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A LIBERDADE COMO FUNDAMENTO DA MORAL EM JEAN-PAUL

SARTRE

Resumo:
O presente artigo pretende analisar a importância da liberdade no âmbito da moral,
segundo Sartre. Para este filósofo, a liberdade estrutura o próprio homem, pois ele se
constrói na medida em que escolhe. Sartre confere ao ser humano toda sua
existência, afirmando que o homem é aquilo que faz de si mesmo ou aquilo que se
projeta ser. Não existindo nenhuma moral preestabelecida, o único valor moral que
deve guiá-lo em suas escolhas é a própria liberdade. Desse modo, tudo o que ele
fizer, terá que ser de forma responsável. Ele é angustia, pois a todo o momento é
condenado a escolher e responsabilizar-se por si e pela humanidade inteira. Se tiver
diante disso uma atitude de fuga, ele acaba agindo de má fé, porque recusa o seu
projeto existencial. Nestas circunstâncias, portanto, o que sobra ao homem é
escolher. Sua liberdade é o fundamento de toda a moral.

Palavras chave: Homem, Liberdade, Responsabilidade, Angustia, Moral.

O motivo deste artigo é analisarmos a importância da liberdade no âmbito da


moral para Jean-Paul Sartre1. Para ele, a liberdade é o estofo de nosso ser 2, é a partir
dela que o homem se constrói. Não existe nenhuma moral preestabelecida, obrigando
ao homem agir desta ou daquela maneira. Não obstante, o homem, na medida em que
escolhe, é responsável por tudo que escolheu, porque sua escolha envolve toda a
humanidade. Diante desta liberdade absurda, Sartre declara o homem sendo angustia.
Veremos que se o homem omite este estatuto de responsabilidade frente suas
decisões e se foge deste sentimento de angustia, ele age de má-fé, porque falha com
seu projeto existencial.
Muitos filósofos já haviam tratado da temática da liberdade, não obstante, em
Jean-Paul Sartre, este conceito ganha uma radicalidade distinta. Para alguns destes
filósofos que antecederam Sartre, a liberdade é vista como sendo uma qualidade
atribuída ao homem. Nesta instância, a liberdade era tida como uma conquista ou

1
Jean-Paul Sartre (1905-1980) foi um filósofo existencialista francês do início do século XX. Sartre
também é conhecido pela autoria de diversos romances e peças teatrais, nos quais estão impressos
literalmente sua concepção de homem e mudo, bem como, sua filosofia. É adepto às filosofias de
Husserl e Heidegger.
2
Cf. Ferreira In Sartre, 1978, p. 129.
2

uma posse. Segundo esta tradição, nunca um homem encarcerado poderia ser
considerado livre, pois para sê-lo, deveria conquistá-la. Ao contrário, Sartre afirmava
que inclusive alguém em condições de trabalho ou em situação financeira
extremamente desfavorável também é livre, porque pode sempre posicionar-se frente
suas condições existenciais: consentindo ou não de sua sorte3.
Sartre não define o que é a liberdade, pois afirma que o homem é a própria
liberdade.

A liberdade, portanto, não é uma qualidade que se acrescente


às qualidades que já possuía como homem: a liberdade é o
que precisamente me estrutura como homem, porque é uma
designação específica da própria qualidade de ser consciente,
de poder negar, transcender (Ferreira apud Sartre, 1978, p.
118).

A filosofia existencialista deste filósofo se destaca por sempre deixar a


possibilidade de escolha ao homem. Mesmo uma pessoa que esteja encarcerada,
poderá sempre escolher uma opção entre outras, pois, pode escolher como agir em
face dessa situação. Da mesma forma, seus pensamentos são livres e ela pode
escolher o que pensar. Sempre há uma possibilidade de escolha, porém se optarmos
por escolhermos não escolher já estamos fazendo a nossa escolha.
A concepção de liberdade, tal como concebe Sartre, se diferencia do modo
como entende ou sonha o senso comum. Este último entende uma liberdade sem
obstáculos ou resistências, sem necessidade de uma ação. Neste ponto de vista,
somente seremos livres quando não encontramos resistência para fazermos o que
quisermos. Ao contrário, para Sartre, é preciso que encontremos logicamente diante
de nós obstáculos ou situações condicionantes para a realização de nossas escolhas.
Não podemos compreender algo sem seu oposto. Por exemplo, só nos damos conta
que existe a noite, porque existe o dia; a vida, por causa da morte, o alto por causa do
baixo; ou se sentimos tristeza é porque já experimentamos algum momento de
alegria; da mesma maneira se existir o ser, deve, necessariamente e logicamente
existir o nada. Para algo ser, é preciso que exista o oposto. No caso da liberdade, é
3
Cf. Ferreira in Sartre, 1978, p. 128.
3

necessário haver situações ou determinações que fazem com que o homem escolha.
As situações não escolhem, elas fazem com que o homem venha a escolher4.

A liberdade precisa de um campo de resistência no mundo.


Sem obstáculos não há liberdade. Para que haja liberdade,
algo deve separar a concepção de um ato da realização
concreta desse ato, apartando o projeto de seus fins. Só
somos livres porque o fim a realizar se acha separado de nós
pela existência real do mundo. Ao agirmos, nossa liberdade
se faz precisamente ao sofrer a adversidade do real e as
pressões de força do mundo; faz-se no esforço despendido
para realizar no mundo nosso projeto; faz-se quando nos
engajamos em uma situação (Perdigão, 1995, p. 87-88).

Para os existencialistas5, sobretudo Sartre, o homem não é nada mais que seu
projeto, ou seja, o homem é aquilo que se projeta ser. “O homem é antes de mais
nada um projeto que vive subjetivamente, [...] nada existe anteriormente a este
projeto; nada há no céu inteligível, e o homem será antes de mais o que tiver
projetado ser” (Sartre, 1978, p. 217). Todavia, não podemos negar que o homem
possui um dado biológico6 ou condições7 humanas, porém isso não define o homem,
mas sim o que ele faz com tudo isso. Enquanto humanos, somos conhecidos pelo
nosso agir. Dessa forma, por exemplo, um homem não nasce covarde, mas dizemos
que ele é covarde a partir de uma ação que praticou 8. Tudo o que é humano se
manifesta no agir, no fazer. “O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como
ele quer que seja, como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após

4
Cf. Sartre, 1978, p. 254-255.
5
Em sua obra intitulada “O existencialismo é um humanismo”, Sartre distingue duas espécies de
existencialistas: “(...) de um lado há os que são cristãos, e entre eles incluirei Jaspers e Gabriel Marcel,
de confissão católica; e de outro lado, os existencialistas ateus, entre os quais há que incluir
Heidegger, os existencialistas franceses e a mim próprio” (Ibid., p. 212 – 213).
6
Homem age como homem e não como um animal, por exemplo. Meu corpo faz com que aja como
um ser humano.
7
“[...] se é impossível achar em cada homem uma essência universal que seria a natureza humana,
existe contudo uma universalidade humana de condição. Não é por acaso que os pensadores de hoje
falam mais facilmente da condição do homem que da sua natureza. Por condição entendem mais ou
menos distintamente o conjunto dos limites a priori que esboçam a sua situação fundamental no
universo” (Ibid., p. 250).
8
Cf. Ibid., p. 245.
4

este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz” (Sartre, 1978,
p. 216-217).
O homem é diferente de uma pedra, por exemplo, deste Ser-em-si-mesmo,
dessa realidade opaca, bruta, inanimada que, se a partíssemos ao meio continuaremos
a ver pedras e nada além disso. Ela existe e pronto, é de fato, acabada, pronta. O Ser-
em-si-mesmo não pode ser livre. Ao contrário, a realidade humana, o Ser-para-si, é
essencialmente construção, possibilidade e projeto. Nenhum ser humano nasce
pronto, acabado. O Ser-para-si constitui sua essência a partir de sua existência
através da liberdade, da escolha.

A realidade humana é livre porque não é o bastante, porque


está perpetuamente desprendida de si mesmo, e porque aquilo
que foi está separado por um nada daquilo que é e daquilo
que será [...]. O homem é livre porque não é em si mesmo,
mas presença a si. O ser que é o que é não poderia ser livre. A
liberdade é precisamente o nada que é o tendo sido no âmago
do homem e obriga a realidade humana a fazer-se em vez de
ser (Sartre, 1997, p. 545).

Na obra “o Existencialismo é um Humanismo”, Sartre afirma que a única


coisa em comum entre os existencialistas ateus e cristãos é a de concordarem que “a
existência precede a essência” (Sartre, 1978, p. 213). Em outras palavras, o homem
não nasce com uma essência definida, ele “primeiramente existe, se descobre, surge
no mundo, e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista,
se não é definível, é porque não é nada” (Sartre, 1978, p. 216).
A afirmação acima também serve de base para a fundamentação de que o
homem não possui ‘natureza’ ou uma ‘essência’ estática a qual mostre o que ele deve
fazer, ou, em outras palavras, um destino já traçado, no qual o que resta ao homem é
apenas percorrer o que está predestinado para ele. Ao contrário, o homem é fazer-se,
e irá ser aquilo que projetou ser9. Na medida em que ele se constrói em seu próprio
agir, estará demonstrando sua liberdade, escolhendo aquilo que se projetou a ser. “O
homem não é senão o seu projeto, só existe na medida em que se realiza, não é,

9
Na filosofia de Sartre, a existência se confunde com o projeto.
5

portanto nada mais do que o conjunto de seus atos, nada mais do que sua vida”
(Sartre, 1978, p. 241).
Assim sendo, na filosofia de Sartre a Liberdade é algo que constitui
dinamicamente o homem, pois a partir de escolhas o ser se constrói. É no agir, na
escolha que o ser humano se revela nitidamente humano. Portanto, para o filósofo, a
liberdade não pode vir antes da escolha, mas a partir do momento em que nós
escolhemos, demonstramos que somos livres.

1. Liberdade fonte de todos os valores

Para Sartre o homem não possui natureza humana, pois não existe nenhum ser
inteligível, como por exemplo, um Deus que possa conceder tal natureza. Não existe
nenhum ser necessário que explique o porquê de estarmos no mundo, ou o porquê de
nascermos nesta época e não em outra, ou porque tal ação deve ser feita assim e não
de outro modo... “Se, por um lado, Deus não existe, não encontramos diante de nós
valores ou imposições que nos legitimem o comportamento” (Sartre, 1978, p. 227).
Sendo assim, o que resta ao homem é apenas a sua liberdade, a liberdade como
fundamento único e legítimo de todos os valores10. “Se a liberdade é o valor
supremo, o valioso é escolher e agir livremente” (Sanchez, 1995, p. 287).
Não existe algo preestabelecido que possa nos recomendar a agir desta ou
daquela maneira, pois exclusivamente ajo a partir de minha consciência. “Logo, não
há qualquer imperativo categórico universalmente válido e logicamente necessário,
nenhuma lei ética geral que nos indique como devemos agir ou o que fazer nesta ou
naquela situação” (Perdigão, 1995, p. 113). Não encontramos diante de nós nenhuma
normatividade a priori, leis ou preceitos divinos que digam o que devemos fazer, mas
situações que nos obrigam a escolher.
Para filosofia de Sartre, a moral cristã, bem como, as teorias éticas de alguns
filósofos carece de sentido. Para o cristianismo Deus é uma premissa necessária para
todo o nosso agir. A partir dos preceitos divinos, desta moral, traçamos nossa vida,
escolhendo por aquilo que nos orientam fazer, efetuando a distinção entre o que é
bom fazer do que é mau. Esta premissa é reguladora, fazendo-nos agir deste modo e
10
Cf. Sartre, 1978, p. 261.
6

não de outro. Em Sartre não há nenhuma moral na qual possamos basear-nos. Não há
valores morais pré-estabelecidos, a moral não é fixa, o homem deve criar e inventar,
por meio de sua liberdade, sua moral. “O homem faz-se, não está realizado logo de
início, faz-se escolhendo a sua moral, e a pressão das circunstâncias é tal que não
pode deixar de escolher” (Sartre, 1978, p. 258).
Sartre parte da afirmação de Dostoiewisky quando este diz: se Deus não
existisse, tudo seria permitido11. Sendo assim, se justifica que o homem está
abandonado no mundo, sendo que, o mesmo não tem em quem se apoiar, pois nada
ou ninguém podem mostrar a ele o melhor a fazer. Se Deus não existe12, o ser do
homem está em seu próprio fazer, pois nada o determina, ele é a própria liberdade e
está condenado a escolher, a ser livre13.
O filósofo, em seu livro “O Existencialismo é um Humanismo”, nos coloca o
exemplo de um dos seus alunos que o procurou para lhe pedir um conselho sobre se
deveria ir para a guerra ou ficar com sua mãe. O pai do rapaz sendo colaboracionista
abandonou sua esposa e seu irmão mais velho havia sido morto na ofensiva alemã de
1940. O jovem rapaz estava totalmente dividido sobre o que iria decidir. Ao mesmo
tempo em que desejava atear vingança contra àqueles que mataram seu irmão,
pensava, contudo, em ajudar a sua mãe a viver, já que esta estava sozinha. Sartre,
nesta ocasião não emitiu nenhum conselho ao jovem rapaz acerca do que este deveria
decidir. Assim ele afirma:

Se ele nos vem pedir um conselho, é porque já escolheu a


resposta. Praticamente, eu teria podido muito bem dar-lhe um
conselho; mas uma vez que ele procurava a liberdade, quis
deixá-lo decidir. Sabia de resto o que ele iria fazer, e foi o
que fez (Sartre, 1978, p. 304).

11
Cf. Sartre, 1978, p. 227.
12
Sartre afirma que o problema da liberdade não é se Deus existe ou não, mas o que é necessário é que
o próprio homem se reencontre em si mesmo pela ação. “O existencialismo não é de modo algum um
ateísmo no sentido de que se esforça por demonstrar que Deus não existe. Ele declara antes: ainda que
Deus existisse, em nada alteraria a questão; esse o nosso ponto de vista. Não que acreditemos que
Deus exista; pensamos antes que o problema não está aí, no da sua existência: é necessário que o
homem reencontre a si próprio e se persuada de que nada pode salva-lo de si mesmo, nem mesmo uma
prova válida da existência de Deus” (Ibid., p. 270).
13
Cf. Ibid., p. 228.
7

Com isso, Sartre queria dizer que não há uma moral que diga que o rapaz
deva ir à guerra ou ficar com sua mãe. Ele deverá escolher e ser responsável por
aquilo que decidir. O jovem, levando em conta o seu sentimento, acabou ficando com
sua mãe. Dessa forma, notamos que os valores preestabelecidos são vagos, pois no
momento em que o rapaz escolheu ficar com sua mãe, não levou em conta nenhuma
moral, mas seu sentimento com relação a ela, pois no fundo o que conta é o
sentimento. Mas, se ele sentisse que seu amor à mãe não era o bastante, então iria à
guerra vingar seu irmão14.
Diante disso, na filosofia existencialista de Sartre, encontramos um homem
que se constrói mediante as escolhas efetuadas, baseando-se não em um ser
necessário ao qual diga que a escolha que fizer é melhor do que a outra. Por isso, o
ser do homem está em suas mãos15, pois ele sendo livre, tem que fazer seu ser, sua
existência. Tem que optar por uma possibilidade, no entanto, há várias, e cada
escolha que fizermos assumimos responsabilidades, por nós e pelos demais. Sartre
nos diz: “Assim sou responsável por mim e por todos, e crio uma certa imagem do
homem por mim escolhida; escolhendo-me, escolho o homem” (Sartre, 1978, p.
220).
O homem encontra-se desamparado, abandonado, lançado ao mundo 16 e não
tem outra opção senão a de escolher, sendo responsável por tudo aquilo que faz.
Nesta situação, Sartre declara o homem como sendo “angustia”:

O existencialista não tem pejo em declarar que o homem é


angústia. Significa isso: o homem ligado por um
compromisso e que se dá conta de que não é apenas aquele
que escolhe ser, mas de que é também um legislador pronto a
escolher, ao mesmo tempo que a si próprio, a humanidade
inteira, não poderia escapar ao sentimento da total e profunda
responsabilidade. (Sartre, 1978, p. 221)

Nossa vida é uma constante escolha, na qual em cada escolha realizada por
nós, escolhemos quem queremos ser. Nós mesmos nos definimos. A angustia perante

14
Cf. Sartre, 1978, p. 232-233.
15
Cf. Ibid., p. 246.
16
Cf. Ibid., p. 228-229.
8

isto é de sabermos que não temos nenhum ser para recorrermos no qual possa ele nos
dizer qual é o caminho certo17, o que devo fazer, se isto é bom ou mau...
Sob esta concepção de responsabilidade está inscrito que não é que o homem
deva ser responsável, mas ele simplesmente o é. O que ele deve fazer é tomar
consciência dessa responsabilidade e de seu agir 18. Essa responsabilidade, no entanto,
não se deve ao fato de que um homem individual assuma a responsabilidade somente
por suas escolhas. Quando o indivíduo faz uma escolha, esta é a escolha do outro19.
No entanto, Sartre afirma que existem sujeitos que vivem de má fé, por
fugirem frente a angustia das próprias responsabilidades. Embora, Sartre não julgue
tais pessoas que agem assim, no nível moral, considera incoerente esta forma de agir.
Assim, afirma Sartre:

Se definimos a situação do homem como uma escolha livre,


sem desculpas e sem auxílio, todo o homem que se refugia na
desculpa que inventa um determinismo é um homem de má
fé. Objetar-se-á: mas por que não se escolheria ele de má fé?
Respondo que não tenho que julgá-lo moralmente, mas
defino a sua má fé como um erro. Neste ponto não pode
escapar a um juízo de verdade. A má fé é evidentemente uma
mentira, porque dissimula a total liberdade do compromisso.
No mesmo plano, direi que há também má fé, escolho
declarar que certos valores existem antes de mim; estou em
contradição comigo mesmo, se ao mesmo tempo os quero e
declaro que se me impõe. Se me dizem: e se eu quiser estar
de má-fé? Responderei: não há razão alguma para que você
não esteja, mas declaro que você o está e que a atitude de
uma estrita coerência é a atitude de boa fé. (Sartre, 1978, p.
260)

Além do mais, o homem de má fé acredita que o seu agir implica somente em


si próprio20, isento de toda a responsabilidade que acarretaria a si e ao outro. Esta
pessoa tenta fugir de suas angustias, através de disfarces, dissimulações,
racionalizações ou mentiras. Ela não assume, através de desculpas e justificativas, a

17
Cf. Perdigão, 1995, p. 113.
18
Cf. Melo, 2003, p. 72.
19
Cf. Ibid., p. 68.
20
Cf. Sartre, 1978, p. 221.
9

responsabilidade de ser livre, de angustiar-se. Portanto, se foge da angustia e da


liberdade, o homem foge daquilo que é, age de má-fé, afetando, assim, o projeto
existencial21.
Assim, consideramos finalmente que a filosofia da liberdade de Sartre se
resume em seu próprio dito: “o destino do homem está nas suas mãos” (Sartre, 1978,
p. 246). Isto significa que o homem será o que tiver se projetado, porque o homem é
liberdade. É forçado, em face a situações, a escolher, a inventar-se a cada momento
sendo responsável pelas suas escolhas, sempre em vista dos outros. Não obstante, a
única coisa que não pode escolher é de não ser livre, pois nisto implicaria a renuncia
de si mesmo. Sua liberdade é o fundamento de toda a moral, porém nada justifica que
este ou aquele valor seja melhor. Se a liberdade do homem é o fundamento absoluto,
então, a moral não existe senão no próprio homem, manifesta no agir concretamente.

21
Cf. Melo, 2003, p. 35.
10

2. Referências Bibliográficas

MELO, Nelio Vieira de. A escolha de si como escolha do outro: liberdade e


alteridade em Sartre. Recife: INSAF, 2003.

PERDIGÃO. Paulo. Existência e liberdade: uma introdução a filosofia de Sartre.


Porto Alegre: L&PM, 1995.

SANCHEZ, Adolfo Vasquez. Ética. 15ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1995.

SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. 4 ed. Tradução e notas


de Vergílio Ferreira. Lisboa: Editorial Presença; Martins Fontes, 1978.

___. O Ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução de Paulo


Perdigão. Rio de Janeiro: vozes, 1997. (pg. 536 – 681)