Você está na página 1de 2

UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA

CAMPUS MINISTRO ALCIDES CARNEIRO


CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SOCIAIS APLICADAS
CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS
HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA
PROFESSOR MÁRCIO
DISCENTE: NAOMI TAKADA

Fichamento:
ALMEIDA, Maria Regina Celestina de. Os índios na história do Brasil. Rio de
Janeiro: Editora FGV, 2010.

A partir do século XVI haviam muitos índios a ponto de superar a quantidade de


habitantes que havia de portugueses. Além disso, a população indígena era extremamente
diversificada. Os tupis predominavam ao longo da costa brasileira, portanto
estabeleceram contato direto com os portugueses e foram os mais bem descritos e
conhecidos por eles. Os portugueses classificavam os índios como amigos ou inimigos.
Entre os próprios índios havia distinção. Os tupinambás, que dividiam em vários
subgrupos, habitavam na região costeira do Ceará até a Cananeia. Havia também os
guaranis, que foram catequizados e incorporados aos 30 povos das missões da província
do Paraguai.

De acordo com o texto, a principal forma de confirmar o prestígio dos líderes das tribos
era através da guerra. A principal motivação para a guerra intertribal era o ritual de
vingança. Além disso, o casamento também era uma forma de ampliar o poder dos
guerreiros. Ter muitas mulheres era, pois, um fator de prestígio e poder nessa sociedade.
Os portugueses uma vez inseridos nessa sociedade como aliados ou como inimigos
tinham um papel a desempenhar, já que nas primeiras décadas do século XVI a relação
entre os portugueses e os índios não eram ainda intensas e traumáticas, porém já
contribuíam para alterar seus relacionamentos e organizações sociais.
Embora os tupinambás tivessem grande interesse nas mercadorias dos europeus, suas
relações com eles significavam também oportunidades de ampliar relações de aliança ou
de hostilidade. O interesse pelas ferramentas e armas europeias tinha o efeito de aumentar
a competitividade entre os grupos indígenas, que lutavam entre si pelo acesso às
mercadorias, e além disso satisfaziam o interesse português em escravos de guerras. Com
a criação de vilas e das capitanias hereditárias acentuou-se consideravelmente os conflitos
e as hostilidades entre os índios e os europeus. A partir de 1530, a exigência de ritmo de
trabalho intenso na agricultura e nos engenhos, os índios passaram a recusar o trabalho,
portanto a alternativa dos portugueses foi a escravidão em larga escala, o que levou à
violenta reação dos índios.

Do século XVI ao XIX houveram várias expedições armadas com o objetivo de punir
alguns grupos hostis, como os índios bravos que faziam incursões guerreiras sobre regiões
já ocupadas pelos portugueses. Em 1570, houve então a lei que proibia a escravização
indígena, abrindo amplas possibilidades para que ela se mantivesse, pois legitimava o
cativeiro dos tomados em guerra justa. Após 1590 os índios potiguaras estavam
auxiliando os portugueses na tomada de territórios a partir de acordos feitos por seus
próprios interesses. As conquistas dos territórios no século XVI foram travadas entre
portugueses e seus aliados indígenas contra outros povos indígenas. Na conquista de
Guanabara o violento combate também envolveu os povos franceses, que lutaram ao lado
dos índios tamoios contra os portugueses e os temiminós. As alianças e conflitos nessa
guerra demonstrou a flexibilidade das relações entre até mesmo os grupos indígenas. Para
além do século XVI as guerras continuam, com as alianças e conflitos dos diversos grupos
étnicos.