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09/03/2018 O longo caminho rumo à ciência das bad trips - Motherboard

DROGAS

O longo caminho rumo à ciência das bad


trips
Por Daniel Oberhaus; Traduzido por Ananda Pieratti
Jun 6 2017, 1:22pm

Antes que as drogas psicodélicas sejam usadas em tratamentos


psiquiátricos, é preciso desvendar os mistérios das viagens ruins.

Ilustração por Chris Kindred

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Em 1968, Thomas Ungerleider e Duke Fisher, dois psiquiatras da Universidade da


Califórnia em Los Angeles, nos EUA, viajaram até o subúrbio da cidade para
testemunhar os rituais de uma seita focada no consumo do LSD. A dupla havia
recentemente dado uma palestra sobre o que viria a ser conhecido como " bad trip",
uma expressão genérica usada para designar possíveis complicações decorrentes do
uso de substâncias psicodélicas, indo da ansiedade leve até surtos psicóticos e
delírios persistentes.

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Enquanto os palestrantes respondiam as perguntas do público, um membro


particularmente revoltado da plateia tentou ler um manifesto em defesa do consumo
ilimitado de LSD. Ao m do evento, o mesmo homem abordou os psiquiatras,
insistindo que muitas pessoas tomavam LSD sem ter nenhuma reação adversa. Na
verdade, o homem fazia parte de um grupo religioso que se denominava como "Os
Discípulos" e que alegava consumir ácido toda semana sem grandes problemas.

Os pesquisadores caram intrigados. Após os Discípulos se certi carem de que eles


não eram policiais, Ungerleider e Fisher foram autorizados a visitar a sede do grupo e
observar o uso ritualístico do LSD. Nas palavras dos pesquisadores, no local eles
encontraram:

... cerca de doze pessoas morando numa casa espaçosa, localizada em um terreno
grande. Eles estavam arando a terra quando chegamos, e a decoração da casa era
psicodélica. Nas paredes haviam imagens de Buda e Jesus. Toda quarta-feira, o grupo
se reunia para um culto mais tradicional, focado em orações e meditação. Os rituais
lisérgicos aconteciam nos nais de semana.

Ao observar e entrevistar os participantes desses "rituais de amor", os pesquisadores


descobriram que muitos dos Discípulos eram ex-presidiários ou dependentes
químicos que haviam adotado o LSD como forma de tratamento. Muitos desses
indivíduos a rmavam ter encontrado Deus graças ao uso ritualístico do LSD. E o mais
importante: nenhum havia sofrido qualquer reação adversa à droga.

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Essa a rmação chocou os psiquiatras. O que diferenciava esse grupo daqueles que
haviam sido internados em hospitais psiquiátricos após ingerir a mesma substância?
Em outras palavras, quais seriam os fatores que, juntos, resultariam numa bad trip?

"A complexidade dessa reação — que não pode ser prevista nem
pelos melhores testes ou dados clínicos — significa que não
compreenderemos as reações adversas ao LSD tão cedo".

Para responder essa pergunta, os pesquisadores iniciaram um estudo que


comparava as reações de 25 Discípulos às de 25 pacientes que haviam sido
hospitalizados em decorrência de reações adversas ao LSD, entre elas "alucinações...
ansiedade que beirava ao pânico... depressão, muitas vezes associada a
pensamentos suicidas ou tentativas de suicídio, e... confusão mental". Em 1968, a
dupla publicou os resultados da pesquisa no Journal of American Psychiatry,
marcando assim a primeira tentativa cientí ca de identi car as causas da bad trip.

O estudo revelou não haver diferenças signi cativas entre os dois grupos em termos
de gênero, raça, idade, educação formal ou "privação afetiva precoce". Quarenta e
quatro por cento dos pacientes (comparado com apenas 24% dos Discípulos) possuía
algum histórico de transtornos psiquiátricos, mas isso não foi considerado como
fator decisivo para uma experiência psicodélica traumática. Dentre os membros do
grupo religioso com um histórico de transtornos psicológicos, não houve relatos de
experiências negativas com o LSD.

"Não identi camos nenhum elemento histórico ou aspecto clínico recente particular a
qualquer um dos grupos", concluíram os pesquisadores. Curiosamente, Ungerleider e
Fisher foram uns dos primeiros a propor uma possível interação entre o LSD e
"tendências esquizoides", uma hipótese que seria con rmada por pesquisas
posteriores. No m, os autores chegaram à conclusão de que "a complexidade dessa
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interação — que não pode ser prevista nem pelos melhores testes ou dados clínicos
— signi ca que não compreenderemos as reações adversas ao LSD tão cedo".

Chegamos, pois, a um impasse: para que as drogas psicodélicas saiam dos


laboratórios e entrem nos consultórios, precisamos investir em pesquisas que
desvendem os mistérios da famosa bad trip.

O estudo das drogas psicodélicas está passando por um renascimento. Recentes


estudos sobre drogas como o LSD, o MDMA e a psilocibina (encontrada em
cogumelos alucinógenos) indicam um possível uso terapêutico dessas substâncias.
Pesquisas sugerem que substâncias psicodélicas podem diminuir o risco de suicídio,
auxiliar no processo de luto, controlar o vício em narcóticos e aliviar a dor causada
pela cefaleia também conhecida como "dor de cabeça suicida".

Qualidades à parte, as substâncias psicodélicas não são perfeitas. Meio século após o
estudo revolucionário de Ungerleider e Fisher, ainda estamos longe de ter qualquer
compreensão empírica sobre as reações adversas a psicotrópicos. Graças ao caráter
subjetivo dos efeitos dessas substâncias, é praticamente impossível prever se — ou
quando — alguém terá uma bad trip. Por isso, hoje os pesquisadores estão mais
preocupados em prevenir essas experiências negativas e atenuar seus efeitos do que
em prevê-las.

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Quando o assunto é evitar bad trips, pro ssionais de saúde mental e psiconautas
sugerem uma abordagem que pode ser resumida em duas palavras: "cabeça" e
"local". Popularizado por Timothy Leary, falecido professor de psicologia de Harvard e
defensor do LSD, a ideia por trás do mantra "cabeça e local" é que, caso você esteja

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preparado psicologicamente para ter uma experiência psicodélica e esteja em um


local confortável, a probabilidade de ter uma experiência traumática ou difícil torna-
se signi cativamente menor.

Para aumentar suas chances de ter uma boa experiência psicodélica, é preciso
alcançar um bom equilíbrio mental antes de ingerir a substância em questão. Além
disso, estar em um local confortável e cheio de rostos familiares é uma forma de
garantir que sua viagem psicodélica não acabe com, digamos, você vagando sozinho
pelas ruas de Nova Iorque.

Mais dicas valiosas: no vídeo acima, Terence McKenna, falecido etnobotânico,


psiconauta e defensor do consumo responsável de drogas psicodélicas, diz que cantar
é uma boa forma de neutralizar os primeiros efeitos de uma bad trip . Ele também
recomenda dar um ou dois tragos em um baseado bolado previamente.

Embora esses conselhos sejam uma das bases da comunidade psiconauta, uma
política de redução de danos voltada para as drogas psicodélicas só começou a ser
esboçada nos anos 70. Um dos primeiros artigos sobre o tema, publicado na edição
de julho de 1970 do Journal of the American Medical Association, tratava do
"controle de 'bad trips' em um público consumidor cada vez maior".

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Os autores do artigo defendiam que a "terapia racional" poderia ser uma forma de
evitar comportamentos perigosos entre pessoas sob a in uência de drogas
psicodélicas. A defesa do diálogo em detrimento da aplicação forçada de
tranquilizantes em pacientes em crise era uma postura extremamente progressista
para a época, quando muitos psiquiatras não hesitavam em usar calmantes para
interromper uma bad trip.

No mesmo ano, o governo americano aprovou o Decreto Abrangente da Prevenção e


Controle do Abuso de Drogas. O decreto classi cava grande parte das substâncias
psicodélicas como Tipo 1, classi cação que incluía substâncias viciantes e sem valor
medicinal perante a lei. Mas apesar do combate a essas substâncias, o uso de drogas
psicodélicas não diminuiu — e tampouco as bad trips.

Em 1977, William Abruzzi, um médico de Nova Iorque, publicou um artigo intitulado


"5000 Bad Trips" no International Journal of Addiction no qual ele narrava sua
experiência auxiliando milhares de desconhecidos a lidar com psicodelias
traumáticas. Na época, Abruzzi já tinha uma experiência considerável com bad trips.
Em 1969, ele havia convocado 81 médicos assistentes, clínicos e enfermeiros para
atuar no Festival de Woodstock, onde eles atenderam "25 casos de reações
adversas a drogas psicodélicas por hora".

Nos anos seguintes, Abruzzi continuou a frequentar shows de rock para cuidar de
doidões em crise, experiência que daria origem a seu famoso artigo. Nele, Abruzzi
defende a presença de centros de atendimento em festivais de música e prevê os
programas de redução de danos que viriam a se tornar parte essencial de festivais
contemporâneos como o Burning Man, o Lightning in a Bottle e o Coachella.

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A retomada desses programas de redução de danos foi encabeçada pela Associação


Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos, que, por meio do Projeto Zendo, criou
espaços — normalmente tendas — onde frequentadores de festivais que estão tendo
uma bad trip podem relaxar ou receber assistência médica.

Esse interesse renovado na redução de danos vêm atraindo pesquisadores de


diversas instituições, muitos dos quais estão envolvidos em estudos sobre
substâncias psicodélicas. Na vanguarda dos estudos psicodélicos está a Universidade
John Hopkins, que nos últimos anos vêm conduzindo pesquisas sobre o uso
terapêutico da psilocibina, o componente psicoativo dos cogumelos alucinógenos.

Na última MAPS Psychedelic Science, uma conferência de temática psicodélica que


acontece em São Francisco, Darrick May, um psiquiatra de Hopkins especializado em
medicina do vício, apresentou os resultados do maior estudo sobre bad trips já
conduzido. Nesse estudo, 2000 voluntários completaram um questionário extensivo
sobre reações negativas à psilocibina. Assim como Abruzzi, May já passou dias
trabalhando na área de redução de danos de festivais como o Burning Man, além de
ter conduzido cerca de 40 experiências sobre a psilocibina no hospital universitário
de John Hopkins.

"Acredito que essas experiências negativas acontecem, de certa


forma, ao acaso".

Segundo May, o estudo concluiu que experiências psicodélicas anteriores não


aumentam a probabilidade de ter uma experiência psicodélica negativa. Por outro
lado, segundo o estudo, pessoas mais jovens tendem a ter experiências mais
negativas com a psilocibina. May aponta, no entanto, que essa observação "deve
levar em conta a ideia de que quanto mais difícil a experiência, mais positivo seu
resultado". Em outras palavras, experiências negativas são interpretadas
retroativamente como uma oportunidade de crescimento pessoal.

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Além disso, a equipe responsável pela pesquisa descobriu que pessoas que relataram
ter buscado ajuda de pro ssionais de saúde mental após o consumo de cogumelos
tinham o dobro da probabilidade de ter buscado algum tratamento psicológico antes
dessa experiência. Mas isso não signi ca que exista uma relação entre bad trips e
transtornos psiquiátricos preexistentes. Na verdade, essas pessoas podem ser
apenas mais acostumadas a buscar ajuda pro ssional, ou simplesmente ter dinheiro
su ciente para fazê-lo.

"Acredito que essas experiências negativas acontecem, de certa forma, ao acaso",


disse May durante a conferência MAPS. Embora o estudo sobre a psilocibina não
tenha identi cado nenhum fator como decisivo na incidência de bad trips, ele
estabeleceu uma boa base para outras pesquisas sobre esse fenômeno. "Agora
temos uma ferramenta psicométrica que pode ser utilizada para analisar diferentes
aspectos dessas experiências, de forma que agora podemos melhor estudar a
experiência em si", acrescentou May. "Para que haja uma padronização entre estudos
psicodélicos, é necessário que essa ferramenta seja adotada em todas pesquisas
sobre o tema".

Mesmo com tantas pesquisas, ainda não se sabe o que causa as bad trips. Alguns
pesquisadores estão menos preocupados com a causa dessas experiências negativas
e mais focados em controlar seus efeitos, um processo conhecido como integração.

No nal de 2015, o Center for Optimal Living, uma instituição nova-iorquina, lançou um
Programa de Educação Psicodélica e Tratamento Continuado após uma série de
psicólogos e especialistas em redução de danos apontarem a necessidade de um
local voltado para o tratamento de experiências psicodélicas negativas. Segundo
Ingmar Gorman, um de seus criadores, o programa tem sido um sucesso.

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Duas vezes por mês, o centro oferece sessões de integração psicodélica que recebem
em média de 10 a 15 visitantes, embora Gorman já tenha presenciado sessões com
até 45 participantes. Durante estas sessões, os visitantes trabalham em conjunto com
pro ssionais e outros participantes a m de superar suas experiências traumáticas
em um ambiente seguro e con dencial. Segundo Gorman, muitos dos
frequentadores dos encontros apresentaram efeitos adversos após cerimônias de
ayahuasca má conduzidas. No entanto, ele também a rma que muitos participantes
frequentam os encontros para apoiar uns aos outros e para aprender mais sobre a
redução de danos pós-uso de substâncias psicodélicas.

Crédito: Adam Dachis/Flickr

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John*, um dos membros do grupo, começou a frequentar os encontros no meio do


ano passado. Após testemunhar os ataques terroristas de 11 de setembro, John
começou a sofrer de cefaleias em salvas. Essas crises debilitantes ocorriam
frequentemente mas de forma aleatória, durando cerca de uma hora e chegando a
acontecer várias vezes em um único dia. Elas costumavam terminar com John na
emergência de um hospital, onde médicos o enchiam de analgésicos que pouco
aliviavam suas dores.

Segundo ele, a dor é "como se Freddy Krueger esquentasse a lâmina do dedo do


meio e a en asse no meu olho esquerdo".

Alguns anos atrás, John soube de um estudo da Universidade de Harvard sobre


pessoas que sofriam de cefaleias em salvas e estavam sendo tratadas com doses de
psilocibina. Embora ele nunca tivesse tomado nenhuma droga psicodélica, estava
disposto a testar qualquer coisa que pudesse apaziguar suas dores excruciantes.
Após a di culdade inicial de encontrar algum revendedor de psilocibina, John
nalmente conseguiu comprar a droga e fazer o famoso chá de cogumelo. Para sua
surpresa, suas dores de cabeça acabaram.

Nos últimos dois anos, John vem tomando doses moderadas de psilocibina de meses
em meses. Nesse meio tempo, John teve apenas uma crise de cefaleia, ocorrida após
ele passar três meses sem conseguir comprar cogumelos. Embora John tenha
começado a frequentar os encontros no centro para saber mais sobre substâncias
psicodélicas, recentemente, após sua primeira bad trip, ele a rma ter também
encontrado nessas sessões um alento terapêutico.

"Esses encontros me permitiram olhar para mim mesmo e pensar sobre como coisas
como o 11 de setembro mudaram minha vida", conta John. "Ainda estou trabalhando
a parte da integração, mas o que eu gosto nesses encontros é que eles tem uma
abordagem cientí ca. Ninguém vai falar para você procurar um xamã que vai resolver
todos seus problemas. Tudo falado aqui tem uma base cientí ca".

Segundo Gorman, o Center for Optimal Living ainda não realizou nenhum estudo
sobre seus visitantes, mas ele a rma que a próxima etapa do programa é investir em
pesquisas que podem vir a contribuir para o tratamento de seus pacientes.

"Damos prioridade à abordagem empírica, e por isso valorizamos pesquisas", disse


Gorman por email. "Estamos começando a consultar outros estudos, mas estamos
sendo cuidadosos com nossa coleta de dados porque não queremos conduzir um
projeto que exponha nossos clientes".

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Bad trips são um assunto delicado, não apenas por causa do tabu que cerca o uso de
substâncias psicodélicas, mas também devido à ideia de que a bad trip seria uma
externalização de um trauma profundo. Embora essa ideia tenha como origem a
popularização da psicanálise em meados do século passado, ela está começando a
ser corroborada por estudos clínicos: um dos usos mais promissores de substâncias
psicodélicas foi descrito, por exemplo, em testes sobre o uso de MDMA no
tratamento de veteranos de guerra com estresse pós-traumático. Por sua vez,
pesquisadores da Universidade John Hopkins descobriram que a psilocibina é
particulamente e caz em controlar o medo da morte em pacientes com doenças
terminais.

De qualquer forma, esses testes estão adicionando provas empíricas à crença


mística de que o que muitos veem como uma bad trip pode não ser uma experiência
tão ruim.

Experiências psicodélicas como a dissolução do ego, que podem ser assustadoras


para aqueles que não estão preparados, são comprovadamente uma das formas
mais e cientes de lidar com eventos traumáticos. É por isso que psiconautas e
pesquisadores como Darrick May abandonaram o termo " bad trip" dando
preferência a termos como "experiência difícil" ou "desa adora". Como muitos
estudos acadêmicos e inúmeros testemunhos publicados na internet sugerem,
muitas vezes as experiências psicodélicas mais angustiantes trazem os maiores
benefícios.

É óbvio que o uso de substâncias psicodélicas não deve ser feito de forma
indiscriminada. Nenhum pesquisador sério concorda com os Discípulos que em 1968
defendiam que todos deveriam ter acesso ilimitado ao LSD. A m de compreender
como essas substâncias interagem com transtornos psiquiátricos preexistentes, entre
eles a esquizofrenia, e para reduzir a probabilidade de sequelas permanentes, serão
necessários mais estudos sobre os mecanismos neurológicos das substâncias
psicodélicas. Para isso é preciso ir além da bad trip: alguns pesquisadores estão
tentando desvendar as causas do transtorno perceptual persistente por
alucinógeno, também conhecido como ashback, um fenômeno que, embora longe
de ser aceito como um transtorno em si, vem sido descrito há décadas.

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Enquanto isso, pesquisadores corajosos estão elaborando manuais de suporte a


usuários de substâncias psicodélicas; publicando guias de atendimento clínico
para outros pesquisadores; e trabalhando de forma voluntária em festivais na
tentativa de apaziguar os efeitos de uma experiência difícil.

Ao que tudo indica, essas reações adversas irão continuar a cortar nossa lombra por
tempo indeterminado — mas isso não signi ca que toda bad trip seja
necessariamente ruim.

* Nome ctício.

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TAGGED: LSD, MDMA, PSICODELIA, CULTURA, ACIDO, VIAGENS, BAD TRIP, PSIQUIATRIA, 
COGUMELOS MÁGICOS

VÍDEO RELACIONADO

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Frozen Faith: Cryonics and The Quest to Cheat Death

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AAAWN OOOWN NHAAA

Um programinha está alastrando o


gemidão do zap por ligação telefônica
Com bastante tempo livre, ambicioso programador postou os
instrumentos para a pegadinha dominar o mundo das
telecomunicações.

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Brunno Marchetti
Ago 9 2017, 3:58pm

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Parecia uma quarta-feira comum quando, no pacato almoço de nossa equipe, um


membro do nosso time recebeu uma ligação de número que não conhecia.
Começava com nove, tinha nove dígitos e era da mesma cidade. Por que não
atender? A surpresa veio quando, ao encostar o celular no ouvido, nosso colega
ouviu, em vez do 'alô', os gemidos da atriz pornô americana Alexis Texas. Os gritos
de AAAWN OOOWN NHAAA AWWN AAAH se espalharam pelo ambiente e, enquanto
alguns tentavam abafar o som com guardanapos e conchas de mãos, soubemos
estar diante de algo novo no âmbito da zoeira nacional.

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Se você é brasileiro e está em pelo menos um grupão de WhatsApp, deve ter


escutado falar do famoso "gemidão do zap". Amado por uns, odiado por muitos, o
arquivo de áudio já pegou muita gente de surpresa, inclusive em transmissões de
televisão ao vivo. O compartilhamento em arquivos de áudio e links pelo app e até
por outras redes sociais é bem comum. A novidade — um tanto quanto assustadora,
na real — é receber a falsa ligação de Alexis via ligação telefônica.

A evolução da pegadinha é obra de um programador brasileiro com tempo livre que


escreveu um código que permite você ligar para o seus amigos com o gemidão. A
forma de usar não é muito complicada, mas precisa sacar um pouco como funciona
linha de comando e ter uma versão atualizada do interpretador da linguagem de
programação Javascript instalado na máquina, o Node.js.

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Também é preciso utilizar a API totalvoice, serviço de ligações que o programador se


baseou para produzir o código. Feito isso, tanto a instalação quanto a execução do
programa acontecem na linha de comando do sistema operacional que você está
rodando. Aí precisa passar o número do telefone que vai receber o gemidão e o
número do acesso do serviço que faz a ligação. Também é possível passar um
número qualquer que vai aparecer na tela da pessoa que recebeu a ligação. Mas,
bem, por que você faria isso, né?

A gênese do gemidão telefônico. Crédito: Reprodução

O programa também inclui a possibilidade de enviar mensagens via SMS, mas o


serviço do Totalvoice não permite o envio sem a contratação deste serviço. Conforme
explicou o desenvolvedor em sua página do Github: "a função de SMS é alpha. Por
enquanto, funciona somente para o número cadastrado."

O Motherboard tentou contato com o programador, mas até o fechamento deste


texto não obteve resposta. (Se ele retornar nossa ligação, esperamos que não seja
com gemidão.)

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AAAWN OOOWN NHAAA

Um programinha está alastrando o gemidão do zap por ligação


telefônica

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O brasileiro achou o melhor uso para drones: acender churrasqueira

VALE DO SILÍCIO

Saiba mais sobre o manifesto contra a diversidade que causou a


demissão do engenheiro do Google

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Jovens reimaginam o século XIX com tecnologias do futuro

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O brasileiro achou o melhor uso para


drones: acender churrasqueira
Adeus, secadores.
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Motherboard Sta
Ago 8 2017, 4:02pm

Drones são legais, mas, convenhamos, são fáceis de enjoar. É o problema do


monotasking. Pouco depois de ver o bichinho lá no alto, cheio de hélices e poesia,
pulamos para outras distrações — spinners, PS4, la de bancos, séries, relatórios de
produtividade — e esquecemos do gadget que nos proporcionou aquele shake de
alegria. Parece que é assim nossa existência, não? Deixamos pelo caminho o que nos
deu momentos de prazer e, eternamente quase satisfeitos, buscamos algo mais legal,
rápido, bem acabado, postável.

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Só que o brasileiro é um povo que não gosta de desperdício. Se algo de ne nosso


ethos tecnológico é a busca por novos usos em coisas velhas. Por necessidade ou
tédio, ressigni camos nossos objetos domésticos. Somos do tipo que faz varal com
cabides, bota palha de aço nas antenas, enche saleiros de arroz velho... Não é só
apreço pela gambiarra: queremos o desa o de usar o mesmo aparato para diversas
funções. Pouco importa a facilidade do engenho. O que vale é a apreciação artística
do improviso, como podemos ver na tendência nacional de botar drones para
acender churrasqueiras.

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Leia também: O que é preciso para pilotar um dronezinho no Brasil?

O hábito não é tão novo quanto parece. Numa busca pelo YouTube, é possível achar
vídeos similares de até cinco anos atrás, o que mostra, como atesta esse belíssimo
vídeo dominical da família brasileira, que nosso povo curte levar um dronezinho
para curtir o churrasco há um bom tempo. Usá-lo para integrar o ritual de assar a
carne era só um previsível desdobramento que, agora sabemos, tem rolado em
várias regiões do país.

Leia também: Por dentro da primeira corrida de drones do Brasil

Este, por exemplo, é o retrato perfeito do churrasco noturno e caseiro de cidade


interiorana — é também um dos nossos favoritos pela questão estética. Reparem no
espetáculo de luzes e fagulhas:

Há também espaço para outra modalidade que nos parece mais e caz: segurar o
drone sobre a churrasqueira e deixar suas hélices fazerem o serviço. No mesmo
vídeo, de 2015, o homem que agarra a aeronave não-tripulada também se orgulha do
fenômeno que julga ser inédito.
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Todos parecem crer que estão criando um novo tipo de viral. No vídeo abaixo, o
apresentador arrisca uma abordagem mais youtuber — faltou apenas editar com
cortes abruptos e gritar:

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Já esse, que também parece buscar uma diferenciação dos métodos tradicionais
gaúchos, chama atenção por estar aparentemente num território de obras:

Leia também: Os drones contratados por Doria não são tão seguros assim

O que podemos concluir dessa pesquisa amadora são três coisas:

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1) Drones já fazem parte da rotina dos brasileiros a ponto de buscarmos novos usos
para eles.
2) A gambiarra nem sempre é fruto da necessidade.
3) Não existe tecnologia social de sucesso no Brasil se não puder integrar o
churrasco. Nem que seja para entregar uma carninha para o vizinho:

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09/03/2018 O longo caminho rumo à ciência das bad trips - Motherboard

Que venham novos usos para essas navezinhas — e que não sejam marketing
político, claro.

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TAGGED: DRONES, BLOGGING, IMPROVISO, GAMBIARRA, SHITPOSTING, PENSATA, TECNOLOGIA

VÍDEO RELACIONADO

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Frozen Faith: Cryonics and The Quest to Cheat Death

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09/03/2018 O longo caminho rumo à ciência das bad trips - Motherboard

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