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Veterinária

Atual Mensal / nº 108 / SETEMBRO 2017 / 5€ (Continente) / Diretora: Sónia Ramalho


Revista profissional de medicina veterinária

MEDICINA
FELINA:
UMA VIAGEM
À DESCOBERTA
DOS MESTRES
DO DISFARCE
CONSULTAS DE COMPORTAMENTO NOS CAMV: PORQUE SÃO CADA VEZ MAIS FREQUENTES?
MANEIO DA DOR EM ESPÉCIES PECUÁRIAS
7.ª EDIÇÃO

28 de setembro
Crowne Plaza Porto - Boavista

ww w.ve te r i na r i a- atua l. pt/ ve tbiz z

Vamos equipa!
Como construir (e manter)
uma dream team

Coffee Break Sponsor Delegate Sponsor Lanyards Sponsor Silver Sponsor

—2—
PROGRAMA
10h00 Receção dos Assistentes 14h30
A WEB, AS REDES SOCIAIS E A INFLUÊNCIA NO CUSTOMER
10h15 Sessão de abertura EXPERIENCE
• Como a utilização pessoal das redes sociais pode potenciar o negócio do CAMV
10h20 Mensagem de boas-vindas • Os meus colaboradores são embaixadores da minha clínica?
Telma Lopes e Vanda Souto, Digital Evangelists, Albiways Digital

10h30
A MINHA DREAM TEAM – TÉCNICAS PARA CONSTRUIR 15h00 Mesa Redonda
(E MOTIVAR) UMA EQUIPA DE SONHO VAMOS EQUIPA!
• Quais os pilares fundamentais para construir uma equipa de sonho? • Juntamos frente a frente todos os intervenientes de uma clínica veterinária para analisar
• Como conseguir manter os melhores motivados? situações de stresse, gestão de crises e como solucionar problemas
• Qual o papel da liderança na dinâmica da equipa?
Filipa Herédia, Corporate Affairs Manager, Mars Ibéria 15h50 Networking café
Susana Fidalgo, HR Business Partner, Mars Ibéria
16h00
LIDERANÇA INSPIRADORA: COMO?
11h10 Caso prático As pessoas são o ativo mais importante nas empresas e para se sentirem motivadas é
SMALL IS BEAUTIFUL – QUANDO O MENOS É MAIS necessário um líder motivador.
• Como abri 3 clínicas em 10 anos, porque vendi o negócio e optei por • Como fiz a transição para a gestão
abrir uma pequena clínica • Como liderar pessoas com mais experiência
• O que ganhei quando passei a ter mais tempo para a família • Como construir uma equipa do zero – o que aprendi nestes quatro anos
• A minha visão sobre o futuro dos CAMV’s Nuno Gomes da Silva, médico veterinário e responsável
Pedro Pinho Lopes, Médico Veterinário pelo Hospital Veterinário do Atlântico

11h30 Networking café 16h30


YOU NEED TO LET GO – COMO DAR AUTONOMIA E CONFIANÇA AOS
MEMBROS DA EQUIPA
11h50 • A importância de definir a missão da clínica: o que fazemos é realmente importante
COMO UMA EQUIPA PODE AUMENTAR (OU DIMINUIR) • Como definir objetivos a curto, médio e longo prazo
O RENDIMENTO DO CAMV • Eu confio e delego responsabilidades
• Como o trabalho por objetivos pode aumentar a rentabilidade Elisabete Capitão, REVET
• A importância da relação com o cliente
Dilen Ratanji, Diretor Vetbizz Consulting
17h00 Cocktail
12h20 Cerimónia de e
SISTEMAS DE INCENTIVOS NO CAMV – QUAIS AS ‘CENOURAS’ QUE 17h30 n
MOVEM OS NOSSOS VETERINÁRIOS?
treg

• Como motivar a equipa a cumprir objetivos


a

• Quais os incentivos que resultam


• E os líderes, também precisam ser motivados? 4.ª Edição
Ricardo Almeida, Médico Veterinário Vet Póvoa

13h00 Almoço

Special Sponsor Organização

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3 – Editorial 32 – Evento
Vetbizz e Prémios VA – Como construir (e manter)
6 – CAMV uma dream team
O Nosso Veterinário – “Acreditamos na
referênciação” 34 – Novidade
Medicina Regenerativa – Onevet Group lança
10 – Entrevista serviço em dois hospitais
Nuno Ribeiro – “Existe grande potencial para a
medicina de peixe” 38 – Produtos e Empresas

14 – Tema de capa 40 – Opinião


Medicina felina – Gatos: os mestres do disfarce Elisabete Capitão – Como dar autonomia e
confiança aos membros da equipa
20 – Comportamento
Consultas de comportamento nos CAMV’s – Uma 43 – Opinião
aposta cada vez mais frequente Dilen Ratanji – Os meus serviços são caros?

26 – Animais de Produção 44 – Livros


Espécies Pecuárias – Maneio da dor é cada vez
mais importante 45 – Agenda

30 – Novidade 46 – Veterinários portugueses pelo mundo


KimiSciences inaugura unidade em Vendas Novas Pedro Falcão

108
Editorial — setembro
Preparados para a rentrée?

Este ano, o regresso de férias vem acompanhado já que os gatos são mestres em disfarçar doenças.
do regresso às rotinas, às aulas e ao Vetbizz. Uma vez que a sua esperança de vida tem vindo
É verdade, o mais antigo evento de gestão, a crescer, esta situação coloca desafios aos
marketing e recursos humanos pensado médicos veterinários, que têm de aconselhar os
exclusivamente para médicos veterinários está tutores sobre quais os cuidados a ter em conta. O
de regresso e desta vez ruma ao Porto com um comportamento é outra das áreas que está cada
desafio: vamos equipa! Os desafios inerentes à vez mais em voga, com cada vez mais clínicas a
gestão dos colaboradores, como manter uma dream apostar em consultas comportamentais. Será que
team e como conseguir motivar os funcionários faz sentido?
são alguns dos tópicos que vão estar em discussão. Também entrevistámos Nuno Ribeiro, médico
Contamos com a sua presença para juntos veterinário que se dedica a uma das áreas com
debatermos temáticas que interessam a qualquer maior potencial na medicina veterinária: a
médico veterinário. No final do Vetbizz vamos medicina de peixes. Falámos sobre o seu novo
revelar os vencedores de mais uma edição dos projeto na Aqualife Services, com serviços de
Prémios Veterinária Atual. administração de vacinas, e Nuno Ribeiro acredita
O tema de capa da edição de setembro é que esta é uma das vertentes com maior potencial
dedicado à medicina felina. Falámos com médicos de crescimento na veterinária.
veterinários que se dedicam em exclusivo a esta
área sobre a importância da medicina preventiva, Boas leituras.

Ficha Técnica:
Diretora: Sónia Ramalho (sramalho@ife.pt) / Colaboram nesta edição: Carmen Silva, Cláudia Pinto e Emília Freire / Fotografia: David Oitavem e Ricardo Meireles, Depositphotos / Directora Comercial: Sónia
Albuquerque (salbuquerque@ife.pt) / Publicidade: Ana Pereira (apereira@ife.pt) / Assinaturas: assinaturas@ife.pt / Design: Luís Gregório

Conselho Editorial: Ana Oliveira (Dermatologia), George Stilwell (Animais de Produção), Joaquim Henriques (Oncologia), João Oliveira (Imagiologia), Jorge Cid (Imagiologia), Joel Ferraz (Exóticos e Zoo),
Lisa Mestrinho (Dentisteria), Luís Lobo (Cardiologia), Luís Montenegro (Cirurgia), Mónica Roriz (Comportamento Animal), Nuno Paixão (Cuidados Intensivos), Rui Oliveira (Oftalmologia), Rui Onça (Ortopedia/
Traumatologia), Rui Patrício (Exóticos e Zoo)
Estatuto Editorial disponível em www.veterinaria-atual.pt/ficha-tecnica

Propriedade: IFE – Edições e Formação, SA – Rua Basílio Teles, 35 1º Dto – 1070-020 Lisboa – Tel: 210 033 800 – E-mail: geral@ife.pt – NPC: 504 700 669 – Órgãos
Sociais: IFE 100% / Country Manager: Raquel Rebelo / Marketing: Rita Filipe / Pré-impressão, Impressão e Acabamento: Jorge Fernandes, lda, Artes Gráficas / Tratamento
de base de dados e envelopagem: Mailtec Comunicação SA / Publicação Mensal / Tiragem deste número: 4.000 exemplares / Depósito Legal: 264966/07 / ERC Nº 125217
/ Vendas por assinaturas (11 números): Portugal Continental, Açores e Madeira: 55€ / Revista fundada em 2007 por Maria de Lourdes Esteves

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CAMV’S

Tiago Pontinha é o médico veterinário responsável pela nova clínica de Vila Nova de Gaia

“O nosso veterinário”
abriu em Vila Nova de
Gaia

“Acreditamos na
referenciação”

O projeto é de proximidade. “O nosso
veterinário” nasceu em Vila Nova de
Gaia pelas mãos de Tiago Pontinha, que
acredita na referenciação e nas parcerias
como forma de prestar um melhor
serviço. Animais de companhia e
exóticos já estão na “lista” deste projeto,
mas a médio e longo prazo os animais
de grande porte também vão ser alvo de
uma investida


Texto: Susana Marvão
Fotos: Ricardo Meireles


O nome da clinica não podia ser mais ade-
quado. “O nosso veterinário”, um projeto de
Tiago Pontinha, nasceu em Vila Nova de Gaia
e quer, mais do que tudo, ser uma clínica ve-
terinária de proximidade. Quer estar perto
dos seus clientes, prestar-lhes todo o apoio e
serviços necessários, mas nunca esquecendo a
referenciação. Aliás, algo em que Tiago Ponti-
nha acredita profundamente. “Não podemos
achar que somos os melhores em tudo. A refe-
renciação e as parcerias fazem parte da génese
deste projeto”.
Mas vamos voltar um pouco atrás. Depois do
estágio e de trabalhar em outros projetos, o
médico veterinário formado na UTAD acre-
ditava estar pronto para se lançar no mercado.
A medicina veterinária está longe de ser um
sector fácil, sobretudo nos dias de hoje, com
a proliferação de clínicas e profissionais, mas
Tiago Pontinha acredita que há espaço. Alias,
essa foi uma das razões para a escolha de Vila
Nova da Gaia, apesar de ser de Vilar Formo-
so, para estruturar o seu projeto. “Para além
de razões pessoais, a densidade populacional é
muito interessante e o rácio população/clínica
também é simpático. Além de que obviamen-
te é nas cidades que os animais são ‘melhor’
cuidados. Nos meios rurais é um pouco dife-
rente”.

Projeto “híper” pessoal


O investimento, que requereu capitais pessoais
e da banca, foi feito com peso, conta e medida.
O espaço já tinha albergado uma clínica, pelo
que a distribuição do espaço físico já estava
mais ou menos feita. Depois, obviamente foi
necessária toda uma reestruturação que con- nas parcerias foi já encetado um acordo com o nós, enquanto clinica, levarmos lá os animais
tou com a ajuda do próprio médico veteriná- Hospital Veterinário de Gaia, nos Carvalhos, ou até os próprios donos irem lá e os resulta-
rio. “Sim, metemos a mão literalmente à obra até porque há equipamento que já está enco- dos virem diretamente para aqui. Os Raio X
e acabamos por poupar algum capital”, disse mendado, mas que ainda não chegou e outro ou as ecografias, que requerem equipamentos
à Veterinária Atual. E porque Tiago Pontinha cujo investimento, por ser elevado, ficará para de maior investimento, serão então realizados
acredita, como já referimos, na referenciação e uma segunda fase. “O acordo pressupõe ou no Hospital Veterinário de Gaia, até porque

—6—
CAMV’S

“Hoje a prática é
muito individualis-
ta e acredito que
só trabalhando em
equipa e em rede
é que os projetos
funcionam. Temos
a plena consciên-
cia de que não
podemos ter dis-
poníveis todos
os serviços e por
são muitos profissionais e as condições são ex- Tiago Pontinha diz ser correto quando o ape-
celentes”.
Aliás, as tais parcerias são a melhor forma de
lidamos de médico de família dos animais.
“Sim, não está errado. Temos especialistas
isso confiamos
trabalhar, admite o médico veterinário. “Hoje
a prática é muito individualista e acredito que
para tudo, mas gostávamos que as pessoas
viessem aqui, se sentissem confortáveis e bem
em outros colegas
só trabalhando em equipa e em rede é que os
projetos funcionam. Temos a plena consciên-
encaminhadas. Que confiassem em nós. Fare-
mos o máximo aqui, com os recursos internos,
para nos ajudarem
cia de que não podemos ter disponíveis todos
os serviços e por isso confiamos em outros
mas não teremos qualquer problema em refe-
renciar quando acharmos necessário”. a melhor servir”.
colegas para nos ajudarem a melhor servir”.

—7—
CAMV’S

Tiago Pontinha
quer apostar em
serviços de “proxi-
Animais de companhia e não só
Os animais de companhia serão obviamen- midade” já que, no
te, até porque a clínica está inserida numa
grande cidade, o grande foco deste projeto. seu entender, é um
Mas não só. Os exóticos têm já lugar ca-
tivo em “O nosso Veterinário”, através de
uma parceria com um colega especializado
conceito que se
que se desloca a esta clínica. Mas a médio e
longo prazo, os animais de grande porte te-
está a perder um
rão igualmente um lugar de destaque. “Vila
Nova de Gaia também nos irá permitir isso.
pouco. Para isso
É um concelho bastante grande e diverso
pelo que num raio de 30 quilómetros que- “O nosso veteriná-
remos atuar em animais de grande porte”.
Outra questão levantada pelo médico ve- rio” vai apostar em
terinário é o facto de cada vez mais serem
limitados os serviços públicos realizados
por profissionais deste setor: “O pouco em-
aquilo que apeli-
prego que há não está a ser utilizado, no- dou de “Planos de
Saúde”. Uma série
meadamente a nível camarário. Há muitas
vagas por preencher, o que é pena. Logo, há
que apostar no privado”.

Controlar as vagas na faculdade de serviços que


Um dos grandes problemas do sector é o
exagerado número de alunos que todos podem ser contra-
os anos saem das faculdades de Medici-
Aposta nos Planos de Saúde
Tiago Pontinha quer apostar em serviços de
na Dentária no nosso país. Daí que Tiago
Pontinha não hesite em dizer que contro-
tualizados, desde
“proximidade” já que, no seu entender, é um
conceito que se está a perder um pouco. Para
lar o acesso seria a melhor opção. “Basta
comparar os números do norte da Europa
planos de acom-
isso “O nosso veterinário” vai apostar em
aquilo que apelidou de “Planos de Saúde”.
e do Sul. Facilmente concluímos que Por-
tugal, Espanha e Grécia estão com exces-
panhamento nutri-
Uma série de serviços que podem ser contra-
tualizados, desde planos de acompanhamento
so de profissionais, mas os do Norte estão
bem porque apenas saem x veterinários que cional a despara-
nutricional a desparasitação externa e interna colmatam as necessidades dos países”. E foi
passando pela vacinação ou higiene oral, que precisamente isso que Tiago Pontinha fez. sitação externa e
quando subscritos dão direito a vantagens e Um investimento que deverá ter o seu re-
descontos associados. torno em dois anos. interna

—8—
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ENTREVISTA

Nuno Ribeiro,
pós-graduado/
mestre em ‘Aquatic
Veterinary Studies’
pelo Instituto
of Auaculture,
Universidade
de Stirling

“Existe grande
potencial para
a medicina de
peixes”

Nuno Ribeiro é um dos poucos
médicos veterinários que se dedica
em exclusivo aos peixes. Com um
novo projeto em mãos falámos com o
médico veterinário que fez formação
no estrangeiro, numa área onde prevê
uma grande aposta no futuro.


Texto: Ana Rita Costa
Fotos: Cedidas por Nuno Ribeiro “Quem é que se lembra que um peixe
— também precisa de um Veterinário?!
Em que consiste o serviço agora
– Felizmente essa mentalidade tem
lançado pela Aqualife Services em
Portugal? vindo a mudar ao longo dos últimos
A Aqualife Services é uma empresa com
um historial de sucesso na administração anos, em virtude do esforço feito
de vacinas a peixes, nomeadamente nos
mercados do Norte da Europa, tendo já
vacinado mais de 800 milhões de peixes.
pelas universidades para incluir
Em Portugal colocaremos à disposição
dos produtores piscícolas os nossos
alguns conteúdos relacionados com
serviços de administração de vacinas, com
equipas altamente treinadas a atuar sob
a aquacultura nos seus programas
a supervisão de um Médico Veterinário.
Mas um programa profilático em si não é de curso”
eficaz sem a existência de uma estratégia
produtiva que promova o bem-estar animal em Portugal é também uma rampa para formação específica, mas na sua maioria
e a saúde dos peixes. Assim, apresentamos os mercados do Sul da Europa, onde a trabalhar no estrangeiro. A formação
o primeiro serviço de apoio veterinário pretendemos ter uma forte presença tanto em saúde e patologia de peixes é algo
para produtores piscícolas e aquariofilistas a nível de serviços veterinários, como na que é difícil de se obter em Portugal,
em Portugal. É um serviço pioneiro que administração de vacinas. No entanto sendo necessário sair do país para fazer
pretende ajudar os aquacultores desde existe também um nicho de mercado formação e obter experiência. Isto, aliado
o desenho de planos de saúde, passando de aquariofilia que poderá beneficiar da ao desconhecimento em geral da área em
pelo acompanhamento do efetivo, e existência de um Médico Veterinário com si – quem é que se lembra que um peixe
inevitavelmente pelo diagnóstico e formação específica na área. também precisa de um veterinário?! – leva a
interpretação de análises laboratoriais, que um desinteresse geral da classe. Felizmente
levarão à aplicação de medidas corretivas. Já existem em Portugal muitos essa mentalidade tem vindo a mudar ao
veterinários dedicados a esta área? longo dos últimos anos, em virtude do
Quem são os principais interessados O nosso país tem a particularidade de esforço feito pelas Universidades para
no lançamento de um serviço desta ser escasso em Médicos Veterinários incluir alguns conteúdos relacionados com
natureza? interessados em Medicina de peixes, a aquacultura nos seus programas de curso.
Os principais interessados serão os nomeadamente na vertente comercial. Ainda assim, dada a singularidade destes
produtores piscícolas. Este nosso serviço Existem alguns portugueses com animais, formação específica posterior ao

— 10 —
— 11 —
ENTREVISTA

“Diagnosticar
corretamente
um problema é
a base para um
bom tratamento.
E para fazer
uma decisão
acertada acerca
da necessidade
do tratamento
e de qual o
fármaco a utilizar,
um Médico consultar um veterinário é uma opção foco da mesma é o bem-estar animal e
lógica, evitando o célebre “se adoecer, a saúde dos animais. O envolvimento de
Veterinário compra-se outro”, que tantas vezes se ouve
em animais de baixo valor económico. Mas
um médico veterinário no planeamento
da própria produção poderá ser uma das
necessita de voltando ao tópico da medicina de peixes,
esta é uma área de especialização muito
maiores vantagens a nível de prevenção
de problemas. Os peixes, como qualquer
perceber bem recente dentro da Veterinária. Para se ter
uma noção, apenas em 2014 foi constituído
outro animal, quando necessitam de algum
tratamento, este deverá ser prescrito por
todo o sistema o European College of Aquatic Animal Health.
É uma área fascinante, onde a possibilidade
um médico veterinário. Diagnosticar
corretamente um problema é a base para
de encontrar novas patologias/agentes um bom tratamento. E para fazer uma
de produção, infeciosos em cada visita a uma exploração decisão acertada acerca da necessidade do
ou numa consulta é bem real. É também tratamento e de qual o fármaco a utilizar,
patologia e uma área em que a audácia do médico
veterinário é constantemente colocada à
um Médico Veterinário necessita de
perceber bem todo o sistema de produção,
epidemiologia prova, uma vez que em muitas situações
não existem protocolos terapêuticos pré-
patologia e epidemiologia das doenças em
questão e quais as possíveis consequências
das doenças em definidos e temos nos guiar pelo engenho e
pelo que se conhece de outras espécies de
da utilização de um fármaco. A falta destes
conhecimentos fundamentais poderá levar
questão e quais animais. a más decisões, que terão impactos óbvios
na economia das explorações e no bem-
estar animal.
as possíveis Como é que se consciencializa o público
em geral de que existem médicos
consequências da veterinários que podem tratar dos seus
peixes?
utilização de um Há um desconhecimento geral da parte
do público. E mesmo por parte dos
fármaco” aquacultores mais tradicionais. A sociedade
tem evoluído muito ao longo dos últimos
anos no que concerne matérias de bem-
curso é fundamental para iniciar atividade estar animal. A mudança de mentalidades
clínica na área. demora, mas penso que o estigma de levar
um animal exótico ao Veterinário em
A medicina de peixes está em Portugal já se está a diluir, nomeadamente
crescimento/desenvolvimento? pela criação de Centros de Atendimento
Sim, a Aquacultura está em franco Médico Veterinário especializados nos
crescimento a nível mundial e é sem dúvida mesmos. Relativamente aos peixes, ir
a área da produção animal que tem maior ao encontro de potenciais interessados
potencial de expansão. Isto acontece porque e mostrar que ter um veterinário com
70% da terra é ocupada por oceanos, mas formação na área é vantajoso na resolução
também porque a proteína de peixe é das dos problemas que surgem será certamente
mais ambientalmente sustentáveis dentro o caminho a seguir.
da produção animal. Como em qualquer
sistema, com a intensificação surgem Para os aquacultores, quais podem ser
também os problemas de saúde, e daí o as consequências de não trabalhar com
grande potencial para a Medicina de peixes. um médico veterinário especializado
Além disso, os aquariofilistas creio que em peixes?
cada vez mais estarão consciencializados Em primeira instância, a produção
para o bem-estar dos seus animais e que animal hoje em dia só é viável quando o

— 12 —
— 13 —
TEMA DE CAPA

Tc nossas famílias”, complementa Joana Garri-


do. Para a médica veterinária da Clínica Ve-
terinária de Carvalha é contudo um desafio
Medicina felina “transmitir aos tutores a mensagem de que
o gato não é um cão pequeno, que o gato ca-
— mufla os sinais de doença e que precisa de
cuidados específicos que vão ao encontro das
Gatos: os mestres suas necessidades enquanto espécie e que a
incompreensão dessas necessidades pode
do disfarce conduzir a comportamentos desadaptados e
tidos como inaceitáveis pelas famílias”.
— Muitos dos sinais que os donos atribuem à
Conseguem disfarçar sintomas de velhice são na realidade alertas precoces de
doenças até à última, o que dificulta o doença. A este respeito Maria João Dinis
tratamento. Mas a realidade é que os da Fonseca, diretora-clínica do Hospital do
gatos têm uma esperança de vida cada Gato explica que, por exemplo, “o gato que se
vez maior. Falámos com vários médi- mexe menos, que come menos ou tem miados
cos veterinários sobre a importância estranhos e que os donos acham que é por
da medicina preventiva nos pacientes velhice ou demência, na realidade pode ser
felinos, os cuidados que devem ser ti- por dor devido a doença articular”. A idade
dos em conta com pacientes geriátricos não é uma doença. Mas nos gatos, sobretudo
e as patologias mais desafiantes, como nos geriátricos, “perda de peso, alteração do
a pancreatite felina ou a insuficiência modo como come, menor atividade, alteração
renal crónica. do comportamento de eliminação, alteração
do padrão habitual de consumo de água,
— modificação das vocalizações, alteração dos
Texto: Carmen Silva hábitos de gromming são alguns dos sinais de
alerta”, refere a médica veterinária.
— Para conseguir perceber o que realmente
se passa com o animal, o comportamento é
um fator-chave. Gonçalo da Graça Pereira,
A esperança de vida dos gatos mais do que médico veterinário especialista europeu em
duplicou desde os anos 90. Resultado? Um medicina do comportamento e diplomado em
terço da população felina de gatos na Euro- bem-estar, ética e legislação, reforça que há
pa são de meia idade ou idade avançada (<7 uma associação entre determinadas doenças
anos). Em Portugal, esta faixa etária abrange e as condições de vida dos gatos e o stresse:
14% da população (cerca de 200 mil gatos). “existem patologias do foro cardíaco, renal,
O aumento da esperança média de vida neurológico, dermatológico, entre outras,
deve-se, como explica o médico veterinário que estão bastante associadas às condições
Thierry Correia, do departamento Comu- em que os gatos vivem e consequentemente
nicação Científica da Royal Canin Portugal, ao comportamento que podem ou não exibir
“ao maior cuidado médico veterinário e aos nos seus ambientes”. Apesar dos sinais (já
avanços no tratamento de doenças (melhor referidos) que os gatos podem exibir, na ver-
preparação clínica e maior conhecimento do dade é preciso ter consciência de que, “por
paciente felino), melhor qualidade da nutri- norma, são animais extremamente subtis,
ção, bem como aos conhecimentos e acom- que podem viver uma vida toda a manifes-
panhamento dos tutores”. tar sinais muito pouco observáveis e que, por
Atualmente, a esperança média de vida dos isso, passam frequentemente despercebidos
gatos situa-se entre os 14 e os 16 anos, “em- aos tutores”, refere Gonçalo da Graça Perei-
bora existam casos de maior longevidade. O ra, explicando que quando finalmente os ani-
record nos gatos situa-se nos 36 anos”, refe- mais exibem um sinal visível “não quer dizer
re o médico veterinário. Mesmo com uma que tenha havido um pico de stresse naquele
população felina crescente e mais madura, momento, pode estar-se perante uma conti-
o certo é que o paciente felino visita menos nuidade, um stresse crónico, e de repente o
vezes o centro de atendimento médico veteri- gato não consegue mais esconder e passa a
nário (CAMV) do que o cão e quando visita manifestar o stresse das mais diversas manei-
é mais no âmbito da medicina interventiva do ras”.
que preventiva. “Os tutores de gatos gastam
mais 5% na resolução de lesões e/ou doenças, Patologias mais desafiantes
mas menos 13% em medicina preventiva, As patologias mais frequentes em gatos ge-
comparativamente aos tutores de cães”, re- riátricos são “as do foro endócrino, desta-
fere Thierry Correia, justificando que “isto cando-se o hipertiroidismo e a diabetes, as
resulta no facto de o tutor de gatos supor que doenças do aparelho urinário como a doen-
o seu animal, por viver em casa, precisa de ça renal crónica, a osteoartrite, as patologias
menos atenção médica do que um cão e por- do foro oncológico e as doenças dentárias
que os sinais clínicos de doença no gato são (estas mais transversais em termos de ida-
mais difíceis de identificar do que no cão”. de)”, indica Maria João Dinis da Fonseca.
Há patologias mais fáceis de diagnosticar e
Sinais subtis tratar do que outras, mas “felizmente que
Hoje em dia pode dizer-se que a Medicina hoje em dia, recorrendo a colegas mais dife-
Felina é uma área mais diferenciada na me- renciados em determinada área e/ou a cen-
dicina veterinária em Portugal precisamente tros de referência, todos temos a possibili-
porque “o gato começou também ele a assu- dade de prestar melhores cuidados médico
mir um papel mais importante como animal veterinários”, salienta Joana Garrido. Para a
de companhia. E apesar de os cães continua- médica veterinária, “a peritonite infecciosa
rem a ser os ‘preferidos’ dos portugueses há felina (PIF) no grupo das causas infeciosas
cada vez mais gatos a fazer parte da vida das e a pancreatite felina na medicina interna

— 14 —
Muitos dos sinais
que os donos
atribuem à velhice
são na realidade
alertas precoces
de doença

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TEMA DE CAPA

O papel da nutrição
“Ao contrário dos cães, os gatos evoluíram metabolicamente, sendo carnívoros
obrigatórios com estratégias únicas de utilização de aminoácidos, de gordura, de
hidratos de carbono e de vitaminas”, afirma Joana Garrido. O ato de comer não é
uma atividade social para os gatos e, por isso, “é importante que se criem oportu-
nidades para eles expressarem os seus comportamentos predatórios”, continua a
médica veterinária. “Os gatos têm requisitos alimentares obrigatórios de nutrien-
tes que não são essenciais para outras espécies, tais como aminoácidos específi-
cos (carnitina, arginina, taurina) e algumas vitaminas (niacina, Vit. A e D)”.
Os felinos têm ainda necessidades de conteúdo proteico superiores às dos om-
nívoros ou carnívoros não obrigatórios. Deste modo, segundo Joana Garrido, “o
conteúdo proteico da dieta é necessário para fornecer os aminoácidos essenciais
que o organismo não consegue sintetizar”. Além disto, os gatos são muito sensí-
veis às características do alimento, como a forma, o odor e o sabor. “Uma nutrição
felina correta assume, por isso, uma grande importância na manutenção de um
metabolismo saudável, assim como na prevenção e maneio de várias patologias
(diabetes mellitus, obesidade, doença renal crónica, hipertiroidismo, doença infla-
matória intestinal, etc.)”, acrescenta.
A nutrição é central na medicina felina. “Patologias que no passado tinham uma
alta incidência, como é o caso da urolitiase felina, são hoje muito menos frequen-
tes devido, principalmente, à alteração da composição dos alimentos comerciais
para gatos”, complementa Emir Chaher. “A nutrição joga um papel fundamental na
prevenção e tratamento de importantes patologias como são a insuficiência renal
crónica, a osteoartose ou a obesidade”.
Algumas patologias “como as doenças renais crónicas, por exemplo, podem ser
prevenidas através de rações húmidas com 80% de água, disponíveis no mer-
cado, que ajudam à diluição da urina”, complementa Thierry Correia. Para gatos
geriátricos com esta patologia é também aconselhada a “ingestão adequada de
fósforo, o principal nutriente responsável por esta doença. Já a glucosamina é um
dos nutrientes mais recomendados para gatos geriátricos. Quanto mais cedo for
incorporada na dieta do gato, maiores são as probabilidades de limitar a degene-
ração das cartilagens articulares, contribuindo para assegurar a sua elasticidade”.
Porém, ainda de acordo com o médico veterinário, “o sulfato de condroitina é tam-
bém indicado para o tratamento da cartilagem das articulações, inibindo o efeito
das enzimas que estão na origem da destruição permanente da cartilagem”.

O papel dos tutores


Não há uma ‘receita’ igual para manter todos os gatos saudáveis e com qualidade
de vida. No entanto, Joana Garrido considera que há “fundamentos base que são
um bom ponto de partida”. Os tutores devem:
- Compreender as necessidades do gato sénior, adaptando o ambiente e garan-
tindo o acesso aos cinco recursos essenciais (alimento, água, liteira, interações
sociais e zonas de descansar, dormir e esconder)
- Reconhecer alguns sinais como patológicos e não assumir apenas que é ‘da ainda gatos com efusão pleural cuja causa
idade’ subjacente é uma pancreatite”, explica Joana
- Estar sensibilizados para alterações tais como: poliúria/polidipsia, emagrecimen- Garrido.
to progressivo, alterações comportamentais (desorientação espacial, vocaliza- Também a insuficiência renal crónica se
ção, eliminação inapropriada, etc.), diminuição do tempo de grooming, diminui- assume como um desafio para os profissio-
ção do apetite, deixar de subir para zonas onde anteriormente gostava de estar nais de medicina veterinária. Neste sentido,
Estes sinais podem ser indiciadores da presença de patologias como doença Emir Chaher, tesoureiro do GIEFEL – Gru-
renal crónica, diabetes mellitus, hipertiroidismo, disfunção cognitiva, osteoartrite, po de interesse especial em medicina felina
hipertensão sistémica, problemas dentários, doença inflamatória intestinal, etc. da Associação Portuguesa de Médicos Vete-
Os tutores devem ainda estar sensibilizados para a importância de levar o gato rinários Especialistas em Animais de Com-
a uma consulta veterinária pelo menos a cada seis meses para realização de um panhia (APMVEAC), avança que “frequen-
check-up geriátrico (exame físico, hemograma completo, bioquímicas, urianálise, temente é diagnosticada tardiamente, o que
medição da pressão arterial e T4). Sendo que “os médicos veterinários devem limita as nossas capacidades terapêuticas”.
oferecer cuidados de saúde consistentes e de elevada qualidade, melhorar a A boa notícia é que realmente, nos dias de
qualidade de vida dos pacientes seniores através do reconhecimento e controlo hoje, “contamos com melhores ferramen-
de fatores de risco, da deteção precoce de doenças, do atraso da progressão tas diagnósticas que facilitam o diagnóstico
de doenças crónicas, devem possibilitar o acesso aos mais avançados meios de precoce”.
diagnóstico e tratamento existentes e disponíveis, apostar na medicina preventiva Novos avanços e novas abordagens
e elaborar planos de saúde individuais tendo sempre por base as guidelines mais A Medicina veterinária (felina) tem regista-
atuais”, remata Joana Garrido. do um grande desenvolvimento. Shital Ran-
chordas, product manager da Bayer, relembra
que as “relações responsáveis entre os seres
são as patologias mais desafiantes” porque ainda um enigma diagnóstico e terapêutico, humanos e animais de companhia signifi-
“a PIF é uma patologia extremamente difícil dado que “é uma patologia que se pode ma- cam cuidar da sua saúde e bem-estar”, daí
de diagnosticar e não há um meio de diag- nifestar de diferentes formas, sendo muitas “apoiarmos a saúde dos animais disponibi-
nóstico totalmente fiável, o que conduz a vezes ‘silenciosa’ na medida em que pode- lizando terapêuticas e soluções inovadoras
muitos falsos positivos e negativos”. Porém, mos ter um gato com uma imagem ecográ- para médicos veterinários e tutores de ani-
novos estudos estão a ser feitos no sentido de fica normal (sem alterações na ecogenicida- mais”. Afinal, o papel que os animais de-
descobrir o comportamento do vírus, assim de do pâncreas, sem sinais de peritonite ou sempenham nas nossas vidas “é de crescente
como de diferentes opções terapêuticas. triadíte), mas com um PLI muito aumen- importância e, como os seres humanos e os
No caso da pancreatite felina, esta constitui tado. Em casos mais severos podemos ter animais coabitam/convivem, torna-se ne-

— 16 —
TEMA DE CAPA
IRC, Urólitos, Cistite Idiopática
Infeções, Incontinência…?

Dialix
®

EFICAZ, PALATÁVEL,
NATURAL…FÁCIL

Linha Urológica
Uma nutrição felina C para cães
e gatos
M

correta assume uma Y

grande importância CM

MY

na manutenção de um CY

metabolismo saudável CMY

cessário também proteger os seres humanos passa por “abrirmos o leque de tratamentos
da transmissão de agentes patogénicos”, para incluir o maneio comportamental” e,
alerta a product manager. neste contexto, defende que “é preciso uma
No âmbito dos avanços e das novas aborda- visão mais integrativa da medicina”.
gens que têm surgido, Maria João Dinis da
Fonseca destaca que “a melhoria dos cuida- Novas abordagens
dos pré e pós-operatórios, o cada vez melhor Falando ainda em ‘novas’ abordagens, não se
reconhecimento da dor e o seu maneio, a im- poderia deixar de referir a medicina veteriná-
portância de uma correta alimentação e de ria holística, cujo principal desafio é “traba-
proporcionar bem-estar ao gato no recobro lhar com o público a mudança de paradigma
melhoraram o sucesso das intervenções”. Em necessária para uma saúde felina efetiva”, re-
termos do avanço ao nível de técnicas cirúr- vela Dinora Xavier, diretora-clínica da clíni-
gicas “estamos a ser cada vez melhor sucedi- ca veterinária Natural Friends. O paradigma
dos com a urolitiase ao nível das obstruções atual da saúde animal e medicina veterinária
ureterais, graças à utilização dos bypass e dos assenta quase exclusivamente na gestão da
stents”. Mas também a vulgarização da ra- doença, e pouco na promoção da saúde e qua-
diologia dentária tem permitido um melhor lidade de vida. De um modo generalista “po-
diagnóstico e tratamento “nomeadamente demos dizer a medicina convencional abor-
das lesões de reabsorção dentária que são da as doenças a partir de uma premissa de
sem dúvida uma frequente causa de dor cró- inibição metabólica, bioquímica e enzimática
nica nos gatos”, refere a diretora-clínica. geral dos principais sistemas de regulação do
Por seu turno, Gonçalo da Graça Pereira corpo (imunitário, endócrino e neurológico),
chama a atenção para a necessidade de, em promovendo uma melhoria sintomática con-
termos de abordagens, se ter em conta a re- siderável e reconfortante a curto prazo, mas
lação entre doenças orgânicas e o comporta- raramente uma cura efetiva, assim entendida
mento. “Temos de estar cada vez mais alerta pelo próprio corpo do ponto de vista neuro-
para isto. Por exemplo, quando tratamos uma -imuno-endocrinológico”, explica a médica
cistite não nos devemos limitar a trata-la, veterinária. Os tratamentos utilizados em
pois devemos também perceber o stresse que medicina veterinária holística, por oposição PT Norte - Madeira: 933 088 599
possa ter estado na origem desta doença”. à abordagem convencional, “restabelecem PT Centro - Algarve: 938 116 105
Daí que para o médico veterinário, o futuro a capacidade reguladora, o equilíbrio e ho- PT Lisboa - Alentejo - Açores: 933 831 252

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TEMA DE CAPA

Abordagens
da saúde natural
Dentro das abordagens mais co-
nhecidas da saúde natural aplicada
a animais existem, de acordo com
Dinora Xavier, destacam-se:
- Nutrição natural: pode assumir
muitas formas consoante a cor-
rente que cada veterinário prefe-
re seguir, mas a premissa de que
os alimentos crus são essenciais
para os gatos deveria ser, sem-
pre que possível, respeitada;
- Acupuntura: consiste na introdu-
ção de agulhas filiformes no cor-
po dos animais e o efeito regula-
dor neuro-imuno-endocrino que
podemos alcançar com a sua
prática pode permitir resolver
casos aparentemente complica-
dos e, desde que realizada com
conhecimentos adequados pode
ser, só por si, uma excelente fer-
ramenta de trabalho;
- Fitoterapia: medicamentos à
base de plantas e podem as-
sumir as mais diversas formas
consoante o sistema médico e
de diagnóstico que lhes dá ori-
gem, sendo as mais conhecidas
a ocidental, chinesa e ayurveda
(Índia);
- Homeopatia: sempre controver-
sa, constitui também um sistema
completo de diagnóstico e tera-
pêutico eficaz quer em patologias
crónicas ou agudas, casos de ro-
tina ou emergências, na medicina
profilática, curativa ou paliativa, é
meostase perdidas na sequência da alteração nhecimento do estado retrovírico, cuidados um excelente aliado quando pro-
do estado de saúde. Sintomas raramente são de higiene e acesso aos recursos essenciais) curamos eficácia sem colocar em
a causa da doença, mas dão-nos excelentes assim como dos check-ups regulares na dete- causa a segurança na administra-
indicadores sobre a mesma”, salienta Dinora ção precoce de doenças”. ção dos medicamentos.
Xavier. Quanto a estes check-ups, Maria João Dinis - Ozonoterapia: mais uma das
No âmbito desta abordagem, podemos encon- da Fonseca específica que “deveremos apli- ‘novas’ técnicas que nos pró-
trar diferentes tratamentos para gatos geriá- car as guidelines que estão estabelecidas pela ximos anos vamos ver serem
tricos (ver caixa) sendo que, de acordo com a ISFM e pela AAFP”. Os gatos geriátricos de- resgatadas de há 100 a 200
diretora-clínica, “cada um pode ser aplicado vem ser consultados, segundo a médica vete- anos, altura em que era utilizada
isoladamente ou combinados, apresentando rinária “semestralmente, devendo fazer parte frequentemente no tratamento
algumas combinações melhoramentos sinér- dessa consulta, além de um óbvio exame físi- de feridas e infeções. O ozono
gicos e exponenciais nos resultados clínicos co detalhado, a medição da pressão arterial, deriva do oxigénio e o ozono mé-
finais. O que não aconselho efetivamente é um hemograma, um painel bioquímico alar- dico deve de ser produzido em
‘misturar tudo’ e combinar terapêuticas con- gado, uma urianálise que inclua a medição da equipamentos devidamente cali-
vencionais com terapias holísticas que não se- proteinúria e o doseamento da T4”. brados e homologados, com do-
jam compatíveis entre si, pois podemos gerar A diretora-clínica do Hospital do Gato jul- sagens e vias de administração
respostas antagónicas e arriscamo-nos a pen- ga, no entanto, que é um desafio na medici- bem definidas para tratamentos
sar que nada funcionou como devia”. na felina “acreditar nas diretrizes da medi- específicos. Utiliza-se no âmbito
No âmbito da saúde e do bem-estar do cina preventiva baseada na evidência e cum- da oncologia, doenças infecto-
gato geriátrico, o médico veterinário tem pri-las; assim como não descurar os planos contagiosas, doenças crónicas e
um papel preponderante. Por exemplo, “a de desparasitação e vacinação, investir em degenerativas;
Bayer considera o médico veterinário como mais conhecimento sobre nutrição felina, - Técnicas manipulativas: mas-
a principal fonte de informação e de reco- formar os cuidadores acerca das necessida- sagem, tui na, bowman, quiro-
mendação para os tutores de gatos”, afir- des fisiológicas de um gato geriátrico, no- prática, terapia sacro-craniana
ma Shital Ranchordas, explicando que a meadamente de como adaptar a casa a esta e osteopatia são alguns dos no-
“Bayer Saúde Animal disponibiliza infor- fase da vida, identificar sinais de stress e ob- mes que vamos ver surgir e que
mação e materiais sob várias formas, como ter a compliance dos tutores para o cumpri- podem ser utilizadas para des-
folhetos didáticos acerca dos parasitas que mento dos check-ups”. vincular informação, inflamação,
afetam os animais de companhia. O médi- Neste momento já se estão a dar passos no toxicidade, problemas ao nível
co veterinário torna-se, assim, determinan- âmbito da “área do treino dos gatos, que vai da fáscia e posturais que podem,
te para veicular estes materiais/informação ser fundamental tanto para a modificação de muitas vezes, comprometer a
durante as consultas”. comportamento, como para melhorar o re- evolução positiva de outros tra-
Para Joana Garrido “cabe-nos fornecer in- lacionamento entre tutores e gatos”, revela tamentos em curso, nas mais di-
formações sobre os aspetos mais importantes Gonçalo da Graça Pereira. “Ao contrário do versas patologias, mas em geral
do comportamento felino, da importância da que vulgarmente se diz, o gato cria vínculos mais aplicadas no foro neurológi-
medicina preventiva (vacinação, desparasita- com os humanos e é importante que este es- co, articular e muscular.
ção, nutrição nas diferentes fases da vida, co- teja organizado”..

— 18 —
— 19 —
COMPORTAMENTO

a oferecer um serviço que seja claro, débil nesta área. Obviamente que um
C transparente e consistente implica que profissional termina o curso com algumas
quem esteja à frente do mesmo saiba o que lacunas na sua formação, o que origina
Consultas está a fazer e trabalhe com uma equipa de mitos e erros cometidos dentro desta área.
profissionais devidamente habilitados para Todos os médicos veterinários deveriam
de comportamento prestar um bom serviço. Para modificar estar bem informados, mas para se fazer
comportamentos precisamos do apoio consultas nesta área a formação teria de
nos CAMVs de treinadores e de profissionais que nos ser superior àquilo que é ensinado nas
ajudem a trabalhar no mesmo. Nem todos os faculdades. Como estamos numa fase
— centros, clínicas ou hospitais estão aptos a muito inicial do desenvolvimento desta
oferecer esse serviço e a meu ver ainda bem especialidade no nosso país, aquilo que
Uma aposta cada que não o fazem. Caso contrário corríamos acontece é que muitas pessoas, como não
o risco de estar a oferecer um mau serviço”, têm todos os conhecimentos necessários,
vez mais frequente acrescenta o médico veterinário. acabam por transmitir conceitos errados”,
É através deste aprofundamento de defende Gonçalo da Graça Pereira.
— conhecimentos que se conseguem O CPCA é uma das respostas às
Apesar de ainda não ser uma oferta prestar melhores cuidados aos animais necessidades de formação dos médicos
generalizada, já existem mais clínicas e de companhia. A formação em termos generalistas, mas não só. Para o fundador,
hospitais veterinários a disponibilizar universitários “ainda continua um pouco os dois anos de atividade comemorados
consultas de comportamento. Uma vez
que a especialidade tem vindo a crescer
no país, os responsáveis de algumas
clínicas deram um passo em frente e
criaram respostas. Fomos conhecer
Os tutores procuram cada
algumas e perceber como tem corrido a
experiência.
vez mais consultas paa
— prevenir comportamentos
Texto: Cláudia Pinto
indesejados ou para tratar

problemas já instalados
A aposta em consultas de comportamento
tem vindo a ser uma tendência relativamente
recente, mas em apenas alguns hospitais e
clínicas veterinárias. A procura é suficiente
para justificar a aposta generalizada neste
tipo de consultas? Que cuidados devem
ter os clientes ao procurar uma consulta
especializada? E como tem crescido a
Medicina Veterinária do Comportamento
em Portugal? Por outro lado, o que devem
os médicos veterinários generalistas saber
para melhor responderem a problemas
de comportamento? Fomos à procura de
respostas.
“Nestas especialidades, como em
dermatologia ou cardiologia, todos
os médicos veterinários devem saber,
no mínimo, o básico geral sobre
comportamento, de forma a poderem
trabalhar na prevenção das doenças. Temos
de saber o suficiente para trabalharmos
em conjunto na prevenção de problemas
de comportamento. No entanto, o que
acontece é que alguns CAMV’s estão a
oferecer serviços não especializados ou
inclusivamente por não veterinários. Isto
não significa que tenha alguma coisa
contra o facto de termos profissionais não
veterinários a trabalhar connosco porque
o comportamento é multidisciplinar e faz
todo o sentido que tenhamos envolvidos
outros profissionais nesta área, mas quando
falamos em consultas de comportamento,
o papel do veterinário é de extrema
importância para detetar outras doenças e
para orientar e poder prescrever medicação”,
explica Gonçalo da Graça Pereira, fundador
do Centro para o Conhecimento Animal
(CPCA) e médico veterinário especialista
europeu em Medicina Comportamental e
diplomado em Bem-Estar, Ética e Lei.
Parece consensual que esta área necessita
de conhecimentos específicos. “Estar

— 20 —
COMPORTAMENTO

em julho deste ano não poderiam ser mais membro em medicina felina do Colégio “Eu diria que 70% das consultas que
positivos. “Apostamos muito na formação Australiano (MANZCVS - Membership nos chegam resultam de referenciação de
como fonte de prevenção de problemas of the Australian and New Zealand College colegas que conhecem o nosso trabalho,
de comportamento porque sentíamos of Veterinary Scientists), o título que a as pessoas que lá trabalham e todo o nosso
que as clínicas e os hospitais não estavam International Society of Feline Medicine profissionalismo. São pessoas que confiam
devidamente preparados para uma consulta (ISFM) reconhece como oficial. A área em nós. Só trabalhamos nesta área de
da especialidade que habitualmente dura, de comportamento faz, como não podia comportamento e de bem-estar animal e
pelo menos, duas horas. No nosso Centro deixar de ser, parte dos conteúdos”, explica não fazemos outros procedimentos, não
temos o conforto necessário para que as Maria João Dinis da Fonseca, diretora damos uma vacina, não temos injetáveis e
pessoas estejam durante este período de clínica, DVM e mestre pela Faculdade de não vendemos produtos”, assegura. No final
tempo connosco, a partilhar a história e os Medicina Veterinária de Lisboa e membro de cada consulta enviamos um relatório
problemas dos seus animais.” em medicina felina do MAZCVS. ou contactamos o colega que enviou o seu
Também o Hospital do Gato está a apostar Gonçalo da Graça Pereira foi sentindo paciente para uma avaliação do Centro.
agora na formação. “Iremos disponibilizar a a necessidade de criar um Centro Os 30% remanescentes chegam através
partir de dezembro várias ações formativas especializado ao longo de vários anos de clientes pessoais privados que veem
para médicos veterinários. Existem em que foi dando consultas em clínicas e entrevistas na televisão ou que conheceram
opções com vários módulos. A mais hospitais. O Centro funciona em parceria o trabalho do CPCA através de amigos,
completa visa o acompanhamento para com outros CAMV’s recebendo, em grande pois a publicidade “boca a boca” funciona.
quem se queira candidatar ao exame para parte, clientes referenciados por colegas. Podem ainda ser recomendados por
treinadores”.

O que esconde esta aposta?


Quando Maria João Dinis da Fonseca
idealizou o Hospital do Gato teve
sempre presente a importância da área
do comportamento como um serviço
que poderia vir a ser diferenciador e
fundamental para a essência do projeto.
“Desde o primeiro dia que toda a equipa
de médicos, enfermeiros e auxiliares está
sensibilizada para a temática, mas temos
uma médica e uma enfermeira mais
dedicadas ao departamento, Inês Guerra e
Mónica Santos, respetivamente”, explica.
No dia-a-dia, os profissionais deste hospital
acabam por fazer muitas consultas “de
modo indireto”, sobretudo no que respeita
à vertente preventiva. “São consultas
onde disponibilizamos um vasto leque
de informações no sentido de formar os
donos que, na maioria das vezes, são muito

“A consulta de
comportamento
é frequentemente
procurada como
consulta de
primeira vez,
mas também
aconselhada por
outros membros
da equipa ou por
referência de
outros colegas,
o que acontece
cada vez mais” –
Maria João Dinis
da Fonseca
COMPORTAMENTO

Dinis da Fonseca.
Gerir as expetativas dos tutores No Hospital Referência Veterinária
A primeira recordação que Joana Pereira tem do seu animal de estimação, a Montenegro (HVRM), a disponibilização
cadela Fofa, era a agressividade para todos os membros da família. À altura, de consultas de comportamento é também
nenhum veterinário a conseguiu ajudar a esclarecer as suas dúvidas. “Por outro uma realidade. “O comportamento é
lado, por nunca ter tido contacto com gatos, tinha uma ideia completamente erra- das áreas mais importantes na Medicina
da acerca dos seus comportamentos e quando fui estudar para Vila Real mudei- Veterinária dos animais de companhia.
-me para uma casa que tinha uma gatinha. Fiquei apaixonada pelo seu comporta- Costuma dizer-se que a pior doença que
mento e, ao mesmo tempo, envergonhada por durante tantos anos ter acreditado um cachorro pode ter é a falta de um
nas ideias pré-concebidas que a sociedade tem acerca destes animais. Durante relacionamento afável com a sociedade.
a faculdade fui-me apercebendo que o tempo dedicado a este tema era bastante Então, desde o início, ao nível de equipa
reduzido e mais uma vez não explicava todas as dúvidas que tinha”. sempre nos preocupámos em ter o conceito
Por não ser uma especialidade comum e por sentir que devem ser os médicos básico geral sobre aquilo que é o formato
veterinários a ter uma palavra a dizer sobre estes temas para poder ajudar os moderno de como adestrar o animal para
animais e os respetivos tutores, acabou por enveredar os estudos nesse sentido. que ele tenha uma boa relação com a
Realizou um mestrado onde estudou a eficácia do uso do “Feliway” na redução de sua família e com a sociedade”, explica
sinais de stresse durante as consultas veterinárias de gatos, tendo sido orientada o diretor do hospital, Luís Montenegro.
por Gonçalo da Graça Pereira. No final do mestrado começou a trabalhar nunca Mais do que trabalhar na resolução de
clínica de pequenos animais, no Porto. Terminou em janeiro deste ano uma pós uma doença instalada, o foco deve estar
graduação em Intervenção na Doença Comportamental de Animais de Compa- na prevenção. “Julgo que em qualquer
nhia, tendo sido convidada para integrar equipa do CPCA e nele desenvolver a consulta não se pode perder a oportunidade
residência sob a coordenação do fundador do Centro. Se tudo correr bem será de ajudar o dono a corrigir pequenos
a primeira residente portuguesa em Medicina do Comportamento em Portugal. pormenores ou situações, mas há momentos
“O processo para a residência ainda está a decorrer e aguardamos a aprovação em que o problema de comportamento já
do Colégio Europeu de Bem-Estar Animal e Medicina do Comportamento. É um está muito instalado e já passou para o lado
processo demorado e que exige uma série de requisitos, quer ao Centro, quer ao da agressividade. Neste caso, a intervenção
residente. No entanto, este sempre foi o meu objetivo e aguardo pacientemente especializada é mais importante para que
pela decisão”, explica Joana Pereira. os resultados possam ser mais eficientes.”
Na sua prática clínica como médica veterinária generalista recebe diariamente, Normalmente, quem recorre a esta consulta
nas suas consultas, dúvidas diversas. “O médico veterinário generalista tem co- no HVRM é algum dono que deteta um
nhecimentos nas mais variadas áreas e o bem-estar e comportamento deverão problema de comportamento do seu animal
também integrar estes conhecimentos, podendo ajudar o cliente a resolver alguns que preocupa muito a família. “Recebemos
dos problemas do seu animal. Não obstante, a medicina comportamental está também casos referenciados de um médico
intimamente ligada a muitas outras áreas da Medicina Veterinária já que o com- veterinário generalista.” No que respeita à
portamento é moldado pelo sistema fisiológico do animal e alterações em qual- falta de aposta por parte de outras clínicas
quer peça deste sistema resultam em alterações comportamentais”, explica Joana e hospitais, Luís Montenegro assegura:
Pereira. “culturalmente existe muito a ideia de que
O feedback da experiência no CPCA tem sido positivo. Na sua opinião, todas as o médico veterinário consegue resolver
áreas da Medicina Veterinária devem andar de mãos dadas, sendo que o seu qualquer problema do seu cão. Alguns
principal desafio “é gerir as expetativas dos tutores. A pouca informação que colegas veterinários consideram-se aptos
têm disponível acerca da área e os poucos conhecimentos bem fundamentados e autónomos para resolver os problemas
fazem-nos levar a crer que resolver problemas de comportamento é algo simples de comportamento que lhes cheguem.
e pouco trabalhoso. Estão quase sempre à espera de um medicamento que resol- Alguns deles não consideram necessário
va todos os problemas de comportamento do seu animal (que nunca vêm sós!).” apostar nas consultas de especialidade.
Desde que trabalha neste Centro tem conseguido manter o tutor ativo nas tarefas Como os problemas de comportamento não
de modificação comportamental, o que é algo que exige muita dedicação. “Creio necessitam de muitos meios de diagnóstico
que esta melhoria se prende com o facto de termos uma equipa multidisciplinar e de apoio, algumas pessoas consideram que,
que conta com uma treinadora que apoia os tutores nessa tarefa”. No que respeita desde que estudem um pouco mais o tema
à aposta dos CAMV’s nesta área, Joana Pereira considera que “é uma mais valia e tenham um pouco mais de cultura, terão
para qualquer clínica e hospital”. conhecimento suficientemente para orientar
esses casos de forma correta.”

“O comportamento é das áreas mais As especificidades comportamentais


Mas não será necessariamente assim e a
importantes na Medicina Veterinária evolução dos tempos tem-no demonstrado.
“Com a evolução da Medicina Veterinária
percebemos que existem casos que carecem
dos animais de companhia. Costuma de outro tipo de acompanhamento. O tema
do comportamento é muito específico para
dizer-se que a pior doença que poder identificar a alteração que o paciente
tem de forma a poder corrigi-la, não só
um cachorro pode ter é a falta de com a parte farmacológica que desempenha
um papel importante, mas também com
um relacionamento afável com a a preocupação de reeducar o animal a ter
outra conduta. Estas são consultas muito
sociedade” – Luís Montenegro demoradas, com a duração mínima de
uma hora. É importante que a família
esteja presente de forma a reintroduzir um
recetivos aos temas abordados”, sublinha. equipa ou por referência de outros novo conceito e para que o animal consiga
A Medicina Felina e a Medicina do colegas, o que acontece cada vez mais. As relacionar-se de melhor forma com os
Comportamento andam de mãos dadas, consultas de comportamento num hospital familiares”, reforça o médico veterinário.
sendo impossível dissociá-las. É isso 100% felino nunca poderiam ser um No Hospital Veterinário do Restelo (HVR),
que tem ditado a experiência deste serviço de outsourcing. Seria uma enorme disponibilizar diferentes áreas foi sempre
hospital. “A consulta de comportamento contradição se assim fosse. São algo que uma das preocupações. “O comportamento
é frequentemente procurada como está completamente enraizado no nosso é uma área recente, mas de importância
consulta de primeira vez, mas também modus operandi. A médica Inês Guerra faz vital para a Medicina Veterinária. A
aconselhada por outros membros da um excelente trabalho”, explica Maria João crescente preocupação (tanto da nossa

— 22 —
— 23 —
COMPORTAMENTO

parte, como dos donos com o bem-estar


e qualidade de vida dos animais) gerou
a necessidade de disponibilizar este
serviço. Notámos uma procura cada vez
maior tanto por questões de prevenção de
comportamentos indesejados, como para o
tratamento de problemas já instalados. No
topo da lista destacam-se a agressividade,
tanto em cão como em gato, a eliminação
inadequada e a ansiedade por separação,
no caso do cão”, explica a equipa do
HVR, encabeçada por Sofia Costa, no que
respeita às consultas de comportamento.
Também neste hospital, a consulta tenta
orientar os donos de forma a alterar ou
minimizar comportamentos inadequados.
“Quando existe um problema instalado
tentamos tratá-lo utilizando um bom
maneio ambiental e comportamental
dirigido. Muitas vezes é necessário recorrer
a medicação que auxilie neste tratamento.
A vertente preventiva é uma aposta cada
vez maior, de forma a evitar um problema
antes que o mesmo se instale. A prevenção
inicia-se com as consultas de primeira vez,
onde se informa o dono das necessidades
básicas do animal. Englobar uma estratégia
de bom maneio em patologias físicas é uma
das nossas preocupações.”
Esta questão acaba por ser fundamental
também durante a administração
“Estar a oferecer de nós”, sublinha a médica veterinária.
Apesar da aposta e de haver mais
de medicação de uma doença ou em
casos pós cirúrgicos. “As consultas um serviço profissionais interessados na especialidade,
Gonçalo da Graça Pereira realça o facto
de comportamento visam auxiliar os de a situação estar longe do ideal. “Julgo
animais e os seus donos em problemas de que seja claro, que não somos suficientes, mas a procura
comportamento, mas também apoiar os também ainda não o é para a maioria de
colegas na clínica diária. Cada vez mais o
tratamento será multifatorial, e a consulta
transparente nós sobreviver apenas da Medicina do
Comportamento”.
de comportamento desempenha um papel
crucial.”
e consistente, Novidades terapêuticas
Nos últimos anos, a procura tem vindo
a aumentar no HVR “e com tendência
implica que quem O que têm desenvolvido as farmacêuticas
na área do comportamento animal? Que
a aumentar.” Muitas vezes, o dono não
consegue identificar o problema, mas esteja à frente do novidades têm apresentado? A WePharm
lançou recentemente o “WeCysto® para
acaba por perceber que o animal não abordagem da Cistite Idiopática Felina
está bem pois deteta uma determinada mesmo, saiba o que, sem esquecer obviamente o aporte de
alteração de comportamento. “Uma percursores de GAG´s e Ómega 3, possui
grande parte dos animais de companhia
vive quase exclusivamente dentro de casa,
que está a fazer na constituição um conjunto de substâncias
que ajudam nesse controlo de ansiedade
predispondo a um aumento de stresse.
Isto deve-se ao facto de estarem muito
e trabalhe com e stresse (L-Triptofano, L-Tianina e
Vitaminas B1, 3 e 6) por estarem associadas
confinados em termos de espaço físico,
como também limitados em termos de
uma equipa de aos níveis do neurotransmissor GABA
e serotonina. Sabe-se hoje que cerca de
horários de passeios, ou tempo que passam
com os seus donos. O comportamento profissionais 90% das cistites em gatos com menos de
10 anos são de origem idiopática e não
animal nunca poderá estar dissociado dos de outras origens que se consideravam
cuidados essenciais de saúde. Queremos devidamente no passado mais relevantes (relacionadas
animais saudáveis, mas também felizes e com bactérias, cálculos, imunidade, etc.)”,
com qualidade de vida”, reforça a equipa
do HVR que garante que o feedback dos
habilitados explica Marcelo Dinis Sousa, médico
veterinário e diretor técnico do laboratório.
clientes “tem sido muito positivo”, o que
reforça a aposta nesta área.
para prestar um “A Sanifauna, de há três anos a esta
parte tem uma parceria com a VetPlus,
No Hospital do Gato existe a preocupação
de tornar estas consultas convenientes
bom serviço” – colocando em Portugal a gama de
nutracêuticos para animais de companhia,
existindo grande flexibilidade para
marcações, inclusive ao fim de semana. Gonçalo da Graça de onde se destacam os produtos para a
área do comportamento, cujo interesse e
“Estas consultas têm, no mínimo, 60 desenvolvimento tem crescido bastante nos
minutos mas na maioria das vezes podem Pereira últimos anos”, explica Gaio Pereira, diretor
ir de 90 a 120 minutos, e em muitos casos da empresa. A Vetplus desenvolveu três
realizadas ao domicílio. Para que exista produtos destinados a diferentes patologias
compliance tem que existir vínculo com o Não faz sentido realizar terapêuticas anti comportamentais: “a disfunção cognitiva
médico e isso requer tempo”, garante Maria víricas sofisticadas sem controlar o stresse em animais idosos, distúrbios de ansiedade
João Dinis da Fonseca. do gato. A definição de saúde é um conceito e cistite idiopática felina, nomeadamente o
Relativamente às doenças felinas, não cada vez mais abrangente e há muito Akivait®, o Calmex® e o Calmex Gato®;
é possível tratar uma “cistite idiopática trabalho a fazer junto dos tutores dos gatos. e o Cystaid Plus. O primeiro é utilizado na
sem realizar uma terapêutica Multimodal Os médicos veterinários precisam dos síndrome de disfunção cognitiva, condição
Environmental Modifications (MEMO). cuidadores, tanto quanto os gatos precisam crónica muito sub-diagnosticada. Estudos

— 24 —
COMPORTAMENTO

comprovam que ¼ dos cães entre 11 e 12 gama Plan OptiAge®, para cães sénior +7 dor e outros parâmetros. Esta alteração
anos e 50% dos gatos com idade superior (médium e Large) e +9 (Mini and Small). digestiva apresenta-se, muitas vezes, na
a 16 anos sofrem desta patologia. Um Esta fórmula encontra-se comprovada para forma de diarreia nos nossos pacientes,
ensaio clínico publicado demonstrou que, prevenir e melhorar a disfunção cognitiva criando mais uma experiência de stresse
em 42 dias apenas diversos sinais clínicos nos cães”, explica Carolina Bartolomeu, para o cão e para o dono: necessidades
melhoraram. O Calmex®, e Calmex Veterinary Technical Manager da Nestlé dentro de casa. Alguns cães podem sofrer
Gato®, são recomendados em distúrbios Purina. de stresse agudo, mas outros podem
comportamentais causados por ansiedade, A Hill’s Pet Nutrition está empenhada em sofrer de stresse crónico”, acrescenta a
problema muito comum em cães pois, “disponibilizar as mais recentes inovações responsável. “A Hill’s™ Science Plan™
existindo evidências de que 49% tem fobias tecnológicas e nutricionais para dotar os Youthful Vitality é uma solução nutricional
a sons de alta intensidade. Por último, o médicos veterinários de novas ferramentas inovadora, formulada com uma receita
Cystaid Plus® é usado na cistite idiopática nutricionais que ajudam a melhorar a patenteada, clinicamente comprovada
felina, patologia crónica que possui efeitos qualidade e esperança de vida dos animais que inclui ingredientes naturais (frutas,
nefastos na qualidade de vida do gato e de companhia. São exemplo três soluções vegetais, ácidos gordos e antioxidantes)
proprietário e na qual ajudará.” nutricionais que visam combater as e vitaminas, minerais e aminoácidos que
“A Vetoquinol continua a expandir a marca alterações patológicas resultantes do stresse atuam de foram a combater os sinais de
Zylkène® e está a apostar em criar uma em cães e gatos (Hill’s Prescription Diet envelhecimento”.
formulação com maior aceitabilidade por Canine i/d Stress® e Hill’s Prescription Um estudo clínico conduzido pela Hill’s
parte dos animais. A este respeito teremos Diet Feline c/d Urinary Stress®), mas demonstrou que “os animais de companhia
novidades para 2018, mas que ainda não também o mais recente lançamento que (habitualmente entre os 7 e 8 anos de
podemos adiantar”, salienta Pedro Reis, visa diminuir os sinais comportamentais idade) alimentados com a nova gama
médico veterinário e diretor de vendas associados ao envelhecimento dos nossos Youthful Vitality apresentaram níveis
e marketing da empresa. Em 2016, a animais de companhia (Hill’s Science acrescidos de vitalidade, incluindo nos
empresa patrocinou o programa ‘Animais Plan Youthful Vitality®)”, explica Maria cães com o aumento da atividade e da
Anónimos’, com uma rubrica subordinada Margarida Tomé, médica veterinária, velocidade e nos gatos um aumento da
a dicas sobre comportamento por parte de Veterinary Affairs Manager Cesman-Hill’s vontade de brincar. O mesmo estudo
Gonçalo da Graça Pereira, e para este ano Portugal. revelou que os animais de companhia mais
temos planeado um ‘ensaio de campo’, com Apesar de os fatores do stresse não serem velhos também passaram a ter um pelo
vista a escrever uma publicação.” Neste necessariamente os mesmos que os que mais saudável e brilhante e exibiram uma
momento, está em curso uma campanha em afetam o ser humano, alguns estudos maior vontade de interagir com os humanos
curso com oferta de comedouros de viagem demonstram que os cães “sentem stresse e outros animais.” Um outro estudo
e a promoção ativa dos benefícios “de e que o mesmo pode comprometer a sua interno conduzido pelos nutricionistas
utilização do Zylkène® na ida para férias, saúde e bem-estar geral. Estudos recentes da Hill’s demonstrou que “bastaram 30
nas circunstâncias que causam ansiedade estabeleceram a ligação do cérebro ao dias de alimentação com a nova gama
aos animais e onde poderá ser benéfico.” intestino: a libertação de norepinefrina Youthful Vitality para que 70% dos donos
(a hormona ‘lutar’ ou ‘fugir’) afeta a de animais de companhia mais velhos
A nutrição como complemento fisiologia gastrointestinal que resulta tivessem registado melhorias nos sinais
Na área de nutrição, a Nestlé Purina em alterações prejudiciais das bactérias de envelhecimento”, sublinha Margarida
destaca a gama “Pro Plan® cão que inclui a intestinais, mobilidade, sensibilidade à Tomé.

PURINA® PRO PLAN® é marca registada e propriedade da Société des produits Nestlé, S.A., Vevey, Suíça.
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idosos, potenciando a
sua performance.

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— 25 —

Disponível apenas em Clínicas Veterinárias e Lojas de Animais


ANIMAIS DE PRODUÇÃO

Ap
Espécies pecuárias

Maneio da dor
é cada vez mais
importante

Os equinos são a espécie onde o maneio
da dor assume uma maior relevância
devido à maior expressividade destes
animais na manifestação da sua dor.
“Isto não quer dizer que os ruminantes
e os suínos sintam menos dor, disfarçam
é muito bem os sinais de dor, enquanto
os cavalos expressam-na de forma muito
mais dramática e, por vezes, violenta,
como no caso das cólicas”, explica
George Stilwell.


Texto: Emília Freire

O professor – um dos docentes da disciplina


opcional “Perspetiva Multidisciplinar do
Maneio da Dor” na Faculdade de Medicina
Veterinária da Universidade de Lisboa –
refere a crescente consciência e preocupação
dos produtores com o bem-estar animal, mas
salienta que “nos animais de produção ainda
se despreza muitas vezes a dor”, dando como
exemplo o que acontece com a castração e
a descorna, mas também noutras situações.
“Muitos produtores ainda não perceberam
que ao não fazerem este maneio estão a
perder dinheiro porque com dor o animal
come menos, cresce menos e produz menos
leite”, acrescentando que cabe ao médico
veterinário explicar ao produtor os sinais e
estas consequências económicas da dor.
Entre os ruminantes “os bovinos e ovinos
são muito parecidos na expressão subtil
dos sinais de dor”, afirma George Stilwell,
porque “sendo presas não têm interesse
em mostrar a sua debilidade, por isso
desenvolveram grande tolerância à dor”.
Nestes animais, a identificação da dor é
assim mais difícil. Já os caprinos são mais estar animal está muito presente nas nossas sensibilizados para este facto. A observação
expressivos: “como andavam essencialmente explorações, principalmente ao nível do é também a forma inicial de o médico
em zonas montanhosas precisavam de alertar cuidado com as instalações, mas também veterinário confirmar a suspeita de dor
os outros”. diretamente com os animais”. A médica podendo depois identificar a sua causa com
Luís Pardon Lamas, professor da FMV da veterinária, que supervisiona clinicamente recurso ao exame físico e, em alguns casos, a
ULisboa e cirurgião do Serviço de Cirurgia várias explorações, salienta que “por vezes meios complementares de diagnóstico, como
e Urgências de Equinos do Hospital Escolar há sinais evidentes de dor, mas noutros casos o Rx e a ecografia.
Veterinário, diz-nos que o maneio da dor “é não é tão visível”. Por isso “a identificação “Os cavalos são muito sensíveis à dor” e “a
um dos aspetos mais importante para mim da dor tem muito a ver com a observação (o principal causa de dor em cavalos é de origem
como clínico” e defende: “é importante ‘olho clínico’) e a experiência”. Isabel Cunha, ortopédica, que está na origem da maior
pensar no maneio da dor de três formas: que trabalha com porcos há 27 anos, refere parte das claudicações, e assim na perda
bem-estar animal; a sua importância todavia que “os animais dão-nos muitos de rendimento atlético do animal”, afirma
clinica e parte técnica e clínica do maneio”, sinais através do comportamento”. Luís Lamas afirmando que “os sinais de
referindo que “as três estão interligadas, dor variam com a sua origem e intensidade,
mas os objetivos de cada uma podem ser Mudança de comportamento é o 1º sinal podendo variar de pequenas alterações
ligeiramente diferentes”. Todos os médicos veterinários referiram comportamentais e recusas durante o
Em relação aos suínos, Isabel Cunha, médica que a observação do comportamento dos exercício até manifestações violentas que
veterinária de um dos maiores agrupamentos animais no dia-a-dia pelos produtores e podem levar a traumatismos graves, como no
nacionais de produtores – Agrupalto – conta seus colaboradores é a melhor forma de caso de cólicas severas”.
à VETERINÁRIA ATUAL que “o bem- identificar a dor, pelo que estes têm de estar No caso especifico do ambiente hospitalar

— 26 —
ANIMAIS DE PRODUÇÃO

em que trabalha, em situações médicas de urgência ou no pós-


operatório de algumas condições “a dor e o seu controlo é dos Condroproteção Total
parâmetros mais importantes para o diagnóstico porque nos dá pistas
e, principalmente, na decisão de operar ou não o animal”. Além dos
problemas nos membros, os equinos são também muito sensíveis a
cólicas, lembra o médico veterinário, que salienta que “estas podem
ter muitas origens, mas a melhor forma de evitá-las é manter um
maneio alimentar regular e evitar a desidratação. No entanto, as
que são consideradas cirúrgicas (2/5% de todas as cólicas) são
normalmente devido a torções, deslocamentos, encarceramentos ou
estrangulamentos e nestas há menos a fazer. O grau de dor é por isso
um importante parâmetro clinico que não deve ser ‘mascarado’ com
analgésicos até que o diagnóstico esteja feito”.
Luís Lamas refere que “no maneio da dor usamos AINEs e por vezes
opióides, como a morfina ou fentanil em situações ortopédicas e em
recuperação de pós-operatório”, mas sublinha que “são apenas para
maneio da dor e para permitir a identificação da causa desta dor. O
diagnóstico é o mais importante e é nele que trabalhamos”. O médico
veterinário adianta que “o uso de analgésicos é sempre temporário,
não podemos usá-los durante muito tempo porque têm efeitos
secundários, com os animais a poderem desenvolver, por exemplo,
úlceras gastrointestinais e problemas renais”. Explica por isso que, em
dores articulares, se recorram a administrações locais intrassinoviais
de forma evitar efeitos sistémicos destas drogas.

Obsessão pela dor


Luís Lamas chama a atenção para o facto de a medicina de equinos
ter um aspeto diferente das outras espécies pecuárias “e até da
maioria da medicina humana, sendo mais comparável à medicina
desportiva humana, estamos a tratar os ‘Ronaldos’ dos animais já
que quase todos os cavalos têm uma função desportiva, nem que seja
de lazer”. Daí que sejam usados métodos e técnicas de diagnóstico,
cirúrgicos e farmacêuticos ‘impensáveis’ nos outros animais de
OMNICONDRO é o condroprotector para todas as
C
produção. “Este facto gera uma grande pressão nos veterinários
de equinos já que as expectativas de recuperação total do dono são
situações de desgaste articular que proporciona
M

sempre muito altas e os resultados têm que ser rápidos e eficazes, pelo
que somos ‘obcecados com a dor’”.
Y
maior eficácia e rapidez de resultados, porque contém
O médico veterinário refere que no Hospital Escolar Veterinário
“usamos a nossa experiencia clínica acumulada ao longo dos anos,
CM
a mais alta concentração de glicosaminoglicanos
bem como parâmetros dos exames físicos frequentes e estamos
MY
(glucosamina e condroitina), contém antioxidantes
a começar a usar novos dados publicados recentemente sobre a CY
(Vitamina C e Vitamina E), componentes herbáceos
expressão ‘facial’ dos animais com dor, que usamos em fases pós-
operatórias” para o controlo da dor. Além das administrações
CMY
(Urtica e Harpago) e todos os cofactores bicatiónicos
sistémicas referidas são também utilizadas técnicas mais especificas
K
necessários à manutenção da cartilagem articular.
como cateteres epidurais, bombas de infusão contínua e bloqueios
nervosos loco regionais com administração repetida”, salientando que
o hospital tem uma equipa específica de anestesistas para os cavalos.
Apesar de tudo isto Luís Lamas sublinha que “é errada a ideia que há
animais que sofrem mais ou menos do que outros. A exteriorização da
dor é que é diferente entre espécies”.
Alimento Complementar
Ruminantes “disfarçam muito bem sinais de dor”
Os ruminantes têm precisamente uma forte capacidade de disfarçar Glucosamina 1000 mg
os sinais de dor, mas mesmo assim ela pode ser detetada por Condroitina 535 mg
alterações no comportamento, como “ranger os dentes, de forma Urtica 40 mg
muito subtil e que muitas vezes passa despercebido”, afirma George Harpago 40 mg
Stilwell. Os tipos de sinais exibidos dependem muito do local e da Vitamina C 140 mg
causa da dor. “Nos bovinos, uma das causas mais frequentes de dor
Vitamina E 60 mg
são os problemas nas patas. A relutância em andar ou a claudicação
são sinais bastante óbvios nos casos graves, mas está demonstrado Quelatos orgânicos de Mn, Zn, Cu, Se
que já pode haver dor quando os sinais clínicos ainda não são muito Omnicondro 20 de 60 e 300 comprimidos Excipiente palatável de aroma de fígado.
evidentes”, diz o médico veterinário salientando que “por isso, Omnicondro 10 de 60 comprimidos
muitos destes problemas só se descobrem quando já são crónicos e
o tratamento é pouco eficaz ou implica o uso de analgésicos durante
semanas, representando elevados custos e perda de produção,
por causa dos intervalos de segurança”. Felizmente existem Rápida e sustentada recuperação da mobilidade.
medicamentos cada vez mais eficazes e seguros e com intervalos de
segurança mais curtos ou mesmo sem necessidade deste intervalo
para o leite, mas “é preciso que o clínico se mantenha atualizado e Mais completa e concentrada composição com
que o produtor aceite como normal o maneio da dor”. resultados comprovados.
Para evitar eficazmente estes problemas podais a melhor forma é a
prevenção, principalmente ao nível das camas dos animais, dos pisos
e pela aparagem funcional, que “deve ser feita duas vezes por ano, Comprimidos palatáveis e divisíveis até 4 partes
uma no mínimo”. Mais uma vez, a observação pelos produtores e seus
colaboradores é fundamental para detetar estes problemas podais permitindo a solução mais económica para todos
o mais cedo possível, antes de se tornarem em claudicações graves. os casos.
Outra causa de dor nos bovinos, neste caso nos bovinos de leite,

www.hifarmax.com info@hifarmax.com www.facebook.com/hifarmax


ANIMAIS DE PRODUÇÃO

são as mastites, mas George Stilwell afirma problemas na expulsão dos leitões ou de mas porque não é mesmo prática habitual, já
que “na maioria dos casos dá-se apenas partos muito longos para não prolongar o que estamos a falar de explorações intensivas
antibiótico, só em casos muito graves e raros sofrimento das porcas devido ao desgaste do e com muitos animais.
é que se dá também um analgésico”, mas músculo uterino” e sublinha: “isto porque Questionada sobre a questão da castração –
frisa: “se se associassem os dois, os resultados trabalhamos com raças hiperprolíficas em que nos leitões até aos sete dias pode ser feita
seriam mais rápidos e com maior sucesso”. que as reprodutoras podem ter entre 18 a 22 sem anestesia – a médica veterinária diz que
O professor refere ainda que para a dor leitões”. A veterinária sublinha que “a dor “no Agrupalto não castramos os animais.
interna “usamos o ecógrafo – mais em é muito importante porque um animal com Vamos agora até aderir ao projeto porco.
bovinos do que em pequenos ruminantes cujo dor produz menos e no caso das reprodutoras PT mas só com fêmeas para mantermos
valor é muito menor – e também recorremos pode interferir com a parte hormonal, deixar esta política”. A Federação Portuguesa
por vezes à laparotomia exploratória: fazemos de produzir colostro e até abortar. Por isso os de Associações de Suinicultores (FPAS)
uma pequena incisão para olharmos para encarregados das explorações têm sempre de lançou em junho no mercado a marca porco.
dentro do animal e percebermos o que se estar muito atentos ao comportamento dos PT “para diferenciar e valorizar a carne
passa, e com este método consegue-se um animais para que nós possamos agir o mais nacional” e uma das normas do Caderno
diagnóstico mais rápido e, se necessário cedo possível”. de Especificações é que os animais sejam
fazemos logo a cirurgia”. No caso dos problemas de patas, Isabel castrados, para evitar odores desagradáveis
Cunha salienta que “a coxeira pode ter da carne.
Dor nos suínos: parto, patas e castração causas traumáticas ou infeciosas e os sinais Todavia, em 2010, os representantes das
Isabel Cunha afirma que nos suínos as são, normalmente, evidentes com o animal organizações de agricultores europeus, os
principais causas de dor são nos partos, a recusar mexer-se e levantar-se e a não industriais das carnes, retalhistas, cientistas,
principalmente de primíparas, e também comer”. No caso de problemas, que são raros, veterinários e organizações defensoras dos
de problemas na parte locomotora. “As de dor abdominal devido por exemplo a animais assinaram a chamada Declaração de
reprodutoras são as que mais evidenciam inflamações do estômago ou do intestino, o Bruxelas que prevê alternativas à castração
dor. Há sempre dor no parto, mas há comportamento também denota alterações, cirúrgica de suínos. Este documento,
porcas, nomeadamente que estejam a nomeadamente na postura, que se mostra que para já é uma espécie de carta de
parir pela primeira vez, que por vezes até muito mais contraída. A médica veterinária intenções, prevê que os Estados abandonem
se descontrolam com a dor e chegam a conta-nos que “não há o hábito de usar voluntariamente a castração até 1 de janeiro
ser agressivas com os tratadores e mesmo meios complementares de diagnóstico para de 2018. De acordo com o documento
com os leitões, por isso nesses casos determinar a causa da dor, pela observação admitem-se duas opções: a criação e abate
fazemos maneio da dor”. O Agrupalto tem aplicamos anti-inflamatório e analgésico de suínos inteiros ou então a imunocastração
cerca de 22 mil reprodutoras e a médica e mantemos o animal em observação e através de vacinação. No entanto, a legislação
diz ainda que “também recorremos a isolamento”. Esta situação, refere a médica, abre uma exceção para os animais que
analgésico e anti-inflamatório no caso de não se deve (só) à relação custo/benefício, darão origem a produtos com Denominação

— 28 —
ANIMAIS DE PRODUÇÃO

Fármacos
Pedimos a farmacêuticas que comercializam produtos veterinários em Portugal
informação sobre produtos para maneio da dor em espécies pecuárias. A lista em
baixo (produtos e especificações) é da responsabilidade das empresas que nos
responderam:

Merck
- Dolorex (Butorfanol 10 mg injetável) - Com indicação para analgesia de curta
duração em equinos;

Vetoquinol
- Tolfedine CS - Anti-inflamatório não esteroide com registo em porcos e vacas à
base de Ácido Tolfenâmico;
- Diurizone - Anti-inflamatório esteroide em conjugação com um diurético, útil em
mamites edemaciadas;
- Vetacort - Anti-inflamatório esteroide;

Zoetis
- Rimadyl Bovinos (Carprofeno injetável, AINE) - Indicado como adjuvante da te-
rapêutica antimicrobiana para redução dos sinais clínicos, em casos agudos de
doença respiratória infeciosa e mastite aguda em bovinos;

Merial
- Metacam – O meloxicam é caracterizado por ter uma atividade anti-inflamatória,
anti exudativa, analgésica, antipirética e anti endotóxica. Tem registo para utili-
zação em gatos, cães, cavalos, ruminantes e suínos, sendo comercializado em
várias apresentações - comprimidos, soluções orais e soluções injetáveis.
Em Portugal são comercializadas as seguintes apresentações com indicação
no Maneio da Dor em Espécies Pecuárias - 20 mg/ml solução injetável para bo-
vinos, suínos e equinos. Disponível em frascos de 50 e 100 ml (Bovinos - para
o alívio da dor pós-operatória após a descorna em vitelos; Suínos - indicado
em doenças não infeciosas do aparelho locomotor, para reduzir os sintomas de
claudicação e inflamação e como terapia adjuvante no tratamento de septicémia
puerperal e toxémia, Síndrome MMA Mastite-Metrite-Agaláctia; Equinos - indica-
do no alívio da inflamação e dor nas patologias músculo-esqueléticas agudas e
crónicas; indicado no alívio da dor associada à cólica equina); 40 mg/ml solução
injetável para bovinos e equinos. Disponível em frasco de 50 ml (Bovinos - para
o alívio da dor pós-operatória após a descorna em vitelos; como terapia adju-
vante no tratamento da mastite aguda; Equinos - indicado no alívio da inflama-
ção e dor nas patologias músculo-esqueléticas agudas e crónicas; indicado no
alívio da dor associada à cólica equina); 15 mg/ml suspensão oral para suínos.
Disponível em frasco de 100 ml (Suínos - indicado em doenças não infeciosas
do aparelho locomotor, para reduzir os sintomas de claudicação e inflamação e
como terapia auxiliar no tratamento de septicémia e toxémia puerperal, Síndro-
me MMA);

de Origem Protegida (DOP) e Indicação Bayer


Geográfica Protegida (IGP). - Rompun 20 mg/ml - É um medicamento à base de xilazina com as seguintes
indicações - Maneio de animais pouco domesticados/excitados/agressivos (p/ex.
O custo da dor transporte); Exames médicos, tais como raio-x, remoção de pensos, exame dos
Também nos suínos a prevenção é a tetos, pénis e cavidade oral; Pré-medicação para cirurgias superficiais menores,
melhor forma de ‘tratar’ a dor, por isso a procedimentos com manipulação dolorosa e anestesia local ou regional. Está
médica veterinária do Agrupalto diz que as indicado para bovinos, cavalos, cães e gatos;
explorações do agrupamento têm todos os
equipamentos que regulam as instalações Prodivet ZN
onde estão os animais ligadas a uma - Melovem 5 mg injetável - Para suínos e bovinos jovens;
plataforma que emite alertas cada vez que - Loxicom 20 mg injetável - Para bovinos e suínos.
há algum parâmetro que sai fora do que foi
definido, como a temperatura, ventilação,
estrados, vedações, etc. Isto porque qualquer produção de leite pós-parto em primíparas vacas adultas, colaborei com a excelente
animal ferido ou com dor será um animal tratadas com analgésicos versus outras não iniciativa de dois colegas da Universidade de
menos produtivo. tratadas, etc. mostrando assim aos produtores Évora (Drª. Elisa Bettencourt e Dr. Ricardo
Na medicina veterinária de animais de que compensa economicamente investir no Romão) na organização de workshops no
produção “temos de pesar sempre o fator maneio da dor dos seus animais de produção. Alentejo”. Também acrescentou que “há ideia
económico, porque o fator sentimental Todos estes estudos mostram, mais uma de se publicar um pequeno manual sobre
quase que não existe”, frisa George vez, que o papel do médico veterinário na o maneio da dor na descorna resultando
Stilwell, salientando que “isso reflete-se sensibilização e educação dos produtores e da colaboração da DGAV, Universidade de
no tal ‘desprezo’ pela dor nestes animais, colaboradores é fundamental para o bem- Lisboa e de Évora e ainda a CAP” e sublinha:
principalmente nos de menor valor, como estar animal nas produções pecuárias. “há mais sensibilidade e a investigação
os pequenos ruminantes, ou dos vitelos Falando da castração e descorna de bovinos, tem comprovado o benefício económico do
nas explorações de bovinos de leite”. O por exemplo, George Stilwell refere que maneio da dor, mas é preciso fazer chegar
médico veterinário é autor de vários estudos “embora seja ilegal sabemos que continuam essa informação aos produtores de forma
publicados em revistas internacionais, onde a ser feitas castrações e descornas sem sistemática”.
se demonstra que o maneio da dor ajuda, anestesia. Para sensibilizar os produtores
em muitos casos, a uma recuperação muito de bovinos de carne a fazer descorna em
mais rápida dos animais, a um aumento da vitelos usando anestesia em vez o fazer em

— 29 —
NOVIDADE

N
KimiSciences
inaugura unidade
em Vendas Novas

Produção tem
início no primeiro
trimestre de 2018

O Parque Industrial de Vendas Novas
foi o local escolhido para instalar a
unidade da KimiSciences, marca do
grupo nacional Kimipharma. Um
investimento total que ronda os 3
milhões de euros numa fábrica que vai
produzir suplementos e medicamentos
veterinários para o grupo e terceiros.
A cerimónia de inauguração da nova fábrica em Vendas Novas


Texto: Emília Freire
Fotos: Cedidas por KimiSciences


AA KimiSciences, marca do grupo nacional
Kimipharma, implementou no Parque
Industrial de Vendas Novas a primeira
pedra da sua unidade de produção de
suplementos e medicamentos veterinários
para o grupo e terceiros. “Esperamos ter
a fábrica concluída até final deste ano e
começar a produção no primeiro trimestre de
2018”, disse à VETERINÁRIA ATUAL o
diretor-geral do grupo. Jorge Lucas adiantou-
nos que “vamos produzir inicialmente
suplementos alimentares veterinários e
depois medicamentos veterinários para a
Kimipharma, mas também já temos contratos
com outras marcas”. E adianta: “dentro de
seis meses a um ano temos tudo planeado
para entrarmos também no mercado da saúde
humana”.
A KimiSciences está já incubada na StartUp
Alentejo, em Vendas Novas, e emprega
três técnicos especializados “dos oito que
prevemos vir a ter, num total de cerca de
30 colaboradores”, afirma o responsável,
adiantando que o investimento total nesta
unidade, que vai ter o selo GMP (Good
Manufacturing Pratices), vai ultrapassar os
três milhões de euros.

Produção própria e para terceiros


A Kimipharma é uma empresa nacional
criada em 2009 que vende – em Portugal
e Espanha – medicamentos veterinários Jorge Lucas, diretor-geral da KimiPharma/KimiSciences
e suplementos alimentares veterinários
de marca própria (como o KimiAdapt, o com excelentes acessos e condições) e chamadas ‘indústrias altamente tecnológicas’,
KimiDerm e o KimiMove, entre outros estamos também a apostar em contratos de pelo que o projeto está enquadrado nos
produtos), mas também é a representante em produção com marcas terceiras”. setores intensivos em tecnologia: CAE
Portugal da italiana Candioli. Jorge Lucas O diretor-geral conta ainda que a unidade 20 (média-alta tecnologia) e CAE 21
explica-nos que “nesta altura, os nossos industrial da KimiSciences vai permitir ao (alta tecnologia), apostando também no
produtos são produzidos em vários países grupo aumentar a exportação dos produtos desenvolvimento de “produtos inovadores
europeus, mas quando a KimiSciences Kimipharma, que nesta altura se faz apenas e diferenciadores, orientados para suprir
estiver operacional vamos concentrar para Espanha, estando já em negociações as necessidades em diversas áreas da saúde
tudo em Vendas Novas (numa localização com vários países. A unidade produtiva animal e posteriormente da saúde humana”,
privilegiada a cerca de 30 minutos de Lisboa, vai desenvolver atividades integradas nas segundo a empresa.

— 30 —
— 31 —
EVENTO

cumprir objetivos? E quais os incentivos e Vanda Souto, Digital Envangelists –


E que resultam? Para descobrir na palestra Albiways Digital explicam como tudo
que antecede a hora de almoço. funciona na prática.
Vetbizz O período da tarde irá começar com uma Segue-se uma mesa redonda onde
palestra sobre a inf luência da web e das frente a frente vão estar os principais
e Prémios VA redes sociais no customer experience. Será intervenientes de uma clínica veterinária:
que a utilização pessoal do Facebook ou médico veterinário, enfermeiro
— Instagram pode potenciar o negócio do veterinário, gestor e médico veterinário
CAMV? Os colaboradores são verdadeiros millenial. Como vivem e resolvem
Como construir embaixadores das clínicas? Telma Lopes situações de crise? E como solucionam

(e manter) uma
dream team

As equipas vão estar no centro das
atenções na edição deste ano do
Vetbizz. O evento está de regresso
e ruma ao Porto para discutir como
manter uma boa equipa e o que é
preciso para ser um bom líder.


Texto: Sónia Ramalho


Saber liderar é uma qualidade que
não é intrínseca a todas as pessoas. É
um facto. Mas existem estratégias que
podem ajudam a conseguir alcançar
o título de ‘bom chefe’. Para Lolly
Daskal, especialista em liderança e
desenvolvimento pessoal, um líder
autoritário apenas cria um clima de medo
entre os colaboradores. Já um líder que
tente adotar um estilo de gestão assente
na confiança consegue criar um ambiente
mais tranquilo. Agora pense bem: qual é o
seu estilo?
Este é um dos temas que vai ser abordado
na edição deste ano do Vetbizz, o encontro
anual de gestão para médicos veterinários
que ruma ao Porto para analisar quais as
situações que provocam maiores stresses
entre os colaboradores. O dia começa
com uma palestra sobre como construir
e motivar uma equipa de sonho e os
quatro pilares que podem ser o suporte
dessa estrutura: confiança, criatividade,
liberdade de errar e funcionamento em
equipa. Convidámos Filipa Herédia e
Susana Fidalgo, da MARS, para nos
revelarem como motivam internamente as
suas equipas.
De seguida é a vez do médico veterinário
Pedro Pinho Lopes revelar o seu caso
prático e como passou de gestor de três
clínicas para gestor de uma pequena
clínica em Almada. Será que o conceito
small is beautifull funciona mesmo na
prática? É possível atingir um equilíbrio
perfeito entre a vida profissional e a vida
pessoal? Pedro Pinho Lopes acredita que
sim.
Depois do coffee break é altura de
centrar atenções na vertente financeira.
Dilen Ratanji, da VetBizz Consulting,
vai revelar como uma equipa pode
aumentar os rendimentos do CAMV e
Ricardo Almeida, médico veterinário da
VetPóvoa, vai centrar atenções no sistema
de incentivos praticado nos CAMV e
quais as ‘cenouras’ que movem os nossos
veterinários. Como motivar uma equipa a

— 32 —
EVENTO

os problemas? Uma conversa aberta


onde vamos procurar soluções para os
O clássico de sempre.
porque se interessou por esta área da
gestão.
problemas mais comuns do dia-a-dia. A sessão de palestras termina com
Por vezes estes problemas têm início Elisabete Capitão, responsável pela Revet,
no topo da pirâmide, ou seja, na esfera que vai revelar como os líderes podem
da liderança. E como se processa esta dar autonomia e confiança aos seus
liderança na medicina veterinária? Será colaboradores e ainda assim conseguirem
que temos verdadeiros líderes? Nuno manter uma postura de liderança. Confiar
Gomes da Silva partilha a sua visão sobre e delegar responsabilidades é possível?
liderança e motivação de equipas e revela Para a médica veterinária é uma realidade,
como explica no artigo de opinião da pag listas
40. Especia olo
tr
No final do dia vamos revelar os no con
vencedores de mais uma edição dos da dor
Prémios Veterinária Atual. Contamos com
a sua presença para celebrar a excelência
na medicina veterinária. Dia 28 de
setembro encontramo-nos no Crowne
Plaza Porto.
Defesa tripla
Um bom chefe
nunca diz
contra a otite
Porque eu estou a mandar
-Liderar
Solução
externa!
deveinjetável
ser algo de Cetamina
natural e não 100 mg/ml
-deve representar
Espécies alvo pressão naquele
– Equinos, Bovinos, Suínos, Caninos e Felinos
que é ‘mandado’. Pedir é a melhor
-forma
Pré-medicação
de conseguir – anestesia
aquilo de curta duração
que pre-
tende
- Bem implementado em anestesia veterinária
-Não
Propriedades
preciso queanalgésicas
me ajudem em doses sub-anestésicas • Polimixina B - Miconazol - Prednisolona
Além de falsa, a afirmação pode
-terInício de ação imediata
efeitos negativos no negócio.
• Gotas auriculares e suspensão cutânea
• Espécies alvo: Caninos e Felinos
-UmPerfi l deque
chefe segurança bastante favorável
não sabe delegar • Anti-inflamatório - antibiótico - antifúngico
nunca terá capacidade de ser bem- • Efeito sinérgico de três classes de substâncias
-sucedido
• Tratamento eficaz da otite externa
Outros produtos para o Controlo da Dor:
Quem é que pensa que é? O Mitex® combina três substâncias testadas e compro-
Segundo Lolly Daskal esta é uma vadas no tratamento tópico da otite externa, causada
das frases mais proferidas por líde- por infecções bacterianas, fungos e leveduras. Mitex®
res, sobretudo quando a intenção reduz os sinais de inflamação, prurido e dor associada,
é demonstrar que se tem poder so- sendo altamente eficaz contra várias bactérias gram
bre o colaborador. Mas o que esta positivas e negativas.
frase demonstra é uma falta de A polimixina B não absorvível, portanto, não há risco
confiança nas suas capacidades de de resistências devido à distribuição de uma dose
liderança e que este se Butomidor
Bupaq Multidose 0,3 mg/ml
pode sentir 10 mg/ml Procamidor 20 baixa de antibiótico sistémico.
mg/ml Rifen 100mg/ml
ameaçado
Solução pelo colaborador
injetável de Solução injetável de Solução injetável de® Solução injetável de
Buprenorfina para Butorfanol para Mitex - Tripla
Cloridrato de procaína para defesa contra a otite externa.
Cetoprofeno para
Caninos
A culpae Felinosé minha Equinos, Caninos e Felinos
não Equinos, Bovinos, Suínos, Equinos, Bovinos e Suínos
Ovinos, Caninos e Felinos
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mas e as questões mais essenciais Mitex gotas auriculares e suspensão cutânea para cães e gatos 1. NOME E ENDEREÇO DO TITULAR
pode ser uma boa forma de promo- DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO E DO TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE FABRICO

ver a confiança RESPONSÁVEL PELA LIBERTAÇÃO DO LOTE, SE FOREM DIFERENTES Titular da autorização de intro-
dução no mercado: Richter Pharma AG, Feldgasse 19, 4600 Wels, Áustria Fabricante responsável pela
libertação dos lotes: Richter Pharma AG, Durisolstrasse 14, 4600 Wels, Áustria 2. NOME DO MEDICA-
MENTO VETERINÁRIO Mitex gotas auriculares e suspensão cutânea para cães e gatos 3. DESCRIÇÃO
DA(S) SUBSTÂNCIA(S) ACTIVA(S) E OUTRA(S) SUBSTÂNCIA(S) Cada ml contém: Substâncias activas:
Nitrato de miconazol 23,0 mg (equivalente a 19,98 mg de miconazol) Acetato de prednisolona 5,0 mg
(equivalente a 4,48 mg de prednisolona) Sulfato de polimixina B 0,5293 mg (equivalente a 5500 UI de
sulfato de polimixina B) Suspensão branca. 4. INDICAÇÕES Para o tratamento de otite externa e infecções
cutâneas superficiais localizadas em cães e gatos, causadas por infecções com as seguintes bactérias
e fungos sensíveis ao miconazol e à polimixina B.Tratamento de infestações por Otodectes cynotis no
caso de infecção concomitante com agentes patogénicos sensíveis ao miconazol e à polimixina B. 5.
CONTRA-INDICAÇÕES Não administrar: - em caso de hipersensibilidade às substâncias activas do me-
dicamento veterinário, bem como a outros corticosteróides, a outros agentes antifúngicos azóis ou a
algum dos excipientes - em animais com tímpanos perfurados - em animais nos quais a resistência dos
agentes causadores à polimixina B e/ou ao miconazol é conhecida - nas glândulas mamárias de cadelas
e gatas lactantes 6. REACÇÕES ADVERSAS A administração deste medicamento veterinário pode, muito
raramente, estar associada à ocorrência de surdez (especialmente em cães mais velhos), devendo, neste
caso, o tratamento ser descontinuado. A administração prolongada e extensiva de preparações tópicas de
corticosteróides é conhecida por desencadear efeitos locais e sistémicos, incluindo supressão da função
adrenal, redução da espessura da epiderme e cicatrização retardada. Caso detecte efeitos graves ou ou-
tros efeitos não mencionados neste folheto, informe o seu médico veterinário. 7. ESPÉCIES-ALVO Caninos
(Cães) e Felinos (Gatos). 8. DOSAGEM EM FUNÇÃO DA ESPÉCIE, VIA(S) E MODO DE ADMINISTRAÇÃO
Uso cutâneo e auricular. Agitar bem antes de administrar. 9. INSTRUÇÕES COM VISTA A UMA UTILIZA-
ÇÃO CORRECTA Agitar bem antes de utilizar. Ver ponto 12. Advertências especiais no folheto informativo.
10. INTERVALO DE SEGURANÇA Não aplicável. 11. PRECAUÇÕES ESPECIAIS DE CONSERVAÇÃO
Manter fora da vista e do alcance das crianças. Conservar a temperatura inferior a 30 C. Após a primeira
abertura, conservar a temperatura inferior a 25 °C. Não administrar este medicamento veterinário depois
de expirado o prazo de validade indicado no rótulo e na embalagem depois de “EXP”. Prazo de validade
após a primeira abertura do recipiente: 3 meses 12. ADVERTÊNCIAS ESPECIAIS Precauções especiais
para utilização em animais A administração do medicamento veterinário deve basear-se em amostras
microbiológicas e testes de sensibilidade das bactérias e/ou fungos isolados do animal. Se não for pos-
sível, a terapêutica deve basear-se na informação epidemiológica local (regional) sobre a susceptibilidade
dos agentes patogénicos-alvo. Em caso de ingestão acidental, dirija-se imediatamente a um médico e
mostre-lhe o folheto informativo ou o rótulo. Utilização durante a gestação e a lactação: A segurança do
medicamento veterinário não foi avaliada durante a gestação e a lactação. Administrar apenas em confor-
midade com a avaliação benefício/risco realizada pelo médico veterinário. 13. PRECAUÇÕES ESPECIAIS
DE ELIMINAÇÃO DO MEDICAMENTO NÃO UTILIZADO OU DOS SEUS DESPERDÍCIOS, SE FOR CASO
DISSO O medicamento veterinário não utilizado ou os seus desperdícios devem ser eliminados de acordo
com a legislação em vigor. 14. DATA DA ÚLTIMA APROVAÇÃO DO FOLHETO INFORMATIVO Janeiro de
2015 15. OUTRAS INFORMAÇÕES Apresentação: 1 x 20 ml
NOVIDADE

N
Medicina
Regenerativa

Onevet Group
lança serviço
em dois hospitais

O Onevet Group lançou recentemente,
em parceria com a Vetherapy, um novo
serviço de Medicina Regenerativa no
Hospital Veterinário do Baixo Vouga
(HVBV) e no Hospital Veterinário
Universitário de Coimbra (HVUC).
Uma resposta a uma nova realidade na
abordagem clínica veterinária.


Texto: Ana Rita Costa


Inaugurado em junho deste ano, o serviço
de Medicina Regenerativa já está em
pleno funcionamento desde 14 de junho
no HVUV e desde 18 de julho no HVBV.
Sónia Miranda, Coordenadora do Cluster
Centro do Onevetgroup, explicou à
VETERINÁRIA ATUAL que “a terapia
regenerativa, nomeadamente com células
estaminais, é cada vez mais uma realidade
na abordagem clínica veterinária. Fomos
percebendo que as células estaminais têm um
potencial terapêutico enorme e podem ser
usadas em variadíssimas situações clínicas. O
mediatismo de alguns casos de celebridades
e atletas de alta competição também
ajudou a dar visibilidade a esta abordagem
terapêutica e são cada vez mais as pessoas
que nos perguntam se a aplicação de células
estaminais pode ser uma solução para o
problema que afeta o seu animal”.
Isto aliado ao facto de cada vez mais pessoas
analisarem a possibilidade de aplicação
de células estaminais para solucionar os
problemas dos seus animais levou o Grupo
a unir-se à Vetherapy, que disponibiliza este
tipo de tratamentos a médicos veterinários.
Pedro Carvalho, fundador da empresa
e Diretor do recém-criado Centro de
Investigação Vasco da Gama (CIVG), em da cicatrização, como a remodelação, levando procedimentos para manter a esterilidade
Coimbra, explica-nos que esta parceria com à formação de menos tecido cicatricial e um controlo de qualidade rigoroso sobre
o Onevetgroup pretende tirar partido do fibrótico e maior reposição do tecido original, o produto final, as instalações e materiais
potencial terapêutico das células estaminais com ocorrência de muito menos recidivas.” e reagentes utilizados para a sua obtenção.
em diferentes situações clínicas. “É preciso De acordo com Pedro Carvalho “até há muito “Infelizmente sabemos que a grande
compreender os principais mecanismos pelos pouco tempo, as terapias regenerativas eram maioria dos estudos e aplicações de células
quais estas células atuam e os principais uma miragem no cenário clínico veterinário, estaminais que vão sendo feitos na clínica
efeitos que têm quando injetadas no não só pelo seu custo elevado, mas porque veterinária não cumpre estes requisitos, mas
organismo” (ver caixa). Além disso “têm não se encontrava um produto fidedigno e a publicação deste guia permite-nos antever
um papel crucial sobre o sistema imunitário de qualidade no mercado e o acesso a estas uma fiscalização e vigilância mais apertadas,
(imunossupressão); cada vez mais são usadas células só se fazia recorrendo a laboratórios que se traduzirá numa melhor qualidade
em transplantes de órgãos e de medula, para de investigação em universidades que nem destes produtos e dos resultados finais
diminuir ou mesmo inibir reações de rejeição sempre utilizam os melhores protocolos.” obtidos com a sua aplicação”.
e em patologias imunomediadas”. Mas o cenário está a mudar. Recentemente, Sobre a Vetherapy, refere que “já saiu há
Por outro lado, as terapias com células a Agência Europeia do Medicamento alguns anos destas condições experimentais
estaminais “ativam células e interleucinas (EMA) publicou um Guia sobre a utilização e neste momento disponibiliza produtos
anti-inflamatórias inibindo as pró- de terapias com células estaminais em de grau clínico (produzidos em laboratório
inflamatórias” e “atuam nas diferentes fases animais, um documento em são descritos os GMP), devidamente padronizados e com

— 34 —
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Que produtos
existem e qual
a sua aplicabilidade?
A Vetherapy® tem o maior portfólio
de produtos regenerativos no merca-
do mundial, com produtos para cães,
gatos e cavalos. O principal são as
células estaminais, que são enviadas
prontas a usar pelo médico veteri-
Para que servem
as células estaminais?
Sónia Miranda,
nário na sua clínica. “Ou usamos as
células do próprio animal, que conse-
Pedro Carvalho explica os principais
mecanismos pelos quais as células
Coordenadora do
guimos isolar através duma pequena
biópsia de gordura que é enviada
estaminais atuam e os principais
efeitos que têm quando injetadas no
Cluster Centro
(também trabalhamos com medula ou organismo, nomeadamente:
outros tecidos, mas privilegiamos a do Onevetgroup,
gordura por várias razões), ou utiliza- Regeneração: “As células estaminais
mos células estaminais do nosso ban- podem diferenciar-se em diferentes revela que “o ser-
co de células, previamente isoladas tipos celulares e assim substituir
de dadores jovens saudáveis”, explica
Pedro Carvalho. “Adaptamos os nos-
células e tecidos lesados repondo a
arquitetura e funções do tecido origi-
viço propriamente
sos protocolos à aplicação pretendida
e o produto final é sempre otimizado
nal”, revela Pedro Carvalho. “Temos
feito aplicações em lesões de tendão
dito funcionará no
para essa aplicação específica, seja
ela neurológica, ortopédica, imuno-
e ligamentos (principalmente em
cavalos), de cartilagem, em feridas
HVUC e no HVBV
mediada, etc”. e fraturas ósseas, insuficiência renal
crónica (principalmente em gatos), e qualquer colega
Serviço de criopreservação (do cor- entre outras, e sabemos do potencial
dão umbilical ou das próprias células regenerativo das nossas células”. pode sempre ref-
estaminais obtidas para tratamento Imunomodulação: “As células es-
daquele animal). Inicialmente pensa-
do para potros de elevado valor, ou
taminais têm um papel crucial sobre
o sistema imunitário (imunossupres-
erenciar para nós
animais de desporto ou exposições
premiados, este serviço tem vindo a
são) e cada vez mais são usadas em
transplantes de órgãos e de medula,
casos em que pre-
ser cada vez mais requisitado por di-
ferentes tutores para os seus animais
para diminuir ou mesmo inibir reações
de rejeição, e em patologias imuno-
tendam aplicar te-
de estimação. mediadas, como por exemplo Com-
plexo Gengivite-Estomatite, IBD, Der- rapia regenerativa.
Gel de cicatrização de feridas, matite atópica, Lúpus, Pênfigo, etc”.
gotas oftalmológicas (úlceras, veterinário em qualquer CAMV no país
queratoconjuntivite seca, etc), e um Anti-inflamatório: “Ativam células e poderá fazê-lo sem qualquer problema.”
PRP (plasma rico em plaquetas) de interleucinas anti-inflamatórias inibin- A responsável diz também que agora um dos
2ª geração que contém secretoma de do as pró-inflamatórias. Diminuem a objetivos passa pela “consciencialização dos
células estaminais, entre outros pro- inflamação, e com isso a dor e edema colegas veterinários para a existência deste
dutos mais orientados para aplicação que normalmente lhe estão associa- tipo de abordagem terapêutica, mas acima
em cavalos. dos. A osteoartrite é o exemplo clás- de tudo poder oferecer soluções terapêuticas
Os casos mais estudados e desde sico e mais estudado deste efeito das onde antes não existiam. Acreditamos
há mais tempo são os do sistema células, mas elas vão atuar em qual- que o futuro da terapêutica (Humana
músculo-esquelético: osteoartrites, quer situação com uma componente ou Veterinária) será cada vez mais uma
tendão e ligamentos, fraturas ósseas. inflamatória”. integração e transversalidade de diferentes
“Mais recentemente temos vindo a áreas do conhecimento a trabalharem de
aplicar cada vez mais em patologias Anti-fibrótico: “Atuam nas diferen forma sinérgica. Os colegas clínicos estão um
imunomediadas e em neurologia, tes fases da cicatrização, como a pouco cansados da medicina de 'receituário',
principalmente no momento cirúrgico, remodelação, levando à formação em que se inventam e prescrevem novas
com resultados muito positivos”. de menos tecido cicatricial fibrótico drogas e princípios ativos para cada pequena
e maior reposição do tecido original, etapa da evolução da doença, acabando por
com ocorrência de muito menos re- se perder a visão do 'todo'. Poder ter um
um controlo de qualidade rigoroso, e que cidivas. A cicatrização de feridas e a serviço de Medicina Regenerativa a funcionar
têm uma década de otimização e aplicação regeneração de tendões e ligamentos em centros como o HVUC e HVBV, onde
clínica, com centenas de casos realizados. Na são um bom exemplo deste mecanis- as diferentes especialidades funcionam de
prática, aquilo que fazemos é disponibilizar, mo de atuação das células”. forma integrada (Neurologia, Ortopedia,
com toda a garantia de qualidade, estas “Para isto acontecer, as células têm Dermatologia, Imunologia...e a Medicina
células ou outros produtos regenerativos aos que ser isoladas e cultivadas com Regenerativa) é a melhor forma de conseguir
colegas veterinários, que apenas têm que as protocolos otimizados e que garantam obter bons resultados, e é acima de tudo isso
injetar no animal, seja via endovenosa, intra- a qualidade do produto final”. que pretendemos obter com este serviço.”
articular, intrarecal, epidural, no local da Pedro Carvalho acrescenta que "a Medicina
lesão (tendão, fratura óssea, etc), dependendo Regenerativa nasceu desta premissa de
da situação que pretendem resolver”. referenciar para nós casos em que pretendam conhecer e tratar o organismo como um
aplicar terapia regenerativa. A principal 'todo' e é por definição uma área que integra
Como posso ter acesso a estas terapias? vantagem reside na possibilidade de ter o caso conhecimentos multidisciplinares (Medicina,
Isto significa que os médicos veterinários acompanhado por alguém especificamente Engenharia, Robótica, Bioquímica,
de outras unidades também podem desta área, para além de beneficiar de todo Imunologia, Materiais, entre muitas outras)".
recorrer aos serviços da Vetherapy. Sónia o acompanhamento de forma integrada E completa: "Acredito que Portugal e a
Miranda, Coordenadora do Cluster Centro das diferentes especialidades veterinárias Medicina Regenerativa Veterinária em
do Onevetgroup, revela que “o serviço existentes nestes centros hospitalares. No Portugal pode, a muito curto prazo, servir
propriamente dito funcionará no HVUC e entanto, uma vez que os tratamentos são de referência internacionalmente. E para isso
no HVBV e qualquer colega pode sempre adquiridos através da Vetherapy, qualquer continuaremos a trabalhar..."

— 36 —
Agulha ou placa?
VI dispõe de uma ampla gama de instrumental que se adapta a
cada situação particular, porque cada paciente é único.

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PRODUTOS E EMPRESAS

Pe
02
01

01. Hifarmax alerta para a importância 02. Marca portuguesa introduz


de avaliação dermatológica ovo fresco em pet food
A Hifarmax vai estar a promover durante os meses de julho, agosto A marca portuguesa happyOne MEDITERRANEUM, que
e setembro a campanha ‘Verão Omnicutis’, uma ação destinada pertence à petMaxi, introduziu uma inovação na nutrição animal,
aos donos de animais de companhia cujo objetivo é alertar para a ao incluir ovo fresco nos seus produtos. Em comunicado, a marca
importância de uma avaliação dermatológica precoce no combate refere que “a happyOne MEDITERRANEUM é a única marca de
aos principais problemas da pele e do pelo em pequenos animais. alimentação para cães e gatos realmente portuguesa e produzida
“No verão, o aumento das temperaturas potencia o aumento em Portugal com os mais seletos ingredientes de origem nacional,
do nível de alérgenos ambientais. Este fator, associado à maior sem cereais.” Inspirada na dieta mediterrânea, a receita da marca
frequência da exposição solar, propicia o aparecimento de patologia contém proteína animal de alto valor biológico: carne fresca de
dermatológica. Neste sentido, coincide com a época balnear a maior aves, ovo fresco e sardinha, azeite extra virgem e é enriquecida com
incidência dos sintomas, o que torna o momento determinante antioxidantes naturais. Segundo a marca, o produto diferencia-se
para uma observação cuidada e uma atitude preventiva”, explica a “pelo seu equilíbrio e riqueza em frutos e vegetais, suplementada
empresa. A campanha envolve a oferta de um rastreio dermatológico com peixe, fonte natural de ómega 3. Somos portugueses e
online e ainda um concurso fotográfico focado na evolução das utilizamos matéria-prima nacional”. A petMaxi é uma empresa
patologias dermatológicas cujo protocolo inclui Omnicutis. “Com nacional que nasceu em 2015 vocacionada para o fabrico de
esta iniciativa, a Hifarmax procura sensibilizar os donos para a alimentos premium e superpremium para animais de companhia.
saúde dermatológica dos seus pequenos animais, estimulando a
consulta veterinária preventiva”.

BROADLINE solução para unção punctiforme para gatos ˂ 2,5 kg; controlo dos hospedeiros intermediários, tais como pulgas, ratos, etc. medicamentosas e outras formas de interacção Desconhecidas.
BROADLINE solução para unção punctiforme para gatos 2,5‑7,5 kg. Pontualmente, em alguns gatos, a infestação por Notoedres cati pode ser Posologia e via de administração Para aplicação tópica. A administração
COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA grave ou complicada por infecções bacterianas. Nestes casos graves o do medicamento veterinário deve ser exclusivamente baseada nas
Substâncias activas: Cada aplicador (dose unitária), contém: tratamento concomitante pode ser necessário. A resistência do parasita a infestações mistas confirmadas, ou no risco significativo de tal infestação
qualquer classe de medicamentos antiparasitários pode desenvolver‑se após mista com ectoparasitas e nemátodos (incluindo prevenção de dirofilariose),
BROADLINE Volume Fipronil (S)‑metopreno Eprinomectina Praziquantel uso frequente de um composto dessa classe. Portanto, a informação e onde seja indicado o tratamento concomitante contra céstodos. Na
solução por dose (mg) (mg) (mg) (mg)
epidemiológica sobre a actual susceptibilidade da espécie‑alvo deve ser ausência de risco de co‑infestação, a administração de um parasiticida de
para unção unitária
punctiforme (ml)
tomada em conta, a fim de limitar a possibilidade de uma futura selecção de curto espectro deve ser considerada como uma terapia de primeira linha. A
resistência. Os gatos em áreas endémicas de Dirofilariose, ou aqueles que prescrição deve ser adequada às necessidades individuais do gato, baseada
Gatos
0,3 24,9 30,0 1,20 24,9 viajaram para zonas endémicas, podem estar infetados por Dirofilaria na avaliação clínica veterinária, no estilo de vida do animal e na situação
˂ 2,5 kg
Gatos 2,5‑ immitis (adultos). Embora o medicamento veterinário possa ser administrado epidemiológica local (incluindo riscos zoonóticos, quando relevantes) por
0,9 74,7 90,0 3,60 74,7 com segurança em gatos que apresentem adultos de Dirofilaria immitis no forma a abordar exclusivamente situações de infestações mistas/risco de
7,5 kg
coração, não foi estabelecido nenhum efeito terapêutico contra adultos de infestação. O tratamento não deve ser extrapolado a partir de um animal para
Excipientes: Butilhidroxitolueno (E 321) 1 mg/ml FORMA Dirofilaria immitis. Por conseguinte, é recomendado que todos os gatos outro, sem o parecer do médico veterinário. Dose: As doses mínimas
FARMACÊUTICA Solução para unção punctiforme “Spot‑on”. Solução com 6 meses ou mais de idade, vivendo em áreas endémicas de Dirofilariose, recomendadas são de 10 mg/kg de peso vivo para o fipronil, 12 mg/kg para
límpida, incolor a amarelo. INFORMAÇÕES CLÍNICAS Espécie(s)‑alvo sejam testados para a existência de adultos de Dirofilaria immitis no coração o (S)‑metopreno, 0,5 mg/kg para a eprimomectina e 10 mg/kg para o
Felinos (Gatos). Indicações de utilização, especificando as espécies‑alvo antes de serem tratados com o medicamento veterinário para a prevenção da praziquantel. Selecionar o tamanho do aplicador apropriado ao peso do gato.
Para gatos com, ou em risco de, infestações mistas por céstodos, nemátodos Dirofilariose. Precauções especiais de utilização: Precauções especiais
e ectoparasitas. Este medicamento veterinário é especificamente indicado para utilização em animais: Apenas para aplicação tópica “solução para Peso do Volume por Fipronil (S)‑Metopreno Eprinomectina Praziquantel
gato dose unitária (mg) (mg) (mg) (mg)
quando as infestações ocorrem em simultâneo. Ectoparasitas: Tratamento e unção punctiforme”. Não injetar, não administrar por via oral ou por
(ml)
prevenção de infestações por pulgas (Ctenocephalides felis). Eliminação de qualquer outra via. Evitar o contacto com os olhos dos gatos. A segurança
pulgas em menos de 24 horas. Um tratamento previne posteriores do medicamento veterinário não foi testada em aplicações com intervalos
˂ 2,5 kg 0,3 25 30 1,2 25
infestações durante pelo menos um mês. Prevenção da contaminação inferiores a 2 semanas, ou em gatinhos pesando menos do que 0,6 kg e/ou
ambiental por pulgas, através da inibição do desenvolvimento de todos os menos de 7 semanas de idade. Este medicamento veterinário não é destinado 2,5‑
0,9 75 90 3,6 75
estadios imaturos das pulgas (ovos, larvas e pupas) durante pelo menos um para ser administrado em cães. Algumas raças de cães podem apresentar um 7,5 kg
˃ 7,5 kg Utilizar a combinação apropriada de aplicadores
mês. O medicamento veterinário pode ser administrado como parte de uma aumento da susceptibilidade às lactonas macrocíclicas, levando
estratégia de tratamento para o controlo da dermatite alérgica por picada de potencialmente a sinais de neurotoxicidade. Deve ser evitada a ingestão oral
pulga (DAPP). Tratamento e prevenção de infestações por carraças (Ixodes por Collies, Old English Sheepdogs e raças relacionadas ou cruzadas. A Método de administração:Usar uma tesoura para cortar o blíster ao longo da
ricinus). Eliminação de carraças em menos de 48 horas. Um tratamento Equinococose representa um risco para os seres humanos, e é uma doença linha ponteada, e retirar a película.
previne posteriores infestações até 3 semanas. Tratamento da sarna de notificação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Precauções Retirar o aplicador da embalagem e segurar na posição vertical. Puxar o
notoédrica (Notoedres cati). Céstodos: Tratamento de infestações por especiais a adoptar pela pessoa que administra o medicamento aos animais: êmbolo ligeiramente, rodar e retirar a tampa. Separar o pêlo na linha média
céstodos (Dipylidium caninum, Taenia taeniaeformis, Echinococcus Não fumar, beber ou comer durante a aplicação.Lavar as mãos após a do pescoço, entre a base do crânio e as escápulas até que a pele seja visível.
multiloculares). Nemátodos: Tratamento de infestações por nemátodos administração.Os aplicadores não utilizados devem ser armazenados no Colocar a ponta do aplicador na pele e aplicar todo o conteúdo diretamente
gastrintestinais Toxocara cati (larvas L3, L4, e adultos), Ancylostoma blister intacto.Evitar o contato do conteúdo do aplicador com os dedos. Se na pele, num só ponto. A prevenção da Dirofilariose (Dirofilaria immitis
tubaeforme (larvas L4 e adultos), Toxascaris leonina e Ancylostoma ocorrer o contato lavar com água e sabão.No caso de contato acidental com larvae) deve começar pelo menos 1 mês após a primeira, provável,
brazilienze (formas adultas). Tratamento de infestações por nemátodos os olhos, lavar os olhos abundantemente com água dado que o medicamento exposição ao mosquito. Para o tratamento contra Aelurostrongylus
pulmonares do gato (larvas L3 e L4 e adultos de Aelurostrongylus veterinário pode provocar ligeira irritação da membrana mucosa e ocular.Se abstrusus, pode ser recomendada uma segunda administração, um mês após
abstrusus). Tratamento de infestações por nemátodos vesicais (Capillaria a irritação ocular persistir ou observar efeitos secundários, procurar o tratamento inicial. Sobredosagem Foi demonstrada a segurança com até
plica). Prevenção da Dirofilariose (por larvas de Dirofilaria immitis) assistência médica e mostrar o folheto informativo ou o rótulo ao médico.O 5 vezes a dose máxima de exposição (i.e. até 15 vezes a dose recomendada)
durante um mês. Contra‑indicações Não administrar a animais doentes ou manuseamento dos animais tratados deve ser limitado até o local de em gatinhos saudáveis com 7 semanas e mais de idade tratados até 6 vezes
convalescentes. Não administrar a coelhos. Não administrar em caso de aplicação estar seco, e não se deve permitir que as crianças brinquem com em intervalos de quatro semanas. Também foi confirmada, em gatos adultos
hipersensibilidade às substâncias activas, ou a algum dos excipientes. os animais durante este período. Por conseguinte é recomendado que os saudáveis tratados 3 vezes em intervalos de duas semanas, com até 5 vezes
Advertências especiais para cada espécie‑alvo Quando se aplica o animais recentemente tratados não durmam com os donos, especialmente a dose recomendada. Podem ser observados sinais neurológicos moderados
medicamento veterinário, deve ser dada especial atenção às raças de pêlo com as crianças.As pessoas com hipersensibilidade conhecida a alguma das e transitórios, tais como: ataxia, desorientação, apatia e dilatação da
comprido, por forma a assegurar que o medicamento veterinário é aplicado substâncias activas ou a algum dos excipientes, não devem manusear o pupila, com recuperação espontânea no dia seguinte. Podem também ser
diretamente na pele e não no pêlo, pois isso poderia conduzir a uma baixa medicamento veterinário. Reacções adversas Pode ser observado, observados salivação transitória e/ou vómitos, em casos isolados, em gatos
biodisponibilidade das substâncias activas e, portanto, a uma eficácia temporariamente, no local de aplicação após o tratamento, um aspecto e gatinhos. Gatos infetados com adultos de Dirofilaria immitis no coração
reduzida. É importante aplicar o medicamento veterinário numa área da aglomerado ou eriçado do pêlo. Podem ocorrer reacções cutâneas toleraram até 3 vezes a dose máxima de exposição (i.e. até 9 vezes a dose
pele onde o gato não possa lamber‑se. Evitar que os animais se lambam moderadas e transitórias no local de aplicação (alopécia, prurido).Pode ser recomendada), durante 3 tratamentos com 4 semanas de intervalo, sem
entre eles após a aplicação. Não existem dados disponíveis sobre o efeito observada salivação excessiva, temporária, se os gatos lamberem o local de quaisquer efeitos adversos. Intervalo(s) de segurança Não aplicável.
dos banhos/champôs na eficácia do medicamento veterinário, em gatos. aplicação após o tratamento. Após a ingestão oral do medicamento PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS Grupo farmacoterapêutico:
Contudo, é improvável que um breve contacto do animal com a água, numa veterinário podem também ser observados vómitos, e/ou sinais neurológicos Medicamento antiparasitário, inseticidas, avermectinas, combinações de
ou duas ocasiões no espaço de 1 mês após a aplicação, reduza transitórios, tais como: ataxia, desorientação, apatia e dilatação das pupilas. Eprinomectina TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO
significativamente a eficácia do medicamento veterinário. Como precaução, Estes sinais são resolvidos espontaneamente, em menos de 24 horas. Uma NO MERCADO MERIAL, 29, avenue Tony Garnier, ‑69007 Lyon, França
não é recomendado dar banho aos animais dentro dos 2 dias após a aplicação correta aplicação minimiza a ocorrência destes sintomas. Utilização NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO
do medicamento veterinário. Após o tratamento com BROADLINE, as durante a gestação e a lactação A segurança do medicamento veterinário NO MERCADO EU/2/13/157/001–009DATA DA PRIMEIRA
carraças serão de um modo geral mortas em menos de 48 horas após a não foi determinada durante— a gestação
38 —e a lactação. Os estudos de AUTORIZAÇÃO 04/12/2013 DATA
infestação, sem terem uma refeição de sangue. No entanto, visto que a laboratório com cada um dos ingredientes efectuados em ratos e coelhos DA REVISÃO DO TEXTO 08/2016
fixação de carraças isoladas após o tratamento não pode ser excluída, a não revelaram quaisquer efeitos teratogénicos, fetotóxicos ou Merial Portuguesa, Saúde Animal, Lda.
transmissão de doenças infecciosas não pode ser completamente descartada. maternotóxicos. Administrar apenas em conformidade com a avaliação Empreendimento Lagoas Park, Edifício 7,
A infestação por céstodos pode reaparecer a menos que seja realizado um benefício/risco realizada pelo médico veterinário responsável. Interacções piso 3 – 2740‑244 Porto Salvo.
PRODUTOS E EMPRESAS

03 05
07

04 06

03. Moda das ‘caixas de mimos’ 05. Lançamento Conecta Capsules


para animais chega a Portugal A Vetnova lançou uma nova apresentação de Conecta, o neuroprotetor
Chama-se Barkyn e é um novo serviço de subscrição online agora também disponível em cápsulas. Conecta combina os
exclusivamente para cães, uma tendência de retalho a nível efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios dos Omega-3 com a ação
mundial que chega agora também a Portugal no segmento pet. neuroprotetora das vitaminas do complexo B. A fórmula ajuda a
O projeto é nacional e a ideia é que, à semelhança de qualquer melhorar a funcionalidade do sistema nervoso central e periférico,
outro tipo de subscrição, receba em sua casa, todos os meses, uma minimizar os efeitos do envelhecimento sobre a função cognitiva e a
caixa de ‘mimos’ para o seu cão. Cada ‘Box’ tem entre cinco a sete mobilidade e melhorar a qualidade de vida. Duas apresentações para
produtos diferentes, entre snacks, brinquedos, acessórios e rações, se adaptar a todas as necessidades: Conecta Capsules para maior
e tem um custo mínimo de 16 euros, sendo que os responsáveis comodidade e evitar os odores e Conecta O3ABD em óleo de elevada
pela ideia garantem que “fazemos sempre com que o preço da Box palatabildade facilita a toma diária e permite uma dosagem exata.
seja pelo menos 20% inferior à soma dos produtos”. Importa ainda
referir que quem comprar estas caixas não estará apenas a mimar 06. Orijen lança alimento com 85% de carne
o seu cão. “Por cada Box oferecemos uma refeição de qualidade Foi recentemente lançada no mercado nacional o Orijen, um alimento
a um cão abandonado”, revelam os responsáveis da Barkyn. Nos para cães e gatos com 85% de carne fresca e crua. Produzido pela
Estados Unidos da América esta é uma tendência que tem vindo empresa canadiana Champion Pet Foods, este alimento “utiliza carnes
a crescer nos últimos anos. A BarkBox, considerada a líder deste aptas para o consumo humano em rácios WholePrey, que incluem
segmento de negócio no país, nasceu em 2011 e depois de apenas ossos e cartilagens, permitindo que as novas receitas tenham na sua
dois anos de existência já faturava cerca de 1 milhão de dólares. Por generalidade apenas zinco como aditivo.” Destaque ainda para o
mês. A rentabilidade do conceito tem levado outros a juntarem-se lançamento da Orijen Fit & Trim, uma novidade para cães e gatos
à tendência, como a Pawpack, um serviço de subscrição também com excesso de peso que, segundo a marca, “oferece uma opção rica
para cães focado em produtos naturais e amigos do ambiente, e em proteína e com calorias limitadas para promover as condições
o KitNitBox, um serviço exclusivamente para gatos. físicas ideais.” “Limitado em gordura e hidratos de carbono, com uma
combinação única de abóbora, maçãs e abóbora-almiscarada, Orijen
04. New Global promove adoção responsável Fit & Trim está repleto de proteínas da carne, de aves criadas ao ar
A New Global Pet, o Le Terrier Studio e o realizador João Loff livre, de peixe de captura selvagem e ovos de capoeira.” Os novos
juntaram-se para promover a adoção responsável de cães na produtos Orijen estão à venda em lojas especializadas do setor pet.
Associação O Cantinho da Milu, de Setúbal. Com o lançamento
dos novos alimentos Orijen pela New Global Pet em Portugal surgiu 07. Bravecto Spot-On de Gato recebe Prémio
a ideia de ter cães reais como modelos para publicitar o produto “Easy to Give” atribuído pelo International CatCare
por categorias-alvo. Ao invés de usar os típicos “cães-modelo”, a No passado dia 14 de julho, a MSD Animal Health foi distinguida com
New Global Pet pediu ajuda ao O Cantinho da Milu na seleção dos o prémio "Easy to Give" pelo desenvolvimento do Bravecto Spot-On de
modelos e buscar o auxílio da fotógrafa de cães Amanda Teixeira e Gato. Este medicamento veterinário com a substância ativa Fluralaner
do cineasta João Loff para dar visibilidade à campanha e aos cães e a pipeta "twist n'use" está indicado para o tratamento da infestação
à procura de um lar. A New Global Pet acredita que a campanha por pulgas e carraças e tem uma duração de ação de 12 semanas.
pode chegar a muitas pessoas e que algumas podem apaixonar-se A maioria das restantes pipetas deve ser aplicada 1 vez por mês e,
por algum destes cães e torná-los membros da família. “A nossa com este medicamento veterinário, são necessárias menos aplicações
ideia é fazer a diferença na sociedade. Temos os melhores alimentos durante o ano. O prémio "Easy to Give" distingue o compromisso
e queremos dar os melhores lares a cães que necessitam de famílias assumido pelas empresas farmacêuticas em facilitar a administração de
e de muito amor. A New Global Pet irá doar um saco de Orijen para medicamentos veterinários a gatos. O International CatCare reconhece
cada cão adotado até o final de 2017 no Cantinho da Milu”, explicou que os medicamentos veterinários que são mais fáceis de administrar
o diretor da New Global Pet, Luís Ferreira Rodrigues. tornam a vida dos Médicos Veterinários, dos donos de gatos e dos
próprios gatos menos stressantes e asseguram um melhor cumprimento
da prescrição médico-veterinária.

— 39 —
OPINIÃO

O "Antes de pensar conhecimento e da tecnologia, com tudo


de bom que isto nos trás. E gera também
em motivar três grandes problemas que afetam a
produtividade das pessoas e das empresas:
You need to let go muita informação para filtrar, gerir e tomar
a sua equipa decisões. A nossa atenção está sempre a ser
Como dar solicitada (pelos clientes exigentes, pelos

autonomia e é importante colegas menos tolerantes, pelo telefone,


email, pelo FB, Instagram, Linkedin,

confiança aos partilhar com ela Twitter...) e em geral, sofremos de uma crise
de energia pessoal (stresse constante, dietas

membros da equipa a sua paixão, uma


desequilibradas, pouco exercício e horas de
sono) – há já quem lhe chame Síndrome de
missão, um norte Exaustão, conhecido entre nós por Burnout.
Há aqueles que acreditam que “este é o
contexto em que vivemos, por isso ou aceitas
que os oriente estas condições ou há outro que as está
desejando”. Será este o caminho?
e balize sempre “Effort and courage are not enough
without purpose and direction”, atribuído
que tenham que a John F. Kennedy levanta um pouco o
véu: antes de pensar em motivar a sua
tomar decisões equipa é importante partilhar com ela a
sua paixão, uma missão, um norte que os
importantes. oriente e balize sempre que tenham que
tomar decisões importantes. Tal como um
barco em piloto automático com indicação
Tal como um do rumo, vai compensando ventos e marés
focado no destino, também as nossas
barco em piloto equipas têm que saber para onde queremos
ir, qual a nossa proposta de valor no

— automático mercado e quais são os valores dos quais não


podemos abdicar, sempre que nos virmos
Elisabete Capitão
médica veterinária, CEO REVET
com indicação confrontados com uma decisão a tomar.
Na grande maioria das vezes que oiço

— do rumo, vai “eles não decidem nada”, “eles não se


responsabilizam”, a verdade oculta é que as
equipas ou desconhecem o objetivo ou ele
compensando está sempre a variar de acordo com o tempo
Era uma segunda-feira como outra qualquer, e mood de quem lidera.
mas aquela vinha com sabor a novidade e
muita expetativa, como é habitual sempre
ventos e marés E esta é a minha deixa para vos deixar com
uma reflexão: para criar um ambiente que
que começo um projeto novo com uma
equipa diferente. Reuni com uma colega,
focado no destino, motiva as pessoas e lhes dá substrato para
produzir mais e com mais criatividade é
claramente esgotada, talvez desencantada, e
o corpo dela acusava o sentimento de quem
também as nossas crítico inspirar confiança. Como anda a
confiança no seu negócio?
carrega o peso do mundo nas costas.
“Elisabete, quando nos formámos na equipas têm que Gostaria imenso que partilhasse connosco
faculdade aprendemos todas as ferramentas a sua opinião, experiências, desafios e
académicas, analíticas, de diagnóstico e até saber para onde estratégias nesta matéria. Junte-se a nós dia
éticas e deontológicas. Mas em momento 28 de Setembro no Vetbizz. Até lá.
nenhum fomos treinados para motivar e
fazer coaching às pessoas que trabalham
queremos ir" 1
Covey é mestre em Administração
connosco. Ultimamente parece-me que pela Harvard e doutor pela Universidade
tudo depende daquilo que eu não aprendi a que compõe as nossas equipas é única: Brigham Young. Ficou mundialmente
fazer...” detém uma série de competências, talentos e conhecido com o livro Os Sete Hábitos
Acredito que este sentimento não é filho paixões que não se encontram em mais lado das Pessoas Altamente Eficazes, lançado
único. nenhum. em 1989. Foi consultor pessoal dos ex-
Envolver os colaboradores e levá-los a fazer O velho paradigma da era industrial em presidentes Bill Clinton, dos EUA, Vicente
o seu melhor, voluntariamente, é um fator que as pessoas se sentem tratadas como Fox, do México, do sul-coreano Kim Dae
de sucesso, mas talvez o mais difícil de máquinas é talvez uma das maiores causas Jung e de CEOs de diversas empresas norte-
atingir. Refletindo 30 anos de experiência de desmotivação e falta de envolvimento americanas e do mundo. Em 2004, lançou
que Stephen Covey acumulou, sabemos hoje dos nossos colaboradores, que se recusam a O Oitavo Hábito: da Eficácia à Grandeza,
que empresas de sucesso atingem resultados dar aquele esforço extra que faz a diferença continuação do best-seller lançado 28 anos
superiores de forma consistente, criam nos nossos negócios. A segunda é a falta de atrás.
clientes leais que voltam e contam histórias competências e treino.
que as marcaram, e os seus colaboradores O papel mais importante que se impõe
sentem-se envolvidos e empenham-se no que agora para quem ocupa papéis de gestão e
fazem. liderança é descobrir e mapear os talentos
Se por um lado ouvimos que “ninguém é e potencial de cada uma das suas pessoas
insubstituível”, que facilmente se coloca e potenciá-los. Parece que estou a ouvir os
outra pessoa no lugar, no outro extremo vossos pensamentos:
temos aqueles que dizem que “as pessoas “Elisabete, estás a brincar comigo? Eu
são o ativo mais importante”!... A verdade não sou mãe deles! O que faltava agora era
é que as pessoas não são ativos porque não perder tempo a andar com eles ao colo...”.
são bens, as pessoas não podem ser tratadas Acertei?
como se fossem equipamentos. Cada pessoa Pensem comigo: estamos na era do

— 40 —
OPINIÃO
Previcox 57 mg comprimidos mastigáveis para cães; Previcox 227 mg comprimidos mastigáveis para cães Composição qualitativa
e quantitativa Cada comprimido contém: Substância(s) activa(s): Firocoxib 57 mg; Firocoxib 227 mg Excipientes: Óxidos de ferro (E172);
Caramelo (E150d) FORMA FARMACÊUTICA Comprimidos mastigáveis. Comprimidos castanho-amarelados redondos, convexos, gravados
e com sulco. INFORMAÇÕES CLÍNICAS Espécie(s)-alvo Caninos (Cães). Indicações de utilização, especificando as espécies-alvo Para
o alívio da dor e inflamação associadas à osteoartrite, em cães. Para o alívio da dor e inflamação pós-operatória associada à cirurgia
de tecidos moles, ortopédica e dentária, em cães. Contra-indicações Não administrar a cadelas gestantes ou lactantes. Não administrar
a animais com menos de 10 semanas de idade ou menos de 3 Kg de peso corporal. Não administrar a animais que sofram de hemorragias
gastro-intestinais, discrasia sanguínea ou perturbações hemorrágicas. Não administrar em simultâneo com corticosteróides ou outros
medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs). Advertências especiais para cada espécie-alvo Não existem. Precauções
especiais de utilização Precauções especiais para utilização em animais A dose recomendada, como indicado na tabela de dosagem,
não deve ser excedida.A administração a animais muito jovens ou animais com deficiência da função renal, cardíaca ou hepática suspeita
ou confirmada, pode envolver risco adicional. Se esta administração não puder ser evitada, estes cães requerem monitorização cuidadosa
pelo médico veterinário. Evitar a administração a quaisquer animais desidratados, hipovolémicos ou hipotensos, porque há um risco
potencial de toxicidade renal aumentada. Deve ser evitada a administração concomitante de medicamentos potencialmente nefrotóxicos.
Administrar o medicamento veterinário sob monitorização estrita do médico veterinário, nos casos em que haja risco de hemorragia
gastrointestinal, ou se o animal desencadeou, previamente, intolerância aos AINEs. Foram relatados, em casos muito raros, distúrbios
renais e/ou hepáticos em cães, após a administração da dose recomendada de tratamento. É possível que uma parte destes casos
tenham tido associada uma doença subclínica renal ou hepática, prévia ao início da terapia. Por conseguinte, recomenda-se a realização
de testes de laboratório apropriados para estabelecer parâmetros bioquímicos renais ou hepáticos de referência, prévia e periodicamente,
durante a administração. O tratamento deve ser interrompido se for observado qualquer destes sinais: diarreia repetida, vómitos, sangue
oculto nas fezes, súbita perda de peso, anorexia, letargia e degradação dos parâmetros bioquímicos hepáticos ou renais. Precauções
especiais que devem ser tomadas pela pessoa que administra o medicamento aos animais Lavar as mãos depois de administrar
o medicamento veterinário. Em caso de ingestão acidental, dirija-se imediatamente a um médico e mostre-lhe o folheto informativo
ou o rótulo. Repor os comprimidos seccionados no blister e longe do alcance das crianças. Reacções adversas (frequência e gravidade)*
Foram, ocasionalmente, relatadas émese e diarreia. Estas reacções são, geralmente, de natureza transitória e são reversíveis, quando
o tratamento é interrompido. Foram relatados, em casos muito raros, distúrbios renais e/ou hepáticos em cães, após a administração
da dose recomendada de tratamento. Raramente têm sido reportadas alterações do sistema nervoso, em cães tratados. No caso
de reacções adversas, tais como vómitos, diarreia repetida, sangue oculto nas fezes, súbita perda de peso, anorexia, letargia, degradação
dos parâmetros bioquímicos hepáticos ou renais, a administração do medicamento veterinário deve ser interrompida e deve ser
consultado o médico veterinário. Como com outros AINEs, podem ocorrer efeitos adversos que, em casos muito raros, podem ser fatais.
*A frequência de possíveis efeitos adversos é definida usando a seguinte classificação: Raro (afecta entre 1 a 10 animais em 10.000).
Muito raro (afecta menos de 1 animal em 10.000). Utilização durante a gestação e a lactação Não administrar a cadelas gestantes
ou lactantes. Os estudos de laboratório efectuados em coelhos revelaram a ocorrência de efeitos fetotóxicos e maternotóxicos, em doses
aproximadas à dose de tratamento recomendada para cães. Interacções medicamentosas e outras formas de interacção O tratamento
anterior com outras substâncias anti-inflamatórias, pode resultar em efeitos adversos aumentados ou adicionais. Deve, portanto, ser
observado um período sem tratamento, com estes medicamentos, durante, pelo menos, 24 horas antes do início de tratamento com
o medicamento veterinário. O período sem tratamento, deve, contudo, tomar em conta as propriedades farmacocinéticas dos
medicamentos previamente administrados. O medicamento veterinário não deve ser administrado em simultâneo com outros AINEs
ou glucocorticosteróides. A ulceração gastrointestinal pode ser exacerbada pelos corticosteróides em animais que tenham recebido
medicamentos anti-inflamatórios não esteróides. O tratamento concomitante com moléculas que tenham acção sobre o fluxo renal, i.e.,
diuréticos ou Inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina (IECA), devem ser sujeitos a monitorização clínica. A administração
simultânea de medicamentos potencialmente nefrotóxicos deve ser evitada, porque pode haver risco aumentado de toxicidade renal.
Como os anestésicos podem afectar a perfusão renal, deve ser considerado o uso de fluidoterapia parenteral durante a cirurgia, para
diminuir potenciais complicações renais quando se administram AINEs peri-operatório. A administração de outras substâncias activas
que têm alto grau de ligação às proteínas pode competir com o Firocoxib nesta ligação e, deste modo, conduzir a efeitos tóxicos.
Posologia e via de administração Administração oral. Osteoartrite:Administrar 5 mg por Kg de peso corporal, uma vez por dia, como
apresentado na tabela abaixo.Os comprimidos podem ser administrados com ou sem alimento. A duração do tratamento dependerá
da resposta observada. Como os estudos de campo foram limitados a 90 dias, o tratamento a longo prazo deve ser cuidadosamente
avaliado, e monitorizado regularmente sob supervisão do médico veterinário. Alívio da dor e inflamação pós-operatória: Administrar
5 mg por Kg de peso corporal, uma vez por dia, como apresentado na tabela abaixo, até 3 dias, se necessário. Iniciar o tratamento,
aproximadamente, 2 horas antes da cirurgia. Após cirurgia ortopédica e dependendo da resposta observada, pode-se continuar
o tratamento diário, após os três primeiros dias, segundo decisão do médico veterinário responsável.

Sobredosagem (sintomas, procedimentos de emergência, antídotos), (se necessário) Em cães com 10 semanas de idade, no início
do tratamento, com doses iguais ou superiores a 25 mg/Kg/dia (5 vezes a dose recomendada), durante três meses, foram observados
os seguintes sintomas de toxicidade: perda de peso corporal, falta de apetite, alterações hepáticas (acumulação de lípidos), cérebro
(vacuolização), duodeno (úlceras) e morte. Em doses iguais ou superiores a 15 mg/Kg/dia (3 vezes a dose recomendada), durante seis
meses, foram observados sinais clínicos similares, embora a severidade e frequência fossem menores e as úlceras duodenais estivessem
ausentes. Nestes estudos de segurança com a espécie- alvo, os sinais clínicos de toxicidade foram reversíveis em alguns cães a seguir
à interrupção do tratamento.Em cães com 7 meses de idade, no início do tratamento, com doses superiores ou iguais a 25 mg/Kg/dia
(5 vezes a dose recomendada), durante seis meses, foram observados efeitos adversos gastrointestinais, i.e.vómitos. Não foram efectuados
estudos de sobredosagem em animais com idade superior a 14 meses. Se forem observados sinais clínicos de sobredosagem, interromper
o tratamento. Intervalo(s) de segurança Não aplicável. Incompatibilidades Não aplicável. Prazo de validade Prazo de validade
do medicamento veterinário tal como embalado para venda: 4 anos. As metades dos comprimidos devem retornar à embalagem
de origem, e podem ser guardados durante 7 dias. Precauções especiais de conservação Não conservar acima de 30 °C. Conservar
na embalagem de origem. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO MERIAL, 29 avenue Tony Garnier, 69007 Lyon,
França Número(s) de registo da autorização de introdução no MERCADO EU/2/04/045/001-006; EU/2/04/045/008-009 Data
— 42 —
da primeira autorização/renovação da autorização Data da primeira autorização: 13.09.2004 Data da última renovação: 29.05.2009.
Medicamento veterinário sujeito a receita médico veterinária.
OPINIÃO

O “Se não somos nos potenciar o share of wallet, ou seja,


disponibilizar no mesmo sítio um conjunto
vendedores alargado de produtos e serviços que
satisfaçam integralmente as necessidades
Os meus serviços natos (aliás, dos nossos animais e tutores. O objectivo
será centralizar as vendas no nosso CAMV.
são caros?
os veterinários Durante a formação de medicina veterinária
somos massacrados com informações
detestam a que depressa esquecemos no mercado do
trabalho, porque as rotinas inutilizam
palavra “vender”) parte dos conhecimentos que deixamos de
aplicar. Faz parte do nosso papel, enquanto
e trabalhamos bons profissionais, oferecer ao cliente um
leque alargado de meios de diagnóstico que
devem ser utilizados, sugerir despistes de
para prestar diagnósticos diferenciais e mesmo sugerir
tratamentos que não sejam tão comuns, não
um serviço de por não serem bons, mas por não serem os
mais baratos. Temos que os sugerir com a
cuidados médicos consciência que estamos a oferecer tudo o
que o nosso conhecimento nos permite para
aos animais, como melhor atender quem nos requisita. No final,
cabe a cada tutor expor a sua situação para
— podem pedir-nos que possamos direccionar, em conjunto, a
melhor abordagem a seguir. No entanto,
Dilen Ratanji permanecemos convictos que oferecemos
Director-Geral Vetbizz Consulting que aumentemos tudo o que devíamos para lhe permitir uma
www.vetbizz.pt decisão informada e consciente.


as vendas nas Para melhorar as vendas dum CAMV
nossas clínicas e temos que atentar nos seguintes factores:
número de clientes ativos, frequência
Há cerca de meia dúzia de anos tínhamos
cNão, eu também não gosto de sair do
hospitais?” média de visitas e transação média por
visita. Aumentando cada um deles obtemos
veterinário com uma conta elevada para aumentos consequentes no valor das vendas.
pagar. No entanto, eu gosto de levar a minha humanos, essa percentagem também Como cliente interessa-me gastar pouco
cadela ao veterinário e sair de lá com a tende a ser menor, melhor suportada, se de cada vez que vou ao CAMV. Se esse
sensação que ouvi tudo o precisava sobre a o valor das vendas for superior. Ou seja, valor não me impressionar negativamente
situação clínica dela, nem que isso leve uma maior produtividade dos colaboradores. facilmente farei visitas mais frequentes do
hora em cada consulta. Ou seja, eu consigo Cabe então a cada colaborador dedicar-se que imaginando o cenário oposto. E tal
conferir valor ao serviço que me vendem, diariamente para minimizar o seu custo como eu, muitos clientes atentam neste
mesmo que não goste de ver valores elevados efetivo, aumentando o valor das vendas factor. Cabe a quem está no atendimento
nas faturas. totais. ao público estar sensibilizado para esta
realidade. Não temos que ser gestores
Aqui está o ponto essencial: o caro ou Como fazê-lo? Se não somos vendedores ou vendedores. Temos que ser cada vez
barato está sempre associado à percepção natos (aliás, os veterinários detestam a melhores no desempenho do nosso trabalho,
do cliente perante o serviço que compra. Os palavra “vender”) e trabalhamos para ajudando também quem nos emprega e
preços estão tabelados e quanto a eles pouco prestar um serviço de cuidados médicos investe em nós.
podemos fazer. aos animais, como podem pedir-nos que
aumentemos as vendas nas nossas clínicas e Parafraseando um consultor de gestão
Não vamos viver com a ilusão que podemos hospitais? Ora, não temos de ser vendedores veterinária francês, Philippe Moreau, nunca
fazer descontos a todos os clientes porque, natos nem temos de nos sentir obrigados a se esqueçam que o “veterinário não vende,
tal como qualquer negócio, a veterinária impingir seja o que for aos nossos clientes. ajuda o cliente a comprar”…
também precisa de gerar vendas para que Temos, isso sim, que conferir valor ao nosso
obviamente se cubram todos os custos serviço e temos que estar conscientes que (O autor escreve de acordo com a antiga
do negócio. Daqui advém a importância apresentamos todas as soluções necessárias ortografia)
conferida ao discurso de quem atende. Os a quem o requisita. Por outras palavras,
Recursos Humanos gerem grande parte do há que aumentar a percepção de valor nos
negócio. Já existem muitas estruturas onde nossos clientes.
a presença dum gestor já é frequente ou
até indispensável, mas a potenciação diária Nós sabemos que grande parte dos produtos
das vendas propriamente ditas continua a que vendemos nos CAMVs existem à
ser feita por quem dá “a cara”, por quem se disposição em muitos outros pontos de
dedica a atender e satisfazer as expectativas venda. No entanto, sabemos também que
dos clientes. alguns dos nossos produtos têm qualidade
e funcionalidade superiores aos restantes
Não é por acaso que os custos com recursos disponibilizados no mercado. Devemos e
humanos representam quase metade dos podemos sugerir ao cliente a sua compra
custos de cada negócio veterinário. Embora quando estamos convictos do seu valor e
a redline da sustentabilidade do negócio quando sabemos que será útil. Muitas das
se encontre limitada para os 40% nesse vezes, por não querermos aumentar os
parâmetro, segundo literatura anglo- valores das facturas dos nossos clientes,
saxónica poucos são os casos que não a deixamo-los ir embora comprar noutros
transcendem. Vendo por outro prisma, sítios, o que não resulta sequer numa
se para um negócio veterinário existe poupança efectiva, mas sim apenas num
um encargo tão elevado com os recursos divergir dos pontos de venda. Interessa-

— 43 —
LIVROS

L
01
01 Blackwell’s Five-Minute Veterinary 03 Pain Management
Consult Clinical Companion: Canine in Veterinary Practice
and Feline Behaviour, 2nd Editione Christine M. Egger (Editor), Lydia
Debra F. Horwitz (Editor) Love (Editor), Tom Doherty (Editor)
2017|Wiley 2013| Wiley
Um livro prático e acessível que fornece Este livro fornece toda a informação
informação sobre como lidar com problemas necessária para reconhecer e lidar com a
comportamentais em cães e gatos. A dor numa grande variedade de animais,
segunda edição introduz 19 novos tópicos desde grandes a pequenos e ainda exóticos.
que abordam a ansiedade da separação, Inclui informação sobre analgesia e novos
problemas de comportamento pediátricos métodos, assim como técnicas que vão
e geriátricos, marcação por urina e as além das opções farmacêuticas, como
melhores práticas para resolver cada situação. acupunctura, técnicas quiropráticas e 02
Inclui ainda o acesso a um website com estratégias de nutrição.
possibilidade de fazer o download de 43
folhetos educativos para os clientes.

02 Feline Soft Tissue and General


Surgery
Sorrel Langley-Hobbs & Jackie
Demetriou & Jane Ladlow
2014| Saunders
Uma obra que apresenta técnicas cirúrgicas
de forma muito prática e detalhada - em
formato ‘How to’ - desde os casos mais
simples aos mais complexos. O livro
está dividido em várias áreas, desde a 03
abordagem mais genérica à cirurgia em
pacientes felinos até às cirurgias consoante
a localização anatómica. Inclui informação
sobre anestesia, cuidados pré e pós
operatórios, instrumentos cirúrgicos e
técnicas cirúrgicas explicadas através de
passo a passo.

NOME DO MEDICAMENTO VETERINÁRIO: Bravecto 112,5 mg solução para unção dos eventos adversos é definida utilizando a seguinte convenção: Muito comum (mais de 1 em
punctiforme para gatos de porte pequeno (1,2 – 2,8 kg), Bravecto 250 mg solução para unção 10 animais apresentando evento(s) adverso(s) durante o decurso de um tratamento): Comum
punctiforme para gatos de porte médio (>2,8 – 6,25 kg), Bravecto 500 mg solução para unção (mais de 1 mas menos de 10 animais em 100 animais), Pouco frequentes (mais de 1 mas menos
punctiforme para gatos de porte grande (>6,25 – 12,5 kg). COMPOSIÇÃO QUALITATIVA de 10 animais em 1.000 animais), Raros (mais de 1 mas menos de 10 animais em 10.000
E QUANTITATIVA: Substância ativa: Cada ml contém 280 mg de fluralaner. Cada pipeta animais), Muito rara (menos de 1 animal em 10.000 animais, incluindo relatos isolados).
administra: Posologia e via de administração: Solução para unção punctiforme. Para gatos com peso
Conteúdo da Fluralaner corporal acima dos 12,5 kg, utilizar uma combinação de duas pipetas que mais se aproximem
Pipeta (ml) (mg) do peso corporal. Método de administração: Passo 1: Imediatamente antes da administração,
para gatos de porte pequeno 1,2 – 2,8 kg 0,4 abrir a saqueta e remover a pipeta. Para abrir a pipeta, esta deve ser manuseada pela base ou
112,5 pela parte superior rígida abaixo da tampa, numa posição vertical (extremidade para cima). A
para gatos de porte médio >2,8 – 6,25 kg 0,89 250
para gatos de porte grande >6,25 – 12,5 kg 1,79 tampa deve ser rodada uma volta completa no sentido dos ponteiros do relógio ou no sentido
500 contrário aos ponteiros do relógio. A tampa é mantida na pipeta; não é possível a sua remoção.
Espécie(s) alvo: Felinos (gatos). Indicações de utilização, especificando as espécies alvo: A pipeta está aberta e pronta para a aplicação quando é sentido a quebra do selo. Passo 2: O
Para o tratamento das infestações por carraça e pulgas em gatos. Este medicamento veterinário gato deve estar em pé ou deitado com o dorso na horizontal para uma aplicação mais fácil.
é um inseticida e acaricida sistémico que proporciona a eliminação imediata e persistente das Coloque a extremidade da pipeta na vertical na base do crânio do gato. Passo 3: Pressionar
pulgas (Ctenocephalides felis) e carraças (Ixodes ricinus,) durante 12 semanas. As pulgas e as cuidadosamente a pipeta e aplicar todo o conteúdo diretamente na pele do gato. O medicamento
carraças devem contactar com o hospedeiro e iniciar a alimentação de modo a serem expostas veterinário deve ser aplicado em gatos até 6,25 kg de peso corporal em um ponto na base do
à substância ativa. O medicamento veterinário pode ser usado como parte da estratégia de crânio e em dois pontos em gato com mais do que a 6,25 kg de peso corporal. Esquema de
tratamento da dermatite alérgica à picada da pulga (DAPP). Contraindicações: Não administrar tratamento: Para um ótimo controlo das infestações por carraças e pulgas, o medicamento
em caso de hipersensibilidade à substância ativa ou a algum dos excipientes. Advertências veterinário deve ser administrado em intervalos de 12 semanas. Intervalo(s) de segurança:
especiais para cada espécie alvo: Os parasitas necessitam iniciar a alimentação no hospedeiro Não aplicável. Titular de Autorização de Introdução no Mercado: Intervet International
para ficarem expostos ao fluralaner; como tal o risco de transmissão de doenças transmitidas B.V., Wim de Korverstraat 35, 5831 AN Boxmeer, Países Baixos. Número de Autorização
por parasitas não pode ser excluído. Reações adversas (frequência e gravidade): As reações de Introdução no Mercado: EU/2/13/158/018-019 (112,5
adversas comummente observadas nos ensaios clínicos foram reações cutâneas ligeiras e mg), EU/2/13/158/022-023 (250 mg), EU/2/13/158/026-027
transitórias no local da aplicação (2,2 % dos gatos tratados), tais como prurido ou alopecia. (500 mg). Data da primeira autorização: 11/02/2014. Data
Foram observados logo após a administração os seguintes sinais: apatia/tremores/anorexia da revisão do texto: 17/05/2016. Medicamento veterinário
(0,9% dos gatos tratados) ou vómitos/hipersalivação (0,4% dos gatos tratados). A frequência sujeito a receita médico veterinária.

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AGENDA

NACIONAL
Vetbizz e Prémios Veterinária Atual 2017 DATA: 07 e 08 de outubro 2017 ser dados nas consultas para evitar problemas
O Vetbizz está de volta com um LOCAL: Lisboa comportamentais, e por Eduarda Pires,
desafio: Vamos equipa! Este ano centramos INTERNET: http://www.apmveac.pt/pt/ antropóloga e treinadora que fará uma
atenções no trabalho de equipa e vamos formacao-congresso/64/ii-congresso-de- demonstração de diferentes exercícios de
estar a discutir como construir (e manter) medicina-felina-giefel-apmveac/ treino aplicados à consulta. Destaque ainda
uma dream team! O que é importante para a presença do especialista europeu em
no trabalho de equipa? Como levar os Curso de ‘Reabilitação Animal – Medicina Interna Rodolfo Oliveira Leal, que
colaboradores a vestir voluntariamente a Medicina Regenerativa e Complementar irá detalhar toda a influência que o stresse
camisola? E como integrar os millenials nas É já em outubro que se inicia um novo poderá ter no diagnóstico do animal.
equipas de trabalho? Dúvidas que vamos curso de ‘Reabilitação Animal – Medicina DATA: 11 de novembro 2017
esclarecer juntos a 28 de setembro. No Regenerativa e Complementar’, uma LOCAL: Lisbon Marriott Hotel
final do dia revelamos os vencedores dos organização da ZenVet e do Instituto INTERNET: http://fmv.ulusofona.pt/
Prémios Veterinária Atual 2017. Bioethicus do Brasil. De acordo com
DATA: 28 de setembro 2017 a organização da formação, o objetivo
LOCAL: Crowne Plaza Porto “oferecer ao médico veterinário de pequenos
INTERNET: http://www.veterinaria-atual. animais novas ferramentas para reabilitação INTERNACIONAL
pt/vetbizz/ em Medicina Veterinária de uso prático
e com protocolos por patologia”. O curso Congresso ICAWC
Congresso de Medicina Felina será ministrado por Jean G. F. Joaquim, DATA: 3 a 5 de outubro
APMVEAC especialista em Acupuntura Veterinária e LOCAL: Nicosia, Chipre
A Associação Portuguesa de Médicos em Homeopatia, e Someia Umarji, Diretora INTERNET: http://www.
Veterinários de Especialistas em Animais Clínica da ZenVet e Pós Graduada em dogstrustworldwide.com/icawc/
de Companhia e a GIEFEL organizam a Acupuntura Veterinária.
segunda edição do Congresso de Medicina DATA: 21 a 29 de outubro 2017 Congresso Andaluz de Veterinários
Felina. Na edição deste ano, o foco vai estar LOCAL: FMVULHT DATA: 3 a 4 de novembro
no Gato Geriátrico. Inclui o debate de temas INTERNET: http://fmv.ulusofona.pt/ LOCAL: Punta Umbria, Espanha
como: cuidados de saúde preventivos no INTERNET: http://www.
gato geriátrico: o quê, porquê e quando? No Stress Clinic congresoveterinario.es/
Diagnóstico de perda de peso quando a O Centro para o Conhecimento Animal
examinação física é normal; dicas ‘cat (CPA) vai realizar no próximo dia 11 de Congresso Sul-Europeu SEVC/AVEPA
friendly’ para a clínica de felinos; diagnóstico novembro um seminário subordinado DATA: 9 a 11 de novembro
e maneio da hipertensão sistémica. Está já ao tema ‘No Stress Clinic’. A sessão será LOCAL: Barcelona, Espanha
confirmada a presença da oradora Sarah conduzida por Helen Zulch, especialista INTERNET: http://sevc.info/index.php/es/
Caney, uma das 13 especialistas em Medicina europeia em Medicina Comportamental,
Felina do Reino Unido e autora de várias que dará dicas para uma clínica ‘animal
obras sobre a área.
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— 45 —
reside no estrangeiro e pretende ser assinante da Veterinária Atual, por favor, contate-nos.
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de conhecimento e competências não só indiretamente, favorece todos os profissionais
Vpm profissionais, mas pessoais. Não conseguia que dependem dos farmers, como é o caso dos
vislumbrar uma progressão na carreira. Outra veterinários.
Veterinários questão que pesou na decisão de emigrar foram
as condições de trabalho que, infelizmente, Equaciona voltar a Portugal?
portugueses eram insatisfatórias. De acordo com a minha Sim, sem dúvida. Nada é como Portugal! Com
experiência, em Portugal trabalha-se bem, mas boas condições financeiras, Portugal oferece
pelo Mundo não se é justamente recompensado. uma excelente qualidade de vida, mas é preciso
tê-las. Por mais viagens que faça e mais povos
— Quais as diferenças que encontra entre os que conheça, mais aprecio e valorizo a nossa
métodos de trabalho nos dois países? Ou cultura e a nossa educação. Somos um grande
Pedro Falcão seja, como é um dia de trabalho normal? povo e é com orgulho que sou português!
O que faz?
— Em termos médico-veterinários não encontro Que conselhos dá aos recém-licenciados
Médico veterinário de animais diferença entre Portugal e o País de Gales. em medicina veterinária que estão a ter
de interesse pecuário, País de Gales Somos igualmente bons, conhecedores e dificuldades em ingressar no mercado de
actualizados como os britânicos. Em termos trabalho?
— do dia-a-dia encontro diferenças em relação ao O primeiro conselho é não desesperar.
que experienciei em Portugal. Para começar, Todos teremos a nossa oportunidade, por
“Em Portugal aqui os veterinários trabalham sempre em isso não vale a pena sofrer por antecipação.
equipas. As clínicas são formadas por grupos Contudo, devemos fazer algo para obter as
trabalha-se bem, mas de veterinários que partilham o trabalho oportunidades. Acredito que o networking é
entre si, permitindo assegurar um serviço fundamental para encontrar emprego. Para
não se é justamente de emergência disponível 24 horas por dia isso é importante promover os contactos com
e, ao mesmo tempo, oferecer tempo livre colegas, professores ou amigos pois um deles
recompensado” para o veterinário. Desta forma consegue-se saberá eventualmente de uma oportunidade de
alcançar um equilíbrio saudável entre o tempo trabalho.
— de trabalho e o tempo em família, algo que Outra ferramenta de procura de trabalho é a
me deixa bastante satisfeito. Em Portugal, Internet. Muitas empresas ou clínicas abrem
infelizmente, só conheço três clínicas que têm candidaturas para posições de trabalho e
este tipo de política. foi o que aconteceu comigo. Como médicos
Outra diferença é a quantidade de trabalho. veterinários portugueses devemos igualmente
Por cá é bastante comum o veterinário realizar pensar em emigrar pois, além de sermos
as tarefas mais simples do maneio geral de muito bem vistos no estrangeiro pois somos
um efetivo, como as descornas e castrações considerados bons trabalhadores, temos uma
de vitelos ou vacinações de todo o efectivo. facilidade de adaptação a outras culturas.
Esta realidade é b o veterinário. Em termos
do dia-a-dia de trabalho, tanto em Portugal Como vê o estado atual da
como cá os dias passam por aparecermos medicina veterinária em Portugal
nas explorações em visitas pré-combinadas, e no mundo?
como os casos das visitas reprodutivas ou as Em Portugal temos um grande problema de
Qual a sua área de especialidade e porque da qualidade do leite, ou em visitas inerentes raiz em relação aos médicos veterinários: o
escolheu essa área? a uma emergência clínica. O trabalho em si é número de faculdades. Actualmente temos 6
Desde que terminei o curso sempre me muito semelhante nos dois países. universidades a formar todos os anos médicos
dediquei à medicina de ruminantes. De entre veterinários que, dadas as dimensões do
as áreas clínicas é o exercício da reprodução Como é viver fora de Portugal? Conseguiu mercado de trabalho, não conseguem emprego.
de bovinos que mais gozo me dá e é a minha adaptar-se bem? Em relação ao estado da medicina veterinária
especialidade de eleição. Para se conseguir um Estou só há cinco meses no País de Gales, mas só poderei falar da área clínica dos bovinos. No
bom maneio reprodutivo de uma exploração é até agora tem corrido bastante bem. Os galeses nosso país, o sector encontra-se em contracção.
necessário perceber e actuar em todas as áreas são simpáticos e hospitaleiros e em situação Isto é, tratando-se a área dos bovinos um sector
que envolvem a exploração animal, desde a alguma me trataram como estrangeiro. Isso é já amadurecido, o que se verifica é a redução
nutrição, o maneio ou a qualidade do leite. A algo que me deixa confortável pois por cá não do número de explorações e como tal o número
reprodução nesta área é um desafio e talvez seja me sinto um outsider, pelo contrário, sinto de profissionais capazes de dar apoio a essas
isso que me motiva. que a minha opinião profissional e pessoal explorações irá naturalmente se reduzindo. No
é levada a sério tanto pelos agricultores, entanto, deveremos ser capazes de explorar
Como surgiu a oportunidade de ir como pelos colegas. Sinto que não existem outras áreas de trabalho que, tradicionalmente,
trabalhar para o estrangeiro? Onde diferenças entre as pessoas, somos todos iguais não o fazemos como é o caso da nutrição dos
trabalha neste momento? independentemente da idade, estrato social ou bovinos. No estrangeiro ainda se encontram
Não foi uma questão de oportunidade, mas profissão. Todos se respeitam e são respeitados. países com um défice em médicos veterinários
de procura de oportunidade. Neste momento Num dia normal de trabalho, o tipo de vida que queiram trabalhar em animais de interesse
encontro-me a trabalhar como médico acaba por ser muito semelhante ao que tinha pecuário. São exemplos o Reino Unido,
veterinário de animais de interesse pecuário, em Portugal: casa-trabalho, trabalho-casa. Ao França, Estados Unidos, Austrália e Nova
mais concretamente bovinos e ovinos, em fim-de-semana os dias já são mais diferentes. Zelândia. Nestes países, a necessidade de
Carmarthenshire no Sul do País de Gales. Em Portugal temos uma cultura de mais médicos veterinários é diária.
convívio e horas mais tardias, algo que cá não
O que o fez tomar a decisão de ir para fora encontramos. Tudo começa e acaba mais cedo. Qual o seu sonho?
de Portugal? Nisso os portugueses sabem viver melhor a vida. Não tenho só um sonho, tenho muitos. Vejo
Sempre tive curiosidade de viver no estrangeiro. a minha profissão como um meio através do
Contudo, o principal motor da tomada de Quais os planos para o futuro? qual consigo realizar o que realmente gosto
decisão de ir para fora de Portugal foram Ficar por cá nos próximos anos. As e valorizo na vida. E como um amigo disse:
questões do foro profissional. Antes de emigrar oportunidades de crescimento profissional “somos muito mais que veterinários”. Por
encontrava-me a trabalhar na região de Aveiro são muito superiores às que encontramos em outras palavras, devemos viver a vida da forma
na área da reprodução de bovinos. Contudo, Portugal. A falta de médicos veterinários no que queremos e devemos fazer o que realmente
após quatro anos continuava a desempenhar Reino Unido está na ordem do dia e neste nos dá prazer. Gostaria de um dia ter condições
as mesmas funções que me tinham incumbido país existe uma cultura agrícola muito forte, e tempo (muito tempo) para fazer uma volta ao
desde o primeiro dia. Sentia-me estagnado o que permite aos agricultores trabalhar e mundo. Adoro viajar!
e sem perspectiva de desenvolvimento investir nas suas explorações. O que, direta e

— 46 —
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O ANTIBIÓTICO BACTERICIDA DE ADMINISTRAÇÃO ÚNICA
PARA O TRATAMENTO DA DOENÇA RESPIRATÓRIA DOS SUÍNOS
ZACTRAN 150 mg/ml Solução Injectável para Bovinos e Suínos COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA Um ml contém: Substância(s) activa(s): Gamitromicina 150 mg Excipientes: Monotioglicerol
1 mg FORMA FARMACÊUTICA Solução injectável. Solução incolor a amarelo pálido. INFORMAÇÕES CLÍNICAS Espécie(s) alvo Bovinos e Suínos Indicações de utilização, especificando as espécies alvo
Tratamento e metafilaxia da Doença Respiratória dos Bovinos (DRB) associada a Mannheimia haemolytica, Pasteurella multocida e Histophilus somni. A presença da doença na exploração deve estar es-
tabelecida antes do uso metafilático. Tratamento da doença respiratória suína (DRS) associada a Actinobacillus pleuropneumoniae, Pasteurella multocida e Haemophilus parasuis. Contra-indicações Não
administrar em caso de hipersensibilidade aos antibióticos da classe dos macrólidos ou a algum dos excipientes. Não administrar este medicamento veterinário em simultâneo com outros macrólidos
ou lincosamidas. Advertências especiais para cada espécie alvo Não existem. Precauções especiais de utilização: Precauções especiais para utilização em animais A administração deste medicamento
veterinário deve basear-se em testes de sensibilidade tendo em consideração as políticas oficiais e locais sobre a utilização de antimicrobianos em animais de produção. Precauções especiais que devem
ser tomadas pela pessoa que administra o medicamento aos animais As pessoas com hipersensibilidade conhecida à classe dos macrólidos devem evitar o contacto com o medicamento veterinário. A
gamitromicina pode causar irritação nos olhos e/ou na pele. Evitar o contacto com a pele e com os olhos. Se ocorrer contacto com os olhos, lavar imediatamente com água potável corrente. Se ocorrer
contacto com a pele, lavar a área afectada imediatamente com água potável. Em caso de auto-injecção acidental, dirija-se imediatamente a um médico e mostre-lhe o folheto informativo ou o rótulo. La-
var as mãos após a administração do medicamento veterinário. Reacções adversas Durante os ensaios clínicos foram observadas tumefacções transitórias, no local de injecção. Muito frequentemente,
podem-se desenvolver em bovinos, tumefacções visíveis no local de injecção, associadas ocasionalmente, durante um dia, com dor ligeira. As tumefacções desaparecem tipicamente dentro de 3 a 14 dias
mas podem persistir em alguns animais até 35 dias após o tratamento. Frequentemente, tumefações leves a moderadas podem desenvolver-se em suínos no local da injecção. Estas reacções locais são
transitórias e normalmente desaparecem dentro de 2 dias. A frequência dos eventos adversos é definida utilizando a seguinte convenção: Muito comum (mais de 1 em 10 animais apresentando evento(s)
adverso(s) durante o decurso de um tratamento); Comum (mais de 1 mas menos de 10 animais em 100 animais); Pouco frequentes (mais de 1 mas menos de 10 animais em 1.000 animais); Raros (mais
de 1 mas menos de 10 animais em 10.000 animais); Muito rara (menos de 1 animal em 10.000 animais, incluindo relatos isolados). Utilização durante a gestação e a lactação Baseado nos resultados dos
estudos em animais de laboratório, a gamitromicina não revelou qualquer evidência de desenvolvimento selectivo ou de efeitos na reprodução. A segurança da gamitromicina não foi determinada durante
a gestação e a lactação em bovinos e suínos. Administrar apenas em conformidade com a avaliação benefício/risco realizada pelo médico veterinário responsável. Interacções medicamentosas e outras
formas de interacção Podem ocorrer resistências cruzadas com outros macrólidos. Evitar a administração simultânea de antimicrobianos com um modo de acção similar, tais como outros macrólidos ou
lincosamidas. Posologia e via de administração Uma única administração no pescoço, de 6 mg de gamitromicina por Kg de peso vivo (equivalente a 1 ml/25 Kg de peso vivo). Para garantir a dose correcta,
o peso corporal deve ser determinado com a maior precisão possível de forma a evitar subdosagem. Bovinos Via subcutânea. No tratamento de Bovinos com mais de 250 Kg de peso vivo, dividir a dose de
forma a não administrar mais de 10 ml por local de injecção. Suínos Via intramuscular. O volume de injecção não deverá exceder os 5 ml por administração. A rolha pode ser perfurada com segurança até
60 vezes. No caso de frascos multidose, recomenda-se a utilização de um dispositivo de dosagem automática para evitar a perfuração excessiva da rolha. Sobredosagem Os estudos clínicos demonstraram
uma larga margem de segurança para a gamitromicina injectável, nas espécies-alvo. Num estudo em bovinos jovens e suínos, a gamitromicina foi administrada por via subcutânea na dose de 6, 18 e 30 mg/
Kg (1, 3 e 5 vezes a dose recomendada) e repetida 3 vezes a 0,5 e 10 dias (3 vezes o tempo recomendado de duração de utilização). Foram observadas reacções no local de injecção relacionadas com a dose.
Intervalo(s) de segurança Carne e vísceras: Bovinos: 64 dias. Suínos: 16 dias. Não é autorizada a administração a fêmeas lactantes produtoras de leite destinado ao consumo humano. Não administrar a
vacas e novilhas gestantes cujo leite se destine ao consumo humano num prazo de 2 meses antes da data prevista para o parto. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS Incompatibilidades Na ausência de estu-
dos de compatibilidade, este medicamento veterinário não deve ser misturado com outros medicamentos veterinários. Precauções especiais de conservação Este medicamento veterinário não necessita
de quaisquer precauções especiais de conservação. Precauções especiais para a eliminação de medicamentos veterinários não utilizados ou de resíduos derivados da
utilização desses medicamentos O medicamento veterinário não utilizado ou os seus desperdícios devem ser eliminados de acordo com os requisitos nacionais. TITULAR
DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO MERIAL, 29 avenue Tony Garnier F - 69007 Lyon, França NÚMERO(S) DE REGISTO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO
NO MERCADO EU/2/08/082/001 - EU/2/08/082/002 - EU/2/08/082/003 - EU/2/08/082/004 - EU/2/08/082/005 - EU/2/08/082/006 - EU/2/08/082/007 PROIBIÇÃO DE VENDA,
FORNECIMENTO E/OU UTILIZAÇÃO Não aplicável. Merial Portuguesa - Saúde Animal, Lda, Avenida de Pádua, nº. 11, 1800-294 Lisboa, PORTUGAL, Telf: (+351) 219169340, Fax: (+351) 219164250
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