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UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E ENGENHARIAS

FACULDADE DE ENGENHARIA DE MATERIAIS

JOSÉ CHARLES MORAES DE OLIVEIRA

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

GOIÁS SERVIÇOS DE CONCRETAGEM LTDA

MARABÁ – PA
2014
JOSÉ CHARLES MORAES DE OLIVEIRA

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

GOIÁS SERVIÇOS DE CONCRETAGEM LTDA

Relatório de estágio apresentado à Faculdade de


Engenharia de Materiais da Universidade
Federal do Sul e Sudeste do Pará, para obtenção
do grau de bacharel em Engenharia de
Materiais. Supervisor Acadêmico: Prof. Esp.
Márcio Paulo de Araújo Mafra.

MARABÁ – PA
2014
UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E ENGENHARIAS

FACULDADE DE ENGENHARIA DE MATERIAIS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

IDENTIFICAÇÃO

Discente: José Charles Moraes de Oliveira

Matrícula: 10123003107

Área de Concentração: Controle da Produção/Qualidade.

Organização concedente: Goiás Serviços de Concretagem Ltda.

Setor de realização do estágio: Área de Produção (Usina)

Período de realização: 03/03/2014 a 30/06/2014

Carga Horária total: 405 horas

Supervisor da organização: Luciana Wietzikoski

Cargo: Engenheira Civil


ATESTADO DE REALIZAÇÃO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

Atesto, para comprovação do Estágio Supervisionado, que o aluno José Charles Moraes
de Oliveira, estagiou na empresa Goiás Serviços de Concretagem Ltda., no setor de Controle
de Produção e da Qualidade de Concreto, no período de 03 de Março de 2014 à 30 de Junho de
2014, com carga horária de 405 horas.

Marabá, _____/_____/_____.

_____________________________________________
Luciana Wietzikoski
Engenheira Civil
Goiás Serviços de Concretagem Ltda.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS E ENGENHARIAS

FACULDADE DE ENGENHARIA DE MATERIAIS

RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

APROVAÇÃO

Após a exposição do discente José Charles Moraes de Oliveira, matrícula n.º


10123003107, sobre a realização do estágio supervisionado, a Banca Examinadora, composta
pelos professores abaixo, reuniu-se e aprovou o presente relatório que, por atender aos
requisitos estabelecidos, recebeu o conceito __________________.

Marabá, _____/_____/_____.

__________________________________________
Prof. Esp. Márcio Paulo de Araújo Mafra
Orientador

__________________________________________
Prof. Dr. Elias Fagury Neto
Examinador

__________________________________________
Prof. Raulim Oliveira Galvão
Examinador
AGRADECIMENTOS

À Minha mãe por incentivar quando estava desanimado com alguma situação.
À Dra. Gisele Barata e engenheira civil Cristiane, ambas da Faculdade Metropolitana,
por me confiar o laboratório de construção civil para realização dos testes presente neste
relatório. Bem como todos os colaboradores da Metropolitana.
À Engenheira civil Luciana Wietzikoski e ao gerente comercial Artur Medeiros, estes
da Goiás Concreto, por me estimular e ensinar como de fato um bom profissional deve agir.
Não esquecendo de todos os colaboradores e motoristas, pelo apoio e paciência.
À todos os professores da UFPA/UNIFESSPA que contribuíram e estão contribuindo
com minha formação profissional.
Sumário

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 9
1.1 OBJETIVO GERAL ........................................................................................................ 10
1.2 OBJETIVO ESPECÍFICO .............................................................................................. 10
2 CONCRETO ........................................................................................................................ 11
2.1 MATERIAIS QUE CONSTITUEM O CONCRETO ................................................... 12
2.1.1 Cimento Portland ............................................................................................................. 12
2.1.2 Agregados ........................................................................................................................ 14
2.1.3 Água ................................................................................................................................ 15
2.1.4 Aditivos ........................................................................................................................... 16
2.2 DOSAGEM ....................................................................................................................... 17
2.3 ENSAIO REALIZADO NO CONCRETO .................................................................... 17
2.3.1 Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone ................................. 18
2.3.2 Compressão ..................................................................................................................... 18
2.4 TIPOS DE CONCRETO ................................................................................................. 20
3 EMPRESA............................................................................................................................ 24
3.1 GOIÁS SERVIÇOS DE CONCRETAGEM LTDA. ..................................................... 24
4 ESTÁGIO ............................................................................................................................. 24
5 CONCLUSÃO...................................................................................................................... 27
6 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 28
9

1 INTRODUÇÃO

A construção civil está em alta tanto em nível nacional como regional, este devido aos
grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, programas do governo federal, como
Programa de Aceleração do Crescimento [1]. No âmbito regional temos várias obras em
andamento e outras previstas para serem construídas, tais como hidrelétricas, portos, ferrovias,
shopping centers, edifícios e etc.
Nesse contexto entra o principal material para executar as obras, o concreto. Tendo um
consumo médio de aproximadamente 1,9 tonelada por habitante por ano [2], sendo o material
construtivo mais consumido no mundo. O concreto se classifica em concreto asfáltico e
concreto de cimento Portland. Basicamente o concreto é formado por cimento, água e
agregados, podendo ou não conter aditivos.
O cimento misturado com água forma a pasta, adicionado agregado miúdo obtém-se
argamassa e por fim adicionando agregado graúdo forma o cimento.
A principal função da pasta é envolver os agregados e preencher os vazios formados e
melhorar o manuseio do concreto, ainda em estado fresco. Com concreto endurecido tem a
função de juntar os agregados, dando impermeabilidade. Já os agregados têm a função de
contribuir com grãos capazes de resistir a solicitação de esforços e também reduzir custos. Com
avanço da tecnologia principalmente dos aditivos, o concreto passou a ser melhorado,
aumentando tanto a trabalhabilidade quanto resistência.
É nesse contexto que a Goiás Concreto se propõe a produzir concreto usinado para
abastecer o município de Marabá e regiões onde há instalação da mesma.
10

1.1 OBJETIVO GERAL

Dimensionar a quantidade de material usado para confeccionar o concreto usando uma


betoneira de 120 litros.

1.2 OBJETIVO ESPECÍFICO

Conferir a resistência a compressão e analisar os resultados obtidos nos tempos de


cura: 15 horas, 7 e 28 dias.
11

2 CONCRETO

Para os engenheiros, o concreto pode ser classificado como um compósito, onde sua
matriz é uma pasta aglomerante formada pelo cimento mais água e os materiais de reforço são
os agregados (miúdo e graúdo), podendo ainda ser adicionado aditivos destinados a melhorar a
trabalhabilidade do concreto. [3, 4]
A figura 1 mostra a pasta aglomerante envolvendo os agregados e preenchendo os
vazios, dando ao concreto a possibilidade de manuseio. [5]

Figura 1: Macroestrutura do concreto.

Fonte: [5].

A quantidade da pasta cimento-água deve ser suficiente para cobrir todas as partículas
de areia e brita, caso contrário ligação de cimentação não será totalmente completa.
Ao compararmos com outros materiais como metais, cerâmicas e materiais poliméricos,
o concreto é sempre o menos dispendioso, apresenta resistência e durabilidade adequada,
requerendo menos energia para ser produzido. [6]
O traço (ou dosagem) dos componentes do concreto é de fundamental importância, e
depende de onde será utilizado se em fundação, lajes, contra piso, muro, calçadas e etc., ou seja,
o concreto a ser feito está diretamente ligado onde será utilizado e a resistência que necessita.
O concreto pode se classificado como concreto asfáltico, utilizado principalmente em
pavimentações, e concreto de cimento Portland, extensamente empregado como material
estrutural de construção.
12

2.1 MATERIAIS QUE CONSTITUEM O CONCRETO

Para preparar o concreto é necessário saber a finalidade em será usado, o presente


relatório será abordado o usado em estruturas.

2.1.1 Cimento Portland

Cimento Portland pode ser definido como um pó fino com propriedades aglomerantes,
aglutinantes ou ligantes, que endurece sob a ação de água. Obtido pela pulverização de clínquer
com uma certa porcentagem de sulfato de cálcio natural e contendo adições de substâncias que
modificam as propriedades ou facilitam seu emprego. Sendo constituído principalmente por cal
(CaO), sílica (SiO2), alumina (Al2O3), óxido de ferro (Fe2O3), magnésia (MgO) e uma pequena
porcentagem de anidrido sulfúrico (SO3) que é adicionado após a calcinação para retardar o
tempo de pega do produto. [4, 7]
Adicionando outros materiais e misturadas ao clínquer na fase de moagem, permite a
fabricação de diversos tipos de cimento Portland. Atualmente o cimento Portland é normalizado
e existe onze tipos no mercado.
Tipos de cimento Portland:

 CP I – Cimento Portland comum;

O cimento Portland é o tipo mais básico, indicado para o uso em construções que não
requeiram condições especiais e não apresentem ambientes desfavoráveis como exposição às
águas subterrâneas, esgotos, água do mar ou qualquer outro meio com presença de sulfatos. A
única adição presente no CP-I é o gesso (cerca de 3%). O gesso atua como um retardador de
pega, evitando a reação imediata da hidratação do cimento. [8]
13

 CP I-S – Cimento Portland comum com adição;

O CP I-S tem a mesma composição do CP I, porém com adição reduzida (cerca de 1 a


5% em massa) de material pozolânico (argila calcinada). Este tipo de cimento tem menor
permeabilidade devido à adição de pozolana. [8]

 CP II-E – Cimento Portland composto com escória;

Os cimentos Portland CP II-E apresentam na sua composição básica (clínquer + gesso)


mais a adição de escória granulada de alto-forno, o que lhe confere a propriedade de baixo calor
de hidratação. O CP II-E é composto de 94 à 56% de clínquer + gesso e 6 à 34% de escória,
podendo ou não ter adição de material carbonático no limite máximo de 10% em massa. O CP
II-E, é recomendado para estruturas que exijam um desprendimento de calor moderadamente
lento, ou seja, apresenta baixo calor de hidratação, evitando trincas quando há grande massa de
concreto. [9]

 CP II-Z – Cimento Portland composto com pozolana;

Diferente do CP I-S, O CP II-Z contém adição de material pozolânico que varia de 6 à


14% em massa, o que confere ao cimento menor permeabilidade, sendo ideal para obras
subterrâneas, principalmente com presença de água, inclusive marítimas. O cimento CP II-Z,
também pode conter adição de material carbonático (fíler) no limite máximo de 10% em massa.
[9]

 CP II-F – Cimento Portland composto com fíler;

O CP II-F é composto de 90 à 94% de clínquer + gesso com adição de 6 a 10% em


massa de material carbonático (fíler). Este tipo de cimento é recomendado desde estruturas em
concreto armado até argamassas de assentamento e revestimento porém não é indicado para
aplicação em meios muito agressivos. [9]

 CP III – Cimento Portland de alto-forno;

Assim como o CP II-E, o CP III adição de escória, no entanto, com teor de 35 a 70%
em massa, que lhe confere propriedades como; baixo calor de hidratação, maior
impermeabilidade e durabilidade, sendo recomendado tanto para obras de grande porte e
14

agressividade (barragens, fundações de máquinas, obras em ambientes agressivos, tubos e


canaletas para condução de líquidos agressivos, esgotos e efluentes industriais, obras
submersas, pavimentação de estradas, pistas de aeroportos, entre outros) como também para
aplicação geral em argamassas de assentamento e revestimento, estruturas de concreto simples
ou armado. [10]

 CP IV – Cimento Portland pozolânico;

O CP IV contém adição de pozolana no teor que varia de 15 a 50% em massa. Este alto
teor de pozolana confere ao cimento uma alta impermeabilidade e consequentemente maior
durabilidade. O concreto confeccionado com o CP IV apresenta resistência mecânica à
compressão superior ao concreto de cimento Portland comum à longo prazo. É especialmente
indicado em obras expostas à ação de água corrente e ambientes agressivos. [11]

 CP V-ARI – Cimento Portland de alta resistência inicial;

Assim como o CP-I, o CP V-ARI não contém adições (porém pode conter até 5% em
massa de material carbonático). O CP V-ARI é produzido com um clínquer de dosagem
diferenciada de calcário e argila se comparado aos demais tipos de cimento e com moagem
mais fina. Esta diferença de produção confere a este tipo de cimento uma alta resistência inicial
do concreto em suas primeiras idades, podendo atingir 26MPa de resistência à compressão em
apenas 1 dia de idade. É recomendado o seu uso, em obras onde seja necessário a desforma
rápida de peças de concreto armado. [12]

2.1.2 Agregados

Agregado é um material granular, incoesivo, sem forma e volume definidos, geralmente


inerte, com dimensões e propriedades adequadas para produção de argamassas e concretos.
Podendo esses agregados compreenderem entre 60 e 80% do volume total.
Os agregados podem ser classificados como naturais, aqueles que já se encontram em
forma particulada na natureza (areia e cascalho) e agregados industrializados que têm sua
composição partícula obtida por processos industriais (rochas e escória de alto forno). Além
15

disso, também pode ser classificado de acordo com as dimensões das partículas, bem como
agregado miúdo, onde o material granular cujos grãos passam na peneira com abertura 4,75mm
e que ficam retidos na peneira com abertura 0,075mm (areia) e o agregado graúdo, onde o
material granular cujos grãos passam na peneira com abertura 150mm e ficam retidos na peneira
com abertura 4,75mm (seixo). [4, 13]
Há também agregados caracterizados segundo seu peso específico aparente, de acordo
com a densidade do material que constitui as partículas e podem ser classificados em leves,
médios e pesados. A tabela 1 relaciona alguns deles e os valores das densidades aparentes.

Tabela 1: Densidades Aparentes Médias


Leves Médios Pesados
vermiculita 0,3 calcário 1,4 barita 2,9
argila expandida 0,8 arenito 1,45 hematita 3,2
escória granulada 1,0 cascalho 1,6 magnetita 3,3
granito 1,5
areia 1,5
basalto 1,5
escória 1,7
Fonte: [4]

Segundo a Associação Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para


Construção Civil (ANEPAC), em 2010 foram produzidos em torno de 623 milhões de toneladas
de agregados gerando receita na faixa de 12 bilhões de reais, sendo areia e pedra britada os 1°
e 2° colocados, respectivamente. [14]

2.1.3 Água

Para preparar o concreto deve-se utilizar água potável, ou seja, essa água deve ser isenta
de substâncias agressivas dissolvidas, como sulfatos. A qualidade do concreto está diretamente
relacionada com o fator água/cimento (a/c), ou seja, quanto menor o valor da relação água/cimento
maior a resistência do concreto, menor sua permeabilidade e consequentemente maior será a
sua durabilidade.
Quando aumentamos a quantidade de água, temos uma melhor trabalhabilidade, no
entanto, menor resistência ao concreto. Esse excesso de água aumenta a porosidade diminuindo
16

a durabilidade do concreto e quando a mistura dos componentes do concreto não é


homogeneizada em betoneiras a água em excesso acaba escorrendo, levando junto cimento e
areia, afetando a resistência requerida.
Para baixar o fator a/c, temos dois caminhos: aumentar o consumo do cimento ou reduzir
o consumo da água.
A quantidade de água a ser empregada no concreto deve ser estritamente necessária para
envolver os grãos, permitindo a hidratação e posterior cristalização do cimento.
A relação água/cimento forma uma pasta o qual possui algumas funções, no estado
fresco envolve os agregados, preenchendo os vazios entre agregados e dando uma certa
mobilidade ou fluidez à mistura, já no estado endurecido aglutina os agregados, conferindo
impermeabilidade, resistência mecânica e durabilidade. [7]

2.1.4 Aditivos

A Norma norte-americana (ASTM C 125, 2013) define aditivo como “material outro
que não água, agregado ou cimento, empregado como ingrediente do concreto, adicionando a
este, antes ou durante a mistura”, ou seja, aditivo é todo produto dispensável à composição e
finalidade do concreto, devendo ser colocado na betoneira antes ou durante a mistura do mesmo,
em quantidades pequenas e bem homogeneizado, para reforçar certas características. [4, 15]
Os aditivos podem ser classificados como:
 Aditivos destinados a melhorar a trabalhabilidade do concreto: plastificantes redutores
que tem objetivo de reduzir a água, aumentar a resistência, diminuir a permeabilidade e
retração hidráulica do concreto (plastificante e superplastificante), os aditivos
superplastificantes permitem elaborar concretos com baixíssimo teor de água,
consequentemente aumentando sua resistência.
 Modificadores de tempo de pega e endurecimento: retardadores e aceleradores. Como
o próprio nome já diz retarda ou acelera o tempo de endurecimento do concreto;
 Modificadores das resistências do concreto a condições especiais de exposição:
incorporadores de ar que tem como objetivo o de melhorar a trabalhabilidade do
concreto, aumentar a durabilidade, diminuir a permeabilidade e a segregação, deixando
17

o concreto mais coeso e homogêneo reduzindo ainda a exsudação, que é a subida de


água livre no concreto.
 Expansores: gerando gases ou espumas expandindo o concreto.

2.2 DOSAGEM

A dosagem consiste em determinar as quantidades de cada material dentro de


proporções estabelecidas em laboratórios e deve ser bem homogeneizado. A dosagem pode ser
feita por dois princípios: volumétrico ou gravimétrico. Para originar à dosagem é necessário
exprimir a composição do concreto, ou seja, o traço.
Para obter o concreto volumetricamente, o traço se refere a um saco de cimento, cujo
volume aparente é de 35 litros. E para se obter o concreto gravimetricamente, o traço é feito de
acordo com o peso ou massa dos componentes.
Nunca esquecer que a relação agua/cimento utilizada no concreto, pois é o principal
fator que influencia o valor de resistência do concreto a ser alcançado.

2.3 ENSAIO REALIZADO NO CONCRETO

Todo concreto produzido, é retirado uma amostra para realizar um teste de resistência,
para evitar possíveis discrepâncias com a tensão desejada.
18

2.3.1 Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone

Também conhecido como slump test, o ensaio para determinar a consistência pelo
abatimento de tronco de cone é regulamentado pela norma NM 67, e é executado em concreto
fresco.
O principal objetivo do ensaio slump test é verificar a trabalhabilidade do concreto em
seu estado plástico, buscando medir sua consistência e avaliar se está adequado para o uso a
que se destina. Não existindo nenhuma relação com a resistência do concreto. A duração do
ensaio deve ser no máximo 5 minutos. E deve ser executado de 5 a 10 segundos.
A figura 2 mostra o kit para realizar o ensaio abatimento do concreto.

Figura 2: Kit slump test.

Fonte: Autor.

2.3.2 Compressão

Regulamentado pela norma NBR 05739, o ensaio de compressão de corpos-de-prova


cilíndricos tem por objetivo determinar a resistência à compressão, dividindo a carga de ruptura
pela área da seção transversal do corpo-de-prova, devendo o resultado ser expresso com
aproximação de 0,1 MPa. [17]
A ruptura dos corpos-de-prova obedece uma ordem de idade do concreto, sendo
executado após cura de 3, 7, 14, 21 e 28 dias (de acordo com a norma). Após desmoldados os
19

corpos-de-prova são armazenados em tanques contendo água, conhecidos como tanques de cura
(conforme figura 3) até atingirem a data para realização do ensaio de ruptura.

Figura 3: Tanques de cura.

Fonte: Autor.

Antes de romper os corpos-de-prova é verificado visualmente se os mesmos estão


perfeitamente alinhados, caso contrário é feito um capeamento, com gesso e cimento, para
corrigir o corpo-de-prova. O ensaio é realizado em uma prensa hidráulica conforme figura 4.
20

Figura 4: Prensa Hidráulica.

Fonte: Autor.

2.4 TIPOS DE CONCRETO

Neste relatório será abordado somente o cimento Portland CP II-E, pois trata-se do
produto utilizado pela Goiás Serviços de Concretagem Ltda., devido a sua característica de ser
usado em estruturas e quando produzido em grandes quantidades, evita trincas.
Todo concreto feito em laboratório é homogeneizado em betoneira com capacidade de
120 litros, sendo logo em seguida adaptado para caminhões betoneiras (8 m³ de capacidade).
O concreto produzido depende da solicitação cliente, e é fabricado de acordo com o tipo
e aplicação, podendo ser classificado de acordo com a tabela 2:
21

Tabela 2: Tipos de concreto


TIPOS APLICAÇÃO
De uso corrente em qualquer obra. Obras de difícil acesso.
Bombeável Necessidade de vencer alturas elevadas ou longas distâncias.

Resfriado Peças de elevado volume como bases ou blocos de fundações.


Estruturas de concreto aparente, pisos (pátios, quadras e calçadas),
Colorido
guarda-corpo de pontes etc.
Estruturas convencionais ou protendidas, pré-fabricados (estruturas,
Alta Resistência Inicial
tubos e etc.).
Peças delgadas, elevada taxa de armadura, concretagens de difícil
Fluido
acesso para a vibração.
Como lastro, contra-peso, barreira à radiação (câmaras de raios-X ou
Pesado
gama, paredes de reatores atômicos) e lajes de subpressão.
Elementos de vedação (paredes, painéis, rebaixos de lajes, isolante
Leve
termo-acústico e nivelamento de pisos).
Fonte: [16]

O cimento comercializado pela concreteira é armazenado em dois grandes silos,


conforme apresentado na figura 5.

Figura 5: Silos para armazenamento de cimento.

Fonte: Autor.
22

Os agregados utilizados pela concreteira são:


 Areia média, grãos com diâmetro entre 0,42 a 2mm (figura 6);

Figura 6: Areia.

Fonte: Autor.

 Seixo rolado: tipo 0 (grãos com diâmetro médio de 12mm) e tipo 1 (diâmetro 24mm)
(figura 7);

Figura 7: Seixo rolado.

Fonte: Autor.
23

 Brita: tipo 0 e 1 (figura 8).

Figura 8: Brita.

Fonte: Autor.

Os aditivos usados pela Goiás Concreto são:


 Muraplast FK820, com densidade 1,12 g/cm³, e é utilizado como incorporador de ar;
 PowerFlow 1180, com densidade 1,09 g/cm³, superplastificante.
Os aditivos são armazenados em galões, conforme figura 9:

Figura 9: Aditivo

Fonte: Autor.

A produção da Goiás Concreto produz principalmente concreto convencional ou


bombeável, com slump 6±2 e 8±2 cm, respectivamente. Podendo a resistência variar de 10 a 40
MPa.
24

3 EMPRESA

Os ensaios deste relatório foram executados na Faculdade Metropolitana, por possuir


um laboratório de construção civil, contendo equipamentos do uso cotidiano de uma
concreteira, desde peneiras para determinar granulometria dos agregados até betoneiras para
homogeneização do concreto.

3.1 GOIÁS SERVIÇOS DE CONCRETAGEM LTDA.

Atuando há mais de 10 anos no ramo de usinagem de concreto a Goiás Concreto possui


sede em Marabá, Parauapebas, Canaã dos Carajás, Barcarena, Belém e Recife. Possui uma frota
de caminhões betoneiras e caminhões bomba de concreto, especialmente adquiridos para
atender os padrões de qualidade exigidos pelos clientes. Conta ainda com laboratório para
realizar ensaio do concreto produzido e câmara de cura para os corpos-de-prova. No entanto,
para novos criar traços, faz parcerias com faculdades que tenham laboratórios mais completos.

4 ESTÁGIO

O presente estágio foi realizado em parceria com a Faculdade Metropolitana e Goiás


Serviços de Concretagem Ltda. Inicialmente trabalhando na Metropolitana executando trabalho
no laboratório de construção civil, surgiu a oportunidade de trabalhar junto ao controle de
produção e qualidade da Goiás Concreto.
As atividades desenvolvidas na concreteira estavam desde procedimento de fabricação
do concreto além de seus respectivos processos de produção quanto ao compromisso de fazer
os cálculos de traços e eventuais correções dos mesmos. Os traços foram desenvolvidos pelo
departamento de engenharia da Goiás Concreto.
25

Além de executar traços experimentais, confeccionar corpos-de-prova e após cura


rompê-los, apresentar os resultados desses traços sempre obedecendo o tempo de cura do
concreto.
Durante o período de estágio, a empresa HF Engenharia, responsável pela construção
das casas do programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal em Marabá, solicitou um
traço com tempo de pega completa de 15 horas de moldagem e possuir 1,4 MPa de resistência
nessas 15 horas, onde deverá ter resistência no mínimo 15 e 25 MPa com 7 e 28 dias,
respectivamente.
Antes de efetuar a mistura dos componentes do concreto, é verificado a umidade do
agregado miúdo. Após homogeneizado os componentes do concreto, é retirado uma amostra
para realização do ensaio slump test, conforme mostra a figura 10.

Figura 10: Slump test.

Fonte: Autor.

Foram moldados dois corpos-de-prova para cada dia de ruptura, sendo constituído de
prova e contraprova, de acordo com a figura 11. Caso os corpos de provas não estejam
devidamente alinhados é feito um capeamento, para deixar o mesmo perpendicular ao solo, se
for executado o ensaio de compressão em corpos de provas desalinhados, estes apresentarão
resultados indesejados. No capeamento é utilizado gesso mais cimento, na proporção 3 para 2,
respectivamente.
26

Figura 11: Concreto moldado.

Fonte: Autor.

Os traços I e II não obtiveram resultado satisfatório em 15 horas, como mostra as figuras


12 e 13, no entanto, foram conferidos a resistência a compressão com 7 e 28 dias.

Figura 12: Traço I. Figura 13: Traço II.

Fonte: Autor. Fonte: Autor.

O traço III foi desmoldado com 15 horas e realizado o ensaio de compressão. Após
atingirem 7 e 28 dias de cura, foram realizados todos os ensaios conforme mostra a tabela 3.

Tabela 3: Ensaio de Compressão, em MPa.


TEMPOS DE CURA
TRAÇOS
15 horas 7 dias 28 dias
I - - 22,17 22,29 33,97 32,90
II - - 14,85 14,25 26,20 27,04
III 1,60 1,73 32,17 32,30 37,46 38,09
Fonte: Autor.
27

Após atestado a resistência dos traços verificou-se um aumento de 50% em relação a


resistência requerida no traço III. Os traços I e II mesmo não atingindo cura em 15 horas
apresentou resultado satisfatório com 7 e 28 dias. Sendo que o traço I obteve um aumento de
30%. Foi sugerido a diminuição de cimento no traço III afim de fornecer um concreto com
menor preço.

5 CONCLUSÃO

A experiência vivenciada na empresa me proporcionou, por meio deste estágio, absorver


experiências práticas de tudo aquilo que vimos na teoria. Sendo de grande importância para
formação de um engenheiro a interação com profissionais da área.
O presente trabalho teve como objetivo dimensionar para escala laboratorial um traço
de concreto de uma usina concreteira, sendo verificado os resultados dos ensaios de compressão
e slump test, mediante a variações de dosagem de aditivos.
Verificou-se que apesar de o traço I e o traço II não terem conseguido atingir a
resistência necessária para executar a obra, 15 horas, estes mostraram que com no final de 28
dias estão com a solicitação de tensão superior a exigida, sendo aproveitado para outro tipo de
trabalho.
Para o traço III, os resultados mostrados superam em mais de 50% a tensão solicitada,
o qual foi sugerido diminuir o cimento para ficar economicamente mais barato, o traço foi
aprovado pela empresa HF Engenharia.
28

6 REFERÊNCIAS

[1] Construção Civil. Disponível em


http://guiadoestudante.abril.com.br/profissoes/engenharia-producao/construcao-civil-
684655.shtml. Acesso em 24 de Maio de 2014.

[2] PEDROSO, F. L.; Concreto: as origens e a evolução do material construtivo mais usado
pelo homem. Concreto e Construções. São Paulo, n. 53, p. 14. Jan./Fev./Mar. 2009.

[3] CALLISTER JR, W. D. Ciência e Engenharia de Materiais uma Introdução. Sétima


Edição. LTC. Rio de Janeiro, 2008.

[4] BAUER, L. A. F. Materiais de Construção. Vol. 1. 5ª ed. Revisada. LTC. Rio de Janeiro,
2012.

[5] MEHTA, P. K., MONTEIRO, P. J. M., Concreto: Microestrutura, Propriedades e


Materiais, IBRACON, São Paulo, 2008.

[6] FONSECA, G.C; GOMES, A.M. A Visão de Sustentabilidade das Escórias de alto-forno
no Brasil: Análise crítica. DEMC - UFMG. Belo Horizonte, 2010.

[7] ABCP, Associação Brasileira de Cimento Portland. 2014.

[8] NBR 5732 – Cimento Portland comum. Rio de Janeiro: ABNT, 1990.

[9] NBR 11578 – Cimento Portland composto. Rio de Janeiro: ABNT, 1991.

[10] NBR 5735 – Cimento Portland de alto forno. Rio de Janeiro: ABNT, 1991.

[11] NBR 5736 – Cimento Portland pozolânico. Rio de Janeiro: ABNT, 1999.

[12] NBR 5733 – Cimento Portland com alta resistência. Rio de Janeiro: ABNT, 1991.

[13] NBR – 7211 – Agregado para cimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2009.

[14] Agregados. Disponível em http://anepac.org.br/wp/agregados/. Acesso em 24 de Maio


2014.

[15] ASTM C125 – Standard Terminology Relating to Concrete and Concrete Aggregates.
2013.
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[16] Manual do Concreto Dosado em Central. ABESC – Associação Brasileira das Empresas
de Serviços de Concretagem. Disponível em <www.abesc.org.br>. Acesso em 24 de Maio de
2014.

[17] NBR – 05739 – Concreto - Ensaio de compressão de corpos-de-prova cilíndricos. Rio


de Janeiro: ABNT, 1994.