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EAD
Escola de Aconselhamento Integral à Distância
Área: Cura interior

O que é cura interior?

Coordenado por
Alcione Emerich

EAD – ESCOLA DE ACONSELHAMENTO INTEGRAL À DISTÂNCIA


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O QUE É CURA INTERIOR?

ANTES E DEPOIS DA CONVERSÃO

ETAPAS DA RESTAURAÇÃO (Salmo 126)

1-Vem de Deus (v.1)


2- Utopia possível (v.1)
3- Alegria (v.2)
4- Testemunhos (v.2)

CRISE...(Três posturas: 1- Desistir; 2- Aparência; 3- Verdade)

1- Postura de transparência – “nossa sorte, como as torrentes no Neguebe” (v. 4)


2- Perseverança – os que com lágrimas semeiam” (v. 5) – Tg 1:1-4
3- Lance boas sementes (v.5 e 6) – Muitos comem o fruto de uma semeadura ruim do passado
4- Espere com paciência (processo) – A semente vai crescer
5- Haverá júbilo em nossa alma (Alegria – Crise – Felicidade)

* “É errado tomarmos a conversão como o início e o fim de todo processo de salvação e crescimento
espiritual” (cf. Fil 12:12)

Isaías 61:4 – “Edificarão os lugares antigamente assolados, restaurarão os de antes destruídos e


renovarão as cidades arruinadas, destruídas de geração a geração”

HÁ PROBLEMAS NA CASA?

Textos: Mt 9:10-13 = Jesus veio para os doentes


Mt 9:35-38 = Ovelhas com pastor, mas sem pastoreio
Oseias 4:6 = O sacerdote rejeitou o conhecimento
Ezequiel 34:4,5,10 = O verdadeiro pastoreio
Luc 13:10-18 = Exemplo de pastor que não pastoreia
At 4:32-35 = Uma comunidade terapêutica
Mt 9:17 = Vinho novo, em odres novos
Deus tem despertado a igreja para se falar do ‘odre’. Durante muito tempo nossa ênfase recaiu mais sobre
o vinho e pouco no odre. Muito poder, mas pouca cura para alma. Muita unção, pouco caráter. O vinho
novo precisa ser colocado em ‘odres novos’. Do contrário, disse, Jesus: “rompem-se os odres, derrama-se

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o vinho, e os odres se perdem”. “O odre velho aborta o avivamento. Quando o vinho novo é depositado
em odres velhos, o avivamento está com seus dias contados. Depositar o vinho novo em odres velhos tem
sido uma desastrosa transgressão da igreja” (Coty)1. Este autor afirma ainda que a igreja está sofrendo de
indigestão, está intoxicada. Foi crescendo e acumulando pessoas com os mais diversos problemas e pesos,
e ainda não foram tratadas. Coty diz: “Muito se fala em relação aos que estão acomodados nos bancos das
igrejas, mas na verdade a maioria não está nos bancos – temos toda uma geração que está na maca. Mas
podem ser sarados e readquirir saúde espiritual e o potencial de levar a mesma cura a outros”. Temos de
entender que produziremos frutos conforme a nossa espécie, é assim que funciona a lei da reprodução. Se
formos pessoas enfermas, doentes e oprimidas, pregaremos um evangelho contaminado e enfermo.

“NÃO ME LEVEM PARA O HOSPITAL – POR FAVOR”

A cena não fazia sentido. Ali estava ele sangrando na rua.


O motorista que o atropelara fugira. Ele precisava de atendimento médico
imediato. No entanto, continuava suplicando:
- Por favor, não me levem para o hospital!
Todo mundo perguntou espantado:
- Por quê?
O homem respondeu em voz suplicante:
- Porque faço parte do quadro do hospital. Seria embaraçoso me verem neste
estado. Jamais fiquei desse jeito, sujo e sangrando. Eles sempre me vêem limpo e
sadio. Olhem agora para mim!
- Mas o hospital é para pessoas como você. Não podemos chamar uma
ambulância?
- Não, por favor, Eu fiz um curso de segurança para os pedestres e o instrutor
me criticaria por ter sido atropelado.
- Mas, quem se incomoda com o que o instrutor pensa? Você precisa de
tratamento.
- Há também outras razões – a encarregada das admissões ficaria aborrecida.
- Por quê?
- Ela sempre se aborrece quando a pessoa a ser admitida não tem tudo o que é
necessário para preencher o registro. Eu nem vi quem me atropelou e não sei a
marca nem o número do carro. Ela não compreenderia. Fazem questão de todos os
detalhes. Pior ainda, não tenho comigo meu cartão de seguro médico.
- Que diferença isso faz?
- Se não me reconhecessem, por causa do meu estado, não deixariam que
entrasse. Não admitem ninguém nessas condições sem o cartão do seguro. Eles
querem ter a certeza de que não terão de incorrer em despesas. Deixem-me na
calçada. Eu dou um jeito. A culpa foi minha, deixei-me atropelar. Por que as
enfermeiras iriam ter de sujar seus uniformes por minha causa? Elas sem dúvida
me criticariam.

1
Borges, Marcos, Avivamento do Odre Novo, Editora Reobote.

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Depois de ter dito essas palavras, ele tentou rastejar até a sarjeta, enquanto
todos ficaram só olhando. Talvez tenha conseguido escapar, talvez não. Talvez
esteja ainda tentando fazer parar o sangue.
Essa história lhe parece estranha e ridícula? Poderia acontecer em qualquer
domingo... numa igreja típica. Sei disso porque perguntei ontem ä noite a alguns
cristãos ativos o que fariam se na noite de sábado fossem atropelados por algum
pecado inaceitável. Todos responderam sem exceção:
- É claro que não iria à igreja na manhã seguinte, onde todos poderiam ver-me:
No espírito despreocupado da conversa, decidimos que se fossemos apanhados
– colhidos repentinamente por um pecado – seria melhor ir para o bar do que para
a igreja... pois no primeiro encontraríamos simpatia e compreensão.
Continuamos explorando o assunto: A igreja é lugar para os santos de
imitação, bem vestidos e perfumados, ou para os que estão sangrando, que sabem
ter sido atropelados mas querem curar-se? De alguma forma a pergunta deixa de
ser para a igreja inteira e se torna especialmente minha – um indivíduo – um
pecador salvo pela graça – um ser humano tentando isolar-se num grupo superior
ou envolver-se na necessidade total.
“Vejam como eles se amam uns aos outros.” Os ganhadores e os perdedores,
os sadios e os doentes, os feridos e os sãos. Preciso ser um doador e um recebedor
numa igreja onde os que sofrem digam esperançosos: “Leve-me à igreja, por
favor.”
Coolins afirma: “Se lermos o livro de Atos e as Epístolas, torna-se aparente que a igreja não era apenas
uma comunidade de evangelização, ensino, discipulado, mas também uma comunidade terapêutica... Em
contraste com este tom otimista, é provável que para muitos a igreja contemporânea seja mais exatamente
descrita como uma reunião de estranhos, com bancos cheios e pessoas solitárias” (Pp. 14).

COMO É SEU ROSTO INTERIOR?

O famoso cirurgião plástico Maxwell Malts, após várias experiências com a cirurgia plástica, escreveu
um livro intitulado “Rosto novo, Futuro novo”. No seu texto Malts defende a seguinte tese: “Quando uma
pessoa modifica seu rosto, ocorrem notáveis mudanças na personalidade”. Esta obra tornou-se um best-
seller. Todavia, após aprofundar-se nas suas experiências, este cientista começou a ter sérios problemas.
Alguns, depois de passarem pela cirurgia, diziam, “Mas doutor, continuo feia do mesmo jeito, estou um
arraso,...”; e tantas outras reclamações deste tipo eram feitas. Mesmo após as retrucações de Maxwel e
dos familiares do paciente, afirmando o sucesso do procedimento, não tinha jeito, estas pessoas
insatisfeitas saíam murmurando indignadas.
Em 1960 Maxwell escreve outro livro intitulado “Psico-cibernética”. Já neste livro, o autor
primava pela modificação do rosto interior de seus pacientes. Malts declara, “Parece que cada
personalidade possui um rosto. Este rosto emocional da personalidade parece ser o segredo da
transformação. Se ele continuar todo marcado e desfigurado, feio e de baixa qualidade, então a pessoa
continuará a agir de acordo com ele, mesmo que sua aparência exterior se modifique. Mas, se o rosto da
personalidade puder ser reconstruído, se as velhas cicatrizes emocionais puderem ser removidas, a pessoa
se transformara”. O famoso cirurgião plástico entendeu, então, que a verdadeira imagem do ser humano
está guardada dentro de si.

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ESTRUTURA DO HOMEM
Somos uma tri-unidade e internamento temos uma hierarquia:
 ESPÍRITO= Nos dá consciência de Deus/mundo espiritual
 ALMA= Nos dá consciência de quem somos
Emoções
Intelecto
Vontade
Consciência
Livre-arbítrio
Duas instâncias: consciente (acesso constante) e inconsciente (pantominésica)
 CORPO = Nos dá consciência do mundo/objetos (casa em que habitamos – tabernáculo)

Terminologias
Consciente: é a soma total dos processos mentais que acorrem agora, em algum dado momento
Pré-consciente: é um conhecimento não presente no consciência, porém não reprimido, e que pode passar
para a consciência quando se desejar.
Inconsciente: Atividade mental que não está disponível na consciência, porque ela se refere a um
conteúdo ameaçador ao ego para ser diretamente reconhecido.

Teoria Multifocal
RAM (registro automático da memória): é o responsável pelo registro involuntário de cada fato, ideia,
pensamento, sentimento, dor ou situação que acontece conosco. Quanto maior o volume emocional
envolvido em uma experiência mais o registro será privilegiado e mais chance terá de ser lido.
Autofluxo: é o fenômeno que lê milhares de vezes a memória por dia e produz a grande maioria dos
pensamentos do teatro da nossa mente. Produz pensamentos que nos distraem, nos animam, nos fazem
sonhar.
Gatilho da memória: é o fenômeno que faz com que cada imagem ou som seja interpretado
imediatamente em milésimos de segundos (ex: as imagens das pessoas e dos objetos são identificados não
pelo “eu”, mas pelo gatilho da memória)
Janela da memória: A memória humana abre-se por janelas, que são pequenos territórios de leitura. Cada
janela possui um grupo de arquivos que contém milhares de informações agregadas. Algumas são
belíssimos, geram prazer, coragem, respostas inteligentes. Outras são doentias, geram aflição, ódio,
bloqueio (janelas killers).

A SANTIFICAÇÃO DEVE ENVOLVER OS TRÊS NÍVEIS

I Tess 5:23 – “vos santifique em tudo – espírito, alma e corpo”


Fil 2:12 – “desenvolvei a vossa salvação (gr.soteria – “saúde integral”)
Ef 4:22-24 – “despojeis do velho homem” (despojar é “tirar a roupa”)

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*confissão é também “despir-se”
2 Cor 7:1 – “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos (gr. Katharizo – limpar) de toda
impureza (gr. Molusmos – contaminação), tanto da carne, como do espírito, aperfeiçoando a nossa
santidade no temor de Deus”
I João 1:8 – “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não
está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos
purificar (gr.katharizo – limpar) de toda injustiça”

SANTIFICAÇÃO NÃO É APENAS “DEIXAR DE FAZER”,


MAS LIMPAR A SUJEIRA ACUMULADA
Cura interior é tirar a sujeira da alma.

QUANDO COMEÇARAM OS PROBLEMAS EMOCIONAIS?

Em primeiro lugar, vamos entender ‘onde’ e ‘quando’ os nossos problemas começaram. Paulo se
refere ao homem com ser constituído de corpo, alma e espírito. No início da criação Deus criou todas as
coisas perfeitas, e o homem também o era. Gênesis 1:26,27 declara que o homem foi criado a imagem e
semelhança do Deus altíssimo, então não havia pecado, nem traumas e distúrbios emocionais. Como
vamos ver o pecado afetou o homem nas suas três esferas :
1- Espírito (pneuma) = morte (Gen 2:17 ; Ef 2:1)
2- Alma (psique) = Em Gen 3:7-13 começamos a ver algumas coisas anormais. Algumas
anormalidades psicológicas surgem: vergonha, insegurança, medo, culpa, irresponsabilidade (um
coloca a culpa no outro - projeção).
3- Corpo (soma) = Gênesis 3:16-19 nos fala de sofrimento, fadiga, doenças, etc.

3 fortalezas (impedem o tratamento):


1- Medo
2- Esconder-se
3- Não assumir sua responsabilidade – “O que mais importa não é o que fizeram comigo,
mas o que farei com aquilo que fizeram comigo” (Sartre)
Não sei se a sua experiência foi como a minha. Após a minha conversão, pensei que todos os meus
problemas e tentações teriam se acabado. Todavia, para minha surpresa (após passar a fase da emoção),
comecei a perceber que “a coisa não era bem assim”. Foi aí que comecei a entender um pouco mais sobre
a questão da “natureza humana corrompida” e do “novo nascimento”. Então passei a me entender melhor.
O novo nascimento não transforma a alma instantaneamente. O nosso espírito sim, é recriado
instantaneamente no momento da conversão (embora possa ainda ter impurezas, segundo 2 Cor 7:1).
Todavia, a nossa alma, nossa mente, emoções, personalidade e memórias, o processo de cura é paulatino
(Rom 12:1-2 ; Ef 4:23-24). Você se converteu, mas para sua surpresa trouxe consigo a mágoa do pai, ou o
complexo de inferioridade, ou o sentimento tenebroso de rejeição, e talvez a terrível lembrança do dia que
foi humilhado na frente dos colegas. É preciso entender, que a experiência da conversão tratou com o
nosso pecado (que nos separava de Deus) e nos deu nova vida espiritual, habilitando-nos a termos uma
nova comunhão com o Pai celestial. Todavia, a alma precisa ser “transformada”, ou seja, restaurada pelo

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Espírito Santo (Rom 12:1-2). Este processo é diário e perdurará na sua totalidade até a volta de Cristo.
Isto talvez responda porque temos nas igrejas pessoas já convertidas, mas com graves falhas de caráter
(ex: mania de roubo, mentira, preguiça, consumismo, pedofilia, abuso sexual, etc.). Achamos que porque
a pessoa se converteu não faz mais isto ou então, imaginamos que alguém convertido de verdade não faria
tal cousa. Parece que os fatos não colaboram com tais interpretações e nem mesmo a Bíblia.

Cura Interior faz parte de nossa santificação – “Santificação é tornar-se mais semelhante a Cristo,
recebendo, a cada dia, mais alguns traços da Sua imagem, do Homem Perfeito. Cristo é a expressão do
homem saudável e pleno” (Fabio Damasceno)

Larry Crabb fala que devemos fazer desabrochar a vida de Cristo já existente em nós (perdão, cura,
aproximação, afeto, amor, etc)

A salvação tem um aspecto imediato, contínuo e final (na volta de Cristo) – Paulo diz que a salvação
precisa ser desenvolvida (cf. Fil 2:12 – soteria)

O QUE ACONTECEU NA CONVERSÃO? (Apoc 3:20)

O Espírito Santo é cavalheiro. Quando o convidamos para entrar, ele fica na ‘sala’, mas ainda existem
muitos ‘quartos da nossa vida’ que ainda não adentrou. Ele está batendo a porta de nossa alma...
* João 13 – Jesus lava os pés dos discípulos

O QUE NÃO É CURA INTERIOR

1 - A cura interior não é algo recebido no momento em que aceitamos a Jesus como Senhor de nossas
vidas.
2 - A cura interior não é algo recebido no momento em que somos batizados ou cheios do Espírito Santo.
3 - A cura interior não vem pelo reconhecimento de que precisamos de um tratamento especial em nossas
emoções. Esta abertura é apenas o início do processo.
4 - A cura interior não é algo recebido através de uma oração especial e nem mesmo vem por meio de um
ou dois encontros com o ministrador. A visão imediatista deste ministério, bloqueou em muitos aspectos
o seu êxito dentro das igrejas. Uma história de vida, abarrotada de traumas, mágoas e culpas, geralmente
não se resolve com “uma ou duas sentadas” na sala de aconselhamento.
5 - A cura interior não é uma espécie de amnésia psicológica. O passado, mesmo após o processo de cura,
continua presente (mas não ‘vivo’) na memória da pessoa; no entanto, perde o seu poder destruidor sobre
a personalidade e emoções do indivíduo.
6 - A cura interior não é uma panacéia espiritual (como muito bem afirmou o Dr. Seamands), ou seja, um
remédio para a cura de todos os males emocionais, espirituais e existenciais. Extremos desse tipo,
levaram crentes a pensarem que todo e qualquer problema surgido durante a carreira cristã, teria solução
dentro de uma ministração de cura emocional.

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DEFINIÇÕES DE CURA INTERIOR

David Seamands: “A frase cura das memórias (terminologia usado por Seamands) tem
infelizmente diversos significados hoje em dia. Na mente de muitos cristãos ela não passa de uma espécie
de panacéia, um meio mais rápido para alcançar a maturidade emocional e espiritual. Em vista de a cura
emocional ter sido algumas vezes levada a extremos, alguns a abandonaram completamente, julgando-a
não-bíblica e até mesmo pouco sadia. Posso compreender muito bem os sentimentos deles. Minha própria
experiência neste plano ensinou-me que não existe esfera onde o trigo e o joio tenham sido plantados
mais próximos um do outro do que na psicologia. Por estar ainda em sua infância, essa ciência acha-se
infestada de toda espécie de novas teorias e abordagens emergentes. Só bem recentemente os
discernimentos e verdades provadas da psicologia estão sendo integrados com um método
verdadeiramente cristão no aconselhamento. É importante reconhecer que toda verdade é a verdade de
Deus, esteja ela na ceia do Senhor ou no tubo de ensaio do laboratório. Mantemos nosso equilíbrio
fazendo passar continuamente todas as verdades através da peneira da Palavra de Deus. A cura das
memórias é uma forma de aconselhamento e oração cristãos que se concentra no poder curativo do
Espírito sobre certos tipos de problemas emocionais/espirituais”
David Kornfield: “A cura interior é a restauração da alma ferida por meio de: 1) Reconhecer nossas
feridas, defesas e responsabilidades; 2) Experimentar Jesus levando sobre si essas feridas; 3) Receber o
perdão e a libertação de Deus; 4) Poder transmitir o mesmo para os que nos machucaram e abusaram de
nós”
Fábio Damasceno: “É um ter usado atualmente para significar santificação ou, ainda, processo de
crescimento espiritual, o qual se manifesta e se desenvolve na mente e, consequentemente, no próprio
comportamento do indivíduo, em relação a si mesmo, ao se próximo e ao seu Criador”
Alcione Emerich: “A cura interior se constitui na ação divina, curando as emoções humanas, por
intermédio do aconselhamento, da oração, confissão, ação sobrenatural do Espírito, perdão e liberação de
todo lixo emocional. A cura interior tem caráter processual e quase nunca é imediatista. Sarar o indivíduo
de suas marcas do passado, e com isso melhorar sua relação com o próximo, com Deus e consigo mesmo,
são os alvos centrais de tal ministério”

O QUE É UM TRAUMA?

1- Experiência súbita e imprevisível de dor emocional que a pessoa não consegue superar ou processar na
lida diária (é uma dor que fica represada dentro da pessoa)
Ex: perda de um ente querido, abuso sexual, divórcio, etc.

2- Experiência de dor emocional que se dá por grande extensão de tempo


Ex: rejeição, violência, indiferença, etc.

3- Experiência dolorida que se polariza, devida há um ambiente negativo já existente


Ex: Uma professora chama o aluno de burro, mas em casa já havia um ambiente onde ele não era
afirmado, valorizado, etc. Aqui o trauma se fixa.

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Duas palavras gregas
1- Paidion (Mat 18:3) = O termo no original se refere à infância, num sentido sadio e normal. Jesus está
aconselhando adultos a se tornarem criança. Os discípulos precisavam de características de humildade e
aptidão para aprender como crianças.
2- Nepios (I Cor 3:1 ; Gal 4:1 ; Rom 2:20) = O termo no original se refere à infância de um modo pouco
sadio e anormal, no sentido de permanecer num estágio de infância e infantilidades retardadas quando já
deveríamos tê-lo ultrapassado. <Nada mais belo ver uma criança que age de acordo com sua idade, e nada
mais terrível ver um adulto agindo como criança>

Desistir das coisas infantis (I Cor 13:11) = desistir no grego: tornar inoperante, inativo, ineficaz,
remover o sentido e significado, libertar-se de algo que nos esteja amarrando ou prendendo. As pessoas
que nunca enfrentaram suas memórias penosas continuam presas num estágio de seu desenvolvimento
emocional. Adultos fisicamente, mas crianças emocionalmente. Estas lembranças estão como que
“inflamadas” interiormente.

O CAMINHO DO TRAUMA

Crise (VIPEI) – Perigo e oportunidade (dois caminhos)


Elaboração: conversa interior + conclusão = “fortaleza”
Internalização: consciente, pré e inconsciente
O trauma é uma experiência viva (sintoma e infantilização) – 1 Cor 13:11

ELEMENTOS PSICOLÓGICOS DO TRAUMA


Intelecto (conteúdo/ informação/ dados)
Emoções (sentimentos/ coração)
Vontade (decisão / atitude/ postura)
- Um trauma envolve estas três esferas. Uma simples confissão lógica e racional não produz cura
(descrição). Os sentimentos, vontades e pensamentos envoltos ao processo traumático precisam ser
trabalhados.

BASES DA CURA INTERIOR:


I- VERDADE – João 8:32
- Ex: Ilustração do Iceberg (A parte que não conheço de mim é de 6 a 7 vezes maior)
Cria comportamento de evitação (tememos ser uma vez mais feridos)
Nós desenvolvemos defesas destinadas a nos poupar da confrontação honesta com nosso “eu”
(lembrar quando o filho pródigo “cai em si” - Lucas 15:17)
Podemos estar como aquele cego curado por Jesus (via homens como árvores)
“Os medos que experimentamos e os riscos envolvidos numa autocomunicação honesta parecem-
nos tão intensos, que torna-se quase uma ação reflexiva e natural buscar refúgio em nossos papéis,
máscaras e jogos” (John Powell)

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Estas defesas acabam se tornando barreiras que nos impedem de enfrentar as “verdades
guardadas”
Na verdade o que enxergamos não é a realidade em si, mas nossa interpretação da mesma.
A verdade tem potencial curador e libertador (espiritual, emocional e física)

MECANISMOS DE DEFESA (Jer 17:9)

Repressão:
Somos capazes de ocultar a verdade de nós mesmos
Empurramos para baixo, para o nosso inconsciente.
Este material reprimido é como uma madeira no fundo d’água: luta para chegar à
superfície
Aquilo que guardamos é enterrado vivo, não está morto.
Mais tarde nossa dor se apresentará por meio de disfarces
CONSCIENTE / SUB-CONSCIENTE / INCONSCIENTE

Racionalização
Tornamo-nos frios diante da dor e da tragédia. É o uso da inteligência para negar a
verdade, as emoções, a tragédia.

Negação
Fechamos nossa mente à realidade, não a queremos encarar. Bloqueamos parte dela, por
ser emocionalmente dolorosa (ex: mulher que não quis ir ao enterro após morte do marido)

Formação de reação
Exagera-se uma emoção ou comportamento, na tentativa de se ocultar uma inclinação
inconsciente oposta e reprovável. É uma forma de compensação. Todo comportamento
exagerado oculta um desejo oposto.
Ex: Legalismo / Excesso de pudor

Deslocamento
Expressão indireta de um impulso que a consciência nos proíbe de expressar diretamente.
Ex: Marido que chega em casa e briga com esposa, filhos, etc. (mas o problema dele é com
chefe)
Mulher hostil com cônjuge (na verdade sua raiva é do pai)

Perguntas:
1) Existem áreas de sua vida que você teme enfrentar a verdade?

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2) Já percebeu que é difícil falar a verdade e escutar verdades?
3) Já percebeu que tememos até enfrentar nossos sentimentos? (racionalizamos, negamos,
minimizamos)

Exemplos:
1) Evitamos pessoas, datas, lugares, eventos
2) Pessoas que estão indo pro buraco, e não veem.
3) Porque me envolvo em relacionamentos errados? Por que sou indiferente com meu filho? De
onde vem a minha agressividade? Por que minha estima é tão baixa?

II – SONDA-ME Ó DEUS – Salmo 139

- Gastro – coloca a sonda no interior...


- Que salmo lindo...mas veja os versos 19-22 (sujeira na alma) – “sonda-me”
- Quando Deus trata o “caminho mau” (desvio da rota) – ex: filho pródigo que partiu para uma terra
distante e lá sofreu – o trauma leva-nos a um caminho mau.
- Salmo 18:28 – “lança luz nas minhas trevas...”

III – AMIZADES PROFUNDAS – João 15:12-15; Mt 26:36-38

- Jesus tinha amigos? Sim (Pedro, Tiago, João, Lázaro)


- Dra. Gláucia Medeiros – “50% não precisariam de terapia se tivessem amizades profundas”
- Com poucas exceções, todos os traumas escondem relacionamentos que fracassaram.
- Os traumas nos fazem perder a capacidade de “análise singular” (generalizamos – ex: se um homem me
feriu, nenhum presta!)
- Se pessoas nos feriram, Deus quer usar pessoas para nos curar (trave horizontal e vertical da cruz)
- A estratégia mais poderosa de Jesus foi chamar seus discípulos para três anos de comunhão profunda
(João 15:15)
- Três conclusões perigosas:
a) Preciso representar diante das pessoas (medo da rejeição – tornamo-nos superficiais)
b) Para sobreviver é impossível confiar nas pessoas
c) As pessoas não se importam comigo (na verdade, nós mesmos nos fechamos)
- Provérbios 27:17 – “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu amigo”. Quem afia você?
- Faça as amizades corretas – No adultério de Davi, ele tinha mensageiros que foram enviados para trazer
Bate-seba. Um bom amigo teria dito, “Davi, ela é casada! Não faça isto! Está ficando maluco?”. No caso
de Davi, Natã era o ferro que afiava o seu caráter.

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- Graus de comunicação (John Powell)

5° nível – Conversa Clichê


* “bom dia”, “tudo bem?”, “como vai?”, “a paz do Senhor”, “foi bem vê-lo”, “como vai a
família?”, “espero vê-lo em breve”, “
* Resposta padrão: “TUDO BEM”

4° nível – Relatando fatos sobre outros


* Contentamo-nos em dizer aos outros o que alguém disse ou fez. Não damos qualquer
toque pessoal ou de autorevelação aos comentários; relatamos fatos, simplesmente. Aqui
buscamos proteção nas fofocas, em fragmentos de conversas e nos “casos” sobre os
outros. Nada oferecemos de nós mesmos.

3° nível – Minhas ideias e julgamentos


* Raramente as pessoas se comunicam neste nível mais profundo. São capazes disso, mas
não querem.
* “Quando comunico minhas ideias, estarei vigiando você cuidadosamente. Quero testar a
temperatura da água antes de saltar dentro dela. Quero estar certo de que você me aceita
com as minhas ideias, juízos e decisões. Se você franzir a sobrancelha ou estreitar seus
olhos, se você bocejar ou olhar o seu relógio, provavelmente eu recuarei para terreno mais
seguro, correrei para a cobertura do silêncio, ou mudarei o nível da conversação”.
* O que você pensa sobre tal assunto, autor, doutrina, etc.? (Maldições, batismo no
Espírito Santo, g-12, predestinação, segundo casamento, natal, tal autor, etc.)
* Os que estão neste nível de comunicação são bastante corajosos.

2° nível – Meus sentimentos (visceral)


* Meus sentimentos estão por baixo dos meus juízos, ideias e pensamentos.
* Emoções, ódio, raiva, medo, vingança, choro escondido, tristeza
1° nível – A comunicação culminante (absoluta transparência)
As amizades profundas e autênticas devem ser baseadas em absoluta abertura e
honestidade. “Sei que minhas reações são compartilhadas inteiramente por meu amigo;
minha alegria ou tristeza é duplicada nele com perfeição. Somos como dois instrumentos
musicais, tocando exatamente a mesma nota, emitindo o mesmo som” (John Powell)

- Em que grau Jesus comunicava-se?


“A tristeza que eu estou sentindo é tão grande que é capaz de me matar. Fiquem aqui vigiando
comigo” (Mt 26:38 - BLH)
“Jesus vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e
comoveu-se. E perguntou: Onde o sepultas-te? Eles lhe responderam: Senhor, vem, e vê. Jesus
chorou. Então disseram os judeus: Vede quanto o amava!” (João 11:33-36)

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- Quando você comunica a verdade:


1- Você aproxima as pessoas de você (esse cara é gente)
2- Elas se sentem estimuladas a se abrirem com você também

- O que é o amigo? É aquele para quem você fala tudo! (Transparência) – cf. João 15:12-15 – “Já não vos
chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque
tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer”

IV – CONFISSÃO E ORAÇÃO – Tg 5:16

- Criança com ralou o pé – “o que mais quero é ser curado e o que menos quero é tocar no assunto”
- Enquanto os sentimentos ficam transitando no campo do pensamento, eles podem tomar rumos
perigosos, transformando-se em “arquivos perigosos”. “Enquanto guardei silêncio, consumiram-se os
meus ossos” (Sl 32:3)
- Enquanto estamos calados acerca de certos assuntos, tais conteúdos permanecem no campo do
“obscuro”. É como se os nossos sentimentos nos cegassem para a verdade dos fatos. As palavras quando
faladas têm o poder fantástico de dar o peso correto às coisas:
Ex: “Esse cara vai ver, eu vou dizer isto, aquilo,....” (Depois vemos que as coisas não eram bem assim,
que houve exagero em nossa postura)
- Podemos dar aos nossos sentimentos três rumos: 1) Quando nos calamos, podemos agredir às pessoas a
nossa volta; 2) Leva-nos à agredimos a nós mesmos; 3) Podemos partilhá-los com Deus e com um amigo
(melhor caminho)

- “A escuridão esconde o verdadeiro tamanho dos medos, das mentiras e dos arrependimentos – explicou
Jesus. A verdade é que eles são mais sombra do que realidade, por isso parecem maiores no escuro.
Quando a luz brilha nos lugares onde eles vivem no seu interior, você começa a ver o que são realmente”
(A Cabana)
- “Confessai, pois, os vossos pecados (gr. paraptoma) uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes
curados” (Tg 5:16). A confissão é algo fundamental neste processo. A confissão tem efeitos
psicoterapêuticos, e trará grande alívio para o aconselhado. Vemos que a Bíblia nos dá margem para
procurarmos um conselheiro cristão para confessarmos nossos pecados, mágoas e traumas. A promessa de
Deus é que seremos curados.

Diferenças entre:
HAMARTIA (Gr) (pecado propriamente, errar o alvo, desviar-se do caminho) – Ocorre em I
João 1:9; 2:1 – “Se confessarmos os nossos pecados (hamartia), ele é fiel e justo para nos
perdoar e nos purificar de toda injustiça (...) Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que
não pequeis (hamartia). Se, todavia, alguém pecar (hamartia), temos Advogado junto ao Pai,
Jesus Cristo, o justo”
PARAPTOMA (Gr) (fracasso, queda, ser empurrado, cair prostrado, descender de uma posição
ereta para estar prostrado) – é a referência de Tiago 5:16 (veja que em outras passagens Tiago

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fala do pecado, usando hamartia (Tg 1:15; 2:9; 4:17; 5:15; 5:20) Isto demonstra mesmo uma
distinção entre hamartia (sentido própria de pecado) e paraptoma (que tem muito mais haver
com situações que feriram ou magoaram a alma)

V – PERDÃO – Mt 18:15-35

O que é perdão? “É perda no aumentativo”. É rasgar todas as “promissórias emocionais” que guardamos
em nossa alma (é ficar pobre, no prejuízo, mas para depois enriquecer)
O perdão não é um sentimento, mas uma decisão.

O que não é perdão:


a) Não é ignorar o que alguém fez contra mim (“deixa pra lá...nada aconteceu”)
b) Não é justificar a pessoa (“papai fez isto, porque também ele foi maltratado”)
c) Não é esquecimento
d) Não é um sentimento

O que é perdão:
a) É reconhecer a dor e a mágoa que os outros me causaram (“doeu muito”)
b) É definir claramente o erro cometido contra nós – “eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes
para o Egito” (Gn 45:4)
c) É não voltar mais ao passado
d) É não ficar exigindo mudanças do outro como condição
e) É a compreensão de que o amor de Deus me constrange, por isso deve perdoar.
f) Pode ser um processo, dependendo da gravidade da ferida

Expresse a mágoa:

a) Em relação a Deus (rendição e aceitação)


b) Em relação a si mesmo
c) Em relação a alguém

VI – MÃO DE DEUS – I Pe 5:6-11

- O perigo da teologia “Receba!!” (“a vida com Deus é uma jornada e não num encontro apenas”)
- Quando Deus nos matricula na “escola do quebrantamento” (muitos se inscrevem, mas poucos se
formam)
- Muitas das nossas lutas não são advindas do diabo, mas sim Deus com sua mão sobre nós, tratando-nos
(“Humilhai-vos, portanto sob a poderosa mão de Deus”)

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- Deus permite as lutas para que cresçamos – “por um pouco...” – “aperfeiçoar”, “firmar”, “fortificar”,
“fundamentar”
- Maturidade é a capacidade de administrar a frustração presente visando um alvo maior lá adiante (Os
imaturos desistem, mas os maduros são marcados pela perseverança)
- Segredo: “Persevere no sofrimento”
“Humildade no triunfo”
- Exemplos: Moisés (40 anos), Jacó (20 anos), Davi (14 anos), Discípulos (3 anos), José (13 anos no
Egito), Paulo (14 anos), Jesus (30 anos)

VII – A OBRA DE CRISTO POR NÓS – Isaías 53; Heb 2:17,18

Duas perguntas do profeta:


1-Você crê na obra da cruz? (v.1)
2-Você recebeu uma revelação da obra da cruz? (v.1)

Aspectos relevantes da obra de Cristo:


1-Veio de uma terra seca (v.2)
2-Não havia beleza física (v.2) – “nenhuma beleza havia...”
3-Ele leva sobre si o nosso sofrimento emocional (v.3)
a) Desprezado
b) Mais rejeitado entre os homens
c) “homem de dores” (v.4)
d) “sabe o que é padecer” – “experimentado no sofrimento” (NVI)
e) “os homens escondiam o rosto” (profundo desprezo)
f) “e dele não fizemos caso”

4- Ele leva sobre si as nossas enfermidades (v.4)


5-Ele leva as “maldiçoes” (iniqüidades) – v. 5

- A identificação de Cristo com nossos problemas foi plena

- Ele conhece a nossa dor e se compadece (misericórdia – coração nas misérias).

- “Só há duas formas das pessoas serem solidárias: Sendo cheio do Espírito Santo ou tendo
experiências semelhantes às daqueles que sofrem. Só assim a tribulação produz em nós algo descente”
(Ed René Kivitz)

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A PSICOLOGIA TEM CONDIÇÕES DE AJUDAR?
“A fim de aumentar a eficácia no aconselhamento, muitos líderes de igreja têm procurado as opiniões
de psicólogos e outros profissionais que cuidam da saúde mental. A psicologia é naturalmente um campo
de estudo altamente complexo e popular hoje em dia, tratando tanto do comportamento animal como
humano. O estudante universitário que faz um curso introdutório à psicologia geral, encontra com
frequência uma porção de estatísticas, termos técnicos e “dados científicos” sobre inúmeros tópicos
aparentemente sem importância. Os cursos a nível de seminário sobre o aconselhamento pastoral tendem
a ser mais relevantes e concentrados nas pessoas. Mesmo assim o estudante talvez se perca num labirinto
de teorias e técnicas pouco proveitosas quando se deparam com um ser humano confuso e sofrendo.
Isso levou alguns escritores a rejeitarem a psicologia, inclusive a área do aconselhamento e a concluir
que a Bíblia é tudo que o cristão interessado em ajudar as pessoas precisa. Jay Adams, por exemplo,
argumenta que os psiquiatras (e provavelmente os psicólogos) usurparam o lugar dos pregadores e
acham-se perigosamente tentando modificar o comportamento das pessoas e seus valores de maneira
ímpia. Escrevendo aos pastores, Adams afirma que “estudando a Palavra de Deus cuidadosamente e
observando como os princípios bíblicos descrevem as pessoas que você aconselha...é possível adquirir
toda a informação e experiência de que precisa para tornar-se um conselheiro cristão competente e
confiante sem estudar psicologia”. Este escritor de influência não vê qualquer possibilidade da psicologia
ou ramos afins virem a auxiliar o líder de igreja a aconselhar mais eficazmente.
Será porém que a Bíblia foi realmente escrita como um manual de aconselhamento? Ela trata de
solidão, desânimo, problemas conjugais, tristeza, relações entre pais e filhos, ira, medo e inúmeras outras
situações de aconselhamento. Como a Palavra de Deus, ela tem grande e duradoura importância para o
trabalho do conselheiro e as necessidades dos aconselhados, mas não reivindica ser (nem é esse o seu
propósito) a única revelação de Deus sobre a ajuda às pessoas. Na medicina, no ensino e noutros campos
de assistência “centralizados na pessoa”, a humanidade teve permissão para aprender muito a respeito da
criação de Deus através da ciência e estudo acadêmico. Por que a psicologia deveria ser então destacada
como o único campo que nada tem a contribuir com a tarefa do conselheiro? Como um campo de estudo,
a psicologia científica tem cerca de 100 anos de idade. Durante o século passado, Deus permitiu que os
psicólogos desenvolvessem instrumentos de pesquisa para o estudo do comportamento humano e
publicações profissionais para apresentarem suas descobertas. Centenas de milhares de pessoas buscaram
ajuda e os conselheiros profissionais aprenderam o que faz as pessoas reagirem e como podem mudar.
Nosso conhecimento está longe de ser completo e perfeito, mas a pesquisa psicológica cuidadosa e a
análise de dados levaram a um vasto reservatório de conclusões sabidamente úteis aos aconselhados e a
quem quer que se disponha a ajudar eficazmente as pessoas. Até mesmo os que querem por de lado o
campo da psicologia, usam frequentemente termos psicológicos em seus escritos e técnicas de origem
psicológica em seu aconselhamento. A verdade descoberta (pela psicologia) deve estar sempre de acordo
e ser confrontada com o padrão da verdade bíblica revelada. Limitamos, no entanto, nossa eficácia no
aconselhamento quando assumimos que as descobertas da psicologia nada têm a contribuir para a
compreensão e solução dos problemas. Comprometemos nossa integridade quando rejeitamos
abertamente a psicologia, mas a seguir introduzimos clandestinamente os seus conceitos em nosso
aconselhamento - algumas vezes ingenuamente e sem sequer perceber o que estamos fazendo.
Vamos aceitar o fato de que a psicologia pode ser de grande ajuda para o conselheiro cristão. Como
então atravessar o pântano de técnicas, teorias, e termos técnicos para descobrir os pontos realmente
úteis? A resposta envolve nossa descoberta de um guia - alguma pessoa ou pessoas que sejam seguidores
dedicados a Jesus Cristo, familiarizados com a literatura no ramo da psicologia e aconselhamento,
treinada neste mister e nos métodos de pesquisa (a fim de que a exatidão científica das conclusões dos
psicólogos possa ser avaliada), e eficazes como conselheiros. Um ponto de crucial importância é os
líderes aceitarem a inspiração e autoridade da Bíblia como o padrão contra o qual toda psicologia deve ser

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testada assim como em seu papel de Palavra escrita de Deus, com a qual todo conselho válido deve
concordar.” (Gary R. Collins, Doutor em Psicologia Clínica)

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