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EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Contabilidade Geral
VANDER LÚCIO SANCHES

FEAD
Belo Horizonte
2015
Publicado por FEAD
Copyright©2011 FEAD

Diretoria Geral
José Roberto Franco Tavares Paes

Capa
A nona onda - Ivan Aivazovsky (detalhe)

Todos os direitos reservados ao


Sistema Integrado de Ensino de Minas Gerais – SIEMG
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C846p Sanches, Vander Lúcio


Contabilidade geral / Vander Lúcio Sanches
Belo Horizonte: FEAD, 2013.
336p.

ISBN: 978-85-8351-003-1
I. Título 1. Contabilidade

CDU: 657
A Faculdade FEAD apresenta novo projeto, fundamentado
em aspectos metodológicos da auto-aprendizagem, e inaugura
os cursos de graduação na modalidade a distância.
Estudar na modalidade a distância é adquirir, além de
conhecimento do conteúdo apresentado, competências
hoje exigidas no campo profissional e pessoal: autonomia,
interação, determinação, gerenciamento da própria formação
e atualização continuada.
A Instituição que se propõe formar empreendedores
apresenta atitude inovadora e ensina pelo próprio exemplo.
O projeto FEAD de Educação a Distância vem sendo
desenvolvido desde 2004 e, agora, torna-se realidade.
Buscar atingir a meta da qualidade em todos os projetos
educacionais é o que move a comunidade FEAD. Projeto de
muitas mãos e mentes, trabalho conjunto de professores,
coordenadores, funcionários, empresas parceiras e direção,
na busca de produzir o que há de consubstancial em
aprendizagem na modalidade a distância.
Sinta-se, em definitivo, participante e construtor deste novo
tempo. Faça parte do seu mundo. Bem-vindo ao século XXI!

Professor José Roberto Franco Tavares Paes


Direção-Geral
Olá, querido aluno! Antes de mais nada, quero dizer que foi um
Foto: FEAD

prazer imensurável escrever este livro para você com todo amor e
carinho, pois você é merecedor de toda minha dedicação. Sou Vander
Lúcio Sanches, de Morro Vermelho, Caeté, Minas Gerais (berço da
Guerra dos Emboabas), tenho a idade de Jesus Cristo, 33 anos. Tenho
graduação em Ciências Contábeis pela Pontifícia Universidade Católica
de Minas Gerais – PUC Minas (2003), pós-graduação em Contabilidade
Governamental (Contabilidade Pública), pela Universidade Federal de
Minas Gerais - UFMG (2006), Mestrado em Economia pela Faculdade
de Estudos Administrativos – FEAD Minas (2009). Atualmente, sou
Contador concursado de uma empresa pública de sociedade de
economia mista na esfera federal, Centrais de Abastecimento de Minas
Gerais S/A - Ceasa Minas. Sou professor da FEAD desde 2009, em
disciplinas de cursos tanto presenciais como a distância.
Sou de família muito simples, mas de valores éticos grandiosos.
Tenho 9 irmãos e um pai; minha mãe, Deus a levou há 10 anos. Trabalho desde os 9 anos de idade, até
hoje nunca parei. Muitos perguntam: “E quanto à infância?” Brincava nos finais de semana, de segunda
a sexta. A noite foi feita para estudar, o dia para trabalhar, sábados e domingos para descansar!
Fui conceito A no curso de graduação, obtido na avaliação do MEC em 2003 pelo curso de Graduação
em Ciências Contábeis da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais da cidade de Contagem,
Minas Gerais. Obtive a melhor nota dos alunos da PUC Contagem no exame de suficiência do CRC em
2004 para obtenção de registro de Contador. Fui conceito A no curso de Pós-Graduação de Contabilidade
Governamental da UFMG e obtive 100% em minha dissertação de mestrado, defendida em 16/04/2010,
que teve o título Planejamento Tributário: uma análise sobre a viabilidade para a Ceasa Minas. Fui aprovado
em vários concursos públicos para empresas e instituições como: CPRM, ANATEL, CEASAMINAS,
COPASA MG, BELOTUR, FUMEP, MINISTÉRIO PÚBLICO, COHAB, POLÍCIA FEDERAL, PROMINAS
e CEMIG. Dentre essas, tive o imenso prazer de trabalhar primeiramente na COPASA, por 5 anos, na
PROMINAS, por 1 ano, e na Ceasa Minas onde trabalho atualmente desde 12/06/2006.
Mas, antes dos concursos públicos, trabalhei em empresas privadas como a IMA – Indústria de
Madeira Imunizada Ltda. –, por 8 anos, e no Hotel Hostenrich, por 4 anos, além de ter sido caseiro em
algumas chácaras no distrito de Morro Vermelho.
Por falar em Morro Vermelho, caso um dia queira conhecer um pouco da história de minha terra natal,
terei o maior prazer em recebê-lo em minha casa. Não há como errar, pois em meu distrito existem duas
ruas principais e uma população de aproximadamente 1.000 habitantes...
Desde 2003, dediquei-me aos concursos públicos por acreditar que o mercado de trabalho sempre foi
e sempre será seletivo, por isso temos que nos esforçar para estarmos o mais preparados possível, para
enxergarmos a concorrência não como uma ameaça, mas sim como uma oportunidade. Assim como eu,
acredito que muitos estão nesta busca incansável pela aprovação em concursos públicos ou por serem
mais valorizados nas empresas onde trabalham ou em que ainda irão trabalhar, por isso deixo a seguinte
mensagem para você, querido aluno:
Estude sempre com muita dedicação e determinação. Somos todos capazes. Nunca se esqueça do
nosso Criador, DEUS, com Ele a seu lado você comprovará que sua vida será sempre uma vitória.
A vida sempre nos oferece oportunidades, cabe a nós não deixá-las jamais escapar de nossas mãos!
Antes os contadores controlavam apenas o patrimônio de terceiros. Hoje isso mudou, o controle
aumentou, há mais serviços, que bom! Continuamos controlando o patrimônio das empresas, mas
controlamos também o patrimônio mais importante, o nosso!
Grande abraço!
Ms. Vander Lúcio Sanches
Sumário
Unidade 01
AULA 1 INTRODUÇÃO A CONTABILIDADE....................................................................................................................................... 9
AULA 2 PATRIMÔNIO......................................................................................................................................................................... 19
AULA 3 ATOS E FATOS CONTÁBEIS............................................................................................................................................... 29
AULA 4 CONTAS................................................................................................................................................................................ 35
AULA 5 DÉBITO E CRÉDITO............................................................................................................................................................. 43
Unidade 02
AULA 6 PLANO DE CONTAS............................................................................................................................................................. 51
AULA 7 DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO ATIVO............................................................................................................. 63
AULA 8 DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO...................................................... 73
Unidade 03
AULA 9 INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE.......................................................... 83
AULA 10 DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO............................................................................................................... 99
AULA 11 DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 01........................................................................................... 113
AULA 12 DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 02........................................................................................... 123
Unidade 04
AULA 13 EXERCÍCIOS DE REVISÃO................................................................................................................................................133
AULA 14 EXERCÍCIOS DE REVISÃO................................................................................................................................................145
AULA 15 EXERCÍCIOS DE REVISÃO................................................................................................................................................157
Unidade 05
AULA 16 DUPLICATAS DESCONTADAS E OPERAÇÕES DE FACTORING.................................................................................. 169
AULA 17 TRIBUTOS...........................................................................................................................................................................177
AULA 18 LUCRO REAL......................................................................................................................................................................187
AULA 19 CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES.............................................................................................................................199
Unidade 06
AULA 20 DMPL E DLPA.....................................................................................................................................................................209
AULA 21 DOAR...................................................................................................................................................................................225
AULA 22 EXERCÍCIOS SOBRE DOAR.............................................................................................................................................235
AULA 23 CPC: COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS................................................................................................... 245
AULA 24 DFC......................................................................................................................................................................................255
AULA 25 DFC - EXERCÍCIOS............................................................................................................................................................267
AULA 26 DVA, NOTAS EXPLICATIVAS E PARECERES..................................................................................................................279
Unidade 07
AULA 27 EXERCÍCIOS DE REVISÃO................................................................................................................................................291
AULA 28 EXERCÍCIOS DE REVISÃO................................................................................................................................................301
AULA 29 EXERCÍCIOS DE REVISÃO................................................................................................................................................313
AULA 30 EXERCÍCIOS DE REVISÃO................................................................................................................................................323
Unidade 01

Contabilidade Geral
REGISTROS CONTÁBEIS

AULA 1

INTRODUÇÃO A CONTABILIDADE

Objetivos
• Conhecer a história da evolução da
contabilidade.
• Discutir o objeto de estudo da
contabilidade.
• Conhecer o campo de aplicação e os
usuários da contabilidade.
• Compreender as técnicas, princípios e
convenções contábeis.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO parte do seu crescimento intelectual. Saber é a melhor


coisa do mundo e ninguém lhe rouba o conhecimento e
Olá, caro aluno! Tenho muito prazer de iniciar a competência. Isso será sempre seu, assim como seu
os estudos desta disciplina com você. Ela é sem próprio corpo. São as únicas coisas que ninguém pode
dúvida uma das mais importantes para sua formação. lhe tirar. O resto...
Contabilidade Geral, como o próprio nome diz, traz Antes de iniciar os estudos peça a Deus para lhe
diretrizes para ajudá-lo a entender com mais clareza o dar calma e inteligência para entender tudo. Medite
mundo da contabilidade em si. assim: meu Deus, como é bom ter condições de fazer
A partir de agora você deve se entregar totalmente um curso superior enquanto para muitos ainda é um
aos encantos dessa disciplina. Você se lembra muito sonho!
bem de que viu, no primeiro período deste curso a Antes gostaria de agradecer sua escolha tanto
disciplina “Introdução à Contabilidade”. Ela serviu pelo curso como pela faculdade. Escrevi cada página
para prepará-lo para Contabilidade Geral, e esta como se fosse pra mim. Aproveite o máximo. Vamos
Contabilidade Geral, por sua vez, irá prepará-lo para começar?
disciplinas como: Contabilidade Comercial, Práticas
Contábeis, Contabilidade Avançada, Análise das 2 SURGIMENTO DA CONTABILIDADE
Demonstrações Contábeis, Contabilidade Fiscal e
Pode-se afirmar que a Contabilidade é tão antiga
Tributária, Controladoria, Contabilidade de Custos e
quanto o comércio. O homem antigo já se preocupava
muitas outras. Por isso peço sua inteira dedicação, pois
com acompanhar a evolução de seu patrimônio.
ao aprender tudo que será exposto daqui para frente Em 1494, o Frei Luca Bartolomeo Acioli,
você só terá facilidades nas próximas disciplinas. contemporâneo de Leonardo da Vinci, promoveu um
Vou trabalhar com você a teoria e a prática, tanto dos maiores avanços na área contábil: escreveu um livro
para as empresas privadas como para as empresas intitulado Suma de aritmética, geometria, proportioni
públicas. Fique atento, meu caro aluno, pois o seu e proportionalitá ("tudo sobre Aritmética, Geometria e
futuro só depende de você. Já ouviu falar em concursos Proporção"). Tal obra foi concebida em cinco tópicos,
públicos? Pois bem, é um dos empregos que mais tem sendo um deles referente à Contabilidade.
atraído contadores. Você escolhe a empresa onde quer Luca Acioli compilou e aprimorou a técnica que até
trabalhar, o salário que quer ganhar, faz algumas provas hoje mais se utiliza no mundo contábil: o denominado
em que concorre com gente muito bem preparada, Método das Partidas Dobradas ("para cada débito
classifica-se para uma das vagas e recebe em casa um deve haver, pelo menos, um crédito de idêntico valor").
telegrama para assumir o cargo ou função. É chic ou O que toda história tem mostrado é que a
não é? Então trate de se dedicar ao máximo. Contabilidade torna-se importante à medida que há
Outra área muito boa para você atuar é, sem desenvolvimento econômico. Hoje, por exemplo, a
dúvida, montar o seu próprio negócio, ou seja, tornar- profissão é muito valorizada nos países de primeiro
se um empreendedor. Esses são motivos, entre muitos, mundo. No Brasil, até a década de 1960, o profissional
pelos quais o convido a assumir com responsabilidade da contabilidade era chamado de “guarda-livros”, a
seus estudos, pois o tempo passa e no final você vai meu ver, título pejorativo e pouco indicador. Todavia,
poder se orgulhar de ter valido a pena. A vitória será com o milagre econômico na década de 1970, essa
sua. expressão desapareceu e observou-se um excelente
Minha missão também é incentivá-lo, por isso e valorizado mercado de trabalho para os contabilistas.
busquei escrever aulas que prendam sua atenção. A profissão de Contabilista no Brasil foi
Tomara que consiga, pois ficarei muito feliz em contribuir regulamentada pelo Decreto-lei 9.295, de 27 de maio
com sua boa formação. Outra dúvida: Já ouviu falar de 1946, ano em que a Universidade de São Paulo
em exame de suficiência? Pois bem, para se registrar fundou a Faculdade de Ciências Contábeis e Atuariais.
como Contador é necessário fazer uma prova em que A Contabilidade não é uma ciência exata. Ela é
constam todas as matérias que você estudará durante uma CIÊNCIA SOCIAL, pois é a ação humana que
o curso. Isso também é um bom motivo para você se gera e modifica o fenômeno patrimonial. Todavia
dedicar ao máximo em todas as matérias, sem falar na a Contabilidade utiliza os métodos quantitativos

10
AULA 1 • INTRODUÇÃO A CONTABILIDADE

(matemática e estatística) como sua principal de direito público ou privado. No entanto, no caso da
ferramenta. Ela é um instrumento de informação. Com Contabilidade Empresarial (nosso objeto de estudo),
a sua utilização, é possível conhecer toda a estrutura o campo de aplicação se restringe às empresas,
econômico-financeira das entidades. Através de entendidas aqui como entidades jurídicas com
registros, essa ciência acumula e resume os dados finalidade lucrativa.
relacionados com o patrimônio das empresas, tornando
mais fácil sua interpretação. Isso não lhe parece uma 2.3 Finalidade da Contabilidade:
função muito especial? Fornecer informações
Vários são os conceitos existentes sobre A Ciência Contábil, através do estudo e controle do
Contabilidade. Veja alguns deles. patrimônio das entidades, tem como objetivo principal
Contabilidade: é a ciência que estuda e pratica as ou finalidade fornecer informações às pessoas ou
funções de orientação, controle e registro relativas à entidades interessadas na situação patrimonial e
administração econômica. (I Congresso Brasileiro de econômica da entidade, bem como na aferição de sua
Contabilistas - RJ- 1924). capacidade produtiva.
Contabilidade é, objetivamente, um sistema de
informação e avaliação destinado a prover seus 2.4 Usuários da Informação
usuários com demonstrações e análises de natureza Contábil
econômica, financeira, física e de produtividade,
Os usurários da informação contábil são aquelas
com relação à entidade objeto de contabilização.
pessoas, físicas ou jurídicas, que têm interesse na
(Pronunciamento do IBRACON aprovado pela CVM
avaliação patrimonial de um entidade. Veja alguns
através da deliberação 29/860)
deles:
Contabilidade é a ciência que estuda e controla
• sócios (acionistas/quotistas): necessitam da
o patrimônio das entidades, mediante o registro, a
informação contábil, de forma concisa, para
demonstração expositiva e a interpretação dos fatos
avaliar a rentabilidade e segurança de seus
nele ocorridos, com o fim de fornecer informações
investimentos.
sobre a sua composição e variações, bem como sobre
• administradores, diretores e executivos:
o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza
patrimonial. (FRANCO, 1999). utilizam a informação contábil, de forma
detalhada, com as finalidades de controle e
Resumindo: planejamento, visando à prática dos atos de
gestão, ou seja, à tomada de decisões.
Contabilidade é a ciência social que estuda e
controla o patrimônio das entidades, para fornecer Controlar: verificar se os elementos da entidade
informações a seus usuários. estão de acordo com os planos já traçados.
Planejar: determinar políticas e linhas para o
A partir da análise desse conceito, podemos extrair futuro.
algumas informações, quais sejam:
• Governo: busca informações sobre o
2.1 Objeto da Contabilidade:
movimento da empresa, para viabilizar a
Patrimônio fiscalização de tributos.
O Patrimônio compreende todo o conjunto de bens, • Concorrentes: com base nas informações
direitos e obrigações da entidade. geradas pela contabilidade, podem traçar e
mudar estratégias e políticas.
2.2 Campo de aplicação da • Clientes: interessam pela situação de seus
contabilidade: Entidades fornecedores, principalmente no que se refere
O campo de aplicação da Contabilidade engloba ao cumprimento de prazos de entrega.
todas as entidades que possuam patrimônio, sejam • Bancos, capitalistas e financeiros: utilizam
físicas ou jurídicas, com ou sem finalidade lucrativa, a informação contábil principalmente para

11
Contabilidade Geral

avaliar a segurança de seus empréstimos e 2.6 Aplicação da Contabilidade


financiamentos.
• Fornecedores: buscam informações para A contabilidade pode ser aplicada nos seguintes
decidirem se irão ou não fornecer mercadorias ramos de atividades:
a seus clientes. • Contabilidade Comercial
• Empregados: tem interesse na situação • Contabilidade Industrial
patrimonial da empresa em que trabalham, • Contabilidade Hospitalar
para saber se essa suporta uma negociação • Contabilidade Hoteleira
salarial, concessão de participação nos lucros,
• Contabilidade Rural
etc.
• Contabilidade Ambiental
2.5 Técnicas Contábeis • Contabilidade de Construções Civis
Para que a Contabilidade possa atingir seu objetivo, • Contabilidade Eclesiástica
ela se utiliza de algumas técnicas. São elas: • Contabilidade de Seguros
• Contabilidade Social
Escrituração
• Contabilidade de Instituições Financeiras
Consiste no registro, em livros apropriados (livros
• Contabilidade Pública
de escrituração), de todas as transações que afetam
• Contabilidade de Clubes de Futebol
o patrimônio das entidades, ou seja, de todos os fatos
contábeis. • Contabilidade de Imobiliária
• Contabilidade de Prestadoras de Serviços
Demonstrações Contábeis ou Demonstrações
Atualmente as funções do profissional em
Financeiras
contabilidade não se restringem apenas ao âmbito
São quadros técnicos que evidenciam a situação
fiscal, como antigamente, quando se desenvolvia
patrimonial, financeira e econômica de uma entidade
nas tesourarias das fazendas nas províncias. Hoje,
de forma lógica e concisa; essas demonstrações são
tornaram-se vitais para as empresas as informações
complementadas por nota explicativa, que tem por
objetivo esclarecer alguns detalhes não explicitados mais precisas, estratégicas para as tomadas de
nas demonstrações. decisões.
Há áreas específicas da Contabilidade carentes de
Auditoria
profissionais habilitados tecnicamente e principalmente
Visa à verificação da fidedignidade das informações
que se “sintam capazes” para realizar tais funções,
contábeis, detectando fraudes e erros e constatando
deixando muitas vezes o campo aberto para outros
se as informações foram ou não elaboradas em
consonância com os Princípios Fundamentais de profissionais, com outras formações. Por isso, caro
Contabilidade e com as Normas Brasileiras de aluno, há necessidade de o profissional da área
Contabilidade. estar sempre em busca de novos conhecimentos,

Análise das Demonstrações Contábeis ou Aná- aperfeiçoamentos na área. Por exemplo, uma área
lise de Balanços ou Análise das Demonstraçõ- muito recente é a AMBIENTAL. O Contador que se
es Financeiras especializa em Contabilidade em Gestão Ambiental
abre mais um grande leque de oportunidade, podendo
Consiste no estudo e na avaliação da situação
econômica e financeira da entidade, bem como do seu atuar no Ministério Público, ou como Analistas de
desempenho operacional, através da decomposição Custos Ambientais, trabalhando em conjunto como os
e comparação das demonstrações financeiras, especialistas em Contabilidade Social, entre outras.
interpretados sob vários aspectos, índices e quocientes O profissional de contabilidade vem ganhando
calculados a partir de informações extraídas dessas espaço e destaque no mercado de trabalho e pode ser
demonstrações. classificado em várias ordens. Veja a seguir.

12
AULA 1 • INTRODUÇÃO A CONTABILIDADE

2.7 Campo de atuação do mesmo um analista e assim por diante, dependendo da


contabilista disponibilidade e do objetivo traçado pelo profissional.
Porém, caro aluno, você deve está se perguntando: Se
2.7.1 Técnico em Contabilidade o profissional contador vai ter tantas atividades assim,
Aquele que cursou técnico de contabilidade em nível será que desenvolverá bem o seu trabalho? Eu lhe
de segundo grau, não podendo exercer as atividades respondo com minha experiência e com toda certeza:
de um contador Graduado/Bacharel em Ciências SIM, é possível e pode ser feito com competência e
Contábeis, e seu registro em órgão competente será tranquilidade, como acontece em todas as atividades
de Técnico Contábil. de PLANEJAMENTO.
O contador não tem mais como ser especializado
2.7.2 Contador apenas numa área. Ele pode sim ter mais experiência
Bacharel/Graduado no curso superior de Ciências por ter se desenvolvido mais numa área, mas deverá
Contábeis, com registro no Conselho Federal de sempre conhecer o todo da área contábil para atender
Contabilidade, está habilitado a exercer as várias melhor o seu cliente e aproveitar as oportunidade que
atividades, como as de: aparecem.
• Auditoria: investiga se os saldos apresentados Todo contador no exercício de sua profissão, entre
nas Demonstrações Contábeis são fidedignas outras coisas, deverá observar e aplicar os Princípios
com os Princípios Contábeis e Normas de e Convenções Contábeis, pois estes norteiam e
Auditoria, se há documentação legal que dão a direção certa que todo contador deve seguir
sustente os lançamentos, entre outros. para realmente auxiliar nas tomadas de decisões. A
• Controladoria: responsável pela gestão de não observância de qualquer um desses Princípios
custos da entidade, planejamento estratégicos Contábeis poderá causar prejuízos que muitas vezes
de crescimentos, etc. são irreparáveis, tanto financeiros quanto de imagem
• Professor de Contabilidade: ministra aulas da própria entidade.
de contabilidade e áreas afins, dividindo com
os alunos suas experiências práticas do dia a 2.8 Princípios Contábeis
dia.
2.8.1 Princípio da Entidade
• Analistas: temos os Analistas de Custos,
Analistas das Demonstrações Contábeis, O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio
Analistas de Créditos, Gerentes de Contas, como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia
entre outros. patrimonial, na necessidade da diferenciação de um
• Público: pode atuar com Auditor Fiscal Federal Patrimônio particular no universo dos patrimônios
ou Estadual ou Municipal, como Contador existentes, independentemente de pertencer a uma
Municipal, como Gestor Público de Autarquia, pessoa, a um conjunto de pessoas, uma sociedade
atuar nas Controladorias e Tribunais de Contas ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com
municipais, estaduais ou federais, entre outros. ou sem fins lucrativos. Por consequência, o patrimônio
• Autônomos: ter seu próprio escritório, não se confunde com aqueles dos seus sócios ou
prestando serviços de contabilidade às proprietários, no caso de sociedade ou instituição.
empresas.
2.8.2 Princípio da Continuidade
• Consultor Tributário: atua em planejamento
e recuperação e ressarcimentos e restituições A continuidade supõe alguma ligação entre
tributárias estaduais e federais. o passado e o futuro, consumos, poupança,
Todas essas atividades podem ser desenvolvidas investimentos, etc. Demonstra que a contabilidade
individualmente ou em conjunto com outra(s). Por deve ver a empresa em movimentação constante, sem
exemplo, um contador autônomo pode atuar como um prazo de encerramento determinado. Ninguém abre
Perito Judicial e ser professor; um Controller pode ser uma empresa para sobreviver e ficar em operação por
um professor ou um Perito Judicial também ou até apenas 2 ou 5 anos.

13
Contabilidade Geral

2.8.3 Princípio da Oportunidade • os que puderem ser corroborados por consenso


de pessoas qualificadas da profissão, reunidas
O Princípio da Oportunidade refere-se,
em comitês de pesquisa ou em entidades que
simultaneamente, à tempestividade (isto é, em tempo
oportuno) e à integridade do registro do patrimônio e têm autoridades sobre os princípios contábeis.
das suas mutações, determinando que este seja feito de
3.2 Convenção da Materialidade
imediato e com a extensão correta, independentemente
das causas que as originaram. O contador deverá sempre avaliar a influência e a
materialidade da informação, evidenciada ou negada
2.8.4 Princípio do Registro pelo para o usuário à luz da relação custo-benefício, levando
Valor Original em conta aspectos internos do sistema contábil.
Os componentes do patrimônio devem ser
3.3 Convenção do
registrados pelos valores originais das transações com
o mundo exterior, expresso a valor presente na moeda Conservadorismo
do País, ou seja, devem ser registrados em R$ (Real), Entre conjuntos alternativos de avaliação para o
no caso do Brasil. patrimônio igualmente válidos, segundo os Princípios
Fundamentais, a contabilidade escolherá o que
2.8.5 Princípio da Atualização
apresentar o menor valor atual para o ativo e o maior
Monetária para as obrigações.
Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da
moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros 3.4 Convenção da Consistência
contábeis através do ajustamento da expressão formal A Contabilidade de uma entidade deverá ser mantida
dos valores dos componentes patrimoniais. de forma tal que os usurários das demonstrações
contábeis tenham de delinear a tendência dessa
2.8.6 Princípio da Competência
entidade com o menor grau de dificuldade possível.
As receitas e despesas são atribuídas aos períodos
de acordo com a real ocorrência, isto é, de acordo com 4 SÍMBOLO DA CONTABILIDADE
a data do fato gerador, e não quando são recebidos ou
pagos seus valores. O CADUCEU é o símbolo da Contabilidade. É
formado por um bastão no sentido vertical, com duas
2.8.7 Princípio da Prudência serpentes pequenas entrelaçadas, tendo na parte
Determina a adoção do menor valor para os superior duas asas e um elmo alado.
componentes do ativo e maior para os do passivo, O bastão simboliza o poder de quem detém o
sempre que se apresentarem alternativas igualmente conhecimento das ciências contábeis. Trata-se da
válidas para a quantificação das mutações patrimoniais espinha dorsal do Curso de Ciências Contábeis, em que
que alterem o Patrimônio Líquido. há a aplicação das matérias de formação profissional.
As serpentes simbolizam a sabedoria. Estão
3 CONVENÇÕES CONTÁBEIS entrelaçadas para enfatizar o elo existente entre os
As convenções, à luz de cada situação, dão as atributos de natureza humana, social e profissional.
instruções finais para a escolha da direção a ser Simbolizam a integração das matérias e as atividades
seguida, restringindo ou modificando o conteúdo dos de formação profissional básica, específicas e
princípios, definindo mais precisamente seu significado. complementares.
As asas saem do elmo e simbolizam a velocidade
3.1 Convenção da Objetividade do deus Mercúrio (deus protetor do comércio, símbolo
Para procedimentos igualmente relevantes, de paz e da prosperidade). No CADUCEU elas estão
resultantes da aplicação dos princípios, preferir-se-ão inseridas no capacete.
em ordem decrescente: O elmo representa uma peça de armadura antiga
• os que puderem ser comprovados por que cobria a cabeça, a fim de protegê-la. O elmo
documentos e critérios objetivos; simboliza a ética geral e profissional.

14
AULA 1 • INTRODUÇÃO A CONTABILIDADE

02- Assinale o princípio fundamental da contabilidade


que reconhece o Patrimônio como objeto da
contabilidade e afirma a autonomia patrimonial e
a necessidade de diferenciação de um patrimônio
particular no universo dos patrimônios existentes.
a) Entidade
b) Registro pelo Valor Original
c) Prudência
d) Continuidade
e) Atualização Monetária
Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/db/Caduceu
contabil.png Questões de exame de suficiência (CFC)
Acesso: 2013.
01- O objetivo fundamental da Contabilidade é
5 ATIVIDADES a) atender apenas os interesses de instituições
financeiras e fornecedores.
Questões resolvidas b) atender os interesses das instituições
01- Com relação aos Princípios Fundamentais de financeiras, fornecedores e fisco.
Contabilidade, assinale a opção incorreta. c) respaldar as informações prestadas à Receita
a) O Princípio da PRUDÊNCIA determina a Federal.
adoção do menor valor para os componentes d) prover os usuários das demonstrações
do ATIVO e do maior para os do PASSIVO, contábeis com informações que os ajudem a
sempre que se apresentarem alternativas tomar decisões.
igualmente válidas para a quantificação 02- O primeiro livro editado sobre o método das
das mutações patrimoniais que alterem o partidas dobradas, marco importante na história da
Patrimônio Líquido. contabilidade, foi de autoria de
b) O Princípio da PRUDÊNCIA impõe a escolha a) Benedetto Cotruglio.
da hipótese de que resulte menor Patrimônio b) Luca Acioli.
Líquido quando se apresentarem opções c) Vincenzo Masi.
igualmente aceitáveis diante dos demais
d) Simon Stevin.
Princípios Fundamentais de Contabilidade.
03- Quanto à distinção entre Princípios e Normas
c) O Princípio da PRUDÊNCIA somente se aplica
Contábeis, pode-se afirmar que
às mutações posteriores, constituindo-se
a) os princípios são de conduta obrigatória,
ordenamento indispensável à correta aplicação
enquanto as normas os orientam.
do Princípio da COMPETÊNCIA.
b) os princípios e normas são sinônimos.
d) A aplicação do Princípio da PRUDÊNCIA ganha
c) tanto os princípios como as normas são de
ênfase para a definição dos valores relativos
conduta obrigatória.
às variações patrimoniais, quando devem ser
feitas estimativas que envolvem incertezas de d) princípios e normas somente são diferenciáveis
grau variável. no plano técnico.
e) O Princípio da Prudência refere-se 04- De acordo com os estudos epistemológicos, a
simultaneamente à tempestividade e à contabilidade é classificada como pertencente ao
integridade do registro do patrimônio e das grupo das Ciências
mutações, determinando que esse registro a) Sociais.
seja feito de imediato e com a extensão b) Exatas.
correta, independentemente das causas que o c) Naturais.
originaram. d) Patrimoniais.

15
Contabilidade Geral

Questões de concursos públicos balanços ou análise das demonstrações financeiras.


Em seguida foram mostradas as áreas de aplicação
01- O sócio de uma empresa emite cheque de sua conta
da contabilidade. Em seguida foi visto o campo
corrente pessoal para pagamento de despesas
de atuação do contabilista, ou seja, Técnico em
referentes à atividade da empresa. O contador não
Contabilidade e Contador. Nas áreas de atuação do
concorda com o procedimento, esclarecendo que
contador temos: auditoria, controladoria, professor
NÃO está observando o Princípio Contábil da
de contabilidade, analista, contador da área pública,
a) Entidade.
autônomos, consultor tributário. Em seguida foram
b) Prudência.
estudados os princípios contábeis, que são: Entidade,
c) Continuidade.
Continuidade, Oportunidade, Registro pelo Valor
d) Objetividade.
Original, Competência e Prudência. Para terminar o
02- Uma empresa compra um quadro de Portinari, por
conteúdo da aula 01, foram discutidas as Convenções
R$100.000,00 para decorar a sala de reuniões da
Contábeis, que são: Objetividade, Materialidade,
presidência. O contador é informado, pelos respon-
Conservadorismo e Consistência. Agora faça atividades
sáveis pela compra de que o valor de mercado da
novas que elaborei só para nossa aula.
obra é de R$150.000,00. A contabilização da ope-
ração será registrada por:
7 ATIVIDADES
a) R$100.000,00, observando o princípio contábil
do denominador comum monetário. 01- O que é Contabilidade?
b) R$100.000,00, observando o princípio contábil 02- Quais são os usuários da informação
do custo como base de valor. contábil? Explique cada um.
c) R$100.000,00, obedecendo ao princípio contá- 03- Quais são as técnicas utilizadas pela
bil da prudência. Contabilidade? Explique cada uma.
d) R$150.000,00, obedecendo ao princípio contá-
04- Cite e explique os ramos de atividades nos
bil da atualização monetária. quais a Contabilidade pode ser aplicada.
03- As receitas e as despesas deverão influir na apura-
05- Quais são os campos de atuação do
ção do resultado do período em que efetivamente
Contador? Explique cada um.
ocorrerem, independentemente da época do rece-
06- Explique os Princípios Contábeis.
bimento ou do pagamento. Essa afirmação diz res-
peito ao Princípio Contábil 07- Explique as Convenções Contábeis.
a) da Prudência.
b) da Entidade. GABARITOS
c) da Competência
d) do Registro pelo Valor Original. Questões Resolvidas

6 RESUMO 1- E 2- A
Exame de Suficiência (CFC)
Discutimos na aula de hoje o surgimento da
Contabilidade, assim como o seu objeto, que é o 1- D 2- B 3- C 4-A
patrimônio, o campo de aplicação da contabilidade, Concursos Públicos
que são as entidades, a finalidade da contabilidade,
que é fornecer informações sobre os usuários da 1- A 2- B 3- C
informação contábil (sócios acionistas ou quotistas),
administradores, diretores e executivos, governo,
REFERÊNCIAS
concorrentes, clientes, bancos, capitalistas e FERRREIRA, Ricardo J. Coleção de Provas
financeiros, fornecedores. Foram discutidas técnicas Comentadas ESAF. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora
contábeis como: escrituração, demonstrações Ferreira, 2002.
contábeis ou demonstrações financeiras, auditoria, FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas
análise das demonstrações contábeis ou análise de Contábeis, Atuariais e Financeiras. Manual de

16
AULA 1 • INTRODUÇÃO A CONTABILIDADE

Contabilidade Societária: aplicável a todas as MARION, José Carlos. Teoria da Contabilidade. 2.


sociedades. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu e ed. São Paulo: Alínea, 2000.
GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS. São Paulo:
NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo.
Altas, 2007.
Contabilidade básica. 9. ed. São Paulo: Editora
FRANCO, Hilário. A contabilidade na era da Frase, 2011.
globalização. São Paulo. Atlas, 1999.
SANTOS, Roberto Fernandes. Introdução à
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. Contabilidade: noções fundamentais. São Paulo:
10. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Saraiva, 2011.
KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de; SZUSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes.
MARTINS, Eliseu. Contabilidade Introdutória – Contabilidade Geral: introdução a Contabilidade
Livro Texto. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

17
Unidade 01

Contabilidade Geral
REGISTROS CONTÁBEIS

AULA 2

PATRIMÔNIO

Objetivos
• Compreender o que seja Patrimônio, em
termos de contabilidade.
• Conhecer a Composição do Balanço
Patrimonial.
• Compreender o que sejam bens, direitos
e obrigações.
• Entender os vários tipos de capitais
existentes em Contabilidade.
• Verificar a composição do Patrimônio
Líquido.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO 2 PATRIMÔNIO
Olá, caro aluno! Como vai? Estamos de volta 2.1 Conceito
aos estudos! Viu como a aula passada foi tranquila? O patrimônio de uma entidade é composto
Comecei o livro já esclarecendo muitas dúvidas tanto pelo conjunto de bens, direitos e obrigações de sua
referentes aos concursos públicos quanto a exame de propriedade. Ao conjunto de bens e direitos (o que
suficiência e áreas de atuação do contador. representa sua parte “boa”, positiva) dá-se o nome
Vimos também quem são os usuários da informação de ATIVO, ao passo que o conjunto de obrigações
contábil, assim como os princípios e convenções (dívidas, parte “ruim”) é denominado de PASSIVO.
contábeis. Quando uma empresa contabiliza despesas 2.2 Ativo
pessoais dos sócios e de sua família como se fossem da O Ativo, por representar o conjunto de bens e
empresa, ela está infringindo o Princípio da Entidade. direitos pertencentes à empresa, corresponde à parte
Caro aluno, no exercício de sua profissão, você positiva do patrimônio, ou seja, tudo aquilo que a
terá que observar todos os princípios e convenções empresa possui, independentemente de sua origem.
contábeis, ok! Desse modo, podemos dizer também que o Ativo
Na aula de hoje daremos início ao estudo do Ativo, corresponde às APLICAÇÕES DE RECURSOS de
Passivo, Patrimônio Líquido, pois esses três elementos uma entidade ou ao seu patrimônio bruto.
formam o Balanço Patrimonial.
2.2.1 Bens
No decorrer desta disciplina, ou seja, no final das
Na esfera contábil, bem é tudo aquilo que possui
30 aulas propostas, você saberá com certeza elaborar
utilidade e pode ser quantificado monetariamente.
esse importante demonstrativo contábil.
Assim podemos classificar os bens de acordo com o
Você irá aprender a debitar e creditar vários fatos que representam para a empresa, ou seja:
contábeis, montar o Balancete de Verificação – o Bens numerários (ou Disponibilidades): caixa,
famoso BV -, aprenderá sobre receitas, despesas, bancos, conta movimento, aplicações de liquidez
custos, tributos tanto sobre as receitas como sobre imediata, etc.
o lucro, claro e evidente que em outra demonstração Bens de venda (Estoques): mercadorias
contábil muito importante para as empresas. Acredito (empresa comercial); matérias primas, produtos em
que você já ouviu falar sobre ela no primeiro período elaboração, produtos acabados (produtos prontos)
na disciplina de Introdução à Contabilidade. O seu (empresa industrial), etc.
nome é Demonstração de Resultado do Exercício Bens de uso: (Ativo Imobilizado): imóveis,
terrenos, veículos, instalações, máquinas (tangíveis),
- DRE-. É nesse demonstrativo que iremos apurar o
marcas e patentes, fundo de comércio (intangíveis),
lucro ou o prejuízo do exercício, e somente após sua
etc.
elaboração é que poderemos fechar o nosso Balanço
Bens de renda (Ativo Investimento): participações
Patrimonial - BP –. Vá se acostumando com as siglas: societárias, obras de arte, imóveis para aluguel, etc.
BP, BV, DRE, AC, PC, ANC, PNC, PL e outras mais que
aprenderemos nas aulas posteriores, pois, uma vez Todos os nomes que representam elementos
apresentadas, passarão a ser usadas regularmente, patrimoniais são chamados de CONTAS.
ok? Podemos dizer, então, que "conta" é um título que
Percebeu que gosto de antecipar sempre onde representa um item do patrimônio. A contabilidade
iremos chegar. É que acredito que isso pode ajudá-lo a controla a entrada e a saída de valores dessas
ter visão e consciência do compromisso que é estudar. contas. As contas acima citadas, por fazerem parte
Minha missão é ajudá-lo a ser tornar o melhor do patrimônio da entidade (bens), são chamadas,
profissional possível e a sua é se esforçar ao máximo pela Teoria Patrimonialista, de CONTAS
para atingir esse ideal. Como somos todos capazes, PATRIMONIAIS. Existem outras contas que
acredito de coração em sua capacidade. afetam o patrimônio, mas não fazem parte dele:
Assim como a aula anterior, a de hoje é de muita são as chamadas CONTAS DE RESULTADO,
valia, e acredito que você a entenderá sem nenhuma representadas pelas receitas, custos e despesas.
dificuldade. Bons estudos!

20
AULA 2 • PATRIMÔNIO

2.2.2 Direitos • Encargos sociais a recolher


• Débitos com coligadas
São todos os créditos de uma empresa contra
• Adiantamento de clientes
terceiros. Como exemplos, podemos citar as seguintes
contas: • Contas a pagar
• Duplicatas a receber (ou clientes ou duplicatas • Financiamentos
emitidas) • Empréstimos bancários
• Notas promissórias a receber (ou notas • IRRF a recolher
promissórias aceitas) • Provisão para 13º salário
• Contas a receber • Provisão para Imposto de Renda
• Impostos a recuperar • Provisão para Contribuição Social sobre o
• Dividendos a receber Lucro;
• Empréstimos a receber • Provisão para contingências
• Adiantamento a fornecedores
• Adiantamento a empregados, etc.
ATENÇÃO: O termo PROVISÕES refere-se
a despesas com perdas de ativos ou com a
ATENÇÃO:
1- Duplicata é um título comercial, emitido em constituição de obrigações que, embora já
vendas a prazo pelo fornecedor (aquele que tenham seu fato gerador contábil ocorrido, não
vende a mercadoria ou o serviço a prazo). podem ser medidas com exatidão e têm, portanto,
2- Nota Promissória é um título de crédito caráter estimativo. As provisões do passivo
representativo de uma promessa de pagamento, representam obrigações de caráter duvidoso,
ou seja, o devedor (emitente do título) se pois são determinadas por estimativas. Já as
compromete a pagar determinada quantia. provisões do ativo não representam obrigações, e
Resumindo: sim contas redutoras (retificadoras) do ativo. Caro
Duplicata: emitida pelo credor e aceita pelo aluno, fique tranquilo que nas aulas posteriores
devedor. entrarei com mais detalhes nas provisões e nas
Promissória: emitida pelo devedor e aceita pelo contas redutoras.
credor. A constituição de qualquer provisão terá sempre
como contrapartida um débito em uma conta
2.3 Passivo de resultado, ou seja, toda provisão gera uma
DESPESA.
Ao conjunto de deveres e obrigações com terceiros
de uma entidade chamamos de Passivo. Podemos dizer
que o Passivo representa a parte “ruim” do patrimônio, Atenção, caro aluno! Veja a diferença ente
sendo chamado também de Passivo Exigível ou de Passivo Circulante e Passivo Não Circulante
Capital de Terceiros. O passivo pode ser considerado
parte das ORIGENS DE RECURSOS necessárias para PASSIVO CIRCULANTE
o bom desenvolvimento da empresa. Nesse grupo são escrituradas as obrigações da
entidade, inclusive financiamentos para aquisição de
Resumindo: Passivo representa as obrigações
direitos do ativo não circulante, quando vencerem no
de uma empresa.
exercício seguinte.
Exemplos das contas representativas desse grupo: PASSIVO NÃO CIRCULANTE
• Duplicatas a pagar ou (fornecedores ou
duplicatas aceitas) Nesse grupo são escrituradas as obrigações da
• Notas Promissórias a pagar ou (notas entidade, inclusive financiamentos para aquisição de
promissórias emitidas) direitos do ativo não circulante, quando vencerem após
• Empréstimos a pagar o exercício seguinte.

21
Contabilidade Geral

Resumindo ao atendimento de seus objetivos. Ele é analisado sob


Passivo Circulante: Imagine que estamos em 12 dois aspectos: qualitativo e quantitativo.
de setembro de 2012, toda obrigação que vencer até
31/12/2013 é PASSIVO CIRCULANTE Atenção:
Passivo Não Circulante: toda obrigação que vencer Aspecto Qualitativo: os elementos patrimoniais
após 31/12/2013 é PASSIVO NÃO CIRCULANTE são classificados de acordo com a natureza e
sua participação na consecução dos objetivos.
2.4 Patrimônio Líquido
Consiste em qualificar os bens, direitos e
Para que se tenha a ideia da situação real de obrigações. Exemplo:
uma determinada empresa, não basta que apuremos Bens: estoques, terrenos, veículos.
somente o valor do ATIVO, pois vimos que o patrimônio Direitos: bancos, clientes, aplicação financeira.
é composto também por obrigações com terceiros. Obrigações: fornecedores, ICMS a recolher,
Assim, podemos definir o Patrimônio Líquido como a empréstimos a pagar.
parte da empresa que pertence aos sócios, ou seja,
a riqueza da empresa. Assim, o Patrimônio Líquido, Aspecto Quantitativo: Consiste em dar a esses
também chamado de Capital Próprio, Passivo Não bens, direitos e obrigações seus respectivos
Exigível ou Situação Líquida. valores. Veja:

PL = A- P ou A = P + PL Bens
Estoques: 40.000,00
ATENÇÃO: Terrenos: 20.000,00
O Passivo Total é a soma do Passivo Exigível Veículos: 60.000,00
com o Passivo Não Exigível. Como vimos Total dos Bens = 120.000,00
anteriormente, o Passivo Exigível representa as Direitos
obrigações da entidade com terceiros. No entanto Bancos: 30.000,00
o Passivo Não Exigível (Patrimônio Líquido) NÃO Clientes: 90.000,00
representa propriamente uma dívida da entidade Aplicação financeira: 160.000,00
com seus sócios, pois eles não emprestam
Total dos Direitos = 280.000,00
recursos para que aquela possa ter vida própria,
mas sim, os entregam para que com eles formem Obrigações
o patrimônio da entidade. Fornecedores: 50.000,00
Podemos definir o Passivo Total também como as ICMS a recolher: 170.000,00
ORIGENS dos recursos que estão aplicados na Empréstimos a pagar: 80.000,00
empresa. Começamos a perceber que tudo (todos Total das Obrigações = 300.000,00
os recursos) de uma entidade tem uma ORIGEM
PL = Bens + Direitos - Obrigações
(própria ou de terceiros) e uma APLICAÇÃO
PL = 120.000,00 + 280.000,00 – 300.000,00
(Ativo).
PL = 100.000,00
Total das Origens (P + PL) = Total das Aplicações (A)
P= Passivo Agora, caro aluno, você conhece os BENS,
PL = Patrimônio Líquido DIREITOS e OBRIGAÇÕES de uma empresa.
A = Ativo Com essas informações, é possível fazer uma
ideia do tamanho do patrimônio de uma empresa.

2.4.1 Componentes do Patrimônio


Até agora vimos que PL= A-P. Caro aluno, vamos
Líquido ver então as contas que compõem esse grupo. Teremos
Do ponto de vista contábil, o patrimônio é um outro momento quando estudaremos o Patrimônio
conjunto de bens, direitos e obrigações, à disposição Líquido com mais detalhes. Então, fique tranquilo que
de uma pessoa jurídica ou pessoa física, necessário no momento certo chegaremos lá.

22
AULA 2 • PATRIMÔNIO

2.4.1.1 Capital Capital de Terceiros

São vários os conceitos e tipos de capital existentes Representa os recursos que terceiros, tais como
na esfera contábil. Seguem os principais: fornecedores, bancos, governo, etc., investiram na
Capital Social empresa. Logicamente se refere às obrigações de
responsabilidade da empresa.
É composto pelo total de ações subscritas na
constituição de uma sociedade anônima ou quotas Capital à Disposição da Empresa
subscritas na constituição de uma sociedade limitada. Representa o montante de recursos que terceiros
Enquanto esse total não tiver sido totalmente honrado
e os sócios colocaram à disposição da empresa. Assim
pelos sócios, haverá uma conta redutora (retificadora)
corresponde ao total do passivo
para indicar o montante ainda não integralizado
Caro aluno, veja a diferença entre Capital e
(honrado), chamada Capital a Integralizar (ou a
Patrimônio:
Realizar).
• Capital: É o conjunto de elementos que o
Resumindo: Capital Social é o valor do capital proprietário da empresa possui para iniciar
definido no contrato social ou estatuto da empresa. suas atividades.
É composto pelo total de ações subscritas na Ex: Damares do Brasil vai abrir uma papelaria.
constituição de uma Sociedade Anônima ou de Ela possui, para esse fim, R$20.000,00 em dinheiro.
quotas subscritas na constituição. Logo esses R$20.000,00 em dinheiro constituem o seu
Capital Inicial.
Capital Subscrito O capital inicial pode ser composto por: dinheiro,
móveis, veículos, imóveis, promissórias a receber etc.
Corresponde ao montante de recursos prometido
pelos sócios e que deverá ser honrado posteriormente. • Patrimônio: É o conjunto que compreende os
bens da empresa (dinheiro em caixa, estoques,
Capital a Integralizar (a Realizar)
veículos, etc.), seus direitos (contas a receber)
Corresponde à parcela do capital subscrito que e suas obrigações (contas a pagar).
não foi honrada pelos sócios ou acionistas.
2.4.1.2 Reservas de Capital
Capital Integralizado (Realizado)
São constituídas com valores recebidos pela
Corresponde à parcela do capital subscrito que já
empresa e que não transitam em contas de resultado,
foi honrada pelos sócios ou acionistas.
ou seja, valores que não irão para a DRE, por não se
Capital Nominal referirem à entrega de bens e serviços da empresa.
É o mesmo que capital social, ou seja, corresponde Essas contas são:
ao conjunto de recursos aplicados pelos sócios quando • Ágio na emissão de ações
da constituição da empresa. • Alienação de bônus de subscrição
Capital Autorizado • Alienação de partes beneficiárias
• Prêmio na emissão de Debêntures
É o limite de capital fixado pela assembleia
• Doações e subvenções para investimentos
e constante no estatuto social. Até esse limite,
poderá haver aumento de capital da empresa
ATENÇÃO: É importante ressaltar que o Prêmio
sem haver necessidade de reforçar o estatuto e,
consequentemente, sem necessidade de se realizar de Emissão de Debêntures, que era considerado
assembleia. como um item de Reserva Legal, a partir de 2008
e de acordo com o artigo 10 da Lei 11.638/07,
Capital Próprio
passou a ser considerado como receitas no
É o mesmo que Patrimônio Líquido ou Situação resultado, ou seja, lançado na DRE.
Líquida ou parte da empresa que pertence aos sócios.

23
Contabilidade Geral

2.4.1.3 Ajuste de Avaliação


Resumindo: é uma conta utilizada para indicar as
Patrimonial
ações emitidas pela empresa e que estão em seu
Com o advento da Lei nº 11.638/07, o patrimônio poder, ou seja, a própria empresa que as emitiu as
deixa de apresentar a conta Reserva de Reavaliação "comprou" e as trouxe de volta. É classificada na
e passa a apresentar a conta de Ajustes de Avaliação PL como conta retificadora (redutora), por isso os
seus valores devem ficar entre parênteses. Você
Patrimonial; nesta conta estarão expressos os valores
entenderá perfeitamente nas aulas posteriores o
que registram a diferença entre os valores de ativos e motivo de os valores dessa conta ficarem entre
passivos em relação a seu valor justo. parêntese. Aguarde, porque é muito interessante.

Resumindo: No plano de contas da empresa,


haverá dentro do grupo Patrimônio Líquido o 3 ATIVIDADES RESOLVIDAS
subgrupo Ajuste de Avaliação Patrimonial, Exercício Resolvido 01
e dentro desse subgrupo haverá as contas: Da leitura atenta dos balanços gerais da Cia Alice
Ajustes de Elementos do Ativo e Ajustes Maciel do Brasil, levantados em 31/12/2011 para
de Elementos do Passivo, sendo que o saldo publicação, e dos relatórios que os acompanham,
dos valores de Ajustes do Passivo deve ficar podemos observar informações corretas que indicam
entre parênteses, pois estará reduzindo o valor a existência de:
Capital de Giro R$ 2.000,00
do Patrimônio Líquido assim como as contas:
Capital Social R$ 5.000,00
Ações em Tesouraria, Prejuízo Acumulado,
Capital Fixo R$ 6.000,00
Capital a Integralizar ou a Realizar, pois estas
Capital Alheio R$ 5.000,00
contas são redutoras. Capital Autorizado R$ 5.500,00
Capital a Realizar R$ 1.500,00
Capital Investido R$ 8.000,00
2.4.1.4 Reservas de Lucros
Capital Integralizado R$ 3.500,00
São as contas de reservas constituídas pela Prejuízos Acumulados R$ 500,00
apropriação de lucros da companhia, conforme previsto Prejuízo Líquido do Exercício R$ 1.000,00
no § 4º do art. 182 da Lei nº 6.404/76. São elas: A partir das observações acima, podemos dizer
que o valor da Capital Próprio da Cia Alice Maciel do
• Reserva Legal
Brasil é de ...
• Reserva Estatutária
Caro aluno, vou fazer o exercício passo a passo
• Reserva para Contingências para encontrarmos o valor de R$ 2.000,00.
• Reserva de Lucros a Realizar
• Reserva Especial Resolução:
• Reserva de Incentivos Fiscais (incluída pela O capital próprio é correspondente ao Patrimônio
Líquido:
Lei nº 11.638/07)
Capital Social 5.000,00
2.4.1.5 Prejuízos Acumulados Capital a Realizar (1.500,00)
Capital Realizado ou Integralizado 3.500,00
A partir da Lei nº 11.638/2007, os eventuais
Prejuízos Acumulados (-500,00 -1.000,00) (1.500,00)
prejuízos do exercício ou acumulados devem ser
Total 2.000,00
registrados em conta própria. Fica extinta a conta de
Lucros Acumulados. Capital de Giro = Ativo Circulante
Capital Fixo = Ativo Permanente
2.4.1.6 Ações em Tesouraria Capital Alheio = Passivo Exigível
Capital Autorizado = limite previsto no estatuto,
Representam valores de ações da empresa, dentro do qual pode haver aumento de capital
adquiridas por ela mesma, objetivando colocá-las à sem a necessidade de alteração estatutária.
venda em momento oportuno, ou mesmo reduzir o Capital Investido = Ativo Total
valor do capital social da entidade.

24
AULA 2 • PATRIMÔNIO

Exercício Resolvido 02
Kleber Lucas resolveu medir contabilmente um D – Despesas com Jornal e Ônibus
dia de sua vida, começando do “nada” patrimonial. De C – Caixa 3,00
manhã, bem cedo, nada tinha. Vestiu seu traje novo D - Mercadorias (bombons e chiclete)
(calça, camisa, sapatos, etc.), comprado por R$105,00, C - Fornecedores 50,00
mas que sua mãe lhe dera de presente. Em seguida
D - Despesas (refeição) 12,00
tomou R$30,00 emprestados de seu pai, comprou
C - Caixa 10,00
o jornal por R$1,20, tomou o ônibus e pagou R$1,80
C Descontos Obtidos 2,00
de passagem. Chegando ao CONIC, comprou fiado
por R$50,00 várias caixas de bombons e chicletes D - Caixa
e passou a vendê-los no calçadão. No fim do dia, C - Receita de Vendas 40,00
cansado, tomou um refeição de R$12,00, mas só pagou
R$10,00, conseguindo um desconto de R$2,00. Contou D - CMV
o dinheiro e viu que vendera metade dos bombons e C - Mercadorias (metade dos bombons e
chicletes por R$40,00. chicletes) 25,00
Com base nessas informações, podemos ver O resultado apurado foi de ...
que, no final do dia, Kleber Lucas possui um “capital
próprio” no valor de... Resultado

Resolução:
Os lançamentos dos fatos citados podem ser
efetuados da seguinte forma:
D - Roupas e Sapatos
C - Receita de Doações 105,00
D - Caixa Após a incorporação do resultado do PL, temos o
C - Empréstimos Obtidos 30,00 seguinte patrimônio:

BP- Balanço Patrimonial da Cia. Kleber Lucas

ATIVO PASSIVO

AC – ATIVO CIRCULANTE PC – PASSIVO CIRCULANTE

Caixa................................57,00 Empréstimos Obtidos...................30,00


Mercadorias.....................25,00 Fornecedores...............................50,00

ANC - ATIVO NÃO CIRCULANTE PNC - PASSIVO NÃO CIRCULANTE

• Ativo Realizável a Longo Prazo PL – PATRIMÔNIO LÍQUIDO......107,00

• Investimento • Capital Social


• Reservas de Capital
• Imobilizado • Ajustes de Avaliação Patrimonial
Roupas........................105,00 • Reservas de Lucro
• (Prejuízos Acumulados)
• Intangível. • (Ações em Tesouraria)

TOTAL DO ATIVO: 187,00 TOTAL DO PASSIVO: 187,00

25
Contabilidade Geral

Gostou desse exercício? Você pode fazer mais 11.941/09, de 27 de maio de 2009. Você entenderá
usando dados do seu cotidiano. Vai ser bacana a todas essas alterações que estão aparecendo no
experiência. Boa sorte. decorrer de nossas aulas. Lembre-se: quanto mais você
ler mais aprenderá o conteúdo, mais conhecimento
4 RESUMO você obterá e cada dia ficará mais forte ao ponto de ser
um obstáculo na vida de seus concorrentes.
Discutimos na aula de hoje o Patrimônio. Sua
composição é feita pelo ativo e o passivo. Para
REFERÊNCIAS
entender melhor como se calcula o patrimônio líquido
de uma empresa, estudamos primeiramente os BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES,
bens e direitos e em seguida as obrigações. Como o Eugenio Celso. Contabilidade Geral. 7. ed. São
patrimônio líquido é a diferença entre ativo e passivo, Paulo: Atlas, 2011.
ficou claro que toda vez que os bens e direitos de uma BRASIL. Lei nº 11.638/07, de 28 de dezembro de
empresa forem superiores às obrigações significa 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6.404/76,
que a empresa está em uma situação de lucro. Já se de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7
as obrigações forem superiores aos bens e direitos, de dezembro de 1976
a empresa apresentará um passivo a descoberto, e estende às sociedades de grande porte
indicando um prejuízo. Para melhor compreensão do disposições relativas à elaboração e divulgação de
estudo do patrimônio foi explicado o ativo e o passivo, demonstrações financeiras. Publicada na DOU de
deixando claro que, em aulas posteriores, entraremos 28.12.2007 – Edição Extra.
em detalhes tanto sobre o ativo como sobre o passivo. BRASIL. Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro
Foram vistos em seguida os tipos de capitais existentes de 1976. Dispõe sobre Sociedades por Ações.
na empresa e a divisão do grupo do patrimônio líquido. Consolidada. Publicada em 08.01.2008.
São eles: Capital Social, Reservas de Capital, Ajuste de BRASIL. Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009.
Avaliação Patrimonial, Reservas de Lucros e Prejuízos Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades
Acumulados. Apenas para reforçar, pode ser que você, por Ações.
caro aluno, encontre em muitos livros uma composição CHAGAS, Gilson. Contabilidade Geral
diferente dessa acima descrita. Vale ressaltar que simplificada. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
essa divisão está de acordo com a Lei 11.638/07.
FERRARI, Ed. Luiz. Contabilidade Geral. 12. ed.
Antes de 2007, o Patrimônio Líquido era divido assim: Rio de Janeiro: Editora Ímpetus, 2012.
Capital Social, Reservas de Capital, Reserva de
FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas
Reavaliação, Reservas de Lucros e Lucros/Prejuízos
Contábeis, Atuariais e Financeiras. Manual de
Acumulados. Percebeu que não existe mais a Reserva
Contabilidade Societária: aplicável a todas as
de Reavaliação e que a conta Lucros/Prejuízos sociedades. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu e
Acumulados também sofreu alteração? Aproveito para GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS. São Paulo:
ressaltar que o Prêmio de Emissão de Debêntures, Altas, 2007.
que era considerado como um item de Reserva Legal,
NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo.
a partir de 2008 e de acordo com o artigo 10 da Lei Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Editora
11.638/07, passou a ser considerado como receitas no Frase, 2011.
resultado, ou seja, lançado na DRE. No decorrer na
OLIVEIRA, Justino. Introdução à Contabilidade
aula foi apresentado um exercício com a resolução e
para concursos públicos. Rio de Janeiro: Editora
explicação dos valores encontrados. Fique tranquilo Método, 2010.
que o mecanismo de débito e crédito será vistos com
SILVA, César Augusto Tibúrcio; TRISTÃO, Gilberto.
muitos detalhes nas próximas aulas.
Contabilidade Básica. 4. ed. São Paulo: Editora
Atlas, 2009.
5 ATIVIDADES PROPOSTAS
SZUSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes.
Sua missão hoje é bem simples: Leia a Lei 6.404/76 Contabilidade Geral: introdução à Contabilidade
com suas alterações pela Lei 11.638/07 e pela Lei nº Societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

26
AULA 2 • PATRIMÔNIO

Caro aluno, recomendo que você sempre consulte os seguintes sites que contêm ótimas informações sobre as
legislações contábeis.
SITES
http://www.cfc.org.br/
http://www.cvm.gov.br/
http://www.esaf.fazenda.gov.br
http://www.portaldecontabilidade.com.br/

27
Unidade 01

Contabilidade Geral
REGISTROS CONTÁBEIS

AULA 3

ATOS E FATOS CONTÁBEIS

Objetivos
• Aprender a diferença entre atos e fatos
contábeis.
• Conhecer os fatos permutativos.
• Conhecer os fatos modificativos.
• Verificar o que são fatos mistos.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO Todos os eventos que modifiquem o patrimônio,


consentidos ou não pela administração, são chamados
Olá, como tem passado? Preparado para esta aula? de fatos contábeis ou fatos administrativos e são objeto
Você se lembra de que, na aula passada, conversamos de registro pela contabilidade. Todos os eventos,
muito sobre o Patrimônio e também sobre as alterações consentidos ou não pela administração, que não afetam
na Lei 6.404/76. Espero que tenha acessado o site que o patrimônio são chamados de atos administrativos e
lhe recomendei, baixado essa lei com todas as suas não são objeto de registro pela Contabilidade.
alterações para que todo conteúdo aqui abordado Colocar uma carta no correio, enviar uma
possa contribuir, e muito, para sua formação. Leia-a e carta de cobrança, assinar um contrato, admitir um
recorra a ela sempre que tiver alguma dúvida. E quanto funcionário, atender a um telefonema, receber uma
ao exercício sobre os tipos de capitais existentes na visita são exemplos de atos administrativos. Comprar
empresa, conseguiu compreendê-lo? Espero que sim. mercadorias, efetuar depósitos em banco, pagar
Caso contrário, entre em contado com seu tutor ou seu aluguel são exemplos de fatos contábeis ou fatos
monitor para que eles possam ajudá-lo. Não deixe de
administrativos.
forma alguma se acumularem dúvidas sobre nenhum
Na administração do Patrimônio de uma empresa,
conteúdo. O verdadeiro aprendizado depende de
ocorrem atos e fatos administrativos. A diferença do ato
todos, faculdade, coordenação, professores, tutores,
para o fato administrativo é que o primeiro não altera a
monitores, material de boa qualidade e atualizado, mas
substância do patrimônio (como admitir empregados,
depende mais de VOCÊ. Sua dedicação é essencial
assinar documentos etc.) e o segundo altera a
agora, no presente, para que seu futuro possa ser além
substância patrimonial.
do que você sonha ou idealiza. Conto com você. Antes
Caro aluno, você deve está se perguntando: Como
de começar esta aula, pense e fale para você mesmo:
vou saber se um fato altera ou não altera o patrimônio
sou capaz, preciso aprender de verdade para fazer
de uma empresa? Veja que fácil.
a diferença no mercado de trabalho. Pronto, nosso
Deus nos capacita; basta que façamos nossa parte e
Toda vez que você debitar ou creditar uma conta
acreditemos do fundo de nosso coração.
Hoje veremos como o tal do patrimônio líquido de de receita ou despesa, automaticamente o
que tanto falamos na aula passada pode ser alterado. patrimônio irá alterar, para mais ou para menos,
Alguns fatos farão com que o nosso patrimônio fique o se for receita, será para mais; se for despesas,
mesmo, mas alguns fatos farão com que ele aumente custos ou contas redutoras de venda, será para
ou diminua. Veremos também que alguns fatos fazem menos.
com que parte dele se altera e outra parte não. Vamos Lógica: as contas de resultado (contas que vão
então para este novo desafio. Eu acredito que você para DRE) alteram o patrimônio.
está pronto.
Se porventura o fato contábil não envolver Contas
2 FATOS CONTÁBEIS de Resultado, você irá analisar assim: Se não
envolveu conta de resultado, envolveu apenas Contas
2.1 Conceito Patrimoniais que são Ativo, Passivo e o próprio
O patrimônio das entidades passa por constantes Patrimônio Líquido. Lembra-se da Aula 02, em que
modificações motivadas pelas decisões tomadas por estudamos os bens, direitos e obrigações? Caso
sua administração ou mesmo por acontecimentos tenha dúvida, volte à referida aula e dê uma estudada.
imprevisíveis, fora do controle da administração, mas Quanto existir um fato contábil em que apenas contas
que têm reflexos sobre o patrimônio. patrimoniais serão debitadas ou creditadas, você
Quando a administração decide comprar uma deverá analisar se alguma conta do PL foi utilizada na
máquina, está claro que essa decisão terá repercussão contabilização, ou seja, no Débito ou no Crédito. Se
sobre o patrimônio. Quando ocorrerem incêndios, sim, automaticamente o seu PL será alterado, mas, se
desfalques etc., esses eventos também terão reflexo o fato não envolveu nenhuma conta do PL, este não
sobre o patrimônio, apesar de serem fatos não será alterado ou, se envolver somente conta do PL, ele
consentidos ou autorizados pela administração. também não sofrerá alterações.

30
AULA 3 • ATOS E FATOS CONTÁBEIS

A partir de agora iremos estudar os tipos de fatos • receitas de juros – fato modificativo aumentativo
existentes, analisar as alterações e as não alterações • despesas de salários – fato modificativo
no PL. Está pronto para descobrir tudo isso? Então diminutivo
vamos nessa! • despesas financeiras – fato modificativo
As variações decorrentes dos fatos administrativos diminutivo
dão margem a três tipos de alterações no Patrimônio,
Outros Exemplos:
ou seja:
• Apropriação de rendimentos financeiros (+ A
1. Fatos Permutativos
+PL): modificativo aumentativo
2. Fatos Modificativos
• Perdão de dívida (- PC+ PL): modificativo
3. Fatos Mistos
aumentativo
Qualquer alteração nos elementos constitutivos • Pagamento de despesa com lanche (- AC -
do patrimônio é considerada um fato contábil ou fato PL): modificativo diminutivo
administrativo. • Provisão de salários (+ PC – PL): modificativo
diminutivo
2.2 Fatos Permutativos
São aqueles que não alteram o Patrimônio
Líquido, ocorrendo somente trocas entre os elementos 2.4 Fatos Mistos (ou Compostos)
do patrimônio, tais como: bens por bens, bens por Os fatos mistos provocam alterações no Ativo, no
obrigações, direitos por bens etc. Representam Passivo e no Patrimônio Líquido, simultaneamente.
modificações entre os componentes do Ativo e/ou Combinam os fatos permutativos e modificativos.
Passivo, sem que o Patrimônio Líquido se modifique. São classificados em Mistos Aumentativos e Mistos
Exemplos: Diminutivos. Exemplos:
• compra de mercadorias à vista (bens por bens) • venda de mercadoria com lucros (entrou dinheiro
• compra de instalações a prazo (bens por na caixa, saiu mercadoria [modificações no
obrigações) ativo] e aumentou o Patrimônio Líquido);
• recebimento de direitos (direitos por bens) • pagamento de duplicatas com juros (saiu
dinheiro do caixa [Ativo]), diminuem as
• pagamento de obrigações (bens por
obrigações (Passivo) e houve uma despesa (os
obrigações)
juros pagos), diminuindo o Patrimônio Líquido.

Outros Exemplos:
Outros Exemplos:
• Depósito bancário (- AC + AC)
• recebimento de duplicatas com juros (- AC +
• Compra de veículo a prazo (+ A + ANC) AC + PL): misto aumentativo
• Pagamento de dívida (- AC - PC) • pagamento de duplicatas com desconto (- AC
• Repactuação de dívida (- PC - PC) – PC + PL) misto aumentativo
• Aumento de capital social com a utilização de • venda de um bem com prejuízo (- AC + AC +
reservas (+ PL– PL) PL): misto diminutivo
• pagamento de empréstimo com juros (-AC –
PC – PL): misto diminutivo
2.3 Fatos Modificativos
São aqueles que alteram o Patrimônio Líquido.
Podem ser Aumentativos quando o patrimônio aumenta 3 ATIVIDADES RESOLVIDAS
com as receitas, e Diminutivo quando diminui com 01- Indique os aumentos ou diminuições do ATIVO,
as contas de custos, despesas e contas redutoras de PASSIVO e PL e classifique os fatos em modificati-
vendas (impostos, contribuições, devolução de vendas, vos (aumentativos ou diminutivos), permutativos ou
descontos incondicionais de vendas, abatimentos de mistos aumentativos ou mistos diminutivos:
vendas ou cancelamento de vendas). Exemplos: 01) Integralização de capital em dinheiro
• receitas de aluguel – fato modificativo D- Caixa C- Capital Social = modificativo
aumentativo aumentativo

31
Contabilidade Geral

02) Provisão da folha de pagamento pagar todos os direitos do empregado, ou seja, para ela
D- Despesa com salário C- Salário a Pagar = são obrigações registradas no passivo circulante como:
modificativo diminutivo salários a pagar, INSS patronal a pagar, FGTS a pagar,
03) Provisão de juros sobre empréstimos obtidos férias a pagar, 13º a pagar, vale transporte a pagar, vale
D- Juros Passivos C- Juros a Pagar = modificativo alimentação a pagar, ou seja, todos esses fatos devem
diminutivo ser contabilizados e são chamados Fatos Contábeis.
04) Apropriação de rendimentos financeiros Em seguida vimos que esses fatos são divididos em
D- Aplicação Financeira C- Receita Financeira = três grandes grupos: Fatos Permutativos, Fatos
modificativo aumentativo Modificativos, que, por sua vez, dividem-se em dois
05) Perda de estoque (Sinistro) subgrupos: Modificativos Aumentativos e Modificativos
D- Perda C- Estoque = modificativo diminutivo Diminutivos. O outro grupo foi o dos Fatos Mistos,
06) Recuperação de estoque sinistrado
que, por sua vez, também se divide em dois subgrupos:
D- Banco C- Receita com Sinistro = modificativo
Mistos Aumentativos e Mistos Diminutivos. Em seguida
aumentativo
foram apresentados alguns fatos com sua respectiva
07) Venda de mercadoria com lucro = misto
resolução.
aumentativo
D- Caixa C- Receita
5 ATIVIDADES PROPOSTAS
D- CMV C- Estoque
08) Venda de mercadoria com prejuízo = misto 01- Indique os aumentos ou diminuições do ATIVO,
diminutivo PASSIVO e PL e classifique os fatos em
D- Caixa C- Receita modificativo diminutivo modificativos (aumentativos ou diminutivos),
D- CMV C- Estoque permutativos ou mistos aumentativos ou mistos
09) Empréstimo efetuado à coligada = permutativo diminutivos:
D- Empréstimo à Coligada C- Caixa Veja o exemplo e siga o modelo:
10) Empréstimo recebido de controlada =
01) Integralização de capital em dinheiro
permutativo
D- Caixa C- Empréstimos a Coligadas D- Caixa C- Capital Social = modificativo
11) Saque de cheque no banco = permutativo aumentativo
D- Caixa C- Banco 02) Depósito bancário
12) Saída de sócio com ressarcimento em dinheiro 03) Compra de mercadoria à vista
= modificativo diminutivo 04) Compra de mercadoria a prazo
D- Capital Social C- Caixa 05) Obtenção de empréstimo bancário curto prazo
13) Aumento de capital com lucros acumulados = 06) Aplicação no mercado financeiro
permutativo 07) Pagamento de duplicata
D- Lucros C- Capital Social 08) Recebimento de duplicata
14) Aumento de capital com dinheiro e imóveis = 09) Pagamento de duplicata com juros
modificativo aumentativo 10) Pagamento de duplicata com desconto
D- Caixa D– Imóvel C- Caixa 11) Recebimento de duplicata com juros
15) Perdão de contas a receber = modificativo 12) Recebimento de duplicata com desconto
diminutivo 13) Adiantamento recebido de cliente
D- Descontos Concedidos C- Contas a Receber 14) Adiantamento feito a fornecedor
16) Perdão de contas a pagar = modificativo
15) Aumento de capital com capitalização de
aumentativo
dívidas
D- Contas a Pagar C- Descontos Obtidos
16) Resgate de aplicação financeira com rendi-
mentos já apropriados
4 RESUMO
17) Resgate de aplicação financeira com rendi-
Discutimos na aula de hoje a diferença entre atos e mentos complementares
fatos contábeis. Vimos que contratar um empregado é 18) Pagamento de empréstimo com juros
um ato, porém, depois de contratado, a empresa deverá provisionados

32
AULA 3 • ATOS E FATOS CONTÁBEIS

19) Pagamento de empréstimo com juros não 4. Pagamento de compromissos


provisionados 5. Aumento de capital com aproveitamento de
20) Pagamento antecipado de apólice de seguros reservas
21) Pagamento de combustível usado não 6. Pagamento de dividendos
produção Agora marque a alternativa correta.
22) Pagamento de despesas de vendas a. ( ) 3 fatos permutativos e 3 fatos modificativos
23) Compra de estoque para ser revendido b. ( ) 4 fatos permutativos e 2 fatos modificativos
24) Pagamento do ICMS a pagar c. ( ) 2 fatos permutativos e 4 fatos modificativos
25) Provisão PIS sobre vendas d. ( ) 2 fatos permutativos, um fato misto e 2 fatos
26) Provisão COFINS sobre vendas modificativos
27) Provisão ISS sobre vendas e. ( ) todos os fatos são modificativos
28) Devolução de vendas 05- Numere os fatos de acordo com a legenda
29) Descontos incondicionais ou comerciais sobre 1. Fato Permutativo
vendas 2. Fato Modificativo Aumentativo
30) Abatimentos sobre vendas 3. Fato Modificativo Diminutivo
31) Pagamento do IPI sobre faturamento de 4. Fato Misto
vendas a pagar ( ) pagamento de aluguel
32) Provisão do IRPJ ( ) compra de mercadorias à vista
33) Provisão da CSLL ( ) venda de mercadoria a prazo com lucro
35) Aplicação no Banco Itaú ( ) pagamento de duplicatas com desconto
36) Resgate de aplicação do Banco do Brasil sem ( ) recebimento de receita
provisionamento de rendimentos ( ) recebimento de duplicata com juros
37) Compra de um terreno ( ) pagamento de duplicatas com juros
38) Compra de um computador para o ( ) compra de instalações a prazo
Departamento Comercial ( ) venda de mercadorias à vista com lucro
39) Pagamento do seguro da fábrica ( ) pagamento de impostos
40) Pagamento de matéria prima
02- O Fato Contábil que, ao mesmo tempo, diminui o REFERÊNCIAS
ativo, aumenta o ativo e aumenta o patrimônio lí-
ALMEIDA, M. C. Curso Básico de Contabilidade:
quido é um fato contábil misto. Assinale o fato con- introdução à metodologia da Contabilidade,
tábil que se enquadra nessa condição: Contabilidade Básica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998.
a. ( ) venda de uma mercadoria, à vista, com
BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES,
prejuízo. Eugenio Celso. Contabilidade Geral. 7. ed. São
b. ( ) depósito de dinheiro no banco. Paulo: Atlas, 2011.
c. ( ) venda de um bem, a prazo, pelo preço de
BRASIL. Lei nº 11.638/07 de 28 de dezembro de
custo. 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6.404/76,
d. ( ) venda de um bem, a prazo, com lucro. de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7
03- A venda de um imóvel acima do valor contábil e à de dezembro de 1976
vista representa e estende às sociedades de grande porte
a. ( ) um fato contábil misto aumentativo. disposições relativas à elaboração e divulgação de
b. ( ) um fato contábil modificativo diminutivo. demonstrações financeiras. Publicada na DOU de
c. ( ) um fato permutativo. 28.12.2007 – Edição Extra.
d. ( ) um fato contábil misto diminutivo. BRASIL. Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de
04- Classifique os fatos contábeis a seguir e marque a 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.
alternativa correta. Consolidada. Publicada em 08.01.2008.
1. Compra de um veículo a vista BRASIL. Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009.
2. Receita de serviços Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades
3. Pagamento de despesas por Ações.

33
Contabilidade Geral

FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas São Paulo: IOB, 2012. Mensal. Índice trimestral.
Contábeis, Atuariais e Financeiras. Manual de
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade.
Contabilidade Societária: aplicável a todas as 10. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
sociedades. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu e
GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS. São Paulo: PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade
Altas, 2007. Básica: uma introdução à prática contábil. 3. ed.
São Paulo: Atlas, 1996
FRANCO, Hilário. Contabilidade Geral. 23. ed. São
Paulo: Saraiva, 1996. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica. 27.
ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
GOUVEIA, Nelson. Contabilidade. São Paulo:
SILVA, César Augusto Tibúrcio; TRISTÃO, Gilberto.
Editora Atlas, 1998.
Contabilidade Básica. 4. ed. São Paulo: Editora
IOB. INFORMAÇÕES OBJETIVAS. Textos Legais. Atlas, 2009.

34
Unidade 01

Contabilidade Geral
REGISTROS CONTÁBEIS

AULA 4

CONTAS

Objetivos
• Compreender o conceito de contas.
• Discutir a teoria das contas.
• Conhecer a classificação funcional das
contas.
• Compreender o plano de contas.
• Conhecer as principais contas de uma
empresa.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO Em Contabilidade, contas são denominações


contábeis que identificam e controlam elementos
Olá, caro aluno! Gostou da aula sobre Fatos contábeis de natureza semelhante. Conta é o registro
Contábeis? Espero que sim. Você deve estar se
de débitos e créditos da mesma natureza, identificados
perguntando: Qual o resultado dos exercícios? Nesse
por um título que qualifica um componente do patrimônio
caso você poderá participar dos chats e discutir com
ou uma variação patrimonial.
seu tutor e monitor os exercícios propostos, ou até
mesmo enviar mensagens com suas dúvidas. Tenho 2.2 Teoria das Contas
certeza de que eles terão o maior prazer em ajudá-lo.
Na aula de hoje você entenderá o universo das Com o passar do tempo, estudiosos da Ciência
contas que estão relacionadas com a Contabilidade. Contábil desenvolveram algumas teorias para a
Caro aluno, você saberá quais são as contas que classificação das contas. Entre ela podemos citar três
representam os bens, quais representam os direitos e que foram bastante difundidas ao longo dos anos. São
quais representam as obrigações. elas:
Outro ponto importante nesta aula serão os tipos • Teoria Patrimonialista
de teorias e de quais a Contabilidade faz uso. Será
• Teoria Personalista
feito um estudo sobre várias contas contábeis. Como
• Teoria Materialista
você já sabe diferenciar um Balanço Patrimonial de
uma Demonstração de Resultado do Exercício, esse 2.2.1 Teoria Patrimonialista
assunto então você irá tirar de letra.
Sugiro estudar com bastante calma e atenção, pois É também chamada de Teoria Moderna da
os outros assuntos que virão dependerão de você ter Contabilidade, por ser a abordagem atualmente
entendido perfeitamente este aqui. Caso fique com utilizada. Nessa acepção, para que o patrimônio (objeto
alguma dúvida, fale com seu tutor e monitor. Vamos da contabilidade) seja bem administrado, é necessário
lá, então! que o vejamos sob os aspectos estático e dinâmico.

2 CONTAS Aspecto estático: podemos controlar o patri-


mônio através das contas que o representam, isto
2.1 Conceito
é, contas do ativo, passivo exigível e patrimônio
Conta é nome de um elemento do patrimônio líquido.
(bem, direito, obrigação, contas redutoras e PL) ou Aspecto dinâmico: podemos controlar o
de uma variação patrimonial (despesa, custos, contas
patrimônio através das contas que representam
redutoras de vendas e receita)
suas variações, ou seja, contas de receitas e
A escrituração, ou registro dos fatos contábeis,
contas de despesas.
segue o método universalmente aceito chamado de
Método das Partidas Dobradas. Por esse método,
Nessa teoria as contas são divididas em dois
cada débito efetuado numa ou mais contas deve
grandes grupos:
corresponder a um crédito em uma ou mais contas, ou
melhor, a cada débito corresponde, sempre, um crédito Contas Patrimoniais:
de mesmo valor. Como consequência desse método
São as que representam bens, direitos, obrigações
temos que, para o registro de um fato contábil, são
ou PL.
utilizado pelo menos duas contas.
Uma conta é um recurso contábil utilizado para Contas de Resultado:
reunir sob um único item todos os eventos e valores
São aquelas que representam receitas e despesas.
patrimoniais (bens, direitos ou obrigações) de mesma
natureza. Exemplo: a conta Banco Itaú reúne todos Caro aluno, para ficar mais claro, veja a estrutura
os movimentos - depósitos, retiradas de dinheiro. A de um Balanço Patrimonial e de uma DRE. Esses dois
conta veículo nos informa os movimentos de compras demonstrativos serão vistos ainda com muitos detalhes
e vendas de veículos. em aulas posteriores.

36
AULA 4 • CONTAS

BP- Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO

AC – ATIVO CIRCULANTE PC – PASSIVO CIRCULANTE


ANC - ATIVO NÃO CIRCULANTE PNC - PASSIVO NÃO CIRCULANTE
• Ativo Realizável a Longo Prazo
PL – PATRIMÔNIO LÍQUIDO
• Investimento
• Capital Social
• Imobilizado • Reservas de Capital
• Ajustes de Avaliação Patrimonial
• Intangível. • Reservas de Lucro
• (Prejuízos Acumulados)
• (Ações em Tesouraria)

TOTAL DO ATIVO: TOTAL DO PASSIVO:

DRE- Demonstração do Resultado do Exercício 2.2.3 Teoria Materialista


CONTAS R$ Nessa teoria, as contas representam valores
materiais. Foi divulgada por Fábio Besta e Morrison, e
+ Receitas suas contas são divididas em:
- Contas Redutoras de Vendas
Contas Integrais ou Elementares
- Custos
São as que representam bens, direitos e
- Despesas
obrigações. Esse grupo é a reunião das contas de
= Lucro/Prejuízo do Exercício agentes consignatários e correspondentes da teoria
Personalista. Exemplo: caixa, veículos, duplicatas a
2.2.2 Teoria Personalista receber, títulos a pagar, etc.
De acordo com essa teoria, cujos maiores Contas Diferenciais ou Derivadas
seguidores foram Marchi, Cerboni e Rossi, as contas São as contas que representam o Patrimônio
são associadas a pessoas. Assim, são classificadas Líquido e suas variações (receitas e despesas). São
em três grupos, de acordo com o que representam em as mesmas contas do proprietário segundo a teoria
relação à entidade. São eles: Personalista. Exemplos: capital, lucros acumulados,
vendas, CMV, etc.
Contas de Agentes Consignatários
São aquelas que representam os bens da empresa. 2.3 Classificação das Contas
Exemplos: estoques, caixa, veículos, etc. As contas são classificadas segundo alguns
Contas de Agentes Correspondentes aspectos.

São aquelas que representam os direitos e 2.3.1 Quanto aos saldos


obrigações da empresa para com terceiros. Exemplo:
a) Estáveis
duplicatas a receber, títulos a pagar, impostos a
recuperar. São aquelas cujo saldo só pode ser credor ou
devedor. Exemplos: caixa, bancos, fornecedores,
Contas do Proprietário impostos a recolher, etc.
São a contas que representam o Patrimônio b) Instáveis
Líquido e suas variações (receitas e despesas). São aquelas contas cujo saldo pode ser ora
Exemplos: Capital, reservas, lanches, rendimentos devedor ora credor. Exemplos: c/c sócios, resultado na
financeiros, etc. alienação de bens, c/c ICMS, etc.

37
Contabilidade Geral

2.3.2 Quanto aos registros 2.3.6 Quanto aos elementos que


a) Unilaterais registram
São aquelas contas que, em regra, são somente a) Contas Patrimoniais
debitadas ou somente creditadas. Exemplos: capital, Registram bens, direitos e obrigações e a situação
móveis, veículos, etc. líquida da entidade (por exemplo: duplicatas a receber,
b) Bilaterais caixa, fornecedores, capital social etc.).
São aquelas contas que podem receber a) Contas de Resultado
lançamentos a débito e crédito. Exemplo: caixa,
Registram as receita, as despesas, o custo e as
duplicatas a receber, fornecedores, etc.
contas redutoras de receita como tributos – IPI, ICMS,
2.3.3 Quanto à Divisão ISS, PIS,COFINS –, abatimentos sobre vendas,
devolução de vendas, descontos incondicionais ou
a) Sintéticas
comerciais sobre vendas (por exemplo: receitas de
São aquelas contas que representam um vendas, despesas de salários, etc.).
grupamento de conta, ou seja, uma “conta-mãe”.
Exemplos: Bancos conta movimento, duplicatas a b) Contas de Compensação
receber, duplicatas a pagar, etc. Registram os atos administrativos. As contas de
b) Analíticas compensação constituem sistema próprio e devem
conter registros de atos administrativos relevantes,
São aquelas contas que explicam uma determinada
cujos efeitos possam traduzir-se em modificações no
conta sintética, ou seja, uma “conta-filha”. Exemplos:
patrimônio da entidade.
Banco do Brasil, Cliente A, Fornecedor B, etc.

2.3.4 Quanto ao Movimento 2.4 Estrutura e funcionamento


das contas
a) Dinâmicas
No livro Razão, cada conta pode ser representada
São aquelas contas que são constantemente
por um ficha feita em oito colunas, da seguinte forma:
movimentados, ou seja, é grande o volume de
transações que nelas são registradas. Exemplos: TÍTULO:
caixa, bancos, duplicatas a receber. Data Nº CP Histórico Débito Crédito Saldo D/C
b) Estáticas
Ao contrário das dinâmicas, são pouco
movimentadas, ou seja, apenas algumas transações Título: nome da conta representada pela ficha.
alterem o seu saldo. Exemplos: capital, móveis, lucros Data: dia, mês e ano da ocorrência do fato.
acumulados, etc. Nº: número da folha correspondente ao livro diário.
CP: contrapartida (conta que, junto à conta
2.3.5 Quanto à Duração
representada pela ficha, completa o lançamento do fato
a) Permanentes ocorrido).
São aquelas contas que passam de um exercício Histórico: descrição do fato ocorrido.
para outro, ou seja, são contas patrimoniais. Exemplos: Débito/Crédito: descrição do valor que será
caixa, fornecedores, capital, lucros acumulados, etc. somado ou subtraído ao saldo da conta representada
b) Transitórias pela ficha (de acordo com a sua natureza).
Ao contrário das permanentes, são aquelas contas Saldo: diferença entre o somatório dos débitos e o
que são encerradas no final do exercício, ou seja, as somatório dos créditos.
contas de resultado. Exemplo: lanches, vendas brutas, D/C: indicação da natureza do saldo (D- devedor
publicidade, etc. e C- credor).

38
AULA 4 • CONTAS

ATENÇÃO:
Quando falo em NATUREZA da conta, você deve sempre levar em consideração o que ela representa para
a ENTIDADE. As contas de natureza credora são aquelas que têm um “crédito com a empresa; já as de
natureza devedora são aquelas que estão em débito com a empresa”.

Veja a seguir um balanço patrimonial. Primeiramente vamos aprender a debitar e creditar as contas patrimoniais
e na próxima aula estudaremos as contas de DRE (conta de resultado)
BP- Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO
BENS + DIREITOS OBRIGAÇÕES
e
99% das contas aqui apresentam saldos devedores PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Sendo assim, 1% dos saldos das contas aqui
apresentam saldos credores e são as chamadas contas 99% das contas aqui apresentam saldos credores.
redutoras ou retificadoras. Sendo assim, 1% dos saldos das contas aqui
apresentam saldos devedores e são as chamadas
99% = D contas redutoras ou retificadoras.
1% = C

Exemplos de Contas com saldos credores no ativo: Exemplos de Contas com saldos devedores no PL:
- Prejuízos Acumulados
- Provisão de/para Devedores Duvidosos - Capital a Integralizar ou a Realizar
- Depreciação Acumulada - Ações em Tesouraria
- Exaustão Acumulada
- Amortização Acumulada 99% = C
- Duplicatas descontadas 1% = D
TOTAL DO ATIVO: TOTAL DO PASSIVO:

ATIVO PASSIVO
BENS + DIREITOS OBRIGAÇÕES
e
PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Aumentam por DÉBITO Aumentam por CRÉDITO


Reduzem por CRÉDITO Reduzem por DÉBITO
TOTAL DO ATIVO: TOTAL DO PASSIVO:
Caro aluno, veja o que são contas redutoras ou retificadoras:

Contas redutoras ou retificadoras são contar que, embora apareçam em um determinado grupo patrimonial
(Ativou ou Passivo), têm saldo contrário em relação às demais contas desse grupo. Desse modo, uma
conta retificadora do Ativo terá natureza credora, bem como uma conta retificadora do Passivo terá natureza
devedora. As contas retificadoras reduzem o saldo total do grupo em que aparecem.

As contas de PASSIVO (obrigações) representam os CREDORES da empresa. Assim estão em situação de


crédito, ou seja, são CREDORAS.

39
Contabilidade Geral

Os bens e direitos da empresa encontram-se no de Resultado do Exercício. Foi explicado que a teoria
ATIVO. Assim, as contas do ATIVO estão em débito seguida pela contabilidade é a Teoria Patrimonialista,
com a empresa, tendo, portanto, natureza DEVEDORA. em que as contas são divididas em dois grandes
Para que haja a movimentação de uma conta grupos: Contas Patrimoniais e Contas de Resultado.
(entradas e saídas de valores), a contabilidade utiliza- Além dessa teoria, vimos mais outras duas: A Teoria
se de duas únicas operações, coincidentemente Personalista, em que as contas são associadas a
chamadas de DÉBITO e CRÉDITO. pessoas, e a Teoria Materialista, em que as contas
são divididas em contas integrais ou elementares
3 ATIVIDADES RESOLVIDAS ou contas diferenciais ou derivadas. Em seguida
foi apresentada a classificação das contas, quanto
1- Assinale a alternativa que contém contas cujos sal-
aos saldos, quantos aos registros, quanto à divisão,
dos no Balanço Patrimonial são devedores
quanto ao movimento, quanto à duração e quanto aos
a. ( ) Fornecedores e Honorários a Pagar
elementos que registram. Depois iniciamos o estudo
b. ( ) Capital Subscrito e ICMS a Recolher
sobre a estrutura e funcionamento das contas, assunto
c. ( ) Adiantamento de Clientes e Contas a Pagar
que continuaremos a discutir na aula 05, está bem?
d. ( ) Duplicatas a Pagar e Aluguéis a Pagar
e. ( ) Duplicatas a Receber, Móveis e Utensílios 5 ATIVIDADES
RESOLUÇÃO:
1- Classificar as contas abaixo em: Ativo, Passivo,
Fornecedores e Honorários a Pagar Patrimônio Líquido ou Conta Redutora de Ativo ou
Fornecedores = Passivo Circulante = saldo credor Redutora de Passivo ou Redutora de Patrimônio
Honorários a Pagar = Passivo Circulante = saldo Líquido
credor
1) Duplicatas a Receber
Capital Subscrito e ICMS a recolher
2) Estoques
Capital Subscrito = Patrimônio Líquido = saldo
3) Duplicatas a Pagar
credor
4) Aplicação Financeira de Curto Prazo
ICMS a recolher = Passivo Circulante = saldo
5) Provisão para Devedores Duvidosos
credor
6) Impostos a Recuperar
Adiantamento de Clientes e Contas a Pagar
7) Empréstimos a Pagar
Adiantamento de Clientes = Passivo Circulante =
8) Empréstimos em Coligadas e Controladas
saldo credor
9) Empréstimos Bancários
ICMS a recolher = Passivo Circulante = saldo
10) Caixa
credor
11) Aplicações Financeiras de Longo Prazo
Duplicatas a Pagar e Aluguéis a Pagar
12) Terrenos
Duplicatas a Pagar = Passivo Circulante = saldo
13) Veículos
credor
14) Impostos a Recolher
Aluguéis a Pagar = Passivo Circulante = saldo
15) Adiantamento a Fornecedores
credor
16) Adiantamento de Clientes
Duplicatas a Receber e Móveis e Utensílios
17) Seguros pagos Antecipadamente
Duplicatas a Receber = Ativo Circulante = saldo
18) Capital Social
devedor
19) Lucros Acumulados
Móveis e Utensílios = Ativo Circulante = saldo
20) Reserva de Lucros
devedor
21) Reservas de Capital
22) Juros a Pagar
4 RESUMO
23) Computadores
Aprendemos na aula de hoje o que é CONTA, 24) Obrigações Tributárias a Pagar
nome representativo de um elemento que compõe 25) Depreciação Acumulada
tanto o Balanço Patrimonial como a Demonstração 26) Amortização Acumulada

40
AULA 4 • CONTAS

27) PIS a pagar FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas


28) COFINS a pagar Contábeis, Atuariais e Financeiras.
29) Salários a pagar IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu e GELBCKE,
30) Obrigações Trabalhistas a pagar Ernesto Rubens; SANTOS, Ariovaldo dos. Manual
31) Duplicatas Descontadas de Contabilidade Societária: Aplicável a todas as
32) Ações em Tesouraria sociedades de acordo com as normas internacionais
e do CPC. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
33) Prejuízos Acumulados
34) Capital a Integralizar HASTINGS, David F. Contabilidade em Contexto:
35) Títulos a pagar uma novela contábil. São Paulo: Saraiva, 2011.
IOB . INFORMAÇÕES OBJETIVAS. Textos Legais.
2- Classificar as contas do exercício 1 em: Bem, Direito,
São Paulo: IOB, 2012. Mensal. Índice trimestral.
Obrigação ou Conta Redutora ou Retificadora.
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade.
3- Classificar os saldos das contas do exercício 1 em: 10. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
Saldo Devedor ou Saldo Credor.
KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de;
MARTINS, Eliseu. Contabilidade Introdutória –
REFERÊNCIAS Livro Texto. 11. ed. Atlas, 2010.
BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES, NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo.
Eugenio Celso. Contabilidade Geral. 7. ed. São Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Editora
Paulo: Atlas, 2011. Frase, 2011.
BRASIL Lei nº 11.638/07 de 28 de dezembro de OLIVEIRA, Justino. Introdução à Contabilidade
2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6.404/76, para concursos públicos. Rio de Janeiro: Editora
de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7 Método, 2010.
de dezembro de 1976
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica fácil.
e estende às sociedades de grande porte 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
disposições relativas à elaboração e divulgação de
demonstrações financeiras. Publicada na DOU de SANTOS, Roberto Fernandes. Introdução à
28.12.2007 – Edição Extra. Contabilidade: noções fundamentais. São Paulo:
Saraiva, 2011.
BRASIL Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de
1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Caro aluno, recomendo que você sempre consulte
Consolidada. Publicada em 08.01.2008. os seguintes sites que contêm ótimas informações
BRASIL Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009. sobre as legislações contábeis.
Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades http://www.cfc.org.br/
por Ações.
http://www.cvm.gov.br/
CREPALDI, Silvio Aparecido. Resumo da teoria
http://www.esaf.fazenda.gov.br
atendendo às novas demandas da gestão
empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2003. http://www.portaldecontabilidade.com.br/

41
Unidade 01

Contabilidade Geral
REGISTROS CONTÁBEIS

AULA 5

DÉBITO E CRÉDITO

Objetivos
• Entender o que sejam Débito e Crédito.
• Analisar exemplos diversos de contabili-
zação de contas.
• Conhecer exemplo de estornos.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO
Bem, meu caro aluno, nem iniciei a aula de hoje e já apresentei um desenho em forma de T e um lançamento
em Débito e Crédito. Pois bem, esta será uma aula das mais importantes que teremos. É aqui que você entenderá
a lógica da Contabilidade, debitar e creditar sem decorar, e sim aprendendo passo a passo. Você pode estar se
perguntando: Por que debitamos no lado esquerdo e creditamos no lado direito? Veja se esta resposta o ajuda?
Meu nome é Vander pelo simples fato de que fui registrado com esse nome. Caso fosse registrado com o nome de
Alan, qual seria o meu nome? Vander ou Alan? Assim também se explica a posição dos débitos e créditos. Percebe
que se trata de uma simples convenção contábil. Na aula de hoje estudaremos com mais detalhes os lançamentos
de Débito e Crédito, que recebem o nome de mecanismos de débito e crédito. Vamos estudar o livro diário e o livro
razão; estudaremos as quatro fórmulas de lançamentos e aprenderemos a debitar e a creditar. A aula passada foi
terminada com o seguinte quadro de balanço:

BP- Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO

BENS + DIREITOS OBRIGAÇÕES


e
99% das contas aqui apresentam saldos PATRIMÔNIO LÍQUIDO
devedores. Sendo assim, 1% dos saldos das
contas aqui apresentam saldos credores, que são 99% das contas aqui apresentam saldos credores.
as chamadas contas redutoras ou retificadoras. Sendo assim, 1% dos saldos das contas aqui
apresentam saldos devedores e são as chamadas
99% = D contas redutoras ou retificadoras.
1% = C

Exemplos de Contas com saldos credores no Exemplos de Contas com saldos devedores no
ativo: PL:
- Provisão de/para Devedores Duvidosos - Encargos Financeiros a Transcorrer
- Depreciação Acumulada - Prejuízos Acumulados
- Exaustão Acumulada - Capital a Integralizar ou a Realizar
- Amortização Acumulada - Ações em Tesouraria
- Duplicatas descontadas 99% = C
1% = D

ATIVO PASSIVO

BENS + DIREITOS OBRIGAÇÕES e PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Aumentam por DÉBITO Aumentam por CRÉDITO


Reduzem por CRÉDITO Reduzem por DÉBITO
As contas de PASSIVO (obrigações) representam os CREDORES da empresa. Sendo assim, estão em situação
de crédito, ou seja, são CREDORAS.
Os bens e direitos da empresa encontram-se no ATIVO. Assim, as contas do ATIVO estão em débito com a
empresa, tendo, portanto, natureza DEVEDORA.
Para que haja a movimentação de uma conta (entradas e saídas de valores), a contabilidade utiliza-se de duas
únicas operações, coincidentemente chamadas de DÉBITO e CRÉDITO.

44
AULA 5 • DÉBITO E CRÉDITO

Livro Razão momento, nenhum grau de dificuldade tão elevado


quanto imaginam, fruto de associação errada de
significados de palavras.

Mais uma vez afirmo: trata-se de pura e simples


convenção contábil, tal qual o nome que cada um
de nós recebe.
Livro Diário Portanto, assimile simplesmente que o lado
D- nome da conta que será debitada esquerdo do razonete é o “LADO DOS DÉBITOS”
C- nome da conta que será creditada e o lado direito do razonete é o “LADO DOS
CRÉDITOS”.
2 MECANISMOS DE DÉBITO E
As contas redutoras (1%) serão analisadas assim:
CRÉDITO
ATIVO PASSIVO
Como pode observar na introdução, caro aluno,
quando estamos debitando ou creditando as contas Contas Redutoras de Contas Redutoras de
que representam a maioria tanto no ativo, passivo ou Ativo Passivo e PL
PL, (contas principais), o que chamei de 99% apenas
como ilustração para chamar sua atenção, vimos que, Aumentam por Aumentam por
se for do ativo, os bens e direitos aumentam por débito CRÉDITO DÉBITO
e diminuem por crédito, ao passo que as obrigações Reduzem por DÉBITO Reduzem por
aumentam por crédito e se reduzem por débito. Já CRÉDITO
vimos que o PL também aumenta por crédito e diminui TOTAL DO ATIVO: TOTAL DO PASSIVO:
por débito. Agora vamos ver como ficam as contas Caro aluno, na próxima aula estudaremos o Plano
redutoras, contas retificadoras, ou contas acessórias, de Contas das empresas. Então você conhecerá
ou contas secundárias, ou contas negativas ou contas o funcionamento da maioria das contas usadas na
diminutivas, o que chamei de 1% apenas como contabilização dos fatos contábeis.
ilustração. Você percebeu que as contas do ATIVO, contas
que representam os bens e direitos, mostram saldo
DEVEDOR, ou seja, toda vez que você aumentar os
seus bens ou seus direitos você deverá DEBITAR
nesta conta. Ao passo que toda vez que você reduzir
seus bens e direitos você deverá CREDITAR nesta
conta. Mas lembre-se, no final o saldo sempre será
DEVEDOR. Espero que fique claro que estamos
ATENÇÃO: falando de 99% das contas do ATIVO.
As palavras débito e crédito ora empregadas
nada têm a ver com os significados conhecidos Exemplo:
para elas (débito = dívidas e crédito = direito de A Cia Aline Barros comprou estoques de
recebimento de valor ou outro semelhante). mercadorias à vista por R$60.000,00. Veja a
contabilização:
Preste muita atenção ao que estou dizendo neste D- Estoque (debitamos estoque, pois os bens
momento: por tentarem entender as palavras débito e estão aumentando o ativo)
crédito com seus significados comuns, que, de acordo C- Caixa (creditamos caixa, pois os bens
com as explicações ora apresentadas, não existem, (dinheiro) estão diminuindo o ativo)
alguns alunos sentem imensa dificuldade em entender
Contabilidade e, com isso, muitas vezes abandonam Você deve estar se perguntado: E o outro 1%?
o estudo de uma disciplina que não apresenta, neste Respondo-lhe: Serão tratados ao inverso dos 99%,

45
Contabilidade Geral

pois não são bens nem direitos, e sim CONTAS


REDUTORAS ou CONTAS RETIFICADORAS. As ATENÇÃO:
Passivo a Descoberto é o termo contábil que se
contas redutoras ou retificadoras do ativo possuem
emprega para designar a situação quando o valor
saldo CREDOR, ou seja, toda vez que você aumentar
da soma de bens e direitos não cobre o valor
essas contas você deverá CREDITAR nesta conta. Ao
da soma das obrigações contraídas, ou seja, o
passo que toda vez que você reduzir essas contas você Passivo (P) supera o Ativo (A). Sendo P > A, na
deverá DEBITAR nestas contas. Mas lembre-se, no equação contábil PL (Patrimônio Líquido) = A - P,
final o saldo sempre será CREDOR. Espero que fique conclui-se que PL < 0. Quando esse caso ocorrer,
claro que estamos falando de 1% das contas do ATIVO. a rubrica Patrimônio Líquido será substituída por
Passivo a Descoberto no Balanço Patrimonial.
Exemplo:
A Cia Ariely Bonatti precisava de dinheiro e Caro aluno, veja um exemplo para ficar mais claro:
pegou parte de suas duplicatas a receber no
valor de R$20.000,00 e foi até o Banco Itaú para A Cia Ariane efetuou um empréstimo no Banco
descontá-las. Veja a contabilização: do Brasil no valor de R$10.000,00 para pagar em
90 dias. Veja a contabilização:
D- Caixa (debitamos caixa, pois os bens (dinheiro)
D- Caixa (debitamos caixa, pois os bens (dinheiro)
estão aumentando o ativo)
estão aumentando o ativo)
C- Duplicatas Descontadas (conta redutora de
C- Empréstimos a pagar (creditamos
ativo), pois as contas redutoras (retificadoras)
empréstimos a pagar, pois as obrigações estão
estão aumentando. aumentando o passivo)

Caro aluno, quanto maior for o saldo das contas Você deve estar se perguntado? E o outro
redutoras menor será o valor do Ativo Total da 1%? Será tratado ao inverso dos 99%, pois não
empresa, pois a natureza do saldo do total do ativo é são obrigações, e sim CONTAS REDUTORAS ou
de DEVEDOR. CONTAS RETIFICADORAS. As contas redutoras ou
retificadoras do Passivo ou Patrimônio Líquido têm
Vamos analisar agora o lado do PASSIVO e
saldo DEVEDOR, ou seja, toda vez que você aumentar
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
essas contas deverá DEBITAR essas contas. Por outro
Você percebeu que as contas do PASSIVO, as lado, toda vez que você reduzir essas contas deverá
contas que representam as obrigações, recursos de CREDITAR estas contas. Mas lembre-se, no final o
terceiros e as contas do PATRIMÔNIO LÍQUIDO, que saldo sempre será DEVEDOR. Espero que fique claro
representam os recursos dos proprietários, possuem que estou falando de 1% das contas do PASSIVO e
saldo CREDOR, ou seja, toda vez que você aumentar PATRIMÔNIO LÍQUIDO.
as suas obrigações e aumentar os recursos dos sócios
Exemplo:
ou acionistas você deverá CREDITAR essas contas. Já A Cia Andrea Fontes apurou prejuízo líquido em
toda vez que você reduzir suas obrigações ou reduzir sua Demonstração de Resultado do Exercício no
os recursos dos sócios ou acionistas você deverá valor de R$18.000,00 no ano de 2011.
DEBITAR essas contas. Mas lembre-se: no final, o D- Prejuízo Acumulado (debitamos prejuízo
saldo sempre será CREDOR para as OBRIGAÇÕES. acumulado, para mostra que o Patrimônio Líquido
Para o PATRIMÔNIO LÍQUIDO, existirá uma condição: da empresa foi reduzido).
SERÁ CREDOR, se os Bens e Direitos forem C- Apuração do Resultado do Exercício (ARE)
(conta de encerramento de exercício).
superiores às Obrigações; caso contrário, o saldo será
DEVEDOR, pois as obrigações serão maiores que Caro aluno, quanto maior for o saldo das contas
os bens e direitos, existindo a figura do PASSIVO A redutoras, menor será o valor do Passivo ou
DESCOBERTO. Patrimônio Líquido da empresa, pois a natureza do

46
AULA 5 • DÉBITO E CRÉDITO

saldo do total do passivo e patrimônio líquido é de Isso significa que toda vez que acontecer uma
CREDORA. receita na empresa, você deverá CREDITAR. Veja o
Agora chegou a hora de analisar as contas de exemplo:
Resultado. Veja um modelo simples:
A Cia Ana Paula Valadão realizou venda de
DRE- Demonstração do Resultado do Exercício
mercadorias à vista por R$43.000,00.
Contas D- Caixa (debitamos caixa, pois os bens –
dinheiro - estão aumentando o ativo).
+ Receitas
C- Receitas Bruta de Produtos (100% das
- Contas Redutoras de Vendas
receitas são CREDITADAS)
- Custos
- Despesas
Mas, quando acontecer uma despesa, custo,
= Lucro/Prejuízo do Exercício
ou alguma conta redutora de receita, você deverá
Demonstração do Resultado do Exercício DEBITAR. Veja o exemplo:

A Cia Amanda Ferrari pagou uma despesa de


vendas incorrida em sua empresa no valor de
R$14.000,00.
D- Despesa com Vendas (100% das despesas
são DEBITADAS)
C- Caixa (creditados caixa, pois os bens –
dinheiro - estão reduzindo o ativo).
Meu aluno, assim como os saldos das contas do
BALANÇO PATRIMONIAL têm uma natureza (credora
ou devedora), as contas da DEMONSTRAÇÃO DE ATENÇÃO:
RESULTADO DO EXERCÍCIO também têm. Todo saldo das receitas será credor, assim como
Para facilitar o entendimento, pense em seu extrato o saldo das contas de despesas, custos e contas
do Banco onde você tem conta corrente ou poupança. redutoras de receitas será devedor. Mas isso não
Quando existe um crédito em seu extrato, isso é bom impede você de fazer lançamentos de créditos
ou ruim? Você certamente vai responder: mas que nas despesas e nos custos. Isso somente será
pergunta óbvia, claro que é bom! E se for o inverso, a necessário quando você tiver que fazer um
resposta será: é claro que é ruim. Quero deixar claro ESTORNO.
que esta lógica somente valerá para as contas de
resultado (DRE). Então: Veja um exemplo de ESTORNO
Natureza do saldo da
Contas A Cia Alda Célia vendeu mercadorias no valor de
conta
R$100.000,00 à vista no dia 12/09/1977 e incidiu
Receitas (+) 100% CREDOR
ICMS (18%) PIS (1,65%) e COFINS (7,60). Essas
Contas Redutoras de mercadorias custaram para a Cia. Alda Célia
100% DEVEDOR
Receitas ( - )
R$50.000,00, ou seja, ela está vendendo pelo
Custos ( - ) 100% DEVEDOR dobro do que comprou.
Os lançamentos foram os seguintes: Na Venda
Despesas ( - ) 100% DEVEDOR
D- Caixa (debitamos caixa, pois os bens –
Lucro/Prejuízo dinheiro - estão aumentando o ativo)
Dependerá:
Líquidos ( = )
CREDOR C- Receita (creditados receita, pois 100% das
Se for Lucro
DEVEDOR receitas são de natureza credora)
Se for Prejuízo

47
Contabilidade Geral

Lembra que 100% das contas redutoras de receitas


Vamos então contabilizar as contas redutoras de como os tributos sobre a receita são de natureza
receitas uma a uma: DEVEDORA, ou seja, não existem contas redutoras
1º será o ICMS no valor de R$18.000,00 de receitas e custos de natureza CREDORA? Essa
D- ICMS (DRE) (debitamos 100% das contas condição é para o SALDO que a conta apresentará no
redutoras de vendas) final, mas isso não implica que a conta não possa ser
CREDITADA.
C- ICMS a pagar (PC) (creditamos, pois ICMS a
Para fazer esses estornos deveremos fazer
pagar é uma obrigação e esta faz com que o meu algumas operações ao contrário das que fizemos
passivo aumente). no momento da venda para regularizar a situação. A
2º será o PIS no valor de R$1.650,00 devolução de venda ficará assim:
D- PIS (DRE) (debitamos 100% das contas
redutoras de vendas) Devolução de parte das vendas
C- PIS a pagar (PC) (creditamos, pois PIS a Devemos devolver o dinheiro para o cliente, pois
pagar é uma obrigação e esta faz com que o meu ele está retornando 50% dos produtos:
passivo aumente). D- Devolução de Vendas (debitamos 100% de
3º será o COFINS no valor de R$7.600,00 todas as contas redutoras de receita)
D- COFINS (DRE) (debitamos 100% das contas C- Caixa (creditados caixa, pois os bens –
redutoras de vendas) dinheiro - estão reduzindo o ativo).
C- COFINS a pagar (PC) (creditamos, pois Vamos então contabilizar o estorno dos tributos:
COFINS a pagar é uma obrigação e esta faz com 1º será o ICMS no valor de: R$9.000,00
que o meu passivo aumente). D- ICMS a pagar (PC) (debitamos todas as
Toda venda tem um custo, seja ele de Mercadorias obrigações quando elas estão reduzindo)
(CMV) para comércio, produtos (CPV) para C- ICMS (DRE) (está acontecendo um estorno),
indústria ou de serviços (CSP) para prestadora de pois esta conta é de natureza devedora.
serviços e deve ser contabilizado também. Sendo 2º será o PIS no valor de: R$825,00
assim, vamos contabilizar o CMV = Custos das D- PIS a pagar (PC) (debitamos todas as
Mercadorias Vendidas obrigações quando elas estão reduzindo)
4º será o CMV no valor de R$50.000,00 C- PIS (DRE) (está acontecendo um estorno),
D- CMV (DRE) (debitamos 100% do Custo) pois esta conta é de natureza devedora.
C- Estoque de Mercadorias (AC) (creditamos, 3º será o COFINS no valor de R$3.800,00
pois Estoque é um bem e está fazendo com que D- COFINS a pagar (PC) (debitamos todas as
o ATIVO reduza). obrigações quando elas estão reduzindo)
C- COFINS (DRE) (está acontecendo um
Caro aluno, para você entender perfeitamente estorno), pois esta conta é de natureza devedora.
o ESTORNO tanto das contas redutoras de receitas 4º será o CMV no valor de R$50.000,00. Neste
como do custo, foi necessário primeiramente fazer um caso R$25.000,00 voltará para o estoque. Já
lançamento normal dos fatos contábeis para depois quanto ao CUSTO, teremos que fazer um estorno
fazer seu estorno. Ficou claro no exemplo que a Cia para o CMV ficar correto na DRE.
vendeu mercadorias no valor de R$100.000,00 à vista D- Estoque de Mercadorias (AC) (debitamos,
no dia 12/09/1977, incidindo ICMS (18%) PIS (1,65%) e pois os bens aumentam o ativo.)
COFINS (7,60), com custo de R$ 50.000,00. Acontece C- CMV (DRE) (está acontecendo um estorno),
que o cliente não ficou satisfeito com toda a mercadoria pois esta conta é de natureza devedora.
comprada e devolveu a metade, ou seja, 50% de toda
a compra.
3 ATIVIDADES RESOLVIDAS
E agora, como fazer os lançamentos, uma vez que
você, no dia 12/09/1977, já havia efetuado os cálculos Efetue lançamentos para os fatos abaixo:
de todos os tributos? Pois bem, é aí que quero chamar 1- Integralização de capital em dinheiro no valor
sua atenção. de R$10.000,00

48
AULA 5 • DÉBITO E CRÉDITO

D- Caixa C- Capital Social no valor de R$10.000,00 Vimos um exemplo de prejuízo de 18.000,00 para
2- Abertura de Conta no Banco Bradesco, explicar o 1% das contas devedoras do lado do passivo.
depositando no ato R$2.000,00. Nesse caso específico foi dado um exemplo dentro
D- Banco contra movimento C- Caixa no valor de do PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Vimos que, quando uma
R$2.000,00 empresa está com prejuízo acumulado, isso significa
3- Compra de mercadoria para revenda à vista no que os bens e direitos que a empresa possui são
valor de R$3.000,00 inferiores às suas obrigações. Esse fato é chamado de
D- Estoque C- Caixa no valor de R$3.000,00 PASSIVO A DESCOBERTO.
4- Compra de móveis e utensílios por R$1.500,00 Passivo a Descoberto é o termo contábil usado
D- Móveis e Utensílios C- Capital no valor de para designar quando o valor da soma de bens e direitos
R$1.500,00 não cobre o valor da soma das obrigações contraídas,
5- Venda de mercadoria no valor de R$1.000,00, o ou seja, o Passivo (P) supera o Ativo (A). Sendo P > A,
custo foi de R$700,00. na equação contábil PL (Patrimônio Líquido) = A - P,
D- Caixa C- Receita com Vendas no valor de conclui-se que PL < 0. Quando esse caso ocorrer, a
R$1.000,00 rubrica Patrimônio Líquido será substituída por Passivo
D- CMV C- Estoques no valor de R$700,00 a Descoberto no Balanço Patrimonial. Para terminar a
6- Compra a prazo de mercadorias R$4.000,00 aula foram discutidas também as contas que compõem
D- Estoques C- Fornecedores no valor de R$4.000,00 a DRE – Demonstração do Resultado do Exercício, que
7- Serviços prestados no valor de R$2.500,00 são receitas, contas redutoras de receitas, custos e
D- Caixa C- Receita com serviços no valor de despesas. Em seguida foi demonstrado como se fazem
R$2.500,00 os ESTORNOS.
8- Venda de produtos a prazo no valor de
R$2.500,00, com custo de R$2.000,00. 5 ATIVIDADES PROPOSTAS
D- Clientes C- Receita com Vendas no valor de
1- O que é fato contábil?
R$2.500,00
2- Em contabilidade, o que significa Débito e Crédito?
D- CMV C- Estoques no valor de R$2.000,00
3- Marque V para verdadeiro e F para falso.
9- Pagamento de 50% da mercadoria comprada a
( ) A maioria das contas do ativo tem natureza
prazo
devedora, portanto elas aumentam com
D- Fornecedor C- Caixa no valor de R$2.000,00
crédito.
10- Recebimento de 80% da venda a prazo
( ) A maioria das contas do passivo tem natureza
D- Caixa C- Cliente no valor de R$2.000,00
credora, logo elas aumentam por crédito.
( ) O Capital Social da empresa só pode ser
4 RESUMO
constituído por dinheiro.
Na aula de hoje aprendemos o mecanismo de ( ) Com a entrada de numerários em caixa,
débito e crédito. Foi dado um razonete tanto do Balanço debita-se a conta estoques e credita-se a conta
Patrimonial onde estão os bens, direitos e obrigações, fornecedores.
como da Demonstração de Resultado do Exercício ( ) A todo crédito corresponde um débito de igual
onde estão as recitas, contas redutoras de receitas, valor.
custos e despesas. Para entender perfeitamente o 4- Efetue os lançamentos para os fatos abaixo.
mecanismo de débito e crédito, foi dado um exemplo de 1- 10/06/2011 – André Valadão resolveu
cada situação. O primeiro foi de compra de estoque de constituir uma empresa para explorar o
mercadoria no valor de R$60.000,00, para demonstrar ramo de comércio varejista de móveis e
os 99% das contas devedoras do ativo; em seguida eletrodomésticos, integralizando no ato um
vimos um exemplo de duplicatas descontadas para capital de R$30.000,00.
demonstrar o 1% das contas do ativo, fechando, assim, 2- 20/06/2011 – A empresa de André, constituída
100% das contas do lado do ATIVO. Em seguida foi sob o nome de Moveis Valadão, comprou
dado um exemplo de empréstimo de 10.000,00 para móveis e utensílios para seu escritório no valor
demonstrar os 99% das contas credoras do PASSIVO. de R$8.000,00.

49
Contabilidade Geral

3- 21/06/2011 – Compra efetuada de mercadoria e estende às sociedades de grande porte


para revenda no valor de R$2.000,00. disposições relativas à elaboração e divulgação de
4- 22/06/2011 – Venda de mercadorias por demonstrações financeiras. Publicada na DOU de
28.12.2007 – Edição Extra.
R$1.000,00 à vista, o custo foi de R$300,00.
5- 22/06/2011 – Pagamento de uma conta de BRASIL Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de 1976.
energia elétrica R$400,00. Dispõe sobre Sociedades por Ações. Consolidada.
Publicada em 08.01.2008.
6- 22/06/2012 – Abertura de conta corrente no
Banco Itaú, depositando no ato R$800,00, BRASIL Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009.
conforme guia. Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades
7- 23/06/2012 – Venda de mercadoria a prazo por por Ações.
R$ 1.600,00 o custo foi de R$ 900,00. FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas
8- 24/06/2011 – Compra de mercadoria a prazo Contábeis, Atuariais e Financeiras. IUDÍCIBUS,
no valor de R$6.000,00. Sérgio; MARTINS, Eliseu e GELBCKE, Ernesto
Rubens; SANTOS.
9- 25/06/2011 – Venda de mercadoria à vista
R$2.200,00, o custo foi de R$1.100,00. FRANCO, Hilário. Contabilidade Geral. 23. ed. São
10- 30/06/2011 – Recebimento de 50% da venda Paulo: Saraiva, 1996.
realizada no dia 23/06/2011. GOUVEIA, Nelson. Contabilidade. São Paulo:
Editora Atlas, 1998.
REFERÊNCIAS IOB. INFORMAÇÕES OBJETIVAS. Textos Legais.
São Paulo: IOB, 2012. Mensal. Índice trimestral.
ALMEIDA, M. C. Curso Básico de Contabilidade:
Introdução à Metodologia da Contabilidade, IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade.
Contabilidade Básica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998. 10. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
BARBOSA, Crysthian Barbosa. Contabilidade PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade
Básica. Curitiba: Juruá, 2008. Básica: uma introdução à Contabilidade Básica,
uma introdução à Prática Contábil. 3. ed. São Paulo:
BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES,
Atlas, 1996
Eugenio Celso. Contabilidade Geral. 7. ed. São
Paulo: Atlas, 2011. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica. 27.
ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
BRASIL Lei nº 11.638/07 de 28 de dezembro de
2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6.404/76, SILVA, César Augusto Tibúrcio; TRISTÃO, Gilberto.
de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7 Contabilidade Básica. 4. ed. São Paulo: Editora
de dezembro de 1976. Atlas, 2009.

50
Unidade 02

Contabilidade Geral
CONTAS PATRIMONIAIS

AULA 6

PLANO DE CONTAS

Objetivos
• Compreender a função da conta.
• Entender a codificação da conta e os
graus.
• Conhecer o plano de contas explicativo e
o plano de contas analítico.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO Os contabilistas se utilizam de um plano de contas


para registrar contabilmente todos os eventos ocorridos.
Olá, caro aluno! Como vai? Hoje nossa aula será Se seguirem uma estrutura organizada e padronizada,
demais! Você aprenderá a montar o instrumento mais seus registros, por consequência, estarão uniformes e
importante para a execução dos trabalhos contábeis
ocorrerá padronização dos procedimentos contábeis.
que é o Plano de Contas. Sabemos que a contabilidade
A finalidade maior do plano de contas é estabelecer
tem o objetivo de apresentar a situação patrimonial
as normas de conduta para o registro organizado
da empresa por meio de demonstrações financeiras.
e coerente de todos os eventos ocorridos em uma
Mas é claro que, para se levantar um Balanço da
empresa, é necessário primeiro passar pelo registro entidade.
de operação por operação feita pela empresa. Não O plano de contas constitui importantíssima
se pode esquecer que as operações praticadas pela ferramenta para a organização contábil, destinando-
empresa são de espécies as mais variadas; assim, se a orientar a escrituração dos eventos ocorridos,
faz-se necessária, para que se possam exprimir as uniformizando as contas utilizadas em cada registro
operações da mesma espécie sob um título, a utilização contábil. Com isso, visa a facilitar a elaboração e a
de conta específica. Então podemos dizer que a compreensão das demonstrações contábeis.
função de uma Conta é consolidar, sob um mesmo Quando um plano de contas é elaborado, todas
título, todas as operações econômicas ou financeiras as contas têm suas razões para existir, assim como
da mesma espécie praticadas pela empresa, para os códigos correspondentes. Como consequência,
que os usuários das informações contábeis tenham todas as transações de mesma natureza serão sempre
conhecimento da situação patrimonial. Iremos, nesta
registradas nas mesmas contas. Cada entidade elabora
aula, montar um Plano de Contas. É importante deixar
o seu plano de contas. Um plano de contas deve ser
claro que cada empresa tem um plano de contas
flexível, possibilitando, se necessário for, o acréscimo
completamente diferente das outras e umas terão mais
e a exclusão de algumas contas.
ou menos contas que as outras. É importante salientar
que o plano de contas será elaborado de acordo com Um plano de contas é, basicamente, constituído de
o ramo de atividade da empresa. Exemplos de planos três itens, a seguir elencados:
de contas diferentes: Hospital, Comércio, Indústria, • O Elenco de Contas;
Mineradora, Instituição de Ensino, Clube de Futebol, • O Manual de Contas;
Igrejas, etc. O responsável pelo Plano de Contas deve • Os registros explicativos/exemplificativos para
ter conhecimento de que, tirando as exceções (ex.: a escrituração de operações especiais.
instituições financeiras, em que é o Banco Central que
estabelece o Plano de Contas a ser utilizado), ele tem a 2.2 O Elenco de Contas
liberdade de compor o Plano de Contas segundo o que Constitui a relação de todas as contas a serem
vê como ideal para sua empresa. Caro aluno, percebeu utilizadas para o registro de todos os atos administrativos
a seriedade do assunto que vamos estudar? Vamos, relevantes, assim como de todos os fatos contábeis,
então, direto ao alvo.
decorrentes das atividades desempenhadas por uma
entidade econômico-administrativa.
2 PLANO DE CONTAS
De uma maneira alternativa, podemos afirmar que
2.1 Conceito o elenco de contas constitui a relação de todas as
contas a serem movimentadas para o registro de tudo
Um Plano de Contas representa uma relação
o que modifica ou pode vir a modificar um determinado
organizada e padronizada das contas previstas
para serem utilizadas no registro de todos os atos patrimônio.
administrativos relevantes, assim como no de todos Um elenco de contas apresenta, basicamente, o
os fatos contábeis referentes a um determinado nome (ou título) das contas e o seu código identificador.
patrimônio. Cada conta é informada com sua função, O art. 178 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades por
seu modo de funcionamento e também com a natureza Ações) disciplina a ordem em que as contas devem
de seu saldo. estar dispostas no Balanço Patrimonial. Assim, teremos:

52
AULA 6 • PLANO DE CONTAS

Ativo 1.1.04 Estoques


Ativo Circulante 1.1.04.001 Matéria Prima
Ativo Não Circulante
Ativo Realizável a Longo Prazo 1.1.04.002 Produtos Acabados

Investimentos 1.1.04.003 Produtos em Elaboração


Imobilizado
1.1.04.004 (Provisão para Perdas em Estoques)
Intangível
Passivo 1.1.05 Despesas Pagas Antecipadamente
Passivo Circulante
1.1.05.001 Prêmios de Seguros a Apropriar
Passivo Não Circulante
Patrimônio Líquido 1.1.05.002 Assinaturas e Anuidades a Apropriar

Para entidades sujeitas a controles governamentais, Encargos Financeiros a Apropriar


1.1.05.003
(desconto de duplicatas)
tais como órgãos públicos, instituições financeiras etc.,
os planos de contas costumam ser padronizados pelos Comissões e Prêmios Pagos
1.1.05.004
seus respectivos órgãos de fiscalização. Antecipadamente

Exemplo de Elenco de Contas do Ativo: 1.1.05.005 Aluguéis Pagos Antecipadamente

1 ATIVO
2.3 Manual de Contas
1.1 Ativo Circulante Conforme já vimos, as contas têm por função
1.1.01 Disponível representar itens patrimoniais (bens, direitos e
obrigações, itens do capital próprio) ou de resultado
1.1.01.001 Caixa (receitas e despesas).
O funcionamento das contas diz respeito à própria
1.1.01.002 Bancos Conta Movimento
movimentação das contas, de acordo com o mecanismo
Aplicações Financeiras de Liquidez de débito e crédito. É por meio do funcionamento delas
1.1.01.003
Imediata que sabemos quando determinada cota deverá ser
1.1.01.003.001 Poupança Bancária debitada ou creditada.
O manual de contas consiste em um guia para os
1.1.01.003.002 Certificados de Depósito Bancário
contabilistas, apresentando as principais características
1.1.02 Clientes de cada conta em particular (função, funcionamento e
natureza do saldo de cada uma delas). O uso desse
1.1.02.001 Duplicatas a Receber manual traz, como consequência, a uniformização de
1.1.02.001.001 Duplicatas a Receber de Clientes registros contábeis para a entidade.
Exemplo:
1.1.02.002 (Duplicatas Descontadas)

(Provisão para Créditos de


1.1.02.003 Conta: Caixa
Liquidação Duvidosa)
Função: registrar e controlar as entradas e
1.1.02.004 (Faturamento para entrega futura) saídas de bens numerários em poder
1.1.02.005 (Ajuste de Valor Presente)
da empresa, basicamente por meio de
dinheiro e/ou cheques.
1.1.03 Outros Créditos Funcionamento: debitada pelas entradas
1.1.03.001 Títulos a Receber em dinheiro e/ou cheques na empresa e
creditada pelas saídas em dinheiro e/ou
1.1.03.002 Cheques em Cobrança cheques da empresa.
1.1.03.003 Tributos a Compensar e a Recuperar Natureza do saldo: devedora

53
Contabilidade Geral

2.4 Codificação das Contas 1.1.01.002 Bancos Conta Movimento


Os códigos das contas são representados por 1.1.01.002.001 Banco do Brasil
algarismos, com o objetivo de identificar cada conta 1.1.01.002.002 Caixa Econômica Federal
em separado, além de facilitar os registros contábeis, 1.1.01.002.003 Banco Bradesco
principalmente com o auxílio da informática. 1.1.01.003 Numerário em Trânsito
Aplicações Financeiras de
Quanto maior o nível de detalhamento solicitado, 1.1.01.004
Liquidez Imediata
maior o número de dígitos a serem utilizados para
1.1.01.004.001 Poupança Bancária
a separação das contas.
1.1.01.004.002 Certificados de Depósito Bancário
Não existe uniformização de códigos para as 1.1.02 Clientes
empresas. Os contabilistas responsáveis pelos registros 1.1.02.001 Duplicatas a Receber
contábeis de cada uma delas definem os critérios a 1.1.02.001.001 Duplicatas a Receber de Clientes
adotar para a criação da codificação, de acordo com
Duplicatas a Receber de
o porte da empresa e com o grau de detalhamento a 1.1.02.001.002
Controladas e Coligadas
transmitir aos diversos usuários.
1.1.02.002 (Duplicatas Descontadas)
Vamos utilizar os seguintes algarismos:
(Provisão para Créditos de
1.1.02.003
1- Para contas do Ativo Liquidação Duvidosa)
2- Para contas do Passivo
(Faturamento para Entrega
3- Para contas de Despesas 1.1.02.004
Futura)
4- Para contas de Receitas
5- Para contas para apuração do exercício 1.1.02.005 (Ajuste a Valor Presente)

6- Para contas de compensação 1.1.03 Outros Créditos


1.1.03.001 Títulos a Receber
Veja o exemplo: Clientes – Renegociação de
1.1.03.001.001
Títulos a Receber
CÓDIGO NOME OU TÍTULO
Empréstimos a Receber de
1 ATIVO 1.1.03.001.002
Terceiros
1.1 Ativo Circulante
1.1.03.001.003 (Títulos Descontados)
1.1.01 Disponibilidades
1.1.03.002 Cheques em Cobrança
1.1.01.001 Caixa 1.1.03.003 Dividendos Propostos a Receber
1.1.01.002 Bancos Conta Movimento 1.1.03.004 Juros a Receber
1.1.01.002.001 Itaú 1.1.03.005 Adiantamento a Terceiros
1.1.01.002.002 Caixa Econômica Federal 1.1.03.006 Créditos de Funcionários
1.1.01.002.003 Banco do Brasil 1.1.03.006.001 Adiantamento para Viagens
1.1.01.003 Aplicações de Liquidez Imediata 1.1.03.006.002 Adiantamentos para Despesas

1.1.01.004 Numerários em Trânsito Antecipação de Salários e


1.1.03.006.003
Ordenados
2.5 Modelo de Plano de Contas 1.1.03.006.004 Empréstimos a Funcionários

2.5.1 Contas Patrimoniais 1.1.03.006.005 Antecipação de 13º Salário


1.1.03.006.006 Antecipação de Férias
1 ATIVO
1.1 Ativo Circulante Tributos a Compensar e a
1.1.03.007
1.1.01 Disponibilidades Recuperar
1.1.01.001 Caixa 1.1.03.007.001 IPI a Recuperar
1.1.01.001.0001 Caixa – Filial 01
1.1.01.001.0002 Caixa – Filial 02 1.1.03.007.002 ICMS a Recuperar

54
AULA 6 • PLANO DE CONTAS

1.1.03.007.003 IRRF a Recuperar 1.2.01.005 Créditos de Diretores


1.1.03.007.004 IR E CSLL a Recuperar 1.2.01.006 Créditos de Acionistas
1.1.03.007.005 PIS a Recuperar
1.3 Investimentos
1.1.03.007.006 COFINS a Recuperar
Participações Permanentes em
1.1.03.007.007 Outros Tributos a Recuperar 1.3.01
Outras Sociedades
1.1.03.008 Operações em Bolsa Avaliadas pelo Método da
1.3.01.001
1.1.03.008.001 Prêmios Pagos Equivalência Patrimonial
1.1.05 Estoques Valor da Equivalência Patrimonial
1.3.01.001.001
1.1.05.001 Produtos Acabados em Coligadas
1.1.05.002 Mercadorias para Revenda Valor da Equivalência Patrimonial
1.3.01.001.002
1.1.05.003 Produtos em Elaboração em Controladas

1.1.05.004 Matérias Primas Valor da Equivalência Patrimonial


1.3.01.001.003
em Equiparadas
Materiais de Acondicionamento e
1.1.05.005
Embalagem 1.3.01.002 Avaliadas pelo Método de Custo
1.1.05.006 Materiais Auxiliares Outros Investimentos
1.3.02
1.1.05.007 Materiais Semiacabados Permanentes
1.1.05.008 Manutenção e Suprimentos Gerais 1.3.02.001 Obras de Arte
1.1.05.009 Importações em Andamento Terrenos e Imóveis Adquiridos
1.3.02.002
1.1.05.010 Mercadorias em Trânsito para Futura Utilização

Mercadorias Entregues em 1.3.02.003 Imóveis não de uso (para renda)


1.1.05.011
Consignação
(Provisão para Perdas
1.3.02.004
1.1.05.012 Adiantamento a Fornecedores Permanentes)

(Provisão para Perdas em 1.3.02.005 (Depreciação Acumulada)


1.1.05.013
Estoques) 1.4 Imobilizado
Despesas Pagas 1.4.01 Bens em Operação - Custo
1.1.06
Antecipadamente 1.4.01.001 Terrenos
1.1.06.001 Prêmios de Seguro a Apropriar Obras Preliminares e
1.4.01.002
1.1.06.002 Encargos Financeiros a Apropriar Complementares

Assinaturas e Anuidades a 1.4.01.003 Obras Civis


1.1.06.003
Apropriar 1.4.01.004 Instalações
Comissões e Prêmios Pagos Máquinas, Equipamentos e
1.1.06.004 1.4.01.005
Antecipadamente Aparelhos

1.1.06.005 Aluguéis Pagos Antecipadamente Equipamentos de Processamento


1.4.01.006
Eletrônico de Dados
Outros Custos ou Despesas
1.1.06.006 1.4.01.007 Móveis e Utensílios
Pagos Antecipadamente
1.4.01.008 Veículos
1.2 Ativo Realizável a Longo Prazo
1.4.01.009 Ferramentas
1.2.1 Créditos e Valores
1.2.01.001 Clientes 1.4.01.010 Peças e Conjuntos de Reposição

1.2.01.002 Títulos a Receber 1.4.01.011 Florestamento e Reflorestamento

1.2.01.003 Aplicações Financeiras 1.4.2 (Depreciação Acumulada)

Créditos de Coligadas e (Obras Preliminares e


1.2.01.004 1.4.02.001
Controladas Complementares)

55
Contabilidade Geral

1.4.02.002 (Obras Civis) (Encargos Financeiros a


2.1.01.007
Transcorrer)
1.4.02.003 (Instalações)
Juros a Pagar de Empréstimos e
(Máquinas, Equipamentos e 2.1.01.008
1.4.02.004 Financiamentos
Aparelhos)
2.1.02 Debêntures
(Equipamentos de Processamento 2.1.02.001 Conversíveis em Ações
1.4.02.005
Eletrônico de Dados) 2.1.02.002 Não Conversíveis em Ações
1.4.02.006 (Móveis e Utensílios) 2.1.02.003 Juros e Participações
1.4.02.007 (Veículos) 2.1.03 Fornecedores
2.1.03.001 Fornecedores Nacionais
1.4.02.008 (Ferramentas)
2.1.03.002 Fornecedores Estrangeiros
1.4.02.009 (Peças e Conjuntos de Reposição)
2.1.03.003 (Ajuste a Valor Presente)
1.4.03 Imobilizado em Andamento 2.1.04 Obrigações Fiscais
1.4.03.001 Construções em Andamento 2.1.04.001 ICMS a Recolher
Bens em Uso na Fase de 2.1.04.002 IPI a Recolher
1.4.03.002
Implantação 2.1.04.003 IRPJ a Pagar
1.5 Intangível 2.1.04.004 IOF a Pagar
1.5.01 Custo (por contas) 2.1.04.005 ISS a Pagar
2.1.04.006 PIS/PASEP a Recolher
1.5.01.001 Marcas
2.1.04.007 Cofins a Recolher
1.5.01.002 Patentes
2.1.04.008 IPTU a Pagar
1.5.01.003 Concessões
2.1.04.009 IPVA a Pagar
1.5.01.004 Direitos Autorais
2.1.04.010 ITCD a Pagar
1.5.01.005 Direitos sobre Recursos Minerais 2.1.04.011 ITBI a Pagar
1.5.01.006 Pesquisa e Desenvolvimento 2.1.04.012 Taxas
Benfeitorias em Propriedades de Outros Impostos e Taxas a
1.5.01.007 2.1.04.013
Terceiros Recolher
1.5.01.008 Softwares – Sistemas e Aplicativos 2.1.05 Outras Obrigações
2.1.05.001 Adiantamentos de Clientes
1.5.02 (Amortização Acumulada)
2.1.05.002 Faturamento para Entrega Futura
(Amortização Acumulada de
1.5.02.001 2.1.05.003 Contas a Pagar
Marcas)
2.1.05.004 Salários e Ordenados a Pagar
(Amortização Acumulada de
1.5.02.002 2.1.05.005 Encargos Sociais a Pagar
Patentes)
2.1.05.006 FGTS a Recolher
(Amortização Acumulada de
1.5.02.003 Honorários da Administração a
Direitos Autorais) 2.1.05.007
Pagar
2 PASSIVO
2.1.05.008 Gratificações a Pagar
2.1 Passivo Circulante
2.1.05.009 Comissões a Pagar
2.1.01 Empréstimos e Financiamentos 2.1.05.010 Dividendos a Pagar
Parcela de Curto Prazo dos Juros Sobre o Capital Próprio a
2.1.01.001 2.1.05.011
Empréstimos e Financiamentos Pagar
2.1.01.002 Credores por Financiamento Juros de Empréstimos e
2.1.05.012
Financiamento a Pagar
2.1.01.003 Financiamentos a Curto Prazo
Financiamento por Arrendamento 2.1.05.013 Dividendos Propostos a Pagar
2.1.01.004
Financeiro Gratificações e Participações a
2.1.05.014
Adiantamento de Contratos de Empregados a Pagar
2.1.01.005
Câmbio
Gratificações e Participações a
2.1.05.015
2.1.01.006 Títulos a Pagar Administradores a Pagar

56
AULA 6 • PLANO DE CONTAS

Participações de Partes 2.3.02.001 Ágio na Emissão de Ações


2.1.05.016
Beneficiárias a Pagar 2.3.02.002 Alienação de Partes Beneficiárias
2.1.05.017 Férias a Pagar 2.3.02.003 Alienação de Bônus de Subscrição
2.1.05.018 Décimo Terceiro Salário a Pagar 2.3.03 Ajuste de Avaliação Patrimonial
2.1.05.019 Comissões a Pagar Ajustes de Avaliação Patrimonial -
2.3.03.001
2.1.05.020 Benefícios a Empregados a Pagar Elementos do Ativo
2.1.05.021 Outras Contas a Pagar Ajustes de Avaliação Patrimonial -
2.3.03.002
Elementos do Passivo
2.2 Passivo Não Circulante
2.2.01 Empréstimos e Financiamentos 2.3.04 Reservas de Lucros

Empréstimos e Financiamentos a 2.3.04.001 Reserva Legal


2.2.01.001
Longo Prazo 2.3.04.002 Reservas Estatutárias
Financiamento por Arrendamento 2.3.04.003 Reservas para Contingências
2.2.01.002
Financeiro 2.3.04.004 Reservas de Incentivos Fiscais
2.2.01.003 Títulos a Pagar 2.3.04.005 Reservas de Lucros a Realizar
2.2.01.004 Credores por Financiamento Reservas de Lucros para
2.3.04.006
(Encargos Financeiros a Expansão
2.2.01.005
Transcorrer) Reserva Especial para Dividendos
2.3.04.007
Juros a Pagar de Empréstimos e Obrigatórios Não Distribuídos
2.2.01.006
Financiamento Lucros ou Prejuízos
2.3.05
2.2.02 Debêntures Acumulados
2.2.02.001 Conversíveis em Ações 2.3.05.001 Lucros Acumulados
2.3.05.001 (Prejuízos Acumulados)
Prêmio na Emissão de Debêntures
2.2.02.002 2.3.06 (Ações em Tesouraria)
a Apropriar
(Gasto na Emissão de
2.2.02.003
Debêntures)
2.5.2 Conta de Resultado
2.2.03 Provisões CONTAS DE RESULTADO
3
2.2.03.001 Provisões Fiscais (CUSTOS E DESPESAS)
2.2.03.002 Provisões Previdenciárias 3.1 Custos de Produção
2.2.03.003 Provisões Trabalhistas 3.1.01 Matéria Prima Direta
2.2.03.004 Provisões Cíveis 3.1.02 Outros Materiais Diretos
Provisão para Benefícios a 3.1.03 Mão de Obra Direta
2.2.03.005
Empregados 3.1.03.001 Salários
2.2.03.006 Provisões para Garantias 3.1.03.002 Prêmios de Produção
2.2.04 Receitas Diferidas
3.1.03.003 Gratificações
2.2.04.001 Receitas de Exercícios Futuros
3.1.03.004 Férias
(Custos e Despesas
3.1.03.005 Décimo Terceiro Salário
2.2.04.002 Correspondentes às Receitas de
Exercícios Futuros) 3.1.03.006 INSS
2.2.05 Receitas Diferidas 3.1.03.007 FGTS
2.2.05.001 Receitas de Exercícios Futuros 3.1.03.008 Benefícios a Empregados
2.3 Patrimônio Líquido 3.1.03.009 Aviso Prévio e Indenizações
2.3.01 Capital Social
3.1.03.010 Assistência Médica e Social
2.3.01.001 Capital Autorizado
3.1.03.011 Seguro de Vida em Grupo
2.3.01.002 (Capital a Subscrever)
2.3.01.003 Capital Subscrito Seguro de Acidentes do
3.1.03.012
Trabalho
2.3.01.004 (Capital a Integralizar)
2.3.02 Reserva de Capital 3.1.03.013 Auxílio Alimentação

57
Contabilidade Geral

3.1.03.014 Assistência Social 3.1.05.005.008 Outras


3.1.03.015 Outros Encargos 3.2 Despesas Operacionais
3.1.04 Outros Custos Diretos 3.2.01 Despesas de Vendas
3.1.04.001 Serviços de Terceiros 3.2.01.001 Despesas com Pessoal
3.1.04.002 Outros 3.2.01.001.001 Salários e Ordenados
3.1.05 Custos Indiretos 3.2.01.001.002 Gratificações
3.1.05.001 Material Indireto 3.2.01.001.003 Férias
3.1.05.002 Mão de Obra Indireta 3.2.01.001.004 Décimo Terceiro Salário
Salários e Ordenados dos 3.2.01.001.005 INSS
3.1.05.002.001
Supervisores de Produção 3.2.01.001.006 FGTS
Salários e Ordenados dos 3.2.01.001.007 Indenizações
3.1.05.002.002
Departamentos de Serviços 3.2.01.001.008 Assistência Médica e Social
3.1.05.002.003 Gratificações 3.2.01.001.009 Seguro de Vida em Grupo
3.1.05.002.004 Férias
Seguro de Acidente do
3.1.05.002.005 Décimo Terceiro Salário 3.2.01.001.010
Trabalho
3.1.05.002.006 INSS
3.2.01.001.011 Outros Encargos
3.1.05.002.007 FGTS
3.2.01.002 Comissões de Vendas
3.1.05.002.008 Benefícios a Empregados
3.2.01.003 Ocupações
3.1.05.002.009 Aviso Prévio Indenizado
3.2.01.003.001 Aluguéis e Condomínios
3.1.05.002.010 Assistência Médica Social
3.2.01.003.002 Depreciação e Amortização
3.1.05.002.011 Seguro de Vida em Grupo
3.2.01.003.003 Manutenção e Reparos
Seguro de Acidentes do
3.1.05.002.012 3.2.01.004 Utilidades e Serviços
Trabalho
3.2.01.004.001 Energia Elétrica
3.1.05.002.013 Outros Encargos
3.2.01.004.002 Água e Esgoto
Honorários da Diretoria da
3.1.05.002.014 3.2.01.004.003 Telefone, Internet, Fax
Produção e Encargos
3.2.01.004.004 Correios e Malotes
3.1.05.003 Ocupação 3.2.01.004.005 Reprodução
3.1.05.003.001 Aluguéis e Condomínios 3.2.01.004.006 Seguros
3.1.05.003.002 Depreciações e Amortizações 3.2.01.004.007 Transporte de Pessoal
3.1.05.003.003 Manutenção de Reparos 3.2.01.005 Propaganda e Publicidade
3.1.05.004 Utilidades de Serviços 3.2.01.005.001 Propaganda
3.1.05.004.001 Energia Elétrica 3.2.01.005.002 Publicidade
3.1.05.004.002 Água 3.2.01.005.003 Anúncios
3.1.05.004.003 Transporte de Pessoal 3.2.01.005.004 Amostras
3.1.05.004.004 Comunicações 3.2.01.005.005 Pesquisas de Mercado
3.1.05.004.005 Reproduções 3.2.01.006 Despesas Gerais
3.1.05.004.006 Refeitório 3.2.01.006.001 Viagens e Representações
3.1.05.005 Despesas Gerais 3.2.01.006.002 Material de Escritório
3.1.05.005.001 Recrutamento e Seleção
Materiais Auxiliares e de
3.1.05.005.002 Treinamento de Pessoal 3.2.01.006.003
Consumo
3.1.05.005.003 Roupas Profissionais
3.2.01.006.004 Higiene e Limpeza
3.1.05.005.004 Conduções e Refeições
3.2.01.006.005 Copa, Cozinha, Refeitório
3.1.05.005.005 Impostos e Taxas
3.1.05.005.006 Segurança e Vigilância 3.2.01.006.006 Conduções e Lanches

Equipamento de Proteção 3.2.01.006.007 Revistas e Publicações


3.1.05.005.007
Individual - EPI 3.2.01.006.008 Donativos e Contribuições

58
AULA 6 • PLANO DE CONTAS

Despesas Gerais, Legais e 3.2.02.005.006 Conduções e Lanches


3.2.01.006.009
Judiciais
3.2.02.005.007 Revistas e Publicações
Serviços Profissionais
3.2.01.006.010 3.2.02.005.008 Donativos e Contribuições
Contratados
3.2.01.006.011 Tributos e Contribuições Despesas Gerais Legais e
3.2.02.005.009
Judiciais
Provisão para Créditos de Serviços Profissionais
3.2.01.007 3.2.02.005.010
Liquidação Duvidosa Contratados
Despesas Operacionais 3.2.02.005.010.001 Auditoria
3.2.02
Administrativas 3.2.02.005.010.002 Consultoria
3.2.02.001 Despesa com Pessoal 3.2.02.005.010.003 Recrutamento e Seleção
3.2.02.001.001 Salários e Ordenados 3.2.02.005.010.004 Segurança e Vigilância
3.2.02.001.002 Gratificações 3.2.02.005.010.005 Treinamento de Pessoal
3.2.02.001.003 Férias
3.2.02.006 Tributos e Contribuições
3.2.02.001.004 Décimo Terceiro Salário
3.2.02.006.001 ITR
3.2.02.001.005 INSS
3.2.02.006.002 IPTU
3.2.02.001.006 FGTS
3.2.02.006.003 IPVA
3.2.02.001.007 Indenizações
3.2.02.006.004 PIS/PASEP
3.2.02.001.008 Assistência Médica e Social
3.2.02.006.005 COFINS
3.2.02.001.009 Seguro de Vida em Grupo
3.2.02.006.006 Taxas Municipais e Estaduais
Seguro de Acidente do
3.2.02.001.010 3.2.02.006.007 Contribuição Social
Trabalho
3.2.02.001.011 Outros Encargos 3.2.02.007 Despesas com Provisões

3.2.02.002 Ocupações 3.2.03 Resultado Financeiro Líquido


3.2.02.002.001 Aluguéis e Condomínios 3.2.03.001 Despesas Financeiras
3.2.02.002.002 Depreciação e Amortização 3.2.03.002 Resultado Financeiro Comercial
3.2.02.002.003 Manutenção e Reparos Variações Monetárias de
3.2.03.003
3.2.02.003 Utilidades e Serviços Obrigações e Créditos
3.2.02.003.001 Energia Elétrica Outras Despesas
3.2.04
3.2.02.003.002 Água e Esgoto Operacionais
3.2.02.003.003 Telefone, Internet, Fax Prejuízos de Participações em
3.2.04.001
3.2.02.003.004 Correios e Malotes Outras Sociedades
3.2.02.003.005 Reprodução Participações nos Resultados
3.2.02.003.006 Seguros de Coligadas e Controladas
3.2.04.002
3.2.02.003.007 Transporte de Pessoal pelo Método da Equivalência
Patrimonial
3.2.02.004 Honorários
3.2.02.004.001 Diretoria Amortização de Ágio de
3.2.04.003
Investimentos
3.2.02.004.002 Conselho de Administração
3.2.05 Outras Despesas
3.2.02.004.003 Conselho Fiscal
3.2.02.005 Despesas Gerais Perda de Capital nos
3.2.05.001
3.2.02.005.001 Viagens e Representações Investimentos

3.2.02.005.002 Material de Escritório 3.2.05.002 Perda de Capital no Imobilizado


Materiais Auxiliares e de 3.2.05.003 Outras Perdas
3.2.02.005.003
Consumo Imposto de Renda e
3.2.05.004
3.2.02.005.004 Higiene e Limpeza Contribuição Social

3.2.02.005.005 Copa, Cozinha e Refeitório 3.2.05.005 Participações e Contribuições

59
Contabilidade Geral

3 ATIVIDADES RESOLVIDAS 6 ATIVIDADES PROPOSTAS


Exercício Resolvido Associe as contas a seguir:
A = Contas de Ativo
1- Qual a função das Contas?
P = Contas de Passivo
Resposta: Representar os itens patrimoniais (bens, PL = Contas de Patrimônio Líquido
direitos, obrigações, itens do capital próprio) ou de D = Contas de Despesa
resultado (receitas e despesas). Exemplo:
2- Para que serve o funcionamento das OBS: Para ser “despesas” não é necessário a
contas? conta começar com a palavra “DESPESA”.
Resposta: É por meio do funcionamento delas ( A ) Veículo
que sabemos quando determinada conta deverá ser ( ) Aplicação Financeira
debitada ou creditada. ( ) Obrigações com Terceiros
( ) Caderneta de Poupança
3- Para que serve o manual de contas? ( ) Fornecedores
Resposta: Consiste em um guia para os ( ) Depósito a Prazo
contabilistas, apresentando as principais características ( ) Salários a Pagar
de cada conta em particular (função, funcionamento e ( ) Duplicatas Descontadas
( ) Salários e Ordenados
natureza do saldo de cada uma delas). O uso desse
( ) Depreciação
manual traz, como consequência, a uniformização de
( ) Duplicatas a Receber
registros contábeis para a entidade.
( ) Amortização
( ) Pró-Labore a Pagar
4 RESUMO
( ) Exaustão
Na aula de hoje foram abordados assuntos ( ) Clientes
interessantes e de suma importância para o exercício ( ) Manutenção do Prédio
do contabilista. Vimos que o Plano de Contas ( ) Provisão para Devedores Duvidosos
( ) Despesas com Alimentação
representa uma relação organizada e padronizada das
( ) Contribuição Social a Recolher
contas previstas para serem utilizadas no registro de
( ) Terrenos
todos os atos administrativos relevantes, assim como
( ) Despesas com Viagens
no registro de todos os fatos contábeis referentes a ( ) Imposto de Renda a Recolher
um determinado patrimônio. Cada conta é informada ( ) Imóveis
com sua função, seu modo de funcionamento e com a
natureza de seu saldo. Vimos também que o elenco de REFERÊNCIAS
contas constitui a relação de todas as contas a serem ALMEIDA, M. C. Curso Básico de Contabilidade:
utilizadas para o registro de todos os atos administrativos introdução à metodologia da contabilidade,
relevantes, assim como de todos os fatos contábeis contabilidade básica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998.
decorrentes das atividades desempenhadas por uma BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES,
entidade econômico-administrativa. Vimos também Eugenio Celso. Contabilidade Geral. 7. ed. São
Paulo: Atlas, 2011.
que o manual de contas têm por função representar
itens patrimoniais (bens, direitos e obrigações, itens do BRASIL Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de
1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.
capital próprio) ou de resultado (receitas e despesas). Consolidada. Publicada em 08.01.2008.
Em seguida foi apresentado um plano de contas de
BRASIL Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009.
Ativo até Despesas. Na próxima aula veremos o Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades
restante do plano de contas. Espero por você. por Ações.

60
AULA 6 • PLANO DE CONTAS

FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas livro texto. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Contábeis, Atuariais e Financeiras. Manual de
MARION, José Carlos. Teoria da Contabilidade. 2.
Contabilidade Societária: aplicável a todas as
ed. São Paulo: Alínea, 2000.
sociedades. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu e
GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS. São Paulo: NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo.
Altas, 2010. Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Editora
IOB. INFORMAÇÕES OBJETIVAS. Textos Legais. Frase, 2011.
São Paulo: IOB, 2012. Mensal. Índice trimestral. OLIVEIRA, Justino. Introdução à Contabilidade
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade Introdutória- para concursos públicos. Rio de Janeiro: Editora
livro de exercícios. 8. ed. São Paulo: Editora Atlas, Método, 2010.
1996. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica fácil.
LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
administradores. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1997. SILVA, César Augusto Tibúrcio; TRISTÃO, Gilberto.
KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de; Contabilidade Básica. 4. ed. São Paulo: Editora
MARTINS, Eliseu. Contabilidade introdutória – Atlas, 2009.

61
Unidade 02

Contabilidade Geral
CONTAS PATRIMONIAIS

AULA 7

DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO ATIVO

Objetivos
• Conhecer a definição e a função das
contas devedoras do Ativo.
• Compreender a definição e a função das
contas credoras do Ativo.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO 2 CONTAS DEVEDORAS DO


Olá, caro aluno! Como vai? Está pronto para mais ATIVO - FUNÇÃO DA CONTA
um desafio? Como vimos na aula anterior, um dos
2.1 Caixa
instrumentos mais importantes para execução dos
trabalhos contábeis é o Plano de Contas. Qualquer A função dessa conta é agrupar todos os
profissional que trabalha na contabilidade, não lançamentos contábeis que registram entradas e
importando o cargo hierárquico que exerça, desde saídas físicas de dinheiro do Departamento Financeiro
auxiliar até o Contador, deve ter em mente isto: da empresa.
a qualidade dos trabalhos elaborados pelo setor/ Como norma interna da empresa, ficou estabelecido
departamento/divisão contábil está estritamente ligada que pagamentos de pequenos valores não serão feitos
à qualidade do Plano de Contas. Ele existe para que se pelo Caixa Geral, mas sim pelo “Caixinha da Empresa”
possam registrar as operações econômicas e financeiras que é representada pela conta - Fundo Fixo de Caixa.
da empresa, de forma coordenada e uniforme, o que
permitirá levantar a sua situação patrimonial através 2.2 Fundo Fixo de Caixa
das demonstrações financeiras. Hoje nossa aula será
Como norma interna da empresa, ficou estabelecido
superlegal, pois estudaremos as principais contas
que pagamentos à vista e em dinheiro de valores
utilizadas nos planos de contas tanto das empresas
comerciais como industriais e prestadoras de serviços. irrelevantes não serão feitos pelo Caixa Geral, mas sim
Veja que a maioria das empresas tem um caixa para pelo Fundo Fixo de Caixa.
registrar a entrada e a saída de dinheiro. As empresas O dinheiro do Fundo Fixo de Caixa deve ser
geralmente abrem contas em bancos, aplicam seu utilizado para pagamento de pequenas despesas,
dinheiro excedente, compram mercadorias para como conduções, taxi, materiais de escritório, limpeza
revender, e por isso as colocam em estoques. Quando e manutenção (para consumo imediato e não para
elas não compram à vista, compram a prazo e precisam estoque em almoxarifado), cartões telefônicos, lanches.
de uma conta chamada fornecedores ou duplicatas ou Como norma interna ficou estabelecido que, a
títulos a pagar para registrar suas obrigações. A maior cada 10 dias, o responsável pelo Fundo Fixo de Caixa
parte das empresas pagam tributos como ICMS, PIS, prestará contas do valor entregue.
COFINS, PIS, ISS, IPI, IRPJ e CSLL, sem falar no
IPVA de sua frota de veículo e o IPTU de seus bens 2.3 Bancos – Contas Correntes
imóveis. Por isso precisam de contas de resultado para
A função dessa conta é agrupar todos
registrar as despesas e contas redutoras de receitas,
os lançamentos contábeis que registrarão as
da mesma forma que precisam de contas no grupo das
movimentações nas contas correntes bancárias.
obrigações para registrar cada tributo separadamente.
Como todas precisam de mão de obra, elas pagam 2.4 Aplicações de Liquidez
salários, férias, décimo terceiro, FGTS, vale transporte,
Imediata
vale alimentação, são obrigadas por lei a realizarem
exames médicos admissionais, periódicos, exames Sua função é consolidar os lançamentos contábeis
demissionais, sem falar no EPI – Equipamento de que envolvam aplicações financeiras de liquidez
Proteção Individual, como botinas, capacete, óculos, imediata. Para efeito interno são tratadas como liquidez
luvas, protetor auricular, sem falar nos uniformes. A imediata as aplicações que podem ser resgatadas
energia elétrica, água, luz, aluguel, seguro são comuns num prazo máximo de uma semana após a aplicação.
em quase todas as empresas. Pare e pense! Para Quando ocorrer o resgate da aplicação financeira, deve
cada fato existe uma conta para registrar o Débito e ser identificado o IRRF (Imposto de Renda Retido na
a outra ou outras para registra o Crédito ou Créditos Fonte) e o valor do IOF (Imposto sobre Operações
ou vice-versa. Nesta aula vou definir várias contas que Financeiras) descontado pela banco. O IRRF será um
utilizaremos no decorrer da disciplina. Está pronto? direito da empresa a compensar no pagamento do
Então, vamos em frente! IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica).

64
AULA 7 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO ATIVO

2.5 Clientes Nacionais 2.10 Aplicações Financeiras de


Essa conta é para agrupar os lançamentos Renda Variável
contábeis que registrarão faturamento relativo a Agrupa os lançamentos contábeis que registrarão
clientes estabelecidos no Brasil. Cada cliente deverá as aplicações de renda variável, sujeitas a tributação
ter uma subconta própria, e o lançamento deve ser feito em separado pelo IPRJ. Exemplos: ações no mercado
pelas notas fiscais emitidas. As notas fiscais que forem a vista - em bolsa de valores, ouro - ativo financeiro no
canceladas antes de darem saída da empresa não mercado disponível ou à vista em bolsa de mercadorias
devem ser objeto de lançamento contábil. (trata-se de uma operação de risco, pois pode haver
ganhos expressivos, mas também podem ocorrer
2.6 Clientes no Exterior perdas relevantes).
Essa conta agrupa os lançamentos contábeis que
registrarão faturamento a clientes estabelecidos fora 2.11 Adiantamento de Salários a
do País. O registro contábil se apoiará nas notas fiscais Empregados
emitidas em nome da empresa estabelecida no exterior.
Registra os direitos que a empresa tem pelos
adiantamentos feitos aos empregados (com vínculo
2.7 Títulos e Contas a Receber
empregatício), que serão descontados na próxima
Agrupa os lançamentos contábeis que registrarão folha de pagamento. Se o “adiantamento” não vier a
os direitos de crédito da empresa representados por ser descontado na próxima folha de pagamento, o valor
títulos e demais documentos creditórios. entregue ao empregado deixa de ser adiantamento e
deve ser tratado como Empréstimos a Empregados.
2.8 Notas Promissórias a Receber
Registra as notas promissórias a serem recebidas 2.12 Adiantamento de Pró-
pela empresa. Nota promissória é um título emitido pelo Labore a Dirigentes
devedor (pessoa física ou jurídica) que se compromete
Registra os adiantamentos de pró-labore feitos aos
a pagar ao credor o valor acordado no prazo fixado.
dirigentes da empresa, e que serão descontados no
2.9 Aplicações Financeiras de momento do fechamento de Folha de Pró-Labore no
mês. Se o “adiantamento” não vier a ser descontado
Renda Fixa
na próxima folha de pagamento, o valor entregue aos
Agrupa os lançamentos contábeis que registrarão dirigentes deixa de ser adiantamento e deve ser tratado
as aplicações financeiras de renda fixa, com rendimento como Empréstimos na subconta da conta Empréstimos
pré ou pós-fixado, que serão resgatadas até a dada de a Pessoas Ligadas.
encerramento do exercício social seguinte. Aplicação
de Renda Fixa sujeita a tributação de IRRF. 2.13 Adiantamento para Viagens
Registra os adiantamentos feitos para que os
Aplicações de Renda Fixa: são aquelas que
se encontram disponíveis no mercado financeiro empregados (com vínculo empregatício) ou autônomos
para aqueles que querem proteger seu dinheiro da e profissionais liberais (sem vínculo empregatício)
inflação, sem envolver risco da perda expressiva realizem viagens a serviço da empresa. Esse
do dinheiro aplicado, ou seja, a aplicação é feita adiantamento cobrirá gastos com passagem aérea ou
com o objetivo de proteger o dinheiro e não de de ônibus, hospedagem, alimentação, táxi etc.
especular (ex.: CDB – Certificado de Depósito
Bancário). 2.14 Tributos e Contribuições a
Aplicações de Renda Variável: são aquelas nas Compensar
quais o interessado tem em mente que se trata
Essa conta agrupa os lançamentos contábeis que
de uma operação de risco, sujeita a variantes
registrarão os tributos e contribuições com direito de
que podem ser desde a queda de um Ministro da
Economia até os reflexos dos fatos ocorridos nas compensação. O direito de compensação pode ter sido
bolsas no exterior. obtido com base em: impostos destacados em notas
fiscais e que foram recuperados na Escrituração Fiscal

65
Contabilidade Geral

(ex.: ICMS e IPI); impostos ou contribuições pagos 2.19 Contribuição Social


por antecipação, ou seja, antes de apurar o devido Estimada a Compensar
(ex.: IRPJ pago por estimativa, Contribuição Social
Caso a empresa opte pelo recolhimento mensal
Estimada, ICMS Pago por Estimativa).
da Contribuição Social pelo sistema estimado, o
2.15 ICMS a Compensar valor deverá ser registrado nesta conta. Não se pode
esquecer que a Contribuição Social Estimada é tratada
Considerando que a empresa tem atividade
como uma antecipação da Contribuição Social Devida,
comercial, essa conta tem a função de registrar
que só será apurada em 31 de dezembro, com base
os direitos de crédito de ICMS pelas entradas das
mercadorias. Esse valor será confrontado com a em balanço anual.
obrigação da empresa com o nome de ICMS a Pagar, 2.20 Empréstimos a Empregados
sendo desembolsado pelo caixa somente o valor da
diferença. Registra os empréstimos feitos a empregados (com
vínculo empregatício) para recebimento até a data do
2.16 IPI a Compensar encerramento do exercício seguinte.
Considerando que a empresa, além da atividade 2.21 Estoques para Revenda
comercial, exerce também a atividade industrial, essa
conta tem a função de registrar os valores recuperados Registra as movimentações (compras e vendas)
de IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados que ocorrem no estoque das mercadorias para
– pelas entradas de matérias primas (inclusive revenda. Na compra de mercadoria para revenda deve
materiais intermediários e materiais de embalagens), ser levantado o custo total de aquisição, que será: valor
como também os valores de IPI pelas entradas de total da mercadoria constante na Nota Fiscal (NF) do
mercadorias devolvidas por clientes. Não é permitido fornecedor menos impostos recuperáveis constantes
lançar os direitos de créditos de IPI diretamente contra na NF, mais frete e seguros com o transporte da
a conta IPI a Recolher. mercadoria.

2.17 IRRF a Compensar 2.22 Estoques de Matéria Prima


Registra os valores relativos ao IRRF – Imposto Consideram-se como matéria prima os materiais
de Renda Retido na Fonte – que foram descontados adquiridos para serem enviados à área de produção
anteriormente da empresa, porém com direito de com o intuito de compor diretamente o produto
compensá-los posteriormente. Como exemplo de a ser fabricado pela empresa. Assim, incluem-se
situações que autorizam o direito de compensação do como matéria prima os materiais intermediários ou
IRRF, temos: IRRF sobre Aplicações Financeiras de secundários e os materiais de embalagem. As entradas
Liquidez Imediata; Aplicações no CDB (Certificado de ocorrem pelas compras, e as saídas ocorrem pelas
Depósito Bancário – Aplicações Financeiras de Renda requisições por parte da área de produção.
Fixa), IRRF que poderá vir a ser descontado sobre
2.23 Estoques de Produtos
serviços prestados pela empresa.
Acabados
2.18 IRPJ Estimado a Compensar Na data de encerramento do período base, esta
Caso a empresa opte pelo recolhimento mensal conta registra o estoque final de produtos que constam
do IRPJ pelo sistema estimado, o valor deverá ser no Livro de Registro de Inventário, e constará também
registrado nesta conta. Não se pode esquecer que o no balancete ou balanço da empresa para apuração
IRPJ Estimado é tratado como uma antecipação do IR do Custo do Produtos Vendidos no período base. EPA
Real Devido, que só será apurado em 31 de dezembro, - significa que os produtos já estão prontos para serem
com base em balanço anual. comercializados.

66
AULA 7 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO ATIVO

2.24 Estoques de Produtos em 2.29 Depósitos Judiciais


Elaboração Agrupa todos os lançamentos contábeis que
Registra o estoque final, na data de encerramento registrarão os depósitos bancários feitos sob ordem
do período base, de produtos que constam no Livro judicial. Tais depósitos são feitos por estar a empresa
de Registro de Inventário, e constará também no participando de algum processo judicial em que o juiz
balancete ou balanço da empresa para apuração do exigiu que se procedesse ao depósito bancário.
Custo do Produtos Vendidos no período base. EPE -
significa que os produtos não estão prontos para serem 2.30 Causas Trabalhistas
comercializados. Registra os depósitos feitos em banco, por ordem
judicial, por estar a empresa participando de um
2.25 Adiantamento a Fornecedores
processo trabalhista.
Registra os adiantamentos feitos a fornecedores,
que podem ser de mercadorias, matérias primas. 2.31 Direitos a Receber de
Adiantamento é uma conta de natureza devedora; Pessoas Ligadas
assim, se no balancete ou balanço estiver com saldo
Agrupa os lançamentos que registrarão direitos
credor, deve ser procurado o erro.
a receber de pessoas ligadas. Essa conta deve ser
2.26 Seguros a Apropriar utilizada pra registrar os direitos a receber provenientes
de vendas não vinculadas a negócios usuais na
Agrupa os lançamentos contábeis que registrarão
empresa, como também os empréstimos a pessoas
os valores contratados junto às Seguradoras para dar
jurídicas ligadas à empresa (ex.: controladora,
cobertura a eventuais sinistros. O seguro a apropriar
controlada) e pessoas físicas ligadas à empresa
é uma despesa antecipada, e como tal haverá
(sócios, acionistas, diretores ou participantes no lucro
apropriação da parcela mensal.
da empresa).
2.27 Assinaturas de Periódicos,
2.32 Participações Avaliadas
jornais, revistas
Pela Equivalência Patrimonial
Registra valores relativos a assinaturas para
Agrupa os lançamentos contábeis que registrarão
que a empresa possa receber informações por um
as movimentações relacionadas a participações
período determinado através de jornais, revistas ou
boletim. Como se trata de uma despesa antecipada, em empresas controladas ou coligadas, em que a
haverá apropriação da parcela mensal a resultado, ou participação é avaliada pela equivalência patrimonial.
seja, vamos supor que você, em 01/01/2012, fez uma
2.33 Imóvel para Aluguel
assinatura para todo ano para receber informações da
IOB. Vamos supor que você pagou à vista R$12.000,00. A empresa tem atividade comercial e industrial, não
Concorda que esse valor será para o ano todo? Então fazendo parte do seu objetivo a atividade imobiliária.
nada mais justo do que dividir esses R$12.000,00 em Sendo assim esse imóvel será um investimento da
12 pedaços de despesas. Cada mês você reconhece empresa.
um pedaço na DRE, dando baixa no direito no mesmo
valor. Ficou claro, não é?
2.34 Máquinas e Equipamentos
Registra as aquisições e baixas das máquinas e
2.28 Direitos Realizáveis a Longo equipamentos. Somente devem ser registrados nessa
Prazo de Terceiros conta bens para serem utilizados diretamente na
Agrupa os lançamentos contábeis que registrarão fabricação de produtos. Assim, só devem constar aqui
títulos (não importando a espécie) a receber a longo máquinas e equipamentos que estão localizados na
prazo, ou seja, após a data de encerramento do área fabril para servirem de instrumento principal ou
exercício seguinte. acessório na fabricação dos produtos da empresa.

67
Contabilidade Geral

2.35 Móveis e Utensílios órgãos públicos competentes (ex.: INPI – Instituto


Nacional de Propriedade Industrial).
Registra as aquisições e baixas dos móveis e
utensílios, não importando a área em que se encontram Considera-se marca a forma com que uma
situados. Exemplos de móveis e utensílios: cadeiras, empresa distingue um produto ou um serviço dos
mesas, estantes, máquina de escrever, calculadora, demais concorrentes, podendo ser por meio de figuras,
ventilador, condicionador de ar. desenhos ou letras trabalhadas, cujo direito de uso
fica resguardado após o registro da marca no órgão
2.36 Ferramentas competente.
Registra as aquisições e baixas de ferramentas. Considera patente documento que garante o direito
Devem ser tratados como ferramentas os bens exclusivo ao inventor de gozar da criação de uma
adquiridos para servirem de instrumento para utilidade industrial.
manutenção ou conservação de bens da empresa e As marcas e patentes sofrem amortização. A taxa
instalações de bens na empresa.
anual será apurada dividindo-se 100% pelos anos
2.37 Edifícios autorizados pelo órgão público competente.

Registra as aquisições e alienações de edifícios. 2.42 Benfeitorias em Imóveis de


As benfeitorias que sejam feitas no imóvel (ex.: Terceiros
reformas ou ampliação da parte construída) devem ser
registradas também na conta Edifícios. Registra as benfeitorias feitas em imóveis locados
de terceiros, incluindo-se aqui imóveis locados de
2.38 Veículos pessoas ligadas à empresa. Devem ser entendidos
Registra as aquisições e baixas de veículos. As como benfeitoria os dispêndios para ampliação
empilhadeiras não devem ser entendidas como veículo ou restauração do imóvel para que ele atenda às
de carga, e sim como máquinas e equipamentos. necessidades da empresa. Não devem ser registradas
Os automóveis de carga são considerados como em benfeitorias em imóveis de terceiros aquelas
automóveis, já os tratores e motocicletas devem ser pelas quais, por disposição contratual, o proprietário
registrados dentro da conta Bens e Direitos de Uso.
indenizará a empresa.
Os automóveis serão depreciados 20% ao ano. Já os
tratores e as motocicletas serão depreciados 25% ao
ano.
3 CONTAS CREDORAS ATIVO -
FUNÇÃO DA CONTA
2.39 Computadores e Periféricos
3.1 Duplicatas Descontadas
Registra as aquisições e baixas de computadores
e periféricos. Como periférico deve ser entendido o Registra as duplicatas que foram objeto de desconto
bem físico que é instalado para servir de acessório ao junto à instituição financeira. Por se tratar de uma conta
computador, para desempenho dos trabalhos que lhe redutora do ativo, elas são de natureza credora.
são próprios. Por exemplo: impressora e teclado
3.2 Provisão para Créditos
2.40 Softwares de Liquidação Duvidosa ou
Nesta conta devem ser registradas as aquisições Provisão para Devedores
de direito de uso de software (programa para o Duvidosos - PDD
computador) de propriedade de terceiros e os softwares
desenvolvidos pela empresa ou por ela contratados Registra a provisão para créditos de liquidação
junto a terceiros. duvidosa a cada fechamento de balanço ou balancete.
Essa provisão significa que parte das vendas que você
2.41 Marcas, Direitos e Patentes realizou a prazo, você não irá receber. Como toda
de Invenção provisão gera uma despesa, pode-se afirmar que as
Registra as aquisições de direito de uso de marcas provisões fazem com que o lucro contábil da empresa
e patentes de invenção devidamente autorizadas pelos se reduza.

68
AULA 7 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO ATIVO

3.3 Depreciação Acumulada de Imóvel Alugado


Agrupa os lançamentos contábeis que registrarão a depreciação dos imóveis alugados que se encontram
registrados em subconta da conta Imóvel para Aluguel.

3.4 Depreciação Acumulada


Agrupa os lançamentos contábeis que registrarão as quotas de depreciações dos bens. Alguns exemplos de
depreciação: máquinas e equipamentos, móveis e utensílios, ferramentas, imóveis, veículos, tratores, computadores
e periféricos.

3.5 Amortização Acumulada


Agrupa os lançamentos contábeis que registrarão as quotas de amortização sobre os direitos de uso. Só
poderão sofrer amortização os direitos de uso que tenham prazo determinado para o seu gozo. Alguns exemplos
de bens intangíveis que deverão ser amortizados: marcas, softwares, patentes, fundo de comércio, benfeitorias em
propriedades de terceiros.

3.6 Amortização Acumulada em benfeitorias em imóveis de


terceiros
Registra a amortização do direito de uso de benfeitorias em imóveis de terceiros. A taxa anual de amortização
deve ser apurada dividindo-se 100% pelo número de anos em que a empresa usufruirá das benfeitorias feitas,
diante do prazo restante para término do contrato de locação.

3.7 Exaustão Acumulada


Registra a exaustão caracterizada pelo esgotamento progressivo de recursos naturais (jazidas,
florestas, etc.) devido à sua exploração.

4 ATIVIDADE RESOLVIDA
Exercício Resolvido 01
BALANÇO PATRIMONIAL DA EMPRESA BRUNA OLLY S. A. 2011
BP - BALANÇO PATRIMONIAL: 2011
ATIVO PASSIVO
Ativo Circulante 186.400 Passivo Circulante 125.000
Banco – Itaú 105.000 Empréstimos 52.000
Aplicações Financeiras 32.000 Financiamento CP 20.000
Clientes 28.700 Salários a pagar -
Estoques 13.200 Fornecedores 45.000
Impostos a Recuperar 1.500 Contas a pagar 3.200
Adiantamento de Salários 6.000 ICMS a recolher 4.800

Ativo Não Circulante 15.600 Passivo Não Circulante 18.000


Depósito Judicial 15.600 Financiamento LP 18.000

Ativo Permanente 41.000 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 100.000


Imobilizados 41.000 Capital Social 95.000
Veículos 50.000 Capital a Integralizar (5.000)
Depreciação Acumulada (9.000) Reserva Legal 10.000

Total do Ativo 243.000 Total do Passivo 243.000

69
Contabilidade Geral

DRE - DA EMPRESA BRUNA OLLY S. A. 2011 contas de natureza devedora devem apresentar saldo
devedor, enquanto as de natureza credora devem
CONTAS R$
apresentar saldo credor. Por isso, se no balancete ou
RECEITA BRUTA DE VENDAS 170.000
balanço você encontrar, por exemplo, a conta caixa com
(-) Impostos sobre vendas (30.600) saldo credor, deve ser procurado o erro, pois essa conta
RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS 139.400 deverá apresentar o saldo devedor. Da mesma forma,
(-) Custos de mercadorias vendidas - CMV (95.000) se você encontrar a conta duplicatas descontadas com
RESULTADO BRUTO 44.400 saldo devedor deve ser procurado o erro, pois essa
conta deverá apresentar saldo credor. Deve ficar claro
Despesas com salários (12.500)
que nem todas as contas do Plano de Contas tiveram
Despesas com água, luz e telefone (4.000)
suas funções apresentadas. Você deverá pesquisar
Despesas com depreciação (2.100)
outras referências que são disponibilizadas no final
Receitas com juros ativos 1.000 de cada aula para o seu próprio enriquecimento. Na
Despesas com juros passivos (16.800) próxima aula veremos as funções das principais contas
RESULTADO LÍQUIDO 10.000 do Passivo e Patrimônio Líquido.

Com base na aula 6 – Plano de Contas – é 6 ATIVIDADES


possível determinar os saldos de cada conta, se são
devedores ou credores. Observe: As contas a seguir devem apresentar saldos
No lado do ativo do BP os saldos das contas devedores ou credores. Conto com sua ajuda nesta
devedoras são a maioria e por isso estão fora do classificação. Bons estudos.
parêntese, enquanto a minoria apresenta saldo credor, Exemplo:
como é o caso da conta Depreciação Acumulada,
cujo valor está entre parênteses para sinalizar que é Banco Bradesco: Deverá apresentar saldo
uma conta redutora, ou seja, uma conta que reduziu os DEVEDOR
bens e direitos da Cia Bruna Olly. 1) Duplicatas a Receber
No lado do passivo do BP os saldos das contas 2) Estoques
credoras são a maioria por isso estão fora dos 3) Duplicatas a Pagar
parênteses, enquanto a minoria apresenta saldo
4) Impostos a Recuperar
devedor, como é o caso da conta Capital a Integralizar,
5) Empréstimos a Pagar
cujo valor está entre parênteses para sinalizar que é
6) Empréstimos em Coligadas e Controladas
uma conta redutora, ou seja, uma conta que reduziu o
7) Empréstimos Bancários
Patrimônio Líquido da Cia Bruna Olly.
Na DRE da Cia Bruna Olly você pode observar que 8) Caixa
os valores positivos estão fora dos parênteses para 9) Aplicações Financeiras
mostrar que se trata de contas de natureza CREDORA, 10) Veículos
enquanto os valores negativos estão entre parênteses, 11) Impostos a Recolher
pois são contas com saldos DEVEDORES. 12) Adiantamento a Fornecedores
Resumindo, as receitas serão positivas enquanto 13) Seguros pagos Antecipadamente
as contas redutoras de receitas, os custos e as 14) Juros a Receber
despesas serão negativos. 15) Depreciação Acumulada
16) Duplicatas Descontadas
5 RESUMO 17) Provisão para Devedores Duvidosos
Discutimos na aula de hoje a função das principais 18) Adiantamentos a Funcionários
contas do ATIVO. Vimos que a maioria é de natureza 19) Estoque de Produtos Acabados
devedora enquanto uma pequena parte é de natureza 20) Estoque de Matéria Prima
credora. As contas de natureza credora do ATIVO são 21) Estoque de Produtos em Elaboração
chamadas de contas redutoras ou retificadoras. As 22) Exaustão Acumulada

70
AULA 7 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO ATIVO

REFERÊNCIAS CREPALDI, Silvio Aparecido. Resumo da teoria


atendendo às novas demandas da gestão
ALMEIDA, M. C. Curso Básico de Contabilidade: empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
introdução à metodologia da contabilidade, FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23. ed. São
contabilidade básica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998. Paulo: Saraiva, 1996.
ANDRADE, Eurídice Mamede. Contabilidade GOUVEIA, Nelson. Contabilidade. 2. ed. São
Comercial. São Paulo: Editora Campus, 2002. Paulo:Atlas, 1998.
BARBOSA, Crysthian Barbosa. Contabilidade MARION, José Carlos. Teoria da Contabilidade. 2.
Básica. Curitiba: Juruá, 2008. ed. São Paulo: Alínea, 2000.
BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES, NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo.
Eugenio Celso. Contabilidade Geral. 7. ed. São Contabilidade Básica. 9. ed. São Paulo: Editora
Paulo: Atlas, 2011. Frase, 2011.
OLIVEIRA, Justino. Introdução à Contabilidade
BRASIL Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de
para concursos públicos. Rio de Janeiro: Editora
1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.
Método, 2010.
Consolidada. Publicada em 08.01.2008.
PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade
BRASIL Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009. Básica: uma introdução à contabilidade básica; uma
Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades introdução à prática contábil. 3. ed. São Paulo: Atlas,
por Ações. 1996.
CHAGAS, Gilson. Contabilidade geral simplificada. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil.
2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.

71
Unidade 02

Contabilidade Geral
CONTAS PATRIMONIAIS

AULA 8

DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS


DO PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Objetivos
• Compreender a definição e a função das
contas do Passivo.
• Compreender a definição e a função das
contas do Patrimônio Líquido.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO as compras à vista ou a prazo de mercadorias para


revenda. Quando houver o pagamento da duplicata da
Olá, meu aluno! Viu como foi produtiva nossa Cia Ana Paula Valadão Sanches, a empresa deverá
aula 07? Você conheceu a função de várias contas debitar e, quando houver a compra, deverá creditar.
do ATIVO, tanto de saldo devedor com de saldo Sendo assim, o aumento dessa conta é creditado e o
credor. Daqui a pouco você já estará apto a realizar
decréscimo é debitado. Se o pagamento da duplicata
lançamentos contábeis para montarmos nosso
for em atraso, deve-se tomar o cuidado de identificar o
Balancete de Verificação – BV –, nossa Demonstração
valor dos juros de mora cobrados pelo fornecedor, pois,
do Resultado do Exercício - DRE – e em seguida
nesse caso, o lançamento será:
nosso Balanço Patrimonial - BP. É um desafio e
D- Cia Ana Paula Valadão Sanches (fornecedor)
tanto, concorda? Mas antes disso precisamos estudar
(passivo)
algumas definições e funções das contas do PASSIVO
e do PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Toda dúvida quanto à D- Juros Passivo (despesa)
classificação das contas, você deverá voltar à AULA C- Caixa ou Banco (ativo)
6. Ela servirá de auxílio até você dominar todo o Pode acontecer de a empresa pagar
conteúdo. Fique atento às contas redutoras do lado antecipadamente a duplicata, considerando que o
direito do Balanço Patrimonial. Você irá perceber que, fornecedor dará um desconto pelo pagamento antes
quando uma pessoa decide constituir uma empresa, do vencimento normal dela. Nesse caso, é necessário
ela precisa de capital e este pode ser: dinheiro, bens identificar o valor do desconto obtido junto ao
móveis ou bens imóveis. Se for dinheiro, a conta que o fornecedor, fazendo-se o seguinte lançamento contábil
receberá será Banco ou Caixa; se for bens móveis ou pelo pagamento da duplicata com desconto.
imóveis, a conta que o registrará será o Imobilizado. D- Cia Ana Paula Valadão Sanches (fornecedor)
Depois de constituída a empresa, os sócios também (passivo)
poderão aumentar o Capital Social usando dinheiro, C- Descontos Obtidos
bens imóveis, bens móveis e também as reservas C- Caixa ou Banco (ativo)
que fazem parte do Patrimônio Líquido. Vamos, então, A conta Fornecedor deverá ser lançada a crédito
compreender as principais contas do Passivo e do
para registrar a aquisição de mercadorias a prazo; já a
Patrimônio Líquido? Venha comigo.
conta estoque deverá ser lançada a débito.

2 CONTAS CREDORAS DO 2.2 Fornecedores Nacionais de


PASSIVO - FUNÇÃO DA CONTA Mercadorias para Consumo
2.1 Fornecedores Nacionais de A função dessa conta é agrupar os lançamentos
Mercadorias para Revenda contábeis que registrarão as compras de materiais de
consumo, para pagamento a prazo, de fornecedores
Nessa conta se agrupam os lançamentos contábeis
localizados no país. Como material de consumo
que registrarão as compras de mercadorias para
devem-se entender os materiais utilizados para o
revenda de fornecedores localizados no país.
desempenho dos serviços burocráticos (formulários,
Como mercadorias para revenda devem-se
impressos, canetas, lápis, borracha e demais materiais
entender as mercadorias que não serão objeto de
de escritório), como também os materiais necessários
remessa para área produtiva da empresa, mas
adquiridas com a finalidade exclusiva de serem para a manutenção e conservação dos bens da
mantidas em estoques para, na primeira oportunidade, empresa (ex.: materiais de limpeza, tinta para pintura
serem vendidas sem sofrer qualquer processo de do prédio e das máquinas da empresa).
industrialização pela empresa. Veja um exemplo: Fornecedor (Cia. Alda Célia
Veja um exemplo: Fornecedor (Cia. Ana Paula Sanches)
Valadão Sanches) A conta Fornecedor Cia Alda Célia Sanches é de
A conta Fornecedor Cia Ana Paula Valadão natureza credora. Sua função é registrar as compras à
Sanches é de natureza credora. Sua função é registrar vista ou a prazo de mercadorias para consumo.

74
AULA 8 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Na Aquisição: 2.4.2 Empréstimos de Pessoas


D- Estoque de Mercadorias para Consumo Ligadas
C- Cia Alda Célia Sanches (fornecedor)
Sua função é agrupar os lançamentos contábeis
No Pagamento:
que registrarão os empréstimos feitos por pessoas
D- Cia Alda Célia Sanches (fornecedor)
ligadas à empresa. Por pessoas ligadas deve-se
C- Caixa ou Banco
entender as pessoas que tenham vínculo com a
2.3 Fornecedores Estrangeiros sociedade, por exemplo: sócio, controlada e coligada.

Sua função é agrupar os lançamentos contábeis EXEMPLO: Fernanda Brum Sanches (Sócia)
que registrarão todas as importações de quaisquer Sua função é registrar os empréstimos feitos
espécies de mercadorias e serviços. Sua natureza é pela sócia Fernanda Brum Sanches. Essa conta é de
credora. Então, se no balancete de verificação ou no natureza credora. Deverá ser creditada sempre que a
balanço patrimonial seu saldo estiver devedor, deve empresa constituir a obrigação, ou seja, pela obtenção
ser procurado o erro. Será lançada a débito para de empréstimo junto à sócia Fernanda Brum Sanches.
registrar a quitação da obrigação que se dá por meio Essa conta deverá ser lançada a débito pelo pagamento
do fechamento de câmbio. Será lançada a crédito para do empréstimo, ou seja, quando a sócia pagar para
registrar o valor da obrigação relacionada à importação, a empresa o empréstimo tomado, a empresa deverá
bem como para registrar a atualização da obrigação baixar essa obrigação. Toda vez que as obrigações das
pela variação da taxa de câmbio. empresas estão sendo reduzidas elas devem debitar.

2.4 Empréstimos e Financiamentos 2.5 Obrigações Trabalhistas


Sua função é agrupar os lançamentos contábeis Sua função é agrupar os lançamentos contábeis
que registrarão os empréstimos ou financiamentos que registrarão as obrigações trabalhistas segundo o
tomados e a serem pagos até a data de encerramento regime da competência. Como obrigações trabalhistas
do exercício seguinte. deve-se entender todas as obrigações relacionadas a
rendimentos do trabalho a serem pagos a empregados,
2.4.1 Empréstimos e Financiamentos a pessoa sem vínculo empregatício e aos sócios, como
Bancários também os encargos sociais incidentes sobre tais
Sua função é agrupar os lançamentos contábeis rendimentos. O saldo da conta obrigações trabalhistas
que registrarão os empréstimos ou financiamentos será o somatório das subcontas: folha de pagamento
feitos a instituições financeiras. É necessário verificar de empregados, autônomos e dirigentes.
no contrato, principalmente a forma de pagamento, o
2.5.1 Salários a Pagar
indexador de atualização da dívida e os juros. Observe
que algumas contas mães têm o nome parecido com o Sua função é registrar a folha de pagamento relativa
das contas filhas. aos salários mensais devidos aos empregados. Como
salários devem-se entender todas as espécies de
EXEMPLO: Banco Jotta-A Sanches
remuneração devidas aos empregados, por exemplo:
Sua função é registrar os empréstimos e salários mensais, horas extras, adicionais etc. As contas
financiamentos feitos pelo Banco Jotta-A à empresa, Férias e 13º Salário devem ser controladas em conta
bem como a atualização monetária e os juros separadas. Salário a pagar é de natureza credora. Essa
incorridos a pagar correspondentes. A natureza dessa conta será lançada a crédito para registrar a Folha de
conta é credora, pois representa uma obrigação para Salários devida aos empregados no último dia do mês,
a empresa. Essa conta será lançada a débito para porém a ser paga no mês seguinte, obedecendo-se à
registrar o pagamento parcial ou integral do empréstimo data máxima legal para pagamento aos empregados.
ou financiamento e será lançada a crédito para registrar Essa conta será debitada para registrar o pagamento
a constituição da obrigação, ou seja, do empréstimo ou dos salários dos empregados, ou seja, registra a
financiamento tomado junto ao banco. quitação da obrigação.

75
Contabilidade Geral

2.5.2 Férias e Encargos a Pagar 2.6.2 INSS Empresa a Pagar


Sua função é registrar as férias devidas aos Registra o INSS, pelo regime de competência,
empregados pelo regime de competência. Assim, relativo à parcela da contribuição à Previdência Social
mensalmente, é provisionado 1/12 de férias, devida pela empresa sobre a Folha de Pagamento. Caro
acrescido do 1/3 constitucional, com base na Folha aluno, não se esqueça de que o INSS Empresa devido
de Pagamento dos Salários dos empregados. Devem sobre as férias e 13º salário não deve ser contabilizado
ser provisionados também Férias e Encargos a Pagar na conta INSS Empresa a Pagar, mas sim nas contas
(os encargos sociais como FGTS e INSS) incidentes Férias e Encargos a Pagar e 13º Salário e Encargos a
sobre as feris provisionadas. A conta Férias e Encargos Pagar. A conta INSS Empresa a Pagar é de natureza
Sociais a Pagar é de natureza credora. Essa conta credora. Quando a empresa debitar essa conta significa
que ela está fazendo o recolhimento através da Guia
será lançada a débito para registrar o pagamento das
de Recolhimento da Previdência Social. Quando ela
férias ao empregado e também o pagamento do INSS
creditar significa que ela está constituindo a provisão,
e do FGTS incidentes sobre as férias. Essa conta será
seguindo o regime da competência.
lançada a crédito para registrar a provisão para férias
e encargos. 2.7 FGTS a Pagar
2.5.3 Décimo Terceiro e Encargos a A função dessa conta é registrar o Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço pelo regime de
Pagar
competência, a ser recolhido com base na folha de
Sua função é agrupar os lançamentos contábeis pagamento. Caro aluno, é bom ficar sempre atento
que registrarão, pelo regime de competência, a para não contabilizar o FGTS sobre férias e sobre o 13º
provisão para o 13º salário devido aos empregados. salário nessa conta, e sim na suas respectivas contas
Assim, mensalmente, é provisionado 1/12 do 13º próprias: Férias e Encargos a Pagar e 13º Salário e
salário com base na folha de pagamento dos salários Encargos a Pagar.
dos empregados. Devem ser provisionados também A conta FGTS a Pagar é de natureza credora. Essa
os encargos sociais (INSS e FGTS) incidentes sobre conta será creditada sempre para registrar a provisão
segundo o regime da competência. Por outro lado será
o 1/12 de 13º salário provisionado. Essa conta é de
debitada sempre que a empresa fizer o recolhimento
natureza credora. Sempre que houver o pagamento
ao governo, ou seja, sempre que fizer o pagamento.
dessa obrigação, essa conta deve ser debitada, e
sempre que houver o registro da provisão, deverá ser 2.8 Obrigações Tributárias
creditada.
A função dessa conta é agrupar os lançamentos
2.6 Encargos Sociais a Pagar contábeis que registrarão, segundo o regime de
competência, as obrigações tributárias. O saldo dessa
Sua função é agrupar os lançamentos contábeis conta é composto pelo somatório das subcontas:
que registrarão, pelo regime de competência, os impostos retidos a recolher, impostos e contribuições
encargos sociais incidentes sobre as obrigações sobre o lucro e impostos e contribuições sobre receita.
trabalhistas.
2.9 IRRF a Recolher (Imposto de
2.6.1 INSS dos Empregados a Renda Retido na Fonte)
Recolher A função dessa conta é agrupar os lançamentos
Registra o INSS descontado dos empregados na contábeis que registrarão os impostos que foram
Folha de Pagamento para ser recolhido na Guia de retidos (descontados) pela empresa no pagamento de
Recolhimento da Previdência Social. Sua natureza é rendimentos a pessoas físicas ou jurídicas.
credora. Será debitado para registrar o recolhimento
2.9.1 IRRF a Recolher (Retido de
através da GPS, relativo ao INSS descontado dos
empregados. Será creditada para registrar a provisão
Pessoas Físicas)
do INSS descontado dos empregados na Folha de A função dessa conta é registrar o IRRF descon-
Pagamento. tado no pagamento de rendimentos a pessoas físicas,

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AULA 8 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

por exemplo, o IRRF no pagamento de salários, empresa fizer a provisão para o pagamento e debitada
honorários, pró-labore e aluguel. Essa conta é de quando a empresa pagar o imposto ao governo federal.
natureza credora e será creditada para registrar a
obrigação de a empresa recolher o IRRF que foi 2.11 CSLL a Pagar
descontado de pessoa física quando se pagaram seus A função dessa conta é registrar a provisão da
rendimentos. Quando acontecer o recolhimento para o
Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido a pagar com
governo, essa conta deverá ser debitada.
base em balancete mensal ou balanço anual. Essa
conta é de natureza credora. Será creditada, quando
Caro aluno: no sétimo período você estudará
a empresa fizer a provisão para o pagamento, e será
Contabilidade Fiscal e Tributária quando
debitada, quando a empresa pagar a contribuição ao
aprenderá calcular todos os tributos, inclusive
governo federal.
o Imposto de Renda de Pessoa Física. Fique
atento! 2.12 Cofins a Pagar
A função dessa conta é registrar a provisão da
2.9.2 IRRF a Recolher (Retido de Contribuição Social para Financiamento da Seguridade
Pessoas Jurídicas) Social sobre as receitas brutas. Essa conta é de
natureza credora. Será creditada, quando a empresa
A função dessa conta é registrar o IRRF descontado
fizer a provisão para o pagamento, e será debitada,
no pagamento de pessoas jurídicas, quando do crédito
quando a empresa pagar a contribuição ao governo
ou pagamento de rendimentos a pessoas jurídicas,
federal.
por exemplo, o IRRF no crédito ou pagamento de
honorários ou comissões. Essa conta é de natureza 2.13 PIS a Pagar
credora e será creditada para registrar a obrigação da
empresa de recolher o IRRF que foi descontado da A função dessa conta é registrar a provisão do
pessoa jurídica, quando se pagaram seus rendimentos. Programa de Integração Social sobre as receitas brutas.
Quando acontecer o recolhimento para o governo, essa Essa conta é de natureza credora. Será creditada,
conta deverá ser debitada. quando a empresa fizer a provisão para o pagamento,
e debitada, quando a empresa pagar a contribuição ao
2.9.3 ISS Retido a Recolher governo federal.
A função dessa conta é registrar o ISS (Imposto
2.14 IPI a Recolher
sobre Serviços) que, por exigência da legislação, a
empresa reteve (descontou) de alguém no pagamento A função dessa conta é registrar o IPI (Imposto
de serviços, sendo que tal ISS será recolhido pela sobre Produtos Industrializados) segundo o regime da
empresa à Prefeitura. A natureza dessa conta é competência. Essa conta é de natureza credora. Será
credora. Será creditada para registrar a obrigação de a creditada, quando a empresa fizer a provisão apurado
empresa recolher o ISS que foi descontado de pessoa com base nos livros fiscais, tendo como contrapartida o
jurídica, quando se pagou pelos serviços prestados. débito na conta IPI sobre Faturamento, e será debitada,
Quando acontece o recolhimento, essa conta deve quando a empresa pagar o imposto para o governo
ser debitada, pois significa que as obrigações foram federal.
deduzidas.
2.15 ICMS a Pagar
2.10 IRPJ a Pagar A função dessa conta é registrar o ICMS (Imposto
A função dessa conta é registrar a provisão do sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) a pagar.
Imposto de Renda de Pessoa Jurídica a pagar com Essa conta é de natureza credora. Será creditada,
base em balancete mensal ou balanço anual. Deve- quando a empresa fizer a provisão apurada com base
se também registrar a provisão para o IRPJ incidente nos livro fiscais, tendo como contrapartida o débito na
sobre ganho nas aplicações de renda variável. Essa conta ICMS sobre Vendas, e será debitada, quando a
conta é de natureza credora. Será creditada quando a empresa pagar o imposto para o governo estadual.

77
Contabilidade Geral

2.16 Seguros a Pagar


A função dessa conta é registrar os seguros contratados para cobertura de sinistros que possam ocorrer na
empresa, de acordo com as apólices. Essa conta é de natureza credora. Ela será lançada a crédito para registrar
a obrigação de pagar a Seguradora, conforme o valor contratado na apólice, e a débito para registrar o pagamento
da parcela ou total da apólice.

2.17 Aluguéis a Pagar


A função dessa conta é registrar, pelo regime da competência, o aluguel a ser pago ao proprietário do bem
móvel ou imóvel. Ela é de natureza credora. Será lançada a crédito para registrar a provisão e a débito para
registrar o pagamento do aluguel.

3 CONTAS DEVEDORAS DO PASSIVO - FUNÇÃO DA CONTA


3.1 Encargos Financeiros a Transcorrer

Caro aluno, você deve estar se perguntando: Qual o motivo de essa conta estar em evidência? Eu lhe
respondo: Claro que tem um motivo muito especial. Lembra-se deste quadro da Aula 5?

BP- Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO

OBRIGAÇÕES
BENS + DIREITOS e
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
99% das contas aqui apresentam saldos devedores.
Sendo assim, 1% dos saldos das contas aqui apresenta 99% das contas aqui apresentam saldos credores.
saldos credores; são as chamadas contas redutoras ou Sendo assim, 1% dos saldos das contas aqui apresenta
retificadoras. saldos devedores; são as chamadas contas redutoras ou
retificadoras.
99% = D
1% = C

Exemplos de Contas com saldos credores no ativo: Exemplos de Contas com saldos devedores no PL:
- Provisão para Devedores Duvidosos - Encargos Financeiros a Transcorrer
- Depreciação Acumulada - Prejuízos Acumulados
- Exaustão Acumulada - Capital a Integralizar ou a Realizar
- Amortização Acumulada - Ações em Tesouraria
- Duplicatas descontadas
99% = C
1% = D

Veja que no passivo também temos 1% das contas que são DEVEDORAS, ou seja, contas que são de natureza
contrária à das contas do Passivo. A conta Encargos Financeiros a Transcorrer agrupa os lançamentos contábeis
que registrarão os encargos financeiros que tenham sido pagos antecipadamente em um empréstimo bancário.
Os encargos financeiros deverão ser apropriados como despesas financeiras, à medida que forem transcorridos,
obedecendo-se, assim, ao regime da competência. Por se tratar de uma conta redutora do passivo, juros a
transcorrer, é de natureza DEVEDORA. Deverá ser debitada para registrar os juros pagos antecipadamente em um
empréstimo bancário e será creditada para registrar a apropriação dos juros já transcorridos até a data do balancete
ou balanço.

78
AULA 8 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

4 CONTAS CREDORAS DO partir das destinações do lucro do exercício. Essa conta


é de natureza credora. Aumenta por crédito e reduz-
PATRIMÔNIO LÍQUIDO - FUNÇÃO se por débito. As reservas de lucro são: reserva legal,
DA CONTA reservas estatutárias, reservas para contingências,
reservas de incentivos fiscais, reservas de lucros a
4.1 Capital Social realizar e reservas de lucros para expansão.
A função dessa conta é agrupar os lançamentos
contábeis que registrarão o capital social da empresa. 5 CONTAS DEVEDORAS DO
Deve-se tomar o cuidado de identificar o total do Capital PATRIMÔNIO LÍQUIDO - FUNÇÃO
Social que for subscrito conforme ato constitutivo ou
alteração contratual da empresa e o capital social que,
DA CONTA
embora subscrito, ainda não foi integralizado. 5.1 Capital a Integralizar ou
4.1.1 Capital Social Subscrito Capital a Realizar
A função dessa conta é registrar o capital social da A função dessa conta é registrar as quotas
empresa através de subscrição das quotas de capital de capital social da empresa, subscritas pelos
por parte dos sócios da entidade, no momento do sócios, porém não integralizadas por eles no ato de
ato constitutivo ou da alteração contratual dela. Deve constituição ou da alteração contratual, mas que serão
ser entendido como Capital Subscrito o valor total do integralizadas posteriormente. A conta será lançada
capital social da empresa, não importando se o capital a débito para registrar as quotas do capital social
foi integralizado ou não. Caro aluno, vamos supor que subscritas pelos sócios, porém a serem integralizadas
você decida abrir uma empresa, mas não tenha o por eles posteriormente e será lançada a crédito para
dinheiro todo. O Capital Subscrito é o valor com o qual registrar a integralização pelos sócios das quotas de
que você quer abrir um negócio, independentemente capital social da empresa.
de você ter o dinheiro de imediato para colocar na
5.2 Prejuízo Acumulado
empresa. O Capita Social é de natureza credora. Essa
conta será creditada para registrar o capital social A função dessa conta é registrar os resultados
subscrito pelos sócios e será debitada quando ocorrer a negativos de determinado exercício. É de natureza
redução do capital social, que pode ocorre por decisão devedora, ou seja, toda vez que a empresa apresentar
dos sócios. prejuízo na DRE, essa conta será debitada, e toda
vez que a empresa apresentar lucro, essa conta
4.2 Reservas será creditada até o valor que deixe a conta Prejuízo
A função dessa conta é agrupar os lançamentos Acumulado zerada, pois, de acordo com a Lei
contábeis que registrarão a constituição de reservas e 11.638/07, os lucros não podem ser mais mantidos
a sua posterior destinação. nessa conta, já que devem ser contabilizados na conta
Reservas de Lucro.
4.2.1 Reserva de Capital
5.3 Ações em Tesouraria
A função dessa conta é agrupar os lançamentos
contábeis que registrarão a constituição de reservas e A função dessa conta é registrar os valores das
a sua posterior destinação. Essa conta é de natureza ações da companhia adquiridas pela própria empresa.
credora. Aumenta por crédito e reduz-se por débito. Sua natureza é devedora. Será debitada toda vez que a
As reservas de capital são: ágio na emissão de ações, empresa retirar as ações do mercado, e será creditada
alienação de partes beneficiárias e alienação de bônus toda vez que a empresa aliená-las.
de subscrição.
6 ATIVIDADES PROPOSTAS
4.2.2 Reserva de Lucros 01 -
As empresas Eyshila Sanches e Euridiane
A função dessa conta é agrupar os lançamentos Magalhães resolveram constituir uma sociedade.
contábeis que registrarão as reservas constituídas a Levaram o ato constitutivo da entidade a registro

79
Contabilidade Geral

no órgão competente e assumiram o compromisso


de entregar recursos à sociedade, conforme segue:
• Valor do Capital Social inicial: R$1.400.000,00
• Sócia Eyshila: integraliza parcialmente
R$200.000,00 em dinheiro, entregue de
imediato; um imóvel devidamente avaliado no
valor de R$300.000,00, conforme legislação
em vigor. Seis meses após, deve integralizar
os R$200.000,00 restantes.
• Sócia Euridiane: integraliza parcial e
imediatamente R$300.000,00 em dinheiro,
além de 02 veículos corretamente avaliados
É correto afirmar que eles correspondem ao
pelo total de R$100.000,00. Um ano depois
registro contábil de
deve integralizar em dinheiro os R$300.000,00
a) aumento de capital, com parte em dinheiro.
restantes.
b) integralização em dinheiro, de capital subscrito,
• Os recursos são recebidos pela sociedade
c) pagamento aos acionistas, em dinheiro.
e depositados em conta-corrente bancária
aberta para a entidade ora criada. d) pagamento de capital a realizar, em dinheiro.
Meu caro aluno, sua missão é registrar os valores e) subscrição de capital, em dinheiro.
nas seguintes contas: 03- São as contas representativas de capital subscrito
A- Lançamento do reconhecimento do compro- e por dedução a parcela ainda não realizada.
misso assumido pelas sócias, assim como da A definição acima representa o conceito de
obrigação por elas contraída junto à sociedade: a) Acionista Conta Capital.
b) Capital a Integralizar.
D- Capital a Realizar.............................................. c) Capital à disposição da empresa.
C- Capital Social.................................................... d) Capital próprio.
e) Capital Social.
B- Lançamento do cumprimento parcial das 04- Na constituição de uma sociedade anônima, os aci-
obrigações contraídas pelas sócias junto à onistas precisam depositar, em dinheiro,
sociedade, diminuindo o saldo da conta Capital a) 10% do capital integralizado, na Caixa
a Realizar, já que essa especial obrigação Econômica Federal.
das sócias com a sociedade está sendo b) 10% do capital subscrito, no Banco do Brasil.
parcialmente cumprida: c) 20% do capital integralizado, no Banco do
Brasil.
D- Caixa................................................................ d) 20% do capital social, na Caixa Econômica
D- Imóveis............................................................. Federal.
D- Veículos........................................................... e) 20% do capital subscrito, na Caixa Econômica
C- Capital a Realizar............................................. Federal.
05- Não é uma conta do Patrimônio Líquido
A- Qual o valor do Capital Social? a) Aplicação Financeira
B- Qual o valor do Capital a Realizar ou a b) Reserva de Contingência
Integralizar? c) Reserva Legal
C- Qual o valor do Capital Realizado ou d) Prejuízo Acumulado
Integralizado? e) Ações em Tesouraria
02- Analise os razonetes a seguir referentes a um de-
terminado fato administrativo: Gabarito: 2 = b 3 = e 4 = b 5 = a
SI = Saldo Inicial

80
AULA 8 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DO PASSIVO E DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

7 RESUMO REFERÊNCIAS
Discutimos na aula de hoje a função das principais BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES,
contas do PASSIVO e do PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Eugenio Celso. Contabilidade geral. 7. ed. São
Vimos que a maioria das contas são contas de Paulo: Atlas, 2011.
natureza credora enquanto uma pequena parte é de CHAGAS, Gilson. Contabilidade geral simplificada.
natureza devedora. As contas de natureza devedora 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
do PASSIVO são chamadas de contas redutoras ou
FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas
retificadoras. As contas de natureza Devedora devem
Contábeis, Atuariais e Financeiras.
apresentar saldo devedor, enquanto as de natureza
credora devem apresentar saldo credor. Por isso, se IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu e GELBCKE,
no balancete ou balanço você encontrar, por exemplo, Ernesto Rubens; SANTOS Ariovaldo dos. Manual
a conta Fornecedor com Saldo Devedor, deve ser de Contabilidade Societária: aplicável a todas as
procurado o erro, pois essa conta deverá apresentar sociedades de acordo com as normas Internacionais
o saldo credor. Da mesma forma, se você encontrar e do CPC. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
a conta Prejuízo Acumulado com saldo credor, FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23. ed. São
deve ser procurado o erro, pois essa conta deverá Paulo: Saraiva, 1996.
apresentar saldo devedor. Deve ficar claro que nem
GOUVEIA, Nelson. Contabilidade. 2. ed. São
todas as contas do Plano de Contas tiveram suas
Paulo: Atlas, 1998.
funções apresentadas. Você deverá pesquisar outras
referências que são disponibilizadas no final de cada IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade.
aula para o seu próprio enriquecimento. Na próxima 10. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
aula iniciaremos o estudo das contas de resultado. LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para
É importante salientar que você ficará apto a fazer administradores. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
os lançamentos contábeis para assim poder elaborar
KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de;
o tão sonhado Balanço Patrimonial e a tão sonhada
MARTINS, Eliseu. Contabilidade introdutória –
Demonstração do Resultado do Exercício – DRE
Livro Texto. 11. ed. Atlas, 2010.
–. Mas, para se chegar a esse sonho, é necessário
dominar todas as contas de um plano de contas, saber OLIVEIRA, Justino. Introdução à Contabilidade
o funcionamento de cada uma e saber diferenciá-las para concursos públicos. Rio de Janeiro: Editora
entre si. Então, até próxima aula! Não esqueça, tudo Método, 2010.
depende de você; a sua determinação definirá o seu PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade
ótimo aprendizado. Caso tenha ficado alguma dúvida, Básica: uma introdução à Contabilidade básica;
entre em contado com seu tutor nos chats ou envie uma introdução à prática contábil. 3. ed. São Paulo:
mensagens. Atlas, 1996.

81
Unidade 03

Contabilidade Geral
PRECIFICAÇÃO DE ESTOQUES E DRE

AULA 9

INVENTÁRIO DE MERCADORIAS
E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE

Objetivos
• Aprender o que seja inventário de
mercadoria.
• Conhecer os critérios de avaliação de
estoque.
• Aprender a calcular o PEPS.
• Aprender a calcular o UEPS.
• Aprender a calcular Custo Médio.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO é, durante o período não é debitada e nem creditada


e representará o estoque inicial. Já que essa conta
Olá, caro aluno! Como vai? Nossa aula de hoje é (mercadoria) não é movimentada, devemos ter outra
muito importante. Conhecer os custos das mercadorias conta para registrar as entradas de mercadorias: é a
não é uma tarefa tão complicada assim, como muitos conta COMPRAS. Essa conta Compras só existe no
dizem. Basta, é claro, ter controle de tudo que entra e inventário periódico (três contas básicas), já que no
de tudo que sai da empresa, ficar atento aos descontos Inventário Permanente as compras são registradas em
incondicionais, aos abatimentos, às devoluções, aos
mercadorias. A conta COMPRAS é uma conta auxiliar
seguros, fretes, tributos, enfim a todo fato que possa
ao cálculo do custo da mercadoria vendida (CMV), que
impactar o custo da mercadoria. Estudaremos os
é dado pela fórmula: CMV = EI + CL– EF
dois tipos de inventários para o cálculo do custo das
CMV = Custo da Mercadoria Vendida
mercadorias e os quatro critérios de avaliação de
CF= Compras Líquidas
estoque. Além disso, descobriremos que apenas dois
EI = Estoque Inicial
são aceitos pelo Regulamento do Imposto de Renda e
EF = Estoque Final
que, na prática desses dois critérios aceitos, a maioria
das entidades utiliza o método do custo médio.
RCM = VL - CMV
2 INVENTÁRIO E CRITÉRIO DE
AVALIAÇÃO DE ESTOQUE RCM Resultado com Mercadoria
VL Vendas Líquidas
2.1 Inventário de mercadorias
CMV Custo da Mercadoria Vendida
Inventariar mercadorias significa contá-las, saber
a quantidade de mercadoria em estoque em um Assim, são registrados na ficha de controle de
determinado período. Existem dois tipos de inventário: estoque os seguintes itens:
o permanente e o periódico. • custos de aquisição;
• abatimentos sobre compras;
2.1.1 Inventário Permanente • devolução de compras;
A característica do Inventário Permanente é • descontos incondicionais sobre compras;
que permanentemente sabemos o saldo da conta • devolução de vendas.
mercadoria sem precisar contá-la todos os dias. Isso é ATENÇÃO para os seguintes itens que não são
feito através de fichas de estoque em que as entradas registrados na ficha de controle de estoques, e sim na
e saídas de mercadorias são registradas. Através DRE.
desses registros, sabemos a qualquer momento • descontos financeiros ou condicionais sobre
qual a quantidade de mercadoria em estoque, qual
compras;
a quantidade vendida e seus valores. Nesse tipo de
• descontos financeiros ou condicionais sobre
inventário, por registros de ficha, sabemos o custo da
vendas;
mercadoria vendida (CMV) em cada operação.
• abatimentos sobre vendas;
Há várias maneiras de controlar os custos nessa
• fretes e seguros sobre vendas;
ficha: PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair) UEPS
(último a entrar, primeiro sair) PMP – Preço Médio • preço de vendas dos produtos;
Ponderado e PMF – Preço Médio Fixo. • outras despesas sobre vendas;

2.1.2 Inventário Periódico 2.1.3 Ficha de Controle de Estoques


No Inventário Periódico, a mercadoria deve ser Essencialmente, a ficha de estoque apresenta
inventariada periodicamente. É a chamada “três contas quatro colunas principais:
básicas” (mercadorias, compras e vendas). Nesse • Coluna de Datas: é utilizada para registrar os
tipo de inventário, a conta mercadoria é estática, isto fatos em ordem cronológica.

84
AULA 9 • INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE

• Coluna de Entradas: é utilizada para compras, devolução de compras e abatimentos sobre compras.
• Coluna de Saídas: é utilizada para vendas e devolução de vendas.
• Coluna de Estoque: é utilizada para o saldo de estoque, isto é, o valor dos estoques existentes.
Caro aluno, cada coluna, exceto a Data (Entradas, Saídas ou Estoque) contém três subcolunas:
• Coluna de Quantidade (Q)
• Coluna de Valor Unitário (U)
• Coluna do Saldo ou Total (T = Q x U)
DATA ENTRADA SAÍDA SALDO

Q U T Q U T Q U T

2.2 Critérios de Avaliação Estoque


2.2.1 Método do Custo Específico
Método utilizado em mercadorias de valor significativo distinguíveis entre si, tais como automóveis para
revenda, imóveis, obras de arte para venda etc. Esse critério permite a perfeita identificação do estoque que está
sendo vendido.

2.2.2 Método PEPS (a Primeira a Entrar é a Primeira a Sair)


Nesse método dá-se saída primeiramente às mercadorias mais antigas, ficando nos estoques as mais recentes.
Num regime inflacionário (tendência crescente de preços ao longo do tempo), os valores do Estoque Final e do
CMV são, respectivamente, maiores e menores, pois, na venda, sairão primeiro as mercadorias mais “baratas”,
ficando no estoque as mais “caras”. Consequentemente, o RCM é o maior possível, e o CMV, menor possível. Caso
haja deflação (preços decorrentes no decorrer do tempo), sairão primeiro as mais “caras” (maior CMV), ficando
nos estoques as mais baratas (menor Estoque Final). No caso de estabilidade econômica de preços, os valores do
Estoque Final, do CMV e do RCM serão os mesmos que aqueles encontrados em qualquer outro método.
Exemplo: No início de maio de 2012, havia no estoque de mercadorias da Cia. Comercial Sara Groves 40
unidades da mercadoria X a R$8,00 a unidade. Ao longo do período ocorreram os seguintes fatos:

06/05/2012 - Compra de 60 unidades a R$ 9,00 cada uma


12/05/2012 - Compra de 50 unidades a R$ 10,00 cada uma
26/05/2012 - Venda de 120 unidades a R$ 16,00 cada uma
29/05/2012 - Compra de 50 unidades a R$ 12,00 cada uma

Caro aluno, pelo método PEPS, teremos:

CMV = (40 x 8,00) + (60 x 9) + (20 x 10) = 1.060,00


Estoque Final = (30 x 10) + (50 x 12) = 900,00
Receita de Vendas = 120 x 16,00 = 1.920,00
RCM = V – CMV = 1.920,00 – 1.060,00 = 860,00

85
Contabilidade Geral

Agora veja na ficha de controle da mercadoria como o custo foi apurado.


DATA ENTRADA SAÍDA SALDO
Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total
01/05/12 40 8,00 320,00
40 8,00
06/05/12 60 9,00 540,00
60 9,00 860,00

40 8,00
12/05/12 50 10,00 500,00 60 9,00 1.360,00
50 10,00

40 8,00
60 9,00 1.060,00 30 10,00 300,00
20 10,00

30 10,00
29/05/12 50 12,00 600,00
50 12,00 900,00
CMV Estoque Final
Compras Líquidas 1.640,00
1.060,00 900,00

2.2.3 Método UEPS ( a Última a Entrar é a Primeira a Sair)


Ao contrário do método PEPS, primeiramente dá-se saída às mercadorias mais recentes, ficando nos
estoques as mais antigas. Dessa forma, em comparação aos métodos já mencionados, num regime de tendência
crescente de preços (inflação), os valores do Estoque Final e do CMV serão, respectivamente, os menores e os
maiores possíveis. No caso de deflação, ocorrerá o inverso, isto é, os valores do Estoque Final e do CMV estarão,
respectivamente, superavaliados e subavaliados. No caso de estabilidade econômica de preços, os valores seriam
os mesmos daqueles apurados por outro método.
Assim, caro aluno, no exemplo da Cia. Comercial Sara Groves, dado anteriormente, teríamos pelo método
UEPS:
CMV = (50 x 10,00) + (60 x 9) + (10 x 8,00) = 1.120,00
Estoque Final = (30 x 8,00) + (50 x 12) = 840,00
Receita de Vendas = 120 x 16,00 = 1.920,00
RCM = V – CMV = 1.920,00 – 1.120,00 = 800,00
Meu aluno, veja na ficha de controle da mercadoria como o custo foi apurado.
DATA ENTRADA SAÍDA SALDO
Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total
01/05/12 40 8,00 320,00

40 8,00
06/05/12 60 9,00 540,00
60 9,00 860,00
40 8,00
12/05/12 50 10,00 500,00 60 9,00 1.360,00
50 10,00
50 10,00
60 9,00 1.120,00 30 8,00 240,00
10 8,00
30 8,00
29/05/12 50 12,00 600,00
50 12,00 840,00
CMV Estoque Final
Compras Líquidas 1.640,00
1.120,00 840,00

86
AULA 9 • INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE

ATENÇÃO: Como podemos observar no exemplo dado, num regime inflacionário, o RCM pelo método UEPS é
o menor possível, fazendo com que o Imposto de Renda sobre o lucro também o seja. É por isso que o Regulamento
do Imposto de Renda NÃO PERMITE que as empresas no Brasil, que estejam obrigadas a declarar tal imposto com
base no lucro fiscal, utilizem o método UEPS.

2.2.4 Método do Custo Médio


2.2.4.1 Média Ponderada Móvel
Também é chamada de Média Ponderada Móvel, pois a cada nova aquisição é calculada uma nova média.
Assim, no exemplo da Cia. Comercial Sara Groves teríamos:
CVM = 120 x [(40x8,00) + (60x9,00) + (50x10,00)] = 120 x 9,0667 = 1.088,00
150
Estoque Final = (30 x 9,0667) + (50 x 12,00) = 872,00
RCM = 1.920,00 – 1.088,00 = 832,00
Meu aluno, veja na ficha de controle da mercadoria como o custo foi apurado.

DATA ENTRADA SAÍDA SALDO


Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total
01/05/12 40 8,00 320,00
06/05/12 60 9,00 540,00 100 8,60 860,00
12/05/12 50 10,00 500,00 150 9,07 1.360,00
120 9,07 1.088,00 30 9,07 272,00
29/05/12 50 12,00 600,00 80 10,90 872,00
CMV Estoque Final
Compras Líquidas 1.640,00
1.088,00 872,00

Você percebeu que o valor unitário de R$9,07 é o mesmo que R$9,0667?


Em comparação com os métodos anteriores (regime inflacionário), teríamos:
ITEM PEPS UEPS CUSTO MÉDIO

CMV 1.060,00 1.120,00 1.088,00


RCM 860,00 800,00 832,00
Estoque Final 900,00 840,00 872,00

2.2.4.2 Média Ponderada Fixa


Além dos métodos vistos anteriormente, existe outro método, conhecido como Método da Média Ponderada Fixa.
Ele consiste na apuração de uma única média para todo o período, independentemente das vendas intercaladas,
ao contrário do método Média Ponderada Móvel, em que a cada nova aquisição é apurada uma nova média.
Assim, no exemplo da Cia. Comercial Sara Groves, teríamos, por este método MPF, o seguinte:
CVM = 120 x [(40x8,00) + (60x9,00) + (50x10,00) + (50x12,00)] = 1.176,00
200
Estoque Final = 80 x [(40x8,00) + (60x9,00) + (50x10,00) + (50x12,00)] = 784,00
200
RCM = 1.920,00 – 1.176,00 = 744,00
Caro aluno, note que o RCM apurado pelo último método é menor que todos os outros, visto que, num regime
de inflação, a última mercadoria entrou mais cara, forçando, assim, uma superavaliação no CMV. Por essa
razão, tal método não é permitido pela legislação fiscal, pois, num regime inflacionário, ele leva ao menor lucro e,
consequentemente, ao menor Imposto de Renda.

87
Contabilidade Geral

2.3 Exercícios Resolvidos


1- A Cia Shirley Kaiser Sanches, ao iniciar suas atividades comerciais, efetuou as seguintes operações com
mercadorias, em ordem cronológica:
• aquisição de 100 unidades a R$ 2.000,00 cada uma.
• aquisição de 200 unidades a R$ 2.200,00 cada uma.
• venda de 60 unidades a R$ 3.000,00 cada uma.
• aquisição de 50 unidades a R$ 2.100,00 cada uma.
• venda de 30 unidades a R$ 3.200,00 cada uma.

Resolução pelo PEPS


ENTRADA SAÍDA SALDO
Q U T Q U T Q U T
100 2.000 200.000 100 2.000 200.000
100 2.000
200 2.200 440.000 640.000
200 2.200
40 2.000 520.000
60 2.000 120.000
200 2.200
40 2.000 625.000
50 2.100 105.000 200 2.200
50 2.100
10 2.000 565.000
30 2.000 60.000 200 2.200
50 2.100

Compras Líquidas CMV Estoque Final


R$ 745.000,00 R$ 180.000,00 R$ 565.000

Caro aluno, para saber se o valor do CMV está correto, tire a prova usando a seguinte fórmula:
CMV = EI + Compras Líquidas – EF
CMV = 0,00 + 745.000,00 – 565.000,00
CMV = 180.000,00

2- Considere os seguintes dados da empresa Soraya Moraes (todas as compras e vendas são a prazo, com ICMS
à alíquota de 10%):
Saldo Inicial: 80 unidades a R$1,50 cada (líquido de ICMS)
Operações:
1- Compra de 100 unidades a R$ 2,20 cada.
2- Venda de 130 unidades a R$ 300,00.
3- Recebimento em devolução de 20 unidades relativa à venda acima.
4- Compra de 80 unidades a R$ 2,50 cada.
5- Abatimento obtido sobre a compra acima no valor de R$ 20,00.
6- É concedido um abatimento s/vendas (operação 2) no valor de R$ 30,00.
7- Venda de 90 unidades por R$ 300,00.
8- Compra de 50 unidades pelo preço total de R$ 180,00, sendo R$ 150,00 pelas mercadorias e R$ 30,00 pelo
frete e seguro.
9- Devolução ao fornecedor de 20 unidades relativas à compra acima.
10- Venda de 80 unidades ao preço de R$ 400,00.

88
AULA 9 • INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE

Pede-se: Calcule o CMV, o estoque final e o resultado do exercício, utilizando os métodos PEPS, UEPS e o
PMP.
PEPS

ENTRADA SAÍDA SALDO

Q U T Q U T Q U T

80 1,50 120,00

80 1,50 318,00
100 1,98 198,00
100 1,98

80 1,50 219,00 50 1,98 99,00


50 1,98

(20) 1,98 (39,60) 70 1,98 138,60

80 2,25 180,00 70 1,98 318,60


80 2,25

(20,00) 70 1,98 298,60


80 2,00

70 1,98 178,60 60 2,00 120,00


20 2,00

50 3,30 165,00 60 2,00 285,00


50 3,30

(20) 3,30 (66,00) 60 2,00 219,00


30 3,30

60 2,00 186,00 10 3,30 33,00


20 3,30

TOTAL DAS COMPRAS CMV Estoque Final


R$ 457,00 R$ 544,00 R$ 33,00

CMV = 120,00 + 457,00 – 33,00


CMV = 544,00
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO PELO PEPS

+ Receita Bruta com Vendas 1.000,00

- Devolução de Vendas 45,15

- Descontos Incondicionais 0,00

= Base de Cálculo do ICMS 953,85

- ICMS sobre Vendas 10% 95,39

- Abatimentos sobre Vendas 30,00

= Receita Líquida 828,46

- CMV 544,00

= Lucro do Exercício 284,46

89
Contabilidade Geral

UEPS
ENTRADA SAÍDA SALDO
Q U T Q U T Q U T
80 1,50 120,00
100 1,98 198,00 80 1,50 318,00
100 1,98
100 1,98 243,00 50,00 1,50 75,00
30 1,50
(20) 1,50 (30,00) 70 1,50 105,00
80 2,25 180,00 70 1,50 285,00
80 2,25
(20,00) 70 1,50 265,00
80 2,00
80 2,00 175,00 60 1,50 90,00
10 1,50
50 3,30 165,00 60 1,50 255,00
50 3,30
(20) 3,30 (66,00) 60 1,50 189,00
30 3,30
30 3,30 174,00 10 1,50 15,00
50 1,50
TOTAL DA COMPRAS CMV Estoque Final
R$ 457,00 R$ 562,00 R$ 15,00

CMV = 120,00 + 457,00 – 15,00


CMV = 562,00
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO PELO UEPS
+ Receita Bruta com Vendas 1.000,00
- Devolução de Vendas 45,15
- Descontos Incondicionais 0,00
= Base de Cálculo do ICMS 953,85
- ICMS sobre Vendas 10% 95,39
- Abatimentos sobre Vendas 30,00
= Receita Líquida 828,46
- CMV 562,00
= Lucro do Exercício 266,46
PMP
ENTRADA SAÍDA SALDO
Q U T Q U T Q U T
80 1,50 120,00
100 1,98 198,00 180 1,766 318,00
130 1,766 229,66 50 1,766 88,33
(20) 1,766 (35,33) 70 1,766 123,66
80 2,25 180,00 150 2,024 303,66
(20,00) 150 1,891 283,66
90 1,891 170,20 60 1,891 113,466
50 3,30 165,00 110 2,531 278,466
(20) 3,30 66,00 90 2,361 212,466
80 2,361 188,859 10 2,361 23,607
Total de Compras CMV Estoque Final
R$ 457,00 R$ 553,39 R$ 23,61

90
AULA 9 • INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE

CMV = 120,00 + 457,00 – 23,61


CMV = 553,39
DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO PELO UEPS
+ Receita Bruta com Vendas 1.000,00
- Devolução de Vendas 45,15
- Descontos Incondicionais 0,00
= Base de Cálculo do ICMS 953,85
- ICMS sobre Vendas 10% 95,39
- Abatimentos sobre Vendas 30,00
= Receita Líquida 828,46
- CMV 553,39
= Lucro do Exercício 275,07
3- Considere os seguintes dados da empresa Sumara Santos Sanches e apure o CMV pelo critério PEPS.
Saldo Inicial de 100 unidades a R$ 1,95 cada.
1- Compra de 135 unidades a R$ 2,60 cada.
2- Venda de 180 unidades por R$ 520,00.
3- Recebimento em devolução de 30 unidades relativa à venda acima.
4- Compra de 90 unidades a R$ 2,80 cada.
5- Venda de 105 unidades por R$ 460,00.
6- Devolução, ao fornecedor, de 30 unidades relativa à compra do item 4.
7- Venda de 80 unidades ao preço de 500,00.
8- Desconto Incondicional/comercial sobre vendas de R$ 91,33.
APURAÇÃO DE CUSTOS - INVENTÁRIO PERMANENTE – PEPS

ENTRADA SAÍDA SALDO


Q U T Q U T Q U T
100 1,95 195,00
135,00 2,60 351,00 100 1,95 546,00
135 2,60

100 1,95 195,00 55 2,60 143,00


80 2,60 208,00

(30) 2,60 (78,00) 85 2,60 221,00


85 2,60 473,00
90 2,80 252,00
90 2,80
85 2,60 221,00 70 2,80 196,00
20 2,80 56,00
(30) 2,80 (84,00) 40 2,80 112,00
40 2,80 112,00 0 0,00 0,00

Total das Compras CMV Estoque Final


R$ 519,00 R$ 714,00 R$ 0,00

4- Considere os seguintes dados da empresa Marcela Taís Sanches e apure o CMV pelo critério do PEPS.
Saldo Inicial de 120 unidades a R$ 2,10 cada.
1- Compra de 155 unidades a R$ 2,60 cada.
2- Venda de 200 unidades por R$ 730,00
3- Recebimento em devolução de 50 unidades relativa à venda acima.
4- Compra de 120 unidades a R$ 2,90 cada.

91
Contabilidade Geral

5- Venda de 145 unidades por R$ 590,00.


6- Devolução, ao fornecedor, de 40 unidades relativa à compra do item 4.
7- Venda de 28 unidades ao preço de R$ 150,00.
8- Desconto Incondicional/comercial sobre vendas de R$ 32,05.

APURAÇÃO DE CUSTOS - INVENTÁRIO PERMANENTE – PEPS


ENTRADA SAÍDA SALDO
Q U T Q U T Q U T
120 2,10 252,00
120 2,10 655,00
155 2,60 403,00
155 2,60
120 2,10 252,00 75 260 195,00
80 2,60 208,00
(50) 2,60 (130,00) 125 2,60 325,00

120 2,90 348,00 125 2,60 325,00


120 2,90 348,00
673,00

125 2,60 325,00 100 2,90 290,00


20 2,90 58,00
(40) 2,90 (116,00) 60 2,90 174,00
28 2,90 81,20 32 2,90 92,80

Total das Compras CMV Estoque Final


R$ 635,00 R$ 794,20 R$ 92,80

3 RESUMO
Discutimos, na aula de hoje, dois assuntos muito importantes para o contador: Inventário de Mercadoria e
Critérios de Avaliação de Estoque. Vimos que, no Brasil, o critério UEPS é proibido de acordo com a Legislação do
Imposto de Renda – RIR: Regulamento do Imposto de Renda – Decreto: 3.000/99, assim como é proibido o critério
da média ponderada fixa, por apresentarem um custo maior, ocasionando, assim, um lucro menor, o que faz com
que o IRPJ também seja calculado a menor.
No Inventário Periódico, o Estoque Final (EF) inventariado é avaliado ao preço de custo das últimas unidades
adquiridas, partindo do pressuposto de que as primeiras unidades compradas foram vendidas também em primeiro
lugar. No Inventário Permanente – critério PEPS – os pressupostos são idênticos, logo os inventários se equivalem,
o que nos força a concluir que o resultado final obtido no PEPS do Inventário Permanente é o mesmo obtido no
Inventário Periódico. Foram apresentados um modelo de ficha de avaliação de estoque e alguns exercícios com
resolução.

4 ATIVIDADES PROPOSTAS
Informação: Empresa: Tânia Levy Sanches; Mercadoria: Açoflex; Estoque Inicial em 01/01/2012 = 100 unidades
ao preço unitário de R$ 2.000,00.
Operações realizadas durante o exercício de 2012-12-31

06/02/2012: compra de 50 unidades ao preço unitário, líquido de ICMS, de R$3.000,00.


04/05/2012: Venda de 60 unidades por R$192.000,00.
22/06/2012: Compra de 70 unidades ao preço unitário, líquido de ICMS, de R$4.000,00.
26/09/2012: Venda de 30 unidades por R$123.000,00.

92
AULA 9 • INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE

1) Com base nas informações prestadas, o valor do No mês de outubro de 2012, a firma Trazendo a
estoque final de cadeiras Açoflex, avaliado pelo Arca realizou a seguinte movimentação de compras e
método PEPS, foi de vendas da única mercadoria com que trabalha e que é
a) R$ 520.000,00. isenta de ICMS:
b) R$ 290.000,00. • Estoque em 01/10/2012: 2.200 unidades ao
c) R$ 450.000,00. custo unitário de R$ 0,50.
d) R$ 315.000,00. • Venda em 05/10/2012: 1.000 unidades ao
e) R$ 372.272,00. preço unitário de R$ 0,95.
2) O custo das mercadorias vendidas pelo método • Compra em 10/10/2012: 2.000 unidades ao
PEPS é de custo unitário de R$ 0,90.
a) R$ 120.000,00. • Venda em 30/10/2012: 1.400 unidades ao
b) R$ 160.000,00. preço unitário de R$ 0,95.
c) R$ 165.000,00. 5) Com base nas informações acima, podemos afir-
d) R$ 170.000,00. mar que o estoque final é de
e) R$ 180.000,00. a) R$ 1.620,00, se adotar o critério UEPS.
3) O lucro bruto da Cia Tânia Levy Sanches pelo b) R$ 1.620,00, se adotar o critério PEPS.
método PEPS é de c) R$ 1.242,00, se adotar o critério de avaliação
a) R$ 135.000,00. Preço Médio.
b) R$ 125.000,00. d) R$ 900,00, se adotar o critério UEPS.
c) R$ 115.000,00. e) R$ 900,00, se adotar o critério PEPS.
d) R$ 105.000,00. 6) Ainda com base nas informações acima, podemos
e) R$ 95.000,00. afirmar que o Lucro Bruto (R.C.M) é de
A Cia Comercial Toque no Altar adquiriu para a) R$ 622,00 se adotar o critério de avaliação
revenda, em 08/11/88, em primeira negociação, 20 Preço Médio.
(vinte) máquinas de calcular MEV, sendo: preço b) R$ 280,00 se adotar o critério PEPS.
unitário: R$100,00; condições de pagamento: 50% c) R$ 1.000,00 se adotar do critério PEPS.
em 08/12/88, e o restante em 09/01/89; alíquota de d) R$ 1.000,00 se adotar o critério UEPS.
ICMS: 10%. No período entre a data do recebimento e) R$ 280,00,se adotar o critério UEPS.
da referida mercadoria e 31/12/88 fez as seguintes Observe as informações a seguir.
operações:
Histórico Unidades Custo Unitário
• Vendeu 10 (dez) unidades ao preço de
Estoque Inicial 40.000 140,00
R$120,00.
Aquisição 01/2012 30.000 160,00
• Devolveu 02 (duas) unidades em 31/12/88 por
Aquisição 02/2012 50.000 200,00
defeito de fabricação, sendo a nota de débito
Venda 03/2012 30.000 ----------
correspondente acatada pelo fornecedor em
Venda 04/2012 40.000 ----------
20/12/88.
Estoque Final 50.000 ----------
• Pagou no vencimento, sem qualquer
abatimento, a primeira duplicata (50% do valor 7) O custo unitário final pela média ponderada móvel é
da compra). a) R$ 150,00.
• Transferiu para uso próprio em 31/12/88 uma b) R$ 160,00.
unidade. c) R$ 170,00.
4) Em decorrência, o valor do Estoque Final dessa d) R$ 180,00.
mercadoria no Balanço Patrimonial de 31/12/88 foi e) R$ 190,00.
de 8) O custo unitário final pelo PEPS é
a) R$ 600,00. a) R$ 150,00.
b) R$ 720,00. b) R$ 180,00.
c) R$ 810,00. c) R$ 190,00.
d) R$ 700,00. d) R$ 200,00.
e) R$ 630,00. e) R$ 250,00.

93
Contabilidade Geral

9) O valor do estoque final pelo UEPS é


a) R$ 7.000.000,00.
b) R$ 7.200.000,00.
c) R$ 7.400.000,00.
d) R$ 7.600.000,00.
e) R$ 7.800.000,00.
A ficha de controle de estoque de matéria-prima da indústria Sabrina Nafran Sanches apresentava os seguintes
dados no mês de agosto de 2012:
DATA ENTRADA SAÍDA SALDO

Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total

01/08 12 * 240,00

02/08 18 25,00 450,00 * 23 *

04/08 10 * * * * *

08/08 5 * * * * *

12/08 (3) * * * * A*

19/08 (5) * * * * * B*

10) Substituindo os * e considerando que as devoluções serão feitas pelos valores de mês, o valor de A é
a) R$ 414,00
b) R$ 690,00
c) R$ 345,00
d) R$ 289,00
e) R$ 299,00
11) O valor de B é
a) R$ 414,00.
b) R$ 690,00.
c) R$ 345,00.
d) R$ 289,00.
e) R$ 299,00.
A ficha de controle de estoque de matéria-prima da indústria Salomão Rosa Sanches apresentava os seguintes
dados do mês de setembro de 2012:
Histórico Unidades Custo Unitário
1ª Compra 400 3.600,00
2ª Compra 600 7.200,00
3ª Compra 800 11.200,00
4ª Compra 1.000 15.000,00
Estoque final = 800 unidades
12) A avaliação do estoque final pelo método PEPS é de
a) R$ 15.000,00.
b) R$ 11.200,00.
c) R$ 12.000,00.
d) R$ 7.200,00.
13) A avaliação do estoque final pelo método UES é de
a) R$ 12.000,00.
b) R$ 7.200,00.

94
AULA 9 • INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE

c) R$ 8.400,00.
d) R$ 11.200,00.
A ficha de controle de estoque de matéria-prima da indústria Samara e Sabrina Sanches apresentava os
seguintes dados no mês de outubro de 2012:
Data Natureza da Operação Valor
02/01/2012 Saldo Inicial: 12 unidades 60,00
20/01/2012 Compra: 40 unidades 248,00
ICMS destacado na Nota Fiscal 44,64
03/02/2012 Venda 25 unidades 200,00
ICMS destacado na Nota Fiscal 36,00
08/02/2012 Devolução de 6 um. Ref. Venda em 03/02/2012
14) Após o registro contábil da devolução no dia 08/02/2012, o custo das unidades vendidas, sabendo-se que a
empresa avalia o estoque pelo método PEPS, é
a) R$ 95,59.
b) R$ 127,10.
c) R$ 96,90.
d) R$ 126,09.
A ficha de controle de estoque de matéria-prima da indústria Samuel Lóia Sanches apresentava os seguintes
dados no mês de novembro de 2012:
DATA ENTRADA SAÍDA SALDO
Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total Qt. Unit. Total Qt.
01 8 80 640
02 12 10 120 38
03 190 15 570
04 (3) A
05 (2) B
15) O valor de A é
a) R$ 760,00.
b) R$ 570,00.
c) R$ 620,00.
d) R$ 600,00.
e) R$ 684,00.
16) O valor de B é
a) R$ 624,00.
b) R$ 664,00.
c) R$ 684,00.
d) R$ 760,00.
e) R$ 780,00.
A empresa comercial Sandi Patty, contribuinte do ICMS, adquiriu, em 02/03/2012, 70 unidades de determinada
mercadoria a R$3.000,00 cada uma. Em 20/05/2012 adquiriu mais 180 unidades a R$ 4.000,00 cada uma; em
30/04/2012 vendeu 80 unidades pelo valor total de R$ 360,00. Sabendo-se que
• o estoque final era de 220 unidades;
• o estoque inicial era de R$ 140.000,00;
• o estoque é avaliado pelo critério PEPS;
• os valores de compras e vendas indicados incluem o ICMS de 17%.

95
Contabilidade Geral

17) O custo da mercadoria vendida (CMV) é de c) R$ 29.250,00.


a) R$ 315.000,00. d) R$ 26.415,00.
b) R$ 216.000,00. e) R$ 24.240,00.
c) R$ 217.900,00. 22) O valor do estoque final é
d) R$ 214.700,00. a) R$ 52.500,00.
e) R$ 218.700,00. b) R$ 47.720,00.
18) O valor do estoque final é de c) R$ 48.750,00.
a) R$ 697.200,00. d) R$ 44.025,00.
b) R$ 657.000,00. e) R$ 46.200,00.
c) R$ 647.300,00. 23) A conta ICMS sobre vendas apresentou um saldo
d) R$ 690.200,00. de
e) R$ 609.300,00. a) R$ 12.750,00.
19) A conta ICMS a recuperar acusou um saldo de b) R$ 7.560,00.
a) R$ 160.300,00. c) R$ 13.500,00.
b) R$ 69.400,00. d) R$ 4.500,00.
c) R$ 190.300,00. e) R$ 18.000,00.
d) R$ 61.200,00. 24) O lucro bruto apurado foi de
e) R$ 158.100,00. a) R$ 42.650,00.
20) O lucro bruto apurado com a venda foi de b) R$ 45.760,00.
a) R$ 150.466,00. c) R$ 43.200,00.
b) R$ 99.600,00. d) R$ 29.760,00.
c) R$ 89.266,68. e) R$ 48.930,00.
d) R$ 84.100,00.
e) R$ 74.800,00. Gabarito
Analise os dados a Cia Sandra Capello Sanches 1 C 7 C 13 C 19 E
para responder ao que se pede. 2 E 8 D 14 C 20 D
• Empresa: Comercial Sandra Capello Sanches 3 A 9 B 15 E 21 E
Ltda. 4 E 10 A 16 B 22 E
5 B 11 D 17 A 23 C
• Mercadoria (para revenda): Canivetes Delta
6 C 12 C 18 D 24 D
• Estoque final no balanço de 31/12/2012: 30
unidades ao preço unitário, líquido de ICMS de 25) Considere os seguintes dados da empresa Iveline
R$ 500,00. Sanches.
(Todas as Compras e Vendas são a prazo, com
Compra de 90 unidades ao preço total
ICMS à alíquota de 10%)
12/01/2012 de R$ 63.000,00, com ICMS destacado
na nota fiscal de R$ 7.560,00. Saldo Inicial: 200 unidades a R$ 4,00 cada (líquido
de ICMS). Operações:
Venda de 60 unidades por R$ 90.000,00 • Compra Nº 01 de 180 unidades a R$ 5,00
27/01/2012 (preço total), com ICMS destacado na
cada.
nota fiscal de R$ 18.000,00.
• Compra Nº 02 de 220 unidades a R$ 6,0 cada.
Devolução de 15 unidades da venda • Venda Nº 01 de 280 unidades por R$ 1.980,00.
30/01/2012 feita em 27/01/2012, relativa à compra • Compra Nº 02 de 220 unidades a R$ 6,0 cada.
realizada em 12/01/2012. • Venda Nº 02 de 120 unidades por R$ 1.200,00.
Considerando que a empresa utiliza o sistema de Apure o CMV pelo PEPS, UESP, Média Ponderada
inventário permanente e adota o critério de avaliação Móvel e Média Ponderada Fixa. Apure também o
PEPS responda: resultado para cada método utilizado.
21) O custo das mercadorias vendidas (CMV) é 26) Considere os seguintes dados da empresa Maria
a) R$ 31.500,00. Dorotéia Magalhães Sanches (todas as compras e
b) R$ 28.632,00. vendas são a prazo, com ICMS à alíquota de 12%):

96
AULA 9 • INVENTÁRIO DE MERCADORIAS E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUE

Saldo Inicial: 200 unidades a R$ 4,00 cada (líquido BRASIL Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de
de ICMS). 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.
Operações: Consolidada. Publicada em 08.01.2008.
• Compra Nº 01 de 180 unidades a R$ 5,00 BRASIL Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009.
cada. Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades
• Venda Nº 01 de 280 unidades por R$ 1.980,00. por Ações.
• Recebimento em devolução de 90 unidades CHAGAS, Gilson. Contabilidade Geral
relativa à venda Nº 01. simplificada. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
• Compra Nº 02 de 220 unidades a R$ 6,00 CREPALDI, Silvio Aparecido. Resumo da teoria
cada. atendendo às novas demandas da gestão
• Compra Nº 03 de 60 unidades a R$ 3,00 cada. empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
• Abatimento obtido sobre a compra Nº 03 no FERRREIRA, Ricardo J. Coleção de provas
valor de R$ 38,40. comentadas ESAF. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora
• Venda Nº 02 de 210 unidades por R$ 2.520,00. Ferreira, 2002.
• É concedido um abatimento de s/ Vendas Nº FERRARI, Ed. Luiz. Contabilidade Geral. 12. ed.
02 no valor de R$ 180,00. Rio de Janeiro: Editora Ímpetus, 2012.
• Compra Nº 04 de 60 unidades pelo preço FERREIRA, Ricardo J. Resumo de Contabilidade
total de R$ 520,00 sendo R$ 420,00. pelas Geral. 3. ed. Rio de Janeiro. Editora Ferreira.
mercadorias e R$ 100,00 pelo frete e seguro. FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas
• Devolução, ao fornecedor de 30 unidades, Contábeis, Atuariais e Financeiras. Manual de
relativa à compra Nº 04. Contabilidade Societária: aplicável a todas as
• Venda Nº 03 de 270 unidades ao preço de R$ sociedades. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu e
GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS. São Paulo:
3.780,00.
Altas, 2007.
Apurar o CMV em cada método e fazer análise
de qual seria o melhor método para a empresa Maria FRANCO, Hilário. Contabilidade Geral. 23. ed. São
Paulo: Saraiva, 1996.
Dorotéia Magalhães Sanches em relação ao montante
de tributos a serem pagos ou recolhidos. GOUVEIA, Nelson. Contabilidade. 2. ed. São
Paulo: Atlas, 1998.
REFERÊNCIAS HASTINGS, David F. Contabilidade em contexto:
uma novela contábil. São Paulo: Saraiva, 2011.
ALMEIDA, M. C. Curso básico de Contabilidade:
introdução à metodologia da Contabilidade, IOB. INFORMAÇÕES OBJETIVAS. Textos Legais.
Contabilidade básica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998. São Paulo: IOB, 2012. Mensal. Índice trimestral.
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade introdutória-
ANDRADE, Eurídice Mamede. Contabilidade
Livro de Exercícios. 8. ed. São Paulo: Editora Atlas,
Comercial. São Paulo: Editora Campus, 2002.
1996.
BARBOSA, Crysthian Barbosa. Contabilidade IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade.
Básica. Curitiba: Juruá, 2008. 10. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES, LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para
Eugenio Celso. Contabilidade Geral. 7. ed. São administradores. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
Paulo: Atlas, 2011.
KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de;
BRASIL Lei nº 11.638/07 de 28 de dezembro de MARTINS, Eliseu. Contabilidade introdutória –
2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6.404/76, Livro Texto. 11.São Paulo: Atlas, 2010.
de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7 MARION, José Carlos. Teoria da Contabilidade. 2.
de dezembro de 1976 ed. São Paulo: Alínea, 2000.
e estende às sociedades de grande porte PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade
disposições relativas à elaboração e divulgação de Básica: uma introdução à Contabilidade básica;
demonstrações financeiras. Publicada na DOU de uma introdução à prática contábil. 3. ed. São Paulo:
28.12.2007 – Edição Extra. Atlas, 1996

97
Contabilidade Geral

RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Básica. 2. SILVA, César Augusto Tibúrcio; TRISTÃO, Gilberto.
ed. São Paulo: Saraiva, 2009. Contabilidade Básica. 4. ed. São Paulo: Atlas,
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Geral fácil. 2009.
27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
SZUSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes.
SANTOS, Roberto Fernandes. Introdução à
Contabilidade: noções fundamentais. São Paulo: Contabilidade Geral: introdução à Contabilidade
Saraiva, 2011. Societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

98
Unidade 03

Contabilidade Geral
PRECIFICAÇÃO DE ESTOQUES E DRE

AULA 10

DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO

Objetivos
• Compreender a interseção entre a teoria
e a prática de depreciação, exaustão e
amortização na Contabilidade.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO A base de cálculo da depreciação de um bem


corresponde ao seu custo de aquisição, incluindo
Olá, caro aluno! Como vai? Na aula de hoje os gastos necessários à colocação do bem em
estudaremos mais a fundo a depreciação, a amortização funcionamento. A depreciação de um bem é contada,
e a exaustão em termos de Contabilidade, é claro. não em função da data de aquisição, e sim a partir do mês
No final desta aula, você entenderá algumas contas em que o bem for instalado, posto em funcionamento ou
redutoras do ativo não circulante. Contas redutoras, em condições de produzir, independentemente do dia
também chamadas de retificadoras, possuem do mês, isto é, conta-se o primeiro mês integralmente,
características diferenciadas das outras contas do ativo qualquer que seja o dia.
e do passivo. Lembre, meu aluno, que as contas do ativo O RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda
são de natureza devedora e as contas redutoras ou de 1999), nos seus artigos de números 305 a 323,
retificadoras do ativo são de natureza credora. Faremos estabelece os critérios básicos de depreciação. No
vários lançamentos contábeis envolvendo essas entanto as taxas máximas anuais de depreciação
contas. Para que possamos estudar os procedimentos permitidas, para os bens utilizados num período normal
de depreciação, amortização e exaustão, é necessário de oito horas diárias, são publicadas separadamente
que identifiquemos com clareza os elementos do pela Secretaria da Receita Federal. Exemplos de
ativo que estão sujeitos a esses procedimentos, ou tempos de vida útil mínimos permitidos e suas
seja, em regra, aqueles elementos pertencentes ao respectivas taxas máximas permitidas.
ativo imobilizado e intangível. Assim, conforme a Lei
BEM VIDA ÚTIL TAXA ANUAL
nº 6.404/76, serão classificados como imobilizados
os direitos que tenham por objeto bens destinados Veículos 5 anos 100%/5= 20%
à manutenção das atividades da companhia e da Edificações 25 anos 100%/25= 4%
empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive
os de propriedade industrial ou comercial. Para que um Máquinas e
10 anos 100%/10= 10%
Equipamentos
bem seja classificado como Imobilizado, deve cumprir
três características simultaneamente: ter vida útil acima Móveis e Utensílios 10 anos 100%/10= 10%
de 1 ano, não se destinar à venda, ser utilizado nas
Equipamentos de
atividades normais da empresa. 5 anos 100%/5= 20%
Informática
Vamos conhecer mais? Então, venha comigo.
ATENÇÃO: Evidentemente, se o fisco controla
2 DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E apenas as taxas máximas, não há nenhum problema
em se adotarem taxas inferiores. A preocupação do
AMORTIZAÇÃO fisco em limitar apenas o valor máximo se explica pelo
2.1 Depreciação fato de que quanto maior for a despesa de depreciação
menor será o lucro e, consequentemente, menor será
A depreciação é a despesa com perda de valor o imposto de renda.
de bens tangíveis do ativo imobilizado, sujeitos ao
desgaste pelo uso, ação da natureza ou por se tornarem 2.1.1 Valor Contábil
obsoletos. A contrapartida da Despesa de Depreciação
O valor contábil de um bem depreciado corresponde
é a conta Depreciação Acumulada, sendo esta uma
à diferença entre o seu custo de aquisição (esse pode
conta retificadora do ativo permanente.
sofrer acréscimos posteriores) e a sua depreciação
Vedações à Depreciação, conforme a Legislação
acumulada. Assim, se um equipamento foi adquirido por
do Imposto de Renda, são feitas a: terrenos, salvo
R$12.000,00 e está com uma depreciação acumulada
em relação a benfeitorias e construções; bens que
de 30%, teremos:
aumentam de valor com o tempo, como antiguidades
e obras de arte; bens para os quais sejam registrados Equipamentos .......................................12.000,00
quotas de amortização ou exaustão; bens móveis ou Depreciação Acumulada.....3.600,00 (30% de 12.000,00)
imóveis que não estejam intrinsecamente relacionados Valor Contábil...........................................8.400,00
à produção ou comercialização de bens e serviços.

100
AULA 10 • DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO

2.1.2 Valor Residual Outro método de depreciação é o chamado


Método da Soma dos Dígitos, ou Método da Soma dos
O valor residual de um bem depreciado, que
muitas vezes é impropriamente confundido com o valor Algarismos ou Método de Cole. Sua depreciação é
contábil, corresponde ao valor da provável realização calculada da seguinte forma:
do bem, após totalmente depreciado. Tendo em vista 1ª Etapa: Somar os algarismos que compõem
a dificuldade da precisa quantificação de tal valor, o número de anos de vida útil do bem a ser
normalmente ele é igual a zero. Caso se estime um valor depreciado.
residual diferente de zero, este deverá ser subtraído
2ª Etapa: Multiplicar o valor a ser depreciado a
do custo de depreciação do bem a ser depreciado, a
cada ano pela fração cujo denominador é a
fim de que a taxa de depreciação incida no resultado
dessa diferença. Assim, no exemplo anterior, se fosse soma obtida na 1ª etapa, e o numerador, para
estimado um valor residual de R$2.000,00, sendo a o primeiro ano, é de n (n = tempo de vida útil
depreciação acumulada de 30%, teríamos: estimado), para o segundo ano, n-1, para o
terceiro ano, n-2, e assim sucessivamente até
Equipamentos .......................................12.000,00 o último ano, quando o numerador é 1.
Depreciação Acumulada.....3.000,00 (30% de 10.000,00)
Exemplo: Depreciação de uma máquina adquirida
Valor Contábil...........................................9.000,00
por R$9.000,00, supondo que seu tempo de vida útil
seja igual a quatro anos:
2.1.3 Método de Depreciação
Entre os diversos métodos existentes, o mais Soma dos dígitos = 1 + 2 + 3 + 4 = 10
utilizado no Brasil é o chamado Método das Quotas Primeiro ano: Depreciação = 4/10 x R$ 9.000,00
Constantes. Também pode ser chamado de Método = R$ 3.600,00
Linear, visto que a depreciação acumulada é Segundo ano: Depreciação = 3/10 x R$ 9.000,00
diretamente proporcional ao tempo, gerando, assim, = R$ 2.700,00
uma função linear. Por esse método, a depreciação
Terceiro ano: Depreciação = 2/10 x R$ 9.000,00
pode ser calculada de duas formas:
= R$ 1.800,00
1ª Forma: aplicando-se uma taxa constante sobre
o valor a ser depreciado. Quarto ano: Depreciação = 1/10 x R$ 9.000,00 =
2ª Forma: dividindo-se o valor a ser depreciado R$ 900,00
pelo tempo de vida útil.
Exemplo: Um equipamento adquirido por R$ A vantagem desse método em relação ao das
8.000,00, que teve seu tempo de vida útil estimado em quotas constantes é que proporciona maior
cinco anos, poderá ter a depreciação anual calculada uniformidade nos custos, visto que, com o passar do
das seguintes formas:
tempo, os gastos com manutenção do bem se tornam
1ª Forma: Taxa de depreciação anual = 100% / 5
= 20% progressivamente crescentes. Sendo assim, ao
Depreciação Anual = 20% x R$ 8.000,00 = R$ fazermos os valores das depreciações decrescentes,
1.600,00 tomamos a soma dos gastos de manutenção, ao
2ª Forma: Depreciação Anual = R$ 8.000,00 / 5 = longo do tempo, com suas respectivas depreciações,
R$ 1.600,00 aproximadamente constante.
Caro aluno, considerando o exemplo anterior, caso Outro método de depreciação é o chamado Método
fosse estimado um Valor Residual diferente de zero
das Horas de Trabalho. Esse método consiste em
para o bem depreciado, por exemplo, R$2.000,00,
estimar o número de horas de trabalho durante a vida
então a depreciação anual seria de 20%. (R$8.000,00
– R$2.000,00), isto é, R$1.200,00. Dessa forma, útil do bem. Nesse caso, a cota de depreciação será
decorrido o tempo de vida útil, ao invés de o valor obtida dividindo-se o número de horas trabalhadas no
residual do bem ser zero, seria de R$2.000,00. período pelo número de horas de trabalho estimado

101
Contabilidade Geral

durante a vida útil do bem. Esse método é próprio das empresas industriais, e o custo de depreciação é dado pela
seguinte fórmula:

nº de horas de trabalho no período


Cota de Depreciação =
nº de horas de trabalho estimado durante a vida útil do bem

Por exemplo: Consideremos que uma máquina tem vida útil de dez anos. Se a máquina trabalha 2.376 horas
no ano, o número de horas de trabalho estimado durante sua vida será 23.760 (2.376 horas x 10 anos). Aplicando
a fórmula da cota de depreciação, temos:

Cota de depreciação = 2.376 / 23.760 = 10% ao ano

Outro método é o de unidades produzidas. Esse método é semelhante ao anterior, bastando substituir
a estimativa do número de horas trabalhadas pela estimativa do número de unidades produzidas no período.
Ele também é típico de empresas industriais, já que considera as unidades produzidas no cálculo da taxa de
depreciação. A cota de depreciação é dada pela seguinte fórmula:

nº de unidades produzidas no período


Cota de Depreciação =
nº de horas de unidadess estimadas a serem produzidas durante vida útil do bem

Por exemplo: Vamos considerar que a estimativa de produção da Indústria Léa Mendonça Sanches durante a
vida útil do bem seja de 95,3 mil unidades e que a produção anual média seja de 8.000 unidades produzidas:

Cota de depreciação = 8.000/95.300 = 8,39% ao ano

2.1.4 Depreciação de bens usados


No caso da aquisição de bens usados, a legislação fiscal (art. 311 do RIR/99) determina que a taxa de
depreciação a ser utilizada seja calculada considerando o maior dos seguintes prazos:
I – Metade da vida útil admissível para o bem adquirido novo;
I – Restante da vida útil, considerada esta em relação à primeira instalação para utilização do bem.
Por exemplo: A empresa Suellen Lima Sanches adquiriu uma máquina no valor de R$ 25.500,00, cuja vida útil
estimada é de três anos. O cálculo da taxa de depreciação, nesse caso, seguindo a legislação, será:
Metade da vida útil do bem = cinco anos
Tempo restante de vida útil = três anos
Considerando o maior tampo, a taxa de depreciação será de:
Taxa de depreciação = 100% / 5 anos = 20% ao ano
Assim, a cota da depreciação será:

Cota de depreciação = R$ 25.500,00 x 20% ao ano = R$ 5.100,00 ao ano.

2.1.5 Contabilização
Ao depreciarmos um bem do ativo imobilizado, por um lado geramos uma conta de despesa, que chamamos
de despesa com depreciação (ou encargos de depreciação ou simplesmente Depreciação), sendo ela debitada.
Por outro lado, geramos uma conta retificadora do ativo, que chamamos de Depreciação Acumulada, sendo ela
creditada. A conta Despesa com Depreciação poderá receber débitos mensais com a aplicação da taxa anual
dividida em 12, até o fim do exercício social, quando então será encerrada juntamente com as outras despesas
para a apuração do resultado. A conta Depreciação Acumulada irá acumular o valor das despesas de depreciação,

102
AULA 10 • DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO

desde a época em que o bem foi posto em condições de uso até a época em que o bem for alienado ou baixado
por perecimento, ou até que o valor contábil do bem seja nulo (100% depreciado).
Exemplo: A empresa Tatiana Costa Sanches S/A, em 12 de junho de 2012, adquiriu um caminhão por R$
40.000,00. Supondo a taxa de depreciação anual igual 20%, teremos:
Em 2012
Cálculo: 20% em 12 meses = 10% em 6 meses = 40.000,00 x 10% = 4.000,00
Contabilização
Despesas com Depreciação Depreciação Acumulada
4.000,00 4.000,00

Caro aluno, veja a apresentação dos dados no Balanço Patrimonial no ano de 2012.
ATIVO PASSIVO

AC – ATIVO CIRCULANTE PC – PASSIVO CIRCULANTE

ANC - ATIVO NÃO CIRCULANTE PNC - PASSIVO NÃO CIRCULANTE

PL – PATRIMÔNIO LÍQUIDO

• Ativo Realizável a Longo Prazo • Capital Social


• Investimento • Reservas de Capital
• Imobilizado • Ajustes de Avaliação Patrimonial
Veículos...........................................40.000,00 • Reservas de Lucro
Depreciação Acumulada ................(4.000,00) • (Prejuízos Acumulados)
Valor Contábil.................................36.000,00 • (Ações em Tesouraria)
• Intangível

Em 2013
Cálculo: 20% em 12 meses = 10% em 6 meses = 40.000,00 x 10% = 4.000,00
Contabilização
Despesas com Depreciação Depreciação Acumulada
8.000,00   4.000,00
8.000,00
 
Agora veja a apresentação dos dados no Balanço Patrimonial no ano de 2013.
ATIVO PASSIVO

AC – ATIVO CIRCULANTE PC – PASSIVO CIRCULANTE

ANC - ATIVO NÃO CIRCULANTE PNC - PASSIVO NÃO CIRCULANTE

PL – PATRIMÔNIO LÍQUIDO

• Ativo Realizável a Longo Prazo • Capital Social


• Investimento • Reservas de Capital
• Imobilizado • Ajustes de Avaliação Patrimonial
Veículos...........................................40.000,00 • Reservas de Lucro
Depreciação Acumulada ............. (12.000,00) • (Prejuízos Acumulados)
Valor Contábil..................................28.000,00 • (Ações em Tesouraria)
• Intangível

103
Em 2014
Cálculo: 20% em 12 meses = 10% em 6 meses = 40.000,00 x 10% = 4.000,00
Contabilização
Despesas com Depreciação Depreciação Acumulada
8.000,00 4.000,00
8.000,00
8.000,00
Caro aluno, veja a apresentação dos dados no Balanço Patrimonial no ano de 2014.
ATIVO PASSIVO

AC – ATIVO CIRCULANTE PC – PASSIVO CIRCULANTE

ANC - ATIVO NÃO CIRCULANTE PNC - PASSIVO NÃO CIRCULANTE

PL – PATRIMÔNIO LÍQUIDO

• Ativo Realizável a Longo Prazo • Capital Social


• Investimento • Reservas de Capital
• Imobilizado • Ajustes de Avaliação Patrimonial
Veículos...........................................40.000,00 • Reservas de Lucro
Depreciação Acumulada ..............(20.000,00) • (Prejuízos Acumulados)
Valor Contábil..................................20.000,00 • (Ações em Tesouraria)
• Intangível

2.1.6 Depreciação Acelerada


Considere que se atribuem coeficientes multiplicativos conforme o número de horas trabalhadas por bens
móveis sujeitos ao desgaste pelo uso. Os coeficientes de aceleração são os seguintes:
Coeficiente de turnos de 8 h Coeficiente Fiscal
1 1,0
2 1,5
3 2,0
No caso de bens que são adquiridos já usados, a empresa deverá adotar como vida útil a maior entre as
seguintes:
a) metade do prazo de vida útil do bem quando adquirido novo;
b) restante do prazo de vida útil do bem.

2.2 Amortização
Segundo o art. 324 do RIR/99, a amortização corresponde à recuperação do capital aplicado em bens
intangíveis ou à recuperação dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado
de mais de um período de apuração. Somente poderão ser amortizados os bens e direitos imateriais ou intangíveis
intrinsecamente relacionados com a produção e comercialização de produtos e serviços:
• marcas e patentes
• fórmulas e processo de fabricação
• direitos autorais, licenças, autorizações ou concessões
• direitos contratuais de exploração de florestas
O objetivo da amortização é reconhecer, de forma contábil, o custo ou a despesa advindos de bens ou
direitos à medida que eles efetivamente ocorrem, considerando os benefícios gerados que seguem o princípio da
competência, que confronta as receitas com as despesas correspondentes do mesmo período.
AULA 10 • DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO

O pronunciamento nº 04 (CPC 04 – Ativo Intangível) define o período e o método de amortização: o valor


amortizável de ativo intangível com vida útil definida deve ser apropriado de forma sistemática ao longo da sua vida
útil estimada. A amortização deve ser iniciada a partir do momento em que o ativo estiver disponível para uso, ou
seja, quando se encontrar no local e nas condições necessários para que possa funcionar de maneira pretendida
pela administração.
A amortização deve cessar na data em que o ativo é classificado como mantido para venda ou incluído em um
grupo de ativos classificados como mantidos para venda, ou ainda na data em que ele é baixado, o que ocorrer
primeiro. O método de amortização utilizado reflete o padrão de consumo pela entidade dos benefícios econômicos
futuros.
Se não for possível determinar esse padrão com segurança, deve ser utilizado o método linear. A despesa de
amortização para cada período deve ser reconhecida no resultado, a não ser que outra norma ou Pronunciamento
Contábil permita ou exija a sua inclusão no valor contábil de outro ativo.
Podem ser utilizados vários métodos de amortização para apropriar de forma sistemática o valor amortizável
de um ativo ao longo da sua vida útil. Tais métodos incluem o método linear, também conhecido como método
de linha reta, o método dos saldos decrescentes e o método de unidades produzidas. A seleção do método deve
obedecer ao padrão de consumo dos benefícios econômicos futuros esperados, incorporados ao ativo, e ser
aplicado consistentemente entre períodos, a não ser que exista alteração nesse padrão.
Exemplo:
A empresa Eliane Silva Sanches adquire uma patente que expira em 5 anos, conforme dados a seguir:
• Patente adquirida em 05 de fevereiro de 2012: - R$ 650.000,00
• Início da amortização: 05 de fevereiro de 2012
• Prazo de amortização: cinco anos
• Percentual de amortização: 20% ao ano
Anos Percentual de Amortização Projeto A (R$) Cota anual da amortização (R$) Amortização Acumulada (R$)
2012 18,33% 650.000,00 119.145,00 119.145,00
2013 20% 650.000,00 130.000,00 249.145,00
2014 20% 650.000,00 130.000,00 379.145,00
2015 20% 650.000,00 130.000,00 509.145,00
2016 20% 650.000,00 130.000,00 639.145,00
2017 1,67% 650.000,00 10.855,00 650.000,00

Caro aluno, veja como foram encontrados 18,33%: 20% /12 meses = 1,6666% x 11 meses = 18,33% (proporcional).
Agora veja como foi encontrado 1,675: 20% /12 meses = 1,6666% x 1 mês = 1,67%

Se uma empresa adquirir o direito de explorar uma marca ao longo de 25 anos, a taxa anual de amortização
será de 100% / 25 anos = 4% ao ano.

2.2.1 Contabilização
Ao amortizarmos um bem intangível do Ativo Não Circulante, debitamos a conta Despesa com Amortização
(conta de resultado – despesa) e creditamos a conta Amortização Acumulada (conta patrimonial retificadora do
ativo).
D- Despesa com Amortização
C- Amortização Acumulada

2.3 Exaustão
De acordo com o art. 330 do RIR/99, “poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de
apuração, a importância correspondente à diminuição do valor de recursos minerais, resultante da sua exploração”.

105
Contabilidade Geral

O objetivo da exaustão é distribuir o custo dos para o cálculo de exaustão de recursos minerais e que
recursos minerais (não renováveis) durante o período iria fazer os dois cálculos. Veja os dois:
em que tais recursos são extraídos ou exauridos. O 1º Método: Exaustão conforme o prazo de
método de cálculo da cota de exaustão é semelhante concessão:
ao cálculo da amortização, considerando, nesse caso,
Custo da Concessão: R$ 120.000,00
o custo de aquisição dos recursos naturais ou do direito
Prazo da Concessão: 20 anos
de exploração e as unidades produzidas ou extraídas
Taxa de exaustão anual: 100% / 20 anos = 5% ao ano
no mesmo período.
Despesa de Exaustão (Anual) = 5% x 120.000,00
O montante da cota de exaustão será determinado
= R$ 6.000,00
tendo em vista o volume da produção no período e sua
relação com a possança da mina (capacidade estimada 2º Método: Exaustão de acordo com a relação
da mina) ou tendo em vista o prazo de concessão. entre a produção do período e a possança
O cálculo da cota de exaustão é dado pela seguinte conhecida da mina:
fórmula: Custo da Concessão: R$ 120.000,00
Exemplo 01: A empresa Elias Silva Sanches Possança Conhecida: 50.000 m3
adquiriu o direito de exploração mineral de uma área Produção do ano: 2.000 m3
pelo valor de R$ 150.000,00. O prazo para exploração Taxa de exaustão do ano: 2.000 /50.000 = 4%
da mina é de seis anos, e a capacidade estimada de Despesa de exaustão do ano: 4% x R$ 120.000,00
exploração da mina (possança) é de 450.000 toneladas. = R$ 4.800,00
Observe os seguintes dados: Caro aluno, saiba que as máquinas e equipamentos
de extração mineral ou florestal, opcionalmente, podem
Cota de exaustão = valor contábil do direito de ser depreciados ao invés de serem exauridos.
exploração x taxa de exaustão
2.3.1 Contabilização
• Valor contábil do direito de exploração: R$ Ao exaurirmos um bem do ativo permanente,
150.000,00 debitamos a conta Despesas de Exaustão (conta de
• Possança conhecida da jazida: R$ 450.000 resultado – despesa) e creditamos a conta Exaustão
toneladas Acumulada (conta patrimonial retificadora do ativo).
• Produção no primeiro ano: 76.500 toneladas D- Despesa de Exaustão
• Prazo para término da concessão: seis anos C- Exaustão Acumulada
Calculando a taxa de exaustão, temos:
2.4 Resultado na Venda de
Taxa = 76.500 t / 450.000 t = 0,17 ou 17% Imobilizado
O resultado (lucro ou prejuízo) apurado na venda
E calculando a cota de exaustão, temos:
de qualquer item do Ativo Imobilizado é considerado
não operacional e é obtido da seguinte maneira:
Cota de exaustão do período = R$ 150.000,00 x
17% = R$ 25.500,00
Preço de Venda do Imobilizado
(-) Valor Contábil do Imobilizado
Pelo registro da exaustão no primeiro ano:
(-) Outras Despesas Incidentes sobre a Venda
D- Despesa com exaustão.................R$ 25.500,00
(=) Resultado na Venda de Imobilizado
C- Exaustão Acumulada.....................R$ 25.500,00
Assim, o valor de R$ 25.500,00 é registrado
A contabilização de uma operação de venda de
na contabilidade como despesa ou custo anual da
imobilizado é feita da seguinte forma:
exaustão efetiva da área.
Exemplo 02: A empresa Michelle Nascimento Pelo Reconhecimento da Receita
Sanches apresentou alguns dados para o cálculo D- Caixa/Bancos/Contas a Receber
da exaustão. A contadora Giselli Cristina Sanches C- Receita na Venda de Imobilizado (não opera-
informou à dona da empresa que existem dois métodos cional)

106
AULA 10 • DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO

Pelo Reconhecimento do Custo Outro método de depreciação é o chamado


D- Custo na Venda de Imobilizado (não operacional) Método da Soma dos Dígitos ou Método da Soma
C- Imobilizado dos Algarismos ou Método de Cole. Outro método
de depreciação é o chamado Método das Horas de
Pela Baixa da Depreciação Acumulada do Bem
Trabalho. Esse método consiste em estimar o número
D- Depreciação Acumulada de horas de trabalho durante a vida útil do bem.
C- Custo na Venda de Imobilizado (não operacional) Outro método é o de Unidades Produzidas. Esse
Muito bem! Creio que estudamos bastantes coisas método é semelhante ao anterior, bastando substituir
nesta aula e podemos encerrá-la por aqui. Ainda temos a estimativa do número de horas trabalhadas pela
muito o que aprender, e guardarei novidades para a estimativa do número de unidades produzidas no
próxima aula. Espero você lá, está bem? Estude muito
período. Em seguida estudamos a depreciação de
bem esta aula porque ela é fundamental. Aliás, todas
bens usados e a depreciação acelerada. Vimos que
são muito importantes. Se houver dúvidas, não hesite
a amortização corresponde à recuperação do capital
em contatar seu tutor.
aplicado em bens intangíveis ou à recuperação dos
3 RESUMO recursos aplicados em despesas que contribuam para
a formação do resultado de mais de um período de
Na aula de hoje vimos que depreciação é a apuração. Somente poderão ser amortizados os bens
despesa com perda de valor de bens tangíveis do ativo e direitos imateriais ou intangíveis intrinsecamente
imobilizado, sujeitos ao desgaste pelo uso, ação da relacionados com a produção e comercialização de
natureza ou por se tornarem obsoletos. A contrapartida
produtos e serviços.- marcas e patentes, fórmulas e
da Despesa de Depreciação é a Conta Depreciação
processo de fabricação, direitos autorais, licenças,
Acumulada, sendo esta uma conta retificadora do ativo
autorizações ou concessões, direitos contratuais de
permanente.
exploração de florestas.
Vimos que, para cálculo da cota de depreciação,
O objetivo da amortização é reconhecer, de forma
devemos considerar a vida útil do bem, que é
determinada pela legislação fiscal e cujos valores foram contábil, o custo ou a despesa advindos de bens ou
fixados pela IN SRF nº 162/98 e 130/99. Relacionadas direitos à medida que eles efetivamente ocorrem,
no Quadro 13.1 (Esse quadro se encontra na Instrução considerando os benefícios gerados que seguem o
Normativa – IN – e não se refere aos quadros das aulas princípio da competência, que confronta as receitas
sobre taxas de depreciação dos itens mais utilizadas com as despesas correspondentes do mesmo período.
pela maioria das empresas. Em nossas aulas foram Para terminar nossa aula, foi realizado um estudo
vistas apenas algumas dessas instruções, pois a sobre a exaustão e sobre o resultado na venda de
lista contida na IN SRF 162/98 é bastante extensa. imobilizado. A exaustão, de acordo com o art. 330
Recomendo que você, caro aluno, navegue pelo do RIR/99, “poderá ser computada como custo ou
site da Receita Federal.). Em seguida vimos que o encargo em cada período de apuração, e a importância
valor contábil de um bem depreciado corresponde à correspondente à diminuição do valor de recursos
diferença entre o seu custo de aquisição (esse pode
minerais resultante da sua exploração”. O objetivo da
sofrer acréscimos posteriores) e a sua depreciação
exaustão é distribuir o custo dos recursos minerais (não
acumulada. Já o valor residual de um bem depreciado,
renováveis) durante o período em que tais recursos são
que muitas vezes é impropriamente confundido com
extraídos ou exauridos. O método de cálculo da cota
o valor contábil, corresponde ao valor da provável
de exaustão é semelhante ao cálculo da amortização,
realização do bem, após totalmente depreciado. Em
seguida foram apresentados os vários métodos de considerando, nesse caso, o custo de aquisição dos
depreciação como: Método das Quotas Constantes, recursos naturais ou do direito de exploração e as
que também pode ser chamado de Método Linear, unidades produzidas ou extraídas no mesmo período.
visto que a depreciação acumulada é diretamente O Resultado na Venda de Imobilizado é o resultado
proporcional ao tempo, gerando, assim, uma função (lucro ou prejuízo) apurado na venda de qualquer item
linear. do Ativo Imobilizado.

107
Contabilidade Geral

4 ATIVIDADES RESOLVIDAS CONTAS R$


Receita na venda 25.000,00
01- A empresa Jozyanne Sanches S/A, que negocia
com máquinas usadas, em 30 de abril de 2012, Valor contábil (15.000,00)
promoveu uma venda dos seguintes itens: Lucro não operacional 10.000,00
• um trator de seu estoque de venda vendido por Caro aluno, sendo a vida útil do Jeep de 8 anos, a
R$ 35.000,00 depreciação anual é de 100%/8 anos = 12,5%. Logo,
• um jeep de seu imobilizado vendido por R$ em 2 anos de uso temos: 12,5% x 2 anos = 25%
25.000,00 Imóvel: o terreno não sofre depreciação.
• um imóvel de sua propriedade vendido por R$ Custo de aquisição...................................80.000,00
70.000,00
Valor do terreno: 60%............................(48.000,00)
A operação de venda não sofrerá nenhum gravame
Valor da edificação: 40%.........................32.000,00
fiscal, a não ser de imposto de renda sobre eventuais
Depreciação acumulada: 40% x 32.000,00.....(12.800,00)
lucros ao fim do ano e que será calculado naquela
Valor contábil da edificação......................19.200,00
ocasião.
Caro aluno, a depreciação da edificação foi
Os dados para custeamento da transação foram os
calculada à taxa anual de: 100% (25 anos) = 4% ao ano.
seguintes:
Como havia 10 anos que o bem estava na empresa:
• O trator foi adquirido por R$ 25.000,00, tem
4% x 10 anos = 40% de depreciação acumulada.
vida útil de 10 anos e já estava na empresa há
Valor do terreno........................................48.000,00
dois anos e meio.
Valor contábil da edificação...................(19.200,00)
• O jeep foi adquirido por R$ 20.000,00, tem vida
Valor contábil do imóvel...........................67.200,00
útil de 8 anos e já estava na empresa há dois
anos. CONTAS R$
• O imóvel foi adquirido por R$ 80.000,00, tem Receita na Venda do Imóvel 70.000,00
uma edificação a 40% do seu valor, com vida Valor Contábil do Imóvel (67.200,00)
útil estimada em 25 anos e já estavam na
Lucro Não Operacional 2.800,00
empresa há dez anos.
Considerando essas informações, podemos afirmar Vamos agora somar os três resultados:
que, na operação de venda, a empresa Jozyanne RESULTADOS R$
Sanches S/A alcançou um lucro global de Lucro na venda do trator 7.000,00
a) R$ 26.200,00. Lucro na venda do jeep 10.000,00
b) R$ 26.000,00.
Lucro na venda do imóvel 2.800,00
c) R$ 21.000,00.
Total 19.800,00
d) R$ 19.800,00.
e) R$ 14.000,00.
5 ATIVIDADES PROPOSTAS
Gabarito: D
Resolução: 1) A empresa Elaine Martins Sanches S/A estava de-
monstrando seu parque operacional e, para isto,
Trator: os bens do estoque não sofrem depreciação.
efetuou as seguintes operações:
CONTAS R$ • vendeu, à vista, por R$ 3.000,00, uma máquina
Receita na venda 35.000,00 adquirida por R$ 4.000,00 e que já fora depre-
Custo de aquisição (28.000,00) ciada em 70%;
Lucro operacional 7.000,00 • baixou do acervo patrimonial um guindaste
comprado por R$ 5.000,00, já depreciado em
Jeep:
80%;
Custo de aquisição..................................20.000,00 • alienou por R$ 2.000,00 um cofre, ainda bom,
Depreciação Acumulada: 25% x 20.000,00......(5.000,00) com valor contábil de R$ 3.000,00, embora já
Valor Contábil...........................................15.000,00 depreciado em 25%.

108
AULA 10 • DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO

A empresa Elaine Martins Sanches S/A incorreu em 6) As contas Amortização Acumulada, Depreciação
a) custos de R$ 13.000,00. Acumulada e Exaustão Acumulada fazem parte do
b) custos de R$ 4.450,00. grupo
c) lucros de R$ 550,00. a) de contas de resultado.
b) de contas do passivo.
d) perdas de R$ 2.600,00.
c) de contas retificadoras do ativo.
e) perdas de R$ 200,00.
d) do patrimônio líquido.
2) A empresa Arautos do Rei S/A possui uma má-
7) Qual o encargo responsável pelo registro da perda
quina própria de sua atividade operacional, ad- de valor de um bem incorpóreo?
quirida por R$ 30.000,00, com vida útil estimada a) amortização
em 5 anos e depreciação baseada na soma dos b) depreciação
dígitos dos anos em quotas crescentes. A mesma c) exaustão
empresa possui também uma mina custeada em d) nenhum encargo
R$ 60.000,00, com capacidade estimada de 200 8) A loja Gerson Rufino Sanches adquiriu, em
mil kg, exaurida com base no ritmo de exploração 30/09/2012, um balcão por R$ 2.400.000,00. Sa-
anual de 25 mil kg de minério. O usufruto dos dois bendo-se que a taxa de depreciação relativa a mó-
veis e utensílios é de 10% ao ano, qual será o valor
itens citados teve início na mesma data.
da despesa de depreciação desse balcão referente
Analisando tais informações, podemos concluir
ao exercício a ser encerrar em 31/12/2012?
que, ao fim do terceiro ano, essa empresa terá no
a) R$ 60.000,00
Balanço Patrimonial, em relação aos bens referidos, o b) R$ 120.000,00
valor contábil de c) R$ 180.000,00
a) R$ 34.500,00. d) R$ 240.000,00
b) R$ 40.500,00. 9) Com relação à questão 08, se a loja Gerson Rufino
c) R$ 49.500,00. Sanches vendesse o balcão em 31/12/2013, por
d) R$ 55.500,00. R$ 2.200.000,00, teria tido
e) R$ 57.500,00. a) prejuízo de R$ 200.000,00.
3) O capital destinado à aquisição de direitos cuja b) lucro de R$ 140.000,00.
c) lucro de R$ 100.000,00.
existência ou exercício tenha prazo limitado ou de
d) prejuízo de R$ 100.000,00.
bens cuja utilização tenha duração legal ou contra-
10) Considere os dados da Cia. Gabriela Rocha
tual limitada, é recuperado através de
Sanches.
a) exaustão. • A depreciação acumulada do bem, corrigida
b) depreciação. até a data da venda, somava R$ 18.000,00.
c) amortização. • O bem foi comprado em 03/01/2010 por R$
d) nenhuma forma. 2.500,00.
4) Qual o encargo responsável pelo registro da perda • O bem foi vendido à vista, em 29/12/2012, por
da vida útil de um bem tangível? R$15.000,00.
a) exaustão • No livro Razão da empresa, o bem apresen-
b) depreciação tava um valor contábil, corrigido até a data da
venda, de R$ 19.000,00.
c) amortização
• O exercício social da empresa é coincidente
d) nenhum encargo
com o ano civil.
5) Assinale as contas que não estão sujeitas a amor-
Com base nesses dados, conclui-se que a empresa
tizações e depreciações. teve, com a venda do bem, um
a) terrenos e móveis a) prejuízo de R$ 14.000,00.
b) máquinas e equipamentos b) lucro de R$ 14.000,00.
c) terrenos e prédios c) lucro de R$ 16.500,00.
d) obras de arte e terrenos d) prejuízo de R$ 4.000,00.

109
Contabilidade Geral

11) A empresa Beatriz Andrade Sanches tem os restante de depreciação, se mantida a mesma taxa e
seguintes elementos classificados no seu Ativo a continuidade na contabilização dos encargos, era,
Imobilizado: naquela data, de
Elementos R$ a) 5 anos e 3 meses.
Terreno 150.000,00 b) 4 anos e 9 meses.
c) 4 anos e 3 meses.
Móveis e utensílios 45.000,00
d) 4 anos e 1 mês.
Máquinas 78.000,00
14) Um bem depreciável, com vida útil de 20 anos, foi
Edifícios 236.000,00 comprado por Nossa Firma em 01/04/2012, mas
Supondo uma depreciação para todos os bens só foi instalado para uso em 01/07/2012. O valor
acima especificados a uma taxa única de 10% e total da aquisição foi de R$ 20.000,00 e deverá ser
que eles ingressaram no patrimônio em 02/01/2012, depreciado com um valor residual de 10% em con-
em 31/12/2012, os saldos registrados nas contas de tabilização anual. Se a empresa adotar o método
Despesas de Depreciação e Depreciação Acumulada de depreciação conhecido como Método Linear, no
são, respectivamente, balanço patrimonial de 2014, esse bem já terá sido
a) R$ 27.300,00 e R$ 35.900,00. depreciado em
b) R$ 35.900,00 e R$ 50.900,00. a) 23,75%.
c) R$ 50.900,00 e R$ 50.900,00. b) 22,50%.
d) R$ 35.900,00 e R$ 35.900,00. c) 13,75%.
12) A Cia. Rose Nascimento Sanches adquiriu uma d) 11,25%.
máquina em janeiro de 2008, colocando-a em
Gabarito
funcionamento no mesmo mês. Sabendo-se que
• a taxa de depreciação adotada foi de 20% ao 1=E 2=D 3=C 4=B 5=D 6=C 7 =A
ano; 8 =A 9=C 10 = B 11 = D 12 = B 13 = C 14 = D
• o valor de aquisição da máquina foi de R$
220.000,00; REFERÊNCIAS
• a depreciação é contabilizada ao final de cada
ALMEIDA, M. C. Curso básico de Contabilidade:
mês;
introdução à metodologia da Contabilidade,
• a máquina foi vendida por R$ 200.000,00 em Contabilidade básica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998.
julho de 2011;
pode-se afirmar que o valor residual da máquina, ANDRADE, Eurídice Mamede. Contabilidade
Comercial. São Paulo: Editora Campus, 2002.
em 31/12/2010, era de
a) R$ 220.000,00. BRASIL Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de
b) R$ 88.000,00. 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.
c) R$ 80.000,00. Consolidada. Publicada em 08.01.2008.
d) R$ 112.000,00. BRASIL Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009.
13) O Balancete Final, em 31/12/2012, da Indústria Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades
Marcelo Crivella Sanches de Tecidos S/A, apresen- por Ações.
tou, entre outros, os seguintes saldos: CPC 04 – Comitê de Pronunciamento Contábil
Contas Saldos Decreto 3.000, de 26 de março de 1999
Tear Howa 87.000.000,00 (Regulamento do Imposto de Renda).

Depreciação acumulada do Tear Howa 50.025.00,00 FERRARI, Ed. Luiz. Contabilidade geral. 12. ed.
Rio de Janeiro: Editora Ímpetus, 2012.
Considerando que, desde o mês de sua entrada
em funcionamento, o referido tear só foi utilizado em FERREIRA, Ricardo J. Resumo de Contabilidade
um turno diário de 8 horas e que na contabilidade geral. 3. ed. Rio de Janeiro. Editora Ferreira.
os encargos de depreciação pertinentes sempre IOB. INFORMAÇÕES OBJETIVAS. Textos Legais.
foram registrados pela taxa anual de 10%, o período São Paulo: IOB, 2012. Mensal. Índice trimestral.

110
AULA 10 • DEPRECIAÇÃO, EXAUSTÃO E AMORTIZAÇÃO

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade introdutória- PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade


Livro de Exercícios. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1996. básica: uma introdução à Contabilidade básica;
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. uma introdução à prática contábil. 3. ed. São Paulo:
10. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Atlas, 1996.
LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil.
administradores. 4.. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de;
MARTINS, Eliseu. Contabilidade introdutória – SANTOS, Roberto Fernandes. Introdução à
Livro Texto. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010. Contabilidade: noções fundamentais. São Paulo:
MARION, José Carlos. Teoria da Contabilidade. 2. Saraiva, 2011.
ed. São Paulo: Alínea, 2000.
SILVA, César Augusto Tibúrcio; TRISTÃO, Gilberto.
NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo. Contabilidade básica. 4. ed. São Paulo: Atlas,
Contabilidade básica. 9. ed. São Paulo: Editora 2009.
Frase, 2011.
OLIVEIRA, Justino. Introdução à Contabilidade SZUSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes.
para concursos públicos. Rio de Janeiro: Editora Contabilidade geral: introdução à Contabilidade
Método, 2010. Societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

111
Unidade 03

Contabilidade Geral
PRECIFICAÇÃO DE ESTOQUES E DRE

AULA 11

DEFINIÇÃO E FUNÇÃO
DAS CONTAS DE RESULTADO 01

Objetivo
• Compreender a definição e a função das
Contas de Resultado.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO Vamos fazer o lançamento das vendas para


contabilizar o IPI. Vamos supor que a Nissan do Brasil
Olá, caro aluno! Viu como foi produtiva nossa S/A venda 10 Versas a R$ 40.000,00 cada, à vista,
aula 08. Você conheceu a função de várias contas do e que o IPI seja de 10%. Nesse caso, como ficaria o
PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO, tanto as de saldo lançamento do IPI?
credor como as de saldo devedor. Daqui a pouco você D - Caixa (ou Contas a Receber)..........440.000,00
já estará apto a realizar lançamentos contábeis para C - Faturamento Bruto..........................440.000,00
montarmos nosso Balancete de Verificação – BV –, D - IPI Faturado......................................40.000,00
nossa Demonstração do Resultado do Exercício - DRE C - IPI a Recolher....................................40.000,00
- e em seguida nosso Balanço Patrimonial - BP. Mas Para utilizarmos a DRE segundo a lei 6.404/76, o
é preciso tem um pouquinho de paciência, pois, antes lançamento deveria ser:
de debitar e creditar, vamos entender as principais D - Caixa (ou Contas a Receber)...........440.000,00
contas que formam esses dois demonstrativos C - IPI a Recolher......................................40.000,00
contábeis tão importantes para as empresas. Nas DRE C - Receita Bruta...................................400.000,00
teremos contas credoras, devedoras e contas também Observe que, nesse caso, o valor que vai para DRE
redutoras. Tudo será apresentado passo a passo para será de R$ 400.000,00, e não de R$440.000,00. Isso
que você, caro aluno, possa compreender de uma explica o motivo de começarmos nossa DRE sempre
forma bem prazerosa. É importante deixar claro que as com a Receita Bruta de Vendas de Mercadorias,
outras demonstrações contábeis serão vistas bem lá Produtos e/ou Serviços. A DRE apresentada a seguir
na frente, somente depois que você souber elaborar rege-se pelos preceitos fiscais e foi dividida em 4
o Balancete de Verificação, o Balanço Patrimonial e partes.
a Demonstração de Resultado do Exercício. É que as
outras demonstrações dependem tanto do BP como VENDAS
da DRE. Fique atento ao fato de que Balancete de (-) Devolução de Vendas (ou Vendas Canceladas)
Verificação não é uma demonstração contábil, e já o (-) Abatimentos sobre Vendas
estudamos. Sendo assim, respire, tenha coragem e (-) Desconto Incondicional ou Comercial sobre
disposição. Vamos para mais um grande desafio. Bons Vendas
estudos! (-) Impostos sobre Vendas
(=) Vendas Líquidas
2 DEMONSTRAÇÃO DO
Caro aluno, você deve estar se perguntando? O
RESULTADO DO EXERCÍCIO que é faturamento bruto, o que é receita bruta, o que é
devolução de vendas, o que são abatimentos, o que são
2.1 Conceito
descontos incondicionais ou comerciais sobre vendas
A Demonstração do Resultado do Exercício – DRE ou que são e quais são os impostos sobre vendas e o
– é um relatório contábil que nos mostra o lucro ou que são vendas líquidas? São muitas perguntas, não?
o prejuízo do exercício. É como se fosse uma cópia Não se preocupe, que tudo isso e muito mais lhe
escrita da Apuração do Resultado do Exercício – ARE será apresentado: para que serve, como deve ser
– discriminando todas as contas que contribuíram para contabilizado, a natureza e a função de cada coisa.
a formação do resultado. Todo esse conteúdo foi escrito de forma que você
Na DRE as contas são dispostas em uma saberá tudo no seu devido tempo. Fique tranquilo. Veja:
determinada ordem, segundo a natureza, formando o
resultado bruto, operacional e líquido. O artigo 187 da 2.2 Receitas
lei das S/A apresenta a Demonstração do Resultado do A função dessa conta é agrupar todos os
Exercício a partir da Receita Bruta de Vendas (Venda lançamentos contábeis que registrarão as receitas
Bruta). auferidas pela empresa. Independentemente do
Como o IPI não retifica a Receita Bruta, adotarei o tratamento fiscal a ser dado, todas a receitas devem
critério de iniciar a DRE pelo Faturamento Bruto (que, ser contabilizadas pelo regime de competência, ou
diminuído do IPI Faturado, nos dá a Receita Bruta). seja, as receitas devem ser contabilizadas no momento

114
AULA 11 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 01

em que ocorrerem, não importando a forma e a data Se for revenda de mercadorias, devem ser
de seu recebimento. Como regra, não há receitas sem entendidas as mercadorias adquiridas de terceiros,
que ocorram também custos ou despesas. Assim, no que não sofreram nenhum processo de industrialização
período de contabilização da receita, devem também na empresa e que posteriormente foram revendidas,
ser contabilizados os custos e despesas que se independentemente do fato de as mercadorias terem
correlacionarem. sido adquiridas no país ou importadas. Receita
Bruta de Vendas é de natureza credora, e somente
2.2.1 Receitas Operacionais será debitada caso tenham sido feitos lançamentos
A função dessa conta é agrupar todos os indevidos, devendo ser realizado o seu estorno.
lançamentos contábeis que registrarão as receitas
vinculadas à atividade da empresa. O termo atividade
2.3 Tributos e Contribuições
da empresa deve ser entendido em sentido amplo, e sobre Vendas
não restrito. Assim, existem as: 2.3.1 IPI sobre Faturamento
• Receitas da atividade principal - trata-se
Esse imposto é de competência da União e recai
das receitas vinculadas diretamente com a
sobre produtos industrializados. Ele tem como fato
atividade-fim da empresa, conforme o seu
objetivo social constante no contrato ou gerador: I – o seu desembaraço aduaneiro, quando
estatuto social; de procedência estrangeira; II – a sua saída dos
• Receitas da atividade acessória - são receitas estabelecimentos aos quais se refere o parágrafo
que ocorrem com habitualidade, embora não único do artigo 51; III – a sua arrematação, quando
vinculadas diretamente ao objetivo social da apreendido ou abandonado e levado a leilão (CTN, art.
empresa, porém provenientes da operação 46, I, II e III). O parágrafo único desse artigo dispõe
da empresa. Incluem-se aqui, por exemplo, as que, para os efeitos desse imposto, considera-se
receitas financeiras. industrializado o produto que tenha sido submetido a
qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a
As receitas operacionais serão o somatório finalida­de, ou o aperfeiçoe para o consumo.
de: receita bruta com vendas menos deduções A função dessa conta é registrar o IPI incidente no
das receitas com vendas mais receitas financeiras faturamento, constante nas notas fiscais de saídas,
mais receitas com participações societárias mais pelas vendas de produtos de fabricação própria. Por
outras receitas operacionais. se tratar de uma conta redutora, o IPI é de natureza
devedora. Essa conta será lançada a débito para
registrar o IPI constante nas notas fiscais de saída.
2.2.1.1 Receita Bruta com Vendas Será creditada para registrar o IPI constante na nota
A função dessa conta é agrupar todos os fiscal de devolução do cliente.
lançamentos contábeis que registrarão a receita bruta
2.3.2 ICMS
com as vendas de produtos ou mercadorias para o
mercado nacional e internacional. Receita bruta com O ICMS (imposto sobre operações relativas à
vendas será o somatório das receitas com vendas no circulação de mercadorias e sobre prestações de
país e receitas com vendas para o exterior. A receita serviços de transporte interestadual, intermunicipal e
deve ser contabilizada no momento da sua realização, de comunicação) é de competência dos estados e do
ou seja, quando ocorrer a efetiva transferência dos Distrito Federal. Sua regulamentação constitucional
produtos ou mercadorias ao adquirente. Nessas contas está prevista na Lei Complementar 87/1996 (a
devem ser registradas todas as notas fiscais, não chamada “Lei Kandir”), alterada posteriormente pelas
importando a forma e o prazo para recebimento. Leis Complementares 92/1997, 99/1999, 102/2000 e
Se forem vendas de produtos de fabricação 114/2002.
própria, devem-se entender por produto fabricado pela A função dessa conta é registrar, pelo regime de
empresa os manufaturados provenientes de processo competência, o ICMS incidente nas saídas de produtos
de industrialização na empresa. e mercadorias do estabelecimento da empresa. O

115
Contabilidade Geral

ICMS sobre Vendas é de natureza devedora. Deverá com a venda de produtos, serviços ou mercadorias. O
ser debitado sempre que houver vendas na empresa PIS sobre Vendas é de natureza devedora. Deverá ser
e será creditado somente quando acontecer devolução debitado sempre que houver vendas na empresa e
de mercadorias e descontos incondicionais e quando será creditado somente quando acontecer devolução
também houver lançamentos indevidos que, neste de mercadorias e descontos incondicionais e quando
caso, deverão ser estornados. também houver lançamentos indevidos que, neste
caso, deverão ser estornados.
2.3.3 ISS
O Imposto Sobre Serviços é competência dos
2.3.5 COFINS
municípios e do Distrito Federal e tem como fato gerador A COFINS é a Contribuição para Financiamento da
a prestação de serviços constantes da lista anexa à Lei Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar
Complementar 116/2003, ainda que esses serviços 70, de 30/12/1991. É a antiga contribuição Finsocial.
não se constituam como atividade preponderante do Ela tem o objetivo de arrecadar para financiar a
prestador. seguridade social (saúde, previdência e assistência
O ISS até 31.07.2003 foi regido pelo Decreto - social), nos termos do inciso I, art. 195 da Constituição
Lei 406/1968 e alterações posteriores. A partir de Federal.
01.08.2003, o ISS é regido pela Lei Complementar
116/2003. 2.3.5.1 Contribuições e alíquotas
A função dessa conta é registrar, pelo regime de
competência, o ISS incidente na prestação de serviços. As empresas tributadas pelo Lucro Real = não
O ISS sobre Vendas de Serviços é de natureza cumulativa = 7,60% sobre a receita
devedora. Deverá ser debitado sempre que houver As empresas tributadas pelo Lucro Presumido =
vendas de serviços e será creditado somente quando cumulativo = 3,00% sobre a receita
acontecerem os descontos incondicionais ou quando
também houver lançamentos indevidos que, neste A função dessa conta é registrar pelo regime
caso, deverão ser estornados. de competência. A COFINS incide sobre a receita
bruta obtida com a venda de produtos, serviços ou
2.3.4 PIS mercadorias. A COFINS sobre Vendas é de natureza
devedora. Deverá ser debitada sempre que houver
O PIS é o Programa de Integração Social, criado
vendas na empresa e será creditada somente quando
em 07/09/1970 pela Lei Complementar nº 7, e o PASEP
acontecer devolução de mercadorias e descontos
é o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor
incondicionais e quando também houver lançamentos
Público, criado em 03/12/1970 pela Lei Complementar
indevidos que, neste caso, deverão ser estornados.
nº 8, de acordo com a Lei nº 9.715/98 no seu art.
2º. O PIS/PASEP será apurado mensalmente pelas 2.3.6 Devolução de Vendas
pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são
equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, A Devolução ocorre principalmente porque os bens
inclusive as empresas públicas e as sociedades de estão estragados ou fora das especificações exigidas
economia mista e suas subsidiárias. ou ainda por atraso na entrega. O registro contábil
da devolução é feito mediante o estorno parcial dos
2.3.4.1 Contribuições e alíquotas lançamentos de compra e venda. Porém, na venda, a
devolução será processada através da conta Devolução
As empresas tributadas pelo Lucro Real = não de Venda, e na compra, Devolução de Compra (para
cumulativa = 1,65% sobre a receita inventário periódico). Se o inventário é permanente,
As empresas tributadas pelo Lucro Presumido = a devolução de compra far-se-á creditando-se
cumulativo = 0,65% sobre a receita diretamente na conta Mercadoria.
A função dessa conta é agrupar os lançamentos
A função dessa conta é registrar, pelo regime de contábeis que registrarão as devoluções de
competência, o PIS incidente sobre a receita bruta obtida mercadorias ou produtos feitas por clientes. Deve-

116
AULA 11 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 01

se entender como devoluções de mercadorias as a Cia Flordelis Sanches tem que devolver o dinheiro
saídas do estabelecimento da empresa de produtos das mesas recusadas pela Cia Gisele Nascimento
ou mercadorias que estão retornando novamente à Sanches, para depois dar entrada dessas mesas no
empresa por serem rejeitadas pelo cliente. No caso seu estoque.
de produtos ou mercadorias que foram objeto de D – Devolução de Vendas.............................10.000
emissão de nota fiscal que tenha sido cancelada antes C – Caixa.......................................................10.000
da saída do produto do estabelecimento, não deve Você me pergunta: “Professor, como foram
ser contabilizado o referido faturamento, tampouco o
calculados esses 10.000?”.
seu imediato cancelamento. Devolução de venda é de
Eu lhe respondo: Foram calculados assim: 50.000 /
natureza devedora. Como regra, essa conta só deve ser
500 = 100,00 x 100 un. R$10.000.
debitada não cabendo ser lançada a crédito. Se ocorrer
D – Mercadorias..............................................4.000
crédito nela, deverá ser providenciado o estorno.
C – CMV..........................................................4.000
Exemplo de Devolução E você: “Professor, como foram calculados esses
A Cia Comercial Flordelis Sanches, que opera 4.000?”
com compra e venda de mesas, vende à vista, para Eu lhe digo: Foram calculados assim: 20.000 / 500
a Cia Comercial Gisele Nascimento Sanches, 500 = 40,00 x 100 un. R$ 4.000.
unidades de mesas ao preço total de R$50.000,00. Na Caro aluno, veja que trabalhão e que prejuízo você
operação incidiu ICMS à alíquota de 18%, PIS a 0,65% teria com essas operações: além de devolver o dinheiro
e COFINS a 3%. Considere o CMV de R$20.000. Após ao cliente e voltar com as mercadorias para o estoque,
o recebimento, a Cia. Comercial Gisele Nascimento você teria também que anular o efeito dos impostos
Sanches devolve 100 mesas por causa de defeito de contabilizados na ato da venda. Por isso é que temos
fabricação. Contabilizar a operação.
que prestar muita atenção antes de calcularmos os
Resolução: tributos que são realmente devidos pelas empresas,
Caro aluno, primeiramente vamos fazer os para não correr o risco de pagar ou recolher além do
lançamentos da Venda: devido, ou também o contrário, deixar de pagar ou de
recolher o que é de direito do governo.
CIA FLORDILIS SANCHES
Estorno dos Impostos
Lançamento da Receita
D – PIS a Pagar...........................65 (325/500X100)
D – Caixa.....................................................50.000 C – PIS.................................................................65
C – Vendas..................................................50.000 D – COFINS a Pagar..............300 (1.500/500X100)
Lançamento do Custo C – COFINS.......................................................300
D – ICMS a Recolher...........1.800 (9.000/500X100)
D – CMV......................................................20.000
C – ICMS........................................................1.800
C – Mercadorias..........................................20.000
Agora vamos verificar como ficaram também os
Lançamento dos Impostos lançamentos na empresa Gisele Nascimento Sanches?
D – PIS.............................................................325
Na Aquisição
C – PIS a Pagar................................................325
D – COFINS..................................................1.500 D – Compras.................................................41.000
C – COFINS a Pagar.....................................1.500 D – ICMS a Recuperar....................................9.000
D – ICMS.......................................................9.000 C – Caixa......................................................50.000
C – ICMS a Recolher.....................................9.000
Na Devolução de Compras
Atenção! O PIS e o COFINS estão embutidos no
preço de venda, assim como o ICMS. D – Caixa.........................10.000 (50.000/500x100)
Agora vamos fazer o lançamento da Devolução C – ICMS a Recuperar....................................1.800
de Venda na Cia Flordelis Sanches. Primeiramente, C – Devolução de Compras............................8.200

117
Contabilidade Geral

Observação: Os abatimentos são dados pelas mesmas razões


da devolução (deterioração do produto, mercadorias
Se a Cia. Gisele Nascimento Sanches usasse o
fora de especificações, atrasos etc.).
Inventário Permanente, as contas Compras e Devolução
Como regra, essa conta só deve ser debitada, não
de Compras seriam substituídas por Mercadorias:
cabendo ser lançada a crédito. Se ocorrer crédito nela,
Na Aquisição deverá ser providenciado o estorno ou a transferência
D – Mercadorias............................................41.000 do valor.
D – ICMS a Recuperar....................................9.000 Exemplo:
C – Caixa......................................................50.000
A Cia. Isis Regina Sanches, que compra e vende
Na Devolução barcos, adquire a prazo, da Cia. Industrial Juliano Son
D – Caixa.........................10.000 (50.000/500x100) Sanches, 20 barcos ao preço de R$5.000.000. Na
C – ICMS a Recuperar.........1.800 (9.000/500x100) operação incidiu ICMS à alíquota de 20% e IPI a 10%.
C – Mercadoria...............................................8.200 Ao receber os barcos, verifica-se que 3 deles estão
Meu aluno, vamos verificar como ficaria o lucro da totalmente imprestáveis e por isso o vendedor concede
Cia. Flordelis Sanches sem a devolução? um abatimento de 30% sobre o valor da mercadoria,
Venda Bruta..................................................50.000 sem o IPI (5.000.000,00).
(-) Impostos sobre Vendas..........................(10.825) Vamos contabilizar a operação? Acompanhe-me.
(=) Vendas Líquidas......................................39.175 5.000.000 x 20% = 1.000.000 (ICMS)
(-) CMV.......................................................(20.000) 5.000.000 x 10% = 500.000 (IPI)
(=) Lucro Bruto..............................................19.175 Registro da Compra:
Agora vamos verificar como ficaria o lucro da Cia.
Flordelis Sanches com a devolução. D - Compras ............................................4.500.000
Venda............................................................50.000 D - ICMS a Recuperar..............................1.000.000
(-) Impostos sobre Vendas.....(8.660) (10.825 – 2.165) C - Fornecedor ....................................... 5.500.000
(-) Devolução de Vendas............................(10.000) Registro do Abatimento:
(=) Vendas Líquidas......................................31.340
D - Fornecedores.....................................1.500.000
(-) CMV............................(16.000) (20.000 – 4.000)
C - Abatimentos sobre Compras..............1.500.000
(=) Lucro Bruto..............................................15.340
Observações:
Observação: o valor de 2.165 é a soma dos
1- O abatimento é contratado e, no caso, foi dado
seguintes valores: 1.800 + 300 + 65.
pelo valor da mercadoria. Poderia ser dado
A diferença entre os lucros com e sem devolução, de
conforme outro valor (o total da Nota Fiscal,
3.835 (19.175 – 15.340 = 3.835) poderia ser encontrada
apenas dividindo 19.175 por 500 e multiplicando por por exemplo) ou poderia ser dado um valor fixo
100. Veja: 19.175 / 500 x 100 = 3.835. combinado.
Observe que, no exemplo dado, foi considerada 2- Os lançamentos utilizados são para o Inventá-
a devolução dentro do exercício social. Nesse caso, rio Periódico.
a devolução de vendas aparece como Retificadora
2.4 Inventário Periódico
de Vendas. Se a devolução ocorrer no exercício
seguinte ao da venda, deve-se lançar como despesa
e Inventário Permanente
operacional. (informações importantes)
O Inventário Periódico ocorre quando os estoques
2.3.7 Abatimento sobre Vendas existentes são avaliados na data de encerramento do
Deve-se entender por Abatimento sobre Vendas Balanço Patrimonial através da contagem física. O
aquele a ser dado ao cliente que, logo após ter recebido Inventário Permanente é aquele em que há um controle
a mercadoria ou produto, queira devolvê-lo por não ir de forma contínua do estoque, pois se faz a baixa do
ao encontro das especificações constantes no pedido. custo das mercadorias vendidas a cada operação de
Assim, o abatimento é concedido para evitar que o venda. A conta mercadoria a qualquer momento reflete
cliente venha a devolver a mercadoria ou produto. o valor das mercadorias que se encontram no estoque.

118
AULA 11 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 01

No Inventário Permanente é indispensável a 2.4.1 Descontos Incondicionais ou


utilização de um instrumento extracontábil, a Ficha de Comerciais
Controle e Avaliação de Estoque, também chamada
Devem ser entendidos como descontos
de Ficha de Estoque. Por meio da Ficha de Estoque,
incondicionais ou comerciais aqueles constantes
acompanha-se a movimentação física e contábil das
na nota fiscal de venda e que são resguardados ao
mercadorias.
cliente em qualquer circunstância, mesmo que este
Caro aluno, não vá se esquecer de que, no
venha posteriormente a pagar em atraso a duplicata
Inventário Permanente, o abatimento é registrado correspondente.
na conta Mercadoria. Dessa forma, os lançamentos Os Descontos Comerciais ou Incondicionais são
seriam: dados na própria Nota Fiscal, antes de a mercadoria
Registro da Compra: ou produto sair do estabelecimento do vendedor. Esse
desconto não depende do pagamento. Observe que a
D - Mercadorias........................................4.500.000 diferença entre o desconto incondicional e o abatimento
D - ICMS a Recuperar..............................1.000.000 é que o desconto é dado antes de a mercadoria sair
C - Fornecedor ....................................... 5.500.000 do estabelecimento do vendedor, e o abatimento é
Registro do Abatimento: dado depois que a mercadoria ou produto chegar ao
estabelecimento do comprador (exceto abatimento
D - Fornecedores.....................................1.500.000 condicional, que é igual ao desconto).
C - Mercadorias........................................1.500.000 O Desconto Incondicional ou Comercial é dado de
Observe que, no abatimento, o ICMS ou o IPI não acordo com fatores como volume de vendas, promoção
sofrem alterações. Não há estorno de impostos no de vendas, clientes preferenciais e até mesmo a famosa
caso do abatimento. Veja como ficou a contabilização “choradinha”. Os descontos comerciais, assim como os
na Cia. Isis Regina Sanches, desconsiderando o CMV. abatimentos e devoluções, são contas retificadoras de
D - Clientes............................................5.500.000 compras e vendas.
C - Faturamento Bruto.......................... 5.500.000
D - ICMS ................................................1.000.000 Importante:
C - ICMS a Recolher............................. 1.000.000 O ICMS, PIS e COFINS não incidem sobre o
D - IPI..................................................... 500.000 desconto.
C - IPI a Recolher.................................. 500.000 O IPI sim, incide.
Obs.: Caso a empresa conceda um desconto
Registro do Abatimento incondicional ou comercial, terá que formar sua
D - Abatimento sobre Vendas............... 1.500.000 base de cálculo da seguinte maneira, para cálculo
C - Clientes.......................................... 1.500.000 dos impostos ICMS, PIS e COFINS:
Observações: Exemplo:
1- Abatimento sobre Compras é retificadora Vendas .......................................................100,00
de Compras, e Abatimentos sobre Vendas é (-) Descontos Incondicionais ou Comerciais.....(10,00)
retificadora de Vendas. (=) Base de Cálculo para ICMS, PIS e COFINS.....90,00
2- Naturalmente, não há alteração do ICMS nas Caro aluno, muita atenção para o cálculo do IPI,
Vendas. pois sua base será R$100,00, e não R$90,00.
3- O abatimento pressupõe que a mercadoria
tenha saído do estabelecimento do vendedor Exemplo 01
e chegado ao estabelecimento do comprador, A Cia. Laura Morena Sanches vende à Cia.
depois de ser dado o abatimento. Existe o Lauriete Sanches 500 calculadoras à vista, pelo preço
chamado Abatimento Incondicional, que é de R$50.000. Na operação incidiu IPI a 28% e ICMS
dado na nota Fiscal (antes de a mercadoria a 18%. Considere PIS a 0,65%, COFINS a 3% e CMV
sair do estabelecimento do vendedor). Sua = 10.000. À Cia. Lauriete Sanches, cliente habitual da
contabilização é feita exatamente igual ao Cia. Laura Morena, é concedido um desconto de 10%
desconto incondicional. sobre o valor dos produtos.

119
Contabilidade Geral

Vamos contabilizar as operações e calcular o lucro Viu só que aula produtiva você teve hoje? Espero
da Cia. Laura Morena Sanches? que você esteja percebendo a importância da nossa
Resolução disciplina. Estude-a com muito afinco, está bem? Por
hora chega de aula. Vou guardar outras novidades para
Cia. Laura Morena Sanches (vendedora) nosso próximo encontro. Aguardo você.
Valor do Produto...........................................50.000
( - ) Descontos Incondicionais.......................(5.000) 3 RESUMO
( = ) Base de Cálculo do ICMS, PIS e CO-
FINS.......45.000 Discutimos, na aula de hoje, a importância da DRE
45.000 x 18% = 8.100 (ICMS) na apuração dos tributos de maior relevância em uma
45.000 x 0,65% = 292,50 (PIS) empresa, tais como: IPI, ICMS, ISS, PIS, COFINS,
45.000 x 3% = 1.350 (COFINS) IRPJ e CSLL. A DRE é um relatório contábil que nos
Como já sabemos que o IPI incide sobre o desconto, dá o lucro ou o prejuízo do exercício. Em seguida foi
a base de cálculo para esse tributo é de R$50.00. abordado o motivo pelo qual o IPI não é considerado
50.000 x 28% = 14.000 como uma conta retificadora de Receita Bruta. Um
Contabilização na Cia. Laura Morena Sanches exemplo foi dado para mostrar a contabilização do IPI.
Foi apresentada a estrutura da DRE, que foi dividida
D - Caixa.........................................................59.000 em partes para ficar mais clara a sua elaboração.
D - Desconto Comercial sobre Vendas.............5.000 Foi necessário explicar Compras Líquidas, pois ela é
C - Faturamento Bruto.....................................64.000 usada na fórmula para cálculo do CMV, que é usado
D - CMV........................................................10.000 nas empresas que adotam o Inventário Periódico na
C - Mercadoria...............................................10.000
apuração dos custos de seus produtos. Como cada
D - Impostos sobre Vendas............................9.742,5
empresa adota um tipo de inventário, foram discutidas
C - ICMS a Recolher.........................................8.100
as diferenças entre o Inventário Permanente e o
C - PIS a Pagar.................................................292,5
Inventário Periódico. Foram estudadas também as
C - COFINS a Pagar.........................................1.350
fórmulas tanto do CMV como do RCM. Em seguida
D - IPI Faturado...............................................14.000
foram mostrados tanto os elementos que entram na
C - IPI a Recolher............................................14.000
ficha de controle de estoque como os que não fazem
Cálculo do Lucro parte dela. Para finalizar, foram elaborados exemplos
Faturamento Bruto...................................... 64.000 de como se contabiliza uma devolução de vendas tanto
( - ) IPI Faturado..........................................(14.000) na empresa que vende como na empresa que compra,
( = ) Vendas Brutas..........................................50.000 além de demonstrar o resultado apurado na empresa
( - ) Descontos Incondicionais sobre Vendas............. vendedora, levanto em consideração as venda com e
(5.000) sem devolução.
( - ) Impostos sobre Vendas.......................(9.742,5)
( = ) Vendas Líquidas...................................35.257,5 4 ATIVIDADES
( - ) CMV..............................................................
1- A empresa Kleber Lucas Sanches, que opera com
(10.000)
compra e venda de computadores, vende, à vis-
( = ) Lucro Bruto..........................................25.257,5
ta, para a empresa Ludmila Ferber Sanches, 100
Contabilização na Cia. Lauriete Sanches unidades de computadores ao preço de R$800,00
Caro aluno, a Cia. Lauriete Sanches já recebe a cada. Na operação incidiu ICMS à alíquota de 17%,
Nota Fiscal com desconto e o valor a pagar. Então ela PIS a 0,65% e COFINS a 3%. Considere CMV de
não precisa registrar o desconto, já que essa operação, R$30.000. Após o recebimento, a empresa Ludmila
contabilmente, afeta somente a Cia. Laura Morena Ferber Sanches devolve 20 computadores por de-
Sanches. feito de fabricação.
D - Mercadorias.............................................50.900 Pede-se:
D - ICMS a Recuperar.....................................8.100 a- Contabilize a venda das 100 unidades de
C - Caixa.......................................................59.000 computadores. A contabilização deve ser

120
AULA 11 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 01

feita para cada item separadamente, ou seja, FIPECAFI. Manual de Contabilidade das
Receita, Custo, ICMS, PIS e COFINS. sociedades por ações: aplicável às demais
b- Contabilize a devolução dos 20 computadores. sociedades. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
A contabilização deve ser feita para cada FRANCO, Hilário. Contabilidade Comercial. 13.
item separadamente, ou seja, Devolução de ed. São Paulo: Atlas, 1990.
Vendas, Custo, ICMS, PIS e COFINS. FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23. ed. São
c- Faça também os lançamentos na empresa Paulo: Atlas, 1997.
Ludmila Ferber Sanches tanto na aquisição IOB. INFORMAÇÕES OBJETIVAS. Textos Legais.
como na devolução, usando o Inventário São Paulo: IOB, 2012. Mensal. Índice trimestral.
Periódico. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARION, José Carlos.
d- Se a empresa Ludmila Ferber Sanches Contabilidade Comercial. 8. ed. São Paulo: Atlas,
adotasse o Inventário Permanente, como 2009.
ficaria a contabilização tanto da aquisição KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de;
como da devolução? MARTINS, Eliseu. Contabilidade introdutória –
e- Demonstre o resultado da empresa Kleber Livro texto. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Lucas Sanches. Faça duas demonstrações. LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para
Em uma não haverá a devolução e na outra administradores. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
haverá devolução. Em seguida compare os
MARION, José Carlos. Teoria da Contabilidade. 2.
resultados. ed. São Paulo: Alínea, 2000.

REFERÊNCIAS NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo.


Contabilidade básica. 9. ed. São Paulo: Editora
ALMEIDA, M. C. Curso básico de Contabilidade: Frase, 2011.
introdução à metodologia da Contabilidade; OLIVEIRA, Justino. Introdução à Contabilidade
Contabilidade básica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998. para concursos públicos. Rio de Janeiro: Editora
ANDRADE, Eurídice Mamede. Contabilidade Método, 2010.
Comercial. São Paulo: Editora Campus, 2002. PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade
BRASIL Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de básica: uma introdução à Contabilidade básica;
1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. uma introdução à prática contábil. 3. ed. São Paulo:
Consolidada. Publicada em 08.01.2008. Atlas, 1996.

BRASIL Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil.
Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
por Ações. SANTOS, Roberto Fernandes. Introdução à
CPC 04 – Comitê de Pronunciamento Contábil Contabilidade: noções fundamentais. São Paulo:
Saraiva, 2011.
Decreto 3.000, de 26 de março de 1999
SILVA, César Augusto Tibúrcio; TRISTÃO, Gilberto.
(Regulamento do Imposto de Renda).
Contabilidade básica. 4. ed. São Paulo: Atlas,
FERRARI, Ed. Luiz. Contabilidade geral. 12. ed. 2009.
Rio de Janeiro: Editora Ímpetus, 2012.
SZUSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes.
FERREIRA, Ricardo J. Resumo de Contabilidade Contabilidade geral: introdução à Contabilidade
geral. 3. ed. Rio de Janeiro. Editora Ferreira. Societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

121
Unidade 03

Contabilidade Geral
PRECIFICAÇÃO DE ESTOQUES E DRE

AULA 12

DEFINIÇÃO E FUNÇÃO
DAS CONTAS DE RESULTADO 02

Objetivo
• Compreender a definição e a função das
contas de Resultado.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO acontecerá nas empresas industriais. Nas comercias


e nas prestadoras de serviços, a DRE se iniciará com
Olá, caro aluno! Viu como foi superinteressante a Receita Bruta. Você percebeu que existem algumas
a aula 11? Você conheceu a função de várias contas contas que são redutoras de receita, ou seja, contas
da Demonstração do Resultado do Exercício – DRE. que devem ser subtraídas da receita bruta, como:
Vimos que receita é toda entrada correspondente à devolução de vendas, descontos incondicionais ou
venda de uma mercadoria, de um produto ou de um comerciais sobre vendas, abatimentos sobre vendas,
serviço econômico ou financeiro; entrada que pode ser além dos tributos sobre vendas, que são: IPI, ICMS,
antecipada, no ato, ou diferida, e também imediata com ISS, PIS e COFIS. Fique atento ao ramo de atividade
relação à própria obtenção da mercadoria, do produto ou da empresa para saber quais os tributos você deverá
do rendimento do serviço. Mas você é esperto e já sabe apurar para, assim, recolhê-los. Como você já sabe
que essas são algumas possíveis formas de geração calcular a receita líquida, vamos agora encontrar o
de receitas para as entidades: venda de quaisquer bens lucro bruto para depois encontrarmos o lucro líquido.
constantes do Ativo da entidade, sabendo-se que bens Dedique-se o máximo que puder, pois nas aulas 13,
podem representar produtos (no caso das indústrias), 14 e 15 faremos uma bateria de exercícios para aplicar
mercadorias (no caso de comércio), veículos, imóveis, toda a teoria aprendida até o final desta aula. Uma
máquinas, equipamentos etc.; prestação de serviços pergunta para você pensar antes de iniciar as aulas:
de qualquer natureza, perdão de multas fiscais, anistia Você saber para que serve a DRE?
parcial ou total de dívidas, eliminação de passivo
exigível devido ao desaparecimento do credor, geração 2 DRE
de novos ativos sem a interveniência de terceiros,
como no caso de nascimento de animais, recebimento 2.1 Custo
de doações etc. São exemplo ainda de receitas: Juros A função dessa conta é agrupar todos os
Ativos, Aluguéis Ativos ou Aluguéis Recebidos ou lançamentos contábeis que registrarão o custo
Receitas de Aluguel, Descontos Obtidos, Receitas de incorrido com os produtos vendidos. Dependendo
Juros ou Receitas Financeiras.
da empresa, temos vários tipos de estoques como:
Caro aluno, você aprendeu que as receitas
Estoque de Produtos Acabados, Estoque de Produtos
provocam aumento no valor do Patrimônio Líquido.
em Elaboração, Estoque de Matéria Prima, Estoque
Por isso são contas de natureza credora. Logo,
de Produtos Diversos, como expediente, limpeza,
as receitas aumentam por crédito e diminuem por
escritório, entre outros.
débito
Você aprendeu a primeira parte da DRE, que é 2.1.1 CPV - Custo dos Produtos
exatamente encontrar a RECEITA LÍQUIDA. Veja a Vendidos
lógica como é simples: quando você é contratado por
uma empresa, ela assina sua carteira de trabalho com São os custos apurados nas indústrias. É o
o Salário Bruto. Porém, no final do mês, você receberá somatório dos custos diretos mais os custos indiretos
é o Salário Líquido, pois existem alguns fatos que como: matéria prima, energia elétrica, aluguel, mão
devem ser diminuídos do seu salário, como : INSS, de obra, depreciação, seguros etc. Essa conta é de
vale transporte, adiantamento quinzenal, plano de natureza devedora. Deve ser sempre debitada. Caso
saúde, faltas, atrasos e outras rubricas, dependendo seja creditada, deve-se providenciar o estorno ou
da empresa onde você estiver trabalhando. Esse transferência do valor.
exemplo é para que você fique atento ao fato de
2.1.2 CMV – Custo das Mercadorias
que sempre antes da receita líquida haverá a receita
bruta. Essa lógica também serve para o lucro; haverá
Vendidas
Lucro Bruto para depois existir o Lucro Líquido. Na São os custos apurados no comércio. Serve
aula passada vimos que, se uma empresa for uma para registrar o custo das mercadorias adquiridas de
indústria, haverá também o faturamento bruto, que é terceiros e que foram revendidas. É o somatório dos
a receita bruta da qual se subtrai o IPI. Isso somente custos necessários para que o produto possa estar

124
AULA 12 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 02

no ponto de ser comercializado. Geralmente é o valor 2.3.1 Despesas com Vendas


pago pela mercadoria, mais frete, seguros e outros
São despesas que englobam desde a promoção do
encargos. Para encontrar o CMV, a empresa deve
produto até sua disponibilização para o consumidor. São
utilizar a seguinte fórmula: exemplos: salário do pessoal de vendas, comissões de
vendas, propaganda e publicidade, marketing.
CMV = EI + CL – EF
CMV = Custos das Mercadorias Vendidas 2.4 Despesas Administrativas
EI = Estoque Inicial São as despesas necessárias para gerir a
CL = Compras Líquidas empresa, isto é, os gastos que visam à direção e
EF = Estoque Final gestão da empresa. São exemplos delas: salários e
encargos sociais do pessoal administrativo, aluguéis de
Deve ser sempre debitada. Caso seja creditada, escritório, assinaturas de revistas e jornais, materiais
deve-se providenciar o estorno ou transferência do de escritório etc.
valor.
2.3 Despesas e Receitas
2.1.3 CSP - Custos dos Serviços Financeiras
Prestados Para que elas sejam evidenciadas na
São os custos apurados nas empresas prestadoras Demonstração do Resultado do Exercício (DRE),
deve-se fazer a diferença entre as duas, resultando
de serviços. É o somatório dos custos necessários
a denominação Encargos Financeiros Líquidos, e,
para que o serviço seja prestado. Essa conta deve
caso as Receitas Financeiras sejam maiores que as
ser sempre debitada. Caso seja creditada, deve-se
Despesas Financeiras, o saldo reduzirá a conta de
providenciar o estorno ou transferência do valor. Despesas Operacionais, sendo denominadas Receitas
Financeiras Líquidas. São exemplos de Despesas
2.2 Lucro Bruto
Financeiras: juros pagos, comissões bancárias e
É a diferença entre a Receita de Vendas Líquidas descontos financeiros obtidos.
e o Custo das Mercadorias Vendas, ou Custos dos
Produtos Vendidos ou Custos dos Serviços Prestados, 2.3.1 Despesas Bancárias
ou seja, subtrai-se da Receita Líquida o custo da A função dessa conta é registrar as despesas
mercadoria colocada à disposição do consumidor, incorridas com taxas bancárias. Essas despesas são
desprezando-se as demais despesas, o IRPJ e a de natureza devedora.
CSLL. Pode apresentar valor negativo, mas neste caso
2.3.2 Despesas com Atualizações
será chamado de Prejuízo Bruto.
A função dessa conta é agrupar os lançamentos
2.3 Despesas Operacionais contábeis que registrarão, pelo regime de competência,
São os gastos incorridos para vender, administrar as despesas incorridas pela atualização de contas
constantes no passivo da empresa. A atualização das
e financiar as operações da empresa. Seus principais
contas é feita com base em índices nacionais ou com
grupos são: Despesas com Vendas, Despesas
base em moedas estrangeiras.
Administrativas, Despesas Financeiras, Despesas
Tributárias etc. Todas as despesas são de natureza 2.3.3 Variação Monetária Passiva
devedora, ou seja, devem ser debitadas no momento
A função dessa conta é registrar pelo regime de
de sua ocorrência de acordo com o Princípio da
competência, a despesa incorrida pela atualização de
Competência. Quando o gasto em bens ou serviços contas do passivo, quando tal atualização for feita com
é direta ou indiretamente consumido para a obtenção base em indexadores nacionais. Se a atualização for
de receitas, estamos diante de despesas. Convém feita com base em moeda estrangeira, a conta a ser
ressaltar que esses gastos não estão relacionados à utilizada é a Variação Cambial Passiva. Essa conta é
atividade produtiva de natureza devedora. Deve ser sempre debitada.

125
Contabilidade Geral

2.3.4 Variação Cambial Passiva da conta duplicata a receber, que representa uma
provisão para cobrir as possíveis perdas no recebimento
A função dessa conta é registrar, pelo regime de
dos direitos (duplicatas ou títulos a receber). A PDD
competência, as despesas incorridas pela atualização
é de natureza credora, já a Despesa com PDD é de
de conta do passivo, com base na variação da moeda
natureza devedora. Sendo assim, a despesa com
estrangeira em relação à moeda nacional. Se a
provisão para devedores duvidosos será debitada.
atualização for feita com base em indexador nacional,
a conta a ser utilizada é a Variação Monetária Passiva. 2.3.10 Despesas Indedutíveis
Variação Cambial Passiva é de natureza devedora.
A função dessa conta é agrupar todas as despesas
Sendo assim, deverá ser debitada.
incorridas pela empresa, porém desnecessárias à
2.3.5 Juros Passivos sua atividade e à manutenção de sua fonte produtora
de receitas. Tais despesas são consideradas pela
A função dessa conta é registrar, pelo regime de legislação fiscal como sendo mera liberalidade da
competência, os juros incorridos diante de obrigações empresa e, como tal, não podem afetar o lucro
constantes no passivo da empresa. Devem ser tributável. Exemplos: multas punitivas (art. 344, § 5º,
considerados como juros incorridos os juros exigidos RIR/99); brindes (art. 249, par. único, VIII, RIR/99);
por disposição contratual ou legal em empréstimos e despesas com alimentação de sócios, acionistas e
financiamentos, como também os juros incorridos pelo administradores (art. 249, par. único, V, RIR/99); a
atraso no pagamento de tributos ou contribuições. Contribuição Social sobre Lucro (CSL), registrada
como custo ou despesa operacional (art. 249, par.
2.3.6 Despesa com Depreciação único, IX, RIR/99); gratificações pagas a dirigentes da
A função dessa conta é registrar os encargos pessoa jurídica (art. 303, RIR/99).
incorridos com a depreciação dos bens registrados
no ativo imobilizado. A depreciação dos bens poderá 2.3.11 Descontos Concedidos
ocorrer pelo uso, como também pela ação da natureza A função dessa conta é registrar, pelo regime
ou obsolescência normal. A natureza dessa conta é de competência, as despesa incorridas, como os
devedora e será então debitada. Essa conta não será descontos concedidos a terceiros sob a condição de
lançada a crédito. eles terem pago antecipadamente as duplicatas ou
qualquer outro título de crédito da empresa.
2.3.7 Despesa com Amortização
A função dessa conta é registrar os encargos
2.3.11.1 Descontos Condicionais ou
incorridos com a amortização dos diretos registrados Descontos Financeiros
no ativo intangível. A natureza dessa conta é devedora O Desconto Financeiro é dado conforme pagamento
e será então debitada. Essa conta não será lançada a antecipado do título. É chamado de condicional porque
crédito. depende de uma condição futura ocorrer ou não.
É classificado como despesa operacional (para o
2.3.8 Despesa com Exaustão vendedor) ou receita operacional (para o comprador) e
A função dessa conta é registrar o custo ou não é retificador de Compra e Venda.
despesa, em cada período de apuração, da importância Como vimos anteriormente, as contas retificadoras
correspondente à diminuição do valor de recursos de Compras e Vendas têm relação direta com a
minerais resultante da sua exploração. Essa conta é mercadoria, sendo, por isso, contas determinantes
de natureza devedora. Não deve ser creditada, e sim do resultado bruto. Por outro lado, os descontos
financeiros não têm nenhuma relação com mercadoria,
debitada.
e sim com o pagamento antecipado do título. Por isso
2.3.9 Despesa com Provisão para não retificam Compras e Vendas.
Devedores Duvidosos Exemplo 01
Essa conta é a contrapartida da conta PDD, A Cia. Keila Vasconcelos Sanches, fabricante
(provisão para crédito de liquidação duvidosa) redutora exclusiva de Leite Integral, vende à Cia. Lydia Moisés

126
AULA 12 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 02

Sanches 500 litros de leite por R$ 600,00 (pagamento 2.3.12 Outras Receitas
em 60 dias). Na operação incidiu ICMS a 18% e IPI a
10%. Considere CMV = 200. Se o pagamento for feito
2.3.12.1 Alienação de Bens do Ativo
em 30 dias, a Cia. Débora Maria recebe um desconto Permanente
de 5%. A função dessa conta é agrupar os lançamentos
Agora vamos contabilizar a operação, considerando contábeis que registrarão as alienações (vendas) de
que a Cia. Lydia Moisés Sanches pagou o título em 30 bens registrados no ativo permanente. Essa conta é de
dias. Em seguida, vamos calcular o Lucro Bruto da Cia. natureza credora.
Keila Vasconcelos Sanches.
2.3.12.2 Alienação de Investimentos
Vendedor
A função dessa conta é agrupar os lançamentos
600 x 18% = 108 (ICMS) contábeis que registrarão as alienações (vendas) de
600 x 10% = 60 (IPI) bens ou direitos registrados no grupo Investimentos.
Vendedor: Contabilização da Venda Essa conta é de natureza credora.

D - Clientes.........................................................660 2.3.12.3 Alienação de participações


C - Faturamento Bruto........................................660 societárias avaliadas pelo Custo
D - CMV..............................................................200
Corrigido
C - Mercadorias..................................................200
D - ICMS............................................................108 A função dessa conta é agrupar os lançamentos
C - ICMS a Recolher..........................................108 contábeis que registrarão as alienações (vendas) das
D - IPI...................................................................60 participações societárias avaliadas pelo custo corrigido.
C - IPI a Recolher.................................................60 Essa conta é de natureza credora.

No Recebimento 2.3.12.4 Alienação de participações


D - Bancos..........................................................627 societárias avaliadas pela
D - Desconto Financeiro Concedido .....33 (660 x 5%) Equivalência Patrimonial
C - Cliente..........................................................660 A função dessa conta é agrupar os lançamentos
Comprador: Contabilização na Compra contábeis que registrarão as alienações (vendas) de
participações societárias avaliadas pela Equivalência
D - Mercadorias...............................................552
Patrimonial. Essa conta é de natureza credora.
D - ICMS a Recuperar....................................108
C - Fornecedores............................................660 2.3.12.5 Alienação de Máquinas e
Contabilização no Pagamento Equipamentos
D - Fornecedores................................................660 A função dessa conta é agrupar os lançamentos
C - Descontos Financeiros Obtidos......................33 contábeis que registrarão as alienações (vendas) de
C - Banco............................................................627 máquinas e equipamentos. Essa conta é de natureza
O Lucro Bruto da Cia. Keila Vasconcelos Sanches credora.
seria:
2.3.12.6 Alienação de Móveis e
Faturamento Bruto............................................ 660
( - ) IPI Faturado.................................................(60) Utensílios
( = ) Vendas Brutas............................................660 A função dessa conta é agrupar os lançamentos
( - ) ICMS sobre Vendas...................................(108) contábeis que registrarão as alienações (vendas) de
( = ) Vendas Líquidas.........................................492 móveis e utensílios. Essa conta é de natureza credora.
( - ) CMV...........................................................(200)
( = ) Lucro Bruto.................................................292 2.3.12.7 Alienação de Ferramentas
Caro aluno, observe que o desconto financeiro não A função dessa conta é agrupar os lançamentos
entra no cálculo do Lucro Bruto, mas entra no Lucro contábeis que registrarão as alienações (vendas) de
Líquido como despesa operacional. ferramentas. Essa conta é de natureza credora.

127
Contabilidade Geral

2.3.12.8 Alienação de Imóveis contabilizado nessa conta. Variação cambial ativa é de


natureza credora, ou seja, deve ser creditada.
A função dessa conta é agrupar os lançamentos
contábeis que registrarão as alienações (vendas) de 2.3.12.12 Variação Monetária Ativa
imóveis. Essa conta é de natureza credora.
A função dessa conta é registrar, pelo regime de
2.3.12.9 Alienação de Veículos competência, o ganho obtido pela atualização de conta
do ativo, quando tal atualização for feita com base
A função dessa conta é agrupar os lançamentos
em indexadores nacionais. Essa conta é de natureza
contábeis que registrarão as alienações (vendas) de
credora, devendo ser creditada.
veículo. Essa conta é de natureza credora.

2.3.12.10 Alienação de Computadores 2.3.12.13 Descontos Obtidos


e Periféricos A função dessa conta é registrar os descontos
obtidos quando do pagamento de duplicatas ou de
A função dessa conta é agrupar os lançamentos
qualquer outro título de crédito. Essa conta é de
contábeis que registrarão as alienações (vendas) de
natureza credora.
computadores e periféricos. Essa conta é de natureza
credora. 2.3.12.14 Equivalência Patrimonial
Atenção, caro aluno! Para cada tipo de receita Positiva ou (Resultado Credor)
haverá o seu respectivo custo da alienação. O A função dessa conta é registrar o resultado
confronto da alienação com o custo mostrará se a positivo da equivalência patrimonial feita com base no
empresa teve um ganho de capital ou uma perda patrimônio líquido constante no balanço da coligada
de capital. Se o valor da alienação (vendas) for ou controlada. Essa conta é de natureza credora. Se o
superior ao custo, haverá um ganho; se o valor da resultado for negativo, deverá ser registrado na contra
alienação (vendas) for inferior ao valor do custo, Equivalências Patrimonial Negativa ou Resultado
haverá uma perda de capital. Devedor de Equivalência Patrimonial. Neste caso a
Exemplo: conta será debitada.
Custo da alienação de máquinas e equipamentos
A função dessa conta é registrar o custo da 2.3.12.15 Lucro Antes do Imposto de
alienação de máquina e equipamentos. Como Renda
custo de alienação de máquina e equipamento
É o valor antes de se calcular o Imposto de Renda
deve ser entendido o valor contábil da máquina ou
e a Contribuição Social. Para se chegar a essa conta,
equipamento (valor corrigido do bem já deduzido partimos do Lucro Bruto de onde subtraímos todas
da depreciação acumulada). Essa conta é de as despesas operacionais como as consideradas
natureza DEVEDORA. outras despesas, e somamos outras receitas que são
auferidas pela empresa, mas que não fazem parte
da sua atividade fim. Se o valor das despesas for
2.3.12.11 Variação Cambial Ativa
superior ao Lucro Bruto e às outras receitas essa conta
A função dessa conta é registrar, pelo regime de ficará com valor negativo, mostrando que a empresa
competência, o ganho obtido pela atualização de conta apresentou um prejuízo antes do imposto de renda.
do ativo, com base na variação da moeda estrangeira
em relação à moeda nacional. Caso a empresa 3 RESUMO
tenha uma obrigação constante no passivo, atrelada
à moeda estrangeira, e, ao fechar o balancete ou Na aula de hoje estudamos as várias contas que
balanço, tal obrigação tenha que ser reduzida devido compõem a DRE. Vimos que: a função da conta
à desvalorização da moeda estrangeira em relação à Custos é agrupar todos os lançamentos contábeis que
moeda nacional, ocorrida no período do balancete ou registrarão o custo incorrido com os produtos vendidos.
balanço, o ganho obtido com a redução da obrigação Dependendo da empresa, os custos podem ser: CPV
pela desvalorização da moeda estrangeira deve ser - Custo dos Produtos Vendidos; CMV – Custo das

128
AULA 12 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 02

Mercadorias Vendidas ou CSP- Custos dos Serviços revender, desembolsando a quantia de R$4.800,
Prestados. Em seguida vimos que a próxima conta sendo R$4.000 referentes ao preço com ICMS
da DRE após os custos é o Lucro Bruto, que é a incluso, e R$800 referentes ao IPI adicionado ao
diferença entre a Receita de Vendas Líquidas e o preço. No fim do mês a mesma empresa vendeu
Custo das Mercadorias Vendas, ou Custo do Produto a prazo um quarto das mercadorias compradas,
Vendido ou Custos dos Serviços Prestados. Caro logrando um faturamento total de R$2.000. No mês
aluno, já lhe foi informado que, depois do Lucro Bruto, considerado vigora a seguinte tabela de impostos
temos que encontrar o Lucro Líquido. Porém, para se e contribuições:
chegar ao Lucro Líquido, temos que apurar todas as IPI: 20%, ICMS: 17%, ISS: 12%, COFINS: 7,6%,
despesas operacionais e também as outras receitas e PIS: 1,65%.
outras despesas que eram chamadas de Receitas Não Qual foi o lucro bruto auferido na operação?
Operacionais e Despesas Não Operacionais antes das 2- A Cia. Comercial Mara Lima Sanches adquiriu da
da Lei 11.638/07. Vimos que Despesas Operacionais Cia. Mara Maravilha Magalhães mercadorias pelo
são os gastos incorridos para vender, administrar e valor de R$150.000 à vista. No ato da aquisição
financiar as operações da empresa. Seus principais o vendedor concedeu um desconto comercial
grupos são: Despesas com Vendas, Despesas equivalente a 10% sobre o valor da nota fiscal. O
Administrativas, Despesas Financeiras e Despesas ICMS incluso na nota fiscal é de R$16.200.
Tributárias. Em seguida foram apresentadas também Com qual valor essa mercadoria deve ser
várias outras despesas operacionais como: Despesas contabilizada no estoque da empresa Mara Lima
Bancárias, Despesas com Atualizações, Variação Sanches? Como serão registradas as operações de
Monetária Passiva, Variação Cambial Passiva, Juros Venda, Custo, Impostos e Desconto Incondicional
Passivos, Despesa com Depreciação, Despesa com ou Comercial na Empresa Mara Maravilha
Amortização, Despesa com Exaustão, Despesa com Magalhães?
Provisão para Devedores Duvidosos e Desconto 3- A Cia. Industrial Gileade Lima Sanches emitiu
Financeiro que é dado conforme pagamento antecipado a seguinte nota fiscal de venda de um lote de
do título. É chamado de condicional porque depende produtos (R$):
de uma condição futura ocorrer ou não. É classificado
como despesa operacional (para o vendedor) ou receita 200 marretas de bater pneus, tamanho médio, a
operacional (para o comprador) e não é retificadora de R$ 8,00 cada...........................................1.600,00
Compra e Venda. Em seguida foram apresentadas Despesa com transporte e seguro até a loja do
as outras receitas como: Alienação de Bens do Ativo comprador.................................................... 50,00
Permanente, Alienação de Investimentos. IPI.............................................................. 165,00
Alienação de participações societárias avaliadas
Total da nota fiscal................................... 1.815,00
pelo Custo Corrigido, Alienação de Participações
ICMS (já incluso no preço)......................... 245,00
Societárias avaliadas pela Equivalência Patrimonial,
Alienação de Máquinas e Equipamentos, Alienação
O comprador dessa mercadoria, a empresa
de Móveis e Utensílios, Alienação de Ferramentas,
Comercial Marina de Oliveira Ltda., adota o
Alienação de Imóveis, Alienação de Veículos, Alienação
sistema de Inventário Permanente e mandou fazer
de Computadores e Periféricos. Foi discutido que, para
a contabilização dessa compra através de qual
toda Alienação (venda), existe um custo. Foi dado
lançamento contábil? O pagamento foi feito à vista.
um exemplo do custo da alienação de máquinas e
4- A Cia. Comercial Krystal Meyers Sanches efetuou
equipamentos que tem natureza devedora, enquanto
uma venda a prazo de mercadoria tributada, fazendo
a alienação (venda) tem natureza credora.
o competente registro, inclusive do ICMS, mas, no
mesmo exercício, recebeu parte dessa mercadoria
4 ATIVIDADES
em devolução. Sabendo-se que a empresa adota
1- A Cia. Liz Lanne Sanches tem atividade o sistema de inventário periódico, demonstre como
exclusivamente comercial. No mês de maio o contador deverá fazer corretamente o registro da
realizou uma compra à vista de bens para devolução.

129
Contabilidade Geral

5- A Cia. Comercial Geila Carla Sanches, em R$2.000,00 de mercadorias para revenda. No dia
03/10/2011, comprou para revenda 100 máquinas 07/01/2011 comprou mais R$7.000,00. No final do
a R$30.000 cada uma, pagando, no ato da compra, mês foi constatado, através do inventário periódico,
30% em espécie e o restante com aceite de que seu estoque era de R$1.200,00. Suas vendas
duplicatas para 90 dias. O IPI cobrado foi de 10%. em janeiro de 2011 totalizaram R$12.000,00.
A empresa ainda arcou com frete e embalagens no Pode-se afirmar que o RCM – Resultado Com
valor de R$30.000. O ICMS contido no faturamento Mercadorias – foi de
foi de 15% sobre o preço da compra de máquinas a) 4.000,00.
(R$3.000.000). Em 31/10/2011, a empresa b) 10.000,00.
vendeu à vista 70 máquinas a um preço unitário c) 5.800,00.
de R$50.000, com ICMS a 15% incidente sobre d) 4.200,00.
vendas. No início do mês não havia estoque de 9- Em 01 de janeiro de 2011, a Cia. Comercial
mercadorias na empresa. Para essas operações Carol Celico Sanches tinha um estoque inicial de
de compra e venda o resultado alcançado com R$2.000,00 de mercadorias para revenda. No dia
mercadorias foi de? 07/01/2011 comprou mais R$7.000,00. No final do
6- A Cia. Comercial Francesca Battistelli apresentava mês foi constatado, através do inventário periódico,
os seguintes saldos em 01/12/2011: que seu estoque era de R$1.200,00. Suas vendas,
CONTAS VALORES em janeiro de 2011, totalizaram R$12.000,00.
Receita Bruta de Vendas 200,00 Pode-se afirmar que o CMV – Custo de Mercadorias
COFINS 10,00 Vendidas – foi de
PIS 6,00 a) 7.800,00.
Receitas Não Operacionais 123,00 b) 6.200,00.
Despesas Administrative 50,00 c) 2.000,00.
Devolução de Vendas 40,00 d) 7.000,00.
10- A Cia. Comercial Bruna Karla Sanches apresentava
ICMS sobre Vendas 36,00
os seguintes saldos em 31/12/2011:
Qual é o valor da Receita Líquida de Vendas?
CONTAS VALORES
a) 108,00
Despesas Comerciais 260.000,00
b) 118,00 PIS sobre Vendas 210.000,00
c) 148,00 Devolução de Vendas 290.000,00
d) 114,00 Descontos Financeiros 240.000,00
7- A Cia Comercial Fernanda Brum Sanches apresen- Abatimentos sobre Vendas 200.000,00
Descontos Comerciais 230.000,00
tava os seguintes saldos em 31/12/2011:
ICMS sobre Vendas 215.000,00
CONTAS VALORES Despesas Administrativas 245.000,00
Receita Bruta de Vendas 200,00 Despesas de Vendas 220.000,00
COFINS sobre Vendas 225.000,00
COFINS 10,00
CMV 830.000,00
PIS 6,00 Receita Bruta de Vendas 4.000.000,00
Custo das Mercadorias Vendidas - CMV 52,00 Despesas com Depreciação 225.000,00
Despesas Administrative 10,00 10.1 - Qual foi a Receita Líquida?
Devolução de Vendas 40,00 a) R$ 2.620.000,00
ICMS sobre Vendas 36,00 b) R$ 2.600.000,00
Qual é o valor do Lucro Bruto? c) R$ 2.640.000,00
a) 76,00 d) R$ 2.630.000,00
b) 66,00 10.2 - O Lucro Bruto foi de
c) 46,00 a) 1.800.000,00.
d) 56,00 b) 1.790.000,00.
8- Em 01 de janeiro de 2011, a Cia. Comercial Eliã c) 1.830.000,00.
Oliveira Sanches tinha um estoque inicial de d) 1.320.000,00.

130
AULA 12 • DEFINIÇÃO E FUNÇÃO DAS CONTAS DE RESULTADO 02

10.3 - O Lucro Líquido foi de CMV 34.000,00


a) 520.000,00. Receita de Vendas 80.000,00
b) 580.000,00.
Despesas com Depreciação 1.600,00
c) 610.000,00.
Imposto de Renda 7.525,00
d) 740.000,00.
Descontos Obtidos 1.200,00
12- Considere as seguintes contas de resultado e seus
Após elaborar a Demonstração do Resultado do
respectivos saldos extraídos do
Exercício (DRE), responda:
Balancete de Verificação da Cia. Cassiane Sanches
13.1 Qual é o valor da Receita Líquida de Vendas?
em 31/12/2011:
a) 67.000,00
Receita com Vendas de Mercadorias 70.000
b) 63.000,00
Imposto sobre Vendas de Mercadorias 12.250
Comissões sobre Vendas 2.500
c) 70.000,00
Abatimentos sobre Vendas 7.000 d) 76.000,00
Receitas Financeiras 1.050 13.2 Qual é o valor do Resultado Bruto?
Cancelamentos de Vendas 3.500 a) 29.000,00
Despesas Gerais 8.000 b) 33.000,00
12.1 - Considerando que o Custo das Mercadorias c) 42.000,00
Vendidas foi de R$36.750, o Lucro Bruto da Cia. d) 36.000,00
Cassiane Sanches foi de 13.3 Qual é o valor total das despesas operacionais?
a) 7.750. a) 8.600,00
b) 8.250. b) 9.800,00
c) 9.750. c) 8.200,00
d) 10.500. d) 7.800,00
12.2 - A Receita Líquida da Cia. Cassiane Sanches 13.4 Qual é o valor do Lucro Líquido?
totalizou a) 27.600,00
a) 57.750. b) 29.000,00
b) 50.750. c) 30.100,00
c) 47.250. d) 22.575,00
d) 10.250.
12.3 - O Lucro Líquido da Cia. Cassiane Sanches REFERÊNCIAS
totalizou
ANDRADE, Eurídice Mamede. Contabilidade
a) 1.050. Comercial: teoria e prática. São Paulo: Campus, 2004.
b) 0,00.
FIPECAFI. Manual de Contabilidade das
c) 3.550. sociedades por ações: aplicável às demais
d) 2.500. sociedades. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
13- A Cia. Comercial Célia Sakomoto Sanches FRANCO, Hilário. Contabilidade Comercial. 13.
apresentava os seguintes saldos em 31/12/2011: ed. São Paulo: Atlas, 1990.
CONTAS VALORES FRANCO, Hilário. Contabilidade Geral. 23. ed. São
Despesas Administrativas 3.000,00 Paulo: Atlas, 1997.
Receitas Financeiras 6.000,00 IUDÍCIBUS, Sérgio; MARION, José Carlos.
Devolução de Vendas 4.000,00 Contabilidade Comercial. 8. ed. São Paulo: Atlas,
Descontos Incondicionais 6.000,00 2009.
Abatimentos sobre Vendas 7.000,00 RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Comercial
Descontos Condicionais 800,00
fácil. 15. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
Despesas não operacionais 5.500,00 RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Geral fácil.
5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
Despesas Comerciais 1.700,00
Despesas de Vendas 1.500,00
SZUSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes.
Contabilidade Geral: introdução à Contabilidade
Receitas não operacionais 8.000,00
Societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

131
Unidade 04

Contabilidade Geral
EXERCÍCIOS DE REVISÃO

AULA 13

EXERCÍCIOS DE REVISÃO

Objetivo
• Resolver exercícios práticos para fixação
do conteúdo das aulas teóricas.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO • Insubsistência Passiva = Insubsistência


do Ativo = Desaparecimento do Ativo = Algo
Olá, caro aluno! Como vai? Espero que bem. Você que desaparece do Ativo, gerando despesa.
agora irá realizar uma bateria de exercícios para fixar Exemplo: Mercadorias destruídas em incêndio.
melhor todo conteúdo aprendido até aqui. Sugiro que, D- Insubsistências Passivas (despesa)
se tiver qualquer dúvida, volte às aulas, pesquise nas C- Ativo
referências sugeridas no final de cada aula e, caso Caro aluno, outro termo muito utilizado em
permaneça a dúvida, entre em contato com seu tutor Contabilidade é: Crédito de Funcionamento, Crédito
e monitor. A melhor forma de aprender contabilidade é de Financiamento, Crédito de Funcionamento e Débito
realizar a prática contábil. Os lançamentos contábeis, de funcionamento, Direitos, Obrigações, Passivo Real,
para serem feitos corretamente, requer que o aluno Patrimônio Bruto, Bens de Renda, Bens de Uso, Bens
tenha em mente o funcionamento do método das de Venda, Bens numerários, Veja então a diferença
partidas dobradas. Conhecer o funcionamento de cada entre os termos:
conta e saber a natureza dela é essencial. Antes de • Direitos: Representam créditos da entidade
iniciar, veja o funcionamento de algumas contas: para com terceiros. Representam bens da
• Superveniência: é a condição de algo entidade que se encontram na posse de
que aparece, passando a existir. Assimile terceiras pessoas, quer por financiamento,
superveniência = aparecimento originando os créditos de financiamento, quer
• Insubsistência: é a condição de algo que por atividades inerentes ao funcionamento
desaparece, deixando de existir. Assimile da entidade, ocasionando os créditos de
insubsistência = desaparecimento. funcionamento.
• Créditos de Financiamento: São os direitos
Em Contabilidade, costumamos utilizar as seguintes
da empresa derivados de operações de
expressões designativas de receitas e despesas, a
empréstimos. Constituem, de forma geral,
partir das palavras superveniência e insubsistência.
operações anormais, por isso são classificados
• Superveniência Ativa = Superveniência do
a longo prazo, salvo nas empresas que operam
Ativo = Aparecimento no Ativo = Algo que
no mercado financeiro, como instituições
aparece no Ativo, gerando receita. Exemplo: O
financeiras, nas quais essas operações são
nascimento de um filhote.
normais.
D- Ativo
• Créditos de Funcionamento: representam os
C- Superveniências Ativas (receita)
direitos advindos de operações normais das
• Superveniência Passiva = Superveniência
entidades comerciais, como por exemplo, as
do Passivo = Aparecimento no Passivo = Algo
vendas a prazo. Geralmente são encontrados
que aparece no Passivo, gerando despesa. no Ativo Circulante, sendo assim de curto
Exemplo: Juros cobrados devido ao atraso no prazo. Podem, entretanto, aparecer no Ativo
pagamento do valor principal. Uma obrigação Não Circulante no grupo Ativo Realizável a
venceu e a empresa não pagou na data do Longo Prazo, conforme a empresa vende ou
vencimento. Isso gera o aparecimento de uma não com prazo de recebimento superior ao
nova obrigação: o pagamento de juros pela final do exercício social seguinte.
demora no pagamento do valor principal. • Obrigações: Representam dívidas ou débitos
D- Superveniências Passivas (despesa) da empresa para com terceiros, quer por
C- Passivo aquisição de empréstimos financeiros, quando
• Insubsistência Ativa = Insubsistência do os denominamos de débitos de financiamento,
Passivo = Desaparecimento do Passivo = Algo ou por débitos decorrentes das atividades
que desaparece do Passivo, gerando receita. normais da empresa, quando são chamados
Exemplo: O perdão de uma dívida. de débitos de funcionamento.
D- Passivo • Débitos de Financiamento: Representam
C- Insubsistências Ativas (receita) o passivo exigível advindo da contratação

134
AULA 13 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

de empréstimos financeiros e surgem em


situações anormais às atividades da entidade. Pela apropriação proporcional, em 31.12.2011
As situações que normalmente ensejam D- Despesas de Seguros..................... R$ 416,66
dívidas dessa natureza são a assunção de C- Seguros a Vencer (Desp. Antecipadas).....R$ 416,66
hipotecas, empréstimos bancários, desconto Caro aluno, o valor de R$ 416,66 foi calculado
de títulos etc. assim: (1/12 avos de R$ 5.000,00)
• Débitos de Funcionamento: São as dívidas Nesse caso foi considerada como despesa relativa
da entidade decorrentes de operações normais ao ano 2011 somente a parcela correspondente
de sua gestão, pois representam operações de a 1/12 avos do contrato total, ou seja, somente
troca, e não o ingresso de valores financeiros. a parcela incorrida no exercício. As demais
Representam esse débito as aquisições a prazo parcelas, 11/12 avos, somente serão incorridas
de mercadorias, tributos, salários e outros bens no exercício seguinte, em 2012.
que são necessários ao funcionamento normal
• Receitas a Vencer: é o mesmo que
da entidade. Geralmente são classificados no
Receitas Antecipadas = Receitas Recebidas
Passivo Circulante, no entanto podem aparecer
Antecipadamente - essas criam obrigação
também no Passivo Não Circulante.
junto a terceiros. São de natureza credora.
• Passivo Real: É o valor do Passivo Circulante
Exemplo: Contrato de aluguel, cujas respectivas
e do Passivo Não Circulante.
parcelas são recebidas em determinado exercício,
• Patrimônio Bruto: É o conjunto de bens e
mas cuja vigência abrange um período de tempo
direitos, vale dizer, o próprio ativo total. Como
que extravasa esse exercício. O recebimento relativo
o ativo total é igual ao passivo total, pode-se
à receita de aluguel deve ser registrado (Conta do
dizer que o passivo total é também igual ao
Passivo), e deve ser apropriada como receita do
patrimônio bruto.
exercício somente a parcela que representar a parcela
Despesas a Vencer: é o mesmo que despesas
a ele correspondente.
antecipadas que compreendem as aplicações em
gastos que venham a ter a realização no curso do
Contrato de Aluguel com vigência para o período
período subsequente à data do Balanço Patrimonial.
Exemplo: Prêmio de Seguros a Vencer ou a apropriar, de 01/12/2011 a 30/11/2012
Assinatura de Revistas, Jornais e Periódicos. Valor do Aluguel: R$ 10.000,00
Exemplo: Apólice de Seguro, cujas respectivas Data do recebimento: 30/11/2011
parcelas são pagas em determinado exercício, mas cuja Contabilização: Pelo recebimento em 30/11/2011
vigência abrange um período de tempo que extravasa D- Caixa ou Bancos.......................... R$ 10.000,00
esse exercício. O gasto relativo ao pagamento de C- Aluguéis a Vencer (Receita Antecipada – irá
seguros deve ser ativado (conta do Ativo) e deve ser figurar no Passivo)........................... R$ 10.000,00
apropriada como despesa do exercício somente a Pela apropriação proporcional, em 31/12/2011
parcela que representar a parcela a ele correspondente.
D- Aluguéis a Vencer (Receita recebida
antecipadamente) ................................ R$ 833,33
Apólice de seguro com vigência para o período de
C- Receita de Aluguéis......................... R$ 833,33
01/12/2011 a 30/11/2012
Caro aluno, o valor de R$ 833,33 foi calculado
Valor do Seguro: R$ 5.000,00 assim: 1/12 avos de R$ 10.000,00.
Data do pagamento: 30/11/2011 Nesse caso, foi considerada como receita relativa

Contabilização: Pelo pagamento em 30.11.2011 ao ano 2011 somente a parcela correspondente


a 1/12 avos do contrato total, ou seja, somente
D- Seguros a Vencer (Despesa Antecipada – irá
a parcela incorrida no exercício. As demais
figurar no Ativo).................................. R$ 5.000,00 parcelas, 11/12 avos, somente serão incorridas
C- Caixa ou Bancos............................R$ 5.000,00 no exercício seguinte em 2012.

135
Contabilidade Geral

Se receitas forem recebidas antecipadamente, 2 EXERCÍCIOS - Atividades práticas


criarão obrigações da entidade junto àqueles que
sobre as aulas de 01 A 15
cederem os recursos antecipadamente. Logo, as
receitas recebidas antecipadamente serão registradas 2.1 Faça o lançamento de
no Passivo Exigível. cada fato contábil, exceto os
saldos iniciais. Siga o exemplo:
Exemplo 02
A partir dos saldos a seguir efetuar os
O Senhor Marcos Antônio Magalhães adiantou lançamentos das operações:
à empresa Comercial Gabriela Rocha Sanches a
• Capital social 180.000,00
quantia de R$ 4.000,00 em dinheiro, como pagamento • Mercadorias 180.000,00
antecipado do aluguel de sala da empresa pelo período • Caixa 120.000,00
de cinco meses. • Duplicatas a receber 80.000,00
Veja, caro aluno, os registros contábeis: • Fornecedores 80.000,00
• Capital a integralizar 50.000,00
Quando foi efetuado o recebimento pela
• Títulos a pagar 40.000,00
empresa, ela assim o registrou: • Lucros 100.000,00
Débito Caixa (Ativo) R$ 4.000,00
01- Venda de mercadorias no valor de 120.000,00 ao
custo de 48.000,00, sendo 40% a vista.
Receita de Aluguel a
Crédito R$ 4.000,00
Vencer (Passivo) Exemplo:
Receita
Quando ocorreu o uso da sala pelo Senhor
D- Caixa.................................................48.000,00
Marcos Antônio Magalhães, assim foram D- Cliente................................................72.000,00
efetuados os registros correspondentes: C- Receita Bruta...................................120.000,00
Custo
Receitas de Aluguel a
Débito R$ 4.000,00 D- CMV..................................................48.000,00
Vencer (Passivo)
C- Estoque............................................ 48,000,00
Receita de Aluguel
Crédito R$ 4.000,00
(Receita – DRE) • 02- Compra de veículos no valor de 35.000,00,
• Bens Numerários (ou Disponibilidades): sendo pagos à vista 15.000,00.
• 03- Integralização de capital pelos sócios
Caixa, Bancos Conta Movimento, Aplicações
no valor de 30.000,00, sendo 10.000,00 em
de Liquidez Imediata.
moeda e uma máquina no valor de 20.000,00
• Bens de Venda (Estoques): Mercadorias • 04- Pagamento de duplicatas no valor de
(empresa comercial), Matérias primas, 40.000,00 com juros de 4.000,00.
Produtos em Elaboração, Produtos Prontos • 05- Pagamento das despesas Salários no
(empresa industrial). valor de 5.000,00; encargos 4.000,00; férias
3.000,00; honorários 4.000,00; combustíveis
• Bens de Uso (Ativo Imobilizado): Imóveis, 3.000,00; material de Consumo 2.000,00; pró-
Terrenos, Veículos, Instalações, Máquinas, labore 4.000,00.
Marcas, Patentes, Fundo de Comércio. • 06- Empréstimo bancário no valor 80.000,00
• Bens Fixos: São os bens tangíveis para pagamento em 10 parcelas de 9.000,00
cada.
classificados no Ativo Imobilizado.
• 07- Recebimento de duplicata no valor de
• Bens de Renda (Ativo Investimento): 80.000,00 com juros de 6.000,00.
Participações Societárias, Obras de Arte, • 08- Pagamento de duplicatas no valor de
Imóveis para Aluguel. 40.000,00 com juros de 5.000,00 em cheque.

136
AULA 13 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

• 09- Venda de mercadorias no valor de 2.3 Exercício: 03 Continue


140.000,00 ao custo de 65.000,00, sendo 50% realizando os lançamentos.
a vista.
• 10- Aumento do capital social para 250.000,00, • SALDOS INICIAIS:
sendo pagos em moeda 30.000,00. • Capital - 350.000,00
• 11- Pagamento de títulos no valor de 30.000,00 • Caixa - 200.000,00
com juros de 8.000,00. • Mercadorias - 150.000,00
• 12- Compra de uma loja no valor de 60.000,00,
• 01- Pagamento de despesas: salários, 5.000,00;
financiada em 10 parcelas de 7.000,00 cada.
encargos 3.000,00; pró-labore 5.000,00.
• 13- Pagamento das despesas Salários no
• 02- Venda de mercadoria no valor de 60.000,00
valor de 6.000,00; encargos 3.000,00; décimo ao custo de 25.000,00, sendo metade à vista.
terceiro 3.000,00; honorários 4.000,00. • 03- Compra de veículos no valor de 40.000,00,
sendo pagos à vista 10.000,00. O restante foi
2.2 Exercício: Continue financiado em 10 parcelas de 4.000,00 cada.
realizando os lançamentos. • 04- Pagamento das despesas: combustíveis
4.000,00; honorários 5.000,00; material de
01- Constituição da empresa com capital de
consumo 3.000,00; viagens 6.000,00.
250.000,00, pagos da seguinte forma: um veículo • 05- Venda de mercadorias a prazo no valor de
no valor de 45.000,00; uma máquina de 15.000,00; 80.000,00, ao custo de 40.000,00.
em moeda 140.000,00. • 06- Depósito bancário no valor de 100.000,00,
02- Depósito bancário no valor de 100.000,00, sendo sendo aplicados no ato 60.000,00.
aplicados no ato 80.000,00. • 07- Compra de máquinas no valor total de
60.000,00, sendo pago à vista e 20.000,00
03- Compra de mercadorias para revenda no valor de
em cheque. O restante foi financiado em 10
180.000,00, sendo pagos à vista 20.000,00 com
parcelas de 5.000,00 cada.
cheque. • 08- Pagamento das despesas: água e luz
04- Venda de mercadorias no valor de 80.000,00, ao 4.000,00; salários 6.000,00; encargos 4.000,00;
custo de 25.000,00 à vista. férias 3.000,00; uma parcela do veículo e uma
05- Pagamento das despesas com Salários 5.000,00; da máquina.
encargos 3.000,00; pró-labore 4.000,00; honorários • 09- Recebimento de duplicata no valor de
30.000,00, acrescido de juros de 2.000,00
5.000,00.
depositados no banco.
06- Venda do veículo no valor de 60.000,00, sendo
• 10 - Pagamento de duplicatas no valor de 20.000,00,
50% à vista depositados no banco. acrescido de juros de 2.000,00 em cheque.
07- Resgate da aplicação, sendo o principal 40.000,00
e o rendimento 15.000,00. 2.4 Exercício: 04 Continue
08- Pagamento de duplicata no valor 50.000,00 e realizando os lançamentos.
despesas de combustíveis 2.000,00; água, luz
e telefone 2.000,00; viagens e hospedagens • SALDOS INICIAIS:
2.000,00, pelo banco. • Caixa 1.300,00
09- Venda de mercadorias no valor de 120.000,00 ao • Mercadorias 1.100,00
• Duplicatas a receber 400,00
custo de 35.000,00, sendo 30% à vista.
• Salários 50,00; férias 60,00
10- Recebimento de duplicatas no valor de 50.000,00,
• Títulos a pagar 200,00
acrescido de juros de 5.000,00.
• Pró-labore a pagar 50,00
11- Empréstimo bancário no valor de 150.000,00 para
• Pró-labore 90,00
pagamento em 10 parcelas de 16.000,00 cada. • Fornecedores 750,00
12- Compra de um lote de ações da empresa Sérgio • Capital Social 2.000,00
Saas Sanches no valor de 35.000,00 a prazo.

137
Contabilidade Geral

• 01- Apropriação das despesas: salários 40,00; • 04- Venda de mercadorias à vista no valor de
encargos 30,00; honorários 40,00; comissões 60.000,00, ao custo de 23.000,00.
60,00; pró-labore 50,00; férias 40,00. • 05- Compra de material para consumo em 6
• 02- Venda de mercadorias no valor de 450,00, meses no valor de 8.000,00 à vista.
ao custo de 150,00, sendo 80% à vista. • 06- Apropriação e pagamento de férias
• 03 – Apropriação e pagamento das despesas: 3.000,00; vale transporte 2.000,00; tel/fax
água e luz 20,00; vale refeição 60,00; material 4.000,00; material de consumo 1.000,00.
de consumo 30,00. • 07- Recebimento de duplicatas no valor de
• 04- Pagamento de: salários 40,00; pró–labore
40.000,00, com juros de 3.000,00 e com
80,00; comissões 40,00; duplicatas 150,00
desconto de 2.000,00.
com juros de 15,00.
• 08- Aplicação financeira no valor de 30.000,00.
• 05- Apropriação das despesas: salários 60,00;
• 09- Pagamento de salários, encargos,
comissões 70,00; vale transporte 40,00; pró-
honorários e duas parcelas do financiamento.
labore 60,00.
• 10- Venda de mercadorias à vista no valor de
• 06- Recebimento de duplicatas no valor de
20.000,00, ao custo de 14.000,00.
250,00 com juros de 25,00.
• 07- Compra de máquinas no valor de 800,00 • 11- Apropriação das despesas: salários
financiados em 10 parcelas de 90,00 cada. 6.000,00; férias 4.000,00; encargos 4.000,00;
• 08- Pagamento de salários 40,00; encargos honorários 6.000,00; seguros 1.000,00; aluguel
20,00; vale transporte 40,00; títulos 150,00; 2.500,00; material de consumo 1.000,00 e uma
pró-labore de 40,00; férias 30,00 e duas parcela do financiamento.
parcelas do financiamento. • 12- Resgate da aplicação, sendo o principal
• 09- Apropriação das despesas: salários 50,00; 20.000,00 e o rendimento 8.000,00.
encargos 40,00; honorários 40,00; comissões • 13 - Compra de mercadorias no valor de
80,00; água e luz 30,00 e uma parcela do 50.000,00, sendo pagos à vista 10.000,00.
financiamento. • 14- Pagamento de salários 4.000,00; encargos
• 10- Venda de mercadorias no valor de 1.000,00, 4.000,00; pró-labore 4.000,00; seguros
ao custo de 450,00, sendo 60% à vista. 3.000,00; aluguel 5.000,00; duplicatas
• 11- Aumento do capital pago pelos sócios com 10.000,00 e uma parcela do financiamento.
2 veículos no total de 200,00; um lote 1.000,00; • 15- Venda do veículo no valor de 30.000,00 à
e dinheiro (moeda) 800,00. vista.
2.5 Exercício: 05 Continue 1.1 Exercício: 06 - Continue realizando
realizando os lançamentos. os lançamentos.

• SALDOS INICIAIS:
• SALDOS INICIAIS:
• Capital 350.000
• Caixa 50.000.
• Caixa 120.000
• Mercadorias 80.000.
• Mercadorias 192.000
• Duplicatas a receber 70.000.
• Duplicatas a receber 38.000
• Capital 200.000.

• 01- Contrato de Seguros 12.000,00; Contrato 01- Venda de mercadorias à vista no valor de 90.000,00
de Aluguel 30.000,00 a prazo. para entrega em 60 dias.
• 02- Apropriação das Despesas: salários, 02- Venda de mercadorias a prazo no valor de
5.000,00; encargos 3.000,00; pró-labore 65.000,00, ao custo de 28.000,00.
4.000,00; honorários 4.000,00. 03- Venda de mercadorias no valor de 80.000,00,
• 03- Compra de veículos no valor de 40.000,00, sendo metade à vista; 30.000,00 foram entregues
financiados em 10 parcelas de 5.000,00 cada. no ato, ao custo de 16.000,00.

138
AULA 13 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

04- Venda de mercadorias a prazo no valor de


Provisão para Créditos de Liquidação
80.000,00 para entrega em 30 dias. Nesse ato foi 17,00
Duvidosa
entregue metade da venda do item 01 ao custo de
Provisão para FGTS 120,00
22.000,00.
Reservas de Lucros 320,00
05- Entrega das mercadorias vendidas no item 3 ao
custo de 23.000,00. Nesse ato foram recebidas Receitas de Vendas 1.800,00

duplicatas no valor de 48.000,00. Receitas Financeiras 50,00


06- Compra de mercadorias no valor de 140.000,00, Salários a Pagar 200,00
sendo 65.000,00 à vista. Salários e Ordenados 300,00
07- Venda de mercadorias no valor de 180.000,00, Veículos 800,00
sendo 60.000,00 ao custo de 35.000,00 a prazo. Considerando apenas os saldos devedores da
08- Entrega das mercadorias vendidas no item 04 ao relação apresentada, teremos o valor de
custo de 18.000,00 Nesse ato foram recebidas a) R$ 6.440,00
duplicatas no valor de 70.000,00. b) R$ 3.513,00.
c) R$ 5.683,00.
2.7 Exercício: 07 A Cia Raquel d) R$ 6.033,00.
Sanches apresenta a relação e) R$ 6.400,00.
das contas abaixo, com
respectivos saldos, para 2.8 Exercício: 08 A Cia Raquel
organizar o balancete, o Suelen Lima Sanches apresenta
balanço e o resultado. os seguintes saldos do livro
Razão em 31/12/2012.
Adiantamento a Fornecedores 90,00
Adiantamento a Clientes 50,00 CONTAS SALDOS
Ações de Coligadas 800,00 Clientes 90,00
Amortização Acumulada 60,00 Banco Conta Movimento 75,00
Aluguéis Passivos 250,00 Custo de Vendas 135,00
Caixa 100,00 Duplicatas a Pagar 240,00
Clientes 180,00 Salários 45,00
Capital Social 2.500,00 Máquinas e Equipamentos 180,00
Capital a Realizar 350,00 Empréstimos 145,00
Custo das Mercadorias Vendidas 900,00 Receitas de Vendas 320,00
Duplicatas a Receber 400,00 Prejuízos Acumulados 30,00
Duplicatas Descontadas 220,00
Juros Ativos 60,00
Duplicatas a Pagar 290,00
Impostos a Recolher 120,00
Depreciação Acumulada 110,00
Veículos 150,00
Despesa de Comissões 200,00
Capital Social 225,00
Fornecedores 400,00
Nota Promissória a Receber 150,00
Impostos a Recolher 40,00
Estoque de Bens de Consumo 230,00
ICMS sobre Vendas 340,00
Aluguéis Passivos 25,00
Impostos e Taxas 180,00
Juros Ativos 130,00 Considerando exclusivamente os saldos acima
apresentados, sem nenhuma implicação de ordem
Lucros Acumulados 133,00
tributária ou qualquer distribuição de resultados,
Mercadorias 300,00
podemos afirmar que
Móveis e Utensílios 1.000,00
a) o resultado do exercício foi lucro líquido de R$
Marcas e Patentes 250,00
145,00.

139
Contabilidade Geral

b) o balancete de verificação fecha no valor de R$ Sabendo-se que a empresa apresenta lucros


1.110,00. acumulados correspondentes a 25% do valor do capital
c) o balanço patrimonial tem passivo exigível no de terceiros, pode-se afirmar que o valor do seu Capital
valor de R$ 530,00. Social é de
d) o capital próprio tem o valor de R$ 690,00. a) R$ 1.200,00.
e) o balanço patrimonial tem ativo total no valor b) R$ 4.200,00.
de R$ 1.020,00. c) R$ 3.000,00.
d) R$ 2.550,00.
2.9 Exercício: 09 A Cia Priscila e) R$ 1.800,00.
Alcântara Sanches apresenta
os seguintes saldos do Livro 2.10 Exercício: 10 A Cia Neide
Razão em 31/12/2012. Dália Sanches apresenta a
relação das contas de seu
CONTAS SALDOS
Adiantamento a Fornecedores 2.000,00
balancete a seguir.
Adiantamento de Clientes 1.000,00 CONTAS SALDO
Ativo Imobilizado Bruto 20.000,00 Ações em Outras Companhias 1.500,00
Capital Social 28.000,00
Bancos Conta Movimento 2.000,00
Contas a Pagar 40.000,00
Capital Social 8.500,00
Depreciação Acumulada 2.000,00
Disponibilidades 1.000,00 Clientes 2.500,00
Duplicatas a Receber 50.000,00 Custos das Mercadorias Vendidas 1.700,00
Estoques 38.000,00 Duplicatas a Pagar 3.700,00
Lucros Acumulados 38.000,00 Duplicatas a Receber 1.400,00
Reserva Legal 2.000,00
Duplicatas Descontadas 1.100,00
Observando a lista acima, indique a opção que
Duplicatas Protestadas 1.000,00
informa o valor total correto do Ativo.
Empréstimos Concedidos 1.300,00
a) R$ 105.000,00
b) R$ 107.000,00 Fornecedores 2.900,00

c) R$ 111.000,00 Insubsistências Passivas 900,00


d) R$ 109.000,00 Juros Passivos 600,00
e) R$ 113.000,00 Mercadorias 3.800,00
Móveis e Utensílios 5.200,00
2.9 Exercício: 09 A Cia Priscila
Prejuízos Acumulados 100,00
Alcântara Sanches apresenta
Provisão para Perdas em Investimentos 300,00
os seguintes saldos do Livro
Provisão para Imposto de Renda 700,00
Razão em 31/12/2012.
Receitas Antecipadas 400,00
CONTAS SALDOS
Reserva Legal 800,00
Bens Fixos 2.100,00
Notas Promissórias Emitidas 600,00 Receitas de Vendas 2.000,00
Débitos de Funcionamento 900,00 Serviços Prestados 1.600,00
Créditos de Financiamento 600,00
Considerando apenas os saldos devedores da
Bens de Renda 900,00
Créditos de Funcionamento 1.200,00
relação apresentada, teremos o valor de
Bens Numerários 450,00 a) Ativo Total R$ 17.600,00.
Bens de Renda 750,00 b) Passivo Exigível R$ 7.300,00.
Débitos de Financiamento 300,00 c) Lucro Líquido R$ 300,00.
Reservas de Lucros 750,00 d) Patrimônio Líquido R$ 10.000,00.
Reservas de Capital 1.800,00 e) Ativo Circulante R$ 9.900,00.

140
AULA 13 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

2.11 Exercício: 11 A Cia Nani 2.12 Exercício: 12 A Cia Neia Tasca


Azevedo Sanches apresenta Sanches apresenta a relação
a relação das contas de seu das contas de seu balancete a
balancete a seguir. seguir.
CONTAS SALDO CONTAS SALDO
Aluguéis Ativos 900,00 Ações de Coligadas 1.200,00
Adiantamento a Fornecedores 1.000,00 Ações em Tesouraria 300,00
Caixa e Bancos 1.200,00 Aluguéis Ativos 200,00
Capital Social 3.000,00 Aluguéis Passivos 550,00
Clientes 1.500,00 Bancos Conta Aplicação 1.100,00
Contas a Pagar 2.400,00 Caixa 1.200,00
Custo da Mercadoria Vendida 300,00 Capital a Integralizar 3.000,00
Depreciação Acumulada 650,00 Capital Social 10.000,00
Descontos Concedidos 340,00 Custo da Mercadoria Vendida 3.800,00
Descontos Obtidos 220,00 Despesas a Pagar 160,00
Duplicatas a Receber 1.600,00 Despesas a Vencer 280,00
Duplicatas Descontadas 1.350,00 Duplicatas a Pagar 3.000,00
Empréstimos Obtidos 1.040,00 Duplicatas a Receber 1.000,00
Fornecedores 2.100,00 Duplicatas Descontadas 800,00
Insubsistência Ativa 160,00 Fornecedores 4.000,00
Impostos 280,00 Edificações 5.000,00
Impostos a Recolher 450,00 Impostos 650,00
Juros Passivos 120,00 Impostos a Recolher 500,00
Máquinas e Equipamentos 2.010,00 Matéria Prima 1.300,00
Mercadorias 1.380,00 Mercadorias 2.500,00
Móveis e Utensílios 2.250,00 Móveis e Utensílios 3.500,00
Prejuízos Acumulados 900,00 Participações Acionárias 800,00
Provisão para Devedores Duvidosos 400,00 Participações de Empregados 320,00
Provisão para Imposto de Renda 200,00 Provisão para Ajustes de Estoques 150,00
Receitas de Serviços 300,00 Provisão para Impostos de Renda 700,00
Receitas de Vendas 260,00 Receitas a Receber 600,00
Reservas para Contingência 1.000,00 Receitas a Vencer 250,00
Reserva Legal 840,00 Receita Bruta de Vendas 6.000,00
Salários 750,00 Reservas de Capital 350,00
Salários a Pagar 180,00 Reservas de Lucros 400,00
Seguros 90,00 Lucros ou Prejuízos Acumulados com
Superveniências Passivas 80,00 saldo igual à diferença entre devedores ?
Veículos 1.850,00 e credores

Com base nas contas e saldos, podemos dizer Considerando exclusivamente a relação, podemos
que, mesmo o balancete de verificação não estando afirma que a empresa demonstra um Patrimônio Bruto
fechado corretamente, ele apresenta de
a) Ativo no valor de R$ 12.790,00. a) R$ 10.750,00.
b) Passivo no valor de R$ 7.720,00. b) R$ 17.530,00.
c) Patrimônio Líquido no valor de R$ 3.940,00. c) R$ 17.940,00.
d) Saldos Devedores no valor de R$ 15.650,00. d) R$ 18.290,00.
e) Saldos Credores no valor de R$ 13.250,00. e) R$ 18.480,00.

141
Contabilidade Geral

2.13 Exercício: 13 A Cia Gerson de natureza eventual, esporádica, dos normais e mostrar
Rufino Sanches apresenta a que todos alteram a situação líquida patrimonial da
entidade. A evidenciação permite evitar a desfiguração
relação das contas de seu
da composição dos resultados relativos a vários
balancete a seguir.
exercícios. A superveniência consiste em aumento, e
CONTAS SALDO a insubsistência, em diminuição da situação líquida
Títulos a Receber 34.000,00 patrimonial. A superveniência do ativo é denominada
Títulos a Pagar 70.000,00 de superveniência ativa, porque acresce a situação
Seguros a Vencer 400,00 líquida patrimonial. A superveniência do passivo é
Reservas de Capital 12.000,00 denominada de superveniência passiva, porque diminui
Prejuízos Acumulados 2.000,00 a situação líquida patrimonial. A insubsistência do ativo
Móveis e Utensílios 30.000,00 é denominada “insubsistência passiva”, porque diminui
Mercadorias 47.000,00 a situação liquida patrimonial. Já a insubsistência do
Juros Passivos 900,00 passivo é denominada de “insubsistência ativa”, porque
Juros Ativos 600,00 aumenta a situação líquida patrimonial. Resumindo, as
Impostos a Recolher 5.000,00 superveniências e as insubsistências são ditas ativas,
Fornecedores 37.000,00 porque promovem aumento da situação líquida. As
Clientes 16.000,00 superveniências e insubsistências são ditas passivas,
Capital Social 40.000,00 porque promovem diminuição da situação líquida
Caixa 13.000,00 patrimonial. Muitos autores e professores incorrem
Bancos Contas Movimento 22.000,00 no equívoco de qualificar as superveniências e as
insubsistências em ativas e passivas, segundo o reflexo
Aluguéis Ativos a Vencer 700,00
no ativo e no passivo, esquecendo que o qualificativo
Qual o total dos saldos devedores?
ativo e passivo deriva da espécie de variação sobre
a) R$ 115.000,00
a situação líquida patrimonial. Ninguém denomina
b) R$ 150.000,00
variação patrimonial a devolução de um depósito de
c) R$ 70.000,00
diversas origens que redunda em redução do ativo e
d) R$ 166.000,00
do passivo, simultaneamente. Sendo assim,
e) R$ 113.000,00
• a insubsistência ativa é uma conta de receita,
portanto de natureza credora;
4 RESUMO
• a insubsistência passiva é uma conta de
Na aula de hoje realizamos uma bateria de despesa, portanto de natureza devedora;
exercícios, mas antes discutimos a gestão nas variações • a superveniência ativa é uma conta de receita,
patrimoniais. As variações representam os acréscimos portanto de natureza credora;
e as reduções que resultam na situação líquida • a superveniência passiva é uma conta de
patrimonial. As variações que acrescem a situação despesa, portanto de natureza devedora.
líquida patrimonial são denominadas de variações
QUADRO EXPLICATIVO
ativas e as que reduzem são chamadas de variações
passivas. Dentro desse contexto, as variações ativas
• Superveniência do Ativo: Conta de receita,
são provenientes do aumento de valores do ativo e
da diminuição de valores do passivo; já as variações natureza credora.
passivas decorrem da diminuição dos valores do ativo • Superveniência Ativa: Conta de receita,
ou do acréscimo dos valores do passivo. Dessa forma natureza credora.
afirmamos que nem toda variação ativa decorre do • Superveniência do Passivo: Conta de
ativo, assim como a variação passiva não provém só do despesa, natureza devedora.
passivo. A aplicação dos substantivos superveniência e • Superveniência Passiva: Conta de despesa,
insubsistência tem o objetivo de destacar, na gestão natureza devedora.
patrimonial, os componentes das variações patrimoniais

142
AULA 13 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

REFERÊNCIAS
• Insubsistência do Ativo: Conta de despesa,
natureza devedora. ALMEIDA, M. C. Curso básico de Contabilidade:
• Insubsistência Ativa: Conta de receita, introdução à Metodologia da Contabilidade,
natureza credora. Contabilidade básica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998.
• Insubsistência do Passivo: Conta de receita, ANDRADE, Eurídice Mamede. Contabilidade
natureza credora. Comercial. São Paulo: Editora Campus, 2002.
• Insubsistência Passiva: Conta de despesa, BARBOSA, Crysthian. Contabilidade básica.
natureza devedora. Curitiba: Juruá, 2008.
Baseados nesse parecer, vamos analisar os BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES,
termos acima: Eugenio Celso. Contabilidade geral. 7. ed. São
• Superveniência do Ativo: O termo Paulo: Atlas, 2011.
Superveniência tem o sentido de aumentar, BRASIL Lei nº 11.638/07 de 28 de dezembro de
adicionar. Assim, superveniência do Ativo 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6.404/76,
significa um aumento do Ativo, ocasionando de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de
um aumento do Patrimônio Líquido, portanto 7 de dezembro de 1976 e estende às sociedades
de grande porte disposições relativas à elaboração
conta de receita de natureza credora.
e divulgação de demonstrações financeiras.
• Superveniência Ativa: A palavra “Ativa” não Publicada na DOU de 28.12.2007 – Edição Extra.
significa do ativo e sim, aumento, sentido
BRASIL Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de
positivo. Logo, a Superveniência Ativa é conta
1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.
de receita de natureza credora. Consolidada. Publicada em 08.01.2008.
• Superveniência do Passivo: Aumento
BRASIL Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009.
do Passivo, ocasionando diminuição do Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades
Patrimônio Líquido, conta de despesa de por Ações.
natureza devedora.
CHAGAS, Gilson. Contabilidade geral simplificada.
• Superveniência Passiva: Por analogia, a 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
palavra “Passiva” não significa do passivo,
CREPALDI, Silvio Aparecido. Resumo da teoria
e sim condição negativa, aumento de uma
atendendo às novas demandas da gestão
situação negativa. Logo, conta de despesa empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
de natureza devedora.
FERRREIRA, Ricardo J. Coleção de provas
• Insubsistência do Ativo: A palavra
comentadas ESAF. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora
“Insubsistência” significa algo que deixa Ferreira, 2002.
de existir. Assim, a Insubsistência do Ativo
FERRARI, Ed. Luiz. Contabilidade geral. 12. ed.
significa um Ativo que deixa de existir. Conta Rio de Janeiro: Editora Ímpetus, 2012.
de despesa de natureza devedora.
FERREIRA, Ricardo J. Resumo de Contabilidade
• Insubsistência Ativa: Reforçando, a palavra
geral. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Ferreira, 2010.
“Ativa” não significa do Ativo, e sim efeito
positivo. Assim, significa algo que deixa FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas
Contábeis, Atuariais e Financeiras. Manual de
de existir, trazendo um efeito positivo (Ex.:
Contabilidade Societária: aplicável a todas as
perdão de dívida). Logo, é conta de receita de sociedades. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu;
natureza credora. GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS. São Paulo:
• Insubsistência do Passivo: Passivo que Atlas, 2007.
deixa de existir, conta de receita de natureza IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu e GELBCKE,
credora. Ernesto Rubens; SANTOS, Ariovaldo dos. Manual
• Insubsistência Passiva: Algo que deixa de de Contabilidade Societária: aplicável a todas as
existir, trazendo efeito negativo no Patrimônio sociedades de acordo com as normas internacionais
Líquido. Conta de despesa de natureza e do CPC. São Paulo: Atlas, 2010.
devedora. FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23. ed. São
Paulo: Saraiva, 1996.

143
Contabilidade Geral

GOUVEIA, Nelson. Contabilidade. 2. ed. São OLIVEIRA, Justino. Introdução à Contabilidade


Paulo: Atlas, 1998. para concursos públicos. Rio de Janeiro: Editora
Método, 2010.
HASTINGS, David F. Contabilidade em contexto:
uma novela contábil. São Paulo: Saraiva, 2011. PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade
Básica: uma introdução à Contabilidade básica;
IOB. Guia de Contabilidade on line. uma introdução à prática contábil. 3. ed. São Paulo:
Atlas, 1996.
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade introdutória-
livro de exercícios. 8. ed. São Paulo: Editora Atlas, RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica 2. ed.
1996. São Paulo: Saraiva, 2009.

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral fácil. 7.
10. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil.
LEITE, Hélio de Paula. Contabilidade para
27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
administradores. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
SANTOS, Roberto Fernandes. Introdução à
KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de; Contabilidade: noções fundamentais. São Paulo:
MARTINS, Eliseu. Contabilidade introdutória – Saraiva, 2011.
livro texto. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
SILVA, César Augusto Tibúrcio; TRISTÃO, Gilberto.
MARION, José Carlos. Teoria da Contabilidade. 2. Contabilidade básica. 4. ed. São Paulo: Atlas,
ed. São Paulo: Alínea, 2000. 2009.
NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo. SZUSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes.
Contabilidade básica. 9. ed. São Paulo: Editora Contabilidade geral: introdução à Contabilidade
Frase, 2011. Societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

144
Unidade 04

Contabilidade Geral
EXERCÍCIOS DE REVISÃO

AULA 14

EXERCÍCIOS DE REVISÃO

Objetivo
• Treinar, através de atividades, as práticas
contábeis para fixação dos conteúdos
teóricos estudados nas aulas anteriores.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO C- Receita Bruta...............120.000

Olá, caro aluno! Como vai? Gostou dos conteúdos Custo


apresentados até o presente momento? Espero D- CMV..............................48.000
que sim. Tivemos muita teoria e poucos exercícios C- Estoque....................... 48.000
práticos. Para lguns assuntos em Contabilidade, faz-
se necessário realizar vários exercícios para fixação 02- Compra de veículos no valor de 35.000, sendo
do conteúdo. Você deverá conhecer o plano de conta, pago à vista 15.000.
saber quais contas são do ativo, quais são as do passivo, 03- Integralização de capital pelos sócios no valor de
quais são as contas do patrimônio líquido, quais são
30.000, sendo 10.000 em moeda e uma máquina
as de resultado. Deve ainda saber as diferenças entre
no valor de 20.000.
contas patrimoniais e contas de resultado. Você deverá
também saber quais dessas contas são de natureza 04- Pagamento de duplicatas no valor de 40.000 com
devedora e quais são de natureza credora. Em seguida, juros de 4.000.
deverá saber debitar e creditar cada fato contábil, tanto 05- Pagamento das despesas: salários 5.000; encargos
no Livro Diário como no Livro Razão. Mais ainda, você 4.000; férias 3.000; honorários 4.000; combustíveis
deverá saber elaborar o Balancete de Verificação para, 3.000; material de consumo 2.000; pró-labore
em seguida, elaborar a Demonstração do Resultado do
4.000.
Exercício e o Balanço Patrimonial. Caso tenha alguma
06- Empréstimo bancário no valor 80.000 para
dúvida nos exercícios, volte às aulas teóricas e solicite
ajuda do seu tutor ou monitor. pagamento em 10 parcelas de 9.000 cada.
Agora, vamos praticar mais. Muito mais! Venha 07- Recebimento de duplicata no valor de 80.000 com
comigo. juros de 6.000.
08- Pagamento de duplicatas no valor de 40.000 com
2 EXERCÍCIOS PRÁTICOS juros de 5.000 em cheque.
09- Venda de mercadorias no valor de 140.000 ao
2.1 Faça o lançamento de cada
custo de 65.000, sendo 50% à vista.
fato contábil, exceto dos
10- Aumento do capital social para 250.000, sendo
saldos iniciais.
30.000 pagos em moeda.
2.1.1 Exercício: 01 11- Pagamento de títulos no valor de 30.000 com juros
de 8.000.
A partir dos saldos a seguir, efetue os
12- Compra de uma loja no valor de 60.000, financiada
lançamentos das operações. em 10 parcelas de 7.000 cada.
Capital social 180.000 13- Pagamento das despesas salários 6.000; encargos
Mercadorias 180.000 3.000; décimo terceiro 3.000; honorários 4.000.
Caixa 120.000
Duplicatas a receber 80.000 2.1.2 Exercício: 02
Fornecedores 80.000 01- Constituição da empresa com capital de 250.000
Capital a integralizar 50.000 pagos da seguinte forma: um veículo no valor de
Títulos a pagar 40.000 45.000 e uma máquina 15.000. Em moeda foram
Lucros 100.000 pagos 140.000.
01- Venda de mercadorias no valor de 120.000, ao
Exemplo:
custo de 48.000, sendo 40% à vista. Esta é uma
empresa Comercial. Integralização de Capital
Exemplo:
D- Veículo.............................45.000
Receita D- Caixa...............................72.000
D- Caixa.............................48.000 D- Máquina...........................15.000
D- Cliente...........................72.000 C- Capital Social.................140.000

146
AULA 14 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

02- Depósito bancário no valor de 100.000, sendo 08- Pagamento das despesas: água e luz 4.000;
aplicados no ato 80.000. salários 6.0000; encargos 4.000; férias 3.000; uma
03- Compra de mercadorias para revenda no valor de parcela do veículo e uma da máquina.
180.000, sendo pagos à vista 20.000 em cheque. 09- Recebimento de duplicata no valor de 30.000,
04- Venda de mercadorias no valor de 80.000 ao custo acrescido de juros de 2.000 depositados no banco.
de 25.000 à vista. 10- Pagamento de duplicatas no valor de 20.000,
05- Pagamento das despesas com salários 5.000; acrescido de juros de 2.000 em cheque.
encargos 3.000; pró-labore 4.000; Honorários
5.000. 2.1.4 Exercício: 04
06- Venda do veículo no valor de 60.000, sendo 50% à Saldos Iniciais
vista depositados no banco.
07- Resgate da aplicação, sendo o principal 40.000 e o Caixa 1.300,00
rendimento 15.000. Mercadorias 1.100,00
08- Pagamento de duplicata no valor 50.000 e despesas Duplicatas a Receber 400,00
de combustíveis 2.000; água-luz e telefone 2.000; Salários 50,00
viagens e hospedagens 2.000 pelo banco.
Férias 60,00
09- Venda de mercadorias no valor de 120.000, ao
custo de 35.000, sendo 30% à vista. Títulos a Pagar 200,00
10- Recebimento de duplicatas no valor de 50.000 Pró-labore a Pagar 50,00
acrescido de juros de 5.000. Pró-labore 90,00
11- Empréstimo bancário no valor de 150.000 para Fornecedores 750,00
pagamento em 10 parcelas de 16.000 cada.
Capital Social 2.000,00
12- Compra de um lote de ações da empresa Chris
Durán Sanches no valor de 35.000 a prazo. 01- Apropriação das despesas: salários 40,00;
encargos 30,00; honorários 40,00; comissões
2.1.3 Exercício: 03 60,00; pró- labore 50,00; férias 40,00.
Saldos Iniciais 02- Venda de mercadorias no valor de 450,00 ao custo
de 150,00, sendo 80% à vista.
Capital 350.000
03- Apropriação e pagamento das despesas: água e
Caixa 200.000 luz 20,00; vale refeição 60,00; material de consumo
Mercadorias 150.000 30,00.
01- Pagamento de despesas: salários 5.000; encargos 04- Pagamento de: salários 40,00; pró-labore 80,00;
3.000; pró-labore 5.000. comissões 40,00; duplicatas 150,00 com juros de
02- Venda de mercadoria no valor de 60.000, ao custo 15,00.
de 25.000, sendo metade à vista. 05- Apropriação das despesas: salários 60,00;
03- Compra de veículos no valor de 40.000, sendo comissões 70,00; vale transporte 40,00; pró-labore
pagos à vista 10.000. O restante foi financiado em 60,00.
10 parcelas de 4.000 cada. 06- Recebimento de duplicatas no valor de 250,00 com
04- Pagamento das despesas: combustíveis 4.000; juros de 25,00.
honorários 5.000; material de consumo 3.000; 07- Compra de máquina no valor de 800,00, financiada
Viagens 6.000. em 10 parcelas de 90,00 cada.
05- Venda de mercadorias a prazo no valor de 80.000, 08- Pagamento de salários 40,00; encargos 20,00;
ao custo de 40.000. vale transporte 40,00; títulos 150,00; pró-labore
06- Depósito bancário no valor de 100.000, sendo de 40,00; férias 30,00 e duas parcelas do
aplicados no ato 60.000. financiamento.
07- Compra de máquinas no valor total de 60.000, 09- Apropriação das despesas: salários 50,00; encargos
sendo pago à vista 20.000 com cheque. O restante 40,00; honorários 40,00; comissões 80,00; água e
foi financiado em 10 parcelas de 5.000 cada. luz 30,00 e uma parcela do financiamento.

147
Contabilidade Geral

10- Venda de mercadorias no valor de 1.000,00, ao 2.1.6 Exercício: 06


custo de 450,00, sendo 60% à vista.
Saldos Iniciais
11- Aumento do capital para 4.000,00, pago com
veículo pelos sócios, no total de 150,00, um lote no Capital 350.000
valor de 250,00 e 800,00 em moeda. Caixa 120.000
Mercadorias 192.000
2.1.5 Exercício: 05
Duplicatas a Receber 38.000
Saldos Iniciais
01- Venda de mercadorias à vista, no valor de 90.000,
Caixa 50.000 para entrega em 60 dias.
Mercadorias 80.000 02- Venda de mercadorias a prazo no valor de 65.000,
Duplicatas a Receber 70.000 ao custo de 28.000.
03- Venda de mercadorias no valor de 80.000, sendo
Capital 200.000
metade à vista, 30.000 foram entregues no ato, ao
01- Contrato de Seguros 12.000, Contrato de Aluguel custo de 16.000.
30.000 a prazo. 04- Venda de mercadorias a prazo no valor de 80.000
02- Apropriação das Despesas: salários, 5.000, para entrega em 30 dias. Nesse ato foi entregue
encargos 3.000, pró-labore 4.000, honorários metade da venda do item 01 ao custo de 22.000.
4.000. 05- Entrega das mercadorias vendidas no item 3
03- Compra de veículos no valor de 40.000, financiados ao custo de 23.000. Nesse ato foram recebidas
em 10 parcelas de 5.000 cada. duplicatas no valor de 48.000.
04- Venda de mercadorias à vista no valor de 60.000, 06- Compra de mercadorias no valor de 140.000,
ao custo de 23.000. sendo 65.000 à vista.
07- Venda de mercadorias no valor de 180.000, sendo
05- Compra de material para consumo em 6 meses no
60.000 ao custo de 35.000 a prazo.
valor de 8.000 à vista.
06- Apropriação e pagamento de férias 3.000, vale 2.1.7 Exercício: 07
transporte 2.000, telefone/fax 4.000, material de
Classifique as contas em Despesas ou Receitas
consumo 1.000.
07- Recebimento de duplicatas no valor de 40.000, Receita/
Contas
Despesa
com juros de 3.000 e com desconto de 2.000.
08- Aplicação financeira no valor de 30.000. Material de Limpeza (Exemplo) Despesa

09- Pagamento de salários, encargos, honorários e 2 Manutenção

parcelas do financiamento. Descontos Obtidos

10- Venda de mercadorias à vista no valor de 20.000, Descontos Incondicionais ou Comerciais


Prêmio de Seguros
ao custo de 14.000.
Café e Lanches
11- Apropriação das despesas: salários 6.000, férias
Salários
4.000, encargos 4.000, honorários 6.000, seguros
Abatimentos sobre Vendas
1.000, aluguel 2.500, material de consumo 1.000, e
Resultado Devedor de Equivalência
uma parcela do financiamento.
Patrimonial
12- Resgate da aplicação, sendo principal 20.000 e o Descontos Condicionais ou Financeiros
rendimento 8.000. Aluguéis Ativos
13- Compra de mercadorias no valor de 50.000, sendo Descontos Obtidos
pagos à vista 10.000. Material de Expediente
14- Pagamento de salários 4.000, encargos 4.000, Receita de Serviços
pró-labore 4.000. seguros 3.000, aluguel 5.000, Energia Elétrica Consumida
duplicatas 10.000, e uma parcela do financiamento. Comissões Ativas
15- Venda do veículo no valor de 30.000 à vista. Água e Esgoto

148
AULA 14 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

Aluguéis Passivos F- O livro diário deve obedecer às formalidades


Descontos Concedidos
a. provisórias e substituíveis.
Despesas Bancárias
b. ocasionais e arbitrárias.
c. irrelevantes e variadas.
Fretes e Carretos
d. intrínsecas e extrínsecas.
Juros Ativos
G- É obtido pela diferença entre o valor das vendas
Vendas de Mercadorias
efetuadas num determinado período e o valor do
Resultado Credor de Equivalência
Patrimonial custo das mercadorias vendidas nesse mesmo
Impostos período.
Material de Expediente
a. Resultado com Mercadorias
b. Resultado Líquido
Juros Passivos
c. Custo das Mercadorias Vendidas
Luz e Telefone
d. Descontos Condicionais
2.1.8 Exercício: 08 H- São os descontos que ocorrem no ato do
pagamento de uma obrigação ou do recebimento
A - Compra de mercadorias a prazo gera um fato
de um direito.
a. misto diminutivo.
a. Descontos obtidos
b. permutativo.
b. Descontos financeiros
c. modificativo aumentativo.
c. Descontos comerciais
d. modificativo aumentativo.
B - Não é um ato administrativo: d. Descontos incondicionais
a. fiança em favor de terceiros. I- Os abatimentos podem ocorrer apenas nas
b. admissão de funcionários. situações de
c. pagamento de aluguel em dinheiro. a. abatimentos sobre compras e vendas.
d. assinaturas de contratos de vendas. b. abatimentos condicionais.
C- Sob o ponto de vista fiscal e legal, é o mais c. abatimentos incondicionais.
importante livro da contabilidade. Esse livro exige d. abatimentos espontâneos.
requisitos legais para sua confecção, como: termo J- De acordo com a Aula 13, são tipos de inventários
de abertura e de encerramento, autenticação em a. Inventário circulante e corrente.
órgão competente, entre outros. Esse livro é o b. Inventário de custeio e estimado.
a. Razão. c. Inventário Orçamentário e especial.
b. Balancete. d. Inventário periódico e permanente.
c. Balanço.
d. Diário. Gabarito 2.1.8 Exercício: 08
D- É um método universal utilizado pela Contabilidade
para o registro dos fatos que alteram quantitativa
B C D A A D A B A D
ou qualitativamente o patrimônio das entidades, ou
seja, para todo débito deve existir um crédito de
2.1.09 Exercício: 09
igual valor. Marque a alternativa correta. 1- Não é uma conta de natureza devedora:
a. Método das partidas dobradas a. Despesa antecipada.
b. Duplicatas descontadas b. Fornecedores.
c. Despesas antecipadas c. Contas a receber.
d. Receitas com vendas d. Estoque.
E- O livro razão é 2- A Contabilidade é uma ciência
a. facultativo. a. exata.
b. dispensável. b. humanas.
c. obrigatório por lei. c. social.
d. descartável. d. administrativa.

149
Contabilidade Geral

3- O objeto da Contabilidade é 10- O Passivo é o grupo das


a. a empresa. a. Aplicações
b. os clientes. b. Receitas
c. a administração. c. Despesas
d. o patrimônio. d. Origens
4- São finalidades básicas para o uso das informações
Gabarito 2.1.9 Exercício: 09
contábeis:
a. Controle e planejamento. B C D A C B A B A D
b. Acompanhamento e controle.
c. Análise e controle. 2.1.10 Exercício: 10
d. Acompanhamento e análise. 1- Pode ser entendida como sendo o desgaste físico
5- O patrimônio é composto por dos bens de uma empresa, pela sua utilização, em
a. bens e direitos. um dado intervalo de tempo:
b. direitos e obrigações. a. depreciação.
c. bens, direitos e obrigações. b. custo.
c. despesa.
d. apenas obrigações.
d. investimento.
6- De acordo com a Aula 08, no livro Lalur, a pessoa
2- A depreciação que contabiliza como despesa ou
jurídica deverá fazer os seguintes itens, EXCETO
custo, em cada período, uma parcela constante do
a. lançar os ajustes do lucro líquido do período-
valor de aquisição dos bens (distribuídos constan-
base.
temente pelo tempo de vida útil estimada do bem)
b. lançar os ajustes do lucro bruto do período- éa
base. a. Depreciação gerencial.
c. transcrever a demonstração do lucro real. b. Depreciação tributária.
d. manter os registros de controle de prejuízos c. Depreciação fiscal.
fiscais a compensar em períodos-base d. Depreciação linear.
subsequentes, do lucro inflacionário a realizar. 3- Caracteriza-se pelo esgotamento progressivo de
7- São títulos de créditos emitidos por sociedades recursos naturais (jazidas, florestas, etc.) devido à
anônimas, conversíveis ou não em ações: sua exploração:
a. Debêntures a. liquidez.
b. Empréstimos b. exaustão.
c. Receitas Diferidas c. amortização.
d. Despesas Antecipadas d. depreciação.
8- Quando a receita for contabilizada no período em 4- O Plano de Contas deve ser elaborado pelo
contabilista com base em um estudo prévio,
que for gerada, independentemente do seu recebi-
considerando os seguintes aspectos específicos,
mento, esse fato caracteriza o regime contábil
EXCETO
a. misto.
a. conhecimento adequado do tipo de negócio da
b. de competência.
empresa.
c. de caixa.
b. porte da empresa, volume e tipo de transações.
d. simples.
c. recursos materiais disponíveis na empresa
9- Os seguintes itens são relatórios contábeis exigidos ou da parte de quem vai processar o sistema
pela Lei das S/A, EXCETO contábil.
a. Balancete. d. necessidade de informações dos usuários
b. Balanço Patrimonial. internos ou externos, especialmente quanto ao
c. Demonstração de Resultado do Exercício. grau de detalhamento e saldos das transações
d. Demonstração de Lucro e Prejuízos menos relevantes para a gerência dos
Acumulados. negócios.

150
AULA 14 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

5- Não é uma conta do ATIVO: 10- É valor encontrado subtraindo o custo da receita
a. fornecedores. líquida:
b. caixa. a. Receita Bruta
c. banco. b. Lucro Bruto
d. valores em trânsito. c. Lucro Operacional
6- Não é uma conta do PASSIVO: d. Lucro Líquido
a. juros a pagar
Gabarito 2.1.10 Exercício: 10
b. obrigações trabalhistas
c. clientes A D B D A C A B C B
d. títulos a pagar
7- Não é uma conta de RESULTADO: 2.1.11 Exercício: 11
a. Aplicação Financeira.
1- Não é uma demonstração financeira obrigada pela
b. Descontos Obtidos. legislação tributária:
c. Descontos Concedidos. a. Demonstração do valor adicionado.
d. Despesa com Vendas. b. Demonstração do resultado do período.
8- É a diferença entre a venda de mercadorias e o c. Demonstração dos lucros e prejuízos
custo dessa mercadoria vendida, sem considerar acumulados.
despesas administrativas, de vendas e financeiras. d. Balanço patrimonial.
Após cobrir o custo da fabricação do produto (ou 2- Onde deverão ser transcritas as demonstrações
o custo da mercadoria adquirida para revenda, ou financeiras e a apuração do lucro real?
o custo do serviço prestado), o lucro bruto será a. LALUR
destinado à remuneração das despesas de vendas, b. PEPS
das administrativas e financeiras, bem como c. UEPS
remunerará o governo, por meio dos impostos, e os d. DIÁRIO
proprietários da empresa, por meio do lucro líquido. 3- Não contém na parte A do Lalur:
Marque a alternativa correta. a. Adições.
a. Lucro Líquido b. Exclusões.
b. Lucro Bruto c. Compensações.
c. Lucro Operacional d. Receita Líquida.
4- A distribuição do lucro da empresa é evidenciada
d. Lucro Não Operacional
em qual demonstração?
9- Elabore a DRE e responda qual o valor do LUCRO
a. DOAR
LÍQUIDO da CIA VÂNIA SANCHES
b. DLPA
CONTAS R$ c. DVA
Despesas com Vendas 5,00 d. DRE
5- É considerada não operacional a receita decorrente
Despesas com Lanches 15,00
a. do recebimento de dividendos.
Receitas Financeiras 60,00 b. de aluguel de imóvel.
Devolução de Vendas 20,00 c. da venda de bem do ativo imobilizado.
ICMS 10,00 d. de aplicação financeira.
6- Qual a receita líquida da Cia. Daniel e Samuel
Receita de Vendas 100,00
Sanches, considerando os seguintes dados?
Custo das Mercadorias Vendidas 30,00
Receita Bruta de Vendas 300,00
a. 70,00 Despesas com Vendas 2,00
b. 90,0
Despesas Comerciais 8,00
c. 80,00
Receita Financeira 7,00
d. 100,00

151
Contabilidade Geral

CMV 40,00 Despesas Comerciais 80,00


Devolução de Vendas 10,00 Receita Financeira 70,00
Abatimentos sobre Vendas 17,00
CSP 400,00
Despesas com Depreciação 18,00
Devolução de Vendas 10,00
Descontos Incondicionais 42,00
Abatimentos sobre Vendas 60,00
ICMS 13,00
Despesas com Depreciação 90,00
PIS 14,00
COFINS 31,00 a. 100,00
b. 400,00
a. 146,00
c. 200,00
b. 173,00
d. 300,00
c. 183,00
9- Qual a receita bruta da Cia. Danielle Cristina San-
d. 159,00
ches, considerando os seguintes dados?
7- Qual o lucro bruto da Cia. Cristina Mel Sanches,
considerando os seguintes dados? Lucro Líquido 200,00
Despesas com Vendas 30,00
Receita Bruta de Vendas 2.200,00
Despesas Administrativas 40,00
Descontos Incondicionais ou Comerciais 230,00
Receita Financeira 10,00
Despesas Tributárias 80,00
CMV 120,00
Receita com Juros 70,00
Devolução de Vendas 80,00
CPV 600,00 Descontos Incondicionais 50,00
Devolução de Vendas 190,00 Despesas com Lanches 20,00
Abatimentos sobre Vendas 80,00 a. 480,00
Despesas com Combustíveis 10,00 b. 530,00
c. 400,00
Despesas com Manutenção 120,00
d. 390,00
a. 1.180,00 10- Não é uma contas do Passivo Circulante:
b. 1.100,00 a. Empréstimo a pagar.
c. 1.410,00 b. Impostos a pagar.
d. 1.600,00 c. Salários a pagar.
8- Qual o lucro líquido da Cia. Claudiomir Antunes d. Capital Social.
Sanches, considerando os seguintes dados?
Receita Bruta de Vendas 800,00
Gabarito 2.1.11 Exercício: 11

Despesas com Vendas 130,00 A A D B C B B A B D

2.1.12 Exercício: 12
1- A Cia Verônica Dorotea Sanches Lopes apresentou alguns saldos de suas contas em 31/12/2012. Apure os
Balanços Patrimoniais de 2010 e 2011 e marque a alternativa correta.
CONTAS 2010 2011 CONTAS 2010 2011
Imobilizado 47.100 63.300 Fornecedores 3.100 4.000
Disponível 3.100 2.200 Empréstimos 23.700 29.800
Aplicação Financeira 600 500 Outras Exigibilidades 6.000 6.600
Investimento 6.500 8.800 Capital Social 35.200 36.200
Clientes 20.100 19.100 Financiamento Longo Prazo 28.100 34.200
Estoques 18.700 16.900

152
AULA 14 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

a. O total do passivo circulante em 2011 foi de 6- É um fato permutativo


32.800. a. pagamento de promissórias com juros.
b. O total do ativo circulante em 2010 foi de b. recebimento de duplicatas com juros.
38.700.
c. pagamento de fornecedores.
c. O total do ativo apurado em 2011 foi de 110.800.
d. receita financeira.
d. O total do passivo apurado em 2010 foi de
23.700. 7- É um fato misto diminutivo:
2- A Cia. Davi Sacer Sanches adquiriu uma máquina a. A empresa pagou seus fornecedores em dia.
em 01/01/2011 por 12.000,00. No mesmo dia a b. A empresa pagou fornecedores atrasados
colocou em uso. No final do ano, depois de 12 gerando juros passivos.
meses de uso, o valor da conta de depreciação c. A empresa recebeu de seus clientes em dia.
acumulada apontará no livro razão o valor de
d. A empresa recebeu de seus clientes atrasados
a. 1.000,00.
gerando juros ativos.
b. 2.400,00.
c. 1.200,00. 8- As contas seguintes são do Ativo, EXCETO
d. 1.100,00. a. Despesas antecipadas.
3- A Cia. Davi Sacer Sanches resolveu também ven- b. ICMS a recuperar.
der a máquina no dia 31/12/2011 para levantar ca- c. Adiantamento a fornecedores.
pital de giro para pagar os empregados. A máquina d. Capital social.
foi vendida por 8.000,00. Sendo assim, a empresa
9- Elabore a DRE conforme os dados seguintes e res-
teve qual resultado não operacional?
ponda qual o valor do Lucro Líquido da Cia. Carla
a. Prejuízo de 3.800,00
b. Lucro de 3.800,00 Schmidel Sanches
c. Prejuízo de 2.800,00 CONTAS R$
d. Lucro de 2.800,00
Despesas com Combustível 50,00
4- As contas listadas a seguir representam obrigação,
EXCETO Despesas com Manutenção 60,00

a. estoque. Receitas Financeiras 160,00


b. impostos a pagar. Devolução de Vendas 120,00
c. dividendos a pagar.
ICMS 90,00
d. fornecedores.
5- Elabore a DRE conforme os dados seguintes e res- Receita de Vendas 2.900,00
ponda qual o valor do Lucro Bruto da Cia. Dany Custo das Mercadorias Vendidas 1.430,00
Grace?
a. 1.310,00
CONTAS R$
b. 1.210,00
Despesas com Vendas 15,00
Despesas com Lanches 35,00 c. 1.220,00
Receitas Financeiras 670,00 d. 1.170,00
Devolução de Vendas 24,00 10- Não é uma contas de resultado:
ICMS 52,00
a. Descontos financeiros.
Receita de Vendas 3.330,00
b. Abatimentos sobre vendas.
Custo das Mercadorias Vendidas 1.291,00
Despesas de Taxi 800,00 c. Despesas antecipadas.
Despesa com Salários 400,00 d. Descontos incondicionais.
a. 713,00
Gabarito 2.1.12 Exercício: 12
b. 1.963,00
c. 1.948,00
C C A A B C B D A C
d. 1.913,00

153
Contabilidade Geral

2.1.13 Exercício: 13 Duplicatas a Receber R$22.300,00


1- A empresa Mylla Karvalho Sanches, prestadora de Estoques R$6.550,00
serviços de consultoria, apresentava, em 31.12. Financiamento em Bancos R$12.000,00
2011, os seguintes saldos em suas contas de re- Fornecedores R$9.400,00
sultado: Impostos a Pagar R$850,00
Custos dos Serviços Prestados R$70.000,00 Salários a Pagar R$3.600,00
Despesas Administrativas R$95.000,00 Saldo Conta Corrente
R$1.920,00
Despesas Gerais R$15.000,00 Bancária

Impostos Incidentes sobre Vendas de R$20.000,00 Títulos a Pagar R$2.370,00


Serviços
Veículo para Uso da
Receitas com Vendas de Serviços R$200.000,00 R$15.500,00
Empresa
Receitas Financeiras R$10.000,00 O valor do Patrimônio Líquido, considerando os saldos
O Lucro Bruto apurado a partir dos dados apresentados acima, é de
apresentados é igual a a) R$13.840,00.
a) R$110.000,00. b) R$22.420,00.
b) R$130.000,00. c) R$20.320,00.
c) R$120.000,00. d) R$17.680,00
d) R$180.000,00. 4- Não é uma conta Patrimonial:
2- Relacione a Legenda sobre a Participação no Lu- a. CSLL a pagar.
cro com as afirmativas que vêm em seguida e mar- b. IRPJ.
que a resposta correta. c. ICMS a pagar.
1- Debenturistas d. Capital a integraliza.
2- Empregados e Administradores 5- Não é uma conta de saldo devedor:
3- Partes Beneficiárias a. Prejuízo Acumulado
4- Contribuições e Doações b. ICMS a Recuperar
( ) Essas participações representam uma c. Fornecedor
complementação à remuneração dos d. Veículo
empregados e dos administradores. 6- Qual a receita líquida da Cia. Débora e Léia
( ) São títulos de longo prazo, os quais são Sanches, considerando os dados seguintes?
negociados no mercado de capitais, referentes Receita Bruta de Vendas 10.000,00
a empréstimos obtidos pela empresa.
Despesas com Vendas 700,00
( ) São transferências às fundações com a
Despesas Comerciais 300,00
finalidade de assistir seu quadro de funcionários
e as previdências privadas. Receita Financeira 4.000,00
( ) São títulos concedidos às pessoas que tiveram CMV 6.000,00
atuação relevante nos destinos da sociedade. Devolução de Vendas 400,00
A relação correta entre as duas colunas é Abatimentos sobre Vendas 500,00
a. 2, 3, 4, 1. Despesas com Depreciação 1.200,00
b. 1, 2, 4, 3.
Descontos Incondicionais 800,00
c. 2, 4, 1, 3.
ICMS 100,00
d. 2, 1, 4, 3.
3- A empresa Shirley Carvalhaes Sanches apre- PIS 200,00

sentou os seguintes saldos de suas contas em COFINS 300,00


31/12/2011. a. 1.900,00
Depreciação Acumulada R$1.320,00 b. 500,00
c. 1.700,00
Caixa R$950,00
d. 4.500,00

154
AULA 14 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

7- Qual o lucro bruto da Cia Michelle Nascimento 10- Não é uma conta do Ativo Circulante:
Sanches, tendo em vista os seguintes dados? a. Terreno.
Receita Bruta de Vendas 455,00 b. Despesas Antecipadas.
c. Aplicação Financeira.
Descontos Incondicionais ou Comerciais 55,00
d. Caixa.
Despesas Tributárias 10,00
Receita com Juros 25,00 Gabarito 2.1.13 Exercício: 13
CPV 120,00
A D D B C C A B D A
Devolução de Vendas 15,00
Abatimentos sobre Vendas 14,00 3 RESUMO
Despesas com Combustíveis 45,00
Na aula de hoje foram apresentados vários
Despesas com Manutenção 11,00
exercícios práticos sobre os assuntos discutidos durante
a. 251,00 as primeiras aulas do livro. É importante deixar claro
b. 261,00 que é de grande importância para você fazer todos os
c. 187,00 exercícios. Alguns trazem as respostas no final, outros
d. 190,00 não. Você deve tentar resolvê-los todos e solicitar
8- Qual o lucro líquido da Cia Ozéias Reis Sanches, ajuda, caso necessite, ao seu tutor ou monitor. Esses
tendo em vista os seguintes dados? exercícios ajudam-no a entender a vida prática de um
Receita Bruta de Vendas 1.022,00 contabilista. Nesse primeiro momento, você deve ficar
Despesas com Vendas 122,00 atento a tudo que será ensinado para que, nas outras
matérias posteriores, venha a entender tudo com
Despesas Comerciais 55,00
facilidade e de uma forma prazerosa. Continuaremos
Receita Financeira 189,00
na próxima aula com outra bateria de exercícios. Além
CSP 287,00 de debitar e creditar, iremos levantar o balancete de
Devolução de Vendas 137,00 verificação, a DRE e o Balanço Patrimonial. Ao final,
Abatimentos sobre Vendas 110,00 você já será um profissional competente. Bastará
Despesas com Depreciação 150,00 continuar estudando sempre e praticando muito.

a. 375,00
4 REFERÊNCIAS
b. 350,00
c. 460,00 ANDRADE, Eurídice Mamede. Contabilidade
d. 295,00 Comercial: teoria e prática. São Paulo: Campus,
9- Qual a receita bruta da Cia Aretha Moraes Sanches, 2004.
considerando os dados seguintes?
FIPECAFI. Manual de Contabilidade das
Lucro Líquido 19,00 sociedades por ações: aplicável às demais
Despesas com Vendas 12,00 sociedades. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
Despesas Administrativas 13,00
FRANCO, Hilário. Contabilidade Comercial. 13.
Receita Financeira 40,00
ed. São Paulo: Atlas, 1990.
CMV 55,00
FRANCO, Hilário. Contabilidade Geral. 23. ed. São
Devolução de Vendas 14,00
Paulo: Atlas, 1997.
Descontos Incondicionais 25,00
Despesas com Lanches 2,00 IUDÍCIBUS, Sérgio; MARION, José Carlos.
Contabilidade Comercial. 8. ed. São Paulo: Atlas,
a. 59,00
2009.
b. 84,00
c. 98,00 RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade Comercial
d. 100,00 fácil. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

155
Unidade 04

Contabilidade Geral
EXERCÍCIOS DE REVISÃO

AULA 15

EXERCÍCIOS DE REVISÃO

Objetivo
• Desenvolver competências e habilidades
de contabilista resolvendo exercícios
práticos para fixação dos conteúdos
teóricos estudados nas aulas anteriores.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO 1% Contas Redutoras

Olá, caro aluno! Como vai? Gostou dos exercícios Grupo de Contas Natureza Débito Crédito
práticos na Aula 14? Espero que sim, pois teremos
Ativo Credora Diminui Aumenta
vários outros nesta aula. Como já foi dito, os exercícios
são uma forma de trazer a prática para você. Alguns Passivo e PL Devedora Aumenta Diminui
exercícios demoram 02 minutos para serem resolvidos;
Caro aluno, preste bastante atenção! Despesa,
outros, 30 minutos; e outros ainda podem demorar
Custo e Receita não apresentam naturezas diferentes.
horas. Nesta aula iniciarei com um exemplo que vai
Toda receita é de natureza credora e todo custo e
além de debitar e creditar. Vou elaborar o Balancete de
despesa são de natureza devedora.
Verificação, a Demonstração de Resultado do Exercício
Se mesmo assim ficar em dúvida, entre em contato
e o Balanço Patrimonial. Tudo isso feito passo a passo.
com seu tutor ou monitor. Eles são os responsáveis por
Em seguida vou passar uma bateria de exercícios para
lhe fornecer o suporte necessário.
você. Para saber se você acertou, serão postadas as
resoluções na plataforma. Antes que sejam postadas Vamos começar? Começou...
as resoluções, você pode pedir ajuda ao seu tutor ou
seu monitor. Muitos exercícios são inspirados em casos
2 EXERCÍCIOS PRÁTICOS
práticos das empresas, provas de concursos, questões 2.1 Faça os lançamentos
no ENADE e questões do Exame de Suficiência do Debito e Crédito no Livro
CFC. Eu acredito que o aluno tem que sair da faculdade Diário, em seguida abra o Livro
com base para enfrentar todos os obstáculos do
Razão e faça o Balancete de
mercado de trabalho. Antes de iniciar os exercícios, é
Verificação. Depois faça a DRE
preciso ter estudado as aulas teóricas, principalmente
e em seguida faça o Balanço
o funcionamento das contas, a natureza, o Balancete
de Verificação, a DRE e o Balanço Patrimonial.
Patrimonial
Para saber se está preparado, faça-se a seguinte 2.1.1 Exercício Resolvido Passo a
pergunta e a responda: Para que serve o Balancete de Passo: 01
Verificação? Para que serve a DRE? Para que serve o
Caro aluno, observe que a empresa Silas Sanches
Balanço Patrimonial? Para que serve o Livro Diário?
Para que serve o Livro Razão? Se conseguir acertar já está constituída, portanto apresenta Caixa e Capital
todas as respostas, posso afirmar que conseguirá Social. A conta Caixa foi Debitada e a conta Capital
fechar todos os exercícios. Se ainda tiver dúvida, Social foi Creditada.
volte às aulas teóricas. Para facilitar um pouco, veja o Balanço Patrimonial da Cia. Silas Sanches em
quadro para lembrar o método das partidas dobradas 31/12/2009
do Frei Luca Paccioli. Esse quadro é claro e retrata
99% das contas, pois você já sabe que 1% é composto ATIVO R$ PASSIVO R$
por contas redutoras de natureza contrária.
CIRCULANTE CIRCULANTE -
99% Contas Normais
Caixa 100,00
Grupo de Contas Natureza Débito Crédito NÃO NÃO
CIRCULANTE - CIRCULANTE
Ativo Devedora Aumenta Diminui
PATRIMÔNIO
Passivo e PL Credora Diminui Aumenta LÍQUIDO

Despesa e Custo Devedora Aumenta Diminui Capital Social 100,00

Receita Credora Diminui Aumenta Total 100,00 Total 100,00

158
AULA 15 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

Durante o ano 2010 ocorreram as seguintes 6- Empréstimos ao Acionista no valor de R$


transações: 5,00.
1- Empréstimos de longo prazo no valor de R$ 80,00. D- Empréstimos a Acionistas............................5,00
C- Caixa............................................................5,00
D- Caixa...........................................................80,00
C- Empréstimo de longo prazo........................80,00
Lógica: Toda vez que aumentam os bens e direitos
devemos debitar; toda vez que se reduzem os
Lógica: Toda vez que aumentam os bens e
bens e direitos devemos creditar.
direitos devemos debitar; toda vez que aumentam
as obrigações devemos creditar.
7- Gastos no valor de R$ 15,00 com uma pa-
tente.
2- Aquisição de Veículo à vista por R$ 15,00.
D- Patente..................................15,00
D- Veículo........................................................15,00
C- Caixa.....................................15,00
C- Caixa...........................................................15,00

Lógica: Toda vez que aumentam os bens e direitos


Lógica: Toda vez que aumentam os bens e direitos
devemos debitar; toda vez que os bens ou diretos
devemos debitar; toda vez que se reduzem os
se reduzem devemos creditar.
bens e direitos devemos creditar.

8- Venda a prazo de todo estoque por R$


3- Aumento de Capital Social em dinheiro no
80,00.
valor de R$ 40,00.
D- Caixa..........................................................40,00 8.1- Venda
C- Capital Social..............................................40,00
D- Cliente........................................................80,00
C- Receita de Vendas......................................80,00
Lógica: Toda vez que aumentam os bens e
direitos devemos debitar; toda vez que aumenta
Lógica: Toda vez que aumentam os bens e direitos
o Patrimônio Líquido devemos creditar.
devemos creditar toda receita devemos creditar.

4- Compra a prazo de mercadoria no valor de


8.2- Custo da Venda
R$ 30,00.
D- CMV...........................................................30,00
D- Estoque......................................................30,00
C- Estoque......................................................30,00
C- Fornecedor.................................................30,00
Lógica: Devemos debitar todo custo; e toda vez
Lógica: Toda vez que aumentam os bens e
que se reduzem os bens e direitos, devemos
direitos devemos debitar; toda vez que aumentam
creditar.
as obrigações devemos creditar.

9- Depreciação do Veículo no valor de R$ 4,00.


5- Aquisição de ações de uma controlada por
R$ 50,00. D- Despesa com Depreciação..........................4,00
C- Depreciação Acumulada...............................4,00
D- Participação em Coligadas e Controladas.....50,00
C- Caixa...........................................................50,00 Lógica: Toda despesa deve ser debitada e toda
conta redutora de ativo deve ser creditada.
Lógica: Toda vez que aumentam os bens e direitos
devemos debitar; toda vez que os bens ou diretos
10- Amortização da Patente em 2,00.
se reduzem devemos creditar.
D- Despesas com Amortização..........................2,00

159
Contabilidade Geral

C- Amortização Acumulada..............................2,00 Empréstimo Longo Prazo


80,00 (1)
Lógica: Toda despesa deve ser debitada e toda
conta redutora de ativo deve ser creditada. 80,00

Veículo
11- Resultado de Equivalência Patrimonial no
(2) 15,00
valor de R$ 16,00.
15,00
D- Participações em Coligadas e Controladas.....16,00
C- Resultado Credor de Equivalência Patrimonial.....16,00 Estoque
(4) 30,00 (8.2) 30,00
Lógica: Toda vez que aumentam os bens e 0,00
direitos devemos debitar, e toda receita deve ser
Fornecedor
creditada.
30,00 (4)
Caro aluno, terminamos de realizar todos os 30,00
lançamentos no Livro Diário, ou seja, nossa primeira
Controladas
etapa foi concluída com sucesso. Nossa segunda etapa
é abrir um razonete para cada conta, para apurarmos (5) 50,00
(11) 16,00
o saldo de cada uma delas, pois, para elaborarmos
o Balancete de Verificação, a DRE e o Balanço 66,00
Patrimonial, temos que encontrar o saldo de cada conta. Empréstimo Acionista
Começamos a abrir os razonetes por ordem: primeiro (6) 5,00
abrimos um razonete para cada conta que tenha 5,00
saldo do ano anterior. No nosso caso, que se refere
Patente
ao ano de 2009, temos duas contas - Caixa e Capital
(7) 15,00
Social. Em seguida abriremos quantos rasonetes forem
15,00
necessárias de acordo com os lançamentos dos fatos
de 2010. Cliente
(8.1) 80,00
Livro Razão
80,00
Receita com Vendas
(E) 80,00 (8.1) 80,00
0,00
CMV
Caixa
(8.2) 30,00 30,00 (E)
(SI) 100,00 15,00 (2) 0,00
(1) 80,00 50,00 (5)
(3) 40,00 5,00 (6) Depreciação Acumulada
15,00 (7) 4,00 (9)

220,00 85,00 4,00

135,00 Despesa com Depreciação


(9) 4,00 4,00 (E)
Capital Social
0,00
100,00 (SI)
Despesa com Amortização
40,00 (3)
(10) 2,00 2,00 (E)
  140,00 0,00

160
AULA 15 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

Amortização Acumulada Quanto às contas de resultado, essas devem ser


2,00 (10) encerradas, ou seja, o seu saldo deve ser zerado
2,00 toda vez que você realizar uma Demonstração de
Resultado do Exercício. Para encerrar o saldo de
R. C. Equiva. Patrimonial
cada conta, temos que abrir um razão com o nome de
(E) 16,0,0 16,00 (11)
ARE – Apuração do Resultado do Exercício. O valor
0,00
encontrado no ARE será exatamente o valor da DRE.
ARE Para facilitar os lançamentos, temos que usar
30,00 80,00 o número de cada operação. Exemplo: Veja que no
4,00 16,00 razonete da conta Amortização Acumulada temos o
2,00
número 10, que é a contrapartida do lançamento com a
36,00 96,00 conta Despesa com Amortização, uma de saldo credor,
(12) 60,00 60,00 (12) outra de saldo devedor. A letra E significa Encerramento
Caro aluno, todas as contas patrimoniais irão para das Contas e o SI são os saldos iniciais que vêm do ano
o Balanço Patrimonial. Para isso foi aberto um razonete anterior. No nosso caso, os dois valores constantes no
para cada conta e em seguida foi apurado o saldo de Balanço Patrimonial de 2009. Agora temos que apurar
cada uma. Veja que cada conta apresenta um saldo, o Balancete de Verificação para verificar se o saldo das
algumas apresentam saldo devedor; outras saldo contas devedoras é igual ao total do saldo das contas
credor. credoras.

Balancete de Verificação da Cia. Silas Sanches


Contas Devedoras R$ Contas Credoras R$
Caixa 135,00 Depreciação Acumulada 4,00
Estoque 0,00 Exaustão Acumulada 2,00
Cliente 80,00 Fornecedor 30,00
Empréstimos a Acionistas 5,00 Empréstimo Longo Prazo 80,00
Coligadas e Controladas 66,00 Capital Social 140,00
Veículos 15,00 Receitas com Vendas 80,00
Patentes 15,00 Resultado Credor de Eq. Patr. 16,00
CMV 30,00
Despesa com Depreciação 4,00
Despesa com Amortização 2,00
Total das Contas Devedoras 352,00 Total das Contas Credoras 352,00

Caro aluno, já podemos fazer a DRE, pois nosso balancete está correto, o saldo das contas devedoras é igual
ao saldo das contas credoras.
DRE da Cia. Silas Sanches
31/12/2010
Receitas 80,00
- CMV (30,00)
= Lucro Bruto 50,00
- despesas com depreciação (4,00)
- despesas com amortização (2,00)
+ Resultado Credor de Equivalência Patrimonial 16,00
= Lucro Líquido 60,00

Caro aluno, tivemos lucro. O Lucro é de natureza credora e será encerrado no ARE. Veja: para encerrar, basta
debitar no ARE e creditar na Conta Lucro Líquido Acumulado que é uma conta patrimonial.

161
Contabilidade Geral

D- ARE...........................................................60,00 Caro aluno, para elaborar o Balanço Patrimonial de


C- Lucro Líquido Acumulado.........................60,00 2010, faz-se necessário antes transferir o valor do lucro
Apuração do Resultado do Exercício (ARE) da DRE para o Balanço Patrimonial. Vamos abrir então
30,00 80,00 o último razão com o nome de Lucros Acumulados.
4,00 16,00 Lucros Acumulados
2,00
60,00 (12)
36,00 96,00
(12) 60,00 60,00 60,00

Balanço Patrimonial da Cia. Silas Sanches em 31/12/2010

ATIVO 31/12/2010 31/12/2009 PASSIVO 31/12/2010 31/12/2009

CIRCULANTE 215,00 100,00 CIRCULANTE 30,00


Caixa 135,00 100,00 Fornecedor 30,00
Cliente 80,00
NÃO CIRCULANTE 80,00
NÃO CIRCULANTE 95,00
Exigível a Longo Prazo 80,00
• Realizável a Longo Prazo 5,00 Empréstimos a Longo 80,00
Empréstimos a acionistas 5,00 Prazo

• Investimento 66,00 PL – PATRIMÔNIO 200,00 100,00


Coligadas e Controladas 66,00 LÍQUIDO

• Imobilizado 11,00 Capital Social 140,00 100,00


Veículo 15,00 Lucro Líquido Acumulado 60,00
(Depreciação Acumulada) (4,00)

• Intangível 13,00
Patentes 15,00
(Amortização Acumulada) (2,00)

TOTAL DO ATIVO 310,00 100,00 TOTAL DO PASSIVO 310,00 100,00

2.2 Exercício 02
2.2.1 Faça os lançamentos Debito e Crédito no Livro Diário; em seguida
abra o Livro Razão e elabore o Balancete de Verificação, a DRE e o
Balanço Patrimonial.
1- Constituição da empresa Elaine de Jesus Sanches com capital social no valor de R$ 100.000,00.
2- Compra à vista de móveis e utensílios no valor de R$ 12.000,00.
3- Compra de mercadorias no valor de R$ 15.000,00, sendo R$ 5.000,00 à vista e o restante a prazo,
4- Compra de um veículo financiado por R$ 6.000,00.
5- Pagamento de R$ 10.000,00 referentes à compra de mercadorias.
6- Obtenção de um empréstimo bancário no valor de R$ 50.000,00.
7- Aumento de capital social no valor de R$ 50.000,00, sendo 50% em dinheiro e 50% em máquinas.
8- Aquisição de um imóvel financiado no valor de R$ 3.000,00.
9- Venda a prazo de 1/6 do estoque por R$ 20.000,00

162
AULA 15 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

2.3 Exercício 03
A Cia. Noemi Nonato Sanches foi organizada em 01/11/2010. O Balanço a seguir foi preparado depois de
realizadas quatro transações. Analise e prepare a lista das quatro transações que você julga terem ocorrido e a
situação patrimonial após cada transação.
Balanço Patrimonial da Cia. Noemi Nonato Sanches em 01/11/2010

ATIVO R$ PASSIVO R$

CIRCULANTE 70.000,00 CIRCULANTE 30.000,00


Caixa 40.000,00 Fornecedor 20.000,00
Estoque 30.000,00 Financiamento 10.000,00

NÃO CIRCULANTE 20.000,00 NÃO CIRCULANTE


Veículo 20.000,00
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 60.000,00
Capital Social 60.000,00

Total 90.000,00 Total 90.000,00


Citar as alterações nos grupos de contas em cada um dos eventos, dizendo se aumentou (A), se diminuiu (D)
ou se não se alterou (NA).
Eventos Ativo Passivo Patrimônio Líquido
Aumento de capital em dinheiro (exemplo) A NA A
Compra a prazo de estoque
Compra de um veículo à vista
Compra de uma máquina financiada
Custo da mercadoria vendida
Despesas pagas à vista
Despesas que serão pagas no mês seguinte
Despesas sendo ½ paga a vista e ½ a prazo
Dividendos provisionados
Empréstimo efetuado a um sócio
Empréstimo recebido de um banco
Recebimento de clientes
Receita de Venda a prazo

2.4 Exercício 04
A Cia. Nívea Soares Sanches apresentou alguns fatos contábeis no mês de setembro de 2012 e precisa de
sua ajuda para registrar tais fatos no Livro Diário e no Livro Razão e levantar o Balancete de Verificação, a DRE e
o Balanço Patrimonial.
1- Integralização do capital social em dinheiro no valor de R$ 50.000,00.
2- Obtenção de um empréstimo sem juros no montante de R$ 10.000,00. O dinheiro entrou no caixa da empresa.
3- Compra a prazo de mercadorias no valor de R$ 20.000,00.
4- Abertura de uma conta bancária, efetuando um depósito de 50% do saldo de caixa.
5- Compra a prazo de um veículo no valor de R$ 15.000,00, financiados.
6- Aumento de capital mediante compra de um imóvel avaliado em R$ 20.000,00.
7- Compra à vista, em dinheiro, de um estoque de material de escritório no valor de R$ 5.000,00.
8- Pagamento, em cheque, de 15% da dívida para com os fornecedores.
9- Empréstimo efetuado ao sócio da empresa, no valor de R$ 2.000,00, em dinheiro.
10- Venda de 30% do seu estoque de mercadorias por R$ 14.000,00, sendo R$ 4.000,00 à vista e o restante a
prazo.

163
Contabilidade Geral

2.5 Exercício 05
A Cia. Elias Sanches apresentou seu Balanço Patrimonial de 2010 e alguns fatos contábeis ocorridos durante
o ano de 2011. Agora precisa de sua ajuda para registrar os fatos no Livro Diário e no Livro Razão e levantar o
Balancete de Verificação, a DRE e o Balanço Patrimonial de 2011.
Balanço Patrimonial da Cia. Elias Sanches em 31/12/2010

ATIVO R$ PASSIVO R$

CIRCULANTE CIRCULANTE -

Caixa 760.000,00 NÃO CIRCULANTE


Estoque 40.000,00
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
NÃO CIRCULANTE - Capital Social 800.000,00

Total 800.000,00 Total 800.000,00


Durante o ano 2011 ocorreram as seguintes transações:
1- Empréstimos de longo prazo no valor de R$ 400.000,00.
2- Empréstimo curto prazo no valor de R$ 50.000,00.
3- Aquisição de Veículo à vista por R$ 60.000,00.
4- Aumento de Capital Social em dinheiro no valor de R$ 200.000.
5- Venda a prazo de todo estoque por R$ 170.000,00.
6- Depreciação do Veículo no valor de R$ 20.000,00.

2.6 Exercício 06
A Cia. Niquésia Sanches apresentou seu Balanço Patrimonial de 2011 e alguns fatos contábeis ocorridos
durante o ano de 2012. Ela precisa de sua ajuda para registrar os fatos no Livro Diário e no Livro Razão e levantar
o Balancete de Verificação, a DRE e o Balanço Patrimonial de 2012.
Balanço Patrimonial da Cia. Niquésia Sanches em 31/12/2011
ATIVO R$ PASSIVO R$

CIRCULANTE CIRCULANTE
Fornecedor 100,00

Caixa 300,00 NÃO CIRCULANTE


Estoque 100,00
PATRIMÔNIO LÍQUIDO
NÃO CIRCULANTE - Capital Social 300,00

Total 400,00 Total 400,00


Durante o ano 2012 ocorreram as seguintes transações:
1- Empréstimos de longo prazo no valor de R$ 400,00.
2- Aquisição de Veículo à vista por R$ 80,00.
3- Aumento de Capital Social em dinheiro no valor de R$ 300,00.
4- Compra a prazo de mercadoria no valor de R$ 500,00.
5- Aquisição de ações de uma controlada por R$ 350,00.
6- Empréstimos ao Acionista no valor de R$ 30,00.
7- Venda a prazo de todo estoque por R$ 1.200,00.
8- Depreciação do Veículo no valor de R$ 40,00.
9- Amortização do Gasto Pré-Operacional em 20,00.
10- Resultado Credor de Equivalência Patrimonial no valor de R$ 90,00.

164
AULA 15 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

2.7 Exercício 07
A Cia. Ninfa e Cálita Sanches apresentou seu Balanço Patrimonial de 2010 e alguns fatos contábeis ocorridos
durante o ano de 2011. Assim, ela precisa de sua ajuda para registrar os fatos no Livro Diário e no Livro Razão e
levantar o Balancete de Verificação, a DRE e o Balanço Patrimonial de 2011.
Balanço Patrimonial da Cia. Ninfa e Cálita Sanches em 31/12/2010
ATIVO R$ PASSIVO R$
CIRCULANTE CIRCULANTE -
Caixa 1.300,00 Salários a Pagar 600,00

NÃO CIRCULANTE - NÃO CIRCULANTE

PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Capital Social 700,00
Total 1.300,00 Total 1.300,00

Durante o ano 2011 ocorreram as seguintes Estoques de Produtos Acabados 90.000


transações:
Receita com Vendas 33.000
1- Empréstimos de longo prazo no valor de R$ 260,00.
2- Aquisição de Veículo à vista por R$ 85,00. Financiamentos 180.000
3- Aumento de Capital Social em dinheiro no valor de Despesas com Salários 20.000
R$ 340,00. Estoque Produtos em Elaboração 110.000
4- Compra a prazo de mercadoria no valor de R$ Receitas Financeiras 1.000
600,00. Despesas Gerais 11.000
5- Aquisição de ações de uma controlada por R$
150,00. 2.9 Exercício 09
6- Empréstimos ao Acionista no valor de R$ 95,00. A Cia. Neya Fernandes Sanches apresentou o
7- Gastos no valor de R$ 105,00 com um produto que saldo de suas contas contábeis de 2009 e precisa de
ainda será lançado. sua ajuda para montar o Balancete de Verificação, a
8- Venda a prazo de todo estoque por R$ 4.000,00. DRE e o Balanço Patrimonial de 2009.
9- Depreciação do Veículo no valor de R$ 334,00. Caixa 39.500
10- Amortização do Gasto Pré-Operacional em 12,00.
Empréstimos Bancários 34.000
11- Resultado Credor de Equivalência Patrimonial no
valor de R$ 36,00. Dívidas de Longo Prazo 28.000
Despesas c/ Publicidade 7.000
2.8 Exercício 08 Fornecedores 7.000
A Cia. Nicoli Francini Sanches apresentou o saldo Duplicatas a Receber 46.000
de suas contas contábeis de 2008 e precisa de sua Estoque 12.000
ajuda para montar o Balancete de Verificação, a DRE e Adiantamento a Fornecedores 7.000
o Balanço Patrimonial de 2008. Receita de Vendas 80.000
Caixa 10.000 Despesas Administrativas 11.000
Capital Social 80.000 Capital Social 90.000
Fornecedores 100.000 Despesas Antecipadas 2.000
Investimentos 240.000 Impostos sobre Venda 8.000
Despesas Antecipadas 50.000 Aplicações Financeiras Longo Prazo 10.000
Imobilizado 70.000 Depreciação Acumulada 10.000
Empréstimos a Pagar 200.000 Imobilizado 70.000
Depreciação Acumulada 18.000 CMV 50.000
Duplicatas a Receber 30.000 Lucro/Prejuízos Acumulados 15.000
Lucros Acumulados 19.000 Despesa financeira 1.500

165
Contabilidade Geral

2.10 Exercício 10 Duplicatas a Pagar 3.500,00


A Cia. Nice Garcia Sanches apresentou o saldo de Equipamentos 4.000,00
suas contas contábeis de 2010 e precisa de sua ajuda Estoques de Peças de Reparos 5.000,00
para montar o Balancete de Verificação, a DRE e o Imóveis 12.000,00
Balanço Patrimonial de 2010. Lucros Acumulados 2.200,00
Receita com Venda de Serviços 28.000,00
Veículo 20.000
Seguros a Vencer 3.300,00
Empréstimos Bancários 3.000
Caixa 1.000
Após o encerramento das contas de resultado,
o Balanço Patrimonial apresentou o Ativo Total e o
Depreciação Acumulada 6.000
Patrimônio Líquido, respectivamente, de
Fornecedores 4.000
a) R$26.600,00 e R$21.400,00.
Duplicatas a Receber 8.000
b) R$29.900,00 e R$21.400,00.
Bancos 2.000
c) R$31.600,00 e R$29.400,00.
Capital Social 20.000
d) R$34.900,00 e R$29.400,00.
Lucro/Prejuízos Acumulados 2.000
Receita de Venda 10.000 3 RESUMO
Estoque 3.500
Receita Financeira 2.000 Na aula de hoje iniciamos com um exemplo
Impostos a Recolher 2.000 bem prático realizado passo a passo para que você
Despesas Administrativas 3.000 pudesse entender desde o registro dos fatos contábeis
Despesas Antecipadas 500 até a elaboração das duas principais demonstrações
Despesas de Vendas 1.000
contábeis, que são o Balanço Patrimonial e a
Demonstração do Resultado do Exercício. Foi dada a
Salários a Pagar 1.000
situação patrimonial em que a empresa se encontrava
Impostos sobre Venda 2.000
em 2009. Em 2010 foram ocorrendo vários novos fatos
Máquinas e Equipamentos 15.000
como: a empresa obteve um empréstimo bancário de
Financiamento Longo Prazo 8.000
longo prazo, comprou um veículo à vista, aumentou
CMV 2.000
o seu capital social, comprou mercadoria a prazo,
2.11 Exercício 11 realizou investimento comprando ações de uma
controlada, realizou um empréstimo ao acionista,
A Cia. Nice Cavalcante Sanches apresentou os aumentou seu ativo intangível adquirindo uma patente,
seguintes saldos em seu Balancete de Verificação em vendeu mercadorias, deu baixa no seu estoque das
2011: mercadorias vendidas, realizou a depreciação de parte
Adiantamento de Clientes 5.000,00 do seu veículo, amortizou parte de sua patente, obteve
Bancos conta Movimento 4.000,00 resultado positivo de equivalência de suas ações. Tudo
Caixa 800,00 foi contabilizado no Livro Diário e em seguida no Livro
Capital a Integralizar 8.000,00 Razão. Depois foi levantado um Balancete de Verificação
Capital Social 12.000,00 para saber se o saldo das contas devedoras era igual
Clientes 800,00 ao saldo das contas credoras. O resultado encontrado
Custo de Serviços Vendidos 3.500,00 foi igual. Isso significa que tudo foi contabilizado
Despesas com Aluguel 500,00 corretamente. Caso o saldo fosse diferente, você
deveria realizar a conciliação contábil para descobrir o
Despesas com Energia Elétrica 200,00
erro nos lançamentos. Em seguida foram encerradas
Despesas com Pró-Labore 3.200,00
todas as contas de resultado (DRE), foi elaborada a
Despesas com Propaganda 1.500,00
DRE e o Balanço Patrimonial. É necessário abrir um
Despesas com Salários 3.400,00
Razão com o nome ARE – Apuração do Resultado do
Despesas com Seguros 300,00
Exercício para encerrar as contas de resultado. Em
Despesas com Telefone 200,00
seguida foi elaborado o Balanço Patrimonial.

166
AULA 15 • EXERCÍCIOS DE REVISÃO

REFERÊNCIAS IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu e GELBCKE,


Ernesto Rubens; SANTOS, Ariovaldo dos. Manual
BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES, de Contabilidade Societária: aplicável a todas as
Eugenio Celso. Contabilidade geral. 7. ed. São sociedades de acordo com as normas internacionais
Paulo: Atlas, 2011. e do CPC. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
BRASIL Lei nº 11.638/07 de 28 de dezembro de IOB. Guia de Contabilidade on line.
2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6.404/76,
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade.
de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de
10. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2010.
7 de dezembro de 1976 e estende às sociedades
de grande porte disposições relativas à elaboração KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de;
e divulgação de demonstrações financeiras. MARTINS, Eliseu. Contabilidade introdutória –
Publicada na DOU de 28.12.2007 – Edição Extra. Livro Texto. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
BRASIL Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo.
1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Contabilidade básica. 9. ed. São Paulo: Editora
Consolidada. Publicada em 08.01.2008. Frase, 2011.
BRASIL Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009. OLIVEIRA, Justino. Introdução à Contabilidade
Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades para concursos públicos. Rio de Janeiro: Editora
por Ações. Método, 2010.
FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral fácil. 7.
Contábeis, Atuariais e Financeiras. Manual de ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
Contabilidade Societária: aplicável a todas as
sociedades. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica fácil.
GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS. São Paulo: 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
Altas, 2007. SANTOS, Roberto Fernandes. Introdução à
FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas Contabilidade: noções fundamentais. São Paulo:
Contábeis, Atuariais e Financeiras. Saraiva, 2011.

167
Unidade 05

Contabilidade Geral
TRIBUTOS SOBRE RECEITA E LUCRO

AULA 16

DUPLICATAS DESCONTADAS
E OPERAÇÕES DE FACTORING

Objetivos
• Conhecer a história da evolução da
contabilidade.
• Entender o objeto de estudo da contabili-
dade.
• Conhecer mais profundamente o campo
de aplicação da contabilidade e quem
são seus usuários.
• Analisar as técnicas, princípios e conven-
ções contábeis.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO Finalidades

A finalidade principal da empresa de Factoring é


Olá, caro aluno! Tudo bem? Espero que sim. Antes
o fomento mercantil. Fomentar, assessorar, ajudar
de iniciar os estudos da aula 16 gostaria que fizesse
o pequeno e médio empresário a solucionar seus
uma reflexão sobre o que você achou da prova A1. problemas do dia a dia são as finalidades básicas de
Sentiu dificuldades ou estava dentro do que você uma Factoring.
esperava. Muitos assuntos que serão abordados daqui
Vantagens da parceria com uma Factoring
para frente requerem que você tenha um excelente
entendimento de tudo que foi abordado nas aulas • A empresa recebe à vista suas vendas feitas
anteriores. Por isso, caso tenha ficado alguma dúvida, a prazo, melhorando o fluxo de caixa para
não deixe de esclarecê-la. Lembre-se, seu tutor e o seu movimentar os negócios.
monitor estão à disposição para ajudá-lo. • A empresa tem assessoria administrativa.
• A factoring faz a cobrança de títulos ou direitos
Na aula de hoje estudaremos dois temas muito
de créditos.
interessantes: Duplicatas Descontadas e Operações
• A empresa ganha agilidade e rapidez nas
de Factoring. Venha comigo...
decisões.
• Intermediação entre a empresa e seu
2 DUPLICATAS DESCONTADAS E
fornecedor. A empresa de Factoring possibilita
OPERAÇÕES DE FACTORING a compra de matéria-prima à vista, gerando
vantagens e competitividade.
2.1 Factoring • A Factoring faz a análise de risco e presta
assessoria na concessão de créditos a clientes.
É uma atividade comercial mista e atípica, que soma
prestação de serviços à compra de ativos financeiros. 2.3 Como funciona uma
A operação de Factoring é um mecanismo de fomento Factoring
mercantil que possibilita à empresa fomentada vender
O processo de Factoring inicia-se com a assinatura
seus créditos gerados por suas vendas a prazo a
de um Contrato de Fomento Mercantil (contrato – mãe)
uma empresa de Factoring. O resultado disso é o
entre a empresa e a Factoring em que são estabelecidos
recebimento imediato desses créditos futuros, o que
os critérios da negociação e o fator de compra.
aumenta seu poder de negociação. Por exemplo, nas
compras de matéria-prima à vista, a empresa não se São 4 as etapas básicas do processo:

descapitaliza. A Factoring também presta serviços • A empresa vende seu bem, crédito ou serviço a
à empresa-cliente em outras áreas administrativas, prazo, gerando um crédito (exemplo: Duplicata
deixando o empresário com mais tempo e recursos Mercantil), no valor correspondente.
para produzir e vender. • A empresa negocia esse crédito com a
Factoring.
2.2 Banco x Factoring • De posse desse crédito, a Factoring informa
Por definição e filosofia, a Factoring não é uma o sacado sobre o fato e a forma de cobrança
(carteira ou banco).
atividade financeira. A empresa de Factoring não
• Findo o prazo negociado inicialmente, a
pode fazer captação de recursos de terceiros, nem
empresa sacada pagará o valor desse crédito
intermediar para emprestar esses recursos, como
à Factoring, encerrando a operação.
fazem os bancos. A Factoring não desconta títulos e
não faz financiamentos. Na verdade, a Factoring é uma Modalidades
atividade comercial, pois conjuga a compra de direitos No mercado brasileiro, a Factoring é mais atuante
de créditos com a prestação de serviços. Para isso na modalidade convencional. Veja a seguir um pequeno
depende exclusivamente de recursos próprios. resumo das principais modalidades:

170
AULA 16 • DUPLICATAS DESCONTADAS E OPERAÇÕES DE FACTORING

Convencional – É a compra dos direitos de crédi- • Ausência de contrato de fomento mercantil.


tos das empresas fomentadas, através de um con- Pronto, caro aluno! Você agora sabe perfeitamente
trato de fomento mercantil. como funciona uma Factoring. É muito comum confundir
Maturity – A Factoring passa a administrar as con- duplicatas descontadas com operações de factoring.
tas a receber da empresa fomentada, eliminando Mas, para evitar essa confusão desnecessária, vou
as preocupações com cobrança. explicar a diferença entre uma e outra. Veja só:
Trustee – Além da cobrança e da compra de títu-
los, a Factoring presta assessoria administrativa e 2.4 Duplicatas descontadas
financeira às empresas fomentadas.
É uma operação na qual uma empresa, neces-
Exportação – Nessa modalidade, a exportação
sitando de capital de giro, transfere a titularidade de
é intermediada por duas empresas de Factoring
títulos a receber que tenha em carteira para instituições
(uma de cada país envolvido), que garantem a ope-
financeiras que lhe creditam em conta o valor nominal
racionalidade e liquidação do negócio.
do título diminuído de encargos financeiros e outras
Factoring Matéria-Prima – A Factoring, nesse
despesas bancárias.
caso, transforma-se em intermediária entre a em-
presa fomentada e seu fornecedor de matéria-pri- Nesse tipo de operação, se os títulos não forem
ma. A Factoring compra à vista o direito futuro des- quitados pelo devedor, a empresa que os descontou
se fornecedor e a empresa paga à Factoring com deverá pagá-los. Note que a empresa assume
o faturamento gerado pela transformação dessa responsabilidade subsidiária pela quitação dos títulos
matéria-prima. descontados. Contabilmente, na operação, o título não
A Factoring é destinada exclusivamente a é baixado da conta Títulos a Receber. O controle é feito
pessoas jurídicas, principalmente às pequenas e mediante a conta Duplicatas (ou títulos) Descontados,
médias empresas. As operações de Factoring têm que será classificada no Ativo Circulante (ou Ativo
sua origem nos séculos XIV e XV, na Europa. O factor Realizável a Longo Prazo). Essa conta é de natureza
era um agente mercantil que vendia mercadorias a credora, retificadora de Títulos a Receber ou Clientes.
terceiros contra o pagamento de uma comissão. Eram Operações de Factoring consiste na venda direta
representantes de exportadores que conheciam muito de títulos a receber a pessoas jurídicas de fomento
bem as novas colônias, custodiando as mercadorias comercial (empresa de factoring). Nessa operação a
e prestando contas aos seus proprietários. Com o empresa deverá baixar o Título a Receber da carteira.
tempo, esses representantes passaram a antecipar o A diferença entre a operação de factoring e
pagamento das mercadorias aos seus fornecedores, o desconto de duplicatas é que no desconto de
cobrando posteriormente dos compradores. Hoje, além
duplicatas a empresa tem responsabilidade subsidiária
dos Estados Unidos, a Factoring é muito praticada e
pela quitação do título. Já na operação de factoring
difundida na Inglaterra, Suécia, Noruega, Holanda,
isso não ocorre. Entendeu, caro aluno? Ou ficou ainda
Espanha, Itália, França e Bélgica. Entre os países da
um pouco confuso? Resumindo de uma forma bem
América Latina, fora o Brasil, a Factoring encontra
direta: Se você descontar títulos de seus clientes por
expressão no México, Colômbia, Peru e Equador.
duplicatas descontadas, e porventura esse cliente não
O que não é Factoring pagar, quem pagará ao banco será você, ao contrário
• Operações em que o contratante não seja da operação de factoring. Nesta operação, se o cliente
pessoa jurídica. não pagar, você não terá nenhuma responsabilidade
• Empréstimo com garantia de linha de telefone, para com esse título.
veículos, cheques, etc. Caro aluno, vamos fazer agora um exercício para
• Empréstimo via cartão de crédito. esse assunto ficar bem claro?
• Alienação de bens móveis e imóveis.
EXEMPLO:
• Financiamento ao consumo.
• Operações privativas das instituições É dado o Balanço Patrimonial da Cia Maria Dorotéia
financeiras. em 31/12/X0.

171
Contabilidade Geral

BALANÇO PATRIMONIAL em 31/12/X0


ATIVO PASSIVO

AC – ATIVO CIRCULANTE PC – PASSIVO CIRCULANTE


Banco.................................................2.000,00 Fornecedores...................................2.000,00
Duplicatas a Receber.......................12.000,00 Financiamento..................................8.000,00
Mercadoria........................................ 3.000,00
Aplicação Financeira..........................2.000,00 PNC - PASSIVO NÃO CIRCULANTE

ANC - ATIVO NÃO CIRCULANTE PL – PATRIMÔNIO LÍQUIDO

• Ativo Realizável a Longo Prazo • Capital Social................................15.000,00


• Investimento • Reservas de Capital
• Imobilizado •Ajustes de Avaliação Patrimonial
Máquinas..........................................10.000,00 • Reservas de Lucro..........................3.000,00
Depreciação.....................................(1.000,00) • (Prejuízos Acumulados)
• Intangível • (Ações em Tesouraria)

TOTAL 28.000,00 TOTAL 28.000,00

Durante o ano de X1, a Cia Maria Dorotéia fez as Aviso 03: Datado de 30/05/X1. Falência do
seguintes operações: Devedor. O título está sendo devolvido e
1- Descontou 4 duplicatas junto ao banco em 03/01/ o seu valor está sendo debitado na conta
X1. As duplicatas têm os seguintes valores: corrente da empresa pelo banco.
Duplicata nº 01 Valor................................. 1.000,00 Aviso 04: Datado de 30/06/X1. A empresa de-
vedora não paga. O banco informa que o
Data de Vencimento................................. 30/04/X1
título está sendo debitado na conta corren-
Taxa de Desconto............................................ 10%
te da empresa - seu valor mais juros mora-
Duplicata nº 02 Valor................................. 4.000,00 tórios de 5%.
Data de Vencimento................................. 15/05/X1 2 - Em 30/03/X1 a Cia Maria Dorotéia aliena
Taxa de Desconto............................................ 15% duplicatas a receber no valor de R$ 2.000,00
Duplicata nº 03 Valor................................. 2.000,00 à Cia Wanda Margarida, tendo recebido R$
Data de Vencimento................................. 30/05/X1 1.400 (juros de 30%).
Taxa de Desconto............................................ 20% 3 - Contabilizar a depreciação das máquinas até a
Duplicata nº 04 Valor................................. 3.000,00 data do balanço em 31/12/X1.
Data de Vencimento................................. 15/06/X1 4 - Descontar mais R$ 1.000,00 de duplicatas
Taxa de Desconto............................................ 20% junto ao banco. Taxa de desconto: 10%.
5- Contabilizar as operações acima e elaborar o
Dados complementares:
Balanço Patrimonial em 31/12/X1.
1 - A Cia Maria Dorotéia recebe os seguintes
Preste atenção, caro aluno, nesta importante
avisos bancários: observação:
Aviso 01: Datado de 30/04/X1. A duplicata nº Na resolução deste problema os valores das
01 foi liquidada no vencimento. despesas financeiras serão diretamente apropriados
Aviso 02: Datado de 20/05/X1. A duplicata nº 02 foi ao resultado do exercício e não contabilizados
liquidada com atraso. Juros moratórios: 5% proporcionalmente ao prazo do desconto (competência).

Resolução 1
Inicialmente vamos calcular o valor recebido pela empresa e o valor das despesas financeiras (ou juros
passivos) suportados pela Cia Maria Dorotéia.
Despesa Financeira Líquido creditado em conta corrente
Duplicata 1 1.000 x 10% = 100 1.000 – 100 = 900
Duplicata 2 4.000 x 15% = 600 4.000 – 600 = 3.400
Duplicata 3 2.000 x 20% = 400 2.000 – 400 = 1.600
Duplicata 4 3.000 x 20% = 600 3.000 – 600 = 2.400

172
AULA 16 • DUPLICATAS DESCONTADAS E OPERAÇÕES DE FACTORING

Total das despesas financeiras...................... 1.700 Você observou que, no exemplo anterior, quem
Total creditado em conta corrente................... 8.300 teve que pagar ao banco foi a Cia Maria Dorotéia,
pois a empresa devedora não pagou. Você observou
Lançamentos:
também que a Cia Maria Dorotéia não pode baixar a
No ato do desconto: duplicata da empresa devedora, não é mesmo!
D - Banco........................................................8.300 De acordo com o aviso 04, a Cia Maria Dorotéia
D - Juros Passivos..........................................1.700 deverá pagar ao banco o valor do título mais juros
C - Duplicata Descontada.............................10.000 moratórios, já que o vencimento do título foi em 15/06,
De acordo com o aviso 01, vamos baixar a e o pagamento em 30/06.
responsabilidade da Cia Maria Dorotéia com relação à Valor dos juros: 3.000 x 5% = 150
duplicata: D - Duplicata Descontada...............................3.000
D - Duplicata Descontada...............................1.000 D - Juros Passivos.............................................150
C - Duplicata a Receber..................................1.000 C - Duplicata a Receber..................................3.150
Observação: Resolução 02
Caro aluno, a duplicata só é baixada quando Na operação de factoring baixamos diretamente a
o cliente a paga. Se não o fizer, ela permanece Duplicata a Receber, já que a Cia Maria Dorotéia não é
em duplicatas a receber. Em outro momento, caro devedora subsidiária.
aluno, veremos a baixa, no caso de a duplicata Valor dos juros: 2.000 x 30% = 600
ser absolutamente incobrável. Isso será visto em D - Banco........................................................3.000
provisões, quando estivermos calculando o Lucro Real. D - Juros Passivos.............................................600
É importantíssimo saber como é feito o lançamento da C - Duplicata a Receber..................................2.000
duplicata a receber, pois somente podemos descontar
uma duplicata se tivermos algo para receber, não é Resolução 03
mesmo? Vamos supor, caro aluno, que foi feita uma Vamos contabilizar 1 ano de depreciação (31/12/
venda de mercadorias no valor de R$ 10.000, para X0 à 31/12/X1).
receber a prazo. Nesse caso o lançamento seria: Cálculo: 10.000 x 10% = 1.000
D - Duplicatas a Receber..............................10.000 D - Despesa de Depreciação..........................1.000
C - Receitas de Vendas.................................10.000 C - Depreciação Acumulada...........................1.000
De acordo com o aviso 02, vamos adotar o mesmo Na operação de factoring baixamos diretamente a
procedimento da duplicata 01, já que os juros serão Duplicata a Receber, já que a Cia Maria Dorotéia não é
suportados pela empresa devedora, e não pela Cia devedora subsidiária.
Maria Dorotéia.
Resolução 04
D - Duplicata Descontada...............................4.000
C - Duplicata a Receber..................................4.000 Vamos contabilizar o lançamento da operação do
De acordo com o aviso 03, a Cia Maria Dorotéia desconto.
deverá pagar ao banco o valor do título, já que é D - Banco...........................................................900
devedor subsidiário. C - Juros Passivos.............................................100
D - Duplicata Descontada...............................2.000 C - Duplicatas Descontadas...........................1.000
C - Duplicata a Receber..................................2.000 Lançamento de encerramento:
Antes de continuar, meu aluno, é muito importante D - ARE...........................................................3.550
que saiba o conceito de responsabilidade subsidiária, C - Juros Passivos..........................................2.550
concorda? Então, vamos ao conceito. C - Despesa de Depreciação..........................1.000
Pode-se dizer que responsabilidade subsidiária D - Lucro Acumulado......................................3.550
é a assunção legal de uma obrigação de maneira C – ARE..........................................................3.550
acessória, dependente, não principal. Isso quer Caro aluno, como pode observar, fizemos os
dizer que alguém não é o principal responsável por lançamentos na forma de Diário. Agora, antes de
determinada obrigação, somente sendo chamado a apurarmos o Balanço Patrimonial, temos que abrir um
cumpri-la se o responsável direto deixar de fazê-lo. razonete para cada conta. Você também sabe que, para

173
Contabilidade Geral

as contas de resultado (receitas, despesas e custos), Cuidado, os valores do razonete não podem passar
temos que encerrá-las abrindo um razonete com o para a outra folha = máquinas
nome de ARE (Apuração do Resultado do Exercício)
Máquinas
para fazermos as contrapartidas, não é mesmo?
Antes, apenas para confirmar, somente as contas 10.000
de resultado serão encerradas; já as contas patrimoniais 10.000
ficarão com seus respectivos saldos. Então vamos lá!
Depreciação Acumulada
Razonetes: 1.000
Banco 1.000
2.000 2.000 2.000
8.300 3.150
Financiamento
1.400
8.000
900
8.000
7.450

Duplicatas Descontadas Capital Social


1.000 10.000 15.000
4.000 1.000 15.000
2.000
Fornecedores
3.000
2.000
1.000
2.000
Duplicatas a Receber
Despesa com Depreciação
12.000 1.000
1.000
4.000
1.000 1.000
2.000
5.000 Prejuízo Acumulado
Juros Passivos 3.550
1.700 3.550
150
ARE
600
2.550
100
1.000
2.550 2.550
3.550 3.550
Mercadoria
Reserva de Lucros
3.000
3.000
3.000
3.000
Aplicação Financeira
Pronto, meu aluno! Agora é só fazer o Balanço
2.000
Patrimonial novamente para verificar como está a
2.000
situação patrimonial da Cia Maria Dorotéia em 31/12/
Mercadoria X1. Faça um comparativo da situação patrimonial de
3.000 31/12/X0 com a situação patrimonial em 31/12/X1 e
3.000 responda à seguinte pergunta:
Qual dos dois balanços apresenta melhor situação
Aplicação Financeira
financeira?
2.000 Antes de responder, veja o novo Balanço
2.000 Patrimonial.

174
AULA 16 • DUPLICATAS DESCONTADAS E OPERAÇÕES DE FACTORING

BALANÇO PATRIMONIAL em 31/12/X1

ATIVO PASSIVO

AC – ATIVO CIRCULANTE PC – PASSIVO CIRCULANTE


Banco.................................................7.450,00 Fornecedores...................................2.000,00
Duplicatas a Receber.........................5.000,00 Financiamento..................................8.000,00
(Duplicatas Descontadas)................(1.000,00)
Mercadoria........................................ 3.000,00 PNC - PASSIVO NÃO CIRCULANTE
Aplicação Financeira..........................2.000,00

ANC - ATIVO NÃO CIRCULANTE PL – PATRIMÔNIO LÍQUIDO

• Ativo Realizável a Longo Prazo • Capital Social................................15.000,00


• Investimento • Reservas de Capital
• Imobilizado •Ajustes de Avaliação Patrimonial
Máquinas..........................................10.000,00 • Reservas de Lucro..........................3.000,00
Depreciação.....................................(2.000,00) • (Prejuízos Acumulados)...............(3.550,00)
• Intangível • (Ações em Tesouraria)

TOTAL 24.450,00 TOTAL 24.450,00

3 RESUMO
Caro aluno, discutimos na aula de hoje a diferença entre duplicatas descontadas e operações de factoring.
Primeiramente foi apresentado o conceito de factoring e em seguida foi mostrada a diferença entre factoring e
bancos. A empresa de factoring não pode fazer captação de recursos de terceiros, nem intermediar para emprestar
esses recursos, como fazem os bancos. Além das finalidades foram discutidas as vantagens, o funcionamento,
as etapas básicas do processo, assim como as modalidades de factoring. Em seguida foi discutido o conceito
de duplicatas descontadas e apresentado um exercício prático com o qual buscamos mostrar exclusivamente a
diferença entre duplicatas descontadas e operações de factoring.

4 ATIVIDADES
BALANÇO PATRIMONIAL EM 31/12/2011

ATIVO PASSIVO

AC – ATIVO CIRCULANTE PC – PASSIVO CIRCULANTE


Fornecedores...................................6.000,00
Banco.................................................4.000,00 Financiamento................................14.000,00
Duplicatas a Receber.......................40.000,00 ICMS a recolher...............................5.000,00
Mercadoria......................................... 6.000,00 IRPJ a pagar....................................4.000,00
Aplicação Financeira..........................4.000,00
PNC - PASSIVO NÃO CIRCULANTE
ANC - ATIVO NÃO CIRCULANTE
• Ativo Realizável a Longo Prazo PL – PATRIMÔNIO LÍQUIDO
• Investimento • Capital Social................................30.000,00
Obras de arte.....................................3.000,00 • Reservas de Capital
• Imobilizado •Ajustes de Avaliação Patrimonial
Máquinas..........................................22.000,00 • Reservas de Lucro........................17.000,00
Depreciação.....................................(3.000,00) • Prejuízos Acumulados
• Intangível • (Ações em Tesouraria)

TOTAL 76.000,00 TOTAL 76.000,00

175
Contabilidade Geral

Durante o ano de 2012, a Cia Adayr Pereira fez as Aviso 05: Datado de 30/06/2012. A duplicata nº 05
seguintes operações: foi liquidada no vencimento.
1- Descontou 5 duplicatas junto ao banco em 03/01/ 2 - Em 30/03/2012, a Cia Maria Dorotéia aliena
X2. As duplicatas têm os seguintes valores: duplicatas a receber no valor de R$ 5.000,00
à Cia Ataíde Mota, tendo recebido R$ 3.750
Duplicata nº 01
(juros de 25%).
Valor.......................................................... 2.000,00 3 - Contabilizar a depreciação das máquinas até a
Data de Vencimento................................. 30/04/X2 data do balanço em 31/12/X2.
Taxa de Desconto............................................ 10% 4 - Descontou mais R$ 2.000,00 de duplicatas
Duplicata nº 02 junto ao banco. Taxa de desconto: 8%.
5- Contabilizar as operações acima e elaborar o
Valor.......................................................... 8.000,00
Balanço Patrimonial em 31/12/2012.
Data de Vencimento................................. 15/05/X2
Taxa de Desconto............................................ 20% REFERÊNCIAS
Duplicata nº 03
FERRREIRA, Ricardo J. Coleção de provas
Valor.......................................................... 5.000,00 comentadas ESAF. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora
Data de Vencimento................................. 30/05/X2 Ferreira, 2002.
Taxa de Desconto............................................ 15% FIPECAFI. Manual de Contabilidade das
Sociedades por Ações: aplicável às demais
Duplicata nº 04
sociedades. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
Valor.......................................................... 4.000,00
FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23. ed. São
Data de Vencimento................................. 15/06/X2 Paulo: Atlas, 1997.
Taxa de Desconto............................................ 20%
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade.
Duplicata nº 05 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
Valor.......................................................... 7.000,00 KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de;
Data de Vencimento................................. 20/06/X2 MARTINS, Eliseu. Contabilidade introdutória –
Taxa de Desconto............................................ 25% Livro Texto. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

Dados complementares: MARION, José Carlos. Teoria da Contabilidade. 2.


ed. São Paulo: Alínea, 2000.
1 - A Cia Adayr Pereira recebe os seguintes avisos
NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo.
bancários:
Contabilidade básica. 9. ed. São Paulo: Editora
Aviso 01: Datado de 30/04/2012. A duplicata nº 01 Frase, 2011.
foi liquidada no vencimento.
Aviso 02: Datado de 20/05/2012. A duplicata nº 02 RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral fácil. 3.
ed. São Paulo: Atlas, 1999.
foi liquidada com atraso. Juros moratórios: 10%
Aviso 03: Datado de 30/05/2012. Falência do RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral fácil. 5.
Devedor. O título está sendo devolvido e o seu ed. São Paulo: Atlas, 2009.
valor está sendo debitado na conta corrente da SANTOS, Roberto Fernandes. Introdução à
empresa pelo banco. Contabilidade: noções fundamentais. São Paulo:
Aviso 04: Datado de 30/06/2012. A empresa Saraiva, 2011
devedora não paga. O banco informa que o título SZUSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes.
está sendo debitado na conta corrente da empresa Contabilidade geral: introdução à Contabilidade
- seu valor mais juros moratórios de 10%. Societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

176
Unidade 05

Contabilidade Geral
TRIBUTOS SOBRE RECEITA E LUCRO

AULA 17

TRIBUTOS

Objetivos
• Compreender o que são Tributos.
• Conhecer os impostos da DRE.
• Conhecer as contribuições da DRE.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO Instituída em Lei: ou seja, os tributos só podem ser


instituídos ou aumentados por meio da lei válida e eficaz,
Meu caro aluno, hoje nossa aula é demais. Você de acordo com o princípio da legalidade (art. 150, I,
aprendeu, nas aulas anteriores, a elaborar tanto o da CF). Cobrado mediante atividade administrativa
Balancete de Verificação como o Balanço Patrimonial plenamente vinculada: a administração pública, para
e ainda a Demonstração do Resultado do Exercício. efetuar a cobrança dos valores dos tributos, tem que
Porém algumas dúvidas de como encontrar a base de agir na forma e nos estritos limites fixados em lei, sem
cálculo dos tributos tanto sobre receita como sobre o o que haverá abuso ou desvio de poder, o que tornará
lucro devem ter ficado para trás. O objetivo era este, que a referida cobrança passiva de anulação.
você tivesse uma visão geral sobre a DRE e que agora Caro aluno, para ficar ainda mais claro o conceito
pudéssemos realizá-la por completo. Além de calcular de tributo, o autor Érico Hack explica-o passo a passo.
todos os tributos, faremos também as deduções das Vamos entender essa explicação.
contribuições e participações. Aprenda de verdade, Érico Hack (2008, p.12) explica o conceito de
pois daqui para frente todas as aulas dependem que tributo definido pelo CTN, em seu art. 3º:. “Tributo é
você domine tanto a DRE como o BP. Mas, antes de toda prestação pecuniária [...] em moeda ou cujo valor
iniciarmos os cálculos dos tributos, veremos cada um nela se possa exprimir”. Tal elemento demonstra que o
deles. Vamos nessa? tributo é sempre expresso em dinheiro. Dessa forma,
não se admite que um tributo devido seja pago em
2 TRIBUTOS sacas de milho ou em horas de trabalho, por exemplo.
O tributo sempre pressupõe prestação em dinheiro,
2.1 Conceito
com valor determinado em moeda nacional.
O CTN, em seu art. 3º, define tributo da seguinte “Tributo é toda prestação pecuniária compulsória”
forma: “É toda prestação pecuniária compulsória, – aqui se verifica que o tributo é obrigatório. Uma vez
em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que que a lei aponta determinado fato, faz nascer o crédito
não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e tributário, e ele deve ser cobrado. Logo, o pagamento
cobrada mediante atividade administrativa plenamente do tributo não é facultativo, mas sim obrigatório. A
vinculada.” compulsoriedade do tributo é de sua natureza, não
Caro aluno, nesse conceito de tributo estão existindo tributo que seja de pagamento voluntário.
contidas as regras básicas do sistema de arrecadação, É possível a realização de doações ao Estado, mas
como segue: isso não se constituirá como tributo porque se trata de
Para FABRETTI (2002, p. 47) essas regras são: prestação voluntária, e não compulsória.
Prestação pecuniária: os tributos em geral, pagos “Tributo é toda prestação pecuniária [...] que não
na forma e prazo normais da extinção da obrigação constitua sanção de ato ilícito” . Para caracterização
tributária, só poderão ser quitados em moeda corrente do tributo, pressupõe-se que ele tenha derivado de
nacional. O pagamento de tributos em outras espécies uma atividade lícita. Diz-se que atos lícitos são os que
só poderá ser feito em situações especiais, quando estão de acordo com o direito; são aqueles que não
autorizado em lei do ente federativo competente. contrariam as normas legais, que obedecem aos seus
Compulsória: pagamento obrigatório, pelo poder preceitos. Por exemplo, uma pessoa que estaciona seu
coercitivo do estado e independente da vontade do veículo em local permito está praticando um ato lícito,
contribuinte. Que não constitua sanção por ato ou seja, que não contraria o direito.
ilícito: a obrigatoriedade do pagamento do tributo O ato ilícito, por sua vez, é aquele contrário ao
pelo contribuinte nasce da prática do ato lícito, ou direito. Dessa forma, tomando o mesmo exemplo
seja, aquele realizado na conformidade da lei (venda acima, se alguém estaciona em local proibido ou
de mercadorias, prestação de serviços etc.) No caso sobre a calçada, está praticando um ato ilícito. Por
de prática de infração fiscal, a pena aplicada será a ser contrário ao direito, o ato ilícito deve ser reprimido
multa, que é sanção por ato ilícito, e essa multa não e por isso pressupõe a aplicação de uma pena, de
é considerada tributo. A multa não faz parte da receita sanção, quando ocorre. Então, quando um indivíduo
tributária, mas das receitas diversas (Lei nº. 4.320/64). estaciona seu carro ilicitamente, está obrigado a pagar

178
AULA 17 • TRIBUTOS

uma multa, que nada mais é do que uma prestação iniciar os cálculos, vamos saber o que significa cada
pecuniária compulsória prevista em lei. um?
“Tributo é toda prestação pecuniária [...] instituída
em lei” – o tributo deve ser instituído em lei, e não por 2.1.2 Impostos
decreto, portaria ou outra norma de posição hierárquica Imposto (do latim taxo: estimar) é a imposição
inferior. de um encargo financeiro ou outro tributo sobre
“Tributo é toda prestação pecuniária compulsória
o contribuinte (pessoa física ou jurídica) por um
[...] cobrada mediante atividade administrativa
estado ou o equivalente funcional de um estado a
plenamente vinculada”. Esse elemento aponta para
partir da ocorrência de um fato gerador e calculada
a atividade administrativa envolvida na cobrança
mediante a aplicação de uma alíquota a uma base
de tributo. A atuação vinculada é aquela em que a
de cálculo, de forma que o não pagamento dele
lei aponta o que deve ser feito em uma determinada
acarreta irremediavelmente sanções civis e penais
situação, não havendo margem para escolha por parte
impostas à entidade ou indivíduo não pagador, sob
do agente (HACK, 2008, p. 16).
a forma de leis.
2.1.1 Espécies Tributárias O imposto é uma das espécies do gênero tributo.
Diferentemente de outros tributos, como taxas e
As espécies tributárias são descritas na CF; suas
características mais importantes encontram-se nos contribuições de melhoria, é um tributo não vinculado:
artigos 145, 148, 149, 149-A e 195, da Carta Magna é devido pelo contribuinte independentemente de
em vigor. qualquer contraprestação por parte do Estado.
Segundo Valadão (2007, p. 11), há várias correntes Destina-se a atender às despesas gerais da
sobre quantas são as espécies tributárias: administração, pelo que só pode ser exigido pela
• duas (teoria bipartite) – taxas e impostos (essa pessoa jurídica de direito público interno que tiver
teoria é defendida por Alfredo Augusto Becker competência constitucional para tal.
e Pontes de Miranda); Os impostos são frequentemente divididos
• três (teoria tripartite) – taxas, impostos e em diretos e indiretos. Os impostos diretos são
contribuições de melhoria (teoria defendida por destinados a taxar diretamente o contribuinte,
Aliomar Baleeiro, Rubens Gomes de Souza, sendo que o principal exemplo deles é o imposto de
Roque Cazarra, Geraldo Ataliba, Paulo de renda e riqueza. Os impostos indiretos, entretanto,
Barros de Carvalho); são repassados ao contribuinte através do markup
• quatro (teoria quatripartite) – taxas, impostos, adicionado ao custo do produtor e o reflexo desse
contribuições especiais e contribuições de imposto é sentido no preço final do produto. Os
melhoria (defendida por Arnaldo Borges); ou impostos indiretos são cobrados em todos os bens
taxas, impostos, empréstimos compulsórios e
adquiridos pelo consumidor. Em tese, os recursos
contribuições (teoria de Fábio Fanuchi);
arrecadados pelos governos são revertidos para
• cinco (teoria quinquipartite) - taxas, impostos,
o bem comum, para investimentos e custeio de
contribuições de melhoria, empréstimos
bens e serviços públicos, como saúde, segurança
compulsórios e contribuições especiais
e educação. Mas não há vinculação entre receitas
(defendida por Gandra da Silva Martins, Hugo
de impostos e determinada finalidade - ao contrário
de Brito Machado, José Eduardo Soares de
Melo). do que ocorre com as taxas e a contribuição de
Caro aluno, agora que você já sabe que tributos melhoria, cujas receitas são vinculadas à prestação
envolvem: taxas, impostos, contribuição de melhoria, de determinado serviço ou à realização de
empréstimos compulsórios e contribuições especiais, determinada obra. Embora a lei obrigue os governos
fica mais fácil explicar que, na DRE, faremos cálculos a destinarem parcelas mínimas da arrecadação a
de impostos e de algumas contribuições especiais. Os certos serviços públicos - em especial de educação
impostos são: IPI, ICMS, ISS, IRPJ, e as contribuições e saúde -, o pagamento de impostos não confere ao
especiais são: PIS, COFINS e CSLL. Então, antes de contribuinte qualquer garantia de contrapartida.

179
Contabilidade Geral

Caro aluno, veja os impostos que iremos calcular Caro aluno, na DRE estudaremos o Imposto de
na DRE: Renda de Pessoas Jurídicas - IRPJ. São contribuintes
do IRPJ as empresas jurídicas e as empresas
2.1.2.1 IPI individuais. Existem formas de tributação diferenciada
O imposto sobre produtos industrializados é de como: Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro
competência da União e tem como fato gerador: I – o Arbitrado e Lucro Real. Nosso foco será nas empresas
seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência de Lucro Real, está bem?
estrangeira; II – a sua saída dos estabelecimentos a
que se refere o parágrafo único do artigo 51; III – a 2.1.3 Contribuições especiais
sua arrematação, quando apreendido ou abandonado Caro aluno, o artigo 149 da Constituição Federal
e levado a leilão (CTN, art. 46, I, II e III). E, ainda, o reza o seguinte: compete exclusivamente à União
parágrafo único desse artigo dispõe que, para os efeitos instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio
desse imposto, considera-se industrializado o produto econômico e de interesse das categorias profissionais
que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe ou econômicas. Assim como a Emenda Constitucional
modifique a natureza ou a finalida­de, ou o aperfeiçoe
nº 39, de 19 de dezembro de 2002, que inclui mais a
para o consumo.
contribuição de custeio de iluminação pública.
2.1.2.2 ICMS CONTRIBUIÇÕES ESPECIAIS

O ICMS (imposto sobre operações relativas à 1- Contribuições Sociais


circulação de mercadorias e sobre prestações de 2- Contribuições de Intervenção no Domínio
serviços de transporte interestadual, intermunicipal e Econômico
3- Contribuições de Interesse das Categorias
de serviços de comunicação) é de competência dos Profissionais ou Econômicas
Estados e do Distrito Federal. Sua regulamentação 4- Contribuição de Custeio de Iluminação Pública
constitucional está prevista na Lei Complementar
87/1996 (a chamada “Lei Kandir”), alterada As contribuições sociais se dividem em três grupos:
posteriormente pelas Leis Complementares 92/1997, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS
99/1999, 102/2000 e 114/2002.
1- Contribuição de Seguridade Social
2- Contribuição de Seguridade Social Residual
2.1.2.3 ISS 3- Contribuições Sociais Gerais
O Imposto Sobre Serviços é de competência dos
Saiba, meu aluno, que a competência para a
municípios e do Distrito Federal e tem como fato gerador
criação de novas contribuições sociais, destinadas à
a prestação de serviços constantes da lista anexa à Lei
expansão e manutenção da seguridade social, fora das
Complementar 116/2003, ainda que esses serviços
hipóteses do art. 195 da CF, é exclusiva da União. A
não se constituam como atividade preponderante do
Contribuição de Seguridade Residual é a possibilidade
prestador.
O ISS, até 31.07.2003, foi regido pelo Decreto- de criação de novas contribuições para custeio da
Lei 406/1968 e alterações posteriores. A partir de seguridade social.
01.08.2003, o ISS é regido pela Lei Complementar Existem três requisitos para a instituição de
116/2003. contribuições sociais incidentes sobre fonte diversa
das constantes no art. 195 da CF: lei complementar;
2.1.2.4 IRPJ não-cumulatividade e fato-gerador; e base de cálculo
O imposto sobre a renda ou imposto sobre o distintos dos determinados para os impostos previstos
rendimento é um imposto existente em vários países, no texto constitucional.
em que cada contribuinte, seja ele pessoa física ou O STF, analisando tais requisitos, manifestou
pessoa jurídica, é obrigado a deduzir certa porcentagem o entendimento de que a lei complementar e a não-
de sua renda média anual para o governo federal. cumulatividade são condições de observância válidas
A dedução é realizada com base nas informações para a instituição de novas contribuições sociais.
financeiras de cada contribuinte, obedecendo à tabela Entretanto estas podem ter fato gerador ou base
do organismo fiscalizador de cada país. de cálculo idêntico aos dos impostos previstos na

180
AULA 17 • TRIBUTOS

Constituição. Um bom exemplo é a CSLL, que tem Contribuições e Alíquotas


como fato gerador o lucro, que é o mesmo fato gerador
do IRPJ. As empresas tributadas pelo Lucro Real = não
É constitucional a coexistência de duas cumulativa = 1,65% sobre a receita
contribuições sociais, já previstas na Constituição, com
As empresas tributadas pelo Lucro Presumido =
idêntica base de cálculo ou fato gerador. A COFINS e o
cumulativo = 0,65% sobre a receita
PIS, por exemplo, são contribuições que têm o mesmo
fato gerador, o faturamento.
Contribuintes e Base de Cálculo
Caro aluno, a Contribuição de Seguridade
Social tem o único objetivo de financiar a Saúde, a Com base no faturamento mensal, enquadramos
Previdência e a Assistência Sociais. A maioria das as pessoas jurídicas de acordo com a Lei 9.718/98
contribuições sociais é para financiar tanto a Saúde e em seu artigo 2º. As entidades fechadas e abertas
Previdência como a Assistência Social. Exemplo: além de previdência complementar são contribuintes do
da COFINS e CSLL, temos outras como: INSS, as PIS/PASEP nessa modalidade de incidência, sendo
chamadas contribuições previdenciárias, obrigatórias irrelevante a forma de sua constituição.
tanto para o empregador como para os empregados A base de cálculo poderá ser sobre Faturamento
são para financiar o Regime Geral da Previdência e Folha de Pagamento. No Faturamento, a base será
Social – RGPS. Neste último caso, essas contribuições sobre a receita bruta deduzida das devoluções e
somente irão financiar a previdência. A Previdência descontos incondicionais:
conta ainda com as contribuições incidentes sobre a
Exemplo 01
receita de concursos de prognósticos (loteria) e com as
contribuições incidentes sobre a importação de bens e A Cia. Silvana Antônia Sanches Lopes, tributada
serviços do exterior. pelo Lucro Real, em dezembro de 2012 obteve as
CONTRIBUIÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL seguintes informações:
Receita Bruta de Vendas.......................900.000,00
1- Saúde
2- Previdência - Devolução de Vendas...................... (200.000,00)
3- Assistência Social - Descontos Incondicionais ou Comerciais.....(100.000,00)
As Contribuições Sociais incidirão sobre a folha = Base de Cálculo..................................600.000,00
de salários e demais rendimentos dos trabalhos pagos PIS/PASEP = 600.000,00 x 1,65%.............9.900,00
ou creditados, a qualquer título, a pessoa física que Contabilização do PIS/PASEP sobre Faturamento
lhe preste serviços, mesmo sem vínculo empregatício
(INSS); a receita ou o faturamento (PIS e COFINS); PIS/PASEP sobre
Débito R$ 9.900,00
Faturamento (DRE)
lucro (CSLL).
PIS/PASEP a Recolher
2.1.3.1 PIS Crédito
(Passivo)
R$ 9.900,00

O PIS é o Programa de Integração Social, criado


Exemplo 02
em 07/09/1970 pela Lei Complementar nº 7; o PASEP
é o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor A Verônica Dorotea Sanches Lopes, tributada
Público, criado em 03/12/1970 pela Lei Complementar pelo Lucro Presumido, em maio de 2012 obteve as
nº 8, de acordo com a Lei nº 9.715/98 no seu art. seguintes informações:
2º. O PIS/PASEP será apurado mensalmente pelas Receita Bruta de Vendas........................800.000,00
pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são - Devolução de Vendas......................... (80.000,00)
equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, - Descontos Incondicionais ou Comerciais.....(60.000,00)
inclusive as empresas públicas e as sociedades de = Base de Cálculo..................................660.000,00
economia mista e suas subsidiárias. PIS/PASEP = 660.000,00 x 0,65%...............4.290,00

181
Contabilidade Geral

Contabilização do PIS/PASEP sobre Faturamento 2.1.3.2 COFINS


PIS/PASEP sobre A COFINS é a Contribuição para Financiamento da
Débito R$ 4.290,00
Faturamento (DRE) Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar
PIS/PASEP a Recolher 70, de 30/12/1991. A COFINS é a antiga contribuição
Crédito R$ 4.290,00 Finsocial. A COFINS tem o objetivo de arrecadar para
(Passivo)
financiar a seguridade social (saúde, previdência e
PIS sobre a Folha de Pagamento assistência social), nos termos do inciso I, art. 195 da
O PIS sobre a folha de pagamento é uma obrigação Constituição Federal.
tributária principal devida por todas as entidades sem Contribuintes e base de cálculo
fins lucrativos, classificadas como Isentas, Imunes ou
Dispensadas, e calculado sobre a folha de pagamento São contribuintes da COFINS as pessoas jurídicas
de salários, à alíquota de 1%. de direito privado em geral, inclusive as pessoas
a elas equiparadas pela legislação do Imposto de
A contribuição para o PIS será determinada na
Renda, exceto as microempresas e as empresas de
base de 1% sobre a folha de salários do mês, pelas
pequeno porte submetidas ao Simples Nacional (Lei
seguintes entidades:
Complementar 123/2006).
1. Templos de qualquer culto
2. Partidos políticos Contribuições e alíquotas
3. Instituições de educação e assistência social
imunes ao Imposto de Renda As empresas tributadas pelo Lucro Real = não
4. Instituições de caráter filantrópico, recreativo, cumulativa = 7,60% sobre a receita
cultural, científico e associações isentas do
As empresas tributadas pelo Lucro Presumido =
Imposto de Renda
cumulativo = 3,00% sobre a receita
5. Sindicatos, federações e confederações
6. Serviços sociais autônomos, criados ou
autorizados por lei Isenções
7. Conselhos de fiscalização de profissões Gozam de isenção da Cofins as entidades
regulamentadas – do tipo CRC, CREA, etc. beneficentes e de assistência social que cumprem
8. Fundações de direito privado e fundações as exigências da lei sobre entidades filantrópicas: os
públicas instituídas ou mantidas pelo poder asilos, os orfanatos, as santas casas de misericórdia,
público as microempresas (ME), as empresas de pequeno
9. Condomínios de proprietários de imóveis porte (EPP) que optarem pelo pagamento de
residenciais ou comerciais impostos e contribuições (Simples), conforme Lei
10. A Organização das Cooperativas Brasileiras 9.317, de 15/12/1996, alterada pela Lei 9.732, de
(OCB) e Organizações Estaduais de Coopera- 11/12/98, no período em que estiverem submetidas
tivas – previstas na Lei 5764/1971 ao regime simplificado; as associações, os sindicatos,
as federações, as organizações de atividades
Exemplo 01
profissionais e entidades classistas, relativamente
A Fundação Antônio Lopes, em janeiro de 2012 às arrecadações provenientes de mensalidades,
obteve as seguintes informações: contribuições ou anuidades fixadas em lei ou pelo
Folha de Pagamentos de Salários...........700.000,00 Estatuto ou Assembleia dessas entidades e destinadas
PIS/PASEP = 700.000,00 x 1%....................7.000,00 ao custeio de suas atividades essenciais; as sociedades
cooperativas, exceto as que têm por objetivo a compra
Contabilização do PIS/PASEP sobre Folha de
e o fornecimento de bens ao consumidores.
Pagamento
Base de Cálculo
PIS/PASEP sobre Folha de
Débito R$ 7.000,00
Pagamento (DRE) A legislação do PIS e da COFINS, nos regimes
Crédito
PIS/PASEP a Recolher
R$ 7.000,00
cumulativos e não cumulativos, prevê situações de
(Passivo) não incidência, isenções e exclusões da base de

182
AULA 17 • TRIBUTOS

cálculo, para a determinação dessas contribuições, Existem diferenças quanto aos ajustes (adições,
sendo algumas de aplicação geral, outras dirigidas a exclusões e compensações) feitos no lucro contábil
atividades especificas. Tanto para o PIS quanto para para apuração do Lucro Real (IRPJ) ou do Resultado
a COFINS, excluem-se da receita bruta as seguintes Ajustado (CSLL), bem como nos percentuais aplicáveis
parcelas: ao faturamento para determinação do Resultado
1- Vendas Canceladas ou Devolução de Vendas Presumido ou Arbitrado.
A apuração e o recolhimento da CSLL estão
2- Descontos Incondicionais Concedidos no
atrelados à escolha de regime de tributação do IRPJ.
Ato da Venda
Cálculo e contabilização da CSLL
Exemplo 01
A Cia. Paulo Cézar Baruk Sanches Ltda. emitiu Da mesma forma como ocorre com o IRPJ, o que
nota fiscal da seguinte forma: muda de uma opção para a outra em termos de regime
de tributação da CSLL é a metodologia de apuração
1) 100 mesas de plástico R$ 200,00 cada R$ 20.000,00
da base de cálculo, e não a metodologia de cálculo
2) 10% de desconto especial por promoção - R$ 2.000,00 da contribuição. As diferenças entre as opções podem
provocar diferenças significativas no montante final de
3) Valor da mercadoria com desconto (1-2) R$ 18.000,00
tributos pagos pela empresa.
O “desconto incondicional” é o valor referido na
linha 2 do demonstrativo exemplificado acima. A base Exemplo 01
de cálculo, para fins de PIS e COFINS, será de R$ A Cia. Thalles Roberto Sanches começou a
18.000,00 (valor líquido da nota fiscal). funcionar em janeiro de 2012. Obteve resultado
Contabilização da COFINS sobre Faturamento tributável pela CSLL de R$ 1.800.000,00, no ano,
assim distribuídos: 1º trimestre (janeiro - março) R$
Exemplo 01
400.000,00; 2º trimestre (abril - junho) R$ 300.000,00;
A Cia. Anderson Freire Sanches, tributada pelo 3º trimestre (julho - setembro) R$ 500.000,00; 4º
Lucro Real, em junho de 2012 obteve as seguintes trimestre (outubro - dezembro) R$ 600.000,00.
informações: Optando pela apuração trimestral, a empresa
Receita Bruta de Vendas........................700.000,00
efetuaria os cálculos a seguir:
- Devolução de Vendas..........................(50.000,00)
- Descontos Incondicionais ou Comerciais.....(75.000,00) CSLL devida no 1º trimestre/2012:
= Base de Cálculo...................................575.000,00
Lucro Tributável: R$ 400.000,00
COFINS 575.000,00 x 7,60%...................43.700,00
CSLL: R$ 36.000,00 (R$ 400.000,00 x 9%)
COFINS sobre Faturamento
Débito R$ 43.700,00
(DRE)
O registro contábil da CSLL a pagar será:
COFINS a Recolher
Crédito R$ 43.700,00 Provisão para CSLL
(Passivo) Débito R$ 36.000,00
(resultado)

2.1.3.3 CSLL Crédito CSLL a Pagar (Passivo) R$ 36.000,00


CSLL é a Contribuição Social sobre o Lucro CSLL devida no 2º trimestre/2012:
Líquido. A CSLL amparou-se no art. 195 da Constituição
Federal, que trata das contribuições para o custeio da Lucro Tributável: R$ 300.000,00
seguridade social. A CSLL é uma contribuição social
de competência da União, incidente sobre o lucro CSLL: R$ 27.000,00 (R$ 300.000,00 x 9%)
das pessoas jurídicas, incluídos nesse grupo aqueles
O registro contábil da CSLL a pagar será:
que são equiparados à pessoa jurídica para fins de
tributação do Imposto de Renda. Provisão para CSLL
Débito R$ 27.000,00
Embora semelhante na forma de apuração, as bases (resultado)
de cálculo do IRPJ e CSLL não são necessariamente
Crédito CSLL a Pagar (Passivo) R$ 27.000,00
iguais.

183
Contabilidade Geral

Utilizando-se de apuração trimestral, a empresa Os valores recolhidos a título de antecipação serão


primeiramente apura a CSLL para depois pagá-la. O controlados em conta própria. O registro contábil dos
registro do pagamento da CSLL devido no segundo valores acumulados no ano fica assim:
trimestre do ano (se pago em parcela única) ficará:
CSLL Antecipada (Passivo
Débito R$ 112.000,00
Débito CSLL a Pagar (Passivo) R$ 27.000,00 – conta retificadora)
Bancos Conta Movimento/ Bancos Conta Movimento/
Crédito R$ 27.000,00 Crédito R$ 112.000,00
Bancos “X” ( Ativo) Bancos “X” (Ativo)
CSLL devida no 3º trimestre/2012:
Apurando a CSLL devida ao final do ano, temos:
Lucro Tributável: R$ 500.000,00
Lucro Tributável: R$ 1.800.000,00 (400.000,00 +
CSLL: R$ 45.000,00 (R$ 500.000,00 x 9%) 300.000,00 + 500.000,00 + 600.000,00)

O registro contábil da CSLL a pagar será: CSLL: R$ 162.000,00 (R$ 980.000,00 x 9%)

Provisão para CSLL Os registros contábeis decorrentes da apuração da


Débito R$ 45.000,00
(resultado) contribuição são:

Crédito CSLL a Pagar (Passivo) R$ 45.000,00 Pela apuração da CSLL devida:

CSLL devida no 4º trimestre/2012: Débito


Provisão para CSLL
R$ 162.000,00
(Resultado)
Lucro Tributável: R$ 600.000,00
Crédito CSLL a Pagar (Passivo) R$ 162.000,00
CSLL: R$ 54.000,00 (R$ 600.000,00 x 9%)
Pela compensação da CSLL antecipada com a
O registro contábil da CSLL a pagar será: CSLL devida:

Provisão para CSLL Débito CSLL a Pagar (Passivo) R$ 112.000,00


Débito R$ 54.000,00
(resultado)
CSLL Antecipada (Passivo
Crédito CSLL a Pagar (Passivo) R$ 54.000,00 Crédito R$ 112.000,00
- conta retificadora)
Caso optasse pela apuração anual, a Cia. Thalles
Caro aluno, observe que o valor pago por estimativa
Roberto Sanches estaria sujeita ao pagamento de
foi de R$ 112.000,00, e a apuração anual foi de R$
antecipações mensais de CSLL, a serem compensadas
162.000,00. Sendo assim, a empresa deverá recolher
quando da apuração do montante devido ao final do
a diferença de R$ 50.000,00. Fazer o quê? É pagar e
ano. Os valores antecipados pela empresa foram:
pronto!
Janeiro R$ 9.000,00
Fevereiro R$ 7.000,00 3 RESUMO
Março R$ 6.000,00 Na aula de hoje estudamos os tributos que
Abril R$ 8.000,00 calcularemos na DRE. O art. 3º, da CTN define tributo
Maio R$ 11.000,00 da seguinte forma: “É toda prestação pecuniária
Junho R$ 9.000,00
compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa
exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito,
Julho R$ 7.000,00
instituída em lei e cobrada mediante atividade
Agosto R$ 11.000,00 administrativa plenamente vinculada.” Em seguida
Setembro R$ 12.000,00 estudamos as espécies tributárias que são de
Outubro R$ 15.000,00 acordo com Ives Gandra da Silva Martins, Hugo de
Novembro R$ 9.000,00 Brito Machado, José Eduardo Soares de Mel (teoria
quinquipartite) - taxas, impostos, contribuições de
Dezembro R$ 8.000,00
melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições
Total R$ 112.000,00 especiais. Vimos que impostos são a imposição

184
AULA 17 • TRIBUTOS

de um encargo financeiro ou outro tributo sobre o com a Lei nº 9.715/98 no seu art. 2º. O PIS/PASEP
contribuinte (pessoa física ou jurídica) por um estado será apurado mensalmente pelas pessoas jurídicas
ou o equivalente funcional de um estado, a partir da de direito privado e as que lhes são equiparadas
ocorrência de um fato gerador, calculado mediante pela legislação do Imposto de Renda, inclusive as
a aplicação de uma alíquota a uma base de cálculo, empresas públicas e as sociedades de economia mista
de forma que o não pagamento deste acarreta e suas subsidiárias. Suas alíquotas são: as empresas
irremediavelmente sanções civis e penais impostas tributadas pelo Lucro Real = não cumulativa = 1,65%
à entidade ou indivíduo não pagador, sob a forma da sobre a receita As empresas tributadas pelo Lucro
leis. Os impostos resultantes da DRE são: IPI, ICMS, Presumido = cumulativo = 0,65% sobre a receita. Em
ISS E IRPJ. O IPI é o imposto de competência da seguida estudamos a COFINS, que é a Contribuição
União e incide sobre produtos industrializados, tendo para Financiamento da Seguridade Social, instituída
como fato gerador: I – o seu desembaraço aduaneiro, pela Lei Complementar 70 de 30/12/1991. A COFINS
quando de procedência estrangeira; II – a sua saída é a antiga contribuição Finsocial. A COFINS tem o
dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo objetivo de arrecadar para financiar a seguridade social
único do artigo 51; III – a sua arrematação, quando (saúde, previdência e assistências social), nos termos
apreendido ou abandonado e levado a leilão (CTN, art. do inciso I, art. 195 da Constituição Federal. Suas
46, I, II e III). Há ainda o parágrafo único desse artigo alíquotas são: as empresas tributadas pelo Lucro Real
que dispõe o seguinte: para os efeitos deste imposto, = não cumulativa = 7,60% sobre a receita; as empresas
considera-se industrializado o produto que tenha sido tributadas pelo Lucro Presumido = cumulativo = 3,00%
submetido a qualquer operação que lhe modifique sobre a receita. Para finalizar, estudamos a CSLL, que
a natureza ou a finalida­ de, ou o aperfeiçoe para o é a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A CSLL
consumo. O ICMS (imposto sobre operações relativas amparou-se no art. 195 da Constituição Federal, que
à circulação de mercadorias e sobre prestações de trata das contribuições para o custeio da seguridade
serviços de transporte interestadual, intermunicipal e social. A CSLL é uma contribuição social de competência
de comunicação) é de competência dos Estados e do da União, incidente sobre o lucro das pessoas jurídicas,
Distrito Federal. Sua regulamentação constitucional incluídos nesse grupo aqueles que são equiparados à
está prevista na Lei Complementar 87/1996 (a pessoa jurídica para fins de tributação do Imposto de
chamada “Lei Kandir”), alterada posteriormente pelas Renda.
Leis Complementares 92/1997, 99/1999, 102/2000
e 114/2002. O ISS - Imposto Sobre Serviços - é de 4 ATIVIDADES
competência dos Municípios e do Distrito Federal e tem
1) Quais as diferenças e semelhanças existentes
como fato gerador a prestação de serviços constantes
entre as espécies de tributos?
da lista anexa à Lei Complementar 116/2003, ainda
2) Qual o conceito de tributo estabelecido no Art. 3º
que esses serviços não se constituam como atividade
do CTN
preponderante do prestador. O IRPJ é o  imposto
3) Quais são as espécies tributárias?
sobre a renda  ou  imposto sobre o rendimento e
4) Quais são as contribuições especiais?
existe em vários países. Cada contribuinte, seja
5) Quais são as contribuições sociais?
ele pessoa física ou pessoa jurídica, é obrigado a
6) Quais são as contribuições de seguridade social?
deduzir certa porcentagem de sua renda média anual
para o governo federal. A dedução é realizada com
REFERÊNCIAS
base nas informações financeiras de cada contribuinte,
obedecendo à tabela do organismo fiscalizador de FIPECAFI. Manual de Contabilidade das
cada país. Estudamos também as Contribuições Sociedades por Ações: aplicável às demais
Especiais: PIS, COFINS e CSLL. O PIS é o Programa sociedades. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
de Integração Social, criado em 07/09/1970 pela Lei FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23. ed. São
Complementar nº 7, e o PASEP é o Programa de Paulo: Atlas, 1997.
Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade.
em 03/12/1970 pela Lei Complementar nº 8, de acordo 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

185
Contabilidade Geral

KANITZ, Stephen Charles; IUDÍCIBUS, Sérgio de; ed. São Paulo: Atlas, 1999.
MARTINS, Eliseu. Contabilidade introdutória – RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral fácil. 5.
Livro Texto. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2010. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
MARION, José Carlos. Teoria da Contabilidade. 2.
SANTOS, Roberto Fernandes. Introdução à
ed. São Paulo: Alínea, 2000.
Contabilidade: noções fundamentais. São Paulo:
NEVES, Silvério das; VICECONT, Paulo Eduardo. Saraiva, 2011
Contabilidade básica. 9. ed. São Paulo: Editora
SZUSTER, Natan; CARDOSO, Ricardo Lopes.
Frase, 2011.
Contabilidade geral: introdução à Contabilidade
RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade geral fácil. 3. Societária. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

186
Unidade 05

Contabilidade Geral
TRIBUTOS SOBRE RECEITA E LUCRO

AULA 18

LUCRO REAL

Objetivos
• Conhecer a Base de Cálculo do ICMS,
PIS, COFINS.
• Conhecer a Base de Cálculo do IRPJ.
• Conhecer a Base de Cálculo da CSLL.
• Compreender o que são as Contribuições
e Participações sobre o Lucro.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO Despesas com Brindes 1.500,00

Meu caro aluno, espero que tenha percebido a Despesas com Depreciação 5.000,00
importância da aula 17. Lá estudamos cada imposto Despesas com Amortização 7.000,00
e sobre cada contribuição, cujos cálculos faremos Juros Ativos 22.000,00
nesta aula. Todos os nossos cálculos serão baseados Juros Passivos 12.000,00
em empresas cujo regime de tributação é o Lucro
Despesas com Combustíveis 10.000,00
Real. Sendo assim, veremos também nesta aula
algumas informações sobre esse regime de tributação. Despesas com Aluguel 20.000,00
Estudaremos ainda o LALUR - Livro de Apuração do A empresa apresentou: Prejuízo Acumulado de
Lucro Real. Venha comigo. Exercícios Anteriores no valor de R$ 280.000,00
Considere os seguintes tributos:
2 APURAÇÃO DOS TRIBUTOS
PIS: 1,65% COFINS: 7,60% ICMS: 18,00% IRPJ:
2.1 Exercício Prático Resolvido 15% ADICIONAL do IRPJ: 10%, CSLL: 9,00%
A empresa Comercial Marcelo de Arimatéia
Sanches Ltda. apresentava os seguintes saldos em Caro aluno, vamos fazer passo a passo o cálculo
31/12/2012. de todos os tributos. Vamos começar com os tributos
Caro aluno, a primeira pergunta é: Qual o regime sobre Faturamento (Receitas) que são: ICMS, PIS e
de tributação da empresa Marcelo de Arimatéia? COFIS. É importante lembrar que a empresa Marcelo
Resposta: Lucro Real Trimestral. Isso ajudará de Arimatéia é um comércio e por esse motivo não
escolher as alíquotas de PIS e COFINS. temos IPI nem ISS.
CONTAS DE RESULTADO R$ Receita Bruta de Vendas 300.000,00
Despesas de Vendas 3.000,00 Devolução de Vendas 10.000,00
Descontos Incondicionais ou Descontos Incondicionais de Vendas 4.000,00
4.000,00
Comerciais s/ Vendas
Base de Cálculo dos Impostos 286.000,00
Descontos Obtidos 8.000,00
ICMS (18%) 51.480,00
Abatimentos sobre Vendas 5.000,00
PIS (1,65%) 4.719,00
Outras Receitas (Receitas Não
36.000,00
Operacionais) COFINS (7,60%) 21.736,00
Custo de Mercadorias Vendidas 30.000,00 Abatimentos 5.000,00
Receitas Financeiras 15.000,00 Receita Líquida 203.065,00
Devolução de Vendas 10.000,00 CMV 30.000,00
Descontos Condicionais ou Financeiros Lucro Bruto 173.065,00
6.000,00
s/ Vendas
Caro aluno, para encontrar a base de cálculo
Despesas Administrativas 2.000,00
do ICMS, PIS e COFINS, basta subtrair da Receita
Despesas Financeiras 6.000,00 Bruta os valores referentes à Devolução de Vendas e
Despesas Comerciais 7.000,00 Descontos Incondicionais ou Descontos Comerciais.
Receita Bruta de Vendas 300.000,00 Nunca deduzir os valores referentes aos
Outras Despesas (Despesas não Abatimentos.
11.000,00 Após encontrar a base de cálculo, basta aplicar as
Operacionais)
Despesas com Alimentação dos Sócios 4.000,00
alíquotas de cada tributo. Viu que fácil? Agora temos
que calcular o IRPJ e a CSLL. Mas antes temos que
Despesas com Multas por Infrações 2.000,00
encontrar o Lucro Antes do Imposto de Renda – LAIR.
Resultado Devedor de Equivalência Veja que fácil! Vamos reduzir todas as despesas e
7.000,00
Patrimonial
vamos somar, caso apareçam outras receitas.

188
AULA 18 • LUCRO REAL

Despesas de Vendas 3.000,00 2.2 Lucro Real


Despesas Administrativas 2.000,00
Lucro Real é o lucro líquido do período apurado
na escrituração contábil, denominado lucro contábil,
Despesas com Alimentação dos Sócios 4.000,00 ajustado pelas exclusões e compensações autorizadas
Descontos Condicionais ou Financeiros 6.000,00 pela Legislação do Imposto de Renda. Os ajustes no
lucro líquido do período de apuração e demonstração
Despesas Financeiras 6.000,00 da apuração do Lucro Real devem ser transcritos no
Juros Passivos 12.000,00 Lalur (Livro de Apuração do Lucro Real). Na prática, às
vezes a empresa tem um resultado negativo (prejuízo),
Despesas com Brindes 1.500,00
mas a legislação do IR manda adicionar a ele diversos
Despesas Comerciais 7.000,00 valores que considera indedutíveis.
Veja, caro aluno, quais empresas estão obrigadas
Despesas com Multas por Infrações 2.000,00
ao regime de tributação pelo Lucro Real: A sistemática
Resultado Devedor de Equivalência de tributação sob o Lucro Real é disciplinada pelos
7.000,00
Patrimonial
artigos 246 a 515 do Regulamento do Imposto de
Despesas com Depreciação 5.000,00 Renda (Decreto 3.000/99).
Despesas com Combustíveis 10.000,00
1- A alíquota do Imposto de Renda em vigor no
ano-calendário é 15% (quinze por cento) sobre
Despesas com amortização 7.000,00
o lucro real apurado pelas pessoas jurídicas
Despesas com Aluguel 20.000,00 em geral, seja comercial ou civil o seu objeto.
A apuração poderá ser trimestral ou anual.
Outras Receitas Operacionais 45.000,00
Então, se for anual, a empresa deve recolher
Juros Ativos 22.000,00 valores mensais por estimativa baseada na
Descontos Obtidos 8.000,00 presunção de suas receitas. A parcela do lucro
real que exceder ao resultado da multiplicação
Receitas Financeiras 15.000,00
de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) pelo número
Resultado Operacional 125.565,00 dos meses do respectivo período de apuração
Receitas Não Operacionais (outras sujeita-se à incidência do adicional, à alíquota
36.000,00
receitas) de 10% (dez por cento). Também encontra-
se sujeita ao adicional a parcela da base de
Despesas Não Operacionais (outras
11.000,00 cálculo estimada mensal, no caso das pessoas
despesas)
jurídicas que optaram pela apuração anual do
Resultado Não Operacional 25.000,00 imposto de renda, que exceder a R$ 20.000,00
Caro aluno, o Lucro Antes do Imposto de Renda (vinte mil reais). A alíquota do adicional
- LAIR - será o somatório do Resultado Operacional é única para todas as pessoas jurídicas,
mais o Resultado Não Operacional. Veja: inclusive instituições financeiras, sociedades
seguradoras e assemelhadas.
Resultado Operacional 125.565,00
+ 2.2 Apuração do Lucro Real
Resultado Não Operacional 25.000,00
No encerramento de cada trimestre, ano ou período
=
em curso de balanços/balancetes, para suspender/
Lucro Antes do Imposto de Renda (LAIR) 150.565,00
reduzir o pagamento mensal do IRPJ/CSLL, a pessoa
Caro aluno, agora vou explicar como se calcula o jurídica deve proceder à apuração da base de cálculo
IRPJ e a CSLL no Regime Tributário Lucro REAL. Vou sobre a qual incidirá o Imposto de Renda.
falar primeiro da teoria que sustenta a prática e, daqui a Como o lucro líquido apurado na contabilidade
pouco, volto para dar continuidade à DRE da empresa normalmente não corresponde ao lucro a ser tributado,
Comercial Marcelo de Arimatéia Sanches. a pessoa jurídica deve determinar o lucro real, sobre

189
Contabilidade Geral

o qual calculará o IRPJ devido, inclusive o adicional, algumas Adições e algumas Exclusões, apenas para
quando for o caso. A determinação da base de cálculo demonstrar a forma correta de se calcular o IRPJ e a
sobre a qual deve incidir o Imposto de Renda é feita CSLL. Mas fique tranquilo porque esses assuntos serão
através da utilização do Livro de Apuração do Lucro vistos com mais detalhes na disciplina de Contabilidade
Real (Lalur). Fiscal e Tributária.
Esse livro tem a finalidade de demonstrar os ajustes
do resultado do período de apuração do IRPJ, através 2.2.1 Adições
das adições, exclusões ou compensações prescritas São despesas que devem ser adicionadas ao
ou autorizadas, que servirão de elementos para o Resultado, por serem consideradas pelo FISCO como
preenchimento da Demonstração do Lucro Real na desnecessárias para o andamento das atividades da
DIPJ - Declaração de Informações da Pessoa Jurídica. empresa: Exemplos:
O Lalur é peça fundamental para a apuração do • Contribuição social sobre o lucro líquido;
lucro real. Portanto estão obrigadas a escriturá-lo • Multas por infrações fiscais,
todas as pessoas jurídicas submetidas a essa forma de • Brindes
tributação, ainda que por opção. • Doações
• Resultado Negativo (Devedor) de Equivalência
Para determinação do lucro real, devem ser
Patrimonial;
adicionados ao lucro líquido do período de
• Despesas com alimentação dos sócios, acio-
apuração:
nistas e administradores;
• os custos, despesas, encargos, perdas, • Seguro de vida de sócios e acionistas
provisões, participações e quaisquer valores • Participações e gratificações a administra-
deduzidos na apuração do lucro real líquido dores e dirigentes
que, de acordo com a legislação tributária, não
sejam considerados dedutíveis; 2.2.2 Exclusões
• os resultados, rendimentos, receitas e O objetivo das exclusões é não computar na base
quaisquer outros valores não incluídos na de cálculo do imposto receitas que aumentaram o lucro
apuração do lucro líquido que, de acordo com da pessoa jurídica, mas que a legislação do Imposto
a legislação tributária, devam ser computados de Renda considera como não tributáveis. Exclusões
na determinação do lucro real. representam os resultados, rendimentos, receitas e
quaisquer outros valores incluídos na apuração do
Para determinação do lucro real, devem ser
lucro líquido que, de acordo com a legislação tributária,
excluídos do lucro líquido do período de
não sejam computados no lucro real. Devemos excluir
apuração:
da base de cálculo todas as receitas ou ganhos que já
• os valores cuja dedução seja autorizada pela foram tributados, isso para evitar que uma receita ou
legislação tributária e que não tenham sido um ganho sejam tributados duas vezes. Exemplos:
computados na apuração do lucro líquido; os • Lucros e dividendos recebidos de participações
resultados, rendimentos, receitas e quaisquer societárias.
outros valores incluídos na apuração do • Resultado positivo (credor) da avaliação pela
lucro líquido que, de acordo com a legislação equivalência patrimonial.
tributária, não devam ser computados no
lucro real, considerados como valores não 2.2.3 Compensações
tributáveis. Os prejuízos fiscais apurados em O prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração
períodos anteriores podem ser compensados anteriores poderá ser compensado, limitado a 30%
com o lucro real. (trinta por cento), do lucro líquido ajustado pelas
Caro aluno, preste bem atenção! Quando o contador adições e exclusões previstas no Regulamento, desde
de uma empresa elabora uma DRE, ele sabe quais as que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos,
despesas que devem ser tratadas como indedutíveis e exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do
quais receitas devem ser excluídas por já terem sofrido prejuízo fiscal utilizado para compensação (Lei
a tributação anteriormente. Vou apresentar a você 9.065/95, art. 15 e parágrafo único).

190
AULA 18 • LUCRO REAL

2.2.4 LALUR Descontos Condicionais ou Financeiros 6.000,00


O Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur – é um
Despesas Financeiras 6.000,00
livro de escrituração eminentemente fiscal, obrigatório a
todas as pessoas jurídicas contribuintes do Imposto de Juros Passivos 12.000,00
Renda com base no Lucro Real, destinado à apuração Despesas com Brindes 1.500,00
extracontábil do Lucro Real sujeito à tributação para
o Imposto de Renda em cada período de apuração, Despesas Comerciais 7.000,00
contendo elementos que poderão impactar o resultado Despesas com Multas por Infrações 2.000,00
dos períodos futuros. Resultado Devedor de Equivalência
7.000,00
O Lalur é composto de duas partes: Patrimonial
• Parte “A” - é a parte onde serão discriminados Despesas com Depreciação 5.000,00
os ajustes, por data, ao Lucro Real, como:
Despesas com Combustíveis 10.000,00
despesas indedutíveis, valores excluídos e a
respectiva Demonstração do Lucro Real. Despesas com Amortização 7.000,00
• Parte “B” – é onde se incluem os valores que
Despesas com Aluguel 20.000,00
afetarão o Lucro Real de períodos-base futuros,
como por exemplo: Prejuízos a Compensar, Outras Receitas Operacionais 45.000,00
Depreciação Acelerada Incentivada. Juros Ativos 22.000,00
Caro aluno, você não se esqueceu de que agora
temos que calcular o IRPJ e a CSLL, não é? Sendo Descontos Obtidos 8.000,00
assim, temos que transformar o nosso lucro contábil Receitas Financeiras 15.000,00
LAIR em LUCRO REAL, pois a base de cálculo que
Caro aluno, tivemos 3 despesas indedutíveis que
servirá para aplicarmos as alíquotas é o LUCRO REAL.
deverão ser adicionadas, mas não houve nenhum
Vamos continuar com os dados da empresa Comercial
ganho ou receita já tributada que deverá ser excluída.
Marcelo de Arimatéia, ok?
Sendo assim, vamos apurar o LUCRO REAL para
LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL - calcularmos a CSLL.
LALUR - PARTE B
LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL -
PARTE B: Controle de Valores que constituirão LALUR - PARTE A
ajuste do Lucro Líquido de Exercícios Futuros
CÁLCULO DA CSLL
HISTÓRICO VALOR
LAIR 150.565,00
Prejuízo Fiscal no Ano de 2011 280.000,00
+ ADIÇÕES
Observe que a empresa Comercial Marcelo de
Arimatéia apresentou prejuízo fiscal em 2011, de R$ • Despesas com alimentação dos sócios 4.000,00
280.000,00. Essa informação é muito importante para
• Despesas com brindes 1.500,00
encontrarmos a base de cálculo que é o LUCRO REAL.
Para calcularmos o IRPJ, é necessário • Despesas com multas por infrações 2.000,00
primeiramente calcular a CSLL. O cálculo deve ser feito • Resultado Devedor de Equivalência
7.000,00
na parte A do LALUR, mas antes é necessário identificar Patrimonial
quais despesas são indedutíveis na DRE e quais os - EXCLUSÕES 0,00
ganhos ou receitas já foram tributados, ou seja, temos
= BASE DE CÁLCULO PARA COMPENSAÇÕES 165.065,00
que verificar se houve ADIÇÕES e EXCLUSÕES.
Limite para compensações: 165.065,00 X 30% = 49.519,50
Despesas de Vendas 3.000,00
- COMPENSAÇÕES 49.519,50
Despesas Administrativas 2.000,00 = LUCRO REAL 115.545,50
Despesas com alimentação dos sócios 4.000,00 CSLL (9%) 10.399,10

191
Contabilidade Geral

LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL – compensar até 30% do lucro líquido ajustado pelas
LALUR - PARTE A adições e exclusões. Se você prestar atenção, verá que
CÁLCULO DA IRPJ tivemos um LAIR apurado na DRE de R$ 150.565,00 e
um Lucro Líquido depois das adições e exclusões, que
LAIR menos a CSLL 140.165,91 chamamos de Base de Cálculo para Compensações,
+ ADIÇÕES no valor de R$ 165.065,00. É sobre esse valor que
devemos aplicar os 30%. Se o valor encontrado for
• Despesas com alimentação dos sócios 4.000,00
igual ou inferior ao Prejuízo Acumulado, você deverá
• Despesas com brindes 1.500,00 compensar esse valor, porém, se esses 30% forem
• Despesas com multas por infrações 2.000,00 maiores que o Prejuízo Fiscal acumulado e registrado
na Parte B do LALUR, então você irá compensar o que
• Resultado Devedor de Equivalência
7.000,00 você tem, que é o Prejuízo Fiscal.
Patrimonial
Dúvida 02: O valor do Lucro Real que exceder ao
• CSLL 10.399,10
resultado da multiplicação de R$ 20.000,00 (vinte mil
- EXCLUSÕES 0,00 reais) pelo número dos meses do respectivo período de
apuração sujeita-se à incidência do adicional, à alíquota
= BASE DE CÁLCULO PARA COMPENSAÇÕES 165.065,00
de 10% (dez por cento). Sendo assim, caro aluno, você
Limite para compensações: 165.065,00 X 30% = 49.519,50 deverá primeiramente saber de que tipo de período
- COMPENSAÇÕES 49.519,50 você está fazendo a apuração do IRPJ e CSLL. Se for
mensal por estimativa, você deverá subtrair apenas R$
= LUCRO REAL 115.545,50
20.000,00 do Lucro Real e aplicar a alíquota de 10%
IRPJ (15%) 17.331,83 do Adicional do IRPJ. Se for trimestral, você deverá
ADICIONAL (115.545,00 - 60.000,00) X 10% 5.554,55 subtrair R$ 60.000,00, e se for anual R$ 240.000,00.
Preste atenção! No caso da empresa Comercial José
Total do IRPJ 22.886,38
de Arimatéia Sanches, o período é trimestral, pois
Caro aluno, acredito que você está sem entender utilizamos R$ 60.000,00. Vamos supor que o Lucro
alguns pontos, tais como: Real apurado tivesse sido de R$ 19.000,00. Nesse
1- Por que foram compensados apenas R$ 49.519,50, caso não haveria o Adicional de 10% do IPRJ, mas
sendo que na parte B do LALUR tínhamos R$ somente os 15% do IRPJ.
280.000,00? Dúvida 03: A soma do IRPJ com o Adicional é pelo
2- Por que no Adicional do Imposto de Renda foram simples motivo de que a conta IRPJ é o somatório do
subtraídos R$ 60.000,00? IRPJ - 15% - mais o adicional de 10% do IRPJ. Não se
3- Por que se somam os valores do IRPJ mais o pode falar que a alíquota do IRPJ é de 25%, pois nem
Adicional para se levar para DRE? sempre haverá o adicional. Outro motivo é que todas
4- Por que na apuração do IRPJ no LALUR o LAIR as contas na DRE que representam a mesma rubrica
vem subtraído do valor da CSLL? devem ter os valores somados para apresentar apenas
5- E se, ao invés de R$ 49.519,50, fosse encontrado uma única conta.
o valor de R$ 300.000,00, qual valor seria usado Dúvida 04: Na apuração do IRPJ no LALUR, o
para compensações? Os R$ 300.000,00 ou R$ LAIR vem subtraído do valor da CSLL pelo simples fato
280.000,00? de que o valor do LAIR foi alterado depois do cálculo
6- Por que fazer as apurações separadas da CSLL da CSLL. Na DRE seguimos uma sequência, depois do
e do IRPJ, se o valor da base de cálculo (LUCRO LAIR subtrai-se o valor da CSLL.
REAL) foi o mesmo dado para a CSLL e para o Dúvida 05: Deveríamos compensar o valor do
IRPJ? prejuízo que a empresa tem apurado na Parte B, que
Caro aluno, vou explicar cada uma dessas é de R$ 280.000,00; os 30% é o limite que a empresa
possíveis dúvidas: pode compensar.
Dúvida 01: Quando a empresa apresenta prejuízo Dúvida 06: Existem algumas despesas que são
fiscal em períodos de apuração anteriores, ela pode indedutíveis para o IRPJ, mas, para o cálculo da

192
AULA 18 • LUCRO REAL

CSLL, são dedutíveis. Quando acontecem esses


Despesas Administrativas 2.000,00
tipos de despesas, o valor do Lucro Real é diferente.
Exemplo: Despesas com participações e gratificações Despesas com Alimentação dos sócios 4.000,00
a administradores e dirigentes devem ser adicionadas
apenas na apuração do IRPJ. Essas despesas não Descontos Condicionais ou Financeiros 6.000,00
são adicionadas quando da apuração do CSLL. Outra
Despesas Financeiras 6.000,00
despesa é a despesa com seguro de vida de sócios e
acionistas, que é indedutível para IRPJ, mas é dedutível Juros Passivos 12.000,00
para CSLL.
Caro aluno, agora que as dúvidas ficaram Despesas com Brindes 1.500,00
esclarecidas, temos que continuar a elaboração da
Despesas Comerciais 7.000,00
DRE, pois paramos no LAIR e agora já temos a CSLL
e o IRPJ para encontrarmos o nosso Lucro Líquido. Despesas com Multas por Infrações 2.000,00
Como você irá perceber, o valor do LAIR - Lucro
Antes do Imposto de Renda era de R$ 150.565,00. Resultado Devedor de Equivalência
7.000,00
Ao subtrairmos a CSLL – Contribuição Social sobre o Patrimonial
Lucro Líquido – de R$ 10.399,10, encontramos o Lucro
após a CSLL de R$ 140.165,91. Em seguida, com o Despesas com Depreciação 5.000,00
IRPJ calculado no LALUR, pudemos também subtrair
o valor de R$ 22.886,38 e chegamos ao Lucro Líquido Despesas com Combustíveis 10.000,00
antes das Contribuições e Participações no valor de R$
117.279,53. Na nossa próxima aula será exatamente Despesas com Amortização 7.000,00

esse o assunto de que vamos tratar. Vamos falar sobre


Despesas com Aluguel 20.000,00
essas Contribuições e Participações. Se não houvesse
Contribuições e Participações na empresa, como é o Outras Receitas Operacionais 45.000,00
caso da Cia Comercial Marcelo de Arimatéia Sanches,
bastaria encerrar este valor no ARE – Apuração Juros Ativos 22.000,00
do Resultado do Exercício – transferindo-o para o
Patrimônio Líquido. Descontos Obtidos 8.000,00

DRE DA CIA COMERCIAL MARCELO DE ARIMA- Receitas Financeiras 15.000,00


TÉIA SANCHES
Resultado Operacional (RO) 125.565,00
Receita Bruta de Vendas 300.000,00

Devolução de Vendas 10.000,00 Receitas Não Operacionais (outras


36.000,00
receitas)
Descontos Incondicionais de Vendas 4.000,00

Base de Cálculo dos Impostos 286.000,00 Despesas Não Operacionais (outras


11.000,00
despesas)
ICMS (18%) 51.480,00

PIS (1,65%) 4.719,00 Resultado Não Operacional (RNO) 25.000,00

COFINS (7,60%) 21.736,00 LAIR (RO + RNO) 150.565,00


Abatimentos 5.000,00
CSLL 10.399,10
Receita Líquida 203.065,00
Lucro após a CSLL 140.165,91
CMV 30.000,00
IRPJ 22.886,38
Lucro Bruto 173.065,00

Despesas de Vendas 3.000,00 LUCRO LÍQUIDO 117.279,53

193
Contabilidade Geral

2.2.5 Contabilização do IRPJ O registro contábil do pagamento do IRPJ:

2.2.5.1 Exemplo 01 Débito IRPJ a pagar (Passivo) R$.94.000,00

A empresa Vida Reluz Ltda. começou a funcionar Bancos conta Movimento/


Crédito R$ 94.000,000
Banco “X” (Ativo)
em maio de 2012. Obteve Lucro Real de R$ 420.000,00
no ano, assim distribuído: 1º trimestre (janeiro-março) Caso optasse pela apuração anual, a mesma
R$ 200.000,00; 2º trimestre (abril-junho) R$ 400.000,00. empresa estaria sujeita ao pagamento de antecipações
Assim, a empresa Vida Reluz Ltda., optando pela mensais de imposto a serem compensadas quando
apuração trimestral, efetuaria os cálculos a seguir: da apuração do montante devido ao final do ano. Os
valores antecipados pela empresa foram:
IRPJ devido no 1º trimestre/2012:
Janeiro R$ 13.000,00
Lucro
R$ 200.000,00 Fevereiro R$ 16.000,00
Tributável
Março R$ 17.000,00
IRPJ
Abril R$ 12.000,00
Alíquota
R$ 30.000,00 (R$ 200.000,00 x 15%)
Normal Maio R$ 20.000,00
Adicional R$ 14.000,00 (10% s/ R$ 200.000,00 - Junho R$ 19.000,00
do Imposto R$ 60.000,00)
Total R$ 97.000,00
R$ 30.000,000 + R$ 14.000,00 = R$
IRPJ Total Os valores recolhidos a título de antecipação serão
44.000,00
controlados em conta própria. O registro contábil dos
O registro contábil do IRPJ a pagar será:
valores acumulados no ano fica:
Provisão para IRPJ IRPJ Antecipado (Passivo-
Débito R$ 44.000,00 Débito R$ 97.000,00
(Resultado) conta redutora)

Crédito IRPJ a Pagar (Passivo) R$ 44.000,00 Bancos conta Movimento/


Crédito R$ 97.000,00
Banco “X” (Ativo)
O registro contábil do pagamento do IRPJ:
Apurado o IRPJ devido ao final do ano, temos:
Débito IRPJ a pagar (Passivo) R$.44.000,00
IRPJ devido no ano-base 2012
Bancos conta Movimento/
Crédito R$ 44.000,000
Banco “X” (Ativo) Lucro Tributável: R$ 600.000,00 (R$ 200.000,00 +R$
400.000,00)
IRPJ devido no 2º Trimestre /2012;
IRPJ:
Lucro
R$ 400.000,00
Tributável Alíquota Normal: R$ 90.000,00 (R$ 600.000,00 x 15%)
IRPJ Adicional do IRPJ: R$ 48.000,00 (10% s/ R$ 600.000,00
– R$ 120.000,000)
Alíquota
R$ 60.000,00 (R$ 400.000,00 x 15%)
Normal IRPJ: R$ 138.000,00
Adicional R$ 34.000,00 (10% s/ R$ 400.000,00 – Caro aluno, observe que são 6 meses para calcular
do Imposto R$ 60.000,00) o adicional (6 x 20.000,00).
R$ 60.000,00 + R$ 34.000,00 = R$
Os registros contábeis decorrentes da apuração do
IRPJ Total imposto são:
94.000,00

O registro contábil do IRPJ a pagar será: Pela apuração do IRPJ devido:

Provisão para IRPJ Provisão para IRPJ


Débito R$ 94.000,00 Débito R$ 138.000,00
(Resultado) (Resultado)

Crédito IRPJ a Pagar (Passivo) R$ 94.000,00 Crédito IRPJ a Pagar (Passivo) R$ 138.000,00

194
AULA 18 • LUCRO REAL

Pela compensação do IRPJ antecipado com o por exemplo: Prejuízos a Compensar, Depreciação
IRPJ devido Acelerada Incentivada. Vimos também as Adições,
que são despesas que devem ser adicionadas ao
Débito IRPJ a Pagar (Passivo) R$ 97.000,00
Resultado, por serem consideradas pelo FISCO como
IRPJ Antecipado (Passivo - desnecessárias para o andamento das atividades
Crédito R$ 97.000,00
Conta Redutora)
da empresa, como multas, brindes, doações. Em
Caro aluno, observe que o valor pago por estimativa seguida vimos que o objetivo das Exclusões é o de
foi de R$ 97.000,00, e a apuração anual foi de R$ não computar na base de cálculo do imposto receitas
138.00,00. Sendo assim, a empresa deverá recolher a que aumentaram o lucro da pessoa jurídica, mas que
diferença de R$ 41.000,00. a legislação do Imposto de Renda considera como
Pelo pagamento da diferença do IRPJ devido não tributáveis. Exclusões representam os resultados,
rendimentos, receitas e quaisquer outros valores
Débito IRPJ a Pagar (Passivo) R$ 41.000,00 incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo
Crédito Banco R$ 41.000,00 com a legislação tributária, não sejam computados no
lucro real. Devemos excluir da base de cálculo todas as
3 RESUMO receitas ou ganhos que já foram tributados, para evitar
que uma receita ou um ganho sejam tributados duas
Na aula de hoje fizemos um exercício prático para vezes. Por exemplo, o resultado credor da equivalência
calcularmos os tributos tanto sobre receita como sobre patrimonial. Em seguida estudamos as Compensações
o lucro. Para o cálculo dos tributos sobre a receita, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração
antes de tudo vimos que a empresa era um comércio e anteriores, limitado a 30% (trinta por cento) do lucro
o regime tributário era o Lucro Real Trimestral. O cálculo líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas no
dos tributos sobre receita (ICMS, PIS e COFINS) foi Regulamento, desde que a pessoa jurídica mantenha
bem simples. Bastou pegar a Receita Bruta e deduzir os livros e documentos, exigidos pela legislação
algumas contas permitidas por lei como: Devolução de fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para
Vendas e os Descontos Incondicionais ou Descontos compensação (Lei 9.065/95, art. 15 e parágrafo único).
Comerciais. Porém, para o cálculo dos tributos sobre
o Lucro, como a CSLL e o IRPJ, foram estudados 4 ATIVIDADES
alguns tópicos como: Lucro Real, que é o lucro
01- Considere os dados da Cia. Comercial Mattos Nas-
líquido do período apurado na escrituração contábil,
cimento Sanches e faça a DRE apurando os tribu-
denominado lucro contábil, ajustado pelas exclusões e
tos - Lucro Real Trimestral.
compensações autorizadas pela Legislação do Imposto
de Renda. Os ajustes no lucro líquido do período de
apuração e demonstração da apuração do Lucro Real
PIS: 1,65% COFINS: 7,60% ICMS: 18,00% IRPJ:
devem ser transcritos no Lalur (Livro de Apuração do 15% ADICIONAL do IRPJ: 10%, CSLL: 9,00%
Lucro Real). Na prática, às vezes, a empresa tem um
resultado negativo (prejuízo), mas a legislação do IR
manda adicionar a ele diversos valores que considera OBS: A empresa apresentou: Prejuízo Acumulado
indedutíveis. Em seguida vimos que o LALUR é peça de Exercícios Anteriores no valor de R$ 400.000,00.
fundamental para a apuração do lucro real. Portanto Lembre-se: você deverá apurar a CSLL e o IRPJ no
estão obrigadas a escriturá-lo todas as pessoas LALUR.
jurídicas submetidas a essa forma de tributação, ainda
CONTAS DE RESULTADO R$
que por opção. Vimos que ele tem duas partes: Parte
“A” - é a parte onde serão discriminados os ajustes, Despesas de Vendas 35.152,00
por data, ao Lucro Real, como: despesas indedutíveis, Descontos Incondicionais ou Comerciais
valores excluídos e a respectiva Demonstração do 32.000,00
s/ vendas
Lucro Real. Parte “B” é onde se incluem os valores que
Descontos Obtidos 42.300,00
afetarão o Lucro Real de períodos-base futuros, como

195
Contabilidade Geral

Abatimentos sobre Vendas 26.630,00 Despesas Financeiras 6.000,00


Outras Receitas (Receitas Não Despesas Comerciais 7.000,00
99.300,00
Operacionais)
Receita Bruta de Vendas 600.000,00
Custo de Mercadorias Vendidas 222.000,00
Outras Despesas (Despesas não
Receitas Financeiras 39.300,00 11.000,00
Operacionais)
Devolução de Vendas 46.000,00
Despesas com Alimentação dos Sócios 4.000,00
Despesas Administrativas 21.250,00 Despesas com multas por Infrações 2.000,00
Despesas Comerciais 2.600,00 Resultado Credor de Equivalência
7.000,00
Receita Bruta de Vendas 900.000,00 Patrimonial
Despesas com Brindes 1.500,00
Outras Despesas (Despesas não
71.600,00 Participações e Gratificações a
Operacionais) 5.000,00
Administradores e Dirigentes
Despesas com Alimentação dos Sócios 17.200,00
Despesas com Lanches 11.000,00
Despesas com Multas por Infrações 11.750,00
Despesas com Materiais 9.000,00
Resultado Devedor de Equivalência Despesas com Viagens 2.000,00
23.000,00
Patrimonial
Despesas com Táxi 3.000,00
Despesas com Brindes 8.200,00
Despesas com Expediente 8.000,00
02- Considere os dados da Cia. Anderson Freire
Despesas com Taxas 6.000,00
Sanches para fazer a DRE, apurando os tributos -
Lucro Real Trimestral. Despesas com Manutenção 1.000,00
Despesas com Seguros 2.000,00
PIS: 1,65% COFINS: 7,60% ICMS: 18,00% IRPJ:
Despesas com IPVA 7.000,00
15% ADICIONAL do IRPJ: 10%, CSLL: 9,00%
Despesas com IPTU 6.000,00
OBS: A empresa apresentou Prejuízo Acumulado Despesas com Aluguel 5.000,00
de Exercícios Anteriores no valor de R$ 900.000,00.
Despesas com Água 4.000,00
Lembre-se: você deverá apurar a CSLL e o IRPJ no
LALUR.
REFERÊNCIAS
CONTAS DE RESULTADO R$
ALMEIDA, M. C. Curso básico de Contabilidade:
Despesas de Vendas 3.000,00 introdução à metodologia da Contabilidade,
Contabilidade básica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1998.
Descontos Incondicionais ou Comerciais 4.000,00
BAPTISTA, Antônio Eustáquio; GONÇALVES,
Descontos Obtidos 8.000,00 Eugenio Celso. Contabilidade geral. 7. ed. São
Paulo: Atlas, 2011.
Abatimentos sobre Vendas 5.000,00
BRASIL. Lei nº 11.638/07 de 28 de dezembro de
Outras Receitas (Receitas Não 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei 6.404/76,
36.000,00 de 15 de dezembro de 1976, e da Lei nº 6.385, de 7
Operacionais)
de dezembro de 1976
Custo de Mercadorias Vendidas 30.000,00
e estende às sociedades de grande porte
Receitas Financeiras 15.000,00 disposições relativas à elaboração e divulgação de
demonstrações financeiras. Publicada na DOU de
Devolução de Vendas 10.000,00
28.12.2007 – Edição Extra.
Descontos Condicionais ou Financeiros 6.000,00 BRASIL. Lei nº 6.404/76, de 15 de dezembro de
Despesas Administrativas 2.000,00 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações.
Consolidada. Publicada em 08.01.2008.

196
AULA 18 • LUCRO REAL

BRASIL. Lei nº 11.941/09, de 27 de maio de 2009. IOB. Guia de Contabilidade on line.


Dispõe sobre alterações na Lei das Sociedades
IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade.
por Ações.
10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
FIPECAFI- Fundação Instituto de Pesquisas
Contábeis, Atuariais e Financeiras. Manual de PADOVEZE, C. L. Manual de Contabilidade
Contabilidade Societária: aplicável a todas as básica: uma introdução à Contabilidade básica;
sociedades. IUDÍCIBUS, Sérgio; MARTINS, Eliseu; uma introdução à prática contábil. 3. ed. São Paulo:
GELBCKE, Ernesto Rubens; SANTOS. São Paulo: Atlas, 1996.
Altas, 2007. RIBEIRO, Osni Moura. Contabilidade básica. 27.
FRANCO, Hilário. Contabilidade geral. 23. ed. São ed. São Paulo: Saraiva, 2010.
Paulo: Saraiva, 1996. SILVA, César Augusto Tibúrcio; TRISTÃO, Gilberto.
GOUVEIA, Nelson. Contabilidade. São Paulo: Contabilidade básica. 4. ed. São Paulo: Editora
Atlas, 1998. Atlas, 2009.

197
Unidade 05

Contabilidade Geral
TRIBUTOS SOBRE RECEITA E LUCRO

AULA 19

CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES

Objetivos
• Compreender o que sejam os
Debenturistas.
• Verificar como se dão as Participações
de Empregados.
• Verificar como se dão as Participações
de Administradores.
• Entender o que são Partes Beneficiárias.
• Conhecer o que são Fundos de
Assistência aos Empregados.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO (-) Participações dos Administradores

Hoje nossa aula traz assuntos interessantes como: (=) 4ª Base de Cálculo
Contribuições e Participações. É comum o aluno
(-) Participações das Partes Beneficiárias
apurar a DRE, encontrando o Lucro Líquido ou Prejuízo
Líquido e transportá-los para o Balanço Patrimonial. (=) 5ª Base de Cálculo
Nossa aula de hoje mostrará que, no final de cada
ano-calendário, deve-se calcular o valor do Imposto de (-) Contribuições
Renda e da Contribuição Social por meio da alíquota O registro contábil no cálculo das participações
incidente sobre o lucro contábil, o qual é ajustado
de acordo com as determinações legais (Lucro Real Despesas com Participações
Débito R$
apurado no Lalur – Livro de Apuração do Lucro Real). (Resultado)
Além disso, a contabilização do Imposto de Renda e da
Crédito Participações a Pagar (Passivo) R$
Contribuição Social deve ser feita creditando contas do
Passivo Circulante (Imposto de Renda e Contribuição O registro contábil no pagamento das partici-
Social sobre Lucro Líquido a Pagar) e debitando contas pações
de despesa (Imposto de Renda e Contribuição Social).
Obtendo-se o Lucro após a Contribuição Social e o Débito Participações a Pagar (Passivo) R$
Imposto de Renda, faz-se a dedução das Contribuições
e Participações para se chegar ao Lucro (Prejuízo) Crédito Caixa ou Bancos (Ativo) R$
Líquido do Exercício. Vamos então conhecer cada uma
dessas contribuições e participações. Venha comigo. 2.1 Debêntures
2 CONTRIBUIÇÕES E São títulos mobiliários que representam
empréstimos de longo prazo contraídos por sociedade
PARTICIPAÇÕES anônima, por meio de lançamento público ou particular,
A forma de cálculo das participações estatutárias junto a investidores interessados. Além da participação
é definida nos artigos 189 e 190 Lei 6.404/76. Em nos lucros, rendem ao adquirente juros fixos ou
consonância com tais artigos, as participações variáveis, prêmio de reembolso e atualização monetária
e contribuições são calculadas e deduzidas do (por serem títulos cujo prazo de vencimento é superior
resultado do exercício após compensados os prejuízos a um ano), garantidos pelo ativo da companhia e
acumulados e a provisão para o Imposto de Renda e assegurando preferência quando do resgate.
Contribuição Social.
Conforme essa normatização, as participações Características
serão determinadas sucessivamente, com base nos Esses títulos podem:
lucros que remanescem (sobram) após a dedução a) não ser conversíveis em ações;
da participação anteriormente calculada, observada
b) sofrer amortizações parciais ou resgate anteci-
a seguinte ordem: Debenturistas, Empregados,
pado;
Administradores e Partes Beneficiárias. Como a Lei
c) ter vencimento condicionado a algum evento;
não menciona as contribuições, entendemos que elas
serão calculadas por último, da seguinte forma: d) ter garantia real ou flutuante;
e) conter cláusula de repactuação (normalmente
R$
um ano), ou seja, o comprador que não se
Lucro após o IR interessar pelo título, tem direito de revendê-lo
(-) Prejuízos Acumulados ao emitente.
(=) 1ª Base de Cálculo
2.2 Participações de
(-) Participações do Debenturistas
empregados e administradores
(=) 2ª Base de Cálculo
Correspondem a um complemento da remuneração
(-) Participações dos Empregados
dos funcionários estabelecido no estatuto ou no
(=) 3ª Base de Cálculo
contrato social a partir de um percentual sobre o lucro.

200
AULA 19 • CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES

2.3 Partes Beneficiárias O cálculo do lucro por ação é feito de maneira


bastante simples: basta dividir o lucro líquido do
São títulos negociáveis, sem valores nominais
exercício pelo número de ações em circulação do
e estranhos ao Capital Social, que conferirão aos
capital social.
seus titulares direitos de crédito eventual contra a
companhia, crédito que consiste na participação
Lucro por Ação = lucro líquido do exercício /
dos lucros anuais. A participação atribuída às partes
nº de ações
beneficiárias, inclusive para a formação de reserva
para resgate, se houver, não ultrapassará 10% dos
As ações podem ser ordinárias ou preferenciais:
lucros. Esses títulos poderão ser cedidos gratuitamente
Ordinárias (ON): concedem àqueles que as
ou alienados a acionistas ou terceiros, nas condições
possuem o poder de voto nas assembleias
determinadas pelo estatuto ou assembleia geral.
deliberativas da companhia.
Preferenciais (PN): oferecem preferência na
Atenção:
distribuição de resultados ou no reembolso do
• as participações quando contabilizadas
capital em caso de liquidação da companhia, não
geram despesas;
concedendo o direito de voto, ou restringindo-o.
• devemos, antes do seu cálculo, compensar
Os dividendos correspondem à parcela de lucro
os prejuízos acumulados (se houver;
líquido distribuída aos acionistas ao fim de cada
• a ordem deve ser obedecida: Debenturistas,
exercício social, na proporção da quantidade de ações
Empregados, Administradores, Partes
detida. A companhia deve distribuir, no mínimo, 25% de
Beneficiárias e Fundos de Assistência de
seu lucro líquido ajustado.
Previdência de Empregados.
2.5 Exercício 01
2.3 Contribuições A Cia Comercial Celina Borges Sanches
São doações às constituições de fundações, apresentava os seguintes saldos em 31/03/2012, ou
cuja finalidade é assistir o quadro de funcionários seja, no primeiro trimestre de 2012
e as previdências particulares, complementando CONTAS VALORES
aposentadorias que, definidas em estatuto, serão Despesas Administrativas 33.000,00
calculadas e deduzidas como participação nos lucros Despesas com Brindes 40.000,00
anuais. Essas contribuições são dedutíveis para efeito Devolução de Vendas 70.000,00
do Imposto de Renda. Descontos Incondicionais ou
30.000,00
Comerciais sobre Vendas
2.4 Lucro por Ação Abatimentos sobre Vendas 100.000,00
Segundo Iudícibus e Marion (2009, p. 228), “é Descontos Condicionais ou
10.000,00
exigência do inciso VII do art. 187 da Lei das S.A que Financeiros sobre Vendas
na DRE seja exibido, em seu final, lucro (prejuízo) Despesas Não Operacionais 90.000,00
líquido por ações em que se divide o Capital Social da Despesas Comerciais 25.000,00
companhia”. Despesas de Vendas 17.000,00
Como pode perceber, caro aluno, há na Lei Receitas Não Operacionais 200.000,00
das Sociedades Anônimas uma prerrogativa para CMV 500.000,00
esclarecer, após a apuração do resultado líquido Receita Bruta de Vendas 2.000.000,00
do exercício (lucro ou prejuízo), se houve ou não Despesas com Alimentação de Sócios 20.000,00
valorização de suas ações.
Multas por Infrações Fiscais 22.000,00
Uma das funções de obter o lucro por ação é
Descontos Obtidos 14.000,00
orientar os acionistas - principalmente no caso de
Saldo Credor Equivalência Patrimonial 18.000,00
empresas de capital aberto - e os investidores quanto à
Prejuízo Operacional do Ano de 2011 800.0000,00
evolução do desempenho operacional que a empresa
sofre ao longo dos exercícios financeiros. Receitas Financeiras 400.000,00

201
Contabilidade Geral

Demonstração do Resultado do Exercício – DRE


Calcular as Contribuições e Participações, sendo – da Cia Celina Borges Sanches - 31/03/2012
cada uma com 10%
Receita Bruta de Vendas 2.000.000,00
Considerar os seguintes impostos: Devolução de Vendas 70.000,00
LUCRO REAL TRIMESTRAL Descontos Incondicionais de Vendas 30.000,00

Base de Calculo dos Impostos 1.900.000,00


PIS: 1,65% COFINS: 7,60% ICMS: 18,00% IRPJ:
ICMS 342.000,00
15% ADICIONAL DO IRPJ: 10%, CSLL: 9,00%
PIS 31.350,00

OBSERVAÇÃO: COFINS 144.400,00

Abatimentos 100.000,00
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS
30%
ACUMULADOS Receita Líquida de Vendas 1.282.250,00

A - Após elaborar a DRE - Demonstração de Re- CMV 500.000,00


sultado do Exercício (DRE) responda: Lucro Bruto 782.250,00

1- Qual o valor do Lucro Líquido? Despesas/ Outras Receitas


Operacionais
2- Qual o valor da CSLL?
Despesas de Vendas 17.000,00
3- Qual o valor do IRPJ?
4- Qual o valor dos Prejuízos Fiscais Operacionais de Despesas Administrativas 33.000,00

2011 que poderá ser compensado no LALUR? Despesas com Alimentação dos Sócios 20.000,00
5- Qual o valor da Receita Líquida de Vendas? Despesas com Brindes 40.000,00
6- Qual o valor do Lucro Bruto?
Despesas Comerciais 25.000,00
7- Qual o valor do Lucro Operacional?
Multas por Infrações Fiscais 22.000,00
8- Qual o valor do Lucro Não Operacional?
Descontos Obtidos 14.000,00
9- Quais são despesas consideradas indedutíveis
que deverão ser adicionadas no LALUR? Receitas Financeiras 400.000,00

10- Qual conta deverá ser excluída no LALUR? Despesas com Depreciação 15.000,00
11- Qual o valor da Participação dos Debenturistas? Descontos Condicionais 10.000,00
12- Qual o valor da Participação dos Empregados? Resultado Operacional 1.014.250,00
13- Qual o valor da Participação dos Administradores?
RNO 128.000,00
14-
Qual ao valor da Participação das Partes
Receitas Não Operacionais 200.000,00
Beneficiárias?
15- Qual o valor da Contribuição ao Fundo de Despesas Não Operacionais 90.000,00

Assistência aos Empregados? Resultado Credor com Equivalência


18.000,00
Patrimonial
Caro aluno, para responder às questões anteriores,
LAIR 1.142.250,00
devemos primeiramente apurar a Demonstração do
Resultado do Exercício até o LAIR – Lucro Antes de CSLL 75.993,75

Imposto de Renda, e em seguida devemos apurar o Lucro Depois da CSLL e Antes do


1.066.256,25
IRPJ
Lucro Real para calcularmos assim a CSLL e o IRPJ.
Após o cálculo desses dois tributos, voltamos com IRPJ 205.093,75

esses valores para a DRE para encontrar o Lucro Lucro Líquido antes das
861.162,50
Líquido. Está pronto? Então venha comigo. Contribuições e Participações

202
AULA 19 • CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES

1º: APURAÇÃO DA CSLL RESUMO DA DRE DA CIA CELINA BORGES


SANCHES
LAIR - LUCRO ANTES DO IMPOSTO
1.142.250,00
DE RENDA
LAIR 1.142.250,00
(+) ADIÇÕES
CSLL 75.993,75
Despesas com Alimentação dos Sócios 20.000,00
Lucro Depois da CSLL e Antes do
Despesas com Brindes 40.000,00 1.066.256,25
IRPJ
Despesas com Multas por Infrações 22.000,00
IRPJ 205.093,75
TOTAL DAS ADIÇÕES 82.000,00
Lucro Líquido antes das
(-) EXCLUSÕES 861.162,50
Contribuições e Participações
Resultado Credor de Equivalência
18.000,00 3º: APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES
Patrimonial
TOTAL DAS EXCLUSÕES 18.000,00 R$
BASE DE CÁLCULO PARA Lucro Líquido antes das Contribuições
1.206.250,00 861.162,50
COMPENSAÇÕES e Participações
(-) MENOS COMPENSAÇÕES (30%) 361.875,00 (-) Prejuízos Acumulados (800.000,00)
(=) LUCRO REAL 844.375,00 (=) 1ª Base de Cálculo 61.162,50
CSLL (9% X 844.375,00) 75.993,75
(-) Participações do Debenturistas
(6.116,25)
2º: APURAÇÃO DO IRPJ (10%)

LAIR - LUCRO ANTES DO IMPOSTO (=) 2ª Base de Cálculo 55.046,25


1.066.256,25
DE RENDA (-) Participações dos Empregados
(5.504,63)
(10%)
(+) ADIÇÕES  
(=) 3ª Base de Cálculo 49.541,63
CSLL 75.993,75
(-) Participações dos Administradores
Despesas com Alimentação dos Sócios 20.000,00 (4.954,16)
(10%)
Despesas com Brindes 40.000,00 (=) 4ª Base de Cálculo 44.587,46
Despesas com Multas por Infrações 22.000,00 (-) Participações das Partes
(4.458,75)
Beneficiárias (10%)
TOTAL DAS ADIÇÕES 157.993,75
(=) 5ª Base de Cálculo 40.128,72
(-) EXCLUSÕES  
(-) Contribuições ao Fundo de
Resultado Credor de Equivalência 4.012,87
18.000,00 Assistência aos Empregados (10%)
Patrimonial
LUCRO LÍQUIDO 36.115,84
TOTAL DAS EXCLUSÕES 18.000,00
Caro aluno, o valor que irá para o Patrimônio
BASE DE CÁLCULO PARA Líquido no Balanço Patrimonial é de R$ 36.115,84.
1.206.250,00
COMPENSAÇÕES Esse valor irá compor a conta de Lucro Acumulado,
(-) MENOS COMPENSAÇÕES (30%) 361.875,00
que deverá ser distribuído dentro do PL na constituição
das reservas e na distribuição dos dividendos.
(=) LUCRO REAL 844.375,00

IRPJ (15% X 844.375,00) 126.656,25


3 RESUMO
ADICIONAL (844.375,00 - 60.000,00) X Na aula de hoje vimos que a forma de cálculo
78.437,50
10% das participações estatutárias é definida em lei. Em
consonância com os artigos dessa lei, as participações
IRPJ (15% + ADICIONAL) 205.093,75
e contribuições são calculadas e deduzidas do

203
Contabilidade Geral

resultado do exercício após compensados os prejuízos ou no reembolso do capital em caso de liquidação


acumulados e a provisão para o Imposto de Renda e da companhia, não concedendo o direito de voto, ou
Contribuição Social. Conforme essa normatização, as restringindo-o. Para terminar, vimos que os dividendos
participações serão determinadas, sucessivamente, correspondem à parcela de lucro líquido distribuída aos
com base nos lucros que remanescem (sobram) acionistas ao fim de cada exercício social, na proporção
após a dedução da participação anteriormente da quantidade de ações detida. A companhia deve
calculada, observada a seguinte ordem: Debenturistas, distribuir, no mínimo, 25% de seu lucro líquido ajustado.
Empregados, Administradores e Partes Beneficiárias.
Como a Lei não menciona as contribuições, entendemos 4 ATIVIDADES
que essas serão calculadas por último. Em seguia
01- A Cia Alex Gonzaga Sanches prestadora de
vimos que Debêntures são títulos mobiliários, que
serviços apresentava os seguintes saldos em
representam empréstimo de longo prazo contraído por
30/06/2010, ou seja no segundo trimestre de 2012
sociedade anônima, por meio de lançamento público
ou particular, junto a investidores interessados. Além CONTAS VALORES
da participação nos lucros, rendem ao adquirente Despesas Administrativas 39.000,00
juros, fixos ou variáveis, prêmio de reembolso e Despesas com Brindes 45.000,00
atualização monetária (por serem títulos cujo prazo de Devolução de Vendas 78.000,00
vencimento é superior a um ano), garantidos pelo ativo Descontos Incondicionais ou
da companhia e assegurando preferência quando do 32.000,00
Comerciais sobre Vendas
resgate. Vimos que Participações de Empregados e Abatimentos sobre Vendas 120.000,00
Administradores correspondem a um complemento da
Descontos Condicionais ou
remuneração dos funcionários estabelecido no estatuto 12.000,00
Financeiros sobre Vendas
ou contrato social a partir de um percentual sobre o
Despesas Não Operacionais 100.000,00
lucro. Em seguida vimos que Partes Beneficiárias são
Despesas Comerciais 26.000,00
títulos negociáveis, sem valores nominais e estranhos
Despesas de Vendas 18.000,00
ao Capital Social, que conferirão aos seus titulares
direitos de crédito eventual contra a companhia Receitas Não Operacionais 500.000,00
que consiste na participação dos lucros anuais. Em CSP – (Custo dos Serviços
600.000,00
Prestados)
seguida vimos que Contribuições são doações às
constituições de fundações, cuja finalidade é assistir o Receita Bruta de Vendas de Serviços 3.400.000,00
quadro de funcionários e as previdências particulares, Despesas com Depreciação 15.000,00
complementando aposentadorias que, definidas Despesas com Alimentação de Sócios 30.000,00
em estatuto, serão calculadas e deduzidas como
Multas por Infrações Fiscais 27.000,00
participação nos lucros anuais. Essas contribuições
são dedutíveis para efeito do Imposto de Renda. Em Descontos Obtidos 15.000,00
seguida estudamos Lucro por Ação, que tem como Saldo Credor de Equivalência
20.000,00
uma de suas funções obter o lucro por ação e orientar Patrimonial
os acionistas - principalmente no caso de empresas Prejuízo Fiscal do Ano de 2011 50.000,00
de capital aberto - e os investidores quanto à evolução Receita Financeira 500.000,00
do desempenho operacional que a empresa sofre ao
Participações e Gratificações a
longo dos exercícios financeiros. O cálculo do lucro 90.000,00
Administradores e Dirigentes,
por ação é feito de maneira bastante simples: basta
dividir o lucro líquido do exercício pelo número de ações Considerar os seguintes impostos:
em circulação do capital social. Em seguida vimos dois LUCRO REAL TRIMESTRAL
tipos de ações: Ordinárias (ON): concedem àqueles
que as possuem o poder de voto nas assembleias PIS: 1,65% COFINS: 7,60% ISS: 5,00% IRPJ:
deliberativas da companhia; e Preferenciais (PN): 15% ADICIONAL DO IRPJ: 10%, CSLL: 9,00%
oferecem preferência na distribuição de resultados

204
AULA 19 • CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES

OBSERVAÇÃO:
Despesas com Multas por Infrações 12.750,00
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Resultado Credor de Equivalência
30% 29.000,00
ACUMULADOS Patrimonial

A - Após elaborar a DRE - Demonstração de Re- Despesas com Brindes 9.200,00


sultado do Exercício (DRE) responda: Considerar os seguintes impostos:
1- Qual o valor do Lucro Líquido? LUCRO REAL TRIMESTRAL
2- Qual o valor da CSLL?
3- Qual o valor do IRPJ? PIS: 1,65% COFINS: 7,60% INSS: 19,00% IRPJ:
4- Qual o valor dos Prejuízos Fiscais Operacionais 15% ADICIONAL DO IRPJ: 10%, CSLL: 9,00%
de 2011 que poderá ser compensado no
LALUR?
OBSERVAÇÃO:
5- Qual o valor da Receita Líquida de Vendas?
6- Qual o valor do Lucro Bruto? COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS
30%
7- Qual o valor do Lucro Operacional? ACUMULADOS
8- Qual o valor do Lucro Não Operacional? A - Após elaborar a DRE - Demonstração de
9- Quais são despesas consideradas indedutíveis Resultado do Exercício, responda:
que deverão ser adicionadas ao LALUR?
1- Qual o valor do Lucro Líquido?
10- Qual conta deverá ser excluída do LALUR?
2- Qual o valor da CSLL?
11- Qual o valor da Participação dos Debenturistas?
3- Qual o valor do IRPJ?
12- Qual o valor da Participação dos Empregados?
4- Qual o valor dos Prejuízos Fiscais Operacionais
13- Qual o valor da Participação dos Administradores?
de 2011 que poderá ser compensado no
14- Qual o valor da Participação das Partes
LALUR?
Beneficiárias?
5- Qual o valor da Receita Líquida de Vendas?
15- Qual o valor da Contribuição ao Fundo de
6- Qual o valor do Lucro Bruto?
Assistência aos Empregados?
7- Qual o valor do Lucro Operacional?
02- A Cia Comercial Eliana Ribeiro Sanches apresen-
8- Qual o valor do Lucro Não Operacional?
tava os seguintes saldos em 30/09/2010, ou seja,
9- Quais são despesas consideradas indedutíveis
no terceiro trimestre de 2012.
que deverão ser adicionadas ao LALUR?
CONTAS DE RESULTADO R$ 10- Qual conta deverá ser excluída do LALUR?
Despesas de Vendas 155.152,00 11- Qual o valor da Participação dos Debenturistas?
Descontos Incondicionais ou
52.000,00
12- Qual o valor da Participação dos Empregados?
Comerciais s/ Vendas 13- Qual o valor da Participação dos
Descontos Obtidos 42.300,00 Administradores?
Abatimentos sobre Vendas 80.000,00 14- Qual o valor da Participação das Partes
Outras Receitas (Receitas Não Beneficiárias?
89.300,00
Operacionais) 15- Qual o valor da Contribuição ao Fundo de
Custo de Mercadorias Vendidas 444.000,00 Assistência aos Empregados?
Receitas Financeiras 49.300,00 03- A Cia Beatriz Andrade, prestadora de serviços,
Devolução de Vendas 56.000,00 apresentava os seguintes saldos em 30/06/2010,
Despesas Administrativas 27.250,00 ou seja, no segundo trimestre de 2012.
Despesas Comerciais 3.600,00 CONTAS DE RESULTADO R$
Receita Bruta de Vendas 2.600.000,00 Despesas de Vendas 8.000,00
Outras Despesas (Despesas não Descontos Incondicionais ou
81.600,00 1.000,00
Operacionais) Comerciais
Despesas com Alimentação dos Descontos Obtidos 6.000,00
18.200,00
Sócios Abatimentos sobre Vendas 4.000,00

205
Contabilidade Geral

3- Qual o valor do IRPJ?


Outras Receitas (Receitas Não
31.000,00 4- Qual o valor dos Prejuízos Fiscais Operacionais
Operacionais)
CSP - Custo dos Serviços Prestados 920.000,00
de 2011 que poderá ser compensado no
LALUR?
Receitas Financeiras 18.000,00
5- Qual o valor da Receita Líquida de Vendas?
Devolução de Vendas 12.000,00
6- Qual o valor do Lucro Bruto?
Descontos Condicionais ou
9.000,00 7- Qual o valor do Lucro Operacional?
Financeiros
Despesas Administrativas 1.000,00
8- Qual o valor do Lucro Não Operacional?
9- Quais são as despesas consideradas
Despesas Financeiras 11.000,00
indedutíveis que deverão ser adicionadas ao
Despesas Comerciais 17.000,00
LALUR?
Receita Bruta de Vendas de Serviços 5.800.000,00
10- Qual conta deverá ser excluída do LALUR?
Outras Despesas (Despesas não
12.000,00 11- Qual o valor da Participação dos Debenturistas?
Operacionais)
12- Qual o valor da Participação dos Empregados?
Despesas com Alimentação dos
14.000,00 13- Qual o valor da Participação dos Administra-
Sócios
dores?
Despesas com Multas por Infrações 12.000,00
14- Qual o valor da Participação das Partes Bene-
Resultado Credor de Equivalência
27.000,00 ficiárias?
Patrimonial
15- Qual o valor da Contribuição ao Fundo de
Despesas com Brindes 21.500,00
Assistência aos Empregados?
Participações e Gratificações a 04- A Indústria Daniela Araújo Sanches apresentava
15.000,00
Administradores e Dirigentes
os seguintes saldos em 30/06/2012, ou seja, no
Despesas com Lanches 11.000,00
segundo trimestre de 2012.
Despesas com Materiais 19.000,00
CONTAS VALORES
Despesas com Viagens 12.000,00
Despesas com Táxi 13.000,00 Despesas Administrativas 49.000,00
Despesas com Expediente 58.000,00 Despesas com Brindes 55.000,00
Despesas com Taxas 46.000,00 Devolução de Vendas 88.000,00
Despesas com Manutenção 61.000,00 Descontos Incondicionais ou
42.000,00
Despesas com Seguros 32.000,00 Comerciais sobre Vendas
Despesas com IPVA 87.000,00 Abatimentos sobre Vendas 150.000,00
Despesas com IPTU 56.000,00 Descontos Condicionais ou
18.000,00
Despesas com Aluguel 85.000,00 Financeiros sobre Vendas
Despesas com Água 94.000,00 Despesas Não Operacionais 130.000,00
Considerar os seguintes impostos: Despesas Comerciais 31.000,00
Despesas de Vendas 21.000,00
LUCRO REAL TRIMESTRAL
Receitas Não Operacionais 600.000,00
CPV (Custo dos Produtos Vendidos) 700.000,00
PIS: 1,65% COFINS: 7,60% ISS: 5,00% IRPJ: Receita Bruta na Venda de Produtos 4.400.000,00
15% ADICIONAL DO IRPJ: 10%, CSLL: 9,00% Despesas com Depreciação 85.000,00
Despesas com Alimentação de Sócios 40.000,00
OBSERVAÇÃO: Multas por Infrações Fiscais 37.000,00
Descontos Obtidos 16.000,00
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS
30% Saldo Credor de Equivalência
ACUMULADOS 220.000,00
Patrimonial
A - Após elaborar a DRE - Demonstração de Prejuízo Fiscal do Ano de 2011 420.000,00
Resultado do Exercício, responda: Receita Financeira 800.000,00
1- Qual o valor do Lucro Líquido? Participações e Gratificações a
120.000,00
Administradores e Dirigentes,
2- Qual o valor da CSLL?

206
AULA 19 • CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES

Considerar os seguintes impostos:


Descontos Condicionais ou
12.000,00
LUCRO REAL TRIMESTRAL Financeiros sobre Vendas
Despesas Não Operacionais 98.000,00
PIS: 1,65%, COFINS: 7,60%, IPI: 11,00%, ICMS: Despesas Comerciais 26.000,00
18%, IRPJ: 15%, ADICIONAL DO IRPJ: 10%, Despesas de Vendas 19.000,00
CSLL: 9,00%.
Receitas Não Operacionais 230.000,00
CMV 700.000,00
OBSERVAÇÃO:
Receita Bruta de Vendas 3.800.000,00
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS
30% Despesas com Alimentação de
ACUMULADOS 30.000,00
Sócios
A - Após elaborar a DRE - Demonstração de Multas por Infrações Fiscais 28.000,00
Resultado do Exercício, responda: Descontos Obtidos 18.000,00
1- Qual o valor do Lucro Líquido? Saldo Devedor de Equivalência
37.000,00
2- Qual o valor da CSLL? Patrimonial
3- Qual o valor do IRPJ? Prejuízo Operacional do Ano de 2011 188.0000,00
4- Qual o valor dos Prejuízos Fiscais Operacionais Receitas Financeiras 400.000,00
de 2011 que poderá ser compensado no
Considerar os seguintes impostos:
LALUR?
5- Qual o valor da Receita Líquida de Vendas? LUCRO REAL TRIMESTRAL
6- Qual o valor do Lucro Bruto?
7- Qual o valor do Lucro Operacional? PIS: 1,65%, COFINS: 7,60%, ICMS: 17,00%,
8- Qual o valor do Lucro Não Operacional? IRPJ: 15%, ADICIONAL DO IRPJ: 10%, CSLL:
9- Quais são as despesas consideradas 9,00%.
indedutíveis que deverão ser adicionadas ao
LALUR? OBSERVAÇÃO:
10- Qual conta deverá ser excluída do LALUR?
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS
11- Qual o valor da Participação dos Debenturistas? 30%
ACUMULADOS
12- Qual o valor da Participação dos Empregados?
13- Qual o valor da Participação dos Administra- A - Após elaborar a DRE - Demonstração de
dores? Resultado do Exercício, responda:
14- Qual o valor da Participação das Partes Bene- 1- Qual o valor do Lucro Líquido?
ficiárias? 2- Qual o valor da CSLL?
15- Qual o valor da Contribuição ao Fundo de 3- Qual o valor do IRPJ?
Assistência aos Empregados? 4- Qual o valor dos Prejuízos Fiscais Operacionais
05- A Cia Comercial Marcela Taís Sanches apresenta- de 2011 que poderá ser compensado no
va os seguintes saldos em 31/03/2012, ou seja, no LALUR?
primeiro trimestre de 2012. 5- Qual o valor da Receita Líquida de Vendas?
CONTAS VALORES 6- Qual o valor do Lucro Bruto?
7- Qual o valor do Lucro Operacional?
Despesas Administrativas 34.000,00
8- Qual o valor do Lucro Não Operacional?
Despesas com Brindes 44.000,00 9- Quais são as despesas consideradas inde-
Devolução de Vendas 72.000,00 dutíveis que deverão ser adicionadas ao
Descontos Incondicionais ou LALUR?
38.000,00 10- Qual conta deverá ser excluída do LALUR?
Comerciais sobre Vendas
11- Qual o valor da Participação dos Debenturistas?
Abatimentos sobre Vendas 120.000,00
12- Qual o valor da Participação dos Empregados?

207
Contabilidade Geral

13- Qual o valor da Participação dos Administra- sociedades por ações: aplicável às demais
dores? sociedades. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
14- Qual ao valor da Participação das Partes HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki;
Beneficiárias? HIGUCHI, Fábio Hiroshi. Imposto de Renda das
15- Qual o valor da Contribuição ao Fundo de empresas- interpretação e prática. 6. ed. São Paulo:
Assistência aos Empregados? IR Publicações Ltda., 2006.
HACK, Érico. Direito Tributário. Curitiba: Iesde, 2008.
5 REFERÊNCIAS LATORRACA, Nilton. Direito Tributário: Imposto de
AMARO, Luciano. Direito Tributário brasileiro. Renda das empresas.15. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
São Paulo: Saraiva 1997. NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo E. V. Curso
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da prático de Imposto de Renda – pessoa jurídica e
República Federativa do Brasil, 1988. Brasília. tributos conexos. São Paulo: Atlas, 2007.
BRASIL. Lei Complementar 116 (2003). Constituição OLIVEIRA, Luís Martins de. Manual de
da República Federativa do Brasil, 2003. Brasília. Contabilidade Tributária. 9. ed. São Paulo: Atlas,
2010.
CAMPOS, Dejalma de. Direito Fiscal. São Paulo:
IPD IOB, 1991. REIS, Luciano Gomes dos. Manual de
contabilização de tributos e contribuições
FABRETTI, Láudio Camargo; RAMOS, Dilene. Direito
sociais. São Paulo: Atlas, 2010.
Tributário para os cursos de Administração e
Ciências Contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. SITE que deve ser consultado sempre:
FIPECAFI. Manual de Contabilidade das http://www.receita.fazenda.gov.br/

208
Unidade 06

Contabilidade Geral
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

AULA 20

DMPL E DLPA

Objetivos
• Compreender o que seja a DLPA e como
funciona.
• Entender a DMPL em seu funcionamento.
Contabilidade Geral

1 INTRODUÇÃO De acordo com o artigo 202 a da Lei nº 6.404/76,


quando o estatuto for omisso e a assembleia geral
Hoje nossa aula requer que você saiba todos os deliberar alterá-lo para introduzir norma sobre a
componentes do Patrimônio Líquido, pois estudaremos matéria, o dividendo obrigatório não poderá ser inferior
duas demonstrações em que o foco será o PL. No a 25% do lucro líquido ajustado. Pronto, acredito que
final desta aula você entenderá todas as mudanças agora você se lembrou de coisas importantes para
que ocorrem no PL. Nas primeiras aulas estudamos entender melhor a DLPA e a DMPL. Vamos aos nossos
todos as contas que compõem o PL. As contas estudos?
são: Capital Social, Reserva de Capital, Ajuste de
Avaliação Patrimonial, Reservas de Lucros, Ações em
2 DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS
Tesouraria e Prejuízos Acumulados. Nesta aula você OU PREJUÍZOS ACUMULADOS
deve lembrar o que vem a ser DIVIDENDOS. Vou
Somente uma parcela do lucro é distribuída em
ativar sua memória. Dividendos constituem a parte dinheiro aos donos da empresa (acionistas ou sócios),
dos lucros da empresa pertencentes aos acionistas. para retribuir o capital investido. Essa remuneração é
Normalmente, os dividendos são estabelecidos no chamada dividendos. A parcela maior tem por objetivo
estatuto da companhia como um percentual sobre os a reaplicação na empresa, visando reforçar o Capital
lucros. Porém, em consonância com o parágrafo 1º Próprio; tal parcela é chamada de lucro retido (não
do artigo 202 da Lei nº 6.404/76, o estatuto poderá distribuído) e irá incorporar o Capital Social mais cedo
fixar os dividendos como porcentagem do lucro ou do ou mais tarde.
Capital Social, ou ainda, fixar outros critérios para o Dessa forma, em primeiro lugar temos que apurar
seu cálculo, desde que sejam regulados com precisão o lucro (ou prejuízo) do exercício por meio da DRE. Em
e minúcia e não sujeitem os acionistas minoritários ao seguida transferir para a conta Lucros Acumulados,
arbítrio dos órgãos da administração ou da maioria. onde será feita a distribuição do lucro do exercício
Em relação ao pagamento, de acordo com o artigo por meio da Demonstração de Lucros ou Prejuízos
Acumulados (DLPA). O terceiro passo, após a
201 da Lei nº 6.404/76, os dividendos podem ser pagos
distribuição desse lucro aos proprietários (dividendos),
na conta do Lucro Líquido do Exercício, dos Lucros
deve ser destinar todo o lucro (não distribuído) para
Acumulados, se houver saldo, das Reservas de Lucros,
o Patrimônio Líquido (conta dos proprietários), em
ou ainda, no caso das ações preferenciais que tiverem
contas específicas de reservas de lucros. Isso porque,
prioridade da distribuição do dividendo cumulativo, na segundo a Lei nº 11.638/2007, para as S/A., a conta
conta das Reservas de Capital, quando não houver Lucros Acumulados deve ter saldo zero no final do
lucro no exercício ou quando este for insuficiente para período, ou seja, não poderá existir excedente de lucro
o pagamento de tais dividendos. sem distribuição.
Caro aluno de acordo com o artigo 202 da Lei nº Portanto a Demonstração de Lucro ou Prejuízos
6.404/76, se o estatuto for omisso com relação aos Acumulados evidencia o “destino” do lucro, a
dividendos, estes deverão ser calculados na base de canalização e a distribuição do lucro do exercício, isto é,
metade do lucro líquido ajustado. Veja como se faz o fornece a movimentação da conta Lucros ou Prejuízos
ajuste do lucro: Acumulados do início ao fim do exercício social.
A DLPA mostra todas as modificações ocorridas na
LLA = LL – RL + RRC - CRC
conta de lucros retidos durante um período determinado,
os quais normalmente são proporcionados por
Legenda: distribuição de parte deles aos acionistas ou pela
LLA = Lucro Líquido Ajustado incorporação parcial ou total dos lucros retidos ao
LL = Lucro Líquido Capital Social.
RL = Parcela do Lucro Líquido Destinado à Em conformidade com o art. 186 da Lei nº 6.404/76,
Reserva Legal a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados
RRC = Reversão da Reserva para Contingências deverá discriminar:
CRC = Constituição da Reserva para Contingência • o saldo do início do período, os ajustes de
exercícios anteriores;

210
AULA 20 • DMPL E DLPA

• as reversões de reservas do lucro líquido do O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (2011d),


exercício; item 42, esclarece o fato de a conta Lucro Acumulados
• as transferências para reservas, os dividendos, ter saldo zero:
a parcela dos lucros incorporada ao capital 42. Segundo a Lei das S.A.; conforme
modificação introduzida pela Lei nº
social ao fim do período. 11.638/07, o lucro líquido do exercício
A Demonstração de Lucros ou Prejuízos deve ser integralmente destinado de
Acumulados (DLPA) é obrigatória para as empresas, acordo com os fundamentos contidos
nos artigos 193 a 197 da Lei das
todavia poderá ser substituída pela Demonstração das S/A. A referida Lei não eliminou a
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL). conta de Lucro Acumulados nem a
demonstração de sua movimentação,
Estrutura da Demonstração de Lucros ou que devem ser apresentadas como
parte da demonstração das mutações do
Prejuízos Acumulados
patrimônio líquido. Essa conta, entretanto,
tem natureza absolutamente transitória e
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados deve ser utilizada para a transferência do
(DLPA) lucro apurado no período, contrapartida
das reversões das reservas de lucros e
Saldo de Lucros ou Prejuízos para as destinações do lucro.
R$....................
Acumulados no início do período Os ajustes de exercícios anteriores, consoante
(+/-) Ajustes de Exercícios
a Lei das S/A., são apenas os ajustes decorrentes do
R$.................... efeito da mudança de critério contábil ou da retificação
Anteriores
do erro imputável ao exercício anterior e que não
(+) Reversão de Reservas R$....................
podem ser atribuídos a fatos subsequentes.
(+/-) Lucro ou Prejuízo Líquido do Os ajustes de exercícios anteriores referem-se
R$....................
Exercício às mudanças em decorrência de alteração do critério
contábil adotado pela empresa ou a erros e omissões
Lucro Total Disponível R$....................
cometidos no balanço anterior. Como exemplo, temos:
(-) Transferências para Reservas de alte­ração do critério de avaliação dos estoques, se a
R$....................
Lucros
empresa resolve adotar o cus­to médio ponderado em
a) Reserva Legal R$.................... substituição ao PEPS ou a adoção de outros métodos
de depreciação e amortização. Além disso, os erros e
b) Reserva Estatutária R$....................
omissões podem ser devidos a enganos na contagem
c) Reserva para dos estoques, equívoco no cálculo da provisão para
R$....................
Contingências imposto de renda, interpre­tação errônea da legislação
d) Reserva de Incentivos vigente, etc. Desse modo, os ajustes feitos entram
R$....................
Fiscais aqui, nesta conta.
e) Reservas de Lucros a A reversão da reserva é quando alguns valores
R$....................
Realizar que foram destinados às reservas de lucros são
(-) Dividendos R$.................... reincorporados ao lucro, ou seja, por algum motivo, o
valor antes destinado a essas reservas retorna ao lucro.
Saldo de Lucros ou Prejuízos Os casos mais comuns de reservas que são revertidas
R$....................
Acumulados no final do período
são as Reservas para Contingências e as Reservas de
Caro aluno, o saldo no início do período é o saldo Lucros a Realizar.
da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados, e, caso a Essa conta é de fundamental importância por que
empresa tenha apurado lucro no exercício anterior ao algumas reservas de lucros não são acumulativas e,
da elaboração da DLPA, devido à Lei nº 11.638/2007 portanto, podem ser revertidas quando não utilizadas.
determinar a sua distribuição nas reservas de lucros Desse modo, as parcelas do lucro líquido de exercícios
específicas, o saldo será zerado. Todavia, se ela tiver anteriores que foram destinadas à constituição de
obtido prejuízo no exercício anterior ao da elaboração reservas serão reconvertidas, no todo ou em parte,
da DLPA, o saldo no início do período é o saldo da conta no momento em que não existir mais razão para sua
Prejuízos Acumulados no final do exercício anterior. manutenção.

211
Contabilidade Geral

O Lucro (ou Prejuízo) Líquido do Exercício é facultativa. Tal reserva torna evidente a parcela de
o lucro (ou prejuízo) apurado na Demonstração dos lucro não realizada financeiramente, uma vez que o
Resultados do Exercício no período contábil atual (ano propósito é evitar a distribuição de dividendos sobre
atual) e transferido para a conta Lucros ou Prejuízos essa parcela e o pagamento do Imposto de Renda.
Acumulados. No Artigo 197, parágrafo 2º, da Lei nº 11.638/2007,
O Lucro Total Disponível é a soma do saldo fica assegurado o cálculo da Reserva de Lucros
inicial com os ajustes de exercícios anteriores, com a Realizar somente para pagamento de dividendo
a Reversão de Reservas e com o Lucro (ou Prejuízo) obrigatório, e, por esse motivo, ele poderá ser deduzido
Líquido do Exercício, e é nesse montante disponível do lucro do exercício (para calcular o lucro que
de lucro que a proposta da administração se baseará servirá de base para a distribuição dos dividendos),
para a destinação a ser dada ao Lucro Líquido do sendo revertido em exercícios futuros em que houver
Exercício, o qual será destinado às reservas de lucros realização financeira.
e distribuído aos acionistas na forma de dividendos. A parte do lucro que se destina aos acionistas
O processo de destinação do Lucro Líquido às da empresa denomina-se dividendo. A Lei da S.A.
reservas de lucros inicia-se na Reserva Legal, que estabeleceu, como forma de proteger os acionistas, o
visa a assegurar a probidade do Capital Social e dividendo mínimo obrigatório. Logo, obrigatoriamente,
somente poderá ser utilizada para equilibrar prejuízos uma parcela do lucro deve ser destinada aos acionistas.
ou aumentar o capital. Segundo o Artigo 193 da Lei Em cada exercício, os acionistas têm direito de
nº 6.404/1976, “[...] do lucro líquido do exercício, 5% adquirir como dividendos obrigatórios a parcela dos
(cinco por cento) serão aplicados, antes de qualquer lucros instituída no estatuto da empresa ou, em caso
outra destinação, na constituição da reserva legal, que de omissão, a metade do Lucro Líquido do Exercício
não excederá 20% (vinte por cento) do capital social”. diminuído ou acrescido da importância destinada
Em seguida, deve-se destinar o Lucro Líquido às à constituição da Reserva Legal e da importância
Reservas Estatutárias. atribuída à formação das Reservas para Contingências,
Outra reserva que se destina ao lucro é a Reserva bem como a reversão desta última formada em
para Contingências. Ela é uma parcela subtraída exercícios anteriores, os quais denominamos Lucro
do Lucro Líquido do período, com a finalidade de Líquido Ajustado.
compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro O estatuto poderá determinar o dividendo como
por perda provável, desde que esse valor possa ser porcentagem do lucro ou do Capital Social ou firmar
estimado. Nesse sentido observa-se que o fato gerador outros critérios para determiná-lo, porém ambos
das Reservas para Contingências não ocorreu, todavia devem ser regulados de forma precisa e detalhada e
a probabilidade de ocorrência é grande. Ela será não sujeitar os acionistas minoritários ao arbítrio dos
revertida no exercício em que as razões deixam de órgãos de administração ou da maioria.
existir, não se justificando, assim, a sua constituição. Em síntese, a Demonstração de Lucros ou
A Reserva Orçamentária é mais uma reserva Prejuízos Acumulados deve demonstrar o valor do
para onde o Lucro Líquido pode ser destinado, e, dividendo por ação do capital, ou seja, deve-se dividir
de acordo com o Artigo 196 da Lei nº 6.404/1976, a o valor dos dividendos distribuídos no exercício pelo
Assembleia Geral poderá, por proposta dos órgãos da número de ações que forma do Capital Social.
administração, deliberar reter parcela do Lucro Líquido Compensações de Prejuízos: De acordo com
do Exercício previsto em orçamento de capital por ela o parágrafo único do artigo 189 da Lei nº 6.404/76, o
previamente aprovado. prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido
O orçamento submetido pelos órgãos da pelos lucros acumulados e pelas reservas de lucros,
administração com a justificativa da retenção de lucros nesta ordem, devendo a reserva legal ser a última
proposta deverá ter a duração de cinco exercícios, reserva de lucro a ser absorvida. Isso significa que
salvo no caso de execução, por prazo maior, de algum é incompatível a coexistência de reservas de lucros
projeto de investimento. e prejuízos acumulados, ou seja, a existência de
Por fim, resta a destinação do Lucro Líquido para prejuízos acumulados seria consequência de uma
a Reserva de Lucros a Realizar, cuja constituição é absorção integral de todas as reservas de lucros. Caso

212
AULA 20 • DMPL E DLPA

haja prejuízos acumulados e o lucro líquido do exercício n) Constituição da Reserva de Lucros a Realizar....
seja maior do que esses prejuízos, a prioridade é R$ 7.000,00
absorvê-los. Após isso, a parte remanescente do lucro
Estrutura da Demonstração de Lucros ou
será distribuída, sendo que a primeira destinação irá
Prejuízos Acumulados
para a reserva legal, à qual serão destinados 5% dessa
sobra, devendo, no entanto, serem observados os seus Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados
limites. No caso de não haver prejuízos acumulados, o (DLPA)
valor a ser destinado à formação da reserva legal será Saldo de Lucros ou Prejuízos
0,00
de 5% do valor integral do lucro líquido, observando Acumulados no início do período
seus limites. (-) Ajustes Devedores de Exercícios
(2.500,00)
As reservas de capital também poderão Anteriores
ser utilizadas para absorção de prejuízos que (+) Ajustes Credores Exercícios
1.200,00
ultrapassarem os Lucros Acumulados e as Reservas Anteriores
de Lucros. Dessa forma, podemos concluir que os (+) Reversão da Reserva de Lucros a
prejuízos serão absorvidos pelas contas do Patrimônio 3.000,00
Realizar
Líquido, obedecida a seguinte ordem:
(+) Reversão da Reserva de
1) Lucros Acumulados, se houver saldo, pois esta 3.200,00
Contingências
conta deve ter saldo zero;
(+) Lucro Líquido do Exercício 80.000,00
2) Reservas de Lucros (Exceto a Reserva Legal);
3) Reserva Legal; Lucro Total Disponível 84.900,00

4) Reservas de Capital. (-) Transferências para Reservas de


Lucros
Exemplo 01:
a) Reserva Legal (4.000,00)
Prepare a Demonstração dos Lucros ou Prejuízos b) Reserva Estatutária 0,00
Acumulados da Empresa Brenda dos Santos Sanches,
c) Reserva para Contingências (2.000,00)
a partir da análise das seguintes informações referentes
ao período findo em 31/12/2012. d) Reserva de Incentivos Fiscais 0,00
a) Saldo inicial de Lucros Acumulados........R$ 0,0 e) Reservas de Lucros a Realizar (7.000,00)
b) Constituição das Reservas de Contingências..... (-) Aumento de capital com lucros (10.000,00)
R$ 2.000,00 (-) Dividendos (45.000,00)
c) Reversão da Reserva de Lucros a Realizar.....
Saldo de Lucros ou Prejuízos
R$ 3.000,00 16.900,00
Acumulados no final do período
d) Lucro Líquido do Exercício........... R$ 80.000,00
e) Ajuste devedor de exercício anterior............. Caro aluno, como pode observar, as letras g e k
R$ 2.500,00 não fazem parte da DLPA
f) Reversão de Reservas de Contingências...... • Constituição de Reserva de Capital...............
R$ 3.200,00 R$ 5.000,00
g) Constituição de Reserva de Capital............... • Aumento de capital com reservas de capital.......
R$ 5.000,00 R$ 3.000,00
h) Aumento de capital com lucros..... R$ 10.000,00 • Aumento de capital com reservas de lucros.......
i) Proposta de distribuição de dividendos.......... R$ 5.000,00
R$ 45.000,00
Exemplo 02:
j) Constituição da Reserva Legal..... R$ 4.000,00
k) Aumento de capital com reservas de capital..... Considere as seguintes ocorrências da Cia. Rafaela
R$ 3.000,00 Pinho Sanches em 31/12/2012
l) Aumento de capital com reservas de lucros..... • Resultado do Exercício................ R$60.000,00
R$ 5.000,00 • Constituição de Reservas Legal..... R$ 3.000,00
m) Ajuste credor de exercício anterior................ • Incorporação de Reservas........... R$ 45.000,00
R$ 1.200,00 • Distribuição de Dividendos........... R$ 15.000,00

213
Contabilidade Geral

• Ajustes Credores de Exercícios Anteriores..... Se pensou na DMPL, acabou de acertar. Se pensou


R$ 33.000,00 diferente, é só refletir assim: A DLPA mostra apenas as
alterações na conta LUCRO/PREJUIZO ACUMULADO,
DLPA DA CIA RAFAELA PINHO SANCHES EM
enquanto a DMPL mostra as movimentações em todo
31/12/2012
PL.
Saldo de Lucros ou Prejuízos Caro aluno, pense e responda: Por que a CVM
0,0
Acumulados no início do período
exige a DMPL para as Cias. abertas, não aceitando a
(+) Ajustes Credores Exercícios DLPA disposta na Lei das S.A.?
33.000,00
Anteriores
Como a Demonstração de Lucros ou Prejuízos
Resultado do Exercício 60.000,00
Acumulados (DLPA) está incluída na Demonstração das
Lucro Total Disponível 93.000,00
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), a companhia
Constituição de Reservas Legal (3.000,00) não precisará elaborar e publicar separadamente a
Transferências para Reservas (45.000,00) “DLPA”.
Distribuição de Dividendos (15.000,00) Segundo a determinação da Comissão de Valores
Saldo de Lucros ou Prejuízos Mobiliários (CMV), todas as S.A de capital aberto
30.000,00
Acumulados no final do período obrigatoriamente devem elaborar a Demonstração das
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), que revela
2.2 Demonstração das Mutações as alterações ocorridas no Patrimônio Líquido (PL)
do Patrimônio Líquido ao longo do exercício, abrangendo todas as contas
A Demonstração das Mutações do Patrimônio deste e demonstrando as variações ocorridas entre
Líquido, dada sua amplitude, abrange as Demonstração as contas identificadas em um determinado período.
de Lucros ou Prejuízos Acumulados. A Comissão Essas alterações podem proceder de várias maneiras,
dos Valores Mobiliários, no Brasil, exige, para as aumentando ou diminuindo o PL.
companhias de Capital Aberto, a DMPL. O quadro a seguir apresenta as principais
Caro aluno, pare um pouco e pense? Qual das duas movimentações que irão proporcionar alterações no
demonstrações é mais completa? DLPA ou DMPL? Patrimônio Líquido (PL).

ALTERAÇÕES NO PL
MOVIMENTAÇÕES
Aumenta Diminui Nenhuma
Lucro Líquido do Exercício x
Aumento de capital por subscrição e integralização de novas ações x
Reavaliação de ativos x
Ágio cobrado na subscrição de ações e prêmios de debêntures x
Prejuízo Líquido do Exercício x
Aquisição de ações da própria empresa (ações em tesouraria) x
Dividendos x
Aumento de Capital por Incorporação de Reservas x

Compensações de Prejuízos Mediante Reservas etc. x


A Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido, assim como a Demonstração do Resultado do Exercício,
retrata o fluxo econômico, já que ele contém elementos relacionados com a variação da riqueza e abrange a
Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA), e esta fornece a movimentação da conta de Lucros ou
Prejuízos Acumulados, que pertence ao Patrimônio Líquido da entidade. Como a DMPL demonstra a movimentação
de todas as contas pertencentes ao Patrimônio Líquido, a DLPA acaba sendo uma coluna dessa demonstração.
Portanto considera-se que a mais includente e global é a DMPL, pois ela visa a evidenciar a posição inicial, as
movimentações e a posição final de todas as contas do PL.

214
AULA 20 • DMPL E DLPA

Caro aluno, no quadro as seguir é possível verificar que a DLPA é uma coluna da DMPL.
DEMONSTRAÇÃO DE MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL)

Reserva de Ajuste de Avaliação Reservas Lucros ou Prejuízos Ações em


Movimentações Capital Total
Capital Patrimonial de Lucros Acumulados Tesouraria

Caro aluno, veja a coluna de Lucros ou Prejuízos Acumulados e verifique que a DLPA está basicamente
nessa coluna.

2.2.1 Estrutura da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido


A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é facultativa (exceto para as S.A. de capital aberto), e,
dessa forma, sua apresentação desobriga a publicação da DLPA, uma vez que esta está contida naquela.
Ao contrário da DLPA, que fornece a movimentação basicamente de uma única conta do Patrimônio Líquido
(Lucros ou Prejuízos Acumulados), a DMPL evidencia a mutação de todas as contas do Patrimônio Líquido ocorrida
durante o período.
A técnica de elaboração da DMPL é bastante simples. Veja:
• Inicia-se uma coluna para cada conta principal que compõe o Patrimônio Líquido da entidade, e, caso haja
saldo na conta de Capital a Realizar, deve-se fazer a subtração da conta Capital Social e utilizar a conta
Capital Realizado.
• Indicam-se, nas linhas, os principais eventos que fizeram que houvesse movimentação nas contas
pertencentes às colunas (igual à DLPA).
• Por fim, fazem-se as adições e/ou subtrações de acordo com as movimentações.
Estrutura da Demonstração de Mutações do Patrimônio Líquido
Reservas
Reservas de Lucro
de Capital

(Ações em Tesouraria)
Ajuste de Avaliação
Capital Realizado

Lucros/Prejuízos
Movimentações

Ágio na Emissão de

Partes Beneficiárias

Para Contingências

Acumulados
Lucros a Realizar

Patrimonial
Orçamentária
Estatutária

Total
ações

Legal

Saldos em 31/12/X0
(+ ou -) Ajustes de Exercícios Anteriores
Aumento de Capital
Reversão de Reservas
Lucro Líquido do Exercício
Destinação do Lucro
Reserva Legal
Reserva Estatutária
Reserva Contingência
Reserva Orçamentária
Reservas de Lucros a Realizar
Dividendos
Saldos em 31/12/X1

215
Contabilidade Geral

Exemplo 01: Exemplo 02:


A empresa Cyndi Sanches, ao fim do ano de 2012,
A empresa Miriam Sanches apurou no exercício um
demonstrava o seguinte Patrimônio Líquido:
lucro líquido de R$ 140.000,00. Não havendo prejuízos
Capital Social 50.000,00
anteriores a amortizar, a contabilidade providenciou o
registro da seguinte destinação: Reserva para Contingência 2.000,00
Ajuste Credor de Avaliação Patrimonial 3.000,00
Participações Estatutárias 7.000,00
Reserva Estatutária 4.000,00
Reservas Estatutárias 8.000,00
Reserva Legal 8.000,00
Reserva Legal 9.000,00 O lucro líquido apurado no exercício foi de R$
Reservas para Contingências 10.000,00 60.000,00, após a destinação planejada, exceto a
constituição de reservas.
Reversão de Reserva para Contingências 2.000,00 Agora, para seguir as regras e preceitos atinentes
Reversão de Reservas Estatutárias 1.000,00 à espécie, a Contabilidade deverá contabilizar uma
Reserva Legal de:
Após a constituição e a reversão das reservas a) R$ 3.000,00
acima, o contador deve contabilizar o dividendo mínimo b) R$ 2.500,00
obrigatório de 30% sobre o lucro, conforme previsto c) R$ 2.000,00
d) R$ 1.000,00
nos Estatutos. Isso provocará um aumento no passivo
e) R$ 0,00
no valor de:
a) R$ 32.700,00 Comentário: Caro aluno em cada exercício, a
b) R$ 34.800,00 reserva legal deve ser de 5% do lucro líquido do
c) R$ 37.200,00 exercício (até o limite de 20% do capital social
realizado), o que corresponderia a: 60.000,00 x
d) R$ 37.500,00
5% = 3.000,00. Porém, se somarmos esse valor
e) R$ 37.800,00 à reserva legal já existente, o total será igual
a: 8.000,00 + 3.000,00 = 11.000,00, superior,
Comentário: Caro aluno, há alguns equívocos no portanto, aos 20% do capital social realizado:
enunciado: as participações não são destinações 50.000,00 x 20% = 10.000,00. Como esse limite
do lucro, e sim despesas do exercício; lucro líquido do capital não pode ser ultrapassado, a reserva
legal do exercício deve ser de 2.000,00. Não pode
do exercício é o resultado depois de deduzidas as
ser maior nem menor. Desse modo, o saldo da
participações (Lei nº 6.404/76, art. 191)
reserva legal alcançará os 20% do capital social
Lucro Antes das Participações.............140.000,00 realizado.
Participações Estatutárias.....................(7.000,00)
Lucro Líquido do Exercício...................133.000,00 Exemplo 03:
Reserva Legal.......................................(9.000,00) A empresa Bryan Sanches, ao fim do ano de
Reserva para Contingências...............(10.000,00) 2012, demonstrava o Patrimônio Líquido na seguinte
Reversão de Reservas para Contingências.....2.000,00 composição:
Base de Cálculo do Dividendo Mínimo Obrigatório Capital Social 100.000,00
.....116.000,00 Capital a Realizar (9.000,00)
Percentual Previsto no Estatuto.................... 30% Reserva de Capital 8.000,00
Dividendo Mínimo Obrigatório.............. 34.800,00
Reservas Estatutárias 7.000,00
Conforme a Lei nº 6.404/76, artigos 198 e 202, Reserva Legal 6.000,00
as reservas estatutárias e suas reversões não Lucros Acumulados 5.000,00
afetam o cálculo do dividendo mínimo obrigatório.
Somatório