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História do Brasil 1

Atividade no Portfólio

Após mais de duzentos e cinquenta anos de colonização portuguesa na América, um grupo de colonos,
sobretudo da província de Minas Gerais, planejaram uma revolta para livrarem-se do domínio português.
O planejamento dessa revolta é conhecido como Inconfidência Mineira. Sobre isso, responda as questões
a seguir:
1. Explique como se desenrolou a Inconfidência Mineira e porque ela faz parte da chamada Crise
do Antigo Sistema Colonial?
2. Quem foram os principais envolvidos na Inconfidência Mineira? Pesquise e apresente
brevemente quem foram três desses inconfidentes.
Depois de concluir suas respostas, poste-as no Portfólio.

Respostas:

1. Sobre as causas precursoras para entender a Inconfidência Mineira:

De modo mais abrangente, três grandes processos históricos externos contribuem para
entendermos a Inconfidência Mineira:
1. A influência do pensamento iluminista.
2. A influência da Revoluções Americana, e Francesa por final,
3. A influência da política mercantilista do Marquês de Pombal nas colônias.
Vamos elucidar cada uma desses processos e posteriormente afunilar para um viés de
estudo mais pontual da conjuntura regional da época citando:
1. A conjuntura da capitania de Minas Gerais
2. A elite entranhada no poder
3. Os conflitos de interesses entre as facções desta elite

A influência do Pensamento Iluminista:


A partir da segunda metade dos século 17 até o final do século 18 1, uma forma de pensar
o mundo se destacou, amparada pelas leis da razão, da observação da natureza, “com o desejo
de torná-la útil e moderna”2, criticando a intolerância da religião e do Estado. Muitos foram os
influentes pensadores nas mais diversas áreas do conhecimento vigor a este processo, até com
o apoio de muitos príncipes, que até tentavam aplicar suas ideias no governo 3. Há um grande
aparecimento de obras científicas, uma grande troca intelectual, um fomento das ciências
naturais, economia, filosofia, na influência do progresso ao movimento da Revolução
Industrial.

1 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Iluminismo>, acesso em 8/10/2016.


2 Idem op. cit.
3 Idem op. cit.
História do Brasil 2

Marca uma grande influência na vida social, na cultura, na política e economia


ocidentais podemos citar:.
1. A nobreza e a Igreja perdem parte de seu poder.
2. Há uma consolidação social, política econômica dos estados nacionais.
3. Expansão dos direitos civis4.
4. O pensamento liberal na economia.
Mas, o que isto nos interessa? Esses pensamentos influenciaram muito Sebastião José
de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal. Mas voltaremos a esse assunto mais para frente.

A influência da Revolução Americana e Francesa


A influência iluminista também alcançava o Brasil. José Álvares Maciel, advogado,
formado em Coimbra, chega a se encontrar com Thomas Jefferson, na França. A experiência
americana animava as camadas mais cultas e liberais da colônia.
As influências de ambas as revoluções não passam despercebidas das camadas mais
letradas da colônia. A contestação ao poder real e a mudança da ordem social cria um
precedente perigoso em uma conjuntura social oprimida pela metrópole.

A influência do primeiro ministro português, Marquês de Pombal.


Sobe ao poder em 1750, com a ascenção do rei D. José I. Tem um governo com uma
política liberal para a metrópole, e para os ricos, mas esmaga os pequenos e médios
comerciantes. Assim, em seu legado é visto como herói ou tirano, dependendo de onde se
está.
Ao mesmo tempo que incentiva as manufaturas tanto na metrópole quanto na colônia.
O que nos interessa é sua política econômica, no caso liberal para Portugal, e mercantilista
para as colônias, ou seja a metrópole ainda detém o monopólio do comércio. Cria
companhias de comércio para desenvolvimento do Gráo-Pará, e da região Nordeste, mas ao
mesmo tempo instaura a “derrama”, nas colônias, nas capitanias produtoras de ouro.

As condições internas… e a conjuntura da capitania de Minas Gerais


Já na segunda metade do séc. 18, as condições econômicas na colônia estavam difíceis.
A retrógrada política mercantilista não tinha como desenvolver a economia da colônia.

4 Idem op. cit.


História do Brasil 3

Maxwell (1989), escreve:


“Dentro dos limites da capitania, a população era desigualmente distribuída. Havia
considerável movimento migratório, sobretudo para o sul. Rio das Mortes, por exemplo,
nas últimas décadas do século XVIII, quase triplicou a sua população. No entanto, Vila
Rica, durante este mesmo período, apresentou um declínio demográfico5“.

Isto mostra que a partir da segunda metade do séc. 18, o ouro começa a escassear,
indicando uma mudança na economia da região. A ascensão do crescimento na região sul da
capitania e o declínio de Vila Rica, demonstram a ascensão das atividades pastoris e a crise do
setor mineiro6.
Outra questão era a peculiaridade da capitania, que não tinha acesso ao litoral. Maxwell
escreve:
“A Junta da Fazenda de Minas, desde o decênio de 1760, vinha sendo a única
responsável pela arrematação dos contratos de maior importância, e nenhum contrato
local era arrematado por empresários metropolitanos, embora nas capitanias do litoral
houvesse ainda contratos arrematados em Lisboa. Tais fatores faziam da Junta da
Fazenda de Minas um órgão no qual eram centralizados os mais poderosos interesses
econômicos locais. O resultado era que as preocupações vitais de um homem de
negócios português, imigrante, como João Rodrigues de Macedo, ficavam
profundamente enraizadas e inseparáveis do ambiente local, de um modo inimaginável
por um agente de cidade portuária ou um empresário importador - exportador da Bahia
ou do Rio de Janeiro”.

A elite entranhada no poder


Isso demonstrava a preocupação da classe abastada, cada vez mais endividada com a
Coroa Portuguesa. Mas como isso acontecia? Segundo Maxwell era mais um dos desvarios
das criações pombalinas. Os grandes homens de negócio tinham sido atraídos para os postos
da administração da Fazenda Real, e trabalhavam como fiscalizadores das juntas nas
capitanias ou em altos cargos. A participação desses homens só operava em interesse do
estado, quando seus interesses eram coincidentes. Portanto a participação desses homens não
tornava o Estado eficaz, pelo contrário. Em 1770, cita Maxwell (1989), há uma grande
lassidão por parte do aparato administrativo estatal, na questão fiscal, particularmente na
capitania de Minas.
“A Junta da Fazenda de Minas não era mais operante em suas outras atribuições: a
contratação das receitas da capitania, os dízimos e as entradas. Os pagamentos
atrasavam-se por anos. João Rodrigues de Macedo, em 1788, deixava um débito com a
Junta da Fazenda de Minas no valor de 763.168$019 de réis: esta era uma soma
correspondente ao triplo da receita oficial da capitania por ano. E Rodrigues de Macedo
não era uma exceção. Por volta de 1788, somente quanto às entradas, o montante
atrasado já alcançava a impressionante cifra de 1.554.552$539 de réis 21 . Como se

5 Texto digital: MAXWELL, Kenneth – Conjuração Mineira – Novos aspectos, 10 de maio de 1989, Instituto
de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. p. 9.
6 Idem op. cit. p.10.
História do Brasil 4

pode verificar, as dívidas não são coisa da nova história do Brasil. Uma causa destas
enormes dívidas, particularmente no caso das entradas, foi a recessão provocada pelo
declínio da produção aurífera. Os contratos foram negociados com a esperança de
enormes lucros dentro de uma situação de expansão econômica e, em tais
circunstâncias, os longos prazos contratados com preço fixado teriam sido a vantagem
dos contratadores; mas com a economia em contração, as somas prometidas à Fazenda
Real pelos contratadores foram se tornando cada ano mais difíceis de se realizarem7.”.

Com esses fatos, aumentando a tensão na colônia, agrava-se com a nomeação de Luís
António Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, 6 o Visconde de Barbacena, com
ordens expressas para aplicar uma reforma no sistema tributário, até então corrupto, insistindo
na imposição de aplicar a “derrama”, são fatos importantes para se mencionar e montar o
cenário que levaria a Inconfidência. Maxwell (1989)8, escreve:
As palavras do novo governador caíram como uma bomba. O atraso com a Fazenda
Real na quota de 100 arrobas anuais chegava ao montante de 538 arrobas deouro, ou
seja, três bilhões e meio de réis. As dívidas nos contratos de dízimos e entradas
representavam dois bilhões e meio de réis.

No Brasil, o anúncio da “derrama”, um imposto que “deveria derramar-se sobre todos


os habitantes da capitania” se a cota a de 100 arrobas de ouro (1.500 kg) 9 não fosse
preenchida para a metrópole, cria uma insatisfação e um temor odioso na população, ainda
mais na classe abastada, devedora e muito da Coroa. E neste cenário que se constroi a trama
da inconfidência.

2. Sobre 3 dos principais envolvidos:

Maxwell (1989) escreve dando um panorama do grupo formado pelos inconfidentes:

“O grupo de Vila Rica não era o único círculo de homens inteligentes e depensamentos
afins que se encontravam regular e informalmente para discutir poesia, filosofia e os
acontecimentos da Europa e das Américas. Grupos semelhantes de advogados e
escritores reuniam-se em São João d'El Rei e por toda a parte da capitania para
conversar ou jogar cartas 18 . Os membros do círculo de Vila Rica, pela qualidade de
sua poesia e por sua posição, influência e riqueza, situavam-se na cúpula da sociedade
de Minas, tendo laços familiares, de amizade ou de interesses econômicos a vinculá-los
com uma rede de homens do mesmo nível, embora menos organizados em toda a
capitania. Em sua qualidade de advogados, juízes, fazendeiros, comerciantes,
emprestadores de dinheiro e membros de poderosas irmandade s leigas, eles tipificavam
os interesses diversificados, mas intensamente brasileiros da plutocracia mineira. 10“

7 Texto digital: MAXWELL, Kenneth – Conjuração Mineira – Novos aspectos, 10 de maio de 1989, Instituto
de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. p. 15.
8 Idem op. cit.
9 ADÃO, M. C. O.; SANCHES, E. L.; SALDANHA, F. H. História do Brasil I. Batatais: Claretiano, 2013.
Unidade 5.
10 Texto digital: MAXWELL, Kenneth – Conjuração Mineira – Novos aspectos, 10 de maio de 1989, Instituto
de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. p. 14.
História do Brasil 5

Tomás Antônio Gonzaga11

Segundo em comando na Capitania, assumiria o poder por 3 anos, após a independência


da metrópole, depois seriam convocadas eleições, se tudo tivesse dado certo. É assim que o
historiador Kenneth Maxwell cita em seu livro, sobre como deveria ser o destino do
Desembargador Gonzaga.
Nasceu em Miragaia, cidade portuguesa nos arredores de Porto em 1744. A mãe,
Tomásia Isabel Clarque, de ascendência inglesa, morreu cedo. O pai, João Bernardo Gonzaga
era magistrado e retorna para o Brasil em 1751.
Passa sua infância nas capitanias de Pernambuco e Bahia 12, onde veio a estudar com os
Jesuítas, e em 1761 retorna a Portugal, para a Universidade de Coimbra, para estudar Direito.
Torna-se Bacharel em 1768. Não tinha muito talento para cátedra, daí decidir seguir a
magistratura como o pai. E em 1779 exerce o cargo de Juiz de fora na cidade de Beja 13 em
Portugal.
Em 1782 volta ao Brasil, onde é nomeado Ouvidor dos Defuntos e Inocentes da
comarca de Vila Rica14. Era ali a segunda autoridade da capitania e parece que teve algum
desentendimento com o Governador Luís da Cunha Menezes, e parece ter perdido seu cargo,
assim como alguns de seus colegas inconfidentes, que preferiu amigos seus para ocuparem os
altos cargos da capitania15 e dizem as más línguas, era corrupto16.
Cunha Menezes governador da Capitania de Minas Gerais durante o período de 1783 a
1786 foi sucedido pelo Visconde de Barbacena, “com quem, Tomás Antônio Gonzaga, teve
um relacionamento respeitoso”17. Sobre essa disputa, Azevedo escreve:
“O domínio desse grupo de pessoas privilegiadas e poderosas foi minado com a possedo novo
governador da capitania: Luís da Cunha Meneses 7 . De acordo com Júnia Ferreira Furtado,
“Meneses entrou em conflito com parte da classe dominante encastelada na administração das
Minas e que usufruía de inúmeros privilégios” 8 . As relações conflituosas se estabeleceram
porque o grupo do qual fazia parte Cláudio Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto e Gonzaga, e que
encontrava-se ativamente envolvido nas questões políticas e administrativas da capitania, fora
afastado pelo substituto de D. Rodrigo de Meneses. Após a saída desse governador, esse
envolvimento diminuíra, não por opção, mas porque o grupo fora alijado dos privilégios. Esse
grupo que exercia poder – jamais de forma absoluta – era muito ativo politicamente, pois

11 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Ant%C3%B4nio_Gonzaga> acesso em


12/10/2016.
12 Revista Digital MEMÓRIA CULT, Ouro Preto MG, No 3 – 21 de abril de 2011, p. 24.
13 Idem op. cit.
14 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Ant%C3%B4nio_Gonzaga> acesso em
12/10/2016.
15 Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Tiradentes> Acesso em: 14/10/2016.
16 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Ant%C3%B4nio_Gonzaga> acesso em
12/10/2016.
17 Revista Digital MEMÓRIA CULT, Ouro Preto MG, No 3 – 21 de abril de 2011, p. 24.
História do Brasil 6

entranhado e articulado nas agências do poder local, conhecedor dos canais de representação,
capaz de mobilizar sem demora seus beneficiados, utilizava-se dos postos que ocupava para
garantir vantagens pessoais a si próprio e a seus amigos e parentes”.18

Com a ascensão de Cunha Menezes, o grupo conhecido dos principais inconfidentes,


dentre eles Gonzaga, tem uma considerável perda de prestígio e influência. Está aí a gênese
das “Cartas Chilenas”19.
Em Vila Rica, conhece Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão 20, de uma das
principais famílias ricas da região, e que se opunha ao casamento por ser o magistrado, de
posição inferior, mas da qual se tornaria noivo, pouco antes de ser preso 21. Maria Doroteia,
também se torna inconfidente mas não é processada nos autos pelo Visconde de Barbacena. É
para ela a homenagem da personagem Marília presente em sua obra Marília de Dirceu.
Segundo Maxwell (1989)22, Tomás Antônio Gonzaga, junto com Cláudio Manoel da
Costa, advogado e poeta, Francisco Bandeira, intendente de Vila Rica, Alvarenga Peixoto, ex-
ouvidor mor de São João d'El Rei, o contratante João Rodrigues Macedo, e os padres Carlos
Correia e Luis Vieira da Silva, este último erudito com uma biblioteca de mais de 600
volumes23, constituíam o centro do grupo dos inconfidentes.
Como poeta, que ainda hoje é estudado, toma o nome arcadiano de “Dirceu”. Os
sonetos “Cartas Chilenas”, impressas em conjunto em 1783, faz uma poderosa crítica ao
governo colonial24. Em 1789, após a prisão é publicado “Marília de Dirceu”, “provavelmente
pelos seus amigos de maçonaria”25.
Enfim, por seu papel na inconfidência é preso em 1789 e cumpre pena de 3 anos na
Fortaleza da Ilha das Cobras. Seus bens são confiscados e é separado Maria Doroteia. E
degredado para Moçambique em 1792 para cumprir uma pena de 10 anos. Ali trabalha como
advogado e hospeda-se em uma casa de um abastado comerciante de escravos.

18 Artigo Digital disponível para download em: AZEVEDO, Edeílson Matias <anais.anpuh.org/wp-
content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S23.0282.pdf>, ANPUH – XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE
HISTÓRIA – Londrina, 2005, Acesso em: 14/10/2014.
19 Artigo Digital disponível para download em: AZEVEDO, Edeílson Matias <anais.anpuh.org/wp-
content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S23.0282.pdf>, ANPUH – XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE
HISTÓRIA – Londrina, 2005, Acesso em: 14/10/2014.
20 Revista Digital MEMÓRIA CULT, Ouro Preto MG, No 3 – 21 de abril de 2011, p. 24.
21 Idem op. cit.
22 Texto digital: MAXWELL, Kenneth – Conjuração Mineira – Novos aspectos, 10 de maio de 1989, Instituto
de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. p. 13.
23 Texto digital: MAXWELL, Kenneth – Conjuração Mineira – Novos aspectos, 10 de maio de 1989, Instituto
de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. p. 13.
24 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Ant%C3%B4nio_Gonzaga> acesso em
12/10/2016.
25 Idem op. cit.
História do Brasil 7

Em 1793, casa-se com Juliana Souza Mascarenhas, filha deste comerciante e com ela
tem 2 filhos. Em 1799 é publicada a segunda parte de “Marília de Dirceu”. Morre em 1810
aos 66 anos de idade em Moçambique sem ter voltado ao Brasil.

Joaquim José da Silva Xavier

Nasce na fazenda Pombal, de propriedade da família26, perto do distrito de São João d'El
Rei, hoje cidade de Ritápolis, morre no Rio de Janeiro, enforcado, em vez de uma morte cruel,
pela intersecção de uma carta de misericórdia aos inconfidentes, pela Rainha Maria I, em 21
de abril de 179227.
Era filho de Domingos da Silva Xavier, proprietário rural, e de Maria Paula Encarnação
Xavier.
É batizado tardiamente em 12 de novembro de 1746. Sua mãe morre quando tinha 9
anos, e seu pai 2 anos após. Com a morte dos pais, os irmãos perdem as propriedades da
família, a Fazenda Pombal, com 35 escravos, várias datas de mineração, “não era desprezível
para os padrões da capitania para época”28 e Joaquim José, fica sob a tutela de seu padrinho
Sebastião Ferreira Leitão, cirurgião dentista, onde aprende o ofício que lhe levaria a alcunha
de “tiradentes”29.
Teve experiência em vários trabalhos, como minerador, mascate, sócio em uma botica
de assistência a necessitados, práticas farmacêuticas e dentista 30. Alista-se me 178031 na tropa
dos dragões na Capitania de Minas Gerais32. Entre 1780 e 1781, fica no comando do Quartel
de Sete Lagoas, entreposto de abastecimento para as áreas de mineração da capitania e centro
de arrecadação de impostos da capitania33.
SILVEIRA SANTOS (2011), em artigo34 escreve:
“Nesse período, Tiradentes manteve intensa troca de correspondência com seu
26 Artigo digital: DOLCI, Mariana e TORRÃO FILHO, Amilcar – A figura de Tiradentes nos livros didáticos
de História – Biblioteca Digital – Disponível para download em:
<www.pucsp.br/iniciacaocientifica/.../MARIANA_DE_CARVALHO_DOLCI.pdf> Acesso em: 14/10/2016.
27 Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Tiradentes> Acesso em: 14/10/2016.
28 Artigo digital: DOLCI, Mariana e TORRÃO FILHO, Amilcar – A figura de Tiradentes nos livros didáticos
de História – Biblioteca Digital – Disponível para download em:
<www.pucsp.br/iniciacaocientifica/.../MARIANA_DE_CARVALHO_DOLCI.pdf> Acesso em: 14/10/2016.
29 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Tiradentes> acesso em 14/10/2016.
30 Idem op. cit.
31 Nosso material cita Maxwell que data de 1755 a entrada de Joaquim José, no posto de Alferes.
32 Idem op. cit.
33 Revista Digital MEMÓRIA CULT, Ouro Preto MG, No 3 – 21 de abril de 2011, p. 34.
34 Idem op. cit.
História do Brasil 8

comandante no Regimento de Cavalaria, o General e também Governador da Capitania


Dom Rodrigo José de Menezes, e com o contratador de direitos régios (arrematante dos
impostos), João Rodrigues de Macedo. Toda essa documentação, constituída por cerca
de 50 cartas, recibos e ordens de serviço, está enfeixada no livro, que traz em encarte
um mapa da região, levantado em 1777 por José Joaquim da Rocha. Quatro missões
foram confiadas ao Alferes Joaquim José da Silva Xavier quando no comando em Sete
Lagoas missões foram confiadas a Tiradentes quando no comando do Quartel do Sertão,
sendo a primeira delas de cunho eminentemente militar: a segurança interna e
incolumidade das fronteiras da Capitania. A segunda, consistia em dar apoio militar à
cobrança dos impostos, o que às vezes era feito de maneira coercitiva (essa atividade da
força policial-militar só viria a ser suspensa a partir do Iluminismo), e a terceira, uma
verdadeira obsessão da Metrópole, fielmente atendida pelos Governadores: o
sistemático combate ao contrabando do ouro e à evasão fiscal. A quarta missão do
Alferes seria a abertura de uma estrada que, partindo de Sete Lagoas, ligasse a área
central da Capitania a Paracatu – uma das Vilas do Ouro – “desobrigando os viandantes
de um contorno geográfico que ia quase às fronteiras deSão Paulo, no acesso aos
Goiáses”

Começa a ficar insatisfeito, na medida que não é promovido, e preterido por outros,
mesmo tendo uma boa atuação no comando, segundo sua própria opinião, quando da captura
de um bando de salteadores que assolava a região. Diz-se que era de temperamento “enérgico
e voluntarioso, o que levou por exemplo a construir um quartel sem a autorização do
Governo, e a mandar uma carta a Rainha Maria I, quando se viu em dificuldades para comprar
milho para os cavalos de sua guarda” (teria sido por ter construído o quartel?) 35. Fatos assim
descritos, talvez sejam um indício de porquê não foi promovido.
Em 1781, é transferido e tem a missão de construir o “Caminho dos Menezes”, na Serra
da Mantiqueira. Como tem consigo um grupo de escravos, solicita ao comandante da área
que queria minerar alguns locais. Segundo o historiador André Rodrigues Figueiredo36:
“No despacho, com data de 22 de setembro de 1781, o escrivão Antônio Tavares da
Silva confirmou-lhe a concessão e a medição de 43 pontos de mineração, localizados no
porto do Meneses e nos córregos da Vargem e do Convento. No dia 24 daquele mesmo
mês, o comandante do distrito, o tenente-coronel Manuel do Vale Amado confirmou-lhe
as datas minerais, entregando-lhe a “posse corporal e atual e individual” das terras”.

Em 1787, pede licença da cavalaria37. Em meados dessa época aproxima-se de grupos


que criticavam o colonialismo português.
Ao deixar o exército, muda-se para o Rio de Janeiro onde idealiza um projeto para
melhoria de abastecimento de água na cidade, com a canalização dos rios Andaraí e
Maracanã, que não é aprovado. Isso aumenta sua revolta, que tem como consequência sua
aliança há um movimento como Cláudio Manoel da Costa, antigo secretário de governo,
Tomás Antônio Gonzaga ex-ouvidor da comarca, entre outros entre outros membros da elite e
35 Revista Digital MEMÓRIA CULT, Ouro Preto MG, No 3 – 21 de abril de 2011, p. 34.
36 Revista Digital MEMÓRIA CULT, Ouro Preto MG, No 3 – 21 de abril de 2011, p. 40.
37 Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Tiradentes> Acesso em: 14/10/2016.
História do Brasil 9

do clero da capitania38. Essa elite mineira “encontra-se marginalizada a partir da nomeação de


Luís Cunha Menezes, em detrimento de seu grupo de amigos”, como Governador da
Capitania em 178339.
Entre os anos de 1786 e 1787, já com 40 anos, tem uma filha com Antônia Maria do
Espírito Santo, então com 16 ou 17 anos. Assume a paternidade, e de acordo depoimento de
um amigo, o soldado, Ventura Mendes Barreto, nos “Autos da Devassa”, “pretendia cumprir
a promessa de casar com ela”. O historiador Márcio Jardim escreve:
“[…] nessa época, Tiradentes “viajava muito e passava a maior parte do tempo no Rio
de Janeiro. Num dos regressos, desgostou-se com o comportamento de Antônia e
rompeu a promessa de casamento, mas deixou para ela, a filha e a sogra uma casa na
Rua da Ponte Seca em Vila Rica”, além da escrava. Ainda não se sabe ao certo que tipo
de comportamento teria irritado tanto o alferes a ponto de fazê-lo romper a promessa de
casamento, abandonando a amásia e a filha. Tiradentes vai morar, então, na Rua de São
José. Ao que tudo indica, a casa da Rua da Ponte Seca permaneceu como posse de
Antônia Maria, uma vez que, junto com sua filha Joaquina, foi ali recenseada em
1804”40.

Peculiaridades e picuinhas a parte, curiosidades dos rodapés dos livros que descrevem e
escrevem sobre Joaquim José, diz-se que foi um “homem de seu tempo, apreciador dos
prazeres da carne, frequentador de bordéis, língua frouxa até demais, contraditório muitas
vezes, tinha escravos, por conta da gravidez de Antônia, doou escravos e uma casa”41.
Em 15 de março de 1789, ocorreram as prisões dos envolvidos, após a delação de
Silvério dos Reis, que diga-se de passagem não foi o único 42. Em troca do perdão de suas
dívidas, o tenente-coronel Basílio de Brito Malheiro do Lago e o luso açoriano Inácio Correia
Pamplona, também delataram os inconfidentes43. Dolci escreve citando Furtado:
“Tiradentes, cujo envolvimento mais propriamente político era o de ter maior
conhecimento público, foi inquirido três vezes em maio de 1789 e depois, durante sete
meses, amargou o mais obscuro esquecimento na cadeia. Ao longo de todo o resto desse
mesmo ano ele não foi convocado sequer para acareações, até ser de novo inquirido em
janeiro de 1790, quando já eram conhecidas algumas das radicais turbulências sociais e
políticas da França. Só nessa última ocasião ele tomou para si toda a responsabilidade
do levante e, desde então, foi inquirido mais sete vezes, concentrando-se, nos anos de
1790 e 1791, 73% do volume total de suas inquirições (FURTADO, 2002:65)44”.

38 Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Tiradentes> Acesso em: 14/10/2016.


39 Idem op. cit.
40 Artigo Digital: Revista de História – A outra face do alferes – COSTA E SILVA, Paulo – Disponível em:
<http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/a-outra-face-do-alferes>
41 Artigo Digital: Revista de História – A outra face do alferes – COSTA E SILVA, Paulo – Disponível em:
<http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/a-outra-face-do-alferes>
42 Artigo digital: DOLCI, Mariana e TORRÃO FILHO, Amilcar – A figura de Tiradentes nos livros didáticos
de História – Biblioteca Digital – Disponível para download em:
<www.pucsp.br/iniciacaocientifica/.../MARIANA_DE_CARVALHO_DOLCI.pdf> Acesso em: 14/10/2016.
43 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Tiradentes> acesso em 14/10/2016.
44 Artigo digital: DOLCI, Mariana e TORRÃO FILHO, Amilcar – A figura de Tiradentes nos livros didáticos
de História – Biblioteca Digital – Disponível para download em:
História do Brasil 10

No Rio de Janeiro em 18 de abril de 1792, foi lida a sentença condenando os 11


inconfidentes à morte. No dia seguinte o decreto da Rainha, condena ao degredo para Africa
10 deles, com exceção de Joaquim José. A pena é cumprida dia 21 de abril, mas em vez de
“morte cruel”, é sentenciado à forca pelo crime de “lesa majestade de primeira cabeça”,
segundo Furtado45, este ainda relata:
“Para João Furtado, não se poderia aceitar a explicação, como é corrente no senso
comum e em alguns meios acadêmicos, de que Tiradentes teria sido o único condenado
porque era o mais pobre (e não o era). Seu castigo foi exemplar e escandaloso porque
foi, dentre todos, o que mais publicidade deu ao levante”46.

O “modus operandi”, do teatro da morte de Tiradentes é também uma mensagem clara


para a colônia, que segundo Contrim “em seu livro História do Brasil: para uma geração
consciente (1989:93-94), afirma corretamente que Joaquim José foi enforcado numa pomposa
cerimônia para intimidar o povo da colônia.

Joaquim Silvério dos Reis

Seu nome completo era Joaquim Silvério dos Reis Montenegro Leira Grutes. Nasceu
em Monte Real em 1756, e a data de seu assassinato em São Luis, em 17 de fevereiro de
181947.
Era coronel do regimento de cavalaria auxiliar, fazendeiro, minerador, contratador de
entradas, mas estava falido devido aos altos impostos cobrados pela Coroa Portuguesa48.
Segundo Azevedo (2009), o “ponto de partida” seria a ambição de Silvério dos Reis que
se traduzia em “amealhar riquezas e participar da elite econômica e social da capitania”49.
Para o “triênio” de “1782 a 1784”50, arrematou um contrato de Entradas.
Deste contrato, 220:423$159 não foram repassados à Junta da Real Fazenda, cujo valor
foi convertido em dívida. A cobrança de tal dívida anunciava-lhe um futuro pouco
promissor: período de aflições e tristezas51.
<www.pucsp.br/iniciacaocientifica/.../MARIANA_DE_CARVALHO_DOLCI.pdf> Acesso em: 14/10/2016.
45 Ver nota de Rodapé No 1 em: Artigo digital: DOLCI, Mariana e TORRÃO FILHO, Amilcar – A figura de
Tiradentes nos livros didáticos de História – Biblioteca Digital – Disponível para download em:
<www.pucsp.br/iniciacaocientifica/.../MARIANA_DE_CARVALHO_DOLCI.pdf> Acesso em: 14/10/2016.
46 Idem op. cit.
47 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Silv%C3%A9rio_dos_Reis> Acesso em:
15/10/2016.
48 Idem op. cit.
49Artigo Digital, 25o Simpósio Nacional de História, AZEVEDO, Edeílson Matias – Joaquim Silvério dos Reis:
subjetividades e sentimentos na conspiração – disponível para download em:
<http://anais.anpuh.org/wpcontent/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0207.pdf> Acesso em 15/10/2016.
50 Também estou tentando entender o porquê do autor citar isso como triênio. N. do Al.
51Artigo Digital, 25o Simpósio Nacional de História, AZEVEDO, Edeílson Matias – Joaquim Silvério dos Reis:
História do Brasil 11

Ingressa no círculo de amizades do governador Luís da Cunha Menezes, através do


prestígio de ascender a elite da capitania, e “sobretudo aos bons serviços” prestados ao
governador é “autorizado a montar seu próprio regimento de cavalaria auxiliar”, assegurando
a patente de tenente-coronel52.
Azevedo (2009) escreve:
Os governadores detinham o monopólio de abrir as chances de prestígio social a quem
lhes conviessem, por isso distribuía patentes às pessoas que faziam parte da “corte”.
Fazer parte da “corte” não era critério para receber mercês. Estas eram retribuições aos
serviços prestados.

Sentiu-se frustrado, poucos meses depois da substituição do governador Menezes, pelo


então Luís Antônio Furtado Mendonça, Visconde de Barbacena. Esperava manter sua patente
e prestígio social, pelos bons serviços prestados. Azevedo (2009)53 escreve:
Pode-se afirmar, comparativamente, que durante o governo de Cunha Meneses, Silvério
dos Reis se sentia como se estivesse numa corte, cuja função era o de conselheiro do rei.
Pouco mais de um ano após a posse de Barbacena, o sentimento de conformismo foi
substituído pelos de aflição, mágoa e intranquilidade. Essa metamorfose foi resultado
das determinações que este governador deveria executar. Dentre elas duas merecem
destaque: a cobrança de todos os valores não repassados à Coroa pelos arrematantes dos
Contratos e a extinção.

A dívida de Silvério dos Reis estava correndo54. Este montante deveria ser pago,
acrescido de juros, caso contrário confiscar-se-iam os bens até a cobrança do valor. Além
disso seu regimento também foi cancelado.
E nesta situação que Silvério dos Reis se queixa para Luis Vaz de Toledo, um dos
inconfidentes e entra para o grupo dos inconfidentes. Aqui Azevedo (2009) trás uma questão
importante:
Na sociedade de Antigo Regime, a “... auto-afirmação social, ou o esforço para
melhorar a posição e o prestígio ...” (ELIAS, 2001: 75), exigia do – mais do que isso,
impunha ao – postulante determinadas obrigações. Na economia do dom (economia de
favores), baseada em relações recíprocas não espontâneas, o benfeitor e o beneficiado
entrelaçavam-se de modo que “esses atos cimentavam a natureza das relações sociais e,
a partir destas, das próprias relações políticas” (XAVIER; HESPANHA, 1998: 340).55

A “economia do dom” era utilizada de forma abusiva, em todas as capitanias. Cunha


Menezes também a utilizou para fortalecer seu círculo de poder. Silvério dos Reis se sentia
subjetividades e sentimentos na conspiração – disponível para download em:
<http://anais.anpuh.org/wpcontent/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0207.pdf> Acesso em 15/10/2016.
52 Idem op. cit.
53 Idem op. cit.
54 Diferente do que o autor cita no texto, a divída não era só de 220:423$159, mas também acrescido dos juros
impostos vigentes na época! (N. do Aluno).
55Artigo Digital, 25o Simpósio Nacional de História, AZEVEDO, Edeílson Matias – Joaquim Silvério dos Reis:
subjetividades e sentimentos na conspiração – disponível para download em:
<http://anais.anpuh.org/wpcontent/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0207.pdf> Acesso em 15/10/2016.
História do Brasil 12

agraciado. Ele tinha prestígio e distinção social e um título, “aqui enriquecimento e nobreza
se completam”56. Para Silvério dos Reis, seu regimento e sua patente expressavam sua
lealdade recíproca à Coroa, segundo Azevedo (2009)57.
O Visconde de Barbacena já havia sido alertado por Martinho de Melo e Castro sobre os
mandos, desmandos e abusos dos governadores. Entre esses abusos constava a criação do
regimento de cavalaria auxiliar de Silvério dos Reis58.
“A nobreza política ou civil era o meio utilizado pelos monarcas portugueses, sobretudo
a partir da segunda metade do século XVIII, para nobilitar pessoas que não tinham
ascendência nobre (SILVA, 2005: 17-24). Talvez seja arriscado classificar a busca de
prestígio social que Silvério dos Reis tanto perseguia como uma forma de
enobrecimento. Contudo, convém ressaltar que “os auxiliares [os responsáveis pela
montagem das tropas de auxiliares] gozavam de nobreza, usufruíam de privilégios, e em
muitos casos continuavam cuidando de seus negócios” (ibidem, p. 240)”59.

Assim que assumiu o cargo, uma das primeiras medidas do Visconde de Barbacena foi
dissolver os regimentos de cavalaria auxiliares, entre os quais estava o de Silvério dos Reis.
Na compreensão deste, cita Azevedo, era como uma quebra na relação de fidelidade. “Não
era só o regimento que foi extinto, mas seu prestígio e status social seriam arranhados”
completa60.
Porém Azevedo, cita que o que fez Silvério dos Reis aderir a conjuração, foi a questão
dos impostos. A perda de suas propriedades quando a dívida fosse cobrada. “Provavelmente
pensou nas possibilidades de se livrar da dívida que sofria”. Nas correspondências tem a
intenção de ingressar na conspiração como uma das soluções. O convite feito por um dos
inconfidentes tinha como promessa o cancelamento das dívidas e restaurar o prestígio
perdido61.
Escreve Azevedo (2009):
“Sobre a documentação utilizada, fazem parte correspondências, além de outros
documentos. Nelas, Silvério dos Reis revela-se um homem ambicioso, sentimento que
parecia guiá-lo em seus passos mais audaciosos em busca de prestígio social. E tomado
por esse sentimento se fez conspirador e delator. É essa ambivalência, cujos indícios
aparecem na documentação, que às vezes faz desse indivíduo um sujeito ambíguo em
suas atitudes”.

Na pesquisa que Azevedo faz, a partir da documentação de cartas escritas por este, e na

56Artigo Digital, 25o Simpósio Nacional de História, AZEVEDO, Edeílson Matias – Joaquim Silvério dos Reis:
subjetividades e sentimentos na conspiração – disponível para download em:
<http://anais.anpuh.org/wpcontent/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0207.pdf> Acesso em 15/10/2016.
57 Idem op. cit.
58 Idem op. cit.
59 Idem op. cit.
60 Idem op. cit.
61 Idem op. cit.
História do Brasil 13

delação que Silvério dos Reis entra na conjuração motivado por sentimentos de mágoa, que
expressa em sua carta denúncia, mas ao mesmo tempo também racionaliza a possibilidade da
compensação em caso de delação62.
Se mostrou dissimulado e arguto, conta Azevedo, e do que poderia obter a partir da
delação. Não assumiu sua infidelidade à Coroa, mas com esta delação provou sua fidelidade,
apesar da mágoa e dos revezes que sofreu63.
Mesmo assim, ficou preso na Fortaleza da Ilha das Cobras entre os anos de 1789 e 1790.
Não há comprovação que tenha recebido algum benefício, ouro, perdão das dívidas, tesoureiro
de cargo público, mansão, pensão vitalícia, títulos, etc64.
Sofre atentados no Brasil e muda-se para Portugal. Diz-se que volta ao Brasil com a
família real em 1808. Há controvérsia na data de seu falecimento.
“Entre indas e vindas, retornou ao Brasil em definitivo quando da transferência da corte
real portuguesa para a colônia, em 1808. Há bibliografia apontando um novo retorno à
Europa em 1821. Mas a história oficial registra que teria morrido dois anos antes - esta
era a data que constava na lápide onde seus restos mortais foram enterrados, no interior
da Igreja de São João Batista, na capital maranhense, conforme está registrado à página
292 do livro de óbitos número 8, arquivado na catedral metropolitana. O túmulo foi
destruído”65.

62Artigo Digital, 25o Simpósio Nacional de História, AZEVEDO, Edeílson Matias – Joaquim Silvério dos Reis:
subjetividades e sentimentos na conspiração – disponível para download em:
<http://anais.anpuh.org/wpcontent/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0207.pdf> Acesso em 15/10/2016.
63 Idem op. cit.
64 Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Silv%C3%A9rio_dos_Reis> Acesso em:
15/10/2016.
65 Idem op. cit.
História do Brasil 14

Referências:

1. ADÃO, M. C. O.; SANCHES, E. L.; SALDANHA, F. H. História do Brasil I.


Batatais: Claretiano, 2013. Unidade 5.

2. Revista Digital: MEMÓRIA CULT, Ouro Preto MG, No 3 – 21 de abril de 2011.

3. Artigo digital: MAXWELL, Kenneth – Conjuração Mineira – Novos aspectos, 10 de


maio de 1989, Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

4. Artigo Digital: Revista de História – A outra face do alferes – COSTA E SILVA, Paulo
– Disponível em: <http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/a-outra-face-do-
alferes>

5. Artigo Digital disponível para download em: AZEVEDO, Edeílson Matias


<anais.anpuh.org/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S23.0282.pdf>, ANPUH –
XXIII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – Londrina, 2005
6. Artigo digital: DOLCI, Mariana e TORRÃO FILHO, Amilcar – A figura de Tiradentes
nos livros didáticos de História – Biblioteca Digital – Disponível para download em:
<www.pucsp.br/iniciacaocientifica/.../MARIANA_DE_CARVALHO_DOLCI.pdf>
Acesso em: 14/10/2016.
7. Artigo Digital, 25o Simpósio Nacional de História, AZEVEDO, Edeílson Matias –
Joaquim Silvério dos Reis: subjetividades e sentimentos na conspiração – disponível
para download em:
<http://anais.anpuh.org/wpcontent/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0207.pdf> Acesso em
15/10/2016.