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A Antiga Teoria Quântica

A 14 de dezembro de 1900, a Sociedade Alemã de Física recebeu uma proposta que


viria a mudar radicalmente a interpretação física do mundo. Apresentada pelo genial
professor Max Planck, seu trabalho consistia no estudo das trocas de energia e emissão
de radiações térmicas dum corpo negro. Um corpo negro é qualquer pedaço de matéria
que seja ôca e tenha um pequeno furo em sua superfície. Assim descrito, um quarto
escuro visto através de uma fenda ou pequena fresta é um corpo negro, faltando-lhe
apenas observar o comportamento da radiação, ou se preferir luz, por ele emitida
quando aquecido.

Max Planck

Aquecer um corpo significa, basicamente, aumentar a agitação dos


átomos em seu seio. Quanto maior a temperatura maior a
movimentação dos átomos. Pois bem, quando a temperatura chega a
próximo de 600 graus celsius os materiais aquecidos começam a emitir
radiação, ou luz, visível. Isto não significa que não havia emissão de
luz quando a temperatura era menor. Apenas significa que existe luz invisível, e
provavelmente você já tomou um "banho" dela quando foi tirar uma abreugrafia. Uma
luz invisível aos nossos olhos mas muito especial chamada raios-gama foi a
responsável pela possibilidade de enxergar o seu esqueleto através de uma chapa.

Mas voltemos ao corpo negro aquecido. A luz que ele emite através de um pequeno
furo, visível ou não, possui energia. Contudo, de onde vem esta energia? Só pode provir
do aquecimento, ou seja, do movimento das moléculas que compõem o corpo negro. O
que os físicos estudam neste fenômeno é o que chamam de radiância, uma medida da
quantidade de energia liberada por uma superfície num tempo. Esta energia é
proveniente, como dissemos, do aquecimento, que faz mover as moléculas que
compõem o corpo negro. Só que estas moléculas não vibram igualmente. Assim como o
pêndulo de um relógio move-se da direita para a esquerda com certa frequência
(número de vai-e-vems por segundo), as moléculas dum corpo negro vibram com várias
frequências, e o professor Planck descobriu que havia uma frequência em que a
radiância era máxima. O mérito de Planck foi encontrar a relação entre estas grandezas
(radiância e frequência) e interpretar o seu significado, valendo-lhe o Nobel e uma nova
interpretação para o mecanismo da natureza.

Planck chegou à conclusão de que a quantidade de energia emitida ou absorvida deveria


ser igual a um múltiplo inteiro de uma quantidade mínima a que denominou quantum
elementar de ação h vezes a frequência f com que cada molécula vibra; o h vale 6,626
bilionésimos de bilionésimos de bilionésimos de ergs vezes segundo - um número muito
pequenino; (o erg é uma unidade de energia usada em física atômica).

Se pudéssemos visualizar este fenômeno com o que carregamos de nossa experiência


cotidiana, esperaríamos que um relógio de pêndulo que não recebesse mais corda
diminuisse sua amplitude, ou alcance do seu vai-e-vem, até chegar a um valor mínimo -
ou seja, 1 quantum de energia hf - de forma descontínua. Isto é, veríamos a amplitude
diminuir em "saltos"; como por exemplo se o pêndulo tem um vai-e-vem de alcance 10
unidades de comprimento e a energia está diminuindo, os seus próximos vai-e-vems
terão alcances de 9,8,7, ..., e assim por diante, até chegar ao valor de energia mínima,
um vai-e-vem curtinho QUE NÃO É ZERO - ou seja, o pêndulo jamais pararia,
oscilando sempre. O próprio Planck ficou desacreditado com este resultado, mas o
apresentou assim mesmo, talvez esperando uma melhor interpretação da comunidade de
físicos.

Albert Einstein

Em 1905, numa série de trabalhos, entre os quais a famosa


Relatividade, Einstein aplicou a hipótese quântica ao efeito fotoelétrico,
obtendo sucesso. Ele admitiu que um elétron é liberado de um átomo
por um quantum de luz, denominado fóton, com aquela mesma energia
hf. Outras explicações posteriores foram fornecidas aplicando a Teoria
Quântica às riscas dos espectros atômicos e ao calor específico das substâncias. Em
particular, na década de 50, Dicke, Penzias e Wilson estavam estudando uma melhoria
da comunicação entre satélites, quando desconfiaram de uma interferência persistente
em seu aparelho (era um radiotelescópio). A princípio pensaram ser "sujeira de pombo"
na antena do aparelho. Depois de muita investigação e certeza de que estava tudo limpo,
descobriram que a interferência era proveniente de uma radiação muito fraca vinda do
espaço, e estudando o trabalho de Planck sugeriram que esta luz era o resquício da
Primeira Explosão - o Big Bang - imaginando o espaço primordial como um gigantesco
Corpo Negro.

Niels Bohr

Porém o estudo de Max Planck já tinha nascido incompleto. Mesmo


assim a Teoria dos Quanta forneceu a Niels Bohr auxílio para
interpretar o funcionamento do átomo primordial, o de hidrogênio, com
sucesso quase absoluto. O problema surgia quando se aplicava o estudo
de Bohr a outros átomos. Só que a falha não estava na interpretação
quântica e sim na visão mecanicista que se usava de um elétron orbitando ao redor do
próton, como a lua orbita em torno da terra. A explicação do funcionamento da estrutura
atômica só surtiu efeito com a fantástica interpretação de que não podemos visualizar
um elétron numa órbita atômica, e sim uma nuvem de probabilidade onde ele PODE ser
encontrado; ou seja, se pudéssemos enxergar um átomo não veríamos um elétron e sim
uma "fumaça" de elétron. A partir daí, conduzidos por Schrödinger, Born, Heisenberg,
de Broglie, Jordan e Dirac, entre outros, os fundamentos elementares da natureza
tomaram um novo rumo - a chamada Mecânica Quântica.