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UNIVERSIDADE FEDERAL DE OURO PRETO - ESCOLA DE MINAS

DEARQ - DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA

TÉCNICAS RETROSPECTIVAS

Aula

Sistemas Estruturais
Alvenaria de Pedra

Prof(a): Fernanda Alves de Brito Bueno


“fizesse ele uma fortaleza de pedra e cal e, se não a pudesse
construir com esse material, que a fabricasse de pedra e
barro, ou então de taipa, ou ainda de madeira” e continua
“faça-se a fortaleza como melhor pode ser”.

Vê-se que o ideal era a pedra e cal.


Regimento dado a Tomé de Souza em 1548. (apud VASCONCELLOS, 1979)
Sistemas Estruturais
• Estrutura: “elemento construtivo (ou um conjunto deles
formando um sistema), indispensável em toda edificação,
que trabalha recebendo as cargas/esforços (...), suportando-
as e transmitindo-as ao meio ou à outra estrutura, dando
estabilidade e segurança ao imóvel”.

• Se divide em infra-estrutura e superestrutura.

• “Todo elemento construtivo, para sua existência, precisa ter


alguma parte que cumpre a função estrutural, ou seja,
precisa de algo que o suporte, que pode ser uma parte
integrante do próprio elemento ou um elemento externo”.
(NOLASCO; 2008)
Sistemas Estruturais
• Período colonial – soluções criativas para vencer as
limitações de resistência dos materiais;
(NOLASCO; 2008)

• Fundações e grossas
paredes no pavimento
inferior;
• Paredes mais leves no
pavimento superior;
• Gaiola para suporte do
pau-a-pique (sistema
Atual Museu do Oratório–Ouro Preto/MG flexível, porém estável).
Fonte: IEPHA 1975
Sistemas Estruturais
• Ligação entre peças (apoio);
• Encaixe para unir peças – sambladura;
• Pregos substituídos por cavilha (orifícios justapostos atravessados por
pino de madeira);
• Encaixes também entre as madeiras e os elementos em rocha para
estabilizar as ligações.
(NOLASCO; 2008)

Fonte: VASCONCELLOS,1979 Fonte: VASCONCELLOS,1979


Alicerces
• Alicerces – fundações rasas do tipo sapata corrida ou isolada (pedra,
tijolo, taipa de pilão com pedras intercaladas);
• Em sua maioria – alvenaria de pedra com argamassa de barro, pedras
maiores no fundo calçadas com pedra menores; camadas
superpostas até aflorar na superfície;
• Parte aflorada do embasamento – baldrame (infra-estrutura) –
normalmente mesma técnica do alicerce.
(NOLASCO; 2008)
Alicerces
• Aparente – técnica de ensilharia – pedras cortadas em forma de
blocos com superfícies planas paralelas e bem acabadas (pedras
aparelhadas), niveladas e sobrepostas, com mínimo de gretas –
baldrames, cunhais, paredes, colunas e arcos (assentamento com fina
camada fluida).
• Assentadas com fina camada argamassa – algumas apresentavam
cavilha e grampo metálico.
(NOLASCO; 2008) (NOLASCO; 2008)
Alicerces
• Cantaria: Pedras lavradas e cortadas segundo as regras da
Estereotomia para serem aplicadas às diferentes partes do
edifício, como constituição, das paredes, etc.

• Estereotomia: Nome da técnica empregada para dividir,


cortar e colocar com rigor os materiais de construção,
principalmente aqueles destinados a confecção das paredes.

• Ensilharia – Silharia – Enxilharia – obra em que há emprego


de silhares, pedras regularmente lavradas e aparelhadas
segundo as regras da estereotomia.

Fonte: (Corona e Lemos. Dicionário da Arquitetura Brasileira, 1972)


Alicerces
• Rebocados e pintados – alvenaria de pedra;

Fonte:
http://static.panoramio.com/photos/original/1460
8404.jpg

Fonte:
http://www.panoramio.com/photo/10476646
Alicerces
• Construções mais elaboradas – soleira de pedra como cordão (base
para parede);
• Construções mais simples – viga de madeira sobre embasamento –
viga baldrame (base para esteios, suporte dos barrotes e distribuição
de cargas).
(NOLASCO; 2008)

Fonte: Acervo pessoal


Alvenaria de pedra
• Alvenaria de pedras - Rochas em formas de lajes ou blocos com
superfícies planas – posicionados na horizontal de forma nivelada;
• Locais com escassez de pedra – taipa de pilão com cascalho de pedra
para reforço;
• Espaço vazio entre a viga baldrame e superfície do terreno –
preenchido com pedra.
Alvenaria de pedra seca
• Paredes estruturais – suportam cargas sobre si mesmas;
• Pedras – as que mais resistem aos esforços – mais empregadas;
• Alvenaria de pedra sem argamassa – insossa ou pedra seca –
tamanhos diversos, formas irregulares, sobrepostas, podendo ser
calçadas por pedras menores.
• Contensão de encostas;
• Camadas sucessivas de blocos de rochas de vários tamanhos, sem
argamassa de assentamento;
• Pedras maiores e com a face mais bem acabada externa;
• Superfície regular (reta, curva, plana vertical, inclinada);
• Vazios permitem passagem de água;
• Mais flexíveis, pedras se acomodam naturalmente;
• Espessura maior na base;
• Paredes de edificações com essa técnica – grossas, prumo e
rebocadas. Adequado em porões. (NOLASCO; 2008)
Muros de alvenaria de pedra
Alvenaria de pedra
• Pedra seca – Dispensa argamassa. Pedras maiores e menores.
Cangicado. Geralmente grande espessuras (60 cm a 1m); De
preferência muros de terreno, pouco uso nas habitações.
• Pedra e barro – assentadas com argamassa de terra. Faces aparentes
com melhor acabamento. Espessura 50cm a 1m. É comum aplicação
de emboço de barro e reboco e cal e areia.

• Pedra e Cal – argamassa de terra substituída por cal e areia. Pedras


aparelhadas utilizadas para estrutura ou acabamento das
construções. (vergas, peitoris, cunhais, embasamentos, cimalhas
outros).

(VASCONCELLOS, 1979)
Tipo de rocha

• Muros: Canga, granito, gnaisse, itabirito, calcário, brecha, outras;


• Bloco em laje – faces planas – panos de paredes mais regulares:
quartzito, arenito, mármore, basalto, xisto, filito, outros. Comum em
alicerces de construção ou alvenarias rústicas sem revestimento.
(NOLASCO; 2008)
Tipo de rocha
• Canga – primeiras, mais antigas construções de Minas –
morros de Ouro Preto – em alguns casos associada a placas
de quartzito;
• Quartzito – maior aplicação nas construções do séx. XVIII e
XIX. Grande presença de quartzo, se diferenciam pela cianita,
óxidos e micas (obras Palácio Governadores, quartzito
Itacolomy – 1735 e 1738);
• Calcários e mármores – pouco utilizados nas construções
mineiras, ao contrário da costa. Embora tenha ocorrência OP,
Mariana, Catas Altas, Cachoeira Campo e Caraça (má
qualidade composição e fraturas). Calcário muito utilizado
para produção da cal;
(COSTA; 2009)
Tipo de rocha
• Calcários e mármores – pouco utilizados nas construções mineiras, ao
contrário da costa. Embora tenha ocorrência OP, Mariana, Catas Altas,
Cachoeira Campo e Caraça (má qualidade composição e fraturas).
Calcário muito utilizado para produção da cal;
• Xisto – Rico em mica, também foi amplamente utilizado nas
construções mineiras. Composições diversas; (cinza, verde e azul).
Confundido com a pedra sabão pela aparência, mas são bem
diferentes. Não são maleáveis, mais ásperas e mais resistentes.
• Pedra sabão – Facilidade de trabalho (arte estatutária e
ornamentação). Presença de talco.
• Serpentinitos e clorita xistos – erroneamente tidos como pedra
sabão;
• Granitos e gnaisses – embora abundantes, pouco utilizado na
escultura e cantaria de Minas Gerais nos séculos XVIII e XIX.
Composição, difícil corte para época. Gnaisse utilizado na construção
da nova capital - BH (transição séc. XIX para o XX).
(COSTA; 2009)
Tipo de rocha

Antiga Casa Capitular – Mariana – início obras 1771.


Fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1563409

Antiga Casa Capitular – função administrativa ligada a Igreja. Estilo rococó. Arrematante José Pereira Arouca.
Cantaria de quartzo –cianita-granada xisto de Passagem. Cimalhas e adornos em pedra sabão. Cunhais
quartzito. (COSTA; 2009)
Tipo de rocha

Casa do Barão de Pontal – Mariana – Segunda metade séc. XVIII.


Fonte: https://picasaweb.google.com/orlandafm/CidadesHistoricasDeMinasGerais
Colunas
• Suporte de cargas – madeira, alvenaria de pedra ou de tijolos, em
ensilharia, em cantaria, concreto, aço, etc.
• Geralmente decoradas - base e capítel;
• Por vezes – ornamentais – não cumprindo função estrutural.
(algumas ocas).

Igreja do Pilar em Ouro Preto Pilar Museu Inconfidência


Fonte:
http://alunosemouropreto157.blogspot.com.br/20
09/11/matriz-nossa-senhora-do-pilar.html
Vãos e Arcos
• Desafio – arcos – artifícios mais utilizados;
• Alvenaria de pedra ou de tijolo, ou em ensilharia.
• Arco pleno (românico), ogival, mouro (ferradura), arco de círculo.
• Arco pleno mais estável – arco de círculo (maior esforço horizontal);
• Cambota – forma para montagem arco em alvenaria.
• Pontes, arcadas, aquedutos, túneis.

Ponte do Rosário – Ouro Preto Ponte do Rosário – Ouro Preto


Fonte: Fonte:
http://www.klick.com.br/enciclo/encicloverb/0,5977,cliente-
2718,00.html
Vãos e Arcos
• Cambota – forma para montagem arco em alvenaria.
• Construção arco – técnica ensilharia – lados levantados simultaneamente
– aduelas (forma cunha) – meio pedra angular (chave)

Cambota Técnica ensilha ria - Aduelas


Fonte:
http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2012/08/14/forma-estrutural-i/
Abóbodas e cúpulas
• União vários arcos – abóboda;
• Mesmo centro - cúpula

Fonte:
http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2012/08/14/forma-estrutural-i/
BIBLIOGRAFIA
- BRAGA, Márcia (Org.). Conservação e Restauro: Arquitetura Brasileira. Rio de Janeiro: Ed. Rio,
2003;

- COSTA, A. G. Rochas e Histórias do Patrimônio Cultural do Brasil e de Minas. Rio de Janeiro:


Bem-Te-Vi, 2009;

- KANAN, Maria Isabel. Manual de Conservação e intervenção em argamassas e resvestimentos a


base de cal. Brasília: IPHAN/Programa Monumenta, 2008.

- NOLASCO, NEY. Caderno Ofícios 3: Alvenaria. Ouro Preto: FAOP, 2008. 88p.

- VASCONCELOS, Sylvio de. Arquitetura no Brasil: Sistemas Construtivos. Belo Horizonte: UFMG,
1979.