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Valores Humanos:

vivências
geradoras de Paz
Cleber Castilhos e
Cleusa Denz

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Valores Humanos: vivências geradoras de Paz
Cleber Castilhos
Cleusa Denz

O que são Valores Humanos? Em quais ações os valores humanos aparecem


no meu dia a dia? Integração entre o pensar, o sentir e o agir.
Ao final da leitura deste material espera-se que o cursista seja capaz de:
• Apresentar uma reflexão sobre a crise de valores nos dias atuais;
• Refletir sobre o conceito de Valor Humano;
• Destacar alguns Valores Humanos conceituando-os;
• Sensibilizar os leitores para uma coerência existencial entre nosso pensar, sentir e agir.

Somente a vontade do Homem mede a distância entre o possível e o impossível.


Mário Quintana

Introdução
Nossa proposta é que possamos manter um diálogo sobre esta temática de maneira
reflexiva. Queremos dizer com isto que, falar sobre Valores Humanos em nossa
perspectiva implica necessariamente pensar e repensar a Vida. Que este curso não
seja somente teórico. Nossa proposta é que, o que aqui escrevemos, nosso e de
outros autores sirva, de aprendizagem vivencial e que possamos com essa leitura,
quem sabe, rever alguns hábitos e algumas atitudes. Explicitamos aqui, o desejo de
que esta leitura possa contribuir para uma transformação em nossas vidas. Às vezes,
o que precisamos é parar e olhar de outra maneira, de outro ponto, a partir de uma
referência diferente.

Reflexão sobre os Valores Humanos


Nos últimos 50 anos, houve uma transformação radical da sociedade. A tecnologia
influenciou e transformou as relações sociais. De que forma? Desde as mudanças
de costumes, como ouvir novelas de rádio a assistir novelas e programas na televisão
em preto e branco, inicialmente, depois colorida, hoje até no próprio celular.
A internet revoluciona as formas de estar e consequentemente de ser no mundo.
As redes sociais entram com força total e as pessoas mais jovens e os que estão nas-
cendo neste período já vem “conectados” a esta nova forma de ser e estar no mundo.
Crianças percorrem, com muita facilidade, este universo que, para alguns adultos
mais parece um labirinto assustador.
Da mesma forma que informações e conhecimentos de todas as áreas tornam-
se acessíveis a qualquer um, há também uma enormidade de inverdades, de opiniões

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e informações dissociadas da realidade e assuntos fúteis, alguns enganosos que po-
dem induzir a formação de opiniões equivocadas.
Os valores humanos sofreram e sofrem influência diante destas mudanças
estruturais da nossa sociedade, não no sentido do que eles representam, mas no sen-
tido de como são vividos e sentidos. Infelizmente, para muitas pessoas, o progresso
tecnológico acabou sendo inversamente proporcional ao progresso afetivo.
O ser humano é, por excelência, um ser gregário1 e, ao longo da história, valo-
res foram sendo construídos para que estas relações fossem saudáveis e harmônicas.
Valores são princípios, normas de natureza intelectual, física ou moral que
foram sendo constituídos a fim de tornar as relações humanas legítimas e verda-
deiras. Segundo Chauí (1994), “o desejo de verdade aparece muito cedo nos seres
humanos como desejo de confiar nas coisas e nas pessoas, isto é, acreditar que coisas
são exatamente tais como as percebemos e o que as pessoas nos dizem é digno de
confiança e crédito” (p. 91). No entanto, como ela mesma lembra, nosso cotidiano
é permeado de pequenas e grandes decepções, o que faz com que as crianças e os
adultos se questionem se as coisas são “verdade” ou “mentira”.
A grande crise de valores da atualidade atinge também os valores familiares. A fa-
mília é uma grande construtora e geradora de valores. Com ela iniciamos nosso proces-
so de socialização. É importante lembrar que os valores não são os mesmos em todos os
lugares, eles diferem de acordo com a cultura de cada povo que pode lhes dar significa-
ção e importância distintas, o que também pode ocorrer dentro de uma mesma família. 1. Que gosta de
ter a companhia
Não só os valores diferem como também a forma como são interpretados e de outras pessoas;
conduzidos. Em nome da ética, do respeito à família e aos bons costumes, a dita sociável
“normalidade”, homossexuais estão sendo maltratados, discriminados e, por vezes,
mortos de forma cruel e desrespeitosa.
Em nome da honestidade, pessoas estão sendo desonestas, em nome da le-
aldade, pessoas cometem atos cruéis, ou são coniventes e cúmplices de condutas
totalmente ilegais, imorais e antiéticas. Há uma inversão de valores, e, com certa
frequência, uma distorção deles.

Mas o que são Valores, afinal?


Os valores são crenças ou convicções de algo preferível e digno de apreço, são escolhas pro-
fundas de como devemos orientar nossas atitudes nas relações pessoais, profissionais e sociais.
Valores e atitudes estão relacionados. Uma atitude é uma disposição a agir de
acordo a determinadas crenças, sentimentos e valores. Muitas vezes, os valores são
confundidos com virtudes, qualidades ou sentimentos. A virtude é uma capacidade
humana de alcançar objetivos. Alguns autores e o próprio Dicionário Houaiss tam-
bém conceitua virtude como uma “qualidade da alma”, um potencial de realização.
O que acontece é que algumas virtudes podem ser eleitas como um Valor a
ser seguido, ou alcançado. Por exemplo, a sinceridade para nós é uma virtude, por

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ser uma capacidade que temos de não mentir. No entanto, alguns autores a colocam
como um valor, isto é, uma escolha de vida, um princípio de orientação de nossos
atos. Também ocorre o contrário, alguns autores colocam alguns valores como vir-
tudes. Por exemplo, a generosidade é um Valor Humano, mas há pessoas que pos-
suem a generosidade como uma virtude, intrínseca a sua vida.
Gostaríamos de trazer a luz alguns destes valores, dentre muitos outros que
poderíamos elencar, no sentido de potencializá-los em nossas vidas e com isso quem
sabe, contribuir para sua propagação. A lista de valores humanos diverge de autor
para autor. Nós selecionamos alguns existentes em nossa cultura e que apareceram
com mais frequência nos livros consultados: Honestidade, Responsabilidade, Res-
peito, Gratidão, Generosidade, Solidariedade, Lealdade, Perdão, Liberdade.

Generosidade

Gratidão Lealdade

Direitos
Humanos
e Geração
Honestidade da Paz Respeito
2. Frase rebuscada
que se banaliza
por ser muito
repetida; lugar- Liberdade Perdão
comum, chavão

O senso comum faz com que se reproduzam conceitos e definições a partir


de clichês2, chavões, frases feitas e prontas sem aprofundar muito, ou saber a fonte,
a origem do que estão a repetir. Procuraremos explicitar alguns Valores, sem a pre-
tensão de esgotar a temática, conscientes de que está lançada uma provocação: a de
exercitarmos e promovermos a propagação destes valores por nós elencados e tantos
outros, dos quais o mundo está necessitando.

Honestidade
Vamos iniciar com a Honestidade, tão questionada nos dias atuais. Trata-se de uma ati-
tude diante da vida, na qual a pessoa está determinada a escolher sempre, a agir com base
na verdade e na justiça (dando a cada um, o que lhe é devido, incluindo a si próprio).
Ser honesto é ser real, verdadeiro, autêntico. Honestidade expressa respeito
por si próprio e pelos outros. Não é apenas a capacidade de dizer a verdade, mas de
assumir também suas ações, mesmo sabendo das suas consequências. A honestida-
de não depende de pessoas ou de consenso, mas da segurança que aquilo que está
fazendo não prejudicará outras pessoas, ou a natureza.

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A honestidade é condição fundamental para as relações humanas, para a vida
social, e ser desonesto torna a pessoa falsa e injusta para com os demais, e para con-
sigo mesma. Existe um pensamento de Rui Barbosa3 que diz: “De tanto ver triunfar
as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de
tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desani-
mar da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.” (Senado Federal,
RJ. Obras Completas, Rui Barbosa. v. 41, t. 3, 1914, p. 86)
O que você pensa sobre isto?
Há um texto de Elisa Lucinda4 que transmite um outro enfoque sobre a mes-
ma questão. Leia a seguir:

Só de sacanagem 3. Rui Barbosa


(1849-1923)
foi um jurista e
Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta à pro-
diplomata, parti-
va? Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cipou ativamente
cuecas que voam entupidas de dinheiro. nas campanhas
abolicionistas e
Do meu, do nosso dinheiro, que reservamos duramente para educar os no movimento
meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos republicano
seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. brasileiro.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? 4. Elisa Lucinda é
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis uma poeta, escri-
tora, jornalista e
existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus atriz brasileira.
brasileiros venha quebrar no nosso nariz. 
Meu coração está no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de
meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: “Não roubarás”,
“Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas
corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha po-
bre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então
agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo
mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar
mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo
a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente
consegue ser livre, ético e o escambau”.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem
que veio de Portugal”. Eu direi: “Não admito, minha esperança é imortal. Eu re-
pito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente
quiser, vai dar para mudar o final!”
Fonte: www.jornaldepoesia.jor.br/elisalucinda3.html

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1. A relação entre
Rui Barbosa e Lucinda Qual a relação e diferença entre os textos de Rui Barbosa e de Elisa Lucinda?
é o sentimento e o O que você pensa sobre a proposta dela?
ponto de vista de cada
Qual é a sua contribuição para o mundo ser cada vez mais honesto?
um a respeito da
honestidade.
2. A proposta de Responsabilidade
Lucinda é inspiradora,
Definir o que é Responsabilidade não é uma tarefa simples. Uma característica
porque incita a ter
esperança de que a indispensável que está ligada ao valor da responsabilidade é o cumprimento de um
honestidade venha dever. A responsabilidade é uma obrigação moral ou mesmo um preceito legal, de
ser uma prática cumprir com algo que foi comprometido.
constante. A responsabilidade também está ligada de forma bem íntima ao sentimento de
3. Procuro ser honesto confiança. Confiamos naquelas pessoas que são responsáveis. Colocamos nossa fé
comigo e com os que e lealdade naqueles que cumprem com o que nos prometeram. Quando empresta-
compartilham comigo
mos um livro ou um DVD a um amigo e esse não nos devolve, ou quando uma pes-
esse mundo em que
vivemos, mesmo sem,
soa se atrasa e nos deixa esperando, deixamos de depositar nossa fé e confiança nela.
às vezes, conhecer a Ela também é um sinal de maturidade, pois o ato de cumprir uma obrigação,
quase totalidade seja ela de qualquer tipo, não costuma ser algo tão agradável à primeira vista, pois
desses. implica esforço. A responsabilidade pode parecer um fardo, mas não cumprir com
o prometido pode gerar consequências sérias.
Por que a responsabilidade é um valor? Porque graças a ela podemos conviver
em sociedade, seja no plano familiar, nas amizades, no âmbito profissional ou mes-
mo pessoal. Quando alguém comete uma irresponsabilidade pode perder a confian-
ça dos outros. Muitas vezes a irresponsabilidade se origina na dificuldade em definir
quais são as prioridades assumidas e ordená-las. Por exemplo: um médico que deixa
um paciente esperando, porque ficou folheando um livro que necessitava adquirir
numa livraria, tem mal ordenadas suas prioridades, pois comprar o livro bem pode-
ria esperar, mas o paciente, com sua saúde debilitada não.
A responsabilidade deve ser algo estável. Todos nós até podemos tolerar a irres-
ponsabilidade de alguém ocasionalmente. Inclusive algumas vezes tomamos atitudes
que poderiam ser consideradas irresponsáveis. Mas uma coisa é certa, não consegui-
mos tolerar a irresponsabilidade de alguém durante muito tempo. O custo da irres-
ponsabilidade é muito alto. No exemplo citado, para o médico poderia representar
o agravamento da saúde do paciente, para um governante que usa mal os recursos
públicos poderia representar a perda de seu mandato ou até mesmo sua prisão.
Os valores humanos são os alicerces de nossa convivência social e pessoal. A
responsabilidade é um valor, porque dela depende a capacidade de estabelecermos
estabilidade em nossas relações.
O que podemos fazer para nos tornarmos mais responsáveis? Uma medida
é percebermos que tudo que fazemos, todo compromisso, toda atitude tem uma
consequência que depende de nós. Somos nós os responsáveis por nossas ações e
não podemos colocar isso como tarefa dos outros.

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Podemos também educar as pessoas à nossa volta para que sejam responsáveis.
Não bastaria denunciar o médico ou colocar o político corrupto na prisão, pois outros
médicos e outros políticos corruptos poderão surgir. É essencial que possamos criar me-
canismos para auxiliar essas pessoas e, para isso, nada melhor que o exemplo, seja através
de nossas pequenas ações ou mesmo de campanhas, caminhadas, passeios ciclísticos,
entre outras maneiras de divulgar nossa responsabilidade enquanto cidadãos e cidadãs.

Pense Nisto
Esta é uma história sobre quatro pessoas: “Todo Mundo”, “Alguém”, “Qual-
quer Um” e “Ninguém”.
Havia um importante trabalho a ser feito e “Todo Mundo” tinha certeza de
que “Alguém” o faria.
“Qualquer Um” poderia tê-lo feito, mas “Ninguém” o fez.
“Alguém” zangou-se porque era um trabalho de “Todo Mundo”. “Todo
Mundo” pensou que “Qualquer Um” poderia fazê-lo, mas “Ninguém” imaginou
que “Todo Mundo” deixaria de fazê-lo. No final: “Todo Mundo” culpou “Alguém”
quando “Ninguém” fez o que “Qualquer Um” poderia ter feito.
Autor desconhecido

Qual a reflexão que você pode fazer deste texto?


Você teria como substituir estes personagens por pessoas reais que você
conheça? 1. Responsabilidade deve ser entendida como algo pessoal e intransferível.
2. Sim. Eu e as outras pessoas.

Gratidão
Agradecer significa aceitar e celebrar aquilo que nos dão as pessoas à nossa volta, na
medida de suas possibilidades. Para algumas pessoas dizer um “muito agradecido”,
“muito obrigado”, “grato”, pelas gentilezas do cotidiano é muito fácil: por alguém
nos ter preparado o café da manhã, por ter a roupa limpa, o local de trabalho orga-
nizado. Contudo, a Gratidão não significa apenas pronunciar palavras de maneira
automática, mas um valor que gera uma atitude que nasce do coração, no apreço ao
carinho e cuidado que outra pessoa tenha por nós.
Devolver um favor não é sinônimo de gratidão: se alguém me oferece um
suco, não quer dizer que depois eu tenha que retribuir da mesma maneira e ficar
quite, pois o agradecimento está longe de pagar uma dívida, mas reconhecer a gene-
rosidade do outro. Estas demonstrações de afeto dão visibilidade ao agradecimento,
precisamos delas para que possamos sentir que o que nos une aos outros é muito
mais que um jogo de interesses baseados numa relação simples de troca.
Durante uma vida inteira somos rodeados de pessoas por quem temos especial
consideração por tudo que fizeram de bom para conosco: nossos pais, irmãos, pro-
fessores, amigos, colegas de trabalho... O motivo que gera nosso agradecimento vem

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justamente pelo fato de algumas dessas pessoas as terem realizado em meio a cansaços
e/ou entre suas rotinas diárias. Pessoas que nos deram apoio como puderam, com o
cuidado que tinham ou com a disponibilidade de recursos que possuíam.
Algumas sugestões para se desenvolver a gratidão:
• Reconhecer o esforço das pessoas quando nos proporcionam algum tipo de ajuda;
• Cultivar o hábito de dizer “muito obrigado”, “muito agradecido”, “grato”... a
partir de pequenas coisas;
• Prestar atenção em pequenos detalhes na relação com as pessoas: abrir a porta,
oferecer um assento no ônibus, servir um café, colocar os talheres na mesa, uma
pequena saudação de bom dia, um sorriso.

Generosidade
É uma maneira de deixar de olhar por um instante para nós mesmos e enxergar as
necessidades do outro. Uma pessoa generosa experimenta o gosto e o prazer em
compartilhar tudo o que tem, sem afetar a satisfação de suas próprias necessidades,
ainda que a história humana seja repleta de exemplos de pessoas que arriscaram suas
próprias vidas para ajudar os demais.
Quem sabe através desse valor, aqueles que mais acumulam bens no mundo
pudessem perceber que a grande massa da população do planeta pouco tem para sua
sobrevivência e substituíssem atitudes como ganância, comodidade, egoísmo, pela
possibilidade da generosidade vir a resgatar uma nova humanidade.
“Dar” é um gesto, mas “dar-se” é um gesto mais difícil e mais elevado. Há coisas
que o dinheiro não pode comprar, que conquistamos ao longo de uma vida, fruto de um
longo aprendizado. Ser generoso não é dar o resto, a sobra, mas o melhor daquilo que
possuímos, nossa capacidade de acolher um amigo, de ajudar uma pessoa doente, um
colega de escola numa tarefa, uma atividade no trabalho com dedicação e competência.
Que atitudes poderiam nos tornar mais generosos no nosso dia a dia?
• Sorrir mais para as pessoas. Está comprovado cientificamente que as pessoas mu-
dam o tônus muscular quando recebem um sorriso;
• Oportunizar que outras pessoas possam fazer coisas que frequentemente somos
nós que elegemos: a escolha de um filme para assistir, um prato para o jantar, um
lugar para passear;
• Visitar idosos em asilos e/ou pacientes terminais em hospitais. Possivelmente, nin-
guém vá ganhar medalha por isso, nem o brilho dos flashes, mas um sentimento
que jamais esquecerá e tão pouco a pessoa que receber essa atitude de você.

Lealdade
A Lealdade é um valor que esteve presente na história da civilização, tanto a oci-
dental quanto oriental. Aqueles que talvez melhor conheçam o valor da lealdade

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sejam os que, em algum momento de suas vidas, receberam e foram dignos de con-
fiança. Em linhas gerais, todos esperamos lealdade dos demais, e que nunca alguém
que conhecemos venha nos trair ou falar mal de nosso respeito.
Lealdade implica uma relação de correspondência, onde uma ou mais pessoas,
ou mesmo um grupo social, age em nosso favor. É um compromisso em defender
nossas convicções ou daqueles em quem confiamos. É muito comum relacionar
lealdade a temas como trabalho, civismo, família ou amizade. Dizemos que quando
alguém nos fez algo de bom, devemos muito mais que um agradecimento.
Se formos leais, temos a possibilidade de aprofundar as relações de amizade,
num sinal de maturidade. Sabemos muito bem que podemos ter algumas relações
de amizade mais superficiais, ou mesmo trabalhar numa empresa só porque nos
pagam. Contudo, a lealdade implica um compromisso maior, é como estar com os
amigos nas horas boas e também nas dificuldades; trabalhar não apenas pelo salário,
mas pelas convicções e defesa de propósitos.
Não é difícil encontrar pessoas que se aproximam de nós para obter algo, e
que uma vez obtido o que querem, nos esqueçam, já que deixamos de ser úteis. São
pessoas que costumam agir em proveito próprio, exclusivamente para tirar benefí-
cios, não sendo confiáveis.
A lealdade não é consequência apenas de um sentimento afetivo, mas de uma
elaboração consciente que elege o que é correto. Por exemplo, mentir para encobrir
as faltas de um amigo não nos torna leais, mas cúmplices. Da mesma forma como
ter claro que o mais importante é viver os valores não somente pelo que represen-
tam, ou por que alguém tenha ditado uma norma. A lealdade é acima de tudo uma
vivência de integridade.
Algumas sugestões:
• Sempre nas relações, não faltar com respeito às pessoas: entre pais e filhos, entre
a empresa e os empregados, entre a escola, alunos, professores e funcionários;
• Convém que se conheça bem os valores de nossos amigos e dos grupos que com-
partilhamos, para evitar surpresas com pessoas que pensem muito diferente de
nós e no futuro nos acusem de desleais por não atendermos às suas expectativas.
A amizade é uma das relações na qual a lealdade aparece com muita força. Até
onde podemos ir numa relação de amizade? O quanto eu faria por um amigo?
Leia o texto a seguir e compartilhe suas ideias com algum amigo ou amiga.

Lealdade
Ramiro Calle

Num antigo reinado, um rebelde havia sido condenado a morrer na forca. Sua
mãe morava muito longe e ele queria despedir-se dela. Fez um pedido ao rei
para que pudesse passar alguns dias com ela. O monarca impôs apenas uma
condição, que um refém ocupasse seu lugar enquanto estivesse ausente e que
no caso de não regressar seria executado no seu lugar.

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O rebelde procurou o seu melhor amigo e pediu que ele ocupasse seu
posto. O rei deu o prazo de sete dias para que o refém fosse executado se neste
tempo o condenado não regressasse. Passaram-se os dias. No sexto dia come-
çaram a fazer os preparativos e a anunciar a execução do refém para a manhã
do dia seguinte. O rei perguntou pelo estado de ânimo do amigo do condenado
aos carcereiros e eles responderam:
– Oh, Majestade, ele está verdadeiramente tranquilo. Nem por um mo-
mento duvida que seu amigo voltará!
O rei sorriu com ironia. Chegou à noite do sexto dia. A tranquilidade e a
confiança do refém eram assombrosas. De madrugada, o rei indagou sobre o
refém e o chefe da prisão disse:
– Jantou esplendidamente, cantou e está extraordinariamente calmo. Não
tem nenhuma dúvida que seu amigo voltará!
– Pobre infeliz!, exclamou o monarca.
Chegara a hora prevista para a execução. Já havia começado a amanhecer.
O refém foi conduzido até a forca. Estava relaxado e sorridente. O monarca ficou
surpreso ao comprovar a firmeza e a confiança do refém. O carrasco lhe colocou
a corda no pescoço e ele, ainda assim, seguia sorridente e sereno. Justamente
quando o rei ia dar a ordem para a execução, escutaram-se os cascos de um
cavalo. O rebelde havia regressado bem a tempo. O rei, emocionado, concedeu
liberdade a ambos os homens.

Você já foi leal a seus amigos? Qual a situação mais marcante que você vi-
venciou de lealdade? 1. sim.
2. Lembrar...
Respeito
Respeito significa marcar os limites das possibilidades de fazer ou não fazer de cada
um, e onde começam as possibilidades de ação dos outros. É a base de coexistência
social. As leis, normas, regras, acordos de convivência e regulamentos, estabelecem
as bases para essa convivência social. No entanto, o respeito não deve ser apenas às
leis ou ao comportamento das pessoas. O respeito é também uma forma de con-
sideração, de reconhecimento e de valorização das virtudes do outro. O respeito
implica o cuidado que dispensamos a uma pessoa, à natureza, a um animal, enfim à
vida do nosso planeta. Percebemos que uma pessoa é respeitosa não somente quan-
do age educadamente em um ambiente social, mas quando consegue conviver com
a diversidade de maneira harmônica. Quer este diferente esteja relacionado ao po-
der aquisitivo, à etnia, à orientação sexual, ao gênero, à idade, à nacionalidade, entre
tantas outras possibilidades que se apresentem.
Quando nós somos diferentes em uma determinada situação, queremos e de-
sejamos ser respeitados, o que pode não ocorrer quando o outro nos é diferente.

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Quando falamos em respeito para com o outro significa também respeito aos seus
sentimentos, seu momento de vida, seus problemas e dificuldades. Escreva uma lista de
situações em que você sente que conseguiu respeitar alguém, nesta perspectiva da história.

Perdão
Há momentos em que acontecem situações na nossa vida que nos magoam, nos
causando dor e sofrimento. Brigas, rupturas e desentendimentos podem gerar sen-
timentos negativos como inveja, ressentimento, ódio, medo e até desejo de vin-
gança. Nestas situações, as pessoas perdem a tranquilidade e a paz, ocasionando,
muitas vezes, uma enormidade de consequências para sua vida e a das pessoas que
o cercam. Os ressentimentos nos impedem de viver plenamente.
Rever nossas atitudes, considerar que o que nos acontece pode ser para nosso
crescimento e aprendizagem, alivia nosso coração. Perceber as limitações do outro,
suas fragilidades e também seus medos, talvez nos ajudasse a sentir mais a atitude
do outro não por um viés pessoal, mas como um ato de compreensão. Embora não
se queira participar mais da convivência com aquela pessoa, e se possa inclusive
não querer mais manter uma relação de amizade ou de trabalho, o importante é
nos abrirmos para o Perdão. Um ato envolvido em nosso sentimento pode mudar
nossas vidas e a dos que nos rodeiam.
Assim, é necessário esquecer os pequenos detalhes que nos incomodam, para
alcançar alegria nas relações cotidianas, na família, escola ou no trabalho. Evitar
maus sentimentos que nos invadem é uma atitude saudável. Perdoar aqueles que
nos ofenderam, como um ato voluntário de grandeza, e perceber que nós também
podemos ter tido alguma contribuição para a situação chegar onde chegou, ou a
pessoa fazer o que fez. Muitas vezes somos passivos diante de situações, nos omi-
timos, e quando surge a turbulência e nos sentimos feridos, acusamos somente o
outro do ocorrido.
Precisamos ter cuidado porque a imaginação, o orgulho e/ou o egoísmo pode
se tornar a causa de nosso ressentimento.
Alguns cuidados que podemos cultivar:
• Não interpretar um olhar negativo ou sorridente de outros; não se incomodar
quando o tom de voz de uma resposta que recebemos, nos pareça indiferente ou
com raiva; ou quando, o que os outros nos fazem não está de acordo com nossas
expectativas;
• O melhor é não julgar sem antes perguntar o porquê de nos sentirmos atacados
ou magoados;
• Quando surgir um mal entendido ou acontecer de fato um desentendimento,
esteja disposto a esclarecer ou resolver a situação. Encontre o caminho para che-
gar a um acordo. Ouça com paciência, busque entender os motivos e apresente
suas razões e pensamentos em relação ao assunto. Uma vez resolvido, procure
esquecer o incidente, como se nada tivesse acontecido;

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• O perdão é muito mais fácil do que parece, é só deixar o orgulho de lado e en-
contrar maneiras de alcançar e manter uma vida saudável e não ceder a sentimen-
tos negativos.

Liberdade
Costumamos dizer que Liberdade é a capacidade de agirmos pela nossa própria
vontade. Uma das características que definem os seres humanos é a possibilidade
de se autodeterminarem, seja em nível individual ou coletivo. Uma pessoa “livre”
traz para sua existência um enriquecimento de aprendizagens: por lugares por onde
passou, pessoas que conheceu, situações que vivenciou.
Em nível coletivo, dizemos que um país é livre quando mais se aproxima da
democracia, que é não apenas um sistema de governo, mas uma possibilidade de
educar os seres humanos a encontrar juntos uma forma de conviver harmonica-
mente em sociedade. Há alguns anos, encontramos nas ruas de uma cidade uma
frase escrita numa grafitagem: “A liberdade do outro amplia a minha ao infinito”.
Talvez seja essa a ideia que influenciou em vários países o surgimento de teóricos
libertários5, que dedicaram parte do seu tempo a estudar a liberdade em aspectos
amplos, não apenas como uma vontade pessoal.
5. As teorias Uma pessoa livre não se sujeita a situações ou pessoas que invadem seu modo
libertárias surgi-
ram no séc. XIX
de viver, assim como da sua família, do seu grupo social ou de sua cidade. Mas agir
como resposta às em liberdade requer também o cultivo das regras de convivência social. Enganam-
péssimas condi-
ções das jornadas
se os que pensam que liberdade seja sinônimo de bagunça ou falta de ordem. Medir
de trabalho na a consequência de nossas ações, usar o bom senso nas decisões e a responsabilidade
Europa.
em mantê-las são ferramentas úteis nesse caminho.
Outro ponto que chama atenção é que, durante uma vida inteira, os valores
podem mudar em graus de importância ou em como se apresentam a nós e aos
outros. Ser livre aos 7 anos de idade pode muito bem representar o direito a poder
brincar com os amigos na praça, sem a presença do irmão mais velho. Aos 14, ser
livre pode ser a vontade e o desejo de namorar. Aos 21 anos, talvez ser livre seja a
ânsia em construir um lugar para morar, do seu jeito, para poder receber os amigos.
Existe também a questão dos direitos civis que asseguram a liberdade, como
a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada na Organização das
Nações Unidas (ONU), em 1948, que já inicia o primeiro artigo com a frase: “To-
das as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.” E depois mais adian-
te: Artigo III – “Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.”
Essa declaração é um dos documentos mais importantes do mundo e todas as pes-
soas deveriam conhecê-la.
Da mesma forma que os direitos concedem, os direitos também geram de-
veres. Quando a liberdade não é assegurada, seja porque alguém a impediu de se

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manifestar ou porque no abuso de suas ações cometeu um crime,
vemos aí sua privação. As cadeias, assim como certos grupos sociais
ou familiares autoritários, costumam ser a expressão máxima do
que significa a falta da liberdade. A escravidão também representou
isso. Em várias sociedades, em diversos períodos na história da hu-
manidade, seres humanos foram impedidos de se expressarem em
liberdade, seja pela cor ou pela posição social que ocupavam.
Direito assegurado ou vontade de expressar o que se sente, o
fato é que a liberdade gira em torno de nossas atitudes todos os dias.
Anda na caneta dos poetas, no coração dos compositores, no andar
de peito aberto dos atores. As artes trataram da liberdade em várias
manifestações. É um desejo profundo do ser humano. Já na observa-
ção dos pássaros, o homem antigo tratou de colocar sua imagem nas
cavernas, ou mesmo no carnaval brasileiro, onde o folião grita: “Li-
berdade, liberdade! Abra as asas sobre nós. E que a voz da igualdade
seja sempre a nossa voz”6.

6. Samba enredo
O papagaio que pede liberdade G.R.E.S. Imperatriz
Leopoldinense,
Esta é a história de um papagaio que se contradizia muito. Vivia numa em 1989. “Liber-
gaiola há muitos anos e o seu proprietário era um velhinho a quem a ave fazia dade, Liberdade!
companhia. Certo dia o ancião convidou um amigo a ir a sua casa para tomar Abra as asas sobre
nós”.
um delicioso chá da Cachemira. Após o chá, os dois homens passaram à sala,
próximo à janela onde estava a gaiola. Conversavam animadamente quando o
papagaio começou a gritar insistente e veementemente: LIBERDADE! LIBERDA-
DE! LIBERDADE!
Não parava de pedir liberdade, durante todo o tempo em que o convida-
do esteve na casa. Tão grande foi sua súplica que o convidado nem sequer con-
seguiu terminar de saborear seu chá. Quando ainda estava saindo pela porta,
escutava o papagaio gritando: LIBERDADE! LIBERDADE! LIBERDADE!
Passaram-se dois dias e o convidado não conseguia parar de pensar com
compaixão no papagaio. Tão perturbado ficou, que decidiu que era necessário co-
locá-lo em liberdade. Tramou um plano, sabia os horários em que o velho saia da
sua casa para fazer compras. Iria aproveitar esta ausência e libertar a pobre ave.
Um dia depois, quando o velho saiu de casa para fazer as compras, ele en-
trou na sala e, para sua surpresa, o papagaio continuava gritando: LIBERDADE!
LIBERDADE! Isso lhe partia o coração.
Quem não sentiria piedade por este animalzinho? Tomou atitude e abriu
a porta da gaiola. Então, o papagaio, aterrorizado, lançou-se ao lado oposto da
porta da gaiola e agarrou-se com seu bico e unhas nos arames, negando-se a
abandoná-la. E seguiu gritando: LIBERDADE! LIBERDADE!

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O que é liberdade para você? Você se sente livre?
A liberdade prevê poder. Poder fazer ou deixar de fazer algo. Também prevê sentir
ou deixar de sentir algo. Liberdade é espontaneidade. Não me sinto totalmente livre.
Pensar, Sentir e Agir
A sociedade moderna, como vimos, fez a humanidade se afastar de sua verdadeira na-
tureza e da importância dos valores. Passaremos a destacar agora, algumas dessas evi-
dências que foram sabotando a maneira como sentimos, pensamos e agimos no mundo.
A preocupação excessiva com a imagem que transmitimos aos outros, menos
na formação humana e mais na expectativa do que os outros vão pensar de nós, fez
com que nos afastássemos de nossa espontaneidade. Nossa livre expressão passou a
ser reprimida, já que poderia não ser aceita e fez com que cedêssemos espaço a com-
portamentos padronizados, seguindo fórmulas do certo e do errado, que passamos
a obedecer, em detrimento do que sentimos.
As exigências para atender as demandas desse estilo de vida geraram também
um tempo diferente daquele onde era possível acompanhar o ciclo das estações, o
crescimento de um fruto na árvore ou daquelas pessoas que amamos. A pressa em
resolver as coisas, a urgência nesse atendimento, instalou-se em nosso cotidiano
de tal maneira que pensamos muito, agimos irrefletidamente, fantasiamos demais,
desconectados com a realidade do “aqui-agora” e do contato com o sentir.
Essa falta de integração gerou uma divisão fictícia como se as pessoas fossem
divididas em três partes: no que sentem, no que pensam e no que fazem. Agindo
apenas no pensar, o mundo racional e “objetivo” seria, para alguns, o parâmetro
adequado, os fatos justificariam nossas ações e controlariam nossas emoções. Ou-
tros dizem que o que importa são nossos sentimentos e que nossas ações deveriam
ir ao encontro de sua satisfação.
Não se trata de substituir a razão pela emoção, mas realizar uma educação
em valores a partir da integração entre pensar, sentir e agir. Quando enfatizamos o
sentir, é no sentido de recuperar o tempo perdido e evitar que o “pensar-agir” seja
mecânico. A pessoa, sua dignidade e sua identidade saem fortalecidas com a intro-
dução das emoções na educação.
As atitudes de mudança podem a princípio ser difíceis, mas permanecer no
mal-estar, na dor, na confrontação e na desqualificação nos deteriora, nos incapacita
para o crescimento e o descobrimento de novas possibilidades e valores.
Necessitamos aprender muitas coisas para melhor viver e conviver, para sermos pes-
soas mais integradas e construir uma sociedade mais humana e mais justa. A vivência dos
valores deve nos conduzir à uma revisão de determinadas maneiras de agir e de interpretar
a realidade e a questionar também algumas das ditas “verdades” do nosso modelo cultural.
Devemos realizar uma nova leitura do que fazemos no nosso dia a dia, as-
sim como não ficarmos rígidos em ideias preconcebidas sobre pessoas ou fatos,
das “certezas” não comprovadas, das condutas automatizadas de nossa cultura. Se

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quisermos ser respeitosos e solidários, não poderemos nos comportar como indivi-
dualistas e excludentes.
Devemos encontrar novos caminhos para resolver os problemas que surgem
e colocar diante deles novas perguntas. Devemos resgatar valores como felicidade,
solidariedade e nos dar conta de seu significado para os seres humanos. Isso poderá
nos levar a novas prioridades mais saudáveis na vida.

Síntese
Neste fascículo abordamos conceitos fundamentais para o respeito aos Direi-
tos Humanos e à Geração da Paz. Conceituamos valores humanos e escolhe-
mos honestidade, responsabilidade, lealdade, gratidão, generosidade, respeito,
solidariedade, perdão e liberdade, dentre muitos para serem trabalhados neste
curso. Compreendemos que os Valores Humanos norteiam nossas ações e
nos ajudam a estabelecer parâmetros de uma vida social mais digna e cujos
direitos sejam respeitados e nutridos.
Acreditamos que a reflexão teórica não deva prescindir da reflexão exis-
tencial. Para tanto, colocamos ao final de cada explanação sobre um valor,
algumas perguntas que gerassem essas indagações, assim como textos que
pudessem representar ideias de outros autores e suas visões. Também procu-
ramos trazer, à primeira cena, uma interlocução mais próxima com o leitor,
auxiliando-o na perspectiva de promover o autoconhecimento e o reconhe-
cimento de que são as ações diárias que podem resgatar esses valores de um
possível esquecimento.
A integração entre o sentir, o pensar e o agir foi a maneira que encontra-
mos para favorecer essa janela de possibilidades, esperançosos que dentro das
escolas, nas reuniões familiares e entre amigos ou nas relações de trabalhos
essas palavras encontrem eco e indiquem caminhos para a construção de um
mundo melhor.
Essa integração seguirá no próximo fascículo, onde os valores humanos
estarão presentes na arte de cuidar e de ser afetivo. A solidariedade será reto-
mada como a mais elevada expressão da afetividade.

Atividades
1. Ao longo do fascículo foram apresentados oito Valores Humanos. Você conhece
outros que julga importante? Enumere e descreva.
2. Você se sente uma pessoa responsável? Dê exemplo de uma situação onde agiu
dessa forma.
3. Você seria capaz de enumerar três diferenças entre honestidade e lealdade?
4. Por que é importante perdoar?

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Referências bibliográficas
BENNETT, William J. O Livro das Virtudes II. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.
BUNGE, Mario. Dicionário de Filosofia. São Paulo, SP: Editora Perspectiva, 2002.
CALLE, Ramiro. 101 Cuentos Clássicos de la India. 6ª.ed. Madri, Espanha: Editora Arca de Sabiduria, 1995.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo, SP: Ed. Ática, 1994.
CHRIS, Rohmann. O Livro das Ideias. RJ: Editora Campus, 2000.
CARRIÉRE, Jean-Claude. Contos Filosóficos do Mundo Inteiro. São Paulo, SP: Ediouro, 2009.
Dicionário eletrônico HOUAISS da Língua Portuguesa.
Dicionário Michaelis. Espanhol-Português. São Paulo, SP: Editora Melhoramentos, 1992.
FAGUNDES, Márcia Botelho. Aprendendo Valores Éticos. 5ª. ed. Belo Horizonte, MG: Editora Autêntica, 2003.

Autores
Cleber Castilhos: Antropólogo e Sociólogo, graduado pela Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. Facilitador em Biodança, graduado pela International Biocentric Foundation – Chile.
Delegado em SA 8000 (Responsabilidade Social), certificado pelo Bureau Veritas Quality International
em Hong Kong. Professor convidado do Curso de Especialização em Educação Biocêntrica da
Universidade de Santa Cruz do Sul. Assessor Técnico do Instituto Nordeste Cidadania – Ceará.
Cleusa Maria Denz dos Santos: Licenciatura em Letras - Português e Literatura pela Uni-
versidade Federal do Paraná e Mestrado em Linguística Aplicada pela Unisinos/RS. Tem ex-
periência na área de Letras, Biodança, Educação Biocêntrica, Literatura, Ensino Fundamental,
Médio e Educação de Jovens e Adultos, além da experiência docente no curso de pedagogia da
Uergs (2002/2004) e da experiência com a formação continuada de professores nos estados do
Paraná, Ceará e Rio Grande do Sul.

Expediente ISBN: 978-85-7529-572-4


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