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Seminário Teológico Evangélico Congregacional de João Pessoa

INTRODUÇÃO

AO

ANTIGO

TESTAMENTO
Pastor Eudes Lopes Cavalcanti
Março de 2003

___________________________________________________________________________
CONTEÚDO

I – A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DO ANTIGO TESTAMENTO..................3

II – A REVELAÇÃO DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO.........................3

III – A AUTORIDADE DO VELHO TESTAMENTO.........................................4

IV - O PROPÓSITO DO ANTIGO TESTAMENTO.........................................5

V – O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO..................................................5

VI – MANUSCRITOS DO ANTIGO TESTAMENTO........................................8


VII – AS LÍNGUAS ORIGINAIS DA BÍBLIA....................................................10

VIII – AS VERSÕES DA BIBLIA ....................................................................11

IX – A ESTRUTURA DO ANTIGO TESTAMENTO........................................13

X – A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA.....................................................................14

ANEXOS

BIBLIOGRAFIA
____________________________________________________________________________________________

I – A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DO ANTIGO TESTAMENTO


O estudo do Antigo Testamento se reveste de especial importância devido a, basicamente, a sete grandes coisas:

a) Ser ele a parte inicial da Revelação escrita de Deus ao Homem


Rm 9.4; Hb 1.1, 2; 2 Pe 1.19-21
b) Nela estão contidas as grandes profecias acerca do Messias vindouro, que também é identificado através dos tipos, das figuras e símbolos existentes nas
pessoas, coisas e fatos mencionados ali. Gn 3.15; 49.10; 12.3;

c) Nele se encontra o cerne de praticamente todas as doutrinas da Bíblia, por exemplo: A redenção pelo sangue (Lv 17:11); A justificação pela fé (Gn 15:6); O
pecado (Gn 3); A ressurreição dos mortos (Jó 19:25; Dn 12:2); O Céu (Sl 15:1); O Inferno (Sl 16:10); Os anjos (Gn 28:12); Deus (Gn 1:1); Cristo (Is 53); O Espírito
Santo (Gn 1:2); O galardão (Sl 37:29; Pv 10:16); O castigo dos ímpios (Sl 1:6; 32:10), etc.
d) Ser ele uma fonte histórica de inegável valor. No Antigo Testamento encontramos traços culturais das mais antigas civilizações, como por exemplo: egípcios,
cananeus, fenícios, babilônicos, persas, etc.
e) Nele se encontra a história do povo de Israel (A organização da nação, a organização da religião judaica, etc.) Livros de Gn 12 – 50; Ex; Et
f) Nele se encontra a manifestação do poder de Deus (A criação de todas as coisas, o dilúvio universal, as pragas do Egito, a abertura do Mar Vermelho, etc.) Gn
1.2; 6-8; Ex 7-12; 14; ...
g) Nele se encontram sete das oito Alianças Bíblicas:

1) Edênica - Gn 2:16, 17; 1:28-30;


2) Adâmica - Gn 3:14-19;
3) Noética - Gn 8:20 – 9:17;
4) Abraâmica - Gn 12:1-3; 13:14-17; 15:1-18;
5) Mosaíca - Êx 20:1 – 31:18;
6) Palestiniana - Dt 30:1-9;
7) Davídica - 2 Sm 7:5-19; 1 Cr 17
8) Nova Aliança - Jr 31.31-34; Lc 22.20
II – A REVELAÇÃO DE DEUS NO ANTIGO TESTAMENTO

Aprouve a Deus, segundo o beneplácito de sua vontade, revelar-se ao homem, por escrito, através do Antigo Testamento, pelas seguintes razões:
a) A Natureza não revela a Deus de maneira suficiente para a redenção do homem. Sl 19:1-6; Rm 1:18-23
b) A Razão Humana (A religiosidade) não é suficiente para que o homem compreenda a Deus. I Co 1:21-25
c) A necessidade de uma revelação escrita a fim de poder perpetuar-se no tempo e no espaço, tornando-se disponível a todos os homens como lâmpada para os
seus pés e luz para o seu caminho. Sl 119:105; Hb 1.1; 2 Pe 1.21, 21

A Revelação de Deus no Antigo Testamento é confirmada e testificada por Jesus Cristo, pelos seus apóstolos e pelo seu próprio conteúdo.
a) Por Cristo (35 vezes) - Mt 26:54; 27:46; Lc 4:16-21; ...
b) Pelos Apóstolos - At 1:20; 2:12-36; Hb 1:1; Ap 22:16;...
c) Pelo seu próprio conteúdo - Is 34:16; Jo 5:39; Mt 25:56;...

1) Pelas verdades que só podem ser conhecidas pela revelação – Gn 1;2;3...


2) Pelas profecias detalhadas que só Deus poderia inspirar – Mt 22:57-60; Sl 22:18 com Jo 19:23, 24.

A Revelação de Deus no Antigo Testamento é uma revelação com as seguintes características:


a) É uma revelação autoritária - Jo 5:39; Lc 19:19-31.
b) É uma revelação verídica - Jo 10:35; Is 34:16.
c) É uma revelação progressiva - Hb 1:1, 2.
d) É uma revelação parcial - Hb 1:1, 2; Cl 2:17; Hb 10:1.

III – A AUTORIDADE DO ANTIGO TESTAMENTO

a) A autoridade do Antigo Testamento é confirmada pelos nomes divinos dados a ele:


1) Palavra de Deus - Jo 10:35.
2) As Escrituras - Lc 4:21; Jo 7:38, 42.
3) A Verdade - Jo 17:17; Rm 15:8.
4) Lei - Sl 119: (...); Lc 10:26; Mt 5:18.
5) Mandamentos - Sl 119: (...).
6) A Lei e os Profetas - Mt 5:17; Lc 16:16.
7) A Lei de Moisés - Lc 24:44.
8) Escritura - Rm 4:3; Gl 4:30.
9) Oráculo de Deus - Rm 3:2.

b) A autoridade do Antigo Testamento é confirmada pelo uso que Cristo fez dele. Mt 4:11; Lc 16:29; 24:27, 44;...
c) A autoridade do Antigo Testamento é confirmada pelo uso que os apóstolos fizeram dele. At 1:16, 20; 2:16-21;...

d) A autoridade do Antigo Testamento é confirmada pelo uso que o Espírito Santo fez dele, mostrando ao homem a sua incapacidade de justificar-se pela lei,
preparando o homem para receber a mensagem do Novo Testamento. Gl 2:16; 3:11; Rm 3:20.

e) A autoridade do Antigo Testamento para os dias de hoje:


1) Suas verdades eternas não sofrem alteração. Mt 5:18; Lc 16:17.
2) Cristo cumpriu a lei, desobrigando-nos do cumprimento dela (cancelamento dos sacrifícios levíticos). Hb 9:23-28.

IV – O PROPÓSITO DO ANTIGO TESTAMENTO

O propósito básico do Antigo Testamento é revelar Deus e sua vontade de modo suficiente para preparar o homem para aceitar a Jesus Cristo como Filho de Deus
e seu Salvador pessoal (Jo 5:39b; Lc 24:27, 44-46). O Antigo Testamento é uma revelação verídica e autoritária, embora que parcial e preparatória.
Encontramos nessa Revelação:
a) Deus auto-revelando-se às suas criaturas. Jo 5:39; Lc 24:27, 44-46; Jo 5:46,47
b) A doutrina do sacrifício (O Fio Escarlate). Jo 6:25; Gn 3:21;4:4
c) A linguagem real do Messias (O Fio Purpurino). Is 32:1, 2

V – O CÂNON DO VELHO TESTAMENTO


a) Definição de Cânon – "Os livros das Sagradas Escrituras aceitos pela Igreja Cristã como aqueles que contém a regra autoritária de fé e prática". A palavra Cânon
é de origem grega e significa: regra, norma, reto, cana.
b) O Cânon Hebraico – O Cânon Hebraico é composto de três partes, a saber:
1) A Lei (5 livros) – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.
2) Os Profetas (8 livros) – Profetas Anteriores (04 livros) Js, Jz, Sm, Rs
§ Os Profetas Posteriores (4 livros)
- Profetas Maiores (3 livros) – Isaias, Jeremias e Ezequiel.
- Profetas Menores (1 livro) – Os outros doze profetas.
(Profetas Posteriores porque exerceram o ministério do período compreendido entre os cativeiros Assírio e Babilônico até o retorno dos judeus à Palestina, após
setenta anos sob o domínio babilônico).
3) Os Escritos (11 livros)
- Os Livros Poéticos (3 livros) – Salmos, Provérbios e Jó.
- Os Cinco Rolos (5 livros) – Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Éster.
- Os Cinco Rolos eram lidos em ocasiões especiais, a saber: Cantares (Páscoa); Rute (Pentecostes); Lamentações (Mês de Abibe relembrando a destruição de
Jerusalém pelos babilônicos); Eclesiastes (Tabernáculo); Éster (Purim).
- Os Livros Históricos (3 livros) – Daniel, Esdras (com Neemias) e Crônicas.

O primeiro livro da Escritura hebraica é Gênesis e o último Crônicas (Mt 23:35; Gn 4:8; II Cr 24:20-22).

No Cânon hebraico, como no nosso Cânon, os livros não estão em ordem cronológica.
c) O Nosso Cânon
O Cânon que é aceito pela Igreja Evangélica é o mesmo aceito pelos judeus, apenas difere na sua divisão e no desmembramento de alguns livros.
No Cânon hebraico existem três divisões (A Lei, Os Profetas e os Escritores), e no nosso existem quatro divisões, a saber:

1) Pentateuco – (cinco livros) Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

2) Livros Históricos – (doze livros) Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Éster.

3) Livros Poéticos – (cinco livros) Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares.

4) Livros Proféticos (dezessete Livros)


- Profetas Maiores (cinco Livros) - Isaías, Jeremias, Lamentações de Jeremias, Ezequiel e Daniel.
- (Profetas Maiores porque o volume dos livros é maior do que o dos outros e o tempo do ministério dos respectivos profetas foi superior aos dos outros).

- Profetas Menores (doze livros) - Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.
A Divisão do Cânon aceito pelas igrejas cristãs vem da Septuaginta, através da Vulgata Latina, bem como a ordem dos livros por assuntos.
d) A Formação do Cânon
O Cânon do Antigo Testamento foi formado num espaço de -/+ 1046 anos – de Moisés a Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de
1491 a.C. Esdras entrou em cena em 445 a.C.
Os livros do Antigo Testamento formaram o Cânon de maneira lenta e gradual, à medida que iam sendo credenciados, como inspirados por Deus, perante o povo
comum, seus líderes, seus profetas e sacerdotes.
Nos últimos anos do período incluso no Cânon, cinco grandes homens de Deus viveram simultaneamente numa época de profundo despertamento religioso, a
saber: Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias e Malaquias, sendo dos cinco, Esdras o mais hábil e versátil. Foi este poderoso sacerdote-escriba que, segundo a tradição
judaica, presidiu a chamada Grande Sinagoga, que selecionou e preservou os rolos sagrados, determinando, dessa maneira, o Cânon das Escrituras do Antigo
Testamento (Ed 7:10, 14). A Esdras é atribuído também a tríplice divisão do Cânon hebraico (A Lei, Os Profetas e os Escritos).
A prova de que o Antigo Testamento compõe-se dos livros que se encontram na Escritura hebraica e na Escritura aceita pela Igreja Evangélica Cristã, é dada pelas
evidências internas e externas.
1) Evidências Internas
Moisés, cerca de 1491 a.C. começou a escrever o Pentateuco, concluindo-o por volta de 1451 a.C. (Ex 17:14; 24:4, 7; 34:27; Nm 33:2). As partes do Pentateuco
anteriores a Moisés foram escritas por ele lançando mão de fontes existentes, tais como registros, tradição oral, etc. (Gn 2:4; 5:1; 26:5) e revelação divina, tudo
inspirado pelo Espírito Santo de Deus (2 Pe 1:20, 21;2 Tm 3:16).
Josué, sucessor de Moisés escreveu uma obra e a colocou perante o Senhor (Js 24:26).
Samuel, o último juiz e também profeta do Senhor, escreveu e colocou seus escritos perante o Senhor, isto é, depositou-os próximos a arca do Senhor.
Isaías, o profeta messiânico fala do Livro do Senhor (Is 34:16) e palavras do livro (Is 29:18), referindo-se às Escrituras na sua formação.
Em 726 a.C., os Salmos já tinham sido produzidos e já eram cantados no templo (2 Cr 29:30).
Jeremias, chamado por Deus para o Ministério profético em 626 a.C., registrou a Revelação Divina num livro, conforme orientação de Deus (Jr 30:12). Tal livro foi
queimado por Jeoaquim, rei de Judá, mas novamente escrito, agora com a ajuda de Baruque que escrevia as palavras ditadas por Jeremias (Jr 36:1, 2, 28, 32;
45:1).
No tempo do rei Josias (621 a.C.), Hilquias, o sumo sacerdote achou o Livro da Lei no templo (II Re 22:8-10).
O profeta Daniel fez referência aos Livros, mediante os quais interpretou o sentido profético referente ao período do Cativeiro Babilônico (Dn 9:2).
Zacarias, na sua profecia (Zc 7:12), faz referência a inspiração divina da Lei e dos Escritos dos profetas antigos.
Neemias, nos seus dias, achou o livro da lei de Moisés. Tal leitura produziu uma convicção de pecado tremenda no meio do povo, culminando com uma renovação
do pacto (Ne 8:1-12; 9:38).
O profeta Miquéias cita o profeta Isaías em sua profecia (Mq 4:1-3; Is 2:2-4).

2) Evidências Externas
Filo, escritor de Alexandria (30 a.C. – 50 d.C.) possuía todo o Cânon do Antigo Testamento e o cita abundantemente em todos os seus escritos.
Flávio Josefo, historiador judeu (37 – 100 d.C.), contemporâneo do apóstolo Paulo, escrevendo aos judeus, no livro "Contra Appion", testifica sobre as Escrituras
Hebraicas nestes termos: "Nós temos apenas 22 livros, contando a história de todo o tempo; livros em que nós cremos, ou segundo geralmente diz-se livros aceitos
como divinos. Desde os dias de Artaxerxes ninguém se aventurou a acrescentar, tirar ou alterar uma única sílaba. Faz parte de cada judeu, desde que nasce,
considerar estas Escrituras como ensinos de Deus."
Na sua veemente defesa em prol da autenticidade do Cânon do Antigo Testamento, Josefo diz que todo o judeu respeitava instintivamente as Escrituras Hebraicas
como sendo mandamentos de Deus, procuravam obedecer e, se necessário, morreriam prazerosamente por elas.

e) Os Livros Apócrifos

Nas Bíblias publicadas pela Igreja Romana existem sete livros a mais, do que a da edição protestante. Além dos 7 livros a mais, existem 4 acréscimos ou
apêndices a livros canônicos. Toda esta literatura começou a fazer parte do Cânon católico a partir do Concílio de Trento, em 1546, isto é, depois de
aproximadamente 1700 anos da conclusão do Cânon Hebraico, compilado por Esdras.
Toda esta literatura é considerada apócrifa, isto é, não inspirada por Deus. O termo é grego e significa escondido ou oculto. Significa também não genuíno, espúrio
ou de origem duvidosa. Convém lembrar que os livros apócrifos não fazem parte do Cânon Hebraico.

São os seguintes os livros apócrifos que constam da Bíblia Romana:

1) Tobias (após Esdras)


2) Judite (após Tobias)
3) Sabedoria de Salomão (após Cantares)
4) Eclesiástico (após Sabedoria de Salomão)
5) Baruque (após Lamentações)
6) 1 Macabeus (após Ester)
7) 2 Macabeus (após 1 Macabeus)

São os seguintes os apêndices apócrifos:

1) Acréscimos a Ester (10:4 – 16:24)


2) Acréscimos a Daniel – Cântico dos três Santos Filhos (3:24-90)
3) Acréscimo a Daniel – História de Suzana (Cap. 13)
4) Acréscimo a Daniel – Bel e o Dragão (Cap. 14)
Erros Doutrinários nos Livros Apócrifos

Justificação pelas obras – Eclesiástico 3:33; Tobias 4:7-11


Mediação dos Santos – Tobias 12:12
Os fins justificam os meios – Judite
Oração dos mortos atendida – Baruque 3:4
Oração pelos mortos – 2 Macabeus 14:41-46
Não se julgam inspirados – 2 Macabeus 15:38, 39; 2:25-33
Permite crueldade com os escravos – Eclesiástico 33:26,28, 30
Incentiva o ódio aos samaritanos – Eclesiástico 50:27, 28
Doutrina estranha sobre a origem e destino da alma – Sabedoria 7:25; 8:19, 20
Doutrina de que o Corpo é a prisão da alma – Sabedoria 9:15
Superstição – Tobias 6:7, 19
Paixão de um espírito mau por uma mulher e prática de feitiçarias – Tobias 8:1-3
As esmolas com poder de livrar a alma da morte e perdoar pecados – Tobias 12:8, 9.

VI – MANUSCRISTOS DO ANTIGO TESTAMENTO

Manuscritos são os rolos, pergaminhos, ou livros escritos a mão, antes da invenção da imprensa com tipos, móveis, que foi inventada por Gutenberg em meados
do século XV.
A palavra manuscrito é sempre usada pela abreviatura MS no singular e MSS ou MAS no plural.
Material Gráfico dos MSS Bíblicos:

a) Papiro - planta abundante no Egito, cuja popa era cortada em tiras que eram colocadas superpostas umas as outras de forma cruzada, coladas, prensadas e
depois polidas. Eram escritas de um lado apenas. A cor era amarelada.

b) Pergaminho – pele de animais curtida e preparada para a escrita, seu uso generalizado vem dos primórdios do cristianismo, mas já era conhecido em tempos
remotos, pois temos uma menção de Isaías 34:4 sobre um livro que era enrolado. O pergaminho preparado de modo especial para a escrita era chamado de velo.
Tudo indica que o termo pergaminho derivou o seu nome da cidade Pérgamo, na Ásia menor, cujo rei Eumenes II (159 – 197 d.C.), fez uma grande biblioteca para
rivalizar com a de Alexandria no Egito. O Novo Testamento menciona esse material gráfico em 2 Tm 4:13; Ap 6:14.
Outros materiais foram utilizados para a escrita nos tempos antigos, mas de menor importância, tais como: linho, ostraco (fragmento de cerâmica) mencionado em
Jó 38:14; Ez 4:1, madeira, pedra (Ex 24:12; Js 8:30-32), tábua recoberta de cera (Is 8:1; Lc 1:63).

c) A Tinta e os Instrumentos de Escrita


A tinta utilizada pelos escribas era uma mistura de carvão em pó com uma substância líquida parecida com a goma arábica (Jr 36:18; Ez 9:2; 2 Co 3:3; 2 Jo :12; 3
Jo 13).
Para a escrita em papiro e pergaminho, os escribas usavam penas de aves, pincéis finos e um tipo de caneta feita de madeira porosa e absorvente. Para uso em
cera utilizavam um estilete de metal (Is 30:8).
d) O Formato dos MSS
Os manuscritos do Antigo Testamento tinham os formatos de livros (códices) e rolos. Os códices eram feitos de pergaminho cujas folhas tinham normalmente 65 cm
de altura por 55 cm de largura. Os rolos podiam ser de papiro ou pergaminho. Eram presos a um cabo de madeira para facilitar o manuseio durante a leitura. Era
enrolado da direita para a esquerda. Sua extensão dependia da escrita a ser feita.

e) A Caligrafia usada nos MSS


A caligrafia usada nos MSS era de dois tipos: Uncial e Cursivo. A Uncial era o tipo de caligrafia que se usava somente letras maiúsculas e sem separação entre
palavras. O Cursivo era o tipo de caligrafia em que só eram usadas letras minúsculas com separação entre as palavras.
É conveniente lembrar que nos manuscritos mais antigos não era usado um sistema de pontuação.

f) O Cuidado dos Escritos Judeus


Os manuscritos do Antigo Testamento, usados nas sinagogas foram preparados com o máximo cuidado, segundo regras fixas que demonstravam que os judeus
tinham o maior apreço pela revelação de Deus na Velha Dispensação. Vejamos abaixo esses cuidados:

1. Os pergaminhos tinham de ser feitos com peles de animais cerimonialmente limpos;


2. O trabalho era feito por judeus especializados;
3. Cada coluna tinha que seguir um padrão pré-fixado, até 60 linhas e não menos de 48;
4. A tinta era feita com uma fórmula especial e em preto;
5. O escriba tinha que copiar de um manuscrito autêntico e nunca escrever de memória;
6. Antes de escrever a palavra Deus limpavam a pena, e antes de escrever a palavra Jeová, banhavam-se;
7. O tamanho das letras, a forma delas, os espaços entre uma e outra palavra e divisões, a cor do pergaminho, o uso da pena, etc., tudo isso seguia regras pré-
fixadas;
8. O rolo escrito era revisado no prazo máximo de 30 dias, após o qual perdia o valor;
9. Um erro achado condenava a folha, três erros encontrados numa folha, condenava todo o manuscrito;
10. As letras e as palavras eram todas contadas.

g) Os Manuscritos do Mar Morto


No ano de 1947, um pastor beduíno árabe, chamado Muhammad ad Dib, descobriu por acaso, nas cavernas de Qumram, próximo ao Mar Morto, a mais preciosa
coleção de Manuscritos do Velho Testamento, sendo um dos rolos o de Isaías, datado do ano 100 a.C.
Os Manuscritos do Mar Morto foram escondidos nas cavernas de Qumram pelos essênios – seita ascética judaica, durante a segunda revolução dos judeus contra
os romanos em 132-135 d.C. Os Manuscritos de Qumram são os mais antigos do mundo, conhecidos até o momento.
De todos os livros do Antigo Testamento foram encontrados em Qumram manuscritos exceto do livro de Ester.

VII – AS LINGUAS ORIGINAIS DA BIBLIA

O Antigo Testamento foi escrito em Hebraico, exceção de Esdras 4:8 à 6:18; 7:18-26; Daniel 2:4 à 7:28 e Jeremias 10:11, que foram escritos em aramaico. O Novo
Testamento foi escrito em sua totalidade no grego.
O Hebraico é uma língua que faz parte do grupo de línguas semíticas que eram faladas na Ásia Mediterrânea. A língua hebraica é chamada no Antigo Testamento
de língua de Canaã (Is 19:18), língua judaica ou judaico (2 Rs 18:26, 28; Is 36:13). Como a maior parte das línguas do ramo semítico, o hebraico lê-se da direita
para a esquerda. O alfabeto compõe-se de 22 letras, todas consoantes. Os atuais sinais vocálicos (não vogais) que são colocados em cima, em baixo e dentro das
letras do alfabeto hebraico começaram a ser utilizados em meados do século VI da era cristã pelos escribas massoretas. Qualquer texto bíblico posterior ao século
VI da era atual é chamado de massorético porque contém sinais vocálicos.
O Aramaico é um idioma semítico falado desde 2000 a.C., em Arã (Síria). O primitivo território onde o aramaico era falado estendia-se das montanhas do Líbano
até além do Eufrates, incluindo Babilônia, Mesopotâmia Superior (Padã-Arã) – Gn 25:20, e outros distritos. A influência do aramaico sobre o hebraico foi profunda,
começando no cativeiro do reino de Israel, em 722 a.C. na Assíria, e continuando através do cativeiro do reino de Judá, em 586, pelos babilônicos. Quando Israel
regressou do cativeiro babilônico falava o aramaico como língua vernacular. O aramaico era a língua comercial do mundo antigo, porque era falado na rota
comercial daquela época, principalmente quando a Assíria e a Babilônia dominaram o mundo antigo. O aramaico era também chamado de siríaco no norte (2 Rs
18:26; Ed 4:7; Dn 2:4) e caldeico no sul (Dn 1:4). Tinha o mesmo alfabeto do hebraico, mas diferia nos sons e nas estruturas de certas palavras. No tempo do
Senhor Jesus a língua era falada pelo povo judeu. O hebraico era falado nos serviços religiosos do templo e nas sinagogas.
O Grego faz parte do grupo de línguas ariana. Vem da fusão dos dialetos falados pelas duas principais tribos que povoavam a Grécia, a saber: os dóricos e os
áticos. O grego é uma língua de expressão muito precisa, e das línguas bíblicas, é a que é mais conhecida, devido a sua proximidade com o grupo de línguas
latinas. O grego com que foi escrito o Novo Testamento é o grego popular, isto é, falado pelo povo, chamado Koinê. Com as conquistas de Alexandre Magno, a
Cultura grega foi disseminada pelo mundo todo, tornando-se assim o grego uma língua universal. A influência do grego foi tão grandiosa no mundo antigo, que no
Egito, em Alexandria, as Escrituras Hebraicas foram traduzidas para o grego. Essa versão que foi usada amplamente na época de Jesus, chamava-se a
Septuaginta ou a Versão dos Setenta (LXX).

VIII – AS VERSÕES DA BÍBLIA

Definimos versão como sendo a tradução da Bíblia diretamente dos originais para outra língua. A mais importante das versões antigas das Escrituras Hebraicas é a
Versão dos Setenta, chamada Septuaginta (LXX). A Septuaginta é a versão das Escrituras Hebraicas (Antigo Testamento) para o grego. Segundo a tradição,
Ptolomeu Filadelfo, rei do Egito, 285 a 247 a.C., solicitou de Jerusalém 72 anciãos de Israel, de cada tribo 6, eruditos, para fazerem a tradução das Escrituras
Hebraicas para o grego, em Alexandria. Essa tradução nos explica porque foram acrescentados os livros apócrifos à Septuaginta – para tê-los na Biblioteca de
Alexandria como literatura da nação israelita.
Tendo em vista o uso constante dos primitivos cristãos da Septuaginta em seus cultos e nas controvérsias doutrinárias com os judeus e os pagãos, os judeus do
segundo século da era cristã fizeram novas traduções das Escrituras Hebraicas para o grego, sendo as mais famosas: 1) A de Áquila, de 130 anos depois de
Cristo; 2) A de Teodósio, 150 anos depois de Cristo. A versão de Teodósio foi tão bem feita que o livro de Daniel substituiu o da versão Septuaginta nas cópias
existentes da primeira versão grega; 3) A de Sínaco, de 190 anos depois de Cristo, sendo esta uma versão mais erudita.
Orígenes, considerado um dos pais da Igreja, copiou essas quatro versões gregas e partes de outras em colunas paralelas, com o hebraico original. Dessa obra
denominada Hexaplia ainda existe fragmento hoje em dia nos museus da Europa.
Devido à rápida expansão do Evangelho para todos os quadrantes do mundo conhecido, começou a surgir a necessidade da divulgação das Sagradas Escrituras
para outras línguas. No período compreendido entre 150 a 200 A.D., o Antigo Testamento foi traduzido dos originais para o siríaco através das versões,
CUREITONIANA, PESHITO, HARCLEANA E PALESTINIANA, sendo a mais famosa e aceita a PESHITO. A versão PESHITO (simples, comum ou literal) era a
versão feita para o povo em geral sem se preocupar com o linguajar erudito.
Devido ao aramaico ter praticamente substituído o hebraico como língua oficial dos judeus após o exílio babilônico, surgiu a necessidade de que as Escrituras
Hebraicas fossem vertidas para o aramaico. Os judeus fizeram a versão inclusive parafraseando e explicando o texto hebraico. Essa versão chamou-se TARGUM,
sendo os principais o da Lei feito por Onqueto, amigo de Gamaliel (II Séc. a.d.) e os livros PROFÉTICOS E HISTÓRICOS feito por Jonathan Bem Uziel (III Séc.
a.D.).
Houve também a necessidade de traduzir as Sagradas Escrituras dos originais para o latim, a língua falada pelo império romano. A medida que o império romano ia
se expandindo, o latim também ia se introduzindo no meio dos povos conquistados, tornando-se assim uma língua universal. Na cruz de Cristo o título "Jesus
Nazareno, rei dos Judeus" foi escrito em hebraico, grego e latim (Jo 19:20). Considerando este fato, houveram versões da Bíblia das línguas originais para o latim,
sendo a mais antiga a Antiga Versão Latina, também chamada Versão Africana do Norte, feita possivelmente em Cartago em 170 d.C.. essa versão foi feita da
Septuaginta.
A outra versão latina chamada de Ítala é mais uma revisão da Antiga Versão Latina do que propriamente uma nova versão. Essa versão foi preparada na Itália, daí
o seu nome.
Em 387-405 d.C., Jerônimo, um dos mais sábios e piedosos homens de sua época empreendeu um grande projeto de traduzir as Sagradas Escrituras dos originais
para o latim. Para realizar o seu projeto instalou-se num mosteiro em Belém (Palestina). Essa formosa versão foi a Bíblia da Igreja do Ocidente na Idade Média; em
604 d.C., no tempo de Gregório, o Grande, foi denominada de Vulgata, por ser uma versão mais popular que se tinha conhecido. Por mil anos a Vulgata foi a Bíblia
oficial de quase toda a Europa. Em 1452, Gutenberg, inventor da imprensa, publicou o seu primeiro livro que foi a Vulgata. A Vulgata durante muitos séculos foi a
base de traduções para outras línguas. No Concílio de Trento, em 1546, ela foi formalmente oficializada como a Bíblia da Igreja Romana, já com a inclusão dos
livros apócrifos. Como aconteceu com os outros idiomas, as Sagradas Escrituras não foi traduzida por inteiro para o português, nossa língua pátria. D. Diniz, rei de
Portugal (1279-1375), traduziu da Vulgata uma parte do livro de Gênesis. D. João I (1385-1433) ordenou que os Evangelhos fossem traduzidos para o português.
Ele mesmo traduziu o livro de Salmos. Frei Bernardo traduziu o Evangelho de S. Mateus no século XV. Em 1495, a rainha Leonor, casada com D. João II, mandou
publicar o livro "Vida de Cristo", que era uma espécie de harmonia dos Evangelhos. Em 1505 a mesma rainha mandou imprimir os Atos dos Apóstolos e as
Epístolas Universais.
Vejamos agora as versões completas das Sagradas Escrituras para o português:

a) Versão de Almeida – João Ferreira de Almeida foi ministro do Evangelho da Igreja reformada Holandesa, em Batavia, então capital da ilha de Java, na Oceania.
Na época, Java, atual Jacarta, capital da Indonésia, era domínio holandês, conquistada aos portugueses. Almeida traduziu primeiro o Novo Testamento,
terminando-o em 1670, sendo o mesmo impresso em Amsterdã, Holanda, em 1681. Terminando o Novo Testamento, Almeida empreendeu a tradução do Antigo
Testamento indo até Ezequiel 48:21, quando faleceu em 1691. Missionários, seus amigos, liderados por Jacob Opden Akker, completaram a tradução. A tradução
de Almeida foi feita diretamente dos originais grego e hebraico, utilizando também para este trabalho, as versões holandesa e espanhola. A Bíblia completa em
português foi publicada pela 1ª vez pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, em 1819. O Texto de Almeida foi revisado em 1951, a Imprensa Bíblica
Brasileira (Organização Batista Independente) publicou a versão Revista e Corrigida, por sinal, a mais aceita pelo público evangélico brasileiro, segundo a pesquisa
feita recentemente pela Sociedade Bíblica do Brasil. Uma comissão de especialistas brasileiros trabalhando no período de 1945 a 1955 apresentou a edição
Revista e Atualizada de Almeida.

b) Versão de Figueiredo – Em 1821, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, publicou a versão feita pelo Padre Antônio Pereira de Figueiredo. A tradução de
Figueiredo foi feita da Vulgata Latina e não dos originais. O Padre Figueiredo foi um dos latinistas do seu tempo, e levou 17 anos para concluir a tradução do latim.

c) Versão de Matos Soares – Em 1932, o Padre Brasileiro Matos Soares, traduziu a Bíblia do latim para o português, sendo a mesma publicada somente em 1946.
É a Bíblia popular dos católicos romanos. Segundo os especialistas, a tradução carece de fidelidade, pois nota-se em Matos Soares preconceitos e tendências,
especialmente nos itálicos (Expressões que não constam dos originais e que foram feitas para completar o sentido das frases) que às vezes tem texto maior que o
próprio original.

Curiosidades sobre a Bíblia:

· A Bíblia foi impressa a primeira vez no Brasil em 1944, pela Imprensa Bíblica Brasileira.
· A divisão do texto bíblico em capítulos e versículos não vem dos originais. A primeira Bíblia que trouxe essa divisão foi a Vulgata Latina, em 1555.
· Existe no Brasil três entidades evangélicas que publicam e distribuem a Bíblia. A primeira é a Imprensa Bíblica Brasileira, fundada em 1940. A segunda é a
Sociedade Bíblica do Brasil, fundada em 1948, resultante da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira e Sociedade Bíblica Americana. A terceira é a Sociedade
Bíblica Trinitariana, com sede em São Paulo.
· A Bíblia em português está entre as mais populares do mundo, juntamente com a Vulgata, a de Lutero e a Versão Autorizada (Inglesa).

IX – A ESTRUTURA DO VELHO TESTAMENTO

O Antigo Testamento, sendo como é a parte inicial da Revelação Divina, tem uma estrutura bem definida. O Senhor Jesus falou sobre o plano das Escrituras e de
seu propósito sobre Ele, ao dizer que elas testificam dEle.
Observando com cuidado as palavras de Jesus e dos seus apóstolos, veremos que eles consideravam o Antigo Testamento como a Palavra de Deus que não
poderia falhar e que não havia divisão nela, sendo tudo como é inspirada por Deus verbal e plenariamente. "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia
das Escrituras é de particular interpretação... mas os homens santos da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo". 2 Pe 1:20, 21.

a) Sua Unidade
Nota-se a unidade das Sagradas Escrituras inteira em sua estrutura e no desenvolvimento do plano de Deus através dos séculos (At 15:18; Rm 11:33, 36). No livro
de Gênesis encontramos a criação de todas coisas, a queda do homem, a promessa da vinda do Messias, a chamada de um homem para dele fazer Deus uma
grande nação, donde viria o Messias ao mundo. Nos livros seguintes do Antigo Testamento encontramos registradas as peripécias desse povo escolhido por Deus,
bem como a revelação gradual de Deus ao homem, à sua vontade, assim como a apresentação de um quadro profético do Messias, cada vez mais nítido, a medida
que a palavra profética era acionada por Deus. Acresça-se a isso as pessoas e as coisas registradas que tipificaram e figuravam o Messias.
"O Antigo Testamento nos fornece, não a história de um descobrimento gradual de Deus por parte do homem, mas, antes, uma auto-revelação progressiva de
Jesus ao homem. No princípio Deus falava diretamente com o homem, como se verifica em Gn 2:16, 17; 3:8-13;4:9-15; etc. Porém, conforme o homem se
submergia no pecado, afastava-se de Deus, tornando-se incapaz de ouvir sua voz. Dessa forma Deus se foi revelando cada vez mais, não por intermédio de
preceitos didáticos, mas, antes, por meio de sua providência nos acontecimentos da sua vida diária... Mais tarde ordenou que aquelas revelações fossem escritas,
para que se tornassem úteis para nós também".
No que diz respeito especialmente no Antigo Testamento, sua continuidade é maravilhosa, ao considerarmos: 1º) Dezesseis séculos tinham decorrido desde que o
primeiro escritor bíblico pegara na pena para grafar as palavras sacras no pergaminho até que o último registrou a última palavra que Deus inspirou; 2º) Que os
autores humanos eram de níveis e ocupações diferentes como reis e pastores de ovelhas, profetas e estadistas, generais de exércitos , grandes líderes e homens
desconhecidos à parte de seus registros; 3º) Alguns dos trinta e nove livros do Antigo Testamento foram escritos em terras estrangeiras, e os escritos feitos na
Palestina cobrem tempos bem diferentes, no que se refere às condições físicas e políticas. Apesar disso tudo, o Antigo Testamento é uma obra só, que desdobra o
mesmo tema principal, cada livro fazendo sua contribuição para levar ao clímax o propósito divino. Temos no Antigo Testamento um relato em ordem da história do
homem, do ponto de vista espiritual. Trata-se da história do trato de Deus com o homem através dos milênios.

b) Plano ou Estrutura do Antigo Testamento

Antes de mostrarmos em forma de esquema o plano ou estrutura do Antigo Testamento é conveniente dizermos algo sobre cronologia. Não há unanimidade dos
comentadores sobre a cronologia bíblica, principalmente no período compreendido entre o cativeiro Assírio (722 a.C.) e os relatos do livro de Gênesis. Todos os
eventos envolvendo este período são considerados como tendo data aproximada e não exata. Do cativeiro assírio para frente não há muitas dúvidas quanto as
datas dos eventos acontecidos. A seguir apresentaremos três esquemas, pedidos emprestados ao livro Introdução ao Antigo Testamento, volume 1, do Dr. D. D.
Turner que tratam sobre a estrutura do Velho Testamento: No princípio, ou seja, no primeiro esquema encontramos a distribuição dos livros do Velho Testamento
em sua ordem cronológica. No segundo esquema encontramos a divisão dos livros proféticos da Bíblia relacionados com as duas maiores crises do povo judeu,
que foram os cativeiros assírio e babilônico. No terceiro esquema encontramos a história bíblica em épocas.

X – A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

A Bíblia em sua inteireza é um livro inspirado por Deus. Em 2 Tm 3:16, encontramos: "Toda Escritura é inspirada por Deus..."; ainda em 2 Pe 1:20-21, lemos que
nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais, qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto, homens santos
de Deus, falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo.
Vejamos algumas definições sobre o que é Inspiração: "A Inspiração das Escrituras é aquela influência que Deus exerceu sobre os autores humanos por intermédio
de quem o Antigo e o Novo Testamento foram inscritos". (Chaffer).
"A Inspiração, quando aplicada à Bíblia, é o sopro de Deus dentro dos homens, habilitando-os dessa forma a receber e a comunicar a verdade divina". (Miller).
"A Inspiração bíblica é aquela influência do Espírito Santo sobre certos homens escolhidos por Deus para ensinar sua vontade, que os guardava do erro na
comunicação de tudo que deveria constituir uma parte da revelação divina". (Miller).
Miller faz ainda o seguinte acréscimo, explicando melhor sua definição: "Essa influência se estendia à: 1) Isenção do erro no relato dos fatos históricos; 2)
Confirmação autoritária das verdades da revelação natural às quais faz referência; 3) Revelação sobrenatural, ou seja, às verdades que só podem ser conhecidas
por revelação direta de Deus".
A Inspiração da Bíblia foi plenária e verbal. Quando se fala em inspiração plenária se quer dizer que toda a Bíblia e não somente parte dela, foi inspirada por Deus.
Isso quer dizer que a Bíblia não apenas contém, mas é de fato a Palavra de Deus.
Em outras palavras, as Sagradas Escrituras em sua inteireza é considerada como igualmente fidedigna e que toda a Escritura original foi inspirada por Deus sem
exceção de uma só palavra.
Quando se fala em Inspiração Verbal, quer dizer, que não somente as idéias, mas também as próprias palavras registradas nos originais, foram inspiradas por
Deus. Cartledje disse em determinada ocasião sobre o assunto: "O Espírito escolheu as palavras necessárias para expressar a verdade, porém, não são
necessariamente as únicas palavras que poderiam ter sido usadas". Os teólogos aceitam isso como verdade, quando se trata de traduções, e explica o uso feito
pelo Senhor e seus discípulos da Septuaginta.
Esclarecido o significado de inspiração é de suma importância que entendamos que a inspiração, no sentido bíblico, cessou quando o Cânon Bíblico foi
completado. Depois que o último livro da Bíblia foi terminado, completando a revelação divina, cessou por completo a inspiração do Espírito Santo no que diz
respeito às Sagradas Escrituras. Ninguém pode a partir daquele limite se ancorar no direito de dizer que foi inspirado por Deus para trazer uma nova revelação ao
homem. O apóstolo Paulo foi bem claro nisso quando afirmou: "Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse outro evangelho, além do que já vos
pregamos, seja anátema. Como antes temos dito, assim agora novamente o digo: Se alguém vos pregar outro evangelho além do que já recebestes, seja
anátema". Gl 1:8, 9.
É conveniente que entendamos que existe diferença entre inspiração, revelação e iluminação. Como já conhecemos o que significa inspiração, vejamos os
significados das duas outras palavras:
Revelação – é o ato soberano de Deus pelo qual Ele faz conhecido aquilo que dantes não se tinha conhecimento.
Iluminação – é a ação do Espírito Santo sobre os leitores das Sagradas Escrituras, capacitando-os a perceber a força da revelação.

1) Provas da Inspiração do Cânon Sagrado


a) Unidade na Diversidade – A Bíblia foi escrita por 40 escritores, mas ou menos num período que abrange 17 séculos, em diversos lugares, sendo que os
escritores ocupavam posições diversas, tais como pastores, pescadores, sacerdotes, guerreiros, estadistas, reis, médicos, etc.. Apesar dessa diversidade, no
entanto, existe nas Sagradas Escrituras uma unidade admirável em todo o seu conjunto. Todos os livros apontam para o Senhor Jesus Cristo. É Ele o tema central
de todos os livros do Cânon Bíblico.
b) O Cumprimento das profecias – O cumprimento das predições proféticas é uma das maiores provas da inspiração da Bíblia, principalmente aquelas relacionadas
ao Messias. Se estudarmos a vida do Senhor Jesus Cristo, verificamos que as predições ao seu respeito se cumpriram até nos mínimos detalhes, inclusive aquelas
que não dependiam mais da vontade do Senhor como homem, tais como: Nenhum de seus ossos seriam quebrados; seria sepultado com os ricos; ressuscitaria ao
terceiro dia, etc.
c) A Transformação de Vidas – Milhares de pessoas que adotam as Sagradas Escrituras como regra de fé e prática tem experimentado uma transformação
profunda em seu caráter e conduta, comprovando assim a veracidade da inspiração divina do livro dos livros.

2) Teorias Falsas sobre a Inspiração do Cânon Sagrado

a) A Teoria de Que as Idéias Foram Inspiradas e Não as Palavras – "Essa teoria sustenta que Deus revelou novas verdades e inspirou idéias divinas nas mentes
dos escritores, porém, permitiu-lhes expressar essas idéias em suas próprias palavras, de modo que temos que passar por alto dos erros nas palavras e crer
somente nas idéias expressas na Bíblia. Essa teoria supõe que o Deus infalível entregou sua verdade a homens falíveis para escrevê-las como melhor lhes
parecesse, pelo que o Deus que não erra é autor de um livro crivado de erros".
b) Teoria da Inspiração Parcial – Essa teoria pretende dizer que somente partes da Bíblia são inspiradas e não toda ela, cabendo ao leitor o juízo sobre o que é
inspirado ou não. Essa teoria nos deixaria com uma Bíblia auto-relativa e nos daria um conceito deformado de Deus. Em 2 Tm 3:16, lemos que toda Escritura é
inspirada por Deus.
c) A Teoria da Inspiração Ditada – "Essa teoria defende a idéia de que os autores da Bíblia eram menos estenógrafos, escrevendo mecanicamente apenas aquilo
que Deus ditava, sem usar o cérebro do escritor. Em linguagem atual, seria um texto psicografado. Se essa teoria fosse verdade então todo o Cânon Sagrado em
toda a sua extensão não importando o estilo literário dos autores dos livros, teriam o mesmo estilo literário e vocabulário, o que não é verdade, pois Deus inspirou
os autores humanos e os guardou do erro; não obstante, empregou suas mentes e talentos individuais, pelo que não temos um livro monótono quanto ao estilo,
etc., mas vemos as características particulares de cada um dos seus escritores, e o Espírito Santo superintendendo tudo, para produzir um livro divino, isento de
erro ou engano. Longe do Espírito Santo anular ou por de lado os talentos naturais dos escritores sacros. Usou-os para o seu propósito, tal como é sua maneira de
agir até hoje em toda a obra espiritual".

A HISTÓRIA BÍBLICA EM ÉPOCAS

O Nome Popular da Anos Antes de Total Os Acontecimentos que Os Personagens A O Pacto As Referências
Época Jesus Cristo marcam o começo e o fim da Dispensação que Regia Bíblicas
Época cursada pela
Época

Desde Até Desde Até Desde Até

A IDADE DA INOCÊNCIA - - - A Criação A Queda Deus Adão Inocência Edênico Gênesis 1 a 3

A IDADE ANTIDILUVIANA - 2441 1656 A Expulsão O Dilúvio Adão Noé Consciência Adâmico Gênesis 4 a 6

A IDADE DE UMA SÓ RAÇA 2441 2014 427 O Dilúvio A Chamada de Noé Abraão Governo Noético Gênesis 7 a 11
Abraão Humano
OS PATRIARCAS – A 2014 1584 430 A chamada A Lei em Sinai Abraão Moisés Promessa Abraâmico O Livro de Jó
OPRESSÃO de Abraão Gn 12 a Ex 11

AS PEREGRINAÇÕES, A 1584 1057 527 A Lei em O Moisés Saul Lei Mosaico Ex 12 a Rt 4


CONQUISTA, AS Sinai Estabelecimento
LIBERTAÇÕES do Reino

O REINO UNIDO 1057 937 120 O A Divisão do Saul Roboão Lei Mosaico 1 Sm 1 a I Rs
Estabeleci- Reino 11; 1 Cr 1 a 2
mento do Cr 10; Sl; Pv;
Reino Ec; Cant.

O REINO DIVIDIDO 937 722 215 A Divisão O Cativeiro Roboão Ezequias Lei Mosaico 1 Rs 12 a 2 Rs
do Reino Assírio de Israel 18; 2 Cr 11 à
31; Joel;
Jonas; Amós,
etc.

O REINO DE JUDÁ 722 606 116 O Cativeiro O Cativeiro Ezequias Zedequias Lei Mosaico 2 Rs 18 a 25; 2
Assírio de Babilônico de Cr 32 a 36;
Israel Judá Isaias;
Jeremias, etc.

O CATIVEIRO BABILÔNICO 606 536 70 O Cativeiro A Volta dos Zedequias Zorobabel Lei Mosaico Daniel
Babilônico Judeus à Ezequiel
de Judá Palestina

A RESTAURAÇÃO 536 432 104 A Volta dos O Fim do Antigo Zorobabel Malaquias Lei Mosaico Esdras, Éster,
Judeus à Testamento Neemias,
Palestina Ageu,
Zacarias,
Malaquias

INTER-TESTAMENTÁRIO 432 0 432 O Fim do O Nascimento Malaquias Jesus Lei Mosaico Silêncio
Antigo do Senhor Jesus Cristo Profético
Testamento Cristo

QUADRO DOS LIVROS CONTEMPORÂNEOS DA BÍBLIA EM SUA ORDEM CRONOLÓGICA


Gênesis Êxodo Números Josué Juízes I Samuel II Samuel I Reis Daniel Esdras

Jó Levítico Deuteronômio Rute I Crônicas II Reis Ezequiel Éster

Salmos II Crônicas Neemias

Provérbios Ageu

Eclesiastes Zacarias

Cantares Malaquias

Joel

Amós

Jonas

Oséias

Isaías

Miquéias

Sofonias

Naum

Habacuque

Jeremias

Lamentações

Obadias
SÃO DOS LIVROS PROFÉTICOS DE
ACORDO COM AS DUAS GRANDES CRISES
DO POVO JUDEU

CRISE CRISE DURANTE APÓS


ASSÍRIA BABILÔNICA CATIVEIRO CATIVEIRO
BABILÔNICO BABILÔNICO

Joel Sofonias Daniel Ageu


Amós Habacuque Ezequiel Zacarias
Jonas Jeremias Malaquias
Oséias Lamentações
Isaías Obadias
Miquéias
Naum

Bibliografia

GEISLER Norman, Introdução Bíblica – Como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Vida, 1997.

HASOR William S., Introdução ao A. T. São Paulo: Vida Nova, 1999.

COMFORT Philip Wesley, A origem da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

TURNER D. D., Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1952.

RYRIE Charles C., Guia Conciso da Bíblia. São Paulo: Editora e Distribuidora Candeias, 1988.

SOUZA Nicodemos de, Bibliologia, Um Assunto Oportuno. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.