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Rua da Lyberdade (atual Barão do Rio Branco). Data:1892.

Foto: Adolf Volk. Acervo: Cid Destefani / FCC-Casa da Memória. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia
(14/01/1990)

À esquerda o barracão da garagem de bondes movidos à tração animal, de


Boaventura Clapp que depois pertenceria a Santiago Colle e também sediaria a
empresa de bondes elétricos. Ao fundo a estação ferroviária, à época, com apenas um andar.

À direita, Congresso Estadual (Palácio do Congresso) também conhecida como a


Assembléia Legislativa, projetada e construída pelo engenheiro Ernesto Guaita
entre 1891 e 1895.

Seu nome foi alterado em 1912 para Palácio Rio Branco em decorrência da morte do
barão. O prédio se tornou a sede da Câmara Municipal de Curitiba em 1963, quando
a Assembléia foi transferida para o Centro Cívico.

Em 1885, cinco anos antes do início das obras do prédio, Guaita já era o
responsável pela urbanização da Rua da Lyberdade, que foi usada como eixo para que ele
desenhasse uma "malha xadrez" de quadras que se estendiam para o sul, num plano de
ampliação da cidade que ficou conhecido como "Nova Curitiba".
Simulação do Plano Guaita (Nova Coritiba)
Mapa base: Google (2010) / com intervenção gráfica de Analu Cadore (2010)

Figura 59 (pág. 99) da dissertação A produção arquitetônica de Ernesto Guaita em Curitiba, de Analu Cadore. Mestrado
em Urbanismo, História e Aruitetura da Cidade (UFSC, 2010)

Rua da Lyberdade -Observações minhas entre parênteses.

Esta página, que há sete meses vem sendo publicada dominicalmente na nossa
Gazeta do Povo nos leva qual máquina do tempo, às mais diversas paisagens e
épocas de Curitiba e de outras localidades do Paraná.
Hoje mergulhamos no passado remoto de uma das mais tradicionais ruas de nossa velha Curitiba: a
Barão do Rio branco, quando ainda era chamada Rua da Lyberdade.

A razão de sua existência deve-se à instalação dos trilhos da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá.
Em 1884, um ano antes da inauguração dessa monumental obra a rua foi aberta. (Observação:
como uma continuação da Travessa Leitner, que se originava no cruzamento entre a
Riachuelo e a Rua XV). Sua primeira denominação foi Rua da Estação, passando em seguida
a chamar-se Rua Dr. Trajano, nome que teve pouca duração e foi substituído por Rua da
Lyberdade.
Dois dias após o falecimento do chanceler José Maria da Silva Paranhos, no dia 10 de fevereiro de
1912, a prefeitura de Curitiba rebatizava aquela via com o nome de Rua Barão do Rio Branco.
(Observação: a sede da Assembléia Legislativa, que era conhecida como Palácio do
Congresso também mudou para Palácio Rio Branco).

A fotografia acima, feita por Adolf Volk em 1892 nos mostra a Rua da Lyberdade ainda no seu
início de vida. Em 1887, Boaventura Clapp construiu e inaugurou as linhas de bondes de
mulas em Curitiba, sendo a Estação Central destes veículos o barracão que aparece à
esquerda da fotografia. Mais tarde a Cia. Ferro Carril Curitibana, ou seja, os bondinhos
tracionados a mulas foi adquirida por Santiago Colle, que tocou o empreendimento até 1912, quando
foi preparada a substituição dos bondinhos de tração animal pelos elétricos, fato
acontecido em 1913.
Cartão Postal: Rua da Lyberdade, 1907

Outro fato importante aparece na foto gravada por Volk. A instalação dos primeiros postes para a luz
elétrica, benefício introduzido em Curitiba justamente em 1892. (Observação: uma pequena usina
termoelétrica foi inaugurada naquele mesmo ano nos fundos do Palácio do Congresso, numa área
que pertenceu posteriormente à COPEL e hoje abriga setores da Câmara Municipal).

À direita vemos o prédio do Congresso Estadual (Palácio do Congresso), hoje Câmara


Municipal, já em fase final de acabamento. Este edifício foi projetado pelo engenheiro italiano
radicado em Curitiba Ernesto Guaita.

(Observação: o prédio fora inaugurado um ano antes pelo 1º governador eleito do estado,
Generoso Marques. Registros do seu uso efetivo só se dão entre 1894 e 1895, mas não consta que
o prédio tenha sido oficialmente reinaugurado. Entre os primeiros discursos feitos no novo prédio do
Congresso Estadual, destaque para as defesas de Vicente Machado quanto às acusações de ser o
mandante da morte do Barão do Serro Azul, no quilômetro 65 da Estrada de Ferro. O prédio é a
mais neoclássica das contribuições arquitetônicas de Guaita. Foi projetado com o objetivo
de ser um prédio público e isso pode ser observado na monumentalidade da fachada composta pelo
conjunto escadaria, vestíbulo externo com colunas e frontão retangular).
Cartão Postal

Lá no fundo aparece a razão da existência da rua: a estação da estrada de ferro ainda com
um único andar, aspecto arquitetônico que conservou até 1896 quando foi remodelada para
a aparência que mantém até hoje. A velha estação é o símbolo do progresso que a cidade
viveu à época. A estrada de ferro veio causar mudanças radicais no aspecto físico e nos
costumes da cidade. Foi um dos seus engenheiros, Giovanni Lazzarini quem construiu
o Passeio Público. Ele também auxiliou durante um bom tempo a construção da catedral.

Vista parcial do Alto da Glória em direção do sul de Curitiba, em 1893. O prédio que aparece
em destaque no segundo plano é o da atual Câmara de Vereadores, quando ainda em construção.
Foto de Adolph Volk

(Observação: Ambas as obras tiveram também a participação de Guaita. Segundo o


arquiteto e historiador João de Mio, em 1886 Ernesto Guaita teria uma relação bastante
próxima com o presidente da província Alfredo Taunay e também com Francisco
Fasce Fontana, ervateiro que bancou inicialmente o Passeio Público.

Guaita e sua equipe de italianos residentes no Bigorrilho teriam sido os


responsáveis pela primeira intervenção no banhado que depois viria a ser o Passeio
Público. A afirmação consta numa carta enviada por João de Mio à Câmara em 1964, por
ocasião da aprovação do projeto que nominava um logradouro como Ernesto Guaita.
A catedral também contou em suas obras com a direção temporária de Guaita, que se
afastou em meio a uma polêmica com o engenheiro Rodolpho Pao-Brazil)

Famosas hospedarias surgiram nesta época, como Hotel Roma, Hotel Tassi e
Grande Hotel. O curitibano começou a cobrir suas casas com as telhas tipo “francesas”,
que um esperto oleiro de então copiou das que foram usadas para a cobertura da estação.
(Observação: Há registros de que Guaita, que era dono de duas olarias no Bigorrilho,
teve de substituir as telhas do Congresso pouco tempo depois da entrega final do prédio, em
1895).

Noventa e oito anos (Obs.: hoje, 122) nos separam dessa imagem da Rua da Lyberdade. É de
se ficar imaginando: quanta gente passou por ali. Quantos fatos importantes na vida de
Curitiba tiveram esta rua como palco. Não deixa de ser um bom exercício de memória e
tendo alguma dúvida, pergunte aos mais antigos".

Desenho do Palácio do Congresso feito pelo poeta e artista gráfico Silveira Netto. Publicado na
revista "A Arte", n. 5, de 15 de abril de 1895, editada pela Escola de Artes e Indústrias do Paraná.
Vê-se ao fundo a chaminé da primeira usina termoelétrica que gerava luz para
Curitiba (Foto – Hemeroteca Digital Brasileira – Biblioteca Nacional)

Textos meus para o site da Câmara Municipal de Curitiba sobre a construção do Palácio Rio Branco e
sobre seu projetista e construtor, o engenheiro italiano Ernesto Guaita.

A história da construção do Palácio Rio Branco (João Cândido Martins, 26/03/2014 ).


Palácio Rio Branco: a visão do engenheiro Ernesto Guaita (João Cândido Martins, 31/08/2012)
Rua Barão do Rio Branco, nas proximidades da rua XV de Novembro. Ao fundo a Estação
Ferroviária. Década de 1930

Palácio da Liberdade (Palácio Weiss),


Rua da Lyberdade (rua Barão do Rio Branco).
Data: início da década de 20. Foto: autor desconhecido.
Acervo: Cid Destefani. Gazeta do Povo, Coluna Nostalgia (13/04/1997)

Projetado pelo engenheiro italiano Ernesto Guaita e construído entre 1885 e 1890, o
prédio se destinava a ser a residência do engenheiro austríaco Leopold Weiss, que
ocupou cargos de chefia nos Correios e Telégrafos, tendo também atuado junto à
Câmara Municipal de Curitiba. Ele se envolveu numa tumultuada polêmica no começo
do século XX sobre qual seria a melhor forma de levar os telégrafos para o interior do Brasil.
Cartão-Postal

O prédio não chegou a ser utilizado como residência, pois no ano seguinte foi adquirido pela
Fazenda nacional por 40 contos de réis. Posteriormente passaria a pertencer ao
governo do estado que instalou ali sua sede por 30 anos, antes da mudança
para o Palácio Garmatter, no Alto São Francisco. Exemplo da arquitetura eclética
em Curitiba feita na virada do século XIX para o XX, o prédio, que se tornou sede do
Museu da Imagem e do Som, passa já há algum tempo por reformas.
Aspectos arquitetônicos

Texto extraído do site do Patrimônio Cultural do Estado do Paraná

"Assim como as demais obras de Ernesto Guaita, segue essa casa o ecletismo de
gramática neoclássica greco-romana. Sua implantação, no alinhamento da testada
mas afastada dos demais limites do terreno, e seu porte monumental expressam um partido
arquitetônico presente, na época, apenas nas edificações mais nobres da cidade.
(Gazeta do Povo, 30/05/2010

O acesso principal faz-se por uma porta central, mas lateralmente há dois portões, dispostos
nas extremidades da fachada, sendo que o da direita dá para uma galeria, em arcas, abertas
para o quintal. Ladeiam a porta principal e a separam dos portões laterais duas séries de três
janelas. A fachada do pavimento superior, originalmente, era perfeitamente simétrica,
formada por um conjunto de três portas dispostas entre dois pares de janelas. Atualmente,
porém como resultado de uma das inúmeras modificações sofridas pelo monumento, o lado
direito do andar superior estende-se pela galeria, ampliando para três os vãos de janelas e
rompendo, dessa forma, a simetria da composição.

Localização do prédio na Barão do Rio Branco

O elemento de destaque da fachada é o balcão de guarda-corpo abalaustrado sustentado por


quatro modilhões, para o qual se abre o conjunto de três portas do andar superior. Seguindo
a linha da arquitetura neoclássica, o arremate superior do monumento é uma platibanda,
sublinhada por cimalha, vazada por balaustres de massa – similares aos do balcão – e
ornamentada por jarros do mesmo material. O parâmetro das paredes externas possui
revestimento a bossagem. Todos os vãos externos são arco pleno, possuindo as janelas do
sobrado sobreverga em frontão curvo e a do térreo chave de arco ornamentada com
“máscara” de figura humana. Quatro colunas de ordem coríntia balizam o conjunto das
três portas contribuindo para conferir caráter nobre ao edifício".

Detalhe da construção Foto: Washington Takeushi,


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