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Gestão e Organização do Trabalho Pedagógico na Educação Básica 1

O QUE É UMA ESCOLA JUSTA?

Fabio Droguetti Christovam


RA: 8010990
Gestão e Organização do Trabalho Pedagógico na Educação Básica 2

1. Atividade no Fórum
1. Objetivos
1. Pensar a importância de a escola ter múltiplos olhares para as crianças e jovens, em
suas perspectivas social, econômica e cultural.
2. Refletir sobre a escola justa que atende alunos pobres.
3. Reconhecer que a escola para todos deve reconhecer, respeitar os diferentes protagonistas da
educação básica, sejam alunos, professores e demais profissionais da educação.
2. Descrição da interatividade
1. Considerando os conteúdos estudados, discuta com seus colegas as seguintes questões,
apresentando suas considerações sobre elas no Fórum:
2. O que é uma "Escola Justa"? Justifique a sua resposta dialogando com o texto indicado para
esta unidade e quando possível, citando exemplos da sua vivência pessoal.

2. O que é uma escola justa?:

Em tempos de extremas polarizações, de debates acirrados entre “verdades


cristalizadas”, de discursos desconectados de realidade onde a história só defende uma
das partes e não raro é distorcida, e onde o ódio em sua voz apaixonada vai calando a
razão; pensar, falar, promover a justiça, em qualquer de suas instâncias é um processo
constante, necessário à manutenção da nossa própria humanidade.
Esse debate, muitos de nós já participamos em primeira, ouvimos de segunda, se
não terceira mão em nossas escolas. Os alunos, reproduzindo a fala de seus pais, os
professores, nossos colegas, a direção… vira e mexe, ouvimos pelos corredores,
passando os ecos das opiniões, as vezes em gritos inflamados e que não raro nos
chocam, nos atingem,… ou não.
O texto em questão, que abre a base para a discussão neste fórum é baseado na
experiência francesa do autor com uma história, uma realidade com suas questões
sociais, mas muito diferente da nossa.
E a nossa? O nosso processo histórico de colonização. Nossas histórias de
desigualdade, nossas distancias sociais? Nossa conjuntura atual?
Em condições tão adversas, o que seria para nós, “uma escola justa?”.

Talvez, antes de responder essa questão, deveríamos assinalar brevemente alguns


eixos gerais do nosso quadro de desigualdades. Só para citarmos alguns muito
brevemente, dado ao escopo deste trabalho.
Receio portanto estar sendo parcial e simplista, mas enfim, a discussão tem que
começar não é mesmo? Esses 5 tópicos foram eleitos através de sua exposição na mídia,
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de diversas vertentes, e com receio de ter esquecido e simplificado outras questões, que
podem ser complementadas pelos colegas; são questões centrais para, na minha opinião,
montarmos um quadro e pensarmos em um contexto nacional uma “escola mais justa”,
mais próxima do nosso “real”, sem esquecermos nossas mazelas históricas.
1. As questões de raça: e de 4 milhões de escravos trazidos da África e a
manutenção do modo de produção escravista e um tardio processo de
industrialização. Se não reconhecemos, a crueldade e a desigualdade social a que
este povo foi abandonado, inclusive até à margem da própria História Nacional,
como se essa quisesse “olhar para o lado” e não reconhecer sua memórias. Hoje
essa desigualdade é representada em estatísticas de vítimas jovens mortas1 2 3. As
questões de imigração, mais atuais, mas postas e pertinentes neste viés da
questão social.
2. As questões de gênero4 5 6
: As mulheres ganharam muito espaço na educação,
nas matrículas, no término dos estudos regulares, ou seja o índice de
escolarização feminina é maior do que a masculina no Brasil. Mas, em outras
áreas as desigualdades, a violência e o assédio aumentaram. E ainda hoje em
algumas regiões onde o espaço da mulher é “do lar” e “não precisa estudar”
(estou pontuando essa fala, porque a ouvi de uma professora, falando de uma
aluna que não conseguia estudar porque o pai não deixava, há um mês atrás,
esta é uma questão real). Questões no plural, porque envolvem além da
disparidade real da mulher no mercado de trabalho, outras formas de violência e
discriminação relacionadas à escolha sexual dos jovens.
3. A questão social dentro da conjuntura econômica atual 7. Que é em última
instância produto da nossa história. Efeitos derivados de causas. O fechamento
de vagas de trabalho. Empregos que “desapareceram”, diante das novas formas

1 Disponível em:<http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/03/brasil-bate-recorde-no-numero-de-
homicidios-segundo-ipea.html> Acesso em: 16/11/2016.
2 Disponível em:<http://www.ipea.gov.br/igualdaderacial/index.php?
option=com_content&view=article&id=730> Aceso em 16/11/2016.
3 Disponível em:<http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36461295> Acesso em: 16/11/2016.
4 Disponível em:<http://www.observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/brasil-cai-para-82o-em-
desigualdade-de-genero-aponta-relatorio> Acesso em: 16/11/2016.
5 Disponível em:<https://nacoesunidas.org/unesco-violencia-de-genero-em-escolas-impede-milhoes-de-
alcancar-potencial-acad/> Acesso em: 16/11/2016.
6 Disponível em:<https://nacoesunidas.org/onu-feminicidio-brasil-quinto-maior-mundo-diretrizes-nacionais-
buscam-solucao/> Acesso em: 16/11/2016.
7 Disponível em:<http://www.valor.com.br/brasil/4582235/taxa-de-desemprego-sobe-para-112-no-trimestre-
ate-abril-nota-ibge> Acesso em: 16/11/2016.
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de rearranjo do capital. O empobrecimento da nação como um todo, no


momento atual. As tendências protecionistas internacionais que de um lado
afetam a exportação da nação. Isso é visto nas lojas com portas fechadas e
pichadas, Prédios abandonados. Longas filas para se conseguir um emprego.
Ou, reproduzidos em números de estátistica.
4. A questão política que polarizou os discursos8 9. Os rumos e as escolhas do novo
governo. A PEC 241, que abriu novos cenários de incerteza e dentre estes, para
as escolas. A crise do Estado e dos Estados.
5. O mais novo cenário de incerteza mundial, dada a última eleição nos EUA, que
nos afeta, nossa economia, de forma negativa.

Seja uma família, descendente de africanos escravizados, que teve em algum


momento sua ascensão social, que sejamos sinceros é raro, basta olharmos uma
estatística de qualquer dos malfadados institutos. Seja uma mulher que começou a se
escolarizar tardiamente, ou em uma posição de destaque na empresa ganha 30% a
menos do que um homem na mesma função. Seja o operário que se viu sem emprego,
porque um Estado do Norte resolveu dar isenção de impostos (em épocas magras!) e a
empresa em que ele trabalhava simplesmente se mudou para lá (moro em uma região
onde isto tem acontecido nesses últimos anos). Ou simplesmente, chineses que
chegaram aqui, contrataram operários especializados em calçados, para “ensinar a
profissão” na China! (sim, moro em uma região calçadista, em uma cidade que depende
do mercado interno e externo do calçado e isto acontece de fato). Fábricas inteiras
fecharam na região, devido a importação dos calçados chineses, que aprenderam a fazer
calçados… pasmem, com profissionais brasileiros da região, se não fosse trágico seria
cômico. E o que dizer dos nossos principais parceiros econômicos? A China.

Em outras palavras, nosso problema no Brasil não é a desigualdade. É a extrema


desigualdade histórica em todas as suas instâncias(!) e que se agravou nos últimos
anos por conjunturas externas e internas. E a desigualdade econômica, que se
materializa na renda e a desigualdade social, que mais ampla e incluindo a econômica,

8 Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/politica/polarizacao-se-tornou-parte-do-dia-a-dia-no-brasil-


472.html> Acesso em: 16/11/2016.
9 Disponível em: <http://jornalggn.com.br/noticia/pesquisa-traca-perfil-da-polarizacao-politica-nas-redes-
sociais> Acesso em: 16/11/2016.
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que se manifesta na violência, pobreza. E essas desigualdades não são estanques em


seus conceitos nem em suas manifestações. São interdependentes. Tem uma relação
intrinsecamente sinestésica. Uma se materializa na outra. Mas, nos discursos dos
políticos, para cargos de executivo, ou legislativo, essa crise social, essa sociedade
desigual e violenta é tratada como assunto de polícia.
E assim, as necessidades não são satisfeitas, necessidades essas tão alimentadas
por uma produção em massa de propaganda. E essa insatisfação toma a forma de revolta
e violência em um Estado ausente nas periferias, omisso em suas leis. O homem
moderno é, o que consome.

E o que tudo isso tem haver com nossa “escola mais justa”? Esses pontos
hoje, que os selecionei, porque são os mais fáceis de se fundamentarem se seguirmos as
diversas vertentes da mídia e institutos de estatística relacionados nas notas de rodapé e
referência bibliográfica, através de dados e registros históricos e de suas fontes,
formam um painel das desigualdades mais emergentes e contemporâneas que passamos,
e que também tem sua representação na história. E, seria possível pensar a “escola
justa” sem o viés da história? Ou a que história poderíamos nos referir?
Mas, na minha opinião, temos que ter claro, alguns parâmetros básicos de
desigualdade dentro da história para começarmos a pensar essa “escola justa”.
Dubet10, acrescenta questões muito pertinentes, dentro do quadro francês. Mas
para nós, temos que ter claro, afunilando para nossa realidade:
A questão da crise na educação, que não é prioridade das gestões de
governo, e que se materializam em pouco investimento, em treinamento, formação
de professores, valorização da profissão. E que se transformam em altos índices
de evasão escolar, nas péssimas condições de trabalho dos profissionais de ensino
público, na pauperização das condições físicas das escolas, na falta de boa gestão
do ensino público.

E dentro desse cenário que penso esta questão da “escola mais justa”,
levando em conta o argumento de Dubet, sobre a questão da meritocracia. Sobre
o quanto um aluno de condições sociais melhores, tem vantagem sobre um de

10 Artigo Digital - DUBET, F. O que é uma escola justa? Caderno Artigo de pesquisa, v. 34, n. 123, 2004.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cp/v34n123/a02v34123.pdf>.
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condições sociais inferiores.

Notem, aqui precisamos fazer um parênteses: quando casos de exceção, de um


catador de lixo que cursou Harvard 11, são postados no Facebook, estes viram
argumentos contra as estatísticas históricas, que são negadas.

Essas condições são determinantes na frequência do sucesso das classes mais bem
remuneradas, e na manutenção geral do “status quo”, não deixando de lado a
possibilidade de ascensão social, mas muito reduzida e mais seletiva.
São condições materializadas no espaço geográfico de onde esta família mora,
seja em um bairro de classe média ou em uma favela. Materializadas no tempo de
trabalho que os pais passam com os filhos, isso necessariamente é muito polêmico entre
os brasileiros, que as vezes “terceirizam” a criação dos filhos, dado à falta de tempo e a
necessidade de se ter um ou dois empregos. Isso nem citando as questão das mulheres
que tem além da jornada de trabalho tem “o emprego de casa” quando voltam.
O esforço necessário de um aluno de classe mais baixa economicamente ascender

11 Estou pontuando este exemplo porque ele foi postado e circula no Facebook. (N. do E.).
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em um bom emprego é muito maior, dado até a discriminação de onde ele mora. A
fundamentação deste parágrafo estou fazendo a partir da minha experiência como
assistente social e das falas que ouvi dos próprios jovens que moravam na favela de
Heliópolis em São Paulo nos anos de 2000 a 2003.

Onde está então, a fundamentação desse discurso que insiste em negar a


questão social e seus vieses, a violência, a raça, o gênero e assumir na meritocracia a
razão do sucesso de um punhado de indivíduos, negando uma realidade que é
representada por estudos estatísticos, mas que por trás disso, há pessoas e famílias?
A lógica aqui, talvez esteja não na procura da razão, mas na própria negação
desta. Em outras palavras: “dane-se a lógica”. O que importa é “minha opinião pessoal
de como “eu” compreendo o mundo”. Aqui o nosso erro, nossa tendência como
pesquisadores é procurar um significado lógico, um sentido, em algo que não há. Nós
somos “apegados” à razão. Esse conceito nem sequer “existe”, ou foi visto por muitas
pessoas.
De um lado vejo isso como um certo “fracasso do sistema educacional”, de outro
a manifestação própria e inerente da nossa cultura, a diversidade ainda que na defesa de
sua própria parcialidade e hegemonia, hegemonia essa as vezes defendida pelo próprio
povo que sofre suas mazelas.
Somos intrinsecamente diferentes como sujeitos, cada um com sua história,
construindo sua própria consciência do que seria o mundo e do outro. Mas é na
educação e só por meio dela que hoje podemos aprender a perceber esse mundo de
forma menos ingênua. Perceber o “outro” como um sujeito. Ir além da indiferença pelo
“estranho”. Aceitar as diversidades, que são naturais e construídas culturalmente nas
mais diversas vertentes.
Coletivamente, não vivemos em um país, onde a educação é uma prioridade, nem
nunca foi uma prioridade histórica, mas um incômodo para acumulação do capital. A
educação de elite existe, é bem diferenciada e muito bem reproduzida. As distorções
acontecem em todos os níveis. Antes que alguém refute, basta olhar nossos índices da
taxa de juros, nossa taxa de impostos e o retorno que há dos serviços públicos. Temos
um grande problema para administrar.
O “custo benefício” do Estado brasileiro é alto. É traduzido em número de vítimas
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de violência, que hoje afeta a todas as classes.

Os discursos de ódio polarizados e radicais revelam mais um fracasso da educação


como um todo em suas mais diferentes vertentes. Não como diversos entre si. É
preciso que haja essa diversidade, é preciso que o outro tenha a oportunidade de se
expressar. O fracasso é revelado pela violência onde a “verdade, a minha verdade, tem
que ser imposta” e não argumentada.
Dentro da natureza da argumentação, para que ela se manifeste, tenho que ter um
mínimo de dúvida sobre meu próprio argumento, e um mínimo para que o “outro” seja
ouvido. A ausência dessa dúvida, é a ingênua criação de uma “verdade cristalizada”,
talvez mais momentânea, talvez mais perene dentro da cronologia de anos do sujeito
que a defende.
Que diálogo é possível nesse quadro? Aqui, só posso repetir o que ouço, dentro
do meu “grupo” escolhido, ou serei rechaçado aos berros, mascarado pelo filtro cruel da
internet onde o “outro” em si, não existe, é um link. A reprodução da “panfletagem”
ocorre de ambos os lados, inflamados pela “paixão”, aqui no seu sentido mais nato, o
“pathós” grego. Sofrimento, doença, doença que afasta o homem da clareza da razão.
Esta incapacidade de dialogar com o que é diverso, é também expressa pela
incapacidade de “ouvir”. De aprender. Como posso contestar aquilo que não sei? Nós
não sabemos dialogar. Nós sabemos gritar. Acho que todos nós vimos isso, mesmo em
nossas faculdades, de ambos os lados ideológicos. Tragicômico, esquerda contra
esquerda, direita contra esquerda, direita contra direita. Vieses políticos, panfletários
inspirados, completa ou parcial historicidade, uma pitada de um viés econômico e
pronto. Você tem uma “ideologia fast-food” pronta para ser defendida com unhas,
dentes e muitos gritos.

Ao mesmo tempo, o modelo meritocrático está intrinsecamente arraigado à nossa


cultura liberal. Não há como negar. Nós verbalizamos isso, “quase sem querer”.
Muitos de nós talvez tenham experimentado isso. E possivelmente, a grande maioria de
nossa geração, cresceu dentro desse sistema.
Pensar formas de ir além desse sistema é desafiador e necessário. De olhar a
rebeldia do aluno, que reproduz muitas vezes esse fenômeno, de violência a que é
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submetido, de não aprender a dialogar, com outros olhares além da manifestação do seu
próprio mundo. Como criar instrumentos para possibilitar uma escola mais justa? Esta
difícil questão passa por muitas instâncias. Desde a sala de aula, onde ela se
materializa, até as instâncias públicas. Mas não sejamos ingênuos, a quem interessa
isso? Formar um “pensador”, que seja mais ou menos crítico, ou ainda defenda o
sistema ainda vai. Formar um exército deles é inaceitável! Já temos nossa seleção.
Nossa sociedade não evoluiu muito em relação aos primatas. Somos totalmente
hierarquizados. E essa própria “hierarquização”, essa “seleção natural” da meritocracia
faz seus números.

O “ideal”, dos achismos, de jogarmos ideias ao ar, dentro da nossa realidade


perfeita é muito “romântica” porém pouco concreta dentro da contradição que se
manifesta essa realidade. Minha pequena, contribuição, vamos chamar de
“brainstorm”!:
1. Na presença em sala de aula, na capacitação de instrumentos que forneçam
subsídios para a construção do diálogo, mesmo em situações difíceis 12; a
empatia, a escuta, na construção de uma “cultura de diálogo”.
2. Uma capacitação voltada para as habilidades. Nossa, como isso é complexo,
acho que aqui, precisaria da ajuda de um pedagogo. A busca por novos
instrumentos de avaliação.
3. Nas instâncias da escola, na capacitação e valorização profissional. É difícil a
luta do giz contra o celular. É preciso adequação tecnológica também. E em
certo sentido até um certo grau de instrumentalização sim, até porque há uma
defasagem instrumental gritante nas escolas. Os críticos que me perdoem, mas
deve haver alguma capacitação para professores e alunos, sem esquecer ou em
detrimento dos conteúdos educacionais. A isto se refere a “valorização do
Diploma”. Diplomas de formação profissional qualificada em parceria com a
iniciativa privada. Capacitação em empreendedorismo e gestão.
4. Algumas escolas estão bem aparelhadas, outras não. As gestões tem que ser
melhor qualificadas, responsabilizadas e cobradas. Apesar de termos avanços,
estamos muito aquém das necessidades.

12 Ver CNV – Comunicação Não Violenta.


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5. Acolhimento nas escolas para alunos egressos e de inclusão. O envolvimento da


comunidade. Junto com programas de esporte e artes em período integral em
“zonas de maior periculosidade”. No esporte você tem um resgate da
valorização do “seu corpo”. Na arte da sua “subjetividade”. O sujeito se sente
sujeito, presente, visto, reconhecido. E não um número, invisível.
6. Escolas integrais13, já existem programas assim, mas as vezes não em regiões de
maior periculosidade e vulnerabilidade social.
7. Colocando aqui, geração de renda para a família em regiões mais pauperizadas.
O que poderia ser melhorado em uma economia solidária local? Como podemos
ampliar isso para uma pequena empresa? Isso passa por políticas, mas é
factível.
8. E o professor, tem que estar preparado para lidar com o vencido. É preciso
instrumentalizá-lo com ferramentas que deem conta deste fenômeno. Com o que
quer desistir. Com o que expressa sua violência, com o que sofre calado, com o
que é vitimado, sem condições de expressar outra coisa, porque não há “outra
coisa” que ele aprendeu em sua vida. Há realidades inacreditavelmente duras de
histórias de vida.
9. E um processo longo e desafiador em um cenário nada favorável a todos nós, a
educação em um país é tema importante para a melhoria de renda das famílias,
para a ascensão social.

Precisamos construir alternativas que ampliem acessos dos alunos, que ampliem
caminhos nas condições de desigualdade existentes, as condições de um estudo com
competência para o mercado de trabalho, mas também, precisamos formar cidadãos que
tenham a clareza do que é uma democracia, e que sejam capazes do diálogo! Que sejam
sensibilizados da sua força.
Ampliar caminhos e possibilidades dentro desse sistema meritocrático, como diria
o autor compensando as desigualdades.
Como era difícil no passado nós movimentarmos o “Congresso”! Hoje, basta um
twitter bem feito, que se propaga nas multidões. Novos tempos, novos mundos.

13 Disponível em:<http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/projetos.jsp?ACAO=acao1> Acesso em:


16/11/2016.
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Em uma tentativa de se diminuir a questão da reprovação e evasão escolar foi


implementado aqui no Estado do Rio Grande do Sul, as notas, nas escolas estaduais são
dadas através de menção e parecer. Menção – Parcial, Regular e Satisfatório, não
querendo me delongar muito nesta questão. O que observo, é um fenômeno
interessante, os alunos menos bons, conseguem até obter um índice de aprovação. O
problema, esta nos melhores alunos, que ficam “desmotivados” para ampliar seus
estudos. Fazem o necessário e basta.
Então a questão é muito, muito mais complexa. E preciso construir alternativas
dentro de uma construção de diálogos.
A ausência da família, a falta de incentivo, as condições de trabalho dos pais, são
alguns dos temas que não abordei ainda, mas fundamentais na “motivação” do aluno em
estar na escola. Como motivar mais alunos? Como incentivá-los ao estudo? Como
motivá-los a não deixar a escola?
Gestão e Organização do Trabalho Pedagógico na Educação Básica 12

3. Referência Bibliográfica

1. Artigo Digital - DUBET, F. O que é uma escola justa? Caderno Artigo de pesquisa,
v. 34, n. 123, 2004. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/cp/v34n123/a02v34123.pdf> . Páginas 539 a 555.
2. Disponível em:<http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/03/brasil-bate-
recorde-no-numero-de-homicidios-segundo-ipea.html> Acesso em: 16/11/2016.
3. Disponível em:<http://www.ipea.gov.br/igualdaderacial/index.php?
option=com_content&view=article&id=730> Aceso em 16/11/2016.
4. Disponível em:<http://www.bbc.com/portuguese/brasil-36461295> Acesso em:
16/11/2016.
5. Disponível em:<https://nacoesunidas.org/unesco-violencia-de-genero-em-escolas-
impede-milhoes-de-alcancar-potencial-acad/> Acesso em: 16/11/2016.
6. Disponível em:<https://nacoesunidas.org/onu-feminicidio-brasil-quinto-maior-
mundo-diretrizes-nacionais-buscam-solucao/> Acesso em: 16/11/2016.
7. Disponível em:<http://www.valor.com.br/brasil/4582235/taxa-de-desemprego-
sobe-para-112-no-trimestre-ate-abril-nota-ibge> Acesso em: 16/11/2016.
8. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/politica/polarizacao-se-tornou-
parte-do-dia-a-dia-no-brasil-472.html> Acesso em: 16/11/2016.
9. Disponível em: <http://jornalggn.com.br/noticia/pesquisa-traca-perfil-da-
polarizacao-politica-nas-redes-sociais> Acesso em: 16/11/2016.
10. Disponível em:<http://www.educacao.rs.gov.br/pse/html/projetos.jsp?
ACAO=acao1> Acesso em: 16/11/2016.
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