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AS TIC NO CONTEXTO ESCOLAR

Por Mary Valda Souza Sales1

A necessidade de comunicação é inerente ao ser humano. Filmes, romances, poemas,


pinturas e outras linguagens são vetores de emoções e experiências compartilhadas.
Sentimos a necessidade de expressar os nossos medos, os perigos a que estamos
expostos, as nossas alegrias e conquistas, os nossos sentimentos, os nossos pensamentos
e ideias. Movido por essa necessidade, a qual o homem primitivo registrou nas paredes
das cavernas o sucesso e o fracasso das suas caçadas, suas crenças e visões de futuro,
iniciou-se uma das formas de registro da história da humanidade que é a escrita, que
contribui diretamente para a comunicação e para o acesso a informação das diversas
sociedades.

Nessa direção, a necessidade de comunicação humana atua como catalisadora do


desenvolvimento de tecnologias cada vez mais poderosas que promovem sistemas de
comunicação mais amplos, estendem os nossos limites naturais e possibilitam acesso a
conhecimentos e informações antes, difíceis de ser difundidos, alcançados. E é nesse
contexto que se insere as tecnologias na sociedade de modo geral e, principalmente, em
um dos seus segmentos mais importantes, que é o educacional.

Tecnologia, o que é afinal?


Tecnologia aqui é compreendida a partir de uma
Para saber um pouco mais sobre a
história e evolução da tecnologia “abordagem da filosofia grega de técnica,
consulte os seguintes sites:
rompendo-se com a dicotomia homem-máquina, em
http://discoverybrasil.uol.com.br/guia_t nome de um imbricamento homem-máquina” (LIMA
ecnologia/resumo_historia/
Jr., 2005, p. 14). Ou seja, tecnologia é entendida como,
https://www.youtube.com/watch?v=tcLL
TsP3wlo
um processo criativo através do qual o ser
humano utiliza-se de recursos materiais e
Pode também consultar o livro O
imateriais, ou os cria a partir do que está
presente do fazedor de machados: o disponível na natureza e no seu contexto
outro lado da moeda, de Burke e vivencial, a fim de encontrar respostas para os
Ornestein, que apresentam um estudo problemas de seu contexto, superando- os (LIMA
antropológico em torno da evolução da JR, 2005, p. 15).
tecnologia e da humanidade.

1
Professora Adjunta do Departamento de Educação do Campus I (DEDCI), do Programa de Pós
Graduação de Educação e Contemporaneidade (PPGEduC), Universidade do Estado da Bahia (UNEB),
pesquisadora dos temas de Currículo, Tecnologias Educacionais, Formação de Professores e Educação a
Distância. Líder do grupo de pesquisa ForTEC, vinculado a Linha 4 do PPGEduC.
Neste sentido, o autor avança afirmando que “técnica tem a ver com arte, criação, intervenção humana
e com transformação” (p. 15). Portanto, tecnologia é tudo o que o homem cria para atender às suas
necessidades e à evolução da própria raça humana. Ela é “esse processo produtivo, criativo e
transformativo” (p. 15)2.

Mas, não é fácil falar de técnica e tecnologia sem trazer um esclarecimento necessário
acerca da utilização de tais termos, ao longo da história da humanidade. Sobre técnica,
Lemos esclarece que:

Para compreendermos os desafios do fenômeno tecnológico contemporâneo


devemos, num primeiro momento, precisar as diferenças entre técnica e tecnologia,
pois estes conceitos não são facilmente diferenciados. [...] Técnica, na sua acepção
oriental e etimológica, vem do grego tekhné, que podemos traduzir por arte. A
tekhné compreende as atividades práticas, desde a elaboração de leis e a habilidade
para contar e medir, passando pela arte do artesão, (...) é um conceito filosófico
que visa descrever as artes práticas, o saber fazer humano (2002, pp. 28-30).

Lemos (2002), ao explicitar a compreensão de técnica como o “saber fazer humano”,


complementa o exposto por Lima Jr. (2005) sobre tecnologia. Logo, tecnologia é processo
criativo através do qual o homem cria e co-cria o que é necessário para atender às
necessidades cognitivas, físicas, econômicas e políticas surgidas ao longo dos tempos, é “um
desdobramento natural da condição humana e tem sido uma marca ao longo da história”
(SALES, 2013, p. 25).

Vale ressaltar que, entre as tecnologias gestadas pela humanidade, algumas afetam
profundamente a educação, como a oralidade, a escrita e as tecnologias digitais e telemáticas.

A primeira, a oralidade e a escrita, exerce uma grande influência nas práticas


pedagógicas que ainda estão centradas no discurso oral, enquanto a segunda, tecnologias
digitais e telemáticas, possibilita uma real transformação desse processo, pois faz uso do
áudio e vídeo, potencializando o oral conjuntamente com as imagens.

Assim, o termo "tecnologia", no teor da discussão apresentada neste texto, refere- se a tudo
aquilo que o ser humano criou, tanto em termos de artefatos como de métodos e técnicas,
para estender a sua capacidade física, sensorial, motora ou mental (SANTAELLA, 1997),
facilitando e simplificando o seu trabalho, enriquecendo suas relações interpessoais,

2
Vale esclarecer que a compreensão mais profunda a respeito do conceito de tecnologia não descarta tratar em
específico alguns recursos/ferramentas como TIC, a exemplo do rádio, do livro, dos computadores, etc.
ou, simplesmente dando-lhe prazer, além de figurar como um recurso que pode mediar
a práxis pedagógica.

Desta forma, os vários tipos de mídia que serão aqui referenciados são compreendidos
como tecnologias de informação e comunicação (TIC) e, desde 1993, tecnologias
intelectuais na perspectiva do filósofo Pierre Lévy.
As tecnologias intelectuais exteriorizam e reificam Para conhecer um pouco mais sobre as
uma função cognitiva (LÉVY, 1993), uma atividade tecnologias intelectuais visite o
Laboratório de Tecnologias Intelectuais da
mental, possibilitando a reorganização do pensar UFPB no endereço http://www.lti.pro.br/
em seu conjunto e a modificação da função
Consulte também livro de Pierre Lévy, As
cognitiva que pressupunha somente assistir e tecnologias da Inteligência, disponível em
reforçar. Assim, as mídias, como tecnologias pdf no endereço
https://wp.ufpel.edu.br/franciscovargas/fil
intelectuais, são potencializadoras do processo de es/2015/03/LEVY-Pierre-1998-
produção do conhecimento. Portanto, é Tecnologias-da-Intelig%C3%AAncia.pdf
A p r o v e i t e m a l e i t u r a e x t r a!
compreensível que, diante do impacto que essas
tecnologias – eletro-eletrônicas, digitais, sonora, impressa – têm exercido sobre a vida
contemporânea, se pense quase que exclusivamente nelas ao mencionar "tecnologia na
educação". No entanto, não se pode esquecer que a educação continua a ser feita,
predominantemente, pela fala e pela escrita. Assim, a fala, a escrita e o texto impresso
são, e vão continuar sendo, tecnologias fundamentais para o d es en vol vi m en t o d a
educação, posto que o processo de inclusão tecnológica depende do avanço educacional,
social, político e econômico no País, que caminha, ainda, a passos lentos.

Nesse sentido, a inclusão tecnológica requer também um processo de alfabetização


tecnológica, o qual poderá constituir-se em um recurso potencializador para a familialização
dos sujeitos com as tecnologias e a ampliação das possibilidades de inserção e uso destas nos
processos socioeducativos. Por isso que alfabetizar-se tecnologicamente significa a
capacidade que os sujeitos desenvolvem para lidar com as diversas tecnologias ao seu redor e
interpretar a sua linguagem, bem como identificar o que é importante e fundamental para o
desenvolvimento de suas atividades, do seu trabalho. É nada mais nada menos que adquirir o
domínio inicial das técnicas e de suas linguagens para resolução dos problemas do cotidiano
social. Desse modo, o sujeito sendo alfabetização tecnologicamente no contexto
educacional, deixará de fazer uso das tecnologias apenas como ferramentas, pois estas se
constituíram meios para o sucesso do processo educativo e para ampliação das formas de
comunicação na produção do conhecimento.
Nesse contexto, acredita-se que ocorre naturalmente a inclusão digital, a qual é compreendida
como “a aprendizagem necessária ao indivíduo para circular e interagir no mundo das
mídias digitais como consumidor e como produtor de seus conteúdos e processos”, como
afirma Rondelli desde 2003. É perceptível que o termo inclusão digital é muito antigo e vem
se desenvolvendo com a evolução dos processos tecnológicos. Nessa direção, podemos
afirmar que a inclusão digital constitui um conjunto de ações que contribuem, auxiliam no
desenvolvimento de habilidades pessoais para utilização das TIC a partir do potencial de suas
funções e especificidades na vida cotidiana. Por isso que inclusão digital não é só a
disponibilização de meios técnicos e tecnológicos para o acesso à WEB.
Lá em 2003, Rondelli já afirmava que inclusão digital não é

[...] somente oferecer computadores, seria análogo afirmar que as


salas de aula, cadeiras e quadro-negro garantiriam a escolarização e
o aprendizado dos alunos. Sem a inteligência profissional dos
professores e sem a sabedoria de uma instituição escolar que
estabelecessem diretrizes de conhecimento e trabalho nestes
espaços, as salas seriam inúteis. Portanto, a oferta de computadores
conectados em rede é o primeiro passo, mas não é o suficiente
para se realizar a pretensa inclusão digital.

Retomando a educação como foco e falando de


Tudo sobre mídias na educação no comunicação, verifica-se que, quando se reporta a
programa do MEC com o nome
Mídias na Educação. É um um meio de comunicação, isto é, ao tipo de mídia
programa de educação a distância,
co-responsável pelos processos comunicativos,
com estrutura modular, que visa
proporcionar formação continuada quando se constrói qualquer projeto a ser
para o uso pedagógico das
diferentes tecnologias da desenvolvido na modalidade a distância, pensa-se e
informação e da comunicação – TV define-se a forma de diálogo dos processos
e vídeo, informática, rádio e
impresso. O público-alvo prioritário interativos, bem como o nível de interatividade, pois
são os professores da educação
básica. essa(s) mídia(s), a exemplo das impressa, digital e
telemática, terá (terão) a função de superar as barreiras
Há três níveis de certificação, que
constituem ciclos de estudo: o da distância geográfica e temporal e, ao mesmo
básico, de extensão, com 120 horas
de duração; o intermediário, de tempo, serem instrumentos mediadores no processo
aperfeiçoamento, com 180 horas; e ensino-aprendizagem. Franco (2003), Santaella (2003)
o avançado, de especialização, com
360 horas. já se referiam à mídia, fazendo uma retrospectiva ao

Conheça os módulos consultando o


conceito em latim, deixando claro sua função na
seguinte endereço sociedade contemporânea.
http://webeduc.mec.gov.br/midiased
As autoras retomam o conceito histórico,
ucacao/index6.html
explicitando que mídia vem do latim médium e que o

termo mídia significa meio ou veículo de comunicação, englobando, principalmente,


os meios impressos (livros, manuais, jornais, revistas, out doors (sic!), panfletos,
cartazes, encartes, malas diretas, etc), o cinema – que poderíamos classificar como
foto-mecânico -, os eletrônicos, como o rádio e a TV e o eletrônico-digital, como a
Internet. O telefone e o correio convencional, embora fujam à classificação acima,
também podem ser considerados meios de comunicação e de processamento da
informação (...) (FRANCO, 2003, p.89)2.

Nesse sentido, compreendem-se mídias como sendo meios de comunicação e de


processamento de informações como explicita a autora, aqui, as mídias também são
entendidas como tecnologias intelectuais, pois são utilizadas pela educação como
instrumentos potencializadores didático-metodológicos do processo educacional, garantindo o
fator essencial para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem, a comunicação, o diálogo
com o conhecimento – a mediação na práxis pedagógica, mas principalmente por ampliarem e
exteriorizarem as funções cognitivas. Por isso que nesse sentido, Santaella (2003) já afirmava
que as mídias “tendem a criar redes intercomplementares. Cada mídia, devido à sua natureza,
apresenta potenciais e limites que lhe são próprios.” (p. 37), o que faz do sujeito o autor do
processo midiático tecnológico.

Nesse contexto, vale destacar algumas TIC que já são bem comuns nos contextos educativos
de maneira geral.

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) no contexto educativo

Vivemos uma época marcada pela abundância de recursos tecnológicos (embora ainda
distantes e inacessíveis para muitas pessoas no mundo) que disponibilizam grandes
quantidades de informação a um custo significativamente reduzido. Paralelamente, os
canais de comunicação se multiplicaram em uma generosa e crescente oferta de
possibilidades (tais como TV, celular, email, redes sociais), tornando cada vez mais fácil e
ampla a comunicação entre pessoas situadas em qualquer lugar do planeta.

2
Grifos nossos.
As TIC são tecnologias surgidas, na sua maioria, a Para se inteirar mais sobre a inclusão
partir da década de 70, voltados para a comunicação das Tecnologias da Informação e
Comunicação na escola, sugerimos que
e a informação. Elas disponibilizam conteúdos leiam o material As TIC na escola,
disponibilizado pelo Ministério da
digitais em larga escala, com facilidade de acesso,
Educação, no site
através de redes de comunicação nem sempre http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/p
df/2sf.pdf, o qual apresenta reflexões de
mediadas por computadores. Estando sob a forma vários autores estudiosos sobre o tema à
digital, a facilidade de manipulação, reprodução e respeito da utilização das mais diversas
tecnologias no contexto escolar e os
distribuição desses conteúdos, permite levá-los a um impactos desse processo no fazer
maior número de indivíduos. Um exemplo é o educativo.

celular que, além de permitir a comunicação com outras pessoas, pode também enviar
textos, imagens, vídeos, áudios e outros conteúdos digitais passiveis de carregar
informações e conhecimentos..

O advento e a utilização generalizada dessas TIC, levaram ao surgimento da “sociedade da


informação” ou do conhecimento, como cunha Manuel Castells. Trata-se de uma sociedade
globalizada e altamente técnica, profundamente dependente da circulação e
desenvolvimento da informação e do conhecimento. Os avanços tecnológicos propiciados
pela microeletrônica, informática, redes e novas tecnologias de comunicação foram decisivos
para o seu surgimento.
A lista das TIC é muito vasta. Vamos aqui citar apenas algumas mais comuns:
• computadores pessoais e os seus periféricos: impressoras, webcams, leitores/
gravadores de CD e DVD (estes ainda existem nos dias atuais, mesmo já estando
escassos), dispositivos de armazenamento de dados (como pendrives, cartões de
memória), scanners e outros;
• telefone celulare, iphone, ipad;
• TV a cabo, por antena parabólica ou sinal digital;
• TV e rádio digitais;
• Teleconferência e videoconferência;
• realidade virtual;
• aplicativos de comunicação (whatssap, menseger…)
• correio eletrônico (email);
• chats (salas de bate-papo);
• fóruns de discussão;
• listas de discussão;
• blogs;
• wikis;
• tecnologias de compressão de conteúdo digital a taxas muito elevadas
possibilitando o streaming (fluxo contínuo de áudio e vídeo via internet) e o
podcasting (transmissão sob demanda de áudio e vídeo via internet);
• softwares para conferência remota e plataformas de educacionais;
• tecnologias digitais de captação e tratamento de imagens e sons;
• tecnologias de acesso remoto (sem fio ou wireless), tais como Wi-Fi e Bluetooth.

Como alertamos, a lista acima ainda é incompleta. Dessa fabulosa coleção de opções
(que se amplia a cada dia) emergem novas metodologias, estímulos e respostas.
Diferentes estímulos podem atuar sobre áreas cerebrais distintas e, por consequência,
influenciar nas percepções e emoções do indivíduo.
Assim, as TIC também podem ampliar o po t en ci al do p ro c es so d e aprendizagem
baseada em simulação, na qual uma pessoa é colocada frente a situações e cenários que
requerem decisões rápidas e habilidades específicas, assim influenciando a sua
aprendizagem ou predisposição para aprender.
Partindo-se do princípio de que a motivação é requisito para o aprendizado, veículos como a
internet, softwares e a realidade virtual acenam como possibilidades inimagináveis no
século passado.
Por tudo isso, torna-se patente e redundante o enorme potencial que as TIC podem oferecer e
oferecem para as diversas áreas, sobretudo a educação.

Indicação de leitura
• O site do Professor José Manuel Moran – endereço http://www2.eca.usp.br/moran/,
o qual possui vários textos, entrevistas, vídeos sobre a inserção e uso das TIC na
escola e nos contextos de formação;
• O material do site “Aprendizagem colaborativa Baseada em Computador”, da
Universidade de Évora (Portugal), está disponível em:
http://www.minerva.uevora.pt/cscl/

Tecnologia e Educação

Como já sabemos o que é tecnologia e tecnologia da informação e comunicação (TIC),


podemos definir, a partir dessas outras compreensões, a tecnologia educacional como sendo
“o estudo e a prática ética dos facilitadores de aprendizagem e desenvolvedores de
performance através da criação, uso e gerenciamento de fontes e processos tecnológicos
apropriados” (RICHEY, 2015). Estamos nos referindo ao uso de recursos tecnológicos no
processo de ensino-aprendizagem e do desenvolvimento de outras capacidades humanas.
Os desafios oriundos dos avanços tecnológicos têm proporcionado algumas mudanças
sociais, colocando um desafio permanente ao sistema educativo, o qual não pode e nem deve
se eximir de vivenciar e criar possibilidades para vencê-lo.
Nesse contexto, a escola a i n d a tem sido convocada para um movimento de mudança
efetiva a partir do processo de ensino-aprendizagem desenvolvido com o suporte, auxílio dos
recursos tecnológicos. Essa realidade está marcando de forma significativa os modos e
expectativas de funcionamento da sociedade e, também, influenciando diretamente no
contexto escolar, local em que temos os maiores desafios.
Dos desafios postos para a escola, destacamos dois: a integração curricular das TIC com
as experiências educativas de estudantes e professores, no sentido de possibilitar o
desenvolvimento de experiências inovadoras de educação e, a implementação de propostas
de formação continuada de professores, ga r a n t i n d o o efetivo e potencial uso das
tecnologias como recurso pedagógico e suporte didático. Na busca de superar tais desafios,
solicita-se da escola “(…) maior responsabilidade na educação global do indivíduo. (…), no
sentido de ajudar as crianças de hoje, a tornarem-se adultos responsáveis, autónomos, com
sentido de moral social e agentes activos na vida comunitária” (PONTE, 2002, p.41).
Nessa direção, será necessário que a escola inicie um
Para saber um pouco mais, leia o texto processo de alfabetização tecnológica, aprofundando os
Integrar as tecnologias de fomra
inovadora, do professor José Manuel saberes e consolidando metodologias inovadoras, que
Moran disponível no endereço adotem as TIC como mais um recurso educativo.
http://www.eca.usp.br/prof/moran/site/t
extos/tecnologias_eduacacao/utilizar.pd Tendo em conta este pressuposto, urge integrar as
f, onde o autor apresenta diversas
tecnologias em geral e, em particular, o computador, os
possibilidades com exemplos práticos.
Além disso, podem assistir o vídeo O dispositivos móveis e a internet, no processo
uso da tecnologia da escola, produzido
pela UNESP no endereço
educativo, tirando partido das suas potencialidades e
https://www.youtube.com/watch?v=nIx identificando as suas limitações e/ou constrangimentos
PP-253mU.
educativos.
Por esse fato que a escola não pode ficar parada, à margem das inovações tecnológicas,
do desenvolvimento das TIC, precisa estar inserida no contexto da sociedade da informação,
no sentido de garantir que sua função formativa continue contribuindo para a construção
de identidades sociais e de sujeitos que tenham condições de comunicação e produção do
conhecimento no contexto da cibercultura e, nessa direção “(…) a sociedade necessita de uma
escola que procure e fomente uma educação moderna apostada na formação de cidadãos
autónomos, responsáveis e solidários, na medida em que a educação é crucial na construção
de uma sociedade baseada na informação, no conhecimento e na aprendizagem” (MORAIS,
2014, p.53). Assim, a escola precisa fornecer condições que possibilitem a aprendizagem, a
utilização e a potencialização dessas TIC, de modo a estar contribuindo diretamente na
formação de sujeitos livres, autônomos, responsáveis e alfabetizados tecnologicamente.
A inserção e uso das TIC no contexto escolar não pressupõe tão somente a utilização de uma
única tecnologia nos espaços de sala de aula, no desenvolvimento do processo educativo
dentro da escola, pressupõe a exploração por professores e alunos do potencial das diversas
tecnologias disponíveis no espaço escolar, a fim de contribuir para o desenvolvimento de uma
prática educativa ampliada que possibilite, além da utilização de diversas tecnologias de
comunicação, de acesso a informação e ao conhecimento, a construção de práticas educativas
transformadoras que façam das TIC meios de qualificação do processo ensino-aprendizagem,
a partir do desenvolvimento de metodologias diversificadas e centradas no desenvolvimento
do aprendente como sujeitos ativos, criativos e críticos, renovando sempre os procedimentos
de acesso, difusão e construção do conhecimento educativo e social.
Por isso que, podemos afirmar que a ligação entre a Escola e as TIC, no contexto da
sociedade da informação, é um objetivo estratégico para o desenvolvimento da instituição
escolar dentro de uma de suas perspectivas de formação, que é a política-social, visto que essa
ligação exige mudanças variadas no contexto educativo que vão desde a formação e
qualificação de pessoal, a aquisição de equipamentos e redefinição dos espaços educativos.
Assim, a interação das TIC no contexto escolar, demanda uma transformação na prática
pedagógica de maneira geral, vez que a interação, colaboração, participação e cooperação se
transformarão em palavras chaves na condução do processo de ensino-aprendizagem.
Considerando que a escola não é mais a única referência de construção, acesso e difusão do
conhecimento, hoje na Sociedade da Informação/do Conhecimento, o papel da educação
vem se modificando e os desafios a ela apresentados, conduzem a um repensar do processo
educativo dentro e fora da sala de aula, principalmente porque hoje a escola se depara
com aprendizes mais autônomos, criativos e ativos, demandando novas formas de fazer
educação. O educador não mais será visto na sua práxis pedagógica, como a única fonte
de informação, mas como o mediador, aquele que esclarecerá dúvidas e indicará novos e
vários caminhos para o desenvolvimento da aprendizagem do educando num movimento
constante de ensinar e aprender, ele é mais do que isso, é parceiro no caminhar educativo.
Dentre as contribuições advindas das TIC p a r a a educação, está a possibilidade de
permitir que a informação atinja um maior número de pessoas, a um custo bastante reduzido e
de maneira rápida. Isto exigirá do educador permanente atualização, tanto no campo das
informações quanto dos métodos de ensino utilizados. Mas apenas informação não é o
bastante se não houver processamento, interpretação e compreensão do que é acessado, por
isso que o professor precisa estar atualizado, no sentido de possibilitar nas suas práticas
cotidianas ações, atividades que conduzam os educandos para um processo de transformação
e recriação das informações e conhecimentos, com vistas a construção de novos
conhecimentos e a difusão destes. Assim, se bem planejadas, estudadas e coerentemente
utilizadas, as TIC apresentam para a educação resultados positivos, possibilitando aos
educandos participar ativamente do processo de ensino-aprendizagem, intervindo,
opinando, criando, colaborando, enfim, trilhando novos caminhos para a construção
do conhecimento, resultando em um aprendizado amplo, interativo, autônomo e criativo.
Pesquisas, jogos que estimulem o raciocínio lógico, simulações e a produção individual ou
coletiva de conteúdo são algumas das alternativas possíveis.
Moodle (Modular Object
Outros recursos relevantes para a educação são as Redes Oriented Distance Learning) é
Sociais e os Ambientes Virtuais de Aprendizagem um sistema para gerenciamento
de cursos (SGC) – um programa
(AVA), em que o conhecimento pode ser construído e para computador destinado a
auxiliar educadores a criarem
compartilhado por vários interlocutores. Um AVA que cursos on-line (sic!) de
qualidade. É um Ambiente
possibilita essa integração é o Moodle, um dos mais Virtual de Aprendizagem
(AVA). http://moodle.org/
conhecidos no mundo hoje.

Mas todos estes recursos tecnológicos de nada valerão se o educador não entender que a
sua atenção não pode estar voltada apenas para estes instrumentos, que devem ser vistos
como auxiliares da proposta educacional. A ênfase deve estar, também, na formação do
educando, no trabalho em equipe, na capacidade de aprender e de se adaptar a novas
situações. Não é a tecnologia, mas o que fazemos com ela que constitui de fato o seu
significado e mensagem. (MCLUHAN, 1988).

Faz-se necessário ao educador do século XXI repensar sua práxis e o seu papel na
Sociedade da Aprendizagem, reaprender a ensinar, participar com os alunos de novas
excursões intelectuais e metodológicas, tornar-se receptivo às mudanças e propostas no
campo da educação, encarando esses novos recursos como auxiliares no desenvolvimento
do conteúdo proposto e não como algo que possa substituí-lo. Conviver e viver a
cibercultura numa construção coletiva e ativa de Cibercultura
conhecimentos, informações, metodologias e relações Forma sociocultural que advém de
uma relação de trocas entre a
sociais diversas. É imperativo não confundir informação sociedade , a cultura e as novas
tecnologias de base micro-eletrônicas
com conhecimento e compreender que a educação é um surgidas na década de 70, graças à
convergência das telecomunicações
processo eminentemente humano e, desse modo, complexo com a informática.
como tal.
Indicação de leitura
Um texto sobre Contemporaneidade, Educação e Tecnologia, de Antonio
Flavio Moreira e Sonia Kramer. Disponível em:
http://www.redalyc.org/pdf/873/87313704019.pdf

Multimídia na educação, de Serafim e Sousa, disponível no Scielo Books no


endereço http://books.scielo.org/id/6pdyn/pdf/sousa-9788578791247-02.pdf

Material do Estadão online, nominada “Tecnologias Digitais na Escola:


driblando inconvenientes”. Muito interessante e apresenta algumas dicas.
Disponível em http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,tecnologias-
digitais-na-escola-driblando-inconvenientes,992934

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