Você está na página 1de 5

LIÇÃO – 10

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 10º LIÇÃO DE JOVENS

1º TRIMESTRE DE 2018
DOMINGO, 11 DE MARÇO DE 2018

O CRISTO CRUCIFICADO ESTÁ CONSUMADO!


( Mt. 27.32-37, 45-51 )

Texto áureo

“E Jesus, clamando outra


Vez com grande voz,
Entregou o espírito.”
(Mt.27.50)

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, vamos aprender sobre á crucificação de Jesus, sobre a vida e


sofrimento dele que era cumprimento das escrituras, o flagelo e escárnio no caminho
do Gólgota, á crucificação sob a acusação de ser “O REI DOS JUDEUS”, á sua morte, á
eficácia da morte, e finalmente o seu sepultamento.

A preocupação de Mateus a partir de agora é descrever os últimos momentos da


cruz, inclusive dos acontecimentos, o texto demonstra que por trás de todo
acontecimento está a mão de Deus, conduzindo de forma que se cumprisse as
escrituras.

I - A CRUCIFICAÇÃO DE JESUS

Ao longo de sua viagem para Jerusalém, Jesus por três vezes anunciou a sua
crucificação e morte, e o momento chega como havia predito.

a. A vida e o sofrimento de Jesus era cumprimento das escrituras, o relato da vida e


obra de Jesus segue um plano divino previamente estabelecido. “As palavras dos
profetas e dos salmos perpassam a narrativa em grande números, não apenas em
citações expressas, mas também em traços isolados e alusões”.
O próprio costume dos romanos contribuiu para o cumprimento das Escrituras,
por exemplo; era costume romano “preparar” o condenado para a cruz, torturando-o
antes da crucificação para apressar a morte do condenado. O condenado deveria
carregar a “burca” que era a parte mais pesada da cruz.
A partir da crucificação as relações com as Escrituras se intensificam, pois a paixão
e ressurreição de Cristo são fundamentos principais para o cristianismo, por isso, a
necessidade de comprovar que tudo o que aconteceu com Jesus não foram fatos
ocorridos por acaso, mas que fazia parte do plano divino de salvação para a
humanidade.

b. O flagelo e o escárnios no caminho do Gólgota, é um caminho de zombaria


generalizada, o deboche sobre a sua realeza já começa pelos principais líderes
religiosos (Mt 26.57-68) e continua com os oficiais romanos após condenação de
morte por Pilatos, quando Jesus é retirado da residência do governador e conduzido
pelo caminho do Gólgota de forma humilhante, era costume romano para intimidar as
pessoas para evitar levantes contra o império.

A caminhada até o Gólgota é acompanhada de atos de violência e forte opressão,


Jesus naquele momento carregando a cruz ou parte dela, sob ameaças e efetivas
chibatadas executadas pelos soldados romanos, além do deboche de pessoas
maldosas que estavam pelo caminho, aliado a isso, ainda tinha o peso da cruz e as
dores dos flagelos anteriores com suas consequências em seu corpo, não era fácil...
Durante a caminhada uma possibilidade de alívio; Mateus registra que um
homem de Cirene é compelido pelos soldados à carregar a cruz de Jesus. Cirene era
uma colônia romana e entre sua população havia muitos Judeus e prosélitos do
judaísmo na Líbia e norte da África, devido á grande quantidade de negros nessa
reunião, acredita-se que Simão também o fosse, muito embora não se comenta o
motivo, mas provavelmente Jesus estava fraco diante de tantas flagelações.
Quando chegam ao lugar da crucificação, é oferecido vinho misturado com fel,
mais uma vez uma referencia aos Salmos para demostrar o cumprimento das
Escrituras sagradas, pois trata-se do Salmo 69.21 , onde o salmista relata que um justo
perseguido acusa seus inimigos e clama a Deus por libertação, Jesus naquele momento
recusa a oferta, mas Mateus registra que antes Ele prova.

c. A crucificação sob acusação de ser “O REI DOS JUDEUS”, Mateus não dá detalhes
sobre a crucificação de Jesus, mas no versículo 35 ele é direto, havia vários tipos de
cruz naquela época, porém não sabemos precisamente a forma da cruz na qual Jesus
foi crucificado, embora a tradição seja universal para a forma que se tornou símbolo
cristão.
O crucificado ficava dependurado até que lentamente as dores e a exaustão
física trouxessem o seu fim, isso era facilitado porque nenhum órgão vital era atingido,
porém, o corpo inerte, os pés e mãos feridas provocavam uma agonia excruciante ao
crucificado, dando-lhe a perda de sangue e as consequências da flagelação, a vítima
ficava tão fraca, que não conseguia levantar o seu corpo para respirar; isso era uma
prática angustiante e cruel.
O texto diz que os soldados repartiram suas vestes entre eles lançando a sorte,
“A imagem do Salmo 22.18 é a parte do escárnio de um sofredor justo, Jesus morre de
forma vergonhosa, sem roupas, enquanto os que estavam ao redor dEle se divertiam
com suas últimas posses” no entanto, o sorteio das peças de vestuários dos
condenados entre os soldados era um costume romano, não obstante com isso, em
cima de sua cabeça, na cruz, ainda puseram a acusação contra Ele dizendo:
“ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS” mais uma vez Jesus é escarnecido e desprezado,
isso sem mencionar os escárnios das pessoas que passavam enquanto ele estava
pendurado, inclusive um dos bandidos da cruz.

II – A MORTE DE JESUS

Depois de todo falso testemunho das autoridades religiosas, Jesus é condenado


pelos romanos e conduzido á morte na cruz, Mateus registra que o próprio Jesus havia
predito sua morte de cruz.
( Mt.16.21 ; 17.22, 23; 20.18,19 , 26.2 ).

a. A morte de cruz era desprezada tanto por judeus como pelos romanos, os
judeus por questões religiosas e os romanos por questões políticas, para os judeus a
morte de cruz era uma maldição (Dt.21.23) pois na cultura judaica não se esperava um
Messias que sofresse e morresse, principalmente “Alguém que fora condenado á
morte pelo supremo tribunal judaico e injuriosamente executado não poderia ser o
salvador esperado”, Paulo afirma, quando escreve aos Gálatas, que Cristo nos
resgatou da maldição da Lei, fazendo-se maldição por nós e morrendo na cruz e Paulo
faz uma referência á Deuteronômio 21.23 quando diz, “maldito todo aquele que for
pendurado no madeiro” , por essa afirmação, Paulo foi criticado por estudiosos do
Antigo Testamento por oferecer uma interpretação apenas espirituosa porque
Deuteronômio 21.23 originalmente não se trata em morte por crucificação, no entanto
a interpretação da morte de cruz para um judeu era muito complicada, só passou a ser
absorvida e entendida com o surgimento do cristianismo e o testemunho dos
primeiros apóstolos.

Os romanos reservavam a morte de cruz para seus inimigos políticos, pessoas


consideradas um perigo para a manutenção do imperialismo romano, ou seja, pessoas
consideradas por eles como rebeldes e subversivos que se recusavam a obedecer
cegamente ás ordens impostas pelos poderosos romanos, essa morte era considerada
tão terrível que pela lei romana, um cidadão romano não poderia ser executado dessa
forma.
Quando Jesus foi encaminhado para a morte de cruz, ao seu lado estavam dois
ladrões, como geralmente são apresentados, na concepção romana, Jesus é colocado
em mesma condição de condenação, toda via, para os primeiros cristãos ele será
conhecido como Rei-Messias que havia de vir, o filho de Deus que venceu a morte e
trouxe vida eterna a todas as pessoas que se abrem para o amor de Deus, esse amor
que “é dinamismo que traz vida, mas depende de ser aceito ou não”.

b. A morte como sacrifício pela humanidade, foram três horas de escuridão das
(12hs as 15hs) que lembram os três dias de trevas, umas das pragas do Egito (
Êx.10.21-23 ), o primeiro clamor de Jesus é de grande desespero, em meio á escuridão
universal, ele grita em alta voz, “Eli, Eli, lema sabactani” Deus meu, Deus meu, por que
me desamparaste?”
O sentimento de abandono pela separação de Deus por causa do pecado da
humanidade que estava sobre ele era demais, essa é a condição do pecador sem Deus,
Jesus se fez pecado pela humanidade e assume a pena da salvação para si, por isso o
autor da Epístola aos Hebreus aconselha para chegar com confiança até Jesus, pois ele
nos entende de forma experiencial e está disposto a nos ajudar.
Enquanto Jesus clamava a Deus, provavelmente pelo seu estado de fraqueza, o
povo entendeu na sua pronuncia um pedido de socorro, por isso zombavam de Jesus e
diziam: “vejamos se Elias vem livra-lo” uma sena de covardia, alguém no tempo final
de sua vida, perto do ultimo suspiro, e o povo zombando, infelizmente esse é
comportamento que se repete em vários meios, seres humanos que se entregam á
própria maldade, sem perceber que todas as pessoas estão em igual situação, são
criaturas de Deus.

c. A eficácia da morte de Jesus é acompanhada de sinais, o que demostra que ele


não foi em vão, mas tinha atingido o objetivo principal “ o véu rasgado ” vamos nos
ater aqui no primeiro sinal para demostrar a grande barreira que foi quebrada com a
morte de Jesus.
O véu do templo é o símbolo de inacessibilidade do se humano comum a Deus,
necessitando de um intermediário para entrar no lugar santo dos santos, pois o acesso
era permitido somente ao sumo sacerdote uma vez ao ano, com a morte de Jesus, foi
rasgado o véu da separação, dando livre acesso do ser humano a Deus, essa doutrina
seria uma grande afronta á elite religiosa judaica.
Os judeus não conheciam outra forma de salvação a não ser pela Lei, este era o
cerne da doutrina judaica, eles acusaram Jesus de desrespeitar a Lei e a tradição
judaica, contudo, Mateus demostra que na realidade, por meio de sua própria vida e
obra, Jesus estava cumprindo a Lei, no caso do sacrifício vicário de Jesus, inutilizou
toda forma de sacrifício para justificação, pois o sacrifício de Cristo foi perfeito e único.
A justiça de Cristo conquistada por meio de sua morte é imputada gratuitamente
ao pecador que crê, portanto a única base da justificação é a justiça imputada de
Cristo, a morte tida como maldita pelos judeus e como controle de subversão para os
romanos, torna-se símbolo da vitória de Jesus sobre a própria morte, uma morte
vitoriosa que produz vida eterna.

III – O SEPULTAMENTO DE JESUS

Mateus afirma que um homem rico de Arimateia, chamado José, que era
também discípulo de Jesus se interessou e intercedeu junto a Pilatos para ter o corpo
de Jesus e poder dar-lhes um sepultamento digno, os demais evangelhos trazem mais
informações a respeito dele, Marcos o apresenta como um ilustre membro do
sinédrio, que também esperava o Reino dos céus, Lucas acrescenta que ele era justo e
bom, enquanto João informa que ele era um dos discípulo de Jesus, mas de forma
oculta devido ao medo dos judeus.
José de Arimateia era um homem rico e membro do Sinédrio e discípulo secreto
de Jesus, deu um grande e claro testemunho de que os discursos de Jesus atingiram
também pessoas de grande proeminência da elite de Israel, isso demostra também a
dificuldade das pessoas no momento mais difícil de Jesus, muitos que caminharam e
tiveram momentos de intimidade com o Mestre o abandonaram, é justamente ai que
surge um discípulo secreto que se expõe e coloca em risco sua posição com seu
pedido, pondo em risco a sua própria vida, pois ele poderia ser também executado por
culpa de associação.
O ato de José é corajoso; a culpa por associação, presumivelmente uma das
razões pela qual os onze fugiram, poderia ocasionar sua própria execução, mas a sua
ação como pessoa rica e de certa posição social, propiciou um enterro decente para
um criminoso marginalizado e crucificado é certamente incomum, ele se assemelha ao
José da corte egípcia que recusa ser influenciado pelo poder imperial, ele também se
assemelha ao José do capitulo inicial do evangelho, este José também faz uma coisa
corajosa a favor de Jesus, contrariando atitudes culturais vigentes para ser fiel aos
desígnios de Deus.
Quando Jesus é sepultado em um túmulo que era emprestado, José de
Arimateia resgata o corpo dele e cuidadosamente o envolve em um lençol de linho, ele
e Nicodemos fazem uma cuidadosa e completa unção do corpo, conforme o bom
costume judaico, dai cuidadosamente Jesus foi colocado em um sepulcro novo, que
nunca tinha sido usado, uma tumba talhada na rocha, e João acrescenta que o
sepulcro ficava próximo do local da crucificação em um jardim, lugar que era
estratégico devido a proximidade e preparação dos judeus para a páscoa ( Jo.19.41 ),
Mateus também menciona que o túmulo estava fechado e foi preciso retirar a pedra
que o encerrava.
Quando José de Arimateia e Nicodemos se retiram do local, as mulheres
permanecem ali, Maria Madalena e a outra Maria.
Não se sabe ao certo, mas uma das mulheres chamada Maria não é
indentificada diretamente por Mateus, mais o que Mateus detalha é que elas ficaram
sentadas em frente ao sepulcro e proporcionam continuidade como testemunha
daquele momento da morte de dele, e que também seriam as mesmas a
testemunharem depois a sua ressurreição, enquanto os discípulos fugiram, essas
mulheres permaneceram firmes ao lado do corpo de Jesus, elas estavam ali porque
tiveram as suas vidas totalmente trasnformadas por Jesus e estavam demostrando
toda gratidão a ele.

CONCLUSÃO:

Precisamos ser mais grato a Jesus por sua existência e tirarmos lições de todo
esse amor que ele derramou na Cruz do calvário, pois, a ressurreição de Jesus é um
dos principais fundamentos da doutrina do Cristianismo. A grande diferença
fundamental entre Jesus e os demais líderes religiosos é que Ele demonstrou ter poder
sobre a morte e a sua glorificação simboliza a glorificação dos Santos.

Aux: Lucas Silva