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Definição da dimensão das empresas e sua importância no âmbito do

PT2020
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import%C3%A2ncia-%C3%A2mbito-alves

Pedro Alves, Consultor na Multisector, Publicado em 4 de fevereiro de 2016

Enquadramento
O Portugal 2020, e os vários Programas Operacionais existentes, constituem ferramentas que têm
como objetivo último promover o desenvolvimento económico, social e territorial do país, com
forte enfoque na criação de valor acrescentado, quer seja através da criação de bens e serviços
transacionáveis e internacionalizáveis, criação de emprego, promoção do desenvolvimento
sustentável, entre outros fatores.
Existem, porém, várias regras e requisitos que devem ser cumpridos para ser aceite a elegibilidade
de uma empresa para os apoios do Portugal 2020. Um destes requisitos é a dimensão da
empresa.
Por um lado, existem Sistemas de Incentivos (SI) – como por exemplo, os “Internacionalização das
PME”, “Qualificação das PME”, “Empreendedorismo Qualificado e Criativo”, ou os “Vales
Simplificados” -, em que apenas são elegíveis as PME.
Por outro lado, existem casos como os SI “Inovação Produtiva” e “I&DT” em que, apesar de
Grandes Empresas poderem ser elegíveis, a sua dimensão impede o acesso a majorações das taxas
de incentivo apenas atribuídas a PME.
Perante isto percebe-se a importância da determinação da dimensão de uma empresa para se
compreender o seu possível enquadramento nos diferentes SI.
Quais os critérios de determinação da dimensão de uma empresa?
Em 2003, a Comissão Europeia adoptou a mais recente definição comum de PME (Recomendação
da Comissão 2003/361/CE). Esta recomendação entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2005 e
passou, desde esse momento, a ser aplicável a todos os programas, políticas e medidas geridos
pela Comissão Europeia.
Para apurar a dimensão de uma empresa, é fundamental analisar os dados da empresa com base
em três critérios:
 Número de trabalhadores efetivos;
 Volume de negócios anual;
 Balanço anual.
A comparação dos seus dados com os limiares relativos aos três critérios permitir-lhe-á determinar
se a sua empresa é micro, pequena ou média.
Assim, para aferir da dimensão de uma empresa, deve-se ter atenção aos referidos limiares, que
se apresentam de seguida:
 Micro empresa:
o Menos de 10 trabalhadores efetivos;
o Volume de negócios anual ou Balanço total anual <=a 2 milhões de euros;
 Pequena empresa:
o Menos de 50 trabalhadores efetivos;
o Volume de negócios anual ou Balanço total anual <= 10 milhões de euros;
 Média empresa:
o Menos de 250 trabalhadores efetivos;
o Volume de negócios anual <= 50 milhões de euros ou Balanço total anual <= 43
milhões de euros.
Assim, uma empresa que apresente um número de trabalhadores superior a 250 e,
cumulativamente, um Volume de Negócios anual superior a 50 milhões de euros ou Balanço total
anual superior a 43 milhões de euros, será considerada uma Grande Empresa.
Realce-se ainda que, se uma empresa exceder apenas um dos limites no decurso do ano de
referência, a sua situação não será afectada, ou seja, conservará a sua qualidade de PME.
Contudo, se ultrapassar um dos limites em dois exercícios contabilísticos consecutivos, perderá
essa qualidade.
A nova definição de PME introduz ainda três categorias de empresas, com cada uma a
corresponder ao tipo de relação que uma empresa pode estabelecer com outra, e que pode ter
um impacto direto na dimensão de uma empresa. A saber:
 Empresa Autónoma:
o Se a empresa for totalmente independente;
o Se for detida em menos de 25% por outras empresas;
o Se não detiver mais de 25% de capital de outras empresas;
o Se a empresa for autónoma, apenas recorre aos seus dados contabilísticos e
financeiros para apuramento da dimensão.
NOTA: é possível que a empresa tenha vários investidores, possuindo cada um deles uma
participação inferior a 25%, e continue a ser autónoma, desde que estes investidores não estejam
associados entre si.
 Exceções: Uma empresa pode continuar a ser classificada como autónoma, mesmo que o
limiar de 25% de participação no capital seja atingido ou ultrapassado por qualquer um dos
seguintes investidores:
o Sociedades públicas de participação, sociedades de capital de risco e business
angels;
o Universidades ou centros de investigação semfins lucrativos;
o Investidores institucionais, incluindo fundos dedesenvolvimento regional;
o Autoridades locais e autónomas com um orçamento anual inferior a 10 milhões de
euros ecom menos de 5 000 habitantes.
Cada um destes investidores poderá ter uma participação não superior a 50% na empresa - desde
que não estejam associados entre si – e a empresa continuará a ser considerada autónoma.
 Empresa Parceira:
o Se for detida em 25% ou mais (até 50%) por outra empresa;
o Se detiver 25% ou mais (até 50%) do capital de outra empresa;
o Se a empresa for parceira, tem de juntar aos seus próprios dados a informação
financeira e sobre os efectivos da outra empresa. Esta informação será
proporcional à percentagem do capital ou dos direitos de voto — a mais alta das
duas — que detenha.
 Exemplo: Se a empresa detém uma participação de 30% em outra empresa,
deverá juntar 30% dos efectivos, volume de negócios e balanço desta aos
dados da sua própria empresa.
NOTAS:
 O caso dos Organismos Públicos:
o De acordo com a nova definição, uma empresa não pode ser considerada PME se
25% ou mais do seu capital ou dos seus direitos de voto forem controlados, directa
ou indirectamente, por um ou mais organismos públicos, a título individual ou
conjuntamente.
o Os investidores referidos anteriormente, tais como universidades ou autoridades
locais e autónomas, que têm o estatuto de organismo público nos termos da
legislação nacional não são abrangidos por esta norma.
 Sempre que uma empresa seja parceira de outra que, por sua vez, tem outros parceiros,
apenas se tem de acrescentar os dados da(s) empresa(s) parceira(s) situada(s)
imediatamente a montante ou a jusante;
 Se uma empresa for parceira de outra que, por sua vez, esteja associada a uma terceira,
tem de se incluir nos dados da empresa parceira 100% dos dados da empresa associada e,
em seguida, junta-se aos seus próprios dados a percentagem igual à participação da
empresa parceira.
 Empresa Associada:
o Se for detida em mais de 50% por outra empresa;
o Se detiver mais de 50% do capital de outra empresa;
o Os dados contabilísticos da empresa associada têm de ser acrescentados a 100%
aos dados da empresa, independentemente da percentagem de participação (se
superior a 50%).
De que forma se pode comprovar, com rigor, a dimensão de uma empresa?
Para efeitos de comprovação da sua dimensão, as empresas devem obter ou actualizar o
correspondente certificado digital, através do site do IAPMEI (http://www.iapmei.pt/iapmei-art-
03.php?id=2482).