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1.

O BÁSICO

1.1 EQUIDADE

Equidade representa a probabilidade que uma mão vai vencer após o river contra a mão ou
range do vilão. Equidade também leva em conta que o pote às vezes vai ser dividido. É
também importante ressaltar que, se uma mão tem mais equidade que outra, isso não
significa que ela seja melhor ou seja mais lucrativa.

Como exemplo, um oponente razoável dá raise de MP e todos os vilões foldam até nos, que
estamos no button. É melhor dar call com 9-8s que com A-9o, apesar do primeiro possuir
menos equidade. Para entender o porquê, discutiremos as qualidades-chave que procuramos
quando decidimos jogar uma mão.

1.2.2 MANTENDO EQUIDADE CONTRA RANGES FORTES

Um dos motivos pelos quais A-9o é um call ruim no button contra um raise de MP é porque
essa mão tem muita equidade contra o range de check-fold do vilão. Mais especificamente
ace-high sem kicker é geralmente muito fraco para ir de check nas três streets e vencer no
showdown, mas quando apostamos a mão, sua equidade nunca é realizada pois todas as mãos
piores no range do nosso adversário foldarão. Além disso, no flop, A-9o quase nunca estará à
frente no range de value bet do vilão e é improvável que melhore quando estiver perdendo.
Por fim, quando tivermos um par e o vilão vá de check, é improvável que ele vá de check-call
em várias streets com mãos piores.

Por outro lado, considere 9-8s. Enquanto é improvável que 9-8s flope uma mão que vença mão
fortes que value betem no flop, floparemos com frequência um flush draw, straight draw, ou
um par com 5 outs. Esses draws todos tem potencial de se tornarem mãos fortes que possam
vencer mãos no range de value bet ou de check-call do vilão. Além disso, 9-8s utiliza sua
equidade de forma eficar quando flopa um draw mas não se torna uma mão forte. Podemos
semi-blefar no turn ou river se o vilão for de check e não possuirmos um par, e se ele der
check-call em nosso bet, nosso draw certamente estará vivo.

Assim, note que suited connectors são geralmente mãos lucrativas pois quando elas se tornam
mãos fortes, geralmente serão mãos fortes o suficiente para vencer mãos no range de value
bet ou check-call do vilão. Por fim, quando elas não se tornarem mãos fortes e, ao contrário,
forem usadas como blefe, suited connectors quase sempre farão o vilão foldar, então pouca
equidade é desperdiçada.

Queremos enfatizar jogar mãos que tenham alta equidade contra o range de bet ou de call do
vilão. Mãos que possuem muita equidade contra o tipo de mão que o vilão frequentemente
vai foldar no river são muito menos úteis.

1.1.2 PERCEBENDO SE É LUCRATIVO VER CARTAS ADICIONAIS

Após ver um flop com um suited connector, quase sempre saberemos exatamente o que
precisamos para fazer a melhor mão, e geralmente quereremos ver o turn quando floparmos
um par, um straight draw, um flush draw, um backdoor flush ou um backdoor straight. Como
foldaremos nossos suited connectors no flop ou turn se nossa mão possuir pouca equidade, se
não vermos o river é improvável que nossa mão tivesse se tornado forte o suficiente para
vencer o vilão, de qualquer forma.
Outras mãos não nos permitem dar call no flop e nos dar a chance de melhorar contra o range
do adversário. Isso ocorre frequentemente com pocket pairs fracos. Se ele betar, teremos que
foldar, pois nosso par só vence blefes, e não temos outs suficientes para justificar um call.
Assim, apesar do fato de nosso pocket pair melhorar para uma trinca até o river em cerca de
10% das vezes, não é equidade suficiente para nos fazer querer investir fichas adicionais para
ver se atingimos nossa trinca.

Como exemplo, estamos no button e damos call em um raise de MP. O flop vem Ks-7c-3h.
Enquanto tanto 6d-6s e 9h-8h possuem cerca de 10% de equidade contra um top pair, dar call
com 9-8s é uma jogada muito mais forte que dar call com 6-6. Isso porque quando temos o 9-
8s, existem 22 cartas no baralho que nos darão um straight draw, flush draw ou um par com 5
outs. Se o turn for uma dessas 22 cartas, como será 46,8% das vezes, podemos dar call
novamente e esperar formar a melhor mão no river (e às vezes blefar se não melhorarmos e o
vilão der check).

Enquanto podemos dar sorte imediatamente se acertarmos nossa trinca, se não a acertarmos
no flop geralmente teremos que foldar para um bet. Isso significa que mesmo que o river seja
um 6, terminaremos por não ver esta carta e assim ganhar um pote grande. Assim, mesmo que
9-8s e 6-6 tenham a mesma equidade no flop, com 9-8s poderemos dar call em um bet no turn
para tentar vencer o vilão no river, e portanto é uma mão superior.

1.2 COMPARANDO EQUIDADE COM VALOR ESPERADO

Usaremos com frequência as expressões valor esperado (EV), às vezes escrita como
expectativa, e equidade. Às vezes os jogadores confundem estes conceitos e, enquanto
devemos manter em mentes que eles são relacionados, valor esperado e equidade não são
intercambiáveis. O valor esperado de uma mão nos diz quanto esperamos vencer em média, e
considera todo o dinheiro previamente investido no pote como dead money. Isso significa que
foldar no ponto de cálculo do EV sempre terá como expectativa zero, independente se no geral
perdermos dinheiro na mão.

1.3 AS MÃOS NÃO PODEM SIMPLESMENTE SER RANQUEADAS DA MAIS FORTE PARA A MAIS
FRACA

Como equidade não necessariamente torna uma mão melhor, as mãos não podem
simplesmente ser ranqueadas da mais forte para a mais fraca. Isso significa que diferentes
tipos de mãos serão úteis em determinadas situações e não podemos entrar no hábito de
pensar que algumas mãos são sempre melhores que outras. Isso é especialmente verdadeiro
pré-flop, onde uma ligeira mudança em profundidade de stack ou posição pode impactar
significativamente no valor esperado de uma mão.

Por exemplo, contra um raise do button, que tem um range amplo, uma mão como K-10o
funcionará muito melhor como um call do big blind que 7-5s. Isso porque call com K-10o
mantém todos os K e os 10 piores na range do vilão, enquanto 3-betar faria todos eles
foldarem. Como o range do button é tão amplo, não precisamos ter uma mão extremamente
forte no river para ter a melhor mão e ganhar um pote de tamanho razoável. Mas 7-5s joga
menos efetivamente como call porque com frequência vai flopar o segundo melhor par, o que
inclui fazer o mesmo pair mas com um kicker pior.

Por outro lado, 7-5s jogará muito melhor em um pote 3-betado que K-10o. Nessa situação,
requere-se mãos muito mais fortes para vencer no showdown que o normal, e 7-5s tem o
potencial de fazer mãos muito mais fortes que K-10o. Além disso, é uma mão que nos permite
efetivamente lançar o segundo barril como semi-blefe no turn quando tivermos um straight ou
flush draw, pois se acertarmos nosso draw, quase sempre faremos a melhor mão. Por último,
existe o problema de que potes 3-betados pré-flop aumentam a chance de que K-10 está
dominado (por K-K, 10-10, A-K, A-10, K-Q ou K-J).

Temos que nos lembrar que algumas mãos jogarão melhor como calls e outras como raises
semi-blefe, e nosso trabalho como jogadores teoricamente fortes será colocar mãos nos
ranges corretos contra oponentes fortes.

1.4 ENTENDENDO RANGES POLARIZADOS E CONDENSADOS

Um range é considerado polarizado quando consiste principalmente de mãos fortes ou fracas,


e não possui ou possui poucas mãos de força média. Isso ocorre em várias situações como em
ranges de 3-bet pré-flop e em ranges de raise no flop, mas é mais claramente ilustrado no
river. Quando um jogador aposta no river ele está normalmente fazendo isso como blefe para
fazer mãos mais fortes foldarem ou com uma mão forte para extrair valor de mãos mais fracas,
pois não faz sentido apostar mãos de força média se o oponente dá call quando estamos
perdendo.

Como exemplo, o CO dá raise e o button paga. O flop é Kc-4s-2h, o turn é 7h e o river é Jd. Se o
cutoff aposta flop e turn, esperamos que ele continue apostando no river com mãos fortes
como A-K ou melhor, por valor, e ocasionalmente com mãos fracas como missed draws, por
blefe. Mas não esperamos que ele aposte Qh-Jh pois é improvável que uma aposta consiga um
call de mãos piores ou um fold de alguma mão melhor.

O oposto de um range polarizado é um range condensado. É um range que consiste em sua


maioria de mãos de força média e tem poucas ou nenhuma mão forte ou fraca. Um jogador
terá um range condensado após ir de check ou call várias vezes em uma textura de board onde
dar cartas adicionais é arriscado.

Como exemplo, um jogador vai de check-call no flop Qh-10h-4c e vai de check-call novamente
no turn 7s. Esperaríamos que seu range de check-call incluísse poucas ou nenhuma mão forte,
já que a maior parte delas daria raise no flop ou no turn. Também esperaríamos que seu range
incluísse poucas ou nenhuma mão fraca, pois a maior parte delas foldaria no flop ou no turn.
Se o river não tornar melhores muitas mãos no range de check-call, o range deverá continuar
condensado.

É importante notar que um range polarizado de mãos fortes e fracas é geralmente bastante
lucrativo e fácil de se jogar. Se a nossa estratégia é sempre dar raise com nossas mãos fortes
ou fracas, quando não damos raise ficamos com um range condensado de call o que é
geralmente problemático. Isso pois o vilão pode fazer apostas altas efetivamente quando ele
souber que nosso range é condensado, já que suas mãos de valor não podem ser vencidas.
Assim, às vezes precisaremos fazer slowplay com mãos fortes contra oponentes habilidosos
para evitar que eles nos overbetem efetivamente.

1.5 TORNANDO O OPONENTE INDIFERENTE A DAR CALL NO RIVER

Um range balanceado de bet no river consiste na proporção correta de value bets e blefes
para que nosso oponente se torne indiferente a dar call com um grande grupo de mãos
chamadas de “bluffcatchers”, pois elas só vencem blefes. O EV de dar call ou fold no river com
um bluff catcher contra um range balanceado é de aproximadamente 0.
Por exemplo, o board é Ks-4s-2c-9d-7h e nós value betamos K-Q ou melhor com uma pot-sized
bet no river. Nós também blefamos todas as mãos piores que par de nove com a mesma pot-
sized bet. Como nosso oponente vai arriscar uma pot-sized bet para vencer duas pot-sized
bets, ele precisa vencer 33,3% das vezes quando ele dá call para empatar.

Assim, precisamos de duas value bets para cada blefe para tornar nosso oponente indiferente
a dar call com mãos mais fracas que K-Q e mais fortes que 7-x.

A razão pela qual tornar nosso oponente indiferente a dar call é crucial é porque quando
betamos no river, nosso oponente provavelmente terá um bluff catcher. Se blefarmos muito,
ele sempre dará call com essas mãos e se blefarmos muito pouco, ele aprenderá a desistir
dessas mãos. Usar a proporção incorreta de value bets e blefes dará aos oponentes a
oportunidade de corretamente dar call ou foldar todos os seus bluff catchers, e bons jogadores
se aproveitarão desta falha em sua estratégia.

Por outro lado, se betamos o river com um range balanceado, nosso oponente responderá
dando call com mãos suficientes para tornar-nos indiferentes a blefar.

1.6 A ÁREA CINZENTA ENTRE O VALUE BET E O BLEFE

É com frequência tentador supersimplificar situações complexas usando um approach binário


“tudo ou nada”. Isso geralmente torna os problemas mais fáceis de serem visualizados e
entendidos, e embora destrinchar situações complexas em uma tentativa de entendê-los
melhor seja útil, temos que ter cuidado para não irmos muito além. Esse conceito pode ser
claramente visto no poker quando jogadores tentam visualizar apostas no flop e turn como
value bets ou blefes. Muitas vezes, especialmente no flop, a melhor linha disponível será fazer
uma aposta que possui propriedades de blefe e value bet ao mesmo tempo.

Como exemplo, damos raise com 10s-9s em MP e o button dá call. Se o flop vier 9d-4h-2s e
betarmos, estaremos blefando ou value betando? Perceba que nosso oponente pode dar call
com A-K, A-Q, 9-8s, 8-8 ou 7-7, e geralmente venceremos no showdown se formos de check-
check até o river.

Perceba que isso parece tornar a jogada uma value bet, pois estamos extraindo valor de mãos
piores. Mas também fazemos nosso oponente foldar mãos como A-J e K-Q, que possuem 24%
de equidade contra nossa mão, pois de forma geral essas mãos não vão muito bem contra
nosso range de bet, que possui muitos overpairs e overcards melhores. Assim, fazer o
oponente foldar mãos com 24% de equidade é um acontecimento significante. Isso é
especialmente verdadeiro quando faltam duas streets para agir, uma boa profundidade de
stacks, e nosso oponente tem posição sobre nós. Na verdade, se decidimos apostar nosso par
de noves com um dez kicker neste flop, é principalmente porque fazer o vilão foldar duas
overcards é muito desejável.

Antes de entender a teoria, pode ser tentador pensar: “Por que essa situação é complicada?
Estamos value betando pois o vilão poderá dar call com mãos piores assim como protegendo
nossa mão por não deixar ele ver uma free card. Só porque queremos negar o oponente de ver
free cards não torna nossa mão menos que uma value bet”. Isso seria supersimplificar a
situação.

É importante entender que betar neste flop tem várias consequências importantes, que são:

1) Nós tornamos o range do vilão mais forte;


2) Nós tornamos o pote maior; e
3) Nos arriscamos a tomar um raise com duas streets ainda para agir.

Existem também algumas questões a serem consideradas:

1) Mesmo que estejamos à frente no flop, como conseguiremos continuar extraindo


valor em quase qualquer carta no turn ou no river?
2) Betar o flop realmente foi uma value bet se teremos que dar check no turn e jogar um
pote grande fora de posição contra um range forte?

Perceba que a mão não simplesmente acaba quando betamos neste flop e o vilão dá call, pois
frequentemente teremos problemas em realizar nossa equidade. Assim, chamar de value bet
nossa aposta no flop seria, no mínimo, uma supersimplificação.

Em geral, os termos “value bet” e “blefe” serão termos imperfeitos em todas as streets exceto
no river. Isso porque sempre haverão cartas adicionais nas primeiras streets, e mãos mais
fracas terão oportunidade de melhorar e vencer mãos fortes. Além disso, como nem todas as
mãos de valor e blefes tem a mesma equidade, algumas terão maior chance de vencer no
showdown que outras.

Para ilustrar, suponha que 3-betamos A-A e A-K no button contra um raise do CO. A maior
parte dos jogadores se referiria a essas 3-bets como raises de valor, pois o vilão geralmente
dará call com mãos dominadas como 10-10 ou A-Q. Ainda assim, existe muita diferença de
força entre A-A e A-K, a última tendo muito menos equidade. Consequentemente,
simplesmente se referir a essas mãos como “3-bets de valor” é uma supersimplificação, mas
uma que é necessária quando discutindo e analisando mãos.

Da mesma forma, blefes podem variar grandemente em quão prováveis são de se tornarem a
melhor mão no river. Por exemplo, se dermos raise com 5h-4h no flop Jd-6h-2d, às vezes
faremos a melhor mão no turn ou river pois nossa mão é uma broca com backdoor flush draw.
Mas o 9h-7h também poderia ser um bom blefe neste flop, apesar de possuir menos equidade
por não ser uma broca. Ambas as mãos são jogadas como raise no flop esperando fazer mãos
melhores foldarem, então é razoável referir-se a elas como raises de blefe, apesar de uma
delas ser menos provável de melhorar que a outra.

Por último, os jogadores geralmente chamam de “draws” mãos que possuem pouco valor de
showdown mas muita equidade. Chamar uma mão de blefe ou draw é decidido
arbitrariamente, pois um draw é mais ou menos um blefe muito bom (às vezes com tanta
equidade que queremos que o vilão dê call ao invés de foldar). Por exemplo, poderíamos
chamar o 5h-4h do exemplo anterior de draw ao invés de blefe, pois é um draw para um
straight, backdoor flush draw, running trinca ou dois pares.

1.7 TORNANDO O OPONENTE INDIFERENTE A BLEFAR

Geralmente pensamos que o oponente não deverá ser capaz blefar lucrativamente. Quando
isso ocorre, alguns blefes em seu range serão +EV, enquanto outros serão –EV. Nesses casos, o
vilão deverá blefar mãos com a equidade correta para que seus blefes sejam lucrativos.

Como exemplo, um jogador dá raise no CO e o button dá call. Se o flop vier Qh-7c-6s, o CO


quase certamente será capaz de betar lucrativamente o 10s-9s, pois possui quatro outs para o
nuts, pode acertar o backdoor flush, e também acertar um par médio no turn. Isso é quase
certamente um bet lucrativo contra um bom jogador.
Mãos mais fracas, como 2-2, são pouco prováveis de serem continuation bets lucrativos pois
possuem apenas dois outs para uma trinca. O par baixo também não deverá efetivamente
lançar o segundo barril no turn pois não consegue outs adicionais e é improvável de vencer em
um possível showdown com apenas um par.

Um jogador que consistentemente blefa com as mãos corretas está “randomizando bem”, e
esse jogador torna seu range balanceado blefando com mãos que possuem a equidade
correta. Isso dá a ele uma melhor chance de dar sorte com seus blefes e melhorar sua mão nas
streets futuras pra vencer o vilão. Note que este jogador blefa de uma maneira aleatória, que é
determinada pela mão que ele possui e pela textura do board, ao invés de simplesmente se
sentir tentado a blefar.

Quando dizemos que “queremos que nosso oponente fique break even com seus blefes”, isso
significa que queremos que ele esteja próximo de ser indiferente a blefar ou ir de check-fold
com a pior mão em seu range de bet. Os melhores blefes no range do vilão certamente serão
lucrativos pois possuem boas chances de melhorar em futuras streets. Mas, em várias
situações, a pior mão no range de bet teoricamente correto do vilão deverá ser apenas
ligeiramente lucrativo.

Se um jogador folda tanto que seu oponente possa lucrativamente blefar qualquer mão em
seu range, isso frequentemente (mas não sempre) nos diz que ele não está defendendo tão
agressivamente quanto teoricamente deveria. Por exemplo, imagine que um jogador folde
tanto para raises no flop que o oponente possa lucrativamente dar raise com quaisquer duas
cartas. Seu oponente nunca foldará pois foldar é 0 EV enquanto dar raise blefando gera um EV
positivo.

Por último, note que é frequentemente possível pegar duas linhas diferentes que possam ter a
mesma expectativa contra um adversário ótimo. Por exemplo, poderemos chegar ao river
segurando um bluff catcher, e tanto call quanto fold possuem uma expectativa de zero. Contra
um oponente ótimo, não importa qual linha decidiremos pegar, pois ele nunca mudará sua
estratégia para nos explorar. Mas contra qualquer oponente real, dar call frequentemente o
encoraja a parar de blefar, enquanto foldar frequentemente o incentiva a blefar muito. Então
é importante se manter balanceado contra bons oponentes mesmo em situações onde a
expectativa das duas linhas é a mesma contra um oponente ótimo (a não ser que você esteja
planejando reverter sua estratégia no futuro).

1.8 UM JOGADOR ÓTIMO SEMPRE PEGA A LINHA +EV

Dois jogadores estão jogando teoricamente ótimos quando eles estão em uma situação que é
conhecida como Equilíbrio de Nash, que ocorre quando nenhum jogador nunca recebe um
incentivo para desviar da forma que está jogando. Isto é, se um jogador alguma vez pegar uma
linha que não é a +EV, eles têm um incentivo para se desviar e pegar a linha mais lucrativa.

Muitos jogadores frequentemente se confundem em relação a este conceito e pensam que às


vezes um jogador ótimo vai pegar uma linha menos +EV ou mesmo –EV se isso tornar outras
mãos em seu range jogarem mais lucrativamente após seu oponente se ajustar a elas. Mas isto
nunca acontecerá contra um oponente ótimo, que nunca mudará sua estratégia quando ele
ver seu oponente pegar uma linha não-ótima. Isso porque sua estratégia não pode ser vencida
e se ajustando ele pode ser explorado por um oponente que reconheça a mudança.
Como um jogador ótimo nunca mudará sua estratégia, isso significa que quando jogando
contra jogadores fracos, uma estratégia explorativa deverá ser mais lucrativa que uma
estratégia ótima. Por exemplo, se um jogador folda muito frequentemente, constantemente
vencer potes pequenos e se recusando a jogar potes grandes sem algo próximo ao nuts é
provavelmente mais lucrativo que jogar otimamente. Portanto enquanto um jogador ótimo
sempre pega a linha mais lucrativa contra um oponente ótimo, linhas explorativas mais
lucrativas geralmente serão possíveis quando enfrentando jogadores fracos.

1.9 APOSTAS ALTAS FAZEM O OPONENTE COLOCAR MAIS DINHEIRO NO POTE

Apostas pequenas em relação ao pote requerem que o oponente frequentemente dê call para
evitar que lucrativamente betemos quaisquer duas cartas. O contrário é verdadeiro para
apostas altas, que requerem que o oponente ocasionalmente coloque muito dinheiro no pote.
Assim, escolher o correto tamanho da aposta é extremamente importante.

Note que um aspecto chave em tamanho da aposta é que a quantidade média que o vilão
precisa colocar no pote aumenta para apostas altas. Por exemplo, suponha que queremos
comparar quanto dinheiro o vilão precisa colocar no pote se betarmos meio-pote, um pote ou
dois potes no river e o vilão não queira blefemos lucrativamente quaisquer duas cartas.

1) Para uma aposta de meio-pote, o vilão precisa dar call ou raise 66,7% das vezes para
nos tornar indiferentes a blefar. Assim, ele acaba colocando no pote em média pelo
menos 0,33 do pote;
2) Para uma aposta de um pote, o vilão precisa dar call ou raise 50% das vezes para nos
tornar indiferentes a blefar. Assim, ele acaba colocando no pote em média pelo menos
0,5 do pote;
3) Para uma aposta de dois potes, o vilão precisa dar call ou raise 33,4% das vezes para
nos tornar indiferentes a blefar. Assim, ele acaba colocando no pote em média pelo
menos 0,66 do pote.

Apostas grandes colocam mais dinheiro no pote mas também tornam o range do vilão muito
mais forte que com apostas pequenas. Apostar a quantidade correta com as mãos apropriadas
sem deixar nosso range muito transparente é um dos conceitos mais importantes e difíceis de
se dominar.

1.10 O VALOR DA POSIÇÃO

Apesar de não conseguirmos corretamente quantificar o valor exato de se estar em posição,


sabemos que isso propicia diversas vantagens. O jogador em posição age por último, o que lhe
dá acesso a mais informação, dá a ele a primeira oportunidade de parar a aposta e ver a
próxima street, e permite a ele dar call mais efetivamente no turn com draws. Quão valiosa é a
posição em uma determinada situação vai depender de uma variedade de fatores.

Ao invés de fazer uma análise inadequada sobre o valor da posição, simplesmente tenha em
mente que estar em posição no flop é uma vantagem significativa mesmo que não possamos
quantificar seu valor exato. Por causa disso, nós tentaremos ver muito flops em posição e
limitaremos os flops que veremos fora de posição.

Posição também é sensível ao tamanho do stack. Quando apenas uma pequena quantidade
pode ser apostada, a posição possui pouco valor. Mas neste livro, a maior parte de nossa
discussão assumirá que os stacks iniciais são de 100 big blinds, e nessa profundidade de stack
haverão fichas suficientes para apostar durante toda a mão, tornando a posição quase sempre
importante.
2. JOGO PRÉ-FLOP

2.1 INTRODUÇÃO

Enquanto continuamos por este livro, você começará a perceber algumas poucas tendências
gerais quando resolvendo problemas de uma perspectiva teórica. Primeiro, nem sempre
conseguiremos chegar a uma solução utilizando apenas matemática e teoria, e estes
problemas requerem tentativa e erro.

Segundo, notaremos que a melhor forma de resolver um problema poderá com frequência
parecer ao contrário ou requerer que paremos por um tempo e que voltemos mais tarde,
quando possuirmos mais informações. Por exemplo, suponha que no flop queremos descobrir
qual deveria ser a nossa proporção de valor e blefe. Para descobrir isso, primeiro precisaremos
saber quão frequentemente betaremos no river com um range balanceado, qual tamanho da
aposta deverá ser utilizado no turn e river, e o quanto a posição afeta nosso range. Note que
esta é uma quantidade grande de informação, e obviamente seria bem difícil saber por onde
começar se um jogador novato nos perguntasse “Você pode explicar como balancear a
frequência de valor e blefe no flop, e de onde vêm esses números?”

Resolveremos muitos problemas desta forma, e é importante lembrar de ser paciente e saber
que essas questões serão resolvidas à medida que discutirmos mais conceitos. Sua confusão
vai chegar ao fim enquanto cobrimos mais tópicos e mais momentos “Ah-hah” surgirão
quando múltiplos conceitos se unem e a matemática e a lógica atrás do poker teoricamente
correto começa a fazer mais sentido.

Por último, e talvez o mais importante, note que enquanto geralmente não conseguimos
chegar à solução exata, a teoria pode ser utilizada para nos dizer quando algo não é ótimo. Isso
é especialmente importante para a atual seção do livro. Quando sabemos que algo deve estar
errado com nossos ranges ou tamanho de aposta, podemos focar nossa atenção para aquela
área específica de nosso jogo e tentar encontrar uma estratégia que não possua erros teóricos.

Por exemplo, rapidamente veremos que provavelmente não faz sentido 3-betar QQ+/AK de
qualquer posição um raise de UTG. Se todo jogador 3-betar essas mãos por valor e balancear o
range com a quantidade apropriada de blefes, então o jogador de UTG será 3-betado muitas
vezes e parará de abrir com as mãos que ele planeja foldar para um 3-bet. Mesmo que isso
não nos diga exatamente quais são os ranges ótimos para defender contra um raise de UTG,
nos dá um ponto de início útil para construir ranges.

Nossa abordagem geral para o jogo pré-flop será começar com a análise de ranges básicos que
a maioria dos jogadores vencedores utilizam atualmente e modificá-los à medida que vermos
que eles podem ser explorados. Assim que estivermos utilizando ranges e tamanhos de aposta
que não deem aos nossos oponentes formas claras de nos explorar, nossa estratégia
provavelmente estará mais próxima do GTO que originalmente era. Isso tornará abordar o
jogo pré-flop muito mais fácil que começar do zero, o que seria no mínimo difícil e, no máximo,
próximo a impossível.

2.2 FREQUÊNCIAS DE 3-BET, 4-BET E 5-BET PRÉ-FLOP

Embora não exista uma maneira de descobrir os tamanhos perfeitos de 3-bet, 4-bet e 5-bet e a
frequência de cada posição, podemos analisar os efeitos dos tamanhos comumente utilizados
e ver como eles afetam os ranges e frequências de cada jogador. Além disso, perceba que a
metodologia que discutiremos será muito mais importante que ter certeza que usamos os
tamanhos corretos. Na realidade, pequenas mudanças de tamanho geralmente afetam apenas
ligeiramente o range de cada jogador. Tenha em mente também que, online, a maioria dos
jogadores possuem stacks de 100 big blinds e um tamanho comum é um raise do tamanho do
pote, de 3,5 big blinds, na maioria das posições exceto no button. Além disso, bons jogadores
geralmente 3-betam um raise de 3,5 big blinds para algo entre 10 e 12 big blinds.

Vamos considerar com que frequência devemos defender contra um 3-bet de forma a tornar o
oponente indiferente ao blefe. Quando um jogador 3-beta blefando um raise de 3,5 big blinds
em posição para 10 big blinds, ele está arriscando 10 big blinds para ganhar 5 (o raise mais as
blinds). Assim, o 3-bet precisa funcionar mais que 66,7% das vezes para gerar um lucro
imediato.

Da mesma forma, se o 3-bet fosse para 12 big blinds ao invés de 10, precisaria funcionar 70,6%
das vezes.

Observe que mesmo um aumento de 20% no tamanho do 3-bet só muda o quanto o raiser
original deve defender em 4%. Note também que o raiser original não é o único jogador que
pode defender contra o 3-bet – ainda existem jogadores que vão agir que podem ter uma mão
forte ou que podem decidir blefar.

Aqui está um exemplo. O cutoff aumenta para 3,5 big blinds e o button 3-beta para 10 big
blinds. Como o jogador que 3-betou precisa que os outros jogadores foldem 66,7% das vezes
para conseguir um lucro imediato, os jogadores restantes precisam defender um combinado
total de pelo menos 33,3%. Se cada um dos blinds 4-betar 3% das vezes e nas outras vezes
foldar, então o raiser original precisaria defender pelo menos 29,1%.

Mas o No Limit Hold’em não é sempre tão simples. Isso porque os jogadores geralmente fazem
3-bets menores em posição que fora de posição, pois eles querem encorajar o oponente a dar
call para ver o flop (em posição). Se dermos raise first in e o vilão fizer um pequeno 3-bet,
geralmente ele estará em posição e haverão várias pessoas ainda a agir que podem nos ajudar
a defender. Se o vilão estiver fora de posição, seu 3-bet geralmente será maior, assim não
teremos que defender tanto mesmo se não houverem jogadores ainda a agir. Em geral, nossa
estratégia será de defender de 27 a 31% dos nossos raises contra 3-bets.

Os tamanhos mais comuns de 4-bet são geralmente de 22 a 24 big blinds para ganhar um pote
de 15 a 16 big blinds. Se o raiser original 4-betar, ele efetivamente arrisca apenas de 18,5 a
20,5 big blinds, já que seu raise original de 3,5 big blinds agora é dead money. Assim, um 4-bet
do raiser original pré-flop deve ser bem-sucedido 55% das vezes para gerar um lucro imediato,
enquanto um 4-bet das blinds deve ser bem-sucedido 60% das vezes para gerar um lucro
imediato.

Por último, um jogador pode 5-betar blefando, o que quase sempre vai resultar nele indo all-in
quando os tamanhos dos stacks forem de 100 big blinds ou menos. Assim, quando alguém 5-
bet shova blefando, ele geralmente estará segurando um pocket pair pequeno um A suited
fraco, pois essas mãos possuem a maior equidade quando o 5-bet for pago.

Entretanto, quanta equidade uma mão específica tem vai mudar significativamente baseado
no range de call do vilão. Por exemplo, contra um range de call de JJ+/AK, um par de três e A-
5s tem 32,2% e 30,7% de equidade, respectivamente. Mas contra um range de call de A-A e K-
K, o par de três possui apenas 18,4% de equidade, enquanto A-5s possui 26,7% de equidade.
Outro ponto a ser considerado é que o 5-bet blefe geralmente virá do jogador que 3-betou, e
como ele já investiu cerca de 11 big blinds, ele está arriscando, em média, apenas mais 89 big
blinds indo all-in (assumindo que ele tenha começado a mão com 100 big blinds). Assim, como
o pote final terá 201,5 big blinds, sua expectativa é de pouco mais de 2 big blinds de volta para
cada 1% de equidade. Então, por exemplo, se sua mão possui 31% de equidade quando
receber o call, sua expectativa é de 62,5 big blinds quando o vilão não foldar, o que é o mesmo
que uma expectativa geral de -26,5 de big blinds. Mas quando o vilão folda, assumindo que o
4-bet (para 24 blinds) venha do raiser original, o jogador que 5-beta blefando vai ganhar em
média 36,5 blinds. Assim, neste exemplo, o 5-bet blefe precisa funcionar mais que 42% das
vezes para gerar um lucro.

De forma geral, o 5-bet blefe precisa funcionar entre 40 e 50% das vezes para ser lucrativo. A
porcentagem exata depende da equidade contra o range de call de 5-bet do vilão, e os
tamanhos das apostas usadas para o raise, 3-bet e 4-bet.

Resumindo, as frequências que os 3-bets, 4-bets e 5-bets usados como blefes devem ser bem-
sucedidos geralmente estarão nas seguintes porcentagens:

- 3-bet blefes precisarão funcionar entre 67 e 70% das vezes para gerar um lucro imediato;

- 4-bet blefes precisarão funcionar entre 54 e 60% das vezes para gerar um lucro imediato;

- 5-bet blefes precisarão funcionar entre 40 e 50% das vezes para gerar um lucro imediato.

Então, apesar de cada blefe adicional se tornar significativamente mais caro (em termos de big
blinds adicionadas ao pote), cada blefe precisa ser bem-sucedido com uma frequência menor
que o anterior para ser lucrativo.

Se o vilão às vezes defende dando call ao invés de dar re-raise, como com frequência ele fará,
então nossos 3-bets e 4-bets não precisam funcionar tanto para serem lucrativos. Isso porque
mesmo nossos blefes mais fracos darão sorte no flop. Da mesma forma, podemos constatar o
seguinte:

- Raises pré-flop precisam defender 4-betando entre 25 e 30% das vezes se nunca nos
defendermos dando call. Este número é mais baixo que deveria ser pois geralmente existem
outros jogadores ainda a agir que podem ajudar a defender;

- Ranges de 3-bet que nunca dão call quando enfrentando um 4-bet deverão 5-bet shovar
entre 40 e 46% das vezes;

- Ranges de 4-bet deverão dar call entre 50 e 60% das vezes quando enfrentando um 5-bet
shove.

Essas frequências são importantes para se determinar a proporção entre raises por valor e
raises por blefe em situações de 3-bet, 4-bet e 5-bet. Mesmo que essas frequências não nos
digam exatamente quais mãos pertencem a quais ranges, elas nos permitem enxergar se um
range está voltado de forma exagerada para value bets ou blefes.

2.3 RANGES DE RAISE FIRST IN PRÉ-FLOP

Antes que possamos desenvolver ranges de 3-bet contra raises de diferentes posições,
precisamos primeiro entender o que torna uma mão teoricamente correta para dar raise first
in. Como o valor esperado de foldar é zero, um jogador deveria dar raise first in como qualquer
mão que possua um valor esperado positivo. Isto é, a pior mão em um range de raise first in
deve ser próxima a 0 EV, já que esta expectativa é igual ou pouco maior que a expectativa de
foldar. Desta forma, podemos fazer as seguintes constatações sobre as propriedades da pior
mão em um range de raise first in de um jogador teoricamente ótimo:

1) O valor esperado da mão deve ser próximo, se não igual, a zero. Uma mão tem um
valor aproximado de 0 EV se devemos dar raise com ela algumas vezes, mas não todo
o tempo. Por exemplo, se um jogador em UTG dá raise com 6-5s apenas 75% do
tempo, então o valor esperado da mão será próximo a 0. Mas se ele der raise com esta
mão todas as vezes, ele será visto jogando muitas vezes com mãos especulativas em
EP e se torna vulnerável a re-raises e outras jogadas. Desta forma, o valor esperado de
6-5s muito provavelmente se tornará negativo;
2) Esta mão deverá frequentemente foldar quando enfrentando um 3-bet. Geralmente
não faz sentido defender contra raises com as mãos mais fracas de seu range de raise.
O EV perdido será igual ao tamanho do raise. Haverão raras exceções se a mão
funcionar bem como um 4-bet blefe;
3) A mão terá um EV total de mais que -3,5 blinds quando os vilões derem call ao invés de
re-raise. Mesmo a mão mais fraca em um range de raise pode se tornar uma mão forte
no flop;
4) A mão não possuirá um EV maior que 1,5 big blinds quando chegar ao flop. Poker é um
jogo onde a soma do EV é sempre zero, e se a pior mão em um range de raise pré-flop
esperar ganhar mais que as blinds, isso implica que o jogador que dará call não estará
jogando otimamente – seu call teria que ter um valor esperado negativo.

As constatações acima nos servem como um útil guia para começar a descobrir como ranges
de raise e 3-bet pré-flop devem ser. Como um jogador arrisca 3,5 big blinds para vencer 1,5 big
blinds com suas piores mãos em seu range de raise, este deve ser bem-sucedido pelo menos
70% das vezes para gerar um lucro imediato. Isso significa que, se a frequência combinada de
3-bet de todos os oponentes resultar no raiser original sendo 3-betado um total de 30% ou
mais, não será lucrativo dar raise first in com uma mão que terá que foldar para um 3-bet.

2.4 RANGES MÁXIMOS DE 3-BET

Agora sabemos matemática e teoria suficientes para descobrir como um range de 3-bet deve
fazer sentido, e sobre qual posição do vilão devemos aplicá-lo. Para alcançar uma estimativa
rápida, assumiremos que os jogadores estão utilizando as mesmas frequências de 3-bet de
todas as posições restantes possíveis. Esta constatação está detalhada no quadro ao final desta
seção, mas será útil agora para nos dar um ponto de início para descobrir que tipos de ranges
de 3-bet são possíveis.

Devemos também notar que simplesmente dividir 30% pelo número de jogadores que ainda
irão agir nos dará uma estimativa acurada da quantidade máxima que cada jogador pode 3-
betar, mas não nos dará a resposta exata. Isso porque a estimativa não leva em conta que dois
ou mais jogadores podem ter uma mão que 3-betará o mesmo raise. Assim, devemos
descobrir quão frequentemente cada jogador não deve 3-betar para que o raise original seja 3-
betado menos que um total de 30%.

Aqui está um exemplo. Como existem cinco jogadores ainda a agir (considerando que estamos
em 6-max), devemos multiplicar a probabilidade de cada jogador não 3-betar para
conseguirmos a resposta correta. Assim, o máximo que cada jogador pode 3-betar é 6,9%.
Como vimos em “Frequência de 3-bet, 4-bet e 5-bet pré-flop”, um jogador não pode foldar
mais que 40 a 46% de seu range de 3-bet para a maioria dos 4-bets do vilão. Isso significa que
de 40 a 46% do range de 3-bet deveria ser preparado para, ou jogar um pote pós-flop 4-
betado, ou 5-bet shovar pré-flop.

Entretanto, isso também significa que devemos foldar entre 54 a 60% das vezes contra o 4-bet
do vilão para torná-lo indiferente ao blefe (assumindo que nós sempre 5-betemos ou foldemos
contra o 4-bet do vilão). Então, se estamos 3-betando 6,9% das vezes, então devemos
defender com 2,76% do total do nosso range contra um 4-bet, que é um range de AA-QQ/AK.
O quadro abaixo incluir a resolução dos ranges utilizando a metodologia citada acima.

Range de Raise Porcentagem Porcentagem de Componentes de


Máxima de 3-Bet 3-Bet por Valor Valor do Range de
3-Bet
UTG 6,9 2,76 AA-QQ, AK
MP 8,5 3,4 AA-JJ, AK, AQs
CO 11,2 4,6 JJ+, AJs+, AQo+
Button 16,3 6,52 TT+, ATs+, KQs, AJo+

Nós não provamos, de forma alguma, que estas mãos devem ser 3-bets teoricamente corretos.
Podemos 3-betar algumas mãos não-premium para usá-las como 5-bet blefes quando
enfrentarmos um 4-bet, e podemos fazer slowplay com algumas mãos muito fortes apenas
dando call pré-flop.

Isso nos dá, porém, um ótimo ponto de início para determinar se os jogadores estão 3-
betando muito agressivamente. Isto é, se eles estão defendendo 3-betando próximo das
frequências acima, então, como logo veremos, o raiser pré-flop estará perdendo dinheiro
abrindo as piores mãos de seu range de raise first in.

Além disso, a maior parte das pessoas concordará que a pior mão em um range de raise pré-
flop, em média, perderá dinheiro quando receber um call. Enquanto é verdade que o dead
money nas blinds aumenta o valor esperado tanto para o raiser pré-flop quanto para o jogador
que dá o call, é improvável que este seja um efeito forte o suficiente para fazer com que a mão
mais fraca do range ganhe dinheiro quando receber um call.

Consequentemente, a pior mão em um range de raise provavelmente perderá dinheiro por


diversas razões quando receber um call:

1) Ela é mais fraca que a mão média em um range de flat call pré-flop;
2) No flop, o raiser pré-flop frequentemente estará fora de posição, a não ser que ele
tenha dado raise no botão ou receba call apenas de uma das blinds;
3) Se uma das blinds der call (fazendo assim com que o raiser pré-flop veja o flop em
posição), o pote será menor, já que haverá menos dead money das blinds.

É importante construir ranges onde toda a nossa teoria e nossas crenças façam sentido, e não
devemos nos permitir ter um processo de pensamento contraditório. Estamos agora
equipados com um grande conjunto de restrições, ou parâmetros, que nos dirão o que
podemos e o que não podemos fazer quando construindo ranges de raise first in e ranges de
defesa, de todas as posições.
Para ilustrar rapidamente este conceito, imaginemos que estamos jogando em uma mesa
agressiva e damos raise de 3,5 big blinds com a pior mão de nosso range de UTG teoricamente
correto. Seremos 3-betados um total de 30% das vezes e receberemos call outros 25% do
tempo. Além disso, sejamos generosos e assumamos que o valor esperado quando nosso raise
receber um call é em média 0 EV. Calculando essas variáveis, descobrimos que o valor
esperado de dar raise com a pior mão de um range de raise de UTG, nesta mesa, é de -0,375
big blinds. Isto é, o jogador em UTG espera, em média, perder -0,375 big blinds quando ele dá
raise com a pior mão de seu range de raise de UTG teoricamente correto.

Perceba que perdemos dinheiro nesta mesa dando raise com a pior mão em nosso range de
raise first in teoricamente correto. Nossos oponentes estão jogando muito agressivamente e
nossa mão não vai bem contra oponentes que 3-betam um total de 30%. O fato de um raise
teoricamente correto ter um valor esperado negativo não deveria surpreender ninguém. Por
exemplo, um blefe teoricamente correto no flop perderá dinheiro contra oponentes que se
recusarem a foldar.

Enquanto encontraríamos um ponto de equilíbrio (não obter nem lucro nem prejuízo) se
nossos oponentes sempre 3-betassem ou foldassem, não podemos nos esquecer de levar em
conta que nosso raise às vezes receberá um call. Isto é algo que pode ser facilmente esquecido
enquanto fazendo cálculos. É fácil pensar “como fico em equilíbrio quando o vilão dá call, isso
não muda nada”, mas isso não é verdade. Quando os vilões foldam ganhamos 1,5 big blinds,
mas quando um deles dá call, ganhamos 0 blinds.

Isso explicita o fato de que, enquanto nossos oponentes tiverem ranges razoáveis de flat call,
eles deverão estar 3-betando significativamente menos que um total de 30% do tempo. Se, ao
contrário, eles sempre 3-betarem com todas essas mãos, não possuímos incentivo para dar
raise com as mãos fracas do nosso range de raise teoricamente correto.

2.5 O VALOR ESPERADO DE 4-BETAR OU FOLDAR CONTRA OPONENTES QUE NÃO FLETAM 4-
BETS

Para stacks de 100 big blinds, os jogadores raramente gostam de fletar 3-bets fora de posição.
Um dos conselhos mais comumente dados é “Não flete 3-bets fora de posição, 4-bete ou
folde. Não jogue um pote 3-betado fora de posição se você puder evitar”. Outro conselho
comum é “Se você estiver 3-betando por valor, shove por valor quando enfrentar um 4-bet, e
se você estiver 3-betando por blefe, folde. Não dê call e se arrisque a dar azar no flop.” Não
são conselhos teoricamente corretos, mas permitem que os jogadores evitem decisões difíceis
em potes muito grandes, e assim é com frequência útil para os jogadores mais novos.

Como é impossível descobrir diretamente o valor esperado de uma mão que vê o flop, isso
torna comparar o EV de ir all-in com o EV de flat call um tanto quanto complicado. Entretanto,
podemos analisar os efeitos de apenas 4-betar ou foldar contra um oponente que 3-beta e não
fleta 4-bets. No futuro, usaremos os resultados desta análise para conceitualmente mostrar
por que esta não pode ser a forma teoricamente ótima de responder a um 4-bet.

Quando um jogador responde a um 3-bet apenas 4-betando ou foldando, temos estabelecido


que ele deve 4-betar entre 25 e 30% de seu range de raise pré-flop. Quando enfrentando um
5-bet, ele deve dar call com entre 50 e 60% de seu range de 4-bet. Multiplicando as duas
médias, vemos que 15,2% do range de raise pré-flop deve dar call em um 5-bet.
Esta é uma importante frequência para se ter em mente quando jogando contra oponentes
que se recusam a fletar 3-bets fora de posição. Contra estes jogadores, precisamos defender
pelo menos 15,2% do total do range de raise deles, ou então blefer com mãos como A-x suited
e pares baixos se tornará lucrativo para eles.

Agora examinaremos como ranges típicos de 4-bet e de call de 5-bet devem ser contra vários
ranges de raise de jogadores que se recusam a fletar 3-bets. Podemos descobrir isso olhando
para a frequência de raise first in. Note que muitos dos ranges são estimativas já que não
requerem usar todas as possíveis combinações de um tipo de mão.

Porcentagem Porcentagem Range de 4-Bet Porcentagem Range de 5-Bet


de Raise First In de 4-Bet do Raiser First de 5-Bet Call Call do Raiser
In First In
10 2,75 QQ+, AKs, AKo 1,52 QQ+, AKs
15 4,13 TT+, AQs+, AKo 2,28 QQ+, AKs, AKo
20 5,5 TT+, AJs+, KQs, 3,03 QQ+, AQs+, AKo
AQo+
25 6,88 TTs+, ATs+, KQs, 3,78 TT+, AQs+, AKo
AJo+
30 8,25 TT+, ATs+, KQs, 4,54 TT+, AQs+,
AJo+ AQo+
40 11 88+, A9s+, KJs+, 6,05 TT+, AJs+, KQs,
QJs, ATo+, KJo+ AJo+

Esses ranges de defesa nos permitem ter um vislumbre de que mãos são 3-bets por valor
eficientes contra oponentes que defendem apenas 4-betando ou foldando. Por exemplo,
contra um raise first in de 15% não faz sentido 3-betar e 5-betar uma mão como Q-Q ou A-Ko,
já que o raiser pré-flop nunca vai all-in com mãos piores. Um raise first in de 15% é o que
muitos jogadores utilizam para um raise de UTG, e a falta de habilidade em 3-betar e 5-betar
A-Ko por valor contra um raise de UTG jogando 6-max é consistente com a teoria no capítulo
“Ranges Máximos de 3-Bet”. Isso não significa que A-Ko nunca será um 3-bet contra um raise
de UTG, mas geralmente será um call.

Vamos agora analisar a lucratividade de 4-betar com a intenção de dar call num 5-bet. Para
chegar ao resultados, vamos assumir que ganhamos um total de 12,5 big blinds quando nosso
4-bet é bem-sucedido e que nosso 4-bet será bem-sucedido 60% do tempo (lembre-se que
pequenas mudanças nestes números não alterarão significativamente os nossos resultados).
Assim venceremos em média 7,5 big blinds só da nossa fold equity, cada vez que 4-betarmos.

Nos 40% que faltam, o oponente shovará e daremos call, e a nossa expectativa será decidida
pela nossa equidade vezes o tamanho final do pote. Por exemplo, em um pote de 201,5 big
blinds, se o nosso 4-bet tem 45% de equidade contra o range de 5-bet shove do vilão, a
quantidade total que esperamos ganhar com nossa mão é de -9,325 big blinds.

Como isso ocorre apenas 40% do tempo (com os outros 60% produzindo um lucro de 7,5 big
blinds), nossa expectativa geral é de 0,77 big blinds.

Note que os quadros seguintes mostram quanto esperamos vencer ou perder de forma geral
quando 4-betamos. Como foldando para um 4-bet perdemos 3,5 big blinds, é ainda mais
lucrativo 4-betar com a intenção de dar call em um 5-bet, já que o valor total esperado é maior
que -3,5 big blinds.
A informação abaixo mostra a lucratividade de 4-betar e dar call em um 5-bet contra vários
ranges de 5-bet potenciais.

Equidade contra um range de 5-bet shove de KK+, AKs, A5s (1,5%)*


Mão Porcentagem de Equidade Valor Esperado Total (BB)
quando all-in
QQ 35,1 -4,2
KK 42,8 2,0
AA 81,0 32,8
AQs 34,8 -4,4
AKo 37,4 -2,4
AKs 41,5 1,0
* Este é um range de shove normalmente utilizado contra um raise de UTG.

Equidade contra um range de 5-bet shove de QQ+, AKs, A5s, AKo (2,9%)*
Mão Porcentagem de Equidade Valor Esperado Total (BB)
quando all-in
JJ 39,4 -0,7
QQ 43,4 2,5
KK 58,7 14,8
AA 84,3 35,5
AQs 33,1 -5,8
AKo 42,5 1,8
AKs 45,4 4,1
* Este é um range de shove normalmente utilizado contra um raise de MP.

Equidade contra um range de 5-bet shove de JJ+ AKs, A5s, AKo (3,3%)*
Mão Porcentagem de Equidade Valor Esperado Total (BB)
quando all-in
JJ 39,7 -0,7
QQ 49,4 7,3
KK 63,1 18,4
AA 83,7 34,9
AQs 35,4 -4,0
AKo 42,7 1,5
AKs 45,5 4,2
* Este é um range de shove normalmente utilizado contra um raise de cutoff.

Equidade contra um range de 5-bet shove de TT+, AJs, AQo (5%)*


Mão Porcentagem de Equidade Valor Esperado Total (BB)
quando all-in
99 38,2 -1,7
TT 41,2 0,7
JJ 47,5 5,8
QQ 56,0 12,6
KK 67,6 22,0
AA 84,7 35,8
AJo 28,5 -9,5
AJs 32,8 -6,1
AQo 36,6 -3,0
AQs 39,9 -0,3
AKo 50,5 8,2
AKs 52,9 10,1
* Este é um range de shove normalmente utilizado contra um raise do button.

Note que assumimos que nossos 4-bets conseguirão folds 60% do tempo, mas na prática, os
blockers impactarão a frequência de sucesso de nosso 4-bet. Por exemplo, um par de ases
enfrentará uma 5-bet menos frequentemente porque bloqueia vários combos de ases e A-K.
Além disso, também bloqueia mãos no range de 3-bet blefe do oponente. Assim, isso torna
quase impossível descobrir exatamente quão frequentemente o vilão estará 5-betando, mas
ainda podemos calcular a equidade que nossa mão terá quando enfrentarmos um 5-bet.

Perceba que os resultados acima deveria ser bastante surpreendentes mesmo para jogadores
experientes. 4-betar com A-K ou J-J no cutoff contra um 3-bet é medíocre, com as mãos tendo
um valor esperado total de apenas 1,5 e -0,7 big blinds respectivamente. Isso sugere que
deveríamos estar dando call em 3-bets com estas mãos, especialmente em posição, onde
quase certamente teremos uma expectativa maior, já que isso mantém o range do vilão mais
amplo.

Vários jogadores também se surpreenderiam em aprender que a única mão que eles deveriam
ficar felizes em ir all-in pré-flop após dar raise de UTG é um par de ases. Na verdade, mesmo
um par de reis apresenta apenas um pequeno lucro quando é 4-betado – esperamos que o
vilão folde ao invés de 5-betar. Um jogador de UTG que decide 4-betar e dar call no 5-bet com
Q-Q deve esperar perder em média cerca de 4 big blinds com esta mão.

Esses ranges de shove provavelmente são mais fortes que a maioria dos jogadores esperaria, e
reforça o que a matemática sugeriu em “Ranges Máximos de 3-Bet”. Não podemos 3-betar A-K
e Q-Q contra um raise de UTG e esperar grande lucratividade quando enfrentar um 4-bet.
Embora seja muito mais fácil jogar apenas 4-betando ou foldando quando enfrentando um 3-
bet pré-flop, especialmente quando estamos fora de posição, esses resultados mostram o
quão ineficiente essa estratégia é. O range de 3-bet do vilão deverá estar polarizado, o que
significa que nossa melhor estratégia é defender dando call muito mais frequentemente que 4-
betando.

Um último comentário. À medida que discutimos mais teoria, é frequentemente importante


que paremos por um momento para pensar se as nossas experiências batem com o que a
matemática nos diz. Jogadores que 3-betam ou 4-betam descuidadamente de qualquer
posição e dizem que são azarados quando vão all-in contra uma mão melhor estão errados. A
teoria e a matemática por trás do jogo pré-flop indica que eles estão frequentemente
cometendo um grande erro contra fortes oponentes.

2.6 FLETANDO 3-BETS E 4-BETS

Estamos quase prontos para começar a analisar os efeitos de se fletar um 3-bet. Antes que
possamos fazer isso, porém, devemos entender por que também precisamos ter um range de
flat contra 4-bets. Como mencionado anteriormente, a maior parte dos jogadores não fletará
4-bets, estejam eles em posição ou não. Eles justificam isso afirmando que já existe muito
dinheiro no pote e que blefes possuem pelo menos 20% de equidade mesmo contra um range
de call muito forte. Mais importante que isso, eles não querem enfrentar uma decisão difícil
pós-flop. Mas essa é uma abordagem fraca, e os jogadores devem estar dispostos e dar call em
4-bets pelos seguintes motivos:

1) Mãos no range de 4-bet por valor são mais fortes que as mãos mais fracas no range de
3-bet por valor. Se um jogador 5-beta a mão mais fraca do seu range de 3-bet por
valor, ele nunca estará à frente quando receber um call;
2) 5-betar garante que, ou todo o dinheiro esteja no pote pré-flop, ou que nenhum
jogador veja o flop. Isso tira a vantagem de posição que o jogador que 3-beta teria se
ele desse call no 4-bet em posição;
3) Mesmo que uma mão possua apenas 20% de equidade contra uma mão
extremamente forte como A-A ou K-K, ela provavelmente precisa ver o turn ou river
para se tornar a melhor mão. Overpairs conseguem garantir que todo o dinheiro vá
para o pote no flop ou turn em boards ameaçadores, antes que o oponente possa ver
cartas adicionais. Em outras palavras, o vilão terá dificuldade em realizar a equidade
de seus semi-blefes;
4) Para stacks de 100 big blinds, é extremamente difícil 5-betar e foldar. Isso significa que
um jogador pode 4-betar um valor bem pequeno se ele souber que seu oponente
sempre responderá 5-betando ou foldando.

Sempre 4-betar ou foldar quando fora de posição se torna ineficiente quando os jogadores
começam a fletar 4-bets em posição. O jogador que 4-beta não pode mais destruir a vantagem
de posição do jogador que 3-beta, e se arrisca a jogar um pote ainda maior fora de posição.
Agora faz sentido dar call em 3-bets com um range balanceado, que pode ser defendido
eficientemente na vasta maioria de texturas de board.

2.7 EXAMINANDO RANGES COMPLEXOS – DEFENDENDO O SUFICIENTE CONTRA RAISES

Agora estamos prontos para começar a construir ranges complexos, nos baseando nos
conceitos que discutimos anteriormente. Nosso objetivo é encontrar ranges onde nenhum dos
jogadores tenha um incentivo para mudar, mas infelizmente isso é difícil de se fazer com
ranges pré-flop. Isso porque não temos um ponto claro de início e precisamos de pelo menos
um range teoricamente correto para nos ajudar a construir outros ranges teoricamente
corretos.

Aqui está um exemplo. É fácil de se ver que precisamos saber qual é o range de raise do button
antes que possamos construir ranges eficientes de defesa nas blinds. Mas não saberemos qual
é um bom range de raise do button até descobrir quão agressivamente as blinds estão 3-
betando e dando call. Da mesma forma, como poderemos saber quais mãos 3-betar no button
contra um raise do cutoff se não sabemos exatamente qual o range de raise do cutoff e como
ele responde a um 3-bet? Isso requere uma abordagem de “tentativa e erro” quando
analisando o jogo pré-flop.

Além disso, mudar um aspecto da estratégia frequentemente impactará outras áreas do nosso
jogo também. Por exemplo, suponha que nós decidimos defender um range mais amplo contra
os 3-bets de nosso oponente para tornar seus 3-bet blefes bem-sucedidos com menos
frequência. Enquanto isso força nosso oponente a jogar um pote 3-betado fora de posição com
mais frequência, isso também enfraquece nosso range de call, o que por sua vez aumenta o
valor esperado das mãos fracas no pós-flop de nosso oponente.

Estes problemas fazem com que precisemos utilizar uma abordagem metódica para construir
ranges fortes. Fazer isso para cada situação de raise first in rapidamente se tornaria muito
trabalhoso, então a metodologia utilizada para examinar ranges será mostrada agora e um
quadro de mãos recomendadas será incluído ao final desta seção. Mais uma vez, enquanto
ranges perfeitos não podem ser criados, podemos nos assegurar de que cada range construído
faça sentido e que não existam contradições no nosso processo de pensamento. O melhor que
podemos fazer é construir ranges onde nenhum jogador tenha um incentivo claro para alterar
sua estratégia.

Começaremos tentando descobrir como as blinds deverão responder a um raise first in do


button. Esses ranges são provavelmente os mais importantes ranges em 6-max, já que esta
situação ocorre tão frequentemente, e assumiremos que o raise do button será de 2,5 big
blinds e o 3-bet será de 9,5 big blinds. Isso significa que o raise do button não pode ser bem-
sucedido mais que 62,5% do tempo, ou então ele terá lucro imediato dando raise com
quaisquer duas cartas. Além disso, 3-bets do small blind não podem ser bem-sucedidos mais
que 69,3% do tempo, e para o big blind essa porcentagem é de 68%.

Por fim, quando o button 4-beta, assumiremos que ele utiliza um tamanho de 4-bet de 19 big
blinds. Enquanto a frequência exata de sucesso requerido mudará se o 3-bet vier do small
blind ou do big blind, os dois valores são similares e, contra um 3-bet do big blind o 4-bet deve
ser bem-sucedido cerca de 57% das vezes para gerar um lucro imediato.

Até aqui neste capítulo já fizemos vários cálculos. Assim, é uma boa ideia resumir o que já
descobrimos e nos assegurar de que não existem pensamentos contraditórios.

1) O raise first in do button não pode ser bem-sucedido mais que 62,5% do tempo, ou
então ele poderá lucrativamente dar raise com quaisquer duas cartas;
2) A mão mais fraca do range de raise do button perderá 2,5 big blinds cada vez que um
dos blinds 3-bete;
3) Os blinds não podem defender 3-betando mais que um total de 37,5% do tempo;
4) Os blinds devem defender mais que 37,5% do tempo se eles somente derem call pré-
flop;
5) A pior mão do range de raise do button é indiferente entre dar raise e foldar pré-flop;
6) O big blind não dará call a não ser que o valor esperado total de sua mão seja maior
que -1 BB;
7) O small blind não dará call a não ser que o valor esperado total de sua mão seja maior
que -0,5 BB;
8) Mãos no range de call do small blind e do big blind terão, em média, um valor
esperado maior contra as mãos mais fracas do range de raise do button.

A mão mais fraca no range de call do big blind muito provavelmente será indiferente a dar call
ou foldar pré-flop. Isso significa que a mão possui um valor esperado de aproximadamente -1
big blind contra o range de raise do button. Saberemos que estamos em um possível equilíbrio
quando a mão mais fraca no range de raise do button for indiferente a dar raise ou foldar, e as
mãos mais fracas nos ranges de call do small e big blinds forem indiferentes entre dar call ou
foldar.
Agora temos a oportunidade de fazer uma longa e complicada equação (que não pode ser
resolvida) para tentar encontrar o valor esperado de um raise do button. Entretanto, ao invés
de fazer isso, usaremos uma equação muito menos precisa mas mais prática para tentar
descobrir quais ranges de raise do button e de defesa das blinds fazem sentido.

(EV quando os dois blinds foldarem)(frequência que os dois blinds foldam) + (EV médio quando
receber call)(frequência que receberemos call) – (EV quando receber 3-bet)(frequência que
receberemos 3-bet) = 0

Podemos começar inserindo os valores que já sabemos.

(1,5)(frequência que os dois blinds foldam) + (EV médio quando receber call)(frequência que
receberemos call) – (2,5)(frequência que receberemos 3-bet) = 0

Esse problema seria solucionável se soubéssemos o valor esperado médio da pior mão do
range de raise do button quando esta receber um call. Infelizmente, não existe forma de
descobrirmos este valor. Praticamente teríamos que resolver o jogo de poker por completo
para conseguir esta informação.

Ainda assim existem formas desta equação ser útil. Podemos começar inserindo valores de
ranges comumente utilizados para cobrir os valores desconhecidos. Se os ranges parecerem
razoáveis, podemos tentar utilizá-los contra bons oponentes enquanto continuamos
refinando-os através da tentativa e erro.

Vamos começar construindo o que pensamos que sejam ranges de 3-bet teoricamente
razoáveis. Sabemos que a porcentagem de 3-bet das blinds deve ser menos que 37,5%
combinados, e que pelo menos 43% dos 3-bets devem ser defendidos contra 4-bets. Assim, um
bom ponto de início é um range de 3-bet das blinds que consista de 5% de mãos de valor (TT+,
AJs+, AQo+) e 7,5% de blefes. Isso traz a porcentagem total de 3-bets a 12,5% em cada
posição.

Este é um range de 3-bet padrão que vários bons jogadores utilizam. Como 40% do range de 3-
bet consiste de mãos fortes, não é difícil defender pelo menos 43% do range contra um 4-bet,
misturando alguns calls com alguns 5-bet blefes. Se o small blind e o big blind, cada, 3-betarem
12,5% das vezes, então o button será 3-betado um total de 23,4% das vezes.

Vamos também assumir que o small blind e o big blind deem call 10 e 20% das vezes,
respectivamente, quando não existe 3-bet. Isso significa que uma ou as duas posições darão
call 24,3% do tempo.

Agora temos valores suficientes para inserir em nossa equação. Se defendermos as blinds
desta forma, esperamos que o button perca em média 0,82 big blinds quando a pior mão de
seu range de raise receber um call.

Agora vamos interpretar o significado deste valor. Quando o raise do button recebe um call de
apenas um dos blinds, ele espera ver em posição um flop com um pote de 5,5 ou 6 big blinds. E
se ele espera ter um resultado médio de -0,82 big blinds, sua expectativa é de conseguir como
retorno apenas 1,68 big blinds do pote. Este valor parece razoável?

Enquanto eu, de forma alguma, possa afirmar a resposta exata, minha opinião é de que não,
este valor não é razoável! Os blinds possuem ranges de call amplos e o button sempre terá
posição. E como um valor esperado de 1,68 big blinds é menos que um-terço de um pote que
terá pelo menos 5,5 big blinds, parece que o button poderia dar raise com mãos
extremamente fracas e ainda ter uma expectativa maior que esta. Assim, isso me leva a
acreditar que os blinds não estão 3-betando ou dando call tão agressivamente quanto
precisariam ser com os valores que utilizamos.

Paremos por um momento para enfatizar a importância das últimas páginas. Este conceito
maravilhosamente demonstra, apesar do fato de estarmos frequentemente muito restritos
sobre o que podemos comprovar teoricamente, o quanto podemos verificar o nosso processo
de pensamento procurando por contradições, assim como criar modelos e nos perguntar
“Estes ranges parecem razoáveis?”. A teoria é muito melhor em nos mostrar quando algo deve
estar errado que quando algo deve estar certo. Isso significa que a teoria pode ser usada para
estimar quais ranges são razoáveis e então lentamente melhorá-los com o tempo, assim como
ajustá-los para explorar alguns oponentes específicos à medida que precisemos.

É também importante ressaltarmos a dificuldade de explicar a teoria de uma forma eficiente e


metódica. Claro, como autor, este é um problema meu e não seu. Mas, neste momento,
existem muitos outros conceitos disponíveis para nos ajudar a analisar estes ranges, que eu
simplesmente ainda não posso utilizar. Colocando de outra forma, não é possível responder a
todas as perguntas que você provavelmente terá, ou constantemente estarei saindo por
tangentes e não cobrirei toda a teoria que temos de cobrir da forma mais eficiente.

Por exemplo, você poderá perguntar, “Bem, qual o grande problema se o button puder dar
raise com um range extremamente amplo e ser lucrativo? Isso não sugere necessariamente
que os ranges de defesa de blinds que usamos estão errados, apenas que o button pode dar
raise com um range extremamente amplo e ser lucrativo.” O problema é que, uma vez que um
jogador começa a dar raise com um range amplo no button, ele se torna extremamente
vulnerável oponentes que 3-betam agressivamente. E enquanto eu posso escolher a ordem
em que a informação é apresentada, é com frequência difícil discutir um determinado conceito
sem ter discutido um outro relacionado a ele. Por isso, devo discutir este conceito primeiro.

Por último, você provavelmente percebeu que tratamos todos os flat calls do big e small blinds
como o mesmo valor quando inserindo-os na equação. Esta é uma estimativa que usamos para
nos permitir resolver uma variável única. Modelos sempre simplicam problemas complexos e
não podemos deixar variáveis demais em nossa equação final. Leitores mais avançados
deverão se sentir livres para criar sobre os métodos que discutimos previamente. Uma fórmula
ligeiramente mais complexa, onde valores diferentes para small e big blinds podem ser
inseridos, pode ser utilizada caso o leitor queira.

Antes de seguir em frente, vamos usar a fórmula mais uma vez com diferentes valores. Vamos
assumir que o small blind 3-bete 16% das vezes e dê call 8% das vezes, e o big blind 3-bete 14%
e dê call 20% das vezes. Assim, os blinds estarão 3-betando o raise do button 27,8% das vezes.
Além disso, o raise do button receberá um call 21,7% das vezes.

Inserindo estes números na equação nos mostrará que o button deve, em média, ter um valor
esperado de -0,29 big blinds quando receber um call, para ser indiferente a dar raise com a
pior mão de seu range.

O button espera perder em média 0,29 big blinds quando a pior mão de seu range de raise
receber um call. Este valor parece mais razoável para mim. A mão do button será fraca
comparada à mão média no range de call do small e do big blind, mas também geralmente
haverá algum dead money no pote, e ele possui a vantagem da posição. Então, mesmo que
não tenhamos ranges teoricamente perfeitos de defesa, temos ranges razoáveis para defender
contra um raise do button, e podemos ajustá-lo lentamente com o tempo.

2.8 EXAMINANDO RANGES COMPLEXOS – DESENHANDO RANGES DE DEFESA PARA


MAXIMIZAR O EV

Embora o conceito anterior tenha nos mostrado como descobrir se ranges de defesa de blinds
são razoáveis, ele não definiu quais mãos jogamos em quais ranges. Uma regra
supersimplificada que muitos jogadores iniciantes com frequência acham útil é dar raise por
valor com mãos fortes, dar call com mãos que não são fortes o suficiente para dar raise, dar
raise por blefe com mãos que não são fortes o suficiente para dar call, e foldar as piores mãos.

Embora esta regra nos dê um ponto de início simples, ela também nos causa alguns
problemas.

1) Ela encoraja os jogadores a pensar que as mãos podem ranquear as mãos da mais
forte para a mais fraca baseado apenas em sua equidade;
2) Ela não leva em conta que o range do oponente vai mudar baseado em que linha
tomemos, e que isso altera a equidade de nossas mãos. Por essa razão, mãos que
funcionam bem como calls nem sempre terão mais equidade que mãos que funcionam
melhor como raises por blefe.

Como um jogador teoricamente ótimo sempre utilizará a linha que maximiza sua expectativa,
devemos 3-betar e fletar com mãos que funcionam bem nestes ranges. Nenhuma regra
simples será suficiente, e isso requere que sempre estejamos conscientes de quais mãos fazem
parte do range do nosso oponente, e como dar call, betar e dar raise impactam nesse range.

Vamos continuar construindo ranges de defesa das blinds contra um raise do button. Quando
damos call no big blind contra um raise do button, quase sempre jogaremos contra um range
amplo por um pote pequeno. Isso significa que o nosso range de call deve dar ênfase a fletar
com mãos que fazem pares marginais com uma alta frequência e que possam vencer potes de
tamanho pequeno e médio.

As mãos mais óbvias para dar call no big blind em um raise do button serão mais mãos suited
como K-10, Q-10, Q-J e K-9. Claro que outros tipos de mãos serão necessárias no range de flat
call, mas todas estas podem fazer bons pares no flop, e se sairão bem contra um range de raise
amplo.

Enquanto estas mãos se saem bem em potes pequenos onde houve um raise, será muito mais
complicado jogar com elas em potes 3-betados. Isso porque 3-betar torna o range de flop do
vilão muito mais forte, e é muitas vezes difícil, jogando fora de posição, jogar um pote grande
com top pair com um kicker medíocre. Então dar call pré-flop com mãos como K-9s e Q-10o é
provavelmente melhor, pois mantém o range do vilão amplo e nos permite frequentemente
ter o melhor kicker quando fizermos um par.

Continuando, mãos que funcionam particularmente bem como 3-bet blefes são mãos que
possuem o potencial de se tornarem mãos muito fortes no river, e que podem ser blefadas
eficientemente no flop e turn. Por exemplo, mãos como 7-5s e 5-4s são blefes eficientes pois
possuem potencial para se tornarem mãos nuts no river. Quase sempre sabemos que
possuímos a melhor mão com suited connectors, e raramente temos dificuldade em realizar
sua equidade.
Com frequência blefaremos 3-betando uma mão como 6-5s, que tambem poderíamos
lucrativamente dar call pré-flop. Embora dar call com suited connectors baixos tenha uma
expectativa positiva, com frequência faremos pares baixos, que não vencerão no showdown
em um pote onde houve um raise. Entretanto, em potes 3-betados, onde teremos 5 outs para
dois pares ou trinca e ocasionalmente venceremos um pote muito grande, estes pares
frequentemente funcionam melhor.

Perceba também que, quando o vilão possui posição, ele geralmente defenderá contra nosso
3-bet fletando, pois isso exige que joguemos um grande pote fora de posição. Assim, isso nos
permite 3-betar com mãos que vão bem em potes 3-betados, mesmo que tenhamos que
ocasionalmente foldar para um 4-bet.

Infelizmente, nem todos os nossos blefes serão com mãos ideais para blefar. É
frequentemente necessário blefar 3-betando com mãos como K-7s do small blind, apesar do
fato de que esta mão pode nos levar a situações mais díficeis pós-flop. Simplesmente não
recebemos suited connectors ou suited gapers (mãos como 7-5s, 8-6s, 9-7s) para balancear
nossos 3-bets por valor, e como visto anteriormente, devemos 3-betar bastante
agressivamente contra um raise do button. Enquanto top pair sem kicker é geralmente difícil
de se jogar em um pote grande fora de posição, ainda é útil ter algumas mãos marginais no
nosso range de check no flop.

2.9 EXAMINANDO RANGES COMPLEXOS – BALANÇO

Poucos conceitos no poker são tão mal-entendidos e mal-aplicados quanto “balancear” um


range. Se nosso range não estiver balanceado, nosso oponente frequentemente será capaz de
utilizar linhas extremamente eficientes contra aquele range. Um range balanceado é o
subproduto de jogar cada mão no nosso range de uma forma que maximiza, em média, seu
valor esperado.

Com frequência haverão texturas de board que favorecem mais o range do oponente que o
nosso, não importa quão balanceado esteja nosso range pré-flop. Por exemplo, se nosso range
for muito mais fraco que o do nosso oponente, ele será capaz de fazer bets altos com uma alta
frequência, já que ele sabe que raramente estaremos fortes. Isso nos encoraja a colocar no
nosso range pré-flop mãos que conectam melhor em boards que, de outra forma, não
acertariam nosso range, e ocasionalmente ganharemos um enorme pote quando tivermos
uma das poucas mãos fortes possíveis em um range que seria em sua maioria fraco.

Vamos visualizar este processo examinando uma situação de cutoff vs. button, e assumindo
que o button sempre 3-bete A-A e A-K pré-flop contra um raise de cutoff, como a maioria dos
jogadores faz. Isso significa que, quando o button não dá raise ele não terá muitos mãos fortes
em flops K-high, e o cutoff pode explorá-lo fazendo apostas altas com frequência em K-high
boards. Perceba que é raro que o button possua mãos mais fortes que um par de K com Q de
kicker.

Isso significa que o button agora tem um incentivo para alterar sua estratégia. Como ele pode
ganhar um grande pote quando o flop vier K-high e ele possuir A-A ou A-K, dar flat call com
essas mãos pré-flop será agora mais lucrativo que 3-betar. Além disso, fletando algumas mãos
fortes pré-flop o button às vezes ganhará um grande pote quando um jogador nos blinds
squeezar (dar re-raise pré-flop).
Agora, assim que o cutoff perceber que o button possui A-A e A-K em seu range em flops K-
high, ele deverá começar a betar menos agressivamente, e esses ajustes dos dois lados levam
aos dois jogadores a jogar próximo à teoria ótima do jogo, assim estabelecendo um equilíbrio.
O button, enquanto geralmente 3-betando pré-flop com A-A ou A-K, ocasionalmente dará call
com eles, e o cutoff jogará flops K-high agressivamente, embora não tão agressivamente
quanto antes.

Podemos encarar um problema semelhante se nunca fletarmos mãos fortes do small blind. Se
este for o caso, nosso range se tornará bastante vulnerável a squeezes do big blind. Perceba
também que o big blind não possui este problema pois ninguém pode squeezar quando ele der
call. Enquanto o range de flat call do big blind é condensado – não possui muitas mãos fortes –
o flop geralmente fará dois pares e trincas no range do big blind antes que o button possa
lucrar com isso.

Por esta razão, pode fazer sentido colocar algumas mãos fortes no range de flat do small blind.
Não podemos provar isso, e pode ser o caso em que o small blind quase sempre deva foldar
para um squeeze e esperar que o button faça grande parte da defesa. Ainda assim, a ideia de
ocasionalmente fletar alguns A-A ou A-K parece pelo menos razoável em teoria, e é algo que
certamente teremos que fazer na prática se o big blind for um squeezador agressivo.

2.10 – EXAMINANDO RANGES COMPLEXOS – FREQUÊNCIAS DE TEXTURAS DE BOARD

Outra importante consideração a se levar em conta quando construindo ranges de defesa é a


frequência que um determinado flop virá, já que estamos mais preocupados em nos conectar
a boards que ocorrem em uma frequência mais alta. Por exemplo, não acertar um flop K-high é
muito mais problemático que não acertar um flop 7-high, já que flops K-high ocorrem muito
mais frequentemente. Isto é importante a se considerar quando decidindo se é problemático
ou não se um range não acertar uma determinada textura de flop.

Abaixo estão as probabilidades de um flop vir com uma determinada carta alta. Flops A-high
são, claro, os mais comuns, já que mais cartas podem vir abaixo de A que de qualquer outra
carta, enquanto flops 8-high ou menores são bastante raros.

Carta Alta Única Carta Alta Duas Cartas Altas Total


(Axx, Kxx, etc) (AAx, KKx, etc)
A 20,7% 1,3% 21,7%
K 17,1% 1,2% 18,4%
Q 14,1% 1,1% 15,2%
J 11,4% 1,0% 12,4%
10 9,0% 0,9% 9,9%
9 6,8% 0,8% 7,6%
8 ou menos - - 14,8%

Enquanto é útil ter uma noção geral de quão frequentemente uma certa textura de flop virá,
esta não é uma informação que temos que memorizar. Basta que percebamos quão
improvável são as probabilidades de o flop vir 8-high ou menos, e que 67,7% de todos os flops
terão ao menos uma carta que será um J ou maior.

Como veremos, ranges de flat call das blinds são frequentemente construídos para não acertar
flops 8-high ou menores. Isso é principalmente pelo fato de que estes flops são improváveis,
então não acertá-los quando eles ocorrem raramente nos causará problemas.
Além disso, como discutiremos em futuros capítulos, esses boards baixos são particularmente
difíceis de se jogar fora de posição. Mesmo se colocarmos mais suited connectors baixos no
nosso range de call, ter o 7h-6h fora de posição no flop 6c-3c-2d ainda não será uma situação
favorável. Isso significa que o check-fold dos blinds em uma alta frequência será
provavelmente a melhor forma de jogar esses boards. Ao invés de nos conectarmos a eles,
construiremos nossos ranges de call para acertar mais facilmente flops J-high ou maiores.

2.11 – ENTENDENDO RANGES COMPLEXOS – DEFENDENDO O SUFICIENTE CONTRA 3-BETS

Sabemos que é necessário defender um range mais amplo contra um raise first in se
defendermos dando call ao invés de 3-betar, já que dando call, permitimos que o vilão veja o
flop. Assim, não deveria ser surpresa que o mesmo conceito se aplica quando nós damos raise
e enfrentamos um 3-bet. Isto é, quando damos call no 3-bet do vilão, é garantido que ele verá
o flop e terá a oportunidade de fazer uma mão forte ou um blefe lucrativo. Isso nos força a
defender muito mais combinações de mãos que se simplesmente 4-betássemos ou
foldássemos.

Vamos começar assumindo que usamos um range de raise do button de 45% - um range de
raise do button razoável, usado por muitos jogadores vencedores. Quando damos raise de 2,5
big blnds e o vilão 3-beta do big blind para 9,5 big blinds, ele arrisca 8,5 big blinds para ganhar
4 big blinds. Como já mostramos, isso significa que o 3-bet do big blind não pode ser bem-
sucedido mais que 68% do tempo. Colocando de outra forma, é importante defender pelo
menos 32% do nosso range de raise, e como nosso range de raise é de 45%, isto significa que
devemos defender pelo menos 14,4% de todas as mãos.

Entretanto, 14,4% é correto se apenas defendêssemos 4-betando, mas agora temos que
descobrir quantas mãos mais deverão ser adicionadas se também defendermos dando call.
Isto vai requerer que usemos um método similar ao que utilizamos em “Examinando Ranges
Complexos – Defendendo o Suficiente Contra Raises”, e começamos estimando um range ou
um valor. De fato, a fórmula para a expectativa do big blind quando blefando é quase idêntica.

(EV quando o button folda)(frequência de fold do button) + (EV médio quando recebemos
call)(frequência que recebemos call) – (EV quando 4-betados)(frequência que recebemos 4-
bet) = 0

Existem duas maneiras de abordar este problema. A primeira é inserir nossos ranges típicos de
call e 4-bet e ver qual deve ser o valor esperado médio do big blind quando seu 3-bet blefe
receba um call, para que ele seja indiferente a blefar. Na verdade, pode ser uma boa ideia
fazer isto agora antes de seguir em frente, apenas para ver qual o resultado.

Outra opção é estimar o valor esperado do big blind quando damos call em seu 3-bet blefe e
então construir os ranges de defesa de acordo com o resultado. Aqui está um exemplo:
esperamos que o big blind perca, em média, 5,5 big blinds quando o 3-bet blefe mais fraco em
seu range receba um call. Isso significa que ele receberá, em média, 3 big blinds de volta do
pote de 18 big blinds. Essa estimativa parece ser baixa, mas como será mostrado no quadro de
mãos, a pior mão no range de 3-bet do big blind é muito fraca. Isto é, faz sentido esperar que o
big blind raramente esteja em uma situação lucrativa pós-flop quando ele está fora de posição
com a mão mais fraca de seu range de 3-bet.

Vamos assumir que, quando enfrentando um 3-bet no button, 4-betaremos 5% do total de


mãos que recebermos. Essa é uma estimativa razoável se usarmos um tamanho de 4-bet
pequeno, para um range de KK-JJ, AK e blefes. Isso resulta em nós 4-betando 11,1% das vezes
que enfrentarmos um 3-bet.

Agora podemos inserir estes valores na equação anterior e resolver, por enquanto, quão
amplo nosso range de call do button deve ser quando enfrentando um 4-bet. O resultado é
que o button deve defender 27,5% de seu range de raise dando call contra o 3-bet do big
blind. Isso significa 12,4% de todas as mãos que recebemos pré-flop.

Podemos repetir este processo e, pelo contrário, assumir que os blefes do vilão só perderão
4,5 big blinds quando receberem um call. A mesma matemática que utilizamos acima nos
mostrará que precisaremos entao defender 30,7 ao invés de 27,5% do nosso range de raise
dando call. Lembre-se que os calls são somados aos 4-bets, então estamos defendendo, no
total, cerca de 40% das mãos que damos raise pré-flop quando enfrentamos um 3-bet.

Vamos parar por um momento e examinar como os ranges de call de 3-bet do button devem
ser para diferentes frequências de raise first in. A matemática abaixo assume que o raise do
button é de 2,5 big blinds e o 3-bet do big blind é de 9,5 big blinds. Lembre-se, não existe
forma de provar quais calls são melhores pré-flop. Um jogador poderia razoavelmente
argumentar que é melhor fletar um 3-bet no button com Q-Jo ao invés de 6-6 ou 7-6s, e vice
versa. De forma geral, se a decisão parece ser close, provavelmente não existe uma enorme
diferença no valor esperado de cada uma das mãos.

O quadro abaixo demonstra o range de mãos que o raiser do button dará call em um 3-bet do
big blind. O quadro assume que o big blind perderá 5,5 big blinds quando seu pior 3-bet
receber um call.

Range de Call de 3-Bet do Button


Range de Raise Porcentagem do Porcentagem do Range Possível de
Range de Raise que Total de Mãos que Flat Call
dá Call dá Call
30% 20,1% 6,0% AA, TT-88, AQo, KQo,
AQs-ATs, KQs-KJs,
QJs, JTs, T9s
40% 25,7% 10,0% AA, TT-77, AQo-AJo,
KQo, AQs-A9s, KQs-
KTs, QJs-QTs, JTs-J9s,
T9s, 98s, 87s, 76s,
65s
50% 28,9% 14,5% AA, TT-55, AQo-ATo,
KQo-KJo, QJo, AQs-
A9s, KQs-KTs, QJs-
Q9s, JTs-J9s, T9s-T8s,
98s-97s, 87s-86s,
76s, 65s
60% 31,4% 18,8% AA, TT-22, AQo-ATo,
KQo-KJo, QJo, AQs-
A8s, A5s-A2s, KQs-
K9s, QJs-Q9s, JTs-J9s,
T9s-T8s, 98s-97s,
87s-86s, 76s-75s,
65s-64s, 54s
O próximo quadro demonstra um possível range de mãos que o raiser do button dará call
quando enfrentando um 3-bet do big blind, assumindo que o big blind perde 4,5 big blinds
quando seu pior 3-bet recebe um call.

Range de Raise Porcentagem do Porcentagem do Range Possível de


Range de Raise que Total de Mãos que Flat Call
dá Call dá Call
30% 22,5% 6,8% AA, TT-88, AQo-AJo,
KQo, AQs-ATs, KQs-
KJs, QJs, JTs, T9s
40% 28,7% 11,5% AA, TT-77, AQo-ATo,
KQo-KJo, AQs-A9s,
KQs-KTs, QJs-QTs,
JTs-J9s, T9s, 98s, 87s,
76s
50% 32,3% 16,2% AA, TT-44, AQo-ATo,
KQo-KJo, QJo, AQs-
A9s, A5s-A4s, KQs-
K9s, QJs-Q9s, JTs-J9s,
T9s-T8s, 98s-97s,
87s-86s, 76s, 65s,
54s
60% 34,8% 20,9% AA, TT-44, AQo-ATo,
KQo-KTo, QJo-QTo,
AQs-A2s, KQs-K7s,
QJs-Q9s, JTs-J9s, T9s-
T8s, 98s-97s, 87s-
86s, 76s-75s, 65s-
64s, 54s

Perceba que todos estes ranges de flat call do button incluem A-A. A-A possui um forte efeito
de blockers, e pouco provavelmente serão a segunda melhor mão no flop (podemos sempre
dar raise no flop ou turn se o board for particularmente ameaçador). A-A é uma mão forte em
texturas de board que de outra forma não acertariam nosso range de flat call e, por isso,
acredito que existe mais valor em fletar aces que 4-betá-los pré-flop. K-K e Q-Q também
poderiam ser usados como flat call pré-flop, mas como estas mãos temem overcards, elas são
mais arriscadas de jogar como slowplay.

Perceba também quão amplo se torna o range de flat call de 3-bet do button quando o button
está abrindo mais que 50% das mãos. Pocket pair fracos e suited connectors baixos são
inseridos no range de raise-call mesmo se assumirmos um baixo valor esperado no flop para os
3-bet blefes do vilão. Especificamente, assumindo que os piores 3-bet blefes do vilão perdem
menos que 5,5 big blinds quando receberem um call, precisaremos começar a dar call com A
suited fracos e K suited, mãos que serão difíceis de se jogar eficientemente pós-flop,
especialmente contra um range polarizado.

Como mencionado anteriormente, um dos maiores problemas quando construindo ranges de


call de 3-bet é que, à medida que o range se torna mais amplo, os 3-bet blefes do big blind
também se tornam oportunidades mais lucrativas pós-flop. Enquanto pode ser possível que o
valor esperado de um 3-bet blefe fraco seja de apenas, em média, 3 big blinds no flop contra
um range muito forte, à medida que o range de call de 3-bet se torna mais amplo, vai se tornar
mais difícil prevenir que o big blind 3-bete blefe lucrativamente suas mãos fracas. Quando
fletando contra 3-bets com mãos tão fracas quanto 5-4s e 3-3, é improvável que o big blind
perca 5,5 big blinds ou mais quando o pior 3-bet em seu range receba um call. Novamente,
isso ocorre pois o range de defesa é muito fraco.

Isso sugere que é improvável que o range de raise do button deva ser tão excepcionalmente
amplo para um raise de 2,5 big blinds. É simplesmente difícil demais defender contra 3-bets no
button quando estamos abrindo mais de metade das mãos que recebemos pré-flop. Alguns
jogadores podem discordar disso, mas se eles discordarem, eles devem estar confortáveis
defendendo um range extremamente amplo contra 3-bets, ou acreditar que os 3-bet blefes do
vilão apenas raramente se tornarão situações lucrativas pós-flop.

Na verdade, isto é muito provavelmente o oposto do que muitos bons jogadores pensam. Isso
porque os melhores jogadores de um determinado stake podem dar raise no button muito
mais amplamente que deveriam teoricamente por serem mais habilidosos que seus
oponentes. Além disso, é muito mais fácil cometer erros quando fora de posição que em
posição, o que reforça a vantagem do jogador superior.

Da mesma forma, jogadores medíocres observam como os melhores jogadores jogam e


tentam imitá-los. Se os maiores vencedores são capazes de dar raise com 70% das mãos no
button, muitos jogadores medíocres os copiarão, e não levará muito tempo até que seja
geralmente aceito entre jogadores de poker dar raise no button muito mais amplamente que o
teoricamente correto. A mentalidade das multidões está viva na comunidade do poker, e se
torna cada vez mais difícil melhorar como jogador quando este não se vê mais capaz de
simplesmente copiar o que outros jogadores bem-sucedidos estão fazendo.

2.12 – ENTENDENDO RANGES COMPLEXOS – DEFENDENDO CONTRA 4-BETS

Um dos aspectos mais difíceis do jogo pré-flop é decidir como defender contra 4-bets. Já
discutimos como conceitualmente faz sentido fletar contra um 4-bet, tanto em posição quanto
fora de posição, então não repetiremos isto aqui. Todavia, decidir como lidar com um 4-bet é
um conceito difícil de se abordar, e geralmente não existe uma resposta clara.

Agora tentaremos analisar possíveis maneiras de defender contra 4-bets do button após 3-
betamos das blinds. Existem duas formas gerais de se abordar este problema:

1) Construir nosso range de 3-bet de forma que cada mão possa confortavelmente 5-bet
shovar ou foldar quando enfrentando um 4-bet. Isso nos permite evitar jogar grandes
potes fora de posição, mas torna 4-bets pequenos eficientes contra nós.
2) Defender algumas mãos contra 4-bets dando call, e outras mãos 5-betando. Isso nos
permite dar call quando o vilão nos der excelentes odds, e provavelmente é a melhor
linha com mãos como K-Qo, que não queremos foldar mas não podemos
eficientemente 5-betar.

Quando dando call em um 4-bet, é importante se lembrar que o call só precisa ser mais
lucrativo que o fold, situação em que perdemos um total de 9,5 big blinds. Então, dar call no 4-
bet terá um valor esperado positivo desde que esperemos perder, em média, menos que este
valor. Além disso, isso nos permite ir de check-fold no flop com uma alta frequência, já que
estamos tentando perder menos que um total de 9,5 big blinds na mão.
Depois de dar um call em um 4-bet fora de posição, provavelmente seremos incapazes de
impedir o vilão de lucrativamente apostar quaisquer duas cartas no flop. Quando seu 4-bet
blefe recebe um call, ele já terá investido 19,5 big blinds pré-flop, então permitir que ele faça
uma aposta pós-flop lucrativa não é um problema. Isso porque ele ainda perderá dinheiro 4-
bet blefando mãos muito fracas pré-flop, apesar do fato de que ele pode frequentemente
fazer blefes lucrativos pós-flop.

Por exemplo, suponha que foldemos o suficiente para a aposta do vilão no flop em um pote 4-
betado, e seu valor esperado é de +5 big blinds quando ele betar quaisquer duas cartas no
flop. Quando ele não tem equidade no flop, ele ainda espera perder em média um total de
14,5 big blinds na mão.

- 14,5 = 5 – 19,5

Onde

19,5 big blinds é quanto dinheiro ele está investindo no pote para conseguir a lucrativa
oportunidade pós-flop, e

5 big blinds é o valor esperado para a aposta do vilão pós-flop.

Finalmente, se o vilão perceber que o nosso range de call de 4-bet é fraco, ele começará a
apostar no flop com uma alta frequência. Isso torna o slowplay com mãos muito fortes, como
fizemos antes fletando 3-bets dos blinds no button com A-A, mais lucrativo que 5-betar. Já
utilizamos esta estratégia anteriormente.

Embora entendamos, neste ponto, muito bem a teoria por trás dos ranges de flat call de 4-
bets, ainda existem alguns problemas práticos com construir e usar estes ranges. O primeiro é
que, mesmo que usemos um range muito agressivo de 3-bet, ainda teremos relativamente
poucas combinações de mãos no nosso range de 3-bet-call e de 5-bet. Isso frequentemente
requer que coloquemos a mesma mão tanto no range de 3-bet-call quanto de 5-bet (e às vezes
também no range de fold). Isso torna construir os ranges uma tarefa bem difícil.

Aqui está um exemplo. O button dá raise e 3-betamos no big blind com A-Qo. Se temos a
melhor mão pré-flop e damos call no 4-bet, no flop estaremos fora de posição e possivelmente
a mão do vilão se tornará a melhor, ou seremos blefados e teremos que largar a melhor mão.
Assim, 5-betar é uma opção, já que nossa mão bloqueia A-A, Q-Q e A-K no range de 4-bet-call
do button, mas A-Qo tem menos equidade quando receber call que muitos suited connectors.
Argumentos existem tanto para o 5-bet quanto para o call com A-Q, e é possível que a mão
entre em ambos os ranges.

Da mesma forma, podemos descobrir, se estamos sempre fletando um 4-bet com mãos como
A-J e K-Q, que nosso range de call consiste em muitas deste tipo de mão. Imagine como nosso
range de call de 4-bet será se dermos call com todas as nossas A-Q, A-J e K-Q. Como cada mão
forma 16 combinações, isso resultaria no nosso range de 3-bet-call consistir em 48
combinações destas três mãos, e isto pode tornar nosso range muito transparente, permitindo
ao vilão jogar muito eficientemente contra nós. Isso porque ele saberá que com frequência
temos mãos fortes mas não incríveis em boards A-high e Q-high.

Então, para evitar um range transparente demais, isso requer que fletemos 4-bets com poucas
combinações de suited connectors. E se estamos fletando apenas poucas combinações de
suited connectors, devemos acreditar que o valor esperado de fletar e foldar (assim como,
possivelmente, de 5-betar) seja aproximadamente igual.

Finalmente, também devemos nos lembrar que nem nossos oponentes nem nós somos
capazes de jogar teoricamente ótimos no pós-flop. Com isto em mente, quem você acha que é
mais capaz de cometer um erro em um pote 4-betado: o jogador que está em posição com um
range polarizado, ou o jogador fora de posição com um range condensado? Lembre-se, um
range polarizado em posição é muito mais fácil de se jogar, então isso encoraja os jogadores a
minimizar os flat calls em 4-bets fora de posição quando possível, a menos que eles sejam
bastante confiantes com seu jogo pós-flop.

Por estas razões, provavelmente não é um uso produtivo de tempo tentar construir e
memorizar estes ranges de 3-bet-call. Eles são simplesmente difíceis demais de se desenvolver
precisamente, já que existem provavelmente muitas mãos que possuem aproximadamente o
mesmo valor esperado usando diferentes linhas. Seria, ao contrário, mais sábio saber que
mãos serão razoáveis para fletar 4-bets fora de posição, e então considerar dar call com estas
mãos contra os oponentes certos.

2.13 QUADRO RECOMENDADO DE MÃOS

O seguinte quadro de mãos foi criado com ajuda de um de meus amigos no poker, Nick
Howard. Estes ranges assumem um raise de 3,5 big blinds de todas as posições, exceto do
button, onde o raise é de 2,5 big blinds. Embora longe da perfeição, estes ranges são razoáveis
para que os jogadores os examinem e usem contra oponentes fortes, se eles não quiserem
gastar tempo criando seus próprios ranges.

Além disso, enquanto uma pequena mudança no tamanho da aposta não vai impactar
fortemente a maioria dos ranges, quanto menor o tamanho do raise, mais agressivamente os
jogadores restantes devem defender. Se o raise for de 3 big blinds, as posições restantes terão
que defender mais agressivamente que se o raise for 3,5 big blinds. Da mesma forma, se
usarmos um tamanho de raise menor, devemos ser capazes de dar raise com um range mais
amplo, mas como mencionado, nossos oponentes serão capazes de dar call lucrativamente
com mais mãos, tanto das blinds quanto das outras posições.

Também é importante ressaltar que eu escolhi defender mais agressivamente das blinds
contra um raise do button, muito mais que a maioria dos jogadores estão acostumados. Na
verdade, o button deve ganhar, em média, 0,74 big blinds quando seu pior raise receber um
call, para que ele alcance um ponto de equilíbrio (break even). Como a maior parte dos calls
virá do big blind que, com a pior mão em seu range de call, está apenas tentando perder
menos que um total de 1 big blind, acho que esta abordagem é a melhor. Entretanto,
jogadores mais novos devem defender menos agressivamente, já que jogar fora de posição
com um range fraco é difícil.

Finalmente, note que muitas porcentagens estão arredondadas ou são estimativas, e fazer um
quadro de mãos mais preciso e detalhado é muito difícil, e pode se acabar se tornando
desordenado. Além disso, os blefes listados tem como intenção dar um sentido geral de que
tipos de blefes são razoáveis para aquela posição. Não tenho como intenção dizer que estas
são as únicas mãos recomendáveis como blefes. Na verdade, se apenas blefarmos com estas
mãos, nosso range pode se tornar muito transparente.
O jogo pré-flop está longe de ser resolvido e, enquanto um forte jogo pré-flop é crítico para o
sucesso no No Limit Hold’em, é muito mais importante ter um senso geral de que tipos de
mãos vão em quais ranges, e entender, ao invés de memorizar ranges específicos. Então não
passe tempo desnecessário memorizando um quadro de mãos imperfeito, quando seu tempo
seria melhor gasto de outra forma, e não use “mas é provavalmente correto em teoria!” como
desculpa para usar uma linha que é terrível na prática contra seu oponente específico.

Por último, um * aparece em algumas mãos. Isso significa que, ou a mão faz parte de vários
ranges ou quero chamar a atenção para o fato de que apenas uma parte das combinações
destas mãos são utilizadas.

Ranges de Raise
Posição Porcentagem de Raise Range
UTG 13,9% AA-33, AKo-AJo, KQo, AKs-
ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-
J9s, T9s, 98s, 87s, 76s, 65s
MP 17,9% AA-22, AKo-ATo, KQo, AKs-
A7s, A5s, KQs-KTs, QJs-QTs,
JTs-J9s, T9s-T8s, 98s-97s,
87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s
CO 23,7% AA-22, AKo-ATo, KQo-KJo,
QJo, AKs-A2s, KQs-K6s, QJs-
Q7s, JTs-J8s, T9s-T8s, 98s-
97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s-
64s, 54s
Button 47,5% AA-22, AKo-A2o, KQo-K7o,
QJo-Q9o, JTo-J9o, T9o-T8o,
98o, 87o, AKs-A2s, KQs-K2s,
QJs-Q2s, JTs-J5s, T9s-T6s,
98s-96s, 87s-85s, 76s-74s,
65s-64s, 54s-53s, 43s
SB 36,3% AA-22, AKo-A7o, KQo-K9o,
QJo-Q9o, JTo-J9o, T9o, 98o,
AKs-A2s, KQs-K2s, QJs-Q4s,
JTs-J7s, T9s-T7s, 98s-97s,
87s-86s, 76s-75s, 65s-64s,
54s

Ranges de Flat Call


Posição Porcentagem de Flat Call Range
Flat em MP vs. UTG 8,5% QQ-55, AKo-AQo, AQs-ATs,
KQs-KJs, QJs, JTs, T9s, 98s,
87s
Flat no CO vs. UTG 9,5% QQ-44, AKo-AQo, AQs-ATs,
KQs-KJs, QJs, JTs, T9s, 98s,
87s, 76s, 65s
Flat no Button vs. UTG 11,2% QQ-33, AKo-AQo, AQs-ATs,
KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s,
T9s, 98s, 87s, 76s, 65s, 54s
Flat no SB vs. UTG 3,6% QQ-88, AKo*, AQs, KQs
Flat no BB vs. UTG 8,0% QQ-44, AKo-AQo, AQs-ATs,
KQs-KJs, QJs, JTs
Flat no CO vs. MP 9,4% JJ-44, AKo-AQo, AQs-ATs,
KQs-KTs, QJs-QTs, JTs, T9s,
98s, 87s, 76s
Flat no Button vs. MP 10,7% JJ-33, AKo-AQo, AQs-ATs,
KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s,
T9s, 98s, 87s, 76s, 65s, 54s
Flat no SB vs. MP 4,1% JJ-77, AKo*-AQo, AQs, KQs
Flat no BB vs. MP 8,5% JJ-22, AQo, AQs-ATs, KQs-
KJs, QJs, JTs, T9s, 98s, 87s
Flat no Button vs. CO 14,2% AA*, TT-22, AKo*-AJo, KQo,
AQs-A8s, KQs-KTs, QJs-QTs,
JTs-J9s, T9s-T8s, 98s-97s,
87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s
Flat no SB vs. CO 5,6% TT-88, AQo-AJo, KQo, AJs-
ATs, KQs-KJs, QJs
Flat no BB vs. CO 9,8% TT-22, AQo-AJo, KQo, AJs-
ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-
J9s, T9s, 98s
Flat no SB vs. Button 6,9% 99-66, KTo, QJo-QTo, A9s-
A8s, KTs-K9s, QJs-QTs, JTs,
T9s
Flat no BB vs. Button 28,2% 99-33, A9o-A2o, KTo-K7o,
QJo-Q8o, JTo-J9o, T9o, 98o,
A8s-A2s, KTs-K5s, QJs-Q7s,
JTs-J8s, T9s-T8s
Flat no BB vs. SB 45,4% TT-22, ATo-A2o, KJo-K7o,
QJo-Q8o, JTo-J8o, T9o-T8o,
98o-97o, 87o, 76o, ATs-A2s,
KJs-K2s, QJs-Q2s, JTs-J4s,
T9s-T5s, 98s-95s, 87s-85s,
76s-74s, 65s-64s, 54s-53s,
43s

Ranges de 3-Bet
Posição Porcentagem de 3-Bet Range de 3-Bet
Vs. UTG, 3-Bet em Posição 3,6% AA-KK, AJo, KQo, AKs, A5s-
A4s
Vs. UTG, 3-Bet em SB e BB 3,8% AA-KK, AKo*, 44-33, AKs,
T9s, 98s, 87s, 76s, 65s
Vs. MP, 3-Bet em Posição 4,7% AA-QQ, AJo, KQo, AKs, A5s-
A4s, T8s, 97s
Vs. MP, 3-Bet em SB 5,7% AA-QQ, 66-44, AKo, AKs-AQs,
JTs, T9s, 98s, 87s, 76s
Vs. MP, 3-Bet em BB 5,6% AA-QQ, AKo, AKs-AQs, QTs,
J9s, T8s, 98s-97s, 87s, 76s,
65s, 54s
Vs. CO, 3-Bet em Posição 7,2% AA*-JJ, AKo*, ATo, KJo, QJo
AKs, A7s-A2s
Vs. CO, 3-Bet em SB 8,0% AA-JJ, 55-44, AKo, AKs-AQs,
KTs, QTs, JTs-J9s, T9s-T8s,
98s-97s, 87s, 76s, 65s, 54s
Vs. CO, 3-Bet em BB 8,6% AA-JJ, 44-22, AKo, AKs-AQs,
A5s-A4s, K9s, Q9s, T8s, 97s,
87s-86s, 76s-75s, 65s-64s,
54s
Vs. Button, 3-Bet em SB 18,1% AA-TT, 55-33, AKo-ATo, KQo-
KJo, AKs-ATs, A7s-A2s, KQs-
KJs, K8s-K4s, Q9s-Q8s, J9s-
J8s, T8s, 98s-97s, 87s-86s,
76s-75s, 65s-64s, 54s
Vs. Button, 3-Bet em BB 17,5% AA-TT, 22, AKo-ATo, KQo-
KJo, AKs-A9s, KQs-KJs, K4s-
K2s, Q6s-Q2s, J7s-J6s, T7s,
98s-96s, 87s-85s, 76s-75s,
65s-64s, 54s-53s, 43s
Enfrentando um 3-Bet em Posição
Posição Range de Defesa Range de Flat de 3- Range de 4-Bet
Total Bet
UTG vs. 3-Bet, em 5,1% KK-TT*, AKo-AQo*, AA, 98s, 87s, 76s
posição AKs-AQs, KQs
MP vs. 3-Bet, em 6,4% QQ-TT, AK-AQo*, AA-KK, AKs, 98s, 87s,
posição AKs-AQs, KQs 76s, 65s, 54s
CO vs. 3-Bet, em 8,9% AA, JJ-99, AKo*-AQo, KK-QQ, AKo*, AKs,
posição KQo, AQs-AJs, KQs- T9s, 98s, 87s, 76s,
KJs, QJs 65s
Button vs. 3-Bet 21,4% AA, TT-77, AQo-ATo, KK-JJ, AKo, AKs, A6s,
KQo-KTo, QJo, AQs- A4s-A2s, K8s-K4s,
A7s, A5s-A2s, KQs- Q8s-Q7s
K9s, QJs-Q9s, JTs-J9s,
T9s-T8s, 98s-97s,
87s, 76s, 65s
UTG vs. 3-Bet, fora 5,1% KK-TT*, AKo-AQo*, AA, AJs, ATs, 76s
de posição AKs-AQs, KQs
MP vs. 3-Bet, fora 6,3% AA*, QQ-TT, AKo- AA*-KK, 98s, 87s,
de posição AQo, AKs-AJs, KQs, 76s, 65s
QJs
CO vs. 3-Bet, fora de 11,6% JJ-99, AKo-AJo, KQo, AA-QQ, AKs, A8s-
posição AQs-ATs, KQs-KTs, A5s, 87s, 76s
QJs-QTs, JTs, T9s, 98s
SB vs. 3-Bet do BB 16% AA, TT-77, AQo-ATo, KK-JJ, AKo, AKs, T9s-
KQo-KJo, AQs-A9s, T8s, 98s-97s, 87s,
KQs-KTs, QJs-QTs, 76s, 65s, 54s
JTs-J9s, T9s, 98s

2.14 RESUMO

1) Quando construindo ranges de defesa teoricamente ótimos, nosso principal objetivo é


evitar que o raiser pré-flop seja capaz de dar raise mais amplamente que teoricamente ele
seria capaz.
2) Temos que, mais provavelmente, defender nossas mãos dando call em posição e dando re-
raise fora de posição.

3) 3-bet blefes precisam de folds entre 67 a 70% do tempo para gerar um lucro imediato, e um
jogador deve defender entre 40 e 50% de seus 3-bets quando enfrentando um 4-bet.

4) 4-bet blefes precisam de folds entre 50 a 60% do tempo para gerar um lucro imediato, e
devem dar call entre 50 e 60% do tempo quando enfrentando um 5-bet shove.

5) 5-bet blefes geralmente precisam ser bem-sucedidos entre 40 e 50% do tempo para serem
lucrativos se eles forem randomizados com as mãos de blefe certas. Geralmente, mãos como
A-x suited e pocket pairs baixos funcionam melhor como 5-bets blefes.

6) 3-bets, em média, punem as piores mãos do range de raise de nosso oponente mais
severamente que dar call, já que dar call permite a ele ver o flop.

7) O valor esperado de 3-betar e 4-betar mãos fortes mas que não sejam super premium,
como A-K e Q-Q em posição, é provavelmente muito mais baixo contra um oponente ótimo
que a maioria dos jogadores espera. Com estas mãos, muitos jogadores estão cometendo um
erro dando re-raise, quando ao contrário, estas mãos deveriam ser jogadas dando call.

8) Devemos ter certeza que utilizaremos ranges de call que podem se conectar a muitas
texturas de flop diferentes, para que nosso range não seja transparente. Entretanto, também é
OK usar ranges de call que não acertem texturas de board de valores baixos, já que boards 8-
high ou menores são bem incomuns.

9) O valor das mãos pode mudar drasticamente baseado em qual range elas estão
enfrentando. Por exemplo, K-9o pode funcionar bem como um flat no call no big blind contra
um raise do button, já que o range de raise inclui muitas mãos K-x e 9-x mais fracas. Mas K-9o
não funciona bem como 3-bet, já que 3-betar faz muitas mãos dominadas foldarem, e fora de
posição, pares marginais são difíceis de se jogar por um grande pote contra um range forte.

10) Um quadro de mãos não será perfeito até que o jogo de poker esteja completamente
resolvido. Mas eles certamente são úteis pois identificam leaks e ajudam jogadores mais
novos. É por isso que é mais importante entender quais mãos entram em quais ranges que
memorizar um quadro inteiro de mãos.
3. TAMANHO DE APOSTAS NO PÓS-FLOP

3.1 INTRODUÇÃO

O tamanho de apostas no pós-flop é um dos conceitos mais complexos no No Limit Hold’em, e


como tal é frequentemente ignorado, por ser difícil até mesmo de dizer por onde começar. E
mesmo que ainda não estejamos nem próximos de começar a discutir em detalhes o tamanho
das apostas, é crucial que o básico seja entendido antes que sigamos em frente.

Este conceito pode se tornar tão difícil e complexo quanto o leitor desejar, e é importante não
se prender a padrões irreais quando começarmos a discutir tamanho de apostas. O que é mais
importante agora é entender os fatores gerais que ajudam a determinar se devemos apostar
alto ou baixo em relação ao tamanho do pote.

Por último, note que tamanhos de apostas precisos geralmente serão possíveis quanto menos
cartas houverem para sair. Como será explicado em “Descobrindo o Tamanho Ótimo da
Aposta no River”, frequentemente é possível fazer bets muito precisos no river. Mas como as
decisões devem ser tomadas rapidamente na prática, sem auxílio de software, é importante
que o básico seja compreendido antes que tópicos mais complexos sejam abordados.

3.2 TAMANHO DE APOSTAS NO PÓS-FLOP EM UM RÁPIDO VISLUMBRE

Embora tamanho de apostas seja um conceito complexo demais para confinar a apenas um
capítulo, devemos primeiramente nos assegurar que aprendemos os cálculos básicos por trás
deste conceito antes de seguir em frente para o jogo pós-flop. Isso porque o tamanho das
apostas é extremamente importante em No Limit Hold’em, e o que separa um grande jogador
de um bom jogador é como ele utiliza diferentes tamanhos de bets em diferentes situações,
para manipular o range de seu oponente. Especificamente, um tamanho de bet excelente
pode forçar nosso oponente a tomar difíceis decisões, e maximiza o valor esperado da mão do
jogador que aposta.

Em teoria, se um jogador tem um range perfeitamente polarizado, que inclui mãos que
possuem ou 100% de equidade (o nuts absoluto) ou 0% de equidade (um blefe air), ele
escolherá o tamanho de seu bet para que ele aposte uma mesma fração do pote em todas as
três streets e esteja all-in no river. Uma prova formal da matemática por trás disso não será
mostrada aqui, mas foi explicada no livro The Mathematics of Poker, escrito por Bill Chen e
Jerrod Ankenman. Então é importante entender que um jogador com um range
completamente polarizado usará a estrutura do tamanho de seus bets de forma a ir all-in no
river, e assim maximizar seus ganhos.

Tamanho final do pote = (tamanho inicial do pote)(taxa de crescimento do pote) elevado a


(número de streets que restam)

Vejamos como funciona esta fórmula. Suponha que seja blind vs. blind, e assumiremos que no
flop o small blind tem um range que inclui apenas mãos com 100% ou 0% de equidade. Para
um raise de 3,5 big blinds, o tamanho do pote no flop será de 7 blinds, o tamanho final do pote
será de 200 big blinds, e restam três streets. Inserindo os valores na equação temos

200 = (7)(R)³

Onde

7 é o tamanho inicial do pote


200 é o tamanho final do pote, e

R é a taxa de crescimento do pote.

Isso implica que a taxa de crescimento do pote é de 3,06.

Assim, o pote deve aumentar 3,06 vezes o seu tamanho a cada street que passa. Isso significa
que temos que fazer bets de 1,03 o tamanho do pote no flop, turn e river, para conseguir que
todo o dinheiro esteja no pote no river.

Para este exemplo, devemos betar 7,2 blinds no flop, 22 blinds no turn e 68,1 blinds no river,
para que todo o dinheiro vá para o pote no river.

Como estes ranges perfeitamente polarizados existem, entender o tamanho de apostas ótimo
para eles é importante, mas a vasta maioria do tempo um range de bet não será
perfeitamente polarizado. Geralmente, nosso oponente terá algumas mãos em seu range que,
ou já vencem nossas mãos de valor, ou podem acabar se tornando melhores que a nossa mão,
e, da mesma forma, nossos blefes geralmente serão capazes de melhorar e se tornarem uma
mão forte. Quando for este o caso, betar uma fração igual do pote em cada street geralmente
não será o ideal.

Dizendo de outra forma, quando nosso oponente tem várias mãos em seu range mais fortes
que algumas de nossas mãos que value betaremos, apenas ocasionalmente iremos querer
colocar todo o dinheiro no pote no river. Isso porque o alto tamanho de nossos bets irá
encorajar o vilão a foldar todas as suas mãos até o river, exceto as mais fortes. Isto é, sempre
que value betarmos as três streets e descobrirmos no showdown que o vilão deu call com uma
mão melhor, perderemos um grande pote. Esta é uma razão pela qual, em potes onde houve
raise, com stacks efetivos de 100 big blinds, na maioria do tempo não betaremos alto o
suficiente para tentar colocar todo o dinheiro no pote no river.

Entretanto, existem outras situações em que podemos querer betar, mesmo se o vilão possuir
algumas mãos de força média em seu range. Isto frequentemente acontecerá se, quando em
posição, dermos call em um bet do oponente e ele der check em uma street futura onde
nenhuma mão do seu range melhorou. Podemos querer betar em uma tentativa de vencer a
mão ali mesmo.

Para ilustrar este conceito, suponha que o vilão dá raise no cutoff e damos call no button. Ele
c-beta o flop Kh-8h-3c e dá check no turn 2d. Mesmo que o vilão possa ter algumas mãos
marginais em seu range, como 10-10 e 9-9, a maior parte de seu range será fraco. Assim, um
pequeno bet poderá preveni-lo de ver um river de graça com suas mãos fracas. E por ser
pequeno, o bet também minimiza a efetividade de quaisquer potenciais check-raises,
enquanto um bet grande torna o check-raise mais eficiente e permite a ele defender uma
parte de seu range de check no turn.

Quando nossas mãos fortes são suscetíveis a se tornarem a segunda melhor mão nas futuras
streets, podemos escolher utilizar uma estrutura de tamanho de bet decrescente. Isto é,
apostando maior nas primeiras streets, nos asseguramos de que nosso oponente coloque mais
dinheiro no pote quando ele estiver perdendo, se ele quiser buscar seus outs para fazer a
melhor mão. Ainda assim, existem limites em quão grande o tamanho de nosso bet deve ser,
já que apostas muito altas são punidas severamente quando o vilão possui uma mão que já é
melhor que a nossa.
Aqui está um exemplo. Damos raise no cutoff com Jh-Th e só o button dá call. O flop é Tc-7c-4s
e o turn é 2d. Como temos top pair, podemos decidir betar uma fração maior do pote no flop
que no turn. Apesar de nossa mão não ser particularmente forte, betando mais alto no flop
fazemos o vilão foldar algumas mãos com overcards, com mais de 25% de equidade.
Entretanto, seus implied odds e sua equidade terão diminuído quando vem uma carta baixa, e
betando baixo no turn, esperamos acabar a mão ali mesmo, mas se ele der call, seu range
ainda não deverá ser muito forte no river.

E quando seguimos em frente e betamos o river, nosso bet frequentemente será pequeno
(após betar no turn). O vilão não possui mais implied odds e não estamos preocupados que
suas mãos piores se tornem melhor que nossa mão. Na verdade, como será mostrado em
futuros capítulos, quando estivermos fora de posição no river, não há muita diferença entre
betar pequeno e dar check.

Então, enquanto decidindo qual o tamanho de bet é melhor em cada situação frequentemente
será difícil, devemos sempre nos lembrar dos mais importante conceitos implícitos. Apostas
maiores, em média, requerem que nosso oponente defenda menos frequentemente e coloque
mais dinheiro no pote, enquanto apostas menores requerem que ele defenda mais. Mas
apostas menores também requerem que o jogador que está apostando blefe menos, pois o
defensor está pagando menos para ver a próxima street. Assim, a escolha frequentemente
será entre apostar pequeno e dar ao oponente um bom preço quando ele dar call com um
range fraco e amplo, ou apostar grande e dar ao oponente um preço pior, mas com um range
forte.

Um erro comum entre jogadores é acreditar que eles precisam ter um tamanho de bet
específico com seu range inteiro, em cada situação particular. Este não é o caso. É possível ter
vários tamanhos de bet diferentes na mesma situação onde cada range é balanceado. Além
disso, um jogador que é capaz de usar múltiplos tamanhos de bet terá um edge significativo
sobre alguém se restringe a apenas um tamanho de bet.

Esta ideia de usar múltiplos tamanhos de bet no mesmo spot para manipular o range de nosso
oponente é geralmente teoricamente correto, e extremamente importante em muitos spots.
Por exemplo, se no river o pote é de 80 big blinds e temos 100 big blinds em nosso stack,
nosso bet com um range pode ser de 100 blinds, 60 blings com outro range e 40 big blinds com
um terceiro range. Cada um destes ranges pode ser perfeitamente balanceado e construído
para manipular o range de call do vilão da forma que melhor serve ao nosso propósito.

Agora devemos ter um forte entendimento da teoria por trás do tamanho de bets para
prosseguir para o jogo pós-flop. E como tamanho de bet é discutido em mais detalhes,
aprenderemos a reconhecer quando determinados tamanhos de bet fazem sentido. Assim,
seremos capazes de explorar oponentes fracos que usam tamanhos de bet sem sentido,
enquanto prevenimos oponentes fortes de nos explorar.

3.3 RESUMO

Embora tamanhos de bet excelentes sejam uma das habilidades mais difíceis de se dominar, é
uma habilidade crítica para o sucesso contra oponentes fortes. Especificamente, betar do
tamanho correto manipula o range de call de nosso oponente, para receber calls de mãos mais
fracas mas ainda fazer mãos com alta equidade foldarem. Mesmo que tenhamos apenas
arranhado a superfície deste tópico, entendendo quem tem o range polarizado e qual
propósito nossos bets devem alcançar, criamos a nossa fundação para desenvolver bets
precisos nos futuros capítulos.

Aqui estão alguns pontos importantes:

1) Betar frações iguais do pote em todas as três streets para colocar todo o dinheiro no
pote no river maximiza nossos ganhos quando nosso range consiste do nuts absoluto
ou de blefes air.
2) Bets pequenos frequentemente são eficientes contra ranges polarizados. Eles
previnem que o vilão veja cartas de graça com suas mãos fracas enquanto minimizam
a efetividade de seus raises.
3) Uma estrutura de tamanho de bet decrescente é eficiente quando provavelmente
temos a melhor mão e não queremos que o vilão consiga ver cartas adicionais
pagando um valor baixo.
4) Bets pequenos mantém o range de call de nosso oponente fraco e amplo, enquanto
bets altos tornam seu range de call estreito e forte.
5) Não é verdade que temos que ter apenas um tamanho de bet em um determinado
spot com o nosso range inteiro.
4. ENFRENTANDO UM BET NO FLOP EM POSIÇÃO

4.1 INTRODUÇÃO

Estamos agora prontos para seguir em frente para o jogo pós-flop. Enquanto certamente é
possível jogar um poker sólido pré-flop simplesmente memorizando um quadro de mãos, isso
não é possível para o jogo pós-flop, por haverem tantas combinações diferentes no flop. Mas
um excelente entendimento da matemática e da teoria nos permitirá tomar decisões sensatas
e ganhar dinheiro de nossos oponentes mesmo em spots pelos quais nunca passamos antes.

Assim, esta é uma importante seção do livro, e começamos nossa análise pós-flop examinando
como defender contra um bet no flop quando estivermos em posição. Além disso, examinando
como defender contra um bet quando estivermos em posição poderemos também ser capazes
de ver quais tipos de mãos nosso oponente deverá c-betar, e usar isto como um ponto de
início para decidir se damos check ou betamos quando as posições estiverem invertidas. E
assim que estivermos confiantes com nosso jogo no flop, o próximo passo será seguir em
frente e aprender como eficientemente jogar o turn e river.

4.2 DEFENDENDO DANDO CALL

Quando fora de posição, nosso oponente deverá apenas raramente ser capaz de
lucrativamente betar as piores duas cartas de seu range. Isso porque nosso range de call em
posição é construído para jogar eficientemente contra o range de raise pré-flop do nosso
oponente. Enquanto podem haver algumas texturas de board onde ele pode lucrativamente
betar as piores mãos de seu range, com uma frequência maior o vilão terá que ter um
determinado tipo de mão para lucrativamente fazer um bet fora de posição.

Então, para começar, vamos primeiro examinar quão frequentemente teríamos que foldar
para um bet no flop para que nosso oponente lucrativamente bete quaisquer duas cartas. Para
nos ajudar a fazer isso, a seguinte equação mostra, em termos de bets do tamanho do pote,
quão frequentemente um blefe precisa ser bem-sucedido para assegurar que a aposta como
um todo tenha um lucro garantido. Na equação abaixo, PSB significa “pot-sized bet”, ou bet do
tamanho do pote.

Taxa de sucesso de blefe mínima = (tamanho da aposta em PSB) / (tamanho da aposta em PSB
+ 1)

Ou

X
Y = _______
X+1
Onde
X é o tamanho do bet em termos de bets do tamanho do pote (PSB)
Y é a frequência em que o blefe deve ser bem-sucedido para gerar um lucro imediato
Por exemplo, suponha que o nosso oponente aposte 50% do pote. Isso significa que a taxa de
blefes deverá ser de 33,3% do tempo.

Da mesma forma, a frequência de defesa apropriada pode ser alcançada, quando expressada
em termos de tamanho de bet no flop do oponente.
1
Y = _______
1+X
Onde
X é o tamanho do bet em termos de bets do tamanho do pote (PSB)
Y é a frequência em que o jogador que potencialmente dará call deve defender para
evitar que seu oponente blefe lucrativamente com qualquer air
Neste exemplo, onde X = 0,5 (aposta do tamanho de metade do pote), o jogador que
potencialmente dará call precisa defender 66,7% do tempo.

Com pouco esforço, podemos descobrir quão frequentemente os blefes do vilão devem ser
bem-sucedidos para que ele tenha um lucro mínimo garantido para todos os outros tamanhos
de bet também. Os gráficos abaixo mostram quão frequentemente um blefe deve ser bem-
sucedido para gerar lucro com quaisquer duas cartas, e quão frequentemente devemos
defender contra um bet para evitar que nosso oponente seja capaz de blefar lucrativamente
com quaisquer duas cartas.
Agora queremos perguntar “o quanto melhor é para nosso oponente quando ele blefa a pior
mão em seu range de bet (no flop) e nós defendemos dando call ao invés de dar raise?” Isso é
o mesmo que fizemos em cenários de pré-flop.

Primeiro, perceba que o vilão quase nunca estará blefando com mãos que não possuem
equidade, então seus blefes devem possuir um valor esperado maior que 0 quando eles
receberem um call. Entretanto, a diferença entre o pós-flop e o pré-flop é que nosso oponente
consegue ver três cartas aleatórias quando damos call pré-flop, mas apenas uma carta
aleatória quando damos call pós-flop. Isto é, no flop, cada jogador que possui acesso a apenas
duas cartas passa a ter acesso a cinco cartas, e muitas mãos mudam muito de força. No turn,
cada jogador passa a ter acesso a seis cartas, ao invés de cinco, e mesmo que muitas mãos
mudem em termos de força, esse efeito geralmente não é tão drástico como foi quando vimos
um flop.

Em outras palavras, enquanto houve uma diferença significativa entre dar call e raise contra as
mãos mais fracas do range pré-flop de nosso oponente, a diferença é menos significativa pós-
flop. Isto é, muitas das mãos mais fracas do range de raise pré-flop que foldariam para um 3-
bet formam trincas, dois pares, flush draws e straight draws quando permitimos que elas
vejam um flop. Mas no flop, o vilão frequentemente blefará com mãos que não conseguirão
imediatamente formar uma mão forte em qualquer turn.

Aqui está um exemplo. O nosso oponente frequentemente blefará com uma mão como 8c-7c
no flop Kc-6s-2s, apesar do fato de que ele não pode formar uma mão forte no turn. Perceba
que ele precisará ter sorte tanto no turn quanto no river para formar a melhor mão, e se ele
betar no turn e dermos raise, ele quase certamente foldará, não importa qual seja o turn.
Então, enquanto um turn favorável que dê a este jogador um straight ou flush draw quase
certamente permitirá a ele fazer um bet lucrativo, este spot não é nem de perto tão lucrativo
quanto simplesmente fazer uma mão forte no flop.

Existem texturas de flop onde existe uma probabilidade maior de que a mão de nosso
oponente se torne melhor que a nossa, quando seu pior blefe receber um call. E nestes casos
existe uma grande diferença em sua expectativa quando ele recebe um call ao invés de um
raise. Então, nestas texturas de board, devemos defender mais agressivamente.

Aqui está um exemplo. O flop é Th-8h-7s, e o vilão beta. Deve estar claro que existe uma
razoável chance de que a mão do vilão se torne melhor que a nossa até o river. Isso porque
mesmo seus blefes mais fracos podem conseguir dois pares, trincas, straights ou um par maior
que 10 no turn. Além disso, mesmo se dermos call com o nut straight (melhor straight
possível) no turn, o vilão pode estar betando o flop com uma carta de copas, e conseguir
runner runner copas no turn e river. (Claro, isso se apenas dermos call com nosso nut straight
em um turn que venha uma carta de copas, permitindo assim ao vilão realizar sua equidade).

Consequentemente, podemos concluir que, como o valor esperado do blefe mais fraco de
nosso oponente vai mudar baseado na textura do board, não existe regra rápida e simples
para determinar quanto a mais devemos defender quando damos call ao invés de dar raise.
Por exemplo, contra um c-bet de 75% do pote, devemos defender pelo menos 57,1% de
nossas mãos para evitar que o oponente lucrativamente bete a pior mão de seu range.
Todavia, não podemos descobrir a frequência exata de defesa contra este bet.

Então a conclusão é que, defender entre 60 e 70% do tempo na maior parte dos boards parece
um palpite razoável. Isso deve evitar que nosso oponente lucrativamente bete quaisquer duas
cartas no flop. Isto também permite que foldemos o suficiente, e assim o oponente terá um
incentivo para blefar as mãos que são blefes teoricamente corretos, e ao mesmo tempo
resulta em que não foldemos tanto que ele possa descuidadamente blefar quaisquer duas
cartas. Da mesma forma, não estamos defendendo tão agressivamente que damos muito valor
para as mãos fortes do nosso oponente. E através deste livro, o conselho dado será de
defender pelo menos 60% do tempo no flop, mas jogadores mais avançados devem tentar
defender um pouco mais agressivamente que isto.

Geralmente, as texturas de board onde os blefes do vilão podem se tornar mãos melhores que
a nossa no turn (como no exemplo do flop Th-8h-7s) são as mesmas texturas onde estar em
posição é bastante valioso. Além disso, nestes tipos de flops, devemos ter muitas mãos que
podem melhorar no turn. Portanto, boa estratégia consiste em defender um range mais amplo
nestes tipos de texturas de board. Da mesma forma, podemos também defender um pouco
mais amplamente em texturas de board onde estamos defendendo somente dando call, já que
o vilão tem virtualmente a garantia de ver o turn.

Por último, enquanto esta metodologia funciona bem para que nosso oponente não possa
lucrativamente betar quaisquer duas cartas fora de posição, ainda existirão alguns flops onde
ele poderá lucrativamente betar quaisquer mãos em seu range. Por exemplo, se dermos call
no button em um raise de UTG e o flop vier 2h-2s-2c, nós provavelmente não temos A-A ou K-
K em nosso range, mas o vilão possui. Assim, neste caso, teremos que defender com menos
que 60% de nosso range, e deixar que ele ganhe dinheiro blefando quaisquer duas cartas.
Mesmo que este seja um resultado indesejado, foldar para um bet no flop em uma alta
frequência com um range muito fraco é melhor que dar call agressivamente e perder um
grande pote no river.

4.3 DEFENDENDO DANDO RAISE – A RELAÇÃO ENTRE VALOR E BLEFE NO FLOP

Como discutido em “Parte Três: Tamanho de Apostas no Pós-Flop”, não existe um só tamanho
de bet que englobe todos os tamanhos de bet no flop quando betando ou dando raise, se
nosso range não está perfeitamente polarizado. Existem sim, alguns tamanhos de bet
comumente utilizados com os quais devemos nos familiarizar. Por exemplo, em um pote onde
houve um raise, a maior parte dos jogadores beta cerca de 75% do pote, o que normalmente
consiste em um bet de 6 big blinds em um pote de 8 big blinds, ou algo perto disso. Da mesma
forma, jogadores que dão raise geralmente darão raise neste bet para algo entre 16 e 18 big
blinds em posição – um tamanho razoável, que permite ao jogador em posição dar raise
agressivamente em flops, e requere que o jogador que originalmente betou defenda uma
grande fração de seus bets no flop dando call fora de posição.

Então, se dermos raise em um bet de 6 big blinds para 16 big blinds em um pote de 8 big
blinds, nosso oponente deve defender pelo menos 47% do tempo se ele deseja evitar que
tenhamos um lucro imediato. Uma pequena mudança no tamanho do raise não impactará
drasticamente esta frequência. Por exemplo, um raise ligeiramente maior, para 18 big blinds,
requere que o nosso oponente defenda 44% do tempo para prevenir que nosso raise gere um
lucro imediato.

Nosso range de raise no flop será quase sempre polarizado entre mãos fortes e blefes. Mas em
algumas texturas de board, daremos raise com nossos draws também, já que eles geralmente
se tornarão ou mãos muito fortes ou muito fracas no river, e podem assim ser value betadas
ou blefadas. Note também que, dando raise, tornamos o range de nosso oponente muito mais
forte no turn, então faz pouco sentido dar raise em um mão por valor, a não ser que seja mais
forte que a vasta maioria das mãos no range de bet no flop de nosso oponente. E como nosso
range de raise é polarizado, muitas das mãos no range de call do nosso oponente serão bluff
catchers, que vencerão nossos raises por blefe mas perderão para nossos raises por valor.

Agora que sabemos quais tipos de mãos fazem sentido no nosso range de raise, vamos
descobrir qual deverá ser a nossa relação entre raises por valor e raises por blefe no flop. Para
simplificar, assumiremos também que nosso range de raise é perfeitamente polarizado, o que
significa que nossas mãos terão 100% ou 0% de equidade.

Então, a primeira questão é: “Qual é o objetivo final do nosso range de raise no flop?” Bem,
nosso objetivo no river deverá ser betar com um range que consista na relação certa entre
value bets e blefes, de forma a tornar nosso oponente indiferente a dar call com suas mãos de
força medíocre. Isto é, uma grande fração do range de nosso oponente no river será de bluff
catchers, e queremos que o valor esperado, tanto de dar call quanto de foldar com essas mãos
seja zero.

Vamos pausar por um momento e olhar para um exemplo diferente, onde a matemática é tão
simples quanto possível, para que as ideias principais possam ser entendidas. Suponha que
nosso bet seja sempre do tamanho do pote. Além disso, suponha que nosso range no flop
consista de dois tipos de mãos: o nuts, que ocorrerão 20% das vezes e que nunca perderão; e o
blefes, que ocorrerão 80% das vezes e nunca vencerão. Esta informação pode usada para
determinar qual fração de nossas mãos deverão ser betadas no flop, turn e river.

Quando betamos no river, nosso oponente possui odds de 2-para-1 dar call em nosso bet, e
isso requere que blefemos uma vez para cada dois value bets, e neste exemplo, como 20% do
nosso range no flop é composto pelo nuts (que são mãos de valor), estaremos betando (no
river) 30% do total de mãos que tínhamos no flop. Perceba que isto mantém nosso oponente
indiferente entre dar call e foldar, já que as duas alternativas possuem um valor esperado de
zero. Além disso, perceba que nossa estratégia é indiferente ao que o oponente faz com seu
bluff catcher – se ele der call todas as vezes, algumas vezes, ou nenhuma das vezes, o valor
esperado do nosso range de bet será o mesmo. Isso significa que podemos olhar para o nosso
bet do river da perspectiva de que nosso oponente sempre foldará quando betemos, e neste
exemplo, isso acontecerá 30% do tempo – 20% quando betarmos por valor e 10% quando
fizermos um blefe no river. Como nosso oponente folda todas as vezes que apostarmos, estas
são todas apostas vencedoras.

Além disso, perceba também que nosso oponente sempre vencerá depois que dermos check
(no river). Isso porque também não faz sentido para nós dar check com o nuts se nosso range
incluir apenas nuts ou air, já que nosso oponente nunca deverá apostar contra este range.
Então, de certa forma, podemos dizer que nosso oponente efetivamente perdeu a mão cada
vez que betarmos o river com um range balanceado de dois-terços mãos de valor e um-terço
blefes (já que seu valor esperado é zero se ele der call ou foldar), e também é verdade que
nosso oponente vence a mão cada vez que dermos check.

Agora vamos voltar ao turn. Se fizermos um bet do tamanho do pote, nosso oponente mais
uma vez terá odds de 2-para-1 para dar call em nosso bet, então ele só precisa vencer uma a
cada três vezes para dar call. Mas lembre-se também que todos os nossos blefes no river, de
certa forma, são vencedores, e como (neste exemplo) vencemos 30% do tempo no river
(quando apostamos), para oferecer odds de 2-para-1 isso agora significa que no turn
precisamos blefar mais 15% do tempo para balancear os 30% que betamos no river. Isto é, 30-
para-15, que é o mesmo que 2-para-1.
Perceba o que fizemos. Agora estaremos betando 45% do nosso range de flop no turn. Ele será
composto de 20% de nossos value bets, 10% de nosso blefes no river, e um adicional de 15%
de blefes no turn. Agora, ao invés de termos 2/3 de nossas apostas, como teremos no river, de
value bets, agora teremos no turn 4/9 de value bets. Perceba também que 4/9 é igual a 2/3 ao
quadrado.

E agora, quando voltarmos ao flop, a mesma coisa acontecerá mais uma vez. Como faremos
um bet do tamanho do pote, e como também betaremos 45% de nossas mãos no turn, para
oferecer odds de 2-para-1, agora precisaremos adicionar mais 22,5% de blefes.

Assim, no flop, estaremos betando 20% de value bets, 22,5% de blefes do flop, 15% de blefes
do turn, e 10% de blefes do river, totalizando 67,5% do nosso range de flop. E assim como
antes, ao invés de ter 2/3 de nossas apostas, como teremos no river, de value bets, na verdade
teremos no flop 8/27, que é o mesmo que 2/3 ao cubo.

Então vamos repetir o que fizemos. A chave aqui é, mais uma vez, nos assegurar que
entendamos que cada vez que nosso oponente enfrente um bet de um range de river
balanceado, ele efetivamente perdeu a mão, e cada vez que dermos check no river, ele
vencerá. Então quando betarmos no turn um bet do tamanho do pote, o river deve ser betado
com um range balanceado (neste exemplo) 2/3 do tempo, e um range de bet balanceado no
river inclui 2/3 de value bets. Estas frações podem ser multiplicadas para mostrar que 4/9 dos
nossos bets no turn precisam ser value bets. Em outras palavras, como existe uma street
restante para agir, podemos blefar com maior frequência no turn, e 5/9 de nossos bets no turn
deverão ser blefes.

Mas ainda não havíamos terminado, pois ainda precisávamos descobrir qual fração de nossos
bets no flop precisavam ser value bets. Então, mais uma vez, betando um bet do tamanho do
flop, demos ao oponente odds de 2-para-1 para dar call, então ele só precisa vencer 1/3 do
tempo. E como antes, os odds que oferecemos ao oponente agora determinam quão
frequentemente a street seguinte deve ser betada com um range balanceado. Aqui, nosso
oponente precisa vencer um-terço do tempo para ser indiferente a dar call, então no turn
daremos check um-terço do tempo (e neste caso o vilão sempre vencerá) e betaremos dois-
terços do tempo (e neste caso o vilão efetivamente perdeu). Então, se o nosso range de bet no
flop deve ser capaz de betar o turn dois-terços do tempo, o river dois-terços do tempo após
betar o turn, e se dois-terços de bets no river forem value bets, então 8/27 de nossos bets no
flop deverão ser value bets, significando que os 19/27 restantes, ou aproximadamente 70%, de
nossos bets no flop deverão ser blefes.

Existe outro fato interessante que deve ser apontado. Se você perguntasse a um jogador de
poker típico como ele deveria betar, muitos lhe diriam para apostar suas boas mãos e então
blefar um pouco. Claro que a explicação não deveria ser tão simples, mas no river isso pode ser
considerado correto. Agora mostramos que no flop aproximadamente 70% de nossos bets
deverão blefes (nestes casos em que parece provável que o vilão possua uma mão apenas
razoável ou um draw, e dará call esperando que você não aposte novamente), e isto será
intuitivo para muitas pessoas. Mas isto é preciso, já que existem ainda duas streets restantes.
Este conceito é importante para um jogo teoricamente sólido, então deve ser compreendido
bem antes que sigamos em frente. Examinar quais mãos estão em cada range de bet pode
ajudar a visualizar este conceito. Então vamos repetir mais uma vez um pouco do que já foi
explicado.
No flop, é útil imaginar que nosso range de bet consiste de quatro tipos de mãos – blefes de
flop, blefes de turn, blefes de river e mãos de valor. Um blefe de flop é uma mão que blefará o
flop mas irá de check-fold no turn, enquanto todos os blefes de turn, os blefes de river e as
mãos de valor continuarão betando. Como nosso oponente tem odds de 2-para-1 para dar call
no nosso bet do tamanho do pote no flop, apenas dois-terços do nosso range de bet no flop
deverá continuar betando no turn. Em outras palavras, nossos blefes de turn, blefes de river e
value bets devem compor dois-terços do nosso range de bet no flop, enquanto apenas um-
terço de nosso range deverão ser de blefes de flop, que não serão betados na street seguinte
se o oponente der call.

Nosso range de bet no turn é similar ao range de bet no flop, exceto que os blefes de flop não
estarão mais neste range, pois os jogaremos de check-fold. Em outras palavras, o range de bet
no turn consiste de blefes de turn, blefes de river e mãos de valor, mas apenas blefes de river e
mãos de valor serão betadas no river. Assim como antes, dois-terços do nosso range de bet no
turn deverá ser betado no river, então blefes de river e value bets devem compor dois-terços
do nosso range de bet no turn, enquanto o um-terço restante deverá ser de blefes de turn.

Por último, no river, nosso range de bet consistirá apenas de dois tipos de mão: blefes de river
e mãos de valor. Como claramente pode ser visto, nosso range de bet agora inclui muito
menos mãos que possuía no flop, já que todos os nossos blefes de flop e blefes de turn terão
sido jogados de check-fold. E como nosso range de bet inclui menos blefes mas todas as nossas
mãos de valor ainda estão sendo betadas, a relação entre value bets e blefes agora é
significativamente mais alta que era no flop ou turn. Este conceito de blefar menos
agressivamente em cada street subsequente consistentemente aparece quando analisamos o
jogo teórico.

Existem ainda dois pontos que precisam ser explicados.

1) O tamanho de nosso bet relativo ao tamanho do pote determina quão


frequentemente você blefa. Então, em nosso exemplo de 20% de value bet, se
fizéssemos bets de metade do tamanho do pote ao invés de bets do tamanho do pote,
nosso oponente receberia odds de 3-para-1 ao invés de 2-para-1. Isso significa que o
river deverá consistir de 20% de value bets e 6,67% de blefes de river (totalizando
26,67%). O turn deverá consistir de 20% de value bets, 6,67% de blefes de river e
8,89% do blefes de turn, totalizando 35,56%. E o flop deverá consistir de 20% de value
bets, 6,67% de blefes de river, 8,89% blefes de turn e 11,85% de blefes de flop (para
um total de 47,41%).
2) Também é possível ter um range tão forte que não haverão blefes o suficiente em um
street anterior. Por exemplo, em nosso exemplo original, suponha que houvessem
40% de value bets e estivéssemos mais uma vez betando do tamanho do pote. Então o
range de bet no river seria de 60%, no turn seria de 90% e no flop seria de 135%. Como
é impossível betar 135% de todas as mãos, isso simplesmente significaria que todas as
mãos no range do flop seriam betadas no flop.

Agora vamos voltar à situação anterior, onde um tamanho de bet de 57% do pote será
utilizado no turn e river. Nesta situação, se betarmos 57% do pote no river, nosso oponente
arriscará um bet de 0,57 pote para ganhar 1,57 pote. Isso requere que 73% de nossos bets no
river sejam de value bets.

E quando betamos 57% do pote no turn, nosso oponente novamente arrisca um bet de 0,57
pote para ganhar 1,57 pote. Isso significa que, quando betarmos, ele deve efetivamente
perder 73% do tempo para ser indiferente a dar call ou fold, e isso requere que betemos o
river 73% do tempo para tornar nosso oponente indiferente a dar call no turn. (Lembre-se,
quando betamos no river, nosso oponente efetivamente perdeu, mas se dermos check, ele
sempre vencerá). Como precisamos betar o river 73% do tempo, e apenas 73% de nossos bets
no river precisam ser value bets, 53% de nossos bets no turn precisam ser por valor.

Por último, precisamos ter certeza de que estamos betando o turn na frequência certa para
manter o nosso oponente indiferente a dar call em nosso raise no flop. Se dermos raise em um
bet de 6 big blinds para 18 big blinds em um pote de 8 big blinds, nosso oponente arrisca mais
12 big blinds dando call para vencer as 32 big blinds que já estão no pote. Mais uma vez, como
nosso oponente efetivamente sempre perde quando betamos a street seguinte mas vence
quando damos check, devemos betar o turn 73% das vezes após dar raise no flop. (Perceba
que é 73% novamente pois nosso raise é de aproximadamente 0,57 pote).

Em outras palavras, como estamos dando raise ou betando 57% do pote em cada street,
precisamos betar o turn 73% do tempo, betar o river 73% do tempo após betar o turn, e 73%
de nossos bets no river precisam ser value bets. Podemos multiplicar estas frequências para
descobrir qual porcentagem de nossos raise no flop devem ser raises por valor. Isto é, a
porcentagem de raises no flop que precisam ser por valor é determinada pela seguinte
equação:

(Frequência de Bet no Turn)(Frequência de Bet no River)(Porcentagem de Bets no River que


são Value Bets) = (0,73) (0,73) (0,73)

Chegamos a um resultado de 38,9%.

Enquanto os números são um pouco diferentes daqueles no exemplo anterior, onde fazíamos
bets do tamanho do pote, note que o conceito de dar raise ou betar todas as nossas mãos de
valor em cada street e remover alguns blefes de nosso range em cada street adicional ainda
está presente. O maior parte do nossos bets no flop são blefes, cerca de metade de nossos
bets no turn são blefes, e apenas pouco mais de um quarto de nossos bets no river são blefes.
Isso porque alguns de nossos blefes no flop, ou blefes de flop, sairão de nosso range de bet e
os jogaremos de check-fold no turn.

Na verdade, nunca daremos raise no flop com um range perfeitamente polarizado. Nossos
raises por blefe às vezes darão sorte no turn ou river e se tornarão mãos fortes, e da mesma
forma nossos raises por valor ocasionalmente verão um turn ou river ruins e se tornarão mãos
fracas. Assim, é necessário levar em conta o fato de que frequentemente teremos uma
diferente quantidade de mãos fortes no river que a quantidade com que começamos quando
demos raise no flop.

Além disso, às vezes um raise por valor ou por blefe se tornará uma mão marginal no turn ou
river. Quando isso ocorre, pode ser melhor dar check de volta, especialmente em posição, e
tentar vencer no showdown. Perceba que nem sempre seremos capazes de betar as três
streets quando nossa mão for a melhor.

Por último, se foldarmos para um bet no turn, pode ser que a mão que foldamos tivesse se
tornado a melhor mão no river, e se betarmos no turn e nosso oponente foldar, pode ser que
ele tenha foldado uma mão que teria se tornado a melhor mão no river. Novamente, tenha em
mente que a posição é muito valiosa. Isso porque o jogador em posição tem muito mais
facilidade em perceber a equidade de seus semiblefes que o jogador fora de posição.
Especificamente, enquanto nosso oponente frequentemente foldará suas mãos fracas quando
betarmos no turn, se nossa mão for fraca, podemos dar check behind no turn após dar raise no
flop, e ocasionalmente daremos sorte no river.

Agora vamos imaginar um caso onde nossas mãos nossas mãos de valor têm 80% de equidade
e nossos semi-blefes têm 20% de equidade contra o range de call de nosso oponente. Esta
parece uma distribuição de equidade mais precisa para mãos no flop, já que brocas e pares
fracos possuem, geralmente, cerca de 20% de equidade. Além disso, vamos assumir que
sempre betaremos a melhor mão no turn e river. Mesmo que na realidade não teremos
informações perfeitas, nós temos a vantagem da posição e geralmente saberemos se nossas
mãos provavelmente vencerão no showdown, e poderemos betar de acordo com esta
informação.

Agora precisamos descobrir qual porcentagem de nossos raises no flop devem ser raises por
valor, dadas estas condições, e efetuando os cálculos, sob as condições acima, apenas 31,6%
do nosso range de raise no flop precisa ser de raises por valor.

(0,8)(X) + (0,2)(1 – X) = 0,389 =>

X = 0,316

Onde

0,8 representa 80% de equidade

0,2 representa 20% de equidade

X é a proporção do nosso range de raise no flop que pode ser value betado no river

Perceba que agora podemos blefar significativamente mais no flop, 68,4%, contra 61,1% que
poderíamos quando estávamos dando raise com um range perfeitamente polarizado.

A equidade de nossos blefes aumentou 20% enquanto a equidade de nossas mãos de valor
caiu 20%, mas como damos raise com mais blefes que mãos de valor no flop, isso resulta no
aumento na equidade geral de nosso range. Além disso, se não baixarmos nossa relação entre
valor e blefe no flop, poderíamos chegar ao river com um excesso de mãos fortes, e nosso
oponente poderia nos explorar foldando todos os seus bluff catchers.

Na verdade, à medida que mudamos a equidade de nossos raises por valor ou raises por blefe,
podemos ver uma causalidade bem clara. Se todo o resto for igual, aumentar a equidade tanto
de nossas mãos de valor quanto de nossos semi-blefes nos permite blefar mais agressivamente
no flop. Em outras palavras, quanto mais equidade nossos raises por valor e nossos raises por
blefe tiverem, mais inclinado ao blefe deve ser nosso range de raise. Isso leva à seguinte regra:

Enquanto a relação exata mudará baseada na textura do board, e não pode ser dita com
precisão, uma boa regra é ter cerca de 2 raises por blefe para cada raise por valor no flop,
quando em posição.

Jogadores frequentemente se confundem quando conversando sobre draws em ranges


polarizados, pois eles estão acostumados a mãos em ranges polarizados serem value bets
claros ou blefes claros. Mas um draw funcionará como um value bet quando melhorar para
uma mão forte, e como um blefe quando ele não melhorar. Na verdade, é frequentemente útil
nos lembrar que “betar um draw no flop é um value bet ou um blefe; nós só não temos certeza
de qual é.”
Podemos também usar a mesma equação que usamos anteriormente para descobrir quantos
combos de blefe precisamos adicionar ao nosso range de raise para cada draw que dermos
raise. Além disso, se um draw nos permite blefar mais ou menos mãos dependerá de quantas
streets ainda faltam para agir, profundidade de stack, e quanta equidade aquele draw
específico possui.

Aqui está um exemplo. Mantendo os dados anteriores, podemos descobrir quantos blefes
podem ser adicionados ao nosso range de raise no flop se dermos raise com o nut flush draw,
que geralmente possui 47% de equidade contra um típico bluff catcher.

(0,47)(X) + (0,2)(1 – X) = 0,389 =>

X = 0,70

Isto é, precisamos dar raise com 0,7 draws fortes para cada 0,3 raises por blefe. Isso requer
que blefemos aproximadamente um combo para cada 2,3 nut flush draws que dermos raise,
para sermos balanceados.

0,7

2,3 = ____

0,3

Enquanto cada mão pronta no flop que dermos raise por valor requere que demos raise por
blefe com múltiplas mãos para sermos balanceados, precisamos dar raise com múltiplos draws
fortes para darmos raise por blefe com uma única combinação de mãos. Isso se deve ao fato
de que, mesmo os draws mais fortes terão menos equidade que mãos fortes já prontas.
Mesmo assim, dar raise com draws fortes no flop ainda pode ser eficiente, já que isso previne
que nosso range seja transparente demais, e pode fazer o vilão foldar o que seria uma mão
vencedora.

4.4 MAIS COMPLICAÇÕES NA RELAÇÃO ENTRE VALOR E BLEFE

Como informações completas geralmente não estarão disponíveis quando jogando contra
nosso oponente, agora tentaremos explicar melhor algumas das simplificações que fizemos no
capítulo anterior. Mesmo que uma relação perfeita entre raises por valor e raises por blefe não
possa ser definida, podemos analisar diferentes texturas de board e fazer alguns ajustes
importantes para nos assegurar de que nosso range de raise está razoavelmente balanceado.

No capítulo anterior, assumimos que seríamos bem-sucedidos em betar todas as três streets
com mãos que serão as melhores mãos no river. Na verdade, nem sempre betaremos tanto o
turn quanto o river com a mão vencedora. Nossos raises por valor às vezes verão cartas
horríveis no turn e no river, e teremos que dar check mesmo que nossa mão ainda
provavelmente vença no showdown, e nem sempre betaremos o turn com nossos blefes que
melhorarão no river. Além disso, alguns blefes são muito mais eficientes em conseguir betar
todas as três streets quando o blefe melhorar e se tornar a melhor mão no river.

Aqui está um exemplo. Damos call no button com 8s-7s contra um raise de MP, e o flop vem
Kc-6s-2c.

Esta mão tem cerca de 10% de equidade, e funciona bem como um raise por blefe, desde que
o turn nos “sinalize” o quão provável é que nossa mão melhore no river – uma carta de
espadas nos dá um flush draw, um 5 ou 9 nos dá um straight draw duas pontas, e qualquer 7
ou 8 nos dá um par com cinco outs contra um top pair. Betaremos então quando o turn vier
uma destas carts, já que existe uma grande chance que nossa mão se torne a melhor mão no
river. Se o turn não vier uma destas cartas, daremos check, e em um turn que seja um blank, é
muito improvável que nossa mão se torne a melhor mão no river, de qualquer forma.

Comparativamente, um pocket pair será um raise por blefe muito menos eficiente que o 8-7s
do exemplo acima, apesar das duas mãos terem uma quantidade similar de equidade. Isso
porque o turn não nos diz se nosso pocket pair provavelmente melhorará no river. Se ele não
melhorar para uma trinca, provavelmente teremos dado check no turn, e isso requer que
baixemos a relação entre raises por valor e raises por blefe no flop.

Além disso, algumas vezes nosso oponente foldará para o nosso bet no turn, e outras vezes
nós foldaremos para um reraise de nosso oponente no flop ou um check-raise no turn. Embora
o resultado final disto seja ambíguo, o mais provável é que nosso oponente folde uma mão
que se tornasse uma mão melhor que a nossa, que o contrário. Perceba que estar em posição
é uma vantagem significativa, que o modelo na seção anterior não foi capaz de descrever
precisamente. Além disso, assumimos anteriormente que sempre perderíamos a mãos se
déssemos check no turn, mas estando em posição, temos certeza que veremos o river após dar
check, e nossa mão pode acabar se tornando a melhor mão.

Por último, em alguns casos, nosso oponente nos fará foldar a melhor mão no river. Para
ilustrar isso, imagine que demos raise com uma broca no flop e decidamos dar check no turn
após fazer um par fraco. Se nosso oponente tiver um missed draw no river, ele
frequentemente blefará e nos fará foldar a melhor mão. Normalmente, nosso oponente
foldará a melhor mão para nossos blefes, já que possuímos o range polarizado após dar raise
no flop, mas existem situação menos comuns onde ele nos fará foldar a melhor mão.

Então, enquanto na maior parte das texturas de board uma relação de 2-para-1 entre raises
por blefe e raises por valor seja um bom ponto de início para construir ranges de raise em
posição, poker é um jogo complexo e dinâmico. Isto é, é importante não tornar o jogo mais
simples que ele realmente é. Colocado de outra forma, exemplos podem fortemente
aumentar nosso entendimento do poker, e nos fornecer estimativas de quais frequências e
relações funcionam bem em spots diferentes, mas eles não levam em conta todas as possíveis
variáveis. E sempre se lembre de que os melhores jogadores são capazes de rapidamente
ajustar seu range de raise no flop para levar em conta pequenos detalhes que o exemplo
anterior foi incapaz de incorporar.

4.5 A FORÇA NECESSÁRIA DE UMA MÃO PARA DAR RAISE POR VALOR COM UMA MÃO
PRONTA

Enquanto a seção anterior nos mostrou como construir um range balanceado de raise no flop,
que consista da relação apropriada entre raises por blefe e raises por valor, ainda não
consideramos quão forte uma mão deve ser para eficientemente dar raise por valor no flop.
Para fazer isso, precisamos agora calcular qual porcentagem do range de bet no flop do nosso
oponente deve ir até o showdown se dermos raise no flop e betarmos turn e river. Se dermos
raise de 18 big blinds no bet de 6 big blinds do nosso oponente no flop, ele deve defender pelo
menos 43,8% de seu range de bet no flop para evitar que sejamos capazes de lucrativamente
blefar quaisquer duas cartas.

(14)(X) + (18)(X) = 0 =>


X = 0,438

Onde

14 é o tamanho do pote após o vilão betar

18 é o tamanho do nosso raise

X é a porcentagem do range de bet no flop com o qual o vilão deve defender

No turn arriscamos 25 big blinds para ganhar as 44 big blinds no pote. Isso requer que nosso
oponente defenda pelo menos 63,8% de seu range de turn para evitar que sejamos capazes de
lucrativamente blefar quaisquer duas cartas.

(44)(1 – X) + (25)(X) = 0 =>

X = 0,638

Onde

44 é o tamanho do pote

25 é o tamanho do nosso bet

X é a porcentagem de tempo que o vilão precisa defender

Finalmente, no river podemos ir all-in e arriscar 54 big blinds para vencer o pote de 94 big
blinds. Nosso oponente precisa dar call no nosso bet no river exatamente 63,5% do tempo
para nos manter indiferentes ao blefe.

(94)(1 – X) + (54)(X) = 0 =>

X = 0,635

Agora podemos multiplicar estas frequências para descobrir a quantidade mínima de mãos
com que o vilão precisa dar call em nosso all-in contra nosso range de raise no flop, se ele
defender apenas dando call. Chegamos ao resultado de 17,7%.

0,177 = (0,438)(0,638)(0,635)

Então, se nosso oponente tem a intenção de defender contra nossos raise no flop apenas
dando call, ele precisará defender mais que 17,7% de seu range de bet no flop, já que nossos
blefes geralmente terão alguma equidade dando recebermos call. Além disso, se ele defender
apenas o mínimo, sempre seremos capazes de lucrativamente dar raise por blefe no flop, e
nunca foldaremos para o bet ou raise de nosso oponente. Isso porque nossos raises por blefe
no flop imediatamente alcançarão o ponto de equilíbrio (break even), e ocasionalmente terão
sorte no turn ou river, e venceremos nosso oponente.

É impossível calcular exatamente quanto nosso oponente deve defender no flop e turn quando
ele defender dando call às vezes (e às vezes dando raise). Enquanto é possível descobrir a
quantidade mínima que ele deve defender, não podemos descobrir o quanto “extra” ele
precisa dar call no flop e turn para compensar o fato de que nossos blefes às vezes se tornarão
a melhor mão. Quanto mais o vilão defender dando call e quanto maior for a probabilidade de
nossa mão se tornar a melhor mão no river, mais amplo seu range de defesa deve ser no flop e
turn.
Além do mais, como o nosso range de raise no flop é polarizado, nós sabemos que o vilão
geralmente defenderá dando call ao invés de dar re-raise. Enquanto as suas frequências exatas
de defesa são impossíveis de se descobrir e dependerão da textura do board, aumentar um
pouco as frequências de defesa de nosso oponente no flop e turn parece razoável. Então, se
assumirmos que ele agora defenderá 50 e 67% de seu range no flop e turn, respectivamente,
nosso oponente precisará dar call em nosso all-in no river com cerca de 21% de seu range de
bet no flop se ele defender apenas dando call.

0,21 = (0,50)(0,67)(0,63)

Portanto, para que nosso shove no river seja lucrativo em posição, nossa mão precisa vencer
metade do tempo quando receber um call (como betar em posição reabre a rodada de
apostas, não faz sentido value betar, a não ser que nossa mão vença pelo menos metade das
vezes que receber call. Se ela perder mais frequentemente que ganhar, betar, em relação a dar
check, custará dinheiro, e assim devemos simplesmente dar check com a mão para garantir o
showdown. Entretanto, como discutiremos no futuro, isso não é necessariamente verdadeiro
quando estamos fora de posição. Consideremos também que nossa mão deve vencer um pouco
mais de metade do tempo se o vilão ocasionalmente der raise por blefe). Então, assumindo
que o range de call do vilão é estático – suas mãos fracas nunca melhorarão e suas mãos fortes
nunca enfraquecerão – podemos calcular quão forte uma mão deve ser para dar raise por
valor no flop. Especificamente, se nosso oponente defender apenas dando call, e seu range de
call for estático, nossos raises por valor não devem perder para mais que 10,5% do range de
bet no flop do vilão, para eficientemente darmos raise por valor.

0,105 = (0,21)(0,5)

Enquanto o modelo anterior nos dá uma boa ideia de quão forte uma mão precisa ser para dar
raise por valor no flop e ir all-in no river, existem algumas outras nuances sobre as quais
devemos estar cientes, quando dando raise no flop. A primeira é que o range de call do vilão
no flop não é estático, então ele não simplesmente dará call em todas as streets com as
melhores 10,5% mãos de seu range de bet no flop. O range que ele defende no turn e no river
se baseará em quais são as cartas no turn e no river, respectivamente. Então, mesmo que o
vilão decida dar call em nosso all-in com 10,5% de seu range de bet no flop, nem ele nem nós
saberemos qual esse range será até que vejamos o turn e o river.

A equidade das mãos que estamos à frente no flop também é importante. Por exemplo,
suponha que tenhamos uma mão que está atrás de apenas 10% do range de bet no flop do
oponente. Se ele também tiver muitos draws de alta equidade em seu range, pode não ser
possível dar raise por valor no flop e betar em muitas combinações de turns e rivers. Isso
porque muitas mãos no range de nosso oponente terão melhorado e nos vencerão no river, e
perderemos mais que metade das vezes em que o nosso bet no river receber um call.

Isto é mais fácil de visualizar imaginando um oponente cujo range de bet no flop consiste de
10% de mãos nuts com 100% de equidade, e 20% de draws com 45% de equidade. Isto é,
quando sua mão está à frente de nossos raises por valor no flop, nossa mão nunca se tornará
melhor que a dele, e alguns draws em seu range de call no flop melhorarão e se tornarão a
melhor mão no river. Uma consequência é que este oponente será capaz de 3-betar o flop em
uma alta frequência ou dar call e chegar ao river com a melhor mão com uma frequência alta
demais para tornar o nosso raise eficaz.
Por último, existem outras vezes em que daremos raise por valor no flop mesmo que saibamos
que não é provável que consigamos ir all-in no river. Isso ocorre quando é desejável fazer com
que muitas mãos no range de bet no flop do oponente foldem antes que elas sejam capazes de
realizar sua equidade. Especificamente, fazer o vilão foldar muitas mãos cuja equidade é de 20
a 25% é muito valioso, e isso nos encorajará a dar raise mais agressivamente.

Mais uma vez, como é sempre o caso quando usando modelos, nem toda variável será levada
em conta, e o bom-senso deve ser utilizado quando criando ranges. Por exemplo, haverão
vezes em que daremos raise por valor no flop quando estivermos atrás de mais que 10,5% das
mãos no range de bet do vilão, mas também é importante estar ciente de nossas descobertas,
e não ser descuidados com nossos raises por valor no flop.

Perceba também que nossas descobertas parecem sugerir ranges tight de raise, mas na
verdade faz perfeito sentido depois do que vimos na seção anterior. Quando a relação entre
blefe e valor é de aproximadamente 2-para-1, ainda podemos dar raise agressivamente no flop
mesmo que o número de raises por valor pareça pequeno.

4.6 ATRASANDO UM RAISE EM UM BOARD SECO

Como dar call mantém o range do vilão mais amplo que quando damos raise, quando temos
uma mão muito forte com perto de 100% de equidade, geralmente preferiremos dar call
quando enfrentando um bet em posição, e atrasar nosso raise para uma street futura. Dar call
mantém todo os blefes do vilão em seu range, e ainda poderemos ir all-in no showdown dando
raise no turn ou no river. Os cálculos referentes a este conceito serão discutidos mais
detalhadamente através do livro, mas é importante ter conhecimento de dois conceitos agora:

1) Como dar raise é muito mais caro que dar call, nosso oponente foldará para nosso
raise uma grande parte de seu range de bet. Então quando ele der raise ele nunca terá
a chance de realizar a equidade de muitos de seus blefes.
2) Dar call em um bet no flop e dar raise em uma street futura frequentemente requerirá
que nosso oponente coloque mais dinheiro no pote até o river com seu range que
quando damos raise no flop.

O fato de que dar call ao invés de dar raise em algumas texturas de flop resulta em um pote
final de tamanho médio maior parece contraditório e às vezes confunde os jogadores. Ainda
assim, se nossa mão possui 100% de equidade e está enfrentando um bet no flop, geralmente
seremos capazes de dar raise no turn ou river, e atrasando o raise esperamos obter mais valor
dos blefes de nosso oponente.

Esta é uma das razões pelas quais raramente iremos querer dar raise com nossas mãos mais
fortes em boards secos, preferindo, ao invés disso, defender apenas dando call. Os blefes do
vilão não possuem muita equidade nesses spots, e geralmente requerem múltiplas cartas para
que suas mãos se tornem melhores que a nossa. Assim, podemos dar call com nossas mãos
fortes e boards muito secos e então dar raise em qualquer turn ou dar call novamente, e
potencialmente dar raise no river.

Aqui está um exemplo. O vilão dá raise em MP e damos call no button. Faz pouco sentido dar
raise com quaisquer mãos no flop Kc-8s-3h. Não deverão haver mãos em nosso range que são
fortes o suficiente para dar raise mas que também se preocupem em deixar os blefes do vilão
verem cartas adicionais. Especificamente, as únicas mãos fortes o suficiente para dar raise por
valor neste flop são trincas, e elas são tão fortes que podemos dar call com elas e ainda
confortavelmente dar raise em qualquer turn.

Quando de fato damos call com nosso range inteiro de defesa, muitas mãos fracas estarão
incluídas. Se nosso range de raise não incluir mãos que funcionariam bem como raises por
blefe, então devemos, na maior parte das vezes, dar só call. Isso porque se estas mãos não
estiverem inclusas em nossos calls, nosso range no turn será forte demais e os blefes do vilão
serão muito lucrativos (para ele) no flop.

Aqui está um exemplo. No flop Kc-8s-3h, anteriormente mencionado, se torna correto dar call
com mãos como 10s-9s com runner runner flush draw. Então, se o turn nos der um flush draw,
straight draw ou possivelmente mesmo um par, podemos dar call novamente e esperar
melhorar nossa mão no river, e assim vencer um pote grande. Mas se o vilão der check no turn
ou river, nossa mão quase sempre se tornará um blefe eficiente.

Além disso, nosso oponente, que estará fora de posição, frequentemente lançará um double
barrel com seu flush ou straight draw no turn, e nos dará a oportunidade de dar raise nele
(com um range balanceado que inclui alguns draws). E quando isso ocorrer, ele se encontrará
em uma posição desconfortável e deficitária. Por fim, se ele foldar para nosso raise, a
equidade de sua mão não se realizará, e se ele der call, ele perderá a oportunidade de blefar se
ele não acertar seu draw no river. Então, como já sabemos, posição é uma vantagem poderosa
e defender dando apenas call em algumas texturas de board é quase certamente teoricamente
correto.

4.7 ATRASANDO UM RAISE EM UM BOARD MOLHADO

Não queremos frequentemente atrasar nossos raises com mãos fortes, pois os blefes do
oponente podem acabar se tornando a melhor mão no turn, e alguns turn que não derem ao
vilão a melhor mão podem nos fazer perder ação. Assim, quando os blefes do oponente
tiverem o potencial de imediatamente se tornar a melhor mão no turn, geralmente é melhor
dar raise com a maior parte das nossas mãos muito fortes no flop.

Aqui está um exemplo. Suponha que o vilão dê raise em MP e demos call com Jc-10c no
button. Não é interessante fazer slowplay se o flop Jh-10h-5c vier, pois nossa mãos é forte o
suficiente para dar raise e ainda assim vulnerável aos blefes do vilão. E se dermos apenas call,
um raise no turn seria ineficiente se viessem cartas como A, K, Q, 9, 8 ou quaisquer copas.
Assim, isso significa que na maior parte do tempo que dermos call no bet no flop de nosso
oponente, ele provavelmente será capaz de ver tanto o turn quanto o river e realizar
plenamente a equidade de seus blefes. Como isso é muito arriscado, dar raise no flop ao invés
de dar call geralmente será a melhor jogada.

Vale repetir o que acabamos de explicar mais uma vez. Devemos ter em mente não apenas se
a mão do oponente pode se tornar a melhor mão no turn, mas também se ele pode fazer a
melhor mão como runner-runner. Por exemplo, se fizermos slowplay com uma trinca no flop
8h-6h-2c e o turn vier uma carta de copas, nossa trinca não é mais forte o suficiente para
darmos raise. Então, se o vilão beta, podemos dar apenas call, dando a ele a oportunidade de
se tornar a melhor mão no river com uma mão como Ah-Jc.

Mesmo assim, se fazer slowplay com uma mão forte em um board molhado não for parte de
nossa estratégia, podemos nos encontrar particularmente vulneráveis a overbets no turn.
Então, quando debatendo se devemos fazer slowplay com uma mão forte neste tipo de flop, é
uma boa ideia levar em conta quantos turns melhorarão as mãos do nosso range. Se a maior
parte dos turns colocarem mãos fortes em nosso range, nosso oponente não será capaz de
overbetar eficientemente.

Aqui está um exemplo. Se o flop for Qh-10c-6h e dermos call no bet do vilão, praticamente
qualquer turn melhora algumas mãos em nosso range. Qualquer A, K, J ou 9 nos dá
possibilidades de dois pares ou straights, e Q ou 10 pode nos dar trincas, e possuem um
importante efeito de blockers. Na verdade, as únicas cartas que não melhoram
significativamente algumas mãos do nosso range no turn são os 6, 5, 4, 3 e 2 que não sejam de
copas, o que compõe 15 combinações, ou menos de um-terço do baralho. Assim, como
algumas mãos no nosso range melhorarão na maioria dos turns, o slowplay se torna muito
menos crítico neste board.

Finalmente, tenha em mente que, quanto mais arriscado for o slowplay com uma mão grande,
maior deve ser a recompensa. Isto é, dar call muitas vezes valerá o risco em boards onde o
vilão frequentemente overbetará a street seguinte. E embora algumas vezes seus blefes que
foldariam para nosso raise às vezes se tornem a melhor mão, às vezes também ganharemos
seu stack quando ele overbetar uma mão pior por valor ou overbetar seus blefes.

4.8 ENFRENTANDO UM 3-BET NO FLOP

Às vezes o oponente que está enfrentando um raise escolherá defender seu range de bet no
flop 3-betando ao invés de dando call. Ele tenderá a fazer isso em texturas de board onde suas
mãos muito fortes são vulneráveis a se tornarem a segunda melhor mão para nossos blefes.
Sabendo disso, se ele nunca 3-betar o flop, nós conseguiremos realizar a equidade dos nossos
raises por blefe no flop muito frequentemente. Mesmo assim, nosso range de raise no flop já é
bastante polarizado, então o vilão não pode efetivamente nos 3-betar no flop com uma alta
frequência.

No flop, se nosso oponente nos 3-betar para 36 big blinds, ele arrisca 30 big blinds adicionais
para ganhar 32 big blinds. Isso requere que seu blefe funcione 48% das vezes para gerar um
lucro imediato.

(8 + 6 + 18)(X) – (30)(1 – X) = 0 =>

X = 0,48

Onde

8 é o tamanho inicial do pote

6 é o tamanho do primeiro bet

18 é o call dos 6 BB mais um raise de 12 BB, e

30 é o call dos 12 BB mais um raise de 18 BB.

Como o blefe do vilão precisa ser bem-sucedido 48% do tempo para gerar um lucro imediato,
precisamos defender pelo menos 52% do nosso range de raise no flop. Perceba também que o
range de 3-bet do vilão será extremamente polarizado pois ele está dando raise contra um
range já polarizado. E como seu range é tão polarizado, frequentemente teremos que
defender dando call e utilizando nossa vantagem de posição no turn.
Quando damos call, o pote será de 80 BB e cada jogador terá um stack de 60 BB restante.
Quão frequentemente precisaremos dar call no shove do turn do vilão será determinado por
quanta equidade esperamos que seu blefe teoricamente correto tenha. Assim como era o caso
quando dando call em 5-bet shoves pré-flop, nosso oponente terá a garantia de realizar a
equidade de seu blefe quando receber um call. Isso requere que defendamos um range mais
amplo que defenderíamos normalmente.

Considere a seguinte equação:

(80)(X) – [60 – (200)(equidade dos blefes)](1 – X) = 0

Onde

X é a frequência que o blefe do vilão precisa ser bem-sucedido para gerar um lucro
imediato.

Esta fórmula pode ser usada para descobrir quão frequentemente o blefe do vilão precisa
funcionar para tornar o shove lucrativo. Se assumirmos que seus blefes tenham uma equidade
de 10% (essa é a equidade aproximada de uma broca), chegamos a um resultado de X de 33%.

Assim, o blefe do vilão precisa ser bem-sucedido 33% do tempo para tornar o shove com uma
mão de 10% de equidade lucrativo, e isso requere que demos call com 67% do nosso range de
turn. E se ele 3-betar o flop, e betar uma mão de 10% de equidade no turn, teremos que
defender pelo menos 35% do nosso range de raise do flop.

0,35 = (0,52)(0,67)

Onde

0,52 é a proporção de nosso range de raise do flop que damos call no 3-bet no flop do
vilão, e

0,67 é a proporção de nosso range de turn com que damos call.

Se estamos dando raise no flop com uma relação de 2 blefes para cada raise por valor, então
pelo menos 33% de nossos raises no flop serão raises por valor ou draws muito fortes. Como
precisamos ir all-in com apenas 35% do nosso range de raise no flop contra o 3-bet do vilão,
isso significa que só iremos all-in com mãos muito fortes.

Perceba que quando nosso oponente 3-beta o flop, ele tira nossa necessidade de continuar
blefando, e torna nosso range de all-in muito mais tight. Se ele der call em nosso raise no flop,
nossos bets no turn e no river serão feitos em uma alta frequência, e teremos um range de bet
no river balanceado, o que inclui blefes. Entretanto, em nosso modelo original, quando nossa
porcentagem de bet tanto no turn quanto no river era de 73%, acabávamos indo all-in com
53% do nosso range de raise no flop.

0,53 = (0,73)(0,73)

Embora nem sempre betemos o turn e river 73% das vezes após dar raise em nosso oponente
no flop, seu 3-bet no flop nos permitirá ir all-in com um range muito mais tight. É
frequentemente correto para nosso oponente nos 3-betar no flop para evitar que vejamos o
turn com nosso range de raise-fold, mais isto vem a um alto preço, pois permite que vamos all-
in com um range muito forte, sem blefes.
Uma falha comum que muitos jogadores tem é que eles apenas querem dar raise por valor no
flop se a mão jogar bem contra o range de 3-bet no flop do vilão. Isso, claro, faz sentido se
dermos raise em uma textura de flop específica onde nosso oponente apenas defenderá 3-
betando ou foldando. Mas na maioria das texturas de flop, ele defenderá, na maior parte das
vezes, dando call. Lembre-se que nosso range de raise no flop é polarizado, e dando raise
representamos uma mão muito forte ou muito fraca (e ocasionalmente um draw). E se nosso
oponente está 3-betando por valor contra este range, sua mão deve ser incrivelmente forte
para vencer mãos em nosso range de raise por valor.

Portanto, não devemos estar preocupados se dermos raise por valor com uma mão que é
vencida por todos os 3-bets por valor do vilão. Isto é similar à forma que precisamos 3-betar
agressivamente contra raises do button quando estivermos nas blinds, com mãos como A-Q,
A-J e 10-10, mesmo se estas mãos nunca estiverem à frente do range de 4-bet por valor do
vilão. Nossos raises por valor vão bem quando receberem call, e se nosso oponente 4-betar,
simplesmente teremos que lidar com isso quando isso acontecer.

4.9 DEFENDENDO TANTO DANDO CALL QUANTO DANDO RAISE

Agora temos todas as ferramentas necessárias à nossa disposição para jogar bem em posição
contra um bet no flop. Enquanto muitos exemplos estão inclusos na parte final do livro, agora
vamos considerar algumas perguntas e respostas relacionadas à defesa contra um bet no flop.

Pergunta nº 1: Quão amplamente precisamos defender para que o vilão não possa betar
quaisquer duas cartas lucrativamente fora de posição?

Resposta: O primeiro passo em nosso processo de pensamento é quão agressivamente


defender para evitar que o vilão seja capaz de lucrativamente betar quaisquer duas cartas. Isso
pode ser feito rapidamente em nosso cabeça para sizes aleatórios de bet, mas devemos estar
especialmente confortáveis com os sizes de bet normais e ter memorizado as
correspondências frequências de defesa. Devemos também estar confortáveis com defender
muito amplamente em flops onde o vilão beta um valor baixo, e foldar mais do nosso range
quando ele betar um valor alto.

Pergunta nº 2: Com quais mãos queremos dar raise por valor?

Resposta: Primeiro, precisamos descobrir se nossa mão é forte o suficiente para dar raise por
valor, e adicionaremos blefes o suficiente para que nosso range esteja razoavelmente
balanceado. Geralmente é mais fácil descobrir primeiro com quais mãos devemos dar raise por
valor e só então adicionar a quantidade certa de blefes. Entretanto, em algumas texturas de
board complicadas, pode ser melhor trabalhar de forma inversa e ver primeiro quais mãos são
apropriadas para dar raise por blefe, e então balancear o range com raises por valor.

Pergunta nº 3: Com quantos blefes preciso dar raise para que meu range esteja balanceado?

Resposta: De forma geral, um bom ponto de início é assumir dois raises por blefe para cada
raise por valor no flop. Isso geralmente nos levará próximo à relação correta, e então
poderemos ajustar a frequência baseado em quanta equidade pensamos que nossas mãos por
valor e raises por blefe possuem. Se é nossa opinião de que nosso raises por blefe possuem
significativamente mais que 20% de equidade, nossa frequência de blefe provavelmente deve
ser maior. Da mesma forma, se pensamos que nossos raises por blefe tem menos que 20% de
equidade, então blefe um pouco menos. Lógica similar se aplica a dar raise com nossas mãos
de valor.

Também é correto dar raise por blefe no flop com aproximadamente duas mãos para cada
mão forte com que damos raise por valor. Além disso, tenha em mente que ter certeza que
nossa relação entre raises por valor e blefe é muito mais importante que ter certeza que
adicionamos alguns blefes para compensar nossos draws – alguns poucos draws não
impactarão drasticamente quantos blefes são necessários ter em nosso range de raise.

Pergunta nº 4: Com quantas mãos temos que dar call para tornar um jogador teoricamente
ótimo incapaz de c-betar mais ou menos que a quantidade ótima?

Resposta: Esse é provavelmente o passo mais difícil, já que é necessário ter certeza de que
estamos dando call com a quantidade correta de mãos e que não estamos foldando muito ou
pouco. Se a textura do board não atinge nem o nosso range nem o range do oponente, como
um flop 10c-6s-2h, então precisamos nos assegurar de que estamos dando call agressivamente
o suficiente, apesar de não possui muitas mãos fortes. Isso porque dar poucos calls permite
que o vilão bete imprudentemente, já que seus blefes são tão lucrativos.

Pelo contrário, se o flop atingir bem nossos dois ranges, como um flop Qh-10h-8s, então é
necessário se assegurar de que não estamos dando call com mãos muito otimistas. Isto é, se o
nosso range de call for muito amplo, o vilão não vai blefar muitas mãos no flop e seus value
bets serão muito eficazes. Então neste caso, vamos querer defender entre 65 e 70% do nosso
range no flop contra um bet de 75% do pote quando estivermos em posição (já que nosso
range é forte e a posição é valiosa), mas a frequência exata dependerá da textura do board.

4.10 EXEMPLO DE COMO BALANCEAR UM RANGE DE DEFESA NO FLOP

Suponhamos que damos flat call do button contra um raise de MP com o range listado no
quadro de mãos (JJ-33, AKo-AQo, AQs-ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s, 98s, 87s, 76s, 65s,
54s) e o flop vem Kd-9s-7s.

Podemos defender contra um c-bet da seguinte maneira:

Total de Combos: 125

Quantidade Desejada de Combos a serem Defendidos: (125)(0,60) = 75

Raises por Valor: 99 (3), 77 (3), Qs-Js, Qs-Ts, Js-Ts = 9

Raises por Blefe: AsQx (3), QTs (3), 87s (3), 76s (3), 6d-5d, Ad-10d = 14

Calls: AKo (9), KQs (3), KJs (3), KTs (3), JJ-TT (12), As-Qs, As-Js, As-Ts, 6s-5s, 5s-4s, JTs (3), J9s (3),
T9s (3), 98s (3), Ad-Qd, Ad-Jd, QJs (3) = 52

Total de Combos Defendidos: 75

Este é um exemplo básico de como balancear um range de defesa no flop. Não fizemos
slowplay com nenhuma trinca, mas como nosso range de call inclui nossos combos de A-K e
existem muitos turns que podem melhorar algumas das mãos listadas, será difícil para o vilão
overbetar eficientemente o turn. Além disso, como trincas são mãos tão fortes com que
damos raise por valor, e estamos em posição, podemos confortavelmente blefar duas
combinações de mãos para cada trinca.

Perceba quão agressivamente estamos dando raise neste flop, mesmo que nenhum combo de
A-K esteja incluído. Então existem 23 combos de raise no flop, que resultam em 18,4% do total
de mãos jogadas. E uma vez que damos raise com 23 combos, apenas outros 52 combos são
necessários para dar call, e isso pode ser feito muito facilmente. Além do mais, precisamos dar
raise por blefe com algumas mãos, como uma broca com o Ad-Td, que pode vir a melhorar e
vencer mãos no forte range de bet-call do vilão. Além disso, é uma boa estratégia dar call com
top pair e pares médios, que são provavelmente a melhor mão no flop mas é improvável que
melhorem e vençam mãos muito fortes no river.

E finalmente, agora deve começar a se tornar aparente quão ineficaz é imprudentemente


betar o flop fora de posição contra um jogador ótimo. Além disso, se ficar claro que o vilão
estava betando imprudentemente o flop, podemos explorá-lo ampliando nosso range de
defesa e começando a dar raise por valor com A-K, e adicionar também algumas raises por
blefe. Enquanto é verdadeiro que alguém ainda pode ser um jogador vencedor se ele c-betar
imprudentemente contra jogadores ruins, esta estratégia funcionará mal contra jogadores
fortes, que sabem balancear um range de raise e se defender agressivamente contra bets.

4.11 RESUMO

Embora existam milhares de diferentes flops possíveis, quando entendemos algumas


frequências e regras gerais, podemos construir ranges balanceados em posição. Enquanto
rapidez e precisão podem melhorar apenas com a prática, deve estar claro agora como
abordar a maior parte das texturas de flop quando enfrentando um bet. O processo de dar
raise com nossas mãos fortes mas vulneráveis, e com alguns blefes que mantém sua equidade,
ocorre em todas as streets, e dando raise agressivamente em posição com ranges
balanceados, nossos oponentes frequentemente foldarão, já que não deixamos a eles
nenhuma opção desejável.

1) Em texturas de board onde o vilão não será capaz de lucrativamente betar quaisquer
duas cartas, geralmente precisaremos defender contra um bet no flop entre 60 e 70%
do tempo. Isso ainda dará a ele um incentivo para blefar com os tipos certos de mãos,
mas também limitará a quantidade de valor de suas mãos no range de value bet. Mas
a porcentagem exata de defesa contra um bet no flop é impossível de se descobrir, e
dependerá de quão frequentemente estamos dando raise ou call, assim como da
textura do board.
2) Dar call permite que o vilão veja o turn com seu range inteiro de bet, enquanto dar
raise exige que ele folde com a maioria de seus blefes. Como os blefes do vilão podem
melhorar e se tornar mãos melhores que as mãos de nosso range de call no turn, se
torna necessário defender com combinações extras de mãos se estivermos
defendendo dando call ao invés de dar raise.
3) Em nosso modelo com um range perfeitamente polarizado de raise no flop, a
frequência de bet apropriada tanto no turn quanto no river para tornar o vilão
indiferente a dar call em nosso raise no flop, é de 73%. Além disso, 73% dos nossos
bets no river precisam ser por valor. Isso significa que 39% dos nossos raises no flop
precisam ser por valor.
4) Nosso modelo seguinte sugeriu que geralmente vamos querer dar dois raises por blefe
para cada raise por valor em flops onde nossos raises por valor e nossos raises por
blefe possuem 80 e 20% de equidade, respectivamente.
5) Geralmente é necessário que o vilão vá all-in no river com 20% de seu range de bet no
flop. Se ele for all-in com menos que isso, será lucrativo para nós blefar
imprudentemente.
6) Quando o vilão 3-beta no flop, ele tira nossa habilidade de ver o turn e o river barato
com nossos raises por blefe. Mas fazendo isto, nosso range de all-in no river será mais
forte, sem blefes.
7) Nosso range de call deve ser construído para que algumas mãos melhorem na vasta
maioria de turns. Isso previne que o vilão seja capaz de overbetar imprudentemente o
turn.
8) Geralmente vamos querer atrasar o raise até a última street possível com mãos muito
fortes em boards secos. Isso mantém o range do vilão amplo, e conseguimos valor
adicional de seus blefes. Enquanto isso funciona bem em boards secos, geralmente é
melhor dar raise no flop com mãos fortes em boards molhados, já que é arriscado
permitir ao oponente que ele veja o turn com seus blefes.
9) Apostar imprudentemente fora de posição no flop é ineficaz contra bons jogadores.
Ranges de defesa ótimos geralmente são capazes de defender contra um range amplo
no flop e ainda ir all-in no river com ranges fortes e balanceados.
5. BETAR OU DAR CHECK EM POSIÇÃO

5.1 INTRODUÇÃO

Esta seção é especialmente importante pois é comum enfrentar um check no flop em posição,
e os mesmos conceitos apresentados agora também se aplicarão no turn e no river. Além do
mais, nesta situação, devido à força da posição e ao fato de que o range de check no flop do
nosso oponente é frequentemente fraco, é geralmente difícil identificar falhas, já que
provavelmente ganharemos dinheiro mesmo se nossa jogada for ruim. Entretanto, o objetivo
não é simplesmente ganhar dinheiro, mas maximizar nossos ganhos usando a linha que possua
maior expectativa, com todas as mãos de nosso range. E pode ser melhor alcançar este
objetivo desenvolvendo um forte entendimento da matemática e da teoria que ocorrem nesta
situação.

Na parte 4, “Enfrentando um Bet no Flop em Posição”, examinamos como nos defender contra
um bet quando estamos em posição. Como geralmente não queremos permitir ao nosso
oponente lucrativamente betar quaisquer duas cartas, foi possível estimar quão amplo deve
ser nosso range de defesa no flop quando enfrentando um bet. Entretanto, se nosso oponente
dá check, embora seu range de check no flop deva ser mais fraco que seu range de bet, ainda
não temos um ponto claro de início de como proceder.

Mas este não é um problema, já que muitas das mesmas metodologias utilizadas na parte 4
podem ser usadas novamente para ajudar a responder esta questão. Especificamente, a
mesma ideia de criar um range balanceado de bet, para que o nosso oponente seja indiferente
entre o call e o fold com suas mãos marginais, mais uma vez será utilizada, e betando com um
range balanceado que pode melhorar em vários turns fará com que o vilão frequentemente dê
call perdendo ou folde a melhor mão. Além disso, entendendo como um bet ou check no fop
determina o range de turn do vilão, podemos nos assegurar que estamos betando ou dando
check com as mãos certas no flop.

5.2 A RELAÇÃO ENTRE VALUE BET E BLEFE PARA TRÊS STREETS DE VALOR

Lembre-se que um jogador com um range polarizado é capaz de blefar muitas combinações de
mãos a mais no flop que no river quando fazendo bets do tamanho do pote. Isso pois as
mesmas mãos de valor são betadas em cada street, mas no river uma fração mais alta do
range de bet precisa ser de mãos de valor, para manter o oponente indiferente a dar call.
Usaremos a mesma abordagem aqui e faremos muitas das mesmas suposições, com a única
diferença de que os sizes de bet que serão usados são mais comuns que um bet do tamanho
do pote.

Mais especificamente, muitos jogadores geralmente betam cerca de 75% do pote se eles
pensam que o oponente pode estar forte e planejando um check-raise. Uma das razões para
isso é que bons jogadores geralmente não começam a overbetar até que eles estejam
confiantes de que apenas raramente podem ser vencidos, e isso geralmente não ocorre até o
river, após o oponente ter dado call duas vezes.

Vamos começar descobrindo qual fração de nossos bets no flop devem ser value bets, se
planejamos betar 75% do pote em cada street com um range perfeitamente polarizado. Então,
betando essa quantidade no river, o vilão arrisca 0,75 do pote para ganhar 1,75 pote. Isso
requer que 70% de nossos bets no river sejam value bets.

(1,75)(1 – X) – (0,75)(X) = 0 =>


X = 0,7

Embora seja fácil descobrir qual fração de nossos bets de 75% do pote devem ser de value
bets, como mostrado na parte 4, “Enfrentando um Bet no Flop em Posição”, devemos
trabalhar de trás para frente para descobrir qual porcentagem dos nossos bets no flop devem
ser por valor.

O próximo passo é perceber que se betarmos 75% do pote no turn, nosso oponente mais uma
vez arriscará 0,75 do pote para ganhar 1,75 pote. E como discutido anteriormente, se nosso
range de bet no turn for perfeitamente polarizado, isso requer que betemos o river 70% do
tempo com um range balanceado para manter o oponente indiferente a dar call no turn. Isso,
mais uma vez, pois sempre que betamos com um range balanceado no river, nosso oponente
já perdeu a mão (já que dar call ou foldar ambos possuem uma expectativa de zero), mas cada
vez que ele der check, ele sempre vencerá já que nunca daremos check com uma mão forte.

Este mesmo processo ocorre no flop. Isto é, se betarmos 75% do pote no flop, então o turn
deverá ser betado 70% do tempo.

Em outras palavras, dadas as condições acima, 70% dos nossos bets no river devem ser de
value bets, o river deve ser betado 70% do tempo após betar no turn, e o turn deve ser betado
70% do tempo após betar no flop. Multiplicando estas frequências chegamos ao resultado de
34,3%, a porcentagem de nossos bets no flop que devem ser value bets.

(frequência de bet no turn)(frequência de bet no river)(fração de bets no river que devem ser
value bets) =

(0,7)(0,7)(0,7) =

(0,7)³ = 0,343

Mais uma vez, isto não é diferente do que fizemos anteriormente, só que agora nossos bets
são um pouco menores que bets do tamanho do pote. Além disso, já que estamos betando um
pouco menos que antes, um pouco mais dos nossos bets a cada street devem ser por valor, já
que o nosso oponente está conseguindo um preço melhor para dar call.

Vamos tentar um outro exemplo onde descobrimos qual a fração dos nossos bets no flop
devem ser de value bets, mas agora vamos supor que nos foi permitido overbetar o river, e
temos 1,5 bets do tamanho do pote restantes. Lembre-se, embora sejam discutidos mais
frequentemente em futuros capítulos, overbets ocorrem mais frequentemente no river
porque, se o oponente deu call duas vezes, é menos provável que ele esteja forte. Em outras
palavras, betar bets de 1,5 do tamanho do pote no river após fazer duas apostas menores é
com frequência teoricamente correto, já que não podemos overbetar confortavelmente até o
river.

Mais uma vez, começaremos do river e trabalharemos de trás para frente. Betando 1,5 do pote
no river, o nosso oponente arrisca 1,5 pote para ganhar 2,5 potes. Consequentemente, como
nosso bet é agora maior e nosso oponente tem odds piores para dar call, somos capazes de
blefar mais, e precisamos que apenas 62,5% do nossos bets no river sejam de value bets.

(2,5)(1 – X) – (1,5)(X) = 0 =>

X = 0,625
Agora, como ainda betamos 75% do pote no turn, nosso oponente arriscou 0,75 pote para
ganhar 1,75 potes. E como no exemplo anterior, isso requer que betemos o river 70% do
tempo com um range balanceado, para mantê-lo indiferente a dar call em nosso bet no turn.
Da mesma forma, nosso bet no flop também foi de 75% do pote, e isso requer que betemos o
turn com um range balanceado 70% do tempo.

Agora vamos determinar qual porcentagem dos nossos bets no flop precisam ser de value bets
se estamos betando com um range perfeitamente polarizado e se nos for permitido overbetar
o river, como mencionado.

(frequência de bet no turn)(frequência de bet no river)(fração de bets no river que devem ser
value bets) =

(0,7)(0,7)(0,625) = 0,306

Perceba que ainda estamos utilizando a mesma metodologia de antes, quando betamos 75%
do pote em cada street. Isto é, trabalhamos de trás para frente do river até o flop para
determinar qual a porcentagem de nosso bets no flop deve ser de bets por valor. A única
diferença é que agora, como estamos overbetando o river, menos de nossos bets no river
precisam ser value bets, pois nosso oponente possui piores odds para dar call.

Voltando ao exemplo do raise no flop na Parte 4, precisávamos ser capazes de betar o turn e o
river por valor com 39% do nosso range de raise no flop se nosso oponente sempre vencesse
quando déssemos check. Em contraste, apenas 34,3% ou 30,6% dos nossos bets no flop
precisam ser por valor no turn e river nos últimos dois exemplos. Em outras palavras, nos é
permitido blefar mais combinações de mãos para cada mão forte que value betarmos no flop,
quando comparado a dar raise no flop. E isto faz sentido já que existe mais profundidade
efetiva de stack quando betamos ao invés de dar raise, e apostas maiores relativo ao tamanho
do pote nos permite blefar mais. Colocado de outra forma, quando as apostas são maiores
nosso oponente tem um preço pior para dar call, e isso significa uma fração maior de nosso
range de bet deve ser de blefes, para mantê-lo indiferente a dar call com seus bluff catchers.

Quase todas, se não todas, as regras que se aplicam a dar raise em posição também devem ser
aplicadas quando betando em posição. Por exemplo, podemos blefar mais agressivamente se
pudermos dar check behind com blefes que melhorem para mãos marginais que possam
vencer no showdown. Ao mesmo tempo, se no turn ou river conseguirmos a melhor mão mas
o vilão puder blefar e nos fazer foldar, teremos que blefar menos. Da mesma forma, é
importante levar em conta quão fácil é para cada jogador realizar a equidade de suas mãos
mais fracas. Estamos mais uma vez em posição e posição é valioso, e isso nos permite blefar
agressivamente em muitas texturas de flop.

Agora vamos estimar quão frequentemente precisamos value betar o flop quando nossos
value bets e blefes têm 80% e 20% do equidade, respectivamente. Se o turn e o river ambos
forem betados por valor com 34,3% do nosso range de bet no flop, como foi o caso quando
fazendo apenas bets de 75% do pote, então 23,9% dos nossos bets no flop devem ser por valor
se a mão vencedora sempre for betada no turn e no river.

(0,2)(1 – X) + (0,8)(X) = 0,343 =>

X = 0,239
Da mesma forma, se formos capazes de overbetar o river e assim só precisarmos value betar o
turn e o river com 30,6% do nosso range de bet no flop, então apenas 17,7% de nossos bets no
flop precisam ser value bets se a mão vencedora sempre for betada no turn e river.

(0,2)(1 – X) + (0,8)(X) = 0,306 =>

X = 0,177

Enquanto intuitivamente faz sentido pensar que podemos blefar agressivamente em posição
no flop, ter cerca de quatro blefes para cada value bet no flop parece extremo e
contraintuitivo. Isso é principalmente pelo fato de que, na prática, nem sempre seremos
capazes de betar as três streets quando tivermos a mão vencedora, e certamente não seremos
capazes de overbetar todas as mãos vencedoras no river. E isso nos traz à nossa próxima regra:

Como um princípio básico, provavelmente vamos querer de 2,5 a 3 blefes para cada mão
forte que value betarmos no flop quando estivermos em posição.

Mais uma vez, perceba que isso é provavelmente uma relação entre blefe e valor muito mais
alta que a maior parte dos jogadores espera, similar à seção anterior onde aprendemos que
podemos dar raise por blefe no flop mais agressivamente que previríamos.

5.3 A RELAÇÃO ENTRE VALUE BET E BLEFE PARA MENOS DE TRÊS STREETS DE VALOR

Outra opção no flop é betar com a intenção de betar por valor apenas duas streets ao invés
das três. Esta é uma opção útil. Mantém o pote menor e o range do oponente mais amplo,
assim mãos mais fracas podem ser betadas por valor.

Mais uma vez, vamos começar com um exemplo simples e assumir que betamos 75% do pote
no flop e no turn, e o river não poderá ser betado. Além do mais, vamos supor que nossos
blefes nunca melhorarão e nossas mãos de valor nunca poderão ser vencidas. Vamos mais
uma vez trabalhar de trás para frente para ver qual porcentagem de nossos bets no flop
precisam ser de value bets.

Aqui, a última street que podemos betar será o turn, então vamos começar por aqui. Se
fizermos um bet de 75% do pote no turn, o vilão arriscará 0,75 pote para vencer 1,75 potes. E
como vimos no último capítulo, isso requer que o vilão vença 30% do tempo para que seu call
seja lucrativo.

Da mesma maneira, perceba que se betarmos 75% do pote no flop, nosso oponente mais uma
vez arrisca 0,75 pote para ganhar 1,75 potes. Como ele efetivamente sempre perde quando
apostarmos o turn com um range balanceado, e efetivamente vence quando dermos check,
isso requere que betemos o turn 70% do tempo para manter nosso oponente indiferente a dar
call no flop.

Para descobrir qual porcentagem de nossos bets no flop devem ser de value bets, podemos
agora multiplicar nossa frequência de bet no turn pela porcentagem que nossos bets no turn
precisam ser por valor. Quando isto é feito, o resultado nos mostra que 49% dos nossos bets
no flop precisam ser value bets, dadas as condições acima.

(frequência de bet no turn)(fração de bets no turn que são value bets) =

(0,7)(0,7) = 0,49
Não deveria ser surpresa que, como utilizamos uma street a menos de aposta, uma relação
mais alta entre value bet e blefe no flop é necessário. Isso porque temos uma street a menos
para ir de check-fold com alguns de nossos blefes anteriores, enquanto continuamos a value
betar todas as nossas mãos fortes. Em outras palavras, quando value betamos mãos no flop
que não são particularmente fortes, é crucial que tenhamos menos blefes em nosso range. E
isso nos trás à nossa próxima regra.

Um bom princípio básico é ter cerca de uma value bet para cada blefe no flop, quando
planejando betar apenas duas streets por valor.

Mesmo assim, betar o flop em posição com a intenção de betar o turn e dar check no river é
uma linha extremamente comum e útil. Usando esta estratégia quando existirem streets
futuras, não permitimos que o nosso oponente realize de forma barata a equidade de suas
mãos fracas e marginais. Além disso, tendo a vantagem da posição, assim que mostramos
fraqueza dando check no river, a mão imediatamente vai pro showdown e nosso oponente
não terá a chance de transformar nossa mão em um bluff catcher depois que dermos check.

Aqui está um exemplo. Damos raise no button com 9c-9s e o big blind dá call. O flop é 10h-8h-
4c.

Este é um grande spot para betar o flop com a intenção de betar em muitos turns e dar check
no river. Betar o flop e o turn provavelmente será eficaz pois extrairemos valor quando o vilão
possui um par de 8, assim como fazer ele foldar algumas mãos, como overcards, que podem
vir a se tornar a melhor mão. Mas betar o river provavelmente será uma jogada deficitária. O
vilão frequentemente foldará o par de 8 e dará call ou raise com seus pares de 10 ou mãos
melhores.

Outra opção é betar o flop por valor com a intenção de dar check behind tanto no turn quanto
no river, e esperando vencer no showdown. Isso nos permite fazer mãos de alta equidade
foldarem quando temos uma mão pronta, mas vulnerável – mãos com duas overcards
costumam ter cerca de 28% de equidade contra pares menores no flop. Além disso, podemos
ser capazes de extrair uma street de valor de mãos mais fracas.

Aqui está mais um exemplo. Suponha que damos raise no button com 4-4 e o flop vem 8-5-3
rainbow. Nesta situação, quase toda mão com duas overcards no range do oponente possui
pelo menos 24% de equidade, e conseguir que o oponente folde tais mãos de alta equidade é
útil. Além disso, nosso bet no flop deve conseguir valor de mãos mais fracas que vão de check-
call, como é o caso quando o oponente vai de check-call com A-10 ou K-3s, e também fica feliz
de ir de check até o showdown.

Ao contrário de quando betamos o flop e o turn e damos check no river, betamos apenas o
flop por valor dá ao oponente a oportunidade de betar o river sabendo que é improvável que
tenhamos uma mão forte. E quando ele faz isso, a maioria das mãos em nosso range serão, na
melhor das hipóteses, bluff catchers, já que é improvável que damos check behind no turn
com uma mão forte. Enquanto esta linha ainda é útil, ela leva a decisões mais difíceis nas
streets futuras, quando comparado com outras linhas possíveis.

Em outras palavras, como value betar apenas o flop dá ao oponente a oportunidade de blefar
no river, assim como ver free cards, esta situação não é a ideal. Entretanto, ao invés de nos
preocuparmos com uma frequência de bet para esta linha, simplesmente entendamos como
ela pode fazer sentido quando temos uma mão pronta vulnerável que pode fazer mãos de alta
equidade foldarem no flop.

Entretanto, como será explicado em maiores detalhes em futuros capítulos, é frequentemente


útil betar o flop com a intenção de dar check no turn e betar o river se o oponente der check.
Esta linha funciona especialmente bem quando dar free cards no flop é arriscado, mas nossa
mão não é tão forte que possamos confortavelmente betar mais uma street até que nosso
oponente tenha mostrado mais fraqueza. Além do mais, esta linha dá ao oponente uma clara
oportunidade de blefar no river depois de darmos check no turn, o que com frequência resulta
em extrair mais valor de suas mãos mais fracas.

5.4 A FORÇA NECESSÁRIA DE UMA MÃO PARA VALUE BETAR O FLOP

Quando nosso oponente dá check para nós no flop, ele terá um range relativamente fraco (seu
range de bet certamente será mais forte) assim como terá a desvantagem de jogar fora de
posição. Por causa disto, em muitas texturas de board, ele não vai querer defender 60% ou
mais de seus checks no flop contra um bet de 75% do pote. Em outras palavras, nosso
oponente preferirá dar check-fold no flop quando o pote é pequeno, ao contrário de dar call
com suas mãos fracas. Quão agressivamente ele deve defender seus checks dependerá tanto
da força do range de cada jogador quanto de quão valiosa é a posição naquela textura de flop.

Na parte 6, “Jogo no Flop Fora de Posição”, analisaremos quão agressivamente o jogador fora
de posição deve defender seus checks no flop. Por agora, vamos começar com um simples
exemplo e assumir que o vilão defenda dando check-call 50% das vezes no flop contra um bet
de 75% do pote. Além disso, vamos assumir que, uma vez que ele dê check-call no flop, ele
derá check-call no turn e river agressivamente o suficiente para prevenir que sejamos capazes
de lucrativamente betar quaisquer duas cartas. Mais uma vez, isso intuitivamente deve fazer
sentido já que ele preferirá foldar em uma alta frequência no flop, quando o pote é menor que
no turn ou river.

Como geralmente é o caso, teremos que trabalhar de trás para frente para descobrir qual
porcentagem do range de check no flop do nosso oponente dará call até o final quando
enfrentando um bet em cada street. Vamos começar percebendo que, se betarmos 75% do
pote no river, estaremos arriscando 0,75 pote para vencer 1 pote, e o vilão precisará dar call
57,1% do tempo para nos tornar indiferentes a blefar.

(1)(1 – X) – (0,75)(X) = 0

X = 0,571

Então, como nosso oponente não nos permitirá lucrativamente blefar o river com quaisquer
duas cartas, ele precisará ir de check-call 57,1% do tempo. Vamos continuar a trabalhar de trás
para frente e perceber que, se betarmos 75% do pote no turn, mais uma vez arriscaremos 0,75
pote para vencer 1 pote, e nosso oponente novamente deverá defender 57,1% de seu range
de check. Por último, devemos descobrir quão frequentemente ele defende contra nosso bet
no flop, e como já discutido, ele provavelmente foldará um pouco mais no flop, então
assumiremos que ele defende 50% do tempo.

Portanto, se nosso oponente ir de check-call 57,1% do tempo no river, 57,1% do tempo no


turn e 50% do tempo no flop, essas frequências podem ser multiplicadas para nos mostrar que
seu range de check no flop irá dar call até o river 16,3% do tempo quando enfrentando um bet
em todas as três streets.
(frequência de check-call no flop)(frequência de check-call

no turn)(frequência de check-call no river)

= (0,5)(0,571)(0,571) = 0,163

Enquanto nosso oponente termina dando call até o river com apenas uma pequena parte de
seu range de check quando ele enfrenta um bet em cada street, seu range de showdown
também é mais fraco que parece em um primeiro momento. Isso porque se ele beta a maior
parte de suas mãos no flop, então seu range inicial de check no flop será bastante fraco.
Consequentemente, a maioria do range de check-call de nosso oponente consistirá de bluff
catchers. Por último, ele pode decidir dar call um pouco mais que 57,1% do tempo no turn, já
que nossos blefes podem melhorar no river, e se ele decidir dar call mais que 57,1% no turn,
seu range de showdown será ainda mais fraco.

Da mesma forma, se mantivermos nossas suposições anteriores, planejarmos betar apenas o


flop e o turn, então nosso oponente iria para o showdown com 28,6% de seu range de check
no flop.

(frequência de check-call no flop)(frequência de check-call no turn)

= (0,5)(0,571) = 0,2855

Embora essas frequências sejam estimativas, e elas mudarão baseadas na textura do board (e
se torna mais complicado já que o oponente pode ir de check-raise), elas ainda são úteis de se
lembrar quando tentando descobrir quão forte uma mão deve ser para efetivamente ser value
betada. (Manter em mente que não devemos betar o river em posição por valor a não ser que
ganhemos mais da metade do tempo quando recebermos o call.)

Aqui está um exemplo. Damos raise no button, o big blind dá call e o flop vem Kh-7c-5s.

Neste board, o big blind possuirá top pair ou melhor aproximadamente 20% do tempo, assim
como qualquer par mais fraco outros 15% do tempo. Como ele provavelmente dará check com
a maior parte de seu range neste flop e defenderá dando check-call quando ele decidir
defender, podemos rapidamente determinar que nossos top pair marginais, como Kd-8d, não
são fortes o suficiente para value betar todas as três streets. Mais especificamente, embora
nosso oponente possa dar call as três streets com uma mão que vencemos, como K-6s,
perderemos a maior parte das vezes em que nosso bet no river receber um call, assim como às
vezes enfrentaremos um check-raise. Consequentemente, a não ser que nossa mão melhore,
devemos betar o K-8s nesta textura de board um máximo de duas streets de valor. Entretanto,
quando betando apenas duas streets de valor, não devemos betar sempre as mesmas streets.
Por exemplo, às vezes, podemos escolher betar o turn e river, e outras vezes o flop e o river.

Da mesma forma, se nossa mão é 6d-6c no mesmo flop Kh-7c-5s, podemos rapidamente ver
que esta mão não é forte o suficiente para betar nem duas streets de valor. Isso porque betar
duas vezes resulta em nosso oponente defendendo cerca de 28,5% de seu range de check no
flop, e 6-6 perderão para praticamente todas as mãos neste range. Então, ainda que não exista
uma resposta clara, dar check behind com 6-6 no flop ou betar flop e dar check na maioria dos
turns são provavelmente as duas melhores linhas disponíveis.

Em geral, problemas como este são melhor analisados com a ajuda de um software. Muitos
programas podem rapidamente calcular quão frequentemente um determinado range terá
certas mãos em uma textura específica de board, e isso torna a análise do jogo pós-flop muito
mais rápida que manualmente contando combinações de mãos.

Por último, embora o impacto de potenciais check-raises serão discutido em mais detalhes
através desta seção e na seção seguinte, devemos começar a analisar a importância disso
agora. Vamos mais uma vez começar com um exemplo fácil, e assumir que o vilão decida
defender 50% de seu range de check no flop, só que agora, ao invés de apenas dar check-call
50% do tempo, sua estratégia será ir de check-call 40% do tempo e dar check-raise 10% do
tempo.

A primeira coisa que devemos perceber é que a maioria do nosso range de value bet no flop se
transformará em bluff catcher 10% do tempo, quando o vilão der check-raise. Lembre-se, o
range de check-raise no flop é muito polarizado, e poucas mãos em nosso range de value bet
no flop serão mais fortes que seus check-raises por valor. Ter uma mão forte transformada em
bluff catcher é indesejável, e isso nos encoraja a betar menos agressivamente no flop.

Além disso, nosso oponente agora está dando check-call com menos mãos, e isso faz que seja
mais difícil extrair valor quando betando mãos que não são o nuts. Em outras palavras, muitas
das mãos fracas que nosso oponente antes estava dando check-call no flop agora estão sendo
usadas como check-raise blefes. Isso torna o value bet mais difícil, e nos encoraja a betar
menos streets por valor.

O resultado final é que devemos betar menos agressivamente quando nosso oponente está
defendendo dando check-raise às vezes ao invés de sempre ir de check-call, assim como
considerar alterar o tamanho de nosso bet. Mais uma vez, estes conceitos serão discutidos em
muito mais detalhe nas seções futuras.

5.5 DECIDINDO QUAIS STREETS VALUE BETAR

Agora que temos uma noção de quão forte uma mão deve ser para betarmos duas ou três
streets de valor em posição, o próximo passo é determinar quais streets são melhores para
betar quando não queremos betar em todas as streets. Em outras palavras, ao invés de betar o
flop e turn e dar check no river, podemos, ao invés disso, decidir dar check no flop e betar turn
e river, e é importante entender o significado de cada linha.

Betar o flop com uma mão de força marginal tem várias desvantagens quando comparado a
dar check. Primeiro, torna o range do vilão muito mais forte no turn. Se ele está indo de check-
fold no flop entre 40 e 50% do tempo, todas as suas mãos mais fracas que frequentemente
possuem pouca mão de melhorar foldarão no flop. Além disso, nossas mãos prontas de força
mediana geralmente vão bem contra mãos no range de check-fold do vilão, mas não vão bem
contra seu range de check-call, que consiste de muitos pares melhores.

Como discutido anteriormente, betar também dá ao oponente a oportunidade de dar check-


raise, e quando ele dá check-raise, qualquer mão que planejávamos betar duas streets por
valor se tornará um bluff catcher. Para tornar as coisas piores, esses bluff catchers são
geralmente pares médios, que possuem pouca probabilidade de melhorar e vencer os check-
raises por valor do vilão, e ao mesmo tempo seus check-raise blefes ocasionalmente se
tornarão a melhor mão. Então betar com mãos marginais em texturas de board onde o vilão
pode ir de check-raise é bastante arriscado.

Enquanto existem várias desvantagens em betar o flop com uma mão que conseguirá extrair
apenas duas streets de valor, betar o flop é útil para prevenir que o vilão realize a equidade
das mãos mais fracas em seu range. Os jogadores geralmente subestimam quão significativo é
permitir que o oponente veja free cards, e como mencionado anteriormente, mesmo que ele
tenha apenas duas overcards, isso geralmente significa 28% de equidade contra um par.

Então, embora existam vantagens tanto para dar check quanto para betar no flop em posição
com uma mão de força marginal, podemos criar uma regra para determinar quão linha é
superior.

Como um princípio geral, uma mão de força marginal deverá ser betada no flop se ela for
vulnerável a se tornar a segunda melhor mão contra mãos no range de check-fold do vilão.
Se a mão não for vulnerável contra o range de check-fold do vilão, devemos ir de check no
flop e value betar o turn e/ou o river.

Além disso, dando check com algumas mãos de força marginal no flop, é mais difícil para o
vilão imprudentemente blefar o turn após demonstrar fraqueza. Uma falha que muitos
jogadores novos possuem é que eles betam todas suas mãos fortes no flop e dão check apenas
com suas mãos mais fracas, e um jogador que joga desta forma pode ser facilmente explorado.

Vamos considerar um exemplo onde betar o flop com uma mão de força marginal será eficaz.
Suponha que damos raise no cutoff com 8d-8c, o big blind dá call e o flop vem 6h-4c-4d.

Este é um ótimo spot para betar o flop, já que muitas mãos que possuem grande equidade no
range de check-fold do vilão, como 10h-9h e Qs-Js, deverão foldar para o nosso bet no flop.
Além disso, como as únicas mãos fortes no range do vilão são 6-6 e 4-4, é improvável que
enfrentemos um check-raise neste flop e tenhamos nossa mão transformada em um bluff
catcher. E como ele provavelmente não dará check-raise nesta textura de flop, é melhor betar
nas primeiras streets, para que o vilão seja incapaz de realizar a equidade de suas mãos mais
fracas.

Agora vamos tentar um exemplo onde dar check no flop com uma mão de força marginal é a
melhor estratégia. Suponha que damos raise em MP com K-K, e mais uma vez o big blind dá
call. Se o flop vier Ad-9d-6s, existe pouca razão para betarmos quando o vilão der check.
Enquanto é verdade que podemos betar para extrair valor de J-J, 10-10 e flush draws do vilão,
estas mãos provavelmente podem gerar valor para nós nas streets futuras quando ele der
check-call ou betar. Além disso, as mãos que possuem maior probabilidade de se tornarem a
melhor mão no turn são os flush draws, mas ele não foldará seus flush draws para um bet no
flop, de qualquer forma. E por fim, betando permitimos que o vilão seja bem-sucedido em dar
check-raise com suas trincas e blefes.

Um dos aspectos mais interessantes desses princípios gerais é que eles demonstram como às
vezes uma mão mais fraca será betada por valor no flop enquanto uma mão mais forte irá de
check. Para nosso exemplo final, suponha que damos raise no button, o big blind dá call, e o
flop vem Ks-7c-3c. Aqui, faz pouco sentido betar com Q-Q, já que Q-Q não temem dar free
cards para a maior parte do range de check-fold do vilão. Ao mesmo tempo faz sentido betar
8-8, já que provavelmente conseguiremos extrair duas streets de valor de pares de 7 do vilão,
assim como fazer foldar mãos que podem se tornar melhores que a nossa no turn, como Qd-Js.
E fazer Qd-Js foldar quando temos 8-8 é útil, já que esta mão possui 26% de equidade contra
nós, mas quando temos Q-Q, é ideal deixar o vilão ver o turn e torcer para que ele melhore sua
mão, já que ele está praticamente drawing dead.
Mais uma vez, o exemplo anterior é especialmente significativo pois nos demonstra o quanto
mãos mais fortes às vezes serão jogadas de check, e mãos mais fracas serão value betadas.
Além disso, uma mão pode ser betada por mais de uma razão, e frequentemente betaremos
uma mão não apenas para extrair valor de mãos mais fracas, mas também para fazer mãos de
alta equidade foldarem.

5.6 BLEFANDO NO FLOP COM AS MÃOS CERTAS

Um dos aspectos mais complicados de jogar em posição no flop é que pode ser tentador blefar
imprudentemente em situações onde betar com quaisquer duas cartas é lucrativo. Isso,
entretanto, é problemático, já que precisamos dar check behind com algumas mãos fracas no
flop, que podem ser usadas como blefes nas streets futuras. Além disso, se nunca dermos
check behind com uma mão fraca, nosso range será bastante transparente no turn, já que
nosso range de check no flop consistirá quase inteiramente de mãos marginais.

Vamos começar analisando que mãos geralmente são bons blefes no flop. Primeiro, quando
betamos o flop, nosso oponente foldará suas piores mãos em seu range de check, e isso
resulta em seu range se tornar mais forte no turn. Além disso, frequentemente teremos a
oportunidade de continuar betando o turn e o river, o que resultará no pote final sendo
grande e o range de showdown do nosso oponente sendo forte.

Como betar o flop torna o range de nosso oponente no turn mais forte, queremos blefar com
mãos que retenham bem sua equidade contra um range forte. Por exemplo, importa pouco se
uma broca está enfrentando um range forte ou fraco, já que terá a mesma quantidade de
equidade em qualquer das duas situações. Mais especificamente, a broca geralmente precisa
melhorar para um straight para se tornar a melhor mão, e assim que isso acontecer,
geralmente será o nuts e vencerá no showdown não importa quão forte seja o range de nosso
oponente.

Aqui está um exemplo de um ótimo spot para blefe. Damos raise no button com 8h-7h, o big
blind dá call, e o flop vem Ac-6h-2d.

Embora seja improvável que nossa mão se torne a melhor mão no turn, betaremos novamente
se conseguirmos um flush ou straight draw no turn, e assim potencialmente poderemos fazer
uma mão muito forte no river. Além disso, nossa mão não tem valor de showdown se ela não
melhorar, assim sempre que o oponente foldar, ele quase sempre estará foldando a melhor
mão.

Como mencionado anteriormente, um bet em posição no flop geralmente fará o nosso


oponente foldar as mãos mais fracas de seu range de check no flop – entre 40 e 50%. Como
essas mãos foldam para um bet, devemos estar menos inclinados a blefar com mãos que vão
bem contra esta parte do range de nosso oponente. Em outras palavras, se nossa mão for
particularmente bem contra mãos no range de check-fold do nosso oponente, devemos estar
mais inclinados a dar check behind e manter estas mãos em seu range. Além disso, como betar
o flop torna o range de nosso oponente mais forte no turn, não queremos blefar com mãos
que não possuem o potencial de se tornarem mãos fortes no river.

Vamos voltar ao exemplo onde demos raise no button, o big blind deu call, e o flop foi Ac-6h-
2d, mas agora imaginemos que nossa mão é Kd-Qc. Enquanto betar K-Q é provavelmente
lucrativo já que o nosso oponente pode não defender o suficiente para que betemos
lucrativamente quaisquer duas cartas, nossa mão não retém bem sua equidade enquanto o
range do vilão se torna mais forte. Além disso, as mãos que o oponente foldará para um bet no
flop, tais como K-10 ou Q-J, são mãos que estamos vencendo e que melhorarão em muitos
turns que melhoram também a nossa mão. Então, neste caso, se dermos check behind com K-
Q neste flop e o turn vier Q, provavelmente extrairemos valor quando o nosso oponente tiver
Q-J ou Q-10. Portanto, neste spot, dar check é provavalmente superior a betar, mesmo que
tenhamos que usar nossa mão como blefe em streets futuras.

5.7 DANDO CHECK BEHIND COM UMA MÃO FORTE

Como dar check behind em posição efetivamente remove uma street do jogo, é raramente
desejável fazer isto com uma mão forte. Mesmo assim, dar check behind com uma mão forte é
ideal quando não existe muito valor em betar, e dar free cards ao range de check do oponente
não é arriscado.

Aqui está um exemplo. Damos raise em MP com Q-Q e o big blind dá call. Faz sentido dar
check se o flop vier Qd-7c-3h.

Isto porque nosso oponente não dará call em um bet em todas as três streets a não ser que ele
possua top pair ou melhor, mas quando temos a top trinca bloqueamos dois terços de todas as
combinações possíveis de top pair. Além disso, ele provavelmente não terá um range de
check-raise neste flop, então não precisamos nos preocupar em perder valor de seus check-
raise blefes. Então nesta situação, a jogada provavelmente mais lucrativa é dar check no flop e
esperar que ele comece a blefar no turn.

Dar check behind com mãos fortes também pode fazer sentido se existem muitos turn e rivers
que não colocam quase nenhuma mão forte em nosso range. Isso porque nosso oponente às
vezes deve overbetar o turn e river quando é possível que não estejamos fortes. Enquanto dar
check behind é arriscado em texturas de board onde muitos turns e rivers possam melhorar a
mão do nosso oponente, pode valer a pena se formos suficientemente recompensados
quando ele overbetar mãos mais fracas em streets futuras.

Por exemplo, suponha que damos raise no button e o big blind dê call. Se o flop vier 10s-9s-5c
e nós nunca dermos check behind com nenhuma mão forte, nosso oponente deverá fazer
apostas grandes com mãos como A-10 e K-10 se o turn vier 2d. Isto é, o vilão não deverá ter
medo de overbetar estas mãos quando não existem quase nenhuma mão forte em nosso
range.

Na verdade, dar check behind com mãos fortes em boards molhados como o mencionado
acima apenas será justificável contra excelentes oponentes, que sejam capazes de overbetar
frequentemente. Contra jogadores típicos que não sejam capazes desta tática em turns que
sejam blanks, será melhor value betarmos o flop e esperar que ele dê check-call ou check-
raises. Em outras palavras, é importante entender por que, em teoria, faz sentido
ocasionalmente dar check behind com mãos fortes em texturas molhadas de board, mas
explorativamente será uma jogada ruim contra a maioria dos oponentes.

5.8 ENFRENTANDO UM CHECK-RAISE NO FLOP

Também precisamos nos assegurar de que estamos defendendo agressivamente o suficiente


contra os check-raises, bets no turn e bets no river do oponente, para que ele não possa
lucrativamente dar raise ou betar com quaisquer duas cartas. A matemática para isso é quase
exatamente igual a que descrevemos no capítulo “A Força Necessária de uma Mão para dar
Raise por Valor com uma Mão Pronta”, na parte 4, “Enfrentando um Bet no Flop em Posição”.
Naquele capítulo, vimos quão frequentemente nosso oponente precisava se defender contra
nossos raises no flop, bets no turn e bets no river para prevenir que pudéssemos
lucrativamente dar raise ou betar com quaisquer duas cartas. O mesmo exato conceito está
presente aqui, mas agora nós somos o jogador que está defendendo contra um raise ou bet.

Como vimos anteriormente, se nosso oponente dá um check-raise de 6 para 18 BB em um


pote de 8 BB, provavelmente vamos querer defender cerca de metade do nosso range de bet
no flop. Isso porque mesmo que seu check-raise no flop seja caro, seus blefes às vezes
melhorarão no turn ou no river depois que dermos call. Da mesma forma, como os bets no
turn e no river do oponente serão de cerca de 64% do pote, provavelmente vamos querer dar
call aproximadamente 67 e 63% do tempo no turn e no river, respectivamente.

Se dermos call no raise do vilão no flop 50% do tempo, em seu bet no turn 67% do tempo e em
seu bet no river 63% do tempo, então 21% do nosso range de bet no flop deve dar call em
todas as três streets.

0,21 = (0,50)(0,67)(0,63)

Embora não existam novos conceitos aqui, devemos perceber alguns dos aspectos importantes
de dar call nas três streets contra um check-raise no flop. Primeiro, não precisaremos dar call
até o fim com todas as mãos em nosso range de value bet, embora isso dependa de quão forte
são nossos value bets no flop – é provável que entre 30 e 40% de nossos bets no flop sejam de
mãos de valor. Além do mais, neste exemplo, só daremos call até o river com 21% de nosso
range de bet no flop, então muitos de nossos value bets no flop serão foldados no turn ou
river.

Mesmo assim, apesar do fato de que dar call em todas as três streets com muitas das nossas
mãos de valor no flop não seja necessário, geralmente teremos que dar call no check-raise do
vilão no flop com alguns blefes, além das nossas mãos de valor. Isso porque precisamos
defender 50% do nosso range de bet no flop contra um check-raise, mas é improvável que
metade do nosso range de bet consista de mãos de valor ou draws. Portanto, algumas das
mãos que deverão ser usadas para defender serão incomumente fracas. Jogadores geralmente
se referem a defender com essas mãos dando call, como um “float”. E se nunca floatarmos o
flop, nosso oponente será capaz de blefar dando check-raise lucrativamente com quaisquer
duas cartas.

Floatar com algumas mãos no flop contra o check-raise do nosso oponente geralmente não é
problemático por duas razões principais. A primeira é que ainda existe duas streets para agir,
então teremos a oportunidade de blefar nossa mão novamente no turn ou river se o vilão der
check e não melhorarmos. A segunda razão é que muitos blefes no flop também possuem
alguns valor de showdown, especialmente contra os check-raise blefes do oponente.

Aqui está um exemplo. Ad-Qh está à frente da maioria dos blefes do vilão no flop Kc-10s-4d.
Portanto, se dermos call no check-raise no flop e o turn e o river sejam blanks, dar check com
A-Q e tentar vencer no showdown é uma opção razoável.

Também devemos aceitar que alguns bluff catchers terão que ser jogados de call nas três
streets contra um jogador ótimo. Embora seja indesejável ser colocado em um spot onde
estamos em ponto de equilíbrio (break even) no river depois de já ter investido tanto dinheiro
no pote, infelizmente isso é inevitável. Entretanto, é importante se lembrar de que mesmo se
a maioria do nosso range for de bluff catchers depois do check-raise e os bets em várias streets
do nosso oponente, ele não conseguirá utilizar esta linha frequentemente e ainda se manter
balanceado. Em outras palavras, o vilão não terá muitas mãos fortes o suficiente para dar
check-raise por valor no flop, e se ele der check-raise muito frequentemente, seu range
incluirá blefes demais.

Além disso, é melhor enfatizar dar call com draws que podem melhorar contra o range de
value bet do oponente, mesmo que eles tenham menos equidade contra o range inteiro de
check-raise do vilão. Lembre-se, simplesmente ter mais equidade não torna uma mão melhor,
e mãos que são capazes de formar o nuts no turn ou river são particularmente úteis de se ter
em nosso range de call.

Entretanto, algumas mãos de força medíocre ainda devem ser jogadas de call para que
possamos dar check behind e vencer no showdown se o oponente der check. Se draws demais
e poucas mãos prontas forem jogadas de call, frequentemente não será possível blefar todos
os missed draws no turn ou river se o oponente der check. Portanto, dar call com mãos
especulativas demais, e poucas mãos prontas de força marginal causará problemas para nosso
range inteiro.

Outra estratégia a considerar ocasionalmente é 3-betar o flop. Dar flat call no check-raise
requer que arrisquemos mais 12 BB para ganhar as 32 BB que já estão no pote, o que é um
bom preço, e que requer que o nosso oponente continue betando em uma alta frequência.
Além disso, estamos em posição e o range de check-raise do vilão no flop é muito polarizado.
Então devemos defender a maior parte do nosso range de bet no flop simplesmente dando call
quando enfrentando um check-raise.

Mesmo assim, devemos geralmente 3-betar o flop com mãos muito fortes que são vulneráveis
a se tornarem a segunda melhor mão contra os blefes do vilão. Por exemplo, faz sentido 3-
betar uma mão como 10h-10c no flop Js-10s-6c, já que o range de check-raise do vilão inclui
muitas brocas e mãos que podem fazer flush runner-runner. Além disso, se de fato tivermos
um range de 3-bet, ele deve, claro, ser balanceado com raises por valor e blefes.

5.9 O PROCESSO DE PENSAMENTO PARA DECIDIR ENTRE O BET OU CHECK EM POSIÇÃO

Vamos agora considerar um processo sólido de pensamento para decidir se betamos ou damos
check após o check do nosso oponente. Enquanto isso, infelizmente, envolve um processo de
pensamento mais longo e mais difícil que quando enfrentando um bet, ele rapidamente
melhorará com a prática.

Pergunta nº 1: Como se tornará o range de call do nosso oponente quando betarmos as três
streets?

Resposta: Nosso oponente tipicamente dará call até o river com pelo menos 16% de seu range
de check no flop se ele enfrentar três bets, e geralmente defenderá dando call ao invés de dar
raise (embora a porcentagem exata mude baseada na textura do board). Isso pode ser usado
para determinar quão forte uma mão precisa ser para ser value betada em todas as três
streets.

Em boards secos com pelos menos uma carta alta, como o flop Kc-7s-2d, esta pergunta será
bem fácil de se responder, já que não é provável que muitas mãos mudem de força no turn e
river. Mas em texturas de boards molhados, onde mãos mudarão de força em muitos turns e
rivers, como 10h-9h-3c, esta pergunta frequentemente será mais difícil de se responder.
Mesmo assim, geralmente começaremos betando nossas mãos fortes e continuaremos
betando em turns e rivers que sejam favoráveis.

Pergunta nº 2: Em quais streets devemos betar com mãos que devem ser betadas por valor em
apenas uma ou duas streets?

Resposta: Como discutido anteriormente, devemos seguir a regra geral de que uma mão
pronta de força marginal deve ser betada no flop se ela for vulnerável a se tornar a segunda
melhor mão contra mãos do range de check-fold do oponente. Mas se a mão provavelmente
não for vulnerável contra o range de check-fold do vilão, a melhor estratégia é dar check no
flop e então value betar o turn e/ou o river se o vilão der check novamente.

Em geral, em boards com pelo menos uma carta alta, é geralmente fácil dar check behind no
flop com mãos de força marginal, já que dar uma free card não é especialmente arriscado. Por
exemplo, quando temos uma mão de força marginal no flop Kc-8s-3h, como um par fraco de
reis, Q-Q ou J-J, é provavelmente melhor dar check.

Em contraste, em texturas de board mais baixos e conectados, como o flop 9h-7h-3c, as mãos
que geralmente são capazes de betar apenas uma ou duas streets de valor devem, de
preferência, começar a betar no flop. Isso porque muitas mãos no range de check-fold do
oponente geralmente terão uma quantidade significativa de equidade contra mãos prontas de
força marginal. Entretanto, devemos estar cientes de que betar muitas mãos de força marginal
no flop nos tornará vulneráveis a check-raises, então mesmo boards molhados não devem ser
imprudentemente betados quando em posição.

Pergunta nº 3: Com cerca de quantas mãos precisamos blefar para que nosso range de bet
esteja balanceado? Quais mãos funcionam melhor como blefes?

Resposta: Em geral, devemos betar entre 2,5 e 3 blefes para cada mão muito forte que value
betarmos no flop, e betar 1 blefe para cada value bet com mãos marginalmente fortes. Isso
porque mãos marginalmente fortes provavelmente não serão capazes de value betar todas as
três streets, então nossa relação entre bet por blefe e bet por valor deve diminuir. Estas
estimativas são úteis para tentar adicionar a quantidade correta de blefes ao nosso range de
bet, para que nosso oponente esteja próximo a ser indiferente a dar call com muitas mãos
prontas de força marginal.

Enquanto ranges amplos, como o range de raise do button, deve ser difícil de se balancear
rapidamento enquanto jogando, praticando fora das mesas podemos adquirir um feeling de
quão agressivamente devemos betar em diferentes situações. Afinal, mesmo que nosso ranges
não sejam perfeitos (e eles não serão), se nosso jogo estiver mais próximo ao jogo
teoricamente ótimo que o jogo do nosso oponente, ainda ganharemos dinheiro a longo prazo.

Geralmente também é bastante fácil identificar quais mãos funcionam melhor como blefes, já
que estas são as mãos que possuem pouco valor de showdown mas retém bem sua equidade à
medida que o range do oponente se torna mais forte. Além disso, como o nosso range de bet
no flop geralmente possui muitas mãos fortes e blefes que podem melhorar em uma
variedade de turns, frequentemente não é difícil continuar betando agressivamente depois
que nosso oponente der call em nosso bet no flop.

5.10 EXEMPLO DE COMO BALANCEAR UM BET NO FLOP EM POSIÇÃO

Agora estamos prontos para balancear um range de bet no flop depois que o oponente dá
check, e nós estamos em posição. Vamos supor que o MP dá raise e damos flat call no button
com um range de JJ-33, AKo-AQo, AQs-ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s, 98s, 87s, 76s, 65s,
54s, e vamos também supor que o nosso size de bet será sempre de 75% do pote.

Flop: Qh-8c-6s

Total de Combos: 125

Value Bet: AQ (12), 88 (3), 66 (3) = 18

Bet por Blefe: 77 (6), 55-44 (12), 76s (3), 65s (3), JTs (4), J9s (4), T9s (4), KJs (4), AJs (4), ATs (4),
KTs (4) = 52

Total de Mãos Betadas: 70

Frequência de Bet: 56%

Perceba que estamos dando check com várias mãos no flop, como K-Q e Q-Js, que seriam bets
altamente lucrativos. Isso porque estas mãos provavelmente são mais lucrativas como check
que como bets, e queremos em nosso range de check algumas mãos que possam dar call em
bets do vilão no turn ou value betar se ele der check. Além disso, receber um check-raise com
top pair e um kicker bom é terrível, e dar check evita isso.

Perceba também que o flop não está sendo imprudentemente betado como fazem jogadores
que betam todas as mãos exceto seus pares de força média. Mais especificamente, betar todas
as mãos exceto QJs, QTs, e JJ-99 resulta em uma frequência de bet no flop de cerca de 80%.
Consequentemente, isso torna fácil para nosso oponente nos explorar dando check-raise em
uma alta frequência. Além do mais, se betarmos todas as nossas mãos fracas no flop, não
haverão mãos para blefarmos no turn quando começaríamos a value betar K-Q e Q-Js. Então,
ao contrário, value betamos o flop com mãos fortes o suficiente para betar várias streets por
valor e enfatizamos blefar com mãos que retenham sua equidade contra o range de call do
nosso oponente.

Com os ranges acima, estamos betando, no flop, 56% do tempo após o oponente em MP dar
check. Nesta situação, esta é provavelmente uma frequência de bet razoável, já que o nosso
range de flat call no button acerta bem esta textura de board, e temos a vantagem da posição.
Então betar um pouco mais que metade do tempo previne que os check-raises do oponente
sejam muito eficientes, além do que betar nesta frequência não permite que ele
constantemente veja free cards com seu range de check.

Como os nossos bets por valor no flop são tão fortes e estamos em posição, devemos
provavelmente usar um relação de bets por blefe para bets por valor de pouco menos que 3-
para-1. Isto é verdadeiro apesar de ter muitos blefes em nosso range de bet no flop. Se o
oponente decidir dar call até o river, nosso range de bet será balanceado no river, já que
muitos dos nosso blefes terão melhorado ou ter jogado de check-fold no turn ou river. Além
disso, se o nosso oponente dá check-raise no flop e beta o turn e o river, a pior mão com a
qual precisaremos dar call até o river será A-Q, que é bem forte.
Por último, devemos reconhecer que, embora este range de bet parece bom e balanceado,
este não é um range teoricamente ótimo. Afinal, em teoria não usaríamos apenas um size de
bet no flop, e betar menor com um range que inclua muitas mãos de valor mais fraco, como K-
Q, pode ser melhor que dar check com todas elas. Mesmo assim, as relações entre blefe e
valor e as frequências que discutimos anteriormente ainda se provam bastante úteis.

5.11 RESUMO

Enfrentar um check em posição no flop pode ser difícil já que não existe um ponto claro de
início. Portanto, é crucial entender qual objetivo um value bet deve atingir, se ele faz mãos
com alta equidade foldar, extrair valor de mãos piores, ou ambos. Além disso,
imprudentemente betar mãos simplesmente porque elas podem receber calls de mãos piores
resultará nos check-raises do vilão sendo muito eficientes, e nosso range de check sendo muito
fraco.

Consequentemente, é importante nem sempre blefar o flop apenas porque betar quaisquer
duas cartas seja lucrativo. Em outras palavras, algumas mãos fracas devem ser jogadas de
check em streets futuras. Mais especificamente, blefes que retenham bem sua equidade
devem ser blefados nas primeiras streets, enquanto checks devem ser considerados com mãos
que possuam algum valor de showdown.

E para finalizar este capítulo, aqui estão alguns pontos resumindo as ideias importantes na
parte 5, “Betar ou Dar Check em Posição”.

1) Em posição, nosso value bets no flop geralmente devem ser capaz de betar duas ou
três streets por valor. Isso previne que nosso oponente tenha a oportunidade de betar
sabendo que é improvável que estejamos fortes.
2) Geralmente queremos blefar com mãos que possuam pouco valor de showdown mas
que retenham sua equidade contra o range de call do oponente.
3) Em posição, geralmente é lucrativo betar com quaisquer duas cartas no flop.
Entretanto, imprudentemente betar uma mão simplesmente por possuir uma
expectativa positiva não é necessariamente a forma mais lucrativa de se jogar.
4) Betar entre 2,5 e 3 blefes no flop para cada value bet forte em posição é
provavelmente um bom princípio básico.
5) Betar apenas o flop por valor em posição geralmente é uma linha indesejada, já que
ela permite que o nosso oponente bete um range balanceado no river e transforme a
maior parte das nossas mãos em bluff catchers.
6) Betar o flop com a intenção de betar o turn e dar check no river é uma forte jogada em
posição. Isto é verdade especialmente se nossa mão for vulnerável a se tornar a
segunda melhor mão contra o range de check-fold do oponente. Mas se nossa mão
não for vulnerável a se tornar a segunda melhor mão, frequentemente é melhor dar
check no flop e betar as streets futuras.
7) Um oponente razoável geralmente dará call até o river com pelo menos 16% de seu
range de check no flop se ele enfrentar um bet de 75% do pote em cada street, e
defender apenas dando call. E se betarmos apenas duas streets por valor, geralmente
ele defenderá pelo menos 29% de seu range de check no flop.
8) Somos capazes de foldar cerca de 50% do tempo contra o check-raise do oponente no
flop. Defender dando call geralmente é mais eficaz, já que mantém seu range amplo e
requer que ele frequentemente bete o turn.
6. JOGO NO FLOP FORA DE POSIÇÃO

6.1 INTRODUÇÃO

O jogo no flop fora de posição é um tópico intimidador para jogadores de praticamente todos
os níveis de habilidade. Como os ranges são amplos no flop, iniciantes, principalmente, lutam
para levar em conta todas as diferentes mãos no range de cada jogador, e para determinar de
quem é o range mais forte. Isso torna arranhar a superfície do jogo no flop fora de posição algo
assustador.

Pelo contrário, jogadores experientes sabem quão difícil é analisar e construir modelos em
situações no flop, já que ainda existem cartas adicionais para vir. Isto é verdade para o jogo
pré-flop também, mas como não existem cartas comunitárias, as estratégias pré-flop genéricas
podem ser memorizadas e aplicadas com pouco esforço. Mas no flop, como não existe um
excelente ponto de início para determinar se devemos betar ou dar check quando fora de
posição, é fácil betar ou dar check com um range desbalanceado sem se dar conta disso, e isto
é especialmente problemático quando fora de posição. Isso porque um oponente astuto
frequentemente betará ou dará raise para fazer com que seja difícil realizarmos a equidade de
nossa mão em um range desbalanceado.

Portanto, é importante entender os conceitos teóricos implícitos por trás do jogo no flop fora
de posição, mesmo que simplesmente entendê-los não fará automaticamente de você um
grande jogador. Como na maioria dos jogos competitivos, o poker requer que decisões sejam
tomadas em um espaço limitado de tempo, e os fatores implícitos que determinam a melhor
decisão podem ser bastante complexos. Então, ao mesmo tempo em que é importante
entender a teoria por trás do jogo fora de posição no flop, muita prática é necessária para se
tornar um excelente jogador.

6.2 O BLOQUEIO MENTAL DE BETAR COMO O RAISER PRÉ-FLOP

Quando discutindo jogo no flop em posição, eu intencionalmente me abstive de afirmar se


éramos o raiser pré-flop ou o jogador que deu call. Provavelmente uma das maiores e mais
comuns falhas que mesmo jogadores bem-sucedidos cometem é que eles quase sempre
betam como o raiser pré-flop, e quando fora de posição dão check quando são o jogador que
deu call pré-flop. Isso é feito com pouca consideração a qual jogador de fato possui o range
mais forte ou quão valiosa é a posição. Inclusive, tomar a iniciativa betando fora de posição
após dar flat call pré-flop é chamado de “donk bet”, o que por si só deixa implícito que não é
uma linha frequentemente utilizada por jogadores fortes.

Como veremos, um jogador forte não deve betar em uma alta frequência simplesmente por
ser o raiser pré-flop e ter a iniciativa. Da mesma forma, o jogador que deu call fora de posição
não deve temer utilizar o donk bet em texturas de flop que favoreçam seu range. No entanto,
como esses leaks são tão comuns, vamos brevemente discutir por que este é o caso antes de
tentarmos consertá-los.

Uma razão pela qual esses leaks existem é que muitos jogadores perceberam que é
frequentemente correto betar o flop se eles fossem o raiser pré-flop, e começaram a betar o
flop em excesso. E como o raiser pré-flop geralmente beta o flop, fazia pouco sentido para o
jogador que deu call donk betar uma mão forte fora de posição, pois um check-raise
provavelmente seria bem-sucedido.
Então por que betar sempre pareceu funcionar? Imagine-se jogando um jogo 10-handed, onde
existem 3 jogadores tights, 3 jogadores loose, e 3 jogadores medianos. Após dar raise do UTG,
é mais provável que recebamos um call de um jogador loose com um range fraco que de um
jogador tight com um range forte. Portanto, faz sentido para nós betar o flop, já que nosso
range é provavelmente mais forte que o do nosso oponente.

Enquanto isso está longe do poker teoricamente correto, provavelmente é uma representação
razoável de como o jogo era jogado vários anos atrás (e ainda amplamente jogado no poker
live). A estratégia de constantemente c-betar o flop em potes heads-up provavelmente gerava
lucro, especialmente contra jogadores fracos. Em outras palavras, este conselho
provavelmente ajudava a vencer os jogos no passado. Mas regras como esta são ruins de uma
perspectiva teórica, e farão com que percamos contra oponentes fortes e não vençamos tanto
quanto deveríamos contra oponentes fracos.

Outra razão pela qual jogadores geralmente não irão de lead após dar flat call pré-flop é que é
difícil balancear tanto um range de bet flop quanto um range de check quando fora de posição.
Na verdade, balancear múltiplos ranges quando fora de posição é provavelmente o segundo
aspecto mais difícil de dominar no No Limit Hold’em (o primeiro sendo size de bets), e muitos
jogadores não estão dispostos a investir o tempo necessário para desenvolver esta habilidade.

Por último, não deve ser surpreendente que os jogadores que são capazes de donk betar e ao
mesmo tempo efetivamente defender seus checks como raiser pré-flop geralmente não estão
dispostos a discutir essas habilidades. Isso porque dominar essa habilidade é uma arma tão
valiosa que faz pouco sentido encorajar outros jogadores a também desenvolvê-la. E quando o
jogador domina esta habilidade, ele provavelmente já está no estágio de sua carreira no poker
onde a maior parte do seu aprendizado vem da análise de seu próprio jogo ao invés de
aprender diretamente dos outros.

Então vamos começar utilizando uma abordagem analítica para melhorar nosso jogo quando
fora de posição. Para começar, vamos analisar a força relativa das mãos tanto do raiser pré-
flop quanto do jogador que deu call, em algumas texturas de board, utilizando os ranges do
“Quadro Recomendado de Mãos”, na parte 2, “Jogo Pré-Flop”.

ANÁLISE DE RANGES NO FLOP

Raise de MP no flop Kc-10c-4d: Overpair+ 8,6%; Top pair, top kicker+ 14,3%; flush draw 7,6%.

Flat Call do Button vs. Raise de MP: Overpair+ 7,2%; top pair, top kicker+ 14,4%; flush draw
7,2%

Equidade Total no Flop: MP = 49,9%, Button = 50,1%

Raise de MP no flop Ah-6c-3s: Top pair, top kicker+ 10,2%; top pair 33,5%; par médio+ 58,3%

Flat Call do Button vs. Raise de MP: Top pair, top kicker+ 12,0%; top pair 26,4%; par médio+
55,2%

Equidade Total no Flop: MP = 52,5%, Button = 47,5%

Raise de MP no flop 10c-8d-4d: Overpair+ 16,4%; top pair+ 27,6%, flush draw 8,9%
Flat Call do Button vs. Raise de MP: Overpair+ 12,0%; top pair+ 24,0%, flush draw 10,4%

Equidade Total no Flop: MP = 49,0%, Button = 51,0%

Como podemos ver, a força tanto do range de raise pré-flop quanto do range de flat call são
comparáveis em todas as texturas de flop acima. Inclusive, no exemplo de MP vs. button no
flop Ah-6c-3s, o range do button tem as melhores mãos de top pair e possui o range mais
forte, apesar de ter menos equidade. E ainda assim muitos jogadores vencedores
provavelmente concordariam que eles estão acostumados a quase sempre betar quando eles
são o raiser pré-flop, especialmente em um board seco com uma carta alta, como Ah-6c-3s.

Então a conclusão é que no poker ótimo não importa quem deu raise pré-flop e tem a
iniciativa, e contra oponentes fortes também não deveríamos nos importar. Tudo o que
importa é o estado atual do jogo. Isso inclui qual o range de cada jogador, quem está em
posição, e quanta profundidade de stack resta em relação ao tamanho do pote.

6.3 ANALISANDO O QUANTO A POSIÇÃO É IMPORTANTE NO FLOP

Embora o valor exato da posição seja impossível de quantificar, existem algumas texturas de
board onde estar em posição é extremamente valioso e outras onde isso não é nem de perto
tão importante. Este conceito pode ser melhor ilustrado imaginando primeiramente um
exemplo extremo.

Quando tentando descobrir qual fração dos nossos bets no flop em posição devem ser por
valor, começamos com um exemplo simples quando presumimos que nosso range era
perfeitamente polarizado. Nesta situação, devemos sempre betar flop, turn e river com a
proporção correta de value bets e blefes em cada street para tornar o oponente indiferente a
dar call. Como nosso range era perfeitamente polarizado, nosso oponente nunca podia
prevenir que realizássemos nossa equidade, e por isso, não fazia sentido nunca para ele betar
com seus bluff catchers.

Em outras palavras, como nosso oponente sempre dará check quando tivermos um range
perfeitamente polarizado (não nos dando nenhuma nova informação) e nenhum jogador pode
melhorar com free cards, não importa quem está em posição quando um jogador possui um
range perfeitamente polarizado. Mais especificamente, quando o range de um jogador é
perfeitamente polarizado, posição não possui valor. Isto é, com um range perfeitamente
polarizado, devemos blefar a mesma quantidade de mãos no flop, turn e river,
independentemente de quem estiver em posição.

Na verdade, nenhum jogador terá um range perfeitamente polarizado no flop, mas existem
situações onde o range de bet funciona mais similarmente a um range perfeitamente
polarizado que em outras. Isto ocorre quando mãos de value bet improvavelmente se tornarão
a segunda melhor mão contra mãos mais fracas, e blefes muito improvavelmente melhorarão.

Aqui está um exemplo. Quando um jogador beta no flop Kc-3s-3d, geralmente ele estará
betando um range muito polarizado. Além disso, jogadores raramente betam mãos com a
intenção de betar apenas uma ou duas streets de valor nesta textura de board (embora isto
aconteça), e é improvável que a melhor mão se torne a segunda melhor mão contra uma mão
mais fraca no turn ou no river. Consequentemente, se um jogador der check-call no flop, eles
quase sempre dará check no turn, já que o range do jogador que está betando permanece
polarizado.
Como cartas adicionais improvavelmente farão com que a melhor mão se torne a segunda
melhor mão, a maioria dos jogadores provavelmente se sentem razoavelmente confortáveis
jogando fora de posição no flop Kc-3s-3d. Mais especificamente, é fácil ir de check-call com top
pair fracos e pares médios fortes já que poucas overcards podem vir no turn ou no river. Além
disso, como um jogador que vai de check-call no flop quase sempre dará check no turn, o
jogador que beta no flop não ganha informação adicional sobre o range de seu oponente.

Por outro lado, posição é mais valiosa em texturas de board onde mãos fracas podem se
tornar melhores que mãos fortes no turn e river. Isso porque o jogador em posição sempre
tem a primeira oportunidade de terminar a ação e ver uma carta adicional. Isso permite a ele
manipular mais efetivamente o tamanho do pote e realizar a equidade de suas mãos. Em
outras palavras, posição é mais valiosa em texturas de flop onde o turn provavelmente mudará
a força de muitas mãos no range de cada jogador.

Muitas texturas de board, como quando o flop vem Js-10s-4c, que favorecem grandemente o
jogador em posição, são bem conhecidas tanto por jogadores fracos quanto por jogadores
fortes. Nesta textura de flop, quase qualquer blefe possui pelo menos uma overcard ou algum
tipo de straight draw. Isso significa que mesmo as mãos mais fortes no flop são vulneráveis a
se tornarem a segunda melhor mão no turn. Assim, o jogador em posição realizará a equidade
de suas mãos de força média e draws muito mais facilmente que o jogador fora de posição.

Outras texturas de board onde a posição é especialmente valiosa não são nem de perto tão
bem conhecidas já que cartas adicionais, a princípio, não parecem tão ameaçadoras. Um erro
comum que jogadores cometem é que eles assumem que um board seco – uma textura de
board com poucos ou nenhum draw possíveis – significa que permitir que os blefes do
oponente vejam free cards não é arriscado. O fato de que existem geralmente poucas mãos
fortes que não temem dar free cards, como trincas, em texturas de board secas, encoraja os
jogadores a pensar desta forma.

Na verdade, texturas de board com cartas baixas tendem a favorecer grandemente o jogador
em posição, já que quase todo blefe possui overcards, e fazer top pair no turn ou river
geralmente será bom o suficiente para vencer no showdown. Em outras palavras, é quase
como se mãos com duas overcards fossem draws com 6 outs em texturas de board com cartas
baixas. Consequentemente, texturas de board com cartas baixas funcionam similarmente a
texturas de board molhadas, já que as mãos mais fracas tanto no range de bet quanto no
range de call possuem uma quantidade considerável de equidade.

Para ilustrar isso, imagine que damos raise no cutoff e o button dá call. Se o flop vier 7s-5c-2h,
quase qualquer turn melhorará algumas mãos no nosso range e no range do nosso oponente.
Isto é, cerca de 57% dos turn serão overcards, e não existem mãos no flop que não terão uma
quantidade razoável de equidade.

Além disso, posição é particularmente valiosa no flop 7s-5c-2h pois é difícil para nós betar o
flop e o turn por valor com uma mão de força marginal jogando fora de posição. Isto porque
nosso oponente terá a oportunidade de blefar depois que dermos check no river e nossas
mãos de força marginal se tornarão bluff catchers. Isso torna jogar com mãos de força média
como 9-9, 8-8, e pares de 7 difícil. Entretanto, jogar de check-call com mãos de força média
também não é ideal pois elas frequentemente se tornarão a segunda melhor mão no turn e
river contra os blefes do oponente.

Isso nos traz à seguinte regra:


Quanto mais difícil for jogar de check-call em uma textura de flop quando fora de posição,
mais valiosa geralmente será a posição.

Perceba que estas são as texturas de board onde dar uma free card é arriscado, e as mãos de
força marginal que tipicamente irão querer ir de check-call geralmente se tornarão a segunda
melhor mão no turn ou river.

Abaixo estão alguns exemplos de texturas de flop juntamente com uma rápida descrição de
por que a posição é ou não é particularmente valiosa. Para melhor visualizar algumas mãos no
range de cada jogador, assuma que damos raise no cutoff e apenas o button dê call.

Flop nº 1: Qc-6h-2h. Posição não é particularmente valiosa nesta textura de board pois
existem muitas mãos com pouca equidade em nosso range e no range do oponente. Isso torna
fácil jogar de check-call com top pairs e pares médios já que existem tão poucas overcards que
podem vir no turn. Enquanto nossos pares fortes às vezes perderão para flush draws, a maior
parte das mãos que terá uma chance razoável de fazer um flush até o river não foldarão para
um bet no flop, de qualquer forma.

Flop nº 2: 9h-5h-3c. Esta textura de board é tanto seca quanto molhada, então posição é
extremamente valiosa. É também difícil jogar de check-call nesta textura de flop, já que mãos
que querem chegar ao showdown sem betar as três streets, como par de noves ou 8-8, são as
mesmas mãos que são extremamente vulneráveis a se tornarem a segunda melhor mão contra
overcards.

Flop nº 3: Qc-Jd-6s. Ao contrário do que muitos jogadores acreditam, posição não é


particularmente importante nesta textura de flop. É fácil jogar de check-call com par de damas
ou valetes já que o oponente frequentemente betará mãos com pouca equidade, que
improvavelmente melhorarão. Além disso, o flop pode ser jogado de check-raise
ocasionalmente, para prevenir que o oponente bete imprudentemente.

Flop nº 4: 7c-2d-2s. Como discutido anteriormente, posição é mais valiosa que os jogadores
pensam em texturas de board secas e com cartas baixas. Dar check-call com mãos prontas de
força marginal é difícil já que elas frequentemente se tornarão a segunda melhor mão no turn
ou river, mas neste spot mãos fortes podem ser jogadas de slowplay, e de check-raise em uma
street futura.

Flop nº 5: 7h-6h-4c. Esta textura de flop é um absoluto pesadelo de se jogar fora de posição. É
difícil desenvolver um range de check-call já que dar check-call com uma mão extremamente
forte (como uma trinca) é arriscado. Entretanto, se nunca dermos check-call com uma mão
forte, nosso oponente pode agressivamente overbetar em muitos turns e rivers.

Além do mais, as mãos de força marginal que jogam de check-call no flop frequentemente se
tornarão a segunda melhor mão nas streets futuras. Além disso, se o nosso oponente está
overbetando, ele será capaz de betar em uma alta frequência e ainda continuar balanceado.
Então boards como este requerem que demos check-raise e check-fold no flop em uma alta
frequência.

6.4 A RELAÇÃO ENTRE VALUE BET E BLEFE FORA DE POSIÇÃO

Anteriormente, descobrimos que betar o flop com um range perfeitamente polarizado requere
que 34,3% de nossos bets no flop sejam value bets se betarmos apenas 75% do pote em todas
as três streets. Além disso, se pudermos overbetar o river, apenas 30,6% de nossos bets no
flop precisam ser por valor. Como discutido anteriormente, como posição não possui valor
quando um jogador possui um range perfeitamente polarizado, a mesma exata matemática se
aplicará, independentemente de quem possui posição, enquanto assumirmos que nosso range
está perfeitamente polarizado.

Ainda assim, quando criando situações-modelo onde nosso range de bet não estava
perfeitamente polarizado, tínhamos que fazer várias suposições que, em geral, não eram
verdadeiras. Por exemplo, nosso oponente pode foldar para o nosso bet no turn (ou fazer com
que nós foldemos, se ele der raise), e isso evita que sempre realizemos a equidade de nossos
blefes. Mais uma vez, o modelo não foi capaz de levar isso em conta de forma precisa.

Por outro lado, quando os ranges não são perfeitamente polarizados, a posição se torna
bastante valiosa e nossas suposições dos capítulos anteriores se tornam mais problemáticas.
Especificamente, é mais difícil realizar a equidade de nossas mãos fracas quando fora de
posição que quando estamos em posição, já que um check não turn não garante que veremos
o river. Além disso, não teremos a habilidade de betar o river se nosso oponente demonstrar
fraqueza dando check, então extrair thin value com mãos fortes mas não muito fortes,
geralmente será difícil.

Em outras palavras, enquanto o exato valor da posição não pode ser quantificado, é seguro
dizer que, se quisermos betar entre 2,5 e 3 blefes para cada mão forte que value betarmos em
posição no flop, devemos blefar menos quando fora de posição. E isso nos traz à nossa
próxima regra.

Embora posição seja mais valiosa em algumas texturas de flop que em outras, betar entre 2
e 2,5 blefes para cada mão forte que value betarmos fora de posição parece razoável para a
maior parte das texturas de flop.

Como sempre, esteja ciente de quais suposições estão sendo feitas quando aplicando este
princípio básico, já que esta relação não funcionará nem de perto tão bem se a profundidade
dos stacks não estiver deep, ou se houverem vários jogadores no pote.

Além do mais, como discutido anteriormente, às vezes betaremos mãos no flop com a
intenção de betar apenas uma ou duas streets por valor. Isto é feito quando betando o flop
conseguimos fazer mãos com alta equidade foldar. Ao contrário de quando estamos em
posição, é difícil betar apenas duas streets por valor fora de posição, já que nosso oponente
terá uma oportunidade de betar depois de darmos check no river. Esta situação é difícil de se
colocar em um modelo, mas apesar de suas desvantagens, betar apenas uma ou duas streets
por valor quando fora de posição algumas vezes ainda será a melhor linha.

6.5 QUANDO BETAR COM QUAISQUER DUAS CARTAS SERÁ LUCRATIVO?

Até este momento, presumimos que nosso oponente não deve ser capaz de lucrativamente
betar com quaisquer duas cartas pré-flop ou quando fora de posição no flop. Isso deveria
intuitivamente fazer sentido para o jogo pré-flop, já que se nosso oponente pudesse
lucrativamente betar com quaisquer duas cartas, ele nunca foldaria. Da mesma forma, como
estar fora de posição no flop é uma desvantagem, em potes onde houve raise fez sentido
presumir que nosso oponente não deve ser capaz de lucrativamente sair de lead com
quaisquer duas cartas na vasta maioria de texturas de flop.

Enquanto mesmo uma mão tão fraca como 2-2 tem um valor esperado positivo quando é
jogada de check fora de posição no flop Jh-9h-5c, o valor esperado do check deve ser pequeno
e próximo a zero. Se pudéssemos lucrativamente betar 2-2 fora de posição nesta textura de
board, então mesmo um bet que seja apenas ligeiramente lucrativo seria melhor que dar
check. Entretanto, a maioria dos jogadores aprendem com tentativa e erro que betar uma mão
fraca fora de posição possui um valor esperado negativo na maioria das texturas de board,
mesmo que isso não possa ser provado diretamente.

Entretanto, existem situações onde um jogador deve ser capaz de lucrativamente blefar
mesmo que sua mão não possua equidade. Mais especificamente, estas situações geralmente
ocorrem depois que alguém teve que arriscar dinheiro para talvez ter a oportunidade de fazer
um blefe lucrativo.

Aqui está um exemplo. O cutoff dá raise, 3-betamos no small blind para um total de 12 BBs, e
o cutoff dá call. O flop vem Qh-8d-7c e betamos 13 BBs, o turn vem o 4d e betamos 25 BBs, e o
river vem o 2h e damos check. Perceba que após darmos check, nosso oponente possui a
oportunidade de ir all in de 50 BBs para ganhar um pote de 100 BBs. Isso requer que demos
call 66,7% do tempo para evitar que ele seja capaz de lucrativamente blefar quaisquer duas
cartas.

Mesmo que tenhamos 3-betado pré-flop, betado flop e turn, nosso range é muito polarizado
no river, e poucas, senão nenhuma mão funcionará bem como check-call. Na verdade, se
tivéssemos uma mão marginalmente forte no flop, como Qd-9d ou J-J, provavelmente
teríamos dado check-call no flop, já que permitir ao nosso oponente ver cartas adicionais com
suas mãos mais fracas não é particularmente arriscado. Em outras palavras, assim que dermos
check no river, estaremos dando check-call muito menos que 66,7% do tempo.

Enquanto permitir nosso oponente que ele lucrativamente bete quaisquer duas cartas possa
parecer, a princípio, confuso, isto é conceitualmente similar a quando estávamos betando com
um range perfeitamente polarizado. Mais especificamente, sempre que betarmos com um
range polarizado, nosso oponente efetivamente perdeu, e sempre que dermos check, ele
efetivamente ganhou. O mesmo processo ocorre quando betamos o turn com um range muito
polarizad em um pote 3-betado, já que se dermos check no river nosso oponente quase
sempre vencerá. Isto é, ou ele dará check behind e ganhará no showdown, ou ele blefará
sabendo que quase sempre foldaremos.

Colocado de outra forma, mesmo se nosso oponente puder fazer um bet lucrativo no river
depois que dermos check, isto não é um problema se ele teve que arriscar dinheiro no turn
para talvez conseguir esta oportunidade. Por exemplo, se nosso oponente der call com uma
mão fraca e especulativa no turn, como uma broca, ele geralmente perderá o dinheiro que ele
investiu quando ele não acertar seu draw e betarmos o river. Ele apenas ocasionalmente
melhorará para a melhor mão ou terá a oportunidade de fazer um blefe lucrativo, e isso não
tornará seu call no turn extremamente lucrativo.

Isto nos traz à nossa próxima regra:

Quanto mais lucrativo for o blefe do nosso oponente, mais dinheiro ele deve arriscar e/ou
mais raro deve ser para ele conseguir a oportunidade de blefar.

Colocado de outra forma, se o blefe de nosso oponente em uma street futura será apenas
ligeiramente lucrativo, então não é problemático se ele frequentemente tiver esta
oportunidade após arriscar pouco dinheiro. Mas se o blefe do nosso oponente será altamente
lucrativo, ele deve arriscar mais dinheiro para apenas ocasionalmente conseguir essa
oportunidade de blefe. Mais especificamente, estamos sendo explorados apenas se nosso
oponente estiver arriscando pouco dinheiro para consistentemente se colocar em uma
situação de blefe altamente lucrativa.

6.6 QUÃO LUCRATIVO DEVEM SER OS BLEFES DO NOSSO OPONENTE EM POSIÇÃO NO FLOP?

Quando nosso oponente beta após receber um check em um pote onde existem apenas dois
jogadores e houve raise pré-flop, ele geralmente arriscará 6 BBs para ganhar 8 BBs. Como
discutido anteriormente, devemos defender pelo menos 57% do tempo para evitar que ele
seja capaz de gerar um lucro imediato betando quaisquer duas cartas.

Mesmo assim, deixar nosso oponente gerar um lucro imediato com quaisquer duas cartas
depois de darmos check no flop provavelmente não é problemático. Presumindo que ele não
esteja nas blinds, quando ele der call pré-flop ele arrisca 3,5 BBs para geralmente conseguir a
oportunidade de ver o flop em posição. (Às vezes ele sofre um squeeze e tem que foldar suas
mãos mais fracas pré-flop). Como ele assumiu um risco dando call, nosso oponente pode às
vezes ser capaz de lucrativamente blefar quaisquer duas cartas pós-flop, especialmente se a
maioria dos seus blefes forem apenas ligeiramente lucrativos.

Aqui está um exemplo. Damos raise em MP e nosso oponente dá call no button. Se dermos
check no flop, seu bet deve ser bem-sucedido frequentemente o suficiente para que uma
estimativa razoável do valor esperado de seu pior blefe seja de 1,5 BBs. Perceba que mesmo
que a pior mão no range de nosso oponente possa blefar lucrativamente depois de darmos
check, ele ainda perde em média 2 BBs quando ele flopa uma mão fraca.

Valor esperado total para a mão =

Valor esperado do bet no flop – dead money já investido

- 2 = 1,5 – 3,5

Isso demonstra como nosso oponente, no geral, ainda perderá dinheiro dando call com mãos
muito fracas pré-flop, mesmo que ele possa frequentemente fazer um blefe pós-flop lucrativo.
Mais especificamente, para que uma mão seja um flat call lucrativo pré-flop, ele deve ser
capaz de flopar mãos fortes ou draws a uma frequência razoável. Em outras palavras, se a mão
do nosso oponente for tão fraca que ele constantemente tenha que foldar para nosso bet no
flop e geralmente conseguir um blefe apenas ligeiramente lucrativo se dermos check, então
dar call pré-flop com mãos tão fracas claramente tem uma expectativa negativa.

Betar menos frequentemente fora de posição no flop e defendendo mais dos nossos checks
possui várias outras implicações importantes. Nosso oponente terá uma oportunidade de
blefar lucrativamente mais frequentemente. Mas se estivermos defendendo mais dos nossos
checks dando check-calls e check-raises, então o valor esperado dos blefes do nosso oponente
diminuirá. Em outras palavras, enquanto ele conseguirá muitas oportunidades de fazer blefes
lucrativos, estes blefes serão apenas ligeiramente lucrativos.

Além disso, nosso oponente provavelmente fará menos dinheiro quando ele flopar uma mão
forte, já que frequentemente daremos check e manteremos o pote menor. Muitos jogadores
dependem de quase sempre ganhar pelo menos um c-bet quando eles flopam uma mão forte
após dar flat call em posição. Mas se não estamos imprudentemente betando o flop, nosso
oponente frequentemente ganhará apenas um pequeno pote.
Mesmo assim, geralmente teremos que betar o flop com uma frequência razoável, assim como
defender nossos checks no flop agressivamente o suficiente para que seus bets no flop não
sejam lucrativos demais.

Isto é, no flop, podemos dar ao vilão poucas oportunidades de fazer blefes altamente
lucrativos, muitas oportunidades de fazer blefes ligeiramente lucrativos, ou encontrar um
meio-termo. Mais especificamente, se estamos constantemente dando check-fold no flop,
então algo provavelmente está errado. Ou estamos dando check-fold com mãos que
pertencem a outro range no flop, ou nosso range pré-flop está fraco demais. (A exceção a isto
ocorre quando dando call no big blind, já que frequentemente faz sentido dar call por odds,
mesmo que tenhamos que jogar o flop de check-fold).

Podemos calcular o valor esperado mínimo da pior mão no range de nosso oponente no flop
baseado em quão agressivamente estamos betando e defendendo nossos checks. Chegamos
um resultado calculando quão frequentemente nosso oponente consegue a oportunidade de
blefar e quão lucrativos estes blefes são.

Vamos começar com um exemplo simples. O pote possui 8 BBs e quando um jogador beta, ele
sempre betará 6 BBs. Além disso, vamos presumir que estamos dando check no flop 60% do
tempo e defendendo 45% dos nossos checks no flop. Por último, vamos também presumir que
nosso oponente possui uma mão fraca, que sempre foldará se betarmos o flop, mas que
blefará se dermos check, já que ele sabe que blefar com quaisquer duas cartas é lucrativo. Isto
produz uma expectativa de pelo menos 1,02 BBs para a mão mais fraca do vilão.

Valor esperado mínimo da mão do oponente =

(frequência que damos check no flop) [(tamanho do pote)(frequência de fold) – (tamanho do


bet)(frequência de defesa)]

1,02 = (0,6)[(8)(1 – 0,45) – (6)(0,45)]

Como pode ser visto, com as suposições acima, a mão mais fraca no range de nosso oponente
no flop possui um valor esperado de pelo menos 1,02 BBs. Isto porque nem sempre betaremos
o flop, e quando dermos check, nosso oponente pode betar lucrativamente pois estamos
defendendo menos que 57% do tempo. Além do mais, perceba que este é o valor esperado
mínimo para a mão do vilão e não o verdadeiro valor esperado, já que frequentemente
defenderemos dando check-call e os blefes mais fracos do nosso oponente possuem equidade.

Além disso, se assegure de entender que o valor esperado da mão mais fraca do vilão foi
calculado no flop antes que demos bet ou check, não o valor esperado de seu blefe. Perceba
que se betarmos, o valor esperado da mão mais fraca do vilão é zero (já que ele sempre
foldará), e se dermos check, seu valor esperado será maior que 1,02 BBs (já que ele sempre
terá a oportunidade de blefar). Aqui, o valor esperado mínimo do blefe do vilão é de 1,7 BBs.

Valor esperado mínimo do blefe do oponente =

(tamanho do pote)(frequência de fold) – (tamanho do bet)(frequência de defesa)

1,7 = (8)(1 – 0,45) – (6)(0,45)

E se presumirmos que os jogadores sempre betam 6 BBs em um pote de 8 BBs, a fórmula


abaixo pode ser usada para descobrir o valor esperado mínimo da mão do vilão no flop.

(X) [(8)(1 – Y) – (6)(Y)] = valor esperado mínimo da mão do vilão


Onde

X é a frequência que damos check no flop, e

Y é a nossa frequência de defesa depois de darmos check.

Embora seja difícil de estimar qual deve ser o valor esperado das mãos muito fracas do nosso
oponente no flop, isso sem dúvida depende do range de cada jogador e da textura do flop.
Além do mais, devemos utilizar uma abordagem que seja senso comum para determinar se o
valor esperado das mãos mais fracas do vilão no flop é razoável.

Aqui está um exemplo. Damos raise no cutoff, o button dá call e os blinds foldam. Se estamos
dando check e foldando para os bets do vilão no flop com uma frequência suficiente para que
o valor esperado de suas mãos mais fracas seja de 2 BBs ou maior, isto parece razoável?
Enquanto a situação é complexa demais para ser provada diretamente, a resposta
provavelmente é não, por diferentes razões. Elas são discutidas abaixo.

1) Como o button arriscou apenas 3,5 BBs dando flat call pré-flop, ele espera ganhar de
volta uma grande porção de seu call pré-flop se o valor esperado de suas mãos mais
fracas no flop for de pelo menos 2 BBs. Como ele frequentemente possui a
oportunidade de fazer um blefe lucrativo mesmo se ele flopar uma mão com quase
nenhuma equidade, isso efetivamente torna seu call pré-flop muito mais barato que
de outra forma seria.
2) Todas as mãos no range de call pré-flop do button têm o potencial de formar mãos
prontas fortes ou draws no flop. Em outras palavras, o pior cenário possível para nosso
oponente seria ter que foldar para nosso bet no flop ou blefar se dermos check. Às
vezes suas mãos mais fracas de call pré-flop floparão o nuts ou uma mão que possa
funcionar como um excelente raise por blefe.
3) Mesmo os blefes mais fracos do vilão no flop geralmente terão uma quantidade
razoável de equidade contra o nosso range de check-call. Por exemplo, apesar de
pocket pairs estarem entre as piores mãos possíveis para blefar no flop, eles ainda
possuem cerca de 10% de equidade contra pares maiores. Isto aumenta a expectativa
mesmo dos blefes mais fracos no range do nosso oponente.

Mais uma vez, é difícil dizer qual o valor esperado das mãos mais fracas do vilão no flop, então
nenhuma regra geral será mencionada. Mesmo assim, se nos encontrarmos constantemente
dando check-fold no flop a ponto do oponente estar efetivamente conseguindo um desconto
significativo em seus calls pré-flop, devemos procurar alterar nossa estratégia pré-flop ou no
flop. Em particular, se estamos dando check-fold tão frequentemente que nosso oponente seja
encorajado a betar imprudentemente o flop, muitas mãos que estão sendo atualmente
betadas provavelmente devem ser jogadas de check-raise.

6.7 BETAR OU DAR CHECK COM MÃOS MUITO FORTES NO FLOP, QUANDO FORA DE POSIÇÃO

Embora um jogador ótimo sempre utilize a linha com o maior valor esperado, qual linha é mais
lucrativa com uma determinada mão dependerá do range de cada jogador. E um dos pontos
mais fáceis de início para descobrir como jogar nosso range é determinar a linha mais lucrativa
com nossas mãos muito fortes.

Por exemplo, se dar check-call com essas mãos em uma determinada textura de flop for mais
lucrativo que dar check-raise, então geralmente não teremos range de check-raise. Isso porque
dar check-raise com uma mão forte se torna uma estratégia inferior se check-call tiver um
valor esperado maior, e dar check-call com um range de apenas blefes certamente não seria
ótimo. Em outras palavras, o que fazemos com as mãos mais fortes em nosso range em grande
parte determina quantas outras mãos em nosso range devem ser jogadas.

Quanto ao nosso oponente, ele deve ser capaz de fazer bets altamente lucrativos no flop em
texturas de board onde a posição é particularmente valiosa e/ou seu range for muito mais
forte que o nosso. Além disso, em texturas de flop onde ele pode fazer bets altamente
lucrativos com quaisquer duas cartas, devemos esperar que ele frequentemente bete. Isso
porque ele deve dar check apenas se dar check for mais lucrativo que betar, e isto é menos
provável de ser o caso se seus bets no flop forem altamente lucrativos. Isto é especialmente
verdadeiro se deixar mãos em nosso range de check-fold ver uma free card for arriscado.

Aqui está um exemplo. No flop, estamos mais uma vez dando check e foldando 55% do tempo
para um bet do nosso oponente. E quando ele beta, são 6 BBs em um pote de 8 BBs. Além
disso, vamos presumir que ele saiba quão frequentemente estamos foldando para um bet
depois de darmos check.

E como antes, o valor esperado mínimo do bet do vilão no flop é 1,7 BBs.

1,7 = (8)(0,55) – (6)(1 – 0,55)

Como nosso oponente pode betar qualquer mão em seu range por um valor esperado de pelo
menos 1,7 BBs, não faz sentido para ele dar check behind com uma mão que terá um valor
esperado de menos que 1,7 BBs após dar check. Em outras palavras, qualquer mão no range
de check no flop de nosso oponente deve possuir um valor esperado de pelo menos 1,7 BBs,
caso contrário ele comete um erro em não betar o flop.

Vamos continuar com as mesmas suposições do exemplo anterior, exceto que agora foldamos
70% do tempo para os bets do vilão no flop, ao invés de apenas 55%. Isto aumenta sua
expectativa para pelo menos 3,8 BBs.

3,8 = (8)(0,7) – (6)(1 – 0,7)

Como agora estamos defendendo 15% menos dos nossos checks no flop, os blefes do nosso
oponente serão bem-sucedidos com uma maior frequência, e consequentemente o valor
esperado mínimo de seus bets no flop aumentam. Mais especificamente, enquanto antes o
vilão sempre betaria com mãos que não tinham um valor esperado de pelo menos 1,7 BBs
quando ele dava check behind, ele agora betará todas as mãos que possuem um valor
esperado de menos que 3,8 BBs quando ele der check behind.

Em outras palavras, quanto mais frequentemente estivermos dando check-fold após dar check
no flop, o mais difícil será para nosso oponente justificar dar check behind ao invés de betar.
Isto porque betar no flop agora é tão lucrativo, e poucas mãos terão um valor esperado maior
como checks que como bets. Mais especificamente, quanto maior a probabilidade que
foldaremos para o bet do nosso oponente após dar check no flop, mais alta deve ser sua
frequência de bet. E mais uma vez, isto é especialmente verdadeiro em texturas de board onde
dar uma free card para o nosso range de check-fold for arriscado.

Aqui está outro exemplo. Damos raise no cutoff, apenas o button dá call e mais uma vez nossa
estratégia no flop é foldar 55% do tempo após dar check. Se o flop vier Ks-3d-3h e dermos
check, nosso oponente provavelmente ainda dará check behind com mãos como K-J, K-10 e
10-10, apesar do fato de que betar com quaisquer duas cartas no fop possui um valor
esperado de pelo menos 1,7 BBs. Isso porque suas mãos de força média provavelmente não se
tornarão a segunda melhor mãos contra mãos em nosso range de check-fold, e essas mãos
podem confortavelmente ser betadas mais pra frente.

Vamos tentar outro exemplo, presumindo que mais uma vez estamos foldando 55% do tempo,
mas desta vez o flop é 9s-6s-4c. Se dermos check para nosso oponente nesta textura de board,
é difícil imaginar muitas mãos em seu range que irão querer ser jogadas de check behind. Isto
é, todas suas mãos de força marginal estão vulneráveis a se tornar a segunda melhor mão
contra o nosso range de check-fold, e por causa disso, ele será tentado a betar estas mãos
agora. Lembre-se, esta é uma ótima textura de board para o jogador em posição betar o flop
com a intenção de betar apenas uma ou duas streets por valor. Isso porque dar free cards com
uma mão como 9d-8d ou 8d-8c é arriscado demais.

Em outras palavras, existem dois fatores principais para determinar quão agressivamente
nosso oponente betará o flop em posição. O primeiro é quão frequentemente estamos
foldando para um bet no flop, e o segundo é quão arriscado é dar free cards ao nosso range de
check-fold. Se frequentemente foldaremos para seu bet no flop e dar free cards ao nosso
range de check-fold for arriscado, então ele geralmente betará. Isso significa que nossas mãos
fortes deverão ser jogadas de check-raise. Mas em contraste, se raramente foldaremos para o
bet do vilão no flop, e dar free cards ao nosso range de check-fold não for arriscado, então ele
não deve betar frequentemente o flop, e nossas mãos mais fortes devem ser betadas.

Agora vamos discutir um exemplo onde nossa tentativa de check-raise no flop quase sempre
será bem-sucedida. Imagine que, quando no big blind, damos call no raise do button e o flop
venha 7s-4s-2c.

Perceba que posição é muito valiosa nesta textura de flop, já que permite ao nosso oponente
betar mais confortavelmente apenas uma ou duas streets de valor. Além disso, como nosso
range de check inclui muitas mãos com overcards, ele não se sentirá confortável nos dando
free cards com mãos de força marginal. Por último, os blefes do nosso oponente retém sua
equidade bem contra o nosso range de check-call, já que suas overcards frequentemente
melhoram e vencem nossos pares marginais. Consequentemente, estas razões o encorajam a
frequentemente betar o flop, o que então nos encoraja a dar check-call ou check-raise com
nossas trincas, ao invés de sair de lead.

Agora vamos tentar um exemplo onde nossa tentativa de check-raise no flop frequentemente
falhará. Suponha que damos raise no cutoff e o button dá call, e desta vez o flop é Ks-Jc-4d.
Como o nosso oponente provavelmente 3-betaria a maioria de seus A-A e A-K pré-flop, ele não
terá muitas mãos fortes que irão querer betar o flop com a intenção de betar as três streets.
Além disso, mãos como K-10, A-J e Q-J serão jogadas de check behind já que essas mãos não
são vulneráveis a se tornarem a segunda melhor mão contra mãos no nosso range de check-
fold. Em outras palavras, como temos o range superior no flop e posição não é
particularmente valiosa, nosso oponente não betará frequentemente este flop depois que
dermos check. Portanto, devemos betar a maioria de nossas mãos fortes e apenas
ocasionalmente dar check-raise ou check-call com uma mão muito forte.

Por último, em texturas de board onde ambos os jogadores possuem ranges comparáveis, um
equilíbrio geralmente terá que ser alcançado betando mãos muito fortes e dando check com
outras. Mais especialmente, se sempre betarmos nossas mãos fortes no flop nosso range de
check será fraco demais, e nosso oponente pode então nos explorar betando agressivamente.
Mas se nunca betarmos nossas mãos fortes, então nosso range de check será forte demais, e
nosso oponente pode novamente nos explorar betando apenas suas mãos prontas muito
fortes e draws.

6.8 DECIDINDO ENTRE O CHECK-CALL E O CHECK-RAISE

Assim que decidimos não betar nossas mãos muito fortes fora de posição, geralmente porque
nosso range de check é fraco e nosso oponente frequentemente betará o flop, devemos
determinar se o check-call ou o check-raise é a linha superior.

O check-call deve ser enfatizado em texturas de board onde é improvável que nosso oponente
bete apenas uma street por valor, e onde seja improvável que seus blefes melhorem e nos
vençam no turn. Isto permite que ele continue blefando com suas mãos fracas. Então
geralmente damos check-raise no turn, para que ele não seja capaz de conseguir uma free card
barata e se tornar a melhor mão no river.

Aqui está um exemplo. Damos raise em MP, o button é o único jogador que dá call, e o flop é
Kc-7d-2h.

Enquanto nosso oponente pode value betar algumas mãos no flop com a intenção de betar
apenas uma street por valor, a maioria das mãos que ele value betará provavelmente serão
betadas em múltiplas streets. Isso porque mãos como top pair e par médio não são vulneráveis
a se tornarem a segunda melhor mão contra mãos em nosso range de check-fold. Em outras
palavras, como as mãos que foldaremos para um bet no flop provavelmente não se tornarão
melhores que as mãos de força média do vilão de qualquer forma, ele possui pouca razão de
betá-las no flop.

Entretanto, como nosso oponente, no flop, provavelmente não betará apenas uma street por
valor com suas mãos de força média, é mais fácil para nós dar call com mãos extremamente
fortes, com confiança, esperando obter a oportunidade de dar check-raise em uma street
futura. Lembre-se, embora algumas mãos em seu range, como o 9d-8d possa se tornar melhor
que nossas trincas no river, acertando um flush ou straight runner-runner, se nosso oponente
conseguir um draw no turn, ele quase sempre betará e poderemos dar check-raise. Isso
porque flush draws e straight draws geralmente se tornam as mãos perfeitas para blefe no
turn, já que possuem pouco valor de showdown mas retém bem sua equidade contra nosso
range de check-call. Assim, as mãos que são capazes de se tornarem melhores que nossas
trincas no river quase sempre serão draws que ele betará no turn, e isso torna o check-call no
flop com a intenção de dar check-raise no turn menos arriscado que de outra forma seria.

Dar check-raise geralmente é a linha superior em texturas de board onde nosso oponente
provavelmente betará apenas uma street por valor, e existem muitos blefes em seu range de
blefe no flop que podem se tornar a melhor mão no turn. Isso geralmente ocorre em texturas
de board baixas e conectadas, que tipicamente favorecem o jogador em posição. Então, dar
check-raise no flop nos permite extrair valor das mãos fortes do vilão agora, assim como evitar
que ele possa conseguir uma free card e melhorar sua mão de forma barata no turn ou river.

Aqui está um exemplo. Damos raise no cutoff, nosso oponente dá call no button, e o flop é
10s-6s-5d. Muitas das mãos que o oponente provavelmente betará neste flop, como 7-7 e 8-8,
não serão capazes de betar novamente em quase qualquer carta que vier no turn. Além disso,
mesmo mãos mais fortes no range de value bet do vilão, como A-10, não serão capazes de
continuar value betando em muitos turns, como Ks. Portanto, dar check-raise com um set
neste flop assegura que extraiamos valor das mãos fortes do nosso oponente antes que ele
fique assustado com o turn ou river. Além disso, como vimos na parte 5, “Decidindo entre o
Bet e o Check em Posição”, nosso oponente provavelmente terá até mesmo que floatar com
alguns blefes contra nossos check-raises no flop.

Provavelmente o maior risco em dar check-call com mãos fortes em texturas de board muito
molhadas é que com frequência nossa mão se tornará a segunda melhor mão, ou que seremos
incapazes de dar check-raise no turn mesmo se ainda possuirmos a melhor mão. Por exemplo,
se dermos check-call com uma trinca no flop 10s-6s-5d, se o turn trouxer uma terceira espada,
nossa mão geralmente não é forte o suficiente para dar check-raise por valor.
Consequentemente, isso nos força a dar check-call novamente, e nosso oponente agora
consegue a oportunidade de nos vencer no river com seus semiblefes (provavelmente
acertando seu flush runner-runner). Estas razões geralmente fazem com que dar check-raise
no flop com nossas mãos fortes seja superior a dar check-call, especialmente se nosso
oponente não for capaz de overbetar o turn.

Aqui está uma rápida lista de diferentes texturas de flop e quão frequentemente prefiro dar
check-raise neles. Tenha em mente que isso tem a intenção de apenas dar uma ideia geral de
quais tipos de texturas de board devem ser jogadas agressivamente com check-raises
comparado a check-calls. As exatas frequências são insolúveis e dependerão do range de cada
jogador.

Boards em que raramente devemos dar check-raise: Ac-4s-4d, Kd-Ks-4d, Qc-3s-2d, e As-
Kh5d. Perceba que todas essas texturas de flop possuem ao menos uma carta alta. Isso
permite que confortavelmente joguemos de check-call com nossos top pairs mais fracos, assim
como com nossos pares médios. Além disso, como existem normalmente poucas ou nenhuma
mão, no turn, no range do nosso oponente que possa melhorar para straights ou flushes,
qualquer mão forte que dermos check-call no flop provavelmente será capaz de dar check-
raise se ele betar novamente no turn. Portanto, nossa estratégia nessas texturas de flop deve
ser defender contra os bets do nosso oponente quase inteiramente dando call.

Boards em que devemos ocasionalmente dar check-raise: 7c-4h-2s, 9c-9s-7d, Qs-10h-5c e Ks-
6s-5d. Estas texturas de flop ou são mais coordenadas que os anteriores ou que não possuem
pelo menos uma carta alta. Isto torna o check-call com mãos de força média mais difícil, já que
nosso oponente possui uma maior probabilidade de melhorar com seus blefes. Além disso, se
dermos check-call com uma mão forte enquanto houver algum possível straight ou flush draw,
é possível que tenhamos que dar check-call ao invés de check-raise no turn se o draw se
completar.

Como tanto dar check-call quanto check-raise com nossas mãos mais fortes é razoável nestas
texturas de board, frequentemente vamos querer utilizar uma combinação de ambos. Além
disso, devemos prestar atenção extra a quais mãos bloqueamos quando dando check-raise por
valor.

Mais especificamente, geralmente não vamos querer dar check-raise com mãos muito fortes
que bloqueiam mãos de valor do range de bet no flop do vilão. Aqui está um exemplo. Damos
check com uma trinca de reis no flop Ks-6s-5d e nosso oponente beta. Perceba que é
improvável que ele possua top pair já que existe apenas um K possível restante. Isto torna o
check-raise menos eficiente já que é improvável que ele possua top pair que possar dar call em
nosso check-raise e nas apostas subsequentes. Mas dar check-raise com outras trincas, como
6-6 e 5-5, será mais eficiente, já que nosso oponente possui uma maior probabilidade de estar
value betando um K no flop.
Boards em que devemos dar check-raise frequentemente: 7s-4s-2d, 8d-7d-6c, 7h-3h-3c e 9h-
8d-6d. É quase sempre errado dar check-call nas texturas de flop acima. Isso porque qualquer
mão em nosso range de check-call frequentemente se tornará a segunda melhor mão contra
os blefes do vilão no turn. Além disso, ele muitas vezes não betará o turn quando tivermos a
melhor mão, e mesmo se ele betar, frequentemente não seremos capazes de dar check-raise
se muitas mãos em seu range melhorar no turn para straights ou flushes.

Estes flops são os mais difíceis de se jogar fora de posição contra um oponente forte, mas
dando check-raise agressivamente (no flop), tornamos difícil para ele realizar de forma barata
a equidade de suas mãos mais fracas. Lembre-se, da mesma forma que dar check-call com
mãos marginais neste flop é difícil já que nossa mão frequentemente se tornará a segunda
melhor, nosso oponente também não gosto de nos deixar ver free cards com mãos marginais.
Isto é, ele geralmente betará mãos de força média assim como vários draws, e dando check-
raise maximizamos nossa chance de fazer com que essas mãos foldem antes que sua equidade
seja realizada.

6.9 A DIFICULDADE DE DAR CHECK-RAISE EM CERTAS TEXTURAS DE FLOP

Algumas texturas de flop são difíceis de se dar check-raise utilizando nosso tamanho normal de
bet, já que é muito provável que o turn melhore muitas mãos no range de nosso oponente.
Estas são as mesmas texturas de board onde a posição é extremamente valiosa e
frequentemente estaremos incertos sobre se temos a melhor mão em muitos turns e rivers.

Aqui está um exemplo. Nós damos flat call no big blind com 5d-5s contra um raise do button, e
o flop vem 6h-5h-3d.

Neste flop, devemos nos perguntar: “Se dermos check-raise por valor com nossa trinca,
quantos turns matam nossa ação ou nos colocam atrás de muitas mãos no range de nosso
oponente?” A resposta é: qualquer copas, 7, 4 ou 2 colocarão muitos flushes e straights no
range de nosso oponente, e tornam difícil saber como continuar.

Como posição é tão valiosa nesta textura de board, devemos considerar dar check-raise com
um tamanho maior que o comum. Isso porque check-raises grandes dão ao nosso oponente
odds piores para dar call, e isto torna difícil para ele dar call com um range amplo e abusar de
seu poder da posição no turn. Mais especificamente, se dermos raise em um bet de 4 BBs para
apenas 12 ou 14 BBs, em um pote de 6 BBs – o pote provavelmente vai ser menor que o
normal pois muitos jogadores dão raise no button para apenas 2,5 BBs – nosso oponente
provavelmente dará call com um range amplo, assim ele consegue jogar o turn em posição.

Por último, é importante entender e aceitar que algumas texturas de board são muito
melhores para o range do nosso oponente que para o nosso. Embora flops 8-high ou menores
sejam incomuns, quando eles de fato ocorrem, é importante simplesmente reconhecer que o
flop é desfavorável para nosso range de flat call do big blind. Isso requer que demos check-fold
para os bets no flop de nosso oponente em uma alta frequência. Um jogo excelente das blinds
requer tanto que sejamos capazes de avaliar o valor da posição quanto reconhecer que o
range de determinado jogador foi favorecido em uma determinada textura de board.

6.10 AS DIFICULDADES DE DAR CHECK-CALL COM MÃOS VULNERÁVEIS

Como já foi discutido anteriormente, como dar check-call garante que o vilão veja o turn com
seu range do flop inteiro, é geralmente difícil dar check-call com mãos marginais que são
vulneráveis a se tornarem a segunda melhor mão. Mas as mesmas mãos com as quais é
arriscado dar check-call frequentemente funcionarão mal como bets pois betar torna o range
do oponente mais forte e pares fracos não retém bem sua equidade à medida que o range do
vilão se torna melhor.

Isto não será surpreendente para jogadores veteranos. Um dos spots mais frustrantes que
ocorrem comumente é ter um par marginal fora de posição no flop contra um oponente que
gosta de betar agressivamente. Nos sentiremos mal com qualquer linha que tomarmos, já que
betar não atinge nenhum objetivo (e pode nem fazer sentido no contexto de nosso range),
mas dar check-call nos força a jogar um jogo de adivinhação nas streets subsequentes.

Aqui está um exemplo. Damos call no small blind com 7h-7d contra um raise do cutoff, e o flop
vem 10s-8d-4c.

Se nosso oponente beta 6 BBs com seu range inteiro em um pote de 8 BBs, como muitos
oponentes farão, nossa mão terá 54,4% de equidade contra um típico range de raise. Assim, se
temos um preço tão bom para dar call e nossa mão tem tanta equidade, por que dar check-call
neste flop faz com que nos sintamos tão desconfortáveis?

A razão está no fato de que nossa mãos quase sempre continuarão sendo um bluff catcher, e
quando estivermos à frente no flop a mão do nosso oponente se tornará a melhor mão no turn
ou river uma boa quantidade das vezes. Além disso, como geralmente é impossível para nós
saber se nossa mão é a melhor, geralmente daremos call com a mão que está perdendo ou
foldaremos com a melhor mão. Mas nosso oponente raramente estará confuso em relação a
se ele está blefando ou value betando contra nossa mão específica, e isso permite que ele
jogue efetivamente contra nós.

Podemos criar um modelo desta situação usando a mesma fórmula que utilizamos para
estimar nossa proporção entre value bet e blefe no flop. Enquanto que antes presumimos que
os value bets e blefes do jogador que beta tinham 80 e 20% de equidade, respectivamente,
aquelas estimativas não são precisas para esta situação. 7-7 possuem significativamente
menos que 20% de equidade quanto está perdendo, e menos que 80% de equidade quando
está ganhando.

Quando nosso oponente possui duas overcards, como Kh-Qd, seu blefe terá cerca de 28% de
equidade. Da mesma forma, quando ele beta um par de 10 ou melhor, ele geralmente possuirá
cerca de 88% de equidade. Embora ele tenha poucas mãos muito fracas e muito fortes em seu
range no flop, a maioria das mãos em seu range de bet terão cerca de 28 ou 88% de equidade.
Utilizando as mesmas suposições da Parte 5, “Betar ou Dar Check em Posição”, que
mencionavam que 34,3% dos nossos flop bets devem ser capazes de value betar o turn e o
river, podemos estimar qual fração dos bets do nosso oponente no flop precisam ser value
bets.

(0,88)(X) + (0,28)(1 – X) = 0,343 =>

(0,6)(X) = 0,063

X = 0,105

O modelo sugere que, como os value bets e blefes do nosso oponente possuem tanta
equidade, ele precisa que apenas 10,5% de seus bets no flop sejam value bets! (E mesmo se
ele nunca der check seus value bets facilmente superarão essa porcentagem.) Enquanto
nossas suposições anteriores não são perfeitas, especialmente considerando que nosso
oponente nem sempre betará a mão vencedora no turn e no river, ele sempre possui a
vantagem da posição, que não conseguimos incluir no cálculo (mas que é significativa nesta
textura de flop).

Este modelo demonstra porque dar check-call com um pocket pair vulnerável no flop é
frequentemente uma jogada fraca, apesar da mão possuir tanta equidade. Isto é, um pocket
pair quase nunca melhorará o suficiente para vencer mãos no range de value bet do vilão, mas
frequentemente perderá para seus blefes. Além disso, como existem múltiplas streets
restantes para agir, nosso oponente terá diversas oportunidades de fortalecer seu range,
desistindo de alguns de seus blefes enquanto continua value betando todas as suas mãos
fortes. Lembre-se, só porque uma mão possui muita equidade não significa que ela possui um
valor esperado alto, e devemos ser capazes de foldar mãos com alta equidade no flop quando
a situação requerir.

Jogadores fracos geralmente ficam confusos com este conceito, e não conseguem
compreender como é possível que precisem foldar uma mão com mais de 50% de equidade
enquanto possuem tão bons odds. Mas consistentemente dar call com mãos fracas no flop é
um leak especialmente problemático pois estas mãos continuam a ser mãos difíceis de se jogar
no turn e no river. Em outras palavras, dar check-call com mãos fracas no flop é um grande
exemplo de um spot onde um pequeno erro se acumula com erros mais caros no turn e no
river.

6.11 SAINDO DE LEAD DAS BLINDS

Como o range de flat call pré-flop do big blind é condensando e posição é valiosa,
frequentemente teremos que dar check com nosso range inteiro no flop. Isto é verdadeiro
mesmo se nosso range possuir mais equidade que o de nosso oponente.

Aqui está um exemplo. Nosso oponente dá raise no button e damos call no big blind utilizando
os ranges pré-flop da Parte 2, “Jogo Pré-Flop”. Se o flop vier Kh-8c-3s, nosso range terá 53,9%
contra um jogador típico. Entretanto, apesar do nosso range ter mais equidade e a posição não
ser particularmente valiosa nesta textura de board, provavelmente ainda vamos querer dar
check com todo o nosso range.

A razão porque sair de lead não é eficaz aqui é que possuímos poucas mãos em nosso range
mais fortes que K-J, e assim, a maioria do nosso range é incapaz de betar mais de duas streets
por valor de forma eficaz. Além disso, dar check-call não é arriscado já que a mão do nosso
oponente provavelmente não se tornará melhor que a nossa quando tivermos uma mão como
Kd-7d.

Em outras palavras, só porque nosso range possui mais equidade que o range de nosso
oponente, isso não implica que devemos ter um range de lead no flop. Isto é, devemos prestar
atenção a quanto nossa equidade é distruibuída entre as mãos do nosso range, e a menos que
algumas delas sejam muito fortes, o lead não será eficaz. Mais especificamente, se nossos
value bets no flop forem fracos demais, nosso oponente será capaz de frequentemente dar
raise e transformar nossas mãos de valor em bluff catchers. Além disso, mesmo que ele
defenda dando flat call contra nossos bets fracos no flop, é improvável que ganhemos no
showdown. Isso porque ele não precisará dar call em todas as streets, pois ele pode defender
agressivamente dando raise.
Em geral, sair de lead das blinds geralmente será eficiente em texturas de board onde
possuímos combinações de dois pares offsuit e nosso range possui mais equidade. Isso porque
a possibilidade de mãos de dois pares adiciona uma quantidade significativa de equidade ao
nosso range, e são fortes o suficiente para betar o flop com a intenção de betar as três streets
por valor. Além disso, se dermos check com nosso range inteiro nestas texturas de board,
nosso range de check provavelmente será forte demais e nosso oponente pode nos explorar
betando raramente no flop.

Aqui está um exemplo. Damos flat call no small blind contra um raise do cutoff e o flop vem Ks-
Qs-8d. Nosso range possui agora 59,6% de equidade, mas além de possuir mais equidade,
agora possuímos 9 combinações de dois pares, já que daríamos call pré-flop com K-Q offsuit.
Além do mais, se o vilão der raise em nosso lead, podemos 3-betar algumas das nossas mãos
mais fortes, assim como alguns draws e blefes, para que não tenhamos que defender sempre
dando call. Por último, se nunca sairmos de lead, um oponente habilidoso relutará em betar o
flop, por saber que existem muitas mãos em nosso range fortes o suficiente para dar check-
raise por valor.

6.12 ENTENDENDO OS PRINCIPAIS PARÂMETROS DO JOGO NO FLOP

Já cobrimos muito terreno por aqui, então seria sábio rapidamente revisar os principais
parâmetros, ou princípios básicos, anteriormente discutidos para o jogo no flop. Embora isso
seja uma revisão, ver as fórmulas mais importantes em uma mesma seção pode ajudar em
visualizar exatamente o que nossos modelos estão sugerindo.

Parâmetro nº 1: Frequência Mínima Requerida de Defesa

Fórmula Exemplo:

Frequência mínima de defesa = tamanho do pote / (tamanho do bet + tamanho do pote)

Aplicação: Esta fórmula deve ser utilizada sempre que queiramos evitar que nosso oponente
seja capaz de lucrativamente betar ou dar raise com quaisquer duas cartas. Se, entretanto, ele
já assumiu o risco para talvez conseguir uma oportunidade de blefar, permitir que ele
lucrativamente bete quaisquer duas cartas geralmente não será um problema.

Por exemplo, se betarmos o flop e nosso oponente der call em posição, então esta fórmula
não deverá ser aplicada depois de darmos check no turn. Nosso oponente arriscou dinheiro no
flop e nem sempre terá a oportunidade de fazer um blefe lucrativo.

Mas nosso oponente nunca deverá ser capaz de lucrativamente blefar com quaisquer duas
cartas quando enfrentando um bet ou raise, já que ele se puder ele nunca foldará. Assim, esta
fórmula sempre deverá ser aplicada quando betando ou dando raise.

Parâmetro nº 2: Range Requerido para ir All-In Quando Enfrentando um Bet em todas as


Três Streets

Fórmula Exemplo:

(frequência de call no flop)(frequência de call no turn)(frequência de call no river) =

0,187 = (0,57)(0,57)(0,57)

Aplicação: Esta fórmula determina quão forte será o range de call no river do nosso oponente
se ele enfrentar um bet em todas as três streets, e der calls o suficiente para evitar que
sejamos capazes de blefar lucrativamente com quaisquer duas cartas. Um fórmula quase
idêntica pode ser utilizada também quando enfrentando um raise no flop, um bet no turn e
um bet no river.

Embora mãos que não sejam fortes o suficiente para value betar todas as três streets ainda
possam ser value betadas no flop, e não nas outras streets, isso geralmente só é justificado se
betar betar fizer mãos de alta equidade foldar. Além disso, é especialmente difícil betar apenas
uma street por valor no flop ou betar apenas duas streets por valor quando fora de posição já
que ambas as linhas dão ao vilão a oportunidade de betar o river contra um range fraco.

Parâmetro nº 3: A Proporção entre Value Bet e Blefe

Fórmula Exemplo: Se possuirmos um range perfeitamente polarizado no flop e pudermos


betar apenas 75% do pote em cada street, devemos betar o turn 70% do tempo após betar o
flop, o river 70% do tempo após betar o turn, e 70% de nossos bets no river devem ser value
bets. Destas frequências, podemos calcular qual a porcentagem de nossos bets no flop devem
ser value bets.

(frequência de bet no turn)(frequência de bet no river)(porcentagem dos river bets que são
value bets)

(0,70)(0,70)(0,70) = 0,343

Além disso, podemos estimar qual porcentagem dos nossos bets no flop devem ser value bets
se nossos value bets e blefes possuírem 80 e 20% de equidade, respectivamente. Dadas as
suposições discutidas anteriormente na Parte 5, “Betar ou Dar Check em Posição”, apenas
23,9% dos nossos bets no flop precisam ser value bets.

(0,8)(X) + (0,2)(1 – X) = 0,343 =>

X = 0,239

Aplicação: Estas fórmulas podem ser usadas para determinar nossa proporção entre blefe e
value bet, baseadas no tamanho do nosso bet, o número de streets restantes, e a equidade de
nossos blefes e value bets. Além disso, existem outros fatores importantes, como o valor da
posição, a habilidade de cada jogador de realizar sua equidade, e quão provável é que a
melhor mão será betada em todas as três streets, fatores que devem ser mantidos na mente
mesmo que nosso modelo não possa diretamente levá-los em conta.

Parâmetro nº 4: Frequências Requeridas de Bet e Check-Call Fora de Posição

Fórmula Exemplo: A fórmula seguinte pode ser usada para determinar o valor esperado
mínimo das mãos mais fracas do nosso oponente no flop.

Valor Esperado mínimo da mão do oponente =

(frequência de check no flop) [(tamanho do pote)(frequência de fold) – (tamanho do


bet)(frequência de defesa)]

Por exemplo, suponha que o pote possui 8 big blinds e sempre que um jogador betar, ele
betará 6 BBs. Se dermos check no flop 60% do tempo e defender 45% dos nossos checks, o
valor esperado mínimo da mão mais fraca do oponente será 1,02 BBs.

1,02 = (0,6) [(8)(1 – 0,45) – (6)(0,45)]


Aplicação: Esta fórmula ilustra como devemos usar uma combinação de bet, check-call e
check-raise para manter o valor esperado das mãos air do nosso oponente razoavelmente
baixo no flop. Se o valor esperado for alto demais, ele será capaz de lucrativamente dar call
pré-flop com mãos que, de outra forma, deveriam ser foldadas;

Este é provavelmente o parâmetro mais difícil e delicado de se aplicar, já que balancear


múltiplos ranges fora de posição no flop é difícil. Além do mais, em texturas de board onde
nosso range é fraco, devemos enfatizar o check-call e check-raise com nossas mãos fortes.
Entretanto, se nosso range for forte, o bet deve ser enfatizado.

6.13 EXEMPLO DE COMO BALANCEAR UM RANGE FORA DE POSIÇÃO NO FLOP

Aqui está um exemplo de como jogar um range de raise de MP – AA-22, AKo-ATo, KQo, AKs-
A7s, A5s, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s – contra um
call no button no flop Ks-9d-7s. Como já vimos anteriormente como o button deve se defender
contra um c-bet na Parte 4, “Enfrentando um Bet no Flop em Posição”, isso nos dá um ótimo
ponto de início para determinar como jogar nosso range quando fora de posição.

Total de Combos no Flop: 209

Value Bet: AA (6), AK (12), 97s (2), TT (6) = 26

Bet com Draw: As-Js, As-Ts, As-8s, As-5s, Qs-Js, Qs-Ts, 8s-6s, 6s-5s, 5s-4s, JTs (3), T8s (3), 86s
(3) = 18

Bet por Blefe: AsQx (3), AxQs (3), Ad-Qd, As-Jx (3), Ax-Js (3), Ad-Jd, As-Tx (3), Ad-Td, QJs (3),
QTs (3), 65s (3), 98s (2), Ad-8d, 88 (6), A7s (3) = 39

Total de Combos Betados: 83

Frequência de Bet: 39,7%

Total de Combos com que damos Check: 126

Frequência de Check: 60,3%

Check-Call: KK (3), As-Qs, Js-9s, Ts-9s, 9s-8s, A9s (3), KQ (12), KJs (3), KTs (3), QQ-JJ (12) = 40

Check-Raise por Valor: 77 (3), 99 (3), Js-Ts, Ts-8s = 8

Total de Checks Defendidos: 61

Porcentagem de Checks Defendidos: 48,4%

Valor Esperado de uma Mão Air do Ooponente:

(0,603) [(8)(1 – 0,484) – (6)(0,484)] = 0,74


Análise: Apesar de dar check-raise agressivamente com muitas trincas, straight flush draws e
blefes, ainda estamos defendendo apenas 48,4% dos nossos checks. Por causa disto, o valor
esperado das mãos mais fracas do nosso oponente no flop é de pelo menos 0,74 BBs. Se este
valor parece lucrativo demais, A-A assim como alguns blefes adicionais podem ser jogados de
check-raise ao invés de bet. Isso diminui o valor esperado das mãos mais fracas do vilão, já que
seus blefes falharão mais frequentemente.

Além disso, perceba que existem 3 blefes em nosso range de bet para cada 2 value bets. Isto
parece razoável, especialmente já que 10-10 foram contados como value bets, apesar do fato
de que eles claramente não podem ser betados por valor em todas as três streets. Além disso,
posição é razoavelmente valiosa nesta textura de flop, então embora blefar um pouco mais
agressivamente possa ser possível, é improvável que possamos blefar muito mais
frequentemente que estamos blefando atualmente e ainda permanecer razoavelmente
balanceados.

Por último, agora deve ser claro que os ranges são complexos e dinâmicos o suficiente no flop
para que as mãos não possam ser sempre facilmente classificadas em value bets, blefes ou
draws. Isto porque ainda existem duas cartas adicionais para vir, e mãos são frequentemente
betadas no flop por múltiplas razões – para fazer mãos de alta equidade foldar e para extrair
valor de mãos piores. Mesmo assim, ainda é importante ter alguma ideia sobre qual proporção
entre value bets e blefes está sendo utilizada no flop.

6.14 RESUMO

Jogar bem fora de posição no flop é difícil, mas no fim das contas isso é uma coisa boa.
Situações difíceis no flop ocorrem constantemente, e colocando o trabalho necessário para
realmente entender o jogo no flop, podemos ganhar um edge significativo sobre nossos
oponentes.

É especialmente complicado jogar fora de posição pois betar o flop com a intenção de betar
apenas uma ou duas streets por valor geralmente é ineficaz. Isto é, se dermos check no river
após betar flop e turn, nosso oponente tem a oportunidade de betar e converter muitas de
nossas mãos em bluff catchers.

Também discutimos o porquê de não permitirmos que nosso oponente seja capaz de fazer
blefes lucrativos com quaisquer duas cartas sem ter anteriormente assumido um risco. Embora
permitir que ele frequentemente faça um bet ligeiramente lucrativo no flop em posição
provavelmente não seja um problema, ainda devemos dar check-call e check-raise
agressivamente em certas texturas de board. Mais especificamente, dar check-raise e check-
call são significativamente mais eficientes em abaixar a expectativas das mãos fracas do
oponente no flop que betar.

Por último, texturas de board onde dar check-call é difícil geralmente favorecerão o jogador
em posição, e é importante dar check-raise agressivamente nestes boards. Além disso, é
improvável que o oponente dê check behind no flop, mas ele frequentemente planejará dar
check no turn e/ou river após betar no flop. Além disso, check-raises grandes são mais
eficientes se vários turns melhorem grandemente muitas mãos no range do vilão.

Aqui estão alguns pontos específicos que discutimos nesta seção do livro:

1. O poker ótimo só se importa com o estado atual do jogo. A ação prévia só é necessária
para definir ranges para as mãos envolvidas.
2. É aceitável que nosso oponente faça blefes lucrativos com as piores mãos em seu
range desde que ele anteriormente tenha assumido um risco, e desde que não seja
garantido que ele sempre terá uma oportunidade lucrativa de blefar.
3. Dar check-raise pune nosso oponente por betar o flop com uma mão fraca ou
marginal, mas aumenta muito o tamanho do pote, assim como a força do range do
nosso oponente.
4. Fazer nosso oponente foldar mãos que possuam de 20 a 25% de equidade contra
nossa mão no flop é significativo. Se betar fizer ele foldar muitas mãos de alta
equidade, então betar o flop com a intenção de betar apenas uma ou duas streets por
valor pode ser a melhor linha (mesmo quando fora de posição).
5. Nosso oponente provavelmente betará frequentemente no flop quando betar com
quaisquer duas cartas for altamente lucrativo. Isso nos encoraja a enfatizar o check-
call e o check-raise com nossas mãos mais fortes. Se seus bets no flop não forem muito
lucrativos, ele provavelmente betará em uma frequência mais baixa, e quando isto
acontecer, isso nos encoraja a betar nossas mãos mais fortes por valor.
6. Em algumas texturas de flop é difícil de dar check-raise pois muitos turns tornarão
difícil continuar betando por valor ou colocarão muitas mãos mais fortes no range do
nosso oponente. Isto requer que usemos um tamanho maior de check-raise.
7. Descobrir quais mãos funcionam melhor como check-raises, check-calls e bets
geralmente é difícil, e requer muita prática tanto nas mesas quanto fora delas.
Entender o quanto cada linha afeta o range do nosso oponente é o primeiro passo
para desenvolver estas habilidades.
7. POTES 3-BETADOS NO FLOP

7.1 INTRODUÇÃO

Quase todos os jogadores em algum ponto de sua carreira no poker pensam que um dos
aspectos mais fracos de seu jogo é potes 3-betados. Primeiro, potes 3-betados ocorrem menos
frequentemente que potes onde houve apenas raise, assim os jogadores estão menos
acostumados a eles. Além disso, a maioria dos jogadores que não enfatizam o aprendizado da
teoria do poker usam uma abordagem de tentativa e erro para melhorar seu jogo, e por causa
disso, seu jogo sofre em spots que ocorrem com uma frequência menor. Mas isso não será um
problema para nós, já que praticamente todos os conceitos anteriormente discutidos também
serão aplicados em potes 3-betados.

Segundo, jogadores se lembram melhor de seus erros em potes 3-betados já que o pote é
maior e os erros são tão caros. Assim, é mais provável que eles tiltem. Entretanto, para a
maioria dos jogadores, é mais fácil aceitar a perda de um pote grande se eles sentem que
jogaram bem a mão e simplesmente não tiveram sorte. Assim, nosso foco será no aspecto
teórico de potes 3-betados, ao invés do controle do tilt, pois uma vantagem de se jogar bem é
que estamos menos propícios a cometer um grande erro e depois tiltar.

Por último, potes 3-betados frequentemente são difíceis de se jogar porque o jogador que 3-
betou geralmente está fora de posição com um range polarizado enquanto o jogador que deu
call no 3-bet está em posição com um range condensado. Se nós 3-betamos, nosso range será
o mais fácil de se jogar pois mãos muito fortes e muito fracas tipicamente são mais fáceis de se
jogar que mãos de força marginal. Mas jogar fora de posição geralmente será difícil mesmo
que nosso range seja polarizado. Da mesma forma, embora geralmente tenhamos a vantagem
da posição se damos call no 3-bet, nosso range incluirá muitas mãos de força média, e
geralmente é difícil dizer se dar call ou foldar com estas mãos quando enfrentando bets
múltiplos é a melhor estratégia.

Apesar disso, é importante não abordar potes 3-betados com qualquer tipo de medo. Embora
mais dinheiro que o comum esteja em jogo, isso não deve ser usado como justificativa para
jogar mal. O poker ótimo é agressivo, e requer que frequentemente façamos um blefe grande
ou dar call até o river com um bluff catcher em um pote 3-betado. Simplesmente devemos
aceitar o fato que existe muito dinheiro em jogo e temos que estar dispostos a jogar potes
grandes com mãos longe de serem o nuts.

7.2 TAMANHOS DE BET APÓS 3-BETAR

Se 3-betarmos para 12 BBs pré-flop e o raiser original der call, o pote, no flop, será de cerca de
25 BBs. Se nosso range for perfeitamente polarizado, a equação para o tamanho ótimo do bet
mostra que devemos betar o suficiente para que o pote dobre em cada street.

(tamanho inicial do pote)(taxa de crescimento do pote)elevado a (streets restantes) = tamanho


final do pote

25R³ = 200 =>

R = 2,00

Onde

25 é o tamanho inicial do pote


200 é o tamanho final do pote, e

R é a taxa de crescimento do pote.

Portanto, se o pote crescer para 2,00 vezes seu tamanho em cada street, devemos betar 0,5
do pote no flop, turn e river, para ir all-in no river.

(2,00)(TIP) = TIP + (2)(tamanho do bet) =>

TIP = (2)(tamanho do bet) =>

Tamanho do bet = (0,5)(TIP)

Onde

TIP = Tamanho Inicial do Pote.

Se o pote, no flop, for maior que 25 BBs, o que frequentemente será o caso em potes onde
houve squeeze, então betar um pouco menos que 0,5 do pote em cada street será o suficiente
para ir all-in no river. Da mesma forma, o pote geralmente será menor que 25 BBs quando o
button der raise e 3-betamos das blinds. Quando isso ocorre, nossos bets precisam ser
ligeiramente maiores em cada street para irmos all-in no river. No entanto, enquanto é
importante fazer pequenos ajustes no tamanho do bet, baseados no tamanho do pote no flop,
betar cerca de metade do pote geralmente nos levará próximo a ir all-in no river.

Portanto, podemos mais uma vez trabalhar ao contrário para descobrir qual fração dos nossos
bets no flop precisam ser value bets se betarmos o flop com um range perfeitamente
polarizado. Então se betarmos 0,5 do pote no river, nosso oponente arriscará 0,5 pote para
ganhar 1,5 pote. Isso requer que 75% dos nossos bets no river sejam value bets para manter
nosso oponente indiferente a dar call com seus bluff catchers.

(1,5)(1 – X) – (0,5)(X) = 0 =>

X = 0,75

Como explicado anteriormente, quando betamos o river com um range balanceado, nosso
oponente efetivamente perdeu, mas se dermos check, como nosso range é perfeitamente
polarizado, ele sempre vencerá. Assim, se betarmos 0,5 do pote no turn, nosso oponente mais
uma vez arrisca 0,5 do pote para vencer 1,5 pote, e assim o river deve ser betado com um
range balanceado 75% do tempo após betar o turn. Da mesma forma, se betarmos 0,5 pote no
flop, o turn deve ser betado com um range balanceado 75% do tempo. Assim, devemos betar
o turn 75% do tempo após betar o flop, o river 75% do tempo após betar o turn, e 75% dos
nossos bets no river precisam ser value bets. O resultado é que 42,2% dos nossos bets no flop
precisam ser value bets.

0,422 = (0,75) (0,75) (0,75)

Onde

o primeiro 0,75 é a frequência de bet no turn

o segundo 0,75 é a frequência de bet no river, e

o terceiro 0,75 é a porcentagem de bets no river que são value bets.


Além disso, se continuarmos utilizando suposições dos capítulos anteriores e assumirmos que
nossos value ebts possuem 85% de equidade e nossos blefes 15% de equidade,
aproximadamente 38,9% dos nossos bets no flop devem ser value bets. A razão pela qual
nossos value bets e blefes possuem 85 e 15% de equidade, respectivamente, ao invés de 80 e
20 respectivamente, como utilizando em capítulos anteriores do livro, é porque nosso range
de 3-bet é bastante polarizado, o que torna difícil para mãos mais fortes serem vencidas por
mãos mais fracas.

(0,85)(X) + (0,15)(1 – X) = 0,422 =>

X = 0,389

Não deve ser surpreendente que em potes 3-betados uma maior fração do nosso range de bet
no flop precisa consistir de mãos de valor quando comparados com potes onde houve apenas
o raise. Isso porque nossos bets são menores em potes 3-betados em comparação ao tamanho
do pote, e assim nosso oponente possui odds melhores para dar call em cada street. E por esta
razão, chegamos à nossa próxima regra geral:

Nosso range de bet no flop em potes 3-betados incluem cerca de 3 blefes para cada 2 value
bets muito fortes.

Embora seja, a princípio, balancear um range de bet no flop em um pote 3-betado – pois mais
dos nossos bets precisam ser value bets –, isso pode ser levado em conta quando construindo
ranges de 3-bet. Mais especificamente, quando 3-betando nossos overpares e A-K pré-flop,
garantimos que tenhamos várias mãos fortes o suficiente para value betar em praticamente
qualquer textura de board. Além do mais, frequentemente não devemos betar nosso range
inteiro no flop. Muitas mãos 3-betadas por blefe com uma carta alta, como Ah-5h e Kd-9d,
podem flopar top pairs fracos, que servem como excelentes mãos para dar check-call.

7.3 DEFENDENDO CONTRA BETS NO FLOP EM POTES 3-BETADOS DANDO CALL

Quando enfrentamos um bet de meio-pote após fletar o 3-bet, precisaremos defender pelo
menos 66,7% do tempo em cada street para evitar que o vilão gere um lucro imediato com
seus blefes. Se quisermos fazer isto, devemos dar call até o river com 29,7% do nosso range do
flop, quando enfrentando um bet em todas as três streets.

0,297 = (0,667) (0,667) (0,667)

Onde

o primeiro 0,667 é a frequência de call no flop,

o segundo 0,667 é a frequência de call no turn,

o terceiro 0,667 é a frequência de call no river.

O nosso oponente ser capaz ou não de lucrativamente betar quaisquer duas cartas no flop vai
depender do range de cada jogador e da textura do flop. Lembre-se, quando analisando o jogo
pré-flop, nós vimos que o jogador que 3-beta fora de posição paga em média de 6 a 7 BBs para
ver um flop com seus blefes, e como nosso oponente arriscou dinheiro pré-flop, não é
necessariamente um problema se ele frequentemente conseguir a oportunidade de fazer um
blefe ligeiramente lucrativo pós-flop. Por exemplo, o bet de nosso oponente com quaisquer
duas cartas pode ter um valor esperado mínimo de 2 BBs em um determinado flop. Mas se ele
arriscou em média 8 BBs para conseguir esta oportunidade, então nada sugere que estamos
sendo explorados.

Embora o que foi mencionado acima não possa ser provado diretamente, isso provavelmente
é o resultado do jogo pré-flop ótimo. O jogador que dá flat call no 3-bet não pode defender o
suficiente em muitas texturas de flop para evitar que o jogador que 3-betou lucrativamente
bete quaisquer duas cartas, mas o jogador que 3-betou arriscou tanto dinheiro pré-flop que
isso não é um problema. Além disso, se um jogador 3-beta uma mão que é muito fraca pré-
flop, ele muito provavelmente não flopará bem, e sua expectativa para a mão será negativa.

Em geral, nosso range de call no 3-bet vai bastante bem em boards que são J-high ou mais
altos. Isso porque nosso range geralmente inclui muitas mãos que possuem cartas altas, como
A-Q, A-J e K-Q. Flops que são K-high são um pouco mais complicados quando A-K não está em
nosso range, mais ainda geralmente teremos uma boa quantidade de top pairs, mesmo que
nosso kicker não seja fantástico. Além disso, nosso oponente provavelmente não deve ser
capaz de lucrativamente betar quaisquer duas cartas em muitas texturas altas de board, já que
nosso range é tão forte e temos posição.

Entretanto, geralmente é difícil defender em texturas baixas de board. Aqui está um exemplo.
Damos raise no button e damos call no 3-bet do big blind para ver um flop 7s-4s-3h.

Este é um ótimo flop para o range de 3-bet do vilão. Ele deve produzir 57,3% de equidade para
um jogador típico. Isso porque o range dele inclui muito mais overpairs fortes que o nosso, e
eles raramente se tornarão a segunda melhor mão, e podem quase sempre continuar a value
bet o turn e o river.

Além disso, este flop se conecta fortemente com o range de 3-bet por blefe do vilão. Suited
connectors baixos e gappers (mãos conectadas com um intervalo entre elas, como 9-7 ou 8-6)
são excelentes 3-bets por blefe, e praticamente todas estas mãos floparam um par, um draw
ou ambos. Além do mais, mãos com overcards como A-K e A-Q podem blefar no flop e
geralmente se tornarão a melhor mão se fizerem top pair no turn. Como resultado, quase todo
blefe no range de blefe no flop do vilão terá uma equidade considerável (muito mais que 15%)
e assim nosso oponente é capaz de blefar agressivamente.

Note também que isto pode ser o contrário do que você leu em outro lugar, e pode até mesmo
parecer contraintuitivo. Novos jogadores geralmente associam flops com uma carta alta
melhores para o range de 3-bet, já que este range geralmente possui muitas mão top pair top
kicker. E embora isso seja verdade, mãos como K-K, Q-Q e J-J são mãos fracas quando o board
possui uma carta mais alta, enquanto são mãos de forte valor quando o board vem com todas
as cartas menores. Além disso, como mencionado anteriormente, boards baixos acertam mãos
no range de 3-bet por blefe. Mas mãos qua funcionam bem como 3-bets por blefe e que
melhoram em texturas baixas de board, como 8s-6s e 5h-4h, são geralmente fracas demais
para dar call em um 3-bet. O resultado é que texturas baixas de board tendem a fortemente
favorecer o jogador que 3-betou.

7.4 DEFENDENDO CONTRA BETS NO FLOP EM POTES 3-BETADOS DANDO RAISE

Dar raise também é uma opção em potes 3-betados. Se darmos call no bet de 12,5 BBs de
nosso oponente em um pote de 25 BBs, o pote terá 50 BBs. Como explicado anteriormente,
podemos calcular o quanto o pote precisa crescer em cada street para que ambos os jogadores
estejam em all-in no river, presumindo que damos raise ou betamos uma fração igual do pote
em cada street.

50R³ = 200 =>

R = 1,59

Onde

50 é o tamanho inicial do pote,

200 é o tamanho final do pote, e

R é a taxa de crescimento.

Assim, em nossa estimativa, o pote aumentaria para 1,59 vezes seu tamanho a cada street
que passar. A mesma metodologia demonstrada anteriormente nesta seção pode ser usada
para mostrar que devemos dar raise ou betar aproximadamente 0,30 do pote em cada street
para irmos all-in no river. Isso requer que demos raise no flop para 27,3 BBs, betemos 23,4 BBs
no turn, e betemos 36,8 BBs no river.

Entretanto, estes tamanhos de bet não são importantes de se lembrar, e raramente serão
utilizados. A razão para isto é que será difícil, se não impossível, betar o turn após dar raise no
flop e então foldar para um check-raise all-in. Mais especificamente, assim que betarmos o
turn, teremos apenas 36,8 BBs restantes. Assim, quase sempre teremos odds para dar no
check-raise all-in do nosso oponente. Na verdade, se nosso oponente der check-raise all-in no
turn, precisaremos de apenas 18,4% de equidade para que nosso call seja lucrativo.

(163,2)(X) – (36,8)(1 – X) = 0 =>

X = 0,184

Onde

36,8 é o preço do call,

163,2 é o tamanho do pote, e

X é a equidade requerida para que o call seja lucrativo.

Além do mais, existem algumas poucas situações onde estaremos blefando o turn em um pote
3-betado com uma mão que possui menos que 18,4% de equidade contra o check-raise all-in
do nosso oponente. Isto é verdadeiro pois nosso oponente frequentemente terá alguns draws
em seu range de check-raise, especialmente se ele sabe que às vezes foldaremos e deixaremos
ele levar um pote gigantesco sem showdown. Além disso, se nunca ou quase nunca foldamos
para seus check-raises no turn, nós irmos all-in no turn será superior, já que isso tira a opção
do vilão de apenas dar call em nosso bet. Por estas razões, fazer um pequeno bet no turn em
um pote 3-betado após dar raise no flop é ineficaz.

Outra opção é dar raise no flop com a intenção de utilizar apenas o flop e o turn para que
ambos vão all-in. Isso significa que existem efetivamente duas streets restantes para agir, e
mais uma vez a fórmula do tamanho do bet pode ser usada para estimar qual deve ser o
tamanho do nosso bet e do nosso raise.

50R² = 200 =>


R = 2,00

Como já vimos anteriormente, se o pote deve dobrar a cada street, devemos fazer um raise de
0,5 pote no flop e um bet de 0,5 pote no turn. Isso requer que demos raise para 37,5 BBs no
flop e betemos 50 BBs no turn.

Entretanto, existem muitos problemas em dar raise para 37,5 BBs. Especificamente, o
tamanho do nosso raise no flop agora é tão grande que nosso oponente ficará tentado a
simplesmente ir all-in e destruir nossa vantagem de posição. Além disso, quando seu shove no
flop for bem-sucedido, ele ganhará um grande pote, e mesmo quando ele não ganhar, ele
garante a realização da equidade de sua mão, já que ele está all-in. Por último, após dar raise
para 37,5 BBs, precisaremos de apenas 25% de equidade para dar no shove do nosso
oponente no flop, o que torna estranho dar raise e foldar mesmo com uma broca com uma
overcard.

É melhor pegar um tamanho de raise no flop que seja pequeno o suficiente para que nosso
oponente não possa facilmente ir all-in e destruir nossa vantagem de posição. Mesmo que não
precisemos dar raise em potes 3-betados para ir all-in até o river, raramente faz sentido dar
raise a não ser que tenhamos uma mão forte mas vulnerável. Isso geralmente acontecerá
somente em flops molhados, mas muitos jogadores geralmente têm medo de dar pequenos
raises nestas texturas de board pois eles temem dar ao seu oponente odds para dar call com
um draw. Entretanto, permitir que nosso oponente dê calls lucrativos com seus draws não é
necessariamente um problema.

Aqui está um exemplo. Damos raise no cutoff e damos call no 3-bet do small blind. Se o flop
vier Qs-8s-5d, nosso oponente provavelmente terá muitas brocas em seu range. Se ele c-betar
12,5 BBs em um pote de 25 BBs, e dermos raise para apenas 25 BBs (o mínimo), ele pode ser
capaz de lucrativamente dar call com algumas ou todas suas brocas. Portanto, alguns
jogadores frequentemente pensam que isso significa que o tamanho do nosso raise deve ser
ruim, já que não fizemos nosso oponente foldar muitas mãos de alta equidade que possam se
tornar a melhor mão no turn.

Seguindo em frente, vamos simplificar as coisas um pouco e presumir que, se dermos call no
bet no flop do nosso oponente quando ele tem uma broca, então seu valor esperado é de 9
BBs. Isso parece razoável, já que ele fará um straight no turn 8,5% do tempo, o pote já está
grande, e existem implied odds. Mas se damos raise para o mínimo no flop, mesmo que ele
possa lucrativamente dar call com uma broca, os odds são apenas os suficientes para que ele
dê call. Em outras palavras, não seria surpreendente se dar call em um raise com uma broca
nesta situação tiver um valor esperado tão baixo quanto apenas 1 BB.

Então neste exemplo, apesar do fato de que nosso oponente pode lucrativamente dar call em
nosso raise com todas as suas brocas, quando damos raise ao invés de call, diminuímos
grandemente sua expectativa. Aliás, este sentimento de possuir odds apenas suficientes para
dar call e odiando isso deve ser familiar mesmo para jogadores novatos. Enquanto por várias
vezes o tamanho do nosso bet ou raise será pensado para tornar o valor esperado de muitas
mãos do nosso oponente zero, como seria o caso quando betamos no river ou betamos com
um range perfeitamente polarizado, às vezes o melhor que podemos fazer é simplesmente
dimimnuir o valor esperado de muitas das mãos do nosso oponente. E em potes 3-betados,
provavelmente é melhor dar um raise pequeno e permitir ao oponente que lucrativamente dê
call com alguns de seus draws, e forçá-lo a jogar o turn fora de posição. Isto resulta no range
do vilão sendo fraco no turn, e permite que muitos dos nossos blefes no turn sejam altamente
lucrativos.

Assim, fazer raises pequenos para cerca de 25 a 28 BBs no flop é o ideal. Isto ainda força nosso
oponente a defender agressivamente contra nossos raises no flop, já que ele deve defender
significativamente mais que metade de seu range, assim como o força a constantemente jogar
o turn fora de posição. Além do mais, quando ele dá call, temos a opção de confortavelmente
ir all-in no turn para cerca de 75% do pote. E por fim, mesmo que ele possa dar call no flop
com muitos de seus draws, a expectativa desses draws será significativamente menor quando
damos raise e o forçamos a ir all-in ou dar call, que se nós simplesmente déssemos call.

7.5 ENFRENTANDO UM CHECK NO FLOP EM POSIÇÃO APÓS DAR CALL NO 3-BET

Quando damos call em um 3-bet em posição, é razoável esperar que nosso oponente
frequentemente bete o flop, já que o range de 3-bet pré-flop é polarizado, enquanto o range
de call de 3-bet é condensado. Entretanto, nosso oponente às vezes dará check para nós em
um pote 3-betado, e quando ele fizer isso, jogaremos similarmente a como jogaríamos quando
enfrentando em um check em um pote onde houve apenas raise. Em outras palavras,
betaremos, a princípio, um range polarizado de value bets e blefes, e só betaremos mãos
marginalmente fortes se muitas mãos de alta equidade foldarem.

Embora seja vantajoso estar em posição, ainda iremos querer ter cerca de 3 blefes em nosso
range de bet para cada 2 value bets. Além disso, em texturas de board em que é difícil para
nosso oponente dar check-call, devemos considerar usar um tamanho menor de bet no flop.
Isso torna nosso blefe mais barato e faz com que o nosso oponente defenda um range mais
amplo dando check-call ou check-raise, assim como resulta no vilão ganhando menos dinheiro
quando seu check-raise for bem-sucedido.

Aqui está um exemplo. Damos raise em MP e damos call no 3-bet do big blind. Se o flop vier
10h-8h-5c, nosso oponente provavelmente terá dificuldade em dar check-call com mãos de
força marginal, já que elas frequentemente se tornarão a segunda melhor mão no turn. Isso o
encoraja a defender seus checks no flop dando check-raise mais agressivamente, e se
betarmos menor teremos menos dinheiro investido se nossa mão se transformar em um bluff
catcher. Portanto, bets pequenos são geralmente eficientes quando nosso oponente tiver
dificuldade em dar check-call, e isso é especialmente verdadeiro no flop em potes 3-betados.

Assim como em potes onde houve apenas um raise, é comum ser capaz de lucrativamente
betar quaisquer duas cartas no flop assim que nosso oponente der check. Mais
especificamente, ele terá que defender pelo menos 67% do tempo para fazer com que nossos
bets de metade do pote não sejam lucrativos, e isto não é algo que ele é geralmente capaz de
fazer. Entretanto, como discutido anteriormente, este não é um problema para ele pois já
arriscamos entre 8 e 9 BBs dando call pré-flop para talvez conseguir a chance blefar pós-flop.
Dar call em 3-bets com mãos fracas ainda será uma jogada perdedora a menos que nosso
oponente dê check-fold em uma alta frequência.

7.6 RESUMO

Potes 3-betados no flop não são muito diferentes de potes onde houve apenas raise, a não ser
pelo fato de que mais dinheiro está em jogo, e que não é necessário raise para que ambos vão
all-in no river. Embora perder um pote 3-betado custe caro, o poker ótimo requere que
joguemos agressivamente e que frequentemente coloquemos nosso stack em risco. Em outras
palavras, devemos defender agressivamente contra os bets no flop do nosso oponente e não
deixar que o medo de que ele possua uma mão extremamente forte nos impeça de jogar bem.

Como o pote já é grande no flop em potes 3-betados, bets geralmente serão menores em
relação ao pote quando comparados a potes onde houve apenas raise. Isso requer que uma
fração maior do range de bet no flop seja de value bets, já que nosso oponente possui bons
odds para dar call. Entretanto, isso geralmente não é um problema em potes 3-betados,
especialmente considerando que o jogador que 3-betou pré-flop geralmente terá muitas mãos
premium em seu range.

Raises devem ocorrer menos frequentemente no flop em potes 3-betados já que não é
necessário um raise para ir all-in no river. Entretanto, dar raise com uma mão forte porém
vulnerável geralmente é a jogada correta. O raise no flop geralmente deve ser para cerca de 25
a 28 BBs, e se o turn for betado é melhor ir all-in, já que bet-fold geralmente não será uma
opção.

Aqui estão alguns pontos finais.

1. Jogar em potes 3-betados é similar a jogar em potes onde houve apenas raise.
Geralmente queremos betar mãos fortes por valor, dar check com mãos de força
média e blefar mãos com pouco valor de showdown e alguma equidade.
2. Se houver call no 3-bet pré-flop, o jogador que 3-betou frequentemente estará fora de
posição com um range polarizado, e o jogador que deu call no 3-bet frequentemente
estará em posição com um range condensado. É esperado que o jogador que 3-betou
frequentemente bete no flop e que o jogador que deu call no 3-bet frequentemente
defenda dando call.
3. Como ambos os jogadores tiveram que assumir um risco para ver o flop, é razoável
que ambos sejam capazes de betar lucrativamente no flop com quaisquer duas cartas.
4. Geralmente iremos querer cerca de 3 blefes para cada 2 value bets no flop em potes 3-
betados.
5. . Dar raise é menos eficiente em potes 3-betados já que ele permite que nosso
oponente vá all-in com um range forte, e não precisamos dar raise para colocar todo o
dinheiro no pote no river.
6. Quando damos raise no flop por valor, geralmente será com uma mão forte mas
vulnerável, que pode acabar se tornando a segunda melhor mão contra mãos no range
de bet-fold do nosso oponente. Mãos que não temem dar free cards para este range
geralmente darão call com a intenção de frequentemente dar raise no turn.
7. Não é necessariamente um problema que nosso oponente possa dar calls lucrativos
com draws fracos no flop em algumas texturas de board.
8. Bets pequenos no flop são eficientes em posição em texturas de flop onde nosso
oponente terá dificuldade em dar check-call.
8. JOGANDO O TURN EM POSIÇÃO

8.1 INTRODUÇÃO

Antes de seguirmos adiante para o jogo no turn, você deve parar por um momento e se
parabenizar por já ter coberto metade da seção teórica deste livro, e pensar sobre tudo o que
já foi discutido. Embora tenhamos discutido apenas jogo pré-flop e jogo no flop, um jogo
sólido no flop não é possível sem ter conhecimento das frequências e proporções necessárias
para o jogo no turn. Da mesma forma, conceitos como equidade, tamanho de bet e quando
blefar quaisquer duas cartas deve ser lucrativo, se aplicarão no turn da mesma maneira como
foram aplicados no flop. Na verdade, mesmo que pouco esforço tenha sido feito para
especificamente tentar melhorar nosso jogo no turn, já devemos ter uma ideia do que fazer na
maioria dos spots simplesmente aplicando os conceitos anteriormente discutidos.

Em outras palavras, a maioria dos conceitos teóricos necessários para um excelente jogo no
turn já foram introduzidos. E enquanto alguma repetição deve ser útil, nosso foco primário
quando analisando esta street será de aprender novas frequências e proporções e focar nos
aspectos da estratégia do turn que diferem do que era necessário para o flop. Isto é
especialmente importante pois o pote nem sempre será do mesmo tamanho no turn, e é
comum que os ranges agora estejam mais bem definidos.

Por último, é importante notar que apesar do que muitas pessoas pensam, o turn não é uma
street especialmente problemática. Muitos jogadores geralmente pensam isso pois sua
estratégia é fraca no flop, e assim seu range de turn incluirá muitas mãos que são difíceis e
estranhas de se jogar. Assim, boa estratégia de flop deve assegurar que nosso range no turn
será razoavelmente balanceado na maioria dos turns, e isso torna tomar a linha correta mais
fácil de determinar e executar.

8.2 DANDO RAISE EM UM BET NO TURN APÓS DAR CALL NO FLOP

Começaremos nossa discussão do jogo no turn estimando a proporção correta entre raise por
blefe e raise por valor no turn quando enfrentando um bet. Entretanto, ao contrário de potes
no flop onde houve apenas raise e nenhum bet pós-flop ocorreu ainda, quando nosso
oponente beta o turn, o pote nem sempre será do mesmo tamanho. Além disso, é provável
que cada jogador possua um range diferente no turn, com o jogador que deu call no flop tendo
um range em sua maioria condensado, e o jogador que betou no flop tendo primariamente um
range polarizado. Todavia, quando de fato enfrentarmos um bet em posição no turn, nossa
proporção entre raise por valor e raise por blefe mudará, baseado em se nosso oponente está
betando 15 BBs em um pote de 20 BBs ou se ele está betando 6 BBs em um pote de 8 BBs.

Isto é, no turn, o pote terá cerca de 8 BBs se ambos os jogadores deram check e cerca de 20
BBs se houve bet e call no flop. E como foi demonstrado quando analisando o jogo no flop,
precisaremos dar call ou raise pelo menos 57,1% do tempo para evitar que os bets de 75% do
pote do nosso oponente gerem um lucro imediato.

No turn, nosso oponente provavelmente não deve ser capaz de lucrativamente betar
quaisquer duas cartas após darmos call em sua bet no flop. Isto é especialmente verdadeiro se
não defendermos o flop de uma forma não muito agressiva e se defendermos principalmente
dando call. Neste caso, o blefe do vilão no flop muitas vezes foi bem-sucedido, e mesmo
quando não for, ele geralmente terá a oportunidade de melhorar no turn e continuar
blefando. Em outras palavras, se foldarmos em uma frequência razoável para os bets do nosso
oponente no flop, ele efetivamente pagará muito pouco dinheiro, em média, para ver o turn, e
como ele consegue ver o turn tão barato, não podemos permiti que ele lucrativamente blefe
com quaisquer duas cartas ou ele nunca irá de check-fold no flop.

Já discutimos como defender contra os bets do oponente no turn se ele betar 15 BBs em um
pote de 20 BBs e queremos defender dando call, então agora vamos considerar o raise. Mais
uma vez, podemos começar analisando qual size precisaríamos utilizar se quisermos dar raise e
betar frações iguais do pote no turn e no river. Note que o tamanho inicial do pote é de 50
BBs, já que este é o tamanho que o pote teria se somente déssemos call no bet do nosso
oponente no turn.

50R² = 200 =>

R = 2,00

Isto é, o pote precisa crescer o suficiente para dobrar seu tamanho anterior a cada rodada
adicional de raise ou bet, e se o pote dobrar de 50 para 100 BBs no turn, precisamos dar raise
no bet do nosso oponente no turn de 15 para 40 BBs, e continuar com um shove de 50 BBs no
river.

Entretanto, o problema com dar raise para 40 BBs no bet do vilão no turn é que deixamos,
relativo ao tamanho do pote, pouco dinheiro para trás. Em particular, se nosso oponente for
all-in no turn após nosso raise, o pote será de 150 BBs e teremos apenas 50 BBs restantes. Isto
significa que teremos odds de 3-para-1 para dar call, e precisamos ter apenas 25% de equidade
para que nosso call seja lucrativo. Assim, se torna muito difícil para nós dar raise no turn e
foldar para o shove do vilão no turn, especialmente considerando que ele garante a realização
da equidade de seus blefes e vencerá um pote gigantesco se foldarmos.

Perceba que isto não é diferente do que ocorre em potes 3-betados quando damos raise no
flop e betamos o turn sem ir all-in. Isto é, simplesmente não é eficaz dar raise ou betar o turn
em posição e deixar tão pouco dinheiro para trás, já que nosso oponente poderá ir all-in e
destruir nossa vantagem de posição, e quase sempre teremos os odds corretos para dar call.

Assim, um raise pequeno no turn geralmente é mais eficiente que um raise grande, já que isto
força o oponente a defender um range mais amplo e o encoraja a dar call. Isto também
permite que frequentemente joguemos o river em posição. Entretanto, existirão situações em
que raises grandes são apropriados e não devemos entrar no hábito de pensar que apenas um
tamanho de raise funciona neste spot.

Então, vamos supor que damos raise no bet de 15 BBs do turn do oponente para 33 BBs, e
planejamos, se betarmos no river, ir all-in de 57,5 BBs. Este tamanho de bet torna mais difícil
para nosso oponente defender apenas indo all-in ou foldando contra nosso raise no turn,
assim como resulta no vilão ganhando menos dinheiro quando foldarmos.

Assim como antes, é mais fácil visualizar a situação trabalhando de trás para frente. Se dermos
raise no bet do oponente no turn para 33 BBs e ele der call, o pote terá 86 BBs no river. Se
então betarmos 57,5 BBs, 71,4% dos nossos bets no river deverão ser value bets para torná-lo
indiferente a dar call.

(143,5)(1 – X) – (57,5)(X) = 0 =>

X = 0,714
Onde

143,5 é o tamanho do pote,

57,5 é o tamanho do nosso bet, e

X é a porcentagem dos nossos bets no river que devem ser value bets

Mas, quando damos raise no turn para 33 BBs, nosso oponente arrisca apenas 18 BBs para dar
call e potencialmente ganhar um pote de 68 BBs. Se usarmos este tamanho de raise no turn,
ele precisa efetivamente perder 79,1% do tempo no river para que seu call no turn seja break
even.

(68)(1 – X) – (18)(X) = 0 =>

X = 0,791

Onde

68 é o tamanho do pote após darmos raise no turn,

18 é o preço para dar call, e

X é a frequência em que o oponente precisa efetivamente perder para ser indiferente


a dar call

Perceba também que nosso oponente pode perder no river de duas formas. Primeiro, ele
efetivamente perderá quando enfrentando um bet no river contra um range balanceado já
que o valor esperado, tanto de dar call quanto de foldar, será de zero. Segundo, ele também
perderá sempre que ele der check com a melhor mão. Lembre-se que, na verdade, nem
sempre value betaremos a melhor mão no river pois às vezes a mão vencedora será fraca. Por
exemplo, às vezes daremos raise por blefe com uma broca no turn e conseguiremos um par no
river, e esta mão pode vencer no showdown após dar check se nosso oponente tiver um
missed draw.

Entretanto, nós não daremos check behind no river com a mão vencedora frequentemente.
Isto é, se nossa estratégia fizer com que demos check behind frequentemente com a mão
vencedora, não seremos capazes de betar o river com um range balanceado nem próximo dos
79,1% do tempo requeridos para tornar nosso oponente indiferente a dar call no turn. Perceba
que isto provavelmente é uma frequência de bet no river muito mais alta que a maioria dos
jogadores esperaria – betar quase 4 em cada 5 vezes – e isso porque nosso oponente tinha
bons odds para dar call no turn.

Estas frequências também podem ser multiplicadas para determinar qual a porcentagem dos
nossos raises no turn precisam ser capazes de value betar no river se nunca dermos check
behind com a mão vencedora. Se betarmos o river 79,1% do tempo após betar o turn e se
71,4% dos nossos bets no river forem value bets, então 56,5% dos nossos raises no turn devem
ser capazes de value betar o river.

0,565 = (0,791)(0,714)

Onde

0,791 é a frequência de bet no river, e

0,714 é a porcentagem dos bets no river que são value bets


Na verdade, geralmente teremos pelos menos alguns blefes em nosso range de raise no turn,
que possam conseguir um par marginal no river e potencialmente vencer se o vilão der check,
e isso permite que blefemos um pouco mais agressivamente.

Aqui está um exemplo. O board é Qs-8h-4c-5s e damos raise com Jc-10c. Se nosso oponente
der call, podemos confortavel dar check behind se o river vier um J ou 10 e venceremos se o
vilão tiver um missed draw.

Isso nos leva à nossa próxima regra:

Como nossos blefes no turn às vezes se tornam mãos marginais no river que podem ser
jogadas de check e vencer no showdown, devemos ter aproximadamente 1 blefe para cada
raise por valor no nosso range de raise no turn, quando enfrentando um double barrel.

Perceba também que nosso range de raise no turn deve incluir uma porcentagem mais alta de
mãos de valor que em nosso range de raise no flop já que o SPR está maior (proporção entre o
tamanho dos stacks e o tamanho do pote) e existe uma street a menos para agir. Além disso,
como dar raise torna o range do nosso oponente muito mais forte no river que quando ele dá
call, geralmente só faz sentido dar raise por valor com mãos que estejam à frente da maioria
de seus value bets no turn.

8.3 DANDO RAISE EM UM BET NO TURN APÓS AMBOS DAREM CHECK NO FLOP

Quando nosso oponente dá check no flop e nós damos check behind, é frequentemente
razoável pensar que ele deve ser capaz de lucrativamente betar quaisquer duas cartas de seu
range no turn. Mais especificamente, nosso oponente pode ter dado check com uma mão
muito forte planejando dar check-raise, mas é improvável que demos check behind no flop
com uma mão forte. Isso significa que seu range no turn frequentemente será mais forte que o
nosso, mas como não garantido que ele teria a oportunidade blefar o turn quando ele deu
check no flop (já que nós mesmos frequentemente betaremos o flop), isso não é um problema.

Se nosso oponente beta 6 BBs em um pote de 8 BBs no turn, podemos calcular qual tamanho
de bet nos permite que betemos e demos raise com frações iguais do pote nas duas streets
restantes. Note que o tamanho inicial do pote é de 20 BBs, já que este é o tamanho que o pote
teria se apenas déssemos call no bet do vilão no turn.

20R² = 200 =>

R = 3,16

Onde

20 é o tamanho inicial do pote,

200 é o tamanho final do pote, e

R é a taxa de crescimento do pote;

Se o pote deve crescer 3,16 vezes o seu tamanho anterior a cada rodada adicional de apostas
ou raises, então precisamos fazer um raise ou bet de aproximadamente 1,08 pote em cada
street. Com este raise e tamanho de bet, o pote crescerá para 63,2 BBs no turn e 200 BBs no
river

63,2 = (20)(3,16)
Onde

20 é o tamanho inicial do pote no turn, e

3,16 é taxa de crescimento.

200 = (63,2)(3,16)

Onde

63,2 é o tamanho inicial do pote no river, e

3,16 é a taxa de crescimento.

Colocado de outra forma, precisamos dar raise e betar ligeiramente maior que o pote no turn
e no river para ir all-in antes do showdown. Isso requer um enorme raise no turn, já que
crescer o pote para 63,2 BBs significa que teremos que dar raise em um bet de 6 BBs para 27,6
BBs!

Entretanto, raises deste tamanho são improváveis de ocorrer na prática. Isso pois nosso
oponente geralmente terá muitas mãos extremamente fortes em seu range, que não foram
bem-sucedidas em dar check-raise por valor no flop, além de qualquer mão forte que ele
tenha feito no turn. Assim, vamos querer dar raise com um valor um pouco menor. Por esta
razão, um tamanho de raise mais razoável entre 18 e 20 BBs é preferível.

Portanto, overbetar o river geralmente será a melhor opção caso o vilão dê call em nosso raise
no turn. A razão para isso é que estamos mais inclinados a dar raise em texturas de board
conectadas para que nosso oponente não veja free cards de forma barata, e estas são as
mesmas texturas de board onde ele geralmente ficará com medo e só dará call em nosso raise
com suas mãos mais fortes. Em outras palavras, se nosso oponente meramente der call em
nosso raise no turn e nos der a oportunidade de fazer com que nossa mão se torne a melhor
no river, seria seguro presumir que ele não terá uma mão forte em um river blank.

Aqui está um exemplo. Nosso oponente dá raise no cutoff e damos call com Qh-10h no button.
O flop vem Qd-6c-4c e ambos damos check no flop. Se o turn vier o 10d e dermos raise no bet
do oponente, ele ficará tentado a 3-betar se ele possuir dois pares ou uma mão melhor. Isso
porque existem muitos draws de straight ou flush possíveis nesta textura de board, e dando
call ele se arrisca a deixar com que nossos blefes se tornem a melhor mão, ou perder valor
caso o river nos assuste o suficiente e dermos check behind.

Em contraste, devemos estar menos inclinados a dar raise em texturas de board onde nosso
oponente se sentirá confortável dando call com suas mãos fortes. Isto é, as texturas de board
onde ele se sente confortável em deixar nossos raises por blefe verem uma carta adicional
geralmente são as mesmas texturas de board onde nos sentimos confortáveis em fazer
slowplay até o river.

Por exemplo, se o nosso oponente der check para nós no flop Kc-2s-2d e nós dermos check
behind, é improvável que o turn 8h nos faça querer dar raise. Isto é, qualquer mão forte o
suficiente para dar raise no turn por valor, como uma trinca de oitos, não temer dar free cards.
Assim, dar call no turn com a intenção de dar raise no river será a jogada superior.
Consequentemente, nosso oponente geralmente só enfrentará um raise em texturas de board
onde ele achará difícil jogar o river fora de posição.
Além disso, devemos notar que muitos jogadores pensam que não pode ser correto overbetar
o river e deixar apenas um pouco de dinheiro para trás. Mas não existe nada teoricamente
errado como este tamanho de bet. Jogadores geralmente ficam frustrados quando eles têm
que foldar e possuem bons odds para dar call, mas é importante se lembrar que é o preço do
blefe do nosso oponente que determina nossa frequência de call. O fato de que nossos odds
para dar call são tão bons significa simplesmente que nosso oponente pode estar apenas
raramente blefando (caso contrário ele pode ser explorado já que dar call com bluff catchers
será lucrativo).

Suponhamos que decidimos dar raise no bet de 6 BBs do nosso oponente para 20 BBs (fazendo
com que o pote tenha 48 BBs depois que ele der call) e às vezes betaremos 55 BBs no river.
Mais uma vez, podemos trabalhar de trás para frente para descobrir qual porcentagem dos
nossos raises no turn devem ser capazes de value betar o river para manter nosso oponente
indiferente a dar call no turn.

Se ele dar call em nosso raise no turn para 20 BBs, o tamanho do pote será de 48 BBs no river
antes que qualquer aposta aconteça. E quando betamos 55 BBs em um pote de 48 BBs no
river, 65,2% dos nossos bets devem ser value bets.

(103)(1 – X) – (55)(X) =>

X = 0,652

Onde

103 é o tamanho do pote,

55 é o tamanho do nosso bet, e

X é a porcentagem dos nossos bets no river que devem ser value bets.

E no turn, quando damos raise em um bet de 6 BBs para 20 BBs, nosso oponente pode dar call
e arriscar 14 BBs para ganhar 34 BBs. Isso requer que ele efetivamente perca 70,8% do tempo
no river para que ele seja indiferente a dar call no turn.

(34)(1 – X) – (14)(X) = 0 =>

X = 0,708

Onde

34 é o tamanho do pote,

14 é o preço do call, e

X é a frequência que nosso oponente deve perder para ser indiferente a dar call.

Mais uma vez, nosso oponente efetivamente perde no river quando nós betamos um range
balanceado ou damos check behind com a mão vencedora. Se nunca dermos check behind
com a melhor mão no river, então o river deve ser betado 70,8% do tempo após betar o turn, e
65,2% dos nossos bets no river devem ser value bets. Isso requer que 46,2% do nossos raises
no turn sejam capazes de value betar o river.

0,462 = (0,708)(0,652)

Onde
0,708 é a frequência de bet no river, e

0,652 é a porcentagem dos bets no river que devem ser value bets.

Mais uma vez, enquanto este modelo nos dá uma boa estimativa de qual porcentagem dos
nossos raises no turn devem ser raises por valor, ele não leva em conta que temos posição e às
vezes teremos uma mão de força marginal no river que podemos dar check behind. Por causa
disto, é seguro blefar um pouco mais agressivamente no turn.

É difícil dizer qual porcentagem dos nossos raises no turn devem ser capazes de value betar o
river, especialmente considerando que nem sempre usaremos o mesmo tamanho de bet no
river. Por exemplo, não é incomum ir all-in para cerca de 1,5 pote em alguns rivers, enquanto
que em outros spots, fazer bets menores será a melhor estratégia. Mesmo assim, é
provavelmente razoável presumir que geralmente vamos querer que entre 40 e 50% dos
nossos raises no turn sejam raises por valor após ambos os jogadores darem check no flop.

Finalmente, é importante se lembrar que fortaleceremos grandemente o range de all-in do


nosso oponente quando damos raise no turn. Em particular, como nosso raise no turn e bet no
river geralmente são grandes em relação ao tamanho do pote, nosso oponente pode foldar
muito do seu range sem medo de ser explorado. O resultado é que ele geralmente irá all-in
com cerca de 25 a 35% de seu range de bet no turn quando enfrentando um raise no turn e
um bet no river. Assim, nossos raises no turn por valor devem ser mãos muito fortes.
Entretanto, existem exceções, e algumas vezes uma mão mais fraca deve ser jogada de raise
por valor se ela fizer foldar muitas mãos de alta equidade que possam se tornar a melhor mão
no river.

8.4 COLOCANDO MÃOS NO RANGE CERTO NO TURN EM POSIÇÃO

Agora precisamos visualizar o range de cada jogador no turn baseado na ação no flop. Fazer
isto permite com que sigamos a linha com o maior valor esperado e utilizemos um tamanho de
bet que faça sentido.

8.4.1 Enfrentando um Bet no Turn após dar Call no Flop

Se o nosso oponente beta tanto o flop quando o turn, ele está representando um range
polarizado. Embora ele possa ter betado as duas streets por valor com a intenção de dar check
no river (como é uma prática comum em boards molhados onde não é interessante dar free
cards), a maioria dos value bets do nosso oponente no turn geralmente serão mãos com as
quais ele planeja betar no river.

Então quais são os tipos de mãos de que consiste nosso range, que mudam drasticamente
baseados na textura do flop? Por exemplo, se a textura é seca, como no flop Jh-6c-2d,
provavelmente temos muitas trincas em nosso range, já que o slowplay não é arriscado. Mas
se o turn colocar muitos draws no range de cada jogador, como se o 7c vier, agora podemos
dar raise usando uma proporção de raise por valor e raise por blefe de 1-para-1. Isso coloca o
oponente em um spot difícil com todos os seus pares e draws, e nos permite jogar o river
efetivamente em posição. E se não dermos raise, nossa estratégia será continuar a dar call com
nossas mãos de força marginal e a maioria dos nossos draws.

Se dermos call no bet do oponente no flop em uma textura molhada de board, o turn às vezes
melhorará muitas mãos em nosso range e nos permitirá desenvolver um range de raise. Aqui
está um exemplo. Damos flat call no button contra um raise do cutoff e o flop vem 10s-9s-7c e
o turn vem 4s. Podemos dar raise com alguns dos nossos flushes assim como com alguns
blefes. Como nosso oponente sabe que nossa estratégia será às vezes dar raise neste tipo de
turn, e provavelmente não overbetará, e ao contrário fará bets de tamanho médio, de cerca
de 60% do pote.

Em outras ocasiões, o turn pode vir um blank após darmos call em um bet no flop em um
board molhado. Quando isso acontece, haverão poucas ou nenhuma mão forte em nosso
range. Como nós nunca, ou quase nunca, daremos raise no bet no turn do nosso oponente
nesta situação, ele deve considerar o overbet. Isso maximiza o valor que ele extrai com suas
mãos fortes assim como previne que sejamos capazes de ver o river a um preço barato, e
assim melhoremos nossa mão.

Para ilustrar isso, imagine o mesmo flop (10s-9s-7c), exceto que o turn vem o 4d ao invés do 4s
(não colocando nenhum flush no nosso range). Quando isto ocorre, não haverão mãos no
nosso range que possam eficazmente dar raise no bet no turn do nosso oponente, e embora
ele deva usar tamanhos múltiplos de bet no turn, ele deveria também possuir algum range de
overbet. E por mais que seja indesejável enfrentar às vezes bets muito grandes no turn,
devemos simplesmente aceitar que o turn foi ruim para nosso range e dar call com nossos
melhores bluff catchers e draws.

8.4.2 Enfrentando um Check no Turn após dar Call no Flop

Existem alguns possíveis tipos de mãos que nosso oponente pode ter se ele der check no turn
após betar no flop. O mais comum é um blefe que ele está planejando jogar de check-fold.
Lembre-se, a proporção entre value e bet blefe do vilão deve aumentar no turn, e a forma
mais óbvia de fazer isto é desistir de alguns blefes que foram betados no flop, que agora
possuem pouca chance de melhorar no river.

Nosso oponente pode também possuir uma mão de força marginal que ele planeja jogar de
check-call. Isso comumente ocorre quando seu blefe no flop melhora para uma mão de força
média no turn, como quando ele blefa com Qs-10s no flop Kc-9s-5h, e o turn vem o 10c. Além
disso, no flop, ele pode ter betado uma mão pronta de força média para fazer com que mãos
de alta equidade foldem, e agora está jogando o turn de check-call.

Por último, nosso oponente pode estar planejando dar check-raise usando uma proporção de
check-raises por valor e check-raises por blefe de cerca de 1-para-1. Como vimos quando
analisando o jogo no flop fora de posição, dar check-raise é extremamente eficaz em punir
jogadores que value betam muito frequentemente ou que betam muito alto. Isso porque toda
mão forte que nosso oponente der check-raise por valor permite a ele que dê check-raise por
blefe com mãos adicionais em um range balanceado. Além disso, é mais provável que ele dê
check-raise em texturas de board no turn onde ele tenha dificuldade em jogar de check-call e
onde seja arriscado dar free cards.

Um leak significativo que a maioria dos jogadores possuem é que eles não ajustam o tamanho
de bet no turn baseado na força do range de check do seu oponente. Mais especificamente,
bets maiores são mais eficazes em texturas de board onde nosso oponente possui muitas
mãos de força média que querem jogar de check-call, e bets menores são mais eficazes em
texturas de board onde ele provavelmente não jogará de check-call mas jogará
frequentemente de check-raise.
Aqui está um exemplo. O MP dá raise e damos flat call no button. Se o flop vier Kh-7h-3c e
nosso oponente betar, quais mãos em seu range irão querer jogar de check-call no turn 2s?
Enquanto existem algumas mãos de força média, como 10-10 ou 9-9, que ele pode querer
betar o flop e dar check-call no turn, esta não é uma textura de flop onde é provável que ele
bete com a intenção de betar apenas uma street por valor. Como resultado, betar menor no
turn torna seus check-raises no turn menos eficazes, e o força a expandir seu range de check-
call no turn, e isso, por sua vez, nos permite utilizar o valor da posição no river.

Em outras situações, iremos querer betar um pouco maior. Suponha a mesma ação e o mesmo
flop Kh-7h-3c como antes, mas agora imaginemos que o turn é Qs ao invés de 2s. Este turn
coloca muitas mãos de força marginal no range de nosso oponente, como um par de damas,
que não é forte o suficiente para betar mas pode facilmente jogar de check-call. Portanto, é
razoável betar maior aqui com algumas mãos fortes e blefes, já que este tamanho de bet é
mais eficaz contra mãos de força marginal.

No geral, a maioria dos jogadores estão atualmente betando muito alto no turn quando o
oponente joga de check após betar o flop. Isso porque o oponente ainda pode ter mãos fortes
que ele está planejando jogar de check-raise em seu range, e se ele possuir poucas mãos de
força marginal em seu range, ele geralmente não irá querer jogar de check-call, de qualquer
forma.

Na verdade, bets pequenos são particularmente eficazes contra jogadores que possuem
poucas mãos de força média em seu range de check, por três razões principais:

1) Betar o turn requer que o nosso oponente pague para ver uma free card, para que ele
tenha uma chance grátis de fazer com que sua mão se torne a melhor mão. Além
disso, muitas das mãos que ele jogará de check-fold terão alguma equidade contra
nosso bet, e fazer com que ele constantemente folde mãos com 10 ou 15% de
equidade é significativo.
2) Betar tanto o turn quanto o river nos permite blefar mais mãos enquanto
permanecemos balanceados. Em outras palavras, podemos blefar mais se dois rodadas
de apostas são utilizadas ao invés de apenas uma.
3) Bets pequenos forçam nosso oponente a defender seus checks mais amplamente
dando check-call no turn. Isso permite que joguemos o river mais frequentemente em
posição.
Sabemos que estamos no Equilíbrio de Nash quando nenhum jogador possui um incentivo
para mudar sua estratégia. Especificamente, devemos descobrir se um dos jogadores possui
um incentivo para mudar se fazemos bets pequenos em uma alta frequência no turn, quando
nosso oponente não pode ter muitas mãos de força média.

Primeiro perceba que as tentativas de check-raise do vilão serão bem-sucedidas em uma alta
frequência se betarmos frequentemente no turn. Mas se nosso bet for pequeno relativo ao
tamanho do pote, ele não ganhará muito mais dinheiro que ele ganharia se ele mesmo betasse
o turn. Mas é bastante ruim para ele quando seu check-raise falha, já que uma rodada de
apostas é removida do jogo e mãos fracas que teriam foldado para um bet (como brocas)
conseguem uma chance de melhorar. Como resultado, nosso oponente não terá um incentivo
para imprudentemente dar check-raise. Quando seu check-raise for bem-sucedido, ele recebe
apenas uma pequena recompensa, mas quando o check-raise falha, é muito pior que seria se
sua estratégia fosse betar.
Como a maioria das mãos que o nosso oponente planeja dar check-fold são bastante fracas,
um bet pequeno é tudo o que é necessário para forçá-lo a foldar ou dar um call que seja break
even. E se ele raramente der check-raise (no turn) e betarmos baixo em uma alta frequência
quando ele der check, parece que nenhum jogador tem um incentivo para mudar. Isso faz
muito mais sentido para nós que betar alto, já que se betarmos um valor alto em uma alta
frequência, nosso oponente pode nos explorar dando check-raise sempre com suas mãos
fortes. Então betar baixo nos permite negar a ele free cards sem ser explorado por seus check-
raises.

Jogadores frequentemente entram no hábito de betar de 65 a 75% do pote (ou dar check) na
maioria das situações sem parar para se perguntar “Este tamanho de bet é o tamanho que faz
mais sentido com a mão que tenho contra o range do meu oponente?” Não devemos cometer
este erro, e precisamos estar dispostos a betar todos os tipos de tamanho diferentes, baseado
em nosso range, no range do oponente e na textura de board. Não há nada de errado em
betar 25% do pote no turn se a situação exigir isto.

8.4.3 Enfrentando um Check no Turn Depois de Betar no Flop

Se nosso oponente der check para nós no turn após nós betarmos o flop, nosso range deve ser
polarizado enquanto o dele será condensado. Embora às vezes demos check behind com uma
mão de força marginal no turn, geralmente estaremos dando check behind com mãos fracas
que foldarão para o bet do nosso oponente no river.

Como mostrado anteriormente, vamos querer usar uma proporção entre blefe e value bet no
turn de cerca de 1-para-1 se nossos value bets forem fortes. Como intencionalmente betamos
por valor mãos no flop que são capazes de betar duas ou três streets por valor, e blefamos que
retenham bem sua equidade, geralmente é bem claro com quais mãos devemos blefar ou
value betar no turn.

Entretanto, existem algumas texturas de board onde é fácil se deixar levar e blefar
frequentemente demais. Aqui está um exemplo. Se o board for Jc-10c-6h-5h, é fácil betar
imprudentemente já que nosso range tem muitos flush draws, duas pontas e brocas (muitas
das quais possuem overcards). Então se betarmos todas as nossas brocas, nosso range de bet
provavelmente incluirá blefes demais, e nosso oponente pode nos explorar dando call ou
dando check-raise agressivamente. Este é um erro comum que jogadores cometem quando
eles seguem um regra do tipo “blefe com brocas, pares com cinco outs e draws fortes no
turn”.

Em contraste, em um board como Ks-5c-5h-2d, não existem muitas mãos que servem como
blefes excelentes. Em outras palavras, existem poucas ou nenhuma mão em nosso range que
possuem pouca equidade de showdown, mas que retém bem sua equidade quando betadas.
Mas se planejamos value betar muitos top pairs no turn, é crucial que sejam incluídos blefes
em nosso range também. Aqui, com qual mão blefamos importa pouco, já que a maioria dos
nossos potenciais blefes provavelmente estão drawing dead para o par de reis do nosso
oponente.

É importante sempre estar consciente da textura de board e não blefar mãos demais ou de
menos. Em geral, novos jogadores geralmente blefarão imprudentemente em boards
molhados já que existem muitas mãos em seu range que possuem pouco valor de showdown
mas que podem, no river, melhorar e se tornar a melhor mão.
Da mesma forma, eles não blefarão o suficiente em texturas de board onde existem poucas
brocas e flush draws já que eles não estão acostumados a ter que blefar com mãos que
possuem tão pouca equidade quando receberem um call. Não devemos cometer este erro
contra oponentes fortes e devemos analisar cada textura de board para assegurar que nosso
range de bet está balanceado.

8.4.4 Enfrentando um Check no Turn depois de dar Check Behind no Flop

Se nosso oponente deu check tanto no flop quanto no turn, ele demonstrou fraqueza duas
vezes. Como resultado, geralmente será lucrativo betar quaisquer duas cartas. Entretanto, só
porque é lucrativo betar não significa que devemos betar nosso range inteiro, e betar um
range polarizado que consista das nossas mãos prontas mais fortes e blefes será o melhor.

É também importante notar que geralmente é mais lucrativo deixar passar uma oportunidade
lucrativa de blefar no flop com a intenção de betar o turn se nosso oponente der check mais
uma vez. Este é um conceito importante que muitas vezes é negligenciado. Jogadores que se
recusam a deixar passar oportunidades de blefar com mãos fracas frequentemente possuem
um range transparente no turn e podem facilmente ser explorados.

Aqui está um grande exemplo. Damos call no button contra um raise de MP e nosso oponente
dá check para nós no flop Qh-7c-4c. A maioria dos jogadores automaticamente betará todas as
suas mãos fracas, já que betar quaisquer duas cartas é provavelmente lucrativo. Mas este é
um erro contra oponentes fortes, já que se betarmos todas as nossas mãos fracas no flop, seus
check-raises serão muito eficazes. Além do mais, nosso oponente saberá que se dermos check,
nossa mão quase sempre será uma mão de força média (no turn), e isso faz com que seja
impossível betar um range balanceado.

Imagine que no flop acima decidamos dar check behind com Ah-Jh ao invés de betá-lo. Embora
tenhamos recusado betar em um spot lucrativo para blefar, nosso oponente deve, no turn, dar
check novamente com muitas mãos fracas com a intenção de dar check-fold. Isto faz sentido já
que ele provavelmente perceberá que demos check no flop com um par marginal como Qd-Jc
ou 10s-10d para evitar um potencial check-raise. Mas se nosso oponente estiver forte no turn,
ele provavelmente betará esperando que nós demos call com estas mãos. Então quando isto
acontecer, podemos foldar se o turn não melhorou nossa mão, o que acontecerá se não vier
nenhum ás, valete, ou copas.

Geralmente é complicado dizer se uma mão deve ser blefada no flop ou se deve ser jogada de
check behind com a intenção de blefar uma street futura. Como mencionado anteriormente,
devemos enfatizar dar check com mãos que melhorarão nos mesmos turns que as mãos no
range de check-fold do nosso oponente. Isto frequentemente é verdadeiro mesmo se betar o
flop fizer algumas mãos melhores foldarem. Isso porque um bet em uma street futura
provavelmente fará estas mãos foldarem de qualquer forma.

Aqui está um exemplo. Damos call no button em um raise de MP com Ad-Kc, e o flop vem Jh-
8h-6c. Dar check behind com A-K neste flop provavelmente é o melhor, já que nosso oponente
pode ter A-Q ou K-Q que ele esteja planejando em jogar de check-fold. Perceba que dar check
behind permite com que façamos top pair no turn e extraiamos valor do nosso oponente
quando ele fizer o mesmo pair com um kicker pior. Além disso, se ele der check com um
pocket pair fraco no flop, ele provavelmente dará check novamente no turn e no river. Isto nos
dá a oportunidade de blefar em uma street futura e fazer ele foldar a melhor mão.
Em contraste, betar é melhor se temos uma mão como Kc-10c no flop Jh-8h-6c. Nossa mão
retém muito bem sua equidade quando beta, já que ela possui potencial de conseguir um
runner runner straight ou flush. Além do mais, agora é desejável betar o flop e fazer com que o
oponente folde algo como K-Q.

Por último, é importante notar que nosso range geralmente será capado no turn quando
betarmos após dar check no flop. Isso significa que sempre que nosso oponente der check-
raise, nossa mão, na melhor das hipóteses, será um bluff catcher. Entretanto, isto não é um
problema. Nosso oponente pode dar check-raise apenas em uma certa frequência e continuar
balanceado, e é arriscado para ele dar check no turn com uma mão forte. E quando ele de fato
der check-raise, temos que simplesmente dar check até o river com uma frequência suficiente
para que ele não possa blefar tão agressivamente. Isto é verdadeiro mesmo se a expectativa
de dar call for zero com todos os bluff catchers do nosso range.

8.4.5 Enfrentando um Bet no Turn após dar Call em um Check-Raise no Flop

Após um check-raise no flop, nosso oponente geralmente betará cerca de 25 BBs no turn em
um pote de 44 BBs. Este bet precisa ser bem-sucedido do tempo para gerar um lucro imediato,
então no turn, precisamos defender pelo menos 63,8% do nosso range para evitar que ele seja
capaz de lucrativamente betar quaisquer duas cartas. Entretanto, saber se dar call ou raise é
melhor vai depender de quão arriscado é dar free cards para mãos no range de bet-fold do
oponente.

Como o preço para dar call no turn é de 25 BBs para ganhar 69 BBs, nosso oponente deve ter o
river em uma alta frequência para nos tornar indiferentes a dar call com nossos bluff catchers.
Isso torna dar call com nossas mãos fortes tentador, já que o range do vilão deve ser bastante
polarizado e ele provavelmente betará todas as suas mãos fortes no river, além de alguns
blefes.

Entretanto, após nosso oponente betar o turn, ir all-in também é uma opção razoável, já que o
tamanho dos stacks será pequeno em relação ao tamanho do pote. Isto é verdadeiro mesmo
que seu range seja polarizado e tenhamos posição. Quando vamos all-in, garantimos a
realização da equidade da nossa mão, e ir all-in evita que nosso oponente veja o river e realize
a equidade de seus blefes. Isto é especialmente significativo já que um jogador habilidoso irá
check-raise blefar no flop com mãos, como brocas, backdoor flush draw ou backdoor straight
draw, que retém bem sua equidade. Muitos destes blefes terão vários outs para o nuts no
river. Então ir all-in no turn geralmente faz com que nosso oponente folde seus draws mais
fracos e dê calls apenas ligeiramente lucrativos com seus draws mais fortes.

Como mostrado anteriormente, quando recebemos um call em nosso blefe all-in, esperamos,
em média, receber 2 BBs de volta para cada porcento de equidade que nossa mão possui. Este
é o mesmo conceito discutido quando 5-bet blefando pré-flop e shovando no turn em potes 3-
betados, e torna nossos blefes muito mais baratos a longo prazo que eles seriam
normalmente.

Por exemplo, suponha que o blefe mais fraco em nosso range em uma determinada textura de
board tenha 20% de equidade contra o range de call do nosso oponente. Isto é, no turn,
aproximadamente a equidade que flush draws e duas pontas possuem contra a maioria dos
ranges de call. Então, se formos all-in com 79 BBs, apenas perderemos, em media, 38,7 BBs
quando receberemos um call.
- 38,7 = (0,20)(201,5) – 79

Onde

201,5 é o tamanho do pote, e

79 é o tamanho do raise no turn.

Por perdermos apenas, em média, 38,7 BBs quando recebermos um call, isso é o que estamos
efetivamente arriscado quando shovamos no turn. E arriscando 38,7 BBs para ganhar 69 BBs
requer que nosso oponente dê call 64,1% do tempo para nos manter indiferentes a shovar ou
foldar.

(69)(1 – X) – (38,7)(X) = 0 =>

X = 0,641

Onde

69 é o tamanho do pote,

38,7 é o preço efetivo do nosso blefe, e

X é a frequência de call do nosso oponente.

Então se nosso oponente quer nos tornar indiferentes a shovar o turn com flush draws e
straight draws, ele precisará dar call com aproximadamente 64,1% do seu range de bet do
turn. Isso geralmente não é um problema enquanto que ele estiver disposto a dar call com
alguns draws (contanto que estes draws às vezes possam vencer sem que precisem melhorar),
já que 64,1% do seu range de bet no turn não serão value bets. Além do mais, pode
simplesmente ser o caso de que em alguns spots é possível para nós lucrativamente shovar o
turn com duas pontas e flush draws porque nosso oponente não consegue defender 64,1% do
tempo. Mesmo assim, estas mãos não são bluff catchers, e ser capaz de fazer um blefe
ligeiramente lucrativo com um draw após assumir um risco não significa necessariamente que
nosso oponente cometeu um erro ou está sendo explorado.

É também difícil dizer se shovar ou dar call no turn por fim requer que nosso oponente vá all-in
com um range mais amplo ou não. Isso porque seu range de bet no turn não será
perfeitamente polarizado, e como ele pode conseguir uma mão de força marginal no river, não
podemos concluir exatamente quão frequentemente ele deve betar o river. Além disso,
quanto mais equidade nossos blefes possuem no turn, mais frequentemente nosso oponente
precisa dar call no nosso shove no turn. Isto é, blefes de alta equidade não precisam ser bem-
sucedidos muito frequentemente para serem lucrativos, então se nossos blefes possuem
muita equidade, nosso oponente deve frequentemente dar call para nos tornar indiferentes
entre o shove e o fold.

Mas provavelmente o mais importante fator para determinar entre o shove e o call no turn
com uma mão forte é se o shove faz com que nosso oponente folde muitas mãos de alta
equidade. Por exemplo, no exemplo anterior presumimos que ele deu call 64,1% do tempo e
foldou 35,9% do tempo. Se tivermos uma mão forte que seja vulnerável a se tornar a segunda
melhor por mãos no pior 35,9% do range de bet no turn do oponente, então shovar quase
certamente será melhor que dar call. Isto é verdadeiro apesar do fato de que shovar evita que
joguemos o river em posição.
Aqui está um exemplo. Suponha que betamos uma trinca de 10 no flop Qs-10s-4c e damos call
no check-raise do oponente. Se o turn vier o 7c, provavelmente vamos querer shovar quando
enfrentando um bet, pois muitas mãos no range de bet-fold do vilão podem fazer straights ou
flushes no river. Portanto, é melhor exigir que ele folde ou comprometa seu stack inteiro com
um draw, e dando raise agora também nos asseguramos de extrair valor das trincas menores e
dois pares do oponente.

Por último, é importante notar que ter um range capado raramente importa quando existem
poucas streets restantes para agir e pouca profundidade de stack. (No exemplo acima, isto
acontecerá quando damos apenas call no bet no turn.) Ranges capados são geralmente
problemáticos pois nosso oponente pode overbetar sabendo que suas mãos de valor nunca
serão vencidas. Mas se dermos call em seu check-raise no flop e em seu bet no turn, existe tão
pouca profundidade de stack no river que isso não é um problema. Na verdade, como ele
somente será capaz de fazer um bet de tamanho moderado, tudo bem se ele for capaz de
value betar algumas mãos sabendo que ele nunca será vencido.

Para ilustrar, vamos continuar com nosso exemplo anterior onde o board é Qs-10s-4c-7c e nós
shovamos o turn com todas as nossas trincas e dois pares (assim como alguns blefes, é claro).
Se o river vier o 2d, e nós apenas demos call no turn, embora nosso range esteja capado em
overpairs, nosso oponente pode ir all-in por um bet de 0,57 do pote. Como ele não pode
overbetar o river, dar call com uma mão forte no turn provavelmente será menos lucrativo que
dar raise. Isso frequentemente resulta na melhor mão de nosso range de river sendo um bluff
catcher, e quando isto ocorre, devemos dar call frequentemente o suficiente para mantê-lo
indiferente a blefar (mesmo se a expectativa do nosso call for zero).

8.4.6 Enfrentando um Check no Turn após dar Call em um Check-Raise no Flop

Enfrentar um check após dar call em um check-raise no flop é muito similar a enfrentar um
check após dar call em um bet, já que em ambos os casos nosso oponente representa um
range polarizado no flop. Assim, em qual frequência betamos o turn e qual tamanho de bet
usamos dependerá fortemente se o range do nosso oponente continua polarizado.

Nosso range de bet-call no flop não será polarizado no turn, e ao contrário, consistirá de três
tipos de mãos – mãos que estão à frente de alguns check-raises por valor, bluff catchers e
mãos com pouco valor de showdown. Perceba também que, como a maioria do nosso range
de call estará atrás dos check-raises por valor do nosso oponente, ele deve betar o turn em
uma alta frequência para evitar que realizemos a equidade dos nossos draws de graça, ou
cheguemos de forma barata ao showdown com nossos bluff catchers.

Especificamente, quando o turn não muda a força do range de nenhum dos jogadores, o range
do nosso oponente deve permanecer polarizado no turn. Por exemplo, suponha que sofremos
um check-raise no flop Kh-8d-4d e o turn vem o 2s. Não haverá, nesta textura de board,
nenhuma provável mão de força média no range do nosso oponente já que ele não teria dado
check-raise com uma mão como Kd-10d ou Jh-Js no flop. Como discutido anteriormente,
devemos fazer pequenos bets no turn em spots onde existem poucas ou nenhuma mãos de
força média no range do nosso oponente. Betar baixo em uma alta frequência evita que ele
veja um river de graça com suas mãos fracas, e betando em ambas as streets é mais fácil de
blefar com a maioria ou todas as nossas mãos fracas em um range balanceado no river.

Além disso, ao contrário do que a vasta maioria dos jogadores vencedores acreditam, nesta
situação geralmente não é necessário usar um tamanho de bet que nos coloque all-in no river.
Lembre-se, estamos betando para evitar que os blefes do nosso oponente realizem sua
equidade de graça, não para extrair valor de mãos prontas de força média (já que estas mãos
não são prováveis no range do vilão). Então um bet pequeno coloca, efetivamente, pouco
dead money no pote, no caso dele dar outro check-raise e transformar nossa mão em um bluff
catcher.

Além do mais, se nosso oponente tiver de fato uma mão forte no turn, ele geralmente dará
check-raise novamente, não importa o tamanho que fizermos. Assim, nossas mãos
extremamente fortes não perderão valor betando baixo contra suas mãos fortes, de qualquer
forma. Afinal, se nosso oponente não quisesse ir all-in com uma mão forte mas que não seja
nuts, ele não teria dado check-raise no flop, para começar.

Quando pensando em novos conceitos, geralmente é útil se imaginar jogando a mão da


perspectiva do oponente. Visualize por um momento que você dá call do big blind em um raise
do button e o flop vem Kh-8d-4d. Se você der check-raise no flop e check no turn 2s, com quais
mãos você daria check-call se seu oponente betasse 25% do pote? Meu palpite é que você
foldará mais frequentemente que dará call neste bet, e depois da mão se sentirá um pouco
frustrado que seu oponente conseguiu fazer um bet tão barato e lucrativo. Em outras palavras,
você perceberia que ele foi capaz de efetivamente floatar seu check-raise no flop e blefar no
turn. Este é um bom indicador de que algo significativo está acontecendo que você ainda não
entende.

Se damos call no check-raise no flop do nosso oponente e o turn colocar mais mãos de força
marginal em seu range, então betar um pouco maior será mais eficaz. Aumentando o tamanho
do nosso bet, seremos capazes de blefar mais combinações de mãos, extrair maior valor com
nossas mãos fortes, e fazer com que nosso oponente pague mais para ver o river se ele tiver
uma chance razoável de possuir a melhor mão no river.

8.5 EXEMPLO DE COMO BALANCEAR UM RANGE DE DEFESA NO TURN

Vamos utilizar o range de call no flop da Parte 4, “Exemplo de como balancear um range de
defesa no flop”, e defender contra outra bet de 75% do pote no turn.

Flop: Kd-9s-7s

Calls no Flop: AKo (9), KQs (3), KTs (3), JJ-TT (12), As-Qs, As-Js, As-Ts, 6s-5s, 5s-4s, JTs (3),
J9s(3), T9s (3), 98s (3), Ad-Qd, Ad-Jd, QJs (4) = 53

Turn: 8h

Total de Combos: 52 (9h-8h foi removido do nosso range)

Combos de Defesa Desejados: (52)(0,6) = 31

Raises por Valor: JTs (3), 6s-5s = 4

Raises por Blefe: TT (3), 5s-4s (1) = 4

Calls: AKo (9), KQs (3), KJs (3), KTs (3), TT (3), 98s (2), As-Qs, Qs-Js, As-Ts = 27

Total de Combos Defendidos: 35

Porcentagem do Range Defendido: 67%


Como o turn pôs algumas mãos nuts em nosso range que são vulneráveis a se tornar a
segunda melhor no river, podemos dar raise usando uma proporção de raise por blefe para
raise por valor de 1-para-1. Perceba que estamos dando raise por blefe com metade das
nossas combinações de par de 10 e dando call com a outra metade. Se déssemos raise por
blefe com todas elas, nosso range de raise estaria desbalanceado e incluirá muitos blefes.
Então teoricamente faz sentido utilizar ambas as linhas contato que acreditamos que o valor
esperado de dar raise ou dar call com 10-10 seja aproximadamente o mesmo. Se uma linha
tiver um valor esperado mais alto, então aquela linha deve ser sempre utilizada. Entretanto,
utilizar múltiplas linhas com a mesma mão é bastante comum em teoria, e isso provavelmente
ocorre aqui.

Também não deve ser surpreendente que, como o turn coloca muitas mãos fortes no range de
ambos os jogadores, nossos raises por blefe devem ser razoavelmente fortes. Aqui, estamos
dando raise por blefe com duas pontas e um flush draw solitário. Embora seja lamentável
quando nosso oponente for all-in e nos force a comprometer todo nosso stack ou foldar uma
mão muito boa, ele frequentemente não irá querer shovar contra nosso range de raise do
turn. Afinal, metade do seu range de raise é um straight, e 37,5% é o nuts.

Além do mais, embora pares médios com algum tipo de draw seja frequentemente calls claros,
nesta situação o range de bet no turn do nosso oponente é bastante forte. Se dermos call com
J-J ou 10-10, será difícil extrair valor quando o draw se completar no river, e é possível que
nosso oponente já possua o nut straight no turn. Isso nos encoraja a considerar foldar mãos
como J-J e J-9 do mesmo naipe, mesmo que elas possam ser a melhor mão no momento ou se
tornar a melhor mão no river.

Por último, perceba que embora defendendo 60% do nosso range contra um bet de 75% do
pote prevenirá que nosso oponente gere um lucro imediato, jogadores mais avançados devem
tentar defender mais agressivamente. Isto é especialmente verdadeiro se os blefes do nosso
oponente possuem uma probabilidade razoável de conseguir a melhor mão no river e a
posição for valiosa, como é o caso aqui. Defender 67% do nosso range pode parecer agressivo
demais no começo, mas como temos posição e nosso range é forte, é razoável.

8.6 RESUMO

Um jogo no turn excelente em posição requer que entendamos quem tem o range polarizado
e quão valioso é ver uma carta adicional para cada jogador. Mais especificamente, não
devemos entrar no hábito de sempre utilizar o mesmo tamanho de bet no turn e precisamos
considerar bets pequenos ou grandes. Se o range do nosso oponente for condensado, bets
grandes geralmente serão eficazes já que eles são melhores contra mãos de força média. Mas
quando seu range é polarizado, bets pequenos são melhores, já que reduzem a efetividade de
seus check-raises e evitam que ele veja free cards no river.

Só porque é lucrativo betar quaisquer duas cartas não significa que nosso range inteiro deve
ser betado, e é comum dar check com uma mão fraca no flop com a intenção de blefar no
turn. Nosso oponente provavelmente dá check planejando dar check-fold com mãos fracas,
como pocket pairs em múltiplas streets, o que significa que teremos diversas chances de blefar
com overcards e fazer com que ele folde a melhor mão.

Como posição é tão valiosa, é importante não betar muito alto em spots onde nosso oponente
será tentado a dar check-raise all-in e destruir nossa vantagem de posição. Portanto,
geralmente tudo bem se ele puder dar calls ligeiramente lucrativos com draws fortes.
Aqui estão alguns pontos muito importantes.

1) Como existem menos streets restantes para agir no turn, uma frequência mais alta de
nossos bets e raises no turn devem ser por valor. Se o pote é grande devido aos bets
no flop, vamos querer uma proporção entre raises por blefe e por valor de cerca de 1-
para-1.
2) Se nosso oponente der check no turn após dar check no flop, podemos agora value
betar com muitas mãos que não eram fortes o suficiente para betar o flop, assim como
com mãos que melhoraram no turn.
3) É difícil ir all-in no showdown se o pote é pequeno no turn. Geralmente requerirá que
overbetemos o turn e o river, mas isto é arriscado já que nosso oponente pode ter
dado check com uma mão muito forte no flop ou ter feito uma mão muito forte no
turn.
4) Nossa abordagem em relação a enfrentar bets no turn deve ser semelhante com nossa
abordagem enfrentando bets no flop. Em outras palavras, é comum dar raise com
nossas mãos mais fortes por valor, dar call com nossas mãos de força média, dar raise
por blefe com algumas mãos e foldar o resto. Mãos muito fortes também podem ser
jogadas de slowplay, especialmente se tememos poucos rivers ou pensamos que nosso
oponente provavelmente overbetará na próxima rodada de apostas.
5) Se nosso oponente dá check no turn após betar no flop, geralmente vamos querer dar
check behind com nossas mãos de força média, e ao contrário, betar nossas mãos
fortes e alguns blefes. Mais especificamente, só porque uma mão pode betar
lucrativamente não significa que betar é mais lucrativo que dar check. Assim,
geralmente é mais lucrativo dar check behind com a maioria das mãos de força média
e betar um range polarizado.
6) Depois do nosso oponente dar check-call em nosso bet de 75% do pote no turn,
devemos ou betar o river ou dar check behind com uma mão marginal que possa
vencer no showdown 70% do tempo. Isso mantém nosso oponente próximo a
indiferente a dar check-call no turn com um bluff catcher.
7) Se ambos os jogadores deram check no flop, não é necessariamente um problema se a
maioria dos nossos value bets no turn se tornarem apenas bluff catchers quando
enfrentando um check-raise. Nosso oponente ainda não possui um incentivo para
imprudentemente dar check-raise no turn, já que ele perde valor e se arrisca a deixar
nossa mão se tornar a melhor mão se dermos check behind.
8) Bets pequenos geralmente são melhores em texturas de board onde nosso oponente
não terá muitas mãos de força média em seu range, que possam jogar facilmente de
check-call – seu range ainda é polarizado. Isso nos permite que evitemos que ele veja
free cards no river enquanto ainda minimizando a efetividade de seus check-raises
bem-sucedidos no turn.
9. JOGANDO O TURN FORA DE POSIÇÃO

9.1 INTRODUÇÃO

Na seção anterior, analisamos novos tamanhos de bet e proporções para o jogo no turn, e
discutimos de quais tipos de mãos deve consistir o range de cada jogador, dada a textura do
board e a ação anterior. Enquanto existem muitas semelhanças entra o jogo em posição e fora
de posição no turn, existem também várias diferenças importantes com as quais devemos nos
familiarizar.

Um dos focos principais desta seção será como a ação no flop influencia as decisões que
fazemos no turn. Isso porque, no turn, o preço que nosso oponente paga para dar call em
nosso bet no flop determina quais frequências de bet, de check-call e de check-raise são
razoáveis. Além disso, certas linhas podem ou não fazer sentido no contexto do nosso range, e
é importante estarmos cientes disso ou nosso oponente pode nos explorar pode ter ranges
desbalanceados.

Além disso, jogar o turn fora de posição em determinadas texturas de board será bastante
difícil, especialmente se existem muitos draws mas poucas mãos fortes em nosso range.
Posição é frequentemente muito valiosa, e um oponente ótimo saberá quais mãos estão em
nosso range e constantemente utilizará tamanhos de bet para torná-las difíceis de jogar. Mas
mesmo que nenhuma solução ideal para este problema se apresente, entendendo a teoria por
trás do jogo no turn fora de posição, minimizaremos nossa frustração e maximizaremos nossos
ganhos.

9.2 JOGANDO O TURN COMO O AGRESSOR NO FLOP

Anteriormente, focamos em combater os calls do nosso oponente no flop betando o turn e o


river. Isto era feito pois situações onde o jogador que betou possui um range perfeitamente
polarizado são fáceis de inserir em um modelo, permitindo que novos conceitos sejam
explicados claramente. Mas na verdade, também precisaremos defender contra os calls do
oponente no flop dando check-call e check-raise no turn ao invés de apenas betar.

Aqui está um exemplo simples. Betamos 6 BBs em um pote de 8 BBs no flop e nosso oponente
dá call com uma mão que não possui equidade. Além do mais, vamos presumir que ele sempre
betará 15 BBs no turn se dermos check, já que sua mão nunca possui valor de showdown
(então a única forma dele betar é blefando). Quando ele faz isto, qual linha utilizamos no turn
determinará quanto dinheiro ele ganhará ou perderá no geral dando call no flop.

1) Dar check-fold no turn resulta no nosso oponente ganhando 14 BBs – as 8 BBs originais
no pote mais nosso bet de 6 BBs no flop – de seu call no flop e bet no turn.
2) Presumindo que nosso oponente foldará sua mão (que possui zero de equidade)
quando betamos o turn, quando betamos ele perde as 6 BBs que ele arriscou no flop.
3) Dando check-call ou check-raise faz com que nosso oponente perca tanto as 6 BBs que
ele arriscou dando call no flop quanto as 15 BBs de seu bet no turn, para um total de
21 BBs.
Portanto, não devemos dar check-fold no turn em uma frequência tão alta que permita que
nosso oponente possa lucrativamente dar call no flop com quaisquer duas cartas com a
intenção de blefar a street seguinte. Além do mais, os valores mencionados previamente
podem ser usados na inequação abaixo para mostrar que uma combinação de bet, check-raise
e check-call no turn é necessária para fazer com que nosso oponente seja incapaz de dar call
com a pior mão de seu range de flop.
(Frequência de check-fold no turn)(14) + (frequência de bet no turn)(-6) + (frequência de
defesa de check no turn)(-21) ≤ 0

Perceba que esta é uma inequação, ao invés de uma equação. Isso porque o valor esperado
(para nosso oponente) de dar call com a pior mão em seu range de flop deve ser menor ou
igual a zero, caso contrário ele nunca foldará no flop. Em outras palavras, embora não
saibamos o valor esperado de dar call com a pior mão do range de flop do nosso oponente, ele
deve ser menor ou igual a zero ou ele nunca foldará no flop.

Além disso, nosso exemplo presume que nosso oponente perde em média a quantidade
máxima possível quando betamos no turn, damos check-call ou damos check-raise. Na verdade
ele não perderá, em média, 6 BBs quando der call em nosso bet no flop e quando betarmos o
turn, já que ele às vezes melhorará no turn e será capaz de lucrativamente dar raise ou call.

Da mesma forma, quando damos check-call no turn, a mão do nosso oponente geralmente
terá alguma equidade ou pode conseguir a oportunidade de lucrativamente blefar no river.
Isto reforça ainda mais o porquê de nosso oponente, se estivermos jogando corretamente,
esperar perder dinheiro se ele der call no flop com uma mão sem equidade. Nossas
frequências de turn devem ser construídas para fazer com que o call correto teoricamente pior
em seu range seja próximo a break even, e como estas mãos possuem equidade, se ele der call
com uma mão sem equidade, esta claramente deve ser uma jogada deficitária.

Além disso, embora nossas frequências no turn devam mudar em diferentes texturas de flop,
se betarmos apropriadamente, nosso oponente provavelmente deve foldar as mãos mais
fracas de seu range para um bet. Colocado de outra forma, se nosso range de bet no flop for
tão fraco em relação ao range do nosso oponente que ele nunca folde, então quase
certamente nem deveríamos ter betado o flop, para começar.

Embora esta inequação não possa ser utilizada para encontrar as frequências teoricamente
corretas de bet, check-call e check-raise no turn, ela pode ser utilizada para dizer se uma
combinação de frequências está incorreta. Por exemplo, suponha que betamos o turn 50% do
tempo, damos check-call ou check-raise um total de 5% do tempo, e damos check-fold nos
45% restantes. Quando usando estas frequências, o valor esperado do call do nosso oponente
no flop com a pior mão em seu range de flop é de pelo menos 2,25 BBs.

2,25 = (0,45)(14) + (0,50)(- 6) + (0,05)(-21)

Onde

0,45 é a frequência de check-fold no turn,

0,50 é a frequência de bet no turn, e

0,05 é a frequência de defesa com check no turn.

É importante se lembrar que 2,25 BBs é a quantidade mínima que nosso oponente espera
ganhar em média com seu call no flop, já que mesmo a pior mão em seu range de flop terá
alguma equidade. E neste exemplo, nosso oponente não deve nunca foldar no flop já que cada
mão pode ser jogada de call lucrativamente.

Também perceba que betando o turn apenas 50% do tempo e raramente dando check-call ou
check-raise é facilmente explorável, e estas frequências não são tão fora da realidade quanto
podem parece a princípio. Isto é especialmente verdadeiro em determinadas texturas de flop.
Isso porque muitos jogadores betam imprudentemente no flop, e como resultado possuem um
range fraco no turn. E como seu range no turn é fraco, eles acabam dando check-fold em uma
alta frequência, o que é especialmente problemático se eles não estão dando check-call ou
check-raise frequentemente no turn (e muitos jogadores não estão fazendo isso). Na verdade,
existem muitos jogadores vencedores que betam o flop tão frequentemente que é lucrativo
dar call com quaisquer duas cartas em determinadas texturas de flop, esperando a
oportunidade de blefar o turn.

Aqui está um exemplo. Um jogador fraco geralmente c-betará no flop As-7c-2h. Ele geralmente
value betará com todas as suas mãos fortes e blefará com todas as suas mãos fracas, e mãos
prontas de força média como ases fracos e pares médios fortes são jogados de check-call.
Quando ele faz isso, seu range será muito desbalanceado no turn. Ele terá problemas betando
e defendendo agressivamente seus checks o suficiente para evitar que seu oponente
lucrativamente dê call no flop com quaisquer duas cartas.

Mesmo se um jogador que imprudentemente betar no flop Ac-7s-2h também bete todas as
suas mãos premium, estas mãos são muito limitadas em quantidade. Simplesmente não
haverão muitas mãos fortes no turn em relação à quantidade de mãos fracas blefadas no flop.
Além disso, como o flop é tão seco, geralmente haverão poucas possibilidades de straight ou
flush draws no turn, e nunca haverá nenhuma overcard. Por estas razões, jogadores que
betam muito frequentemente no flop acharão especialmente problemático betar
agressivamente no turn em boards secos.

Além disso, se um jogador beta o flop agressivamente mas dá check-call com todas as suas
mãos de força média, ele frequentemente terá dificuldade em defender muitos de seus checks
no turn. Isso porque haverão poucas ou nenhuma mão em seu range no turn que funcionarão
bem como check-calls. Isso resulta nele dando check-fold no turn em uma alta frequência, e
por causa disso, floatar no flop contra este tipo de jogador é excepcionalmente eficiente.

Consequentemente, quando usando software de computador para analisar sua jogada, é uma
boa ideia estar ciente de sua frequência de bet no turn, de check-call e de check-raise após
betar no flop. Se seu oponente pode, em média, lucrativamente dar call no flop com quaisquer
duas cartas, este é um enorme leak que um jogador astuto pode facilmente explorar. Além
disso, mesmo se seu oponente, em média, perder uma pequena quantidade de dinheiro se ele
floatar o flop com uma mão que tenha zero de equidade, isto ainda sugere que nossas
frequências no turn não estão nem próximas de agressivo o suficiente. Portanto, se você
descobrir que possui este leak, e muitos jogadores possuem, faça um esforço para betar
menos frequentemente no flop e jogar mais agressivamente no turn. Procure também por
texturas de boards específicas onde você pense que pode estar jogando mal.

É também válido repetir mais uma vez que, enquanto podemos provar que certas
combinações de frequências de bet, check-call e check-raise no turn são facilmente
exploráveis, não podemos calcular quais são as frequências ótimas. Além disso, devemos notar
que check-call e check-raise no turn são significativamente mais eficientes que betar em
diminuir o valor esperado dos floats do nosso oponente no flop. Isso porque check-call e
check-raise, no turn, permitem a ele que bete e invista mais dinheiro no pote, dinheiro este
que ele então perderá quando dermos check-call ou check-raise. Em outras palavras, se
estamos preocupados que o valor esperado dos calls do nosso oponente no flop com mãos
fracas seja alto demais, uma forma de diminuir este valor é dar check-call ou check-raise mais
agressivamente no turn.
Por último, perceba que é mais arriscado para nosso oponente dar call em nosso bet no flop
com uma mão que não tenha valor de showdown que com um bluff catcher. Isso porque bluff
catchers podem dar check behind no turn e no river e vencer no showdown sem arriscar mais
dinheiro. Mas se nosso oponente possui uma mão que não tem valor de showdown, ele terá
que blefar em algum momento se ele quiser vencer a mão sem melhorar. Por esta razão, dar
call no flop com mãos que não possuem valor de showdown é ineficaz a menos que eles
possuam a habilidade de melhorar para mãos fortes no turn ou river (como brocas, duas
pontas e flush draws conseguem).

9.3 JOGANDO DRAWS FORA DE POSIÇÃO NO TURN

No turn, uma das maiores desvantagens de estar fora de posição é que draws jogam muito mal
de check-calls. Isto é principalmente pelo fato de que após dar check-call no turn, não teremos
a oportunidade de ver se nosso oponente dá check antes de decidir se blefamos no river se
não acertarmos nosso draw. Consequentemente, isso torna difícil, se não impossível,
lucrativamente dar check-call com draws fracos no turn.

Então a verdadeira questão geralmente não será se dar check-call com um draw é lucrativo,
mas se dar check-call é mais lucrativo que dar check-raise ou betar. Lembre-se, mãos com
pouco valor de showdown que retém bem sua equidade como bets ou raises geralmente são
as melhores mãos para blefar, e draws que tenham de 8 a 11 outs no turn geralmente se
encaixam perfeitamente nesta descrição. O fato que draws funcionam tão bem como blefes é
outra razão pela qual eles geralmente são jogados de bet no turn ao invés de check-call.

Mesmo assim, no turn, nem sempre fará sentido para nós ter um range de bet quando fora de
posição. Isso porque se dermos check-call no flop, nosso range será condensado e o do nosso
oponente polarizado. Assim, por esta razão, nem sempre teremos a opção de betar nossos
draws no turn em um range balanceado, e ao invés disso teremos que dar check-call, check-
raise ou check-fold.

Para analisar a lucratividade de dar check-call no turn com um draw, vamos presumir que ele
tenha 20% de equidade e todos os nossos outs são limpos – flush draws com nove outs
geralmente possuem cerca de 20% de equidade e straight draws com duas pontas com oito
outs têm cerca de 18% de equidade. Se nosso oponente beta 15 BBs em um pote de 20 BBs,
dando call arriscamos 15 BBs para ganhar as 35 BBs que já estão no pote mais quaisquer
implied odds adicionais. Como perderemos 15 BBs 80% do tempo e ganharemos 20% do
tempo, uma equação pode ser usada para calcular quantas big blinds precisaremos ganhar em
média quando acertarmos nosso draw, para justificar o call.

(- 15)(0,8) + (X)(0,2) =>

X = 60

Onde

- 15 é a quantidade perdida quando não acertarmos nosso draw, e

X é a quantidade que devemos ganhar quando acertarmos nosso draw para sermos
indiferentes a dar call.

Pequenos cálculos como este são úteis para se fazer enquanto jogando, especialmente quando
tentando descobrir se dar call com um draw é lucrativo. E com as suposições acima, devemos
ganhar, em média, pelo menos 60 BBs para justificar o check-call. Outra forma de visualizar
esta situação é que, como o tamanho do pote depois que nosso oponente beta já é de 35 BBs,
precisamos ganhar no river, em média, mais 25 BBs para que nosso call no turn tenha uma
expectativa positiva.

Entretanto, esta informação não pode ser usada diretamente para descobrir quão
frequentemente nosso oponente betará no river ou qual o tamanho de bet que ele utilizará.
Isso porque as texturas de board onde possamos ter draws em nosso range de check-call são
os mesmos spots onde o river provavelmente muda a força de muitas mãos no range de cada
jogador, e estes spots não são bem inseridos em modelos. Isto é, nestas situações, nosso
oponente geralmente betará o turn por valor com a intenção de dar check behind no river.
Além disso, ele muitas vezes dará check behind quando ele conseguir uma mão de força
marginal no river com seus blefes, e isto torna ainda mais difícil para nós extrair valor quando
acertarmos nosso draw no river.

Aqui está um exemplo. O board no turn é Ac-9s-6d-4h. Como nosso oponente não teme dar
free cards para nosso range de check-fold nesta textura de board, faz pouco sentido para ele
betar por valor com a intenção de dar check behind no river. Além disso, quase toda as mãos
com que damos check-call serão bluff catchers. Além do mais, como nosso range de check-call
consiste quase inteiramente de bluff catchers, é quase como se nosso oponente estivesse
betando o turn com um range perfeitamente polarizado. Como já vimos anteriormente, é fácil
descobrir quão frequentemente ele precisa betar a street seguinte com um range balanceado
para nos manter indiferentes a dar call com um bluff catcher.

Perceba também que as mesmas texturas de board onde o range de bet no turn do nosso
oponente funciona semelhantemente a um range perfeitamente polarizado, são aquelas onde
não temos muitos ou nenhum draw. E quando seu range não funciona desta forma, a situação
se torna muito mais complexa, tornando difícil prever a frequência de bet no river e o
tamanho do bet quando temos um draw.

Para ilustrar, imagine que nosso oponente dá raise no button e damos call no big blind. Se
damos check-call no flop Js-8s-5d e o turn vier o 9d, ele provavelmente value betará muitas
mãos que ele não planeja betar o river, como pares fracos de valetes, 10-10 e A-9. E como o
river mudará fortemente a força de muitas mãos no range de ambos os jogadores, e nosso
oponente provavelmente value betará o turn com a intenção de dar check behind no river, é
difícil prever quão frequentemente ele betará em diversos rivers.

Entretanto, a situação anterior é onde mais provavelmente nos encontramos comum draw no
turn. Embora não exista fórmula para descobrir qual a frequência de bet do oponente no river,
ainda podemos utilizar nosso conhecimento teórico para fazer boas estimativas de quão
frequentemente esperamos que ele bete o river.

Quando o river acerta muitos draws que estão potencialmente em nosso range de check-call,
nosso oponente geralmente não betará em uma alta frequência. Aqui está um exemplo.
Damos call do bid blind em um raise do button, e damos check-call no flop 10d-4d-3s e no turn
8c. Se o river for o 9d e completar o flush, nosso oponente geralmente irá dar check behind.
Isto acontece, em parte, porque ele provavelmente estava value betando muitas mãos no turn
que não são particularmente fortes para fazer com que foldássemos mãos de alta equidade, e
estas mãos não serão capazes de eficientemente betar o river sem melhorarem.

Entretanto, nosso oponente provavelmente estará ainda mais inclinado a dar check behind
quando o flush se completar pois ele sabe que existem muitos flushes em nosso range. Isso
porque provavelmente damos check-call com a maioria dos nossos flush draws no flop, e no
board 10d-4d-3s-8c, todos estes flush draws também eram pares, brocas ou tinham overcards.
Em outras palavras, todos os nossos flush draws no turn provavelmente tinham outs
adicionais, e alguns podem até mesmo ser a melhor mão. Assim, no turn, isso nos encoraja a
dar check-call mais uma vez, o que resulta no nosso range sendo mais voltado para flushes no
river. Consequentemente, é mais difícil para nós extrair valor neste river que em outro turn,
pois nosso oponente sabe que provavelmente estamos fortes.

Vamos contrastar isto com um exemplo onde teremos poucos draws que melhoram no river.
No big blind, damos call em um raise do button com 10s-8s. Se damos check-call no flop Kh-9d-
6s e no turn 2s, nosso oponente provavelmente betará no river se fizermos um straight ou
flush. Isso porque não haviam possíveis flush draws no flop, então é menos provável que
tenhamos um flush draw em nosso range no turn. Além disso, se o river vier o 7d e nos der um
straight, nosso oponente provavelmente continuará betando agressivamente, já que este river
não atingiu nosso range particularmente bem. Então, dar call com nosso draw no turn deve ser
muito lucrativo, já que nosso oponente provavelmente betará agressivamente quando
acertarmos, e ele pode até mesmo overbetar quando fizermos um straight.

Em outras palavras, draws são muito melhores quando o draw acerta em rivers que não são
particularmente bons para nosso range. A maioria dos jogadores são acostumadas a acertar
um draw e só então se perguntar: “Como eu posso extrair valor agora? Meu range é forte e
meu oponente sabe disso, então ele não vai betar e é improvável que ele pense que estou
blefando se eu betar.” Isto deve ser levado em conta antes de decidir entre dar call ou não
com um draw.

Para que o check-call com draws no turn seja lucrativo, nosso range de check-call no turn
precisa ser balanceado para que nosso oponente tenha o incentivo de betar o river com uma
boa frequência se acertarmos nosso draw. Se dermos check-call com muitos flush draws, ele
provavelmente não blefará quando uma carta que completa o flush vier no river, mas se nunca
dermos check-call com flush draws, ele deve frequentemente overbetar o river quando o flush
se completar. Straight draws são frequentemente um pouco mais fáceis de se dar call, já que
eles geralmente serão menos óbvios quando se completarem no river.

No equilíbrio, provavelmente estaremos dando check-call com alguns mas não todos os nossos
flush draws. Isso dá ao nosso oponente um incentivo para betar agressivamente quando o
flush vier, mas ele não betará tão agressivamente que nossos piores flush draws serão calls
lucrativos. Além disso, se ele fizer um pequeno bet no turn, geralmente seremos capazes de
dar call com a maioria, senão todos, os nossos flush draws, mas infelizmente nosso oponente
geralmente não betará baixo quando existirem muitos draws em nosso range. Colocado de
outra forma, ele provavelmente escolherá um tamanho de bet no turn para que estejamos
próximos a indiferentes a dar call com muitos dos nossos straight e flush draws. E quanto isto
acontecer, nossos melhores draws serão calls lucrativos enquanto dar call com nossos draws
mais fracos será uma jogada deficitária.

9.4 JOGANDO O TURN APÓS BETAR NO FLOP

Agora precisamos nos assegurar de que mãos estão sendo colocadas nos ranges corretos no
turn após betarmos no flop. Perceba que decisões difíceis no turn não podem ser
completamente evitadas, mas com um excelente jogo no flop estas decisões ocorrerão apenas
em turns particularmente difíceis. Betando e dando check com ranges balanceados no flop,
maximizamos nossas chances de sermos capazes de jogar eficientemente o turn.
9.4.1 Betando no Turn após Betar no Flop

Se recebemos um call no nosso bet no flop, geralmente teremos um range polarizado no turn.
De que tipos de mãos consiste o range do nosso oponente dependerá da textura do board e se
ele fez slowplay com muitas mãos fortes no flop. Se ele possui poucas mãos fortes em seu
range, devemos considerar overbetar com algumas das nossas mãos mais fortes, já que nosso
oponente provavelmente não dará raise em nosso bet no turn.

Lembre-se, é teoricamente correto utilizar múltiplos tamanhos de bet no mesmo spot e ter
balanceado cada range de tamanho de bet. Então, mesmo que o overbet faça sentido,
overbetaremos com algumas mãos e betaremos baixo com outras. Claro, isto é difícil de se
implementar na prática, mas o tamanho correto do bet pode ter um enorme impacto sobre o
valor esperado de nossa mão.

Aqui está um exemplo. Damos raise no cutoff, nosso oponente dá call no button, e o flop vem
Kh-10h-7c. Se nosso oponente der call em nosso bet no flop e o turn vier o 5s, não é provável
que ele dê raise em nosso bet no turn. Isto significa que overbetar um range composto por
algumas mãos muito fortes que quase nunca podem ser vencidas (A-K ou melhor) e por blefes
é extremamente eficaz. Perceba que nosso oponente deu azar de ver um turn que não coloca
mãos fortes em seu range, e overbetar maximiza o valor esperado de nossas mãos mais fortes,
e nos permite blefar mais mãos em ranges balanceados.

Também é importante notar em um spot como esse que muitos jogadores geralmente têm
medo de overbetar com mãos que não são o nuts como top pair top kicker. Mas se nosso
oponente possui algo melhor que A-K no board Kh-10h-7c-5s, ele provavelmente vai ganhar a
maior parte, se não todo o nosso stack, independentemente do tamanho do nosso bet no
turn. Lembre-se, os stacks possuem uma profundidade de apenas 100 BBs nestes exemplos,
por isso mesmo que nosso oponente tenha uma mão muito forte, ele ainda está limitado no
quanto ele pode ganhar.

Mas mesmo que tenhamos um ramge de overbet, mãos fortes que podem estar perdendo ou
splitando devem betar mais baixo. Por exemplo, não faria sentido overbetar J-J no board Kh-
10h-7c-5s. Mais especificamente, betar mais baixo requer que nosso oponente continue dando
call com mãos mais fracas, como um par de 10 ou um draw fraco, que foldariam para um bet
alto. Além disso, se ele possui a melhor mão, geralmente perderemos menos dinheiro, já que
será improvável que ele dê raise com um range capado. Entretanto, é crucial que também
betemos baixo com algumas mãos extremamente fortes ou nuts, para que nosso oponente
não possa imprudentemente dar raise sabendo que não estamos fortes. Portanto, é
frequentemente eficaz betar maior em relação ao tamanho do pote no flop que no turn, com
uma mão forte mas vulnerável.

Por exemplo, imagine que damos raise em MP com 10s-9s, o button dá call, e o flop é 10h-6h-
3c. Perceba que 10-9s geralmente não é forte o suficiente para vencer no showdown após
betar bets de tamanho médio em múltiplas streets, mas também não gostamos de dar free
cards para o range de flop do oponente, já que nossa mão é vulnerável. O que devemos fazer?

Uma opção é fazer um bet de tamanho médio no flop e então betar mais baixo em turns e
rivers favoráveis. Betar um pouco maior no flop é ideal pois queremos encorajar nosso
oponente a foldar algumas mãos de alta equidade como Ad-Jc e Ks-Js, que ele provavelmente
foldará pois estas mãos possuem outs duvidosos contra nosso range de bet. Mas podemos
betar menor em um turn favorável, como o 3s, já que algumas das mãos compostas por
overcards do nosso oponente já foldaram no flop, e as que não foldaram agora possuem
menos equidade. Além disso, um bet pequeno assegura que extraiamos valor adicional de
quaisquer 9-9 e 8-8, que provavelmente jogarão de check se tiverem a oportunidade.

Betar menor no turn provavelmente é mais eficaz que dar check, já que betar evita que nosso
oponente veja o river com seu range inteiro. Adicionalmente, um bet pequeno é melhor que
um bet grande, pois um bet grande provavelmente faz o oponente foldar seus piores bluff
catchers, dos quais estamos ganhando. Por último, se é improvável que ele dê raise
agressivamente nossos bets no turn com suas mãos fortes, perderemos menos betando baixo
que se déssemos check-call e nosso oponente betasse maior.

Enquanto você pode pensar que betar baixo em turns que sejam blanks torne os calls do
oponente no flop eficazes assim como torna difícil o nosso blefe, lembre-se que também
frequentemente teremos um range de overbet na mesma textura de board. Mesmo que
overbetar 10s-9s no board 10h-6h-3c-3s seja ineficaz, overbetar Q-Q pode ser uma jogada
excelente. Isso porque efetivamente betar o tamanho correto com as mãos corretas maximiza
seu valor esperado, e constantemente coloca nosso oponente em um spot complicado.

Pelo contrário, se a textura do flop for seca, é improvável que queiramos overbetar quaisquer
turns, já que nosso oponente provavelmente não teria dado raise com nenhuma de suas mãos
muito fortes no flop. Por exemplo, damos raise no cutoff e nosso oponente dá call no button.
Se o oponente der call no nosso bet no flop Ks-8c-5d e o turn vier o 9s, este não é um bom
spot para ter um range de overbet.

O overbet não será eficaz pois nosso oponente provavelmente deu apenas call com trincas no
flop e pode também ter conseguido uma trinca de noves no turn. Como ele pode estar forte
no turn, ele às vezes dará raise com um range polarizado consistindo de straights, trincas e
blefes. Isto é significativo pois se tivermos um straight no turn e nosso oponente tiver uma
trinca, ele provavelmente dará raise e comprometendo seu stack, não importa qual seja o
tamanho do nosso bet. Isso nos encoaraja a betar menos com nossas mãos nuts já que um bet
alto não é necessário para ir all-in no river quando nosso oponente estiver muito forte.

Em teoria, nós iremos querer utilizar múltiplos tamanhos de bet em quase toda textura de
board. Mas balancear ranges múltiplos é difícil, e é mais importante fazer isso quando nosso
oponente não puder estar forte e raramente der raise em nosso bet. Mais especificamente, é
melhor nos assegurarmos de que estamos ao menos utilizando grandes overbets em turns ou
rivers blank após nosso oponente dar call em nosso bet em um board molhado. Outros spots
são geralmente menos importantes e mais difíceis, e serão discutidos em mais detalhes em
futuros capítulos do livro.

9.4.2 Dando Check-Call no Turn após Betar no Flop

Embora dar check-call no turn permita que nosso oponente blefe com mãos fracas que deram
call no flop, não o pune tão severamente quanto o faz o check-raise. Isso porque no river ele às
vezes fará a melhor mão ou se encontrará em um spot de blefe lucrativo. Mesmo assim, o
valor esperado do blefe do nosso oponente no turn dependerá da qualidade de sua mão e da
textura do board, já que dar check-call em algumas texturas de board é muito mais arriscado
que em outras.

Já que o range de bet no turn do nosso oponente é polarizado, claro que faz sentido que nosso
range de check-call consista primariamente de mãos de força média quando possível. Como
nosso range de bet no flop era polarizado, as mãos de força média no nosso range no turn
frequentemente serão mãos que eram fortes no flop mas que foram prejudicadas por um turn
ruim. Além disso, podemos ter value betado mãos vulneráveis no flop com a intenção de dar
check-call em muitos turns.

Podemos também decidir dar check-call no turn com blefes do flop que não melhoraram se
nosso oponente betar baixo. Aqui está um exemplo. Nós betamos As-Qc no flop 9s-8s-4h já
que podemos conseguir o nut flush draw ou top pair no turn. Se o turn vier 2d e dermos check,
nosso oponente pode betar baixo pensando que será difícil para nós dar check-call e jogar o
river fora de posição. Mas dar call em um bet baixo com As-Qc provavelmente será lucrativo,
já que nossa mão possui valor de showdown e pode fazer um par forte no river. Então, dar
check-call no turn com overcards que tenham valor de showdown frequentemente será
necessário, se nosso oponente betar baixo, para evitar ser facilmente explorado por bets
pequenos.

9.4.3 Dando Check-Raise no Turn após Betar no Flop

Nosso range de check-raise no turn deve ser polarizado, assim como o nosso range de raise em
posição no turn. Entretanto, como estamos fora de posição, frequentemente é melhor dar
raise para um valor mais alto. A razão para isto é que agora, se nosso oponente decidir ir all-in,
ele abrirá mão de sua vantagem de posição, enquanto que antes, quando dávamos raise em
posição, ele poderia ir all-in e destruir nossa vantagem de posição. Consequentemente, isso
permite que demos raises um pouco maiores e ainda esperamos que nosso oponente defenda,
na maior parte das vezes, dando call. E como os nossos check-raises no turn são ligeiramente
maiores que nossos raises em posição e não temos a vantagem da posição, geralmente vamos
querer que entre 50 e 60% dos nossos check-raises sejam por valor.

Apesar das semelhanças entre dar raise em posição e fora de posição, existem várias
diferenças-chave que devem ser levadas em conta. A primeira diferença-chave é que, quando
fora de posição, não temos a garantia de ver um showdown após dar check no river. Isso torna
o raise no turn fora de posição mais difícil, já que nosso oponente tem a oportunidade de
betar com um range balanceado quando temos um bluff catcher no river. Isso também diminui
o valor esperado dos nossos bluff catchers no river, e será discutido em mais detalhes em
capítulos futuros.

Segundo, é difícil encontrar um tamanho ideal quando dando check-raise no turn. Por um lado,
um check-raise pequeno dá ao nosso oponente um bom preço para dar call e deixa com que
ele frequentemente jogue o river em posição. Mas por outro lado, um check-raise grande
torna difícil para nós foldar se nosso oponente shovar, já que teremos bons odds.

Aqui está um exemplo. Queremos dar check-raise com um range composto principalmente por
trincas e blefes no board 9h-8d-6h-4d, já que existem tantos straight e flush draws possíveis.
Mas dar check-raise para um valor baixo é difícil, já que nosso oponente possuirá bons odds
para dar call assim como terá implied odds e posição no river. Além do mais, também é difícil
para nós dizer se o river melhorou a mão do nosso oponente, e ele frequentemente será capaz
de lucrativamente blefar quaisquer duas cartas se dermos check.

Continuando, se damos check-raise para 40 BBs ou menos no turn, nosso oponente terá odds
de 3-para-1 ou melhor, além de quaisquer implied odds que ele tenha quando possuir um
draw. Isso torna o check-raise pequeno difícil já que ele provavelmente será capaz de
lucrativamente dar call com uma larga parte de seu range. Entretanto, devemos nos lembrar
de que, só porque ele pode lucrativamente dar call com seus draws não significa que o
tamanho do nosso check-raise foi ineficaz. Se nosso oponente betar o turn com um flush draw
e receber um call, o valor esperado de sua mão quase certamente será maior que se
tivéssemos dado check-raise, pois nosso raise requer que ele coloque no pote dinheiro
adicional quando ele estiver perdendo.

Check-raises grandes são tentadores pois eles dão ao nosso oponente odds piores para dar call
com seus draws. Mas em texturas de board molhadas, é difícil blefar dando check-raise no
turn e então foldar para um shove já que precisamos de tão pouca equidade para dar call.

Perceba que um check-raise para 40 BBs nos deixa com apenas 50,5 BBs restantes, e se nosso
oponente shovar, isso requer que tenhamos apenas 25,3% de equidade para que o call seja
lucrativo.

(-50,5)(1 – X) + (149,5)(X) = 0 =>

X = 0,253

Onde

149,5 é a quantidade no pote,

50,5 é o preço para dar call, e

X é a equidade necessária para que o call seja lucrativo.

Isso nos força a fazer calls ligeiramente lucrativos ou folds questionáveis após fazer um grande
investimento no pote. Além do mais, em texturas de board que sejam razoavelmente
conectados, não existem muitas mãos fortes o suficiente para check-raise blefar, que não
tenham cerca de 25,3% de equidade.

É também válido notar que, como nosso oponente garante a realização da equidade de seu
blefe quando ele vai all-in, nós teremos que dar call em seu shove no turn em uma alta
frequência para torná-lo indiferente a blefar com seus draws. Enquanto a frequência exata
dependerá do tamanho do nosso bet no turn e da equidade dos blefes do nosso oponente, se
foldarmos mais que um-terço do tempo, seu shve será lucrativo. Isso significa que, se apenas
de 50 a 60% dos nossos check-raises no turn são check-raises por valor, nosso oponente
provavelmente será capaz de shovar lucrativamente seus draws. Mais uma vez, isso pode não
ser um problema, mas provavelmente também nos encoraja a dar check-raise um pouco mais
com mãos de valor quando o board está muito molhado. Também devemos considerar dar
check-raise e dar call com alguns draws muito fortes, que dominam os draws mais fracos do
nosso oponente.

Geralmente devemos jogar de check-raise all-in se o tamanho do nosso check-raise for tão
grande que seja impossível para nós foldar se nosso oponente shovar. Isso retira a opção do
vilão de apenas dar call em nosso check-raise sem ir all-in, e como nunca foldaremos para seu
shove de qualquer forma, isso simplesmente deixa ele com uma opção a menos.

Enquanto jogar de check-raise all-in no turn é uma opção, dar check-raise em um bet de 15
BBs para 90,5 BBs é um raise massivo e distante do ideal. No final das contas, parece não haver
uma solução ideal para este problema. Boards molhados, no turn, são complicados de jogar
fora de posição quando nosso oponente usa qualquer tamanho razoável de bet, pois tanto o
check-call quanto o check-raise frequentemente nos coloca em spots complicados.
9.5 JOGANDO O TURN APÓS DAR CHECK-CALL NO FLOP

Embora às vezes joguemos de slowplay mãos fortes em texturas secas de flop, a maior parte
do nosso range no turn será condensado após darmos check-call no flop. Se é possível que
tenhamos o nuts em nosso range dependerá tanto da textura do board no flop quanto no turn,
e isto tem um impacto significativo em como mãos em nosso range devem ser jogadas.

9.5.1 Dando Check-Call no Turn após dar Check-Call no Flop

Se damos check-call no flop, a maioria do nosso range de defesa no turn deve ser jogado de
check-call novamente, já que nosso oponente possui o range polarizado. Mais uma vez, uma
das diferenças-chave entre jogar em posição e fora de posição é quão difícil é dar check-call
com draws. Isso concentra ainda mais nosso range de check-call no turn em um range
composto de principalmente mãos prontas de força média, já que dar call com draws fracos
frequentemente será uma jogada deficitária.

Em situações onde damos check-call e check-raise agressivamente no flop, pode ser razoável
permitir ao nosso oponente que lucrativamente bete quaisquer duas cartas no turn. Isso
porque seu bet no flop tinha uma baixa frequência de sucesso, então ele ainda não terá um
incentivo para betar imprudentemente só porque ele provavelmente terá a oportunidade de
fazer um blefe ligeiramente lucrativo no turn. Em outras palavras, nesta situação, nosso
oponente teve que, em média, investir uma quantidade substancial de dinheiro no pote para
ter a oportunidade de blefar o turn, então permitir que ele faça blefes ligeiramente lucrativos
não é problemático.

Quando não defendemos nosso range de check no flop de forma particularmente agressiva,
nosso oponente frequentemente ganhará imediatamente ou terá a oportunidade de blefar no
turn. Isso nos encoraja a defender o turn agressivamente o suficiente para que ele não possa
lucrativamente betar quaisquer duas cartas. Existem exceções, especialmente quando o turn
for particulamente ruim para nosso range e nosso oponente puder overbetar.

Entretanto, geralmente nós determinaremos nossa frequência de check-call baseado no


tamanho do bet do oponente. Se ele betar alto, é melhor dar check-call com um range tight,
mas se ele betar baixo, é necessário dar check-call com um range amplo para evitar que ele
lucrativamente bete quaisquer duas cartas.

9.5.2 Dando Check-Raise no Turn após dar Check-Call no Flop

Nossa frequência de check-raise no turn será determinada pela textura do flop e pela carta
que vier no turn. Como anteriormente discutido, frequentemente não é possível dar check-
raise efetivamente após dar check-call em uma textura de flop molhada quando o turn for uma
blank. Mas se damos check-call em uma textura de board seca ou se o turn pôs algumas mãos
muito fortes em nosso range, um range de check-raise balanceado pode ser utilizada para
prevenir que nosso oponente realize de forma barata a equidade de seus blefes.

Aqui está um exemplo. Damos check-call no flop 10d-9d-4s. Primeiro perceba que é difícil dar
check-raise o turn não for uma carta de ouros, uma Q, J ou 8. Isso porque é ineficaz dar
slowplay com mãos fortes neste flop a menos que nosso oponente frequentemente overbete
o turn, e mesmo então o risco pode ainda não ser justificado. Entretanto, quando o turn coloca
straights ou flushes em nosso range, teremos pouca dificuldade em balancear um range de
check-raise.
Se a textura do flop foi seca, geralmente seremos capazes de dar check-raise em qualquer
turn. Isso porque dar check-call com nossas mãos mais fortes no flop foi mais lucrativo que dar
check-raise, principalmente porque havia pouco risco na mão do nosso oponente se tornar
melhor que a nossa no turn, ou nele temendo o board com uma mão forte e dando check
behind.

Por exemplo, seremos capazes de dar check-raise (se ele betar) em todos os turns após dar
check-call com uma trinca de oitos no flop Ah-8c-4s. Dar check-call permite que mantenhamos
o range do nosso oponente amplo e o punamos quando ele der double barrels nos draws que
ele conseguir no turn. Além do mais, podemos balancear nossos check-raises por valor dando
check-raises com blefes, como alguns straight draws, flush draws e pares com 5 outs, que
tenham uma chance razoável de melhorar mas pouco valor de showdown.

9.5.3 Saindo de Lead no Turn após dar Check-Call no Flop

Como discutido anteriormente, ao contrário do flop, quando ambos os jogadores geralmente


possuem ranges similares, no turn os ranges serão mais assimétricos após um jogador betar o
flop e outro dar call. Consequentemente, sair de lead no turn é geralmente ineficaz, já que
nosso range de check-call no flop é condensado, e betar com um range condensado quando
nosso oponente possui um range polarizado é uma jogada deficitária. Mais especificamente,
nosso oponente pode foldar confortavelmente as mãos mais fracas de seu range e dar raise
com suas mãos fortes assim como seus bons blefes. Portanto, embora a inabilidade de sair de
lead no flop seja um leak considerável que muitos jogadores possuem, nunca sair de lead no
turn é um leak muito menor, já que spots apropriados ocorrem menos frequentemente.

Entretanto, sair de lead no turn é uma poderosa jogada quando o turn significativamente
fortalece nosso range em relação ao range do oponente. Isso ocorre frequentemente quando
a carta do meio dobra, mas pode ocorrer em outros spots também. Portanto, é importante ser
capaz de rapidamente reconhecer quando o turn desproporcionalmente favorecer nosso
range e considerar sair de lead quando isto ocorrer.

Aqui está um exemplo. Damos call em um raise do button do big blind, e damos check-call no
flop Qh-10c-4s. Se o turn vier o 10h, este é um ótimo spot para sair de lead, já que nosso range
de check-call provalmente possui muitos mais 10 que no range de bet do nosso oponente. Isso
porque ele provavelmente daria check behind com muitos de seus 10 no flop, já que eles não
são geralmente fortes o suficiente para betar múltiplas streets por valor e não vão bem
quando enfrentam um check-raise. Entretanto, como daríamos check-call com quase todos os
10 em nosso range, é mais provável que tenhamos uma trinca no turn que nosso oponente.

Se dermos check no turn nesta situação, nosso oponente deve dar check behind em uma alta
frequência, já que seus pares de Q não são mais fortes o suficiente para efetivamente
continuar value betando, e se tornarão apenas bluff catchers quando enfrentarem um check-
raise. Colocado de outra forma, nosso range de check será forte demais se nunca sairmos de
lead com qualquer uma de nossas trincas, e isso nos encoraja a sair de lead com nossas mãos
fortes. Lembre-se, o poker teoricamente ótimo não se importa sobre quem tem a iniciativa, e
se nosso range é melhor que o do nosso oponente devido a um turn favorável, devemos
frequentemente betar.

9.6 RESUMO
Jogar bem no turn quando fora de posição é difícil, mas com cuidadoso planejamento a
vantagem de posição do nosso oponente pode ser minimizada. É importante betar, dar check-
call e check-raise em frequências razoáveis, caso contrário nosso oponente será capaz de
imprudentemente dar call no flop e levar o pote no turn. Mais especificamente, check-raises
no turn são uma ferramenta excelente para punir um oponente que dá muitos call no flop, e
overbets em turns que sejam blanks são úteis para combater ranges condensados.

É também crucial ter em mente quem possui o range polarizado, assim como quantas mãos de
força marginal possuímos. Por exemplo, se o check-call for difícil, check-raises devem ser
usados mais agressivamente para evitar que nosso oponente bete imprudentemente. Embora
infelizmente existam algumas texturas de board que são difíceis de se jogar, especialmente
com draws, quando fora de posição, com cuidadoso planejamento o valor esperado de nosso
range pode ser maximizado contra oponentes fortes.

Aqui estão alguns pontos importantes.

1. Mesmo que seja impossível descobrir as frequências ótimas de bet, check-call e


check-raise no turn, ainda pode ser demonstrado que algumas combinações
destas frequências são claramente erradas e facilmente exploráveis.
2. Dar check-call ou check-raise no turn pune nosso oponente por dar call no flop
com uma mão fraca mais severamente que betando.
3. Nosso range de check-call no turn deve consistir em sua maioria de mãos de força
média, independente de se betamos ou demos check-call no flop.
4. Quando fora de posição, é mais difícil dar check-call com draws que em posição, já
que raramente teremos a oportunidade de blefar missed draws no river.
5. Após dar check-call no flop, na maioria das vezes defenderemos dando check-call
no turn, já que nosso range é condensado.
6. No turn, frequentemente não existe tamanho ideal de check-raise quando o board
estiver molhado. Isso porque dar check-raises baixos dá ao nosso oponente bons
odds para dar call com seus draws, enquanto que dar check-raises altos torna
difícil foldar se ele shovar.
7. Sair de lead no turn é incomum pois frequentemente já sinalizamos que temos
uma mão de força média quando damos check-call no flop. Entretanto, sair de lead
no turn faz sentido se o turn melhorar mais nosso range que o range de nosso
oponente.
10. POTES 3-BETADOS NO TURN

10.1 INTRODUÇÃO

Enquanto as decisões no turn em potes 3-betados sejam inquestionavelmente importantes, já


que tanto dinheiro está em risco, é importante se lembrar que o pote geralmente já será bem
grande antes que quaisquer apostas ocorram no turn. Isto é, já que o pote é tão grande em
relação aos tamanhos restantes dos stacks, nossas opções são geralmente bastante limitadas.
Entretanto, vale a pena gastar algumas poucas páginas focando nestas situações, já que estes
erros custam caro.

Além do mais, novos jogadores provavelmente se surpreenderiam ao saber quão


frequentemente decisões no turn em potes 3-betados ocorrem entre dois jogadores
teoricamente ótimos. Como foi discutido na parte 2, “Jogo Pré-Flop”, os blinds devem 3-betar
agressivamente contra raises do cutoff e do button, que por sua vez devem defender na maior
parte das vezes dando call. Enquanto jogadores fracos podem não 3-betar agressivamente o
suficiente, o que permite que o cutoff e o button explorativamente foldem para 3-bets, esta
não é uma opção razoável contra jogadores agressivos. Da mesma forma, bets no flop
frequentemente devem ser jogados de call em potes 3-betados, e isto resulta em jogar o turn
por um pote grande sendo uma ocorrência relativamente comum.

Mais uma vez assumiremos que o jogador que 3-betou está fora de posição e o jogador que
deu call no 3-bet está em posição, como é o caso na maioria dos potes 3-betados. Mas, mesmo
se isto não for verdadeiro, é importante se lembrar que o jogador que 3-betou deve ter um
range polarizado, e portanto espera-se dele a maioria dos bets no flop. Além disso,
praticamente todos os conceitos teóricos que discutimos anteriormente para potes onde
houve apenas raise se aplicarão aqui.

Enquanto discutimos apenas o jogo com stack inicial de 100 BBs até aqui, deve ser notado que
esta profundidade de stack é especialmente relevante para esta seção. Mais especificamente,
à medida que a profundidade de stack muda, muita da matemática demonstrada nas páginas
seguintes mudará significativamente. Portanto, é importante não pensar que as frequências e
proporções discutidas nesta seção funcionarão igualmente bem para tamanhos de stack
diferentes.

10.2 EXECUTANDO UM DOUBLE BARREL EM UM POTE 3-BETADO

Vamos começar analisando como jogar o turn quando fora de posição em um pote 3-betado
após betar no flop. Enquanto, claro, faz sentido seguir a prática usual de betar com um range
polarizado, nos será de pouca valia repetir toda a matemática e as frequências que já foram
discutidas. (Dito isto, é importante ter em mente que geralmente queremos que um pouco
mais que metade dos nossos double barrels em potes 3-betados sejam por valor). Ao
contrário, nosso foco será em tomar as linhas corretas com os tipos de mãos corretos e utilizar
tamanhos de bet que façam sentido.

Como mostrado anteriormente, se, no flop, o tamanho inicial do pote é de 25 BBs e betamos
12,5 BBs, então o pote terá 50 BBs antes que qualquer bet ocorra no turn. Se então betarmos
25 BBs no turn e nosso oponente for all-in de um total de 75 BBs, nosso call vai arriscar 50 BBs
para ganhar 150 BBs, e isso requer apenas 25% de equidade para que o call seja lucrativo. E
como nossa mão requer exatamente 25% de equidade para ser indiferente ao call, qualquer
mão com menos equidade que isso deverá foldar para um shove do oponente no turn.
Infelizmente, a maioria dos straight draws duas pontas e flush draws possuem ligeiramente
menos que 25% de equidade contra o range de shove do oponente no turn. Em outras
palavras, draws possuem quase a quantidade máxima de equidade possível e ainda requer que
foldemos ao enfrentarmos um shove no turn após betar 50% do pote. Poucos resultados no
poker são piores que colocar metade de seu stack com um draw de alta equidade apenas para
ter que foldar, então precauções especiais devem ser tomadas para tentar evitar que isto
aconteça.

Existem diversas formas de evitar o bet-fold com um draw de alta equidade no turn. A
primeira é simplesmente dar check. Desta forma nós veremos uma free card no river se nosso
oponente der check, ou podemos jogar de check-call ou check-raise se ele betar.

Um oponente ótimo estará ciente do quanto é indesejável ter que jogar de bet-fold no turn
em um pote 3-betado com um draw, assim como o quanto é difícil jogar de check-call em
muitas texturas de board após betar o flop (já que nosso range, em sua maior parte, deve ser
polarizado). Isto encoraja nosso oponente a fazer bets pequenos no turn, e quando ele fizer
isso, dar check-call com um flush draw é provavelmente altamente lucrativo (comparado a
foldar), já que possuímos tão bons odds. Na verdade, a maioria dos jogadores atualmente
estão betando alto demais quando enfrentando um check no turn em um pote 3-betado, e
isso frequentemente tornar nossos check-calls menos eficientes e nossos check-raises mais
eficazes que eles deveriam ser. (Nossos check-raises são mais eficazes pois o pote é maior
quando nosso oponente folda).

Outra opção é simplesmente overbetar all-in no turn. Nosso oponente frequentemente foldará
para um bet tão grande e quando ele não foldar, conseguiremos realizar a equidade de nossa
mão já que estamos all-in. Por exemplo, se o pote tem 50 BBs no turn, nosso shove no turn
será de 75 BBs ou 1,5 pote. Entretanto, esse grande overbet pode ser o melhor, já que é bem
fácil desenvolver um range balanceado de shove que consista de mãos fortes e blefes de alta
equidade neste spot. Isto é especialmente verdadeiro já que muitos dos nossos 3-bet blefes
eram suited connectors e gappers, que frequentemente fazem straight ou flush draws no turn
e são excelentes blefes.

É também importante notar que manter o range do nosso oponente amplo geralmente é um
resultado desejável já que isso significa que, no final das contas, irá all-in com mãos fracas.
Entretanto, se sabemos que nossa mão possui tanta equidade que não podemos foldar para o
shove do nosso oponente no turn, bets altos são melhores pois eles maximizam nossa fold
equity.

Além disso, será mais fácil ir all-in no turn após fazer um bet maior no flop. Isto é, betando
mais alto no flop com um range que consista de muitas mãos que irão querer overbet shovar
no turn geralmente é o melhor. Isso nos permite ganhar um pote maior quando nosso
oponente foldar, e requer que arrisquemos menos dinheiro no turn em relação ao tamanho do
pote.

Aqui está um exemplo. Ao invés de betar 12,5 BBs no flop e 75 BBs no turn, podemos betar
mais no flop para que nosso overbet no turn não seja tão enorme em relação ao tamanho do
pote. Mais especificamente, o pote terá 61 BBs após um bet de 18 BBs, e nosso shove no turn
será de 69,5 BBs ou 1,14 pote. Enquanto este ainda é um bet grande, é significativamente
menor que betar 75 BBs em um pote de 50 BBs.
Tenha em mente que é teoricamente correto utilizar muitos tamanhos de bet diferentes no
mesmo spot, já que isto maximiza o valor esperado de cada mão. Então regularmente faremos
tamanhos diferentes de bet, baseados no nosso plano para o turn. Por exemplo, se o flop vier
10h-8s-2h, fazer um grande bet no flop com mãos que geralmente irão querer shovar o turn,
como 9h-7h, pode ser bastante eficaz. Claro que draws precisam ser balanceados com mãos de
valor, e overbetar neste spot com mãos fortes mas vulneráveis como Q-Q em muitos turns
parece razoável.

Entretanto, betar 50% do pote no flop e no turn é melhor com mãos que provavelmente não
se tornarão a segunda melhor mão no river em relação às mãos mais fracas do nosso
oponente. Isso porque é mais eficiente utilizar 3 rodadas de apostas ao invés de 2 quando dar
free cards não é particularmente arriscado.

Aqui está um exemplo. Se o flop é 10h-8s-2h, value betar alto no flop e shovar no turn com Ah-
Ac é desnecessário. Isso porque esta mão geralmente não se tornará a segunda melhor mão
no river contra mãos que um overbet faria foldar. Da mesma forma, um bet alto no flop é
desnecessário com o 7c-6c, já que uma broca pode ser confortavelmente jogada de bet-fold no
turn. Assim, enquanto nosso range de bet incluir a proporção correta de value bets e blefes e
possa melhorar na maioria dos turns, nosso range será balanceado e não haverá forma de
nosso oponente facilmente nos explorar.

Concluindo, balancear dois ou mais ranges de tamanhos de bet é difícil, e é importante não se
impressionar ao tentar implementar muitos conceitos novos de uma só vez. Entretanto,
entender teoria antes que possamos confortavelmente implementá-la nos permitirá aprender
mais rápido e evitar que criemos maus hábitos. Além disso, quase todos os conceitos teóricos
podem ser usados explorativamente, então mesmo que sejamos incapazes de balancear
especialmente bem múltiplos ranges de bet, isso não significa que overbetar não será útil
explorativamente. E por fim, usar múltiplos tamanhos de bet em potes 3-betados parece
particularmente importante, já que ter que foldar um draw forte após betar o turn é tão
indesejável.

10.3 JOGANDO O TURN FORA DE POSIÇÃO APÓS AMBOS OS JOGADORES DAREM CHECK NO
FLOP

Antes de discutir tamanho de bet no turn, devemos prestar cuidadosa atenção a quais são os
ranges de cada jogador no turn após ambos darem check no flop. Nosso range de check no
flop fora de posição provavelmente consistirá de algumas mãos de força marginal, que
tínhamos intenção de jogar de check-call, assim como de mãos muito fortes que jogariam de
check-call ou check-raise. Além disso, algumas mãos fracas foram jogadas de check com a
intenção de dar check-fold, e estas mãos podem ser usadas como blefes em streets futuras se
não houver bet no flop.

Da mesma forma, no flop, o jogador que deu call no 3-bet também deu check behind com a
maioria de suas mãos de força média, assim com algumas mãos fracas que provavelmente
fariam blefes lucrativos. Enquanto também é possível que ele tenha dado check behind no flop
com uma mão muito forte em posição, estas mãos devem compor apenas uma pequena fração
de seu range de check, especialmente em texturas de board molhadas.

Assim que ambos os jogadores deram check no flop, algumas das mãos no range de cada
jogador que não eram fortes o suficiente para value betar efetivamente no flop serão capazes
de value betar no turn. Além disso, o turn geralmente melhorará algumas mãos fracas no
range de cada jogador e assim eles podem betar, e como o pote já possui cerca de 25 BBs, uma
variedade de diferentes tamanhos de bet no turn podem ser utilizados para manipular o
tamanho do pote e o range do nosso oponente.

Betar próximo a uma fração igual do pote será melhor quando utilizando um range que seja
muito polarizado, e construído para vencer a quantidade máxima possível dos bluff catchers
do nosso oponente. Como existem duas streets restantes para agir e o pote já possui 25 BBs,
assumindo que o stack efetivo era de 100 BBs, o pote precisará crescer para 2,83 vezes o seu
tamanho original a cada rodada de apostas.

25R² = 200 =>

R = 2,83

Onde

R é a taxa de crescimento do pote.

Então, se o pote precisa crescer para 2,83 vezes seu tamanho anterior a cada street, teremos
que betar cerca de 0,92 do pote, ou ligeiramente menor que um bet do tamanho do pote, em
cada street. Perceba também que, como nosso bet é maior que um típico double barrel em um
pote 3-betado, um pouco mais que metade do nosso range de bet no turn pode ser blefes.
(Lembre-se, bets maiores nos permitem blefar mais.)

Em outras situações, podemos escolher betar um pouco menos no turn se não queremos ir all-
in no river. Aqui está um exemplo. Damos check com Q-Q no flop Ks-7s-4c e nosso oponente
dá check behind. Aqui é improvável que queiramos ir all-in no river já que nossa mão não é
forte o suficiente para consistentemente vencer no showdown após fazer bets grandes. Então
betar menor no turn e no river provavelmente é melhor pois permitirá que nossa mãos vença
mais frequentemente se houver um showdown. Embora isso dependa do tamanho do nosso
bet, já que estamos betando menor, queremos que mais dos nossos bets no turn sejam por
valor.

Por último, se tememos que nosso oponente possa ser forte no turn, porque o turn pode ter
melhorado sua mão ou porque ele pode ter dado check behind com uma mão forte no flop,
provavelmente é melhor betar menor no turn e então considerar overbetar o river se é
improvável que ele esteja forte. E quando nosso oponente der call em nosso bet no turn em
um board molhado e o river for um blank, é improvável que ele esteja forte, então um overbet
pode ser a melhor estratégia.

10.4 ENFRENTANDO UM BET NO TURN EM POSIÇÃO APÓS DAR CALL EM UM BET NO FLOP

Quando nosso oponente beta 25 BBs no turn em um pote de 50 BBs, devemos defender pelo
menos 66,7% do tempo para prevenir que ele seja capaz de lucrativamente betar quaisquer
duas cartas. Como defenderemos contra a maioria dos bets do nosso oponente dando call, ele
frequentemente terá a oportunidade de blefar no turn, e por isso faz sentido para nós
defender agressivamente contra estes bets no turn. Tendo dito isto, provavelmente não é um
problema se seu bet gerar um pequeno lucro, já que ele arriscou uma boa quantidade de
dinheiro para conseguir esta oportunidade de blefar.

Como arriscamos 25 BBs para ganhar 75 BBs no turn, ele precisará betar o river com um range
balanceado (ou dar check com a mão vencedora) 75% do tempo para nos tornar indiferentes a
dar call. Entretanto, como nosso oponente está fora de posição e seu range é polarizado, ele
provavelmente terá poucas, se tiver alguma, mãos de força marginal que ele possa dar check
no river. Isso requer que ele bet próximo a 75% do tempo, e podemos comparar com quanto
do range de bet no turn do nosso oponente ele vai all-in, baseado em se demos raise ou se
demos call no turn.

Para calcular isto, precisamos descobrir quão frequentemente ele precisa dar call, baseado na
equidade do nosso pior blefe teoricamente correto. Embora nosso pior blefe deva gerar um
ligeiro lucro, é razoável presumir que ele será apenas ligeiramente lucrativo, se não
exatamente break even. Então vamos presumir que nosso oponente beta 25 BBs em um pote
de 50 BBs no turn, e nosso shove será de um total de 75 BBs. Como cada 1% de equidade que
nosso blefe possui essencialmente o torna 2 BBs mais barato, a seguinte equação pode ser
utilizada para mostrar quão frequentemente nosso oponente deve dar call baseado na
equidade do nosos blefe, para que o call seja break even.

(75)(1 – X) – (75 – 200Y)(X) = 0

Onde

X é a frequência de call do nosso oponente, e

Y é a equidade do nosso blefe.

1. Se nosso blefe não possui equidade quando receber um call, estamos


efetivamente arriscando 75 BBs para ganhar 75 BBs. Nosso shove precisa ser
bem-sucedido mais que 50% do tempo para gerar lucro.
2. Se nosso blefe possui 15% de equidade quando receber um call, estamos
efetivamente arriscando 45 BBs para ganhar 75 BBs. Nosso shove precisa ser
bem-sucedido mais que 37,5% do tempo para gerar lucro.
3. Se nosso blefe possui 25% de equidade quando receber um call, estamos
efetivamente arriscando 25 BBs para ganhar 75 BBs. Nosso shove precisa ser
bem-sucedido mais que 25% do tempo para gerar lucro.
4. Se nosso blefe possui 37,5% de equidade quando receber um call, estamos
efetivamente arriscando 0 BBs para ganhar 75 BBs. Se nosso oponente foldar
alguma vez, o shove será lucrativo.

É importante notar que se nosso oponente planeja shovar o river 75% do tempo depois de
receber um call em seu bet no turn, então shovar o turn com um range onde o pior blefe
possui mais que 25% de equidade faz com que ele vá all-in com um range mais amplo que se
ele der call. Isso porque shovar uma mão com 25% de equidade força nosso oponente a dar
call 75% do tempo para prevenir que nosso pior shove por blefe seja lucrativo, mas se dermos
call, ele só shovará o river 75% do tempo para nos tornar indiferentes a dar call no turn com
um bluff catcher. Entretanto, enquanto é possível que alguns dos nossos blefes tenham 25%
ou mais de equidade quando receberem um call, os blefes mais fracos certamente não terão.
Isso significa que dar call no turn geralmente força nosso oponente a ir all-in com um range
mais amplo.

Embora dar call no turn provavelmente faça nosso oponente ir all-in com um range mais
amplo que se dermos raise, esta é uma pequena mudança proporcionalmente comparada a
outros spots. Por exemplo, shovar um range onde o pior blefe possui 15% de equidade no turn
em um pote 3-betado requerirá que nosso oponente vá all-in com 62,5% de seu range de bet.
Se, ao invés disso dermos call, ele terá que betar no máximo 75% do seu range de bet no turn
indo all-in no river. Esta mudança não é significativa comparada àquelas em outros spots.

Em contraste, quando damos raise em um bet no flop em um pote onde houve apenas raise,
nosso oponente é capaz de foldar mais de metade de seu range de bet no flop sem que nosso
raise no flop seja imediatamente lucrativo (já que nosso raise no flop é de 18 BBs para ganhar
14 BBs). Isso resulta nele indo all-in no river com um range muito mais forte em um pote bem
maior quando comparado a apenas dar call. Mas ao contrário de quando damos raise no flop
ou no turn em um pote onde houve apenas raise, shovar o turn em um pote 3-betado nos
permite colocar a última aposta, então estamos garantindo a realização da nossa equidade, o
que faz nosso oponente defender muito mais agressivamente. Além disso, como existe pouco
dinheiro restante relativo ao tamanho do pote depois que nosso oponente betar o turn em um
pote 3-betado, os stacks provavelmente irão all-in no river independentemente se dermos call
ou foldemos.

Agora precisamos decidir se devemos dar raise ou fletar quando enfrentando um bet no turn
com um draw. Mais uma vez, as texturas de board onde temos draws em nosso range são as
mesmas texturas de board onde o nosso oponente provavelmente value betará o turn com a
intenção de dar check no river, já que dar free cards é arriscado. Mas este é um problema
menor em potes 3-betados já que seu range de 3-bet já é polarizado e betar apenas o flop e o
turn por valor é especialmente difícil quando fora de posição.

Vamos supor que nosso draw sempre se tornará o nuts no river, e quando nosso oponente
betar 25 BBs em um pote de 50 BBs no turn, ele planeja betar o river 75% do tempo. Quando
acertarmos nosso draw, ganharemos não só as 75 BBs no pote mas também 37,5 BBs de
implied odds, para um total de 112,5 BBs.

112,5 = 75 + (50)(0,75)

Onde

75 é o tamanho do pote,

50 é o tamanho do bet no river, e

0,75 é a frequência de bet no river.

Como ganharemos 112,5 BBs quando acertarmos nosso draw no river, dar call no turn deve ser
lucrativo se nossa mão tiver pelo menos 18,2% de equidade.

(112,5)(X) – (25)(1 – X) =>

X = 0,182

Embora dar call seja sempre lucrativo se nosso draw tiver 18,2% ou mais de equidade, dar call
com uma mão com menos equidade ainda será lucrativo se formos capazes de fazer um blefe
lucrativo no river depois que nosso oponente der check. Lembre-se, ele precisa dar check-call
pelo menos 66,7% do tempo para tornar nossos shoves no river deficitários, e isto geralmente
não é possível. Isto, claro, faz sentido teoricamente. Arriscamos 25 BBs dando call no turn para
apenas ocasionalmente ter a oportunidade de lucrativamente blefar o river. Além do mais,
podemos dar call com draws que possuem menos que 18,2% de equidade (o que é mais ou
menos o que um straight draw duas pontas possui contra um overpair) e apenas a pior mão
em nosso range de call no turn deve ser aproximadamente break even.
Na verdade, se o call, o shove ou ocasionalmente o fold no turn com um draw em um pote 3-
betado é melhor, será bem close. Além disso, se temos muitos draws em nosso range, nosso
ponente pode não betar 75% do tempo quando nosso draw acertar no river. É também
possível que nossos outs estejam comprometidos se tivermos um flush draw que não seja o
nuts, e isso às vezes resultará no vilão ganhando todo o nosso stack quando acertarmos nosso
draw. Como foi o caso em potes onde houve apenas raise, é importante estar ciente de
quantos draws em nosso range melhoram nos mesmos rivers, já que isto influencia a
frequência e tamanho do bet do oponente no river.

Aqui está um exemplo. Damos raise no button com 8s-7s, nosso oponente 3-beta do big blind,
e damos call. Além disso, damos call um bet de metade do pote no flop Ks-6h-5d, assim como
no turn 2c. Como não existem tantos draws em nosso range, o range de bet do nosso
oponente funcionará de forma semelhante a um range perfeitamente polarizado. Isto é, se o
river vier o 5h e ele der check, é improvável que ele queira dar check-call, já que haverão
poucas ou nenhuma mãos de força média em seu range. Isso significa que nosso oponente
deve betar o river em uma alta frequência, para prevenir que sejamos capazes de call
lucrativamente com bluff catchers no turn, e quando ele der check no river, podemos
lucrativamente betar quaisquer duas cartas.

Neste spot, dar call em nosso oponente com um straight draw duas pontas no turn será uma
jogada muito lucrativa. Ganharemos todo o stack dele frequentemente o suficiente para
justificar o preço do nosso call no turn, já que conseguiremos o river no turn 17,4% do tempo,
e quando nosso oponente der check no river, ele quase sempre foldará para o nosso bet.
Então dar call quase certamente será superior a dar raise.

Mas aqui está um exemplo onde dar call provavelmente será menos lucrativo. Damos raise no
button com 8s-7s e damos call no 3-bet do oponente do big blind. Além disso, suponha que
damos call em seu bet de metade do pote no flop Ks-9c-2s e no turn 3d. Enquanto dar call em
seu bet no turn provavelmente ainda seja lucrativo, ele pode não betar o river tão
agressivamente quando o river trouxer o flush. Isso porque ele pode pensar que existem
muitos flushes em nosso range, assim como ter betado o turn com uma mão de força médiaé,
como 10-10, que temiam dar uma free card. (Alguns jogadores podem escolher betar uma
mão de força média no flop e no turn, mas dão check-call em rivers que sejam blanks).

Em outras palavras, não é razoável presumir que nosso oponente betará o river 75% do tempo
quando nossa mão fizer o flush, ou ele sempre jogará de check-fold quando ele der check. Por
último, não estamos com draw para o nuts, então às vezes perderemos após fazer o flush.
Colocado de forma simples, frequentemente ocorrerá de straight draws pequenos em potes 3-
betados funcionarem melhor que flush draws mesmo tendo um out a menos.

Embora seja difícil dizer se é melhor dar call, raise ou foldar um draw no turn (e geralmente
precisaremos de uma combinações de pelo menos duas destas opções), as mãos que fazem os
melhores raises por valor nesta street geralmente são fáceis de identificar. Em particular,
queremos dar raise por valor com mãos que são fortes mas vulneráveis a se tornarem a
segunda melhor mão contra mãos no range de bet-fold do nosso oponente.

Por exemplo, é fácil ver que devemos shovar uma trinca de oitos quando enfrentando um
double barrel em um pote 3-betado no board Kh-10s-8h-6h. Quase todas as mãos no range de
bet-fold do nosso oponente podem se tornar a melhor mão no river, e dando raise agora ele
pode foldar uma mão de alta equidade como o 9d-8d ou Ac-Jh. Além disso, dar raise assegura
que todo o dinheiro vá para o pote no turn e nosso oponente não fique assustado no river com
uma mão como Ah-Kd ou Kd-10d. Por último, como o tamanho dos stacks é tão pequeno após
nosso oponente betar o turn, ele não pode overbetar o river se dermos apenas call, então o
slowplay será ineficaz.

10.5 ENFRENTANDO UM CHECK NO TURN EM POSIÇÃO APÓS DAR CALL EM UM BET NO FLOP

Quando nosso oponente dá check no turn após betar o flop em um pote 3-betado, geralmente
faz pouco sentido fazer um bet alto no turn. Isso porque ele geralmente estará tentado a
defender, quando ele tiver uma mão com a qual ele possa fazer isso, dando check-raise all-in
contra um bet alto, já que existe tão pouco dinheiro restante em relação ao tamanho do pote.
Em outras palavras, betar baixo o força a dar calls mais amplos e torna mais difícil para ele
destruir nossa vantagem de posição.

Aqui está um exemplo. Nosso oponente beta 12,5 BBs em um pote de 25 BBs no flop Kh-8h-4c,
antes de dar check no turn 2c. Enquanto nossa reação imediata poderia ser betar 50% do pote
no turn e no river já que isto nos permite ir all-in após betar uma fração igual do pote em cada
street, nosso oponente frequentemente dará check-raise all-in contra este tamanho de bet.
Isto é, ele provavelmente tentará balancear um range de check-raise de mãos fortes e draws
para assegurar que ele coloque a última aposta com seus flush draws e straight draws.

Mas betando menos no turn, nosso oponente é forçado a defender um range mais amplo, já
que nossos blefes são mais baratos. Isto também reduz a quantidade que ele ganha quando
não damos call em seus check-raises. Além disso, será difícil para ele dar slowplay dando
check-call no turn com uma mão muito forte, já que podemos facilmente acertar um straight
ou flush no river. Por último, embora nosso oponente provavelmente possa lucrativamente
dar check-call com seus draws, betaremos o river menos frequentemente quando o river
atingir muitos draws em seu range. Enquanto não existe um só tamanho que englobe o que
discutimos aqui, betar um-terço ou menos do pote no turn provavelmente é bom em boards
molhados.

10.6 RESUMO

Jogar o turn fora de posição em potes 3-betados pode ser complicado, já que jogar draws de
bet-fold é tão difícil. Além disso, nossos bets frequentemente serão um pouco maiores fora de
posição que em posição pois nosso oponente irá menos provavelmente all-in e assim destruir
sua vantagem de posição, mas devemos estar bastante cautelosos para evitar jogar de bet-fold
com draws de alta equidade, quando possível. Em geral, bets pequenos são eficazes em
posição, já que isto força nosso oponente a dar calls mais amplos e jogar o river fora de
posição.

Se ambos os jogadores derem check no flop, é importante betar de acordo com quão forte
nossa mão é em relação ao range do nosso oponente. Consequentemente, betar alto no turn
frequentemente será eficaz com um range de mãos fortes de valor e blefes, mas se nossos
value bets forem relativamente fracos, betar mais baixo deve ser melhor, já que isto requer
que nosso oponente dê call com um range mais amplo no turn e no river. Isto também permite
que vençamos mais frequentemente no showdown.

Além disso, é importante se lembrar de que dar raise no turn em potes 3-betados não
fortalece tanto o range de all-in do nosso oponente em relação a dar raise em potes onde
houve apenas raise pré-flop. Isso porque dar raise all-in no turn assegura que sejamos capazes
de realizar a equidade de nossa mão. Isto também nos encoraja a dar raise quando temos uma
mão forte, como uma trinca ou um flush fraco, que é vulnerável a se tornar a segunda melhor
mão contra mãos no range de bet-fold do nosso oponente, e quando existem muitos draws
em seu range. Aqui estão alguns pontos importantes.

1. Depois que ambos os jogadores derem check no flop em um pote 3-


betado, uma variedade de tamanhos de bet é possível no turn e no river.
Em geral, uma proporção entre blefe e value bet de 1-para-1 deve ser
utilizado.
2. Devemos tentar evitar enfrentar um call break even com uma mão forte
contra o shove no turn do oponente. Mais especificamente, betar 50% do
pote no flop e no turn com mãos que possuem aproximadamente 25% de
equidade é arriscado se nosso oponente for all-in com frequência.
3. Para cada 1% de equidade que nossa mão tiver depois de receber um call
quando formos all-in no turn, nosso blefe se torna efetivamente 2 BBs
mais barato. Como nossos piores blefes geralmente possuem cerca de 15%
de equidade, nosso oponente precisa dar call com a maioria do seu range
de bet no turn.
4. Dar call no double barrel do oponente no turn em um pote 3-betado
geralmente resultará nele indo all-in no river em uma frequência
ligeiramente mais alta que se shovarmos no turn, mas isto permite que ele
veja uma free card com seu range inteiro de bet do turn. Além disso, mãos
fortes que são vulneráveis a se tornar a segunda melhor mão contra o
range de bet-fold do nosso oponente devem dar raise all-in no turn.
5. É teoricamente correto utilizar muitos tamanhos diferentes de bet na
maioria dos spots, e isto é especialmente importante em potes 3-betados.
Overbetar all-in no turn com um range de mãos de valor vulneráveis e
draws de alta equidade geralmente é uma jogada forte.
11. JOGO NO RIVER

11.1 INTRODUÇÃO

Agora chegamos à street final, e pode te surpreender ver que existe apenas um capítulo sobre
o jogo no river. Isso porque praticamente todos os conceitos relevantes para o jogo no river já
foi discutido em detalhes em seções anteriores. Consequentemente, focaremos nossa atenção
nos aspectos de jogar a última street que diferem do jogo no flop e no turn.

Mais importante ainda, como não existem cartas adicionais para vir, ranges mais precisos e
tamanhos de bet podem ser construídos. Nas rodadas anteriores, nunca fomos capazes de
converter equidade em valor esperado já que haviam cartas adicionais para vir, mas isto é
possível em algumas situações no river. Assim, o jogo no river geralmente requer a menor
quantidade de trabalho de adivinhação quando aplicando teoria.

Infelizmente, soluções precisas geralmente requerem muita matemática e podem consumir


muito tempo. Especificamente, alguns spots podem fazer com que um jogador habilidoso leve
horas para se paorximar do que poderia ser chamado de “solução”, mesmo com a ajuda de
software avançado de computador. Então, por esta razão, modelos ainda serão necessários
para demonstrar importantes conceitos teóricos. Isto é especialmente verdadeiro já que
temos apenas uma quantidade limitada de tempo para tomar uma decisão quando jogando.

11.2 COMPARANDO SHOVES NO RIVER EM POSIÇÃO E FORA DE POSIÇÃO

Muitos jogadores não entendem verdadeiramente como value bets no river funcionam, e isto
faz com que eles desenvolvam leaks em outros aspectos de seu jogo. Na verdade, o termo
“value bet” às vezes pode confundir, já que value bets no river nem sempre funcionam da
mesma forma como elas funcionam nas outras streets. Mais especificamente, quão forte nossa
mão precisa ser para value betar no river dependerá se estamos em posição ou não.

Quando em posição, nosso bet no river precisa vencer pelo menos metade do tempo quando
receber um call para tornar o bet mais lucrativo que o check. Isto deve ser bastante intuitivo já
que betar contra o range de check-fold do nosso oponente não muda nada, já que não existem
mais cartas para vir e ganharemos o pote de qualquer forma. Então, a única coisa com a qual
nos importamos é como nossa mão vai contra seus ranges de call e de check-raise, e betar
sempre terá um valor esperado negativo em relação a dar check se nosso oponente ganhar
mais que nós ganharmos uma vez que ele der call (ou raise).

Este conceito geralmente confunde os jogadores, já que o value bet no river não implica que
queremos que nosso oponente dê call. Tenha em mente que isto também era verdadeiro em
outras streets também, mas é mais difícil de visualizar em outras streets já que haviam cartas
adicionais para vir.

Aqui está um exemplo. No river, nosso oponente, que é o primeiro a falar, dá check e temos
em nosso stack apenas uma aposta do tamanho do pote. Ir all-in de uma aposta do tamanho
do pote requer que nosso oponente dê call metade do tempo para nos manter indiferentes a
blefar, e porque estamos all-in, ele não terá a oportunidade de dar raise. Além do mais, vamos
assumir que ele nos vence 20% do tempo. Isto significa que quando betamos no river, nosso
oponente foldará 50% do tempo, dar call com a pior mão 30% do tempo, e dar call com a
melhor mão 20% do tempo. Portanto, o valor esperado de betar é de 0,9 do pote.

0,9 = (0,50)(1) + (0,3)(2) – (0,2)(1)


Onde

0,50 é a frequência de fold do nosso oponente,

0,30 é a proporção de vezes que nosso oponente dá call e perde, e

0,20 é a proporção de vezes que nosso oponente dá call e ganha.

Vamos comparar isto com o valor esperado de dar check. E como nosso oponente está
vencendo 20% do tempo, ganharemos 80% do tempo. Portanto, o valor esperado de dar check
é de 0,8 do pote.

0,8 = (0,80)(1) + (0,20)(0)

Onde

0,80 é a frequência com que ganhamos,

0,20 é a frequência com que perdemos, e

1 é o tamanho do pote.

Como value betar possui um valor esperado mais alto que dar check, é a jogada superior.
Mesmo assim, após value betar, ainda esperamos que nosso oponente folde. Isso porque
perderemos 40% das vezes quando ele der call, já que 40% do range de call do nosso oponente
nos vence.

Podemos descobrir o nosso valor esperado depois que nosso oponente der call, e antes que
ele nos mostre se ele possui a melhor mão. Como vencemos 60% do tempo e perdemos 40%
do tempo quando recebermos um call, nosso valor esperado é de 0,8 do pote.

0,8 = (0,60)(2) – (0,40)(1)

Onde

0,60 é a frequência com que ganhamos,

0,40 é a frequência com que perdemos,

2 é o tamanho do pote quando vencermos, e

1 é quanto perdemos quando perdermos.

Perceba que se betarmos e nosso oponente foldar, sempre ganharemos uma aposta do
tamanho do pote. Mas se ele der call, nosso ganho médio será de apenas 0,8 do pote. Então
apesar de ganharmos a maioria do tempo quando recebemos um call, e betar ser a jogada
superior, ainda esperamos que ele folde para nosso bet no river.

Este conceito deve ser óbvio para jogadores avançados, mas ele frequentemente confunde
novos jogadores e resulta neles não value betando o river agressivamente o suficiente –
parece estranho betar o river por valor em posição enquanto torcemos para que nosso
oponente folde ao mesmo tempo em que dar check behind é fácil e lucrativo.

Embora value betar o river em posição e esperar que nosso oponente folde possa parecer, a
princípio, contraintuitivo, é sempre mais lucrativo shovar que dar check enquanto vencermos
mais de metade do tempo quando recebermos o call. Lembre-se, entretanto, que um range de
bet no river quase sempre será polarizado, e incluirá mãos fortes e fracas. Portanto, mãos de
força média devem ser jogadas de check, já que betá-las provoca, na maioria das vezes, que
mãos piores foldem e mãos melhores dêem call. Colocado de outra forma, um value bet
simplesmente significa que a mão é favorecida quando receber um call. Isso não pressupõe
que estamos esperando que nosso oponente dê call, ou que nós daremos call se nosso
oponente der raise.

Agora vamos discutir o value bet no river quando fora de posição. A principal diferença é que
geralmente é superior betar com uma mão que perderá mais que metade das vezes quando
receber um call que dar check. Mais uma vez, este deve ser um conceito ao qual a maioria dos
jogadores avançados já estão familiarizados. Mas jogadores mais fracos que não entendem
esta ideia geralmente pensam que jogadores altamente habilidosos estão jogando
agressivamente demais, quando na verdade eles estão jogando muito mais próximo ao jogo
teoricamente ótimo.

Aqui está um exemplo. Mais uma vez nos encontramos no river com uma aposta do tamanho
do pote restante, mas agora estamos fora de posição e nosso oponente nos vence 30% do
tempo, ao invés de 20%. Nesta situação, se formos all-in por um bet do tamanho do pote e ele
der call 50% do tempo, nosso valor esperado será de 0,6 do pote.

0,6 = (0,50)(1) + (0,20)(2) – (0,30)(1)

Onde

0,50 é a frequência de fold do nosso oponente,

0,20 é a proporção de vezes que nosso oponente dá call e perde,

0,30 é a proporção de vezes que nosso oponente dá call e ganha,

1 é o tamanho do pote ou o tamanho do nosso bet, e

2 é o número de bets que ganhamos quando nosso oponente dá call e perde.

Em posição, claramente não faria sentido betar com nossa mão já que perderíamos mais de
metade do tempo quando recebêssemos um call – dar check em posição tem um valor
esperado de 0,7 do pote. Entretanto, quando fora de posição, nosso oponente tem a
oportunidade de betar após darmos check e pode betar com um range balanceado de value
bets e blefes no river. Isto torna dar check fora de posição menos lucrativo que dar check em
posição.

Vamos presumir que, uma vez que tenhamos dado check no river, nosso oponente sempre
value betará 30% do seu range que nos vence em um range balanceado, por um bet do
tamanho do pote. Como teremos odds de 2-para-1 para dar call, um range de bet balanceado
deverá ter 1 blefe para cada 2 value bets. Em outras palavras, se ele value betar 30% do tempo
ele também deve blefar 15% do tempo para nos manter indiferentes a dar call. Isso resulta
nele betando o river 45% do tempo, e como já explicado, sempre que nosso oponente beta
com um range balanceado, efetivamente já perdemos a mão, e o valor esperado do nosso call
será zero. Portanto, o valor esperado de dar check no river será de 0,55 do pote.

0,55 = (0,55)(1) + (0,45)(0)

Onde

0,55 é a proporção de vezes que nosso oponente dá check no river e perde,


0,45 é a proporção de vezes que nosso oponente beta,

1 é o tamanho do pote, e

0 é nossa expectativa quando nosso oponente beta.

Como o valor esperado de shovar o river é de 0,6 do pote enquanto o valor esperado de jogar
de check-call é de apenas 0,55 do pote, devemos value betar este river quando fora de posição
apesar de esperar perder mais que metade do tempo quando recebermos o call. Isso
demonstra ainda mais porque o termo value bet é enganoso – quando fora de posição,
geralmente é melhor betar o river com uma mão forte esperando perder mais
frequentemente que ganhar quando receber um call! (As exceções óbvias ocorrem quando seu
oponente blefar frequentemente demais, ou frequentemente de menos quando você der
check).

Isso porque quando damos check fora de posição, não só perderemos para todas as mãos que
estão ganhando de nós, como também efetivamente perdemos para todas as mãos que nosso
oponente blefa em um range de bet balanceado. Isto reduz o valor esperado de dar check com
uma mão que tenha valor de showdown, e nos encoraja a value betar agressivamente em
alguns spots, mesmo que esperemos perder mais frequentemente que ganhar quando
recebermos o call. É especialmente comum, quando fora de posição, que ir all-in seja a melhor
estratégia, apesar de esperar perder mais frequentemente que ganhar quando receber um
call, se o tamanho dos stacks for pequeno em relação ao tamanho do pote.

11.3 VALUE BETANDO QUANDO RAISES SÃO POSSÍVEIS

Como nem sempre iremos all-in quando betarmos no river, nosso oponente geralmente terá a
oportunidade de nos dar raise. Além disso, seu range de raise deve ser construído para
transformar a maioria das nossas mãos de value bet em bluff catchers, então devemos levar
em consideração quão frequentemente ele nos faz enfrentar um call break even quando
decidindo se é mais lucrativo betar ou dar check.

Quando betando fora de posição, não precisamos nos preocupar em reabrir a rodada de
apostas. Colocado de outra forma, se nosso oponente está em posição, ele sempre terá a
oportunidade de betar ou dar raise com suas mãos fortes, e nunca dará check behind com uma
mão muito forte, já que o check leva ao showdown – ele não pode dar check esperando dar
check-raise. Isto, de certa forma, torna o value bet fora de posição no river menos arriscado.
Claro que é verdade que se betarmos e nosso oponente der raise com um range balanceado,
teremos investido mais dead money no pote, e geralmente enfrentaremos um call break even,
mas mãos que são fortes o suficiente para dar raise por valor são, claro, fortes o suficiente
para betar também quando enfrentando um check. Em outras palavras, embora betar o river
quando fora de posição torne o pote maior, isso na verdade não dá ao nosso oponente uma
oportunidade de betar ou dar raise que ele já não teria, de qualquer forma.

Mas quando betamos o river em posição, isso reabre a rodada de apostas e dá ao nosso
oponente a oportunidade de dar check-raise com um range balanceado de mãos de valor e
blefes. E quando ele faz isto, tanto dar call quanto foldar com a maioria das mãos em nosso
range terá um valor esperado de zero, significando que teremos efetivamente perdido a mão.
Então perceba que jogando o river de bet-fold em posição, não só perderemos nosso bet para
mãos que estão ganhando, como nosso bet e o pote também efetivamente serão perdidos
para mãos que o nosso oponente blefar em um range balanceado de check-raise.
Vamos ilustrar isto com um exemplo. No river, estamos em posição e temos 80 BBs restantes,
e o pote possui 40 BBs. Se betarmos 20 BBs, nosso oponente tem a oportunidade de ir all-in
para um total de 80 BBs, e para que sejamos indiferentes a dar call, 70% dos check-raises do
nosso oponente devem ser raises por valor.

(140)(1 – X) – (60)(X) = 0 =>

X = 0,7

Onde

140 é o tamanho do pote,

60 é o tamanho do raise,

X é a frequência dos raises por valor do nosso oponente, e

1 – X é a frequência dos raises por blefe do nosso oponente.

Como nosso oponente precisa que 70% dos seus check-raises no river sejam raises por valor,
se 5% de seu range no river for forte o suficiente para dar check-raise por valor, então ele
também pode dar check-raise por blefe 2,1% do tempo e ainda continuar balanceado.

0,071 = 0,05 / 0,70

0,021 = 0,0,71 – 0,05

Vamos presumir que sempre foldamos quando nosso oponente der check-raise, já que tanto o
call quanto o fold possuem um valor esperado de zero. Quando dermos bet-fold com uma mão
após nosso oponente ter dado check-raise por valor, teremos perdido 20 BBs a mais que
teríamos perdido se tivéssemos dado check. Mas se nosso oponente estava dando check-raise
por blefe, teremos efetivamente perdido 60 BBs. Isso porque teríamos ganho o pote de 40 BBs
se simplesmente déssemos check behind, mas dando check-fold perdemos tanto o pote
original de 20 BBs quanto o bet de 20 BBs. Isto torna o bet-fold por valor em posição mais
arriscado que fora de posição, já que perderemos para os check-raises por blefe do nosso
oponente enquanto o check nos garantiria o showdown.

Mesmo assim, dar bet-fold no river em posição ainda frequentemente será a melhor opção, e
a seguinte equação poderá ser usada para determinar o valor esperado de dar bet em relação
a dar check.

EV de betar em relação a dar check = (tamanho do bet)(frequência que o oponente dá call com
a pior mão) – (tamanho do bet)(frequência que o oponente dá call ou dá check-raise com a
melhor mão) – (tamanho do bet + tamanho do pote)(frequência que o oponente dá check-
raise por blefe)

Esta equação demonstra que, para que o value bet em posição seja superior a dar check, nosso
oponente deve dar call com a mão perdedora frequentemente o suficiente para superar o fato
de que às vezes foldaremos a melhor mão para os check-raises por blefe do nosso oponente.
Perceba que simplesmente calcular o valor esperado do nosso bet no river não nos dirá se
betar ou dar check é superior, já que dar check possui uma expectativa positiva também.
Então nosso objetivo não é betar se betar tiver um valor esperado positivo, mas saber se betar
possui um valor esperado mais alto que dar check. Portanto, se a expectativa de betar em
relação a dar check for positiva, betar será a nossa melhor estratégia.
Além do mais, no river, se assegure de perceber que nosso oponente geralmente não será
capaz de dar check-raise com todas as suas mãos que vencem nossa mão, que estamos
betando por valor. Ele deve ter certeza de que seus check-raises por valor vencem mais de
metade das mãos em nosso range de call no check-raise, ou então dar call será mais lucrativo
que dar check-raise. Assim, existem muitas diferentes variáveis nesta equação, e isso requer
que estimemos várias das frequências do nosso oponente.

Vamos continuar com nosso exemplo anterior e presumir que estamos em posição no river, e
betamos 20 BBs em um pote de 40 BBs com a intenção de dar bet-fold. Além disso, vamos
supor que nosso oponente dará call no river frequentemente o suficiente para nos tornar
indiferentes ao blefe, o que requer que ele dê call 66,7% do tempo. Além do mais, presuma
que 5% de suas mãos serão fortes o suficiente para dar check-raise por valor, e ele vai dar
check-raise por blefe mais 2,1% das mãos para que seu range seja balanceado. Por último,
presuma que ele dê call com a melhor mão 10% do tempo. Estes valores podem ser inseridos
na fórmula anterior para determinar o valor esperado de betar em relação a dar check. E neste
caso a resposta é de 5,66 BBs.

(20)(0,667 – 0,10 – 0,05 – 0,021) – (20)(0,1 + 0,05) – (60)(0,021) =

9,92 – 3 – 1,26 = 5,66

Onde

20 é o tamanho do nosso bet,

0,667 é a frequência que nosso oponente dá call,

0,10 é quão frequentemente nosso oponente dá call com a melhor mão,

0,05 é quão frequentemente nosso oponente dá check-raises por valor,

0,021 é quão frequentemente nosso oponente dá check-raises por blefe, e

60 é o tamanho do pote depois do nosso bet.

Então aqui, o valor esperado de betar é 5,66 BBs maior que o valor esperado de dar check. E
apesar do fato de que efetivamente perdemos tanto nosso bet quanto o pote de 60 BBs a cada
vez que nosso oponente dá check-raise por blefe, isto não ocorre frequentemente o suficiente
para nos impedir de betar.

Outra forma de conseguir esta resposta seria calcular o valor esperado de betar e o valor
esperado de dar check e então subtrair os dois resultados. Ambos os métodos são válidos, mas
este método é um pouco mais rápido, e demonstra porque é tão arriscado jogar de bet-fold
quando nosso oponente planeja dar check-raise agressivamente com um range balanceado.

11.4 DESCOBRINDO O TAMANHO PERFEITO DO BET NO RIVER

Um dos aspectos mais empolgantes que aplicar teoria para o jogo no river é que, em muitos
casos, isto nos permite calcular o tamanho de bet teoricamente perfeito. Mas antes que esta
fórmula seja introduzida e explicada, é melhor primeiro discutir o tamanho de bet no river
utilizando alguns exemplos mais fáceis de se visualizar.

Mesmo quando as respostas exatas podem ser calculadas, geralmente é uma boa ideia
começar prevendo a resposta correta e então vendo o quão precisa nossa previsão foi. Por
exemplo, aprendemos anteriormente que, como regra geral,é bom utilizar uma proporção de
2-para-1 entre blefe e raise por valor quando dando raise no flop em posição. Mas se
tivéssemos que perguntar a um jogador que não entende bem de teoria que adivinhasse
quantos raises por blefe ele deve ter em seu range de raise no flop, ele quase sempre chutará
que ele deveria estar blefando muito menos. Isso porque ele não entende como é possível
blefar tanto quando existem ainda muitas streets restantes para agir.

Esta informação é útil pois nos dá uma ideia de como os jogadores de um determinado nível
de habilidade pensam e jogam. Aqueles que estão jogando limites baixos online quase
certamente não dão raise por blefe o suficiente no flop. Isto nos encoraja a explorativamente
foldar nossos bluff catchers quando enfrentando um raise, mesmo que em teoria deveríamos
estar defendendo muito mais agressivamente. Mais uma vez, esta é uma das principais razões
pelas quais ser um jogador teoricamente forte é tão útil. Isso nos permite cometer menos
erros contra oponentes fortes assim como explorar melhor jogadores fracos.

Então vamos começar fazendo algumas previsões antes de ir direto à fórmula. Presuma que
estamos no river com profundidade de stack ilimitada e que nosso oponente nunca dará raise
em nosso bet. Além disso, presuma que ele dará call frequentemente o suficiente para que
nossos blefes sejam break even. Devido a estas duas suposições, quanto você betaria (em
fração do pote) com uma mão que seu oponente vence 15% do tempo? Pare e pense em um
tamanho de bet, pois se você betar alto demais ou baixo demais, existe uma boa chance de
que outros jogadores de seu nível de habilidade também estão cometendo o mesmo erro. E
depois que você deu seu melhor palpite, é uma boa ideia calcular o valor esperado daquele
tamanho de bet. Quão frequentemente seu oponente dá call nesse bet? Quão
frequentemente você vence quando recebe um call? Se tornar bom no poker requer trabalho,
e estes são tipos de questões que você frequentemente precisará ser capaz de responder à
medida que você continua melhorando.

O tamanho ótimo do bet nesta situação é de 0,83 do pote, e como este valor foi calculado será
explicado neste capítulo. Quando betamos 0,83 do pote, nosso oponente precisará dar call
54,7% do tempo para nos manter indiferentes ao blefe.

(1)(1 – X) – (0,83)(X) = 0 =>

X = 0,547

Esta informação pode ser utilizada para determinar nosso valor esperado após betar. Nosso
oponente dará call 54,7% do tempo mas ele nos vence apenas 15% do tempo. Isso significa
que 39,7% ele dará call e perderá. Portanto, nossa expectativa após betar é de 1,06.

1,06 = (0,453)(1) + (0,397)(1,83) – (0,15)(0,83)

Onde

0,453 é a frequência que nosso oponente folda,

0,397 é a frequência que nosso oponente dá call e perde,

0,15 é a frequência que nosso oponente dá call e vence,

1 é o tamanho do pote,

1,83 é quanto ganhamos quando nosso oponente dá call e perde, e

0,83 é quanto perdemos quando nosso oponente dá call e vence.


Isto pode ser comparado ao valor esperado de dar check, que será de 0,85 do pote, já que
ganharemos o pote 85% do tempo.

0,85 = (0,85)(1) + (0,15)(0)

Então, betando a quantidade perfeita no river, aumentamos nosso valor esperado em 0,21 do
pote em relação a dar check.

0,21 = 1,06 – 0,85

É também importante entender o nosso erro quando betamos baixo demais ou alto demais.
Betar muito alto faz com que percamos mais dinheiro para mãos que estão nos vencendo, e
faz com que nosso oponente folde mais mãos que estamos ganhando. Embora nosso bet seja
lucrativo enquanto ganharmos mais de metade do tempo quando recebermos um call, ganhar
pouco mais de metade do tempo faz com que nosso bet seja apenas ligeiramente melhor que
dar check. Um tamanho de bet perfeito resulta em nós ganhando a maioria do tempo e
recebendo calls de bets de tamanhos razoáveis.

Betar baixo demais faz com que extraiamos pouco valor das mãos que estamos vencendo.
Aqui já estamos vencendo 72,6% do time quando recebermos um call, então betar mais baixo
faz com que percamos muito valor das mãos que estamos vencendo, e diminui nosso valor
esperado.

0,726 = 0,397 / 0,547

Onde

0,397 é a frequência que nosso oponente dá call e perde, e

0,547 é a frequência de call do nosso oponente.

Mais uma vez, estes tipos de exercícios são úteis para identificar leaks gerais. Entender uma
fórmula no papel não é nem de perto tão importante quanto ser capaz de reconhecer os erros
que você atualmente comete e consertá-los de uma forma metódica.

Aqui está a fórmula para o valor esperado de betar no river. Perceba que este é o valor
esperado total do bet, e não o valor esperado de betar em relação ao de dar check. Mantenha
também em mente que o valor esperado de dar check mudará baseado em se estamos ou não
em posição, então a fórmula abaixo não nos dirá automaticamente se betar é melhor que dar
check.

Valor esperado de betar = (frequência de fold do oponente)(tamanho do pote) + (frequência


que recebemos call e vencemos)(tamanho do pote + tamanho do bet) – (frequência que
efetivamente perdemos)(tamanho do bet)

Esta fórmula pode ser expressada utilizando apenas duas variáveis quando jogando contra um
oponente ótimo, que quer nos manter indiferentes ao blefe.

Valor esperado de betar = [1 – (1 / (1+X))](1) + [1 – (1 / (1+X)) – Y](1+X) – (Y)(X)

Onde

X é o tamanho do nosso bet em termos de fração do pote, e

Y é quão frequentemente efetivamente perdemos.


Como a variável Y representa quão frequentemente efetivamente perdemos, esta fórmula é
capaz de levar em conta a habilidade do nosso oponente de dar raise por blefe. Lembre-se,
quando ele dá um raise por blefe com um range balanceado, nós efetivamente perdemos a
mão. Então se nosso oponente nunca der raise no river, então Y simplesmente será quão
frequentemente ele está vencendo nossa mão. Mas em casos onde ele às vezes dará raise com
um range balanceado, Y também incluirá raises por blefe.

Podemos considerar a derivada desta fórmula com respeito ao X para obter o tamanho do bet
no river que produz o mais alto valor esperado. Cálculo básico nos diz que o valor de X para o
qual a derivada é igual a zero corresponde a um máximo ou mínimo local, neste caso o
tamanho bet para o qual o valor da fórmula é maximizado. Na verdade, Y mudará ligeiramente
baseado no tamanho do nosso bet, profundidade de stack e a influência dos blockers de nossa
mão. Isto é, se dermos check ou betarmos baixo, nosso oponente geralmente betará ou dará
raise mais agressivamente e possui mais profundidade de stack para utilizar. Entretanto, Y só
se alterará em pequenos valores baseado no tamanho do nosso bet, supondo que os stacks
são adequadamente profundos, então vale a pena tratar Y como uma constante, ao invés de se
desviar por pequenos detalhes.

Esta é a única fórmula neste livro que requer cálculos para derivar, e se você não se sente
confortável com cálculos, você não deve se preocupar com esta derivação. Você ainda pode
testar a fórmula inserindo valores e verificando se está correto. Mas se você se sente
confortável com cálculos, você deve ser capaz de derivá-la sozinho, e explicações
matematicamente mais profundas são fornecidas em A Matemática do Poker, de Bill Chen e
Jerrod Ankenman.

Derivada: 0 = (1 / (1+X)²) – 2Y ou Y = (1/2)(1+X)²

Onde

X é o tamanho do nosso bet em termos de fração do pote, e

Y é quão frequentemente efetivamente perdemos.

Esta fórmula pode parecer um pouco confusa a princípio. Mas por sorte, após um reajuste ela
pode ser expressada da seguinte forma, e então ser utilizada em um solucionador quadrático
(que estão disponíveis de graça online) para descobrirmos o tamanho de bet próximo ao
perfeito.

0 = 1 – (2Y)(1 + 2X + X²)

Esta é uma fórmula tão importante que vale a pena cuidadosamente fazer alguns exemplos
para nos assegurarmos de que estamos confortavelmente utilizando-a. Vamos começar com
um exemplo onde pensamos que estamos sendo efetivamente vencidos no river 22% do
tempo. Isso requer que insiramos 0,22 em Y e calculemos o X.

0 = 1 – (2Y)(1 + 2X + X²) =>

0 = 1 – (2)(0,22)(1 + 2X + X²) =>

0 = 1 – (0,44)(1 + 2X + X²) =>

0 = 1 – 0,44 – 0,88X – 0,44X² =>

0 = 0,56 – 0,88X – 0,44X²


Estamos quase lá. Agora tudo o que temos que fazer é ir no Google e buscar online por
“quadratic solver”, e clicar em um dos muitos links. Após inserir cada um dos termos, as
seguintes respostas devem aparecer.

X = -2,51 ou 0,51

Como estamos usando uma equação quadrática, geralmente obteremos duas respostas.
Normalmente, uma delas não fará sentido no contexto do poker – uma aposta negativa – e
apenas uma será a resposta correta. E neste exemplo, como é impossível betar -2,51 do pote,
um bet de 0,51 do pote é claramente a resposta. Este é o tamanho de bet que maximiza nosso
valor esperado. Ele resulta em nós ganhando na maior parte do tempo quando recebemos um
call, enquanto ainda ganhando um bet de tamanho razoável.

Vamos tentar mais um exemplo. Só que desta vez suponhamos que estamos perdendo no river
40% do tempo. Mais uma vez, é uma boa ideia dar um palpite sobre qual seria o tamanho do
bet antes de calcular a resposta, para que você possa estimar se você está regularmente
betando muito alto ou muito baixo.

0 = 1 – (2Y)(1 + 2X + X²) =>

0 = 1 – (2)(0,4)(1 + 2X + X²) =>

0 = 1 – (0,8)(1 + 2X + X²) =>

0 = 1 – 0,8 – 1,6X – 0,8X² =>

0 = 0,2 – 1,6X – 0,8X²

Inserindo estes valores em um solucionador de equações quadráticas, os dois possíveis valores


para X são -2,11 ou 0,12 do pote. Claramente, o tamanho ótimo de bet aqui deve ser de 0,12
do pote.

Embora a princípio possa parecer que devemos sempre betar 0,12 do pote quando nosso
oponente efetivamente nos vence 40% do tempo, isto não é verdade. Isto seria verdade se ele
só pudesse defender dando call, mas temos que ter um cuidado extra quando check-raises
forem possíveis. Isso porque, como anteriormente discutido, esta fórmula não nos dirá se é
mais lucrativo dar check ou betar em posição, já que betar reabre a ação e permite que nosso
oponente dê raise.

E se nosso oponente é capaz de dar check-raise agressivamente, então betar 0,12 do pote
provavelmente será inferior a dar check. Mais uma vez, isso porque cada vez que nosso
oponente der check-raise por blefe com um range balanceado teremos efetivamente perdido
o pote (além do nosso bet), pote que teria sido ganho se déssemos check. Então receber um
check-raise por blefe efetivamente nos faz perder 1,12 do pote. Entretanto, quando nosso
oponente dá call podemos vencer apenas um bet adicional de 0,12 do pote (e às vezes ainda
perderemos quando recebermos call), o que geralmente é pequeno demais para justificar
reabrir a rodada de apostas quando em posição.

Isto nos traz a um ponto interessante e importante em relação a tamanho de bets. Em geral,
bets muito pequenos geralmente fazem sentido, teoricamente, quando fora de posição, já que
eles não reabrem as apostas. Mas os mesmos bets em posição raramente serão a melhor
opção quando nosso oponente possui um range de check-raise. Isso porque ganhar tão pouco
dinheiro adicional quando ele der call com uma mão pior não justifica o risco de receber um
raise. Colocado de outra forma, quanto mais agressivamente nosso oponente der check-raise,
mais provavelmente deveríamos dar check behind. Isso porque betar nos causa a perda efetiva
do pote em uma frequência mais alta.

Outro ponto importante a ser mencionado é que, quando o tamanho dos stacks for pequeno e
ir all-in for uma opção, esta fórmula não funcionará muito bem para determinar se devemos
betar ou não em posição. A razão para isto é que nosso oponente não possui uma
oportunidade para dar raise depois que irmos all-in, e indo all-in com uma quantidade
pequena de fichas, nós o forçamos a dar call com um range mais amplo. Na verdade, às vezes é
correto ir all-in fora de posição mesmo se estivermos perdendo para mais de metade das mãos
no range do nosso oponente (antes que ele dê call). Então esta fórmula não é precisa para
tamanhos de bet quando os stacks estiverem rasos, e é importante entender os conceitos em
jogo, como já foi discutido na parte 11, “Comparando Shoves em Posição e Fora de Posição”.

Por último, como veremos no próximo capítulo, esta fórmula não leva em conta os efeitos de
remoção. As cartas que nossa mão remove do baralho impactará as frequências de call, raise e
fold do nosso oponente. Em outras palavras, é impossível que ele sempre dê call com a mesma
frequência baseado no tamanho do nosso bet, independentemente de que mão possuímos.
Este efeito pode ser quase irrelevante como extremamente importante, baseado em nossa
mão e na textura do board.

11.5 UTILIZANDO EFEITOS DE REMOÇÃO

Como as cartas que estão em nossa mão não podem estar no range de nosso oponente, nossa
mão quase sempre vai influenciar quais mãos ele pode ter. Embora este efeito esteja presente
em toda street, é especialmente importante utilizar apropriadamente efeitos de remoção no
river. Por exemplo, quando blefando, o efeito de remoção da nossa mão frequentemente é o
único determinante para saber se nosso blefe possui um valor esperado positivo ou negativo.

Como não existem cartas adicionais para vir, todos os nossos blefes no river terão equidade
zero quando receberem um call. Este não era o caso no pré-flop, flop e turn, já que mesmo
nossos blefes mais fracos possuíam alguma equidade. Assim, devemos sempre enfatizar blefar
com mãos que retém bem sua equidade, já que elas possuem a chance de se tornar a melhor
mão. E embora efeitos de remoção ainda estivessem presentes nas streets anteriores, eles
geralmente eram muito menos significativos que o conceito de simplesmente blefar com mãos
que melhor retém sua equidade. Então fazia sentido na maior parte das vezes ignorar este
efeito e se concentrar em conceitos mais significativos.

Além disso, ranges são geralmente bastante amplos nas streets anteriores, então os efeitos de
remoção frequentemente possuem um impacto limitado no range de nosso oponente.
Enquanto é verdadeiro que possuir um top pair no flop significa que nosso oponente terá 33%
menos combinações de top pair, geralmente existem tantas mãos fortes e fracas em seu range
que os efeitos de remoção raramente alteram significativamente o range. Mas este nem
sempre é o caso no river, já que os ranges geralmente são mais bem definidos, com menos
combinações de mãos. Assim, é comum que nossa mão mude significativamente a frequência
de bet ou call do nosso oponente, pois removemos uma grande fração de mãos em seu range.

Aqui está um simples exemplo. No river, nosso oponente dá check e nós betamos um bet do
tamanho do pote. Como arriscamos um bet do tamanho do pote para ganhar um bet do
tamanho do pote, ele deve dar call exatamente 50% do tempo para nos manter indiferentes a
blefar.
Além do mais, vamos supor que o range de check no river do nosso oponente inclui 100
combinações de mãos se nossa mão não possui efeitos de remoção. Assim ele deve jogar 50
dessas combinações de check-call para nos manter indiferentes a blefar com uma mão que
não possui efeitos de remoção.

Agora vamos supor que blefamos com uma mão no river que bloqueia 6 mãos de valor no
range de check-call do nosso oponente, mas não bloqueia nenhuma mão de seu range de
check-fold. Isso significa que ele terá menos seis combinações de mãos em seu range de check
e em seu range de check-call (já que seu range de check inclui seu range de check-call). Assim,
ele dará call apenas 46,8% do tempo.

0,468 = (50 – 6)/(100 – 6)

E como a frequência de call do oponente diminuiu, tanto ganharemos o pote com mais
frequência quanto perderemos nosso bet menos frequentemente. O valor esperado de betar
esta mão agora é de 0,064 do pote.

0,064 = (1 – 0,468)(1) – (0,468)(1)

Onde

1 é o tamanho do pote ou o tamanho do bet,

0,468 é a frequência de call do oponente, e

1 – 0,468 é a frequência de fold do oponente.

Isto pode parecer insignificante a princípio, mas tenha em mente que este valor representa
uma fração do pote. E se o pote possui 100 BBs no river, blefar com esta mão terá um valor
esperado de 6,4 BBs. Este é um ganho substancial, e constantemente blefar com as mãos
certas no river será lucrativo no longo prazo.

Da mesma forma, nosso blefe terá um valor esperado negativo quando nossa mão possui um
efeito de remoção indesejável. Isso porque mãos com efeitos de remoção ruins bloqueiam
mãos no range de check-fold do nosso oponente. Por exemplo, suponha que nossa mão
bloqueia 8 mãos no range de check-fold do nosso oponente mas apenas 1 mão em seu range
de check-call. Isso resulta em nosso oponente dando check-call 53,8% do tempo.

0,538 = (50 – 1)/(100 – 8 – 1)

E se ele dá check-call 53,8% do tempo então o valor esperado do nosso blefe será de – 0,076
do pote.

– 0,076 = (1 – 0,538)(1) – (0,538)(1)

Onde

1 é o tamanho do pote ou o tamanho do bet,

0,538 é a frequência de call do oponente, e

1 – 0,538 é a frequência de fold do oponente.

Como vimos, o valor esperado de um blefe pode mudar significativamente baseado nos efeitos
de remoção. Blefes com bons efeitos de remoção possuem uma expectativa positiva,
enquanto blefes com efeitos de remoção ruins possui uma expectativa negativa. Então
escolher os randomizadores corretos para nossos blefes geralmente é muito significativo, já
que o valor esperado do nosso primeiro blefe com um efeito de remoção benéfico era 0,14 do
pote maior que nosso segundo blefe com um efeito de remoção ruim.

Na verdade, quase todo blefe no nosso range de bet ou de raise deveria ter um efeito de
remoção benéfico. Isso porque nós só seremos capazes de fazer alguns blefes e continuar
balanceado no river, já que nossas mãos de valor são limitadas. Entretanto, geralmente
existem muitas mãos no nosso range com efeitos de remoção benéficos. Assim, nosso
oponente terá que se assegurar de que ele está dando call agressivamente o suficiente que
tenhamos que blefar com as mãos corretas para gerar um lucro. Em outras palavras, devemos
perder dinheiro na maioria dos spots a não ser que blefemos com uma mão com um efeito de
remoção benéfico.

Vamos examinar algumas texturas de board e discutir o tipo de mãos que terão efeitos de
remoção benéficos e ruins quando blefadas. Para cada um destes boards, suponha que demos
call no button de um raise no cutoff, nosso oponente betou o flop, o turn e o river, e estamos
debatendo se devemos dar raise por blefe.

Mão nº 1: Flop Qh-8h-4d; Turn Jc; River Kc. Aqui provavelmente não devemos dar raise por
blefe com missed flush draws, já que estas mãos provavelmente bloqueiam muitas mãos no
range de bet-fold do nosso oponente. Isto pode parece contraintuitivo a princípio,
especialmente porque, no river, jogadores estão acostumados a blefar com as piores mãos em
seu range. Mas se temos uma mão como 7h-6h, então nosso oponente não poderá estar
jogando de bet-fold no river com qualquer missed flush draw que possua o 7h ou o 6h, e isso
significa que ele provavelmente dará bet-call.

Se nosso oponente está betando o river com muitas trincas, dois pares, straights e blefes,
então dar raise por blefe com uma mão como 10c-10d provavelmente será melhor. Isso
porque 10-10 bloqueiam metade de suas combinações de A-10 e 10-9. Além disso, ele
provavelmente foldará a maior parte, se não todos, os seus dois pares para o nosso raise.
Quando blefando em um spot como este, é importante ver quantas combinações bloqueamos
tanto no range de value bet do nosso oponente quanto no range de blefe, já que dar call com
nosso bluff catcher também pode vir a ser lucrativo. Mas se der call não for particularmente
lucrativo, então blefar com uma mão que bloqueia muitas mãos em seu range de bet-call será
melhor.

Mão nº 2: Flop Qh-Jc-5c; Turn 8d; River 2c. No river, muito do range de bet-call do nosso
oponente serão flushes. Então, para que dar raise por blefe aqui seja lucrativo, nossa mão
deverá bloquear tantas combinações de flush quantas forem possíveis, enquanto minimizando
quantas mãos bloqueamos em seu range de bet-fold.

Geralmente não é possível bloquear algumas mãos de valor do nosso oponente sem também
bloquear alguns blefes. Aqui está um exemplo. Decidimos dar raise por blefe no river com Ac-
Js. Perceba que esta mão é só um bluff catcher quando damos call, mas ela bloqueia todos os
flush nuts do nosso oponente quando damos raise. Mas fazer isto também bloqueia algumas
mãos em seu range de bet-fold, já que ele poderia jogar o river de bet-fold com uma mão
como Ac-10s. Mesmo assim, bloquear algumas das mãos no range de bet-fold do nosso
oponente provavelmente não é suficiente para evitar que Ac-Js seja um excelente raise por
blefe.
Por último, devemos evitar dar raise por blefe com mãos que só bloqueiam mãos no range de
bet-fold do nosso oponente. Por exemplo, como ele provavelmente jogará de bet-fold todos
os seus pares de dama que betam o river, dar raise por blefe com uma Q que não bloqueia
combinações de flush terá um valor esperado negativo. Então, mesmo que dar call com top
pair não seja lucrativo, não devemos dar raise já que nossa mão possui um efeito de remoção
ruim.

11.6 TRANSFORMANDO MÃOS PRONTAS EM BLEFE EM POSIÇÃO

Deixados de lado os efeitos de remoção, no river mãos prontas fracas devem ser
transformadas em blefes quando elas forem nossas mãos mais fracas e quisermos betar com
um range balanceado. Isso ocorre quando o river completou muitos ou todos os possíveis
draws em nosso range, então não teremos muitos ou nenhum missed draw. Isso geralmente
só acontecerá no river, já que os ranges são mais fracos e mais amplos nas primeiras streets.

É importante se lembrar que, só porque dar check com uma mão pronta no river é lucrativo,
não significa que dar check é superior a betar. Isso porque blefar pode ter um valor esperado
ainda maior.

Aqui está um exemplo. Suponha que damos raise com 10c-9c no cutoff, o big blind 3-beta, e
damos call. Suponha que o flop é Qh-9h-3c e nosso oponente beta metade do pote e damos
call. Da mesma forma, suponha que façamos o mesmo no turn 7s. Se o river vier o Jh e nosso
oponente der check, então um par de noves sem kicker é provavelmente a pior mão em nosso
range. Todos os nossos draws que deram call no turn terão feito um straight, flush ou par de
valetes, e todas as nossas mãos prontas serão pelo menos tão fortes quanto um par de 10.

Sem maiores análises, é seguro concluir que provavelmente iremos querer blefar com o 10c-
9c, já que é a mão mais fraca do nosso range. Enquanto certamente efeitos de remoção são
relevantes, aqui é provavelmente mais importante dar check com mãos que mais
provavelmente vençam no showdown, e blefar com mãos que vencem menos
frequentemente. Além disso, efeitos de remoção provavelmente não serão importantes o
suficiente para nos encorajar a blefar com uma mão que frequentemente vencerá após dar
check.

Se shovar por blefe ou não é a melhor jogada vai depender de quão frequentemente nossa
mão vence após dar check behind no river, assim como com que frequência nosso oponente
dá call em nosso bet no river. Lembre-se, como blefar com quaisquer duas cartas no river será
lucrativo, ele não está dando call o suficiente para evitar que lucrativamente blefemos com
quaisquer duas cartas. As fórmulas para o valor esperado de shovar por blefe e dar check
serão as seguintes:

EV de shovar = (tamanho do pote)(frequência de fold do oponente) – (tamanho do


bet)(frequência de call do oponente)

EV de dar check = (tamanho do pote)(frequência com que vencemos após dar check)

É melhor calcular ambas as equações separadamente e então tomar a linha que possuir o valor
esperado mais alto, e isso é bastante fácil de se fazer. Mas vamos fazer um rápido exemplo
apenas para nos assegurar de que estamos confortáveis fazendo estes cálculos.

No river, o pote possui 80 BBs e nós temos 60 BBs restantes. Além disso, suponha que nossa
mão vence 20% do tempo quando damos check behind, e nosso oponente só se defende
contra nosso shove no river 40% do tempo. Para determinar qual linha é mais lucrativa, vamos
começar determinando o valor esperado do shove.

24 = (0,60)(80) – (0,40)(60)

Onde

80 é o tamanho do pote,

60 é o tamanho do bet,

0,60 é a probabilidade que nosso oponente folde, e

0,40 é a probabilidade que nosso oponente defenda.

Então, o valor esperado de betar all-in é de 24 BBs. Vamos comparar isto com o valor esperado
de dar check.

16 = (0,20)(80) + (0,80)(0)

Onde

80 é o tamanho do pote,

0,20 é a probabilidade que nossa mão é a melhor,

0,80 é a probabilidade que a mão do nosso oponente é a melhor, e

0 é o nosso retorno quando a mão do oponente for a melhor.

Dar check possui um valor esperado de apenas 16 BBs, então o valor esperado de betar é de 8
BBs a mais que dar check. Apesar de possuirmos valor de showdown, nossa mão é fraca o
suficiente para que ela seja betada como um blefe.

Um último comentário. Jogadores frequentemente tentam fazer com que transformar uma
mão pronta em blefe pareça mais complexo ou impressionante que é. Na verdade, tudo o que
estamos fazendo no river é blefando com a pior mão em nosso range, como é comum em
muitos outros spots. Acontece que a mão com a qual estamos blefando pode ser um check
lucrativo, mas no fim das contas, tudo com o que nos importamos é se betar é mais lucrativo
que dar check.

11.7 OVERBETANDO O RIVER

Embora o overbet tenha sido discutido em seções anteriores, vale a pena discuti-lo
especificamente em relação ao river. Isso porque overbets funcionam melhor quando nosso
oponente deu call em uma textura de board molhada e a próxima carta a sair foi uma blank.
Além disso, como não existem mais streets para agir no river, temos apenas uma rodada de
apostas restantes para ir all-in. (Lembre-se, quando betando com um range perfeitamente
polarizado, é sempre melhor ir all-in antes do showdown.) Isso geralmente requer que
façamos um bet muito grande no river, quando nosso oponente não pode estar muito forte.

Como existem quatro cartas no board no turn, geralmente haverão muitos draws no range de
cada jogador. Afinal, mesmo se o flop vier rainbow, o turn trará um flush draw pouco menos
de 75% das vezes, e alguns straight draws quase sempre serão possíveis. Então, enquanto
existem alguns turns secos onde poucos ou nenhum draw sejam possíveis, como nos boards
Jc-4s-4d-2h ou Kh-8c-3s-2d, estes são relativamente incomuns.
Além disso, lembre-se que nosso range de bet se torna mais forte a cada street, à medida que
blefamos menos. Geralmente, daremos check-fold no turn com nossas mãos mais fracas e
continuaremos blefando com nossos melhores blefes. Como resultado, muitos dos nossos
blefes no turn geralmente serão flush draws ou straight draws. Este não era o caso no flop já
que geralmente precisávamos de muitos blefes no nosso range, e por isso regularmente
betamos overcards, ou mãos com 3 para o flush e 3 para o straight. Mas no turn, blefes
geralmente possuem maior equidade e são mais prováveis de fazerem uma mão muito forte
no river quando comparados aos blefes no flop.

Quando nosso oponente dá call em nosso bet no turn, é importante ter em mente quantos
draws em nosso range podem vir a vencer quaisquer mãos fortes que nosso oponente pode
ter jogador de slowplay. Se nosso range incluir muitos draws que podem melhorar para vencer
suas melhores mãos, então ele geralmente não estará forte se o river vier uma blank. Isto
torna grandes overbets no river eficientes com mãos tipo nuts. Quando o slowplay for menos
arriscado, é mais provável que ele dê apenas call com uma mão muito forte, e devemos
considerar betar mais baixo.

Aqui estão algumas texturas de board e uma rápida descrição de porque nosso oponente deve
ou não deve ter feito slowplay com uma mão muito forte quando encarando um bet. Para
melhor visualizar a mão, suponha que estamos no cutoff contra um jogador do button que deu
flat call, e betamos flop e turn. E quando ele dá call em nosso bet no turn e o river vem uma
blank, devemos estar dispostos a overbetar de acordo nestes boards.

Boards em que devemos frequentemente fazer slowplay: Qh-Qs-7c-2d, As-Ad-Js-4c, e Kc-9h-


5s-2d. Fazer slowplay nestes boards é fácil, pois ou existem poucos ou nenhum flush ou
straight draws possíveis, ou nosso oponente pode ter um full house. No caso do board Qh-Qs-
7c-2d, não existem flush ou straight draws possíveis, então nosso oponente deve dar call com
suas mãos fortes para nos encorajar a continuar blefando. Da mesma forma, embora muitas
brocas sejam possíveis no board Kc-9h-5s-2d, ainda não é muito arriscado para nosso
oponente dar call com uma trinca e nos encorajar a continuar blefando. E como
frequentemente é improvável que nossa mão se torne a melhor mão, com mãos em nosso
range de bet-fold, é melhor que ele espere até o river para dar raise com suas mãos muito
fortes.

No caso do board As-Ad-Jh-4s, frequentemente haverão 6 combinações de A-J no range do


nosso oponente no flop e turn, com os quais ele pode confortavelmente fazer slowplay. Estas
mãos não são vulneráveis a perderem para nossas brocas ou flush draws, então nosso
oponente dará call com essas mãos, esperando que façamos um straight ou flush e percamos
um grande pote.

Boards em que devemos fazer slowplay às vezes: Qh-10s-7c-4d, Ks-8c-2d-4s, e 10h-9s-9h-5d.


Existem mais straight draws e flush draws possíveis nestes boards, então nosso oponente
estará mais relutante em fazer slowplay com uma mão forte. Muitos straight draws são
possíveis no board Qh-10s-7c-4d, e flush draws no board Ks-8c-2d-4s. Assim, o slowplay
provavelmente será justificado apenas se nosso oponente esperar que ocasionalmente
overbetemos o river. Isso evita que ele tenha um range capado em um river que seja blank, e
permite a ele ganhar um pote muito grande quando overbetarmos uma mão pior.

Embora existam muitos straight e flush draws no board 10h-9s-9h-5d, nosso oponente flopou
6 combinações de full houses ou quadras – 3 combinações de 10-10, 2 combinações de 10-9s e
1 combinação de 9-9. Ele deve dar call com essas mãos no flop e turn para nos encorajar a
continuar blefando, e manter os draws em nosso range.

Boards em que raramente devemos fazer slowplay: Jh-10h-6c-5c, 10s-6s-3d-Kd, e Qs-7c-5c-


6h. Existem tantos draws possíveis em cada uma destas texturas de board que nosso oponente
assume um risco enorme quando ele dá call com uma mão forte. Não apenas existe uma boa
chance de sua mão se tornar a segunda melhor mão no river, como ele também pode perder
valor dando apenas call. Isso significa que dar raise no turn quase certamente será mais
lucrativo que dar call. Além do mais, já que existem tantos draws possíveis, a maioria dos rivers
geralmente colocarão algumas mãos fortes no range dele.

Aqui está um exemplo. Nosso oponente provavelmente não irá querer fazer slowplay com uma
mão forte no board Jh-10h-6c-5c, já que existem poucos rivers que sejam blanks. Além disso,
se estamos betando uma mão forte como Js-10s no turn e nosso oponente tiver uma trinca de
6, quando ele fizer slowplay, ele pode perder ação se o river completar vários draws. Isso o
desencoraja a fazer slowplay, mesmo que ele saiba que às vezes enfrentará um bet muito alto
no river em alguns rivers.

11.8 RESUMO

Aplicar teoria ao jogo no river é especialmente empolgantes, já que pouco trabalho de


adivinhação geralmente é necessário. Sem cartas adicionais para vir, geralmente é possível
calcular o valor esperado da nossa mão baseado em quanta equidade ela possui. Embora
modelos ainda sejam importantes para visualizar situações, tamanhos de bet muito mais
preciso e frequências geralmente podem ser calculados.

Para considerar value betar uma mão em posição, nossa mão deve vencer no showdown mais
de metade do tempo quando receber o call. É também comum value betar uma mão
esperando que nosso oponente folde, mas devemos ser cuidadosos para não betar
agressivamente demais com mãos mais fracas pois betar permite ao nosso oponente dar
check-raise. Pelo contrário, como dar check fora de posição não garante um showdown,
geralmente é melhor value betar uma mão, mesmo que ele perca mais de metade do tempo
quando receber um call.

Uma fórmula pode ser utilizada para calcular o tamanho de bet teoricamente correto se nosso
oponente nunca betar ou der raise, e der call agressivamente o suficiente para evitar que
sejamos capaz de blefar lucrativamente. Quando estas suposições não são precisas, ainda
assim a fórmula geralmente fornece uma boa estimativa do melhor tamanho de bet, desde
que haja profundidade adequada de stack. Além disso, betar o tamanho correto no river
frequentemente pode ter uma grande impacto no valor esperado de nossa mão.

Como todos os blefes possuem zero de equidade quando receberem call no river, mãos com
efeitos de remoção favoráveis devem ser enfatizados. A diferença entre blefar uma mão com
efeitos de remoção benéficos e ruins geralmente é substancial, e não deve ser ignorada. Se
nosso oponente não deseja permitir que sejamos capazes lucrativamente betar quaisquer
duas cartas, ele deve dar call agressivamente o suficiente para que apenas blefes com os
melhores efeitos de remoção sejam lucrativos.

É comum overbetar em um river blank pois a textura do board no turn geralmente será
coordenada o suficiente para impedir que nosso oponente faça slowplay com uma mão forte.
Além disso, nosso range de bet no turn deve incluir menos blefes que nosso range de bet no
flop, para que a qualidade dos nossos blefes seja melhor – as piores mãos devem ser jogadas
de check-fold. Isso desencoraja nosso oponente de fazer slowplay em muitos boards e nos
permite overbetar mãos fortes com pouco medo de perder quando o river for um blank.

Aqui estão algumas breves descrições dos pontos mais importantes:

1. Quando em posição, devemos betar uma mão por valor apenas se


esperarmos vencer pelo menos 50% das vezes em que recebermos um
call. Se nosso oponente puder dar check-raise, precisaremos vencer
mais que isso para compensar o fato de que ele pode dar check-raise
por blefe e nos fazer foldar (ou dar call como bluff catcher).
2. Quando fora de posição, frequentemente estaremos “shovando por
valor” no river mesmo que esperemos perder a maior parte do tempo
quando recebermos um call. Se devemos shovar ou não dependerá da
frequência com que nosso oponente nos vence e do SPR.
3. Quando é teoricamente correto jogar a mesma mão de duas formas
diferentes, o valor esperado de ambas as linhas deve ser o mesmo.
Isso ocorre bastante frequentemente, e um jogador que nunca faz
slowplay com uma mão muito forte geralmente descobrirá que ele
está vulnerável a overbets, e um ponto de equilíbrio deve ser
alcançado.
4. Em teoria, devemos ter vários tamanhos de bet com ranges
balanceados na maioria dos spots. Isto é extremamente difícil de se
fazer na prática, mas um conceito necessário a se trabalhar para se
tornar um grande jogador. A fórmula do tamanho perfeito de bet no
river nos permite betar próximo ao tamanho perfeito em muitas
situações.
5. Blefes no river devem ser feitos por mãos com excelentes efeitos de
remoção, enquanto blefes nas streets anteriores devem ser feitos com
mãos que retém bem sua equidade.
6. Uma mão pronta só deve ser transformada em blefe se o blefe for
lucrativo, já que dar check geralmente também terá um valor
esperado positivo. Isso geralmente ocorre quando um draw vem no
turn ou no river e agora as mãos mais fracas em nosso range seriam
mãos prontas.
7. Como ranges estão altamente polarizados no river, esta
frequentemente será uma street onde jogadores possuem ranges de
overbet. Devemos overbetar quando nosso oponente não puder ter
muitas mãos muito fortes em seu range que vencem as mãos que
value overbetaremos, e isto pode ser calculado com a fórmula do
tamanho perfeito do bet no river.
12. POTES MULTIWAY

12.1 INTRODUÇÃO

Assim como potes 3-betados não são mais difíceis de se jogar que potes onde houve apenas
raise, potes multiway não são mais difíceis de se jogar que potes heads-up. Jogadores
geralmente os acham mais problemáticos apenas porque eles aprendem através de uma
abordagem de tentativa e erro, e em jogos online a maioria das mãos são jogadas heads-up no
flop (em jogos 6-max). Mesmo assim, como agora temos um forte entendimento do poker
teórico, é desnecessário jogar milhões de mãos antes de se sentir confortável em como jogar
contra múltiplos oponentes.

De muitas formas, potes multiway são na verdade mais fáceis de se jogar que em potes heads-
up, já que os jogadores precisam defender uma fração menor de seu range quando
enfrentando um bet. Mais especificamente, geralmente não precisaremos defender mãos
fracas, que são geralmente difíceis de jogar, como frequentemente era o caso em potes heads-
up. Entretanto, é válido brevemente discutir potes multiway, já que eles ocorrem com uma
frequência razoável, e o tamanho do pote é maior, então erros custam caro.

Embora focaremos na teoria dos potes multiway, é importante perceber que, quando vários
jogadores veem um flop, um jogador fraco comumente estará envolvido. Isso porque
jogadores fracos geralmente gostam de dar call pré-flop e ver muitos flops, e bons jogadores
jogarão mais soltos para tentar estaquear o fish. Então, enquanto nós nos concentraremos
principalmente em como jogar em potes multiway contra oponentes fortes, lembre-se sempre
de que a teoria também é uma ferramente útil para explorar jogadores fracos e ganhar seus
stacks, antes que outro jogador o faça.

12.2 FORÇA DA MÃO NO FLOP

Como foi o caso em potes heads-up onde houve apenas raise pré-flop, um jogador que beta
fora de posição geralmente não deve ser capaz de lucrativamente betar quaisquer duas cartas.
Entretanto, como existe mais de um jogador que pode defender contra um bet, cada jogador
ativo precisa defender apenas uma fração de seu range para evitar que o jogador que aposta
gere um lucro imediato com seus blefes. Isso resulta, no fim das contas, em jogadores vendo o
turn com ranges mais fortes que de outra forma teriam.

Quanto cada jogador deve defender depende de seu range e posição. Colocado de outra
forma, cada jogador não defenderá a mesma porcentagem de mãos quando enfrentando um
bet. Entretanto, podemos ter uma ideia geral de quão agressivamente cada jogador deve
defender supondo que cada um deles defenda a mesma porcentagem de mãos em uma
tentativa combinada de evitar que o jogador que aposta bete quaisquer duas cartas.

Suponhamos que o jogador fora de posição bete 75% do pote no flop e os jogadores restantes,
combinados, defendam agressivamente o suficiente para que seu bet no flop só seja bem-
sucedido 40% do tempo. Em outras palavras, os jogadores restantes devem defender 60% do
tempo combinados contra o bet no flop. Lembre-se, quando tentando descobrir quanto cada
jogador precisa defender em uma situação como esta, não é tão simples quanto pegar a
frequência total de defesa (neste caso 60%) e dividir pelo número de jogadores restantes. Isso
porque às vezes múltiplos jogadores terão uma mão forte o suficiente para defender. Ao
contrário, devemos calcular quão frequentemente cada jogador deve foldar para que o
agressor ganhe 40% do tempo, e a partir daí calcular quanto cada jogador precisa defender.
Considerando as suposições acima, se existem três jogadores no flop (para que dois jogadores
possam defender contra o bet), então cada jogador deve foldar 63,2% de seu range de flop.

X² = 0,4 =>

X = 0,632

Como cada jogador pode foldar 63,2% do tempo, eles devem defender pelo menos 36,8% do
tempo.

0,386 = 1 – 0,632

Esta mesma metodologia pode ser usada para determinar quão frequentemente cada jogador
deve defender dependendo da quantidade de jogadores que viram o flop. Mais uma vez, este
método presume que cada jogador defende a mesma porcentagem de mãos e acredita que
todos os jogadores combinados devem defender 60% do tempo.

Jogadores no Flop Frequência de Fold (%) Frequência de Defesa (%)


2 40 60
3 63,2 36,8
4 73,7 26,3
5 79,6 20,4
6 83,2 16,7

Perceba quão drasticamente o range de cada jogador muda à medida que mais jogadores
veem o flop. Se o flop for heads-up, o jogador que defende deve defender 60% de seu range.
Mas se existem quatro jogadores no flop, cada jogador só deve defender 26,3% do tempo.
Então, dadas as suposições acima, se quatro jogadores verem o flop, eles defenderão menos
que metade das mãos que eles defenderiam quando estivessem heads-up.

Em geral, a maioria dos jogadores significativamente subestima quão mais forte uma mão
deve ser para betar, dar call ou dar raise, quando multiway. Top pairs e mesmo overpairs não
serão regularmente fortes o suficiente para betar ou dar raise em muitas texturas de board
onde três jogadores ou mais veem o flop. Além do mais, jogadores fracos geralmente usam
quase sempre o mesmo range independentemente de quantos oponentes estão enfrentando.
Este é um leak enorme, que resulta neles indo showdown com mãos que são muito fracas.

É válido notas que, embora seja improvável que flops serão vistos por cinco ou mais jogadores
teoricamente fracos, em jogos live é uma ocorrência mais comum que os potes incluam mais
jogadores. Isso porque o jogo live geralmente é full ring, onde mais jogadores possuem a
opção de ver o flop, e jogadores live geralmente são muito soltos pré-flop. Esta é uma razão
pela qual jogadores que de outra forma seriam tights demais (supondo que o rake não seja
muito alto em relação aos stakes), ainda conseguem ir bem em jogos contra oponentes fracos
mesmo que eles tenham um entendimento de poker muito limitado. E isto também significa
que dar call com mãos especulativas esperando flop uma trinca ou um draw é uma forte
jogada contra oponentes fracos que regularmente investirão muito dinheiro no pote com top
pair.

12.3 BLUFF CATCHERS EM POTES MULTIWAY

Como é requerido que jogadores defendam menos frequentemente em potes multiway, é


importante enfatizar dar call com mãos que tenham potencial para fazer mãos tipo nuts no
river. Mãos marginais ainda precisam dar call às vezes, mas eles devem ter alguma chance de
melhorar no turn e no river (como um top pair ou par médio com backdoor flush e backdoor
straight) ou ser bastante forte e não particularmente vulnerável aos blefes do nosso oponente.

Dar call com uma mão marginal pronta é menos desejável em um pote multiway por algumas
razões. Primeiro, se ainda existem jogadores restantes para agir, um deles pode dar raise após
darmos call. Isso ocorre tanto pré-flop quanto pós-flop, e quando isto ocorrer, geralmente
teremos que foldar ou dar um call próximo a break even. Colocar mais dinheiro no pote para
logo depois encarar um call próximo a break even é um resultado indesejável, que deve ser
evitado quando possível.

Além disso, mãos prontas geralmente possuem uma quantidade significativa de equidade
contra apenas um draw, mas não vai bem contra múltiplos draws. Por exemplo, se temos um
overpair e estamos enfrentando apenas um straight draw no flop, então nosso oponente
geralmente possuirá 8 outs. Mas estamos contra dois oponentes e um possui um straight draw
enquanto outro possui um flush draw com uma overcard, então nossos oponentes podem
possuir um total de 18 outs, e é muito mais fácil se desviar de 8 outs do que de 18. Além do
mais, como provavelmente teremos que foldar para bets adicionais no turn e river mesmo
quando eles não acertarem o draw, é improvável que ganhemos um pote grande. Isso nos
encoraja a tentar evitar dar call com mãos de força média quando múltiplos jogadores possam
ter draws.

Por último, perceba que, como precisaremos defender menos mãos multiway, nossos draws
mais fortes geralmente compõe uma fração maior do nosso range de defesa. Assim, não é
necessário dar call com tantos bluff catchers para prevenis que nosso oponente seja capaz de
gerar um lucro imediato com seus blefes. Claro que ainda precisaremos dar call com algumas
mãos de força média, já que dar call apenas com draws resultará em muitos blefes em nossa
ranges nas streets futuras, mas é menos crucial defender com muitos bluff catchers no flop
que prevenir que nosso oponente bete imprudentemente. Além disso, nosso oponente saberá
que nosso range de defesa é mais forte e ajustará seu range de bet de acordo.

Mãos que geralmente flopam apenas mãos de força marginal geralmente devem ser evitadas
em potes multiway. Por exemplo, se o cutoff dá raise e o button dá call, dar call com As-Jd do
small blind deve ser uma jogada deficitária. Esta mão joga mal fora de posição, e quase nunca
vencerá uma mão que não seja blefe quando enfrentando bets em múltiplas streets, a menos
que faça a menos dois pares. Lembre-se, aplicar teoria ao jogo pré-flop requer mais trabalho
de adivinhação que o jogo no river, já que ainda existem muitas cartas restantes para vir,
então é impossível descobrir qual a melhor linha a se tomar. Entretanto, enquanto dar call com
uma mão que na maior parte das vezes flopará apenas mãos prontas medíocres ainda possa
ser lucrativo, devemos pelo menos considerar foldar ou squeezar mesmo que dar call seja
nossa linha standard.

Por outro lado, se o UTG dá raise e o cutoff der call, squeezar com Ad-Qs no button ao invés de
dar call é uma opção razoável. Isso porque A-Q quase sempre será um bluff catcher (com o
potencial de dividir o pote) quando enfrentando um bet no flop, e 3-betando podemos fazer
com que um de nossos oponente foldem pré-flop ou pós-flop. Além disso, nossa mão ainda
possui uma quantidade significativa de equidade quando receber um call, mesmo que
raramente façamos uma mão excepcional.

12.4 MÃOS ESPECULATIVAS PRÉ-FLOP


A maioria dos jogadores intuitivamente entendem que a habilidade de fazer mãos tipo nuts se
torna mais importante em potes multiway. Entretanto, isso os leva a superestimar mãos
especulativas, especialmente pré-flop. Suited connectors e gappers são regularmente jogados
de call, quando eles deveriam ser 3-betados ou foldados pré-flop, e é importante entender o
porquê.

1. Suited connectors geralmente formam backdoor flush draws e


backdoor straight draws, assim como brocas. Estas mãos podem
dar raise por blefe e floatar lucrativamente quando enfrentando
um bet em potes heads-up, mas geralmente devem ser foldadas
em potes multiway.
2. Como os ranges se tornam fortes rapidamente em potes multiway,
geralmente é difícil extrair valor com flushes fracos. É óbvio
quando o flush é possível, e os ranges agora são tão fortes que às
vezes os jogadores nem precisarão ir all-in com todas as suas
combinações de trincas (quanto menos menos dois pares e
overpairs) quando enfrentando bets ou raises. Isso geralmente
torna difícil obter ação com um flush fraco, a menos que o
oponente esteja nos vencendo.
3. O tamanho do pote e o tamanho do bet no flop do nosso
oponente será alto em relação ao tamanho restante dos stacks.
Isto reduz os implied odds do nosso draw em relação ao tamanho
do pote, e torna difícil dar calls lucrativos com draws fracos.

Aqui está um exemplo. Geralmente é bastante lucrativo dar call com um draw quando nosso
oponente beta 4 BBs em um pote de 6 BBs, já que existe tanta profundidade de stack restante.
Isto é especialmente verdadeiro se temos o nut draw, já que um pequeno investimento pode
potencialmente fazer com que ganhemos o stack do nosso oponente. Mas se ele betar 10 BBs
em um pote de 15 BBs, teremos que arriscar uma fração muito maior do nosso stack em uma
tentativa de ir all-in com o nuts no river. Isto torna mais difícil dar call no flop com um draw
bom mas não fantástico.

Isto não deveria te impedir de jamais jogar suited connectors em potes multiway em potes
onde houve apenas raise. Eles geralmente são mãos lucrativas, especialmente contra
oponentes fracos que darão call até o fim com mãos marginais se fizermos uma mão grande,
ou contra oponentes que podem ser facilmente blefados. Mas é importante perceber que eles
não devem ser jogados imprudentemente e reconhecer o quanto as mãos devem ser fortes
para que sejamos capazes de confiantemente irmos ao showdown em potes multiway. Além
disso, posição é, claro, especialmente importante quando multiway, já que é tão indesejável
tomarmos um raise após darmos call com uma mão pronta medíocre ou um draw.

E por fim, as melhores mãos especulativas pré-flop em potes multiway são geralmente pocket
pairs. Eles quase sempre serão calls lucrativos pré-flop. Ao contrário de suited connectors e
gappers, pocket pairs imediatamente nos dizem no flop se é provável que tenhamos a melhor
mão no river. Quando flopamos uma trinca, podemos confiantemente dar raise e construir o
pote, e se não acertarmos a trinca, podemos simplesmente foldar para qualquer agressão dos
nossos oponentes. Em outras palavras, dar call ou raise no flop geralmente será altamente
lucrativo ou uma jogada claramente deficitária. Este não é o caso com suited connectors, já
que nossa mão geralmente só se tornará a melhor mão no turn ou river.
12.5 DECIDINDO QUEM É RESPONSÁVEL POR DEFENDER

Na verdade, nem todos os jogadores defenderão uma fração igual de seu range contra um bet.
Entretanto, não existe forma de calcular exatamente quanto cada jogador deveria defender.
Tudo se resume a posições, e quão forte o range de cada jogador é. Se um jogador está fora de
posição, deu check, e demonstrou fraqueza, então é improvável que esta pessoa defenderá
muito contra um bet. Ao contrário, se um jogador no flop é o último a agir em posição e possui
um range forte, então espera-se dele que ele defenda mais agressivamente que todos os
outros.

Para ilustrar, suponhamos que o cutoff dê raise e o button e o big blind dêem call. Como o big
blind recebeu um desconto de 1 BB em seu call pré-flop por já ter postado a bid blind, ele dará
call enquanto ele esperar perder menos que um total de 1 BB na mão. Isto resulta em seu
range sendo mais fraco que de outra forma seria. Além do mais, como ele também está fora
de posição, ele defenderá menos em boards onde a posição é particularmente valiosa.

Em contraste, o button provavelmente defenderá agressivamente se o cutoff betar. Afinal, ele


deu call pré-flop com um range que vai bem contra o range de raise pré-flop do cutoff, e
sempre possui a vantagem da posição. Então, mesmo que não possamos calcular exatamente
quanto cada jogador deve defender contra um bet, é seguro supor que o button defenderá
mais agressivamente que o big blind na maioria dos flops.

Além disso, é importante notar se cada jogador provavelmente defenderá dando check-call ou
check-raise. Isso porque a frequência com que o jogador que deu raise enfrentará um check-
raise determinará quão frequentemente ele vê o turn com suas mãos que jogam de bet-fold,
assim como qual tamanho de bet é melhor. Repare que bets baixos são melhores quando é
mais provável que os jogadores joguem de check-raise, e não de check-call.

Aqui está um exemplo. O cutoff dá raise e o button e o big blind dão call. Agora é provável que
o big blind defenda na maioria das vezes com um check-raise no flop 8s-6s-3c. Seu range
possui poucas ou nenhuma mão que possa confortavelmente jogar de check-call, então ele
defenderá dando check-raise agressivamente com suas trincas e alguns blefes, enquanto o
button defenderá na maioria das vezes dando call, já que ele está em posição. E se os dois
ranges combinados não estão defendendo o suficiente para evitar que o cutoff seja capaz de
lucrativamente betar quaisquer duas cartas, então eles provavelmente não estão defendendo
agressivamente o suficiente.

12.6 RESUMO

A mesma teoria que se aplica a potes onde houve apenas raise também se aplicará a potes
multiway. Entretanto, é importante parar e pensar sobre quão forte o range de cada jogador
precisa ser para continuar na mão quando jogando contra múltiplos oponentes. Jogadores
fracos regularmente acabam betando ou dando call com mãos que são fracas demais para esta
situação.

É importante dar ênfase a jogar com mãos que tenham o potencial de formar mãos nuts
quando o pote é multiway. Em particular, algumas mãos que sejam calls levemente lucrativos
pré-flop se o pote estiver heads-up serão calls ligeiramente deficitários em potes multiway. No
flop, geralmente precisaremos defender menos bluff catchers, já que haverão em nosso range
mais mãos fortes prontas e draws. Ainda precisaremos dar call com bluff catchers suficientes
para que nosso oponente não possa imprudentemente betar e para que nosso range de call
esteja balanceado, mas quando possível, é melhor dar call com mãos que possam facilmente
melhorar nas streets seguintes.

Draws fracos são comumente superestimados em potes multiway. Jogadores fortes nem
sempre comprometerão seu stack com dois pares ou uma trinca se muitos draws possíveis
melhoraram. Além do mais, é mais comum que um flush baixo perca para um flush melhor
quando muitos jogadores estiverem envolvidos. Enquanto draws fracos frequentemente serão
calls lucrativos pós-flop, frequentemente não vale a pena dar call com um suited connector ou
gapper pré-flop esperando flopar um draw que será apenas marginalmente lucrativo.

É impossível determinar exatamente quanto cada jogador restante deve defender quando
enfrentando um bet. Então devemos tomar cuidado e atenção extra aos ranges de cada
jogador e quão valiosa é a posição para determinada textura de board. Geralmente o big blind
defenderá menos frequentemente que outras posições pós-flop, já que ele possui um
desconto em seu call pré-flop e dá call com um range mais fraco.

Aqui estão alguns dos pontos cruciais:

1. Jogadores precisam defender contra bets muito menos


frequentemente em potes multiway que em potes heads-up.
A maioria dos jogadores subestimam quão forte este efeito é.
2. As mãos frequentemente precisam ser muitos fortes para
ganhar no showdown em potes multiway. Assim, mãos que
consistentemente fazemos mãos marginalmente fortes, como
A-Jo, são frequentemente menos úteis. Da mesma forma,
mãos que têm o potencial de se tornar muito fortes, como
pocket pairs pré-flop e draws para o nuts no flop, se tornam
mais valiosas.
3. Em potes multiway, como bets no flop são maiores em relação
ao tamanho restante dos stacks e os ranges de all-in são mais
fortes, os jogadores acabam superestimando suited
connectors, já que eles não podem dar call ou dar raise por
blefe tão eficientemente quanto eles podem em potes heads-
up.
4. Quão frequentemente cada jogador deve defender contra um
bet depende do range e posição de cada jogador.
13. JOGO SHORTSTACK E DEEPSTACK

13.1 INTRODUÇÃO

No livro, até aqui, sempre presumimos que o tamanho inicial dos stacks era de 100 BBs. Isso
tanto porque é o tamanho de stack mais comum utilizado em cash games, quanto proporciona
profundidade de stack suficiente para nos permitir explorar e discutir os conceitos teóricos
mais importantes. Entretanto, os tamanhos de stacks iniciais nem sempre serão de 100 BBs de
profundidade, e é importante entender como os ranges devem mudar para o jogo shortstack e
o jogo deepstack.

Jogadores de torneio precisam saber como aplicar diferentes conceitos teóricos baseados na
profundidade de stacks, já que os jogadores começam bastante deep antes que os stacks
efetivos se tornem short. Como veremos, a falha em ajustar seu range para levar em conta a
profundidade de stack se torna especialmente problemática quando os stacks estão short.
Além disso, esta também é uma habilidade importante a se dominar para jogadores de cash
game, já que é bastante comum que pelo menos um jogador na mesa esteja shortstack.

No fim das contas, todos os conceitos teóricos que discutimos anteriormente para o jogo com
stack de 100 BBs também se aplicará ao jogo com stacks mais deep. Mais uma vez, a maior
vantagem de entender teoria é que podemos descobrir o que fazer em uma situação sem
utilizar uma abordagem de tentativa e erro. Talvez um dia estaremos com 400 BBs contra
outro jogador forte. E não deve ser difícil demais para nós descobrir o que fazer se
entendermos a matemática e teoria por trás de nossas decisões.

13.2 FREQUÊNCIAS DE VALUE BET NO FLOP COM UM RANGE PERFEITAMENTE POLARIZADO

À medida que os stacks se tornam mais deep, é possível blefar mais agressivamente com um
range perfeitamente polarizado e continuar balanceado. A razão para isto é que um stack deep
nos permite betar mais alto e dar ao nosso oponente odds piores para dar call. Isto já foi
demonstrado quando comparando potes onde houve raise com potes 3-betados, já que
nossos ranges de bet e raise no flop em potes 3-betados precisam conter uma fração maior de
mãos de valor.

Lembre-se que, quando analisando o jogo no flop, vimos que a street seguinte deveria ser
betada dois-terços do tempo após betar o pote com um range perfeitamente polarizado. Isso
porque nosso oponente possuía odds de 2-para-1 para dar call e efetivamente venceria
sempre que déssemos check, mas perderia quando betássemos. A mesma metodologia pode
ser utilizada para determinar qual fração dos nossos bets no flop devem ser value bets se
fizermos bets maiores ou menores em cada street.

Aqui está um exemplo onde os stacks estão short. Suponha que os stacks iniciais são de 40
BBs, estamos heads-up, e o pote possui 7 BBs no flop. Esta informação pode ser usada para
determinar quanto o pote precisa crescer a cada street para irmos all-in no river.

7R³ = 80 =>

R = 2,25

Então, se o pote precisa crescer 2,25 vezes o seu tamanho anterior após cada rodada de
apostas para que os stacks vão all-in no river, então apostas de aproximadamente 0,62 do pote
devem ser feitas em cada street. Isto requer que betemos o turn 72% do tempo após betar o
flop, o river 72% do tempo após betar o turn, e 72% dos nossos bets no river precisam ser
value bets.

(1,62)(1 – X) – (0,62)(X) = 0 =>

X = 0,72

Como planejamos betar o turn 72% do tempo após betar o flop, o river 72% do tempo após
betar o turn, e 72% dos nossos bets no river serão value bets, então 37,3% dos nossos bets no
flop devem ser value bets.

0,373 = (0,72)(0,72)(0,72)

Um quadro pode ser criado para mostrar qual a porcentagem dos nossos bets no flop precisam
ser value bets, baseada na profundidade do nosso stack em termos de bets do tamanho do
pote (PSB), utilizando a mesma metodologia mostrada acima. Para fazer isto, mais uma vez
precisaremos supor que nosso range é perfeitamente polarizado no flop, e composto por mãos
que possuem 100% ou 0% de equidade. Além do mais, suponha que o pote é heads-up e o
turn e o river são betados sempre na frequência perfeita com ranges balanceados, para tornar
nosso oponente indiferente a dar call.

Profundidade do Tamanho do Bet Frequência de Porcentagem dos Porcentagem


Stack (apostas do em cada street Bet no Turn e no Bets no River que dos Bets no
tamanho do pote (PSB) River (%) são Value Bets flop que devem
restantes para cada ser Value Bets
jogador no flop)
2 0,35 84,4 84,4 60,1
3 0,46 76,3 76,3 44,3
5 0,61 72,5 72,5 38,1
10 0,88 68,1 68,1 31,6
17 1,14 65,3 65,3 27,8
25 1,35 63,5 63,5 25,6
100 2,43 58,6 58,6 20,1

Nada do quadro acima precisa ser memorizado, mas vale a pena notar algumas tendências
importantes. Se o tamanho dos stacks restantes for pequeno, então mesmo uma pequena
alteração na profundidade do stack pode mudar grandemente qual fração dos nossos bets no
flop devem ser por valor. Por exemplo, se existem 2 apostas do tamanho do pote restantes,
então 60,1% dos nossos bets no flop precisam ser por valor. Mas se existem 3 apostas do
tamanho do pote restantes, apenas 44,3% dos nossos bets no flop precisam ser por valor. Esta
é uma mudança substancial para stacks que ficam apenas ligeiramente mais deep.

Entretanto, uma vez que os stacks já estão adequadamente deep, aumentar a profundidade
do stack não mudará drasticamente a frequência de nossos bets no flop que devem ser por
valor. Perceba que quando possuímos 10 apostas do tamanho do pote restantes no flop,
31,6% dos nossos bets no flop devem ser por valor. Mas quando restam 20 apostas do
tamanho do pote restantes, apenas 25,6% dos nossos bets no flop devem ser por valor. Esta é
uma mudança relativamente pequena para stacks que são substancialmente mais deep.

Isto ajuda demonstrar um ponto importante. Em geral, se os stacks estão short, ranges e
frequências ótimas devem mudar drasticamente com uma pequena alteração em
profundidade de stack. Além do mais, quando os stacks estão muito short, geralmente é
possível criar modelos bastante precisos e encontrar uma solução muito próxima à solução
ótima. Jogadores experts em SNGs e torneios são confortáveis com o quanto as frequências e
ranges mudam baseado em apenas uma pequena diferença na profundidade de stack,
justamente por esta razão. Então em geral, é seguro supor que a maioria dos jogadores que
não estudaram a matemática subestimam o quão significativamente os ranges devem mudar à
medida que os stacks ficam short.

Mas à medida que os stacks ficam mais deep, uma mudança substancial na profundidade de
stack é muito menos significativa. Por exemplo, suponha que damos raise no cutoff e apenas o
button dê call. Se o pote possuir 7 BBs no flop, a estratégia de nenhum dos jogadores se
alterará muito baseada se possuímos 300 BBs ou 1000 BBs. Haverá, sim, alguma mudança, mas
esta mudança é provavelmente muito menos significativa que a maioria dos jogadores
esperaria. Isto é especialmente verdadeiro já que é raro que jogadores teoricamente fortes
vão all-in com stacks de 300 BBs, quanto menos com stacks de 1000 BBs, então a profundidade
extra de stack raramente entra em jogo.

Assim, por estas razões, jogadores que desejam melhorar seu jogo com diferentes tamanhos
de stacks efetivos provavelmente devem focar no jogo shortstack ao invés do jogo deepstack,
e um jogador que estudou o jogo shortstack devem ter uma vantagem substancial contra
alguém que não o estudou. E como ranges não mudarão muito à medida que os stacks ficam
mais deep, estudar o jogo deepstack para stacks acima de 200 BBs provavelmente só valerá a
pena para um jogador expert que frequentemente joga muito deep.

13.3 O JOGO SHORTSTACK EM UM VISLUMBRE

Como discutido anteriormente, não existe forma de calcular o valor esperado de uma mão
baseado simplesmente em sua equidade, quando existem cartas adicionais para vir. Este é um
ponto extremamente importante, já que mãos com menos equidade frequentemente são mais
lucrativas que mãos com uma equidade maior. Assim, é crucial ser capaz de realizar nossa
equidade, e idealmente nossa mão deve ter o potencial de vencer mãos no range de value bet
do nosso oponente e ganhar um pote muito grande. Assim, mãos que tenham o potencial para
fazer o nuts e continuar a extrair valor após enfrentar um raise possuem um valor esperado
mais alto que sua equidade, por si só, indicaria.

Mesmo assim, à medida que os stacks ficam mais short, a habilidade de fazer mãos nuts se
torna menos importante, e a equidade geral da mão se torna mais importante. Isso nos leva à
regra geral do jogo shortstack.

À medida que o tamanho dos stacks se torna menor em relação ao tamanho do pote, mais
ênfase deve ser dada a mãos com alta equidade, e menos ênfase deve ser dada a mãos que
tenham o potencial de fazer mãos nuts.
Isto se deve a várias razões:

1) Quando fazemos uma mão nuts, não temos profundidade de stack suficiente para dar
raise e ganhar um pote muito grande. Em outras palavras, quando fazemos o nuts e
nosso oponente faz o second nuts, ainda é impossível para nós ganhar muitas fichas.
2) Nosso oponente não pode fazer grandes apostas para evitar que sejamos capazes de
lucrativamente dar call com mãos de força marginal. Colocado de outra forma, ter um
range capado é muito menos significativo já que nosso oponente não pode fazer
apostas grandes, para começar.
3) Como os bets são menores em relação ao tamanho do pote, mãos mais fracas podem
ser betadas por valor. Além disso, mais mãos de força marginal precisarão dar call até
o fim. Isso permite que mãos de força média sejam jogadas de forma mais eficaz.
4) Posição geralmente é menos valiosa, em grande parte devido ao fato de que draws são
menos predominantes, e é mais provável que iremos all-in no flop ou turn.
As razões acima nos encorajam a alterar significativamente nossa estratégia pré-flop. Mãos
que possuem pouca equidade mas possuem a habilidade de fazer mãos nuts, como suited
connectors e gappers, se tornam muito menos lucrativas (e frequentemente impossíveis de se
jogar) à medida que os stacks se tornam mais short. Isso porque fazer uma mão que vence a
maioria das mãos no range de value bet do nosso oponente, como um straight ou flush, ainda
não faz com que ganhemos um pote muito grande. Entretanto, mãos que possuem maior
equidade pré-flop mas raramente podem fazer mãos fortes, como Ac-10h ou Ks-10h, agora são
mais lucrativas. A razão para isto é que não temos mais que nos preocupar em enfrentar
múltiplos bets altos, e se betarmos, nosso oponente não será capaz de fazer um raise alto.

Nossa estratégia pós-flop também deve mudar quando os stacks estiverem short. Mais uma
vez, enfatizaremos o jogo com mãos com mais equidade, ao invés de mãos que tenham o
potencial de fazer mãos nuts. Por exemplo, mãos com backdoor flush draw e backdoor straight
draw, como 8s-7s no flop Jc-6s-2d, não terão mais o potencial de ganhar um pote muito
grande. Isto diminui o valor esperado desta mão. Ao contrário, uma mão como o Ac-10h na
mesma textura de board pode fazer um call lucrativo já que podemos confortavelmente dar
call até o showdown ou betar se vier um A ou 10 no turn.

Além disso, como ter um range capado não é um problema quando os stacks estão short,
ranges onde nossa mão mais forte que value betamos ainda é bastante fraca funcionarão
melhor em spots. Isto pode facilmente ser visto pré-flop, já que jogadores frequentemente
podem 3-bet shovar com um range capado e seu oponente será incapaz de dar raise.

Aqui está um exemplo. Frequentemente é bastante eficaz 3-betar all-in com um range
consistindo principalmente de pocket pairs e broadways, como A-K, A-Q e A-J. Isto porque
estas mãos possuem uma quantidade razoável de equidade quando receberem um call, mas
como elas são vulneráveis a se tornar a segunda melhor mão no flop, ainda queremos
encorajar nosso oponente a foldar pré-flop. Em outras palavras, mãos no range de fold do
nosso oponente quase sempre terão uma quantidade significativa de equidade, e fazer estas
mãos foldarem para um 3-bet é muito útil. E não possuir pares premium neste range não é
problemático, já que nosso oponente não pode dar raise, de qualquer forma.

Mesmo que seja complicado de se visualizar, este mesmo conceito de betar com um range
capado quando os stacks estão short também pode ser aplicado pós-flop. Por exemplo, pode
ser melhor sair de lead no flop ou turn com um range capado em alguns spots, já que nosso
oponente não será capaz de fazer um raise alto (ou raise nenhum se estivermos all-in). Isto nos
permite considerar ranges de lead no flop e no turn em alguns spots, que claramente seriam
ruins com maior profundidade de stack. Enquanto o jogo shortstack detalhado esteja além do
assunto que discutimos neste livro, espero que você agora entenda o porquê do lead fazer
sentido com um range capado quando os stacks estiverem short.

Por fim, é difícil dar regras gerais para como jogar com stacks short, já que existe uma enorme
diferença entre estar com 10, 20 ou 35 BBs de profundidade. Os mesmos cálculos
anteriormente demonstrados teriam que ser aplicados para conseguir novas frequências e
relações para uma profundidade específica de stack. Além disso, jogar o flop ou o turn de bet-
fold frequentemente se torna ruim à medida que os stacks ficam short, (qualquer mão que
bete terá equidade suficiente para dar bet-call), assim os cálculos precisam ser feitos
planejando utilizar apenas uma ou duas rodadas de apostas. Realmente não existe substituto
para tomar seu tempo e estudar ranges, e se isso justifica seu tempo ou não dependerá do seu
nível de habilidade e dos tipos de jogos que você tem jogado.

13.4 O JOGO DEEPSTACK EM UM VISLUMBRE

Sem surpresas, o jogo deepstack exige que façamos o oposto dos ajustes feitos para o jogo
shortstack. Isto nos leva à nossa regra geral para o jogo deepstack.

À medida que o tamanho dos stacks se torna maior em relação ao tamanho do pote, mais
ênfase deve ser dada a mãos que possuam a habilidade de fazer o nuts e menos ênfase deve
ser dada na equidade absoluta da mão.

Em outras palavras, queremos jogar mãos que possuam a habilidade de vencer mãos no range
de value bet e call do nosso oponente. Isto se deve a várias razões:

1. Como apostas muito altas são possíveis, um range balanceado de bet no flop pode
incluir muitos blefes para cada value bet. Isto torna mãos fortes e mãos boas para
blefar muito importantes.
2. É importante que tenhamos algumas mãos muito fortes em nosso range ou nosso
oponente pode dar raise ou overbetar imprudentemente. Em outras palavras, ele
pode nos punir severamente por ter um range capado.
3. Quando nosso oponente faz apostas altas, não é necessário defender tanto do nosso
range quanto teríamos que defender se ele betasse mais baixo. Isto nos permite
enfatizar defender mãos prontas fortes e draws e requer que coloquemos menos
ênfase em dar call com muitos bluff catchers.
4. Nosso oponente frequentemente dará raise em muitas texturas de board, e quando
ele fizer isso, geralmente teremos a opção de dar re-raise. Isto nos permite ganhar um
pote enorme quando tivermos o nuts e ele tiver o second nuts.
5. Posição é mais valiosa, principalmente porque draws serão predominantes no range
de ambos os jogadores, e raramente estaremos all-in antes do river. Isto é
especialmente verdadeiro para potes 3-betados e mesmo 4-betados.

Nossa estratégia pré-flop quando estivermos deep deve ser construída para aumentar nossas
chances de fazer mãos nuts. Em particular, mãos que tenham a capacidade de formar trincas,
straights e flushes são mais valiosas pois estas mãos podem ganhar potes muito grandes. O
flush nuts é particularmente valioso, pois é possível ganhar um pote gigantesco quando nosso
oponente possuir um flush K-high ou Q-high.

Posição também é mais valiosa quando deep, pois potes 3-betados e 4-betados são jogados
com significativa profundidade de stack restante. Entretanto, um leak que muitos jogadores
possuem é que eles pensam que 3-betar deep e fora de posição é uma jogada ruim. Isto
porque eles não gostam da ideia de ter que jogar um pote grande quando fora de posição.
Isto, entretanto, não é correto por diversas razões.

Para ilustrar, suponha que o button dê raise e tanto o small blind quanto o big blind decidam
defender dando call na maior parte das vezes, ao invés de 3-betando. Quando isto ocorre, o
button possui praticamente a garantia de ver um flop ou vencer pré-flop. Como o button
raramente enfrentará um 3-bet, os blinds precisam defender com ranges extremamente
amplos para prevenir que o button seja capaz de lucrativamente dar raise com quaisquer duas
cartas. (Na verdade, pode ser possível para o button lucrativamente dar raise com quaisquer
duas cartas se os blinds quase nunca 3-betarem). Isto resulta no button sendo capaz de
lucrativamente dar raise com praticamente quaisquer duas cartas e constantemente jogando o
flop em posição.

Então, se o button raramente é 3-betado, ele vai dar raise com praticamente quaisquer duas
cartas em seu range. Isto agora dá aos blinds um incentivo para 3-betar agressivamente, já que
para evitar que os blinds sejam capazes de lucrativamente 3-betar com quaisquer duas cartas
o button deve dar call com um range amplo. Isto resulta no range de call do button, apesar da
vantagem da posição, consistir de mãos fracas demais para eficientemente jogar potes 3-
betados. Simplesmente não existem mãos fortes o suficiente e mãos especulativas que valham
a pena no range de raise do button para defender em uma frequência razoável quando ele
está dando raise com um range muito amplo.

Consequentemente, é bastante fácil demonstrar que, se os blinds não estão 3-betando


agressivamente um raise do button, então o button terá um incentivo para dar raise com um
range mais amplo, o que por sua vez dá aos blinds um incentivo para começar a 3-betar
agressivamente (já que o range de call do button é muito fraco). Embora, como foi
demonstrado no capítulo de pré-flop, seja impossível calcular exatamente quão amplamente o
button deve dar raise baseado em profundidade de stack. Por exemplo, se o button dá raise
mais de 50% do tempo, ele terá que dar call em 3-bets com algumas mãos relativamente
fracas. Em outras palavras, enquanto o button dará raise com um range mais amplo pois a
posição é mais valiosa em potes 3-betados quando os stacks estão deep, ele não dará raise
com um range amplo demais, ou então ele terá que defender um range fraco demais contra
um 3-bet.

Enquanto é impossível solucionar o jogo pré-flop com uma profundidade de 100 BBs, quanto
mais quando o stacks estão ainda mais deep, como regra geral, os ranges pré-flop não
mudarão drasticamente quando jogando com stacks grandes. O jogador que provavelmente
estará em posição, como o cutoff ou o buttohn, deve dar call com um range mais amplo ou dar
raise um pouco mais agressivamente. Da mesma forma, os blinds provavelmente irão querer
tentar enfatizar dar mais calls e 3-betar um pouco menos, já que eles estão fora de posição.
Ainda assim, é crítico que os blinds não se ajustem além do necessário e continuem 3-betando
agressivamente, já que se eles não fizerem isso, o button, especialmente, pode dar raise com
um range extremamente amplo (e assim se torna vulnerável a um 3-bet agressivo, o que
encoraja os blinds a mudarem sua estratégia).
Além disso, se assegure de manter em mente que, só porque nosso oponente pode
lucrativamente dar call em nosso 3-bet com uma mão especulativa, isso não implica que o size
do nosso raise foi ruim. Aqui está um exemplo. Se estamos deep e o button dá raise com 6h-
4h, ele pode ser capaz de lucrativamente dar call se 3-betarmos da big blind (utilizando nosso
tamanho de 3-bet padrão). Mas o valor esperado da mão dele deve ser significativamente
menor que se tivéssemos apenas dado call em seu raise. Em outras palavras, quando nosso
oponente dá call em nosso 3-bet, o call pode ser apenas ligeiramente lucrativo, então ele
ainda esperará, de forma geral, perder dinheiro na mão. (Apenas menos que ele teria perdido
se tivesse foldado). Além disso, é crucial não fazer 3-bets muito grandes quando fora de
posição só porque nosso oponente será capaz de lucrativamente dar call em 3-bets menores
com mãos especulativas, que jogam particularmente melhor quando deep e em posição.
Afinal, o número de combos de mãos especulativas é limitado em seu range de raise pré-flop.

Por fim, como veremos quando discutindo o tamanho de bet em mais detalhes nas seções
futuras, é importante ajustar o tamanho do nosso bet quando deep e fora de posição em um
pote 3-betado. Uma vez que isto é compreendido, jogar um pote 3-betado fora de posição se
torna muito menos intimidador.

13.5 RESUMO

Em geral, quando o tamanho dos stacks é pequeno, mesmo uma pequena mudança na
profundidade dos stacks causará mudanças drásticas nos ranges e frequências. Portanto, um
jogador que estudou a matemática por trás do jogo shortstack deve ter uma vantagem
significativa sobre alguém que não estudou. Mas quando os stacks estão deep, as mudanças
serão bem menos severas.

Em geral, a equidade absoluta de uma mão se torna mais importante à medida que os stacks
se tornam menores, enquanto que a habilidade de formar mãos nuts é mais importante para o
jogo deepstack. Quando betando alto, muitos blefes podem estar em nosso range de bet no
flop para cada value bet forte. Mas quando os stacks estão pequenos e os bets são menores,
nosso oponente possui melhores odds para dar call, e assim mais dos nossos bets precisam ser
por valor para mantê-lo indiferente a dar call com um bluff catcher.

O jogo pré-flop mudará significativamente quando os stacks estão menores, mas menos
drasticamente quando os stacks estão deep. Um leak que muitos jogadores possuem é temer
jogar potes 3-betados fora de posição quando deep, e isto faz com que eles joguem uma
estratégia pré-flop fraca, e apenas raramente 3-betem. Se o button dá raise com um range
mais amplo que o normal, ele terá que dar call em 3-bets com mãos mais fracas, e 3-betar
agressivamente evita que ele seja capaz de dar raise com um range muito amplo.

Aqui estão alguns dos pontos mais importantes:

1. A equidade absoluta de uma mão importa mais quando os stacks estão pequenos, já
que nosso oponente é incapaz de overbetar.
2. À medida que os stacks se tornam mais deep, a habilidade de formar mãos nuts se
torna mais importante, já que estas mãos têm o potencial de ganhar um pote enorme.
3. Ranges capados são menos desvantajosos quando os stacks estão pequenos. Isto
permite aos jogadores utilizarem ranges de bet e raise capados.

Embora posição seja especialmente valiosa quando os stacks estão deep em potes 3-betados,
os jogadores ainda devem 3-betar agressivamente quando fora de posição, já que o button
deve estar dando raise com um range mais amplo, o que o força a dar call em 3-bets com um
range mais fraco.
14. TAMANHOS AVANÇADOS DE BET

14.1 INTRODUÇÃO

Como discutido anteriormente, como betar tamanhos múltiplos em um mesmo spot é o


melhor, o jogo ótimo requer que balanceemos incontáveis ranges de uma vez só. Além disso,
enquanto às vezes é possível calcular o tamanho de bet próximo ao perfeito para nossa mão
específica no river, isto não é possível no flop ou turn. Isso porque existem cartas restantes
para vir, e nosso range de bet nunca será perfeitamente polarizado.

Entretanto, podemos utilizar a teoria que já discutimos para melhorar o tamanho do nosso
bet. Como geralmente é o caso quando aplicando teoria a spots complexos, enquanto pode
ser impossível dizer se o tamanho do nosso bet está correto, frequentemente é possível dizer
se ele está incorreto. Talvez mais importantemente, podemos ter certeza de que o tamanho
do nosso bet é consistente com nosso conhecimento teórico e que não existam contradições
em nosso processo de pensamento.

Além do mais, embora o tamanho do nosso bet nunca seja perfeito, existem muitos spots
comuns onde quase todos os jogadores atualmente betam o tamanho errado, e consertar este
leak nos dará um edge significativo. Estes spots ocorrem com uma frequência surpreendente,
e usar o tamanho correto de bet tanto aumenta nossa expectativa quanto constantemente
coloca nosso oponente em spots complicados.

14.2 USANDO O TAMANHO DO BET PARA PROCURAR PENSAMENTOS CONTRADITÓRIOS

Talvez o aspecto mais útil de explorar múltiplos tamanhos de bet é que isso permite procurar
contradições em nosso processo de pensamento. Isto pode ser alcançado fazendo suposições
em relação ao range de call do nosso oponente, e então nos assegurando de que o tamanho
do nosso bet faz sentido no contexto destas suposições.

Perceba que uma suposição que comumente faremos no river é que nosso oponente deve
defender em uma frequência que nos torna indiferentes a blefar. Isso porque se ele defender
muito frequentemente, nossos blefes terão um valor esperado negativo e pararemos de
blefar. E se ele não defender o suficiente, nunca jogaremos de check-fold ou check behind em
posição com uma mão que não possua valor de showdown. Enquanto existem spots onde
blefar quaisquer duas cartas no river deve ser lucrativo, geralmente este não é o caso. Assim,
esta suposição é muito útil para permitir que determinemos quais tamanhos e frequências de
bet fazem sentido.

Aqui está um exemplo. No river, o pote possui 50 BBs, nós temos 75 BBs restantes, e
acreditamos que nosso oponente dará call em uma frequência que nos mantém indiferentes
ao blefe. Se estamos em posição e formos all-in, nosso oponente deve dar call 40% do tempo.

(50)(1 – X) – (75)(X) = 0 =>

X = 0,4

Como ele dará call em nosso shove 40% do tempo, ir all-in no river com o nuts possui um valor
esperado de 30 BBs maior que o atual tamanho do pote (ignorando efeitos de remoção).

30 = (0,4)(75) + (0,6)(0)

Onde
0,4 é a frequência de call,

75 é o tamanho do bet,

0,6 é a frequência de fold, e

0 é a quantidade ganha em relação a dar check quando nosso oponente folda.

Isto nos diz que, para betar qualquer tamanho de bet que não seja all-in, e que isto seja
correto com o nuts, nosso oponente deve dar call ou raise o suficiente para que nosso valor
esperado seja de pelo menos 30 BBs maior que o tamanho do pote. Lembre-se, enquanto é
sempre correto utilizar a linha que possua o maior valor esperado, os jogadores
frequentemente se confundem e acham aceitável utilizar uma linha com um valor esperado
menor “para balancear o range”. Mas isto nunca é teoricamente correto. Então neste caso, se
um bet menor não possui um valor esperado de pelo menos 30 BBs, sempre vá all-in.

Vamos continuar a desenvolver este exemplo. Suponha que damos raise no cutoff e o button
seja o único a dar call em nosso bet de 75% do pote no flop Jh-7h-4c e no turn 6s. Quando o
river vem o 2d, nenhuma mão no range do oponente deve ter melhorado, e como a textura do
board no turn tornava arriscado o slowplay, já que o range de bet do oponente incluía muitos
draws, é improvável que ele tenha uma mão mais forte que A-J.

Quando começando a explorar diferentes tamanhos de bet, é fácil começar a


imprudentemente overbetar em spots como este com blefes, já que o range do nosso
oponente é capado. Enquanto é verdadeiro que ele deve odiar enfrentar um overbet de nós se
betarmos o river com um range balanceado (já que ele sempre terá, na melhor das hipóteses,
um bluff catcher e será indiferente a dar call), não existem mãos fortes suficientes em nosso
range para permitir que betemos todos os nossos blefes e ainda continuemos balanceados. Em
outras palavras, blefar muito agressivamente no river permite que nosso oponente dê call
lucrativamente com seus bluff catchers.

Colocado de outra forma, nosso oponente não deve nos deixar blefar lucrativamente no river
com quaisquer duas cartas mesmo se os overbets forem eficazes. Isto porque nosso range de
bet no turn foi construído para jogar alguns missed draws de check-fold no river, e por causa
disto, geralmente é seguro presumir que nosso oponente deve dar call em uma frequência que
nos mantém indiferentes ao blefe.

É tentador utilizar a fórmula de tamanho de bet no river e calcular o tamanho do nosso bet
baseado em quão frequentemente temos a segunda melhor mão no river, que resulta em nós
overbetando todas as nossas mãos melhores que K-J e betando menor com mãos que nosso
oponente às vezes está vencendo. Entretanto, fazer isto torna nosso range transparente e
permite que ele dê raise agressivamente, já que nosso range é capado.

Por exemplo, suponha que usemos a equação de tamanho de bet no river e acreditamos que é
melhor betar 40% do pote com K-J e balanceá-lo com a quantidade apropriada de blefes. Mas
se a única mão de valor em nosso range for K-J, nosso oponente irá de check-raise all-in com
todos os seus A-J e K-J, já que estas mãos não podem ser vencidas. (Ele também dará raises
por blefe, claro). Colocado de forma diferente, se betarmos o river com um range onde nosso
value bet mais forte é K-J ou mais fraco, então ele será capaz de dar raise agressivamente, já
que nosso range é capado.
Então podemos ver claramente que é problemático betar com um range onde nossa mão mais
forte de valor é mais fraca que K-J, já que nosso oponente pode nos dar raise sabendo que está
ganhando a mão. Além do mais, se ele sempre desse raise em nosso bets pequenos quando
ele possui A-J ou K-J, então betar baixo com nossas mãos nuts seria mais lucrativo que ir all-in.
E para que isto faça sentido teoricamente, no river devemos às vezes fazer bets baixos com
nossas mãos nuts para que nosso oponente seja indiferente a dar call ou raise em nosso bet
com suas mãos mais fortes. Isto resulta nele às vezes dando raise, e às vezes dando call.

Consequentemente, se devemos ocasionalmente value betar baixo com o nuts e ir all-in outras
vezes, então o valor esperado de ambas as linhas deve ser igual. E como já sabemos que o
valor esperado de shovar 75 BBs com o nuts em um pote de 50 BBs é 30 BBs maior que o
tamanho do pote, este deve ser nosso valor esperado se ambos os tamanhos forem utilizados.
Mais uma vez, se nosso oponente não defender agressivamente o suficiente contra nossos
bets baixos, então nunca devemos betar baixo com o nuts. Em contraste, se ele devender
agressivamente demais, devemos sempre betar baixo, já que este tamanho é mais lucrativo
que overbetar.

Continuando, vamos continuar supondo, no river com o nuts, que às vezes queremos betar
40% do pote, já que isto balanceará um range de bet que consiste primariamente de K-J e
blefes. E se o pote possui 50 BBs, um bet de 40% do pote será de 20 BBs, o que significa que
nosso oponente deve defender 71,4% do tempo contra este bet para nos manter indiferentes
ao blefe.

(50)(1 – X) – (20)(X) = 0 =>

X = 0,714

Mas se usar dois tamanhos com o nuts faz sentido, ele também deve dar raise em uma
frequência que nos mantenha indiferentes a fazer um bet baixo ou um bet alto. E se nosso
oponente sempre der raise all-in de 75 BBs quando ele dá raise, a frequência correta de shove
para nos manter indiferentes entre betar 20 ou 75 BBs é de 26%.

(20)(0,714 – X) + (75)(X) = 30 =>

X = 0,260

Onde

20 é o tamanho do bet,

0,714 é a frequência mínima de defesa,

75 é o tamanho do raise,

30 é o valor esperado de shovar, e

X é a frequência de raise.

Podemos, assim, concluir que nosso oponente precisa dar raise em nosso bet baixo 26% do
tempo para nos manter indiferentes entre overbetar e betar 40% do pote com o nuts. Em
outras palavras, se ele quer nos dar um incentivo para betar baixo com o nuts, isto é quão
agressivamente ele precisará dar raise.

Toda esta informação pode impressionar a princípio, e apenas discutimos a superfície do


assunto. Mas é crucial que não tornemos o tamanho de bet no river mais simples que de fato
é. Isto é especialmente verdadeiro quando em posição, já que betar baixo reabre a rodada de
apostas e dá ao nosso oponente a oportunidade de dar check-raise. Entretanto, acreditamos
que também é importante entender o significado matemático das afirmações para procurar
por contradições em nosso processo de pensamento. Na verdade, a maioria dos jogadores não
estão, nem de perto, dando raise em bets baixos agressivamente o suficiente para justificar
betar baixo em muitos spots, e overbetar (seja por valor, por blefe, ou baseado em um leak do
oponente) será a melhor jogada.

Um gráfico pode ser feito para mostrar quão frequentemente nosso oponente precisa shovar
contra o nosso bet no river para nos dar um incentivo de betar aquele tamanho de bet com o
nuts. Mais uma vez, isto supõe que existe apenas 1,5 pote restante em cada stack, não
podemos lucrativamente blefar quaisquer duas cartas, e efeitos de remoção podem ser
ignorados.

14.3 EXEMPLOS DE TAMANHOS DE BET

Como tamanhos de bet podem se tornar tão complicados quanto queremos que seja, é melhor
demonstrar como aplicar difíceis conceitos utilizando exemplos. Afinal, geralmente é mais fácil
implementar tamanhos de bet apropriados em uma nova situação se ela for similar a uma
situação familiar.

Antes de seguir em frente para exemplos específicos, eu recomendaria um truque que me


ajudou muito em entender tamanhos de bet. Quando dando check fora de posição, visualize
isto como se você estivesse betando “nada”, ao invés de ser um conceito completamente
diferente de betar. É fácil pensar que algo significativo acontece quando dando check fora de
posição, ao invés de betar baixo, mas existe pouca diferença entre betar 1 BB e dar check. Isto
não é verdadeiro quando em posição, já que mesmo uma pequena aposta permite ao nosso
oponente dar check-raise, mas quando fora de posição, betar baixo e dar check são quase a
mesma coisa.
Uma vez que você perceba que betar baixo e dar check quando fora de posição são similares, é
muito mais fácil aceitar que você frequentemente enfrentará um raise após betar baixo e
agora terá um bluff catcher. Afinal, é exatamente isto que acontece quando damos check. Com
frequência simplesmente não existe forma de evitar uma difícil decisão quando fora de
posição, e regularmente daremos call com a mão que está perdendo ou foldaremos a mão
vencedora contra um oponente forte.

Aqui está um exemplo. Se o pote possui $100 no river e betamos $10, nosso oponente deve
saber que a maioria dos nossos value bets são fracos, e constantemente dará raise e nos
tornará indiferentes a dar call. Mas, se dermos check, ele frequentemente betará e mais uma
vez estaremos indiferentes a dar call. Claro, $10 a mais são investidos betando, mas esta
pequena aposta frequentemente é correta e na verdade não é muito diferente de dar check. A
diferença entre betar 10% do pote e 0% (dando check) geralmente não é significativa, mas
entender como ela pode fazer sentido na teoria e ambas as linhas se tornam comparáveis. E
depois que você começa a pensar em bets desta forma, deve ser mais fácil considerar fazer
bets pequenos quando fora de posição, ao invés de temê-las simplesmente porque você vai
enfrentar um raise com frequência.

Exemplo de Tamanho de Bet Nº 1

Ação: O button dá raise e damos call no big blind. O flop é Jh-8h-6s, e ambos os jogadores dão
check. Se o turn for o 4d, quais tamanhos de bet fazem sentido com as mãos no nosso range?

Explicação: De forma geral, este é um spot onde a maioria dos jogadores betam cerca de 2/3
do pote quando eles betam. Esta é a típica abordagem geralmente empregada por jogadores
que dão pouca profundidade no pensamento sobre o range de cada jogador. Enquanto este
tamanho será eficiente com algumas mãos em nosso range, existem outras que devem utilizar
um tamanho diferente.

Quando de fato paramos para pensar sobre o range de check no flop do nosso oponente, deve
ficar claro que é improvável que ele dê check behind com qualquer mão forte. Nos dar uma
free card é arriscado quando nosso oponente possui top pair, e dar check behind com uma
mão forte remove uma rodada de apostas do jogo. Então é seguro dizer que é muito
improvável que ele dê check behind com muitas mãos fortes, se é que existe alguma mão
forte, já que betar quase certamente terá um valor esperado maior.

Além do mais, o turn não colocou muitas mãos fortes no range de nosso oponente. Ele
provavelmente conseguiu no turn apenas 5 combinações de mãos fortes – três combos de 4-4
e dois combos de 6-4s – e as mãos que possuem dois pares provavelmente não são fortes o
suficiente para dar raise em nosso bet, de qualquer forma. Isto é, pouquíssimas combinações
em relação a quão amplo é o range de check no flop do button, e como resultado ele tem uma
trinca no turn geralmente apenas 2 ou 3% do tempo. Perceba, também, que é improvável que
o button faça um straight neste turn, já que ele teria betado no flop com um 7-5 (que para
começo de conversa provavelmente seria suited).

Portanto, devemos imediatamente considerar um overbet em spots onde é improvável que


nosso oponente dê raise em nossos bets. Isto nos permite extrair mais valor com nossas mãos
fortes, assim como blefar mais agressivamente. Enquanto é impossível calcular o tamanho de
bet perfeito no turn com qualquer mão, betar alto (maior que o tamanho do pote) com K-J ou
mais forte provavelmente será uma grande jogada, já que a maior parte do range do nosso
oponente será, na melhor das hipóteses, um bluff catcher.
Perceba também que nosso oponente não terá um incentivo para dar check behind com suas
mãos fortes no flop e se arriscar a nos dar uma free card enquanto não estivermos fazendo
bets altos em uma alta frequência. Lembre-se, às vezes daremos check-raise neste flop
também – tanto por blefe quanto por blefe –, então sempre que ele dá check behind com uma
mão forte como uma trinca, ele se arrisca a perder valor. Portanto, enquanto não nos
tornamos muito imprudentes, overbetar algumas de nossas mãos fortes no turn deve ser uma
jogada eficaz.

Mas só porque bets altos com mãos fortes são eficazes, isso não significa que apenas bets altos
devem ser feitos. Top pair, kicker fraco e pares médios devem fazer bets baixos quando
betarem, e estes ranges também devem ser balanceados com blefes, draws e geralmente
algumas mãos nuts também. Como visto quando utilizando a fórmula do tamanho do bet no
river, bets menores serão melhores quando nosso oponente está nos vencendo com uma
frequência razoável, já que isto o força e defender mais amplamente, assim como resulta em
uma perda menor para nós quando ele possui a melhor mão.

Pode ser claramente visto que muitos tamanhos diferentes de bet devem ser utilizados neste
spot, mas atualmente a maioria dos jogadores estão betando um único tamanho. Na época em
que escrevo isto, overbetar este turn é provavelmente mais eficaz que deveria ser em teoria,
já que os jogadores raramente dão check behind com mãos fortes no flop e não possui
experiência em enfrentar overbets. Então, enquanto utilizar tamanhos múltiplos será melhor
no turn, a menos que acreditemos que nosso oponente seja explorado com bets menores,
muitos dos nossos bets devem ser overbets.

Algumas boas mãos para overbetar por valor no turn neste exemplo serão trincas e K-J.
Overbets por blefe devem reter bem sua equidade à medida que o range do nosso oponente
se torna muito mais forte, e brocas como Qd-9d funcionam bem desta forma. Quando
overbetando por blefe, tente utilizar mãos que possam fazer mãos nuts no river.

Exemplo de Tamanho de Bet Nº 2

Ação: Damos raise em UTG com As-Ks e apenas o cutoff dá call. Ele também dá call em nosso
bet no flop 10d-7s-3s e faz o mesmo no turn 5h. Se o river for o 2h, um bet de 1,5 pote será
eficaz?

Explicação: Este é um spot onde os efeitos de remoção diminuirão significativamente o valor


esperado do nosso shove no river, então overbetar não é tão eficaz quanto seria de outra
forma. Se betarmos 1,5 pote no river, nosso oponente só precisa dar call 40% do tempo, mas
muitas mãos em seu range de call serão flushes, que incluirão o As ou o Ks. Isto resulta nele
dando call muito menos que 40% do tempo, e nos encoraja a betar menor para extrair valor de
suas mãos mais fracas.

Perceba que, como demos raise do UTG e nosso oponente deu call no cutoff, ambos os nossos
ranges serão bem fortes no river. Na verdade, seu range de call no river normalmente incluiria
As-Qs, As-Js, As-10s, Ks-Qs e Ks-Js, das quais ele não pode ter nenhuma, já que bloqueamos o
As e o Ks. Isto resulta no range de river dele incluindo muito mais overpairs, como Q-Q e J-J,
que geralmente foldarão para nosso shove no river.

Além do mais, se betarmos mais baixo, nosso oponente pode ter um range de raise no river –
um flush Q-high ou J-high. Além disso, ele deve balancear seu range com alguns blefes, que
resultarão em nossos bets menores extraindo valor adicional. Então, diferente de outros spots
onde devemos overbetar para ir all-in, ainda ganharemos o stack do nosso oponente com bets
menores quando ele tiver uma das mãos mais fortes em seu range.

Assim, em spots como este onde bloqueamos uma porção significativa do range de call do
nosso oponente, geralmente vamos querer betar mais baixo com o nuts que betaríamos
normalmente. Isso porque overbets fazem com que nosso oponente defenda uma fração
menor de seu range, e as mãos que bloqueamos provavelmente representam uma grande
porção daquele range. Embora descobrir exatamente qual tamanho betar geralmente leva
muito tempo e requer a ajuda de software de computador, ter um senso geral de quando
overbets são menos eficazes devido aos efeitos de remoção ainda é útil.

Exemplo de Tamanho de Bet nº 3

Ação: Damos raise no cutoff e o button dá call. Ele dá call em nosso bet no flop 10h-8h-3s e o
turn vem o 4d. Betar 2/3 do pote aqui é eficaz com muitas mãos em nosso range?

Explicação: Se tivéssemos que escolher um tamanho que englobasse tudo, então 2/3 do pote
provavelmente seria razoável. Isto permite que continuemos value betando mãos como K-10
sem tornar o range do nosso oponente muito forte, assim como nos permite extrair uma
quantidade considerável de valor quando betando overpairs e trincas. Geralmente os
jogadores betam apenas um tamanho para que sua mão não esteja transparente, mas como já
sabemos, isto é incorreto. Tamanhos múltiplos de bet devem ser usados e cada range deve ser
balanceado.

De muitas formas, esta mão é similar ao primeiro exemplo, já que este é outro spot onde
nosso oponente normalmente não dará raise em nosso bet no turn se betarmos 2/3 do pote. A
menos que ele tenha feito slowplay com uma mão forte no flop, é improvável que ele tenha
uma mão mais forte que A-10, e esta mão claramente não é forte o suficiente para dar raise
em um bet de tamanho médio. Então, como o range do nosso oponente é capado e ele não
terá um range de raise, devemos considerar overbetar.

Vamos supor, no turn, que decidamos utilizar dois tamanhos de bet, ao invés de apenas um,
que a maioria dos jogadores usam. Neste caso, overbetar um range com mãos de valor que
são mais fortes que A-10 será bastante eficaz, já que transforma todas as mãos no range do
nosso oponente em um bluff catcher. E bets mais baixos serão eficazes com uma mão como K-
10, já que às vezes estaremos perdendo.

Claro, não estamos restritos a utilizar apenas dois tamanhos de bet. Mas mesmo quando
apenas dois tamanhos de bet são possíveis, betar 2/3 do pote não parece muito eficaz. Isso
porque nossas mãos fortes irão querer betar maior, já que elas não podem ser vencidas, nosso
oponente possui posição, e existem tantos draws possíveis. Mas nossas mãos de valor mais
fracas, como K-10, preferem betar menor. Então mesmo que a maioria dos jogadores bete 2/3
do pote aqui, na verdade não é um tamanho eficaz com a maioria das mãos.

Então se você está atualmente utilizando apenas um tamanho de bet na maioria dos spots,
você provavelmente descobrirá que muitos spots difíceis podem ser evitados se você
considerar tamanhos diferentes. Às vezes os jogadores consideram betar apenas 2/3 do pote
ou dar check, mas betar 1/3 do pote seria o melhor dos dois mundos. Esta não é uma
habilidade fácil de dominar, mas aqueles que desejam levar seu jogo ao próximo nível devem
fortemente considerar tentar melhorar seus tamanhos de bet em situações como esta.

Exemplo de Tamanho de Bet nº 4


Ação: Damos raise no cutoff com Ks-Qh e o button dá call. Ele também dá call em nosso bet no
flop Jh-10s-5 e faz o mesmo no turn 6s. Se o river vier o 9d, qual tamanho devemos betar?

Explicação: Nosso oponente provavelmente possui 16 combinações de K-Q em seu range


antes dos efeitos de remoção e 9 depois que os efeitos de remoção são aplicados. Embora
tenhamos o nuts no river, overbetar provavelmente não será uma estratégia eficaz pois se
fizermos isto, uma grande fração de seu range de call também será o nuts e o pote será
dividido.

Mas entenda que não é apenas o efeito de remoção que nos encoraja a fazer bets mais baixos
no river, mas também betar alto demais deve fazer com que nosso oponente dê call com
poucas mãos que não são o nuts.

Às vezes ajuda imaginar um exemplo extremo para visualizar um conceito. Suponha que
estamos muito deep e no river overbetamos uma aposta do tamanho de 50 potes. Nosso bet
deve ser tãogrande que nosso oponente poderia foldar todas as mãos exceto o nuts sem medo
que sejamos capazes de blefar lucrativamente. (Um exemplo é quando existem três cartas do
mesmo naipe no board e temos o A deste naipe.) Isto resulta nele dando call só com o nuts, e
nunca ganharemos mais dinheiro do que já está no pote. Então é possível em alguns spots
betar tão alto que isso na verdade evita que extraiamos valor, já que apenas dividiremos o
pote.

Este spot é menos comum que os outros conceitos anteriormente discutidos, mas ele
demonstra porque o tamanho do bet pode ser tão complicado. Enquanto é fácil ignorar efeitos
de remoção e split pot quando falando em termos abstratos, na verdade, eles são
frequentemente relevantes. Então prestar atenção a estes efeitos e betar um pouco menor ou
maior melhorará nossa pior linha.

Exemplo de Tamanho de Bet Nº 5

Ação: Damos raise no button com As-Js e damos call em um 3-bet do big blind. O flop vem Jd-
7d-4h e nosso oponente beta. Se dermos raise, quão grande deve ser nosso raise e quais tipos
de mãos em seu range devem ser próximos a indiferente ao call?

Explicação: As-Js é uma mão razoável para dar raise pois ela é vulnerável a se tornar a segunda
melhor mão contra tantas mãos no range de nosso oponente. Quase todos os blefes em seu
range de bet possuem overcards como Kc-Qh, um par com cinco outs como 5s-4s, ou uma
broca como 8c-6c. Dar raise força nosso oponente a dar call com essas mãos e colocar mais
dinheiro no pote quando ele está perdendo, ou foldar sem realizar sua equidade.

Lembre-se, o pote já está tão grande em potes 3-betados que é ok dar raise com um range
capado já que nosso oponente não pode fazer bets altos em relação ao tamanho do pote, de
qualquer forma. Portanto, provavelmente é melhor dar raise apenas com mãos fortes mas
vulneráveis como A-J e possivelmente K-J, e fazer slowplay com mãos mais fortes como 7h-7s e
Ad-Ac.

O erro que jogadores geralmente cometem neste spot é que eles fazem o raise muito alto,
quando dar raise próximo ao mínimo é provavelmente o melhor. Poker é um jogo de várias
streets, e é ok se nosso raise não gera um lucro imediato no flop. Raises pequenos forçam
nosso oponente a dar call com um range mais amplo e jogar o turn fora de posição, enquanto
raises altos permitem a ele shovar ou foldar mais facilmente.
Neste spot, muitos jogadores regularmente fazem raises altos no flop em uma tentativa de
negar ao oponente odds para dar call com seus flush draws ou duas pontas, mas esta não é
uma estratégia eficaz. Draws com oito outs ou mais são mãos fortes no flop e geralmente
farão calls ou shoves lucrativos em potes 3-betados, já que o pote já está grande e eles
possuem muita equidade. Pelo contrário, devemos focar em dar um raise pequeno, para que
nosso oponente fique em uma situação complicada onde ele possui uma broca ou um par mais
fraco que A-J, já que estas mãos formam uma grande fração de seu range de bet.

Por último, lembre-se que não precisamos necessariamente tornar nosso oponente indiferente
a dar call com muitas mãos para que o raise seja a melhor jogada. Mesmo se ele puder
lucrativamente dar call em nosso raise com muitos pares e brocas, seu valor esperado será
menor que seria se tivéssemos apenas dado call em seu bet. Além do mais, mesmo se ele
frequentemente der call (no flop) com muitas de suas mãos especulativas e assim fizer com
que nosso blefe raramente seja bem-sucedido, isto torna seu range fraco no turn, então ele
frequentemente terá que foldar para nosso bet no turn. Isso significa que dar raise por blefe
ainda será a jogada mais lucrativa com mãos que não são capazes de betar o turn de forma
eficaz.

14.4 RESUMO

Tamanhos de bet provavelmente é o aspecto mais difícil do No Limit Hold’em, e jogadores


podem torná-lo tão complexos e difíceis quanto desejarem. Geralmente se aproximar
razoavelmente do valor correto é bom o suficiente para dar à maioria dos jogadores um edge
significativo sobre seus oponentes.

Enquanto nunca seremos capazes de jogar perfeitamente, é importante não nos restringir a
utilizar apenas um tamanho de bet em um spot, como muitos jogadores atualmente estão
fazendo. Um jogador que utiliza múltiplos tamanhos de bet terá um edge significativo contra
alguém que não utiliza, e é importante que percebamos quando overbets e bets pequenos
podem fazer sentido, e considerar utilizar estes tamanhos. Neste momento os jogadores não
estão overbetando nem perto de quão frequentemente deveriam, e aprender como overbetar
apropriadamente deve nos dar um edge significativo contra oponentes que não possuem esta
habilidade.

Embora nunca sejamos capazes de balancear múltiplos ranges perfeitamente, é possível ser
razoavelmente balanceado com prática, e a maioria dos oponentes não nos explorarão de
forma eficaz mesmo se estivermos desbalanceados. Simplesmente saber quais tamanhos de
bet podem fazer sentido em um spot específico e betar de acordo dada nossa mão e as
tendências do nosso oponente geralmente é o suficiente para nos dar um edge contra a vasta
maioria dos jogadores.

Aqui está um rápido lembrete dos pontos mais cruciais.

1. Enquanto é impossível calcular o size perfeito do bet no flop ou turn, procurando


por contradições em nosso processo de pensamento podemos verificar para ter
certeza de que o size do nosso bet pelo menos faz sentido em relação a toda a
teoria que conhecemos.
2. Se nosso oponente defende agressivamente o suficiente para evitar que sejamos
capazes de lucrativamente betar quaisquer duas cartas, geralmente é possível
descobrir quão agressivamente ele terá que dar raise com bets pequenos para nos
manter indiferentes a overbetar ou betar pequeno com o nuts.
3. Não podemos fazer bets altos em uma frequência muito alta após nosso oponente
demonstrar fraqueza dando check behind. Se fizermos isso, ele terá um incentivo
para sempre dar check behind com mãos fortes no flop.
4. Betar muito baixo quando fora de posição não é muito diferente de dar check.
Como a maioria das mãos que value betamos em nosso range de bets pequenos
será fraca, regularmente teremos apenas um bluff catcher quando nosso
oponente der raise.
5. Se nosso oponente não possui um range de raise para tamanhos razoáveis de bet,
devemos considerar overbetar com algumas das nossas mãos mais fortes e blefes.
6. Geralmente precisaremos ter algumas mãos muito fortes em nosso range mesmo
quando betando baixo, caso contrário nosso oponente pode imprudentemente
dar raise sabendo que ele não pode ser vencido.
7. Quando nossas mãos nuts ou quase nuts bloqueiam muitas mãos no range de call
do nosso oponente, geralmente vamos querer betar mais baixo que betaríamos
normalmente.
8. Às vezes o nuts compõe uma fração tão grande do range do nosso oponente que
overbets não serão tão lucrativos quando bets baixos, já que bets baixos mantém
o range dele mais amplo.
9. Poker é um jogo de muitas streets, e frequentemente será melhor dar raise antes
do river, mesmo que nosso oponente raramente folde. Quando isto acontecer, ele
dará call com um range amplo que inclui muitas mãos especulativas, e a maioria
dessas mãos foldará para um bet na street seguinte.
10. Um range capado não é problemático quando existe pouca profundidade de stack
restante. Dar raise com um range de mãos fortes mas vulneráveis e blefes
frequentemente é a melhor jogada.
15. APLICANDO TEORIA PARA ANALISAR MÃOS

15.1 INTRODUÇÃO

Em muitos livros de poker, quando o autor analisa uma mão ele geralmente discute como ele
jogaria uma mão contra um tipo específico de oponente e raramente toma mais que 3 ou 4
decisões. Como estas decisões são geralmente baseadas no jogo exploitative ao invés do jogo
teórico, frequentemente elas se tornam desatualizadas, à medida que os jogadores continuam
se ajustando uns aos outros. É por isso que, à medida que os jogadores melhoram, eles
frequentemente olham para os livros antigos que eles leram e pensam que muitos dos
conselhos eram ruins, mesmo que possa ter sido um bom conceito exploitative quando foi
escrito.

Na seção seguinte, Parte 16, “Mãos Analisadas”, ao invés de examinar uma mão específica,
tentaremos descobrir como cada jogador deve jogar cada mão em seu range. Claro, não existe
forma de resolver uma mão, e teremos que fazer algumas simplificações quando fazendo
nossa análise. Assim, o objetivo para esta e a próxima seção é mostrar como aplicar os
conceitos, frequências e proporções que discutimos anteriormente para montar ranges
razoavelmente balanceados que nos permitam vencer a maioria dos oponentes.

Perceba que sem dúvida haverão pequenos erros nesta seção, já que ela requer que eu tome
milhares de decisões, e frequentemente o valor esperado das duas linhas é muito próximo.
Além do mais, é comum encontrar grandes jogadores fortemente discordando em spots
relativamente comuns em uma mão, quanto mais no que fazer com seu range inteiro em
diversos spots.

Assim, devemos estar cientes dos problemas em analisar mãos desta maneira antes de
começar. A maioria destes problemas já foi discutido em maiores detalhes através do livro,
mas é importante nos assegurar de que a análise que estamos fazendo não está errada por
estar mais próxima à solução teoricamente ótima que deveria. Aqui está um rápido lembrete
dos pontos mais importantes:

1. Equidade não pode ser convertida em valor esperado quando ainda existem cartas restantes
para vir.

2. Não podemos calcular exatamente quão amplamente devemos defender quando


enfrentando um bet mesmo se nosso oponente não for capaz de lucrativamente betar
quaisquer duas cartas. No flop e turn precisaremos defender mais amplo se dermos call ao
invés de raise, já que nosso oponente consegue ver uma carta adicional, mas é impossível
calcular exatamente quão mais amplo.

3. O jogo ótimo requer que incontáveis sizes de bet sejam utilizados, e que cada range esteja
balanceado. Enquanto entender quando utilizar diferentes sizes de bet seja útil, as mãos
analisadas rapidamente se tornam uma bagunça quando tentando balancear ranges demais de
uma vez só. Na verdade, é provável que a solução teoricamente ótima para uma mão seja tão
longa e complexa que ela seria quase inútil para a maioria dos jogadores.

4. Sempre estaremos limitados em quanto tempo temos para analisar um spot e tomar uma
decisão. Isto é verdade tanto se estivermos enfrentando um bet de um oponente e tivermos
30 segundos para agir ou se estivermos distantes das mesas utilizando software de
computador para analisar uma situação.
Colocado de outra forma, quase sempre haverá uma forma de fazer um pequeno ajuste para
tornar um range melhor, mas na maior parte do tempo, se parece que nenhum jogador tem
um forte incentivo para alterar sua estratégia, isso é close o suficiente. Nosso objetivo deve ser
ter uma boa ideia de como jogar muito bem nosso range em muitas texturas de board
diferentes, não gastar incontáveis horas aprendendo a jogar excepcionalmente bem uma ou
duas texturas de board.

Devido a estas razões e outras, o pronome “eu” será frequentemente utilizado quando
analisando mãos para reforçar que estes são meus pensamentos para a melhor forma de jogar
a mão. Eu não espero de mim mesmo jogar perfeitamente e não cometer erros, e nem você
deveria.

15.2 REVISITANDO – ENFRENTANDO BETS EM POSIÇÃO

O lugar mais fácil para começar quando analisando mãos é como o jogador em posição
responderá quando enfrentando um bet no flop, turn e river. Isto então nos ajudará a
determinar como jogar o range fora de posição, pois isto no permite estimar quão forte as
mãos precisam ser para confiantemente betar uma, duas ou três streets por valor.

Já discutimos as proporções e frequências necessárias para fazer isto acontecer. Em geral, é


uma boa ideia começar supondo que o jogador fora de posição betará cerca de 75% do pote
quando ele beta e que o jogador em posição tentará defender pelo menos 60% do tempo.
Jogadores mais avançados devem tentar defender um pouco mais, mas este é um bom ponto
de início, que usamos nos exemplos seguintes.

Se assegure de notar as qualidades da textura do board quando defendendo. Se o board for


molhado e muitos draws forem possíveis, como no flop 10h-9h-5c, então deveríamos dar raise
agressivamente e provavelmente não teríamos que dar call com muitas mãos fracas. Nestes
boards, provavelmente só daremos raise no turn quando melhorarmos nossa mão, já que
todas as nossas mãos fortes terão dado raise no flop.

Em contraste, se o board é seco e poucas mãos fortes são possíveis, como no flop 7c-3s-2d,
então defenderemos quase inteiramente dando call, e temos que dar call com muitas mãos
fracas. Entretanto, muitas mãos fortes estarão em nosso range no turn, e se o turn colocar
alguns flush draws ou muitos straight draws no range de nosso oponente, geralmente teremos
um range de raise.

Por último, lembre-se que poker é um jogo de muitas streets. Se raramente estamos foldando
para bets no flop quando em posição em uma textura de flop específica, então provavelmente
é ok foldar um pouco mais para bets no turn. Isto porque nosso oponente efetivamente teve
que pagar mais pela oportunidade de blefar o turn, já que seu blefe no flop tinha pouca
probabilidade de sucesso. Então não fique com medo de dar mais calls nas primeiras streets e
menos calls nas últimas streets se isto for necessário.

15.3 REVISITANDO – BETANDO QUANDO FORA DE POSIÇÃO

Assim que temos um senso geral de como se espera que o jogador em posição responda a
bets, é hora de construir o range fora de posição. Mais uma vez, todas as proporções e
frequências já foram discutidas, então devemos estar confortáveis em fazer ranges
razoavelmente balanceados de bet, check-raise e check-call.
Um ponto chave de fazer ranges fortes fora de posição é se lembrar de que betar
agressivamente não será eficaz se estamos tendo problemas em defender nossos checks. Isto
porque falhar em defender agressivamente nossos checks encoraja nosso oponente a betar
frequentemente quando receber um check (especialmente quando dar free cards para nosso
range de check-fold for arriscado), e isto nos encoraja a dar check-raise, ao invés de betar, com
nossas mãos fortes. Geralmente, uma mistura de bet, check-raise e check-call será o melhor,
supondo que não demos call das blinds (neste caso nosso range é fraco e sair de lead será
ineficaz).

Como ainda existem duas cartas restantes para vir, o turn e o river geralmente determinarão
quais mãos de valor que foram betadas no flop são fortes o suficiente para continuar betando.
Isto requer que pensemos rapidamente nas últimas streets, mas isto geralmente não é
problemático. As mesmas cartas que tornam algumas das nossas mãos de valor mais fracas
(como um flush draw sendo completado) geralmente também melhorarão alguns dos nossos
draws e blefes. Então, embora seja impossível descobrir qual a estratégia perfeita de bet no
flop, já que existem tantas cartas restantes para vir, nosso range geralmente deve ser
razoavelmente balanceado nas streets futuras enquanto estivermos betando com os tipos
certos de mãos.

15.4 RESUMO

Quando analisando o jogo no turn e no river na Parte 16, “Mãos Analisadas”, sempre vamos
supor que o jogador fora de posição betou 75% do pote na street anterior e que o jogador em
posição deu call. Isto porque estas são situações muito comuns e provavelmente são as mais
úteis em nos deixar confortáveis em aplicar teoria.

E uma vez que você esteja confortável com estas situações, é uma boa ideia praticar em outras
situações. A mesma metodologia utilizada deve ser usada em outros spots, apenas tenha em
mente que as frequências e sizes de bet mudarão. Por exemplo, jogadores avançados devem
colocar o trabalho necessário para que eles fiquem confortáveis jogando potes 3-betados em
situações de button vs. blind, já que elas ocorrem tão frequentemente e tanto dinheiro está
em jogo. Eles também devem saber como responder contra um bet no turn depois de dar
check-call no flop já que esta é uma ocorrência comum.

Por fim, é válido mencionar mais uma vez quão complexa a verdadeira solução para as mãos
seria. Supor que todos os bets são de 75% do pote torna a análise das mãos mais maleável,
mas isto não é algo que um jogador ótimo necessariamente faria. Além disso, nosso tempo é
sempre limitado e é mais eficiente analisar muitas texturas de board ao invés de estar
preocupado demais em ser tão preciso quanto possível em poucas texturas de board. Além
disso, é especialmente importante manter os seguintes pontos em mente quando examinando
mãos analisadas.

1. É impossível encontrar a solução para uma mão. Mesmo se pudéssemos, provavelmente


seria longa e extremamente difícil de se entender.

2. Supondo que jogadores apenas utilizam um size específico de bet torna a análise das mãos
mais manejável.

3. Poker é um jogo de muitas streets, e é importante se lembrar de que é aceitável dar mais
calls nas primeiras streets e foldar mais nas últimas streets se isto for necessário.
4. É ineficaz betar mãos fortes quando fora de posição se formos incapazes de defender nosso
range de check. Isto é especialmente verdadeiro se for arriscado para nosso oponente dar free
cards para nosso range de check-fold.
16. MÃOS EXEMPLO

16.1 INTRODUÇÃO

As mãos analisadas em seguida são sempre abordadas da perspectiva do jogador em posição


enfrentando um bet no flop de 75% do pote. Isto porque este é o melhor ponto de início para
análise de mãos, já que devemos defender cerca de 60% do nosso range para evitar que nosso
oponente gere um lucro imediato betando quaisquer duas cartas.

O mesmo processo ocorre no turn e no river, já que mais uma vez vamos supor que estamos
enfrentando um bet de 75% do pote depois que nosso oponente betou a street anterior. Mais
uma vez, isto requer que defendamos cerca de 60% do nosso range para evitar que nosso
oponente gere um lucro imediato. Claro, ele nem sempre betará o turn ou o river, e quando
ele não fizer isso, teremos que descobrir se betamos ou damos check, mas não é realista levar
em conta cada uma das possíveis ações do nosso oponente.

Uma vez que analisamos como o jogador em posição deve responder quando enfrentando
bets em todas as três streets, estamos prontos para começar a construir nossos ranges de flop
fora de posição. Estes ranges devem ser construídos como se não soubéssemos quais serão as
cartas no turn ou no river, mas após construir os ranges posicionais, geralmente teremos uma
boa ideia de quais mãos funcionam bem como value bets. Estes também são os ranges mais
difíceis de se criar, já que ranges múltiplos precisam ser balanceados de uma vez, e existem
muitas combinações de mãos.

A seguir, analisaremos o jogo fora de posição no turn e no river, suponho que na street
anterior houve um bet de 75% do pote. Mais uma vez, isto nem sempre será verdadeiro, mas é
impossível levar em conta todas as possíveis ações das streets anteriores. Os ranges mais
amplos e mais importantes geralmente ocorrem depois que o jogador fora de posição beta e
que o jogador em posição dá call, e assim será nestes ranges que nos concentraremos.

A mesma metodologia demonstrada nesta seção pode ser utilizada para melhorar o jogo pós-
flop em outras situações. Por exemplo, jogadores intermediários que esperam se tornar
jogadores expert devem focar em como jogar o turn e o river após dar check-call no flop. Da
mesma forma, eles também devem tentar melhorar seu jogo em potes 3-betados, já que mais
dinheiro está em jogo e estas situações ocorrem frequentemente em situações de button vs.
blinds, contra oponentes fortes.

Por fim, sempre se lembre de que estes ranges são estimativas, e que analisar mãos desta
maneira é um exercício desenhado para melhorar nosso jogo de uma forma prática. Não gaste
um tempo precioso tentando balancear tudo perfeitamente, e não suponha que estes ranges
são ótimos. Entretanto, você provavelmente perceberá o quanto é difícil balancear ranges em
determinados spots e quão facilmente um jogador habilidoso pode te explorar. Então,
melhorando seu jogo nestas áreas você se protegerá de perder para jogadores avançados,
assim como aprenderá a explorar oponentes que não sabem como balancear seus ranges em
spots difíceis.

16.2 MÃOS EXEMPLO

Mão nº 1: UTG vs. Cutoff

Primeiro, vamos examinar o range de call do cutoff.


Range de flat call do CO: QQ-44, AKo-AQo, AQs-ATs, KQs-KJs, QJs, JTs, T9s, 98s, 87s, 76s, 65s
Flop: Ad-7s-5d
Total de Combos: 108
Mínimo Desejado de Combos a serem Defendidos: 108 x 0,6 = 65
Raises por Valor: 77 (3), 55 (3), 9d8d = 7
Raises por Blefe: 98s (3), 65s (3), 9d9x (3), 8d8x (3) = 12
Calls: AK (9), AQ (12), AJs (3), ATs (3), QQ-JJ (12), TdTx (3), 87s (3), 76s (3), Kd-Qd, Kd-Jd, Qd-Jd,
Jd-Td, Td-9d = 53
Total de Combos Defendidos: 72 (67%)

Análise: Nosso range é forte e é fácil defender com bem mais que 60% de nossas mãos. Eu
decidi dar raise com todas as trincas já que nosso range de call já inclui A-K (tornando difícil
para nosso oponente overbetar o turn), mas dar call com algumas trincas para dar raise em
turns que não sejam de ouros também seria ok.

9-9 e 8-8 com uma de ouros funcionam muito bem como raises por blefe. Podemos sempre
dar sorte e conseguir uma trinca no turn ou river, e estes pares podem mandar um second
barrel com virarem um straight draw no turn. Se damos check behind em um turn ouros,
podemos fazer o flush no river e vencer nosso oponente quando ele possui uma mão como A-K
sem ouros.

A pior mão em nosso range de call é 10-10, o que parece razoável. Não existe forma de dizer
se dar call com 10-10 sem ouros é lucrativo, e como já estamos defendendo 67% do range, é
possível que eles deveriam ser foldados, ou podemos dar raise por blefe com um combo ou
dois a menos. Mas de forma geral, esta parece uma sólida estratégia de defesa.

Range em posição após flat call no flop: AK (9), AQ (12), AJs (3), ATs (3), QQ-JJ (12), TdTx (3),
87s (3), 76s (3), Kd-Qd, Kd-Jd, Qd-Jd, Jd-Td, Td-9d = 53
Turn: Ad-7s-5d-Ks
Total de Combos: 50 [-3 AK]
Combos a serem Defendidos: 53 x 0,6 = 30
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: AK (6), AQ (12), AJs (3), ATs (3), Kd-Qd, Kd-Jd, Qd-Jd, Jd-Td, Td-9d = 29
Total de Combos Defendidos: 29 (58%)

Análise: É difícil dizer se deveríamos dar raise com algum A-K no turn. Por outro lado, se
dermos raise, é improvável que nosso oponente vá all-in com uma mão pior, já que o raise
torna seu range muito forte. Ainda por outro lado, dando call permitimos que nosso oponente
continue com todos os flush draws em seu range. Então dar raise com algumas combinações
de A-K pode ser o melhor, mas na maioria das vezes, prefiro dar call.

Perceba que estamos dando call com 24 mãos prontas e 5 flush draws. Isso permite que, no
river, blefemos com a maioria, se não todos, os nossos missed draws em um range balanceado
se nosso oponente der check. Além disso, defendemos apenas 29 combos ao invés de 30, mas
isto é próximo o suficiente.

Range em posição após flat call no flop e no turn: AK (6), AQ (12), AJs (3), ATs (3), Kd-Qd, Kd-
Jd, Qd-Jd, Jd-Td, Td-9d = 29
River: Ad-7s-5d-Ks-Kc
Total de Combos: 27 [-3 AK]
Combos a serem Defendidos: 27 x 0,6 = 16
Raises por Valor: AK (4) = 4
Raises por Blefe: AQ (2) = 2
Calls: AQ (8), Kd-Qd, Kd-Jd = 10
Total de Combos Defendidos = 16

Análise: Nós vamos querer dar rause por valor com A-K e balancear isto com cerca de 2
combinações de blefes, e então dar call com quantas mãos marginais precisarmos para
prevenir que nosso oponente seja capaz de blefar demais. Este é um spot realmente
interessante, e como boa parte do nosso range é A-Q, faz sentido dar raise por blefe algumas
vezes, dar call algumas vezes e foldar outras vezes. Isto, por definição, significa que o valor
esperado de dar raise, dar call e foldar a mão devem todos ser 0.

Na prática, devemos ser cuidadosos quando dando raise por blefe neste river. Se o range de
valor do nosso oponente for tão polarizado que quase todos os seus bets por valor são A-K,
então não devemos dar raise com quaisquer blefes neste river. É um spot estranho onde o
range do nosso oponente é tão polarizado – a maioria dos seus value bets são o nuts – que não
devemos dar raise por blefe com quaisquer mãos, e nosso oponente só dará call em nosso
shove no river com um A-K.

Agora vamos dar uma olhada no range do jogador que deu raise do UTG.

Range de Raise em UTG: AA-33, AKo-AJo, KQo, AKs-ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s, 98s,
87s, 76s, 65s
Flop: Ad-7s-5d
Total de Combos: 159
Range de Bet por Valor: 77 (3), AK (12) = 15
Range de Bet em Draw: 9d-8d, Td-9d, Jd-9d, Jd-Td, Qd-Td, Qd-Jd = 6
Range de Blefe: KQ (7), 98s (3), 65s (3), 76s (2) 88 (6), 66 (6), Ks-Js, Ks-Ts, Qs-Js, Qs-Ts, Js-Ts, Js-
9s, Ts-9s, 4d-4x (3) = 37
Total de Combos Betados: 58
Cbet no Flop: 36,5%
Total de Combos com que damos Check: 101
Range de Check-Raise: 55 (3), 87s (3), 76s (3) = 9
Range de Check-Call: AA (3), AQ (12), AJ (12), ATs (3), KK-QQ (12), Jd-Jx (3), Kd-Qd, Kd-Jd, Kd-
Td = 48
Porcentagem de Checks Defendidos: 57%
Valor esperado mínimo do blefe air do nosso oponente no flop: (0,635)[(0,43)(8) – (0,57)(6)]
= 0,01 big blinds

Análise: Como o range do nosso oponente é forte neste flop e ele possui a vantagem da
posição, nossa frequência de continuation bet deve ser relativamente baixa. Portanto, betar
36,5% do tempo parece razoável, já que isto mantém nosso range de check forte mas ainda
nos permite value betar com nossos A-K.

Posição não é particularmente valiosa neste board, então é fácil dar check-call agressivamente
no flop e manter baixo o valor esperado mínimo dos blefes air do nosso oponente, ao ponto
de ele quase não precisar gerar um lucro imediato betando. Check-call com a maior trinca
coloca algumas mãos muito fortes no nosso range de check-call, e se betarmos ou dermos
check-raise, é improvável que consigamos muita ação já que nossa mão remove 2/3 dos ases
do baralho.
E dar check-raise com uma trinca de 5 impede que nosso oponente bete muito
imprudentemente (no flop), mas esta não é uma textura de board onde ele terá muito medo
de dar free cards, de qualquer forma. Note que nossos 8-7s e 7-6s com os quais estamos
dando check-raise incluem o flush draw, então é provavelmente possível dar raise com uma ou
duas combinações adicionais de mãos. Embora dar check-raise com todas as combinações de
9d-9x seja demais, blefar com uma combinação ou duas provavelmente é ok.

Range fora de posição após betar flop: 58


Turn: Ad-7s-5d-Ks
Total de Combos: 50 [-3 AK, - Ks-Js, -Ks-Ts, e -3 KQ]
Range de Value Bet: 77 (1), AK (9) = 10
Range de Blefe: Td-9d, Jd-9d, Jd-Td, Qd-Td, Qd-Jd, Qs-Js, Qs-Ts, Js-Ts, Js-9s, Ts-9s, 98s (4) = 14
Total de Combos Betados: 24
Porcentagem de Cbet no Turn: 48%
Total de Combos com os quais damos Check: 26
Range de Check-Raise: 77 (2), KQ (2) = 4
Range de Check-Call: KQ (3) = 3
Porcentagem dos Checks Defendidos: 27%

Análise: O board trazendo outro flush draw torna fácil para nós lançar o segundo barril com
muitos draws, mas como veio um K, isto também reduziu o número de mãos de valor que
possuímos por bloquear muitos A-K. Isto faz com que betemos no turn um pouco menos que
metade do tempo.

E como não estamos betando muito agressivamente no turn, isso ajuda a desenvolver um
range de check-raise e check-call. Trincas de 7 podem facilmente ser jogadas de check-raise, e
K-Q pode ser jogado de check-call, check-raise por blefe ou check-fold. Lembre-se,
tecnicamente precisaríamos balancear nosso range de check-call e não jogar de check-call
apenas com K-Q, mas se nosso oponente betar o turn, dar check-call com apenas algumas
poucas mãos geralmente será break even ou ligeiramente lucrativo.

Range fora de posição após betar flop e turn: 24


River: Ad-7s-5d-Ks-Kc
Total de Combos: 21 [-3 AK]
Range de Value Bet: 77 (1), AK (6) = 7
Range de Blefe: 98s (3) = 3
Total de Combos Betados: 10
Porcentagem de Cbet no River: 47,6%
Total de Combos com os quais damos Check: 9
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: 0
Porcentagem de Checks Defendidos: 0

Análise: Este river bloqueia quase 1/3 das mãos de valor do nosso range e erra todos os nossos
draws. Em outras palavras, simplesmente demos azar neste river e não devemos ficar
surpresos em não podermos betar particularmente agressivamente neste river. E se betarmos
menos que o pote no river, só seremos capazes de fazer cerca de 3 blefes para nossos 7 value
bets, o que resulta em betarmos menos que metade do tempo.

Embora seja tentador pensar que devemos tentar defender nosso range de check já que não
podemos betar agressivamente no river, o range do nosso oponente inclui muitos bluff
catchers enquanto o nosso é polarizado. Da mesma forma, como o nosso range de check no
river não inclui quase nenhum bluff catcher, nosso oponente betará o river com um range
balanceado, e então ele pode ganhar o pote com seus missed draws transformados em blefe.
Dar check-raise não será eficaz já que ele frequentemente dará check behind e ganhará com
seus A-Q e A-J no showdown.

Mão nº 2: UTG vs. Button

Primeiro, vamos examinar o range de call do button.

Range de Flat Call do Button: QQ-33, AKo-AQo, AQs-ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s, 98s,
87s, 76s, 65s, 54s
Flop: 8c-4h-2s
Total de Combos: 139
Combos a serem Defendidos: 139 x 0,6 = 83
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: 88 (3), 44 (3), QQ-99 (24), 77 (6), 98s (3), 87s (3), 76s (4), 65s (4), 54s (3), AKo (12), AQs
(3), AJs (3), KQs (3), ATs (3), KJs (3), KTs (3), T9s (3) = 86
Total de Combos Defendidos: 86

Análise: Embora em um primeiro momento esta textura de board pareça ruim para nosso
range, ainda temos 48% de equidade contra o range de raise do UTG e seis combinações de
trincas. Enquanto dar raise neste flop torne mais difícil para nosso oponente betar mãos como
9-9 e 10-10 para uma única street de valor, eu prefiro, ao contrário, dar call com 8-8 e 4-4 já
que estamos em posição e podemos confortavelmente dar raise em qualquer turn. Em outras
palavras, dar uma free card não é arriscado.

É importante se lembrar que A-K e A-Q podem facilmente ser jogados de check no turn e
vencer no showdown após dar call em um bet no flop, além de poderem melhorar nas streets
futuras. Além disso, é difícil dizer se 7-7 podem ser jogados lucrativamente de call, ou se é uma
mão superior a A-Q. Acho que ambas são próximas a break even e não terão problemas em
dar call com alguns A-Qo, mas decidi dar apenas call com 7-7.

Range em posição após flat call no flop: 88 (3), 44 (3), QQ-99 (24), 77 (6), 98s (3), 87s (3), 76s
(4), 65s (4), 54s (3), AKo (12), AQs (3), AJs (3), KQs (3), ATs (3), KJs (3), KTs (3), T9s (3) = 86
Turn: 8c-4h-2s-2d
Total de Combos: 86
Combos a serem Defendidos: 86 x 0,6 = 52
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: 88 (3), 44 (3), QQ-99 (24), 98s (3), 87s (3), AK (12), 77 (6) = 54
Total de Combos Defendidos: 54

Análise: Este turn é complicado já que não coloca nenhuma mão forte adicional em nosso
range. Entretanto, isto nos permite continuar a jogar de slowplay com nossas trincas do flop, já
que agora elas são full houses, e dar raise com algumas destas mãos tornaria mais difícil para
nosso oponente betar apenas duas streets por valor. Portanto, eu acho que dar call e encorajá-
lo a continuar blefando é superior.
Também quase não existem draws em nosso range, já que o board está tão seco. Isto significa
que teremos que blefar com alguns A-K se nosso oponente der check para nós no river, apesar
do fato de que estas mãos possuem valor de showdown. Outra opção no turn é dar call com 7-
6s já que é uma broca, mas eu prefiro dar call com 7-7 pois possui maior valor de showdown e
já existe um par no board.

Range em posição após flat call no flop e no turn: 88 (3), 44 (3), QQ-99 (24), 98s (3), 87s (3),
AK (12), 77 (6) = 54
River: 8c-4h-2s-2d-10c
Total de Combos: 51 [-3 T-T]
Combos a serem Defendidos: 51 x 0,6 = 31
Raises por Valor: TT (3), 88 (3), 44 (3) = 9
Raises por Blefe: 98s (3) 87s (1) = 4
Calls: QQ (6), JJ (6), 99 (6) = 18
Total de Combos Defendidos: 31

Análise: Achei este river interessante e não-intuitivo. Nosso range possui tantos full houses
que somos capazes de dar raise no bet de nosso oponente bem agressivamente. Além do mais,
2/3 do nosso range de call serão overpairs, embora as chances, exceto pelas Q-Q, sejam que
eles serão todos bluff catchers, já que nosso oponente não estará value betando uma mão pior
que Q-Q.

Como podemos dar raise tão efetivamente no river, no turn e no river nosso oponente
provavelmente deveria estar betando menos que 75% do pote com seus overpairs. Ele precisa
manter nosso range de call amplo, já que betar alto requer que defendamos menos combos.

Agora vamos dar uma olhada no range do jogador que deu raise em UTG.

Range de raise de UTG: AA-33, AKo-AJo, KQo, AKs-ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s, 98s, 87s,
76s, 65s
Flop: 8c-4h-2s
Total de Combos: 176
Range de Value Bet: AA-QQ (18), TT-99 (12) = 30
Range de Bet em Draw: 0
Range de Blefe: AQo (13), AJ (7), KQs (3), ATs (3), KJs (3), KTs (3), QJs (3), QTs (3), JTs (3), J9s
(3), T9s (3), 76s (4), 65s (4) = 55
Total de Combos Betados: 85
Porcentagem de Cbet no Flop: 48,2%
Total de Combos com os quais damos Check: 91
Range de Check-Raise: 55 (6), 88 (3) = 9
Range de Check-Call: 44 (3), JJ (6), 98s (3), 87s (3), AK (16) AQs (3) = 34
Porcentagem de Checks Defendidos: 47,3%
EV do blefe air do oponente no flop: (0,518)[(8)(0,527) – (6)(0,473)] = 0,714 big blinds

Análise: Então, como vimos, betar as três streets resulta no range do nosso oponente se
tornando bastante forte no river, e ele será capaz de frequentemente dar raise. Enquanto é
verdadeiro que o turn nem sempre virá uma blank, o que permite que ele continue jogando
suas trincas de slowplay, a maioria das trincas jogará de raise no turn ou no river e permitirão
que ele também dê raise por blefe. Além do mais, nosso range só possui 52% de equidade
neste flop, então ele não é forte o suficiente para betar imprudentemente.

Este é um spot especialmente difícil de analisar pois é complicado dizer qual linha é a melhor
com nossos pares médios. Por um lado, estou tentado a betar mãos como J-J, T-T, e 9-9, já que
dar free cards é arriscado. Mas mesmo se betarmos J-J, nosso oponente não foldará muitos A-
K, A-Q e K-Qs. (Só porque escolhemos foldar nossas A-Qo e dar call com 7-7, não significa que
isto seja correto, ou que nosso oponente vá foldar). Então pode ser melhor jogar de check-call
com J-J, já que betar não faz muitas mãos com overcards foldar, de qualquer forma. Além do
mais, se nosso oponente der check behind com 10-10 ou 9-9, geralmente seremos capazes de
extrair valor no turn e river com J-J, de qualquer forma.

Betar 10-10 e 9-9 com a intenção de betar apenas uma ou duas streets por valor pode ser o
melhor. Quando nosso oponente folda Q-Js e Q-10s e nós temos 9-9, é muito mais útil que se
tivéssemos J-J (já que um 10 no turn torna a mão do adversário melhor que nossos 9-9, mas dá
a ele um top pair perdedor com valetes). Então mesmo que não tenhamos forma de decidir
qual linha é melhor, betar estas mãos enquanto damos check-call com J-J parece razoável.

Antes de construir nossos ranges de check-call e check-raise, perceba que se raramente


defendermos nossos checks, nosso oponente betará agressivamente, já que dar free cards
para nosso range de check-fold é arriscado. Este é um spot onde os jogadores raramente dão
check-call ou check-raise, mas isto é inaceitável contra oponentes habilidosos enquanto
tivermos um range de check. E como estamos fora de posição e nosso range não é muito mais
forte que o de nosso oponente, provavelmente devemos dar check com uma frequência
razoável. (Isto seria ainda mais verdadeiro se ele tivesse todas as trincas possíveis em seu
range, mas com sorte presumimos que ele foldou 2-2 pré-flop).

É importante que nosso range de check-call esteja balanceado e que enfatize manter mãos
que dominamos no range do nosso oponente. Por esta razão, dar check-call com A-K é
geralmente uma excelente jogada (embora possamos também betar esta mãos às vezes). Isto
assegura que nosso oponente veja o turn com todos os seus A-Q, A-J e K-Q, assim como nos dá
a oportunidade de ver uma carta de graça no turn se ele der check behind com uma mão como
9-9 ou 10-10. Mesmo assim, nosso range de check-call deve ser balanceado, então dar check-
call com J-J ou algumas trincas é necessário.

Perceba também que o check-raise ocasional torna menos lucrativo para nosso oponente
imprudentemente betar com suas mãos marginais, e o encoraja a dar check behind mais
frequentemente e nos dar uma free card. Mas infelizmente, não existem tantas mãos que
funcionam bem como check-raises por blefe, mas mesmo pocket pairs podem ocasionalmente
fazer uma trinca no turn ou acertar um straight runner runner. E se sentirmos que defender
com 47,3% de nossas mãos após dar check não é o suficiente, podemos dar check-raise com
alguns combos de A-A também, mas dar check-raise com todos eles deve resultar em nós
dando check-raise muito agressivamente.

Range fora de posição após betar flop: 85


Turn: 8c-4h-2s-2d
Total de Combos: 85
Range de Value Bet: AA (3), KK-QQ (12), TT (6) = 21
Range de Bet em Draw: 0
Range de Blefe: AQ (10), 76s (4), 65s (4), AJ (3) = 21
Total de Combos Betados: 42
Porcentagem de Cbet no Turn: 49,4%
Total de Combos com os quais damos Check: 43
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: AA (3), AQ (3), 99 (6) = 12
Porcentagem de Checks Defendidos: 27,9%

Análise: Pegamos uma carta ruim no turn, que torna difícil mandar agressivamente o segundo
barril, já que não pegamos muitos bons randomizadores de blefes, mas com sorte, o range do
nosso oponente também não está muito forte.

Embora no showdown nosso oponente provavelmente não nos deixe ganhar com um A-Q que
não melhorou, ele pode nos dar uma free card se dermos check no turn. Como A-Q forma boa
parte do nosso range, faz sentido betar alguns e dar check com outros. Além disso,
provavelmente devemos jogar algumas mãos fortes de check-call e/ou check-raise no turn,
para proteger nosso range de check, já que nosso oponente será capaz de imprudentemente
betar se nosso range estiver capado em 9-9, e A-A funciona bem desta forma.

Perceba que jogar A-Q de check-call não é tão insensato quanto pareceria a princípio. Nosso
oponente provavelmente dará check behind com seus A-K, e betará com suas mãos que
possuem pouco valor de showdown como K-Qs, K-Js, K-Ts, etc. Então é possível que A-Q seja a
melhor mão após jogar de check-call, e se não for, ela pode vir a se tornar a melhor mão no
river. Além do mais, se nosso oponente faz um bet baixo no turn, teremos um bom preço para
dar call.

Range fora de posição após betar flop e turn: 42


River: 8c-4h-2s-2d-Tc
Total de Combos: 39 (-3 TT)
Range de Value Bet: AA (3), KK-QQ (12) = 15
Range de Blefe: AQ (6) = 6
Total de Combos Betados: 21
Porcentagem de Cbet no River: 53,8%
Total de Combos com os quais damos Check: 18
Range de Check-Raise: TT (3), AQ (2) = 5
Range de Check-Call: 0
Porcentagem de Checks Defendidos: 27,8%

Análise: Outro river que não melhora nossa mão, mas como não tínhamos bons draws no turn,
isto era esperado. Além do mais, como o river removeu 3 combinações de 10-10 do nosso
range, ele na verdade reduziu o nosso número de combos de valor. Isto torna difícil barrelar
agressivamente, mas ainda somos capazes de confortavelmente betar mais de metade do
tempo.

Pode parecer estranho betar o river com um range capado em overpairs, mas tenha em mente
que mesmo se betarmos o river com nossas trincas de 10, isto não impediria nosso oponente
de ser capaz de dar raise lucrativamente com seus full houses. Na verdade, é difícil imaginar
qualquer range de bet no river que não permite que ele dê raise lucrativamente com estas
mãos. Então mesmo que seja desafortunado ter sempre um bluff catcher quando nosso
oponente der raise, isto não significa que existe um problema com nosso range, e temos que
ter em mente que nosso oponente só der dar raise a uma certa frequência e ainda continuar
balanceado.

Mão nº 3: MP vs. Cutoff

Primeiro, vamos examinar o range de call do cutoff.

Range de flat call do cutoff: JJ-44, AKo-AQo, AQs-ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs, T9s, 98s, 87s, 76s
Flop: 8c-7s-2s
Total de Combos: 114
Combos a serem Defendidos: 114 x 0,6 = 68
Raises por Valor: 87s (2), 77 (3), Ts-9s, As-Js, As-Ts = 8
Raises por Blefe: 76s (3), 6s-6x (3), Qc-Tc, Kc-Tc, Qc-Jc, Kc-Jc, Ac-Tc = 11
Calls: 88 (3), JJ-99 (18), T9s (3), 98s (2), AKo (12), AsQx (3), Ac-Qc, Kc-Qc, Ac-Jc, As-Qs, Ks-Qs,
Ks-Js, Ks-Ts, Qs-Js, Qs-Ts, Js-Ts, JTs (3) = 57
Total de Combos Defendidos: 76 (66,7%)

Análise: Posição é muito valiosa aqui, e eu acho que é melhor tentar defender
significativamente mais que 60% do tempo neste tipo de textura de board quando possível. E
como temos tantas mãos com uma quantidade significativa de equidade, isto não é difícil de se
fazer e nosso range de defesa parece bastante normal.

Range em Posição após flat call no flop: 88 (3), JJ-99 (18), T9s (3), 98s (2), AKo (12), AsQx (3),
Ac-Qc, Kc-Qc, Ac-Jc, As-Qs, Ks-Qs, Ks-Js, Ks-Ts, Qs-Js, Qs-Ts, Js-Ts, JTs (3) = 57
Turn: 8c-7s-2s-Jc
Total de Combos: 52 (-3 JJ, -AcJc, -JcTc)
Combos a serem Defendidos: 52 x 0,6 = 31
Raises por Valor: T9s (3), JJ (3), 88 (3) = 9
Raises por Blefe: Ks-Qs, 98s (3), 99 (6) = 10
Calls: QQ (6), TT (6), JTs (3), As-Qs, Ks-Js, Ks-Ts, Qs-Js, Qs-Ts, Js-Ts, 9s-8s = 22
Total de Combos Defendidos: 38 (73%)

Análise: Este é um turn fantástico para o nosso range. Nos dá 6 mãos adicionais nuts ou quase
nuts (3 J-J e 3 10-9s), e uma trinca de oitos ainda é forte o suficiente para dar raise por valor.
Aqui, nosso oponente não deve estar betando tão agressivamente ou fazendo apostas altas, já
que nosso range é tão forte. É simplesmente fácil demais para nós dar raise agressivamente e
transformar a mão dele em um bluff catcher.

Como foi o caso no flop, devemos tentar defender mais que 31 combinações de mãos aqui.
Isto é especialmente verdadeiro porque todos os blefes do nosso oponente terão uma
quantidade significativa de equidade quando receberem calls. Além do mais, poderíamos
tentar fazer slowplay no turn com alguns straights se é possível que nosso oponente overbete
em um river blank, mas com tantos draws no flop, eu estaria relutante de fazer isto na prática
sem uma forte leitura.

Range em Posição após flat call no flop e turn: QQ (6), TT (6), JTs (3), As-Qs, Ks-Js, Ks-Ts, Qs-Js,
Qs-Ts, Js-Ts, 9s-8s = 22
River: 8c-7s-2s-Jc-2d
Total de Combos: 22
Combos a serem Defendidos: 22 x 0,6 = 13
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: QQ (6), Ks-Js, Qs-Js, Js-Ts, TT (4) = 13
Total de Combos Defendidos: 11

Análise: Então o river veio uma completa blank, o que fortemente favorece o range do
agressor. Estamos vulneráveis a overbets neste river, mas isto não sugere que jogamos errado
o turn. Além do mais, defendendo agressivamente no turn, os blefes do nosso oponente no
turn foram efetivamente bastante caros, então mesmo que ele consiga lucrativamente blefar
com quaisquer duas cartas neste river, isso pode não ser um problema.

Sempre se lembre de ajustar sua frequência de call no river baseado no tamanho do bet do
seu oponente. Se ele beta 75% do pote, então dar call com 13 combos tornará seus blefes
break even e isto requer que demos call com 4 combinações de 10-10. Se ele betar mais alto,
daremos call com menos frequência (assumindo, é claro, que ele jogue racionalmente. Se você
achar que seu oponente provavelmente está blefando quando ele beta alto, você deve usar o
inverso da estratégia GTO) e podemos acabar foldando todos os nossos 10-10 e mesmo alguns
top pair.

Agora vamos dar uma olhada no range do jogador que deu raise de MP.

Range de raise de MP: AA-22, AKo-ATo, KQo, AKs-A7s, A5s, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s-T8s,
98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s
Flop: 8c-7s-2s
Total de Combos: 219
Range de Value Bet: KK-TT (24), 87s (2), AA sem espadas (3) = 29
Range de Bet com Draw: As-9s, As-5s, Ks-Js, Ks-Ts, Qs-Ts, Js-9s, Ts-9s, 6s-5s, 5s-4s, T9s (3), 65s
(3) = 15
Range de Blefe: JTs (3), J9s (3), 54s (3), As-Qx (3), Ax-Qs (3), As-Jx (3), Ks-Qx (3), Kx-Qs (3), Ac-
Qc, Ac-Jc, Ac-Tc, Ac-9c, Ac-5c, Kc-Qc, Kc-Jc, Kc-Tc, Qc-Jc, Qc-Tc, 6s-6x (3), 5s-5x (3), 4s-4x (3) =
43
Total de Combos Betados: 87
Porcentagem de Cbet no Flop: 39,7%
Total de Combos com que damos Check: 132
Range de Check-Raise: 77 (3), 88 (3), 22 (3), Js-9s, Js-Ts, As-Ts, 76s (3), 75s (3), 97s (3), A7s (3),
As-Tx (3) = 27
Range de Check-Call: As-Ax (3), 99 (6), A8s (3), T8s (3), 98s (3), 86s (3), AK (16), As-Qs, As-Js, Ks-
Qs = 40
Porcentagem de Checks Defendidos: 50,7%
EV do Blefe Air do Oponente no Flop: (0,603)[(8)(0,493) – (6)(0,507)] = 0,54 BBs

Análise: Este é o típico spot desconfortável fora de posição, já que a textura do board é baixa e
cheia de draws, o que fortemente aumenta o valor da vantagem de posição do nosso
oponente. Mesmo assim, embora ele tenha um bet lucrativo assim que damos check, ele
provavelmente não possui um incentivo de betar quaisquer duas cartas já que estamos dando
check-raise tão agressivamente.
Enfrentar raises no flop também será difícil já que 3-betar não é particularmente eficaz contra
um range polarizado. Mas dar call e deixar nosso oponente ver cartas adicionais com seus
blefes e draws também é longe do ideal. Podemos até mesmo precisar ocasionalmente 3-betar
este flop com nossos dois pares e overpairs, já que se não fizermos isto, ele verá o turn com
seus raises por blefe com muita frequência. É difícil dizer.

Como você perceberá quando analisando texturas de board sozinho, simplesmente é mais
difícil construir ranges fora de posição que ranges em posição, e é fácil se perder tentando
fazer com tudo esteja perfeitamente balanceado. Esta é uma tarefa impossível, e não vale o
tempo. Ao contrário, faça o melhor que você puder e obtenha um melhor entendimento de
como seu range se encaixa na textura de board específica. Aqui, deve estar claro que você
deve dar check-raise agressivamente assim como dar check-call com algumas overcards (como
A-K), caso contrário, você não defenderá checks o suficiente.

Range fora de posição após betar flop: 87


Turn: 8c-7s-2s-Jc
Total de Combos: 78 (-3 JJ, - Jc-Tc, - Jc-9c, - Ac-Jc, - Kc-Jc, - Qc-Jc, - Ac-Jc)
Range de Value Bet: KK-QQ (12), JJ (3), 87s (2), AA sem espadas (3), Ts-9s = 21
Range de Blefe: Ac-Qc, Ac-Tc, Ac-9c, Ac-5c, Kc-Qc, Kc-Tc, Qc-Tc, As-9s, As-5s, Ks-Ts, Qs-Ts, 6s-
5s, 5s-4s, 65s (3) = 16
Total de Combos Betados: 37
Porcentagem de Cbet no Turn: 47,4%
Total de Combos com que damos Check: 41
Range de Check-Raise: T9s (3), TT (3) = 6
Range de Check-Call: As-Jx (3), JTs (3), J9s (3), TT (3), As-Js, Ks-Js = 14
Porcentagem de Checks Defendidos: 48,7%

Análise: Conseguimos muitos top pairs no turn, mas como mostrado anteriormente, o range
do nosso oponente é bastante forte. Então betar imprudentemente nossos top pairs resultará
em nós extraindo muito pouco valor quando recebemos call assim como nos torna vulneráveis
a raises. Portanto, dar check-call com nossos top pairs provavelmente é o melhor.

Uma regra útil para se lembrar quando fora de posição é, “se você pensa que é close entre
betar e dar check, considere betar mais baixo”. Isto porque um bet baixo não reabre a ação
como o faz um bet em posição. Então, por exemplo, fazer um bet alto com Q-Q pode tornar o
range do nosso oponente forte demais assim como seremos punidos mais severamente
quando enfrentando um raise, mas dar check permite a ele realizar a equidade de seus A-K de
graça. Assim, neste caso, pode ser melhor fazer um bet baixo com Q-Q, e se betarmos esta
mão no turn, provavelmente precisaremos jogá-la de check-call ao invés de value betar no
river.

Note que estamos dando check-raise por blefe com algumas combinações de 10-10, que
acabam sendo ótimos blockers. Esta mão também é forte o suficiente para value betar em
alguns turns, mas este turn não é um deles.

Range fora de posição após betar flop e turn: 37


River: 8c-7s-2s-Jc-2d
Total de Combos: 37
Range de Value Bet: JJ (3), KK-QQ (12), 87s (2), AA sem espadas (3) = 20
Range de Blefe: Ac-Tc, Ac-9c, Kc-Tc, Qs-Ts, Ks-Ts, 65s (3) = 8
Total de Combos Betados: 28
Porcentagem de Cbet no River: 75,7%
Total de Combos com que damos Check: 9
Range de Check-Raise: Ts-9s, Blefe (1) = 2
Range de Check-Call: 0
Porcentagem de Checks Defendidos: 22,2%

Análise: Como o river é uma completa blank, na prática eu quase sempre betaria Q-Q.
Entretando, se não acharmos que nosso oponente deve ser capaz de lucrativamente betar
todos os seus flush draws depois que dermos check, então teremos que defender nossos
checks muito agressivamente. Isto é bem possível, já que ele pode ter muitos missed flush
draws em seu range e ele não deve ser capaz de lucrativamente betar todas elas. Isto nos
encorajaria a dar check-call ou check-raise mais agressivamente que estamos atualmente.
Além disso, note que overbetar este river é uma opção, e fazendo isto, precisaremos dar check
com menos mãos.

Mais uma vez, este é um spot onde é fácil gastar muito tempo tentando balancear tudo
perfeitamente, mas na verdade não vale a pena. Mas é mais importante perceber que o river é
uma blank e que isto favorece nosso range polarizado e nos encoraja a betar em uma
frequência alta, e então na prática considerar dar check-raise agressivamente contra um
oponente que beta muitos missed draws no river.

Mão nº 4: MP vs. Button

Primeiro, vamos examinar o jogador que dá call no button.

Range de flat call do button vs. MP: JJ-33, AKo-AQo, AQs-ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s,
98s, 87s, 76s, 65s, 54s
Flop: Jc-6h-4d
Total de Combos: 131
Número Desejado de Combos Defendidos: 131 x 0,6 = 79
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: JJ (3), 66 (3), 44 (3), AJs (3), KJs (3), QJs (3), JTs (3), J9s (3), TT-77 (24), 76s (3), 65s (3), 54s
(3), 87s (4), KQs (3), T9s (3), 98s (3), AQs (3), ATs (3), AKo (12) = 88
Total de Combos Defendidos: 88 (67,2%)

Análise: Este é um range padrão de defesa em posição, que é tão fácil de construir quanto de
jogar. Como sempre, é impossível dizer se 77 ou 9d-8d são calls lucrativos, mas acho que eles
provavelmente são.

Range em posição após flat call no flop: : JJ (3), 66 (3), 44 (3), AJs (3), KJs (3), QJs (3), JTs (3),
J9s (3), TT-77 (24), 76s (3), 65s (3), 54s (3), 87s (4), KQs (3), T9s (3), 98s (3), AQs (3), ATs (3),
AKo (12) = 88
Turn: Jc-6h-4d-Kc
Total de Combos: 85 (-3 AKo, - Kc-Qc, - Kc-Jc)
Número Desejado de Combos Defendidos: 85 x 0,6 = 51
Raises por Valor: KJs (3), 66 (3), 44 (3) = 9
Raises por Blefe: ATs (3), T9s (2), 87s (3) = 8
Calls: JJ (3), AK (9), KQs (2), AJs (3), QJs (3), JTs (3), J9s (3), TT (6), Ac-Qc, Tc-9c, 9c-8c, 8c-7c, 7c-
6c, 6c-5c, 5c-4c = 39
Total de Combos Defendidos: 56 (65,9%)

Análise: Outro spot bem fácil de defender. Escolhi não dar raise com muitos J pois já estamos
dando raise com muitas mãos, mas dar raise com estas mãos também é OK.

Range em posição após flat call no flop e no turn: : JJ (3), AK (9), KQs (2), AJs (3), QJs (3), JTs
(3), J9s (3), TT (6), Ac-Qc, Tc-9c, 9c-8c, 8c-7c, 7c-6c, 6c-5c, 5c-4c = 39
River: Jc-6h-4d-Kc-3d
Total de Combos: 39
Número Desejado de Combos Defendidos: 39 x 0,6 = 23
Raises por Valor: JJ (3)
Raises por Blefe: J9s (2)
Calls: AK (9), KQs (2), AJs (3), KJs (3) = 17
Total de Combos Defendidos: 22

Análise: Esta mão é um ótimo exemplo de como é bastante fácil defender agressivamente em
posição na maioria das texturas de board. Como nosso range de call em posição é construído
para ir bem contra o range do nosso oponente, geralmente não é difícil saber o que fazer
quando enfrentando muitos bets.

Agora vamos dar uma olhada no range do jogador que deu raise em MP.

Range de Raise de MP: AA-22, AKo-ATo, KQo, AKs-A7s, A5s, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s-T8s,
98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s
Flop: Jc-6h-4d
Total de Combos: 217
Range de Value Bet: AA-QQ (18), TT (6), 44 (3) = 27
Range de Bet em Draw: 75s (4) = 4
Range de Blefe: 87s (4), KQ (16), ATs (3), A9s (3), A8s (3), A7s (3), A5s (3), KTs (3), QTs (3), T9s
(3), T8s (3), 55 (6) = 53
Total de Combos que Betamos: 84
Porcentagem de Cbet no Flop: 38,7%
Total de Combos com que damos Check: 133
Range de Check-Raise: 66 (3), 98s (3), 97s (3) = 9
Range de Check-Calling: JJ (3), AJ (12), KJs (3), QJs (3), JTs (3), J9s (3), 99 (6), AK (16), AQs (3),
86s (3), 76s (3), 65s (3), 54s (3) = 64
Total de Checks Defendidos: 73
Porcentagem de Checks Defendidos: 54,9%
EV do Blefe Air do Oponente no Flop: (0,613)[(8)(0,451) – (6)(0,549)] = 0,19 BBs

Análise: Eu escolhi betar 10-10 já que betar faz com que alguns A-Q e K-Q foldem, e porque eu
quero que algumas mãos que possam confortavelmente jogar de check-call em alguns turns e
rivers. Betar com A-J provavelmente seria OK também, mas já que A-J não é vulnerável a um A
no turn, eu decidi jogar de check-call. Betar com alguns A-J também é uma opção.
Mãos como A-K, A-Q e K-Q provavelmente podem ser jogadas de bet ou check no flop. Escolhi
jogar o A-K de check-call, jogar o A-Qo de check-fold, e blefar o K-Q. Quando analisando mãos
desta maneira, é importante manter as mãos simples quando possível, então vale a pena
ocasionalmente não dividir as mãos em muitos ranges se isso puder ser evitado. Mas quando
jogando contra um oponente específico, você deve considerar betar ou dar check com todas
estas mãos e escolher a linha que você achar que melhor o explora.

Range fora de posição após betar flop: 84


Turn: Jc-6h-4d-Kc.
Total de Combos: 76 (-3 KK, -4 KQ, -KcTc)
Range de Value Bet: 44 (3), AA (6), KK (3) = 12
Range de Blefe: Ac-Tc, Ac-9c, Ac-8c, Ac-7c, Ac-5c, Tc-9c, 8c-7c, QTs (3), 75s (3) = 13
Total de Combos Betados: 25
Porcentagem de Cbet no Turn: 32,9%
Total de Combos com que damos Check: 51
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: KQ (12), KTs (3), TT (6) = 21
Porcentagem de Checks Defendidos: 41,2%

Análise: Este turn coloca muitas mãos médias em nosso range, mas também coloca muitas
mãos mais fortes no range do nosso oponente. Isto nos encoraja a betar menos
frequentemente e defender mais nossos checks.

Também poderíamos facilmente utilizar dois tamanhos de bet no turn, especialmente se


quisermos betar mais baixo com um range consistindo, em sua maioria, de K-Q. Mesmo assim,
como eu coloco A-K e K-J no range do meu oponente mas não em meu range, eu decidi dar
check-call com todos os nossos K-Q. Entretanto, tecnicamente não deveríamos ter o nosso
range de check capado em K-Q, embora isto raramente, na prática, seja um problema contra a
maioria dos oponentes. Mas contra jogadores que nos explorarão por darmos check com um
range capado em K-Q, dar check-call com algumas trincas e overpairs será o melhor.

Range fora de posição após betar flop e turn: 25


River: Jc-6h-4d-Kc-3d
Total de Combos: 25
Range de Value Bet: 44 (3), AA (6), KK (3), 75s (3) = 15
Range de Blefe: Ac-Tc, Ac-9c, Ac-8c, Ac-7c, Ac-5c, Tc-9c, 8c-7c, QTs (3) = 10
Total de Combos Betados: 25
Porcentagem de Cbet no River: 100%
Total de Combos com que damos Check: 0
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: 0
Porcentagem de Checks Defendidos: 0

Análise: Este é um spot bastante interessante onde estamos bastante polarizados no river, e
se o range do nosso oponente está capado em Q-Q, overbetar será o melhor. Não devemos ter
medo de overbetar se nosso oponente raramente está nos vencendo, pois mesmo se
betarmos mais baixo, seremos estaqueados com muitas das nossas mãos de valor se ele der
raise com a melhor mão (como seria o caso se nosso oponente tivesse J-J em seu range no
river).

Além do mais, note que o river melhorou nosso 7-5s. Na verdade, nosso range agora é tão
forte que podemos betá-lo inteiro se overbetarmos 1,5 pote. Esta não é uma ocorrência
comum, mas pode acontecer se conseguirmos uma fantástica carta para nosso range no river e
o range do nosso oponente estiver capado.

Mão nº 5: MP vs. Button

Primeiro, vamos examinar o range do jogador que dá call no button.

Range de flat call do button vs. MP: JJ-33, AKo-AQo, AQs-ATs, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s,
98s, 87s, 76s, 65s, 54s
Flop: 8h-8d-6c
Total de Combos: 128
Número Desejado de Combos Defendidos: 128 x 0,6 = 77
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: 88 (1), 66 (3), 98s (2), 87s (2), JJ-99 (18), 77 (6), T9s (4), 54s (3), AKo (12), AQ (16), AJs (3),
ATs (3), KQs (3), KJs (3), KTs (3), QJs (3) = 85
Total de Combos Defendidos: 85 (66,4%)

Análise: Este é um range de defesa bem padrão. Escolhi dar call com todas as trincas já que
nosso kicker é fraco, e se dermos raise no flop e betarmos o turn e river, é improvável que
façamos o nosso oponente dar call até o river com um overpair.

Range após flat call no flop: 88 (1), 66 (3), 98s (2), 87s (2), JJ-99 (18), 77 (6), T9s (4), 54s (3),
AKo (12), AQ (16), AJs (3), ATs (3), KQs (3), KJs (3), KTs (3), QJs (3) = 85
Turn: 8h-8d-6c-3c
Total de Combos: 85
Número Desejado de Combos Defendidos: 85 x 0,6 = 51
Raises por Valor: 98s (2) = 2
Raises por Blefe: T9s (2) = 2
Calls: 88 (1), 66 (3), JJ-99 (18), 77 (6), Ac-Qc, Ac-Jc, Ac-Tc, Kc-Qc, Kc-Jc, Kc-Tc, Qc-Jc, Tc-9c, 54s
(3), AK (9) = 50
Total de Combos Defendidos: 54 (63,5%)

Análise: Este é outro range normal de defesa, mas perceba que agora estou dando raise com
algumas trincas pois estamos vulneráveis contra algumas mãos que viraram flush draws no
turn. Mesmo que 9-8s não seja incrivelmente forte, não quero dar free cards para straight e
flush draws, então dar raise (pelo menos uma parte do tempo) parece o melhor.

Range do Button após flat call no flop e turn: 88 (1), 66 (3), JJ-99 (18), 77 (6), Ac-Qc, Ac-Jc, Ac-
Tc, Kc-Qc, Kc-Jc, Kc-Tc, Qc-Jc, Tc-9c, 54s (3), AK (9) = 50
River: 8h-8d-6c-3c-7c
Total de Combos: 46 (-8c7c, -3 77)
Número Desejado de Combos Defendidos: 46 x 0,6 = 28
Raises por Valor: 88 (1), 66 (3), 77 (3), 8s-7s, Ac-Qc, Ac-Jc, Ac-Tc, 5c-4c = 12
Raises por Blefe: Ac-Kx (3), Ax-Kc (1) = 4
Calls: Kc-Qc, Kc-Jc, Kc-Tc, Qc-Jc, Tc-9c, 54 (2), JJ (6) = 13
Total de Combos Defendidos: 29 (63%)

Análise: Nosso range é bem forte e somos capazes de dar raise agressivamente nos bets, o que
significa que, se nosso oponente betar, ele provavelmente deve betar baixo. Flushes nuts
provavelmente ainda são fortes o suficiente para dar raise, já que nosso oponente
provavelmente daria check em algum ponto da mão com muitos de seus full houses para
proteger seu range de check. Se é provável que ele não faça isso, então dar call com eles pode
ser o melhor.

Agora vamos dar uma olhada no range do jogador que deu raise em MP.

Range de Raise de MP: AA-22, AKo-ATo, KQo, AKs-A7s, A5s, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-J9s, T9s-T8s,
98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s
Flop: 8h-8d-6c
Total de Combos: 217
Range de Value Bet: KK-QQ (12), 99 (6), 77 (6), 98s (2), 87s (2) = 28
Range de Bet em Draw: 97s (4), 75s (4) = 8
Range de Blefe: T9s (4), 54s (4), KQs (3), ATs (3), A9s (3), A7s (3), A5s (3), KJs (3), KTs (3), QJs
(3), QTs (3), 76s (3) = 38
Total de Combos Betados: 74
Porcentagem de Cbet no Flop: 34,1%
Total de Combos com que damos Check: 143
Range de Check-Raise: A8s (2), T8s (2), 66 (3), 55 (6), JTs (3), J9s (3) = 19
Range de Check-Call: AA (6), 86s (1), 88 (1), JJ-TT (12), AK (16), AQ (16), AJs (3) = 55
Total de Checks Defendidos: 74
Porcentagem de Checks Defendidos: 51,7%
EV do Blefe Air do Oponente no Flop: (0,659)[(8)(0,483) – (6)(0,517)] = 0,50 BBs

Análise: Este é um board extremamente difícil de se balancear ranges fora de posição, já que
muitas mãos que não podem extrair três streets de valor (como 10-10 e 9-9) também são as
mãos mais vulneráveis a se tornar a segunda melhor contra as overcards no range do nosso
oponente, mãos estas que também geralmente foldarão contra um bet no flop. É o exemplo
perfeito de um board que os jogadores consideram “seco”, mas em que estar em posição é
muito vantajoso.

Como anteriormente eu presumi que o jogador em posição dará call em bets no flop com A-K e
A-Q, escolhi dar check-call com J-J já que betar não faria muitas mãos de alta equidade
foldarem. Mas eu não estou certo de que isto está correto, já que tanto betar quanto dar
check-call com J-J é claramente lucrativo. Eu também escolhi dar check-call com A-A já que
esta mão não é vulnerável a se tornar a segunda melhor mão no turn, e dar check-call mantém
mãos dominadas no range do nosso oponente. Além do mais, perceba que eu incluí 7-7 no
range de value bet, mas meu plano é dar check-call com ele em quase todos os turns.

O fato de que nosso oponente pode betar o flop com a intenção de dar check no turn e river
com uma mão marginal pronta torna o check-raise uma opção razoável em uma textura de
board tão seca. Eu escolhi dar check-raise com A8s, T8s e 66 por esta razão, apesar destas
mãos serem fortes o suficiente para atrasar o check-raise até a street seguinte.

Não seremos capazes de blefar nas streets futuras com todas as nossas mãos formadas por
overcards que deram check-call no flop, mas tudo bem. Especialmente A-K pode regularmente
ganhar no showdown e blefar não fará consistentemente com que mãos melhores foldem, e
outras mãos com menos valor de showdown podem ser blefadas nas streets futuras se elas
não melhorarem.

Por fim, já que dar free cards para nosso range de check é arriscado, note que se não se
estivermos agressivamente defendendo nossos checks, nosso oponente betará em uma
frequência alta. Então, enquanto é mais fácil betar imprudentemente nesta textura de flop e
defender poucos de nossos checks, isto é quase certamente distante do teoricamente correto.

Range fora de posição após betar flop: 74


Turn: 8h-8d-6c-3c
Total de Combos: 74
Range de Value Bet: KK-QQ (12), 99 (6), 87s (2) = 20
Range de Blefe: 97s (4), 75s (4), 54s (4), Ac-Tc, Ac-9c, Ac-7c, Ac-5c, Kc-Jc, Kc-Tc, Qc-Jc, Qc-Tc =
20
Total de Combos Betados: 40
Porcentagem de Cbet no Turn: 54,1%
Total de Combos com que damos Check: 34
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: 77 (6), 98s (2) = 8
Porcentagem de Checks Defendidos: 23,5%

Análise: Este turn realmente não acerta nosso range, e torna difícil continuar barrelando
agressivamente. A maioria dos turns coloca alguns top pairs ou straights em nosso range, mas
esta definitivamente não acerta nosso range. Além do mais, nosso oponente não irá querer
dar free cards ao nosso range de check-fold, então apesar do nosso range estar polarizado, é
importante jogar de check-call ou check-raise com pelo menos algumas poucas mãos no turn.

Entretanto, como quase todos os nossos blefes são flush draws ou straight draws, com
frequência melhoraremos no river. Isto dá ao nosso oponente um incentivo para dar raise com
muitas ou todas as suas trincas no turn, já que frequentemente melhoraremos e venceremos
no river.

Range fora de posição após betar flop e turn: 40


River: 8h-8d-6c-3c-7c
Total de Combos: 36 (- Ac-7c, -8c-7c, -7c-5c, -9c-7c)
Range de Value Bet: KK-QQ (12), 54s (4), Ac-Tc, Ac-9c, Ac-5c, Kc-Jc, Kc-Tc, Qc-Jc, Qc-Tc = 23
Range de Blefe: 75s (3), 97s (3) = 6
Total de Combos Betados: 29
Porcentagem de Cbet no River: 80,5%
Total de Combos com que damos Check: 7
Range de Check-Raise: 87s (1), 99 (1) = 2
Range de Check-Call: 99 (2)
Porcentagem de Checks Defendidos: 57,1%

Análise: No river, geralmente devemos estar betando baixo, já que nosso range está capado
em valores médios e nosso oponente ainda pode ter muitos full houses e nut flushes. Mãos
como K-K e Q-Q, especialmente, precisam ser jogadas de bets baixos ou de check-call no river,
já que simplesmente não existe muito valor em um bet alto, e quando enfrentamos um raise
transformamos nossa mão em um bluff catcher.
Entretanto, como o river melhorou tantas mãos em nosso range de blefe, pode ser possível
betar este river quase sempre. (Depende do tamanho do nosso bet, já que isso determina
quão agressivamente podemos blefar.) Mas quando betamos, betamos baixo, já que
raramente venceremos mãos no range de raise por valor do nosso oponente.

Mão nº 6: Cutoff vs. Button

Primeiro, vamos examinar o range do jogador que dá call no button.

Range de flat call do button vs. Cutoff: TT-22, AQo-AJo, KQo, AQs-A8s, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-
J9s, T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s, 1 combo de AA, 3 combos de AK = 182
Flop: Jc-4h-4d
Total de Combos: 167
Número Desejado de Combos Defendidos: 167 x 0,6 = 100
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: AA (1), 54s (2), 44 (1), TT-66 (30), AJ (12), KQ (16), KJs (3), QJs (3), JTs (3), J9s (3), AK (3),
AQ (16), ATs (3), KTs (3), QTs (3), T9s (3), T8s (3), 98s (3) = 111
Total de Combos Defendidos: 111 (66,5%)

Análise: Eu não gosto de dar raise já que estamos em posição, e não existem draws possíveis,
então minha estratégia é defender dando apenas call. Estou em cima do muro entre dar call ou
não com mãos como K-Qo e 10-8s, mas decidi dar call com elas imaginando que elas possam
servir como blefes caso seja necessário em streets futuras.

Range em posição após flat call no flop: AA (1), 54s (2), 44 (1), TT-66 (30), AJ (12), KQ (16), KJs
(3), QJs (3), JTs (3), J9s (3), AK (3), AQ (16), ATs (3), KTs (3), QTs (3), T9s (3), T8s (3), 98s (3) =
111
Turn: Jc-4h-4d-5d
Total de Combos: 111
Número Desejado de Combos Defendidos: 111 x 0,6 = 67
Raises por Valor: AA (1)
Raises por Blefe: AQ (1)
Calls: 54s (2), 44 (1), AJ (12), KJs (3), QJs (3), JTs (3), J9s (3), TT-77 (24), Ad-Qd, Ad-Td, Kd-Qd,
Kd-Td, Qd-Td, Td-9d, Td-8d, 9d-8d, AK (3) = 62
Total de Combos Defendidos: 64 (57,8%)

Análise: Estamos defendendo um pouco menos que 60% do tempo no turn, mas isto não deve
ser um problema já que demos call com um pouco mais de 60% no flop. Este turn melhorou
bem poucas mãos em nosso range, e como tão poucas mãos tipo nuts, é difícil defender
agressivamente contra os bets dos nossos oponentes. Ele também pode betar mais alto que
75% do pote.

Range em posição após flat call no flop e no turn: 54s (2), 44 (1), AJ (12), KJs (3), QJs (3), JTs
(3), J9s (3), TT-77 (24), Ad-Qd, Ad-Td, Kd-Qd, Kd-Td, Qd-Td, Td-9d, Td-8d, 9d-8d, AK (3) = 62
River: Jc-4h-4d-5d-Qc
Total de Combos: 61 (- Qc-Jc)
Número Desejado de Combos Defendidos: 61 x 0,6 = 37
Raises por Valor: 44 (1), 54s (2), QJs (2) = 5
Raises por Blefe: AK (2) = 2
Calls: AJ (12), KJs (3), JTs (3), J9s (3), TT (6), Ad-Qd, Kd-Qd, Qd-Td = 30
Total de Combos Defendidos: 37 (60,7%)

Análise: Esta é provavelmente a pior carta do baralho para nós, já que não fletamos A-Qo no
turn. Assim, teremos que dar call com alguns 10-10 se quisermos evitar que nosso oponente
seja capaz de lucrativamente betar quaisquer duas cartas quando ele beta 75% do pote.

Agora vamos dar uma olhada no jogador que deu raise do cutoff.

Range de Raise do Cutoff: AA-22, AKo-ATo, KQo-KJo, QJo, AKs-A2s, KQs-K6s, QJs-Q7s, JTs-J8s,
T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s-64s, 54s = 314
Flop: Jc-4h-4d
Total de Combos: 285
Range de Value Bet: 54s (2), AA-QQ (18), AJ (12), KJ (12), 99 (6) = 50
Range de Bet em Draw: 0
Range de Blefe: AKo (13), KQ (16), ATs-A5s (18), A3s-A2s (6), KTs-K6s (15), QTs-Q8s (9), T9s (3),
T8s (3), 98s (3), 65s (3), 87s (3) = 92
Total de Combos Betados: 142
Porcentagem de Cbet no Flop: 49,8%
Total de Combos com que damos Check: 143
Range de Check-Raise: A4s (2), 64s (2), 76s (3), 75s (3) = 10
Range de Check-Call: 44 (1), JJ (3), AKs (3), QJ (12), JTs (3), J9s (3), J8s (3), TT (6), 88-77 (12), AQ
(16) = 62
Porcentagem de Checks Defendidos: 50,3%
EV do blefe air do oponente no flop: (0,502)[(8)(0,497) – (6)(0,503)] = 0,48 BBs

Análise: Nesta textura de flop, penso que K-J pode tanto ser jogado de check quando betado.
Valetes piores regularmente darão call até o showdown, mas também ocasionalmente
perderemos no showdown e nosso oponente às vezes dará raise por blefe no turn ou river.
Além disso, dar uma free card com K-J não é muito arriscado, e seremos capazes de pegar
blefes do nosso oponente ao dar check.

Este é um board relativamente fácil de se jogar fora de posição já que é improvável que muitas
das nossas mãos que jogamos de check-call, como Q-J, se tornem a segunda melhor mão. É
também uma textura de board onde frequências altas de bet no flop, turn e river parecem
bastante razoáveis, já que não é provável que tenhamos muitas mãos marginais nas streets
futuras que irão querer jogar de check-call.

Além do mais, as únicas mãos muito fortes no range do nosso oponente são 1 combo de 4-4,
dois combos de 5-4s, e um combo de A-A, somando um total de 4 combos. Isto significa que é
improvável que enfrentemos um raise no flop ou turn, e devemos considerar betar mais alto e
mais próximo a frações iguais do pote em todas as três streets. Às vezes acabaremos value
betando com a pior mão, mas se nosso oponente possuir uma trinca e tivermos um overpair,
provavelmente perderemos um pote grande independentemente de qual tamanho de bet
utilizarmos no flop.

Além disso, perceba meu bet no flop com 9-9. Isto porque, no turn, é bom ter algumas mãos
em meu range que possam jogar de check-call, e eu posso extrair valor de overcards e de
alguns pares mais fracos. Além do mais, isto pode fazer meu oponente foldar algumas mãos de
alta equidade se ele não defender todos seus KQ, KTs e QTs e mãos similares.
Por fim, perceba que esta não é uma textura de flop onde nosso oponente provavelmente irá
betar imprudentemente só porque ele pode lucrativamente betar quaisquer duas cartas. Ele
possui muitas mãos de força marginal que podem confortavelmente dar check behind, e se ele
betar, não estamos foldando nossos A-Q para um bet, de qualquer forma. Jogar A-K de check-
call também seria uma opção, mas escolhi betar já que ele pode confortavelmente value betar
em turns A ou K.

Range fora de posição após betar flop: 142


Turn: Jc-4h-4d-5d
Total de Combos: 140 (- Ad-5d, - 6d-5d)
Range de Value Bet: AA-QQ (18), AJ (12), KJ (12) = 42
Range de Blefe: Ad-Td-Ad-5d (6), Ad-3d-Ad-2d (2), Kd-Td-Kd-6d (5), Kd-Qd, Qd-Td-Qd-8d (3),
Ad-Kd, Td-9d, Td-8d, 9d-8d, 8d-7d, 6d-5d, AK (8), KQ (11) = 42
Total de Combos Betados: 84
Porcentagem de Cbet no Turn: 60%
Total de Combos com que damos Check: 56
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: 54s (2), AK (7), 99 (6) = 15
Porcentagem de Checks Defendidos: 26,7%

Análise: Perceba que apesar de “blefar” com A-K no flop – a maioria dos jogadores chamariam
isso de blefe já que este bet pode fazer pocket pairs que estão vencendo foldarem –, a mão
agora pode ser jogada de check-call no turn. Muitas mãos com as quais nosso oponente blefa
perderão para A-K no showdown, e ela ainda possui uma chance razoável de melhorar no
river. Por causa disto, escolhi tanto betar com alguns A-K e dar check-call com outros.

Betar alto no turn é novamente uma opção razoável, já que nosso oponente provavelmente
não melhorou. Portanto, isto nos permite ir all-in mais facilmente no river, o que
provavelmente iremos querer fazer com muitos de nossos overpairs.

Além disso, já que nosso range é bastante polarizado no turn, não deve ser muito
surpreendente que não estamos defendendo agressivamente nossos checks no turn. Pelo
contrário, estamos betando em uma alta frequência e defendendo nossos turns de vez em
quando. Tendo dito isto, dar check-raise com algumas mãos no turn também seria OK para
prevenir que nosso oponente seja capaz de facilmente betar suas mãos de força marginal por
uma street de valor. Isto requer que às vezes betemos e às vezes joguemos de check-raise com
nossos overpairs e blefes.

Range fora de posição após betar flop e turn: 84


River: Jc-4h-4d-5d-Qc
Total de Combos: 78 (-3 QQ, -3 KQ)
Range de Value Bet: AA-KK (12), QQ (3), KQ (8), Qd-Td-Qd-8d (3), AJ (12) = 38
Range de Blefe: AK (8), Ad-Td-Ad-5d (6) = 14
Total de Combos Betados: 52
Porcentagem de Cbet no River: 66,7%
Total de Combos com que damos Check: 26
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: KJ (9) = 9
Porcentagem de Checks Defendidos: 34,6%
Análise: Somos capazes de continuar betando o river bem agressivamente, assim como
defender alguns de nossos checks dando check-call com K-J. Embora pudéssemos defender um
pouco mais de nossos checks dando check-raise com algumas mãos fortes e alguns blefes, não
parece muito preocupante se nosso oponente for capaz de lucrativamente betar quaisquer
duas cartas assim que dermos check. Afinal, ele só consegue a oportunidade de blefar cerca de
um terço do tempo, e geralmente não vale o tempo desperdiçado tentando fazer com que
tudo esteja perfeitamente balanceado.

Mão nº 7: Cutoff vs. Button

Primeiro, vamos examinar o jogador que dá call no button.

Range de flat call do button vs. Cutoff: TT-22, AQo-AJo, KQo, AQs-A8s, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-
J9s, T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s, 1 combo de AA, 3 combos de AK = 182
combos
Flop: As-8d-7d
Total de Combos: 155
Número Desejado de Combos Defendidos: 93
Raises por Valor: A8s (2), 87s (3), 88 (3), 77 (3), Td-9d, 6d-5d, Jd-9d = 14
Raises por Blefe: 97s (3), 76s (3), 75s (3), JTs (3), 54s (3), 86s (3), 6d-6x (3) = 21
Calls: AK (2), AQ (12), AJ (12), ATs (3), A9s (3), Kd-Qd, Kd-Jd, Kd-Td, Qd-Jd, Qd-Td, Jd-Td, 5d-4d,
TT (6), 99 (6), T8s (3), 98s (3), T9s (3), 65s (3), Ks-Qs, Ks-Js = 65
Total de Combos Defendidos: 100 (64,5%)

Análise: Este é um range perfeitamente padrão de defesa. Se é melhor dar call ou dar raise
com A-K provavelmente é bem close, mas sinto que já estamos dando raise agressivamente o
suficiente da forma como está, e é bom ter algumas mãos fortes em nosso range de flat call.

Range em posição após flat call no flop: AK (2), AQ (12), AJ (12), ATs (3), A9s (3), Kd-Qd, Kd-Jd,
Kd-Td, Qd-Jd, Qd-Td, Jd-Td, 5d-4d, TT (6), 99 (6), T8s (3), 98s (3), T9s (3), 65s (3), Ks-Qs, Ks-Js =
65
Turn: As-8d-7d-8c
Total de Combos: 63 (- Ts-8s, - 9s-8s)
Número Desejado de Combos Defendidos: 63 x 0,6 = 38
Raises por Valor: T8s (2), 98s (2) = 4
Raises por Blefe: Jd-Td, 5d-4d, 65s (2) = 4
Calls: AK (2), AQ (12), AJ (12), ATs (3), Ad-Td, Kd-Qd, Kd-Jd, Kd-Td, Qd-Jd, Qd-Td = 35
Total de Combos Defendidos: 43 (68,3%)

Análise: Este é outro range normal de defesa, já que estamos dando call com todos os nossos
top pairs e dando raise por blefe com mãos que retém bem sua equidade. Nosso range é forte
então somos capazes de defender mais que dois terços dele com pouca dificuldade.

Perceba que eu decidi dar raise com 5d-4d para encorajar nosso oponente a foldar com um
flush draw melhor. Esta é uma jogada que eu gosto muito e sinto que é fácil de deixá-la passar
despercebida, especialmente já que é infeliz quando nosso oponente 3-beta e nos faz foldar
nosso flush draw e nossas brocas. Entretanto, não acho que ele 3-betará frequentemente no
turn, especialmente pelo board estar dobrado, então provavelmente vale o risco.

Range em posição após flar call no flop e turn: AK (2), AQ (12), AJ (12), ATs (3), Ad-Td, Kd-Qd,
Kd-Jd, Kd-Td, Qd-Jd, Qd-Td = 35
River: As-8d-7d-8c-5s
Total de Combos: 35
Número Desejado de Combos Defendidos: 35 x 0,6 = 21
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: AK (2), AQ (12), AJ (7) = 21
Total de Combos Defendidos: 21

Análise: Já que só estamos dando call com alguns A-J, tanto dar call quanto foldar ambos
devem possuir uma expectativa de zero. E isto parece razoável já que é improvável que nosso
oponente value betaria A-J ou pior e nossa mão é um bluff catcher.

Agora vamos dar uma olhada no range de raise do cutoff.

Range de Raise do Cutoff: AA-22, AKo-ATo, KQo-KJo, QJo, AKs-A2s, KQs-K6s, QJs-Q7s, JTs-J8s,
T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s-64s, 54s = 314
Flop: As-8d-7d
Total de Combos: 267
Range de Value Bet: A8s (2), A7s (2), 87s (3), AK (12), AQ (11), TT (6) = 36
Range de Bet em Draw: Kd-6d, Qd-Jd, Qd-Td, Qd-9d, Jd-Td, 6d-5d, 6d-4d, 5d-4d, T9s (3), 65s
(3) = 14
Range de Blefe: 99 (6), 66 (6), J8s (3), K8s (3), Q8s (3), 98s (3), 97s (3), 76s (3), 75s (3), J9s (3),
JTs (3), 64s (3), 54s (3), KQ (7), Kd-Jx (3), Qd-Jx (3), Ks-Js, Qs-Js, Ks-Ts, Ks-9s, Ks-6s, Qs-Js, Qs-Ts,
Qs-9s = 66
Total de Combos Betados: 116
Porcentagem de Cbet no Flop: 43,4%
Total de Combos com que damos Check: 151
Range de Check-Raise: 77 (3), 88 (3), T8s (3), 86s (3), K7s (3), Q7s (3), Td-9d = 19
Range de Check-Call: AA (3), Ad-Qd, Ad-9d, Ad-6d-Ad-A2d (5), AJ (12), AT (12), KK (6), QQ (6),
JJ (6), Kd-Qd, Kd-Jd, Kd-Td, Kd-9d = 56
Porcentagem de Checks Defendidos: 49,7%
EV mínimo do blefe air do nosso oponente no flop: (0,566)[(8)(0,503) – (6)(0,497)] = 0,59 BBs

Análise: Como muitos flush draws e straight draws são possíveis, a posição é mais valiosa que
seria em uma textura de flop A-high mais seca como As-7d-3c. Mesmo assim, este não é um
board muito difícil de se jogar fora de posição, e dar check-raise com trincas e blefes deve
evitar que nosso oponente seja capaz de imprudentemente betar assim que dermos check.

Perceba que estou betando 10-10 e 9-9, e nenhum é de fato um value bet ou blefe, e isto está
sendo feito para fazer com que mãos como K-Q e K-J foldem, e se ele der call, ele pode dar
check behind no turn com uma mão pior e nos permitir vencer no showdown. Este é um
grande exemplo de porque os termos “value bet” e “blefe” nem sempre funcionam bem, mas
eu tenho que colocar estas mãos em alguma categoria quando organizando meus ranges. O
mesmo conceito se aplica a mãos como K-8s e Q-8s.

Perceba também que se nunca dermos check-call com nenhum flush draw, todas as mãos em
nosso range de check-call terão valor de showdown e isto torna difícil efetivamente blefar nas
streets futuras (já que as mesmas mãos com que estamos blefando provavelmente ganharão
dando check, de qualquer forma). É tentador dar check-call só com mãos pronta de força
marginal no flop, já que elas funcionam tão bem desta forma, mas o resultado é que nosso
range se torna desbalanceado.
Range fora de posição após betar flop: 116
Turn: As-8d-7d-8c
Total de Combos: 110 (- Ac-8c, - 8c-7c, - Jc-8c, - Kc-8c, - 9c-8c, - Qc-8c)
Range de Value Bet: AK (12), 98s (2), K8s (2), A8s (1) = 17
Range de Blefe: JTs (1), Kd-7d, Kd-6d, Qd-Jd, Qd-Td, Qd-9d, Jd-Td, 6d-5d, 65s (3), T9s (3), J9s
(3) = 17
Total de Combos Betados: 34
Porcentagem de Cbet no Turn: 31,0%
Total de Combos com que damos Check: 76
Range de Check-Raise: J8s (2), Q8s (2), T9s (3), 5d-4d, 6d-4d = 9
Range de Check-Call: AQ (12), 87s (2), A7s (2), TT (6), 99 (6) = 28
Porcentagem de Checks Defendidos: 48,6%

Análise: Este turn não melhorou muitas mãos em nosso range e agora A-7s é mais fraco.
Embora preferíssemos que o turn viesse uma blank, o que nos permitiria que continuássemos
value betando agressivamente assim como betando alto, às vezes recebemos uma carta
menos favorável.

Também penso que A-Q não é forte o suficiente para value betar, já que nosso oponente não
dará call até o river com muitas mãos piores, e dar free cards não é particularmente arriscado.
Além disso, betar torna nosso range de check muito fraco. Assim, acho que deveríamos
simplesmente dar call com A-Q já que isto pune nosso oponente betar muito agressivamente
no turn.

Outro pensamento que cruzou minha mente é que eu deveria ter betado o flop com nossas
mãos Ad-Xd. Estas mãos são capazes de confortavelmente jogar de check-call em qualquer
turn e isto mantém os flush draws dominados do nosso oponente em seu range. Além disso,
estas mãos também vão bem quando enfrentando um raise no flop, já que elas vencem blefes
e possuem outs para o nuts quando estão perdendo. Quando construindo ranges, é
importante olhar a street anterior e ver se existe alguma forma de melhorar seu range.

Por fim, não tenho certeza de que dar check-call com 10-10 e 9-9 terá uma expectativa
positiva, especialmente na prática. Perceba que estamos dando check-raise no turn com uma
frequência razoável, o que encoraja nosso oponente a betar mais baixo e nos dá odds
melhores para dar call, mas na realidade, a maioria dos jogadores betará demais assim que
dermos check. Isto torna o call pior do que de outra forma seria, e fortalece o fato de que
betar os Ad-Xd no flop e dar check-call no turn seria o melhor.

Range fora de posição após betar flop e turn: 34


River: As-8d-7d-8c-5s
Total de Combos: 33 (- 6s-5s)
Range de Value Bet: AK (12), K8s (2), 98s (2), A8s (1) = 17
Range de Blefe: 65s (3), T9s (3), 65s (2) = 8
Total de Combos Betados: 25
Porcentagem de Cbet no River: 75,8%
Total de Combos com que damos Check: 0
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: 0
Porcentagem de Checks Defendidos: 0
Análise: Este river não acerta nem nosso range nem o do nosso oponente, então podemos
continuar value betando todas as nossas mãos fortes. Também somos capazes de betar o river
bastante agressivamente e provavelmente podemos betar mais alto, já que não existem
muitas mãos no range de nosso oponente que são melhores que bluff catchers.

É possível que devêssemos dar check-call com algumas mãos no river, mas não existem muitas
(se é que existe alguma) mãos que irão querer betar flop e turn e dar check-call no river. Isto
porque receberemos um raise em nosso bet no turn com uma frequência razoável, então
mãos marginais como A-Q provavelmente jogam mais lucrativamente de check-call.

Lembre-se, é impossível fazer com que tudo esteja perfeitamente balanceado, então não
desperdice seu tempo se preocupando com pequenos detalhes. Assim que você possuir uma
boa noção de qual deve ser a abordagem para determinada textura de board, provavelmente
é hora de seguir em frente, já que mãos que são close podem ser jogadas múltiplas vezes, em
teoria, e na prática você sempre deve tentar utilizar a linha que melhor explore seu oponente.

Mão nº 8: Cutoff vs. Button

Primeiro, vamos examinar o jogador que dá call no button.

Range de flat call do button vs. Cutoff: TT-22, AQo-AJo, KQo, AQs-A8s, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-
J9s, T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s, 1 combo de AA, 3 combos de AK = 182
combos
Flop: Qd-Jd-4s
Total de Combos: 161
Raises por Valor: QJs (3), 44 (3), Td-9d, Kd-Td, Ad-9d, Ad-8d = 10
Raises por Blefe: T8s (3), 98s (3), 54s (3), As-9s, As-8s, 7s-5s, 6s-5s = 13
Calls: AA (1), AQ (12), KQ (12), QTs (3), AJ (12), KJs (3), JTs (3), J9s (3), KTs (3), T9s (3), ATs (3),
TT (6), AK (3), Ad-Td, Td-8d, 9d-8d, 9d-7d, 8d-7d, 8d-6d, 7d-6d, 7d-5d, 6d-5d, 5d-4d = 77
Total de Combos Defendidos: 100 (62,1%)

Análise: Como a maioria dos turns melhorará algumas mãos em nosso range (prevenindo que
nosso range se torne capado) e dar free cards é relativamente arriscado, provavelmente é OK
dar raise com todas as nossas mãos fortes. Além disso, mesmo se um combo ou dois de trincas
for jogado de slowplay, isso não evita que nosso oponente seja capaz de overbetar
efetivamente em turns que sejam blanks, já que não teremos muitas mãos fortes em nosso
range.

Range em Posição após flat call no flop: AA (1), AQ (12), KQ (12), QTs (3), AJ (12), KJs (3), JTs
(3), J9s (3), KTs (3), T9s (3), ATs (3), TT (6), AK (3), Ad-Td, Td-8d, 9d-8d, 9d-7d, 8d-7d, 8d-6d, 7d-
6d, 7d-5d, 6d-5d, 5d-4d = 77
Turn: Qd-Jd-4s-6c
Total de Combos: 77
Número Desejado de Combos Defendidos: 77 x 0,6 = 46
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: AA (1), AQ (12), KQ (12), QTs (3), AJ (12), KJs (3), Ad-Td, Td-8d, 9d-8d, 9d-7d, 8d-7d, 8d-
6d, 7d-6d = 50
Total de Combos Defendidos: 50 (64,9%)
Análise: O turn infelizmente é uma blank, e não coloca mãos fortes em nosso range. Enquanto
é fácil pensar que devemos ter feito algo errado na street anterior, é importante se lembrar
que nosso oponente não pode betar o turn (quanto menos overbetar) muito frequentemente
ou ele estará desbalanceado. Então, enquanto enfrentar um bet alto de um oponente
balanceado é indesejável, isto só pode acontecer ocasionalmente ou poderemos explorá-lo
dando call frequentemente.

Ainda é bastante fácil dar call com um range balanceado contra um bet de tamanho normal, e
não precisamos dar call com qualquer mão pronta pior que K-Js (embora dar call com alguns
poucos J mais fracos também pode ser OK). Além do mais, perceba que o turn melhorou a
maioria dos nossos flush draws nos dando um par ou um straight draw.

Range em posição após flat call no flop e no turn: AA (1), AQ (12), KQ (12), QTs (3), AJ (12), KJs
(3), Ad-Td, Td-8d, 9d-8d, 9d-7d, 8d-7d, 8d-6d, 7d-6d = 50
River: Qd-Jd-4s-6c-2s
Total de Combos: 50
Número Desejado de Combos Defendidos: 50 x 0,6 = 30
Raises por Valor: 0
Raises por Blefe: 0
Calls: AA (1), AQ (12), KQ (12), QTs (3), AJ (2) = 30
Total de Combos Defendidos: 30

Análise: Como nosso range é condensado no river e o do nosso oponente é polarizado, não faz
sentido dar raise e devemos defender apenas dando call. Apesar do turn e river serem blanks,
nosso range de call no river inclui poucas mãos mais fracas que K-Q. Na verdade, estamos
dando call só com 2 dos 12 A-J em nosso range.

Esta mão demonstra porque é difícil extrair três streets de valor quando fora de posição com
mãos de força marginal. Se nosso oponente decidir betar 75% do pote no flop, turn e river com
K-Q, ele não conseguirá extrair muito valor em seu bet no river. Mais especificamente, a
fórmula de tamanho de bet no river quase certamente sugeriria que um bet de 75% do pote é
grande demais.

Agora vamos dar uma olhada no jogador que deu raise no cutoff.

Range de Raise do Cutoff: AA-22, AKo-ATo, KQo-KJo, QJo, AKs-A2s, KQs-K6s, QJs-Q7s, JTs-J8s,
T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s-64s, 54s = 314
Flop: Qd-Jd-4s
Total de Combos: 272
Range de Value Bet: AA (6), KK (6), AQ (12), QJ (9) = 33
Range de Bet em Draw: KTs (3), T9s (3), Kd-Td, Kd-9d, Kd-8d, Kd-7d, Kd-6d, Td-9d, Td-8d, 9d-
8d, 9d-7d, 8d-7d, 8d-6d, 7d-6d, 7d-5d, 6d-5d = 20
Range de Blefe: TT (6), 99 (6), AK (15), K9s (3), T8s (3), 98s (3), A4s (3), 64s (3), 54s (3), As-9s-
As-5s (5), As-3s, As-2s = 67
Total de Combos Betados: 120
Porcentagem de Cbet no Flop: 44,1%
Total de Combos com que damos Check: 152
Range de Check-Raise: JJ (3), 44 (3), Ad-7d, Ad-6d, Ad-5d, Ad-3d, Ad-2d, JTs (3), J9s (3), J8s (3),
6s-5s = 21
Range de Check-Call: QQ (3), KQ (12), QTs (3), Q9s (3), Q8s (3), Q7s (3), AJ (12), KJ (12), Ad-Kd,
Ad-Td, Ad-9d, Ad-8d, Ad-4d, 6d-4d, 5d-4d = 58
Porcentagem de Checks Defendidos: 52,0%
EV do Blefe Air do Oponente no Flop: (0,559)[(8)(0,480) – (6)(0,520)] = 0,40 BBs

Análise: Embora muitos jogadores betem K-Q neste flop sem pensar muito, é improvável que
nosso oponente dê call até o showdown com algo pior se betarmos todas as três streets. Isto
porque, neste flop, ranges típicos de call do button possuem K-Q ou melhor 19% do tempo,
então é improvável que ele terá que dar call até o showdown com muitas mãos piores. Além
disso, é importante defendermos adequadamente nossos checks contra oponentes fortes, e
dar check-call nos ajuda a alcançarmos isto.

Já que existem duas cartas altas no flop, é não muito difícil dar check-call agressivamente.
Mãos como Q-10, A-J e K-J são ótimos check-calls, e dando check-call com alguns flush draws
também, seremos capazes de efetivamente blefar o river se nosso oponente der check behind
no turn.

Um dos aspectos mais difíceis desta mão é determinar como dividir nossos flush draws entre
nossos ranges de bet, check-call e check-raise. Eu tentei jogar de check-call flush draws com
valor de showdown que pudessem dar check-call duas vezes, assim como betar flush draws
fracos sem valor de showdown para encorajar nosso oponente a foldar uma mão melhor.

Range fora de posição após betar flop: 120


Turn: Qd-Jd-4s-6c
Total de Combos: 119 (- 6c-4c)
Range de Value Bet: AA (6), KK (6), QJ (6), AQ (10) = 28
Range de Blefe: KTs (3), T9s (3), Kd-Td, Kd-9d, Kd-8d, Kd-7d, Kd-6d, Td-9d, Td-8d, 9d-8d, 9d-7d,
8d-7d, 8d-6d, 7d-6d, 7d-5d, 6d-5d, AK (15) = 35
Total de Combos Betados: 63
Porcentagem de Cbet no Turn: 52,9%
Total de Combos com que damos Check: 56
Range de Check-Raise: 64s (2), QJ (3), AT (5) = 10
Range de Check-Call: TT (6), AQ (2) = 8
Porcentagem de Checks Defendidos: 32,1%

Análise: Neste spot, existe muitos conceitos importantes em jogo. O primeiro, e talvez o mais
importante, é que devemos considerar seriamente overbetar. Muitos straights e flush draws
eram possíveis no flop, então é improvável que nosso oponente jogaria suas mãos fortes de
slowplay. Por causa disto, ele provavelmente não possui range de raise no turn. Além do mais,
nosso range de bet no flop era bem polarizado, então existem poucas mãos (em nosso range)
que prefeririam betar baixo.

Perceba também que a maioria dos nossos blefes possuem uma quantidade considerável de
equidade e com frequência melhorarão no river. Como vários deles provavelmente se tornarão
mãos de valor, somos capazes de blefar um pouco mais agressivamente no turn.

Além disso, perceba que nosso range não inclui mãos de força média que funcionam
particularmente bem como check-calls. Isto encoraja nosso oponente a betar mais baixo já que
não daremos check-call frequentemente e ao contrário geralmente jogaremos de check-fold
ou check-raise. Assim, quando nosso oponente betar baixo, jogar 10-10 ou 9-9 de check-call
pode ser lucrativo já que estamos conseguindo bons odds e ele provavelmente não value
betará pares médios de qualquer forma. E como eu não quero que meu range de check-call
seja muito transparente, minha estratégia é jogar dois combos de A-Q de check-call para
proteger meu range de check-call.

Por fim, entenda que poderíamos ter betado alguns A-J ou Q-9s no flop para que pudéssemos
ter em nosso range algumas mãos que funcionassem bem como check-calls em turns blank.
Em retrospecto, pode ter sido correto betar algumas destas mãos (no flop) por esta razão.
Entretanto, no flop, estas mãos não vão bem quando enfrentando um raise e não temem
particularmente dar free cards, então enquanto betar algumas delas provavelmente seja o
melhor, eu não betaria muitos combos.

Range fora de posição após betar flop e turn: 63


River: Qd-Jd-4s-6c-2s
Total de Combos: 63
Range de Value Bet: AA (6), KK (6), QJ (6), AQ (10) = 28
Range de Blefe: AK (15), KTs (1) = 16
Total de Combos Betados: 44
Porcentagem de Cbet no River: 69,8%
Total de Combos com que damos Check: 19
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: 0
Porcentagem de Checks Defendidos: 0

Análise: Como nosso range é muito polarizado após fazer um bet alto no turn, eu não me
preocuparia em defender nossos checks em um river blank. Geralmente não é um problema se
nosso oponente puder lucrativamente blefar o river com seus missed draws já que seu call no
turn foi tão caro, e mais uma vez não vale a pena nosso tempo tentando balancear tudo
perfeitamente. Ao contrário, eu preferiria betar alto com todas as nossas mãos de valor e
blefar agressivamente.

É também duro dizer se é melhor blefar com A-K já que possui blockers ou se é melhor blefar
com um flush draw que não acertou, por não possuir valor de showdown. Na prática, pode ser
melhor blefar com mãos que possuem menos valor de showdown já que nosso oponente pode
dar call em nosso bet no turn com um draw e não blefar o river. Mas na teoria, penso que é
melhor blefar A-K já que bloqueia alguns A-Q e K-Q, especialmente já que estas mãos formam
a maioria do range de call do nosso oponente.

Mão nº 9: Cutoff vs. Button

Primeiro, vamos examinar o jogador que dá call no button.

Range de flat call do button vs. Cutoff: TT-22, AQo-AJo, KQo, AQs-A8s, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-
J9s, T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s, 1 combo de AA, 3 combos de AK = 182
combos
Flop: 8d-4s-3s
Total de Combos: 167
Número Desejado de Combos Defendidos: 167 x 0,6 = 100
Raises por Valor: AA (1), 44 (3), 33 (3), As-9s, As-Ts, 7s-6s, 7s-5s, 6s-5s = 12
Raises por Blefe: 76s (3), 75s (3), 54s (3), 5s-5x (3), Td-9d, 9d-7d, Jd-9d = 15
Calls: 88 (3), TT-99 (12), 77 (6), As-Qs, As-Js, Ks-Qs, Ks-Js, Ks-Ts, Qs-Js, Qs-Ts, Js-Ts, Js-9s, Ts-9s,
9s-7s, A8s (3), T8s (3), 98s (3), 87s (3), 86s (3), 65s (3), AK (3), AQ (15), KQ (7), As-Jx (3), Ad-Jd,
Ad-Td = 80
Análise: Realmente é incrível o quanto é mais fácil defender em posição que fora de posição.
Esta é uma textura de flop que é extremamente difícil de jogar bem fora de posição, mas em
posição, é bem fácil de dizer quais mãos são calls, raises e folds razoáveis. É também por isto
que quando analisando mãos-exemplo, é melhor começar com o range em posição primeiro,
especialmente para jogadores mais novos.

Perceba que estou enfatizando o call com mãos que manterão mãos dominadas no range do
nosso oponente, e dar raise com mãos que fazem mãos que nos dominam foldarem. Por
exemplo, As-Jx possui algumas boas propriedades de raise por blefe já que ela pode conseguir
top pair ou o nut flush draw no turn, mas dar raise faz nosso oponente foldar A-x e J-x mais
fracos. Por esta razão, dar call provavelmente é melhor, mesmo que dar raise também seja
lucrativo.

Da mesma forma, estou dando raise com mãos como Jd-9d e Td-9d para encorajá-lo a foldar
mãos como A-J e A-10. Isto reduz a frequência com que faremos top pair no turn e
perderemos no kicker. Além disso, estas mãos podem efetivamente lançar um double barrel
quando vier um straight ou flush draw no turn.

Range em posição após flat call no flop: 88 (3), TT-99 (12), 77 (6), As-Qs, As-Js, Ks-Qs, Ks-Js, Ks-
Ts, Qs-Js, Qs-Ts, Js-Ts, Js-9s, Ts-9s, 9s-7s, A8s (3), T8s (3), 98s (3), 87s (3), 86s (3), 65s (3), AK (3),
AQ (15), KQ (7), As-Jx (3), Ad-Jd, Ad-Td = 80
Turn: 8d-4s-3s-Th
Total de Combos: 76 (-3 TT, - T8s)
Número Desejado de Combos Defendidos: 76 x 0,6 = 46
Raises por Valor: 88 (3), T8s (2) = 5
Raises por Blefe: 65s (3), 9s-7s, Js-9s = 5
Calls: TT (3), Ad-Td, A8s (3), 98s (3), 87s (3), 86s (3), 99 (6), 77 (6), As-Qs, As-Js, Ks-Qs, Ks-Js, Ks-
Ts, Qs-Js, Qs-Ts, Js-9s, Ts-9s = 37
Total de Combos Defendidos: 47 (61,8%)

Análise: Não estou certo entre dar call ou raise com 10-10. Dando raise, podemos estar dando
raise frequentemente demais, mas eu também não gosto de dar cartas barato nesta textura de
board. Na prática, contra a maioria dos jogadores, eu provavelmente daria raise,
especialmente já que poucos jogadores overbetariam em rivers blank. Mas eu não estaria
surpreso se, em teoria, dar call fosse a jogada superior.

Range em posição após flat call no flop e turn: : TT (3), Ad-Td, A8s (3), 98s (3), 87s (3), 86s (3),
99 (6), 77 (6), As-Qs, As-Js, Ks-Qs, Ks-Js, Ks-Ts, Qs-Js, Qs-Ts, Js-9s, Ts-9s = 37
River: 8d-4s-3s-Th-Jc

Total de Combos: 37

Número Desejado de Combos Defendidos: 37 x 0,6 = 22

Raises por Valor: TT (3), Js-Ts = 4

Raises por Blefe: 98s (2) = 2

Calls: Ad-Td, As-Js, Ks-Js, Ks-Ts, Qs-Js, Qs-Ts, Js-9s, Ts-9s, 99 (6), A8s (2) = 16

Total de Combos Defendidos: 22


Análise: Este é um turn bastante complicado pois agora só possuímos alguns poucos top pairs.
Assim, temos que dar call com 9-9 ou permitir que nosso oponente lucrativamente blefe com
quaisquer duas cartas. Entretanto, como ele não estará blefando com uma mão mais forte que
9-9 ou value betando uma mão mais fraca, ainda é um bluff catcher.

Também podemos foldar o suficiente aqui para permitir que nosso oponente lucrativamente
blefe com quaisquer duas cartas se achamos que o river é particularmente ruim, mas eu não
acho que este seja o caso. Além disso, ter 10-10 em nosso range ajuda significativamente já
que isto faz com que os overbets do nosso oponente no river sejam menos eficazes.

Agora, vamos dar uma olhada no jogador que deu raise do cutoff.

Range de Raise do Cutoff: AA-22, AKo-ATo, KQo-KJo, QJo, AKs-A2s, KQs-K6s, QJs-Q7s, JTs-J8s,
T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s-64s, 54s = 314
Flop: 8d-4s-3s
Total de Combos: 293
Range de Value Bet: QQ-99 (24), 77 (6), 66 (6), As-8s, Ks-8s, Ts-8s, 9s-8s, 8s-7s, 8s-6s = 42
Range de Bet em Draw: As-5s, Qs-Js-Qs-7s (5), Js-Ts-Js-8s (3), Ks-Qs, 7s-6s, 7s-5s, 65s (3) = 15
Range de Blefe: A5s (3), A2s (3), 75s (3), 76s (3), AK (15), KQ (7), As-Tx (3), QJ (7), Ad-Td, Ad-9d,
Ad-7d, Ad-6d, Kd-Jd, Kd-Td, Kd-9d, Kd-6d, Jd-Td, Td-9d, 9d-7d = 55
Total de Combos Betados: 112
Porcentagem de Cbet no Flop: 38,2%
Total de Combos com que damos Check: 181
Range de Check-Raise: AA (3), KK (6), 88 (3), 44 (3), 33 (3), As-9s, As-2s, 6s-5s, Kd-Jx (3), AJ (7),
Qd-Td, Qd-9d, Jd-9d, 5s-5x (3), A4s (3), 64s (3), 54s (3), A3s (3) = 49
Range de Check-Call: AA (3), AQ (15), A8s (2), K8s (2), Q8s (2), J8s (2), T8s (2), 98s (2), 87s (2),
86s (2), As-Ks, As-Qs, As-Js, As-Ts = 38
Porcentagem de Checks Defendidos: 48,1%
EV do Blefe Air do Oponente no Flop: (0,618)[(8)(0,519) – (6)(0,481)] = 0,78 BBs

Análise: É complicado desenvolver ranges para este spot já que o range de raise do cutoff é
tão amplo e este flop é difícil de se jogar fora de posição. Embora tanto o range de raise do
cutoff quanto o range de flat call do button tenham cerca de 50% de equidade e incluam
muitas mãos fortes e fracas, e como a posição é tão valiosa nesta textura de board, faz sentido
presumir que o button está em uma posição mais favorável.

Também é importante se lembrar que se não defendermos checks suficientes neste flop,
nosso oponente quase sempre betará. Assim como não gostamos de dar free cards a muitas
mãos de seu range, ele não gosta de dar free cards ao nosso range de check-fold. Enquanto
muitos jogadores nesta textura de flop prefiram betar imprudentemente e raramente dar
check-call, esta claramente é uma estratégia fraca contra um oponente forte. E como eu
espero que nosso oponente bete frequentemente, minha estratégia é dar check-raise com
todas as trincas assim como com alguns overpairs.

Além disso, minha estratégia incluir betar nossos pares com flush draw já que quero ser capaz
de dar check-call com estas mãos no turn. Sem elas, provavelmente seria difícil ter flush draws
em nosso range de check-call no turn. Além disso, estas mãos vão bem quando enfrentando
um raise no flop, já que elas funcionam bem tanto como calls quanto como 3-bets.

Quando betando uma mão como 7-7 ou 6-6, estamos esperando que nosso oponente folde,
apesar de geralmente estarmos à frente quando recebermos o call. A razão para betar estas
mãos é fazer mãos com alta equidade foldarem, e se nosso oponente der call, elas podem ser
jogadas de check-call em muitos turns.

Por fim, perceba que embora a mão mais forte em nosso range de bet no flop seja Q-Q, se o
turn for uma blank, Q-Q efetivamente será o nuts. É improvável que nosso oponente faça
slowplay neste flop, então se ele der call, podemos estar confiantes de que muitas das nossas
mãos serão a melhor mão em muitos turns.

Range fora de posição após betar flop: 112


Turn: 8d-4s-3s-Th
Total de Combos: 108 (- AT, - 3 TT)
Range de Value Bet: QQ-JJ (12), As-Tx (2), Ad-Td, Kd-Td, Jd-Td, Td-9d, Qs-Ts, Js-Ts, 99 (6) = 26
Range de Blefe: Qs-Js, Q9s, Qs-7s, Js-9s, Js-8s, Ks-Qs, 7s-5s, 7s-6s, As-5s, 65s (3), 9d-7d, Jd-9d,
QJ (7), AK (4) = 25
Total de Combos Betados: 51
Porcentagem de Cbet no Turn: 47,2%
Total de Combos com que damos Check: 57
Range de Check-Raise: TT (3), AK (3) = 6
Range de Check-Call: 77 (6), 66 (6), As-8s, Ks-8s, Ts-8s, 9s-8s, 8s-7s, 8s-6s, AK (8) = 26

Análise: Este é um grande exemplo de um spot onde utilizar múltiplos tamanhos de bet é
importante. Nosso oponente raramente está vencendo Q-Q ou J-J, então fazer um bet alto
com estas mãos será uma jogada forte. Em contraste, um bet alto com uma mão como 9-9 não
será eficiente já que estaremos perdendo com uma maior frequência.

Além disso, eu não gosto de dar check-call com mãos muito forte neste board pois ele é muito
molhado. Claro, nosso oponente pode overbetar all-in quando river vier uma completa blank
se ele souber que não estamos fortes, mas o river não será uma blank com tanta frequência e
dar uma free card é arriscado.

Além do mais, não deve ser surpreendente que somos capazes de confortavelmente defender
nossos checks no turn já que nosso range de bet no flop não era especialmente polarizado. Em
outras palavras, betamos mãos como 7-7 e 6-6 no flop sabendo que elas provavelmente
seriam jogadas de check-call no turn. Isto foi feito pois é desejável fazer mãos de alta equidade
foldar, e nosso oponente quase sempre possui duas overcards contra nosso 6-6.

Por fim, perceba que eu coloquei A-K em três diferentes ranges. Faz sentido betá-lo como um
blefe, dar check-call com ele por seu valor de showdown e redraw, e dar check-raise por blefe
com ele. Se sempre utilizássemos a mesma linha com esta mão, seria muito fácil para nosso
oponente nos explorar já que teríamos tantas combinações dela em nosso range.

Range fora de posição após betar flop e turn: 51

River: 8d-4s-3s-Th, Jc

Total de Combos: 47 (-3 JJ, -Qs-Jc)

Range de Value Bet: QQ (6), JJ (3), QJ (6), Qs-9s, 9d-7d, As-Js, Ks-Js, Qs-Js, Js-Ts, Js-8s, Jd-9d, Ks-
Ts, Ad-Td, As-Tx (2) = 27

Range de Blefe: AK (4), Ks-Qs, Qs-7s, 7s-6s, 7s-5s, As-5s, 65s (3) = 12

Total de Combos Betados: 39


Porcentagem de Cbet no River: 83,0%

Total de Combos com que damos Check: 8

Range de Check-Raise: 0

Range de Check-Call: Qs-Ts, 99 (4) = 5

Porcentagem de Checks Defendidos: 62,5%

Análise: Este river melhorou muitas mãos em nosso range, especialmente já que betamos 8
combinações de Q-J no turn. Assim, é fácil betar agressivamente o river. Entretanto, no river,
nosso oponente deve possuir algumas mãos muito fortes em seu range, que podem dar raise
em nosso bet, então espere às vezes enfrentar um raise, especialmente quando betando mais
baixo.

Claro que faz sentido betar o river agressivamente quando conseguimos um excelente river
para o nosso range. Embora seja incomum betar o river 80% do tempo, provavelmente isso é
justificável aqui já que nosso range inclui tantos top pairs.

Mão nº 10: Cutoff vs. Button

Range de flat call do button vs. Cutoff: TT-22, AQo-AJo, KQo, AQs-A8s, KQs-KTs, QJs-QTs, JTs-
J9s, T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s, 54s, 1 combo de AA, 3 combos de AK = 182
combos
Flop: Kc-9d-6h
Total de Combos: 161
Número Desejado de Combos Defendidos: 161 x 0,6 = 97
Raises por Valor: 99 (3), 66 (3) = 6
Raises por Blefe: 75s (4), T8s (4), A8s (3) = 11
Calls: AA (1), AK (2), KQ (12), KJs (3), KTs (3), TT (6), A9s (3), J9s (3), T9s (3), 98s (3), 97s (3), QJs
(4), QTs (4), JTs (4), 87s (4), 88 (6), 86s (3), 76s (3), 65s (3), AQs (3), AJs (3), ATs (3) = 82
Total de Combos Defendidos: 99 (61,5%)

Análise: Este uma quantidade surpreendente de possíveis straight draws neste board, e por
esta razão eu prefiro dar raise com nossas trincas. Mas é close, e dar call com algumas trincas
provavelmente é OK também. Em teoria, a expectativa de dar raise e dar call provavelmente é
a mesma. Mas se sempre ou nunca dermos raise com nossas trincas, nosso oponente
provavelmente pode nos explorar. Mesmo assim, como sempre, não vale a pena se incomodar
com detalhes quando analisando uma textura de board.

É complicado de dizer se A-A ou A-K devem ser jogados de raise. A-A são bem fortes, mas eu
não gosto de seu efeito de remoção já que bloqueia metade das combinações de A-K do nosso
oponente. Além disso, como nosso oponente não precisará dar call até o showdown com
nenhuma mão pior que A-K, eu preferiria dar call com ela apesar do fato de que seus blefes às
vezes se tornarão a melhor mão.

Perceba também que esta textura de board é um pouco mais complicada de defender que
parece a princípio, principalmente porque flops K-high não acertam nosso range tão bem
quanto flops A-high, Q-high ou J-high. Se acreditamos que nosso range de call pré-flop não
está fazendo mãos fortes o suficiente em flops K-high, então provavelmente nosso range
devesse incluir K-Jo ou mais A-K. Como discutido anteriormente, a teoria é útil para determinar
se ranges pré-flop devem estar errados, mas não existe forma de determinar se um range é
ótimo. Então sempre pense nas streets anteriores quando analisando mãos e tente decidir se
existe uma forma de melhorar um range anterior.

Range de defesa em posição após flat call no flop: AA (1), AK (2), KQ (12), KJs (3), KTs (3), TT
(6), A9s (3), J9s (3), T9s (3), 98s (3), 97s (3), QJs (4), QTs (4), JTs (4), 87s (4), 88 (6), 86s (3), 76s
(3), 65s (3), AQs (3), AJs (3), ATs (3) = 82
Turn: Kc-9d-6h-5s
Total de Combos: 81 (-6s-5s)
Número Desejado de Combos Defendidos: 81 x 0,6 = 49
Raises por Valor: 65s (2) = 2
Raises por Blefe: 86s (2) = 2
Calls: 87s (4), AA (1), AK (2), KQ (12), KJs (3), KTs (3), TT (6), A9s (3), J9s (3), T9s (3), 98s (3), 97s
(3) = 46
Total de Combos Defendidos: 50 (61,8%)

Análise: Escolhi dar call com 8-7s ao invés de dar raise pois não existem flush draws possíveis,
e nosso oponente frequentemente estará drawing dead contra o nuts. Podemos perder algum
valor fazendo slowplay se ele ficar assustado no river, mas eu prefiro dar call e encorajá-lo a
continuar blefando. Além disso, dar call com o nuts irá prevenir que ele seja capaz de
overbetar efetivamente em certos rivers.

Dar raise ou não com 6-5s é um pouco mais complicado, e enquanto não tenho certeza, em
minha opinião é um raise. Isto porque quero extrair valor dos A-A, A-K e K-Q do meu
oponente, e não gosto de permitir que ele veja uma carta adicional de forma barata. Além do
mais, nossa mão bloqueia a maioria das trincas de 6 e 5 possíveis (no caso destas mãos
estarem no range dele), e ele pode não betar K-K ou 9-9 no flop. Então se estamos perdendo
no turn, frequentemente será para o straight, e ele não deve tê-lo frequentemente o
suficiente para justificar o call ao invés do raise.

Além disso, tenha em mente que só porque estou dando “raise por valor” isto não significa
necessariamente que conseguir ação seja o melhor. No turn, estou bem feliz em ganhar o pote
imediatamente, e certamente não quero encarar um 3-bet de alguém cujo range quase
certamente incluirá apenas trincas, straights e blefes.

Range em posição após flat call no flop e turn: 87s (4), AA (1), AK (2), KQ (12), KJs (3), KTs (3),
TT (6), A9s (3), J9s (3), T9s (3), 98s (3), 97s (3) = 46
River: Kc-9d-6h-5s-3c
Total de Combos: 46
Número Desejado de Combos Defendidos: 46 x 0,6 = 28
Raises por Valor: 87s (4) = 4
Raises por Blefe: 98s (2) = 2
Calls: AA (1), AK (2), KQ (12), KJs (3), KTs (3), TT (1) = 22
Total de Combos Defendidos: 28

Análise: O river é uma blank, mas felizmente, como demos apenas call com nossos straights no
turn, nosso range não está capado. Isto nos permite dar raise agressivamente no river assim
como força nosso oponente a betar mais baixo.

Apesar do river vir um blank e não melhorando mãos em nosso range, quase toda mão em
nosso range de call ainda é top pair ou melhor. Se o turn ou river tivesse melhorado mais mãos
em nosso range, então nem seria necessário dar call com todos os nossos top pairs.
Agora vamos dar uma olhada no jogador que deu raise do cutoff.

Range de Raise do Cutoff: AA-22, AKo-ATo, KQo-KJo, QJo, AKs-A2s, KQs-K6s, QJs-Q7s, JTs-J8s,
T9s-T8s, 98s-97s, 87s-86s, 76s-75s, 65s-64s, 54s = 314
Flop: Kc-9d-6h
Total de Combos: 275
Range de Value Bet: AA (6), AK (12), K9s (2), KQ (12), TT (6), A9s (3), Q9s (3) = 44
Range de Bet em Draw: 87s (4) = 4
Range de Blefe: QJ (16), QTs (4), JTs (4), T8s (4), 75s (4), Q8s (3), Q7s (3), J8s (3), A8s (3), A7s
(3), A5s (3), A4s (3), A3s (3), A2s (3), AQ (8) = 67
Total de Combos Betados: 115
Porcentagem de Cbet no Flop: 41,8%
Total de Combos com que damos Check: 160
Range de Check-Raise: 99 (3), 66 (3), 86s (3), 76s (3), 65s (3), 64s (3) = 18
Range de Check-Call: KK (3), QQ-JJ (12), 88-77 (12), KJ (12), KTs (3), K8s-K6s (9), J9s (3), T9s (3),
98s (3), 97s (3), AQ (8), AJs (3), ATs (3) = 77
Porcentagem de Checks Defendidos: 59,4%
EV do Blefe Air do Oponente no Flop: (0,582)[(8)(0,406) – (6)(0,594)] = - 0,184 BBs

Análise: Eu escolhi betar K-Q pois é improvável que o button tenha dado call com A-K pré-flop.
Enquanto esta mão é forte o suficiente para betar, provavelmente não é forte o suficiente para
betar 75% do pote em todas as três streets, então precisaremos dar check em algum ponto da
mão ou betar mais baixo.

Como estou defendendo 59,7% dos nossos checks no flop, nosso oponente não pode gerar um
lucro imediato betando. É possível que algumas mãos com as quais eu decidi dar check-call,
como A-Q ou 7-7, tenham uma expectativa negativa, mas eu acho que elas são ligeiramente
lucrativos. Entretanto, isto não é algo que possa ser provado e estas mãos são sem sombra de
dúvida complicadas de se jogar, então faça seu melhor palpite quando construindo ranges.
Novos jogadores, especialmente, devem enfatizar jogar mais tight em spots que sejam close.

Range fora de posição após betar flop: 115


Turn: Kc-9d-6h-5s
Total de Combos: 114 (- 7s-5s)
Range de Value Bet: AA (6), AK (12), K9s (2), KQ (6) = 26
Range de Blefe: A7s (3), Q7s (3), QJ (16), 75s (4) = 26
Total de Combos Betados: 52
Porcentagem de Cbet no Turn: 45,6%
Total de Combos com que damos Check: 62
Range de Check-Raise: 87s (4), QTs (4) = 8
Range de Check-Call: A9s (3), Q9s (3), TT (6), KQ (6) = 18
Porcentagem de Checks Defendidos: 41,9%

Análise: Tudo parece bem normal no turn. Não estamos betando especialmente
agressivamente, mas não é difícil defender uma larga porção dos nossos checks no turn, e isto
previne que nosso oponente seja capaz de lucrativamente nos dar call com mãos fracas no
flop.

Como não betamos todos os nossos K-Q, eu provavelmente deveria ter blefado um pouco
menos agressivamente no flop. Mãos como A-4s e A-3s talvez tivessem que ser jogadas de
check-fold, já que um range de bet mais tight no flop nos permite betar o turn em uma maior
frequência. Além disso, dar check-fold com mais algumas mãos no flop não parece
problemático pois já estamos defendendo muitos de nossos checks.

Range de posição após betar flop e turn: 52


River: Kc-9d-6h-5s-3c
Total de Combos: 52
Range de Value Bet: AA (6), AK (12), K9s (2), KQ (6) = 26
Range de Blefe: QJ (10) = 10
Total de Combos Betados: 36
Porcentagem de Cbet no River: 69,2%
Total de Combos com que damos Check: 0
Range de Check-Raise: 0
Range de Check-Call: 0
Porcentagem de Checks Defendidos: 0

Análise: O river é uma blank, então nosso range continua polarizado enquanto o range do
nosso oponente é condensado. Eu espero que ele dê check behind no river em uma alta
frequência já que seu range consiste em sua maioria de mãos prontas de força média. Por
causa disto, eu não acho que devemos nos preocupar em defender nenhum de nossos checks,
e ao contrário deveríamos continuar value betando com todas as nossas mãos fortes e a
quantidade apropriada de blefes.

17. CONCLUSÃO

Com o estado atual do poker online, às vezes é fácil ficar frustrado e se lembrar dos “anos de
glória” que ocorreram quando o poker online era novo. Os jogadores com frequência se
lamentam pensando sobre quanto dinheiro eles conseguiam fazer se eles tivessem uma
máquina do tempo que pudesse levá-los de volta no tempo, quando os jogos eram muito mais
fáceis. E enquanto o futuro do poker é indeterminado, uma coisa que é certa é que os
jogadores dedicados continuarão melhorando à medida que a informação se torna mais
disponível e eles continuam a trabalhar em seu jogo.

Entretanto, enquanto é verdadeiro que os jogos eram muito mais fáceis no passado, os
jogadores frequentemente exageram no atual nível de habilidade de seus oponentes e se
recusam a reconhecer seus próprios numerosos leaks. Então aqueles que se importa em
vencer devem colocar o trabalho necessário para continuar à frente da curva de aprendizado
ou então eles devem esperar ganhar menos dinheiro e ter que descer nos stakes.

Eu espero que este livro tenha sido bem-sucedido em melhorar seu entendimento da teoria do
poker e te dado as ferramentas necessárias para melhorar seu jogo. Além do mais, eu espero
que todas as vezes que um leak for encontrado ou um conceito que você havia entendido
errado, que você fique um pouco excitado. Cada um destes é uma oportunidade de melhorar
seu win rate, e enquanto consertar alguns leaks pode ser difícil, espero que você aprecie o
processo de melhorar e aumentar seu entendimento de poker. Afinal, se o poker não incluísse
conceitos difíceis, então os edges seriam mais difíceis de se encontrar e o jogo não seria tão
divertido.

Neste momento, existem muitos edges significativos esperando para serem desenvolvidos por
jogadores talentosos e dedicados. Aqui está um curta lista de erros que eu acredito que a
maioria dos jogadores está atualmente cometendo:
1. Não 3-betar e dar call agressivamente o suficientre contra raises do button. Da
mesma forma, poucos jogadores percebem o quão agressivamente eles
devem defender quando eles dão raise com um range muito amplo do button
e enfrentam um 3-bet.
2. Usar um tamanho de bet genérico em spots quando bets baixos ou altos são
mais eficazes. Enquanto balancear ranges múltiplos é difícil, geralmente não é
muito difícil identificar spots onde overbets são a melhor jogada, e o EV
aumentado de fazer um bet alto pode ser significativo. A maioria dos
jogadores nem se preocupam em pensar sobre seu tamanho de bet antes de
betar, e este leak se tornará mais significativo à medida que os jogadores
continuam a melhorar.
3. Não entender o quanto as frequências e proporções mudam baseadas na
street. É possível blefar mais agressivamente no flop que no river já que ainda
existem duas streets restantes, e poucos jogadores estão atualmente dando
raise por blefe agressivamente o suficiente quando em posição.
4. Betar imprudentemente como o jogador que deu raise pré-flop e não
defender adequadamente seu range de check. Balancear múltiplos ranges é
difícil, mas é crucial defender checks contra jogadores habilidosos. Apesar da
iniciativa não possuir valor teórico, os jogadores frequentemente escolhem
betar sem pensar quando fora de posição simplesmente porque eles não
colocaram o esforço necessário para aprender como proteger seu range de
check.
5. Poucos jogadores entendem de verdade porque nem toda a equidade é criada
de forma igual e porque a equidade não pode ser convertida em valor
esperado. Isto geralmente causa o desenvolvimento de muitos pequenos leaks
em praticamente cada aspecto de seu jogo.

Além disso, os jogadores frequentemente se preocupam quando boa informação se torna


disponível, como se aquela informação fosse imediatamente absorvida e nenhum jogador
cometesse mais erros. Mas simplesmente entender um conceito quando ele é explicado não é
o suficiente, já que você deve ser capaz de aplicá-lo rapidamente enquanto jogando. E como
todo o resto na vida, isto leva trabalho, prática e talento.

Continuando com esta ideia, pense no quão tolo este processo de pensamento seria quando
sendo aplicado a qualquer outro assunto ou jogo com informação disponível livremente. Todos
em um sala de aula de faculdade geralmente tem acesso a toda a informação necessário para
ir bem no curso (tanto lendo os livros quanto tomando notas durante as aulas), mas ainda
assim os melhores geralmente são aqueles que colocam o maior esforço. Simplesmente ter
acesso à informação não é o suficiente.

Além do mais, eu recomendaria que não tentasse implementar conceitos demais de uma só
vez. Não existe pílula mágica, e todos os leaks levam tempo para serem consertados. Isto é,
tentar consertar muitos ao mesmo tempo pode fazer com que seu jogo desabe, então é
melhor focar em um ou dois leaks e metodicamente tentar consertá-los antes de seguir em
frente para os outros. E enquanto medidas drásticas às vezes são necessárias para consertar
conceitos que antes foram entendidos errados, geralmente é fácil continuar a melhorar e
ajustar seu jogo ao invés de completamente reconstruí-lo do zero.

Por fim, eu gostaria de agradecê-lo por lê Aplicações do No Limit Hold’em: Um Guia para
Entender o Poker Teoricamente Correto, e te desejo sorte. Espero que este livro tenha te
deixado excitado não apenas a respeito do poker, mas também sobre como aplicar
matemática e teoria pode ser útil para jogar luz em situações complexas mesmo que uma
solução não possa ser encontrada. Então sempre se lembre de procurar por contradições em
seu processo de pensamento, e fique excitado quando descobrir uma, pois isso significa que
você encontrou uma oportunidade de melhorar.