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TEORIA DA COGNIÇÃO JUDICIAL (NCPC)

PROCESSO CIVIL
Curso de Direito Processual Civil de Fredie Didier (2016)

 CONCEITO DE QUESTÃO

ACEPÇÃO RESTRITA ACEPÇÃO AMPLA


Questão é qualquer ponto de fato ou de direito O próprio “thema decidendum”, o mérito, a questão
controvertido, de que dependa o pronunciamento principal do processo.
judicial.
Essa acepção é a preferida da doutrina. O art. 489, III, utiliza essa acepção:
O art. 489, II, utiliza essa acepção: Art. 489. São elementos essenciais da sentença:
Art. 489. São elementos essenciais da sentença: III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as
II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões principais que as partes lhe submeterem.
questões de fato e de direito;

 RESOLUÇÃO DAS QUESTÕES: INCIDENTER TANTUM E PRINCIPALITER

INCIDENTER TANTUM PRINCIPALITER


Questões postas como fundamento para a resolução Questões que são colocadas para que sobre elas
de outras. O juiz deve resolvê-las como etapa haja decisão judicial (objeto do julgamento,
necessária de seu julgamento, mas não as decidirá. “thema decidendum”).
Há cognição. Há cognição e julgamento.
Compõem a FUNDAMENTAÇÃO da sentença. Compõem o DISPOSITIVO da sentença.
Não recai a imutabilidade da coisa julgada. Recai a imutabilidade da coisa julgada.
Art. 504. Não fazem coisa julgada: Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente
I - os motivos, ainda que importantes para o mérito tem força de lei nos limites da questão
determinar o alcance da parte dispositiva da principal expressamente decidida.
sentença;
II - a verdade dos fatos, estabelecida como
fundamento da sentença.
Exceção: questão prejudicial incidental.
Exemplo: no controle difuso, qualquer órgão do Exemplo: no controle concentrado, a
Poder Judiciário pode examinar in concreto a inconstitucionalidade da lei é o objeto litigioso do
inconstitucionalidade de lei. Essa análise será uma processo, thema decidendum, a ser decidido apenas
questão prejudicial, resolvida incidenter tantum. pelo STF.

QUESTÃO PREJUDICIAL INCIDENTAL


É uma questão incidental que pode tornar-se indiscutível pela coisa julgada material, contrariando a regra
geral acima. O art. 503 (§§1º e 2º) traça esse regime jurídico especial:
Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão
principal expressamente decidida.
§1º O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente
no processo, se:
I - Dessa resolução depender o julgamento do mérito;
II - A seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia;
III - O juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal.
§2º A hipótese do §1º não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição
que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial.

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 OBJETO DO PROCESSO E OBJETO LITIGIOSO DO PROCESSO

OBJETO DO PROCESSO OBJETO LITIGIOSO DO PROCESSO


Abrange a totalidade de questões É a questão principal, o mérito da causa e objeto da decisão a ser
que estão sob apreciação do órgão proferida pelo juiz.
julgador. É uma parte do objeto do processo.
Prevalece que o objeto litigioso do processo é o pedido. Alguns
defendem que é o pedido identificado com a causa de pedir.

 QUESTÕES DE FATO E QUESTÕES DE DIREITO

QUESTÕES DE FATO QUESTÕES DE DIREITO


Toda questão relacionada aos pressupostos fáticos Toda questão relacionada com a aplicação da
da incidência, à existência e às características do hipótese de incidência no suporte fático, às tarefas
suporte fático concreto. de subsunção do fato à norma ou de concretização
do texto normativo.
Compõem o objeto da prova. Não requerem prova.
Algumas questões de fato não podem ser São apreciadas de ofício pelo juiz (iura novit curia:
conhecidas pelo juiz sem provocação (ex.: questões do direito cuida o juiz).
relacionadas à causa de pedir e às exceções em O juiz não fica adstrito à iniciativa da parte para
sentido estrito). identificar a norma jurídica que deva aplicar, embora
Outras podem ser examinadas de ofício. isso deva ser feito em respeito ao princípio da
Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum cooperação (art. 6º) e à regra que veda decisão
fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito surpresa (art. 10).
influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-
lo em consideração, de ofício ou a requerimento da
parte, no momento de proferir a decisão.
No geral, submetem-se à preclusão. Não se submetem à preclusão. Podem ser alegadas
a qualquer tempo.

 QUESTÕES PRELIMINARES E QUESTÕES PREJUDICIAIS

QUESTÕES PRÉVIAS
São questões cuja solução precede logicamente à de outra.
Quando entre duas ou mais questões houver relação de subordinação, a questão subordinante é uma
questão prévia. Dividem-se em prejudiciais e preliminares.
QUESTÃO PRELIMINAR QUESTÃO PREJUDICIAL
Questão cuja solução, conforme o sentido em que se Questão de cuja solução dependerá não a
pronuncie, cria ou remove obstáculo à apreciação possibilidade nem a forma do pronunciamento sobre
de outra. A própria possibilidade de apreciar-se a outra questão, mas o teor desse mesmo
segunda questão depende da maneira que se pronunciamento.
resolva a primeira. É como uma placa de trânsito, que determina para
É um semáforo: se verde, avança-se à análise da onde o motorista (juiz) deve seguir.
questão subordinada; se vermelho, o exame torna- Ex.: a filiação é uma questão prejudicial na ação de
se impossível. alimentos.
Segundo Carlos Barbosa Moreira, há 3 tipos: Pode ser interna ou externa:
1) Preliminares ao conhecimento do mérito da 1) Prejudicial interna: quando surge no mesmo
causa: os pressupostos processuais são questões processo em que está a questão subordinada. É
preliminares, na medida em que, a depender da possível que sua resolução, como questão principal,
solução, podem impedir o exame do objeto litigioso. não seja de competência do juízo do processo, ainda

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2) Preliminares de recurso: todos os requisitos de que este seja competente para julgar a questão
admissibilidade do recurso (ex.: cabimento, principal. Soluções: remessa de todo o processo para
tempestividade, preparo etc). o juiz competente para o julgamento da questão
3) Preliminares de mérito: se resolvidas em certo prejudicial; atribuição de competência ao juízo da
sentido, podem dispensar o juiz de prosseguir em causa para, incidentalmente, resolver a questão
sua atividade cognitiva (ex.: prescrição). prejudicial; ou cisão de julgamento.
2) Prejudicial externa: está sendo discutida em outro
processo).
Pode ser homogênea (mesmo ramo do direito da
questão subordinada) ou heterogênea (ramos
distintos do direito).

 QUESTÕES DE ADMISSIBILIDADE E QUESTÕES DE MÉRITO

QUESTÕES DE ADMISSIBILIDADE QUESTÕES DE MÉRITO


São os pressupostos processuais. Questão principal: pedido e causa de pedir.
O juízo de admissibilidade consiste na verificação da Há questões de mérito que serão resolvidas
possibilidade de o objeto litigioso ser apreciado. pelo juiz como simples fundamento
Questão principal: validade do procedimento. (algumas defesas do réu, o exame da
Existem no procedimento principal (e a falta compromete questão incidental de mérito etc) e o mérito
todo o processo) e em cada procedimento incidente/recursal propriamente dito (questão principal,
que componha a estrutura da relação jurídica processual (e a objeto litigioso).
falta inviabiliza apenas o procedimento a que se relaciona).
Uma questão pode ser de admissibilidade, em relação a um procedimento, e de mérito, em relação a outro.
Uma mesma questão não pode ser de admissibilidade e de mérito no mesmo processo.
Ex.: a legitimidade ad causam extraordinária é uma questão de admissibilidade, mas pode ser questão de
mérito em um recurso em que se discuta a ilegitimidade de uma das partes.
O mérito de um procedimento pode ser composto exclusivamente por questões que anteriormente eram
processuais. A partir do momento em que se torna o objeto litigioso do processo, a questão deixa de ser
processual e passa a ser uma questão material ou de mérito.
O juiz realiza dois juízos no processo: o de admissibilidade (preliminar) e o de mérito. Em cada um desses
juízos, há questões incidentes e questões principais.

 ESPÉCIES DE COGNIÇÃO (KAZUO WATANABE)

- No plano horizontal, a cognição pode ser plena ou limitada, a depender da extensão e da amplitude
das questões que podem ser objeto de cognição judicial:

COGNIÇÃO PLENA COGNIÇÃO LIMITADA


Não há limitação ao que juiz conhecer. Limita-se o que o juiz pode conhecer.
Ex.: o procedimento comum (não há nenhuma Ex.: o procedimento especial da desapropriação (não
restrição da matéria que pode ser posta sob é possível discutir, em seu bojo, a validade do ato
apreciação). expropriatório).

- No plano vertical, a cognição pode ser exauriente ou sumária, a depender do modo como as questões
serão conhecidas pelo magistrado:

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COGNIÇÃO EXAURIENTE COGNIÇÃO SUMÁRIA
Exame profundo da questão posta sob apreciação. Exame não profundo da questão posta sob
Somente as decisões fundadas em cognição exauriente apreciação.
podem estabilizar-se pela coisa julgada (é a cognição das
decisões definitivas).

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