Você está na página 1de 23

ÍNDICE

• EM QUE CONSISTE A TÉCNICA DA CONDENSAÇÃO?................................................... 4

• EM QUE DIFERE UMA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO


DE UMA CALDEIRA CONVENCIONAL?............................................................................ 6

• QUANTO MAIS EFICIENTE É UMA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO


RELATIVAMENTE A UMA CALDEIRA CONVENCIONAL?................................................. 8

• QUANDO É QUE UMA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO É MAIS EFICIENTE?............... 10

• UMA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO PODE TRABALHAR


COM RADIADORES?...................................................................................................... 12

• QUANTO POUPA UMA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO


RELATIVAMENTE A UMA CALDEIRA CONVENCIONAL?............................................... 14

• POR QUE É MAIS ECOLÓGICA UMA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO?....................... 16

• QUE CARACTERÍSTICAS TÊM OS CONDENSADOS?.................................................... 18

• QUAIS SÃO OS REQUISITOS DE INSTALAÇÃO DE UMA CALDEIRA


DE CONDENSAÇÃO?..................................................................................................... 20

• QUE FUTURO PARA AS CALDEIRAS DE CONDENSAÇÃO?.......................................... 22

3
EM QUE CONSISTE
A TÉCNICA DA CONDENSAÇÃO?

Qualquer caldeira que funcione com combustíveis fósseis, seja carvão, gás ou gasóleo, obtém o
calor necessário para transmitir a instalação através do processo de combustão.

A combustão tem como


elementos de partida o EXCESSO DE AR

combustível e o oxigé-
nio do ar e como ele-
mentos resultantes os
fumos e o calor cedido
no processo.

Os fumos produzidos PRODUTOS


DA COMBUSTÃO
contêm, entre outros, di-
óxido de carbono (CO2)
e vapor de água (H2O)
numa proporção variá-
AR
vel que depende princi-
palmente do tipo e com-
CALOR
posição do combustível
e do excesso de ar to-
mado na combustão.
COMBUSTÍVEL

No fundo, a condensação consiste na redução da temperatura de fumos, até provocar a


condensação do vapor de água que contêm. Neste processo de condensação os fumos
cedem o denominado calor latente ou de condensação do vapor de água, que é transmitido
de forma adicional à água da caldeira.

4
Para que se produza a condensação do vapor de água contido nos fumos, é necessário reduzir
a sua temperatura até que se inicie a aparição de líquido. Esta temperatura é conhecida como
ponto de orvalho, e depende da proporção de vapor de água presente nos fumos. A condensação
produz-se com tanto mais facilidade quanto mais elevado for o ponto de orvalho dos fumos.

Ponto de
orvalho AR

PRODUTOS
DA COMBUSTÃO

Água
Calor latente
ou de condensação

No gráfico junto mostra-se a variação do ponto de orvalho para os dois combustíveis mais comuns:
gás natural e gasóleo, em função do conteúdo em CO2 dos fumos. O CO2 dos fumos é uma medida
indirecta do excesso de ar tomado, correspondendo a uma menor percentagem de CO2 um maior
excesso de ar.

Observa-se que, para igual conteúdo


de CO2, o ponto de orvalho do gás na-
tural é superior ao do gasóleo já que
a combustão do primeiro produz maior
quantidade de vapor de água.
Por outro lado, para qualquer dos
combustíveis, o ponto de orvalho au-
mentará com o conteúdo em CO2
Ponto de orvalho do vapor de água (ºC)

(menor excesso de ar).

De forma aproximada, o gás natural


tem o ponto de orvalho a 53 ºC e o ga-
sóleo cerca dos 47 ºC, nas condições
habituais de combustão.

Conteúdo de CO2 (Vol-%)

5
EM QUE DIFERE UMA CALDEIRA
DE CONDENSAÇÃO
DE UMA CALDEIRA CONVENCIONAL?

Qualquer caldeira é concebida como um permutador onde se transfere o calor gerado na combus-
tão para a água que circula pelo interior da mesma.

A diferença básica entre uma caldeira convencional e uma caldeira de condensação reside em
que esta última integra um permutador de calor de material adequado e de maior superfície para
poder captar o calor de condensação adicional, ganho à custa do vapor de água contido nos
fumos. Adicionalmente, a caldeira de condensação inclui um ponto de drenagem para a evacuação
dos condensados produzidos.

PRODUTOS PRODUTOS
DA COMBUSTÃO DA COMBUSTÃO

AR
AR

CALOR
LATENTE

CALOR
CALOR
COMBUSTÃO

COMBUSTÍVEL
COMBUSTÍVEL

Esta superfície de permuta extra ou adicional de uma caldeira de condensação frente a uma cal-
deira convencional admite diferentes possibilidades de integração dentro da caldeira, dando lugar
a duas tipologias básicas: IDA
FUMOS

•  Caldeiras de condensação com condensador


separado
RETORNO
Consta basicamente de um condensador de fumos
montado em série com uma caldeira convencional.
CONDENSADOS
Este condensador está situado no seguimento da Caldeira com condensador separado
CONDEN

6
saída de fumos da caldeira e permite arrefecer os produtos da combustão até ao seu ponto de or-
valho, condensando-os.

• Caldeiras de condensação com condensador


integrado
IDA
IDA
Este tipo comporta um único corpo de permuta no qual o
FUMOS FUMOS

dimensionamento da superfície é adequada para alcan-


çar o ponto de orvalho.
RETORNO
Ao contrário do que sucede numa caldeira conven- RETORNO
cional, que não está preparada para resistir CONDENSADOS
à eventual
condensação do vapor de água dos fumos, ou da caldeira
CONDENSADOS
de baixa temperatura, que só admite uma condensação
pontual dos mesmos, na caldeira de condensação é Caldeira com condensador integrado
promovida a produção de condensados de maneira
permanente durante o seu funcionamento.

Este comportamento perante a acção da condensa-


ção na caldeira supõe uma evolução técnica das caldei-
ras convencionais iniciais às caldeiras de condensação
actuais, que está muito ligada ao desenvolvimento de
materiais adequados para trabalhar de forma permanen-
te em contacto com os condensados do vapor de água.
Podemos dizer que a caldeira de condensação supõe a
evolução da caldeira de baixa temperatura, como esta o
foi a seu tempo relativamente à caldeira convencional.

Os materiais utilizados nas caldeiras de condensação


disponíveis no mercado actual são o aço inoxidável e a
fundição de alumínio. Com o primeiro estão concebidas
as caldeiras de tipo tubular, condensadores tal como
os permutadores tipo serpentina, os mais utilizados Corpo de condensação de alumínio

em caldeiras de gás de baixa potência. As caldeiras


de alumínio estão construídas em ligas de alumínio-
silício conformando elementos ou corpos de caldeira
monobloco em caldeiras de gás.

Corpo de condensação de aço inoxidável

7
QUANTO MAIS EFICIENTE É UMA CALDEIRA
DE CONDENSAÇÃO RELATIVAMENTE
A UMA CALDEIRA CONVENCIONAL?

A eficiência ou rendimento útil de uma caldeira é a percentagem de calor aproveitado ou transmitido


à instalação relativamente ao que está contido no combustível.

A capacidade de produção de calor é uma característica própria de cada combustível definida pelo
seu poder calorífico que é a quantidade de calor produzida por unidade de volume ou massa.

Distinguimos dois tipos de poder calorífico para um combustível determinado:

COMBUSTÍVEL CALOR
+
CALOR LATENTE
PCS: Poder calorífico superior DE CONDENSAÇÃO

É o calor total do combustível.


Inclui o calor recuperado ao
Calor latente de condensação condensar o vapor de água (H2O)

COMBUSTÍVEL
O VAPOR DE ÁGUA
SAI PELA CHAMINÉ
PCI: Poder calorífico inferior
Não inclui o calor do vapor de
água que se perde pela chaminé

Na tabela junta fazemos referência ao poder calorífico aproximado para Gás Natural e Gasóleo.
Observa-se que a quantidade de
calor adicional gerada ao conden- PCI PCS

sarmos o vapor de água dos fu- kW/Nm3 kcal/Nm3 kW/Nm3 kcal/Nm3


mos é de 11% (1000 kcal extra por
Gás Natural 10,9 9400 12,1 10400
cada m3) para o gás natural e de
6% para o gasóleo (670 kcal extra Gasóleo* 11,9 10200 12,6 10870

por cada kg). *kW/kg ou kcal/kg

8
O calor não aproveitado ou não transmitido à instalação relativamente à quantidade de calor conti-
da no combustível é conhecida como perdas de calor na caldeira.

Basicamente, o calor perde-se pela chaminé na for-


ma de calor não aproveitado que escapa nos fumos
(perdas por fumos ou pela chaminé) e pela envol-
vente da caldeira (perdas superficiais).
Perdas
pelos fumos

Perdas superficiais
O rendimento duma caldeira é função das suas ca-
racterísticas construtivas, estando especialmente li-
gado à tipologia da caldeira em questão; assim, uma
AR
caldeira convencional, limitada na sua concepção
Potência
para evitar a presença de condensações de vapor de transmitida

água, pode ter um rendimento útil de cerca de 88%.


COMBUSTÍVEL

Uma caldeira de baixa temperatura, mais evoluída


que as anteriores, e com menos limitações no que respeita
à presença de condensados pode oferecer um rendimento útil de cerca de 92 %.

Numa caldeira de condensação o princípio de funcionamento varia relativamente a uma caldeira


convencional, normal ou de baixa temperatura, sendo a condensação do vapor de água dos fumos a
chave para a obtenção de uma quantidade de calor extra. Um permutador de calor de maior superfí-
cie relativamente a uma caldeira convencional permite obter um rendimento próximo dos 97% mes-
mo sem que a caldeira condense. Se trabalhar no domínio da condensação, podem atingir um ren-
dimento da ordem dos 107% para caldeiras de gás natural, ou de 102% para caldeiras de gasóleo.

Nos diagramas juntos estabelece-se uma comparação entre uma caldeira convencional de baixa
temperatura e duas caldeiras de condensação (gás natural e gasóleo) tomando os níveis de rendi-
mento habituais para este tipo de caldeiras.

Calor latente Calor latente


não aproveitado (1%) não aproveitado (1%)
Perdas por fumos (6%) Perdas por fumos (2%) Perdas por fumos (2%)
(calor sensível) (calor sensível) (calor sensível)

Perdas superficiais Perdas superficiais Perdas superficiais


(2%) (1%) (1%)

CALDEIRA DE BAIXA TEMPERATURA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO


GÁS NATURAL GASÓLEO
(1) Com temperaturas ida/retorno 80/60 ºC (sem condensação) - (2) Com temperaturas ida/retorno 40/30 ºC (com condensação)

9
QUANDO É QUE UMA CALDEIRA
DE CONDENSAÇÃO É MAIS EFICIENTE?

A técnica da condensação baseia-se na redução ao máximo da temperatura de fumos para que es-
tes arrefeçam a uma temperatura abaixo do seu ponto de orvalho.

A temperatura alcançada pelos fumos na caldeira está ligada à temperatura da água que circula
pela mesma, sendo a temperatura de retorno da instalação o factor determinante.

O ponto de orvalho é de cerca de 53 ºC para gás natural e de 47 ºC para o gasóleo, pelo que con-
seguir baixar os fumos a estas temperaturas supõe que a água que entra na caldeira se encontra a
temperaturas sensivelmente inferiores às antes referidas.

Uma caldeira de condensação a trabalhar com temperaturas ida / retorno de 40 /30 ºC, permitirá al-
cançar uma temperatura de fumos muito por baixo do ponto de orvalho e obter o máximo aprovei-
tamento da condensação.

Não obstante, factores adicionais de funcionamento, tais como a regulação, podem favorecer as
condições de trabalho da caldeira em que se observa a condensação. Neste sentido, os sistemas
de regulação tradicionais, com temperatura de caldeira constante, foram substituídos nas caldeiras
mais evoluídas por sistemas de regulação que permitem variar a temperatura de ida em função das
necessidades térmicas da instalação em cada momento (habitualmente tomando como referência
a temperatura exterior).

Um sistema de aquecimento, com temperatura de caldeira variável de acordo com as necessida-


des, implica trabalhar em cada momento com a menor temperatura de caldeira necessária para sa-
tisfazer as necessidades da instalação e, portanto, com a temperatura óptima para aproveitar ao
máximo as possibilidades da condensação.

Indicámos antes que os sistemas que trabalham com baixas temperaturas, como os desenhados
para 40 / 30 ºC, oferecem o máximo aproveitamento energético uma vez que as temperaturas de
trabalho se situam sempre abaixo da de condensação.

10
Não obstante, deve-se conhecer e considerar o funcionamento de uma caldeira de condensação
que trabalhe com sistemas a alta temperatura, como os concebidos para 80 / 60 ºC.

Nos gráficos abaixo estabelece-se uma comparação de funcionamento de uma caldeira de con-
densação que trabalhe em dois regimes de temperatura, 40 / 30 e 80 / 60 ºC, com descida progres-
siva da temperatura em função da temperatura exterior. Os gráficos referem ainda os pontos de or-
valho do gás natural e do gasóleo.

Para um sistema de baixa temperatura, observa-se que a temperatura de retorno está abaixo do
ponto de orvalho para todo o campo de trabalho da instalação. A caldeira condensará de maneira
permanente, obtendo o máximo aproveitamento energético em todo momento.

Sistema 40 / 30 ºC
temperatura da caldeira (ºC)

53 ºC (Gás Natural)
47 ºC (Gasóleo)

temperatura exterior (ºC)

Para um sistema a trabalhar a alta temperatura, como o que é referido no gráfico, também resul-
ta possível obter benefícios adicionais da condensação durante uma porção importante do campo
total de trabalho. Ali, pode-se observar que a partir de uma determinada temperatura exterior, dife-
rente para Gás e Gasóleo, e acima dela, a caldeira trabalha em regime de condensação obtendo o
máximo rendimento.

Sistema 80 / 60 ºC
temperatura da caldeira (ºC)

53 ºC (Gás Natural)
47 ºC (Gasóleo)

temperatura exterior (ºC)

11
UMA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO
PODE TRABALHAR COM RADIADORES?

As caldeiras de condensação que trabalham em instalações de baixa temperatura com o retorno in-
ferior ao ponto de orvalho dos fumos estão plenamente optimizadas desde o ponto de vista da efi-
ciência energética. Não obstante, é possível obter elevados níveis de rendimento, mesmo no cam-
po da condensação, trabalhando com instalações convencionais de radiadores concebidas para
temperaturas de trabalho 80 / 60 ºC.

Uma condição necessária para que a caldeira trabalhe em regime de condensação numa instala-
ção como a indicada, é que esta disponha de regulação com redução progressiva da temperatura
de ida em função das necessidades térmicas da instalação (por exemplo: baseadas na temperatu-
ra exterior).

A ideia de que as caldeiras de condensação só têm aplicação em climas severos ou trabalhando a


baixa temperatura pode questionar-se tomando os dados de temperatura exterior e horas acumu-
ladas de aquecimento para o período Outubro-Abril de algumas cidades representativas do nosso
clima e analisando o número de horas em que a caldeira aproveita o calor de condensação traba-
lhando numa instalação de radiadores a 80/60 ºC.

Assim, para uma cidade cuja temperatura exterior pode variar entre 1 e 20 ºC no período indicado,
com uma duração total de 3800 h de período de aquecimento repartidas de acordo com o gráfico
da página seguinte, uma caldeira a funcionar com gás natural trabalharia em regime de condensa-
ção, com o máximo aproveitamento energético, quando a temperatura exterior for igual ou supe-
rior a 6,5 ºC.
Se a caldeira funcionasse a gasóleo, a temperatura exterior deveria ser superior a 10,5 ºC. Contabi-
lizando o número de horas totais do período de aquecimento em que a temperatura exterior é supe-
rior às indicadas, observa-se que a caldeira trabalharia 89 % do tempo com o máximo rendimento
para gás natural e 55 % do tempo para gasóleo.

A análise de outras cidades, com diferentes variações de temperatura exterior, oferece resultados
análogos, que permitem demonstrar a viabilidade de utilização de caldeiras de condensação em
instalações convencionais de radiadores.

12
INSTALAÇÃO PENDENTE 2,5 OUTUBRO, NOVEMBRO, DEZEMBRO,
JANEIRO, FEVEREIRO, MARÇO, ABRIL

INSTALAÇÃO PENDENTE 2,5 OUTUBRO, NOVEMBRO, DEZEMBRO,


JANEIRO, FEVEREIRO, MARÇO, ABRIL

Por outro lado,INSTALAÇÃO


a experiência
PENDENTE 2,5 demonstra que a maioria das instalações antigas
OUTUBRO, se encontram sobre-
NOVEMBRO, DEZEMBRO,
JANEIRO, FEVEREIRO, MARÇO, ABRIL
dimensionadas quanto à superfície de radiadores instalada. Este sobredimensionamento é devido
em parte ao critério utilizado na sua concepção de aplicar uma superfície generosa de radiadores
e por outro lado a posteriores medidas de isolamento térmico sobre o edifício original (caixilharia,
vidros duplos, isolamentos térmicos, etc.) que levaram a uma redução das necessidades de aque-
cimento da habitação, sendo o sistema de radiadores instalado o mesmo do projecto inicial. Isto
permite reduzir a temperatura de trabalho de forma significativa relativamente à do projecto original
(80 / 60ºC ou superior).

INSTALAÇÃO PENDENTE 2,5 OUTUBRO, NOVEMBRO, DEZEMBRO,


JANEIRO, FEVEREIRO, MARÇO, ABRIL

13
QUANTO POUPA UMA CALDEIRA
DE CONDENSAÇÃO RELATIVAMENTE
A UMA CALDEIRA CONVENCIONAL?

A estimativa de poupança energética numa instalação passa por definir o rendimento da caldeira
contemplando o seu comportamento real em funcionamento durante um período de tempo repre-
sentativo (por exemplo, uma temporada completa de aquecimento). O rendimento útil exprime a
eficiência da caldeira em funcionamento contínuo, pelo que não é válido para este efeito já que a
caldeira não está em funcionamento permanente, variando em função das necessidades da insta-
lação ao longo do período.

De forma a determinar um tipo de rendimento mais próximo do comportamento real de uma insta-
lação, medindo a eficiência da caldeira durante uma estação completa de aquecimento, definiu-se
o rendimento sazonal.

Sinteticamente, o rendimento sazonal é a expressão da eficiência da caldeira abrangendo um pe-


ríodo de tempo mais alargado, semelhante a um período de aquecimento, tomando em considera-
ção os diferentes níveis de demanda térmica ao longo desse período.

Ainda que as caldeiras estejam dimensionadas para satisfazer a carga térmica máxima da instalação,
numa estação de aquecimento a potência média real requerida à caldeira será de cerca de 30 %.
Se dentro dos períodos de carga parcial a caldeira se vê obrigada a funcionar com ciclos arranque-
paragem, por não oferecer a possibilidade de modular a sua potência, esta apresentará um nível
considerável de perdas de calor para o ambiente e chaminé, designadas por perdas por paragem
ou por disponibilidade.

A determinação do rendimento sazonal está normalizada e permite-nos verificar que elevados va-
lores de rendimento sazonal correspondem a caldeiras de elevada eficiência, com um bom nível de
isolamento, trabalhando a baixa temperatura e que tenha um bom campo de modulação que lhes
permita adaptar-se à potência requerida em momentos de mínima demanda sem que a caldeira se
veja obrigada a parar.

A caldeira de condensação modulante apresenta as suas mais claras vantagens precisamente em


situações de baixa carga térmica já que é nestes momentos que a sua eficiência será maior, ao tra-
balhar a baixos níveis de potência e temperatura, favorecendo a condensação.

14
Uma caldeira convencional, limitada no que respeita à sua temperatura mínima e sem modulação
de potência, pode oferecer um rendimento sazonal em torno dos 84 %.

Uma caldeira de baixa temperatura pode alcançar um rendimento sazonal de 90 %.

Com uma caldeira de gás de condensação podemos alcançar rendimentos de 109 % com tempe-
raturas de trabalho 40 / 30 ºC e de 106 % para 75 / 60 ºC.

Com os dados anteriores de rendimento pode estabelecer-se uma comparação de consumo de


combustível para uma zona climática determinada, baseada no sistema de cálculo graus-dia de
base 15-15, amplamente aceite.

Assim, considerando uma potência de caldeira de 23 kW funcionando com gás natural, instalada
numa zona climática com uma temperatura mínima de cálculo de 0 ºC, funcionando a 75 / 60 ºC e
um total de 1460 graus-dia de base 15-15, as diferenças de consumo serão as que se referem de
seguida:

Rendimento Consumo Poupança


Tipo de caldeira
sazonal (%) período (m )
3
condensação

Condensação 106 3420

Baixa Temperatura 90 4030 15%

Convencional 84 4320 21%

15
POR QUE É MAIS ECOLÓGICA
UMA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO?

Todos os aspectos relacionados com o consumo de recursos energéticos de origem fóssil, emissão
para a atmosfera de substâncias contaminantes ou a emissão de gases que promovem o efeito de
estufa, como o CO2, são temas de plena actualidade nos nossos dias.

O compromisso mundial de protecção do meio ambiente, cujas bases assentam nas cimeiras mun-
diais sobre alterações climáticas de Kyoto, Rio ou Bali, foi estabelecendo metas para a redução do
nível de emissão de gases que provocam o efeito de estufa.

A quantidade de CO2 produzida na combustão depende directamente do tipo de combustível, pelo


que, na combustão do gás natural, são produzidos 200 gr de CO2 por cada kW consumido, enquan-
to que para o gasóleo a produção é de 273 gr. Assim sendo, para um determinado combustível, a
quantidade de CO2 emitida para o ambiente dependerá unicamente do seu consumo. A utilização
de caldeiras de condensação de alta eficiência, que reduzem o consumo de forma notável relativa-
mente às caldeiras convencionais, supõe uma redução no nível de emissão de CO2 proporcional à
poupança de combustível.

Os produtos da combustão contêm adicionalmente uma série de substâncias que, pelo seu carác-
ter nocivo recebem a qualificação de emissões contaminantes. Entre estas, destacam-se pela sua
importância o monóxido de carbono (CO) e os óxidos de azoto (NOx).

O monóxido de carbono (CO) é produto de uma combustão incompleta do combustível e é alta-


mente tóxico. Os óxidos de azoto aparecem como produto da reacção do azoto do ar, designan-
do-se por NOx por coexistirem vários tipos. Estes, ao passar para a atmosfera combinam-se com o
vapor de água e convertem-se em ácido nítrico, que pode precipitar na forma da conhecida chuva
ácida. A concentração destas emissões nos fumos é expressa em mg/kWh ou ppm.

Do mesmo modo que a redução nas emissões de CO2 é uma vantagem imputável de forma direc-
ta às caldeiras de condensação devido à sua maior eficiência, a redução de emissões contaminan-
tes também o é, já que a quantidade lançada no ambiente é proporcional ao consumo de combus-
tível.

16
Adicionalmente, a evolução técnica dos grupos de combustão das caldeiras nos últimos anos levou
a uma maior redução no nível de emissões contaminantes. As caldeiras de condensação, por serem
o produto mais evoluído do mercado, oferecem o melhor desempenho neste particular. É habitual
que as caldeiras de condensação estejam equipadas com queimadores de pré-mistura nas mode-
los de gás ou com queimadores de baixo NOx ou de chama azul nos de gasóleo.

Queimador de
pré-mistura

Podemos estabelecer uma comparação sobre o nível de emissões anuais tomando o mesmo exem-
plo da caldeira de 23 kW funcionando com gás natural, instalada numa zona climática com uma
temperatura mínima de cálculo de 0 ºC, funcionando a 75 / 60 ºC e um total de 1460 graus-dia de
base 15-15.

Caldeira de Caldeira de Baixa Caldeira convencional


condensação (1) Temperatura (2) (3)

Rendimento sazonal (%) 106 90 84

Consumo anual (m3) 3420 4030 4320

CO2 anual (kg) 7317 8622 (-15%) 9243 (-21%)

CO anual (kg) 0,37 8,62 (-96%) 9,24 (-96%)

NOx anual (kg) 0,73 8,62 (-92%) 12,02 (-94%)

(1) Tomando um nível de emissões de 10 mg/kWh de CO e de 20 mg/kWh de NOx


(2) Tomando um nível de emissões de 200 mg/kWh de CO (valor algo inferior ao exigido em regulamentos actuais) e
200 mg/kWh de NOx (classe 2)
(3) Tomando um nível de emissões de 200 mg/kWh de CO (valor algo inferior ao exigido em regulamentos actuais) e
260 mg/kWh de NOx (classe 1)

Observamos que às reduções de 15-21 % nas emissões de CO2, principal causa do efeito de es-
tufa, se juntam reduções superiores a 90 % de emissões contaminantes.
A isto devemos adicionar a notável redução no consumo de combustível de origem fóssil para
perfilar a caldeira de condensação como a solução mais ecológica relativamente às caldeiras
convencionais.

17
QUE CARACTERÍSTICAS TÊM
OS CONDENSADOS?

A principal característica diferenciadora da caldeira de condensação face a uma caldeira convencio-


nal é a produção de condensados de vapor de água, que devem ser evacuados de forma contínua.

O volume de condensados produzido depende do combustível e adicionalmente das condições de


trabalho da caldeira, tais como o excesso de ar, a temperatura, etc. Por exemplo, uma caldeira de
gás natural de 100 kW de potência, a trabalhar em regime de condensação permanente (com tem-
peraturas de ida / retorno de 40 / 30ºC) produz 6 l/h de condensados.

Estes condensados contêm basicamente água mas, durante a combustão, alguns componentes do
combustível e do ar da combustão reagem, dando lugar a compostos que conferem aos conden-
sados características ácidas.

No caso da combustão de um gás (natural ou GPL), onde o conteúdo de enxofre é baixo ou pratica-
mente nulo, as principais reacções derivadas provêm apenas da oxidação do azoto (N2) do ar e da
sua conversão em óxidos de azoto (genericamente NOx). Estes óxidos de azoto produzidos na com-
bustão, ao condensar e misturar-se com a água reagem, produzindo o ácido nítrico que confere aos
condensados um carácter ligeiramente ácido (pH 4-5).

No caso da combustão do gasóleo, onde o conteúdo em enxofre (S) pode ser elevado em alguns
casos, a reacção de combustão gera adicionalmente óxidos de enxofre (genericamente SOx). Estes
óxidos em contacto com a água de condensação produzem ácido sulfuroso e sulfúrico, dando um
carácter mais ácido ao condensado (pH 2-4).

Na figura junta faz-se referência, de forma comparativa, aos valores de pH dos condensados pro-
duzidos numa caldeira de gás ou gasóleo, frente a outros líquidos conhecidos. Ali pode-se apreciar
que os condensados produzidos numa caldeira de gás têm um carácter semelhante à agua da chu-
va. Os condensados produzidos numa caldeira de gasóleo têm um carácter mais ácido, que se po-
dem assemelhar a vinagre ou sumo de limão quanto ao seu pH.

18
Água condensada das Águas residuais
caldeiras de condensação domésticas
GASÓLEO GÁS

Ácido para baterias Vinagre Água da chuva Água da


Ácido gástrico não contaminada torneira

Sumo de limão Água do mar


Água da chuva Água destilada
(neutra)

Na regulamentação actual não existem requisitos relativos à neutralização de condensados numa


caldeira deste tipo, apesar disso recomendamos a utilização de equipamentos de neutralização
quando os condensados tenham um pH excessivamente ácido ou contenham quantidades de áci-
dos sulfúrico ou sulfuroso importantes. Neste sentido, alguns regulamentos europeus obrigam à
neutralização dos condensados quando se consomem combustíveis com teor de enxofre superior
a 50 mg/kg.

Alguns fabricantes dispõem de equipamentos neutralizadores que contêm filtros de carvão activo
e um granulado neutralizador que reage com os ácidos dos condensados obtendo-se como resul-
tado água de carácter praticamente neutra (pH 6,5 – 9).

A quantidade de granulado neutralizador depende do caudal de condensados produzido, pelo que


deverá ter-se em consideração a potência da caldeira ao seleccionar o equipamento de neutrali-
zação adequado. Este granulado neutralizador deve regenerar-se de forma periódica, dependendo
esse tempo do grau de utilização da caldeira.

19
QUAIS SÃO OS REQUISITOS DE INSTALAÇÃO
DE UMA CALDEIRA DE CONDENSAÇÃO?

A instalação de uma caldeira de condensação não comporta grandes condicionantes de instalação


adicionais face aos de uma caldeira convencional.

Basicamente, todos os aspectos a ter em conta numa caldeira deste tipo ficam englobados em três
aspectos fundamentais: a recomendação de dimensionar e desenhar a instalação para fazer traba-
lhar a caldeira à temperatura mais baixa possível, prever a evacuação dos condensados e utilizar
saídas de fumos adequadas para este tipo de caldeiras.

Fazer trabalhar a caldeira à temperatura mais baixa possível não constitui um requisito imprescin-
dível de instalação para uma caldeira de condensação, mas é um aspecto recomendável se se quer
obter a máxima rentabilidade da mesma.

Incorporar um sistema de regulação com redução progressiva da temperatura em função das


necessidades térmicas da instalação, baseado, por exemplo, na temperatura exterior, supõe que a
caldeira trabalhará em todo momento à temperatura mínima requerida.

Do ponto de vista de instalação, o seu dimensionamento pode fazer-se buscando a temperatura de


trabalho mais baixa possível, no sentido de aumentar a superfície de aquecimento.

Do ponto de vista hidráulico, introduzir na instalação válvulas misturadoras para provocar


a mistura ida / retorno resulta um método eficaz para evitar o aumento da temperatura de retorno.

20
A condução de condensados ao sistema de esgoto é um requisito imprescindível na instalação
deste tipo de caldeiras. Actualmente, os regulamentos não estabelecem quaisquer requisitos a este
respeito, mas podem tomar-se algumas recomendações básicas derivadas de regulamentos de
outros países.

Deve dotar-se o sistema de evacuação de um sifão para evitar a eventual passagem de fumos para
o esgoto e de maus cheiros para o ambiente. Um sifão com a altura de 75 mm ou superior é ade-
quado para este propósito.

De forma a garantir o correcto escoamento, a conduta de evacuação de condensados deve ter um


diâmetro suficiente (no mínimo 22 mm), não conter estrangulamentos, ter o menor comprimento
possível e manter uma pendente mínima de 3 % em todo o percurso.

Deve evitar-se a utilização de cobre ou aço galvanizado.


Os tubos de plástico utilizados nos sistemas de esgoto
doméstico podem ser utilizados para este propósito.

Por último, no que se refere à evacuação de fumos, os


requisitos particulares de instalação derivam do facto de a
temperatura de fumos ser muito inferior à existente numa cal-
deira convencional.
Enquanto nestas últimas os fumos podem sair a 130-160ºC, numa caldeira de condensação estes
podem variam entre 30 e 100ºC dependendo das condições de trabalho, o que supõe que os fu-
mos continuarão o processo de condensação no troço de evacuação, motivo porque as condutas
e as juntas utilizadas devem estar homologadas e ser apropriadas para resistir à acção dos con-
densados.

Devido a que os fumos saem mais frios e condensam em contacto com a atmosfera, tendem a pro-
duzir um penacho de vapor de água na saída da conduta de evacuação. Este aspecto não significa
qualquer problema e, de facto, indica que a caldeira se encontra a funcionar correctamente. Deve,
no entanto, ser tido em conta na hora de decidir a localização do troço de saída, evitando eventuais
inconvenientes pela possível proximidade a zonas de passagem ou janelas.

Os materiais mais usados costumam ser Saída


pendente
de fumos

o aço inoxidável e PP´s (polipropileno


drenagem
auto-extinguível).
drenagem

Quanto à construção da chaminé, apli-


cam-se os mesmos requisitos das saí-
das de fumos de caldeiras convencionais
devendo adicionalmente prever-se pen-
dentes e pontos de drenagem para evi-
tar possíveis pontos de acumulação de
condensados.

21
QUE FUTURO PARA AS CALDEIRAS
DE CONDENSAÇÃO?

A caldeira de condensação constitui a evolução técnica da caldeira de baixa temperatura, do


mesmo modo que esta o foi da caldeira convencional em seu dia. A nível europeu, a caldeira de
condensação está a ganhar terreno à caldeira convencional; Holanda e Alemanha, com uma maior
tradição e experiência na aplicação da condensação são os países mais avançados em percenta-
gem de caldeiras instaladas.

Para isso contribuíram factores como o clima muito severo, com períodos de aquecimento muito
longos e frios, políticas governamentais de apoio à condensação, a consciência ecológica e nos
últimos tempos, Regulamentos que promovem a eficiência energética.

Nos próximos anos vamos assistir à plena consolidação da condensação naqueles países onde a
sua presença já é importante, e à sua introdução de forma relevante nos outros países onde a pre-
sença da caldeira de condensação ainda é actualmente incipiente.

Esta implantação virá suportada em quatro aspectos fundamentais: eficiência, fiabilidade, ecolo-
gia e, em última instância, regulamentação.

Quanto à sua eficiência, a utilização da condensação está plenamente justificada em instalações


de baixa temperatura, onde o aproveitamento da condensação é total, mas também em instalações
de alta temperatura, nas quais podemos obter poupanças de 15 a 21 % relativamente às caldeiras
convencionais.

Se a isto juntamos a possibilidade de redução de temperatura de trabalho, graças à existência de


instalações sobredimensionadas, a poupança conseguida pode ser ainda muito maior.

A constante evolução técnica dos produtos de aquecimento nos últimos anos, favoreceram espe-
cialmente as caldeiras de condensação como o produto mais evoluído do sector. Hoje em dia o
mercado oferece soluções de última geração com um nível de fiabilidade elevado, a um preço acei-
tável.

22
Assim, a disponibilidade de caldeiras de condensação mais fiáveis e económicas torna-se cada vez
mais atractiva para o utilizador por se tratar de uma solução mais eficiente e ecológica, a um preço
não excessivamente superior ao de uma caldeira convencional.

A redução do nível de emissão de CO2 conseguida à custa do menor consumo de combustível, e


a redução das emissões contaminantes em mais de 90 %, são argumentos ecológicos suficientes
para justificar plenamente a caldeira de condensação frente a outras possíveis soluções.

Em última instância, aspectos derivados de novos regulamentos enfocados na prevenção das


alterações climáticas, como sejam a futura etiquetagem energética de caldeiras, etiquetagem eco-
lógica, novo regulamento de instalações em edifícios focado na poupança energética, assim como
possíveis políticas de apoio a nível governamental ou local, vão acabar por inclinar a balança de for-
ma definitiva a favor da utilização da condensação face à caldeira tradicional.

CALDEIRAS DE CONDENSAÇÃO ROCA

NOVADENS
BIOS

POWER HT

23

Você também pode gostar