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Aula 03

Questões Comentadas de Português - CESPE - p/ TRE-MT (todos os cargos)

Professor: Ludimila Lamounier


Português para o TRE/MT Analista e Técnico
Profª Ludimila Lamounier

AULA 03 – LÍNGUA PORTUGUESA

SUMÁRIO PÁGINA
Lista de Questões 02 – 34
Gabarito 35 – 36
Questões Comentadas 37 – 171
Sintaxe: um pouco de teoria 172 - 204

Olá, amigo do Estratégia Concursos, tudo bem?

Estou de volta para mais uma aula: Aula 03 de Questões de Língua


Portuguesa para o concurso do Tribunal Regional Eleitoral de
Mato Grosso – Analista e Técnico Judiciário.

Sei que, cada vez, os assuntos estão mais densos e exigem de você
maior dedicação e atenção. Entretanto, acredite, todo o esforço será
compensado diante da sua aprovação! Então, vamos iniciar?

Esta aula trata de: Sintaxe da oração e do período.

O assunto de sintaxe pode parecer um pouco complexo no início, mas


garanto que, estudando cada ponto com calma, revisando e
realizando questões, logo você dominará o tema.

Dito isso, é hora de iniciar! Vamos lá?

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LISTA DE QUESTÕES

Questão 01 – (CESPE) Técnico em Regulação – ANATEL - 2008

(Adaptada)

Até meados do século XX, prevalecia, entre os antropólogos, a ideia de que a família
nuclear era uma instituição apenas cultural. Hoje se acredita que a família
nuclear tenha-se estabelecido por trazer vantagens evolutivas. Várias hipóteses
apontam nesse sentido. A relação estável também ganhou espaço porque, entre
humanos, criar um filho não é fácil. O bebê exige cuidados especiais por mais tempo
que outros primatas. Sob a ótica do pai, estar por perto, para arranjar comida,
manter as onças afastadas e garantir a sobrevivência da prole, representava uma
superioridade evolutiva. Estima-se que a consolidação da família nuclear tenha
deixado marcas até mesmo na anatomia e na fisiologia humanas.

Veja, 10/12/2008 (com adaptações).

Julgue o seguinte item, a respeito da organização das ideias no texto


acima.

O pronome “se”, tanto em “se acredita” (sublinhado no texto) como em “tenha-se


estabelecido” (sublinhado no texto), tem função de marcar a indeterminação do
sujeito da oração.

Questão 02 – (CESPE) Fiscal Estadual Agropecuário – ADAGRI/CE - 2009

Não há personagem mais criticado na sociedade contemporânea que o político. De


fato, os políticos são, muitas vezes, responsáveis por diversas mazelas sociais. Mas
uma coisa não deve ser esquecida: são os cidadãos que elegem seus
representantes, o que lhes dá o poder de premiar os melhores e punir os piores.
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Fernando Abrucio. Porque o eleitor deve mudar a forma de votar.


In: Época, 11/8/2008. p. 56. (com adaptações).

Com referência ao texto, julgue os itens a seguir.

Na linha 3, o termo "por diversas mazelas sociais" complementa o sentido do


vocábulo "responsáveis".

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Questão 03 – (CESPE) Vestibular – UNB - 2013

(Adaptada)

No dia 6 de janeiro de 1912, em reunião da Associação Geológica Alemã, em


Frankfurt, o meteorologista Alfred Wegener desencadeou o longo processo de
construção de uma teoria da dinâmica terrestre. Na conferência “Fundamentos
geofísicos da evolução das grandes feições da crosta terrestre (continentes e
oceanos)”, postulou que os continentes, em constante movimento, interagem entre
si e com o substrato sobre o qual se deslocam, o que originou os grandes acidentes
do relevo terrestre. A hipótese, ainda que bem fundamentada, não obteve boa
receptividade; ao contrário, as reações adversas foram muitas. As opiniões só
começaram a mudar no final da década de 1950, quando se avolumaram evidências
favoráveis à deriva continental. Dez anos mais tarde, no calor de uma revolução
científica em que se consolidou a teoria da tectônica de placas, a hipótese foi
definitivamente comprovada.

Ciência Hoje, vol. 50, n.º 298.

Julgue o item abaixo.

No título da conferência proferida por Alfred Wegener em 1912 (trecho sublinhado


no texto), a expressão entre parênteses exerce a função de aposto explicativo do
termo “das grandes feições da crosta terrestre”.

Questão 04 – (CESPE) Agente Administrativo – MTE/2014


(Adaptada)

É importante fazer uma diferenciação das expressões relação de trabalho e relação


de emprego. A expressão relação de trabalho representa o gênero, do qual a
relação de emprego é uma espécie. Podemos dizer que o gênero “relação de
trabalho” engloba, além da relação de emprego, outras formas de
prestação/realização de trabalho como o trabalho voluntário, o trabalho autônomo,
o trabalho portuário avulso, o trabalho eventual, o trabalho institucional e o trabalho
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realizado pelo estagiário. Assim, toda relação de emprego (espécie) é uma relação
de trabalho, mas nem toda relação de trabalho é uma relação de emprego.

Para compreendermos o alcance das expressões relação de trabalho e relação de


emprego, é importante termos claro o alcance de alguns termos utilizados no nosso
cotidiano. Por exemplo, a carteira de trabalho e previdência social (CTPS) está
ligada à relação de trabalho subordinado que corresponde ao vínculo de emprego.
Nem todos os tipos de relações de trabalho são registrados na CTPS, mas todos os
tipos de relação de emprego são registrados no referido documento.

Ricardo Jahn. Relação de emprego e de trabalho - diferenciação.


In: O Sul, set./2010 (com adaptações).

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Acerca dos aspectos linguísticos e das ideias do texto acima, julgue o item
a seguir.

As expressões “outras formas de prestação/realização de trabalho” (sublinhada no


texto) e “o alcance das expressões relação de trabalho e relação de emprego”
(sublinhada no texto) desempenham a mesma função sintática nos períodos em que
ocorrem.

Questão 05 – (CESPE) Nível Médio – EBC - 2011

(Adaptada)

Quando se fala em sistema público de comunicação, pensa-se justamente em um


conjunto de mídias públicas (nos diversos suportes, como rádio, televisão, Internet
etc.) que operam de modo integrado e sistêmico, tendo como horizonte o interesse
dos cidadãos. Para o professor Laurindo Leal Filho, da Universidade de São Paulo,
um dos pioneiros na pesquisa sobre mídia pública no Brasil, esse não é um conceito
fechado. “Por princípio, todo o sistema de comunicação deveria ser público, uma vez
que a sua missão é prestar um serviço público. Nesse sentido, poderiam até variar
as formas de financiamento, mas o controle deve ser da sociedade. De algum modo,
é o que acontece em alguns países onde órgãos reguladores estabelecem as
diretrizes para o todo o setor das comunicações eletrônicas. De maneira mais
restrita, costumamos chamar de público o sistema não comercial e, de alguma
forma, independente do Estado. E aí temos inúmeras nuanças: de sistemas ditos
públicos, mas que sofrem forte controle estatal, até outros em que essa relação é
tênue”, explica Leal Filho.

Internet: <www.direitoacomunicacao.org.br> (com adaptações)

Julgue o item abaixo.

A expressão “um dos pioneiros na pesquisa sobre mídia pública no Brasil”


(sublinhado no texto) exerce, na oração, a função sintática de vocativo, pois se
refere a uma pessoa citada anteriormente.
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Questão 06 – (CESPE) Analista Judiciário – STF - 2013

(Adaptada)

O jurista Paulo Mário Canabarro T. Neto, em artigo que trata da legitimidade do


Poder Judiciário e do exercício independente da atividade jurisdicional, na
perspectiva das manifestações populares e da opinião pública, sustenta que a
legitimidade do Poder Judiciário não repousa na coincidência das decisões judiciais
com a vontade de maiorias contingentes, mas na aplicação do direito sob critérios
de correção jurídica, conforme as regras do discurso racional. Assim como a
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem entendido qualificar-se como
abusiva e ilegal a utilização do clamor público como fundamento da prisão
preventiva, esse magistrado põe em destaque o aspecto relevantíssimo de que o

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processo decisório deve ocorrer em “ambiente institucional que valorize a


racionalidade jurídica.”

Internet: <www.stf.jus.br> (com adaptações).

Acerca das estruturas linguísticas do texto, julgue o item a seguir.

As duas ocorrências da palavra “que” (sublinhadas no texto) exercem a mesma


função sintática.

Questão 07 – (CESPE) Primeiro-Tenente – CBM-CE/2013

(Adaptada)

O envio de duzentos cientistas à Antártida representará o reinício da pesquisa


biológica e meteorológica brasileira no continente, depois do incêndio que destruiu a
base4 que o Brasil operava ali desde 1984. A Marinha brasileira ainda não construiu
a base definitiva que substituirá a Estação Antártida Comandante Ferraz, e, por isso,
os pesquisadores trabalharão em contêineres provisórios que funcionarão como
laboratórios e dormitórios.

Um primeiro navio polar da Marinha zarpará rumo à Antártida com os contêineres e


todo o material científico e logístico necessário para a manutenção da base
provisória durante o próximo verão austral, quando as temperaturas mais amenas
permitem as atividades.

A maioria dos cientistas viajará de avião e permanecerá na base provisória


conforme as exigências de seus estudos, e outros irão em um segundo navio polar
da Marinha.

Nos contêineres, dotados com laboratórios para química, meteorologia e aquários,


poderão alojar-se cerca de oitenta pesquisadores, sem contar os militares e as
pessoas que trabalharão na construção da nova estação. Os demais cientistas
trabalharão nos navios polares.
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Apesar de os pesquisadores responsáveis pelos estudos na Antártida terem mantido


suas atividades desde o incêndio de fevereiro de 2012, que deixou o Brasil sem
base no continente branco, os cientistas não tinham voltado a pisar no gelo. Alguns
estudos foram realizados a partir de navios brasileiros e outros, em universidades
com os dados meteorológicos coletados pelos instrumentos que ainda funcionam na
Antártida.

Internet: <http://noticias.terra.com.br/ciencia/brasil> (com adaptações)

Em relação às ideias e aspectos linguísticos do texto, julgue o item a


seguir.

A oração “que ainda funcionam na Antártida” (sublinhada no texto) particulariza o


sentido do termo “instrumentos” (sublinhado no texto).

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Questão 08 – (CESPE) Técnico Judiciário – STF/2013


(Adaptada)

Com base em seus conhecimentos de morfossintaxe, julgue o item a seguir.

No trecho “é possível que associe a figura do seu pai com a figura do seu pai como é
hoje”, o conectivo “que” inicia oração que complementa o sentido do adjetivo
“possível”.

Questão 09 – (CESPE) Analista Legislativo – AL-CE/2011

Os telejornais, de grande audiência em todas as camadas da população, nem


sempre dedicam espaço à política. Nos jornais impressos de circulação nacional —
considerados os principais divulgadores da atividade legislativa e dos fatos de
natureza política —, o noticiário, naturalmente, não abrange todas as atividades de
plenário, das comissões e muito menos dos parlamentares individualmente. O
espaço dedicado aos assuntos políticos nos meios de comunicação é insuficiente
para dar ampla cobertura e adequada divulgação às atividades do Congresso.
Jornalistas políticos de destaque, como o veterano Villas Boas Corrêa, já se
manifestaram de maneira incisiva a respeito: “Acho que a imprensa merece seus
puxões de orelha porque não faz nenhum esforço para cobrir aquilo que ainda
remanesce de importante no Congresso, como, por exemplo, o trabalho das
comissões...”, disse o jornalista, em depoimento ao Centro de Pesquisas e
Documentação da Fundação Getúlio Vargas, em 1995.

Sérgio Chacon. Congresso, imprensa e opinião pública:


o caso da CPMI dos Sanguessugas, 2008.
Internet:<www.bd.camara.gov.br> (com adaptações)

Julgue o item seguinte, relativo à sintaxe e aos elementos


estruturais do texto acima.

Considerando-se a sintaxe do período, é correto afirmar que, na construção sintática


do período “Acho que a imprensa merece seus puxões de orelha porque não faz
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nenhum esforço para cobrir aquilo que ainda remanesce de importante no


Congresso” (sublinhado no texto), predomina a subordinação.

Questão 10 – (CESPE) Professor Língua Portuguesa – SEDUC-AM/2011


(Adaptada)
(Texto para as questões 10 e 11)

Período 1 - À medida que os meses passavam, foi tomando horror à expressão


“funcionário público aposentado”, que lhe cheirava a atestado de óbito.

Período 2 - Não conhecia futebol nem equitação, não sabia jogar baralho, não
guardava nomes de artistas de cinema, ignorava os escândalos da sociedade.

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Período 3 - Parecia-lhe que zombavam dele.

Aníbal Machado. Viagem aos seios de Duília. In: Os cem melhores contos
brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, p. 111 (com adaptações).

Com referência à sintaxe dos períodos acima enumerados, julgue o item


que se segue.

No período 3, o período é constituído de duas orações, exercendo a segunda oração


— “que zombavam dele” — a função sintática de sujeito da primeira.

Questão 11 – (CESPE) Professor Língua Portuguesa – SEDUC-AM/2011


(Adaptada)

Com referência à sintaxe dos períodos acima enumerados, julgue o item


que se segue.

No período 1, as orações “À medida que os meses passavam” e “que lhe cheirava a


atestado de óbito” são orações subordinadas que exercem, respectivamente, função
adverbial e adjetiva.

Questão 12 – (CESPE) Oficial de Controle Externo – TCE-RS/2013


(Adaptada)

A impunidade de políticos não decorre de foro privilegiado, mas de justiça


ineficiente. Abolir o referido mecanismo produzirá efeitos desfavoráveis. É
compreensível a confusão. A designação mais conhecida, “foro privilegiado”, sem
dúvida, sugere a existência de condenável regalia. Não é estranho, portanto, que o
Congresso tenha incluído em sua agenda positiva um esforço para eliminar essa
prerrogativa constitucional. Os parlamentares estariam, com isso, oferecendo o seu
quinhão para o combate à impunidade que tradicionalmente beneficia políticos de
todos os matizes. 62456350391

Entretanto, há dois equívocos nesse raciocínio. O primeiro é imaginar que o foro


especial — assegurado a autoridades como o presidente da República,
governadores, prefeitos, congressistas e ministros de Estado — seja responsável
pela ausência de punições na esfera jurídica. As numerosas instâncias da justiça
comum favorecem a interposição de recursos, o que atrasa a caminhada processual
e contribui para a impunidade. O segundo equívoco do raciocínio é imaginar que a
prerrogativa de foro constitua, de fato, um privilégio. De um lado, porque não há
benefício na supressão de um ou de todos os graus de jurisdição. De outro, porque
o mecanismo busca assegurar um julgamento imparcial — em proveito não só do
réu, mas também da sociedade.

Em tese, tribunais superiores estão mais protegidos contra as pressões que


governantes e legisladores podem tentar exercer em favor da absolvição, assim
como são menos suscetíveis à litigância meramente persecutória.

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Folha de S.Paulo, 11/7/2013 (com adaptações)

Em relação ao texto acima, julgue o item que se segue.

O trecho “que tradicionalmente beneficia políticos de todos os matizes” (sublinhado


no texto) é empregado, no texto, com sentido restritivo.

Questão 13 – (CESPE) Agente de Polícia – PC-DF/2013

Pavio do destino
Sérgio Sampaio

O bandido e o mocinho
São os dois do mesmo ninho
Correm nos estreitos trilhos
Lá no morro dos aflitos
Na Favela do Esqueleto
São filhos do primo pobre
A parcela do silêncio
Que encobre todos os gritos
E vão caminhando juntos
O mocinho e o bandido
De revólver de brinquedo
Porque ainda são meninos

Quem viu o pavio aceso do destino?

Com um pouco mais de idade


E já não são como antes
Depois que uma autoridade
Inventou-lhes um flagrante
Quanto mais escapa o tempo
Dos falsos educandários
Mais a dor é o documento
Que os agride e os separa
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Não são mais dois inocentes


Não se falam cara a cara
Quem pode escapar ileso
Do medo e do desatino

Quem viu o pavio aceso do destino?

O tempo é pai de tudo


E surpresa não tem dia
Pode ser que haja no mundo
Outra maior ironia
O bandido veste a farda
Da suprema segurança
O mocinho agora amarga
Um bando, uma quadrilha
São os dois da mesma safra

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Os dois são da mesma ilha


Dois meninos pelo avesso
Dois perdidos Valentinos

Quem viu o pavio aceso do destino?

Acerca de aspectos linguísticos do texto, julgue o item a seguir.

Nos versos sublinhados, os termos “Do medo”, “do desatino” e “do destino”
exercem a mesma função sintática.

Questão 14 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos Deputados/2014

À primeira vista, o Plano Piloto de Brasília parece uma repetição de construções. As


quadras, distribuídas simetricamente pelas asas, têm prédios com plantas
semelhantes, que se repetem a cada quadradinho, muitas vezes até localizados de
forma análoga. Dentro dos apartamentos, entretanto, esconde-se o estilo de cada
morador, que se revela não apenas em detalhes decorativos, mas em modificações
nas plantas e na função dos cômodos. Para desvendar como os brasilienses ocupam
e reinventam seus lares, a pesquisadora Franciney França decidiu analisar 168
plantas de apartamentos em sua tese de doutorado. “Quem olha para o Plano Piloto,
que impressão tem? Que as quadras são iguais e que sempre têm o mesmo padrão
arquitetônico. E aí pensa que as pessoas moram do mesmo jeito. Mostrei que não é
bem assim”, conta. A pesquisadora dividiu as “indisciplinas arquitetônicas”
praticadas pelos brasilienses entre leves e pesadas. As leves são as que mudam a
destinação dos espaços. É aquele quartinho de empregada que acaba virando um
escritório, ou um quarto que vira sala de televisão. Já as indisciplinas pesadas são
as que implicam mudanças geométricas e configuracionais das plantas. São aquelas
reformas que resultam em quebra de paredes, ou que transformam três quartos
pequenos em dois maiores, ou as que agregam a cozinha à sala.

Juliana Braga. A casa de cada um. In: Revista Darcy, ago.-set./ 2011 (com adaptações).

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No que se refere aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item a


seguir.

O referente do sujeito da forma verbal ‘pensa’ (sublinhada no texto) é ‘Quem olha


para o Plano Piloto’ (sublinhado no texto).

Questão 15 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2014

A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes
cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos
e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor
que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor. “Graças a
Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo assim, ela fica mais perto de nós. E

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para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto,
mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da composição solta, do ar de coisa
sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia.
Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de
ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite,
como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão certa profundidade de
significado e certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma
inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.

Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Paulo: Companhia das Letras,
1993, p. 23 (com adaptações).

Em relação ao texto, julgue (C ou E) o item subsequente.

As formas verbais (sublinhadas no texto) “imagina”, “atribuir” e “servir” foram


utilizadas como verbos transitivos indiretos.

Questão 16 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos Deputados/2014

Ao vender Sochi como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, o presidente
russo Vladimir Putin prometeu uma experiência única: turistas e atletas poderiam
esquiar nas montanhas, onde é muito frio, e mergulhar em piscinas abertas de
hotéis, onde o clima é mais ameno, no mesmo dia. Sochi é famosa como estância
de veraneio de milionários russos. Pelo fato de o clima na região ser subtropical, a
temperatura prevista para a Olimpíada já estava no limite do aceitável para a
prática de esportes na neve: no inverno, é esperada a média de 6 oC na altura do
mar Negro, que banha o litoral. O que atletas e turistas encontraram ao chegar a
Sochi, porém, foi um cenário muito mais inusitado. O calor na altura do mar atinge
20 oC e, nas montanhas, 15 oC. O calor intenso derreteu a neve nas pistas, forçou o
cancelamento de treinos e prejudicou competições. Por trás dessa surpresa, um
velho conhecido: o aquecimento global, fenômeno responsável por mudanças
climáticas intensas que têm afetado o planeta no último século e que pôde ser
notado em anomalias frequentes nessa última temporada de inverno no Hemisfério
Norte e de verão, no Sul.
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Alexandre Salvador e Raquel Beer. Cadê o frio? In: Veja, fev./2014 (com adaptações)

Julgue o próximo item, relativos aos sentidos e aspectos gramaticais do


texto acima.

Os vocábulos (sublinhados no texto) “russos”, “velho” e “global” exercem uma


mesma função sintática no contexto em que ocorrem.

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Questão 17 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-SE/2014

(Texto para as questões 17 e 18)

Em vinte e poucos anos, a Internet deixou de ser um ambiente virtual restrito e


transformou-se em fenômeno mundial. Atualmente, há tantos computadores e
dispositivos conectados à Internet que os mais de quatro bilhões de endereços
disponíveis estão praticamente esgotados. Por essa razão, a rede mundial concentra
as atenções não só das pessoas e de governos, mas também movimenta um
enorme contingente de empresas de infraestrutura de telecomunicações e de
empresas de conteúdo. Pela Internet são compradas passagens aéreas, entradas de
cinema e pizzas; acompanham-se as notícias do dia, as ações do governo, os gols e
os capítulos das novelas; e são postadas as fotos da última viagem, além de serem
comentados os últimos acontecimentos do grupo de amigos.

No entanto, junto com esse crescimento do mundo virtual, aumentaram também o


cometimento de crimes e outros desconfortos que levaram à criação de leis que
criminalizam determinadas práticas no uso da Internet, tais como invasão a sítios e
roubo de senhas.

Devido ao aumento dos problemas motivados pela digitalização das relações


pessoais, comerciais e governamentais, surgiu a necessidade de se regulamentar o
uso da Internet.

Internet: (com adaptações)

No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue


o item a seguir.

O termo “de senhas” (sublinhado no texto) e a oração “de se regulamentar o uso da


Internet” (sublinhado no texto) complementam o sentido de nomes substantivos.

Questão 18 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-SE/2014


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No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto acima, julgue


o item a seguir.

No último período do primeiro parágrafo do texto, construído de acordo com o


princípio do paralelismo sintático, o sujeito das orações classifica-se como
indeterminado.

Questão 19 – (CESPE) Analista Ambiental – ICMBio/2014

Se a Dinamarca tivesse seguido a corrente rodoviária dominante desde a década de


60 do século passado, nunca viraria um modelo de planejamento urbano. Em uma
época em que parecia fazer mais sentido priorizar o trânsito de carros, Copenhague
apostou na criação da primeira rua para pedestres do país. Antes de se tornar o

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maior calçadão da Europa, com um quilômetro de extensão, a Strøget era uma rua
comercial dominada por automóveis, assim como todo o centro da cidade. O
arquiteto por trás da iniciativa, Jan Gehl, acreditava que os espaços urbanos
deveriam servir para a interação social. Na época, foi criticado pela imprensa e por
comerciantes, que ponderavam que as pessoas não passariam muito tempo ao ar
livre em uma capital gélida. Erraram. As vendas triplicaram, e a rua de pedestres foi
ocupada pelos moradores. A experiência reforçou as convicções de Gehl, que
defende o planejamento das cidades para o usufruto e o conforto das pessoas.

Camilo Gomide. Cidades prazerosas. In: Planeta, fev./2014 (com adaptações).

Julgue o item, referentes às ideias e às estruturas linguísticas do texto


acima.

Nas sequências “acreditava que os espaços urbanos” (sublinhada no texto) e


“ponderavam que as pessoas não passariam” (sublinhada no texto), o “que”
introduz complementos oracionais para as formas verbais “acreditava” e
“ponderavam”.

Questão 20 – (CESPE) Agente de Polícia Federal – PF/2014

O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e persistente ameaça à


humanidade e à estabilidade das estruturas e valores políticos, econômicos, sociais
e culturais de todos os Estados e sociedades. Suas consequências infligem
considerável prejuízo às nações do mundo inteiro, e não são detidas por fronteiras:
avançam por todos os cantos da sociedade e por todos os espaços geográficos,
afetando homens e mulheres de diferentes grupos étnicos, independentemente de
classe social e econômica ou mesmo de idade. Questão de relevância na discussão
dos efeitos adversos do uso indevido de drogas é a associação do tráfico de drogas
ilícitas e dos crimes conexos — geralmente de caráter transnacional — com a
criminalidade e a violência. Esses fatores ameaçam a soberania nacional e afetam a
estrutura social e econômica interna, devendo o governo adotar uma postura firme
de combate ao tráfico de drogas, articulando-se internamente e com a sociedade,
de forma a aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos de prevenção e repressão e
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garantir o envolvimento e a aprovação dos cidadãos.

Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>.

No que se refere aos aspectos linguísticos do fragmento de texto acima,


julgue o próximo item.

O referente do sujeito da oração “articulando-se internamente e com a sociedade”


(sublinhada no texto), que está elíptico no texto, é “o governo” (sublinhado no
texto).

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Questão 21 – (CESPE) Especialista em Regulação – ANTAQ/2014

Alexandria, no Egito, reinou quase absoluta como centro da cultura mundial no


período do século III a.C. ao século IV d.C. Sua famosa Biblioteca continha
praticamente todo o saber da Antiguidade em cerca de 700.000 rolos de papiro e
pergaminho e era frequentada pelos mais conspícuos sábios, poetas e matemáticos.

A Biblioteca de Alexandria estava muito próxima do que se entende hoje por


Universidade. E faz-se apropriado o depoimento do insigne Carl B. Boyer, em A
História da Matemática: “A Universidade de Alexandria evidentemente não diferia
muito de instituições modernas de cultura superior. Parte dos professores
provavelmente se notabilizou na pesquisa, outros eram melhores como
administradores e outros ainda eram conhecidos pela sua capacidade de ensinar.”

Em 47 a.C., envolvendo-se na disputa entre a voluptuosa Cleópatra e seu irmão, o


imperador Júlio César mandou incendiar a esquadra egípcia ancorada no porto de
Alexandria. O fogo se propagou até as dependências da Biblioteca, queimando cerca
de 500.000 rolos.

Em 640 d.C., o califa Omar ordenou que fossem queimados todos os livros da
Biblioteca, utilizando o seguinte o argumento: “ou os livros contêm o que está no
Alcorão e são desnecessários ou contêm o oposto e não devemos lê-los.”

A destruição da Biblioteca de Alexandria talvez tenha representado o maior crime


contra o saber em toda a história da humanidade.

Se vivemos hoje a era do conhecimento é porque nos alçamos em ombros de


gigantes do passado. A Internet representa um poderoso agente de transformação
do nosso modus vivendi et operandi.

É um marco histórico, um dos maiores fenômenos de comunicação e uma das mais


democráticas formas de acesso ao saber e à pesquisa. Mas, como toda inovação, a
Internet tem potencial cuja dimensão não deve ser superdimensionada. Seu
conteúdo é fragmentado, desordenado e, além disso, cerca de metade de seus bites
é descartável.

Jacir J. Venturi. Internet: (com adaptações).


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Em relação ao texto acima, julgue o item a seguir.

O último parágrafo do texto inicia-se com oração sem sujeito.

Questão 22 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos Deputados/2014

Constantemente, você precisa provar e comprovar que é quem diz ser. Embora
pareça, essa não é uma questão filosófica. A tarefa é prática e corriqueira: cartões
de crédito, RG, CPF, crachás corporativos e carteirinhas de mil e uma entidades,
que engordam a carteira de todo cidadão, são exigidos, a toda hora, para identificar
uma pessoa no mundo físico. No ambiente virtual, combinações de usuário e senha
funcionam para dar acesso a emails, celulares, redes sociais e cadastros em lojas

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online. Lidamos com tantas combinações desse tipo, que já se fala de uma nova
categoria de estresse: a “fadiga de senhas”. A solução para driblar o problema é o
reconhecimento biométrico — afinal, cada pessoa é única, e a tecnologia já pode
nos reconhecer por isso. Em questão de segundos, dispositivos modernos são
capazes de ler as características de partes do nosso corpo, comparar o que veem
com a base de dados que possuem, e atestar a identidade das pessoas previamente
cadastradas no sistema.

Renata Valério de Mesquita. Você é a sua senha. In: Planeta, fev./2014 (com adaptações)

Acerca dos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item


seguinte.

A oração introduzida pela conjunção “que” (sublinhada no texto) expressa ideia de


consequência em relação à oração anterior, à qual se subordina.

Questão 23 – (CESPE) Analista em Geociências - CPRM/2013

A contribuição do conhecimento geológico para a educação ambiental

A observação do tempo geológico contrapõe-se à percepção histórica construída na


sociedade moderna capitalista vinculada ao imediatismo. A concepção do tempo
geológico pode contribuir para uma mudança cultural dessa percepção imediatista
que tem se refletido em um consumismo exacerbado de produtos, produtos esses
que se originaram a partir de bens minerais que se formaram ao longo do tempo
geológico e que levarão anos até serem incorporados pela terra, quando passarão
novamente a ser fonte de recurso. Os conhecimentos do Sistema Terra oferecem
condições de se pensar a realidade de forma complexa e integrada, em diversas
escalas de tempo e espaço, o que permite a construção do mundo físico em que
vivemos. As discussões dos conteúdos das geociências transformam a visão de
mundo, tornando-a significativa, não fragmentada, não linear, e estabelecem
conexões, expressas por características criativas, sem mecanismos repetitivos e
descontextualizados, propiciando o conhecimento em uma rede de relações com
significado, transformando seus agentes, flexibilizando tarefas e saberes, formando
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cidadãos aptos a entender e atuar em um mundo em transformação de forma


participativa.

Denise de La Corte Bacci. A contribuição do conhecimento geológico para a educação


ambiental. In: Pesquisa em debate. Edição 11, V. 6, n.º 2, jul. / dez. 2009, p. 17 e 19 (com
adaptações).

Julgue o item subsequente, relativos aos sentidos e a aspectos estruturais


e linguísticos do texto acima.

O último período do texto é formado por um conjunto de orações que, embora


sejam semanticamente dependentes entre si, apresentam estruturas linguísticas
independentes, justapostas por coordenação.

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Questão 24 – (CESPE) Analista Judiciário - TST/2007

Um cenário polêmico é embasado no desencadeamento de um estrondoso processo


de exclusão, diretamente proporcional ao avanço tecnológico, cuja projeção futura
indica que a automação do trabalho exigirá cada vez menos trabalhadores
implicados tanto na produção propriamente dita quanto no controle da produção.
Baseando-se unicamente nessa perspectiva, pode-se supor que a sociedade
tecnológica seria caracterizada por um contexto no qual o trabalho passaria a ser
uma necessidade exclusiva da classe trabalhadora. O capital, podendo optar por um
investimento de porte em automação, em informática e em tecnologia de ponta,
cada vez mais barata e acessível, não mais teria seu funcionamento embasado
exclusivamente na exploração dos trabalhadores, cada vez mais exigentes quanto
ao valor de sua força de trabalho. Embora não se possa falar de supressão do
trabalho assalariado, a verdade é que a posição do trabalhador se enfraquece, tendo
em vista que o trabalho humano tende a tornar-se cada vez menos necessário para
o funcionamento do sistema produtivo.

Gilberto Lacerda Santos. Formação para o trabalho e alfabetização informática. In: Linhas
Críticas, v. 6, n.º 11, jul/dez, 2000 (com adaptações).

Julgue o seguinte item a respeito das ideias e da organização do texto


acima.

O valor de adjetivo do gerúndio em “podendo optar” (sublinhado no texto) fica


preservado se essa oração reduzida for substituída pela subordinada adjetiva
correspondente: que pode optar. Essa substituição manteria a coerência e a
correção gramatical do texto.

Questão 25 – (CESPE) Procurador – SEAD-PA/2005

(Adaptada)

Ao delegar à esfera individual os males sociais, o sistema preserva sua natureza


cruel: a “inevitabilidade” da desigualdade social. E apregoa que tanto a política
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quanto as questões sociais devem ser monitoradas pelas leis do mercado. Em


outras palavras, o lucro dos bancos e das empresas privadas, nacionais e
estrangeiras, é a prioridade. São eles que emprestam dinheiro ao governo;
movimentam a importação e a exportação; injetam recursos no crescimento
econômico do país. Não nego que o indivíduo tenha importância no processo
histórico. Porém, o indivíduo conta onde a coletividade não conta. Quanto mais
centralizada uma estrutura de poder, mais ela depende de quem a ocupa, deixando
à margem o poder popular. A tarefa é tornar o jogo verdadeiramente democrático,
não mera legitimação da impetuosidade arrivista de líderes mais preocupados com o
sucesso pessoal que com as causas sociais.

Idem, ibidem.

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Assinale a opção incorreta a respeito das relações sintáticas e semânticas


no texto.

a) O texto permite a reescritura da oração subordinada inicial como uma


desenvolvida iniciada por Quando delega.

b) As expressões “a política” (sublinhada no texto) e “as questões sociais”


(sublinhada no texto) estão em uma relação aditiva.

c) O período sintático iniciado por “São eles” (sublinhado no texto) tem a função de
justificar ou explicar as ideias do período anterior.

d) Apesar de iniciado pela conjunção de valor adversativo “Porém” (sublinhada no


texto), o período sintático em análise representa uma causa para as ideias do
período anterior.

e) Seriam preservadas as relações argumentativas do texto se a oração coordenada


assindética iniciada por “não” (sublinhado no texto) fosse transformada em uma
aditiva, substituindo-se a vírgula que a precede pela conjunção e.

Questão 26 – (CESPE) Analista Judiciário – TRE-AL/2004

Apostando na leitura

Se a chamada leitura do mundo se aprende por aí, na tal escola da vida, a leitura de
livros carece de aprendizado mais regular, que geralmente acontece na escola. Mas
leitura, quer do mundo, quer de livros, só se aprende e se vivencia, de forma plena,
coletivamente, em troca contínua de experiências com os outros. É nesse
intercâmbio de leituras que se refinam, se reajustam e se redimensionam hipóteses
de significado, ampliando constantemente a nossa compreensão dos outros, do
mundo e de nós mesmos. Da proibição de certos livros (cuja posse poderia ser
punida com a fogueira) ao prestígio da Bíblia, sobre a qual juram as testemunhas
em júris de filmes norte-americanos, o livro, símbolo da leitura, ocupa lugar
importante em nossa sociedade. Foi o texto escrito, mais que o desenho, a
oralidade ou o gesto, que o mundo ocidental elegeu como linguagem que cimenta a
cidadania, a sensibilidade, o imaginário. É ao texto escrito que se confiam as
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produções de ponta da ciência e da filosofia; é ele que regula os direitos de um


cidadão para com os outros, de todos para com o Estado e vice-versa. Pois a
cidadania plena, em sociedades como a nossa, só é possível — se e quando ela é
possível — para leitores. Por isso, a escola é direito de todos e dever do Estado:
uma escola competente, como precisam ser os leitores que ela precisa formar. Daí,
talvez, o susto com que se observa qualquer declínio na prática de leitura,
principalmente dos jovens, observação imediatamente transformada em diagnóstico
de uma crise da leitura, geralmente encarada como anúncio do apocalipse, da
derrocada da cultura e da civilização. Que os jovens não gostem de ler, que lêem
mal ou lêem pouco é um refrão antigo, que de salas de professores e congressos de
educação ressoa pelo país afora. Em tempo de vestibular, o susto é transportado
para a imprensa e, ao começo de cada ano letivo, a terapêutica parece chegar à
escola, na oferta de coleções de livros infantis, juvenis e paradidáticos, que
apregoam vender, com a história que contam, o gosto pela leitura. Talvez, assim,
pacifique corações saber que desde sempre — isto é, desde que se inventaram
livros e alunos — se reclama da leitura dos jovens, do declínio do bom gosto, da

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bancarrota das belas letras! Basta dizer que Quintiliano, mestre-escola romano,
acrescentou a seu livro uma pequena antologia de textos literários, para garantir
um mínimo de leitura aos estudantes de retórica. No século I da era cristã!
Estamos, portanto, em boa companhia. E temos, de troco, uma boa sugestão: se
cada leitor preocupado com a leitura do próximo, sobretudo leitores-professores,
montar sua própria biblioteca e sua antologia e contagiar por elas outros leitores,
sobretudo leitores-alunos, por certo a prática de leitura na comunidade
representada por tal círculo de pessoas terá um sentido mais vivo. E a vida será
melhor, iluminada pela leitura solidária de histórias, de contos, de poemas, de
romances, de crônicas e do que mais falar a nossos corações de leitores que, em
tarefa de amor e paciência, apostam no aprendizado social da leitura.

Marisa Lajolo. Folha de S. Paulo, 19/9/1993 (com adaptações)

A partir da análise do emprego das classes de palavras e da sintaxe das


orações e dos períodos do texto, julgue o item que se segue.

No segundo período do texto, a relação entre as orações dá-se por coordenação.

Questão 27 – (CESPE) Analista – SERPRO/2013

O setor de tecnologias da informação e comunicação (TICs) impulsiona um conjunto


de inovações técnico-científicas, organizacionais, sociais e institucionais, gerando
novas possibilidades de retorno econômico e social nas mais variadas atividades.
Por contribuir para a elevação do valor agregado da produção, com reflexos
positivos no emprego, na renda e na qualidade de vida da população, esse ramo
vem obtendo status privilegiado em diversas políticas e programas nacionais para a
ampliação do acesso às telecomunicações, aceleração da informatização e mitigação
da exclusão digital. Como exemplo, podem ser destacadas as propostas de
fortalecimento da competitividade inseridas no âmbito da Política de
Desenvolvimento Produtivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,
que são imprescindíveis em face do panorama da crise financeira internacional.

Cristiane Vianna Rauen et al. Relatório de acompanhamento setorial. In: Tecnologias de


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informação e comunicação, v. III. UNICAMP e Agência Brasileira de Desenvolvimento


Industrial, ago./2009, p. 10-1 (com adaptações).

No que diz respeito aos argumentos e às estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item que se segue.

No trecho “O setor de tecnologias da informação e comunicação (TICs) impulsiona


um conjunto de inovações (...) institucionais” (sublinhado no texto), o termo
“conjunto” exerce a função de núcleo do complemento direto da forma verbal
“impulsiona”.

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Questão 28 – (CESPE) Professor – SEDU-ES/2007

Os enfoques teóricos que servem de base ao uso de computador em sala de aula


são dois:

Abordagem instrucionista: o computador é planejado como uma máquina de


ensinar, empregando-se o conceito de instrução programada. Por esse ponto
de vista, o conteúdo a ser ensinado deve ser preestabelecido e subdividido
em módulos estruturados de forma lógica, de acordo com a perspectiva
pedagógica de quem planejou a elaboração do material instrucional. Ao final
de cada módulo, o aluno irá responder a um questionário, cuja resposta
correta leva ao módulo seguinte.

Abordagem construcionista: o computador não é o detentor do


conhecimento, mas ferramenta tutorada pelo aluno, que lhe permite a busca
de informação em redes de comunicação a distância. O uso do computador
como uma ferramenta não estabelece uma dicotomia tradicional entre
conteúdos e disciplinas, uma vez que trabalha com conhecimentos
emergentes na implantação de projetos.

Idem, ibidem (com adaptações).

A partir das ideias e estruturas do texto acima, julgue os itens que se


seguem.

A estrutura “lhe permite” (sublinhada no texto) equivale a permite a ele, pois “lhe”
funciona como objeto indireto.

Questão 29 – (CESPE) Analista Judiciário – STM/2010

Poeminha Dodói

Quando os caras tão doente,


Vêm a mim;
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Eu olho eles, espeto eles,


Corto eles.
Eles curam ou não curam,
Vivem ou vão pro além.
Qué queu acho?
Eu cobro,
E tudo bem.

Millôr Fernandes. Poemas. Porto Alegre: L&PM, 2001, p. 166

Com relação aos sentidos do poema acima e ao nível de


formalidade da linguagem nele empregada, julgue o item a seguir.

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Em “Eu olho eles, espeto eles,/Corto eles” (sublinhado no texto), o pronome pessoal
“eles” ocupa a função de objeto direto, estrutura própria da linguagem oral informal
e coloquial. Na linguagem culta escrita, essa estrutura seria inaceitável.

Questão 30 – (CESPE) Escrivão – Polícia Federal/2004

Quando acompanhamos a história das ideias éticas, desde a Antiguidade clássica


até nossos dias, podemos perceber que, em seu centro, encontra-se o problema da
violência e dos meios para evitá-la, diminuí-la, controlá-la.

Diferentes formações sociais e culturais instituíram conjuntos de valores éticos


como padrões de conduta, de relações intersubjetivas e interpessoais, de
comportamentos sociais que pudessem garantir a integridade física e psíquica de
seus membros e a conservação do grupo social.

Evidentemente, as várias culturas e sociedades não definiram nem definem a


violência da mesma maneira, mas, ao contrário, dão-lhe conteúdos diferentes,
segundo os tempos e 13 os lugares. No entanto, malgrado as diferenças, certos
aspectos da violência são percebidos da mesma maneira, formando o fundo comum
contra o qual os valores éticos são erguidos.

Marilena Chaui. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995. In: Internet: (com adaptações)

A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


item a seguir.

O emprego da preposição em “dos meios” (sublinhado no texto) indica que o


complemento do núcleo nominal “problema” (sublinhado no texto) é composto por
dois núcleos.

Questão 31 – (CESPE) Analista de Informática – TCE-RO/2013


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Você sai para jantar sem a carteira. Para pagar a conta, diz: “Meu nome é [insira o
seu aqui]”. O garçom clica no visor do tablet dele. Um alerta em seu celular avisa
sobre a cobrança. É assim que funciona o Square, sistema de pagamentos em uso
nos Estados Unidos da América. Ele, hoje, é uma das maiores referências em
pagamentos por celular. É aceito em 200 mil estabelecimentos, entre restaurantes,
bares, cafés, salões de beleza, spas, lojas e até agências funerárias. Para usá-lo, o
cliente precisa instalar um programa no celular, criar uma conta e inserir dados
pessoais e financeiros. O sistema GPS do telefone identifica quando o cliente chega
a uma loja conveniada, e seu perfil aparece automaticamente na tela do tablet do
caixa da loja. Ao cobrar, o funcionário verifica se a foto associada à conta
corresponde à pessoa à frente.

Essa é uma das formas de usar o telefone como meio de pagamento. O serviço
começará a se popularizar no Brasil a partir do próximo ano, quando todas as
operadoras de telefonia deverão estar autorizadas a fazer do smartphone uma
carteira digital. Se essa alternativa vingar, será a maior mudança na forma como

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pagamos por produtos e serviços desde a chegada dos cartões, nos anos 50 do
século passado.

O celular deixou, há tempos, de ser um aparelho restrito a fazer chamadas e a


enviar mensagens. Os smartphones são computadores portáteis e poderosos.
Exibem mapas, funcionam como minivideogames, tocam músicas e vídeos, enviam
emails, navegam na rede. Os novos serviços de pagamento aproveitam essa
versatilidade. Boa parte de nossas contas já é paga eletronicamente, por cartão ou
Internet. Por que não usar o celular para fazer isso?

Rafael Barifouse. Débito, crédito ou celular? In: Época, n.º 759, 3/12/2012, p.119-21 (com
adaptações).

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o
próximo item.

A oração “quando o cliente chega a uma loja conveniada” (sublinhada no texto)


exerce a função de complemento da forma verbal “identifica” (em negrito no texto).

Questão 32 – (CESPE) Analista Judiciário – TRE-AP/2007

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O governo federal assentou 381.419 famílias nos últimos quatro anos, em um total
de quase 31,7 milhões de hectares. Os números mostram o melhor desempenho do
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) nos 36 anos de
existência do órgão, considerando-se a área destinada à reforma agrária e o
número de famílias assentadas.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a média anual de famílias


assentadas nos últimos quatro anos é de 95.355. Só no ano passado foram
assentadas 136.358 famílias. O aumento de recursos destinados à obtenção de
terras foi expressivo: passou de R$ 409 milhões em 2003 para R$ 1,37 bilhão em
2006, o que permitiu o cumprimento das metas de assentamento definidas no II
Plano Nacional de Reforma Agrária (II PNRA). No total, em quatro anos, foram
aplicados R$ 4,1 bilhões na obtenção de terras.

Nesse período foram implantados 2.343 projetos de assentamento (PA). A criação


de um PA é uma das etapas do processo da reforma agrária. Quando uma família de

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trabalhador rural é assentada, recebe um lote de terra para morar e produzir dentro
do chamado assentamento rural. A partir da sua instalação na terra, essa família
passa a ser beneficiária da reforma agrária, recebendo créditos de apoio (para
compra de maquinários e sementes) e melhorias na infra-estrutura (energia
elétrica, moradia, água etc.), para se estabelecer e iniciar a produção. O valor dos
créditos para apoio à instalação dos assentados aumentou. Os montantes investidos
passaram de R$ 191 milhões em 2003 para R$ 871,6 milhões, empenhados em
2006.

Também a partir do assentamento, essa família passa a participar de uma série de


programas que são desenvolvidos pelo governo federal. Além de promover a
geração de renda das famílias de trabalhadores rurais, os assentamentos da
reforma agrária também contribuem para inibir a grilagem de terras públicas,
combater a violência no campo e auxiliar na preservação do meio ambiente e da
biodiversidade local, especialmente na região Norte do país.

Na qualificação dos assentamentos, foram investidos R$ 2 bilhões em quatro anos.


Os recursos foram aplicados na construção de estradas, na educação e na oferta de
luz elétrica, entre outros benefícios. O governo também construiu ou reformou mais
de 32 mil quilômetros de estradas e pontes, beneficiando diretamente 197 mil
assentados. Além disso, o número de famílias assentadas beneficiadas com
assistência técnica cresceu significativamente. Em 2006, esse número foi superior a
555 mil.

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA), que garante o


acesso à educação entre os trabalhadores rurais, promoveu, mediante convênios
com instituições de ensino, a realização de 141 cursos. Com o programa Luz Para
Todos — parceria do Ministério do Desenvolvimento Agrário, INCRA e Ministério das
Minas e Energia —, os assentamentos também ganharam luz elétrica. Mais de 132
mil famílias em 2,3 mil assentamentos já foram beneficiadas com o programa.

O fortalecimento institucional do INCRA, com a realização de dois concursos


públicos, e o aumento no número de superintendências e sua modernização
tecnológica também foram algumas das ações realizadas no período. Foram
nomeados 1.300 servidores aprovados no concurso realizado em 2005. Somado aos
nomeados desde 2003, o número de novos servidores passou para 1.800, o que
representa um aumento de mais de 40% na força de trabalho do Instituto.

Em questão, n.º 481, Brasília, 14/2/2007 (com adaptações).


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Considerando a sintaxe das orações e dos períodos que compõem o terceiro


parágrafo, assinale a opção incorreta.

a) As duas primeiras orações do parágrafo classificam-se como absolutas,


compondo ambas dois períodos simples.

b) O terceiro período comporta quatro orações, todas subordinadas à primeira, que


apresenta uma circunstância temporal.

c) No quarto período, os parênteses separam, respectivamente, um termo adverbial


com sentido final e uma enumeração exemplificativa.

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d) No quinto período — “O valor dos créditos para apoio à instalação dos


assentados aumentou” (sublinhado no texto) —, o núcleo do sujeito da oração é a
palavra “valor”, por isso a flexão numérica do verbo aumentar está no singular.

e) No último período, a expressão “empenhados em 2006” refere-se a “R$ 871,6


milhões”.

Questão 33 – (CESPE) Analista em Ciência e Tecnologia – INPI/2006

Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me


induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo,
desânimos, esforços. Dela me prezo, sem vangloriar-me. Surpreendo-me, porém,
um tanto à parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ainda ignoram.
O senhor, por exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja na
verdade — um espelho? Demais, decerto, das noções de física, com que se
familiarizou, as leis da óptica. Reporto-me ao transcendente. Tudo, aliás, é a ponta
de um mistério. Inclusive, os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada
acontece, há um milagre que não estamos vendo.

Fixemo-nos no concreto. O espelho, são muitos, captando-lhe as feições; todos


refletem-lhe o rosto, e o senhor crê-se com o aspecto próprio e praticamente
imudado, do qual lhe dão imagem fiel. — Mas que espelho? Há os “bons” e “maus”,
os que favorecem e os que detraem; e os que são apenas honestos, pois não. E
onde situar o nível e ponto dessa honestidade ou fidedignidade? Como é que o
senhor, eu, os restantes próximos, somos, no visível? O senhor dirá: as fotografias
o comprovam. Respondo: que, além de prevalecerem para as lentes das máquinas
objeções análogas, seus resultados apoiam antes que desmentem a minha tese,
tanto revelam superporem-se aos dados iconográficos os índices do misterioso.
Ainda que tirados de imediato um após outro, os retratos sempre serão entre si
muito diferentes. Se nunca atentou nisso, é porque vivemos, de modo incorrigível,
distraídos das coisas mais importantes. (...) Ah, meu amigo, a espécie humana
peleja para impor ao latejante mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou
alguém de tudo faz para rir-se da gente... E então?

João Guimarães Rosa. O Espelho. primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 15.ª ed.,
2001, p. 119-21
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No trecho “a espécie humana peleja para impor ao latejante mundo um


pouco de rotina e lógica, mas algo ou alguém de tudo faz para rir-se da
gente” (sublinhado no texto), identifica-se oração com sentido.

a) causal

b) condicional

c) conformativo

d) conclusivo

e) constrativo

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Questão 34 – (CESPE) Diplomacia – Instituto Rio Branco/2008

A Alemanha vai enfrentar a pior recessão desde a 2.ª Guerra Mundial e já planeja,
para 2009, um novo pacote de estímulo à economia. As medidas serão anunciadas
assim que o novo presidente norte-americano, Barack Obama, tomar posse, no final
de janeiro. Há menos de um mês, o governo alemão anunciou um pacote de
medidas de US$ 63 bilhões para fortalecer a economia. Agora, a oposição quer que
outros 25 bilhões sejam usados no pacote. A crise está obrigando governos, como o
da Alemanha, a atuarem em meio a uma tormenta, o que políticos na Europa já
haviam esquecido. “Não temos muita experiência com esse estado de choque”,
admitiu a chanceler alemã Angela Merkel.

Jamil Chade. O Estado de S. Paulo, 18/12/2008 (com adaptações).

Com referência ao texto acima, julgue o item que se segue.

O emprego de vírgula logo após “Agora” (em negrito no texto) justifica-se para
isolar adjunto adverbial de tempo.

Questão 35 – (CESPE) Nível Superior – PRF/2012

Se você quiser, compre um carro; é um conforto admirável. Mas não o faça sem
conhecimento de causa, a fim de evitar desilusões futuras. Desde que o compra, o
carro passa a interessar aos outros, muito mais que a você mesmo. É uma espécie
de indústria às avessas, na qual você monta um engenho não para obter lucros,
mas para distribuir seu dinheiro. Já na compra do carro, você contribui para uma
infinidade de setores produtivos, que podemos encolher, ao máximo, nos seguintes
itens: a indústria automobilística propriamente dita; os vendedores de automóveis;
a siderurgia; a petroquímica; as fábricas de pneus e as de artefatos de borracha; as
fábricas de plásticos, couros, tintas etc.; as fábricas de rolamentos e outras
autopeças; as fábricas de relógios, rádios etc.; as indústrias de petróleo e muitos de
seus derivados; as refinarias; os distribuidores de gasolina, as oficinas mecânicas.
Seu automóvel é de fato uma sociedade anônima, da qual todos lucram, menos
você. Ao comprar um carro, você entrou na órbita de toda essa gente; até ontem,
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você estava fora do alcance delas. Como proprietário de automóvel, você ainda terá
relações com outras pessoas: com os colegas motoristas, que preferem bater no
seu para-lama a dar uma marcha à ré de meio metro; com os pedestres e ciclistas
imprudentes; com as crianças diabólicas que riscam sua pintura, sobretudo quando
o carro está novinho em folha; com os sujeitos que só dirigem de farol alto; com os
barbeiros de qualidades diversas; com a juventude desviada; com parentes e
amigos, que o consideram um sujeito excelente ou ordinário, conforme sua
subserviência à necessidade deles; com ladrões etc. Poderia escrever páginas sobre
o automóvel que você comprou ou vai comprar, mas fico por aqui: tenho de tomar
um táxi e ir à oficina ouvir do mecânico que o meu carro não está pronto. De
qualquer forma, não desanime com minha crônica: vale a pena ter carro, pois, ser
pedestre, embora mais tranquilo e mais barato, é ainda mais chato. A não ser que
você tenha chegado, com Pascal, à suprema descoberta: a de que todos os males
do homem se devem ao fato de ele não ficar quietinho no quarto.

Paulo Mendes Campos. Automóvel: sociedade anônima. In: Supermercado. Rio de Janeiro,
Tecnoprint, 1976, p. 99-102 (com adaptações).

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Com referência à ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


item.

No trecho “à suprema descoberta: a de que todos os males do homem “(sublinhado


no texto), o elemento “a” exerce a função de aposto.

Questão 36 – (CESPE) Nível Superior – TJ-ES/2010

O começo foi lá atrás e não foi fácil. A profissão que hoje dá orgulho a Tião, aos 32
anos de idade, já foi motivo de vergonha. Ele começou a catar lixo com onze anos,
com a família. “Para mim, catar lixo era natural”, diz. Para os outros, não. Sua mãe
deu uma entrevista e ele passou a ser perseguido pelos colegas da escola. No dia
seguinte ao da entrevista, chegou à sala de aula e viu escrito na lousa: “Tião, filho
da xepeira”, uma referência à xepa, prática de pegar os restos de feiras para levar
para casa. Em uma festa da escola, Tião dançava com a namoradinha, quando um
menino anunciou pelo microfone: “Olha, ela está dançando com o filho da xepeira.”
Humilhado, Tião saiu da festa correndo. Saiu também da escola. Ficou cinco anos
sem estudar. Agora cursa o segundo ano do ensino médio. Seu sonho é cursar
sociologia. No documentário Lixo Extraordinário, Tião diz que gosta de Nietzsche e
Maquiavel. Ele encontrou um exemplar de O Príncipe, de Maquiavel, no meio do
chorume do aterro. Depois de ler, ficou comparando os príncipes descritos por
Maquiavel com líderes do tráfico. Ele conta que a obra foi fundamental quando
estava começando sua própria liderança. Depois da indicação ao Oscar, ele acha
que sua voz vai chegar muito mais longe que os trezentos metros quadrados do
galpão sufocante da associação dos catadores. “Quem nunca teve voz agora vai ter,
agora vão nos ouvir”, diz ele.

Sebastião Carlos dos Santos. Do lixo ao Oscar. In: Época, 31/1/2011, p. 12 (com
adaptações).

Com referência às ideias do texto acima e às estruturas nele empregadas,


julgue o item seguinte.

O trecho "prática de pegar os restos de feiras para levar para casa" (sublinhado no
62456350391

texto) é uma expressão apositiva empregada para explicar o termo "xepa" (em
negrito no texto).

Questão 37 – (CESPE) Analista de Sistema – MPE-RR/2008

Maior oferta de biocombustíveis e alta dos preços dos alimentos é uma relação que
tende a prosperar automaticamente até que algum elementar bom senso tome
conta do assunto. Nesse quadro, é até compreensível que políticos ameaçados por
perda de popularidade, em qualquer canto do mundo, enveredem por caminhos e
discursos bem simplistas e batam seguidamente na tecla dos vínculos entre etanol e
fome. Mais preocupante, no entanto, é a situação criada pelo relator da ONU para o
direito à alimentação, Jean Ziegler, que classificou os biocombustíveis como “um
crime contra a humanidade”, garantindo que o mundo teria milhões e milhões de
novos famintos pela escalada nos preços dos alimentos que seriam usados para

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fazer funcionar os motores dos automóveis do mundo rico. Ainda pior é a repetição
desse sofisma em ambientes como o da Conferência Regional da Organização das
Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) para América Latina e Caribe,
realizada no Itamaraty, em Brasília. A diplomacia brasileira reagiu com firmeza,
apresentando números da redução do impacto ambiental e da produtividade da
agricultura nacional em áreas não destinadas à cana-de-açúcar.

Gazeta Mercantil, 16/4/2008 (com adaptações).

Com referência ao texto acima, julgue o item que se segue.

O nome “Jean Ziegler” (sublinhado no texto) está entre vírgulas por constituir um
vocativo.

Questão 38 – (CESPE) Advogado – CBM-DF/2007

(Adaptada)

Internet: aprendendo a ensinar

Depois de estourarem tantas bolhas de euforia na Internet, um novo segmento é


agora alvo das apostas: o ensino pela rede de computadores (e-learning), o novo
filão que mobiliza internautas, webmasters, criadores de software e investidores.
Novos recursos, integração de áudio, vídeo e texto, professores que atendem
online, fóruns e chats com especialistas são alguns dos recursos que passam a ser
usados de uma forma nunca vista, com o objetivo de fazer que o aluno aprenda. Os
professores assistem a todo esse movimento com um misto de perplexidade e
fascinação, porque temem ficar marginalizados se não conseguirem dominar essas
novas tecnologias e porque muitos acreditam que o ensino pela Internet vai resolver
os problemas de aprendizado no Brasil.

É tudo tão rápido e avassalador que se torna recomendável uma pausa para
respirar, refletir e jogar no caminho algumas perguntas incômodas. A primeira: é
realmente possível aprender pela Internet? Os introdutores do e-learning e alguns
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alunos dizem que sim. Mas os cursos são tão novos que não existem parâmetros
confiáveis para medir a qualidade desse tipo de ensino. Como ensinar direito, se
ainda não foi criado um modelo pedagógico voltado para a Web? Sem isso, esses
cursos correm o risco de servir apenas para informação e não para formação.

Urgente, nesse momento em que esses cursos são novidade no mundo todo, é a
discussão que leve a uma pedagogia própria para esse veículo baseada em estudos
e pesquisas. Assim, esse recurso pode se tornar uma efetiva ajuda na enorme
tarefa de disseminar a educação entre os brasileiros, e não apenas um modismo
que vai gerar diplomas rápidos e sem credibilidade.

Francisco Alves Filho. Istoé. Internet: (com adaptações)

Com referência ao texto acima, julgue o item seguinte.

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No trecho sublinhado no texto, a expressão “o ensino pela rede de computadores”


desempenha a função sintática de aposto do termo “Internet”.

Questão 39 – (CESPE) Contador – MTE/2014

“Passe lá no RH!”. Não são poucas as vezes em que os colaboradores de uma


empresa recebem essa orientação. Não são poucos os chefes que não sabem como
tratar um tema que envolve seus subordinados, ou não têm coragem de fazê-lo, e
empurram a responsabilidade para seus colegas da área de recursos humanos.
Promover ou comunicar um aumento de salário é com o chefe mesmo; resolver
conflitos, comunicar uma demissão, selecionar pessoas, identificar necessidades de
treinamento é “lá com o RH”. Em pleno século XXI, ainda existem empresas cujos
executivos não sabem quem são os reais responsáveis pela gestão de seu capital
humano. Os responsáveis pela gestão de pessoas em uma organização são os
gestores, e não a área de RH. Gente é o ativo mais importante nas organizações: é
o propulsor que as move e lhes dá vida. Portanto, os aspectos que envolvem a
gestão de 16 pessoas têm de ser tratados como parte de uma política de
valorização desse ativo, na qual gestores e RH são vasos comunicantes, trabalhando
em conjunto, cada um desempenhando seu papel de forma adequada.

José Luiz Bichuetti. Gestão de pessoas não é com o RH! In: Harvard Business Review Brasil.
(com adaptações).Francisco Alves Filho. Istoé. Internet: (com adaptações)

Acerca dos aspectos estruturais e interpretativos do texto acima, julgue o


item a seguir.

No trecho “Não são poucos os chefes que não sabem como tratar um tema que
envolve seus subordinados” (sublinhado no texto), há duas orações de natureza
restritiva, uma referente a “os chefes” e outra a “um tema”.

Questão 40 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos Deputados/2014


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Constantemente, você precisa provar e comprovar que é quem diz ser. Embora
pareça, essa não é uma questão filosófica. A tarefa é prática e corriqueira: cartões
de crédito, RG, CPF, crachás corporativos e carteirinhas de mil e uma entidades,
que engordam a carteira de todo cidadão, são exigidos, a toda hora, para identificar
uma pessoa no mundo físico. No ambiente virtual, combinações de usuário e senha
funcionam para dar acesso a emails, celulares, redes sociais e cadastros em lojas
online. Lidamos com tantas combinações desse tipo, que já se fala de uma nova
categoria de estresse: a “fadiga de senhas”. A solução para driblar o problema é o
reconhecimento biométrico — afinal, cada pessoa é única, e a tecnologia já pode
nos reconhecer por isso. Em questão de segundos, dispositivos modernos são
capazes de ler as características de partes do nosso corpo, comparar o que veem
com a base de dados que possuem, e atestar a identidade das pessoas previamente
cadastradas no sistema.

Renata Valério de Mesquita. Você é a sua senha. In: Planeta, fev./2014 (com adaptações)

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Acerca dos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item seguinte.

No trecho sublinhado, o sujeito da forma verbal “diz” é o pronome “quem”.

Questão 41 – (CESPE) Nível Superior – TJ-ES/2010

A possibilidade de alguém sair às ruas do Cairo para protestar contra o presidente


Hosni Mubarak em 1998, ano em que o jornalista norte-americano de origem
egípcia Abdalla Hassan se mudou para a cidade, era, nas palavras dele,
“simplesmente impensável”. “No máximo, culpava-se o primeiro-ministro, jamais o
presidente”, disse Hassan, enquanto os protestos se espalhavam pelas ruas da
capital egípcia. Seu depoimento dá a dimensão do medo imposto pelo ditador, que
permaneceu 30 anos no poder — e quão espetaculares e inesperados foram os
eventos no Cairo e em cidades como Suez e Alexandria. Multidões sublevadas
saíram pelas ruas clamando por melhores condições de vida, emprego e, sobretudo,
pelo fim do regime de Mubarak. Para deter as manifestações, o ditador desativou a
Internet, cortou a telefonia celular e ocupou estações de rádio e TV. Decretou toque
de recolher. Não adiantou. Os protestos continuaram. A semana terminou sem que
estivesse claro o futuro político do maior aliado dos Estados Unidos da América
(EUA) no mundo árabe. Se Mubarak caísse, o que viria em seu lugar — uma
democracia moderna ou uma teocracia islâmica como a do Irã? A resposta a essa
pergunta é crucial para toda a região.

Juliano Machado e Letícia Sorg. O grito árabe pela democracia. In: Época, 31/1/2011, p. 32
(com adaptações)

Considerando as ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue o


próximo item.

No trecho “enquanto os protestos se espalhavam pelas ruas da capital


egípcia” (sublinhado no texto), a próclise do pronome “se” justifica-se pela natureza
subordinada da oração, explicitada pela conjunção temporal “enquanto”.

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Questão 42 – (CESPE) Analista – SERPRO/2013

Segundo teorização do filósofo McLuhan, a palavra falada era o meio mais completo
de comunicação, porque, embora se destinasse a ser escutada, envolvia também a
participação de outros sentidos, como o tátil (gestos) e o visual (expressões faciais).
As culturas orais são integrais, porquanto seus membros agem e reagem ao mesmo
tempo. Os indivíduos são bem informados, constituem pessoas completas,
formadoras de uma irmandade total.

Entretanto, o descobrimento da escrita e, mais tarde, das técnicas de impressão


teve profundo impacto sobre a cultura: destribalizou a humanidade, rompeu a
associação entre os sentidos e modificou a maneira de o homem perceber o mundo
e com este se relacionar, tornando-a solitária, técnica, fria e impessoal.

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Com o advento da era eletrônica do audiovisual, concebeu-se uma maneira de


socializar o conhecimento, o que permitiu o reforço dos laços de irmandade entre os
homens. A tecnologia, de forma gradual, cria um ambiente humano totalmente
novo. Os indivíduos são modificados por suas técnicas de comunicação. As primeiras
mídias eram extensões do corpo e dos sentidos, dos olhos e dos ouvidos humanos.
As telecomunicações constituem não só extensões do sistema nervoso central, mas
também técnicas que sobre ele rebatem, determinando uma modelagem da
sociedade.

Francisco Rüdiger. As teorias da comunicação. Porto Alegre: Penso, 2011, p. 122-3 (com
adaptações).

Julgue o item subsecutivo, relativos às ideias e estruturas linguísticas do


texto acima.

No trecho sublinhado, o vocábulo “porquanto”, que liga orações coordenadas, pode


ser substituído por conquanto, sem prejuízo para a correção gramatical ou para a
ocorrência textual.

Questão 43 – (CESPE) Advogado – Banco da Amazônia/2007

Existem muitas maneiras de se enxergar uma empresa. Uma delas é vê-la como
uma máquina. E não se trata de uma analogia nova. A era industrial foi construída
com base nesse paradigma, sustentado pelas teorias dos cientistas Taylor e Fayol,
que acreditavam (e isso fazia sentido para a época em que viveram) que uma
empresa tinha de funcionar como um infalível relógio ou como uma locomotiva,
programada para cumprir, rigorosamente, seus tempos de parada e locomoção, de
maneira a garantir o andamento do sistema ferroviário, sem atrasos nem acidentes.
Para isso, colocaram a produtividade como principal meta, assegurada por um
sistema técnico de alta eficiência.

Uma empresa até pode se parecer com uma máquina, quando existe uma tarefa
contínua a ser desempenhada. Nesse caso, a mecanização da tarefa, de maneira
integralmente repetitiva, pode diminuir a quantidade de erros. O mesmo raciocínio
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continua valendo, se a empresa estiver situada em um ambiente estável, ou seja,


onde os fatores externos pouco ou nada interferem no seu desempenho. Ou quando
a criatividade, produto mais nobre e valioso do sistema humano, é considerada
indesejável.

Tornar as tarefas repetitivas para eliminar erros é, talvez, o maior equívoco em que
se pode incorrer. Afinal, os erros acontecem justamente quando o indivíduo liga o
piloto automático. E o piloto automático é acionado quando o trabalho a ser feito
não traz significado algum para aquele que o executa. Destituído de sentido, o
trabalho se transforma em tarefa enfadonha, que traz apenas aborrecimento, o que,
por sua vez, gera a pressa de acabar logo com aquela tortura, na ânsia de
reencontrar a alma deixada na porta de entrada da empresa, ao lado do marcador
de ponto.

Internet: <www.empreendedor.com.br> (com adaptações).

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Acerca das relações sintático-semânticas presentes no texto, julgue o item


subsequente.

O trecho “para aquele que o executa” (sublinhado no texto) classifica-se como


oração subordinada e tem o sentido de finalidade.

Questão 44 – (CESPE) Nível Superior – FUB/2014

Há muito tempo a sociedade demonstra interesse por assuntos relacionados à


ciência e à tecnologia. Na verdade, desde a pré-história, o homem busca
explicações para a realidade e os mistérios do mundo que o cerca. Observou os
movimentos das estrelas, manuseou o fogo, aprendeu a usar ferramentas em seu
favor, buscou respostas para os fenômenos da natureza. Independentemente dos
mitos, lendas e crenças que moldaram as culturas mais primitivas, o pensamento
humano sempre esteve, de alguma forma, atrelado ao conhecimento científico, que
se renovou e se disseminou com o passar dos séculos.

Mesmo com todo o aparato tecnológico, que tem possibilitado o acesso


praticamente instantâneo à informação, questionam-se tanto aspectos quantitativos
como qualitativos dos conteúdos sobre ciência veiculados pelos meios de
comunicação de massa. A divulgação, por meio do jornalismo científico, está longe
do ideal. Na grande mídia, a ciência e a tecnologia ficam relegadas a segundo plano,
restritas a notas e notícias isoladas, em uma cobertura que busca sempre valorizar
o espetáculo e o sensacionalismo. A televisão aberta, principal veículo condutor de
conteúdos culturais, não contribui como deveria para o processo de “alfabetização
científica”, exibindo programas sobre o tema em horários de baixa audiência.

Mas até que ponto é relevante incluir a sociedade de massa na esfera de discussão
de um grupo seleto de estudiosos? A promoção da informação científica contribui
para o processo de construção da cidadania, quando possibilita a ampliação do
conhecimento e da compreensão do público leigo a respeito do processo científico e
de sua lógica, no momento em que constrói uma opinião pública informada sobre os
impactos do desenvolvimento científico e tecnológico sobre a sociedade e quando
permite a ampliação da possibilidade e da qualidade de participação da sociedade
na formulação de políticas públicas e na escolha de opções tecnológicas,
especialmente em um país onde a grande maioria dos investimentos na área são
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públicos.

Luiz Fernando Dal Pian Nobre. Do jornal para o livro: ensaios curtos de cientistas. Internet:
(com adaptações).

Julgue o item que se segue, relativo às estruturas linguísticas do texto.

A vírgula imediatamente após “aberta” (em negrito no texto) foi empregada para
separar dois termos de mesma função sintática, uma vez que tanto “aberta” quanto
“principal veículo condutor de conteúdos culturais” (sublinhado no texto) exercem a
função de adjunto adnominal do nome “televisão” (em negrito no texto).

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Questão 45 – (CESPE) Analista de Controle Externo – TCU/2009

As leis elaboradas pelo Poder Legislativo constituem um dos mais importantes


instrumentos para a proteção dos direitos naturais. Afinal, elas são as responsáveis
pela construção da liberdade individual no Estado de sociedade. Ao compor a
liberdade dos indivíduos em sociedade, elas também limitam o poder
governamental. A participação popular e o controle popular do poder guardam a
ideia de que o exercício da política é coletivo e racional, com vistas à conquista de
algum bem. A política é exercida sempre que as pessoas agem em conjunto. A
política é uma ação plural. O voto, nas eleições, é modo de expressão do
consentimento dos cidadãos, para que o poder seja exercido em seu nome, para
que as leis sejam elaboradas e executadas de modo legítimo. A expressão do
consentimento periódico por meio do voto, em qualquer dos níveis de governo, é
essencial para que o Estado constitucional perdure e seja sempre capaz de proteger
os direitos inerentes às pessoas.

Daniela Romanelli da Silva. Poder, constituição e voto. In: Filosofia, Ciência & Vida.
São Paulo: Escala, ano III, n.º 27, p. 42-3 (com adaptações).

No que concerne à organização dos sentidos e das estruturas


linguísticas do texto acima, julgue o próximo item.

O uso do modo subjuntivo em "perdure" (sublinhado no texto) e "seja" (sublinhado


no texto), em orações sintaticamente independentes, deve-se ao valor semântico do
subjuntivo para expressar a ideia de desejo ou vontade, que, no caso, aplica-se à
função do "Estado" (sublinhado no texto).

Questão 46 – (CESPE) Analista Judiciário – STF/2013

Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu
nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe
emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura
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chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho,


de Monteiro Lobato.

Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele,
comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que
eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia,


nadava devagar em um mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia
seguinte, fui à sua casa, literalmente correndo. Não me mandou entrar. Olhando
bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que
eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve
a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando,
que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí:
guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais

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tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas
ruas como sempre e não caí nenhuma vez.

Clarice Lispector. Felicidade clandestina. In: Felicidade clandestina: contos. Rio de


Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

Julgue o item, referente às ideias e às estruturas linguísticas do texto


acima.

A oração introduzida pelo pronome “que” (em negrito no texto) tem caráter
restritivo, visto que especifica a ação expressa pela locução “andar pulando”.

Questão 47 – (CESPE) Oficial da Polícia Militar – PM-CE/2014

Ele não descobriu a América

Oficialmente, o título de “descobridor da América” pertence ao navegante genovês


Cristóvão Colombo, mas ele não foi o primeiro estrangeiro a chegar ao chamado
Novo Mundo. Além disso, o próprio Colombo nunca se deu conta de que a terra que
encontrou era um continente até então desconhecido.

A arqueologia já revelou vestígios da passagem dos vikings pelo continente por


volta do ano 1000. Leif Ericson, explorador que viveu na região da Islândia, chegou
às margens do atual estado de Maine, no norte dos Estados Unidos da América
(EUA), no ano 1003. Em 1010, foi a vez de outro aventureiro nórdico, Bjarn
Karlsefni, aportar nos arredores de Long Island, na região de Nova York. Além
disso, alguns pesquisadores defendem que um almirante chinês chamado Zeng He
teria cruzado o Pacífico e desembarcado, em 1421, no que hoje é a costa oeste dos
EUA.

Polêmicas à parte, Cristóvão Colombo jamais se deu conta de que havia descoberto
um novo continente. A leitura de suas anotações de bordo ou de suas cartas deixa
claro que ele acreditou até a morte que tinha chegado à China ou ao Japão, ou seja,
às “Índias”. É o que o navegador escreveu, por exemplo, em uma carta de março de
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1493.

Mesmo nos momentos em que se apresenta como um “descobridor”, Colombo se


refere aos arredores de um continente que o célebre Marco Polo – do qual foi leitor
assíduo – já havia descrito. Em outubro de 1492, depois de seu primeiro encontro
com nativos americanos, o explorador fez a seguinte anotação em seu diário de
bordo: “Resolvi descer à terra firme e ir à cidade de Guisay entregar as cartas de
Vossas Altezas ao Grande Khan”. Guisay é uma cidade real chinesa que Marco Polo
visitara. Nesse mesmo documento, Colombo escreveu que, segundo o que os índios
haviam informado, ele estava a caminho do Japão. Os nativos tinham apontado, na
verdade, para Cuba.

Suas certezas foram parcialmente abaladas nas viagens seguintes, mas o navegador
nunca chegou a pensar que aportara em um novo continente. Sua quarta viagem o
teria levado, segundo escreveu, à província de “Mago”, “fronteiriça à de Catayo”,
ambas na China.

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Somente nos últimos anos de sua vida o genovês considerou a possibilidade de ter
descoberto terras realmente virgens. Mas foi necessário certo tempo para que a
existência de um novo continente começasse a ser aceita pelos europeus. Américo
Vespúcio foi um dos primeiros a apresentar um mapa com quatro continentes. Mais
tarde, em 1507, a nova terra seria batizada em homenagem ao explorador italiano.
Um ano depois da morte de Colombo, que passou a vida sem entender bem o que
havia encontrado.

Antouaine Roullet. In: Revista História Viva. Internet: <www2.uol.com.br/historiaviva> (com


adaptações).

Julgue o item que se segue, considerando as ideias veiculadas no texto


acima, a sua estrutura e seus aspectos gramaticais.

No período “Nesse mesmo documento, Colombo escreveu que, segundo o que os


índios haviam informado, ele estava a caminho do Japão” (sublinhado no texto), a
primeira vírgula foi empregada para isolar termo com valor adverbial e as demais,
para isolar uma oração de valor temporal intercalada.

Questão 48 – (CESPE) Analista Administrativo – ANTT/2013

É inegável que a política de estímulo ao transporte individual motorizado é


absolutamente insustentável, tanto pelo uso de recursos naturais quanto pela
geração de poluição e pela crescente inviabilização dos deslocamentos urbanos.

Não são necessárias muitas considerações para se constatar o óbvio: os


engarrafamentos quase permanentes em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo
provocaram, nos últimos anos, uma queda vertiginosa na velocidade média de suas
ruas. Não apenas a lentidão irritante do tráfego urbano, a par da escassez de vagas,
provoca desperdício de petróleo, um recurso natural não renovável, e aumento na
quantidade de horas de trabalho perdidas no trânsito, como a poluição decorrente
desses fatos causa um número cada vez maior de casos de doenças respiratórias,
sem falar nos problemas psíquicos. Os prejuízos são, ao mesmo tempo, sociais,
ambientais e econômicos (embora alguns setores sempre lucrem com o caos).
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Com a moeda estável e financiamentos em até 72 meses, as classes ascendentes


podem realizar suas aspirações de possuir um carro novo. Certo, elas também têm
direito a um carro e, além disso, tal poder de compra “é um sinal de progresso
social e econômico”, como tanto se ouve falar. No entanto, essa forma superficial de
encarar a questão esconde que, na verdade, não há progresso algum, nem para a
sociedade, como um todo, nem para o feliz possuidor do carro novo.

É indispensável que a sociedade tome consciência de que o transporte individual nas


cidades é incompatível com uma boa qualidade de vida. É importante que se
renuncie à ideia falsa de conforto que o automóvel proporciona e ao seu uso como
mero símbolo de status. Somente modos de transporte de massa, ou seja, os
movidos à energia elétrica, como trens e metrô, podem resolver tais problemas.

Planejamento urbano de qualidade é igualmente indispensável. Isso significa, entre


outras medidas, concentrar serviços próximos ou entremeados com áreas

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residenciais, para que se reduza a necessidade de deslocamentos; permitir


escritórios de baixa movimentação de pessoas em áreas meramente residenciais;
incentivar a implantação de escolas de qualidade em todos os bairros;
descentralizar os polos de negócio, de comércio e de finanças. Quanto mais tempo
levarmos para a adoção dessas medidas, mais cara, demorada e dolorosa será a
tentativa de reverter a tendência de colapso no sistema de transporte urbano.

Carlos Gabaglia Penna. Transporte e meio ambiente. Internet: http://www.oeco.org.br (com


adaptações).

Com base nas ideias e na estrutura do texto acima, julgue o item.

Os termos “desperdício de petróleo” (sublinhado no texto), “aumento na quantidade


de horas de trabalho perdidas no trânsito” (sublinhado no texto) e “a poluição
decorrente desses fatos” (sublinhado no texto) exercem a mesma função na oração
de que fazem parte, visto que complementam a forma verbal “provoca” (em negrito
no texto).

Questão 49 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2009

A diferença na linguagem

“Para os gramáticos, a arte da palavra quase se esgota na arte da escrita, o que se


vê ainda pelo uso que fazem dos acentos, muitos dos quais fazem alguma distinção
ou evitam algum equívoco para os olhos mas não para os ouvidos.” Neste texto
Rousseau nos sugere que, para ler bem, é preciso prestar ouvidos à voz original,
adivinhar as diferenças de acento que a articulam e que se tornaram imperceptíveis
no espaço homogêneo da escrita. Na leitura, o olho treinado do Gramático ou do
Lógico deve subordinar-se a um ouvido atento à melodia que dá vida aos signos:
estar surdo à modulação da voz significa estar cego às modalidades do sentido. Na
oposição que o texto faz entre a arte de falar e a arte de escrever, podemos
encontrar não apenas as razões da desqualificação da concepção gramatical da
linguagem, mas também a indicação do estatuto que Rousseau confere à
linguagem. O que é importante notar aqui é que a oposição entre falar e escrever
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não se funda mais na oposição entre presença e ausência: não é a ausência do


sujeito falante que desqualifica a escrita, mas a atonia ou a homogeneidade dos
signos visuais. Se a essência da linguagem escapa à Gramática, é porque esta
desdobra a linguagem num elemento essencialmente homogêneo.

Bento Prado Jr. A retórica de Rousseau. São Paulo: Cosac Naify, 2008, p. 129-130

Com relação às ideias e aos aspectos gramaticais do texto, extraído da obra


A retórica de Rousseau, julgue (C ou E).

No período inicial do texto, há três orações subordinadas adjetivas com sentido


restritivo.

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Questão 50 – (CESPE) Analista Legislativo – AL-CE/2011

“Não é difícil governar a Itália. É inútil.” O ditador Benito Mussolini cunhou essa
frase com a pretensão de jogar sobre o povo italiano todas as mazelas do país.
Contudo, a história vem mostrando que a famosa frase embute uma verdade, só
que em um sentido invertido. Inúteis são governantes como Mussolini e Silvio
Berlusconi, o bufão de 75 anos que foi primeiro-ministro por três vezes e agora cai
por absoluta incapacidade de apresentar soluções para a brutal crise econômica da
Itália. O último mandato de Berlusconi começou em 2008 e, desde então, ele
parecia viver uma realidade paralela. Passou o tempo administrando denúncias —
de fraude fiscal a sexo pago com belas garotas. Mas foi a economia que acabou com
a sua condição de primeiro-ministro com mais tempo no poder italiano depois da
Segunda Guerra Mundial. Sem respaldo político para adotar medidas de austeridade
essenciais para impedir a quebradeira da Itália, a terceira maior economia da zona
do euro, Berlusconi anunciou, no dia 8 de novembro, sua intenção de renúncia. Só
não marcou a data. Como condicionou a saída à aprovação de um pacote de
reformas econômicas, ele acabou provocando mais incertezas quanto ao futuro da
economia italiana.

Luiza Villaméa. A queda do bufão. In: IstoÉ, 16/11/2011 (com adaptações)

Com relação aos aspectos sintático-semânticos do texto acima, julgue o


item.

O período ‘Não é difícil governar a Itália’ (sublinhado no texto) é composto por duas
orações, ambas sem sujeito.

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1. E
2. C
3. C
4. C
5. E
6. E
7. C
8. E
9. C
10. C
11. C
12. C
13. E
14. C
15. E
16. C
17. C
18. E
19. C
20. C
21. 62456350391

E
22. C
23. E
24. C
25. D
26. C
27. C
28. C
29. C
30. C
31. C
32. B

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33. E
34. C
35. C
36. C
37. E
38. E
39. C
40. E
41. C
42. E
43. E
44. E
45. E
46. E
47. E
48. E
49. C
50. E

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QUESTÕES COMENTADAS

Questão 01 – (CESPE) Técnico em Regulação – ANATEL - 2008

(Adaptada)

Até meados do século XX, prevalecia, entre os antropólogos, a ideia


de que a família nuclear era uma instituição apenas cultural. Hoje se
acredita que a família nuclear tenha-se estabelecido por trazer
vantagens evolutivas. Várias hipóteses apontam nesse sentido. A
relação estável também ganhou espaço porque, entre humanos, criar
um filho não é fácil. O bebê exige cuidados especiais por mais tempo
que outros primatas. Sob a ótica do pai, estar por perto, para arranjar
comida, manter as onças afastadas e garantir a sobrevivência da
prole, representava uma superioridade evolutiva. Estima-se que a
consolidação da família nuclear tenha deixado marcas até mesmo na
anatomia e na fisiologia humanas.

Veja, 10/12/2008 (com adaptações).

Julgue o seguinte item, a respeito da organização das ideias no


texto acima.

O pronome “se”, tanto em “se acredita” (sublinhado no texto) como


em “tenha-se estabelecido” (sublinhado no texto), tem função de
marcar a indeterminação do sujeito da oração.

Comentários

Esta questão trata do emprego do pronome “se”. O comando


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solicita que o aluno analise a afirmativa e julgue se as duas


ocorrências do pronome “se” indicam indeterminação do sujeito.

O sujeito indeterminado ocorre quando a afirmação expressa pelo


predicado encontra-se em um elemento que não pode ser
determinado dentro de um conjunto. Dessa forma, não se consegue
identificar o sujeito, apesar de sabermos que ele existe. Observe os
exemplos a seguir:

Exemplos:

Fala-se em novo pacote econômico.


Fizeram uma manifestação ontem.

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Há dois casos de indeterminação do sujeito:

a) Verbo na 3ª pessoa do plural sem sujeito expresso ou sem


referência a algum termo anterior. Temos apenas uma ideia
vaga e imprecisa do sujeito.

Exemplos:

Disseram que você não viria trabalhar hoje.

Fizeram uma manifestação ontem.

b) Verbo na 3ª pessoa do singular e acompanhado do pronome


“se”. Note que a ação está sendo praticada, mas não
conseguimos especificar claramente quem pratica essa ação.

Exemplos:

Precisa-se de vendedores. (verbo transitivo indireto)


Lá se está sempre feliz. (verbo de ligação)
Aqui se come muito. (verbo intransitivo)

OBSERVAÇÃO:

a) Quando a indeterminação do sujeito é ocasionada pelo pronome


“se”, esse pronome é chamado índice de indeterminação do
sujeito.

b) A indeterminação do sujeito pelo pronome “se” ocorre com


verbos intransitivos, transitivos indiretos e de ligação.
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Atenção!

Quando ocorre verbo na 3ª pessoa do singular, e ele é acompanhado


pelo “se”, podemos ter três possibilidades:

a) Sujeito simples expresso (caso de voz passiva sintética)

Exemplo: Matou-se uma mulher.

Observe, no exemplo acima, que há a presença de verbo


transitivo direto “matou” e que o sujeito (sobre quem se fala) é
o termo “uma mulher”. O sujeito nunca vem regido por

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preposição (observe isso em “uma mulher”), diferente do que


acontece com o exemplo anterior “Precisa-se de vendedores.”
(voz ativa), no qual o termo “de vendedores” não pode ser
sujeito por causa da ocorrência da preposição “de”. Em
“Precisa-se de vendedores.”, o “se” é índice de
indeterminação do sujeito.

Se a dúvida persistir, converta a voz passiva sintética na voz


passiva analítica para facilitar a identificação. Assim, teríamos:
“Uma mulher foi morta.”

b) Sujeito simples expresso ou não (caso de voz reflexiva)

Exemplo: Penteou-se no banheiro. (sujeito simples, desinencial e


determinado = ”ele”)

Observe, no exemplo acima, que o sujeito simples não expresso


é “ele” e o “se” é pronome reflexivo. Exemplo, então, de voz
reflexiva.

c) Sujeito indeterminado (caso de voz ativa)

Explicado acima.

Atenção!

Quando aparece verbo na 3ª pessoa do plural, podemos ter três


possibilidades:

a) Sujeito indeterminado (não expresso e não identificável)

Exemplo: Mandaram-me para outra escola.


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b) Sujeito simples ou composto (expresso)

Exemplos:

Aconteceram ontem muitas explosões na fábrica. (sujeito simples =


“muitas explosões”)
Aconteceram ontem brigas e discussões na fábrica. (sujeito composto
com dois núcleos = “brigas e discussões”)

Outra possibilidade é a ocorrência de sujeito inexistente (oração


sem sujeito) quando há apenas o enunciado de um fato, sem que
ele seja atribuído a algum ser. Dessa forma, a oração é constituída

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apenas pelo predicado, apesar de o sujeito ser um termo


essencial da oração.

Temos três casos de sujeito inexistente:

a) Verbo “haver” no sentido de existir ou com referência a


tempo. Neste caso, o verbo “haver” é chamado verbo
impessoal e é usado na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:

Havia muitas flores no jardim. (verbo “haver” no sentido de “existir”).

Estive em Belo Horizonte há quatro anos. (verbo “haver” com


referência a tempo)

Perceba que, nas duas orações acima, o predicado é a oração


inteira, não há sujeito.

b) Verbos “fazer”, “ser”, “estar” com referência a tempo.


Neste caso, os verbos são chamados verbos impessoais e são
usados apenas na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:

Faz muitos anos que ele ganhou o prêmio.


Já é tarde.
Está calor em Belo Horizonte.

Perceba que, nas três orações acima, o predicado é a oração


inteira, não há sujeito. 62456350391

c) Verbos que expressam fenômenos da natureza – chover,


ventar, nevar, gear, anoitecer, etc. Neste caso, os verbos são
chamados verbos impessoais e são usados apenas na 3ª
pessoa do singular.

Exemplos:

Choveu pouco mês passado.


Anoiteceu rapidamente.

Perceba que, nas duas orações acima, o predicado é a oração


inteira, não há sujeito.

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Temos que analisar o seguinte trecho:

Hoje se acredita que a família nuclear tenha-se estabelecido por


trazer vantagens evolutivas.

A primeira ocorrência do pronome “se” (“se acredita”) é índice


de indeterminação do sujeito. Observe que a ação está sendo
praticada, mas não conseguimos determinar de forma clara “quem”
pratica a ação.

Por sua vez, a segunda ocorrência do pronome “se” (“tenha-se


estabelecido”) não é índice de indeterminação do sujeito. Perceba,
assim, que há a presença clara de sujeito (“a família nuclear”).

Dessa forma, concluímos que apenas a primeira ocorrência marca a


indeterminação do sujeito da oração.

GABARITO: ERRADO

Questão 02 – (CESPE) Fiscal Estadual Agropecuário –


ADAGRI/CE - 2009

Não há personagem mais criticado na sociedade contemporânea que o


político. De fato, os políticos são, muitas vezes, responsáveis por
diversas mazelas sociais. Mas uma coisa não deve ser esquecida: são
os cidadãos que elegem seus representantes, o que lhes dá o poder
de premiar os melhores e punir os piores.

Fernando Abrucio. Porque o eleitor deve mudar a forma de votar.


In: Época, 11/8/2008. p. 56. (com adaptações).

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Com referência ao texto, julgue o item a seguir.

Na linha 3, o termo "por diversas mazelas sociais" complementa o


sentido do vocábulo "responsáveis".

Comentários

A afirmação do enunciado está correta, pois o termo “por diversas


mazelas sociais” exerce função de complemento nominal, ao
completar o sentido do adjetivo “responsáveis”.

Vamos estudar o complemento nominal?

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O Complemento Nominal é aquele termo integrante que completa


o sentido de alguns nomes. Esses nomes (que serão completados
pelo complemento nominal) podem ser substantivo, adjetivo e
advérbio.

Com essa informação, é possível diferenciar o complemento nominal


dos complementos verbais (objeto direto e objeto indireto).
Enquanto o complemento verbal completa o sentido do verbo,
o complemento nominal completa o sentido do nome
(substantivo, adjetivo e advérbio).

Veja os exemplos a seguir:

Eu tenho muita consideração por você.


SUBSTANTIVO C. NOMINAL

Ele é fiel ao time do coração.


ADJETIVO C.NOMINAL

Estávamos longe da cidade maravilhosa.


ADVÉRBIO C. NOMINAL

Da análise dos exemplos acima, podemos inferir que o complemento


nominal é sempre iniciado por preposição (por você; ao time; da
cidade maravilhosa).

Outro aspecto importante é a possibilidade de substituir-se o


complemento nominal por pronomes pessoais oblíquos. Leia,
com atenção, as frases abaixo, em que o termo com função de
complemento nominal é substituído por pronome.

Ele não teve consideração por mim. / Ele não me teve consideração.
SUBSTANTIVO C. NOMINAL C. NOMINAL SUBSTANTIVO
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Dormir cedo era saudável para ele. / Dormir cedo lhe era saudável.
ADJETIVO C. NOMINAL C. NOMINAL ADJETIVO

Agora, que você já entendeu como funciona o complemento nominal,


atente-se para as observações abaixo.

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É possível que uma oração inteira funcione como complemento


nominal (caso em que será denominada oração subordinada
substantiva completiva nominal), exemplificada a seguir:

Eu tinha certeza de que você não me decepcionaria.


COMPLEMENTO NOMINAL

GABARITO: CERTO

Questão 03 – (CESPE) Vestibular – UNB - 2013

(Adaptada)

No dia 6 de janeiro de 1912, em reunião da Associação Geológica


Alemã, em Frankfurt, o meteorologista Alfred Wegener desencadeou o
longo processo de construção de uma teoria da dinâmica terrestre. Na
conferência “Fundamentos geofísicos da evolução das grandes feições
da crosta terrestre (continentes e oceanos)”, postulou que os
continentes, em constante movimento, interagem entre si e com o
substrato sobre o qual se deslocam, o que originou os grandes
acidentes do relevo terrestre. A hipótese, ainda que bem
fundamentada, não obteve boa receptividade; ao contrário, as
reações adversas foram muitas. As opiniões só começaram a mudar
no final da década de 1950, quando se avolumaram evidências
favoráveis à deriva continental. Dez anos mais tarde, no calor de uma
revolução científica em que se consolidou a teoria da tectônica de
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placas, a hipótese foi definitivamente comprovada.

Ciência Hoje, vol. 50, n.º 298.

Julgue o item abaixo.

No título da conferência proferida por Alfred Wegener em 1912


(trecho sublinhado no texto), a expressão entre parênteses exerce a
função de aposto explicativo do termo “das grandes feições da crosta
terrestre”.

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Comentários

Esta questão trata do termo acessório aposto. Aposto é o termo da


oração que esclarece, explica, enumera, identifica, resume,
especifica um substantivo (ou termo substantivado) expresso
anteriormente.

O enunciado questiona se a expressão “continentes e oceanos”


funciona como aposto explicativo do termo “das grandes feições da
crosta terrestre”.

Ao analisarmos o trecho, verificamos que “continentes e oceanos”


esclarece e explica o termo a que se refere. Observe também estar
correto o emprego de pontuação (no caso, parênteses) para isolar o
aposto explicativo.

Vamos estudar um pouco sobre o aposto?

APOSTO

Aposto é o termo da oração que esclarece, explica, enumera,


identifica, resume, especifica um substantivo (ou termo
substantivado) expresso anteriormente.

Exemplos:

Bernadete, minha madrinha de crisma, virá hoje em Brasília. (aposto


explicativo)
Em Minas Gerais, um dos mais bonitos estados do Brasil, eu nasci. (aposto
explicativo)
Vendemos isto: roupas, sapatos e bolsas. (aposto enumerativo)
Colegas, amigos, familiares, todos participaram da festa. (aposto resumitivo
ou recapitulativo)
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O escritor Machado de Assis escreveu belíssimos livros. (aposto


especificativo)
Minha prima Marina é muito bonita. (aposto especificativo)
A cidade de Belo Horizonte é mais bonita que a cidade de Divinópolis.
(aposto especificativo)

OBSERVAÇÕES:

O aposto explicativo (explica ou esclarece) é sempre isolado por


pontuação (vírgula, dois pontos, travessão, parênteses).

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Exemplos:

Marina, minha sobrinha, comprou uma blusa rosa.


Marina gosta de duas coisas: chocolate e refrigerante.
Uma palavra – paz – é o que ela quer.
Eu fui ao Estádio Governador Magalhães Pinto, Mineirão.

O aposto especificativo não é acompanhado de pontuação.

Exemplos:

Minha sobrinha Marina comprou uma blusa rosa.


Eu fui ao Estádio Governador Magalhães Pinto, Mineirão.

O aposto pode vir acompanhado de preposição.

Exemplos:

O mês de abril tem trinta dias.


O homem perdoou a ambos: ao filho e ao pai.

O aposto pode vir precedido de expressões explicativas.

Exemplos:

Sobrou muita coisa, a saber: joias, perfumes e roupas.


Marina não sabia que iria encontrar Paulo Barros, isto é, o escritor preferido
de sua mãe.

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O aposto pode, excepcionalmente, vir antes do termo a que se refere.

Exemplo:

Inteligente e dedicado, Paulo passará no concurso em breve.

O aposto pode referir-se a outro aposto.

Exemplo:

Aécio Neves, neto de Tancredo Neves, ex-Presidente da República, será


candidato ao cargo de presidente da República.

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O aposto resumitivo, geralmente, é exercido por um pronome


indefinido.

Exemplo:

Joias, viagens, carros, roupas, nada lhe era suficiente.

Temos o “aposto de oração” que é aquele que sintetiza o significado


de uma oração inteira. Cuidado para não confundi-lo com o aposto
resumitivo, que resume termos e não resume orações.

Exemplo:

A menina gastou todo o dinheiro, fato que o deixou triste.

GABARITO: CERTO

Questão 04 – (CESPE) Agente Administrativo – MTE/2014


(Adaptada)

É importante fazer uma diferenciação das expressões relação de


trabalho e relação de emprego. A expressão relação de trabalho
representa o gênero, do qual a relação de emprego é uma espécie.
Podemos dizer que o gênero “relação de trabalho” engloba, além da
relação de emprego, outras formas de prestação/realização de
trabalho como o trabalho voluntário, o trabalho autônomo, o trabalho
portuário avulso, o trabalho eventual, o trabalho institucional e o
trabalho realizado pelo estagiário. Assim, toda relação de emprego
(espécie) é uma relação de trabalho, mas nem toda relação de
trabalho é uma relação de emprego.
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Para compreendermos o alcance das expressões relação de trabalho e


relação de emprego, é importante termos claro o alcance de alguns
termos utilizados no nosso cotidiano. Por exemplo, a carteira de
trabalho e previdência social (CTPS) está ligada à relação de trabalho
subordinado que corresponde ao vínculo de emprego. Nem todos os
tipos de relações de trabalho são registrados na CTPS, mas todos os
tipos de relação de emprego são registrados no referido documento.

Ricardo Jahn. Relação de emprego e de trabalho - diferenciação.


In: O Sul, set./2010 (com adaptações).

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Acerca dos aspectos linguísticos e das ideias do texto acima,


julgue o item a seguir.

As expressões “outras formas de prestação/realização de trabalho”


(sublinhada no texto) e “o alcance das expressões relação de trabalho
e relação de emprego” (sublinhada no texto) desempenham a mesma
função sintática nos períodos em que ocorrem.

Comentários

A questão pede que se compare a função sintática dos seguintes


termos (destacados):

(...) o gênero “relação de trabalho” engloba, além da relação de


emprego, outras formas de prestação/realização de trabalho (...).
E
Para compreendermos o alcance das expressões relação de trabalho
e relação de emprego, é importante (...).

Para facilitar a análise, vamos simplificar os períodos e manter


somente as orações que interessam em cada um deles:

o gênero “relação de trabalho” engloba outras formas de


prestação/realização de trabalho
E
para compreendermos o alcance das expressões relação de trabalho
e relação de emprego

Observe que o primeiro trecho sublinhado (“outras formas de


prestação/realização de trabalho”) está completando o sentido do
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verbo transitivo direto “englobar” (quem engloba, engloba algo,


sem auxílio de preposição antes do complemento). Logo, o termo
exerce função de OBJETO DIRETO.

O segundo trecho sublinhado, por sua vez, consiste em uma oração


subordinada, pois completa o sentido do verbo “compreender”,
presente na oração principal. Para identificar a função sintática dessa
oração subordinada, sugiro que você a substitua pelo pronome
“ISSO”:

para compreendermos o alcance das expressões relação de


trabalho e relação de emprego
para compreendermos ISSO

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Observe que o termo “ISSO” exerce função de OBJETO DIRETO, pois


completa o sentido do verbo transitivo direto “compreender”. De
igual maneira, a oração substituída por “ISSO” também está
exercendo essa mesma função (objeto direto), motivo pelo qual é
chamada de oração subordinada substantiva objetiva direta.

Ambos os trechos sublinhados, portanto, exercem a função de


OBJETO DIRETO.

Vamos estudar mais um pouco esse assunto?

COMPEMENTO VERBAL: OBJETO DIRETO

O Objeto Direto é o termo que completa o sentido do verbo


transitivo direto (e também de verbo bitransitivo), sem que seja
necessária (obrigatória) a presença de preposição.

Eles fizeram as atividades.


OBJETO DIRETO

A transitividade dos verbos é um assunto extremamente importante


para que você saiba identificar qual o complemento verbal da frase
(se objeto direto ou se objeto indireto).

Na frase acima, vemos que “as atividades” completa a significação


da forma verbal “fizeram” sem o auxílio de preposição; trata-se,
portanto, de objeto direto.

Perceba que o objeto direto é o termo para o qual se dirige a


ação verbal. Em regra, ele torna-se o sujeito quando a frase é
convertida para a voz passiva. 62456350391

Assim, note que, ao passar a oração da voz ativa para a voz passiva,
o objeto direto deixará de ser complemento verbal e passará a
ser sujeito da passiva:

VOZ ATIVA: Eles fizeram as atividades.


OBJETO DIRETO

VOZ PASSIVA: As atividades foram feitas por eles.


SUJEITO

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Vale dizer, ainda, que é possível substituir o objeto direto pelos


pronomes pessoais oblíquos átonos “O, A, OS e AS”, os quais só
podem funcionar como objeto direto, nunca como objeto indireto.
Exemplo:

Eles fizeram as atividades.


OD

Eles fizeram-nas.
OD

Os pronomes oblíquos átonos “ME, TE, SE, NOS, VOS” também


podem exercer função de objeto direto. Para identificá-lo, será
necessário analisar a regência do verbo por ele completado, ou seja,
será fundamental saber se o verbo é transitivo direto.

Meus filhos me amam. Eles te amam.


OD OD

Nas frases acima, identificamos que o “ME” e o “TE” são objetos


diretos porque sabemos que “amar” é verbo transitivo direto (quem
ama, ama algo, sem auxílio de preposição).

Uma oração pode estruturar-se tanto na ordem direta (sujeito +


verbo + complemento) quanto na ordem indireta (em que esses
elementos são ordenados de forma diversa). É importante prestar
muita atenção nas orações estruturadas na ordem indireta em
que o objeto direto (complemento) é posto antes do verbo,
para não confundir o objeto direto com sujeito.

As cartas escreveram eles com muito esmero.


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OD SUJ.
Eles escreveram as cartas com muito esmero.
SUJ. OD

Nem tempo tive de lavar os pratos. (sujeito oculto “eu”)


OD
Nem tive tempo de lavar os pratos. (sujeito oculto “eu”)
OD

A confusão entre objeto direto e sujeito é frequente, mesmo se a


oração estiver estruturada na ordem direta. Vamos aprender algumas
dicas para que você não incorra nesse equívoco.

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Hoje cedo, partiram os visitantes.


Hoje cedo, entrevistaram os visitantes.

Observe o termo “os visitantes”, destacado nas duas frases acima.


Qual a função sintática que ele exerce em cada frase? Sujeito ou
objeto direto? Para responder a essa pergunta, aconselho que você
tente passar a oração para a voz passiva; caso consiga, o
termo provavelmente será objeto direto. Observe:

Hoje cedo, partiram os visitantes.


(voz passiva impossível)
Hoje cedo, entrevistaram os visitantes.
Hoje cedo, os visitantes foram entrevistados. (voz passiva possível)

No primeiro exemplo, note que não foi possível transformar a


voz ativa em voz passiva. Isso porque o termo “os visitantes”
exerce, na frase, função sintática de sujeito. Observe a frase na
ordem direta: “Os visitantes partiram hoje cedo”.

No segundo exemplo, foi possível colocar a oração na voz


passiva, pois o termo “os visitantes” possui função sintática de
objeto direto. O sujeito, nesse caso, é indeterminado.

Outra dica importante, na hora de diferenciar sujeito e objeto direto, é


lembrar que o objeto direto possui carga passiva, enquanto o sujeito
possui carga ativa (pois executa a ação verbal).
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Atenção!

Ainda sobre a distinção “sujeito x objeto direto”, importa conhecermos


o sujeito acusativo ou sujeito de infinitivo. Observe:

Eu deixei-a voltar tarde para casa.

No exemplo acima, o pronome oblíquo átono “A” não exerce


função sintática de objeto direto, como em geral ocorre, mas sim
função de sujeito (denominado sujeito acusativo ou sujeito de
infinitivo). Veja por que isso acontece:

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Eu deixei Maria voltar tarde para casa.


Eu deixei-a voltar tarde para casa.

Perceba que o pronome oblíquo átono “A”, destacado na primeira


frase, está substituindo “Maria”. O termo “Maria” atua como
sujeito do verbo “voltar”. Assim, o pronome “A”, ao substituir
“Maria”, também funciona como sujeito (sujeito acusativo ou
sujeito de infinitivo).

É importante conhecer esse tipo de sujeito para saber diferenciá-lo


dos casos em que o pronome oblíquo atua como objeto direto (a
maioria dos casos).

Dito isso, é hora de fazermos algumas observações acerca dos


objetos diretos.

OBSERVAÇÃO 1:

Em alguns casos, uma oração inteira pode funcionar como


objeto direto (chamada oração subordinada substantiva objetiva
direta), exemplificada a seguir:

Eles não notaram que o cachorro sumiu.


OD

OBSERVAÇÃO 2:

Outra observação importante a se fazer diz respeito a orações com o


62456350391

verbo “HAVER”. Esse verbo não possui sujeito, se empregado


no sentido de “existir”. Nesses casos, portanto, o termo
relacionado ao verbo será objeto direto. Veja:

Havia muitas pessoas nas manifestações contra a copa.


OD

Perceba que, no exemplo acima, embora se trate de objeto direto,


não será possível a transformação para a voz passiva, em razão da
peculiaridade do verbo “haver”.

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OBSERVAÇÃO 3:

Quando o pronome relativo “QUE” retomar um termo e colocá-


lo como complemento de verbo transitivo direto, ele será
objeto direto. Observe:

O bolo que você fez estava delicioso.


OD

Equivale a dizer: O bolo estava delicioso. / Você fez o bolo.


OD

Agora, que já fizemos os comentários gerais sobre o assunto, convém


conhecermos algumas espécies peculiares de objetos diretos:

OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO


OBJETO DIRETO PLEONÁSTICO
OBJETO DIRETO INTERNO OU COGNATO

Vamos analisar cada um deles, a seguir.

Objeto Direto Preposicionado

Para compreender este tipo peculiar de objeto direto, você deve ter
em mente a seguinte informação: será sempre a regência do
verbo (e não a presença da preposição) que ditará se o
complemento é objeto direto ou objeto indireto. Dessa forma,
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verbos que exigem o uso obrigatório da preposição são transitivos


indiretos, de modo que seus complementos serão objetos
indiretos. Por outro lado, verbos que não exigem a presença
obrigatória da preposição são transitivos diretos, de modo que seus
complementos serão objetos diretos.

A afirmação acima parece óbvia, mas você verá que não é bem assim.
Isso porque, em alguns casos, o objeto direto pode vir
acompanhado de preposição. Assim, embora o verbo seja
transitivo direto, você poderá (ou até deverá) utilizar a preposição,
em alguns casos, para dar ênfase ou conferir clareza à frase.

Peguemos, por exemplo, o verbo transitivo direto “enganar”, cuja


regência não exige preposição obrigatória (ex: Ele enganou Maria

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por muitos anos.). Seu complemento será sempre objeto direto,


pois quem engana, engana alguém (sem necessidade de preposição).

Há casos, no entanto, em que a preposição poderá ser empregada,


atipicamente, após um verbo transitivo direto, acompanhando o
objeto direto, para fins de clareza. Quando isso ocorrer, o
complemento do verbo continuará sendo objeto direto, porém
será chamado de objeto direto preposicionado (utilizaremos a sigla
“ODPrep” para identificá-lo).

Vamos entender alguns desses casos em que verbos transitivos


diretos podem ser completados por objeto direto preposicionado.
Abaixo de cada caso, darei exemplos de frases, em geral com o verbo
“enganar”, para ilustrar a transitividade direta.

Quando o objeto direto for um pronome pessoal oblíquo


tônico (“MIM, TI, SI, NÓS, VÓS, ELE, ELES, ELA, ELAS”).

Ex: Ele pode até enganar a si mesmo, mas não a mim.


ODPrep ODPrep

Quando o objeto direto for o pronome relativo “QUEM”.

Ex: A quem ele pensa que engana com essas histórias?


ODPrep

Quando o objeto direto for o numeral “AMBOS”.

Ex: Minha mãe e minha irmã, ele enganou a ambas.


ODPrep

Quando o objeto direto for pronome indefinido.


62456350391

Ex: Ele enganou a todos com suas mentiras.


ODPrep

Quando o objeto direto for pronome demonstrativo.

Ex: Ele enganou a esta pobre garota.


ODPrep

Quando o objeto direto for uma expressão que indique


reciprocidade.

Ex: Eles enganaram-se uns aos outros.


ODPrep

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Para evitar que se confunda o objeto direto com o sujeito


da oração.

Ex: Enganou José a Maria.


SUJ. ODPrep

Com verbos que exprimem sentimentos:

Ex: Ame ao próximo.


ODPrep

Para dar ênfase ao objeto direto:

Ex: A médico, professor e letrado nunca enganes.


OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO

Objeto Direto Pleonástico

Outro tipo peculiar de objeto direto é o objeto direto pleonástico.


Ocorre quando o objeto direto, já expresso na frase, é
retomado (repetido) por um pronome oblíquo para reforçar a
informação contida no objeto direto.

Ex: Os amigos, perdi-os ao longo da vida.


Objeto Direto Objeto Direto
Pleonástico

Agora, observe o exemplo a seguir, no qual há tanto o objeto direto


preposicionado quanto o objeto direto pleonástico:

Ex: A mim, ele jamais me enganará.


62456350391

Objeto Direto Objeto Direto


Preposicionado Pleonástico

Objeto Direto Interno ou Cognato

Falta falarmos do objeto direto interno ou cognato. Ele ocorre


quando o verbo e o complemento (objeto direto) possuem o
mesmo radical ou estão no mesmo campo semântico. Veja:

Ex: Sonhou os sonhos mais tranquilos.


OD cognato

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Embora a maioria dos gramáticos considere-os sinônimos, há quem


diferencie o objeto direto interno do objeto direto cognato, da
seguinte maneira:

- OBJETO DIRETO COGNATO: quando o verbo e o complemento


possuem o mesmo radical (como no exemplo acima).

- OBJETO DIRETO INTERNO: o verbo e o complemento estão no


mesmo campo semântico (de significação). Ex: Dormiu o sono dos
justos.

COMPLEMENTO VERBAL: OBJETO INDIRETO

O Objeto Indireto é o termo que completa o sentido do verbo


transitivo indireto (ou do verbo transitivo bitransitivo) com auxílio
obrigatório de uma preposição.

Ele pensava em Joana o dia todo.


OBJETO INDIRETO

Na frase acima, vemos que “em Joana” completa a significação da


forma verbal “pensava” com o auxílio de preposição. Isso porque o
verbo “pensar” é transitivo indireto (quem pensa, pensa em algo
ou em alguém), de modo que seu complemento será, sempre, objeto
indireto.

No caso dos verbos bitransitivos (aqueles que possuem dois


complementos verbais), o objeto indireto representa o ser a
quem o objeto direto se destina. Perceba, abaixo, frases com os
verbos bitransitivos “dizer” e “enviar”:
62456350391

Ele disse bobagens a Joana.


OD OI

Enviavam cartas aos parentes.


OD OI

É possível substituir o objeto indireto pelos pronomes pessoais


oblíquos “LHE(s), A ELE(s), A ELA(s), DELE(s), DELA(s),
NELE(s), NELA(s)”. Veja:

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Ofereceram um presente a João.


OI

Ofereceram um presente a ele.


OI

Ofereceram-lhe um presente.
OI

Outros exemplos:

Necessitamos dos amigos. / Necessitamos deles.


OI OI

Acreditamos nas pessoas. / Acreditamos nelas.


OI OI

Atente que os pronomes oblíquos “ME”, “TE”, “SE”, “NOS” e “VOS”


funcionam tanto como objeto direto quanto como objeto
indireto. Para identificar a qual complemento verbal o pronome
equivale (objeto direto ou objeto indireto), aconselho que você o
substitua por um nome qualquer (de preferência um nome próprio), a
fim de descobrir a transitividade do verbo. Veja:

Ex: Ninguém nos contou a verdade. (objeto indireto, pois equivale a dizer
“Ninguém contou a verdade para Maria”, com uso de preposição)
Ex: Todos te abandonaram. (objeto direto, pois equivale a dizer “Todos
abandonaram Maria”, sem uso de preposição)

Dito isso, é hora de fazermos algumas observações acerca dos


objetos indiretos.

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OBSERVAÇÃO 1:

Assim, como aprendemos com relação ao objeto direto, também


poderá acontecer que uma oração inteira funcione como objeto
indireto (caso em que será denominada de oração subordinada
substantiva objetiva indireta), exemplificada a seguir:

Eu nunca precisei de que outros realizassem meus sonhos.


OI

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OBSERVAÇÃO 2:

As formas tônicas “MIM, TI, NÓS, VÓS” não aceitam ser precedidas
da preposição “COM” (não existe, portanto, “com mim”, “com ti”,
“com nós” e “com vós”). Assim, quando o verbo transitivo indireto
exigir o uso da preposição “COM”, correto será dizer “COMIGO,
CONTIGO, CONOSCO e CONVOSCO”. Observe:

Eles competirão conosco.


OI

Acho que ele brigou comigo.


OI

Objeto Indireto Pleonástico

Tal qual aprendemos acerca do Objeto Direto Pleonástico, existe


também o Objeto Indireto Pleonástico.

Ele ocorre quando o objeto indireto, já expresso na frase, é


retomado (repetido) por um pronome oblíquo para reforçar a
informação contida no objeto indireto. Observe:

Ex: Aos amigos, disse-lhes bonitas palavras.


Objeto Indireto Objeto Indireto
Pleonástico

GABARITO: CERTO

Questão 05 – (CESPE) Nível Médio – EBC - 2011


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(Adaptada)

Quando se fala em sistema público de comunicação, pensa-se


justamente em um conjunto de mídias públicas (nos diversos
suportes, como rádio, televisão, Internet etc.) que operam de modo
integrado e sistêmico, tendo como horizonte o interesse dos cidadãos.
Para o professor Laurindo Leal Filho, da Universidade de São Paulo,
um dos pioneiros na pesquisa sobre mídia pública no Brasil, esse não
é um conceito fechado. “Por princípio, todo o sistema de comunicação
deveria ser público, uma vez que a sua missão é prestar um serviço
público. Nesse sentido, poderiam até variar as formas de
financiamento, mas o controle deve ser da sociedade. De algum

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modo, é o que acontece em alguns países onde órgãos reguladores


estabelecem as diretrizes para o todo o setor das comunicações
eletrônicas. De maneira mais restrita, costumamos chamar de público
o sistema não comercial e, de alguma forma, independente do Estado.
E aí temos inúmeras nuanças: de sistemas ditos públicos, mas que
sofrem forte controle estatal, até outros em que essa relação é
tênue”, explica Leal Filho.

Internet: <www.direitoacomunicacao.org.br> (com adaptações)

Julgue o item abaixo.

A expressão “um dos pioneiros na pesquisa sobre mídia pública no


Brasil” (sublinhado no texto) exerce, na oração, a função sintática de
vocativo, pois se refere a uma pessoa citada anteriormente.

Comentários

Nesta questão, a banca questiona se a expressão “um dos pioneiros


na pesquisa sobre mídia pública no Brasil” exerce, na oração, a função
sintática de vocativo.

Vocativo é um termo que não faz parte nem do sujeito nem do


predicado, portanto exerce uma função autônoma na estrutura
oracional. É um termo que tem natureza exclamativa e expressa
invocação ou chamamento. Ele tem como objetivo chamar,
nomear, interpelar, invocar a pessoa ou coisa personificada a
quem nos dirigimos.

O vocativo pode aparecer em qualquer lugar na oração e é sempre


isolado por algum sinal de pontuação (normalmente, vírgula).
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Porém, verificamos que a expressão constante do comando é, na


verdade, um aposto.

Aposto é o termo acessório que esclarece, explica, enumera,


identifica, resume, especifica um substantivo (ou termo
substantivado) expresso anteriormente.

Assim, a expressão “um dos pioneiros na pesquisa sobre mídia pública


no Brasil” funciona como aposto explicativo do termo “professor
Laurindo Leal Filho”.

Ao analisarmos o trecho, verificamos que “um dos pioneiros na


pesquisa sobre mídia pública no Brasil” esclarece e explica o termo a

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que se refere. Observe também estar correto o emprego de


pontuação (no caso, vírgulas) para isolar o aposto explicativo.

Vamos revisar o vocativo?

VOCATIVO

O vocativo é um termo que não faz parte nem do sujeito nem do


predicado, portanto exerce uma função autônoma na estrutura
oracional. É um termo que tem natureza exclamativa e expressa
invocação ou chamamento. Ele tem como objetivo chamar,
nomear, interpelar, invocar a pessoa ou coisa personificada a
quem nos dirigimos.

O vocativo pode aparecer em qualquer lugar na oração e é sempre


isolado por algum sinal de pontuação (normalmente, vírgula).

Exemplos:

Marisa, onde está sua mãe?


Pedro! Feche as janelas.
A notícia, meus amigos, é bem fresca.
Volte para casa, Daniel!

Atenção!

Você deve ter muito cuidado com a pontuação, porque ela pode
modificar a função sintática do termo.
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Exemplo:

Ana Maria esteve em Belo Horizonte? (sujeito)


Ana, Maria esteve em Belo Horizonte? (vocativo - “Maria” é sujeito)
Ana, Maria, esteve em Belo Horizonte? (vocativo - “Ana” é sujeito)
Ana Maria, esteve em Belo Horizonte? (vocativo)

Observação

O aposto pode fazer parte de um vocativo.

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Exemplo:

Ana Maria, minha filha, esteve em Belo Horizonte? (“Ana Maria, minha filha”
é vocativo e “minha filha” é aposto)

GABARITO: ERRADO

Questão 06 – (CESPE) Analista Judiciário – STF - 2013

(Adaptada)

O jurista Paulo Mário Canabarro T. Neto, em artigo que trata da


legitimidade do Poder Judiciário e do exercício independente da
atividade jurisdicional, na perspectiva das manifestações populares e
da opinião pública, sustenta que a legitimidade do Poder Judiciário
não repousa na coincidência das decisões judiciais com a vontade de
maiorias contingentes, mas na aplicação do direito sob critérios de
correção jurídica, conforme as regras do discurso racional. Assim
como a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem entendido
qualificar-se como abusiva e ilegal a utilização do clamor público como
fundamento da prisão preventiva, esse magistrado põe em destaque o
aspecto relevantíssimo de que o processo decisório deve ocorrer em
“ambiente institucional que valorize a racionalidade jurídica.”

Internet: <www.stf.jus.br> (com adaptações).

Acerca das estruturas linguísticas do texto, julgue o item a


seguir.

As duas ocorrências da palavra “que” (sublinhadas no texto) exercem


a mesma função sintática. 62456350391

Comentários

O vocábulo "QUE" é o preferido, em provas de concurso, para a


banca testar se o candidato domina todas as suas diferentes funções
na frase.

O primeiro “QUE” (sublinhado no texto) foi retirado do trecho “em


artigo que trata da legitimidade do Poder Judiciário”. Note que o
termo está retomando o vocábulo “artigo”; é, portanto, um pronome
relativo.

O segundo "QUE" (sublinhado), por outro lado, está iniciando uma


oração subordinada substantiva objetiva direta. Veja:
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O jurista Paulo Paulo Mário Canabarro T. Neto sustenta que a


legitimidade do Poder Judiciário não repousa na
coincidência das decisões judiciais (...).

Se substituirmos a segunda oração pelo pronome “ISSO”, fica mais


fácil perceber que se trata de um objeto direto:

O jurista Paulo Paulo Mário Canabarro T. Neto sustenta isso.


VTD OD

Assim, nesse trecho, o pronome “QUE” é conjunção integrante,


pois está iniciando uma oração subordinada substantiva.

A afirmativa do enunciado está, portanto, ERRADA, pois os dois


termos (“QUE”) retirados do texto exercem funções diferentes (um
de pronome relativo e o outro de conjunção integrante).

Vamos ver uma teoria sobre oração subordinada substantiva?

ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS

As orações substantivas são aquelas que exercem, no período,


alguma função típica de substantivo. E quais são essas funções?

sujeito
objeto direto
objeto indireto
complemento nominal
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aposto
predicativo
agente da passiva

A oração subordinada substantiva será nomeada de acordo com a


função sintática que exerce no período.

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sujeito subjetiva
objeto direto objetiva direta
objeto indireto objetiva indireta
complemento nominal completiva nominal
predicativo predicativa
aposto apositiva
agente da passiva
agente da passiva

Para descobrir qual a função sintática exercida pela oração


subordinada, você pode substituí-la pelo pronome “ISSO”. Assim, ao
descobrir a função sintática do “ISSO”, você estará descobrindo a
função sintática da oração subordinada e, consequentemente, saberá
como nomeá-la.

Observe:

Foi comprovado que o deputado era corrupto.


Foi comprovado isso. 62456350391

Agora vamos passar o período para a ordem direta:

Isso foi comprovado.


SUJEITO

Perceba que “ISSO” exerce função de sujeito na frase; logo, a


oração por ele substituída exerce a mesma.

Assim: “que o deputado era corrupto” é uma oração


subordinada substantiva SUBJETIVA.

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Outra informação que você deve saber sobre as orações subordinadas


substantivas diz respeito a seus conectores.

Sabemos que as conjunções integrantes sempre iniciam orações


subordinadas substantivas e que são apenas duas: “QUE” e “SE”.

Apesar das conjunções integrantes serem as mais frequentes para


iniciar as orações subordinadas substantivas, também podem ser
utilizados pronomes interrogativos (“QUE”, “QUEM”, “QUAL”,
“QUANTO”, “QUANTOS”) ou advérbios interrogativos (“ONDE”,
“COMO”, “QUANDO”, “QUANTO”, “POR QUE”).

Exemplos:

Você não sabe quanto me oneram essas compras.


O. SUBORDINADA SUBSTANTIVA OBJETIVA DIRETA

Ficou esclarecido quem roubou as jóias da loja.


O. SUBORDINADA SUBSTANTIVA SUBJETIVA

Dito isso, vamos conhecer cada espécie de oração subordinada


substantiva.

Substantivas Subjetivas

As orações subordinadas substantivas subjetivas exercem


função sintática de sujeito em relação à oração principal. Esse tipo de
oração é, com frequência, chamada sujeito oracional. Veja:

É preciso que você acorde cedo.


SUBJETIVA
Parece que vai chover hoje à tarde.
SUBJETIVA
Foi comprovado que o deputado era corrupto.
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SUBJETIVA
“Quem muito quer nada tem.”
SUBJETIVA

Cumpre que as novas gerações cuidem da natureza.


SUBJETIVA

Falou-se que a inflação subiria novamente.


SUBJETIVA

Observe que, em todos os exemplos acima, os verbos das orações


principais estão na 3ª pessoa do singular. Isso sempre acontece
quando uma oração subjetiva está subordinada à oração principal.

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Note, ainda, que não há sujeito nos períodos acima, pois o sujeito
da oração principal será a própria oração subordinada
(subjetiva).

OBSERVAÇÃO:

Quando a oração subordinada substantiva for subjetiva, a oração


principal será estruturada das seguintes maneiras:

na voz ativa (com o verbo na 3ª pessoa do singular):

Parece que vai chover hoje à tarde.

na voz passiva analítica (locução verbal formada por verbo


auxiliar + verbo principal no particípio):

Foi comprovado que o deputado era corrupto.

na voz passiva sintética (verbo transitivo direto ou


bitransitivo + partícula apassivadora “SE”):

Falou-se que a inflação subiria novamente.

Atenção!

Tenha muito cuidado com o último caso mencionado! Aprendemos


esse assunto quando estudamos sujeito passivo ou paciente. Ao
substituir a oração pelo pronome “ISSO”, fica mais fácil perceber que
62456350391

se trata de sujeito. Veja:

Falou-se que a inflação subiria novamente.


Falou-se isso.

Observe que a frase está na voz passiva sintética. Vamos convertê-la


para a voz passiva analítica:

Falou-se isso. (voz passiva sintética)


Isso foi falado. (voz passiva analítica)

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Após a conversão, ficou mais fácil perceber que o termo “ISSO” está
funcionando como sujeito das orações acima (tanto na voz passiva
sintética quanto na voz passiva analítica).

Agora, vamos desfazer a substituição da oração subordinada pelo


“ISSO”, para você visualizar que a oração também está funcionando
como sujeito:

Falou-se / que a inflação subiria novamente.


O. PRINCIPAL ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA SUBJETIVA

Esse caso é bastante frequente em questões de concurso, pois os


candidatos costumam confundir a oração subjetiva com a oração
objetiva direta. Por isso, é essencial que você tenha aprendido a
identificar o sujeito passivo.

Substantivas Objetivas Diretas

As orações subordinadas substantivas objetivas diretas


exercem função sintática de objeto direto, ao completar o sentido do
verbo transitivo direto (ou verbo bitransitivo) da oração principal.

Veja:

Ele disse que gostava muito de você.


O. PRINCIPAL OBJETIVA DIRETA

Todos sabemos que há uma torcida contra nosso trabalho.


O. PRINCIPAL OBJETIVA DIRETA

Maria esperava que seu namorado fosse mais carinhoso.


O. PRINCIPAL OBJETIVA DIRETA

Pediram que você chegasse cedo.


O. PRINCIPAL OBJETIVA DIRETA
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Não pense que isso passará em branco.


O. PRINCIPAL OBJETIVA DIRETA

Como aprendemos, basta substituir a oração subordinada pelo


pronome “ISSO” para conferir que se trata mesmo de objeto direto.

Ele disse que gostava muito de você.


Ele disse isso.
O. DIRETO

Sabemos que se trata de objeto direto, porquanto o verbo “dizer” seja


transitivo direto (quem diz, diz algo, sem auxílio da preposição). Se,

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contudo, o verbo da oração principal for transitivo indireto, a oração


subordinada será objetiva indireta, como aprenderemos a seguir.

Substantivas Objetivas Indiretas

As orações subordinadas substantivas objetivas indiretas


exercem função sintática de objeto indireto, ao completar o sentido do
verbo transitivo indireto (ou verbo bitransitivo) da oração principal.

Veja:

Não se esqueça de que somos muito gratos a você.


O. PRINCIPAL OBJETIVA INDIRETA

Eu dependo de que você realize sua parte no acordo.


O. PRINCIPAL OBJETIVA INDIRETA

Os pais não se negaram a que Isabel saísse sozinha.


O. PRINCIPAL OBJETIVA INDIRETA

A população necessita de que haja educação de qualidade.


O. PRINCIPAL OBJETIVA INDIRETA

Sabemos que a oração objetiva indireta, assim como qualquer objeto


indireto, será iniciada por preposição e exigirá a regência do verbo
transitivo indireto (ou bitransitivo).

Substantivas Completivas Nominais

As orações subordinadas substantivas completivas nominais


exercem função sintática de complemento nominal, ao completar o
sentido de algum nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) que se
encontra na oração principal.

Veja: 62456350391

Tiveram medo de que fossem punidos pela greve.


O. PRINCIPAL COMPLETIVA NOMINAL

O aluno estava esparançoso de que seu projeto fosse aprovado.


O. PRINCIPAL COMPLETIVA NOMINAL

O professou deu a orientação de que lessem bem os enunciados.


O. PRINCIPAL COMPLETIVA NOMINAL

A população tem necessidade de que haja educação de qualidade.


O. PRINCIPAL COMPLETIVA NOMINAL

Sabemos que a oração completiva nominal, assim como qualquer


complemento nominal, será sempre preposicionada.

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Substantivas Predicativas

As orações subordinadas substantivas predicativas exercem


função sintática de predicativo. Sempre haverá um verbo de
ligação quando a oração subordinada for predicativa. Em geral, esse
verbo de ligação é o verbo “SER”.

Veja:

O primordial era que a grávida fizesse o pré-natal.


O. PRINCIPAL PREDICATIVA

A verdade é que eles não trabalharam corretamente.


O. PRINCIPAL PREDICATIVA

O correto seria que todos comparecessem à reunião.


O. PRINCIPAL PREDICATIVA

Substantivas Apositivas

As orações subordinadas substantivas apositivas exercem


função sintática de aposto em relação a um substantivo da oração
principal.

A oração subordinada apositiva costuma aparecer depois de dois-


pontos (:). Veja:

Eles tinham o mesmo receio: de que o Brasil não fosse campeão.


O. PRINCIPAL APOSITIVA

Uma preocupação subsistia: que o negócio falisse.


O. PRINCIPAL APOSITIVA

Tire-me uma dúvida: esse assunto é cobrado nos certames?


O. PRINCIPAL APOSITIVA

62456350391

Observe, nos exemplos acima, que as orações apositivas completam


substantivos (ou termos substantivados). No primeiro exemplo,
completa-se o substantivo “receio”; no segundo, completa-se o
substantivo “preocupação”; no terceiro, completa-se o substantivo
“dúvida”.

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Não basta a presença dos dois pontos para


caracterizar a oração subordinada
apositiva. Você deverá, sempre, analisar se
a função sintática dela é de aposto.

Substantivas Agente da Passiva

As orações subordinadas substantivas agentes da passiva


exercem função sintática de agente da passiva. São, portanto,
iniciadas por uma preposição (“de”, “por” e suas variações).

Observe os exemplos abaixo:

Os funcionários foram elogiados por quem dirige a empresa.


O. PRINCIPAL AGENTE DA PASSIVA

Ele foi traído por quem deveria protegê-lo.


O. PRINCIPAL AGENTE DA PASSIVA

Omissão da Conjunção Integrante

Pode acontecer de, no mesmo período, coexistirem duas orações


subordinadas iniciadas pela conjunção integrante “QUE” e
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unidas, uma à outra, pela conjunção coordenativa aditiva “E” ou pela


conjunção coordenativa alternativa “OU”.

Observe:

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que o músico cantasse músicas inéditas.


O público esperava E
que o show fosse mais demorado.
O público esperava que o músico cantasse músicas inéditas e que o show
fosse mais demorado.
------------------------------------------------------------------------------
que o músico cantasse músicas inéditas.
O público esperava OU
que o show fosse mais demorado.
O público esperava que o músico cantasse músicas inéditas ou que o show
fosse mais demorado.

Nesses casos, podemos repetir a conjunção integrante “QUE”,


como foi feito nos dois exemplos acima, ou podemos omiti-la, da
seguinte maneira:

O público esperava que o músico cantasse músicas inéditas e o show fosse


mais demorado.

O público esperava que o músico cantasse músicas inéditas ou o show fosse


mais demorado.

A repetição da conjunção “QUE”, no entanto, garante maior clareza ao


período.

GABARITO: ERRADO
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Questão 07 – (CESPE) Primeiro-Tenente – CBM-CE/2013

(Adaptada)

O envio de duzentos cientistas à Antártida representará o reinício da


pesquisa biológica e meteorológica brasileira no continente, depois do
incêndio que destruiu a base4 que o Brasil operava ali desde 1984. A
Marinha brasileira ainda não construiu a base definitiva que
substituirá a Estação Antártida Comandante Ferraz, e, por isso, os
pesquisadores trabalharão em contêineres provisórios que funcionarão
como laboratórios e dormitórios.

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Português para o DEPEN Agente e Técnico
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Um primeiro navio polar da Marinha zarpará rumo à Antártida com os


contêineres e todo o material científico e logístico necessário para a
manutenção da base provisória durante o próximo verão austral,
quando as temperaturas mais amenas permitem as atividades.

A maioria dos cientistas viajará de avião e permanecerá na base


provisória conforme as exigências de seus estudos, e outros irão em
um segundo navio polar da Marinha.

Nos contêineres, dotados com laboratórios para química, meteorologia


e aquários, poderão alojar-se cerca de oitenta pesquisadores, sem
contar os militares e as pessoas que trabalharão na construção da
nova estação. Os demais cientistas trabalharão nos navios polares.

Apesar de os pesquisadores responsáveis pelos estudos na Antártida


terem mantido suas atividades desde o incêndio de fevereiro de 2012,
que deixou o Brasil sem base no continente branco, os cientistas não
tinham voltado a pisar no gelo. Alguns estudos foram realizados a
partir de navios brasileiros e outros, em universidades com os dados
meteorológicos coletados pelos instrumentos que ainda funcionam na
Antártida.

Internet: <http://noticias.terra.com.br/ciencia/brasil> (com adaptações)

Em relação às ideias e aspectos linguísticos do texto, julgue o


item a seguir.

A oração “que ainda funcionam na Antártida” (sublinhada no texto)


particulariza o sentido do termo “instrumentos” (sublinhado no texto).

Comentários
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Esta questão trata de orações subordinadas adjetivas. Observe


que o comando não usa a denominação “oração subordinada adjetiva
restritiva”. Ele apenas apresenta a expressão “particulariza o sentido”.
Mas, as adjetivas restritivas são aquelas orações que particularizam e
restringem o sentido do termo a que se referem.

Você deve tomar cuidado com esse tipo de enunciado,


bastante comum em provas, principalmente nas da banca
CESPE.

Temos que analisar a seguinte oração adjetiva: “que ainda funcionam


na Antártida”. Essa oração se refere ao termo anteriormente
mencionado “instrumentos”.

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Perceba que o autor do texto realmente particularizou o


sentido do termo “instrumentos”, ou seja, ele quis mostrar que
não se refere a todo e qualquer instrumento. Na verdade, ele se
refere somente aos instrumentos “que ainda funcionam na Antártida”.

Não deixe de observar que a oração adjetiva “que ainda funcionam na


Antártida” está conectada ao substantivo “instrumentos” sem o uso de
vírgula.

Dessa forma, concluímos que a questão está correta.

Sugiro estudarmos mais um pouco as orações adjetiva.


Vamos?

As orações subordinadas adjetivas exercem a função de


adjetivo ou locução adjetiva e se referem a substantivo ou
pronome da oração principal ou anterior. Assim, elas exercem a
função sintática de adjunto adnominal de um substantivo ou pronome
antecedente.

Esse tipo de oração é sempre introduzido por pronomes relativos,


tais como: que, quem, onde, quanto, o qual, cujo, etc.

Os pronomes “que”, “quanto”, “quem” e “onde” só serão relativos se


puderem ser substituídos por “o qual”.

Exemplos:

Paulo ganhou o presente que Marina comprou. (“que” = ”o qual”)


João conhece o edifício onde José trabalha. (“onde” = ”no qual”)
62456350391

As orações subordinadas adjetivas, a depender de seu valor, se


classificam em: orações subordinadas adjetivas restritivas e
orações subordinadas adjetivas explicativas.

CLASSIFICAÇÃO

As orações adjetivas se dividem em restritivas e explicativas.

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Oração subordinada adjetiva restritiva

A oração subordinada adjetiva restritiva restringe e


particulariza o significado do termo a que se refere
(substantivo ou pronome substantivo). Essa oração é responsável
por expressar uma informação que se refere apenas a uma parte do
todo e não ao todo. Outra característica importante é que a oração
restritiva é indispensável à compreensão do termo antecedente, ao
qual se liga sem pausa, ou seja, sem vírgula (ou outro sinal de
pontuação). Dessa forma, se essas orações forem retiradas do trecho
textual, este ficará prejudicado no seu sentido geral.

A oração adjetiva restritiva possui valor de adjetivo e exerce a


função sintática de adjunto adnominal.

Exemplos:

As crianças que brincavam no canto da sala estavam alegres.

Observe que “existem outras crianças na sala”.

Os estudantes que estavam do lado de fora da sala receberão punição.

Observe que “somente os estudantes que estavam do lado de fora (e


não todos) é que receberão punição”.

Oração subordinada adjetiva explicativa

A oração subordinada adjetiva explicativa explica e amplia o


significado do termo a que se refere (substantivo ou pronome
substantivo). Na maior parte das vezes, esse substantivo ou
pronome substantivo designa um ser único, um ser individualizado.
62456350391

Outra característica importante é que a oração explicativa é


dispensável à compreensão do termo antecedente, ao qual se liga
com pausa, ou seja, com vírgula (ou outro sinal de pontuação). Dessa
forma, se essas orações forem retiradas do trecho textual, este não
ficará prejudicado no seu sentido geral.

A oração adjetiva explicativa possui valor semelhante a um


aposto explicativo.

Exemplos:

O pai de Carla, que é um homem trabalhador, estava cansado.

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Observe que “Carla tem apenas um pai”.

O planeta Terra, que é a nossa casa, faz parte do sistema solar.

Observe que “existe somente um planeta chamado Terra”.

Diferença entre a oração subordinada adjetiva restritiva e a


explicativa

A adjetiva restritiva individualiza um termo anteriormente expresso,


indica uma parte do todo, acrescenta uma nova ideia.

Exemplos:

O homem que é honesto vive bem.

Observe que a oração “que é honesto” restringe o sentido do


substantivo “homem”, ou seja, não é todo homem que vive bem, mas
apenas aquele que é honesto.

A adjetiva explicativa repete uma ideia que pertence ao termo


antecedente e indica uma qualidade inerente do ser.

Exemplos:

Deus, que é perfeito, perdoa.

Observe que a oração “que é perfeito” não acrescenta nada de novo


ao substantivo “Deus”, ou seja, Deus, por sua própria natureza, é
perfeito. 62456350391

USO DA VÍRGULA – EXPLICAÇÃO E RESTRIÇÃO

Vimos acima que as orações adjetivas se classificam em restritivas e


explicativas. Mas, tenha cuidado, essa classificação não é feita
apenas pela existência ou não de vírgulas. Temos que,
também, observar o sentido que queremos dar ao substantivo
antecedente.

Desse modo, temos que observar que existem algumas adjetivas


que só podem ser restritivas ou explicativas, não há como
“escolher”.

Exemplos:

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O homem, que é justo, faz o bem ao próximo.

Observe que nem todos os homens são justos. Portanto, não são
todos os homens que fazem o bem ao próximo. Veja que essa ação é
necessariamente restritiva.

O homem, que é um ser humano, deve tentar sempre fazer o bem ao


próximo.

Observe que todos os homens são seres humanos. Dessa maneira,


são todos os homens que devem tentar fazer o bem ao próximo.
Perceba que a informação representada pela oração “que é um ser
humano” se refere a todos os homens sem distinção. Veja que essa
ação é necessariamente explicativa.

No entanto, existem orações adjetivas que podem se comportar


como restritivas ou como explicativas, a depender do sentido que
lhes é dado.

Exemplos:

Os estudantes carentes que não levam merenda para a escola receberão


auxílio. (restritiva)
Os estudantes carentes, que não levam merenda para a escola, receberão
auxílio. (explicativa)

Observe que, no primeiro exemplo, somente os estudantes carentes


que não levam merenda para a escola receberão auxílio. Por sua vez,
o segundo exemplo informa que todos receberão auxílio, pois todos
não levam merenda para a escola.

62456350391

Esse tipo de diferenciação entre as adjetivas restritivas e as


explicativas, com base no sentido que transmitem, é tema
bastante comum em provas de concurso. Assim, uma questão
pode perguntar se houve ou não alteração semântica no texto por
causa da retirada ou colocação de vírgulas nas orações adjetivas. A
banca também pode questionar o sentido que certa oração adjetiva
transmite por possuir ou não vírgulas.

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Preste atenção também na possível ocorrência de elipse do pronome


relativo quando temos orações adjetivas coordenadas. Para entender
observe o exemplo abaixo:

Amanhã encontrarei com minha prima que mora em Minas Gerais e (que) é
minha madrinha.

Note que ocorreu a elipse do pronome relativo “que” antes do verbo


“ser”.

GABARITO: CERTO

Questão 08 – (CESPE) Técnico Judiciário – STF/2013


(Adaptada)

Com base em seus conhecimentos de morfossintaxe, julgue o


item a seguir.

No trecho “é possível que associe a figura do seu pai com a figura do


seu pai como é hoje”, o conectivo “que” inicia oração que
complementa o sentido do adjetivo “possível”.

Comentários

As bancas costumam cobrar o assunto “Sintaxe de Períodos


Compostos” por meio das conjunções que iniciam as orações
(subordinadas ou coordenadas), sobretudo do conectivo "QUE".

O que a questão quer, de fato, é testar se você sabe especificar qual


a função sintática da oração subordinada retirada do período “é
possível que associe a figura do seu pai (...)”.
62456350391

Para respondê-la, vamos analisar o período:

É possível que associe a figura do pai (...).


O. PRINCIPAL ORAÇÃO SUBORDINADA

Logo, percebemos que a segunda oração subordina-se à primeira


oração (denominada oração principal). Mas, qual a função sintática
que uma exerce em relação à outra?

Muito cuidado com esse tipo de oração, pois é fácil confundi-la. Em


uma primeira análise, pode parecer que a oração subordinada está

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completando o sentido do nome (adjetivo) “possível”, mas isso não


está correto!

Vamos substituir a oração subordinada pelo pronome “ISSO”, para


facilitar a descoberta da função sintática:

É possível isso (...).

Agora, vamos colocar a frase na ordem direta (SUJEITO + VERBO +


COMPLEMENTO):

Isso é possível (...).

Observe que o “ISSO” está exercendo função de sujeito da oração, e


não completando o sentido do adjetivo “possível”. Assim, também a
oração estará exercendo função de sujeito, motivo pelo qual será
denominada de oração subordinada substantiva subjetiva:

É possível que associe a figura do pai (...).


O. PRINCIPAL O. SUBORDINADA SUBSTANTIVA SUBJETIVA

A afirmativa do enunciado está, portanto, errada.

GABARITO: ERRADO

Questão 09 – (CESPE) Analista Legislativo – AL-CE/2011


62456350391

Os telejornais, de grande audiência em todas as camadas da


população, nem sempre dedicam espaço à política. Nos jornais
impressos de circulação nacional — considerados os principais
divulgadores da atividade legislativa e dos fatos de natureza política
—, o noticiário, naturalmente, não abrange todas as atividades de
plenário, das comissões e muito menos dos parlamentares
individualmente. O espaço dedicado aos assuntos políticos nos meios
de comunicação é insuficiente para dar ampla cobertura e adequada
divulgação às atividades do Congresso. Jornalistas políticos de
destaque, como o veterano Villas Boas Corrêa, já se manifestaram de
maneira incisiva a respeito: “Acho que a imprensa merece seus
puxões de orelha porque não faz nenhum esforço para cobrir aquilo
que ainda remanesce de importante no Congresso, como, por

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exemplo, o trabalho das comissões...”, disse o jornalista, em


depoimento ao Centro de Pesquisas e Documentação da Fundação
Getúlio Vargas, em 1995.

Sérgio Chacon. Congresso, imprensa e opinião pública:


o caso da CPMI dos Sanguessugas, 2008.
Internet:<www.bd.camara.gov.br> (com adaptações)

Julgue o item seguinte, relativo à sintaxe e aos elementos


estruturais do texto acima.

Considerando-se a sintaxe do período, é correto afirmar que, na


construção sintática do período “Acho que a imprensa merece seus
puxões de orelha porque não faz nenhum esforço para cobrir aquilo
que ainda remanesce de importante no Congresso” (sublinhado no
texto), predomina a subordinação.

Comentários

Para responder a esta questão, vamos analisar o período destacado:

(1)Acho (2)que a imprensa merece seus puxões de orelha


(3)porque não faz nenhum esforço (4)para cobrir aquilo (5)que
ainda remanesce de importante no Congresso.

Há, no trecho acima, cinco orações, destacadas e enumeradas.

A primeira oração funciona como (1) oração principal com relação à


oração seguinte, classificada como (2) oração subordinada
substantiva objetiva direta, uma vez que completa o sentido do
62456350391

verbo transitivo direto “achar”.

A terceira oração, por sua vez, encontra-se subordinada à segunda


oração. Trata-se de uma (3) oração subordinada adverbial
causal. Enquanto as coordenadas explicativas costumam suceder
uma oração imperativa para justificar uma ordem dada, as
subordinadas adverbiais causais indicam a causa que motivou a
oração à qual se subordina.

A quarta oração completa o sentido do nome “esforço” (substantivo) e


é, por isso, uma (4) oração subordinada substantiva completiva
nominal.

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Por fim, temos uma (5) oração subordinada adjetiva restritiva,


uma vez que está particularizando o significado do pronome
substantivo “aquilo”.

Está correta, portanto, a afirmativa do enunciado, pois predomina a


subordinação na composição do período destacado.

Vamos fazer uma revisão bem completa das orações


subordinadas adverbiais?

As orações subordinadas adverbiais são aquelas que exercem


a função de um advérbio, ou seja, um adjunto adverbial.
Portanto, elas indicam variadas circunstâncias em relação a um fato
relatado na oração principal. As conjunções subordinativas adverbiais
as introduzem na grande parte das ocorrências.

De acordo com a circunstância expressa, são classificadas em: causal,


comparativa, consecutiva, concessiva, condicional, conformativa,
final, proporcional, temporal.

Atenção!

Não se assuste com essa classificação e com a quantidade de


conjunções existentes. As bancas, principalmente o CESPE, não
costumam perguntar a denominação das orações e das conjunções.
Você, então, não precisa memorizar os “nomes”. O que você
precisa é compreender o sentido das relações formadas pelos
conectivos, ou seja, entender as funções exercidas pelas
orações.

CLASSIFICAÇÕES 62456350391

Causal

A oração subordinada adverbial causal indica uma circunstância


de causa, ou seja, o motivo para o que foi expresso na oração
principal.

Exemplos:

Paulinha passou no concurso porque estudava bastante.


Visto que estava muito calor, Mariana foi ao clube.
Já que todos desejam, viajaremos para a Europa.
André não conseguiu a aprovação porquanto não estudou o suficiente.

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Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas causais: porque, pois, porquanto, já que, visto que,
pois que, uma vez que, visto como, como (se a oração subordinada
vier antes da oração principal), etc.

Atenção!

Costuma ser difícil e sutil diferenciar uma oração subordinada


adverbial causal de uma oração coordenada explicativa. Para
tanto, podemos usar alguns “truques”, veja a seguir.

a) Toda oração iniciada por “que”, “porque” e “pois” será


coordenada explicativa, caso o verbo da oração principal indique
ordem ou pedido (imperativo ou outro tempo verbal que
substitua o imperativo).

Exemplos:

Não fume, porque é proibido. (explicativa)


Comprarei esta saia, pois é muito bonita. (explicativa)
Oremos, porque nossos amigos precisam de ajuda. (explicativa)
Estude muito, pois é preciso passar no concurso. (explicativa)

b) A oração subordinada adverbial causal é o “motivo”. Então,


pode estar em primeiro lugar no período. Por sua vez, a oração
coordenada explicativa não pode vir antes da oração
coordenada assindética.

Exemplo:

Porque nossos amigos precisam de ajuda, oremos. (causal)


62456350391

c) A oração subordinada causal sempre admite ser reduzida para o


infinitivo (anteposto pela preposição “por”). Mas, isso não
ocorre com a oração coordenada sindética explicativa.

Exemplos:

O chefe aumentou os salários dos funcionários, porque a empresa


está mais lucrativa atualmente. (causal)
O chefe aumentou os salários dos funcionários, por estar a empresa
mais lucrativa atualmente. (causal)

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d) A oração coordenada explicativa faz parte de um período


coordenado (orações independentes). Assim, elas aceitam uma
pausa forte, normalmente marcada por meio de vírgula ou dois-
pontos. Entretanto, isso não acontece nas orações adverbiais
causais.

e) A oração coordenada explicativa faz parte de um período


coordenado (orações independentes). Dessa forma, não há
nenhuma relação de causa e efeito. Temos, apenas, uma
explicação. No entanto, as orações adverbiais causais
representam o “fato gerador”, isto é, há uma relação de causa e
efeito.

Exemplos:

Todo homem morre porque isso faz parte da natureza humana.


(causal)
Todo homem morre, pois nenhum ser humano é imortal. (explicativa)

Comparativa

A oração subordinada adverbial comparativa indica um processo


de comparação entre dois elementos. Assim, um termo faz parte da
oração principal e outro faz parte da oração subordinada. A
comparação pode ser de igualdade, inferioridade ou superioridade.

Exemplos:

O gato é maior do que o rato. (ou) O gato é maior do que o rato é.


Paula é tão bonita quanto a mãe. (ou) Paula é tão bonita quanto a mãe é.
Ana é menos inteligente do que Maria. (ou) Ana é menos inteligente do
62456350391

que Maria é.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas comparativas: como, assim como, quanto, que,
bem como, do que, tal como, qual, mais que, mais do que, menos do
que, menos que, que nem, etc.

OBSERVAÇÃO 1:

Tome cuidado se a conjunção comparativa “como” se referir a um


termo que é antecedido por uma preposição. Nesse caso, o “como”
deve estar acompanhado da mesma preposição.

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Exemplo:

Eu gosto de Ana como (gosto) de Maria.

Observe que o verbo da segunda oração se encontra em sua forma


elíptica.

OBSERVAÇÃO 2:

Tome cuidado com a ambiguidade que pode ser causada em uma


comparação. Para evitar, devemos usar uma preposição no segundo
elemento, apesar de este ser objeto direto em muitos casos.

Exemplo:

As pessoas dizem que André beneficia mais sua filha caçula que à sua filha
mais velha.

Observe que ambos os termos sublinhados funcionam como “objeto


direto”.

Consecutiva

A oração subordinada adverbial consecutiva indica uma


consequência do pensamento (fato) contido na oração principal.

Exemplos:

Ana chorou tanto que ficou com o rosto inchado.


Ela não consegue ver novela romântica, sem que chore.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas consecutivas: que, sem que (igual a “que não”), de
modo que, de forma que, de sorte que, de maneira que, etc.
62456350391

OBSERVAÇÃO 1:

Podemos sempre intercalar, nas orações consecutivas, a expressão


“em consequência” após a conjunção “que”.

Exemplo:

Ana chorou tanto que, em consequência, ficou com o rosto inchado.

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OBSERVAÇÃO 2:

Geralmente, o “que” vem precedido das palavras “tanto”, “tamanho”,


“tão”, “tal”. Mas, em muitas construções, podemos omitir essas
palavras.

Exemplo:

Ana chorou que Maria ficou com pena.

Atenção!

É preciso cuidado na diferenciação de uma oração subordinada


adverbial consecutiva de uma oração comparativa. Para tanto,
podemos usar o critério a seguir.

Na oração adverbial consecutiva, o verbo expresso é diferente do


verbo da oração anterior. Dessa forma, o verbo indica a consequência
do fato anterior.

Na oração adverbial comparativa, o verbo não é expresso, pois é o


mesmo verbo da oração anterior. Dessa maneira, o verbo indica a
comparação do elemento expresso na oração principal.

Exemplos:

Dormiu tanto que nem conseguiu ir ao trabalho. (consecutiva)


Dormiu tanto que nem uma mula (dormiu). (comparativa)

62456350391

Atenção!

É preciso cuidado na diferenciação de uma oração subordinada


adverbial consecutiva de uma oração adjetiva restritiva. Para
tanto, podemos usar os critérios a seguir.

Adjetiva restritiva: restringe o sentido do termo a que se refere; é


introduzida por pronome relativo; semelhante a um adjetivo; exerce a
função sintática de um adjunto adnominal.

Adverbial consecutiva: expressa consequência; é introduzida por


conjunção subordinativa; semelhante a um advérbio.

Exemplos:

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Os manifestantes faziam uma gritaria que era insuportável. (adjetiva


restritiva – “a qual era insuportável”)
Os manifestantes faziam tanta gritaria que era insuportável. (adverbial
consecutiva – “que, em consequência, era insuportável”)

Observe que a oração adjetiva restritiva restringe o substantivo


“gritaria” e a oração adverbial consecutiva expressa uma
consequência pelo fato de os manifestantes terem feito tanta gritaria.

Concessiva

A oração subordinada adverbial concessiva indica um possível


obstáculo que poderia impedir a realização do fato que a oração
principal apresenta, mas que não foi suficiente para obstá-lo.
Expressa, portanto, uma concessão. Observe a presença de verbo no
modo subjuntivo nessas orações.

Exemplos:

Ana foi à festa embora estivesse cansada.


Passou no concurso sem que estudasse muito.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas concessivas: embora, apesar de que, posto que,
sem que (igual a “embora não”), ainda que, mesmo que, por mais
que, se bem que, ainda quando, conquanto, não obstante, por muito
que, etc.

62456350391

A conjunção “conquanto” é totalmente diferente da conjunção


“porquanto”. Esta inicia orações causais ou explicativas e aquela
introduz orações concessivas. As bancas costumam cobrar essa
diferença, tenha cuidado.

“Posto que” é totalmente diferente de “já que, visto que”. “Posto que”
equivale a “embora”, “apesar de que”. Por sua vez, “já que, visto que”
introduzem orações com sentido de causa. As bancas também
costumam cobrar essa diferença, tenha cuidado.

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Condicional

A oração subordinada adverbial condicional indica uma condição


para a realização (ou não) do fato contido na oração principal.

Exemplos:

Se fizer sol amanhã, Ana irá ao parque.


Ana passará no concurso, desde que estude muito.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas condicionais: se, salvo se, exceto se, a menos que,
sem que (igual a “se não”), a não ser que, caso, desde que, contanto
que, salvo se, etc.

Conformativa

A oração subordinada adverbial conformativa indica a


conformidade (concordância, correspondência) de um fato em relação
a outro expresso na oração principal.

Exemplos:

Maria fez o trabalho, como foi estabelecido.


Realizaram a exposição conforme o combinado com o artista responsável.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas conformativas: como, conforme, segundo,
consoante, de modo que, de forma que, etc.

Final

A oração subordinada adverbial final indica a finalidade (objetivo)


62456350391

do que foi declarado na oração principal.

Exemplos:

Ana comprou muitas apostilas a fim de que sua irmã passasse no concurso
desejado.
Marina comprou uma roupa nova para que pudesse estar bonita no seu
aniversário.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas finais: que (com verbo no subjuntivo), para que,
porque (igual a “para que”), a fim de que, etc.

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Proporcional

A oração subordinada adverbial proporcional indica uma


proporcionalidade (concomitância, simultaneidade) com o fato
apresentado na oração principal.

Exemplos:

À medida que Maria caminhava, Ana falava de sua vida.


Quanto mais choramos mais tristes ficamos.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas proporcionais: à medida que, à proporção que, ao
passo que, quanto menos... menos, quanto mais... mais, etc.

Temporal

A oração subordinada adverbial temporal expressa o tempo da


realização do fato apresentado na oração principal.

Exemplos:

Quando saímos do parque, não mais o vimos.


Mal chegou o inverno, ela comprou três casacos.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas temporais: quando, enquanto, apenas, mal (igual a
“logo que”, “assim que”), logo que, assim que, sempre que, até que,
depois que, sem que (igual a “antes que”), desde que, antes que, etc.

62456350391

Tenha muito cuidado para não confundir “à medida que” com


“na medida em que”. Esta apresenta uma causa e aquela uma
proporcionalidade. Não se esqueça de que “à medida em que” e “na
medida que” não existem!

Exemplos:

À medida que Pedro reclamava do sabor da comida, Marina comia seu


almoço. (proporcionalidade)
Na medida em que estava muito calor, Pedro foi à praia. (causa)

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GABARITO: CERTO

Questão 10 – (CESPE) Professor Língua Portuguesa – SEDUC-


AM/2011
(Adaptada)
(Texto para as questões 10 e 11)

Período 1 - À medida que os meses passavam, foi tomando horror à


expressão “funcionário público aposentado”, que lhe cheirava a
atestado de óbito.

Período 2 - Não conhecia futebol nem equitação, não sabia jogar


baralho, não guardava nomes de artistas de cinema, ignorava os
escândalos da sociedade.

Período 3 - Parecia-lhe que zombavam dele.

Aníbal Machado. Viagem aos seios de Duília. In: Os cem melhores contos
brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, p. 111 (com adaptações).

Com referência à sintaxe dos períodos acima enumerados,


julgue o item que se segue.

No período 3, o período é constituído de duas orações, exercendo a


segunda oração — “que zombavam dele” — a função sintática de
sujeito da primeira.

Comentários

A questão pede que se avalie a função sintática da segunda oração no


62456350391

período abaixo:

Parecia-lhe que zombavam dele.

Para facilitar a análise, aconselho você a substituir a oração pelo


pronome “ISSO”. Veja:

Parecia-lhe isso.
Isso lhe parecia.

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Agora, fica mais fácil perceber que a oração exerce função sintática de
sujeito. Trata-se da oração subordinada substantiva subjetiva,
também denominada sujeito oracional.

Está correta, portanto, a afirmativa do enunciado.

GABARITO: CERTO

Questão 11 – (CESPE) Professor Língua Portuguesa – SEDUC-


AM/2011
(Adaptada)

Com referência à sintaxe dos períodos acima enumerados,


julgue o item que se segue.

No período 1, as orações “À medida que os meses passavam” e “que


lhe cheirava a atestado de óbito” são orações subordinadas que
exercem, respectivamente, função adverbial e adjetiva.

Comentários

Vamos analisar o período proposto?

Período 1 - À medida que os meses passavam, foi tomando horror à


expressão “funcionário público aposentado”, que lhe cheirava a
atestado de óbito.

A oração principal é: “foi tomando horror à expressão “funcionário


público aposentado”.

Observe que a oração “À medida que os meses passavam” é uma


62456350391

oração subordinada adverbial proporcional.

A oração subordinada adverbial proporcional indica uma


proporcionalidade (concomitância, simultaneidade) com o fato
apresentado na oração principal.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas proporcionais: à medida que, à proporção que, ao
passo que, quanto menos... menos, quanto mais... mais, etc.

Observe que a oração “que lhe cheirava a atestado de óbito” é uma


oração subordinada adjetiva explicativa.

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A oração subordinada adjetiva explicativa explica e amplia o


significado do termo a que se refere (substantivo ou pronome
substantivo). Na maior parte das vezes, esse substantivo ou
pronome substantivo designa um ser único, um ser individualizado.
Outra característica importante é que a oração explicativa é
dispensável à compreensão do termo antecedente, ao qual se liga
com pausa, ou seja, com vírgula (ou outro sinal de pontuação). Dessa
forma, se essas orações forem retiradas do trecho textual, este não
ficará prejudicado no seu sentido geral.

Dessa maneira, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 12 – (CESPE) Oficial de Controle Externo – TCE-


RS/2013
(Adaptada)

A impunidade de políticos não decorre de foro privilegiado, mas de


justiça ineficiente. Abolir o referido mecanismo produzirá efeitos
desfavoráveis. É compreensível a confusão. A designação mais
conhecida, “foro privilegiado”, sem dúvida, sugere a existência de
condenável regalia. Não é estranho, portanto, que o Congresso tenha
incluído em sua agenda positiva um esforço para eliminar essa
prerrogativa constitucional. Os parlamentares estariam, com isso,
oferecendo o seu quinhão para o combate à impunidade que
tradicionalmente beneficia políticos de todos os matizes.

Entretanto, há dois equívocos nesse raciocínio. O primeiro é imaginar


que o foro especial — assegurado a autoridades como o presidente da
República, governadores, prefeitos, congressistas e ministros de
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Estado — seja responsável pela ausência de punições na esfera


jurídica. As numerosas instâncias da justiça comum favorecem a
interposição de recursos, o que atrasa a caminhada processual e
contribui para a impunidade. O segundo equívoco do raciocínio é
imaginar que a prerrogativa de foro constitua, de fato, um privilégio.
De um lado, porque não há benefício na supressão de um ou de todos
os graus de jurisdição. De outro, porque o mecanismo busca
assegurar um julgamento imparcial — em proveito não só do réu, mas
também da sociedade.

Em tese, tribunais superiores estão mais protegidos contra as


pressões que governantes e legisladores podem tentar exercer em

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favor da absolvição, assim como são menos suscetíveis à litigância


meramente persecutória.

Folha de S.Paulo, 11/7/2013 (com adaptações)

Em relação ao texto acima, julgue o item que se segue.

O trecho “que tradicionalmente beneficia políticos de todos os


matizes” (sublinhado no texto) é empregado, no texto, com sentido
restritivo.

Comentários

Esta questão trata de orações subordinadas adjetivas. Observe


que o comando não usa a denominação “oração subordinada adjetiva
restritiva”. Em vez disso, ele usa o seguinte: “emprego de trecho com
sentido restritivo”. Entretanto, nós sabemos que as adjetivas
restritivas são aquelas orações que particularizam e restringem o
sentido do termo a que se referem.

Você deve ter cuidado com esse tipo de enunciado, bastante


comum em provas, principalmente as da banca CESPE. Outra
expressão bastante usada por essa banca é: “o trecho (ou a
oração) tem natureza sintática restritiva.”

Temos que analisar a seguinte oração adjetiva: “que tradicionalmente


beneficia políticos de todos os matizes”. Essa oração se refere ao
termo anteriormente mencionado “impunidade”.

Perceba que o autor do texto realmente restringiu o sentido do


termo “impunidade”, ou seja, ele quis mostrar que não se
referiu a toda e qualquer impunidade. Na verdade, ele se referiu
62456350391

somente à impunidade “que tradicionalmente beneficia políticos de


todos os matizes”.

Não deixe de observar que a oração adjetiva “que tradicionalmente


beneficia políticos de todos os matizes” está conectada ao substantivo
“impunidade” sem o uso de vírgula.

Dessa forma, concluímos que a questão está correta.

Gabarito: CERTO

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Questão 13 – (CESPE) Agente de Polícia – PC-DF/2013

Pavio do destino
Sérgio Sampaio

O bandido e o mocinho
São os dois do mesmo ninho
Correm nos estreitos trilhos
Lá no morro dos aflitos
Na Favela do Esqueleto
São filhos do primo pobre
A parcela do silêncio
Que encobre todos os gritos
E vão caminhando juntos
O mocinho e o bandido
De revólver de brinquedo
Porque ainda são meninos

Quem viu o pavio aceso do destino?

Com um pouco mais de idade


E já não são como antes
Depois que uma autoridade
Inventou-lhes um flagrante
Quanto mais escapa o tempo
Dos falsos educandários
Mais a dor é o documento
Que os agride e os separa
Não são mais dois inocentes
Não se falam cara a cara
Quem pode escapar ileso
Do medo e do desatino
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Quem viu o pavio aceso do destino?

O tempo é pai de tudo


E surpresa não tem dia
Pode ser que haja no mundo
Outra maior ironia
O bandido veste a farda
Da suprema segurança
O mocinho agora amarga
Um bando, uma quadrilha
São os dois da mesma safra
Os dois são da mesma ilha
Dois meninos pelo avesso
Dois perdidos Valentinos

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Quem viu o pavio aceso do destino?

Acerca de aspectos linguísticos do texto, julgue o item a


seguir.
Nos versos sublinhados, os termos “Do medo”, “do desatino” e “do
destino” exercem a mesma função sintática.

Comentários

Nas questões sobre análise sintática, é preciso ter bastante


atenção para verificar corretamente as ligações entre os
termos e, assim, descobrir qual a função deles.

Observe que “do medo” e “do desatino” estão ligados ao verbo


“escapar” e o completam. Note, ainda, que eles estão ligados ao
verbo por meio de preposição. São, portanto, objeto indireto.

Por sua vez, “do destino” está ligado ao nome “pavio”, então tem
função diferente dos outros dois termos, pois é um adjunto
adnominal.

Dessa maneira, vemos que o item está errado.

Vamos dar uma olhada nisso?

Alguns verbos e nomes da oração não conseguem, por si mesmos,


expressar uma significação completa, de modo que necessitam de
outros termos, denominados termos integrantes. Os termos
integrantes, portanto, são aqueles que completam (integram) o
sentido de outros termos e são fundamentais para o perfeito
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entendimento da frase.
São os seguintes:
- Complementos Verbais: Objeto Direto e Objeto Indireto;
- Complemento Nominal;
- Agente da Passiva.

O Objeto Indireto é o termo que completa o sentido do verbo


transitivo indireto (ou do verbo transitivo bitransitivo) com auxílio
obrigatório de uma preposição.

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É possível substituir o objeto indireto pelos pronomes pessoais


oblíquos “LHE(s), A ELE(s), A ELA(s), DELE(s), DELA(s),
NELE(s), NELA(s)”.

Agora, vamos estudar a diferença entre adjunto adnominal e


complemento nominal.

É necessário que você tenha bastante atenção para não


confundir o adjunto adnominal (termo acessório) com o
complemento nominal (termo integrante).
Essa confusão geralmente ocorre quando o adjunto adnominal é uma
locução adjetiva preposicionada (principalmente a preposição “de”).
Exemplos:
O pedido do preso não foi atendido. (adjunto adnominal)
O pedido de liberdade não foi atendido (complemento nominal)

Para facilitar a correta identificação, podemos seguir algumas normas:


Complemento nominal:
a) Subordina-se a uma palavra de sentido incompleto, que
pode ser substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio.
Exemplos:
Em referência à reunião, discutiremos amanhã.
Referente à reunião, discutiremos amanhã.
Referentemente à reunião, discutiremos amanhã.
b) Sempre indica o ser passivo (que sofre a ação).
Exemplo: O pedido de liberdade não foi atendido.
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Observe que “liberdade” não está pedindo nada. Ela é que está
sendo pedida por alguém. É, portanto, o ser recebedor da ação.
c) Não indica posse.
Exemplo: O pedido de liberdade não foi atendido.
Observe que “liberdade” não possui o pedido.
d) Indica cargo.
Exemplos:
O presidente dos EUA foi preso.
O professor de matemática foi preso.

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Adjunto adnominal:
a) Refere-se a uma palavra de sentido completo, que pode ser
substantivo (geralmente concreto) ou pronome substantivo.
Exemplo: A plantação do fazendeiro está crescendo.
Observe que “plantação” é um substantivo de sentido completo.
b) Sempre indica o ser ativo (agente da ação).
Exemplo: O pedido do preso não foi atendido.
Observe que “o preso” está pedindo alguma coisa. É, portanto,
o ser agente da ação.
c) Indica posse.
Exemplo: O pedido do preso não foi atendido.
Observe que “o preso” possui o pedido.

Também observe o seguinte:


a) Se o termo anterior for substantivo concreto, haverá
adjunto adnominal. O problema está com o substantivo
abstrato, pois o complemento nominal não se vincula a
substantivo concreto.
Exemplos:
Casa de pedra.
Homem de coragem.

b) Complemento nominal sempre tem preposição. O adjunto


adnominal, caso venha precedido de preposição, esta só
poderá ser: “de”, “com” ou “sem”.

c) Se o termo anterior for advérbio ou adjetivo, haverá


complemento nominal. 62456350391

Exemplos:
Maria mora longe de você.
Márcio é fiel a ela.

O grande problema, que dá origem a muitas dúvidas é, na maioria


das vezes, ocasionado pela ocorrência de substantivos abstratos
originários de verbos transitivo direto ou transitivo direto e indireto.
Essas questões podem ser resolvidas ao utilizarmos o critério da
base verbal.
Para tanto, temos que verificar com o que se relaciona o nome que
está antes do termo preposicionado. Se ele se relaciona com o próprio
termo preposicionado, este será adjunto adnominal. Se ele não se

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relaciona com o termo preposicionado, este será complemento


nominal.
Vamos esclarecer por meio de um exemplo. Observe:
O pedido do preso foi atendido. (posse - adjunto adnominal)
De quem é o pedido? Quem fez o pedido?
A resposta é o termo preposicionado “do preso”. O termo “pedido”
(nome) relaciona-se com o termo preposicionado e exprime posse.

O pedido de liberdade foi atendido. (paciente – complemento


nominal)
De quem é o pedido? De alguém que não sabemos.
A resposta não veio do termo preposicionado, assim o termo “pedido”
não se relaciona com o termo preposicionado. O termo preposicionado
não indica posse.

Note que os dois termos (adjunto adnominal e complemento nominal)


podem vir juntos, na mesma sentença:
O pedido de liberdade do preso foi atendido.

Por último, ainda podemos usar o seguinte critério quando o


substantivo for abstrato (cognato de verbo) e nos causar
dúvidas:
Se, ao substituirmos o substantivo por seu verbo cognato, der
complemento verbal (objeto direto, objeto indireto ou adjunto
adverbial), o termo preposicionado será complemento nominal.
Se, ao substituirmos o substantivo por seu verbo cognato, der sujeito,
o termo preposicionado será adjunto adnominal.
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Exemplo 1: A crítica do governo aos juros não parece intimidar o


mercado.
Assim, vamos fazer as substituições:
O governo critica os juros. (“o governo” é sujeito. Então, “do governo”
é adjunto adnominal)
O governo critica os juros. (“os juros” é objeto direto. Então, “aos
juros” é complemento nominal)

Exemplo 2: O retorno das mulheres ao estado de origem era quase


certo.
Assim, vamos fazer as substituições:

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As mulheres retornaram ao estado. (“as mulheres” é sujeito. Então,


“das mulheres” é adjunto adnominal)
As mulheres retornaram ao estado. (“ao estado” é adjunto adverbial.
Então, “ao estado” é complemento nominal)
Observe que “estado” é substantivo concreto. Assim, “de origem” só
pode ser adjunto adnominal.

Exemplo 3: A obediência aos princípios familiares é regra rígida.


Assim, vamos fazer a substituição:
Obedecer aos princípios. (“aos princípios” é objeto indireto. Então,
“aos princípios” é complemento nominal)

GABARITO: ERRADO

Questão 14 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos


Deputados/2014

À primeira vista, o Plano Piloto de Brasília parece uma repetição de


construções. As quadras, distribuídas simetricamente pelas asas, têm
prédios com plantas semelhantes, que se repetem a cada
quadradinho, muitas vezes até localizados de forma análoga. Dentro
dos apartamentos, entretanto, esconde-se o estilo de cada morador,
que se revela não apenas em detalhes decorativos, mas em
modificações nas plantas e na função dos cômodos. Para desvendar
como os brasilienses ocupam e reinventam seus lares, a pesquisadora
Franciney França decidiu analisar 168 plantas de apartamentos em
sua tese de doutorado. “Quem olha para o Plano Piloto, que
impressão tem? Que as quadras são iguais e que sempre têm o
mesmo padrão arquitetônico. E aí pensa que as pessoas moram do
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mesmo jeito. Mostrei que não é bem assim”, conta. A pesquisadora


dividiu as “indisciplinas arquitetônicas” praticadas pelos brasilienses
entre leves e pesadas. As leves são as que mudam a destinação dos
espaços. É aquele quartinho de empregada que acaba virando um
escritório, ou um quarto que vira sala de televisão. Já as indisciplinas
pesadas são as que implicam mudanças geométricas e
configuracionais das plantas. São aquelas reformas que resultam em
quebra de paredes, ou que transformam três quartos pequenos em
dois maiores, ou as que agregam a cozinha à sala.

Juliana Braga. A casa de cada um. In: Revista Darcy, ago.-set./ 2011 (com
adaptações).

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No que se refere aos aspectos linguísticos do texto acima,


julgue o item a seguir.

O referente do sujeito da forma verbal ‘pensa’ (sublinhada no texto) é


‘Quem olha para o Plano Piloto’ (sublinhado no texto).

Comentários

Para resolver esta questão, vamos analisar o seguinte trecho:

“Quem olha para o Plano Piloto, que impressão tem? Que as quadras
são iguais e que sempre têm o mesmo padrão arquitetônico. E aí
pensa que as pessoas moram do mesmo jeito. Mostrei que não é bem
assim”, conta.

Temos aqui uma questão sobre sujeito, não é verdade?

Os termos essenciais da oração são os elementos básicos de


significação de uma oração. Podemos dizer que são dois os termos
essenciais da oração: sujeito e predicado.
Mas, cabe observar que há orações sem sujeito e, portanto, o
predicado contém certa primazia sobre o sujeito.
O sujeito é o ser sobre o qual se faz uma declaração, ou seja, a
respeito do qual se diz alguma coisa. Assim, o sujeito é o termo da
oração que retrata o ser a respeito do qual afirmamos ou negamos
algo. O predicado é tudo aquilo que se diz do sujeito. O predicado é
o responsável por dar a informação completa a respeito do sujeito.
Atencão! A correta identificação do sujeito é peça-chave na análise
sintática. Por isso, tenha bastante atenção a fim de identificá-lo
corretamente.

Observe que o sujeito de “pensa” é o mesmo sujeito de “tem”, pois as


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duas ações se referem a “Quem olha para o plano piloto”. Podemos


classificar esse sujeito como lógico ou contextual, que é aquele que é
retirado da lógica ou do contexto de uma sentença ou um texto. Esse
tipo de sujeito é um sujeito oculto, mas que necessita de uma análise
do contexto para que seja corretamente identificado. Veja um
exemplo:

No atual mundo em que vivemos, dentistas, médicos e fisioterapeutas


precisam entender mais sobre finanças e negócios. Caso isso não
aconteça, terão problemas na gerência de seus consultórios.

Perceba que o sujeito (oculto) do verbo “ter” é o termo composto,


extraído do contexto: “dentistas, médicos e fisioterapeutas”.

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Dessa forma, afirmamos que o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 15 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2014

A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura


feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos
grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em
atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto,
parece mesmo que a crônica é um gênero menor. “Graças a Deus”,
seria o caso de dizer, porque, sendo assim, ela fica mais perto de nós.
E para muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela
serve de perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da
composição solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma
assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo dia. Principalmente
porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de
ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta
humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar
com a outra mão certa profundidade de significado e certo
acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma
inesperada, embora discreta, candidata à perfeição.

Antonio Candido. A vida ao rés do chão. In: Recortes. São Paulo: Companhia das
Letras, 1993, p. 23 (com adaptações).

Em relação ao texto, julgue (C ou E) o item subsequente.

As formas verbais (sublinhadas no texto) “imagina”, “atribuir” e


“servir” foram utilizadas como verbos transitivos indiretos.
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Comentários

Vamos analisar os verbos?

Imaginar – é um verbo transitivo direto, pois precisa de um


complemento para ter significância completa.

Atribuir - é um verbo transitivo direto e indireto, pois possui dois


complementos, um com preposição e outro sem.

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Servir – faz parte da locução verbal “pode servir” e é um verbo


intransitivo, pois não precisa de complemento para ter significância
completa.

Assim, a questão está errada.

Vamos ver mais sobre esse assunto?

A transitividade ou predicação verbal é o modo como o verbo


forma o predicado, isto é, se o verbo exige ou não
complementos. A classificação de um verbo só pode ser definida na
sentença em que ele está colocado, bem como acontece com as
outras classes de palavras, não é mesmo? Um mesmo verbo, a
depender do sentido em que for empregado, pode necessitar ou não
de complemento (preposicionado ou não).
Dessa forma, os verbos podem ser classificados em intransitivos,
transitivos e de ligação.
Verbos intransitivos
O verbo intransitivo, por si só, apresenta sentido completo e,
assim, não exige complemento. Dessa maneira, o verbo pode
constituir sozinho o predicado. Entretanto, pode vir acompanhado de
termos acessórios (adjunto adverbial) ou integrantes (predicativo), os
quais são usados apenas para especificar as circunstâncias da ação ou
estado.
Exemplos:
O famoso poeta morreu ontem.
A criança chorou.
Marina trabalha em silêncio.

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O verbo intransitivo, geralmente, indica movimento, fenômeno ou


situação.
Exemplos:
Resido na rua Serranos. (situação)
Choveu ontem. (fenômeno)
Marina anda depressa. (movimento)

Atenção!
O verbo intransitivo, eventualmente, pode aparecer
complementado por objeto direto. Isso ocorre em construções nas

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quais o objeto (objeto direto interno) pertence à mesma família


vocabular do verbo.
Exemplos:
José viveu uma vida tranquila. (objeto direto interno = ”uma vida
tranquila”)
Paulo cantou uma canção linda. (objeto direto interno = ”uma canção
linda”)
O verbo intransitivo não necessita especificamente de
complemento verbal, entretanto a presença de adjunto
adverbial é essencial em alguns casos, por causa do sentido.
Dessa forma, podemos notar que o verbo “ir” (de movimento) e o
verbo “morar” (de situação), sem a presença de adjunto adverbial,
apresentam uma situação vaga e indeterminada.
Exemplos:
Paula foi ao cinema.
Moro em Brasília.

Verbos transitivos
O verbo transitivo não apresenta sentido completo e, assim,
exige complemento (objeto) que integre o sentido do
predicado. Dessa maneira, o verbo não consegue constituir sozinho o
predicado. O verbo transitivo se divide em transitivo direto, transitivo
indireto e transitivo direto e indireto (ou bitransitivo).
Verbos transitivos diretos
O verbo transitivo direto necessita de um complemento sem
preposição obrigatória (objeto direto).
Exemplos:
Marina comprou um apartamento. (objeto direto = ”um
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apartamento” – predicado verbal = ”comprou um apartamento”)


A criança beberá desta água. (objeto direto preposicionado = ”desta
água” – predicado verbal = ”beberá desta água”). Observe que a
preposição “de” não é obrigatória - A criança beberá esta água.

Normalmente, o verbo transitivo direto indica ação. Sua principal


característica é admitir a voz passiva.
Exemplos:
Marina comprou um apartamento. (voz ativa – objeto direto = ”um
apartamento”)

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Um apartamento foi comprado por Marina. (voz passiva – sujeito


passivo = ”Um apartamento” – agente da passiva = ”por Marina”)
Verbos transitivos indiretos
O verbo transitivo indireto necessita de um complemento com
preposição obrigatória (objeto indireto).
Exemplos:
Marina necessita de um emprego. (objeto indireto = ”de um
emprego” – predicado verbal = ”necessita de um emprego”)
A criança obedecerá às minhas ordens. (objeto indireto = ”às minhas
ordens” – predicado verbal = ”obedecerá às minhas ordens”).
Observe que o verbo transitivo indireto também expressa ação.
Atenção! O verbo transitivo indireto não admite a voz passiva.
Verbos transitivos diretos e indiretos
O verbo transitivo direto e indireto, para ter sentido completo,
necessita de dois complementos, um sem preposição e outro
preposicionado obrigatoriamente (objeto direto e indireto).
Exemplos:
Os alemães ofereceram cerveja aos turistas. (objeto direto =
”cerveja” – objeto indireto = ”aos turistas” – predicado verbal =
”ofereceram cerveja aos turistas”)
O paciente apresentou ao médico os documentos pessoais. (objeto
indireto = ”ao médico” – objeto direto = ”os documentos pessoais” –
predicado verbal = ”apresentou ao médico os documentos pessoais”).

A maioria dos verbos transitivos diretos e indiretos são sinônimos ou


antônimos dos verbos “dar” e “avisar”, tais como: oferecer,
apresentar, entregar, doar, ceder, pedir, legar, receber, tomar,
informar, participar, cientificar, propor, comunicar, etc.
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É importante observar que o verbo “avisar” e seus correlacionados


apresentam duas estruturas corretas, veja a seguir.
Exemplo:
João avisou Ana sobre a festa. (objeto direto = ”Ana” – objeto indireto
= ”sobre a festa” – predicado verbal = ”avisou Ana sobre a festa”)
João avisou à Ana a festa. (objeto direto = ”a festa” – objeto indireto
= ”à Ana” – predicado verbal = ”avisou à Ana a festa”)

O verbo transitivo direto e indireto aceita voz passiva:


Exemplos:

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Cerveja foi oferecida aos turistas pelos alemães. (sujeito = ” cerveja”


– objeto indireto = ”aos turistas” – agente da passiva = ”pelos
alemães”)
Os documentos pessoais foram apresentados ao médico pelo
paciente. (objeto indireto = ”ao médico” – sujeito = ”os documentos
pessoais” – agente da passiva = ”pelo paciente”).
Verbos de ligação
O verbo de ligação não possui conteúdo próprio e serve apenas
como elemento de ligação entre o sujeito e um atributo do
sujeito (predicativo).
Exemplo:
Marina era infeliz. (predicativo do sujeito = ”infeliz” – sujeito =
”Marina” – predicado nominal = ”era infeliz”)
OBSERVAÇÃO 1:
A transitividade de um verbo pode ser comprovada do seguinte modo:
Transitivo direto – Ana recebeu uma carta.
Faça assim: quem recebe, recebe alguma coisa. Então, o verbo
“receber” não necessita de objeto com preposição (objeto direto).
Assim, concluímos que “receber” é um verbo transitivo direto.
Transitivo indireto – Ana gosta de chocolate.
Faça assim: quem gosta, gosta de alguma coisa. Então, o verbo
“gostar” necessita de objeto com preposição (objeto indireto). Assim,
concluímos que “gostar” é um verbo transitivo indireto.
OBSERVAÇÃO 2:
Existem verbos transitivos diretos que necessitam de um qualificador
para o objeto direto que os complementa. Assim, esses verbos
exigem um predicativo para o seu objeto (predicativo do objeto). São
denominados verbos transobjetivos.62456350391

Exemplo: Marina considerou João inocente.


Observe que “considerar” é um verbo transobjetivo, pois ele é um
verbo transitivo direto que necessita de um objeto direto que venha
acompanhado de um predicativo (“inocente”).
OBSERVAÇÃO 3:
É muito importante que você não se esqueça de que a predicação
verbal depende do contexto em que o verbo está inserido. Para
classificar um verbo como intransitivo, transitivo ou de ligação,
precisamos verificar a função que ele exerce na oração. Assim, um
mesmo verbo pode ser intransitivo em uma oração, transitivo direto
em outra, etc.

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Exemplo:
Marina anda rápido. (verbo intransitivo – ação de “andar”)
Marina anda preocupada com a saúde do marido. (verbo de ligação –
estado de preocupação)

GABARITO: ERRADO

Questão 16 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos


Deputados/2014

Ao vender Sochi como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014,


o presidente russo Vladimir Putin prometeu uma experiência única:
turistas e atletas poderiam esquiar nas montanhas, onde é muito frio,
e mergulhar em piscinas abertas de hotéis, onde o clima é mais
ameno, no mesmo dia. Sochi é famosa como estância de veraneio de
milionários russos. Pelo fato de o clima na região ser subtropical, a
temperatura prevista para a Olimpíada já estava no limite do aceitável
para a prática de esportes na neve: no inverno, é esperada a média
de 6 oC na altura do mar Negro, que banha o litoral. O que atletas e
turistas encontraram ao chegar a Sochi, porém, foi um cenário muito
mais inusitado. O calor na altura do mar atinge 20 oC e, nas
montanhas, 15 oC. O calor intenso derreteu a neve nas pistas, forçou
o cancelamento de treinos e prejudicou competições. Por trás dessa
surpresa, um velho conhecido: o aquecimento global, fenômeno
responsável por mudanças climáticas intensas que têm afetado o
planeta no último século e que pôde ser notado em anomalias
frequentes nessa última temporada de inverno no Hemisfério Norte e
de verão, no Sul.

Alexandre Salvador e Raquel Beer. Cadê o frio? In: Veja, fev./2014 (com
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adaptações)

Julgue o próximo item, relativos aos sentidos e aspectos


gramaticais do texto acima.

Os vocábulos (sublinhados no texto) “russos”, “velho” e “global”


exercem uma mesma função sintática no contexto em que ocorrem.

Comentários

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Para resolver questões deste tipo, precisamos ter bastante atenção,


para que não haja qualquer confusão a respeito da classificação dos
termos sublinhados.

Vamos ver os vocábulos separadamente?

Russos - Sochi é famosa como estância de veraneio de milionários


russos – Observe que o termo “russos” é um adjunto adnominal
(adjetivo) que caracteriza o substantivo “milionários”.

Velho - Por trás dessa surpresa, um velho conhecido – Observe que o


termo “velho” é um adjunto adnominal (adjetivo) que caracteriza o
substantivo “conhecido”.

Global - o aquecimento global, fenômeno responsável – Observe que


o termo “global” é um adjunto adnominal (adjetivo) que caracteriza o
substantivo “aquecimento”.

Dessa maneira, o item está correto.

Observe:

Os termos acessórios da oração são assim chamados porque atuam


em uma função secundária, de forma a caracterizar o substantivo ou
indicar diferentes circunstâncias. Temos três termos acessórios: o
adjunto adnominal, o adjunto adverbial e o aposto.
O adjunto adnominal é o termo da oração que se liga a um
nome (substantivo) e acrescenta-lhe uma qualificação ou uma
determinação. Destaca-se que essa conexão é feita sem mediação
de verbo.
Exemplo: Aquela moça feliz virá amanhã.
Observe, no exemplo acima, que “aquela” determina o substantivo
62456350391

“moça” e “feliz” qualifica (caracteriza) o mesmo substantivo. Assim,


ambas as palavras sublinhadas são exemplo de adjunto adnominal.
O adjunto adnominal pode ser exercido por:
a) Adjetivos
Exemplo: A linda moça vem amanhã a esta feia cidade.
b) Locuções adjetivas
Exemplo: Aninha está com dor de dente e, por isso, não vai à
apresentação dos alunos.
Artigos
Exemplo: O cantor é um fingidor.
c) Numerais adjetivos

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Exemplo: As quatro amigas tiraram o primeiro prêmio da


loteria.
d) Pronomes adjetivos
Exemplo: Esta caneta é de minha amiga cuja mãe está doente.
e) Orações adjetivas
Exemplo: Amanhã irei comprar o caderno que será usado para
o concurso.
O adjunto adnominal pode também ser exercido por pronomes
oblíquos átonos com valor de possessivos. Isso acontece quando há
verbos essencialmente transitivos diretos que já estão acompanhados
por seus objetos diretos. Cuidado para não confundir o pronome “lhe”
na função de possessivo com a função de objeto indireto ou
complemento nominal.
Exemplos:
Feri-lhe o braço. (ou seja, “Feri o seu braço.”)
Examinou-me a garganta. (ou seja, “Examinou a minha garganta.”)

GABARITO: CERTO

Questão 17 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-SE/2014

(Texto para as questões 17 e 18)

Em vinte e poucos anos, a Internet deixou de ser um ambiente virtual


restrito e transformou-se em fenômeno mundial. Atualmente, há
tantos computadores e dispositivos conectados à Internet que os mais
de quatro bilhões de endereços disponíveis estão praticamente
esgotados. Por essa razão, a rede mundial concentra as atenções não
62456350391

só das pessoas e de governos, mas também movimenta um enorme


contingente de empresas de infraestrutura de telecomunicações e de
empresas de conteúdo. Pela Internet são compradas passagens
aéreas, entradas de cinema e pizzas; acompanham-se as notícias do
dia, as ações do governo, os gols e os capítulos das novelas; e são
postadas as fotos da última viagem, além de serem comentados os
últimos acontecimentos do grupo de amigos.

No entanto, junto com esse crescimento do mundo virtual,


aumentaram também o cometimento de crimes e outros desconfortos
que levaram à criação de leis que criminalizam determinadas práticas
no uso da Internet, tais como invasão a sítios e roubo de senhas.

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Devido ao aumento dos problemas motivados pela digitalização das


relações pessoais, comerciais e governamentais, surgiu a necessidade
de se regulamentar o uso da Internet.

Internet: (com adaptações)

No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto


acima, julgue o item a seguir.

O termo “de senhas” (sublinhado no texto) e a oração “de se


regulamentar o uso da Internet” (sublinhado no texto) complementam
o sentido de nomes substantivos.

Comentários

Mais uma vez, falo com você: é muito importante fazer a conexão
entre os termos, para descobrir a ligação entre eles e analisar
corretamente a sintaxe da frase.

Observe que o termo “de senhas” está ligado ao termo “roubo”, este é
um substantivo que é complementado por aquele.

Por sua vez, a oração “de se regulamentar o uso da Internet” está


ligada ao termo “necessidade”, este é um substantivo que é
complementado por aquela oração.

Assim, podemos afirmar que o termo “de senhas” e a oração “de se


regulamentar o uso da Internet” complementam o sentido de nomes
substantivos.

Por isso, o item está correto.


62456350391

GABARITO: CERTO

Questão 18 – (CESPE) Analista Judiciário – TJ-SE/2014

No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto


acima, julgue o item a seguir.

No último período do primeiro parágrafo do texto, construído de


acordo com o princípio do paralelismo sintático, o sujeito das orações
classifica-se como indeterminado.

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Comentários

Vamos ver o último período do último parágrafo?

Pela Internet são compradas passagens aéreas, entradas de


cinema e pizzas; acompanham-se as notícias do dia, as ações do
governo, os gols e os capítulos das novelas; e são postadas as
fotos da última viagem, além de serem comentados os últimos
acontecimentos do grupo de amigos.

Perceba que o sujeito está determinado em todas as orações (ver


termos em negrito), pois são sujeitos passivos – voz passiva sintética,
apesar de o período ter sido construído de acordo com o princípio do
paralelismo sintático. Dessa maneira, o item está errado.

Tenha bastante cuidado para não confundir “sujeito passivo”


com “sujeito indeterminado”.

Veja:

O sujeito indeterminado ocorre quando a afirmação expressa pelo


predicado encontra-se em um elemento que não pode ser
determinado dentro de um conjunto. Dessa forma, não se consegue
identificar o sujeito, apesar de sabermos que ele existe. Observe os
exemplos a seguir:
Exemplos:
Fala-se em novo pacote econômico.
Fizeram uma manifestação ontem.

Há dois casos de indeterminação do sujeito:


c) Verbo na 3ª pessoa do plural sem sujeito expresso ou sem
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referência a algum termo anterior. Temos apenas uma ideia


vaga e imprecisa do sujeito.
Exemplos:
Disseram que você não viria trabalhar hoje.
Fizeram uma manifestação ontem.
d) Verbo na 3ª pessoa do singular e acompanhado do pronome
“se”. Note que a ação está sendo praticada, mas não
conseguimos especificar claramente quem pratica essa ação.
Exemplos:
Precisa-se de vendedores. (verbo transitivo indireto)
Lá se está sempre feliz. (verbo de ligação)

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Aqui se come muito. (verbo intransitivo)


OBSERVAÇÃO:
c) Quando a indeterminação do sujeito é ocasionada pelo pronome
“se”, esse pronome é chamado índice de indeterminação do
sujeito.

d) A indeterminação do sujeito pelo pronome “se” ocorre com


verbos intransitivos, transitivos indiretos e de ligação.

Atenção!
Quando ocorre verbo na 3ª pessoa do singular e ele é acompanhado
pelo “se”, podemos ter três possibilidades:
d) Sujeito simples expresso (caso de voz passiva sintética)

Exemplo: Matou-se uma mulher.

Observe, no exemplo acima, que há a presença de verbo


transitivo direto “matou” e que o sujeito (sobre quem se fala) é
o termo “uma mulher”. O sujeito nunca vem regido por
preposição (observe isso em “uma mulher”), diferente do que
acontece com o exemplo anterior “Precisa-se de vendedores.”
(voz ativa), no qual o termo “de vendedores” não pode ser
sujeito por causa da ocorrência da preposição “de”. Em
“Precisa-se de vendedores.”, o “se” é índice de
indeterminação do sujeito.

Se a dúvida persistir, converta a voz passiva sintética na voz


passiva analítica para facilitar a identificação. Assim, teríamos:
“Uma mulher foi morta.”

e) Sujeito simples expresso ou não (caso de voz reflexiva)


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Exemplo: Penteou-se no banheiro. (sujeito simples, desinencial


e determinado = ”ele”)

Observe, no exemplo acima, que o sujeito simples não expresso


é “ele” e o “se” é pronome reflexivo. Exemplo, então, de voz
reflexiva.

f) Sujeito indeterminado (caso de voz ativa)


Explicado acima.

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Atenção!
Quando aparece verbo na 3ª pessoa do plural, podemos ter três
possibilidades:
c) Sujeito indeterminado (não expresso e não identificável)

Exemplo: Mandaram-me para outra escola.

d) Sujeito simples ou composto (expresso)

Exemplos:
Aconteceram ontem muitas explosões na fábrica. (sujeito
simples = “muitas explosões”)
Aconteceram ontem brigas e discussões na fábrica. (sujeito
composto com dois núcleos = “brigas e discussões”)

Outra possibilidade é a ocorrência de sujeito inexistente (oração


sem sujeito) quando há apenas o enunciado de um fato, sem que
ele seja atribuído a algum ser. Dessa forma, a oração é constituída
apenas pelo predicado, apesar de o sujeito ser um termo
essencial da oração.
Temos três casos de sujeito inexistente:
d) Verbo “haver” no sentido de existir ou com referência a
tempo. Neste caso, o verbo “haver” é chamado verbo
impessoal e é usado na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:

Havia muitas flores no jardim. (verbo “haver” no sentido de


“existir”).
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Estive em Belo Horizonte há quatro anos. (verbo “haver” com


referência a tempo)

Perceba que, nas duas orações acima, o predicado é a oração


inteira, não há sujeito.

e) Verbos “fazer”, “ser”, “estar” com referência a tempo.


Neste caso, os verbos são chamados verbos impessoais e são
usados apenas na 3ª pessoa do singular.

Exemplos:
Faz muitos anos que ele ganhou o prêmio.

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Já é tarde.
Está calor em Belo Horizonte.

Perceba que, nas três orações acima, o predicado é a oração


inteira, não há sujeito.

f) Verbos que expressam fenômenos da natureza – chover,


ventar, nevar, gear, anoitecer, etc. Neste caso, os verbos são
chamados verbos impessoais e são usados apenas na 3ª
pessoa do singular.

Exemplos:
Choveu pouco mês passado.
Anoiteceu rapidamente.

Perceba que, nas duas orações acima, o predicado é a oração


inteira, não há sujeito.

OBSERVAÇÃO:
a) Algumas expressões populares não possuem sujeito.
Exemplos:
Já passava de quatro anos.
Vai para dois anos que ele foi embora.
Basta de trabalho.

b) O verbo “ser” na indicação de horas, datas e distância é


impessoal e a sua impessoalidade pode acontecer também na
3ª pessoa do plural. 62456350391

Exemplos:
São quatro horas. (concorda com a palavra “hora”)
Era uma hora. (concorda com a palavra “hora”)

Hoje são cinco de março. (são decorridos cinco dias de março)


Hoje é cinco de março. (igual a “é dia cinco de março”, ou seja,
concorda com a palavra “dia”)

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Até a esquina são cinco metros. (concorda com a palavra


“distância”)
Até ali é um metro. (concorda com a palavra “distância”)

c) Os verbos que indicam fenômeno da natureza, se usados em


sentido figurado, deixam de ser impessoais.
Exemplos:
Choveram palavrões na reunião. (sujeito simples =
”palavrões”)
Joana amanhece radiante. (sujeito simples = ”Joana”)

d) A impessoalidade verbal também ocorre com as locuções


verbais. Assim, os verbos auxiliares são empregados na 3ª
pessoa do singular.
Exemplos:
Deve chover amanhã.
Vai fazer um ano que ele se casou.

GABARITO: ERRADO

Questão 19 – (CESPE) Analista Ambiental – ICMBio/2014

Se a Dinamarca tivesse seguido a corrente rodoviária dominante


desde a década de 60 do século passado, nunca viraria um modelo de
planejamento urbano. Em uma época em que parecia fazer mais
sentido priorizar o trânsito de carros, Copenhague apostou na criação
da primeira rua para pedestres do país. Antes de se tornar o maior
62456350391

calçadão da Europa, com um quilômetro de extensão, a Strøget era


uma rua comercial dominada por automóveis, assim como todo o
centro da cidade. O arquiteto por trás da iniciativa, Jan Gehl,
acreditava que os espaços urbanos deveriam servir para a interação
social. Na época, foi criticado pela imprensa e por comerciantes, que
ponderavam que as pessoas não passariam muito tempo ao ar livre
em uma capital gélida. Erraram. As vendas triplicaram, e a rua de
pedestres foi ocupada pelos moradores. A experiência reforçou as
convicções de Gehl, que defende o planejamento das cidades para o
usufruto e o conforto das pessoas.

Camilo Gomide. Cidades prazerosas. In: Planeta, fev./2014 (com adaptações).

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Julgue o item, referentes às ideias e às estruturas linguísticas


do texto acima.

Nas sequências “acreditava que os espaços urbanos” (sublinhada no


texto) e “ponderavam que as pessoas não passariam” (sublinhada no
texto), o “que” introduz complementos oracionais para as formas
verbais “acreditava” e “ponderavam”.

Comentários

Temos aqui uma questão que aborda o emprego das orações


subordinadas substantivas.

Você se lembra desse assunto?

As orações substantivas são aquelas que exercem, no período,


alguma função típica de substantivo. E quais são essas funções?

sujeito
objeto direto
objeto indireto
complemento nominal
aposto
predicativo
agente da passiva

A oração subordinada substantiva será nomeada de acordo com a


função sintática que exerce no período. Observe:
62456350391

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Para descobrir qual a função sintática exercida pela oração


subordinada, você pode substituí-la pelo pronome “ISSO”. Assim, ao
descobrir a função sintática do “ISSO”, você estará descobrindo a
função sintática da oração subordinada e, consequentemente, saberá
como nomeá-la.
Observe:

Foi comprovado que o deputado era corrupto.


Foi comprovado isso.

Agora vamos passar o período para a ordem direta:

Isso foi comprovado.


SUJEITO

Perceba que “ISSO” exerce função de sujeito na frase; logo, a


oração por ele substituída exerce a mesma.
Assim: “que o deputado era corrupto” é uma oração
subordinada substantiva SUBJETIVA.
Outra informação que você deve saber sobre as orações subordinadas
substantivas diz respeito a seus conectores. Note que as conjunções
integrantes sempre iniciam orações subordinadas substantivas
e que são apenas duas: “QUE” e “SE”.

Vamos ver o trecho do texto a ser analisado?

... Jan Gehl, acreditava que os espaços urbanos deveriam servir


para a interação social. Na época, foi criticado pela imprensa e por
comerciantes, que ponderavam que as pessoas não passariam
muito tempo ... 62456350391

Observe que as duas orações em negrito completam o sentido dos


verbos “acreditar” e “ponderar”, portanto são complementos
oracionais.

Dessa forma, o item está correto.

GABARITO: CERTO

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Questão 20 – (CESPE) Agente de Polícia Federal – PF/2014

O uso indevido de drogas constitui, na atualidade, séria e persistente


ameaça à humanidade e à estabilidade das estruturas e valores
políticos, econômicos, sociais e culturais de todos os Estados e
sociedades. Suas consequências infligem considerável prejuízo às
nações do mundo inteiro, e não são detidas por fronteiras: avançam
por todos os cantos da sociedade e por todos os espaços geográficos,
afetando homens e mulheres de diferentes grupos étnicos,
independentemente de classe social e econômica ou mesmo de idade.
Questão de relevância na discussão dos efeitos adversos do uso
indevido de drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos
crimes conexos — geralmente de caráter transnacional — com a
criminalidade e a violência. Esses fatores ameaçam a soberania
nacional e afetam a estrutura social e econômica interna, devendo o
governo adotar uma postura firme de combate ao tráfico de drogas,
articulando-se internamente e com a sociedade, de forma a
aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos de prevenção e repressão e
garantir o envolvimento e a aprovação dos cidadãos.

Internet: <www.direitoshumanos.usp.br>.

No que se refere aos aspectos linguísticos do fragmento de


texto acima, julgue o próximo item.

O referente do sujeito da oração “articulando-se internamente e com


a sociedade” (sublinhada no texto), que está elíptico no texto, é “o
governo” (sublinhado no texto).

Comentários
62456350391

Vamos ver o trecho?

Esses fatores ameaçam a soberania nacional e afetam a estrutura


social e econômica interna, devendo o governo adotar uma postura
firme de combate ao tráfico de drogas, articulando-se internamente e
com a sociedade, de forma a aperfeiçoar e otimizar seus mecanismos
de prevenção e repressão e garantir o envolvimento e a aprovação
dos cidadãos.

Sempre que tivermos uma questão sobre análise sintática, é


importante identificar corretamente o sujeito.

Observe que “o governo deve adotar”, assim como “o governo deve


articular-se”, pois temos duas ações para um mesmo sujeito. Note,

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ainda, que o sujeito está em sua forma elíptica na oração


“articulando-se internamente e com a sociedade”, pois elipse é a
omissão ou supressão de um termo facilmente subentendido
ou identificável.

Dessa forma, verificamos que o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 21 – (CESPE) Especialista em Regulação –


ANTAQ/2014

Alexandria, no Egito, reinou quase absoluta como centro da cultura


mundial no período do século III a.C. ao século IV d.C. Sua famosa
Biblioteca continha praticamente todo o saber da Antiguidade em
cerca de 700.000 rolos de papiro e pergaminho e era frequentada
pelos mais conspícuos sábios, poetas e matemáticos.

A Biblioteca de Alexandria estava muito próxima do que se entende


hoje por Universidade. E faz-se apropriado o depoimento do insigne
Carl B. Boyer, em A História da Matemática: “A Universidade de
Alexandria evidentemente não diferia muito de instituições modernas
de cultura superior. Parte dos professores provavelmente se
notabilizou na pesquisa, outros eram melhores como administradores
e outros ainda eram conhecidos pela sua capacidade de ensinar.”

Em 47 a.C., envolvendo-se na disputa entre a voluptuosa Cleópatra e


seu irmão, o imperador Júlio César mandou incendiar a esquadra
egípcia ancorada no porto de Alexandria. O fogo se propagou até as
dependências da Biblioteca, queimando cerca de 500.000 rolos.
62456350391

Em 640 d.C., o califa Omar ordenou que fossem queimados todos os


livros da Biblioteca, utilizando o seguinte o argumento: “ou os livros
contêm o que está no Alcorão e são desnecessários ou contêm o
oposto e não devemos lê-los.”

A destruição da Biblioteca de Alexandria talvez tenha representado o


maior crime contra o saber em toda a história da humanidade.

Se vivemos hoje a era do conhecimento é porque nos alçamos em


ombros de gigantes do passado. A Internet representa um poderoso
agente de transformação do nosso modus vivendi et operandi.

É um marco histórico, um dos maiores fenômenos de comunicação e


uma das mais democráticas formas de acesso ao saber e à pesquisa.

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Mas, como toda inovação, a Internet tem potencial cuja dimensão não
deve ser superdimensionada. Seu conteúdo é fragmentado,
desordenado e, além disso, cerca de metade de seus bites é
descartável.

Jacir J. Venturi. Internet: (com adaptações).

Em relação ao texto acima, julgue o item a seguir.

O último parágrafo do texto inicia-se com oração sem sujeito.

Comentários

Vejamos o último parágrafo:

É um marco histórico, um dos maiores fenômenos de comunicação e


uma das mais democráticas formas de acesso ao saber e à pesquisa.
Mas, como toda inovação, a Internet tem potencial cuja dimensão não
deve ser superdimensionada. Seu conteúdo é fragmentado,
desordenado e, além disso, cerca de metade de seus bites é
descartável.

Observe que o sujeito da primeira oração do trecho acima transcrito é


“a Internet”, já determinado anteriormente. Por isso, não ela não
pode ser classificada como oração sem sujeito.

Dessa forma, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

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Questão 22 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos


Deputados/2014

Constantemente, você precisa provar e comprovar que é quem diz


ser. Embora pareça, essa não é uma questão filosófica. A tarefa é
prática e corriqueira: cartões de crédito, RG, CPF, crachás
corporativos e carteirinhas de mil e uma entidades, que engordam a
carteira de todo cidadão, são exigidos, a toda hora, para identificar
uma pessoa no mundo físico. No ambiente virtual, combinações de
usuário e senha funcionam para dar acesso a emails, celulares, redes
sociais e cadastros em lojas online. Lidamos com tantas combinações
desse tipo, que já se fala de uma nova categoria de estresse: a
“fadiga de senhas”. A solução para driblar o problema é o

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reconhecimento biométrico — afinal, cada pessoa é única, e a


tecnologia já pode nos reconhecer por isso. Em questão de segundos,
dispositivos modernos são capazes de ler as características de partes
do nosso corpo, comparar o que veem com a base de dados que
possuem, e atestar a identidade das pessoas previamente
cadastradas no sistema.

Renata Valério de Mesquita. Você é a sua senha. In: Planeta, fev./2014 (com
adaptações)

Acerca dos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item


seguinte.

A oração introduzida pela conjunção “que” (sublinhada no texto)


expressa ideia de consequência em relação à oração anterior, à qual
se subordina.

Comentários

Para as provas do CESPE, veja que o mais importante é saber o


sentido que as orações indicam, e não a nomenclatura delas.
Observe o período abaixo:

Lidamos com tantas combinações desse tipo, que já se fala de uma


nova categoria de estresse: a “fadiga de senhas”.

Agora, faça uma ligação entre a oração principal (“Lidamos com


tantas combinações desse tipo”) e a outra, iniciada por “que”. Note
que esta está subordinada àquela e transmite uma noção de
consequência. É o que irá acontecer, por causa das “tantas
combinações desse tipo”.
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Assim, a oração introduzida pela conjunção “que” é uma


oração subordinada adverbial consecutiva. O item está correto.

Observe a explicação abaixo.

A oração subordinada adverbial consecutiva indica uma


consequência do pensamento (fato) contido na oração principal.
Exemplos:
Ana chorou tanto que ficou com o rosto inchado.
Ela não consegue ver novela romântica, sem que chore.

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Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas consecutivas: que, sem que (igual a “que não”), de
modo que, de forma que, de sorte que, de maneira que, etc.

OBSERVAÇÃO 1:
Podemos sempre intercalar, nas orações consecutivas, a expressão
“em consequência” após a conjunção “que”.
Exemplo:
Ana chorou tanto que, em consequência, ficou com o rosto inchado.
OBSERVAÇÃO 2:
Geralmente, o “que” vem precedido das palavras “tanto”, “tamanho”,
“tão”, “tal”. Mas, em muitas construções, podemos omitir essas
palavras.
Exemplo:
Ana chorou que Maria ficou com pena.

Atenção!
É preciso cuidado na diferenciação de uma oração subordinada
adverbial consecutiva de uma oração comparativa. Para tanto,
podemos usar o critério a seguir.
Na oração adverbial consecutiva, o verbo expresso é diferente do
verbo da oração anterior. Dessa forma, o verbo indica a consequência
do fato anterior.
Na oração adverbial comparativa, o verbo não é expresso, pois é o
mesmo verbo da oração anterior. Dessa maneira, o verbo indica a
comparação do elemento expresso na oração principal.
Exemplos: 62456350391

Dormiu tanto que nem conseguiu ir ao trabalho. (consecutiva)


Dormiu tanto que nem uma mula (dormiu). (comparativa)

GABARITO: CERTO

Questão 23 – (CESPE) Analista em Geociências - CPRM/2013

A contribuição do conhecimento geológico para a educação


ambiental

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A observação do tempo geológico contrapõe-se à percepção histórica


construída na sociedade moderna capitalista vinculada ao
imediatismo. A concepção do tempo geológico pode contribuir para
uma mudança cultural dessa percepção imediatista que tem se
refletido em um consumismo exacerbado de produtos, produtos esses
que se originaram a partir de bens minerais que se formaram ao
longo do tempo geológico e que levarão anos até serem incorporados
pela terra, quando passarão novamente a ser fonte de recurso. Os
conhecimentos do Sistema Terra oferecem condições de se pensar a
realidade de forma complexa e integrada, em diversas escalas de
tempo e espaço, o que permite a construção do mundo físico em que
vivemos. As discussões dos conteúdos das geociências transformam a
visão de mundo, tornando-a significativa, não fragmentada, não
linear, e estabelecem conexões, expressas por características
criativas, sem mecanismos repetitivos e descontextualizados,
propiciando o conhecimento em uma rede de relações com
significado, transformando seus agentes, flexibilizando tarefas e
saberes, formando cidadãos aptos a entender e atuar em um mundo
em transformação de forma participativa.

Denise de La Corte Bacci. A contribuição do conhecimento geológico para a


educação ambiental. In: Pesquisa em debate. Edição 11, V. 6, n.º 2, jul. / dez.
2009, p. 17 e 19 (com adaptações).

Julgue o item subsequente, relativos aos sentidos e a aspectos


estruturais e linguísticos do texto acima.

O último período do texto é formado por um conjunto de orações que,


embora sejam semanticamente dependentes entre si, apresentam
estruturas linguísticas independentes, justapostas por coordenação.

Comentários 62456350391

O período pode ser classificado em período simples (formado por


apenas uma oração) ou período composto (formado por mais
de uma oração).
Os períodos compostos formam-se por meio de dois processos
sintáticos: COORDENAÇÃO e SUBORDINAÇÃO.

- PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO:


No período composto por coordenação, as orações são
sintaticamente independentes entre si, ou seja, uma oração NÃO
EXERCE qualquer função sintática em relação à outra oração.

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- PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO:


No período composto por subordinação, as orações mantêm um
vínculo sintático entre si, ou seja, uma oração EXERCE função
sintática em relação à outra oração. Nesses períodos, cada oração
não consegue existir isoladamente, pois uma oração depende da outra
para perfazer uma completude semântica e sintática.

O período pode ser formado, ao mesmo tempo, por orações


coordenadas e por orações subordinadas. Nesse caso, teremos um
PERÍODO MISTO (ou período complexo).
No período composto por coordenação, as orações, embora haja
vínculo semântico, NÃO possuem vínculo sintático entre si.
No período coordenado, não existe oração principal (só se pode
falar em oração principal nos períodos compostos por subordinação).
Por isso, costuma-se dizer que as orações coordenadas estão
justapostas. A banca CESPE, por sua vez, denomina essa justaposição
de ENUMERAÇÃO.
Você já sabe diferenciar orações coordenadas de orações
subordinadas. As últimas caracterizam-se pela dependência
sintática que possuem em relação a outra oração do mesmo
período.
Ao contrário dos períodos coordenados (em que as orações são
equivalentes), nos períodos subordinados, as orações
classificam-se em:
- ORAÇÃO PRINCIPAL: é a oração que rege a oração subordinada.
- ORAÇÃO SUBORDINADA: é a oração que exerce uma função
sintática em relação à oração principal.
A oração subordinada pode exercer as seguintes funções sintáticas em
relação à oração principal: sujeito, objeto direto, objeto indireto,
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complemento nominal, aposto, predicativo, agente da passiva,


adjunto nominal ou adjunto adverbial.

Pelo exposto acima, percebemos que não há subordinação


(dependência) com coordenação, assim o enunciado está
errado.

GABARITO: ERRADO

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Questão 24 – (CESPE) Analista Judiciário - TST/2007

Um cenário polêmico é embasado no desencadeamento de um


estrondoso processo de exclusão, diretamente proporcional ao avanço
tecnológico, cuja projeção futura indica que a automação do trabalho
exigirá cada vez menos trabalhadores implicados tanto na produção
propriamente dita quanto no controle da produção. Baseando-se
unicamente nessa perspectiva, pode-se supor que a sociedade
tecnológica seria caracterizada por um contexto no qual o trabalho
passaria a ser uma necessidade exclusiva da classe trabalhadora. O
capital, podendo optar por um investimento de porte em automação,
em informática e em tecnologia de ponta, cada vez mais barata e
acessível, não mais teria seu funcionamento embasado
exclusivamente na exploração dos trabalhadores, cada vez mais
exigentes quanto ao valor de sua força de trabalho. Embora não se
possa falar de supressão do trabalho assalariado, a verdade é que a
posição do trabalhador se enfraquece, tendo em vista que o trabalho
humano tende a tornar-se cada vez menos necessário para o
funcionamento do sistema produtivo.

Gilberto Lacerda Santos. Formação para o trabalho e alfabetização informática. In:


Linhas Críticas, v. 6, n.º 11, jul/dez, 2000 (com adaptações).

Julgue o seguinte item a respeito das ideias e da organização


do texto acima.

O valor de adjetivo do gerúndio em “podendo optar” (sublinhado no


texto) fica preservado se essa oração reduzida for substituída pela
subordinada adjetiva correspondente: que pode optar. Essa
substituição manteria a coerência e a correção gramatical do texto.
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Comentários

A oração reduzida é aquela subordinada que apresenta o verbo


reduzido em uma das formas nominais: gerúndio, particípio ou
infinitivo. A oração reduzida não é introduzida por conjunção nem
por pronome relativo.

Exemplos:

Seria ideal vencer o campeonato. (reduzida de infinitivo)


Deu-me um livro escrito pela mãe de Jonas. (reduzida de particípio)
Estudando bastante, passarei no concurso. (reduzida de gerúndio)

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Para podermos classificar as orações reduzidas, precisamos


desenvolvê-las. Não se preocupe com isso, é só mais uma etapa antes
da classificação. Vamos ver?

Exemplos:

Seria ideal vencer o campeonato. (oração subordinada substantiva


subjetiva, reduzida de infinitivo)
Seria ideal que vencesse o campeonato. (oração subordinada substantiva
subjetiva). Observe que a oração reduzida foi desenvolvida.

Deu-me um livro escrito pela mãe de Jonas. (oração subordinada adjetiva


restritiva, reduzida de particípio)
Deu-me um livro que foi escrito pela mãe de Jonas. (oração subordinada
adjetiva restritiva). Observe que a oração reduzida foi desenvolvida.

Estudando bastante, passarei no concurso. (oração subordinada adverbial


condicional, reduzida de gerúndio)
Se estudar bastante, passarei no concurso. (oração subordinada adverbial
condicional). Observe que a oração reduzida foi desenvolvida.

ORAÇÕES REDUZIDAS DE GERÚNDIO

As orações reduzidas de gerúndio abrangem as orações


adverbiais (na maior parte das vezes: causais, concessivas,
condicionais e temporais), as orações adjetivas e as orações
coordenadas.

Exemplos:

Sandra caiu da escada, machucando-se muito. (coordenada aditiva –


62456350391

equivale a “e machucou-se muito”)


Trabalhando muito, terão dinheiro. (adverbial condicional – equivale a “se
trabalharem muito”)
Acabando a comida, fomos ao supermercado. (adverbial temporal –
equivale a “quando acabou a comida”)
Não conseguindo passar no concurso, Ana resolveu estudar em outro curso
preparatório. (adverbial causal – equivale a “já que não conseguiu passar no
concurso”)
Mesmo sendo inteligente, Maria não passou no concurso. (adverbial
concessiva – equivale a “embora fosse inteligente”)
Ana viu uma criança brincando no parque. (adjetiva restritiva – equivale a
“que brincava no parque”)

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Atenção!

Cuidado para não confundir locução verbal com verbo na sua


forma nominal. Verbo na sua forma nominal inicia oração
subordinada ou coordenada reduzida de gerúndio, particípio ou
infinitivo.

Exemplos:

Fazendo calor, iremos ao parque.

Observe, no exemplo acima, que o verbo “fazer” está no gerúndio


e inicia uma oração subordinada adverbial condicional,
reduzida de gerúndio. (equivale a “Se fizer calor, iremos ao parque”)

Está fazendo calor, iremos ao parque.

Observe, no exemplo acima, que o verbo “fazer” forma uma


locução verbal (“está” + “fazendo”) e faz parte de uma oração
coordenada assindética.

ORAÇÕES REDUZIDAS DE INFINITIVO

As orações reduzidas de infinitivo abrangem as orações


adverbiais (na maior parte das vezes: causais, concessivas,
condicionais, finais e temporais), as orações adjetivas e as orações
substantivas.

Exemplos:

João solicitou trazerem os documentos. (substantiva objetiva direta –


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equivale a “que trouxessem os livros”)


É preciso chegarmos neste país. (substantiva subjetiva – equivale a “que
cheguemos neste país”)
Ela foi embora sem dar-me adeus. (adverbial concessiva – equivale a “sem
que me desse adeus”)
Vou solicitar-lhe algo: trabalhar em silêncio. (substantiva apositiva –
equivale a “que trabalhe em silêncio”)
Joana viu Maria comer um chocolate delicioso. (adjetiva restritiva –
equivale a “que comia um chocolate delicioso”)

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Atenção!

Cuidado para não confundir verbo reduzido de infinitivo com


futuro do subjuntivo.

Exemplos:

A continuar o calor, iremos ao clube. (oração reduzida de infinitivo –


equivale a “se continuar o calor”)
Se continuar o calor, iremos ao clube. (oração desenvolvida com conjunção
– futuro do subjuntivo)

ORAÇÕES REDUZIDAS DE PARTICÍPIO

As orações reduzidas de particípio abrangem as orações


adverbiais (na maior parte das vezes: causais, concessivas,
condicionais e temporais) e as orações adjetivas.

Exemplos:

Aprovado o projeto, iniciaram a construção do edifício. (adverbial temporal


– equivale a “quando aprovaram o projeto”)
Vencida pelo cansaço, conseguiu trabalhar. (adverbial concessiva –
equivale a “embora estivesse vencida pelo cansaço”)
Prevista a festa, comecei os preparativos. (adverbial causal – equivale a
“porque previ a festa”)
Todas as apostilas escritas por Mário foram vendidas rapidamente.
(adjetiva restritiva – equivale a “que foram escritas por Mário”)
Márcio é um homem honesto, nascido em Belo Horizonte. (adjetiva
explicativa – equivale a “que nasceu em Belo Horizonte”)
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OBSERVAÇÃO 1:

Não é qualquer oração que pode ser reduzida ou vice-versa. Assim, as


orações adverbiais proporcional e comparativa são sempre
desenvolvidas. As orações adverbiais consecutiva e final não
podem ser reduzidas de gerúndio. Não há oração substantiva
reduzida de gerúndio e de particípio.

OBSERVAÇÃO 2:

Pode aparecer uma preposição antes da forma nominal do verbo


(infinitivo, principalmente) em algumas orações reduzidas. Isso

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origina relações semânticas bem específicas e de fácil identificação.


Assim, temos:

 “por” + “infinitivo” = expressa causa;


 “para” + “infinitivo” = expressa finalidade;
 “a” + “infinitivo” = expressa condição;
 “ao” + “infinitivo” = expressa tempo.

Exemplos:

Por estudar pouco, Márcio não conseguiu passar no concurso. (adverbial


causal, reduzida de infinitivo – equivale a “Porque estuda pouco”)
A continuarem a discussão, irei embora. (adverbial condicional, reduzida
de infinitivo – equivale a “Se continuarem a discussão”)
Para fazer uma boa prova, Ana estudou bastante. (adverbial final, reduzida
de infinitivo – equivale a “Para que fizesse uma boa prova”)
Ao fazer a prova, não fique nervoso. (adverbial temporal, reduzida de
infinitivo – equivale a “Quando fizer a prova”)

De volta à questão, temos que verificar se o valor de adjetivo do


gerúndio em “podendo optar” fica preservado se essa oração reduzida
for substituída pela subordinada adjetiva correspondente: que pode
optar. Essa substituição manteria a coerência e a correção gramatical
do texto.

Veja que ambas as orações (reduzida e desenvolvida) são


subordinadas adjetivas explicativas, assim são perfeitamente
intercambiáveis. Assim, a substituição proposta manteria a
coerência e a correção gramatical do texto.
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Por isso, concluímos que o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 25 – (CESPE) Procurador – SEAD-PA/2005

(Adaptada)

Ao delegar à esfera individual os males sociais, o sistema preserva


sua natureza cruel: a “inevitabilidade” da desigualdade social. E
apregoa que tanto a política quanto as questões sociais devem ser

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monitoradas pelas leis do mercado. Em outras palavras, o lucro dos


bancos e das empresas privadas, nacionais e estrangeiras, é a
prioridade. São eles que emprestam dinheiro ao governo;
movimentam a importação e a exportação; injetam recursos no
crescimento econômico do país. Não nego que o indivíduo tenha
importância no processo histórico. Porém, o indivíduo conta onde a
coletividade não conta. Quanto mais centralizada uma estrutura de
poder, mais ela depende de quem a ocupa, deixando à margem o
poder popular. A tarefa é tornar o jogo verdadeiramente democrático,
não mera legitimação da impetuosidade arrivista de líderes mais
preocupados com o sucesso pessoal que com as causas sociais.

Idem, ibidem.

Assinale a opção incorreta a respeito das relações sintáticas e


semânticas no texto.

a) O texto permite a reescritura da oração subordinada inicial como


uma desenvolvida iniciada por Quando delega.

b) As expressões “a política” (sublinhada no texto) e “as questões


sociais” (sublinhada no texto) estão em uma relação aditiva.

c) O período sintático iniciado por “São eles” (sublinhado no texto)


tem a função de justificar ou explicar as ideias do período anterior.

d) Apesar de iniciado pela conjunção de valor adversativo “Porém”


(sublinhada no texto), o período sintático em análise representa uma
causa para as ideias do período anterior.

e) Seriam preservadas as relações argumentativas do texto se a


oração coordenada assindética iniciada por “não” (sublinhado no
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texto) fosse transformada em uma aditiva, substituindo-se a vírgula


que a precede pela conjunção e.

Comentários

Tenha cuidado ao responder a esta questão, pois você precisa marcar


a alternativa incorreta.

Vamos ver as alternativas?

a) O texto permite a reescritura da oração subordinada inicial como


uma desenvolvida iniciada por Quando delega.

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Sim, pois ambas as orações (reduzida e desenvolvida) têm o mesmo


valor temporal, portanto são intercambiáveis.

Alternativa correta.

b) As expressões “a política” (sublinhada no texto) e “as questões


sociais” (sublinhada no texto) estão em uma relação aditiva.

Veja como isto está certo:

E apregoa que a política e as questões sociais devem ser monitoradas


pelas leis do mercado.

Alternativa correta.

c) O período sintático iniciado por “São eles” (sublinhado no texto)


tem a função de justificar ou explicar as ideias do período anterior.

Alternativa correta.

d) Apesar de iniciado pela conjunção de valor adversativo “Porém”


(sublinhada no texto), o período sintático em análise representa uma
causa para as ideias do período anterior.

Não, o valor é realmente adversativo, de contraste.

Alternativa incorreta.

e) Seriam preservadas as relações argumentativas do texto se a


oração coordenada assindética iniciada por “não” (sublinhado no
texto) fosse transformada em uma aditiva, substituindo-se a vírgula
que a precede pela conjunção e.

Veja como isto está certo:


62456350391

A tarefa é tornar o jogo verdadeiramente democrático e mera


legitimação da impetuosidade arrivista de líderes mais preocupados
com o sucesso pessoal que com as causas sociais.

Alternativa correta.

Assim, a resposta é a alternativa D.

GABARITO: D

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Questão 26 – (CESPE) Analista Judiciário – TRE-AL/2004

Apostando na leitura

Se a chamada leitura do mundo se aprende por aí, na tal escola da


vida, a leitura de livros carece de aprendizado mais regular, que
geralmente acontece na escola. Mas leitura, quer do mundo, quer de
livros, só se aprende e se vivencia, de forma plena, coletivamente,
em troca contínua de experiências com os outros. É nesse intercâmbio
de leituras que se refinam, se reajustam e se redimensionam
hipóteses de significado, ampliando constantemente a nossa
compreensão dos outros, do mundo e de nós mesmos. Da proibição
de certos livros (cuja posse poderia ser punida com a fogueira) ao
prestígio da Bíblia, sobre a qual juram as testemunhas em júris de
filmes norte-americanos, o livro, símbolo da leitura, ocupa lugar
importante em nossa sociedade. Foi o texto escrito, mais que o
desenho, a oralidade ou o gesto, que o mundo ocidental elegeu como
linguagem que cimenta a cidadania, a sensibilidade, o imaginário. É
ao texto escrito que se confiam as produções de ponta da ciência e da
filosofia; é ele que regula os direitos de um cidadão para com os
outros, de todos para com o Estado e vice-versa. Pois a cidadania
plena, em sociedades como a nossa, só é possível — se e quando ela
é possível — para leitores. Por isso, a escola é direito de todos e dever
do Estado: uma escola competente, como precisam ser os leitores que
ela precisa formar. Daí, talvez, o susto com que se observa qualquer
declínio na prática de leitura, principalmente dos jovens, observação
imediatamente transformada em diagnóstico de uma crise da leitura,
geralmente encarada como anúncio do apocalipse, da derrocada da
cultura e da civilização. Que os jovens não gostem de ler, que lêem
mal ou lêem pouco é um refrão antigo, que de salas de professores e
congressos de educação ressoa pelo país afora. Em tempo de
vestibular, o susto é transportado para a imprensa e, ao começo de
cada ano letivo, a terapêutica parece chegar à escola, na oferta de
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coleções de livros infantis, juvenis e paradidáticos, que apregoam


vender, com a história que contam, o gosto pela leitura. Talvez,
assim, pacifique corações saber que desde sempre — isto é, desde
que se inventaram livros e alunos — se reclama da leitura dos jovens,
do declínio do bom gosto, da bancarrota das belas letras! Basta dizer
que Quintiliano, mestre-escola romano, acrescentou a seu livro uma
pequena antologia de textos literários, para garantir um mínimo de
leitura aos estudantes de retórica. No século I da era cristã! Estamos,
portanto, em boa companhia. E temos, de troco, uma boa sugestão:
se cada leitor preocupado com a leitura do próximo, sobretudo
leitores-professores, montar sua própria biblioteca e sua antologia e
contagiar por elas outros leitores, sobretudo leitores-alunos, por certo
a prática de leitura na comunidade representada por tal círculo de
pessoas terá um sentido mais vivo. E a vida será melhor, iluminada
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pela leitura solidária de histórias, de contos, de poemas, de


romances, de crônicas e do que mais falar a nossos corações de
leitores que, em tarefa de amor e paciência, apostam no aprendizado
social da leitura.

Marisa Lajolo. Folha de S. Paulo, 19/9/1993 (com adaptações)

A partir da análise do emprego das classes de palavras e da


sintaxe das orações e dos períodos do texto, julgue o item que
se segue.

No segundo período do texto, a relação entre as orações dá-se por


coordenação.

Comentários

Vamos ver o respectivo trecho?

Mas leitura, quer do mundo, quer de livros, só se aprende e se vivencia, de


forma plena, coletivamente, em troca contínua de experiências com os
outros.

Você deve observar que as orações estão coordenadas entre si, pois
não há qualquer vínculo de subordinação entre elas.

Por isso, o item está correto.

Vamos estudar mais um pouco?


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O período pode ser classificado em período simples (formado por


apenas uma oração) ou período composto (formado por mais
de uma oração).

Os períodos compostos formam-se por meio de dois processos


sintáticos: COORDENAÇÃO e SUBORDINAÇÃO.

PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO:

No período composto por coordenação, as orações são


sintaticamente independentes entre si, ou seja, uma oração NÃO
EXERCE qualquer função sintática em relação à outra oração.

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PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO:

No período composto por subordinação, as orações mantêm um


vínculo sintático entre si, ou seja, uma oração EXERCE função
sintática em relação à outra oração. Nesses períodos, cada oração
não consegue existir isoladamente, pois uma oração depende da outra
para perfazer uma completude semântica e sintática.

O período pode ser formado, ao mesmo tempo, por orações


coordenadas e por orações subordinadas. Nesse caso, teremos um
PERÍODO MISTO (ou período complexo).

Abaixo, exemplo de um período composto por coordenação.

Mariana corria todos os dias e gostava de dançar.


Mariana corria todos os dias. / Mariana gostava de dançar.

Observe que as orações, no período coordenado, podem ser


separadas em dois períodos distintos, sem prejuízo da completude
sintática de ambas. Nesse tipo de período, as orações são
equivalentes, pois não existe uma oração mais importante que a
outra. A independência, repita-se, é apenas sintática, pois quase
sempre haverá algum laço semântico entre as orações de um mesmo
período.

Agora, um exemplo de período composto por subordinação.

Mariana contou a todos que gostava de dançar.


ORAÇÃO PRINCIPAL ORAÇÃO SUBORDINADA

Repare que as orações acima não subsistem separadamente. “Mariana


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contou a todos.” é uma construção sintaticamente incompleta, pois


falta um complemento para a forma verbal. Nesse tipo de período,
existe uma oração principal e outra oração (ou outras orações)
subordinada à oração principal.

No exemplo a seguir, temos um período misto (ou complexo), em


que há tanto orações subordinadas quanto orações coordenadas.

A vontade era que fosse feriado e que fizesse sol.


1ª ORAÇÃO 2ª ORAÇÃO 3ª ORAÇÃO

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Acima, temos três orações. A primeira é a oração principal; a segunda


e a terceira orações são subordinadas à primeira. Entre a segunda e a
terceira orações, no entanto, a relação é de coordenação, pois elas
são independentes entre si (“que fosse feriado e que fizesse sol”).

Após esse exemplo, é possível perceber que a coordenação e a


subordinação dão-se sempre na relação estabelecida entre
duas orações. Assim, uma mesma oração pode ser subordinada
em relação a uma oração, mas, ao mesmo tempo, ser
coordenada em relação a outra oração.

Outra observação a se fazer, inferida dos exemplos acima, diz


respeito aos conectores (também chamados de articuladores ou
elementos de conexão). Trata-se de elementos responsáveis
pela ligação entre as orações no período composto, os quais
podem ser de diversas classes morfológicas: conjunções, pronomes
relativos, preposições ou advérbios.

Embora fizesse um sol forte, estava bastante frio na praia.

Os conectores, sobretudo as conjunções, são um assunto de enorme


relevância no estudo de sintaxe. Você vai perceber que a cobrança do
tema, em concursos públicos, está quase sempre focada na relação
que a conjunção estabelece entre duas orações.

Os tipos de orações coordenadas e de orações subordinadas é um


assunto que costuma causar certo medo nos candidatos. Você deverá
ter em mente, no entanto, que o objetivo principal desse aprendizado
é compreender a função dos conectores em cada período.

ORAÇÕES COORDENADAS

No período composto por coordenação, as orações, embora haja


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vínculo semântico, NÃO possuem vínculo sintático entre si.

Também vimos que, no período coordenado, não existe oração


principal (só se pode falar em oração principal nos períodos
compostos por subordinação). Por isso, costuma-se dizer que as
orações coordenadas estão justapostas. A banca CESPE, por sua vez,
denomina essa justaposição de ENUMERAÇÃO.

As orações de um período coordenado são diferenciadas em


assindéticas ou sindéticas.

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As orações assindéticas são aquelas que não possuem conectivo


(conjunção), enquanto as orações sindéticas apresentam
conjunção (chamada de conjunção coordenativa).

Mariana corria todos os dias e gostava de dançar.


ORAÇÃO ASSINDÉTICA ORAÇÃO SINDÉTICA

As conjunções – presentes somente nas orações coordenadas


sindéticas – podem ser classificadas da seguinte forma:

- coordenativas aditivas

- coordenativas adversativas

- coordenativas alternativas

- coordenativas conclusivas

- coordenativas explicativas

Essa classificação ocorre de acordo com a relação estabelecida pela


conjunção, porquanto exprima ideia de adição, oposição,
alternância, conclusão e explicação, respectivamente.

Vamos analisar, uma a uma, os tipos de conjunções coordenativas.

Conjunções Coordenativas Aditivas

As conjunções aditivas exprimem adição, soma, encadeamento,


simultaneidade, enumeração de ideias.

Estas são as principais conjunções aditivas: “E”, “NEM”,


“TAMPOUCO”, “MAS TAMBÉM”, “COMO TAMBÉM”, “SENÃO
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TAMBÉM”, “BEM COMO”, “TANTO (...) COMO”.

Exemplos:

Mariana corria todos os dias e gostava de dançar.


Mariana não só corria, mas também gostava de dançar.
Mariana não corre nem gosta de dançar.
Mariana não corre, tampouco gosta de dançar.
Marina corre, bem como gosta de dançar.

O vocábulo “QUE” também pode funcionar como conjunção aditiva,


observe:

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Mariana corria que corria, e não conseguia chegar.

Não se costuma usar vírgula antes da conjunção coordenativa aditiva


“E”. Há, no entanto, algumas exceções:

- quando o sujeito da segunda oração for diverso do sujeito da


oração anterior:

Mariana corria todos os dias, e Joana gostava de dançar.

- quando o sentido exprimido pela conjunção não for de


adição, mas sim de oposição (nesse caso, a conjunção não será
aditiva, mas sim adversativa).

Mariana corria todos os dias, e não gostava de dançar.

- quando integrar uma enumeração subjetiva ou enfática


(repetição da conjunção para criar um sentido de enumeração
e reforçar as ideias contidas nos argumentos).

Mariana corria, e dançava, e nadava, e subia em árvore, e pulava da


árvore, e não se cansava.

Na enumeração objetiva, por outro lado, em que não se pretende


dar ênfase às ideias, não haverá a vírgula antes do “E”, tampouco a
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repetição dessa conjunção.

Mariana corria, dançava, nadava, subia em árvore, pulava da árvore e não


se cansava.

Conjunções Coordenativas Adversativas

As conjunções adversativas exprimem oposição, ressalva,


compensação, contraste de ideias em relação à oração
anterior.

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Estas são as principais conjunções adversativas: “MAS”, “PORÉM”,


“TODAVIA”, “ENTRETANTO”, “NO ENTANTO”, “NÃO
OBSTANTE”, “CONTUDO”, “AO PASSO QUE”, “SENÃO” (no
sentido de “porém”), “ANTES” (no sentido de “mas”), “EM TODO
CASO”, “APESAR DISSO”.

Exemplos:

Sua mãe era paciente, mas não tolerava o descaso dos filhos.
João não se exercitava, ao passo que Joana nadava todos os dias.
Mariana treinou muito, não obstante, perdeu a competição.
Não se intrometa na escolha profissional de seus filhos, antes prefira vê-los
felizes.
Os alunos ficaram chateados; em todo caso avaliaram positivamente a
instituição.

A conjunção “E” pode ser, também, adversativa. Observe:

Os jogadores treinaram muito, e a seleção perdeu a partida.

É importante perceber o emprego da vírgula (ou de ponto e


vírgula) antes da conjunção adversativa.

OBSERVAÇÃO: À exceção do “MAS”, as demais conjunções


adversativas podem ser deslocadas do início da oração para outra
posição. Veja:

Sua mãe era paciente; não tolerava, no entanto, o descaso dos filhos.
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Não se intrometa na escolha profissional de seus filhos, prefira, antes, vê-


los felizes.

Perceba que, nesses casos, a conjunção será isolada por meio do uso
de vírgulas.

Conjunções Coordenativas Alternativas

As conjunções alternativas exprimem exclusão, alternância de


ideias.

A principal conjunção alternativa é “OU”, que pode ser empregada


apenas uma vez no período, bem como repetida em cada oração.

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Outras conjunções alternativas: “ORA (...) ORA”, “QUER (...)


QUER”, “SEJA (...) SEJA”, “JÁ (...) JÁ”, “TALVEZ (...) TALVEZ”.

Exemplos:

Chegue cedo ou não conseguirá um lugar confortável.


Ora sentava, ora caminhava agitado.
Era um jogador bastante aplaudido, quer fizesse gol, quer errasse passes.
Ou você estuda, ou não conseguirá a aprovação.
“Talvez precise de colchão, talvez baste o chão.” (Arnaldo Antunes)

Conjunções Coordenativas Conclusivas

As conjunções conclusivas exprimem conclusão ou consequência


em relação à oração anterior.

As principais conjunções conclusivas são: “LOGO”, “POIS” (quando


vier após o verbo), “PORTANTO”, “POR ISSO”, “POR
CONSEGUINTE”, “ENTÃO”, “ASSIM”, “EM VISTA DISSO”.

Exemplos:

Ele é bastante capacitado, logo fará um excelente trabalho.


Estou com pouca paciência, portanto não me conte seus problemas.
O time está unido; tem, pois, grandes chances na competição.
Dormiu cedo ontem, por conseguinte acordou bastante disposto.

Conjunções Coordenativas Explicativas


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As conjunções explicativas justificam a informação transmitida


pela oração anterior.

As principais conjunções explicativas são: “PORQUE”, “POIS”


(quando vier antes do verbo), “QUE”, “PORQUANTO”.

Exemplos:

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Estude, que você terá êxito.


Saiam cedo, porque haverá engarrafamento mais tarde.
Não hesite em pedir ajuda, pois estou à disposição.
Sabia que era cedo, porque ainda estava claro.
Tinha engordado, pois as roupas não lhe cabiam.

Após orações imperativas, em geral, segue uma oração explicativa,


como se pode observar nos três primeiros exemplos acima. Esse é o
uso mais comum das conjunções explicativas.

Não confunda explicação com causa: a explicação justifica um fato


anterior, que a gerou; a causa, por sua vez, é anterior à
consequência ocasionada. Essa observação é importante para
distinguir a oração coordenada explicativa (analisada acima) da
oração subordinada causal. Veja o seguinte exemplo de oração
subordinada causal.

João foi aprovado no certame, porque estudou muito.

No período acima, a segunda oração não explica a primeira, mas sim


revela a causa da primeira. O fato de João ter estudado muito gerou
sua aprovação no certame.
62456350391

GABARITO: CERTO

Questão 27 – (CESPE) Analista – SERPRO/2013

O setor de tecnologias da informação e comunicação (TICs)


impulsiona um conjunto de inovações técnico-científicas,
organizacionais, sociais e institucionais, gerando novas possibilidades
de retorno econômico e social nas mais variadas atividades. Por
contribuir para a elevação do valor agregado da produção, com
reflexos positivos no emprego, na renda e na qualidade de vida da
população, esse ramo vem obtendo status privilegiado em diversas

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políticas e programas nacionais para a ampliação do acesso às


telecomunicações, aceleração da informatização e mitigação da
exclusão digital. Como exemplo, podem ser destacadas as propostas
de fortalecimento da competitividade inseridas no âmbito da Política
de Desenvolvimento Produtivo do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio, que são imprescindíveis em face do panorama
da crise financeira internacional.

Cristiane Vianna Rauen et al. Relatório de acompanhamento setorial. In:


Tecnologias de informação e comunicação, v. III. UNICAMP e Agência Brasileira de
Desenvolvimento Industrial, ago./2009, p. 10-1 (com adaptações).

No que diz respeito aos argumentos e às estruturas


linguísticas do texto acima, julgue o item que se segue.

No trecho “O setor de tecnologias da informação e comunicação


(TICs) impulsiona um conjunto de inovações (...) institucionais”
(sublinhado no texto), o termo “conjunto” exerce a função de núcleo
do complemento direto da forma verbal “impulsiona”.

Comentários

Vamos ver o respectivo trecho?

O setor de tecnologias da informação e comunicação (TICs) impulsiona um


conjunto de inovações técnico-científicas, organizacionais, sociais e
institucionais, gerando novas possibilidades de retorno econômico e social
nas mais variadas atividades.

Qual é o complemento direto (objeto direto) da forma verbal


“impulsiona”?
62456350391

um conjunto de inovações técnico-científicas, organizacionais, sociais e


institucionais

Assim, a palavra “conjunto” representa o núcleo desse objeto direto,


pois é um substantivo e é a palavra de maior importância dentro do
objeto, sem a qual há perda total de significação.

Dessa maneira, o item está correto.

GABARITO: CERTO

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Questão 28 – (CESPE) Professor – SEDU-ES/2007

Os enfoques teóricos que servem de base ao uso de computador em


sala de aula são dois:

Abordagem instrucionista: o computador é planejado como uma


máquina de ensinar, empregando-se o conceito de instrução
programada. Por esse ponto de vista, o conteúdo a ser ensinado
deve ser preestabelecido e subdividido em módulos
estruturados de forma lógica, de acordo com a perspectiva
pedagógica de quem planejou a elaboração do material
instrucional. Ao final de cada módulo, o aluno irá responder a
um questionário, cuja resposta correta leva ao módulo seguinte.

Abordagem construcionista: o computador não é o detentor do


conhecimento, mas ferramenta tutorada pelo aluno, que lhe
permite a busca de informação em redes de comunicação a
distância. O uso do computador como uma ferramenta não
estabelece uma dicotomia tradicional entre conteúdos e
disciplinas, uma vez que trabalha com conhecimentos
emergentes na implantação de projetos.

Idem, ibidem (com adaptações).

A partir das ideias e estruturas do texto acima, julgue o item


que se segue.

A estrutura “lhe permite” (sublinhada no texto) equivale a permite a


ele, pois “lhe” funciona como objeto indireto.

Comentários 62456350391

Observe que o pronome “lhe” foi usado para substituir a


palavra “aluno”, e assim não ser preciso repeti-la.

Dessa maneira, vemos que “a ele” significa “ao aluno”, ou seja, tanto
faz usar uma construção ou outra. Observe que é um objeto indireto,
por isso foi necessário colocar a preposição “a” antes de “ele”.

Concluímos que o item está correto.

GABARITO: CERTO

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Questão 29 – (CESPE) Analista Judiciário – STM/2010

Poeminha Dodói

Quando os caras tão doente,


Vêm a mim;
Eu olho eles, espeto eles,
Corto eles.
Eles curam ou não curam,
Vivem ou vão pro além.
Qué queu acho?
Eu cobro,
E tudo bem.

Millôr Fernandes. Poemas. Porto Alegre: L&PM, 2001, p. 166

Com relação aos sentidos do poema acima e ao nível de


formalidade da linguagem nele empregada, julgue o item a
seguir.

Em “Eu olho eles, espeto eles,/Corto eles” (sublinhado no texto), o


pronome pessoal “eles” ocupa a função de objeto direto, estrutura
própria da linguagem oral informal e coloquial. Na linguagem culta
escrita, essa estrutura seria inaceitável.

Comentários

Sim, pois a estrutura aceitável na linguagem culta é:

“Eu os olho, espeto-os,/Corto-os”


62456350391

Assim, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 30 – (CESPE) Escrivão – Polícia Federal/2004

Quando acompanhamos a história das ideias éticas, desde a


Antiguidade clássica até nossos dias, podemos perceber que, em seu
centro, encontra-se o problema da violência e dos meios para evitá-
la, diminuí-la, controlá-la.

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Diferentes formações sociais e culturais instituíram conjuntos de


valores éticos como padrões de conduta, de relações intersubjetivas e
interpessoais, de comportamentos sociais que pudessem garantir a
integridade física e psíquica de seus membros e a conservação do
grupo social.

Evidentemente, as várias culturas e sociedades não definiram nem


definem a violência da mesma maneira, mas, ao contrário, dão-lhe
conteúdos diferentes, segundo os tempos e 13 os lugares. No
entanto, malgrado as diferenças, certos aspectos da violência são
percebidos da mesma maneira, formando o fundo comum contra o
qual os valores éticos são erguidos.

Marilena Chaui. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995. In: Internet: (com
adaptações)

A respeito das ideias e das estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item a seguir.

O emprego da preposição em “dos meios” (sublinhado no texto) indica


que o complemento do núcleo nominal “problema” (sublinhado no
texto) é composto por dois núcleos.

Comentários

Vamos ver o trecho respectivo?

Quando acompanhamos a história das ideias éticas, desde a Antiguidade


clássica até nossos dias, podemos perceber que, em seu centro, encontra-se
o problema da violência e dos meios para evitá-la, diminuí-la, controlá-la.

Observe o complemento: o problema da violência e o problema dos


62456350391

meios.

Assim, temos dois núcleos: “violência” e “meios”.

Portanto, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 31 – (CESPE) Analista de Informática – TCE-RO/2013

Você sai para jantar sem a carteira. Para pagar a conta, diz: “Meu
nome é [insira o seu aqui]”. O garçom clica no visor do tablet dele.

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Um alerta em seu celular avisa sobre a cobrança. É assim que


funciona o Square, sistema de pagamentos em uso nos Estados
Unidos da América. Ele, hoje, é uma das maiores referências em
pagamentos por celular. É aceito em 200 mil estabelecimentos, entre
restaurantes, bares, cafés, salões de beleza, spas, lojas e até
agências funerárias. Para usá-lo, o cliente precisa instalar um
programa no celular, criar uma conta e inserir dados pessoais e
financeiros. O sistema GPS do telefone identifica quando o cliente
chega a uma loja conveniada, e seu perfil aparece automaticamente
na tela do tablet do caixa da loja. Ao cobrar, o funcionário verifica se
a foto associada à conta corresponde à pessoa à frente.

Essa é uma das formas de usar o telefone como meio de pagamento.


O serviço começará a se popularizar no Brasil a partir do próximo ano,
quando todas as operadoras de telefonia deverão estar autorizadas a
fazer do smartphone uma carteira digital. Se essa alternativa vingar,
será a maior mudança na forma como pagamos por produtos e
serviços desde a chegada dos cartões, nos anos 50 do século
passado.

O celular deixou, há tempos, de ser um aparelho restrito a fazer


chamadas e a enviar mensagens. Os smartphones são computadores
portáteis e poderosos. Exibem mapas, funcionam como
minivideogames, tocam músicas e vídeos, enviam emails, navegam
na rede. Os novos serviços de pagamento aproveitam essa
versatilidade. Boa parte de nossas contas já é paga eletronicamente,
por cartão ou Internet. Por que não usar o celular para fazer isso?

Rafael Barifouse. Débito, crédito ou celular? In: Época, n.º 759, 3/12/2012, p.119-
21 (com adaptações).

Com base nas ideias e nos aspectos linguísticos do texto


62456350391

acima, julgue o próximo item.

A oração “quando o cliente chega a uma loja conveniada” (sublinhada


no texto) exerce a função de complemento da forma verbal
“identifica” (em negrito no texto).

Comentários

Veja o respectivo trecho:

O sistema GPS do telefone identifica quando o cliente chega a uma loja


conveniada, e seu perfil aparece automaticamente na tela do tablet do caixa
da loja.

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Observe que “quando o cliente chega a uma loja conveniada” é uma


oração subordinada substantiva objetiva direta e complementa,
assim, a forma verbal “identifica”.

Apesar das conjunções integrantes serem as mais frequentes para


iniciar as orações subordinadas substantivas, também podem ser
utilizados pronomes interrogativos (“QUE”, “QUEM”, “QUAL”,
“QUANTO”, “QUANTOS”), advérbios interrogativos (“ONDE”,
“COMO”, “QUANDO”, “QUANTO”, “POR QUE”) ou outras
conjunções, como “quando” (caso desta questão).

Assim, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 32 – (CESPE) Analista Judiciário – TRE-AP/2007

O governo federal assentou 381.419 famílias nos últimos quatro anos,


em um total de quase 31,7 milhões de hectares. Os números
mostram o melhor desempenho do Instituto Nacional de Colonização
62456350391

e Reforma Agrária (INCRA) nos 36 anos de existência do órgão,


considerando-se a área destinada à reforma agrária e o número de
famílias assentadas.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a média anual de


famílias assentadas nos últimos quatro anos é de 95.355. Só no ano
passado foram assentadas 136.358 famílias. O aumento de recursos
destinados à obtenção de terras foi expressivo: passou de R$ 409
milhões em 2003 para R$ 1,37 bilhão em 2006, o que permitiu o
cumprimento das metas de assentamento definidas no II Plano
Nacional de Reforma Agrária (II PNRA). No total, em quatro anos,
foram aplicados R$ 4,1 bilhões na obtenção de terras.

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Nesse período foram implantados 2.343 projetos de assentamento


(PA). A criação de um PA é uma das etapas do processo da reforma
agrária. Quando uma família de trabalhador rural é assentada, recebe
um lote de terra para morar e produzir dentro do chamado
assentamento rural. A partir da sua instalação na terra, essa família
passa a ser beneficiária da reforma agrária, recebendo créditos de
apoio (para compra de maquinários e sementes) e melhorias na infra-
estrutura (energia elétrica, moradia, água etc.), para se estabelecer e
iniciar a produção. O valor dos créditos para apoio à instalação dos
assentados aumentou. Os montantes investidos passaram de R$ 191
milhões em 2003 para R$ 871,6 milhões, empenhados em 2006.

Também a partir do assentamento, essa família passa a participar de


uma série de programas que são desenvolvidos pelo governo federal.
Além de promover a geração de renda das famílias de trabalhadores
rurais, os assentamentos da reforma agrária também contribuem para
inibir a grilagem de terras públicas, combater a violência no campo e
auxiliar na preservação do meio ambiente e da biodiversidade local,
especialmente na região Norte do país.

Na qualificação dos assentamentos, foram investidos R$ 2 bilhões em


quatro anos. Os recursos foram aplicados na construção de estradas,
na educação e na oferta de luz elétrica, entre outros benefícios. O
governo também construiu ou reformou mais de 32 mil quilômetros
de estradas e pontes, beneficiando diretamente 197 mil assentados.
Além disso, o número de famílias assentadas beneficiadas com
assistência técnica cresceu significativamente. Em 2006, esse número
foi superior a 555 mil.

O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA),


que garante o acesso à educação entre os trabalhadores rurais,
promoveu, mediante convênios com instituições de ensino, a
realização de 141 cursos. Com o programa Luz Para Todos — parceria
62456350391

do Ministério do Desenvolvimento Agrário, INCRA e Ministério das


Minas e Energia —, os assentamentos também ganharam luz elétrica.
Mais de 132 mil famílias em 2,3 mil assentamentos já foram
beneficiadas com o programa.

O fortalecimento institucional do INCRA, com a realização de dois


concursos públicos, e o aumento no número de superintendências e
sua modernização tecnológica também foram algumas das ações
realizadas no período. Foram nomeados 1.300 servidores aprovados
no concurso realizado em 2005. Somado aos nomeados desde 2003,
o número de novos servidores passou para 1.800, o que representa
um aumento de mais de 40% na força de trabalho do Instituto.

Em questão, n.º 481, Brasília, 14/2/2007 (com adaptações).

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Considerando a sintaxe das orações e dos períodos que


compõem o terceiro parágrafo, assinale a opção incorreta.

a) As duas primeiras orações do parágrafo classificam-se como


absolutas, compondo ambas dois períodos simples.

b) O terceiro período comporta quatro orações, todas subordinadas à


primeira, que apresenta uma circunstância temporal.

c) No quarto período, os parênteses separam, respectivamente, um


termo adverbial com sentido final e uma enumeração exemplificativa.

d) No quinto período — “O valor dos créditos para apoio à instalação


dos assentados aumentou” (sublinhado no texto) —, o núcleo do
sujeito da oração é a palavra “valor”, por isso a flexão numérica do
verbo aumentar está no singular.

e) No último período, a expressão “empenhados em 2006” refere-se a


“R$ 871,6 milhões”.

Comentários

Tenha atenção, porque a questão solicita que seja marcada a


alternativa incorreta.

Vamos ver todas as alternativas?

a) As duas primeiras orações do parágrafo classificam-se como


absolutas, compondo ambas dois períodos simples.

Oração absoluta 1: Nesse período foram implantados 2.343 projetos de


assentamento (PA). Note a existência de uma locução verbal.

Oração absoluta 2: A criação de um PA é uma das etapas do processo da


62456350391

reforma agrária.

Afirmativa correta.

b) O terceiro período comporta quatro orações, todas subordinadas à


primeira, que apresenta uma circunstância temporal.

Quando uma família de trabalhador rural é assentada,/ recebe um lote de


terra/ para morar/ e (para) produzir dentro do chamado assentamento rural.

Observe os verbos sublinhados, pois eles mostram a existência de


quatro orações. Entretanto, elas não são subordinadas à
primeira. Ainda, note a conjunção temporal em negrito.

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Afirmativa incorreta.

c) No quarto período, os parênteses separam, respectivamente, um


termo adverbial com sentido final e uma enumeração exemplificativa.

A partir da sua instalação na terra, essa família passa a ser beneficiária da


reforma agrária, recebendo créditos de apoio (para compra de maquinários
e sementes) e melhorias na infra-estrutura (energia elétrica, moradia, água
etc.), para se estabelecer e iniciar a produção.

Afirmativa correta.

d) No quinto período — “O valor dos créditos para apoio à instalação


dos assentados aumentou” (sublinhado no texto) —, o núcleo do
sujeito da oração é a palavra “valor”, por isso a flexão numérica do
verbo aumentar está no singular.

Sim, o substantivo singular “valor” é o núcleo, com o qual deve


concordar o verbo “aumentar”.

Afirmativa correta.

e) No último período, a expressão “empenhados em 2006” refere-se a


“R$ 871,6 milhões”.

Afirmativa correta.

Assim, a resposta é a alternativa B.

GABARITO: B

Questão 33 – (CESPE) Analista em Ciência e Tecnologia –


62456350391

INPI/2006

Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a


que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições.
Tomou-me tempo, desânimos, esforços. Dela me prezo, sem
vangloriar-me. Surpreendo-me, porém, um tanto à parte de todos,
penetrando conhecimento que os outros ainda ignoram. O senhor, por
exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja na
verdade — um espelho? Demais, decerto, das noções de física, com
que se familiarizou, as leis da óptica. Reporto-me ao transcendente.
Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos. Ou a
ausência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que
não estamos vendo.

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Fixemo-nos no concreto. O espelho, são muitos, captando-lhe as


feições; todos refletem-lhe o rosto, e o senhor crê-se com o aspecto
próprio e praticamente imudado, do qual lhe dão imagem fiel. — Mas
que espelho? Há os “bons” e “maus”, os que favorecem e os que
detraem; e os que são apenas honestos, pois não. E onde situar o
nível e ponto dessa honestidade ou fidedignidade? Como é que o
senhor, eu, os restantes próximos, somos, no visível? O senhor dirá:
as fotografias o comprovam. Respondo: que, além de prevalecerem
para as lentes das máquinas objeções análogas, seus resultados
apoiam antes que desmentem a minha tese, tanto revelam
superporem-se aos dados iconográficos os índices do misterioso.
Ainda que tirados de imediato um após outro, os retratos sempre
serão entre si muito diferentes. Se nunca atentou nisso, é porque
vivemos, de modo incorrigível, distraídos das coisas mais
importantes. (...) Ah, meu amigo, a espécie humana peleja para
impor ao latejante mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou
alguém de tudo faz para rir-se da gente... E então?

João Guimarães Rosa. O Espelho. primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
15.ª ed., 2001, p. 119-21

No trecho “a espécie humana peleja para impor ao latejante


mundo um pouco de rotina e lógica, mas algo ou alguém de
tudo faz para rir-se da gente” (sublinhado no texto),
identifica-se oração com sentido.

a) causal

b) condicional

c) conformativo
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d) conclusivo

e) constrativo

Comentários

Veja que a oração “mas algo ou alguém de tudo faz para rir-se da
gente” possui uma relação de contraste de ideia com a oração
anterior “a espécie humana peleja para impor ao latejante mundo um
pouco de rotina e lógica”.

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A conjunção adversativa “mas”, no trecho desta questão, exprime


ideia de oposição, ressalva, compensação, contraste de ideias
em relação à oração anterior.

Assim, a resposta correta é a alternativa E.

GABARITO: E

Questão 34 – (CESPE) Diplomacia – Instituto Rio Branco/2008

A Alemanha vai enfrentar a pior recessão desde a 2.ª Guerra Mundial


e já planeja, para 2009, um novo pacote de estímulo à economia. As
medidas serão anunciadas assim que o novo presidente norte-
americano, Barack Obama, tomar posse, no final de janeiro. Há
menos de um mês, o governo alemão anunciou um pacote de
medidas de US$ 63 bilhões para fortalecer a economia. Agora, a
oposição quer que outros 25 bilhões sejam usados no pacote. A crise
está obrigando governos, como o da Alemanha, a atuarem em meio a
uma tormenta, o que políticos na Europa já haviam esquecido. “Não
temos muita experiência com esse estado de choque”, admitiu a
chanceler alemã Angela Merkel.

Jamil Chade. O Estado de S. Paulo, 18/12/2008 (com adaptações).

Com referência ao texto acima, julgue o item que se segue.

O emprego de vírgula logo após “Agora” (em negrito no texto)


justifica-se para isolar adjunto adverbial de tempo.
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Comentários

Adjunto adverbial é o termo acessório que se liga ao verbo, ao


adjetivo ou ao próprio advérbio e atribui-lhes uma
circunstância. O adjunto adverbial pode ser exercido por advérbios,
expressões ou locuções adverbiais e, ainda, orações adverbiais. Ele
também pode vir acompanhado de preposição.

Exemplos:

Pedro vai dar uma volta ali. (advérbio)


Márcio chegou de repente. (locução adverbial)
Eu colocarei o almoço assim que ele chegar em casa. (oração adverbial)

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Os advérbios podem denotar diversas circunstâncias, portanto


apresentam várias classificações. Segue uma lista exemplificativa das
mais comuns.

 de afirmação: Ele certamente já chegou.

 de negação: Não nasci em Belo Horizonte.

 de dúvida: Talvez o Brasil ganhe a Copa do Mundo.

 de intensidade: Marcos bebeu muito.

 de lugar: Não nasci neste país.

 de modo: Uma moça entrou em uma casa aparentemente


abandonada.

 de tempo: Sempre escuto a rádio de notícias.

 de concessão: Apesar da proibição, os jovens fumaram


ontem.

 de conformidade: A costureira fez o vestido conforme o


modelo.

 de meio: Marina vai de bicicleta para a escola.

 de instrumento: Mara escreve com caneta suas aulas.

 de finalidade: Marta escreveu uma carta para mim.

De volta à questão, observe que o termo “agora” é um adjunto


adverbial de tempo e está ligado ao verbo “quer”.
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Assim, verificamos que a questão está correta.

GABARITO: CERTO

Questão 35 – (CESPE) Nível Superior – PRF/2012

Se você quiser, compre um carro; é um conforto admirável. Mas não


o faça sem conhecimento de causa, a fim de evitar desilusões futuras.
Desde que o compra, o carro passa a interessar aos outros, muito
mais que a você mesmo. É uma espécie de indústria às avessas, na
qual você monta um engenho não para obter lucros, mas para

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distribuir seu dinheiro. Já na compra do carro, você contribui para


uma infinidade de setores produtivos, que podemos encolher, ao
máximo, nos seguintes itens: a indústria automobilística propriamente
dita; os vendedores de automóveis; a siderurgia; a petroquímica; as
fábricas de pneus e as de artefatos de borracha; as fábricas de
plásticos, couros, tintas etc.; as fábricas de rolamentos e outras
autopeças; as fábricas de relógios, rádios etc.; as indústrias de
petróleo e muitos de seus derivados; as refinarias; os distribuidores
de gasolina, as oficinas mecânicas. Seu automóvel é de fato uma
sociedade anônima, da qual todos lucram, menos você. Ao comprar
um carro, você entrou na órbita de toda essa gente; até ontem, você
estava fora do alcance delas. Como proprietário de automóvel, você
ainda terá relações com outras pessoas: com os colegas motoristas,
que preferem bater no seu para-lama a dar uma marcha à ré de meio
metro; com os pedestres e ciclistas imprudentes; com as crianças
diabólicas que riscam sua pintura, sobretudo quando o carro está
novinho em folha; com os sujeitos que só dirigem de farol alto; com
os barbeiros de qualidades diversas; com a juventude desviada; com
parentes e amigos, que o consideram um sujeito excelente ou
ordinário, conforme sua subserviência à necessidade deles; com
ladrões etc. Poderia escrever páginas sobre o automóvel que você
comprou ou vai comprar, mas fico por aqui: tenho de tomar um táxi e
ir à oficina ouvir do mecânico que o meu carro não está pronto. De
qualquer forma, não desanime com minha crônica: vale a pena ter
carro, pois, ser pedestre, embora mais tranquilo e mais barato, é
ainda mais chato. A não ser que você tenha chegado, com Pascal, à
suprema descoberta: a de que todos os males do homem se devem
ao fato de ele não ficar quietinho no quarto.

Paulo Mendes Campos. Automóvel: sociedade anônima. In: Supermercado. Rio de


Janeiro, Tecnoprint, 1976, p. 99-102 (com adaptações).

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Com referência às ideias e às estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o item.

No trecho “à suprema descoberta: a de que todos os males do


homem “(sublinhado no texto), o elemento “a” exerce a função de
aposto.

Comentários

Observe que o elemento “a” foi usado para que não fosse
necessário repetir a expressão “à suprema descoberta”.

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Assim, o termo exerce a função de aposto resumitivo. Portanto, o


item está correto.

Vamos fazer uma revisão a respeito de aposto?

Aposto é o termo da oração que esclarece, explica, enumera,


identifica, resume, especifica um substantivo (ou termo
substantivado) expresso anteriormente.

Exemplos:

Bernadete, minha madrinha de crisma, virá hoje em Brasília. (aposto


explicativo)
Em Minas Gerais, um dos mais bonitos estados do Brasil, eu nasci. (aposto
explicativo)
Vendemos isto: roupas, sapatos e bolsas. (aposto enumerativo)
Colegas, amigos, familiares, todos participaram da festa. (aposto resumitivo
ou recapitulativo)
O escritor Machado de Assis escreveu belíssimos livros. (aposto
especificativo)
Minha prima Marina é muito bonita. (aposto especificativo)
A cidade de Belo Horizonte é mais bonita que a cidade de Divinópolis.
(aposto especificativo)

OBSERVAÇÕES:

O aposto explicativo (explica ou esclarece) é sempre isolado por


pontuação (vírgula, dois pontos, travessão, parênteses).

Exemplos:
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Marina, minha sobrinha, comprou uma blusa rosa.


Marina gosta de duas coisas: chocolate e refrigerante.
Uma palavra – paz – é o que ela quer.
Eu fui ao Estádio Governador Magalhães Pinto, Mineirão.

O aposto especificativo não é acompanhado de pontuação.

Exemplos:

Minha sobrinha Marina comprou uma blusa rosa.


Eu fui ao Estádio Governador Magalhães Pinto, Mineirão.

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O aposto pode vir acompanhado de preposição.

Exemplos:

O mês de abril tem trinta dias.


O homem perdoou a ambos: ao filho e ao pai.

O aposto pode vir precedido de expressões explicativas.

Exemplos:

Sobrou muita coisa, a saber: joias, perfumes e roupas.


Marina não sabia que iria encontrar Paulo Barros, isto é, o escritor preferido
de sua mãe.

O aposto pode, excepcionalmente, vir antes do termo a que se refere.

Exemplo:

Inteligente e dedicado, Paulo passará no concurso em breve.

O aposto pode referir-se a outro aposto.

Exemplo:

Aécio Neves, neto de Tancredo Neves, ex-Presidente da República, será


candidato ao cargo de presidente da República.

62456350391

O aposto resumitivo, geralmente, é exercido por um pronome


indefinido.

Exemplo:

Joias, viagens, carros, roupas, nada lhe era suficiente.

Temos o “aposto de oração” que é aquele que sintetiza o significado


de uma oração inteira. Cuidado para não confundi-lo com o aposto
resumitivo, que resume termos e não resume orações.

Exemplo:

A menina gastou todo o dinheiro, fato que o deixou triste.

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Cuidado para não fazer confusão entre


aposto, adjunto adnominal e complemento
nominal. Para tanto, veja os seguintes
exemplos.

Exemplo 1:

O estado de Minas Gerais possui grande quantidade de municípios. (aposto


especificativo)

Observe que o termo “de Minas Gerais” especifica um estado entre os


vários pertencentes ao Brasil.

Os moradores de Minas Gerais são muito agradáveis. (adjunto adnominal)

Observe que o termo “de Minas Gerais” expressa qualidade.

A formação de Minas Gerais não foi pacífica. (complemento nominal)

Observe que o termo “de Minas Gerais” indica o paciente da ação.

Exemplo 2:
62456350391

O escritor Machado de Assis escreveu livros belíssimos. (aposto


especificativo)
Os livros de Machado de Assis são muito importantes para a literatura
brasileira. (adjunto adnominal)

GABARITO: CERTO

Questão 36 – (CESPE) Nível Superior – TJ-ES/2010

O começo foi lá atrás e não foi fácil. A profissão que hoje dá orgulho a
Tião, aos 32 anos de idade, já foi motivo de vergonha. Ele começou a

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catar lixo com onze anos, com a família. “Para mim, catar lixo era
natural”, diz. Para os outros, não. Sua mãe deu uma entrevista e ele
passou a ser perseguido pelos colegas da escola. No dia seguinte ao
da entrevista, chegou à sala de aula e viu escrito na lousa: “Tião, filho
da xepeira”, uma referência à xepa, prática de pegar os restos de
feiras para levar para casa. Em uma festa da escola, Tião dançava
com a namoradinha, quando um menino anunciou pelo microfone:
“Olha, ela está dançando com o filho da xepeira.” Humilhado, Tião
saiu da festa correndo. Saiu também da escola. Ficou cinco anos sem
estudar. Agora cursa o segundo ano do ensino médio. Seu sonho é
cursar sociologia. No documentário Lixo Extraordinário, Tião diz que
gosta de Nietzsche e Maquiavel. Ele encontrou um exemplar de O
Príncipe, de Maquiavel, no meio do chorume do aterro. Depois de ler,
ficou comparando os príncipes descritos por Maquiavel com líderes do
tráfico. Ele conta que a obra foi fundamental quando estava
começando sua própria liderança. Depois da indicação ao Oscar, ele
acha que sua voz vai chegar muito mais longe que os trezentos
metros quadrados do galpão sufocante da associação dos catadores.
“Quem nunca teve voz agora vai ter, agora vão nos ouvir”, diz ele.

Sebastião Carlos dos Santos. Do lixo ao Oscar. In: Época, 31/1/2011, p. 12 (com
adaptações).

Com referência às ideias do texto acima e às estruturas nele


empregadas, julgue o item seguinte.

O trecho "prática de pegar os restos de feiras para levar para


casa" (sublinhado no texto) é uma expressão apositiva empregada
para explicar o termo "xepa" (em negrito no texto).

Comentários
62456350391

Observe que o trecho "prática de pegar os restos de feiras para levar


para casa" é uma expressão apositiva empregada para explicar o
termo "xepa", ou seja, é um aposto explicativo.

Assim, o item está correto.

GABARITO: CERTO

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Questão 37 – (CESPE) Analista de Sistema – MPE-RR/2008

Maior oferta de biocombustíveis e alta dos preços dos alimentos é


uma relação que tende a prosperar automaticamente até que algum
elementar bom senso tome conta do assunto. Nesse quadro, é até
compreensível que políticos ameaçados por perda de popularidade,
em qualquer canto do mundo, enveredem por caminhos e discursos
bem simplistas e batam seguidamente na tecla dos vínculos entre
etanol e fome. Mais preocupante, no entanto, é a situação criada pelo
relator da ONU para o direito à alimentação, Jean Ziegler, que
classificou os biocombustíveis como “um crime contra a humanidade”,
garantindo que o mundo teria milhões e milhões de novos famintos
pela escalada nos preços dos alimentos que seriam usados para fazer
funcionar os motores dos automóveis do mundo rico. Ainda pior é a
repetição desse sofisma em ambientes como o da Conferência
Regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e
Alimentação (FAO) para América Latina e Caribe, realizada no
Itamaraty, em Brasília. A diplomacia brasileira reagiu com firmeza,
apresentando números da redução do impacto ambiental e da
produtividade da agricultura nacional em áreas não destinadas à
cana-de-açúcar.

Gazeta Mercantil, 16/4/2008 (com adaptações).

Com referência ao texto acima, julgue o item que se segue.

O nome “Jean Ziegler” (sublinhado no texto) está entre vírgulas por


constituir um vocativo.

Comentários
62456350391

Veja que o termo colocado no enunciado é um aposto, e não um


vocativo.

Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

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Questão 38 – (CESPE) Advogado – CBM-DF/2007

(Adaptada)

Internet: aprendendo a ensinar

Depois de estourarem tantas bolhas de euforia na Internet, um novo


segmento é agora alvo das apostas: o ensino pela rede de
computadores (e-learning), o novo filão que mobiliza internautas,
webmasters, criadores de software e investidores. Novos recursos,
integração de áudio, vídeo e texto, professores que atendem online,
fóruns e chats com especialistas são alguns dos recursos que passam
a ser usados de uma forma nunca vista, com o objetivo de fazer que o
aluno aprenda. Os professores assistem a todo esse movimento com
um misto de perplexidade e fascinação, porque temem ficar
marginalizados se não conseguirem dominar essas novas tecnologias
e porque muitos acreditam que o ensino pela Internet vai resolver os
problemas de aprendizado no Brasil.

É tudo tão rápido e avassalador que se torna recomendável uma


pausa para respirar, refletir e jogar no caminho algumas perguntas
incômodas. A primeira: é realmente possível aprender pela Internet?
Os introdutores do e-learning e alguns alunos dizem que sim. Mas os
cursos são tão novos que não existem parâmetros confiáveis para
medir a qualidade desse tipo de ensino. Como ensinar direito, se
ainda não foi criado um modelo pedagógico voltado para a Web? Sem
isso, esses cursos correm o risco de servir apenas para informação e
não para formação.

Urgente, nesse momento em que esses cursos são novidade no


mundo todo, é a discussão que leve a uma pedagogia própria para
esse veículo baseada em estudos e pesquisas. Assim, esse recurso
pode se tornar uma efetiva ajuda na enorme tarefa de disseminar a
62456350391

educação entre os brasileiros, e não apenas um modismo que vai


gerar diplomas rápidos e sem credibilidade.

Francisco Alves Filho. Istoé. Internet: (com adaptações)

Com referência ao texto acima, julgue o item seguinte.

No trecho sublinhado no texto, a expressão “o ensino pela rede de


computadores” desempenha a função sintática de aposto do termo
“Internet”.

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Comentários

Veja que a expressão “o ensino pela rede de computadores” está


ligada ao termo “e-learning”, e não à internet.

Observe que a expressão “o ensino pela rede de computadores”


desempenha a função sintática de aposto do termo “um novo
segmento é agora alvo das apostas”.

Dessa maneira, concluímos que o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 39 – (CESPE) Contador – MTE/2014

“Passe lá no RH!”. Não são poucas as vezes em que os colaboradores


de uma empresa recebem essa orientação. Não são poucos os chefes
que não sabem como tratar um tema que envolve seus subordinados,
ou não têm coragem de fazê-lo, e empurram a responsabilidade para
seus colegas da área de recursos humanos. Promover ou comunicar
um aumento de salário é com o chefe mesmo; resolver conflitos,
comunicar uma demissão, selecionar pessoas, identificar necessidades
de treinamento é “lá com o RH”. Em pleno século XXI, ainda existem
empresas cujos executivos não sabem quem são os reais
responsáveis pela gestão de seu capital humano. Os responsáveis
pela gestão de pessoas em uma organização são os gestores, e não a
área de RH. Gente é o ativo mais importante nas organizações: é o
propulsor que as move e lhes dá vida. Portanto, os aspectos que
envolvem a gestão de 16 pessoas têm de ser tratados como parte de
uma política de valorização desse ativo, na qual gestores e RH são
vasos comunicantes, trabalhando em conjunto,
62456350391
cada um
desempenhando seu papel de forma adequada.

José Luiz Bichuetti. Gestão de pessoas não é com o RH! In: Harvard Business
Review Brasil. (com adaptações).Francisco Alves Filho. Istoé. Internet: (com
adaptações)

Acerca dos aspectos estruturais e interpretativos do texto


acima, julgue o item a seguir.

No trecho “Não são poucos os chefes que não sabem como tratar um
tema que envolve seus subordinados” (sublinhado no texto), há duas
orações de natureza restritiva, uma referente a “os chefes” e outra a
“um tema”.
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Comentários

Observe a existência de duas orações subordinadas adjetivas


restritivas:

1. “que não sabem como tratar um tema” – restringe o termo


“chefes”, pois o autor está fazendo referência apenas àqueles
chefes que não sabem como tratar um tema, e não a todos os
chefes.

2. “que envolve seus subordinados” – restringe o termo “tema”,


pois o autor está fazendo referência apenas a tema que envolve
subordinados, e não a todo tipo de tema.

Assim, vemos que o item é correto.

GABARITO: CERTO

Questão 40 – (CESPE) Analista Legislativo – Câmara dos


Deputados/2014

Constantemente, você precisa provar e comprovar que é quem diz


ser. Embora pareça, essa não é uma questão filosófica. A tarefa é
prática e corriqueira: cartões de crédito, RG, CPF, crachás
corporativos e carteirinhas de mil e uma entidades, que engordam a
carteira de todo cidadão, são exigidos, a toda hora, para identificar
uma pessoa no mundo físico. No ambiente virtual, combinações de
usuário e senha funcionam para dar acesso a emails, celulares, redes
sociais e cadastros em lojas online. Lidamos com tantas combinações
desse tipo, que já se fala de uma nova categoria de estresse: a
“fadiga de senhas”. A solução para driblar o problema é o
62456350391

reconhecimento biométrico — afinal, cada pessoa é única, e a


tecnologia já pode nos reconhecer por isso. Em questão de segundos,
dispositivos modernos são capazes de ler as características de partes
do nosso corpo, comparar o que veem com a base de dados que
possuem, e atestar a identidade das pessoas previamente
cadastradas no sistema.

Renata Valério de Mesquita. Você é a sua senha. In: Planeta, fev./2014 (com
adaptações)

Acerca dos aspectos linguísticos do texto acima, julgue o item


seguinte.

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No trecho sublinhado, o sujeito da forma verbal “diz” é o pronome


“quem”.

Comentários

Para resolver este tipo de questão, a maneira mais fácil é fazer


substituições, pois fica mais fácil de visualizar. Veja:

Constantemente, você precisa provar e comprovar que você é quem você


diz ser.

Assim, observe que o sujeito da forma verbal “diz” é o pronome


“você”.

Portanto, a questão está incorreta.

GABARITO: ERRADO

Questão 41 – (CESPE) Nível Superior – TJ-ES/2010

A possibilidade de alguém sair às ruas do Cairo para protestar contra


o presidente Hosni Mubarak em 1998, ano em que o jornalista norte-
americano de origem egípcia Abdalla Hassan se mudou para a cidade,
era, nas palavras dele, “simplesmente impensável”. “No máximo,
culpava-se o primeiro-ministro, jamais o presidente”, disse Hassan,
enquanto os protestos se espalhavam pelas ruas da capital egípcia.
Seu depoimento dá a dimensão do medo imposto pelo ditador, que
permaneceu 30 anos no poder — e quão espetaculares e inesperados
foram os eventos no Cairo e em cidades como Suez e Alexandria.
Multidões sublevadas saíram pelas ruas clamando por melhores
condições de vida, emprego e, sobretudo, pelo fim do regime de
62456350391

Mubarak. Para deter as manifestações, o ditador desativou a Internet,


cortou a telefonia celular e ocupou estações de rádio e TV. Decretou
toque de recolher. Não adiantou. Os protestos continuaram. A semana
terminou sem que estivesse claro o futuro político do maior aliado dos
Estados Unidos da América (EUA) no mundo árabe. Se Mubarak
caísse, o que viria em seu lugar — uma democracia moderna ou uma
teocracia islâmica como a do Irã? A resposta a essa pergunta é crucial
para toda a região.

Juliano Machado e Letícia Sorg. O grito árabe pela democracia. In: Época,
31/1/2011, p. 32 (com adaptações)

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Considerando as ideias e estruturas linguísticas do texto


acima, julgue o próximo item.

No trecho “enquanto os protestos se espalhavam pelas ruas da capital


egípcia” (sublinhado no texto), a próclise do pronome “se” justifica-se
pela natureza subordinada da oração, explicitada pela conjunção
temporal “enquanto”.

Comentários

A próclise é a colocação do pronome antes do verbo, da forma


como está nesta questão.

Temos várias regras sobre colocação pronominal, as quais serão


estudadas oportunamente.

Aqui, temos uma das regras, explicada no enunciado. Observe, ainda,


que “enquanto os protestos se espalhavam pelas ruas da capital
egípcia” é uma oração subordinada adverbial temporal.

Portanto, o item está correto.

GABARITO: CERTO

Questão 42 – (CESPE) Analista – SERPRO/2013

Segundo teorização do filósofo McLuhan, a palavra falada era o meio


mais completo de comunicação, porque, embora se destinasse a ser
escutada, envolvia também a participação de outros sentidos, como o
tátil (gestos) e o visual (expressões faciais). As culturas orais são
integrais, porquanto seus membros agem e reagem ao mesmo tempo.
62456350391

Os indivíduos são bem informados, constituem pessoas completas,


formadoras de uma irmandade total.

Entretanto, o descobrimento da escrita e, mais tarde, das técnicas de


impressão teve profundo impacto sobre a cultura: destribalizou a
humanidade, rompeu a associação entre os sentidos e modificou a
maneira de o homem perceber o mundo e com este se relacionar,
tornando-a solitária, técnica, fria e impessoal.

Com o advento da era eletrônica do audiovisual, concebeu-se uma


maneira de socializar o conhecimento, o que permitiu o reforço dos
laços de irmandade entre os homens. A tecnologia, de forma gradual,
cria um ambiente humano totalmente novo. Os indivíduos são
modificados por suas técnicas de comunicação. As primeiras mídias

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eram extensões do corpo e dos sentidos, dos olhos e dos ouvidos


humanos. As telecomunicações constituem não só extensões do
sistema nervoso central, mas também técnicas que sobre ele
rebatem, determinando uma modelagem da sociedade.

Francisco Rüdiger. As teorias da comunicação. Porto Alegre: Penso, 2011, p. 122-3


(com adaptações).

Julgue o item subsecutivo, relativos às ideias e estruturas


linguísticas do texto acima.

No trecho sublinhado, o vocábulo “porquanto”, que liga orações


coordenadas, pode ser substituído por conquanto, sem prejuízo
para a correção gramatical ou para a ocorrência textual.

Comentários

É típico de o CESPE tentar confundir o candidato quanto ao significado


e à colocação das conjunções “conquanto” e “porquanto”. Por isso,
tenha bastante atenção.

A conjunção “conquanto” é totalmente diferente da conjunção


“porquanto”. Esta inicia orações causais ou explicativas e aquela
introduz orações concessivas.

Tenha em mente que “porquanto” significa “porque”.

Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

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Questão 43 – (CESPE) Advogado – Banco da Amazônia/2007

Existem muitas maneiras de se enxergar uma empresa. Uma delas é


vê-la como uma máquina. E não se trata de uma analogia nova. A era
industrial foi construída com base nesse paradigma, sustentado pelas
teorias dos cientistas Taylor e Fayol, que acreditavam (e isso fazia
sentido para a época em que viveram) que uma empresa tinha de
funcionar como um infalível relógio ou como uma locomotiva,
programada para cumprir, rigorosamente, seus tempos de parada e
locomoção, de maneira a garantir o andamento do sistema ferroviário,
sem atrasos nem acidentes. Para isso, colocaram a produtividade

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como principal meta, assegurada por um sistema técnico de alta


eficiência.

Uma empresa até pode se parecer com uma máquina, quando existe
uma tarefa contínua a ser desempenhada. Nesse caso, a mecanização
da tarefa, de maneira integralmente repetitiva, pode diminuir a
quantidade de erros. O mesmo raciocínio continua valendo, se a
empresa estiver situada em um ambiente estável, ou seja, onde os
fatores externos pouco ou nada interferem no seu desempenho. Ou
quando a criatividade, produto mais nobre e valioso do sistema
humano, é considerada indesejável.

Tornar as tarefas repetitivas para eliminar erros é, talvez, o maior


equívoco em que se pode incorrer. Afinal, os erros acontecem
justamente quando o indivíduo liga o piloto automático. E o piloto
automático é acionado quando o trabalho a ser feito não traz
significado algum para aquele que o executa. Destituído de sentido, o
trabalho se transforma em tarefa enfadonha, que traz apenas
aborrecimento, o que, por sua vez, gera a pressa de acabar logo com
aquela tortura, na ânsia de reencontrar a alma deixada na porta de
entrada da empresa, ao lado do marcador de ponto.

Internet: <www.empreendedor.com.br> (com adaptações).

Acerca das relações sintático-semânticas presentes no texto,


julgue o item subsequente.

O trecho “para aquele que o executa” (sublinhado no texto) classifica-


se como oração subordinada e tem o sentido de finalidade.

Comentários 62456350391

Observe que a oração é subordinada substantiva objetiva indireta. O


sentido não é de finalidade, e sim de "trazer significado PARA
ALGUÉM".

Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

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Questão 44 – (CESPE) Nível Superior – FUB/2014

Há muito tempo a sociedade demonstra interesse por assuntos


relacionados à ciência e à tecnologia. Na verdade, desde a pré-
história, o homem busca explicações para a realidade e os mistérios
do mundo que o cerca. Observou os movimentos das estrelas,
manuseou o fogo, aprendeu a usar ferramentas em seu favor, buscou
respostas para os fenômenos da natureza. Independentemente dos
mitos, lendas e crenças que moldaram as culturas mais primitivas, o
pensamento humano sempre esteve, de alguma forma, atrelado ao
conhecimento científico, que se renovou e se disseminou com o
passar dos séculos.

Mesmo com todo o aparato tecnológico, que tem possibilitado o


acesso praticamente instantâneo à informação, questionam-se tanto
aspectos quantitativos como qualitativos dos conteúdos sobre ciência
veiculados pelos meios de comunicação de massa. A divulgação, por
meio do jornalismo científico, está longe do ideal. Na grande mídia, a
ciência e a tecnologia ficam relegadas a segundo plano, restritas a
notas e notícias isoladas, em uma cobertura que busca sempre
valorizar o espetáculo e o sensacionalismo. A televisão aberta,
principal veículo condutor de conteúdos culturais, não contribui como
deveria para o processo de “alfabetização científica”, exibindo
programas sobre o tema em horários de baixa audiência.

Mas até que ponto é relevante incluir a sociedade de massa na esfera


de discussão de um grupo seleto de estudiosos? A promoção da
informação científica contribui para o processo de construção da
cidadania, quando possibilita a ampliação do conhecimento e da
compreensão do público leigo a respeito do processo científico e de
sua lógica, no momento em que constrói uma opinião pública
informada sobre os impactos do desenvolvimento científico e
tecnológico sobre a sociedade e quando permite a ampliação da
62456350391

possibilidade e da qualidade de participação da sociedade na


formulação de políticas públicas e na escolha de opções tecnológicas,
especialmente em um país onde a grande maioria dos investimentos
na área são públicos.

Luiz Fernando Dal Pian Nobre. Do jornal para o livro: ensaios curtos de cientistas.
Internet: (com adaptações).

Julgue o item que se segue, relativo às estruturas linguísticas


do texto.

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A vírgula imediatamente após “aberta” (em negrito no texto) foi


empregada para separar dois termos de mesma função sintática, uma
vez que tanto “aberta” quanto “principal veículo condutor de
conteúdos culturais” (sublinhado no texto) exercem a função de
adjunto adnominal do nome “televisão” (em negrito no texto).

Comentários

Realmente, o termo “aberta” é um adjunto adnominal. Entretanto,


o termo “principal veículo condutor de conteúdos culturais” é um
aposto explicativo.

Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 45 – (CESPE) Analista de Controle Externo –


TCU/2009

As leis elaboradas pelo Poder Legislativo constituem um dos mais


importantes instrumentos para a proteção dos direitos naturais.
Afinal, elas são as responsáveis pela construção da liberdade
individual no Estado de sociedade. Ao compor a liberdade dos
indivíduos em sociedade, elas também limitam o poder
governamental. A participação popular e o controle popular do poder
guardam a ideia de que o exercício da política é coletivo e racional,
com vistas à conquista de algum bem. A política é exercida sempre
que as pessoas agem em conjunto. A política é uma ação plural. O
voto, nas eleições, é modo de expressão do consentimento dos
cidadãos, para que o poder seja exercido em seu nome, para que as
leis sejam elaboradas e executadas de modo legítimo. A expressão do
62456350391

consentimento periódico por meio do voto, em qualquer dos níveis de


governo, é essencial para que o Estado constitucional perdure e seja
sempre capaz de proteger os direitos inerentes às pessoas.

Daniela Romanelli da Silva. Poder, constituição e voto. In: Filosofia, Ciência & Vida.
São Paulo: Escala, ano III, n.º 27, p. 42-3 (com adaptações).

No que concerne à organização dos sentidos e das estruturas


linguísticas do texto acima, julgue o próximo item.

O uso do modo subjuntivo em "perdure" (sublinhado no texto) e


"seja" (sublinhado no texto), em orações sintaticamente

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independentes, deve-se ao valor semântico do subjuntivo para


expressar a ideia de desejo ou vontade, que, no caso, aplica-se à
função do "Estado" (sublinhado no texto).

Comentários

A afirmação está correta quando afirma que as orações que contêm


os verbos mencionados são sintaticamente independentes (orações
coordenadas), assim como ao afirmar que esses verbos estão no
subjuntivo (presente do subjuntivo).

O valor semântico associado ao subjuntivo, entretanto, não é


de desejo ou vontade. Observe que é de dúvida, hipótese.

Assim, o item está incorreto.

Gabarito: ERRADO

Questão 46 – (CESPE) Analista Judiciário – STF/2013

Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia


de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia:
continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim
uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As
Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.

Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo
com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas
posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e
62456350391

que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria:


eu não vivia, nadava devagar em um mar suave, as ondas me
levavam e me traziam. No dia seguinte, fui à sua casa, literalmente
correndo. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos,
disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu
voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas
em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na
rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas
ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o
dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida
inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas
como sempre e não caí nenhuma vez.

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Clarice Lispector. Felicidade clandestina. In: Felicidade clandestina: contos. Rio de


Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

Julgue o item, referente às ideias e às estruturas linguísticas


do texto acima.

A oração introduzida pelo pronome “que” (em negrito no texto) tem


caráter restritivo, visto que especifica a ação expressa pela locução
“andar pulando”.

Comentários

Veja o trecho do enunciado:

Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava


toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo
estranho de andar pelas ruas de Recife.

Observe que a oração “que era o meu modo estranho de andar pelas
ruas de Recife” explica o modo de andar da autora, ou seja, tem
caráter explicativo. Dessa maneira, é uma oração subordinada
adjetiva explicativa.

Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 47 – (CESPE) Oficial da Polícia Militar – PM-CE/2014

Ele não descobriu a América


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Oficialmente, o título de “descobridor da América” pertence ao


navegante genovês Cristóvão Colombo, mas ele não foi o primeiro
estrangeiro a chegar ao chamado Novo Mundo. Além disso, o próprio
Colombo nunca se deu conta de que a terra que encontrou era um
continente até então desconhecido.

A arqueologia já revelou vestígios da passagem dos vikings pelo


continente por volta do ano 1000. Leif Ericson, explorador que viveu
na região da Islândia, chegou às margens do atual estado de Maine,
no norte dos Estados Unidos da América (EUA), no ano 1003. Em
1010, foi a vez de outro aventureiro nórdico, Bjarn Karlsefni, aportar
nos arredores de Long Island, na região de Nova York. Além disso,
alguns pesquisadores defendem que um almirante chinês chamado

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Zeng He teria cruzado o Pacífico e desembarcado, em 1421, no que


hoje é a costa oeste dos EUA.

Polêmicas à parte, Cristóvão Colombo jamais se deu conta de que


havia descoberto um novo continente. A leitura de suas anotações de
bordo ou de suas cartas deixa claro que ele acreditou até a morte que
tinha chegado à China ou ao Japão, ou seja, às “Índias”. É o que o
navegador escreveu, por exemplo, em uma carta de março de 1493.

Mesmo nos momentos em que se apresenta como um “descobridor”,


Colombo se refere aos arredores de um continente que o célebre
Marco Polo – do qual foi leitor assíduo – já havia descrito. Em outubro
de 1492, depois de seu primeiro encontro com nativos americanos, o
explorador fez a seguinte anotação em seu diário de bordo: “Resolvi
descer à terra firme e ir à cidade de Guisay entregar as cartas de
Vossas Altezas ao Grande Khan”. Guisay é uma cidade real chinesa
que Marco Polo visitara. Nesse mesmo documento, Colombo escreveu
que, segundo o que os índios haviam informado, ele estava a caminho
do Japão. Os nativos tinham apontado, na verdade, para Cuba.

Suas certezas foram parcialmente abaladas nas viagens seguintes,


mas o navegador nunca chegou a pensar que aportara em um novo
continente. Sua quarta viagem o teria levado, segundo escreveu, à
província de “Mago”, “fronteiriça à de Catayo”, ambas na China.

Somente nos últimos anos de sua vida o genovês considerou a


possibilidade de ter descoberto terras realmente virgens. Mas foi
necessário certo tempo para que a existência de um novo continente
começasse a ser aceita pelos europeus. Américo Vespúcio foi um dos
primeiros a apresentar um mapa com quatro continentes. Mais tarde,
em 1507, a nova terra seria batizada em homenagem ao explorador
italiano. Um ano depois da morte de Colombo, que passou a vida sem
entender bem o que havia encontrado.62456350391

Antouaine Roullet. In: Revista História Viva. Internet:


<www2.uol.com.br/historiaviva> (com adaptações).

Julgue o item que se segue, considerando as ideias veiculadas


no texto acima, a sua estrutura e seus aspectos gramaticais.

No período “Nesse mesmo documento, Colombo escreveu que,


segundo o que os índios haviam informado, ele estava a caminho do
Japão” (sublinhado no texto), a primeira vírgula foi empregada para
isolar termo com valor adverbial e as demais, para isolar uma oração
de valor temporal intercalada.

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Comentários

Vamos analisar o seguinte período:

“Nesse mesmo documento, Colombo escreveu que, segundo o que os


índios haviam informado, ele estava a caminho do Japão”

A primeira vírgula foi realmente empregada para isolar termo com


valor adverbial (“Nesse mesmo documento”).

As demais vírgulas foram usadas para isolar uma oração de valor


conformativo intercalada.

Veja:

A oração subordinada adverbial conformativa indica a


conformidade (concordância, correspondência) de um fato em relação
a outro expresso na oração principal.

Exemplos:

Maria fez o trabalho, como foi estabelecido.


Realizaram a exposição conforme o combinado com o artista responsável.

Veja as principais conjunções e locuções conjuntivas


subordinativas conformativas: como, conforme, segundo,
consoante, de modo que, de forma que, etc.

Assim, o item está errado, pois apenas a primeira afirmativa


está correta. Tenha cuidado quando temos mais de um
questionamento no item, certo?

GABARITO: ERRADO 62456350391

Questão 48 – (CESPE) Analista Administrativo – ANTT/2013

É inegável que a política de estímulo ao transporte individual


motorizado é absolutamente insustentável, tanto pelo uso de recursos
naturais quanto pela geração de poluição e pela crescente
inviabilização dos deslocamentos urbanos.

Não são necessárias muitas considerações para se constatar o óbvio:


os engarrafamentos quase permanentes em cidades como Rio de
Janeiro e São Paulo provocaram, nos últimos anos, uma queda
vertiginosa na velocidade média de suas ruas. Não apenas a lentidão

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irritante do tráfego urbano, a par da escassez de vagas, provoca


desperdício de petróleo, um recurso natural não renovável, e aumento
na quantidade de horas de trabalho perdidas no trânsito, como a
poluição decorrente desses fatos causa um número cada vez maior de
casos de doenças respiratórias, sem falar nos problemas psíquicos. Os
prejuízos são, ao mesmo tempo, sociais, ambientais e econômicos
(embora alguns setores sempre lucrem com o caos).

Com a moeda estável e financiamentos em até 72 meses, as classes


ascendentes podem realizar suas aspirações de possuir um carro
novo. Certo, elas também têm direito a um carro e, além disso, tal
poder de compra “é um sinal de progresso social e econômico”, como
tanto se ouve falar. No entanto, essa forma superficial de encarar a
questão esconde que, na verdade, não há progresso algum, nem para
a sociedade, como um todo, nem para o feliz possuidor do carro novo.

É indispensável que a sociedade tome consciência de que o transporte


individual nas cidades é incompatível com uma boa qualidade de vida.
É importante que se renuncie à ideia falsa de conforto que o
automóvel proporciona e ao seu uso como mero símbolo de status.
Somente modos de transporte de massa, ou seja, os movidos à
energia elétrica, como trens e metrô, podem resolver tais problemas.

Planejamento urbano de qualidade é igualmente indispensável. Isso


significa, entre outras medidas, concentrar serviços próximos ou
entremeados com áreas residenciais, para que se reduza a
necessidade de deslocamentos; permitir escritórios de baixa
movimentação de pessoas em áreas meramente residenciais;
incentivar a implantação de escolas de qualidade em todos os bairros;
descentralizar os polos de negócio, de comércio e de finanças. Quanto
mais tempo levarmos para a adoção dessas medidas, mais cara,
demorada e dolorosa será a tentativa de reverter a tendência de
colapso no sistema de transporte urbano.
62456350391

Carlos Gabaglia Penna. Transporte e meio ambiente. Internet:


http://www.oeco.org.br (com adaptações).

Com base nas ideias e na estrutura do texto acima, julgue o


item.

Os termos “desperdício de petróleo” (sublinhado no texto), “aumento


na quantidade de horas de trabalho perdidas no trânsito” (sublinhado
no texto) e “a poluição decorrente desses fatos” (sublinhado no texto)
exercem a mesma função na oração de que fazem parte, visto que
complementam a forma verbal “provoca” (em negrito no texto).

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Comentários

Vamos analisar o seguinte trecho:

Não apenas a lentidão irritante do tráfego urbano, a par da escassez de


vagas, provoca desperdício de petróleo, um recurso natural não renovável,
e aumento na quantidade de horas de trabalho perdidas no trânsito, como a
poluição decorrente desses fatos causa um número cada vez maior de casos
de doenças respiratórias, sem falar nos problemas psíquicos.

Observe que os termos “desperdício de petróleo” e “aumento na


quantidade de horas de trabalho perdidas no trânsito” exercem a
mesma função (objeto direto) na oração de que fazem parte, visto
que complementam a forma verbal “provoca”.

Entretanto, o termo “a poluição decorrente desses fatos”


exemplifica os complementos vistos no parágrafo anterior.

Assim, o item está errado.

GABARITO: ERRADO

Questão 49 – (CESPE) Diplomata – Instituto Rio Branco/2009

A diferença na linguagem

“Para os gramáticos, a arte da palavra quase se esgota na arte da


escrita, o que se vê ainda pelo uso que fazem dos acentos, muitos dos
quais fazem alguma distinção ou evitam algum equívoco para os olhos
mas não para os ouvidos.” Neste texto Rousseau nos sugere que,
para ler bem, é preciso prestar ouvidos à voz original, adivinhar as
diferenças de acento que a articulam e que se tornaram
62456350391

imperceptíveis no espaço homogêneo da escrita. Na leitura, o olho


treinado do Gramático ou do Lógico deve subordinar-se a um ouvido
atento à melodia que dá vida aos signos: estar surdo à modulação da
voz significa estar cego às modalidades do sentido. Na oposição que o
texto faz entre a arte de falar e a arte de escrever, podemos
encontrar não apenas as razões da desqualificação da concepção
gramatical da linguagem, mas também a indicação do estatuto que
Rousseau confere à linguagem. O que é importante notar aqui é que a
oposição entre falar e escrever não se funda mais na oposição entre
presença e ausência: não é a ausência do sujeito falante que
desqualifica a escrita, mas a atonia ou a homogeneidade dos signos
visuais. Se a essência da linguagem escapa à Gramática, é porque

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esta desdobra a linguagem num elemento essencialmente


homogêneo.

Bento Prado Jr. A retórica de Rousseau. São Paulo: Cosac Naify, 2008, p. 129-130

Com relação às ideias e aos aspectos gramaticais do texto,


extraído da obra A retórica de Rousseau, julgue (C ou E).

No período inicial do texto, há três orações subordinadas adjetivas


com sentido restritivo.

Comentários

Vamos analisar o seguinte período:

“Para os gramáticos, a arte da palavra quase se esgota na arte da escrita, o


que se vê ainda pelo uso que fazem dos acentos, muitos dos quais fazem
alguma distinção ou evitam algum equívoco para os olhos mas não para os
ouvidos.”

Na verdade, existem cinco orações adjetivas restritivas, assim


existem três obviamente.

Portanto, tenha muito cuidado com as “pegadinhas” da banca.

Veja:

"que se vê ainda pelo uso dos acentos";

"que fazem"; 62456350391

"dos quais fazem alguma distinção (para os olhos mas não para os
ouvidos)";

“(muitos dos quais) evitam algum equívoco para os olhos mas não
para os ouvidos";

Portanto, o item está correto.

GABARITO: CERTO

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Questão 50 – (CESPE) Analista Legislativo – AL-CE/2011

“Não é difícil governar a Itália. É inútil.” O ditador Benito Mussolini


cunhou essa frase com a pretensão de jogar sobre o povo italiano
todas as mazelas do país. Contudo, a história vem mostrando que a
famosa frase embute uma verdade, só que em um sentido invertido.
Inúteis são governantes como Mussolini e Silvio Berlusconi, o bufão
de 75 anos que foi primeiro-ministro por três vezes e agora cai por
absoluta incapacidade de apresentar soluções para a brutal crise
econômica da Itália. O último mandato de Berlusconi começou em
2008 e, desde então, ele parecia viver uma realidade paralela. Passou
o tempo administrando denúncias — de fraude fiscal a sexo pago com
belas garotas. Mas foi a economia que acabou com a sua condição de
primeiro-ministro com mais tempo no poder italiano depois da
Segunda Guerra Mundial. Sem respaldo político para adotar medidas
de austeridade essenciais para impedir a quebradeira da Itália, a
terceira maior economia da zona do euro, Berlusconi anunciou, no dia
8 de novembro, sua intenção de renúncia. Só não marcou a data.
Como condicionou a saída à aprovação de um pacote de reformas
econômicas, ele acabou provocando mais incertezas quanto ao futuro
da economia italiana.

Luiza Villaméa. A queda do bufão. In: IstoÉ, 16/11/2011 (com adaptações)

Com relação aos aspectos sintático-semânticos do texto acima,


julgue o item.

O período ‘Não é difícil governar a Itália’ (sublinhado no texto) é


composto por duas orações, ambas sem sujeito.

Comentários 62456350391

Vamos inverter a ordem das orações no período, pois fica mais fácil
em casos assim. Sugiro sempre que você faça isso quando tiver
dúvidas.

Governar a Itália não é difícil.

Veja que “governar a Itália” é o sujeito de “é difícil”. Assim,


temos uma oração subordinada substantiva subjetiva.

Portanto, observe que há sujeito explícito.

Assim, o item está errado.

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GABARITO: ERRADO

62456350391

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SINTAXE: um pouco de teoria

Vamos, agora, inteirar o estudo do tema com assuntos


complementares aos que foram explorados na resolução das
questões.

Para o estudo da Sintaxe, é importante relembrar algumas questões.


Didaticamente, a gramática se divide em três grandes grupos
de assuntos: a Fonética, a Morfologia e a Sintaxe.

A Fonética é responsável por estudar o sistema fônico, ou seja,


investigar a formação e as características dos sons de uma língua
(fonemas). Por sua vez, a Morfologia foca o seu estudo na estrutura
e classificação das classes de palavras, bem como na função dessas
classes na língua.

Por fim, a Sintaxe é a parte gramatical responsável por


investigar como as palavras se organizam em uma oração,
como as relações lógicas entre as orações se estabelecem e
qual a correlação entre essas estruturas oracionais e o
discurso.

É muito interessante o que revela a etimologia da palavra Sintaxe,


que deriva do latim sintaxis e quer dizer “coordenação”. Assim, a
Sintaxe está ligada ao estudo da combinação das palavras para
formar frases, orações e períodos, ou seja, exprimir conceitos e
pensamentos.

Agora, vamos nos familiarizar com conceitos básicos de Sintaxe: a


frase, a oração e o período. Na sequência, apresentarei noções
importantes acerca do discurso.

62456350391

FRASE

A frase é uma declaração, é todo enunciado que possui sentido


completo e, assim, consegue realizar uma comunicação. Veja:

Amanhã irei ao cinema.


Boa noite.
É importante, ao sair, sempre levar um guarda-chuva, pois a
qualquer momento pode chover.
Silêncio.

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Note que o mais importante para existir uma frase é haver a


expressão verbal de um pensamento. Assim, deve existir um processo
comunicativo satisfatório, ou seja, o receptor consegue,
independentemente do tamanho da frase, receber a informação a ele
destinada pelo emissor. Nesse processo, o contexto pode ser
fundamental para que o sentido de uma frase seja completamente
transmitido.

De acordo com a construção, as frases podem ser classificadas em


dois tipos:

Frases nominais: não apresentam verbo em sua constituição.


Exemplos:

Que tarde agradável.


Atenção!

Frases verbais: há a presença de um ou mais verbos. Exemplos:

Ela saiu.
O rapaz foi embora e a moça ficou triste.

De acordo com o sentido transmitido, as frases podem ser


classificadas em diversos tipos:

Declarativa ou Expositiva: faz uma declaração, exprime uma


constatação sobre algum acontecimento. Pode ser afirmativa ou
negativa. Exemplos:

As manifestações pelo Brasil revelam um problema maior sobre


a política brasileira. (afirmativa)
62456350391

O cachorro não saiu da casinha hoje. (negativa)

Exclamativa: declara um sentimento como alegria, raiva, surpresa,


etc. Exemplos:

Que susto!
Parabéns!
Que prova fácil!

Imperativa: emite um pedido, um conselho, uma ordem. Aqui, o


verbo aparecerá no modo imperativo. Pode ser afirmativa ou
negativa. Exemplos:

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Vá estudar. (afirmativa)
Não me ouse desafiar. (negativa)

Interrogativa: apresenta uma pergunta, um questionamento, é


empregada quando alguma informação precisa ser obtida. A
interrogação pode ser direta ou indireta. Exemplos:

Você vem? (interrogação direta)


Quero saber se você não vem. (interrogação indireta)

Optativa: exprime um desejo. Exemplo:

Deus te guie.

ORAÇÃO

A frase verbal pode ser classificada também como oração desde que o
enunciado contenha um verbo ou locução verbal e o seu
sentido seja completo. Veja os exemplos:

Ela estudou a tarde inteira. (uma oração)


Fui ao cinema e depois almocei naquele restaurante. (duas orações)

A oração se estrutura em torno da combinação de sujeito +


predicado. Pode haver oração sem a presença do sujeito, contudo
não se pode pensar em uma estrutura oracional sem o predicado,
mesmo quando ele estiver omitido e só possa ser subentendido pelo
contexto. Exemplos:
62456350391

Nevou ontem. (oração sem sujeito)


Você por aqui? (oração com o verbo elíptico “está” – Você está por aqui?)

É valioso destacar que, para fins de análise gramatical, a oração é a


estrutura linguística mais favorável, uma vez que permite que seus
componentes se relacionem entre si, como partes de um conjunto
funcional. Assim, a oração é composta de termos ou unidades
que desempenham uma função sintática em sua estrutura.

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As frases nominais, caracterizadas pela presença de um sentido e pela


ausência do verbo na sua estrutura, não são orações. Observe:

Boa tarde. (é frase e não é oração)


Silêncio na biblioteca. (é frase e não é oração)

Dessa forma, nem toda frase é oração, mas toda oração é uma
frase. E, dentro de uma frase, a quantidade de orações será
determinada pelo número de verbos ou locuções verbais.

Atenção!

Tradicionalmente aprendemos que basta contar os verbos em um


período para identificarmos a quantidade de orações, mas deve-se ter
cuidado com os verbos elípticos: verbos que estão subentendidos pelo
contexto ou omitidos para evitar repetições. Assim, é fundamental
identificar a presença da elipse verbal para contar exatamente a
quantidade de orações. Veja o exemplo:

As indústrias automobilísticas poluem mais do que as indústrias alimentícias.


As indústrias automobilísticas poluem mais do que as indústrias alimentícias
(poluem).

Observe que, no primeiro período, a segunda ocorrência do verbo


“poluem” foi omitida por estar subentendida. Mas, isso não impede a
sua contagem, dessa forma, o período possui duas orações.

62456350391

Muitas questões de concurso, ao perguntarem quantas orações há em


um determinado trecho do texto, podem induzir o aluno a cair nas
famosas “pegadinhas”. Por isso, é fundamental que o candidato
domine o conceito de partícula expletiva ou de realce: termo de
uma oração que pode ser retirado sem qualquer prejuízo
semântico ou sintático (apenas desaparece o realce).

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Exemplos:

Cá, lá, só, que, etc.


Olha só que presente lindo.
Tenho cá minhas manias.

Essas palavras não geram dúvidas porque não formam nenhuma


estrutura verbal. Contudo, as expressões formadas pela estrutura “ser
+ que” e os pronomes oblíquos átonos (me, te, se, nos, vos) quando
ligados a verbos intransitivos que possuam sujeito, também, são
considerados partículas expletivas. Observe:

Foi-se embora para sempre.


É com um estudo correto que vamos passar no concurso.

Esses verbos que compõem as partículas


expletivas não devem ser contados para
determinação do número de orações de um
período.

62456350391

COLOCAÇÃO DOS TERMOS NA ORAÇÃO

Na Língua Portuguesa, os termos da oração são dispostos em respeito


a uma ordem sintática específica. Essa ordem é determinada pela
própria função sintática exercida por esses termos e pode ser
fundamental para a produção de sentido no texto.

 Ordem Direta: caracteriza a ordem natural dos elementos em uma


oração (sujeito + predicado + complemento). Essa é a ordem
predominante na Língua Portuguesa. Note:

Eu estudei a aula semana passada.

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- Ordem inversa ou indireta: qualquer alteração na ordem dos


elementos apresentada acima (sujeito + verbo + complemento) é
suficiente para caracterizar a inversão da ordem da oração. Não há
uma regra que determine especificamente a colocação dos termos na
ordem indireta, essa construção é livre, desde que respeitada a norma
culta gramatical. Perceba:

O motorista se aproximou da cidade, ansiosamente, antes de escurecer.


(ordem direta)
Antes de escurecer, o motorista se aproximou, ansiosamente, da cidade.
(ordem indireta)

O objetivo do uso da ordem inversa pode ter natureza


estilística. Nesse caso, o objetivo é criar um efeito de ênfase ou
eufonia. Exemplos:

Ele pediu desculpas por consideração. (ordem direta)


Por consideração, ele pediu desculpas. (ordem indireta)

Em outras ocasiões, o equilíbrio e o ritmo da estrutura linguística são


os fatores preponderantes. Veja este poema de Vinícius de Moraes:

“De tudo ao meu amor serei atento


Antes e com tal zelo e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.”

Se colocarmos o primeiro verso na ordem direta, teremos: “Serei


atento ao meu amor antes de tudo”. Claramente, perde-se o impacto
do ritmo e do estilo do poema. Aqui, temos um exemplo magistral de
uso da ordem inversa de natureza estilística.

Ademais, o objetivo do uso da ordem inversa pode ter natureza


62456350391

gramatical. Nesse caso, o intuito é destacar um termo da oração.


Vamos ver alguns exemplos:

- Inversão verbo + sujeito

Ex: Onde está você?


Dize-me tu se é cedo.

- Inversão predicativo + verbo

Ex: Que atrevida era ela!


Abençoados sejam os nossos deuses.

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PERÍODO

O período é a frase constituída por uma ou mais orações.

Período simples é formado apenas por uma oração. Dessa forma,


quando o período for simples, haverá a ocorrência de apenas um
verbo ou locução verbal. Note:

Atirei o pau no gato.

Por sua vez, o período composto é formado por duas ou mais


orações, ou seja, haverá dois ou mais verbos (ou locuções verbais)
na sua estrutura. Observe:

Atirei o pau no gato, mas o gato não morreu e Dona Chica admirou-se do
berro que o gato deu. (período composto por quatro orações = quatro
verbos)

A partir dessas noções sobre período, podemos classificar as orações


da seguinte maneira:

Oração Absoluta: única oração do período simples. Exemplo:

Eu acordei muito feliz hoje.

Orações Coordenadas: são orações autônomas, têm a sua


existência independente de outra oração, não constituem termos de
outra oração ou são referentes a eles. Aqui, o que deve ficar claro é
que a independência entre essas orações coordenadas é de cunho
sintático, uma vez que pode uma oração coordenada enriquecer o
sentido de outra. O período formado por orações coordenadas é
conhecido como período composto por coordenação.

Exemplo: 62456350391

Eu quero passar no concurso, trabalhar e ser independente.

Oração Principal: tem autonomia gramatical. É a oração que não


exerce nenhuma função sintática em outra oração e dela dependerá
outra oração do período.

Exemplo:

Eu sinto que você não me quer mais.

Atenção!

Não há oração principal em um período composto por coordenação.

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Oração Subordinada: não possui autonomia gramatical e tem a


sua existência dependente de outra oração (oração principal),
com a qual constitui o período composto por subordinação.

Exemplo:

Eu sinto que você não me quer mais.

OBSERVAÇÃO:

Período misto ou complexo é aquele composto de orações


coordenadas, principal e subordinadas.

DISCURSO

O discurso é o modo como os falantes de uma língua


estruturam os seus textos, sejam eles orais ou verbais. Na
análise do discurso, poderemos perceber o uso de três tipos de
discursos pelo interlocutor (direto, indireto e indireto livre), que
poderão coexistir dentro de um mesmo texto.

- Discurso direto: é a reprodução fiel e literal do que alguém


disse. É muito comum em diálogos, quando se busca citar ou
transcrever exatamente o que foi dito por alguém. O seu uso, no
texto narrativo, pode ser um bom recurso para expor os traços
da fala e da personalidade dos personagens.

Alguns verbos podem ser utilizados para introduzir esse tipo de


discurso, como: falar, afirmar, responder, dizer, perguntar, retrucar,
gritar, entre outros. Esses verbos dicendi (relacionados com o dizer)
são chamados de verbos de elocução por indicar a fala de
personagens. É comum o uso de sinais de pontuação para auxiliar na
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reprodução dos diálogos, como: travessão, dois-pontos, interrogação,


exclamação, aspas, etc. Perceba:

"— Que crepúsculo fez hoje! - disse-lhes eu, ansioso de comunicação.


— Não, não reparamos em nada - respondeu uma delas. - Nós estávamos
aqui esperando Cezimbra."
Mário Quintana, Coisas Incríveis no céu e na terra.

- Discurso indireto: é escrito em terceira pessoa, o interlocutor


se utiliza de suas próprias palavras para transmitir a fala e as
reações dos personagens. Há uma mistura de vozes e não há uma
pontuação específica que marca esse tipo de discurso. Geralmente, a
estrutura desse discurso é construída por meio de um verbo de
elocução (núcleo do predicado da oração principal), seguido por uma

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oração subordinada (fala do personagem), comumente introduzida


por algum conectivo (que, se, quem, qual, quando, como, por que,
etc). Exemplos:

O réu confessou que matou a vítima de modo cruel.


Questionou se almoçaria hoje.

OBSERVAÇÃO:

Na transposição do discurso direto para o indireto, os sinais de


pontuação desaparecem, o uso dos conectivos faz-se
necessário e o verbo de elocução é mantido. Atente-se para o
fato de que o verbo, no discurso indireto, estará sempre em algum
tempo verbal passado em relação ao tempo verbal do discurso direto.

Discurso Direto Discurso Indireto


Tempo verbal Presente do indicativo Pretérito imperfeito do
indicativo
Tempo verbal Pretérito perfeito do Pretérito mais-que-
indicativo perfeito do indicativo
Tempo verbal Futuro do indicativo Futuro do pretérito
Tempo/Modo Imperativo Pretérito imperfeito do
verbal subjuntivo

62456350391

Vamos ver um exemplo.

Não gosto dessa cor – disse o rapaz. (discurso direto)


O rapaz disse que não gostava daquela cor. (discurso indireto)

- Discurso indireto livre: é um discurso misto escrito em


terceira pessoa, no qual o narrador insere a fala do
personagem no meio da sua fala. A personagem ganha voz própria
e, assim, os dois outros tipos de discursos se misturam e as vozes se
embaralham. Desse modo, é fundamental ter atenção para não
confundir o que é fala do narrador e o que é fala do personagem. Vale
destacar que, diferentemente do discurso indireto, aqui os sinais de

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pontuação do discurso direto (interrogação, exclamação, etc.) podem


ser mantidos. Exemplo:

“Em que estariam pensando?, zumbiu sinha Vitória. Fabiano estranhou a


pergunta e rosnou uma objeção. Menino é bicho miúdo, não pensa. Mas
sinha Vitória renovou a pergunta – e a certeza do marido abalou-se. Ela
devia ter razão. Tinha sempre razão. Agora desejava saber que iriam fazer
os filhos quando crescessem.

– Vaquejar, opinou Fabiano.”


Graciliano Ramos, Vidas Secas.

TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO

Os termos essenciais da oração são os elementos básicos de


significação de uma oração. Podemos dizer que são dois os termos
essenciais da oração: sujeito e predicado.

Mas, cabe observar que há orações sem sujeito e, portanto, o


predicado contém certa primazia sobre o sujeito.

O sujeito é o ser sobre o qual se faz uma declaração, ou seja, a


respeito do qual se diz alguma coisa.

O predicado é tudo aquilo que se diz do sujeito. O predicado é o


responsável por dar a informação completa a respeito do sujeito.

SUJEITO

Como vimos acima, o sujeito é o termo da oração que retrata o ser a


62456350391

respeito do qual afirmamos ou negamos algo.

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A correta identificação do sujeito é peça-


chave na análise sintática. Por isso, tenha
bastante atenção a fim de identificá-lo
corretamente.

Núcleo

É importante dar destaque para o núcleo do sujeito, que é o termo


de maior importância semântica dentro de um conjunto de elementos
que compõem o sujeito.

Exemplos: A menina ganhou uma boneca. (sujeito = “a menina”; núcleo


do sujeito = ”menina”)
Meninos, meninas e adultos participaram da festa de
aniversário da cidade. (sujeito = ”meninos, meninas e
adultos”; núcleo do sujeito 1 = ”meninos”; núcleo do sujeito 2
= ”meninas”; núcleo do sujeito 3 = ”adultos”)

Várias são as classes de palavras que podem exercer a função de


núcleo do sujeito, tais como: substantivo, palavras com função de
substantivo, numeral, pronomes pessoais do caso reto, alguns
pronomes pessoais oblíquos, pronomes pessoais de tratamento.

A respeito do emprego de pronomes pessoais oblíquos como sujeito,


chamo atenção para o seguinte: como sujeito não é sua função típica,
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eles geralmente são usados como sujeito dos chamados verbos


“causativos” e “sensitivos” (mandar, deixar, ver, fazer, ouvir, etc.).

Exemplo: Mandei-o entrar para que seja iniciada a aplicação da prova.

Observe que o pronome “o” é o sujeito do verbo no infinitivo “entrar”.

Classificação do sujeito

Neste tópico, vamos estudar a classificação do sujeito, que pode ser


feita segundo critérios diversos. Vamos ver?

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O sujeito pode ser classificado em sujeito simples ou composto. O


sujeito simples apresenta apenas um núcleo e o composto possui
mais de um núcleo.

Exemplos:
Participaram da reunião todos os condôminos. (sujeito simples = ”todos os
condôminos” – núcleo = ”condôminos”)
Ninguém me procurou. (sujeito simples = ”Ninguém” – núcleo = ”Ninguém”)
Participaram da reunião Pedro e Paulo. (sujeito composto = ”Pedro e Paulo”
– núcleos = ”Pedro” e “Paulo”)

O sujeito também pode ser determinado ou indeterminado.

O sujeito determinado é aquele identificado por algum elemento na


oração. Tenha cuidado com o sujeito desinencial (ou elíptico, ou
oculto), pois, apesar de não estar expresso (ele está subentendido)
na oração, encontra-se determinado pela desinência verbal.

Exemplos:

Márcia estuda em São Paulo. (sujeito simples, expresso e determinado =


”Márcia” – núcleo = ”Márcia”)
Márcia e sua irmã estudam em São Paulo. (sujeito composto, expresso e
determinado = ”Márcia e sua irmã – núcleos = ”Márcia” e “irmã”)
Nascemos em Belo Horizonte no século passado. (sujeito simples,
desinencial, não expresso e determinado = ”Nós” – identificado por meio da
desinência verbal “mos” – núcleo = ”Nós”)

O sujeito indeterminado ocorre quando a afirmação expressa pelo


predicado encontra-se em um elemento que não pode ser
determinado dentro de um conjunto. Dessa forma, não se consegue
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identificar o sujeito, apesar de sabermos que ele existe. Observe os


exemplos a seguir:

Exemplos:

Fala-se em novo pacote econômico.


Fizeram uma manifestação ontem.

OBSERVAÇÃO:

a) Algumas expressões populares não possuem sujeito.

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Exemplos:

Já passava de quatro anos.


Vai para dois anos que ele foi embora.
Basta de trabalho.

b) O verbo “ser” na indicação de horas, datas e distância é


impessoal e a sua impessoalidade pode acontecer também na
3ª pessoa do plural.

Exemplos:

São quatro horas. (concorda com a palavra “hora”)


Era uma hora. (concorda com a palavra “hora”)

Hoje são cinco de março. (são decorridos cinco dias de março)


Hoje é cinco de março. (igual a “é dia cinco de março”, ou seja,
concorda com a palavra “dia”)

Até a esquina são cinco metros. (concorda com a palavra “distância”)


Até ali é um metro. (concorda com a palavra “distância”)

c) Os verbos que indicam fenômeno da natureza, se usados em


sentido figurado, deixam de ser impessoais.

Exemplos:
Choveram palavrões na reunião. (sujeito simples = ”palavrões”)
Joana amanhece radiante. (sujeito simples = ”Joana”)

d) A impessoalidade verbal também ocorre com as locuções


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verbais. Assim, os verbos auxiliares são empregados na 3ª


pessoa do singular.

Exemplos:
Deve chover amanhã.
Vai fazer um ano que ele se casou.

Por último, quero destacar classificações usadas por algumas


bancas examinadoras. É bom ter cuidado com certas denominações
empregadas por elas para que você não erre a questão na prova. Dê
uma olhada:

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a) Sujeito explícito e sujeito implícito

Sujeito explícito é o sujeito expresso, ou seja, o termo está


explícito na oração. De outro modo, o sujeito implícito é aquele que
não foi expressamente declarado na oração. Dessa forma,
concluímos que o sujeito explícito pode ser o sujeito simples ou
composto expressos na oração. Por sua vez, o sujeito implícito é o
sujeito oculto ou o sujeito indeterminado, uma vez que ambos não
são declarados na oração.

Exemplos:

Não faremos a festa de confraternização. (sujeito implícito = ”nós”)


Ontem chegaram as novas empregadas. (sujeito explícito = ”as novas
empregadas”)

b) Sujeito complexo (total ou ampliado) e sujeito


incomplexo (nuclear, gramatical ou inampliado)

Sujeito complexo é aquele que sofre modificação por meio de


complementos, adjuntos ou atributos. Por sua vez, o sujeito
incomplexo não possui modificação complementar.

Exemplos:

O diretor da Construtora Tema irá para a Europa. (sujeito complexo = ”O


diretor da Construtora Tema” e sujeito incomplexo = ”diretor”)
Joana viajará para a Europa. (sujeito incomplexo = ”Joana”)

c) Sujeito agente (ativo), sujeito paciente (passivo) e


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sujeito agente e paciente

Sujeito agente é aquele que pratica a ação verbal. Por sua vez, o
sujeito paciente sofre a ação verbal. E, assim, o sujeito que pratica
e recebe a ação, ao mesmo tempo, é denominado sujeito agente e
paciente. Vale nós lembrarmos, aqui, da voz ativa, da passiva e da
reflexiva. Caso você esteja inseguro, estude o assunto “vozes
verbais”.

Exemplos:

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Maria comprou uma casa. (sujeito agente = ”Maria”)


Uma casa foi comprada por Maria. (sujeito paciente = ”Uma casa”)
Maria se feriu com uma faca de cozinha. (sujeito agente e paciente =
“Maria”)

d) Sujeito lógico ou contextual

Sujeito lógico ou contextual é aquele que é retirado da lógica ou do


contexto de uma sentença ou um texto. Esse tipo de sujeito é um
sujeito oculto, mas que necessita de uma análise do contexto para
que seja corretamente identificado.

Exemplo: No atual mundo em que vivemos, dentistas, médicos e


fisioterapeutas precisam entender mais sobre finanças e
negócios. Caso isso não aconteça, terão problemas na
gerência de seus consultórios.

Perceba que o sujeito (oculto) do verbo “ter” é o termo composto,


extraído do contexto: “dentistas, médicos e fisioterapeutas”.

PREDICADO

O predicado é o termo essencial da oração que contém aquilo que se


diz a respeito do sujeito.

Predicativo

O predicativo é o termo que representa o núcleo nominal de um


predicado. Ele é dividido em: predicativo do sujeito e predicativo do
objeto. 62456350391

Predicativo do sujeito

O predicativo do sujeito é o núcleo do predicado nominal e


expressa um estado, uma qualidade ou uma classificação a respeito
do sujeito.

Exemplos:

Maria anda cansada. (estado)


Esta casa parece ótima. (qualidade)
França e Bélgica são países. (classificação)

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O predicativo do sujeito pode ser representado por: substantivo,


adjetivo, pronome, locução, expressão ou oração. Veja os exemplos
abaixo.

Exemplos:

Maria é vendedora. (substantivo)


Esta casa parece bonita. (adjetivo)
José é ninguém. (pronome)
Marina está em prantos. (locução)
A poupança é meu pé-de-meia. (expressão)
O fato é que você está triste. (oração)

Predicativo do objeto

O predicativo do objeto é o termo que se refere ao objeto por meio


de um verbo de ligação não expresso na oração.

Exemplo: Pedro achou seus cabelos bonitos. (“bonitos” é o predicativo do


objeto direto “seus cabelos”)

Assim, “Pedro achou que seus cabelos são (verbo de ligação implícito)
bonitos.”

O predicativo do objeto ocorre, geralmente, com verbos transitivos


diretos (objeto direto). Como exceção, temos casos de predicativo de
objeto indireto ao usarmos o verbo “chamar” com significado de
“cognominar, apelidar, tachar, alcunhar”.

Exemplo: Pedro chamou ao seu chefe incompetente. (“incompetente” é o


predicativo do objeto indireto “ao seu chefe”)
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O predicativo pode vir deslocado na oração. Tenha bastante


cuidado, então, para não fazer confusão. Como o predicativo faz parte
do predicado, nesses casos, então, ele obrigatoriamente deve vir
acompanhado de vírgula para marcar sua inversão.

Exemplos:

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Pedro foi levado ao hospital com dores fortes. (sem deslocamento)


Pedro, com dores fortes, foi levado ao hospital.
Com dores fortes, Pedro foi levado ao hospital.

Núcleo

De acordo com o tipo de seu núcleo, o predicado apresenta


variações. O núcleo é o elemento mais importante do predicado.
Assim, a depender do núcleo, podemos ter o predicado nominal, o
verbal e o verbo-nominal.

Predicado Nominal

Neste tipo de predicado, o núcleo está representado por um nome


e pode declarar estado, qualidade ou classificação acerca do sujeito.
Aqui, o verbo tem apenas a função de ligar o sujeito a esse nome. O
núcleo se encontra no predicativo do sujeito.

Dessa forma, o predicado nominal é composto por verbo de


ligação e predicativo do sujeito.

Exemplos:

Maria está cansada. (estado)


Maria é médica. (classificação)
Maria é ótima aluna. (qualidade)

O verbo de ligação não possui significação precisa, pois, como


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mencionado, somente liga o sujeito ao predicativo, assim como


aconteceu com os verbos “ser” e “estar” nos três exemplos acima.
Note que, se retirarmos o verbo das orações, não há muito prejuízo
ao sentido delas.

Devemos observar que, apesar de existirem verbos bastante usados


como verbo de ligação (ser e estar), qualquer verbo que for
empregado em um predicado nominal será denominado verbo de
ligação. Desse modo, podemos citar alguns mais comuns: ficar,
parecer, permanecer, continuar, tornar-se, acabar, virar, andar, cair,
viver.

Exemplos:

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Maria acabou mendiga. (estado)


A tristeza virou alegria. (estado)

Predicado verbal

Neste tipo de predicado, o núcleo está representado por um


verbo ou locução verbal que apresenta significação e pode
expressar ação, fenômeno, movimento, situação. Desse modo, o
predicado demonstra o que o sujeito faz ou sofre, e o verbo é o
responsável por possuir a informação mais relevante da oração.

Exemplos:

Maria observava as montanhas. (ação)


Chove pouco em Brasília. (fenômeno)
José foi ao parque ontem. (movimento)
Marina está morando em Brasília. (situação)

Do predicado verbal, fazem parte os verbos transitivos e intransitivos.

Predicado verbo-nominal

Este tipo de predicado possui dois núcleos: o verbo e o nome. Ao


mesmo tempo, expressa a ação praticada e o estado relativo ao
sujeito (predicativo do sujeito) ou ao complemento verbal (predicativo
do objeto). O núcleo “nome” exerce a função de predicativo.

Exemplos: 62456350391

Os jogadores brasileiros entraram no Mineirão apreensivos. (predicativo do


sujeito = “Os jogadores brasileiros”)
Marina achou suas palavras bonitas. (predicativo do objeto direto = “suas
palavras”)

PREDICAÇÃO OU TRANSITIVIDADE VERBAL

A transitividade ou predicação verbal é o modo como o verbo


forma o predicado, isto é, se o verbo exige ou não
complementos. A classificação de um verbo só pode ser definida na
sentença em que ele está colocado, bem como acontece com as

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outras classes de palavras, não é mesmo? Um mesmo verbo, a


depender do sentido em que for empregado, pode necessitar ou não
de complemento (preposicionado ou não).

Dessa forma, os verbos podem ser classificados em intransitivos,


transitivos e de ligação.

Verbos intransitivos

O verbo intransitivo, por si só, apresenta sentido completo e,


assim, não exige complemento. Dessa maneira, o verbo pode
constituir sozinho o predicado. Entretanto, pode vir acompanhado de
termos acessórios (adjunto adverbial) ou integrantes (predicativo), os
quais são usados apenas para especificar as circunstâncias da ação ou
estado.

Exemplos:

O famoso poeta morreu ontem.


A criança chorou.
Marina trabalha em silêncio.

O verbo intransitivo, geralmente, indica movimento, fenômeno ou


situação.

Exemplos:

Resido na rua Serranos. (situação)


Choveu ontem. (fenômeno)
Marina anda depressa. (movimento)
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Tenha cuidado com as observações a seguir:

O verbo intransitivo, eventualmente, pode aparecer


complementado por objeto direto. Isso ocorre em construções nas
quais o objeto (objeto direto interno) pertence à mesma família
vocabular do verbo.

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Exemplos:

José viveu uma vida tranquila. (objeto direto interno = ”uma vida
tranquila”)
Paulo cantou uma canção linda. (objeto direto interno = ”uma canção
linda”)

O verbo intransitivo não necessita especificamente de


complemento verbal, entretanto a presença de adjunto
adverbial é essencial em alguns casos, por causa do sentido.
Dessa forma, podemos notar que o verbo “ir” (de movimento) e o
verbo “morar” (de situação), sem a presença de adjunto adverbial,
apresentam uma situação vaga e indeterminada.

Exemplos:

Paula foi ao cinema.


Moro em Brasília.

Verbos transitivos

O verbo transitivo não apresenta sentido completo e, assim,


exige complemento (objeto) que integre o sentido do
predicado. Dessa maneira, o verbo não consegue constituir sozinho o
predicado. O verbo transitivo se divide em transitivo direto, transitivo
indireto e transitivo direto e indireto (ou bitransitivo).

Verbos transitivos diretos

O verbo transitivo direto necessita de um complemento sem


preposição obrigatória (objeto direto).
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Exemplos:

Marina comprou um apartamento. (objeto direto = ”um apartamento” –


predicado verbal = ”comprou um apartamento”)
A criança beberá desta água. (objeto direto preposicionado = ”desta água”
– predicado verbal = ”beberá desta água”). Observe que a preposição “de”
não é obrigatória - A criança beberá esta água.

Normalmente, o verbo transitivo direto indica ação. Sua principal


característica é admitir a voz passiva. Você sabe fazer a conversão de
voz ativa para voz passiva? Caso não se lembre, sugiro que estude.

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Exemplos:

Marina comprou um apartamento. (voz ativa – objeto direto = ”um


apartamento”)
Um apartamento foi comprado por Marina. (voz passiva – sujeito passivo
= ”Um apartamento” – agente da passiva = ”por Marina”)

Verbos transitivos indiretos

O verbo transitivo indireto necessita de um complemento com


preposição obrigatória (objeto indireto).

Exemplos:

Marina necessita de um emprego. (objeto indireto = ”de um emprego” –


predicado verbal = ”necessita de um emprego”)
A criança obedecerá às minhas ordens. (objeto indireto = ”às minhas
ordens” – predicado verbal = ”obedecerá às minhas ordens”). Observe que o
verbo transitivo indireto também expressa ação.

Atenção! O verbo transitivo indireto não admite a voz passiva.

Verbos transitivos diretos e indiretos

O verbo transitivo direto e indireto, para ter sentido completo,


necessita de dois complementos, um sem preposição e outro
preposicionado obrigatoriamente. (objeto direto e indireto).

Exemplos:

Os alemães ofereceram cerveja aos turistas. (objeto direto = ”cerveja” –


objeto indireto = ”aos turistas” – predicado verbal = ”ofereceram cerveja
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aos turistas”)
O paciente apresentou ao médico os documentos pessoais. (objeto indireto
= ”ao médico” – objeto direto = ”os documentos pessoais” – predicado
verbal = ”apresentou ao médico os documentos pessoais”).

A maioria dos verbos transitivos diretos e indiretos são sinônimos ou


antônimos dos verbos “dar” e “avisar”, tais como: oferecer,
apresentar, entregar, doar, ceder, pedir, legar, receber, tomar,
informar, participar, cientificar, propor, comunicar, etc.

É importante observar que o verbo “avisar” e seus correlacionados


apresentam duas estruturas corretas, veja a seguir.

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Exemplo:

João avisou Ana sobre a festa. (objeto direto = ”Ana” – objeto indireto =
”sobre a festa” – predicado verbal = ”avisou Ana sobre a festa”)
João avisou à Ana a festa. (objeto direto = ”a festa” – objeto indireto = ”à
Ana” – predicado verbal = ”avisou à Ana a festa”)

O verbo transitivo direto e indireto aceita voz passiva:

Exemplos:

Cerveja foi oferecida aos turistas pelos alemães. (sujeito = ” cerveja” –


objeto indireto = ”aos turistas” – agente da passiva = ”pelos alemães”)
Os documentos pessoais foram apresentados ao médico pelo paciente.
(objeto indireto = ”ao médico” – sujeito = ”os documentos pessoais” –
agente da passiva = ”pelo paciente”).

Verbos de ligação

O verbo de ligação não possui conteúdo próprio e serve apenas


como elemento de ligação entre o sujeito e um atributo do
sujeito (predicativo).

Exemplo:

Marina era infeliz. (predicativo do sujeito = ”infeliz” – sujeito = ”Marina” –


predicado nominal = ”era infeliz”)

OBSERVAÇÃO 1:

A transitividade de um verbo pode ser comprovada do seguinte modo:


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Transitivo direto – Ana recebeu uma carta.

Faça assim: quem recebe, recebe alguma coisa. Então, o verbo


“receber” não necessita de objeto com preposição (objeto direto).
Dessa maneira, concluímos que “receber” é um verbo transitivo
direto.

Transitivo indireto – Ana gosta de chocolate.

Faça assim: quem gosta, gosta de alguma coisa. Então, o verbo


“gostar” necessita de objeto com preposição (objeto indireto). Dessa
maneira, concluímos que “gostar” é um verbo transitivo indireto.

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OBSERVAÇÃO 2:

Existem verbos transitivos diretos que necessitam de um qualificador


para o objeto direto que os complementa. Assim, esses verbos
exigem um predicativo para o seu objeto (predicativo do objeto). São
denominados verbos transobjetivos.

Exemplo: Marina considerou João inocente.

Observe que “considerar” é um verbo transobjetivo, pois ele é um


verbo transitivo direto que necessita de um objeto direto que venha
acompanhado de um predicativo (“inocente”).

OBSERVAÇÃO 3:

É muito importante que você não se esqueça de que a predicação


verbal depende do contexto em que o verbo está inserido. Para
classificar um verbo como intransitivo, transitivo ou de ligação,
precisamos verificar a função que ele exerce na oração. Assim, um
mesmo verbo pode ser intransitivo em uma oração, transitivo direto
em outra, etc.

Exemplo:

Marina anda rápido. (verbo intransitivo – ação de “andar”)


Marina anda preocupada com a saúde do marido. (verbo de ligação –
estado de preocupação)

TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO


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Alguns verbos e nomes da oração não conseguem, por si mesmos,


expressar uma significação completa, de modo que necessitam de
outros termos, denominados termos integrantes.

Os termos integrantes, portanto, são aqueles que completam


(integram) o sentido de outros termos.

São os seguintes:

- Complementos Verbais: Objeto Direto e Objeto Indireto;

- Complemento Nominal;

- Agente da Passiva.

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AGENTE DA PASSIVA

Sabemos que a voz passiva analítica é aquela formada por


verbo auxiliar (em geral, ser ou estar) e pelo particípio do
verbo principal. Assim, o sujeito, na voz passiva, será chamado de
sujeito paciente, pois ele não executa a ação verbal. O praticante da
ação verbal será o agente da passiva.

O Agente da Passiva é, portanto, o termo integrante da oração


que pratica a ação verbal na voz passiva analítica.

Veja o exemplo abaixo:

O governador da Bahia tomou a medida. (voz ativa)


SUJEITO VTD OBJETO DIRETO

A medida foi tomada pelo governador da Bahia. (voz passiva)


SUJ. PACIENTE LOCUÇÃO VERBAL AGENTE DA PASSIVA

Perceba que a frase acima foi convertida da voz ativa para a voz
passiva analítica. Nessa transformação, o sujeito da voz ativa tornou-
se o agente da passiva.

O agente da passiva vem sempre precedido de preposição, em


geral da preposição “POR” e derivados (“PELO, PELA, PELOS,
PELAS”). Perceba:

O paciente foi curado pela equipe médica.


SUJ. PACIENTE LOCUÇÃO VERBAL AGENTE DA PASSIVA

O livro de história foi escrito pelo especialista.


SUJ. PACIENTE LOCUÇÃO VERBAL AGENTE DA PASSIVA

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Algumas vezes, no entanto, o agente da passiva virá precedido por


outras preposições:

Os antigos fogões eram movidos a lenha.


SUJ. PACIENTE LOCUÇÃO VERBAL AGENTE DA PASSIVA

A casa velha estava infestada de insetos.


SUJ. PACIENTE LOCUÇÃO VERBAL AGENTE DA PASSIVA

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Cuidado para não confundir o agente da


passiva com o complemento nominal. O
complemento nominal, como o termo já diz,
completa o sentido de nomes (substantivos,
adjetivos e advérbios), enquanto o agente
da passiva pratica a ação verbal na voz
passiva.

Uma dica excelente para solucionar a dúvida é converter a frase para


a voz ativa; a conversão somente será possível na presença do
agente da passiva, que se transformará no sujeito da voz ativa.

Observe:

O criminoso foi flagrado pelo policial. (voz passiva)


SUJ. PACIENTE LOCUÇÃO VERBAL AGENTE DA PASSIVA

O policial flagrou o criminoso. (voz ativa)


SUJEITO VTD OBJETO DIRETO

Agora, veja um exemplo em que o mesmo termo acima atua como


complemento nominal:

O delegado era responsável pelo policial.


ADJETIVO COMPLEMENTO NOMINAL

Perceba que não se pode converter a frase acima para a voz passiva,
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pois não se trata de agente da passiva, mas sim de complemento


nominal – o termo está completando um nome (adjetivo) e não um
verbo.

Por fim, para encerramos o estudo do agente da passiva (e, com ele,
o estudo dos termos integrantes da oração), cabe atentarmos para a
existência do AGENTE DA PASSIVA INDETERMINADO. Ocorre
quando o agente da passiva não está expresso na frase.

Veja o exemplo abaixo:

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O criminoso foi flagrado ontem. (voz passiva)


SUJ. PACIENTE LOCUÇÃO VERBAL

Flagraram o criminoso ontem. (Sujeito indeterminado) (voz ativa)

Observe que, embora o agente da passiva não esteja declarado na


frase, é possível converter a voz passiva para a voz ativa. Após a
conversão, o sujeito também estará indeterminado.

TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO

Os termos acessórios da oração atuam em uma função secundária, de


forma a caracterizar o substantivo ou indicar diferentes
circunstâncias. Temos três termos acessórios: o adjunto
adnominal, o adjunto adverbial e o aposto.

Há também o vocativo, termo da oração que não faz parte nem do


sujeito nem do predicado.

ADJUNTO ADNOMINAL x PREDICATIVO DO OBJETO

Outra confusão que causa muitas dúvidas é a diferença entre


adjunto adnominal e predicativo do objeto. Explico que, no
predicativo do objeto, a qualidade atribuída ao objeto é necessária na
estrutura da oração. A mesma coisa não acontece com o adjunto
adnominal, que é um termo acessório e pode ser retirado da oração.

Para te ajudar, faça assim:

Primeiro, transforme o objeto direto em um pronome oblíquo. Depois,


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observe se o adjetivo que a ele se refere permanece de maneira


lógica na oração. Assim, se houver essa permanência, teremos um
predicativo do objeto. De forma contrária, será adjunto adnominal.

Exemplo 1: Estudei as questões difíceis.

Assim, vamos fazer a substituição:

Estudei-as difíceis. (adjunto adnominal)

Exemplo 2: Achei as questões fáceis.

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Assim, vamos fazer a substituição:

Achei-as fáceis. (predicativo do objeto)

ORAÇÕES SUBORDINADAS

As orações subordinadas caracterizam-se pela dependência


sintática que possuem em relação a outra oração do mesmo
período.

Ao contrário dos períodos coordenados (em que as orações são


equivalentes), nos períodos subordinados, as orações
classificam-se em:

ORAÇÃO PRINCIPAL: é a oração que rege a oração subordinada.

ORAÇÃO SUBORDINADA: é a oração que exerce uma função


sintática em relação à oração principal.

A oração subordinada pode exercer as seguintes funções sintáticas em


relação à oração principal: sujeito, objeto direto, objeto indireto,
complemento nominal, aposto, predicativo, agente da passiva,
adjunto nominal ou adjunto adverbial.

Você já conheceu todos os elementos sintáticos acima mencionados. A


diferença é que, agora, trabalharemos com orações que exercem
essas funções, e não mais com termos.

De acordo com a função exercida, as orações subordinadas serão


nomeadas e agrupadas em uma classificação mais ampla, qual seja:
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Orações Subordinadas Substantivas:

Orações que exercem alguma função sintática típica de substantivo,


quais sejam: sujeito, objeto direto, objeto indireto,
complemento nominal, aposto, predicativo e agente da
passiva.

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Orações Subordinadas Adjetivas:

Orações que exercem função sintática típica de adjetivo, qual seja:


adjunto adnominal.

Orações Subordinadas Adverbiais:

Orações que exercem função sintática típica de advérbio, qual seja:


adjunto adverbial.

FUNÇÃO SINTÁTICA DOS PRONOMES RELATIVOS

Os pronomes relativos, além de serem conectivos (ligam duas


orações), também são termos da oração que introduzem
(representam o nome anterior).

Assim, os pronomes relativos podem ser substituídos, na oração em


que se encontram, pelo substantivo ou pronome substantivo que os
antecedem.

Para compreender, observe o seguinte exemplo:

Vou abrir as encomendas que me enviaram.

No exemplo acima, observe o verbo “enviar” na oração adjetiva


restritiva “que me enviaram”. Esse verbo é transitivo direto e indireto,
pois necessita de dois complementos (alguém envia “alguma coisa” a
“alguém”). No caso, o objeto indireto é representado pelo pronome
“me” (“a mim”) e o objeto direto é representado pelo pronome “que”.
Dizemos, então, que o pronome relativo “que” exerce a função
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sintática de objeto direto na oração do exemplo.

Veja como fica com a substituição: ... me enviaram as encomendas.

Preste atenção em mais alguns exemplos:

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O homem que é honesto tem muito valor. (sujeito – “o homem é honesto”)


Este é o país onde nasci. (adjunto adverbial de lugar – “nasci neste país”)
Você não é mais o marido que sempre foi. (predicativo do sujeito – “sempre
foi o marido”)
O livro a que me referi foi escrito por um inglês. (complemento nominal –
“fiz referência ao livro”)
Encontrei o presente de casamento pelo qual procurava. (objeto indireto –
“procurava pelo presente”)

Outra coisa importante é o emprego de cada um dos pronomes


relativos. Você deve ficar bastante atento a isso: sempre aparece
alguma questão a respeito desse assunto.

QUE

É o pronome que pode ser empregado nas mais diversas situações,


pois se refere tanto a coisas quanto a pessoas.

QUEM

É o pronome que se refere somente a pessoas. Terá sempre uma


preposição antecedente.

ONDE

É o pronome que se refere somente a lugares.

O QUAL (e variações)

É o pronome que pode ser usado para substituir o “que” e que deve
ser obrigatoriamente usado nas seguintes situações:
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 Quando o uso do “que” causar ambiguidade;


 Quando o “que” for precedido das preposições monossilábicas
“sem” e “sob”;
 Quando o “que” for precedido de preposição com mais de uma
sílaba.

CUJO (e variações)

É o pronome que possui a particularidade da noção de posse


estabelecida entre o termo por ele retomado (o termo anterior a ele)
e o termo posterior a ele.

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QUANDO

O vocábulo “quando” terá função de pronome relativo se retomar um


termo que indique, sintática e semanticamente, a ideia de tempo.
Nesse caso, poderá ser substituído por “em que”.

QUANTO (e variações)

O vocábulo “quanto” terá função de pronome relativo se vier


antecedido por um dos pronomes indefinidos a seguir: tudo, todos,
todas, toda, todo.

CORRELAÇÃO

Existem três tipos de orações que são denominadas orações


correlatas. São assim chamadas porque possuem características
próprias quando inseridas nos processos de coordenação e
subordinação.

Dessa maneira, as orações correlatas são aquelas que


possuem conectivos que se distribuem entre uma oração e
outra do período.

Temos, a seguir, exemplos de correlatas (orações comparativas,


consecutivas e aditivas).

Conjunções correlatas comparativas: tanto... quanto...; tanto


mais... tanto mais...; quanto mais... menos...; quanto menos...
menos...; melhor... que (ou do que)...; mais... que (ou do que)...;
etc.
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Conjunções correlatas consecutivas: tal... que...; tamanho...


que...; tanto... que...; tão... que...; etc.

Conjunções correlatas aditivas: não só... mas também...; assim...


como...; não só... mas ainda...; não só... senão também...; etc.

Exemplos:

Tanto beijava-me quanto abraçava-me.


A menina chorou tanto que ficou com a cara inchada.

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CONTAGEM DE ORAÇÕES

Quando temos um período misto (subordinação +


coordenação), precisamos saber contar as orações constantes
desse dado período. Temos que prestar atenção no seguinte: uma
única oração pode ser coordenada e subordinada ao mesmo
tempo.

Para compreender, vamos ver um exemplo:

É necessário que as pessoas concluam que o exercício físico é uma questão


de saúde, a alimentação balanceada é extremamente importante, e o sono
tranquilo é fundamental.

Observe que existem, no período, cinco orações:

 É necessário (1)
 que as pessoas concluam (2)
 que o exercício físico é uma questão de saúde (3)
 (que) a alimentação balanceada é extremamente importante (4)
 e (que) o sono tranquilo é fundamental (5)

Agora, vamos ver como as orações se comportam nesse período


formado por coordenação e subordinação.

A oração (1) é a oração principal. A oração (2) é subordinada em


relação à oração (1). As orações (3), (4) e (5) são subordinadas em
relação à oração (2). As orações (3), (4) e (5) são coordenadas entre
si.

Dessa maneira, o período apresentado possui uma oração


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principal (1), quatro orações subordinadas (2), (3), (4) e (5) e


três coordenadas entre si (3), (4) e (5).

As orações (3), (4) e (5) são chamadas “equipolentes” porque


possuem a mesma classificação e são coordenadas entre si.

Assim, perceba que não houve prejuízo algum ao retirarmos a


conjunção “que” das orações (4) e (5). Mas, se tivéssemos uma
conjunção expressa por meio de uma locução, teríamos que repetir a
parte final da conjunção. Veja o exemplo:

Ana prometeu a João que se casaria com ele logo que se formasse e que
começasse a trabalhar.

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Aqui, faço um alerta para a retirada do pronome relativo nas


orações adjetivas coordenadas entre si.

Caso o pronome relativo não desempenhe a mesma função sintática


nas orações coordenadas entre si, é obrigatória sua repetição.

Exemplos:

Amanhã irei encontrar-me com a mulher que vendeu-me a casa e (que)


comprou-me o carro. (omissão do relativo “que” – mesma função sintática
de “sujeito”)
Amanhã irei encontrar-me com a mulher que vendeu-me a casa e que meu
tio manteve sob sua guarda na época que era criança. (não é possível a
omissão do relativo “que” – diferentes funções sintáticas “sujeito” e “objeto
direto”)

Atenção!

Cuidado com as orações que possuem verbos ocultos, ou seja,


elípticos. Você não pode deixar de incluí-las na sua contagem. Esse
tipo de oração ocorre, geralmente, com as orações adjetivas,
comparativas e condicionais.

Exemplo:

Ele segura a colher tal como seu pai.


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Perceba, no exemplo acima, a existência de duas orações:


Ele segura a colher tal como seu pai (segura).

OBSERVAÇÃO:

As orações intercaladas (ou orações interferentes) são orações


independentes que não fazem parte do período e não exercem
função sintática, ou seja, não se relacionam sintaticamente a
nenhuma outra.

Essas orações são assim denominadas porque aparecem intercaladas


no período, de forma a fazer uma interrupção para introduzir uma

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citação, uma ressalva, uma opinião, um desejo, etc. Aparecem


marcadas por vírgulas, travessão ou parênteses.

Exemplos:

Os empregados da fábrica, eu acredito, gostam muito do gerente que é um


profissional competente.

Observe que o período é formado por duas orações:

 Os empregados da fábrica gostam muito do gerente (oração


principal);
 Que é um profissional competente (oração subordinada adjetiva
restritiva).
 “acredito eu” é uma oração intercalada.

As flores mais bonitas (faço aqui um elogio) são aquelas que ganhei de
Márcio.

Assim, encerramos nossa aula. Espero que tenha aproveitado e


aprendido um assunto tão importante para as provas de concurso.
Acredite, é certo que haverá uma ou mais questões de Sintaxe em
uma prova de Língua Portuguesa de concurso público. Por isso, volte
a esta aula quantas vezes for necessário para ter certeza de que o
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assunto está bem fixado.

Em caso de qualquer dúvida, pode me escrever.

Abraços, Ludimila.

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