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AUTARQUIA EDUCACIONAL DE AFOGADOS DA INGAZEIRA

FACULDADE DO SERTÃO DO PAJEÚ

DEPARTAMENTO DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

Cineide Maria de Sousa

A Revolução de 1930:Uma análise do contexto político que estabeleceu a Era


Vargas através do golpe de 1930

Afogados da Ingazeira – PE

2017
AUTARQUIA EDUCACIONAL DE AFOGADOS DA INGAZEIRA

FACULDADE DO SERTÃO DO PAJEÚ

DEPARTAMENTO DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

Monografia apresentada ao Curso de


Graduação em História da FASP, pela
educanda Cineide Maria de Sousa como
requisito final para conclusão do curso.

Orientador: José Rogério de oliveira

Afogados da Ingazeira – PE

2017
A Revolução de 1930 : Uma análise do contexto político que
estabeleceu a Era Vargas através do golpe de 1930

Cineide Maria de Sousa

Banca avaliadora:

José Rogério de oliveira

______________________________________________
Prof.Ms.José Rogério de Oliveira
ORIENTADOR

Genildo santana

______________________________________________
Professor Genildo Santana
ARGUIDOR

Aprovado em: ____/____/________

Nota: _____________
AUTARQUIA EDUCACIONAL DE AFOGADOS DA INGAZEIRA

FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE AFOGADOS DA INGAZEIRA

DEPARTAMENTO DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA

AFOGADOS DA INGAZEIRA

2017
DEDICATÓRIA

A Deus por ter mе dado saúde е força pаrа


superar as dificuldades. Aos meus pais, pelo
amor, incentivo е apoio incondicional.
Obrigada minhas irmãs e irmãos е sobrinho,
que nоs momentos de minha ausência
dedicados ао estudo, sempre fizeram
entender qυе о futuro é feito а partir da
constante dedicação no presente!
AGRADECIMENTOS

Primeiramente agradeço a Deus que permitiu que este momento fosse vivido por
mim, trazendo alegria aos meus pais e a todos que contribuíram para a realização
deste trabalho.
A instituição (FASP) pelo excelente ambiente oferecido aos seus alunos e os
profissionais qualificados que disponibiliza para nos ensinar.
Ao meu orientador, José Rogério de oliveira, pela paciência, dedicação e
ensinamentos que possibilitaram que eu realizasse este trabalho.
Epigrafe;

O ideal é ainda a alma de


todas as realizações.

Getúlio Vargas (Folha de São


Paulo, fevereiro de 1931)
RESUMO

Nesta pesquisa busca-se responder de que forma esta política se tornou viável
neste contexto de profundas mudanças estruturais nos eixos que são base da
sociedade, principalmente na economia e na política, e referendar os motivos,
intrinsicamente, nacionais, que fizeram ascender Getúlio Vargas ao poder, a partir de
1930, onde se ratifica uma concepção dualista da formação social brasileira e o que
vem a acontecer na política econômica do país a partir desse momento. Ao fazer
análises e interpretações de movimentos e ideologias políticas que constituem
elementos para uma abordagem dos instrumentos que determinam a expressão
política dentro de um Estado, observa-se que alguns conceitos sobre a política e suas
formas tradicionais de dominação, no caso brasileiro, deve-se levar em conta o período
em que o país viveu, suas características hegemônicas inerentes a uma forte ideologia
seja ela pautada na burguesia ou no socialismo. Percebe-se então que a Era Vargas
foi um modelo característico de contexto populista que teve seu início vivido pelos
brasileiros num período compreendido entre 1930 a 1954 e que, nesta pesquisa busca-
se responder de que forma esta política se tornou viável neste contexto de profundas
mudanças estruturais nos eixos que são base da sociedade, principalmente na
economia e na política, e principalmente, reviver o que levou Getúlio Vargas ao
poder, neste período predominante nos anos que decorrem a partir de 1930,
demonstra-se uma concepção dualista da formação social brasileira e o que vem a
acontecer na política econômica do país a partir desse momento.

Palavras-chave: ideologias políticas, Líderes, Paraíba, Era Vargas,.


ABSTRACT

This research seeks to answer how this policy has become viable in this context of
profound structural changes in the axes that are the basis of society, especially in
economics and politics, and to refer to the intrinsically national motives that brought
Getúlio Vargas up power, beginning in 1930, where a dualistic conception of Brazilian
social formation is ratified and what is happening in the country's economic policy from
that moment. In making analyzes and interpretations of movements and political
ideologies that are elements for an approach of the instruments that determine the
political expression within a State, it is observed that some concepts about politics and
its traditional forms of domination, in the Brazilian case, if one takes into account the
period in which the country lived, its hegemonic characteristics inherent in a strong
ideology is based on the bourgeoisie or on socialism. It can be seen that the Vargas Era
was a characteristic model of the populist context that had its beginning lived by the
Brazilians in a period between 1930 and 1954 and that, in this research, it is tried to
answer in what form this policy became viable in this context of deep structural changes
in the axes that are the basis of society, especially in economics and politics, and above
all, reviving what brought Getúlio Vargas to power, in this predominant period in the
years since 1930, demonstrates a dualist conception of social formation Brazil and what
is happening in the country's economic policy from that moment on.

Keywords: Leader, Era Vargas, political ideologies.

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.......................................................................................................... .................
CAPITULO I-COMPREENDENDO A REVOLUÇÃO DE 1930 ATRAVÉS DE SEU
CONTEXTO HISTÓRICO...................................................................................................
1.1-CONTEXTO HISTÓRICO - POLÍTICO DO BRASIL EM 1930 ....................................
1.2-OS FATORES DESSADITA REVOLUÇÃO......................................................................
CAPITULO II - COMPREENDENDO A PARAÍBA COMO ALIADA POLÍTICO DE
VARGAS............................................................................................................................. ......
2.1-CONTEXTO HISTÓRICO - POLÍTICO NA PARAIBA EM 1930..............................................
2.2-AS AÇÕES POLITICO- ADMINISTRATIVAS DO GOVERNO JOÃO PESSOA E SUA
IMPORTÂNCIA NA “REVOLUÇÃO” DE 1930...........................................................
CAPÍTULO III –A ERA VARGAS:UM GOVERNO DE DESENVOLVIMENTO
ECONÔMICO,INDUSTRIAL E POLÍTICO..........................................................................
3.1- UMA NOVA VISÃO ECONOMICA E INDUSTRIAL PARA O PAÍS ............................
3.2 HERANÇAS ECONÔMICAS DA ERA VARGAS.........................................................
3.3- O DESFECHO TRÁGICO DE UM LEGADO...............................................................
CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................................
REFERÊNCIAIS TEÓRICOS.............................................................................................
INTRODUÇÃO
O golpe de estado que iria culminar na tomada do poder de Getúlio Vargas

foi desencadeado no dia 3 de outubro, exatamente às 17h25min, quando o político

Osvaldo Aranha telegrafou o militar e político Juarez Távora, comunicando início da

Revolução1

Conceitos tentados após exames e anotações de oscilações e ideológicas e

políticas estabelecem elementos para uma abordagem dos instrumentos que

determinam a expressão política dentro de um Estado . A preocupação em definir

e/ou caracterizar tais “sentimentos sociais estão intrinsecamente ligados a essa

busca em responder o que e quais os mecanismos utilizados pelas instituições

políticas, jurídicas e religiosas que fornecem meios para que seus líderes cheguem

ao poder”.

O objetivo fundamental desta pesquisa é a abordagem a partir do papel

fundamental que a política gerada através da Revolução de 1930 teve para o

desenvolvimento/continuidade da política brasileira.

O período em que Getúlio Vargas esteve no comando do país primeiro,

entre o início da Revolução de 30 gerado através do golpe de 1930 até 1945 quando

de sua deposição, segundo, no governo eleito cujo término ocorreu em 1954.

1Até o ano de 1930 vigorava no Brasil a República Velha, conhecida hoje como o primeiro período
republicano brasileiro. Como característica principal centralizava o poder entre os partidos políticos e a
conhecida aliança política "café-com-leite" (entre São Paulo e Minas Gerais), a República Velha tinha
como base a economia cafeeira e, portanto, mantinha fortes vínculos com grandes proprietários de
terras. De acordo com as políticas do "café-com-leite", existia um revezamento entre os presidentes
apoiados pelo Partido Republicano Paulista (PRP), de São Paulo, e o Partido Republicano Mineiro
(PRM), de Minas Gerais. Os presidentes de um partido eram influenciados pelo outro partido, assim,
dizia-se: nada mais conservador, que um liberal no poder. http://www.sohistoria.com.br/ef2/eravargas/
Acessado em setembro de 2017.
No primeiro capítulo, o enfoque está acerca de um breve histórico, acerca da
Revolução de 1930 e a importância que o Estado da Paraíba juntamente com o
seu então governador da época, João Pessoa, teve em relação ao
desencadeamento dos fatos que levaram Getúlio Vargas ao poder.
Ainda nesse capítulo Vargas tornou a prática viável devido a sólidas bases
nas políticas tradicionais da República Velha (1889-1930). De tal modo, a segunda
seção versão mostra suas articulações no campo do domínio político e como
conseguiu estabelecer sua hegemonia com forte controle político, paternalismo e
conservadorismo. Uma das formas pelas quais se vivificou na figura dinâmica de um
líder que deu inicio a um momento de mudança radical na política nacional,
evidentemente acompanhada de uma guinada na política econômica que foram os
primeiros e decisivos passos para a industrialização, sendo também uma fase em
que a democracia foi posta em quarentena. Foi nessa fase que também houve
avanços na legislação trabalhista e previdenciária, criação de inúmeros órgãos
federais e centralização política.
CAPITULO I

COMPREENDENDO A “REVOLUÇÃO” DE 1930


ATRAVÉS DE SEU CONTEXTO HISTÓRICO

1.1- CONTEXTO HISTÓRICO - POLÍTICO DO BRASIL EM 1930

Em 1930 o Brasil era governado por oligarquias de Minas Gerais e São


Paulo através de eleições fraudulentas estas oligarquias conseguindo alternar
durante um bom tempo, políticos que estavam de acordo com seus interesses.
Esta política foi conhecida como a política do café com leite que com
passar do tempo começou a gerar descontentamento entre setores militares e os
tenentes que de certa forma buscavam a moralização política do país 1930
houve eleições e as oligarquias de Minas Gerais e São Paulo entraram em um
sério conflito político2.
Minas Gerais, por sua vez indicou como candidato à presidência
Washington Luís e os paulistas apoiaram a candidatura de Júlio Prestes os
mineiros por sua vez ficaram muito descontentes começaram então apoiar o
candidato da oposição, ou seja, da aliança liberal que era o gaúcho Getúlio
Vargas na época governador do Rio Grande do Sul.

2
Entre os anos de 1894 e 1930, o presidente da República foi eleito pelos paulistas barões do café
num mandato, e no outro pelos pecuaristas mineiros. Era a chamada política do café com leite,
viabilizada pela hegemonia da oligarquia cafeeira paulista na época e que garantiu a formação de uma
economia agrícola praticamente monoexportadora no país. Em 1929, a quebra nos mercados
acionários do mundo provocou uma forte queda nos preços internacionais das commodities. "O Brasil
era fortemente dependente das exportações de café, e tinha uma enorme dívida externa, que precisava
ser financiada com essas vendas", afirma o professor de História Econômica da FEA-USP, Renato
Colistete. Além da queda nos preços, a crise provocou uma diminuição na renda e no consumo no
mundo todo, prejudicando ainda mais as vendas de café. As exportações do produto, que chegaram a
US$ 445 milhões em 1929, caíram para US$ 180 milhões em 1930. A cotação da saca no mercado
internacional, caiu quase 90% em um ano. VALLONE. Giulianne, Crise de 1929 atingiu economia e
mudou a ordem política no Brasil. 2009 In http://revistacafeicultura.com.br/?mat=27265 Acessado em
setembro de 2017..
Os políticos da época de forma geral viram aí uma grande brecha para a
sucessão presidencial e buscaram dessa forma montar um esquema que
favorecesse a política de São Paulo e Minas Gerais.
No ano de 1929 o então Presidente Paulista Washington Luiz contrariou o
esquema, indicando o paulista Júlio Prestes para sua sucessão de certa forma
ele precisava garantir os interesses financeiros de sua cidade frente aos
impactos gerados pela crise de 19293.
Assim os políticos de Minas Gerais buscaram rapidamente romper com
Partido Republicano e firmar apoio com Antônio Carlos Ribeiro de Andrada
entretanto continuavam seguros quanto a uma vitória, assim buscaram aliar se o
mais rápido possível a outros estados principalmente com Rio Grande do Sul.
É nesse momento histórico que entra a figura de Getúlio Vargas o então
governador do Rio Grande do Sul que entra na disputa através do cargo cedido
por Antônio Carlos.

Nessa disputa e transação política vários acordos foram feitos entre eles
um acordo muito importante com o estado da Paraíba onde o vice João Pessoa
do partido democrático rival do PRP juntou-se ao grupo onde mais adiante
formaliza a aliança liberal, tendo como líderes Afonso Pena Júnior e Idelfonso
Simões Lopes sobre esse período

RESENDE, (2002) nos diz que:

Neste cenário de retração econômica generalizada, oligarquias dissidentes,


camadas médias urbanas e setores marginalizados do poder, como os
tenentes de direita, aglutinaram-se em uma aliança política de ocasião (a
Aliança Liberal), e após uma frustrante experiência eleitoral, conquistaram o
poder por meio da Revolução de 1930.( RESENDE, 2002,P.24)

Com a ascensão da Aliança Liberal ao poder sob a liderança de Getúlio


Vargas, a burguesia cafeeira perdeu sua posição de incontestável hegemonia.
Segundo, o historiador Boris Fausto

3 A Crise de 1929 atingiu em cheio a economia do Brasil, muito dependente das exportações de um
único produto, o café. Mas, mais do que gerar dificuldades econômicas, o crash provocou uma
mudança no foco de poder no país, acabando com um pacto político interno que já durava mais de
trinta anos. A crise arruinou a oligarquia cafeeira, que já sofria pressões e contestações dos diferentes
grupos urbanos e das oligarquias dissidentes de outros Estados, que almejavam o controle político do
Brasil", explica Wagner Pinheiro Pereira, doutor em História pela USP e autor do livro "24 de Outubro
de 1929: A Quebra da Bolsa de Nova York e a Grande Depressão". Op cit. FAUSTO, 1995, P237)
Nos anos 30, concretizou-se a nova divisão de ganhos no interior
da classe dominante, com o maior atendimento dos vários setores
desvinculados do café, que as circunstâncias impediram fosse
feita pela via pacífica. Esta hegemonia se materializava sob a
forma de dominação política e econômica. ”. (FAUSTO, 1995, p.
247).

No campo político, o sentido de Estado Nacional era restrito, pois o mesmo


se limitava aos interesses das oligarquias paulistas e mineiras vinculadas ao
comércio agro exportador, tendo cada Estado relativas autonomia em relação aos
ditames do executivo nacional.
Além do caráter exclusivista do regime oligárquico da República Velha, as
eleições fraudulentas coadunavam para perpetuação do poder destas elites
retrógradas e conservadoras.
No campo econômico, a República Velha se caracterizou pelo discurso
liberal e pela defesa intransigente das ideias ricardianas4 das vantagens
comparativas. O modelo agroexportador capitaneado pelo complexo cafeeiro era a
expressão máxima deste ideal. Maria da Conceição Tavares (1975) define essa
estrutura econômica agroexportadora como um “modelo de desenvolvimento
voltado para fora” ( TAVARES, 1975, P.48).
Em oposição ao estado oligárquico da República Velha, a Revolução
chefiada por Vargas era formada por atores sociais com interesses divergentes e
não estritamente vinculados ao complexo cafeeiro, caracterizando um Estado de
Compromisso, pois;

4 “As principais ideias e teorias de David Ricardo, figura máxima da escola clássica inglesa ao lado de
Adam Smith. Assim, são abordadas a teoria do valor trabalho incorporado, a teoria da renda fundiária e
a teoria das vantagens comparativas. Com relação à primeira, merecem destaque a crítica à teoria de
Smith, que, segundo Ricardo, propõe um entendimento a respeito das sociedades primitivas ou pré-
capitalistas e outro para as sociedades avançadas, provavelmente capitalistas. Em meio a essa crítica,
Ricardo afasta-se do padrão invariável de valor pretendido por Smith e apresenta uma teoria que
considera as modificações na equação do valor a partir de variações em suas componentes. Quando
trata da teoria da renda fundiária, Ricardo revela a importância de reformas institucionais na Grã-
Bretanha, baseadas especialmente na revogação da ‘Lei dos Cereais’. Na época, havia um caloroso
debate a respeito dessa lei, acentuando rivalidades entre a classe industrial, de um lado, e as de
arrendatários capitalistas e de proprietários de terras, de outro. Ricardo, que se colocou a favor dos
industriais, apresentou brilhante argumentação, provando teoricamente que a preservação das Leis
dos Cereais poderia comprometer por completo o futuro industrial e de vocação ao comércio exterior
daquele país. A teoria das vantagens comparativas, outro termo colocado à economia de Smith,
apresenta o comércio como a saída estratégica ao país do implacável estado estacionário,
consequência inevitável, segundo Ricardo, para da eventual manutenção do protecionismo à
agricultura doméstica.” SILVA Tadeu Silvestre da NOTAS SOBRE A ECONOMIA RICARDIANA ( 2003,
P14.) In. https://revistas.pucsp.br/index.php/pensamentorealidade/article/viewFile/8462/6274 Acessado
em setembro de 2017.
O Estado que nasce em 1930 e se configura ao longo da década deixa
de representar diretamente os interesses de qualquer setor da
sociedade. A burguesia do café está deslocada do poder, em
consequência da crise econômica; as classes médias não têm
condições para assumir seu controle; os “tenentes” fracassam como
movimento político autônomo; os grupos desvinculados do setor
cafeeiro, especialmente o industrial, não se encontram em condições
de ajustar o poder à medida de seus interesses, seja porque tais
interesses coincidem frequentemente com os daquele setor, seja
porque o café, apesar da crise, continua a ser um dos centros básicos
da economia ( FAUSTO, 1995, p. 254).

Partindo dos pressupostos apresentado acima, observa-se que o governo


que emerge da “Revolução de 30” carregava traços de conservadorismo e
reformismo. Dentro deste Estado de Compromisso se digladiarão novas forças
sociais antagônicas entre si, as quais provocarão o aumento das pressões
reivindicatórias sobre o governo estabelecido pela “revolução”.
Logo, os primeiros movimentos do governo Vargas no campo institucional,
estão voltados a materializar a emergência dessas novas classes na ossatura do
Estado.
Sendo assim, a partir deste ponto da análise é de salutar importância para
o alcance dos objetivos propostos neste trabalho o estudo das ações do governo
Vargas no campo institucional que apontam para consolidação de um estado
tipicamente burguês, que conforme supracitado, ainda não apresentava um projeto
estruturado para o capitalismo nacional.

1.2-OS FATORES DESSA DITA “REVOLUÇÃO”.

A partir da década de 1920 surgem no cenário Nacional alguns fatores


sociais e políticos que contribuem decisivamente para o declínio e derrocada da
República Velha, o agravamento da crise econômica, a eclosão de revoltas e levantes
militares o crescimento das camadas sociais urbanas, além do acirramento dos
conflitos políticos devido à progressiva divisão das oligarquias dominantes, formam o
conjunto de fatores que provocaram a dita “Revolução” de 1930.
Uma das mais significativas mudanças sociais ocorridas a partir da
segunda metade da década de 1910 foi à urbanização e o crescimento industrial
devido à adoção de políticas protecionistas e estímulos indiretos o setor industrial
brasileiro expandiu-se e diversificou-se de modo a promover o crescimento das
camadas sociais urbanas a expansão da indústria fez surgir à burguesia industrial a
classe média e o operariado na Região Sul e Sudeste do país onde essas
transformações foram mais intensas (FAUSTO, 1995).
Segundo Fausto (1995) “esse aspecto indicasse dúvida, uma diferença de
comportamento entre empresários industriais das duas áreas regionais cogitadas”
(FAUSTO, 1995. p.56).
Isso nos informa que o surgimento e o crescimento desses novos grupos e
classes sociais colocar em xeque o domínio político exclusivo das oligarquias agrárias
as camadas sociais urbanas principalmente a burguesia passaram a reivindicar a
participação nas decisões governamentais e reformas das instituições políticas
surgiram exigências de mudanças no sistema eleitoral de modo a acabarem com a
fraude à corrupção e o coronelismo.
Vale aqui sublinharmos que foi o jurista brasileiro Victor Nunes Leal o
criador do termo Coronelismo, em 1948, no livro “Coronelismo, Enxada e Voto”
(2000).
Em suas próprias palavras:

Concebemos o coronelismo como resultado da superposição de


formas desenvolvidas do regime representativo a uma estrutura
econômica e social inadequada (…) o coronelismo é sobretudo
um compromisso, uma troca de proveitos entre o poder público,
progressivamente fortalecido, e a decadente influência social dos
chefes locais, notadamente, os senhores de terras. (LEAL, 2000,
p. 42)

Ou seja, o coronelismo era uma troca de favores entre os menos


favorecidos e os coronéis, e entre estes e o poder público. O coronel mantinha com
seu curral eleitoral uma troca de favores: ele protegia a população do “curral”, e esta o
obedecia. Assim, durante a época das eleições, todas as pessoas que dependiam do
coronel votavam no candidato que ele indicava. Essa prática ficou conhecida como
voto de cabresto, expressão que compara o eleitor a um animal controlado por
alguém.
Além disso, o eleitor podia ser pressionado pelo coronel, visto que o voto
era aberto: se escrevia em um papel o nome do candidato e a assinatura do eleitor ao
lado. Com isso, era fácil saber em quem o eleitor tinha votado. (LEAL, 2000)
A relação entre coronéis e curral eleitoral servia para sustentar não
somente o poder local, mas toda uma relação política que ficou conhecida como
Política dos Governadores.
Esse tipo de “Politica”, salientamos, extremamente corrupta, consistia em
uma troca de favores que ia do nível municipal até o federal. Os coronéis garantiam
votos nos municípios para os presidentes de estado, título dado aos governadores na
época, em troca de apoio e verbas; e os presidentes de estado apoiavam o Governo
Federal, que em troca não interferia nas eleições estaduais.
Todas essas práticas, alinhadas a outras, como a de colocar na lista de
eleitores pessoas mortas ou que nem sequer existiam, serviram para manter as
oligarquias rurais no poder.
Nas palavras da historiadora da Fundação Getúlio Vargas, Dulce Pandolfi
(1999):

Enquanto em outros países a República era associada a eleição,


partidos, interesse público e imparcialidade da lei, aqui era
identificada com fraude, corrupção, interesse particular e
ausência do povo. A República fora implantada para acabar com
os vícios do Império, mas, pelo menos nas primeiras décadas,
fracassou. (PANDOLFI, 1999, p. 178)

Esses fatores somados passaram a pressionar também por mudanças na política


econômica reivindicando maior investimento incentivo público ao setor industrial e o
fim da política de apoio exclusiva ao café.
De maneira diversa, Emílio Willems afirma que:

No Brasil, o patrimonialismo lançou raízes nas estruturas políticas


locais dominadas por latifundiários. A velha e bem conhecida
competição entre poder estatal e poder ‘privado’ geralmente é
favorável a este. O governo da metrópole e, mais tarde, o governo
imperial e republicano são obrigados transigir com o chamado poder
privado. Com a democratização relativa do país, o poderio dos
senhores locais tende a crescer, pelo eleitorado que dominam e
podem jogar na balança política”. ( WILLEMS, 1956,p 06)

Por outro lado, o operariado crescerá em uma organização provocando o


surgimento de Sindicatos trabalhistas os sindicatos trabalhistas lutaram contra as
longas jornadas de trabalho os baixos salários as condições degradantes do ambiente
Fabril e a vigilância e repressão policial para as elites dominantes as reivindicações
trabalhistas eram tratadas como caso de polícia.
Mas a constante repressão policial contra os trabalhadores não impediu,
porém a eclosão de greves por todo o país. as pressões reivindicações crescentes do
operariado urbano apontou para a necessidade de uma política de caráter
governamental de ampliação e proteção dos direitos dos trabalhadores que a
segurança em condições dignas de trabalho e remuneração.(FAUSTO, 1995).
Quanto ao tenentismo aconteceu que neste período, surgiu o primeiro
movimento político e militar que marcaram a presença no cenário político nacional e
influenciaram os rumos das eleições governamentais liderado pela oficialidade do
exército os tenentes, e em menor número dos Capitães. O tenentismo surgiu através
do movimento de insatisfação da oficialidade militar diante dos problemas políticos
sociais e econômicos do país.
Sobre esse fator PRADO (1998) ressalta:

Se são militares que formam na vanguarda dos movimentos de


regeneração política do Brasil, é que suas armas lhes davam a
possibilidade de agir; e não estava ainda em condições de substituí-
los a ação das massas populares, desorganizadas e politicamente
inativas. Os ‘tenentes’ assumirão por isso a liderança da revolução
brasileira.” (PRADO, 1998, p 14).

A reivindicação do movimento tenentista coincide com as aspirações da


classe média urbana criticavam o sistema eleitoral e as eleições, defende o voto
secreto as reformas sociais e econômicas.
O movimento tenentista foi portador de uma ideologia própria bastante
influente no meio militar que propunha as ascensões dos militares ao poder, na
crença de que os civis eram capazes de governar e solucionar os problemas do país.
Outro fator importante que ajudou a desencadear o descontentamento e encaminhou
ainda mais a revolução de 1930
Portanto, foi à crise em 1929, nesse período a economia mundial é
abalada por uma forte crise provocada pela falência da bolsa de valores de Nova York
a crise de 1929 atingiu duramente os Estados Unidos, e os países europeu sendo
ainda um país predominante Agrário exportador de produtos primários principalmente
o café e dependente dos mercados em empréstimos internos.
Dessa forma não é demais afirmar que a crise de 1929 atingiu duramente a
economia do Brasil, assim:

Crise bancaria envolve pânico no sentido dos agentes econômicos


transformarem depósitos a prazo em moeda, bancos centrais utilizam
sua função de emprestador de ultima instancia para evitar a
insolvência bancarias de grandes instituições e, consequentemente,
uma depressão. Em grande medida o fato de evitar a depressão não
significa acabar com a crise, pois a crise bancaria pode se manter ao
longo do tempo, por um período de severa dificuldade em ampliar os
empréstimos necessários para uma nova expansão econômica.
(DEZORDI, 2010 ,p.18)

Nesse contexto os mercados consumidores encolheram drasticamente


diante da crise os cafeicultores recorreram como de costume ao apoio do governo
federal que, porém, foi incapaz de dar continuidade à política de proteção ao setor,
por esse motivo a crise de 1929 também foi um importante fator a contribuir para o
enfraquecimento político das oligarquias cafeeiras,
E, além disso, deixou claro para as elites dominantes a inviabilidade dos
limites do modelo de economia agroexportadora as oligarquias dissidentes da política
dos governadores firmada no governo do Presidente Campos Salles.
CAPITULO I I

COMPREENDENDO A PARAÍBA COMO ALIADO


POLÍTICO DE VARGAS

2.1- CONTEXTO HISTÓRICO - POLÍTICO NA PARAIBA EM 1930

A Paraíba vivia também um ciclo oligárquico. Dessa forma tivemos a República


proclamada. Foi nomeado um presidente do Estado, que depois tomou o nome de
governador, um cidadão que era juiz de direito de Catolé do Rocha: Venâncio Neiva,
indicado simplesmente porque era irmão de dois oficiais que tinham participado do
golpe militar de 15 de novembro: João e Neiva.
Quando Deodoro saiu da Presidência, forçado a renunciar, houve uma
derrubada quase geral nos governos estaduais assim, vem um oficial do Exército que
estava servindo na Bahia, o qual recebe um telegrama do Presidente da República
dizendo que viesse assumir o governo da Paraíba. Chamava-se Álvaro Machado.
E para dar um cunho de legalidade ele tomou posse perante a Câmara
Municipal da capital do Estado. Instalou um domínio político de vinte anos. Nesses
vinte anos, cinco quatriênios, Álvaro foi presidente do Estado duas vezes, um irmão –
João Machado – exerceu outro quadriênio, outro irmão – Afonso – foi Vice-presidente
do Estado em outro quadriênio.. Era um domínio familiar completo.
Assim, é escolhido João Pessoa como candidato. João Pessoa assumiu o
governo no dia 28 de outubro, que era o dia de posse tradicional dos governantes
paraibanos.
Com esses acordos a ideia de um movimento armado desaparece. Até que
surge um fato que teve origem pessoal, mas que teve uma consequência política
tremenda, que foi a morte de João Pessoa, assassinado por um desafeto político e
depois pessoal, que foi João Dantas. Assim:
Até hoje, por razões ideológicas dos vencedores de 1930,ou por
motivos locais e de interesse próprio, João Pessoa tem sido elevado a
fator fundamental de um processo renovador e intenso na Paraíba,
além de ser apresentado como elemento determinante da revolução
de outubro não é no e outro caso apressadamente não podemos
acentuar demasiadamente e nem menosprezar a sua presença, mas
encará-la objetivamente dentro de cada um dos casos seu papel na
Revolução de 30 epidérmico[... ] ponderável é o fato do qual participa
involuntariamente :seu assassinato e a posterior repercussão. Sua
morte é devido a razões pessoais, mas é denunciada como produto da
política Anti -Aliança Liberal o que galvaniza novamente o processo
conspiratório, processo que estava em declínio ... mas no caso
particular, além desses recursos, legais e de força, são usados outros
instrumentos, que muitas vezes chegam até a Vila Mia pessoal, como
é o caso de João Pessoa, quando pública cartas amorosas e íntimas
de João Dantas para espanto geral, do próprio diário oficial. É este
incidente que provoca o assassinato do governador e que servirá de
pretexto para a revolução de outubro pois propositalmente, procura se
confunde a morte de João Pessoa com a política Federal de
Washington Luís. (CARONE,1978,p 296)

A morte de João Pessoa causou um impacto violento em todo o Brasil e foi


muito bem explorada politicamente. O corpo de João Pessoa embalsamado foi
transferido do Recife para aqui e daqui saiu num navio, que vai tocando todos os
Estados.
Em cada um se levantava a oposição, até chegar ao Rio de Janeiro, onde foi
recebido com discursos inflamados de Maurício de Lacerda, de Pinheiro Chagas.
Como se percebe no recorte abaixo citado.

No esquife que aí vedes, não está o corpo de um grande cidadão, mas


o cadáver da Nação! João Pessoa (...)Tu és um pendão vermelho da
Nossa revolta!(...) Mirai este esquife! Morrei por este homem que por
voz morreu!(...) vós gaúchos e mineiros vinde cumprir a vossa
promessa! o povo está disposto a morrer pela Liberdade!(...)
Ajoelhe-se a multidão para deixar passar o cadáver deste Cristo do
civismo. E que se erga, depois, para ajustar contas com o Judas que o
traíram e punir os que executaram! o presidente da Paraíba é
transformado em Mártir da revolução. (DANTAS1930 P.59):

Então, a ideia do movimento armado, que já estava adormecida, retornou.


Siqueira Campos, um dos tenentes mais destacados, foi a Buenos Aires, onde estava
exilado o comandante da Coluna Prestes, e convidou Prestes para vir comandar o
movimento armado aqui. Prestes se recusou porque a esta altura já estava convertido
ao marxismo e achou que aquele movimento não levaria a nenhuma renovação.
Então o comandante do movimento foi um coronel alagoano que servia no Rio
Grande do Sul e que depois se tornou um nome forte: Pedro Aurélio de Góes
Monteiro.
Assim, a “Revolução” de 30, que teve esse significado marcante na História do
Brasil, teve um significado muito maior em termos da Paraíba.

2.2- AS AÇÕES POLITICO- ADMINISTRATIVAS DO GOVERNO

JOÃO PESSOA E SUA IMPORTÂNCIA NA “REVOLUÇÃO” DE 1930

A Paraíba teve um capítulo muito importante na história administrativa do


país na década de 30, como prova disso houve a vinculação da “Revolução” de 30
à ação político-administrativa do presidente João Pessoa, no qual o mesmo
terminou como ator histórico cuja morte precipitou sua deflagração. Nesse período
a Paraíba se encontrava em uma situação política muito complicada, onde, a
aliança Liberal queria lançar Getúlio Vargas como o sucessor do presidente do Rio
Grande do Sul e o governador de Pernambuco é convidado a compor a chapa, mas
recusa o convite, pois, já estava vinculado ao Catete.
Com isso a chapa toma a decisão de recorrer a Epitácio Pessoa, que
indica seu sobrinho João Pessoa, para a composição da chapa. Então, o presidente
da Paraíba sela a candidatura respondendo a carta de não apoio a Júlio Prestes,
que foi enviada ao Sr. Tavares Cavalcanti, que era coordenador da campanha
situacionista.

Parece claro que a grande figura que empurra a Paraíba, incentivando


o ingresso dela e de João Pessoa na Aliança Liberal, foi 7 Epitácio,
que ofereceu ai uma espécie de aval, o que é explicável, porque
Epitácio era uma figura que tinha prestigio nacional entrar numa
aliança de oposição (FAUSTO, 1979, P.144).
Havia a grande insatisfação dos pequenos estados nordestinos em relação
à questão tributária, já que, os estados com menor grau de exploração viviam em
dificuldade pela baixa quantidade de tributos arrecadados. Gerando assim, o
descontentamento das oligarquias que tinham o menor poder político e econômico.
A composição da chapa com um representante do Nordeste, que queria
maior prosperidade e participação nas decisões políticas e econômicas do país.
Ficaria mais fácil para a junção das forças. A Paraíba devido à influência de
Epitácio Pessoa na política nacional teve maiores condições de compor a chapa
oposicionista, formada por grandes e pequenos estados.
A oposição da Paraíba representava um significado a Aliança Liberal, pois
pela primeira vez um estado que se curava diante do poder, se rebelou em busca
de autonomia. O que realmente a Aliança Liberal representava naquela época, era
um grupo de pressão em busca de maior representatividade dentro do sistema
governamental.
A confirmação de Júlio Prestes como candidata a Presidência da
República, fortalece a Aliança Liberal. Essa decisão afeta as relações entre o catete
e os estados. Na Paraíba a reação foi imediata com a confirmação de apoio de
João Pessoa a Aliança. Com isto, o desconforto entre governo federal e estadual
era visível, representando total insatisfação ao povo paraibano que não se
envolviam diretamente no embate pôr o poder entre elites, mas eram os mais
prejudicados nessa disputa.
Neste momento, as vésperas das eleições de 1930, na Paraíba reuniram-
se para a formação da chapa de senadores e deputados federais, foram vários
nomes como: João Suassuna, Flavio Ribeiro Coutinho, Entre outros. Mas João
Pessoa não abriu mão da candidatura de Carlos Pessoa, seu primo.
Este fato levou a ruptura dos coronéis do sertão paraibano com a
administração estadual. O rompimento ficou marcado com um telegrama enviado
por José Pereira, chefe político de Princesa Isabel ao Presidente João Pessoa. O
coronel da Princesa tinha a maior liderança no sertão paraibano.
As relações já não vinham bem desde a reforma tributária, instituída por
João Pessoa e o não comprimento com a chapa Epitacista, foi o movimento perfeito
para o rompimento das relações. As decisões de João Pessoa revelavam-se rígidas
para com oficiais superiores indulgentes, com subalternos dentre outros que
estavam envolvidos com o poder oligárquico. Segundo Jose Octavio de Mello:

Enquanto uma economia primária e ate então quase fechada, abria-


se, sensivelmente aos estímulos trazidos pela grande guerra - o que
vale, sobretudo, pra o algodão-, o sertão saía de seu isolamento, em
que avultava o cangaço como braço armado de um “feudalismo
bronco e avassalador”, para admitir, no declínio das oligarquias que se
precipitava, e incontornáveis cisões de seus grupos familiares, a
transferência dos centros de decisão para as cidades, onde os
bacharéis [...] já não se conformavam em estar a serviço do governo
como antes, porque agora pretendiam ser governo (MELLO, 1979,
p.168).

Dessa forma agindo de maneira inconstitucional orientou que se


estabelecesse uma supremacia no Estado dando direitos para que os coronéis
pudessem subordinar, com as funções de segurança e arrecadação vedadas a
interferências político-partidárias. Nesse sentido, a orientação do governador foi
coerente. Arrecadação, segurança, obras públicas, crédito bancário, justiça e
administração municipal foram recapturadas ao coronelato e transferidas para o
interior do Estado. Foram criadas quatro novas secretarias para exercício dessas
funções. Os campos de experimentação algodoeiros, que funcionavam dentro das
propriedades dos coronéis, passaram a ser conveniados com as prefeituras.
Já na área financeira, João Pessoa implantou uma política agressiva
elevando impostos e lançando barreira para fazer com que as mercadorias que,
ajudadas pelo contrabando, transcorressem para as praças vizinhas, e dessa
maneira começassem a ser exportadas por um porto paraibano, criou pedágios e
começou a arrecadar recursos para o Estado.

João Pessoa precisando de recursos para restaurar as estradas


instituiu um pedágio que era cobrado com rigor militar, para isto
mandava colocar porteiras em todas as estradas, mesmo as federais e
passou a cobrar taxas para veículos de toda natureza. Dessa taxação
não escapava nem carroça de boi, nem cavalo. Para ir às feiras dentro
do próprio município, as pessoas tinham que cumprir esta rigorosa
obrigação fiscal pagando por cada cavalo de carga ou de montaria a
importância de 300 réis (TRIGUEIRO 1982).

Assim, João Pessoa restaurou a economia paraibana em menos de dois


anos de governo, reorganizou o Banco do Estado, estimulou a agricultura e a
indústria, abriu a Avenida Epitácio Pessoa, nas Capitais e várias estradas dentro do
Estado, construiu pontes e aeródromos, remodelou o Liceu Paraibano, iniciou a
reforma do Palácio da Redenção e a construção do Paraíba Palace, do Pavilhão do
Chá, do Porto de Cabedelo, construiu o Palácio das Secretarias e a Praça Antenor
Navarro, criou o Centro Educativo de Pindobal, entre outras obras elevando a
economia e o crescimento da cidade, mas também se mostrou rancoroso e
perseguitivo, brigou com quase todos os seguimentos e instituições da sociedade
paraibana, quis derrubar conceitos e costumes enraizados há anos. Por várias
vezes foi advertido por seu tio Epitácio e pelo chefe de segurança José Américo.
Certos momentos do seu governo tomaram proporções relevantes, por exemplo;
nos seus últimos seis meses de governo, a verba arrecadada serviu para reforçar a
polícia e equipar os revoltosos em suas lutas sangrentas e desnecessárias. Pode-
se dizer que João Pessoa fez um governo contraditório e ao mesmo tempo deixou
marcas profundas na história da Paraíba que poderiam não ter vingado se não
fosse a sua postura autoritária e truculenta.
Em meio a esses conflitos revoltosos João Pessoa negava apoio à
candidatura de Júlio Prestes, criando uma divisão de seus próprios colirregionários.
Em reunião com a comissão do Partido Republicano da Paraíba, ele determinou
que nenhum de seus candidatos à eleição, que seria a nova regra criar
oportunidade a novos líderes. Mas João Pessoa abriu mão da regra para o seu
primo Carlos Prestes, permitindo que ele fosse o único candidato entre os
excluídos, gerando uma rivalidade entre seus aliados partidários. Fazendo com que
a relação de João Pereira fosse imediata, ao ver Suassuna prejudicado, tendo um
choque inevitável, onde os excluídos lançaram chapa própria, liberada por Heráclito
Cavalcante, que a partir do momento do rompimento passou a ser beneficiado pelo
Governo Federal.
João Pessoa ao saber que iria perder as eleições colocou a polícia para
vigiar o pleito. Por conta dessas rivalidades várias batalhas foram travadas. A
Paraíba se transformou em um verdadeiro caos com o acirramento político, se
agravando cada vez, mais e mais, tornando o governo de João Pessoa
insustentável e violento.

Entre os conflitos que ocorreram na época disputa do grupo pessoista e os


colirregionários de José Pereira, eclodindo na luta armada em Princesa Isabel. A
Revolta de Princesa, como ficou mais conhecida o levante, se deu início em 1º de
março de 1930, no mesmo dia das eleições nacionais. Sob o comando de José
Pereira, juntamente com cerca de dois mil homens armados, que partiram da Serra
do Teixeira, em combate a batalhões da Policia Militar do Estado. Em 09 de julho
de 1930 foi decretado território livre em Princesa Isabel por decreto assinado por
líderes locais. A cidade se declarou independente do estado da Paraíba, mas ficou
subordinada politicamente aos poderes públicos federais.
Objetivo dessa revolta era, através de conflitos armados no interior,
confundir insustentável no estado e provocando consequentemente uma
intervenção federal no estado. Essa posição extrema teria seu efeito no
afastamento de João Pessoa na Presidência e a extinção da reforma tributária.
Mas isso não poderia mesmo ocorrer de forma diferente, pois os mesmos
já estavam no poder a mais de uma década e de certa forma eram condizentes
com os desacertos que aconteciam na Paraíba. Na época Epitácio se encontrava
na Europa e diante da preocupação com os fatos que ocorriam no momento político
que o Estado vivenciava escreveu, recomendando cautela. Populista, o sobrinho
reformulou seus apoios, ligando-se diretamente a grupos urbanos de comerciantes,
mulheres, estudantes e funcionários públicos e seguiu em frente na linha que no
ponto de vista político era propício para o momento.
Assim, anterior ao pleito, no dia dezesseis de fevereiro, João Pessoa convocou
a Comissão do Partido Republicano Progressista para compor a chapa de senador
e deputados federais. Ele pensava em renovar o mesmo, dessa forma sacrificava a
candidatura de João Suassuna a deputado federal. O então governador poupou
apenas, um primo, Carlos Pessoa mantendo-o na chapa. Conforme auxiliares, o
presidente, já rompido com um ramo da família já Pessoa de Queiroz não queria
perder o apoio do outro, ele visava o apoio dos parentes de Umbuzeiro que era sua
terra natal. Fausto em sua citação descreve perfeitamente o que estava eclodindo
na Paraíba deixando explicito o que viria a ocorrer com seus principais lideres:

Os integralistas e comunistas vão se enfrentar mortalmente ao longo


dos anos 30. Os dois movimentos tinham, entretanto, pontos em
comum: a crítica ao Estado liberal, a valorização do partido único e o
culto à personalidade do líder. Não por acaso houve certa circulação
de militantes que passaram de uma organização para a outra
(FAUSTO, 2001,p. 227-255).

Dessa forma há uma interrupção de certa forma pretenciosa com o coronelato


governista e a Presidência do Estado. Nesse período João Pessoa encontrava-se em
excursão de propaganda política pelo interior onde, em Princesa Isabel, a recepção, a
cargo do ex-deputado José Pereira, fez-se sintomaticamente fria. Pereira ouviu em
silêncio o sacrifício do amigo Suassuna e o presidente recomendou à polícia que
controlasse a situação no município. Os dois adversários mediam-se para luta que
não tardaria principalmente depois que o governador chama o José Pereira de chefe
dos cangaceiros.

João Pessoa se exaltou no palácio e chamou José


Pereira de “chefe de cangaceiro”. Com isto José
Pereira retruca, dizendo que esses cangaceiros são os
eleitores do seu tio Epitácio. Desde esse dia o chefe de
Princesa nunca mais pisou em palácio, nunca mais
voltou a capital do estado, ficando reservado no seu
reduto (MELO, 2003, p. 208).

Na Paraíba, o prosseguimento da guerra civil de Princesa e o confronto entre


os governos federal e estadual estimulavam ódios que cresciam. Os ressentimentos
avolumaram-se quando, na capital, a polícia pretextando apreender armas, invadiu o
escritório do advogado João Dantas, de prestigiosa família de Teixeira, cidade por
onde começaram as ações armadas. Antes, um irmão de Dantas fora preso e
inexplicavelmente remetido para o quartel-general legalista em Piancó. João Dantas
não aceitou passivamente a violação do escritório. De temperamento aguerrido,
recorreu ao Jornal do Comércio do Recife para publicação de violentos artigos contra
Pessoa. A vinte e dois de julho, A União iniciou o revide, mediante explosiva série de
reportagens diárias. Essas continham acusações contra os Dantas e outros dirigentes
oposicionistas. A do dia vinte e cinco foi a mais contundente. Nela os Dantas eram
considerados responsáveis pela apropriação de verbas federais. Pela ótica da
correspondência então divulgada, isso causava divergências nas hostes
oposicionistas onde cada chefe procurava apropriar-se de um quinhão dos recursos
públicos.
No dia 26 de julho, enquanto A União prosseguia divulgação das cartas
políticas sobre o malbaratamento dos recursos federais na Paraíba, João Pessoa
passou o governo ao primeiro vice-presidente Álvaro de Carvalho e viajou a Recife.
Ali, avistou-se com o juiz federal Cunha Melo, com quem combinou medidas em prol
da importação de armas para sua polícia. À tardinha, encontrava-se tomando chá, na
confeitaria Glória, com dirigentes da Aliança Liberal de Pernambuco, quando foi
alvejado à queima-roupa. O autor dos disparos, advogado João Dantas, encontrava-
se acompanhado de um cunhado.
Na troca de tiros que se seguiu, o chofer de João Pessoa atingiu Dantas que,
ferido, foi capturado. Pessoa foi conduzido a farmácia próxima, onde faleceu. A
pregação contra o governo federal, responsabilizado pelo desfecho, começou na
mesma hora. Liderava-a o professor e sindicalista Joaquim Pimenta, publicita
cearense radicado no Recife que procurava oferecer conteúdo social à Aliança
Liberal. A notícia de sua morte, logo conhecida em Recife, só à noite chegou ao resto
do país. Em todos os estados realizaram-se grandes manifestações públicas de
revolta, em que se culpava principalmente o governo federal pelo assassínio.

No esquife que aí vedes, não está o corpo de um grande cidadão, mas


o cadáver da Nação! João Pessoa (...) tu és o pendão vermelho da
nossa revolta! (...) Mirai este esquife! Morrei por este homem que por
vós morreu!(...) Vós, gaúchos e mineiros, vinde cumprir a vossa
promessa! O povo está disposto a morrer pela liberdade! (...) Ajoelhe-
se a multidão para deixar passar o cadáver deste cristo do civismo. E
que se erga, depois, para ajustar contas com os judas que o traíram e
punir os que o executaram! O presidente da Paraíba é transformado
em mártir da revolução.( MEIRELLES, 2006. p.532).

Na cidade da Paraíba, com o povo em massa nas ruas, chegou mesmo a


haver depredações e incêndios em propriedades de rivais políticos do presidente
morto. Esperado pela multidão, seu corpo chegou ao Rio de Janeiro, onde foi
sepultado em 7 de agosto de 1930.

Até hoje, por razões ideológicas dos vencedores de 1930, ou por


motivos locais e de interesse próprio, João Pessoa tem sido elevado
a fator fundamental de um processo renovador intenso na Paraíba,
além de ser apresentado como elemento determinante da
Revolução de outubro. Num e noutro caso, apressadamente, não
podemos acentuar demasiadamente e nem menosprezar a sua
presença, mas, encará-la objetivamente dentro de cada um dos
casos. Seu papel na Revolução de 30 é epidérmico, [...] ponderável
é o fato do qual participa involuntariamente: seu assassinato e a
posterior repercussão. Sua morte é devido a razões pessoais, mas é
denunciada como produto da política anti-Aliança Liberal, o que
galvaniza novamente o processo conspiratório, processo que estava
em declínio....Mas no caso particular, além destes recursos, legais e
de força, são usados outros instrumentos, que muitas vezes chegam
até a vilania pessoal, como é o caso de João Pessoa, quando
publica cartas amorosas e íntimas de João Dantas - para espanto
geral, no próprio Diário Oficial. É este incidente que provoca o
assassinato do Governador e que servirá de pretexto para a
Revolução de outubro, pois, propositadamente, procura-se confundir
a morte de João Pessoa com a política federal de Washington
Luis.(CARONE,1978,p. 296-301,)

O assassínio de João Pessoa constituiu um fator decisivo para a eclosão do


movimento revolucionário em 3 de outubro de 1930. No dia 6 de outubro, os corpos
de João Dantas e de seu cunhado Augusto Caldas, na época dados como suicidas,
foram encontrados em uma enfermaria da Casa de Detenção de Recife. A discussão
sobre a causa mortis desses personagens persiste até hoje.
Quando outubro de 1930 fez seu aparecimento, a Paraíba encontrava-se
ocupada por forças federais do Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco,
Sergipe e Bahia, estacionadas em Sousa, Santa Luzia, Princesa Isabel, Campina
Grande, João Pessoa e Cabedelo. Duas pequenas embarcações da marinha de
guerra patrulhavam o Rio Paraíba. Em contrapartida, os revolucionários contavam
com a polícia militar, opinião pública (estadual e nacional), grupos armados de civis e
quatro tenentes da guarnição federal que a quatro de outubro, levantariam o 22° B.C.
O capitão Juarez Távora também se encontrava na Paraíba para chefiar o levante.
Este, que irrompeu na tarde de três de outubro em Porto Alegre, rebentou na
madrugada seguinte, na Paraíba. Delegacias de polícia, estradas e comunicações
foram controladas pelos revolucionários que, sob o comando do tenente Agildo
Barata, tomaram de assalto o quartel do 22° B.C. em Cruz das Armas. O comandante
da região militar Lavanère Wanderley, foi mortalmente ferido na operação. Em todo o
estado, a guarnição federal transferiu-se para o lado revolucionário, sem maiores
problemas, salvo em Sousa, onde o comandante Pedro Ângelo resistiu até a morte.
Na manhã de quatro de outubro, os jornais já circulavam anunciando a vitória
da Revolução de 30 na Paraíba. Para os acontecimentos nacionais, isso tornou-se
importante porque, irmanados, polícia da Paraíba e exército constituíram Grupo de
Batalhões de Combate (GBC) que, sufocando resistência legalista em Recife,
estendeu a revolução até a Bahia e Rio de Janeiro. Neste último, Washington Luiz
seria deposto a 24 de outubro, encerrando-se a República Velha, isto é, a República
das Oligarquias e dos coronéis. Segundo Miguel Bodea:

“A revolução de 1930 acarretou a substituição, no seio da classe


dominante, do núcleo oligárquico tradicional por uma nova elite, de
origem positivista, reformadora e modernizante, que acabaria se
personificando na figura de Vargas”. (BODEA, 1992, p.154)

Assim em novembro de 1930, os militares transferiram o poder governamental


para o gaúcho Getúlio Vargas. Instaurava-se, assim, a Era Vargas, nome dado ao
período em que Getúlio Vargas governou o Brasil por 15 anos, de forma contínua
(1930-1945).
CAPÍTULO III

A ERA VARGAS:UM GOVERNO DE DESENVOLVIMENTO


ECONÔMICO, INDUSTRIAL E POLÍTICO

3.1- UMA NOVA VISÃO ECONOMICA E INDUSTRIAL PARA O


PAÍS

A partir de 1930, a industrialização brasileira, passa a se identificar, a formação


de uma ideologia industrializante que procura fundamentar-se em alguns elementos.
Em primeiro lugar, essa ideologia está baseada na ideia de desenvolvimentismo do
país, se concretizando por países industriais, vinculando-se a indústria, a ideia de
progresso: que possibilitaram a parcial superação do subdesenvolvimento brasileiro.
Por conseguinte, essa ideologia também é alicerçada pela necessidade veemente de
intervenção do Estado na economia, dada a característica nacionalista exercida pelo
Estado neste intervalo de tempo para que sejam criadas as bases de
desenvolvimentismo. Sobre essa época Draibe diz:

As correlações de forças que se estruturam ao longo do período 30-45


constituíram-se, sem dúvida, a base social e política sobre a qual se
estabeleceram, simultaneamente, as possibilidades da ação
intervencionista e seus limites, que se expressavam na própria
materialidade do aparelho econômico e de seu âmbito de atuação.
Entretanto, sobre essa base estrutural, se definiu e tomou forma uma
direção econômica estatal que sintetizou os diferentes interesses
sociais sobre os quais se erigia com autonomia, mas não se reduzia a
eles, como se fosse um somatório de elementos, pressões e conflitos
que o Estado haveria de contemplar. (DRAIBE 2004, p. 99)
A ascensão de Getúlio Vargas, portanto deu fim à Primeira República. Vargas
governou o Brasil por quinze anos. Seu governo foi divido em três períodos: o
Governo Provisório, o Governo Constitucional e o Estado Novo. Uma vez no
comando, implementou-se políticas desenvolvimentistas como: leis trabalhistas,
política de território, entre outras. O mesmo teve papel fundamental para
reestruturação ldo Estado, pois o mesmo entendia que o Estado era um condutor
para a modernização. Vale salientar também que durante este período ocorreram
investimentos significativos na área social. Getúlio era nacionalista e na análise de
Abreu podemos entender nacionalismo da seguinte forma:

O nacionalismo exige mais: uma atitude nítida de resistência


e de luta, o que pode valer tanto nas relações econômicas
como no campo cultural, com o desejo de [...] autonomia e
independência [...]. O nacionalismo é um sentimento mais
profundo e mais atuante [...] (ABREU et al, 2001, p.422)

A Era Vargas foi marcada por um forte nacionalismo e centralização de


tomadas de decisões pela esfera federal, como também em políticas
integracionistas, “a “Revolução” de 1930 alterou substancialmente os modos
operandi do sistema político” (D’ARAUJO, 1999, p.38). Neste período Getúlio
também investiu na indústria brasileira, com a finalidade de desenvolver este setor,
porém sem deixar de investir no café, que naquele período era o principal produto de
exportação brasileiro. Em relação ao café o governo comprava a sua produção e
destruía seu excedente. Entre 1931 e 1941 o Instituto Nacional do Café queimou ou
derramou no mar cerca de 80 milhões de sacas. Neste período o mercado mundial
só absorvia no máximo 15 milhões de sacas anuais. Para subsidiar o café o governo
de Vargas precisou se endividar internacionalmente. Sobre esse momento
econômico Celso respalda:

A produção de café, em razão dos estímulos artificiais recebidos,


cresceu fortemente na segunda metade desse decênio. Entre 1925 e
1929 tal crescimento foi de quase cem por cento, o que revela a
enorme, quantidade de arbustos plantados no período imediatamente
anterior. Enquanto aumenta dessa forma a produção, mantêm-se
praticamente estabilizadas as exportações. ( FURTADO, 2005, p.198
)

Estes gastos não permitiam grandes investimentos em outros setores, porém


sempre investindo no funcionamento das ferrovias, veículos a motor e equipamentos
elétricos.
Vale ressaltar também que Getúlio importava-se com a situação interna,
porém sempre articulando externamente de maneira a beneficiar o Estado brasileiro.
“A Política Externa, mais do que as políticas internas adotadas por qualquer
governo, reflete a posição daquele país no cenário internacional, dentro de um jogo
de forças econômicas, políticas e bélicas”. Vargas ainda aproveitou a conjuntura
internacional durante o seu governo para ter uma política de barganha entre Estados
Unidos e Alemanha, onde o Brasil procurou usufruir destas relações. Posteriormente
quando o Estado brasileiro se posicionou como pró-Aliados foram estabelecidos
acordos com os Estados Unidos, conhecidos como Acordos de Washington.

3.2 HERANÇAS ECONÔMICAS DA ERA VARGAS

A política econômica de Vargas, neste seu último momento no governo


brasileiro, fora como o primeiro em 1930 intervendo na economia estadual.
Houve um grande investimento de créditos em indústrias de base, transportes,
eletroquímica e química. Vargas e seus aliados elaboraram o projeto político
prioritariamente com várias questões sociais em pauta (além das imposições
estruturais) um dos motivos do governo ter-se tornado tão popular.
Durante a Era Vargas foram criados vários órgãos federais com a finalidade
de centralizar as tomadas de decisões na esfera federal, assim também para o
controle econômico do país, estes órgãos tratavam desde questões como o Açúcar e
Álcool, como concessões para incentivo à indústria privada, de acordo com Fausto:
Entre os órgãos voltados para a regulamentação e o controle [...]
poderíamos destacar os Institutos do Açúcar e do Álcool (1933), do
Mate (1938), do Sal (1940), do Pinho (1941), ou ainda o Conselho
Nacional do Café (1931), depois transformado em Departamento
Nacional do Café (1933). A concessão de incentivos à indústria
privada e a criação das condições infra-estruturais [...] ficaram a
cargo de outro conjunto de órgãos, como a Comissão de Similares
(1934), o Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da
Fazenda (1937), o Conselho Nacional do Petróleo (1938), o
Conselho de Águas e Energia (1939), a Comissão Executiva do
Plano Siderúrgico Nacional (1940), a Comissão de Combustíveis e
Lubrificantes (1941), o Conselho Nacional de Ferrovias (1941) ou
ainda a Comissão do Vale do Rio Doce (1942) [...] a Companhia
Siderúrgica Nacional (1941) e a Companhia Álcalis (1943) (FAUSTO
et al, 2004, p.111).

Visando um país mais autônomo , o governo interferiu intensamente na


economia e criou uma série de medidas voltadas para o desenvolvimento da
indústria brasileira. Adotou-se então o modelo de Substituição das Importações e
implantada a chamada indústria de base, com infraestrutura que ajudariam outros
setores industriais a se desenvolverem. Getúlio criou empresas estatais em
atividades estratégicas como siderurgia (Companhia Siderúrgica Nacional),
mineração (Companhia Vale do Rio Doce) e geração de energia (Companhia
Hidrelétrica do Vale do São Francisco) e gerou emprego e renda com os
empreendimentos implantados no seu governo. Durante a Era Vargas foram criados
vários órgãos federais com a finalidade de centralizar as tomadas de decisões na
esfera federal, assim também para o controle econômico do país, estes órgãos
tratavam desde questões como o Açúcar e Álcool, como concessões para incentivo
à indústria privada, de acordo com Fausto:
Entre os órgãos voltados para a regulamentação e o controle [...]
poderíamos destacar os Institutos do Açúcar e do Álcool (1933), do
Mate (1938), do Sal (1940), do Pinho (1941), ou ainda o Conselho
Nacional do Café (1931), depois transformado em Departamento
Nacional do Café (1933). A concessão de incentivos à indústria
privada e a criação das condições infra-estruturais [...] ficaram a
cargo de outro conjunto de órgãos, como a Comissão de Similares
(1934), o Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da
Fazenda (1937), o Conselho Nacional do Petróleo (1938), o
Conselho de Águas e Energia (1939), a Comissão Executiva do
Plano Siderúrgico Nacional (1940), a Comissão de Combustíveis e
Lubrificantes (1941), o Conselho Nacional de Ferrovias (1941) ou
ainda a Comissão do Vale do Rio Doce (1942) [...] a Companhia
Siderúrgica Nacional (1941) e a Companhia Álcalis (1943) (FAUSTO
et al, 2004, p.111).

Com o governo de Getúlio o país buscou criar mecanismos de controle em


todos os setores da vida econômica e social.O então presidente recebe o poder da
Junta Governativa, na condição de chefe do Governo Provisório, Getúlio Vargas
procurou atender às reivindicações das forças políticas que lhe deram sustentação.
Logo se instala o governo, ficaram patentes as divergências entre os grupos que
subiram ao poder, as oligarquias, que desejavam a democratização do país por meio
de eleições livres, um governo constitucional e plena liberdade civil, e os tenentes,
que propunham um governo forte e centralizado, capaz de empreender a
racionalização da economia e a modernização das estruturas do Estado.

Os centros urbanos tinham como vitrine empregos abundantes e


bem remunerados, esta ilusão que atraiu milhares de pessoas atrás
destas aparentes facilidades que posteriormente tornaram-se
sofrimento por parte do trabalhador que passaria a viver muitas
vezes em miséria maior do que a que se encontrava no interior
(CARDOSO, 2010).
Getúlio Vargas assume então o governo em caráter provisório, até que
fossem convocadas eleições para a escolha do novo presidente, nesse período,
concentrou todo o poder em suas mãos. O Congresso foi fechado e os
governadores dos estados, chamados interventores, eram nomeados pelo
presidente, então Getúlio começou seu governo atendendo às principais
reivindicações dos trabalhadores, estabelecendo à jornada de oito horas de trabalho,
o repouso semanal remunerado e obrigatório, as férias pagas, a indenização pelo
tempo de serviço quando o trabalhador fosse demitido.

[...] Estabeleceu os direitos trabalhistas, que chegavam ao Brasil com


bastante atraso, pois já eram conquistas dos operários europeus e
norte-americanos. Limitou a jornada de trabalho para 8 horas, criou
as férias anuais remuneradas, regulamentou o trabalho de mulheres
e crianças. Criou uma política econômica que diminuía os efeitos da
crise mundial de 1929, comprando o excedente de café e
queimando-o ou jogando-o nos rios. (FABRIS, 2000, p. 48).

Os anos de 1929 e 1933 ficaram conhecidos como os anos da grande


Depressão, uma vez que o café continuava liderando a pauta das exportações
brasileiras, para contornar o problema da falta de compradores e a tendência à
queda do preço desse produto no mercado internacional, Getúlio Vargas adotou
desde médias tradicionais, como a compra e queima dos excedentes do café, até a
criação de organismos especiais de proteção à cafeicultura. Durante a Segunda
Guerra Mundial, as safras para exportação foram superadas pela produção de
gêneros agrícolas de subsistências, como arroz, feijão, milho e trigo.

[...] A crise de 1929, na medida em que dificultava as


importações, contribuía para o desenvolvimento industrial
nacional, pois se tentava produzir internamente o que era
difícil de adquirir no exterior. Tratava-se da industrialização
com base na substituição das importações. Em São Paulo, a
velha oligarquia buscava meios de voltar ao poder. Então
exigiu de Getúlio uma Constituição, alegando que seu
governo era Anticonstitucional. (FABRIS, 2000, p. 49).

Houve uma crise em 1929 que restringiu a importação de máquinas,


tecnologia e combustível dos países desenvolvidos, como os Estados Unidos.
Consequentemente, na década de 1930, surgiu nas cidades brasileiras uma série de
pequenas empresas familiares, destinadas a suprir o mercado interno de bens de
consumo.
A partir de 1931, como reflexo da crise de 1929 nos Estados Unidos, os
preços do café caíram aproximadamente um quarto do valor, retomando a política de
valorização do café, Vargas comprou e queimou milhares de sacas de café. Através
de decreto, o governo proibiu novas plantações do produto. Milhares de
camponeses que trabalhavam nas fazendas de café migraram para as cidades
paulistas, aumentando os problemas sociais.

“Vargas atrasou a democracia, mas adiantou o Brasil socialmente.


Um político realmente excepcional. Vargas descobrira, com a
inspiração de um pioneiro, que o povo é o que há de mais importante
em uma democracia.” (KOIFMAN, 2002:p.359)

No campo econômico, o governo estabeleceu uma política cujo objetivo era


superar o modelo agrário-exportador, passando a incentivar a expansão das
atividades industriais, abriu linhas de crédito para a instalação de novos
estabelecimentos e estimularam a criação de conselhos, companhias e fundações
para debater a questão da industrialização e da produção industrial.
No ano de 1952, foi criado o Banco de Desenvolvimento Econômico, para
incentivar a indústria. Criou em 1953 a Petrobrás, empresa estatal que detinha o
monopólio de exploração e refino do petróleo. No plano trabalhista, procurou ajudar
os assalariados prejudicados pela inflação, aumentando 100% o salário mínimo em 1º
de maio de 1954 e conquistou a classe trabalhadora.
A herança deixada pelo governo Vargas cataloga novas possibilidades atuação
visando o desenvolvimento econômico mediante financiamentos e investimentos
externos, assim como apresenta a governos posteriores a importância de
planejamento, uma vez que seu governo poderia ter dado resultados melhores caso
soubesse executar um planejamento bem fundamentado

3.3- O DESFECHO TRÁGICO DE UM LEGADO

O primeiro governo Vargas deixou como herança, a democracia para ser


respeitada pelos partidos políticos posteriores a ele, além da ideia de sociabilidade
enraizada na população, fortalecida pela força sindical, permitiu questionamentos
bem fundamentados principalmente sobre questões trabalhistas. QuandoVARGAS
assumiu o governo em seu segundo mandado, Vargas não conseguiu mais agradar
aos partidos de direita e esquerda em virtude dos interesses serem totalmente
antagônicos e acaba gerando um descontentamento geral culminando no pedido de
renúncia do presidente.

(...) odiavam-no pelos laços com os industriais, pela aliança com o


comando militar linha-dura e pela construção de uma máquina
trabalhista que esmagou os antigos sindicatos anarquistas, só
prometendo benefícios aos trabalhadores dispostos a abandonar a
militância (LEVINE, 2001, p.145).

No ano de 1945, uma ação militar combinada entre a União Democrática


Nacional e o Exército brasileiro força Vargas a renunciar. Além disso, vale ressaltar
que o mundo vivia o fim da Segunda Guerra Mundial e a vitória dos países
democráticos contra ditaduras com caráter fascista. Lembrando que o governo de
Vargas apoiou os Aliados na luta contra os governos nazistas e fascistas, assim,
tornava-se quase que inconcebível a manutenção de um regime antidemocrático no
Brasil.
Não há propaganda, por mais elaborada, sofisticada e massificante,
que sustente uma personalidade pública por tantas décadas sem
realizações que beneficiem, em termos materiais e simbólicos, o
cotidiano da sociedade. o "mito" Vargas - e o movimento que decorre
dele, o queremismo - expressava um conjunto de experiências que,
longe de se basear em promessas irrealizáveis, fundamentadas tão
somente em imagens e discursos vazios, alterou a vida dos
trabalhadores (FERREIRA, 2011, p.19).

No ano de 1946, mesmo Eurico Gaspar Dutra sendo eleito presidente do


Brasil, Vargas não saiu da do cenário político brasileiro, se tornou senador do Rio
Grande do Sul e dessa forma acompanhou atentamente o processo político do país.
No período entre a posse de Dutra e as novas eleições, cresceram na sociedade
brasileira novas demandas políticas amparadas pela Constituição de 1946.
Sindicatos e partidos de esquerda tentavam ganhar espaço na nova conjuntura,
enquanto que as classes médias e empresariais emergentes procuravam cada vez
mais uma maior representação de seus interesses. No meio militar, acirrou-se a
divisão entre os “nacionalistas”, que eram vistos como simpatizantes do Comunismo,
e os “democráticos”, que eram apontados como aliados do capital internacional, por
defender a exploração das riquezas nacionais por empresas estrangeiras.
Nessa divisão política vivenciada naquele período Vargas lançou sua
plataforma eleitoral pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), apoiado em duas
propostas principais: a defesa do nacionalismo, ou seja, defendendo a
industrialização nacional e a defesa das riquezas naturais brasileiras, especialmente
o petróleo; e a ampliação dos programas sociais, é nesse momento que o mesmo
muda a forma de governar, e passa a vo0ltar suas ações governamentais para o
povo.

A campanha eleitoral decorreu dentro das linhas que Vargas havia


planejado. A oposição contra êle estava dividida. Incapaz de
encontrar um candidato da união, tanto a UDN, quando o PSD
colocaram em campo os seus próprios candidatos, contra os quais
Vargas edificou uma formidável aliança (...).
(SKIDMORE, 1982, p.107).

No ano de 1950 mais precisamente no mês de outubro, Vargas foi eleito com
48,7% dos votos, mas a UDN tentou impugnar sua eleição, afirmando que o
vencedor deveria ter recebido a maioria absoluta dos votos, o que não era algo
previsto na Constituição. Assim, tal manobra dos liberais não obteve sucesso.
Eleito então democraticamente, Vargas deveria agora seguir os preceitos
constitucionais e contar com a Câmara dos Deputados e com o Senado. Os grandes
jornais da época destacavam tal fato, relembrando a trajetória do recém-eleito
presidente e seu golpe em 1937. Assim, os ânimos em torno do novo período no
país estavam exaltados e abriam-se novos focos de oposição a Vargas.

Tanto no pleito de 1950 quanto no de 1955, inconformada com os


resultados que não a favoreceram, a UDN tentou impugnar as
eleições (...). A UDN, durante esses acontecimentos, já deixava
despontar certa orientação antidemocrática, que se exacerbaria em
momentos históricos subsequentes (FERREIRA, 2011, p.138).

Diante então da crise política e econômica pela qual o país estava passando,
Vargas optou por iniciar seu governo de forma conciliadora, incluindo em seus
ministérios membros de outros partidos, que havia sido seu adversário na eleição
presidencial, e governadores.
A partir desse ponto Vargas procura fazer uma administração econômica
baseada em três pontos principais: a aproximação com o capital estrangeiro, a
política de desenvolvimento industrial e o princípio do nacionalismo.
Ainda no escopo do nacionalismo pregado por Vargas, foi elaborada uma lei que
limitava a remessa de lucros das empresas internacionais para o exterior. Tal lei,
não obteve muitos resultados práticos, por conta das resistências impostas a ela,
mas serviu para dar mais argumentos e críticas aos opositores do presidente que o
acusavam de ser comunista.
Carlos Lacerda e a UDN foram responsáveis por veiculares notícias e críticas
ao governo e às suas propostas econômicas e políticas. Assim, crescia na imprensa
o clima de hostilidade com relação ao presidente. Carlos Lacerda, que era jornalista
do jornal Tribuna da Imprensa, veiculava inúmeras críticas e denúncias ao governo
Vargas e ao jornal Última Hora, que era acusado de favorecimento com dinheiro
público por ser apoiador do governo.

A Getúlio Vargas dirijo, de todo coração, um apelo supremo;


presidente da república: renuncia para salvar a República. Getúlio
Vargas: deixa o poder para que o teu país, que é o nosso país, possa
respirar nos dias de paz que os teus lhe roubaram. Sai do poder,
Getúlio Vargas, se queres ainda merecer algum respeito como
criatura humana, já que perdeste o direito de ser acatado como chefe
do governo.
( LACERDA, , 1978, p. 102.)

Na imprensa também crescia um clima hostil para com o presidente. Carlos


Lacerda, que era jornalista do jornal Tribuna da Imprensa, fazia denúncia e duras
críticas ao governo Vargas veiculava inúmeras críticas e denúncias ao governo
Vargas e ao jornal Última Hora, acusando-o de favorecimento com dinheiro público
por ser apoiador do governo.
Acuado e sofrendo uma investigação de corrupção, Vargas decidiu dar o
aumento o 100% do salário mínimo e aumentou a contribuição dos empregadores
para a Previdência Social. Tais medidas serviram para aumentar ainda mais o
descontentamento da oposição, formada, nesse momento, por militares e setores da
sociedade civil. Os militares, inclusive, lançaram, em fevereiro de 1954, um
manifesto contra o aumento do salário mínimo.

"Porque, antes de Getúlio, o trabalhador tinha deveres e [ele] lhe deu


direitos; tinha família e lhe deu assistência; tinha fome e lhe deu o
pão; estava doente e lhe deu hospital; ficava velho e lhe deu
aposentadoria; morria e lhe garantiu a família; o trabalhador tinha
filhos e lhe deu escola; o operário era homem e lhe deu a mão,
enfim, Getúlio viu que o trabalhador era gente e lhe deu uma
situação de sociedade. É por isso que NÓS QUEREMOS GETÚLIO."
(FERREIRA.2005, p.43)

Em 5 de agosto de 1954, um acontecimento abalou toda a base de


sustentação do governo Vargas: o “atentado” contra o jornalista Carlos Lacerda, na
rua Tornelero, em Copacabana. O jornalista sofreu apenas um ferimento leve, mas o
major da Aeronáutica, Rubens Vaz, foi morto.

As primeiras investigações levam até o Palácio do Catete, antiga


sede do governo brasileiro, e apontam para Gregório Fortunato,
chefe da guarda pessoal de Vargas, como o mandante do crime.
Insatisfeitos com a distância que o presidente tomara das Forças
Armadas, que o apoiou em seu primeiro período à frente do governo,
entre 1930 a 1945, os militares usam o incidente para engrossar o
discurso anti-Vargas, que ecoava nos ataques de Lacerda.

( JORNAL O GLOBO)

A Polícia então organizou a instauração de um inquérito para investigar o


crime e esse episódio ficou conhecido como República de Galeão, pela amplitude de
poderes concedida aos militares organizados na base aérea do Galeão no Rio de
Janeiro pra investigar o crime.
Crescem então as críticas e o clamor pela renúncia do presidente. Na Câmara
dos Deputados, os opositores do regime, fazem campanha pela saída de Vargas.
Vargas, nesse clima de protestos e críticas, pediu um afastamento por licença
nesse período conturbado da investigação. Mas o Exército brasileiro não aceitou tal
proposta e exige sua renúncia do cargo de presidente da República.

Essa exigência não é aceita por Vargas que, na manhã do dia 24 de agosto de
1954, suicidou-se, deixando uma carta-testamento na qual justificava seu ato e
ainda pintava com tons heroicos sua atuação como presidente:
“Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do
povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia
não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a
minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no
caminho da eternidade e saio da vida para entrar na
História.”(VARGAS ,1958)

O mesmo acaba cometendo o suicídio, deixando um grande legado político


para os governos posteriores, e deixando uma carta testamento na qual entrava de
uma forma diferenciada para a história política brasileira.

“Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e se


desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem,
caluniam; e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz
e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre
defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é
imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos
econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e
venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade
social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A
campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos
nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de
lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a Justiça da revisão
do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade
nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras, mal
começa esta a funcionar a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi
obstaculada até o desespero. Não querem que o povo seja independente.
Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do
trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao
ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes
constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do
café, valorizou-se nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e
a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de
sermos obrigados a ceder. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora,
resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em
silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o
povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser
o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem
continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha
vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos
humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome
bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e
vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a
força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a
vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal
na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao
ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotam respondo
com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida
eterna. Mas esse povo, de quem fui escravo, não mais será escravo de
ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue terá
o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a
espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a
calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço
a minha morte. Nada receio. “Serenamente dou o primeiro passo no

caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.”

(GETULIO VARGAS)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

O contexto histórico político de 1930 estabeleceu de forma a diferenciada a


Era Vargas. Essa “Revolução” não trouxe mudanças estruturais para a política
paraibana, pois não existiu uma ruptura total do sistema coronelístico-oligárquico no
Estado, ao contrário, as forças oligárquicas que controlaram o poder nesse período
procuraram garantir os fundamentos do mandonismo local e assegurar as bases do
seu poder, que residia sobretudo nas bases agrárias, nas relações de trabalho do
campo não capitalista, na política clientelística e no poder dos coronéis e seus
representantes.
Entretanto essa situação foi um marco importantíssimo para que a Era Vargas
eclodisse, e assim fosse empossado um novo bloco no poder sob o comando do
mais novo presidente.
A partir desse período instituiu-se uma política que dentre outras medidas
visava criar um Estado forte e centralizado com um projeto de desenvolvimento
nacional, calcado na industrialização para esse projeto. Getúlio Vargas cria uma
estrutura política administrativa que aparelhou o poder central de mecanismo jurídico
político que viabilizou seu controle sobre as estruturas políticas regionais sendo
dessa forma as oligarquias encaminhadas ao controle do poder central.
No governo Vargas a Industrialização no Brasil é um fato que abriu novos
rumos e novas oportunidades com ganhos inigualáveis para esse setor, o seu
governo também mesmo que a partir do segundo período governamental teve uma
visão mais aprimorada para com o popular e isso juntamente com outros fatores
principalmente a presença maciça da oposição lhe custou renuncias e o fim de uma
carreira política e consequentemente a vida.

O que fica claro nesse trabalho, também é a herança deixada pela Era Vargas
tanto no eixo econômico ,no social quanto no político pois observa-se que o mesmo
conseguiu dar a sustentação necessária para que governos posteriores pudessem
aprimorar o que foi implantado inicialmente, de forma a realizar planejamentos mais
concretos do que aqueles da sua Era.
Vargas deixou assim o seu legado, proporcionando um crescimento
econômico nacional gradual que se diferenciou da grande maioria dos políticos de
sua época ao defender audaciosamente, políticas desenvolvimentistas e sociais
para o país.
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