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UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

INSTITUTO DE ENGENHARIA, CIÊNCIA E TECNOLOGIA- IECT


INTERDISCIPLINAR EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA- BC&T

Relatório de Prática - Fenômenos Térmicos e Ópticos:


DILATAÇÃO TÉRMICA

EQUIPE

Cândida Milena de Almeida


Matheus Jesus Soares
Vanessa Soares Veloso

PROFESSOR
Dr. Fabiano Alan Serafim

JANAÚBA-MG
21/10/2016
INTRODUÇÃO

Todos os corpos existentes na natureza, sólidos, líquidos ou gasosos, quando em


processo de aquecimento ou resfriamento, ficam sujeitos à dilatação ou contração
térmica.
O processo de contração e dilatação dos corpos ocorre em virtude do aumento ou
diminuição do grau de agitação das moléculas que constituem os corpos. Ao aquecer
um corpo, por exemplo, ocorrerá um aumento da distância entre suas moléculas em
consequência da elevação do grau de agitação delas. Esse espaçamento maior entre elas
manifesta-se por meio da escansão das dimensões do corpo, as quais podem ocorrer de
três formas: linear, superficial e volumétrica. O contrário ocorre quando os corpos são
resfriados. Ao acontecer isso, a distância entre as moléculas diminuiu e, em
consequência, há diminuição das dimensões do corpo.
O objeto de estudo da presente prática é a dilatação linear, ou seja, a variação do
tamanho do corpo em apenas uma direção. Para se calcular a dilatação linear, usa-se a
seguinte equação:
∆𝑳 = ∝ ∆𝑻𝑳𝟎 Equação 1
Onde ∆𝐿 é a dilatação linear do objeto, ∆𝑻 é a variação de temperatura sofrida pelo
corpo, 𝐿0 é o comprimento inicial do mesmo e ∝é o coeficiente de dilatação linear
do corpo. Substituindo o ∆𝑳, temos a seguinte equação:
𝑳 = 𝑳𝟎 +∝ ∆𝑻𝑳𝟎 Equação 2
A dilatação que se caracteriza pela variação do volume do corpo. Pode ser
calculada com a expressão:
∆𝑽 = 𝛄∆𝑻𝑽𝟎 Equação 3
𝛄 é o coeficiente de dilatação volumétrica, cuja unidade é a mesma do coeficiente de
dilatação linear e superficial e também depende da natureza do material que constitui o
corpo.
OBJETIVOS

Analisar o sistema de dilatação de sólido, analisar a variação de dilatação da haste em


função da temperatura, determinar o coeficiente de dilatação linear de uma barra
metálica de um material conhecido e ainda comparar o coeficiente de dilatação tabelado
bem como calcular o erro do experimento.

MATERIAIS E MÉTODOS

• 1 dilatômetro (contendo um relógio comparador);


• 2 hastes;
• 2 termômetros;
• 1 balão de destilação;
• 1 acoplador para o balão de destilação;
• 3 conectores de borracha;
• 1 mangueira;
• 1 copo de plástico;
• 1 ebulidor;
• 1 trena.

Neste experimento, o principal instrumento utilizado foi o dilatômetro, que é um


medidor de dilatação linear, possuindo um relógio comparador instalado em uma das
extremidades da base. Com o sistema previamente montado, verificou-se a que
temperatura ambiente dos dois termômetros, verificando se ambos apresentavam
equilíbrio térmico. Em seguida mediu-se o comprimento da haste na temperatura e o
relógio do medidor de dilatação foi calibrado para a posição zero. Um balão de fundo
chato, contendo uma quantidade de água abaixo de sua borda, de modo a evitar que no
momento de o líquido ferver o mesmo transbordasse. Aqueceu-se a água do balão com
o auxílio do ebulidor elétrico até que entrasse em ebulição e o vapor da água passasse
pela mangueira e consequentemente pela haste, causando a sua dilatação. A água foi
fervendo até atingir a temperatura máxima para começar a coleta de dados. Feito a
medida da variação do comprimento ΔL e das temperaturas dos dois termômetros ΔT
(ºC), o ebulidor foi desligado, e a cada 5 °C reduzidos, foram coletados os dados da
variação de comprimento, dos termômetros,simultaneamente até atingir a temperatura
de 40°C. Seguido à isso, plotou-se os gráficos utilizando os dados coletados, e então,
fez-se a regressão linear e encontrou-se o valor do coeficiente de dilatação linear da
haste, e posteriormente calculou-se o erro utilizando as seguintes equações:

Erro relativo percentual: [(M - R)/R]*100% Equação 4


- Equação da reta: 𝑌 = 𝐴𝑋 + 𝐵 Equação 5

.
RESULTADOS

Inicialmente, feita a medida em cada um dos termômetros, os mesmos


apresentaram 33oc, tendo como tamanho inicial da haste 0,54 mm.

Tabela 1 - Dados medidos nos instrumentos durante o resfriamento da haste.

T1 (ºC) - Term. 1 T2 (ºC) - Term. 2 ΔL (m)


85 79 0,064
85 74 0,063
84 69 0,053
79 64 0,044
71 59 0,0325
64 54 0,021
57 49 0,012
50 44 0,006
43 39 0,0025

Na tabela acima ilustrada, tem-se os valores das temperaturas dos termômetros 1


e 2, medidas a cada 5 graus que pendiam com o arrefecimento da água até chegar aos 40
graus Celsius.

Na tabela abaixo utilizou-se a variação de cada uma das nove medidas de


temperatura T1 e T2 com a variação de comprimento de dilatação do material em
estudo, nesse caso o latão. O valor de Δ𝑇1 𝑒 Δ𝑇2 foi calculado pela diferença entre cada
uma das nove temperaturas medidas a cada 5ºC diminuídos nos termômetros 1 e 2 pela
temperatura inicial do sistema. A seguir, os valores da variação da dilatação foram
multiplicados por 0,01 para serem encontrados os valores reais. Tais resultados foram
utilizados para a execução dos gráficos.
Tabela 2 – Dados utilizados na formação dos gráficos 1 e 2
ΔT (ºC) - Term. 1 ΔT (ºC) - Term. 2 ΔL (m)
52 46 0,00064

52 41 0,00063
51 36 0,00053

46 31 0,00044
38 26 0,000325
31 21 0,00021

24 16 0,00012

17 11 0,0006

10 6 0,000025

No gráfico abaixo ilustrado tem-se a regressão linear medida com os valores da


dilatação em função da temperatura, tendo como dados utilizados, do termômetro 1 com
os respectivos valores da dilatação.
No gráfico abaixo, tem-se a regressão linear medida com os valores da dilatação
em função da temperatura, tendo como dados utilizados, os do termômetro 2.

Utilizando a equação 1 anteriormente referida e feita uma comparação com a


equação da reta:
𝑌 = 𝐴𝑋 + 𝐵
Tem-se que 𝑌 = 𝛥𝐿 , 𝐴 = 𝛼𝐿0 , 𝑒 𝑋 = 𝛥𝑇. Desta feita podemos calcular o valor de 𝛼
que refere-se ao coeficiente de dilatação linear, sendo 𝐿0 o comprimento da haste
medido inicialmente e A a inclinação da reta obtida pela regressão linear.

Feitos os cálculos dos coeficientes de dilatação linear com os valores das


inclinações das retas dos dois termómetros, obtiveram-se os valores expostos na tabela a
seguir:

Tabela 3 – coeficientes de dilatação linear.

A L0 𝜶

TERMÔMETRO 1 1,47x 10-5 0,54 metros 2,72 x 10-5

TERMÔMETRO 2 1,74 x 10-5 0,54 metros 3,22 x 10-5


Para os cálculos dos possíveis erros do experimento foi utilizada a equação
citada anteriormente (equação 4) em relação ao coeficiente de dilatação linear do latão
que é o material em questão:

Tabela 4– Erros percentuais relativos.

M (x 10-5) R (x 10-5) ER% (%)

Termômetro 1 2,72 2 36%

Termômetro 2 3,22 2 61%


DISCUSSÃO

Antes de iniciar o procedimento para calcular o coeficiente de dilatação da haste


de latão, foi necessário esperar o sistema atingir o equilíbrio térmico, onde ambos
termômetros apresentaram o valor de 33ºc. Após o aquecimento da água contida no
balão de destilação, esperou- se a estabilização do sistema, de forma que os valores
aferidos nos termômetros ficassem estáveis. Mas não houve estabilização entre os dois
termômetros uma vez que o termômetro 1 apresentou 85°c e o termômetro 2 apresentou
79°c, o que atribui-se ao fato do termômetro 1 estar diretamente ligado à entrada de
vapor d'água e também próximo ao sistema de aquecimento, já o termômetro 2 estava
conectado a saída de vapor d'água da haste. Iniciado o processo de verificação da
dilatação em função do declínio da temperatura, notou-se que a temperatura do
termômetro 1 próximo ao sistema de aquecimento abaixou mais devagar do que a
temperatura do termômetro 2 que estava conectado à saída de vapor d'água da haste. Ao
aferir a dilatação da haste a cada 5°c , obteve-se dados suficientes para construir as duas
tabelas referentes a cada termômetro, plotar seus respectivos gráficos e também fazer
regressão linear. Utilizando o coeficiente angular da reta pôde ser feita manipulação
algébrica de forma que encontrou-se o valor de alfa, que por sua vez foi utilizado como
coeficiente de dilatação linear da haste de latão. Com o valor experimental do
coeficiente de dilatação linear da haste calculou-se o erro, onde o valor do erro do
termômetro 1 foi 36% e do termômetro 2 foi de 61%, sendo o erro do segundo
termômetro discrepante em relação ao erro do primeiro termômetro e ainda um valor
alto demais para um erro experimental. Não encontrou-se justificativa para tal
discrepância.

CONCLUSÃO

O mostrador do dilatômetro que inicialmente foi aferido no ponto zero, apresentou o


valor de 0,064, no momento em que a água atingiu o ponto de ebulição, de forma que
explicitou a eficiência o equipamento. Enquanto a temperatura decaía, observou-se o
efeito do calor na variação do comprimento da haste. Apesar dos erros, o valor do
coeficiente de dilatação linear experimental encontrado para o termômetro 1 foi
relativamente próximo ao valor tabelado do latão. Concluiu-se também que mesmo com
os erros o experimento foi de grande valia para compreender o princípio da dilatação
térmica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SANTOS, Marco Aurélio Da Silva. "Dilatação térmica e calorimetria"; Brasil


Escola. Disponível em http://brasilescola.uol.com.br/fisica/dilatacao-termica-
calorimetria.htm. Acesso em 16 de outubro de 2016.

HALLIDAY, D. RESNICK, J. W. 1916 - Fundamentos de física, volume 2:


gravitação, ondas e termodinâmica. Tradução e revisão técnica Ronaldo Sérgio de
Biasi – Rio de Janeiro: LTC, 2009.

SERWAY, R. A. - Física para Cientistas e Engenheiros. v. 2, Oscilações, ondas e


termodinâmica, 2011.