foram celebradas 18 cartas-convite (ns. 08/ 17/05,

Selma Rosane San os Arrud e Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO

7g

VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ

VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

22/05, 32/05, 35/05, 52/05, 78/05, 124/05, 02/06, 05/06, 07/06, 09/06,

95/06), 04 pregões presenciais (ns.

08/05, 08/06, 01/07 e 02/08)„ um contrato (n. 15/SG- ALMT/06), uma

concorrência pública (n. 05/04) e uma Ata de registro de preço (n.

003/2005).

11/06, 75/06, 84/06, 86/06, 92/06 e

A análise de tais documentos indica que a empresa LIVROPEL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA. recebeu, entre 2005 e 2007, período em que JOSÉ GERALDO RIVA era o 1°. Secretário da ALMT, dos cofres da Assembleia Legislativa de Mato

Grosso a quantia de R$ 12.561.059,01 (doze milhões, quinhentos e sessenta

e um mil, cinquenta e nove reais e um centavo).

Neste caso, restou evidenciada a prática de crime de peculato por 05 (cinco) vezes, conforme documentos de fls. 3400/5490 dos autos apensos n. 14545-88.2008.811.0042, por meio da celebração dos contratos fraudulentos: cartas convite ns. 08/05, 22/05, 02/06, 11/06 e pregão presencial n. 01/07.

Quanto à empresa HEXA COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA, tem-se que entre 2005 e 2007 recebeu, mediante

simulação de vendas à ALMT, o valor de R$ 15.177.846,25 (quinze milhões, cento e setenta e sete mil, oitocentos e quarenta e seis reais e vinte

e cinco centavos), mediante a prática de crime de peculato por 04 óffi tro vezes), como se vê nos autos às fls. 3503/4824 dos autos apen n 1445-

Se1maRos,tos rruda i uíza de 'reito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 72. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

88.2008.811.0042, os quais se referem às cartas convite ns.78/05, 05/06 e 86/06 e ao pregão presencial n. 01/07.

Em relação à empresa AMPLO COMÉRCIO DE SERVIÇOS E REPRESENTAÇÕES, entre os anos de 2005 e 2006, verifica-se que recebeu indevidamente dos cofres da ALMT a quantia de R$ 4.717.700,40 (quatro milhões, setecentos e dezessete mil, setecentos reais e quarenta centavos), pelo mesmo modus operandi, quando foi praticado crime de peculato por 08 (oito) vezes, em desfavor da ALMT.

Esses crimes estão constatados por meio da análise dos documentos que estão nos autos apensos, às fls. 3407/5370, sempre nos que dizem respeito às cartas convite ns. 17/05, 32/05, 35/05, 09/06 e 95/06, bem como nos pregões presenciais de ns. 08/05 e 08/06, além do contrato 15/SG- ALMT/06.

Já em face da empresa SERVAG COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. descortinou-se a prática de peculato por 09 (nove) vezes, em desfavor da ALMT, que resultaram no desvio da importância de R$ 4.751.580,88 (quatro milhões, setecentos e cinquenta e um mil, quinhentos e oitenta reais e oitenta e oito centavos).

Com esta empresa a ALMT simulou• a celebração dos seguintes contratos administrativos: cartas convite ns. 52/05, 124/05, 07/

Selma Rosan

rruda

ireito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO r. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

75/06, 84/06, 92/06; concorrência pública n. 05/04, Ata de registro de preço n. 03/05 e pregão presencial n. 02/08.

O crime de formação de quadrilha restou perfeitamente

caracterizado, eis que JOSÉ GERALDO RIVA agiu em conluio com vários agentes públicos, dos quais era o líder, determinando a cada um a realização de tarefa capaz de garantir o sucesso da empreitada criminosa.

Ainda que nestes autos não seja possível nominar tais comparsas, já que a

responsabilidade de cada um está sob apuração em outro processo, resta certo que havia mais de quatro integrantes e que agiram de modo estável e

permanente, durante vários anos, sempre tendo como palco e alvo a Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

O número superior a três componentes resta evidenciado,

posto que nestes autos há a confissão de JOSÉ GERALDO, que é corroborada e ratificada por EMAS NASSARDEN, ambos referindo-se a um "esquema" que envolvia não apenas servidores da Assembleia Legislativa, mas também outros empresários e até mesmo outros deputados.

Fulcrada em todos os elementos de prova vindos aos autos, desde os depoimentos testemunhais, a coleta da prova documental, as análises bancárias, as palavras dos colaboradores, devidamente corroboradas e a própria confissão do réu, não há outro caminho s condenação.

o a

Selma Ro

Sa os Ar uda za de Di eito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 74. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Ao contrário do que pretendem tanto o Ministério Público quanto a defesa, o caso presente retrata o uso continuado de algumas empresas fantasmas para a prática de diversos peculatos.

Os fatos ocorreram entre os anos de 2005 e 2009, sempre tendo como cenário e vitima a Assembleia Legislativa de Mato Grosso e as quatro empresas pertencentes ou ligadas às mesmas pessoas: LIVROPEL, HEXA, AMPLO e SERVAG, que apenas eram alternadas durante o período em que os crimes foram praticados. Os crimes envolveram quase sempre os mesmos agentes.

Durante anos a fio, a Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso foi assacada sem piedade pelo acusado, mediante a utilização de várias empresas fantasmas e da simulação de contratação de serviços ou aquisição de bens.

Foram 26 (vinte e seis) desvios praticados envolvendo as quatro empresas aqui citadas, que resultaram em prejuízo ao erário de aproximadamente quarenta milhões de reais em valores da época.

Mais do que isso: nesta unidade judiciária tramitam dezenas de processos tratando de outros desvios praticados em situação semelhante, relativamente aos quais o próprio JOSÉ GERALDO també confesso. ,

Selma Rosan

Arru a

Direito

tÇô5I

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO r. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Trata-se, portanto, de um contexto muito maior que retrata que os crimes foram praticados durante anos a fio, visando verdadeira

sangria nos cofres da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Segundo Heleno Fragoso a continuidade delitiva é uma ficção jurídica criada quando há pluralidade de crimes, sempre conferindo ênfase à unidade de desígnios.

No caso em questão, trata-se da prática de crimes da mesma espécie, idênticos, todos previstos no mesmo tipo penal (art. 312 do CP).

Todos foram praticados nas mesmas condições de tempo, ou seja, o caso preenche o requisito temporal exigido pelo artigo 71 do Código Penal. Houve uma certa continuidade no tempo, uma periodicidade que faz perceber que se tratava de ações sucessivas, praticadas sempre com o uso das empresas nominadas nesta decisão, em espaços temporais bastante curtos.

Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça:

Tratando-se de crimes da mesma espécie e cometidos em lapso inferior a 30 dias não há o que ser alterado no acórdão recorrido, aplicando-se a

súmula 83/STJ (Agrg no ARE-sp 468.460/MG, REL. Min. Sebastião Júnior, 08.05.2014).

Selma Rosa

a de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7!. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Além disso, vejo que o critério das condições de espaço também previsto no artigo 71 foi devidamente preenchido neste, caso já que todos os delitos foram praticados no mesmo palco, tal seja, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

A forma de execução dos delitos, contudo, variou de acordo com cada empresa utilizada.

Assim, no que diz respeito aos crimes de peculato, o modus operandi era a simulação de aquisição de mercadoria mediante fraude à licitação, que gerava a emissão de notas fiscais por parte de empresas fantasmas, que por conseguinte eram falsamente atestadas por terceiros, gerando pagamento pela Assembleia às tais empresas fantasmas, que em seguida devolviam boa parte dos valores ao próprio réu ou ao Secretário Geral da ALMT.

Então, a conclusão é que a forma pela qual o réu praticou o crime de peculato não variou, exceto em relação às empresas utilizadas para a prática dos ilícitos, bem como em face do modo como eram fraudadas as contratações, segundo a natureza e o objeto de cada empresa utilizada.

Trata-se, pois, de vários crimes continuados, praticado mediante R utilização de várias empresas fantasmas.

Selma Rosa

Arruda

e DireitO

Kon

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7{1. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Tenho, pois, que JOSÉ GERALDO RIVA encontra-se

incurso em:

Artigo 312 "caput" do CP por 05 (cinco) vezes, em continuidade delitiva, utilizando-se da empresa LIVROPEL LTDA.;

Artigo 312 "caput" do CP por 04 (quatro) vezes, em continuidade delitiva, utilizando-se da empresa HEXA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Artigo 312 "caput" do CP por 08 (oito) vezes, em continuidade delitiva, utilizando-se da empresa AMPLO COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA. Artigo 312 "caput" do CP por 09 (nove) vezes, em continuidade delitiva, utilizando-se da empresa SERVAG - COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA.

Tais crimes foram praticados em concurso material em relação a cada uma das empresas envolvidas e em concurso material com o crime tipificado no artigo 288 "caput" do CP (redação vigente à época do fato).

A denúncia narra, ainda, que JOSÉ .GERALDO RIVA ocupava o cargo de 1°. Secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso e que assim agiu tomando proveito do cargo que exercia em seu beneficio e em beneficio de terceiros.

Selma Rosa

s Arru a za de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7a. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Tais •assertivas são repetidas nas alegações finais, especialmente quando a acusação faz referência à. confissão operada por JOSÉ GERALDO RIVA.

O próprio JOSÉ GERALDO RIVA confessa ter praticado os delitos na qualidade de Presidente da Assembleia ou de 1°. Secretário daquela Casa de Leis, ou seja, como gestor/dirigente/responsável pela instituição que representava.

Tenho, assim, que a causa de aumento de pena prevista no artigo 327 do Código Penal está suficientemente descrita na denúncia, ainda que não expressamente referida na tipificação inicial.

Verifico, pois, que as provas dos autos, todas as já citadas exaustivamente acima, especialmente a confissão do réu, corroborada pelas colaborações e pelas oitivas de testemunhas, bem como pelos documentos trazidos, apontam para JOSÉ GERALDO RIVA como o líder de todo o esquema criminoso.

Isto posto, forte na fundamentação supra, JULGO PROCEDENTE A DENÚNCIA formulada em desfavor de JOSÉ GERALDO RIVA, qualificado nos autos, CONDENANDO-0 como incurso nas sanções dos seguintes dispositivos penais: artigo 312 "caput" do CP por 05 (cinco) vezes, cc. art. 71 CP (LIVROPEL LTDA.) em concurso material (art. 69 CP) com o artigo 312 "caput" do CP por 4

Selma Rosane 'antes rruda

Ju

Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7a. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

(quatro) vezes, cc art. 71 CP (HEXA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA), em concurso material (art. 69 CP) com artigo 312 "caput" do CP por 08 (oito) vezes, cc art. 71 CP (AMPLO COMÉRCIO DE SERVIÇOS LTDA.) e em concurso material (art. 69 do CP) com o artigo 312 "caput" do CP por 09 (nove) vezes, cc art. 71 do CP (SERVAG -COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA.), todos na forma do artigo 327, § 2°. do CP e, finalmente, em concurso material (art. 69 do CP) com o artigo 288 do CP.

Passo, portanto, a dosar-lhe as penas:

JOSÉ GERALDO RIVA é primário. Todavia, quando praticou esses delitos, embora ostentasse ficha criminosa intacta, já havia praticado vários outros da mesma natureza, também em desfavor da Assembléia Legislativa, que culminaram na investigação e posterior deflagração da Operação Arca de Noé. Os crimes tratados nestes autos, portanto, não foram os primeiros que JOSÉ GERALDO praticou. Cometeu os crimes por ganância, fazendo da vida política um meio de locupletamento ilícito. Tratava a coisa pública como se sua fosse, ora praticando os desvios em favor próprio, ora para aquisição de bens, ora para quitação de dívidas ilicitamente contraídas dyrante a campanha eleitoral (caixa 2) e ora beneficiando comparsas. JOSÉ' GERALDO RIVA tem formação superior, portanto, tem entendimento suficiente da ilicitude de seus atos, de modo que tenho que praticou os crimes com dolo dir intenso. Sua vida familiar é aparentemente normal e seu re

Selma Ros

os Ar da iza de Dirieto

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7E. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

social foi maculado diante da descoberta da prática de tais ilícitos. Aliás, utilizava-se de palie dos valores desviados para projetar-se socialmente, ora financiando formaturas, enterros, solenidades em que seu nome pudesse ser lembrado, visando êxito político posterior. Não há dados concretos que me façam aquilatar sua personalidade, embora já tenha deixado bem claro que é pessoa extremamente gananciosa e relativiza seus escrúpulos quando se trata de enriquecer. Todavia, durante o interrogatório foi colaborativo e mostrou-se de certa forma arrependido, ainda que tal arrependimento possa ter se ocasionado apenas por conta da estratégia defensiva que adotou ao final do trâmite deste processo. Auxiliou na descoberta da verdade, quando apontou para outros comparsas, mas isentou de culpa outros tantos envolvidos nos fatos ilícitos em apuração. A nocividade da ação do réu foi além dos fatos por ele praticados, já que, tratando-se de líder político, utilizava dos próprios desvios para alimentar suas campanhas eleitorais e retroalimentava sua permanência no poder. O prejuízo causado ao erário foi milionário, conforme já apontei nesta decisão e até agora o Estado não foi ressarcido.

As circunstâncias do artigo 59 do Código Penal em relação ao condenado são, pois, preponderantemente desfavoráveis.

Assim, para os crimes de peculato praticados mediante o uso da empresa LIVROPEL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, responsável por grande parte do dano causado erário (R$ 12.561.059,01, em valores da época), fixo a pena-ba je

Selma Rosane

rruda

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7!. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

(quatro) anos de reclusão e 90 (noventa) dias-multa, fixado cada dia-multa

em 1/2 do salário mínimo vigente à época do fato, a ser corrigido quando do efetivo recolhimento.

Uma vez que o réu confessou os crimes praticados, atenuo- lhe a pena em 06 (seis) meses de reclusão e 10 (dez dias-multa), resultando

assim em 3 (três) anos e 06 (seis) meses de reclusão e 80 (oitenta dias- multa).

Com relação à atenuante da confissão, devo esclarecer que não se trata de verdadeira delação, como quer a defesa, mas de mera aplicação do disposto no artigo 65, III "d" do Código Penal. E explico o motivo:

A Lei de Proteção a Vitimas e Testemunhas (Lei n. 9.807/99) prevê a concessão de regalias aos réus que efetivamente colaborarem na identificação de comparsas e no deslinde dos processos.

Vejamos:

Art. 13. Poderá o juiz, de oficio ou• a requerimento das partes, conceder o perdão judicial e a consequente extinção da punibilidade ao acusado que, sendo primário, tenha colaborado efetiva e voluntariamente com a investigação e o processo criminal, desde que colaboração tenha resultado:

Selma Rosan

s Arru a a de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7§. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

- a identificação dos demais coa utores ou partícipes da

ação criminosa;

II - a localização da vítima com a sua integridade física

preservada;

III - a recuperação total ou parcial do produto do crime.

Parágrafo único. A concessão do perdão judicial levará em conta a personalidade do beneficiado e a natureza, circunstâncias, gravidade e repercussão social do fato criminoso.

Art. 14. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais coa utores ou partícipes do crime, na localização da vitima com vida e na recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um a dois terços.

Ocorre que o réu José Geraldo Riva, embora confesse os fatos praticados e aponte para alguns comparsas, não colaborou efetivamente para o processo criminal. Com efeito, as provas até aqui colhidas, especialmente as documentais, por si sós, já o levariam à condenação.

Selma RosaneArruda Direito

ifb5-5

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Na verdade, se excluirmos a confissão/delação praticada pelo réu José Geraldo destes autos, não teríamos desfecho muito diferente do que o que ora se desenha.

Além disso, embora tenha confessado, o réu o fez apenas em sede de reinterrogatório, quando toda a instrução processual já havia decorrido e todas as provas já apontavam para a sua condenação.

Ora, a lei dispõe que a colaboração deva servir para identificar coautores. No caso, José Geraldo, em seu interrogatório, apenas aponta para pessoas que já estão identificadas, foram denunciadas e já respondem a processos nesta vara. Não há colaboração na fala de José Geraldo.

Não há novidades, mas tão-somente a narrativa de fatos já provados, com a confirmação de que os coautores indicados na denúncia efetivamente participaram do enredo criminoso.

1

José Geraldo pretende beneficiar-se de uma delação tardia, que nada de relevante acrescenta na descoberta dos fatos. Age desta forma apenas como estratégia de defesa, no claro intuito de beneficiar-se com redução de pena, tanto que o fez somente agora, depois de anos de tramitação processual.

Selma

antos Arruda Juíza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO r. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

POr fim, José Geraldo Riva não restituiu nenhum centavo aos cofres públicos, nem se propôs a fazê-lo, de modo que é incabível a aplicação do instituto apontado pela defesa.

Portanto, a confissão operada deve ser levada em consideração, porém apenas e tão-somente como atenuante, na forma do que preceitua o artigo 65, III "d" do Código Penal Brasileiro.

É exatamente neste sentido o entendimento jurisprudencial

mais abalizado:

APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO CIRCUNSTANCIADO

- TENTATIVA - RECONHECIMENTO - IMPOSSIBILIDADE — INVERSÃO DA POSSE - PENA-BASE - FIXAÇÃO ACIMA DO PATAMAR MÍNIMO LEGAL - ADMISSIBILIDADE - EXISTÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS - PRIMARIEDADE E BONS ANTECEDENTES DOS ACUSADOS - IRRELEVÂNCIA — CONFISSÃO

ESPONTÂNEA - RECONHECIMENTO - DELAÇÃO PREMIADA — NÃO CARACTERIZAÇÃO. -O delito de roubo se consuma no instante em que o agente se torna, mesmo que por pouco tempo, possuidor da 'res' subtraída. Assim, evidenciada a inversão da posse, após cessada a violência/grave ameaça, inviável o reconhecimento da modalidade tentada do roubo. —A primariedade e bons antecedentes dos acusados, por si sós, não autorizam

a fixação da reprimenda básica no patamar mínimo previsto, quan

existem outras circunstâncias judiciais desfavoráveis, como no 'çaso em

7.

Selma Rosane

anos Arruda

e Direito

Vo5t

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

apreço, em que afixação da sanção básica ultrapassou o patamar mínimo

estabelecido em lei, em razão da culpabilidade extremada dos réus, além das circunstâncias e conseqüências do delito. -Se a confissão do acusado

foi utilizada para corroborar o acervo probatório e fundamentar a condenação, deve incidir a atenuante prevista no artigo 65, III, d, do

Código Penal, sendo irrelevante o fato de tal confissão ter sido

espontânea, total ou parcial, ou mesmo que tenha havido posterior retratação. - Não há que se falar em delação premiada se os réus não

colaboraram para a identificação dos demais autores do delito, sendo que os objetos recuperados foram apenas os que estavam em poder deles no momento da prisão em flagrante. (grifei) (TJ-MG - APR:

10621130016002001 MG, Relator: Beatriz Pinheiro Caires, Data de Julgamento: 28/08/2014, Câmaras Criminais/ 2' CÂMARA CRIMINAL, Data de Publicação: 08/09/2014).

PENAL E PROCESSUAL PENAL. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO MATERIALIDADE E AUTORIA DEMONSTRADAS. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO CONSUNÇÃO MAJORANTE DO EMPREGO DE

ARMA CONFIGURADA. DOSIMETRIA. ANALOGIA ENTRE CONFISSÃO ESPONTÂNEA E DELAÇÃO PREMIADA.

IMPOSSIBILIDADE. CONFISSÃO ESPONTÂNEA E REINCIDÊNCIA. RÉU MULTIREINCIDENTE. PREPONDERÂNCIA DA AGRAVANTE. CAUSAS DE AUMENTO DO ROUBO MAJORAÇÃO ACI DO MÍNIMO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. PENA t 1 C

Selma Ru - tifos A ;rada

Juíza de Direito

il

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

READEQUAÇÃO PROPORCIONAL. 1. Comprovado por meio de provas documentais e testemunhais que os réus, em unidade de desígnios, mediante grave ameaça exercida com o emprego de arma de fogo, subtraíram o veículo da vítima, bem como que um dos réus portava uma carteira de identidade falsa no momento da prisão em flagrante, é de ser mantida a condenação quanto aos crimes de roubo majorado e falsificação de documento. 2. Comprovado que o réu forneceu sua fotografia para adulteração de carteira de identidade, na qual consta o nome e dados de outra pessoa, caracterizado está o crime previsto no art. 297, do Código Penal. 3. Se o porte ilegal da arma de fogo e o roubo ocorreram em um único contexto fático e temporal, com nexo de dependência entre as condutas delituosas, quando os réus ainda se encontravam em situação de flagráncia, a aplicação do princípio da consunção é medida que se impõe. 4. Eventual falha apresentada pela arma no momento da abordagem da vítima pelos assaltantes não tem o condão de afastar a causa de aumento do delito de roubo, tendo em vista que a potencialidade lesiva do artefato foi devidamente constatada por perícia técnica. 5. Carece de plausibilidade jurídica a adoção, por analogia, dos vetores da delação premiada, previstos em legislação extravagante, para o regramento da atenuante da confissão espontânea. 6. Inviável a compensação da atenuante da confissão pela agravante da reincidência, em se tratando de réu multireincidente. 7. A presença de duas ou mais causas especiais de aumento somente autoriza a majoração da pena acima do mínimo legal, na terceira fase da dosimetria, em circunstáncias excepcionais como,a utilização de um elevado número de agentes ou de armas de gr

Selma Rosane

rrud

e Direit

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 'P. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

calibre, o que não ocorreu no caso concreto. 8. A pena pecuniária merece readequação quando se encontra em desproporcionalidade com a sanção corporal. 9. Recursos conhecidos. Negou-se provimento ao recurso do réu Júnior Gonçalves. Deu-se parcial provimento aos recursos da acusação e dos demais acusados. (grifei) (TJ-DF - APR: 20140510082186, Relator:

Data de Publicação: Publicado no DJE : 10/08/2015 . Pág.: 136)

APELAÇÃO CRIMINAL - USURA — EMPRÉSTIMO ENTRE PARTICULARES - DELITO CARACTERIZADO - EXTORSÃO - SENTENÇA CONDENA TÓRIA - ABSOLVIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE - ELEMENTOS PROBATÓRIOS SUFICIENTES QUANTO À AUTORIA E MATERIALIDADE DO DELITO - DESCLASSIFICAÇÃO DO CRIME DE EXTORSÃO PARA CONSTRANGIMENTO ILEGAL - POSSIBILIDADE - AUSÊNCIA DE VANTAGEM INDEVIDA - APLICAÇÃO DAS ATENUANTES DE CONFISSÃO ESPONTÂNEA E DELAÇÃO PREMIADA - ATENUANTES NÃO RECONHECIDAS. A configuração do crime de usura decorre da cobrança de juros excessivos, não da pluralidade de vítimas. A palavra vítima em consonância com o relato das testemunhas e demais provas produzidas nos autos, bem demonstrando a autoria e a materialidade do delito imputado aos recorrentes desautoriza o acolhimento da tese absolutória sob fundamento jurídico de insuficiência probatória. Ausente a comprovação do elemento subjetivo — vantagem indevida - do crime de extorsão, impõe-se a desclassificação para o crime de constrangimento ilegal. É inviável a incidência, da atenuante da confissão espontânea, nos termos do art. 65, inciso I, alí - • d, do

se o

Selm aue_Santos Arruda

Juíza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 71*. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

agente não reconheceu a prática do crime a ele imputado. (HC

150.408/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em

18-3-2010, DJe 12-4-2010). O instituto da delação premiada incide

quando o Réu colabora voluntariamente e de forma efetiva na

investigação policial ou no processo criminal, devendo tal testemunho vir

acompanhado da admissão de culpa e servir, ainda, para a identificação

dos demais coautores ou partícipes e na recuperação do produto do

crime, o que não ficou evidente nos autos. (Ap 35078/2010, DES.

JUVENAL PEREIRA DA SILVA, PRIMEIRA CÂMARA CRIMINAL,

Julgado em 03/05/2011, Publicado no DJE 17/05/2011 - grifei)

PENAL. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES.

MAUS ANTECEDENTES. AUMENTO DA PENA-BASE E NÃO

APLICAÇÃO DA CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA DO ART 33, § 40,

DA LEI N° 11.343/2006. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM

ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA E DELAÇÃO PREMIADA.

1. O art. 59 do Código Penal prevê, dentre as circunstâncias judiciais a

serem observadas pelo magistrado, para a fixação da pena-base, os

antecedentes criminais do réu, que correspondem a todos os fatos penais

pretéritos ao crime praticados pelo réu, e que são verificados na 1 a fase do

processo de fixação da pena. 2. A causa especial de diminuição da pena

disposta no art. 33, § 4o, da Lei n° 11.343/2006 exige, para a sua

incidência, a presença cumulativa dos seguintes requisitos: primariedade e

bons antecedentes do agente e que este não se dedique a atividades

criminosas e nem integre organização criminosa. 3. A consideração acerca f "\

Selma Rosane tos Arruda

Ju

reito

15o 51

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 72. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

da primariedade e dos bons antecedentes do réu defluem da própria

exigência legal para a aplicação da minorante, e são analisadas na 3a fase

do processo de dosimetria da pena, tratando-se, pois, de circunstância que atua como causa diferente em relação à primeira, não se configurando bis

in idem. 4. Muito embora a delação premiada seja, normalmente,

precedida da confissão espontânea do delito pelo réu, a primeira dirige-se

à identificação dos demais coautores e participes do crime, bem como à recuperação total ou parcial do seu produto, enquanto a atenuante da

confissão espontânea constitui o reconhecimento da autoria do delito,

onde o agente admite contra si, voluntária, expressa e pessoalmente, a prática de algum fato criminoso. 5. Nos termos do art. 65 do Código Penal, a confissão espontânea é circunstância que sempre atenua a pena,

sendo aplicada na 2a fase do processo de individualização da pena,

enquanto a delação premiada, como causa de diminuição de pena, é considerada na 3a fase. 6. Recurso parcialmente provido. (grifei - TRF-2 -

APR: 200951018044270, Relator: Desembargadora Federal LILIANE RORIZ, Data de Julgamento: 09/03/2010, SEGUNDA TURMA ESPECIALIZADA, Data de Publicação: 15/03/2010)

Considerando a continuação prevista no artigo 71 do CP e verificando que se trata de 05 crimes praticados ao longo de dois anos

(2005 a 2007), aumento a pena em 1/3 (um terço), restando assim fixada

em 04 (quatro) anos e 08 (oito),nfeses de reclusão e 106 (cento e seis) e . - multa.

Selma Ro

os Ar uda uíza de Dá.eito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Verificando a causa de aumento de pena prevista no parágrafo 2°. do artigo 327 do Código Penal, aumento-a novamente na terça parte, resultando assim definitivamente fixada em 6 (seis) anos, 02 (dois) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e 141 (cento e quarenta e um) dias-multa.

Já para os crimes de peculato praticados com uso da empresa HEXA COMÉRCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA., considerando que estes foram os delitos que mais dano causaram ao erário (R$ 15.177.846,25, em valores da época), fixo a pena-base em 04 (quatro) anos e 03 (três) meses de reclusão e 120 (cento e vinte) dias-multa, fixado cada dia-multa em 1/2 do salário mínimo vigente à época do fato, a ser corrigido quando do efetivo recolhimento.

Uma vez que o réu confessou os crimes praticados, atenuo- lhe a pena em 06 (seis) meses de reclusão e 10 (dez dias-multa), resultando assim em 3 (três) anos e 09 (nove) meses de reclusão e 110 (cento e dez dias-multa).

Considerando a continuação prevista no artigo 71 do CP e verificando que se trata de 04 crimes praticados ao longo de dois anos (2005 a 2007), aumento a pena em 1/3 (um terço), restando assim fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e 146 (cento e quarenta e seis) dias-multa.

Selma Rosan

Arr

da

e Dir

ito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 74. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Iroç cf

(

Verificando a causa de aumento de pena prevista no parágrafo 2°. do artigo 327 do Código Penal, aumento-a novamente na terça parte, resultando assim definitivamente fixada em 6 (seis) anos e 08 (oito) meses de reclusão e 194 (cento e noventa e quatro) dias-multa.

Para os crimes praticados mediante a utilização fraudulenta d'a empresa AMPLO COMÉRCIO DE SERVIÇOS E

REPRESENTAÇÕES LTDA., também verificando o montante do prejuízo causado ao erário (R$ 4.717.700,40, valor da época), fixo a pena- base em 03 (três) anos e 06 (seis) meses de reclusão e 90 (noventa) dias-

multa, fixando cada dia-multa em 1/2 do salário mínimo vigente na época do fato, a ser corrigida até o efetivo recolhimento.

Uma vez que o réu confessou os crimes praticados, atenuo- lhe a pena em 06 (seis) meses de reclusão e 10 (dez dias-multa), resultando assim em 3 (três) anos de reclusão e 80 (oitenta dias-multa).

Considerando a continuação prevista no artigo 71 do CP e verificando que se trata de 08 crimes praticados ao longo de dois anos

(2005 e 2006), aumento a pena em 1/2, ou seja, na metade, restando assim fixada em 04 (quatro) anos e 06 (seis) meses de reclusão e 120 (cento e 'vinte) dias-multa.

Selma Ro

ali: Sai

os Ar uda

uiza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7a. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Verificando a causa de aumento de pena prevista no parágrafo 2°. do artigo 327 do Código Penal, aumento-a na terça parte, resultando assim definitivamente fixada em 6 (seis) anos de reclusão e 160 (cento e sessenta) dias-multa.

Finalmente, em relação aos crimes praticados mediante a utilização fraudulenta da empresa SERVAG-COMÉRCIO, REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. igualmente levando em consideração, além dos fatores já elencados ao inicio da dosimetria, que tais crimes causaram ao erário dano de grande monta (R$ 4.751.580,88, valor da época), fixo a pena-base em 03 (três) anos e 06 (seis) meses de reclusão e 90 (noventa) dias-multa, fixando cada dia-multa em 1/2 do salário mínimo vigente na época do fato, a ser corrigida até o efetivo recolhimento.

Uma vez que o réu confessou os crimes praticados, atenuo- lhe a pena em 06 (seis) meses de reclusão e 10 (dez dias-multa), resultando assim em 3 (três) anos de reclusão e 80 (oitenta dias-multa).

Considerando a continuação prevista no artigo 71 do CP e verificando que se trata de 09 crimes praticados ao longo de quatro anos (2004 e 2008), aumento a pena em 'A, ou seja, na metade, restando assim fixada em 04 (quatro) anos e 06 (seis) meses de reclusão e 120 (cento e vinte) dias-multa.

Selma Rosa

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7!. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Verificando a causa de aumento de pena prevista no parágrafo 2°. do artigo 327 do Código Penal, aumento-a na terça parte, resultando assim definitivamente fixada em 6 (seis) anos de reclusão e 160 (cento e sessenta) dias-multa.

Para o crime de formação de quadrilha l2, fixo a pena-base em 02 (dois) anos de reclusão.

Considerando que JOSÉ GERALDO RIVA confessou a prática dos crimes a ele imputados, inclusive o fato de tratar-se de pluralidade de agentes (mais de três), bem como do fato de que a associação era perene, tanto que praticou crimes durante vários anos, reduzo a reprimenda em 03 (três) meses de reclusão, resultando assim definitivamente fixada em 01 (um) ano e 09 (nove) meses de reclusão.

Somadas, resultam as penas ora fixadas em 26 (vinte e seis) anos, 07 (sete) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e 655 (seiscentos

e

cinquenta e cinco) dias-multa.

A teor do que dispõe o artigo 33, "a" do Código Penal, fixo

o

regime inicial a ser cumprido no fechado.

12 Atualmente o tipo penal é Associação Criminosa. A redação do caput do artigo 288 do CP na época s falos

narrados na denúncia era a seguinte: Quadrilha ou bando - Art. 288 - Associarem-se mais e três p ss as em quadrilha ou bando, para o Jim de cometer crimes: Pena- reclusão, de um a três anos.

Selma R

S tos

rruda

Juiza de

ireito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Já que responde ao processo em liberdade, inexistindo

causa para a decretação da custódia cautelar, defiro-lhe o direito de assim apelar.

A multa, já fixada, será recolhida na forma do que dispõem

os artigos 49 e seguintes do CP.

Condeno-o, ainda, ao pagamento de indenização ao erário no valor de R$ 37.208.186,54, eis que comprovadamente este valor foi desviado dos cofres da Assembleia Legislativa de Mato Grosso a seu mando, sob suas ordens e em seu favor.

Ainda que se acolha a alegação de que muitas vezes utilizava o dinheiro para o pagamento de "mensalinhos" aos demais deputados, é certo que o réu JOSÉ GERALDO o fazia para obter vantagens, seja de cunho político, seja de cunho financeiro. Assim, foi ele o beneficiário dos desvios praticados e, por isso, deve ressarcir o dano causado.

O valor ora estipulado deverá ser corrigido desde a

denúncia até o efetivo pagamento.

Esclareço que deixo de condená-lo ao pagamento de correção monetária a partir da data de cada desvio, posto que, em

Selma Rosa

Arru a de Dire to

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7§. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

penal, o juiz deve fixar valor mínimo para a reparação do dano causado, restando a diferença a ser pleiteada na esfera cível pelo Ministério Público.

Pelo mesmo motivo, deixo de condená-lo ao pagamento de danos morais coletivos, até porque o Ministério Público não logrou trazer aos autos provas suficientes de que a ação do réu causou prejuízos de tal monta A. coletividade.

A doutrina, a respeito, define o dano moral como a ofensa de cunho extrapatrimonial aos direitos personalíssimos da vítima, causando-lhe transtorno intolerável sem que isso implique,

necessariamente, um prejuízo de ordem material. Como bem o define Carlos Roberto Gonçalves13:

"Dano moral é o que atinge o ofendido como pessoa, não lesando seu patrimônio. É lesão de bem que integra os direitos da personalidade, como a honra, a dignidade, intimidade, a imagem, o bom nome, etc., como se infere dos art. 1°, III, e 5°, V e X da Constituição Federal, e que acarreta ao lesado dor, sofrimento, tristeza, vexame e humilhação"

De modo semelhante o apresenta Silvio de Salvo Venosam:

13 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro. 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 20 8. v. IV,

p.359.

14 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil O Responsabilidade Civil. São Paulo: Atlas, 20 . 3'34.

Selma R

ntos iVTuda Juiza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Dano moral é o prejuízo que afeta o ânimo psíquico,

o dano moral abrange também os direitos

de personalidade, direito à imagem, ao nome, à privacidade, ao próprio corpo etc. Por essas premissas, não há que se identificar o dano moral com

a dor física ou psíquica. Será moral o dano que ocasiona um distúrbio

anormal na vida de um indivíduo; uma inconveniência de comportamento ou, como definimos, um desconforto comportamental a ser examinado em cada caso.

moral e intelectual da vítima (

)

Ainda vale a pena conferir a lição do autor português Inocêncio Galvão Telles15:

Há a ofensa de bens de caráter imaterial - desprovidos de conteúdo econômico, insusceptíveis verdadeiramente de avaliação em

dinheiro. São bens como a integridade física, a saúde, a correção estética,

a liberdade, a reputação. A ofensa objectiva desses bens tem, em regra, um

reflexo subjectivo na vítima, traduzido na dor ou sofrimento, de natureza fisica ou de natureza moral". "Violam-se direitos ou interesses materiais, como se se pratica uma lesão corporal ou um atentado à honra: em primeira linha causam-se danos não patrimoniais, v.g., os ferimentos ou a diminuição da reputação, mas em segunda linha podem também causar-se danos patrimoniais, v.g., as despesas de tratamento ou a perda de emprego.

15 TELLES, Inocêncio Gabião. Direito das Obrigações Coimbra Editora, 69 edição, p.

Selma R

tos ruda uiza de Direito

PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DE MATO GROSSO 7. VARA CRIMINAL DA COMARCA DE CUIABÁ VARA ESPECIALIZADA CONTRA O CRIME ORGANIZADO CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA E ECONÔMICA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRIMES DE LAVAGEM DE DINHEIRO

Não trouxe o Ministério Público elementos suficientes para

embasar condenação nesse sentido, o que poderá ser pleiteado, sem dúvida,

em Ação Civil Pública, oportunamente, foro, aliás, que considero o

competente para arbitramentos desta natureza.

Há medida liminar de sequestro de bens deferida nos autos

ID 405884, visando exatamente a garantia do ressarcimento ao erário.

Naqueles autos tais bens serão levados a leilão, por determinação

autônoma.

Transitada em julgado a sentença em segundo grau,

expeça-se guia de execução e remeta-se ao Juizo competente para

cumprimento das penas.

Transitada definitivamente em julgado, lance-lhe o nome

no rol dos culpados.

Custas pelo condenado.

Lançada esta decisão no Sistema Apolo estará registrada.

Publique-se. Intimem-se. Cumpra-se.

Cuiabá, 02 de março de 2018.

SELMA ROS • 1 JUíZ •iP l

SAN OS RRUDA

Selma Rosane Santos Arruda Juiza de Direito