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A subsistência

humana: moradia,
saúde, trabalho
decente, meio
ambiente saudável
Evaniele Antonia de Oliveira Santos

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A subsistência humana: moradia, saúde, trabalho decente, meio
ambiente saudável
Evaniele Antonia de Oliveira Santos

Ao final da leitura deste material, espera-se que o aluno cursista seja capaz de:
• Desconstruir o conceito de subsistência humana;
• Elaborar um raciocínio crítico em relação aos problemas políticos e sociais do
nosso país;
• Estabelecer uma conexão entre a Constituição Brasileira e a realidade do Brasil
e do mundo;
• Despertar para a necessidade de ter um papel mais atuante, enquanto cidadão,
para a construção de uma sociedade mais pacífica e digna.
Certamente você já deve ter se deparado – na sua rua, no seu bairro, na sua
escola ou faculdade, no seu trabalho ou na TV – com pessoas passando necessida-
des de vários tipos. Pode ter sido alguém que, por algum motivo, não tinha um teto
1. A existência é
um atributo ou
para morar ou que sofreu ou até morreu por não ter tido atendimento médico de
uma qualidade qualidade, algum parente que passou por situação de desemprego ou simplesmente
de tudo aquilo o fato de você mesmo presenciar alguma agressão ao meio ambiente. Agora, você
que possui uma
realidade con- deve estar se perguntando: o que todas essas coisas possuem em comuns?
creta. Devemos Neste fascículo iremos refletir sobre os conceitos de subsistência e dignidade
supor também a
existência de rea- humana, que estão dispostos na Constituição Federativa da República do Brasil e em ou-
lidades invisíveis. tros diplomas oficiais que auxiliam a afirmar a necessidade e a importância de levar
2. A subsistência uma vida digna, de como isso é fundamental para a construção da nossa realização
diz respeito aos
seres vivos. Só
enquanto seres humanos, e de como essas conquistas são essenciais para a edificação
subsistem aque- de uma cultura de paz na vida em sociedade.
les que nascem e Vamos pensar um pouco sobre o conceito de subsistência humana. Será que
morrem.
você já pensou, com profundidade, o que essa ideia quer nos transmitir? Será que
falar sobre “existência humana” e “subsistência humana” é a mesma coisa? E o que
é ser, propriamente, “humano”? Iremos, agora, pensar juntos sobre essas questões.
Qual a diferença entre as palavras existir e subsistir? Sabemos que tudo aquilo que po-
demos captar pelos nossos sentidos possui uma existência1, e nisso se engloba os objetos e
os seres vivos. Por outro lado, subsistir2 se refere, exclusivamente, aos seres dotados de vida.
A subsistência é um estado ou uma particularidade daquilo que é capaz de
subsistir, ou seja, de sobreviver. A subsistência – de modo geral – significa um con-
junto de necessidades essenciais para a preservação ou manutenção da vida como
um todo. Se pensarmos em uma planta, por exemplo, o que é fundamental para que
ela possa subsistir? Um solo bem adubado, água e luz solar!
Se pensarmos nos animais ditos irracionais, podemos dizer que a subsistência
deles é assegurada por meio de condições básicas disponíveis na própria natureza
e que garantem a sua sobrevivência. Mas o que podemos dizer dos animais ditos

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racionais e, além de tudo, também humanos? Será que desde o surgi-
mento do homem, se vive do mesmo jeito? Será que o homem já nas-
ceu humano? O que significa então ser “humano”? Você já parou para
refletir sobre isso?
Vamos tentar buscar uma resposta na História. Se fizermos uma
pesquisa em nossos livros ou na internet, iremos nos deparar com a
informação de que a espécie mais antiga de hominídeo3 catalogada foi
o Australopithecus e que eles surgiram na África há cerca de 3,5 milhões
de anos. Depois disso, se passaram muitas eras e milhares de anos até
aparecer a raça humana e, ao longo desse grande espaço de tempo, sabe-
mos que as coisas mudaram bastante. Diferente dos outros animais, os
homens foram capazes de desenvolver as suas potencialidades racionais
e interagir com a natureza e, nessa interação, os homens foram pouco a
pouco superando os obstáculos e se beneficiando com isso.
Ao contrário de outros animais, os homens foram se tornando
cada vez mais aptos para o planejamento e execução de suas ideias, mais
capazes de elaborar novas soluções para os seus problemas e de transfor-
mar a natureza conforme seus objetivos particulares e preestabelecidos.
Respondendo a nossa pergunta inicial, ser humano não significa apenas pertencer
ao gênero humano. No conceito de humano estão implícitos milhares de anos de 3. Hominídeo é o
mamífero primata
história e, com tudo isso, hábitos, valores, sentimentos, desejos e necessidades que cuja existência
estão sempre se modificando conforme a cultura e o passar do tempo. originou a raça
humana.
Agora já temos mais informações sobre a nossa questão inicial, ou seja, a ques-
tão da subsistência humana propriamente dita. Já sabemos que existem grandes 4. Nômade se
refere aos povos
diferenças entre a subsistência animal e a subsistência humana, pois o homem, ao que não possuem
contrário de outros animais, é capaz de transformar a natureza e a realidade ao seu habitação fixa e
que vivem mu-
redor com finalidades que correspondam aos seus interesses particulares. Sabemos dando, de acordo
também que, ao longo do tempo, o homem deixou de ser nômade4 e foi se seden- com a necessida-
de, de lugar.
tarizando graças à agricultura e se habituando ao conforto de possuir um lar. Foi
capaz de constituir família, criar valores e costumes, viver em sociedade e inventar 5. Estado é o
conjunto de orga-
o Estado. nizações ou me-
Vamos fazer um breve parêntese e falar um pouco sobre o Estado, sua origem canismos sociais
que controlam o
e seu papel como garantidor da igualdade e da cidadania, da promoção da dignidade funcionamento
humana e da paz e, mais adiante, retornaremos ao tema da subsistência humana. da sociedade e,
por conseguinte,
dos indivíduos,
mostram-se de
A origem do Estado interesse social,
uma vez que re-
Vamos agora buscar entender um pouco melhor sobre uma das mais complexas fletem experiên-
instituições5 sociais criadas e desenvolvidas pelo ser humano ao longo da sua exis- cias quantitativas
e qualitativas dos
tência, ou seja, o Estado. processos socioe-
conômicos.

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A palavra Estado vem da palavra latina status, que quer dizer “estar firme”,
modo atual de ser, conjunto de circunstâncias em que se está e permanece, disposi-
ção ou posição e, para o que nos interessa aqui, significa dizer sobre a permanência
de uma situação de convivência humana ligada a uma sociedade política.
Talvez você esteja se perguntando: se o Estado é uma criação propriamente
humana, como ele se formou e por quê? A pergunta pode parecer simples ou tola
para alguns, mas de fato, merece atenção. Na verdade, as circunstâncias específicas
que puderam originar o Estado nas várias sociedades humanas que temos notícias é
um assunto que levanta muitas especulações ao longo da nossa história.
Para a maioria dos estudiosos e pensadores, o Estado nem sempre existiu.
6. Sociedades
apátridas são Sabe-se que em várias sociedades, tanto do passado
aquelas que como do presente, alguns grupos humanos puderam se
não possuem
regimento do organizar sem essa instituição. A justificativa para essa
Estado. Nessas afirmação se baseia na observação de que algumas so-
sociedades há
pouca centraliza- ciedades humanas puderam existir sem que as funções
ção da autoridade políticas estivessem previamente definidas e formaliza-
e tais autoridades
possuem poder li- das em uma determinada instância de poder. Essas so-
mitado de atuação. ciedades são chamadas de apátridas6, pois elas não são
7. Trabalho de regidas por um Estado e não possuem concentração de
modo genérico, se autoridade.
refere às diversas
formas em que No entanto, em determinado momento da histó-
o ser humano ria da maioria das sociedades humanas, com o desenvol-
produz e reproduz
a vida. A primeira vimento da divisão social do trabalho7, certas funções
forma de divisão político-administrativas e militares terminaram por ser
do trabalho diz
respeito ao modo assumidas por um grupo específico de pessoas, e esse
como o trabalho grupo passou a ser o detentor do poder e estabelecer as
era estabeleci-
do, ou seja, por
normas à vida coletiva. Deste modo, teria sido assim que
idade e por sexo. surgiu o governo e, através dele, se desenvolveu o Estado.
Posteriormente, o
termo foi ganhan-
do complexidade Mas para que serve, no fim das contas, o Es-
graças às transfor- tado? Você já pensou sobre isso? Tem alguma opi-
mações do mun-
do do trabalho
nião formada? Se possível, faça uma reflexão com
e dos sistemas os seus colegas ou com a sua família.
econômicos.
Sobre a função do Estado em relação ao povo, temos a compreensão de que o
Estado deve agir como um mediador ou apaziguador dos conflitos e discordâncias
existentes entre os diversos grupos sociais existentes. O papel do Estado, nesse sen-
tido, é o de promover a conciliação entre os grupos sociais, diminuir a intensidade
dos choques entre os diferentes setores da sociedade com o objetivo de minimizar
e evitar a desagregação ou diluição da própria sociedade com a finalidade de deter a
violência. Podemos dizer, então, que a finalidade do Estado é, portanto, promover

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a harmonia e a paz entre as diferentes camadas da sociedade e preservar, antes de
tudo, os interesses do bem comum.
Retomando um pouco o conteúdo do fascículo anterior, podemos nos per-
guntar: Qual instrumento garante esse compromisso do Estado em relação
ao povo?
A resposta para essa indagação é a Constituição. A Constituição de um Estado
representa um conjunto de leis que tem por finalidade regular os direitos, deveres e
garantias dos cidadãos em relação ao próprio Estado e a organização política do país.
A Constituição do nosso país leva o nome de Constituição da República Federativa
do Brasil e traz em seu preâmbulo8 o compromisso de assegurar o exercício dos di- 8. Relatório que
precede uma lei,
reitos individuais e sociais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, um decreto, uma
a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e portaria. Diz-se
sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e preâmbulo, aquilo
que precede ou
internacional, com a solução pacífica das controvérsias. Em resumo, podemos concluir que é preliminar.
afirmando que o papel do Estado é garantir o bem-estar e a dignidade de cada cidadão.

Falando um pouco sobre o cidadão e a cidadania


Como vimos acima, o papel do Estado é garantir os direitos e os deveres do cidadão. De-
vemos imaginar que a compreensão que temos dessa definição não surgiu do nada, que
o título de cidadão não pode ser adquirido como uma mercadoria ou que se produzem
cidadãos do dia para a noite. Devemos entender que a cidadania é um produto social, ou
seja, resultante de um processo histórico-social e que, para existir como a
conhecemos, foram necessários muitos e muitos séculos.
A cidadania não depende dela mesma para existir, por isso, ela
não é nem autônoma nem soberana. No longo percurso histórico,
ela interage com outras entidades e processos sociais como a cultura,
o desenvolvimento econômico e político. Nessa interação, somos
levados a esperar que ela se expanda e ganhe cada vez mais garantias
plurais para existir. Por outro lado, temos que conceber a possibili-
dade da estagnação e da regressão. Como isso pode acontecer?
Ela expande-se, seja quando estende direitos já à
disposição de grupos restritos a novos segmen-
tos sociais, seja quando cria novos direitos que
são incorporados ao status que ela representa. É
própria à cidadania a dinâmica na busca sempre
crescente de melhoria das condições de vida dos
cidadãos. Os estorvos, porém, são muitos, po-
dendo levar, paradoxalmente, à emergência de
desigualdade dentro dos seus próprios limites;
quando isso ocorre, alguns se tornam cidadãos

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de primeira classe, enquanto outros, muitos outros, convertem-se
em cidadãos menores, de segunda classe. (HAGUETTE, Teresa
M. F., O Cidadão e o Estado)
No caso do Brasil e de outros países, a condição cidadã pode se expandir
quando o Estado é capaz de estabelecer a igualdade perante o exercício de direitos
iguais entre os cidadãos. A condição cidadã se estagna ou regride quando estabelece
a desigualdade a partir do momento que beneficia uma minoria do todo ou quando
se esbarra na cultura da subserviência9, do conformismo10, da corrupção e do cha-
mado “jeitinho brasileiro”.
Nesse sentido, podemos perceber uma coisa: apesar de a Constituição bra-
sileira estabelecer o pleno exercício dos direitos civis, políticos e sociais e ter por
objetivo maior a satisfação das necessidades fundamentais do homem e proporcio-
nar, se possível, a sua felicidade, será que essa diretriz garante o que propõe? Como
9. Qualidade do vimos a pouco, já podemos imaginar que a resposta é não, pois constantemente nos
que é subser-
viente; servilismo; deparamos com situações que comprovam o descaso com a população, mas por
bajulação outro lado, devemos pensar: O que devemos fazer, enquanto cidadãos, para
10. A subser- garantir a efetivação e a realidade dos nossos direitos?
viência e o É nosso dever nos conscientizarmos que – como cidadãos – não possuímos
conformismo
de que estamos apenas direitos perante a sociedade e o Estado, antes de tudo, devemos cumprir os
falando, se refere nossos deveres da melhor maneira possível. Devemos cultivar, no nosso dia a dia,
aos da população
brasileira, ou seja, exercícios de conscientização, devemos praticar com sabedoria a nossa cidadania
a uma cultura que para sermos capazes de reivindicar da melhor maneira possível os nossos direitos.
foi herdada dos
colonizadores e Isso significa tomarmos a postura de verdadeiros cidadãos, não nos conformando
implementada diante dos erros (tanto os nossos, como os dos outros e do próprio Estado) e fazer-
pelos senhores
de escravo que
mos aquilo que é correto e legal. Esse é o primeiro passo para podermos vislumbrar,
passaram a ide- minimamente, uma cultura de paz.
ologia da classe
dominante ser
“melhor” que os
outros, ou seja,
Direitos básicos para a subsistência humana que promovem a
o povo. dignidade da pessoa humana
Sabemos que a Constituição de um país é a Carta Magna, ou seja, a Carta Maior que
estabelece as normas entre o Estado e o povo. Sendo assim, a Constituição possui o
poder de legitimar tanto os deveres do Estado em relação ao povo, como os nossos
direitos e deveres enquanto cidadãos. Tudo o que está estabelecido na Constituição de
um país leva em consideração não apenas a satisfação das necessidades. Mais do que
satisfazer as necessidades dos homens, a Constituição tem por objetivo proporcionar
(através do cumprimento de suas obrigações) a dignidade e o bem-estar do povo.
A Constituição do nosso país prevê o estabelecimento de três tipos de direitos,
a saber: os direitos civis, os direitos políticos e os direitos sociais. Os direitos civis
se referem às proteções e aos privilégios pessoais dados a todos os cidadãos por lei.
Os direitos políticos constituem um conjunto de regras que se referem à participa-

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ção do povo no processo político, em outras palavras, dizem respeito à atuação do
cidadão na vida pública de seu país. Já os direitos sociais são fundamentais e essen-
ciais e têm por finalidade garantir a existência concreta da pessoa humana digna e
promover a justiça social. Esses três tipos de direito visam estabelecer um Estado
que garanta a igualdade, a liberdade e a fraternidade entre os homens visando à feli-
cidade e a convivência pacífica entre os povos.
Vamos nos deter agora a analisar os direitos sociais. Buscaremos entender o
motivo pelo qual eles são compreendidos como sendo fundamentais e essenciais
para o cidadão. A nossa Constituição começa a falar dos direitos sociais no capítulo
II. O Art. 6º diz: “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o traba-
lho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade
e à infância e a assistência aos desamparados”. Tais direitos são imprescindíveis e é
extremamente necessário que sejam respeitados para que possa existir a dignidade
e o bem-estar coletivo.

Você acredita que no seu país, no seu Estado e na sua cidade esses
direitos são respeitados? Acha que pode melhorar? De que forma você
pode contribuir com essa melhora? O que pode fazer ou tem feito para
melhorar?

O direito a moradia
O direito a moradia digna, como vimos, é um direito previsto pela Constituição
Federal e é caracterizado por ser um direito social básico e essencial do cidadão.
Os direitos humanos contribuem para que se tenha uma compreensão ainda mais
humanizada desse direito que pertence a todo homem, a toda mulher, a todo jovem
e a toda criança.
O acesso a uma habitação digna é essencial para atingir uma vida satisfatória
e a realização da vida humana. Devemos compreender que esse direito ultrapassa
aquilo que podemos entender como simples sobrevivência. Nesse sentido, o di-
reito a moradia não deve se estabelecer limitado a ideia de um simples abrigo que
seja apenas suficiente para proteger o homem das forças da natureza. A moradia é
o espaço, por excelência, onde as pessoas podem ter segurança e satisfazer as suas
necessidades psicológicas ao terem posse de um lugar pessoal, privado e inviolável.
O direito a moradia constitucionalizado estabelece que a residência seja um
lugar adequado às necessidades básicas do sujeito, que seja capaz de oferecer de
maneira adequada e suficiente a dignidade da pessoa humana com conforto e qua-
lidade. É por essas razões que a construção precária de casas ou habitações em local
de risco se torna uma preocupação do Estado e, sendo assim, o Poder Público tem
compromisso com o cuidado e com a segurança, de modo preventivo, para evitar
quaisquer tragédias em relação aos cidadãos que residem nas zonas de risco.

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No nosso atual cenário, você acredita na eficiência do Estado para
solucionar ou, pelo menos, minimizar essa situação? Soube de alguma
ocasião em que o Poder Público moveu forças em benefício de alguém?
Você conhece alguma política pública ou programa governamental volta-
dos para a resolução desse tipo de problema?

Devemos saber que além da Constituição existem outras resoluções que regula-
mentam o direito a moradia nas esferas federais, estaduais, municipais e distrital (em
Brasília). No nosso país (nas várias esferas administrativas de gestão, ou seja, do âm-
bito federal ao municipal), existem programas habitacionais voltados ao atendimento
daqueles cidadãos mais necessitados ou menos favorecidos. Ex: Sistema Financeiro de
Habitação, Programa de Arrendamento Residencial, Programa Minha Casa, Minha
Vida, regimes de mutirão, etc. Infelizmente, no caso do Brasil, a questão habitacional
parece estar longe de ser resolvida, rotineiramente vemos nos noticiários as péssimas
condições em que se encontra a população brasileira e o descaso com
esse direito tão fundamental a nós.

No Brasil, a carência habitacional é mais grave nas famí-


lias onde a renda mensal média é de até três salários mínimos,
o que corresponde a 90% da carência habitacional do país.

Devemos saber que, apesar de todas as dificuldades e limi-


tações que enfrentamos ao longo da história, é importante que
nós, enquanto cidadãos, possamos nos unir socialmente e poli-
ticamente, sermos conscientes da importância da nossa atuação
na vida civil, na comunidade e, inclusive, na nossa própria casa
como agentes transformadores da realidade. Devemos nos comportar
não apenas como simples merecedores de direitos, devemos ir
além e buscar novos caminhos e soluções para os nossos pro-
blemas, acreditarmos que possuímos forças para lutar diante das
situações. Devemos saber que cada um de nós pode fazer a diferença.
Vamos agora observar um caso que ocorreu em janeiro de 2013, na cidade
de Teresina. Uma vereadora anunciou que iria solicitar o apoio da população para
recriar a Secretária de Habitação e Regulação Fundiária com o objetivo de reduzir
o déficit habitacional.
Durante a votação da reforma administrativa da Prefeitura de Te-
resina, a vereadora Teresa Britto (PV) anunciou que vai iniciar um
movimento para coletar assinaturas que formatem um projeto de
lei de iniciativa popular recriando a Secretaria de Habitação e Re-
gularização Fundiária. O órgão será extinto após a sanção dos pro-
jetos de lei que formam a reforma administrativa aprovada nessa
sexta-feira (18) na Câmara Municipal.

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Teresa Britto informou que os vereadores não têm a prerrogativa
de criar órgãos e que será necessário o apoio de 5% do eleitorado
de Teresina para elaborar o projeto de iniciativa popular. A parla-
mentar lembrou ainda que pedirá o apoio de todos os parlamenta-
res que votaram contra o projeto de lei que extinguiu a Secretaria
de Habitação, como Dudu, Rosário Bezerra, Paixão, Inácio Car-
valho, Graça Amorim e Paulo Roberto da Iluminação.
“Esse projeto de iniciativa popular é para que nós possamos re-
criar a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária que está
sendo extinta na reforma do prefeito Firmino Filho. A Secretaria é
muito importante para a cidade devido ao grande problema habi-
tacional em Teresina, tanto com o déficit habitacional como pelo
problema da necessidade de regularização fundiária”, explicou a
vereadora. Agora, a Habitação se transformará em uma Coorde-
nação da nova Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habita-
ção, que será gerida por Marco Antonio Ayres.
FONTE: http://www.cidadeverde.com/teresa-tentara-recriar-secretaria-
de-habitacao-por-iniciativa-popular-123161)
O texto acima comprova que as pessoas unidas podem se organizar e fazer a
diferença. Podemos ter a capacidade de influenciar positivamente e transformar a
realidade. O que você acabou de ler é apenas um exemplo da força transformadora
que todos os cidadãos potencialmente possuem.
Se pararmos para pensar, o direito a moradia é muito importante para uma
sociedade mais digna e pacífica, pois é na casa que as pessoas podem vivenciar os
laços da família humana que, por sua vez, se configura como a unidade constitutiva
da sociedade. É a partir do seio familiar que recebemos as bases da nossa educação,
dos nossos princípios e dos nossos valores. É na família que construímos o nosso
caráter, aprendemos aquilo que é certo e o que é errado. É no lar também que pode-
mos nos deparar com os primeiros conflitos da nossa vida, mas, ao mesmo tempo,
aprendemos a medir quem errou e quem exagerou, fazer julgamentos sensatos,
adquirir o bom senso, aprender a lidar com as diferenças, a perdoar, a conviver pa-
cificamente e valorizar as pessoas que estão ao nosso redor.
Uma moradia digna e uma família que nos ame são muito importantes para
que possamos nos lançar no mundo como sujeitos completos e realizados. Sabemos
que nem todos possuem o privilégio dessa realidade, mas, por outro lado, a ausência
dessas circunstâncias, consideradas perfeitas, não devem justificar comportamentos
negativos para com o próximo ou até para si mesmo. Devemos batalhar pela nossa
dignidade de maneira consciente, responsável e atuante mesmo que as adversidades
estejam sempre presentes na nossa vida.

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O Direito a Saúde
Como vimos, a saúde também compõe um dos direitos sociais básicos do cidadão.
Em relação ao direito a saúde, como também ocorre com outros direitos sociais,
existem vários documentos auxiliares que certificam, reafirmam e legitimam a im-
portância da participação do Estado na promoção da saúde acessível a todos como
um dos critérios básicos para a efetivação real da dignidade humana.
Não é uma exclusividade do nosso país, portanto, o interesse pelo direito
de todos ao acesso livre, público e de qualidade à saúde, muito pelo contrário, é
um interesse universal. Em 1978, em Alma-Ata, ocorreu a Conferência Internacional
sobre Cuidados Primários de Saúde. Essa conferência teve por finalidade expressar ao
mundo a necessidade de uma ação emergencial de todos os governos do mundo e
de todos que trabalham no campo da saúde, do desenvolvimento e da comunidade
mundial para que a saúde fosse promovida e garantida para todos os povos do mun-
do. Essa conferência definiu a saúde da seguinte maneira:
A saúde, estado completo de bem-estar físico, mental e social, e
não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade, é um
direito fundamental, e a consecução do mais alto nível possível
de saúde é a mais importante meta social mundial, cuja realização
requer a ação de muitos setores sociais, econômicos, além do
setor da saúde.
O Art. 196 da Constituição da República Federativa do Brasil
dispõe que: “A saúde é dever de todos e dever do Estado, garantido
mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do
risco a doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário
às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.”
O Art. 197 da Constituição afirma, também, que cabe ao
Estado regulamentar, fiscalizar e controlar as ações e os serviços
de saúde e estabelece que tais serviços devam integrar uma rede
regionalizada e hierarquizada compondo um sistema único. Além disso, a Cons-
tituição considera que é fundamental a participação da comunidade em todos os
níveis do Sistema Único de Saúde, o SUS.
No entanto, devemos atentar que nem sempre foi assim. Até 1978, antes de
a nossa Constituição existir de maneira formal, a saúde pública era um privilégio
exclusivo apenas de quem estava inscrito no Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS). Felizmente, desde o fim da década de 1970, foi estabelecido que todos os
brasileiros, sem exceção, pudessem usufruir dos serviços de saúde.
Devemos observar que essa modificação não ocorreu de modo espontâneo
ou aleatório, muito pelo contrário, se deveu a um grande histórico de lutas e mo-
bilizações sociais, e é por isso que devemos sempre acreditar na nossa capacidade
de transformar a realidade. Também temos que ter a sensibilidade de analisar que

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o Brasil ainda é um país em desenvolvimento e que possui potencialidades ainda
desconhecidas pela maioria dos seus cidadãos, mas, por outro lado, devemos nos
conscientizar da existência de uma cultura de corrupção que infelizmente ainda
assombra a gestão pública e corrompe o pensamento de alguns cidadãos.
Talvez você deva estar se perguntando sobre o que devemos fazer como maio-
res interessados pela melhoria dos serviços públicos destinados à saúde em nosso
país, e é por isso que devemos, antes de tudo, conhecer a nossa história de luta e as
nossas leis, no que tange aos nossos direitos e deveres; devemos também nos en-
gajar na causa e estarmos atentos e denunciar as irregularidades. Temos o direito e
a obrigação de participarmos ativamente em todos os sentidos, no que diz respeito
aos nossos interesses como um todo.
Se abraçarmos as nossas causas cidadãs e desempenharmos o papel que nos
cabe como sujeitos transformadores da realidade, é possível vislumbrarmos um fu-
turo diferente do nosso presente. Temos o dever de exigir as mudanças e estar sem-
pre atentos. Com certeza, realizar essa tarefa sozinho, parece impossível e é justo,
por essa razão, temos a obrigação de conscientizar aqueles que estão ao nosso redor
com conversas, diálogos e exemplos. Poderá, a princípio, ser um pequeno passo,
mas certamente ajudará a fazer a diferença.

Meio ambiente saudável


O capítulo VI da nossa Constituição se refere ao meio ambiente no que diz respeito
aos direitos, deveres do cidadão e do Estado. Sendo assim, o Art. 225 nos diz que:
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso co-
mum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
A própria Constituição define que é papel do Poder Público, ou seja, é obri-
gação do Estado assegurar a efetividade do direito a um meio ambiente saudável e
digno. Mas como isso ocorre? A Constituição diz que o Poder Público tem a obriga-
ção básica de preservar e restaurar o sistema ecológico e a sua diversidade, proteger
a fauna e a flora e promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente.
Você acredita que isso ocorre na prática ou é só mais uma determinação que
está escrita e não tem validade? Se formos parar para pensar, ao longo da nossa vida,
certamente, em algum momento, fomos conscientizados de como devemos agir
perante a natureza e o meio ambiente. Certamente você já aprendeu algo sobre isso
em sua escola, viu alguma campanha publicitária, algum familiar deve ter comen-
tado sobre isso. Caso nenhuma dessas situações lhe aconteceu, pense um pouco, o
material que você está tendo acesso neste momento representa um esforço do Es-
tado e da sociedade civil em transmitir esses valores tão importantes para você, para
seus amigos e para todos.

123 Direitos Humanos e Geração de Paz


Infelizmente, existem algumas pessoas que não dão a mínima im-
portância para a natureza e para o meio ambiente, acreditam que jogar
um papelzinho no chão não faz a diferença, que é só mais um papelzinho
à toa e ainda usam a desculpa: “Já está tão sujo mesmo então, tanto faz”.
É necessário que nós nos conscientizemos de nossas obriga-
ções. É impossível que o Poder Público cumpra, sozinho, essa ta-
refa, esse dever. Uma cidade limpa, um meio ambiente saudável e
digno depende muito de nós e do cumprimento dos nossos deveres
enquanto cidadãos. Devemos saber também que lesar a natureza
(tanto a fauna, como a flora) é crime! O terceiro parágrafo do artigo
225 impõe que: “As condutas e as atividades consideradas lesivas ao
meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a
sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação
de reparar os danos causados.”
Agora vamos ver na prática! Em 2010, uma emissora nacional resol-
veu fazer um teste para eleger as cidades mais sujas do Brasil. O teste con-
sistiu em uma solicitação das companhias municipais de limpeza pública
para que parassem de limpar algumas ruas pesquisadas em um determi-
nado trecho de 1 km, durante o horário comercial de um dia. Ao final do
dia, as companhias de limpeza retornariam para coletar o “lixinho à toa” e
colocar na balança o peso da nossa negligência. O resultado foi o seguinte:

1º lugar: Salvador = 1.200 kg


4º lugar: Rio de Janeiro = 680 kg
(campeã da sujeira)

2º lugar: Fortaleza = mais de 1.000 kg 5º lugar: São Paulo = 540 kg

3º lugar: Belém = 710 kg

Na pesquisa, Curitiba foi considerada a cidade mais limpa. Produziu 33 kg.


O resultado da pesquisa é alarmante e assustador. O pior é que, na maioria das
vezes, as pessoas inventam as mais variadas desculpas para justificar as suas falhas. Al-
guns dizem que não viram a lixeira, outros dizem que não tinha. Até quando iremos
agir dessa maneira? Está na hora de mudar! Não é apenas devido às penalidades que o
crime ambiental impõe que devemos nos interessar pela preservação do meio ambiente.
A nossa conduta deve ir além da penalidade, antes de tudo, deve ter por fina-
lidade a nossa própria preservação, pois vivemos no planeta Terra e é fundamental
que possamos zelar por ele. Como seres humanos, fazemos parte da natureza, so-
mos também natureza. Preservar a natureza é preservar a vida humana, a dignidade
e auxiliar na construção de um mundo mais harmônico e pacífico.

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Você tem alguma opinião sobre que ação o Estado deve exercer para garantir que
o nosso direito seja cumprido em sua plenitude? Você também se sente responsável pelo
meio ambiente? Será que em algum momento da sua vida você já desrespeitou o meio
ambiente? Você já viu alguém prejudicando o meio ambiente? Você teve alguma reação?

Trabalho decente
A preocupação jurídica com o mundo do trabalho e com a necessidade de assegu-
rar algum bem-estar nesse setor da vida humana surge em decorrência das indig-
nas condições de trabalho existentes no século XVIII, com a chamada Revolução
Industrial. Em uma realidade completamente desumana, a rotina de trabalho era
extremamente rígida, podendo durar de 14 a 16 horas. Com o objetivo de obter o
lucro máximo, os donos das indústrias aplicavam as mais variadas formas de explo-
ração. Os homens trabalhadores se deparavam com baixíssimos salários, o que não
dava, minimamente, para manter a família. A solução encontrada pelos homens foi
a de envolver as suas esposas e suas crianças no mundo do trabalho. Tais condições
puderam afetar e desequilibrar, de maneira drástica, a vida em família.
Podemos sentir um pouco a realidade dessa época através do seguinte fragmento:

O controle do tempo e a exploração do trabalhador


O depoimento a seguir mostra como a opressão estava baseada no medo do desemprego.
(...) na realidade, não havia horas regulares: os mestres e os gerentes faziam
conosco o que desejavam. Os relógios nas fábricas eram frequentemente
adiantados de manhã e atrasados à noite; em vez de serem instrumentos
para medir o tempo, eram usados como disfarces para encobrir o engano
e a opressão. Embora isso fosse do conhecimento dos trabalhadores, todos
tinham medo de falar, e o trabalhador tinha medo de usar o relógio, pois
não era incomum despedirem aqueles que ousavam saber demais sobre
a ciência das horas. (Anônimo da cidade de Dundee. In: THOMPSON,
E. T. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo:
Companhia das Letras, 2002. p. 294).
Esse trecho nos coloca diante de uma realidade dura e cruel. Percebemos, em am-
bos os textos, a angustiante situação tanto de quem não consegue encontrar um traba-
lho, como a de quem até possui um, mas não consegue vivenciá-lo ele com dignidade.
Essa realidade desumana e indigna repercutiu fortemente no século XVIII e, em conse-
quência dela, surge a necessidade de que o Estado possa intervir e estabelecer parâme-
tros mais razoáveis e favoráveis à efetivação da justiça social e a promoção da dignidade
humana no que diz respeito ao trabalho.
Todos nós temos consciência da importância de uma vida digna, e principalmente,
de um trabalho que nos possibilite a vivência material, emocional e espiritual dessa digni-
dade. No nosso dia a dia, se pararmos para pensar um pouco e tentarmos conceituar, em
uma frase, o que significa a palavra dignidade, é possível que tenhamos dificuldades para

125 Direitos Humanos e Geração de Paz


encontrar uma definição. Mas, por outro lado, reconhecer uma situação onde a dignidade
de alguém esteja sendo violada é algo muito fácil. Basta que recorramos à história e obser-
vemos as várias situações desumanas a que os homens já foram expostos no mundo do
trabalho. Felizmente, as constantes lutas e a participação popular conseguiram transformar
aos poucos a realidade e reduzir tais situações.
A Constituição Brasileira impõe que um emprego digno deve garantir que
o ser humano possa desfrutar do sentimento de realização e da sua dignidade em
todas as suas dimensões, mas, como sabemos, infelizmente, existem várias situações
em que os sujeitos podem vir a se sentir desvalorizados e desconsiderados. Por mais
que você possa pensar que não, essa sensação é muito negativa para o ser humano,
pode provocar grandes alterações no humor e na saúde, pode desencadear um pro-
cesso depressivo e, em casos extremos, o suicídio, e é por esse motivo
que o trabalho vai se tornando assunto de extrema preocupação do
Estado e de suas políticas públicas.
É claro para nós que, apenas o ser humano é capaz de raciocinar
e ter consciência do seu papel no mundo, e é por isso mesmo que as
pessoas esperam ser tratadas como pessoas humanas e não como me-
ras máquinas ou coisas que servem apenas para atingir uma finalidade
pontual. Tratar as pessoas com humanidade, em qualquer situação, e
inclusive no ambiente de trabalho, é valorizar esse aspecto que é fun-
damental para a nossa realização plena.
Basicamente, podemos dizer que um trabalho digno é aquele em
que o trabalhador não é exposto a situações de indignidade, no qual o sa-
lário possa ser suficiente para garantir o bem-estar da família como um
todo. Felizmente, não apenas em outros lugares do mundo, mas também
no Brasil, as questões trabalhistas ganharam grande respaldo, prova disso
foi o surgimento do Direito do Trabalho como um ramo autônomo do
Direito, que se configura como um conjunto de regras e princípios jurídi-
cos que possuem como função essencial proteger as relações trabalhistas e
as relações de emprego.
Para auxiliar na nossa compreensão sobre o trabalho digno, podemos observar
o que a Declaração Universal dos Direitos do Homem tem a nos dizer:
Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe
assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente
quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência a
música e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem di-
reito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viu-
vez, na velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência
por circunstâncias independentes da sua vontade. (Art 25º, nº 1).

Universidade Aberta do Nordeste 126


Podemos, agora, fazer uma pequena reflexão sobre o que a Constituição e a
Declaração Universal dos Direitos do Homem nos acenam sobre o direito ao trabalho
digno. Você acredita que, de acordo com o cenário atual, o trabalho digno é um
direito que é respeitado no nosso país? Você considera algum país cumpridor
desses direitos?

Síntese do fascículo
O presente fascículo aborda questões relacionadas aos direitos sociais bá-
sicos do cidadão que correspondem à subsistência humana e digna e que são
garantidos e legitimados pela Constituição da República Federativa do Brasil e en-
dossados por outros documentos auxiliares e imprescindíveis. 1. A subsistência humana é um
Para a construção teórica desse texto nos baseamos em perspectivas filo- estado, uma particularidade. É
sóficas, sociológicas, jurídicas e psicológicas com a finalidade de explorar, de um conjunto de necessidades
maneira multidimensional, os vários olhares que o próprio tema nos impõe. essenciais à manutenção da
Podemos, ao longo da leitura, perceber os nossos direitos e o que podemos vida humana. é um conceito
que pode mudar, pois a
esperar do Estado, mas, também, os nossos deveres e obrigações.
existência humana no planeta
Vimos que a moradia, a saúde, o trabalho decente e o meio ambiente cons-
assumirá outras qualificações.
tituem direitos básicos e fundamentais para promover uma cultura de bem- 2. O Estado brasileiro não
estar, de realização e de paz, e de como é importante que os seres humanos consegue garantir nem o bem
sejam incentivados a participar ativamente das questões sociais, a observar o estar nem a dignidade
mundo como seu próprio lar e aprender a zelar por ele. do cidadão. Não consegue
cumprir a Constituição por
puro descaso de governantes,
aliado à incompetência e à
Atividades corrupção.
1. Como você interpreta o conceito de subsistência humana? Você considera que3. Cidadania é a garantia do
cumprimento de direitos
esse conceito é definitivo ou vive em constante transformação? Justifique a sua
inerentes ao cidadão e de
resposta.
deveres tanto por parte do
2. Qual a sua opinião em relação ao Estado brasileiro e a sua atuação enquantoEstado como do cidadão.
garantidor do bem-estar e da dignidade do homem? Você acredita que o nosso4. É direito e dever do cidadão
país consegue cumprir o que a Constituição propõe? Justifique. cumprir a parte que lhe cabe
3. O que você entende por cidadania? na observância da lei bem
4. Como o cidadão pode contribuir para auxiliar o Estado a instituir uma ge-como exigir que o Estado faça
ração de paz? sua parte.
5. Como se definem os direitos básicos? 5. Entre os direitos básicos
6. Dos direitos sociais básicos que estudamos, você considera que existe um maismais essenciais estão moradia,
essencial do que o outro? Você acredita que é possível listar uma escala em níveisà saúde, o trabalho decente
de importância ou ambos estão no mesmo patamar? Justifique a sua resposta. e o meio ambiente.
6. Não dá para afirmar que
um direito básico seja mais
essencial do que outro, pois o
cumprimento de um exige a
satisfação de outro.
127 Direitos Humanos e Geração de Paz
Referências
BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF. Senado, 1998.
BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História: das cavernas ao terceiro milênio. São Paulo:
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CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE OS CUIDADOS PRIMÁRIOS DE SAÚDE. Declaração
de Alma-Ata. URSS, 1978. In. CMDSS. Disponível em: <cmdss2011.org/site/wp-content/uploads/2011/07/
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COSTA, Maria Amélia. Moradia Digna na Cidade. In. CONPEDI. Disponível em: <http://www.conpedi.
org.br/manaus/arquivos/anais/bh/maria_amelia_da_costa.pdf>. Acesso em: 27 fev. 2013.
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HAGUETTE, Teresa Maria Frota. O Cidadão e o Estado: a construção da cidadania brasileira. Fortaleza:
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MIRAGLIA, Lívia Mendes Moreira. O direito do trabalho e a dignidade da pessoa humana – pela ne-
cessidade de afirmação do trabalho digno como direito fundamental. In. CONPEDI. Disponível em: <www.
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NETTO, José Paulo; BRAZ, Marcelo. Economia Política: uma introdução crítica. São Paulo: Cortez, 2011.
SOARES, Laura Tavares, O Desastre Social. Rio de Janeiro: Record, 2003.

Autora
Evaniele Antonia de Oliveira Santos: Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual
do Ceará (UECE), em 2008, com mestrado em Filosofia, em 2012, também pela UECE, nas
linhas de pesquisa: Ética Fundamental e Teoria Social e Política, onde atualmente leciona.

Expediente ISBN: 978-85-7529-572-4


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