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04/03/2018 A CONTRIBUIÇÃO DO ÍNDIO NA FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA

13th August 2012 A CONTRIBUIÇÃO DO ÍNDIO NA


FORMAÇÃO DA SOCIEDADE
BRASILEIRA
ALGUNS SITES SOBRE A CULTURA INDÍGENA:

1 - POVOS INDÍGENAS DO BRASIL:


http://pib.socioambiental.org/pt [http://pib.socioambiental.org/pt]

2 - FUNAI:
http://www.funai.gov.br/ [http://www.funai.gov.br/]

3 - LÍNGUAS INDÍGENAS BRASILEIRAS:


http://www.indios.info/ [http://www.indios.info/]

4 - FAMALIÁ:
http://www.famalia.com.br/ [http://www.famalia.com.br/]

5 - VIVA BRAZIL - CULTURA INDÍGENA:


http://www.vivabrazil.com/CulturaIndigena.htm
[http://www.vivabrazil.com/CulturaIndigena.htm]

A CONTRIBUIÇÃO DO ÍNDIO NA FORMAÇÃO DA SOCIEDADE


BRASILEIRA

Na Idade Média, a palavra "índio" era empregada para designar as pessoas que
viviam nas Índias, ou seja, no oriente. Ao chegar às Américas, Colombo pensou que
havia chegado as Índias e resolveu chamar os na vos de índios. O conceito de "índio"
é, portanto, uma invenção europeia. Além disso, os índios nunca foram e jamais se
enxergaram como um povo uno. Pelo contrário, diferentes grupos indígenas nutriam
grande animosidade e constantemente guerreavam entre si (historicamente, os índios
brasileiros foram classificados segundo os principais troncos linguís cos, que são:
Tupi-guarani, Macro-jê, Aruak e Karib. Inicialmente, os grupos que veram maiores
contatos (nem sempre amistosos) com os portugueses foram os do tronco tupi ou
tupi-guarani (tupiniquins, tupinambás, tamoios, caetés, po guaras e tabajaras quase
sempre aparecem citadas como as principais). Já os grupos que não eram do citado
tronco tupi-guarani, foram chamados de Tapuias (geralmente povoavam o interior do
Brasil). Mas os tupis não eram uma nação indígena homogênea, pois nham grandes
rivalidades internas que acabaram sendo exploradas pelos europeus que tentavam
colonizar a região. Ainda hoje os historiadores não chegaram a um consenso sobre a
melhor maneira de separar as principais tribos tupis e também para delimitar a área
exata que cada uma delas ocupava no litoral. À medida que adentravam o vasto
território, os portugueses perceberam que haviam centenas de povos com línguas,
costumes e hábitos diferentes. Es ma-se que na época eram faladas cerca de 1.300
línguas indígenas diferentes. Es ma-se ainda que havia cerca de 3 milhões de
indígenas nos primeiros anos da colonização, os quais viviam ainda num processo de
transição do paleolí co para o neolí co, dependendo da caça, pesca, coleta, e
iniciando uma agricultura, ainda muito rudimentar. Os portugueses, inicialmente,
estabeleceram um sistema de trocas e favores com os índios, para tentar conquistar
sua confiança, mas logo passaram a tentar dominar as terras e escravizar os na vos,
os quais oferecerem bastante resistência por meio de fugas e de guerras contra o
colonizador. Devido a resistência do índio, já em 1536, os portugueses deram início ao
tráfico de escravos africanos. Nem todos os índios eram hos s ao colonizador. Em
Casa Grande & Senzala, Gilberto Freyre comenta a respeito de etnias amigáveis, que
contribuíram deliberadamente, principalmente através das índias que entregavam
seus corpos aos prazeres do lusitano sedento de prazer, principalmente pela quase
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total ausência de mulheres brancas no Brasil (era uma reclamação constante dos
governadores e donatários, pedindo mulheres brancas, pois a promiscuidade era
enorme).

“Híbrida desde o início, a sociedade brasileira é de todas da América a que se


cons tuiu mais harmoniosamente quanto às relações de raça: dentro de um
ambiente de quase reciprocidade cultural que resultou no máximo de
aproveitamento dos valores e experiências dos povos atrasados pelo adiantado; no
máximo de contemporização da cultura adven cia com a na va, da do conquistador
com a do conquistado. Organizou-se uma sociedade cristã na superestrutura, com a
mulher indígena, recém-ba zada, por esposa e mãe de família; e servindo-se em sua
economia e vida domés ca de muitas das tradições, experiências e utensílios da
gente autóctone. Mesmo que não exis sse entre a maior parte dos portugueses o
pendor para a ligação, livre ou sob a bênção da Igreja com as caboclas, a ela teriam
sido levados pela força das circunstâncias, gostassem ou não de mulher exó ca.
Simplesmente porque não havia na terra quase nenhuma branca; e sem a gen a era
impossível povoar tão larga costa. O historiador Zacarias Wagner observaria no século
XVII que entre as filhas das caboclas iam buscar esposas legí mas muitos
portugueses, mesmo dos mais ricos, e até "alguns neerlandeses abrasados de
paixões”. Já não seria então, como no primeiro século, essa união de europeus com
índias, ou filhas de índias, por escassez de mulher branca, mas por decidida
preferência sexual. Já o historiador Varnhagen chega a insinuar que, por sua vez, a
mulher indígena, "mais sensual que o homem como em todos os povos primi vos [....
] em seus amores dava preferência ao europeu, talvez por considerações priápicas".
Capistrano de Abreu sugere, porém, que a preferência da mulher gen a pelo europeu
teria sido por mo vo mais social que sexual: "da parte das índias a mes çagem se
explica pela ambição de terem filhos pertencentes à raça superior, pois segundo as
ideias entre eles correntes só valia o parentesco pelo lado paterno".
Para colonizar o enorme território, teve Portugal de valer-se no século XVI do resto de
homens que lhe deixara a aventura da índia. E não seria com esse sobejo de gente,
quase toda miúda, em grande parte plebeia e, além do mais, moçárabe, isto é, com a
consciência de raça ainda mais fraca que nos portugueses fidalgos ou nos do Norte,
que se estabeleceria na América um domínio português branco ou rigorosamente
europeu. A transigência com o elemento na vo se impunha à polí ca colonial
portuguesa: as circunstâncias facilitaram-na. A luxúria dos indivíduos, soltos sem
família, no meio da indiada nua, vinha servir a poderosas razões de Estado no sen do
de rápido povoamento mes ço da nova terra. O certo é que sobre a mulher gen a
fundou-se e desenvolveu-se através dos séculos XVI e XVII o grosso da sociedade
colonial, num largo e profundo mes çamento, que a interferência dos padres da
Companhia salvou de resolver-se todo em liber nagem para em grande parte regu-
larizar-se em casamento cristão.
O ambiente em que começou a vida brasileira foi de quase intoxicação sexual. O
europeu saltava em terra escorregando em índia nua; os próprios padres da
Companhia precisavam descer com cuidado, senão atolavam o pé em carne. Muitos
clérigos, dos outros, deixaram-se contaminar pela devassidão. As mulheres eram as
primeiras a se entregarem aos brancos, as mais ardentes indo esfregar-se nas pernas
desses que supunham deuses. Davam-se ao europeu por um pente ou um caco de
espelho. A mulher gen a temos que considerá-la não só a base sica da família
brasileira, aquela em que se apoiou, robustecendo-se e mul plicando-se, a energia de
reduzido número de povoadores europeus, mas valioso elemento de cultura, pelo
menos material, na formação brasileira. Por seu intermédio enriqueceu-se a vida no
Brasil, como adiante veremos, de uma série de alimentos ainda hoje em uso, de
drogas e remédios caseiros, de tradições ligadas ao desenvolvimento da criança, de
um conjunto de utensílios de cozinha, de processos de higiene tropical - inclusive o
banho frequente ou pelo menos diário, que tanto deve ter escandalizado o europeu
porcalhão do século XVI. Ela nos deu ainda a rede em que se embalaria o sono ou a
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volúpia do brasileiro; o óleo de coco para o cabelo das mulheres; um grupo de


animais domés cos amansados pelas suas mãos.
Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do
corpo. O milho. O caju. O mingau, O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de
pente e espelhinho no bolso, o cabelo brilhante de loção ou de óleo de coco, reflete a
influência de tão remotas avós. O índio contribuiu na obra de conquista dos sertões,
de que ele foi o guia, o canoeiro, o guerreiro, o caçador e pescador. Muito auxiliou o
índio ao bandeirante mameluco, os dois excedendo ao português em mobilidade,
atrevimento e ardor guerreiro; Na obra de sertanismo e de defesa da colônia contra
espanhóis, contra tribos inimigas dos portugueses, contra corsários.
Índios e mamelucos formaram a muralha movediça, viva, que foi alargando em
sen do ocidental as fronteiras coloniais do Brasil ao mesmo tempo que defenderam,
na região açucareira, os estabelecimentos agrários dos ataques de piratas
estrangeiros. Cada engenho de açúcar nos séculos XVI e XVII precisava de manter em
pé de guerra suas centenas ou pelo menos dezenas de homens prontos a defender
contra selvagens ou corsários a casa de vivenda e a riqueza acumulada nos armazéns:
esses homens foram na sua quase totalidade índios ou caboclos de arco e flecha.
A enxada é que não se firmou nunca na mão do índio nem na do mameluco; nem o
seu pé de nômade se fixou nunca em pé-de-boi paciente e sólido. Do indígena quase
que só aproveitou a colonização agrária no Brasil o processo da coivara, que
infelizmente viria a empolgar por completo a agricultura colonial. O conhecimento de
sementes e raízes, outras rudimentares experiências agrícolas, transmi u-as ao
português menos o homem guerreiro que a mulher trabalhadora do campo ao
mesmo tempo que domés ca. Se formos apurar a colaboração do índio no trabalho
propriamente agrário, temos que concluir... pela quase insignificância desse esforço.
O que não é de estranhar, se considerarmos que a cultura americana ao tempo da
descoberta era a nômade, a da floresta, e não ainda a agrícola; que o pouco da
lavoura - mandioca, cará, milho, jerimum, amendoim, mamão - pra cado por algumas
tribos menos atrasadas, era trabalho desdenhado pelos homens - caçadores,
pescadores e guerreiros - e entregue às mulheres, diminuídas assim na sua
domes cidade pelo serviço de campo tanto quanto os homens nos hábitos de
trabalho regular e con nuo pelo de vida nômade. Daí não terem as mulheres índias
dado tão boas escravas domés cas quanto as africanas, que mais tarde as
subs tuíram como cozinheiras e amas de menino do mesmo modo que os negros aos
índios corno trabalhadores de campo.”
(Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala, trechos do capitulo II).

Da culinária, herdamos dos índios as culturas do caju, goiaba, guaraná, palmito,


mandioca, macaxeira, milho, inhame, cará, jerimum, pimenta, etc., os quais
subs tuíram a falta do trigo. Da mandioca se extraía um veneno que, se ingerido,
provocava a morte. O indígena sabia processar a mandioca para extrair dela a massa e
a goma para fazer tapiocas, beijus, farinha, bolos, etc. Também o milho, um cereal
totalmente americano, era muito u lizado para diversas u lidades.
Para cada doença, o indígena nha um chá ou uma bebida especial. Unindo
supers ção ao conhecimento empírico, os na vos desenvolveram uma medicina
natural que hoje em dia tem servido de base para muitas pesquisas médicas, algumas
já comprovadas. Ainda hoje, nos mercados populares do país, encontram-se ervas
para todos os males, das dores de barriga até a inapetência sexual.
De todos os hábitos, porém, o do banho diário foi o que mais escandalizou o
português. Considerado até prejudicial à saúde, o português com dificuldade se
adaptou ao regime higiênico da colônia, cujo calor era causa principal dos quase 15
banhos diários tomados pelos índios que os cronistas coloniais registraram.
Em relação ao idioma, os índios enriqueceram a língua portuguesa, através de
diversas palavras incorporadas ao vocabulário tais como Açucena, abacaxi, caboclo,
gambá, catapora, Morumbi, macaxeira, jabiraca, Jacarepaguá, Jaguar, Jiboia,
Copacabana, Ipanema, carioca, Ceará, Paraíba, Pará, Capibaribe, Beberibe, Jaguaribe,
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Camaragibe, Araraquara, Piracicaba, Paraná, Pernambuco, toró, sagui, saci, etc.


Em relação à religiosidade imposta pelo branco, o catolicismo não sairia ileso do
contato cultural com o na vo. Não deixou de exis r uma fusão das crenças indígenas
com o catolicismo, o qual tornou-se mais folclórico, menos ritualís co, cheio de
supers ções. A própria umbanda, adaptação da religião dos negros à realidade da
colônia, possui algumas influências indígenas, como o caboclo e ervas para rar maus
espíritos. De raiz totêmica e fe chista, a religião primi vista dos índios, que levava em
conta o culto aos elementos da natureza, teve dificuldade em se submeter ao
catolicismo. A única aproximação possível foi a veneração aos santos, levando mesmo
assim, em conta os rituais próprios dos índios, que reverenciavam suas en dades com
festas, sacri cios, deles recebendo curas e ações sobrenaturais por meio dos pajés ou
fei ceiros das tribos. Muitas dessas prá cas ainda resistem ao tempo, no Sertão, por
meio das rezadeiras, que não deixam de cons tuir um ritual mágico de pedir a saúde.

QUESTIONÁRIO
1- Por que a palavra índio é uma construção européia?
2 – Comente o texto: “Híbrida desde o início, a sociedade brasileira é de todas da
América a que se cons tuiu mais harmoniosamente quanto às relações de raça:
dentro de um ambiente de quase reciprocidade cultural que resultou no máximo de
aproveitamento dos valores e experiências dos povos atrasados pelo adiantado; no
máximo de contemporização da cultura adven cia com a na va, da do conquistador
com a do conquistado.
3 – Havia diferenças entre os grupos indígenas? Comente.
4 - O índio contribuiu para a expansão e defesa territorial do Brasil? comente.
5 – Em relação a mes çagem, a mesma servia aos interesses da Coroa portuguesa?
Comente.
6 – Comente a respeito da luxúria abordada no texto de Casa Grande & Senzala.
7– Em relação aos costumes e a culinária, comente a contribuição indígena.
8 – O vocabulário português foi influenciado pela cultura indígena? Comente.
9 – A religiosidade brasileira sofreu influência indígena? Comente.
10 – Analisando o texto, pode-se afirmar que o índio era preguiçoso, ou isso é uma
visão preconceituosa? Comente.
11– A contribuição indígena na formação da sociedade brasileira foi importante?
Postado há 13th August 2012 por Indignado

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