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Aula 10

Questões Comentadas de Português - CESPE - p/ TRE-MT (todos os cargos)

Professor: Ludimila Lamounier


Português para o TRE/MT Analista e Técnico
Profª Ludimila Lamounier

AULA 10 – LÍNGUA PORTUGUESA

SUMÁRIO PÁGINA
Dicas Gramaticais 02 - 28
Simulado 29 - 67
Gabarito 68 – 69
Simulado Comentado 70 - 182

Olá, amigo do Estratégia!

Hoje é a nossa última aula: Aula 10 de Língua Portuguesa para o


curso Questões de Língua Portuguesa para o concurso do
Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso – Analista e Técnico
Judiciário.Desejo a você muita calma e concentração nesta reta final.
Estarei torcendo para que tenha sucesso e consiga atingir seu
objetivo! Boa sorte!

Vamos começar a nossa última aula?

O objetivo desta aula é fazer uma revisão por meio de um


simulado questões de concursos anteriores do CESPE.

Além disso, darei algumas dicas, que acho importante para quem vai
enfrentar provas de concurso. Assim, veremos alguns termos que
sempre geram dúvidas, portanto aprenderemos, “de uma vez por
todas”, suas devidas colocações.

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DICAS GRAMATICAIS

Em vez de/ao invés de

“Em vez de” indica substituição e “ao invés de” indica apenas “ao
contrário”. Se você estiver com dúvidas, escreva “em vez de”, porque
serve para todas as situações. Para usar “ao invés de” precisa haver
oposição de ideias.

Exemplos:

Comeu macarrão em vez de arroz.

Ao invés de sair, entrou. (=) Em vez de sair, entrou.

De encontro a/ao encontro de

“De encontro a” indica ideia de “choque”, “oposição” e possui valor


equivalente a “contra”. “Ao encontro de” indica “em direção a”, “a
favor de”.

Exemplos:

O senhor tropeçou e foi de encontro ao muro.

Houve discussões na família, porque a decisão do filho foi de encontro à


opinião dos pais.

Quando vi Marina, logo parti ao encontro dela.

Não Houve discussões na família, porque a decisão do filho foi ao encontro


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da opinião dos pais.

Tão pouco/tampouco

Observe que “tão pouco” possui valor equivalente a “muito pouco”.


Assim, temos “advérbio” de intensidade mais “pronome indefinido” ou
“advérbio”.

Por sua vez, “tampouco” é um advérbio que expressa a mesma ideia


de “também não”.

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Exemplos:

O senhor falou tão pouco durante a viagem que eu nem percebi sua
presença.

Ana não passou no concurso, tampouco conseguiu o emprego.

Se não/senão

A expressão “se não” é composta por “conjunção condicional” e


“advérbio de negação”, dessa forma expressa hipótese, condição,
probabilidade. Veja que ela se equivale a “caso não” ou “quando não”.

Exemplos:

Se não fizer o trabalho, não poderá sair. (= “caso não faça”)

O problema era de complexa resolução, se não impossível. (= “quando


não”)

Por sua vez, “senão” é empregado nas seguintes situações:

 Conjunção correlata aditiva (= “mas também”)


 Conjunção adversativa (= “mas sim”)
 Preposição de exclusão (= “exceto”)
 Substantivo (= “problema”)

Exemplos:

Márcia nunca ganhou presentes caros do marido, senão flores baratas. (=


“mas sim”)
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No trabalho de Joana, não encontramos senões. (= “problema”)

Marisa não sabia fazer outra coisa, senão reclamar. (= “exceto”)

Aninha não era apenas linda, senão simpática e charmosa. (= “mas


também”)

Junto ao

Evite o uso da expressão “junto ao”, use “no”.

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Exemplo:

O processo deu entrada junto ao TJMG. (errado)

O processo deu entrada no TJMG.

Nome de cor

Nome de cor, se indicado por substantivo, não varia.

Exemplo:

Tons pastel, blusas rosa, saias creme, casacos cinza.

Por causa que

Não existe a expressão “por causa que”. Use “porque”, “porquanto”.

Exemplo:

Marisa ficou triste por causa que ninguém a aplaudiu. (errado)

Marisa ficou triste porque ninguém a aplaudiu.

Desapercebido/despercebido

“Desapercebido” significa “desprevenido”. Cuidado para não usar o


termo de forma equivocada. 62456350391

Exemplo:

O acontecimento passou desapercebido. (errado)

O acontecimento passou despercebido.

Consigo

“Consigo” só possui valor reflexivo. Cuidado para não usá-lo no lugar


de “com você”, “com o senhor”, etc.

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Exemplo:

Irei consigo. (errado)

Irei com você.

Conquanto/porquanto/contanto que

“Conquanto” equivale a “embora” (concessão).

“Porquanto” equivale a “porque” (causa ou explicação).

“Contanto que” possui valor de caso, condição.

Exemplos:

Conquanto seja muito pobre, compra roupas caras.

Marisa não reduzirá a quantidade de tempero na comida, porquanto deseja


que esta continue saborosa.

Já que/posto que

“Já que” equivale a “porque”, “visto que” (causa).

“Posto que” equivale a “embora” (concessão).

Exemplos:

Aninha deve ser trazida de volta, já que se arrependeu de suas atitudes.


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Posto que fosse muito pobre, comprava sempre roupas caras.

À medida que/na medida em que

“À medida que” equivale a “à proporção que” (conjunção


proporcional).

“Na medida em que” equivale a “já que”, “visto que” (conjunção


causal).

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Não se esqueça de que as expressões “à medida em que” e “na


medida que” não existem.

Exemplos:

Aninha desistiu de comprar o apartamento, na medida em que perdeu o


emprego.

À medida que comia, tomava um copo enorme de suco.

Sendo assim

Evite o uso da expressão “sendo assim” ou “assim sendo”, use “dessa


forma”, “desse modo”, “dessarte”.

Exemplo:

Marisa fará uma festa de aniversário amanhã. Sendo assim, comprarei um


presente para ela. (errado)

Marisa fará uma festa de aniversário amanhã. Dessa forma, comprarei um


presente para ela.

Como sendo/sendo que

Cuidado com as expressões “como sendo” e “sendo que”, pois elas


não existem.

Exemplos:
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O advogado classificou o crime como sendo hediondo. (errado)

O advogado classificou o crime como hediondo.

Estudou-se o projeto de lei sobre cotas raciais, sendo que houve algumas
polêmicas. (errado)

Estudou-se o projeto de lei sobre cotas raciais. Nesse contexto, houve


algumas polêmicas.

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Por ora/por hora

A expressão “por ora” possui valor equivalente a “por enquanto”. Por


sua vez, a expressão “por hora” indica intervalos de sessenta a
sessenta minutos.

Exemplos:

O salário, por ora, ficará nesse valor.

Carla ganha R$ 100,00 por hora.

Devido a

Evite o uso da expressão “devido a”, pois é uma estrutura nova na


língua e muitas bancas consideram errado o seu emprego. Use “em
razão de”, “em virtude de”, “por causa de”. Cuidado também com a
expressão “em função de”, porque ela não existe.

Exemplo:

Devido a uma gripe, Ana está de repouso.

Em função de uma gripe, Ana está de repouso. (errado)

Por causa de uma gripe, Ana está de repouso.

A par de/ao par

A expressão “a par de” possui valor equivalente a “estar ciente” ou


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“ao lado de”, “comparado com”. Por sua vez, a expressão “ao par”
indica “equivalência monetária, cambial”.

Exemplos:

Carla estava a par de todos os fatos ocorridos.

Carla foi ao cinema a par da tia.

A par da primavera do ano passado, até que esta está mais florida.

O real não está ao par do euro.

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Consta do/Consta no

Ambas as expressões “conta do” e “consta no” estão corretas.


Entretanto, alguns estudiosos preferem o uso de “consta do”.

Exemplo:

O documento consta do processo.

O documento consta no processo.

Nenhum/nem um

A palavra “nenhum” é um pronome indefinido e tem sentido oposto a


“algum”. Por sua vez, a expressão “nem um” possui o numeral “um”,
assim suas expressões semelhantes são “nem dois”, “nem três”, etc.

Exemplos:

Não havia nenhum documento na pasta.

Não lhe deram nem um pão a mais.

Está/estar

A palavra “está” é o verbo “estar” conjugado na 3ª pessoa do singular


(presente do indicativo). Por sua vez, “estar” é o infinitivo do mesmo
verbo.

Exemplos: 62456350391

Jonas não sabe se Maria está em casa.

Marina ainda deve estar em casa. (locução verbal)

Joana fará o possível para estar em casa hoje à noite. (oração reduzida de
infinitivo)

Enquanto

Cuidado com a conjunção “enquanto”, pois ela não pode ser usada
para indicar “na qualidade de”.

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Exemplo:

O diretor, enquanto chefe, deve respeitar seus subordinados. (errado)

O diretor, como chefe, deve respeitar seus subordinados.

O diretor, na qualidade de chefe, deve respeitar seus subordinados.

Face ao exposto

Cuidado com a expressão “face ao exposto”, pois ela não existe. Use
“em face do exposto” ou “em face ao exposto”. Também está correto
usar “em razão do exposto” e “diante do exposto”.

Exemplo:

Face ao exposto seguem minhas conclusões. (errado)

Em face do exposto, seguem minhas conclusões.

Face o/em face de

Cuidado com a expressão “face a”, pois ela não existe. Use “em face
de”.

Exemplo:

Face o parecer apresentar conclusões inadequadas... (errado)

Em face de o parecer apresentar conclusões inadequadas...


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A olhos vistos

Cuidado com a expressão “a olhos vistos”, pois ela é invariável.


Observe que se trata de uma locução adverbial.

Exemplo:

Marina emagrecia a olhos vistos.

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Via de regra

Cuidado com a expressão “via de regra”, pois ela não existe. Use “em
regra”.

Exemplo:

As coisas funcionam, via de regra, assim. (errado)

As coisas funcionam, em regra, assim.

Em via de/em vias de

Cuidado com a expressão “em vias de”, pois ela não existe. Use “em
via de”.

Exemplo:

O diretor está em vias de terminar o relatório. (errado)

O diretor está em via de terminar o relatório.

Grosso modo

Cuidado com a expressão “grosso modo”, pois ela não deve ser usada
com a preposição “a”.

Exemplo:

A pesquisa revelou, a grosso modo, uma diferença absurda entre os


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moradores do bairro. (errado)

A pesquisa revelou, grosso modo, uma diferença absurda entre os


moradores do bairro.

Ter que/ter de

Ambas as expressões “ter que” e “ter de” estão corretas. Entretanto,


prefira o uso de “ter de” quando quiser evitar o uso excessivo da
palavra “que”.

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Exemplo:

Eu tenho que preparar o almoço.

Eu tenho de preparar o almoço.

Tem-se

Cuidado com a expressão “tem-se”, pois ela não existe. Use o verbo
“haver”.

Exemplo:

Finalmente, tem-se a conclusão dos fatos. (errado)

Finalmente, há a conclusão dos fatos.

Cuidado com o advérbio de tempo “já”, pois seu emprego para indicar
inclusão não é culto. Use a expressão “por sua vez”.

Exemplo:

Marina é simpática, já a irmã dela é insuportável. (errado)

Marina é simpática, por sua vez a irmã dela é insuportável.

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No sentido de

Evite o uso da expressão “no sentido de”, pois é uma estrutura nova
na língua, ainda sem legitimidade, e muitas bancas consideram errado
o seu emprego. Use “para”, “a fim de”, “com o intuito de”.

Exemplo:

Isso acontece no sentido de facilitar a aplicação da vacina.

Isso acontece para facilitar a aplicação da vacina.

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Vez que

A expressão “vez que” não existe. Use “uma vez que”. Também não
existe “de vez que”. Cuidado com a expressão “eis que”, pois ela
indica sentido de tempo e nunca de causa.

Exemplo:

Vez que Maria ainda não chegou, não sabemos o que fazer. (errado)

Eis que Maria ainda não chegou, não sabemos o que fazer. (errado)

Uma vez que Maria ainda não chegou, não sabemos o que fazer.

Inobstante

Cuidado com a palavra “inobstante”, pois ela não existe, apesar de


ser bastante usada, principalmente no meio jurídico. Use “não
obstante”, “nada obstante”.

Exemplo:

Inobstante Joana ter cobrado as prestações, recebeu apenas parte do


dinheiro. (errado)

Não obstante Joana ter cobrado as prestações, recebeu apenas parte do


dinheiro. (errado)

Entre/Dentre

A palavra “entre” significa “no meio de” e a palavra “dentre” significa


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“do meio de”. Assim, o uso da palavra “dentre” é mais raro poucos
são os verbos que a admitem, como “emergir”, “surgir”, “sair”,
“retirar”. Você deve ter bastante cuidado, porque as pessoas
costumam empregar, de forma incorreta, “dentre” em vez de “entre”.

Exemplos:

Dentre os princípios, está o da impessoalidade. (errado)

Entre os princípios, está o da impessoalidade.

Em Brasília, há pontos turísticos: Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada,


Congresso Nacional, dentre outros. (errado)

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Em Brasília, há pontos turísticos: Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada,


Congresso Nacional, entre outros.

Dentre as provas, emergiram as que são mais importantes.

Melhor/mais bem

Antes do “particípio”, não use as formas sintéticas “melhor” e “pior”.


Empregue “mais bem” e “mais mal”.

Exemplos:

Márcio Ramos era o atleta melhor preparado para as Olimpíadas. (errado)

Márcio Ramos o atleta mais bem preparado para as Olimpíadas.

Minha redação foi a pior qualificada pela banca examinadora. (errado)

Minha redação foi a mais mal qualificada pela banca examinadora.

Protocolizar/protocolar

Ambas as formas “protocolizar” e “protocolar” estão corretas.

Exemplos:

Marisa protocolou o processo no STF.

Marisa protocolizou o processo no STF.


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Às custas de

Não existe a expressão “às custas de”. Use “à custa de” e “a expensas
de”. Cuidado para não fazer confusão com o termo correto “as
custas”.

Exemplos:

A servidora somente conseguiu a função às custas de muito


esforço. (errado)

A servidora somente conseguiu a função à custa de muito esforço.

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A servidora somente conseguiu a função a expensas de muito esforço.

Márcio pagou as custas processuais da ação.

Através de

“Através de” indica ideia de “atravessar”, “passar”. Cuidado com isso!

Exemplos:

Através da lei, definiram-se as normas de acesso ao teatro. (errado)

Por meio da lei, definiram-se as normas de acesso ao teatro.

Por intermédio da lei, definiram-se as normas de acesso ao teatro.

Através dos séculos, o mundo progrediu bastante. (noção de “passar”)

Através da lente, foi possível ler aquela minúscula informação. (noção de


atravessar”)

Verbo “caber”

Tenha bastante cuidado com o verbo “caber”. Veja os seguintes


exemplos.

Exemplos:

Cabem aos alunos exigir boas instalações. (errado, pois “exigir boas
instalações” é o sujeito oracional do verbo “caber”, assim o verbo deverá ter
sua concordância feita na 3ª pessoa do singular).
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Cabe aos alunos exigir boas instalações.

Cabem aos alunos os deveres de uso adequado das instalações. (o termo


“os deveres de uso adequado das instalações” é o sujeito plural do verbo
“caber”. Dessa forma, este deve ter sua concordância feita no plural).

Verbos terminados em “-i”

Os verbos terminados em “-i”, quando acompanhados de “lo, la, los,


las”, só são acentuados se o “-i” estiver em hiato e for tônico.

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Exemplos:

Geraldo irá instruí-lo sobre o processo.

Sobre a demissão, Geraldo irá defini-la.

Verbo “intermediar”

Os verbos “intermediar”, “mediar”, “ansiar”, “remediar”, “incendiar”


conjugam-se como “odiar”.

Exemplo:

Geraldo intermedia a negociação. (errado)

Geraldo intermedeia a negociação.

Verbo “possuir”

Cuidado com os verbos “possuir”, “atribuir”, “contribuir”, etc.

Exemplos:

Geraldo possui muitas empresas.

Geraldo a Ana possuem muitas empresas.

Verbo “implicar” 62456350391

O verbo “implicar” é transitivo direto no sentido de “acarretar”.

Exemplo:

O novo cargo implica responsabilidade.

Verbo “assistir”

O verbo “assistir” exige a preposição “a” quando possui sentido de


“presenciar”. Lembre-se de que ele também não aceita pronome
átono, como “lhe”.

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Exemplo:

Eu assisti ao jogo ontem.

Eu assisti a ele.

Eu assisti-lhe. (errado)

Alguns verbos para termos cuidado

Cuidado com os verbos “ver”, “rever”, “prever”, “vir”, “convir”, “ter”,


“manter”, “pôr”, “impor”, “fazer”, “desfazer”, “dizer”, etc.

Exemplos:

Se eu ver Ana por aí, não sei o que farei. (errado)

Se eu vir Ana por aí, não sei o que farei.

Se eu vier, saberei o que fazer.

Estudarei para concursos apenas quando me convier.

Se eu tiver sorte, ganharei o sorteio.

Se eu mantiver minha opinião, ela terá que ir embora.

Se ele puser mais sal na comida, ficará ruim.

Se eu impuser isso, muitos não gostarão.

Se ele fizer a prova, eu ficarei feliz.


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Se eu desfizer o trato, muitos não gostarão.

Se nós dissermos a verdade, Ana ficará triste.

Paroxítonas terminadas em “-n”

As paroxítonas terminadas em “-n”, se vierem na forma ”plural”, não


são acentuadas.

Exemplo:

Pólen, polens, hífen, hifens.

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Acento diferencial

Os vocábulos “pera”, “para”, “polo” e “pelo”, após o novo acordo


ortográfico, não recebem mais o acento diferencial. Entretanto,
“pode” e “por” continuam recebendo.

Exemplo:

O bandido pôde fugir. (pretérito perfeito do indicativo do verbo “poder”)

O bandido pode fugir. (presente do indicativo do verbo “poder”)

Você deve pôr a caixa na estante. (verbo “pôr”)

Não vá por ruas escuras. (preposição “por”)

Tem/têm

A forma verbal “tem” recebe acento se estiver no plural. A mesma


coisa acontece com a forma verbal “vem”. Também tenha cuidado
com a forma verbal “põe”.

Exemplo:

Ele tem uma bonita casa.

Eles têm casas bonitas.

Ela põe muito açúcar no café.

Elas põem muito açúcar no café.


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A partir de

Tenha bastante cuidado com a expressão “a partir de”, pois ela


expressa uma ideia temporal apenas.

Exemplo:

A partir do ano de 2015, será necessário cumprir as regras estabelecidas


pela empresa.

Dessa forma, está errado usar a referida expressão quando queremos


expressar ideias diferentes da temporal. Observe:

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Exemplo:

A partir de exame realizado, observou-se deficiência em algumas vitaminas.


(errado)

Para corrigir, use expressões como “com base em”, “com fundamento
em”, etc.

Exemplo:

Com base em exame realizado, observou-se deficiência em algumas


vitaminas.

A meu ver/ao meu ver

Tenha bastante cuidado com as expressões “a meu ver” e “a nosso


ver”, pois não existem a expressões “ao meu ver” e “ao nosso ver”.

Exemplo:

A nosso ver, será necessário cumprir as regras estabelecidas pela empresa.

Ao nosso ver, será necessário cumprir as regras estabelecidas pela empresa.


(errado)

Acento grave antes de palavra masculina

Não existe acento grave antes de palavra masculina, a não ser que a
palavra “moda” esteja subentendida.
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Exemplos:

Comprei uma cadeira à (moda de) Luís XV.

Ana estava vestida a caráter. (“caráter” = palavra masculina)

Do ponto de vista/sob o ponto de vista

Tenha bastante cuidado com as expressões “do ponto de vista” e “sob


o ponto de vista”, pois não existe a última.

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Exemplo:

Do ponto de vista, será necessário cumprir as regras estabelecidas pela


empresa.

Sob o ponto de vista, será necessário cumprir as regras estabelecidas pela


empresa. (errado)

A nível de/em nível de

Tenha bastante cuidado com as expressões “em nível de” e “a nível


de”, pois não existe a última.

Exemplo:

Ana fará uma prova em nível de segundo grau. (“em nível de” indica esfera,
instância)

A nível de cidade, Brasília é das melhores. (errado)

Perante o/perante ao

Tenha bastante cuidado com as expressões “perante o” e “perante


ao”, pois não existe a última.

Exemplo:

Ana falou perante o juiz.

Ana falou perante ao juiz. (errado)62456350391

Quando do (da)

Tenha bastante cuidado com a expressão “quando do”, pois, por ser
um galicismo, deve ser evitada.

Exemplo:

Quando da audiência, Ana falou perante o juiz. (errado)

Por ocasião da audiência, Ana falou perante o juiz.

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Partícula apassivadora

Cuidado: na voz passiva sintética, o verbo concorda com o sujeito.

Exemplos:

Alugam-se lojas.

Fazem-se consertos.

Cidadão

O plural de “cidadão” é “cidadãos”. Cuidado para não fazer confusão.

Gratuito

Pronunciamos e grafamos corretamente assim: “gratuito”. “Gratuíto”


está errado. Cuidado para não fazer confusão.

Meio ambiente

“Meio ambiente” não se escreve com hífen. Cuidado para não fazer
confusão. Por sua vez, temos: “má-fé”, “boa-fé”, “maus-tratos”,
“bem-estar”.

No/na 62456350391

Se o verbo termina em “m”, “ão” ou “õe”, os pronomes “o, a, os, as”


assumem as formas “no, na, nos, nas”.

Exemplo:

Ana e Márcia esperavam-no.

Verbos “de movimento”

Verbos “de movimento” exigem a preposição “a”, e não “em”.

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Exemplos:

Ana chegou a Belo Horizonte.

Amanhã irei ao teatro.

Márcia levará as crianças ao cinema.

Verbo “preferir”/é preferível

Prefere-se uma coisa “a” outra. Não usamos a preposição “de”.

Exemplos:

Ana preferia trabalhar a estudar.

É preferível trabalhar a estudar.

Entre mim

Usamos o pronome “mim” e não “eu”, etc. Veja:

Exemplos:

Entre mim e você.

Entre eles e ti.

Verbo “intervir”
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Conjugamos o verbo “intervir” como o verbo “vir”.

Exemplo:

Carlos interveio na negociação.

Carlos interviu na negociação. (errado)

Meio

“Meio”, quando funciona como advérbio, é invariável.

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Exemplo:

Ana é meio agitada.

Ana é meia agitada. (errado)

A ver/haver

Observe, a seguir, quando usamos “a ver”. “Haver” é verbo.

Exemplos:

O documento não tem nada a ver comigo.

O documento não tem nada haver comigo. (errado)

O documento tem tudo a ver comigo.

O documento tem tudo a ver comigo. (errado)

Óculos/parabéns/costas

Concordância é feita no plural.

Exemplos:

Adorei os seus óculos.

As minhas costas estão doendo.


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A/Há

O verbo “haver” é usado para indicar “tempo decorrido” (tal como o


verbo “fazer”) ou para expressar o mesmo valor de “existir”. Ele é
impessoal (invariável) em ambos os casos. Usamos a preposição “a”
para geralmente indicar “tempo futuro” ou “distância”.

Exemplos:

Havia muitos documentos na sala. (= “existir”)

Existiam muitos documentos na sala.

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Faz trinta dias que Carlos viajou. (= “tempo decorrido”)

Carlos viajou há trinta dias. (= “tempo decorrido”)

Carlos viajará daqui a poucos dias.

Carlos está a cem metros de onde Maria trabalha.

Atenção: não usamos “Há muitos anos atrás”, pois é uma expressão
tautológica ou pleonástica. “Há” e “atrás” demonstram a mesma coisa,
ou seja, tempo decorrido.

Exemplos:

Maria se formou há dez anos.

Maria se formou dez anos atrás.

Parte integrante do verbo

Alguns verbos têm, como parte integrante, pronomes pessoais


átonos. Assim, esses pronomes não possuem função sintática e são
chamados de parte integrante do verbo ou pronome fossilizado.

Exemplos:

Suicidar-se, lembrar-se, queixar-se, escandalizar-se, etc.

Algarismos romanos
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Caso o algarismo romano venha antes do substantivo, ele será


sempre ordinal.

Exemplos:

Eu fui convidada para participar da XXX Bienal de Arquitetura. (= “trigésima


Bienal”)

Eu fui convidada para participar da III Bienal de Arquitetura. (= “terceira


Bienal”)

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Pronomes de tratamento

Os pronomes de tratamento são usados como referência à 2ª pessoa


(pessoa com quem se fala), mas fazemos a concordância sempre na
3ª pessoa.

Exemplo:

Vossa excelência poderá ter o auxílio de seus subordinados.

Muito/bastante/pouco/menos/mais

As palavras “muito”, “bastante”, “pouco”, “menos” e “mais”, se


antecederem o substantivo, serão pronomes indefinidos adjetivos.

Exemplos:

Márcia tem muitos problemas.

Márcia tem bastantes dúvidas.

Grafias corretas

Algumas palavras provocam dúvidas quanto à sua grafia. A seguir,


coloco uma lista, na qual consta a grafia errada entre parênteses.

Exceção (excessão)

Paralisar (paralizar)
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Frustrado (frustado)

Empecilho (impecilho)

Invólucro (envólucro)

Calcário (calcáreo)

Adivinhar (advinhar)

Cinquenta (cincoenta)

Beneficente (beneficiente)

Chuchu (xuxu)

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Zoar (zuar)

Pichar (pixar)

Ascensão (ascenção)

Privilégio (previlégio)

Acerca de/a cerca de/há cerca de

A expressão “acerca de” significa “sobre”, “a respeito de”.

Exemplo:

Márcia irá discursar acerca dos problemas de transporte.

A expressão “a cerca de” significa “a aproximadamente”. Por sua vez,


a expressão “há cerca de” significa “faz aproximadamente”.

Exemplos:

Márcia chegou ao teatro há cerca de dez minutos.

Márcia ficará a cerca de dez metros da plateia.

Sessão/seção/cessão

A palavra “sessão” significa um intervalo de tempo em que alguma


atividade acontece. Pode ser uma reunião, um espetáculo, uma
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consulta ou qualquer outra atividade.

Por sua vez, a palavra “seção” ou “secção” expressa sentido de


divisão, departamento, parte de um todo, subdivisão.

Por fim, a palavra “cessão” origina-se do verbo “ceder” e expressa


“doação”, “transferência de posse ou de direito”.

Exemplos:

Hoje teremos sessão noturna na Câmara dos Deputados.

Marisa trabalha na seção de arquitetura do Departamento de Obras.

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Ana fará a cessão de seus bens para os seus filhos.

A princípio/em princípio

A expressão “a princípio” significa primeiramente, no início. Por sua


vez, a expressão “em princípio” significa “em tese”, “de forma geral”.

Exemplos:

A princípio, Ana explicou os termos gerais de sua palestra.

Em princípio, Marta concordou com o esquema que sua professora


apresentou.

Mau/mal

“Mau” é um adjetivo e seu antônimo é o adjetivo “bom”. Portanto,


“mau” irá se conectar a substantivos e será uma palavra variável.

Exemplos:

O mau jogador irá entrar para o meu time.

As más companhias são um problema.

Por sua vez, “mal” pode ser substantivo abstrato (“a maldade”),
conjunção temporal ou advérbio. Neste último caso, possui valor
oposto de “bem”. Como conjunção temporal possui valor semelhante
a “logo que”, “assim que”.
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Exemplos:

O jogador do meu time jogou mal. (advérbio)

Mal ela chegou ao teatro, a peça começou. (conjunção temporal)

O mal é um dos piores problemas da humanidade. (substantivo)

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Mais/mas

“Mais” pode ser advérbio de intensidade ou pronome indefinido. Não


se esqueça de que advérbios modificam verbos, adjetivos ou outros
advérbios e que pronomes se conectam a substantivos.

Exemplos:

O time do bairro vizinho possui mais equipamentos. (pronome indefinido)

Ela precisa estudar mais para conseguir fazer uma boa prova. (advérbio de
intensidade)

Por sua vez, “mas” é uma conjunção.

Exemplos:

O jogador do meu time jogou mal, mas foi aplaudido. (conjunção


coordenativa adversativa – equivale a “porém”, “contudo”, “todavia”)

Não é só a Maria que pertence o apartamento, mas também a seu marido.


(conjunção coordenativa aditiva – correlação “não é só..., mas também...”)

Atenção!

Observe que algumas vezes o “mas” aparece como palavra denotativa


de ênfase ou de situação.

Exemplos:

Mas quem virá à reunião?


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Mas que lindos olhos tem Maria!

A fim/afim

“A fim” é utilizado em locuções prepositivas (“a fim de”) ou


conjuntivas (“a fim de que”). Ambas as locuções indicam sentido de
finalidade, objetivo. Observe que “a fim de” possui valor semelhante a
“para”.

Exemplos:

A fim de fazer uma boa prova, Bruna estudou bastante.

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A fim de que ela ficasse bonita, comprei-lhe uma roupa nova.

Por sua vez, “afim” é um adjetivo e possui valor semelhante a “que é


próximo”, “que possui afinidade”.

Exemplos:

Ana e Márcia possuem personalidades afins.

As duas disciplinas possuem conteúdos afins.

Se quer/sequer

A expressão “se quer” é a união da conjunção condicional “se” e do


verbo “querer” conjugado na 3ª pessoa do singular do futuro do
subjuntivo. Note que essa expressão se equivale a “se desejar” e
indica valor hipotético, condicional.

Por sua vez, a palavra “sequer” é um advérbio e expressa “ao


menos”. Ela é muito usada em frases negativas.

Exemplos:

Se quer fazer uma boa prova, estude bastante.

Marisa não fez a prova e nem sequer preocupou-se em contar isso aos pais.

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SIMULADO

Chegamos, agora, em um ponto crucial do nosso curso: o simulado


final com questões diversas. Nada melhor para revisar e testar os
seus conhecimentos do que uma bateria de exercícios do conteúdo
visto nas aulas.

Desse modo, este simulado apresenta questões do CESPE, a banca


do nosso concurso. É importante que você o resolva como se fosse a
prova. Assim, não mais consulte nenhum material didático, use
apenas o seu conhecimento para a resolução das questões propostas.
Uma vez finalizado, consulte os comentários, mesmo que tenha
acertado a questão.

Vamos começar?

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LISTA DE QUESTÕES

Questão 01 – (CESPE) Auditor de Controle Externo – TC-DF/2014

Na trajetória de cada indivíduo, a faculdade de antever o futuro e o autocontrole


necessário para agir no tempo dependem de um equipamento cerebral e mental que
se constitui nas etapas formativas do ciclo de vida.

A disposição de usar essa faculdade, entretanto, varia de forma significativa entre


os indivíduos. A formação de preferências temporais em distintos campos da vida
prática — saúde, educação, carreira profissional, finanças, relações afetivas,
previdência, práticas religiosas — é um assunto de extraordinária complexidade e
que deverá continuar desafiando a engenhosidade humana por muito tempo ainda.

No sempre renovado embate entre a impulsividade da cigarra límbica e o cálculo


prudente da formiga pré-frontal, o resultado não está dado de antemão. Enquanto
uma se agarra ao momento fugaz e deixa que o amanhã cuide de si (“no caminho
da oficina, há um bar em cada esquina”), a outra procura uma posição neutra em
relação ao que está ao alcance dos sentidos e avalia os trade-offs entre
recompensas abstratas, inclusive aquelas que se espera obter e desfrutar em prazos
mais longos (como a manutenção do emprego, o salário no fim do mês e o sucesso
profissional).

Eduardo Giannetti. O valor do amanhã: ensaio sobre a natureza dos juros. São Paulo:
Companhia das Letras, 2005, p. 51-3 (com adaptações).

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o
item subsequente.

Sem que se contrariem a informação expressa no primeiro período do texto e a


prescrição gramatical, a forma verbal “dependem” (sublinhado no texto) poderia
estar flexionada na 3ª pessoa do singular, concordando com o núcleo nominal
“faculdade” (sublinhado no texto), como comprova, no processo de coesão textual,
o emprego da expressão “essa faculdade” (sublinhado no texto) no segundo
parágrafo.
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Questão 02 – (CESPE) Analista Técnico – MDIC/2014

Os municípios do Brasil alcançaram, em média, um índice de desenvolvimento


humano municipal (IDHM) alto, graças a avanços em educação, renda e expectativa
de vida nos últimos vinte anos.

Mas o país ainda registra consideráveis atrasos educacionais, de acordo com dados
divulgados pela Organização das Nações Unidas e pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada.

O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 aponta que o IDHM médio do


país subiu de 0,493, em 1991, para 0,727, em 2010 — quanto mais próximo de 1,

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maior é o desenvolvimento. Com isso, o Brasil passou de um patamar “muito baixo”


para um patamar “alto” de desenvolvimento social. O que mais contribuiu para esse
índice foi o aumento na longevidade, que subiu de 64,7 anos para 73,9 anos.
Também houve aumento de 14,2% ou (R$ 346,31) na renda nesse período.

Os maiores desafios concentram-se na educação, o terceiro componente do IDHM.


Apesar de ter crescido de 0,279 para 0,637 em vinte anos, o IDHM específico de
educação é o mais distante da meta ideal, de 1. Em 2010, pouco mais da metade
dos brasileiros com dezoito anos de idade ou mais havia concluído o ensino
fundamental; e só 57,2% dos jovens entre quinze e dezessete anos de idade tinham
o ensino fundamental completo. O ministro da Educação admitiu um “imenso
desafio” na área, mas destacou que a educação é o componente que, tendo partido
de um patamar mais baixo, registrou os maiores avanços, graças ao aumento no
fluxo de alunos matriculados nas escolas. O índice de crianças de cinco e seis anos
de idade que entraram no sistema de ensino passou de 37,3%, em 1991, para
91,1%, em 2010.

Conforme o atlas, dois terços dos 5.565 municípios brasileiros estão na faixa de
desenvolvimento humano considerada alta ou média. Ao mesmo tempo, a
porcentagem de municípios na classificação “muito baixa” caiu de 85,5%, em 1991,
para 0,6%, em 2010. O relatório identificou uma redução nas disparidades sociais
entre Norte e Sul do Brasil, mas confirmou que elas continuam a existir. Um
exemplo disso é que 90% dos municípios das regiões Norte e Nordeste têm baixos
índices de IDHM em educação e renda.

Internet: (com adaptações).

No que se refere às ideias e expressões linguísticas contidas no texto,


julgue o item que se segue.

O pronome “isso” (sublinhado no texto) retoma apenas a ideia expressa em “quanto


mais próximo de 1, maior é o desenvolvimento” (sublinhado no texto).

Questão 03 – (CESPE) Consultor de Orçamento e Fiscalização Financeira –


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Câmara dos Deputados/2014

Ao vender Sochi como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, o presidente
russo Vladimir Putin prometeu uma experiência única: turistas e atletas poderiam
esquiar nas montanhas, onde é muito frio, e mergulhar em piscinas abertas de
hotéis, onde o clima é mais ameno, no mesmo dia. Sochi é famosa como estância
de veraneio de milionários russos. Pelo fato de o clima na região ser subtropical, a
temperatura prevista para a Olimpíada já estava no limite do aceitável para a
prática de esportes na neve: no inverno, é esperada a média de 6 ºC na altura do
mar Negro, que banha o litoral. O que atletas e turistas encontraram ao chegar a
Sochi, porém, foi um cenário muito mais inusitado. O calor na altura do mar atinge
20 ºC e, nas montanhas, 15 ºC. O calor intenso derreteu a neve nas pistas, forçou o
cancelamento de treinos e prejudicou competições. Por trás dessa surpresa, um
velho conhecido: o aquecimento global, fenômeno responsável por mudanças
climáticas intensas que têm afetado o planeta no último século e que pôde ser
notado em anomalias frequentes nessa última temporada de inverno no Hemisfério
Norte e de verão, no Sul.

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Alexandre Salvador e Raquel Beer. Cadê o frio? In: Veja, fev./2014 (com adaptações)

Julgue o próximo item, relativo aos sentidos e aspectos gramaticais do


texto acima.

As orações “onde é muito frio” (sublinhado no texto) e “que banha o litoral”


(sublinhado no texto) têm natureza explicativa, o que justifica o fato de estarem
isoladas por vírgulas.

Questão 04 – (CESPE) Auditor Fiscal do Trabalho – MTE/2013

Existe no mercado uma tendência de crescimento da taxa de atividade feminina e


de melhoria para as mulheres na disputa por postos de trabalho. De fato, desde
meados dos anos oitenta do século XX, a taxa anual de emprego das mulheres
mostra-se mais elevada que a masculina, o que representa um forte aumento de
pessoas do sexo feminino entre a população ocupada.

Muitas razões podem explicar esse comportamento mais favorável às mulheres do


que aos homens, no que se refere à expansão do nível de ocupação. Uma delas
decorre da amplitude do processo de reestruturação produtiva iniciada na década de
noventa do século passado, que afeta principalmente o emprego industrial, cuja
redução massiva tem rebatimentos negativos e incide mais sobre os homens do que
sobre as mulheres, pouco representadas no setor.

Outro fator que estimula a inserção produtiva das mulheres diz respeito à expansão
da economia de serviços. Entretanto, há de se considerar que esse fenômeno pouco
tem alterado a predominância de um ou outro sexo em determinados setores, dado
o perfil da segregação ocupacional de gênero: as mulheres permanecem
majoritárias representam mais de 70% do total nas atividades de saúde e de
ensino, na administração pública e nos serviços pessoais.

O terceiro fator que favorece o aumento do emprego feminino nos anos recentes é a
maior flexibilização do mercado de trabalho, juntamente com a “precarização” das
relações de trabalho, dada a falta de regulamentação de certas garantias de
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trabalho e de seguridade social, as formas de contrato sem carteira assinada, a


diminuição dos níveis salariais, o aumento das formas de trabalho em domicílio e
por conta própria e o aumento da informalidade, de forma geral.

Esse enfoque explica o aumento maior de oportunidades de emprego para as


mulheres, em razão, sobretudo, das características da atual divisão do trabalho por
sexo: o emprego em atividades de tempo parcial atrairia prioritariamente as
mulheres, pois permitiria compatibilizar trabalho doméstico e trabalho remunerado;
como mão de obra secundária, as mulheres aceitariam salários inferiores, o que
atenderia mais imediatamente à demanda dos setores público e privado, até
porque, em face do aumento do desemprego, seriam provavelmente as primeiras a
serem dispensadas.

Em outras palavras, existe uma oposição entre elevação da taxa de emprego


feminina ou “feminização” do emprego e a “precarização” das relações de

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trabalho, e isso explica vantagens comparativas da mão de obra feminina sobre a


masculina.

Tânia M. Fontenele-Mourão. Mulheres no topo de carreira: flexibilidade e


persistência. Brasil: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2006.
Internet: <www.dominiopublico.gov.br> (com adaptações).

Com base na estrutura linguística do texto, julgue o item que se segue.

As formas verbais “tem” (sublinhado no texto) e “incide” (sublinhado no texto)


estão flexionadas no singular porque concordam com o termo “redução massiva”
(sublinhado no texto).

Questão 05 – (CESPE) Consultor de Orçamento e Fiscalização Financeira –


Câmara dos Deputados/2014

Vista do avião, a cidade de edifícios arrojados lembra Dubai, só que insulada na


estepe verde. Desde 1997, quando o presidente Nursultan Nazarbayev transferiu a
capital de Almaty, maior centro urbano do país, para Astana, no norte, a cidade não
para de receber investidores e arquitetos famosos, atraídos pelas receitas de
petróleo do Cazaquistão. Oficialmente, o presidente Nazarbayev justificou a
mudança alegando o risco permanente de terremoto em Almaty e a falta de espaço
para crescimento. Contudo, também queria integrar o norte habitado por russos à
maioria cazaque. Hoje, a população de Astana é 65% de origem cazaque, 23%
russa, 3% ucraniana, 1,7% tártara e 1,5% alemã. A nova capital é a fronteira de
expansão econômica do país, irresistível para os jovens.

Brasília asiática. In: Planeta, fev./2014 (com adaptações)

Julgue o próximo item, referente às ideias e aos aspectos linguísticos do


texto acima.

Os vocábulos “Oficialmente” (sublinhado no texto) e “permanente” (sublinhado no


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texto) pertencem à mesma classe gramatical.

Questão 06 – (CESPE) Cargos de Nível Superior – EBC/2011


É inegável, hoje, a importância das novas tecnologias de comunicação e de
multimídia no acesso ao conhecimento produzido em diferentes campos do saber,
em distintas regiões geográficas. Esse acesso é importante para que se conheçam
as decisões, as versões e as opiniões em diferenciados campos do saber e de sua
produção. A quantidade de conhecimento produzido, seja na medicina, seja na física
nuclear, seja na história, e sua disponibilização permitem que, com critérios de
seletividade e com a utilização das redes telemáticas, as pessoas tenham
potencialmente acesso a essa produção.
Isso é importante? Parece que sim, porque as descobertas científicas, as
interpretações históricas, os eventos que isso suscita e as opiniões sobre eles, em

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um mundo também potencialmente globalizado em seus aspectos econômicos,


políticos, culturais e midiáticos, interessam às pessoas, que deles receberão efeitos.
Ao mesmo tempo, as decisões políticas, próximas ou distantes, públicas ou
secretas, terão efeito na vida do mais remoto e pacato cidadão de distantes regiões,
de diferentes mundos culturais e sociais.
É importante que, dentro desse contexto, sejam aprofundados estudos sobre os
limites para o exercício ético da atividade profissional no jornalismo,
diagnosticando-se os principais problemas existentes hoje e situando-se,
simultaneamente, suas possibilidades de solução. É preciso estabelecer a
potencialidade e os limites do exercício profissional, mas, ao mesmo tempo, mostrar
as mudanças que a multimídia e as novas tecnologias, em geral, apontam para a
área, para a nova mediação social da realidade que os profissionais serão desafiados
a fazer e para os limites que se avizinham e aumentam.
Francisco José C. Karam. Formação e ética jornalística.
Internet: <www.fnpj.org.br> (com adaptações)

A respeito dos aspectos morfossintáticos e semânticos do texto, julgue o


próximo item.

No período “Parece que sim, porque (...) receberão efeitos.” (sublinhado), a


substituição do ponto final por ponto de interrogação manteria a coerência do texto,
mas, nesse caso, de acordo com a prescrição gramatical, o vocábulo “porque”
deveria ser grafado como por que.

Questão 07 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2010

Nas sociedades modernas, somos diariamente confrontados com uma grande massa
de informações. As novas questões e os eventos que surgem no horizonte social
frequentemente exigem, por nos afetarem de alguma maneira, que busquemos
compreendê-los, aproximando-os daquilo que já conhecemos. Estas interações
sociais vão criando “universos consensuais” no âmbito dos quais as novas
representações vão sendo produzidas e comunicadas, passando a fazer parte desse
universo não mais como simples opiniões, mas como verdadeiras “teorias” do senso
comum, construções esquemáticas que visam dar conta da complexidade do objeto,
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facilitar a comunicação e orientar condutas. Essas teorias ajudam a forjar a


identidade grupal e o sentimento de pertencimento do indivíduo ao grupo.

Essa análise permite, ainda, abordar um outro ponto: a caracterização dos grupos
em função de sua representação social. Isto quer dizer que é possível definir os
contornos de um grupo, ou, ainda, distinguir um grupo de outro pelo estudo das
representações partilhadas por seus membros sobre um dado objeto social. Graças
a essa reciprocidade entre uma coletividade e sua teoria, esta é um atributo
fundamental na definição de um grupo.

Alda Judith Alves-Mazzotti. Representações sociais: aspectos teóricos e aplicações à


educação. In: Revista Múltiplas Leituras, v. 1, n.o 1, 2008, p. 18-43. Internet: (com
adaptações).

A respeito da organização dos sentidos e das estruturas linguísticas do


texto apresentado, julgue o item que se segue.

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No trecho sublinhado no texto, já que a estrutura sintática exige a preposição a, a


ausência de sinal indicativo da crase em "a essa reciprocidade" mostra que, por
causa da presença do pronome demonstrativo "essa", o artigo não é aí usado.

Questão 08 – (CESPE) Especialista – DEPEN/2013

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 144, que a segurança pública é
dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, devendo ser exercida para a
preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Esse
direito, constitucionalmente assegurado a todos, constitui cláusula pétrea, conforme
dispõem o artigo 5.º, caput, e o artigo 60, § 4.º, IV, da Carta Magna.

O conceito jurídico de ordem pública não se confunde com o de incolumidade das


pessoas e do patrimônio. Sem embargo, ordem pública consiste em bem jurídico
que pode resultar mais ou menos fragilizado pelo modo personalizado com que se
dá a concreta violação da integridade das pessoas ou do patrimônio de terceiros,
tanto quanto da saúde pública, na hipótese, por exemplo, de tráfico de
entorpecentes e drogas afins. Daí sua categorização jurídico-positiva, não como
descrição do delito nem como cominação de pena, porém como pressuposto de
prisão cautelar, ou seja, como imperiosa necessidade de acautelar o meio social
contra fatores de perturbação que já se localizam na gravidade incomum da
execução de certos crimes. Logo, o conceito de ordem pública desvincula-se do
conceito de incolumidade das pessoas e do patrimônio alheio, assim como do da
violação à saúde pública, mas se enlaça à noção de acautelamento do meio social.

Internet: <www.stf.jus.b(com adaptações).

Considerando as ideias e as estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


item.

Na expressão “cláusula pétrea” (sublinhada no texto), o vocábulo “pétrea” provém


de pedra e relaciona-se, em sentido denotativo, a algo que tem resistência de
pedra, ao passo que o termo jurídico completo, com sentido conotativo, refere-se a
algo que demonstra insensibilidade, dureza.
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Questão 09 – (CESPE) Nível Superior – ANATEL/2014

Ofício n.º 28/2014- IE

Brasília, 2 de março de 2014.

A Sua Excelência o senhor


[nome]
Coordenador de Estudos Econômicos Regionais
Ministério da Integração Social
Eixo Monumental Bloco E s/n
2.º andar, sala 214
70.160-900 – Brasília – DF

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Assunto: Solicitação de documentação

Senhor Coordenador,

1. Em complementação à solicitação dos documentos sobre os estudos econômicos


regionais feitos sob sua coordenação, nas publicações do ano de 2012, informamos
que o material foi recebido e, na oportunidade, solicitamos os estudos registrados
nas publicações desta Coordenação no ano de 2013.

2. Este novo pedido tem por objetivo completar o acervo universitário dos registros
econômicos regionais elaborados por esta Coordenadoria, cuja leitura tem trazido
qualidade às pesquisas de professores e alunos do curso de Economia.

Atenciosamente,

José da Silva

Com base no documento hipotético acima, julgue o item seguinte.

Nesse ofício, deveriam constar do cabeçalho ou do rodapé informações acerca do


remetente, tais como nome do órgão ou setor; endereço postal; telefone; e
endereço de correio eletrônico.

Questão 10 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-AL/2012

É fato reconhecido que a semelhança ou mesmo a similitude perfeita entre pares de


coisas não faz de uma a imitação da outra. As imitações contrastam com a
realidade, mas não posso usar na análise da imitação um dos termos que pretendo
esclarecer. Dizer “isto não é real” certamente contribui para o prazer das pessoas
com as representações imitativas, de acordo com um admirável estudo de psicologia
escrito por Aristóteles. “A visão de determinadas coisas nos causa angústia”,
escreve Aristóteles na Poética, “mas apreciamos olhar suas imitações mais
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perfeitas, sejam as formas de animais que desprezamos muito, sejam cadáveres”.


Esse tipo de prazer pressupõe o conhecimento de que seu objeto é uma imitação,
ou, correlativamente, o conhecimento de que não é real. Há, portanto, uma
dimensão cognitiva nessa forma de prazer, assim como em muitos outros prazeres,
inclusive os mais intensos.

Suponho que o prazer de comer determinadas coisas pressupõe algumas crenças,


como a de que elas são realmente o que pensamos estar comendo, mas a comida
pode se tornar um punhado de cinzas quando se descobre que isso não é verdade —
que é carne de porco, para um judeu ortodoxo, ou carne de vaca, para um hindu
praticante, ou carne humana, para a maioria de nós (por mais que o sabor nos
agrade). Não é preciso sentir a diferença para haver uma diferença, pois o prazer de
comer é geralmente mais complexo, pelo menos entre os seres humanos, do que o
prazer de sentir o gosto. Saber que algo é diferente pode fazer diferença para o
gosto que sentimos. Se não o fizer, é que a diferença de gostos talvez não seja uma

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coisa que preocupe o bastante para que as respectivas crenças sejam um requisito
do prazer.

Arthur C. Danto. A transfiguração do lugar-comum: uma filosofia da arte. Trad. Vera Pereira.
São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 49-50 (com adaptações).

Com relação aos sentidos do texto e às suas estruturas linguísticas,


assinale a opção correta.

a) Verifica-se a ocorrência de dígrafos nos vocábulos “pressupõe” (sublinhado no


texto) e “ortodoxo” (sublinhado no texto).

b) A forma verbal “contrastam” (sublinhado no texto) está sendo empregada no


texto como sinônimo de assemelham.

c) No contexto, o verbo “usar” (sublinhado no texto) poderia ser substituído pela


locução verbal fazer uso, sem prejuízo da correção gramatical do texto.

d) O emprego do acento gráfico nos vocábulos “análise” (sublinhado no texto),


“Aristóteles” (sublinhado no texto) e ‘cadáveres’ (sublinhado no texto) justifica-se
pela mesma regra de acentuação.

e) O trecho “contribui para o prazer das pessoas com as representações imitativas”


(sublinhado no texto) poderia ser corretamente substituído por: contribui ao prazer
que as pessoas tem pelas representações imitativas.

Questão 11 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2010

A experiência cultural das sociedades, em nossa época, é cada vez mais moldada e
“globalizada” pela transmissão e difusão das formas significativas, visuais e
discursivas, via meios de comunicação de massa. Conquanto o desenvolvimento dos
meios de comunicação tenha tornado absolutamente frágeis os limites que
separavam o público do privado, assiste-se hoje a uma nova tendência de
politização e visibilidade do privado, com a estruturação de novas relações
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familiares, bem como à privatização do público. Faz-se necessário frisar que o


imaginário social acompanha lentamente essa evolução, nem sempre aceitando o
rompimento dos costumes fortemente arraigados.

Vera Lúcia Pires. A identidade do sujeito feminino: uma leitura das desigualdades. In: M. I.
Ghilardi-Lucena (Org.). Representações do feminino. PUC: Átomo, 2003, p. 209 (com
adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos à organização das ideias no texto


acima e aos seus aspectos gramaticais.

A estrutura sintática iniciada por "Conquanto" (sublinhada no texto) é responsável


pelo uso do modo subjuntivo em "tenha" (sublinhado no texto); por isso, a

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substituição dessa forma verbal por tem desrespeita as regras gramaticais do


padrão culto da língua.

Questão 12 – (CESPE) Auditor Governamental – CGE-PI/2012

Uma casa tem muita vez as suas relíquias, lembranças de um dia ou de outro, da
tristeza que passou, da felicidade que se perdeu. Supõe que o dono pense em as
arejar e expor para teu e meu desenfado. Nem todas serão interessantes, não
raras serão aborrecidas, mas, se o dono tiver cuidado, pode extrair uma dúzia
delas que mereçam sair cá fora.

Chama-lhe à minha vida uma casa, dá o nome de relíquias aos inéditos e


impressos que aqui vão, ideias, histórias, críticas, diálogos, e verás explicados o
livro e o título. Possivelmente não terão a mesma suposta fortuna daquela dúzia de
outras, nem todas valerão a pena de sair cá fora. Depende da tua impressão, leitor
amigo, como dependerá de ti a absolvição da má escolha.

Machado de Assis. Advertência. In: Relíquias da casa velha. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,
1986.

Julgue o item que se segue, relativo à estrutura linguística e ao sentido do


texto.

O emprego de dois-pontos em substituição à vírgula logo após a expressão “suas


relíquias” (sublinhada no texto) não geraria erro gramatical.

Questão 13 – (CESPE) Professor – SEDU-ES/2007

A reunião internacional na Indonésia recoloca na mesa de debates todos os


impasses, grandes e pequenos, que dificultam uma política global de preservação
do ambiente e de controle do efeito estufa. Há várias incógnitas à espera de
interpretações. A primeira delas é em relação ao que o mundo fará para preservar
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o patrimônio natural depois de 2012, quando expiram os compromissos da


primeira fase do Protocolo de Kyoto, que, bem ou mal, representaram o principal
marco da luta global para deter a emissão descontrolada de gases que levam ao
aquecimento do planeta. A outra incógnita, de máximo interesse para países como
o nosso, é a respeito da preservação das florestas tropicais, em especial a maior
de todas, a Amazônia, que ocupa uma parte importante do território brasileiro e
sulamericano e que ocupa também uma parcela crescente na preocupação dos
ambientalistas do planeta.

O principal temor dos ambientalistas é com os prazos com que a questão da


proteção da natureza é tratada. Nas negociações mundiais, tal prazo se conta em
anos ou décadas, como ocorreu para se chegar ao Protocolo de Kyoto. Nas
necessidades do ambiente, os prazos já se esgotaram e as ações de preservação
não podem esperar.

Zero Hora, 3/12/2007 (com adaptações).

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Julgue o item, relativo às ideias e a aspectos gramaticais do texto acima.

A expressão “a Amazônia” (sublinhada no texto) exerce a função de vocativo.

Questão 14 – (CESPE) Nível Superior – SUFRAMA/2013

As línguas amazônicas hoje: quantidade e diversidade

Atualmente são faladas na Amazônia cerca de 250 línguas indígenas, cerca de 150
em território brasileiro. Embora aparentemente altos, esses números são o
resultado de um processo histórico — a colonização europeia da Amazônia — que
reduziu drasticamente a população indígena nos últimos 400 anos. Estima-se que,
só na Amazônia brasileira, o número de línguas e de povos teria sido de uns 700
imediatamente antes da penetração dos portugueses. Apesar da extraordinária
redução quantitativa, as línguas ainda existentes apresentam considerável
diversidade, o que caracteriza a Amazônia como uma das regiões de maior
diferenciação linguística do mundo, com mais de 50 famílias linguísticas.

Aryon Dall’Igna Rodrigues. Aspectos da história das línguas indígenas da Amazônia. In: M.
do S. Simões (Org.). Sob o signo do Xingu. Belém: IFNOPAP/UFPA, 2003, p. 37-51 (com
adaptações).

No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima,


julgue o item seguinte.

O vocábulo “que” é pronome relativo nos seguintes trechos: “Estima-se que (...)
dos portugueses” (sublinhado no texto) e “o que caracteriza (...) famílias
linguísticas” (sublinhado no texto).

Questão 15 – (CESPE) Auditor Fiscal do Trabalho – MTE/2013

Embora as conquistas obtidas a partir da Revolução Francesa tenham possibilitado


a consolidação da concepção de cidadania, elas não foram suficientes para que
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essa condição se verificasse na prática. A mera declaração formal das liberdades


nos documentos e nas legislações esboroava diante da inexorável exclusão
econômica da maioria da população. Em vista disso, já no século XIX, buscaram-se
os direitos sociais com ações estatais que compensassem tais desigualdades,
municiando os desvalidos com direitos implantados e construídos de forma coletiva
em prol da saúde, da educação, da moradia, do trabalho, do lazer e da cultura
para todos.

No entanto, foi somente depois da Segunda Guerra Mundial que a afirmação da


cidadania se completou, haja vista que só então se percebeu a necessidade de se
valorizar a vontade da maioria, respeitando-se, sobretudo, as minorias, em suas
necessidades e peculiaridades. Em outras palavras, verificou-se claramente que a
maioria pode ser opressiva, a ponto de conduzir legitimamente ao poder o nazismo
ou o fascismo. Para que fatos como esse não se repetissem, fez-se premente a
criação de salvaguardas em prol de todas as minorias, uma vez que a soma destas
empresta legitimidade e autenticidade à vontade da maioria.

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Eis aí o fundamento primeiro das políticas em favor de quaisquer minorias. No que


toca às pessoas com deficiência, é possível afirmar que o viés assistencialista e
caridosamente excludente que orientava as ações governamentais tem sido
substituído por programas de efetiva inclusão, que visam formar cidadãos sujeitos
do próprio destino, e não mais meros beneficiários de políticas de assistência
social. O direito de ir e vir, de trabalhar e de estudar é a mola mestra da inclusão
de qualquer cidadão e, para que se concretize em face das pessoas com
deficiência, há que se exigir do Estado a construção de uma sociedade livre, justa
e solidária (como prevê o artigo 3.º da Constituição Federal), por meio da
implementação de políticas públicas compensatórias e eficazes.

A obrigação, porém, não se esgota nas ações estatais. Todos nós somos
igualmente responsáveis pela efetiva compensação de que se cuida. As empresas,
por sua vez, devem primar pelo respeito ao princípio constitucional do valor social
do trabalho e da livre iniciativa, para que se implementem a cidadania plena e a
dignidade do trabalhador com ou sem deficiência (previstas nos artigos 1.º e 170
da Constituição Federal). Nesse diapasão, a contratação de pessoas com
deficiência deve ser vista como qualquer outra. Desses trabalhadores, espera-se
profissionalismo, dedicação, assiduidade, enfim, atributos ínsitos a qualquer
empregado. Não se quer assistencialismo, e sim oportunidades. Brasil.

Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. A inclusão de


pessoas com deficiência no mercado de trabalho. 2.ª ed., Brasília, 2007. Internet: (com
adaptações).

Com base na estrutura linguística do texto, julgue o item que se segue.

No trecho “o nazismo ou o fascismo” (sublinhado no texto), a conjunção “ou”


evidencia a relação de sinonímia existente entre os nomes “nazismo” e “fascismo”.

Questão 16 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-AL/2012

Considerando que os fragmentos apresentados nas opções a seguir


integram, em sucessão, um texto adaptado de um jornal brasileiro,
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assinale a opção em que o trecho mostrado está correto gramaticalmente.

a) O governo ainda não desistiu impôr uma idade mínima às aposentadorias


ligadas ao INSS. Em reunião, com os líderes de partidos da base no Ministério da
Fazenda, interlocutores do governo, pediram prazo até o dia 10 de julho para
apresentar uma proposta em substituição ao fim do fator previdenciário.

b) A rodada de negociação foi almejada pela decisão do presidente da Câmara,


anunciada aos líderes de por o tema no plenário na próxima semana. Os deputados
intentam votar o projeto, que extingue com o fator previdenciário, e institui a
regra apelidada de 85/95, em cuja proposta há o apoio das centrais sindicais. Para
aposentar-se com o teto do benefício, a soma da idade e tempo trabalhado deve
chegar a 85 anos para mulheres, e 95 anos, se homem.

c) O fator previdenciário é o mecanismo usado para definir o valor do benefício,


que leva em conta o tempo de contribuição, a idade e a expectativa de vida do

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trabalhador. A regra compele os trabalhadores a se aposentarem mais tarde para


obter o teto da aposentadoria.

d) Na rodada de conversa desta quarta-feira o governo ponderaria, sobre a


necessidade de se instituir uma idade mínima para aposentadoria que valesse no
futuro não atingindo os trabalhadores que já estão no mercado e uma atualização
periódica da regra alcunhada de 85/95.

e) Um dos líderes de um partido político da base aliada afirmou que, o governo


pretende instituir uma reavaliação dessa fórmula, considerando-se o aumento da
expectativa de vida do trabalhador, segundo o qual vamos avançar na discussão
até o dia 10 de julho, e levar a proposta ao plenário no mês de agosto, onde
iremos votar independentes de chegar a um acordo, ou não.

Questão 17 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2013

(Texto para as questões 17 e 18)

O Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou ações para a elaboração de


diagnóstico e suporte à educação básica. A auditoria conferiu aspectos relativos ao
Plano de Ações Articuladas, à assistência técnica prestada pelo Ministério da
Educação (MEC) e ao levantamento de dados necessários à formação e ao cálculo
do índice de desenvolvimento da educação básica (IDEB).

A auditoria identificou baixo nível de implementação das ações para provimento de


infraestrutura e de recursos pedagógicos, que vão desde a implantação de
laboratório de informática e conexão à Internet ao fornecimento de água potável e
energia elétrica.

A análise do IDEB apontou a necessidade de aperfeiçoamento da metodologia de


obtenção desse índice. Segundo avalia o ministro relator do processo, “O IDEB é
um importante instrumento para a aferição da qualidade da educação, por isso
deve ser aprimorado de forma a permitir um diagnóstico mais fidedigno dos
sistemas de ensino”.

Outro instrumento de gestão educacional avaliado foi o sistema integrado de


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monitoramento do MEC, que, segundo a auditoria, também deve ser melhorado.


Parte dos dados encontra-se desatualizada.

TCU avalia gestão da educação básica em municípios brasileiros. Notícia publicada em


12/9/2013. Internet: <www.tcu.gov.br> (com adaptações)

Em relação ao texto apresentado, julgue o seguinte item.

No trecho sublinhado no texto, o emprego do acento grave, indicativo de crase, em


“à assistência técnica prestada”, justifica-se pela regência do termo “Articuladas” e
pela presença do artigo a, que define o substantivo “assistência”.

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Questão 18 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2013

Em relação ao texto apresentado, julgue o seguinte item.

Nesse texto, de caráter essencialmente informativo, atesta-se a importância do


IDEB para a aferição da qualidade da educação, a despeito da necessidade de
melhoria da metodologia empregada no cálculo desse índice.

Questão 19 – (CESPE) Primeiro-Tenente – CBM-CE/2014

Com base no Manual de redação da Presidência da República, julgue o


próximo item, relativo ao padrão ofício.

Em razão de serem expedidos exclusivamente por ministros de Estado, os avisos


dispensam a menção ao cargo do signatário.

Questão 20 – (CESPE) Técnico do MPU – MPU/2015

(Texto para as questões 20 e 21)

Segundo a doutrina nacional, os crimes cibernéticos (também chamados de


eletrônicos ou virtuais) dividem-se em puros (ou próprios) ou impuros (ou
impróprios). Os primeiros são os praticados por meio de computadores e se
realizam ou se consumam também em meio eletrônico. Os impuros ou impróprios
são aqueles em que o agente se vale do computador como meio para produzir
resultado que ameaça ou lesa outros bens, diferentes daqueles da informática.

É importante destacar que o art. 154-A do Código Penal (Lei n.º 12.737/2012)
trouxe para o ordenamento jurídico o crime novo de “invasão de dispositivo
informático”, que consiste na conduta de invadir dispositivo informático alheio,
conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de
mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou
informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo, ou instalar
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vulnerabilidades para obter vantagem ilícita. Quanto à culpabilidade, a conduta


criminosa do delito cibernético caracteriza-se somente pelo dolo, não havendo a
previsão legal da conduta na forma culposa.

Idem, ibidem.

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto, julgue o item a


seguir.

Depreende-se das informações do texto que, nos crimes cibernéticos chamados


impuros ou impróprios, o resultado extrapola o universo virtual e atinge bens
materiais alheios à informática.

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Questão 21 – (CESPE) Técnico do MPU – MPU/2015

Infere-se dos fatos apresentados no texto que a consideração de crime para os


delitos cibernéticos foi determinada há várias décadas, desde o surgimento da
Internet.

Questão 22 – (CESPE) Analista – BACEN/2013

Ele é agora gerente de uma loja de sapatos. Não porque escolheu, mas foi o que lhe
restou. Perguntava-se sempre: onde está o meu erro? O erro em relação a seu
destino, queria ele dizer. Não há grandes motivos a procurar no fato de alguém ser
gerente numa loja de sapatos. Mas uma vez que ele mesmo se pergunta e estende
sapatos como se não pertencesse a esse mundo — o motivo da indagação aparece.
Por que realmente? Fora, por exemplo, o melhor aluno de história e até por
arqueologia se interessava. Mas o que parecia lhe faltar era cultura histórica ou
arqueológica, ele tinha apenas a erudição, faltava-lhe a compreensão íntima de que
fora neste mundo e com esses mesmos homens que haviam sucedido os fatos, que
fora na terra em que ele pisava que houvera um dia habitantes e que os peixes que
se haviam transformado em anfíbios eram aqueles mesmos que ele comia. E até
hoje é como um erudito que ele estende sapatos — como se não fosse em contato
com esta áspera terra que as solas se gastam.

Clarice Lispector. O escrito. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto acima, julgue o


item seguinte.

No trecho “Não porque escolheu, mas foi o que lhe restou” (sublinhado no texto), o
emprego da próclise relativa ao pronome “lhe” explica-se pela presença do pronome
relativo.

Questão 23 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-DF/2008


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Agora olhavam as lojas, as toldas, a mesa do leilão. E conferenciavam pasmados.


Tinham percebido que havia muitas pessoas no mundo. Ocupavam-se em descobrir
uma enorme quantidade de objetos. Comunicaram baixinho um ao outro as
surpresas que os enchiam. Impossível imaginar tantas maravilhas juntas. O menino
mais novo teve uma dúvida e apresentou-a timidamente ao irmão. Seria que aquilo
tinha sido feito por gente? O menino mais velho hesitou, espiou as lojas, as toldas
iluminadas, as moças bem vestidas. Encolheu os ombros. Talvez aquilo tivesse sido
feito por gente. Nova dificuldade chegou-lhe ao espírito, soprou-a no ouvido do
irmão. Provavelmente aquelas coisas tinham nomes. O menino mais novo
interrogou-o com os olhos. Sim, com certeza as preciosidades que se exibiam nos
altares da igreja e nas prateleiras das lojas tinham nomes. Puseram-se a discutir a
questão intrincada. Como podiam os homens guardar tantas palavras? Era
impossível, ninguém conservaria tão grande soma de conhecimentos. Livres dos
nomes, as coisas ficavam distantes, misteriosas. Não tinham sido feitas por gente. E
os indivíduos que mexiam nelas cometiam imprudência. Vistas de longe, eram

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bonitas. Admirados e medrosos, falavam baixo para não desencadear as forças


estranhas que elas porventura encerrassem.

Graciliano Ramos. Vidas secas. São Paulo: Martins, 1972, p.125.

No texto apresentado acima, dois personagens do romance Vidas Secas, o


menino mais velho e o menino mais novo, deixam a fazenda em que seu pai
trabalhava como vaqueiro, para irem à festa de Natal em uma pequena cidade.
Com base nessas informações e no fragmento do texto de Graciliano
Ramos, julgue o item subsequente.
No trecho "Talvez aquilo tivesse sido feito por gente" (sublinhado no texto), o
verbo concorda com "gente", sujeito da oração na voz passiva.

Questão 24 – (CESPE) Analista de Controle Externo – TCU/2007

Desenvolvimento, ambiente e saúde

No documento Nosso Futuro Comum, preparado, em 1987, pela Comissão Mundial


sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, ficou estabelecido, pela
primeira vez, novo enfoque global da problemática ecológica, isto é, o das inter-
relações entre as dimensões físicas, econômicas, políticas e socioculturais. Desde
então, vêm se impondo, entre especialistas ou não, a compreensão sistêmica do
ecossistema hipercomplexo em que vivemos e a necessidade de uma mudança nos
comportamentos predatórios e irresponsáveis, individuais e coletivos, a fim de
permitir um desenvolvimento sustentável, capaz de atender às necessidades do
presente, sem comprometer a vida futura sobre a Terra.

O desenvolvimento, como processo de incorporação sistemática de conhecimentos,


técnicas e recursos na construção do crescimento qualitativo e quantitativo das
sociedades organizadas, tem sido reconhecido como ferramenta eficaz para a
obtenção de uma vida melhor e mais duradoura. No entanto, esse desenvolvimento
pode conspirar contra o objetivo comum, quando se baseia em valores, premissas e
processos que interferem negativamente nos ecossistemas e, em conseqüência, na
saúde individual e coletiva. 62456350391

Paulo Marchiori Buss. Ética e ambiente. In: Desafios éticos, p. 70-1 (com adaptações).

Julgue o item a seguir, a respeito da organização das ideias e das


estruturas linguísticas do texto acima.

A retirada do acento circunflexo na forma verbal "vêm" (sublinhada no texto)


provoca incorreção gramatical no texto porque o sujeito a que essa forma verbal se
refere tem dois núcleos: "compreensão" (sublinhado no texto) e "necessidade"
(sublinhado no texto).

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Questão 25 – (CESPE) Nível Superior - UERN/2010

Como você pode ver, uma garotinha está deitada displicentemente no colo de um
senhor bem velhinho e bem simpático. Ela parece um anjo. Loirinha, cabelo
castanho claro, encaracolado, nariz e boca perfeitos, ar inteligente e sadio, uma
dessas crianças que a gente vê em anúncios. Pelo jeito, deve ter uns três ou quatro
anos, não mais que isso. Ela está vestida em um desses macaquinhos de flanela,
com florezinhas azuis e vermelhas e uma malha creme por baixo. Calçando um tênis
transadíssimo nas discretas cores amarelo, vermelho e azul, o que nos mostra que a
mocinha não é apenas novinha, mas moderninha também. O velhinho tem um tipo
bem italiano. O boné cinza é típico desses senhores que a gente vê passeando pelo
Bixiga nos domingos à tarde. Estatura mediana, cabelos e bigodes branquinhos,
rosto e mãos enrugadas que traem uma idade bem avançada. Paletó marrom e
calça cinza, ambos de lã, malha creme, abotoada até o último botão, como faz todo
senhor que se preze. Embaixo da malha, uma camisa azul, mas bem azul mesmo,
que destoa de todo o conjunto. O que prova que o cavalheiro e a mocinha apreciam
cores fortes. Pela roupa que os dois estão vestindo e pela carinha rosada dela, deve
estar fazendo muito frio. Fato que o ar enevoado e cinzento do jardim, que está
atrás deles, vem a comprovar. Os dois estão sentados em um balanço de madeira
de cor verde, desses em que cabem apenas duas pessoas e que são bastante
comuns em quintais, varandas e jardins de casas de classe média, classe média
alta. Ela está comodamente estirada. Com a cabeça entre o ombro e a barriga do
velhinho e os pés apoiados numa almofada de crochê de cor creme. Nas mãos, ela
traz um livro de histórias cheio de desenhos coloridos. Livro esse que, olhando
atentamente, você verá que se trata da história da Bela Adormecida. O que, aliás, é
muito engraçado, porque enquanto a bela conta a história da Bela Adormecida, o
velho é que adormeceu. Ele dorme a sono solto. Com uma mão envolta na dela e a
outra apoiada sobre sua própria perna direita, na altura do joelho, ambos, à sua
maneira, estão sonhando. Ele sonha dormindo, ela sonha acordada. A menina está
divagando no colo do avô. Isso mesmo: do avô. Porque o velho que você está vendo
só pode ser o avô dela. Pela intimidade com que ela está comodamente instalada no
colo dele, percebe-se que não pode ser visita, pessoa de cerimônia. E, sim, alguém
bem chegado, alguém da família. Para um estranho, ouvir essa história contada por
uma criaturinha tão linda seria uma novidade excitante, que dificilmente o faria cair
no sono. E, se não fosse por isso, um estranho também não cairia no sono, pelo
menos por dever de educação. Resistiria bravamente até a Bela Adormecida
acordar. Além disso, é só olhar para a roupa caseira que ele está usando para
perceber que não é alguém que foi fazer uma visita. É pessoa da casa mesmo, pai
não é. Ele é muito velhinho para ser o pai dela. E pouco provavelmente seria um tio.
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Tanto pela idade quanto pela disponibilidade e paciência. Tio dá doces, presentes,
mas ouvir histórias intermináveis, contadas por uma narradora que de vez em
quando divaga, tio não faz. Só pode ser mesmo um avô ouvindo pela milésima vez
a mesma história, que para ele deve ser sempre igual e para ela deve ser sempre
diferente. Ela, por sua vez, não se deve importar com que seu ouvinte durma.
Afinal, ela só quer colo e aquela mão terna, enrugada e querida em volta da sua
cintura pequenina. Mesmo desatento, ele está dando a ela seu tempo e seu carinho
sonolento. O balanço de jardim pode ser gostoso de sentar. Mas como você pode
ver não é o local mais confortável para se dormir. Principalmente em um dia frio
como esse, em um descampado de uma varanda. Mas o fato é que ele não sente a
dureza do balanço porque dorme, e ela, igualmente, não sente a dureza da madeira
e a frieza do tempo por vários motivos: primeiro, porque sonha, e no sonho não há
desconforto ou frio. E, segundo, porque ela tem a barriga do avô como travesseiro,
o braço dele como edredom e uma almofada como encosto para seus pés e seu
tênis multicolorido. Juntos os dois, ali na varanda, vivem um momento de que ela
vai se lembrar sempre e ele não vai se lembrar de nada. Até mesmo nada da
história. Por isso, é que ela vai ter de contar e recontar essa história para o avô

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centenas de vezes. Principalmente para reviver os trechos que ele perdeu com seus
cochilos. Assim como você vai ter de ler e reler muitas vezes esse texto até
conseguir enxergar toda a beleza e ternura contidas nessa cena. Ou pelo menos
uma pequena parte dela.

UMA FOTO SERIA MELHOR

19 de agosto — dia do fotógrafo

Este texto tem mil palavras. Folha de S.Paulo, 19/8/1988. Apud: Platão e Fiorin. Para
entender o texto. São Paulo: Ática, 1999, p. 378-80 (com adaptações).

Assinale a opção correta referente à grafia, à classe e ao sentido das


palavras empregadas no texto.

a) O advérbio "displicentemente" (sublinhado no texto) tem sentido equivalente


a com disciplina, expressão que pode substituí-lo corretamente no texto.

b) O vocábulo "senhor" (sublinhado no texto) é sinônimo de senhorio.

c) A palavra "bastante", em "que são bastante comuns em quintais" (sublinhado no


texto), classifica-se como adjetivo; por isso, poderia ser corretamente flexionada no
plural.

d) A palavra "enquanto" (sublinhado no texto) pode ser corretamente substituída


por em quanto.

e) A substituição de "envolta" (sublinhado no texto) por em volta manteria o


sentido original do texto, mas prejudicaria sua correção gramatical.

Questão 26 – (CESPE) Delegado – PC-AL/2012


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Colonialismo

Se, durante os séculos XVI a XVIII, os interesses comerciais europeus haviam


levado países como Portugal, Espanha, França e Inglaterra a explorar
economicamente o continente americano, no século XIX foi a busca por novos
mercados consumidores e por matérias-primas de baixo custo, em decorrência da
Revolução Industrial, o que levou as nações europeias a voltarem-se para as regiões
da África e da Ásia. Foi, portanto, durante o século XIX e início do século XX, que
assistimos à dominação política e econômica de países considerados
economicamente subdesenvolvidos pelas grandes potências da Europa.

A França foi a pioneira na dominação do continente africano. A Inglaterra, no


entanto, consagrada como grande potência marítima desde a queda de Napoleão,
rapidamente assumiu a liderança da colonização.

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Alemanha, Itália, Espanha, Portugal e Bélgica também empreenderam áreas de


dominação no continente. Chegaram a estabelecer regras de partilha para a
ocupação de novos territórios na costa ocidental africana a partir de meados da
década de 80 do século XIX, por meio da resolução firmada entre os países
europeus durante a Conferência de Berlim.

Na Ásia, a Inglaterra adotou uma política empenhada na conquista da Índia, que


passou ao seu domínio após a Guerra dos Cipaios (1857-1858). Como garantiam o
domínio sobre a Índia, os ingleses não se opuseram à penetração francesa na Ásia,
particularmente no território da Indochina. Embora o Leste Asiático tenha se
mantido independente, a China (com a Primeira Guerra do Ópio, de 1839 a 1842) e
o Japão (com a ameaça naval do Comodoro Perry, em 1854) foram obrigados a
abrir seus portos aos europeus, dando-lhes diversas vantagens comerciais. Às
vésperas da Primeira Guerra Mundial, a China se via imersa em uma crise política.
Vários territórios asiáticos e africanos sofriam influência inglesa e francesa, e a
Coreia havia sido anexada pelo Japão em 1910 — país que, a partir dos anos 30 do
século XX, aumentou consideravelmente seu poder sobre o continente.

Após a Segunda Guerra Mundial, os movimentos nacionalistas e independentistas


que vinham se firmando desde o período entre-guerras ganharam força tanto na
África quanto na Ásia. A luta contra o colonialismo britânico na Índia de Gandhi,
com o movimento de resistência passiva não violenta, terminou com a
independência, em 1947, mas foi seguida de violentos conflitos étnicos,
principalmente em virtude de diferenças religiosas entre hinduístas e muçulmanos.
A ocupação japonesa na Ásia favorecia a manifestação do nacionalismo, ao mesmo
tempo em que as ideias revolucionárias de Marx e Engels ganhavam força.

O processo que levou à partilha colonial de regiões africanas e asiáticas, criando


países fictícios, culminou em longas batalhas por independência. Gerou, também,
como consequência, movimentos separatistas, conflitos étnicos e religiosos, e
guerras civis, com reflexos que perduram até os dias de hoje.

Internet: <http://acervo.estadao.com.br> (com adaptações).

Com relação ao sentido e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o


item subsequente.
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Na linha 18, o trecho “os movimentos nacionalistas e independentistas” exerce a


função de sujeito da locução verbal “vinham-se firmando”.

Questão 27 – (CESPE) Técnico de Apoio – DEPEN/2013

Ex-presidiário, condenado a mais de cem anos de prisão por assalto à mão armada
e homicídio, Luiz Alberto Mendes Júnior teve uma vida que renderia um belo filme
de ação. Mas o protagonista decidiu tomar outro rumo: dedicou-se à literatura e
hoje é um autor de sucesso. Luiz Alberto Mendes Júnior cumpriu 31 anos e 10
meses de prisão. Dentro da penitenciária, aprendeu a ler e a escrever. Trabalhou na
escola da penitenciária e alfabetizou mais de 500 presos. Fez vestibular para direito
na PUC de São Paulo. Passou. E mudou de vida. Hoje, conquistada a liberdade, Luiz
Alberto já lançou três livros e assina uma coluna na revista Trip, além de fazer

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palestras pelo Brasil afora. É autor de Memórias de um Sobrevivente (2001, um


relato de seu tempo na cadeia), Tesão e Prazer: Memórias Eróticas de um
Prisioneiro (2004, também autobiográfico) e Às Cegas (2005, que conta o período
dos estudos na PUC e as primeiras tentativas literárias). No esforço de compreender
os caminhos de sua vida, o escritor transforma a matéria bruta da memória e cria
narrativas que valem cada minuto da atenção dos leitores. Em suas palestras, fala
sobre “a literatura como salvação pessoal”, conta um pouco da sua vida atrás das
grades e explica a mudança que o livro promoveu em sua vida.

Internet: <www.bienalbrasildolivro.com.br> (com adaptações).

Em relação à tipologia, às informações e às estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item a seguir.

Mantém-se a correção gramatical do período ao se substituir “a mais de cem anos”


(sublinhado no texto) por há mais de cem anos.

Questão 28 – (CESPE) Agente Penitenciário – DEPEN/2013

(Adaptada)

Ex-presidiário, condenado a mais de cem anos de prisão por assalto à mão armada
e homicídio, Luiz Alberto Mendes Júnior teve uma vida que renderia um belo filme
de ação.

Em relação à tipologia, às informações e às estruturas linguísticas do


trecho acima, julgue o item a seguir.
Mantém-se a correção gramatical do período ao se substituir “a mais de cem anos”
(sublinhado no trecho) por “há mais de cem anos”.

Questão 29 – (CESPE) Analista – BACEN/2013


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Ele é agora gerente de uma loja de sapatos. Não porque escolheu, mas foi o que lhe
restou. Perguntava-se sempre: onde está o meu erro? O erro em relação a seu
destino, queria ele dizer. Não há grandes motivos a procurar no fato de alguém ser
gerente numa loja de sapatos. Mas uma vez que ele mesmo se pergunta e estende
sapatos como se não pertencesse a esse mundo — o motivo da indagação aparece.
Por que realmente? Fora, por exemplo, o melhor aluno de história e até por
arqueologia se interessava. Mas o que parecia lhe faltar era cultura histórica ou
arqueológica, ele tinha apenas a erudição, faltava-lhe a compreensão íntima de que
fora neste mundo e com esses mesmos homens que haviam sucedido os fatos, que
fora na terra em que ele pisava que houvera um dia habitantes e que os peixes que
se haviam transformado em anfíbios eram aqueles mesmos que ele comia. E até
hoje é como um erudito que ele estende sapatos — como se não fosse em contato
com esta áspera terra que as solas se gastam.

Clarice Lispector. O escrito. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 2008.

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Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto acima, julgue o


item seguinte.

Sem prejuízo da correção gramatical do texto, a forma verbal “haviam”


(sublinhado no texto) poderia estar flexionada no singular.

Questão 30 – (CESPE) Agente Penitenciário – DEPEN/2013

O Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) informa que o crescimento da


população carcerária tem sofrido retração nos últimos quatro anos. Segundo
análise do DEPEN, essa redução do encarceramento decorre de muitos fatores. A
expansão da aplicação, por parte do Poder Judiciário, de medidas e penas
alternativas; a realização de mutirões carcerários pelo Conselho Nacional de
Justiça; a melhoria do aparato preventivo das corporações policiais e a melhoria
das condições sociais da população são fatores significativos na diminuição da
taxa. No entanto, apesar da redução da taxa anual de encarceramento, o Brasil
ainda apresenta um déficit de vagas de 194.650.

Internet: <www.mj.com.br> (com adaptações).

As palavras “Penitenciário” (sublinhada no texto), “carcerária” (sublinhada no


texto) e “Judiciário” (sublinhada no texto) recebem acento gráfico com base na
mesma regra gramatical.

Questão 31 – (CESPE) Advogado – IPAJM/2006

Um novo modelo de assistência social está sendo implantado em todo o país, fruto
de quase duas décadas de debates e construção, envolvendo governo (federal,
estadual e municipal) e entidades da sociedade civil. É o Sistema Único de
Assistência Social (SUAS), que vai reunir pela primeira vez os serviços, programas e
benefícios para cerca de 50 milhões de brasileiros em todas as faixas etárias.
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Com a implantação do SUAS, cumpre-se a determinação da Constituição de 1988,


que integra a assistência à seguridade social juntamente com a saúde e previdência
social. Assim, as diversas ações e iniciativas de atendimento à população carente
deixam o campo do voluntarismo e passam a operar sob a estrutura de uma política
pública de Estado. O benefício da assistência social é um direito do cidadão.

Em Questão, n.º 357, 26/9/2005.

Em relação às estruturas do texto, julgue o item que segue:

Estaria gramaticalmente correta a substituição de “cerca de” (sublinhado no texto)


por acerca de.

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Questão 32 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2011

(Texto para as questões 32 e 33)

Considerando que o documento acima, adaptado, seja uma


comunicação oficial do Tribunal de Contas da União (TCU) a ser
encaminhada ao destinatário, julgue o item subsequente, no que se refere
à sua adequação às normas da redação oficial.
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No memorando apresentado, infringe-se a estrutura do expediente oficial, uma vez


que a numeração de parágrafos deve-se restringir aos textos de documentos oficiais
que se subdividam em títulos e subtítulos.

Questão 33 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2011

Considerando que o documento acima, adaptado, seja uma


comunicação oficial do Tribunal de Contas da União (TCU) a ser
encaminhada ao destinatário, julgue o item subsequente, no que se refere
à sua adequação às normas da redação oficial.

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Assim como o aviso e o ofício, o memorando deve conter uma parte em que se
apresentam o tipo e o número do documento, além do órgão que o expede,
conforme o exemplo “Mem. 123/2011- SEGECEX”.

Questão 34 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2010

Considerando que a redação de documentos oficiais deve


caracterizar-se, segundo o Manual de Redação da Presidência da República,
pela impessoalidade, uso do padrão culto da linguagem, clareza, concisão,
formalidade e uniformidade, julgue o seguinte item, a respeito da
elaboração de documentos.

Em documentos que admitem tópicos ou enumerações em seu corpo, como


relatórios, por exemplo, seria correto apresentar a estrutura e a organização
sintática abaixo.

Questão 35 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2013

(Texto para as questões 35 e 36)

A experiência de governança pública tem mostrado que os sistemas democráticos


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de governo se fortalecem à medida que os governos eleitos assumem a liderança de


processos de mudanças que buscam o atendimento das demandas de sociedades
cada vez mais complexas e alcançam resultados positivos perceptíveis pela
população.

Contemporaneamente, para o alcance de resultados de desenvolvimento nacional,


exige-se dessa liderança não apenas o enfrentamento de desafios de gestão, como
a busca da eficiência na execução dos projetos e das atividades governamentais, no
conhecido lema de “fazer mais com menos”, mas também o desafio de “fazer
melhor” (com mais qualidade), como se espera, por exemplo, nos serviços públicos
de educação e saúde prestados à população. Esse novo desafio de governo tem
como consequência um novo requisito de gestão, o que implica a necessidade de
desenvolvimento de novos modelos de governança para se alcançarem os objetivos
e metas de governo, em sintonia com a sociedade.

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Outros aspectos sociotécnicos importantes que caracterizam a nova governança


pública se relacionam aos anseios de maior participação e controle social nas ações
de governo, que, somados ao de liberdade, estabelecem o cerne do milenar
conceito de cidadania (participação no governo) e os valores centrais da democracia
social do século XXI.

Governar de modo inovador exige, invariavelmente, repensar o modelo secular de


governança pública em todas as suas dimensões: política, econômica, social e
tecnológica. Com a evolução sociotécnica, fortemente alavancada pelo
desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação, as mudanças na
governança pública implicam mudanças na base tecnológica que sustenta a
burocracia, nas estruturas do aparelho de Estado e em seus modelos de gestão.

Internet: http://aquarius.mcti.gov.br (com adaptações).

Considerando as ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


item a seguir.

Sem prejuízo da coerência e da correção gramatical do texto, o último período do


segundo parágrafo poderia ser assim resumido: Esse novo desafio governamental
requer o desenvolvimento de novos modelos de gestão e de governança, com vistas
ao alcance das metas de governo, em sintonia com a sociedade.

Questão 36 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2013

Considerando as ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


item a seguir.

Não haveria prejuízo do sentido original do texto caso o termo “invariavelmente”


(sublinhado no texto) fosse deslocado, com as vírgulas que o isolam, para
imediatamente depois de “repensar” (sublinhado no texto).

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Questão 37 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2013

(Texto para as questões 37 e 38)

O crescimento populacional e econômico, aliado à evolução dos mercados e à


complexidade das relações sociais, traduz-se em demandas por serviços públicos
mais sofisticados, em maior quantidade e com mais qualidade. Para estar à altura
das exigências da sociedade do século XXI, o desafio que se coloca ao país é a
construção de um Estado “inteligente”, que incorpore os avanços tecnológicos, a
rapidez e as facilidades da era digital.

Em um país de dimensões continentais e com mais de cinco mil municípios, como o


Brasil, a boa gestão pública é condição necessária para o desenvolvimento com
sustentabilidade e inclusão social. É por meio de uma gestão eficaz que o governo
reúne instrumentos para melhor atender às demandas por políticas inclusivas e por

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serviços públicos em um ambiente de crescimento e de fortes demandas sociais,


com maior conscientização e participação de uma sociedade plural.

Nesse cenário, fez-se necessário repensar o modelo de administração da máquina


pública. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em vigor desde maio de 2000,
estabelece, entre outras exigências, o equilíbrio das contas governamentais, que
possibilita ao Estado assumir o compromisso de investir na melhoria da sua
capacidade de execução e, assim, prestar serviços adequados e implementar
políticas públicas eficazes e eficientes, garantindo, ao mesmo tempo, transparência
na execução de programas governamentais e acesso desimpedido às informações
solicitadas pelo cidadão.

Por dentro do Brasil. Modernização da gestão pública. Internet:


<http://www.brasil.gov.br> (com adaptações).

No que se refere às informações e aos aspectos linguísticos do texto, julgue


o próximo item.

De acordo com o texto, é necessário repensar o modelo de administração da


máquina pública, principalmente no que se refere à entrada em vigor da LRF, para
que o Estado brasileiro possa, de fato, dar cumprimento às políticas públicas de
interesse social.

Questão 38 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2013

No que se refere às informações e aos aspectos linguísticos do texto, julgue


o próximo item.

No terceiro parágrafo, a expressão “Nesse cenário” retoma, por coesão, o contexto


anteriormente descrito: o do Brasil no século XXI, caracterizado por um “ambiente
de crescimento e de fortes demandas sociais, com maior conscientização e
participação de uma sociedade plural”.

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Questão 39 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2013

O Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou ações para a elaboração de diagnóstico


e suporte à educação básica. A auditoria conferiu aspectos relativos ao Plano de
Ações Articuladas, à assistência técnica prestada pelo Ministério da Educação (MEC)
e ao levantamento de dados necessários à formação e ao cálculo do índice de
desenvolvimento da educação básica (IDEB).

A auditoria identificou baixo nível de implementação das ações para provimento de


infraestrutura e de recursos pedagógicos, que vão desde a implantação de
laboratório de informática e conexão à Internet ao fornecimento de água potável e
energia elétrica.

A análise do IDEB apontou a necessidade de aperfeiçoamento da metodologia de


obtenção desse índice. Segundo avalia o ministro relator do processo, “O IDEB é um

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importante instrumento para a aferição da qualidade da educação, por isso deve ser
aprimorado de forma a permitir um diagnóstico mais fidedigno dos sistemas de
ensino”.

Outro instrumento de gestão educacional avaliado foi o sistema integrado de


monitoramento do MEC, que, segundo a auditoria, também deve ser melhorado.
Parte dos dados encontra-se desatualizada.

TCU avalia gestão da educação básica em municípios brasileiros. Notícia publicada em


12/9/2013. Internet: (com adaptações).

Em relação ao texto apresentado, julgue o seguinte item.

Em “A auditoria conferiu aspectos relativos ao Plano de Ações Articuladas (...) e ao


cálculo do índice de desenvolvimento da educação básica (IDEB)” (sublinhado no
texto), o verbo conferir está empregado com o sentido de outorgar.

Questão 40 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2011

A mais ínfima felicidade, quando está sempre presente e nos torna felizes, é
incomparavelmente superior à maior de todas, que só se produz de maneira
episódica, como uma espécie de capricho, como uma inspiração insensata, em meio
a uma vida que é dor, avidez e privação. Tanto na menor como na maior felicidade,
porém, há sempre algo que faz que a felicidade seja uma felicidade: a faculdade de
esquecer, ou melhor, em palavras mais eruditas, a faculdade de sentir as coisas,
durante todo o tempo que dura a felicidade, fora de qualquer perspectiva histórica.
Aquele que não sabe instalar-se no limiar do instante, esquecendo todo o passado,
aquele que não sabe, como uma deusa da vitória, colocar-se de pé uma vez sequer,
sem medo e sem vertigem, este não saberá jamais o que é a felicidade, e o que é
ainda pior: ele jamais estará em condições de tornar os outros felizes. É possível
viver, e mesmo viver feliz, quase sem lembrança, como o demonstra o animal; mas
é absolutamente impossível ser feliz sem esquecimento.

F. W. Nietzsche. II Consideração intempestiva sobre a utilidade e os inconvenientes da


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história para a vida. In: Escritos sobre história. São Paulo: Loyola, 2005. p. 72-3 (com
adaptações)

Com base no texto acima, julgue o item que se segue.

O texto caracteriza-se como predominantemente dissertativo- argumentativo, e o


autor utiliza recursos discursivos diversos para construir sua argumentação, como,
por exemplo, linguagem figurada e repetições.

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Questão 41 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2010

(Texto para as questões 41 e 42)

A multiplicidade dos seres humanos traduz-se por uma forma de ordem singular. O
que há de único na vida em comum dos homens gera realidades particulares,
especificamente sociais, que são impossíveis de explicar ou compreender a partir do
indivíduo. A língua é uma boa ilustração disso. Que impressão nos causaria
descobrir, ao acordarmos numa bela manhã, que todos os outros homens falam
uma língua que não compreendemos? Sob uma forma paradigmática, a língua
encarna esse tipo de dados sociais, que pressupõem uma multiplicidade de seres
humanos organizados em sociedades e os quais, ao mesmo tempo, não param de
se reindividualizar. Esses dados como que se reimplantam em cada novo membro
de um grupo, norteiam seu comportamento e sua sensibilidade, e constituem o
habitus social a partir do qual se desenvolverão nele os traços distintivos que o
contrastarão com os outros no seio do grupo. O modelo linguístico comum admite
variações individuais, até certo ponto. Mas, quando essa individualização vai longe
demais, a língua perde sua função de meio de comunicação dentro do grupo. Entre
outros exemplos, citemos a formação da consciência moral, das modalidades de
controle de pulsões e afetos numa dada civilização, ou o dinheiro e o tempo. A cada
um deles correspondem maneiras pessoais de agir e sentir, um habitus social que o
indivíduo compartilha com outros e que se integra na estrutura de sua
personalidade.

Norbert Elias. Sobre o tempo. Vera Ribeiro (Trad.). Jorge Zahar editor, 1998, p.19 (com
adaptações).

No que se refere à organização das ideias e à estrutura do texto acima,


julgue o item.

A retirada do pronome em "se reindividualizar" (em negrito no texto) provocaria


erro gramatical e incoerência textual, pois não se explicitaria o que seria
reindividualizado.

Questão 42 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2010


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No que se refere à organização das ideias e à estrutura do texto acima,


julgue o item.

No trecho sublinhado no texto, a flexão de plural em "correspondem" mostra que,


pela concordância, se estabelece a coesão com "maneiras"; mas seria igualmente
correto e coerente estabelecer a coesão com "cada um", enfatizando este termo
pelo uso do verbo no singular: corresponde.

Questão 43 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2010

A experiência cultural das sociedades, em nossa época, é cada vez mais moldada e
“globalizada” pela transmissão e difusão das formas significativas, visuais e

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discursivas, via meios de comunicação de massa. Conquanto o desenvolvimento dos


meios de comunicação tenha tornado absolutamente frágeis os limites que
separavam o público do privado, assiste-se hoje a uma nova tendência de
politização e visibilidade do privado, com a estruturação de novas relações
familiares, bem como à privatização do público. Faz-se necessário frisar que o
imaginário social acompanha lentamente essa evolução, nem sempre aceitando o
rompimento dos costumes fortemente arraigados.

Vera Lúcia Pires. A identidade do sujeito feminino: uma leitura das desigualdades. In: M. I.
Ghilardi-Lucena (Org.). Representações do feminino. PUC: Átomo, 2003, p. 209 (com
adaptações).

Julgue o item seguinte, relativo à organização das ideias no texto acima e


aos seus aspectos gramaticais.

No trecho sublinhado no texto, a flexão de masculino em "necessário" estabelece


concordância desse termo com "imaginário social"; no desenvolvimento da
argumentação, essa relação sintática enfatiza "imaginário social" como o primeiro
termo na comparação com "evolução" (em negrito no texto).

Questão 44 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2010

(Texto para as questões 44 e 45)

A relação de poder e status entre grupos está ligada à identidade social, que
permite ao grupo dominante na sociedade, por deter o poder e o status, impor
valores e ideologias, que, por sua vez, servem para legitimar e perpetuar o status
quo. Vale lembrar que os indivíduos nascem já inseridos em uma estrutura social e,
simplesmente em função do sexo ou da classe social, entre outros itens, são
colocados em um ou em outro grupo social. Dessa forma, adquirem as categorias
sociais definitivas dos grupos aos quais pertencem e que podem ter valores sociais
positivos ou negativos. Os membros dos grupos dominantes e de status superior
passam a ter identidade social positiva e maior grau de autoestima. Da mesma
forma, os membros de status inferior ou de grupos subordinados têm ou adquirem
identidade social menos positiva e menor autoestima. Entretanto, se a mobilidade
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para uma classe superior parece impossível e os membros do grupo inferior


percebem as fronteiras entre os grupos como impenetráveis, eles podem vir a
adotar estratégias coletivas para criar uma identidade social mais positiva para o
seu grupo. Tais mudanças são denominadas mudanças sociais.

Astrid N. Sgarbieri. A mulher brasileira: representações na mídia. In: M. I. Ghilardi-Lucena


(Org.). Representações do feminino. PUC: Átomo, 2003, p. 128-9 (com adaptações)

Com referência à organização dos sentidos e das estruturas


linguísticas do texto acima, julgue o item subsequente.

A preposição a, em "aos quais" (sublinhado no texto), estabelece relações sintático-


semânticas com o verbo pertencer; por tal motivo, essa preposição não poderia
ser omitida no período, mesmo se o pronome fosse substituído por a que.

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Questão 45 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2010

Com referência à organização dos sentidos e das estruturas


linguísticas do texto acima, julgue o item subsequente.

A expressão verbal "podem vir a adotar" (sublinhada no texto) indica uma


possibilidade e uma continuidade da ação que o simples uso de "adotar" não
indicaria; por essa razão, as ideias de possibilidade e de continuidade seriam
incorporadas a essa expressão, sem prejudicar as relações semânticas nem a
correção gramatical do texto, se fosse usada a forma verbal viriam adotando.

Questão 46 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2010

A organização da sociedade em movimentos sociais é inerente à sua estrutura de


poder. O teatro teve, na Grécia antiga, o papel político de dotar a população de
razão crítica por intermédio de uma expressão estética. Mas os movimentos sociais
adquirem ao longo da história distintas expressões: estética, religiosa, econômica,
ecológica etc. A partir do século um, o Império Romano teve suas bases solapadas
por um movimento social de caráter religioso — o Cristianismo —, que se recusou a
reconhecer a divindade de César e propalou a radical dignidade de todo ser
humano. Desde a Revolução Francesa, a sociedade civil passou a se mobilizar mais
frequentemente em movimentos sociais. Porém, é recente a noção de que a
sociedade civil deve se organizar para pressionar o poder público, e não
necessariamente almejar também a tomada de poder. Isso ensejou o caráter
multifacetado dos movimentos de indígenas, negros, mulheres, migrantes,
homossexuais etc. e o fato de constituírem instâncias políticas nem sempre
partidárias. É o fenômeno recente do empoderamento da sociedade civil, que,
quanto mais forte, mais logra transmutar a democracia meramente representativa
em democracia efetivamente participativa.

Frei Beto. Valores que constroem a cidade. In: Correio Braziliense, 25/6/2010 (com
adaptações).

A partir das estruturas linguísticas que organizam o texto acima, julgue o


item subsecutivo.
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No trecho sublinhado no texto, os travessões duplos têm a função de destacar a


inserção, "o Cristianismo", e a vírgula, a função de separar a oração que serve de
explicação ao "movimento social"; por isso, o uso de vírgulas, em lugar dos
travessões, para destacar a inserção respeitaria as regras gramaticais, mas deixaria
de marcar todas as relações significativas do texto.

Questão 47 – (CESPE) Analista de Controle Externo – TCU/2009

(Texto para as questões 47 e 48)

O exercício do poder ocorre mediante múltiplas dinâmicas, formadas por condutas


de autoridade, de domínio, de comando, de liderança, de vigilância e de controle de
uma pessoa sobre outra, que se comporta com dependência, subordinação,
resistência ou rebeldia. Tais dinâmicas não se reportam apenas ao caráter negativo

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do poder, de opressão, punição ou repressão, mas também ao seu caráter positivo,


de disciplinar, controlar, adestrar, aprimorar. O poder em si não existe, não é um
objeto natural. O que há são relações de poder heterogêneas e em constante
transformação. O poder é, portanto, uma prática social constituída historicamente.

Na rede social, as dinâmicas de poder não têm barreiras ou fronteiras: nós as


vivemos a todo momento. Consequentemente, podemos ser comandados,
submetidos ou programados em um vínculo, ou podemos comandá-lo para a
realização de sua tarefa, e, assim, vivermos um novo papel social, que nos faz
complementar, passivamente ou não, as regras políticas da situação em que nos
encontramos.

Maria da Penha Nery. Vínculo e afetividade: caminhos das relações humanas. São Paulo:
Ágora, 2003, p. 108-9 (com adaptações).

A partir das estruturas linguísticas que organizam o texto acima, julgue o


item subsecutivo.

Nas relações de coesão que se estabelecem no texto, o pronome "que" (sublinhado


no texto) retoma a expressão "exercício do poder" (sublinhada no texto).

Questão 48 – (CESPE) Analista de Controle Externo – TCU/2009

A partir das estruturas linguísticas que organizam o texto acima, julgue o


item subsecutivo.

O uso da preposição em "ao caráter" (em negrito no texto) deve-se às exigências


sintáticas do verbo reportar, na acepção usada no texto.

Questão 49 – (CESPE) Analista de Controle Externo – TCU/2009

O termo groupthinking foi cunhado, na década de cinquenta, pelo sociólogo William


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H. Whyte, para explicar como grupos se tornavam reféns de sua própria coesão,
tomando decisões temerárias e causando grandes fracassos. Os manuais de gestão
definem groupthinking como um processo mental coletivo que ocorre quando os
grupos são uniformes, seus indivíduos pensam da mesma forma e o desejo de
coesão supera a motivação para avaliar alternativas diferentes das usuais. Os
sintomas são conhecidos: uma ilusão de invulnerabilidade, que gera otimismo e
pode levar a riscos; um esforço coletivo para neutralizar visões contrárias às teses
dominantes; uma crença absoluta na moralidade das ações dos membros do grupo;
e uma visão distorcida dos inimigos, comumente vistos como iludidos, fracos ou
simplesmente estúpidos. Tão antigas como o conceito são as receitas para contrapor
a patologia: primeiro, é preciso estimular o pensamento crítico e as visões
alternativas à visão dominante; segundo, é necessário adotar sistemas
transparentes de governança e procedimentos de auditoria; terceiro, é desejável
renovar constantemente o grupo, de forma a oxigenar as discussões e o processo
de tomada de decisão.

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Thomaz Wood Jr. O perigo do groupthinking. In: Carta Capital, 13/5/2009, p. 51 (com
adaptações).

Julgue o seguinte item com base na organização do texto acima.

Por estar empregada como uma forma de voz passiva, a locução verbal "foi
cunhado" (sublinhada no texto) corresponde a cunhou-se e por esta forma pode
ser substituída, sem prejuízo para a coerência ou para a correção gramatical do
texto.

Questão 50 – (CESPE) Analista de Controle Externo – TCU/2009

Um governo, ou uma sociedade, nos tempos modernos, está vinculado a um


pressuposto que se apresenta como novo em face da Idade Antiga e Média, a saber:
a própria ideia de democracia. Para ser democrático, deve contar, a partir das
relações de poder estendidas a todos os indivíduos, com um espaço político
demarcado por regras e procedimentos claros, que, efetivamente, assegurem o
atendimento às demandas públicas da maior parte da população, elegidas pela
própria sociedade, através de suas formas de participação/representação.

Para que isso ocorra, contudo, impõe-se a existência e a eficácia de instrumentos


de reflexão e o debate público das questões sociais vinculadas à gestão de
interesses coletivos — e, muitas vezes, conflitantes, como os direitos liberais de
liberdade, de opinião, de reunião, de associação etc. —, tendo como pressupostos
informativos um núcleo de direitos invioláveis, conquistados, principalmente, desde
o início da Idade Moderna, e ampliados pelo Constitucionalismo Social do século XX
até os dias de hoje. Fala-se, por certo, dos Direitos Humanos e Fundamentais de
todas as gerações ou ciclos possíveis.

Rogério Gesta Leal. Poder político, estado e sociedade. Internet:


<www.mundojuridico.com.br> (com adaptações)

62456350391

No que se refere à organização das ideias e a aspectos gramaticais do texto


acima, julgue o item subsequente.

O pronome "isso" (em negrito no texto) exerce, na organização dos argumentos do


texto, a função coesiva de retomar e resumir o fato de que as "demandas públicas
da maior parte da população" (sublinhado no texto) são escolhidas por meio de
"formas de participação/representação" (sublinhado no texto).

Questão 51 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

(Texto para as questões 51 e 52)

Um novo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) será empossado no tribunal.


Para a cerimônia de posse, que ocorrerá em 18/6/2012, às 19 horas, em sessão

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solene nas dependências do tribunal, serão convidados, entre outros, o presidente


do Supremo Tribunal Federal (STF) e o prefeito municipal de Campinas, cidade natal
do referido ministro. Ao final da solenidade, deverá ser lavrada a ata da sessão.

Considerando os diversos tipos de correspondência oficial que será


demandada em face da situação hipotética acima apresentada, julgue o
item a seguir.

O convite ao presidente do STF deverá ser feito mediante ofício, se o remetente for
o chefe da assessoria de cerimonial do STJ, ou mediante memorando, se o
remetente for o próprio presidente do STJ.

Questão 52 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Considerando os diversos tipos de correspondência oficial que será


demandada em face da situação hipotética acima apresentada, julgue o
item a seguir.

Na correspondência oficial a ser enviada ao prefeito da cidade de Campinas, devem


ser empregados o vocativo “Senhor Prefeito” e o pronome de tratamento “Vossa
Excelência”.

Questão 53 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Julgue o próximo item, referente à adequação da linguagem na elaboração


de expedientes oficiais.

Expediente que contenha a seguinte resposta: “Em atenção ao Memo n. 03/11, a


data é 10/2/2011”, em vez de “Em atenção ao Memo n. 03/11, que trata das férias
de servidores desta Coordenadoria, informo que elas se iniciaram no dia
10/2/2011”, está desrespeitando as normas referentes à concisão, um dos
requisitos básicos da redação oficial.
62456350391

Questão 54 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

(Texto para as questões 54, 55, 56, 57, 58, 59 e 60)

Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III a.C., a biblioteca de


Alexandria representa uma epígrafe perfeita para a discussão sobre a
materialidade da comunicação. As escavações para a localização da biblioteca, sem
dúvida um dos maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de
arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca imaginária, cujos
livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam, contudo, numerosas fontes
clássicas que descreviam o lugar em que se encontravam centenas de milhares
de rolos. E eis a solução do enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era

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composto por rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,
atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas. Em vez de um
conjunto de salas com estantes dispostas paralelamente e enfeixadas em um
edifício próprio, a biblioteca de Alexandria consistia em uma série infinita de
estantes escavadas nas paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a
melhor forma de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os
arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de Alexandria sempre
a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance das mãos. No entanto, jamais
poderiam localizá-la, já que não levaram em consideração a materialidade dos
meios de comunicação dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma
biblioteca estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas de
Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a materialidade dos
meios de comunicação?

O conceito de materialidade da comunicação supõe a reconstrução da


materialidade específica mediante a qual os valores de uma cultura são, de um
lado, produzidos e, de outro, transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio
de comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da cultura e,
em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de comunicação, instituições e
hábitos mentais de uma época determinada. Vejamos: para o entendimento de
uma forma particular de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica
ou na Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o cinema e a
televisão no século XX; o computador em nossos dias —, o estudioso deve
reconstruir tanto as condições históricas quanto a materialidade do meio de
comunicação. Assim, no teatro, a voz e o corpo do ator constituem uma
materialidade muito diferente da que será criada pelo advento e difusão da
imprensa, pois os tipos impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do
circuito comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem um certo
retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade. Compreender, portanto, como
tais materialidades influem na elaboração do ato comunicativo é fundamental para
se entender como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.

João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria?


In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de
Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações).

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a


62456350391

seguir.

O vocábulo “epígrafe” (em negrito no texto) significa inscrição sobre a lápide de


túmulos ou sobre monumentos funerários e é usado no texto como metáfora tanto
da materialidade tumular da biblioteca de Alexandria, quanto do tempo decorrido
desde sua existência até o presente.

Questão 55 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a


seguir.

Depreende-se do texto que a pesquisa arqueológica deve prescindir de fontes


documentais e concentrar-se na avaliação de achados materiais.

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Questão 56 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a


seguir.

A pergunta no trecho sublinhado no texto poderia ser suprimida do texto sem


prejuízo para a sua coerência.

Questão 57 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a


seguir.

A preposição “para”, em “para a discussão” (sublinhado no texto) e em “para


colecionar livros” (sublinhado no texto), introduz expressão que exprime
finalidade.

Questão 58 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a


seguir.

A partícula “se”, em “Tratava-se” (em negrito no texto) e em “se encontravam”


(em negrito no texto), classifica-se como pronome reflexivo e retoma,
respectivamente, “uma biblioteca imaginária” (sublinhado no texto) e “centenas de
milhares de rolos” (sublinhado no texto).

Questão 59 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a


seguir. 62456350391

O trecho “jamais poderiam localizá-la” (sublinhado no texto) poderia ser


corretamente reescrito da seguinte forma: jamais a poderiam localizar.

Questão 60 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a


seguir.

No trecho em negrito no texto, é obrigatório o emprego da vírgula após o


travessão.

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Questão 61 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

(Texto para as questões 61, 62 e 63)

Se a perspectiva do político é a perspectiva de como o poder se constitui e se


exerce em uma sociedade, como se distribui, se difunde, se dissemina, mas
também se oculta, se dissimula em seus diferentes modos de operar, então é
fundamental uma análise do discurso que nos permita rastreá-lo. A necessidade de
discussão da questão política e do exercício do poder está em que, em última
análise, todos os grupos, classes, etnias visam, de uma forma ou de outra, o
controle do poder político. Porém, costumamos ver o poder como algo negativo,
perverso, no sentido da dominação, da submissão. Não há, entretanto, sociedade
organizada sem formas de exercício de poder. A questão, portanto, deve ser: como
e em nome de quem este poder se exerce?

Danilo Marcondes. Filosofia, linguagem e comunicação. São Paulo: Cortez, 2000, p. 147-8
(com adaptações).

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


item a seguir.

A vírgula logo depois de "operar" (em negrito no texto) indica que a relação entre
as ideias expressas no período iniciado por "então é fundamental" (sublinhado no
texto) e as ideias expressas no período anterior seria mantida se a palavra "então"
fosse substituída por posto que.

Questão 62 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


item a seguir.

Mantendo-se as ideias originalmente expressas no texto, assim como a sua


correção gramatical, o complemento da forma verbal "visam" (sublinhada no texto)
62456350391

poderia ser introduzido pela preposição a: ao controle.

Questão 63 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


item a seguir.

No trecho em negrito e sublinhado no texto, para evitar as duas ocorrências da


preposição "em" e tornar o estilo do texto mais elegante, mantendo-se a correção
gramatical, deve-se deixar subentendida a primeira delas, reescrevendo-se o
respectivo trecho da seguinte forma: está que, em última análise.

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Questão 64 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2004

Pesquisas realizadas em vários países mostram que a pobreza e a violência


atingem especialmente os mais jovens. No Brasil, de acordo com o último censo
demográfico, os adolescentes representam 12,5% da população total. Quase 7%
deles são analfabetos, mais de 15% não freqüentam a escola e apenas 33%
cursam o ensino médio. Não bastasse isso, cerca de oito milhões apresentam pelo
menos três anos de defasagem nos estudos e pertencem a famílias com renda
mensal per capita inferior a meio salário mínimo.

Premidos pela baixa renda familiar, mais de um milhão de adolescentes entre 12 e


14 anos de idade estão submetidos à exploração do trabalho infantil, ao passo que
outros 3,2 milhões, com idade entre 15 e 17 anos, já estão no mercado de
trabalho. Via de regra, os adolescentes executam atividades precárias e mal
remuneradas, cumprindo jornadas de trabalho excessivas, que os impedem de
concluir a educação básica, de ter acesso ao lazer e à cultura, além de outras
vivências próprias à idade.

Várias outras pesquisas revelam que, no Brasil, os jovens são mais vítimas que
algozes da violência. De um lado, o número de infratores supera em pouco a casa
dos vinte mil, o que representa 1% da população total da faixa etária dos 12 aos
17 anos. Esses adolescentes respondem por 10% das infrações praticadas no
território brasileiro. De outro lado, os assassinatos representam hoje 40,5% dos
óbitos verificados entre os adolescentes em decorrência de causas não naturais.
Esse percentual reflete um aumento vertiginoso da violência dirigida contra o
jovem e creditada ao seu envolvimento com drogas e à ineficácia do sistema penal
brasileiro, que deixa impunes os responsáveis pelas mortes.

Nesse panorama, surgem inúmeras propostas de alteração do ordenamento


jurídico em vigor, seja para rebaixar o limite da inimputabilidade penal, seja para
aumentar o prazo máximo da medida privativa de liberdade aplicável aos
adolescentes que cometem violência contra a pessoa. No entanto, é necessária
uma abordagem cuidadosa do tema, que deve ser analisado nos termos de sua
complexidade, sem a intervenção de posições apriorísticas ou preconceituosas.

Cleide de Oliveira Lemos. “Reduzir a idade penal é a solução?” In: UnB Revista. dez./2003-
mar./2004, p. 16-9 (com adaptações).

Com base nas ideias, na estrutura e na tipologia do texto ao lado, julgue o


62456350391

item a seguir.

O terceiro parágrafo do texto, por abordar dois aspectos da questão levantada em


seu primeiro período, tem natureza predominantemente argumentativa.

Questão 65 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

(Texto para as questões 65 e 66)

Em um artigo publicado em 2000, e que fez muito sucesso na Internet, Cristovam


Buarque desenhava um idílico mundo futuro, liberto das soberanias nacionais, em
que tudo seria de todos. Se tudo der certo no planeta (o que é discutível), quem
sabe um dia, daqui a mil ou dois mil anos, cheguemos lá. Como nada ainda deu

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certo no planeta, a internacionalização só será aceitável quando se cumprirem


duas premissas. Primeira: que desapareçam os Estados nacionais. Segunda: que os
grupos, ou comunidades, ou sociedades que restarem mantenham entre si relações
impecavelmente equitativas. Quem sabe um dia...

Roberto Pompeu de Toledo. Amazônia: premissas para sua entrega. In: Veja, 28/5/2008
(com adaptações).

Julgue o seguinte item, a respeito da organização das ideias do texto


acima.

Mantém-se a correção gramatical do texto e respeitam-se suas relações


argumentativas ao se substituir "em que" (sublinhado no texto) por onde.

Questão 66 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

Julgue o seguinte item, a respeito da organização das ideias do texto


acima.

Mantêm-se a coerência de ideias e a correção gramatical do texto ao se empregar o


sinal indicativo de crase no "a", em "a internacionalização" (em negrito no texto),
situação em que esse termo seria empregado como objeto direto preposicionado.

Questão 67 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

Pode-se dizer que há complexidade onde quer que se produza um emaranhamento


de ações, de interações, de retroações. E esse emaranhamento é tal que nem um
computador poderia captar todos os processos em curso. Mas há também outra
complexidade que provém da existência de fenômenos aleatórios (que não podem
ser determinados e que, empiricamente, agregam incerteza ao pensamento). Pode-
se dizer, no que concerne à complexidade, que há um polo empírico e um polo
lógico e que a complexidade aparece quando há simultaneamente dificuldades
62456350391

empíricas e dificuldades lógicas. Pascal disse há já três séculos: “Todas as coisas


são ajudadas e ajudantes, todas as coisas são mediatas e imediatas, e todas estão
ligadas entre si por um laço que conecta umas às outras, inclusive as mais
distanciadas. Nessas condições — agrega Pascal — considero impossível conhecer o
todo se não conheço as partes”. Esta é a primeira complexidade: nada está isolado
no Universo e tudo está em relação.

Edgard Morin. Epistemologia da complexidade. In: Dora Fried Schnitman (Org.). Novos
paradigmas, cultura e subjetividade. Porto Alegre: Artmed, 1996, p. 274 (com adaptações)

Julgue o seguinte item, a respeito de redações alternativas para termos e


estruturas linguísticas do texto acima.

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Reforça-se a ideia de possibilidade, coerente com a argumentação desenvolvida no


texto, e mantém-se sua correção gramatical, ao se utilizar, em lugar de "Pode-se
dizer" (sublinhado no texto), o tempo verbal de futuro do pretérito, da seguinte
forma: Poderia-se dizer.

Questão 68 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2004

Pesquisas realizadas em vários países mostram que a pobreza e a violência atingem


especialmente os mais jovens. No Brasil, de acordo com o último censo
demográfico, os adolescentes representam 12,5% da população total. Quase 7%
deles são analfabetos, mais de 15% não frequentam a escola e apenas 33% cursam
o ensino médio. Não bastasse isso, cerca de oito milhões apresentam pelo menos
três anos de defasagem nos estudos e pertencem a famílias com renda mensal per
capita inferior a meio salário mínimo.

Premidos pela baixa renda familiar, mais de um milhão de adolescentes entre 12 e


14 anos de idade estão submetidos à exploração do trabalho infantil, ao passo que
outros 3,2 milhões, com idade entre 15 e 17 anos, já estão no mercado de trabalho.
Via de regra, os adolescentes executam atividades precárias e mal remuneradas,
cumprindo jornadas de trabalho excessivas, que os impedem de concluir a
educação básica, de ter acesso ao lazer e à cultura, além de outras vivências
próprias à idade.

Várias outras pesquisas revelam que, no Brasil, os jovens são mais vítimas que
algozes da violência. De um lado, o número de infratores supera em pouco a casa
dos vinte mil, o que representa 1% da população total da faixa etária dos 12 aos 17
anos. Esses adolescentes respondem por 10% das infrações praticadas no território
brasileiro. De outro lado, os assassinatos representam hoje 40,5% dos óbitos
verificados entre os adolescentes em decorrência de causas não naturais. Esse
percentual reflete um aumento vertiginoso da violência dirigida contra o jovem e
creditada ao seu envolvimento com drogas e à ineficácia do sistema penal brasileiro,
que deixa impunes os responsáveis pelas mortes.

Nesse panorama, surgem inúmeras propostas de alteração do ordenamento jurídico


em vigor, seja para rebaixar o limite da inimputabilidade penal, seja para aumentar
o prazo máximo da medida privativa de liberdade aplicável aos adolescentes que
62456350391

cometem violência contra a pessoa. No entanto, é necessária uma abordagem


cuidadosa do tema, que deve ser analisado nos termos de sua complexidade, sem a
intervenção de posições apriorísticas ou preconceituosas.

Cleide de Oliveira Lemos. “Reduzir a idade penal é a solução?” In: UnB Revista. dez./2003-
mar./2004, p. 16-9 (com adaptações).

Com base nas ideias, na estrutura e na tipologia do texto ao lado, julgue o


item a seguir.

Deduz-se que, quanto à tipologia, o texto é dissertativo, por estar redigido de forma
expositiva e exemplificado com dados objetivos, sem reiterados julgamentos dos
fatos pela redatora.

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Questão 69 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

Em minha opinião, uma percepção ingênua dos fenômenos de mercado, como a


crença nos mercados perfeitos, fornece exatamente o que seus críticos mais
utilizam como munição nos momentos de crise e descontinuidade. O argumento da
suposta infalibilidade dos mercados em bases científicas e a pretensão de
transformar economia e finanças em ciências exatas produzem uma perigosa
mistificação: confundir brilhantes construções mentais para entender a realidade
com a própria realidade. Os mercados não são perfeitos. São, isto, sim, poderosos
instrumentos de coordenação econômica em busca permanente de eficiência. Mas
são também o espelho de nossos humores, refletindo nossa falibilidade nas
avaliações. São contaminados por excesso de otimismo e de pessimismo. São
humanos, demasiado humanos.

Paulo Guedes. Os mercados são demasiado humanos. In: Época, 21/7/2008 (com
adaptações)

A partir da organização das ideias e das estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item subsequente.

Seria mantida a correção gramatical do trecho "Os mercados não são perfeitos. São,
isto, sim, poderosos" (sublinhado no texto), caso ele fosse assim reescrito: Os
mercados não são perfeitos; são, isto sim, poderosos.

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1. E
2. E
3. C
4. C
5. E
6. E
7. C
8. E
9. C
10. D
11. C
12. C
13. E
14. E
15. E
16. C
17. E
18. C
19. E
20. C
21. E
22. C
23. E
24. E
25. E
62456350391

26. E
27. E
28. E
29. E
30. C
31. E
32. E
33. C
34. E
35. C
36. E
37. E

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38. C
39. E
40. C
41. C
42. E
43. E
44. C
45. E
46. C
47. E
48. C
49. E
50. E
51. E
52. C
53. E
54. E
55. E
56. C
57. C
58. E
59. C
60. C
61. E
62. C
63. E
64. C
65. C
66. E
67. E
68. 62456350391

C
69. C

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SIMULADO COMENTADO

Questão 01 – (CESPE) Auditor de Controle Externo – TC-


DF/2014
Na trajetória de cada indivíduo, a faculdade de antever o futuro e o
autocontrole necessário para agir no tempo dependem de um
equipamento cerebral e mental que se constitui nas etapas formativas
do ciclo de vida.
A disposição de usar essa faculdade, entretanto, varia de forma
significativa entre os indivíduos. A formação de preferências
temporais em distintos campos da vida prática — saúde, educação,
carreira profissional, finanças, relações afetivas, previdência, práticas
religiosas — é um assunto de extraordinária complexidade e que
deverá continuar desafiando a engenhosidade humana por muito
tempo ainda.
No sempre renovado embate entre a impulsividade da cigarra límbica
e o cálculo prudente da formiga pré-frontal, o resultado não está dado
de antemão. Enquanto uma se agarra ao momento fugaz e deixa que
o amanhã cuide de si (“no caminho da oficina, há um bar em cada
esquina”), a outra procura uma posição neutra em relação ao que
está ao alcance dos sentidos e avalia os trade-offs entre recompensas
abstratas, inclusive aquelas que se espera obter e desfrutar em
prazos mais longos (como a manutenção do emprego, o salário no fim
do mês e o sucesso profissional).
Eduardo Giannetti. O valor do amanhã: ensaio sobre a natureza dos juros. São
Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 51-3 (com adaptações).

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto


acima, julgue o item subsequente.
Sem que se contrariem a informação expressa no primeiro período do
62456350391

texto e a prescrição gramatical, a forma verbal “dependem”


(sublinhado no texto) poderia estar flexionada na 3ª pessoa do
singular, concordando com o núcleo nominal “faculdade” (sublinhado
no texto), como comprova, no processo de coesão textual, o emprego
da expressão “essa faculdade” (sublinhado no texto) no segundo
parágrafo.

Comentários
Esta questão aborda o assunto concordância verbal. Veja que o
candidato necessita saber se a forma verbal “dependem” pode
concordar com o núcleo nominal “faculdade”.
Aprendemos que o verbo deve concordar com o seu sujeito, não é
mesmo? No caso em análise, temos o sujeito composto “a faculdade

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de antever o futuro e o autocontrole necessário para agir no tempo”.


Dessa maneira, temos dois núcleos: “faculdade” e “autocontrole”.
Como o sujeito está anteposto ao verbo, devemos fazer
obrigatoriamente a concordância no plural.
Quanto ao processo de coesão textual, não há qualquer problema em
ter sido usado o termo “essa faculdade” no segundo parágrafo, pois
foi uma opção de o autor discorrer sobre apenas um dos núcleos.
Gabarito: ERRADO

Questão 02 – (CESPE) Analista Técnico – MDIC/2014

Os municípios do Brasil alcançaram, em média, um índice de


desenvolvimento humano municipal (IDHM) alto, graças a avanços
em educação, renda e expectativa de vida nos últimos vinte anos.

Mas o país ainda registra consideráveis atrasos educacionais, de


acordo com dados divulgados pela Organização das Nações Unidas e
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 aponta que o


IDHM médio do país subiu de 0,493, em 1991, para 0,727, em 2010
— quanto mais próximo de 1, maior é o desenvolvimento. Com isso, o
Brasil passou de um patamar “muito baixo” para um patamar “alto”
de desenvolvimento social. O que mais contribuiu para esse índice foi
o aumento na longevidade, que subiu de 64,7 anos para 73,9 anos.
Também houve aumento de 14,2% ou (R$ 346,31) na renda nesse
período.

Os maiores desafios concentram-se na educação, o terceiro


componente do IDHM. Apesar de ter crescido de 0,279 para 0,637 em
62456350391

vinte anos, o IDHM específico de educação é o mais distante da meta


ideal, de 1. Em 2010, pouco mais da metade dos brasileiros com
dezoito anos de idade ou mais havia concluído o ensino fundamental;
e só 57,2% dos jovens entre quinze e dezessete anos de idade tinham
o ensino fundamental completo. O ministro da Educação admitiu um
“imenso desafio” na área, mas destacou que a educação é o
componente que, tendo partido de um patamar mais baixo, registrou
os maiores avanços, graças ao aumento no fluxo de alunos
matriculados nas escolas. O índice de crianças de cinco e seis anos de
idade que entraram no sistema de ensino passou de 37,3%, em 1991,
para 91,1%, em 2010.

Conforme o atlas, dois terços dos 5.565 municípios brasileiros estão


na faixa de desenvolvimento humano considerada alta ou média. Ao

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mesmo tempo, a porcentagem de municípios na classificação “muito


baixa” caiu de 85,5%, em 1991, para 0,6%, em 2010. O relatório
identificou uma redução nas disparidades sociais entre Norte e Sul do
Brasil, mas confirmou que elas continuam a existir. Um exemplo disso
é que 90% dos municípios das regiões Norte e Nordeste têm baixos
índices de IDHM em educação e renda.

Internet: (com adaptações).

No que se refere às ideias e expressões linguísticas contidas


no texto, julgue o item que se segue.

O pronome “isso” (sublinhado no texto) retoma apenas a ideia


expressa em “quanto mais próximo de 1, maior é o desenvolvimento”
(sublinhado no texto).

Comentários

Vamos ver uma questão que cobra a retomada de ideias. Como


sabemos, os pronomes são termos muito usados como
recursos de coesão.

Aqui, o pronome demonstrativo “isso” foi usado para retomar a ideia


expressa em todo o período anterior, não apenas no trecho
sublinhado. Veja:

O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 aponta que o


IDHM médio do país subiu de 0,493, em 1991, para 0,727, em 2010
— quanto mais próximo de 1, maior é o desenvolvimento. Com isso, o
Brasil passou de um patamar “muito baixo” para um patamar “alto”
de desenvolvimento social.
62456350391

Dessa forma, concluímos que o pronome “isso” não retoma


apenas a ideia expressa em “quanto mais próximo de 1, maior
é o desenvolvimento”.

GABARITO: ERRADO

Questão 03 – (CESPE) Consultor de Orçamento e Fiscalização


Financeira – Câmara dos Deputados/2014
Ao vender Sochi como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014,
o presidente russo Vladimir Putin prometeu uma experiência única:

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turistas e atletas poderiam esquiar nas montanhas, onde é muito frio,


e mergulhar em piscinas abertas de hotéis, onde o clima é mais
ameno, no mesmo dia. Sochi é famosa como estância de veraneio de
milionários russos. Pelo fato de o clima na região ser subtropical, a
temperatura prevista para a Olimpíada já estava no limite do aceitável
para a prática de esportes na neve: no inverno, é esperada a média
de 6 ºC na altura do mar Negro, que banha o litoral. O que atletas e
turistas encontraram ao chegar a Sochi, porém, foi um cenário muito
mais inusitado. O calor na altura do mar atinge 20 ºC e, nas
montanhas, 15 ºC. O calor intenso derreteu a neve nas pistas, forçou
o cancelamento de treinos e prejudicou competições. Por trás dessa
surpresa, um velho conhecido: o aquecimento global, fenômeno
responsável por mudanças climáticas intensas que têm afetado o
planeta no último século e que pôde ser notado em anomalias
frequentes nessa última temporada de inverno no Hemisfério Norte e
de verão, no Sul.
Alexandre Salvador e Raquel Beer. Cadê o frio? In: Veja, fev./2014 (com
adaptações)

Julgue o próximo item, relativo aos sentidos e aspectos


gramaticais do texto acima.

As orações “onde é muito frio” (sublinhado no texto) e “que banha o


litoral” (sublinhado no texto) têm natureza explicativa, o que justifica
o fato de estarem isoladas por vírgulas.
Comentários
Esta questão trata de pontuação e de orações subordinadas
adjetivas.
Aprendemos que as orações subordinadas adjetivas podem ser
62456350391

explicativas ou restritivas. Vamos revisar?

Oração subordinada adjetiva restritiva


A oração subordinada adjetiva restritiva restringe e
particulariza o significado do termo a que se refere
(substantivo ou pronome substantivo). Essa oração é responsável
por expressar uma informação que se refere apenas a uma parte do
todo e não ao todo. Outra característica importante é que a oração
restritiva é indispensável à compreensão do termo antecedente, ao
qual se liga sem pausa, ou seja, sem vírgula (ou outro sinal de
pontuação). Dessa forma, se essas orações forem retiradas do trecho
textual, este ficará prejudicado no seu sentido geral.

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A oração adjetiva restritiva possui valor de adjetivo e exerce a


função sintática de adjunto adnominal.
Exemplos:
As crianças que brincavam no canto da sala estavam alegres.
Observe que “existem outras crianças na sala”.

Os estudantes que estavam do lado de fora da sala receberão punição.


Observe que “somente os estudantes que estavam do lado de fora (e
não todos) é que receberão punição”.

Oração subordinada adjetiva explicativa


A oração subordinada adjetiva explicativa explica e amplia o
significado do termo a que se refere (substantivo ou pronome
substantivo). Na maior parte das vezes, esse substantivo ou
pronome substantivo designa um ser único, um ser individualizado.
Outra característica importante é que a oração explicativa é
dispensável à compreensão do termo antecedente, ao qual se liga
com pausa, ou seja, com vírgula (ou outro sinal de pontuação). Dessa
forma, se essas orações forem retiradas do trecho textual, este não
ficará prejudicado no seu sentido geral.
A oração adjetiva explicativa possui valor semelhante a um
aposto explicativo.
Exemplos:
O pai de Carla, que é um homem trabalhador, estava cansado.
Observe que “Carla tem apenas um pai”.

O planeta Terra, que é a nossa casa, faz parte do sistema solar.


62456350391

Observe que “existe somente um planeta chamado Terra”.

Diferença entre a oração subordinada adjetiva restritiva e a


explicativa
A adjetiva restritiva individualiza um termo anteriormente expresso,
indica uma parte do todo, acrescenta uma nova ideia.
Exemplos:
O homem que é honesto vive bem.
Observe que a oração “que é honesto” restringe o sentido do
substantivo “homem”, ou seja, não é todo homem que vive bem, mas
apenas aquele que é honesto.

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A adjetiva explicativa repete uma ideia que pertence ao termo


antecedente e indica uma qualidade inerente do ser.
Exemplos:
Deus, que é perfeito, perdoa.
Observe que a oração “que é perfeito” não acrescenta nada de novo
ao substantivo “Deus”, ou seja, Deus, por sua própria natureza, é
perfeito.

Quando estudamos pontuação, aprendemos que as orações


explicativas são sempre isoladas por vírgulas.
Em vista do exposto, o item está correto.
Gabarito: CERTO

Questão 04 – (CESPE) Auditor Fiscal do Trabalho – MTE/2013


Existe no mercado uma tendência de crescimento da taxa de
atividade feminina e de melhoria para as mulheres na disputa por
postos de trabalho. De fato, desde meados dos anos oitenta do século
XX, a taxa anual de emprego das mulheres mostra-se mais elevada
que a masculina, o que representa um forte aumento de pessoas do
sexo feminino entre a população ocupada.
Muitas razões podem explicar esse comportamento mais favorável às
mulheres do que aos homens, no que se refere à expansão do nível
de ocupação. Uma delas decorre da amplitude do processo de
reestruturação produtiva iniciada na década de noventa do século
passado, que afeta principalmente o emprego industrial, cuja redução
massiva tem rebatimentos negativos e incide mais sobre os homens
do que sobre as mulheres, pouco representadas no setor.
62456350391

Outro fator que estimula a inserção produtiva das mulheres diz


respeito à expansão da economia de serviços. Entretanto, há de se
considerar que esse fenômeno pouco tem alterado a predominância
de um ou outro sexo em determinados setores, dado o perfil da
segregação ocupacional de gênero: as mulheres permanecem
majoritárias representam mais de 70% do total nas atividades
de saúde e de ensino, na administração pública e nos serviços
pessoais.
O terceiro fator que favorece o aumento do emprego feminino nos
anos recentes é a maior flexibilização do mercado de trabalho,
juntamente com a “precarização” das relações de trabalho, dada a
falta de regulamentação de certas garantias de trabalho e de
seguridade social, as formas de contrato sem carteira assinada, a

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diminuição dos níveis salariais, o aumento das formas de trabalho em


domicílio e por conta própria e o aumento da informalidade, de forma
geral.
Esse enfoque explica o aumento maior de oportunidades de emprego
para as mulheres, em razão, sobretudo, das características da atual
divisão do trabalho por sexo: o emprego em atividades de tempo
parcial atrairia prioritariamente as mulheres, pois permitiria
compatibilizar trabalho doméstico e trabalho remunerado; como mão
de obra secundária, as mulheres aceitariam salários inferiores, o que
atenderia mais imediatamente à demanda dos setores público e
privado, até porque, em face do aumento do desemprego, seriam
provavelmente as primeiras a serem dispensadas.
Em outras palavras, existe uma oposição entre elevação da taxa de
emprego feminina ou “feminização” do emprego e a
“precarização” das relações de trabalho, e isso explica vantagens
comparativas da mão de obra feminina sobre a masculina.

Tânia M. Fontenele-Mourão. Mulheres no topo de carreira: flexibilidade e


persistência. Brasil: Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, 2006.
Internet: <www.dominiopublico.gov.br> (com adaptações).

Com base na estrutura linguística do texto, julgue o item que


se segue.

As formas verbais “tem” (sublinhado no texto) e “incide” (sublinhado


no texto) estão flexionadas no singular porque concordam com o
termo “redução massiva” (sublinhado no texto).

Comentários

Nesta questão, vemos que o sujeito de “tem” e de “incide” é o termo


62456350391

“redução massiva” (terceira pessoa do singular). Portanto, o item


está correto.

Gabarito: CERTO

Questão 05 – (CESPE) Consultor de Orçamento e Fiscalização


Financeira – Câmara dos Deputados/2014
Vista do avião, a cidade de edifícios arrojados lembra Dubai, só que
insulada na estepe verde. Desde 1997, quando o presidente Nursultan
Nazarbayev transferiu a capital de Almaty, maior centro urbano do
país, para Astana, no norte, a cidade não para de receber investidores

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e arquitetos famosos, atraídos pelas receitas de petróleo do


Cazaquistão. Oficialmente, o presidente Nazarbayev justificou a
mudança alegando o risco permanente de terremoto em Almaty e a
falta de espaço para crescimento. Contudo, também queria integrar o
norte habitado por russos à maioria cazaque. Hoje, a população de
Astana é 65% de origem cazaque, 23% russa, 3% ucraniana, 1,7%
tártara e 1,5% alemã. A nova capital é a fronteira de expansão
econômica do país, irresistível para os jovens.
Brasília asiática. In: Planeta, fev./2014 (com adaptações)

Julgue o próximo item, referente às ideias e aos aspectos


linguísticos do texto acima.

Os vocábulos “Oficialmente” (sublinhado no texto) e “permanente”


(sublinhado no texto) pertencem à mesma classe gramatical.

Comentários

Temos que analisar as palavras apresentadas e verificar se


elas pertencem à mesma classe gramatical.

Veja que “oficialmente” modifica o sentido do verbo “justificar”,


portanto é um advérbio.

Como aprendemos, advérbio é a palavra invariável que modifica o


sentido dos adjetivos, dos verbos e de outros advérbios.

Por sua vez, “permanente” está ligada ao substantivo “risco”, assim é


um adjetivo.

Adjetivo é a palavra variável que acompanha o substantivo para


62456350391

precisar-lhe e modificar-lhe o significado. Assim, o adjetivo expressa


as qualidades, defeitos ou características de um substantivo.

Gabarito: ERRADO

Questão 06 – (CESPE) Cargos de Nível Superior – EBC/2011


É inegável, hoje, a importância das novas tecnologias de comunicação
e de multimídia no acesso ao conhecimento produzido em diferentes
campos do saber, em distintas regiões geográficas. Esse acesso é
importante para que se conheçam as decisões, as versões e as
opiniões em diferenciados campos do saber e de sua produção. A

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quantidade de conhecimento produzido, seja na medicina, seja na


física nuclear, seja na história, e sua disponibilização permitem que,
com critérios de seletividade e com a utilização das redes telemáticas,
as pessoas tenham potencialmente acesso a essa produção.
Isso é importante? Parece que sim, porque as descobertas científicas,
as interpretações históricas, os eventos que isso suscita e as opiniões
sobre eles, em um mundo também potencialmente globalizado em
seus aspectos econômicos, políticos, culturais e midiáticos, interessam
às pessoas, que deles receberão efeitos. Ao mesmo tempo, as
decisões políticas, próximas ou distantes, públicas ou secretas, terão
efeito na vida do mais remoto e pacato cidadão de distantes regiões,
de diferentes mundos culturais e sociais.
É importante que, dentro desse contexto, sejam aprofundados
estudos sobre os limites para o exercício ético da atividade
profissional no jornalismo, diagnosticando-se os principais problemas
existentes hoje e situando-se, simultaneamente, suas possibilidades
de solução. É preciso estabelecer a potencialidade e os limites do
exercício profissional, mas, ao mesmo tempo, mostrar as mudanças
que a multimídia e as novas tecnologias, em geral, apontam para a
área, para a nova mediação social da realidade que os profissionais
serão desafiados a fazer e para os limites que se avizinham e
aumentam.
Francisco José C. Karam. Formação e ética jornalística.
Internet: <www.fnpj.org.br> (com adaptações)

A respeito dos aspectos morfossintáticos e semânticos do


texto, julgue o próximo item.

No período “Parece que sim, porque (...) receberão efeitos.”


(sublinhado), a substituição do ponto final por ponto de interrogação
manteria a coerência do texto, mas, nesse caso, de acordo com a
62456350391

prescrição gramatical, o vocábulo “porque” deveria ser grafado


como por que.

Comentários

Vamos revisar o uso de “porque” e “por que”?

Esta questão exige conhecimento do candidato a respeito do emprego


do termo “porquê”.

O emprego do “porquê” é bastante cobrado pelas bancas, pois


o candidato facilmente confunde se escreve-se junto, separado
ou com acento circunflexo.

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“Por que” separado é usado:

 quando podemos substituir o “por que” por “pelo qual”


e variações. Isso acontece por causa do seguinte: o “por” é
uma preposição e o “que” é um pronome relativo.
 quando podemos substituir o “por que” por uma das
expressões: “por qual motivo” ou “por qual razão”. Isso
acontece por causa do seguinte: o “por” é uma preposição e o
“que” é um pronome interrogativo.
 quando temos orações subordinadas substantivas
objetivas indiretas e o verbo transitivo indireto exige a
preposição “por”. Isso acontece por causa do seguinte: o
“por” é uma preposição e o “que” é um pronome interrogativo.

“Porque” junto é usado quando possui a função de conjunção


explicativa (= “pois”), causal (= “já que”) ou final (= ”para
que”).

Usamos o “porquê” junto e com acento circunflexo quando ele


possui valor de “motivo”, “razão”. Observe que o “porquê” é,
nesse caso, uma palavra substantivada e vem sempre precedido de
algum determinante.

Você se lembra de que sempre acentuamos a palavra “que” se esta


estiver em final de frases ou se estiver acompanhada de algum
determinante? Neste segundo caso, a palavra funciona como um
substantivo. Essas regras valem então para “porquê” e “por quê”.

Veja, dessa forma, que o “porque” utilizado no texto não pode


ser substituído por “por que”.

Gabarito: ERRADO
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Questão 07 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2010
Nas sociedades modernas, somos diariamente confrontados com uma
grande massa de informações. As novas questões e os eventos que
surgem no horizonte social frequentemente exigem, por nos afetarem
de alguma maneira, que busquemos compreendê-los, aproximando-os
daquilo que já conhecemos. Estas interações sociais vão criando
“universos consensuais” no âmbito dos quais as novas representações
vão sendo produzidas e comunicadas, passando a fazer parte desse
universo não mais como simples opiniões, mas como verdadeiras
“teorias” do senso comum, construções esquemáticas que visam dar

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conta da complexidade do objeto, facilitar a comunicação e orientar


condutas. Essas teorias ajudam a forjar a identidade grupal e o
sentimento de pertencimento do indivíduo ao grupo.
Essa análise permite, ainda, abordar um outro ponto: a caracterização
dos grupos em função de sua representação social. Isto quer dizer
que é possível definir os contornos de um grupo, ou, ainda, distinguir
um grupo de outro pelo estudo das representações partilhadas por
seus membros sobre um dado objeto social. Graças a essa
reciprocidade entre uma coletividade e sua teoria, esta é um atributo
fundamental na definição de um grupo.
Alda Judith Alves-Mazzotti. Representações sociais: aspectos teóricos e aplicações à
educação. In: Revista Múltiplas Leituras, v. 1, n.o 1, 2008, p. 18-43. Internet: (com
adaptações).

A respeito da organização dos sentidos e das estruturas


linguísticas do texto apresentado, julgue o item que se segue.

No trecho sublinhado no texto, já que a estrutura sintática exige a


preposição a, a ausência de sinal indicativo da crase em "a essa
reciprocidade" mostra que, por causa da presença do pronome
demonstrativo "essa", o artigo não é aí usado.

Comentários
Aqui, temos um caso de proibição de crase. Isso acontece porque,
antes de “essa”, não podemos usar artigo.
E, você deve lembrar-se de que:

A crase não equivale ao acento grave. São coisas distintas, porém


relacionadas ao mesmo acontecimento.
62456350391

A crase é o fenômeno de união entre duas vogais idênticas.

O acento grave é o sinal gráfico que indica a presença do


fenômeno crase.

Em nossa língua, só há crase na junção de duas vogais “A” (as


demais vogais, por sua vez, não formam crase).

Essa união (de duas vogais “A”) pode se dar de diversas maneiras.
Vamos ver as junções mais frequentes:

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PREPOSIÇÃO “A”

+
A AQUELE / AQUELA / AQUILO A QUAL / AS QUAIS
ARTIGO PRONOMES DEMONSTRATIVOS PRONOMES RELATIVOS
DEFINIDO

Observe que, no esquema acima, a preposição “A” liga-se a termos


também iniciados pela letra “A”. A crase irá unir as duas vogais, para
que não seja necessário repeti-las.

Assim, para que você entenda perfeitamente essa união, vamos


separar os exemplos por cada tipo de ocorrência da crase:

PREPOSIÇÃO “A” + ARTIGO DEFINIDO “A”:

João foi à casa de sua amiga.


= foi a + a casa
= foi para a casa

No exemplo acima, é fácil notar que houve a união de uma vogal “A”
(preposição) com outra vogal “A” (artigo feminino). Isso ocorreu
porque a regência do verbo “IR” exige complemento preposicionado
(“quem vai, vai A algum lugar”) e porque o complemento “A CASA” é
formado por artigo feminino “A”.

Assim, a questão está correta. 62456350391

Gabarito: CERTO

Questão 08 – (CESPE) Especialista – DEPEN/2013

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 144, que a


segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de
todos, devendo ser exercida para a preservação da ordem pública e
da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Esse direito,
constitucionalmente assegurado a todos, constitui cláusula pétrea,
conforme dispõem o artigo 5.º, caput, e o artigo 60, § 4.º, IV, da
Carta Magna.

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O conceito jurídico de ordem pública não se confunde com o de


incolumidade das pessoas e do patrimônio. Sem embargo, ordem
pública consiste em bem jurídico que pode resultar mais ou menos
fragilizado pelo modo personalizado com que se dá a concreta
violação da integridade das pessoas ou do patrimônio de terceiros,
tanto quanto da saúde pública, na hipótese, por exemplo, de tráfico
de entorpecentes e drogas afins. Daí sua categorização jurídico-
positiva, não como descrição do delito nem como cominação de pena,
porém como pressuposto de prisão cautelar, ou seja, como imperiosa
necessidade de acautelar o meio social contra fatores de perturbação
que já se localizam na gravidade incomum da execução de certos
crimes. Logo, o conceito de ordem pública desvincula-se do conceito
de incolumidade das pessoas e do patrimônio alheio, assim como do
da violação à saúde pública, mas se enlaça à noção de acautelamento
do meio social.

Internet: <www.stf.jus.b(com adaptações).

Considerando as ideias e as estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item.

Na expressão “cláusula pétrea” (sublinhada no texto), o vocábulo


“pétrea” provém de pedra e relaciona-se, em sentido denotativo, a
algo que tem resistência de pedra, ao passo que o termo jurídico
completo, com sentido conotativo, refere-se a algo que demonstra
insensibilidade, dureza.

Comentários
Para resolver esta questão, precisamos saber os conceitos de
denotativo e conotativo, muito usual em questões de provas.
Quando uma palavra é empregada em seu sentido denotativo, ela é
62456350391

usada em seu sentido próprio, comum, habitual, preciso. Por sua vez,
o sentido conotativo é o emprego de uma palavra em um sentido
incomum, figurado, circunstancial, que depende sempre do contexto.
Para te auxiliar a guardar, faça uma relação entre “denotativo” e
“dicionário”.

Observe que, realmente, o vocábulo “pétrea” provém de pedra e


relaciona-se, em sentido denotativo, a algo que tem resistência de
pedra. Entretanto, o termo jurídico completo, com sentido conotativo,
refere-se a algo que não pode ser modificado ou alterado, e
não a algo insensível ou duro.

Dessa maneira, o item está incorreto.

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Gabarito: ERRADO

Questão 09 – (CESPE) Nível Superior – ANATEL/2014

Ofício n.º 28/2014- IE

Brasília, 2 de março de 2014.

A Sua Excelência o senhor


[nome]
Coordenador de Estudos Econômicos Regionais
Ministério da Integração Social
Eixo Monumental Bloco E s/n
2.º andar, sala 214
70.160-900 – Brasília – DF

Assunto: Solicitação de documentação

Senhor Coordenador,

1. Em complementação à solicitação dos documentos sobre os


estudos econômicos regionais feitos sob sua coordenação, nas
publicações do ano de 2012, informamos que o material foi recebido
e, na oportunidade, solicitamos os estudos registrados nas
publicações desta Coordenação no ano de 2013.
62456350391

2. Este novo pedido tem por objetivo completar o acervo universitário


dos registros econômicos regionais elaborados por esta
Coordenadoria, cuja leitura tem trazido qualidade às pesquisas de
professores e alunos do curso de Economia.

Atenciosamente,

José da Silva

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Com base no documento hipotético acima, julgue o item


seguinte.

Nesse ofício, deveriam constar do cabeçalho ou do rodapé


informações acerca do remetente, tais como nome do órgão ou setor;
endereço postal; telefone; e endereço de correio eletrônico.

Comentários
Observe que uma correspondência oficial necessita ter essas
informações do enunciado.
Você deve lembrar-se disto:

No cabeçalho ou no rodapé do ofício e do aviso, devem constar


as seguintes informações acerca do remetente:

- nome do órgão ou setor;

- endereço postal;

- telefone e endereço de correio eletrônico.

Assim, o item está correto.


Gabarito: CERTO

Questão 10 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-AL/2012

É fato reconhecido que a semelhança ou mesmo a similitude perfeita


entre pares de coisas não faz de uma a imitação da outra. As
imitações contrastam com a realidade, mas não posso usar na análise
62456350391

da imitação um dos termos que pretendo esclarecer. Dizer “isto não é


real” certamente contribui para o prazer das pessoas com as
representações imitativas, de acordo com um admirável estudo de
psicologia escrito por Aristóteles. “A visão de determinadas coisas nos
causa angústia”, escreve Aristóteles na Poética, “mas apreciamos
olhar suas imitações mais perfeitas, sejam as formas de animais que
desprezamos muito, sejam cadáveres”. Esse tipo de prazer pressupõe
o conhecimento de que seu objeto é uma imitação, ou,
correlativamente, o conhecimento de que não é real. Há, portanto,
uma dimensão cognitiva nessa forma de prazer, assim como em
muitos outros prazeres, inclusive os mais intensos.

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Suponho que o prazer de comer determinadas coisas pressupõe


algumas crenças, como a de que elas são realmente o que pensamos
estar comendo, mas a comida pode se tornar um punhado de cinzas
quando se descobre que isso não é verdade — que é carne de porco,
para um judeu ortodoxo, ou carne de vaca, para um hindu praticante,
ou carne humana, para a maioria de nós (por mais que o sabor nos
agrade). Não é preciso sentir a diferença para haver uma diferença,
pois o prazer de comer é geralmente mais complexo, pelo menos
entre os seres humanos, do que o prazer de sentir o gosto. Saber que
algo é diferente pode fazer diferença para o gosto que sentimos. Se
não o fizer, é que a diferença de gostos talvez não seja uma coisa que
preocupe o bastante para que as respectivas crenças sejam um
requisito do prazer.

Arthur C. Danto. A transfiguração do lugar-comum: uma filosofia da arte. Trad.


Vera Pereira. São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 49-50 (com adaptações).

Com relação aos sentidos do texto e às suas estruturas


linguísticas, assinale a opção correta.

a) Verifica-se a ocorrência de dígrafos nos vocábulos “pressupõe”


(sublinhado no texto) e “ortodoxo” (sublinhado no texto).

b) A forma verbal “contrastam” (sublinhado no texto) está sendo


empregada no texto como sinônimo de assemelham.

c) No contexto, o verbo “usar” (sublinhado no texto) poderia ser


substituído pela locução verbal fazer uso, sem prejuízo da correção
gramatical do texto.

d) O emprego do acento gráfico nos vocábulos “análise” (sublinhado


no texto), “Aristóteles” (sublinhado no texto) e ‘cadáveres’
62456350391

(sublinhado no texto) justifica-se pela mesma regra de acentuação.

e) O trecho “contribui para o prazer das pessoas com as


representações imitativas” (sublinhado no texto) poderia ser
corretamente substituído por: contribui ao prazer que as pessoas tem
pelas representações imitativas.

Comentários
Vamos ver cada alternativa separadamente?

a) Verifica-se a ocorrência de dígrafos nos vocábulos “pressupõe”


(sublinhado no texto) e “ortodoxo” (sublinhado no texto).

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Observamos a existência de dígrafo apenas na palavra “pressupõe”.

O dígrafo é um fenômeno gramatical e fonético que acontece quando


duas letras estão juntas na mesma palavra e formam um único
fonema (som). Temos os dígrafos vocálicos e os consonantais.

Alternativa errada.

b) A forma verbal “contrastam” (sublinhado no texto) está sendo


empregada no texto como sinônimo de assemelham.

O sentido é justamente o contrário.

Alternativa errada.

c) No contexto, o verbo “usar” (sublinhado no texto) poderia ser


substituído pela locução verbal fazer uso, sem prejuízo da correção
gramatical do texto.

Para ficar correto gramaticalmente, seria necessa´rio fazer outras


modificações. Segue um exemplo correto:

As imitações contrastam com a realidade, mas não posso fazer uso da


análise da imitação como um dos termos que pretendo esclarecer.

Alternativa errada.

d) O emprego do acento gráfico nos vocábulos “análise” (sublinhado


no texto), “Aristóteles” (sublinhado no texto) e ‘cadáveres’
(sublinhado no texto) justifica-se pela mesma regra de acentuação.

Todas as palavras são proparoxítonas. Sabemos que todas as


proparoxítonas são acentuadas. Portanto, a regra é a mesma para os
três vocábulos.
62456350391

Alternativa certa.

e) O trecho “contribui para o prazer das pessoas com as


representações imitativas” (sublinhado no texto) poderia ser
corretamente substituído por: contribui ao prazer que as pessoas tem
pelas representações imitativas.

O verbo “ter” precisa ter acento circunflexo, pois o sujeito é plural


(“as pessoas”).

Alternativa errada.

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A alternativa D é a resposta da questão.

Gabarito: D

Questão 11 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2010

A experiência cultural das sociedades, em nossa época, é cada vez


mais moldada e “globalizada” pela transmissão e difusão das formas
significativas, visuais e discursivas, via meios de comunicação de
massa. Conquanto o desenvolvimento dos meios de comunicação
tenha tornado absolutamente frágeis os limites que separavam o
público do privado, assiste-se hoje a uma nova tendência de
politização e visibilidade do privado, com a estruturação de novas
relações familiares, bem como à privatização do público. Faz-se
necessário frisar que o imaginário social acompanha lentamente essa
evolução, nem sempre aceitando o rompimento dos costumes
fortemente arraigados.

Vera Lúcia Pires. A identidade do sujeito feminino: uma leitura das desigualdades.
In: M. I. Ghilardi-Lucena (Org.). Representações do feminino. PUC: Átomo, 2003, p.
209 (com adaptações).

Julgue os itens seguintes, relativos à organização das ideias


no texto acima e aos seus aspectos gramaticais.

A estrutura sintática iniciada por "Conquanto" (sublinhada no texto)


é responsável pelo uso do modo subjuntivo em "tenha" (sublinhado
no texto); por isso, a substituição dessa forma verbal
por tem desrespeita as regras gramaticais do padrão culto da língua.
62456350391

Comentários
Vamos ver o trecho?
Conquanto o desenvolvimento dos meios de comunicação tenha tornado
absolutamente frágeis os limites que separavam o público do privado...
A afirmativa contida no enunciado está certa, pois a conjunção
“conquanto” exige o emprego do verbo no subjuntivo, tal como
“embora”.
Assim, fica errado se trocarmos por “tem”.
Dessa forma, o item está correto.
Gabarito: CERTO

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Questão 12 – (CESPE) Auditor Governamental – CGE-PI/2012

Uma casa tem muita vez as suas relíquias, lembranças de um dia ou


de outro, da tristeza que passou, da felicidade que se perdeu. Supõe
que o dono pense em as arejar e expor para teu e meu desenfado.
Nem todas serão interessantes, não raras serão aborrecidas, mas, se
o dono tiver cuidado, pode extrair uma dúzia delas que mereçam sair
cá fora.

Chama-lhe à minha vida uma casa, dá o nome de relíquias aos


inéditos e impressos que aqui vão, ideias, histórias, críticas, diálogos,
e verás explicados o livro e o título. Possivelmente não terão a
mesma suposta fortuna daquela dúzia de outras, nem todas valerão
a pena de sair cá fora. Depende da tua impressão, leitor amigo,
como dependerá de ti a absolvição da má escolha.

Machado de Assis. Advertência. In: Relíquias da casa velha. Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, 1986.

Julgue o item que se segue, relativo à estrutura linguística e


ao sentido do texto.

O emprego de dois-pontos em substituição à vírgula logo após a


expressão “suas relíquias” (sublinhada no texto) não geraria erro
gramatical.

Comentários
Vamos fazer uma revisão no emprego do sinal de dois-pontos?

O sinal de dois-pontos, geralmente, marca uma pausa um pouco mais


forte que a vírgula. Vamos ver seu emprego a seguir.
62456350391

Para anunciar um diálogo, uma fala

Exemplo:

Marina olhou para sua filha e exclamou:


- Sandra, já está na hora de dormir!

Para apresentar uma citação, própria ou de outra pessoa

Exemplo:

Marina disse: “As crianças devem ser educadas como antigamente”.

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Para apresentar uma enumeração

Exemplo:

Marina arruma seu quarto todas as semanas: armários, prateleiras, cômoda


e gavetas.

Para apresentar um esclarecimento ou explicação

Exemplo:

Não foi o frio que me deixou assim: foi a escuridão.

Depois de “nota”, “exemplo”, “observação”

Exemplo:

Nota: ...... Exemplo: ....... Observação: .......

Demonstrar a retirada de um conectivo

Exemplo:

João deveria ter estudado muito: a prova estava difícil.

Agora, observe o trecho abaixo:


Uma casa tem muita vez as suas relíquias: lembranças de um dia ou de
outro, da tristeza que passou, da felicidade que se perdeu.
Percebemos que a colocação do sinal de dois-pontos apresenta um
esclarecimento ou explicação, não é mesmo?
Assim, o item está correto.
Gabarito: CERTO
62456350391

Questão 13 – (CESPE) Professor – SEDU-ES/2007

A reunião internacional na Indonésia recoloca na mesa de debates


todos os impasses, grandes e pequenos, que dificultam uma política
global de preservação do ambiente e de controle do efeito estufa. Há
várias incógnitas à espera de interpretações. A primeira delas é em
relação ao que o mundo fará para preservar o patrimônio natural
depois de 2012, quando expiram os compromissos da primeira fase
do Protocolo de Kyoto, que, bem ou mal, representaram o principal
marco da luta global para deter a emissão descontrolada de gases

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que levam ao aquecimento do planeta. A outra incógnita, de máximo


interesse para países como o nosso, é a respeito da preservação das
florestas tropicais, em especial a maior de todas, a Amazônia, que
ocupa uma parte importante do território brasileiro e sulamericano e
que ocupa também uma parcela crescente na preocupação dos
ambientalistas do planeta.

O principal temor dos ambientalistas é com os prazos com que a


questão da proteção da natureza é tratada. Nas negociações
mundiais, tal prazo se conta em anos ou décadas, como ocorreu para
se chegar ao Protocolo de Kyoto. Nas necessidades do ambiente, os
prazos já se esgotaram e as ações de preservação não podem
esperar.

Zero Hora, 3/12/2007 (com adaptações).

Julgue o item, relativo às ideias e a aspectos gramaticais do


texto acima.

A expressão “a Amazônia” (sublinhada no texto) exerce a função de


vocativo.

Comentários
Veja que a expressão “a Amazônia” é um aposto, e não um vocativo.
Vamos fazer uma revisão?

APOSTO

Aposto é o termo da oração que esclarece, explica, enumera,


identifica, resume, especifica um substantivo (ou termo
substantivado) expresso anteriormente.
62456350391

Exemplos:

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Bernadete, minha madrinha de crisma, virá hoje em Brasília. (aposto


explicativo)
Em Minas Gerais, um dos mais bonitos estados do Brasil, eu nasci. (aposto
explicativo)
Vendemos isto: roupas, sapatos e bolsas. (aposto enumerativo)
Colegas, amigos, familiares, todos participaram da festa. (aposto resumitivo
ou recapitulativo)
O escritor Machado de Assis escreveu belíssimos livros. (aposto
especificativo)
Minha prima Marina é muito bonita. (aposto especificativo)
A cidade de Belo Horizonte é mais bonita que a cidade de Divinópolis.
(aposto especificativo)

OBSERVAÇÕES:

O aposto explicativo (explica ou esclarece) é sempre isolado por


pontuação (vírgula, dois pontos, travessão, parênteses).

Exemplos:

Marina, minha sobrinha, comprou uma blusa rosa.


Marina gosta de duas coisas: chocolate e refrigerante.
Uma palavra – paz – é o que ela quer.
Eu fui ao Estádio Governador Magalhães Pinto, Mineirão.

O aposto especificativo não é acompanhado de pontuação.

Exemplos:

Minha sobrinha Marina comprou uma blusa rosa.


62456350391

Eu fui ao Estádio Governador Magalhães Pinto, Mineirão.

O aposto pode vir acompanhado de preposição.

Exemplos:

O mês de abril tem trinta dias.


O homem perdoou a ambos: ao filho e ao pai.

O aposto pode vir precedido de expressões explicativas.

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Exemplos:

Sobrou muita coisa, a saber: joias, perfumes e roupas.


Marina não sabia que iria encontrar Paulo Barros, isto é, o escritor preferido
de sua mãe.

O aposto pode, excepcionalmente, vir antes do termo a que se refere.

Exemplo:

Inteligente e dedicado, Paulo passará no concurso em breve.

O aposto pode referir-se a outro aposto.

Exemplo:

Aécio Neves, neto de Tancredo Neves, ex-Presidente da República, será


candidato ao cargo de presidente da República.

O aposto resumitivo, geralmente, é exercido por um pronome


indefinido.

Exemplo:

Joias, viagens, carros, roupas, nada lhe era suficiente.

Temos o “aposto de oração” que é aquele que sintetiza o significado


de uma oração inteira. Cuidado para não confundi-lo com o aposto
resumitivo, que resume termos e não resume orações.
62456350391

Exemplo:

A menina gastou todo o dinheiro, fato que o deixou triste.

VOCATIVO

O vocativo é um termo que não faz parte nem do sujeito nem do


predicado, portanto exerce uma função autônoma na estrutura
oracional. É um termo que tem natureza exclamativa e expressa
invocação ou chamamento. Ele tem como objetivo chamar,
nomear, interpelar, invocar a pessoa ou coisa personificada a
quem nos dirigimos.

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O vocativo pode aparecer em qualquer lugar na oração e é sempre


isolado por algum sinal de pontuação (normalmente, vírgula).

Exemplos:

Marisa, onde está sua mãe?


Pedro! Feche as janelas.
A notícia, meus amigos, é bem fresca.
Volte para casa, Daniel!

Atenção!

Você deve ter muito cuidado com a pontuação, porque ela pode
modificar a função sintática do termo.

Exemplo:

Ana Maria esteve em Belo Horizonte? (sujeito)


Ana, Maria esteve em Belo Horizonte? (vocativo - “Maria” é sujeito)
Ana, Maria, esteve em Belo Horizonte? (vocativo - “Ana” é sujeito)
Ana Maria, esteve em Belo Horizonte? (vocativo)

Observação

O aposto pode fazer parte de um vocativo.

Exemplo:

Ana Maria, minha filha, esteve em Belo Horizonte? (“Ana Maria, minha filha”
62456350391

é vocativo e “minha filha” é aposto)

Assim, o item está incorreto.


Gabarito: ERRADO

Questão 14 – (CESPE) Nível Superior – SUFRAMA/2013

As línguas amazônicas hoje: quantidade e diversidade

Atualmente são faladas na Amazônia cerca de 250 línguas indígenas,


cerca de 150 em território brasileiro. Embora aparentemente altos,

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esses números são o resultado de um processo histórico — a


colonização europeia da Amazônia — que reduziu drasticamente a
população indígena nos últimos 400 anos. Estima-se que, só na
Amazônia brasileira, o número de línguas e de povos teria sido de
uns 700 imediatamente antes da penetração dos portugueses.
Apesar da extraordinária redução quantitativa, as línguas ainda
existentes apresentam considerável diversidade, o que caracteriza a
Amazônia como uma das regiões de maior diferenciação linguística
do mundo, com mais de 50 famílias linguísticas.

Aryon Dall’Igna Rodrigues. Aspectos da história das línguas indígenas da


Amazônia. In: M. do S. Simões (Org.). Sob o signo do Xingu. Belém:
IFNOPAP/UFPA, 2003, p. 37-51 (com adaptações).

No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto


acima, julgue o item seguinte.

O vocábulo “que” é pronome relativo nos seguintes trechos: “Estima-


se que (...) dos portugueses” (sublinhado no texto) e “o que
caracteriza (...) famílias linguísticas” (sublinhado no texto).

Comentários
Observe que o primeiro “que” é uma conjunção subordinativa
integrante e o segundo “que” é pronome relativo.
Dessa maneira, o item está errado.
Vamos fazer uma revisão?

USO DA PALAVRA “QUE”

A palavra “que” admite vários empregos, dessa forma veremos cada


um deles separadamente.
62456350391

Substantivo

O substantivo “quê” tem o valor de “qualquer coisa” ou “alguma


coisa”. Grafa-se sempre com acento circunflexo na letra “e”.

Exemplo:

Maria Rosa tem um encantador quê de mistério.

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Advérbio de intensidade

O advérbio “que” intensifica adjetivos e advérbios; perceba que ele


funciona sintaticamente como adjunto adverbial de intensidade.
Possui valor semelhante ao das palavras “quão” e “quanto”.

Exemplo:

Que longe está minha viagem de férias!

Interjeição

A interjeição “quê” indica um sentimento, um estado interior, uma


emoção. Observe que tem valor equivalente a uma frase e não possui
função sintática. Grafa-se sempre com acento circunflexo na letra “e”.
Note que também usamos sempre o ponto de exclamação.

Exemplo:

Quê! Você já chegou?

Preposição

A preposição “que” tem valor equivalente às preposições “de” ou


“para”. Muito usada para ligar uma locução verbal com os verbos “ter”
e “haver”.

Exemplos:

Tem que fazer o bolo de aniversário agora? (“que” = “de”)

Há pouco que fazer para terminar o jantar. (“que” = “para”)

Partícula expletiva ou de realce 62456350391

A partícula expletiva “que” tem valor expressivo, enfático. A retirada


da partícula expressiva não traz qualquer prejuízo à estrutura
sintática da oração.

Exemplos:

Eu é que mereço ganhar na loteria.

Que bonita que Maria está hoje.

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Pronome relativo

O pronome relativo “que” pode ser substituído por “qual” e variações.


Possui várias funções sintáticas e é sempre elemento coesivo
anafórico.

Exemplo:

O homem que comprou a casa é italiano. (“que” = “o qual” – função


sintática = sujeito – o pronome “que” se refere anaforicamente ao
substantivo “homem”)

Pronome interrogativo

O pronome interrogativo “que” equivale a “que coisa”. Ocorre em


orações interrogativas.

Exemplos:

Que você fez naquele dia triste?

Pronome indefinido

O pronome indefinido adjetivo “que” acompanha um substantivo e


tem função de adjunto adnominal. Observe que ele equivale a
“quanto, quanta, quantos, quantas”.

Exemplo:

Que alegria imensa poder viajar!

Conjunção coordenativa

A conjunção coordenativa “que” 62456350391

inicia orações coordenativas


sindéticas em um período composto.

Conjunção coordenativa aditiva

Possui valor semelhante ao da conjunção aditiva “e”.

Exemplo:

Dormia que dormia, mas continuava cansado.

Conjunção coordenativa adversativa

Possui valor semelhante ao da conjunção adversativa “mas”. Vem


sempre seguida pela palavra “não”.

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Exemplo:

Outro, que não aquele deputado, teria que relatar o projeto de lei.

Conjunção coordenativa explicativa

Possui valor semelhante ao da conjunção explicativa “pois”.

Exemplo:

Não vá embora, que ficarei chateado.

Conjunção subordinativa

A conjunção subordinativa “que” faz a conexão entre uma oração


principal e uma oração subordinada.

Conjunção subordinativa integrante

Introduz oração subordinada substantiva.

Exemplo:

É necessário que Maria venha trabalhar. (“que Maria venha trabalhar” =


oração subordinada substantiva subjetiva)

Conjunção subordinativa concessiva

Introduz oração subordinada adverbial concessiva. Possui valor


equivalente ao da conjunção “embora”.

Exemplo:

Que nos tirem o salário, continuaremos em greve.


62456350391

Conjunção subordinativa causal

Introduz oração subordinada adverbial causal. Possui valor


equivalente ao dos conectivos “porque”, “porquanto”, “já que”.

Exemplo:

Entramos todos, que estava frio no quintal.

Conjunção subordinativa final

Introduz oração subordinada adverbial final. Possui valor equivalente


ao dos conectivos “para que”, “a fim de que”.

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Exemplo:

Marina lhe fez sinal que se levantasse.

Conjunção subordinativa consecutiva

Introduz oração subordinada adverbial consecutiva. Possui valor


equivalente ao dos conectivos “sem que”, “tal que”, “tanto que”, “de
tal modo que”, etc.

Exemplo:

Marina não faz uma viagem que não coma todos os pratos típicos.

Conjunção subordinativa temporal

Introduz oração subordinada adverbial temporal. Possui valor


equivalente ao dos conectivos “logo que”, “desde que”, “assim que”,
“depois que”, etc.

Exemplo:

Convocada que foi, Ana dirigiu-se à sala do Presidente.

Conjunção subordinativa comparativa

Introduz oração subordinada adverbial comparativa. O “que” pode vir


ou não acompanhado do vocábulo “nem”.

Exemplo:

Marina cozinha melhor que sua mãe.

Ana come que nem um passarinho. 62456350391

Gabarito: ERRADO

Questão 15 – (CESPE) Auditor Fiscal do Trabalho – MTE/2013

Embora as conquistas obtidas a partir da Revolução Francesa tenham


possibilitado a consolidação da concepção de cidadania, elas não
foram suficientes para que essa condição se verificasse na prática. A
mera declaração formal das liberdades nos documentos e nas
legislações esboroava diante da inexorável exclusão econômica da
maioria da população. Em vista disso, já no século XIX, buscaram-se
os direitos sociais com ações estatais que compensassem tais

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desigualdades, municiando os desvalidos com direitos implantados e


construídos de forma coletiva em prol da saúde, da educação, da
moradia, do trabalho, do lazer e da cultura para todos.

No entanto, foi somente depois da Segunda Guerra Mundial que a


afirmação da cidadania se completou, haja vista que só então se
percebeu a necessidade de se valorizar a vontade da maioria,
respeitando-se, sobretudo, as minorias, em suas necessidades e
peculiaridades. Em outras palavras, verificou-se claramente que a
maioria pode ser opressiva, a ponto de conduzir legitimamente ao
poder o nazismo ou o fascismo. Para que fatos como esse não se
repetissem, fez-se premente a criação de salvaguardas em prol de
todas as minorias, uma vez que a soma destas empresta
legitimidade e autenticidade à vontade da maioria.

Eis aí o fundamento primeiro das políticas em favor de quaisquer


minorias. No que toca às pessoas com deficiência, é possível afirmar
que o viés assistencialista e caridosamente excludente que orientava
as ações governamentais tem sido substituído por programas de
efetiva inclusão, que visam formar cidadãos sujeitos do próprio
destino, e não mais meros beneficiários de políticas de assistência
social. O direito de ir e vir, de trabalhar e de estudar é a mola mestra
da inclusão de qualquer cidadão e, para que se concretize em face
das pessoas com deficiência, há que se exigir do Estado a construção
de uma sociedade livre, justa e solidária (como prevê o artigo 3.º da
Constituição Federal), por meio da implementação de políticas
públicas compensatórias e eficazes.

A obrigação, porém, não se esgota nas ações estatais. Todos nós


somos igualmente responsáveis pela efetiva compensação de que se
cuida. As empresas, por sua vez, devem primar pelo respeito ao
princípio constitucional do valor social do trabalho e da livre
iniciativa, para que se implementem a cidadania plena e a dignidade
62456350391

do trabalhador com ou sem deficiência (previstas nos artigos 1.º e


170 da Constituição Federal). Nesse diapasão, a contratação de
pessoas com deficiência deve ser vista como qualquer outra. Desses
trabalhadores, espera-se profissionalismo, dedicação, assiduidade,
enfim, atributos ínsitos a qualquer empregado. Não se quer
assistencialismo, e sim oportunidades. Brasil.

Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho. A inclusão


de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. 2.ª ed., Brasília, 2007.
Internet: (com adaptações).

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Com base na estrutura linguística do texto, julgue o item que


se segue.

No trecho “o nazismo ou o fascismo” (sublinhado no texto), a


conjunção “ou” evidencia a relação de sinonímia existente entre os
nomes “nazismo” e “fascismo”.

Comentários
A conjunção “ou” pode denotar exclusão ou inclusão, conforme o
contexto.
Veja que, de acordo com o contexto, não podemos afirmar que
nazismo seja sinônimo de fascismo.
Você deve ter muita atenção em relação ao contexto, isso é
muito importante!
Assim, o item está errado.
Gabarito: ERRADO

Questão 16 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-AL/2012

Considerando que os fragmentos apresentados nas opções a


seguir integram, em sucessão, um texto adaptado de um
jornal brasileiro, assinale a opção em que o trecho mostrado
está correto gramaticalmente.

a) O governo ainda não desistiu impôr uma idade mínima às


aposentadorias ligadas ao INSS. Em reunião, com os líderes de
partidos da base no Ministério da Fazenda, interlocutores do
governo, pediram prazo até o dia 10 de julho para apresentar uma
proposta em substituição ao fim do fator previdenciário.
62456350391

b) A rodada de negociação foi almejada pela decisão do presidente


da Câmara, anunciada aos líderes de por o tema no plenário na
próxima semana. Os deputados intentam votar o projeto, que
extingue com o fator previdenciário, e institui a regra apelidada de
85/95, em cuja proposta há o apoio das centrais sindicais. Para
aposentar-se com o teto do benefício, a soma da idade e tempo
trabalhado deve chegar a 85 anos para mulheres, e 95 anos, se
homem.

c) O fator previdenciário é o mecanismo usado para definir o valor


do benefício, que leva em conta o tempo de contribuição, a idade e a
expectativa de vida do trabalhador. A regra compele os

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trabalhadores a se aposentarem mais tarde para obter o teto da


aposentadoria.

d) Na rodada de conversa desta quarta-feira o governo ponderaria,


sobre a necessidade de se instituir uma idade mínima para
aposentadoria que valesse no futuro não atingindo os trabalhadores
que já estão no mercado e uma atualização periódica da regra
alcunhada de 85/95.

e) Um dos líderes de um partido político da base aliada afirmou que,


o governo pretende instituir uma reavaliação dessa fórmula,
considerando-se o aumento da expectativa de vida do trabalhador,
segundo o qual vamos avançar na discussão até o dia 10 de julho, e
levar a proposta ao plenário no mês de agosto, onde iremos votar
independentes de chegar a um acordo, ou não.

Comentários
Para fazer questões assim, recomendo procurar por erros mais
comuns para agilizar e não perdermos muito tempo. Mas quais são os
erros mais comuns? Pontuação, concordância, regência e crase.

Vamos lá?

a) O governo ainda não desistiu impôr uma idade mínima às


aposentadorias ligadas ao INSS. Em reunião, com os líderes de
partidos da base no Ministério da Fazenda, interlocutores do
governo, pediram prazo até o dia 10 de julho para apresentar uma
proposta em substituição ao fim do fator previdenciário.

O governo ainda não desistiu impor uma idade mínima às aposentadorias


ligadas ao INSS. Em reunião com os líderes de partidos da base, no
Ministério da Fazenda, interlocutores do governo pediram prazo até o dia
10 de julho para apresentar uma proposta em substituição ao fim do fator
62456350391

previdenciário.

Veja em negrito os erros.

Alternativa incorreta.

b) A rodada de negociação foi almejada pela decisão do presidente


da Câmara, anunciada aos líderes de por o tema no plenário na
próxima semana. Os deputados intentam votar o projeto, que
extingue com o fator previdenciário, e institui a regra apelidada de
85/95, em cuja proposta há o apoio das centrais sindicais. Para
aposentar-se com o teto do benefício, a soma da idade e tempo
trabalhado deve chegar a 85 anos para mulheres, e 95 anos, se
homem.

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A rodada de negociação foi almejada pela decisão do presidente da


Câmara, anunciada aos líderes, de pôr o tema no plenário na próxima
semana. Os deputados intentam votar o projeto, que extingue o fator
previdenciário e institui a regra apelidada de 85/95, em cuja proposta há o
apoio das centrais sindicais. Para aposentar-se com o teto do benefício, a
soma da idade e o tempo trabalhado devem chegar a 85 anos, para
mulheres, e 95 anos, para homens.

Veja em negrito os erros.

Alternativa incorreta.

c) O fator previdenciário é o mecanismo usado para definir o valor


do benefício, que leva em conta o tempo de contribuição, a idade e a
expectativa de vida do trabalhador. A regra compele os
trabalhadores a se aposentarem mais tarde para obter o teto da
aposentadoria.

Alternativa correta.

d) Na rodada de conversa desta quarta-feira o governo ponderaria,


sobre a necessidade de se instituir uma idade mínima para
aposentadoria que valesse no futuro não atingindo os trabalhadores
que já estão no mercado e uma atualização periódica da regra
alcunhada de 85/95.

Na rodada de conversa desta quarta-feira, o governo ponderaria sobre a


necessidade de se instituir uma idade mínima para aposentadoria, que
valesse no futuro, não atingindo os trabalhadores que já estão no mercado
e uma atualização periódica da regra alcunhada de 85/95.

Veja em negrito os erros.

Alternativa incorreta. 62456350391

e) Um dos líderes de um partido político da base aliada afirmou que,


o governo pretende instituir uma reavaliação dessa fórmula,
considerando-se o aumento da expectativa de vida do trabalhador,
segundo o qual vamos avançar na discussão até o dia 10 de julho, e
levar a proposta ao plenário no mês de agosto, onde iremos votar
independentes de chegar a um acordo, ou não.

Um dos líderes de um partido político da base aliada afirmou que o


governo pretende instituir uma reavaliação dessa fórmula, considerando-se
o aumento da expectativa de vida do trabalhador, segundo a qual vamos
avançar na discussão até o dia 10 de julho, e levar a proposta ao plenário
no mês de agosto, quando iremos votar independentemente de chegar
a um acordo, ou não.

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Antes de finalizarmos, saliento que marquei apenas os erros


gramaticais. Há alguns erros de coerência, mas seria necessário
reescrever de forma bastante diferente para conseguirmos corrigir, e
esse não é o objetivo da questão.
A alternativa C é a correta.
Gabarito: C

Questão 17 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2013

(Texto para as questões 17 e 18)

O Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou ações para a elaboração


de diagnóstico e suporte à educação básica. A auditoria conferiu
aspectos relativos ao Plano de Ações Articuladas, à assistência
técnica prestada pelo Ministério da Educação (MEC) e ao
levantamento de dados necessários à formação e ao cálculo do índice
de desenvolvimento da educação básica (IDEB).

A auditoria identificou baixo nível de implementação das ações para


provimento de infraestrutura e de recursos pedagógicos, que vão
desde a implantação de laboratório de informática e conexão à
Internet ao fornecimento de água potável e energia elétrica.

A análise do IDEB apontou a necessidade de aperfeiçoamento da


metodologia de obtenção desse índice. Segundo avalia o ministro
relator do processo, “O IDEB é um importante instrumento para a
aferição da qualidade da educação, por isso deve ser aprimorado de
forma a permitir um diagnóstico mais fidedigno dos sistemas de
ensino”. 62456350391

Outro instrumento de gestão educacional avaliado foi o sistema


integrado de monitoramento do MEC, que, segundo a auditoria,
também deve ser melhorado. Parte dos dados encontra-se
desatualizada.

TCU avalia gestão da educação básica em municípios brasileiros. Notícia publicada


em 12/9/2013. Internet: <www.tcu.gov.br> (com adaptações)

Em relação ao texto apresentado, julgue o seguinte item.

No trecho sublinhado no texto, o emprego do acento grave, indicativo


de crase, em “à assistência técnica prestada”, justifica-se pela

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regência do termo “Articuladas” e pela presença do artigo a, que


define o substantivo “assistência”.

Comentários
Vamos ver o respectivo trecho?
A auditoria conferiu aspectos relativos ao Plano de Ações Articuladas, à
assistência técnica prestada pelo Ministério da Educação (MEC) e ao
levantamento de dados necessários à formação e ao cálculo do índice de
desenvolvimento da educação básica (IDEB).

Observe que o emprego do acento grave, indicativo de crase, em “à


assistência técnica prestada”, justifica-se pela regência do termo
“relativos” e pela presença do artigo “a”, que define o
substantivo “assistência”.

Ainda, perceba que os outros três termos que estão conectados à


palavra “relativos” possuem “ao” no lugar de “à”.

Assim, o item está incorreto.


Gabarito: ERRADO

Questão 18 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2013

Em relação ao texto apresentado, julgue o seguinte item.

Nesse texto, de caráter essencialmente informativo, atesta-se a


importância do IDEB para a aferição da qualidade da educação, a
despeito da necessidade de melhoria da metodologia empregada no
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cálculo desse índice.

Comentários
Para resolver esta questão, temos de procurar a resposta no texto,
não é mesmo? (note o enunciado). Observe que o texto tem
realmente caráter informativo.
Leia os trechos abaixo e veja que o enunciado está correto.

“O IDEB é um importante instrumento para a aferição da qualidade


da educação, por isso deve ser aprimorado de forma a permitir um
diagnóstico mais fidedigno dos sistemas de ensino”.

A análise do IDEB apontou a necessidade de aperfeiçoamento da


metodologia de obtenção desse índice.

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Dessa maneira, o item está correto.


Gabarito: CERTO

Questão 19 – (CESPE) Primeiro-Tenente – CBM-CE/2014

Com base no Manual de redação da Presidência da República,


julgue o próximo item, relativo ao padrão ofício.

Em razão de serem expedidos exclusivamente por ministros de


Estado, os avisos dispensam a menção ao cargo do signatário.

Comentários

O ofício e o aviso são tipos de documento bastante semelhantes,


utilizados para comunicações externas. O que os difere é o fato
de o aviso ser expedido apenas por Ministros de Estado para
autoridades de mesma hierarquia. O ofício, por sua vez, é
expedido para e por outras autoridades.

A finalidade do ofício e do aviso é a mesma: tratar assuntos


oficiais entre os órgãos da Administração Pública e entre a
Administração Pública e os particulares (no caso do ofício).

No cabeçalho ou no rodapé do ofício e do aviso, devem constar


as seguintes informações acerca do remetente:

- nome do órgão ou setor;

- endereço postal;

- telefone e endereço de correio eletrônico.


62456350391

Assim, os avisos não dispensam a menção ao cargo do signatário.

Dessa maneira, o item está incorreto.


Gabarito: ERRADO

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Questão 20 – (CESPE) Técnico do MPU – MPU/2015

(Texto para as questões 20 e 21)

Segundo a doutrina nacional, os crimes cibernéticos (também


chamados de eletrônicos ou virtuais) dividem-se em puros (ou
próprios) ou impuros (ou impróprios). Os primeiros são os praticados
por meio de computadores e se realizam ou se consumam também
em meio eletrônico. Os impuros ou impróprios são aqueles em que o
agente se vale do computador como meio para produzir resultado que
ameaça ou lesa outros bens, diferentes daqueles da informática.

É importante destacar que o art. 154-A do Código Penal (Lei n.º


12.737/2012) trouxe para o ordenamento jurídico o crime novo de
“invasão de dispositivo informático”, que consiste na conduta de
invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de
computadores, mediante violação indevida de mecanismo de
segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou
informações sem autorização expressa ou tácita do titular do
dispositivo, ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita.
Quanto à culpabilidade, a conduta criminosa do delito cibernético
caracteriza-se somente pelo dolo, não havendo a previsão legal da
conduta na forma culposa.

Idem, ibidem.

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto,


julgue o item a seguir.

Depreende-se das informações do texto que, nos crimes cibernéticos


chamados impuros ou impróprios, o resultado extrapola o universo
virtual e atinge bens materiais alheios à informática.
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Comentários

Aqui, temos uma questão que traz o verbo “depreender”,


recorrente dúvida dos alunos.

Uma dúvida frequente que os alunos têm se refere ao uso de certas


palavras nas questões elaboradas pelas bancas examinadoras. São
elas: “inferir”, “concluir”, “depreender”, “deduzir”. Todas elas
significam a mesma coisa e são usadas quando a banca deseja que o
aluno responda à questão com base em indícios encontrados no texto.
Observe que nós temos o “texto”, o “intertexto” e o “contexto”. No
“texto”, as ideias estão explícitas; no “intertexto”, as ideias estão

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implícitas e no “contexto”, as ideias extrapolam a mensagem


transmitida pelo texto. O “contexto” se refere ao mundo fático, à
realidade, ao tema suscitado pelo texto.

Dessa forma, essas quatro palavras (“inferir”, “concluir”,


“depreender”, “deduzir”) dizem respeito ao “intertexto”. Por isso, você
deve ter bastante cuidado com os enunciados das questões. Se a
banca solicitar a você “inferir” (ou “concluir”, “depreender”,
“deduzir”), analise e explore as “pistas” (indícios) deixadas no texto
pelo autor. Tenha atenção para não ir além do intertexto (que seria o
contexto) e errar, ao extrapolar as ideias contidas no intertexto.
Tenha também cuidado para não fazer uma redução das ideias do
texto, ou seja, ter atenção apenas com um aspecto do texto e
esquecer que o texto é um conjunto de ideias. Essa redução pode
levar você a um entendimento insuficiente ou incorreto do texto.

Agora, leia o trecho abaixo e veja como o enunciado está


correto.

Segundo a doutrina nacional, os crimes cibernéticos (também chamados de


eletrônicos ou virtuais) dividem-se em puros (ou próprios) ou impuros (ou
impróprios). Os primeiros são os praticados por meio de computadores e se
realizam ou se consumam também em meio eletrônico. Os impuros ou
impróprios são aqueles em que o agente se vale do computador como meio
para produzir resultado que ameaça ou lesa outros bens, diferentes
daqueles da informática.

Dessa forma, o item está correto.


Gabarito: CERTO

Questão 21 – (CESPE) Técnico do MPU – MPU/2015


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Infere-se dos fatos apresentados no texto que a consideração de


crime para os delitos cibernéticos foi determinada há várias décadas,
desde o surgimento da Internet.

Comentários

Aqui, temos uma questão que traz o verbo “inferir”, recorrente


dúvida dos alunos.

Uma dúvida frequente que os alunos têm se refere ao uso de certas


palavras nas questões elaboradas pelas bancas examinadoras. São
elas: “inferir”, “concluir”, “depreender”, “deduzir”. Todas elas
significam a mesma coisa e são usadas quando a banca deseja que o

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aluno responda à questão com base em indícios encontrados no texto.


Observe que nós temos o “texto”, o “intertexto” e o “contexto”. No
“texto”, as ideias estão explícitas; no “intertexto”, as ideias estão
implícitas e no “contexto”, as ideias extrapolam a mensagem
transmitida pelo texto. O “contexto” se refere ao mundo fático, à
realidade, ao tema suscitado pelo texto.

Dessa forma, essas quatro palavras (“inferir”, “concluir”,


“depreender”, “deduzir”) dizem respeito ao “intertexto”. Por isso, você
deve ter bastante cuidado com os enunciados das questões. Se a
banca solicitar a você “inferir” (ou “concluir”, “depreender”,
“deduzir”), analise e explore as “pistas” (indícios) deixadas no texto
pelo autor. Tenha atenção para não ir além do intertexto (que seria o
contexto) e errar, ao extrapolar as ideias contidas no intertexto.
Tenha também cuidado para não fazer uma redução das ideias do
texto, ou seja, ter atenção apenas com um aspecto do texto e
esquecer que o texto é um conjunto de ideias. Essa redução pode
levar você a um entendimento insuficiente ou incorreto do texto.

Agora, leia o trecho abaixo e veja como o enunciado está


incorreto, pois foi em 2012.

É importante destacar que o art. 154-A do Código Penal (Lei n.º


12.737/2012) trouxe para o ordenamento jurídico o crime novo de
“invasão de dispositivo informático”, que consiste na conduta de invadir
dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores,
mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de
obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa
ou tácita do titular do dispositivo, ou instalar vulnerabilidades para obter
vantagem ilícita.

Dessa maneira, o item está incorreto.


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Gabarito: ERRADO

Questão 22 – (CESPE) Analista – BACEN/2013

Ele é agora gerente de uma loja de sapatos. Não porque escolheu,


mas foi o que lhe restou. Perguntava-se sempre: onde está o meu
erro? O erro em relação a seu destino, queria ele dizer. Não há
grandes motivos a procurar no fato de alguém ser gerente numa loja
de sapatos. Mas uma vez que ele mesmo se pergunta e estende
sapatos como se não pertencesse a esse mundo — o motivo da
indagação aparece. Por que realmente? Fora, por exemplo, o melhor

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aluno de história e até por arqueologia se interessava. Mas o que


parecia lhe faltar era cultura histórica ou arqueológica, ele tinha
apenas a erudição, faltava-lhe a compreensão íntima de que fora
neste mundo e com esses mesmos homens que haviam sucedido os
fatos, que fora na terra em que ele pisava que houvera um dia
habitantes e que os peixes que se haviam transformado em anfíbios
eram aqueles mesmos que ele comia. E até hoje é como um erudito
que ele estende sapatos — como se não fosse em contato com esta
áspera terra que as solas se gastam.

Clarice Lispector. O escrito. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco,


2008.

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto


acima, julgue o item seguinte.

No trecho “Não porque escolheu, mas foi o que lhe restou”


(sublinhado no texto), o emprego da próclise relativa ao pronome
“lhe” explica-se pela presença do pronome relativo.

Comentários
Sim, o pronome relativo constitui uma “palavra atrativa”, o
que torna a próclise obrigatória (colocação do pronome antes
do verbo).
Vamos revisar?

USO OBRIGATÓRIO DA PRÓCLISE:

O uso da próclise será obrigatório se houver, antes do verbo,


62456350391

as seguintes palavras atrativas:

- Palavras de valor negativo (nunca, jamais, ninguém, nenhum,


nada, nem, tampouco, sequer etc.)

Ele jamais se furtou a colaborar conosco.


Não me contaram as novidades.
Eu soube que nunca lhe pediram desculpas.

Observação: Se houver pausa entre a palavra de valor negativo e o


pronome, por meio da vírgula, não se usará a próclise. Observe:

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Nunca, prefiro-o longe daqui.


Uma vez que não conhecia nada, sentiu-se perdido.

- Pronomes indefinidos (alguém, algum, ninguém, tudo, todos,


qualquer, outro, outrem, nada, algo, cada, vários, tanto etc.)

Ele disse que tudo o incomoda nessa situação.


Alguém lhe disse que haveria reunião?
Algo se manteve intacto na cena do crime.

- Pronomes demonstrativos (esse, essa, isso, este, esta, isto,


aquele, aquela, aquilo)

Isso me aborrece bastante.


Ainda bem que aquilo o impediu de seguir adiante.
Maria chamou João, mas este lhe ignorou.

- Pronomes relativos (que, o qual, a qual, os quais, as quais,


quem, cujo, cuja, cujos, cujas, onde, como etc.)

As pessoas que se importam com os amigos são mais felizes.


O modo como me abordou foi ofensivo.
Aqui está o livro de Drummond, sobre o qual lhe falei ontem.

- Pronomes interrogativos 62456350391

Como se chama sua filha?


Quem lhe deu essa camisa?

- Numeral “AMBOS”

Ambos me cumprimentaram educadamente.

- Advérbios (aqui, já, apenas, somente, só, talvez, ainda, sempre,


também, até, inclusive, mesmo, hoje, provavelmente, onde, como,
quando etc.)

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Aqui se observam exemplos de orações subordinadas.


João gostava dela, mas agora se irrita com muita facilidade.
Eu sempre lhe contei tudo sobre minha vida.

Observação: Se houver pausa entre o advérbio e o pronome,


por meio da vírgula, não ocorrerá a próclise. Observe:

Aqui se observam exemplos de orações subordinadas.


Aqui, observam-se exemplos de orações subordinadas.
João gostava dela, mas agora se irrita com muita facilidade.
João gostava dela, mas, agora, irrita-se com muita facilidade.

- Conjunções subordinativas (que, à medida que, já que, assim


que, quando, se, consoante, porque, embora, enquanto, como etc.)

Logo que o conheci, notei suas intenções.


Não sairemos daqui, ainda que nos obriguem.
É inútil que se esforce tanto.

- Conjunções coordenativas alternativas (Ou... ou, ora... ora,


quer... quer...)

Ora me ama, ora me odeia.


Ou você trata as pessoas bem, ou se conforma de ser evitado.

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Se houver uma expressão intercalada, por meio de vírgulas,


entre o termo atrativo e o verbo, será facultado ocorrer
próclise ou ênclise. Isso vale para todas as partículas atrativas
mencionadas acima. Observe:

Será permitido até, desde que com cuidado, se jogar na piscina.


termo atrativo pronome atraído

Será permitido até, desde que com cuidado, jogar-se na piscina.


termo atrativo ênclise facultativa

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OUTROS CASOS DE USO OBRIGATÓRIO DA PRÓCLISE:

- Orações exclamativas e orações optativas

Orações optativas são aquelas que exprimem desejo.

Deus o abençoe.
Que besteira você lhe disse!
Vou me vingar!

- Quando o verbo estiver no infinitivo pessoal e for precedido


por preposição:

Infinitivo pessoal é o nome dado ao verbo se seu infinitivo estiver


flexionado.

Eles iniciaram o namoro por se amarem demais.

- Quando o verbo estiver no gerúndio e for precedido pela


preposição “EM”:

“Em se plantando, tudo dá.”


Duvido que dê certo, em se tratando de alguém como ele.

- Quando a forma verbal for proparoxítona:

Nós o aclamávamos.
62456350391

Assim, o item está correto.


Gabarito: CERTO

Questão 23 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-DF/2008

Agora olhavam as lojas, as toldas, a mesa do leilão. E conferenciavam


pasmados. Tinham percebido que havia muitas pessoas no mundo.
Ocupavam-se em descobrir uma enorme quantidade de objetos.
Comunicaram baixinho um ao outro as surpresas que os enchiam.
Impossível imaginar tantas maravilhas juntas. O menino mais novo

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teve uma dúvida e apresentou-a timidamente ao irmão. Seria que


aquilo tinha sido feito por gente? O menino mais velho hesitou, espiou
as lojas, as toldas iluminadas, as moças bem vestidas. Encolheu os
ombros. Talvez aquilo tivesse sido feito por gente. Nova dificuldade
chegou-lhe ao espírito, soprou-a no ouvido do irmão. Provavelmente
aquelas coisas tinham nomes. O menino mais novo interrogou-o com
os olhos. Sim, com certeza as preciosidades que se exibiam nos
altares da igreja e nas prateleiras das lojas tinham nomes. Puseram-
se a discutir a questão intrincada. Como podiam os homens guardar
tantas palavras? Era impossível, ninguém conservaria tão grande
soma de conhecimentos. Livres dos nomes, as coisas ficavam
distantes, misteriosas. Não tinham sido feitas por gente. E os
indivíduos que mexiam nelas cometiam imprudência. Vistas de longe,
eram bonitas. Admirados e medrosos, falavam baixo para não
desencadear as forças estranhas que elas porventura encerrassem.

Graciliano Ramos. Vidas secas. São Paulo: Martins, 1972, p.125.

No texto apresentado acima, dois personagens do romance Vidas


Secas, o menino mais velho e o menino mais novo, deixam a
fazenda em que seu pai trabalhava como vaqueiro, para irem à festa
de Natal em uma pequena cidade. Com base nessas informações
e no fragmento do texto de Graciliano Ramos, julgue o item
subsequente.
No trecho "Talvez aquilo tivesse sido feito por gente" (sublinhado no
texto), o verbo concorda com "gente", sujeito da oração na voz
passiva.
Comentários
Observe que “por gente” é agente da passiva. O sujeito é “aquilo”.
Assim, o item está errado. 62456350391

Vamos revisar a voz passiva?

VOZ PASSIVA

É a voz empregada quando queremos dar ênfase ao sujeito como


objeto da ação. Ela pode ser formada por meio de duas formas:

a) voz passiva analítica: é formada por verbo auxiliar (em geral,


ser ou estar) e pelo particípio do verbo principal.
A voz passiva analítica pode apresentar o denominado agente da
passiva, que é o termo que, na verdade, pratica a ação verbal (o

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sujeito é paciente, lembra-se disso?). O agente da passiva vem


sempre acompanhado de preposição. Geralmente, temos a
preposição “por” (pelo, pela), mas também são usadas as
preposições “a” e “de”.
Exemplos: O apartamento foi vendido pelo Pedro.
O carro de João é movido a gás.
O local da entrevista foi tomado de jornalistas.

O verbo auxiliar também pode ser outros, além de ser e estar,


como: andar, ficar, viver, ir, vir, etc.
Exemplos: Maria ficou envergonhada pelo que disse.
Pedro veio acompanhado por sua filha.
b) voz passiva sintética: é formada por verbo (deve ser
obrigatoriamente transitivo direto ou transitivo direto e indireto) e
pelo pronome “se” (pronome apassivador ou partícula
apassivadora).
A voz passiva sintética não apresenta agente da passiva e também
é conhecida como voz passiva pronominal.
Exemplos: Venderam-se poucos pneus ontem.
Reformou-se o apartamento que Ana vendeu.
Observação: a voz passiva de infinitivo é formada por preposição
mais verbo no infinitivo.
Exemplo: A medalha foi difícil de conquistar. (ser conquistada)

CONVERSÃO DE VOZES VERBAIS


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Neste tópico, veremos como fazer a conversão entre os tipos de voz


(voz ativa para passiva e vice-versa) e entre os subtipos (voz passiva
sintética para analítica e vice-versa).

Voz ativa para voz passiva analítica (e vice-versa)

Você deve colocar o verbo da ação no particípio e conjugar o verbo


auxiliar na mesma forma (modo, tempo) em que se encontra o verbo
da ação. Logo após, o elemento que é o objeto direto na voz ativa
será transformado em sujeito da voz passiva. O termo que é o sujeito
da voz ativa se transforma em agente da passiva. Não se esqueça de
que o verbo auxiliar concorda em número e pessoa com o sujeito da
voz passiva e de que o particípio concorda em gênero e número com
esse mesmo sujeito. Atente-se para o fato de que não há qualquer

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mudança ou troca em relação aos demais complementos (objeto


indireto, predicativo do objeto e outros).

Exemplos: Os dois arquitetos terminaram os projetos complementares da


casa. (voz ativa)

Os projetos complementares da casa foram terminados pelos


dois arquitetos. (voz passiva analítica)

Observe os seguintes termos nas sentenças:

Os dois arquitetos (sujeito) terminaram (verbo da ação) os projetos


complementares da casa (objeto direto).

Os projetos complementares da casa (sujeito - paciente) foram (verbo


auxiliar) terminados (verbo principal) pelos dois arquitetos (agente da
passiva).

Caso o verbo da ação esteja acompanhado por um verbo auxiliar, este


não é alterado na transposição para a voz passiva (apenas a
concordância é alterada). Para fazer essa conversão, você precisa
colocar o verbo principal no particípio e conjugar o verbo “ser” na
mesma forma (modo, tempo) em que se encontra o verbo principal.

Exemplos: Os dois arquitetos estão terminando os projetos


complementares da casa. (voz ativa)

Os projetos complementares da casa estão sendo


terminados pelos dois arquitetos. (voz passiva analítica)

Voz ativa para voz passiva sintética (e vice-versa)

Para fazer a conversão da voz ativa para a voz passiva sintética,


trocamos o sujeito da voz ativa pelo pronome “se” (partícula
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apassivadora). Nunca se esqueça das alterações exigidas pela


concordância.

Exemplos: Os arquitetos terminaram o projeto da casa. (voz ativa)

Terminou-se o projeto da casa. (voz passiva sintética)

Observe, acima, que o verbo terminar concorda com o projeto da casa


(sujeito da voz passiva). Também perceba que o verbo, geralmente,
antecede o sujeito na voz passiva sintética.

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Voz passiva sintética para voz passiva analítica (e vice-versa)

Para fazer a conversão da voz passiva sintética para a voz passiva


analítica, trocamos o pronome “se” (partícula apassivadora) pelo
verbo auxiliar conjugado na mesma forma em que se encontra o
verbo da voz passiva sintética. Logo após, você deve passar o verbo
da voz passiva sintética para o particípio. Observe que o sujeito é o
mesmo, paciente em ambos os casos.

Exemplo: Não se construiu a casa. (voz passiva sintética)

A casa não foi construída. (voz passiva analítica)

Note, no exemplo acima, que o sujeito (paciente) é o mesmo (a


casa). Perceba, também, que o verbo auxiliar (foi) está no mesmo
modo e tempo do verbo da voz passiva sintética (construiu).

Gabarito: ERRADO

Questão 24 – (CESPE) Analista de Controle Externo –


TCU/2007

Desenvolvimento, ambiente e saúde

No documento Nosso Futuro Comum, preparado, em 1987, pela


Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das
Nações Unidas, ficou estabelecido, pela primeira vez, novo enfoque
global da problemática ecológica, isto é, o das inter-relações entre as
dimensões físicas, econômicas, políticas e socioculturais. Desde então,
vêm se impondo, entre especialistas ou não, a compreensão sistêmica
do ecossistema hipercomplexo em que vivemos e a necessidade de
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uma mudança nos comportamentos predatórios e irresponsáveis,


individuais e coletivos, a fim de permitir um desenvolvimento
sustentável, capaz de atender às necessidades do presente, sem
comprometer a vida futura sobre a Terra.

O desenvolvimento, como processo de incorporação sistemática de


conhecimentos, técnicas e recursos na construção do crescimento
qualitativo e quantitativo das sociedades organizadas, tem sido
reconhecido como ferramenta eficaz para a obtenção de uma vida
melhor e mais duradoura. No entanto, esse desenvolvimento pode
conspirar contra o objetivo comum, quando se baseia em valores,
premissas e processos que interferem negativamente nos
ecossistemas e, em conseqüência, na saúde individual e coletiva.

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Paulo Marchiori Buss. Ética e ambiente. In: Desafios éticos, p. 70-1 (com

adaptações).

Julgue o item a seguir, a respeito da organização das ideias e


das estruturas linguísticas do texto acima.

A retirada do acento circunflexo na forma verbal "vêm" (sublinhada no


texto) provoca incorreção gramatical no texto porque o sujeito a que
essa forma verbal se refere tem dois núcleos: "compreensão"
(sublinhado no texto) e "necessidade" (sublinhado no texto).

Comentários
O acento pode ser retirado, porque é possível fazer a
concordância atrativa com o primeiro núcleo, visto que o
sujeito é composto e posposto ao verbo.
Assim, o item está errado.
Gabarito: ERRADO

Questão 25 – (CESPE) Nível Superior - UERN/2010

Como você pode ver, uma garotinha está deitada displicentemente no


colo de um senhor bem velhinho e bem simpático. Ela parece um
anjo. Loirinha, cabelo castanho claro, encaracolado, nariz e boca
perfeitos, ar inteligente e sadio, uma dessas crianças que a gente vê
em anúncios. Pelo jeito, deve ter uns três ou quatro anos, não mais
que isso. Ela está vestida em um desses macaquinhos de flanela, com
florezinhas azuis e vermelhas e uma malha creme por baixo. Calçando
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um tênis transadíssimo nas discretas cores amarelo, vermelho e azul,


o que nos mostra que a mocinha não é apenas novinha, mas
moderninha também. O velhinho tem um tipo bem italiano. O boné
cinza é típico desses senhores que a gente vê passeando pelo Bixiga
nos domingos à tarde. Estatura mediana, cabelos e bigodes
branquinhos, rosto e mãos enrugadas que traem uma idade bem
avançada. Paletó marrom e calça cinza, ambos de lã, malha creme,
abotoada até o último botão, como faz todo senhor que se preze.
Embaixo da malha, uma camisa azul, mas bem azul mesmo, que
destoa de todo o conjunto. O que prova que o cavalheiro e a mocinha
apreciam cores fortes. Pela roupa que os dois estão vestindo e pela
carinha rosada dela, deve estar fazendo muito frio. Fato que o ar
enevoado e cinzento do jardim, que está atrás deles, vem a
comprovar. Os dois estão sentados em um balanço de madeira de cor

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verde, desses em que cabem apenas duas pessoas e que são bastante
comuns em quintais, varandas e jardins de casas de classe média,
classe média alta. Ela está comodamente estirada. Com a cabeça
entre o ombro e a barriga do velhinho e os pés apoiados numa
almofada de crochê de cor creme. Nas mãos, ela traz um livro de
histórias cheio de desenhos coloridos. Livro esse que, olhando
atentamente, você verá que se trata da história da Bela Adormecida.
O que, aliás, é muito engraçado, porque enquanto a bela conta a
história da Bela Adormecida, o velho é que adormeceu. Ele dorme a
sono solto. Com uma mão envolta na dela e a outra apoiada sobre
sua própria perna direita, na altura do joelho, ambos, à sua maneira,
estão sonhando. Ele sonha dormindo, ela sonha acordada. A menina
está divagando no colo do avô. Isso mesmo: do avô. Porque o velho
que você está vendo só pode ser o avô dela. Pela intimidade com que
ela está comodamente instalada no colo dele, percebe-se que não
pode ser visita, pessoa de cerimônia. E, sim, alguém bem chegado,
alguém da família. Para um estranho, ouvir essa história contada por
uma criaturinha tão linda seria uma novidade excitante, que
dificilmente o faria cair no sono. E, se não fosse por isso, um estranho
também não cairia no sono, pelo menos por dever de educação.
Resistiria bravamente até a Bela Adormecida acordar. Além disso, é
só olhar para a roupa caseira que ele está usando para perceber que
não é alguém que foi fazer uma visita. É pessoa da casa mesmo, pai
não é. Ele é muito velhinho para ser o pai dela. E pouco
provavelmente seria um tio. Tanto pela idade quanto pela
disponibilidade e paciência. Tio dá doces, presentes, mas ouvir
histórias intermináveis, contadas por uma narradora que de vez em
quando divaga, tio não faz. Só pode ser mesmo um avô ouvindo pela
milésima vez a mesma história, que para ele deve ser sempre igual e
para ela deve ser sempre diferente. Ela, por sua vez, não se deve
importar com que seu ouvinte durma. Afinal, ela só quer colo e aquela
mão terna, enrugada e querida em volta da sua cintura pequenina.
Mesmo desatento, ele está dando a ela seu tempo e seu carinho
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sonolento. O balanço de jardim pode ser gostoso de sentar. Mas como


você pode ver não é o local mais confortável para se dormir.
Principalmente em um dia frio como esse, em um descampado de
uma varanda. Mas o fato é que ele não sente a dureza do balanço
porque dorme, e ela, igualmente, não sente a dureza da madeira e a
frieza do tempo por vários motivos: primeiro, porque sonha, e no
sonho não há desconforto ou frio. E, segundo, porque ela tem a
barriga do avô como travesseiro, o braço dele como edredom e uma
almofada como encosto para seus pés e seu tênis multicolorido.
Juntos os dois, ali na varanda, vivem um momento de que ela vai se
lembrar sempre e ele não vai se lembrar de nada. Até mesmo nada
da história. Por isso, é que ela vai ter de contar e recontar essa
história para o avô centenas de vezes. Principalmente para reviver os
trechos que ele perdeu com seus cochilos. Assim como você vai ter de

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ler e reler muitas vezes esse texto até conseguir enxergar toda a
beleza e ternura contidas nessa cena. Ou pelo menos uma pequena
parte dela.

UMA FOTO SERIA MELHOR

19 de agosto — dia do fotógrafo

Este texto tem mil palavras. Folha de S.Paulo, 19/8/1988. Apud: Platão e Fiorin.
Para entender o texto. São Paulo: Ática, 1999, p. 378-80 (com adaptações).

Assinale a opção correta referente à grafia, à classe e ao


sentido das palavras empregadas no texto.

a) O advérbio "displicentemente" (sublinhado no texto) tem sentido


equivalente a com disciplina, expressão que pode substituí-lo
corretamente no texto.

b) O vocábulo "senhor" (sublinhado no texto) é sinônimo


de senhorio.

c) A palavra "bastante", em "que são bastante comuns em quintais"


(sublinhado no texto), classifica-se como adjetivo; por isso, poderia
ser corretamente flexionada no plural.

d) A palavra "enquanto" (sublinhado no texto) pode ser corretamente


substituída por em quanto.

e) A substituição de "envolta" (sublinhado no texto) por em


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volta manteria o sentido original do texto, mas prejudicaria sua


correção gramatical.

Comentários
Vamos ver as alternativas separadamente?

a) O advérbio "displicentemente" (sublinhado no texto) tem sentido


equivalente a com disciplina, expressão que pode substituí-lo
corretamente no texto.

"Displicentemente" quer dizer, no contexto, de forma relaxada.

Alternativa incorreta.

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b) O vocábulo "senhor" (sublinhado no texto) é sinônimo


de senhorio.

“Senhorio” quer dizer o proprietário de imóvel alugado.

Alternativa incorreta.

c) A palavra "bastante", em "que são bastante comuns em quintais"


(sublinhado no texto), classifica-se como adjetivo; por isso, poderia
ser corretamente flexionada no plural.

É um advérbio. Todo advérbio é invariável.

Alternativa incorreta.

d) A palavra "enquanto" (sublinhado no texto) pode ser corretamente


substituída por em quanto.

“Enquanto” é uma conjunção e só pode ser escrita dessa forma.

Alternativa incorreta.

e) A substituição de "envolta" (sublinhado no texto) por em


volta manteria o sentido original do texto, mas prejudicaria sua
correção gramatical.

Sim, pois veja a preposição “na” logo após.

Alternativa correta.

Gabarito: E

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Questão 26 – (CESPE) Delegado – PC-AL/2012

Colonialismo

Se, durante os séculos XVI a XVIII, os interesses comerciais europeus


haviam levado países como Portugal, Espanha, França e Inglaterra a
explorar economicamente o continente americano, no século XIX foi a
busca por novos mercados consumidores e por matérias-primas de
baixo custo, em decorrência da Revolução Industrial, o que levou as
nações europeias a voltarem-se para as regiões da África e da Ásia.
Foi, portanto, durante o século XIX e início do século XX, que
assistimos à dominação política e econômica de países considerados

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economicamente subdesenvolvidos pelas grandes potências da


Europa.

A França foi a pioneira na dominação do continente africano. A


Inglaterra, no entanto, consagrada como grande potência marítima
desde a queda de Napoleão, rapidamente assumiu a liderança da
colonização.

Alemanha, Itália, Espanha, Portugal e Bélgica também empreenderam


áreas de dominação no continente. Chegaram a estabelecer regras de
partilha para a ocupação de novos territórios na costa ocidental
africana a partir de meados da década de 80 do século XIX, por meio
da resolução firmada entre os países europeus durante a Conferência
de Berlim.

Na Ásia, a Inglaterra adotou uma política empenhada na conquista da


Índia, que passou ao seu domínio após a Guerra dos Cipaios (1857-
1858). Como garantiam o domínio sobre a Índia, os ingleses não se
opuseram à penetração francesa na Ásia, particularmente no território
da Indochina. Embora o Leste Asiático tenha se mantido
independente, a China (com a Primeira Guerra do Ópio, de 1839 a
1842) e o Japão (com a ameaça naval do Comodoro Perry, em 1854)
foram obrigados a abrir seus portos aos europeus, dando-lhes
diversas vantagens comerciais. Às vésperas da Primeira Guerra
Mundial, a China se via imersa em uma crise política. Vários territórios
asiáticos e africanos sofriam influência inglesa e francesa, e a Coreia
havia sido anexada pelo Japão em 1910 — país que, a partir dos anos
30 do século XX, aumentou consideravelmente seu poder sobre o
continente.

Após a Segunda Guerra Mundial, os movimentos nacionalistas e


independentistas que vinham se firmando desde o período entre-
guerras ganharam força tanto na África quanto na Ásia. A luta contra
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o colonialismo britânico na Índia de Gandhi, com o movimento de


resistência passiva não violenta, terminou com a independência, em
1947, mas foi seguida de violentos conflitos étnicos, principalmente
em virtude de diferenças religiosas entre hinduístas e muçulmanos. A
ocupação japonesa na Ásia favorecia a manifestação do nacionalismo,
ao mesmo tempo em que as ideias revolucionárias de Marx e Engels
ganhavam força.

O processo que levou à partilha colonial de regiões africanas e


asiáticas, criando países fictícios, culminou em longas batalhas por
independência. Gerou, também, como consequência, movimentos
separatistas, conflitos étnicos e religiosos, e guerras civis, com
reflexos que perduram até os dias de hoje.

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Internet: <http://acervo.estadao.com.br> (com adaptações).

Com relação ao sentido e aos aspectos linguísticos do texto


acima, julgue o item subsequente.

Na linha 18, o trecho “os movimentos nacionalistas e


independentistas” exerce a função de sujeito da locução verbal
“vinham-se firmando”.

Comentários
O sujeito é o pronome relativo “que”, que tem como referente o
termo colocado no enunciado.
Após a Segunda Guerra Mundial, os movimentos nacionalistas e
independentistas que vinham se firmando desde o período
Portanto, o item está errado.
Gabarito: ERRADO

Questão 27 – (CESPE) Técnico de Apoio – DEPEN/2013

Ex-presidiário, condenado a mais de cem anos de prisão por assalto à


mão armada e homicídio, Luiz Alberto Mendes Júnior teve uma vida
que renderia um belo filme de ação. Mas o protagonista decidiu tomar
outro rumo: dedicou-se à literatura e hoje é um autor de sucesso.
Luiz Alberto Mendes Júnior cumpriu 31 anos e 10 meses de prisão.
Dentro da penitenciária, aprendeu a ler e a escrever. Trabalhou na
escola da penitenciária e alfabetizou mais de 500 presos. Fez
vestibular para direito na PUC de São Paulo. Passou. E mudou de
vida. Hoje, conquistada a liberdade, Luiz Alberto já lançou três livros e
62456350391

assina uma coluna na revista Trip, além de fazer palestras pelo Brasil
afora. É autor de Memórias de um Sobrevivente (2001, um relato
de seu tempo na cadeia), Tesão e Prazer: Memórias Eróticas de
um Prisioneiro (2004, também autobiográfico) e Às Cegas (2005,
que conta o período dos estudos na PUC e as primeiras tentativas
literárias). No esforço de compreender os caminhos de sua vida, o
escritor transforma a matéria bruta da memória e cria narrativas que
valem cada minuto da atenção dos leitores. Em suas palestras, fala
sobre “a literatura como salvação pessoal”, conta um pouco da sua
vida atrás das grades e explica a mudança que o livro promoveu em
sua vida.

Internet: <www.bienalbrasildolivro.com.br> (com adaptações).

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Em relação à tipologia, às informações e às estruturas


linguísticas do texto acima, julgue o item a seguir.

Mantém-se a correção gramatical do período ao se substituir “a mais


de cem anos” (sublinhado no texto) por há mais de cem anos.

Comentários

Não é possível fazer a substituição proposta, veja o exposto a


seguir. Observe que o “a” é uma preposição, e não um verbo.

O verbo “haver” é usado para indicar “tempo decorrido” (tal como o


verbo “fazer”) ou para expressar o mesmo valor de “existir”. Ele é
impessoal (invariável) em ambos os casos. Usamos a preposição “a”
para geralmente indicar “tempo futuro” ou “distância”.

Exemplos:

Havia muitos documentos na sala. (= “existir”)

Existiam muitos documentos na sala.

Faz trinta dias que Carlos viajou. (= “tempo decorrido”)

Carlos viajou há trinta dias. (= “tempo decorrido”)

Carlos viajará daqui a poucos dias.

Carlos está a cem metros de onde Maria trabalha.

Atenção: não usamos “Há muitos anos atrás”, pois é uma expressão
tautológica ou pleonástica. “Há” e “atrás” demonstram a mesma coisa,
ou seja, tempo decorrido.
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Exemplos:

Maria se formou há dez anos.

Maria se formou dez anos atrás.

Dessa maneira, o item está incorreto.


Gabarito: ERRADO

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Questão 28 – (CESPE) Agente Penitenciário – DEPEN/2013

(Adaptada)

Ex-presidiário, condenado a mais de cem anos de prisão por assalto à


mão armada e homicídio, Luiz Alberto Mendes Júnior teve uma vida
que renderia um belo filme de ação.

Em relação à tipologia, às informações e às estruturas


linguísticas do trecho acima, julgue o item a seguir.

Mantém-se a correção gramatical do período ao se substituir “a mais


de cem anos” (sublinhado no trecho) por “há mais de cem anos”.

Comentários

Esta questão aborda o uso de “há” e “a”. O comando solicita que o


aluno analise um trecho de texto e verifique se podemos substituir “a”
por “há” e, ainda assim, a sentença terá sua correção gramatical
mantida.

Note que em "há mais de cem anos" o verbo haver é impessoal


(invariável) e indica tempo decorrido, portanto é utilizado na 3ª
pessoa do singular. Por sua vez, na sentença "a mais de cem
anos", há um sujeito (Luiz Alberto Mendes Júnior) e “a” é uma
preposição.
Gabarito: ERRADO

Questão 29 – (CESPE) Analista – BACEN/2013

Ele é agora gerente de uma loja de sapatos. Não porque escolheu,


62456350391

mas foi o que lhe restou. Perguntava-se sempre: onde está o meu
erro? O erro em relação a seu destino, queria ele dizer. Não há
grandes motivos a procurar no fato de alguém ser gerente numa loja
de sapatos. Mas uma vez que ele mesmo se pergunta e estende
sapatos como se não pertencesse a esse mundo — o motivo da
indagação aparece. Por que realmente? Fora, por exemplo, o melhor
aluno de história e até por arqueologia se interessava. Mas o que
parecia lhe faltar era cultura histórica ou arqueológica, ele tinha
apenas a erudição, faltava-lhe a compreensão íntima de que fora
neste mundo e com esses mesmos homens que haviam sucedido os
fatos, que fora na terra em que ele pisava que houvera um dia
habitantes e que os peixes que se haviam transformado em anfíbios
eram aqueles mesmos que ele comia. E até hoje é como um erudito

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que ele estende sapatos — como se não fosse em contato com esta
áspera terra que as solas se gastam.

Clarice Lispector. O escrito. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco,


2008.

Considerando as ideias e os aspectos linguísticos do texto


acima, julgue o item seguinte.

Sem prejuízo da correção gramatical do texto, a forma verbal


“haviam” (sublinhado no texto) poderia estar flexionada no singular.

Comentários

Sem prejuízo da correção gramatical do texto, a forma verbal


“haviam” não poderia estar flexionada no singular.

Veja que o verbo “haver” é impessoal quando tem o mesmo


sentido do que o verbo “existir”, o que não é o caso aqui.

Nesta questão, o verbo “haver” é parte de tempo composto em


ambas as ocorrências. Podemos substituí-lo pelo verbo “ter”.

Dessa maneira, o item está errado.

Gabarito: ERRADO

Questão 30 – (CESPE) Agente Penitenciário – DEPEN/2013

O Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) informa que o


62456350391

crescimento da população carcerária tem sofrido retração nos últimos


quatro anos. Segundo análise do DEPEN, essa redução do
encarceramento decorre de muitos fatores. A expansão da aplicação,
por parte do Poder Judiciário, de medidas e penas alternativas; a
realização de mutirões carcerários pelo Conselho Nacional de Justiça;
a melhoria do aparato preventivo das corporações policiais e a
melhoria das condições sociais da população são fatores significativos
na diminuição da taxa. No entanto, apesar da redução da taxa anual
de encarceramento, o Brasil ainda apresenta um déficit de vagas de
194.650.

Internet: <www.mj.com.br> (com adaptações).

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As palavras “Penitenciário” (sublinhada no texto), “carcerária”


(sublinhada no texto) e “Judiciário” (sublinhada no texto) recebem
acento gráfico com base na mesma regra gramatical.

Comentários

As palavras constantes do enunciado são paroxítonas, terminadas em


ditongo oral. Sabemos que se acentuam os paroxítonos
terminados em “DITONGO ORAL” E SEUS PLURAIS.

Portanto, a regra de colocação do acento gráfico é a mesma para as


três palavras.
Assim, o item está correto.
Gabarito: CERTO

Questão 31 – (CESPE) Advogado – IPAJM/2006

Um novo modelo de assistência social está sendo implantado em todo


o país, fruto de quase duas décadas de debates e construção,
envolvendo governo (federal, estadual e municipal) e entidades da
sociedade civil. É o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que
vai reunir pela primeira vez os serviços, programas e benefícios para
cerca de 50 milhões de brasileiros em todas as faixas etárias.

Com a implantação do SUAS, cumpre-se a determinação da


Constituição de 1988, que integra a assistência à seguridade social
juntamente com a saúde e previdência social. Assim, as diversas
ações e iniciativas de atendimento à população carente deixam o
campo do voluntarismo e passam a operar sob a estrutura de uma
política pública de Estado. O benefício da assistência social é um
62456350391

direito do cidadão.

Em Questão, n.º 357, 26/9/2005.

Em relação às estruturas do texto, julgue o item que segue:

Estaria gramaticalmente correta a substituição de “cerca de”


(sublinhado no texto) por acerca de.

Comentários

As expressões “cerca de” e “acerca de” são diferentes. Veja:

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A expressão “acerca de” significa “sobre”, “a respeito de”. Por sua


vez, a expressão “a cerca de” significa “a aproximadamente”.

Assim, não podemos substituir uma pela outra.

Gabarito: ERRADO

Questão 32 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2011

(Texto para as questões 32 e 33)

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Considerando que o documento acima, adaptado, seja uma


comunicação oficial do Tribunal de Contas da União (TCU) a ser
encaminhada ao destinatário, julgue o item subsequente, no
que se refere à sua adequação às normas da redação oficial.

No memorando apresentado, infringe-se a estrutura do expediente


oficial, uma vez que a numeração de parágrafos deve-se restringir aos

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textos de documentos oficiais que se subdividam em títulos e


subtítulos.

Comentários

Vamos fazer uma revisão?

PADRÃO OFÍCIO

O Padrão Ofício surgiu para ditar regras de diagramação e


padronização de certos documentos que são muito
assemelhados na forma, mas diferem nas suas finalidades: o
ofício, o aviso e o memorando.

Partes do Padrão Ofício

Vamos analisar as partes que os documentos que seguem o Padrão


Ofício (ofício, aviso e memorando), segundo o Manual de Redação da
Presidência da República, devem conter:

- tipo e número do expediente, seguido da sigla do órgão que o


expede.

Exemplos:
Mem. 97/2014-CD Aviso 97/2014-MPU Ofício 97/2014-AGU

- local e data em que foi assinado, por extenso, com


alinhamento à direita.

Exemplo:
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Belém, 12 de agosto de 2014.

- destinatário (nome e cargo da pessoa a quem é dirigida a


comunicação). No ofício é importante incluir o endereço, por
tratar-se de documentação externa, como será visto posteriormente.

Exemplo:

Fulano de Tal
Diretor de Relações Públicas
Endereço (no caso de ofício)

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- assunto (resumo do teor do documento): como parte do


cabeçalho.

Exemplos:
Assunto: Relatório de Prestação de Contas 2014.1
Assunto: Ratificação de certidão

- texto: nas situações que extrapolem o mero encaminhamento


de documentos, o texto do expediente deve obedecer a
seguinte estrutura:

Introdução: contém o parágrafo de abertura, que vai expor a razão


da comunicação. Expressões como “Venho por meio deste”, “Tenho o
prazer de“, entre outras, devem ser evitadas para dar lugar à forma
direta e objetiva.

Desenvolvimento: o assunto introduzido é pormenorizado. Para


dotar o texto de maior clareza, distribua ideais distintas em
parágrafos separados.

Conclusão: a posição sobre o assunto é reafirmada ou


reapresentada.

Observação 1:

Todos os parágrafos do texto devem ser numerados, com


exceção dos casos em que estejam organizados em títulos e
subtítulos ou itens.
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Para as situações que configurarem mero encaminhamento de


documentos, o texto deve ter outra estrutura. Veja:

Introdução: deve trazer logo a referência do expediente que solicitou


o encaminhamento dos documentos em questão. Caso o
encaminhamento não tenha sido solicitado, a introdução deve
informar o motivo da comunição, que será ENCAMINHAR, detalhando
os dados completos do documento encaminhado: tipo, data, origem
ou signatário, assunto tratado e razão do encaminhamento.

Exemplo 1:
Em resposta ao Ofício nº 123, de 12 de agosto de 2014, encaminho,
anexa, cópia do parecer técnico emitido pelo Departamento de
Obras, que trata da construção da rodovia.

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Exemplo 2:
Encaminho, para exame, o laudo técnico emitido por este
Departamento, a respeito do projeto de modernização das rodovias.

Desenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum


comentário a respeito do documento que encaminha, poderá
acrescentar parágrafos de desenvolvimento; caso contrário, não há
parágrafos de desenvolvimento em aviso ou ofício de mero
encaminhamento.

- fecho (assunto tratado nesta aula)

- assinatura do autor da comunicação

- identificação do signatário (assunto tratado nesta aula)

Forma de Diagramação

A forma de apresentação exposta neste item deve ser seguida


pelos documentos do Padrão Ofício (ofício, aviso e
memorando) e, também, pelos tipos “Exposição de Motivos” e
“Mensagem”. Vamos ver?

- a fonte utilizada deve ser a Times New Roman de corpo


(tamanho) 12 no texto em geral, 11 nas citações e 10 nas notas de
rodapé.

- as fontes Symbol e Wingdings podem ser utilizadas para


62456350391

símbolos não existentes na fonte Times New Roman.

- o número da página é obrigatório a partir da segunda página.

- ofícios e memorandos, bem como seus anexos, podem ser


impressos em ambas as faces do papel. Nessas situações, as margens
esquerda e direita devem apresentar as distâncias invertidas nas
páginas pares (margem espelho).

- o começo de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de distância


da margem esquerda.

- o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5cm.

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- o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no mínimo,


3,0 cm.

- entre as linhas deve ser utilizado espaçamento simples.

- após cada parágrafo, deve ser utilizado o espaçamento de 6


pontos, ou, se o editor de texto não tiver essa funcionalidade, o
espaçamento após o parágrafo deve ser de uma linha em branco.

- não devem ser usados em excesso certos recursos como


negrito, itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, sombra,
relevo, bordas ou outros recursos de formatação que afetem a
sobriedade e elegância do documento.

- o documento deve ser impresso em tinta de cor preta e em


papel branco. Apenas gráficos e ilustrações justificam a
impressão colorida.

- o papel utilizado para a impressão de documentos do tipo Padrão


Ofício deve ser de tamanho A-4 (29,7 x 21,0 cm). Atenção: não
existe tamanho ofício, o tamanho do papel denominado “ofício” é A-4.

- nos documentos de texto, o formato de arquivo utilizado deve ser,


preferencialmente, o Rich Text.

- sempre que possível, os documentos elaborados devem ter o


arquivo de texto preservado (salvo) para consultas futuras ou
aproveitamento de trechos para casos semelhantes.

- no intuito de facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem


seguir a seguinte estrutura: tipo do documento + número do
documento + palavras-chaves do conteúdo.
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Exemplo:
Mem. 324 – balanço do ano 2013

MEMORANDO

O memorando é uma forma de comunicação interna, utilizada


entre unidades administrativas de um mesmo órgão, não
importa se de mesma hierarquia ou de hierarquia diferentes.

Seu principal atributo é a agilidade. Desse modo, a tramitação de


um memorando, dentro de um órgão, deve ser rápida e livre de
entraves burocráticos (sem detrimento da clareza e da norma culta).

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Essa eficiência pode ser conquistada por meio de despachos (em


resposta ao memorando) fornecidos dentro do próprio documento e,
em caso de falta de espaço, em folha de continuação. Esse método
garante um processo enxuto e simplificado, pautado por maior
transparência nas decisões, além de constituir um histórico do
andamento da matéria relativa ao memorando.

Observação:

Por ser de caráter meramente administrativo, o memorando deve ser


adotado por determinado setor do órgão público para fins de
exposição de projetos, ideias e diretrizes, etc.

Forma e Estrutura

A forma do memorando segue a mesma lógica apresentada no


Padrão Ofício, com a observação de que o destinatário deve ser
mencionado pelo cargo que ocupa.

Exemplos:
À Senhora Chefe do Departamento de Obras
Ao Senhor Diretor de Relações Públicas

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Exemplo de Memorando

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Uma vez que o memorando segue o padrão ofício, todos os


parágrafos do texto devem ser numerados, com exceção dos
casos em que estejam organizados em títulos e subtítulos ou
itens.

Portanto, no memorando apresentado na questão, não se infringe a


estrutura do expediente oficial.

Assim, o item está incorreto.

Gabarito: ERRADO

Questão 33 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2011

Considerando que o documento acima, adaptado, seja uma


comunicação oficial do Tribunal de Contas da União (TCU) a ser
encaminhada ao destinatário, julgue o item subsequente, no
que se refere à sua adequação às normas da redação oficial.

Assim como o aviso e o ofício, o memorando deve conter uma parte


em que se apresentam o tipo e o número do documento, além do
órgão que o expede, conforme o exemplo “Mem. 123/2011-
SEGECEX”.

Comentários

Pelas explicações colocadas na questão anterior, concluímos


que a questão está correta.

Vamos fazer uma revisão sobre ofício e aviso?


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AVISO E OFÍCIO

O ofício e o aviso são tipos de documento bastante semelhantes,


utilizados para comunicações externas. O que os difere é o fato
de o aviso ser expedido apenas por Ministros de Estado para
autoridades de mesma hierarquia. O ofício, por sua vez, é
expedido para e por outras autoridades.

A finalidade do ofício e do aviso é a mesma: tratar assuntos


oficiais entre os órgãos da Administração Pública e entre a
Administração Pública e os particulares (no caso do ofício).

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Forma e Estrutura

A forma do ofício e do aviso segue as diretrizes estabelecidas para o


Padrão Ofício, que foram vistas acima. O único acréscimo é o uso
do vocativo (sempre seguido de vírgula), que serve para invocar o
destinatário.

Exemplos:
Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da República
Senhora Chefe da Casa Civil

No cabeçalho ou no rodapé do ofício e do aviso, devem constar


as seguintes informações acerca do remetente:

- nome do órgão ou setor;

- endereço postal;

- telefone e endereço de correio eletrônico.

Veja, abaixo, modelos de ambos os tipos documentais, segundo o


Manual de Redação da Presidência da República.

62456350391

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Exemplo de Ofício

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Exemplo de Ofício (continuação)

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Exemplo de Aviso

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Gabarito: CERTO

Questão 34 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2010

Considerando que a redação de documentos oficiais deve


caracterizar-se, segundo o Manual de Redação da Presidência
da República, pela impessoalidade, uso do padrão culto da
linguagem, clareza, concisão, formalidade e uniformidade,
julgue o seguinte item, a respeito da elaboração de
documentos.

Em documentos que admitem tópicos ou enumerações em seu corpo,


como relatórios, por exemplo, seria correto apresentar a estrutura e a
organização sintática abaixo.

Comentários

Há alguns erros no documento apresentado no enunciado, tais


como: 62456350391

 Erro de emprego da vírgula na primeira linha; correto seria o


emprego de dois-pontos.
 Na alínea “a”, o certo é “esse ano”.
 Como foi usado substantivo na alínea “a”, o correto seria
“destinação de recursos...”
 Como foi usado substantivo na alínea “a”, o correto seria “...a
sugestão é de investigação...”

Assim, o item está errado.

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Gabarito: ERRADO

Questão 35 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2013

(Texto para as questões 35 e 36)

A experiência de governança pública tem mostrado que os sistemas


democráticos de governo se fortalecem à medida que os governos
eleitos assumem a liderança de processos de mudanças que buscam
o atendimento das demandas de sociedades cada vez mais complexas
e alcançam resultados positivos perceptíveis pela população.

Contemporaneamente, para o alcance de resultados de


desenvolvimento nacional, exige-se dessa liderança não apenas o
enfrentamento de desafios de gestão, como a busca da eficiência na
execução dos projetos e das atividades governamentais, no conhecido
lema de “fazer mais com menos”, mas também o desafio de “fazer
melhor” (com mais qualidade), como se espera, por exemplo, nos
serviços públicos de educação e saúde prestados à população. Esse
novo desafio de governo tem como consequência um novo requisito
de gestão, o que implica a necessidade de desenvolvimento de novos
modelos de governança para se alcançarem os objetivos e metas de
governo, em sintonia com a sociedade.

Outros aspectos sociotécnicos importantes que caracterizam a nova


governança pública se relacionam aos anseios de maior participação e
controle social nas ações de governo, que, somados ao de liberdade,
estabelecem o cerne do milenar conceito de cidadania (participação
no governo) e os valores centrais da democracia social do século XXI.
62456350391

Governar de modo inovador exige, invariavelmente, repensar o


modelo secular de governança pública em todas as suas dimensões:
política, econômica, social e tecnológica. Com a evolução sociotécnica,
fortemente alavancada pelo desenvolvimento das tecnologias da
informação e comunicação, as mudanças na governança pública
implicam mudanças na base tecnológica que sustenta a burocracia,
nas estruturas do aparelho de Estado e em seus modelos de gestão.

Internet: http://aquarius.mcti.gov.br (com adaptações).

Considerando as ideias e estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item a seguir.

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Sem prejuízo da coerência e da correção gramatical do texto, o último


período do segundo parágrafo poderia ser assim resumido: Esse novo
desafio governamental requer o desenvolvimento de novos modelos
de gestão e de governança, com vistas ao alcance das metas de
governo, em sintonia com a sociedade.

Comentários

Temos aqui uma questão de reescrita. Devemos fazer uma


análise da coerência e da correção gramatical.

Vamos ver o período em questão?

Esse novo desafio de governo tem como consequência um novo requisito de


gestão, o que implica a necessidade de desenvolvimento de novos modelos
de governança para se alcançarem os objetivos e metas de governo, em
sintonia com a sociedade.

Proposta de reescrita:

Esse novo desafio governamental requer o desenvolvimento de novos


modelos de gestão e de governança, com vistas ao alcance das metas de
governo, em sintonia com a sociedade.

Observe que a reescrita é mais resumida, mas mantém a coerência e


a correção gramatical. Veja que a locução “de governo” foi substituída
pelo adjetivo “governamental”; a conjunção “para” foi trocada por
“com vistas a”; e a forma verbal “se alcançarem” foi mudada para o
substantivo “alcance”.

Dessa maneira, o item está correto.

Gabarito: CERTO
62456350391

Questão 36 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2013

Considerando as ideias e estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item a seguir.

Não haveria prejuízo do sentido original do texto caso o termo


“invariavelmente” (sublinhado no texto) fosse deslocado, com as
vírgulas que o isolam, para imediatamente depois de “repensar”
(sublinhado no texto).

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Comentários

Vamos ver o trecho original e a mudança proposta?

Governar de modo inovador exige, invariavelmente, repensar o modelo


secular de governança pública em todas as suas dimensões: política,
econômica, social e tecnológica.

Governar de modo inovador exige repensar, invariavelmente, o modelo


secular de governança pública em todas as suas dimensões: política,
econômica, social e tecnológica.

Observe que o termo invariavelmente é um advérbio. De fato, não


haveria prejuízo para a correção gramatical, mas sim para o sentido
original do texto.

Isso acontece visto que, no texto original, o advérbio se liga ao


verbo “exigir”, por sua vez, no texto modificado, ao verbo
“repensar”.

Item errado.

Gabarito: ERRADO

Questão 37 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2013

(Texto para as questões 37 e 38)

O crescimento populacional e econômico, aliado à evolução dos


mercados e à complexidade das relações sociais, traduz-se em
demandas por serviços públicos mais sofisticados, em maior
62456350391

quantidade e com mais qualidade. Para estar à altura das exigências


da sociedade do século XXI, o desafio que se coloca ao país é a
construção de um Estado “inteligente”, que incorpore os avanços
tecnológicos, a rapidez e as facilidades da era digital.

Em um país de dimensões continentais e com mais de cinco mil


municípios, como o Brasil, a boa gestão pública é condição necessária
para o desenvolvimento com sustentabilidade e inclusão social. É por
meio de uma gestão eficaz que o governo reúne instrumentos para
melhor atender às demandas por políticas inclusivas e por serviços
públicos em um ambiente de crescimento e de fortes demandas
sociais, com maior conscientização e participação de uma sociedade
plural.

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Nesse cenário, fez-se necessário repensar o modelo de administração


da máquina pública. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), em vigor
desde maio de 2000, estabelece, entre outras exigências, o equilíbrio
das contas governamentais, que possibilita ao Estado assumir o
compromisso de investir na melhoria da sua capacidade de execução
e, assim, prestar serviços adequados e implementar políticas públicas
eficazes e eficientes, garantindo, ao mesmo tempo, transparência na
execução de programas governamentais e acesso desimpedido às
informações solicitadas pelo cidadão.

Por dentro do Brasil. Modernização da gestão pública. Internet:


<http://www.brasil.gov.br> (com adaptações).

No que se refere às informações e aos aspectos linguísticos do


texto, julgue o próximo item.

De acordo com o texto, é necessário repensar o modelo de


administração da máquina pública, principalmente no que se refere à
entrada em vigor da LRF, para que o Estado brasileiro possa, de fato,
dar cumprimento às políticas públicas de interesse social.

Comentários

Veja que a LRF já entrou em vigor, em maio de 2000. Assim, a


necessidade colocada no enunciado não se refere principalmente à
entrada em vigor dessa lei.

Assim, o item está errado.

Gabarito: ERRADO
62456350391

Questão 38 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2013

No que se refere às informações e aos aspectos linguísticos do


texto, julgue o próximo item.

No terceiro parágrafo, a expressão “Nesse cenário” retoma, por


coesão, o contexto anteriormente descrito: o do Brasil no século XXI,
caracterizado por um “ambiente de crescimento e de fortes demandas
sociais, com maior conscientização e participação de uma sociedade
plural”.

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Comentários

A primeira coisa a se observar é o emprego do pronome


demonstrativo “esse”. Aprendemos que, assim, foi usado o recurso
coesivo anafórico. Isso quer dizer que “nesse” se refere (retoma) a
algo já mencionado anteriormente no texto. Logo no início do texto,
vemos como o autor caracterizou a sociedade do século XXI, ou seja,
um “ambiente de crescimento e de fortes demandas sociais, com
maior conscientização e participação de uma sociedade plural”.

Concluímos, assim, que o item está correto.

Gabarito: CERTO

Questão 39 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2013

O Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou ações para a elaboração


de diagnóstico e suporte à educação básica. A auditoria conferiu
aspectos relativos ao Plano de Ações Articuladas, à assistência técnica
prestada pelo Ministério da Educação (MEC) e ao levantamento de
dados necessários à formação e ao cálculo do índice de
desenvolvimento da educação básica (IDEB).

A auditoria identificou baixo nível de implementação das ações para


provimento de infraestrutura e de recursos pedagógicos, que vão
desde a implantação de laboratório de informática e conexão à
Internet ao fornecimento de água potável e energia elétrica.

A análise do IDEB apontou a necessidade de aperfeiçoamento da


metodologia de obtenção desse índice. Segundo avalia o ministro
62456350391

relator do processo, “O IDEB é um importante instrumento para a


aferição da qualidade da educação, por isso deve ser aprimorado de
forma a permitir um diagnóstico mais fidedigno dos sistemas de
ensino”.

Outro instrumento de gestão educacional avaliado foi o sistema


integrado de monitoramento do MEC, que, segundo a auditoria,
também deve ser melhorado. Parte dos dados encontra-se
desatualizada.

TCU avalia gestão da educação básica em municípios brasileiros. Notícia publicada


em 12/9/2013. Internet: (com adaptações).

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Em relação ao texto apresentado, julgue o seguinte item.

Em “A auditoria conferiu aspectos relativos ao Plano de Ações


Articuladas (...) e ao cálculo do índice de desenvolvimento da
educação básica (IDEB)” (sublinhado no texto), o verbo conferir está
empregado com o sentido de outorgar.

Comentários

Aqui, é necessário que saibamos o significado do verbo “outorgar”,


qual seja, aprovar, concordar com, consentir em, conceder, permitir.

Assim, notamos que “outorgar” não pode substituir “conferir”, pois os


sentidos são diferentes.

Item incorreto.

Gabarito: ERRADO

Questão 40 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2011

A mais ínfima felicidade, quando está sempre presente e nos torna


felizes, é incomparavelmente superior à maior de todas, que só se
produz de maneira episódica, como uma espécie de capricho, como
uma inspiração insensata, em meio a uma vida que é dor, avidez e
privação. Tanto na menor como na maior felicidade, porém, há
sempre algo que faz que a felicidade seja uma felicidade: a faculdade
de esquecer, ou melhor, em palavras mais eruditas, a faculdade de
sentir as coisas, durante todo o tempo que dura a felicidade, fora de
qualquer perspectiva histórica. Aquele que não sabe instalar-se no
62456350391

limiar do instante, esquecendo todo o passado, aquele que não sabe,


como uma deusa da vitória, colocar-se de pé uma vez sequer, sem
medo e sem vertigem, este não saberá jamais o que é a felicidade, e
o que é ainda pior: ele jamais estará em condições de tornar os
outros felizes. É possível viver, e mesmo viver feliz, quase sem
lembrança, como o demonstra o animal; mas é absolutamente
impossível ser feliz sem esquecimento.

F. W. Nietzsche. II Consideração intempestiva sobre a utilidade e os inconvenientes


da história para a vida. In: Escritos sobre história. São Paulo: Loyola, 2005. p. 72-3
(com adaptações)

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Com base no texto acima, julgue o item que se segue.

O texto caracteriza-se como predominantemente dissertativo-


argumentativo, e o autor utiliza recursos discursivos diversos para
construir sua argumentação, como, por exemplo, linguagem figurada
e repetições.

Comentários

Observe que há muitas repetições de palavras, o que não é um erro,


mas um recurso de estilo empregado pelo autor.

A linguagem figurada também está presente, de forma a indicar um


sentido não literal de certo enunciado. Ela foi utilizada com o objetivo
de dar mais expressividade ao discurso, de tornar mais amplo o
significado de uma palavra.

O autor coloca seus argumentos, portanto é um texto


predominantemente dissertativo- argumentativo.

Vamos revisar?

DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA

Alguns autores subdividem a dissertação em argumentativa e


expositiva. Aqui, trabalharemos com a noção de dissertação-
argumentativa, pois a segunda espécie (dissertação-expositiva) será
tratada à parte com o nome de exposição.

A dissertação-argumentativa consiste na exposição de ideias a


respeito de um tema, com base em raciocínios e
argumentações. Tem por objetivo a defesa de um ponto de vista
por meio da persuasão. A coerência entre as ideias e a clareza na
62456350391

forma de expressão são elementos fundamentais.

A estrutura lógica da dissertação consiste em: introdução (apresenta


o tema a ser discutido); desenvolvimento (expõe os argumentos e
ideias sobre o tema, com fundamento em fatos, exemplos,
testemunhos e provas do que se pretende demonstrar); e conclusão
(faz o desfecho da redação, com a finalidade de reforçar a ideia
inicial).

A dissertação-argumentativa é o tipo predominante nos seguintes


gêneros textuais: redações de concursos, artigos de opinião, cartas de
leitor, discursos de defesa/acusação, resenhas, relatórios, textos
comerciais (publicitários), etc. É também o tipo mais utilizado
pelas bancas de concurso (sobretudo o CESPE) nos enunciados

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das questões de português.

DISSERTAÇÃO-EXPOSITIVA OU EXPOSIÇÃO

Na exposição (ou dissertação-expositiva), o objetivo do texto é


passar conhecimento para o leitor de maneira clara, imparcial
e objetiva.

Nesse tipo textual, ao contrário da dissertação-argumentativa, não se


faz a defesa de uma ideia, pois não há intenção de convencer o
leitor nem criar debate.

Trabalha-se o assunto de maneira atemporal.

Gabarito: CERTO

Questão 41 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2010

(Texto para as questões 41 e 42)

A multiplicidade dos seres humanos traduz-se por uma forma de


ordem singular. O que há de único na vida em comum dos homens
gera realidades particulares, especificamente sociais, que são
impossíveis de explicar ou compreender a partir do indivíduo. A língua
é uma boa ilustração disso. Que impressão nos causaria descobrir, ao
acordarmos numa bela manhã, que todos os outros homens falam
uma língua que não compreendemos? Sob uma forma paradigmática,
a língua encarna esse tipo de dados sociais, que pressupõem uma
multiplicidade de seres humanos organizados em sociedades e os
quais, ao mesmo tempo, não param de se reindividualizar. Esses
62456350391

dados como que se reimplantam em cada novo membro de um grupo,


norteiam seu comportamento e sua sensibilidade, e constituem o
habitus social a partir do qual se desenvolverão nele os traços
distintivos que o contrastarão com os outros no seio do grupo. O
modelo linguístico comum admite variações individuais, até certo
ponto. Mas, quando essa individualização vai longe demais, a língua
perde sua função de meio de comunicação dentro do grupo. Entre
outros exemplos, citemos a formação da consciência moral, das
modalidades de controle de pulsões e afetos numa dada civilização,
ou o dinheiro e o tempo. A cada um deles correspondem maneiras
pessoais de agir e sentir, um habitus social que o indivíduo
compartilha com outros e que se integra na estrutura de sua
personalidade.

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Norbert Elias. Sobre o tempo. Vera Ribeiro (Trad.). Jorge Zahar editor, 1998, p.19
(com adaptações).

No que se refere à organização das ideias e à estrutura do


texto acima, julgue o item.

A retirada do pronome em "se reindividualizar" (em negrito no texto)


provocaria erro gramatical e incoerência textual, pois não se
explicitaria o que seria reindividualizado.

Comentários

Por causa do pronome “se”, fica claro que a reindividualização se


refere a “seres humanos organizados em sociedades”.

Assim, com a retirada desse pronome, perde-se a referência


explicitada e a coerência.

Item correto.

Gabarito: CERTO

Questão 42 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2010

No que se refere à organização das ideias e à estrutura do


texto acima, julgue o item.

No trecho sublinhado no texto, a flexão de plural em "correspondem"


mostra que, pela concordância, se estabelece a coesão com
"maneiras"; mas seria igualmente correto e coerente estabelecer a
coesão com "cada um", enfatizando este termo pelo uso do verbo no
62456350391

singular: corresponde.

Comentários

O núcleo do sujeito do verbo “corresponder” é “maneiras”,


portanto o verbo deve permanecer no plural.

“A cada um deles” é termo preposicionado, assim nunca poderia ser


sujeito.

Você deve sempre se lembrar de que o verbo se flexiona para


concordar com o sujeito.

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Portanto, a questão está errada.

Gabarito: ERRADO

Questão 43 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2010

A experiência cultural das sociedades, em nossa época, é cada vez


mais moldada e “globalizada” pela transmissão e difusão das formas
significativas, visuais e discursivas, via meios de comunicação de
massa. Conquanto o desenvolvimento dos meios de comunicação
tenha tornado absolutamente frágeis os limites que separavam o
público do privado, assiste-se hoje a uma nova tendência de
politização e visibilidade do privado, com a estruturação de novas
relações familiares, bem como à privatização do público. Faz-se
necessário frisar que o imaginário social acompanha lentamente essa
evolução, nem sempre aceitando o rompimento dos costumes
fortemente arraigados.

Vera Lúcia Pires. A identidade do sujeito feminino: uma leitura das desigualdades.
In: M. I. Ghilardi-Lucena (Org.). Representações do feminino. PUC: Átomo, 2003, p.
209 (com adaptações).

Julgue o item seguinte, relativo à organização das ideias no


texto acima e aos seus aspectos gramaticais.

No trecho sublinhado no texto, a flexão de masculino em "necessário"


estabelece concordância desse termo com "imaginário social"; no
desenvolvimento da argumentação, essa relação sintática enfatiza
"imaginário social" como o primeiro termo na comparação com
62456350391

"evolução" (em negrito no texto).

Comentários

Observe que “necessário” está no masculino para concordar com o


sujeito oracional “frisar que o imaginário social acompanha
lentamente essa evolução”.

Assim, o item está errado.

Gabarito: ERRADO

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Questão 44 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2010

(Texto para as questões 44 e 45)

A relação de poder e status entre grupos está ligada à identidade


social, que permite ao grupo dominante na sociedade, por deter o
poder e o status, impor valores e ideologias, que, por sua vez, servem
para legitimar e perpetuar o status quo. Vale lembrar que os
indivíduos nascem já inseridos em uma estrutura social e,
simplesmente em função do sexo ou da classe social, entre outros
itens, são colocados em um ou em outro grupo social. Dessa forma,
adquirem as categorias sociais definitivas dos grupos aos quais
pertencem e que podem ter valores sociais positivos ou negativos. Os
membros dos grupos dominantes e de status superior passam a ter
identidade social positiva e maior grau de autoestima. Da mesma
forma, os membros de status inferior ou de grupos subordinados têm
ou adquirem identidade social menos positiva e menor autoestima.
Entretanto, se a mobilidade para uma classe superior parece
impossível e os membros do grupo inferior percebem as fronteiras
entre os grupos como impenetráveis, eles podem vir a adotar
estratégias coletivas para criar uma identidade social mais positiva
para o seu grupo. Tais mudanças são denominadas mudanças sociais.

Astrid N. Sgarbieri. A mulher brasileira: representações na mídia. In: M. I. Ghilardi-


Lucena (Org.). Representações do feminino. PUC: Átomo, 2003, p. 128-9 (com
adaptações)

Com referência à organização dos sentidos e das estruturas


linguísticas do texto acima, julgue o item subsequente.

A preposição a, em "aos quais" (sublinhado no texto), estabelece


62456350391

relações sintático-semânticas com o verbo pertencer; por tal motivo,


essa preposição não poderia ser omitida no período, mesmo se o
pronome fosse substituído por a que.

Comentários

A regência do verbo “pertencer” exige a preposição “a”,


portanto ela nunca poderia ser retirada.

Assim, caso houvesse a substituição do pronome relativo “quais” pelo


“que”, deveria ser ainda usada a mesma preposição.

Item correto.

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Gabarito: CERTO

Questão 45 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2010

Com referência à organização dos sentidos e das estruturas


linguísticas do texto acima, julgue o item subsequente.

A expressão verbal "podem vir a adotar" (sublinhada no texto) indica


uma possibilidade e uma continuidade da ação que o simples uso de
"adotar" não indicaria; por essa razão, as ideias de possibilidade e de
continuidade seriam incorporadas a essa expressão, sem prejudicar as
relações semânticas nem a correção gramatical do texto, se fosse
usada a forma verbal viriam adotando.

Comentários

Vamos ver o trecho?

Entretanto, se a mobilidade para uma classe superior parece impossível e os


membros do grupo inferior percebem as fronteiras entre os grupos como
impenetráveis, eles podem vir a adotar estratégias coletivas para criar uma
identidade social mais positiva para o seu grupo. Tais mudanças são
denominadas mudanças sociais.

Observe que a forma verbal “podem vir a adotar” sugere


possibilidade e continuidade. O uso de “adotar”, além de não
sugerir a mesma ideia, ainda deixa incorreto gramaticalmente o texto,
por causa da correlação verbal (com a oração anterior), que ficaria
errada.

O uso de “viriam adotando” muda o sentido do texto, uma vez que


62456350391

não sugere mais possibilidade, além de também deixar incorreto


gramaticalmente o texto, por causa da correlação verbal (com a
oração anterior), que ficaria errada.

Assim, o item está errado.

Gabarito: ERRADO

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Questão 46 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2010

A organização da sociedade em movimentos sociais é inerente à sua


estrutura de poder. O teatro teve, na Grécia antiga, o papel político
de dotar a população de razão crítica por intermédio de uma
expressão estética. Mas os movimentos sociais adquirem ao longo da
história distintas expressões: estética, religiosa, econômica, ecológica
etc. A partir do século um, o Império Romano teve suas bases
solapadas por um movimento social de caráter religioso — o
Cristianismo —, que se recusou a reconhecer a divindade de César e
propalou a radical dignidade de todo ser humano. Desde a Revolução
Francesa, a sociedade civil passou a se mobilizar mais
frequentemente em movimentos sociais. Porém, é recente a noção de
que a sociedade civil deve se organizar para pressionar o poder
público, e não necessariamente almejar também a tomada de poder.
Isso ensejou o caráter multifacetado dos movimentos de indígenas,
negros, mulheres, migrantes, homossexuais etc. e o fato de
constituírem instâncias políticas nem sempre partidárias. É o
fenômeno recente do empoderamento da sociedade civil, que, quanto
mais forte, mais logra transmutar a democracia meramente
representativa em democracia efetivamente participativa.

Frei Beto. Valores que constroem a cidade. In: Correio Braziliense, 25/6/2010 (com
adaptações).

A partir das estruturas linguísticas que organizam o texto


acima, julgue o item subsecutivo.

No trecho sublinhado no texto, os travessões duplos têm a função de


destacar a inserção, "o Cristianismo", e a vírgula, a função de separar
62456350391

a oração que serve de explicação ao "movimento social"; por isso, o


uso de vírgulas, em lugar dos travessões, para destacar a inserção
respeitaria as regras gramaticais, mas deixaria de marcar todas as
relações significativas do texto.

Comentários

Vamos ver o trecho?

A partir do século um, o Império Romano teve suas bases solapadas por um
movimento social de caráter religioso — o Cristianismo —, que se recusou a
reconhecer a divindade de César e propalou a radical dignidade de todo ser
humano.

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Observe que o termo “o Cristianismo” explica o termo “movimento


social de caráter religioso”, assim necessita de vírgulas para indicar
sua inserção na frase.

A vírgula colocada logo antes de “que”, indica que a oração “que se


recusou a reconhecer a divindade de César e propalou a radical
dignidade de todo ser humano” é uma oração subordinada adjetiva
explicativa, que explica o “movimento”.

Com a retirada dos travessões e a colocação de uma vírgula no


lugar do primeiro deles, continuaríamos com correção
gramatical, visto que o termo “o Cristianismo” ainda teria sua
inserção destacada. Porém, a ênfase (relação significativa)
deixaria de existir.

Por isso, o item está certo.

Gabarito: CERTO

Questão 47 – (CESPE) Analista de Controle Externo –


TCU/2009

(Texto para as questões 47 e 48)

O exercício do poder ocorre mediante múltiplas dinâmicas, formadas


por condutas de autoridade, de domínio, de comando, de liderança,
de vigilância e de controle de uma pessoa sobre outra, que se
comporta com dependência, subordinação, resistência ou rebeldia.
Tais dinâmicas não se reportam apenas ao caráter negativo do
poder, de opressão, punição ou repressão, mas também ao seu
caráter positivo, de disciplinar, controlar, adestrar, aprimorar. O poder
62456350391

em si não existe, não é um objeto natural. O que há são relações de


poder heterogêneas e em constante transformação. O poder é,
portanto, uma prática social constituída historicamente.

Na rede social, as dinâmicas de poder não têm barreiras ou


fronteiras: nós as vivemos a todo momento. Consequentemente,
podemos ser comandados, submetidos ou programados em um
vínculo, ou podemos comandá-lo para a realização de sua tarefa, e,
assim, vivermos um novo papel social, que nos faz complementar,
passivamente ou não, as regras políticas da situação em que nos
encontramos.

Maria da Penha Nery. Vínculo e afetividade: caminhos das relações humanas. São
Paulo: Ágora, 2003, p. 108-9 (com adaptações).

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A partir das estruturas linguísticas que organizam o texto


acima, julgue o item subsecutivo.

Nas relações de coesão que se estabelecem no texto, o pronome


"que" (sublinhado no texto) retoma a expressão "exercício do poder"
(sublinhada no texto).

Comentários

O pronome relativo “que” retoma o termo “outra”.

Vejam como é comum as questões de coesão, com uso de


pronomes relativos como mecanismos coesivos. Esteja bem
atento quanto a isso.

Portanto, o item está errado.

Gabarito: ERRADO

Questão 48 – (CESPE) Analista de Controle Externo –


TCU/2009

A partir das estruturas linguísticas que organizam o texto


acima, julgue o item subsecutivo.

O uso da preposição em "ao caráter" (em negrito no texto) deve-se às


exigências sintáticas do verbo reportar, na acepção usada no texto.

Comentários

Sim, está correto. Esta é uma questão de regência verbal. Se você


62456350391

estiver com dúvidas na matéria, sugiro que estude um pouco mais a


aula em que ensinei isso.

Obseve que o verbo “reportar” no sentido de “referir-se a” é


verbo transitivo indireto, portanto necessita de preposição em
seu complemento.

Assim, o item está certo.

Gabarito: CERTO

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Questão 49 – (CESPE) Analista de Controle Externo –


TCU/2009

O termo groupthinking foi cunhado, na década de cinquenta, pelo


sociólogo William H. Whyte, para explicar como grupos se tornavam
reféns de sua própria coesão, tomando decisões temerárias e
causando grandes fracassos. Os manuais de gestão definem
groupthinking como um processo mental coletivo que ocorre quando
os grupos são uniformes, seus indivíduos pensam da mesma forma e
o desejo de coesão supera a motivação para avaliar alternativas
diferentes das usuais. Os sintomas são conhecidos: uma ilusão de
invulnerabilidade, que gera otimismo e pode levar a riscos; um
esforço coletivo para neutralizar visões contrárias às teses
dominantes; uma crença absoluta na moralidade das ações dos
membros do grupo; e uma visão distorcida dos inimigos, comumente
vistos como iludidos, fracos ou simplesmente estúpidos. Tão antigas
como o conceito são as receitas para contrapor a patologia: primeiro,
é preciso estimular o pensamento crítico e as visões alternativas à
visão dominante; segundo, é necessário adotar sistemas
transparentes de governança e procedimentos de auditoria; terceiro,
é desejável renovar constantemente o grupo, de forma a oxigenar as
discussões e o processo de tomada de decisão.

Thomaz Wood Jr. O perigo do groupthinking. In: Carta Capital, 13/5/2009, p. 51


(com adaptações).

Julgue o seguinte item com base na organização do texto


acima.

Por estar empregada como uma forma de voz passiva, a locução


verbal "foi cunhado" (sublinhada no texto) corresponde a cunhou-
62456350391

se e por esta forma pode ser substituída, sem prejuízo para a


coerência ou para a correção gramatical do texto.

Comentários

Observe que o período original está na voz passiva analítica. Isso não
quer dizer que, ao transpor para a voz passiva sintética, basta colocar
“cunhou-se”.

Note que há prejuízo para a coerência, uma vez que a frase


continua com o agente da passiva “pelo sociólogo William H.
Whyte”.

Assim, o item está incorreto.

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Gabarito: ERRADO

Questão 50 – (CESPE) Analista de Controle Externo –


TCU/2009

Um governo, ou uma sociedade, nos tempos modernos, está


vinculado a um pressuposto que se apresenta como novo em face da
Idade Antiga e Média, a saber: a própria ideia de democracia. Para ser
democrático, deve contar, a partir das relações de poder estendidas a
todos os indivíduos, com um espaço político demarcado por regras e
procedimentos claros, que, efetivamente, assegurem o atendimento
às demandas públicas da maior parte da população, elegidas pela
própria sociedade, através de suas formas de
participação/representação.

Para que isso ocorra, contudo, impõe-se a existência e a eficácia de


instrumentos de reflexão e o debate público das questões sociais
vinculadas à gestão de interesses coletivos — e, muitas vezes,
conflitantes, como os direitos liberais de liberdade, de opinião, de
reunião, de associação etc. —, tendo como pressupostos informativos
um núcleo de direitos invioláveis, conquistados, principalmente, desde
o início da Idade Moderna, e ampliados pelo Constitucionalismo Social
do século XX até os dias de hoje. Fala-se, por certo, dos Direitos
Humanos e Fundamentais de todas as gerações ou ciclos possíveis.

Rogério Gesta Leal. Poder político, estado e sociedade. Internet:


<www.mundojuridico.com.br> (com adaptações)

No que se refere à organização das ideias e a aspectos


62456350391

gramaticais do texto acima, julgue o item subsequente.

O pronome "isso" (em negrito no texto) exerce, na organização dos


argumentos do texto, a função coesiva de retomar e resumir o fato de
que as "demandas públicas da maior parte da população" (sublinhado
no texto) são escolhidas por meio de "formas de
participação/representação" (sublinhado no texto).

Comentários

Veja como é importante uma leitura atenta do texto, para que


possamos fazer a interpretação das ideias e identificar os
mecanismos coesivos usados.

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O pronome demonstrativo “isso” tem a função coesiva anafórica de


retomar e resumir, mas em relação ao primeiro período do texto, e
não como apresenta o enunciado da questão.

Portanto, o item está errado.

Gabarito: ERRADO

Questão 51 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

(Texto para as questões 51 e 52)

Um novo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) será


empossado no tribunal. Para a cerimônia de posse, que ocorrerá em
18/6/2012, às 19 horas, em sessão solene nas dependências do
tribunal, serão convidados, entre outros, o presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF) e o prefeito municipal de Campinas, cidade
natal do referido ministro. Ao final da solenidade, deverá ser lavrada a
ata da sessão.

Considerando os diversos tipos de correspondência oficial que


será demandada em face da situação hipotética acima
apresentada, julgue o item a seguir.

O convite ao presidente do STF deverá ser feito mediante ofício, se o


remetente for o chefe da assessoria de cerimonial do STJ, ou
mediante memorando, se o remetente for o próprio presidente do
STJ.

Comentários
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Observe que, em ambos os casos, o certo é o ofício, uma vez que o


memorando é uma forma de comunicação interna, utilizada entre
unidades administrativas de um mesmo órgão, não importa se
de mesma hierarquia ou de hierarquia diferentes.

Note, ainda, que o ofício e o aviso são tipos de documento bastante


semelhantes, utilizados para comunicações externas. O que os
difere é o fato de o aviso ser expedido apenas por Ministros de
Estado para autoridades de mesma hierarquia. O ofício, por
sua vez, é expedido para e por outras autoridades.

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A finalidade do ofício e do aviso é a mesma: tratar assuntos


oficiais entre os órgãos da Administração Pública e entre a
Administração Pública e os particulares (no caso do ofício).

Dessa maneira, o item está incorreto.

Gabarito: ERRADO

Questão 52 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Considerando os diversos tipos de correspondência oficial que


será demandada em face da situação hipotética acima
apresentada, julgue o item a seguir.

Na correspondência oficial a ser enviada ao prefeito da cidade de


Campinas, devem ser empregados o vocativo “Senhor Prefeito” e o
pronome de tratamento “Vossa Excelência”.

Comentários
Vamos revisar os vocativos?
Ao endereçar correspondências aos Chefes de Poder, deve-se
empregar o vocativo Excelentíssimo Senhor, seguido do
respectivo cargo.

Exemplos:
Excelentíssimo Senhor Presidente da República.
Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional.
Excelentíssimo Senhor Presidente do Superior Tribunal Federal.
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- Para as demais autoridades, deve-se utilizar o vocativo


Senhor, seguido do respectivo cargo ou nome (em caso de
particulares).

Exemplos:
Senhor Senador.
Senhor Embaixador.
Senhor Prefeito.

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- No caso de reitores de universidades em que o pronome de


tratamento Vossa Magnificência é empregado, utilize o
vocativo Magnífico Reitor.
- No caso de duques, príncipes e arquiduques tratados por
Vossa Alteza, utilize o vocativo Sereníssimo
Duque/Arquiduque/Príncipe.
- No caso de reis e imperadores tratados por Vossa Majestade,
utilize o vocativo Majestade.
- No caso das comunicações destinadas às autoridades
religiosas, veja os vocativos empregados:
- Vossa Santidade (papa). Vocativo: Santíssimo Padre
- Vossa Eminência ou Vossa Eminência Reverendíssima
(cardeais). Vocativo: Eminentíssimo Senhor Cardeal ou
Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal.
- Vossa Excelência Reverendíssima (bispos e arcebispos).
Vocativo: Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor
Bispo/Arcebispo.
- Vossa Reverendíssima ou Vossa Senhoria Reverendíssima
(monsenhores, cônegos e superiores religiosos). Vocativo:
Reverendíssimo Monsenhor/Cônego ou Reverendíssimo
Senhor Cônego.
- Vossa Reverência (sacerdotes, clérigos e demais
religiosos). Vocativo: Reverendíssimo Senhor Sacerdote.

Agora, vamos revisar os pronomes de tratamento.

Pronome de tratamento Abreviatura Emprego


você, vocês v. tratamento informal
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senhor, senhora Sr. Sra. tratamento respeitoso

Vossa Alteza V. A. príncipes, duques e


arquiduques
Vossa Eminência ou Vossa V. Ema. ou cardeais
a ma
Eminência Reverendíssima V. Em . Rev .
Vossa Excelência* V. Exa. altas autoridades
(presidentes, juízes,
deputados, senadores,
governadores etc.)
Vossa Magnificência V. Maga. reitores de
universidades
Vossa Majestade V.M. reis e rainhas,

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imperadores
a ma
Vossa Excelência V. Ex . Rev . bispos e arcebispos
Reverendíssima
Vossa Reverendíssima ou V. Revma. monsenhores, cônegos
Vossa Senhora e superiores religiosos
Reverendíssima
Vossa Reverência V.Reva. sacerdotes em geral,
clérigos e demais
religiosos
Vossa Santidade V.S. papa
Vossa Senhoria** V.Sa. pessoas que exercem
cargos importantes

Observação:

Os pronomes de tratamento para religiosos, vistos acima, são


empregados de acordo com a hierarquia eclesiástica.

*O pronome de tratamento Vossa Excelência tem o seu uso


consagrado para o trato com autoridades dos três poderes.
Veja:

- autoridades do Poder Executivo: Presidente da República; Vice-


Presidente da República; Ministros de Estado; Secretários-Executivos
de Ministérios e demais ocupantes de cargos de natureza especial;
Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal;
Secretários de Estado dos Governos Estaduais; Oficiais-Generais das
Forças Armadas; Prefeitos Municipais; Embaixadores.

- autoridades do Poder Legislativo: Deputados Estaduais,


Distritais e Federais; Senadores; Ministros do Tribunal de Contas da
União; Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais; Presidentes
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das Câmaras Legislativas Municipais.

- autoridades do Poder Judiciário: Juízes; Auditores da Justiça


Militar; Membros de Tribunais; Ministros dos Tribunais Superiores.

**O pronome de tratamento Vossa Senhoria é empregado para as


demais autoridades e particulares.

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Voltando à questão, observe que o destinatário é prefeito da


cidade de Campinas, assim devem ser empregados o vocativo
“Senhor Prefeito” e o pronome de tratamento “Vossa Excelência”.

Dessa forma, o item está correto.

Gabarito: CERTO

Questão 53 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Julgue o próximo item, referente à adequação da linguagem


na elaboração de expedientes oficiais.

Expediente que contenha a seguinte resposta: “Em atenção ao Memo


n. 03/11, a data é 10/2/2011”, em vez de “Em atenção ao Memo n.
03/11, que trata das férias de servidores desta Coordenadoria,
informo que elas se iniciaram no dia 10/2/2011”, está
desrespeitando as normas referentes à concisão, um dos requisitos
básicos da redação oficial.

Comentários

Pelo contrário, pois a resposta foi bastante concisa, uma vez que já se
referiu ao memorando por seu número. Portanto, não há
necessidade de colocar o assunto na resposta.

Vamos revisar?

A concisão faz desaparecer do texto os excessos linguísticos que


nada lhe acrescentam. Exigir de um texto que ele seja conciso é
impedir que o rebuscamento e a prolixidade dominem a sua
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estrutura. Desse modo, a redação oficial determina que as


informações sejam passadas da maneira mais clara, direta e
objetiva possível. Obviamente, nenhuma parte substancial do texto
deve ser suprimida; o texto conciso não necessariamente é curto
em extensão, mas deve esgotar todo o assunto da maneira
mais sintética e enxuta. Assim, os trechos repetitivos, redundantes,
retóricos ou supérfluos devem ser eliminados.
É importante reler e revisar as correspondências oficiais para eliminar
tudo que é acessório ou desnecessário. Pense que existem, em uma
composição textual, ideias principais e secundárias; por vezes, as
ideias secundárias são fundamentais para conformar e dar sentido às
ideias nucleares; em outras situações, contudo, essas ideias

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secundárias nada acrescentam e, por essa razão, devem ser


suprimidas.
Atenção!
- evite o emprego de preciosismos (palavras arcaicas, raras e em
desuso) e neologismos.
- evite o uso de expressões como “venho por meio desta”, “tenho a
honra de”, “cumpre-me comunicar que”.

Dessa maneira, o item está errado.

Gabarito: ERRADO

Questão 54 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

(Texto para as questões 54, 55, 56, 57, 58, 59 e 60)

Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III a.C., a


biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita para a
discussão sobre a materialidade da comunicação. As escavações para
a localização da biblioteca, sem dúvida um dos maiores tesouros da
Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de arqueólogos.
Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca imaginária, cujos
livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam, contudo,
numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que se
encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do
enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por rolos
e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,
atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.
Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas
paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de
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Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas


paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor
forma de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os
arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de
Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance
das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não
levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação
dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca
estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas de
Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a
materialidade dos meios de comunicação?

O conceito de materialidade da comunicação supõe a reconstrução


da materialidade específica mediante a qual os valores de uma

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cultura são, de um lado, produzidos e, de outro, transmitidos. Tal


materialidade envolve tanto o meio de comunicação quanto as
instituições responsáveis pela reprodução da cultura e, em um
sentido amplo, inclui as relações entre meio de comunicação,
instituições e hábitos mentais de uma época determinada. Vejamos:
para o entendimento de uma forma particular de comunicação — por
exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na Inglaterra elizabetana; o
romance nos séculos XVIII e XIX; o cinema e a televisão no século
XX; o computador em nossos dias —, o estudioso deve
reconstruir tanto as condições históricas quanto a materialidade do
meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e o corpo do ator
constituem uma materialidade muito diferente da que será criada
pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos impressos tendem,
ao contrário, a excluir o corpo do circuito comunicativo. Já os meios
audiovisuais e informáticos promovem um certo retorno do corpo,
mas sob o signo da virtualidade. Compreender, portanto, como tais
materialidades influem na elaboração do ato comunicativo é
fundamental para se entender como chegam a interferir na própria
ordenação da sociedade.

João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de


Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da
comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com
adaptações).

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto,


julgue o item a seguir.

O vocábulo “epígrafe” (em negrito no texto) significa inscrição sobre


a lápide de túmulos ou sobre monumentos funerários e é usado no
texto como metáfora tanto da materialidade tumular da biblioteca de
Alexandria, quanto do tempo decorrido desde sua existência até o
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presente.

Comentários

Epígrafe é uma sentença colocada no frontispício de um livro ou


capítulo, no começo de um discurso ou de uma composição poética.
Pode também ser um tema ou citação que se coloca no princípio de
um livro (poema, conto, capítulo etc.), serve de resumo para o
assunto que será abordado e, além disso, apresenta o sentido e a
motivação da obra; mote.

Epitáfio significa inscrição em um túmulo.

Tenha, assim, cuidado para não fazer confusão.

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Item errado.

Gabarito: ERRADO

Questão 55 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto,


julgue o item a seguir.

Depreende-se do texto que a pesquisa arqueológica deve prescindir


de fontes documentais e concentrar-se na avaliação de achados
materiais.

Comentários

Observe que “prescindir” significa “não precisar de”. No texto,


o autor deixa claro que a pesquisa arqueológica deve usar
fontes documentais, assim como avaliar achados materiais.

Veja o seguinte trecho:

No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não levaram em


consideração a materialidade dos meios de comunicação dominante
na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca estruturada para
colecionar livros e não rolos.

Note que o trecho em negrito constitui uma fonte documental (fonte


teórica), dado necessário para localizar a biblioteca.

Item errado.

Gabarito: ERRADO
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Questão 56 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto,


julgue o item a seguir.

A pergunta no trecho sublinhado no texto poderia ser suprimida do


texto sem prejuízo para a sua coerência.

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Comentários

Observe que a pergunta foi um recurso estilístico colocado pelo autor


do texto, para conferir mais ênfase ao assunto tratado.

Dessa maneira, sua retirada não prejudica a coerência.

Item correto.

Gabarito: CERTO

Questão 57 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto,


julgue o item a seguir.

A preposição “para”, em “para a discussão” (sublinhado no texto) e


em “para colecionar livros” (sublinhado no texto), introduz expressão
que exprime finalidade.

Comentários

Observe que a finalidade da “epígrafe” seria “a discussão” e a


finalidade da biblioteca seria “colecionar livros”.

Portanto, a preposição “para” possui a mesma ideia em ambos


os casos.

Item correto.

Gabarito: CERTO 62456350391

Questão 58 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto,


julgue o item a seguir.

A partícula “se”, em “Tratava-se” (em negrito no texto) e em “se


encontravam” (em negrito no texto), classifica-se como pronome
reflexivo e retoma, respectivamente, “uma biblioteca imaginária”
(sublinhado no texto) e “centenas de milhares de rolos” (sublinhado
no texto).

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Comentários

Vamos ver o trecho?

Tratava-se então de uma biblioteca imaginária, cujos livros talvez nunca


tivessem existido? Persistiam, contudo, numerosas fontes clássicas que
descreviam o lugar em que se encontravam centenas de milhares de rolos.
E eis a solução do enigma.

Observe que o primeiro “se” é índice de indeterminação do sujeito, ou


seja, não é pronome reflexivo e não retoma o termo “uma biblioteca
imaginária”.

Note que o segundo “se” é partícula apassivadora (voz passiva


sintética), ou seja, não é pronome reflexivo e não retoma o termo
“centenas de milhares de rolos”, que é o sujeito da oração.

Questão errada.

Gabarito: ERRADO

Questão 59 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto,


julgue o item a seguir.

O trecho “jamais poderiam localizá-la” (sublinhado no texto) poderia


ser corretamente reescrito da seguinte forma: jamais a poderiam
localizar.

Comentários
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Veja que esta questão aborda o assunto “colocação


pronominal”.

A palavra “jamais” é uma palavra que atrai o pronome, então está


certo usar a próclise no verbo auxiliar, tal como propõe a substituição.

Vamos fazer uma revisão?

COLOCAÇÃO PRONOMINAL EM LOCUÇÕES VERBAIS:

As locuções verbais exigem uma análise à parte, ao se falar em


colocação pronominal. Isso porque, uma vez que consistem na junção

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de duas formas verbais, as locuções possibilitam empregar o pronome


em várias posições.

As pessoas precisam tratar-se com respeito. (ênclise ao verbo principal)


As pessoas precisam se tratar com respeito.* (próclise ao verbo principal)
As pessoas precisam-se tratar com respeito. (ênclise ao verbo auxiliar)
As pessoas se precisam tratar com respeito.* (próclise ao verbo auxiliar)

(*) uso não recomendado pela norma culta.

Acima, vemos quatro formas distintas de localização do


pronome oblíquo átono na locução verbal “precisam tratar”.

A depender da locução verbal, no entanto, nem sempre essas


colocações serão todas permitidas.

ATENÇÃO! A próclise com relação ao verbo principal e auxiliar


é polêmica, pois a norma culta condena que se coloque o
pronome solto entre os verbos. Alguns gramáticos, no entanto,
toleram-na. Confira:

As pessoas precisam se tratar com respeito.


As pessoas seguem se tratando com respeito.
As pessoas têm me sido gentis.
As pessoas se precisam tratar com respeito.
As pessoas se seguem tratando com respeito.
As pessoas me têm sido gentis.
62456350391

Por via das dúvidas, aconselho a você que evite essa colocação, se
estiver redigindo um texto formal.

Para entender a correta Colocação Pronominal em Locuções


Verbais, precisamos entender como se forma uma locução
verbal:

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NO INFINITIVO
VERBO AUXILIAR + VERBO PRINCIPAL NO GERÚNDIO
NO PARTICÍPIO

Nessa estrutura, acima explanada, o pronome oblíquo poderá


localizar-se de acordo com algumas regras que veremos agora.

A próclise com relação ao verbo auxiliar é sempre possível,


esteja o verbo principal no infinitivo, no gerúndio ou no
particípio.

As pessoas se precisam tratar com respeito. (*)


As pessoas se seguem tratando com respeito. (*)
As pessoas me têm sido gentis. (*)

(*) uso não recomendado pela norma culta.

A única exceção será se o pronome iniciar o período, caso


proibido, como já foi visto.

Se precisam tratar com respeito, as pessoas. ERRADO

A ênclise com relação ao verbo auxiliar é sempre possível,


esteja o verbo principal no infinitivo, no gerúndio ou no
62456350391

particípio.

As pessoas precisam-se tratar com respeito.


As pessoas seguem-se tratando com respeito.
As pessoas têm-me sido gentis.

As únicas exceções são: se houver um dos casos de próclise


obrigatória e se o verbo auxiliar estiver no futuro, casos em que
a ênclise é vedada.

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As pessoas indignas não precisam-se tratar com respeito. ERRADO


As pessoas precisarão-se tratar com respeito. ERRADO

A ênclise com relação ao verbo principal é possível somente


se ele estiver no infinitivo ou no gerúndio.

As pessoas precisam tratar-se com respeito.


As pessoas seguem tratando-se com respeito.

Portanto, não se admite a ênclise com verbo no particípio, como


já vimos.

As pessoas têm sido-me gentis. ERRADO

Agora que analisamos, detalhadamente, as possibilidades específicas


de Colocação Pronominal, podemos perceber que:

Quando o verbo principal estiver no infinitivo ou no


gerúndio, todas as quatro posições serão possíveis. No
entanto, cabe ressaltar que alguns gramáticos condenam
a próclise ao verbo principal (que deixa o pronome solto
entre os verbos) e a próclise ao verbo auxiliar.

Exceto: se o pronome iniciar o período (caso em que a


próclise ao verbo auxiliar será vedada) e se houver
partícula atrativa antes do verbo auxiliar (caso em que a
ênclise ao verbo auxiliar será vedada).

Quando o verbo principal estiver no particípio, será


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vedado o emprego do pronome após o verbo principal,


pois nunca é possível usar ênclise em verbos no
particípio.

Para que você fixe bem o que foi dito acima, leia atentamente o
quadro-resumo abaixo e os exemplos.

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VERBO AUXILIAR + INFINITIVO

Sem As pessoas se precisam tratar com respeito. (*)


partícula
atrativa de As pessoas precisam-se tratar com respeito.
próclise.
As pessoas precisam se tratar com respeito. (*)

As pessoas precisam tratar-se com respeito.

Com As pessoas não se precisam tratar com respeito.


partícula
atrativa de – a ênclise ao auxiliar é vedada –
próclise.
As pessoas não precisam se tratar com respeito. (*)

As pessoas não precisam tratar-se com respeito.


(*) uso não recomendado pela norma culta.

VERBO AUXILIAR + GERÚNDIO

Sem As pessoas se seguem tratando com respeito. (*)


partícula
atrativa de As pessoas seguem-se tratando com respeito.
próclise.
As pessoas seguem se tratando com respeito. (*)
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As pessoas seguem tratando-se com respeito.

Com As pessoas não se seguem tratando com respeito.


partícula
atrativa de – a ênclise ao auxiliar é vedada –
próclise.
As pessoas não seguem se tratando com respeito. (*)

As pessoas não seguem tratando-se com respeito.


(*) uso não recomendado pela norma culta.

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VERBO AUXILIAR + PARTICÍPIO

Sem As pessoas me têm sido gentis. (*)


partícula
atrativa de As pessoas têm-me sido gentis.
próclise.
As pessoas têm me sido gentis. (*)

– a ênclise ao particípio sempre é vedada –

Com As pessoas não me têm sido gentis.


partícula
atrativa de – a ênclise ao auxiliar é vedada –
próclise.
As pessoas não têm me sido gentis. (*)

– a ênclise ao particípio é sempre vedada –

(*) uso não recomendado pela norma culta.

Gabarito: CERTO

Questão 60 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2012

Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto,


julgue o item a seguir.

No trecho em negrito no texto, é obrigatório o emprego da vírgula


após o travessão.

Comentários
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Sim, o emprego é obrigatório, pois ela faz a indicação do


deslocamento do termo que se inicia em “para” e termina no
travessão.

Item correto.

Gabarito: CERTO

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Questão 61 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

(Texto para as questões 61, 62 e 63)

Se a perspectiva do político é a perspectiva de como o poder se


constitui e se exerce em uma sociedade, como se distribui, se
difunde, se dissemina, mas também se oculta, se dissimula em seus
diferentes modos de operar, então é fundamental uma análise do
discurso que nos permita rastreá-lo. A necessidade de discussão da
questão política e do exercício do poder está em que, em última
análise, todos os grupos, classes, etnias visam, de uma forma ou de
outra, o controle do poder político. Porém, costumamos ver o poder
como algo negativo, perverso, no sentido da dominação, da
submissão. Não há, entretanto, sociedade organizada sem formas de
exercício de poder. A questão, portanto, deve ser: como e em nome
de quem este poder se exerce?

Danilo Marcondes. Filosofia, linguagem e comunicação. São Paulo: Cortez, 2000, p.


147-8 (com adaptações).

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item a seguir.

A vírgula logo depois de "operar" (em negrito no texto) indica que a


relação entre as ideias expressas no período iniciado por "então é
fundamental" (sublinhado no texto) e as ideias expressas no período
anterior seria mantida se a palavra "então" fosse substituída
por posto que.

Comentários

Esta questão aborda do assunto “conjunções”.


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A conjunção coordenativa “então” nos dá uma ideia de conclusão, não


é mesmo?

Por sua vez, a conjunção subordinativa “posto que” remete a uma


noção de concessão, ou seja, uma ideia contrária.

A colocação da vírgula se faz obrigatória, uma vez que a


oração iniciada por “então” é coordenada sindética em relação
à anterior.

Assim, a explicação colocada no enunciado está errada.

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Gabarito: ERRADO

Questão 62 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item a seguir.

Mantendo-se as ideias originalmente expressas no texto, assim como


a sua correção gramatical, o complemento da forma verbal "visam"
(sublinhada no texto) poderia ser introduzido pela preposição a: ao
controle.

Comentários

Na verdade, o certo é a colocação da preposição, por causa da


regência dos termos. Então, mais correto seria o enunciado
apresentar como obrigatório o uso da preposição, e não como
facultativo.

Entretanto, o CESPE considerou a questão como correta. Podemos,


assim, entender que a banca considerou que a obrigatoriedade está
incluída na facultatividade.

Dessa maneira, não se preocupem com a questão em si, mas


com a obrigatoriedade de colocação da preposição, certo?

Gabarito: CERTO

Questão 63 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008


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Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item a seguir.

No trecho em negrito e sublinhado no texto, para evitar as duas


ocorrências da preposição "em" e tornar o estilo do texto mais
elegante, mantendo-se a correção gramatical, deve-se deixar
subentendida a primeira delas, reescrevendo-se o respectivo trecho
da seguinte forma: está que, em última análise.

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Comentários

Observe que as duas preposições “em” têm seus empregos


independentes um do outro. Assim, é necessário que esteja presente
em ambas as frases.

Note, ainda, que o verbo “estar”, no contexto, possui regência


que pede o uso da preposição “em”.

Dessa maneira, a questão está incorreta.

Gabarito: ERRADO

Questão 64 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2004

Pesquisas realizadas em vários países mostram que a pobreza e a


violência atingem especialmente os mais jovens. No Brasil, de acordo
com o último censo demográfico, os adolescentes representam
12,5% da população total. Quase 7% deles são analfabetos, mais de
15% não freqüentam a escola e apenas 33% cursam o ensino médio.
Não bastasse isso, cerca de oito milhões apresentam pelo menos três
anos de defasagem nos estudos e pertencem a famílias com renda
mensal per capita inferior a meio salário mínimo.

Premidos pela baixa renda familiar, mais de um milhão de


adolescentes entre 12 e 14 anos de idade estão submetidos à
exploração do trabalho infantil, ao passo que outros 3,2 milhões,
com idade entre 15 e 17 anos, já estão no mercado de trabalho. Via
de regra, os adolescentes executam atividades precárias e mal
remuneradas, cumprindo jornadas de trabalho excessivas, que os
impedem de concluir a educação básica, de ter acesso ao lazer e à
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cultura, além de outras vivências próprias à idade.

Várias outras pesquisas revelam que, no Brasil, os jovens são mais


vítimas que algozes da violência. De um lado, o número de infratores
supera em pouco a casa dos vinte mil, o que representa 1% da
população total da faixa etária dos 12 aos 17 anos. Esses
adolescentes respondem por 10% das infrações praticadas no
território brasileiro. De outro lado, os assassinatos representam hoje
40,5% dos óbitos verificados entre os adolescentes em decorrência
de causas não naturais. Esse percentual reflete um aumento
vertiginoso da violência dirigida contra o jovem e creditada ao seu
envolvimento com drogas e à ineficácia do sistema penal brasileiro,
que deixa impunes os responsáveis pelas mortes.

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Nesse panorama, surgem inúmeras propostas de alteração do


ordenamento jurídico em vigor, seja para rebaixar o limite da
inimputabilidade penal, seja para aumentar o prazo máximo da
medida privativa de liberdade aplicável aos adolescentes que
cometem violência contra a pessoa. No entanto, é necessária uma
abordagem cuidadosa do tema, que deve ser analisado nos termos
de sua complexidade, sem a intervenção de posições apriorísticas ou
preconceituosas.

Cleide de Oliveira Lemos. “Reduzir a idade penal é a solução?” In: UnB Revista.
dez./2003-mar./2004, p. 16-9 (com adaptações).

Com base nas ideias, na estrutura e na tipologia do texto ao


lado, julgue o item a seguir.

O terceiro parágrafo do texto, por abordar dois aspectos da questão


levantada em seu primeiro período, tem natureza predominantemente
argumentativa.

Comentários

Observe que o autor do texto exemplifica, no terceiro parágrafo, o


que ele abordou no primeiro período.

Esses exemplos são meios usados para ele fazer suas argumentações.

Portanto, a questão está correta.

Gabarito: CERTO

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Questão 65 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

(Texto para as questões 65 e 66)

Em um artigo publicado em 2000, e que fez muito sucesso na


Internet, Cristovam Buarque desenhava um idílico mundo futuro,
liberto das soberanias nacionais, em que tudo seria de todos. Se tudo
der certo no planeta (o que é discutível), quem sabe um dia, daqui a
mil ou dois mil anos, cheguemos lá. Como nada ainda deu certo no
planeta, a internacionalização só será aceitável quando se
cumprirem duas premissas. Primeira: que desapareçam os Estados
nacionais. Segunda: que os grupos, ou comunidades, ou sociedades

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que restarem mantenham entre si relações impecavelmente


equitativas. Quem sabe um dia...

Roberto Pompeu de Toledo. Amazônia: premissas para sua entrega. In: Veja,
28/5/2008 (com adaptações).

Julgue o seguinte item, a respeito da organização das ideias do


texto acima.

Mantém-se a correção gramatical do texto e respeitam-se suas


relações argumentativas ao se substituir "em que" (sublinhado no
texto) por onde.

Comentários

A questão está correta, porque o pronome relativo “(em) que” se


refere a “mundo”.

Observe que “mundo” é um local, e o pronome relativo “onde”


só pode ser usado quando o referente for local, lugar.

Dessa maneira, a questão está correta.

Gabarito: CERTO

Questão 66 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

Julgue o seguinte item, a respeito da organização das ideias do


texto acima.
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Mantêm-se a coerência de ideias e a correção gramatical do texto ao


se empregar o sinal indicativo de crase no "a", em "a
internacionalização" (em negrito no texto), situação em que esse
termo seria empregado como objeto direto preposicionado.

Comentários

O termo “a internacionalização” é sujeito, portanto não pode receber


preposição.

Item errado.

Gabarito: ERRADO

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Questão 67 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

Pode-se dizer que há complexidade onde quer que se produza um


emaranhamento de ações, de interações, de retroações. E esse
emaranhamento é tal que nem um computador poderia captar todos
os processos em curso. Mas há também outra complexidade que
provém da existência de fenômenos aleatórios (que não podem ser
determinados e que, empiricamente, agregam incerteza ao
pensamento). Pode-se dizer, no que concerne à complexidade, que há
um polo empírico e um polo lógico e que a complexidade aparece
quando há simultaneamente dificuldades empíricas e dificuldades
lógicas. Pascal disse há já três séculos: “Todas as coisas são ajudadas
e ajudantes, todas as coisas são mediatas e imediatas, e todas estão
ligadas entre si por um laço que conecta umas às outras, inclusive as
mais distanciadas. Nessas condições — agrega Pascal — considero
impossível conhecer o todo se não conheço as partes”. Esta é a
primeira complexidade: nada está isolado no Universo e tudo está em
relação.

Edgard Morin. Epistemologia da complexidade. In: Dora Fried Schnitman (Org.).


Novos paradigmas, cultura e subjetividade. Porto Alegre: Artmed, 1996, p. 274
(com adaptações)

Julgue o seguinte item, a respeito de redações alternativas


para termos e estruturas linguísticas do texto acima.

Reforça-se a ideia de possibilidade, coerente com a argumentação


desenvolvida no texto, e mantém-se sua correção gramatical, ao se
utilizar, em lugar de "Pode-se dizer" (sublinhado no texto), o tempo
verbal de futuro do pretérito, da seguinte forma: Poderia-se dizer.

Comentários
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A colocação do pronome, quando o verbo está no futuro do


presente ou no futuro do pretérito, é a mesóclise.

Na questão, para mantermos a correção gramatical, o certo é


"Poder-se-ia (futuro do pretérito) dizer."

Questão errada.

Gabarito: ERRADO

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Questão 68 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2004

Pesquisas realizadas em vários países mostram que a pobreza e a


violência atingem especialmente os mais jovens. No Brasil, de acordo
com o último censo demográfico, os adolescentes representam 12,5%
da população total. Quase 7% deles são analfabetos, mais de 15%
não frequentam a escola e apenas 33% cursam o ensino médio. Não
bastasse isso, cerca de oito milhões apresentam pelo menos três anos
de defasagem nos estudos e pertencem a famílias com renda mensal
per capita inferior a meio salário mínimo.

Premidos pela baixa renda familiar, mais de um milhão de


adolescentes entre 12 e 14 anos de idade estão submetidos à
exploração do trabalho infantil, ao passo que outros 3,2 milhões, com
idade entre 15 e 17 anos, já estão no mercado de trabalho. Via de
regra, os adolescentes executam atividades precárias e mal
remuneradas, cumprindo jornadas de trabalho excessivas, que os
impedem de concluir a educação básica, de ter acesso ao lazer e à
cultura, além de outras vivências próprias à idade.

Várias outras pesquisas revelam que, no Brasil, os jovens são mais


vítimas que algozes da violência. De um lado, o número de infratores
supera em pouco a casa dos vinte mil, o que representa 1% da
população total da faixa etária dos 12 aos 17 anos. Esses
adolescentes respondem por 10% das infrações praticadas no
território brasileiro. De outro lado, os assassinatos representam hoje
40,5% dos óbitos verificados entre os adolescentes em decorrência de
causas não naturais. Esse percentual reflete um aumento vertiginoso
da violência dirigida contra o jovem e creditada ao seu envolvimento
com drogas e à ineficácia do sistema penal brasileiro, que deixa
impunes os responsáveis pelas mortes.

Nesse panorama, surgem inúmeras propostas de alteração do


62456350391

ordenamento jurídico em vigor, seja para rebaixar o limite da


inimputabilidade penal, seja para aumentar o prazo máximo da
medida privativa de liberdade aplicável aos adolescentes que
cometem violência contra a pessoa. No entanto, é necessária uma
abordagem cuidadosa do tema, que deve ser analisado nos termos de
sua complexidade, sem a intervenção de posições apriorísticas ou
preconceituosas.

Cleide de Oliveira Lemos. “Reduzir a idade penal é a solução?” In: UnB Revista.
dez./2003-mar./2004, p. 16-9 (com adaptações).

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Com base nas ideias, na estrutura e na tipologia do texto ao


lado, julgue o item a seguir.

Deduz-se que, quanto à tipologia, o texto é dissertativo, por estar


redigido de forma expositiva e exemplificado com dados objetivos,
sem reiterados julgamentos dos fatos pela redatora.

Comentários

Quando um texto é expositivo, ele não possui argumentos, ou seja,


julgamentos dos fatos pela redatora.

Observe que os dados são objetivos e servem para


exemplificar a exposição da autora.

Assim, a questão está correta.

Vamos revisar?

DISSERTAÇÃO-ARGUMENTATIVA

Alguns autores subdividem a dissertação em argumentativa e


expositiva. Aqui, trabalharemos com a noção de dissertação-
argumentativa, pois a segunda espécie (dissertação-expositiva) será
tratada à parte com o nome de exposição.

A dissertação-argumentativa consiste na exposição de ideias a


respeito de um tema, com base em raciocínios e argumentações. Tem
por objetivo a defesa de um ponto de vista por meio da persuasão. A
coerência entre as ideias e a clareza na forma de expressão são
elementos fundamentais.

A estrutura lógica da dissertação consiste em: introdução (apresenta


o tema a ser discutido); desenvolvimento (expõe os argumentos e
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ideias sobre o tema, com fundamento em fatos, exemplos,


testemunhos e provas do que se pretende demonstrar); e conclusão
(faz o desfecho da redação, com a finalidade de reforçar a ideia
inicial).

A dissertação-argumentativa é o tipo predominante nos seguintes


gêneros textuais: redações de concursos, artigos de opinião, cartas de
leitor, discursos de defesa/acusação, resenhas, relatórios, textos
comerciais (publicitários), etc. É também o tipo mais utilizado pelas
bancas de concurso (sobretudo o CESPE) nos enunciados das
questões de português.

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DISSERTAÇÃO-EXPOSITIVA OU EXPOSIÇÃO

Na exposição (ou dissertação-expositiva), o objetivo do texto é passar


conhecimento para o leitor de maneira clara, imparcial e objetiva.

Nesse tipo textual, ao contrário da dissertação-argumentativa, não se


faz a defesa de uma ideia, pois não há intenção de convencer o leitor
nem criar debate.

Trabalha-se o assunto de maneira atemporal.

Gabarito: CERTO

Questão 69 – (CESPE) Analista Judiciário – STJ/2008

Em minha opinião, uma percepção ingênua dos fenômenos de


mercado, como a crença nos mercados perfeitos, fornece exatamente
o que seus críticos mais utilizam como munição nos momentos de
crise e descontinuidade. O argumento da suposta infalibilidade dos
mercados em bases científicas e a pretensão de transformar
economia e finanças em ciências exatas produzem uma perigosa
mistificação: confundir brilhantes construções mentais para entender
a realidade com a própria realidade. Os mercados não são perfeitos.
São, isto, sim, poderosos instrumentos de coordenação econômica em
busca permanente de eficiência. Mas são também o espelho de
nossos humores, refletindo nossa falibilidade nas avaliações. São
contaminados por excesso de otimismo e de pessimismo. São
humanos, demasiado humanos.

Paulo Guedes. Os mercados são demasiado humanos. In: Época, 21/7/2008 (com
adaptações)
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A partir da organização das ideias e das estruturas linguísticas


do texto acima, julgue o item subsequente.

Seria mantida a correção gramatical do trecho "Os mercados não são


perfeitos. São, isto, sim, poderosos" (sublinhado no texto), caso ele
fosse assim reescrito: Os mercados não são perfeitos; são, isto sim,
poderosos.

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Comentários

Observe que houve a substituição do ponto pelo sinal de ponto e


vírgula. Como as duas orações possuem uma conexão entre si,
podemos fazer a ligação entre as duas com o ponto e vírgula.

Assim, a questão está correta.

Vamos revisar?

Empregamos o ponto e vírgula para indicar uma pausa mais


prolongada que a da vírgula, mas menor que a do ponto. Seu
emprego não possui normas sistematizadas, entretanto obedecemos
às regras seguintes.

Trechos longos

Empregamos o ponto e vírgula em trechos longos (principalmente


orações coordenadas), nos quais já há vírgulas, para indicar uma
pausa mais prolongada.

Exemplo:

As mulheres do bairro deixaram suas casas para a reunião com as


conselheiras; algumas, entretanto, com receio de não conseguirem chegar,
começaram a andar mais rápido.

Contraste em orações coordenadas

Empregamos o ponto e vírgula para isolar orações coordenadas em


que queremos evidenciar certo contraste.

Exemplo:
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Muitos estudam; mas poucos conseguem passar no concurso desejado.

Enumeração

Empregamos o ponto e vírgula para separar os itens constantes de


uma enumeração.

Exemplo:

Na aula de hoje estudaremos o seguinte: pontuação; concordância; regência


e crase.

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Incisos

Empregamos o ponto e vírgula para separar os incisos de leis,


decretos, portarias, etc.

Exemplo:

Art. 3º Compete à União, entre outras atribuições de interesse da política


urbana:
I – legislar sobre normas gerais de direito urbanístico;
II – legislar sobre normas para a cooperação entre a União, os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios em relação à política urbana, tendo em vista
o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional;
III – promover, por iniciativa própria e em conjunto com os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, programas de construção de moradias e a
melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico;
IV – instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive
habitação, saneamento básico e transportes urbanos;
V – elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do
território e de desenvolvimento econômico e social.

Gabarito: CERTO

Esta, então, é nossa última aula. Espero que tenha aproveitado o


curso e adquirido bastante conhecimento.
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Desejo a você um excelente resultado no concurso!


Boa sorte!
Estarei torcendo muito.

Um grande abraço,
Professora Ludimila

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