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I.

Introdução

O Plano Nacional de Controle da Tuberculose, lançado pelo Ministro da Saúde, em


1999, define a tuberculose como prioridade entre as políticas governamentais de
saúde, estabelece diretrizes para as ações e fixa metas para o alcance de seus
objetivos.

Recentemente, em 2001, foram revistas as metas e lançado o "Plano de


Mobilização para Controle da Tuberculose e eliminação da Hanseníase".

Este Plano dá continuidade à política de governo que, a partir dos anos trinta,
confiou o combate à tuberculose a sucessivas entidades públicas: Serviço Nacional
de Tuberculose, Divisão Nacional de Tuberculose, Divisão Nacional de Pneumologia
Sanitária, até a atual Coordenação Nacional de Pneumologia Sanitária.

O Programa Nacional de Controle da Tuberculose, um conjunto de ações


descentralizadas, está sob a responsabilidade de diferentes setores do Ministério da
Saúde – Área Técnica de Pneumologia Sanitária, coordenações macrorregionais,
Fundação Nacional de Saúde, Centro de Referência Prof. Hélio Fraga – e das
secretarias estaduais e municipais de Saúde, com atribuições e funções definidas
pelo Plano.

O problema da tuberculose no Brasil reflete o estágio de desenvolvimento social do


país, onde os determinantes do estado de pobreza, as fraquezas de organização do
sistema de saúde e as deficiências de gestão limitam a ação da tecnologia e, por
conseqüência, inibem a queda sustentada das doenças marcadas pelo contexto
social. No caso da tuberculose, duas novas causas concorrem para o agravamento
do quadro – a epidemia de aids e a multirresistência às drogas.

Este cenário faz com que a expressão epidemiológica da tuberculose no Brasil,


neste final de século – com estimativas de prevalência de 50 milhões de infectados
e, anualmente, com o surgimento de 130.000 novos casos e com o registro de
6.000 óbitos – configure, em termos relativos, uma situação mais grave do que a
apresentada por outros países latino-americanos como Argentina, Chile, Colômbia,
Venezuela, Cuba e México. Apesar dos alcances do Programa – descoberta de 70%
dos casos estimados e cura de 75% dos pacientes tratados – esta situação se
manteve estável na década de 1990.

Esta edição do Guia de vigilância, do Ministério da Saúde, compreende duas seções


principais: a primeira apresenta a descrição das técnicas e estratégias essenciais
utilizadas no controle da tuberculose, apresentando, inclusive, um novo capítulo
sobre Biossegurança; a segunda trata da estrutura e da operacionalização do
Programa, uma visão inovadora, inserida nos diferentes níveis da rede de serviços
do Sistema Único de Saúde.

Em seu trabalho, levou-se em conta não só o que estava expresso no 4º Manual de


Normas para o controle OATB, como também importantes contribuições do I
Consenso Brasileiro de Tuberculose, de 1997, uma ação da Coordenação Nacional
de Pneumologia Sanitária, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pneumologia
e Tisiologia; do Seminário de Tuberculose do Ministério da Saúde, de 1998, e da
Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids.