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GEOGRAFIA

AGÊNCIA BRASILEIRA DE INTELIGÊNCIA


PROFESSOR ALEXANDRE

Caros alunos, dando prosseguimento ao nosso curso, hoje passaremos para


a próxima aula, onde abordaremos os conteúdos já explicitados na aula 00.

Reforçamos que os assuntos listados estão conforme o edital do concurso da


Agência Brasileira de Inteligência, seja como Agente ou Oficial de
Inteligência.

Sejam bem-vindos ao curso de Geografia e boa sorte para vocês.

Seguindo o cronograma veremos, hoje, a aula do dia 24 Set, conforme


tabela a seguir:

DIA ASSUNTO

22 Set 1 Geografia do Brasil. 1.2 A divisão inter-regional do trabalho


e da produção. 1.3 O processo de industrialização e suas
repercussões na organização do espaço.
2 Geografia mundial. 2.2 O estágio atual do capitalismo e a
divisão internacional do trabalho.

24 Set 1 Geografia do Brasil. 1.4 A rede brasileira de transportes e


sua evolução. 1.5 A estrutura urbana brasileira e as grandes
metrópoles.
2 Geografia mundial. 2.3 Processo de
desenvolvimento/subdesenvolvimento.

26 Set 1 Geografia do Brasil. 1.6 A dinâmica das fronteiras agrícolas


e sua expansão para o Centro-Oeste e para a Amazônia.
2 Geografia mundial. 2.4 Caracterização geral dos sistemas
político-econômicos contemporâneos e suas áreas de
influência e disputa. 2.5 O papel das grandes organizações
político-econômicas internacionais.

29 Set 1 Geografia do Brasil. 1.7 A Evolução da estrutura fundiária e


os problemas demográficos no campo. 1.8 Os movimentos
migratórios internos.
2 Geografia mundial. 2.6 A formação dos grandes blocos

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econômicos.

01 Out 1 Geografia do Brasil. 1.9 A distribuição dos efetivos


demográficos no território nacional. 1.10 A estrutura etária
da população brasileira e a evolução de seu crescimento.
2 Geografia mundial. 2.7 A ação do Estado na economia e
políticas contemporâneas. 2.8 As conseqüências da
transformação do espaço socialista.

03 Out 1 Geografia do Brasil. 1.11 Integração entre indústria,


estrutura urbana, rede de transportes e setor agrícola no
Brasil.
2 Geografia mundial. 2.9 Os conflitos geopolíticos recentes.
2.10 Movimentos migratórios internacionais e crescimento
demográfico.

06 Out 1 Geografia do Brasil. 1.12 Recursos naturais:


aproveitamento, desperdício e políticas de conservação de
recursos naturais. 1.13 O Brasil e a questão cultural.
2 Geografia mundial. 2.11 A questão ecológica em nível
mundial. 2.12 Cultura e espaço: conflitos
étnicos/religiosos/lingüísticos atuais. A questão das
nacionalidades.

08 Out Exercícios de Revisão

Todo o material que será utilizado no nosso curso foi preparado de


forma a estimular seu estudo, desta forma você se sentirá motivado em
estudar e assimilar os conhecimentos que estão sendo passados. Caso surja
alguma dúvida, não se sinta envergonhado em postá-la no nosso “fórum de
debates”, pois, quem sabe, a sua dúvida pode ser a questão que irá
aparecer no nosso concurso. Ao final das nossas aulas, cada um irá sentir o
gosto do dever cumprido, estarão autoconfiantes para realizar uma boa
prova e galgar a tão sonhada aprovação.

Vale ressaltar que se trata de material de uso pessoal, não podendo ser
repassado a terceiros, em caráter gratuito ou oneroso, seja impresso, por e-
mail ou qualquer outro meio de transmissão sob risco de violação do
estabelecido na Lei n. º 9.610/1998 e no Código Penal.

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AULA 02

Nesta aula, veremos a Geografia do Brasil com os assuntos a rede brasileira


de transportes e sua evolução e a estrutura urbana brasileira e as grandes
metrópoles e a Geografia mundial com os assuntos o processo de
desenvolvimento/subdesenvolvimento.

Geografia do Brasil

Assunto 1.4 (A rede brasileira de transportes e sua evolução.) e Assunto 1.5


(A estrutura urbana brasileira e as grandes metrópoles).

O SETOR DE TRANSPORTE

O sistema de transporte, no período da colonização brasileira, era feito por


vias marítimas que penetravam e ligavam o litoral com o interior. Estas
eram autônomas e sem conexão direta com as demais, formando um
pequeno sistema independente, constituído de dois extremos: núcleo
litorâneo e do interior.

O núcleo do interior era de suma importância, pois, além de incentivar as


transações comerciais feitas pelos colonos, era uma via de condução do
gado sertanejo que necessitava de mercados de carne do litoral, ajudando
no intercâmbio e permitindo deslocamentos e migrações da população
sertaneja em face da seca no local.

Nessa época, também existiam as vias terrestres, que eram incipientes e de


difícil tráfego, uma vez que a condução feita por terra era limitada pelo tipo
de estradas construídas. Essas vias eram subsidiárias das vias marítimas, as
quais eram o eixo, e servindo de escoadouro geral, já que, na época da
colonização, o transporte por água foi umas das principais causas que
fixaram o povoamento pelo fato de que as estradas coloniais eram
transitáveis apenas por pedestres e animais, isto em tempo seco, uma vez
que nos períodos de chuva se transformavam em atoleiros sendo impossível
a passagem por aquelas vias.

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G U S T A V O D A S I L V A A L B U Q U E R Q U E , C P F : 0 3 4 4 8 8 6 2 1 2 6

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Outro ponto de destaque para os transportes do Brasil ocorreu no século


XVIII, com a economia escravista mineira, uma vez que as tropas de mulas
constituíam uma legítima infra-estrutura de todo o sistema.

Várias regiões do Brasil foram muito beneficiadas com a economia mineira,


onde a criação de mulas se aperfeiçoou em grande escala e a cada ano iam
a estes locais dezenas de milhares de mulas, as quais formavam a principal
fonte de renda da região e ajudavam as demais regiões do país a
solucionarem seus problemas de transporte.

A decadência da economia mineira faz surgir a necessidade de um novo


produto para exportação, ou seja, o café, que por sua vez, impulsiona uma
grande evolução ao sistema de transportes da época:

Entretanto, vale ressaltar que a substituição das mulas pelas ferrovias


ocorreram de forma gradual e não imediata, pois na região oeste de São
Paulo, ainda, verificava-se um grande fluxo de tropas de mulas. Porém, a
grande vantagem de tudo isso, estava na redução do custo de transporte, na
regularidade do transporte das cargas e na maior segurança que
apresentava as ferrovias em relação às tropas de mulas.

Em meados do século XIX, foi em São Paulo, Jundiaí, que se implantou a


primeira companhia ferroviária nacional particular da área cafeeira,
eliminando o problema de transporte e tornando-o mais célere. O “capital
cafeeiro” representava para época a base para a construção das ferrovias,
que serviam para o transporte do café colhido no interior com destino ao
porto de Santos.

A intenção dos fazendeiros de café ao investir no transporte ferroviário


partia de dois pressupostos: o de vencer o obstáculo da produção exportável
do planalto de São Paulo, já que parecia, praticamente, impossível a
produção além de Rio Claro, e pelo fato de que ocorriam perdas de
exportação por causa da distância ou dos custos de transportes.

O sistema ferroviário paulista, antes de 1914, era dominado por empresas


estrangeiras. Contudo, após a guerra, tais empresas perderam a
credibilidade levando empresários brasileiros a comandar algumas delas. A
partir de então, houve uma desvalorização cambial, acarretando o

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encarecimento dos elementos principais dos gastos com as ferrovias, como:


as despesas com o combustível importado, o material de manutenção e os
salários que eram reajustados conforme a elevação do custo de vida. É
certo, também, que os equipamentos ferroviários, na maioria importados,
elevavam o seu valor, sendo difícil a recolocação de novos, gerando
problemas para novos investimentos nas estradas de ferro.

Com a quebra na bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929, a exportação


do café foi prejudicada devido a uma crise internacional associada à quebra
da bolsa, pois o café foi tido como um produto supérfluo pelos importadores,
ocorrendo dessa forma um declínio da produção cafeeira e
conseqüentemente prejudicando o transporte do café.

Em conseqüência da crise cafeeira, no final da década de 30, o Governo de


Getúlio Vargas começou uma série de encampações nas empresas
ferroviárias, iniciando um processo de saneamento e reorganização das
estradas de ferro, promovendo investimentos. Ao patrimônio da União foram
incorporadas várias empresas, sendo administradas pela IFE (Inspetoria
Federal de Estradas), posteriormente dando origem ao DNER (Departamento
Nacional de Estradas de Rodagem) e DNEF (Departamento Nacional de
Estradas de Ferro).

As ferrovias eram o principal transporte até a chegada do automóvel no


início do século XX pelo fato de que ligavam os locais de produção aos
portos, atendendo, portanto, à demanda da economia agro-exportadora.

As rodovias surgiram para propiciar a conexão entre as fazendas e as


estações ferroviárias, tendo por conseqüência uma maior mobilidade e um
importante papel para época, já que o país, no início da década de 1940,
conheceu seu primeiro crescimento industrial significativo, onde o centro
dinâmico da economia deslocou-se para o mercado interno. Esse
deslocamento gerou um aumento significativo na extensão da rede
rodoviária por grandes regiões, principalmente para a região Sudeste.

A crescente urbanização do Estado de São Paulo reforçou a necessidade da


adoção de uma política rodoviária, que resultou na construção das primeiras
rodovias modernas, unindo, dessa forma, as regiões Sudeste e Sul. Para a
região Nordeste foi estabelecido o Plano Rodoviário do Nordeste, em 1931,
que visava a construção de rodovias para atender as necessidades das

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regiões atingidas pela seca com o intuito de estabelecer trabalho e de reter


mão-de-obra local.

A nova divisão territorial do trabalho demandava o desenvolvimento e


circulação no mercado nacional unificado, o que tornou as rodovias um
fundamental instrumento na economia para as décadas seguintes.

MODALIDADES DE TRANSPORTES

Os transportes são classificados de acordo com a modalidade em:

- Terrestre: Rodoviário, Ferroviário e Dutoviário;

- Aquaviário: Marítimo e Hidroviário;

- Aéreo

E quanto a forma em :

- Modal ou Unimodal: envolve apenas uma modalidade;

- Intermodal: envolve mais de uma modalidade e para cada trecho ou modal


é realizado um contrato;

- Multimodal: envolve mais de uma modalidade, porém regido por um único


contrato;

- Segmentados: envolve diversos contratos para diversos modais;

- Sucessivos: quando a mercadoria, para alcançar o destino final, necessitar


ser transportada para prosseguimento em veículo da mesma modalidade de
transporte (regido por um único contrato).

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Todas as modalidades têm suas vantagens e suas desvantagens, porém


algumas são mais adequadas para uma determinada mercadoria e outras
não.

Composição Percentual das Cargas por modal


Fonte: GEIPOT.

Transporte terrestre

As primeiras medidas concretas para a formação de um sistema de


transportes no Brasil foram estabelecidas em 1934. Desde a criação da
primeira estrada de ferro até 1946 os esquemas viários de âmbito nacional
foram montados tendo por base as ferrovias, complementados pelas vias
fluviais e a malha rodoviária. Esses conceitos começaram a ser modificados
a partir de então, especialmente pela profunda mudança que se operou na
economia brasileira, e a ênfase passou para o setor rodoviário. A crise
econômica da década de 1980 e uma nova orientação política tiveram como
consequência uma queda expressiva na destinação de verbas públicas para
os transportes.

Transporte ferroviário

O setor ferroviário desenvolveu-se de forma acelerada de 1854, quando foi


inaugurada a primeira estrada de ferro, até 1920. A década de 1940 marcou
o começo do processo de estagnação, que se acentuou com a ênfase do

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poder central na malha rodoviária. Diversas ferrovias e ramais começaram a


ser desativados e a rede ferroviária, que em 1960 tinha 38.287km, reduziu-
se a 26.659km em 1980.

A crise do petróleo na década de 1970 mostrou a necessidade da correção


da política de transportes, mas dificuldades financeiras impediram a adoção
de medidas eficazes para recuperar, modernizar e manter a rede ferroviária
nacional, que entrou em processo acelerado de degradação.

Na década de 1980, a administração pública tentou criar um sistema


ferroviário capaz de substituir o rodoviário no transporte de cargas pesadas.
Uma das iniciativas de sucesso foi a construção da Estrada de Ferro Carajás,
inaugurada em 1985, com 890km de extensão, que liga a província mineral
de Carajás, no sul do Pará, ao porto de São Luís - MA. O volume de
investimentos, porém, ficou muito aquém das necessidades do setor num
país das dimensões continentais do Brasil.

CARACTERÍSTICAS
O transporte ferroviário é adequado para o transporte de mercadorias de
baixo valor agregado e para grandes quantidades, tais como, produtos
agrícolas, derivados de petróleo, minérios de ferro, produtos siderúrgicos,
fertilizantes, entre outros. Um problema deste modal é a agilidade do
embarque do material, pois é necessário levá-lo aos terminais ferroviários
para este fim.

O sistema ferroviário nacional é o maior da América Latina, em termos de


carga transportada, atingindo 162,2 bilhões de tku (tonelada quiilômetro
útil), em 2001. Os dados operacionais e econômico-financeiro estão
disponíveis no Siade (Sistema de Acompanhamento do Desempenho das
Concessionárias de Serviços Públicos de transporte Ferroviário).

VANTAGENS

- Adequado para longas distâncias e grandes quantidades de carga;


- Baixo custo de transporte;
- Baixo custo de infra-estrutura

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DESVANTAGENS

- Diferença na largura das bitolas;


- Menor flexibilidade no trajeto;
- Maior necessidade de transbordo;
- Tempo de viagem demorado e irregular;
- alta taxa de furtos.

Mapa do Sistema Ferroviário Nacional


Fonte: http://www.antt.gov.br/carga/ferroviario/ferroviario.asp

O Modal Ferroviário na Matriz de Transportes

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O setor ferroviário participou na matriz de transporte de carga do Brasil,


com o percentual de 20,86%, em 2000, considerando o total da carga
transportada no país.

Este modal quando junto a áreas urbanas e portos, enfrenta problemas, tais
como invasões de sua faixa de domínio, quantidade excessiva de passagens
de nível, falta de contornos, insuficiente integração operacional entre
concessionários e deficiências de extensão e de cobertura.

TRANSPORTE RODOVIÁRIO

Características

As primeiras rodovias brasileiras datam do século XIX, mas a ampliação da


malha rodoviária ocorreu no governo Vargas, com a criação do
Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) em 1937 e, mais
tarde, com a implantação da indústria automobilística, na segunda metade
da década de 1950, a aceleração do processo de industrialização e a
mudança da capital federal para Brasília. A partir daí a rede rodoviária se
ampliou de forma notável e tornou-se a principal via de escoamento de
carga e passageiros.

Na década de 1980, o crescimento acelerado deu lugar à estagnação. A


perda de receitas, com a extinção, em 1988, do imposto sobre lubrificantes
e combustíveis líquidos e do imposto sobre serviços de transporte rodoviário,
impediu a ampliação da rede e sua manutenção. Como resultado, em fins do
século XX a precária rede rodoviária respondia por 65% do transporte de
cargas e 92% do de passageiros.

VANTAGENS

- Adequado para curtas e médias distâncias;


- Simplicidade no atendimento das demandas e agilidade no acesso às
cargas;
- Menor manuseio da carga e menor exigência de embalagem;

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- O desembaraço na alfândega pode ser feito pela própria empresa


transportadora;
- Atua de forma complementar aos outros modais, possibilitando a
intermodalidade e a multimodalidade;
- Permite as vendas do tipo entrega porta a porta, trazendo maior
comodidade para o exportador e o importador.

DESVANTAGENS

- Fretes mais altos em alguns casos;


- Menor capacidade de carga entre todos os outros modais;
- Menos competitivo para longas distâncias;

TIPOS DE VEÍCULOS

- Caminhões: veículos fixos que apresentam carroceria aberta, em forma de


gaiola, plataforma, tanque ou fechado (baús), sendo que estes últimos
podem ser equipados com maquinário de refrigeração para o transporte de
produtos refrigerados ou congelados;

- Carretas: veículos articulados, com unidades de tração e de carga em


módulos separados. Mais versáteis que os caminhões. Podem deixar o semi-
reboque, sendo carregado e recolhê-lo posteriormente, permitindo, com
isso, que o transportador realiza maior número de viagens;

- Cegonheiras: específicos para transporte de automóveis;

- Boogies/Trailers/Chassis/Plataformas: veículos apropriados para transporte


de containers, geralmente de 20’ e 40’ (vinte e quarenta pés);

- Treminhões: veículos semelhantes às carretas, formados por cavalos


mecânicos, semi-reboques, ou seja, composto de três partes, podendo
carregar dois containers de 20’(vinte pés). Não podem transitar em qualquer
estrada, em face do seu peso bruto total (cerca de 70 toneladas).

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TRANSPORTE DE PASSAGEIROS

O transporte rodoviário de passageiros, no Brasil, é um serviço público


essencial, responsável por uma movimentação superior a 140 milhões de
usuários/ano. A Agência Nacional de Transportes Terrestres é o órgão
competente pela outorga de permissão e de autorização, para a operação
desses serviços, por meio de Sociedades Empresariais legalmente
constituídas para tal fim.

O grau de importância desse serviço pode ser medido quando se observa


que o transporte rodoviário por ônibus é a principal modalidade na
movimentação coletiva de usuários, nas viagens de âmbito interestadual e
internacional. O serviço interestadual, em especial, é responsável por quase
95% do total dos deslocamentos realizados no País. Sua participação na
economia brasileira é expressiva, assumindo um faturamento anual superior
a R$ 2,5 bilhões na prestação dos serviços regulares prestados pelas
empresas permissionárias, onde são utilizados 13.400 ônibus.

Para um País com uma malha rodoviária de aproximadamente 1,8 milhões


de quilômetros, sendo 146 mil asfaltados (rodovias federais e estaduais), a
existência de um sólido sistema de transporte rodoviário de passageiros é
vital.

Para efeitos de regulamentação e fiscalização, o transporte de passageiros é


tratado nas três esferas de governo:

- As prefeituras municipais cuidam do transporte urbano (dentro da cidade);

- Os governos estaduais respondem pelas linhas intermunicipais dentro de


cada Estado (ligando municípios de um mesmo Estado);

- O Governo Federal zela pelo transporte interestadual e internacional de


passageiros (transporte de um Estado para outro ou que transpõe fronteiras
terrestres com outros países).

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Contudo, este modal enfrenta vários problemas na atualidade, devido aos


parcos investimentos no setor, entre os quais destacamos os níveis
insuficientes de conservação e manutenção, déficit de capacidade em
regiões desenvolvidas, inadequação de cobertura e de extensão em regiões
em desenvolvimento e de fronteira agrícola e os conflitos do tráfego de
passagem em áreas urbanas.

Este modal é responsável por 50% das cargas movimentadas no país, contra
um pouco mais de 20% do modal ferroviário e algo em torno de 18% por
hidrovia.

Transporte Dutoviário

Características

É aquele que utiliza a pressão mecânica ou gravidade, por meio de dutos


para o transporte de granéis. É uma alternativa de transporte não poluente,
não sujeita a congestionamentos e relativamente barata.

O mais ambicioso projeto de integração de gás Sul-americana é o chamado


Gasoduto do Sul. Este projeto é polêmico, por se tratar de uma construção
que cortaria parte da Floresta Amazônica, ele não é fantasioso. Prova disto é
que 9,6 milhões de dólares já foram gastos pelos Governos de Brasil,
Argentina e Venezuela em estudos de viabilidade técnica do projeto. Em
entrevista ao jornal o Estado de S.Paulo, o ex-vice-presidente do BNDES,
Darc Costa afirmou que a decisão dos três governos na construção do
“megagasoduto” é final: “A decisão política já foi tomada e é irreversível”,
disse. O diretor da área de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, foi mais
enfático ao defender o projeto: “Quem diz que esse gasoduto é inviável só
pode ser míope, ter uma visão de curto prazo e não saber fazer contas”,
afirmou.

Não obstante, a prova cabal da viabilidade do projeto foi a conclusão que os


presidentes Nestor Kirchner, Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva
chegaram, após reunião em São Paulo no dia 26 de abril de 2006, de que o
projeto é de todo viável e que seu custo é justificável.

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Projeto Gasoduto do Sul:

Projeto Gasoduto do Sul:


Fonte: O Estado de S. Paulo, 26/03/2006

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Principais Gasodutos Existentes, Planejados e em Construção na América do Sul


Fonte: IEA Natural Gas Information (2006 Edition): VI.4

No Brasil, os principais dutos existentes são:

- Gasodutos: destina-se ao transporte de gases. Destaca-se o gás natural


como principal agente.

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- Oleodutos: utiliza o sistema de bombeamento para o transporte de


petróleos brutos e derivados nos terminais portuários. Na maioria da vezes,
são transportados o óleo combustível, o petróleo, o diesel, o álcool, o
querosene e o nafta.

- Minerodutos: aproveita a força da gravidade para transportar minérios


entre as regiões produtoras, as siderúrgicas e portos. Os principais produtos
são o minério de ferro, o concentrado fosfático e o sal-gema. Os minérios
são impulsionados por um forte jato de água.

Transporte aquaviário

Este modo possui estrangulamentos em portos e hidrovias:

Portos

- Acesso marítimo:falta de drenagem, de manutenção e aprofundamento;

- Acesso terrestre: dificuldade de integração com o modal rodoviário e


ferroviário;

- Deficiência de infra-estrutura;

- Falhas de coordenação e de gestão.

Hidrovias

- Restrições de calado;

- Deficiências de sinalização e balizamento;

- Restrições à navegação pela inexistência de eclusas;

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Marinha Mercante

- Frota nacional insuficiente para atender à navegação de longo curso e de


cabotagem;

- Déficit no balanço de fretes marítimos internacionais.

Transporte hidroviário

As hidrovias, uma alternativa sempre lembrada dadas as condições


privilegiadas da rede fluvial nacional, pouco se desenvolveram. A navegação
fluvial nunca foi bem aproveitada para o transporte de cargas. Em 1994, a
malha hidroviária participava com apenas 1% do transporte de cargas.

As hidrovias, na década de 1990, ainda eram os rios das principais bacias


brasileiras, em que a ação humana corretiva foi limitada. Dentre essas vias
destacavam-se a bacia amazônica, da qual dependiam de forma quase
absoluta as populações esparsas da região Norte; a bacia do Paraguai, via
de escoamento de parte da produção mineral e agropecuária da região
Centro-Oeste; e a bacia do São Francisco, que atendia as populações
ribeirinhas dos estados de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e
Sergipe. No Rio Grande do Sul localiza-se a a principal via de transporte
fluvial e lacustre do país, formada pelos rios Taquari e Jacuí, ligados às
lagoas Patos e Mirim pelo canal de São Gonçalo.

O único projeto de hidrovia em andamento na metade da década de 1990


era a Tietê-Paraná, no estado de São Paulo. Em trabalho conjunto, os
governos estadual e federal realizaram obras de correção dos leitos dos rios
para torná-los navegáveis e construíram canais artificiais de ligação e
barragens com eclusas. A conexão com redes ferroviária e rodoviária
permitia o escoamento pela hidrovia da produção de numerosos municípios
paulistas.

Considerando-se o potencial das bacias hidrográficas, o transporte fluvial


tem, ainda, uma utilização muito pequena no Brasil, pois é um modal

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bastante competitivo, já que apresenta grande capacidade de transporte,


baixo consumo de combustível e é menos poluente que o modal rodoviário.

Transporte marítimo

Entre 1920 e 1945, com o florescimento da indústria de construção naval,


houve um crescimento constante do transporte marítimo, mas a partir dessa
época a navegação de cabotagem declinou de forma substancial e foi
substituída pelo transporte rodoviário. Para reativar o setor, o Congresso
aprovou em 1995 uma emenda constitucional que retirou dos navios de
bandeira brasileira a reserva de mercado na exploração comercial da
navegação de cabotagem e permitiu a participação de navios de bandeira
estrangeira no transporte costeiro de cargas e passageiros.

Este transporte é o modal mais utilizado no comércio internacional, tendo no


Brasil o percentual de 90% do transporte internacional. Os portos
desempenham uma função importante como elo de ligação entre os modais
terrestres e marítimos.

VANTAGENS

- Maior capacidade de carga;

- Carrega qualquer tipo de carga;

- Menor custo de transporte.

DESVANTAGENS

- Necessita de transborto nos portos;

- Distância dos centros de produção;

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- Maior exigência de embalagens;

- Menor flexibilidade nos serviços aliados a freqüentes congestionamentos


nos portos.

Categorias de transporte

- Cabotagem: Navegação entre portos ou pontos do território brasileiro,


utilizando a via marítima ou entre esta e as vias navegáveis interiores;

- Navegação interior: Realizada em hidrovias interiores ou lagos, em


percurso nacional ou internacional;

- Navegação de longo percurso: realizada entre portos brasileiros e


estrangeiros.

Transporte aéreo

Implantado no Brasil em 1927, o transporte aéreo é realizado por


companhias particulares sob o controle do Ministério da Aeronáutica no que
diz respeito ao equipamento utilizado, abertura de novas linhas etc. A rede
brasileira, que cresceu muito até a década de 1980, sofreu as consequências
da crise mundial que afetou o setor nos primeiros anos da década de 1990.

Este modal é mais adequado para mercadorias de alto valor agregado,


pequenos volumes ou com urgência na entrega.

VANTAGENS

- É o transporte mais rápido;

- Não necessita embalagens mais reforçadas, mas sim, manuseio mais


cuidadoso;

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- Os aeroportos, normalmente, estão localizados mais próximos aos centros


de produção;

- Possibilita redução de estoques via aplicação de procedimentos Just in time


(O Just-in-time é uma proposta de reorganização do ambiente produtivo
assentada no entendimento de que a eliminação de desperdícios visa o
melhoramento contínuo dos processos de produção, é a base para a
melhoria da posição competitiva de uma empresa, em particular no que se
referem os fatores com a velocidade, a qualidade e o preço dos produtos).

DESVANTAGEM

- Menor capacidade de carga;

- Valor do frete mais elevado em relação aos outros modais.

Transporte multimodal

É aquele que serão necessários mais de um tipo de veículo para conduzir a


mercadoria até o seu destino final, sendo utilizados, portanto, caminhões ,
aviões, entre outros.

Este tipo de transporte utiliza um único contrato de transporte com duas ou


mais modalidades de transportes, portanto uma firma assume a
responsabilidade de transporte da carga, podendo fazê-la sozinha ou
contratando alguma outra empresa terceirizada para tal fim.

Algumas vantagens deste sistema:

- Contrato de compra e venda mais adequados;

- Melhor utilização da capacidade disponível da nossa matriz de transporte;

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- Melhor utilização das tecnologias da informação;

- Ganhos de negociação do transporte;

- Melhor utilização da infra-estrutura para as atividades de apoio;

- Redução dos custos indiretos;

- Utilização de combinações de modais mais eficientes.

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Mapa multimodal do território brasileiro


Fonte: Ministério dos transportes

A ESTRUTURA URBANA BRASILEIRA E AS GRANDES METRÓPOLES

O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO

Historicamente, o campo precedeu a cidade, sendo bem mais antiga que


esta.

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O primeiro processo de urbanização ocorreu há milhares de anos com a


chamada Revolução neolítica, quando o homem aprendeu a domesticar
animais e a cultivar plantas, criando, por sua vez, as aldeias. Porém, as
primeiras cidades apareceram cerca de 3.500 anos a. C. na região da
Mesopotâmia, contudo até o advento da Revolução Industrial a cidade era
subordinada ao campo.

O processo de urbanização moderno teve início com a Revolução Industrial,


desencadeada primeiro na Europa e, depois, nas demais regiões
desenvolvidas do mundo atual.

Após o século XIX, vem ocorrendo um contínuo crescimento do meio urbano


à custa do meio rural, isto é, grande quantidade de pessoas transferem-se
do campo para as cidades, são as migrações conhecidas nos países
subdesenvolvidos como êxodo rural. Esse processo traz como conseqüência
a urbanização.

Urbanização deve ser entendida como um processo ou movimento e não


como algo momentâneo ou estático. Para ocorrer este processo, é preciso
que a porcentagem da população urbana aumente em relação à população
rural, por isso, pode ocorrer um crescimento das cidades sem que haja
urbanização, se a população rural crescer em igual proporção à urbana.

A urbanização moderna é um processo intimamente ligado à industrialização


e ao capitalismo, fato fácil de ser comprovado, pois os países mais
urbanizados do mundo são os capitalistas desenvolvidos industrializados. Na
maioria destes países, a população urbana ultrapassa 70%, sendo que
muitos deles, praticamente, já atingiram seu limite máximo, como a Bélgica
97% ou Reino Unido 92%, ou seja, o êxodo rural cessou. Isto não significa
que pararam de crescer, pois a imigração e o desenvolvimento econômico
prosseguem, mas sim que a urbanização não depende exclusivamente do
êxodo rural para crescer.

O conceito de cidade varia muito entre os países, sendo o demográfico-


quantitativo, isto é, uma aglomeração populacional será considerada urbana
se ela possuir uma quantidade de habitantes estabelecidas como mínima.

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Para o Canadá é de 1000 habitantes, para a França é de 2000 habitantes,


para a Espanha é de 10000 habitantes, para a ONU é de 20000 habitantes.

O Brasil adotada o critério político-administrativo, onde toda sede de


município é cidade, independente do número de habitantes. Mas, seguindo o
critério da ONU, observa-se que em 1800, a população urbana era de 2,4%
do total e, atualmente, ela chega a quase 50%.

Aglomerações urbanas

As cidades são uma forma de organização do espaço geográfico e, como tal,


revelam os traços culturais e econômicos da população habitante, sendo
moldadas para a satisfação das suas necessidades. Podem ser espontâneas,
quando estabelecidas naturalmente advindas, por exemplo, de um povoado,
ou planejadas, como é o caso da nossa capital Brasília, cujo plano foi
previamente elaborado.

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Sítio Urbano: é o local onde a cidade foi construída. Refere-se à sua


topografia, podendo ser, por exemplo, um planalto (Brasília), uma colina
(São Paulo), ou mesmo uma planície (Manaus).

Conurbação: é o encontro ou superposição de duas ou mais cidades em


virtude do seu crescimento. Ocorre a fusão das áreas urbanas, a exemplo
das cidades de Salvador e Lauro de Freitas, ou mesmo de Juazeiro e
Petrolina, na região do São Francisco.

Metrópole: é a cidade que apresenta intensa rede de serviços e melhores


equipamentos urbanos de um país (metrópole nacional, a exemplo de São
Paulo, Rio de Janeiro e Nova Iorque), ou de uma região (metrópole regional,
a exemplo de Salvador e Belém) e que influencia as regiões ou municípios
ao seu redor.

Região Metropolitana: é o conjunto de regiões ou municípios integrados


social e economicamente a uma cidade principal (metrópole), que usufruem
de serviços públicos de infra-estrutura comuns. O Brasil possui 17 regiões
metropolitanas, sendo São Paulo a maior de todas, com 39 municípios. A
região metropolitana de Salvador engloba cerca de 10 municípios.

Hierarquia Urbana: é a polarização que uma cidade exerce sobre outra em


virtude das atividades e serviços ofertados. O conjunto dessas relações
hierárquicas é chamado de rede urbana.

Megalópole: é a conurbação entre duas ou mais metrópoles ou regiões


metropolitanas. A “Boswash”, nos EUA, foi a primeira megalópole a se
formar unindo Boston a Washington, com destaque para Nova Iorque, maior
centro financeiro do mundo. Destaca-se ainda a megalópole japonesa,
grande centro tecnológico que vai de Tóquio a Osaka e a megalópole
brasileira, ainda em formação com a conurbação de São Paulo e Rio de
Janeiro.

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Grau de urbanização, população urbana e rural, Brasil – 1950 a 2000


Fonte: IBGE – Censos Demográficos 1950, 1960, 1970,1980, 1991 e 2000.

A formação destas cidades ou megalópoles promoveram a divisão regional


brasileira evoluir como tempo, com o desenvolvimento econômico e social, o
que segundo o almanaque abril de 2008, temos:

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TIPOS DE CIDADES

As cidades podem ser classificadas da seguinte forma:

- Quanto ao sítio: sítio urbano refere-se ao local no qual está superposta a


cidade, sendo assim a classificação quanto ao sítio leva em consideração a
questão topográfica. Como exemplo temos: cidades onde o sítio é uma
planície, um planalto, uma montanha, etc.

- Quanto à situação: situação urbana corresponde à posição que ocupa a


cidade em relação aos fatores geográficos. Como exemplo temos: cidades
fluviais, marítimas, entre o litoral e o interior, etc.

- Quanto à função: função corresponde à atividade principal desenvolvida na


cidade. Como exemplo temos: cidades industriais, comerciais, turísticas,
portuárias, etc.

- Quanto à origem: pode ser classificada de duas formas: planejada e


espontânea. Como exemplo temos: Brasília, cidade planejada e Belém,
cidade espontânea.

Urbanização em países desenvolvidos

Apesar de o processo de urbanização ter se iniciado com a Revolução


Industrial, foi até meados do século XX um fenômeno relativamente lento e
circunscrito.

Após a Segunda Guerra Mundial, esse fenômeno foi concluído nos países
desenvolvidos e iniciado de maneira avassaladora em muitos países
subdesenvolvidos, na maioria dos países latino-americanos e em muitos
países asiáticos. O continente africano até hoje é muito pouco urbanizado.

Com exceção da China e da Índia, com as maiores populações do planeta e


de industrialização recente, todos os países industrializados são urbanizados

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e apresentam taxas altas de urbanização. Há países que apresentam índices


muitos baixos de industrialização e outros que praticamente não dispõem de
um parque industrial, e mesmo assim, são fortemente urbanizados.

Conclui-se que há dois conjuntos básicos de fatores que condicionam a


urbanização: os atrativos, são aqueles que atraem o homem do campo para
as cidades, como a expectativa de emprego, melhores condições de saúde,
educação, etc.; e os repulsivos, são aqueles que expulsam o homem do
campo, como a concentração de terras, mecanização da lavoura e a falta de
apoio governamental.

Os fatores atrativos da urbanização, em países desenvolvidos, estão ligados


basicamente ao processo de industrialização, as transformações provocadas
nas cidades pela indústria.

Imagem de satélite da cidade de New York


Fonte: Nasa

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A urbanização ocorrida nos países desenvolvidos foi gradativa. As cidades


foram se estruturando lentamente para absorver os migrantes, havendo
melhorias na infra-estrutura urbana e aumento da geração de empregos.
Assim, os problemas urbanos não se multiplicaram tanto como nos países
subdesenvolvidos.

Urbanização em países subdesenvolvidos

Nos países subdesenvolvidos os fatores estão ligados as péssimas condições


de vida existentes na zona rural, em função da estrutura fundiária bastante
concentrada, dos baixos salários, da falta de apoio aos pequenos
agricultores. Assim, há uma grande transferência de população para as
cidades, para as grandes metrópoles, criando uma série de problemas
urbanos. Tais problemas são resultados de um fenômeno urbano
característico de muitos países subdesenvolvidos: a macrocefalia urbana, a
concentração da população nas cidades.

A macrocefalia deve ser entendida como o resultado da grande concentração


das atividades econômicas, principalmente dos serviços, e, portanto, da
população, em algumas cidades, que acabam se tornando muito grandes.
Embora esse fenômeno ocorra também em países desenvolvidos, ele
assume proporções maiores nos subdesenvolvidos.

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O crescimento rápido de algumas cidades, gera a criação das regiões


metropolitanas, é resultado da incapacidade de criação de empregos, o que
força o deslocamento de milhões de pessoas para as cidades que polarizam
a economia de cada país. Acrescente-se a isso o fato desses países,
apresentarem altas taxas de natalidade e, portanto, alto crescimento
demográfico, e está formado o quadro que explica o rápido crescimento das
metrópoles no mundo subdesenvolvido.

Mesmo o centro dinâmico dos países subdesenvolvidos não tem capacidade


de absorver tamanha quantidade de migrantes, e, logo, começa a aumentar
o número de pessoas desempregadas, proliferando, cada vez mais, as
submoradias: favelas, cortiços, pessoas abrigadas debaixo de pontes e
viadutos, quando não vivendo ao relento. Essa é a face mais visível do
crescimento desordenado das cidades.

Favela da rocinha
Fonte: Site Terra Brasil

A Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, é uma das conseqüências da rápida


urbanização em países subdesenvolvidos, criando-se, assim, um meio social

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extremamente favorável a proliferação de outros problemas: a violência


urbana, roubos, assaltos, seqüestros, assassinatos, atingindo milhares de
pessoas todo o ano, fazendo muitas vítimas fatais. É por essas razões que o
estresse, também é conhecido como o “mal do século”, atingindo
principalmente os habitantes das grandes metrópoles.

A URBANIZAÇÃO NAS “ECONOMIAS DE TRANSIÇÃO”

As "Economias de Transição" são os antigos países socialistas que adotavam


a economia planificada e, hoje, estão implementando a "Economia de
Mercado".

A ordem geral nesses países, até os anos 80, era empregar todo mundo,
mesmo sem vagas nas empresas ou repartições públicas, o que gerou uma
série de problemas. Posteriormente, nos anos 90, com a queda deste tipo de
economia, começou uma fase de transição para o sistema capitalista,
gerando muitos problemas: aumento do desemprego, da inflação,
multiplicação de máfias ou grupos criminosos organizados, surgimento de
movimentos políticos exageradamente nacionalistas, alguns até racistas,
como na Iugoslávia, por exemplo.

O grave problema do desemprego surgiu devido ao "pleno emprego" da


economia planificada ter sido posto a pique pelo mercado que, com um
parque fabril obsoleto não pôde suprir a demanda de emprego.

Os habitantes dessas nações não demoraram a perceber que o capitalismo


também traz inúmeros problemas, resultando em descontentamentos, que
por sua vez fazem surgir grupos políticos nacionalistas e até os antigos
socialistas, agora com discurso de oposição, culpando o exterior e os
estrangeiros pelos problemas do seu país.

A incidência da pobreza por insuficiênica de renda aumentou 7 vezes desde


1988, empurrando mais 105 milhões de pessoas para baixo da linha de
pobreza.

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As Diferenças na Transição

A consolidação do antigo "Segundo Mundo" e sua inserção definitiva no


Primeiro Mundo poderá levar décadas. O padrão de vida em geral na Rússia,
nos anos 90, é inferior ao de muitos países do Sul, como a Argentina, a
Coréia do Sul ou até mesmo o Chile.

Distribuição das pessoas pobres nas economias em transição:

Existem grupos de países bem mais adiantados nessa transição e outros


bastante atrasados. O mais adiantado é a antiga Alemanha Oriental, hoje
uma província da nova Alemanha, uma das grandes potências mundiais. Só

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que a atual parte oriental da Alemanha, menos desenvolvida, ressente-se da


existência de uma espécie de "Muro Psicológico" perante a ex-Alemanha
Ocidental: os habitantes da parte leste seriam uma espécie de "cidadãos de
segunda categoria", sofrendo discriminações por parte dos "verdadeiros
alemães".

A República Tcheca e Eslovênia é o conjunto que mais vem avançando nessa


transição, seguidas da Hungria, Polônia e Croácia, além de outros. Um país
de sucesso acentuado desse grupo é a República Tcheca, a qual vem
crescendo a cada ano sem muitos problemas de desemprego ou inflação. Em
seguida, vem a Eslovênia, que era a mais rica região da antiga Iugoslávia.

Não podemos esquecer as três nações bálticas (Letônia, Lituânia e Estônia),


que conseguiram se libertar do jugo soviético e voltaram-se hoje para a
Europa Ocidental. Ainda nesse grupo, embora num patamar inferior, inclui-
se a Romênia e a Bulgária, embora bem menos industrializadas.

Intermediariamente, situam-se a Rússia, a Eslováquia, as nações que


restaram da antiga Iugoslávia (sérvios, croatas, eslovênios, montenegrinos,
albaneses e macedônicos) e os países que resultaram do esfacelamento da
ex-URSS (Casaquistão, Ucrânia, Moldávia, Bielo-Rússia e outros). Esses
países enfrentam problemas de desemprego e inflação elevados, além de
ameaças de retrocesso devido a descontentamentos populares e formação
de grupos políticos conservadores, com boa base de apoio.

No outro extremo, estão países que pouco avançaram nessa transição, como
a Coréia do Norte, Cuba e Albânia, que continuam no socialismo de
economia planificada, embora Cuba apresente alguma mudança para se
adaptar à nova realidade mundial.

Um caso especial é o da China, único país socialista que vem se


desenvolvendo em ritmo acelerado desde o final dos anos 70. Apesar do
velho e anacrônico Partido-Estado, a China tem se aberto para a economia
de mercado de forma particular e sistemática, provocando um surto de
crescimento econômico.

Por fim, temos os países paupérrimos do mundo socialista: Mongólia, Vietnã,


Laos, Camboja, Moçambique, Angola e algumas nações agrícolas da ex-

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URSS (Usbequistão, Quirguízia, Turcomenistão, etc.). Nesses países o


padrão de vida é baixo e são escassas as perspectivas de desenvolvimento,
em virtude de só possuírem matérias-primas ou mão-de-obra barata para
oferecer.

Avanços e Recuos do Socialismo Real

Para entendermos o mundo atual, temos que estudar o socialismo real, pois
foi principalmente a sua crise que deu margem ao surgimento da chamada
nova ordem mundial. Quase 1/3 da população da Terra vivia, nos anos 80
nesses países socialistas, que diziam seguir a teoria do socialismo científico
e que adotavam uma economia planificada. A primeira nação a enveredar
por esse caminho foi a Rússia, em 1917. Logo a seguir o domínio Russo se
estendeu sobre várias outras Repúblicas: Geórgia, Moldávia, Armênia,
Ucrânia, entre outras. Em 1922, o país adotou o nome de União Soviética.

O socialismo ideal surgiu no momento em que a revolução industrial passava


por um período de ascensão e, nesse mesmo momento, a classe proletária
enfrentava problemas, pois a carga horária e os baixos salários tornavam
muito difíceis a vida dos trabalhadores, com isso alguns pensadores
socialistas queriam implantar uma sociedade mais igualitária.

Karl Marx foi o mais famoso dos pensadores, para ele o capitalismo tem uma
grande virtude, que é a capacidade de gerar riquezas. A partir daí imaginou
uma sociedade onde as propriedades privadas iriam pertencer ao estado e
que toda riqueza gerada seria dividida entre os trabalhadores, não havendo
mais divisão de classe, o Estado seria dirigido pelo proletário, depois dessa
etapa o socialismo se tornaria comunismo e o estado seria extinto, assim
também como o governo, as polícias, etc.

A Mongólia, em 1924, também adotou tal regime e os demais países, só a


partir da segunda guerra mundial: Iugoslávia, Albânia, Alemanha Oriental e
Bulgária em 1945-1946; Polônia e Romênia, em 1947; Tchecoslováquia e
Coréia do Norte, em 1948; China e Hungria, em 1949; Cuba, em 1959-
1960; Vietnã, em 1945, e Vietnã do Norte, em 1975 (fim da guerra do
Vietnã do Norte com o do Sul); Laos, Camboja, Angola, Moçambique e
Guiné-Bissau, em 1975.

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Durante décadas, pareceu que o mundo socialista progredia, sobretudo do


ponto de vista social, com o capitalismo envolto em crises econômicas
freqüentes e a pobreza se alastrando cada vez mais nos países
subdesenvolvidos. Por volta de 1989, uma profunda crise surgiu no "modelo
soviético" de economia e vida política.

Este fato começou com a perestroika (palavra Russa que significa


reestruturação), levada adiante pelo então Presidente da extinta União
Soviética, Mikhail Gorbachev, desde 1986, obtendo grandes avanços. O
monopólio do partido único, Partido comunista, cedeu lugar ao
pluripartidarismo, sendo convocadas eleições para os cargos públicos mais
importantes e admitido o direito de greve, entre outras mudanças.

A perestroika só foi possível porque uma parte da classe dominante soviética


percebeu que a posição de superpotência da União Soviética estava
ameaçado pela avanço de outros países, especialmente, o Japão e a
Alemanha. Desta forma, o objetivo era dinamizar a economia, procurando
mantê-la entre as primeiras do mundo e ampliar o consumo e a liberdade de
escolha da população. Mas estas medidas não lograram êxito por completo,
porém provocou mudanças significativas na extinta União soviética.

A crise do socialismo deveu-se tanto a contradições internas (problemas da


economia planificada, ausência de liberdade democráticas e rivalidades
étnico-nacionais em alguns países) quanto a influências externas, em
especial pelo fascínio que o padrão de vida da Europa Ocidental exerceu e,
ainda, exerce sobre as populações do Leste Europeu e da Rússia.

Resumindo, podemos definir a situação dos três tipos de metrópoles,


afirmando que no mundo capitalista, tanto no Norte como no Sul, a cidade
reflete o domínio da dinheiro e da mercadoria, havendo uma presença
marcante de anúncios publicitários e do comércio.

Nas metrópoles subdesenvolvidas há, também,uma enorme extensão de


áreas pobres e miseráveis, de contingentes de mendigos e subempregados.

Nos países do Segundo Mundo, ao inverso, a regra geral das últimas


décadas foi a do predomínio de uma calma controlada, de uma vigilância
sutil mas eficaz e de uma forte presença de monumentos e cartazes

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enaltecendo o poder e as autoridades. Coma a crise desse modelo, os


monumentos foram demolidos ou estão sendo, a calma aparente começa a
se desfazer com o enfraquecimento da programação da vida em geral e os
anúncios começam a se expandir.

Essas transformações representam um avanço ou um retrocesso? De um


lado há mais liberdade, direito de ir e vir e ascensão social, mas de outro, há
mais insegurança, mais desafios a serem vencidos no cotidiano, devido ao
paternalismo até então vigente, propiciando o surgimento de líderes
demagogos. As mudanças na urbanização e na vida cotidiana das cidades
constituem, assim, um dos aspectos da transição da economia planificada
para a de mercado.

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Reportagens e Artigos

1. Marcha para o interior -


(pela equipe do jornal, em 27 de setembro de 2004, jornal Opção )

Precisamos interiorizar os investimentos para reduzirmos as desigualdades sociais

A transição do modelo agroexportador para o urbano industrial colocou


a economia brasileira na rota do desenvolvimento econômico. A
princípio, tendo como norte o programa de “substituição de
importações”, que por sua vez criou as condições para a consolidação
da indústria nacional.

Na primeira metade do século passado, a bola da vez era a indústria de


bens de consumo leves, mais tarde, veio a de bens e serviços
intermediários e finalmente a de bens de capital.

Tanto a indústria automobilística como a modernização agrícola


exerceram papel preponderante para o crescimento da indústria
metal/mecânica e a de equipamentos agrícolas, setores importantes ao
processo de agregação de valor, promovido por ambas e que geram
maiores divisas ao país.

A industrialização brasileira não levou em conta apenas as vantagens


comparativas, teoria criada por “David Ricardo”, cuja defesa recai sobre
a especialização na produção, onde os recursos são mais abundantes,
deixando a cargo de outras nações, setores cujas vantagens não são as
mesmas. As fontes de financiamento da indústria nacional, sobretudo a
considerada de base (química, cloroquímica e petroquímica), vieram
primeiramente dos cofres públicos, via tributos ou por empréstimos
subsidiados — já que necessitavam de um aporte maior de capital.

A princípio, as indústrias concentraram-se nas regiões Sudeste e


Centro-Sul do país, isto graças às políticas públicas compensatórias e
também às chamadas economias de aglomeração, destacando: a
proximidade dos centros de pesquisas, universidades, infra-estrutura

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adequada, garantia da competitividade e pelo seu mercado


consumidor.

Os indicadores acima, se por um lado facilitaram a presença de


matrizes industriais neste corte geográfico, de outro alimentaram as
desigualdades regionais e sociais existentes na economia brasileira.

A reforma no sistema financeiro iniciada nos anos 1960 e finalizada na


década de 1970 criou novas fontes de financiamento ao
desenvolvimento, destaque ao surgimento do mercado de capitais, que
alimentadas por fundos de investimentos e de pensão, ampliaram a
liquidez no mercado.

A questão é que, ao lado deste movimento, davam sinais os primeiros


reflexos do rompimento unilateral, pelos EUA, do acordo firmado em
1946 em Bretton Woods, que permitiu às economias captarem recursos
no mercado internacional a taxas de câmbio fixas e juros subsidiados.

A estes fatores aliam-se as crises no setor energético em 1973 e 1976,


que quadruplicaram os preços do barril de petróleo, commoditie cuja
importância é vital a qualquer processo de crescimento e
desenvolvimento industrial, pois seus derivados não só complementam
o processo produtivo, como também o alimenta, a exemplo do óleo
diesel, gás, gasolina, fibras plásticas e outros componentes.

As dificuldades de ordem externa aqui mencionadas trouxeram


problemas de caixa a um dos setores que participaram da formação do
tripé que deu sustentação ao movimento pela industrialização iniciado
pelo “Plano de Metas” ainda na década de 1950.

O setor mais atingido foi o privado nacional, responsável neste


processo pela produção de bens e serviços intermediários, cujo maior
demandante na época era o setor automobilístico, centro do
desenvolvimento da indústria brasileira.

Neste cenário, se medidas de caráter emergentes não estivessem sido


tomadas pelo setor público, o processo de desenvolvimento teria

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entrado em colapso.

As dificuldades encontradas para o equilíbrio do balanço de pagamentos


eram evidentes, em parte pela ampliação dos serviços da dívida,
naquele momento motivada pela alta dos derivados do petróleo.

Não obstante os problemas aqui enumerados, o setor privado,


responsável até aquele momento pela consolidação do processo de
industrialização, encontrava-se em meio a dívidas, devido à
flexibilização das taxas de câmbio e juros verificadas no mercado
internacional, razão pela qual, naquele momento, não havia outra
alternativa senão uma participação mais efetiva do Estado.

A decisão tomada pelo Estado foi a socialização das dívidas do setor


privado, pondo em prática o “ajuste exportador”, deixando, portanto, o
peso da dívida contraída pelo capital privado nacional nas décadas de
1950, 1960 e 1970, a cargo do Estado.

O setor passaria a se comprometer tão-somente com a continuidade do


processo de produção, na tentativa de reverter o déficit emergente do
balanço de pagamentos.

A partir de então, não só o setor urbano, mas também o campo,


passaria a se beneficiar do processo de industrialização. Com recursos
provenientes do “crédito rural”, surgiram os primeiros complexos
agroindustriais.

O peso da socialização das dívidas do setor privado trouxe um ônus


elevado ao Estado brasileiro. O modelo tributário encontrava-se, na
época, em processo falimentar. O fato mencionado levou as estatais a
arcarem com empréstimos externos para manterem ativas as metas
traçadas pelo II PND: “dar continuidade ao processo de
desconcentração da riqueza no país e consolidar a matriz industrial pela
produção de bens de capital, (máquinas e equipamentos) necessários
ao crescimento da economia”.

Na esteira deste processo, ganhava força na economia mundial o

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movimento de globalização econômica e financeira, quebrando


barreiras para favorecer a economia de mercado, exigindo do Estado
capitalista uma participação cada vez menor, ou seja, de interventor do
processo de crescimento, a mediador das relações existentes entre o
capital e o trabalho.

Nas economias desenvolvidas, o modo de produção fordista/taylorista


deu lugar ao sistema toyotista, tendo como prioridade a especialização,
dentro do processo de horizontalização da produção.

As empresas reduziram seu tamanho e abriram parcerias integradas,


terceirizando seus serviços a partir de um padrão predeterminado. Com
isso, tornaram-se mais dinâmicas e competitivas.

O Brasil, ao final da década de 1980, ainda finalizava seu projeto


industrializante, tendo como âncora o programa de substituição de
importações iniciado na década de 1930.

A necessidade de consolidar a matriz industrial bateu de frente com


falta de recursos e a necessidade de se adaptar à nova ordem
econômica mundial. Não restou outra alternativa senão a de promover
a abertura comercial no início da década de 1990.

A exceção da Embraer e da Petrobrás, as demais empresas, ao


compará-las com grupos similares presentes no mercado internacional,
encontravam-se sucateadas, sem a mínima condição de competição. O
caminho natural foi a busca da reestruturação produtiva, com aquisição
de “tecnologia” dentro do processo conhecido por “ciclo produto”.

Ao lado deste movimento modernizante, ganharam força os processos


de privatizações, fusões e incorporações, no sentido de dotar as
empresas brasileiras e multinacionais aqui presentes de
competitividade no mercado internacional, que abria-se de forma
positiva aos novos anseios da economia brasileira.

A década de 1990 foi marcada pelos movimentos aqui retratados e pela


dificuldade contínua da União em promover uma política nacional de

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desenvolvimento que garantisse às unidades da federação condições


equânimes de competição no mercado globalizado.

Este fato levou todas as suas unidades a utilizarem incentivos fiscais


como um dos fatores de atratividade.

Goiás, a exemplo dos demais, lançou mão de recursos fiscais para se


industrializar. Se de um lado conseguiu ampliar a arrecadação em
condições normais de fiscalização, de outro alcançou resultados
importantes em termos de crescimento. No início da década de 1970,
apresentava-se no mercado como eminentemente agropecuário.

Atualmente, face às políticas públicas implementadas, vive a primeira


fase do processo de industrialização, priorizando o desenvolvimento das
cadeias de bens de consumo leves, destaque para as indústrias de
alimentos, calçados, papel, celulose e têxtil, movimentando a economia
de municípios importantes, como Luziânia, Itumbiara, Santa Helena,
Acreúna, Anápolis, Rio Verde, Jataí, Goianira, Ipameri e outros.

Catalão destaca-se pelo forte papel exercido pelas minerações


(produção e verticalizacao do fosfato) e ainda dá os primeiros passos
para a consolidação da indústria metal/mecânica, capitaneada pela
Mitsubishi, Jhon Dear e alimentadoras, o que a médio e longo prazos
podem contribuir para a formação de um entorno industrial, abrindo
condições ao seu crescimento e dos municípios circunvizinhos.

Há a necessidade, portanto, de se interiorizar os investimentos, já que


as demandas são crescentes e a capacidade dos municípios de atendê-
las, via poderes públicos municipais, é pequena.

É fato que o poder público, pelos seus representantes diretos e os


segmentos sociais representativos, pode e deve participar mais
ativamente deste processo. A identificação de setores e atividades a
serem apoiadas, quando são provenientes da base, tendem a dar
melhores resultados.

A interiorização dos investimentos, apoiada em pilares firmes, pode não

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só promover o desenvolvimento local, como também ampliar as


possibilidades de incremento da renda, via alargamento da base de
contribuição.

Na seqüência deste processo teríamos municípios mais dinâmicos,


diversificação produtiva, abertura de novos postos de trabalho e
melhora considerável da arrecadação de impostos.

A interiorização dos investimentos reduz as desigualdades sociais


brasileiras?

Resposta: é claro que todo tipo de investimento no interior ajuda a fixar o


homem na sua terra, diminuindo o êxodo rural, promovendo o
desenvolvimento da região. Apesar de ser uma idéia simples de ser dita, é
de difícil implementação, pois quem vai investir lá? É necessário que haja
algum atrativo financeiro para tal empreendimento. Políticas públicas, como
incentivos fiscais e proximidades a modais de transportes, facilitam a ida de
empresas para o interior, reduzindo as desigualdades sociais.

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Geografia Mundial

Assunto 2.3 (O processo de desenvolvimento/subdesenvolvimento)

O mapa-múndi político sofreu transformações radicais nos últimos anos,


principalmente de 1989 a 1991, novos Estados-Nações (países) surgiram e
outros desapareceram, como exemplo, podemos citar a antiga Alemanha
Oriental, hoje uma província da Alemanha reunificada, ou a antiga
Tchecoslováquia, hoje em dois novos estados-nações: a República Tcheca e
a Eslováquia.

Contudo, as mudanças mais surpreendentes aconteceram na Iugoslávia e na


União Soviética. A Iugoslávia, além de ter sido dividida em cinco novos
países (Croácia, Eslovênia, Bósnia, Macedônia e Iugoslávia), conheceu uma
sangrenta guerra civil pela partilha da Bósnia-Herzegóvina. A União
Soviética, por sua vez, viu-se obrigada a fragmentar-se em 15 nações
independentes.

Do ponto de vista geopolítico, é possível comparar esse período a um outro


do nosso século, quando também aconteceram mudanças profundas no
mapa-múndi, por ocasião da Segunda Guerra Mundial. Nesses dois
momentos, ocorreram não apenas mudanças geopolíticas, mas também uma
crise de uma Ordem Mundial e a emergência de uma outra.

Antes da segunda guerra mundial havia uma ordem multipolar, ou seja, com
base em vários pólos ou centros de poder que disputavam a hegemonia
internacional: Inglaterra, ex-grande e exclusiva potência mundial no século
XIX, em decadência hegemônica; a França e em especial a Alemanha,
grandes concorrentes no continente europeu; os EUA, grande potência da
América; o Japão, que se lançava numa aventura imperialista no leste e
sudeste asiático; e por fim a imensa Rússia, fortemente militarizada.

O final da grande guerra trouxe um novo cenário: as potências européias


estavam arrasadas e, conseqüentemente, seus impérios na Ásia e África; o
Japão, igualmente arrasado, perdeu as áreas que havia conquistado no
extremo oriente (Coréia, Manchúria, partes da Sibéria, etc.). Duas novas

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potências mundiais, os EUA e a União Soviética, lotearam o mundo entre si.


Foi a época da BIPOLARIDADE, a nova ordem mundial, que durou cerca de
45 anos, desde o final da segunda guerra até meados de 1991.

O mundo bipolar foi marcado pela eterna disputa entre capitalismo e


socialismo, tendo os EUA e a União Soviética de cada lado, respectivamente.
Os EUA, líderes político-econômicos do mundo capitalista. A União Soviética,
a guardiã e o exemplo a ser seguido no mundo socialista.

Esse Status que começou a ser mudado com a ascensão do Japão e da


Europa Ocidental, que passaram a disputar a supremacia internacional com
os EUA e ao esgotamento do modelo soviético.

Dos Três Mundos à Oposição Norte/Sul

A regionalização do espaço mundial com base em critérios sociais sempre


está ligada ordem internacional que prevalece num certo momento, ao
equilíbrio instável dos países e os grupos de países, à disputa (ou
cooperação) entre as grandes potências mundiais. Após 1945 o mundo
dividiu-se em três "mundos" ou conjuntos de países: o primeiro
mundo(países capitalistas desenvolvidos); o segundo mundo (países
socialistas ou de economia planificada); e o terceiro mundo (áreas
periféricas ou subdesenvolvidas, com freqüência marcadas por disputas
entre capitalismo e socialismo).

Para entendermos a regionalização atual, dos anos 90 e início do século XXI,


temos que estudar a crise do segundo mundo e como essa crise vem
reforçando a oposição entre o Norte e o Sul.

Os Sistemas Sócio-Econômicos

Capitalismo e socialismo são dois tipos de sistemas bastante diferentes entre


si. Podemos dizer que o capitalismo caracteriza-se por apresentar uma
economia de mercado e uma sociedade de classes. O socialismo, por sua
vez, basicamente constitui-se por uma economia planificada e uma
sociedade teoricamente sem classes.

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A sociedade capitalista é dividida basicamente em duas classes sociais: a


burguesia, composta pelos capitalistas, donos dos meios de
produção(fábricas, bancos, fazendas, etc.), e o proletariado(urbano e rural),
que vive de salários, trabalhando para os donos do capital. No entanto,
existem indivíduos que não se enquadram em nenhuma destas classes,
como por exemplo os profissionais liberais (advogados com escritório
próprio, médicos c/consultório particular, etc.).

O mundo bipolar de 1945 até o final dos anos 80.


Fonte: Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 4ª ed., 2007.

Na economia planificada, o elemento principal do funcionamento do sistema


econômico (produção, consumo, investimentos, etc.) é o plano e não o
mercado. Nesse sistema os meios de produção são públicos ou estatais,
quase não existindo empresas privadas. Teoricamente, não deveria haver
estratificação social nesse sistema, mas o que se verificou na prática foi o
surgimento de uma elite burocrática que dirigia o sistema produtivo,
constituindo-se em nova classe dominante.

Com o fim da Guerra Fria, a crise do socialismo soviético, foi causada por:
excessiva centralização do modelo administrativo, inadequada às
transformações da produção e dos mercados, típicas da III Revolução

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Industrial; crescente defasagem tecnológica com relação ao Ocidente. O


Japão supera a produção industrial soviética em 1982. Ascensão de
Gorbatchev em 1985, que introduziu na União Soviética a:

-Perestroika: reforma do modelo econômico administrativo, baseada na


remodelação da produção e na abertura para a entrada de capital
estrangeiro;

-Glasnost: reforma política que determinou o fim do monopólio ideológico do


PC.

O afrouxamento dos laços políticos que mantinham o Leste Europeu sob


hegemonia soviética, acompanhado de um significativo corte de gastos, com
ajuda militar e econômica e a campanha internacional soviética pelo
desarmamento nuclear, o que permitiu a redução dos gastos com orçamento
militar e com a indústria bélica, foram outras medidas implementadas por
Gorbachev, tendo:

- em 1986, a URSS declarou uma moratória unilateral dos testes nucleares;

- em 1987, assinou com os Estados Unidos o INF (Intermediate Range


Nuclear Forces), um acordo para eliminar mísseis de médio alcance na
Europa e na Ásia;

- em 1989, retirou as tropas do Afeganistão;

- Queda do Muro de Berlim.

- Crise, desmembramento e fim da URSS, em 1991:

- junho de 1991: extinção do Pacto de Varsóvia

- julho de 1991: extinção do Comecon

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- agosto de 1991: golpe militar, tirando temporariamente Gorbatchev do


poder

- setembro de 1991: reconhecimento da independência das três repúblicas


bálticas

- dezembro de 1991: criação da CEI

- dezembro de 1991: renúncia de Gorbatchev

Todos estes acontecimentos, derivaram no deslocamento do eixo geopolítico


mundial: da questão ideológica (socialismo X capitalismo - bipolarização), a
qual é substituída pela questão econômica (ricos X pobres -conflito
norte/sul).

O Reforço das disparidades entre o Norte e o Sul

Com a crise do mundo socialista, aumenta a oposição entre o Norte e o Sul.


Isso, porque deixa de haver o conflito LESTE/OESTE, ou seja, entre o
socialismo real o capitalismo.

As duas superpotências das últimas décadas (EUA e União Soviética) tinham


um poderio avassalador e nenhum conflito importante no plano mundial
deixava de ter a participação direta ou indireta delas.

Nessa época, a oposição entre o Norte rico e o Sul pobre nunca transparecia
claramente, porque estava sempre abafada pelo conflito LESTE/OESTE.

O segundo mundo chegou a abranger cerca de 32% da população mundial


no início dos anos 80, mas hoje ele praticamente não existe mais. Assim,
colocando-se os antigos países socialistas mais pobres ou menos
industrializados (China, Mongólia, Camboja, Vietnã, Cuba, etc.) no Sul
subdesenvolvido, e os mais industrializados (Rússia, Hungria, Polônia,
República Tcheca, etc.) no Norte, temos a oposição entre o Norte

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desenvolvido, com 23% da população mundial, e o Sul com 71% desse total
demográfico. Esta é a principal oposição mundial dos anos 90.

A oposição entre o Norte e o Sul tem ainda um outro motivo para se


acentuar: as desigualdades internacionais, que vêm aumentando desde os
anos 80 e devem se agravar ainda mais até o início do século XX. O Produto
Nacional Bruto dos ricos sempre tem aumentado, enquanto os de grande
parte dos países pobres tem diminuído, especialmente na África.

Resumidamente, podemos dizer que isso se deve ao seguinte: enquanto as


economias mais avançadas estão atravessando a chamada Revolução
Técnico-Científica (RTC), com substituição de força de trabalho
desqualificada por máquinas, com a expansão da informática, etc., os países
mais pobres só têm duas coisas a oferecer, matérias-primas e mão de obra
barata, e esses elementos perdem valor a cada dia. Somente os países com
uma força de trabalho qualificada (resultado de um ótimo sistema
educacional) e tecnologia avançada é que possuem condições ideais para o
desenvolvimento.

O Subdesenvolvimento

De forma sucinta, podemos definir o subdesenvolvimento como uma


situação econômico-social caracterizada por dependência econômica e
grandes desigualdades sociais.

Todos os países do Sul ou do terceiro mundo são economicamente


dependentes dos países desenvolvidos. Tal dependência manifesta-se de
três maneiras:

- Endividamento externo, pois, normalmente, todos os países


subdesenvolvidos possuem vultosas dívidas para com grandes empresas
financeiras internacionais.

- Relações comerciais desfavoráveis, geralmente, os países


subdesenvolvidos exportam produtos primários (não industrializados), como
gêneros agrícolas e minérios. As importações, por sua vez, consistem,
basicamente, de produtos manufaturados, material bélico e produtos de

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tecnologia avançada (aviões, computadores, etc.). Esta relação comercial


revela-se terrivelmente desvantajosa, pois os artigos importados têm valor
agregado bem maior do que os exportados, e, ainda, valorizam-se mais
rapidamente.

- Forte influência de empresas estrangeiras, porque nos países


subdesenvolvidos, boa parte das principais empresas industriais, comerciais,
mineradoras e, às vezes, até agrícolas é de propriedade estrangeira,
possuindo a matriz nos países desenvolvidos. São as chamadas
multinacionais. Uma grande parcela dos lucros dessas empresas é remetida
para suas matrizes, o que provoca descapitalização no terceiro mundo.

Em todos os países subdesenvolvidos, a diferença entre ricos e pobres é


muito mais acentuada do que nos países desenvolvidos. Por exemplo, na
Colômbia, 2,6% da população possui 40% da renda nacional; no Chile, 2%
dos proprietários possuem 50% das terras agrícolas. Dessa forma, a
população de baixa renda acaba sofrendo de sérios problemas de
subnutrição, falta de moradias, atendimento médico-hospitalar inadequado,
insuficiência de escolas, etc.

A Nova Ordem Mundial

A nova ordem costuma ser definida como multipolar. Isso quer dizer que
existem vários pólos ou centros de poder no plano mundial. Hoje temos três
grandes potências mundiais de poderio econômico, tecnológico e político-
diplomático: EUA, Japão e a União Européia.

Assim, o século XX começou com uma ordem multipolar, passou para a


bipolaridade e termina com uma nova multipolaridade. Que diferenças
existem entre a multipolaridade deste fim de século e aquela do início?

A primeira grande diferença é que no início do século havia somente um


agente no cenário internacional: o Estado Nacional (como, por exemplo,
Inglaterra, Alemanha, etc.) e tudo girava ao redor de suas relações
econômicas e político-militares. Já nos dias hodiernos há um relativo
enfraquecimento do estado-nação e um fortalecimento de outros agentes
internacionais – a ONU, em primeiro lugar, e também as empresas
multinacionais e as diversas organizações mundiais (governamentais e não-

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governamentais) que atuam nas áreas ambiental, econômica, cultural,


técnica, etc.

Em segundo lugar, no início do século vivia-se uma situação de pré-guerra:


as rivalidades entre potências conduziam inevitavelmente a conflitos bélicos
entre si, o que ocorreu efetivamente de 1914 a 1918 e novamente de 1939
a 1945. Hoje isso é extremamente improvável de acontecer, pois no lugar de
uma disputa acirrada pela hegemonia mundial, existe uma crescente
cooperação , uma interdependência, inclusive com a criação de mercados
regionais ou blocos econômicos. Dessa forma, as três grandes potências são
ao mesmo tempo rivais e associados, possuem alguns interesses conflitantes
e inúmeros outros em comum.

A ordem mundial era tida como dicotômica ou dualista, ou seja,


predominava a oposição entre o bem e o mal, entre o capitalismo e o
socialismo. A nova ordem é pluralista, ou seja, possui várias frentes de
oposição, como ricos/pobres; cristãos/muçulmanos(islâmicos); interesses
mercantis/consciência ecológica, etc.

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Os "destinos do mundo" agora estão divididos entre os Estados Unidos,


Japão e a União Européia , liderada pela Alemanha, que concentram ao seu
redor, países ou grupo de países; formando blocos econômicos. Por esse
critério, o "Mundo Multipolar" está assim distribuído:

- BLOCO AMERICANO - liderado pelos Estados Unidos e que engloba os


países da América;

- BLOCO EUROPEU - liderado pela União Européia, com destaque para a


Alemanha, envolvendo a Europa Ocidental, parte da Europa Oriental e a
África.

- BLOCO ASIÁTICO - tem o Japão como o país mais importante, e engloba o


sul e sudeste asiático, além da Oceania.

O NORTE E OS PAÍSES CAPITALISTAS DESENVOLVIDOS

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Consideram-se como Norte, os países ricos ou industrializados: o primeiro


mundo ou países capitalistas desenvolvidos, em primeiro lugar, e também os
países mais industrializados do antigo mundo socialista ou segundo mundo,
que desde o final dos anos 80 se voltaram novamente para o sistema
capitalista.

Todavia, esses países ex-socialistas encontram-se ainda , em sua maioria,


num estágio intermediário: são as economias de transição, na conceituação
das organizações internacionais. Portanto, ainda não podem ser comparadas
com as nações capitalistas plenamente desenvolvidas. Por esse motivo,
vamos nos deter, neste capítulo, apenas nos países capitalistas
desenvolvidos, que são os que se destacam no consumo, no comércio
mundial, na produção industrial e na tecnológica.

O Primeiro Mundo

São integrantes desse mundo, com população de 15 % do total mundial, os


EUA, Canadá, Japão, Israel, Austrália, Nova Zelândia e as nações da Europa
Ocidental. São países muito industrializados, alguns até
superindustrializados (EUA, Japão e Alemanha, principalmente).

Suas características principais são:

- Apresentam estrutura industrial completa, ou seja, possuem em grande


quantidade todos os tipos de indústrias, tanto de bens de consumo como de
bens de capital.

- Suas economias estão sempre na vanguarda da pesquisa e da inovação


tecnológica. Os setores de ponta – como a informática, a química fina, os
novos materiais, etc. – são gerados nesses países e aí aplicados com mais
intensidade.

- População urbana bem maior que a rural, situando-se normalmente acima


dos 75% da população total de cada país. Essas sociedades são urbanas e
também pós-industriais, onde um moderno setor terciário da economia
(comércio e serviços) substituiu o setor secundário (industrias) como o
grande gerador de empregos e rendimentos.

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- São exportadores de manufaturados e tecnologia avançada, importando


basicamente produtos primários (minérios e gêneros agrícolas). Em geral,
cediam as grandes multinacionais do planeta e os principais bancos
internacionais, sendo assim os maiores investidores de capitais no exterior.

- Sua agropecuária ou setor primário, em geral, ocupa posição


extremamente pequena na renda nacional (menos de 5% do total), embora
seja moderna nas técnicas de produção, como a biotecnologia, por exemplo.
Há tanto excesso de produção, que muitos governos chegam a pagar ao
agricultor para não produzir determinados gêneros (ou então a estabelecer
cotas máximas de produção).

Sociedades de Consumo

As sociedades dos países capitalistas desenvolvidos são comumente


chamadas de sociedades de consumo. Tal expressão é usada porque os
habitantes desses países usufruem intensamente todos os bens e serviços
existentes no mundo moderno.

Nos Estados Unidos ou no Japão, uma família de classe média possui


normalmente dois ou três automóveis, igual quantidade de televisores e
vários aparelhos eletrodomésticos, alguns até dispensáveis.

A cada ano, sob pressão da propaganda, compram-se coisas novas e


abandonam-se objetos ainda em boas condições de uso.

Somente os sete países mais industrializados do primeiro mundo – EUA,


Japão, Alemanha, França, Itália, Grã-Bretanha e Canadá -, que juntos
possuem pouco mais de 10% da população mundial, consomem mais de
80% dos recursos minerais do planeta.

O Capitalismo Monopolista

No século XIX, a economia capitalista estava numa fase chamada de


Capitalismo Competitivo: cada ramo da atividade econômica (calçados,

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laticínios, serviços bancários, etc.) era ocupado por grande número de


empresas, normalmente pequenas ou médias, que disputavam
acirradamente o mercado. O Estado quase não interferia na economia,
ficando sua ação limitada à política.

No século XX, o capitalismo tomou uma forma monopolista, devido a dois


processos principais:

- Ocorreram várias fusões de empresas, falências e compras de uma menor


por outra de maior porte. O resultado disso é que existem hoje os
monopólios (uma grande empresa que controla sozinha um ramo de
atividade) e os oligopólios (um pequeno número de empresas grandes que
exercem esse controle). A competição, portanto, sofreu uma diminuição de
intensidade, passando a se dar num nível diferente. Agora, pode-se dizer
que há mais acordos que competição. Com isso, formam-se os cartéis, que
consistem em acordos obscuros entre empresas que produzem artigos
similares. Algumas leis foram criadas no sentido de coibirem a formação
desses grupos, que controlam artificialmente os preços, prejudicando a
sociedade.

- Com o objetivo de evitar as crises (como a de 1929), o estado passou a


intervir na economia. Tal intervenção não é tão intensa como na economia
planificada dos socialistas, mas exerce influência decisiva em todas as
atividades econômicas. O Estado passa a controlar os créditos (juros
bancários, condições gerais de empréstimos), as exportações e importações
(seja através de tarifas alfandegárias, seja proibindo a importação de certos
produtos ou incentivando a de outros).

Lutas Populares e Democracia

O elevado padrão de vida e de consumo que os habitantes dos países do


primeiro mundo usufruem, tem suscitado, basicamente, dois tipos de
interpretação. Para alguns estudiosos, a explicação está na exploração que
esses países exerceram sobre os países subdesenvolvidos: os trabalhadores
dos países ricos teriam se beneficiado, ao longo de décadas de exploração,
com a transferência de riquezas provenientes do terceiro mundo. Para
outros isso não é correto: a grande razão seria a organização social e
política dos trabalhadores destes países, com regimes democráticos. Ambas
as visões possuem elementos verdadeiros.

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A explicação fundamental para esse padrão de vida relativamente elevado é


a democracia, que resultou de intensas lutas populares. É importante frisar
que as instituições democráticas desses países ainda continuam sendo
aprimoradas.

O Estado de Bem-Estar social e seus impasses atuais

A partir do início do século XX, e com maior intensidade após a década de


50, o sistema capitalista sofreu grandes mudanças nos países desenvolvidos.
A principal delas foi a diminuição da taxa de exploração dos trabalhadores;
outra mudança foi a melhoria das condições de vida da população em geral.
A ação do Estado foi decisiva nesse sentido, pois ele passou a utilizar os
recursos públicos (impostos) para criar um amplo sistema de bem-estar
social.

O nome empregado para designar essa situação é "Estado de Bem-Estar


Social" ou "Estado Assistencialista".

Em todos os países ricos existe um Estado assistencialista. Todavia, sua


origem encontra-se na chamada Socialdemocracia, que prevalece ou
prevaleceu por várias décadas em alguns países – Alemanha, Suécia,
Dinamarca, Inglaterra e outros -, e acabou influenciando os demais Estados
das nações capitalistas desenvolvidas.

Tal sistema, de fato, conseguiu humanizar o capitalismo: no final do século


XIX, a média da carga de trabalho, mesmo para mulheres e crianças, era de
14 horas por dia, incluindo o sábado: os salários eram baixíssimos e as
condições de moradia, extremamente precárias. Hoje, a realidade nesses
países é muito diferente: a média da carga de trabalho é de 6 a 7 horas por
dia, com folga no sábado; geralmente vigora a proibição de trabalho para
menores de 18 anos (que só devem estudar); os salários normalmente
permitem que os trabalhadores comprem automóvel e até casa própria;
esses benefícios são possíveis até mesmo para trabalhadores não
qualificados (faxineiros, lixeiros, ajudantes, etc.).

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A partir dos anos 80 houve uma reação contra o "Estado de bem-estar


social", baseada nas privatizações de empresas ou setores controlados pelo
Estado, principalmente na Inglaterra e EUA, numa tentativa de reduzir os
encargos sociais do Estado, transferindo para a iniciativa privada
determinados setores onde os gastos públicos eram intensos (correios,
investimentos em habitações populares, etc.).

O SUL SUBDESENVOLVIDO

As nações capitalistas subdesenvolvidas abrangem, atualmente, pouco mais


da metade da população mundial. Se somarmos a elas os países de
"Economias de Transição" mais pobres, como a Mongólia, a China ou o
Vietnã, teremos o conjunto denominado Sul, que compreende pouco mais de
¾ da população mundial.

O Conceito de Subdesenvolvimento

O termo subdesenvolvimento surgiu após a Segunda Guerra Mundial, nos


documentos dos organismos internacionais, como a ONU e a UNESCO,
principalmente. A "descoberta" do subdesenvolvimento deu-se com a
descolonização e com a publicação pelos organismos internacionais de dados
estatísticos dos diversos países do mundo (índice de mortalidade, salário,
formas de alimentação, habitação, consumo, distribuição de renda, etc.).
Esses dados revelaram um verdadeiro "abismo" entre o conjunto dos países
desenvolvidos e o dos subdesenvolvidos.

Tal realidade é mais antiga que o seu conceito, pois os países


subdesenvolvidos a partir do momento em que deixaram de ser colônias e
se constituíram em Estados-Nações politicamente independentes, viram-se
inseridos dentro deste contexto. Na América Latina, isso ocorreu desde o
início do século XX. Na Ásia e na África tal processo se deu tardiamente,
acontecendo neste século XX.

Terceiro Mundo

A expressão "Terceiro Mundo", apesar de ser geralmente usada como


sinônimo do conjunto de países subdesenvolvidos, surgiu apenas em 1952,

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quando o estudioso francês Alfred Sauvy a forjou com base numa


comparação entre os países pobres e o Terceiro Estado da França nas
vésperas da revolução de 1789. Naquela época, a expressão refletia o
estado de miséria do povo em geral e o da burguesia, que não participava
do poder político, ficando este sob domínio da nobreza e do clero, primeiro e
segundo estado, respectivamente.

A Idéia de Sul

A idéia de Sul é mais recente que as outras. Ela passou a ser mais
empregada a partir dos anos 80, como forma de evitar as polêmicas que
cercam os conceitos de subdesenvolvimento e terceiro mundo. Mais suave, a
noção de Sul não traz a carga de atraso contida na palavra
subdesenvolvimento, nem a idéia de dois mundos sugerida na expressão
terceiro mundo.

Sabemos que neste hemisfério também existem alguns países desenvolvidos


como a Austrália e a Nova Zelândia e que no Norte existem alguns bolsões
de pobreza como na Mongólia, por exemplo. Daí, devemos entender o
conceito de Sul como uma metáfora.

As Origens Históricas dos Países Subdesenvolvidos

Quase todas as nações do Sul foram colônias antes de se constituírem em


países independentes. Inversamente, nenhum dos atuais países
desenvolvidos foi de fato colônia. Mesmo os EUA, o Canadá, a Austrália e a
Nova Zelândia, que teriam sido colônias da Inglaterra durante alguns
séculos, na realidade não o foram na forma clássica como as demais.

Durante a época moderna, do século XVI ao XVIII, os europeus unificaram a


superfície terrestre, estabelecendo relações de troca entre quase todos os
povos e regiões. Nesse período existiram dois tipos principais de
colonização: de exploração e de povoamento.

As "Colônias de Exploração", como México, Brasil, Peru e Bolívia, localizadas


em áreas tropicais, serviram como fonte de enriquecimento de suas

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metrópoles. Existindo apenas para suprir as necessidades da metrópole,


essas foram as verdadeiras colônias típicas, usurpadas e vilipendiadas.

Diferentemente, nas colônias de povoamento, como os EUA, Canadá,


Austrália e Nova Zelândia, não verificamos este processo de exploração
predatória de riquezas. Sendo territórios situados na zona temperada, com
condições naturais semelhantes à Europa, não serviam para a produção de
gêneros agrícolas tropicais que eram reclamados pelo mercado europeu de
então. O ouro e a prata só foram encontrados nos EUA e Canadá após a
independência, para sorte desses países. Os europeus que emigraram para
essas áreas temperadas tinham, em geral, objetivos bastante diferentes
daqueles que vieram para as regiões tropicais: queriam reconstruir o modo
de vida que tinham na Europa, longe dos seus conflitos religiosos e de outra
natureza qualquer. Adotaram uma nova pátria.

A Argentina também possui uma natureza de área temperada, no entanto,


os espanhóis encontraram prata nesse território (argentum, vem do latim e
quer dizer prata). Isso acabou atraindo espoliadores aventureiros sem
interesse em construir uma pátria, mas sim o de explorar e usufruir, apenas,
para depois regressarem ricos e poderosos à Europa.

Sociedade e Estado no Subdesenvolvimento

Os países subdesenvolvidos resultaram da expansão do capitalismo a partir


da Europa Ocidental, desde os séculos XV e XVI. O capitalismo, que nasceu
na Europa, expandiu-se por toda a superfície do globo e produziu um mundo
interligado, dividido em áreas centrais ou desenvolvidas e áreas periféricas
ou subdesenvolvidas.

Nos países desenvolvidos o capitalismo resultou de um processo endógeno


(interno), ou seja, desenvolveu-se a partir da própria sociedade. No Terceiro
Mundo o capitalismo foi imposto de fora, isto é, resultou de um processo
exógeno (externo).

As sociedades que existiam nos países colonizados, por exemplo as


sociedades indígenas ou a milenar sociedade indiana, acabaram sendo
destruídas ou submetidas a um novo modelo social, colonial.

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A exploração colonial visava a expansão do comércio e a produção de


minérios ou gêneros agrícolas baratos para suprir o mercado mundial.

No início havia mão-de-obra escrava em grande parte dos atuais países


subdesenvolvidos. A partir de meados do século XIX, a escravidão começou
a atrapalhar o desenvolvimento da economia de mercado, pois o escravo
não era comprador e consumidor. Extinto o regime servil, uma massa de
trabalhadores com baixíssimos salários substituiu os escravos. Dessa forma,
a intensa exploração da força de trabalho constitui uma das características
essenciais do subdesenvolvimento.

Em alguns lugares, como a América Latina, os europeus desprezaram as


sociedades preexistentes e estabeleceram outra, trazendo trabalhadores
escravos da África e a elite dominante da própria Europa. Em outras áreas,
onde havia populações muito numerosas, como foi o caso da Ásia, os
dominadores europeus corromperam algumas elites locais: provocaram
rivalidades e conflitos entre grupos sociais, conseguindo que certas camadas
dominantes já existentes fossem coniventes com a economia colonial, e
recrutaram trabalhadores mal remunerados no próprio local.

Particularmente na Índia, os colonizadores ingleses encontraram uma


sociedade extremamente complexa, que tinha um desenvolvimento
econômico avançado para a época, com produção manufatureira superior à
da própria Inglaterra. Como o que interessava era uma Índia submissa,
compradora de bens manufaturados ingleses e produtora somente de
matérias-primas a serem vendidas a preços baixos, os ingleses acabaram
destruindo essas oficinas manufatureiras indianas, provocando o atraso em
que hoje se encontra aquele país, entre outros fatores.

O Estado (Repressor e Ilegítimo)

Nos países subdesenvolvidos, o Estado foi montado pelos colonizadores com


o objetivo de defender os interesses mercantis, baseando-se menos na
coesão (nas leis, na tradição, na cultura), como ocorre nos países
desenvolvidos, e mais na coerção, isto é, na força física, impositiva.
Juntando-se a isso, a enorme disparidade entre a minoria dominante e a

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maioria explorada provocou um estado de violência quase que endêmico,


baseado na pressão militar ou policial sobre as populações de baixa renda.

É por isso que a democracia, dificilmente, consegue firmar-se no Sul:


mantém-se por curtos períodos ou existe apenas na teoria, salvo raras
exceções, como parece ser o caso do Brasil de hoje, onde a democracia
consolida-se cada vez mais.

Algumas Idéias Equivocadas

A realidade dos países subdesenvolvidos tem suscitado uma série de mal-


entendidos, de idéias equivocadas. Talvez a mais absurda seja a de que o
subdesenvolvimento seria uma situação de atraso, como se essas nações
fossem semelhantes a crianças ou adolescentes, que um dia serão adultos. É
como se no passado toda a humanidade tivesse sido subdesenvolvida, desde
uma tribo indígena até a Inglaterra do século XVII, e o desenvolvimento ou
"progresso" fosse uma coisa normal, que acontece naturalmente com o
passar do tempo.

Para mostrar como tal idéia é duvidosa, vamos expor a seguir algumas teses
fundamentais para entender o subdesenvolvimento.

Os países desenvolvidos nunca foram subdesenvolvidos no passado. Quando


se estuda a Inglaterra antes da revolução industrial, verifica-se que havia
um grande atraso em comparação com a tecnologia atual. Mas o termo país
subdesenvolvido não é apropriado para esse caso, pois não havia
dependência econômica, que é fundamental para definir o
subdesenvolvimento.

Foi apenas a partir do nascimento e desenvolvimento do capitalismo na


Europa Ocidental e de sua posterior propagação pelo restante do mundo,
que surgiu essa situação de subdesenvolvimento, caracterizada pela
dependência, pela subordinação das nações periféricas com relação a outras,
as centrais.

Subdesenvolvimento não significa apenas atraso econômico ou social. Em


alguns países subdesenvolvidos existem indústrias modernas e, em certos

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casos, uma taxa de crescimento bastante razoável. O que os difere dos


desenvolvidos é que continuam a ser países com minorias privilegiadas,
concentradoras de renda. Podemos citar como exemplos a África do Sul e o
Brasil, que são bastante industrializados, bem como o Kuwait e os Emirados
Árabes Unidos, exportadores de petróleo que já possuíram, nos anos 70 e 80
duas das maiores rendas per capita do mundo.

O alto índice de pobreza, portanto, também define o subdesenvolvimento,


evidenciando o problema distributivo.

Não há uma oposição simétrica entre a realidade do Norte e a do Sul. O país


subdesenvolvido não é exatamente o oposto do desenvolvido: um seria
agrícola e rural, o outro industrializado e urbano. Existem subdesenvolvidos
que são industrializados e têm população predominantemente urbana. Na
realidade, esses dois "mundos" são interdependentes: um deles não existiria
sem o outro. Não é possível que todos os países do mundo sejam
desenvolvidos: não há desenvolvidos sem subdesenvolvidos e vice-versa, ou
seja, o capitalismo parece se alimentar de desigualdades.

É extremamente difícil imaginar um mundo em que todos os países sejam


desenvolvidos de acordo com as "sociedades de consumo" dos dias atuais.

Essas culturas e sociedades pluralistas foram unidas muitas vezes pelo uso
da força, pela imposição de uma economia de mundial. Acabaram
submetidas a formas de pensamento e de prática oriundos da Europa, mas
sobreviveram, às vezes, sofrendo alterações profundas e se misturando com
outras, tendo ainda hoje uma grande influência sobre os povos do Terceiro
Mundo. Examinaremos dois exemplos: o Oriente Médio e a Ásia.

O Oriente Médio

Até o final do século passado havia nessa região dois impérios principais: o
Império Otomano e a Pérsia. O Império Otomano, dominado pelos turcos
mas incluindo povos árabes, ia da porção européia da atual Turquia, a oeste,
até o atual Iraque, incluindo o Kuwait, a leste; no século XVII tinha sido
ainda maior. A Pérsia (atual Irã) incluía parte do atual território do Iraque e
era habitada por povos persas e árabes. O elemento agregador desses dois

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impérios era a religião islâmica ou muçulmana (baseada no Corão, livro que


contém ensinamentos do profeta Maomé).

Nos séculos anteriores, houve fases de guerra e fases de comércio (às


vezes, os dois juntos) entre a Europa e essas regiões. Mas no final do século
passado as potências capitalistas, especificamente a Inglaterra, iniciaram a
colonização dessa área. Esse processo provocou a redefinição das fronteiras,
que se acentuou após a primeira guerra mundial (1914 – 1918).

Muitas colônias, que mais tarde se tornariam países independentes, foram


artificialmente criadas, para lotear essa região entre potências européias ou
até mesmo para beneficiar algum membro da classe dominante local, que
tinha auxiliado os colonizadores nas suas conquistas. Inicialmente surgiram
a Síria e o Líbano, que ficaram com a França e o Iraque, a Transjordânia e a
Palestina, que ficaram com a Inglaterra. Mais tarde foram criadas nações
artificiais como o Kuwait, Iêmen, Catar, Omã e Arábia Saudita. Esses países
têm até hoje uma unidade precária, e o sentimento nacional é quase
inexistente.

Mas as populações de todos esses países têm em comum a fé religiosa, uma


vaga esperança de unificação de todos os povos árabes para construírem
uma grande nação e um sentimento antiocidental, especialmente anti norte-
americano, pois os EUA se constituíram na grande potência capitalista deste
século.

A África

O exemplo da África é diferente. A partir do século passado, as potências


européias começaram a dividir entre si as terras desse continente, e a
demarcação de fronteiras não levou em conta os interesses dos povos
africanos. Famílias ou povos com a mesma língua foram separados por
fronteiras, e povos de idiomas e costumes diferentes, às vezes até inimigos
tradicionais, acabaram ficando no mesmo território, sujeito a leis comuns
impostas pelo colonizador.

Raramente uma nação africana apresenta uma unidade de povo com


idiomas e costumes em comum. A regra geral é haver uma língua oficial de
origem européia (inglês, francês, português, etc.), mas que é falada por

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menos da metade da população nativa, embora os governos tentem impor


esse idioma oficial pela força militar ou através de precárias escolas.

Uma característica marcante da África é que, em pleno século XX, ainda está
mergulhada em lutas tribais devido à criação artificial de fronteiras por parte
dos europeus. Quase todas as guerras e conflitos sangrentos ocorridos nesse
continente nos últimos anos, tiveram origem em lutas entre etnias ou
nacionalidades com rivalidades seculares e que convivem no mesmo
território, dentro das mesmas fronteiras criadas pela colonização européia.

Os Diversos Patamares ou Grupo de Países do Sul

Levando-se em conta tanto o grau de riqueza (principalmente


industrialização) de cada país ou grupo de países, como também suas
perspectivas para o século XXI, podemos dividir o Sul em três principais
conjuntos ou patamares: a PERIFERIA PRIVILEGIADA, a PERIFERIA
INTERMEDIÁRIA e a PERIFERIA MAIS PERIFÉRICA.

A periferia privilegiada é formada pelos países mais industrializados do Sul,


que possuem ainda um razoável mercado de consumo interno. É um seleto
grupo de países subdesenvolvidos que já conseguiram grandes avanços na
produção industrial e possui maior viabilidade para se desenvolver (ou, pelo
menos, crescer igual ou mais que a média dos países ricos). Desse conjunto,
podemos distinguir três subgrupos: a China, os "Tigres Asiáticos" e os países
industrializados da América Latina.

A China é um caso à parte, pois poderá se tornar uma das grandes potências
do século XXI (junto com os EUA, Japão e Europa Ocidental), desde que
continue evoluindo no ritmo acelerado dos últimos anos. É a economia que
mais vem crescendo desde o final dos anos 80, em todo o mundo. A China
poderá se tornar um dos mercados de consumo mais disputados do planeta,
evidentemente se conseguir distribuir bem a sua renda nacional, que ainda é
muito baixa (renda per capita de 480 dólares).

Juntando-se a esses fatores, possuem a mesma tradição histórica de um dos


maiores impérios mundiais do passado e de terem contribuído de forma
significativa para o progresso da humanidade com a invenção da pólvora e
da bússola, por exemplo. Isso faz com que haja um forte desejo (tanto das

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elites como do povo) de voltar a ser uma grande potência, sem dependência
dos grandes centros mundiais de poder.

Os chamados "Tigres Asiáticos", Coréia do Sul, Taiwan ou Formosa, Hong


Kong e Cingapura, são economias dinâmicas, que cresceram enormemente
nas últimas décadas, bem mais que o resto do mundo em conjunto. O nível
médio salarial de suas populações já é bem maior que os de todos os demais
países subdesenvolvidos. A renda per capita em Cingapura, por exemplo, já
é de cerca de 16.000 dólares, semelhante à do Japão quinze anos atrás e
maior4 que a de muitos países desenvolvidos hoje. Os "Tigres Asiáticos"
exportam nos dias atuais produtos de tecnologia intermediária, inclusive
microcomputadores, e possuem ótimos sistemas educacionais (os melhores
do Sul) para a maioria de suas populações.

Quanto aos países industrializados da América Latina, principalmente o


BRASIL, o MÉXICO e a ARGENTINA e, secundariamente, o Chile, também
estão num outro patamar ou degrau, acima da maioria dos países do sul.
São bastante industrializados, com rendas per capita intermediárias (2.800
dólares no Brasil e 3.500 no México) e mercados de consumo razoáveis, que
só não são maiores devido às grandes desigualdades sociais. Esses países
conheceram uma época muito ruim (década de 80), onde a produção
cresceu menos que a população, a dívida externa aumentou
assustadoramente, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres.
Todavia, parece que encontraram novamente o caminho do desenvolvimento
(alguns deles) nestes anos 90, quando conseguiram derrubar a inflação, que
era a maior do mundo nessa região.

Da periferia intermediária podemos dizer que são os países do Sul com


produção industrial e rendimentos em geral médios. Incluem-se nesse grupo
a África do Sul, Egito, Turquia, Índia, Venezuela, Colômbia, Peru, Indonésia,
Filipinas, Tailândia, Arábia Saudita, Kuwait, Argélia, Marrocos e alguns
poucos outros. São economias com características que as colocam bem
acima dos países mais pobres (Haiti, Sudão, Uganda, etc.), mas por outro
lado, não possuem a viabilidade que existe no grupo do Sul dos países
periféricos privilegiados. Alguns desses países têm renda per capita
baixíssima, em especial a Índia (360 dólares), mas sua produção industrial é
considerável, havendo setores modernos convivendo com outros atrasados.

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Infelizmente, ainda se debatem com gravíssimos problemas internos como


crises políticas, econômicas, étnico-nacionais, religiosas, separatistas, etc. A
África do Sul, por exemplo, o país mais industrializado do continente
africano, precisa urgentemente resolver seus conflitos étnico-tribais,
evitando que estes atrapalhem o processo de democratização multirracial do
país.

Os países exportadores de petróleo, por sua vez, precisam encontrar outras


alternativas econômicas, além de resolver problemas internos graves como o
radicalismo religioso, pois o petróleo não durará para sempre e o radicalismo
religioso é fator de atraso social e científico.

Por fim, temos a periferia mais periférica, ou seja, os países paupérrimos e


menos industrializados do planeta, o chamado "Quarto Mundo" por alguns
autores. Nesse grupo estão a imensa maioria das nações do Sul, como as da
África subsaariana, da América Central a da Ásia (excluindo-se os "Tigres
Asiáticos" e a periferia intermediária). São economias com pouquíssimas
chances de viabilidade de crescimento real nos anos 90 e início do século
XXI. Provavelmente irão ficar mais pobres ainda devido ao grande
crescimento demográfico, o maior do mundo, agravando a escassez de
alimentos, empregos, escolas, moradias decentes, etc. Apenas possuem
mão-de-obra e matérias primas baratas para oferecer, elementos esses cada
vez mais desvalorizados na nova ordem mundial.

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Reportagens e Artigos

1. Na ONU, Lula vai politizar a crise (Presidente quer proteger países mais
pobres de 'erros dos ricos)
(pela equipe do Jornal O Globo, em 22 de setembro de 2008)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende politizar a crise


econômica em sua visita a Nova York. Já no tradicional discurso de
abertura da Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas
(ONU), amanhã, Lula vai abordar as consequências globais da crise
financeira de Wall Street e pedir que os chefes de Estado aproveitem a
ocasião para debater formas de "impedir que os países pobres
paguem pelos erros dos países ricos".

Nos quatro dias de viagem aos EUA, Lula vai participar de duas
reuniões de cúpula. Uma delas vai contar com a participação de mais
de 30 chefes de Estado para debater a segurança alimentar. A outra
será para avaliar a crise financeira mundial, e foi pedida pelo primeiro-
ministro britânico Gordon Brown, que quer criar uma agência
reguladora internacional.

Na abertura da 63ª Assembléia-Geral da ONU, Lula também vai


defender o multilateralismo, a transformação da matriz energética
mundial na direção dos biocombustíveis e insistir na reforma do
Conselho de Segurança, reivindicando, mais uma vez, um assento
permanente para o Brasil. Os debates serão abertos pelo secretário-
geral da ONU, Ban Ki-Moon, às 8h. Lula vai falar logo em seguida,
antes do presidente George W. Bush, que, em fim de mandato, fará
seu discurso de despedida na ONU.

Após os seus estudos sobre a divisão norte/sul, você acha que a intenção do
Presidente em pedir que os países pobres não paguem pelos erros dos
países ricos ?

Resposta: A intenção, com certeza, é muito boa, mas será que terá algum
efeito prático? Ou será mais uma reunião sem resultado? Falar estes
assuntos em uma reunião daquele nível, sem sombra de dúvida, é

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importante, mas essencial são propostas de modificação nas relações


comerciais e nas interações entre as nações desenvolvidas e as
subdesenvolvidas, acabando, por exemplo, com as medidas protecionistas e
subsidiárias ao seu mercado interno, impossibilitando as nações do mundo
competirem em igualdade de condições.

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EXERCÍCIOS

1) 1ª. Questão

Considerada um dos mercados emergentes neste final de século. Todavia,


este enorme potencial poderá não se efetivar. É que há inúmeros fatores
políticos e socioeconômicos que podem frear ou mesmo limitar seriamente o
processo indiano de modernização. Um desses fatores é o (a):

a) fortalecimento de organizações guerrilheiras que pretendem implantar o


socialismo no país;

b) controle severo do governo em relação às taxas de crescimento


demográfico nos últimos anos, o que já vem repercutindo na redução da
oferta de mão-de-obra;

c) inexistência de setores industriais avançados, em razão do grande atraso


tecnológico;

d) participação pouco expressiva de capitais nacionais em atividades


urbanas e industriais como conseqüência do caráter rural da sociedade;

e) permanência de rivalidades étnico-religiosas que representam uma real


ameaça de ocorrência de conflitos separatistas.

Resposta:

A resposta (e) é a correta, pois existe uma real ameaça de conflitos


separatistas, devido as rivalidades étnico-religiosas.

A resposta (a) está incorreta porque não há grupos guerrilheiros e sim


grupos separatistas por motivo étnico-religioso, os quais não visam a
implantação do socialismo.

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A resposta (b) está incorreta porque o país que tem um controle rígido das
taxas de crescimento é a China e não a Índia.

A resposta (c) está incorreta porque hoje a Índia apresenta zonas bastante
industrializadas, sendo destaque, inclusive no setor de informática, a nível
mundial.

A resposta (d) está incorreta porque a sociedade indiano não é uma


sociedade rural, apresentando investimentos nacionais em atividades
urbanas e industriais.

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CONCLUSÃO

Bem, conforme o cronograma estabelecido, vimos os assuntos previstos, os


quais são de fundamental importância para o desenrolar do nosso curso. No
transcorrer do nosso curso, ainda, travaremos contato com estes conceitos e
exercícios atinentes ao assunto.

No desenvolver da matéria iremos resolver um número maior de questões


com os referidos conceitos, dentro de um contexto mais abrangente,
conjugados com outra parte de nossa disciplina.

Participe do nosso fórum! Tire as suas dúvidas!

Bons estudos e até a próxima aula!

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Bibliografia:

ABRIL, Grupo. Almanaque abril. São Paulo: Editora Abril, 2008. 34ª Ed.

BECKER, Bertha K.; EGLER, Claudio A. G. Brasil: uma nova potência regional
na economia - Mundo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. 5ª Ed.

CASTELLS, Manuel. Fim de Milênio. São Paulo: Paz e Terra, 1999. 3ª Ed.

VESENTINI, J. William. Sociedade e espaço: Geografia geral e do Brasil. São


Paulo: Ática, 1996. 25ª Ed.

COELHO, Marcos de Amorim. Geografia geral: o espaço natural e sócio-


econômico. São Paulo: Moderna, 1992. 3ª Ed.

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