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e há poucos sinais de que essas pressões diminuam na década de SO. Para os
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n;1!t11i Estados Unidos, a proximidade do México e da América Central e a limitada 0 CRESCI M ENTO URBANO
i capacidade desses países de forn,:ccr emprego produtivo para os J ºY<;.ns colo- E A ESTRUTURA SOCIAL URBANA
:!
·,, cam um desafio especial. Esses países são responsáveis por quase dez milhões NA AMÉRI CA LATI NA, 1930-1990
do aumento de 29 milhões da população jovem da América Latina projetado
para o período entre l 9SO e 2000. A melhoria dos transportes e elas comuni-
cações contribuiu para a inter nacionalização do mercado de t ra balho da
região. Medir e controlar esses fluxos é difícil (portanto, caro), ap(sar do cres-
cente sentimento nacional cm algumas áreas receptoras de que devem prote-
ESTE CAPÍTULO ANALISA as mudanças na estrutura social urbana e,
1 ger seus próprios conterrâneos da necessidade de competir por empregos
1,
de modo especial, aquelas na estrutura ocupacional, ocorridas na América
com migrantes que estão dispostos a aceita r salários mais baixos e piores con-
Latina da década de 30 à de 80, as quais resultaram da conjugação de três pro-
dições de trabalho que lhes parecem melhores do que não ter emprego no
cessos: a grande urbanização, a industrialização em seus diferentes estágios e
lugar de origem. Por causa da m igração internacional, a pressão demográfica
a progressiva importância, uas economias latino-americanas, do setor de ser-
e os problemas que ela gera têm crescentemente um alcance mais regional que
viços, ta nto dos tradicionais quanto dos modernos associados à expa nsáo da
nacional, o qu e significa que mesmo aqueles países que ..prese11 ta ra m um
bu rocra cia do governo e às p rá ticas empresa riais do século XX ( técn icos,
crescimento mais lento no pós-guerra estão propensos a participd r, nos pró-
financeiros e administrativos). Nos países desenvolvidos, os processos seme-
ximos anos, das conseq üências do grande crescimento experimentado por
seus vizinhos. lhantes produziram u ma convergência das estruturas sociais: a expa nsão das
classes médias, a consolidação de u ma classe t ra bal hadora i nd ust rial e a
melhoria do bem-estar geral da população. No caso da América La ti na, houve
uma m aior heterogeneidade nos padrões de estratificação. Sua dependência
d,1 tecnologia estrangeira e, cm grau crescente, de fina ncia mentos externos,
aliada ao papel que a região desempenhava na economia m undial como for-
necedora de produtos primários e, por ta nto, de base rura l, resul tou n u ma
modernização irregular, tanto entre os países quanto entre regiões do mesmo
país. Este capítulo pretende ressaltar essas diferenças e a necessidade de con-
ceder a tenção à situação específica de cada país.
No tocante à estratificação social, havia na América Lati na u ma relação
contraditória entre o crescimento urbano, o desenvolvimento econômico e a
moder nização. As cidades multiplicavam-se e concentravam os recu rsos eco-
nômicos. O crescimento industrial estimulava a elevação dos níveis de educa-
ção, a proletarização da força de trabalho e também a expansão dos setores de
trabalhadores não-manuais. Por outro lado, esse mesmo crescimento u rba no
'"
o trazia consigo uma acentuada polarização da estrutura social, tanto em termos
< de renda quanto no tocante às condições de trabalho, como o mostra a persis-
o
' u" tência de formas não-assalariadas de trabalho (trabalhadores por conta própria
o
e mem bros da família não-remunerados) e uma distribuição de renda forte-
mente distorcida. No final do século XX, tal como havia ocorrido no começo do
300 301
século, as cidades latino-americanas eram cenários de extrema desigualdade de que essas indústrias necissitavam era cara e muitas vezes só se podia obtê-
social. A opulência coexistia com a pobreza de enormes setores da população. la por meio da asociação com empresas estrangeiras. Essa nova etapa da
As mudanças socioeconómicas e políticas ocorridas na região ri'iodifica- industrialização usava mais capital do que trabalho, acarretando u niões com
ram radicalmente a estratificação social urbana. Alguns atores sociais - como, empresas multinacionais. Esse deslocamento de ênfase foi produzido, cm
por exemplo, os profissionais e os artesãos -perderam importância. Outros se parte, pelas mudanças ocorridas na organização da economia mundial, pelas
tornaram mais fortes, como, por exemplo, os trabalhadores da indústria e do quais as companhias multinacionais até então integra4s fragmentaram os
setor de serviços. Novos atores apareceram cm cena, como a classe média mercad os nacionais e buscaram novos mercados-para seus produtos nos paí-
assalariada dependente do Estado e da empresa privada. Com essas mudan- - ses em desenvolvimento.
ças, as base:; para a formação d as identidades coletivas alterara m-se, assim Finalmente, no período que decorre entre a década de 70 e a de 90, as eco-
como as raízes sociais da política urbana. nomias latino-americanas tornaram-se sumamente dependentes dos finan-
Para captar a heterogeneidade dessas mudanças na América Latina, usa- ciamentos externos, apoiando-se cada vez mais nos serviços modernos para a
mos principalmente dados de seis países: Argentina, J3rasil, Colômbia, Chile, geração de emprego e de receita, e voltaram-se pa ra a produção de bens
México e Peru, os quais constituíam, em 1980, 85 por cento da população lati- industriais para exportação. Além disso, a década de 80 foram anos de crise
no-americana. Para ressaltar o contraste entre os modelos de u rbanização, económica para a América Latina, que resultaram numa abrupta interru pção
exa minaremos a diferença entre sua classe média e sua classe trabalhadora, da modernização de determinados setores das economias urbanas. A crise
mostraremos as mudanças ocorridas no papel das mulheres no mercado de teve conseqüências negativas para a renda per capita e para o emprego. Estas,
trabalho e analisaremos as impli cações desses processos na mobilidade e na junto com uma taxa elevada de inflação e a inadequada prestação de serviços
desigualdade sociais. sociais, contribuíram para uma acentuada deterioração do padrão de vida da o
Com o objetivo de destacar as transformações ocorridas na organização popula,;ão da região. A crise tomou uma forma urbana. A suspensão de sub-
u rbana entr,! 1930 e 1990, dividi mos as tendências cm três eta pas, ,mbora, na sídios u rbanos de v,írias espécies e a redução generalizada dos gastos públicos
verdade, est e tenha sido um período de mudanças relativamente contín uas. acarretaram a deterioração da infra-est rut u ra e dos serviços u rba nos e
Além disso, as três etapas se superpõem, e os países da América La tina se dife- aumen taram os problemas ambientais. Além disso, os problemas sociais tor-
renciam na cronologia das etapa:; e no grau com que foram afetados pelas ten- naram-se mais evidentes. Na década de 80, mu itas cidades da América La t i na
dências dominantes do período. A primeira etapa, que começou 11a década de e;·am lugares de grande inquietação, com alto índice de violência urbana, fre-
30 e chegou a seu término no inicio dos anos 60, foi a fase da expa nsão e con- q'.lentcs protestos contra a alta dos preços e muitos atos de pilhagem. Era visí-
solidação dos centros ind ustria is. Nesse período, houve uma fo r te onda de vd a exclusão social e econômica -dos mendigos aos vendedores a mbulantes.
crescimento industrial com base na substituição das importações de produtos Fora dessas conseqüências imediatas, a crise acentuou o relativo fracasso da
básicos de consumo: têxteis, al imentos e bebidas, sapatos. O c rescimento mobilidade social, tão evidente nas décadas de 60 e 70, baseada cm melhorias
urbano alcançou níveis elevados e a migração do campo para a zona urba na do consumo e do estilo de vida resultantes do crescimento econômico, e ele-
foi intensa. As atividades indus1 riais, que se a mpliaram, faziam uso intensivo vado índice de mobilidade ocupacional dos empregos agrícolas aos náo-agrí-
da força de trabalho. colas e dos trabalhos manuais aos não-manuais 1 . o
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A segunda etapa começou no final da década de 50 e caracterizou-se por "'
uma acentuada internacionalização das economias urbanas e pe>r urna nova "'
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fase de industrialização (bem como pela modernização da agricult ura e estag- zw
J. CL J, DURSTON, "Transición cst ructurat, movilidad ocu pacional y crisis social cn América :,.
nação do setor camponês). O período de substituição das importações dos ü
La tina, 1960-1983", Docu mento de Trabajo, LC/R.547. Reproduzido cm Ccpal, w
produtos básicos de consumo começou a esgotar-se, e os investimentos con- "u'
centraram-se nas indústrias de bens intermediários e de capital. .\ tecnologia 1úmsformación ocupacional y crisis social cn América Latim1 , Santiago de C.hilc, 1 989. o
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302 303
,' O CRESCIMENTO UR BANO 1) 2 • Em 1940, apenas 37,7 por cento da população dos seis países que esta-
li,' mos ana lisando viviam cm zonas urbanas, e muitas destas eram pouco mais
j!
1: Em 1930, a América Latina continuava sendo uma região predominante- que vilas que serviam de centros administ rativos de uma zona rura l. Em
,!1, mente rural, tanto em termos do local de residência d e sua população quan- contraste, esse número aumentou para 69,4 por cento em 1980. Em 1940, a
to no que se refere à atividade econômica. As grandes cidades, com poucas eGtrutura urbana estava extremamente polarizada: 2.s cidades de peq ueno e
l exceções, dependiam de seus vínculos com o setor agrícola. Algumas delas, médio porte concentravam 53,5 por cento da populaç urbana, ao passo
1

como, por exemplo, Buenos Aires, São Paulo ou Mcdellín, prosperavam gra- que nos centros metropolitanos viviam apenas 35 por cento. Em 1980, a dis-
ças às atividades de comércio e de transporte associadas às exportações de tribuição da população urbana se havia diversificado: embora a concent ra-
produtos da agricultura. Outras eram, principalmente, centros administrati- ção met ropolitana persistisse, o peso relativo das cidades médias aumentou
vos e comerciais regionais onde os proprietários rurais tinham suas residên- em detrimento das pequenas, e o sistema urbano da América Latina conti-
cias principais e cujas atividades econômicas estavam ligadas, especialmente, nuou fortemente desequilibrado 3•
à economia e à população ru rais. As diferenças nacionais nos sistemas urba- Dur;rnte todo o período, o crescimento das cidades pequenas ( cf. Tabela
nos eram enormes, visto que os países diferiam consideravelmente em á rea, 5.1) foi menor do que o das médias e grandes e pouco diferente da taxa global
cm população e no nível de desenvolvimento econômico. Essa!: d iferenças, de crescimento demográ fico, sugerindo que grande par te da m igração do
aliadas à natu reza do comércio externo dos países, já haviam produzido for- ca mpo para a cidade evitou os lugares urbanos menores e dirigiu-se direta-
tes contrastes entre, por exempl u, Buenos Aires ou São Paulo, açodadas com mente para as grandes cidades. Aquelas que, nos meados da década de 80,
os migrantes europeus e a riqueza produzida pela economia de exportação, eram classificadas como cen t ros metropolitanos cresceram enormemente
Lima ou Cidade do México, cuja fase de gra nde crescimento populacional entre 19,1 0 e 1980. Até a década 1970-1980, sua taxa de crescimento foi mais
estava apenas começando e seria baseado na migração interna, e as capitais alta do que a da população urbana. No final da década de 80, porém, houve
muito menores da América Cen t ral, todas elas num patamar aba ixo dos cem uma red ução da primazia urbana nesses paíscs 4 . <
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mil habitantes cm 1930. .::'.;
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Nas décadas de 30 e 40, tiveram início na região as mudanças fondamcn- u
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tais na distribuição espacial da população. Graças à exportação de matérias- ---·------------------------------ >.
2. A conccntraçào populacional nas metrópoles atingiu seu ponto alto no con1c,·o d,1 Jécada <
primas e à importação de produtos manufaturados, a América L1tina conti- <
z
de 511, chegando a 40,6 por cen to da populaç,1o u rba na cm 1 950, a 39,5 por cen to cm 1 960
nuava vinculada à economia m undial, conquanto, agora, de fo rma menos <
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e ;1 .i9A por cento cm 1970. "'
firme. A depressão de 1929 e a Segunda Guerra Mu ndial estimular:1111 a ind us-
3. Scg1111do os números apresentados pela ONU para os diversos países latino-ame ricanos, a migração
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trialização para substituiçã o de importações. Junto com a modernização da <
interna e a reclassificação dos distritos de rurais para urb;111os contri buiu lom algo cnt1c
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.. .
agricultura, essa industrialização deu origem a grande urbanizaçã o, por força :,
da migração do campo para a cidade, que começou, em maior esca la, na déca- trinta e cinqüenta por cento para J cxp.w!)ào urba11.1 110 período de 1 950 ,l 1 975: Unit,,d
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da de 40. Nations, l'attcrns of Ur///111 and Rural Por,11!11tio11 Growth, Ncw York, 1980, Tablc 11. f:: "<'
A expansão urbana da América Latina foi maior <lo que a d o mu ndo pos.ívcl que a reclassificação dC' distritos de rurais para urbanos potH.:o tenha contri buído "o'
z
parn a expansão nas 1.onas urban ts definidas pelos censos nacionais, porque css,1 ddiniç:10 <
industrial ad ia ntad o cm seu período compa rável de crescimento. Por exem- "':",'
plo, no século XIX, a Inglaterra passou por um período de "explosão" urba- de u r bano inclui requisitos adrr.i nistrativos, e não simplesmente o tamanho da população. o
....
4. Cf. 11LE)ANDRO PORTES, "Latin Arncrican Urbanization During thc Yca rs of thc Crisis", L,1ti11 z
na. Mesmo assim, cm nenhuma década desse século, a taxa de e rescimento ";;:'
urbano passou de 2,5 por cento, ao passo que, na América Latina, ela alcan- Amcrican Research Revicw, 24(3): 7-49, 1989. A primazia urbana é medida, usual mente, pelo
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çou quase o dobro desse número durante todo o período de 1940--1960, che- quociente da divisão entre a população da maior cidade de u m sistema urbano pela segun-
<
da maior ou pelas duas maiores seguintes. Os sistemas urbanos têm alta primazi.1
"uo"''
gando a seus maiores níveis na década de 50 (4,6 por cento) (cf. Apêndice
304 --------------·-- ···----- 305
TABELA 5. 1 / DISTRIBUIÇAO DA POPULAÇAO E SEU CRESCIMENTO NA AMÉRICA mil habitantes em 1980 apresentaram uma taxa de crescimento de 4,1 por
LATINA, 1940-1980 (COM BASE EM SEIS PAISES)
cento ao ano entre Í 940 e 1950, 4,2 entre 1950 e 1960, 4,6 entre 1960 e 1970 e
Distribuição da Distribuição da Taxa .,ml,.i de 4,1 entre 1970 e 1980. Em contrapartida, os centros metropolitanos (Cidade
população cm l 9•HI população cm 1980 crescimcnlo de 1940-1980
Tamanho do local % % %
do México, Guadalajara, Monterrey) cresceram nas mesmas décadas, respec-
tivamente, 5,2, 5,3 e 4,3 por cento6. Parece que os altos índices de crescimen-
Rural 62,6 30,5 0,08 to das maiores cidades mexicanas não se sustentaram no ,críodo 1980-1990,
Urbano" 37,4 69,5 .\,1
porquanto os dados preliminares do censo de 1990 mostra ram u m cresci-
Em cidades pcqucnasb 20,0 23,5 3,0 mento dos centros metropolita nos mfcrior ao de muitas cidades médias.
Em cicl.1dcs médiasc 4,3 19,0 6,J
Essa expansão das cidades médias foi associada à maior especialização
Em met rópoles" 13,1 27,2 1,4
urbana rnscitada pelas novas fases da industrialização. Na década de 70, devi-
Total % 100,0 100,0
do à maior complexidade da estrutura industrial, com a produção de bens
Total <la populaç:\o (95,7) (268,3) 2,6 intermediários e de capital, as novas fábricas passaram a localizar-se fora das
Notas: ª A dcliniçào de urbano segue a elas ificação do censo de cada país, usualmente cc111 ros administrJti- grandes cidades. Por exemplo, as grandes usinas siderúrgicas do Brasil e do
vos e Joc.-iis com mais de dois mil h.1bitantcs. México foram instaladas cm cidades secundárias. A indústria automobilística
t, Cida.Jcs pequenas sào lugares urb.mos <lc menos <lc LClll mil habitantes.
e Cidades médias estão entre cem mil habitantes e as mctr6poles.
e a engenharia pesada também se localizaram fora dos centros met ropolita-
d Dcfü1cm-sc metrópoles como aquelas cidades que tinham mais de dois milhões de h.1bitantcs cm 1985. nos: Córdoba na Argentina; Puebla, Toluca e Saltillo no México.
Foute: Estim.: t ivas feitas a partir dos melhores Censos de Argentina, Brasil, Chile, Colómbi.1, México e Peru, Duas outras tendências reforçaram essa dispersão das atividades i ndus-
rclacior.a<los no Apêndice I a este c.:1pitulo.
triais. Primeiro, na América Latina, tal como havia ocorrido nos países i nd us-
triais adiantados, as funções administrativas foram separadas elas produtivas.
Os escritórios de administração localizaram-se nas grandes cidades onde se
As cidades médias apresent avam a taxa mais elevada de crc:;cimento de dispunha ele serviços modernos, ao passo que as instalações industria is foram
todo o período, crescendo muit o mais elo que as cidades pequen as e os gran- localizad as onde a terra era barata e eram oferecidos infra-estrut ura adequa-
des centros metropolitanos. No entanto, essas taxas de crescimento das cida- da e subsídios. Na década de 80, a maior ênfase dada, cm determinados países,
des médias foram conseqüência, em parte, do maior número delas, uma vez às indúst rias voltadas para a exportação contribuiu mais ainda para essa dis-
que as cidades pequenas cresceram e passaram à categoria di: méclia5. As persão, porque as fábricas que prod uziam para o mercado externo t i nham
vezes, a taxa de aumento das cidades médias era, individualmcnk, mais baixa poucos estímulos para localizar-se perto dos principais mercados internos.
do que a dos centros metropolitanos. No México, as cidades com mais de cem Outro fenômeno que fortaleceu essa tendência foram as políticas, adotadas
por algumas empresas multinacionais, de localizar-se cm áreas de baixo custo.
A indúslria automobilística e as fábricas de autopeças do México começara m
urbana se a maior cidade é duas ,:n1 mais vezes inaior do que a que se lhe ,<.,::.-guc imediata·
mente. Os nún1cros preliminares referentes a 1990 com relação ao Méxio1 indicam que a
Cidade do México é cinco vezes maior do que Guadalajara, a segunda cié.,dc do país, cm -
---·------------------------
6. GUltí'AVO GARZA e Departamento dcl Distrito Federal, Atlas de la Ci11dad de M éxico,
comparação com 1980, quando era seis vezes maior.
Ciudad de México, 1987, cuadro 4.2. As estimativas da ONU para o periodo 1 960-1970
5. A ONU estima que quinze por cen to do crescimento das cidades com mais de 250 mil habi-
ind,cam que, comparando-se as mesmas cidades entre as datas dos censos, as cidades maio-
tantes se devia à passagem para u ma classificação acima entre 1970-1975: United Nations, res da região (acima de 250 mil habitantes) apresentaram maior crescimen to do que as
Patterns ..., table 21.
méd ias (cem mil a 250 mil habitantes): Uni ted Nations, Patterns ..., tablc 1 7.
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a transferir suas atividades para a região da fronteira setentrional e integra- 35 por cento de sua população viviam cm zonas urbanas. Em 1980, essa pro-
ram-se mais estreitamente à produção norte-americana de veículos. porção tinha aumentado para cerca de 65 por cento. Todavia, o período de
Esta mudança - a troca de u ma concentração das atividades cc9nômicas maior expansão urbana variou de país para país: a década de 40, no México; a
em alguns lugares urbanos por u m sistema urba no mais diversificad e espe- década de 50, na Colômbia e no Brasil, e a de 60 no Peru.
cializado - aconteceu cm toda a região. Não ocorreu, porém, co m a mesma Em bora essas diferenças de cronologia seja m impor ta n tes, igual mente
profundidade cm cada país, nem seguiu o mesmo modelo, e prod uziu alguns agudos foram os contrastes entre os sistemas urbanos de..cada país em parti-
contrastes entre os sistemas u r banos e dentro deles. Houve "sucessos", na cula r. A contribuição dos ceüt ros met ropolitanos, das cidades médias e das
medida cm que algumas cidades que, industrializando-se mais cedo e com cidades pequenas para o crescimento urbano mostrou diferenças acentuadas
base cm mercados protegidos, logo se tornaram semelhantes, em sua organi- de um pa is para o outro. A geografia e o tamanho da população foram fatores
zação econômica e social, às cidades industriais dos países ,,diantados. que expl icam por que o Brasil e o México foram os únicos países a ter, em
Algumas delas, como, por exemplo, São Paulo, conservariam sua i mportància 1985, mais de uma cidade com população superior a 2,5 milhões. Con tudo, a
graças à red ução das tarifas sobre produtos industriais e ao aumento da inte- proliferação de grandes cidades foi uma característica comum à maioria cios
gração econômica em escala mundial. Já com outras, como Buenos Aires, por países da América Latina. Na Argentina, nessas quatro décadas, as cidades
exemplo, o sucesso prematu ro não ga rantiu uma transição suave pa ra se médias cresceram mais do que Buenos Aires e foi a capital portenha a única
transformarem em importantes centros ind ustriais e de serviços no plano metrópole da região que perdeu importância relativa entre 1940 e 1980. No
regional e internacional. Houve t ambém "fracassos" relativos: cen1:ros provin- Peru, o predomínio de Lima se manteve, mas se deve contrapor esse fato ao
ciais e algumas capitais naciona is que nem se industrializaram nas primeiras aumento de importância da cidade média. Na década de 40, o Peru não tin ha
fases nem conquistaram, nas fa:;es posteriores, as funções econbmicas espe- nenhuma cidade média, ao passo que, cm 1980, oito cidades contavam mais
cializadas exigidas pela nova ordem econômica. de cem mil habita ntes. O crescimento de cidades médias como Arcquipa,
Uma comparação entre os seis países, no período de 1940 a J 980, mostra Trujillo, Chiclayo, Chimbotc e Huancayo foi acentuado e ocorreu ài, custas
expressivas diferenças entre eles nos níveis de urba nização e nas t., xas de cres- das cidades pequenas. A Colômbia, que, cm 1940, ti nha u m n ú mero co nside-
cimento urbano (cf. Apêndice 1 a este capítulo). As diferenças mais irr,portan- rável de cidades médias, apresentou a maior queda de importância das peque-
tes ocorrem entre aqueles países que, a partir de níveis elevados de urbaniza- nas cidJ des. Nesse país, apesa r do grande cresci mento de Bogotá, cidades
ção, apresentaram taxas relativamente baixas de expansão urbana nessas médias como Medellín, Cali e Barranquilla concentravam o maior contingen-
quatro décadas, e aqueles que, partindo de um baixo nível d::: u rbanização, te de população urbana em 1980. No México, nesses anos, as cidades médias
mostraram, subseqüentemente, altas tax;:s de crescimento urba no. No pri- também apresentaram grande crescimento e proliferaram: de sete que havia
meiro grupo figuram a Argentina e o Chile, países que, na década de 40, eram em 1940, esse número subiu para cinqüenta em 1980, que concentrava m trin-
os mais urbanizados, com 61,2 e 52 por cento, respectivamente, d e sua popu- ta por cento da população u rbana.
lação vivendo em zonas urbana'.,. As taxas de crescimento urbano desses dois Em 1980, o Chile e o Brasil tinham os sistemas urbanos mais polarizados,
países, entre 1940 e 1980, foram as mais baixas dos seis analisad os. O Chile mas por razões diferentes. No Chile, a população esparsa na maioria das
experimentou, na década de 50, uma taxa de crescimento urbano mais alta do regiões constituía uma base insuficiente para um crescimento das cidades o
z
que a da Argentina, apresentou índices acima de três por cento na década de <
médias que pudesse compensar a concentração de população no vale cent ral, "'"'
::,
60 e taxas mais baixas na década de 70, alcançando o nível de urbanização da em Sant iago e no porto de Valparaíso. No Brasil, o número de cidades médias ,o
"o' Argentina por volta de 1980, quando oiten ta por cento da população de
f-
z
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o
cresceu bastante, mas esse aumento não foi suficiente para equilibra r a con- ":;':
"ü' ambos os países viviam em zonas urbanas. centração populacional inicial nas cidades pequenas e o grande crescimento
O Brasil,. a Colômbia, o México e o Peru apresentaram, entre 1 940 e 1980, d e seus seis centros met ropolita nos: São Pa u l o, Ri o de Ja nei ro, Belo 'u""'
<
as mais a Ítas taxas ele crescimcn1o urba no. Na pri meira década est udada, 30 e Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. o
308 309
Esses contrastes se baseavam nas diferenças existentes na orgam:r.ação regio- ção total e o índice de aumento da população urbana fornece u ma estimativa
nal de cada país e no modelo de modernização agrícola. A Colômbia e o Peru - aproximada do peso da migração no crescimento urbano. Usando essa medida,
os países que apresentavam um declínio relativo mais acentuado ela cidade a Tabela S.l aponta as amplas mudanças do papel da migração dura nte o perío-
pequena - exibiam, na década de 40, uma estrutura agrária predom inantemcn- do. Na década de 50, quando o crescimento urbano estava em seu apogeu, uma
tc camponesa. Mesmo uma gra nde parte da população urbana desses países parte considerável desse crescimento (cerca de 44 por cento) foi conseqüência
vivia em cidades pequenas cm estreita ligação com a agricultura t: a produção d,1 migração dos habitantes das zonas rurais. Nas décadas, seguintes, a contri-
artesanal. A estagnação das economias camponesas desses países, junto com a buição da migração do campo para a cidade diminuiu em trmos relativos. Esse
debilidade da economia local, resultou cm grandes fluxos migratóri os para cen- proccssü foi mais acentuado no caso dos centros metropolita nos. Neles, a
tros urbanos regionais, sem que fosse necessário qualquer atrativo cio desenvol- migraçã o contribuiu com mais da metade de seu crescimento na década de 40,
vimento económico urbano. No Brasil, a persistente polarizaçãn do sistema ao passo que, na década de 70, sua contribuição tinha caído pa ra um terço.
urbano foi causada pela heterogeneidade de sua estrutura regional: 110 Nordeste, No apogeu da urban ização da América Latina, a migração ocupou lugar
a queda da produção agrícola (tanto das grandes lavouras quanto do pequeno ptoeminente na discussão de política púbiica e na pesquisa das ciências sociais.
agricultor) estimulou a migração para as cidades do Sul e concentrou a popula- Esa pesquisa concentrava-se cm questões como as diferenças entre os migran-
ção regional cm centros locais, que cresceram e se tornaram metn)poles, como tes e os naturais da terra, a assimilação do migrante à vida u rbana e sua contri-
Recife, Salvador e Fortaleza. Em contrapartida, no Centro-Sul e no Sul do pais - buição para os mercados de trabalho urbano. A pa rti r da década de 70, a
Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul - uma agricult ura din:1mi- migração do campo para a cidade deixou de ser um problema importa nte no
ca cm termos econômicos e um comércio cm pequena escala integraram-se por desenvolvimento urbano, e a atenção passou a concentrar-se nos movimentos
meio de uma rede de negócios e de transporte local. Esse modelo de desenvolvi- migratórios interurbanos, intra-urbanos e internacionais. Essa tendência era
mento regional, que incluía a continuidade da industrialização, su ;tcntava um mais visível naqueles países que tinham níveis elevados de urbanização e apre-
sistema urbano baseado cm cidades pequenas, cidades médias e metrópoles. sentavam queda da população rural em números absolutos.
O crescimento e modernização das economias regionais foi niais evidente O impacto da migração foi diferente de país para país (cf. Apêndice 1)7.
no caso da Argentina, em função da queda de importância de Buenos Aires. Durante a maior parte do período, a contribuição da migração para o cresci-
Foi igualmente visível no Chile, que, embora fortemente cent ralizado em mento urbano foi maior no Brasil, seguido pelo Chile e pela Colômbia. Foi
Santiago, apresentava diversas economias locais dinâmicas, cuja força de tra- mrnor no México, no Peru (salvo de 1960 a 1970) e na Argentina (com exce-
balho agrícola vivia às vezes em pequenas cidades, como no caso do vale de ção do período de 1950 a 1960). Somente na Argentina a migração do campo
Putuendo. O México mostrou uma combinação dessas três tendências: zonas para a cidade foi um fator relativamente pequeno no crescimento met ropoli-
em que a população camponesa era expulsa para a Cidade do México, para tano, sendo responsável por cerca de vinte por cento do crescimento de Buenos
outros centros regionais ou para os Estados Unidos, e zonas em que a agricul-
tura comercial misturava-se a outras indústrias novas, como o tu rismo, a pro-
dução automobilística e a microtecnologia, para sustentar o crescimento das
7. Cálculos alternativos da contribuição da migração e da reclassificação pa ra o cresci mento
cidades de médio porte - como, por exemplo, no Norte ( Her mosillo ), no
u rb;i no podem ser encon trados cm Unitcd Nations, l'attcms..., tablc I L A migraçào foi
Centro (Aguascalientes, Querétaro) e em algumas zonas urbanas do Sul e do
mais importan te pa ra a expansão urbana na Argentina de 1947 a 1960 (50,8 por cen to),
Sudeste (Mérida e Villahermosa). vindo a seguir o Brasil (49,6 por cento de 1950 a 1960 e 44,9 por cento de 1960 a 1970), o
"Cl'
< Peru (41,6 por cento de 1961 a 1 972), o Chile (36,6 e 37,4 por cento de 1952 a 1960 e de
Cl
Uma grande parte do crescimento da população urbana na América Latina,
"ü' 1960 a 1970, respectivamente), a Colômbia ( 36,6 por cen to no período 1951-1964 ) e o
entre 1930 e 1990, foi conseqüência da migração, e, aqui também, os modelos
< Mé úco (31,7 no período de 1960-1970),
diferiram de país para país. A diferença entre a taxa de crescimento da popula-
310 311
Aires entre 1940 e 1980. No México, a migração, embora tenha t01uado maior moradia como de local do negócio. Nas fímbrias da cidade encont rava m-se os
vulto do que na Argentina, nunca foi o principal componente, sohrc\ll(IO por h;1bitan1 cs urbanos mais pobres, que trabalhava m como diaristas, vendedores
causa das altas taxas de crcscimcn to natural da população. Em com pensação, a ambulantes, ou ofereciam uma variedade de serviços pessoais. A proximidade
migração, e não o crescimento natural, contribuiu com a metade ou mais para da zona rural significava que a periferia urbana se fundia, tanto econômica
a expansão metropolitana no Brasil e no Peru, cm dois dos períod os si t uados quanto c·spacialmentc, com o mu ndo ru ral, e seus habita n,tes cult ivava m hor-
entre 1940 e 1970, e na Colômbia em todo o período analisado. tas ou trabalhavam como diaristas na agricultura.
A migração internacional foi outro fator importante na região e , novamen- Essa descrição adapta-se mais às cidades mais-antigas e menos dinâmicas
te, sua importância diferiu de acordo com o país. No México, é provável que a do que àquelas que estavam em processo de industrialização nas décadas de
migração permanente ou temporária de habitantes do campo para os Estados 20 e de 30. Já as elites de cidades como Buenos Aires e Cidade do México (e
Unidos tenha contribuído para diminuir o fluxo migratório para as cidades São Pau lo, no Brasil) tinham começado a mudar-se para longe do centro, para
mexicanas. Na Argentina, o papel da migração internacional foi diferente, bairros livres do barulho e da poluição. Quanto às cidades "de fronteira" da
aumentando a contribuição da migração rural para o crescimento urbano: cm década de 30, eram heterogêneas em termos de espaço, que era com partilha-
Buenos Aires, uma grande parcela dos migrantes estrangeiros informados em de pela indústria, pelos negócios e pelas residências e onde os pobres e os
1970 eram originários da Bolívia e do Paraguai, e provavclmcn1 e das zonas ricos viviam muito próximos uns dos outros.
rurais desses países; em contrapartida, a migração interna para Bllcnos Aires, Rara mente foram construídas casas com o propósito deliberado de abri-
no mesmo ano, provinha principalmente das zonas urbanas. gar as classes trabalhadoras. Mesmo nas poucas cidades em que esse tipo de
moradia apareceu - Buenos Aires, São Paulo, Monterrey - apenas uma fração
Raramente os modelos de uso do solo urbano na América Latina, entre dessa população foi contemplada. As classes trabalhadoras achavam a mora-
1930 e 1990, foram regidos claramente por fatores de mercado como os gra- dia que pudessem - subdividindo as mansões abandonadas pelos ricos, como
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dientes d e renda do solo urbano atrelados aos custos e benefícios de u ma cm algu mas das vecindades de Cidade do México, ou ocupa ndo de forma z
f-
localização centrais. A cidade latino-america na, quando mudou, tornou-se intensiva outros espaços cent rais?. ..,
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<
mais heterogênea em seus padrões de uso residencial e econômico do solo do Cada vez mais foram procuradas formas alternativas de moradia barata, u
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que havia sido no inicio do período. A organização espacial, e as mudanças como a construção própria depois da invasão de terrenos ou aquisições semi- ':";
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feitas nela, forneceram apenas um quadro frouxo que canalizava a interação legais de especuladores imobiliários. Essa não foi uma ocupação ordenada cm <
z
social e econômica. Em 1930, o modelo normal para as vilas e odades, pelo termos de espaço, uma vez que, embora a maior parte do espaço desocupado <(
z<(
menos na América espanhola, era sua organização em torno de uma praça se localiz.asse na periferia urba na, sua disponibilidade dependia de fatores "'
"':::,
central, perto ou cm torno da q ual se localizavam os importantes órgãos do políticos tais como: a natureza pública ou privada da terra, a força da organi- <(

:"::',
governo, os principais edifícios religiosos, as mansões da elite e os estabeleci- zação popular e as intenções especulativas de seus proprietários, tudo o que foi f-
::,
mentos comerciais relevantes. A maior distância cm relação a esse centro sig- descrito como "a lógica da desordem" 1º. Além disso, algumas das á reas "'
nificava, em geral, uma diminu ição de importância social; os art esãos urba- <

nos respeitáveis habitavam o anc:l seguinte, cm casas que lhes serviam tanto de "o'
7.

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9. Encontra-se um relato desses processos, i nclusive o assentamento ilegal, cm l'ETER WAR IJ, "'
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f-
Mcxim City: Thc Producti01i n11d Rcprorluctio11 of n11 Urbm, E11viro11111c11t , London, 1990. z
"' ":';
"
<( 8. Esse fato é discutido cm OSCAR Y UJNOVSKI, "Urban Spatial Configu ration a nd Land Use 10 Cf. l.UCIO KOWARICK, "Thc Logic of Disorder: Capitalist Expa nsion i n t hc Mct rupolita n

""ü' Policies i n Latin Amcrica", cm ALLJANDRO PORTES & 1IARLEY L. BROWNI NC (cds.), C11rrc11t Are., of Grcater São Paulo", Oiscussion Papcr, lnstitutc of Dcvclopmcnt St udics, Univcrsity
'"u"'
<( Perspectivcs i11 Latir, A111crica11 Rn.:arch, Austi n (Tcx.), 1976, pp. 17-42. of S11sscx, 1 977, e Espnliaçtlo Urbana, Rio de J,t nci ro, 1 979. o
312 313
desocupadas localizavam-se no centro da cidade, como no caso dus morros Janeiro e cm São Paulo, a ocupação do espaço se havia tornado mais hetero-
do Rio de Janeiro ou das ravinas ele Cidade da Guatemala. Apesar da çonstru- gênea social e economicamente, quando se passou a construir residências de
ção própria, o aluguel continuou sendo o principal meio d e acesso , lo{pobrcs alto padrão para a classe média em regiões pobres. Os assentamentos de
à moradia; e é provável que a incidência desse fenômeno tenha a umentado pobres foram eliminados para dar luga r a novos bairros de classe média,
mais para o final da década de 90, quando até mesmo os asscntanwn tos pre- enquanto os pobres foram procurar qualquer nicho que pudessem encont rar
cários tornaram-se parte "normal" da cidade e os proprietários originais pas- nos bairros residenciais estabelecidosl3. Até 1980, conseguiu-se um grande
saram a alugar o espaço para complementar sua renda i 1• progres.so em termos de fornecimento de serviços u rba nos básicos, como
A fuga do centro das cidades por parte das classes média e alta foi contida água, eletricidade e remoção de lixo; mas, na maioria das principais cidades
pela escassez de comunicações e pela falta de infra-estrutura ad,:quada nas latino-americanas, parte substancial da população urbana continuou exclui-
zonas suburbanas em potencial. Além disso, a proximidade entre os assenta- da desses serviços 14.
mentos precários e a maioria dos bairros de classe média diminuiu sua exclu-
sividade social. Não se pode deixar de apontar outras complicaçôes, criadas
pela heterogeneidade econômica das cidades. A persistente importância das A ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL, 1930-1960
atividades econômicas infor mais, que examinaremos adiante, teve como
corolário a instalação por toda a cidade de estabelecimentos comerciais e Já em 1930, a estrutura urbana de classes da América Latina era diversifi-
industriais de pequeno porte, tanto nos bairros de classe média quanto nos de cada, em razão das diferenças de tamanho e complexidade econômica entre os
classe trabalhadora, já que os empresários economizavam o custo do aluguel grandes centros metropolitanos, que com freqüência eram as capitais do pais, o

utilizando parte da residência da família para instalar seu negócio. os centros administrativos e comerciais de províncias e os lugares urbanos ""''
Nas décadas de 80 e 90, eram evidentes as tendências conflitantes na orga-
...
o
menores que serviam de centros de mercado e nós de transporte para a popu- "'
nização do espaço urbano. Em Santiago, ocorreu um "salto qualitativo" na lação rural. Nas cidades maiores encontravam-se as maiores concentrações da <
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....
polarização de classes cm decorrência das políticas adotadas pelo governo elite comercial ou fundiária, o clero, os profissionais liberais, os migrantes 5
<
militar no mercado imobiliário e na administração urbana 12• Em contrapar- estrangeiros e as classes que trabalhavam para todas essas pessoas (? cons- u
tida, embora tivessem surgido claramente, na década de 70, em Montevidéu e truíam a infra-estrutura das grandes cidades: os empregados domésticos de "'
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em Bogotá, os padrões de segregação habitacional segundo a renda e a ocupa- vá rias espécies e os diaristas.
ção foram invertidos em parte na década de 80, quando a crise econômica z<
As cidades da América Latina tinham uma estrutura social heterogênea,
z<<
impôs à maioria das classes a busca da moradia que podiam pagar, sem pen- na qual a relação entre o trabalhador e o empregador não era a dom inante de "'
sar na sua localização. Em outras cidades, como, por exem plo, no Rio de "':.,
classe. Extraindo suas rendas sobretudo da agricultura e do comércio de <
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11. Cf. ALAN GILllERT & PETER WAR D, J-Iousing, the Statc and the Poor: Policy and Prnctice in 13. cr. RAQUEL ROLNIK, "EI Brasil urbano de los ai1os 80: Un ret rato'; cm M. LOMHARIJI & D.
w
o
Threc J,atin American Cities, Ca1nbridgc, 1985, e ALAN GIL!lERT & ANN VA,LEY, "Rcnting a z
VEIGA (cds.)., Las Ciudadcs cn Conflicto, Montcvidco, 1989. <
"'
Homc in a Third World City: Choicc or Constrai nt?", l11tcmatio1111 / Jour11al of Urba11 1111d 14. Vrjarn-se os a rtigos cm MATTJ-I EW EDEI. & RONALl) G. I I ELLMAN (cds.), Cítics i11 C:risis: Thc "'
::,
o
....
Regional Research, 14(1): 89-IOB, 1990. U rl•1111 Challenge in the Amcricas, New York, 1 989, especialmen te os de V i l.MAR FARI A e de zw
12. A expressão é de Alejandro Porte:;, cm sua comparação dos modelos de poia rização espacial EUlAllETH J EJ.!N. Uma análise de Cidade do México é dada cm WAl(IJ, Mcxico City, pp. 1:18- ;,;
u
em Santiago com os de Bogotá ê Montcvidéu. Cf. ALEJANDRO PORTES, 'Latin Amcrica n 177. Grande parte do progresso resul tou dos movimen tos populares e de sua 1ircss,lo sobre os w

Urbanization During thc Ycars of the Crisis", Latin A111crica11 Rcsearch Revim, 24(3): 22, 1989. governos nacionais e municip.lis.
"u'
o
314 315
importação e exportação, as elites, em sua maioria, náo eram gra ndes empre- e arteslios independentes estava espalhada por toda a parte. As rotas comer-
gadores da rnáo-de-obra urbana e tinham origens étnicas distin tas, especial- ciais in ternas necessitavam de um contingente de pequenos empresários para
mente naqueles países que haviam recebido grande contingente de migrantes dist ribuir e transportar as mercadorias. Os artesãos locais consertavam e pro-
do ultra mar, como a Argentina e o Brasil. Mesmo na maioria d s cidades duziam muitos produtos e implementos fundamentais tanto pa ra os habitan-
industrializadas, os proprietários de fábrica raramente r::onstituíam urna elite tes das grandes cidades quanto para atender às necessidades <le uma popula-
homogênea com origens e práticas empresariais comuns. Muitos dos primei- :ão rural disseminada. R;u Cuarto, urna cidade que ünha cerca de 40 mil
ros industriais eram imigrantes vindos da Europa e do Oriente Médio, como habitantes na década de 40, localizada nos Pam pas argentinos, exem plifica
Francisco Ma tarazzo, o capitão-de-ind ústria de São Paulo, ou J uan Yarur, o esse tipo de estrutura social. A cidade não tinha fábricas nem outras empresas
palestino que se converteu no maior industrial têxtil de Santiag0. Somente em que empregassem um número razoável de trabalhadores. Calcula-se que sua
algumas cidades, como Monterrey, Medellín e a própria São Paulo, alguns classe média constituía mais de 53 por cento da população: proprietá rios de
industriais de origem nacional começaram a adquirir, em 1930, considerável pequenas empresas comerciais e industriais, funcionários administrativos dos
poder político e económico. Fosse o empresário imigrante ou natural da terra, grandes estabelecimentos comerciais, professores e pequenos fazendei ros que
os meios usuais de dirigir uma empresa eram os laços de família e as práticas preferiam viver numa cidade pequena 1 6.
paternalistas de administração. Nesse período, a grande indústria era, basica- Nas cidades grandes, a riqueza da elite e as necessidades do governo exi-
mente, uma empresa familiar, de forma que até mesmo os grandes consórcios giam maior volume de serviços profissionais e administra tivos d o q ue nos
industriais eram administrados e controlados de acordo com as relações de lugares menores, e a clientela dos comercia ntes e dos artesãos era m,1is dife-
parentesco, ficando os filhos, os irmãos e outros parentes responsáveis pelos renciada. Não obstante, qualquer que fosse o tamanho ou a impor tância da
diversos setores da empresa 15. cidade, fosse pequena ou grande, o t ra balho autônomo ou n uma função
Na maioria das cidades, fossem pequenas ou grandes, a classe m,:d ia era um adminislrativa parece ter induzido um sentimento de status que diferenciava
17
contingen te relativamente numeroso, em comparação com a elite urbana e com essas pessoas daqueles que faziam serviços manuais e por conta de outros .

,,
. i a classe trabalhadora. Era formada, principalmente, por aqueles q1ie trabalha- Um estudo sobre a cidade argentina de Pa raná (cem mil habitantes) dá
vam de maneira independente, às vezes com a ajuda dos membros da família, uma medida da importância dessas considerações de status 18• O estudo foi rea-
ou eram proprietários de pequeno negócio com poucos empregados. Entre elas lizado no começo da década de 60, mas é pouco provável que a situação descri-
havia funcionários públicos e empregados administrativos de empresas priva- ta tenha mudado significativamente desde a década de 30. Paraná tinha poucas
das. No ponto mais alto dessa "classe média" estavam os profissionais liberais,
como advogados e médicos, e na base ficavam os artesãos que trabalhavam por
conta própria ou os proprietários de pequenos armazéns de bairro.
16. Cf. J. L. IMAZ, "Est ructura social de u na ciudad pa m pca na.., C11adcr110 de Sociología, 1 -2:
Nas economias latino-americanas das décadas de 30 e 40, ainda baseadas
91- 1 69, 1965.
predominantemente na agricult u ra, a classe média de pequenos empresá rios
17. A u tilidade da classificaçáo do traballiador a utônomo ent re os est ra tos de d,",e média é
pos11 cm d úvida por EL!ZABETH JELIN, "Trabajadorcs por su cucnta propia y asala riados: o
7.
Distinción vertical u horizontal", Revista Latinomnericana de Sociología, l \167, pp. J88-4 I O. <
·----------··----- "'
Mc:;1110 assim, cm comparaç,10 com a situaçüo que iremos descrever com rcla\,lO J década "'
:.,
15. São exem plos as empresas Ga rza S.1da cm Montcrrcy, u m conglomerado q ue ab ra ngia o
....
7.
"'
Cl fabricas de vid ro, siderúrgicas de ª\º e ferro e cervejarias, e o império indu ;trial familiar de lli}, era mais provável que o trabal hador por conta própria, no período de 1 930 ,1 1 950,
<
Cl
"::;':
dos Gómcz, que controlava uma grande parte da produçáo têxtil do Méxiw. Cf. LARISSA se v is.se a si mesmo, e fosse visto pelos outros, (01110 classe média, e muito m.iis p!au.sívd u
ü"' LOMNITZ f< MARISA PÉREZ LIZUAI\, A M cxim11 l:litc fomily, 1820-1980: Ki,1si1i p, C/ass mui que fosse visto, essencialmente, corno um proletário disfarçado. ""''
u
< C11lt11rc, Pri nccton ( N. ).), 1 987. 18. Cf. tWl\EN REINA, i'arallll: Social Bourularics in ,w Argentinc City, Austi n (Tcx.), 1 973. o
316 317
indústrias e servia, como sempre tinha acontecido desde o come,:o do século, registradas. Esses trabalhadores, como seus congêneres da Argentina, consti-
de centro administrativo e comercial de uma próspera zona de pequenas 20
tuíam uma pequena fração (sete por cento) da força de trabalho industrial .
fazendas. Em Paraná, os informantes não tiveram muita dificuldadi;yara dis- Em Santiago do Chile, o setor têxtil mais importante contava, cm 1930, 1 618
tinguir três classes urbanas em termos de estilo de vida e de aspiraçõs. A clas- empregados e 233 proprietários, ou uma média de apenas sete trabalhadores
se alta era constituída pelas famílias tradicionais e por membros das elites eco-
por empregador21 .
nômicas e profissionais de origem mais recente. A classe média - a classe
respeitável -· parece ter sido quase tão numerosa quanto a classe baixa e estava As décadas de 40 e 50 foram testemunhas de llm crcstimento subst.ancial
subdividida cm níveis, desde os profissionais e empresários até os empregados das economias latino-americanas, e das oportunidades de emprego, sobretudo
de escritório, os pequenos empresários e os artesãos independentes. Final- pora os homens. Parece ter havido um aumento da rcna rclll que bcncfici u
mente, havia a classe baixa, ou e/ase humilde, formada principalmente de mi- os trabalhadores urbanos. Embora os índices de crescimento da pop ulaçao
grantes rurais e que tinham ocupações pouco especializadas, como trabalha- urbana economicamente ativa tenham alcançado, nesses anos, uma m{:dia de
dores man uais, trabalhadores do setor de serviços e empregados d omésticos. cinco por cento, houve um aumento substancial do emprego urbano formaL
Os informantes pertencentes aos estratos médios diferenciavam-se tanto Ocorreu uma queda considerável do número de empresários, profiss1ona1s
da elite quanto dos pobres, que não eram considerados respeit,i veis porque independentes e trabalhadores por conta própria. Além disso, tamém n:sses
não possuíam uma renda permanente e não podiam prover adequadamente anos, 05 serviços tradicionais, como vendas e serviço doméstico, dumn u1ram
as necessidades de suas famílias. Entre estas necessidades estava a educação sua importância como fontes de emprego e foram substituídos pelos serv'.ços
secundária ou universitária para os filhos. Um problema evidente em Paraná burocráticos (empregados de escritório, professores, trabalhadores da saude, o

era o crescimento da população de classe média com educação secundária, ""''


outros técnicos e profissionais assalariados) e dos negócios e por outros servi-
mas com poucas oportunidades de carreira no mercado de traba l ho local. ços urbanos modernos, como o conserto de automóveis ( f. Tabela 5.2 ). .
Os setores numericamente mais importantes da classe trabalhadora eram Essa mudança assinalou a relativa perda de importânoa das cla_sses médias
os empregados domésticos, os vendedores ambulantes e os diaristas. •.<antigas" ( pequenos empresários, artesãos independentes) das odadcs pro-
Somente nas indústrias têxteis e alimentícias se podia encontrar um proleta- vincianas menores, das cidades pequenas e das aldeias. Em 1940, era nesses
riado industrial e, além disso, apenas cm algumas cidades: Buenos Aires, São lugares que se podia encon trar a maioria dos trabalhadores i_n depeudntes
Paulo e, cm menor número, cm Lima e cm Cidade do México. Em 1910, os não-agrícolas e os pequenos empresários, porque era aí que v1v1a a ma10na da
dois setores manufaturciros de Buenos Aires que empregavam ,11aior núme- populaçiio urbana. As classes que aumentaram de importância fram aquelas
ro de trabalhadores eram a indústria têxtil e a de calçados. Nessa data, havia vinculadas às grandes cidades que, nesse período e nos segumtes, foram
dezenove fábricas têxteis não-especializadas, que empregavam um total de adquiri ndo um peso maior dentro da população urbana: entre os estratos de
3 151 trabalhadores manuais, uma média de 166 por fábrica. Em compensa- frabalhadores não-manuais figuravam os profissionais, o, gerent es e os
ção, o setor dos calçados contava 3 214 trabalhadores e uma média de 45 empregados de escritório, que aumentaram enormemente em n úmero; entre
empregados por empresa. Esses operários eram uma pequena minoria ( 6,2 os estratos de trabalhadores manuais contavam-se os operários da construção
por cento) do setor industrial de Buenos Aires, onde o número rnédio global civil e das indústrias de serviço, como oficinas de consertos, resta u rantes e o
7.
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de empregados por empresa era de apenas onze 19. Em 1931, em Lima, 2 504 hotéis e serviços de portaria e zcladoria. "'
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homens e mulheres estavam tra balhando na indústria têxtil em 21 fábricas o
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s:< W.C,··;;,o de las Províncias de Lima y Ca/1110, 1 931 , Lma, cua<l ros 80 e 103. '""'
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19. Censo Gc11cral de la Ciudad de llw "ºs Aires, 1910, Buenos Aires, tomo I. 21. Di rección General de Estadistica, X Ct'nso de la i'obl11ciú11. 1 930, Santiao. 1 931 , vol. Ili, J', 69. o
1

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318 319
TABELA 5.2 / ESTRATIFICAÇÃO OCUPACIONAL URBANA NA AMÉRICA LÃÍ'INA, savam no mercado tinham ed ucação "superior" à requisitada pelos empregos
1940-1980 (%) disponíveis22.
População não-agrícola 1940 1950 1960 1 97 1980 A ind ustrialização (assim como a consolidação da economia de expor ta-
ção) acarretou outra importante modificação: a formação de um grande pro-
Estratos n,1o-manuais mais altos 6,6 9,4 10,1 1 2,7 15,9
letariado industrial cm algumas das cidades maiores ( bem como nas pequenas
Emprcgadorc·;, profissionais indcp.:ndcntes. 4.4 5,2 1,9 2,6 2,4
cidades ligadas à mineração e às plantations ). Quando o f,,oco do desenvolvi-
Gerentes, profissionais empregados e pessoal técnico 2,2 4,2 8,2 1 0,1 13,5
mento econômico mudou para novas regiões e a_s indústrias artesanais das
Estratos mio-nianuais mais baixos 15,2 16,0 16,9 18,5 19,0
zonas rurais e das pequenas cidades entraram em colapso com a melhoria das
Empregados de escritórios 8,4 10,0 11,1 11,7 13,2
comunica ções e a concorrência dos prod utos industriais, tanto nac ionais
Empregados na área de venda 6,8 6,0 5,8 h,8 5,8
quanto impor tados, alguns lugares prosperaram e outros estagnaram.
Pequenos empresários 0,8 2,5 2,6 2,5 2,5
Houve também uma mudança na natureza do emprego industrial, mudan-
Do comrcio 0,8 2,3 1 ,5 1,2 1,3
ça que ei;tá escondida parcialmente nos números agregados da Tabela 5.2. Na
Outros ( m.rnufoturas, serviços) 0,0 0,2 1,1 1 ,3 1,2
década de 40, muitos trabalhadores "industriais" eram artesãos que tra balha-
Trabalhadore autônomos 28,5 19,8 20,5 17,4 18,6
vam por conta própria ou assala riados de peq uenas ofici nas onde, m ui tas
No comêrcio 9,5 7,1 7.5 6,6 5,8
vezes, era quase nula a diferença entre produzir e consertar. Em 1950, os cen-
Outros 19,0 12,7 1 3,0 10,8 12,8
sos, em sna maioria, estabeleciam uma distinção entre, por exemplo, sapateiros
Assalariados 35,9 41,J 40,4 .19,4 .16,4
que consertavam sapatos e aqueles que trabalhavam como industriários nu ma
Tra nsportes 6,1 3,8 4.5 3,7 2,7
fabrica de calçados. Essa mudança na classificação refletia uma tendência real:
Constru,;,io ci ,ril 5.4 7,0 7,1 7,8 7,1
a queda gradual da produção artesanal e uma diferenciação econômica que
o

°'
.
Indústria 20,1 19,2 19,1 1 6,3 16,5
resultou nu m número maior de t rabalhadores industriais empregados cm
Serviços 4,3 1 1 ,J 9,7 1 1 ,6 10,1
fabricas e no surgimento de u m setor de serviços especializado cm cons-:rtos.
Empregados domésticos 13,0 1 1,0 9,5 9,5 7,6
Nesse período de relativa indust rialização, a indúst ria rna n ufa t u rcira
emprega va um volume muito maior de mão-de-obra do que nos períodos pos-
TOTAL 100,0 100,0 100,0 1110,0 100,0
teriores, usando tecnologia importada que variava pouco de ano pa ra a no. Os
AGRICUJ:f URA (();;> da popul;1çJo ativ,t) 61,6 52,5 46,7 J9,5 30,6
trabalhadores fabris ganhavam importância como setor da classe operária, tal -e
z
Fontes: Cálculos cxtraidos dos censos naci(, nais da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, i\d,3xico e Peru. Os como ocorria com os ferroviários e os portuários. Não obstante, as qual ifica- ;;;
o:
anos sào aproximados: 1940 inclui d.idos do Censo Argentino de 1914; os n úmero, rela tivo:,. a 1980 :..,
nJo incluem a Colômbia. ções exigidas por esses empregos continuavam sendo, basicamente, habilida- ...o:
:.,
des artesanais e não indicaram uma grande ruptura com as antigas t radições f-
::,
o:
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o(

Emergiu uma classe média "nova", constituída de empregado:; de escritó- -


--
- ---
-
---
- o
z
rio, gerentes e funcionários do governo e das organizações empre,;ariais e que 22. Com parações ent re a Argen tina e o Chile, na dt.'-.....H.ia de 50, cn..:ont r.1111-sc cm TORCUA l\l D! -<'.
o":'
precisavam de qualificações educacionais para ocupar esse tipo de ,:mprego. A TELLA, "Estratificación social e incstabilidad políticJ cn Argcntin,1 y Chile", Sixrh Confácncc ,f :..,
w o
f-o
o thc Imtit11to de Dcsarrollo EconôJJJico y Social, Buenos Aires, 1%2 A J\rgcn tin,1 di,punh,1 de zUI
crescente im portância do nível de escolaridade para a mobilidade social foi
o-<
w
ü uma das principais modificaçõn que as m udanças econômicas do período poslo· de classe média suficientes p,1ra atender ,h ,1:-.pir.1\·úes ,Jo rnúncro crcsccnll' de pc:,,:,,0.1:-.
"
u
o com t'ducação secundária e univcrsitári,1; cm cont rapartida, a populaçilo chilena ti nhc1 cd uca- w
1940-1960 suscitaram nos padrôcs de estratificação urbana, crian do oportu- "u'
-<
çào '\upcrior" à exigida pa ra o nú mero mais li mi t,1do de postos de dassc médiJ Jisponívcis. o
nidades e, às vezes, frustrando-as, quando os mil hares de pessoas que ingres-
320 321
da classe trabalhadora. Nas décadas de 40 e 50, os trabalhadores fabris alcança- taxas mais altas de urbanização nessa época - Argentina e Chile - apresenta-
ram O ponto máximo de sua importância relativa, quando a ind ústria come- va m u m índice de participa ção feminina mais alto do que os de !Jrasil,
çou a expandir-se e passou a produzir bens de capital, empregando . rnis ope- Colômbia e México. No entanto, o Peru, apesar de seu modesto desenvolvi-
rários em empresas de grande e médio porte, enquanto os artes,ios ·entravam mento econômico, registrava índices de participação feminina mais al tos do
em colapso devido à concorrência das fábricas. :É provável que o proletariado que os d esses três últimos países. Nu merosos estudos comparativos most ra m
clássico - assalariados industriais empregados em empresas de gr ande porte - que, provavelmente, tanto os países com níveis elevados de desenvolvimento
estivesse mais consolidado cm 1960 do que em 1940. Em 1960, as empresas econômico quanto aqueles com níveis mais baixos apresetavam taxas eleva-
industriais de grande e médio porte empregavam maior númr:rn de trabalha- das de participação feminina. No entanto, as altas taxas de partici pação eco-
! dores do que as pequenas. Em 1 960, em países como o Brasil, a Colômbia e o nômica nos extremos opostos baseiam-se cm realidades econômicas m uito
Chile, o emprego industrial cm empresas de cem ou mais cmpff'gados repre- diferentes e afetam grupos etários e classes sociais diferentes.
sentava a metade ou mais do total da força de trabalho industrial 23. Na década de 1950-1960, a expansão do trabalho feminino remunerado foi
muito pequena na região. Somente em cinco dos vinte países houve ligeiros
Pouco se conhece acerca d o trabalho feminino remunerado na América aumentos, embora entre esses estivessem os maiores países da região, o Brasil
Latina antes da década de 50. A ausência de informações e de análise indica a e o México27. Na Argentina e na Colômbia, nesse período, os índices de parti-
falta de interesse pelo assunto. Mas décadas de 30 e 40, sem dúvida, a participa- cipação feminina permaneceram constantes, enquanto diminuíram no Chile.
ção das mulheres no mercado de t rabalho urbano era baixa, devido à falta de
diversificação desses mercados. O trabalho feminino estava concentrado prin- Essas variações do padrão de crescimer.to econômico, e sua desigualdade,
cipalmente nas zonas rurais e ,i ra dirigido para a produção doméstica. Como acarreta ram um aguçamento das diferenças na estrutura de classes da popula-
tal, raramente era registrado nos censos, que informavam de forma errônea o ção urba na dentro dos países e entre eles. Utilizando exemplos da Argentina,
2
trabalho feminino nas unidade:; familiares de produção das zonJs rurais . Di Tella delineia quatro tipos básicos de estratificação urba na na América
No Brasil, entre 1920 e 19,10, as referências ao trabalho fem lllino indicam Latina, na década de 50, baseados no gra u de concentração da classe triibalha-
que, como no caso dos homem, a maioria da população feminina economica- dora e nas possibilidades de mobilidade social28. O primeiro eram as grandes
mente ativa trabalhava na agricultura. Geralmente, as trabalhadoras urbanas cidades em processo de industrialização, nas quais a pirâmide elas classes alar-
eram costu reiras ou empregadas domésticas 25 . Os dados disponíveis para gou-se na base devido ao número crescente de trabalhadores manuais. O declí-
1950 mos·:ram que, no total da região, os índices de participaç ii o econômica nio da im portância relativa dos estratos médios foi compensado, e foram cria-
das mulheres ainda eram muito baixos (18,2 por ccnto) 26 . Os países com as das opor tunidades de mobilidade associadas à educação, ao surgimento de
uma "nova" classe média de profissionais liberais e çmpregados de escritório
necessár ios para atender às demandas da administração e da organização
comercial mais complexa. Exemplos desse tipo eram as cidades do litoral da
23. F. H. CARDOSO & J. L. REYNA, '' J 11dustrialización, c.structura ocupacion, 1 1 y cstratifi..::ación
social cn América Lati na", cm l'. 11. CARDOSO, Cuestio11cs de Sociolog fu dei Dcsorrollo de
Argentina, principalmente Buenos Aires. Em segundo lugar, vinham as peque-
o
Américll Latina, Santiago1 l96f-i. ..,
7.

""''
::,
24. Cf. CATAUNA WAINERMAN & /ULMA RECCl!INl lll' LATTES, E/ tra/ )(ljo f,·,11ini110 Cll d /1<m- o
,-.
'l',il/o de /os arnsados: La mcdinán cc11sal en América Latina , Ciudad de México, 198l. 27. EDn li PANTELIDES, E. tudios ele la po /,lació11 feminina cco11ô111icamcntc activa c11 América z
"::;';
25. F. ll. MADFlRA & P. SI NGER, "Estrut u ra <lo Em prego e Trabalho Fcrni nino no Brasil: Latina, 1 950-1970, Santiago, 1976.
u
1920-1970", Caderno 13, São Pa ulo, 1973. 28. Cf. TORCUATO DI TELLA, La Teoria dei Primer Impacto dei Crccimienro Económico, San ta Fc
" u'
26. Prcalc, Mercado de trabnjo en cifras 1950-1980, Sa ntiago, 1982, cuadro 1 (Argenti na), s.d [e. 1965], pp. 163-167. "'o
1
322 323
!1 '. nas cidades ligadas à mineração e às plantations, como as das áreas produtoras implant ação parcial da reh rma agrária e da expansão do comércio com as
de açúcar da Argentina, onde predominava uma massa de trabal hadores, com principais cidades, o latifúndio e a indústria artesanal deixaram de ser, nas
poucas ocupações intermediá rias e poucas oportun idades d e mobilidade d écadas de 30 e 40, a base da estrutura econômica e social da região pa ra ceder
1
ascendente. Vinham cm tercei ro lu gar as cidades pequenas ,, grand es das luga r à agricultura empresarial em grande escala, ao comércio e aos set viços.
! regiões que, historicamente, ti nham sido importantes economi camente, mas Outra coisa comum foi a pouca atenção que os novos modelos de cresci-
!
1 que haviam declinado ou estagnado. Por exemplo, em 1950, as pequenas cida- mento econômico deram a regiões anteriormente importantes. São exemplos
''

des do nordeste da Argentina t inham uma gra nde classe média cm comparação a região Los Altos (no estado de Jalisco, México) ,_com sus inúmeras <.:idade-
com outras regiões, mas seus membros tinham limitadas perspectivas locais de zinhas cuja prosperidade fora baseada no comércio com o Norte e na criação
manter seu status relativo. Por último, estava o padrão de estrntificação encon- de gado; as cidades pequenas do Nordeste do Brasil atreladas à economia açu-
trado cm regiões agrícolas dinâmicas, como a de Santa Fc, onde as pequenas careira em declínio ou as cidades "do ouro" de Minas Gerais; ou Popayán,
cidades de economia ca mponesa propiciavam múltiplas opo rtunidades de cujas fa mílias dominantes haviam desempenhado um papel impor tante na
mobilidade econômica, princi palmente para o pequeno cmprcs.i riado. história da Colômbia, mas que se haviam isolado economicamente na década
Esses tipos de situação urbana foram encontrados cm toda a América La- de 30, embora tivessem mantido urna grande classe média e alta 3°.
tina, nesse período. Os pa[scs da região, cm sua maioria, com exceção da Amé- A ind ustrialização e o crescimento econômico do período posterior a 1930
rica Central, começaram a ind ustrializar-se nas décadas de 30 •e 40 e tinham tiveram , por conseguinte, diversas conseqüências para a estratificação. Na
pelo menos uma cidade com uma grande concentração de t rabalhadores maioria dos países, o resultado foram acentuadas diferenças regionais na
manuais empregados em empresas de grande porte, como fábricas, transpor- natureu da organização de classes. Como a concentração da classe t rabalha-
tes (sobretudo portos e estrad as de ferro) ou construção civil. A concentração dora e o peso relativo da classe média eram diferentes de u m pais para o
de trabalhadores em localidades isoladas era encontrada nos a campamentos outro, surgiram também amplos contrastes nacionais nos pad rões globais de
mineiros da Bolívia, Peru, Chi.k e México; e as concentrações de trabalhadores estratifiução, o que contribuiu para as diferenças nos regimes políticos entre
das planta tions haviam surgido no norte do Peru, na década de :\O. Muitos paí- as nações latino-americanas. Um fator adicional nesse período foi a i mpor-
ses tinham fronteiras agrícolas onde a expansão da agricultura havia estimula- tância da população rural na formação da classe t rabalhadora e, cm certa
do uma florescente economia de cidade pequena - o estado do Paraná no medida, da classe média. Na maioria dos países, as classes urba nas estavam
Brasil; Sonora no noroeste do México; a região cafeeira de Anti oquia na num estágio inicial de consolidação, visto que seus vínculos com a gra nde
Colômbia. A melhoria das comunicações, ao intensificar a troi:a de produtos populaçiio rural continuavam fortes.
agrícolas e industriais, também mudou o caráter das cidades p,:quenas locali- Para o período até 1960, podemos identificar a Argentina como o país que,
zadas em zonas agrícolas est abelecidas. Zamora (no estado d,: Michoadn, de um Lido, tinha uma população agrícola relativamente pequena e, de outro,
México) é um bom exemplo disso2 9 . Nessa cidade, em con seqüência da uma classe média forte e um proletariado urbano consolidado, tanto de ori-
gem européia quanto de longa tradição urbana. Em 1947, a população agríco-
la somava 25,2 por cento do total da população economicamente ativa; a clas-
se média urbana, cerca de dezenove por cento; e o proletariado, 34 por cento o
z
29. Cf. os relatos da hist6ria social de Zamora, do final do século XIX até a ,kcada de 1980, cm <
"'
GUSTAVO VERDUZCO, "Traycct<:iria hist6rica dei desarrollo u rbano y rq:,nnal cn u na zo11a "'o
:..,
....
"o' occidental de México", Estt,díos Demográficos y Urbanos, 1 (3): 3-1 3-350, septiem- z
< ":,':
o brc-diciembre de 1986; "Econ, ,mía informal y cmpico: Una visión hacia la prcvincia mexi- 30. Cf. .\ NDREW HUNTER Wl!lTEf-ORD, Two Citics of Latir, A111ericr1: A Co111parativc /)cscri ption
"u' u
o ca na", M éxico c11 e/ 11111 /,ro / dei 111ilc11io, Ci udad de México, 1 990, pp. 175-396; Zr1111ora, of Social Classes, Garden Ci t y ( N. Y.), 1 9M; e ;\11 ;\111/c1111 City 111 A·lid-tc11t11ry: 1\ h,1r/itio11,1 / UI

"'
u
"<' Ci udacl de México, 1992. Urban Society, East Lansing (Mich.), 1977. o
324 325
da população não-agrícoJa3 1 . O Chile tinha uma população agrícola relativa- menos estabelecida e mais dispersa cm m uitas ocupações de classe média
mente pequ ena e uma sólida classe média, mas os trabalhadores man uais baseadas na prestação ele serviços à população rural. As classes méd ias con t ri.
estavam concentrados principalmente cm cidades isoladas ligad as1'ils minera- buía m com 9,6 por cento do emprego não-agrícola no Brasil e com 1 1,4 por
ções ou às pla11tatio11s. Em 19152, a população agrícola ch ilena represen tava -:cnto no México. Final mente, os países tin ha m ainda gra ndes cont ingentes de
34,3 por cçnto do total da população. Daqueles que não trabalhava m na agri- populaçiio ocupados na agricult ura e não possuíam um_a classe média sólida
cultu ra, 12,4 por cento pertenciam à classe média e 25,2 por ccnto eram t ra- uem urna classe trabalhadora urbana consolid ada, qucr.'.n«s cid,1des gra ndes
balhadores manuais assalariados. Tanto as classes médias quanto os trabalha- quer nos pequenos centros l igados à mineração- e às pla11tations: Colôm bia,
dores man uais estava m relativamente consolidados e sua importâ ncia era Equador, Paraguai e os países centro-americanos, com exceçãc da Costa Rica.
reforçada por se concentrarem em Santiago, cm Valparaíso e, nc, caso dos tra- Na Col,S m bia, a populaçào agrícola representava 50,2 por cen to do total dos
balhadores, nas pequenas cidad es mineiras elo Norte32_ habitan tes, ao passo que dez por cento constituíam a classe média u r ba na e
O Brasil e o México tinham, cm 1950, grandes contingentes de população dezenove por cento eram trabalhadores ma n uais assala riados u rba n os. Com
agrícola - respectivamente, 59,tl e 58,l por cento do total da popul ação. O peso relação dO Peru, os dados revelam u ma populaç,1o agrícola maior do q ue a da
da população agrícola fez dim i:,rnir a im portância relativa e o c1ráter urbano Colôm bia - 57,7 por cento do total - enqua nto as cifras pa ra a classe média e a
tanto elo p roletariado quanto ela classe média. Os dois países tin ham grandes classe tra balhadora eram semclh,mtcs. 10,3 e 18,3 por cento, respcct i v,i mcn te.
concen t rações de proletários cm determinadas cidades, u m estra l o que repre- Havia, porém, uma grande diferença en t re o pad rão de cstra tificaç,io d o Peru
sentava 26 por cento do emprigo não-agrícola no Brasil e 24 por cento no e o do l i po representado pela Colôm bia. O Peru, do mesmo mod o q ue a
México. Essa classe trabalhadora urbana estava menos consolidada do que no Venezuela e a Bolívia, que também tinham u ma clasc média u rba na relativa -
caso argen tino ou mesmo no c h ileno, uma vez que muitos de seus membros mente pequena, tinha concentrações de t rabalhadores industria is nas cidades
eram m igra n tes recentes das zonas ru rais. No caso do Brasi l , porém, os pequenas ligadas à mineração, às pla11tatio11s e à ind úst ria pet rolífera. No Peru,
migra ntes europeus que se havi a m dirigido pa ra o Sul tinham cri .ido, cm al gu- como n,1 Bolívia, esses t rabalhadores ind ust r ia is eram '\:am poncses" que con-
mas cidades, como São Paulo, por exemplo, u ma vigorosa trad i,;ão de classe servava m seus direitos à terra cm suas aldeias de origem e pa ra l.í vol tava m
média. Do mesmo modo, a cbsse média u rbana de ambos os pa íses estava para cultivar a pós um período de t rabalho nas ind úst rias.1.1.
As d i ferenças na consolidação de u ma classe trabalhadora urbana podem ser
vistas no tocante à importância relativa dos artesãos a utônomos (sa p.iteiros,
tecelões. carpintciros)34 • Na Argentina e no Chile, na década de 40, o n úmero de
3 l. Esses números baseiam-se nas porcentagens indicadas no J\pên<licc 2. que apontam a trabalhadores assalariados era três a quatro vezes maior do que o dos artesãos
populaçJ.o agrícola e definem de 111aneira estrita a classe média urbana , 01110 o tot,il dos au tónomos. No Brasil e no México, nessa data, os assala riados eram cerca de
empregados de escritório e dos t':itratos mais altos dos trabalhadores não- manuais. O pro- duas vezes mais numerosos que os artesãos a utônomos, ao passo que no Peru e
letariado urbano é o total de t1 .1 balhadorcs manuais, exclusive emprcgc.11.!os nos !>Crviços na Colômbia estes eram tão numerosos quanto os trabalhadores assala riados
domésticos. A base de Gílculo é ,:. mesma para outros países que figuram nas tabelas.
32. O Chile, cm 1960, tinha os nívci mais elevados de educação entre os seis países ,rnalisados,
pois quase 25 por cento <lc sua 1 ,-:,pulaçJ.o cconomiu1mcntc ativa tinham de ou mais anos
----·--------------------------
de escolaridade (Tabela 5.4). H;ivia mais pcssoc1s com níveis de c.:ducaçâo de "classe média" 33. Cf. JULIAN LAITE, Jnd Hstrial Dcvclopment a11d /v!igran f /.(l hor i ,r L1ti11 A111cricn , :\ust i n

do que postos de emprego disponíveis. h1 na Argcnlina acontecia o i1wcrso O tipo rt'prcscn- (Te,..), 1981, e AllRJ AN W. llE Wi Nll, "Pcasan ts lkrnmc M incrs: Thc Evol u tion of l nd uslri,d
tado pelos casos da Costa Rica e do Uruguai, que, cm comparação com os outros ti pos, Min i t1g Systcms in Peru", tese de Ph. D., i nédita, Col u mbia Univcrsi ty, 1 977.
u
tinh.im cl asses méd ias urba na.') fortes, mas poucos trabalhadores indus1 riais é discutido 34. Cf. ,\pndiccs 2-7. Nas tabelas os artesãos por urn t.1 prúpri,1 s;lo e1H1mer.1do 11,1 1.. .1lcgori.1

também por TORCUATO DI TEU.,\, Classes rncinlcs y cstr11ct11ras po!f ticas, Buenos Aires, 1 974. "Trnhalh.idorcs por conta prúpri.i, Out ros".
"u"''
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326 327
não-agrícolas. A queda rcl.,tiva do emprego industrial (que aiJ ra?gia o trabalho it viverem constantemente no limiar da extrema pobreza, dizia-se que i:sses pobres
a rtesanal) entre os trabalhadores assalariados, na Argentina, n,J Brasil e no Chile,
'l
i urba nos tiveram uma orientação fatalista de vida que, somada ii fal ta de escola-
cm 1960, e o ligeiro crescimento no México refletiam a consolidação desse tipo 1 ridade, reforçava suas desvantagens e era passada de geração pa ra gcr,1,·1, 0.
de emprego nas fábricas 1.:rbanas e o desaparecimento do 1 rabal ho artesanal
1 As provas disponíveis não confirmam esse quad ro pessim ista de u m mer-
!. '
1.
corno categoria industrial. O emprego industrial começou ,, diferenciar-se do cado de trabalho urbano fortemente segmentado, no qúal os m igr,rn tes ru rais
a r tesa nal, com uma conseqüente expansão do emprego de se1·-'iços nos diversos
1
comLituiam uma subclasse socialmente marginal. Estudos realizados no final
ramos de conserto e out ros serviços pessoais. As desiguald ades regionais no
1 da d(cada de 50 e du ra n te toda a década de 60, cm cidades (orn o Li ma,
Brasil e, cm alguma medida, no México fizeram com que esse processo fosse um t
{
Ciud.1d Guyana, Rio de Ja neiro, Santiago do Ch ile, Cidade da c;ua tcmala e
pouc.:o desigual, porque os artesãos que trabalhavam por co1; La própria se con- !, Cidade do México, most ra ra m que os pobres u rba n os, fossem n a t u ra is das
cen travam nas regiões m ais pobres. Du ra nte todo esse pc dodo, o Peru e a cidades fossem migrantes rurais, se organiza ra m com eficiência pa ra obter
Colômbia mantiveram proporções rela tivamente baixas de tr;i ball:adorcs indus- f aqueles recursos disponíveis3r.. Por meio de redes de pa rentesco e de a m izade,

I
triais assalariados. Embor.1 tenha havido uma queda no pese relativo dos arte- não só conseguiam trabalho mas ta mbém, com o tem po, lograva m mel hora r
sãos autônomos, seu núm,::ro contin uou elevado, refletindo t;dvcz a pcristênch suas oportu nidades de emprego. Nessa época, as fa milias dava m gra nde i m-
da proporção de artesãos autônomos nas aldeias e nas pequenas cidades. portá ncia à educação dos filhos, aumenta ndo com isso fortemente os n íveis de
A migração contribuiu ainda mais para a hetcrogencidad,: social da popula- escolaridade. Além disso, podemos vislu mbrar nesses estudos u m sen ti mento
ção urbana em toda a América Latina. As diferenças nas rou pas, no falar e cm gera l de que as familias tinham mel horado sua situaçúo, cm com pa raç,1o com
outros aspectos da cultma tra nsformaram os migra ntes num grupo muito visí- a de seus pais e, no caso dos migra ntes, com as oportu nidades d ispon íveis na
vel. Como a maioria dos migrantes concentrou-se entre os grupos mais jovens aldeia ou cidade de onde tinham vindo. Algu ns estudos mostra ra m que, cm o
da população economicamente ativa, seu impacto sobre o m,:rcado de trabalho algu mas cidades, os m igra ntes havia m consegu ido u m n ível ocu paciona l
foi imenso. Esses fatores acabaram por criar a impressão de q ue a cidade latino- superior ao dos nat u rais elo luga rn. Em out ras, os na t ivos ti n h a m u m st11t11s
a mericana continha uma extensa população socialmente marginal. Alguns ana-
listas ressaltaram a "superlcrciarização" das cidades latino-americanas na década
de 60, atribuindo esse fato ao subemprego permanente cm ativilkdes marginais
do setor de serviços, como o comércio ambulante ou o trabalho doméstico e 36. Uma visão geral desses estudos é dada cm lt MORSE, "Trcnd:s and lssues i n L1 t in Amcri(,111

outros serviços pessoais. Estudos de caso sobre a pobreza urbana. realizados no Urban Rcsearch", Lllf in J\mcrica11 Rcscarch Revicw, 6( 1-2): 3-52, 1 9-75, i'J7 i, e cm \J.

México e em Porto Rico, na década de 50 e início cios anos 60, reforçaram esse BUTTERWORTH & J. K. CI IANCE, l.ati11 Amcrinrn Urb11ná111io11, C..unhridg(', 1 'J8 I . Cf. 1,tm bém

pon1o de vista. Foi cunhada a expressão "cultura da pobreza" para descrever o W. MANGI N, «Latin Amcrican Squattcr Scttlcmcnts: A Problcm and a Sol ution", J.at i11

círculo vicioso cm que muitos pobres urbanos se viram apanhaclos 35.


Os estudos Amcrican Rcscarch Rcvicw, 2 (3): 65-98, 1 967; J. MATOS MAR, Urln111izaciô11 y /,11rri11dt1s 01

de caso de famílias, cm sua maioria de migrantes rurais, dcscevcram as dificul- América dei Sur, Limai 1968; LISA PEATTIE, Tht· Vicwfrom thc H,1rrio, J\1111 Arhnr (Midi.).

dades que enfrentavam para conseguir um trabalho permanente e relativamen- 1968; ALEJANDRO PORTES, "Rationality in thc Slurn", Compar(l tivc Sr wlics 111 Societ y awl
Histnry, 14(3): 268-286, 1 972; ANTIJONY IEl'D . "Thc Sign ifica n l Va riablcs l ktcrmi n i ng o
te bem pago, o que forçava a maioria dos membros da família, crianças e adul- z
1 the Charactcr of Squattcr Sl'ttlcmcnts", América Lat ina, 1 2( 3): 44-8(), J lJ(llJ; !IJ{YAN R.
"
01
tos, a procurar oportunidades legais ou ilegais de auferir a lguma renda. Por "
li 1 ROHERTS, Orgnnizing Strt111gcrs: Poor 1-"t1111ilics in (;1111tn11e1 /a City, Aust in ( Tcx. ), l97J; :..,
of-
,' w 1.ARISSA LOMNITZ, Nctworks and h1{/ rginalit y in ,1 Mcxirn11 .)l11111t ytow11 , NL'w York, 1 977.
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37. Para chega r a essa conclus,lo, os dados sobre Buenos Ai res, S.io P.1ulo, R io til J,rnciro e ...
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35. CL, cm pa rticular, OSCA II LEWIS, TJ ,c Childrrn of Sanchez: J\11 J\utohiogra phy nf a Mcxic.111 Santiago foram revistos por W. BOCK & S. llJTAK A , " [{ur,d-urh.1r1 Migrc1t io11 ;ind Sot:ial w
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< Ft,mily, Ncw York, l96 !, e La Vidn, Ncw York, J 9(J8, pp. xliiiliii. i Mohilit y: Thc Contrnvcrsy on Lati n Amcric.i'', U11 ral ,\ocio!o:,::,r. _q (J ), l lJhlJ_
o

f
1,
!
328 329
ocupa cional um pouco melhor do que o dos migra ntes, mas as diferenças tos, subsídios, licenças de importação de novas tecnologias, e regulamentos do
eram pequenas e diminuíam com a per manência desses no locaI3 8• 1 trabalho, solaparam a base da ideologia e prática da elite esteada na família e no
1
Com a falta de moradia adequada para abrigar a crescente popu l ação i paternalismo. A,; elites empresariais buscaram cada vez mais alianças de caráter
urbana, os assentamentos precár ios tornaram-se, nesse período, a caracterís- classista e mesmo ampliaram estas para abranger os burocratas do governo e os
tica familiar da paisagem citadina da América Latina. Mesmo esses assrnta-
l militares-! I.O poder econômico do Estado fez com que uma carre,ira no serviço
mentos, localizados geralmente na per i feria das cidades, não foram con cen-
i público se tornasse o meio de ingressar nas elites urbanas, levandp os filhos de
l.
trações de migrantes rurais chegados posteriormente. Todos os habita:i.tcs da ! familias t radicionais da elite a procurar cada vez mais essa-carreira.
i' cidade, quer nativos quer migrantes, para conseguir uma moradia barata e ' A natureza das elites urbanas podem ser resumidas cm três grandes ten-
1
! fugir das casas de cómodo superpovoadas dos centros da cidade, acaba ram dências. Primeiro, as elites urhanas r:assaram a vincular-se mais a suas redes de
invadindo terrenos e construindo eles próprios suas residências. interesses e relações sociais. A famíl ia deixou de ser a base principal cio poder
As mudanças econômicas e a industrialização também começaram a nwdifi- econômico e social. O acesso ao crédito, à tecnologia, geralmente localizados
car a composição das elites urbanas. Os investimentos externos diretos twuxe- no exterior, e à informação política e econômica tornou-se mais importa nte
ram consigo um grupo gerencial de expatriados, principalmente norte-ame: rica- para o sucesso de uma empresa, qualquer que fosse o setor da econom ia cm
nos, mas também europeus. Eram incluídos dent ro da elite, embora seu pedodo que atuava. Nesse contexto, o uso das relações pessoais pa ra promover i n teres-
de residência num lugar não tenha ultra passado uns poucos anos e seus co1:tatos ses econômico e políticos contin uou tão determinante quanto no passado,
sociais se tenham limitado aos círculos de seus próprios conterràneos39. O 1ama- mas as redes sociais passaram a incorporar um espectro mais amplo de posi-
nho e a complexidade das economias urbanas, cada vez mais vinculadas ao exte- ções ela elite do que até o momen to, especialmente nas economias u rba n as
rior pelos investimentos e pela tecnologia, tornou difícil a subsistêm 1a da mais dinámicas. Os meios de comunicação, a política, a burocracia, as finanças
empresa de tipo familiar da década de 30. As elites empresariais adotaram c:;tilos e os serviços profissionais adquiriram uma nova relevà ncia para a manutenção
mais impessoais de gestão e obtiveram treinamento técnico quer cm insti t utos
tecnológicos particulares que se desenvolveram em ritmo acelerado cm m uitas
partes da América Latina quer em cursos feitos no cxtcrior40. Essas tendências,
detalhado dt: como essa mu<lança afetou o im pério indust rial dos Gómc1., com ,l tens.lo
ao lado da crescente importância do Estado nos negócios por meio dos contra-
entre mantc1 uma empresa famil iar e a necessidade de desenvolver rclaçücs so(i.tis com o
funcionários do governo, e as limitações impostas às c1npresas Gómez dianlc da recusa do
patriarca cm abandonar seu estilo particularista de controle, apa rece cm LOM NITZ & l'f:IUJ
38. Corno podemos ver cm est udos, realizados no final da década de 60, sobre Mon tcrrcy, LIZUAR, A M cxican Elite Family: 1820-1980. Com relação a Mon terrey, cf. H UM HEJn o

Cidade do México e Cidade da Guatemala. Cf., respectivamente, JORGE BALAN, HAl!LEY L. MUNOZ & HERLINDA SUÁREZ, Ed11cació11 y cmplco: Ci11dad de M éxico, G11adailljara )'
BROWNING & ELIZA!lETH JEL1N, Men in a Dcc/ining Society: Gcogmphic and Social /llobility Montcrrcy, C:ucrnavaca, 1989.
i11 M onterrcy, Austin (Tcx.), 1973, pp. 201-208; l!UMllERTO MUNOZ, ORLANDI MA DE 41. Em entrevistas com industriais argentinos e brasileiros na década de 60, remando Henrique
OLIVEIRA & CLAUDIO STERN, Migración y desigualdad social en la Ciudad de México, Ciudad Cardoso documenta a importância que davam às alianças dentro da classe e entre uma classe e
de México, 1977, cuadro 5.5; e BRYAN R. ROBERTS, Organizing Strangcrs, pp. 29, 123-143. outra para conseguir o desenvolvimento econômico, entre eles fazendeiros, banqueiros, milita-

39. Sobre essa elite empresarial expatriada na Argentina, que muitas vezes não falavam caste- res, políticos e trabalhadores. Era menos provável que os i ndust riais brasilei ros, cm compara-
"..,'
o lhano, viviam cm bairros segregados e usavam as escolas e clubes de sua nacionalid;idc, cf. ção com os argentinos, dessem importância às alianças com os trabalhadores. Além disso, cm
o J. L. IMAZ, Los que mandan, Buenos Aires, 1 964, pp. 145-147. ambos os países, os industriais que mais dependiam do exterior eram aqueles q ue, mais prova-
u
"ü' velmente, negavam a necessidade de incluir os trabalhadores nessas alia nças. Cf. F. l l. CARDOSO,
40. Isso aconteceu n1 empresa têxtil Ya rur, como relata l'ETER W!N N, Weavers of Revohllion:
.., " u'
Yarur Workcrs a11d the Clzilean Road to Socialism, New York, 1986, pp. 21-24. Um relato Ideologias de la burguesia i11d11st1 ia/ en sociedades dcpc11dic11tcs, Ciudad de México, 1971. "'
o
330 33 1
e o avanço das carreiras da elite. Segundo, a importância do Estado tanto como Medellín e Cali il ustra outros fatores de diferenciação. Dessas quatro cidades,
empresário econômico quanto como ad ministrador, e a relativa debilidade do Cali era a que exibia maior faccionalismo de elite. O grande mas desigual desen-
setor empresarial privado tornaram os altos funcionários do governo rné_m- volvimento econômico da cidade havia gerado diferenças entre a elite local "tra-
bros co-iguais das elites urbanas. Terceiro, o aumento da presença econl, mica dicional", os recém-chegados ele outras regiões da Colômbia e uma poderosa
estrangeira, seja por meio das multinacionais seja pela transferência de tecno- presença estrangeira. Medellín, como Monterrey, tinha uma elite_ coesa, de base
logia, atenuou o caráter nacional e a independência das elites urbanas. industrül, que mantinha enorme poder de negociação com o gove; no central ou
Essas tendências eram mais evidentes nos centros metropolitanos mai ores, com o capital e Kterno. Ao cont rário da elite de Montçrrey, mas igual à de
especialmente naqueles que eram ao mes. mo tempo capitais nacionais. Por causa
i:·'i·I
Guacl,i!aJara, a dite de Medellín era relativimente numerosa, baseava-se nas
de sua menor centralidade política e econômica e de suas histórias particu lares, empresas de médio porte e pn'movia projetos de melhorias cívicas.
as elites das outras cidades estiveram menos expostas a essas tendências. O resul-
tado foi certa diversidade regional nas características e ideologias das elite:;, fato
que se pode ilustrar com as elites de Montcrrey e de Guadalajara no Méxic, e as AS ESTRUT URAS OCUPACIO NAIS, 1960-1980
de Medellín e de Cali na Colômbia 42. Em Monterrey, a natureza da região, pobre -------··----- -----------------
de agricultura mas próxima dos Estados Unidos e rica em minérios, const ituiu Se considerarmos o período decorrido entre 1930 e 1990, foi entre o final da
um fator na consolidação da industrialização a partir da década de 40, med iante década de 50 e meados dos anos 70 que os países latino-americanos estiveram
grandes conglomerados industriais, que passaram a empregar um enorme setor mais próximos de consolidar suas estruturas ocupacionais urbanas em estratos
da força de trabalho. A elite de Monterrey era pequena em número, coesa e man- claramente diferenciados de trabalhadores assalariados. Um setor crescente de
tinha grande independência e poder de negociação com respeito ao capital trabalhadores náo-manuais coexistia com um setor ainda enorme de trabalha- o
,
estrangeiro e ao governo central e seus funcionários locais43, Em contrapa rtida, dores manuais assalariados e com um setor decrescente de trabalhadores autô-
Guadalajara, que se desenvolveu com base numa rica região agrícola e no con- nomos. Surgiu também, nessa época, uma elite baseada em empresas modernas
trole de importantes rotas de comércio, tinha, na década de 60, uma elite muito de negócios. A natureza do trabalho também mudou. Os profissionais indepen-
mais fragmentada do que a de Monterrcy e era sede de empresas comerciais de dentes e os pequenos empresários cederam lugar ao trabalho assalariado nas
médio porte e de indústrias de produtos básicos. Os entrevistados dessa cidade empresas de gra nde porte, públicas ou privadas. As relações sociais perdera m
viam nos funcionários do governo membros importantes da elite com um poder seu caráter predominantemente clientelístico, à medida que se transformaram
muito maior cio que o que lhes era atribuído cm Monterrcy. O capital ext erno, em relações de trabalho, que eram, em sua essência, relações contratuais.
quer estrangeiro, quer proveniente de Montcrrey, ou de Cidade do México, exer- Entre 1950 e 1980, o emprego no setor não-agrícola moderno aumentou 4, l
cia enorme influência. As elites locais tinham uma menor sensação de con trolar por cento ao ano; o setor man ufatureiro cresceu menos (3,5 por cento), provo-
seu ambiente do que suas congêneres de Monterrey. A compa ração entre cando um declí nio perma nente da importância relativa do emprego industrial
no tocante ao resto do emprego não-agrlcoia44. Embora a indústria man ufatu-
reira tenha começado a revelar-se uma fonte menos dinâmica de oport unidade"
de emprego para os trabalhadores manuais, o emprego nas manufaturas aumen- o
/.
42. Uma análise da organização da elite dessas quatro cidades, com base cm extensas en t revis- -<
tou, de 1960 a 1970, cm vá rios países da região, mais do que no setor de serviços, "'
tas com membros dessas elites, é feita por JOHN WALTON, Elite mui Econnmic DcVl'lopmcnt: "':.,
" o' Comparativc St udics 011 thc Political Economy of Latin Amcrican Citics, Austin (Tcx.). 1977.
o< 43. Cf. tamb<'m IIALAN e! ai., M cn in a Dcl'elopíng Societ y, e MENNO VEI.LINGA, Ew110111 ic
1 "u' ------···---------
lj 1 5: Dcvclopmc11t atul thc Dy11r1rnics of Clllss: lnd11strializat io11 , /Jowtr, mid Ccmtrol i11 Mo111crrcy, 44. PrcalL, "Dcsarticulación social cn la pcrifcríJ lati noaff1cricana'\ Documento de TrabJ.jo,
<
j Mcxico, Asscn, 1979. Santiago, 1 9H7.
!
:1
' 1

332
1
excluindo-se o comércio, os transportes e a energia elétrica45. Foi notável n di- J em empresas de cinco ou mais emprega<los 49 . No México, o número desses tra-
333

namismo do emprego industrial no Brai,il, no Chile e no México46. Embo rn.a


balhadores aumentou de 51,9 para 60,4 por cento da força de t rabalho urbano e,
nova indústria esteada na tecnologia não tenha contratado muita mão-de-o b;a,
no Chile, onde os níveis de desemprego cm 1980 chegavam a vinte por cento, seu
o fato de produzir artigos novos diversificou e expandiu o emprego industr ial.
número subiu de 52,7 para 63,2 por cento. No Peru e no Brasil, o peso relativo
Apesar dessas variações, houve, de 1%0 a 1980, semelhanças n:i mudanc,:a da
dessa classe de trabalhador se manteve constante no mesmo pcrí9do, mas cm
composição do proletariado nos seis países que esta mos a nalisando. O n ú111ero
nlvcis muito diferentes: 58,7 por cento no Brasil e perto de 43 por cento no Peru.
dos trabalhadores dos serviços nao-dom{sticos aumentou, salvo na Argenti na e
Na Argentina, houve uma redução acentuada no pcrccntuardc trabalhadores cm
no Peru, e o peso relativo do serviço doméstico na estrutura ocupacional d i mi-
empresas de mai:; de cinco empregados, de 73,4 pa ra 57, 1 por cento.
nuiu nos seis casos. Com exceção do Brasil, a importância relativa dos trabal ha-
Uma cxplicai;ão para a persistência de altos níveis de emprego nas peq ue-
dores na indústria manufatureira dimin uiu. Contudo, essa mudança tinha um
nas empresas no Brasil até 1980, apesar do crescimento econômico, foram as
significado diferente cm cada país: na Argentina, no Chile e no Peru, rcflctia a
profundas desigualdades sociais desse pais e a heterogeneidade de seu sistema
acentuada deterioração da manufatura, ao passo que no Brasil e no México era
urbano. Por exemplo, havia um contraste acentuado entre São Paulo, que era
um reflexo, em parte, da modificação na composição do trabalho industrial·- de
altamente industrializado e tinha mais de setenta por cento da sua força de
manual para não-manual. No Chile, de 1970 a 1982, os empregos na manu fatu-
trabalho em empregos formais em 1980, e Fortaleza e Recife, onde aproxima-
ra diminuíram em termos absolutos. Nas cidades industriais, como Concepóón, damente •1uarenta por cento da força de trabalho eram trabalhadores infor­
esse crescimento negativo atingiu índices de 3,2 por cento ao ano47. No Peru, a mais5o. É importante lembrar também que o dinamismo do setor moderno
classe dos trabalhadores manuais foi, durante todo o período, menor do que nos da economia fez. com que, sob certas circunstâncias, as atividades informais se
outros países. Os números peruanos para 1981 mostram que o funcionalismo
mantivessem por meio, por exemplo, da subcontratação 51 .
do Estado, juntamente com os serviços pessoais e o comércio, absorvia cerca de
Nos seis palses, com exceção da Argentina, a modernização econômica
55 por cento da força de trabalho nas quatro cidades maiores: Lima, Arequipa, <
conseguida nas décadas de 60 e 70 continuou a reduzir o contingente de t ra- z
....
Trujillo e Huancayo 48• Em nenhuma dessas cidades, a força de trabalho indus- balhado,rcs autônomos. O declínio foi menos acentuado no Peru, seguido pela :';
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trial alcançou mais de vinte por cento do emprego total e o tipo predominante u
de emprego industrial se concentrava nos estabelecimentos de pequeno porte. "'
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..-e
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A persistente importância da pequena empresa se percebe pelas tendências
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do emprego. Dentro da classe trabalhadora, somente no México e no Chile 49. Cf. Prcalc, M ercado de tmbajo CII cifras 1950-1980, Santiago, l 982.
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z<
houve um aumento acentuado, em 1980, dos números relativos de trabalhadores 50. E. TELLES, "Thc Consequences of Employmcnt Structure in I3razil: Earnings, Soci-demo-
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graphic Cha ractcristics anel Metropolitan Differcnces", dissertação de l'h. D., inédita ,
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!:,;1;
Univcrsity of Texas, Austi n, 1988, tablc 2.4. ....
:,

45. HENRY KIRSCH, "EI cmpleo y cl aprovechamicnto de los recursos h umanos cn América
51. Cf. FRANCISCO OLIVEIRA, "O Terciário e a Divisão Social do Trabalho", fstwlos Celmip 24,

Petrópolis, s/d.; BR!GlDA GARCIA, Dc.<arrollo económico y al1Sorciô11 de f11crz,1 de t rnl!/1Jo 01


s"'
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·._' i <'.

'I Lati na", llvlct /11 Eco11ó111ico de A111érirn L11ti1111, vol. XV[[], l e 2, l 973. M éxico: 1950 --1980, Ciudad de México, 1 988; MAllTA J(l)}.l)A N & LOUIWES BENEllÍA, n,.. o
7.
46.
:1 Cf. HUMBERTO MUNOZ & O!U.ANIJI NA DE OLIVEIRA, "Algunas cn nt rovcrsias sobre la (ucr- Crcusroads of CJa.\s ,111( / c ;cwl ,·,'i Chk.1go { Ili. ), 1 987. < :t·rca de ollZl' por ú.'nlo d,1.\ L'111pr t·,.1., ;;
! 1_;1 de trabajo cn AmL"rica Latina': cm, ll. KATi'.MAN & J. llEYNA, F11crza de tmfJ11jo y 111ovi111 ic11· i ndust riais f prmais do segundo estado mais impor t.1ntc do México, J.il isco, uhu>nlr,1 ":.,'
"e', o
....
i < tos /a /;oralcs cn América J,athrn, Ciudad de México, 1979. tavam trabalho com oficinas ou tr;1halhadorcs cm casa cm 1 982 - ante\ <.Li cric: BRYAN R. z
e,
' 47. Instituto Nacional de Estadística (Chile), C:rnsos 1970-1982. ":,'.
"'u ROBF RTS, "Employmcn t St ruct u rc, Li fc Cyclc a n d Li fc Cha ngcs: For mal a nd l n for m.il
.i
48. :;;
,J, ,:
I nstit u to Nacional de Estadística ( Peru ), /'crú: Algu11,,s car11ct,:r/stirn.1 de /11 po/,/,,ción: Sector, i n (;uadalaja ra", cm A. l'Olff FS; M. C1\STl'I.I.S & 1.. I\ ENTON ( cds.), 'J'hc l11/é1r111<1 /
< "'
"'
li Resultados prvvisio1111/cs dei censo dei 12 dc j:<lio de 1982, Boletín Especial n. 6, Lima, J 'J81.
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Ecm,omy in ( :omparntivc Pcrspcct ivc, Baltimore ( Md.), 1 989. o
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334
'1! No Brasil e, cm menor grau, no México, o aumento dos estratos ele traba-
11 Colômbia. O Peru iniciou o período com o nível mais alto de trabalhadores

l"!i por conta própria - 30,l por cento - e, em 1972, esse percentual ainda ,:hega-
va aos 28,9. O Peru e a Colômbia const ituíram exceções parciais por ca11sa, de
lhadores não-man uais ocorreu princi palmente nas ca tegorias mais altas -
gerentes, profissionais e técnicos. Ambos os países se ind ustrializaram forte-
111: seu fracasso comparativo em industria lizar-se nesse período. mente nestes anos e experimentaram também grande crescimento do setor de
,1
1
Uma grande parte do aumento do emprego no setor de serviços se d eveu à serviços vinculados à industrialização. As mudanças na cstrutur do trabalho
'!: expansão dos serviços empresariais (financeiros, técnicos etc.) e dos se1viços industrial incluíram a expansão do emprego não-man ual: as mµda nças tec-

Il i!1l sociais e administrativos. Esses serviços modernos estavam vinculados à o:pan-


são do Estado e ao setor manufatureiro intensivo de capital. Tornaram-,::, nas
nológicas não só substituíram os trabalhadores manuais por máquinas, como
também suscitaram a contratação de mais trabalhadores técn icos e ad minis-
1 :1 décadas de 60 e 70, a fonte mais dinâmica do emprego no setor de serviços. Os trativos. No México, por exemplo, os gerentes, os técnicos e os funcionários
,1.,11, n úmeros e percen tuais de proprietários, gerentçs, profissionais, técnicos e administrativos a umentaram de cerca de onze por cento d os empregados na
! li empregados de escritório aumentaram continuamente entre 1960 e 191\ 0 ( cf. indústria em 1940 para 24 por cento em 198053. E o n úmero de 1940 dá u ma
Tabela 5.2). O comércio e os transportes também se modernizaram por meio falsa impressão do tamanho da força de trabalho administrativa nesse a no,
das cadeias de supermercados e das grandes empresas de transporte e reduzi- uma vez que era constituída, em sua maioria, de peq uenos empresários.
ram seu peso relativo no emprego durante as duas décadas. Os serviços t radi- No Brasil, no decênio 1970-1980, os setores mais'dinâmicos cm termos de
cionais -comércio de varejo e serviços pessoais - e a construção civil con:inua- criação de emprego foram os serviços empresariais (taxa anual de crescimen-
ram sendo os pontos de ingresso no mercado de trabalho para os novos to de 11,6 por cento), o fornecimento de eletricidade e de água ( 14,3 por
milhares de trabalhadores sem qualificação. Foi nessas atividades, e nas of icinas cento) e a indústria manufatureira (7,5 por cento)54 • Essa última taxa de cres-
de manufatura e no trabalho ocasional e pouco especializado da ind ústria cimento contrasta com o pequeno aumento do emprego manual neste setor e
moderna, que se concentraram o emprego informal e os baixos salários. sugere a importância da manufatu ra na criação de emprego não-ma n ual,
Essas tendências surgiram mais cedo em alguns países do que em outros (cf. como vimos no caso do México. Em compensação, no Brasil os serviços pes- <
z
....
Apêndices 2 a 7). Em 1914, a Argentina já apresentava um setor de trabalho não- soais e o comércio cresceram a um ritmo muito menor ( 4,8 e 6,0 por cen to, ::'i
<
manual que chegava a quase trinta por cento da força de trabalho urbana, e, nesse respectivamente). u
õ:
caso, as mudanças mais notáveis haviam ocorrido de 1914 até 1960, quando o No Peru, a principal expan3ão do trabalho não-manual aconteceu princi- ';";:
<
número dos gerentes, dos profissionais e do pessoal técnico aumentou em detri- palmente nos estratos mais baixos dos empregados administrativos, mas não <
z
mento dos profissionais liberais e dos empresários, e o número dos empregados de <
se pode negar que os estratos mais altos também aumentara m. Este cresci- z<
escritório cresceu em detrimento dos balconistas. No decênio 1970-1980, o mento relativo dos empregados de escritório foi o mais alto entre os seis paí- "o:'
::,
aumento dos empr,:gos gerenciais, profissionais e técnicos foi acentuado, t anto ses e basco:.i-se no fato de ter o emprego aumentado mais no serviço público <
o:
:,
quanto diminuiu o emprego assalariado no setor de serviços. A redução do t raba- do que no :;etor privado. O setor manufatureiro no Peru, em contraste com o ....
:,
o:
lho autônomo e da importância da pequena empresa tinha alcançado seu apogeu caso do Brasil, foi uma fonte menos importante de emprego do que o comér- ...
no período 1930-1960, e de 1960 a 1980 a importância do trabalho independente cio e os serviços. No Chile e, em grau um pouco menor, na Colômbia, cresce- <

voltou a crescer. O trabalho autónomo na Argentina era diferente do dos outros o


ram tanto as ocupações não-man uais de alto nível quanto as de baixo nível, z
<
países: em muitos casos, era totalmente formal e moderno e envolvia níveis relati- mas o crescimento nas últimas foi mais acent uado a pa rtir de 1 960 até 1980. "'
"':..,
vamente altos de investimento de capital em armazéns e oficinas52.

u
53. Censos J nd usl ri ales de México, 1940 e 1980. o'":
.., 52. IJURSTON, "Transición estructu ral", p. 76. 54. Os nú meros seguintes são calculados a pa rtir do Censo Dcmogr,íl1co do Br,,sil. 1 970 e 1 980 .
u
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336 337
A rc tcbJc mbana da,'\.méric1 La! i n a cr.i extremamente heterogênea den- tinham começado a implant,1r i mporta ntes progra mas de Jc:;cnvolvi m en to
tro CÍ<"'. cacL roais bcrn como entre urn p;1ís e outro. Para analisa r como o:; pro- econômico, dirigidos pelo poder ccn lr,il, com o objetivo de 111otkn1iz.ll' a a
cessos econôm icos, Jcmogrúficos e político se junta ra m p.i r,1 pro.J'\1 zi r p,ticnlt u ra. n t1J1H! n Lt r n:; nf vt.·is d e cscnln rida dc.:·, of,_ rc'" c: r scrv!';o:-; {.L. •a údc1
p;1d rf1t· d ivé'rsn. di.." est rut u ra oc1.1p;1cl n nal li tb:111:1; p1·(·t:i:m rl:,!nos est u da r os renova r e r1 rn plia r a i n fnl.- ,:stru l.u rn :ccnô .n1,...:J , J r.i....·.l hn ru- ;.1 e:? 1:·,: ·1._ fi::....,al Jo
d:r:r···nt.." s t ; po :.. r c.:J r'..t:...:'\:c u , L :·10, I1.'l c:s:T1c qu un1a anJ.li ;c r:n in11ciosJ este- E :t;}_d: . J"Jo pl zrno n u11rli,d, os f1:1os 60 fo1:1!n \ n1. d tcd tL.1 d 'l,!, ---.'J'qvcd•:i n1crtn''l 1, a
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('fY';·1rc2,·-) r-:,, l_L·.:::.i!) 1?1 l1 r;r,o) rr;r J,1 J..'.Of c•::n lG do c111prcgn Clll Sào t:). O t"{ st_i llado fii1éd ,J; s r rc <,Xn: i.1k'n;A ,:rxtc1 n.1 : <"ni f ! :n, ·.\ .1,_" nn:-:<i -
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,id.:, k 0 :.nc1w1T:;, cc, rno Za mo;·a, li:wi;;m se cspcci::fo:ado cnormen!cn te no Br,1siL 2 L2 per cen to p 1ra a (o!ô1nbia, r tn 1 982, e 49, J pc·r ccnt0 1,,.,_ ·:: l\ rn,
ct:i:}! t'..i(: e n c;:; :;i·r u \ ns, <:1n u n1à prc cn ;,t (:rr rc5 iva da 1nanufatur .t. Das em 1981. I,1Jcpcndcntcmcntc d,Js mcdid,1s cmpr<'gac\as, a Colôml,i;, ".pi :,ntou
3 '.iG3 cm; •rcsas di.: Zarnora, a penas etc por cc;ito cr,,, 1indústrias, e estas quase u n1.nh,cl rna·: bai:cn de crn prr00 público do q11c ;1 i\r3c 11t!:n<1 0 1 o i··r: ',.t 'f;_
sc!li;1rc :;;':Jm oficinas: -:ra de 9,'/ o n ú mcrc médic Je empregados por empresa E1r:. tol:.• os os países da rcgiJ n, a cxpa ns:io Co cmr t· < 1 r,übljtu (;; : p.Fiicu-
n u s•?i·Jr L:ch:,;, ial°'( Thn prnccs:-o srm:ih:.1i f L:via ocorrido em Huancayo, la rn1cntc '·x.pressiva nos C[.tr<-1:.--Js de lra0alh.id,0P?:: n Jo-1n{!n utús, fi1i... .J i i dtS
l;:i:-;; cid ,íc ·lo Peru J ca:::a c1c 15:J 1nil h: l,i t,1nt:s, on:Jc a grande indústria pi deles, o Clll prcgo p úblico p:issou a ser a pri:,ci pal fc,nte de ::mp·=f;G nã o-
, tic.;:-;il'.nlc dcs.:p.orccc:rn cm 1972, e o setor ind ustrial er<1 constituído, prin-
1
1nanual. Ea 1981, o s:; cr pü.bli•:o · 1nrreg:tv 1 57 t.,01· cen to dos tf:J,·, '.;_.,.. ,._I,. , rt:'s
cjral! ,/:nt \ _, .J ofic:na : Lu 1iHtn-c3, pà·.lai"i::is e i• P u t;-;..iesJ7. não- mam,a is no Peru e 52 ror cen to na A rp,cn: Í i1.1'>'l. En,, e l 'J / ,- l '.:R i , n ínJicc
de ,- aincnte dn t1n prc1:,o r{1LHcc, 1 0 P..::11.4 fci de 'l,?. iJPt' cr: ·(" -ic ·_""!110) enqua nto :1
1

[e; j ) . .,O. e, Es :.1·1"-, inlcr v] n ha ca1.hi v,.,_z fi:1Ji:, na gc raçi10 e reg11Ia n1t:ntação _população ri âo<1i:.i ícola cru non1ic1rncn tc a tiva un1.1 r n r:...-)i;1 af,Cl1JS 4./l p0r crr to
d :, cn,r,i. :n. Na décacfa de 60, a m<1iori;i ,L,s l'.<'V"rn0s la t i no -;im cr i ca nos ;J.O :ir.e. :t-ro Chi}'\ ;) t:rn pr :gt:; p(1 L,l;, n CfCJC{'l\ ;1·xt· '"; : '.·: ._ l ')7.\
1
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Sa ntiJgo, J 98 1.
V
:.>7. 1,J,)l-:M/,N LON(J D.. Hi\Yi',N H. 1ZOPLR r:;, f 1í11cr :-, Pcr::.:outs, nn:l ülf rcprcncurs: ffrgion.il 59 . Ccn:;o d l'uliladc n d1..· Pcru 1 1 9 -)1 , Rc.sui t,1dus [1,:-[init Í\'Oc;, \\)l. 1t torno l!, cu.,d!d 28 ; C\:n'-O ""''
De , d ·; . 1c1i i {1; r/:c Curt 11Jl :iigli/ u1,1 !c nf 1
', : 11, r.:11nhri<1 ''i l g 1. 1:p. 110 . I 68.
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o
338 339
ma is de sete por cento ao ano, mas, a pa rtir da última data, a política econô- somavam 3,4 m tlhõcs, com quarenta por cento deles trabal ha ndo cm órgãos
m ica in,posta pelo governo Pinochct provocou uma forte contração da ad mi- descentralizados, como organismos de desenvolvimento regional ou empresas
nistração do Estado e das empresas púhlicas 60. No México, o crescimento ifo estatais. Em 1980, o funcionalismo público passava de cinco milhões de pes-
emprego públi co parece ter sido impressionante: entre 1970 e 1980, ele soas, ou 11,4 por cento do total dos trabalhadores, com 43 por cento dcks t r.1-
au men tou 1 2,5 por c:cn to .io :i n o 11;1 a dministração cen tral. Enquan to, cm bal ha ndo cm organismos dcsccnt ralizadosM. No Brasil, houve, u ma n.:,J.;ç,io
1970, o governo emprcg.iva pouco mai,; de um milhão de pessoas, cm 1 980 i nversa entre o d i namismo econômico e a necessidade de funcion.i ios n,1 ad mi-
esse n ú mero subiu p ra 3,2 milhões, 011 dezessete por cento de todas as pes- nistra\:ão pública, em que a expansão elo fu ncional ismo pú blico servia pa ra
soas empregadas no país. As empresas p úblicas, como a Pcmcx, o monopólio mel horar o impacto social negativo das crises econômicas da déc.1da de 7(l1'>.
esta tal do pet róleo, cr:1 rcspons,ível por cerca de 24 por cento do emprego O crescimcn l o do emprego público tinha conseq üências diretas e indiretas
pú blico; a administ raçt\o empregava 33 por cento; e os serviços de cducaçilo e para a situaçào do emprego u rba no ta nto man ual qua nto não-nun na l. Os
saú de, 43 por ccntor,I . governos lati n o-americanos passa ram a atua r ativ;,mc n lc na csia,ili raçüo e
F.,sc funci,rn,1lismo d o governo, embora se concentrasse nas princi pais formalização dos mercados d e trabalho u rbano, criando catcgoria3 Lcm defi-
cidades, especialmente nas capitais de estado, apresentava também um gran-
nidas de trabalh ador com d iferentes direitos e contra t os. Os hcndicios da
de contingen te n as cidade:; menores e mesmo nas pequenas. Em Za m ora
seguridade sociJl, como serviços de saú de e <l ircitos à aposentadoria, forn m
(M(:xico), :.Ena cid udc que, cm 1980, con,ava cem mil habitantes, foi est ima·
cstenc:ides primeiramente aos funcionários públicos e, pri nciy.l u cn tc aos
do '.J UC h ouvesse mil funcionários p ú blicos somente no Ministério da
emprcg,1clos na admi nistra:ão pú blica. Os princ.ip,ti:; 5rnpos de tra balhadores
A t;ri cd\llra e no Ba nco Rural; e as csco:,1s, os ser viços sociais e de saúde eram man uais, como os ferroviários e os clctricitáfr,s, que m ui t,1, ve,,cs eram
r'.':,pu nsi,ci,: pela ma i or parte do empresa não-manual assalariado 62. Nesse empregados do Estado, foram os que recebera m esses bcncfírios cm scgu i-
pais, 1;izõc politicas, como a proximidade das eleições presidenciais e o dicn- da66. Nas décadas de 50 e 60, esses benefícios forn m estendid os a m u itos
t,_ k, rr1G, for:rn1 fatores que <:•Jntribuíram para as flutuações no aumento do out ros setores da classe trabalhadora urbana, especi almente aos cmprcg.idos
c:11prcgo público 63. em empresas formais de grn1lclc porte. IIou vc ta1ilbém u rna m,, ior regu la -
No I3rasil, entre 1978 e 1985, o emprego na administração pública aumen- u"'
tou 5,B por cento o ano, enquanto o emprego formal cresceu apenas 0,9 por "'
cento, :onvcrtcnclo o emprego p úblico talwz na nova e principal fon te de
emprcgc:; formais no país. Em 1973, '2S fun-:ionários da administração pública 61. Sobre ü maior envolvi mento <lo Estado cen t ral nob órg<i.os locais no B, a:,i! l' a crl''.'>Lt'..lllc
importJ.nLia JJs fu nções empresariais do Esta<lo no pcríoJo de governo mili t.:i r no Br,1 il.
cf. ANTONIO .\ILDEIROS, flcJlit ics <11ul lntcr;;;ovcn1111c11to! U1..· fatiu11s in Hr111i/: / ()h4 J Y/:2, ew
York, l 986, J,il.,!c J.
60. ECI { EVL:{Jd,\, 1:mplt·o p,l lilico e11 Amérin1 l,ntina , i nd ic:1 q ue isso cria um gra ndt..' setor 65. Cf. /Ali !E GATICA. Caractcristicas y aj11stc dei empico Jim,w /: lirasil, J Y85- 198:C, Icxtos p.1r.1
em prego público "marginal". Discu'it.ão, n ü rn. 7, Brasíl ia, 1 988. Que a cxp;ins,io do crn prcgo pú blico t'f ,l u111.1 pol i t iç,1
61. Cf. M. IJL\NCO SANC!IEZ, "Empico cn Mé x irn: Evolución y tcnJrncias'', tese de Ph. l )., i né- dc!ibct ;:ida (Ot\1 vistas a cnfrJq ui..:ccr o pr utcsto pop11l,1r nas crises cco11c)miç,1.., L· o ,Hgu mcn · o
d i t.1, El Col egio de México, 19'10, e Tl'l:I.SA R E ND<)N & CAl1L0S SA LA, "Evoluci,in dei
z
lo de S. '. UTOl O DOS SANTOS & C. A. il,,\ MOS, !Y1c,uulo tlL' 'J ralmllw 110 S,·t,1r l 1 ú /Jf1u, /"l'dnr1!: ;;;
cm pieo n t\kxico: l 895-19fH.l'', !:sfll( /ios I )c1nogrâji(os y Urhunos, Ci udad de lv1éxic< i, 2( 2): 1 S11bsidi, s pc1r11 .:, f1cb11tc, Textos p,1ra Dis..: w. .Jo, n ú m. lJ, Br,1 íl i,1, 1 \188. :".,'
o
,-.
"C'l 89-230, 1 907. 66. Cf. C:,\JPv!ELC ME'.)A-LAGO, Social S'ccurity
1
i11 I.oti fl Amcrica: i'H')Sllrc Croups, St ralifir·,uio11 z
< ':",.
Ç;
t.tJ a11d ínr,pw!ir y, Pi ttsbu rgh ( Pcn n.), 1978; "Social Sccu1 i t y a nd Ext rcrnc Povcn y i n Lt t i n
u
o 63. Ci. J'. 1.i\l'i<TA, "EI cm pko rsl;1 tal cn Méx ic,)", cm AlJRli N1\ M I\RSl !Al.l. (cd.), Ei l'111pico Amcrie-1'\ ]011r11al nf Dcvcln{'111c11t l:'co11nmics, 1 2: 3H-- J I O, 1 'J:L1; "Soli,11 Scru ri t )' ;! rid
<
'"u"'
Devclnpmc111 i n 1.a ti n Amcrica", C.TP,,1. U.n•ic11·, 28: I J5 1 50, 198().
o
'31(\ 341
m ea taçiio d o nwrcado de trabalho, q11e se t raduziu cm cód igos de trab;1lho traste com as décadas anteriores, llln crcsci mchto ge ral do t ra b,,l hn frn,i n in ü
que propici,ir:1111 certa estabilidade no emprego, insti tuíram 11m slilrio-rnf ni- ASSAlari ndo 67. J.:m q uinze dos v i n te: pa Íi•t l.1l i no -a n Hc ri.:a1,"t ;,,;;d .,,;..los, a
rno c<;ti bel,:ccr:Hll rcqui.si t O!-t de scgu r,H'lÇ3 sat'tdc. Esscg ódigo ttnb;dl)i... paf t iripi1 ção fcnlinina no n1r·.rc.·Jc Jc tc1b 1U10 i l!UlC"ntou, clnbcr.: cnn1 d ifc-
tas m t,i tas vezes n u nca foram ,,plicicfos, mas cri<1r;1m uma distinção <'ll.lre c1r ren ç0s n 1- !'.: poca Jo H,n1catc '? !H)$ n (,.,,.-;, de p:, tici11J( 10_ I ! 1 l , .2·'· ,.1 l j i l <l., o
pr,·:.:,•1· f, :T:n\ ( infonrnd, ,1uc se lCJ'lú!!i.i, d•'j"ois, nas décadas de 70 e 30, incre111c·1to foi rnaior n0. décad;i de 60. 1\Jo lv11x jcu e no Br:1siJ , ocor reu d
u n i - c1rtcl crf:;tit:a cada vez n-:ais i1 npnrt.1n1.c d estrutu ra u rbn.t de cL1 sstS. fu··ma n11i :1 :o::! 1 t1.. d-. n;1 df 1. _:d:1 !i.t.' ?0.
/'tl .:rr: d i:·::1:, :y; b1: - ::-:f ki0:; L S"..' tu •· .>:1._:..:s-.-:ci,1I :.: ; i;ot.. ção do en1prcgo tnrna- vícstLO con1 o a 1J n1 nto da p 1r t icip;?i;ão f('i)1jn ina cn t r t I 9t 0
! .r:: 1 J UO, os
rain c,s t r .1b,!l h:Hlc-rc-s n;.1_o n:.3.n .1 is - ;Jd n.!ni::tr;1, dor-: 5, profissiona is) pcsso l t hon1cns rY\cint1·i-"c i ::i111 1.1:i. ; t:xi? eh pu. tir:;.'<\ç:10 na ,2",:nn0r:1i 1 .:+. .- 0;....:- ,,J rncn-
t _..:, L ,y e :' · r;;·,, 'fj 1 :..LJs d ,: c:;crií r.i tUil J t..h1ss( urL 1 na distinta) un1ct (< n ova"
1
) .-- tar,nn ncJ n diini n u r.J u1. J',Ja 1\r n ti1 1e ,1,.. Chil•\ (;_l1C' ,1;-,1·"· · ····r:1. 1::n
cl·:.\.-.; r· rntdLi 1:1 i r: c'Jr. tr :;tV;\ c<:r.;: (' ,c--;: cl h 1_') f.:!- :sc 11 éd ia t.k·profissionais inde- J igf i.lo :_;_,...1 c!!}'.J d p,úi :ic ..!;_: Ji ;, ;i
-:·; i·J , ,:;d -/·'"' 1 r!.1· i_; t :,I'.··. ; , 1 ; ...L; Jo;;
f i:'"L·J,.. ,·.'. <,•-:' _ ·-.r>;J.'!l- ·;o ('fl; ·,: :.'..,;:ri,;:;;, íod k,s rL: p0n icir;y,O ;.11;1:,\. .,d;·:;-. r1cs r}:; r;.1: ;,·r rc;,· 1
, , ,--; ; '\."- ..; ::.-··;,1ô-
f -!_ ,:.' :.. 8 1 d,. ( C: :: 70) ;:: c: prru, r ú bli·-() nã r\-1112.nud não era .1pcnas un1 1nic;1 -- Brasil e lvi tx ko -· o cr,'.;;...._irncnto Ü,1 1,i rt ;1. i r:·:cã:1
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" r{..·· ·,.., i 1,- :--,..: !·t·-,r111 !,· e
- ' 0 & -A 1• • • ,.., ,: .:_.. _ 11,,. ,.

de·· :'"t._:r,.: ) ;.lu cn1pn:gc que 111:J i;; cresr_i; , er an1bé·n1 un1 dos 1nais seguros e peqncnJ i' rd1J;·:-:o da n1;1sct1J. if;2. l'J0 f crn, e r·--: í.:.; {k 1nc1HJ i" ti:' :,: l"i (1f n lo 1:'

" \" '.s ':;,:; n r t}f (.J '\ :e :n âo ir,·:.:v l.::r.:.<; cs bl.'.1a: fü.:inr cxtra--salariais. O acesso a cconôn1icc\ Ã pa rtic /.p çã) fc1ninin:1 n1;:111 tcvc c0n:.;1.1,11, ,; c.ii•.J f.,,,· ,,· :.-:".:'.:n l t. a
r t11 pr(::,1.. in100 p1:1hl :(( Sl csj;(',;-- Í d nh:n t p;1ra a ,'11_1isi:;Jo de 1noradia, e ns ;:t nna- n1a culin . I\n ii. d rcl.iu ,:Jo n;1 t,1;·ti ..ii;·'.(lc co)11Jrnic1 !:v:; Í H.J • i.'. :., ,t·veu-·.\C
1

t.t ':!L t:;, .:,_'..i..:d v d .. rropr icd<1Je du ::;ove; no fcr:-1rn duas das atrações du fun- ao aurneJ1!0 do rau de c:.cola ridad.c i .t.rc os ::_:r!=110s ci:l rio:: r, 1 -:.
1
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c:io;';",F"' v; p li 1_·.!!c0 <;:n . !oda · .:\ n1(rL L:::i !..in.,1, Tl!.dO isso po,;sibiliton un1 esti- aposent<H3.orià cat r:-: o:, rc:;iJcr; cs rLc1n;;:s n1ai:-1 vcl hns. :=cn v....;-3 , , , _ ! :ig1 u 1 s
lr: •Jc v l:l· t:i-r::.n.. f1. ::, U::.scado n u rrr.l e.a:; coi"Ju r Un·cl, localizaJa muitas vezes paíscs -/1.rgcn tiua) (:l.1ilc C PU1; por cx rn r·LJ -C d::c:-J í;1i n :J:" r('J : r-- ,.,. :';'"1·,t -

crn ,:- 0 n ç i-,1í n ios ,.:x1-l11s; :1os. A! xn ( f ;;sc,, .i :ch.s f : t.;.:rros. e c<1sas bem n1on t.adas,
1 1 calii1d foi · :au:.i.idu ia..-.!.:(Jl t r,c · c-::;l;,LL'\:,t:. ccu tH}i:.1i c:.1.
c1. qi:··f/':.i ts d )í1d:st1cas e (1(: rno.:..L:: crcsc·1,1 t· , ed11c:1<;ão para os filhos cn1 i'J A.r[; ;,'.J11a e .;.: :· ,0 z ,;,.-.,,:1\f G ...:,J_:: J ,.I :r.:,. :-. dr: p ,
. '"l )l);\

s..: }1 ·:; ./;·-·ticiIJ:. r c \ cs q t.:=i.:.:J :;.!f/( . :li.VJf;-: , c r:-·. 1i :E1r0 c:iJa vtz n1aior, n:is ocr, rrru c::lz-: a.:; ;:,1 J.i:·:, -- .:o .j;_.: 2:j :.:1,r.:.; Ol! :ri;\;;, c:iqt1·_1 n t i.:
u1.1 i ,.,1. i·::i:( \:.1,...:-.. E1Lr1:v1tn, p:1r;1 2. t/'rJ ;;h) .Jo ,, :.J ni-a)·do sccu ndúria fora a v in te an< -0 ·"ti I <J •·..n": 1 · ,:n:r À:.1 r1·,: ':r(_;_ :.:.7·.,-,, ,;.;;11 : ;i)"', .. ;_;. ._: ·

5 \;,:',( .1:: ;·:_ \: fHt ', :n·i\.:lr r u r1 sl ,:t:.'i de cfr s:-;- .r/ .:i;.1, J:·. década de 70 p;1ra os
1 Jv;L<ic-:) ;1 p:-r.:;eníarJ-n:c 1 i,, ·.-:_· ,..1 .'-i. r,::: l.i.1 -.::r :::. r,
t!hc,s :t rcrn,.:-1 cr :J. 2ch1c:iç?ic, u r <-.-,: t{:!f ,;11. j 1n po5 e'tJ riJ.') e cn t ·c s .'..! 1.\ d l.l\'c.r::>
in,.:1r1n(:ntü füi n1ais fi(rfltu 1:J,J,
lJ n , d;1s 11YL!d.1: (;as 1.nú... L· 1po ·: ;1nt:s 11c1s cslr u t ur,1s ocqpa(ÍOn jis urba- Ü ·iUC: caU OU O it.-'l!1Ci't O -J·J itaf it.C'S d e r; fi.ici p;tÇáU fcuÚJJ Í n:: rcl r;qn as 1

nJ : . '.,: 1\,,,ifr:,1 L, ti n a, ,,pé:. ,1 d (,c;1::l,ê de '.jJ, k l. o as• m<::1,to do emprego femi- muchrn;-;is ocorrida, na oferta de ern·1)rc,•o e ,1, mv\i!-Jc'''''r't' •'<,,., ,1;"'"
{) .. . '- · _j -· , • ,1\ ,,,"."q_/ .. ,.q,..:!,1 1
n1n n ass1J ..i ri ad o. De todas (,s r :giõ(:s en1. Jt eJr1·nlv11ncn to, foi a 1\n1 rica e rsp;i(ia] Jo t rJ bJ hc. !, rr,,:!1..d:; ,J:.::, n f -_;: i s 1i. "_lt1,;1,, ;·::i ..1 i .r ·. :i1:: de
1./ ;r-,,• 'r,;,;.<.; 1_:p{'J ü, 11;1 d ra,i:.: ,i,:. 70., ;):; t;::,.:,::; 1-n 1i de\'adas d,:: pa rticipa-
! .!) (

1
,....,. . . 0J p·u.. ;.::,1:·1 11a c:.-ú!1!.J!1li; i c ::H t{;r: c, t: J :i i ,1}1; fc.i Uaixa rn1 con1pa ra ção
1 ce.ír, ; tn n:. 1 i;·1,.io .J ,:cnv:::l v ido. --- -- ------------------------·-·----·--
'' As 1,iGtt c1\-Uc-;, (El dif::rcn t:-s r·-.:ríc0cs iü :t.ú1i,:os d:J tra)alhG fcntin ino 67, Com rcs:,cito .1:, tcnd,'nci,,s de p,,, ti, ip,11;.ío ,oirc ,,,, q u,a i.s s,· t,,", ,,, ,, .11d::.·:,,, ,,<:i,-

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Sa n tigo, 193ll; cnm rehçJo ! 1\1 r,cn t i n.1, /L1I.;,;:\ HECClíli'i: PL f X!'T!:S,
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1
1b.ico, UIU.i\rJ!)iN,\ I1E OLl\'UHA H1UC!l1A C..\ilcf.:,, "r>:p.iii!..i('in dei 1 r.1h.1j,l !i·:ni. n i no y
n,,.ídadas pelas difc1 lnr; as i n L'ri1:1ci,n,1i, ,, in!P!lrionais que já ubscr· v;;mP,
lr;:insfo 1 m,,ciôt1 :;oci0.l c11; t1b:iro: 1 9)0 1 9g7': rni1n;:1..,, (i?1,!,d de ,\.?1.;xiui, 1 1; r,
e p('JJS difc r,•11,>1s no tem po. () 1,c rincb ,J,i: 1960 1 980 mostra, cm con-
342 .H 3
Í l»:f ('<so n a força d e t r balho, nia ta rn hém a n mentou a rar tici pa ção das tra tivas associada ao crescimento da ,;d ministr.i,;ão púhlic1 e dos scrvi,-<,s de
m Licrcs. Aquelas com educação universitária tiveram maiores possibilida des saúde e educação, o nú mero rela t ivo de mul11crcs ocupad,1s c1u t ,,b;d ho 11ão-
de cons,gni r t raba lho forn de casa. A quc<l.1 do5 índices de fecundidade, j.í eV"Í·· m,11111al .iumcnt ou. No nrasil e no Chile, foi gra nd e' o au nw111,, d ns per,:c11-
dent e n;, A rt:"!lt i,"!a e 11() Ch ile e L> n ocorrüla no Bra :i l e tH) ?v1l·xico. ta rri b rn cn tua ís relativos d ,: homens cm ocu pações n'íO··rnan11 ais, poró11 i.-,c,1 •.,r d" , uc
1
co i·a joi1 ,1-(res,<:'n te p,; rl ici 1,o1.,1:âo fcm i r,ÍnJ na for,;,t de t ra balho. no caso ,Jas m ul bcrcs. Na J\ rgcn tin:i, a proporção de cmprcso•; ,,,0-111 1n uc1is
A. fra:1de u rl:a:1i'lf J n foi t.d v1: z e fator .n-1,is irnporta ntc a afc-ta r ta n to a pc1 ra ho1;1,:r;s di min uiu.
dcm, 1; ,:•. quan to a ofer ta de nüo-ck obra fr111i1,Íi1a. Os índices de pa rti cipa- Cabe ressa lta r q ue a expa nsão d u setor de scrvi,;os n A mt'ri,·1.1 !.,11i n,i niio
çã<> d., r ri11l1H:i' for<1m nnis ckvad,)s no::: gr:1n:!es c<:>nt ros metropol itano,, que ;1pcn as r,: ultn u no aumento do crnpr,:gn i n form.d ( t ;·a baHiado.-,,,, sn b rcnlll-
se CX'H!ld
. l
ir.1m d,· ma ncirn accn t11;1d:1, con10 vimos, devido ao crescim ento ncrados irn serviços pcsso 1i$, ,.nJl,t tL;ntcs r tc.), cün10 ta n11-H?l n ( ; ·r t u ncn pa
r.at,.:r;il e ;, mi0, .,ç,o do campc· pa ri\ a cid,1dc. As cstru \tlras ocupacionais Llcs- sas ções de dassc 111.:'d ia no setor público e priv,,do, u m gr,mdc p,:i k d;1s 'Jt1,1is foi
.\ rcas mct r0poli t n n:1.s cra,n P"r tiv:l.1nncntc ahcrt;,s no emprego frmi11in0: prcc r)<·h ida por 1nulh c!'"cc; .. O Per u r.cn:;tit ui11 u1nJ. cxcc;ã ), t' j i:,· "'J1_1. , r:c .1 expa
no r,c.t e d 0 ·n6J d!...:o e cr.1 ou .ros scrvi'l:0: p·.::).:;O t "I) 110 cornércio e n(.1s crcs- nsão do emprego frmin ino no set or de serviços ocorreu b'1S::· an,c·,,t,: na
ccnt,·s ,,--,,.t,:-;;0 r1as cL cp1pr ·gv·!o·; bu n,(r; t\ O cn1prrgo fc1nin ino torn ou-se á rea do:; scrvi<,:o:- pc:::;o.iis.
l,.,, ·i.·l·.._.,,,1.°.b,,l.·:ii',·U'c,t··,\·.,h<r;Z_.."l'-Cr"'-'C" , das cs1 n,t11r;1S ocu nia cion ais urbanas. Abrir;1111-se O cm:m:-go frmin i no no comércio r: """ fi na11ça ,ll!Jl1<·n tou u10i"mc111c11-
1111 -; '.if '" -1_1J , ; i,:t:.J::s de rt1p n;}:1 r·r;i ;1 rr1· r1crt:i do qnc na priincira n1c tadc tc cm diversos p,:íscs la li no.. anwric:;10s. O pcn:,'ulu:d de m u lhct cs '·F'C t ral ,a-
.lo .tu ,L XX, · m ocupaçiies de chs:,c "rn(,li.1'', por exemplo como profc:,soras lhavé1n1 no corn érci o q u:1 c d,:+\ ro11 n,1 .1\ rr;, n1 i n l <: rn a i d o q1J ,:_c .1uL r1.,u no
on :;cr-.. ; .'i ; Ã::.s spc : 11\:J<,!:\ ;il, r:,I , r.,;sc\ ii>,i;. ·cs:;?; ,1n) nc t ra balho info rrnal, Ch ile e n; Drc1::ii. 'i> ri1b,! n1 n,_r I 1í{·xicc,-, r1:1 dci.- 1 · d,· /(\ -, ;,r•. r· ' ,;_· ! ;ll \l ,l
cn ;-1:)b (f() cp_·:-:CCl1 tC 1 (üT1\ü ·t1lr t:'' za ch:; c1·f) :' LV\ 1;r_·1:, pr:S O.l iS OU crn SCr VÍÇ0S Jç n n.111: rrc;
:-r1( U.; : .) h;tv 1 n; no !":Gn ?r·::- io - ; . 1:-; c i nl i t uu :. r; i1
d·.;_ 1 1.o.::;i \_.( S _rl;t' a tiu Lu. ,\ ce;n::cn1 · 1\J.O d.\; ;r1 lhcrcs cn, determinados ti pos trtl balh0 c, 1.1tônorna 1v stc sctn-: fc i i[,l1t1 L::H:nt:: .:\CC? :tu;Hl;:_:ü9,
(h: t , ,::_,;:- n ,, r:-: cr t:i:-H r,ouc,0 eI·c:;_ ) .uL r:: 1\ d i ·,:i3:o J..:, trabal!10 per sexo. 1\s O i. D1,F!'Cf:-,í ' f:::;t:.i; < t11.) r: ,\11, \rsi .-ià rn-::nurrtl.!IH:in1 ::;-H.; ·:urn.·n(t..1
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t:·;;]_-..,!J h : ,l.(•Inf sCi..() cn1 caa CO!TI ;;q11cL. fc:·:;; d:..-, J.2.t\ e de ncrn1as socia is que 1970, <lcvi,-lo a t ri. s fa tore.-.: a .·:pz:n5;Jo ,::"tt.s n pcf ,,ç.Jcs de· .E11ni_-; L1 1_ <: .. r· r .:.: ,_· l:i-
ck tr , r ,i ,· .,v;,,,i q,,,,is 0.-,,,.?,;-i'i•::: •::·2,1, p:'c ra ;i:; m ulheres. nac.iunai ) :.l pcr!;islê11cia .:..: i:1•3ústri1.s ('--,_., -nf_) a tc 1_·u up1;, ) r.1 uc i Laó.. · _ v ll ., 1;1.cn - "'
N,J ;,: ; íud· d e \ 1)(,0 :.1. i 78t\ h<:'11vc nf1-ida d:f,n::nç:is entre os p:1íses., no.s S( i i ,t.- t(' crnprcp,;:varn .sr.an de con íinu:;üc de r .1 d h crcs e a dissi... rni_: /:r;-Y,._; 1, f·, L:dL .. ) ":,'
t r- '.1rJ:.,_ i(..:;Js e c , t ·!r_icn1 :,:: c;-n 11u: ;: r.111:J hc.i"!.:s ltJbalhav 1n1. A:> csti- tY ti·'"::.' do1n(:;tix; cxt r rtH). En tre 10/C (' 193G, n ílf ::; jJ :-tpr(_'s·:nt::i! til{}. i c ')\Z':1(1,_)

] ·: C> e;;.l r.,.cst r- n, <::,e os l da(.vc,s de 1nuihcrcs c1n prcga-· Jo tr 1balh r.1 fcxü!1; i no .11;,: io1.. lA:, r L_ · n i:; : ::11,}l. rk:.,n.i.11, pf ,r :::.>I.lL í1, (1.. , ·· ! r r;,-.-:1-

d r.:-; ;,_,J ::; s rvi: -n, lF'SS[;t!i: t( n i!J:;:1 ;ur n;_1 ./\ rg':n t i·i.ia, diniin u í1 a n1 <lc tc, da -: ::p:1 ns-10 da.J a:iv:;da d.cs i:; Jus :_-i:: is q1_::: vs;1\'í\.tr i1) dt·
IrL Pt >·i ?.,.:,...\·!n:!<.L, nu r.>.ilr e ;1u.0;. i-r LJ1 =.i; .ri:J ]r4-1., il118 • r,Jos Lrês países, a pro- rnJo- dc-.ol"·ra ft nl111in;_L (".) Li"CSC.;rnc11tu d·J CiTi. pt·:00 f c r1 J i.11l11v 11;1 {:._ i .1 'n(L.t d cs
porr;i"h) <lc 1v1rncn. rr;(' f:_1J·":, lh _v n1 nn .srt 0i (.}: :-r:. 'f ;:0s 11n: ntou. En1 l:·· L.s
·t :. .it,.· >Jo '::..: d:.·,·. ; --: . ,!}""'<' /i\:S !/r.i1t..;:\ t; r\;f i _..:f i1. Hl1i iS C ;.t d i u.i iiiS-
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69. Cr pd, AmL'r it"d Loi,,u: Las i1111Jl' rcs )' /<JS (11111 /Jios so, io-11(11{ ,ru iou ,if t _ç J }(if ) .. J •1bu, .
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70. Cq,,1 1 • • '.:nh·i{ t1 l,otina.
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314 3.-J 5
prodntivas 0corrcn também cm outros países cm desenvolvimento, como Porto industrializado em alto grau, e i sso constitu íra um fa tor irn port:rn tc na expa n-
Rko, Pq,úL]ici Dominicana e Hond u1 as na América La ti na, e Sri Lmka, são do emprego no setor de serviços modcrn0s Na 1\ rgenti,n ,, no Chile, o
Ta i]{l ndia, Cinr;a pura, Coréia do Sul, Hong Kong e as Filipi nas na Ásia.•Jlm crescimento do setor de serviços niw se baseou na con'•n•Jirhd,, da ind ust ria­
todos esses p,iíses, furam criadas z0n;1s fr"ncas pr,ra atrair as indústrias fabri- lização. A princi pal divergência aconteceu no caso do Pcw . F.·,1bora esse p,;ís
can tes de 1-1r0d utos eidrônicos, roupas, sapatos, hrinquedos, que faziarn uso tenha a umenta do enormemente seus est ra los de t raba l ho 1 -10- ma n ual, esse
i ntemi,0 Jo trabalho fcmmino, pag:mdo baixos sahírios 7 1. aumento foi ca usado, cm sua maior p'1.rte, pela expansão do crn{1;·ego público.
O Peru tornou--se o único país onde os níveis de emprego autônomo eram tão
Po1 baixo dc1;; complexas m udanças owrrid.is na estrutu ra ocupaciond elevados quanto os do trabalho ma nual assalariado. Nesse período, a:; estru tu-
urb,rna havia un; p,,drão ,1uc 110 ajuda a compreender a relação entre a trans- ras ocupaciona is da Colô111hia começara m a aproximai .. ,e das dos out ros <Jlla-
formação da estrutura social até 1980 e as diferenças de desenvolvimento cco- tro p;iís<·s, mas a ausência de dados rela tivos a 1 980 dificult a a cowp,,n1çft o.
n /\mico e de políticas de em prego entre os países. A tendência geral das ativi-
dades não-m:, riw• is a expandir-se tcv:.: um,, iri1ponância específica cm cada As mudanças ccon<\micas, demográficas e sociais trouxeram corno conse-
país. A pcs,i t .J,,' ·.,,.;,ildadcs regionais no Brasil e no México, o crescimento qüência, na metade <la década de 70, n tna est rut u r,1 u rba na ele classes que, sob
eh atividades não--rnanuais nesses dois pa íses baseou-se no relativo dinamis- determinados aspectos deci ivos, se tor n.i ra cacht vez mais scmcllnu tc cm
mo de Sl!,.'S economias - pa r ticularmen te do setor ind ustrial - e das ativid ades tocla a América L1tina. Podem-se identificar as divisões mais cvidcu lcs dcn t10
do Estado. No Peru, esse crcsci1w:nto foi o resultado da fraqueza da economia dessa estru tura ele classes com base cm qu;itro critérios: o gra u de con t role
e da vontade do governo c!c gerar emprego não-man,ual. Em contrapartida, no sobre os meios de produção, o controle sobre a força de t rabalho, o ti po de
Chile, a rel utância do Estado cm aumentar o funcionalismo pi'lblico foi com- remuneração e a diferença entre trabalho ma n ual e trabalho não-ma n ua\ 72 .
pensada pela expa nsão dos serviços no setor financeiro e no comércio. Na Essa divisão de dasscs compreende, primeira mente, uma d,,ssc c:uc1i11a ntc
Argenti na, ::imbos os fa tores estivera m presentes: o dinamismo dos serviços proporcionalmente peq uena, baseada cm grande par te na p ropr;,ed;dc de
rnod rmos e o a umento <lo emprego público. grnnrlcs ,·mprcsas, princi palmente no setor de serviços e no de m;,n uf,t l u ra.
.!:.; L30, as cstru t• iras ocupaciona is urbanas ele Argentina, Chile, Brasil e Ah?.i-,co <lcssa a pa recia um estrato técnico- bu rocrá tico cl.ira mcn t ' defi n i d o,
J\li'xicu torna ra m-se mais pa recidas. Os níveis de emprego autónomo eram com níveis elevados de cducaç5o e cmprcgadu cm pos tos gerenciais e admi nis-
rclativ.:rncntc baixos e mais ou menos i gn;i is cm cda u m desses quatro países. trativos tan to no setor público quanto nas empresas privadas. Fssas duas cl,ts-
As dassc médias .:iupreg.das haviam-se tornado tão numerosas qua n to as scs, provavelmen te, estavam ma is concentrada,; nu:, cen t ros 1rn:t ropoli ta:ws e
class::s tnbJI!iador,10. :,:,as semelhanças fora m v,cradas, porém, por um rnodc- nas grandes áreas u rbanas 73. E-, as classes correspondem às ca tq;urias ocupa·
Jc J r r:fl'·;,]·,;mcn1o econó,nico. O Brnsil e o México havi.1m-sc cionais mais altas de trabalhadorc não-manuais us;1<las na Tabela :>.3, '-JUC, cm
1930, constiluía ri- ,_11;,1s u u menos tr, zc por cento d,'. popuhiçã<', 1;, G,w,1.

71 Cí. ei u Y T/'.1 JDJ N<;. Gi<,l,,ril Frni ,iryisatiu:i i/11\ms!t Flcxible Labour, LaboLll Markct 1'.nalysis
zo
an1..-i Emplr.y mcnl Pl 1 i ng \r\i'orki ng fl; r"-·r t1'1 . ,1, Gcncv,1, 198:.I; Unctad, l:xport Pr.1cc5si11g 72. Cf. a discussãu dos três primcirus Jc:")c1t:'.'> tri1triw, como meio de (a r,1ctcri7:1 r ;1 cst r11i11 r;1 lk LI.is- <'.
ru

f rtc Zones ín Dei'clor · : CCl mll ri\(: T ,r,t'licatiun for T1 ndc nnd ltldust rínlization l'olicics, ses lati ,10-amcricana cm ALEJANIJRO PORfES, "La ti n Amcric.1n CL1ss Si t· .1Lturc·, , , , ,;:11 J\111c1 Íl1111
"
'-'
o
l)o,umrnto TlJ/WC.2/21 !, 1983; !(ICl lARD '.· ·, ºH .,, C/\TI I EIU NE ll EI N, "[mplco de l.1 m ujcr Hr.secin.-11 Rr.t//cw, XX(3): 7-39, l 985. Acrcsccntamus a di,ain,;,ln ent re n,.i nual e n,10-111,1n u.1I. ,.
f--

(uera de la ;1gricultu ra cn raíscs dcl tcru r q,·,ndo: Pa norama gener al de las cstad ísticas o•,:ltJ'<1 "'\, ! 'fabl'ia 2 de POllTES, "Latin Amcrica n Class St ruct u rcs", cst r nn q ue ,r class,: d <1111 i11,1 n tc e ";:'
u
cicnalcs"1 cm Desigualdade:. entre ho1r:hn.·s y mujl'rr's cn los IJlCrtitclns de traiwjP urba- no dr! ·1 classe técn ico-hurncd tica con:;ti t u íam cerca de oi to por n·nto <.LI pop1d.1\ilO cconomic.1-
·
u"
Ttrccr M u11da , Gcncv:.1, 1987. mcntc ,,tiva. o
346 347
A base pa ra estabelecer distinções de classe entre o restante da popuL11; ão É provável que tanto a pequena burguesia informal quanto o proleta ri;1, \o
urbana fica complicada pela importância que tem para as oportunidades ao informal se concentrassem nas cidades meno,cs, ao passo que a classe t ra ba-
longo da vida o fato de a atividade econôm ica e o emprego serem ou não r;:gti- lhadora formal representava u ma parecia m,,is impor ta nte da po p u l a <;Jo
la mcn1 ados formalmente pelo Estado. Na década de 70, a distinçào en tre for mal urbana cconom ica mente ativa das grandes cidadcs 7r,.
e informal havia-se tornado um fa tor importante na estratificação da popuL1ção A essa descr ição ela estrutura urbana de classes deve-se acrescenta r out ro
urbana. da Améri c Lati na. Tanto os trabalhadores informais quanto os empre- estrato mais baixo de trabalhadores não-manuais77. Dessa class média baixa
sários informais ti nham u m conju nto diferente de interesses e níveis diferentes faz.iam parte os semiprofíssionais, como professores, enfermeiras e outros tra-
de renda cm relação aos seus con gêneres com empregos formais. A extensão balhadores da saúde, secretárias, em pregados de bancos e bakonistas. Os
parcial da seguridade social à população latü10-amcricana gerou duas classes de dados do México sugerem que, na década de 60, esse estratc, da pop ulação
trabalhadores assalariados: aqueles que recebiam algu ns benefícios, inclusive urbana ganhava mais do que u m trabalhador especializado <la indústria, mas
estabilidade de emprego, e aqueles que não recebiam. Esses benefícios consti- que, na década de 70, o diferencial tinha diminuído ou desaparccido 78 . No
tuía m um prêmio para trabal hadores que já tinham a vantagem de terem salá- Brasil, cm 1980, a renda média e o n ível d C' prest ígio daqu eles que ti nha m
rios mais altos conseguidos em ncr;ociações sindicais e cm contratos coletivos.
Além disso, a exknsão parcial da regulamentação estatal da atividade econô-
mica e o desenvolvimento desigual das economias urbanas criaram duas classes
de crn:'resários. Um grupo - principalmente os das grandes empresas - estava 76. Com relação ,is grandes cidades, d. RAFAEL MENJ!VAR & J. I'. PÍ'REZ SAI NZ (ed,.), l11for111e1/id,1,I

enredarlo cada vez mais cm redes complexas de crédito, ele comercialização e de urb,ma cu Ccntmmnéricn: Entre la acwm,laciún y la subsislcncia, San José, l 991 : F. TEI I rs, "Thl'

abastecimento que exigiam deles uma condição de lqplidade e tornava m difícil Conc<Jucn,cs of Emplúymcnt Structun: in lr.1zil: E,1rnings, Socio-dcmogr.iphk Ch.1r:1t.ll·ri'i-

para eles escapa r das obrigações com o fisco e com a seguridade social. Um tics <tnd Mctropolitan Diffcrcnccs·: disscrtaç,1o de Ph. U., inédi ta, Un.ivcrsit y of Tcxa:-., Aw,tin,

segundo grupo, constituído principalmente de pequenos empresários, trabJlha- 1988. table 2A; llRYAN R. IlOHERTS, "Thc Changing Nal urc of Informal Employmcnt: Thc C.i,c

va tão perto dos limites da l ucratividJ,.lc, muitas vezes cm mercados fortemente of Mcxico", cm STANDING & TOf:MAN, 'linwm/5 Social ,\dj11st111cnt, pp. 1 1 5-140; e Secreta, i,1 de
<:
flutuantes, que economizar nos custos indiretos, como as obrigações com o Prog1amación y Prcsupucsto (SPP), J,a ocupnción i11for111c1l cn rírca 111h1l/ 1{jS, Ciud.1d dl' M(·xiLo, u
1979. Os lugar('s urbanos menores de El Salv,tdor i.lprccntam 111.1iorcs pwpor)"Ül.' l.t11w de hur- "'
fisco e com a seguridade social, acabou se torn and o parte importante de suas
gucsi.1 informal quanto de proletariado inform.11, como o mostra CAIU.o::, BIUONFS, "F.Lonomí.,
estratégias de sobrcvivência74. O peq ueno tamanho da cmpn.>sa, o baixo nível de
informal en d Gran San Salvador'". em MENJ(VAI( & l'U(EZ SA!Ní'., /11/;,m,alida,/ 11rb1111<1 , \'P·
tccnoloi:;iJ. e a precária posiçi\o no mcn:acl0, em comparação com as empresas
maiores e mais bem ..:quipa<las, 10ram outros fatores <JllC c:ontribuíram para dar 91-1'18. POR! ES, "Latin Ameri..:an Class S1ruct11rcs" (tablc 2), c.1kub u11 dl'7 por cento a pl·qu1.:.
na burguesia infor111;1l, cm 22 por cc11to o proletariado formal e cm (lÜ por Lt'nfo P prok t.1ri.1
a esse grupo de emprcs:\ rios uma µosiçâo de classe espcciaJ75.
do informal (.que abrange a populaçilo camponesa). O estudo de Tclks, cit;1do a(im.1, :-.lihtl·
as ocupaçüc'i, o ganho e a cstratific.1ç;lo nas seis pr i nci p.i is ;Üca:-. mctropol i t,ina'> do Bra\i l em
\:! 74. Essa d;:;l i nç;lo L i a ma is um ro11 t in1111111 q ur uma fone nq)lur.1, como ind ica V I CTOR 1 9BO indi<:;1 que o prolct;tri,tdo form,11 (:hq,1 .1 u111 poth.O 111c..·1ws de t:111 ll'I\O da pop11l.1 \ .10
ji!
j: ! TOKMAN," l hc Iniormal Sector i n l.ati n Amr rica: From Undcrgrou nd to Lcgality", cm GUY econnmicét!llcntc ativa dessas cidades e o prulct.11 i;,do ini'o1 rnal tem 111,1is ou n1t·110., .1 o
z
<:
STANDING & VICTOR TüKMAN (eds.), 'fowards Social /\dj11st111c11t: LalJOr Markct /s ;r,cs in mesma proporção.
1 "'
i: St rllcrural: /\rlj11st111i.:11t, Gcncva, 1 99 l , pp. H i-1 57. A maioria <las empresas cump1 iam uma 77. Cf., no cnt;i n to. as rcl zôcs par,\ 11<10 fozc..T di.-.t i nçüc.s en t re t r.ihalhadorc:-. 11,io-m.,nu,1i ... l'
"'
:..,

11
1' ou mais d_c suas obrigações l 3ais, mas apenas uma minoria n1 mpria todas elas. manu,,is cm PORTES, "Latin A merictn Class St ruct urcs"', p. 13.
1 !
1 í 5. Os estudos da déLada de 70 ·,·itos pelo Prcak tcndc; ,lln a cnfati,ar o tamanho, os tl,1ixos 78. Para cOinparações entre os s.iL.írios de u na sccretúria, de um guarda-livros, de um caix,1, de
I,
nív1:i:; de capital i?açJ.o e o mercado - e nãn a rcg11lamcnt;1çin cst;ital - como os pri 1 - ipais um c,,ntador e de um mccânir:o, cf. J. REYES IIFHOLES, flc1lítict1 111acrocconómica y lnl'1H' )l111

fatnff par;1 distintuir ent re setor inf,H nw l e lonua!. e11 M éxico, 1.:i ud,1d de México, l 'IH1, tahcl,, 11.21 .

l
1
348 349
ocupações scrniprofissionais era m mais altos d o que os da maioria dos traba- É possível <lifcrcncia r os estratos S:)ciais <lcscrit:)5 pelas fonte, de rrnda e
lhadores manuais da indústria, da const rução civil e dos serviços pessoai 79. pela quaatidade q ue recebiam. Os nívds nrnis altos de renda <.ui u: 1,r,n<lia m à
Embora as diferenças entre as rendas desse grupo de classe média baixa e., a s .. classe clominan1e e à classe técnico-burocrática. Os níveis méJ10s altos de
da classe trabalhadora especializada formal fossem pequenas, diversos fatores renda er.1111 formados pelos membros aspirantes dessas classe,, que estava m
tornam importante incluir esse grupo entre os seis estratos urbanos. Os níveis iniciando suas ca rreiras no furicionalismo p úblico ou no setor pt ivado, por
médios de cd11cação dessa classe eram mais altos do que os da classe trabal ha- alguns p,:quenos empresá rios da irvli1stria e do setor de serviços, e, em a ig u11s
dora ma nual, visto <JUC J. educação formal era essencial nào só pa ra realizar o países, p,Jr operá rios especia liza<:l,· · de indústrias importa1 ,;c::, ,ymo a pet ro-
trabalho corno ta mbém para alcançar postos mais bem remunerados. As con- lífera ou, nesse período, a aut omol<lística. No" n íveis i;1lcrn,!'.d i.í t1<.,s d e
d ições de trabalho, geralmente, eram melhores; os empregados de escritório, renda, nesse pe riodo, figurava m a cla sc mc'.'d i ba ixa ( p rofesson:s, pessoal
os professore. " os t rabalhadores da saúde desfrutavam de maior proteção da auxiliar ;10s serviços de saude e bem-estar, b;i nc,\ rios e cmpregwlos a<l1nin is-
sq;uridade social do que a classe trabalhadora ma nual como um todo. trativos dos setores público e privado) e os m rmbros nwnos bem-sucedidos da
Finalmente, esta classe era a mais dependente do emprego público e a que ofe- burguesi., i nformal, os mais bem--succdid, n t r ,, us !i ,> L,d hadorcs a ut{\ no- m
recia ma iores oportu nidades de mob;lid:, 1 ,: :;ocial pa ra as mulheres -- as os e Oó trabalhadores espedalizados da i n<l u,t ria, dos t ra nspor tes e das
empregadas cm escritório ga nhava m satírios mais elevados do que aquelas que con1t1nkaçõcs. Os n íveis médios b.lixos de i cHda compreclldia m ca m:1d a
tral:,alhavam nas categorias assalariadas do trabalho manual: serviço don11:sti- inferior da clas:,c média baixa (vendedores e empregados não-especial i zados de
co e outros serviços pessoais. t provável que, na década de 70, essa classe t enha escritório), os t r"h·l h;,d u res espccializ;,dos <lJ, i HJú:, t rids de prod u tos
chegado a cerca ui.: dezesseis por cento do total da população urbana 80. b.ísicos, ela comtrução civil e dos serviços e os t rabalh.:dorco autúnomos d;1
ind ústria e de a lgu ns serviço:;. Os nívcis l,aixos Jc renda incluíam os t ral.Jd u,a-
A transforma<,-àO da estrutura ocupacional <la América Latina teve Ct:> nse- do,e, sem espcciali7.'.1( º ou os scmi-espcciaJ:z,,dos, com em prego ; u nu,d na
qii0ncias contraditórias para a tlistribu i \·ão da renda e para a pa rticipação das indústria, na construção civil e nos serviços, junto com a maiüi i..1 Ju:, a l,t o110-
diferentes classes u rbanas nessa distribu ição. Em geral, no período que vai até mos e os trabalhadores informais. É provávd que, nesse período, os a u tônn-
à met dc da década de '10, houve um aumento ela renda real para tod os os mos e os trab.ilhadores inform a is especializados ocupassem a cxt1cm ida de
estra t:)S elas populações ur banas - urna tendência geral interrompida, cm superior desses estratos, especialmente os artesãos, enq11a nto os c111k1 egados
alguns casos, por c tclos econômicos e por conjunturas politicas. Nesse mesmo nos serviços pessoais ocupava m a ext remidade i n ferior.
período, porém, a concentração de rc11da aumentou na região. Os dez por Uma combinação dos dados extraídos do México e do Brasil com os de
cento el as fa mílias de renda mais a l ta tinha m, em 1975, u ma pa rtici pação outros países .latino-a merica nos su r,cr(' q ue, na met ade da década <l c 70, a
maior do que a que tinham cm 19608 1 . distribuic;ão urbana de renda, embora tenha most ra<l o profu ndas dc,.ii;u al-
dadcs, evidenciou ta m bém a consol i d a -ão desses d iversos est ra t os8 2. O

79. Pode-se encont rar uma lista completa da 1 cnda múlia p01 ocup,1 àu e Jo prestígio ocu pa-
---------------------- o
cional d(lS ocup,1çücs urbanas cm TELLI:S, ·•The Conscqncnccs of Employmcnt Strut lurc in z
82. Ibid.; ENIUQUE ICLESIAS, "La cri.'.>is económica 111í:'r11acional y la!:. pc1 spcl tiv,b de Améri<.:,1 -(
ro
Jlrazil", Appcndix B., pp. 173--181. La tinaº, C'n1 ,\mérira L,11i11n y fo crisiç h1tcr11acio11al, r...1on ll'vidco, l 98J; J·LRl'-l,\NI 10 l.(11{ l"I.\ & "'
"'r.
'o" fü). Cl1t.:t::.1u-sc a r::.sa csti ma t va subtrai n rlo de, rcrccntual total da Tabela 5.2 para as c.i.1egorias RO')A M,\ llf A RUUAI.C/\VA, ;\,,1orxplo1aciJ n fcnz,uln y n111ida,l por cmpol11 t d líli l' ll f(' , 1 991 i f-o
z,.·
-<
o mai:, alta\ de trabal hadores não-ma n uai:-. e de escritório O.\ oi w por cento que Porte . d:1 para ;;:
f:HAPl rr; I L \'v'OOI , t,. 10\f: 1 >E C,\ fl\ º,\i.l lCl, J'hc Lo111,,,,' : 1:,y nj
'"u Ciud;1d de México, 1
u
o a classe dom i na nlc/bu rncr,ític;1 cn1nhi n.1d.1. Cf. POJrJ'I:;,, "[ ;1t i11 A mcrican C\ass St ri1.. 1 urcs". /11r1p1··1 /it y "' llr"zi/, Camhidgr, 1 'J BR, t.11,Je 35; i\C:I ISTI N 1:SU 111,\1, ,"< 111(\'1\i', 1(. 1(01\1.1, I '>, w

81 . Cí. l'Oi(TF.c,, "L11i11 1\111c1 ic.111 Class St r11, t ures", t,il,k 3.


"u'
tlUrb,rn St ra tifk;i.t i n n, th,, 1i d:llc Cl,1 c{;, ,11Hl F, 1··n1)111 ? ,- Cli.111gc i ll ,\ \ ·,ico", c m o
350 351
grupo domin:inte· burocrático - que consti tuía, provavelmente, os c!ez por gráficas. De modo f"ral, .s fanülius que ocupav;i m os estra tos mais al tos
cento das famílias que a presentavam renda mais alta - tinha sido beneficia- tinham, r,a década de 70, menor número de filhos e poucos nwnibro'.i no mer-
do, cla ramente, peln aumento dos salários reais e dos lucros. No período:<;le cado de trabalho e os estratos u rbanos mais baixos tin ha m mais filhos e maio1
1960 a 1975, eles tal.vez tenham aumentado ligeiramente sua participação na número de pessoas da famflia trabal h , ,ido85, Houve também o caso de maior
renda familir, subindo d e 46,6 pa ra 47 ,3 por cento83. Contudo, a burguesia participação das fam ílias muito pobres, mesmo limita ndo o n ú mero 1.k t ra ba -
informal, a classe rn-'<lia baixa e o proletariado formal tinham aumen t ado lhadores disponíveis na família 86. Nos est ra tos mais altos, geral mente ;i renda
também seus salfrios reais e, provavdmente, com exceção do Brasil, seu per- do chefe da família era suficiente par,, ma n t•:-1<1 no nívs.; ..;;perado d r rnhsist<'n-
centual da renda81. cia, e os 1•utros membros t rabal hava m p;J ra segui r • : ;.;.i car reira profissi ona l
Esses 3anhos refletiam uma :;éric d fotores no pa<l rão ele clesenvolvin1ento e/ou para aumen t,q· o nível de Lonsumo, o q u(', ,· .,,,;:;es, :icabava pu, aum<:nta r
econômico a partir da décaJa de 60: os grupos domina ntes e a burguesia i nfor- os índices d e partici pação ccouômica d,, nwl l-- -- 'º· l'h'., cl ccis ,uJis baixos d e
mal fora m beneficiados pelo dinamismo geral d:is conomias da região e pelas rend a, os '.,alário do cabeça da :a,,,1;,., LO!ll J reqii·' · , ·:· •·11·· i u:- t:f;Li ,.lcs para
oport11nidades empresariais que gerou; a classe ml'dia baixa ganhou com o cres- equilibrar o orça mento ou estavam m uito pr6xi111"s da .-"·"';'.''n, de éubi iLi1-
cime nto cb emprc:go pú blico e com os beneHcios concedidos aos funcio1ürios cia. Nesses casos, as rendas com plcmc,ü«,cs de,; ou t ro:: m cn1br:J:; ;J,1 L1:n íli a
do r,nverno; e o prolet,,ria<lo formal tirou proveito do poder ela oq_;anizações constit uía m um meio essencial de sobrcvivê11u.1 tia tam íl ia.
trabalhist,1s p,1 ra a rra ncar concessões sa la riais. Embora pareça haver di111i n uído Os esll atos mais baixos d e rc,1da e as classes associadas com ('!('•: 11ndern,
a participação dos trabalhadores sem especialização e dos informais no tol a! da assim, ser identif icados não .1pen as pela designaç:ío ocupaciona l 011 pel n ,·a1 :í -
renda, criando, assim, urna certa pola ri zação na estrutura de classes, is·;o foi ter formal ou in forma l do emprego, mas ta rn bén1 pela estra t égia gl oba l ,Li
compensado por um a umento da renda 1·eal mesmo dent ro desses estra(o:;. famf!ia para obln uma renda. Esses eram m pobrr:s u rba nos p,11 a q uem s<> m,1r
A análise da estrutura de classes e da desigualdade de renda ficou ,üncla os rendimentos el e todos e compa rtil ha r com out ros a m ui <1u1a, o aiuncn t o e
mais com plic1da devido à necessidade de considera r a família na determi nação outros recu rsos eram os meios essenciais de sobrevivência u rba11a. As redes d e
dos padrões de est r,1tihcação. N os meados da década de 70, a maioria das fami- família e ele ;imizadc eram igu,u mentc f11 nda rne11 t,1 is pa ra ,IS c'.il1 ,1ti:gias ur h.1-
lias urbanas ela An ,frica Latina tinham mais de um membro economicamente nas de su b,;istência ao ofcreLcr ,1juda na nw ra<i ia, na ,lli1nc.:n1 .,.,.10 e· 11.i 01 ,c·n-
ativo. A taxas de par ticipaçáo da mul her tinham aumen tado bastante, como
vimos, e era cada vez mais freq üente que as esposas, e nã o apenas os rilhos
adultos, trabalhassem por um salário ou ajudassem no negócio da família. No
entanto, a distribuição dos assalariado; adicionais não era uniforme, indusive 85. Os dado: mexi, anos mostram issn ,J., r.1 mcnlC'. ,:r. 11r.NJ( y sU.BY: l; 11:111>1 1 y 1,
,
"'
A. LORl'NZER, 'fite Mcxica11 Urb,111 / lo11se!to/,l 01,1111izi11g jor ,,c/ f- / Jc/c11sc, A11sl i11 ('kx. l, 1 9' 0. "'
:..,
dent ro do mesmo estrato de clas:;e, tan lú por razões econômicas quanto demo-
86. Cf. IJRIGIIJA G.11\CIA, IlUMBE 1 ffO MU NOZ & OIU.ANIJI N1\ UE UI.I VEIH,\, "M igr.11in11, !.,m il)·
Contcxt and L1bour -forcc Pa rtkip.ll ion in Jvtcxico, D.F.", cm 1ow;1: H,\LAN ( cll. ) , \ \'/,.1·

['copie Mo1'e, Liris, l 98 l, pp. 2 J 7-2 I 8.


;vJ f ..,U'l lES c;ON/.ÁI.EZ DE LA HOCJIA & M;UST!N SECO!l1\ R l.AIAl'l (cds.), Social R,·,ponscs 87. Os índices de participa,:,1o rela t iva dn, difcrcnt1·, c-;f 1 ,tln urb.11 w·, 1110,t ram :-.cr rnai .. pro-

in A-Jcxico's 1:'co,1,>111ic Crisis of thc 1980.,;, ;.1 n Piego, 1 991. v:ívcl que as mulhcn:-s das fomdias "classe-médi,1" ( t r.1lial hador.1s n,h,- m.111u,11s) l·i,11n ,·...:o-
83. PORTES, "Latin 1\mcrican Class Structurc:i'', tab!c 3. nomicatncntc ,,tivas do que as mulheres de L1 míl i:1-" da cl.,sc t rab<il h.1Jo1 .i. t\ mu l heres;;
8·1. Os n ú meros que WUO!J & CAitVJ\l.l lll ( D,·•1wgrnpl1y of /11cq110/it y i11 Hmzil) a prcscnt., m paca com níveis m;ii:1 .1ltos de cduc.11;,i.o podem ganh.1r o sufi :ien1c pa1.1 troL;1r o cu prupno tr.1-

1 nr.1::.il mostra111 um declínio na pr0p1Jr \· o da renda dos cstr.1to.s urbanos intcrmnli,írios balho do lar por scrvi\-o Jomótiu, 1crnu1u·radn ( J. n1ur ;J!),\ (;,\ JZUA, J IUi\ll\l R 1 1 l \!UNO!'.
1
;:;

e méd io\ b,iixos, o que contrasta com n ,1 amento da prnporç;to que coube a esses i:stratos & ORI.M'DI N1\ llE OLIVl'IRJ\, llogores y 1ri1/,,i j,i,/or,•s c11 Ci11,l,1 ,! de M exi,,,, ( ·,ud, 1 .1 de
11()S d,idos fornc(ido< por POlrITS, "! alin Arncricm CJ.1-;,; .{;lructnrcs", t.thlc 3. Ml'xicn, !982, 1:1bcLi V. I .
352 353
ção do emprego88. As famílias pobres podiam incluir alguns empregados for· Devemos também incluir a migração entre os fatores que, na década de 70,
mais ou informais, trabalhadores autônomos ou empregadas domésticas. Era contribu iram pa ra aumentar a desigualdade, embora seu impacto tenha sido
menos provável que tivessem recursos para manter um filho fora do merc_\ldo de heterogêneo, tenha variad o de cidade pa ra cidade e diferido segundo o
trabalho, ou para que a mãe pudesse dedicar-se exclusivamente à educação dos migrante fosse homem ou mulher. Há provas de que, cm algu mas cidades, a
filhos e ao cuidado da casa. Assim, à desigualdade de renda veio somar-se aquela seletividade do m igrante diminuiu após a década de 60, pois os chegados às
origin,íria dos padrões mais baixos de nu trição, saúde e bem-estar geral. As cidades possuíam nível menor de educação e formação em comaração com
famílias pobres não apresentava m ca racterísticas sociais e econômicas a população de origem que havia m igrado para lá cm tempos anteriores. Os
homogêneas. O uso mais freqüente da mào-de-obra disponlvel nas fa milia cujos migrantes que nas décadas de 50 e 60 chega ra m a Montcrrey - u ma cidade
cabeças tinham salários baixos acarretou uma grande heterogeneidade ocupacio- industrial do Norte do México - tinha m menor nível de especiali zação e
nal entre os pobres. Era comum encon tra r na mesma família trabalhadores de maior probabil;d adc de ocupar postos de trabalho manual do que os migran-
diferentes tipos: empregados no setor manufatureiro, trabalhadores do setor de tes antcriorcs9 1 • Do mesmo modo, a partir da década de 60 houve uma cres-
serviços, operários e empregados de escritório, trabalhadores do setor formal e cente migração de trabalhadores ru rais sem qualificação para Cid ad e do
do informal etc. Estudos realizados cm Cidade do México e em Guadalajara indi- México; que ocu param postos de trabalho pouco especializado 92.
caram que, nas famílias chefiadas por trabalhadores man uais, os filhos eram Geralme nte, números desproporcionais de migra ntes ru rais estava m
habitualmente também trabalhadores manuais, enquanto as filhas e as csrosas - empregados cm t rabalhos manuais pouco especializados na construção civil,
quando trabalhavam fora de casa - empregavam-se numa variedade de ocupa· na i ndústria e no setor de serviços, ao passo que os trabalhos não· ma n uais,
ções, contribuindo para a heterogeneidade mencionada acima 89. Além disso, criados pela expa nsão dos serviços modernos e que exigiam níveis relativa-
entrr- as famílias havia migrantes e naturais da terra. Por exemplo, cm Cid.ide do mente altos de c·scolaridadc, eram ocupados por aqueles nascidos na cidade
México, cm 1970, a força de trabalho urbana era constituída, princi palmen te, por ou em outras cidades com boas instit uições de ensino. Os naturais da cidade
chefes de famíli as migra ntes e por seus lilhos nascidos na cidade e, cm 19il0, cm e aqueles migra ntes urbanos que tinha m pelo men os i nstrução pri má ria t ra-
Rcynosa - uma das cidades da fronteira setentrional do México - os migra ntes e balhava m, cm geral, cm postos de trabalho especializado e semi-cspcci«li zado
os nativos eram membros da mesma fa mília e dividia m a mesma casa9°. na indúst ria, cm empresas de serviço ou cm oficinas da fa m ília'15.

88. Cf. IJ,\l.AN et ai., Mc11 i11 ,, Dcvcloping Soei, ty, com relação a Mon terrey ( México); R, J!ll'llTS,

Organizi11g St mHgcrs, com respeito à Cidalc dr Guatemala; M. MA!tGUI.IS, Migraciá:• y mc1r- 91. Cf. BALAN et ,d., M en in Devclopíng Society, pp. 1 46-147.
gi 11alidad en la socicd{l( f arge11tina , 13u( nos Aires, 1 970, no tocante a Buenos Aires; e 92. Com relação a Ciudad de México, cf. OIU.ANDI NA DE OLIVEIRA, "lndust rialization, M igrat ion
llUTTERWOltTT 1 & CHANCE, /,atin Amer,,:an Ur/umízntio11, com relação a outras ,:idades and Ent ry Labor Force Cha ngcs in Mcxico, D.F., 1930--1970': disscrta,;.-,o de l'h. l>., i nédi ta,
latino-americanas. No caso de Ciudad de México1 noventa por cen to dos migrante indivi- Univcr ity of frx:as, Austin, l 975. Em Buenos Aires, o mais prov-.ívcl é que os migrantes, t,rnto
d uais era m precedidos ou seguidos por u m membro da fam íl ia. Cf. BRfGTDi\ (:ARCfA, ho1ncns qu,in lo mulheres, estivessem trabalhando na indústria e na construç:in ci vil, do
HlJM llERTO M U1'10Z & ORLANDI NA DE t.•l.IVE!!(A, "Migraci6n, familia )' fucrza d<' tra bajo mesmo modo •.1uc os nascidos Ilil (idade. E cm Cidade do I'vkxico, o,,; m igrante dcst.:mpc- o
z
<'.
en la Ci udad de México", Czuulcrnos dei CES, 26, Ci udad de México, 1979. nhararn papel i mportante na expansão da mão-de-obra indust rial e dos empregos n,lo·
""''
GARCIA, MUNOZ & OLIVEI RA, "M igra, i ún"; M ERCEDES GONZALEZ DE LA ROCI IA, Los ma n uais. Cf. f\. MARSHALL, FI mercado de rra /,.,jo rn cl rnpit<1 /is1110 pcrifáico: 1'l (CI -"' de '-'
89. o
f-
"o<' recursos de la pobreza: Famílias de /1ajos ingresos en (!uadolajora, Ciudad de México, 1986. Argentina, Sa n tiago, 1978; ORLA NDI NA DE OLIVEIRA & BRlGIIJA GA RCIA, "Migr«ción a z
"'
o 90. grandes ciudadcs dei Terccr Mundo: Alg1mas implicacioncs sociodcmogdficas", Esr ,uho ;-_
Com relação ao México, cf. GA RCIA, Ml- NOZ & OLIVEIRA, "Migración"; com refe rência a
u
"u' Reynosa, cf. M. MARGUI.IS & R. TUIRAN, /"/ 111crcado de t rabnjo en cl wpita /i,1110 pen/i'rico: El Sociológicos, C.i udad de México, 2/4, 1984.
o "u'
93. Cf. AGU:;Tf N l::iCOllAR, C,111 e/ sudor de 111 frrntc, (;u;1dal.1jar.1, 1 986. "'
< caso de /iey,wso, Ciudad de México, 1986. o
_ _ JJ

354
O trabalho ocasional em serviços pessoais, na construção civil e na in d:!JS- 355
O sc:xo continuou sendo, na década de 70, um fator de contribuição para a
tria manufatureira era fornecido, freqüentemente, pelos migrantes tem porá- desigualdade. As familias chefiadas por mulheres eram cada vez mais nu me-
rios do campo para a cidade, de modo que, cm alguns países, os trabalhado- rosas na região e representavam o 6rupo mais pobre. Em Cidade do México e
res informais pareciam, muitas vezes, etnicamente distintos dos empregados cm Buenos Aires, a proporção de famílias chefiadas por mulheres estava cm
formais94. Onde, como na Argentina, não havia uma economia camponesa torno ele dezessete por cento; no Recife ( Nordeste do_ Brasil)'; esse n úmero
que pudesse fornecer migrantes temporários, os migrantes não-qualificados subia para 22 por cento; e em Santiago (Chile), era de vinte por cento. Essas
que chegavam a Buenos Aires procedia m de países vizinhos e cumpriam fun- famílias eram, em média, menores do que as chefiadas por homens, e as
ções semelhantes às dos migrantes temporários do México95. mulheres que eram cabeças de família combinavam as tarefas ele prover o sus-
Como vimos, os migrantes rurais não enfrentaram grandes desvantagens tento com as obrigações domésticas e tinham também ele manter as redes que
cm comparação com os nascidos na cidade; no entanto, não foi isso que ;icon- forneciam recu rsos não-monetá rios. Em Belo Horizonte ( Brasil ), quase 45
teceu com os migrantes originários de minorias étnicas que eram claramente por cento elas fa milias chefiadas por m ulheres estava m abaixo da li n ha <li:
distintas da maioria da pop ulação. Os cabecitas negras das províncias do pobreza, enqua nto o número equivalente para as famílias com pai e mãe era
Norte da Argentin a eram olhados com desdém pelos migrantes europeus e de aproximada mente 28 por ccnto97.
pelos natu rais da cidade. Os migrantes paraguaios e bolivianos havi.i m se Num estudo compa rativo de duas cidades brasileiras ( Recife e São José dos

!: convertido numa subclasse distinta cm Buenos Aires, na década de 70. No


Brasil, apesar da reputação de que nesse pais as raças mantinham rela ções
Campos), verificou-se que tanto os homens quanto as mulheres t rabalhavam
mais quando fazia m parte de uma familia chefiada por m ulher. Como as

li harmoniosas entre si, os negros torna ram-se o setor menos favorecido da


população urbana. Levando em conta os níveis ele educação, as origens rurais
ou urbanas e a região do país, os negros recebiam salários menores do que os
mulheres ga nhava m, cm média, menos que os homens, a ba ixa renda da
mulher cabeça de família tornava mais necessá rios os ga n hos dos filhos
homens e mulhercs98. O fato de as famílias chefiadas por mulheres necessita-
brancos, viviam nas piores condições de moradia e de saúde. Os dados dispo-
níveis sugerem uma conclusão semelhante com relação aos grupos indí genas
que migraram para cidades da América Latina. Na Guatemala, os índio!;, cm
comparação com os brancos, sofriam desvantagens cm todas as áreas de estra- Tanto a pobreza dos migrantes índios dos Andes cm Lima, qua n to suJ capacid,1dc de org,1-
tificação urbana: renda, moradia, educação, saúde. Em Lima, os migran1 es de niza\ ão dian te- das difíceis condições materiais são mostradas por T. AlTAMll{ANO, Prcst·uâ11
fala quíchua e aimará estavam entre os mai's pobrcs da c1'dade96. audina en Lima metropolitana, Lima, 1984, e Cultura andin., y pol1reza url1c11rn, Lima, 1 988.
97. Com referência ao México, cf. GARCIA, MVNOZ & OLIVEIRA, f-logares; com relai;,10 ,,

Argentina, ZULMA RECCHI NJ DE l.ATTES, "Emplco fcmcnino y dcsa r rollo económ ico:
Algu nas tend,·ncias': Desarrol/o Econômico, 1 7(66): 301-317, 1977; com respeito ao Chile.
94. Vejam-se, por exem plo, os aldeãos dos A ndes peruanos q ue colhem morangos e vrndcm
EDt H PANT EUDES, Estwlios de la pohlacián fcmc11ina cconómicc1mcrrtc activa c11 Amài(tl
frutas cm Lima e as mulheres mazuas cm Cidade do t.i1éxico.
Latina, 1950-- 1 970, Sa ntiago, 1976; com referência ao Recife, BRIGmA GARCIA; I I UM BEHTO
95. Cf. JORGE BALAN, "Estructuras agrarias y niigración cn u na perspectiva histórica: btudios
MU NOZ & Oll LANDINA DE OUVEll(A, Familia y mercado de 1rc1lwjo: Un estlu/io de dos á11- o
de casos latinoamericanos", Revista Mcxicnna de Sociología, XLll/ I, 1 981, e Intcrn1.ti011al z
dades brasileiras, Ciudad de México, 1983; com respeito a Belo Horizonte, T. W. M ER R ICK & <
M igration in the Southern Cone, Buenos A.res, 1985. A migração internacional -da Ltolívia "'
M. SCllMI NK, "Fcmale Headed Houscholds and Urban Pover:y i n Bra,.il", trabalho apre- "'
:::,

'C"l e Paraguai para a Argentina, da Colômbia para a Venezuela - criou, cm várias cida,les lati-
sentado na nficina sobre l<Mujcrcs cn la pobreza: Qué sabemos?", Uclmont Confcn:ncc .zo..
<
o no-americanas, encraves de migrantes pobres e etnicamente distintos. w
'ü" Cent re, 197,l. Cf. ta mbém ELIZA ilETI I J ELI N, /,11 11111jcr y cl mcrmtlo tle l rab"fo urb11110, ....
96. Com relação à Cidade da Guatemala, cf. J. I'. l'ÍóREZ SAINZ, Ci11dad, su/JSistcncia e i11Ji,rma!i- u
o Buenos A ire,;, 1978. w
< dad: Tres est11dios so/Jre el área 1ne1ropolil,ma e11 G11C1 /e111C1la, Ciudad <lr GuatemaL,, 1990.
98. GARCIA, MU.'iOZ & OLIVEIRA, op. CÍI., 1983.
"u'
o
1
356
rem de usa r todos os recursos disponíveis para sobreviver significa que 357
Peru, e um dos mais baixos da região, e a mobilidade estrutural concentrou-se
tinham menor flexibilidade diante de uma piora da crise econômica 99 . \ nos estratos mais baixos de trabalhadores não-manuais com pequeno aumento
1 nos estratos não-agrícolas de trabalhadores manuais.
A urbanização, as mudanças ocorridas na estrutura ocupacional urbana e ç_.
A experiência da mobilidade social foi diferente de acordo com o sexo e com
declínio relativo da agricultura como fonte de sustento havia resultado em gran-
a idade. Para os homens, a principal forma de mobilidade no período até 1980
de mobilidade social no período de 1940 à década de 70100. Os diversos padrões
1 foi através do aumento dos estratos mais altos de trabalhadores não-manuais.
de mobilidade social da região cristalizaram as diferenças e divergências nas
Para as mulheres, a forma tradicional de mobilidade - do campo para o serviço
transformações sociais e ocupacionais que foram analisadas. Em geral, as quatro
doméstico urbano - foi substituída, nesse período, pelo ingresso 'nos estratos
décadas compreendidas entre 1940 e 1980 foram anos de alto grau de mobil ida-
mais baixos de t rabalhadores não-ma nuais, como vendedoras de loja e auxilia-
de social por causa da maciça transfcrtncia de mão-de-obra da agricultura pa ra
res de escritório, mas com salários menores do que os empregados cm trabalhos
os empregos urbanos. Os países com as mais altas taxas de mobilidade estrutu-
manuais especializados, que continuavam dominados pelos homens.
ral total (definida como a soma do aumento proporcional de empregos não-
A maior mobilidade aconteceu entre as gcraçôes, u ma vez que o gru po etá-
manuais e da queda proporcional do emprego agrícola durante o per!odo) eram
rio de 25 a 34 -1nos tinha muito mais probabilidade de encont rar t rabal hos não-
os que apresentavam as taxas mais altas de urbanização - em nossos exem plos,
manuais do que seus congêneres de vin te anos a ntes. Hou ve, porém, alguns
Brasil e México. Aqueles países que se urbanizaram mais cedo -como, por exem-
indícios de mobilidade dentro de u ma geração, posto q ue os grupos etários de
plo, a Argentina - mostraram menor mobilidade estrutural, ou porque tir.ham
25 a .34 anos, em 1960, tinha m maiores possibilidades de cncon t ra r empregos
menos trabalhadores agrícolas no começo do período, ou porque, na época,
não-man uais e menor probabilidade de t rabalha r na agricul t ura cm 1980,
apresentavam também proporções elevadas de trabalhadores na-o-manua1·s-10. 1.
quando tinham de 45 a 54 anos de idade 1 02.
Os contrastes entre o Chile e o Peru eram também indicativos das diferenças no
Uma das pnncipais razões para as altas taxas de mobilidade social entre os
ritmo e no caráter da modernização econômica. O Chile tinha, entre 1%0 e
grupos etários jovens foi o aumento dos níveis de educação na região, que z
o(

1980, o nível mais alto de mobilidade estrutural, cm conseqüência da grande


beneficiou muito mais as faixas etá rias mais jovens. A crescente procura de t ra-
diminuição da população agrícola e do grande aumento dos empregos não-
balhadores não - manuais, nas décadas de 60 e 70, analisada acima, foi compen-
manuais de nível mais baixo. Contudo, se levarmos em conta o alto índice de
sada por um a u mento da oferta de pessoas com os níveis exigidos de ed ucação,
desemprego em 1980 e o baixo índice em 1960, a mobilidade estrutural no Chile
particular mente os nascidos na cidade. A escola ridade conver teu-se n u m
seria baixa ou inexistente. O decréscimo da população agrícola foi menor no z
caminho mais firme pa ra a mobilidade ocupacional do q ue tin ha sido no
período a nterior. As mudanças nos níveis de educação entre 1950 e a década de
70 foram enormes, pois cada um dos seis países estudados reduziram o analfa-
99. Cf. 0 estudo longitudinal da família que copia est ratégias cm Guadala jara (México), reali- betismo em mais de cinqüenta por cento ( cf. Tabela 5.3). Apesar desses ava n-
zado por MERCEl>ES CONZAI.EZ DE LA ROCHA, "Economic Crisis, Domestic Reorg.111iza- ços, os níveis de escolaridade da população econom ica mente a tiva contin ua-
tion anel Womcn's Work i n Guadalajara, Mexico", ll11/lcti11 of /,11ti11 A111erirn11 /icscarcl,. 7(2): ram baixos cm vários países (cf. Tabela 5.4). As exceções foram a Argentina e o
207-223, 1988. Chile, ond e me nos de t rinta por cen to de sua pop ulaçáo economica men te o
z
100. A análise a segui r baseia-se pri ncipalmente cm DURSTON, "Transición estructu ral". ativa tinham, cm 1980, três ou quatro anos de escola. Com relação ao Brasil, o o(

"'
n úmero correspondente e ra 51 ,9 por cen to. E m con t ra pa r t i d a, no Pe ru, a "'
:..,
w 1 01 . Um ci.lkulo das diferenças n.1 mohi lidadc otrutural total ent re os dez p.1!scs .111,1\isad, 1 1;, <]\IC o
Cl f--
< z
Cl variam entre os rnais baixos, de menos 1 , l pur (Cnto no Uruguai e 9,2 na Argentina, e u , mais w
w
;;:
u altos, de 4 1 por (Cnto cm Honduras, 37 ,5 por cento na Bolívia e 36, 1 por cento no Bras1l1 num u
w
< período de vinte anos até 1980 pode ser c111:ontrado cm Cepa 1, Tra11sfor111nciô11, cuadrr ,s 1 -6. "u'
102. 1/Jid., cuad ros 1-9.
o
358 359
TABELA 5.4 / NIVEIS DE EDUCAÇÃO DA POPULAÇÃO ECONOM ICAMENTE ATIVA DE
TABELA S.3 / O ANALFABETISMO EM SEIS PAISES LATINO-AMERICANOS: 1960-1985·-
(POPUL\ÇÃO DE 15ANOS OU MAIS) o/o
. SEIS PA!SES DA AMÉ!UCA LATINA, 1960, 1970, 1980 (%)
1989ª, País Ano do
· ·-
Pais 1950 1960 1970 1980 Número de anos de estudo
censo Nenhum l 3 4-6
7,4 6.1 4,5
1 7 9 10-12 13> S/ inform.
Argentina 13,6b 8,6
25,5 '.'.2,3 Argentina 1960'1 6,9 24,4 45,8 4,7
Brasil 50,6 39,7 33,8 9,6 .4 4,2

Colômbia 37,7' 27,l 19,2 12,2d 17,7' 1970b o.o 15,8 20,3 36,7 13,1 5.9 8,2

11,0 3,9 5,6 1980' 29,4,/ 48,41' l 6,9f 5,JX


Chile 19,Sf 16,4

25,8 16,0 9,7 Brasil 1960/, 41,6 30,6 19,2 1,9


México 43,2 34,5 3,0 J,2 0,5

27,5 18,1 15,2 1 970 36,0 27.(, 22,9 6,1 4,9 2,.l
Peru 38,9 0,1
19801' 27,2' 24,7 28,1 10,1 6,8 .l, l 0,1
Noras: ª Estimativa da Uncsco;
Colômbia 1060
1, Populaçlo de 1 4 anos de idade ou mais;
'Dados de 195:; 19701 21,(, 31 ,I 27,8 1 0,0 h
\ 2.tt 1 ,1
d População de 10 anos de idade ou m,lis; 1980k 11,5 49,2, 29,81'1 7,7h 1 ,8
e Com cxdus.1o da população indlgcna das pl.1nkics t ropicais;
Chile 196oi 14,1 21 ,3 35,2 1 2,3
f Dados <lc 1952. 10,0 2,.l •l,8
Fontes: Uncsco, Statistict1I Year1JOok, 1963; ECLA, Stn11::tirnl Yt'arl,ook for Lati11 Amcrirn, 1980. i 9701 8,2 15,4 31,(i 1.\,0 1 3,5 4,0 l·l,J
1,.,:
1980º 4,9 1 1 ,.l
'. 25,9 1 4,91' J3,YI 9,7
j, 1 : México 19601 .l5,4 )2,0 2,1,.\
>1 ' ' •l,b 2,1 1 ,6 o.o
19701 27,1 .HI,.\ 29,7 S ,') .\,7 J,,\ o.o
população economicamente ativa tinha uma escola ridade "maior" do q ue a l1)8()J' 16,2 22, 1 34,7 16,2 •l,(1 6,2
exigida para ocupar os empregos não-manuais disponíveis. Do grande au men- Peru 196W 32,8 -52,2- -1 t ,{1·- 2' , (),')
to dos níveis de educação, entre 1970 e 1980, resultou que quase 26 por .:ento 1970º 19,J 27,.\ 28,l 7,9 9,4 4,8 .\,2
dos peruanos economicamente ativos tinha m, cm 1980, o curso secundário 1980º 1 2,4 24,2/ 18,4" u.1 1
· 1 .1,,x11· 1 2, 1 ' h,O
completo, a maioria dos quais eram jovens que estavam ingressando num mer-
Notas: ª l'opL1lac;,lo ctonomicamcntc ativ·i (l'FA) J . 14 . . . /,
cado de trabalho, que, como vimos, havia apresentado pouca expansão entre anos ou mais; d PFA ,;cm n ! • . , 1 l ,1110 ou m; 1s: J>EA de 10 ,tllos ou m.iis; t Pl:A di..· J ,1
. • . ·, .' . cn nun .11w l l' cst:ola e 1.'.0lll prim.írio in(oinpll'to; ,. PEA lOlll pri ni,irio
1972 e 1982 no tocante aos empregos não-manuais de nível mais alto. c.ornplcto e. l·c.11ndar10 1ncomplcto·, / PF·A i.·.Olll S·C, L.UIH 1a·n·o Lomplcto e superior int:o111plc1o;:,: f'l·A
com rnpcnor ,·omplcto· 1, PEA -t J o · · · ·
Uma característica distintiva dos ní veis de educação na América Lati na foi PEA l 12 - .' k <e ,n10s ou mais; t 111clu1 PEA com menos de um ano de estudo· i
• < anns ou ma1s; População cmpregad,1 de 12 anos ou m;1is; / PEA com ·ilgum I t.·du -1·
sua polarização. Junto com um grande percentual constante daqueles que não pruná ria; rn l'l'.A com algum ano de sccund írio· ,, > • • • ' i..,l\· º
de . . : . . • i l lA u11n ,1lgum a no d1..• cd ui..,L\,IO su perior; " l'Et\
haviam completado a escola primária, !uvia um número crescente de pr:ssoas l<5l ,mo.-. on mais, p PLA com sete ou oito anos de est udo; 1/ PL'\ (om um mínimo de 9 e um rn.ixi-
. o e 12 ano. s d,e estudos·• r PEA <I e• sei·s ,.11105. ou mai.s; j cdut:<l\';1o universi tária; ' PEA (om prim.i rio
m
com educação secundária e universitária. Embora a tendência seja obnuhilada,
mcompleto; ·' PEA com prim;hio co mpJ e·t o,
. ,, PEA com sccunJ.trio · · 11H:ompkto;
·
até certo ponto, pela falta de classificaçóes comparáveis entre os censos, é notá- • l" w PEA com sccu mLí-
no completo; PEA com cduc1• çà• o.supcri or,·v. Tot,1.1 ' l .1 popu 1 .1ç.10 de 1 2 anos ou m.,i .. mcnm, .1qucln
1 12 , .
vel o aumento daqueles com sete ou rnais anos de escolaridade mostrados na l os ,IOS 1 4 que frc<1ucntam ;1 es(ola prim,l ria.
o
t' ,
Fontes: Uncsco •. Unik'd Nations, Statistical Ycar!Jook for Latin Amcrica arul tire Ctlribl1ca11 1989 Com rei· .· /.
Tabela 5.4103. Tanto o grande aumento de empregos não-manuais quan to das -,:
., .
1:
ao Mé.,;ico, 19f:0: X Ccmo (;cr,crnl ric Pohlació11 y \!ivirnda, J 9SO, Rcsu rnen Cc11t.:r,il \'(.li .11.,.10
ro
"'
!, 1 1-15, l nq;i. 1 ')86. , . 1. Cu.1dro, :..,
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"C'l ....
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z
Cl '"
"'
"u' 103. Ê o que acon tctc com os n úmeros rclatiYo ;l Argen tina e à Colômbia. No caso do México, :;;
dispomos de dados para 1980 apcn;1s com 1 cla(lo ao total da populaç.io, e n.io com 1 ,:spcito
< u'""'
o
360 361
pessoas com níveis primário e superior de educação significou uma certa depre- na verdade, as taxas de mobilidade social foram altas na América Latina e com-
ciação desses empregos e das qualificações educacionais. O aumento do número paráveis às relatadas para os Estados Unidos e os países da Europa ocidental no
de trabalhadores não-manuais no México implicou uma redução relativa de seus período posterior à Segunda Gu'êrra Mundial. A análise das histórias de vida
salários com relação aos trabalhadores manuais especializados. Enquantp, na mostrou que os migrantes que se dirigiram para as grandes cidades competiam
década de 60, a alfabetização era uma qualificação suficiente para a maioriá'.dos com razoável sucesso com os nativos do lugar na obtenção dos melhores
empregos manuais especializados, na década de 70 a educação primária tornou- empregos, particularmente depois de alguns anos de residência na cidade. No
se essencial, e aumentaram também os requisitos de qualificação educacional entanto, seu sucesso relativo baseava-se, em parte, no fato de qu, os migrantes
para os empregos não-manuais. Embora parte da demanda de maiores qualifi- das décadas de 40 e 50 eram bastante seletivos em comparação com suas popi.:-
cações tenha decorrido das exigências dos novos empregos baseados em tecno- lações de origem. Esses migrantes procediam, muitas vezes, das classes médias
logia avançada no setor de serviços e na indústria, os mesmos empregos cm 1980 provincianas e tinham níveis de escolaridade relativamente altos que lhes per-
exigiam níveis maiores de escolaridade do que cm 196010 4 • mitiam obter os empregos profissionais e de escritório que estavam disponíveis
Alguns estudos sobre a mobilidade ocupacional que coligiram dados relati- nas cidades. Do mesmo modo, a emigração de artesãos das aldeias e cidades
vos à mobilidade durante o tempo de vida e aquela entre as gerações permitem- peque,nas fornecia às cidades maiores uma classe trabalhadora especializada.
nos oferecer uma análise mais detalhada da na tureza e do grau de mobilidade Embora o status da família tenha se mantido como fa tor importa n te 11:1
do que seria possível com o uso apenas dos dados dos censos 105• Mostram que, realizaçtio ocupacional dos filhos, seu impacto aconteceu, princi pal mente,
através de seu efeito sobre a educação das crianças. Sendo um determinan te
da realização educacional dos filhos, o status socioeconômico da família foi
mais importante do que o lugar de origem (se era nascido na zona ru ral ou na
à população economicamente ativa. É provável que essa diferença produza um ligeiro viés
zona urbana) e continuou a influenciar a escolaridade mesmo com a gra nde
de alta se incluirmos aqueles que ainda estavam no colegial e além, mas isso talvez possa ser
expansão das oportunidades educacionais na década de 60.
compensado pelo viés de baixa, que decor reria da inclusão daqueles ad ultos que n,ío fazem
Na ve rdade, houve indicações de que a expa ns,1o das escolas pa r t icula res
parte da população economicamente at i va. Os níveis de c.scolarid.:1<.k eles.se scgml'nto, no (geralmente religiosas) de nível primá rio e secundário, nas décadas de 60 e
caso do México, são ligeira mente inferiores aos d.1quclcs que est,lo no mercado de t rJbalho.
seguintes, reflet ia a importância que os pais de classe média dava m .) educaç,1o
A Cepa! ( Transf,:mnación, tabelas 1-2) fornece dados sobre as mudanças dos níveis de edu-
e sua insatisfaç;io com a supcrlotaç,1o das escolas pú blicas u rba nas. 'fombém nas
cação da população de 15 a 24 anos de idade ent re 1 960 e 1980 pa ra o Chile, o l irasil, o d cadas de 60 <· 70 houve um aumento do número das universidades pa r ticula-
Pan,1m;í, o Peru, o Equador e o Uruguai. Ei,:-.,1 populaç,lo jovem. mostra também um aumen- res, tanto religiosas quanto laicas, que vinham atender à crescente demanda de
to substancial no número de pessoas com níveis de educação sccundúria e universi U1ria em
educação superior e ofereciam um a m biente educacional mais privilegiado
todos os seis países. para aqueles que tinham dinheiro do q ue as universidades pú blicas. Em 1980, a
[04. Cepa!, Tra115formaci611, pp. 38-41. Sobre J questão do vínculo entre cduc.tção e 111obilidadc
càucação se havia convertido no único fator mais relevante para a melhoria de
ocupacional nesse período, cf. JORGE llALAN, "Migrnnt nativc sociocconomic diffcrcnces in
status e para a obtenção de ocupações mais bem remuneradas.
Latin Amcrican citics: A struct u ral a nalr,;is", Lnti11 A111crica11 Rcscarch Rcvicw, 4( 1 ): 3-29,
o
1969; e BRYAN RúBERTS, "Education, u rb.111 iz,1t ion a nd social cha ngc", cm R. 1mowr; (ed.), z
Knowlcdgc, I:d11catio11 a,ul C11/t11r11/ Clwng,:-, London, 1973, pp. 1 41 -162. "'
"'
:_,
o
f-
"Q-<' 105. São exemplos o e,;Ludo da mobilidade geogr,ifica e social c111 Monterrey (México), rcali,.cdo por z
w
Q IlAI.ÁN, BROWNING & JELIN, Mcn in " Dcvdoping Society, 1973, e sobre Cidade do Mé,.ico, de tirados dos ccn:;os nacionais cm períodos d(.' tempo difcrcntc!'i. N,lo h.1 g.1ra11tía, porém, de que ;e
u
"ü' MUNOZ, OLIVEIR1\ & STERN, Migraci611 y dcsig11aldod social c11 la Ciudad de México, 1977.1) méto- um grupo idcnl ificado no primeiro censo scd form,tdo, no censo seguinte, pelas mesma pc.\- soas w
"e,'
-< do da Cepa! pa ra calcular a mobil idade cst r utural consiste cm compa ra r gru pos equivalentes que sua cnntrapartc, e de qu(.' n,lo se pos.im vincular ocupa,·úcs do.\ p.1is e do... 111110:-..
.t.\
o

::1:p7:-,,1111111111"4'..._......---------
!I
li 363
362
A DESIG UALtiADE SOCIAL NA DÉCADA DE 80 !l de uma dissolução da estrutura sindical a fim de diminuir a oposição organi-
zada às políticas contrárias à indústria e ao emprego que foram aplicadas cm
Durante as décadas de 70 e 80, a procura de trabalhadores nas áreas urqa- seguida. Na Argentina, de 1975 a 1978, a redução dos salários reais foi da
nas foi afetada negativamente pelas m udanças tecnológicas poupadoras"âe ordem de 50,4, 54,9 e 55,9, respectivamente, para os salários-mínimos urba-
mão-de-obra e pelo declínio da economia regional. O resultado foi a persis- no, industrial e da construção civil. No Chile, as maiores quedas aconteceram
tência dos trabalhadores não-remunerados da família e dos autónomos e, em entre 1970 e 1975, quando o salário-mínimo urbano caiu 41,1,por cento, o
1990, o crescimento, em volume, dessas categorias de emprego urbano, cm industri.il 41,8 e o da construção civil, 18,3 por cento. No Per u, os sahí r ios
toda a região. Somada às mudanças no padrão de migração e ao aumento reais também caíram de forma acentuada entre 1975 e 1978.
substancial das taxas de participação feminina no mercado de trabalho, a Na década de 80, a queda <los salários reais foi mais geral e sistemática em
maior diferenciaçiio da estrutura do emprego urbano criou uma estrutura toda a região. Entre 1980 e 1987, o salário-mínimo real caiu 13,6 por cento na
social urbana heterogênea e polarizada. Houve uma redução drástica da mobi- América Latina, apesar de sua pequena recuperação entre 1985 e 1937107. A
il lidade social devido à diminuição da migração do campo para a cidade, à redução parece ter sido mais drástica nos salários do setor público, que caíra m
''
estagnação das economias da região e às políticas adotadas para reduzir os gas- 17,1 por cento, e menos aguda na indústria, onde a queda foi de 9,9 por cento.
tos públicos que acarretaram cortes no emprego burocrático não-manual. As Esta tendência global esconde'..! grandes variações segundo o país e a cidade. A
oportunidades de mobilidade para a geração mais nova eram, conseqü ente- queda foi mais aguda no Peru e no México, ao passo que, na Colômbia, ao que
mente, muito menores do que para seus pais. Essa maior rigidez da etrutura parece, houve aumento dos salários reais. Dos seis países, foi a Colôm bia o
social operou de maneira diferente, como veremos, segundo o país e a cidade. único a pôr em prática, da década de 70 até 1987, uma política econômica que
Na década de 70, surgiram sinais claros de que estava chegando ao fim a permitiu a expansão do volume das exportações, a neut ralização dos efeitos
longa tendência secular de alta dos sa lários reais urbanos 106. No México, o da queda dos preços internacionais e u ma elevação dos salários reais.
aumento excessivo dos gastos públicos e a alta da inflação acarretaram a ado- O impacto ela crise sobre os mercados de t rabalho va riou de um país la t i-
ção de políticas de ajuste, que reduziram os gastos públicos e os salários, de no-a merica no para outro. Por exemplo, no Chile, a taxa de desem prego
1979 em diante. Os mais afetados foram os salários-mínimos urbanos, que aumentou violentamente, subindo de 8,3 por cento cm 1974 para 18,6 por
caíram 8,4 por cento entre 1978 e 1981. Em contraste com o México, o Brasil cento dez anos depois. No Peru, no mesmo período, o au mento foi menos
dependia fortemente das impor taçõc:; de pet róleo e aumen tou sua d i vida pronu nciado e, na Argent i na, Brasil, Colôm bia e México, a m ud a nça foi
externa depois da primeira crise petrolífera (1973-1974) para compensar a mínima. No tocante aos níveis de pobreza, os dados chilenos indica m que a
mudança negativa nas relações de troca. A partir de 1978, porém, com a con- proporção de fa mílias que vivia m abaixo da linha de pobreza ( com rend as
tínua deterioração das relações de troca, o resultado foi uma queda accnt nada insuficien tes para atender aos requisitos nu t ricionais mínimos) a u men tou
do índice de aumento do salário-mínimo real brasileiro - geral, da indústria e de 11,7 por cento, em 1979, para 23,0 por cento, cm 1984. No Peru, os n ú me-
da construção civil. Na Argentina e no Chile, a política económ ica adotada na ros equ iva len t es i n d ica m u m a u ml" n to d e oi t o pa ra 2 1 ,2 po r cen t o l" n t rc
década de 70 baseou-se na premissa de que, para conseguir a estabilização e 1970 e 19H210b_
melhorar a competitividade internacional, tinha-se de controlar os salános. A
política salarial foi usada para controla r a força de trabalho e acompa n hou-se

"e,' 1 07. Com n:laç,ll1 a c.ssa estat íst ica e às segui nte.\, cf. Prc,ilc, "L.1 cvoluciú11 dei mcrc1do l.1hor.1l
<
e, entre 1 980 y 1 987", serie Doeu mcnto de Irabajo, 11º. 328, Sant iago, 1 988.
"ü'
1 06. Os dados scgui n1 cs sobre os sal6 rios nos \l'is paiscs silo cxt r,1 ídos de Prcalc, bnplc,, y 51J /a- 108. Prcalc, "Pohr,:z.1 y mercado de t r.1bajo rn u1;1t ro pa ísc : Costa llic,1, Vc11c1.ui.:L1, Chik y
< rio1 Santiago, l 9t,3. Pcrú", Documento de t rabajo, Sa ntiago, 1 987.
·1.ii!
364 :i 365
Os pobres urbanos, devido à crise econômica, foram cada vez mais obri- !f tendência semelhante com relação aos níveis de educação e de idade da força
,,,,
gados a utilizar diversos recursos monetários e não-monetá rios para suprir as ·Í de trabalho feminina. As mulheres com baixos níveis de educação aumenta-
necessidades. Diante da queda dos salários reais, a renda de um único tral;la- ram suas taxas de participação em 56,3 por cento entre 1930 e 1985, ao passo
lhador passou a ser cada vez mais insuficiente para sustentar uma fa mília. que aquelas com cinco ou mais anos de estudos mostraram aumentos modes-
Para atender às despesas da casa, foi necessário recorrer aos salários dos tos. As mulheres entre 30 e 49 anos apresentaram, no mesmo período, aumen-
jovens e das mulheres, mesmo baixos, junto com mais trabalho doméstico. Foi tos maiores de participação do que as mais jovens 112.
esse o principal fa tor de aumento da participação da mão-de-obra fem i nina As mudanças das características das mulheres que ingressava 1 no merca-
nas famílias mais pobres. do de tra balho ocorreram em conju nção com as transformações na forma de
Em 1980, nas metrópoles da América Latina, o trabalho remunerado das sua inserção. No México, o percentual de trabalhadores não-man uais ( profis-
mulheres se converteu numa parte essencial do orçamento doméstico. Não sionais, técnicos e empregado$ de escritório) da população feminina econo-
existem estudos detalhados sobre as mudanças ocorridas no mercado de tra- micamente ativa diminuiu de forma expressiva e somente os t rabalhadores
balho feminino de 1980 a 1990 nos seis países, mas podem-se usar os dados mais qualificados conseguiram os poucos empregos não-man uais que foram
do México e do Brasil para ilustrar as tendências. No México, houve uma criados 11.l. A população feminina economicamen te ativa com baixos níveis
expansão acentuada do emprego feminino na década de 80, com um aumen- educacionais mostrou uma queda evidente de sua participação no tra balho
to de 6,5 por cento ao ano da taxa de participação das mulheres economica- manual assalariado, mas aquelas com níveis médios de escolaridade a umenta-
mente ativas entre 1979 e 1987 ( cm comparação com os 3,5 por cento a nuais ram sua presença. Ambas as tendências indicam que, em períodos de recessão,
entre 1970 e 1979) 109. O Brasil apresentou uma tendência semelhante, com são feitas maiores exigências para a contratação de mão-de-obra.
um aumento de 7,6 por cento na participação feminina entre 1980 e 1985 ( em As empregadas domésticas tornaram-se uma pa rcela significativa mente
comparação com os 4,6 por cento entre 1970 e 1980)110, menor da população feminina economicamente ativa, no mesmo grau que as
A recessão econômica da década de 80 forçou o México a mobilizar uma j,:, trabalhadoras nas manufa tu ras. Somente o emprego ma nual assala riado nas
1
oferta potencial de mão-de-obra, constituída sobretudo de mulheres ad ultas j: indústrias de serviço au mentou sua proporção no t ra balho fem in ino. As
l
(35 a 49 anos de idade) com baixos níveis de escolaridade, casadas e com mulheres que trabalhavam por conta própria aumentaram sua proporção no
filhos pequenos. Em contrapartida, as mulheres jovens e solteiras (de 20 a 34 emprego, especialmente aquelas com baixos n íveis de educação, q ue vivia m
anos), com níveis medianos ou altos de escolaridade, mostraram menor par- em uniões legais e tinham filhos menores. O aumento do trabalho autônomo
,,
ticipação relativa no mercado de trabalho. Esse contraste foi produzido ; ocorreu não apenas no setor terciário - o setor com mais emprego fem i ni no -
provavelmente pel a redução das oportunidades de emprego não-man ual e mas também na ma n ufatura. Esse aumento do t rabalho autônomo foi u ma
pelo aumento do emprego informaJI 1 1 . Os dados brasileiros indicam uma conseqüência nfo só das estratégias de sobrevivência das famílias pobres, mas
também da reest ruturação da atividade ma n ufa t urci ra media nte a subcont ra -
'
tação de oficinas e trabal hadoras cm casa I 1 1.

1 09. ORLANLJI NA DE 01.I VEl l(A & IJR!GIDA GAHcf A, "Ca m bias en fccundidad, trabajo y condi-
ción fcmcnina en México", t rabalho apresmtado no XXII Congreso Mu ndial de Sc,ciología,

...•. Madrid, 1 990; MERCEDES PEDRERO N1E·1 O, "Evol ución de la pa rtici pación ccon ci m ica 112. IJRUSCHI NI, 7mdências...
t fcmenina en los ochcnta", Revista Mcxic11111• de Sociología, 1.11 ( l ): 133-149, J 990. t 13. Os srguintL'S d.1dos, rxtrnidos de OLI VEIHt\ & CAHC[t\, "Cambio cn Jecu11did.1d ...", h,l'.'il'Í,1m-
o
f-
z
w
1 10. Cf. C. BllUSCIIINI, 'fr11dh1dt1s tia Força tlc: ' f'ri1lwlho Fc11ii11i11t1 /Jrasileira 110s Ano:; Si' / ,;nfa a sc numa amostra nacional de mulheres entre 20 e 49 anos de idade nos anos de 1 982 e 1 987. ;;

Oitenta: Ali11111r1s Comparnçôcs Regionais ) S:10 Paulo, 1989. 114. ESCOBAl 1 , Co11 e/ s111/or; V!CTOI( TOKMA N, "El ,cctn r i n formal: Quincc .11ím dc,puc.,', /:/
1 1 1 . 01.l VF.ll(A & (;,\J(C I A, "Ca mbio, c n fccu11did,1d ...". Trimest re J:(011ií 111tf o , 2 1 5: 5 1 J-5."\(,, l t)K7; M/\l{TA IH )LJ >1\ N . l lllll( l>I·.\ 111·.NFl{I A , l he
366 367
A diminuição dos salários reais teve importantes conseqüências para a estru· água etc.) começaram a atingi r por igual os diversos setores sociais, rcs ul ta n·
tura de classes, especialmente por,1uc ocorreu no contexto de u m corte i,os gas· do, mui tas vezes, nu ma oposii,:ão com um ao Estad ü por não prover os servi- ços
tos públicos e do emprego do governo. Na décacb ele BO, ":, .::wnomias latino· básicos. Co m relação às diversas cidades, foi registrad a 11m,1 m;, ior hetcro·
amcriran;;s passara m a adotar, cm medida crescen te, políticas de livre merc.odo geneidad c social das áreas residenciais, uma conscqtit n•.:;,, d,1 fa tu ,k q ue, n o
com o objetivo de estimular o setor privado e r,duzir a intervenção do fülado na afã d e encontra r acomodações baratas, as classes média e t ra bal hadora acaba-
econornia . Isso trouxe, provavcb11': nte, enormes conseqüências para a classe ram invadindo o espaço uma da outra.
mtdia e a classe trabalhadora urbanas, sohct11do para o grupo que rotula mos de
i O dedf nio rela tivo das re1;das no toro do qtJad ro dc díst, ;l;, ,;'i; n de re nda
1
clase média baixa, e pa ra o proletarü1do formal e iuformal. As rendas <los fun· tambón foi gra u de, mas liouve sinais de dik n:nci:,ção cn t rc 0 ,. ·;u, u11 JHCS,1-
cion:.í rios públicos de nível intermediário e baixo, •:ntre eles os professores e o li
..,,,
ria l c os a<lmin istrad orcs e p rofissi o11ais de alto nível. Os J:,c r,,s u bi r.• m
pessoal de saúde, parece terem diminuído bast;mte nesses anos, de tal modo que, durante l•S anos de crise, cng vanto os salários caíram sensivdn ••:- . ,, Con t u-
cm 1985, os trabalhadores do setor pú'.)lico do Urng11ai, por exemplo, gan havam
5G 1•cr cento llo salário que rcccl.ii m cm 197'.! 1 1 5 . No México, o decil de rendas
li
-: li
do, com rcla "i.ío ,) ldsse alta ürban.>., as ren d as contü,ua ram suL,:L:q vi.,dm,:n-
tc mais aLas do que as das outt"as classes e, embora o consumo pns,,1 kr dimi-
farniliarc, que compreendia principalmente a classe mécli,1 baixa, diferenciou-se : Ji nuído nc::scs a uos, a renda continuou snficicntc pa ra propi ci;i.r u ni c;t i l o d e
do decil imcdiat:unente acim<'. e, com reJ;1ção à renda e às fontes de renda, ficou vida confot távcl 1 11.
', 11,,
mais parecido com os de baixol 16, Entre 1980 e 1988, na maioria dos países da ,,;1
A base da est ru tura urbana de cla5srs, apesar de comc,;ar com n h•i:is de renda
rcgiilo, o crescimento do emprego público foi pequeno ou quase não existiu.
:;!
1 baixíssimos, parece ter sofrido tambfo1 cm termos relativos por ca usa Ja crise. O
• >

Esses trab,tlbadorcs adm inistra tivos tam bém depend ia m do F.st;1 do no ",'!
prol.:tariado formal teve suas rendas red uzidas, red ução que n:io foi ·0111pc11s,1-
toca nte aos serviços sociais, já que su.is baixas rendas ohrigav,nn·.,os .i mah· \;,,!l da pelo au,ncnto do valor dos benefícios cxtr,Halariais nem por oui ri:, fontes de
v·•1
ter diversos membros da famíli;i trabal hando e os serviços, fossem de educa· ;i renda, inclusive remessas do exterior. Além disso, n,1 déca<la de 80, ,p,;:ndo o pro-
ção, de saúde ou de ajuda no la r, 11ão podia m ser adquiridos facilmen te no .- i, letariado i11forrn,1] crcsçcu con:;idcravclmentc tan to em n úmero q u,1nto cm pro-
mercado. É prová vel que, nJ d éc;i.da de 80, cs interesses e as preocupações porçJo da força ,Jc t1ab.1lho urbana, P proklariaJo formal perdcll :,ti:\ ,, n pm t.i. n-

dessa classe média baixa se tenham :1pn:,ximad o ainda mais daqueles dos tra· cia rrla,;va como parte das clases trabalhadoras la ti no-a rncrica11a:;. 'J:; n -írncros
bal.hadores ma n u«is. Além disso, os probl 2n,as da vida u rba na <li.iria (l uz, oficiais su;;crcm <]HC, na rci;iào como u m todo, o cmprq'.o i nform.'! t:., ba no
aumentou 56,J por cento ent re 1980 e 1'Ar?, a u n u tax,1 a,rn,11 de 6,C r:1, c,:n tci, /.
sendo o M.:,xico e o Brasil os países onde ocorreram os maiores a u m, ,,;_,,:; 1 1 °. 1\s
mesmas fontes iudicam que o emprego no setor privJ<lo aunv:11 tou 7, '1 1•ci r cc,llo
Cru;srot1ds uf Class mui Gm,lcr, Cli ica;;u ( 111.), l 98i; ROllEIU"S, "Employmcnt slruú urc, Jife
ao ano, lllll i to al,.1ixo da taxa de crescimento da popul.1r;,10 u,in-ir;rí,:,,l., c,·0110-
cyclc and Jiíc cha11C1·s: Formal ,rnd in fo1111,il s•:ctors i n G uadalajara"; A. MARSII /\LJ.. "Non-
sta ndard Em;)loym cn t Pra(:t icc-; i n Lit i11 A•11erica"1 c111 Discussion Papcr OP/(i{J/1987,
Ccncva, 1 987; I'. 1\IU AS, "La pcquc11a cm Fresa cn el octidcn lr ru ral", l:.st11dios S11cii1/ógicos,
Cit:d <\J d..: Ml.sico, ú ( l "/ ), l 98R; HRÍGIDA C1\IZCf A, J Jr-sarrollo cco11ó111in1 y n/Jsorci(m ,/e fucr- 1 17. Uma indic1ç:10 de alt;u ns dcJs benefícios rno1H.:t.írios t: n;ln ·rnon t:L.írio q ut· l'.... c c:,t r.1to..,

za de tra/Jajo c11 Afrxico: 1950-/ 98{}, Ciud,id de J\1l'xict1, líl9,8; ALEfANDRO PORTE . l'\1.'\NUEL nw is clevado.'i conti n u,1ra111 a n.·(clH..·r - C.HTO d ,1 ,·m pH'\il, l"\1111 por prnd u1i v td.1 k. 111.1t rí
1
CASTU.LS & LAl.fREN /\. BEt-,ITUN (,:ds.), Tlii· !11);1; Fco110111y: .,;u:lics i11 Ad1't111ccd ,i nd J,rss culnc; <'JI) escola:;, vi,lr,cr1.s p;1gas etc. é d.HL:1 n11 Aí...;US-1 fi L'.)C(H',1\ I :.!, !IHY,".N H. hl)Hl·.I{ !\ , o
,..
'e"-<., IJ L'vc!opcd Counrri,·, llal t inh)J C ( Md.), J l.:Y. "Urban t rJ.t i l i(ation, thc M idd k CL1ssc.:s, rnd EuHwm i c Ch,rn1c i n Mn;iul". .,.
e,
115. Jllt crn.1tional Lahou r ()[ficc, \\fr ,rld J,o!w1 ,, J.\p1lrf, ,' 98'), Gcncva, 1 99. p. 5. 118. Prcak, "La \'V( 1!11ciú n dei lllCí(,11.lo l.,h ir.d e11lf'' l \1 {0 }' 1 1JB7", sei íc l lrn tlllll'lllo i k I r,1h.1jn,
';:";:
"u' u
o 1 1 t,. n.H ,,, tJ ur1 COI\TLS & 10:;,\ 11\!1\ld,\ ltl1U 1 LCi\V1\, /ut/o, _rplolf1Liún járzaclo )' C{Jtndacl por 11'°>. 328, Sa n ti.1go, J igg, Cuad i o l ; ELI::., Srot i:,t Íf·.,t Yn1rhuo Jor Ltt r in /\111r;Í(1l 1Ui1.' 1!1c ,
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Caribúc1,-11, 1 9,i l, S,l11t i,1 go, 1 98'), L:bk J. l)ef i!l i u· se et11JH\'go i n for m,11 L"orn n ,1 <;O!Jl,l do u
Q

i
1/
li 368 369
micamente ativa (3,7 por cento), mas as empresas de grande porte apresentaram outras capitais .:entro-america nas, os percentuais correspondentes eram 33
pouco ou nenhum crescimento. O emprego no setor público aumentou 4, l por por cento cm Cidade da Guatemala, 29,9 por cento cm Tcgucigalpa, 28 por
11
cento ao ano, embora com consideráveis variações de um país para o outro. ,Em cento em San Sa lvador e 23 por cento cm San José 121. Costa Rica, cuja econo-
,. 1987, estimava-se que o emprego informal na região era de 28,9 por ce11to·'êlo mia fora menos afetada pela recessão da década de 80 do que a maioria das
1
emprego urbano total, cm comparação com 23,9 por cento cm 1980. economias la tino-america nas, era o ú nico pais da América Central que não

li Dados provenientes do México e da América Cent ral fornecem u m q uadro


mais detalhado dessas tendências. Nas três principais áreas metropolitanas do
tinha sofrido um aumento da informalização na década de 80.
Nas cidades centro-americanas, os trabalhadores informais figuravam, em
1,·: México, houve um aumento do emprego nas pequenas cmprc5as, no trabalho proporções desiguais, entre os grupos etários mais jovens e os mais vel hos,
1!
;ii por conta própria e no emprego familiar não-remunerado, e isso foi p,,rticu- entre os migran tes, as mulheres e aqueles que apresentavam níveis mais bai-
1
,i , larmente acentuado nos serviços de conserto e no comércio 119• Em 1987, o xos de escolaridade. O emprego informal estava concentrado principalmente
,1 : emprego informal (inclusive serviço cm casa) foi estimado cm 33 por cento no comércio, embora cerca de um quarto desses trabalhadores informais esti-
(1! da força de trabalho urbana. Os trabalhadores autônomos e os empregados de vessem no setor industrial. Em todas as cidades, o setor informal era social e
'j: pequenas empresas parecem ter sofrido uma redução de suas rendas reais, e, economicamente heterogtneo, com grandes diferenças de renda entre os
',I cm 1989, o setor informal tornou-se sinônimo de parca subsistência. Somente
:: pequenos empresários, seus empregados e os trabalhadores autônomos. Os
os proprietários de pequenas empresas e os trabalhadores informais com as estudos de caso com amostras dos autônomos e das pequenas empresas nes-
habilidades exigidas ga nhavam salá rios significativamente superiores ao sas cidades indicaram que para os autônomos a informalidade era, basica-
mínimo, mas suas empresas estavam, cm geral, pouco equipadas e most ravam mente, uma estratégia de sobrevivência da família em face do desem prego e
poucos sinais de acumulação de capital. da redução dos salários reais. Somente os pequenos empresários ganhavam
Em 1989, os mercados de trabalho urba no da maioria dos países da um salário significativamente superior ao mínimo, e, como no México,
América Central estavam extremame nte informalizados. Em Ma nágua, que mesmo esse setor mostrava pouco dinam ismo económico.
sofria os efeitos do bloqueio econôm ico e a guerra no campo, e tinha uma Como o emprego informal abria uma probabilidade rela tiva mente fácil de
base industrial fraca, os trabalhadores informais chegavam a 48 por cento da auferir rendimen tos que podiam complementar as rendas da família, isso fez
120
força de trabalho urbano, sem conta r os empregados domésticos . Em com que a familia adotasse a estratégia de colocar mais membros no mercado
de trabalho para compensar as reduções dos salários reais. .Ê provável que as
familias que tinham membros do proletariado informal tenham cxperimcn-

emprego autônomo, o emprego familiar sem remuneração e o emprego em empresas de


menos de cinco empregados (inclui ndo, assi m, o serviço doméstico).

t t 9. lnegi, "Encucsta nacional de Em pko Urbana: Indicadores Trimcstrales de l rn plco", Centroamérica: Entre la awm1dació11 y la S11bsiste11cia, San José, 1991, pp. 21 7-258. Em
Aguascalien tes, 1 988; SPP, /,a owpación in/,mnal cn t!rcas llrbanas, Ciudad de Méxi,:o, 1979. Manágua, o sctm informal, que se expandi u enormemente depois do terremoto de 1 972, j,í cr.,
Cf. também ACUSTI N ESCOBAR, "Thc ltisc a nd Fali of a n Urban Labor Markct: E,:onomic grande n., époc., da rcvoluç,io de 1979. !Je 1979 cnr diante, o setor inf<,rmJI foi ora cncora j,r-
Crisis and thc Fate of Small-scalc Workshopes i n Guadalaja ra, Mcxico", R11llctí11 of L,itin do ora desencorajado pelo regime sandinista, embora, cm 1 989, ten ha sido considerado u m
American Rcscarc/1 , 7(2), 1 988; GONZÁ LEZ Ili' LA ROCl!A, "Economic Crisis, Domcstic grande fornecedor de serviços essenciais dc11tro de uma economia <lilaccrada pela guerra.
Ul Reorganization and Women's Work i n C uadala ja ra, Mcxico"; ROBERTS, "The Cl ,a nging o
f-
Q i21. Cálculos baseados em pesq uisas familia res cm diversas cidades. Os resultado, detal hados
<
z
Ul
Q
Ul
Nature of Informal Em ployment", aparecem em l'LREZ SAI NZ & MEN)IVAR (cds.). Os trabalhadores i nformais era m definidos .,.
u 120. Cf. AMAI.I A Cl!AMORRO, MARIO CI I ÁVI'(. & MAllCOS MEM llRENO, "E! sector i nfor mal cn
'.J
o como os trabalhJdorcs autônomos, aqueles sem rcmuncraç.lo e os empregados e proprie- w
o( Nicaragua" cm J. P. PÉREZ SAl NZ & RAl:AEL M ENJf VAR (eds.), l11fon11a /idad llr bana en tários de empr(':;as com menos de cinco empregados. "u'
371
370 e donas de casa, tinha m uma dupla responsabilidade: precisavam cuidar da
tado, como conseqüência, uma redu\;ão menor da renda global do que outras
famílias da classe trabalhadora. No México, há provas de que isso aconteceu, casa e dos dentais membr_os da família e buscar fontes de renda através do ser-
e as fontes de renda extra-salariais, como remessas do exterior e poupança viço doméstico ou de um emprego fora do lar. Os homens que eram cabeças
---·----...... própria, acabaram sendo mais importantes 122• O resultado dessas diferéntes de familia, embora fossem incapazes de sustentar a fa mília com seus ba ixos -·-
tendências foi a continua polarização das rendas no México, apesar do ligeiro salários, muitas vezes se opunham a que as esposas trabalhassem fora de cas.i
declínio da desigualdade de renda. e relutavam cm contribuir com toda a sua renda para o orçamnto familia r,
Um dos aspectos mais importantes da vida urbana, no final da década de aumentando, assim, o potencial de conflitos domésticos. Os pais esperava m
80 e principio da de 90, foi a pressão sobre as famílias e as comunidades resi- que os filhos e filhas contribuíssem para o bolo da família, enquanto eles, de
denciais, pois se tornaram o meio essencial de sobrevivência, particularmen- seu lado, queriam usar seus ganhos para atender às necessidades individuais.
te para as familias de baixa renda e aquelas que tinham emigrado pouco Os conflitos en tre sexos e gerações que surgiam dentro das famílias converte-
tempo antes para a cidade. Complementar suas escassas rendas e d ividir a ram-se numa característica marcante da vida urbana na América Latina.
moradia foram fundamentais para a sobrevivência dos pobres, quer entre os As mudanças no mercado de trabalho tenderam a enfraquecer o emprego
a/legados de San tiago, quer entre os pobres de Lima ou entre os migrantes como fator central de estruturação da vida quotidiana, redefinindo as bases
para a Cidade do México. Ao mesmo tempo, eram igualmente importantes a para a estratificação social. A intensificação da subcontratação, por parte das
ajuda mútua entre os vizinhos e as estratégias coletivas de sobrevivência, grandes empresas, de trabalhadores a domicílio ou de oficinas terceirizadas, a
como as cozinhas comunitá rias. As estratégias d e sobrevivência tan to das expansão do desemprego, o caráter esporádico de grande parte da força de tra-
famílias quanto da comunidade geraram tensões que acarretaram a ntptura balho e o aumento da rotação de trabalhadores produziram grande instabilida-
familiar e a fragmentação da comun idade 123. Era grande a pressão sobre as de do emprego. Esses processos eram obstáculos à consolidação das classes
relações familiares, particularmente :.obre as mulheres, pois estas, como mães sociais urbanas na América Latina. A ocupação de um indivíduo tornou-se um
indicador menos útil da posição social e de classe do que no passado. Isso acon-
teceu sobretudo com relação à classe t rabalhadora, para quem o emprego esta-
va cada vez menos vinculado a habilidades particulares e a uma carreira estável
122. Provas do au mento em número dos membros das famílias em emprego remunerado entre
e para quem o salário individual era no mais das vezes insuficiente pa ra man-
os estratos mais pobres são dadas por MERCEDES GONZÁLEZ DE LA ROCHA, "De po r qué las
ter a família. A ocupação deixou de ser importante para definir os ciclos vitais
mujeres aguantan golpes y cuernos: Un análysis de hogares sin varón en Guadala jara", em
e a posição social e foi substituída pela posição dentro da estrutura familia r e
LVISA GABAYER et al., M ujeres y socicde1d: Salario, hogar y acciôn social cn e/ occ ilente de
pelo estágio no ciclo familiar (cabeça de família nuclear ou extensa, com filhos
M éxico, Guadalajara, 1988; HENRY A. SELIJY et al., Thc Mcxican Ur/1a11 lf o,uehold; e
pequenos ou 11:10, com ou sem cônjuge etc.) e pelo acesso às redes de informa-
OLlVEIRA, "La pa rticipación ícmcnina ,:n los mercados de t rabajo urbanos em México, 1970-
ção e de ajuda ií família e à comu nidade. As ca rreiras ocupacionais estáveis
1980". CORTES & RVIIALCAVA, A11to,:xplotació11, op. cit., demonstraram que a mudan- ça
(caractcriz.idas pela permanência na mesma empresa, adquirindo capacitações
nas Contes de renda entre os decis mais baixos de renda e que as famílias desse,, estratos
e promoçã·), beneficiando-se do tempo de serviço e da seguridade social) tor-
mostram a menor reduçào da renda total de todos os estra tos mexicanos ent re 19Tl e 1984. o
naram-se raras; e o aumento da mobil:dade interurbana era um indicador das z
123. Cí. GVILLERMO DE LA PENA, JUAN MANUEL DVRÁN, AGVST!N ESCOBAR & )AVIEI\ GARCIA <
freqüentes mudanças de emprego. Essa mobilidade residencial significava tam- "'
DE ALBA, Crisi.,, conf)icto y sobrevivenáa: Estudios sobre la socicdad urbana en México, "':;,
o
....
"C<l' Guadalajara, 1980, e, particularmente, o ensaio de MERCEDES GONZÁLEZ DE LA ROCHA, z
":;:'
Cl AGVSTIN ESCOBAR & MARIA DE LA O. ti\RT[NEZ CASTELLANOS, "Estratcgias versus con-
"ü' surgirarn devido ao ônus desigual que essas est ra tégias i m pu nha m às d iícrcntes catcgorids
o f\icto: Reflexiones para el cstudio de! grupo doméstico cn época de crisis", para a an,ílise das "'
"'
u
< est ratégias coletivas de sobrevivência enl Ie as famílias e os bai rros pobres, e os conilitos que de membros da família. o
1 \

373
372 bém que os bairros tornavam-se menos estáveis do que nas décadas anteriores, Nos estágios posteriores da substituição de importações, porém, mesmo a
tanto quanto a vizinhança como base da solidariedade social. base para essa participação limitada da classe t rabalhadora na política soço-
brou. Foi esse o período, as décadas de 60 e 70, daquilo que se chamou, na
América Latina, a política da exclusão. Governos militares assumiram o poder
CONCLUSÃO propugnando ideologias desenvolvimentistas (no sentido de desenvolvimento

Os padrões de urbanização e as tra nsformações da estrutura social urba-


1,
de cima para baixo, dirigido pelo Estado) e nacionalistas de grande crescimen-
to econômico e procurando cercear as reivindicações de mclho'res salá rios e
na, na América Latina, depois de 1930, estiveram estreitamente relacionados '.i melhores condições de vida tanto da classe média quanto dos trabalhadores.
Não obsta nte, essas classes consolidaram-se durante esse período, provocando
com O desenvolvimento do setor industrial, ligado, por sua vez, às mudanças
na divisão internacional do trabalho. Antes da década de 40, os diversos paí- maiores exigências ao Estado - exigências que se tornavam mais prementes
ses latino-americanos eram, primordialmente, exportadores de produtos pri- porque eram feitas, muitas vezes, na capital. Ao mesmo tempo, as economias
mários e apresentavam um fraco desenvolvimento do mercado interno. Eram, urbanas, devido ao crescimento do mercado interno, se tornaram pa rtes mais
antes de tudo, países rurais. O emprego não-agrícola concentrava-se, princi- complexas, cada vez mais essenciais das economias nacionais. O grande cresci-
palmente, no comércio e no artesanato. As mulheres tinham uma participa- ''·1 t. mento, pouco planejado, das cidades e de sua pobreza era um ter reno fér til
ção baixíssima noi: mercados urbanos de trabalho. A pa rtir da década de 40, 1 para movimen1os sociais de bairro, como os dos invasores de terrenos que pro-
i
as políticas de substituição de importações, primeiro dos produtos básicos e, curavam defender e aumentar seus assenta mentos. Freq üentemente, como
depois, dos bens de consumo duráveis, intermediários e de capital, tiveram vivessem principalmente em assentamentos pouco planejados e dotados de
como conseqüência uma notável transformação da estratificação social. serviços deficientes, eram os trabalhadores industriais e seus sindicatos que
Essa transformação baseava-se tanto cm fatores demográficos quantc, eco- lideravam essas lutas. Além disso, .:s novas classes médias, especialmen te os
nômicos. A migração do campo para a cidade foi intensa e as cidades cresce- empregados do governo, como os professores, por exemplo, à medid a que
ram enormemente. O dinamismo da indústria manufatureira tornou possível t
,, ' aumentaram em número e se organizaram melhor, tornaram-se mais eficien-
<
a absorção de uma oferta cada vez maior de trabalhadores, que, no período tes na reivindicação de melhores salários e benefícios. u
"'
inicial, não cresceu tanto quanto o fa ria nos a nos subseqüentes, quando as Na década de 70, um novo conjunto de fatores começou a prod uzir uma ';";;
<
mulheres começaram a entrar no mercado urbano de trabalho em nú mero enorme diversi ficação baseada na fragmentação e polarização dos diversos <
z
crescente e os novos milhares de trabalhadores foram engrossados pelo setores sociais. A oferta de trabalhadores cresceu basta nte - em conseq üência z<<
impacto retardado do crescimento populacional. Essa absorção inicial tornou da migração, do crescimento na tu ral e da maior participação feminina - "'
"'
:.,
possível a consolidação da classe trabalhadora - às vezes com uma forte pro- enquanto o setor manufatureiro perdia sua capacidade de absorver mão-de-
porção de migrantes de origem rural - e, para aqueles setores urbanos com obra, ou por causa das mudanças tecnológicas ou devido ao declínio das eco-
níveis mais altos de escolaridade, uma mobilidade social pa ra o trabalho não- nomias latino-americanas. Ao mesmo tempo, houve um enfraq uecimento da
manual. Apesar dos evidentes problemas da marginalidade social, esse.; anos orientação do Estado para o desenvolvimento e o bem-estar. Esse período
constituíram um período cm que as classes trabalhadoras compartilharam, caracterizou-se por uma maior concentração da população nas áreas urbanas o
z
<
até certo ponto, os benefícios do desenvolvimento. Nesse momento, aparece- e por uma redução das chances de mobilidade social. "'
"':.,
':[,
I'j, ram também sinais do surgimento do Estado do bem-estar, ao mesmo 1empo As muda nças ocorridas nas estruturas ocupacionais significaram, a um só o
....
"o' cm que eram criadas as bases sociais para o advento de governos populistas. e mesmo tempo, modernização, maior diversidade e desigualdade social. A z
<
";;;'
o As elites que procuravam promover o desenvolvimento industrial precisavam modernização era visível na expansão das novas classes médias - profissionais
"ü'
1 do apoio político das classes sociais u rbanas, e não menos da classe trabalha- liberais, executivos, técnicos e empregados de escritório. Esses setores forne-
< dora ind ustrial, contra os interesses co inerciais e agrários entrincheirados. ceram a mão-de- obra necessária para uma industrialização baseada no ava n-
374 375
ço da tecnologia e no capital transnacional com seus serviços anexos, para a se trabalhadora na Inglaterra e na Alemanha, no século XIX e começo do XX.
expansão dos serviços sociais e para uma gama de serviços pessoais associa- Na América La tina, entre 1930 e 1990, a classe trabalhadora foi constit uída
dos à indústria do entretenimento e do turismo. pelos trabalhadores dos setores de serviços e da construção civil, tanto quanto
Essa modernização da estrutura de classes criou a aparência de unifornµ- pelos empregados da indústria manufaturcira. Além do mais, a expansão da mão-
dadc entre os países latino-americanos e uma relativa convergência com a de-obra assalariada havia chegado ao fim cm I 980 e foi substituída por um
estrutura de classes dos países industriais adiantados. Embora, na América aumento do número de trabalhadores autônomos e de não-assalariados.
Latina, as classes médias representassem uma proporção menor da força de Essa tendência levou alguns analistas a ressaltar o surgimento 'de uma eco-
trabalho do que no mundo industrializado, elas compartilhavam as pcrcep- nomia informal na região. No entanto, os trabalhadores informá'is não eram
ções, aspirações e reivindicações de suas congêneres da Europa e dos Estados um setor homogêneo, posto que compreendiam os misrávcis para quem o
Unidos: consumismo, educação como fator de mobilidade social, impostos trabalho por conta própria era o único meio de subsistência, os peq uenos
baixos e uma preferência por um maior liberalismo económico. empresários e os trabalhadores assalariados disfarçados que trabalhavam em
Mas, se pela expressão "classes médias" estamos nos referindo a grupos casa ou em peq uenas oficinas, mas que eram subcont ratados por grandes
com níveis mais elevados de educação e de segurança de emprego e de renda, empresas nacionais e multinacionais. Além disso, foram apagadas as frontei-
então a situação na América Latina era muito diferente da encontrada nos ras entre os trabalhadores "independentes" e os ocasionais que entravam nas
países industrializados. Na América Latina, por causa das raízes históricas grandes empresas e logo saíam. A informalização era pa rte de u ma m uda nça
pouco profundas das classes médias e sua heterogeneidade interna, suas bases secular na maneira de usa r a mão-de-obra e na organização dos mercados de
econômicas e sociais eram mais fracas do que no mundo industrializado. A trabalho. Como aconteceu cm alguns países indust riais adiantados, houve na
maior parte das classes médias latino-americanas eram formadas por ocupa- América Latina uma mudança para formas mais flexíveis de contra to e uso
ções que tinham sido criadas há pouco tempo e que utilizavam uma g rande mais flexível da mão-de-obra, que resultou, às vezes, cm maior instabilidade,
soma de mão-de-obra feminina, com baixos níveis de escolaridade e baixas mais trabalho em tempo parcial e menores direitos t rabalhistas. Essa tendên-
rendas - professores primários, bancários e escriturários. Além disso, u ma cia baseou-se nas pressões para utilizar a mão-de-obra de ma neira compatível
parte desses trabalhadores não-manuais provinha de famílias da classe traba- com as mudanças tecnológicas nu m mercado internacional ext remamen te
lhadora e estava no mercado de trabalho para auferir rendas que dessem con- integrado. Nessa situação, mesmo o emprego informal tinha limitadas possi-
dições às suas famílias de manter um mínimo de bem-estar. bilidades de expansão, como foi mostrado pelos níveis crescentes de desem-
A crise econômica da década de 80, com seus altos índices de inflação e prego aber to cm vários países.
forte queda dos salários reais, contribuiu para o relativo empobrecimen to das Um out ro fa tor que contribuiu pa ra a heterogeneidade das classes t raba-
classes médias. Para essas classes, a modernização foi detida e a mobilidade lhadoras foi o fa to de a sobrevivência cotidiana estar centralizada na familia. A
i. social tornou-se menos possível. O empobrecimento das classes médias redução dos salários tornou necessá rio o ingresso de diversos membros da
!
levou-as, às vezes, a tentar diminuir suas despesas procurando moradia mais família no mercado de trabalho. A presença cm medida crescente de fam íl ias
barata nas áreas da classe trabalhadora. O resultado foi uma maior diversifi- com vários trab<1lhadorcs resultou numa maior diversidade ocupacional den-
cação social no nível de bairro, diminuindo, em algumas cidades, a segregação tro delas. O emi;,rego do cabeça deixou de ser a única fonte de renda da família o
7.
.,:
espacial. Houve importantes diferenças nesses aspectos de um país para o e de identidade para seus membros. Poucos exem plos existem, na América
outro: o declínio relativo da classe m édia foi mais acentuado na Arg, ntina, Latina, dos tipos de comunidade da classe trabalhadora que foram tão comuns "u"''
o
>-
por exemplo, do que no México ou no Brasil. na Europa do século XIX e do início do )Cí:, nos quais a cult u ra popular foi 7.
;";:'
A classe trabalhadora da América Latina nunca foi homogênea e a grande moldada por um único tipo predominante de trabalho. Esses processos trou- u
indústria descmp, nhou apenas um pa:?el relativamente menor cm sua forma- xeram como resultado tendências aparentemente contraditórias na formação "u"''
ção. Sob esse aspecto, não se repetiu a experiência histórica que formou a elas- de classes. ] louve u ma progressiva fragmen tação das classes t rabal hadoras à o
376 377
APf NDICE 1 / CRESCIMENTO URBANO EM SEIS PA[SES, 1940-1980
medida que men os trabalhadores tin ham uma posição semelhante no merca- --------
Taxas anuais de crescimento (%}
do de trabalho, e era menos provável que a experiência comum fosse o fator
decisivo da identidade social (e política). Ainda assim, a solidariedad..: da fami- Dimensão urhana 1940 1980 1940-1950 1950-1960 1960-1970 1970-1980

lia e da comunidade foi mais importante em épocas de crise e gerou necessi.da- ARGENTINA
1
des e interesses que eram compartilhados por amplos setores da população. d;1 Urbano 61,2 112, 1 2,6 .l,O 2.0 ' '
Em 1990, a diferença nos padrões de desenvolvimento nacional e regional :,J Em lugart's urb,rno:>:
l
e as dissimilaridades no contexto urbano eram, provavehnente, mais impor-
tantes do que em séculos anteriores para a formação das cf'asses e das relações
Até cem r,1il habi1;111tcs 35,9 .lr.,_i 1 ,(, 2,4 u:, 2,IJ

De cr>m mil a mctrúpolc 18,7 26,3 3,5 4,5 _l,O 1,2


entre elas. A heterogeneidade da estrutura social urbana e da mobilidade Metrópole 45,4 43,4 2,9 2,11 2,0 1 ,7
social na América Latina significou que não houve na região um padrão único Yopulaçào (14,2) ( 211,2) 1 ,9 1 ,11 1 ,S 1,6
de estratificação social.

BRASIL
Urbano 31 ,0 67,6 3.9 5,5 4,11 ·1,1

Em lugares urb.1110:,:

Att cem mil habitantes 61,.l J6,8 2.11 ),0 .1,0 2,·1

De cem mil J mctrôpok 5,6 23, 1 5,6 8. 9.7 8.7 o


"'
Metrópole 3.l, 1 40, I <;,.1 5,(1 ;,,; J,7 "'
o
Populaç,1o (41,5) ( 121,.l) 2,5 J,I 2 ,8 2.2 "'
<
z
e:
.<...
ClIILE
"'
u
Urbano 52,0 81,3 3,0 .',7 .l, I 2 ,:, "w'
:e
Em !ug,ues urhar.o.:
Até cem mil habiL1ntes
"'z"'
55,9 37,2 2,.l J,6 l,(1 0,7

De cem mil a mctr,':pok 8,0 :o, \ S,2 •l,I (,,(, -,,H ..,:",.'
"':".,'
Metrópole J6, 1 42.5 .l,5 J,7 .l,9 2,9
"'
População (5,1 ) ( 1 1,1) 1 ,8 2,2 2.2 1 ,6 "'
: .,
f-
:..,
"'
f-
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COI.ÓMBIII
o
"'
Urhano 30,4 4,•I
Em lugares urbanos:
64,2 4,8 4,8
·'·º z<
"'
"'
:.:,

"'
Cl
Até cem mil ht1bit1ntcs 69,0 31,5 1,7 ·1,8 2,0 1 .2 o
f-
< z
De cem mil il mclrópolc 18,1 4ú,9 1 1 ,2 .l,11 ::;,) •1,7
Cl "'
/.

ü"' Met rópole 1 2,<J 21,(1 ,1,11 7, 1 7,) 2,:; :;;


< : População (9,1 ) (25,8) 2,4 2,9 2,9 2.2 ""''
u
o

1
f
í
378 AJ>f:.NDICE I I CRESCIMENTO U RBANO EM SEIS PAISES, 1940-1980
---------- - 379
AP!ÔNDICE 2 / ESTRATI FICAÇAO OCUPACIONAL NA ARGENTI NA, 1917-1980
Taxas anuais de crescimento (ºA,)
1914 1947 1960 1970 1980
Dimensão urbana 1940 1980 J 9,10-1950 1950-1960 1960-1970 1970--lWIO -------------------------
-----------------··-
Estratos m,1is altos de trabalhadores n.lo-m,111uaÍ<,
MtXICO
EmprC'g;1dorcs, prof1sion,1ic; autónomos 6.5 8,9 J,.\ _l,I .\,2
Urbano 35, l 68,9 5,_l 4,8 1,2
Gerentes, profic;sion,tis empregados e pcsso.d lét.1t1n1 2,(, I ,</ 8,·1 .2 ! l.h
Em lugares urb.rnos:
Total 9,1 10,8 1 1 .7 ,11.J l •1,8
Até cem mil h.ibit.rntcs 48,3 30,2 5, l J,9 2,4 ?,8

lJc cem mil a metrópole 15,9 30,J 6,0 5,9 7,9 \7


Estrato.\ mais b,1ix.os ck trab;dhadorcs náo-rn.inu,1is
Metrópole 35,8 39,5 5,2 5,3 5,2 4,3
Emprcg,HlO.\ de escritório 9,J 1 5,2 l '.i,O \·1.2 !h,2
Popu\aç;"io (19,7) (69,4) 3,3 3,0 3,2
Empregado de venda 1 1.1 6,2 5,U 6,8 6,7

Total 20,6 21.4 20,11 21 .0 22,9

PERU
Pequenos empresários
Urbano .l5,4 62,3 2,7 .l,7 5,0 J,5

Em lugares urb.mm:
Comércio 0,0 5, 1 4,7 2.3 2,)

Até cem mil habitante'.-> 71,8 36,0 05 2,5 3,2 0,7


Outros (manufaturas, serviços) o.o 3.3 11,8 2,4

Total 0,11 ó,I 8,11 3, 1 •l,'J


De cem mil a met rópole 0,0 21,4 9,6 11,4 7,7
o
Mctrcípok 28,2 42,6 5,7 5,2 5,1 ·1,5 ""
Populaç:io (6,2) ( 17,3) 2,1 2,6 2,8 .7 Trabalhadores por con ta prúpria ?.
o-
Comércio 4,5 2,6 :\,J 6,() ti,:;
,f
fonte: Unitcd Nations, Dt·mograpliic Yc,1rl10ob, 19·/S m1d 1984, t.1hlc 8. Unitcd Nations, Pattt•rns
am1 Runil f'opulatiim Growtli, tabic 48, l',;t·w York, 1980. Com rclaç;10 à Colômbia, 1910-1980,
Url,a,i
Outros L'.I 5,., 7,X 1 1 ,2 l i ,_\ "
z
1---
-<
Departamento -\dministrativo Nacional de EstaJística (DANE), A1·ance de Rrrnltados Prcii·:linaro, Total 17,h 7,9 1 1 .1 1 7,1 l 7,X
-<
Censo 85, Bogot;í, 1986, e XV Ccmo Nacionm de Poblaciót1 y IV de Vi11 icrula, Colombia, vol. 1 , Bogotá, u
1 '>86. ( 1986.1, p 1. 116-122; 1986b). Com rc!.1 \.IO ao Pnu cm 1980, I nstituto N,1cional de i'. l .,llística, "'
Trahalhadore assalari;1dos ;;:
1981, ctiadro 1'1. -<
-<
Transportes 4.7 5,5 2, 1 3.R 2.H z
-<
ConstruçJo civil :i.2 (,,1 ó,H 7.1 11.I z
<
Indústria 25,5 22,H 21 ,9 17, I l "i,2 "'"'
;_,
-<
Serviços 5,2 1 1 ,h 1 2,4 1 2.0 8,7
";_',
1---
Total 40,6 46,0 42,2 41,(J 32 ,X ;_,
"t;;'
En1prcg;1.dos do1nést11:os 1 2, 1 8,8 7,0 7,•I h){ -<
o
z
-<

"'"';_,
TOTAL 1 00,0 1 00,11 l llll,11 1110.JJ 11111.11
o1---
z
Agricultura V}O da p,.1pulação ativa) 31.0 25,2 20,6 16,JJ Ll,I
,,_
Fonte: Estimativas h;-1><?adas nos censos 11acion,iis de 1914, 1 947, 1960, J'-)70 e 1980. :;;
w
"u'
o
380 38 1
APÊNDICE 3 / ESTRATIFICAÇÃO OCUPACI ONAL NO BRAS IL, 1940-1980 APtNDICE 4 / ESTRAiiFlCAÇÃO OCUPACIONAL NO CHI LE, 1940-1982
1910 1952 1960 1970 1982
1940 1950 1960 1970 1980

Est ratos m.iis alto.s de tr;ibalhadorc, n;io-manuais ht ratos m.1is ,1,tm dl' 1r.1h.!lh.1dorcs 1üo-1n:11rn.1is
J,7 4,0 .U l'
Em11rl'g;1d1)ít.'.'>, profo,sionais autónomos 3,2 3,9 l,I 1 ,2 1,6 Emprcg;1dorcs, profis,.ionais aulónornm
ll, \ 10..1 10, \
Geren tes, pru(i.<.s!onais cmpn:gados e pessoa! tét lli(o 2,3 4,6 8,., 1 1,6 15,7 c;crcnfl',;, pwfis<.ion.,i•, i'mprq ;1do,; <.' \H'""'º·d tl't 1 ,i,·11
Total !),,t 10,.1 1 0,; 1 -1.1
1 2,8 1 7,J Tót,11

Est ratos mais b.lÍxos de trabalhadores não-manun Estratos ma1!-. b.1ixos de 1,abal!ladorc n,lo-1n.11rn,u,;

Empregados de escritório 7,5 H,h 10,.1 1 2,7 l S,X


8,5 í',S 8,8 9,5 10,3 Empregados dr: cscrit, rio
Empregados de venda 8,1 .l,3 7 ,2 3,.1 J,R S,2
7,9 6,1 8,4 6,1 Empregados de venda
To,,,! 16,6 15,4 1 0,8 13,7 1 6,) 2 1 ,0
15,1 1 7,9 16,4 Total

Pequenos cmpn.:s,irios Pequenos cmptcs,lrios


Comér1.:io ll,O 0,7 0,1 0,1 O, 1
1 ,2 l,'I 0,9 0,5 0,9 Comércio
Outro.<. (ma nuf,1tur,1:,, :-.crvi\·O,<,) 0,4 0,2 11,7 ll,O o. O,> ll,(l ll. 1

Total 1,2 li.O 1 ,2 0,6 U,7 0,()


1,9 1,3 0,7 1,6 Total

TrahalhaJorcs por co111,1 própria Trabalhadores autônomc ,;


Comércio ;.7 7,9 7,1 6,•l
7,2 6,1 6,7 5,S 4,4 Comércio 105

Outrns l </,8 U,7 1 7,4 9,8 1 2.2 1 2,9 10, l l i,; x.:-i
l.l,6 Out ros
Tot,d 22.7 20,6 1 8,c I X ,f1 1 -1.')
27,0 1 9,8 2•1,1 1 5,6 18,0 1,,10!

Tr..1balh,1Jon.:.s assalariados Trabalhadores ,1ss.1laria,!os


Tr,rnporlc!! 7,9 7,0 1 ,-1 .l,4 2,7 J,')
.l,7 6,6 4,2 2,7 Tr,insportt:s
Con<;l rução civil S,9 i,i i,')
5,7 9,1 S,2 9,3 7.3 Construç:10 (ivil
lnd ú.slria 25.1 1 9,3 20, 1 l .5 l·l,•l
20,1 19,3 17,5 16,0 18,4 Indústria
9,) 11,7 1 ),i·
1,9 1 1,5 8,1 1 2,1 9,6 Serviços
Tot.d 49,2 \8,. 11.·, lfl,7
JS.ri 4.1,(i 40,•l ,1 J ,(i JX,0 Total

Emprq.1dns dl1méstic1).\ 1 ),8 IJ, ] X,7


1·1,1 1 0,8 9,7 1 1 ,-1 8,7 !2.ú

TOTAL 1 00,0 100,0 1 00,0 1 00,0 1 ()(),11 11)0,0 i lllJ.fl


100,0 100,0 1 00,0 TOTAL

_1.
_.t:,_3
Agricultur.1 (%i da popula\<lü ,l tiva) 65,5 59,8 52,1 H,9 31,2 Agricultura ( º/c1 l 1a pop -1 aç, ª:º'..:ª'..,':-' .v'._'.a'.:)' 46,0
.:..:.:.:..:. .lü,O
_ 23,2_
_ 1 r,,:;_

u
o Fonte: E'itim,11iv.1'> hase,,das nos n.:n rns 11;1cionais dt' l q 1IO, J CJSO, 1 9fiO, 1 970 t' 1980. Fotrtc: Esl ima tiva . h,Vic,1d.1.<. nos lcnso..; n.1cinn.,is de J (),I(), l 'Vi2. 1 9(10, 1 '>70 e l 1J82.
<
:;
1

1
382 ------- --------··- 383
APÊNDICE 5 / ESTRAT!I'ICAÇÃO ocurÃé:roNAL NA COLÔMBIA, 1938-1973 APlôNDICl 6 / ES'J HATIFICAÇÃO OCUPACIONAL NO MÉXICO, 1940-1980
it 1938 ·-
---···----
1973
1940 1 950 :960 1 970 J 980

11·'
Est r,llos mais (d tos de t r:tbalh.t<lorcs n,10-111anuai:,
1951 19H
----- - --------·--------·--------------------·----
Est ratos mais c1ltos de t rab.1lhadorcs 11.lo-m,mu.11:o
i: · '.,
Emprcg:tdorcs, profissionais autónomos 6,.l 6,6 2,; 2,3 Empregadores, profiss1011ais autónomos J,.l 2,.l 1.4 5, 1 .\,S

Gerentes, profissionais empregados e pcsso.tl tét nico 1 2,3 5,3 8,8 Gerentes, profission.1is e1nprcg.1do.., pessoa! tl',:niu, 1 ,2 5,J g,(J 1),() '),•)

Total
8,
' t..'

18,6 11 ,'J 1 1 ,il 11,I Total 4.5 7,6 9,4 14, 1 1 .\,-1

t
b,tratos mais h,tixos de t rabalh:1dorcs niio-man u.lÍS E.Hralo< 111;1is hai xos ,!e t r;1halhadnrc'. n.in-111,111u.1i'.,.
E111prcg.1dos <lc escritório 8, 1 5,5 9,'i 12,3 8,5 1 1 ,3 1 2,9 1.1,1 1 (),7
Empregado de cscritórin
,!_
r:
Empregados de venda 2,2 4,6 5,·1 6,7 '.ih 4,0 7 ,_1, ·1,5 ·1.'>
fanprcgados de vcnd 1
Tot.11
.,l Total 1·1 ,1 1 5,_\ 20,2 1 7,9 1 .(i
I IJ,3 111,1 1 '1." 19,0
1
'í'
Pequenos ernprcs,í rios Pequenos cmprc.\oirio
Comércio 0,0 0,8 O,!, 2,8 Comércio O,IJ il,8 o.; 1,7 J .

Outros ( n1.1n uf..1t11ra'i, scrvi\·os) o.o


Tütal
0,0
IJ,IJ
1,4
2,2
2,;
J,t
2,1 Outros ( in,rnuf.1t11r.11 , snvi\OS)
Total
IJ,IJ
0,0
º·º
li. 05
J,X
:,,;
.,K

-1,h
4,9
o
,
Trab,ilhadorcs autôntimos Trabalhadorn a utú11t1mos o

Comércio 1 2,3 6,2 8,0 Comércio 20,8 1 4,5 1 1 ,8 7,5 (1,7


6,6 <:
Out ros 1 J,7 ! ] ,\> z
27,4 16,8 14,5 10,4 Outros 17, I 8.7 10,6 f-

Total 39,7 23,0 Total 37,9 28,2 . 0,5 18,I 1 K,(i


_ <,
22,S 17,0 <
u
"'
·1·r;1hal hadorc.\ ,l.\.\al.1ri.1(los Trah.1lhadorl'S .,s...,1l.1ri.1llos /,
<:
<:
Transportes 3,5 2,7 3,1 2,8 Transportes 4,7 4,2 4,8 2,9 2.S z
ConstruçJo civil 7,'I 6,8 6,7 6,9 Construção civil 3,J 5,1 6,4 5,8 8,J
"'
z
<:

i ndústria "'
13,0 16,2 1 6,3 13,8 Indústria. 19,S 17,7 21,6 1 7,'J l·L'.l "'
:.,
<:
Serviços 3,9 Serviços 5,.1 1 3,I 9,1 10, 1 1 1 ,2
7,J 8,4 13,0 ":.',
f-
Total 27,8 3J,O 34,5 36,5 Total 32,8 40,4 41,9 36.7 3&,S :o
"'
f-

Empregados doméstico <:


13,6 19,8 1 1,1 11,S Empregados dornésti, os 10.7 7.7 7,5 7,7 S,J
o
/.
1-f ;;;
TOTAL
i ,
100,0 100,0 100,0 100,0 TOTAL 100,0 1 00,11 100,0 1 ')0,0 IOO,O "'-''
o
''· o
<
f-
7.

! o
ü'"
o
Agricultura (% da população ativa)

Fonte:
64,8 57,2 50,2 39,3

C:1kulos b,1scados nos censos nacion,1is Jl' 1938, 195l, 1964 e amostra preliminar do ..:en ,1> Jc 1973.
Agricultura (% da pof1ulaç.lo ativa)
---------
Fonre-.
65.2 58,1 49, 1

Cákulos b;1s·:.ulos nos censos nacionais Jc 1940, 1950, 1960, 1970 e J 980. U n ú mno pu,t
40,.,

,1
29,5

,1griu1J-
';";:
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1 < tora cm 1960 foi cxtr;1[do de GARCIA, 1988, et.1Mlro IV- i. "u'
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J/\.1 6
APêNDICE 77ESTJl.ATIFICAçAO OCUI\ClONAL NO PERU, 1940-1981
1940 1950 1961 )<172 1981 A S EST RUTU RAS AG RÁ RI AS
DA AMÉRICA LATINA, 1930-1 990
Est ratos mais altos de tr,1balhadorcs nJo-manu;fr•
Emprcg,1dorcs, profissionais autônomos 7,8 5,2 2,0 J.J 2,0

Gerentes, profissionais empregados e pessoal tfrnico 2,1 4,7 7,9 J J ,h 12,7

Toul 9,9 9,9 9,9 1,1,:i 14,7

Estratos mais baixos de trabalhadores n,lo-manuais \


·,O PERÍODO TRANSCORRIDO entre a década de 30 e a de 80 foi ma rca-
Empregados Jc escritório 7,3 8,0 8,9 11,J 18,3
'. do, cm toda a América Latina, por mudançJ.s de grande alcance nas estrutu ras
Etn prcg,1dos Jc venda 2.0 2 ,7 3,5 4,t) 4,5

To1al 9,3 10,7 12,4 15.•} 22,8


'agrárias. Na verdade, poder-se-ia afirmar que as mudanças foram maiores nesse
meio século Jo que nos quatro séculos a nteriores. A pwd uç.io agrícola aumcn-
tou espetacularmente, mas, cm 1990, a contribuição da agricult u ra pa ra o
Pequenos cmpn.•s,\rios
Produto. Interno Bruto era, em quase todos os países latino-a mericanos, m ui to
Comércio 3,8 2,2 0,4 O,.'. 0,5
I' menor do que ,1 da ind úst ria. O significad o socia l e polít ico da agricul t u ra
0,0 0,0 0,5 0,.1 0,5
::1,; ' Outros (m.mufal u ras, serviços) mudou radicalmente. Na década de 30, a maioria dos ha bi ta n tes d a A mérica
Total J,8 2,2 0,9 1,0
,,,' :
!( ·
O,l
Latina tirava da terra o seu sustento. A propriedade da terra contin u ava sendo a
.l
: i chave <lo poder político e económico no à mbito regional e nacional. Muitos pre-
,, Trahal h,1don..·s aulónomos
1 sidentes e figuras políticas importantes foram membros da elite agrá ria. Na déca-
Comércio 5,1 8,3 12,1 J l,/ 14,2
1 d.-, de 80, o:; que trabalhavam direta mente na agricultura constit uíam apenas u m
Out ros 28,1 23,9 1 8,0 1 7, ' 1 4,0
:1 quarto do total da força de trabalho. Os interesses e ocupações urba nos baseados
,1 Tola! )J,5 32,2 JO,I 28,'I 28.2
·I na indúst ria e no setor de serviços (que incl uía u ma a m pla gama de serviços
1/ financeiros e administrativos) haviam-se tornado politicamen te dominantes.
!1 Tr,1b,dhadorcs ,iss,,la -ia dos
"'i Essa alteração do significado econômico, pol ítico e social da agricult u ra e d,1
li Tr.insporlcs 3,.\ 2,6 1,8 ,1,(1 2,8
propriedade da terra veio acom pa n hada de muda nças fu nda mentais no proci:sso
H11 · Conslru\·;lo civil ·1,8 :i,I l,•I (1,(1 4,3
de produção agrícola. Na década de 30, a produção da agricultu ra havia-se descen-
J ndúst ria 13,5 13,9 14,1 1 J ,l, 10,4
J '' tralizado cm sua maior parte, embora fosse dirigida habit ualmente para o merca-
Serviços 7,7 10,I 1 J,O 1 1,1 >,3
do. As práticas agrícolas e a organização dos insumos para a agricult ura variavam
Total 29,3 31,7 34,3 33,0 26,8
de região para região, de acordo com a ecologia, a disponibilidade de mão-de-obra
e a natureza cio mercado. Isso dava origem a uma diversidade de estruturas agrá-
Empregados domésticos 14,2 13,3 1 2.4 7,5 6,5
rias que gerava identidades regionais distintivas. No começo da década de 80, a
produção agrícol a tinha se tornado cada vez mais centralizada pelo Estado ou pelo
TOTAL 100,0
ºº·º 100,0 1 r,o.o 100,0
1 agronegócic• de grande porte, ligado geralmente a instituições internacionais de
"o' comercializ,1ção , finanças. Isso acarretou uma maior homogeneização das pr.iti-
<
o Agricult ura ('Yo dJ popubç1o a tiv;i ) 64,3 57,7 52,3 47,I 4J,I cas agrícolas, o q ue fez com que os mais diversos tipos de agricultura se subordi-
"ü' Nora: Os d,1dos referentes a I 950 é ,c1 média ent re: os censos de 1940 e 1961. nassem crescentl'rnente a imperativos industriais e a exigências internacionais de
< Fonte: Cálculos baseados nos censos nacionais ck 1940, 196 J , J 972 e 1981. consumo. O resu ltado foi a erosão dos diferentes sistemas regionais de prod ução.

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