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Os Primeiros Povos da América

 Pré-História Americana
A Chegada dos Primeiros Povoadores. De acordo com diversos pesquisadores, os primeiros ancestrais humanos
surgiram no Continente Africano. Da África teriam se deslocado para outras regiões da terra. Existem várias
hipóteses sobre como se deu a chegada dos primeiros Homo Sapiens à América. Vejamos algumas delas:– Pelo
Estreito de Bering. Segundo essa hipótese, os primeiros grupos de povoadores teriam vindo pelo nordeste da Ásia,
pelo Estreito de Bering, que separa os atuais Sibéria (Rússia) e Alasca (Estados Unidos). Isso teria ocorrido durante a
última glaciação, quando o Nível das Águas do Mar baixou e teria se formado uma ponte de Terra e Gelo entre a Ásia
e a América do Norte. Posteriormente, com o aumento da temperatura do planeta, o nível das águas do Mar tornou
a subir, e essa passagem teria se desfeito.

 Pré-História Americana
– Pelo Oceano Pacífico Outra hipótese e de que os primeiros homens e mulheres chegaram à América navegando
pelo Oceano Pacífico, vindo das Ilhas da Oceania. Quando teriam ocorrido essas Migrações? Com base na Idade dos
Fósseis encontrados, alguns estudiosos afirmam que as primeiras migrações do Ser Humano para a América
ocorreram aproximadamente entre 12 Mil e 20 Mil anos atrás. Outros pesquisadores, como a Arqueóloga Brasileira
Niède Guidon, defendem que as mais antigas travessias foram realizadas entre 40 Mil e 70 Mil anos atrás. Além
disso, combinando as hipóteses anteriores, há os que defendem que o Ser Humano chegou à América em diferentes
momentos e por diferentes vias de acesso: da Sibéria (via Asiática) e das Ilhas da Oceania.

 Migrações Para a América

 Pré-História Brasileira

 Pré-História Brasileira
Como Eram os Primeiros Habitantes do Brasil. Entre os Fósseis Humanos mais antigos da América, até o momento,
estão aqueles encontrados em Território Brasileiro. Em meados do Século XIX, o naturalista e botânico dinamarquês
Peter Wilhelm Lund ( ) encontrou na Gruta do Sumidouro, em Lagoa Santa (MG), Fósseis de cerca de 30 crianças e
adultos Pré-Históricos. Calcula-se que esses Fósseis tenham mais ou menos 12 Mil Anos. Depois, outros
pesquisadores encontraram mais Fósseis, no mesmo local, de até 15 Mil Anos. Lagoa Santa é o maior Sítio
Arqueológico com material ósseo humano do interior brasileiro. A análise desses Fósseis revela que os indivíduos de
Lagoa Santa tinham estatura baixa e cabeça alongada e abrigavam-se nas grutas da região.

 Pré-História Brasileira
Nessa grutas, deixaram como registro pinturas rupestres (isto é, em rochas e nas paredes das cavernas),
representando figuras humanas e outros animais. Pesquisas arqueológicas mais recentes, chefiadas por Niède
Guidon, em São Raimundo Nonato (PI), sugerem que os homens e mulheres Pré-Históricos habitavam essas regiões
que hoje fazem parte do Brasil há, aproximadamente, 50 Mil Anos. Para a Arqueóloga, os grupos humanos de São
Raimundo Nonato, formavam comunidades de caçadores-coletores, abrigavam-se em grutas, tinham o domínio do
fogo e sabiam construir instrumentos de pedra. No entanto, essas informações a respeito desses primeiros
povoadores do atual Estado do Piauí têm gerado discussões e controvérsias entre os estudiosos. Além de Lagoa
Santa e São Raimundo Nonato, o Brasil apresenta muitos outros Sítios Arqueológicos

 A Hipótese de Duas Migrações Distintas


Pesquisadores Brasileiros publicaram, em 2005, um Estudo de Fósseis de Lagoa Santa que, segundo eles,
comprovaria a vinda para o Continente Americano de Dois Povos Distintos em Épocas Diferentes. Análises
morfológicas de 81 crânios do sítio arqueológico de Lagoa Santa, em Minas, confirmam a tese de que o Continente
foi ocupado por duas migrações de populações de morfologia distinta: A primeira, cerca de 14 Mil Anos Atrás e a
segunda, 3 Mil Anos Depois. Entre os crânios estudados está a famosa Luzia, considerada o Fóssil mais antigo das
Américas, datado entre 11 Mil e 11,5 Mil Anos. (...) Ela pertenceria à primeira migração, que atingiu a América do Sul
12 Mil Anos Atrás. “A Luzia era uma representante da população dela”, diz o biólogo Mark Hubbe, que assina o
trabalho com Walter Neves, ambos da USP. A teoria das duas migrações é defendida por Neves há mais de 15 Anos,
mas os resultados eram postos em dúvida por causa do pequeno número de Fósseis analisados.

 A Hipótese de Duas Migrações Distintas


Afinal, diziam os críticos, Luzia poderia ser apenas uma “aberração” morfológica da população. Mas não. “Nunca
houve um trabalho com um número tão grande de crânios”, afirma Hubbe. “Esse é o grande diferencial que dá
credibilidade ao estudo” .As análises morfológicas indica que a aparência craniofacial dos primeiros americanos –
aqueles que vieram na primeira migração pelo Estreito de Bering – era muito mais semelhante à dos atuais Africanos
e Australianos do que à dos atuais Asiáticos – que teriam originado a segunda migração. Os Fósseis de Lagoa Santa
possuem crânios estreitos e longos, com rostos projetados para frente, órbitas oculares e narizes largos e baixos
(características similares às dos negros africanos e aborígenes australianos), enquanto os Índios Americanos atuais
(descendentes da segunda migração) lembram mais os habitantes do nordeste asiático: crânio curto e largo, rosto
achatado, órbitas e nariz altos e estreitos.

 A Hipótese de Duas Migrações Distintas


O que aconteceu, então, com os descendentes da primeira migração? Acreditava-se que haviam desaparecido
totalmente, substituídos por Asiáticos Modernos. Mas trabalhos recentes indica que pode ter havido alguma
sobrevivência entre etnias indígenas atuais. “Esse é o próximo passo”, diz Hubbe.“Não sabemos exatamente o que
aconteceu com eles”. (...)

 Principais Sítios Arqueológicos no Brasil

 Luzia

 Pré-História Brasileira
Povos Caçadores-Coletores Acredita-se que, entre 11 Mil e 6 Mil Anos Atrás, diversos povos pertencentes a várias
culturas espalharam-se pelas Terras que correspondem ao atual Território Brasileiro, observe na tabela abaixo, a
localização dos sítios arqueológicos: as datas demonstram a provável expansão desses povos caçadores-coletores.

 Pré-História Brasileira
– Como Viviam Esses Povos Vestígios Arqueológicos nos permitem supor alguns aspectos do modo de vida desses
povos: Viviam da caça, da pesca, e da coleta; não praticavam a agricultura; confeccionavam instrumentos de pedra e
de ossos de animais, como pontas de lança, agulhas, facas, anzóis, raspadores, etc. Entre as armas de caça que
utilizavam, destacam-se:– Arco e Flecha. Que permitia capturar animais rápidos, como aves e alguns mamíferos
(veados, por exemplo).– Boleadeiras Artefato que consiste em duas ou três bolas de pedra amarradas por um cordão
de couro, que era lançado sobre as patas do animal para derrubá-lo. Até hoje são utilizadas por Campeiros Gaúchos.

 Pré-História Brasileira
– Os Sambaquieiros Por volta de 6 Mil Anos Atrás, parte do Litoral (dos atuais estados do Espírito Santo ao Rio
Grande do Sul) era habitada por Povos Seminômades, que compartilhavam certas características culturais ligadas ao
Ambiente Litorâneo. Esses povos deixaram como vestígios de sua presença os Sambaquis. Sambaqui (palavra de
origem Tupi que significa “monte de conchas”)é um acúmulo de concha de moluscos e resto de animais como peixes,
aves, etc. que estas comunidades pré-históricas depositavam em determinados locais, ao longo do tempo. Alguns
Sambaquis atingem até 30 Metros de Altura e 100 Metros de Comprimento. Os Sambaquis era utilizados para
enterrar os Mortos e seus objetos pessoais (enfeites, utensílios e armas).Isso indica que, provavelmente, já existia
entre os Sambaquieiros uma preocupação religiosa com a Morte.

 Pré-História Brasileira
Esses povos também costumavam construir suas habitações sobre os montes de conchas. Os estudos dos Sambaquis
sugerem que, até cerca de mil Anos Atrás, muitos grupos desses povos formaram aldeias com 100 a 150 habitantes,
em média. Viviam da coleta, da caça e principalmente da Pesca. Utilizavam instrumentos feitos de pedra (enfeites,
facas, flechas, machados) e de osso (arpões, agulhas, anzóis).Tinham o domínio do fogo e assavam os alimentos, que
eram divididos entre os membros do grupo. A expansão territorial dos Povos dos Sambaquis durou cerca de 5 Mil
Anos. Foi interrompida pela ocupação de grande parte do litoral e parcela do interior por Tribos e Aldeias da Etnia
Tupi.

 Sambaqui

 Cultura Tupi, no começo do Século XVI, os Portugueses que chegaram à terra posteriormente chamada Brasil
defrontaram-se com os Povos Tupis, que ocupavam longos trechos das áreas litorâneas e partes do interior,
acompanhando os cursos dos rios. Sobre os Povos Tupis, há uma série de dados provenientes de pesquisas
arqueológicas, além de informações históricas, baseadas, principalmente, em relatos e crônicas de missionários e
viajantes europeus dos Séculos XVI e XVII. Como viviam perto dos rios e do mar, esses povos desenvolveram
embarcações, como a canoa e a jangada, e eram bons pescadores. Além disso, praticavam uma agricultura de
subsistência, com o objetivo de produzir alimentos para satisfazer as necessidades do grupo. Cultivavam: Mandioca,
milho, batata-doce, feijão, amendoim, tabaco, abóbora, algodão, pimenta, abacaxi, mamão, erva-mate, guaraná e
muitas outras plantas.
 Cultura Tupi Na preparação do solo, usavam um sistema chamado Coivara:
Os homens derrubavam as árvores com seus machados (feitos de pedra) e limpavam o terreno com queimadas,
abrindo clareiras na mata. As mulheres, por sua vez, dedicavam-se ao Plantio. Os Povos Tupis constituíam aldeias
formadas por cabanas feitas de madeiras e cobertas com palha. Dependendo dos problemas enfrentados num
determinado lugar, migravam para novas áreas. O deslocamento de uma aldeia podia ocorrer por diversos motivos:
Desgaste do solo, diminuição da reserva de caça, disputas internas entre grupos rivais ou a morte de um chefe.

 Cultura Tupi, Apesar de certa unidade linguística e cultural, os Tupis não formavam uma Etnia Unida. Ao contrário,
constituíam diversas Tribos muitas vezes rivais, como os Tupinambás, Tupiniquins, Guaranis, Caetés, Potiguares, etc.
Os Tupis viviam em Guerra Permanente contra seus Adversários, fossem eles de Tribos de sua própria matriz cultural
ou de outras matrizes, como os Jês e os Aruaques. A Guerra, o cativeiro e o sacrifício de prisioneiros constituíam uma
das bases das relações entre as Aldeias Tupis.

 Os Índios Tupis

 Os Índios Tupis

 Os Índios Tupis

 Os Índios Tupis

 Pré-História Brasileira
Povos Agricultores e Ceramistas. Por volta de 4 Mil Anos Atrás, diversos povos que viviam nas terras hoje
correspondente ao atual território brasileiro começaram a pratica a Agricultura e a Cerâmica. Mas acredita-se que
nem todos teriam se tornado simultaneamente agricultores e ceramistas. As pesquisas indicam que o
desenvolvimento da agricultura – além da caça e da coleta – e a diminuição da mobilidade espacial afetaram essas
populações de maneiras diversas, e em épocas e lugares distintos. Os principais produtos cultivados eram milho,
feijão, mandioca, maracujá, abóbora, açaí e tabaco. Já os primeiros utensílios cerâmicos – potes, vasos, panelas,
tigelas – teriam sido criados por algumas populações agricultoras, a partir da necessidade de cozinhar e armazenar
os alimentos cultivados.

 Pré-História Brasileira
Entre os Povos Agricultores e Ceramistas, podemos destacar os habitantes das terras que correspondem à atual
cidade de Santarém e da Ilha de Marajó, na foz do Rio Amazonas (hoje Estado do Pará), bem como os que ocuparam
regiões do centro do Brasil (Povos Aratus) e do atual Rio Grande do Sul (Povos Itararés).Nos Últimos 2 Mil Anos,
povos agricultores e ceramistas de diversas culturas e falando línguas diferentes espalharam-se por várias partes do
que é o atual Território Brasileiro.
A Independência das 13 Colônias Inglesas na América e o Processo de Ruptura

Guerra Revolucionária Americana (1775–1783)

Antes de tudo, com base no texto do historiador brasileiro Leandro Karnal, iremos destacar o porquê do interesse do
reinol britânico nas colônias.

A Revolução Industrial é, antes de mais nada, uma disciplina de trabalho (no século XVIII as pessoas passam a ser
escravas do tempo sendo controladas pelo relógio), exploração máxima da mão-de-obra consequentemente provocando
um aumento colossal da produção. Produção essa que provoca uma nova busca de mercados consumidores e de maiores
necessidades de matérias-primas como algodão, ferro, carvão e etc. Sendo assim, as 13 colônias inglesas na América são
vistas como fontes em potencial para erigir o processo industrial inglês. Ou seja, a Inglaterra já era a ‘‘Rainha do Mar
mediterrâneo, com sua marinha de guerra era praticamente imbatível nos mares e agora seria a ‘‘A Personificação da
Industrialização.’’

Ao final do século XVII e a totalidade do século XVIII, foi marcado por sangrentas guerras nas Europa e na América.
Podemos analisar que essas guerras tiveram uma importância para o processo de independência das 13 colônias (Estados
Unidos ainda não existia) em relação à Inglaterra. A primeira guerra ocorreu em meados no final do século XVII, foi a
Guerra da Liga de Augsburgo, onde na Inglaterra se chamou de Guerra do Rei Guilherme, o principal objetivo da guerra foi
a consequência da Inglaterra com relação a política expansionista do Rei Luís XIV (França), no começo a Inglaterra
indiferente a essa política, muda de comportamento quando expulsa os protestantes franceses motivada por Luís XIV,
quando o Rei Guilherme sobe ao trono do país declara guerra a França.

No final da guerra, França e Inglaterra fecham um contrato, denominado Tratado de Ryswick (1697), onde estabelecia a
devolução do Porto Royal para a França.

Entre 1703 à 1713, ocorreu a Guerra da Rainha Ana ou da Sucessão Espanhola, na época o Rei da Espanha, Carlos II havia
falecido sem deixar nenhuma herança. A ideia da política de casamentos entre o reinol europeu acabava por deixar
muitos reis sucessores em potencial. A Áustria tinha apoio da Inglaterra que era contra a França, onde seu objetivo era
colocar no trono espanhol Filipe, neto de Luís XIV.

Durante esse conflito, os ingleses enfrentaram duas frentes de batalha, uma que era no norte onde colonos franceses e
os índios eram aliados (o mesmo ocorreu na Guerra do Rei Guilherme), e no sul, a Carolina do Sul enfrentava os espanhóis
da Flórida.

A atenção dos europeus em relação à América, juntava ou até mesmo impedia com os interesses dos colonos, os
colonos do Sul queriam dominar o Mississipi, os do Norte queriam o domínio do comércio de peles e a posse dos bancos
pesqueiros da Terra Nova. A Inglaterra a fim de ajudar os colonos, enviando uma tropa de 10 mil soldados para a América,
acaba atrapalhando a luta das 13 colônias contra os franceses e os espanhóis.
O Tratado de Utrecht, que colocou fim à guerra, beneficiou também as 13 colônias, privativamente os do Norte. Os
colonos adquiriram o controle da baía de Hudson e o domínio do comércio de peles da região.

A Guerra da Orelha de Jenkins, acontecida em 1739 a 1742, agitou a vida na América posteriormente a Guerra de
Sucessão Espanhola, utilizando o ataque espanhol ao navio do capitão Jenkins (durante o qual ele perde a orelha), os
colonos atacaram possessões espanholas, dirigindo-se a Flórida e depois à Cartagena, localizada na Colômbia, três mil e
quinhentos colonos foram comandados pelos oficiais ingleses, durante esses ataques, porém a febre amarela atacou-os
no Caribe, apenas seiscentos colonos conseguiram sobreviver, acrescentando o ressentimento contra o exército inglês.

Já a Guerra da Sucessão Austríaca, que ocorreu em 1740 até 1768, que foi outro problema de sucessão e que provocaria
um atrito entre as nações da Europa. A Inglaterra apoiava Maria Teresa, entretanto os franceses não aceitavam que uma
mulher poderia assumir o trono. Na América, ficou conhecido como Guerra do Rei Jorge.

Durante essa guerra, nas colônias, o forte francês de Louisbourg foi apanhado por uma expedição saída Boston.
Quando foi assinado um tratado de paz (Tratado de Aix-La-Capellen), a Inglaterra prometeu a devolução do forte para a
França. Mais uma vez os interesses dos ingleses eram sobrepostos aos interesses dos colonos. A Guerra do Rei Jorge,
ajudou também para a dispersão do interesse da França e da Inglaterra pelo vale de Ohio, interesse que era bastante
importante no conflito seguinte.

Dois anos do começo da Guerra dos Sete Anos na Europa (1756-1763), começava na América os conflitos denominados
de Guerra Franco-Índia, o início do choque ligava exatamente às pretensões dos colonos de se expandirem sobre as áreas
indígenas de Ohio.

Em junho de 1754, organizaram uma conferência das colônias inglesas em Albany (Nova York), pela primeira vez, ocorre
um plano de união entre as colônias, formado pelo bosniano Benjamin Franklin, para dar mais força aos colonos na luta
contra os inimigos, mas essa ideia de união desagradou a Inglaterra, que temia os efeitos posteriores dela.

A Guerra Franco-Índia e a dos Sete Anos acabaram eliminando o Império da França pela América do Norte, derrotada
na América e na Europa, a França entrega para a Inglaterra uma parte de suas propriedades no Caribe e no Canadá.
De várias formas, a Guerra dos Sete Anos é a principal e mais importante de todas as guerras do século XVIII, do
mesmo jeito nas outras guerras os interesses ingleses quase não eram parecidos com os interesses dos colonos da
América.

Com a derrota da França, as invasões francesas acabaram se afastando, deixando os colonos menos dependentes do
poder militar inglês para sua defesa.

A Guerra dos Sete Anos tinha estabelecido uma presença militar nas colônias, a coroa decidiu manter um exército
regular na América, a um custo muito alto por ano. Para a sustentação do exército, os colonos passaram a aumentar seus
impostos, virando uma situação desagradável para os colonos.
No final da Guerra dos Sete Anos, também trouxe outros problemas entre os colonos e os índios, vencido o inimigo
francês, os colonos queriam uma expansão mais forte entre os montes Apalaches e o rio Mississipi, áreas tradicionais de
grandes tribos indígenas, o resultado disso foi uma nova fase de conflitos entre os índios e os colonos. Várias tribos unidas
numa confederação devastaram inúmeros fortes ingleses com táticas de guerrilha, contra essa rebelião liderada por
Pontiac, os ingleses usaram vários recursos, incluindo espalhar varíola entre os índios.

Apesar da derrota os índios, o governo britânico decidiu apaziguar, em setembro de 1763, o rei Jorge III proibiu o
acesso dos colonos, a várias áreas dos Apalaches e o Mississipi, o decreto de Jorge III reconhecia a soberania indígena
sobre as áreas.

A Declaração de 1763, é uma origem de grande importância para a revolta colonial à Inglaterra, porque fere os
interesses de expansão dos colonos, tanto os que exploravam as peles quanto os que plantavam fumo viam nessas terras
ricas, que o decreto agora reconhecia como indígena, uma ótima oportunidade de ganho, foi importante também porque
representou uma mudança grande da Coroa inglesa em relação às colônias da América. O ano de 1763 marcou uma
mudança na história das relações entre a Inglaterra e suas colônias.

A Inglaterra se tornou posteriormente a Guerra dos Sete Anos, a grande potência mundial e passou a desenvolver uma
política crescente de domínio político e econômico sobre as colônias.
A Lei do Açúcar, em 1764, representou outro ato dessa nova política, essa lei reduzia de seis para três os impostos
sobre o melaço estrangeiro, mas estabelecia impostos adicionais sobre o açúcar, artigos de luxos, vinho, seda café e
roupas brancas. Desde 1733 existia uma lei igual, entretanto os impostos sobre os produtos perdiam-se na ineficiência das
alfândegas inglesas nas colônias.

No mesmo ano, o governo inglês, cria a Lei da Moeda, proibindo a emissão de papéis de credito na colônia, que, até
então eram usados como moeda. O comandante do exército britânico na América, o general Thomas Gage, sugeriu e fez
aprovar no mesmo ano a Lei de Hospedagem, essa lei determinava formas como os colonos deveriam abrigar os soldados
da Inglaterra na América e fornece-lhes alimento.

A lei da Hospedagem e a lei da Moeda revelaram mudanças na política inglesa. O objetivo da Lei da Moeda era restringir a
autonomia das colônias, e a Lei da Hospedagem desejava tornar as colônias mais baratas para o tesouro inglês.

No entanto, somente na Lei do Selo, em 1765 , que percebemos uma resistência organizada dos colonos a esta onda de
leis mercantilistas. A Inglaterra estabeleceu, em 22 de março de 1765, que todos os contratos, jornais, cartazes e
documentos públicos fossem taxados, a leia caiu como uma bomba foram realizados vários protestos em Boston e em
outras cidades, foi convocado no Congresso da Lei do Selo, em Nova York, os representantes das colônias que elaboraram
a Declaração dos Direitos e Reivindicações, esse documento foi de bastante interesse.
Com a Lei do Selo, a Coroa havia incomodado a elite das colônias, a reação foi grande, houve um movimento de boicote
ao comércio inglês, no verão de 1765, decaindo o comercio da Inglaterra, em quase todas as colônias. Em 1766, o
Parlamento inglês teve que abolir a rigorosa lei.
Em 1767, o ministro da Fazenda, Charles Townshend, decretou medidas que foram conhecias como Atos Townshend,
que lançavam impostos sobre o vidro, corantes e chá. O resultado dessas leis foi de novos protestos, novos boicotes e
declarações dos colonos contra as medidas, as leis acabaram sendo revogadas.

Entretanto, em Boston, quase no mesmo tempo em que foram anulados os Atos Townshend, um choque entre
americanos e soldados ingleses tornaria as relações entre as duas partes muito difícil. Protestando contra os soldados, um
grupo de colonos havia atirado bolas de neve contra o quartel, o comandante, assustado, mandou os soldados
defenderem o local, no entanto , acabaram atirando contra os manifestantes, cinco colonos morreram, seis outros foram
feridos, mas conseguiram sobreviver, foi no dia 5 de março de 1770, ficou conhecido como O Massacre de Boston.
De novo, entra em cena o chá, novamente surge o mercantilismo que a Inglaterra parece disposta a implantar nas
colônias e novamente a reação dos colonos. Para favorecer a Companhia das Índias Orientais, que estava na falência, o
governo inglês lhe concede o monopólio da vende do chá para as colônias americanas. Os colonos tinham o mesmo hábito
britânico do chá, tal como na Inglaterra, o preço da bebida vinha baixando, tornando-a cada vez mais popular, com o
monopólio do fornecimento de chá nas mãos de uma companhia, os preços subiram.

Primeiro a população procurou substituir o chá por café e chocolate apara escapar do monopólio, na noite de 16 de
dezembro de 1773, 150 colonos disfarçados de índios atacaram 3 navios no porto de Boston e atiraram o chá ao mar, foi a
Boston Tea Party, cerda de 340 caixas de chá fora jogadas ao mar (motivo de debate entre os historiadores é como 150
homens brancos fizeram isso sem serem notados por nenhuma guarnição vigilante no local). Provavelmente utilizaram
essa técnica para caso ocorresse alguma investigação os índios receberem a culpa pelo ocorrido.

A reação do Parlamento foi forte, foram decretadas leis que os americanos passaram a chamar de “leis intoleráveis”, a
mais conhecida interditava o porto de Boston até que fosse pago o prejuízo causado pelos colonos. A colônia de
Massachusetts foi transformada em colônia real, o qual emprestava grande poderes a seu governador.

A Independência das 13 colônias, foi bastante influenciada por muitos autores do Iluminismo, um dos mais importantes
para os colonos foi John Locke. O filósofo criou a ideia de um Estado de base contratual, esse contrato entre o Estado e os
seus cidadãos teria por objetivo garantir os “direitos naturais do homem”, que Locke identificava como a liberdade, a
felicidade e a prosperidade, para Locke a maioria tem o direito de fazer valer seu ponto de vista, e quando o Estado não
cumpre seus objetivos e não assegura aos cidadãos a possibilidade de defender seus direitos naturais, os cidadãos podem
e devem fazer uma revolução, ou seja, Locke também era favorável ao direito à rebelião.

O filosofo inglês defendia a participação política para determinar a validade de uma lei, as leis que a Inglaterra
implantava eram votadas sem que os colonos participassem da votação, por várias vezes os colonos se recusaram a
aceitar leis votadas pelo parlamento, alegando direito de participar em decisões que os afetariam.

É de grande interesse identificarmos na Declaração de Independência das 13 colônias, trechos que foram extraídos das
ideias de Locke, o filosofo inglês, ao justificar um movimento em seu país, acabou servindo de base, quase um século
depois, para um movimento contra o domínio da Inglaterra, a mesma Inglaterra que tanto amava.

Quando a Inglaterra começou a sua política mercantilista, os colonos americanos passaram, de forma crescente, a
protestar contra esses fatos. É importante lembrar que não havia na América do Norte, de forma alguma, uma nação
unificada contra a Inglaterra, na verdade as 13 colônias não uniram por um sentimento nacional, mas por um sentimento
antibritânico. Foi o crescente ódio a Inglaterra e não ao amor pelos Estados Unidos que tornava forte o movimento pela
independência.
As sociedades secretas foram uma das primeiras reações dos colonos contra medidas inglesas, uma das mais famosas
foi Os filhos da Liberdade, que estabeleceu uma grande rede de comunicações, facilitando a articulação entre os colonos,
eles também foram uma escola política, pois seus membros liam as principais obras políticas, para darem base intelectual
ao movimento.
Ocorreu também um grupo feminista nomeado Filhas da Liberdade, com o mesmo objetivo, as mulheres também
organizaram Ligas do Chá com ideia de boicotar a importação de chá inglês, nas grandes cidades como Nova York e
Boston, mulheres encabeçavam campanhas contra produtos elegantes importados da Inglaterra e incentivavam produtos
feitos em casa, mais simples, entretanto mais “patrióticos”.

Na Carolina do Norte, um grupo de mulheres chegou a elaborar um documento chamado Proclamação Edenton,
dizendo que o sexo feminino tinha todo o direito de participar da vida política, mais tarde, quando a guerra entre colônias
e a Coroa Britânica começou, as colonas demonstraram mais uma habilidade, foram administradoras das fazendas e
negócios enquanto os maridos lutavam.

Com a continuação das medidas para as 13 colônias, os colonos organizaram o Congresso Continental da Filadélfia,
depois conhecido como Primeiro Congresso da Filadélfia, representantes de quase todas colônias acabaram elaborando
uma petição ao rei Jorge, protestando contra medidas, depois de protestar contra medidas inglesas, os colonos
encerraram o documento dizendo que prestavam lealdade a sua Majestade, o conservadorismo da elite colonial reunida
no Congresso não foi suficiente para uma generosa influência de Locke no texto enviado ao rei.

A reação inglesa foi duvidosa, ao mesmo tempo em que houve tentativas de conceder maiores regalias ao colonos, foi
aumentando o número de soldados ingleses na América, esse incremento da força militar acabou estimulando um
inevitável choque entre as forças dos colonos e as inglesas.
Em meio ao início de hostilidades deu-se o Segundo Congresso da Filadélfia, esse Congresso acabaria reunindo todas as
colônias, inclusive a resistente Geórgia, inicialmente, apenas renovou seus protestos junto ao rei, que acabou se decidindo
a declarar as colônias “rebeldes”, a opinião dos congressistas estava dividida enquanto panfletos como os de Thomas
Paine (senso comum), pregavam enfaticamente a separação e atribuíam ao rei os males da colônia.

No dia 10 de janeiro de 1776, o folheto “senso comum”, chega às livrarias da Filadélfia, em meio a agitações políticas
do inverno de 1776, as 50 páginas desse folheto divulgado como anônimo teriam uma grande importância, fundamental
como elemento de propaganda, suas afirmações firam sendo espalhadas pelas colônias com grande velocidade, como o
nome já diz , Paine revelou um sentimento que era crescente entre os colonos, um senso comum e “bom”.

A Inglaterra é negada em sua condição de mátria por seus erros, pregando o autor a separação.
Em 2 de julho de 1776, o Congresso da Filadélfia acaba decidindo a separação e encarrega uma comissão de redigir a
Declaração da Independência, a Declaração fica pronta dois dias depois, em 4 de julho de 1776, com o surgimento de um
novo país: Os Estados Unidos da América.
As tradições políticas e historiográficas norte-americanas elegeu alguns políticos como “pátrios” ou “pais fundadores”,
eles figuraram, com rostos felizes, nas também notas de dólar. George Washington e Benjamin Franklin. Para a França
absolutista do rei Luis XIV, os soldados que haviam lutado na Independência, voltaram para a Europa com ideias liberais e
de republica, haviam lutado contra uma tirania na América e, de volta a pátria, reencontravam um soberano absolutista,
no entanto, só 13 anos depois da Independência norte-americana a liberdade ocorrerá na França.
Para o resto da América, os Estados Unidos serviriam como exemplo, uma Independência concreta e possível passou a
ser grande modelo para as colônias ibéricas que desejavam se separar das metrópoles, os princípios iluministas, que
também influenciavam a America ibérica, demonstraram ser aplicáveis em termos concretos. Soberania popular,
resistência a tirania, fim do pacto colonial, tudo isso os Estados Unidos mostrava as outras colônias com seu feito.

Para os índios, a Independência foi negativa, pois , a partir dela que aumentou a pressão expansionista dos brancos
sobre os territórios ocupados pelas tribos indígenas.
Para os negros escravos, foi um ato que em si nada representou, temos noticia de um grande aumento no numero de
fugas durante o período da Guerra de Independência, Thomas Jefferson declarou que em 1778, a Virginia perdeu trinta
mil escravos pela fuga, no entanto, nem a Inglaterra, nem os colonos se interessavam que a Guerra da Independência se
tornasse uma guerra social entre escravos e latifundiários, os que de fato não ocorreu.

Com todas as limitações, o movimento de independência significava um fato histórico novo e fundamental, a
promulgação da soberania “popular” como elemento suficiente forte para mudar e derrubar formas estabelecidas de
governo, e da capacidade, tão inspirada em Locke, de romper o elo entre governantes e governados quando os primeiros
não garantissem aos cidadãos seus direitos fundamentais, existia uma firme defesa da liberdade, a princípio limitada, mas
que se foi estendendo em diversas áreas.

Para concluir, em sinopse, podemos dizer que o processo de independência das colônias beneficiou mais aos grandes
comerciantes do Norte e aos latifundiários escravistas do Sul (muitos desses eram contrários a guerra como falamos
anteriormente). No entanto, os princípios de liberdade expressos na declaração de independência e na Constituição
transformaram-se, mesmo com o caráter excludente inicialmente atribuído a cidadania, na grande bandeira política das
gerações posteriores que lutaram pela ampliação dos direitos de cidadania. Assim, mesmo com escravismo sobre negros e
espoliação dos indígenas, o caráter revolucionário do movimento de independência dos Estados Unidos reside em uma
questão: a partir dele, homens desprezados que ajudaram a construir o pais (negros, índios aculturados, brancos pobres,
mulheres etc.), voltaram a sofrer as mesmas opressões de sempre que caracterizaria os EUA como uma nação
evidentemente preconceituosa. Ao longo desse processo histórico, surgiram uma visão da liberdade e uma concepção da
cidadania que se constituíram como o ponto de partida para a construção das modernas leituras sobre cidadania e
democracia que são vigentes nos EUA atuais. Aqui interessa-nos, sobretudo, a formulação que será dada ao conceito de
cidadania e suas repercussões na edificação daquilo que os norte-americanos entendem como cidadania e democracia nos
dias atuais. O mais espantoso é o estaria por acontecer 85 anos após a independência dessas 13 colônias, pois a lenta
discussão preparatória acerca da Constituição atormentava e atrapalhada o prosseguimento de outras medidas. Unidade
em torno de um governo centralizadamente forte ou liberdade para as colônias agirem de forma mais autônoma? Essa
problemática tinha sido erguida ainda antes da Independência e continuou protelada e mal resolvida até o final do século
XIX, acabando no que eclodiria no evento que causou mais mortes aos americanos do que as duas guerras mundiais, a
Guerra Civil Americana (Guerra da Secessão 1861-1865) com quase 1 milhão de americanos mortos.