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TEMA 4 - NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS E SUAS IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA

PEDAGÓGICA

Para discorrer sobre Educação Especial dentro do contexto das práticas pedagógicas com enfoque na
inclusão, é necessário compreendê-la como uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis
da educação. É uma área do ensino que necessita de recursos pedagógicos especiais para efetivação do
processo de ensino e da aprendizagem, oferecendo o suporte necessário para que cada aluno consiga
acessar o currículo escolar comum a partir do desenvolvimento de suas capacidades cognitivas.

Com o olhar sobre a história da educação especial e inclusiva, observa-se que sempre houve uma
grande discussão sobre a educação dos alunos com deficiências e/ou necessidades especiais, com as
modalidades e as práticas pedagógicas existentes se encontrando sob grande pressão. Verifica-se que
em alguns momentos da história da educação brasileira foram elaboradas estratégias paralelas ao
ensino regular, onde se exclui os considerados menos capazes.

No atual contexto de mudanças tecnológicas de globalização da economia e grandes avanços na área


da ciência e comunicações, modificações vêm ocorrendo nos campos social, político, cultural e
educacional que favoreceram e oportunizaram instrumentos para que a sociedade começasse a
repensar e olhar os alunos com necessidades educacionais especiais sob um diferente paradigma.
Movimentos nacionais e internacionais patrocinados pela UNESCO estabeleceram os fundamentos de
uma política educacional inclusiva. A partir, principalmente, da Conferência Mundial de Educação para
Todos e da Declaração de Salamanca, com os princípios de reformulação do sistema de ensino como
um todo, o movimento de educação para todos tornou-se discussão mundial e desencadeou uma
verdadeira revolução educacional. Embora em termos legais e em dados estatísticos a educação
inclusiva tenha avançado, nas escolas ainda percebemos que a maioria dos alunos com necessidades
educacionais especiais, principalmente, os que apresentam deficiências são meros ocupantes de
espaço físico, estando à inserção destes limitado a socialização. O que nos faz pensar como está
acontecendo esse processo na Educação Infantil, uma vez que esta etapa do ensino se constitui em
uma porta de ingresso ao sistema educacional e, é onde se inicia a formação do indivíduo com ou sem
deficiência. Como a inclusão está se tornando cada vez mais comum nas escolas da cidade de Natal/RN
decidimos investigar as práticas desenvolvidas pelas professoras para incluir os alunos com
Necessidade educacional especial - remetendo as limitações física, motora, sensorial, intelectual;
transtornos e altas habilidades.

A formação dos profissionais da educação, segundo Magalhães (2011, p. 137) necessita “[...] ser
concebida como movimento processual, dinâmico e inacabado”. Nesse sentido, não há como negarmos
que precisamos de formação para lidar com as questões da educação e da diversidade, onde podemos
promover o diálogo entre a Pedagogia, a Filosofia e outras ciências como saberes dinâmicos
sistematizados. Faz-se necessário problematizar o papel social da escola e a inclusão dos alunos com
necessidades educacionais especiais na rede regular de ensino.
Pensando nos aspectos de formação docente e em outras necessidades para a garantia do acesso de
todos a uma educação de qualidade, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da
Educação Inclusiva (2008) tem como objetivo o acesso, a participação e a aprendizagem dos alunos
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação nas escolas
regulares, orientação dos sistemas de ensino para promover respostas às necessidades educacionais
especiais, de forma, que possa garantir (BRASIL, 2008):

 Transversalidade da educação especial desde a educação infantil até a educação superior;


 Atendimento educacional especializado;
 Continuidade da escolarização nos níveis mais elevados do ensino;
 Formação de professores para o atendimento educacional especializado e os demais profissionais da
educação para a inclusão escolar;
 Participação da família e da comunidade;
 Acessibilidade urbanística, arquitetônica, nos mobiliários e equipamentos, nos transportes, na
comunicação e informação; e
 Articulação intersetorial na implementação das políticas públicas.
O atendimento pedagógico às crianças com deficiência especiais exige um trabalho sistemático no que
tange a estrutura, ao espaço e principalmente à preparação da equipe, tudo para que se possa
proporcionar um ambiente estimulante ao desenvolvimento das potencialidades, a integração e ao
crescimento individual. Desse modo, é necessário atentarmos para o detalhe de que a educação é um
processo dialético que acontece como fruto da interação entre seres humanos e entre eles e a
estrutura no qual estão inseridos.

A intervenção pedagógica tem como base os estudos que abrangem a análise pedagógica e social para
que se possa compreender a criança enquanto ser e suas necessidades. A partir de então devem ser
levantadas estratégias para o planejamento da intervenção, que deve estar pautada no respeito às
diferenças e a outros padrões estéticos e culturais. Sendo assim, se os coletivos feitos desiguais
ressignificam as formas de pensá-los, somos então obrigados a discutir a implementação das políticas
públicas, o papel do Estado, as funções do sistema escolar, o paradigma da inclusão social e
educacional.

Portanto, a inclusão educacional e social é possível e tem seus pressupostos filosóficos assegurados a
partir da garantia dos direitos que outrora já foram confirmados em lei. Nossa missão como
educadores é fazer valer a inclusão e possibilitar o desenvolvimento das potencialidades de cada
educando, tendo em vista suas especificidades e a nossa imersão na diversidade.