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Aula 02

Questões Comentadas de Português - CESPE - p/ TRE-MT (todos os cargos)

Professor: Ludimila Lamounier


Português para o TRE/MT Analista e Técnico
Profª Ludimila Lamounier

AULA 02 – LÍNGUA PORTUGUESA

SUMÁRIO PÁGINA
Lista de Questões 02 – 37
Gabarito 38 – 39
Questões Comentadas 40 – 132
Classes de Palavras: um pouco de teoria 133 - 148

Olá, amigos do Estratégia Concursos, tudo bem?

Estou de volta para mais uma aula: Aula 02 do curso de Questões de


Língua Portuguesa para o concurso do Tribunal Regional Eleitoral
de Mato Grosso – Analista e Técnico Judiciário.

Então, como estão os estudos?

Vamos começar a nossa aula de hoje?

Esta aula trata de: emprego e função das classes de palavras.

Precisamos de muita dedicação para enfrentar nossos desafios, não é


mesmo?

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LISTA DE QUESTÕES

Questão 01 – (CESPE) Inspetor – PC-CE/2012

(Adaptada)

(Texto para as questões 01 e 02.)

Muitos acreditam que chegamos à velhice do Estado nacional. Desde 1945, dizem, sua
soberania foi ultrapassada pelas redes transnacionais de poder, especialmente as do
capitalismo global e da cultura pós-moderna. Alguns pós-modernistas levam mais longe a
argumentação, afirmando que isso põe em risco a certeza e a racionalidade da civilização
moderna, entre cujos esteios principais se insere a noção segura e unidimensional de
soberania política absoluta, inserida no conceito de Estado nacional. No coração histórico
da sociedade moderna, a Comunidade Europeia (CE) supranacional parece dar especial
crédito à tese de que a soberania político-nacional vem fragmentando-se. Ali, tem-se às
vezes anunciado a morte efetiva do Estado nacional, embora, para essa visão, uma
aposentadoria oportuna talvez fosse a metáfora mais adequada. O cientista político
Phillippe Schmitter argumentou que, embora a situação europeia seja singular, seu
progresso para além do Estado nacional tem uma pertinência mais genérica, pois “o
contexto contemporâneo favorece sistematicamente a transformação dos Estados em
confederatii, condominii ou federatii, numa variedade de contextos”.

É verdade que a CE vem desenvolvendo novas formas políticas, que trazem à memória
algumas formas mais antigas, como lembra o latim usado por Schmitter. Estas nos
obrigam a rever nossas ideias do que devem ser os Estados contemporâneos e suas
inter-relações. De fato, nos últimos anos, assistimos a reversões neoliberais e
transnacionais de alguns poderes de Estados nacionais. No entanto, alguns de seus
poderes continuam a crescer. Ao longo desse mesmo período recente, os Estados
regularam cada vez mais as esferas privadas íntimas do ciclo de vida e da família. A
regulamentação estatal das relações entre homens e mulheres, da violência familiar, do
cuidado com os filhos, do aborto e de hábitos pessoais que costumavam ser considerados
particulares, como o fumo, continua a crescer. A política estatal de proteção ao
consumidor e ao meio ambiente continua a proliferar. Tudo indica que o enfraquecimento
do Estado nacional da Europa Ocidental é ligeiro, desigual e singular. Em partes do
mundo menos desenvolvido, alguns aspirantes a Estados nacionais também estão
fraquejando, mas por razões diferentes, essencialmente “pré-modernas”. Na maior parte
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do mundo, os Estados nacionais continuam a amadurecer ou, pelo menos, estão


tentando fazê-lo. A Europa não é o futuro do mundo. Os Estados do mundo são
numerosos e continuam variados, tanto em suas estruturas atuais quanto em suas
trajetórias.

Michael Mann. Estados nacionais na Europa e noutros continentes: diversificar, desenvolver, não
morrer. In: Gopal Balakrishnan. Um mapa da questão nacional. Vera Ribeiro (Trad.). Rio de
Janeiro: Contraponto, 2000, p. 311-4 (com adaptações).

Considerando as relações de sentido e as estruturas linguísticas do texto, julgue


o seguinte item.

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Os substantivos “velhice” e “tese” estão empregados no texto de forma indefinida e com


sentido genérico. (palavras em negrito no texto).

Questão 02 – (CESPE) Inspetor – PC-CE/2012

(Adaptada)

Julgue o seguinte item.

O conector “pois” (em negrito no texto) introduz ideia de consequência no trecho em que
ocorre.

Questão 03 – (CESPE) Agente Administrativo – UEPA/2008

(Adaptada)

Onde mais?

A gente não se dá conta, mas existe um outro vício (eu diria: vírus) de linguagem
infectando indiscriminadamente brasileiros de todas as idades, sexos e estratos sociais.

Falo do insidioso “onde”. Sim: insidioso. À primeira vista, “onde” parece uma palavra
inocente e inofensiva. Mas, sem fazer alarde, o danado do “onde” foi se imiscuindo na
nossa vida, invadindo frases que não lhe dizem respeito e diminuindo consideravelmente
as oportunidades de emprego para palavras honestas como “que”, “o qual” e “das quais”.

Todos os momentos em que deveríamos usar “em que”, muitas situações nas quais
antigamente se usava “nas quais” e uma série de casos “onde” pedem nada além de um
simples “que”, de repente, viraram momentos “onde”, situações “onde” e casos “onde”.
Casos “onde”?!!

Esse maldito “onde” é ainda mais perigoso, porque, na maioria das vezes, a gente nem
nota que ele está ali, apodrecendo uma frase inteira. Tem vezes “onde” a gente
consegue perceber, mas existem construções mais elaboradas “onde” até os ouvidos
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mais sensíveis acabam engambelados.

É diferente do irritante “com certeza”, que tem uma melancia pendurada no pescoço e
não esquece de se anunciar a cada aparição. Não é como a praga do gerundismo, que
sempre vai estar chamando a atenção de todos os que não suportam estar ouvindo quem
insiste em estar falando desse jeito. O “onde”, não. O “onde” é discreto. Vai chegar um
momento “onde” você e eu vamos passar a falar assim e vamos achar normal.

Confesso que eu não tinha me dado conta do problema até conversar com o professor
Eduardo Martins em seu programa na Rádio Eldorado, o “De palavra em palavra”.
(Parênteses. Sim, existe ALGUÉM nesse país que leva “Xongas” a sério. E esse alguém é
ninguém menos que o professor Eduardo Martins. Não, leitor, você não precisa mais ler
“Xongas” escondido, ou fingindo que está com os olhos no resto da página. O Eduardo
Martins também lê! — obrigadíssimo pela audiência, Professor.) Depois do programa do

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professor Eduardo, vi o assunto sendo discutido no programa de TV do professor


Pasquale, e ainda recebi várias newsletters pela Internet que tocavam no problema do
“onde”. Ou seja: os estudiosos já estão há muito tempo cientes do problema. Agora é
preciso envolver o resto da população no combate a essa epidemia. Aliás, aqui vai uma
sugestão à produção da próxima “Casa dos Artistas”: vamos fazer da Tiazinha, da
Feiticeira e dos Gêmeos os garotos-propaganda de uma campanha pela erradicação do
“com certeza”, do “eu vou estar transferindo a sua ligação” e do “tem casos onde”. O
absurdo maior é que o “onde” está deixando de ser usado justamente nos momentos em
que deveria, ou seja, quando é relativo a lugares.

Quase ninguém mais diz “o lugar onde nasci” ou “as cidades onde morei”. Agora é o
lugar “que” eu nasci, as cidades “que” eu morei. Se essa troca de função entre o “onde”
e o “que” for mais longe, aonde (a quê?) vamos parar? Já pensou? Em vez de “a mulher
que eu amo”, você vai dizer “a mulher onde eu amo”. (Às vezes as duas coisas
coincidem, mas outras vezes o objeto do desejo está inacessível ou com enxaqueca.)
Mas o pior vai ser quando “por que” virar “por onde”. “Por que você não foi?” vai virar
“Por onde você não foi?”, o que vai suscitar múltiplas interpretações.

Além do que (do onde?), aprender de novo quando o poronde é junto, quando o por
onde é separado e quando o porônde leva acento vai ser complicado demais nessa idade.

Ricardo Freire. Época, 25/12/2001 (com adaptações)

Assinale a opção correta quanto à classificação das palavras ou expressões do


texto. (palavras e expressões em negrito no texto)

a) “Xongas” — substantivo próprio, concreto e simples

b) “Casa dos Artistas” — substantivo próprio, abstrato e composto

c) “Tiazinha” — substantivo comum, concreto e composto

d) ”garotos-propaganda” — substantivo próprio, concreto e composto

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Questão 04 – (CESPE) Nível Superior – TRE-BA/2011

(Adaptada)

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1904.

Meu caro Paz, Obrigado pelas tuas palavras e pelo teu abraço. Ainda que de longe, senti-
lhes o afeto antigo, tão necessário nesta minha desgraça. Não sei se resistirei muito.
Fomos casados durante 35 anos, uma existência inteira; por isso, se a solidão me abate,
não é a solidão em si mesma, é a falta da minha velha e querida mulher. Obrigado. Até
breve, segundo me anuncias, e oxalá concluas a viagem sem as contrariedades a que
aludes. Abraça-te o velho amigo Machado de Assis.

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Machado de Assis. Obra completa. vol. 3. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 1.072 (com
adaptações).

Considerando o texto acima, que apresenta uma comunicação particular, julgue


o item seguinte.

Em “oxalá concluas a viagem” (em negrito no texto), o vocábulo “oxalá” pode ser
substituído por tomara que, mantendo-se, assim, o sentido do trecho em que se insere.

Questão 05 – (CESPE) Analista Judiciário – STM/2011

(Adaptada)

Um embate entre instituições de ensino superior, editoras e autores é travado há anos.


Com o argumento de que livros são caros e muitas vezes apenas um capítulo é
necessário para o curso, alunos e professores lançam mão de cópias de partes de
publicações ou de apostilas para economizar. O debate voltou à tona após policiais da
Delegacia Antipirataria apreenderem, no mês passado, mais de duzentas pastas com
textos para serem reproduzidos em uma universidade do Rio de Janeiro, sob a alegação
de crime de 10 direitos autorais. O operador da máquina foi detido, e a universidade,
indignada, criou normas para regulamentar as cópias dentro de seus estabelecimentos.
Uma alternativa legal, porém, existe há quatro anos, mas só agora começa a ser
efetivada em algumas universidades: a venda de capítulos avulsos.

Luciani Gomes. In: IstoÉ, 6/10/2010 (com adaptações)

A inserção do artigo definido plural “os” imediatamente antes da palavra


policiais (em negrito no texto) não alteraria o sentido original do período.

Questão 06 – (CESPE) Agente Administrativo – PF/2012


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(Adaptada)

O novo regime automotivo anunciado pelo governo federal incorpora algumas boas
práticas de política industrial, como o incentivo à inovação, à eficiência energética e ao
fortalecimento da cadeia de produção local — mas com a clara intenção de não privilegiar
acintosamente a indústria nacional, para evitar questionamentos na Organização Mundial
do Comércio.

A nova política condiciona a isenção da alíquota adicional de 30% no imposto sobre


produtos industrializados a contrapartidas mensuráveis das empresas. Para obter
benefícios maiores, será obrigatório cumprir metas múltiplas. Exige-se, por exemplo,
investimento crescente em pesquisa e desenvolvimento, até atingir 0,5% da receita

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líquida entre 2015 e 2017, além de 1% para engenharia, tecnologia industrial básica e
capacitação de fornecedores.

Não se fala mais em percentual mínimo de conteúdo nacional, mas as montadoras terão
de realizar no Brasil ao menos seis de doze etapas fabris já em 2013. Outro requisito
fundamental é a economia de combustível, com o objetivo de alinhar a produção às
exigências de países líderes, como os da Europa. A marca de 17,3 km/L para os
automóveis novos — uma redução de 12% do consumo atual — precisará ser atingida
até 2017.

Editorial, Folha de S. Paulo, 5/10/2012 (com adaptações)

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item


que se segue.

Em “a isenção” (em negrito no texto) e em “a contrapartidas” (em negrito no texto), o


termo “a”, em ambas as ocorrências, pertence à mesma classe gramatical.

Questão 07 – (CESPE) Agente de Polícia Federal – PF/2012

Imagine que um poder absoluto ou um texto sagrado declarem que quem roubar ou
assaltar será enforcado (ou terá a mão cortada). Nesse caso, puxar a corda, afiar a faca
ou assistir à execução seria simples, pois a responsabilidade moral do veredicto não
estaria conosco. Nas sociedades tradicionais, em que a punição é decidida por uma
autoridade superior a todos, as execuções podem ser públicas: a coletividade festeja o
soberano que se encarregou da justiça — que alívio!

A coisa é mais complicada na modernidade, em que os cidadãos comuns (como você e


eu) são a fonte de toda autoridade jurídica e moral. Hoje, no mundo ocidental, se alguém
é executado, o braço que mata é, em última instância, o dos cidadãos — o nosso. Mesmo
que o condenado seja indiscutivelmente culpado, pairam mil dúvidas. Matar um
condenado à morte não é mais uma festa, pois é difícil celebrar 16 o triunfo de uma
moral tecida de perplexidade. As execuções acontecem em lugares fechados, diante de
poucas testemunhas: há uma espécie de vergonha. Essa discrição é apresentada como
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um progresso: os povos civilizados não executam seus condenados nas praças. Mas o
dito progresso é, de fato, um corolário da incerteza ética de nossa cultura.

Reprimimos em nós desejos e fantasias que nos parecem ameaçar o convívio social.
Logo, frustrados, zelamos pela prisão daqueles que não se impõem as mesmas
renúncias. Mas a coisa muda quando a pena é radical, pois há o risco de que a morte do
culpado sirva para nos dar a ilusão de liquidar, com ela, o que há de pior em nós. Nesse
caso, a execução do condenado é usada para limpar nossa alma. Em geral, a justiça
sumária é isto: uma pressa em suprimir desejos inconfessáveis de quem faz justiça.
Como psicanalista, apenas gostaria que a morte dos culpados não servisse para exorcizar
nossas piores fantasias — isso, sobretudo, porque o exorcismo seria ilusório. Contudo é
possível que haja crimes hediondos nos quais não reconhecemos nada de nossos desejos
reprimidos.

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Contardo Calligaris. Terra de ninguém – 101 crônicas. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 94-6 (com
adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o


item.

De acordo com o texto, nas sociedades tradicionais, os cidadãos sentem-se aliviados


sempre que um soberano decide infligir a pena de morte a um infrator porque se
livram das ameaças de quem desrespeita a moral que rege o convívio social, como
evidencia o emprego da interjeição “que alívio!” (sublinhada no texto).

Questão 08 – (CESPE) Técnico de Geociências – CPRM/2013

Apesar de certa retenção em 2012, o valor da maioria dos metais tende a continuar em
alta. Em seu último boletim com previsões para o preço de commodities, divulgado em
janeiro, o Banco Mundial estima o aumento das cotações de seis metais até 2025
(alumínio, ferro, chumbo, zinco, estanho e níquel). Só o cobre e os preciosos (ouro, prata
e platina) devem baratear um pouco, mas nada que os devolva aos níveis das décadas
de 80 e 90 do século passado.

Qual a explicação para a reviravolta ocorrida no mercado dos metais? “À medida que as
nações ao redor do mundo se industrializam e as populações se esforçam para melhorar
seus padrões de vida, a mineração vem para assumir um papel mais central no cenário
mundial”, é afirmado em um relatório de 2012 da Deloitte, uma das maiores consultorias
globais.

Em outras palavras, o crescimento dos países emergentes, liderado pela China,


esquentou a compra de metais, que estão por toda a parte. O ferro vira o aço que fabrica
máquinas, tratores, carros. O cobre é ótimo condutor de eletricidade (a geração de
energia segue a industrialização) e matéria-prima de tubos de prédios e casas. A platina,
além do uso tradicional como joia, serve para refinar petróleo, outro produto cuja
procura cresce em ciclos de desenvolvimento.

Internet: (com adaptações).


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Com relação aos sentidos e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


item que se segue.

Feitas as necessárias alterações na grafia das palavras, o deslocamento do vocábulo


“certa” (sublinhado) para logo após o substantivo a que se refere manteria a correção
gramatical e o sentido original do texto.

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Questão 09 – (CESPE) Redator – FUB/2009

O ano de 1964 representou para a Universidade de Brasília o maior retrocesso que pôde
existir na história do ensino superior no Brasil. No meu entender, foi um verdadeiro
aborto na história da ciência, pois aqui se perdeu o que existia de melhor em
conhecimento científico e intelectual deste país. Digo isso porque presenciei os fatos
daquela época. Destruíram, aqui, o ninho dos homens-águias. Desapareceram os
grandes personagens, que foram a verdadeira história da UnB. Restaram apenas mágoas
e ressentimentos, medo e desconfiança, um sentimento de desgosto e de tristeza no
meio de toda aquela gente se evadindo ou assistindo com pavor à violência e à
desmoralização de seus colegas e familiares sem que nada se pudesse fazer. Por isso
afirmo e considero que aqui a história ficou interrompida.

Entre prisões e renúncias ao cargo, a Universidade perdeu os melhores professores


escolhidos pelo reitor Darcy Ribeiro. Até aquela data, o que existia de melhor em matéria
19 de ensino estava na Universidade de Brasília.

Sebastião Varela. UnB 30 anos de história, pioneirismo, resistência, homens e fatos. In: UnB 30
anos. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1992, p. 146-7 (com adaptações).

Com relação aos aspectos semânticos e gramaticais do texto,


julgue o item que se segue.

O substantivo composto “homens-águias” (sublinhado no texto) refere-se aos


militares da tropa de choque que invadiram a UnB.

Questão 10 – (CESPE) Técnico de Operação de Redes – SERPRO/2008

Em princípio, a ansiedade não é doença, e sim uma resposta natural do organismo a


situações que geram grande tensão física e psicológica. Longe de representar uma
ameaça, bem dosada, ela funciona como um importante mecanismo de proteção. “A
ansiedade é um sinal de alerta que adverte sobre os eventuais perigos e nos mobiliza a
tomar as medidas necessárias para enfrentá-los”, explica a psicóloga Ana Maria Rossi.
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Um exemplo? Não fossem as constantes inquietações quanto à saúde do bebê, é bem


provável que a gestante viesse a ignorar a necessidade de adotar medidas preventivas
fundamentais ao seu bem-estar e ao da criança, tais como fazer pré-natal, cuidar da
alimentação, evitar esforços físicos, banir cigarro e álcool etc. Isso significa que doses
moderadas de apreensão e vigilância — reações típicas da ansiedade — são saudáveis e
não devem vir acompanhadas de culpa.

Os sintomas de ansiedade são muitos. Podem incluir tristeza, irritação, cansaço,


taquicardia, náusea, enjôo, tensão muscular, ganho de peso, entre outros. “Estar
submetida a fatores de estresse cotidianos não representa necessariamente um perigo
para a gravidez; tudo vai depender de como a mulher reage”, afirma a obstetra Cristiane
Fadel, de São Paulo.

Internet: (com adaptações)

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A partir das ideias e das estruturas do texto acima, julgue o item.

São adjetivos compostos os vocábulos “bem-estar” e “pré-natal” (sublinhados no


texto).

Questão 11 – (CESPE) Analista Judiciário – TRE-AP/2007

(Adaptada)

(Texto para as questões 11 e 12)

Governo federal assenta 381 mil famílias em quatro anos

O governo federal assentou 381.419 famílias nos últimos quatro anos, em um total de
quase 31,7 milhões de hectares. Os números mostram o melhor desempenho do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) nos 36 anos de existência
do órgão, considerando-se a área destinada à reforma agrária e o número de famílias
assentadas.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a média anual de famílias assentadas


nos últimos quatro anos é de 95.355. Só no ano passado foram assentadas 136.358
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famílias. O aumento de recursos destinados à obtenção de terras foi expressivo: passou


de R$ 409 milhões em 2003 para R$ 1,37 bilhão em 2006, o que permitiu o cumprimento
das metas de assentamento definidas no II Plano Nacional de Reforma Agrária (II PNRA).
No total, em quatro anos, foram aplicados R$ 4,1 bilhões na obtenção de terras.

Nesse período foram implantados 2.343 projetos de assentamento (PA). A criação de um


PA é uma das etapas do processo da reforma agrária. Quando uma família de trabalhador
rural é assentada, recebe um lote de terra para morar e produzir dentro do chamado
assentamento rural. A partir da sua instalação na terra, essa família passa a ser
beneficiária da reforma agrária, recebendo créditos de apoio (para compra de
maquinários e sementes) e melhorias na infra-estrutura (energia elétrica, moradia, água
etc.), 13 para se estabelecer e iniciar a produção. O valor dos créditos para apoio à
instalação dos assentados aumentou. Os montantes investidos passaram de R$ 191
milhões em 2003 para R$ 871,6 milhões, empenhados em 2006.

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Também a partir do assentamento, essa família passa a participar de uma série de


programas que são desenvolvidos pelo governo federal. Além de promover a geração de
renda das famílias de trabalhadores rurais, os assentamentos da reforma agrária
também contribuem para inibir a grilagem de terras públicas, combater a violência no
campo e auxiliar na preservação do meio ambiente e da biodiversidade local,
especialmente na região Norte do país.

Na qualificação dos assentamentos, foram investidos R$ 2 bilhões em quatro anos. Os


recursos foram aplicados na construção de estradas, na educação e na oferta de luz
elétrica, entre outros benefícios. O governo também construiu ou reformou mais de 32
mil quilômetros de estradas e pontes, beneficiando diretamente 197 mil assentados.
Além disso, o número de famílias assentadas beneficiadas com assistência técnica
cresceu significativamente. Em 2006, esse número foi superior a 555 mil.

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), que garante o acesso


à educação entre os trabalhadores rurais, promoveu, mediante convênios com
instituições de ensino, a realização de 141 cursos. Com o programa Luz Para Todos —
parceria do Ministério do Desenvolvimento Agrário, INCRA e Ministério das Minas e
Energia —, os assentamentos também ganharam luz elétrica. Mais de 132 mil famílias
em 2,3 mil assentamentos já foram beneficiadas com o programa.

O fortalecimento institucional do INCRA, com a realização de dois concursos públicos, e o


aumento no número de 28 superintendências e sua modernização tecnológica também
foram algumas das ações realizadas no período. Foram nomeados 1.300 servidores
aprovados no concurso realizado em 2005. Somado aos nomeados desde 2003, o
número de novos servidores passou para 1.800, o que representa um aumento de mais
de 40% na força de trabalho do Instituto.

Em questão, n.º 481, Brasília, 14/2/2007 (com adaptações).

Considerando o texto, julgue o item com referência ao emprego das classes


de palavras.

Referem-se todas a substantivos próprios as seguintes siglas empregadas no texto: PA,


PNRA, INCRA e PRONERA.

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Questão 12 – (CESPE) Analista Judiciário – TRE-AP/2007

Considerando o texto, julgue o item com referência ao emprego das classes


de palavras.

Estão empregadas em função adjetiva as seguintes palavras do texto: “investidos”


(sublinhada no texto), “aplicados” (sublinhada no texto), “beneficiando” (sublinhada no
texto) e “assentados” (sublinhada no texto).

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Questão 13 – (CESPE) Analista Judiciário – TRT 1ª Região-RJ/2008

(Adaptada)

Julgue o item a seguir.

A flexão de plural da palavra "mão-de-obra" corresponde a mãos-de-obras, ou seja,


utiliza-se o mesmo processo de flexão de plural utilizado no substantivo "bóias-frias".

Questão 14 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2005

circum-lóquio

(pur troppo non allegro)

sobre o neoliberalismo terceiro-mundista

7.

o neoliberal

sonha um admirável

mundo fixo

de argentários e multinacionais

terratenentes terrapotentes

coronéis políticos

milenaristas (cooptados) do

perpétuo
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status quo:

um mundo privé

palácio de cristal

à prova de balas:

bunker blau

durando para sempre – festa

estática

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(ainda que sustente sobre

fictas

palafitas

e estas sobre uma lata

de lixo)

Haroldo de Campos. Poema inédito. In: Folha de S. Paulo, 12/6/1998.

Com base na análise do vocabulário da estrofe transcrita no texto, julgue (C


ou E) o item a seguir.

Nos versos sublinhados no texto, “sonha um admirável / mundo fixo”, a posição dos
adjetivos que modificam o substantivo “mundo” é evidência de que a ordem das
palavras na oração diz respeito à sintaxe e também à semântica. Caso se alterasse a
ordem (sonha um mundo / admirável fixo), haveria significativa mudança de sentido.

Questão 15 – (CESPE) Perito Criminal – Polícia Federal/2004

A polêmica sobre o porte de armas pela população não tem consenso nem mesmo dentro
da esfera jurídica, na qual há vários entendimentos como: “o cidadão tem direito a reagir
em legítima defesa e não pode ter cerceado seu acesso aos instrumentos de defesa”, ou
“a utilização da força é direito exclusivo do Estado” ou “o armamento da população
mostra que o Estado é incapaz de garantir a segurança pública”. Independente de quão
caloroso seja o debate, as estatísticas estão corretas: mais armas potencializam a
ocorrência de crimes, sobretudo em um ambiente em que essas sejam obtidas por meios
clandestinos. A partir daí, qualquer fato corriqueiro pode tornar-se letal. O porte de arma
pelo cidadão pode dar uma falsa sensação de segurança, mas na realidade é o caminho
mais curto para os registros de assaltos com morte de seu portador.

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Internet:. Acesso em 28/9/2004 (com adaptações)

A respeito do texto, julgue o item a seguir.

No período de que faz parte, o termo “Independente” (sublinhado no texto) exerce a


função de adjetivo e está no singular porque se refere a “debate” (sublinhado no
texto).

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Questão 16 – (CESPE) Engenheiro Civil – Polícia Federal/2004

Há três situações inéditas na presente conjuntura mundial. Primeiro, os Estados Unidos


da América nunca travaram uma guerra no seu território, nunca foram alvo de ataques,
se levarmos em conta que o Havaí é um território extracontinental e com poucas
características norte-americanas. O coração do país foi atingido. O segundo fato inédito é
a guerra contra o terror. Na verdade não há uma guerra no sentido substantivo da
palavra. Ela é adjetiva, quer dizer, está acontecendo: há um longo conflito, não uma
longa guerra. Terceiro, é inédita a condução do conflito. Do final de setembro aos
primeiros dias de outubro, ficou muito claro que estamos assistindo a algo absolutamente
novo e fantástico: o surgimento de uma entidade governante anglo-saxã. Não é mais o
governo norte-americano que faz a guerra: são os governos britânico e norte-americano.

Francisco Carlos T. da Silva. O mundo mudou? Ciência Hoje, nov./2003 (com adaptações).

Com relação ao texto acima, julgue o seguinte item.

A palavra “guerra” (sublinhado no texto) está associada a um sentido substantivo de


“longo conflito” (sublinhado no texto) e a um sentido adjetivo, que deixa
subentender um curto conflito.

Questão 17 – (CESPE) Técnico Judiciário - Telecomunicações e Eletricidade -


STJ/2012

A um coronel que se queixava da vida de quartel, um jornalista disse:

- E o senhor não sabe como é chato militar na pesquisa.

Sírio Possenti. Os humores da língua. São Paulo: Mercado de Letras, 1998, p. 86.

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do trecho acima, julgue o item
a seguir. 62456350391

Na construção do sentido do texto, destaca-se a ambiguidade do vocábulo “militar”, que,


no contexto em que aparece, pode ser classificado ora como substantivo, ora como
verbo.

Questão 18 – (CESPE) Professor Língua Portuguesa – SEDUC-AM/2011

À medida que os meses passavam, foi tomando horror à expressão “funcionário público
aposentado”, que lhe cheirava a atestado de óbito.

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Ia dar início a profundas modificações em sua pessoa. Começaria pelos trajes: roupa
clara, moderna, não mais aqueles ternos escuros cobrindo a eventual austeridade. Seu
físico de homem empinado e enxuto não parecia de todo desagradável. Entraria como
sócio para algum clube; e, se encontrasse um professor discreto, talvez aprendesse a
dançar.

Essas providências seriam a sua toalete exterior para a nova fase da vida.

Semanas depois, aliviado do colarinho duro, era visto pelas ruas em trajes mais leves,
sorrindo forçado para os conhecidos.

Tornou-se sócio de um clube da Lagoa. Sozinho, porém, nunca punha os pés lá, até que
um dia se fez acompanhar pelo Lulu, bom atleta e péssimo funcionário, que o
apresentara como “velho servidor do Estado” às principais beldades do bairro. Como
dialogar com elas? Não conhecia futebol nem equitação, não sabia jogar baralho, não
guardava nomes de artistas de cinema, ignorava os escândalos da sociedade.

Tentou manter conversa, não conseguiu. Parecia-lhe que zombavam dele. Se algumas
moças lhe dirigiam a palavra era como se lhe atirassem esmola. Acabou a noite só e
triste, agarrado ao seu copo de uísque. Quase nunca provava essa bebida; achava-a até
ruim. Como fazia parte do rito social, não custava virar o copo. Deixou o Lulu com as
moças, e saiu fazendo uma careta. “Velho servidor do Estado...”

O farol dos automóveis apagava nas águas da Lagoa o reflexo das últimas estrelas. Um
casal abraçava-se debaixo de uma amendoeira. Sentiu-se mais só. A vida era para os
outros. Antes tivesse algum processo a informar; estaria ocupado em alguma cousa.
Não! Um começo de soluço contraiu-lhe a garganta. Chamou um táxi.

Aníbal Machado. Viagem aos seios de Duília. In: Os cem melhores contos brasileiros do século. Rio
de Janeiro: Objetiva, 2000, p. 111 (com adaptações)

Com referência a palavras e expressões empregadas no texto, julgue o próximo


item.

O termo “velho” (sublinhado no texto) constitui exemplo de adjetivo cujo sentido é


alterado conforme a posição em relação ao substantivo que modifica no sintagma —
velho servidor / servidor velho.
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Questão 19 – (CESPE) Delegado de Polícia – PC-AL/2012

O filme Branca de Neve e o Caçador deveria chamar-se “Ravenna, a rainha má”.


Interpretada pela atriz Charlize Theron, a mãe-madrasta-bruxa da princesa é o mais
interessante do filme, assim como as questões tão atuais que ela nos traz. E a bela
Charlize faz uma rainha inesquecível. Para não envelhecer, essa vilã dos contos de fadas
ultrapassa todos os limites e quebra todos os interditos. Uma mulher da era a.CP (antes
da cirurgia plástica), Ravenna suga a alma, a juventude e a beleza das adolescentes e
devora corações puros, que arranca com suas unhas, enquanto chafurda na amargura. O
filme, para quem não sabe e não viu, busca resgatar o conteúdo terrorífico das origens
dos contos de fadas. Tudo o que hoje se conhece com esse nome foi um dia histórias

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para adultos, nas quais canibalismo e incesto eram ingredientes garantidos. Mantidas
vivas pela tradição oral dos camponeses medievais, as histórias eram contadas para
entreter, mas não só. Os contos nasceram e permaneceram como uma forma de lidar
com os riscos da vida real, em um tempo em que os lobos uivavam do lado de fora e
também do lado de dentro, menos contidos pela cultura do que hoje. Depois, a partir do
final do século XVII, com Charles Perrault, culminando no século XIX, com os Irmãos
Grimm, os contos foram compilados, escritos e depurados como histórias para crianças.
Nós, que nascemos no século XX, fomos alimentados por versões muito mais suaves e
palatáveis a uma época sensível, em que os pequenos são vistos como o receptáculo
tanto da inocência quanto do futuro, que, portanto, precisam ser protegidos dos males
do mundo e de seus semelhantes, assim como convencidos de que sua “natureza” é boa
e pura. Ainda que conheçamos, por experiência própria, que o pior também nos habita
desde muito, muito cedo. E seria melhor para todos — e também para a vida em
sociedade — poder olhar para ele de frente.

Eliane Brum. Internet: (com adaptações).

Com referência ao texto antecedente, julgue o item a seguir.

A preposição “Para” (sublinhada no texto), que expressa uma ideia de finalidade, poderia
ser corretamente substituída por Com o intuito de ou por A fim de.

Questão 20 – (CESPE) Auditor de Controle Externo – TCE-ES/2012

Leis anticorrupção não andam

O Brasil é signatário de pelo menos quatro convenções internacionais que tratam do


combate à corrupção. No entanto, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas,
desperdiça cerca de R$ 7 bilhões por ano com a perda de produtividade provocada por
fraudes públicas, além de figurar entre os principais países onde a corrupção é um
empecilho para o crescimento. De acordo com a organização não governamental
Transparência Internacional, o país ocupa a 73.ª posição no quesito corrupção, entre
182 países. Um dos motivos apontados por especialistas para esse mau desempenho é a
falta de leis mais rígidas. Um levantamento da Frente Parlamentar Mista de Combate à
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Corrupção revela que aprová-las não tem sido prioridade do Congresso Nacional. A
pesquisa mostra que, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, tramitam 139
projetos de lei que tratam, em algum ponto, do enfrentamento da corrupção. A maior
parte impõe punições mais rigorosas para os corruptos, como o aumento de penas, a
ampliação de prazos de prescrição e o enquadramento dos ilícitos ligados à corrupção em
crimes hediondos e inafiançáveis. No entanto, as propostas estão paradas em comissões
e no plenário à espera de um empurrão. Pelo menos dez projetos aguardam votação há
mais de uma década.

Correio Braziliense, 19/9/2012, p. 6 (com adaptações)

Em relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item que se


segue.

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Se o numeral ordinal “73.ª” (em negrito no texto) fosse escrito por extenso, a forma
correta seria: seteptuagésima terceira.

Questão 21 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2013

Conta Darcy Ribeiro (1996) que, entre os índios Urubu-Kaapor, a Cobra Grande engolia
muita gente e precisou ser morta. “Antes de morrer, teve um sobressalto. Se levantou,
subiu e foi bater no céu. Ficou lá a sombra dela. É a Via Láctea, que até hoje a gente vê.
Depois, caiu lá de cima, com grande barulho. Veio bater no chão, acabou com a mata
toda naquele lugar; só deixou um buraco. Agora é o mar Paraná- Ramiú.” Darcy, com o
jeito que lhe era característico, exclama: “Não é uma beleza? Aqui, o sangue de uma
Cobra gigantesca deu origem à Via Láctea e ao Avô-Mar!”

Lux Vidal. A Cobra Grande: uma introdução à cosmologia dos povos indígenas do Uaçá e Baixo
Oiapoque – Amapá. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 2009, p. 28-30 (com adaptações)., p. 35 (com
adaptações)

Julgue (C ou E) o item seguinte, relativo a aspectos gramaticais do texto acima.

A oração ‘Não é uma beleza?’ expressa uma pergunta retórica que corresponde à frase
exclamativa É uma beleza!, sendo o advérbio de negação empregado como termo de
realce na sentença interrogativa.

Questão 22 – (CESPE) Oficial da Polícia Militar – PM-CE/2013

Entenda para que serve mandar um jipe-robô para Marte

Quem diria? A velha e dilapidada NASA, que nem possui mais meios próprios de mandar
pessoas para o espaço, acaba de mostrar que ainda tem espírito épico.

A prova é o pouso perfeito do jipe-robô Curiosity em uma cratera de Marte


recentemente. A saga de verdade começa agora, contudo. O Curiosity é, disparado, o
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artefato mais complexo que terráqueos já conseguiram botar no chão de outro planeta.
Com dezessete câmeras, é a primeira sonda interplanetária capaz de fazer imagens em
alta definição. Pode percorrer até dois quilômetros por dia.

Trata-se de um laboratório sobre rodas, equipado, entre outras coisas, com canhão laser
para pulverizar pedaços de rocha e sistemas que medem parâmetros do clima marciano,
como velocidade do vento, temperatura e umidade... A lista é grande. Tudo para tentar
determinar se, afinal de contas, Marte já foi hospitaleiro para formas de vida – ou
quem sabe até ainda o seja.

Hoje se sabe que o subsolo marciano, em especial nas calotas polares, abriga enorme
quantidade de água congelada. E há pistas de que água salgada pode escorrer pela
superfície do planeta durante o verão marciano, quando, em certos lugares, a
temperatura fica entre –25 oC e 25 oC.

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Mesmo na melhor das hipóteses, são condições não muito amigáveis para a vida como a
conhecemos. Mas os cientistas têm dois motivos para não serem tão pessimistas, ambos
baseados no que se conhece a respeito dos seres vivos na própria Terra.

O primeiro é que a vida parece ser um fenômeno tão teimoso, ao menos na sua forma
microscópica, que aguenta todo tipo de ambiente inóspito, das pressões esmagadoras do
leito marinho ao calor e às substâncias tóxicas dos gêiseres.

Além disso, se o nosso planeta for um exemplo representativo da evolução da vida


Cosmos afora, isso significa que a vida aparece relativamente rápido quando um planeta
se forma — no caso da Terra, mais ou menos meio bilhão de anos depois que ela surgiu
(hoje o planeta tem 4,5 bilhões de anos).

Ou seja, teria havido tempo, na fase “molhada” do passado de Marte, para que ao menos
alguns micróbios aparecessem antes de serem destruídos pela deterioração do ambiente
marciano. Será que algum deles não deu um jeito de se esconder no subsolo e ainda está
lá, segurando as pontas?

Reinaldo José Lopes. In: Revista Serafina, 26/8/2012. Internet: (com adaptações)

Julgue o item a seguir, considerando a estrutura e os aspectos gramaticais do


texto apresentado, bem como as ideias nele veiculadas.

No trecho “ou quem sabe até ainda o seja” (sublinhado no texto) o termo “o” classifica-
se como pronome e refere-se ao adjetivo “hospitaleiro” (em negrito no texto).

Questão 23 – (CESPE) Analista Judiciário – STF/2013

A inércia da vida real desaparece magicamente na navegação pelo ciberespaço,


desprovida de fricção. No mercado atual, encontramos uma série de produtos privados
de suas propriedades malignas: café sem cafeína, creme sem gordura, cerveja sem
álcool… ciberespaço. A realidade virtual simplesmente generaliza esse procedimento: cria
uma realidade privada de substância. Da mesma maneira que o café descafeinado tem
cheiro e gosto semelhantes aos do café, sem ser café, minha persona na rede é sempre
um “eu” descafeinado. Por outro lado, existe também o excesso oposto, e muito mais
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perturbador: o excedente de minha persona virtual com relação ao meu “eu” real. Nossa
identidade social, a pessoa que presumimos ser em nosso intercurso social, já é uma
máscara, já envolve a repressão de nossos impulsos inadmissíveis; e é precisamente
nessas condições de “só uma brincadeira”, quando as regras que regulam os
intercâmbios de nossas vidas reais estão temporariamente suspensas, que podemos nos
permitir a exibição dessas atitudes reprimidas.

O fato de que eu perceba minha autoimagem virtual como simples brincadeira me


permite, assim, suspender os obstáculos que usualmente impedem que eu realize meu
“lado escuro” na vida real — meu “id eletrônico” ganha asas dessa forma. E o mesmo se
aplica aos meus parceiros na comunicação via ciberespaço. Não há como ter certeza de
quem sejam, de que sejam “realmente” como se descrevem, ou de saber se existe uma
pessoa “real” por trás da persona online. A persona online é uma máscara para uma
multiplicidade de pessoas? A pessoa “real” com quem converso possui e manipula mais

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personas no computador, ou estou simplesmente me relacionando com uma entidade


digitalizada que não representa pessoa “real” alguma?

Slavoj Zizek. Identidades vazias. Internet: (com adaptações)

Com relação às estruturas linguísticas do texto, julgue o item.

A locução adverbial “Da mesma maneira que” (sublinhada no texto) poderia ser
substituída, sem prejuízo para as relações de coesão e coerência do texto, por Assim
como.

Questão 24 – (CESPE) Agente de Polícia – PC-DF/2013

Balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF)


aponta redução de 39% nos casos de roubo com restrição de liberdade, o famoso
sequestro-relâmpago, ocorridos entre 1.º de janeiro e 31 de agosto deste ano, em
comparação com o mesmo período do ano passado — foram 520 ocorrências em 2012 e
316 em 2013.

Em agosto deste ano, foram registrados 39 casos de sequestro-relâmpago em todo o DF,


o que representa redução de 32% do número de ocorrências dessa natureza criminal em
relação ao mesmo mês de 2012, período em que 57 casos foram registrados. Entre as 39
vítimas, 11 foram abordadas no Plano Piloto, região que lidera a classificação de casos,
seguida pela região administrativa de Taguatinga, com oito ocorrências. Segundo a SSP,
o cenário é diferente daquele do mês de julho, em que Ceilândia e Gama tinham o maior
número de casos. “38% dos crimes foram cometidos nos fins de semana, no período da
noite, e quase 70% das vítimas eram do sexo masculino, o que mostra que a escolha da
vítima é baseada no princípio da oportunidade e aleatória, não em função do gênero.”

Ao todo, 82% das vítimas (32 pessoas) estavam sozinhas no momento da abordagem
dos bandidos, por isso as forças de segurança recomendam que as pessoas tomem
alguns cuidados, entre os quais, não estacionar em locais escuros e distantes, não ficar
dentro de carros estacionados e redobrar a atenção ao sair de residências, centros
comerciais e outros locais. DF registra 316 ocorrências de sequestro-relâmpago nos
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primeiros oito meses deste ano.

R7, 6/9/2013. Internet: (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativo aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto
acima.

O trecho “por isso as forças de segurança recomendam que as pessoas tomem alguns
cuidados” (sublinhado no texto) expressa uma ideia de conclusão e poderia, mantendo-
se a correção gramatical e o sentido do texto, ser iniciado pelo termo porquanto em vez
da expressão “por isso”.

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Questão 25 – (CESPE) Analista Judiciário – STM/2011

Homicidas, sequestradores, traficantes de drogas, pedófilos ou serial killers enquadram-


se quase sempre naquela categoria de criminosos que cometem suas barbaridades
independentemente da pena que o Código Penal estipula para elas. Para esse grupo,
certamente os 50 anos de prisão, propostos recentemente pelo Congresso, não assustam
nem mais nem menos que os 30 atuais. Porém, saber que esses mesmos bandidos, se
presos e condenados por seus crimes, não sairiam da cadeia pelas próximas cinco
décadas traria certo alívio para a população, que, então, passaria a torcer para que a
justiça não lhes concedesse o benefício de sair antes. Há, no entanto, uma questão que
parece mais crucial e urgente: a estrutura prisional brasileira. A maioria absoluta das
nossas cadeias são sucursais do inferno na Terra. Não recuperam ninguém, misturam
presos veteranos com iniciantes e negam a quase todos a possibilidade de reabilitação
pelo estudo ou pelo trabalho. Assim, não há como melhorar o quadro.

Jornal do Brasil, 15/12/2010 (com adaptações)

Com relação aos sentidos e a aspectos morfossintáticos do texto acima, julgue o


item que se segue.

Nas suas ocorrências em “a quase” e em “a possibilidade” (sublinhados no texto), o “a”


pertence à mesma classe gramatical de palavras.

Questão 26 – (CESPE) Nível Superior – SUFRAMA/2013

As línguas amazônicas hoje: quantidade e diversidade

Atualmente são faladas na Amazônia cerca de 250 línguas indígenas, cerca de 150 em
território brasileiro. Embora aparentemente altos, esses números são o resultado de um
processo histórico — a colonização europeia da Amazônia — que reduziu drasticamente a
população indígena nos últimos 400 anos. Estima-se que, só na Amazônia brasileira, o
número de línguas e de povos teria sido de uns 700 imediatamente antes da penetração
dos portugueses. Apesar da extraordinária redução quantitativa, as línguas ainda
existentes apresentam considerável diversidade, o que caracteriza a Amazônia como uma
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das regiões de maior diferenciação linguística do mundo, com mais de famílias


linguísticas.

Aryon Dall’Igna Rodrigues. Aspectos da história das línguas indígenas da Amazônia. In: M. do S.
Simões (Org.). Sob o signo do Xingu. Belém: IFNOPAP/UFPA, 2003, p. 37-51 (com adaptações)

No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o


item seguinte.

O adjetivo “extraordinária” (sublinhado no texto) está empregado com o mesmo sentido


que na seguinte frase: Hoje haverá plantão extraordinário.

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Questão 27 – (CESPE) Auditor de Controle Externo – TC-DF/2013

Empossado na prefeitura carioca, Negrão de Lima arregalou os olhos quando os técnicos


em urbanismo informaram-lhe que havia oito milhões de ratos na cidade. Perguntou:
“Como é que vocês contaram?” A respeito de certos eventos, a mídia também chuta
números astronômicos. Agora, na visita do papa, a informação geral foi a de que, na
praia de Copacabana, havia três milhões de “peregrinos” em uma das cerimônias. Recebi
de um leitor uma carta esclarecedora: “Praia de Copacabana. Comprimento: 4.000
metros. Largura média: 100 metros. A mídia local contagiou a mídia estrangeira,
mantendo, em uníssono, que três milhões de fiéis estavam na praia, todinhos ao mesmo
tempo! Sem descontar os obstáculos que diminuem a área total (palco, restaurantes,
quiosques etc.), o simples cálculo é que, se a densidade média de cada m2 da área fosse
de três pessoas por m2, o total de pessoas poderia chegar a 1,2 milhão. Segundo o
cálculo de um pesquisador consultado, havia, nesse dia, 560.000 pessoas, margem de
30.000 para mais ou para menos.” Em 1964, quando lancei na Cinelândia um livro com
as crônicas que escrevia no Correio da Manhã contra o regime militar, o jornal informou
que havia 3.000 pessoas na praça. Os jornais que apoiavam a ditadura garantiram que
só havia gatos-pingados.

Carlos Heitor Cony. Folha de S.Paulo, 4/8/2013 (com adaptações)

Julgue o item a seguir, relativo a aspectos gramaticais e ideias desenvolvidas


no texto acima.

Uma forma correta de reescrita do trecho iniciado pela conjunção temporal “quando”
(sublinhada no texto) é a seguinte: ao ser informado pelos técnicos em urbanismo que
existia oito milhões de ratos na cidade do Rio de Janeiro.

Questão 28 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo – TCU/2013

A experiência de governança pública tem mostrado que os sistemas democráticos de


governo se fortalecem à medida que os governos eleitos assumem a liderança de
processos de mudanças que buscam o atendimento das demandas de sociedades cada
vez mais complexas e alcançam resultados positivos perceptíveis pela população.
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Contemporaneamente, para o alcance de resultados de desenvolvimento nacional, exige-


se dessa liderança não apenas o enfrentamento de desafios de gestão, como a busca da
eficiência na execução dos projetos e das atividades governamentais, no conhecido lema
de “fazer mais com menos”, mas também o desafio de “fazer melhor” (com mais
qualidade), como se espera, por exemplo, nos serviços públicos de educação e saúde
prestados à população. Esse novo desafio de governo tem como consequência um novo
requisito de gestão, o que implica a necessidade de desenvolvimento de novos modelos
de governança para se alcançarem os objetivos e metas de governo, em sintonia com a
sociedade.

Outros aspectos sociotécnicos importantes que caracterizam a nova governança pública


se relacionam aos anseios de maior participação e controle social nas ações de governo,
que, somados ao de liberdade, estabelecem o cerne do milenar conceito de cidadania
(participação no governo) e os valores centrais da democracia social do século XXI.

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Governar de modo inovador exige, invariavelmente, repensar o modelo secular de


governança pública em todas as suas dimensões: política, econômica, social e
tecnológica. Com a evolução sociotécnica, fortemente alavancada pelo desenvolvimento
das tecnologias da informação e comunicação, as mudanças na governança pública
implicam mudanças na base tecnológica que sustenta a burocracia, nas estruturas do
aparelho de Estado e em seus modelos de gestão.

Internet: (com adaptações).

Considerando as ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item a


seguir.

A forma verbal “estabelecem” (sublinhada no texto) está flexionada no plural porque


concorda com o termo antecedente “aspectos” (sublinhado no texto).

Questão 29 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-SE/2013

A vida do Brasil colonial era regida pelas Ordenações Filipinas, um código legal que se
aplicava a Portugal e seus territórios ultramarinos. Com todas as letras, as Ordenações
Filipinas asseguravam ao marido o direito de matar a mulher caso a apanhasse em
adultério. Também podia matá-la por meramente suspeitar de traição. Previa-se um
único caso de punição: sendo o marido traído um “peão” e o amante de sua mulher uma
“pessoa de maior qualidade”, o assassino poderia ser condenado a três anos de desterro
na África.

No Brasil República, as leis continuaram reproduzindo a ideia de que o homem era


superior à mulher. O Código Civil de 1916 dava às mulheres casadas o status de
“incapazes”. Elas só podiam assinar contratos ou trabalhar fora de casa se tivessem a
autorização expressa do marido. Há tempos, o direito de matar a mulher, previsto pelas
Ordenações Filipinas, deixou de valer. O machismo, porém, sobreviveu nos tribunais. O
Código Penal de 1890 livrava da condenação quem matava “em estado de completa
privação de sentidos”. O atual Código Penal, de 1940, abrevia a pena dos criminosos que
agem “sob o domínio de violenta emoção”. Os “crimes passionais” — eufemismo para a
covardia — encaixam-se à perfeição nessas situações. Em outra bem-sucedida tentativa
de aliviar a responsabilidade do homem, os advogados inventaram o direito da “legítima
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defesa da honra”. O machismo é uma praga histórica. Não se elimina da noite para o dia.
A criação da Lei Maria da Penha, em 2006, em que se previu punição para quem agride e
mata mulheres, foi um primeiro e audacioso passo. O segundo passo contra o machismo
é a educação.

Ricardo Westin e Cintia Sasse. Dormindo com o inimigo. In: Jornal do Senado. Brasília,
4/jul./2013, p. 4-5. Internet: (com adaptações).

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.

O emprego do futuro do pretérito em “poderia” (sublinhado no texto) indica que a


situação apresentada na oração é não factual, ou seja, é hipotética.

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Questão 30 – (CESPE) Professor – SEDU-ES/2008

Cuitelinho

Cheguei na bera do porto

Onde as onda se espaia.

As garça dá meia volta

Senta na bera da praia

E o cuitelinho não gosta

Que o botão da rosa caia, ai, ai

Quando eu vim da minha terra,

Despedi da parentáia.

(...)

A tua saudade corta

Como aço de naváia.

O coração fica aflito

Bate uma, a outra faia

E os oio se enche d’água

Que até a vista se atrapáia.

Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó. Internet: <www.mpbnet.com.br>


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A partir das estruturas e ideias do texto acima, julgue o seguinte item.

O texto é construído a partir de uma voz em terceira pessoa.

Questão 31 – (CESPE) Analista de Informática – TCE-RO/2013

Você sai para jantar sem a carteira. Para pagar a conta, diz: “Meu nome é [insira o seu
aqui]”. O garçom clica no visor do tablet dele. Um alerta em seu celular avisa sobre a
cobrança. É assim que funciona o Square, sistema de pagamentos em uso nos Estados

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Unidos da América. Ele, hoje, é uma das maiores referências em pagamentos por celular.
É aceito em 200 mil estabelecimentos, entre restaurantes, bares, cafés, salões de beleza,
spas, lojas e até agências funerárias. Para usá-lo, o cliente precisa instalar um programa
no celular, criar uma conta e inserir dados pessoais e financeiros. O sistema GPS do
telefone identifica quando o cliente chega a uma loja conveniada, e seu perfil aparece
automaticamente na tela do tablet do caixa da loja. Ao cobrar, o funcionário verifica se a
foto associada à conta corresponde à pessoa à frente.

Essa é uma das formas de usar o telefone como meio 16 de pagamento. O serviço
começará a se popularizar no Brasil a partir do próximo ano, quando todas as operadoras
de telefonia deverão estar autorizadas a fazer do smartphone uma carteira digital. Se
essa alternativa vingar, será a maior mudança na forma como pagamos por produtos e
serviços desde a chegada dos cartões, nos anos 50 do século passado.

O celular deixou, há tempos, de ser um aparelho restrito a fazer chamadas e a enviar


mensagens. Os smartphones são computadores portáteis e poderosos. Exibem 25
mapas, funcionam como minivideogames, tocam músicas e vídeos, enviam emails,
navegam na rede. Os novos serviços de pagamento aproveitam essa versatilidade. Boa
parte de nossas 28 contas já é paga eletronicamente, por cartão ou Internet. Por que
não usar o celular para fazer isso?

Rafael Barifouse. Débito, crédito ou celular? In: Época, n.º 759, 3/12/2012, p.119-21 (com
adaptações).

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o
próximo item.

Sem prejuízo para o sentido original do texto, o vocábulo “Para” (sublinhado no


texto) poderia ser corretamente substituído por Caso, se o trecho “usá-lo” fosse, por
sua vez, substituído por o usasse.

Questão 32 – (CESPE) Nível Superior – Telebrás/2013

Fragmento I – A invenção do telefone


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Alexander Graham Bell cresceu fascinado pelo som. Sua mãe era surda, o que o levou
desde cedo a refletir sobre as características do som. Enquanto dava aulas a crianças
surdas em Boston, ele se tornou obcecado pela ideia de transmitir a voz eletricamente,
tendo inventado o telefone em 1876, apresentado por ele na Exposição do Centenário, na
Filadélfia.

Fragmento II – A maravilha sem fio de Marconi

Guglielmo Marconi, considerado o pai da transmissão de rádio de longa distância, dividiu


o Prêmio Nobel de Física de 1909 com Karl Ferdinand Braun, por suas contribuições ao
desenvolvimento da telegrafia sem fio. No entanto, inicialmente suas ideias não foram
muito bem recebidas. Com o apoio dos pais, realizou testes com transmissores e
receptores, enviando sinais a quilômetros de distância. Em busca de mais recursos,
Marconi escreveu ao governo italiano, mas um funcionário descartou a ideia, dizendo que

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era melhor apresentá-la em um manicômio. Ele, então, viajou para Londres, e do


principal escritório telegráfico da cidade transmitiu o primeiro sinal sem fio. Em
13/5/1897, Marconi realizou a primeira transmissão sem fio em mar aberto.

Fragmento III – A primeira chamada de celular

Marty Cooper, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Motorola, fez a primeira


chamada de um telefone celular portátil nas ruas de Nova York, em 1973. Três meses
antes, a rival AT&T começava a monopolizar o incipiente mercado das comunicações sem
fio. Para fazer frente à concorrência, Cooper suspendeu todos os outros projetos da
Motorola e desafiou sua equipe a criar um telefone portátil funcional em noventa dias.
Cooper usou sua nova invenção para ligar para Joel Engel, chefe de desenvolvimento da
AT&T. Depois de uma breve saudação, Cooper lhe disse: “estou ligando para você de um
telefone celular, mas um celular de verdade, portátil”. A única resposta do outro lado da
linha foi o silêncio.

Fragmento IV – A primeira mensagem de texto

Em 3/12/1992, Neil Papworth, um engenheiro da Vodafone, enviou a primeira mensagem


de texto a seu colega Richard Jarvis: “FELIZ NATAL”. Papworth enviou a mensagem
usando um teclado de computador, já que os telefones celulares ainda não possuíam
teclados alfabéticos. Seriam necessários anos até que os telefones comerciais
incorporassem essa funcionalidade. O Communicator 9110 da Nokia foi lançado em 1998
e tornou-se um dos primeiros dispositivos a transmitir mensagens de texto e dados.
Calcula-se que, em 2011, mais de 2,3 trilhões de mensagens de texto tenham sido
enviadas em todo o mundo.

Internet: (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativos a aspectos linguísticos dos fragmentos de texto


apresentados.

No fragmento III, no trecho “Cooper usou sua nova invenção para ligar para Joel
Engel” (sublinhado no texto), a preposição “para” expressa, em ambas as
ocorrências, ideia de finalidade, introduzindo expressões adverbiais.
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Questão 33 – (CESPE) Nível Superior – Correios/2011

O Pe. Antônio Vieira foi submetido a residência forçada, em Coimbra, de fevereiro de


1663 até setembro de 1665 e, finalmente, preso pela Inquisição no dia 1.º de outubro.
Publicou-se uma importante série de cartas escritas por ele nesse período, que se
escalonaram com bastante regularidade de 17 de dezembro de 1663 a 28 de setembro
de 1665.

Em cerca de trinta cartas que foram conservadas, encontram-se alusões mais ou menos
desenvolvidas ao “tempo que faz”. Para apreciar o valor e o significado dessas
indicações, é preciso entender as principais razões que levavam o padre a interessar-se
pelo tempo. A principal era, sem dúvida, as repercussões que certos tipos de tempo
tinham sobre a regularidade do funcionamento das comunicações, em especial a

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circulação das cartas e notícias. Sujeitado a residência forçada, Antônio Vieira ansiava
pela chegada do correio, sobretudo o que provinha de Lisboa e da Corte, mas também
dos outros lugares onde tinha amigos. Em certos períodos do ano, inquietava-se também
pelas condições de navegação do Atlântico, perigosas para as frotas do Brasil e da Índia.
Outra razão do seu interesse eram as repercussões do tempo sobre a própria saúde e a
dos amigos, e sobre os rebates da peste. Enfim, não podia esquecer as campanhas
militares que, a partir da primavera, decorriam então no Alentejo.

Convém não esquecer que as anotações climáticas nas cartas de Antônio Vieira podiam
ter, às vezes, valor puramente metafórico. No ambiente de acesas intrigas palacianas
que o Padre acompanhava a distância, ele deixa mais de uma vez transparecer o receio
de que as cartas dele e dos seus correspondentes fossem abertas e lidas. Por isso,
expressa-se muitas vezes por alusões e metáforas. Por exemplo, a 20 de 31 julho,
escrevia a D. Teodósio: “Em tempo de tanta tempestade, não é seguro navegar sem
roteiro.” Tratava-se apenas, na realidade, de combinar o percurso para um encontro
clandestino estival nas margens do Mondego. O contexto permite, quase sempre,
desfazer as dúvidas.

Suzanne Daveau. Os tipos de tempo em Coimbra (dez. 1663 – set. 1665), nas cartas de Padre
Antônio Vieira. In: Revista Finisterra, v. 32, n.º 64, Lisboa, 1997, p. 109-15.
Internet: (com adaptações).

A respeito do vocabulário e da estrutura linguística do texto, julgue o


próximo item.

Seria mantida a correção gramatical do texto, se a preposição “de”, em sua primeira


ocorrência, no trecho “de 17 de dezembro de 1663 a 28 de setembro de 1665”
(sublinhado no texto), fosse substituída por entre.

Questão 34 – (CESPE) Nível Médio – FUB/2010

Há gente no Brasil interessada em importar dos Estados Unidos da América (EUA) o


Teach for America, o mais bem-sucedido programa feito para atrair os melhores
estudantes de ensino médio para a carreira de professor. No Brasil, os professores têm
saído da parte menos qualificada da pirâmide — justamente aquela habitada por 20%
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dos alunos com o mais baixo rendimento escolar do país. Qualquer iniciativa para mudar
isso será mais do que bem-vinda.

O Teach for America consegue atrair os mais talentosos alunos para a docência
oferecendo-lhes algo bem concreto. Depois de dois anos no papel de professor de escola
pública — tempo mínimo de estada no programa —, esses jovens ingressam quase que
automaticamente em algumas das maiores empresas americanas, com as quais o Teach
for America estabeleceu uma produtiva parceria. Para as empresas, recrutar gente que
passou por lá significa encurtar o complicado processo de busca por bons profissionais.
Pela estreita peneira do programa só passam os realmente capazes. Para se ter uma
ideia, apenas os alunos de ótimo boletim têm direito à inscrição e, ainda assim, 85%
deles ficam de fora. É essa rigorosa seleção que atrai os próprios estudantes. Sobreviver
a ela é um sinal claro de excelência, algo que faz todo mundo querer ostentar um
carimbo do Teach for America no currículo. No final, uma parcela deles acaba optando

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pela carreira de professor, coisa que jamais haviam pensado antes. A maioria, no
entanto, acaba deixando o programa depois dos dois anos previstos, mas não sem antes
causar um impacto gigantesco no nível do ensino. Os estudantes certamente irão
beneficiar-se desse empurrão ao longo de toda a vida escolar. Mais do que isso: muitos
dos que já passaram pelo Teach for America continuam envolvidos com educação, em
diferentes graus e áreas de atuação. Por tudo isso, não faria mal ao Brasil trilhar
caminho parecido.

Mônica Weinberg. Tomara que dê certo. Internet: (com adaptações).

Considerando aspectos lexicais e tipológicos do texto, julgue o item


subsequente.

Em “importar dos Estados Unidos da América” (sublinhado no texto), a


preposição de, contida em “dos”, expressa ideia de procedência.

Questão 35 – (CESPE) Assistente Técnico Administrativo – MI/2009

O administrador interino

Pádua era empregado em repartição dependente do Ministério da Guerra. Não ganhava


muito, mas a mulher gastava pouco, e a vida era barata. Demais, a casa em que
morava, assobradada como a nossa, posto que menor, era propriedade dele. Comprou-a
com a sorte grande que lhe saiu num meio bilhete de loteria, dez contos de réis. A
primeira ideia do Pádua, quando lhe saiu o prêmio, foi comprar um cavalo do Cabo, um
adereço de brilhantes para a mulher, uma sepultura perpétua de família, mandar vir da
Europa alguns pássaros etc.; mas a mulher, esta D. Fortunata que ali está à porta dos
fundos da casa, em pé, falando à filha, alta, forte, cheia, como a filha, a mesma cabeça,
os mesmos olhos claros, a mulher é que lhe disse que o melhor era comprar a casa, e
guardar o que sobrasse para acudir às moléstias grandes. Pádua hesitou muito; afinal,
teve de ceder aos conselhos de minha mãe, a quem D. Fortunata pediu auxílio. Nem foi
só nessa ocasião que minha mãe lhes valeu; um dia chegou a salvar a vida ao Pádua.
Escutai; a anedota é curta.
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O administrador da repartição em que Pádua trabalhava teve de ir ao Norte, em


comissão. Pádua, ou por ordem regulamentar, ou por especial designação, ficou
substituindo o administrador com os respectivos honorários. Esta mudança de fortuna
trouxe-lhe certa vertigem; era antes dos dez contos. Não se contentou de reformar a
roupa e a copa, atirou-se às despesas supérfluas, deu joias à mulher, nos dias de festa
matava um leitão, era visto em teatros, chegou aos sapatos de verniz. Viveu assim vinte
e dois meses na suposição de uma eterna interinidade. Uma tarde entrou em nossa casa,
aflito e desvairado, ia perder o lugar, porque chegara o efetivo naquela manhã. Pediu a
minha mãe que velasse pelas infelizes que deixava; não podia sofrer desgraça, matava-
se. Minha mãe falou-lhe com bondade, mas 34 ele não atendia a coisa nenhuma.

Pádua enxugou os olhos e foi para casa, onde viveu prostrado alguns dias, mudo,
fechado na alcova, — ou então 37 no quintal, ao pé do poço, como se a ideia da morte
teimasse nele. D. Fortunata ralhava:

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— Joãozinho, você é criança?

Mas, tanto lhe ouviu falar em morte que teve medo, e um dia correu a pedir a minha
mãe que lhe fizesse o favor de ver se lhe salvava o marido que se queria matar. Minha
mãe foi achá-lo à beira do poço, e intimou-lhe que vivesse. Que maluquice era aquela de
parecer que ia ficar desgraçado, por causa de uma gratificação a menos, e perder um
emprego interino?

Machado de Assis. Dom Casmurro, cap. XVI (com adaptações)

Julgue o item com relação a aspectos gramaticais e ortográficos do texto.

A substituição da preposição “em” por de na expressão “era empregado em


repartição” (sublinhado no texto) implica que a repartição onde Pádua trabalhava era
necessariamente o órgão empregador.

Questão 36 – (CESPE) Nível Médio – ANTAQ/2014

Um dos principais desafios para o Brasil é conhecer a Amazônia. Sua vocação


eminentemente hídrica impõe, ao longo dos séculos, a necessidade do deslocamento de
seus habitantes através dos rios. Muito antes da chegada dos colonizadores na
Amazônia, os nativos já utilizavam canoas. Ainda hoje, grande parte da população
amazônica vive da pesca. Além disso, o deslocamento do ribeirinho se faz através da
infinidade de rios que retalham a grandeza territorial.

Mas para conhecer a Amazônia de verdade é preciso entender sua posição estratégica
para o país. Os rios são a chave para esse conhecimento. São as estradas que a natureza
construiu e em cujas margens se desenvolveram inúmeras povoações. Portanto, é
impossível pensar em Amazônia sem associar a importância que os rios têm para o
desenvolvimento econômico e social. Eles devem ser vistos como os grandes propulsores
do desenvolvimento sustentável da região.

Domingos Savio Almeida Nogueira. In: Internet: (com adaptações).


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Em relação ao texto acima, julgue o item a seguir.

Mantêm-se a correção gramatical do texto e suas informações originais ao se


substituir “Portanto” (sublinhado no texto) por qualquer um dos seguintes
termos: Por isso, Logo, Por conseguinte.

Questão 37 – (CESPE) Oficial de Controle Externo – TCE-RS/2013

A impunidade de políticos não decorre de foro privilegiado, mas de justiça ineficiente.


Abolir o referido mecanismo produzirá efeitos desfavoráveis. É compreensível a confusão.

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A designação mais conhecida, “foro privilegiado”, sem dúvida, sugere a existência de


condenável regalia. Não é estranho, portanto, que o Congresso tenha incluído em sua
agenda positiva um esforço para eliminar essa prerrogativa constitucional. Os
parlamentares estariam, com isso, oferecendo o seu quinhão para o combate à
impunidade que tradicionalmente beneficia políticos de todos os matizes.

Entretanto, há dois equívocos nesse raciocínio. O primeiro é imaginar que o foro especial
— assegurado a autoridades como o presidente da República, governadores, prefeitos,
congressistas e ministros de Estado — seja responsável pela ausência de punições na
esfera jurídica. As numerosas instâncias da justiça comum favorecem a interposição de
recursos, o que atrasa a caminhada processual e contribui para a impunidade. O segundo
equívoco do raciocínio é imaginar que a prerrogativa de foro constitua, de fato, um
privilégio. De um lado, porque não há benefício na supressão de um ou de todos os graus
de jurisdição. De outro, porque o mecanismo busca assegurar um julgamento imparcial
— em proveito não só do réu, mas também da sociedade.

Em tese, tribunais superiores estão mais protegidos contra as pressões que governantes
e legisladores podem tentar exercer em favor da absolvição, assim como são menos
suscetíveis à litigância meramente persecutória.

Folha de S.Paulo, 11/7/2013 (com adaptações).

Em relação ao texto acima, julgue o item que se segue.

Mantêm-se as relações sintáticas originais ao se substituir o termo “Entretanto”


(sublinhado no texto) por qualquer um dos seguintes: Porém, Contudo, Todavia,
No entanto.

Questão 38 – (CESPE) Nível Superior – MPE-PI/2011

A lentidão e os congestionamentos são parte da realidade dos centros urbanos. Fazer o


trânsito fluir, porém, é um quebra-cabeça complexo. No Brasil, o desafio envolve muitas
variáveis, desde o número crescente da frota de veículos e a precariedade dos
transportes públicos até o comportamento dos motoristas ao volante. Enquanto os
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especialistas analisam o assunto na tentativa de apontar soluções para o problema, o


Psicólogos do Trânsito, um grupo de jovens paulistanos, decidiu levar bom humor à rua,
mostrando que um simples gesto pode melhorar o caos do trânsito.

Com a encenação de curtos espetáculos lúdicos, o grupo transforma uma das esquinas
mais movimentadas de São Paulo em palco de diversão e alegria. Sobretudo nas noites
de segunda e sexta-feira, quando invade a pista e consegue o milagre de fazer o
motorista rir mesmo encontrando-se preso em mais um dos gigantescos
engarrafamentos da cidade.

Vestidos de palhaço, eles aproveitam o tempo dos carros parados no semáforo para
cumprir essa missão. Com cartazes educativos, ocupam a faixa de pedestres, fazem
performances e brincam com os motoristas. Muita gente fecha o vidro do carro. No fim
da apresentação de apenas um minuto, os jovens erguem uma faixa com a frase “Um dia
sem sorrir é um dia desperdiçado”, de Charlie Chaplin. Em geral, nessa hora, o

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comportamento dos estressados muda: abrem o vidro, buzinam, acenam e seguem pelo
trajeto descontraídos.

Fabíola Musarra. Psicólogos da rua. In: Planeta, nov./2011, p. 70-73 (com adaptações).

Com relação aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto acima,


julgue o item consecutivo.

No quarto período do primeiro parágrafo, a conjunção “Enquanto” (sublinhado no


texto) introduz oração de valor consecutivo.

Questão 39 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-ES/2010

Nicolau meteu-se na política. Em 1823, vamos achá-lo na Constituinte. Não há que dizer
ao modo por que ele cumpriu os deveres do cargo. Íntegro, desinteressado, patriota, não
exercia de graça essas virtudes públicas, mas à custa de muita tempestade moral. Pode-
se dizer, metaforicamente, que a frequência da câmara custava-lhe sangue precioso. Não
era só porque os debates lhe pareciam insuportáveis, mas também porque lhe era difícil
encarar certos homens, especialmente em certos dias. Montezuma, por exemplo,
parecia-lhe balofo, Vergueiro, maçudo, os Andradas, execráveis. Cada discurso, não só
dos principais oradores, mas dos secundários, era para o Nicolau verdadeiro suplício. E,
não obstante, firme, pontual. Nunca a votação o achou ausente; nunca o nome dele soou
sem eco pela augusta sala. Qualquer que fosse o seu desespero, sabia conter-se e pôr a
ideia da pátria acima do alívio próprio. Talvez aplaudisse in petto o decreto de dissolução.
Não afirmo; mas há bons fundamentos para crer que o Nicolau, apesar das mostras
exteriores, gostou de ver dissolvida a assembleia. E se essa conjetura é verdadeira, não
menos o será esta outra: que a deportação de alguns dos chefes constituintes,
declarados inimigos públicos, veio aguar-lhe aquele prazer. Nicolau, que padecera com
os discursos deles, não menos padeceu com o exílio, posto lhes desse um certo relevo.
Se ele também fosse exilado!

Machado de Assis. Verba testamentária. In: J. Gledson. 50 contos de Machado de Assis. São Paulo:
Companhia das Letras, 2007, p. 168 (com adaptações).

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Com base no texto acima, julgue o item subsequente.

A substituição de “não obstante” (sublinhado no texto) por no entanto manteria a


correção gramatical e o sentido original do texto.

Questão 40 – (CESPE) Professor – SAEB-BA/2010

O governo encaminhou ao Congresso um plano nacional de educação para vigorar na


década que está começando. O plano ainda em vigor foi aprovado em 2001 e cumpriu
papel relevante. Embora os desafios que se tem pela frente sejam enormes, o novo plano

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tem o mérito de pôr a educação na agenda política e, principalmente, o de estabelecer


metas de qualidade para o setor.

O Brasil possui hoje um sistema de aferição da qualidade da educação em diferentes


níveis, estado por estado, e até em microrregiões homogêneas. É possível aferir-se a
qualidade do ensino distintamente no sistema público e nas escolas particulares. Com
esses dados, os educadores contam com preciosa base de informações para traçar
planejamento de médio e longo prazos, pôr em prática mudanças pedagógicas e
reivindicar dos políticos e das autoridades governamentais ferramentas para que o país
avance nesse campo.

O novo plano buscará uma meta ousada: no início da terceira década do século XXI, os
índices de qualidade da educação deverão alcançar patamar já ostentado por nações
desenvolvidas.

Sem que os professores sejam motivados, as metas propostas jamais serão alcançadas.
É claro que os educadores poderão recorrer cada vez mais à tecnologia para cumprir
suas tarefas. Computadores em laboratórios nas escolas ou nas salas de aula
possibilitam o acesso a redes de educação que aceleram o aprendizado. Além disso, a
educação infantil (creches e pré-escola) favorece esse aprendizado. Estatísticas recentes
em alguns estados que adotaram essas estratégias mostram redução considerável do
analfabetismo funcional — que antes alcançava índices alarmantes de 60% na quarta
série do ensino fundamental.

O plano nacional de educação serve de mapa para que a população brasileira possa
acompanhar os objetivos que estão sendo perseguidos. Nele, não estão definidas as
fontes de financiamento do setor, mas talvez isso não seja o mais essencial.
Consideramos que o importante é que se dê destaque à educação na agenda política da
nação.

O Globo, 22/12/2010 (com adaptações).

Pelos sentidos do texto, estaria correto inserir antes de “Estatísticas


recentes” (sublinhado no texto), com a devida alteração de maiúscula e
minúscula, o segmento

a) Embora. 62456350391

b) A fim de que.

c) Porquanto.

d) Tanto é assim que.

Questão 41 – (CESPE) Analista Judiciário – STM/2010

Especialistas em direito e em execuções penais divergem sobre a eficácia da extensão do


período máximo de encarceramento permitido pela legislação brasileira. Para alguns, a

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ameaça de aplicação de penas mais rígidas — e mesmo à pena de morte — não intimida
a maioria dos criminosos.

Outros no entanto louvam a iniciativa por acreditarem que a mudança seria uma espécie
de antídoto contra as benevolências da progressão de regime, que acaba libertando
condenados tão logo eles cumpram um sexto da pena comportadamente.

Como ocorre na maioria das vezes, os dois lados têm sua cota de razão.

Considerando que no texto acima, adaptado do Jornal do Brasil de


15/12/2010, foram inseridos erros, julgue o item a seguir.

A expressão “tão logo” (sublinhada no texto) foi empregada de maneira incorreta no


texto; sua substituição por assim que garantiria a correção gramatical do texto.

Questão 42 – (CESPE) Engenheiro – INSS/2010

Da tomada para a estrada

Dois modelos de veículo de uma montadora italiana, movidos a energia elétrica, já estão
prontos para rodar. Os protótipos foram desenvolvidos no Brasil pela empresa Itaipu
Binacional, com o objetivo de nacionalizar a tecnologia de produção de carros elétricos.
Basta colocá-los na tomada por um período de oito horas para que eles estejam aptos a
rodar aproximadamente 120 km. Os deslocamentos podem ser velozes, já que os
veículos conseguem atingir uma velocidade de até 130 km por hora. O detalhe mais
animador é que, para isso, se gasta de quatro a cinco vezes menos do que se forem
utilizados combustíveis convencionais, como o álcool ou a gasolina.

O motorista que experimentar dirigir os protótipos não deverá estranhá-los. “É muito


simples guiá-los, pois as diferenças em relação aos carros tradicionais são mínimas”,
explica o engenheiro eletricista Celso Novais, coordenador geral brasileiro do projeto
Veículo Elétrico. “A principal distinção é que não existe partida. O veículo liga como se
fosse acionado por um interruptor.” Segundo Novais, quando está parado — em um
congestionamento, por exemplo —, o veículo não consome energia. “A bateria que o
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alimenta é totalmente reciclável e pode ser recarregada cerca de 1.500 vezes.”

O coordenador do projeto destaca o aspecto econômico como uma das grandes


vantagens do carro elétrico, ao compará-lo com um veículo movido a gasolina. “Com um
litro do combustível, é possível percorrer 15 km em média. No entanto, se o mesmo
valor gasto com essa quantidade de gasolina for empregado na compra de energia
elétrica, é possível rodar cerca de 40 km.” Além de enfatizar as vantagens econômicas,
Novais salienta os incontestáveis benefícios ambientais. “O carro elétrico não faz barulho
nem polui a atmosfera, já que não emite gás carbônico ou qualquer outra substância
química.”

Jaqueline Bartzen. Ciência Hoje . Internet: (com adaptações)

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Considerando o texto acima, julgue o item.

A expressão ‘já que’ (sublinhada no texto) pode ser corretamente substituída


por porque.

Questão 43 – (CESPE) Analista Ambiental – ICMBio/2009

Uma investigação sobre as causas das enchentes


em Santa Catarina — e suas lições para o Brasil

Uma das piores calamidades dos últimos anos alagou Santa Catarina e comoveu o país.
O que fazer para que nossas cidades não fiquem tão vulneráveis?

Ninguém questiona a força dos desastres naturais. Mas o Brasil tem capacidade técnica
e experiência suficientes para, no mínimo, reduzir o impacto de chuvas como essa.
Em Blumenau, há uma estação telemétrica que monitora a vazão do rio Itajaí e tem
condições de emitir sinais de alerta para inundações. Há também um programa de
monitoramento do clima — que previu até a gravidade do furacão Catarina, em 2004. O
dilúvio ninguém previu, mas já chovia no estado quase a primavera toda, e estudos
sobre as áreas de risco de enchentes e deslizamentos apontavam o que podia acontecer
se chovesse demais.

Agora que o desastre aconteceu, é importante entender por que ele foi tão grave —
afinal, há muitas regiões com o mesmo tipo de risco no país. De todas as medidas já
tomadas e dos estudos em curso, algumas conclusões podem ser tiradas sobre o que é
preciso fazer:

1) Conter o desmatamento nas cabeceiras dos rios — Em um terreno com vegetação


nativa, a água das chuvas leva mais tempo para chegar ao curso d’água. As próprias
folhas das árvores absorvem parte da chuva e reduzem o impacto das gotas no solo.
Além disso, troncos e folhas no chão ajudam a reter a água. O solo, menos compactado,
absorve mais água.

2) Regularizar a ocupação dos morros — O que aumentou as perdas de vidas e os danos


materiais foram construções de casas em áreas de encostas perigosas, as chamadas
áreas de preservação permanente.
3) Aumentar o escoamento dos rios — Foi com obras de retificação, alargamento e
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canalização da calha dos rios que cidades como Belo Horizonte e São Paulo conseguiram
reduzir o impacto das enchentes.

4) Monitorar as populações de risco — Obras de contenção de encosta, treinamento de


voluntários, monitoramento da aproximação das chuvas, medição do índice pluviométrico
por área das cidades, cálculo do grau de saturação do solo encharcado (prevendo-se o
risco de deslizamento) estão entre as medidas que reduziram o número de mortes e de
desabrigados em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

Época. 1.º/12/2008, p. 47-50 (com adaptações).

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Considerando as ideias, a estrutura e a organização gramatical do texto


acima, julgue o item.

No trecho “capacidade técnica e experiência suficientes" (em negrito no texto), caso a


palavra sublinhada fosse substituída por bastante, a concordância se faria no
singular, uma vez que esta palavra funcionaria como advérbio.

Questão 44 – (CESPE) Analista de Correios – Correios/2011

Sr. Leitor

Não fui, e não sou, um escrevedor de cartas. Acredito que, no momento em que você
estiver lendo esta mensagem, meus sentimentos a respeito dela e, muitas vezes, em
relação a você podem ter mudado e isto me obrigaria a escrever outra mensagem para
explicar a mudança e assim sucessivamente, 7 em uma troca de correspondência
absurda.

Com o telefone, a comunicação ficou mais fácil, mais direta. Não gosto de falar ao
telefone, mas, em minha juventude, contaminado por uma timidez excessiva que me
impedia as investidas ao vivo, confesso um pouco envergonhado, já o utilizei para
conquistas, cantadas, declarações de amor.

O tempo passou e, agora me dou conta, passo dias sem pegar no telefone e, na maioria
das vezes, nem o atendo quando toca. Ele é coisa do passado. Em compensação surgiu o
email, isto é, a volta às cartas. São cartas virtuais, mas, como nas de antigamente,
sempre podemos escrever um parágrafo, parar, tomar um café, recordar um fato, uma
conversa, uma declaração de amor. Tudo isto com a vantagem de deixar o texto
descansando até que a emoção acabe, ou diminua; e podemos corrigir os erros de
português e de ansiedades. Estará voltando a epistolografia?

O maior epistológrafo (que palavra horrível!) de todos os tempos foi, sem dúvida, São
Paulo. Há quem diga que suas epístolas deram origem à Educação a Distância, já que ele
difundia o cristianismo por meio de cartas para seus discípulos que moravam em cidades
distantes como Éfeso, Corinto, Roma etc.

No passado, a carta era tema de obras literárias, músicas etc., etc. Temos vários e belos
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contos e romances que são epistolares. Dostoievski e Goethe usaram este método que já
foi dado como acabado e agora volta com força total — via Internet. E aqui abro um
parêntese para dizer que é epistolar um dos mais belos, vigorosos e cruéis romances que
li ultimamente, A Caixa Preta, do escritor israelense Amoz Oz.

Na música, em minha adolescência, me comovia com a voz de Dalva de Oliveira


cantando “Quando o carteiro chegou/e meu nome gritou/com uma carta na mão/ante
surpresa tão rude/não sei como pude/chegar ao portão...”.

Braz Chediak. Internet: (com adaptações)

Julgue o próximo item, relacionado à ordem dos termos linguísticos no texto.

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A ordem das palavras nos sintagmas nominais “timidez excessiva” (sublinhado no


texto), “cartas virtuais” (sublinhado no texto) e “obras literárias” (sublinhado no
texto) confirma a regra de que, em geral, no português, o adjetivo vem posposto ao
substantivo, principalmente quando restritivo.

Questão 45 – (CESPE) Nível Superior – IFB/2010

Se, na experiência de minha formação, que deve ser permanente, começo por aceitar
que o formador é o sujeito em relação a quem me considero o objeto, que ele é o sujeito
que me forma e eu, o objeto por ele formado, me considero como um paciente que
recebe os conhecimentos-conteúdos acumulados pelo sujeito que sabe e que são a mim
transferidos. Nessa forma de compreender e de viver o processo formador, eu, objeto,
agora, terei a possibilidade, amanhã, de me tornar o falso sujeito da “formação” do
futuro objeto de meu ato formador. É preciso que, pelo contrário, desde os começos do
processo, vá ficando cada vez mais claro que, embora diferentes entre si, quem forma se
forma e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado. É nesse
sentido que ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem formar é ação pela
qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado. Não
há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças
que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina
aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.

Paulo Freire. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e
Terra, 1996, p. 22-3 (com adaptações)

Julgue o item, relativo aos elementos linguísticos apresentados no texto.

O adjetivo “diferentes” (sublinhado no texto) está no plural porque se refere,


antecipadamente, a estes dois conceitos: “quem forma se forma e re-forma ao
formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado” (sublinhado no texto).

Questão 46 – (CESPE) Redator – FUB/2009 62456350391

O ano de 1964 representou para a Universidade de Brasília o maior retrocesso que pôde
existir na história do ensino superior no Brasil. No meu entender, foi um verdadeiro
aborto na história da ciência, pois aqui se perdeu o que existia de melhor em
conhecimento científico e intelectual deste país. Digo isso porque presenciei os fatos
daquela época. Destruíram, aqui, o ninho dos homens-águias. Desapareceram os
grandes personagens, que foram a verdadeira história da UnB. Restaram apenas mágoas
e ressentimentos, medo e desconfiança, um sentimento de desgosto e de tristeza no
meio de toda aquela gente se evadindo ou assistindo com pavor à violência e à
desmoralização de seus colegas e familiares sem que nada se pudesse fazer. Por isso
afirmo e considero que aqui a história ficou interrompida.

Entre prisões e renúncias ao cargo, a Universidade perdeu os melhores professores


escolhidos pelo reitor Darcy Ribeiro. Até aquela data, o que existia de melhor em matéria
de ensino estava na Universidade de Brasília.

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Sebastião Varela. UnB 30 anos de história, pioneirismo, resistência, homens e fatos. In: UnB 30
anos. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1992, p. 146-7 (com adaptações).

Com relação aos aspectos semânticos e gramaticais do texto, julgue o item que
se segue.

Recurso retórico para indicar o grau mais intenso da qualidade de algo, o superlativo
foi empregado para qualificar os professores que atuavam na UnB em 1964 na
expressão “os melhores professores” (sublinhada no texto).

Questão 47 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2005

A localidade opõe-se à globalidade, mas também se confunde com ela. O mundo,


todavia, é nosso estranho. Pela sua essência, ele pode esconder-se; não pode,
entretanto, fazê-lo pela sua existência, que se dá nos lugares. No lugar, nosso Próximo,
superpõem-se, dialeticamente, o eixo das sucessões, que transmite os tempos externos
das escalas superiores, e o eixo dos tempos internos, que é o eixo das coexistências,
onde tudo se funde, enlaçando, definitivamente, as noções e as realidades de espaço e
de tempo.

No lugar — um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições


—, cooperação e conflito são a base da vida em comum. Porque cada qual exerce uma
ação própria, a vida social individualiza-se; e, porque a contigüidade é criadora de
comunhão, a política se territorializa, com o confronto entre organização e
espontaneidade. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao mundo, do qual lhe
vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas é também o teatro
insubstituível das paixões humanas, responsáveis, por meio da ação comunicativa, pelas
mais diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade.

Milton Santos. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2.ª ed. São Paulo: Hucitec,
p. 258 (com adaptações).

Analisando a relação entre as informações


62456350391
veiculadas pelo
texto e a articulação dos elementos textuais, julgue (C ou E)
o item a seguir.

A forma verbal prevalente no texto é o presente do indicativo, o que equivale a dizer que
o texto se compõe de enunciados categóricos, os quais produzem o tom de certeza na
abordagem do tema.

Questão 48 – (CESPE) Analista de Infraestrutura – MP/2012

É um erro buscar o crescimento pelo crescimento, sem levar em conta os seus efeitos
mais amplos e as suas consequências. É necessário ponderar, entre outros fatores, o
impacto ambiental. É fundamental também usar os frutos do crescimento, para

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aprimorar a qualidade de vida da população de maneira abrangente, e não apenas para


favorecer certos grupos. Precisamos prestar atenção em como podemos tirar o melhor
proveito do enriquecimento do país. Sou contra o crescimento pelo crescimento, e
ofereço todas as minhas críticas àqueles que são a favor. Entretanto, àqueles que não
buscam nenhum crescimento, como é o caso da Europa hoje em dia, minhas críticas são
ainda mais severas. Adam Smith estava certo quando observou que o crescimento
aumenta a renda da população e, assim, amplia a capacidade das pessoas de ter acesso
a melhores condições de vida. Estava certo também quando disse que o crescimento
gera os recursos necessários para que os governos possam exercer suas atividades
essenciais.

Amartya Sem. Mercado, justiça e liberdade. In: Veja, 2/5/2012 (com adaptações)

No que se refere à organização das ideias no texto acima, julgue o item


seguinte.

A forma verbal “ter”, em “e, assim, amplia a capacidade das pessoas de ter acesso a
melhores condições de vida” (sublinhado no texto), poderia ser corretamente empregada
também no plural: terem.

Questão 49 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos Deputados/2012

A Constituição prevê a preservação do patrimônio cultural brasileiro, destacando como


objetos protegidos os bens que compõem a história e a identidade do país. Já a Lei de
Acesso à Informação (Lei n.º 12.527/2011) determina que órgãos públicos assegurem a
proteção da informação, garantindo sua disponibilidade, autenticidade e integridade.

A Câmara, por sua vez, instituiu sua própria política de preservação. Um ato da Mesa
(49/2012) estabelece as diretrizes para garantir essa conservação. Segundo o diretor-
geral da Câmara, a Casa tem um compromisso com a sociedade quando se trata de
patrimônio cultural. “A preservação cultural é também a preservação da nossa história. E
a Câmara tem esse compromisso por possuir, em seus edifícios, tanto da história do país
e de Brasília”, afirmou durante palestra sobre o tema.
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Internet: (com adaptações).

Com base nas ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o próximo item.

No trecho “assegurem a proteção” (sublinhado no texto), o emprego da forma verbal no


subjuntivo justifica-se porque, pelos sentidos do texto, se trata de uma ideia provável,
desejável, cuja realização efetiva ainda não se pode comprovar.

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Questão 50 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2006

Os acontecimentos traumáticos vividos por um grupo minoritário não podem ser


excluídos da experiência coletiva da sociedade em que esse grupo se insere. No Brasil,
nosso compromisso com a alegria, a festa, a irresponsabilidade nos faz rejeitar a
memória e abandonar os projetos de reparação de injustiças passadas. Distantes das
condições sociais dos países do chamado Primeiro Mundo, idealizado e invejado,
contentamo-nos em ser reconhecidos “internacionalmente” a partir da imagem de povo
alegre, despreocupado e sensual que o colonizador fez de nós, desde a Carta de
Caminha. Tal compromisso nos impede de levar a reparação de injustiças às últimas
consequências. Temos pressa em “perdoar” aos inimigos, com medo de parecer
ressentidos — mas o ressentimento, afeto que não ousa dizer seu nome, esconde-se
justamente nas formações reativas do esquecimento apressado, tão característico da
sociedade brasileira.

Maria Rita Kehl. Ressentimento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004 (com adaptações)

Com relação a aspectos gramaticais do texto, julgue o item subsequente.

A forma de infinitivo “ser” (sublinhada no texto) poderia corretamente ser substituída


pela forma flexionada sermos.

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1. E
2. E
3. A
4. C
5. E
6. E
7. E
8. E
9. E
10. E
11. E
12. E
13. E
14. C
15. E
16. E
17. C
18. C
19. C
20. E
21. C
22. C
23. C
24. 62456350391

E
25. E
26. E
27. E
28. E
29. C
30. E
31. E
32. E
33. E
34. C
35. C

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36. C
37. C
38. E
39. C
40. D
41. E
42. C
43. E
44. C
45. C
46. C
47. C
48. C
49. C
50. C

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QUESTÕES COMENTADAS

Questão 01 – (CESPE) Inspetor – PC-CE/2012

(Adaptada)

(Texto para as questões 01 e 02.)

Muitos acreditam que chegamos à velhice do Estado nacional. Desde


1945, dizem, sua soberania foi ultrapassada pelas redes transnacionais de
poder, especialmente as do capitalismo global e da cultura pós-moderna.
Alguns pós-modernistas levam mais longe a argumentação, afirmando
que isso põe em risco a certeza e a racionalidade da civilização moderna,
entre cujos esteios principais se insere a noção segura e unidimensional
de soberania política absoluta, inserida no conceito de Estado nacional. No
coração histórico da sociedade moderna, a Comunidade Europeia (CE)
supranacional parece dar especial crédito à tese de que a soberania
político-nacional vem fragmentando-se. Ali, tem-se às vezes anunciado a
morte efetiva do Estado nacional, embora, para essa visão, uma
aposentadoria oportuna talvez fosse a metáfora mais adequada. O
cientista político Phillippe Schmitter argumentou que, embora a situação
europeia seja singular, seu progresso para além do Estado nacional tem
uma pertinência mais genérica, pois “o contexto contemporâneo favorece
sistematicamente a transformação dos Estados em confederatii,
condominii ou federatii, numa variedade de contextos”.

É verdade que a CE vem desenvolvendo novas formas políticas, que


trazem à memória algumas formas mais antigas, como lembra o latim
usado por Schmitter. Estas nos obrigam a rever nossas ideias do que
devem ser os Estados contemporâneos e suas inter-relações. De fato, nos
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últimos anos, assistimos a reversões neoliberais e transnacionais de


alguns poderes de Estados nacionais. No entanto, alguns de seus poderes
continuam a crescer. Ao longo desse mesmo período recente, os Estados
regularam cada vez mais as esferas privadas íntimas do ciclo de vida e da
família. A regulamentação estatal das relações entre homens e mulheres,
da violência familiar, do cuidado com os filhos, do aborto e de hábitos
pessoais que costumavam ser considerados particulares, como o fumo,
continua a crescer. A política estatal de proteção ao consumidor e ao meio
ambiente continua a proliferar. Tudo indica que o enfraquecimento do
Estado nacional da Europa Ocidental é ligeiro, desigual e singular. Em
partes do mundo menos desenvolvido, alguns aspirantes a Estados
nacionais também estão fraquejando, mas por razões diferentes,
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essencialmente “pré-modernas”. Na maior parte do mundo, os Estados


nacionais continuam a amadurecer ou, pelo menos, estão tentando fazê-
lo. A Europa não é o futuro do mundo. Os Estados do mundo são
numerosos e continuam variados, tanto em suas estruturas atuais quanto
em suas trajetórias.

Michael Mann. Estados nacionais na Europa e noutros continentes: diversificar,


desenvolver, não morrer. In: Gopal Balakrishnan. Um mapa da questão nacional. Vera
Ribeiro (Trad.). Rio de Janeiro: Contraponto, 2000, p. 311-4 (com adaptações).

Considerando as relações de sentido e as estruturas linguísticas do


texto, julgue o seguinte item.

Os substantivos “velhice” e “tese” estão empregados no texto de forma


indefinida e com sentido genérico. (palavras em negrito no texto).

Comentários

Esta questão trata das classes de palavras substantivo e artigo. Aqui,


você precisa analisar dois substantivos (velhice e tese) e identificar se eles
foram empregados no texto de forma genérica e com sentido indefinido.

Para tanto, temos que examinar se esses substantivos são determinados


por algum artigo.

Artigo é a palavra variável que vem antes do substantivo e serve, de uma


forma geral, para determinar (ou indeterminar), particularizar (ou
generalizar) esse substantivo.

Os artigos definidos (o, a, os, as) determinam o substantivo de modo


preciso e os artigos indefinidos (um, uma, uns, umas) determinam o
substantivo de modo vago, impreciso, geral.
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Ao observar os termos velhice e tese, percebemos que ambos vêm


precedidos de à, que é a contração do artigo a com a preposição a (crase
– ainda vamos estudar).

Dessa forma, os dois substantivos a que o comando se refere são


acompanhados pelo artigo a.

O artigo definido determina, de modo preciso, o substantivo. Portanto, a


questão está errada ao afirmar que os substantivos velhice e tese estão
empregados com sentido genérico. É, justamente, o contrário.

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GABARITO: ERRADO

Questão 02 – (CESPE) Inspetor – PC-CE/2012

(Adaptada)

Julgue o seguinte item.

O conector “pois” (em negrito no texto) introduz ideia de consequência no


trecho em que ocorre.

Comentários

Esta questão aborda o emprego da classe de palavra conjunção. Para


resolvê-la, você deve analisar o uso do conectivo pois. A questão solicita
que você identifique a ideia introduzida por essa conjunção.

Vamos, então, ao trecho do texto:

O cientista político Phillippe Schmitter argumentou que, embora a situação


europeia seja singular, seu progresso para além do Estado nacional tem
uma pertinência mais genérica, pois “o contexto contemporâneo favorece
sistematicamente a transformação dos Estados em confederatii,
condominii ou federatii, numa variedade de contextos”.

Ao lermos esse fragmento, percebemos claramente que a conjunção


pois inicia uma oração que tem por objetivo explicar (apresentar
um motivo) algo dito anteriormente. Assim, pois introduz uma ideia
de explicação, e não de consequência.

GABARITO: ERRADO
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Questão 03 – (CESPE) Agente Administrativo – UEPA/2008

(Adaptada)

Onde mais?

A gente não se dá conta, mas existe um outro vício (eu diria: vírus) de
linguagem infectando indiscriminadamente brasileiros de todas as idades,
sexos e estratos sociais.

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Falo do insidioso “onde”. Sim: insidioso. À primeira vista, “onde” parece


uma palavra inocente e inofensiva. Mas, sem fazer alarde, o danado do
“onde” foi se imiscuindo na nossa vida, invadindo frases que não lhe
dizem respeito e diminuindo consideravelmente as oportunidades de
emprego para palavras honestas como “que”, “o qual” e “das quais”.

Todos os momentos em que deveríamos usar “em que”, muitas situações


nas quais antigamente se usava “nas quais” e uma série de casos “onde”
pedem nada além de um simples “que”, de repente, viraram momentos
“onde”, situações “onde” e casos “onde”. Casos “onde”?!!

Esse maldito “onde” é ainda mais perigoso, porque, na maioria das vezes,
a gente nem nota que ele está ali, apodrecendo uma frase inteira. Tem
vezes “onde” a gente consegue perceber, mas existem construções mais
elaboradas “onde” até os ouvidos mais sensíveis acabam engambelados.

É diferente do irritante “com certeza”, que tem uma melancia pendurada


no pescoço e não esquece de se anunciar a cada aparição. Não é como a
praga do gerundismo, que sempre vai estar chamando a atenção de todos
os que não suportam estar ouvindo quem insiste em estar falando desse
jeito. O “onde”, não. O “onde” é discreto. Vai chegar um momento “onde”
você e eu vamos passar a falar assim e vamos achar normal.

Confesso que eu não tinha me dado conta do problema até conversar com
o professor Eduardo Martins em seu programa na Rádio Eldorado, o “De
palavra em palavra”. (Parênteses. Sim, existe ALGUÉM nesse país que
leva “Xongas” a sério. E esse alguém é ninguém menos que o professor
Eduardo Martins. Não, leitor, você não precisa mais ler “Xongas”
escondido, ou fingindo que está com os olhos no resto da página. O
Eduardo Martins também lê! — obrigadíssimo pela audiência, Professor.)
Depois do programa do professor Eduardo, vi o assunto sendo discutido
no programa de TV do professor Pasquale, e ainda recebi várias
newsletters pela Internet que tocavam no problema do “onde”. Ou seja:
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os estudiosos já estão há muito tempo cientes do problema. Agora é


preciso envolver o resto da população no combate a essa epidemia. Aliás,
aqui vai uma sugestão à produção da próxima “Casa dos Artistas”:
vamos fazer da Tiazinha, da Feiticeira e dos Gêmeos os garotos-
propaganda de uma campanha pela erradicação do “com certeza”, do
“eu vou estar transferindo a sua ligação” e do “tem casos onde”. O
absurdo maior é que o “onde” está deixando de ser usado justamente nos
momentos em que deveria, ou seja, quando é relativo a lugares.

Quase ninguém mais diz “o lugar onde nasci” ou “as cidades onde morei”.
Agora é o lugar “que” eu nasci, as cidades “que” eu morei. Se essa troca
de função entre o “onde” e o “que” for mais longe, aonde (a quê?) vamos
parar? Já pensou? Em vez de “a mulher que eu amo”, você vai dizer “a
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mulher onde eu amo”. (Às vezes as duas coisas coincidem, mas outras
vezes o objeto do desejo está inacessível ou com enxaqueca.) Mas o pior
vai ser quando “por que” virar “por onde”. “Por que você não foi?” vai
virar “Por onde você não foi?”, o que vai suscitar múltiplas interpretações.

Além do que (do onde?), aprender de novo quando o poronde é junto,


quando o por onde é separado e quando o porônde leva acento vai ser
complicado demais nessa idade.

Ricardo Freire. Época, 25/12/2001 (com adaptações)

Assinale a opção correta quanto à classificação das palavras ou


expressões do texto. (palavras e expressões em negrito no texto)

a) “Xongas” — substantivo próprio, concreto e simples

b) “Casa dos Artistas” — substantivo próprio, abstrato e composto

c) “Tiazinha” — substantivo comum, concreto e composto

d) ”garotos-propaganda” — substantivo próprio, concreto e composto

Comentários

As alternativas apresentam vocábulos para serem analisados, de forma a


identificarmos suas classificações.

Vamos ver alguns conceitos?

Substantivo próprio: aplicado a determinado ser da espécie.


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Substantivo comum: aplicado a todos os seres de uma espécie.

Substantivo simples: formado por meio de um único radical.

Substantivo composto: formado pela justaposição de dois ou mais


radicais.

Substantivo concreto: designa os seres de existência independente,


sejam reais ou imaginários.

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Substantivo abstrato: designa os seres de existência dependente, ou


seja, que não existem em nosso mundo exterior.

Agora, vamos examinar os substantivos constantes das alternativas:

a) “Xongas” — substantivo próprio (observe a inicial maiúscula), concreto


(existência independente - coisa) e simples (um só radical).

b) “Casa dos Artistas” — substantivo próprio (observe as iniciais


maiúsculas), concreto (existência independente - lugar) e composto (dois
radicais ligados por preposição)

c) “Tiazinha” — substantivo próprio (observe a inicial maiúscula), concreto


(existência independente - pessoa) e simples (um só radical).

d) ”garotos-propaganda” — substantivo comum (refere-se a todos os


seres de uma espécie), concreto (existência independente - pessoa) e
composto (dois radicais).

Dessa forma, percebemos que a única alternativa que apresenta as


três definições que correspondem (todas elas) ao respectivo
substantivo é a alternativa A.

Gabarito: A

Questão 04 – (CESPE) Nível Superior – TRE-BA/2011

(Adaptada)
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Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1904.

Meu caro Paz, Obrigado pelas tuas palavras e pelo teu abraço. Ainda que
de longe, senti-lhes o afeto antigo, tão necessário nesta minha desgraça.
Não sei se resistirei muito. Fomos casados durante 35 anos, uma
existência inteira; por isso, se a solidão me abate, não é a solidão em si
mesma, é a falta da minha velha e querida mulher. Obrigado. Até breve,
segundo me anuncias, e oxalá concluas a viagem sem as
contrariedades a que aludes. Abraça-te o velho amigo Machado de Assis.

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Machado de Assis. Obra completa. vol. 3. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 1.072
(com adaptações).

Considerando o texto acima, que apresenta uma comunicação


particular, julgue o item seguinte.

Em “oxalá concluas a viagem” (em negrito no texto), o vocábulo “oxalá”


pode ser substituído por tomara que, mantendo-se, assim, o sentido do
trecho em que se insere.

Comentários

Para resolver esta questão, precisamos conhecer as classes de palavras.

A interjeição é a palavra invariável que expressa emoções e


sentimentos. Observe que a interjeição, sozinha, corresponde a uma
sentença, ou seja, ela consegue denotar um sentimento sem que seja
necessário o emprego de estruturas linguísticas mais elaboradas.
Os sentimentos podem ser de alegria, de animação, de dor, de desejo, de
aplauso, de impaciência, de silêncio, de invocação e muitos outros.
Na escrita, geralmente, as interjeições são acompanhadas por um ponto
de exclamação.
Exemplos: Ah!, Psiu!, Opa!, Eia!, Alô!, Puxa!, Upa!, Caramba!, Silêncio!.
Bravo!, Viva! etc.

Aqui, também temos as locuções interjectivas, que são conjuntos de


palavras que representam uma interjeição.
Exemplos: Ora bolas!, Valha-me Deus! Meu Deus!, Ó de casa!, Que pena!,
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Bom dia!, Até logo!, Queira Deus!, Ai de mim!, etc.

Oxalá é uma interjeição que exprime o sentimento de desejo de que


certa coisa aconteça.

Verificamos que a substituição de oxalá por tomara que é adequada e


mantém o sentido original do trecho, pois ambos os termos possuem o
mesmo significado.

Gabarito: CERTO

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Questão 05 – (CESPE) Analista Judiciário – STM/2011

(Adaptada)

Um embate entre instituições de ensino superior, editoras e autores é


travado há anos. Com o argumento de que livros são caros e muitas vezes
apenas um capítulo é necessário para o curso, alunos e professores
lançam mão de cópias de partes de publicações ou de apostilas para
economizar. O debate voltou à tona após policiais da Delegacia
Antipirataria apreenderem, no mês passado, mais de duzentas pastas com
textos para serem reproduzidos em uma universidade do Rio de Janeiro,
sob a alegação de crime de 10 direitos autorais. O operador da máquina
foi detido, e a universidade, indignada, criou normas para regulamentar
as cópias dentro de seus estabelecimentos. Uma alternativa legal, porém,
existe há quatro anos, mas só agora começa a ser efetivada em algumas
universidades: a venda de capítulos avulsos.

Luciani Gomes. In: IstoÉ, 6/10/2010 (com adaptações)

A inserção do artigo definido plural “os” imediatamente antes da


palavra policiais (em negrito no texto) não alteraria o sentido
original do período.

Comentários

Esta é uma questão bastante comum em provas. As bancas,


geralmente, questionam o emprego dos artigos em relação à manutenção
do sentido original de um período ou um texto.
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Vamos, em primeiro lugar, fazer a inserção proposta no enunciado.

Percebemos que, sem o artigo, o substantivo é compreendido em sentido


genérico, não especificado.

Por sua vez, com o artigo definido os, o substantivo policiais é entendido
em sentido particularizado. Observe que, agora, a referência é a todos
os policiais da delegacia.

Assim, a inserção do artigo definido plural antes do vocábulo


“policiais” altera o sentido original do período.

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Gabarito: ERRADO

Questão 06 – (CESPE) Agente Administrativo – PF/2012

(Adaptada)

O novo regime automotivo anunciado pelo governo federal incorpora


algumas boas práticas de política industrial, como o incentivo à inovação,
à eficiência energética e ao fortalecimento da cadeia de produção local —
mas com a clara intenção de não privilegiar acintosamente a indústria
nacional, para evitar questionamentos na Organização Mundial do
Comércio.

A nova política condiciona a isenção da alíquota adicional de 30% no


imposto sobre produtos industrializados a contrapartidas mensuráveis
das empresas. Para obter benefícios maiores, será obrigatório cumprir
metas múltiplas. Exige-se, por exemplo, investimento crescente em
pesquisa e desenvolvimento, até atingir 0,5% da receita líquida entre
2015 e 2017, além de 1% para engenharia, tecnologia industrial básica e
capacitação de fornecedores.

Não se fala mais em percentual mínimo de conteúdo nacional, mas as


montadoras terão de realizar no Brasil ao menos seis de doze etapas
fabris já em 2013. Outro requisito fundamental é a economia de
combustível, com o objetivo de alinhar a produção às exigências de países
líderes, como os da Europa. A marca de 17,3 km/L para os automóveis
novos — uma redução de 12% do consumo atual — precisará ser atingida
até 2017. 62456350391

Editorial, Folha de S. Paulo, 5/10/2012 (com adaptações)

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima,


julgue o item que se segue.

Em “a isenção” (em negrito no texto) e em “a contrapartidas” (em negrito


no texto), o termo “a”, em ambas as ocorrências, pertence à mesma
classe gramatical.

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Comentários

Para resolver esta questão, precisamos examinar a classe


gramatical da palavra a nas duas ocorrências dela no texto.

Na primeira ocorrência, o termo a acompanha o substantivo isenção e o


determina de modo preciso e particular. Dessa maneira, concluímos que a
é um artigo definido.

Por sua vez, na segunda ocorrência, o termo a acompanha o substantivo


contrapartidas, mas não se comporta como artigo. Antes de mais nada, se
fosse artigo, estaria no plural (as). Aqui, o vocábulo a é uma preposição.

Portanto, o termo a não pertence à mesma classe gramatical em


ambas as ocorrências.

Gabarito: ERRADO

Questão 07 – (CESPE) Agente de Polícia Federal – PF/2012

Imagine que um poder absoluto ou um texto sagrado declarem que quem


roubar ou assaltar será enforcado (ou terá a mão cortada). Nesse caso,
puxar a corda, afiar a faca ou assistir à execução seria simples, pois a
responsabilidade moral do veredicto não estaria conosco. Nas sociedades
tradicionais, em que a punição é decidida por uma autoridade superior a
todos, as execuções podem ser públicas: a coletividade festeja o soberano
que se encarregou da justiça — que alívio!

A coisa é mais complicada na modernidade, em que os cidadãos comuns


(como você e eu) são a fonte de toda autoridade jurídica e moral. Hoje,
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no mundo ocidental, se alguém é executado, o braço que mata é, em


última instância, o dos cidadãos — o nosso. Mesmo que o condenado seja
indiscutivelmente culpado, pairam mil dúvidas. Matar um condenado à
morte não é mais uma festa, pois é difícil celebrar 16 o triunfo de uma
moral tecida de perplexidade. As execuções acontecem em lugares
fechados, diante de poucas testemunhas: há uma espécie de vergonha.
Essa discrição é apresentada como um progresso: os povos civilizados não
executam seus condenados nas praças. Mas o dito progresso é, de fato,
um corolário da incerteza ética de nossa cultura.

Reprimimos em nós desejos e fantasias que nos parecem ameaçar o


convívio social. Logo, frustrados, zelamos pela prisão daqueles que não se

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impõem as mesmas renúncias. Mas a coisa muda quando a pena é radical,


pois há o risco de que a morte do culpado sirva para nos dar a ilusão de
liquidar, com ela, o que há de pior em nós. Nesse caso, a execução do
condenado é usada para limpar nossa alma. Em geral, a justiça sumária é
isto: uma pressa em suprimir desejos inconfessáveis de quem faz justiça.
Como psicanalista, apenas gostaria que a morte dos culpados não servisse
para exorcizar nossas piores fantasias — isso, sobretudo, porque o
exorcismo seria ilusório. Contudo é possível que haja crimes hediondos
nos quais não reconhecemos nada de nossos desejos reprimidos.

Contardo Calligaris. Terra de ninguém – 101 crônicas. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 94-
6 (com adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto


acima, julgue o item.

De acordo com o texto, nas sociedades tradicionais, os cidadãos


sentem-se aliviados sempre que um soberano decide infligir a pena de
morte a um infrator porque se livram das ameaças de quem desrespeita
a moral que rege o convívio social, como evidencia o emprego da
interjeição “que alívio!” (sublinhada no texto).

Comentários

A interjeição é a palavra invariável que expressa emoções e


sentimentos. Observe que a interjeição, sozinha, corresponde a uma
sentença, ou seja, ela consegue denotar um sentimento sem que seja
necessário o emprego de estruturas linguísticas mais elaboradas.
Os sentimentos podem ser de alegria, de animação, de dor, de desejo, de
aplauso, de impaciência, de silêncio, de invocação e muitos outros.
Na escrita, geralmente, as interjeições são acompanhadas por um ponto
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de exclamação.
Exemplos: Ah!, Psiu!, Opa!, Eia!, Alô!, Puxa!, Upa!, Caramba!, Silêncio!.
Bravo!, Viva! etc.
Aqui, também temos as locuções interjectivas, que são conjuntos de
palavras que representam uma interjeição.
Exemplos: Ora bolas!, Valha-me Deus! Meu Deus!, Ó de casa!, Que pena!,
Bom dia!, Até logo!, Queira Deus!, Ai de mim!, etc.

Depois dessa revisão sobre interjeição, vamos ver o trecho do


texto constante do enunciado:

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Imagine que um poder absoluto ou um texto sagrado declarem que quem roubar
ou assaltar será enforcado (ou terá a mão cortada). Nesse caso, puxar a corda,
afiar a faca ou assistir à execução seria simples, pois a responsabilidade moral
do veredicto não estaria conosco. Nas sociedades tradicionais, em que a punição
é decidida por uma autoridade superior a todos, as execuções podem ser
públicas: a coletividade festeja o soberano que se encarregou da justiça — que
alívio!

De acordo com o texto, nas sociedades tradicionais, os cidadãos


sentem-se aliviados porque se livram da responsabilidade, pois
esta pertence a uma autoridade superior, e não porque se livram das
ameaças de quem desrespeita a moral que rege o convívio social, como
apresenta o item. Por isso, o item está errado.

Gabarito: ERRADO

Questão 08 – (CESPE) Técnico de Geociências – CPRM/2013

Apesar de certa retenção em 2012, o valor da maioria dos metais tende a


continuar em alta. Em seu último boletim com previsões para o preço de
commodities, divulgado em janeiro, o Banco Mundial estima o aumento
das cotações de seis metais até 2025 (alumínio, ferro, chumbo, zinco,
estanho e níquel). Só o cobre e os preciosos (ouro, prata e platina) devem
baratear um pouco, mas nada que os devolva aos níveis das décadas de
80 e 90 do século passado.

Qual a explicação para a reviravolta ocorrida no mercado dos metais? “À


medida que as nações ao redor do mundo se industrializam e as
populações se esforçam para melhorar seus padrões de vida, a mineração
vem para assumir um papel mais central no cenário mundial”, é afirmado
em um relatório de 2012 da Deloitte, uma das maiores consultorias
globais. 62456350391

Em outras palavras, o crescimento dos países emergentes, liderado pela


China, esquentou a compra de metais, que estão por toda a parte. O ferro
vira o aço que fabrica máquinas, tratores, carros. O cobre é ótimo
condutor de eletricidade (a geração de energia segue a industrialização) e
matéria-prima de tubos de prédios e casas. A platina, além do uso
tradicional como joia, serve para refinar petróleo, outro produto cuja
procura cresce em ciclos de desenvolvimento.

Internet: (com adaptações).

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Com relação aos sentidos e às estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item que se segue.

Feitas as necessárias alterações na grafia das palavras, o deslocamento


do vocábulo “certa” (sublinhado) para logo após o substantivo a que se
refere manteria a correção gramatical e o sentido original do texto.

Comentários

Observe que a palavra “certa” colocada antes do substantivo pertence à


classe de palavras “pronome”, ou seja, é um pronome indefinido.

O pronome indefinido é aquele empregado, em uma oração, caso


tenhamos a intenção de fazer referência à terceira pessoa do discurso de
modo vago. Também podemos usá-lo para expressar quantidade
indeterminada.

Se colocarmos a palavra “certa” logo após o substantivo “retenção”, ela


passa a ser um adjetivo, o que irá modificar o sentido original do
texto, apesar de que a correção gramatical ficaria mantida.

Vamos revisar o adjetivo?

O adjetivo é a palavra variável que acompanha o substantivo para


precisar-lhe e modificar-lhe o significado. Assim, o adjetivo expressa as
qualidades, defeitos ou características de um substantivo.

Ele serve para:

Caracterizar os seres, os objetos ou as noções nomeadas pelos


substantivos. Dessa forma, pode indicar:

Qualidade (ou defeito): inteligência lúcida, canções bonitas, homem chato,


mulher perversa, palavra gentil.
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Modo de ser: pessoa simples, moça delicada, estrada pedregosa, avenida


asfaltada.

Aspecto, aparência, tipo: céu azul, vidro transparente, tecido vermelho,


faixa preta.

Estado: casa arruinada, laranjeira florida, natureza morta, criança triste.

Estabelecer com os substantivos uma relação de tempo, de


espaço, de matéria, de finalidade, de propriedade, de procedência,
etc.

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Exemplos: nota mensal (nota relativa ao mês), vinho francês (vinho


proveniente da França), casa materna (casa onde habita a mãe),
movimento estudantil (movimento feito por estudantes).

Dessa maneira, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 09 – (CESPE) Redator – FUB/2009

O ano de 1964 representou para a Universidade de Brasília o maior


retrocesso que pôde existir na história do ensino superior no Brasil. No
meu entender, foi um verdadeiro aborto na história da ciência, pois
aqui se perdeu o que existia de melhor em conhecimento científico e
intelectual deste país. Digo isso porque presenciei os fatos daquela
época. Destruíram, aqui, o ninho dos homens-águias. Desapareceram
os grandes personagens, que foram a verdadeira história da UnB.
Restaram apenas mágoas e ressentimentos, medo e desconfiança, um
sentimento de desgosto e de tristeza no meio de toda aquela gente se
evadindo ou assistindo com pavor à violência e à desmoralização de
seus colegas e familiares sem que nada se pudesse fazer. Por isso
afirmo e considero que aqui a história ficou interrompida.

Entre prisões e renúncias ao cargo, a Universidade perdeu os melhores


professores escolhidos pelo reitor Darcy Ribeiro. Até aquela data, o
que existia de melhor em matéria 19 de ensino estava na Universidade
de Brasília.

Sebastião Varela. UnB 30 anos de história, pioneirismo, resistência, homens e fatos.


In: UnB 30 anos. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1992, p. 146-7 (com
adaptações).
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Com relação aos aspectos semânticos e gramaticais do texto,


julgue o item que se segue.

O substantivo composto “homens-águias” (sublinhado no texto) refere-


se aos militares da tropa de choque que invadiram a UnB.

Comentários

Esta questão exige interpretação do texto, mas é uma boa oportunidade


para estudarmos o plural dos substantivos compostos.

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Substantivos Compostos
O substantivo composto se forma pela justaposição ou aglutinação de dois
ou mais radicais. Usamos as regras a seguir.
Os dois elementos variam:
Se o substantivo for formado por: substantivo + substantivo.
Exemplos: couves-flores, mestres-salas, porcos-espinhos.
Se o substantivo for formado por: substantivo + adjetivo.
Exemplos: obras-primas, guardas-noturnos, amores-perfeitos,
cachorros-quentes.
Se o substantivo for formado por: adjetivo + substantivo.
Exemplos: boas-vindas, longas-metragens, más-línguas, gentis-homens.
Se o substantivo for formado por: numeral + substantivo.
Exemplos: quartas-feiras.
Apenas o primeiro elemento varia:
Se o substantivo for formado por: substantivo + preposição +
substantivo.
Exemplos: pães de ló, escolas de samba, pés de moleque.
Se o substantivo for formado por: substantivo + substantivo, e o
segundo funcionar como determinante (ex: adjetivo) do primeiro.
Exemplos: navio(s)-escola, salários(s)-família, peixe(s)-espada,
banana(s)-ouro, homem(s)-rã, notícias-bomba, palavras-chave.
Apenas o segundo elemento varia:
Se o substantivo for formado por: palavras repetidas.
Exemplos: tico-ticos, reco-recos.
Se o substantivo for formado por: verbo + substantivo.
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Exemplos: beija-flores, guarda-roupas.


Se o substantivo for formado por: palavra invariável + palavra
variável.
Exemplos: ave-marias, abaixo-assinados.
Se o substantivo for formado por: elementos não ligados por
hífen e que formam uma só palavra.
Exemplos: aguardentes, planaltos, girassóis.
Se o substantivo for formado por: redução + substantivo.
Exemplos: grão-mestres, bel-prazeres.

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Nenhum elemento varia:


Se o substantivo for formado por: verbo + advérbio.
Exemplo: o(s) bota-fora.
Se o substantivo for formado por: verbo + substantivo plural.
Exemplos: o(s) salva-vidas, o(s) saca-rolhas.

Casos Especiais

o louva-a-deus e os louva-a-deus
o bem-te-vi e os bem-te-vis
o bem-me-quer e os bem-me-queres

De volta à questão, vamos analisar a pergunta feita no enunciado.

O substantivo composto “homens-águias” refere-se aos militares da


tropa de choque que invadiram a UnB?

Veja o trecho abaixo e perceba que, na verdade, os “homens-


águias” foram destruídos pelos militares, então o item está errado.

O ano de 1964 representou para a Universidade de Brasília o maior retrocesso


que pôde existir na história do ensino superior no Brasil. No meu entender, foi
um verdadeiro aborto na história da ciência, pois aqui se perdeu o que existia de
melhor em conhecimento científico e intelectual deste país. Digo isso porque
presenciei os fatos daquela época. Destruíram, aqui, o ninho dos homens-águias.

GABARITO: ERRADO

Questão 10 – (CESPE) Técnico


62456350391
de Operação de Redes –
SERPRO/2008

Em princípio, a ansiedade não é doença, e sim uma resposta natural do


organismo a situações que geram grande tensão física e psicológica.
Longe de representar uma ameaça, bem dosada, ela funciona como um
importante mecanismo de proteção. “A ansiedade é um sinal de alerta que
adverte sobre os eventuais perigos e nos mobiliza a tomar as medidas
necessárias para enfrentá-los”, explica a psicóloga Ana Maria Rossi.

Um exemplo? Não fossem as constantes inquietações quanto à saúde do


bebê, é bem provável que a gestante viesse a ignorar a necessidade de
adotar medidas preventivas fundamentais ao seu bem-estar e ao da

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criança, tais como fazer pré-natal, cuidar da alimentação, evitar esforços


físicos, banir cigarro e álcool etc. Isso significa que doses moderadas de
apreensão e vigilância — reações típicas da ansiedade — são saudáveis e
não devem vir acompanhadas de culpa.

Os sintomas de ansiedade são muitos. Podem incluir tristeza, irritação,


cansaço, taquicardia, náusea, enjôo, tensão muscular, ganho de peso,
entre outros. “Estar submetida a fatores de estresse cotidianos não
representa necessariamente um perigo para a gravidez; tudo vai
depender de como a mulher reage”, afirma a obstetra Cristiane Fadel, de
São Paulo.

Internet: (com adaptações)

A partir das ideias e das estruturas do texto acima, julgue o item.

São adjetivos compostos os vocábulos “bem-estar” e “pré-natal”


(sublinhados no texto).

Comentários

Os vocábulos apresentados no item são substantivos, e não adjetivos.

Dessa maneira, o item está errado.

O substantivo é a palavra que designa os seres em geral, coisas ou


ideias (pessoas, lugares, instituições, entidades, animais, plantas,
minerais, vegetais, gases, entes de natureza espiritual ou mitológica,
etc.).

Exemplos: Deus, Maria, Brasília, alma, fada, pedra, patriotismo, maldade,


surdez, pele, Senna, ouro, amor, raiva, cegueira, mesa, planta.

CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS 62456350391

Substantivo Concreto
Designa os seres que possuem existência independente ou que nossa
imaginação considera como tal, podem ser reais ou imaginários (pessoas,
animais, vegetais, plantas, minerais, lugares, coisas, gases e entidades).
Exemplos: Deus, Maria, gato, bicho, flor, prata, país, livro, hidrogênio, parque.
Substantivo Abstrato
Designa os seres de existência dependente, ou seja, que não existem em
nosso mundo exterior (sentimentos, ações, qualidades, estados, etc.).
Sua existência depende dos seres concretos.

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Exemplos: amor, ódio, raiva, compaixão (sentimentos); produção, viagem,


brincadeira (ações); beleza, feiura, generosidade (qualidades); vida, morte,
medo, nervosismo, alegria (estados).
Substantivo Comum
O substantivo comum se refere a todos os seres de uma espécie ou indica
uma abstração.
Exemplos: mesa, cidade, mulher, homem, paz.
Substantivo Próprio
O substantivo próprio se refere a determinado ser da espécie.
Exemplos: França, Roma, Maria, João, Congresso Nacional, rua Ministro
Borges.
Substantivo Coletivo
O substantivo coletivo é o substantivo comum que, no singular, indica um
conjunto de seres da mesma espécie. Ele pode ser: específico ou
indeterminado. O específico se refere a uma só espécie de seres e o
indeterminado, a diversas espécies de seres.
Exemplos: específicos: cardume, elenco, alcateia, cordilheira, arquipélago.
indeterminados: manada – de bois, búfalos, elefantes
bando – de ciganos, pessoas, malfeitores
réstia – de cebolas, alhos
junta – de médicos, de examinadores

O adjetivo é a palavra variável que acompanha o substantivo para


precisar-lhe e modificar-lhe o significado. Assim, o adjetivo expressa as
qualidades, defeitos ou características de um substantivo.

Ele serve para: 62456350391

Caracterizar os seres, os objetos ou as noções nomeadas pelos


substantivos. Dessa forma, pode indicar:

Qualidade (ou defeito): inteligência lúcida, canções bonitas, homem chato,


mulher perversa, palavra gentil.

Modo de ser: pessoa simples, moça delicada, estrada pedregosa, avenida


asfaltada.

Aspecto, aparência, tipo: céu azul, vidro transparente, tecido vermelho,


faixa preta.

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Estado: casa arruinada, laranjeira florida, natureza morta, criança triste.

Estabelecer com os substantivos uma relação de tempo, de


espaço, de matéria, de finalidade, de propriedade, de procedência,
etc.

Exemplos: nota mensal (nota relativa ao mês), vinho francês (vinho


proveniente da França), casa materna (casa onde habita a mãe),
movimento estudantil (movimento feito por estudantes).

GABARITO: ERRADO

Questão 11 – (CESPE) Analista Judiciário – TRE-AP/2007

(Adaptada)

(Texto para as questões 11 e 12)

Governo federal assenta 381 mil famílias em quatro anos

O governo federal assentou 381.419 famílias nos últimos quatro anos, em


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um total de quase 31,7 milhões de hectares. Os números mostram o


melhor desempenho do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (INCRA) nos 36 anos de existência do órgão, considerando-se a
área destinada à reforma agrária e o número de famílias assentadas.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a média anual de


famílias assentadas nos últimos quatro anos é de 95.355. Só no ano
passado foram assentadas 136.358 famílias. O aumento de recursos
destinados à obtenção de terras foi expressivo: passou de R$ 409 milhões
em 2003 para R$ 1,37 bilhão em 2006, o que permitiu o cumprimento das
metas de assentamento definidas no II Plano Nacional de Reforma Agrária

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(II PNRA). No total, em quatro anos, foram aplicados R$ 4,1 bilhões na


obtenção de terras.

Nesse período foram implantados 2.343 projetos de assentamento (PA). A


criação de um PA é uma das etapas do processo da reforma agrária.
Quando uma família de trabalhador rural é assentada, recebe um lote de
terra para morar e produzir dentro do chamado assentamento rural. A
partir da sua instalação na terra, essa família passa a ser beneficiária da
reforma agrária, recebendo créditos de apoio (para compra de
maquinários e sementes) e melhorias na infra-estrutura (energia elétrica,
moradia, água etc.), 13 para se estabelecer e iniciar a produção. O valor
dos créditos para apoio à instalação dos assentados aumentou. Os
montantes investidos passaram de R$ 191 milhões em 2003 para R$
871,6 milhões, empenhados em 2006.

Também a partir do assentamento, essa família passa a participar de uma


série de programas que são desenvolvidos pelo governo federal. Além de
promover a geração de renda das famílias de trabalhadores rurais, os
assentamentos da reforma agrária também contribuem para inibir a
grilagem de terras públicas, combater a violência no campo e auxiliar na
preservação do meio ambiente e da biodiversidade local, especialmente na
região Norte do país.

Na qualificação dos assentamentos, foram investidos R$ 2 bilhões em


quatro anos. Os recursos foram aplicados na construção de estradas, na
educação e na oferta de luz elétrica, entre outros benefícios. O governo
também construiu ou reformou mais de 32 mil quilômetros de estradas e
pontes, beneficiando diretamente 197 mil assentados. Além disso, o
número de famílias assentadas beneficiadas com assistência técnica
cresceu significativamente. Em 2006, esse número foi superior a 555 mil.

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), que


garante o acesso à educação entre os trabalhadores rurais, promoveu,
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mediante convênios com instituições de ensino, a realização de 141


cursos. Com o programa Luz Para Todos — parceria do Ministério do
Desenvolvimento Agrário, INCRA e Ministério das Minas e Energia —, os
assentamentos também ganharam luz elétrica. Mais de 132 mil famílias
em 2,3 mil assentamentos já foram beneficiadas com o programa.

O fortalecimento institucional do INCRA, com a realização de dois


concursos públicos, e o aumento no número de 28 superintendências e
sua modernização tecnológica também foram algumas das ações
realizadas no período. Foram nomeados 1.300 servidores aprovados no
concurso realizado em 2005. Somado aos nomeados desde 2003, o
número de novos servidores passou para 1.800, o que representa um
aumento de mais de 40% na força de trabalho do Instituto.
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Em questão, n.º 481, Brasília, 14/2/2007 (com adaptações).

Considerando o texto, julgue o item com referência ao emprego


das classes de palavras.

Referem-se todas a substantivos próprios as seguintes siglas empregadas


no texto: PA, PNRA, INCRA e PRONERA.

Comentários

Vamos revisar o substantivo próprio?


O substantivo próprio se refere a determinado ser da espécie.
Exemplos: França, Roma, Maria, João, Congresso Nacional, rua Ministro
Borges.

Vamos ver as referências das siglas?

 Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA)


 projetos de assentamento (PA)
 Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA)
 II Plano Nacional de Reforma Agrária (II PNRA)

Observe que a sigla “PA” não se refere a substantivo próprio. Uma


maneira fácil de identificar é verificar que o substantivo “projetos de
assentamento” possui iniciais minúsculas.

Desse modo, verificamos que a questão está errada.

GABARITO: ERRADO 62456350391

Questão 12 – (CESPE) Analista Judiciário – TRE-AP/2007

Considerando o texto, julgue o item com referência ao emprego


das classes de palavras.

Estão empregadas em função adjetiva as seguintes palavras do texto:


“investidos” (sublinhada no texto), “aplicados” (sublinhada no texto),
“beneficiando” (sublinhada no texto) e “assentados” (sublinhada no
texto).

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Comentários

Vamos estudar um pouco os adjetivos?

Adjetivo é a palavra variável que acompanha o substantivo para precisar-


lhe e modificar-lhe o significado. Assim, o adjetivo expressa as
qualidades, defeitos ou características de um substantivo.

Ele serve para:

Caracterizar os seres, os objetos ou as noções nomeadas pelos


substantivos. Dessa forma, pode indicar:

Qualidade (ou defeito): inteligência lúcida, canções bonitas, homem chato,


mulher perversa, palavra gentil.

Modo de ser: pessoa simples, moça delicada, estrada pedregosa, avenida


asfaltada.

Aspecto, aparência, tipo: céu azul, vidro transparente, tecido vermelho,


faixa preta.

Estado: casa arruinada, laranjeira florida, natureza morta, criança triste.

Estabelecer com os substantivos uma relação de tempo, de


espaço, de matéria, de finalidade, de propriedade, de procedência,
etc.

Exemplos: nota mensal (nota relativa ao mês), vinho francês (vinho


proveniente da França), casa materna (casa onde habita a mãe),
movimento estudantil (movimento feito por estudantes).

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Temos alguns adjetivos que são empregados com valor de substantivo –


são os chamados adjetivos substantivados.

Exemplo: os antepassados (os homens antepassados).

De modo inverso, também existem os substantivos adjetivados, que


são os substantivos empregados com valor de adjetivo.

Exemplos: camisa cinza (camisa de cor idêntica à da cinza, que significa

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resíduos de combustão), vestido rosa (vestido de cor idêntica à da rosa, que é


uma designação de flor).

Outro ponto a ser destacado é a locução adjetiva: expressão


(preposição+substantivo) que se refere a algum substantivo e atribui-lhe
as mesmas características que o adjetivo, ou seja, exerce a função de
adjetivo.

Exemplos: aves da noite, paixão sem freio, blusa de couro, pessoa sem
mácula.

CLASSIFICAÇÃO DOS ADJETIVOS QUANTO À FORMAÇÃO

Adjetivo Primitivo

É aquele que não deriva de outra palavra.

Exemplos: útil, forte, triste, fraco.

Adjetivo Derivado

Deriva de um substantivo ou um verbo e apresenta um prefixo ou sufixo.

Exemplos: teimoso, desleal, cabeludo, pontual, respeitado, mulherengo.

Adjetivo Simples

É aquele que apresenta um único radical.

Exemplos: português, escuro, castanho.

Adjetivo Composto

É formado pela união de dois ou mais radicais.


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Exemplos: luso-brasileiro, verde-escuro, castanho-claro.

Adjetivo Pátrio

É também conhecido por gentílico. Indica a naturalidade ou nacionalidade


dos seres.

Exemplos: Brasília – brasiliense, São Paulo (capital) – paulistano.

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FLEXÃO DOS ADJETIVOS

O adjetivo varia em gênero, número e grau – sempre em concordância


com o substantivo caracterizado por ele.
Flexão de Gênero
Quanto ao gênero, o adjetivo se flexiona em biforme e uniforme.
Adjetivo Biforme
Apresenta duas formas diferentes, uma para indicar o masculino e outra
para o feminino.
Exemplos: garota bonita/garoto bonito, cidade suja/país sujo, homem
brasileiro/mulher brasileira, corpo fraco/mente fraca.
Adjetivo Uniforme
Possui uma só forma tanto para o masculino quanto para o feminino.
Exemplos: simples, capaz, inteligente, forte, cruel, elegante, útil, favorável,
incrível.
Flexão de Número
Adjetivo Simples
O plural do adjetivo simples se faz com as mesmas regras do substantivo.
Adjetivo Composto
O adjetivo composto se forma por dois ou mais radicais. Usamos as regras
a seguir.
Varia apenas o último elemento:
Se o adjetivo for formado por: adjetivo + adjetivo.
Exemplos: cabelos castanho-escuros, casacos azul-claros.
Obs: o adjetivo surdo-mudo flexiona seus dois elementos.
Se o substantivo for formado por: palavra invariável + palavra
62456350391

variável (nessa ordem).


Exemplos: bem-educados, recém-formados.
Nenhum elemento varia:
Se o adjetivo for formado por: adjetivo + substantivo.
Exemplos: blusas verde-oliva, brincos azul-turquesa, vestidos amarelo-
ovo.
Se o adjetivo for uma locução formada por: cor + de +
substantivo.
Exemplos: blusas cor-de-rosa, vestidos cor-de-café.

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Obs: os adjetivos azul-marinho, azul-celeste e azul-ferrete também são


invariáveis.

Flexão de Grau
Grau comparativo de inferioridade
Menos do que.
Exemplo: Os adultos são menos alegres do que as crianças.
Grau comparativo de igualdade
Igual a, como, tanto, quanto, tão quanto.
Exemplo: Os adultos são tão alegres quanto as crianças.
Grau comparativo de superioridade
Mais do que.
Exemplo: As crianças são mais sinceras do que os adultos.
Grau superlativo
Absoluto sintético e absoluto analítico.
Exemplos - absoluto sintético: O prédio é altíssimo. Maria é lindíssima.
Meu sofá é ótimo.
Exemplos - absoluto analítico: João é muito humilde. A casa é muito
valiosa. O apartamento é excessivamente grande.
Grau superlativo relativo
De inferioridade (o menos) e de superioridade (o mais).
Exemplo – de inferioridade: José é o menos estudioso da escola.
Exemplo – de superioridade: O Brasil é o mais belo dos países.

62456350391

Ao compararmos duas qualidades de um


mesmo ser, empregamos a forma analítica
(mais grande, mais bom, mais pequeno,
mais ruim, etc.).

Se a mesma qualidade se referir a seres


distintos, usamos a forma sintética (maior,
melhor, menor, pior, etc.).

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Exemplo: Joana é mais gorda que grande. Aquele prédio é maior que este.
Maria é menor que a prima. Sandra é mais pequena que magra.

O grau superlativo também pode ser feito por meio do emprego da


repetição do adjetivo.

Exemplo: A viagem foi muito divertida, divertida.

Voltando à questão, vamos ver as palavras separadamente?

 “Investidos” e “aplicados” são formas nominais do verbo, no caso


são particípios.
 “Beneficiando” e “aplicados” é forma nominal do verbo, no caso é
gerúndio.
 “Assentados” é substantivo.

Assim, concluímos que o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 13 – (CESPE) Analista Judiciário – TRT 1ª Região-


RJ/2008

(Adaptada)

Julgue o item a seguir.

A flexão de plural da palavra "mão-de-obra" corresponde a mãos-de-


obras, ou seja, utiliza-se o mesmo processo de flexão de plural utilizado
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no substantivo "bóias-frias".

Comentários

O plural da palavra “mão-de-obra” é “mãos-de-obra”.

Portanto, o item está errado.

Vejam as regras a seguir:


Substantivos Compostos
O substantivo composto se forma pela justaposição ou aglutinação de dois
ou mais radicais. Usamos as regras a seguir.
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Os dois elementos variam:


Se o substantivo for formado por: substantivo + substantivo.
Exemplos: couves-flores, mestres-salas, porcos-espinhos.
Se o substantivo for formado por: substantivo + adjetivo.
Exemplos: obras-primas, guardas-noturnos, amores-perfeitos,
cachorros-quentes.
Se o substantivo for formado por: adjetivo + substantivo.
Exemplos: boas-vindas, longas-metragens, más-línguas, gentis-homens.
Se o substantivo for formado por: numeral + substantivo.
Exemplos: quartas-feiras.
Apenas o primeiro elemento varia:
Se o substantivo for formado por: substantivo + preposição +
substantivo.
Exemplos: pães de ló, escolas de samba, pés de moleque.
Se o substantivo for formado por: substantivo + substantivo, e o
segundo funcionar como determinante (ex: adjetivo) do primeiro.
Exemplos: navio(s)-escola, salários(s)-família, peixe(s)-espada,
banana(s)-ouro, homem(s)-rã, notícias-bomba, palavras-chave.
Apenas o segundo elemento varia:
Se o substantivo for formado por: palavras repetidas.
Exemplos: tico-ticos, reco-recos.
Se o substantivo for formado por: verbo + substantivo.
Exemplos: beija-flores, guarda-roupas.
Se o substantivo for formado por: palavra invariável + palavra
variável.
62456350391

Exemplos: ave-marias, abaixo-assinados.


Se o substantivo for formado por: elementos não ligados por
hífen e que formam uma só palavra.
Exemplos: aguardentes, planaltos, girassóis.
Se o substantivo for formado por: redução + substantivo.
Exemplos: grão-mestres, bel-prazeres.
Nenhum elemento varia:
Se o substantivo for formado por: verbo + advérbio.
Exemplo: o(s) bota-fora.

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Se o substantivo for formado por: verbo + substantivo plural.


Exemplos: o(s) salva-vidas, o(s) saca-rolhas.

Casos Especiais

o louva-a-deus e os louva-a-deus
o bem-te-vi e os bem-te-vis
o bem-me-quer e os bem-me-queres

GABARITO: ERRADO

Questão 14 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2005

circum-lóquio

(pur troppo non allegro)

sobre o neoliberalismo terceiro-mundista

7.

o neoliberal

sonha um admirável

mundo fixo

de argentários e multinacionais

terratenentes terrapotentes
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coronéis políticos

milenaristas (cooptados) do

perpétuo

status quo:

um mundo privé

palácio de cristal

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à prova de balas:

bunker blau

durando para sempre – festa

estática

(ainda que sustente sobre

fictas

palafitas

e estas sobre uma lata

de lixo)

Haroldo de Campos. Poema inédito. In: Folha de S. Paulo, 12/6/1998.

Com base na análise do vocabulário da estrofe transcrita no


texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

Nos versos sublinhados no texto, “sonha um admirável / mundo fixo”, a


posição dos adjetivos que modificam o substantivo “mundo” é
evidência de que a ordem das palavras na oração diz respeito à sintaxe
e também à semântica. Caso se alterasse a ordem (sonha um mundo /
admirável fixo), haveria significativa mudança de sentido.

Comentários

A posição dos adjetivos em uma frase é muito importante, pois ela


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pode alterar o significado, assim há mudança de sentido.

Como exemplo clássico, temos: “criança pobre” e “pobre criança”.

Nesta questão, percebe-se que há uma significativa mudança de sentido.

Quanto à sintaxe, a correção gramatical fica mantida.

Dessa maneira, vemos que o item está correto.

GABARITO: CERTO

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Questão 15 – (CESPE) Perito Criminal – Polícia Federal/2004

A polêmica sobre o porte de armas pela população não tem consenso nem
mesmo dentro da esfera jurídica, na qual há vários entendimentos como:
“o cidadão tem direito a reagir em legítima defesa e não pode ter
cerceado seu acesso aos instrumentos de defesa”, ou “a utilização da
força é direito exclusivo do Estado” ou “o armamento da população
mostra que o Estado é incapaz de garantir a segurança pública”.
Independente de quão caloroso seja o debate, as estatísticas estão
corretas: mais armas potencializam a ocorrência de crimes, sobretudo em
um ambiente em que essas sejam obtidas por meios clandestinos. A partir
daí, qualquer fato corriqueiro pode tornar-se letal. O porte de arma pelo
cidadão pode dar uma falsa sensação de segurança, mas na realidade é o
caminho mais curto para os registros de assaltos com morte de seu
portador.

Internet:. Acesso em 28/9/2004 (com adaptações)

A respeito do texto, julgue o item a seguir.

No período de que faz parte, o termo “Independente” (sublinhado no


texto) exerce a função de adjetivo e está no singular porque se refere a
“debate” (sublinhado no texto).

Comentários

Vamos ver o respectivo trecho do texto?

Independente de quão caloroso seja o debate, as estatísticas estão corretas:


mais armas potencializam a ocorrência de crimes, sobretudo em um ambiente
em que essas sejam obtidas por meios clandestinos.
62456350391

Veja que o “debate” não é indepedente, portanto “independente” não é


um adjetivo. “Independente” é um advérbio e está no singular,
porque advérbio é uma palavra invariável.

Portanto, o item está errado.

Vamos estudar o advérbio?

Advérbio é a palavra invariável que modifica o sentido dos adjetivos, dos


verbos e de outros advérbios.

O advérbio indica uma circunstância:

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 de afirmação: sim, certamente, realmente, etc.;


Sim, eu já cheguei.
 de negação: não, jamais, nunca, etc.;
Não deixou de sorrir, apesar da tristeza.
 de dúvida: porventura, oxalá, talvez, caso, quiçá, etc.;
A chuva talvez volte esta semana.
 de intensidade: pouco, meio, muito, bastante, mais,
extremamente, bem, etc.;
Marcos é bastante inteligente.
 de lugar: adiante, atrás, aí, aqui, ali, lá, etc.;
Lá em Belo Horizonte é tudo lindo.
 de modo: assim, bem, depressa, devagar, etc.;
Uma moça solitária tristemente foi embora.
 de tempo: cedo, tarde, agora, ainda, depois, etc.
Amanhã ouvirei a leitura daquele livro.

Obs: se tivermos uma série (sequência) de advérbios terminados em


mente, o sufixo pode aparecer apenas no último elemento.

Exemplo: Joana trabalhou calma e lentamente.

Atenção!

Locução Adverbial: é a expressão preposicionada que se equivale a um


advérbio.

 de afirmação: sem dúvida, com certeza, de fato, por certo, etc.;


 de negação: de jeito nenhum, de modo algum, etc.;
 de dúvida: quem sabe, se possível, etc.;
 de intensidade: em excesso, por completo, de todo, etc.;
 de lugar: à distância, de longe, de perto, em cima, em volta, ao
lado, à esquerda, à direita, etc.;
 de modo: às pressas, às claras, à vontade, à toa, às escondidas, a
pé, de ônibus, dessa maneira, aos poucos, frente a frente, lado a
62456350391

lado, etc.;
 de tempo: às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de
vez em quando, em breve, a qualquer momento, hoje em dia, etc.

Os advérbios variam em grau tal como acontece com o adjetivo. Alguns


advérbios não se flexionam em grau porque o próprio significado não
admite variação de intensidade. Entre outros, mencionam-se: aqui, aí, ali,
lá, hoje, amanhã, diariamente, anualmente.

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PALAVRAS DENOTATIVAS

As palavras denotativas se parecem com os advérbios, mas não são


classificadas assim, pois não modificam o verbo, o adjetivo ou o advérbio.
São, algumas vezes, de classificação muito difícil. Por isso, dizemos
apenas que são palavras ou locuções que denotam o seguinte:

 inclusão: até, inclusive, mesmo, também, etc.


Tudo na vida é passageiro, até a tristeza.
 exclusão: apenas, salvo, senão, somente, só, etc.
Ela não fala, apenas murmura palavras.
 designação: eis.
Eis o dia em que temos alegria.
 realce: cá, lá, é que, só, digo, etc.
Eu sei lá o que ele disse.
 retificação: aliás, ou antes, isto é, ou melhor, etc.
Amanhã terei minha casa, ou melhor, meu lar.
 situação: afinal, agora, então, mas, etc.
Afinal, ela não tem culpa de ter nascido pobre.
 continuação: então, ainda, etc.
Mas você ainda não conheceu a Joana?
 explicação: a saber, isto é, etc.
Os moradores do andar, a saber, Marcos e Eliana, estão viajando.

GABARITO: ERRADO

Questão 16 – (CESPE) Engenheiro Civil – Polícia Federal/2004

Há três situações inéditas na presente conjuntura mundial. Primeiro, os


Estados Unidos da América nunca travaram uma guerra no seu território,
nunca foram alvo de ataques, se levarmos em conta que o Havaí é um
território extracontinental e com poucas características norte-americanas.
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O coração do país foi atingido. O segundo fato inédito é a guerra contra o


terror. Na verdade não há uma guerra no sentido substantivo da palavra.
Ela é adjetiva, quer dizer, está acontecendo: há um longo conflito, não
uma longa guerra. Terceiro, é inédita a condução do conflito. Do final de
setembro aos primeiros dias de outubro, ficou muito claro que estamos
assistindo a algo absolutamente novo e fantástico: o surgimento de uma
entidade governante anglo-saxã. Não é mais o governo norte-americano
que faz a guerra: são os governos britânico e norte-americano.

Francisco Carlos T. da Silva. O mundo mudou? Ciência Hoje, nov./2003 (com


adaptações).

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Com relação ao texto acima, julgue o seguinte item.

A palavra “guerra” (sublinhado no texto) está associada a um sentido


substantivo de “longo conflito” (sublinhado no texto) e a um sentido
adjetivo, que deixa subentender um curto conflito.

Comentários

Quando lemos o texto com atenção, identificamos que o texto afirma


existir um longo conflito e nada deixa subentender que possa haver um
curto conflito.

Tenha cuidado com questões assim, pois a banca costuma usar as


palavras de modo confuso para tentar levar o candidato a erro.

Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 17 – (CESPE) Técnico Judiciário - Telecomunicações e


Eletricidade - STJ/2012

A um coronel que se queixava da vida de quartel, um jornalista disse:

- E o senhor não sabe como é chato militar na pesquisa.

Sírio Possenti. Os humores da língua. São Paulo: Mercado de Letras,


1998, p. 86.

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do trecho acima,


62456350391

julgue o item a seguir.

Na construção do sentido do texto, destaca-se a ambiguidade do vocábulo


“militar”, que, no contexto em que aparece, pode ser classificado ora
como substantivo, ora como verbo.

Comentários

Esta questão trata do emprego de substantivos e verbos. Vamos


revisar?

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Substantivo é a palavra que designa os seres em geral, coisas ou ideias


(pessoas, lugares, instituições, entidades, animais, plantas, minerais,
vegetais, gases, entes de natureza espiritual ou mitológica, etc.).

Verbo é a palavra variável em pessoa, número, tempo, modo e voz que


indica um processo (ação, desejo, estado, mudança de estado, fenômeno)
representado no tempo. Quando procuramos um verbo no dicionário, nós
o encontramos no modo infinitivo (andar, comer, fazer, sorrir, ser,
dormir), que significa o “nome do verbo”, ou seja, sua denominação.

De fato, a palavra militar pode se encaixar em ambas as classes de


palavra acima explicadas.

Como substantivo, militar significa aquele que integra uma das Forças
Armadas. Como verbo, militar significa atuar (trabalhar) em um partido,
em uma organização ou a favor de alguma causa.

No trecho em análise, temos que verificar se o emprego da palavra militar


causou ambiguidade, por causa desse “duplo sentido” da palavra.

Se analisarmos o contexto, verificamos que houve ambiguidade. Isso


porque podemos compreender que tanto o jornalista expressa reclamação
sobre uma intromissão das Forças Armadas na liberdade de imprensa
(substantivo) quanto desabafo em relação às dificuldades da atividade
profissional (verbo).

GABARITO: CERTO

Questão 18 – (CESPE) Professor Língua Portuguesa – SEDUC-


AM/2011
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À medida que os meses passavam, foi tomando horror à expressão


“funcionário público aposentado”, que lhe cheirava a atestado de óbito.

Ia dar início a profundas modificações em sua pessoa. Começaria pelos


trajes: roupa clara, moderna, não mais aqueles ternos escuros cobrindo a
eventual austeridade. Seu físico de homem empinado e enxuto não
parecia de todo desagradável. Entraria como sócio para algum clube; e, se
encontrasse um professor discreto, talvez aprendesse a dançar.

Essas providências seriam a sua toalete exterior para a nova fase da vida.

Semanas depois, aliviado do colarinho duro, era visto pelas ruas em trajes
mais leves, sorrindo forçado para os conhecidos.
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Tornou-se sócio de um clube da Lagoa. Sozinho, porém, nunca punha os


pés lá, até que um dia se fez acompanhar pelo Lulu, bom atleta e péssimo
funcionário, que o apresentara como “velho servidor do Estado” às
principais beldades do bairro. Como dialogar com elas? Não conhecia
futebol nem equitação, não sabia jogar baralho, não guardava nomes de
artistas de cinema, ignorava os escândalos da sociedade.

Tentou manter conversa, não conseguiu. Parecia-lhe que zombavam dele.


Se algumas moças lhe dirigiam a palavra era como se lhe atirassem
esmola. Acabou a noite só e triste, agarrado ao seu copo de uísque.
Quase nunca provava essa bebida; achava-a até ruim. Como fazia parte
do rito social, não custava virar o copo. Deixou o Lulu com as moças, e
saiu fazendo uma careta. “Velho servidor do Estado...”

O farol dos automóveis apagava nas águas da Lagoa o reflexo das últimas
estrelas. Um casal abraçava-se debaixo de uma amendoeira. Sentiu-se
mais só. A vida era para os outros. Antes tivesse algum processo a
informar; estaria ocupado em alguma cousa. Não! Um começo de soluço
contraiu-lhe a garganta. Chamou um táxi.

Aníbal Machado. Viagem aos seios de Duília. In: Os cem melhores contos brasileiros do
século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, p. 111 (com adaptações)

Com referência a palavras e expressões empregadas no texto,


julgue o próximo item.

O termo “velho” (sublinhado no texto) constitui exemplo de adjetivo cujo


sentido é alterado conforme a posição em relação ao substantivo que
modifica no sintagma — velho servidor / servidor velho.

Comentários
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Esta questão se refere ao emprego de adjetivos. O enunciado apresenta


um termo (velho) e pergunta se seu sentido é alterado conforme a
posição em relação ao substantivo que modifica no sintagma — velho
servidor / servidor velho.

Vamos estudar a teoria?

Adjetivo é a palavra variável que acompanha o substantivo para


precisar-lhe e modificar-lhe o significado. Assim, o adjetivo expressa as
qualidades, defeitos ou características de um substantivo.

Ele serve para:

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 Caracterizar os seres, os objetos ou as noções nomeadas pelos


substantivos. Dessa forma, pode indicar qualidade (ou defeito); modo de
ser; aspecto, aparência, tipo; e estado.
 Estabelecer com os substantivos uma relação de tempo, de espaço, de
matéria, de finalidade, de propriedade, de procedência, etc.

Visto isso, vamos examinar a palavra constante do enunciado de acordo


com sua colocação no texto. Para tanto, transcreve-se o trecho:

“Sozinho, porém, nunca punha os pés lá, até que um dia se fez
acompanhar pelo Lulu, bom atleta e péssimo funcionário, que o
apresentara como “velho servidor do Estado” às principais beldades do
bairro.”

Percebe-se que a palavra velho acompanha o substantivo servidor e o


caracteriza, além de com este concordar em gênero e número. Dessa
forma, podemos afirmar que o termo velho é um adjetivo.

O segundo questionamento é sobre a alteração de sentido, conforme a


posição dele.

O adjetivo pode aparecer antes ou depois da palavra à qual faz referência,


mas, em alguns casos, dependendo de sua anteposição ou posposição ao
substantivo, o adjetivo pode mudar de significado. Veja:

“Ela é uma mulher pobre.” (= sem recursos financeiros)


“Ela é uma pobre mulher.” (= infeliz)

É o que acontece aqui nesta questão. Observe:

Velho servidor - servidor ANTIGO

Servidor velho - servidor IDOSO


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GABARITO: CERTO

Questão 19 – (CESPE) Delegado de Polícia – PC-AL/2012

O filme Branca de Neve e o Caçador deveria chamar-se “Ravenna, a


rainha má”. Interpretada pela atriz Charlize Theron, a mãe-madrasta-
bruxa da princesa é o mais interessante do filme, assim como as questões
tão atuais que ela nos traz. E a bela Charlize faz uma rainha inesquecível.
Para não envelhecer, essa vilã dos contos de fadas ultrapassa todos os
limites e quebra todos os interditos. Uma mulher da era a.CP (antes da
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cirurgia plástica), Ravenna suga a alma, a juventude e a beleza das


adolescentes e devora corações puros, que arranca com suas unhas,
enquanto chafurda na amargura. O filme, para quem não sabe e não viu,
busca resgatar o conteúdo terrorífico das origens dos contos de fadas.
Tudo o que hoje se conhece com esse nome foi um dia histórias para
adultos, nas quais canibalismo e incesto eram ingredientes garantidos.
Mantidas vivas pela tradição oral dos camponeses medievais, as histórias
eram contadas para entreter, mas não só. Os contos nasceram e
permaneceram como uma forma de lidar com os riscos da vida real, em
um tempo em que os lobos uivavam do lado de fora e também do lado de
dentro, menos contidos pela cultura do que hoje. Depois, a partir do final
do século XVII, com Charles Perrault, culminando no século XIX, com os
Irmãos Grimm, os contos foram compilados, escritos e depurados como
histórias para crianças. Nós, que nascemos no século XX, fomos
alimentados por versões muito mais suaves e palatáveis a uma época
sensível, em que os pequenos são vistos como o receptáculo tanto da
inocência quanto do futuro, que, portanto, precisam ser protegidos dos
males do mundo e de seus semelhantes, assim como convencidos de que
sua “natureza” é boa e pura. Ainda que conheçamos, por experiência
própria, que o pior também nos habita desde muito, muito cedo. E seria
melhor para todos — e também para a vida em sociedade — poder olhar
para ele de frente.

Eliane Brum. Internet: (com adaptações).

Com referência ao texto antecedente, julgue o item a seguir.

A preposição “Para” (sublinhada no texto), que expressa uma ideia de


finalidade, poderia ser corretamente substituída por Com o intuito de ou
por A fim de.

Comentários

Preposição é a palavra invariável que serve de conexão entre duas


62456350391

outras ou entre orações, de forma a subordiná-las. Observe que a


primeira palavra (antecedente) fica modificada ou completada pela
segunda (consequente).

As preposições, isoladamente, são palavras que não possuem sentido.


Entretanto, ao serem colocadas nas sentenças, passam a ter uma carga
semântica.

Assim, a carga semântica da preposição “para”, no texto, é de


finalidade, pois o sentido é: com a finalidade de não envelhecer.
Observe que ambas as propostas de substituição são viáveis, pois elas
também expressam a noção de finalidade.

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Dessa forma, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 20 – (CESPE) Auditor de Controle Externo – TCE-ES/2012

Leis anticorrupção não andam

O Brasil é signatário de pelo menos quatro convenções internacionais que


tratam do combate à corrupção. No entanto, segundo estudo da Fundação
Getúlio Vargas, desperdiça cerca de R$ 7 bilhões por ano com a perda de
produtividade provocada por fraudes públicas, além de figurar entre os
principais países onde a corrupção é um empecilho para o crescimento. De
acordo com a organização não governamental Transparência
Internacional, o país ocupa a 73.ª posição no quesito corrupção, entre
182 países. Um dos motivos apontados por especialistas para esse mau
desempenho é a falta de leis mais rígidas. Um levantamento da Frente
Parlamentar Mista de Combate à Corrupção revela que aprová-las não tem
sido prioridade do Congresso Nacional. A pesquisa mostra que, na Câmara
dos Deputados e no Senado Federal, tramitam 139 projetos de lei que
tratam, em algum ponto, do enfrentamento da corrupção. A maior parte
impõe punições mais rigorosas para os corruptos, como o aumento de
penas, a ampliação de prazos de prescrição e o enquadramento dos ilícitos
ligados à corrupção em crimes hediondos e inafiançáveis. No entanto, as
propostas estão paradas em comissões e no plenário à espera de um
empurrão. Pelo menos dez projetos aguardam votação há mais de uma
década.

Correio Braziliense, 19/9/2012, p. 6 (com adaptações)

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Em relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o


item que se segue.

Se o numeral ordinal “73.ª” (em negrito no texto) fosse escrito por


extenso, a forma correta seria: seteptuagésima terceira.

Comentários

Para resolver esta questão, o aluno deve lembrar a ortografia dos


numerais. Observe que a forma correta é septuagésima terceira.

Dessa forma, o item está errado.

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GABARITO: ERRADO

Questão 21 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2013

Conta Darcy Ribeiro (1996) que, entre os índios Urubu-Kaapor, a Cobra


Grande engolia muita gente e precisou ser morta. “Antes de morrer, teve
um sobressalto. Se levantou, subiu e foi bater no céu. Ficou lá a sombra
dela. É a Via Láctea, que até hoje a gente vê. Depois, caiu lá de cima,
com grande barulho. Veio bater no chão, acabou com a mata toda naquele
lugar; só deixou um buraco. Agora é o mar Paraná- Ramiú.” Darcy, com o
jeito que lhe era característico, exclama: “Não é uma beleza? Aqui, o
sangue de uma Cobra gigantesca deu origem à Via Láctea e ao Avô-Mar!”

Lux Vidal. A Cobra Grande: uma introdução à cosmologia dos povos indígenas do Uaçá e
Baixo Oiapoque – Amapá. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 2009, p. 28-30 (com
adaptações)., p. 35 (com adaptações)

Julgue (C ou E) o item seguinte, relativo a aspectos gramaticais do


texto acima.

A oração ‘Não é uma beleza?’ expressa uma pergunta retórica que


corresponde à frase exclamativa É uma beleza!, sendo o advérbio de
negação empregado como termo de realce na sentença interrogativa.

Comentários

Observe que o advérbio de negação citado no enunciado é “não”. Esse


termo está aí apenas para realce, ou seja, não exerce uma função
propriamente dita.
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Você se lembra das “palavras denotativas”? Vamos ver?

PALAVRAS DENOTATIVAS

As palavras denotativas se parecem com os advérbios, mas não são


classificadas assim, pois não modificam o verbo, o adjetivo ou o advérbio.
São, algumas vezes, de classificação muito difícil. Por isso, dizemos
apenas que são palavras ou locuções que denotam o seguinte:

 inclusão: até, inclusive, mesmo, também, etc.


Tudo na vida é passageiro, até a tristeza.
 exclusão: apenas, salvo, senão, somente, só, etc.

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Ela não fala, apenas murmura palavras.


 designação: eis.
Eis o dia em que temos alegria.
 realce: cá, lá, é que, só, digo, etc.
Eu sei lá o que ele disse.
 retificação: aliás, ou antes, isto é, ou melhor, etc.
Amanhã terei minha casa, ou melhor, meu lar.
 situação: afinal, agora, então, mas, etc.
Afinal, ela não tem culpa de ter nascido pobre.
 continuação: então, ainda, etc.
Mas você ainda não conheceu a Joana?
 explicação: a saber, isto é, etc.
Os moradores do andar, a saber, Marcos e Eliana, estão viajando.

Assim, verificamos que este item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 22 – (CESPE) Oficial da Polícia Militar – PM-CE/2013

Entenda para que serve mandar um jipe-robô para Marte

Quem diria? A velha e dilapidada NASA, que nem possui mais meios
próprios de mandar pessoas para o espaço, acaba de mostrar que ainda
tem espírito épico.

A prova é o pouso perfeito do jipe-robô Curiosity em uma cratera de Marte


recentemente. A saga de verdade começa agora, contudo. O Curiosity é,
disparado, o artefato mais complexo que terráqueos já conseguiram botar
no chão de outro planeta. Com dezessete câmeras, é a primeira sonda
interplanetária capaz de fazer imagens em alta definição. Pode percorrer
até dois quilômetros por dia. 62456350391

Trata-se de um laboratório sobre rodas, equipado, entre outras coisas,


com canhão laser para pulverizar pedaços de rocha e sistemas que
medem parâmetros do clima marciano, como velocidade do vento,
temperatura e umidade... A lista é grande. Tudo para tentar determinar
se, afinal de contas, Marte já foi hospitaleiro para formas de vida – ou
quem sabe até ainda o seja.

Hoje se sabe que o subsolo marciano, em especial nas calotas polares,


abriga enorme quantidade de água congelada. E há pistas de que água
salgada pode escorrer pela superfície do planeta durante o verão

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marciano, quando, em certos lugares, a temperatura fica entre –25 oC e


25 oC.

Mesmo na melhor das hipóteses, são condições não muito amigáveis para
a vida como a conhecemos. Mas os cientistas têm dois motivos para não
serem tão pessimistas, ambos baseados no que se conhece a respeito dos
seres vivos na própria Terra.

O primeiro é que a vida parece ser um fenômeno tão teimoso, ao menos


na sua forma microscópica, que aguenta todo tipo de ambiente inóspito,
das pressões esmagadoras do leito marinho ao calor e às substâncias
tóxicas dos gêiseres.

Além disso, se o nosso planeta for um exemplo representativo da


evolução da vida Cosmos afora, isso significa que a vida aparece
relativamente rápido quando um planeta se forma — no caso da Terra,
mais ou menos meio bilhão de anos depois que ela surgiu (hoje o planeta
tem 4,5 bilhões de anos).

Ou seja, teria havido tempo, na fase “molhada” do passado de Marte,


para que ao menos alguns micróbios aparecessem antes de serem
destruídos pela deterioração do ambiente marciano. Será que algum deles
não deu um jeito de se esconder no subsolo e ainda está lá, segurando as
pontas?

Reinaldo José Lopes. In: Revista Serafina, 26/8/2012. Internet: (com adaptações)

Julgue o item a seguir, considerando a estrutura e os aspectos


gramaticais do texto apresentado, bem como as ideias nele
veiculadas.

No trecho “ou quem sabe até ainda o seja” (sublinhado no texto) o termo
62456350391

“o” classifica-se como pronome e refere-se ao adjetivo “hospitaleiro” (em


negrito no texto).

Comentários

Temos, aqui, uma questão sobre pronome. Pronome é o termo que serve
para substituir o nome (pronome substantivo) ou para acompanhá-lo
(pronome adjetivo). Sempre empregamos os pronomes de modo a fazer
referência às três pessoas do discurso.

Vamos ver o trecho e a substituição (referência) proposta?

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“Tudo para tentar determinar se, afinal de contas, Marte já foi


hospitaleiro para formas de vida – ou quem sabe até ainda o seja.”

“Tudo para tentar determinar se, afinal de contas, Marte já foi


hospitaleiro para formas de vida – ou quem sabe até ainda seja
hospitaleiro.”

Observe que “o” é um pronome pessoal e substitui o termo


“hospitaleiro”.

O pronome pessoal é empregado como maneira de designar diretamente


as pessoas do discurso (no singular ou no plural): 1ª pessoa: quem fala;
2ª pessoa: a quem se fala; 3ª pessoa: de quem se fala.

Eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, se,
lhes, os, as. Mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, conosco, convosco.

Assim, verificamos que este item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 23 – (CESPE) Analista Judiciário – STF/2013

A inércia da vida real desaparece magicamente na navegação pelo


ciberespaço, desprovida de fricção. No mercado atual, encontramos uma
série de produtos privados de suas propriedades malignas: café sem
cafeína, creme sem gordura, cerveja sem álcool… ciberespaço. A realidade
virtual simplesmente generaliza esse procedimento: cria uma realidade
privada de substância. Da mesma maneira que o café descafeinado tem
cheiro e gosto semelhantes aos do café, sem ser café, minha persona na
rede é sempre um “eu” descafeinado. Por outro lado, existe também o
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excesso oposto, e muito mais perturbador: o excedente de minha persona


virtual com relação ao meu “eu” real. Nossa identidade social, a pessoa
que presumimos ser em nosso intercurso social, já é uma máscara, já
envolve a repressão de nossos impulsos inadmissíveis; e é precisamente
nessas condições de “só uma brincadeira”, quando as regras que regulam
os intercâmbios de nossas vidas reais estão temporariamente suspensas,
que podemos nos permitir a exibição dessas atitudes reprimidas.

O fato de que eu perceba minha autoimagem virtual como simples


brincadeira me permite, assim, suspender os obstáculos que usualmente
impedem que eu realize meu “lado escuro” na vida real — meu “id
eletrônico” ganha asas dessa forma. E o mesmo se aplica aos meus
parceiros na comunicação via ciberespaço. Não há como ter certeza de
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quem sejam, de que sejam “realmente” como se descrevem, ou de saber


se existe uma pessoa “real” por trás da persona online. A persona online é
uma máscara para uma multiplicidade de pessoas? A pessoa “real” com
quem converso possui e manipula mais personas no computador, ou estou
simplesmente me relacionando com uma entidade digitalizada que não
representa pessoa “real” alguma?

Slavoj Zizek. Identidades vazias. Internet: (com adaptações)

Com relação às estruturas linguísticas do texto, julgue o item.

A locução adverbial “Da mesma maneira que” (sublinhada no texto)


poderia ser substituída, sem prejuízo para as relações de coesão e
coerência do texto, por Assim como.

Comentários

Vamos revisar os advérbios?

Advérbio é a palavra invariável que modifica o sentido dos adjetivos, dos


verbos e de outros advérbios.

O advérbio indica uma circunstância:

 de afirmação: sim, certamente, realmente, etc.;


 de negação: não, jamais, nunca, etc.;
 de dúvida: porventura, oxalá, talvez, caso, quiçá, etc.;
 de intensidade: pouco, meio, muito, bastante, mais, extremamente,
bem, etc.;
 de lugar: adiante, atrás, aí, aqui, ali, lá, etc.;
 de modo: assim, bem, depressa, devagar, etc.;
 de tempo: cedo, tarde, agora, ainda, depois, etc.
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Locução Adverbial é a expressão preposicionada que se equivale a um


advérbio.

 de afirmação: sem dúvida, com certeza, de fato, por certo, etc.;


 de negação: de jeito nenhum, de modo algum, etc.;
 de dúvida: quem sabe, se possível, etc.;
 de intensidade: em excesso, por completo, de todo, etc.;
 de lugar: à distância, de longe, de perto, em cima, em volta, ao lado, à
esquerda, à direita, etc.;
 de modo: às pressas, às claras, à vontade, à toa, às escondidas, a pé, de
ônibus, dessa maneira, aos poucos, frente a frente, lado a lado, etc.;

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 de tempo: às vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em


quando, em breve, a qualquer momento, hoje em dia, etc.

No texto, temos o seguinte:

“Da mesma maneira que o café descafeinado tem cheiro e gosto


semelhantes aos do café, sem ser café, minha persona na rede é sempre
um “eu” descafeinado.”

Veja que a locução adverbial “Da mesma maneira que” poderia ser
substituída, sem prejuízo para as relações de coesão e coerência do texto,
por “assim como”. Isso se deve ao fato de que as duas expressam a
mesma circunstância.

GABARITO: CERTO

Questão 24 – (CESPE) Agente de Polícia – PC-DF/2013

Balanço divulgado pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito


Federal (SSP/DF) aponta redução de 39% nos casos de roubo com
restrição de liberdade, o famoso sequestro-relâmpago, ocorridos entre 1.º
de janeiro e 31 de agosto deste ano, em comparação com o mesmo
período do ano passado — foram 520 ocorrências em 2012 e 316 em
2013.

Em agosto deste ano, foram registrados 39 casos de sequestro-relâmpago


em todo o DF, o que representa redução de 32% do número de
ocorrências dessa natureza criminal em relação ao mesmo mês de 2012,
período em que 57 casos foram registrados. Entre as 39 vítimas, 11 foram
abordadas no Plano Piloto, região que lidera a classificação de casos,
seguida pela região administrativa de Taguatinga, com oito ocorrências.
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Segundo a SSP, o cenário é diferente daquele do mês de julho, em que


Ceilândia e Gama tinham o maior número de casos. “38% dos crimes
foram cometidos nos fins de semana, no período da noite, e quase 70%
das vítimas eram do sexo masculino, o que mostra que a escolha da
vítima é baseada no princípio da oportunidade e aleatória, não em função
do gênero.”

Ao todo, 82% das vítimas (32 pessoas) estavam sozinhas no momento da


abordagem dos bandidos, por isso as forças de segurança recomendam
que as pessoas tomem alguns cuidados, entre os quais, não estacionar
em locais escuros e distantes, não ficar dentro de carros estacionados e
redobrar a atenção ao sair de residências, centros comerciais e outros

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locais. DF registra 316 ocorrências de sequestro-relâmpago nos primeiros


oito meses deste ano.

R7, 6/9/2013. Internet: (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativo aos sentidos e aos aspectos


linguísticos do texto acima.

O trecho “por isso as forças de segurança recomendam que as pessoas


tomem alguns cuidados” (sublinhado no texto) expressa uma ideia de
conclusão e poderia, mantendo-se a correção gramatical e o sentido do
texto, ser iniciado pelo termo porquanto em vez da expressão “por isso”.

Comentários

A substituição proposta não está correta, pois a conjunção


“porquanto” não indica ideia de conclusão, e sim de explicação.

Tenha cuidado, pois a banca geralmente procura confundir o candidato.


Lembre-se sempre de que “porquanto” expressa a mesma ideia de
“porque”.

GABARITO: ERRADO

Questão 25 – (CESPE) Analista Judiciário – STM/2011

Homicidas, sequestradores, traficantes de drogas, pedófilos ou serial


killers enquadram-se quase sempre naquela categoria de criminosos que
cometem suas barbaridades independentemente da pena que o Código
Penal estipula para elas. Para esse grupo, certamente os 50 anos de
prisão, propostos recentemente pelo Congresso, não assustam nem mais
nem menos que os 30 atuais. Porém, saber que esses mesmos bandidos,
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se presos e condenados por seus crimes, não sairiam da cadeia pelas


próximas cinco décadas traria certo alívio para a população, que, então,
passaria a torcer para que a justiça não lhes concedesse o benefício de
sair antes. Há, no entanto, uma questão que parece mais crucial e
urgente: a estrutura prisional brasileira. A maioria absoluta das nossas
cadeias são sucursais do inferno na Terra. Não recuperam ninguém,
misturam presos veteranos com iniciantes e negam a quase todos a
possibilidade de reabilitação pelo estudo ou pelo trabalho. Assim, não há
como melhorar o quadro.

Jornal do Brasil, 15/12/2010 (com adaptações)

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Com relação aos sentidos e a aspectos morfossintáticos do texto


acima, julgue o item que se segue.

Nas suas ocorrências em “a quase” e em “a possibilidade” (sublinhados no


texto), o “a” pertence à mesma classe gramatical de palavras.

Comentários

Aqui, temos que analisar o trecho e avaliar se as palavras


marcadas pertencem à mesma classe gramatical, ou seja, se
ambas são artigos, são preposições, são adjetivos, etc.

Veja o trecho:

“Não recuperam ninguém, misturam presos veteranos com iniciantes e negam a


quase todos a possibilidade de reabilitação pelo estudo ou pelo trabalho. Assim,
não há como melhorar o quadro.”

Observe que o primeiro termo “a” é uma preposição (que se liga ao


pronome indefinido “todos”) e o segundo, um artigo (que se liga ao
substantivo “possibilidade”).

Assim, verificamos que o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 26 – (CESPE) Nível Superior – SUFRAMA/2013

As línguas amazônicas hoje: quantidade e diversidade

Atualmente são faladas na Amazônia cerca de 250 línguas indígenas,


cerca de 150 em território brasileiro. Embora aparentemente altos, esses
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números são o resultado de um processo histórico — a colonização


europeia da Amazônia — que reduziu drasticamente a população indígena
nos últimos 400 anos. Estima-se que, só na Amazônia brasileira, o
número de línguas e de povos teria sido de uns 700 imediatamente antes
da penetração dos portugueses. Apesar da extraordinária redução
quantitativa, as línguas ainda existentes apresentam considerável
diversidade, o que caracteriza a Amazônia como uma das regiões de
maior diferenciação linguística do mundo, com mais de famílias
linguísticas.

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Aryon Dall’Igna Rodrigues. Aspectos da história das línguas indígenas da Amazônia. In:
M. do S. Simões (Org.). Sob o signo do Xingu. Belém: IFNOPAP/UFPA, 2003, p. 37-51
(com adaptações)

No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto


acima, julgue o item seguinte.

O adjetivo “extraordinária” (sublinhado no texto) está empregado com o


mesmo sentido que na seguinte frase: Hoje haverá plantão extraordinário.

Comentários

Para resolver esta questão, o aluno deve fazer uma interpretação do texto
e da frase proposta no enunciado.

No texto, o adjetivo “extraordinária” significa algo excepcional, especial,


singular.

Por sua vez, na frase proposta, “extraordinário” significa algo fora do


padrão, imprevisto.

Dessa maneira, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 27 – (CESPE) Auditor de Controle Externo – TC-DF/2013

Empossado na prefeitura carioca, Negrão de Lima arregalou os olhos


quando os técnicos em urbanismo informaram-lhe que havia oito milhões
de ratos na cidade. Perguntou: “Como é que vocês contaram?” A respeito
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de certos eventos, a mídia também chuta números astronômicos. Agora,


na visita do papa, a informação geral foi a de que, na praia de
Copacabana, havia três milhões de “peregrinos” em uma das cerimônias.
Recebi de um leitor uma carta esclarecedora: “Praia de Copacabana.
Comprimento: 4.000 metros. Largura média: 100 metros. A mídia local
contagiou a mídia estrangeira, mantendo, em uníssono, que três milhões
de fiéis estavam na praia, todinhos ao mesmo tempo! Sem descontar os
obstáculos que diminuem a área total (palco, restaurantes, quiosques
etc.), o simples cálculo é que, se a densidade média de cada m2 da área
fosse de três pessoas por m2, o total de pessoas poderia chegar a 1,2
milhão. Segundo o cálculo de um pesquisador consultado, havia, nesse
dia, 560.000 pessoas, margem de 30.000 para mais ou para menos.” Em

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1964, quando lancei na Cinelândia um livro com as crônicas que escrevia


no Correio da Manhã contra o regime militar, o jornal informou que havia
3.000 pessoas na praça. Os jornais que apoiavam a ditadura garantiram
que só havia gatos-pingados.

Carlos Heitor Cony. Folha de S.Paulo, 4/8/2013 (com adaptações)

Julgue o item a seguir, relativo a aspectos gramaticais e ideias


desenvolvidas no texto acima.

Uma forma correta de reescrita do trecho iniciado pela conjunção


temporal “quando” (sublinhada no texto) é a seguinte: ao ser informado
pelos técnicos em urbanismo que existia oito milhões de ratos na cidade
do Rio de Janeiro.

Comentários

Para resolver esta questão, observe que o item propõe quatro


substituições. É muito importante que você esteja sempre atento,
pois pode errar se não analisar por completo o enunciado.

Vamos ver?

“... quando os técnicos em urbanismo informaram-lhe que havia oito


milhões de ratos na cidade.”

“ao ser informado pelos técnicos em urbanismo que existia oito milhões
de ratos na cidade do Rio de Janeiro.”

1- “quando” por “ao ser” – substituição correta;


2- “os técnicos informaram-lhe” por “ao ser informado pelos técnicos” –
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substituição correta;
3- “havia oito milhões” por “existia oito milhões” – o certo é “existiam oito
milhões”;
4- “cidade” por “cidade do Rio de Janeiro” – substituição correta.

Dessa maneira, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

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Questão 28 – (CESPE) Auditor Federal de Controle Externo –


TCU/2013

A experiência de governança pública tem mostrado que os sistemas


democráticos de governo se fortalecem à medida que os governos eleitos
assumem a liderança de processos de mudanças que buscam o
atendimento das demandas de sociedades cada vez mais complexas e
alcançam resultados positivos perceptíveis pela população.

Contemporaneamente, para o alcance de resultados de desenvolvimento


nacional, exige-se dessa liderança não apenas o enfrentamento de
desafios de gestão, como a busca da eficiência na execução dos projetos e
das atividades governamentais, no conhecido lema de “fazer mais com
menos”, mas também o desafio de “fazer melhor” (com mais qualidade),
como se espera, por exemplo, nos serviços públicos de educação e saúde
prestados à população. Esse novo desafio de governo tem como
consequência um novo requisito de gestão, o que implica a necessidade
de desenvolvimento de novos modelos de governança para se alcançarem
os objetivos e metas de governo, em sintonia com a sociedade.

Outros aspectos sociotécnicos importantes que caracterizam a nova


governança pública se relacionam aos anseios de maior participação e
controle social nas ações de governo, que, somados ao de liberdade,
estabelecem o cerne do milenar conceito de cidadania (participação no
governo) e os valores centrais da democracia social do século XXI.

Governar de modo inovador exige, invariavelmente, repensar o modelo


secular de governança pública em todas as suas dimensões: política,
econômica, social e tecnológica. Com a evolução sociotécnica, fortemente
alavancada pelo desenvolvimento das tecnologias da informação e
comunicação, as mudanças na governança pública implicam mudanças na
base tecnológica que sustenta a burocracia, nas estruturas do aparelho de
Estado e em seus modelos de gestão.62456350391

Internet: (com adaptações).

Considerando as ideias e estruturas linguísticas do texto acima,


julgue o item a seguir.

A forma verbal “estabelecem” (sublinhada no texto) está flexionada no


plural porque concorda com o termo antecedente “aspectos” (sublinhado
no texto).

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Comentários

Vamos ler o trecho e analisá-lo?

“Outros aspectos sociotécnicos importantes que caracterizam a nova governança


pública se relacionam aos anseios de maior participação e controle social nas
ações de governo, que, somados ao de liberdade, estabelecem o cerne do
milenar conceito de cidadania (participação no governo) e os valores centrais da
democracia social do século XXI.”

Observe que “estabelecem” concorda com o termo “anseios”, e não com o


termo “aspectos”. Em questões deste tipo, é importante que você leia o
texto com atenção e faça as conexões e substituições com bastante
cuidado, para não se confundir.

Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 29 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-SE/2013

A vida do Brasil colonial era regida pelas Ordenações Filipinas, um código


legal que se aplicava a Portugal e seus territórios ultramarinos. Com todas
as letras, as Ordenações Filipinas asseguravam ao marido o direito de
matar a mulher caso a apanhasse em adultério. Também podia matá-la
por meramente suspeitar de traição. Previa-se um único caso de punição:
sendo o marido traído um “peão” e o amante de sua mulher uma “pessoa
de maior qualidade”, o assassino poderia ser condenado a três anos de
desterro na África.

No Brasil República, as leis continuaram reproduzindo a ideia de que o


homem era superior à mulher. O Código Civil de 1916 dava às mulheres
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casadas o status de “incapazes”. Elas só podiam assinar contratos ou


trabalhar fora de casa se tivessem a autorização expressa do marido. Há
tempos, o direito de matar a mulher, previsto pelas Ordenações Filipinas,
deixou de valer. O machismo, porém, sobreviveu nos tribunais. O Código
Penal de 1890 livrava da condenação quem matava “em estado de
completa privação de sentidos”. O atual Código Penal, de 1940, abrevia a
pena dos criminosos que agem “sob o domínio de violenta emoção”. Os
“crimes passionais” — eufemismo para a covardia — encaixam-se à
perfeição nessas situações. Em outra bem-sucedida tentativa de aliviar a
responsabilidade do homem, os advogados inventaram o direito da
“legítima defesa da honra”. O machismo é uma praga histórica. Não se
elimina da noite para o dia. A criação da Lei Maria da Penha, em 2006, em

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que se previu punição para quem agride e mata mulheres, foi um primeiro
e audacioso passo. O segundo passo contra o machismo é a educação.

Ricardo Westin e Cintia Sasse. Dormindo com o inimigo. In: Jornal do Senado. Brasília,
4/jul./2013, p. 4-5. Internet: (com adaptações).

Em relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima,


julgue o item.

O emprego do futuro do pretérito em “poderia” (sublinhado no texto)


indica que a situação apresentada na oração é não factual, ou seja, é
hipotética.

Comentários

Vamos ler o trecho e analisá-lo?

“Previa-se um único caso de punição: sendo o marido traído um ‘peão’ e o


amante de sua mulher uma “pessoa de maior qualidade”, o assassino poderia ser
condenado a três anos de desterro na África.”

Observe que “poderia” está no futuro do pretérito do indicativo, tempo


verbal que realmente indica noção de dúvida, de hipótese.

Assim, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 30 – (CESPE) Professor – SEDU-ES/2008


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Cuitelinho

Cheguei na bera do porto

Onde as onda se espaia.

As garça dá meia volta

Senta na bera da praia

E o cuitelinho não gosta

Que o botão da rosa caia, ai, ai


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Quando eu vim da minha terra,

Despedi da parentáia.

(...)

A tua saudade corta

Como aço de naváia.

O coração fica aflito

Bate uma, a outra faia

E os oio se enche d’água

Que até a vista se atrapáia.

Folclore recolhido por Paulo Vanzolini e Antônio Xandó. Internet: <www.mpbnet.com.br>

A partir das estruturas e ideias do texto acima, julgue o seguinte


item.

O texto é construído a partir de uma voz em terceira pessoa.

Comentários

Ao lermos o texto proposto, percebemos que ele está construído com base
em uma voz na primeira pessoa.

Veja: “Cheguei na bera do porto”, “Quando eu vim da minha terra,


Despedi da parentáia.”. 62456350391

Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 31 – (CESPE) Analista de Informática – TCE-RO/2013

Você sai para jantar sem a carteira. Para pagar a conta, diz: “Meu nome é
[insira o seu aqui]”. O garçom clica no visor do tablet dele. Um alerta em
seu celular avisa sobre a cobrança. É assim que funciona o Square,

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sistema de pagamentos em uso nos Estados Unidos da América. Ele, hoje,


é uma das maiores referências em pagamentos por celular. É aceito em
200 mil estabelecimentos, entre restaurantes, bares, cafés, salões de
beleza, spas, lojas e até agências funerárias. Para usá-lo, o cliente precisa
instalar um programa no celular, criar uma conta e inserir dados pessoais
e financeiros. O sistema GPS do telefone identifica quando o cliente chega
a uma loja conveniada, e seu perfil aparece automaticamente na tela do
tablet do caixa da loja. Ao cobrar, o funcionário verifica se a foto
associada à conta corresponde à pessoa à frente.

Essa é uma das formas de usar o telefone como meio 16 de pagamento. O


serviço começará a se popularizar no Brasil a partir do próximo ano,
quando todas as operadoras de telefonia deverão estar autorizadas a fazer
do smartphone uma carteira digital. Se essa alternativa vingar, será a
maior mudança na forma como pagamos por produtos e serviços desde a
chegada dos cartões, nos anos 50 do século passado.

O celular deixou, há tempos, de ser um aparelho restrito a fazer


chamadas e a enviar mensagens. Os smartphones são computadores
portáteis e poderosos. Exibem 25 mapas, funcionam como
minivideogames, tocam músicas e vídeos, enviam emails, navegam na
rede. Os novos serviços de pagamento aproveitam essa versatilidade. Boa
parte de nossas 28 contas já é paga eletronicamente, por cartão ou
Internet. Por que não usar o celular para fazer isso?

Rafael Barifouse. Débito, crédito ou celular? In: Época, n.º 759, 3/12/2012, p.119-21
(com adaptações).

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto acima,


julgue o próximo item.

Sem prejuízo para o sentido original do texto, o vocábulo “Para”


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(sublinhado no texto) poderia ser corretamente substituído por Caso,


se o trecho “usá-lo” fosse, por sua vez, substituído por o usasse.

Comentários

Vamos analisar o respectivo trecho do texto?

É assim que funciona o Square, sistema de pagamentos em uso nos Estados


Unidos da América. Ele, hoje, é uma das maiores referências em pagamentos por
celular. É aceito em 200 mil estabelecimentos, entre restaurantes, bares, cafés,
salões de beleza, spas, lojas e até agências funerárias. Para usá-lo, o cliente

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precisa instalar um programa no celular, criar uma conta e inserir dados pessoais
e financeiros.

Observe que o uso do vocábulo “para” indica uma noção de


finalidade. Por sua vez, o vocábulo “caso” indica uma noção de
condição. Por isso, há prejuízo para o sentido original do texto.

Quanto à correção gramatical, a substituição adequada é:

Caso o usasse, o cliente precisaria instalar um programa no celular, criar uma


conta e inserir dados pessoais e financeiros.
Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 32 – (CESPE) Nível Superior – Telebrás/2013

Fragmento I – A invenção do telefone

Alexander Graham Bell cresceu fascinado pelo som. Sua mãe era surda, o
que o levou desde cedo a refletir sobre as características do som.
Enquanto dava aulas a crianças surdas em Boston, ele se tornou obcecado
pela ideia de transmitir a voz eletricamente, tendo inventado o telefone
em 1876, apresentado por ele na Exposição do Centenário, na Filadélfia.

Fragmento II – A maravilha sem fio de Marconi

Guglielmo Marconi, considerado o pai da transmissão de rádio de longa


distância, dividiu o Prêmio Nobel de Física de 1909 com Karl Ferdinand
Braun, por suas contribuições ao desenvolvimento da telegrafia sem fio.
No entanto, inicialmente suas ideias não foram muito bem recebidas. Com
o apoio dos pais, realizou testes com transmissores e receptores,
62456350391

enviando sinais a quilômetros de distância. Em busca de mais recursos,


Marconi escreveu ao governo italiano, mas um funcionário descartou a
ideia, dizendo que era melhor apresentá-la em um manicômio. Ele, então,
viajou para Londres, e do principal escritório telegráfico da cidade
transmitiu o primeiro sinal sem fio. Em 13/5/1897, Marconi realizou a
primeira transmissão sem fio em mar aberto.

Fragmento III – A primeira chamada de celular

Marty Cooper, diretor de pesquisa e desenvolvimento da Motorola, fez a


primeira chamada de um telefone celular portátil nas ruas de Nova York,
em 1973. Três meses antes, a rival AT&T começava a monopolizar o

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incipiente mercado das comunicações sem fio. Para fazer frente à


concorrência, Cooper suspendeu todos os outros projetos da Motorola e
desafiou sua equipe a criar um telefone portátil funcional em noventa
dias. Cooper usou sua nova invenção para ligar para Joel Engel, chefe de
desenvolvimento da AT&T. Depois de uma breve saudação, Cooper lhe
disse: “estou ligando para você de um telefone celular, mas um celular de
verdade, portátil”. A única resposta do outro lado da linha foi o silêncio.

Fragmento IV – A primeira mensagem de texto

Em 3/12/1992, Neil Papworth, um engenheiro da Vodafone, enviou a


primeira mensagem de texto a seu colega Richard Jarvis: “FELIZ NATAL”.
Papworth enviou a mensagem usando um teclado de computador, já que
os telefones celulares ainda não possuíam teclados alfabéticos. Seriam
necessários anos até que os telefones comerciais incorporassem essa
funcionalidade. O Communicator 9110 da Nokia foi lançado em 1998 e
tornou-se um dos primeiros dispositivos a transmitir mensagens de texto
e dados. Calcula-se que, em 2011, mais de 2,3 trilhões de mensagens de
texto tenham sido enviadas em todo o mundo.

Internet: (com adaptações).

Julgue o próximo item, relativos a aspectos linguísticos dos


fragmentos de texto apresentados.

No fragmento III, no trecho “Cooper usou sua nova invenção para ligar
para Joel Engel” (sublinhado no texto), a preposição “para” expressa,
em ambas as ocorrências, ideia de finalidade, introduzindo expressões
adverbiais.

Comentários 62456350391

Esta é uma questão sobre preposição.

Preposição é a palavra invariável que serve de conexão entre duas outras


ou entre orações, de forma a subordiná-las. Observe que a primeira
palavra (antecedente) fica modificada ou completada pela segunda
(consequente).

Exemplos: Não voltei para o Brasil. Vou à Roma de César. Foi até o inferno
com a má notícia. Marina gostaria apenas de dormir um pouco.

Algumas preposições, herdadas do latim, são muito presentes na Língua


Portuguesa, portanto são conhecidas como preposições essenciais.

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Exemplos: com, sem, sob, sobre, contra, a, ante, após, até, de, desde, em,
entre, para, perante, por, trás.

Assim como as outras classes já estudadas, as preposições também


podem apresentar-se como locuções prepositivas. Observe que essas
locuções sempre terminam por uma preposição.

Exemplos: abaixo de, acerca de, acima de, a despeito de, perto de, por trás
de, graças a, adiante de, embaixo de, junto de.

PREPOSIÇÃO ACIDENTAL

A preposição acidental é uma palavra de outra classe (nomes, verbos) que


se transforma em preposição.

Vamos ver alguns exemplos?

Afora, conforme (de acordo com), consoante, durante, exceto, salvo, segundo,
senão, mediante, visto (devido a, por causa de).

Observe o emprego de preposições acidentais nas seguintes


sentenças:

Ana se vestiu conforme o evento de hoje à noite.

João teve como resposta um não.

Mediante muito estudo, ele passou no concorrido concurso.

Joana conversou com as amigas durante todo o percurso que fizeram.

EMPREGO DAS PREPOSIÇÕES

As preposições podem ser usadas nas seguintes formas:


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Combinação: preposição + outra palavra sem perda fonética

Exemplos: ao, aos

Contração: preposição + outra palavra com perda fonética

Exemplos: na, àquela

Obs: Cuidado com a contração de preposição e pronome, caso este seja


sujeito da oração.

Amanhã será o dia de ele trabalhar.

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A preposição “após” pode ser empregada como advérbio (=atrás).

Terminado o casamento, João saiu logo após.

CARGA SEMÂNTICA DAS PREPOSIÇÕES

As preposições, isoladamente, são palavras que não possuem sentido.


Entretanto, ao serem colocadas nas sentenças, passam a ter uma carga
semântica.

Perceba as seguintes relações:

Autoria: música de Noel Rosa;

Lugar: estar sob o mesmo teto;

Tempo: nascer a 10 de junho, estudar em seis horas;

Modo ou conformidade: sair aos prantos;

Causa: chorar de raiva, preso por latrocínio;

Assunto: conversar sobre racismo;

Fim ou finalidade: viajar para tratar da saúde;

Instrumento: escrever a caneta, machucar-se com a serra;

Companhia: passear com os pais;

Meio: viajar de avião;

Matéria: colar de ouro, pão com aveia;


62456350391

Posse: bicicleta de Ana;

Oposição: Minas contra São Paulo;

Conteúdo: taça com (de) licor;

Preço: comprar a (por) R$ 1.000,00;

Origem: nasceu em Brasília;

Especialidade: formou-se em Arquitetura;

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Destino ou direção: ir a Minas, olhe para Maria.

De volta à questão, vamos ver o trecho do texto?

Cooper usou sua nova invenção para ligar para Joel Engel, chefe de
desenvolvimento da AT&T.

Temos aí duas preposições “para”. Observe que a primeira ocorrência


indica noção de finalidade e a segunda, de destino. Assim, o item está
errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 33 – (CESPE) Nível Superior – Correios/2011

O Pe. Antônio Vieira foi submetido a residência forçada, em Coimbra, de


fevereiro de 1663 até setembro de 1665 e, finalmente, preso pela
Inquisição no dia 1.º de outubro. Publicou-se uma importante série de
cartas escritas por ele nesse período, que se escalonaram com bastante
regularidade de 17 de dezembro de 1663 a 28 de setembro de 1665.

Em cerca de trinta cartas que foram conservadas, encontram-se alusões


mais ou menos desenvolvidas ao “tempo que faz”. Para apreciar o valor e
o significado dessas indicações, é preciso entender as principais razões
que levavam o padre a interessar-se pelo tempo. A principal era, sem
dúvida, as repercussões que certos tipos de tempo tinham sobre a
regularidade do funcionamento das comunicações, em especial a
circulação das cartas e notícias. Sujeitado a residência forçada, Antônio
Vieira ansiava pela chegada do correio, sobretudo o que provinha de
Lisboa e da Corte, mas também dos outros lugares onde tinha amigos. Em
certos períodos do ano, inquietava-se também pelas condições de
navegação do Atlântico, perigosas para as frotas do Brasil e da Índia.
62456350391

Outra razão do seu interesse eram as repercussões do tempo sobre a


própria saúde e a dos amigos, e sobre os rebates da peste. Enfim, não
podia esquecer as campanhas militares que, a partir da primavera,
decorriam então no Alentejo.

Convém não esquecer que as anotações climáticas nas cartas de Antônio


Vieira podiam ter, às vezes, valor puramente metafórico. No ambiente de
acesas intrigas palacianas que o Padre acompanhava a distância, ele deixa
mais de uma vez transparecer o receio de que as cartas dele e dos seus
correspondentes fossem abertas e lidas. Por isso, expressa-se muitas
vezes por alusões e metáforas. Por exemplo, a 20 de 31 julho, escrevia a
D. Teodósio: “Em tempo de tanta tempestade, não é seguro navegar sem
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roteiro.” Tratava-se apenas, na realidade, de combinar o percurso para


um encontro clandestino estival nas margens do Mondego. O contexto
permite, quase sempre, desfazer as dúvidas.

Suzanne Daveau. Os tipos de tempo em Coimbra (dez. 1663 – set. 1665), nas cartas de
Padre Antônio Vieira. In: Revista Finisterra, v. 32, n.º 64, Lisboa, 1997, p. 109-15.
Internet: (com adaptações).

A respeito do vocabulário e da estrutura linguística do texto,


julgue o próximo item.

Seria mantida a correção gramatical do texto, se a preposição “de”, em


sua primeira ocorrência, no trecho “de 17 de dezembro de 1663 a 28 de
setembro de 1665” (sublinhado no texto), fosse substituída por entre.

Comentários

Vamos fazer uma revisão sobre preposição?

Preposição é a palavra invariável que serve de conexão entre duas


outras ou entre orações, de forma a subordiná-las. Observe que a
primeira palavra (antecedente) fica modificada ou completada pela
segunda (consequente).

Exemplos: Não voltei para o Brasil. Vou à Roma de César. Foi até o inferno
com a má notícia. Marina gostaria apenas de dormir um pouco.

Algumas preposições, herdadas do latim, são muito presentes na Língua


Portuguesa, portanto são conhecidas como preposições essenciais.

Exemplos: com, sem, sob, sobre, contra, a, ante, após, até, de, desde, em,
entre, para, perante, por, trás. 62456350391

As preposições também podem apresentar-se como locuções


prepositivas. Observe que essas locuções sempre terminam por uma
preposição.

Exemplos: abaixo de, acerca de, acima de, a despeito de, perto de, por trás
de, graças a, adiante de, embaixo de, junto de.

PREPOSIÇÃO ACIDENTAL

A preposição acidental é uma palavra de outra classe (nomes, verbos) que


se transforma em preposição.

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Vamos ver alguns exemplos?

Afora, conforme (de acordo com), consoante, durante, exceto, salvo, segundo,
senão, mediante, visto (devido a, por causa de).

Observe o emprego de preposições acidentais nas seguintes


sentenças:

Ana se vestiu conforme o evento de hoje à noite.

João teve como resposta um não.

Mediante muito estudo, ele passou no concorrido concurso.

Joana conversou com as amigas durante todo o percurso que fizeram.

EMPREGO DAS PREPOSIÇÕES

As preposições podem ser usadas nas seguintes formas:

Combinação: preposição + outra palavra sem perda fonética

Exemplos: ao, aos

Contração: preposição + outra palavra com perda fonética

Exemplos: na, àquela

Obs: Cuidado com a contração de preposição e pronome, caso este seja


sujeito da oração.

Amanhã será o dia de ele trabalhar.

A preposição “após” pode ser empregada como advérbio (=atrás).


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Terminado o casamento, João saiu logo após.

CARGA SEMÂNTICA DAS PREPOSIÇÕES

As preposições, isoladamente, são palavras que não possuem sentido.


Entretanto, ao serem colocadas nas sentenças, passam a ter uma carga
semântica.

Perceba as seguintes relações:

Autoria: música de Noel Rosa;

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Lugar: estar sob o mesmo teto;

Tempo: nascer a 10 de junho, estudar em seis horas;

Modo ou conformidade: sair aos prantos;

Causa: chorar de raiva, preso por latrocínio;

Assunto: conversar sobre racismo;

Fim ou finalidade: viajar para tratar da saúde;

Instrumento: escrever a caneta, machucar-se com a serra;

Companhia: passear com os pais;

Meio: viajar de avião;

Matéria: colar de ouro, pão com aveia;

Posse: bicicleta de Ana;

Oposição: Minas contra São Paulo;

Conteúdo: taça com (de) licor;

Preço: comprar a (por) R$ 1.000,00;

Origem: nasceu em Brasília;

Especialidade: formou-se em Arquitetura;

Destino ou direção: ir a Minas, olhe para Maria.


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Voltando à questão, temos que analisar a troca da preposição “de”


por “entre”.

Publicou-se uma importante série de cartas escritas por ele nesse período, que
se escalonaram com bastante regularidade de 17 de dezembro de 1663 a 28 de
setembro de 1665.

Observe que, para a troca ficar correta, seria necessário mudar também a
preposição “a” pela conjunção “e”, como segue.

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Publicou-se uma importante série de cartas escritas por ele nesse período, que
se escalonaram com bastante regularidade entre 17 de dezembro de 1663 e 28
de setembro de 1665.

Assim, verificamos que o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 34 – (CESPE) Nível Médio – FUB/2010

Há gente no Brasil interessada em importar dos Estados Unidos da


América (EUA) o Teach for America, o mais bem-sucedido programa feito
para atrair os melhores estudantes de ensino médio para a carreira de
professor. No Brasil, os professores têm saído da parte menos qualificada
da pirâmide — justamente aquela habitada por 20% dos alunos com o
mais baixo rendimento escolar do país. Qualquer iniciativa para mudar
isso será mais do que bem-vinda.

O Teach for America consegue atrair os mais talentosos alunos para a


docência oferecendo-lhes algo bem concreto. Depois de dois anos no
papel de professor de escola pública — tempo mínimo de estada no
programa —, esses jovens ingressam quase que automaticamente em
algumas das maiores empresas americanas, com as quais o Teach for
America estabeleceu uma produtiva parceria. Para as empresas, recrutar
gente que passou por lá significa encurtar o complicado processo de busca
por bons profissionais. Pela estreita peneira do programa só passam os
realmente capazes. Para se ter uma ideia, apenas os alunos de ótimo
boletim têm direito à inscrição e, ainda assim, 85% deles ficam de fora. É
essa rigorosa seleção que atrai os próprios estudantes. Sobreviver a ela é
um sinal claro de excelência, algo que faz todo mundo querer ostentar um
carimbo do Teach for America no currículo. No final, uma parcela deles
acaba optando pela carreira de professor, coisa que jamais haviam
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pensado antes. A maioria, no entanto, acaba deixando o programa depois


dos dois anos previstos, mas não sem antes causar um impacto
gigantesco no nível do ensino. Os estudantes certamente irão beneficiar-
se desse empurrão ao longo de toda a vida escolar. Mais do que isso:
muitos dos que já passaram pelo Teach for America continuam envolvidos
com educação, em diferentes graus e áreas de atuação. Por tudo isso, não
faria mal ao Brasil trilhar caminho parecido.

Mônica Weinberg. Tomara que dê certo. Internet: (com adaptações).

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Considerando aspectos lexicais e tipológicos do texto, julgue o


item subsequente.

Em “importar dos Estados Unidos da América” (sublinhado no texto), a


preposição de, contida em “dos”, expressa ideia de procedência.

Comentários

Já vimos que as preposições possuem uma carga semântica, não é


mesmo?

Nesta questão, está clara a noção de origem ou procedência transmitida


pela preposição “de” (de + os”). Assim, a importação é procedente dos
Estados Unidos da América.

Portanto, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 35 – (CESPE) Assistente Técnico Administrativo –


MI/2009

O administrador interino

Pádua era empregado em repartição dependente do Ministério da Guerra.


Não ganhava muito, mas a mulher gastava pouco, e a vida era barata.
Demais, a casa em que morava, assobradada como a nossa, posto que
menor, era propriedade dele. Comprou-a com a sorte grande que lhe saiu
num meio bilhete de loteria, dez contos de réis. A primeira ideia do Pádua,
quando lhe saiu o prêmio, foi comprar um cavalo do Cabo, um adereço de
brilhantes para a mulher, uma sepultura perpétua de família, mandar vir
62456350391

da Europa alguns pássaros etc.; mas a mulher, esta D. Fortunata que ali
está à porta dos fundos da casa, em pé, falando à filha, alta, forte, cheia,
como a filha, a mesma cabeça, os mesmos olhos claros, a mulher é que
lhe disse que o melhor era comprar a casa, e guardar o que sobrasse para
acudir às moléstias grandes. Pádua hesitou muito; afinal, teve de ceder
aos conselhos de minha mãe, a quem D. Fortunata pediu auxílio. Nem foi
só nessa ocasião que minha mãe lhes valeu; um dia chegou a salvar a
vida ao Pádua. Escutai; a anedota é curta.

O administrador da repartição em que Pádua trabalhava teve de ir ao


Norte, em comissão. Pádua, ou por ordem regulamentar, ou por especial
designação, ficou substituindo o administrador com os respectivos

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honorários. Esta mudança de fortuna trouxe-lhe certa vertigem; era antes


dos dez contos. Não se contentou de reformar a roupa e a copa, atirou-se
às despesas supérfluas, deu joias à mulher, nos dias de festa matava um
leitão, era visto em teatros, chegou aos sapatos de verniz. Viveu assim
vinte e dois meses na suposição de uma eterna interinidade. Uma tarde
entrou em nossa casa, aflito e desvairado, ia perder o lugar, porque
chegara o efetivo naquela manhã. Pediu a minha mãe que velasse pelas
infelizes que deixava; não podia sofrer desgraça, matava-se. Minha mãe
falou-lhe com bondade, mas 34 ele não atendia a coisa nenhuma.

Pádua enxugou os olhos e foi para casa, onde viveu prostrado alguns dias,
mudo, fechado na alcova, — ou então 37 no quintal, ao pé do poço, como
se a ideia da morte teimasse nele. D. Fortunata ralhava:

— Joãozinho, você é criança?

Mas, tanto lhe ouviu falar em morte que teve medo, e um dia correu a
pedir a minha mãe que lhe fizesse o favor de ver se lhe salvava o marido
que se queria matar. Minha mãe foi achá-lo à beira do poço, e intimou-lhe
que vivesse. Que maluquice era aquela de parecer que ia ficar
desgraçado, por causa de uma gratificação a menos, e perder um
emprego interino?

Machado de Assis. Dom Casmurro, cap. XVI (com adaptações)

Julgue o item com relação a aspectos gramaticais e ortográficos


do texto.

A substituição da preposição “em” por de na expressão “era empregado


em repartição” (sublinhado no texto) implica que a repartição onde
Pádua trabalhava era necessariamente o órgão empregador.
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Comentários

Vamos ver o respectivo trecho do texto?

Pádua era empregado em repartição dependente do Ministério da Guerra.

Mais uma questão que explora a carga semântica das preposições.

Note que a substituição proposta denota a noção apresentada na


afirmação constante do item. Assim, a questão está correta.

GABARITO: CERTO

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Questão 36 – (CESPE) Nível Médio – ANTAQ/2014

Um dos principais desafios para o Brasil é conhecer a Amazônia. Sua


vocação eminentemente hídrica impõe, ao longo dos séculos, a
necessidade do deslocamento de seus habitantes através dos rios. Muito
antes da chegada dos colonizadores na Amazônia, os nativos já utilizavam
canoas. Ainda hoje, grande parte da população amazônica vive da pesca.
Além disso, o deslocamento do ribeirinho se faz através da infinidade de
rios que retalham a grandeza territorial.

Mas para conhecer a Amazônia de verdade é preciso entender sua posição


estratégica para o país. Os rios são a chave para esse conhecimento. São
as estradas que a natureza construiu e em cujas margens se
desenvolveram inúmeras povoações. Portanto, é impossível pensar em
Amazônia sem associar a importância que os rios têm para o
desenvolvimento econômico e social. Eles devem ser vistos como os
grandes propulsores do desenvolvimento sustentável da região.

Domingos Savio Almeida Nogueira. In: Internet: (com adaptações).

Em relação ao texto acima, julgue o item a seguir.

Mantêm-se a correção gramatical do texto e suas informações originais


ao se substituir “Portanto” (sublinhado no texto) por qualquer um dos
seguintes termos: Por isso, Logo, Por conseguinte.

Comentários

Temos uma questão que aborda o assunto “conjunção”. Vamos


fazer uma revisão?

Conjunção é a palavra invariável que relaciona orações ou termos


62456350391

semelhantes de uma mesma oração. A conjunção pode conectar termos e


orações sintaticamente equivalentes (orações coordenadas) ou conectar
uma oração principal a uma oração que lhe é subordinada. Dessa forma,
as conjunções podem ser coordenativas ou subordinativas.
Observe que as preposições, ao ligarem termos de uma mesma oração,
apresentam entre eles um elo de subordinação. Por sua vez, as
conjunções, um elo de coordenação.

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Exemplos:
Eu concordo com João. (a preposição com estabelece uma relação de
subordinação entre os vocábulos)
Maria e Sandra chegaram. (os vocábulos Maria e Sandra possuem uma relação
de coordenação)
Márcio foi estudar, e Ana foi trabalhar. (as orações Márcio foi estudar e Ana foi
trabalhar possuem um elo de coordenação)
É necessário que Maria volte para casa. (a conjunção que cria um elo de
subordinação entre as orações É necessário e que Maria volta para casa)

CONJUNÇÕES COORDENATIVAS

Conectam orações que não fazem parte de outra, principalmente, ou


núcleos de um mesmo termo da oração. Veja a seguir:

Aditivas: expressam ideia de soma.


E, nem, mas, não apenas, também, mas ainda, como também, bem como, como
ainda, assim como, etc.
O estudo liberta e traz trabalho.

Adversativas: ligam elementos contrastantes.


E, mas, porém, todavia, contudo, entretanto, senão, ao passo que, no entanto,
não obstante, apesar disso, em todo caso, etc.
João foi aos Estados Unidos, mas não fez compras.

Alternativas: ligam elementos excludentes.


Ou, ou ... ou, ora ... ora, já ... já, quer ... quer, seja ... seja, etc.
Quer queiras, quer não queiras, estudarás.

Conclusivas: expressam ideia de conclusão.


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Logo, portanto, por conseguinte, pois (deslocado), por isso, assim, dessa forma,
desse modo, dessa maneira, etc.
Trabalhou bastante, logo deverá ter dinheiro.

Explicativas: expressam explicação, motivo.


Que, porque, porquanto, pois (antes de verbo), etc.
Não chore, porque ela voltará.

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CONJUNÇÕES SUBORDINATIVAS

As conjunções subordinativas mostram a dependência de um elemento a


outro. Elas se dividem em integrantes e adverbiais.
Integrantes: iniciam orações subordinadas que servem de substantivos -
subjetiva, predicativa, objetiva direta, objetiva indireta, completiva
nominal, apositiva.
Que, se, como, etc.
É necessário que trabalhemos amanhã.

Adverbiais: iniciam orações subordinadas que denotam circunstâncias.


Causais: justificam o expresso na oração anterior.
Que, porque, pois, desde que, na medida em que, se, como, porquanto, visto
que, visto como, já que, uma vez que, etc.
Os preços subiram porque estamos com inflação.

Comparativas: fazem uma comparação em relação à outra oração.


Como, que, (tal) qual, tal e qual, assim como, (tal) como, (tão ou tanto) como,
(mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto) quanto, que nem, feito
(igual a como, do mesmo modo que), o mesmo que (igual a como), etc.
Nada é mais triste que desonestidade.

Concessivas: expressam um fato contrário à ação principal, porém


insuficiente para anulá-la.
Embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda quando, mesmo quando,
poso que, por mais que, por muito que, por menos que, se bem que, em que
(pese), nem que, dado que, sem que (igual a embora não), etc.
Insistiu em trabalhar, embora estivesse cansada.
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Condicionais: ligam uma oração à outra, em uma relação de condição,


hipótese ou suposição.
Se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (igual a se não), a não ser
que, a menos que, dado que, etc.
Caso vá trabalhar, irei com você.

Conformativas: expressam a conformidade de uma oração em relação à


outra.
Como, conforme, segundo, consoante, etc.
As informações, conforme já analisadas, são verdadeiras.

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Consecutivas: indicam uma consequência em relação à oração anterior.


Que (precedido de tal, tão, tanto, tamanho), de sorte que, de modo que, de
forma que, de maneira que, sem que, que (não), etc.
Estude muito, de maneira que passe no concurso.

Finais: encabeçam uma oração que indica finalidade em relação à outra.


Para que, a fim de que, para que, de modo que, etc.
Vá dormir para que descanse.

Proporcionais: indicam fatos simultâneos.


À proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais... (tanto mais),
quanto mais... (tanto menos), quanto menos... (tanto mais), quanto mais...
(mais), (tanto)... quanto, etc.
À medida que João crescer, mais bonito ficará.

Temporais: indicam circunstância de tempo.


Quando, enquanto, logo que, sempre que, assim que, desde que, antes que,
depois que, até que, agora que, ao mesmo tempo que, toda vez que, etc.
Quando estiver com triste, pense em coisas alegres.

Perceba, também, que existem palavras que podem pertencer a diversos


grupos de conjunções. Mas, é mais necessário que você analise as
conjunções dentro do contexto do que as memorize. Com base nessa
verificação, você poderá encaixar as conjunções em um dos grupos vistos
nos itens acima. 62456350391

Algumas expressões e palavras causam sérias dúvidas. Vamos ver dois


exemplos disso?
A conjunção como pode ter três valores semânticos: causa, comparação e
conformidade.
Como estivesse fazendo frio, não fui ao teatro. (causa)
Faço o conserto como o manual ensina. (conformidade)
Ela trabalha como a mãe. (comparação)

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A conjunção se pode ser causal, condicional ou iniciar oração subordinada


substantiva que funciona como sujeito ou objeto direto. No último caso, é
uma conjunção integrante.
Se você estudar, conseguirá a vaga. (condição)
Se você sabia que a loja estaria fechada, porque não me avisou? (causa)
Não sei se João trabalhará em Brasília. (conjunção integrante)

De volta à questão, temos que analisar se a correção gramatical do


texto e suas informações originais são mantidas ao se substituir
“Portanto” por qualquer um dos seguintes termos: Por isso, Logo, Por
conseguinte.

Vamos fazer as substituições?

Portanto, é impossível pensar em Amazônia sem associar a importância que os


rios têm para o desenvolvimento econômico e social.

Por isso, é impossível pensar em Amazônia sem associar a importância que os


rios têm para o desenvolvimento econômico e social.

Logo, é impossível pensar em Amazônia sem associar a importância que os rios


têm para o desenvolvimento econômico e social.

Por conseguinte, é impossível pensar em Amazônia sem associar a importância


que os rios têm para o desenvolvimento econômico e social.

Após termos feito as trocas, percebemos que as quatro conjunções


transmitem a mesma ideia. Além disso, verificamos que foi mantida a
correção gramatical.

Dessa maneira, o item está correto.


62456350391

GABARITO: CERTO

Questão 37 – (CESPE) Oficial de Controle Externo – TCE-RS/2013

A impunidade de políticos não decorre de foro privilegiado, mas de justiça


ineficiente. Abolir o referido mecanismo produzirá efeitos desfavoráveis. É
compreensível a confusão. A designação mais conhecida, “foro
privilegiado”, sem dúvida, sugere a existência de condenável regalia. Não
é estranho, portanto, que o Congresso tenha incluído em sua agenda
positiva um esforço para eliminar essa prerrogativa constitucional. Os

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parlamentares estariam, com isso, oferecendo o seu quinhão para o


combate à impunidade que tradicionalmente beneficia políticos de todos
os matizes.

Entretanto, há dois equívocos nesse raciocínio. O primeiro é imaginar que


o foro especial — assegurado a autoridades como o presidente da
República, governadores, prefeitos, congressistas e ministros de Estado —
seja responsável pela ausência de punições na esfera jurídica. As
numerosas instâncias da justiça comum favorecem a interposição de
recursos, o que atrasa a caminhada processual e contribui para a
impunidade. O segundo equívoco do raciocínio é imaginar que a
prerrogativa de foro constitua, de fato, um privilégio. De um lado, porque
não há benefício na supressão de um ou de todos os graus de jurisdição.
De outro, porque o mecanismo busca assegurar um julgamento imparcial
— em proveito não só do réu, mas também da sociedade.

Em tese, tribunais superiores estão mais protegidos contra as pressões


que governantes e legisladores podem tentar exercer em favor da
absolvição, assim como são menos suscetíveis à litigância meramente
persecutória.

Folha de S.Paulo, 11/7/2013 (com adaptações).

Em relação ao texto acima, julgue os item que se segue.

Mantêm-se as relações sintáticas originais ao se substituir o termo


“Entretanto” (sublinhado no texto) por qualquer um dos
seguintes: Porém, Contudo, Todavia, No entanto.

Comentários

Tal como na questão anterior, vamos fazer as substituições:


62456350391

... Os parlamentares estariam, com isso, oferecendo o seu quinhão para o


combate à impunidade que tradicionalmente beneficia políticos de todos os
matizes.

Entretanto, há dois equívocos nesse raciocínio.

... Os parlamentares estariam, com isso, oferecendo o seu quinhão para o


combate à impunidade que tradicionalmente beneficia políticos de todos os
matizes.

Porém, há dois equívocos nesse raciocínio.

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... Os parlamentares estariam, com isso, oferecendo o seu quinhão para o


combate à impunidade que tradicionalmente beneficia políticos de todos os
matizes.

Contudo, há dois equívocos nesse raciocínio.

... Os parlamentares estariam, com isso, oferecendo o seu quinhão para o


combate à impunidade que tradicionalmente beneficia políticos de todos os
matizes.

Todavia, há dois equívocos nesse raciocínio.

... Os parlamentares estariam, com isso, oferecendo o seu quinhão para o


combate à impunidade que tradicionalmente beneficia políticos de todos os
matizes.

No entanto, há dois equívocos nesse raciocínio.

Após termos feito as trocas, percebemos que as cinco conjunções


transmitem a mesma ideia, portanto ficam mantidas as relações sintáticas
originais.

Dessa maneira, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 38 – (CESPE) Nível Superior – MPE-PI/2011

A lentidão e os congestionamentos são parte da realidade dos centros


urbanos. Fazer o trânsito fluir, porém, é um quebra-cabeça complexo. No
Brasil, o desafio envolve muitas variáveis, desde o número crescente da
frota de veículos e a precariedade dos transportes públicos até o
62456350391

comportamento dos motoristas ao volante. Enquanto os especialistas


analisam o assunto na tentativa de apontar soluções para o problema, o
Psicólogos do Trânsito, um grupo de jovens paulistanos, decidiu levar bom
humor à rua, mostrando que um simples gesto pode melhorar o caos do
trânsito.

Com a encenação de curtos espetáculos lúdicos, o grupo transforma uma


das esquinas mais movimentadas de São Paulo em palco de diversão e
alegria. Sobretudo nas noites de segunda e sexta-feira, quando invade a
pista e consegue o milagre de fazer o motorista rir mesmo encontrando-se
preso em mais um dos gigantescos engarrafamentos da cidade.

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Vestidos de palhaço, eles aproveitam o tempo dos carros parados no


semáforo para cumprir essa missão. Com cartazes educativos, ocupam a
faixa de pedestres, fazem performances e brincam com os motoristas.
Muita gente fecha o vidro do carro. No fim da apresentação de apenas um
minuto, os jovens erguem uma faixa com a frase “Um dia sem sorrir é um
dia desperdiçado”, de Charlie Chaplin. Em geral, nessa hora, o
comportamento dos estressados muda: abrem o vidro, buzinam, acenam
e seguem pelo trajeto descontraídos.

Fabíola Musarra. Psicólogos da rua. In: Planeta, nov./2011, p. 70-73 (com adaptações).

Com relação aos sentidos e a aspectos linguísticos do texto acima,


julgue o item consecutivo.

No quarto período do primeiro parágrafo, a conjunção “Enquanto”


(sublinhado no texto) introduz oração de valor consecutivo.

Comentários

Vamos ver o respectivo trecho do texto?

Enquanto os especialistas analisam o assunto na tentativa de apontar soluções


para o problema, o Psicólogos do Trânsito, um grupo de jovens paulistanos,
decidiu levar bom humor à rua, mostrando que um simples gesto pode melhorar
o caos do trânsito.

Observe que a conjunção “enquanto” indica noção temporal, e não


consecutiva.

Portanto, o item está errado.

GABARITO: ERRADO 62456350391

Questão 39 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-ES/2010

Nicolau meteu-se na política. Em 1823, vamos achá-lo na Constituinte.


Não há que dizer ao modo por que ele cumpriu os deveres do cargo.
Íntegro, desinteressado, patriota, não exercia de graça essas virtudes
públicas, mas à custa de muita tempestade moral. Pode-se dizer,
metaforicamente, que a frequência da câmara custava-lhe sangue
precioso. Não era só porque os debates lhe pareciam insuportáveis, mas
também porque lhe era difícil encarar certos homens, especialmente em
certos dias. Montezuma, por exemplo, parecia-lhe balofo, Vergueiro,
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maçudo, os Andradas, execráveis. Cada discurso, não só dos principais


oradores, mas dos secundários, era para o Nicolau verdadeiro suplício. E,
não obstante, firme, pontual. Nunca a votação o achou ausente; nunca o
nome dele soou sem eco pela augusta sala. Qualquer que fosse o seu
desespero, sabia conter-se e pôr a ideia da pátria acima do alívio próprio.
Talvez aplaudisse in petto o decreto de dissolução. Não afirmo; mas há
bons fundamentos para crer que o Nicolau, apesar das mostras exteriores,
gostou de ver dissolvida a assembleia. E se essa conjetura é verdadeira,
não menos o será esta outra: que a deportação de alguns dos chefes
constituintes, declarados inimigos públicos, veio aguar-lhe aquele prazer.
Nicolau, que padecera com os discursos deles, não menos padeceu com o
exílio, posto lhes desse um certo relevo. Se ele também fosse exilado!

Machado de Assis. Verba testamentária. In: J. Gledson. 50 contos de Machado de Assis.


São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 168 (com adaptações).

Com base no texto acima, julgue o item subsequente.

A substituição de “não obstante” (sublinhado no texto) por no


entanto manteria a correção gramatical e o sentido original do texto.

Comentários

Mais uma questão sobre o sentido transmitido pelas conjunções. Observe


como isso é bastante frequente nas provas formuladas pelo CESPE.

Vamos fazer a substituição proposta no enunciado?

Cada discurso, não só dos principais oradores, mas dos secundários, era para o
Nicolau verdadeiro suplício. E, não obstante, firme, pontual. Nunca a votação o
achou ausente; nunca o nome dele soou sem eco pela augusta sala.
62456350391

Cada discurso, não só dos principais oradores, mas dos secundários, era para o
Nicolau verdadeiro suplício. E, no entanto, firme, pontual. Nunca a votação o
achou ausente; nunca o nome dele soou sem eco pela augusta sala.

Vemos que ambas as conjunções transmitem a mesma ideia, por isso o


sentido original do texto fica mantido. Observe que a correção gramatical
também fica mantida.

Dessa maneira, o item está correto.

GABARITO: CERTO

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Questão 40 – (CESPE) Professor – SAEB-BA/2010

O governo encaminhou ao Congresso um plano nacional de educação para


vigorar na década que está começando. O plano ainda em vigor foi
aprovado em 2001 e cumpriu papel relevante. Embora os desafios que se
tem pela frente sejam enormes, o novo plano tem o mérito de pôr a
educação na agenda política e, principalmente, o de estabelecer metas de
qualidade para o setor.

O Brasil possui hoje um sistema de aferição da qualidade da educação em


diferentes níveis, estado por estado, e até em microrregiões homogêneas.
É possível aferir-se a qualidade do ensino distintamente no sistema
público e nas escolas particulares. Com esses dados, os educadores
contam com preciosa base de informações para traçar planejamento de
médio e longo prazos, pôr em prática mudanças pedagógicas e reivindicar
dos políticos e das autoridades governamentais ferramentas para que o
país avance nesse campo.

O novo plano buscará uma meta ousada: no início da terceira década do


século XXI, os índices de qualidade da educação deverão alcançar
patamar já ostentado por nações desenvolvidas.

Sem que os professores sejam motivados, as metas propostas jamais


serão alcançadas. É claro que os educadores poderão recorrer cada vez
mais à tecnologia para cumprir suas tarefas. Computadores em
laboratórios nas escolas ou nas salas de aula possibilitam o acesso a redes
de educação que aceleram o aprendizado. Além disso, a educação infantil
(creches e pré-escola) favorece esse aprendizado. Estatísticas recentes
em alguns estados que adotaram essas estratégias mostram redução
considerável do analfabetismo funcional — que antes alcançava índices
alarmantes de 60% na quarta série do ensino fundamental.

O plano nacional de educação serve de mapa para que a população


62456350391

brasileira possa acompanhar os objetivos que estão sendo perseguidos.


Nele, não estão definidas as fontes de financiamento do setor, mas talvez
isso não seja o mais essencial. Consideramos que o importante é que se
dê destaque à educação na agenda política da nação.

O Globo, 22/12/2010 (com adaptações).

Pelos sentidos do texto, estaria correto inserir antes de


“Estatísticas recentes” (sublinhado no texto), com a devida
alteração de maiúscula e minúscula, o segmento

a) Embora.

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b) A fim de que.

c) Porquanto.

d) Tanto é assim que.

Comentários

Mais uma questão sobre o sentido transmitido pelas conjunções. Observe


como isso é bastante frequente nas provas formuladas pelo CESPE.

Vamos analisar o trecho?

Sem que os professores sejam motivados, as metas propostas jamais serão


alcançadas. É claro que os educadores poderão recorrer cada vez mais à
tecnologia para cumprir suas tarefas. Computadores em laboratórios nas escolas
ou nas salas de aula possibilitam o acesso a redes de educação que aceleram o
aprendizado. Além disso, a educação infantil (creches e pré-escola) favorece
esse aprendizado. Estatísticas recentes em alguns estados que adotaram essas
estratégias mostram redução considerável do analfabetismo funcional — que
antes alcançava índices alarmantes de 60% na quarta série do ensino
fundamental.

Observe que o período iniciado por “Estatísticas recentes” apresenta uma


consequência do fato ocorrido no período anterior. Assim, temos que
inserir uma conjunção que transmita noção consecutiva, ou seja, a
locução conjuntiva “tanto é assim que”.

Verifique, agora, a noção transmitida pelas outras conjunções:

a) Embora - concessão

b) A fim de que - finalidade


62456350391

c) Porquanto - causa

Dessa maneira, a resposta correta é a alternativa D.

GABARITO: D

Questão 41 – (CESPE) Analista Judiciário – STM/2010

Especialistas em direito e em execuções penais divergem sobre a eficácia


da extensão do período máximo de encarceramento permitido pela
legislação brasileira. Para alguns, a ameaça de aplicação de penas mais
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rígidas — e mesmo à pena de morte — não intimida a maioria dos


criminosos.

Outros no entanto louvam a iniciativa por acreditarem que a mudança


seria uma espécie de antídoto contra as benevolências da progressão de
regime, que acaba libertando condenados tão logo eles cumpram um
sexto da pena comportadamente.

Como ocorre na maioria das vezes, os dois lados têm sua cota de razão.

Considerando que no texto acima, adaptado do Jornal do Brasil de


15/12/2010, foram inseridos erros, julgue o item a seguir.

A expressão “tão logo” (sublinhada no texto) foi empregada de maneira


incorreta no texto; sua substituição por assim que garantiria a
correção gramatical do texto.

Comentários

Observe, no trecho abaixo, que está correta a colocação de “tão


logo”, pois essa locução conjuntiva transmite noção temporal.

Outros no entanto louvam a iniciativa por acreditarem que a mudança seria uma
espécie de antídoto contra as benevolências da progressão de regime, que acaba
libertando condenados tão logo eles cumpram um sexto da pena
comportadamente.

A mesma ideia também é transmitida por “assim que”, portanto a


troca de uma por outra está correta.

Tenha cuidado quando o item contém mais de uma informação, pois é


preciso verificar todas para se ter certeza da resposta correta.
62456350391

Portanto, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

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Questão 42 – (CESPE) Engenheiro – INSS/2010

Da tomada para a estrada

Dois modelos de veículo de uma montadora italiana, movidos a energia


elétrica, já estão prontos para rodar. Os protótipos foram desenvolvidos
no Brasil pela empresa Itaipu Binacional, com o objetivo de nacionalizar a
tecnologia de produção de carros elétricos. Basta colocá-los na tomada
por um período de oito horas para que eles estejam aptos a rodar
aproximadamente 120 km. Os deslocamentos podem ser velozes, já que
os veículos conseguem atingir uma velocidade de até 130 km por hora. O
detalhe mais animador é que, para isso, se gasta de quatro a cinco vezes
menos do que se forem utilizados combustíveis convencionais, como o
álcool ou a gasolina.

O motorista que experimentar dirigir os protótipos não deverá estranhá-


los. “É muito simples guiá-los, pois as diferenças em relação aos carros
tradicionais são mínimas”, explica o engenheiro eletricista Celso Novais,
coordenador geral brasileiro do projeto Veículo Elétrico. “A principal
distinção é que não existe partida. O veículo liga como se fosse acionado
por um interruptor.” Segundo Novais, quando está parado — em um
congestionamento, por exemplo —, o veículo não consome energia. “A
bateria que o alimenta é totalmente reciclável e pode ser recarregada
cerca de 1.500 vezes.”

O coordenador do projeto destaca o aspecto econômico como uma das


grandes vantagens do carro elétrico, ao compará-lo com um veículo
movido a gasolina. “Com um litro do combustível, é possível percorrer 15
km em média. No entanto, se o mesmo valor gasto com essa quantidade
de gasolina for empregado na compra de energia elétrica, é possível rodar
cerca de 40 km.” Além de enfatizar as vantagens econômicas, Novais
salienta os incontestáveis benefícios ambientais. “O carro elétrico não faz
barulho nem polui a atmosfera, já que não emite gás carbônico ou
62456350391

qualquer outra substância química.”

Jaqueline Bartzen. Ciência Hoje . Internet: (com adaptações)

Considerando o texto acima, julgue o item.

A expressão ‘já que’ (sublinhada no texto) pode ser corretamente


substituída por porque.

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Comentários

Observe que “já que” e “porque” são conjunções causais, não é mesmo?
Conjunções causais: justificam o expresso na oração anterior.
Que, porque, pois, desde que, na medida em que, se, como, porquanto, visto
que, visto como, já que, uma vez que, etc.

Portanto, a troca está correta.

“O carro elétrico não faz barulho nem polui a atmosfera, já que não emite gás
carbônico ou qualquer outra substância química.”

“O carro elétrico não faz barulho nem polui a atmosfera, porque não emite gás
carbônico ou qualquer outra substância química.”

Dessa maneira, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 43 – (CESPE) Analista Ambiental – ICMBio/2009

Uma investigação sobre as causas das enchentes


em Santa Catarina — e suas lições para o Brasil

Uma das piores calamidades dos últimos anos alagou Santa Catarina e
comoveu o país. O que fazer para que nossas cidades não fiquem tão
vulneráveis?

Ninguém questiona a força dos desastres naturais. Mas o Brasil tem


capacidade técnica e experiência suficientes para, no mínimo,
reduzir o impacto de chuvas como essa. Em Blumenau, há uma estação
62456350391

telemétrica que monitora a vazão do rio Itajaí e tem condições de emitir


sinais de alerta para inundações. Há também um programa de
monitoramento do clima — que previu até a gravidade do furacão
Catarina, em 2004. O dilúvio ninguém previu, mas já chovia no estado
quase a primavera toda, e estudos sobre as áreas de risco de enchentes e
deslizamentos apontavam o que podia acontecer se chovesse demais.

Agora que o desastre aconteceu, é importante entender por que ele foi tão
grave — afinal, há muitas regiões com o mesmo tipo de risco no país. De
todas as medidas já tomadas e dos estudos em curso, algumas conclusões
podem ser tiradas sobre o que é preciso fazer:

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1) Conter o desmatamento nas cabeceiras dos rios — Em um terreno com


vegetação nativa, a água das chuvas leva mais tempo para chegar ao
curso d’água. As próprias folhas das árvores absorvem parte da chuva e
reduzem o impacto das gotas no solo. Além disso, troncos e folhas no
chão ajudam a reter a água. O solo, menos compactado, absorve mais
água.

2) Regularizar a ocupação dos morros — O que aumentou as perdas de


vidas e os danos materiais foram construções de casas em áreas de
encostas perigosas, as chamadas áreas de preservação permanente.
3) Aumentar o escoamento dos rios — Foi com obras de retificação,
alargamento e canalização da calha dos rios que cidades como Belo
Horizonte e São Paulo conseguiram reduzir o impacto das enchentes.

4) Monitorar as populações de risco — Obras de contenção de encosta,


treinamento de voluntários, monitoramento da aproximação das chuvas,
medição do índice pluviométrico por área das cidades, cálculo do grau de
saturação do solo encharcado (prevendo-se o risco de deslizamento) estão
entre as medidas que reduziram o número de mortes e de desabrigados
em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

Época. 1.º/12/2008, p. 47-50 (com adaptações).

Considerando as ideias, a estrutura e a organização gramatical


do texto acima, julgue o item.

No trecho “capacidade técnica e experiência suficientes" (em negrito no


texto), caso a palavra sublinhada fosse substituída por bastante, a
concordância se faria no singular, uma vez que esta palavra funcionaria
como advérbio.

Comentários
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A afirmação está errada, pois a palavra “bastante” funciona também como


adjetivo no trecho constante do enunciado.

É preciso ter cuidado, pois muitas palavras podem assumir


diferentes classes.

Dessa maneira, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

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Questão 44 – (CESPE) Analista de Correios – Correios/2011

Sr. Leitor

Não fui, e não sou, um escrevedor de cartas. Acredito que, no momento


em que você estiver lendo esta mensagem, meus sentimentos a respeito
dela e, muitas vezes, em relação a você podem ter mudado e isto me
obrigaria a escrever outra mensagem para explicar a mudança e assim
sucessivamente, 7 em uma troca de correspondência absurda.

Com o telefone, a comunicação ficou mais fácil, mais direta. Não gosto de
falar ao telefone, mas, em minha juventude, contaminado por uma
timidez excessiva que me impedia as investidas ao vivo, confesso um
pouco envergonhado, já o utilizei para conquistas, cantadas, declarações
de amor.

O tempo passou e, agora me dou conta, passo dias sem pegar no telefone
e, na maioria das vezes, nem o atendo quando toca. Ele é coisa do
passado. Em compensação surgiu o email, isto é, a volta às cartas. São
cartas virtuais, mas, como nas de antigamente, sempre podemos escrever
um parágrafo, parar, tomar um café, recordar um fato, uma conversa,
uma declaração de amor. Tudo isto com a vantagem de deixar o texto
descansando até que a emoção acabe, ou diminua; e podemos corrigir os
erros de português e de ansiedades. Estará voltando a epistolografia?

O maior epistológrafo (que palavra horrível!) de todos os tempos foi, sem


dúvida, São Paulo. Há quem diga que suas epístolas deram origem à
Educação a Distância, já que ele difundia o cristianismo por meio de
cartas para seus discípulos que moravam em cidades distantes como
Éfeso, Corinto, Roma etc.

No passado, a carta era tema de obras literárias, músicas etc., etc. Temos
vários e belos contos e romances que são epistolares. Dostoievski e
62456350391

Goethe usaram este método que já foi dado como acabado e agora volta
com força total — via Internet. E aqui abro um parêntese para dizer que é
epistolar um dos mais belos, vigorosos e cruéis romances que li
ultimamente, A Caixa Preta, do escritor israelense Amoz Oz.

Na música, em minha adolescência, me comovia com a voz de Dalva de


Oliveira cantando “Quando o carteiro chegou/e meu nome gritou/com uma
carta na mão/ante surpresa tão rude/não sei como pude/chegar ao
portão...”.

Braz Chediak. Internet: (com adaptações)

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Julgue o próximo item, relacionado à ordem dos termos


linguísticos no texto.

A ordem das palavras nos sintagmas nominais “timidez excessiva”


(sublinhado no texto), “cartas virtuais” (sublinhado no texto) e “obras
literárias” (sublinhado no texto) confirma a regra de que, em geral, no
português, o adjetivo vem posposto ao substantivo, principalmente
quando restritivo.

Comentários

O enunciado traz uma regra constante da nossa língua, o que é


confirmado nas três expressões.

Dessa maneira, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 45 – (CESPE) Nível Superior – IFB/2010

Se, na experiência de minha formação, que deve ser permanente, começo


por aceitar que o formador é o sujeito em relação a quem me considero o
objeto, que ele é o sujeito que me forma e eu, o objeto por ele formado,
me considero como um paciente que recebe os conhecimentos-conteúdos
acumulados pelo sujeito que sabe e que são a mim transferidos. Nessa
forma de compreender e de viver o processo formador, eu, objeto, agora,
terei a possibilidade, amanhã, de me tornar o falso sujeito da “formação”
do futuro objeto de meu ato formador. É preciso que, pelo contrário,
desde os começos do processo, vá ficando cada vez mais claro que,
embora diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao formar e
quem é formado forma-se e forma ao ser formado. É nesse sentido que
62456350391

ensinar não é transferir conhecimentos, conteúdos, nem formar é ação


pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso
e acomodado. Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus
sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à
condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e
quem aprende ensina ao aprender.

Paulo Freire. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São


Paulo: Paz e Terra, 1996, p. 22-3 (com adaptações)

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Julgue o item, relativo aos elementos linguísticos apresentados no


texto.

O adjetivo “diferentes” (sublinhado no texto) está no plural porque se


refere, antecipadamente, a estes dois conceitos: “quem forma se forma
e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser
formado” (sublinhado no texto).

Comentários

Para resolver este tipo de questão, basta ter um pouco de atenção.

Perceba que realmente o adjetivo “diferentes” refere-se aos dois


conceitos, portanto está no plural.

Assim, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 46 – (CESPE) Redator – FUB/2009

O ano de 1964 representou para a Universidade de Brasília o maior


retrocesso que pôde existir na história do ensino superior no Brasil. No
meu entender, foi um verdadeiro aborto na história da ciência, pois aqui
se perdeu o que existia de melhor em conhecimento científico e intelectual
deste país. Digo isso porque presenciei os fatos daquela época.
Destruíram, aqui, o ninho dos homens-águias. Desapareceram os grandes
personagens, que foram a verdadeira história da UnB. Restaram apenas
mágoas e ressentimentos, medo e desconfiança, um sentimento de
desgosto e de tristeza no meio de toda aquela gente se evadindo ou
assistindo com pavor à violência e à desmoralização de seus colegas e
62456350391

familiares sem que nada se pudesse fazer. Por isso afirmo e considero que
aqui a história ficou interrompida.

Entre prisões e renúncias ao cargo, a Universidade perdeu os melhores


professores escolhidos pelo reitor Darcy Ribeiro. Até aquela data, o que
existia de melhor em matéria de ensino estava na Universidade de
Brasília.

Sebastião Varela. UnB 30 anos de história, pioneirismo, resistência, homens e fatos. In:
UnB 30 anos. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1992, p. 146-7 (com adaptações).

Com relação aos aspectos semânticos e gramaticais do texto,


julgue o item que se segue.
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Recurso retórico para indicar o grau mais intenso da qualidade de algo,


o superlativo foi empregado para qualificar os professores que atuavam
na UnB em 1964 na expressão “os melhores professores” (sublinhada
no texto).

Comentários

Vamos fazer uma pequena revisão?

Flexão de Grau do Adjetivo


Grau comparativo de inferioridade
Menos do que.
Exemplo: Os adultos são menos alegres do que as crianças.
Grau comparativo de igualdade
Igual a, como, tanto, quanto, tão quanto.
Exemplo: Os adultos são tão alegres quanto as crianças.
Grau comparativo de superioridade
Mais do que.
Exemplo: As crianças são mais sinceras do que os adultos.
Grau superlativo
Absoluto sintético e absoluto analítico.
Exemplos - absoluto sintético: O prédio é altíssimo. Maria é lindíssima.
Meu sofá é ótimo.
Exemplos - absoluto analítico: João é muito humilde. A casa é muito
valiosa. O apartamento é excessivamente grande.
Grau superlativo relativo
De inferioridade (o menos) e de superioridade (o mais).
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Exemplo – de inferioridade: José é o menos estudioso da escola.


Exemplo – de superioridade: O Brasil é o mais belo dos países.

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Ao compararmos duas qualidades de um


mesmo ser, empregamos a forma analítica
(mais grande, mais bom, mais pequeno,
mais ruim, etc.).

Se a mesma qualidade se referir a seres


distintos, usamos a forma sintética (maior,
melhor, menor, pior, etc.).

Exemplo: Joana é mais gorda que grande. Aquele prédio é maior que este.
Maria é menor que a prima. Sandra é mais pequena que magra.

O grau superlativo também pode ser feito por meio do emprego da


repetição do adjetivo.

Exemplo: A viagem foi muito divertida, divertida.

De volta à questão, conforme a teoria acima, verificamos que o


item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 47 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2005

A localidade opõe-se à globalidade, mas também se confunde com ela. O


mundo, todavia, é nosso estranho. Pela sua essência, ele pode esconder-
se; não pode, entretanto, fazê-lo pela sua existência, que se dá nos
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lugares. No lugar, nosso Próximo, superpõem-se, dialeticamente, o eixo


das sucessões, que transmite os tempos externos das escalas superiores,
e o eixo dos tempos internos, que é o eixo das coexistências, onde tudo
se funde, enlaçando, definitivamente, as noções e as realidades de espaço
e de tempo.

No lugar — um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas,


firmas e instituições —, cooperação e conflito são a base da vida em
comum. Porque cada qual exerce uma ação própria, a vida social
individualiza-se; e, porque a contigüidade é criadora de comunhão, a
política se territorializa, com o confronto entre organização e

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espontaneidade. O lugar é o quadro de uma referência pragmática ao


mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações
condicionadas, mas é também o teatro insubstituível das paixões
humanas, responsáveis, por meio da ação comunicativa, pelas mais
diversas manifestações da espontaneidade e da criatividade.

Milton Santos. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2.ª ed. São
Paulo: Hucitec, p. 258 (com adaptações).

Analisando a relação entre as informações veiculadas pelo


texto e a articulação dos elementos textuais, julgue (C ou E)
o item a seguir.

A forma verbal prevalente no texto é o presente do indicativo, o que


equivale a dizer que o texto se compõe de enunciados categóricos, os
quais produzem o tom de certeza na abordagem do tema.

Comentários

O presente do indicativo é o tempo verbal que é empregado quando se


deseja retratar um fato ocorrido no momento da fala. O indicativo é o
modo verbal que expressa atitude de certeza.

A seguir, segue o texto com os verbos no presente do indicativo em


negrito.

A localidade opõe-se à globalidade, mas também se confunde com ela. O


mundo, todavia, é nosso estranho. Pela sua essência, ele pode esconder-se; não
pode, entretanto, fazê-lo pela sua existência, que se dá nos lugares. No lugar,
nosso Próximo, superpõem-se, dialeticamente, o eixo das sucessões, que
transmite os tempos externos das escalas superiores, e o eixo dos tempos
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internos, que é o eixo das coexistências, onde tudo se funde, enlaçando,


definitivamente, as noções e as realidades de espaço e de tempo.

No lugar — um cotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e


instituições —, cooperação e conflito são a base da vida em comum. Porque cada
qual exerce uma ação própria, a vida social individualiza-se; e, porque a
contigüidade é criadora de comunhão, a política se territorializa, com o
confronto entre organização e espontaneidade. O lugar é o quadro de uma
referência pragmática ao mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas
de ações condicionadas, mas é também o teatro insubstituível das paixões
humanas, responsáveis, por meio da ação comunicativa, pelas mais diversas
manifestações da espontaneidade e da criatividade.

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Dessa maneira, verificamos que o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 48 – (CESPE) Analista de Infraestrutura – MP/2012

É um erro buscar o crescimento pelo crescimento, sem levar em conta os


seus efeitos mais amplos e as suas consequências. É necessário ponderar,
entre outros fatores, o impacto ambiental. É fundamental também usar os
frutos do crescimento, para aprimorar a qualidade de vida da população
de maneira abrangente, e não apenas para favorecer certos grupos.
Precisamos prestar atenção em como podemos tirar o melhor proveito do
enriquecimento do país. Sou contra o crescimento pelo crescimento, e
ofereço todas as minhas críticas àqueles que são a favor. Entretanto,
àqueles que não buscam nenhum crescimento, como é o caso da Europa
hoje em dia, minhas críticas são ainda mais severas. Adam Smith estava
certo quando observou que o crescimento aumenta a renda da população
e, assim, amplia a capacidade das pessoas de ter acesso a melhores
condições de vida. Estava certo também quando disse que o crescimento
gera os recursos necessários para que os governos possam exercer suas
atividades essenciais.

Amartya Sem. Mercado, justiça e liberdade. In: Veja, 2/5/2012 (com adaptações)

No que se refere à organização das ideias no texto acima, julgue o


item seguinte.

A forma verbal “ter”, em “e, assim, amplia a capacidade das pessoas de


ter acesso a melhores condições de vida” (sublinhado no texto), poderia
ser corretamente empregada também no plural: terem.
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Comentários

Esta questão trata do assunto “flexão do infinitivo”. Vamos ver as


regras?

Flexão do Infinitivo

O infinitivo é uma das três formas nominais do verbo e pode ser pessoal
ou impessoal. O infinitivo impessoal não tem sujeito e, portanto,

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não se flexiona. Por sua vez, o infinitivo pessoal possui sujeito e,


com ele, pode concordar em número e pessoa.

Vamos ver que o infinitivo pessoal, a depender da construção da frase,


pode flexionar-se facultativa ou obrigatoriamente, ou não pode flexionar-
se.

Casos Obrigatórios

Sujeitos diferentes

Se o infinitivo estiver acompanhado de um sujeito devidamente expresso,


sua flexão é obrigatória.

Exemplos:

O concurso da Anatel será uma oportunidade de os candidatos verificarem seus


conhecimentos. (“os candidatos” = sujeito do verbo “verificar” e “o concurso da
Anatel” = sujeito do verbo “ser” – dois sujeitos diferentes)

O concurso da Anatel será uma oportunidade de eles verificarem seus


conhecimentos. (“eles” = sujeito do verbo “verificar” e “o concurso da Anatel” =
sujeito do verbo “ser” – dois sujeitos diferentes)

Se queremos definir o sujeito não expresso por meio da desinência verbal,


precisamos fazer a flexão do infinitivo obrigatoriamente.

Exemplo:

É uma oportunidade de irmos para casa. (“nós” = sujeito não expresso do verbo
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“ir”)

Casos Facultativos

Sujeito do infinitivo já expresso em oração anterior

Se o sujeito do infinitivo já tiver sido expresso em oração anterior, temos


uma flexão facultativa. Caso haja risco de ambiguidade, precisamos fazer
a flexão.

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Exemplo:

Mariana deu oportunidade aos seus empregados de obter (ou obterem)


descontos na loja de sua irmã.

Infinitivo antecedido por preposição e referente plural

Se o sujeito do infinitivo for antecedido por preposição e tiver um


referente plural, a flexão é facultativa.

Exemplo:

O problema conduz os policiais a investigarem (ou investigar) as relações


entre os empregados da fábrica. (“policiais” = referente plural)

Infinitivo passivo: preposição + verbo “ser” (infinitivo) +


particípio

Se os sujeitos das orações são diferentes e o do infinitivo vier logo após a


preposição, a flexão do infinitivo é facultativa.

Exemplo:

Marina enviou os exames para serem (ou ser) verificados. (“Marina” = sujeito
do verbo “enviar” e “exames” = sujeito da forma verbal “ser verificados” – dois
sujeitos diferentes)

Se o sujeito das orações for plural e o mesmo, a flexão do infinitivo é


facultativa.
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Exemplo:

Elas não se importam de ser (ou serem) ameaçadas.

Se temos um adjetivo antes da preposição, a flexão do infinitivo é


facultativa.

Exemplo:

As roupas estavam prontas para ser (ou serem) vendidas.

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Verbos causativos ou sensitivos

Este caso é um pouco controverso, pois há divergências. Atualmente, a


banca CESPE aceita este tipo de flexão como facultativo.

Exemplo:

A mulher mandou as crianças sair (ou saírem). (“mandou” = verbo causativo)

Observação:

Se o sujeito acusativo for um pronome oblíquo no plural, a flexão do


infinitivo é proibida.

Exemplo:

A mulher as mandou sair. (“mandou” = verbo causativo)

Casos Proibidos

Locução verbal

Quando temos uma locução verbal, o segundo verbo nunca se flexiona,


pois está na sua forma impessoal.

Exemplo:

Nós queremos comer o chocolate.

Sentido genérico 62456350391

Quando temos o infinitivo usado em sentido genérico (“o ato de”), é


proibida a flexão, pois está na sua forma impessoal.

Exemplo:

Gosto de festa nas quais temos a oportunidade de dançar.

Voltando à questão, veja que temos o seguinte caso facultativo:

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Sujeito do infinitivo já expresso em oração anterior

Se o sujeito do infinitivo já tiver sido expresso em oração anterior, temos


uma flexão facultativa. Caso haja risco de ambiguidade, precisamos fazer
a flexão.

Assim, a questão está correta.

GABARITO: CERTO

Questão 49 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos


Deputados/2012

A Constituição prevê a preservação do patrimônio cultural brasileiro,


destacando como objetos protegidos os bens que compõem a história e a
identidade do país. Já a Lei de Acesso à Informação (Lei n.º 12.527/2011)
determina que órgãos públicos assegurem a proteção da informação,
garantindo sua disponibilidade, autenticidade e integridade.

A Câmara, por sua vez, instituiu sua própria política de preservação. Um


ato da Mesa (49/2012) estabelece as diretrizes para garantir essa
conservação. Segundo o diretor-geral da Câmara, a Casa tem um
compromisso com a sociedade quando se trata de patrimônio cultural. “A
preservação cultural é também a preservação da nossa história. E a
Câmara tem esse compromisso por possuir, em seus edifícios, tanto da
história do país e de Brasília”, afirmou durante palestra sobre o tema.

Internet: (com adaptações).

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Com base nas ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o


próximo item.

No trecho “assegurem a proteção” (sublinhado no texto), o emprego da


forma verbal no subjuntivo justifica-se porque, pelos sentidos do texto, se
trata de uma ideia provável, desejável, cuja realização efetiva ainda não
se pode comprovar.

Comentários

Aqui, temos que nos lembrar de que o subjuntivo é o modo que expressa
dúvida, hipótese, probabilidade.

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Assim, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 50 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2006

Os acontecimentos traumáticos vividos por um grupo minoritário não


podem ser excluídos da experiência coletiva da sociedade em que esse
grupo se insere. No Brasil, nosso compromisso com a alegria, a festa, a
irresponsabilidade nos faz rejeitar a memória e abandonar os projetos de
reparação de injustiças passadas. Distantes das condições sociais dos
países do chamado Primeiro Mundo, idealizado e invejado, contentamo-
nos em ser reconhecidos “internacionalmente” a partir da imagem de povo
alegre, despreocupado e sensual que o colonizador fez de nós, desde a
Carta de Caminha. Tal compromisso nos impede de levar a reparação de
injustiças às últimas consequências. Temos pressa em “perdoar” aos
inimigos, com medo de parecer ressentidos — mas o ressentimento, afeto
que não ousa dizer seu nome, esconde-se justamente nas formações
reativas do esquecimento apressado, tão característico da sociedade
brasileira.

Maria Rita Kehl. Ressentimento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004 (com adaptações)

Com relação a aspectos gramaticais do texto, julgue o item


subsequente.

A forma de infinitivo “ser” (sublinhada no texto) poderia corretamente ser


substituída pela forma flexionada sermos.

Comentários
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Mais uma questão que trata da flexão do infinitivo. Nós já vimos as


regras, não é mesmo?

Aqui, temos uma flexão facultativa.

Vamos revisar os casos de flexão facultativa?

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Sujeito do infinitivo já expresso em oração anterior

Se o sujeito do infinitivo já tiver sido expresso em oração anterior, temos


uma flexão facultativa. Caso haja risco de ambiguidade, precisamos fazer
a flexão.

Exemplo:

Mariana deu oportunidade aos seus empregados de obter (ou obterem)


descontos na loja de sua irmã.

Infinitivo antecedido por preposição e referente plural

Se o sujeito do infinitivo for antecedido por preposição e tiver um


referente plural, a flexão é facultativa.

Exemplo:

O problema conduz os policiais a investigarem (ou investigar) as relações


entre os empregados da fábrica. (“policiais” = referente plural)

Infinitivo passivo: preposição + verbo “ser” (infinitivo) +


particípio

Se os sujeitos das orações são diferentes e o do infinitivo vier logo após a


preposição, a flexão do infinitivo é facultativa.

Exemplo:

Marina enviou os exames para serem (ou ser) verificados. (“Marina” = sujeito
62456350391

do verbo “enviar” e “exames” = sujeito da forma verbal “ser verificados” – dois


sujeitos diferentes)

Se o sujeito das orações for plural e o mesmo, a flexão do infinitivo é


facultativa.

Exemplo:

Elas não se importam de ser (ou serem) ameaçadas.

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Se temos um adjetivo antes da preposição, a flexão do infinitivo é


facultativa.

Exemplo:

As roupas estavam prontas para ser (ou serem) vendidas.

Assim, o item está correto.

GABARITO: CERTO

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CLASSES DE PALAVRAS: um pouco de teoria

A Língua Portuguesa tem dez classes de palavras: substantivo,


adjetivo, artigo, numeral, pronome, verbo, advérbio, interjeição,
conjunção e preposição. Algumas dessas classes são variáveis e outras
invariáveis.

Essas classes de palavras aparecem, em uma sentença, relacionadas


entre si, de maneira que umas modificam outros vocábulos, outras são
modificadas e algumas servem de conectivo entre os vocábulos.

Para entender um pouco, vamos ver o que significa “modificação”. As


palavras que modificam são, geralmente, chamadas determinantes; as
que são modificadas, determinadas; e as que servem como elo de
ligação são denominadas conectivos.

Normalmente, podemos afirmar que o substantivo é determinado,


porque quase sempre aparece, em uma frase, modificado por um
pronome, numeral, artigo ou adjetivo.

Vamos ver um exemplo?

Os meus três colares novos estão dentro do armário.

Os (artigo) meus (pronome) três (numeral) colares (substantivo) novos


(adjetivo) estão dentro do armário.

Assim, percebemos que o substantivo colares aparece modificado


(determinado) por artigo, pronome, numeral e adjetivo. De forma
inversa, o artigo, o pronome, o numeral e o adjetivo referem-se ao
substantivo colares e, portanto, são denominados determinantes.

Mas, atenção! O substantivo também pode ser determinante. Quer ver um


exemplo?
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Amanhã terei uma consulta com a nutricionista Heloísa.

Observe que o substantivo nutricionista é modificado (determinado) pelo


substantivo Heloísa (determinante).

Por sua vez, normalmente, o advérbio aparece como determinante e


expressa circunstância referente ao verbo, ao adjetivo ou a outro
advérbio.

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Exemplo:

Marisa é uma advogada muito bem relacionada.

Note que o advérbio bem altera o sentido do adjetivo relacionada e


exprime uma circunstância de modo. O advérbio muito modifica o sentido
do advérbio bem e exprime uma circunstância de intensidade.

E os conectivos?

São classes de palavras que servem de elo de ligação entre dois termos
ou duas orações. Temos, assim, as preposições e as conjunções.

Vejam a seguinte sentença:

Mariana e Antônia estiveram em Belo Horizonte, mas eu não as encontrei.

Mariana e (conjunção) Antônia estiveram em (preposição) Belo Horizonte,


mas (conjunção) eu não as encontrei.

Vamos, agora, ver as definições, as classificações, a formação e as flexões


de cada classe de palavras.

ORTOR

SUBSTANTIVO

É a palavra que designa os seres em geral, coisas ou ideias (pessoas,


lugares, instituições, entidades, animais, plantas, minerais, vegetais,
gases, entes de natureza espiritual ou mitológica, etc.).

FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS

Substantivo Primitivo 62456350391

O substantivo primitivo não deriva de outro; na verdade, ele é o


responsável pela formação de novas palavras.
Exemplos: casa, folha, árvore, livro, pedra, ferro, planta, cabeça.
Substantivo Derivado
É aquele que deriva de outras palavras, com o acréscimo de prefixos e, ou
sufixos.
Exemplos: livraria, livreiro, jornaleiro, diarista, bananeira.

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Substantivo Simples
É aquele que se forma por meio de um único radical.
Exemplos: mesa, escola, armário, leite, banana, papel, homem, caneta.

Substantivo Composto
É aquele que se forma pela justaposição ou aglutinação de dois ou mais
radicais.
Exemplos: porco-espinho, amor-perfeito, erva-doce, beija-flor, planalto,
aguardente, girassol.

FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS

O substantivo varia em gênero, número e grau.

Flexão de Gênero
Temos os gêneros masculino e feminino. Alguns substantivos têm uma
única forma para os dois gêneros. São, portanto, uniformes e subdividem-
se em três tipos, que veremos em seguida.

Substantivo Comum de dois gêneros


Apresenta uma só forma para os gêneros feminino e masculino. Distingue-
se o gênero pela anteposição ou posposição de um determinante (artigo,
pronome, adjetivo, etc.).
Exemplos: o pianista/a pianista, aquela telefonista/aquele telefonista, uma
cliente/um cliente, colega bonito/colega bonita.

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Substantivo Sobrecomum
Possui uma só forma para o masculino e o feminino. A distinção é feita
dentro do contexto, não há outra forma de diferenciação.
Exemplos: a testemunha, a pessoa, a vítima, a criança, o cônjuge, o monstro,
o carrasco, o indivíduo.

Substantivo Epiceno
Existe apenas uma forma e um gênero para designar animais de ambos os
sexos. Para mostrar a diferença, usamos as expressões macho e fêmea.
Exemplos: crocodilo macho/crocodilo fêmea, cobra macho/cobra fêmea, jacaré

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macho/jacaré fêmea, onça macho/onça fêmea, águia macho/águia fêmea.

Substantivo Biforme
Apresenta uma forma específica para o masculino e outra para o feminino
(normalmente marcada pela desinência a).
Exemplos: professor/professora, prefeito/prefeita, aluno/aluna,
ministro/ministra, menino/menina.

Aqui, cabe fazer uma divisão:


Alguns são heterônimos: possuem radicais distintos para masculino
e feminino.
Exemplos: pai/mãe, homem/mulher, genro/nora, boi/vaca,
cavalheiro/dama, cavalo/égua.
Outros apresentam o feminino derivado de radical do masculino, por
meio de substituição ou acréscimo de diversas terminações.
Exemplos: capiau/capioa, réu/ré, maestro/maestrina, frade/freira.

Atenção!
Alguns substantivos nos proporcionam
dúvidas quanto ao gênero por causa de
uma não relação entre gênero gramatical e
sexo.
Vamos ver alguns?

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Palavras masculinas: o apêndice, o champanha, o clã, o derma, o eclipse, o


eczema, o formicida, o guaraná, o herpes, o telefonema, o trema, o tracoma, o
vernissage, o alvará, o aneurisma, o estratagema.

Palavras femininas: a alface, a aluvião, a sentinela, a cal, a apendicite, a


bacanal, a cataplasma, a omoplata, a libido, a mousse, a derme, a gênese, a
comichão, a omelete.

Atente também para a existência de substantivos de gênero flutuante


(são aceitas as duas formas): o cólera/a cólera, o diabete/a diabete, o

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laringe/a laringe, o usucapião/a usucapião, o personagem/a personagem.

Outro ponto muito importante e que também merece nossa atenção é o


substantivo que tem seu significado alterado ao mudar de gênero.
Exemplos: o cabeça (o chefe)/a cabeça (parte do corpo, pessoa inteligente), o
capital (os bens)/a capital (cidade principal), o moral (o ânimo)/a moral (os
costumes), o rádio (o aparelho)/a rádio (estação, emissora), o grama (unidade
de medida)/a grama (capim).

Flexão de Número

Temos o singular e o plural.

Regra Geral
Forma-se o plural ao se acrescentar a desinência “s” ao singular, caso os
substantivos terminem por vogal ou ditongo.
Exemplos: menino(s), casa(s), cidade(s), areia(s).

Regras Especiais

Substantivos terminados em “R” ou “Z”: acrescenta-se “ES” ao


singular.
Exemplos: corEs, florEs, amorEs, nozEs.
Substantivos terminados em “AL”, “EL”, “OL”: troca-se o “L”
final por “IS”.
Exemplos: portal(is), papel(is), anzol(is).
Exceções: mal/males, consul/cônsules
Substantivos terminados em “IL”: caso sejam oxítonos, troca-se
o “L” final por “S” e paroxítonos, troca-se o “IL” final por “EIS”.
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Exemplos: fóssEIS.
Substantivos terminados em “S”: caso sejam oxítonos ou
monossílabos, acrescenta-se “ES”, e paroxítonos ou proparoxítonos,
permanecem invariáveis (flexiona-se o artigo que os acompanha).
No segundo caso, são denominados substantivos comuns de dois
números.
Exemplos: meses, gases, países, o(s) pires, o(s) ônibus, o(s) bônus,
o(s) vírus.
Substantivos terminados em “M”: troca-se “M” por “NS”.
Exemplos: bomboNS, álbuNS, iteNS.

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Substantivos terminados em “ÃO”: alguns substantivos


apresentam a forma pluralizada em “ÃOS”, “ÕES” ou “ÃES”. Não há
uma regra fixa, há que se memorizar. Por isso, preste atenção
nessas palavras ao fazer suas leituras e estudos, isso ajuda na
memorização.
Exemplos: órgãos, órfãos, bênçãos, cidadãos, caixões, limões, foliões,
melões, pães, guardiães, tabeliães, alemães.

Flexão de Grau

O grau representa as variações de tamanho dos seres, assim temos a


forma regular, a aumentativa e a diminutiva. Mas, nem sempre isso
acontece. O grau também expressa noções (emprego semântico) de
desproporção, de disformidade, de depreciação, de afetividade.

A forma analítica se faz pelo acréscimo de um adjetivo, como grande ou


pequeno (ou sinônimos). É a forma que, geralmente, expressa a indicação
de aumento ou de diminuição de um ser.

Exemplo: boca pequena, apartamento minúsculo, armário grande, casa


enorme.

Vamos estudar a forma sintética a seguir.

Grau aumentativo
Forma-se por meio do acréscimo de sufixos aumentativos à forma
regular dos substantivos primitivos.
Vamos ver alguns sufixos aumentativos e exemplos?
-ázio: copázio, gatázio.
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-ona: mulherona.
-orra: cabeçorra, beiçorra.
-uça: dentuça, carduça.
-aréu: fogaréu, povaréu.
-arra: bocarra, naviarra.
-aça: barcaça, caraça, barbaça.
-alha: muralha, fornalha.
-aço: calhamaço, ricaço.
-ão, -alhão, -zarrão, -eirão, -zão: caldeirão, paredão, casarão, vozeirão,

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garrafão, vagalhão, grandalhão, homenzarrão, asneirão.


-anzil: corpanzil.
-astro: poetastro.
-az: lobaz.
-arraz: pratarraz.
-alhaz: facalhaz.

Grau diminutivo
Forma-se por meio do acréscimo de sufixos diminutivos à forma
regular dos substantivos primitivos.
Vamos ver alguns sufixos diminutivos e exemplos?
-ico: burrico, marica(s).
-im: flautim, espadim.
-inho: caderninho, toquinho.
-isco: chuvisco.
-ito, -ita: rapazito, senhorita.
-zinho, -zinha: papelzinho, irmãzinha, cãozinho, ruazinha.
-oca: engenhoca.
-acho: riacho, fogacho.
-ejo: lugarejo.
-ebre: casebre.
-eto, -eta: poemeto, saleta.
-ola: fazendola, rapazola.
-ote: velhote. 62456350391

-ucho, -ucha: papelucho, casucha.


-ulo, -ula: glóbulo, radícula.
-ilho: pecadilho.
-ela: ruela, viela.

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Você já deve ter percebido o uso dos graus aumentativo e diminutivo para
dar um sentido específico a um substantivo. Estamos falando do
emprego semântico desses graus, como vimos acima.

Vamos ver alguns exemplos?

Diminutivo afetivo: mamãezinha, amorzinho, filhinha.


Diminutivo pejorativo: velhote, gentinha, mulherzinha.
Aumentativo pejorativo: porcalhão, atrevidaço, narigão.
Agora, examinaremos uma questão que aborda o substantivo.

ARTIGO

É a palavra variável que vem antes do substantivo e serve, de uma forma


geral, para determinar (ou indeterminar), particularizar (ou generalizar)
esse substantivo. Note que, às vezes, é pelo artigo que conseguimos
saber o gênero e o número do substantivo.
O artigo sempre concorda em gênero e número com o substantivo a que
se refere.
Os artigos definidos (o, a, os, as) determinam o substantivo de modo
preciso, particular.
Exemplo: Vi a moça. (uma moça referida, conhecida, determinada)
Os artigos indefinidos (um, uma, uns, umas) determinam o substantivo
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de modo vago, impreciso, geral.


Exemplo: Vi uma moça. (uma moça não referida, desconhecida,
indeterminada, uma moça qualquer)

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Toda palavra precedida de artigo torna-se um substantivo. Isso é o que


chamamos substantivação ou derivação imprópria.
Exemplos: um sim, um não, o porquê, o senão, o mal, o andar, o sonhar.
O uso de artigo antes de nome próprio de pessoa e de pronomes
possessivos é coloquial.
Exemplos: O Marcelo viajou? A nossa menina já está uma moça.

Importante
É importante registrar, neste momento, algumas relações dos artigos com
os numerais e os pronomes.
Todos
Usamos o artigo entre o pronome indefinido “todos” e o elemento
posterior, se este aceitar o seu emprego.
Exemplos:
Todos os jogadores ganharam medalhas.
Todas as garotas devem ser estudiosas.
Todos vocês foram escolhidos.

Todo
Com o pronome indefinido “todo”, usamos o artigo para indicar
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totalidade. Cuidado: não usamos para indicar generalização.


Exemplos:
Toda a cidade participou das comemorações. (a cidade toda)
Toda cidade festeja seu padroeiro. (qualquer cidade, todas as cidades)

Cujo
Não se usa artigo antes nem após o pronome relativo “cujo”.

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Exemplo:
As leis, cujos artigos foram revogados, serão estudadas amanhã. (errado: cujos
os artigos)

Ambos
Usamos o artigo entre o numeral “ambos” e o elemento posterior, se
este aceitar o seu emprego.
Exemplos:
Ambos os jogadores ganharam medalhas. (jogadores é substantivo que aceita
artigo)
Ambas as garotas são inteligentes. (garotas é substantivo que aceita artigo)
Ambos vocês foram escolhidos. (vocês é pronome de tratamento que não aceita
artigo)

Nomes de revistas, jornais, obras literárias


Caso precisemos usar preposição antes do nome de revistas, jornais e
obras literárias que se inicia com artigo, devemos evitar contrair este com
aquela (na, no, de, do, etc.).
Exemplo:
Amanhã, vou ler a reportagem em A Folha de São Paulo.

NUMERAL

É a palavra que indica, de maneira precisa, a quantidade em si ou a


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posição dos seres. O numeral também serve para substituir ou modificar


os nomes, de forma a expressar a quantidade dos seres ou apresentá-los
como uma ordem, múltiplos ou fração.
O numeral substantivo substitui o substantivo.
Exemplo: Os quatro devem viajar em breve.
O numeral adjetivo acompanha o substantivo.
Exemplo: Os dois marinheiros retornarão amanhã.

Os numerais podem ser cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários.


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Cardinais: indicam a quantidade em si ou acompanham os substantivos,


de modo a indicar-lhes a quantidade.
Dois e dois são quatro.
Trinta meses.

Ordinais: designam a ordem de sucessão de seres em uma sequência.

Márcia é a primeira professora da escola do bairro.

Multiplicativos: demonstram o aumento proporcional da quantidade.

Mariana ganha o triplo da prima.

Fracionários: mostram a diminuição proporcional da quantidade.

Ana vai comer a metade do pão doce.

EMPREGO DO NUMERAL

Vamos estudar, agora, alguns itens específicos sobre o emprego de


numerais.

Para designar, na leitura, séculos, papas, reis e capítulos, usamos os


ordinais até o décimo, a partir daí, os cardinais (Carlos XV – quinze,
Papa João Paulo II – segundo).

Os ordinais como último, penúltimo, antepenúltimo não possuem


cardinais correspondentes.

Os fracionários possuem, como forma própria, meio, metade e terço.


Todas as outras representações de divisão se referem aos ordinais ou aos
cardinais seguidos da palavra avos (quarto, décimo, centésimo, doze
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avos).

Caso o numeral venha antes do substantivo, somos obrigados a empregar


o ordinal (XX Bienal de Artes – vigésima, V Semana do Trânsito –
quinta).

A forma milhar é masculina (alguns milhares de habitantes).

Existem numerais coletivos como: trezena (período de treze dias),


bimestre (período de dois meses), milênio (mil anos).

Zero e ambos (as) são numerais cardinais.

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Em datas, ao nos referirmos ao primeiro dia do mês, damos preferência


ao ordinal (primeiro de fevereiro, primeiro de março).

PRONOME

Pronome é o termo que serve para substituir o nome (pronome


substantivo) ou para acompanhá-lo (pronome adjetivo). Sempre
empregamos os pronomes de modo a fazer referência às três pessoas do
discurso.

Existem seis classes de pronomes:

Pronome Pessoal

É empregado como maneira de designar diretamente as pessoas do


discurso (no singular ou no plural): 1ª pessoa: quem fala; 2ª pessoa: a
quem se fala; 3ª pessoa: de quem se fala.

Eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, se,
lhes, os, as. Mim, comigo, ti, contigo, si, consigo, conosco, convosco.

Obs: os pronomes de tratamento são pessoais.

Você, o senhor, a senhora, vossa senhoria, vossa excelência, etc.

Obs: todos os pronomes pessoais são pronomes substantivos.

Pronome Possessivo

É empregado como forma de atribuir posse às pessoas gramaticais.

Meu, minha, meus, minhas, nosso, nossa, nossos, nossas, teu, tua, teus, tuas,
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vosso, vossa, vossos, vossas, seu, sua, seus, suas.

Pronome Demonstrativo

É usado para mostrar a posição e a situação, no tempo e no espaço, dos


seres em referência às pessoas do discurso.

1ª. Pessoa: Este, esta, estes, estas, isto.

2ª. Pessoa: Esse, essa, esses, essas, isso.

3ª. Pessoa: Aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo.

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Pronome Relativo

O pronome relativo se refere, em uma oração, a um termo de outra


oração (antecedente).

Que, quem, quanto(s), quanta(s), cujo(s), cuja(s), o qual, a qual, os quais, as


quais, onde.

Pronome Indefinido

É aquele empregado, em uma oração, caso tenhamos a intenção de fazer


referência à terceira pessoa do discurso de modo vago. Também podemos
usá-lo para expressar quantidade indeterminada.

Alguns podem flexionar-se em gênero e número.

Algum, alguns, tudo, nenhum, nenhuns, qualquer, quaisquer, ninguém, nada,


algo, etc.

Pronome Interrogativo

É empregado de modo a fazer um questionamento direto ou indireto.

Que, quem, qual, quanto.

VERBO

É a palavra variável em pessoa, número, tempo, modo e voz que indica


um processo (ação, desejo, estado, mudança de estado, fenômeno)
representado no tempo. Quando procuramos um verbo no dicionário, nós
o encontramos no modo infinitivo (andar, comer, fazer, sorrir, ser,
dormir), que significa o “nome do verbo”, ou seja, sua denominação.
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Exemplos:
João trabalha no campo. (ação)
Ana deseja que Maria passe no concurso. (desejo)
Fábio está alegre. (estado)
A criança cresceu. (mudança de estado)
Ventou pouco. (fenômeno)

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FLEXÃO DOS VERBOS

Flexão de Número

Singular: o verbo se refere a uma pessoa ou coisa.


Trabalho, trabalhas, trabalha.

Plural: o verbo tem como sujeito mais de uma pessoa ou coisa.


Trabalhamos, trabalhais, trabalham.

Flexão de Pessoa
O verbo se flexiona para designar as três pessoas do discurso (no
singular ou no plural).
Singular: eu, tu, ele, ela.
Plural: nós, vós, eles, elas.
Vamos ver, agora, as desinências, que são as terminações que indicam
as flexões de pessoa e número. São denominadas desinências pessoais,
desinências número-pessoais ou desinências verbais.
Exemplo:
Presente do indicativo: singular (o,s), plural (mos, is, des, m).
Corro, corres, corremos, correis, etc.
Pretérito perfeito do indicativo: singular (i, ste, u), plural (mos, stes, ram).
Corri, correste, correu, corremos, etc.

Flexão de Modo
Modos são as diversas formas que possui o verbo para demonstrar a
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atitude da pessoa que fala em referência ao fato, à ação que anuncia.


Indicativo: expressa atitude de certeza.
Trabalhei bastante para conquistar o salário que tenho.

Subjuntivo: indica atitude de dúvida, de desejo, de hipótese.


Se você vier a Brasília, visite o Palácio da Alvorada.

Imperativo: exprime atitude de vontade (ordem, convite, conselho,


súplica, pedido).
Marisa, faça aquele bolo de chocolate.

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Não devemos deixar de estudar as formas nominais do verbo:


infinitivo, gerúndio e particípio. Elas recebem esse nome porque, além do
valor verbal, podem ter a função de nomes (substantivo, adjetivo,
advérbio).
Infinitivo: é uma forma verbal que enuncia a ação, o estado, o fato ou o
fenômeno de modo vago ou indefinido.
Infinitivo Pessoal: ligado às pessoas do discurso. É conjugável.
Andar eu, andares tu, andar ele, andarmos nós, andardes vós, andarem
eles.

Infinitivo Impessoal: não é flexionável. É, como já vimos, o


“nome do verbo”.
Andar (1ª conjugação), comer (2ª conjugação), partir (3ª conjugação).

Gerúndio: é uma forma verbal que indica a ação em processo.


Maria está estudando agora.

Particípio: é uma forma verbal que corresponde a um adjetivo e, dessa


forma, pode flexionar-se, em alguns casos, em número e gênero.
Os museus europeus merecem ser visitados.

Flexão de Tempo
Tempo é a variação que indica o momento em que se dá o processo
representado pelo verbo.
São três tempos naturais: presente, pretérito, futuro. Assim, indicam um
acontecimento no momento em que se fala, antes do momento em que
se fala e após o momento em que se fala.
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Tempos do Indicativo: presente, pretérito perfeito, pretérito


imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do presente e futuro do
pretérito.
Tempos do Subjuntivo: presente, pretérito imperfeito e futuro.

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Prezado aluno,

Chegamos ao final da nossa aula. Espero que tenha assimilado a teoria


vista e aproveitado as questões para treinar.

Vamos continuar na luta! Sem desânimo, certo?

Qualquer dúvida, é só me procurar.

Um grande abraço e bons estudos!

Ludimila

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