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FOLHA DE QUESTÕES

CURSO: Letras DISCIPLINA: Literaturas Africanas | Profª: Cristina Prates


Estudo Dirigido A1 Valor: 3,0 pontos
Matrícula: NOME: j

I - História da África

Em 1884 e 1885, as nações europeias e o Japão se


reuniram na Alemanha, na cidade de Berlim e
decidiram sobre a divisão dos territórios africanos.
Foi a partir das resoluções tomadas ali que os
governos europeus se convenceram da necessidade de
ocupar militarmente as regiões sobre as quais queriam
manter sua influência. Entre 1885 e 1902, as
fronteiras coloniais foram traçadas na África, em
geral sob a sombra das metralhadoras europeias.

Partilha da África.

Texto I

Em entrevista ao USP Online (18/08/2009), o professor Kabengele Munanga, que


nasceu na República Democrática do Congo e leciona na USP desde 1980, questionado sobre a
lei federal 10.639, que entrou em vigor desde janeiro de 2003, tornando obrigatório o ensino da
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas brasileiras, teceu importantes
comentários sobre a relação entre a África e o Brasil.

 O senhor explica que foi após a Conferência de Berlim (1885) que se deu a passagem de uma
imagem positiva do povo e continente africanos para uma negativa.
K. Munanga - Os primeiros viajantes na África, como os árabes, deixavam documentos sinceros
sobre aquela sociedade, relatando as formas de organização política, expressão artística etc.
Quando começou a colonização da África, essas memórias foram apagadas. Para se justificar a
dominação através do discurso da Missão Civilizadora, foi preciso negar os atributos daquelas
sociedades. Os livros escritos depois da colonização não trazem mais uma África autêntica, mas
estereotipada. É essa África que foi ensinada na historiografia oficial. Isso também tenta justificar
a posição do negro na sociedade brasileira. O discurso é também um dispositivo de dominação, é
ele que legitima a situação do "outro", o nomeia. Não basta força militar, é preciso que o poder
seja legitimado pelo discurso.

A partir das considerações do professor Kabengele Munanga, responda:

1. Quais foram as teorias que contribuíram para uma visão negativa e distorcida a
respeito do continente africano?

2. A partir dessas teorias, foi, segundo Munanga, apagada a memória de uma África
anterior à chegada dos europeus, que criaram uma imagem inventada da África, para
justiçar a dominação neocolonialista e afirmar o eurocentrismo.
No Século XX, entretanto, surge um novo olhar sobre o continente africano e a história,
que, de forma interdisciplinar, dialogando com a sociologia, a antropologia, a linguística,
a psicanálise e outros ramos do saber, desconstrói a lógica linear, rompe hierarquias,
abala modelos canônicos e classificatórios.

Nesse sentido, responda:

Como era, de fato, essa África que foi apagada pelo Ocidente?
Paute-se nos textos “África na sala de aula”, de Lilian Leite Hernandez, o Texto II da
apostila - “Continente africano: uma ferida ocidental”, de Cristina Prates, acompanhando,
também, os Fichamentos dos dois textos, na apostila e na apresentação dos PPTs.

3. Que Movimentos e líderes foram responsáveis por ideias que colaboraram para a
valorização da África, incentivando, inclusive, o processo de libertação dos países
africanos?

Utilize o material indicado na pergunta anterior.

II - Reinos Africanos

1. O Reino de Congo ou Império do Congo foi um reino africano localizado no sudoeste


da África no território que hoje corresponde ao noroeste da Angola, a Cabinda, à
República do Congo, à parte ocidental da República Democrática do Congo e à parte
centro-sul do Gabão. Durante seu processo de expansão marítimo-comercial, os
portugueses abriram contato com as várias culturas que já se mostravam consolidadas
pelo litoral e outras partes do interior do continente africano.
• Utilizando seus conhecimentos e o texto acima, explique a organização social,
econômica, política do Reino Congo e como marcou sua presença no Brasil.

2. A partir do século IX formaram-se as cidades da civilização iorubá, na região da atual


Nigéria, já habitada por esse povo desde o século IV. Os iorubás nunca unificaram suas
cidades, mas mantiveram a mesma cultura (língua, religião etc.). A cidade iorubá mais
importante era Ifé, considerada sagrada, por ser o berço dos iorubás, segundo a crença
local. Outra cidade importante foi Oyo, um centro militar que, no final do século 17,
tinha se expandido até Daomé (atual Benin).
• Esclareça os principais traços da civilização iorubá, destacando, ainda, como se
fez presente na formação do povo brasileiro.

III - Arte africana e afro-brasileira

No seu ensaio “Diversidade e unidade nas sociedades africanas” (Apostila), Maria Paula
Fernandes Adinolfi examina cuidadosamente a importância da arte africana para
expressão de ideias e valores civilizatórios e sua propriedade de colocar em ação forças a
favor do ser humano. Aliás, como afirma a ensaísta, a ideia de “arte pela arte” é estranha
aos africanos e o próprio termo “arte”, como atividade autônoma, separada da vida, não
existe praticamente nas línguas africanas.

1. Guiando-se pelo ensaio de Adinolfi e pela apresentação dos slides em sala de aula,
explique como tal ideia de arte se concretiza na linguagem simbólica presente nas
máscaras, estátuas, esculturas, objetos de cerâmica, nos tecidos etc., consultando os
ensaios sobre arte africana da apostila e dos comentários e slides apresentados em sala.

2. Analise de que forma artistas como Debret, Rugendas, Pedro Américo, Modesto
Brocos, Portinari, Tarsila do Amaral, Heitor dos Prazeres, Belmonte reproduziram
plasticamente a presença da África e dos africanos no Brasil.