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Márcia Lilla

Psicologia Geral
APRESENTAÇÃO

É com satisfação que a Unisa Digital oferece a você, aluno(a), esta apostila de Psicologia Geral, parte
integrante de um conjunto de materiais de pesquisa voltado ao aprendizado dinâmico e autônomo que
a educação a distância exige. O principal objetivo desta apostila é propiciar aos(às) alunos(as) uma apre-
sentação do conteúdo básico da disciplina.

A Unisa Digital oferece outras formas de solidificar seu aprendizado, por meio de recursos multidis-
ciplinares, como chats, fóruns, aulas web, material de apoio e e-mail.

Para enriquecer o seu aprendizado, você ainda pode contar com a Biblioteca Virtual: www.unisa.br,
a Biblioteca Central da Unisa, juntamente às bibliotecas setoriais, que fornecem acervo digital e impresso,
bem como acesso a redes de informação e documentação.

Nesse contexto, os recursos disponíveis e necessários para apoiá-lo(a) no seu estudo são o suple-
mento que a Unisa Digital oferece, tornando seu aprendizado eficiente e prazeroso, concorrendo para
uma formação completa, na qual o conteúdo aprendido influencia sua vida profissional e pessoal.

A Unisa Digital é assim para você: Universidade a qualquer hora e em qualquer lugar!

Unisa Digital
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO................................................................................................................................................ 5
1 PEQUENA HISTÓRIA DA PSICOLOGIA: FASES E ESCOLAS........................................ 7
1.1 Definição de Psicologia..................................................................................................................................................7
1.2 O Senso Comum...............................................................................................................................................................7
1.3 As Áreas do Conhecimento..........................................................................................................................................8
1.4 Fases e Abordagens.........................................................................................................................................................8
1.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................10
1.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................10

2 NÍVEIS DE ANÁLISE DO COMPORTAMENTO.................................................................... 11


2.1 Método - Ciência e Atitude Científica em Psicologia.......................................................................................11
2.2 Os Métodos da Psicologia Científica......................................................................................................................12
2.3 Técnicas Psicológicas....................................................................................................................................................13
2.4 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................14
2.5 Atividades Propostas....................................................................................................................................................14

3 FÓRMULA FUNDAMENTAL DO COMPORTAMENTO.................................................. 15


3.1 E-R= Fórmula ou Esquema do Comportamento...............................................................................................15
3.2 Classificação do Comportamento...........................................................................................................................15
3.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................16
3.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................16

4 O BEHAVIORISMO DE WATSON E SKINNER....................................................................... 17


4.1 Principais Conceitos do Behaviorismo..................................................................................................................17
4.2 O Experimento da “Caixa de Skinner”....................................................................................................................18
4.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................19
4.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................19

5 A PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM E INTELIGÊNCIA............................................... 21


5.1 A Aprendizagem e Inteligência (QI-QE-QA)........................................................................................................21
5.2 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................25
5.3 Atividades Propostas....................................................................................................................................................25

6 A PSICOLOGIA DA GESTALT.......................................................................................................... 27
6.1 Gestalt................................................................................................................................................................................27
6.2 Principais Conceitos da Gestalt................................................................................................................................28
6.3 A Abordagem da Boa Forma da Gestalt...............................................................................................................29
6.4 A Teoria de Campo de Kurt Lewin...........................................................................................................................29
6.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................30
6.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................30

7 PERCEPÇÃO & MOTIVAÇÃO (PRINCIPAIS TEORIAS MOTIVACIONAIS).......... 31


7.1 Definições de Percepção............................................................................................................................................31
7.2 Funções da Percepção.................................................................................................................................................31
7.3 Compreendendo os Processos Motivacionais...................................................................................................32
7.4 Principais Teorias Motivacionais..............................................................................................................................32
7.5 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................33
7.6 Atividades Propostas....................................................................................................................................................33

8 A PSICANÁLISE: O INCONSCIENTE, FREUD E SEGUIDORES.................................. 35


8.1 O Surgimento da Psicanálise.....................................................................................................................................35
8.2 Principais Conceitos da Psicanálise........................................................................................................................36
8.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................38
8.4 Atividades Proposta......................................................................................................................................................38

9 A PSICOLOGIA SÓCIO-HISTÓRICA DE VYGOTSKY........................................................ 39


9.1 O Surgimento da Abordagem com Vygotsky.....................................................................................................39
9.2 Principais Conceitos......................................................................................................................................................39
9.3 Resumo do Capítulo.....................................................................................................................................................40
9.4 Atividades Propostas....................................................................................................................................................40

10 A PSICOLOGIA INSTITUCIONAL E OS TIPOS DE AGRUPAMENTOS


HUMANOS..............................................................................................................................................41
10.1 Tipos de Grupos...........................................................................................................................................................41
10.2 Como Evoluem os Grupos de Trabalho..............................................................................................................41
10.3 Psicologia Institucional e Processo Grupal........................................................................................................42
10.4 O Processo de Institucionalização........................................................................................................................42
10.5 Instituições, Organizações e Grupos...................................................................................................................43
10.6 A Importância do Estudo dos Grupos na Psicologia.....................................................................................43
10.7 Resumo do Capítulo..................................................................................................................................................44
10.8 Atividades Propostas.................................................................................................................................................44

11 FEEDBACKS & ASSERTIVIDADE................................................................................................ 45


11.1 Dar e Receber Feedbacks..........................................................................................................................................45
11.2 A Importância de Carl Rogers.................................................................................................................................45
11.3 Assertividade................................................................................................................................................................46
11.4 A Consciência da Agressividade Gera o Comportamento Assertivo......................................................47
11.5 Concepções Atuais e Científicas sobre Níveis de Consciência das Emoções Positivas....................48
11.6 Resumo do Capítulo..................................................................................................................................................48
11.7 Atividades Propostas.................................................................................................................................................48

12 DISTÚRBIOS CONTEMPORÂNEOS E PREVENÇÕES POSSÍVEIS........................ 49


12.1 A Normalidade Existe?..............................................................................................................................................49
12.2 Os Agravos Mentais/Transtornos das Personalidades..................................................................................49
12.3 Os Transtornos Mentais Relacionados aos Trabalho......................................................................................50
12.4 Os Transtornos Modernos........................................................................................................................................50
12.5 Promovendo a Cura e Aceitando os Limites.....................................................................................................50

13 AS PRINCIPAIS MEGATENDÊNCIAS...................................................................................... 53
14 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................................. 61
RESPOSTAS COMENTADAS DAS ATIVIDADES PROPOSTAS...................................... 63
REFERÊNCIAS.............................................................................................................................................. 65
INTRODUÇÃO

Caro(a) aluno(a),

A disciplina de Psicologia é de fundamental importância para o futuro profissional das Ciências


Humanas e Sociais, uma vez que fornece informações importantes sobre as características do humano,
levando à compreensão ampla, profunda e dinâmica dos aspectos tanto individuais quanto inter-rela-
cionais do homem. Estudando Psicologia Geral, é possível vislumbrar um caminho bem-humorado às
nossas características humanas e tornar mais apreensíveis e compreensíveis muitos dos nossos estranha-
mentos cotidianos, no mundo das relações pessoais, sociais, entre outras.
Nesta apostila, a presente disciplina será abordada de forma ordenada e gradual, a partir do que
será facilitada a absorção dos principais conceitos e conteúdos necessários à boa formação acadêmica e
futura aplicação prática, nos vários contextos do mundo profissional. Assim, a apostila está didaticamen-
te elaborada e dividida em capítulos, para que possa ser possível a sua inserção aos conhecimentos es-
pecíficos, passo a passo, tornando viável a construção paulatina do seu aprendizado em Psicologia Geral.
O objetivo maior é que o aprendizado da Psicologia possa ser articulado às demais ciências do
universo social, uma vez que é necessária a promoção de um conhecimento amplo e integrado às diver-
sidades culturais, além de individuais.
Durante os estudos, você irá verificar que é bem interessante desvendar os caminhos da ampliação
da consciência, que necessariamente percorrem, ao mesmo tempo, as estradas e as encruzilhadas dos
conhecimentos que vamos adquirindo, ao ler a apostila, ao integrar as teorias com as práticas de seus au-
tores, podendo construir pontes comunicacionais com as coisas que todos nós, de formas diferenciadas,
vivemos.
A jornada científica das Psicologias aqui apresentadas, de forma ainda que compacta e didática, já
é uma viagem maravilhosa para as mentes mais abertas ao aprendizado contínuo, assim como um contí-
nuo convite ao redespertar humano, pois somente dessa forma haverá a boa transformação e reconstru-
ção que intencionamos encontrar.
Como autora, educadora e psicóloga, acredito no bom uso dos seus melhores sentidos, reunidos.
Aproveite bem o material aqui elaborado, programado como um “equipamento” de sobrevivência
e aperfeiçoamento para você. As referências indicadas no final da apostila servirão de boa base para
aprofundamentos e recortes, de acordo com o seu interesse e disponibilidade.
Desejo-lhe um excelente aprendizado; e seja muito bem-vindo(a) às pontes que o conduzirão às
melhores integrações.

Atenciosamente,

Profa. Márcia Lilla

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1 PEQUENA HISTÓRIA DA PSICOLOGIA:
FASES E ESCOLAS

Caro(a) aluno(a), neste capítulo trataremos da História da Psicologia, suas fases e escolas. Vamos
iniciar a discussão?

1.1 Definição de Psicologia

O termo foi criado em 1550, por Melanchton, do grego, significa alma e logos, proveniente do la-
enquanto lecionava na Universidade de Witten- tim, significa estudo.
berg, na Alemanha, sendo que psique, proveniente

1.2 O Senso Comum

No nosso cotidiano, muitas vezes, vivencia- O conhecimento espontâneo da realidade


mos a ocorrência de um manancial de crenças bem (uma visão de mundo) é bastante diferente da
populares, algumas receitas psicológicas de gente complexidade inerente e consistente da Psicolo-
que não frequenta o meio acadêmico, científico, gia Científica. O estudante necessitará munir-se
mas que consegue se aproximar de algumas ver- de amplos conhecimentos psicológicos para po-
dades, em variados meios, lançando mão de “pal- der discernir e não mais cometer o erro do leigo,
pites”, quase todos para “ajudar os outros”, ao que mesmo que este seja revelador, como muitas vezes
chamam de “melhores das intenções.” pode mesmo ser (sabedorias populares).
Será mesmo que possuímos um mix de lou- Todo senso comum é simplista, reducionista
cura e de magia, de médicos e de insanos? Qual é a e jamais revelador de vicissitudes reais, nos cam-
verdade, se é que há apenas uma verdade em tudo pos das subjetividades e objetividades, as quais
o que ouvimos, vemos, sentimos, percebemos, pal- são necessariamente focadas pela Psicologia Cien-
pitamos, entre outras experiências dos viveres exis- tífica, considerando-se múltiplos fatores (determi-
tenciais? De certo modo, podemos constatar certo nantes e/ou não). Nem mesmo o avanço científico
domínio popular em questões usuais, nas quais o é capaz de esgotar as possibilidades e encontrar
acúmulo de experiências passadas soma apren- compreensão precisa para todos os limites, ainda
dizado e é passado de geração a geração. Essa é existentes no mundo moderno. Por um lado, existe
a “psicologia do senso comum”, mas que fique, a o conhecimento que se aprofunda e se desdobra,
partir dos estudos mais intensos e interessados mas por outro, um abismo, um grande mistério. Eis
das Psicologias, bastante esclarecido que se trata o desafio, no limite tênue dessa navalha, em que
apenas de uma sabedoria popular, cultural, bem somente a humildade do aprendiz, no bom cuida-
diferente do que verão na cientificidade da Psico- do do conhecimento contínuo, pode e deve culti-
logia – o que a pequena história dessa importante var.
ciência desvendará.
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1.3 As Áreas do Conhecimento

gregos, próxima do século IV a.C., foi primordial


Atenção para questões agrícolas e urgentes da época (pro-
As especulações sobre a origem do jetos navais e arquitetônicos). E, com o passar dos
significado da existência humana tempos, a especialização foi buscada até um nível
sempre ocuparam o centro das atenções elevado de complexidade, o que, por exemplo, fez
dos gregos (filosofias). Os mistérios, os o homem chegar à Lua.
princípios morais e todos os pensamentos
Para interpretar a realidade, o homem, então,
sobre a origem do próprio homem (as
religiões: a bíblia dos judaicos, a dos foi fazendo composições, parcerias de conheci-
cristãos e o livro sagrado dos hindus – mentos (senso comum somado às ciências), com-
livro dos Vedas); a sensibilidade humana preendendo melhor a sua realidade e a de seus
representada desde as cavernas (artes) semelhantes. As especulações sobre a origem do
até as criações mais rebuscadas em significado da existência humana sempre ocupa-
técnicas, metodologias, entre múltiplos
ram o centro das atenções dos gregos (filosofias).
e específicos conhecimentos (ciências),
enfim, todas as áreas de conhecimento Os mistérios, os princípios morais e todos os pen-
são importantíssimas para a Psicologia, samentos sobre a origem do próprio homem (as
ou melhor dizendo, para as Psicologias. religiões: a bíblia dos judaicos, a dos cristãos e o
livro sagrado dos hindus – livro dos Vedas); a sen-
sibilidade humana representada desde as cavernas
O senso comum deixou o legado de um co-
(artes) até as criações mais rebuscadas em técni-
nhecimento intuitivo que, sem dúvida, não dava
cas, metodologias, entre múltiplos e específicos
mais conta do desenvolvimento humano, de sua
conhecimentos (ciências); enfim, todas as áreas de
compreensão. O mundo foi ficando mais e mais
conhecimento são importantíssimas para a Psico-
complexo, e o homem teve que ocupar diversos
logia, ou melhor dizendo, para as Psicologias. Quão
espaços; assim sendo, o conhecimento de técni-
mais vasta em evolução uma área do conhecimen-
cas mais precisas passou a fazer parte das preocu-
to, mais aproximada às necessidades do homem,
pações. Era necessário dominar a natureza e tirar
por meio dos tempos e de todos os espaços.
desta o melhor dos proveitos. A matemática dos

1.4 Fases e Abordagens

ƒƒ Fase Grega: surgiu com os gregos a Psi- que separava o homem dos animais, tra-
cologia, no período anterior à era cristã, zendo a característica humana da razão,
tendo sido uma ramificação das filoso- que lhe permitia pensar e sobrepujar-se
fias, artes e crenças humanas atreladas aos instintos (bases mais irracionais). Com
ao misticismo da época. Os principais Platão, discípulo de Sócrates, a Psicologia
filósofos que a influenciaram foram: Só- cedeu lugar à razão, sendo o próprio cor-
crates, Platão e Aristóteles, nos períodos po, mais precisamente a cabeça, o centro
de localização para a alma humana, no
de 469 a 322 a.C. Com Sócrates, a Psicolo-
qual a medula faria a ligação corpo-mente
gia ganha consistência, uma vez que sua
(elementos importantes, pois Platão con-
principal preocupação era com o limite
cebia uma separação entre corpo e men-

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Psicologia Geral

te e acreditava na imortalidade da alma). ções mais econômicas e sociais). As trans-


Já com Aristóteles, a Psicologia ganhou o formações ocorrem em todos os setores e
seu primeiro tratado, no qual tivemos os dá-se a valorização do homem e de seus
primeiros estudos profundos das diferen- inúmeros processos. O conhecimento
ças entre a razão, percepção e sensações tornou-se independente da fé e surgem
(Da anima). Esse pensador acreditava que sociedades mais complexas e a necessi-
a alma e o corpo não podiam ser disso- dade de metodologias, técnicas capazes
ciados, o que trouxe uma forte evolução de assegurar com maior e melhorada
para a compreensão dos fatores huma- precisão as complexidades humanas. Em
nos para a Psicologia da época; outras palavras, o conhecimento trouxe a
necessidade de uma remodelagem nos
Saiba mais padrões vigentes até então. Como exem-
plo: Galileu (1610), com o estudo da que-
A fase grega agregou inúmeros conhe-
da dos corpos (primeiras experiências da
cimentos à humanidade e de forma
extremamente democrática; por isso,
Física moderna); Maquiavel (1513), com a
historicamente, houve um movimen- clássica obra política “O príncipe”; e René
to posterior de repressão por parte das Descartes (1596-1659), renomado filóso-
conjecturas dominantes, conforme ve- fo que postulou a separação entre a men-
remos a seguir. te e o corpo, deixando o famoso dualis-
mo cartesiano de herança cultural, o que,
sem dúvida, configurou um significativo
ƒƒ Fase Romana: no período datado entre avanço para a Psicologia, como ciência,
430 a 1274, a Psicologia sofreu a influên- pois, assim, o corpo humano morto, sepa-
cia direta dos padres e filósofos Santo rado da alma, poderia, então, ser melhor
Agostinho e São Tomás de Aquino. O observado e pesquisado;
primeiro foi inspirado em Platão, trazen- ƒƒ Fase Científica: o século XIX trouxe o
do a concepção de uma alma pensante, avanço de inúmeras ciências, sendo que a
com razão e com manifestação divina (li- Psicologia, então, para acompanhar seus
gação do elemento humano com Deus), estudos sobre o homem, teve também
sendo a alma também a sede do pensa- de se tornar objetiva, a fim de mensurá-
mento, havendo a preocupação da Igre- -lo, classificá-lo e analisá-lo, prestando
ja em compreendê-la. Já com São Tomás melhor suas contribuições de compreen-
de Aquino, devido ao período de ruptura são da espécie humana e social. Com a
da Igreja com as Revoluções Francesa e divisão do trabalho, adventos das revo-
Industrial, houve a preocupação pela dis- luções francesa e industrial, a Psicologia
tinção entre essência e existência, sendo ganha espaço cada vez maior, ao ficar pu-
que somente Deus poderia assegurar a ramente libertada das filosofias, soman-
perfeição ao homem e não o avanço das do sistematizações nos procedimentos e
liberdades e do desenvolvimento huma- padronizando os ajustamentos necessá-
no (a intenção era a de garantir à Igreja o rios para a sociedade capitalista, passan-
monopólio do estudo do psiquismo); do a ser respeitada e utilizada por todos
ƒƒ Fase do Renascimento: “pouco mais de os setores da sociedade humana. Wundt
200 anos após a morte de São Tomás de trouxe a concepção de uma Psicologia
Aquino, tem início uma época de trans- apartada da alma, na qual o conhecimen-
formações radicais no mundo europeu.” to científico poderia ser obtido a partir
(BOCK, 1996, p. 35). O Renascimento e de medição e observação em laborató-
todo o mercantilismo levam às novas rio, fator de extrema importância para o
descobertas que propiciam ao homem o avanço dos estudos da mente e compor-
acúmulo de riquezas e acabam por acirrar tamentos humanos.
novos valores (bens capitais e organiza-

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A Psicologia como ciência vai se configuran- a primeira abordagem da aprendizagem


do em diferentes concepções, com as seguintes para a Psicologia, na qual o processo se
abordagens: daria das associações entre ideias simples
até as mais complexas entre os conteú-
ƒƒ o funcionalismo, de William James (1842- dos. Thorndike formulou uma lei com-
1910): corrente americana para a qual im- portamentalista em que a repetição do
porta responder “o que fazem e por que comportamento humano e animal dar-
fazem os homens”, na qual a consciência -se-ia até o ponto do efeito (recompensa;
surge como centro das preocupações e exemplo: elogio para o bom feito infantil),
da compreensão dos funcionamentos, de o que permitia a observação da apren-
acordo com as necessidades humanas de dizagem bem-sucedida; ou o contrário,
adaptação ao meio ambiente (pragmatis- como um efeito ativador da suspensão
mo americano a serviço do desenvolvi- do comportamento (o castigo; exemplo:
mento econômico da época); o olhar severo do pai em resposta ao ato
ƒƒ o estruturalismo, de Edward Titchner inadequado da criança). Essa lei ficou co-
(1867-1927): tal qual o funcionalismo, nhecida como: “Lei do Efeito”.
ocupou-se com a compreensão da cons-
ciência, porém com enfoque aos aspectos Todas essas abordagens anteriormente des-
mais intrínsecos, ou seja, mais estruturais critas vão dar estruturação e embasamento cientí-
do sistema nervoso central, utilizando o fico preciosos para o que viria a ser as Psicologias
método introspectivo para a observação mais contemporâneas (Behaviorismo, Gestalt e Psi-
experiencial em laboratório; canálise, abordagens que veremos com maior des-
ƒƒ o associacionismo, de Edward L. Thorn- taque no transcorrer da disciplina, portanto, nesta
dike (1874-1949): basicamente formulou apostila).

1.5 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos as primeiras e essenciais fases históricas que foram ori-
ginando os primeiros estudos psicológicos; vimos cada fase, com suas diferentes facetas, compondo a
trajetória da Psicologia Científica e, principalmente, posicionando-a como o principal objetivo de estudo
desta disciplina.

1.6 Atividades Propostas

1. Trata-se de um conhecimento popular, simplista, reducionista e jamais revelador de vicissitu-


des reais, nos campos das subjetividades e objetividades, as quais são necessariamente foca-
das pela Psicologia Científica. De qual tipo de conhecimento estamos tratando?
2. Qual o nome do cientista que trouxe a concepção de uma Psicologia apartada da alma, na
qual o conhecimento científico poderia ser obtido a partir de medição e observação em labo-
ratório, fator de extrema importância para o avanço dos estudos da mente e comportamentos
humanos?
3. Corrente americana para a qual importa responder “o que fazem e por que fazem os homens”,
na qual a consciência surge como centro das preocupações e da compreensão dos funciona-
mentos, de acordo com as necessidades humanas de adaptação ao meio ambiente (pragma-
tismo americano a serviço do desenvolvimento econômico da época).

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2 NÍVEIS DE ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

2.1 Método - Ciência e Atitude Científica em Psicologia

Caro(a) aluno(a), neste capítulo trataremos cias de Galileu estudando a queda dos corpos (que
de explicar os métodos e as técnicas psicológicas, está na origem da Física tradicional) poderiam ter
para que você possa compreender a Psicologia sido feitas no Egito Antigo, nas Muralhas de Creta
como uma ciência de atitudes científicas. Vamos ou em qualquer período da Grécia ou de Roma. O
iniciar a discussão? espírito da época, contudo, não predispunha as
pessoas para essa atividade mais rigorosa do saber.
Atenção O método científico pode ser empregado
para a descoberta tanto de grandes quanto de
O psicólogo Claparède imaginou um
método que chamou de reflexão falada: simples fatos da vida ou da ciência. A maneira mais
deu um problema a um jovem e pediu a eficiente de se chegar às causas de um fenômeno
este que o resolvesse e fosse, ao mesmo é utilizar o método científico. São os seguintes os
tempo, descrevendo em voz alta o seu passos desse método:
pensamento.
ƒƒ identificação do problema (observação
A Psicologia estuda o comportamento, os do fenômeno a pesquisar);
processos mentais, a experiência humana e, de um ƒƒ antecedentes históricos;
modo especial, a personalidade. Com técnicas me-
ƒƒ formulação de uma hipótese que expli-
tódicas próprias, a Psicologia procura não só des-
que o fenômeno. Esta serve para orien-
cobrir novos fatos, nessas áreas, mas tenta também
tar o trabalho da pesquisa e é, ao mesmo
medi-los.
tempo, uma garantia de objetividade.
A ciência é um instrumento de conhecimen- Toda experimentação tem como objeti-
to, de controle e de medida dos fatos. É, a um tem- vo ver como a hipótese se manifesta;
po, conhecimento e poder, por dar a explicação
ƒƒ experimentação da hipótese;
adequada e permitir tanto previsão quanto contro-
le. Pelo fato de se poder aplicar, na prática, muitos ƒƒ comprovação da hipótese;
de seus conhecimentos, confere poder a quem os ƒƒ comunicação dos resultados para conhe-
aplica. cimento do mundo científico;
O método científico é algo simples, mas não ƒƒ análise estatística;
é uma atividade que se apresenta espontaneamen- ƒƒ conclusões;
te. Para ser utilizado, é preciso que a pessoa esteja ƒƒ sugestões para nova pesquisa;
predisposta ou treinada. Por exemplo, as experiên-
ƒƒ crítica.

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Portanto, a tarefa dos cientistas consiste em variáveis analisados, conforme dita o método cien-
criar teorias que viabilizem níveis comprovada- tífico. Assim, podemos pensar em formas de análi-
mente válidos, para garantir rigor aos aspectos e se do comportamento humano.

2.2 Os Métodos da Psicologia Científica

Os autores costumam dividir os métodos Embora seja impossível verificar se as pes-


soas foram corretas ao relatarem seus fenômenos
usados pelos psicólogos em três grandes grupos:
íntimos, a introspecção tem sido usada para co-
ƒƒ introspecção ou método de observação lher informações que não possam ser obtidas de
interna; nenhuma outra maneira. Porém, a introspecção
ƒƒ extrospecção ou método de observação não pode ser empregada no estudo de animais, de
externa; crianças muito novas, de débeis mentais etc.

ƒƒ experimentação. Já a extrospecção é um método objetivo de


observação externa. O psicólogo procura conhecer
as reações externas dos organismos. Ao observar,
A introspecção é um método subjetivo de ob- por exemplo, uma pessoa, procura conhecer seu
servação interior. A pessoa observa suas próprias modo de agir, seus gestos, suas expressões fisionô-
experiências e as relata (a pessoa relata suas emo- micas, suas realizações etc.
ções, percepções, interesses, recordações etc.). Um Sempre que possível, os psicólogos dão pre-
exemplo: aumentamos nosso conhecimento da ferência à extrospecção e procuram torná-la mais
mente humana lendo diários íntimos, autobiogra- exata, usando aparelhos para melhor documentar
fias ou memórias. Imaginamos que as pessoas fo- suas observações: máquinas fotográficas e de fil-
ram sinceras ao descrever seus sentimentos, emo- mar, cronômetros, gravadores de som etc.
ções, recordações etc., mas não o podemos provar.
A experimentação consiste em um observa-
Para estudar certos traços de personalidade, os psi-
dor controlando a situação e verificando os dife-
cólogos têm pedido às pessoas que respondam a
rentes níveis de reações do sujeito.
um questionário. Para esse fim, os indivíduos terão
que observar seu íntimo e dar suas respostas – as
Saiba mais
quais irão revelar aos psicólogos seus interesses,
emoções, preferências etc.
Em processos seletivos, no caso particu-
Para estudar o raciocínio, o psicólogo Cla- lar das Dinâmicas Grupais, os psicólogos
parède imaginou um método que chamou de refle- utilizam-se, bem mais, da metodologia
xão falada: deu um problema a um jovem e pediu da experimentação.
a este que o resolvesse e fosse, ao mesmo tempo,
descrevendo em voz alta o seu pensamento.

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Psicologia Geral

2.3 Técnicas Psicológicas

As técnicas psicológicas mais utilizadas são: controlar esse medo, apresentando um


filme no qual aparecessem crianças aca-
ƒƒ animais em laboratório: a observação riciando cachorros dóceis e, assim, fazen-
de animais em situações controladas fa- do paulatinamente diminuir o medo de
cilita a compreensão do comportamento cachorros;
das aprendizagens. Os animais mais uti- ƒƒ técnica de comparação de gêmeos:
lizados são: cães, ratos, pombos, gatos e consiste em comparar dois gêmeos idên-
macacos; ticos ou univitelinos. Essa técnica tem
ƒƒ técnica da medida do tempo de rea- sido muito empregada para prever a in-
ção: esse tempo é medido em frações de fluência da hereditariedade e do ambien-
segundo, por cronômetros. Esse tempo te no desenvolvimento da inteligência e
varia de pessoa para pessoa e é de gran- da personalidade, de modo geral;
de importância para provas de aptidão ƒƒ técnicas projetivas: são atividades pro-
para determinadas profissões como: mo- postas pelos psicólogos nas quais as pes-
toristas, profissionais de mídia, aviação, soas são convidadas a expressarem seus
entre outros; íntimos.
ƒƒ técnica das associações determinadas: a) Hermann Rorschach elaborou um
essa técnica foi introduzida pelo psicólo- teste de borrões, com dez cartões,
go suíço Carl Gustav Jung. Consiste em revelando traços significativos da
ler para o paciente, uma a uma, as pala- personalidade, como nível de inteli-
vras de uma lista, pedindo-lhe que a cada gência, extroversão ou introversão,
palavra ouvida diga tudo que lhe venha à conflitos emocionais etc.;
mente, mesmo que lhe pareça estranho b) Henry D. Murray criou o TAT, conhe-
e absurdo. Essa técnica possibilita traçar cido como teste de apercepção te-
um tipo psicológico do paciente; mática, em que existem 20 quadros
ƒƒ técnica da associação livre: utilizada que remontam a contos, nos quais a
por Sigmund Freud, que foi o fundador criança pode elaborar a sua própria
da Psicanálise. O psicanalista sugere um história, baseada em fatores de sua
assunto e deixa que o pensamento flua, psicodinâmica pessoal e familiar;
na livre associação de ideias que o pa- c) análise do brinquedo: Melanie Klein
ciente faz, de acordo com o seu histórico encontrou muita dificuldade para
pessoal; estudar a causa dos problemas emo-
ƒƒ técnica de grupos de controle: essa cionais apresentados pelas crianças
técnica consiste na comparação de dois e resolveu observar o modo como
ou mais grupos semelhantes, tratados de as crianças brincavam, por meio de
modo igual, em todos os aspectos da ati- brinquedos, baseando-se na com-
vidade, com exceção de um – o aspecto preensão de seus vocabulários ao
que está sendo estudado. Imagine que expressarem o que vinha pelas
todas as crianças de uma creche passa- mentes e formas de construções de
ram por uma experiência de ataque de brincadeiras, assim como no tipo de
cachorros e desenvolveram medo. Essa brinquedos escolhidos, mais comu-
técnica poderia ser aplicada de modo a mente; a ludoterapia passou a ser

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uma forma terapêutica para auxiliar Em Psicologia Clínica, estuda-se o compor-


a cura da criança pelo brinquedo; tamento de uma única pessoa, visando ajudá-la
d) análise do desenho: o desenho da em seu ajustamento. É feito um estudo do caso,
figura humana, da casa e da árvo- procurando compreender as principais forças e
re, são os mais utilizados, revelando influências que orientaram o desenvolvimento
interesses, autoimagem, conflitos dessa pessoa. Esse estudo consiste em várias fases,
emocionais, nível intelectual, entre entre as quais: investigar o tipo de vida da pessoa;
outros fatores, muito utilizados em as condições sociais em que ela vive; aplicar testes
empresas; de interesses, de aptidões, de inteligência geral, de
e) testes psicológicos: de inteligência, maturidade emocional, de sociabilidade, de traços
de conhecimentos gerais e/ou espe- de personalidade; e fazer seu levantamento bio-
cíficos, nos quais se observa o tipo de gráfico. Após esse estudo, surge o diagnóstico do
resposta dada e o desempenho, me- problema dessa pessoa, é recomendada uma tera-
dindo aptidões dos indivíduos (mui- pêutica e o caso é “acompanhado” por um supervi-
to utilizados em seleção de pessoal). sor, por algum tempo. A observação de casos par-
ticulares permite descobrir algumas características
comuns a muitas pessoas.

2.4 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos as três metodologias aplicadas em Psicologia Científica;
as técnicas mais utilizadas para o conhecimento do humano, cada uma delas, focando aspectos peculia-
res e tornando possível o levantamento de um vasto número de informações sobre a pessoa, animal ou
grupo analisado.

2.5 Atividades Propostas

1. Trata-se de um método subjetivo de observação interior. A pessoa observa suas próprias ex-
periências e as relata (a pessoa relata suas emoções, percepções, interesses, recordações etc.).
De qual método estamos tratando?

2. São atividades propostas pelos psicólogos nas quais as pessoas são convidadas a expressarem
seus íntimos.

3. Trata-se de uma forma terapêutica, criada por Melanie Klein, para auxiliar a cura da criança
pelo brinquedo.

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3 FÓRMULA FUNDAMENTAL DO
COMPORTAMENTO

do estimulações do ambiente e reagindo a elas. Por


Caro(a) aluno(a), neste capítulo, trataremos
de compreender o estudo da Fórmula Fundamen- isso é que os cientistas afirmam que o organismo
tal do Comportamento. Vamos iniciar a discussão? vive em um constante processo de interação com
O comportamento tem sido definido como seu ambiente. As relações que mantemos com o
sendo o conjunto das reações ou respostas que um mundo que nos rodeia são de dar e receber. Rece-
organismo apresenta às estimulações do ambien- bemos inúmeras estimulações e damos respostas
te. Todo o organismo está continuamente receben- a elas.

3.1 E-R= Fórmula ou Esquema do Comportamento

Para simbolizar a dependência entre reação Reação ou resposta é qualquer alteração do


e estimulação, muitas vezes tem sido empregado organismo (movimentos musculares ou secreções
esse pequeno esquema, no qual E significa estímu- glandulares), eliciada por um estímulo.
lo ou conjunto de estímulos (situação) e R significa
reação ou resposta. Os estudiosos do comporta- Atenção
mento preferem empregar o verbo ‘eliciar’ no lugar
Para simbolizar a dependência entre reação
de ‘provocar’ ou ‘causar’. e estimulação, muitas vezes tem sido
Por exemplo: o sumo da cebola elicia a secre- empregado esse pequeno esquema, no
ção de lágrimas, pelas glândulas lacrimais. qual E significa estímulo ou conjunto de
estímulos (situação) e R significa reação ou
Estímulo é qualquer modificação do ambien-
resposta. Os estudiosos do comportamento
te que provoque a atividade do organismo. Assim, preferem empregar o verbo eliciar no lugar
a luz é um estímulo aos olhos, o som, aos ouvidos. de provocar ou causar.

3.2 Classificação do Comportamento

ƒƒ Comportamento inato: também co- intensidade da luz no ambiente em que


nhecido como comportamento natural. estamos e se dilatam quando a lumino-
Há reações que todos os seres da mesma sidade diminui (reflexo pupilar). Outro
espécie apresentam todas as vezes que exemplo: nossas pálpebras se cerram
recebem determinada estimulação, sen- fortemente sempre que um objeto se
do invariáveis. Um exemplo: nossas pupi- aproxima bruscamente de nossos olhos
las se contraem sempre que aumenta a e sempre que ouvimos um som muito

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alto (reflexo palpebral). Essas reações rem esse mesmo som, não reagem desse
não precisam ser aprendidas. Todos os modo. Essas reações foram aprendidas.
seres humanos, em estado normal, as Constituem o comportamento variável
apresentam. São chamadas reações ina- ou adquirido, portanto, aprendido.
tas e, também, reações não variáveis;
ƒƒ Comportamento adquirido ou apren- O estudo do desenvolvimento do comporta-
dido: é um comportamento variável. Há mento durante o decorrer de nossa vida tem sido
reações que alguns seres apresentam e realizado pela Psicologia genética ou evolutiva.
outros, embora da mesma espécie, não Observou-se que, no início de nossa vida, apresen-
apresentam ao receberem determinada tamos aos estímulos reações que, em sua maioria,
estimulação. São reações que necessi- são inatas. À medida que amadurecemos, vai au-
tam de aprendizagem para se processa- mentando o número de nossas reações adquiridas
rem, quando o organismo recebe a es- ou aprendidas.
timulação. Um exemplo: o gato de uma
A Psicologia comparativa realiza o estudo
determinada casa entra na cozinha todas
do comportamento animal, comparando-o com
as manhãs ao ouvir o ruído da porta da
o comportamento humano. Ela tem demonstrado
geladeira. Outros gatos, ao ouvirem esse
que, nos animais inferiores, predominam as rea-
mesmo som, não reagem desse modo.
ções inatas, invariáveis, ao passo que, no ser hu-
Outro exemplo: o cão de uma certa fa-
mano, predomina o comportamento variável ou
mília aproxima-se prontamente, ao ouvir
aprendido.
alguém dizer “Totó”. Outros cães, ao ouvi-

3.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos a Fórmula Fundamental do Comportamento, no qual


vimos que E = estímulo e R = resposta; sendo que existem os comportamentos inatos e os comporta-
mentos adquiridos ou aprendidos; sendo que esses últimos estão estreitamente ligados à quantidade e
qualidade das estimulações do meio ambiente.

3.4 Atividades Propostas

1. Qual é a definição de comportamento?

2. Qualquer modificação do ambiente que provoque a atividade do organismo é chamada de...

3. Trata-se de um comportamento variável, com reações que necessitam de aprendizagem para


se processarem, quando o organismo recebe a estimulação. De qual comportamento estamos
tratando?

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4 O BEHAVIORISMO DE WATSON E SKINNER

Caro(a) aluno(a), neste capítulo, trataremos do que E = estímulo e R = resposta do indivíduo).


da Abordagem do Behaviorismo de Watson e de Essa abordagem traz para a Psicologia da época a
Skinner. Vamos iniciar a discussão? serventia da quantificação (mensuração) do com-
portamento humano, já que o capitalismo institui
a necessidade de um parâmetro mais prático para
Atenção
a análise humana e suas relações com o trabalho.
Para os behavioristas, todos os Os primeiros experimentos foram feitos com ra-
comportamentos podem ser controláveis tos brancos em laboratórios, assim como outros
e controlados, uma vez que reconhecem animais, tais como: pombos e sapos, por questões
como sendo passível de observação o
éticas e determinantes das ciências biológicas e
que emite uma resposta concreta, visível
e mensurável no meio ambiente onde humanas.
está atrelado o indivíduo. Temos com B. F. Skinner um importante ex-
perimento com ratos, o que possibilitou o avanço
da compreensão dos condicionamentos e apren-
O Behaviorismo nasce com Watson e tem dizagens humanas. Para os behavioristas, todos os
um desenvolvimento grande nos Estados Unidos, comportamentos podem ser controláveis e contro-
em função de suas aplicações práticas. Tornou-se lados, uma vez que reconhecem como sendo pas-
importante por ter definido o fato psicológico, de sível de observação o que emite uma resposta con-
modo concreto, a partir da noção do comporta- creta, visível e mensurável no meio ambiente onde
mento (behavior, do inglês). Essa abordagem surge está atrelado o indivíduo. O Behaviorismo é muito
com John B. Watson, em 1913, e basicamente traz utilizado em empresas, escolas, organizações de
a ideia de que todo estímulo elicia uma resposta, diferentes segmentos, por ser eficaz na especifica-
com a fórmula comportamental básica: E – R (sen- ção das características humanas.

4.1 Principais Conceitos do Behaviorismo

ƒƒ Comportamento reflexo ou respon- mentos reflexos/respondentes, estes de-


dente: são todos os comportamentos/ pendem da habilidade de aprendizagem
respostas do organismo vivo/indivíduo e apenas ocorrem mediante condiciona-
que não dependem diretamente dos mentos. Esses condicionamentos podem
fatores de aprendizagens (piscar o olho ser primários, secundários ou terciários,
mediante a incidência da luz e afastar a sendo os primeiros ligados às necessi-
mão do calor do fogo, por exemplo); dades de primeira ordem (básicas) e os
ƒƒ Comportamento instrumental ou ope- outros associados a elas. Ou seja, para os
rante: diferentemente dos comporta- behavioristas, toda a aprendizagem está

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diretamente vinculada às habilidades vo- No caso do reforço positivo, o indivíduo


luntárias de um organismo responder às ao ser premiado aprende que para obter
suas urgências, mediante os estímulos satisfação de sua necessidade ou dese-
provenientes do meio ambiente, tornan- jo, terá de repetir o mesmo mecanismo
do assim o esquema E – R condicionável, da experiência passada, aprendida; já no
controlável (exemplo: ao pressionar uma reforço negativo é o inverso, ele é deses-
barra, o rato observa a ocorrência do timulado a repetir o padrão aprendido,
surgimento da água, e isso apenas acon- pois não encontra no meio ambiente o
tece após inúmeras tentativas de obter atributo que atende à sua necessidade/
sucesso – recompensa). Assim, para os desejo, sendo esse fator fundamental
comportamentalistas, o comportamento para que interrompa o padrão e apren-
e a aprendizagem estão diretamente vin- da a extinguir o comportamento inde-
culados aos sucessivos erros, até que se sejado (para os behavioristas, o simples
possa alcançar o acerto; fato de não se reforçar positivamente
ƒƒ Teoria dos reforçamentos: podem ser um comportamento já é suficiente para
positivos ou negativos, dependendo remover uma resposta de um indivíduo/
dos objetivos do meio ou do indivíduo. organismo).

4.2 O Experimento da “Caixa de Skinner”

Vamos relembrar um conhecido experimen- barra, ao ser pressionada por ele, aciona-
to feito com ratos em laboratório. Vale informar va um mecanismo (camuflado) que lhe
permitia obter uma gotinha de água, que
que animais como ratos, pombos e macacos – para
chegava à caixa por meio de uma pequena
citar alguns – foram utilizados pelos analistas ex- haste. Durante a exploração da caixa, o ra-
perimentais do comportamento (inclusive Skinner) tinho pressionou a barra acidentalmente,
para verificar como as variações no ambiente inter- o que lhe trouxe, pela primeira vez, uma
feriam nos comportamentos. Tais experimentos gotinha de água, que, devido à sede, fora
rapidamente consumida. E, por ter obtido
permitiram-lhes fazer afirmações sobre o que cha-
água ao encostar na barra quando sentia
maram de leis comportamentais. sede, constatou-se a alta probabilidade de
que, estando em situação semelhante, o
Um ratinho, ao sentir sede em seu habitat, ratinho a pressionasse novamente. (BOCK,
certamente manifesta algum comporta- 1996, p. 48-49).
mento que lhe permita satisfazer a sua ne-
cessidade orgânica. Esse comportamento
foi aprendido por ele e se mantém pelo Saiba mais
efeito proporcionado: saciar a sede. Assim,
se deixarmos um ratinho privado de água Quando um bebê começa a conseguir
durante 24 horas, ele certamente apresen- se sustentar por suas próprias perninhas
tará o comportamento de beber água no e a mãe vai, paulatinamente, encora-
momento em que tiver sede. Sabendo dis- jando-o a dar passinhos para frente, ao
so, os pesquisadores da época decidiram
mesmo tempo em que oferece suas
simular esta situação em laboratório sob
mãos, para suportá-lo, caso ele se de-
condições especiais de controle, o que os
sequilibre, é um exemplo de comporta-
levou à formulação de uma lei comporta-
mento instrumental ou operante.
mental. Um ratinho foi colocado na ‘caixa
de Skinner’ – um recipiente fechado no
qual encontrava apenas uma barra. Esta

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Psicologia Geral

Skinner denominou esse comportamento de tamentos aprendidos, desde esses estudos feitos
operante, em que o que propicia a aprendizagem em laboratórios, deixando claras as questões dos
dos comportamentos é a ação do organismo sobre condicionamentos para as aprendizagens huma-
o meio e o efeito dela, seus resultados, ou seja, a nas, em diversas áreas do conhecimento e aplica-
satisfação de uma necessidade, sendo que a apren- ções (escolas, indústrias, serviços em gerais, entre
dizagem fica atrelada nessa relação entre ação e outras tantas atividades ocupacionais do mercado
efeito. de trabalho).
Em suma, os behavioristas contribuíram
enormemente para a sistematização dos compor-

4.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno, neste capítulo estudamos a Abordagem ou Escola Behaviorista de Watson e de Skin-
ner, onde você tomou conhecimento do importante experimento feito com ratos, de Skinner, o qual
serviu de base para explicar muitas das aprendizagens condicionáveis do humano. Vimos a diferença do
comportamento reflexo ou respondente para o comportamento instrumental ou operante; assim como
a importância do reforço positivo, para garantir a manutenção do comportamento desejável, na apren-
dizagem.

4.4 Atividades Propostas

1. Qual o nome da abordagem que surgiu com John B. Watson, em 1913, e basicamente trouxe
a ideia de que todo estímulo elicia uma resposta, com a fórmula comportamental básica: E – R
(sendo que E = estímulo e R = resposta do indivíduo)?

2. O que vem a ser o Comportamento reflexo ou respondente?

3. São comportamentos que dependem da habilidade de aprendizagem e apenas ocorrem me-


diante condicionamentos. Esses condicionamentos podem ser primários, secundários ou ter-
ciários, sendo os primeiros ligados às necessidades de primeira ordem (básicas) e os outros
associados a elas. De qual tipo de comportamento estamos tratando?

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5 A PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM E
INTELIGÊNCIA

Atenção

Quando um bebê começa a conseguir se


Caro(a) aluno(a), neste capítulo, trataremos sustentar por suas próprias perninhas e a
da Psicologia da Aprendizagem e das Inteligências. mãe vai, paulatinamente, encorajando-o
Vamos iniciar a discussão? a dar passinhos para frente, ao mesmo
tempo em que oferece suas mãos, para
suportá-lo, caso ele se desequilibre,
é um exemplo de comportamento
instrumental ou operante.

5.1 A Aprendizagem e Inteligência (QI-QE-QA)

O processo das aprendizagens licas das crianças, dos 18 meses até os seis anos de
idade); c) operações concretas (ênfase nas opera-
Todas as correntes filosóficas e científicas das ções mentais e no uso do pensamento lógico es-
Psicologias, de forma geral, enfocam a questão da truturado com as ações e situações reais, dos sete
predisposição humana para o crescimento ajustati- aos 11 anos); d) operações formais (ênfase no pen-
vo para com o seu meio ambiente. Existe uma forte samento complexo, articulado e hipotético-dedu-
tendência a acreditar na força criadora das capaci- tivo, envolvendo a imaginação mais rica e intuição,
dades neurais para suplantar as dificuldades mais após os 12 anos de idade).
variadas, pois a inteligência humana, até hoje, ain- Piaget fomentou inúmeras pesquisas, con-
da não foi totalmente disponibilizada, para atingir tribuindo vastamente para posteriores investiga-
todo o seu cume e capacidade total de funciona- ções de seus inúmeros seguidores. Possibilitou a
mento, conforme comprovam os neurocientistas compreensão dos processos atrelados às aprendi-
mais debruçados em análises humanas/sociais. zagens no mundo do trabalho, uma vez que po-
Um famoso psicólogo, Jean Piaget (1896- demos observar que as dificuldades do indivíduo
1980), desenvolveu uma importante teoria para sempre se reportam às fases anteriores, caso estas
compreender o desenvolvimento cognitivo, por tenham sido vivenciadas com lacunas e falhas, de-
meio do trabalho que acompanhava crianças, e pendendo tanto da maturação cognitiva quanto
classificou a aprendizagem a partir de estágios, tais da qualidade e quantidade das estimulações do
como: a) sensório-motor (ênfase na importância meio ambiente.
da estimulação ambiental, até os 18 meses); b) pré-
-operacional (ênfase na intuição, em que o sentido
é o desenvolvimento das capacidades mais simbó-

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Os diferentes enfoques para as aprendizagens mundo globalizado e de forte tendência competi-


tiva, fazendo-se necessários os instrumentos práti-
Os comportamentalistas acreditam na apren- cos de medição de recursos para os conhecimen-
dizagem condicionada; os gestaltistas nas relações tos específicos e gerais da inteligência humana.
dinâmicas dos contatos humanos internos e exter-
nos; já os psicanalistas acreditam na viabilização de Inteligência emocional (QE)
um maximizado acesso ao inconsciente, sendo que
este armazena o manancial criativo e faz com que a Daniel Goleman (1995) traz o conceito de
consciência emancipe o seu dispositivo maior para sincronia emocional e nos atenta para as questões
aprender o mundo tanto interior quanto exterior. das deficiências “das conscientizações dos sentires”,
Com Piaget, assim como com outros importantes tão vastamente ignoradas por outras correntes das
psicoterapeutas, as Psicologias foram angariando Psicologias. Por meio de experimentos ricos e com-
novas vertentes e constatando em testes, pesqui- plexos, tal ideia nos remonta para a integração de
sas e experimentos, os inúmeros atributos das ca- uma inteligência emocional e racional, na qual haja
pacidades individuais e grupais para as aprendiza- o contínuo alinhamento da rede neural com todos
gens, tanto específicas quanto generalizadas, do os âmbitos emocionais.
potencial humano.
Goleman foi o criador do termo ‘QE’ e revo-
lucionou a visão fragmentada da inteligência, tra-
A Inteligência Humana zendo uma concepção de ampliada e inquietante
constatação de que o controle emocional depen-
Fatores hereditários e adquiridos formam e derá sempre de uma profunda e intensa capacida-
transformam a inteligência humana sob e sobre de de se dar conta do que se sente, sem que isso
toda a interatividade que já estamos acostumados implique em atuar o sentimento concomitante-
a verificar em nossas relações humanas. Para os psi- mente no meio, na situação vivida.
cólogos contemporâneos, fatores racionais e emo- Para o autor, o sequestro emocional seria
cionais são determinantes da evoluída inteligência, uma ação inadequada do indivíduo, comprovando
assim como fatores atitudinais e inter-relacionais. a sua incapacidade de lidar com a emoção perce-
bida, ou seja, a inconsciência de um sentimento
Inteligência racional (QI) levando a uma ação inadequada ao contexto. Essa
visão da inteligência explicou o porquê de pessoas
com QI elevados não serem as mais bem-sucedidas
Binet, Simon e Stern, em 1912, pesquisaram profissionalmente, por possuírem genialidades ou-
o quociente de inteligência mediante uma esca- tras e não emocionais e relacionais. Suponhamos
la que media a capacidade do conhecimento de que um profissional de criação, em uma reunião
crianças comparando as idades cronológicas. As- em que esteja apresentando a sua campanha seja
sim sendo, catalogaram diferentes medidas para as tomado por um forte sentimento de ira e resolva
inteligências (até a atualidade são muito utilizadas agir de forma grosseira e agressiva, ocasionando
essas escalas para medição de QI). Consideram o a perda da conta de um importante cliente para
QI saudável dentro dos parâmetros 90-120, sendo a sua agência. Com certeza, esse episódio dramá-
que variações para baixo ou para cima estariam re- tico seria um típico sequestro emocional, típico
lacionadas com defasagens/incapacidades e, por de quem não lida bem com as próprias emoções,
outro lado, genialidades/alta capacitação de ex- mantendo-as sob controle consciente e ajustativo,
pansão pessoal. conforme exige cada situação das vivências que se
Pesquisas e testes de QI em muito facilitam apresentam no dia a dia.
a seleção de pessoal para as organizações, desde a
era industrial até a atualidade, pois vivemos em um

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é o que melhor conceitua a aprendizagem.


Saiba mais Esta abordagem diferencia a aprendiza-
gem mecânica da aprendizagem significa-
tiva: a) aprendizagem mecânica refere-se à
Goleman desvelou em suas pesquisas
aprendizagem de novas informações com
que indivíduos com Inteligência Emo- pouca ou nenhuma associação com con-
cional bem desenvolvida eram mais ap- ceitos já existentes na estrutura cognitiva.
tos para ocuparem cargos de liderança O conhecimento assim adquirido fica arbi-
do que os que tinham o “QI” elevado; trariamente distribuído na estrutura cogni-
essas pesquisas serviram de “quebra de tiva, sem se ligar a conceitos específicos (ex:
paradigmas” e mudaram diametralmen- decorar um texto); b) aprendizagem signi-
te a visão de muitos empresários, inclu- ficativa: processa-se quando um novo con-
sive. teúdo (idéias ou informações) relaciona-se
com conceitos relevantes, claros e dispo-
níveis na estrutura cognitiva, sendo assim
assimilado por ela. Estes conceitos dispo-
Inteligências múltiplas e atitudinais níveis são os pontos de ancoragem para a
aprendizagem. (BOCK, 1996, p. 117-118).

Howard Gardner, nos anos 60, foi um impor-


tante pesquisador e trouxe a contribuição de uma Um exemplo dessa última forma de apren-
teoria que identificou diferentes inteligências: a) dizagem: você integra e aprende o conceito que
lógico-matemática: símbolos numéricos e lineares; pode viver na vida real e não se esquece mais do
b) linguística: símbolos ligados às letras, palavras, valor significativo da teoria, graças à experiência
assim como expressões da mesma pela palavra e cognitiva aprendida. E isso se aplica em diversas
suas manifestações; c) espacial: ligada aos aspectos áreas, com diferentes pessoas, dos pequenos até
mais físicos de contextualizações; d) musical: liga- grandes grupos.
da aos sons, desde a emissão até elaborações mais A inteligência é, sem dúvida, uma das qua-
avançadas; e) intrapessoal: que diz respeito às ca- lidades humanas mais desejáveis. Cada cientista,
pacidades de autoconhecimento e controle emo- ao longo da história e de suas pesquisas, revelam
cional; e f) interpessoal: que dita as habilidades de
a inteligência, sob e entre diferenciados aspectos.
relacionamentos com as outras pessoas, de forma Desde Platão, pensar a inteligência, por si só, já é
madura, responsável, ética e assertiva. uma representação bastante satisfatória dela, pois
Para Gardner, quanto mais as pessoas pu- o exercício é um indicativo de capacidade reflexiva
derem investir não somente em maximizar suas e pensante.
potencialidades, como também em potencializar O que mais caracteriza o ato inteligente é o
suas limitações, mais e mais estarão aptas para de- fato de utilizar vários elementos da situação de ma-
senvolverem em plenitude suas totais e genéricas neira original ou criativamente nova. No fundo, em
aptidões cognitivas/emocionais. Em outras pa- todo ato inteligente há uma pequena descoberta,
lavras, o ser inteligente atual e contemporâneo é a estrutura da inteligência:
aquele que vive a sua inteligência de maneira múl-
tipla, de acordo com os sistemas em que se insere, a) cognição: na solução de um problema
uma vez que o mundo está cada vez mais criativo, ou situação difícil, é preciso, em primeiro
diferenciado e solicitando inúmeras capacidades lugar, reconhecer os elementos dispo-
de ajustamentos variados e crescentes. níveis e constitutivos da situação (essa
Para os cognitivistas, operação é a cognição = conhecer, do
latim);
[...] o processo de organização das informa- b) memória: além de levantar os dados do
ções e de integração do material à estru- problema, é preciso retê-los na memória
tura do pensar e refletir, armazenar e pro-
ou evocar outros elementos para o pro-
cessar, integrar aos processos conscientes
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cessamento da solução (reter e evocar mais verbal (oradores, professores, escri-


são funções da memória); tores, filósofos);
c) produção convergente: é uma forma d) conteúdos comportamentais: inteli-
de atividade intelectual que processa gência social baseada em atitudes, for-
os elementos mentais de conformidade mas de proceder, ação, padrão de ações
com os padrões convencionais (exemplo: das pessoas, formas altamente criativas
seguir manuais de orientações nas orga- para lidar com elementos comporta-
nizações, criteriosamente);
mentais (exemplo: profissionais das pu-
d) produção divergente: é uma forma de blicidades e marketing necessitam des-
atividade intelectual que processa os ele-
sas qualificações para melhor exercerem
mentos mentais de modo não conven-
suas funções).
cional; as descobertas e invenções são
produtos divergentes, não convencio-
nais da mente, são originalidades expres- Essência da aprendizagem e da inteligência
sivas do ato singular de se criar, dando
um salto qualitativo nas dimensões que
convergem; O que está no cerne do comportamento in-
teligente? Para alguns psicólogos, a ênfase está no
e) avaliação: é uma forma de atividade
mental em que a mente elabora pesos pensamento abstrato e no raciocínio, e, para ou-
e valores diferentes, julgando a respeito tros, o foco está nas capacidades que possibilitam a
da correção, adequação, desejabilidade, aprendizagem e a acumulação de conhecimentos.
melhor conveniência. Quando um su- Existem correntes que enfatizam a competência
pervisor ou coordenador está avaliando social: se as pessoas conseguem resolver os pro-
mentalmente, está processando elemen- blemas apresentados por sua cultura. E na época
tos mentais que são valores, pesos, rea- atual, os psicólogos não sabem sequer se há um
ções comportamentais adequadas etc. único fator geral (normalmente chamado de ‘G’, ini-
Em todo processo decisório, cada infor- cial de ‘geral’) do qual dependam todas as habilida-
mação tem uma relevância e um peso des cognitivas.
próprios. Nem todos os elementos se
apresentam com o mesmo valor; é um
ato típico de avaliação. Medindo a inteligência – os famosos testes de
inteligência
As atividades da mente só existem sobre de-
terminados conteúdos; ninguém pensa a respeito Alfred Binet (1857-1911), destacado psicólo-
de nada. O pensamento consiste em elaborar, pro- go francês, foi quem criou a primeira medição prá-
cessar mentalmente algum conteúdo. É claro que tica da inteligência. De início, juntamente com seus
podemos raciocinar sobre inúmeras coisas. Há um colaboradores, mediu habilidades sensoriais e mo-
número infinito de assuntos sobre os quais pode- toras, da mesma forma que o fez Galton. Logo, eles
mos pensar. Contudo, Guilford, psicólogo america- perceberam que tais avaliações não funcionariam
no, reduziu-os a quatro categorias: e começaram a observar as habilidades cognitivas
– duração da atenção, memória, julgamentos esté-
a) conteúdos figurativos: elementos con- ticos e morais, pensamento lógico e compreensão
cretos num espaço limitado (inteligência de sentenças – bem como medidas de inteligência.
espacial, concreta e mecânica); O projeto de Binet teve significativa arranca-
b) conteúdos simbólicos: inteligência nu- da em 1904, ano em que foi nomeado para integrar
mérica, musical ou de qualquer outro uma comissão do governo para estudar os proble-
elemento simbólico; mas do ensino de crianças retardadas. O grupo
c) conteúdos semânticos: inteligência concluiu que se deveria identificar as crianças men-

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talmente incapazes e dirigi-las a escolas especiais. la de probabilidades e expectativas para cada fase
Esse evento possibilitou estudos avançados de dis- do desenvolvimento (conforme vimos com Piaget,
tinção de níveis intelectuais para a diferenciação para as cognições), o que também foi um forte cri-
de aprendizagens, para crianças com dificuldades tério para que tal escala pudesse ser configurada.
cognitivas. O teste de Binet foi importado pelos Es- Os testes de inteligência atuais ainda seguem
tados Unidos e por outros países. as tendências citadas anteriormente, e somam-
Lewis Terman, um psicólogo que trabalhava -se a estas as da Escala de Inteligência Adulta de
na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Wechsler, revisada em 1981, em que a preocupa-
fez uma revisão amplamente aceita do teste de ção é medir diferentes recursos individuais para
Binet, em 1916. Esse teste ficou conhecido como lidar com os correspondentes desafios (subtestes
Stanford-Binet e trouxe o padrão mundialmente verbais e de desempenho avaliam capacidades
conhecido para os testes de inteligências QI (quo- que exigem a manipulação de objetos ou outros
ciente de inteligência, termo criado por psicólo- tipos de resposta com as mãos, baseando-se no
gos alemães). Esse teste compara os resultados pensamento sem palavras e nas habilidades de re-
obtidos por um indivíduo com aqueles de outros solução de problemas práticos, também).
indivíduos da mesma idade, dentro de uma esca-

5.2 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos o processo das aprendizagens e você conheceu a teoria
do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget em seus diferentes estágios de desenvolvimento. Vimos
que os diferentes enfoques de aprendizagens estão diretamente ligados ao aprimoramento da inteligên-
cia humana. Estudamos os diferentes posicionamentos sobre a Inteligência: a racional, de Binet, Simon e
Stern; a emocional, de Daniel Goleman; e a Múltipla e Atitudinal, de Howard Gardner. Discorremos sobre
as diferenças entre a produção convergente e a divergente; aprendemos diversificadas visões sobre o
pensamento inteligente e práticas usuais avaliativas de Aprendizagens e Inteligências, conforme Alfred
Binet e seus colaboradores.

5.3 Atividades Propostas

1. Qual o nome do famoso psicólogo que desenvolveu uma importante teoria para compreen-
der o desenvolvimento cognitivo, por meio do trabalho que acompanhava crianças, classifi-
cando a aprendizagem a partir de estágios?

2. Conceito de Inteligência que trata da sincronia emocional e nos atenta para as questões das
deficiências “das conscientizações dos sentires”, tão vastamente ignoradas por outras corren-
tes das Psicologias. De qual conceito estamos tratando?

3. Trata-se de um tipo específico de aprendizagem que se processa quando um novo conteúdo


(ideias ou informações) relaciona-se com conceitos relevantes, claros e disponíveis na estru-
tura cognitiva, sendo assim assimilado por ela. Esses conceitos disponíveis são os pontos de
ancoragem para a aprendizagem. De qual tipo de aprendizagem estamos nos referindo?

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6 A PSICOLOGIA DA GESTALT

Atenção

Um bom exemplo da visão de Lewin des-


carta completamente a visão fragmen-
tada do humano nas relações sociais, ou
Caro(a) aluno(a), neste capítulo, trataremos seja, não devemos “julgar” com a nossa
da Abordagem da Gestalt e seus principais concei- visão de mundo a forma de vida de um
tos. Vamos iniciar a discussão? indivíduo e/ou um grupo, pois cada um
se relaciona com coerência dentro de
seu campo interno e externo (objetiva e
subjetivamente), como em se tratando
da compreensão dos modos de vida de
uma tribo específica.

6.1 Gestalt

Tendo seu berço na Europa, surge como uma e contextualizada, tal como as exigências mais cor-
negação da fragmentação das ações e processos rentes demandavam.
humanos, realizada pelas tendências da Psicologia Basicamente, a Psicologia da Gestalt tratou a
Científica do século XIX, postulando a necessidade princípio dos fatores atrelados às percepções hu-
de se compreender o homem como uma totalidade manas e suas manifestações tanto internas quan-
dinâmica e processual, sendo, assim, uma aborda- to externas, trazendo a contribuição de enfatizar
gem de cunho existencial, humanística e sistêmica que a relação do indivíduo com o meio era o fator
de fundamental importância para a compreensão de maior impacto, o que mereceria análise e com-
da complexidade humana. preensão e que também traria a constatação da
A palavra ‘Gestalt’ não possui tradução exa- unicidade e da universalidade, fatores fundamen-
ta, mas representa configuração, forma e em um tais dessa abordagem.
primeiro momento, na Alemanha, mais especifica- Kurt Lewin (1890-1947) trabalhou 10 anos
mente com os psicólogos Max Wertheimer, Chris- com os gestaltistas e elaborou a sua famosa teoria
tian von Ehrenfels, Wolfgang Kohler e Kurt Koffka de campo, sendo que esta se reporta às crenças de
adquire importância em uma sociedade pautada, que todo indivíduo somente pode ser compreen-
naquela época, por concepções puramente racio- dido se estivermos focando todo o ambiente onde
nais, cognitivas ou com ênfase em aspectos pura- ele está envolvido e, principalmente, como ele está
mente inconscientes. Com esses pesquisadores, se relacionando em seu campo (as suas crenças,
volta a promover a importância de uma visão de valores, necessidades e limitações). Para Lewin, o
homem e de mundo mais fenomênica, integrada indivíduo não pode ser compreendido de forma

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linear, rígida, fixa, mas, sim, dinâmica, processual e minado momento e apenas o presente é capaz
contextual. de fazê-lo atualizar-se e promover o ajustamento
Os gestaltistas foram ampliando as pesquisas criativo que lhe dará a satisfação imediata, para
relacionadas às percepções e organizações huma- que uma nova necessidade ressurja no campo
nas, percebendo que os elementos biopsicosso- interno e externo, sucessivamente. Para Perls, so-
ciais estavam sempre atuando de forma sistêmica mente existia o presente e como o indivíduo agia
e variando de acordo com a singularidade de cada era o fator mais fundamental para a compreensão
pessoa e ambiência envolvida. de seu modo de estar sendo transformado, proces-
Outro psicólogo surgiu desse movimento, sualmente. Essa visão traz uma maior positividade
Fritz Perls, tendo sido um marco para o que viria e liberdade na perspectiva que o mundo da época
a ser a Gestalt-terapia que conhecemos na atuali- tinha do caráter humano e social, o que sem dúvi-
dade. Para Perls, todo comportamento é a melhor da agregou inúmeros desenvolvimentos e pesqui-
resposta que um indivíduo pode dar num deter- sas para as Ciências Humanas e Sociais da época.

6.2 Principais Conceitos da Gestalt

Os principais conceitos da Gestalt são: e) leis da percepção para a Gestalt (simetria,


regularidade, proximidade, semelhança
a) figura-fundo: sendo que a figura é a par- e fechamento): condições fundamentais
te central e mais importante da percep- para o processo autorregulativo da boa
ção, e o fundo, todo o contexto que lhe forma, para a percepção;
dá destaque; f) o todo é maior do que a soma das par-
b) a busca pela boa forma: a percepção se tes: cada elemento possui uma função
organiza por meio da intencionalidade e contribui de formas correlacionais ao
de buscar a harmonia e a integração, as- todo em que está inserido, sendo que o
sim como um sentido satisfatório para a significado das partes apenas reflete exa-
compreensão do que o indivíduo perce- tamente a função do contexto presente.
be; Porém, a dinâmica processual é sempre
c) insight: existe a habilidade natural do reajustativa, circular e processual, levan-
indivíduo para a busca do fechamento do à totalidade e, ao mesmo tempo, al-
do que compreende, buscando em seu cançando novos rumos e sentidos;
repertório individual parâmetros para g) o como é mais importante do que os por-
as soluções criativas dos problemas/per- quês;
cepções; h) o presente, o aqui e agora, é o foco princi-
d) espaço vital: o indivíduo se atualiza no pal para a compreensão da percepção e
campo situacional onde vive, de acordo atualização do indivíduo no seu meio (o
com solicitações externas e recursos in- passado e o futuro se condensam quan-
ternos; do existe centragem de percepção e to-
mada de decisão, propriamente ditas).
Saiba mais
Para os gestaltistas, toda vez que um indivíduo expande suas fronteiras de contato e corre o risco
de viver algo novo/inusitado, ocorre um ajustamento criativo; em outras palavras, a coragem de se
recriar continuamente está diretamente vinculada às nossas relações de contato com o outro. Na
linha divisória de encontrar o outro é que eu descubro quem é o outro e quem sou eu; cada vez
mais e melhor, num crescente contínuo, se o ajustamento criativo for funcional.

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6.3 A Abordagem da Boa Forma da Gestalt

Os pesquisadores da Psicologia da Gestalt, A proximidade garantiria a melhor percep-


escola que antecipou a corrente da Gestalt-terapia, ção para os elementos dispostos, de acordo com a
trouxeram inúmeras contribuições para que pudés- distância mais curta, sendo notados devidamente
semos entender como se estrutura todo o campo agrupados. Já na semelhança, os elementos seriam
fenomênico interior que forma o que chamamos percebidos como sendo similares/ parecidos ou de
de ‘percepção’ – e seu processo ocorre entre as- um mesmo grupo de referência (exemplo: perce-
pectações de ordens variadas e dentro do que Kurt ber formas circulares agrupadas mais nitidamen-
Lewin denominou como Campo Psicológico. Este é te do que outras, após o sujeito ter ficado horas e
entendido como um campo de força que nos leva horas analisando pneus, uma vez que trabalha na
a procurar a boa forma; funciona figurativamente indústria de fabricação dos mesmos). E, finalmente,
como um campo eletromagnético criado por um fechamento, quando o sujeito é capaz de comple-
ímã (a força de atração e repulsão). Esse campo de tar a figura que falta, mediante caracteres armaze-
força psicológico tem uma tendência que garante nados na sua consciência, a fim de garantir a boa
a busca da melhor forma possível em situações que forma perceptiva e fechar o seu ciclo de contato de
não estão muito estruturadas. Esse processo ocor- maneira satisfatória.
re de acordo com os princípios de proximidade, se-
melhança e fechamento.

6.4 A Teoria de Campo de Kurt Lewin

O psicólogo Lewin (1890-1947) trabalhou du- e um tempo. Um bom exemplo da visão de Lewin
rante 10 anos com Wertheimer, Koffka e Kohler na descarta completamente a visão fragmentada do
Universidade de Berlin, e dessa colaboração com os humano nas relações sociais, ou seja, não deve-
pioneiros da Gestalt foi que germinou o que viria a mos “julgar” com a nossa visão de mundo a forma
se tornar essa importante teoria da percepção, vista de vida de um indivíduo e/ou um grupo, pois cada
de uma maneira mais holística e sistêmica. Entre- um se relaciona com coerência dentro de seu cam-
tanto, sendo ele um pesquisador, mais do que um po interno e externo (objetiva e subjetivamente),
gestaltista, parte da teoria da Gestalt é para cons- como em se tratando da compreensão dos modos
truir um conhecimento novo e genuíno. Ele aban- de vida de uma tribo específica.
dona a preocupação psicofisiológica (limiares de Segundo Garcia-Roza (2005, p. 45), o
percepção) da Gestalt, para buscar na Física as ba-
ses metodológicas de sua psicologia. [...] campo não deve, porém, ser compreen-
O principal conceito de Lewin é o do espaço dido como uma realidade física, mas sim fe-
vital, que ele define como “a totalidade dos fatos nomênica. Não são os fatos físicos que pro-
coexistentes e mutuamente interdependentes que duzem efeitos sobre o comportamento. O
campo deve ser representado tal como ele
determinam o comportamento do indivíduo num existe para o indivíduo em questão, num
certo momento.” (LEWIN, 2005, p. 45). O que Lewin determinado momento, e não como ele
concebeu como campo psicológico foi o espaço de é em si. Para a constituição desse campo,
vida considerado dinamicamente, em que se levam as amizades, os objetivos conscientes e in-
conscientes, os sonhos e os medos são tão
em conta não somente o indivíduo e o meio, mas
essenciais como qualquer ambiente físico.
o todo circunstancial vivido dentro de um espaço

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Em outras palavras, todo o contexto seguefuncionamento das percepções e relações do hu-


uma coerência, uma rede de intersecções condi- mano em diversos contextos sociais, garantindo
zentes com a pessoa e com o todo, concomitan- a boa forma e a satisfação de necessidades perti-
temente, sendo necessário se colocar no lugar enentes e possíveis, com a devida contextualização,
tempo do ser/objeto de observação para melhorartornando-nos mais próximos da realidade e das
a interpretação e compreensão. múltiplas verdades coexistentes do mundo em que
Os conceitos e ferramentas da Gestalt são vivemos, trabalhamos e nos relacionamos, dinami-
fundamentais para viabilizar a compreensão do camente, processualmente.

6.5 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos a Psicologia da Gestalt e vimos que se trata de uma
abordagem de cunho existencial, humanística e sistêmica. Estudamos os principais conceitos da Gestalt:
a) figura-fundo; b) a busca pela boa forma; c) insight; d) espaço vital; e) leis da percepção para a Gestalt
(simetria/regularidade/proximidade/semelhança/fechamento); f) o todo é maior do que a soma das par-
tes; g) o como é mais importante do que os porquês; h) o presente, o aqui e agora, é o foco principal.
Aprendemos, também, a importância da Teoria de Campo de Kurt Lewin, que enfatiza a necessidade de
se compreender o ser humano, dentro dos referenciais de seu meio psicológico e existencial.

6.6 Atividades Propostas

1. Qual o significado da palavra ‘Gestalt’?

2. A percepção se organiza por meio da intencionalidade de buscar a harmonia e a integração,


assim como um sentido satisfatório para a compreensão do que o indivíduo percebe. De qual
importante conceito gestáltico estamos nos referindo?

3. Lewin concebeu uma teoria onde o campo psicológico é o espaço de vida, considerado dinami-
camente, em que se levam em conta não somente o indivíduo e o meio, mas o todo circunstan-
cial vivido dentro de um espaço e um tempo. Estamos nos referindo a qual teoria?

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7 PERCEPÇÃO & MOTIVAÇÃO (PRINCIPAIS
TEORIAS MOTIVACIONAIS)

Caro(a) aluno(a), neste capítulo, trataremos de compreender a Percepção e a Motivação, apresen-


tando as principais teorias motivacionais. Vamos iniciar a discussão?

7.1 Definições de Percepção

É a organização dos elementos captados pe- Os sentidos funcionam como receptores


los sentidos que faz algum fechamento (efeito da (antenas) que levam os estímulos para o cérebro,
Lei de Totalidade da Gestalt). Nunca percebemos e este se organiza e nos dá a percepção. Os cinco
estímulos isolados, a tendência natural é a de orga- sentidos (visão, audição, tato, paladar e olfato) são
nizar, dar um fechamento. A Figura é a parte predo- fundamentais para esse processo e devem estar
minante e central, que emerge de um Fundo. bem desenvolvidos, no indivíduo. A intuição é um
Vivemos mais em função do mundo interior sentido mais sutil e refinado e ocorre principalmen-
(sentidos, sensações, pensamentos) do que em te quando temos os cinco sentidos básicos bem
função da realidade objetiva. “Cada cabeça uma evoluídos em nós mesmos. É por isso que dizemos
sentença”. Por isso, é muito importante sempre que as pessoas criativas, inteligentes e intuitivas
checarmos bem o que o outro está querendo ex- têm uma excelente percepção.
pressar, para não colocarmos as “nossas coisas” na
boca desse outro (projeção).

7.2 Funções da Percepção

São as seguintes: a) função informativa: man- tária ou involuntariamente, para buscar o “opti-
ter-se em contato constante com o meio, atuali- mum de equilíbrio fisiológico, social e humano” =
zação para sobreviver e se desenvolver; b) função homoestasia (do grego) – Conceito de Walter Can-
defensiva: captamos o perigo, ameaça, antes que non (1929), psicólogo, e de Claude Bernard (1895),
aconteça algo de pior. De acordo com os estados fisiologista francês.
internos e a situação, somos capazes de dar um
sentido para isso: esquiva ou ataque – agimos de
acordo com a melhor possibilidade encontrada na-
quele momento.
As percepções, assim como as motivações,
são determinadas também pelas necessidades,
pois o organismo age de forma intencional volun-

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7.3 Compreendendo os Processos Motivacionais

Motivação (conceito): refere-se a um moti- sente como processo em todas as esferas de nossa
vo, um estado interno que pode resultar de uma vida, tanto na área do trabalho quanto na do lazer
necessidade; ele é descrito como ativador, ou des- e mesmo na de aprendizagens (escola, faculdade,
pertador, de comportamento geralmente dirigido por exemplo).
para a satisfação da necessidade instigadora. Mo-
tivos estabelecidos principalmente pela experiên- Atenção
cia são conhecidos simplesmente como motivos;
aqueles que surgem para satisfazer necessidades A motivação é um tema complexo para
a Psicologia, uma vez que considera
básicas relacionadas com a sobrevivência e deriva-
três tipos de variáveis (o ambiente, as
das da fisiologia são geralmente chamados de im- forças internas no indivíduo e o objeto,
pulsos (drives – motivos, do inglês). propriamente dito). A motivação está
A motivação é um tema complexo para a Psi- presente como processo em todas as
cologia, uma vez que considera três tipos de variá- esferas de nossa vida, tanto na área do
trabalho quanto na do lazer e mesmo na
veis (o ambiente, as forças internas no indivíduo e
de aprendizagens (escola, faculdade, por
o objeto, propriamente dito). A motivação está pre- exemplo).

7.4 Principais Teorias Motivacionais

ƒƒ Teoria de Abraham Maslow: segundo petência e reconhecimento), e) necessi-


esse importante psicólogo, as motiva- dades de autorrealização (possibilidades
ções humanas obedecem a uma hierar- de uso das potencialidades individuais,
quia de necessidades e desejos, sendo com contínuo aprimoramento). Para
que cada um de nós estaria sempre bus- Maslow (1970), quando uma dessas ne-
cando atingir no meio ambiente os alvos cessidades permanece insatisfeita, pode
que melhor configurariam essas mesmas dominar todas as outras; o que importa
necessidades internas, quando estamos é o grau das satisfações, bem mais que
mais autoconscientes dos processos in- sua quantidade, pois ao mesmo tempo
teriores que nos movem. Essas necessi- temos diferentes grupos de necessida-
dades vão desde fatores que garantem des em nossas vidas e o organismo terá
a sobrevivência até as que nos levam às de eleger a mais urgente para si, sempre,
melhores transformações e evoluções, mesmo que o faça de forma impensada.
dentro dos campos situacionais, profis- Essa visão explica os interesses e as for-
sionais e existenciais. Os tipos de neces- mas de funcionamento das pessoas em
sidades então seriam: a) necessidades geral e faz com que identifiquemos os
fisiológicas (fome, sede, ar, sexo e sono), motivos que levam as pessoas a estarem
b) necessidades de segurança (abrigo, em diferentes níveis de possibilidades e
proteção e ausência de perigo), c) neces- aspirações, no campo do trabalho, prin-
sidade de amor (filiação, aceitação e sen- cipalmente. Maslow e sua teoria motiva-
timento de pertencer), d) necessidades cional vêm sendo muito utilizados, em
de estima (realização, aprovação, com- diferentes universos do mundo intelec-
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tual, assim como do profissional, pois des, medos, esperanças e conflitos nos
oferece um valiosíssimo instrumental personagens de suas figuras histórias
para que o profissional possa identificar (conforme resultados obtidos em testes
os diferentes níveis de necessidades e de apercepções temáticas). Com essa
desejos de seus clientes, em potencial, já teoria e metodologia, fica claro que o
que vivemos em uma sociedade de con- importante é observar os caminhos dos
sumo, dentro de um regime competitivo motivos sociais, medindo, assim, a dispo-
e capitalista; nibilidade para a realização de cada indi-
víduo no trabalho;
Saiba mais ƒƒ Teoria de David McClelland: esse au-
tor deu prosseguimento às pesquisas de
Murray, focando o grau de realização a
Maslow é muito utilizado em diferentes
áreas e principalmente pelos profissionais partir das motivações individuais, e con-
de marketing, uma vez que sua teoria dá firmou, juntamente com outros pesqui-
subsídios para que se possa identificar ade- sadores, que, quanto maior fosse o grau
quadamente os níveis de necessidades das de satisfação e realização, maior também
pessoas e, ao mesmo tempo, discriminar os seria a motivação humana para o cres-
tipos de produtos que estas estariam mais cimento e desenvolvimento social/indi-
dispostas e motivadas a consumirem. vidual (desenvolveu métodos e técnicas
importantes para os cientistas sociais,
utilizadas em larga escala no âmbito
ƒƒ Teoria de Henry Murray: na década de de preparação, colocação e desenvolvi-
1930, esse autor se ocupou com o moti- mento profissionais). Essa teoria trouxe a
vo das realizações sociais e observou que questão da relação motivacional – indiví-
as pessoas projetavam suas necessida- duo X meio ambiente.

7.5 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos a Percepção, sua definição e funções (informativa e de-
fensiva) e tivemos a possibilidade de compreender os processos motivacionais, através de três visões di-
ferentes: a) Teoria Motivacional de Abraham Maslow, que enfoca a hierarquia de necessidades e desejos;
b) Teoria de Henry Murray, que enfoca as realizações sociais; e c) Teoria de David McClelland, que enfoca
o grau de realização a partir das motivações individuais.

7.6 Atividades Propostas

1. Qual é a função perceptiva que é responsável pela atualização constante do indivíduo com o
meio ambiente?
2. Importante psicólogo que enfatizou o fato das motivações humanas obedecerem a uma hie-
rarquia de necessidades e desejos. De qual psicólogo estamos nos referindo?
3. Henry Murray, na década de 1930, se ocupou com o motivo das realizações humanas e ob-
servou que as pessoas projetavam suas necessidades, medos, esperanças e conflitos nos per-
sonagens de suas figuras histórias. Ele comprovou que havia um tipo de realização básica, na
busca das pessoas; como a denominou?

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8 A PSICANÁLISE: O INCONSCIENTE, FREUD
E SEGUIDORES

Caro(a) aluno(a), neste capítulo, trataremos de abordar uma importantíssima Abordagem da Psico-
logia, que é a Psicanálise: o inconsciente de Sigmund Freud e seus seguidores. Vamos iniciar a discussão?

8.1 O Surgimento da Psicanálise

A Psicanálise nasce com Sigmund Freud o paciente humano e resolveu observar mais aten-
(1856-1939), na Áustria, a partir da prática médi- tamente as reações dos sintomas, catalogando-os
ca, recuperando para a Psicologia a importância e classificando-os, de acordo com o que acompa-
da afetividade e do inconsciente como objetos de nhava. Tanto a hipnose quanto o método de asso-
estudo, quebrando a tradição da Psicologia como ciação livre, assim como a análise de sonhos, fazia
foco de uma ciência com ênfase na consciência e parte de sua metodologia de interpretação. Clini-
razão. A contribuição dessa abordagem é compa- cou durante um vasto período e seus principais
rada a de Karl Marx, na importância da compreen- clientes traziam queixas que não eram possíveis de
são dos processos humanos, sociais e históricos, curar apenas com a medicina usual ou mesmo pela
com investigação aprofundada e sistematizada, compreensão do discurso prévio, o que fez com
conforme tendências crescentes daquela época. que Freud tomasse novos rumos como médico.
Para compreender a Psicanálise, é necessá- Utilizou o método catártico desenvolvido por Josef
rio entender o homem por detrás da vasta teoria Breuer, isto é, um “tratamento que possibilita a libe-
do inconsciente, o próprio Freud, o qual teve sua ração de afetos e emoções ligadas a acontecimen-
formação inicial, em 1881, em Medicina na Univer- tos traumáticos que não puderam ser expressos na
sidade de Viena, onde a posteriori especializou-se ocasião da vivência desagradável ou dolorosa, le-
em Psiquiatria. Trabalhou em fisiologia e em neuro- vando à eliminação dos sintomas.” (BOCK, 1996, p.
patologia no Instituto onde desenvolveu pesquisas 72). Ao descobrir o inconsciente, instância psíquica
acadêmicas e clínicas, juntamente com outro mé- que abarca conteúdos reprimidos, uma vez dolo-
dico, Breuer. Em seguida, já em Paris, com uma bol- rosos e responsáveis pela origem de um sintoma,
sa de estudos, trabalhou com outro psiquiatra re- Freud, substituindo o método catártico, denomina
nomado, o francês Jean Charcot, e, conjuntamente, de Psicanálise o método de investigação e de cura.
desenvolveram um importante método de análise: Isso porque considerava que o sintoma de um pa-
a hipnose para tratamento de histerias. ciente era uma reação de defesa ao conteúdo de
A sociedade da época era extremamente rí- dor reprimido, e se o indivíduo se apercebesse des-
gida e preconceituosa; fazia com que as pessoas se mecanismo, poderia ser curado, conforme pes-
reprimissem seus problemas e os somatizassem quisas e acompanhamento de casos clínicos com
em grande escala, com profunda dor. Freud perce- inúmeros pacientes. Assim, a interpretação é o mé-
beu que seus conhecimentos de Medicina não es- todo psicanalítico utilizado para elucidar e buscar
tavam mais dando conta de analisar devidamente compreender os sintomas manifestados pelos indi-
víduos e, numa esfera mais ampla, pela sociedade.
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8.2 Principais Conceitos da Psicanálise

natos) como manifestações dos proces-


Atenção sos inconscientes;
A questão da normalidade sempre será g) mecanismos de defesa do ego: introje-
relativa, pois dependerá do grau das pa- ção (o indivíduo assimila conteúdos do
tologias, em outras palavras, do como e meio), projeção (o indivíduo coloca no
do quanto os mecanismos de defesas uti- meio o seu repertório ou material re-
lizados por uma pessoa contribuem para primido/dolorido), recalque (supressão
ou a afastam do desenvolvimento salutar, da realidade, formação reativa: o desejo
adequado ao seu ciclo de vida e às suas tomando nova direção como forma de
potencialidades. Claro que quanto mais a
evitação), regressão (o indivíduo retor-
pessoa puder ter consciência de suas de-
na a etapas anteriores de seu desenvol-
fesas, seus receios, mais saudável será a
sua vida e convivência. vimento como tentativa de evitação ao
obstáculo pressentido), racionalização
São os seguintes: (intelectualizar ao invés de se dar conta
da(o) emoção/desejo reprimida(o), difi-
culdade), atos falhos (enganos compor-
a) primeira Teoria do Aparelho Psíquico:
tamentais e discurso involuntário como
consciente – pré/consciente e incons-
escape do inconsciente, para trazer à
ciente. Freud descobre pelo método de
tona a realidade intrapsíquica);
investigação de seus pacientes que o
h) a teoria da libido e a sua manifestação:
inconsciente era o depositário de com-
a energia vital/sexual surge de formas
ponentes emocionais reprimidos, o que
diferenciadas, de acordo com as fases
causava sofrimento e que fazia acontecer
evolutivas do indivíduo/desenvolvimen-
o surgimento de sintomas indesejáveis;
to psicossexual – fase oral (a zona de
b) segunda e mais importante Teoria do
erotização é a boca), fase anal (a zona de
Aparelho Psíquico: id (inconsciente), ego
erotização é o ânus), fase fálica (a zona
(mediador) e superego (sensor do apare-
de erotização é o órgão sexual), fase de
lho psíquico). O equilíbrio e a cura do in-
latência (período de reflexões e de trans-
divíduo dependeriam da capacidade do
formações orgânicas e psíquicas) e fase
indivíduo de tomar consciência de seu
genital (a zona de erotização se dá nas
inconsciente e a Psicanálise seria uma
relações com o outro, a partir da adoles-
forma de devolver a saúde psicológica e
cência propriamente dita).
emocional para o sujeito;
c) métodos de associações livres: análise
Freud ocupou-se em analisar exaustivamente
dos conteúdos trazidos para as sessões
o indivíduo, com uma profundidade e intensidade,
de análises (semelhantes aos utilizados
o que deu origem a toda a sua vasta teoria, tida até
em entrevistas a jornalistas; por exemplo,
hoje como uma das mais completas e complexas
o sujeito tem que associar palavras de
nas Psicologias adotadas até a atualidade. Vemos
seu repertório às ditas pelo analista);
que todos os psicólogos se preocupam em citá-lo.
d) método catártico: o analista interpreta os Fundam suas novas teorias apropriando-se de vá-
dados do paciente e explora conteúdos rios conceitos desse importante mestre de referên-
trazidos de forma involuntária por meio cia, considerado o “pai” da Psicanálise.
da hipnose e análise de sonhos;
Entre os conceitos desenvolvidos pela Psica-
e) descoberta da sexualidade infantil; nálise, embora alguns já tenham sido discutidos,
f) as pulsões de vida (Eros) e de morte (Ta- ressaltamos os seguintes mecanismos de defesa:

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Psicologia Geral

ƒƒ A projeção: mecanismo de defesa mais ƒƒ A negação: como mecanismo de defesa,


comum e utilizado em inúmeras situa- a negação é a tentativa de não aceitar na
ções. É o ato de atribuir à outra pessoa realidade um fato que perturba o ego.
sentimentos ou intenções que se origi- Os adultos têm a tendência de “fantasiar”
nam em si próprio, a fim de evitar a amea- que certos acontecimentos não são da
ça de algo interno que não se pode ver e maneira que ocorrem, que na verdade
dar conta. Normalmente é uma falha na não aconteceram. Esse “voo” de fantasia
autocrítica e está a serviço de proteger a pode tomar várias formas, algumas das
autoestima da pessoa. Como exemplo: quais parecem absurdas ao observador
uma fofoqueira habitual, sempre se mos- objetivo. Imagine uma pessoa sendo
tra como alguém vulnerável, vítima de contratada para trabalhar com alguém
situações, de perseguições e falatórios, que lhe lembra um ex-chefe autoritário.
assim como de observações maldosas Essa pessoa sempre se mostrará insegu-
advindas de outrem. O projetor é alguém ra, dependente nas relações. Porém, não
incapaz de assumir responsabilidades e terá capacidade de enxergar a confusão
normalmente o faz por insegurança ou que está fazendo, para não admitir publi-
mesmo infantilidade. A projeção é um camente que teve problemas anteriores
mecanismo muito utilizado quando se com chefias, a fim de não colocar seu em-
sente medo e não se pode encarar a ver- prego em risco.
dade, sendo mais fácil culpar outrem, a
fim de ocultar-se, evitando maior conflito
Por vezes, todo o indivíduo, quando se en-
emocional e dor;
contra diante de um momento de extremo desafio
ƒƒ A introjeção: o introjetor é incapaz de de suas potencialidades e se sente inseguro de dar
separar o que é de si mesmo e o que é uma boa solução, pode vir a adotar atitudes regres-
do outro; na verdade, toma como seu o sivas, apresentando um comportamento de esqui-
que vem de fora, “engolindo” sem refletir va e dando respostas menos apropriadas às exi-
e sem relutância. Como exemplo, supo- gências do meio, até reencontrar encorajamento
nhamos que uma pessoa cresceu sendo para enfrentar a nova situação. Isso acontece, por
maltratada e sempre humilhada. Mesmo exemplo, quando se é recém-promovido e ainda
em fase adulta, tendo até uma posição se adota um comportamento anterior, das antigas
de prestígio, pode sempre experimentar funções, até se sentir mais seguro para as novas so-
a sensação de humilhação iminente, sem licitações exigidas pelo trabalho.
motivos reais. No fundo, tomou como
A Psicanálise de Freud retratou exaustiva-
propriedade sua a questão da desvalori-
mente a questão da necessidade que o ego huma-
zação, vivida lá na primeira infância;
no tem de sempre encontrar formas de lidar com a
realidade, desenvolvendo máscaras, subterfúgios,
Saiba mais
para, de certa forma, evitar o impacto às suas for-
Pessoas que são muito suscetíveis às mas mais espontâneas de ser. Pois, certo é, e de
introjeções são muito mais propensas ordem geral, que o ambiente externo, as relações
a adotar atitudes que veem em perso- humanas são sempre revestidas de elementos
nagens de filmes e sair por aí fazendo o ameaçadores, o que pode pôr em risco as funções
mesmo; e é exatamente por isso que os
pais precisam ficar atentos e não deixa-
do psiquismo humano. Se não houvesse os meca-
rem seus filhos excessivamente expos- nismos de defesa, todos estariam muito expostos
tos aos gêneros mais agressivos e nega- aos inúmeros perigos advindos do meio ambiente,
tivos, pois estes poderão servir-lhes de o que supostamente geraria um grau insuportável
modelo de conduta. de frustrações e danos, dentro da perspectiva de
“saúde mental”.

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Podemos dizer que a questão da normalida- Todas as correntes psicológicas são unânimes
de sempre será relativa, pois dependerá do grau em afirmar e observar que a angústia e o sofrimen-
das patologias; em outras palavras, do como e do to humanos são condições presentes na realidade
quanto os mecanismos de defesas utilizados por e atuam no psiquismo para encontrarem resistên-
uma pessoa contribuem para ou a afastam do de- cias e, ao mesmo tempo, contribuírem na geração
senvolvimento salutar, adequado ao seu ciclo de de recursos que capacitem o ser a evoluir na busca
vida e às suas potencialidades. Claro que quanto de renovadas soluções de impasses e problemas.
mais a pessoa puder ter consciência de suas de- Sem tais desafios, a vida seria algo sem sentido e
fesas, seus receios, mais saudável será a sua vida e invariável.
convivência.

8.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos a Psicanálise e vimos que se trata de uma rica aborda-
gem psicológica, onde Freud recuperou a importância da afetividade, do inconsciente como objeto de
estudo. Pudemos conhecer os principais procedimentos utilizados por Freud para abordar seus pacien-
tes (a hipnose e o método de associação livre; assim como a análise de sonhos). Estudamos os principais
conceitos da Psicanálise, tais como: consciente, pré/consciente e inconsciente, que posteriormente fun-
damentaram a segunda e mais importante teoria freudiana (id/ego/superego). Tratamos de compreen-
der as pulsões de vida (Eros) e as de morte (Tanatos) no funcionamento do psiquismo humano. Estuda-
mos as fases evolutivas do desenvolvimento psicossexual e compreendemos que a libido(energia sexual)
tem diferentes manifestações, em cada período do crescimento humano (fase oral, fase anal, fase fálica,
fase de latência e fase genital). Vimos, também, os principais mecanismos de defesa (projeção, introjeção,
negação, recalque, regressão e racionalização). Tratamos principalmente de compreender o porquê da
Psicanálise ser tida como teoria de referência para tantas outras abordagens psicológicas.

8.4 Atividades Proposta

1. Abordagem que recuperou para a Psicologia a importância da afetividade e do inconsciente


como objeto de estudo, quebrando a tradição da Psicologia como foco de uma ciência com
ênfase na consciência e razão. À qual abordagem estamos nos referindo?

2. Qual é a instância Psíquica que funciona como sensor do aparelho psíquico, segundo Freud?

3. Como é conhecido o mecanismo de defesa mais comum e utilizado em inúmeras situações,


no qual existe o ato de atribuir à outra pessoa, sentimentos ou intenções que se originam em
si próprio, a fim de evitar a ameaça de algo interno que não se pode ver e dar conta?

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9 A PSICOLOGIA SÓCIO-HISTÓRICA DE
VYGOTSKY

Caro(a) aluno(a), neste capítulo, trataremos de estudar a Psicologia Sócio-Histórica de Vygotsky.


Vamos iniciar a discussão?

9.1 O Surgimento da Abordagem com Vygotsky

Essa abordagem surge na ex-União Soviéti- Vygotsky buscou “construir uma Psicologia
ca, com influência da Revolução de 1917 e a teoria que superasse as tradições positivistas e pudes-
marxista. Ganha força no Ocidente, por volta dos se abarcar o homem e seu mundo psíquico como
anos 70, tornando-se referência para a Psicologia uma construção histórica e social da humanidade.”
do Desenvolvimento, a Psicologia Social e a Educa- (BOCK, 1996, p. 86).
ção, propriamente ditas.

9.2 Principais Conceitos

ƒƒ O organismo humano não possui matu-


Atenção ração independente para atingir funções
A concepção humana e social do homem superiores;
tem contribuído para elucidar os aspectos ƒƒ Tanto a linguagem quanto o pensamen-
mais complexos da natureza e possibili- to humano têm origem no contexto so-
dades de aprendizagens humanas, den- cial;
tro de divergências culturais, ampliando a
compreensão e o respeito cuidadoso que
Saiba mais
se deve ter em se tratando das concep-
ções do homem e todas suas correlações
(essenciais e existenciais). Se formos incentivados culturalmente a
ler, a ter uma atitude reflexiva e crítica,
desde tenra idade, de forma contínua e
crescente, a partir da própria postura de
As funções superiores do homem e suas
nossos familiares, amigos, educadores
compreensões não podem ser atingidas pelo sim- e colegas de trabalho, muito provavel-
ples estudo animal, pois os animais não possuem mente teremos a oportunidade de su-
vida social e cultural: perarmos muitos limites individuais.

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ƒƒ Para se compreender e explicar as fun- Vygotsky vem sendo estudado por outros
ções superiores do homem, é necessário teóricos e, no Brasil, tem influenciado diretamen-
integrá-los aos aspectos da cultura; te a Educação, desde a década de 1980, o que tem
ƒƒ Existe uma unidade entre consciência e possibilitado uma construção de uma Psicologia
comportamento, que deve ser integrada Social mais crítica e significativa, uma vez que am-
pela Psicologia Humana e Social; plia e aprofunda a visão humana e social do ser hu-
ƒƒ Os fenômenos são processos em cons- mano, de forma diferenciada. Sem dúvida, sua rica
tante transformação; concepção humana e social do homem tem contri-
buído para elucidar os aspectos mais complexos da
ƒƒ A natureza e o homem estão diretamen-
natureza e possibilidades de aprendizagens huma-
te ligados, um transformando o outro
nas, dentro de divergências culturais, ampliando a
concomitantemente;
compreensão e o respeito cuidadoso que se deve
ƒƒ O conhecimento deve ser construído por ter em se tratando das concepções do homem e
meio de um rastreamento da evolução todas as suas correlações (essenciais e existenciais).
dos fenômenos;
ƒƒ É a vida que um homem tem que deter-
mina a sua consciência.

9.3 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos a Psicologia Sócio-Histórica de Vygotsky, e vimos que
se trata de uma abordagem que surgiu na ex-União Soviética, com forte influência da teoria marxista,
ganhando força nos anos 70 e tornando-se referência para a Psicologia do Desenvolvimento, à Psicologia
Social e à Educação. Conhecemos os principais conceitos dessa abordagem, sendo que cada um deles,
essencialmente, revela as funções superiores do homem e suas compreensões dentro de um contexto
sócio-histórico-cultural.

9.4 Atividades Propostas

1. Trata-se de uma Abordagem Psicológica que surgiu na ex-União Soviética, com influência da
Revolução de 1917 e a teoria marxista. De qual abordagem estamos tratando?

2. Algumas funções no homem e suas compreensões não podem ser atingidas pelo simples
estudo animal, pois os animais não possuem vida social e cultural. A quais funções Vygotsky
se referia?

3. Para a Psicologia Sócio-Histórica, tanto a linguagem quanto o pensamento humano têm ori-
gem em qual contexto?

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10 A PSICOLOGIA INSTITUCIONAL E OS TIPOS
DE AGRUPAMENTOS HUMANOS

Caro(a) aluno(a), neste capítulo, trataremos lação, desde o surgimento dos primeiros embriões
de estudar a Psicologia Institucional e os Tipos de humanos, como dita a própria história do homem
Agrupamentos Humanos. Vamos iniciar a discus- e de sua humanidade.
são? A natureza sociável o é por ter o homem a
O ser humano é um ser social para os psicó- habilidade para o ajustamento criativo, natural e
logos existencialistas, e concebê-lo de forma exis- original, dependendo de fatores atrelados às per-
tencialista e sistêmica é urgente, uma vez que toda sonalidades de cada um e aprendizagens, tal como
a natureza humana se inicia a partir da própria re- estilos de vida.

10.1 Tipos de Grupos

São tipos de grupos: a) primários: a famí- O indivíduo transfere para os grupos de or-
lia; b) secundários: amigos da escola, grupos mais dem secundária e terciária os seus padrões apren-
próximos e trabalho; c) terciários: os grupos como didos e projeta expectativas, de acordo com sua
associações em clubes, times, seitas, por objetivos mobilização ou, o contrário, suas resistências/difi-
outros, mais esporádicos. culdades de pertencimento e cooperação.

10.2 Como Evoluem os Grupos de Trabalho

Estudos têm indicado, desde Kurt Lewin Tem-se observado que quanto mais integra-
(1890-1947), que o ser humano primeiramente se dos forem os grupos, mais sucessos estarão desti-
agrega por um objetivo comum (grupo) e, à medi- nados a ter em suas tarefas/objetivos, pois favore-
da que fica estabelecida uma divisão de tarefas e cerão as atitudes conhecidas como “um por todos e
um maior envolvimento entre seus membros, esse todos por um”, fundamental no mundo das comu-
agrupamento recebe uma nova forma, mais coesa nicações e relações humanas em geral, inclusive.
(equipe), que pode ou não se aperfeiçoar nas redes
de cooperação e intimidades, fazendo, assim, surgir
a autonomia e a interdependência fluida, criativa,
entre todos os participantes, atingindo uma confi-
guração quase que infalível, indestrutível (time).

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10.3 Psicologia Institucional e Processo Grupal

atividade – que pode ser assistir à aula de inglês


Atenção ou realizar nova tarefa no trabalho (que, provavel-
Pode-se dizer que, de certa maneira, os mente, envolverá mais de uma pessoa). Pensamos
pesquisadores do final do século XIX fo- no nosso namoro, em nossa família. Raramente,
ram influenciados pela Revolução Fran- encontraremos uma pessoa que viva completa-
cesa e, mais precisamente, pelo impacto mente isolada; mesmo o mais asceta dos eremitas
que causou nos pensadores do século levará, para o exílio voluntário, suas lembranças,
XVIII (como foi o caso de Hegel). Os pes-
seu conhecimento, sua cultura. Por encontrarmos
quisadores se perguntavam o que teria
sido capaz de mobilizar tamanho contin- determinantes sociais em qualquer circunstância
gente humano, como o que fora mobi- humana, podemos afirmar que toda Psicologia é,
lizado durante essa revolução. O que se no fundo, uma Psicologia Social.
perguntava no campo da Psicologia era Talvez seja por isso que nossas vidas encon-
o que levaria uma multidão a seguir a
tram sempre certa regularidade, que é necessária
orientação de um líder mesmo que, para
para a vida em grupo. As pessoas precisam com-
isso, fosse preciso colocar em risco a pró-
pria vida. binar algumas regras para viverem juntas. Se esti-
ver num ponto de ônibus, às sete horas da manhã,
eu preciso ter alguma certeza de que o transporte
A nossa vida cotidiana é demarcada pela vida
aguardado passará por ali mais ou menos nesse
em grupo. Estamos o tempo todo nos relacionan-
horário. Alguém combinou isso com o motorista. A
do com outras pessoas. Mesmo quando ficamos
essa regularidade entre outras, chamamos de insti-
sozinhos, a referência de nossos devaneios são os
tucionalização.
outros: pensamos em nossos amigos, na próxima

10.4 O Processo de Institucionalização

Este processo, de acordo com Berger e Pode-se dizer que um hábito se estabelece
Luckmann – autores muito usados para quando uma dessas formas repete-se mui-
definir como se dá a construção social tas vezes. (BOCK, 1996, p. 215-216).
da nossa realidade – começa com o esta-
belecimento de regularidades compor-
tamentais. As pessoas vão, aos poucos,
descobrindo formas mais rápidas, simples
e econômicas de desempenhar as tarefas
do cotidiano. Vamos imaginar o homem
primitivo: no momento em que começou
a ter consciência da realidade que o cerca-
va, ele passou a estabelecer essas regula-
ridades. Um grupo social que vivesse, fun-
damentalmente, da pesca, estabeleceria
formas práticas que garantissem a maior
eficiência possível na realização da tarefa.

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Psicologia Geral

10.5 Instituições, Organizações e Grupos

A instituição é um valor, ou regra social re- mento, como uma creche de uma entida-
produzida no cotidiano com estatuto de de filantrópica. As instituições sociais serão
verdade, que serve como guia básico de mantidas e reproduzidas nas organizações.
comportamento e de padrão ético para as Portanto, a organização é o pólo prático
pessoas, em geral. A instituição é o que mais das instituições. O elemento que completa
se reproduz e o que menos se percebe nas a dinâmica de construção social da realida-
relações sociais. Atravessam, de forma invi- de é o grupo – o lugar onde a instituição se
sível, todo tipo de organização social e toda realiza. Se a instituição constitui o campo
a relação de grupos sociais. Só recorremos dos valores e das regras (portanto, um cam-
claramente a estas regras quando, por qual- po abstrato), e se a organização é a forma
quer motivo, são quebradas ou desobede- de materialização destas regras através da
cidas. Se a instituição é o corpo de regras e produção social, o grupo, por sua vez, reali-
valores, a base concreta da sociedade é a za as regras e promove os valores. O grupo
organização. As organizações, entendidas é o sujeito que reproduz e que, em outras
aqui de forma substantiva, representam o oportunidades, reformula tais regras. É tam-
aparato que reproduz o quadro de institui- bém o sujeito responsável pela produção
ções no cotidiano da sociedade. A organiza- dentro das organizações e pela singulari-
ção pode ser um Ministério da Saúde; uma dade – ora controlado, submetido de forma
Igreja, como a Católica; uma grande empre- acrítica a essas regras e valores, ora sujeito
sa, como a Volkswagen do Brasil; ou pode da transformação, de rebeldia, da produção
estar reduzida a um pequeno estabeleci- do novo. (BOCK, 1996, p. 217).

10.6 A Importância do Estudo dos Grupos na Psicologia

Psicologia das Multidões. Um dos primei-


Saiba mais ros pesquisadores deste assunto foi Gustav
Lê Bom, autor de um conhecido tratado in-
titulado ‘Psicologia das Massas’ (Psicologie
Na atualidade, existem diferentes auto-
des Foules, no francês). Pode-se dizer que,
res, em diversos campos das ciências de certa maneira, os pesquisadores do fi-
humanas e sociais, abordando o estudo nal do século XIX foram influenciados pela
de grupos e suas manifestações tribais. Revolução Francesa e, mais precisamente,
Temos assistido a um aumento de bus- pelo impacto que causou nos pensadores
cas por preferências, hábitos, crenças do século XVIII (como foi o caso de Hegel).
e valores cada vez mais segmentados, Os pesquisadores se perguntavam o que
e, com isso, a um crescimento propor- teria sido capaz de mobilizar tamanho con-
cional em buscar referências grupais tingente humano, como o que fora mobili-
compatíveis, de pertencimento, nessas zado durante essa revolução. O que se per-
particularidades. Esse fenômeno pode guntava no campo da Psicologia era o que
ser observado nas redes sociais e o Fa- levaria uma multidão a seguir a orientação
cebook é um dos exemplos. de um líder mesmo que, para isso, fosse
preciso colocar em risco a própria vida.
Qual fenômeno psicológico possibilitaria
Quando falamos em grupos, estamos a coesão das massas. Estas perguntas não
abordando um tema que, de certa forma, eram descabidas como, infelizmente, foi
é o tema fundante da Psicologia Social. Os possível observar durante o processo de
primeiros estudos sobre os grupos foram ascensão do governo do 3º Reich – Adolf
realizados no final do século XIX pela en- Hitler – na década de 30. Este triste episó-
tão denominada Psicologia das Massas ou dio, que levou o mundo à 2ª Grande Guerra

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(de 1939 a 1945), exemplificou as possibili- tencialista e sistêmica é urgente, uma vez que toda
dades de manipulação das massas. (BOCK, a natureza humana se inicia a partir da própria re-
1996, p. 218).
lação, desde o surgimento dos primeiros embriões
humanos, como dita a própria história do homem
O ser humano é um ser social para os psicó- e de sua humanidade.
logos existencialistas, e concebê-lo de forma exis-

10.7 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos a psicologia Institucional e os diferentes tipos de agru-
pamentos humanos; e descobrimos como evoluem os grupos no trabalho, conforme a visão de Kurt
Lewin.

10.8 Atividades Propostas

1. Existe uma natureza no homem na qual há a habilidade para o ajustamento criativo, natural e
original, dependendo de fatores atrelados às personalidades de cada um e aprendizagens, tal
como estilos de vida. A qual tipo de natureza nos referimos?

2. Para Lewin, existe uma forma de configuração grupal na qual impera a autonomia e a inter-
dependência fluida, criativa, entre todos os participantes, atingindo uma configuração quase
que infalível, indestrutível. Como é denominada essa configuração grupal?

3. Quando falamos em grupos, estamos abordando um tema que, de certa forma, é o tema fun-
dante de qual especialidade da Psicologia?

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11 FEEDBACKS & ASSERTIVIDADE

11.1 Dar e Receber Feedbacks

Dar e receber feedbacks são um dos proces- de diversas ordens, tais como: até onde estou dis-
sos mais importantes e difíceis no campo das co- posto a expor o que verdadeiramente sou e até
municações. As empresas solicitam a colaboração onde o outro está disposto a ser, na relação comi-
de treinadores para tal e, normalmente, fazem-no go, ele mesmo?
com a ajuda de psicólogos, em seus treinamentos, Entre a comunicação de pares já é difícil a re-
uma vez que é sempre dificultoso o processo delação e a boa comunicação. Muito mais, então, em
externalização de verdadeiros sentimentos e ideias
um grupo de trabalho, no qual existem os elemen-
que temos dos outros, assim como de nós mesmos.
tos da competição, dos ciúmes, das invejas, das ma-
As perguntas que não conseguem calar são nipulações e das pressões de diferentes elementos.

11.2 A Importância de Carl Rogers

Um importante psicólogo foi Rogers (1902), O valor dos relacionamentos sempre teve um
que descreveu três qualidades importantes para o enorme enfoque nas obras desse psicólogo, pois,
feedback: a congruência, a empatia e a considera- segundo constatou pela sua vasta experiência clíni-
ção positiva. Rogers acreditava que o crescimento ca e com grupos, é na relação que brota a oportuni-
pessoal seria facilitado quando se encorajasse a dade de se funcionar por inteiro (expandindo o self
pessoa a ser autêntica, dissolvendo as máscaras e e a consciência melhor de si entre o mundo), sendo
podendo lidar mais abertamente com os sentimen- a comunicação dos sentimentos muito facilitadora
tos presentes, no momento. Para ele, a consistência para esse processo de descobertas e aperfeiçoa-
da congruência psíquica era de suma importância mentos constantes, para o ser melhor existir.
para a busca da autorrealização; o que poderia en-
Segundo o próprio Rogers, as pessoas são
tão ser facilitado nas relações humanas seriam as
singulares, possuem diferentes personalidades e
formas de redução, minimização das incongruên-
formas de agir. Cada relação suscita diferentes sen-
cias, das dissonâncias, assim como da não aceitação
do outro, tal como ele é. Defendeu enormemente sações e nos leva a diversificados modos de atua-
o poder das forças positivas em direção à saúde e ção. Uma das coisas mais complexas é saber ouvir
ao crescimento, apontando esses aspectos como exatamente o que o outro quer dizer, sem colocar
sendo naturais e inerentes ao organismo, trazendo as nossas impressões e sentimentos. Quem o sabe
uma concepção bastante positiva para a visão do fazer bem, costuma ser feliz em dar autênticos
humano, quando inserido em contextos favoráveis, feedbacks, pois saberá espelhar exatamente o que
enriquecedores do melhor potencial humano. percebe como verdadeiro, vindo do outro. Rogers

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bem apontou essas preciosidades, com sua atitude posição para o inter-relacionamento e a autoesti-
e pesquisa que enalteceram o respeito ao outro, as- ma, concomitantemente.
sim como a si mesmo. Podemos afirmar que o feedback positivo é
Necessitamos, em diferentes áreas de atua- aquele que inicialmente enumera os fatores po-
ção, saber escolher o momento oportuno de dizer, sitivos e depois, num crescente, discursa sobre as
de dar uma declaração, uma opinião sobre algo ou dificuldades, dando dicas e orientações, pois, nor-
alguém. Será necessário ter uma boa autoconscien- malmente, um bom líder saberá reconhecer-se no
tização, ao invés de inúmeros pontos cegos. Aque- mesmo processo e, certamente, levantará elemen-
le que reúne um bom número de pontos cegos tos pertinentes e adequados, a fim de facilitar e tor-
normalmente se vê impossibilitado de reconhecer nar mais possível o caminho de seu orientando.
seus erros, de aceitar as sugestões e orientações de Nas relações humanas e grupais, é indispen-
outros, pois sempre encontrará resistência interna, sável uma atitude de abertura para mudanças po-
evitando transformar-se e crescer. sitivas, em que haja sinergia entre cada pessoa e
No trabalho em diferentes organizações e na elemento envolvido. Essa atitude é muito valoriza-
prestação de serviços, em geral, cada vez é mais co- da em um momento de seleção, por exemplo, haja
mum a necessidade de pessoas e líderes hábeis em vista que, hoje em dia, é fundamental que saibamos
feedbacks. Essa habilidade envolve uma apurada trabalhar, e bem, com diferentes pessoas e segmen-
percepção sensorial e contextual, uma boa predis- tos.

11.3 Assertividade

blema; é a maneira pela qual se sobressai, prontifi-


Atenção ca-se, sendo capaz de reunir força, dando conta da
O assertivo é capaz de transformar-se e questão, na sua melhor performance (motivação,
de transformar a comunicação de forma centragem de energia, consciência de si, dos outros
positiva, criativa e favorável, pois vê o e boa percepção).
todo e, no fundo, almeja que a solução A assertividade é uma atitude que deve ser
englobe de forma satisfatória a situação cultivada pela pessoa, é uma habilidade poderosa
total e o outro envolvido. Dizemos que a
nas comunicações humanas, pois cada vez mais
atitude assertiva é oposta à atitude agres-
necessitamos ser espontâneos, verdadeiros, justos
siva, uma vez que existe, no primeiro
caso, o respeito, a verdadeira intenção de e positivos ao lidar com questões relacionais com-
incluir todos os fatores da situação de for- plexas. O estado de ser assertivo é capaz de abrir
ma positiva, saudável, justa e verdadeira. portas e dar luz às situações mais nebulosas que
enfrentamos.

Um exemplo: a pessoa assertiva é capaz de
Questão de atitude: ser assertivo é ter a possi-
ver além das aparências, pois é capaz de empatizar-
bilidade de asserção, ou seja, estar suficientemente
-se com os outros, considerando a totalidade dos
engajado e de prontidão adequada para fazer valer-
fatos e das sutilezas que emanam das emoções das
-se com positividade, em uma dada situação. A pes-
pessoas. Numa discussão dentro do trabalho, quan-
soa que se comporta assertivamente sempre está
do duas pessoas estão entrando em agressões ver-
“antenada” na situação como um todo, tem a ca-
bais, quem tem a possibilidade de ser assertivo é o
pacidade de ter a melhor síntese da compreensão
primeiro que começa a encontrar melhores formas
do contexto daquela situação em que se encontra
de utilizar palavras mais amenas, tentando suavizar
estreitamente envolvida. Além disso, essa pessoa
a gradação forte da discussão. Começa até utilizan-
está inteiramente centrada e disponível para dar a
do uma boa dose de jogo de cintura, de humor,
melhor resposta, tendo a melhor solução do pro-
desculpa-se pela parte que lhe cabe, e é suficiente-

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Psicologia Geral

mente verdadeiro e autêntico, a ponto de reconhe- inteligência emocional, carisma, espontaneidade,


cer sua parte de erro, de falha, de modo a iniciar um poder de boa sedução, veracidade, franqueza, sa-
processo de reconciliação. gacidade, poder de persuasão e de inclusão de di-
O assertivo é capaz de transformar-se e de ferenças. Ser assertivo é na verdade tudo isso, pois
transformar a comunicação de forma positiva, cria- é ser capaz de “dar conta da tarefa” da melhor for-
tiva e favorável, pois vê o todo e, no fundo, almeja ma, é ser confiante e ser um verdadeiro vencedor
que a solução englobe de forma satisfatória a situa- na luta por dignidade, respeito, amor, liberdade de
ção total e o outro envolvido. Dizemos que a atitu- expressão, e, também, considerar, no bom sentido,
de assertiva é oposta à atitude agressiva, uma vez os outros é condição, intenção.
que existe, no primeiro caso, o respeito, a verdadei- A pessoa assertiva sempre é capaz de ser mais
ra intenção de incluir todos os fatores da situação bem-sucedida, pois os instrumentos que utiliza são
de forma positiva, saudável, justa e verdadeira. os positivos. É quem sempre olha por onde existe o
No exemplo acima, podemos imaginar que o lado bom, o ganho, o saudável, o mais adequado, o
agressivo ficou em desvantagem mediante a força melhor para todos. Assim sendo, é um otimista, que
da boa vontade e da boa performance de comuni- otimiza as comunicações e as relações humanas. O
cação do assertivo. É o que normalmente acontece, mundo dos negócios passa a ter um colorido dife-
pois toda vez que nos encontramos de mau humor, rente, repleto de gentilezas, de amorosidade e de
somos capazes de cometer os maiores desatinos e esperanças. As atitudes assertivas são capazes de
sermos inadequados, utilizando a polaridade opos- reverter situações muito complicadas, pois partem
ta de nossa natureza, a assertividade. do que é óbvio, simples e redirecionam o que pare-
cia tumultuado.
Todo ser humano é agressivo e assertivo por
natureza. De acordo com a situação, com a perso- Para facilitar a discriminação do que é uma
nalidade, com o momento e, principalmente, com atitude assertiva e do que seria uma atitude agres-
o exercício do autoconhecimento, do autocontrole, siva, tomemos, por exemplo, um jogo de futebol: o
somos capazes de melhorarmos nossos contatos assertivo vai jogar querendo compor a jogada, fa-
humanos, desenvolvermo-nos e percebermos que, zendo passes, colaborando e, na hora certa, saberá
com atitudes mais positivas, verdadeiras, cooperati- se utilizar de seus talentos, fazendo o gol. O agressi-
vas e bem-humoradas, fazemos valer nossas poten- vo não vai ficar reclamando o tempo todo dos pas-
cialidades, nossos anseios, desejos e nossas neces- ses errados dos colegas, não vai querer colaborar,
sidades e sabemos dar voz ao mesmo grito calado ficará somente em sua posição, não mostrará flexi-
de nossos semelhantes. bilidade e nem disponibilidade para respeitar e tor-
nar o jogo mais leve. A diferença é clara: o assertivo
Na Psicologia existem inúmeros estudos e re-
torna as coisas mais felizes e possíveis de um bom
latos de que a face oculta da agressão é a frustração
desfecho, ao passo que o agressivo quer mais é ver
de não ser compreendido, incluído, nem ao menos
“o circo pegar fogo” e, ainda, encontrar um culpado.
convidado para ser diferente. Alguém sempre pode
Parece que a possibilidade de se responsabilizar e
e quer dar o primeiro passo. Se o seu amigo está
de reverter uma situação é uma forte característica
agressivo, convide sua face oculta assertiva.
que o assertivo tem que o torna mais bem prepara-
No mundo profissional vence o que tem do para lidar com as dificuldades na vida.
maior habilidade verbal, simpatia, jogo de cintura,

11.4 A Consciência da Agressividade Gera o Comportamento Assertivo

A partir do momento que alguém tem cons- Segundo os mais especializados psicólogos
ciência da sua raiva, pode aprender a suspendê-la, e organizacionais da atualidade, o ser humano mais
este é o processo básico do comportamento asser- consciente de si é aquele que consegue ser asserti-
tivo, segundo especialistas que oferecem, hoje, trei- vo nas suas funções profissionais. Fará bom uso da
namentos empresariais para fomentar o tal controle sua energia vital, que é agressiva, tal como apon-
emocional necessário para as tomadas de decisões. tou Freud, entre outros, e poderá, então, lançar-se

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no meio, com deliberação e autonomia, exercen- consciência é que torna o indivíduo doentio e não
do a consciência de liberdade e limite, paulatina- a aceitação controlada, não atuada pura e instin-
mente, de acordo com as necessidades suas e do tivamente, segundo apontam diversas pesquisas
meio, inclusive. A supressão da agressividade sem contemporâneas.

11.5 Concepções Atuais e Científicas sobre Níveis de


Consciência das Emoções Positivas

Pesquisadores atuais do mundo das neuro- nal, mais autêntico, minimizando os aspectos que
ciências têm constatado mediante pesquisas e in- trazem à superfície traumas ou outras problemáti-
vestigações teóricas que, quanto mais o indivíduo cas das “resistências humanas”).
for feliz, maior a probabilidade de entusiasmar-se Segundo os neurocientistas, a felicidade faz
para ampliar a sua consciência de si e do mundo, com que as pessoas sejam mais tolerantes, mais
atualizando-se nas situações, de forma positiva, resistentes e mais autoconfiantes e se encorajem a
eficiente e assertiva. Dessa forma, prescrevem que atingir um maior autoconhecimento e aperfeiçoa-
a vida deva ser vivida com plenitude, apreensão mento, desde os caminhos da profundeza da alma
dos aspectos saudáveis atrelados à qualidade de humana até a coletividade, tornando, assim, a ex-
vida, como: família; contato com a natureza inte- pressividade dessa consciência uma fonte inesgo-
rior e exterior; relacionamentos humanos e sociais tável de vida prazerosa (hedonismo – princípio de
que favoreçam a expressividade do amor, carinho, prazer no qual se buscam os aspectos beneficentes
compaixão, solidariedade, dentre outros, como: da alegria, amor, dentre outras sensações que agu-
afeição por animais e crianças (uma vez que estes cem os sentidos, na melhor forma).
remetem as pessoas ao mundo natural e emocio-

11.6 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos a importância de ar e receber feedbacks; vimos também
as principais características do comportamento assertivo, tão valorizado atualmente nas organizações.

11.7 Atividades Propostas

1. Sabemos que é sempre dificultoso o processo de externalização de verdadeiros sentimentos


e ideias que temos dos outros, assim como de nós mesmos; e este é um dos processos mais
importantes e difíceis no campo das comunicações. A qual processo estamos nos referindo?

2. Rogers (1902) descreveu três qualidades importantes para o feedback. Quais são elas?

3. Como é definido o comportamento assertivo?

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12 DISTÚRBIOS CONTEMPORÂNEOS E
PREVENÇÕES POSSÍVEIS

12.1 A Normalidade Existe?

Se existisse, seria já uma acentuação da pró- to mais equilibrado for o indivíduo, mais ele será
pria neurose humana, sendo que não seria saudá- feliz em seus projetos, tanto os existenciais quanto
vel, propriamente dizendo. O que os psicólogos os de ordens sociais mais amplas, como já fora vis-
costumam considerar como funcionalidade é, em to anteriormente. Inúmeros são os fatores respon-
geral, a habilidade móvel de ajustamento do indi- sáveis pelo autoconhecimento e que favorecem,
víduo, de acordo com as circunstâncias todas (ne- ou não, o relacionamento do indivíduo com ele
cessidades individuais, grupais, sociais etc.). Quan- mesmo e com os outros.

12.2 Os Agravos Mentais/Transtornos das Personalidades

e perigosas ligadas aos distúrbios neuro-


Atenção lógicos/mentais, sendo que muitas vezes
pode se tratar de uma incapacitação do
Conhecendo elementos gerais da Psico- sentir (alexitimia);
logia, é possível antever problemas, tomar
c) as psicoses: doenças mentais graves,
atitudes de prevenção, desenvolvendo
nas quais o indivíduo não possui ne-
comportamentos que nos movam para
a busca de um melhor equilíbrio mental, nhum contato com a realidade, sofrendo
emocional, corporal e espiritual. de inúmeras alucinações e surtos, que
podem representar perigo para o outro
e o ambiente;
d) as esquizofrenias: são quadros mais
São: complexos, ligados às doenças da alma,
trazendo variações humorais e até le-
a) as neuroses: mais conhecidas como vando o indivíduo a experimentar cisões
manias, fobias repetitivas, que levam o comportamentais e de forte impacto
indivíduo a acentuar suas formas e me- emocional.
canismos de defesa ao agir, pois sempre
estará superocupando-se com o meio,
Na melhor das hipóteses, somos neuróticos?
deixando de ser ele mesmo;
Sim e não, como ditam inúmeros pesquisadores
b) as psicopatias: desvios de conduta, hu-
das áreas biológicas, humanas e sociais, o que nos
mor ou mesmo formas mais complexas

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Márcia Lilla

leva a constatação de que não devemos deixar de a nossa evolução no melhor sentido, a fim de pres-
investir em autoconhecimento e de sempre bus- tarmos os melhores serviços que escolhemos e os
carmos relações humanas e profissionais favorá- que nos são atribuídos, no decorrer cíclico de nos-
veis, saudáveis, para suprir, na melhor forma, os sas existências.
nossos campos internos, tornando possível, assim,

12.3 Os Transtornos Mentais Relacionados aos Trabalho

O mundo moderno é muito atribulado e as aos descuidos da autoconscientização de limites


solicitações são inúmeras, o que acarreta uma cres- acabam por manifestar diversos transtornos para a
cente demanda que torna crescente o surgimento saúde mental e emocional, afetando diretamente
de doenças relacionadas com o trabalho. As pres- o comportamento do indivíduo nas relações com
sões do mercado, as concorrências crescentes e os seus parceiros, chefes e até mesmo clientes, pre-
esmagadoras, as pressões familiares, as financei- judicando de forma cruel o bom desenvolvimento
ras, enfim, todas as variáveis externas somadas do trabalho.

12.4 Os Transtornos Modernos

a) as ansiedades incontroláveis: os pâ- os fracassos e erros inevitáveis, a falta de


nicos, geradores de impasses, medos uma salutar autoestima, problemas de
infundados e comportamentos de fuga, ordem hormonal atrelados aos fatores ci-
mesmo que não haja a concretude de tados anteriormente, são todos aspectos
perigo, mesmo que exista alguém por de uma energia desvitalizante que faz o
perto, o indivíduo fica imobilizado para indivíduo viver uma constante em seu re-
dar conta da realidade externa, pois vive baixamento de tônus vital;
fortemente o impacto de seus medos e c) transtornos bipolares: ora o indivíduo
ansiedades; está eufórico, ora depressivo, ora manía-
b) as depressões: as decepções mal resol- co e ora desvitalizado, e essas oscilações
vidas e acumuladas com o tempo, a falta são bastante acentuadas, levando a um
de alegria, de esperança, de oportuni- colapso psicológico/emocional e fisioló-
dade e de garra, a baixa tolerância para gico, com o tempo.

12.5 Promovendo a Cura e Aceitando os Limites

Algumas modernas organizações já perce- Estudos recentes têm comparado rendimen-


beram que um bom ambiente de trabalho ajuda tos profissionais com o grau de felicidade dos fun-
bastante, pois promove o bem-estar e propicia que cionários de uma empresa; outros estudos revelam
todos vivam uma busca constante de equilíbrio e que a saúde mental dos indivíduos está relaciona-
satisfação. Investem em salas equipadas com re- da com pressões financeiras e profissionais, dado o
cursos para descanso, meditação, ginástica, ioga e aumento da competitividade, da insegurança ad-
outros.

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Psicologia Geral

vinda do crescente desemprego, entre outros fato- atitudes de prevenção, desenvolvendo comporta-
res (separações, nascimento de mais um filho, gra- mentos que nos movam para a busca de um me-
videz indesejada, por exemplo). A ênfase maior e lhor equilíbrio mental, emocional, corporal e espi-
melhor sempre será a de prevenção, mas caso haja ritual. Estamos vivos para as relações humanas e
a identificação de problemas sérios, duradouros, o quanto melhores forem as trocas entre as pessoas,
indivíduo deverá ser devidamente recomendado/ promovendo respeito às diferenças, que somem e
encaminhado para acompanhamento psicotera- multipliquem bons recursos, melhor será a quali-
pêutico e/ou psiquiátrico. dade de vida e melhores serão os resultados.
Em suma, conhecendo elementos gerais da
Psicologia, é possível antever problemas, tomar

12.6 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo estudamos os principais distúrbios contemporâneos e discutimos


diversas formas de prevenção possíveis. Você conheceu, também, os transtornos mentais relacionados
ao trabalho, tais como: as ansiedades, entre outros.

12.7 Atividades Propostas

1. São mais conhecidas como manias, fobias repetitivas, que levam o indivíduo a acentuar suas
formas e mecanismos de defesa ao agir, pois sempre estará superocupando-se com o meio,
deixando de ser ele mesmo. De quais transtornos estamos tratando?

2. Defina as esquizofrenias.

3. Quando ora o indivíduo está eufórico, ora depressivo, ora maníaco e ora desvitalizado, e essas
oscilações são bastante acentuadas, levando a um colapso psicológico/emocional e fisiológi-
co, com o tempo, estamos nos referindo a qual transtorno moderno?

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13 AS PRINCIPAIS MEGATENDÊNCIAS

13.1 O Estudo das Megatendências

Cientistas renomados catalogaram 15 ten- uma era em que o poder cerebral e o conhecimen-
dências principais que moldarão o mundo e mui- to humano continuarão a substituir maquinário e
tos de nós já estamos vivenciando os efeitos de construções como o principal capital da sociedade.
inúmeras transformações. Sentimos o impacto A nova era também é de alternativas diversas. Para
como uma revolução que vem mudando nossas vi- aqueles com o novo conhecimento: um mundo de
das. Fazemos parte de uma geração que edita uma oportunidade. Para aqueles sem conhecimento, a
nova era pronta a oferecer uma opção ilimitada de perspectiva de desemprego, pobreza e desespero,
possibilidades. Para que todos nós possamos fa- na medida em que os antigos empregos desapare-
zer essas escolhas, e continuar fazendo-as durante cem e os antigos sistemas se desintegram.
toda a vida, basta compreender o escopo dessas O principal impulso desse estudo é a neces-
mudanças, ver seu potencial e agarrar as oportu- sidade urgente de novos métodos de aprendiza-
nidades. gem, caso se queira que a maioria das pessoas se
Países desenvolvidos já fizeram o salto de beneficie. Não só a nova geração, mas também os
uma sociedade industrial para a era de informação: adultos deverão ajustar-se às transformações.

13.2 A Era da Comunicação Instantânea

O mundo desenvolveu uma habilidade sur-


preendente de armazenar informações e torná-las
Atenção
instantaneamente disponíveis em diferentes for-
Conforme Neil Postman e Charles Wein- mas, para quase todo lugar. Essa habilidade revolu-
gartner, será necessário um novo tipo de cionará os negócios, a educação, a vida doméstica,
educação, um que prepare pessoas para o emprego, a administração, as mídias e, virtual-
a necessidade de novos padrões de defe- mente, tudo o mais que damos como certo. Nossos
sa, percepção, compreensão e avaliação. lares ressurgirão como centros vitais de aprendiza-
O mundo está se tornando uma gigan- gem, trabalho e entretenimento.
tesca troca de informações; um único
cabo de fibra ótica é capaz de transportar O impacto apenas dessa sentença transfor-
10 milhões de mensagens eletrônicas. mará nossas escolas, empresas, nossos shopping
centers, escritórios, cidades, de diversas formas, e
todo o nosso conceito de trabalho. A comunica-

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ção instantânea é a tecnologia dominante e essa padrões de defesa, percepção, compreensão e ava-
tendência aumentará cada vez mais a necessidade liação. O mundo está se tornando uma gigantesca
de se transformar pessoas, preparando-as para que troca de informações; um único cabo de fibra ótica
gostem de aprender e que aprendam tão bem que é capaz de transportar 10 milhões de mensagens
sejam capazes de aprender o que quer que precise eletrônicas. A velocidade das informações atrela-
ser aprendido. das ao mercado cada vez mais exigente faz com
Conforme Neil Postman e Charles Weingart- que haja a necessidade de pessoas mais estrutura-
ner, será necessário um novo tipo de educação, um das para rápidos processamentos de informações e
que prepare pessoas para a necessidade de novos perspicácia em manuseio de dados multifacetados.

13.3 Um Mundo sem Fronteiras Econômicas

Caminhamos, inevitavelmente, para um mun- O coautor de Megatrends, John Naisbitt, regis-


do em que a maioria do comércio será virtualmente tra uma economia global como sua principal previ-
irrestrita; e ignore as mudanças temporárias para são para as próximas décadas, quando a tendência
proteger o rendimento da agricultura em alguns dominante caminhará crescendo para que haja um
países. O gênio está fora da garrafa: a transferência livre comércio entre todos os países – globalização.
instantânea de dinheiro em todo o globo já alterou Os bens fundamentais de cada nação serão as ha-
a própria natureza das transações e do comércio bilidades de seus cidadãos: poder aprender novas
mundial. Em 1990, os mercados monetários mun- habilidades, sobretudo, no que se refere à defini-
diais negociaram US$ 114 trilhões em “capitais ele- ção de problemas, à criação de novas soluções e ao
trônicos”: quinze vezes o valor de outras transações. acréscimo de novos valores.

13.4 Três Passos para uma Economia Única

Embora as finanças internacionais tenham de terra, sem recursos naturais, mas com pessoas
estimulado o crescimento de uma economia mun- bem-educadas e empenhadas no trabalho, com a
dial única, três blocos comerciais ampliados são as ambição de participar da economia global.
pedras fundamentais: a Europa unificada, as Amé- Fator indicado para o sucesso seria o de par-
ricas e a orla do Pacífico Asiático. ticipação para a prosperidade, na qual as próprias
Suíça, Cingapura, Taiwan, Coreia do Sul e pessoas funcionassem como meios verdadeiros e
Japão são caracterizados por pequenas massas únicos na geração de riquezas.

13.5 A Nova Sociedade de Serviços

Peter Drucker, Naisbitt, Ohmae, Reich e mui- Existem três tipos de prestação de serviços
tos outros previsores concordam com a próxima que crescerão fortemente: a de produção em sé-
tendência: a mudança de uma sociedade industrial rie, utilizada na supervisão de linha de montagem,
para uma sociedade de serviços. A grande mudan- por exemplo; os serviços interpessoais, como aten-
ça é que estamos fabricando com informações e dentes, garçons, motoristas, servidores em geral; e
não com pessoas. Com computadores, automação os serviços simbólico-analíticos, os que envolvem
e robôs, em vez de funcionários. pessoas que resolvem, identificam e agenciam pro-
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Psicologia Geral

blemas, manipulando símbolos, como os cientistas mais criativas soluções, usando pelo menos quatro
de pesquisa, engenheiros de projetos, consultores habilidades básicas: abstração, raciocínio sistêmi-
de empresas, publicitários, entre outros. co (pensar processualmente, integrando aspectos
Reich pensa que todos nós precisaremos multideterminados), experimentação e colabora-
aprender como conceituar problemas e chegar às ção.

13.6 De Grande a Pequeno

Já há algum tempo estamos percebendo o Com o crescimento das pequenas empresas,


crescimento do número de franquias, principal- haverá a necessidade de se selecionar pessoas com
mente pequenas unidades autônomas vinculadas habilidades de raciocínio conceitual e criativo, com
a sistemas gigantes e redes de marketing direto, capacidade de correr riscos, mudar e experimen-
sobretudo fornecedores individuais ligados a for- tar novas oportunidades. Nisso, cada área será de
necedores mundiais. Essas tendências crescerão e importância fundamental para a melhoria das inte-
simplificarão o funcionamento dos segmentos que grações de múltiplas competências.
representam, a fim de fomentarem uma melhor
funcionalidade para a nova era globalizada.

13.7 A Nova Era do Lazer

A pessoa, do sexo masculino, em média, vive balho e de serviços encontrará cada vez mais espa-
agora pelo menos 70 anos, o que significa um total ço nessas segmentações, todas atreladas ao lazer
aproximado de 600 mil horas de vivências. Com o com qualidade, o qual, segundo estudos avança-
aumento significativo do tempo de vida, dados os dos comprovam, aumenta a eficácia laboral, redu-
avanços da medicina e das orientações cada vez zindo o estresse.
mais difundidas sobre os aspectos que preservam e Uma importante tarefa na educação será a de
garantem a qualidade de vida, as pessoas passarão estimular a criação de novas experiências saudá-
a viver bem mais e a terem mais tempo livre, como veis de lazer, assim como a ampliação de possibi-
busca essencial de garantia por qualidade de vida. lidades de ofertas de trabalho para os mais idosos
Os serviços ligados aos setores de lazer, edu- – nessa fase da vida, o trabalho pode ser fonte de
cação, viagem, hobbies, entre outros, serão os de prazer, assim como de renda, integrando os univer-
maior crescimento. Sem dúvida, o mercado de tra- sos, na melhor das formas, na totalidade.

13.8 A Forma Mutável do Trabalho

Existe uma previsão de que uma minoria de separados, tais como: grupo de projetos, específi-
pessoas bem preparadas, com qualificações de gra- cos, por curtos períodos, dependendo da deman-
duação e pós-graduação, ocupará empregos está- da; trabalhadores de meio período e sazonais (um
veis em período integral de companhias tradicio- dos poucos mercados para os não qualificados); e
nais. O restante trabalhará em três agrupamentos trabalhos individuais ou em grupos familiares. As
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fusões empresariais reduzirão os empregos e a ne- mular as pessoas a serem seus próprios gerentes,
cessidade de manter pessoas em regime estável e divulgadores e comunicadores mundiais. Sem tais
duradouro, ocasionando novos padrões ocupacio- atitudes, ficará cada vez mais difícil a adaptação
nais para o mercado de trabalho. pessoal e social.
A educação terá a importante tarefa de esti-

13.9 Mulheres na Liderança

O crescimento do desenvolvimento femi- tativos, que dão o colorido no que era só racional
nino se deve às novas demandas e necessidades e frio, no mundo do trabalho outrora masculino/
de sobrevivência e transformações no mundo. As paternalista.
mulheres passaram a ocupar importantes postos As mulheres têm mostrado força e criativida-
nas sociedades, garantindo uma melhora no nível de para ocuparem diversas funções no mercado
da renda familiar. Estão mudando os negócios e de trabalho. Essa tônica dos mercados que torna
incrementando-os com o diferencial que advém oportuna a presença feminina será crescente e in-
do amor, carinho e compaixão. Elas comprovam a dispensável, daqui para frente, conforme regem as
cada dia o quanto valem esses ingredientes quali- tendências.

13.10 A Década do Cérebro

O estudo das megatendências mostra a cres- Aprender a utilizar a ferramenta mais valiosa,
cente necessidade de uma orientação para o inves- o cérebro, considerando seu funcionamento, ca-
timento em autoconhecimento, tão necessário e racterísticas e habilidades que capacitem cada vez
urgente para orientar as pessoas para o autogeren- mais o desenvolvimento será uma atitude urgente
ciamento e capacitação que busquem transforma- e valiosa para todos.
ções, de ordens variadas.

13.11 O Nacionalismo Cultural

Quanto mais nos globalizarmos e nos tor- talecendo o diferencial de cada produto/serviço,
narmos economicamente interdependentes, mais enaltecendo suas origens. Como exemplo, pode-
faremos o trabalho humano, mais avaliaremos nos- mos prever um crescimento em campanhas que
sas características ou diferenças, mais desejaremos evidenciam ícones do futebol em produtos espor-
nos apegar à nossa língua, às nossas raízes e à nos- tivos, destacando habilidades e equiparando-as às
sa cultura. É o paradoxo do contramovimento da melhores características dos produtos anunciados.
globalização. A educação deverá preparar cada indivíduo
No campo das prestações de serviços, as- para a concepção profunda e ampla de um merca-
sim como no desenvolvimento de produtos e ou- do globalizado, mas centrado, cada um, no melhor
tros bens, serão importantes as campanhas que meio de enaltecer sua própria riqueza cultural.
agreguem valores ligados ao nacionalismo, for-
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Psicologia Geral

13.12 A Crescente Subclasse

Existe uma forte previsão de que haja um será motivo de crescentes formas para que melhor
aumento no nível da pobreza mundial, gerada por se atenda aos mais necessitados. Como, por exem-
desastres sociais e políticas inadequadas na educa- plo, repensar novos meios de geração de recursos
ção e economia. Essa tendência também se deve à mais baratos e acessíveis para os povos de baixa
falta de controle do crescimento populacional dos renda, já que o empobrecimento é, e continuará
países menos desenvolvidos, o que infelizmente sendo, crescente e inevitável.

13.13 O Envelhecimento da População Ativa

A geração das pessoas com mais de 60 anos jos. As tendências apontam para um novo modo
representa um dos maiores recursos não explora- de vermos a velhice, a linha do tempo. Haverá uma
dos para o futuro da educação, assim como das maior disposição para compreender valores atrela-
economias vigentes. dos à experiência de vida e isso mudará a concep-
A expectativa média de vida aumentou para ção da velhice.
75 anos, e o idoso contemporâneo desfruta de me- Já vimos assistindo a um crescimento de ido-
lhor forma física, emocional e intelectual, dada a sos ativos profissionalmente, e muitos são a princi-
melhoria dos aspectos informacionais e tratamen- pal fonte de renda familiar, haja vista o aumento do
tos disponibilizados atualmente. As sociedades desemprego, fazendo com que as aposentadorias
deverão se ocupar melhor e se estruturarem para sejam a única forma de sobrevivência, para inúme-
assegurar aos idosos condições cada vez mais efi- ras famílias de baixa renda, principalmente.
cientes e adequadas às suas necessidades e dese-

13.14 A Nova Onda do “Faça Você Mesmo”

O mundo moderno suscita a necessidade de dúvida, serão habilidades valorizadas daqui para
promover condições para que as pessoas cresçam frente, uma vez que as pessoas trabalharão cada
e se desenvolvam com maior autonomia, menor vez mais com múltiplas informações, em um mun-
dependência de quem quer que seja. Dessa forma, do que viverá fortes e constantes mudanças. Sem o
precisaremos ter uma melhor orientação para as- encorajamento para a autonomia, o indivíduo não
sumir o controle de nossas vidas, na atitude de as- poderá se ajustar às novas transformações.
segurar a autogestão e a participação individual in-
tegrada, com fluência e autoconfiança. Essas, sem

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13.15 Empreendimento Cooperativo

Estão nascendo novas empresas que priori- volvimento educacional. Elas estão dando certo e
zam parcerias, posse de ações, distribuição de lu- vêm ocupando posição de destaque na economia
cros, educação continuada, divisão de tarefas, ho- mundial, sendo consideradas modelo de avanço
rários flexíveis e equipes de projeto. Essas empresas tecnológico e empresarial, com forte valorização
criam ambientes em que as pessoas podem nutrir do potencial humano, fomentando valores que
o crescimento pessoal e obter um efetivo desen- melhor viabilizem as responsabilidades sociais.

13.16 O Triunfo do Indivíduo

Em todo o mundo, estamos vendo o renas- no far-se-á necessário, o de abertura, o de ser co-
cimento do poder e das responsabilidades indivi- criador da própria existência e um ser qualificado
duais. Cada um de nós é responsável por escolher na totalidade de suas funções pessoais e sociais. O
produtos e serviços no mundo. Quanto mais nos conhecimento das Megatendências, para o estu-
orientarmos para a amplitude das possibilidades dante e futuro profissional das Ciências Humanas e
e quanto melhor nos prepararmos para o novo, Sociais, é fundamental para que haja abertura para
melhor nos adaptaremos ao futuro. Em outras pa- a contínua instrumentalização, aperfeiçoamento e
lavras, um novo padrão de funcionamento huma- busca de avançados conhecimentos.

13.17 Resumo do Capítulo

Caro(a) aluno(a), neste capítulo, vimos as principais megatendências que já estão vigorando mun-
dialmente: a era da comunicação instantânea; um mundo sem fronteiras econômicas; três passos para
uma economia única; a nova sociedade de serviços; de grande a pequeno; a nova era do lazer; a forma
mutável do trabalho; mulheres na liderança; a década do cérebro; o nacionalismo cultural; a crescente
subclasse; o envelhecimento da população ativa; a nova onda do faça você mesmo; empreendimento
cooperativo; e o triunfo do indivíduo.

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Psicologia Geral

13.18 Atividades Propostas

1. O mundo desenvolveu uma habilidade surpreendente de armazenar informações e torná-


-las instantaneamente disponíveis em diferentes formas, para quase todo lugar. Essa habili-
dade revolucionará os negócios, a educação, a vida doméstica, o emprego, a administração,
as mídias e, virtualmente, tudo o mais que damos como certo. Nossos lares ressurgirão como
centros vitais de aprendizagem, trabalho e entretenimento. De qual megatendência estamos
tratando?

2. Existe uma previsão de que uma minoria de pessoas bem preparadas, com qualificações de
graduação e pós-graduação, ocupará empregos estáveis em período integral de companhias
tradicionais. O restante trabalhará em três agrupamentos separados, tais como: grupo de pro-
jetos, específicos, por curtos períodos, dependendo da demanda; trabalhadores de meio pe-
ríodo e sazonais (um dos poucos mercados para os não qualificados); e trabalhos individuais
ou em grupos familiares. As fusões empresariais reduzirão os empregos e a necessidade de
manter pessoas em regime estável e duradouro, ocasionando novos padrões ocupacionais
para o mercado de trabalho. Estamos nos referindo a qual megatendência?

3. O mundo moderno suscita a necessidade de promover condições para que as pessoas cres-
çam e se desenvolvam com maior autonomia, menor dependência de quem quer que seja.
Dessa forma, precisaremos ter uma melhor orientação para assumir o controle de nossas vi-
das, na atitude de assegurar a autogestão e a participação individual integrada, com fluência
e autoconfiança. De qual megatendência estamos tratando?

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14 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Algumas reflexões importantes a serem iniciadas, com o intuito de que a Psicologia Geral germine
um potencial para a criticidade e busca de conhecimentos contínuos nos alunos:

A saúde e a doença,
O funcional e o disfuncional,
São pólos que fazem parte da vida,
E caberá à humanidade saber bem transitar,
Buscando sentido para o vivido e compartilhado,
Promovendo as melhores mudanças,
Abrindo-se para as boas novas das linhas contínuas dos todos conhecimentos!!!
Salvaguardemos e multipliquemos as sementes preciosas das Psicologias!!!
Caberá ao ser em relação... preservar e sabiamente prosperar!!!
(LILLA, 20081)

1
Esse texto é de minha autoria e foi uma colaboração textual feita na jornada de Gestalt-Terapia, do Instituto Sedes Sapientiae,
em outubro de 2008.
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RESPOSTAS COMENTADAS DAS
ATIVIDADES PROPOSTAS

Capítulo 1
1. Psicologia do Senso Comum.

2. Wundt.

3. Funcionalismo.

Capítulo 2
1. Introspecção.

2. Técnicas Projetivas.

3. Ludoterapia.

Capítulo 3
1. O comportamento tem sido definido como sendo o conjunto das reações ou respostas que
um organismo apresenta às estimulações do ambiente.

2. Estímulo.

3. Comportamento Adquirido ou Aprendido.

Capítulo 4
1. Behaviorismo.

2. São todos os comportamentos/respostas do organismo vivo/indivíduo que não dependem


diretamente dos fatores de aprendizagens.

3. Comportamento instrumental ou operante.

Capítulo 5
1. Jean Piaget.

2. Inteligência Emocional (QE).

3. Aprendizagem Significativa.

Capítulo 6
1. Não possui tradução exata, mas representa configuração e forma.

2. A busca pela boa forma.

3. Teoria de Campo.

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Capítulo 7
1. Função Informativa.

2. Abraham Maslow.

3. Realizações Sociais.

Capítulo 8
1. Psicanálise.

2. Superego.

3. Projeção.

Capítulo 9
1. Psicologia Sócio-Histórica.

2. Funções Superiores.

3. Contexto social.

Capítulo 10
1. Natureza Sociável.

2. Time.

3. Psicologia Social.

Capítulo 11
1. Dar e receber feedbacks.

2. A congruência, a empatia e a consideração positiva.

3. Ser assertivo é ter a possibilidade de asserção, ou seja, estar suficientemente engajado e de


prontidão adequada para fazer valer-se com positividade, em uma dada situação.

Capítulo 12
1. Neuroses.

2. São quadros mais complexos, ligados às doenças da alma, trazendo variações humorais e até
levando o indivíduo a experimentar cisões comportamentais e de forte impacto emocional.

3. Transtorno bipolar.

Capítulo 13
1. A era da informação instantânea.

2. A forma mutável do trabalho.

3. A nova onda do “faça você mesmo.”

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REFERÊNCIAS

BOCK, A. M. B. Psicologia: uma introdução ao estudo de psicologia. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 1996.

CHANLAT, J. F. O indivíduo na organização: dimensões esquecidas. São Paulo: Atlas, 1996.

DAVIDOFF, L. L. Introdução à psicologia. São Paulo: Ática, 1994.

FRIEDMAN, H. S.; SCHUSTACK, M. W. Teorias da personalidade. 2. ed. Boston: Pearson Education, 2004.

GARCIA-ROZA, L. A. Psicologia estrutural em Kurt Lewin. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.

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