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CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA - IPA

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

MARCOS ROBERTO RANZOLIN

ESTRUTURAS EM MADEIRA, LISTA DE EXERCÍCIOS 11

Porto Alegre

2017
MARCOS ROBERTO RANZOLIN

ESTRUTURAS EM MADEIRA, LISTA DE EXERCÍCIOS 11

PROFESSOR: GUILHERME W. ALMINHANA

Porto Alegre

2017
Lista de Exercícios 11
1) Para a estrutura abaixo, descreva as funções estruturais dos
contraventamentos no plano do telhado e nos planos verticais.

Contraventamento no plano do telhado: sua função estrutural é dar


rigidez ao próprio plano, garantindo que não exista rotação nos ângulos retos
formados pela tesoura (treliça) e as terças.
Contraventamento nos planos verticais: sua função estrutural é dar
rigidez entre as treliças evitando com que elas saiam do prumo, podem ocorrer
em forma de mão francesa ou em “X”, com a treliça subsequente.

2) Para as treliças abaixo, quais barras estão comprimidas ou tracionadas para


cargas gravitacionais?
Howe,

1 – Banzo inferior - tração


2 – Banzo superior – compressão
3 – Diagonal- compressão
4 – Montante - tração
Pratt

1 – Banzo inferior - tração


2 – Banzo superior – compressão
3 – Diagonal- tração
4 – Montante - nulo

Belga

1 – Banzo inferior - tração


2 – Banzo superior – compressão
3 – Diagonal- tração
4 – Montante – não tem

3) Para que servem os contraventamentos no vigamento do piso?

A utilização de contraventamento no vigamento do piso propicia uma


melhor distribuição das cargas e reduz o problema das vibrações.

4) Qual o grau de hiperestaticidade nos pórticos (a) birrotulado e (b) trirotulado?


a) Pórtico birotulado:
b) Pórtico trirotulado:

5) De que maneiras podemos garantir a estabilidade lateral de estruturas


aporticadas?

A estabilidade frente as cargas horizontais pode ser feita por pórticos


formados pelas ligações (rígidas) de viga e pilar, ou com sistemas de
contraventamento como paredes diafragma ou treliçados em X.

6) Por que os resultados de resistência obtidos dos ensaios padronizados de


amostras de madeira não podem ser diretamente utilizados como tensões
resistentes de projeto?
As propriedades obtidas dos ensaio não representam as propriedades
mecânicas da madeira serrada utilizada em estruturas, pois estas variam ainda
com diversos fatores como:
• Teor de umidade;
• Tempo de duração da carga;
• Ocorrência de defeitos.
• Conhecendo-se a variação das propriedades mecânicas em função destes
fatores chega-se, então, aos valores de esforços resistentes a serem utilizados
nos projetos.
7) O que e valor característico de resistência?

O valor característico é um valor que corresponde ao percentil de 5% da


distribuição de probabilidade que melhor se ajustar aos valores obtidos nos
ensaios realizados sobre condições específicas.

8) Caracterizar os diagramas tensão x deformação da madeira em tração e


compressão paralelos as fibras obtidos de amostras sem defeitos relacionado-
os a microestrutura da madeira.

Propriedades Mecânicas Obtidas de Ensaios Padronizados


As propriedades de resistência e rigidez são obtidas com a realização de
ensaios com no mínimo 6 corpos-de-prova;
- Os corpos de prova tem, em geral, seção retangular (5,0 x 5,0 cm);
- Inicialmente, realiza-se um ensaio destrutivo em uma amostra para a
estimativa do valor de resistência fr;
- Com este valor os ensaios subsequentes seguem o esquema da figura;
- São dois ciclos de carga e descarga para a acomodação do equipamento de
ensaio. A segunda recarga segue até a ruptura.

Compressão Paralela às Fibras


• Corpos-de-prova 5,0 x 5,0 x 15,0 cm;
• Com o auxilio de extensometros (strain gages) são realizadas medições de
encurtamento Dl sobre uma base medida l0. Constrói-se, assim, o diagrama
tensão-deformação.
9) Como os defeitos afetam a resistência de pecas estruturais de madeira?
Influência de Defeitos na Resistência
• Os nos tem efeito predominante na redução de resistência a tração, reduzindo
também em menor escala as resistências a compressão e ao cisalhamento;
• Defeitos decorrentes de secagem e decomposição também reduzem a
resistência;
• A presença de fibras reversas reduz a resistência de uma peca estrutural,
sobretudo nas partes tracionadas;
• As fendas e ventas tem influencia pronunciada na resistência ao cisalhamento
paralelo as fibras.
• Para fixação de tensões resistentes de projeto, as pecas estruturais são
classificadas em categorias, conforme a incidência de defeitos (adiante).

10) Como variam as propriedades de resistência da madeira em função do seu


grau de umidade?
Com o aumento da umidade, a resistência diminui até ser atingido o
ponto de saturação das fibras. Acima desse ponto, a resistência mantém-se
constante.
Acima do ponto de saturação das fibras, o volume e o peso específico
não são influenciados pelo grau de umidade.
Com a secagem abaixo do ponto de saturação das fibras, observa-se
redução de volume e aumento do peso específico e da resistência.
Pode considerar-se aproximadamente linear a variação das
propriedades da madeira com a umidade entre 2% e 25%.

11) Explique o fenômeno de fluência de um material e comente suas


consequências em um projeto de viga sob a ação de carga permanente.

Sob a ação de cargas de atuação demorada, a madeira sofre


deformação lenta: é o fenômeno de fluência ou fadiga estática.
A fluência pode ser atribuída às alterações na estrutura íntima do
material carregado e ao gradual deslizamento dos elementos celulares uns em
relação aos outros (devido aos movimentos da água contida nas fibras).

Caso 1: para cargas inferiores à resistência permanente da madeira, a


deformação elástica imediata é acrescida de uma deformação de fluência que
se estabiliza:

onde ϕ é o coeficiente de fluência (ele cresce com o valor da tensão


aplicada)
Caso 2: para cargas superiores à resistência permanente da madeira, as
deformações crescem uniformemente com incremento acentuado até próximo
à ruptura. A ruptura pode ocorrer sob tensões inferiores à tensão limite de
resistência determinada nos ensaios de qualificação com cargas estáticas de
curta duração. Para a maioria das espécies lenhosas, o limite de fluência
coincida com a resistência permanente da madeira: 50-60 % da resistência
obtida nos ensaios de curta duração:
O coeficiente de redução adotado será então de 0,56

Observação: foi mostrado que a carga de ruptura de uma viga sob a ação de
um carregamento prolongado era sensivelmente igual à carga correspondente
ao limite de proporcionalidade do ensaio de flexão com cargas de curta
duração: 9/16 ≅ 0,56. Consequentemente, peças de estrutura deverão ser
dimensionadas para trabalhar no regime de deformações elásticas do material
com tensões inferiores ao limite de proporcionalidade a fim de ficarem
“preservadas” do fenômeno de fluência. Módulo de elasticidade: com as
tensões usadas nos projetos, ϕ ≅ 1; a deformação de fluência se estabiliza
após mais ou menos 1 ano de atuação da carga com δtot = 2δel. Então, as
deflexões das peças (flechas), a longo prazo, podem ser estimadas usando:
Para uma viga sob carga permanente, as flechas podem atingir valores
duplos dos iniciais após alguns anos de serviços, gerando problemas estéticos
e funcionais para a estrutura.
Soluções: calcular a deformação inicial com uma carga permanente dupla da
prevista ou adotar um módulo de elasticidade igual à metade do indicado nas
tabelas.

12) Por que o método das tensões admissíveis foi abandonado em favor do
método dos estados limites?

O método das tensões admissíveis considerava todas as variáveis


de forma determinística e isto não é o que realmente ocorre na prática.
Os valores utilizados neste método, eram teóricos, porém diversas situações
podem influenciar e alterar estes valores, o que traria uma maior
imprecisão dos cálculos. Podemos também citar como principais
problemas do método das tensões admissíveis, que a adoção de um
coeficiente de segurança externo leva a resultados diferentes da adoção d e
um coeficiente de segurança interno em estruturas com comportamento
não linear e o fato do coeficiente de segurança não ser uma medida
direta de segurança pois as variáveis envolvidas são aleatórias. Já o
método dos estados limites possui uma base semi-probabilística, ou seja,
considera ações e resistências variáveis aleatórias e apenas a configuração
de ruína de forma determinística. Isso se mostra mais eficaz quando
comparamos os resultados teóricos e práticos. Dessa forma, buscando
sempre uma maior precisão, a fim de evitar colapsos e problemas à
estrutura, as normas tem sido atualizadas, agora baseadas no segundo
método.