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Rodada #1

Legislação Especial
Professor Leandro Igrejas

Assuntos da Rodada

LEGISLAÇÃO ESPECIAL: 4. Lei nº 11.343/2006: institui o Sistema Nacional de Políticas

Públicas sobre Drogas (SISNAD); prescreve medidas para prevenção do uso indevido,

atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelece normas

para repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas; define crimes e

dá outras providências (apenas aspectos penais e processuais penais). 5 Lei nº

4.898/1965: direito de representação e processo de responsabilidade administrativa

civil e penal, nos casos de abuso de autoridade (apenas aspectos penais e processuais

penais). 6 Lei nº 9.455/1997: define os crimes de tortura e dá outras providências

(apenas aspectos penais e processuais penais). 7 Lei nº 8.069/1990: Estatuto da Criança

e do Adolescente (apenas aspectos penais e processuais penais). 8 Lei nº 10.826/2003:

Estatuto do Desarmamento (apenas aspectos penais e processuais penais). 9 Lei

nº 9.605/1998: Lei dos Crimes Ambientais (apenas aspectos penais e processuais

penais). 10. Lei nº 10.446/2002: infrações penais de repercussão interestadual ou

internacional que exigem repressão uniforme.


LEGISLAÇÃO ESPECIAL

a. Teoria em Tópicos

No edital do último concurso para Agente da Polícia Federal1, que é a base do nosso
curso, foram exigidos apenas os aspectos penais e processuais penais do Estatuto do
Desarmamento.

Contudo, para que possamos compreender melhor tais aspectos, precisaremos, antes,
estudar alguns pontos da parte administrativa da Lei n.º 10.826/03. Vamos lá!

SINARM

O Estatuto do Desarmamento (Lei n.º 10.826/03) instituiu o SINARM - Sistema

Nacional de Armas, no âmbito da Polícia Federal (Ministério da Justiça), responsável por

ATENÇÃO! O Estatuto do Desarmamento trata apenas de armas de fogo, e não das


chamadas armas brancas (facas, machados, martelos, canivetes, etc.).

exercer o controle das armas de fogo em poder da população.

Dentre as competências do SINARM, encontramos:

Art. 2o Ao SINARM compete:

I – identificar as características e a propriedade de armas de fogo,


mediante cadastro; (...)

III – cadastrar as autorizações de porte de arma de fogo e as renovações


expedidas pela Polícia Federal;

IV – cadastrar as transferências de propriedade, extravio, furto, roubo e


outras ocorrências suscetíveis de alterar os dados cadastrais, inclusive as
decorrentes de fechamento de empresas de segurança privada e de
transporte de valores;

V – identificar as modificações que alterem as características ou o


funcionamento de arma de fogo;

1
EDITAL Nº 55/2014 – DGP/DPF, DE 25 DE SETEMBRO DE 2014, disponível em:
< http://www.cespe.unb.br/concursos/DPF_14_AGENTE/arquivos/EDITAL_N___55___ABERTURA.PDF>
2
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

REGISTRO DE ARMA DE FOGO

Uma vez adquirida a arma de fogo, o proprietário deverá efetuar o seu registro

no órgão competente (art.3º):

Art. 3o É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente.

Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas no


Comando do Exército, na forma do regulamento desta Lei. (...)

Art. 5o O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o


território nacional, autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo
exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência
desses, ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o
responsável legal pelo estabelecimento ou empresa.

§ 1o O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela Polícia


Federal e será precedido de autorização do SINARM.

O órgão de registro será definido em função da natureza da arma:

Natureza da arma2 Órgão competente para o registro


(Lei n.º 10.826/03)

POLÍCIA FEDERAL
Uso PERMITIDO (art.5º, §1o)

Comando do EXERCITO
Uso RESTRITO (art.3º, parágrafo único)

Perceba que o certificado de Registro de Arma de Fogo - CRA (art.5º) autoriza o

seu proprietário a manter a arma de fogo somente nos seguintes locais:

2
Os conceitos de arma de uso permitido e restrito constam do Decreto n.º 5.123/04
(regulamento da Lei n.º 10.826/03), que não foi incluído no último edital do concurso para APF
(2014).
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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

 No interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses; e

 No seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável legal

pelo estabelecimento ou empresa.

Certificado de REGISTRO, então, é o documento que autoriza o proprietário


da arma de fogo a mantê-la exclusivamente no interior de sua RESIDÊNCIA
ou domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu LOCAL DE
TRABALHO, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo
estabelecimento ou empresa.

PORTE DE ARMA DE FOGO

Basicamente, o PORTE de arma é o documento que autoriza alguém a trazer consigo


a arma de fogo FORA de sua residência/domicílio ou local de trabalho, onde seja o
titular ou responsável (art.5º).

Como regra, o art.6º do Estatuto proíbe o porte de arma. Todavia, estabelece

exceções em seu próprio texto, como, por exemplo, para os integrantes das Forças

Armadas, das Polícias Federal e Rodoviária Federal, etc.

Além disso, a proibição ao porte de arma também encontra exceções na

legislação própria de algumas carreiras, como é o caso de Juízes e Promotores de

Justiça.

As exceções à proibição não precisam ser memorizadas para nossa prova, que,

conforme o último edital, estaria limitada aos “aspectos penais e processuais penais”.

Em resumo, para que o proprietário da arma de fogo possa trazê-la consigo, fora

dos locais acima indicados, será necessário que tenha autorização para o PORTE de

arma de fogo (art.6º).

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

CRIMES EM ESPÉCIE

A partir deste ponto, entraremos, efetivamente, na parte da matéria mais importante para

nossa prova!

O Estatuto criminalizou as seguintes condutas:

 POSSE irregular de arma (art.12)


de uso PERMITIDO.
 PORTE ilegal de arma (art.14)

 POSSE ilegal de arma


de uso RESTRITO (art.16).
 PORTE ilegal de arma

 Omissão de CAUTELA (art.13)


 DISPARO de arma de fogo (art.15)
 COMÉRCIO ilegal de arma de fogo (art.17)
 TRÁFICO internacional de arma de fogo (art.18)

Passemos à análise individualizada dos tipos penais.

POSSE irregular de arma de fogo de uso PERMITIDO

Posse irregular de arma de fogo de uso permitido

Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório
ou munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal
ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência desta,
ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o
responsável legal do estabelecimento ou empresa:

Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

O sujeito ativo (aquele que comete o crime) poderá ser qualquer pessoa. Ou

seja, trata-se de crime comum3.

O objeto material deste tipo penal é a arma de fogo, o acessório ou a munição

de uso permitido.

Se a arma de fogo, o acessório ou a munição forem de uso restrito, então o crime


será o previsto no art.16, e não o do art.12.

Conforme já visto acima (art.5º), o registro da arma no órgão competente

autoriza seu proprietário a mantê-la - exclusivamente - no interior de sua residência,

domicílio ou dependência, ou, ainda, no seu local de trabalho. Neste segundo caso

(local de trabalho), ele deve ser o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento

ou empresa.

ATENÇÃO! Para que possa levar a arma consigo para outros locais, inclusive vias
públicas, residências de outras pessoas, ou mesmo para seu próprio local de trabalho,
quando não for o titular ou o responsável legal, será necessário obter o PORTE de
arma.

Pois bem. A conduta tipificada neste art.12 é justamente a de possuir ou manter

a arma/acessório/munição, de uso permitido, nos locais indicados acima, de forma

irregular. Ou seja, o legislador quis evitar a manutenção de arma/acessório/munição

SEM o devido registro, ou com o registro vencido4 (não renovado).

Note que, no caso do local de trabalho, a posse irregular (art.12) somente irá se

configurar caso o agente seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou

3
Crime comum é aquele que não exige uma qualidade especial do sujeito ativo. Em
outras palavras, é aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa. Exemplo:
homicídio.

4
O registro deve ser renovado periodicamente. Veja: art. 5o §2o Os requisitos de que tratam os
incisos I, II e III do art. 4o deverão ser comprovados periodicamente, em período não inferior a
3 (três) anos, na conformidade do estabelecido no regulamento desta Lei, para a renovação
do Certificado de Registro de Arma de Fogo.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

empresa. Do contrário, (ou seja, se o agente não for o titular ou o responsável legal),

então o crime será o previsto no art.14 (porte ilegal, a ser estudado adiante).

Exemplo: vendedor de loja situada em local perigoso, mantém em seu local de trabalho
uma arma de uso permitido para sua defesa pessoal. Nesse caso, por não ser ele o titular
ou o responsável legal pelo estabelecimento, estará cometendo, (caso não tenha
autorização para porte da arma), o crime do art.14 do Estatuto (porte ilegal).

Em resumo, podemos dizer que o crime de POSSE irregular (art.12) somente se


caracteriza quando a arma/acessório/munição (de uso permitido) estiver
guardada, irregularmente:

 na residência do agente; ou
 em seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável
legal pelo estabelecimento.

PEGADINHA!

A tendência do aluno é focar a atenção apenas na arma de fogo, esquecendo-se


dos demais objetos materiais do tipo penal. A banca examinadora pode explorar essa
característica.

Portanto, fique atento: um indivíduo que mantenha somente munição ou


acessório sob sua guarda, em desacordo com determinação legal ou regulamentar,
no interior de sua residência, cometerá o crime previsto no art.12 do Estatuto.

JURISPRUDÊNCIA

Segundo entendimento do STJ*, o caminhão não é considerado extensão


da residência, nem local de trabalho do caminhoneiro, mas sim instrumento de
trabalho.

A partir desse entendimento, a arma de fogo, se mantida sem autorização


nesse local, não configura o crime do art.12 da Lei n.º 10.826/03 (posse irregular), mas
sim o porte ilegal (art.14).

*HABEAS CORPUS Nº 172.525 - MG (2010⁄0087118-0). Julgamento: 12/06/2012.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Veja como foi cobrado!

CESPE/2015 – TRE/MT - Analista Judiciário (adaptada)

Com base no disposto na legislação penal especial, julgue o item a seguir.

Indivíduo que guarda, em sua residência, arma de fogo de uso restrito comete o crime
de posse irregular de arma de fogo.

Gabarito: “Errado”

Comentário: Essa questão serve pra medir o nível de atenção do candidato. Você
reparou que o enunciado se refere à arma de uso restrito e não a permitido? O
crime de posse irregular abarca apenas a arma de fogo de uso permitido (art.12). No
caso, o crime cometido foi o do art. 16, a ser estudado a seguir (Posse ou porte ilegal
de arma de fogo de uso restrito).

Omissão de cautela

Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que


menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência
mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja
de sua propriedade:

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.

O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se,

novamente, de crime comum.

Perceba que o tipo penal não exige, para configuração do crime, que haja

relação de parentesco entre o menor de 18 (dezoito) anos/pessoa portadora de

deficiência mental e o sujeito ativo.

Logo, haverá o crime do pai que deixa a arma ao alcance do filho

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

menor, ou ao alcance do amigo do filho menor, com o qual não tem


nenhuma relação de parentesco.

O objeto material deste tipo penal é APENAS arma de fogo (Repare que o caput

não faz referência ao acessório e munição, ok?).

Trata-se de conduta culposa, onde o agente deixa de adotar os cuidados

(cautelas) a fim de evitar o apoderamento da arma. Por se tratar de crime culposo, não

se admite a tentativa.

O crime é material. Ou seja: para sua consumação, não basta a falta de cuidado

do agente em relação à guarda da arma. É indispensável que o menor/deficiente

mental efetivamente se apodere da mesma.

Exemplo: Pai chega em casa e deixa arma em cima da mesa, sem


nenhuma proteção e vai dormir. O filho menor de 18 anos chega em
casa e vê a arma. Contudo, sequer a toca, já que sempre fora orientado
acerca do perigo que tal objeto representa. Nessa situação, o crime não
se consumou, já que não houve o apoderamento de arma de fogo pelo
menor. O fato, portanto, será atípico.

Art. 13. (...) Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário
ou diretor responsável de empresa de segurança e transporte de
valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de comunicar
à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de
arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas
primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Este crime, diferentemente do previsto no caput do art.13, é próprio5. Ou seja,

somente quem for proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança e

transporte de valores é que poderá cometê-lo. Logo, não cabe, por exemplo, ao

vigilante que extraviar uma arma, a obrigação de comunicar o fato à Polícia Federal.

A consumação se dá com o decurso do prazo de 24 horas após a ciência, pelos

potenciais sujeitos passivos, da ocorrência do fato (crime a prazo6).

Preste atenção ao detalhe: No caput, o objeto do crime é apenas a arma de fogo.

No parágrafo único, a arma de fogo, acessório ou munição.

Aos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art.12) e de omissão
de cautela (art.13) são cominadas penas de detenção.

A TODOS os demais crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, a pena cominada


é reclusão.

PORTE ilegal de arma de fogo de uso PERMITIDO

Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido

Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,


transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter,
empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

5
Ao contrário do crime comum, o crime próprio exige que o sujeito ativo tenha uma
determinada qualidade ou característica.

6
Nesse tipo de crime, a lei prevê o decurso de determinado prazo para que, só então,
ocorra a consumação.
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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se, mais

uma vez, de crime comum.

Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da metade se for


praticado por integrante dos órgãos e empresas referidas nos
art. 6o, 7o e 8o desta Lei.

O objeto material deste tipo penal é arma de fogo, acessório ou munição de

uso permitido (se forem de uso restrito, então o crime será o previsto no art.16, a ser

estudado adiante). Trata-se do mesmo objeto material do crime do art.12.

A consumação se dá com a prática de uma ou mais das condutas típicas. Por se

tratar de crime de múltiplas condutas (veja que o tipo descreve 13 verbos típicos), a

prática de mais de uma delas, pelo mesmo agente, desde que dentro do mesmo

contexto fático, configurará o cometimento de crime único (ou seja, o agente não

responderá pelo concurso de crimes).

Exemplo: Alguém adquire arma de fogo de uso permitido em uma loja,


sem possuir a necessária autorização, e a transporta até sua residência.
Temos aí duas condutas típicas (adquirir e transportar) que, no entanto,
configurarão único delito, tendo em vista o mesmo contexto fático em
que foram realizadas.

Tome cuidado para não confundir os locais onde se consumam os crimes

previstos no art.12 e 14 do Estatuto do Desarmamento:

Crime Lugar do Crime

POSSE IRREGULAR Casa e local de trabalho, desde que o agente seja


(uso permitido, art.12) o titular ou o responsável legal pelo
estabelecimento.

PORTE ILEGAL Fora dos locais e condições acima indicados.


(uso permitido, art.14)

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Vejamos agora a jurisprudência sobre o assunto:

JURISPRUDÊNCIA

ARMA DE FOGO DESMUNICIADA OU DESMONTADA

Conforme entendimento do STF, o porte de arma de fogo, mesmo

DESMUNICIADA ou DESMONTADA, configura o crime previsto no art.14. Veja:

PENAL. ARTIGO 14 DA LEI 10.826/03. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO


PERMITIDO. ARMA DESMUNICIADA. TIPICIDADE DA CONDUTA.

O crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é de mera conduta e de


perigo abstrato, consumando-se independentemente da ocorrência de efetivo
prejuízo para a sociedade, sendo que a probabilidade de vir a ocorrer algum dano
é presumida pelo tipo penal. (...)

(continuação)

É irrelevante para a tipificação do art. 14 da Lei 10.826/03 o fato de estar a arma de


fogo municiada (...).

HC 107.447/ES, rel. Min. Cármen Lúcia, 1ª Turma, DJe: 03.06.2011

No mesmo sentido, o STJ:

PENAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. CRIME ABSTRATO. ARMA


DESMUNICIADA E DESMONTADA. IRRELEVÂNCIA.

A jurisprudência atual desta Corte adota o entendimento de que o crime de porte


ilegal de arma de fogo é de perigo abstrato, sendo desnecessária a aferição do
capacidade lesiva ou o fato de estar ou não desmontada ou municiada.

TJ - AgRg no AREsp 456466 SP 2013/0419112-2 (STJ). Dje: 29/05/2014.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

JURISPRUDÊNCIA

NULIDADE OU AUSÊNCIA DE LAUDO PERICIAL

Em regra, é necessária a realização de exame pericial para que se possa


demonstrar a capacidade da arma, do acessório, ou da munição em expor a perigo a
sociedade.

O STJ, contudo, entende que a nulidade ou a ausência de laudo pericial não


impede a caracterização do crime previsto no art.14 do Estatuto do Desarmamento, já
que este é de perigo abstrato. Veja:

PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. (...). PLEITO DE RECONHECIMENTO DA


ATIPICIDADE EM RAZÃO DE A ARMA SE ENCONTRAR DESMUNICIADA E DESMONTADA.
EXAME PERICIAL. NULIDADE OU AUSÊNCIA. IRRELEVÂNCIA. CRIME DE PERIGO
ABSTRATO. (...)

(continuação)

2. Este Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência pacificada no sentido de


que o porte ilegal de arma de fogo desmuniciada ou desmontada configura hipótese de
perigo abstrato, bastando apenas a prática do ato de levar consigo para a consumação
do delito.

Dessa forma, eventual nulidade do laudo pericial, ou até mesmo a sua ausência,
não impede o enquadramento da conduta.

STJ - AgRg no REsp: 1390999 SP 2013/0220681-8, Rel: Ministra LAURITA VAZ. DJe
03/04/2014.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

JURISPRUDÊNCIA

PORTE ILEGAL DE UMA MUNIÇÃO CONFIGURA O CRIME DO ART.14


(Não se aplica o princípio da insignificância)

O Juízo da Vara Criminal da Comarca de Araruama/RJ, no processo nº (...),


entendeu que o porte de uma munição “CBC” seria conduta atípica, considerada a
inexistência de perigo concreto a bem jurídico.

Contudo, a Primeira Turma do STF, ao julgar o habeas corpus, entendeu que a


conduta narrada (porte de uma munição) é típica, uma vez que o art. 14, “caput”, da Lei
10.826/2003 não depende do tipo ou da quantidade da munição portada pelo agente.

HC 131771/RJ, rel. Min. Marco Aurélio, 18.10.2016. (HC-131771) (Informativo 844, 1ª


Turma)

VEJA COMO FOI COBRADO!

CESPE/2016 – TRE/PI - Analista Judiciário – Judiciária (adaptada)

A nulidade do exame pericial na arma de fogo descaracteriza o crime de porte ilegal,


mesmo diante de conjunto probatório idôneo, conforme entendimento do Supremo
Tribunal Federal.

Gabarito: “Errado”


(continuação)

Comentário: A jurisprudência do STF e do STJ é no sentido que o exame pericial não é


imprescindível (ou seja, é dispensável) para caracterização do porte ilegal de arma de
fogo, por se tratar de crime de perigo abstrato, bastando apenas a prática do ato de
levar consigo para a consumação do delito.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido

Art. 14. (...)

Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável,


salvo quando a arma de fogo estiver registrada em nome do agente.
(Vide Adin 3.112-1)

O parágrafo único do art.14 foi declarado inconstitucional pelo STF. Em

consequência, este crime passou a ser afiançável. O mesmo aconteceu com o art.15,

a ser estudado adiante.

Disparo de arma de fogo

Disparo de arma de fogo

Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar


habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela,
desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de
outro crime:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se de

crime comum.

Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da


metade se for praticado por integrante dos órgãos e
empresas referidas nos art. 6o, 7o e 8o desta Lei
(voltaremos a este ponto adiante).

O objeto material deste tipo penal é arma de fogo e a munição.

15
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

A consumação se dá com o efetivo disparo da arma de fogo ou com o

acionamento da munição. Ainda que tenha sido praticada mais de uma conduta

(disparos ou acionamentos), no mesmo contexto fático, haverá o cometimento de

único crime.

Perceba que esse crime é subsidiário. Veja a redação do tipo: “(...) desde que

essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime.”.

Isso significa que o crime do art.15 somente estará caracterizado caso o


disparo/acionamento não tenha por finalidade a prática de outro crime.

Caso o disparo/acionamento tenha por finalidade a prática de outro crime,

aplica-se o princípio da consunção, ficando o crime menos grave (no caso, o disparo

do art.15) absorvido pelo de maior gravidade.

Exemplo: “A”, desejando matar “B”, efetua contra este disparo certeiro de
arma de fogo, consumando o homicídio. Nessa situação, “A” responderá
“apenas” pelo homicídio. O disparo de arma de fogo (crime menos grave)
será absorvido pelo homicídio.
Pelo mesmo raciocínio, o crime do art.15 (disparo, mais grave) absorverá o crime

de porte ilegal (art.14, menos grave). Afinal, o porte é um meio para que se possa

disparar a arma (crime-fim).

Nessa situação, teríamos:

PORTEE DISPAROE HOMICÍDIOE

16
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Veja a didática decisão a seguir:

JURISPRUDÊNCIA

PORTE ILEGAL x DISPARO DE ARMA DE FOGO

PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO E DISPARO DE ARMA DE

FOGO - PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO (...).

Para se efetuar disparo de arma de fogo em local habitado, primeiro é

necessário portar a arma, constituindo-se, assim, o porte, crime-meio para o

disparo e, sendo este crime mais grave, deve absorver aquele, delito menos grave,

em observância ao princípio da consunção.

TJ-MG - APR: 10629140007127001 MG, Rel: Júlio César Lorens. Pub:16/03/2016.

Disparo de arma de fogo

Art. 15. (...)

Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável. (Vide


Adin 3.112-1)

O parágrafo único do art.15 também foi declarado inconstitucional pelo STF,

assim como o parágrafo único do art.14. Em consequência, o crime passou a ser

afiançável.

POSSE ou PORTE ilegal de arma de fogo de uso RESTRITO

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em


depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter,
empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou
munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo
com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se de

crime comum.

Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da


metade se for praticado por integrante dos órgãos e
empresas referidas nos art. 6o, 7o e 8o desta Lei
(voltaremos a este ponto adiante).

O objeto material deste tipo penal é arma de fogo, acessório ou munição de uso

RESTRITO (se forem de uso permitido, então o crime poderá ser o previsto no art.12

ou 14, a depender da conduta).

Perceba que a pena cominada para este crime é maior do que aquelas previstas

para os art.12 e 14. Isso se dá, naturalmente, por conta do maior potencial lesivo que

as armas de uso restrito possuem, em comparação com as de uso permitido.

A consumação se dá com a prática de uma ou mais das condutas típicas. Este

tipo também descreve múltiplas condutas (13 verbos típicos), de modo que a prática

de mais de uma delas, pelo mesmo agente, dentro do mesmo contexto fático,

configurará o cometimento de um único crime (ou seja, o agente não responderá pelo

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

concurso de crimes).

ATENÇÃO! Aplicam-se ao art.16 os mesmos posicionamentos jurisprudenciais acerca

da arma desmuniciada, desmontada e da nulidade ou ausência de laudo pericial para

fins de caracterização do crime, que foram estudados no art.14.

A seguir, estudaremos as condutas equiparadas ao crime do caput art.16 do

Estatuto, que são aquelas descritas nos incisos I a VI de seu parágrafo único.

Antes de prosseguirmos, porém, é preciso que você saiba que a doutrina majoritária
entende que os incisos do parágrafo único do art.16 são tipos penais autônomos em
relação ao caput.

Ok, mas, o que isso quer dizer?

Quer dizer que os incisos se referem não apenas às armas de uso RESTRITO, mas
também às de uso PERMITIDO.

Veja a jurisprudência sobre este tema:

JURISPRUDÊNCIA

PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO COM NUMERAÇÃO RASPADA. CRIME DO ART. 16,
PARÁGRAFO ÚNICO, INCISO IV, DA LEI Nº 10.826/03. ARMA DE USO PERMITIDO,
RESTRITO OU PROIBIDO. IRRELEVÂNCIA.

1. Apesar de o caput do art. 16 da Lei nº 10.826/03 referir-se a armas de fogo,


munições ou acessórios de uso proibido ou restrito, o parágrafo único, ao incriminar a
conduta de porta arma de fogo modificada, refere-se a qualquer arma, sendo
irrelevante o fato de ela ser de uso permitido, proibido ou restrito.

REsp 918.867/RS, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, DJe 18/10/2010

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Feita essa ressalva, passemos ao estudo das condutas equiparadas:

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

Art. 16. (...)

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:

I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de


identificação de arma de fogo ou artefato;

Vimos que o art.2º do Estatuto do Desarmamento atribui ao SINARM a tarefa de

identificação das características das armas de fogo, mediante cadastro.

Pois bem! O que se pretende com este art.16, parágrafo único, I, é, justamente,

garantir a fidedignidade das informações constantes deste cadastro.

Note que o sujeito ativo deste crime é aquele que suprimir ou alterar o sinal de

identificação. Assim sendo, aquele que possuir ou portar arma/artefato já adulterados

não cometerá este crime, mas sim aquele previsto no inciso IV, que será visto adiante.

II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la


equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de
dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou
juiz;

Não é qualquer modificação de característica da arma de fogo que configurará

esta conduta típica, mas apenas as que tenham por objetivo (dolo específico do agente)

agregar maior potencial lesivo à arma (torná-la de uso proibido ou restrito) OU que

visem embaraçar a atuação das autoridades.

A consumação se dá com a efetiva modificação da característica da arma de

20
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

fogo. Logo, será irrelevante que a alteração tenha tido sucesso em induzir as

autoridades a erro.

III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou


incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar;

Aqui, você precisa notar que o objeto material (artefato explosivo ou incendiário) é

distinto do resto da Lei (arma de fogo, acessório ou munição).

Veremos que o inciso V, a seguir, também tem por objeto o explosivo.

ATENÇÃO! A banca examinadora pode explorar esse detalhe. Assim sendo, eventual
questão no sentido de que a Lei n.º 10.826/2003 tipifica a utilização irregular de
artefato explosivo ou incendiário estaria, em princípio, correta.

IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com


numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado,
suprimido ou adulterado;

Este crime deve ser cotejado com o do inciso I. Naquele, o sujeito ativo é quem

suprime ou altera o sinal de identificação da arma de fogo. Já o inciso IV tipifica

conduta posterior à supressão ou adulteração.

Repare que o agente que for surpreendido portando arma com numeração

raspada, (mesmo que alegue que já a comprou nessa situação), terá praticado o crime

previsto no inciso IV do art.16.

21
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo,


acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente.

Este crime é doloso. O agente, de forma livre e consciente, faz chegar às mãos de
criança ou adolescente a arma de fogo, o acessório, a munição ou o explosivo, mesmo
que gratuitamente.

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), criança é pessoa até

doze anos de idade incompletos. Já o adolescente é a pessoa entre doze e dezoito

anos de idade7.

ATENÇÃO! O crime do art.16, V não se confunde com o crime previsto no caput do


art.13 (omissão de cautela). Neste último, a arma de fogo chega às mãos de pessoa
menor de 18 (dezoito) anos por descuido do agente (crime culposo).

PEGADINHA!

A doutrina aponta que o inciso V do art.16 do Estatuto do Desarmamento derrogou


(revogou parcialmente) o art.242 da Lei 8.069/90 (ECA), que tem a seguinte redação:

Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de


qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou
explosivo:

Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos

Como o inciso V do art.16 trata apenas de arma de fogo, considera-se que somente
a entrega de armas brancas (facas, machados, canivetes, etc.) à criança ou
adolescente é que, atualmente, configuraria o crime do art.242 do ECA.

Estudaremos o ECA nas próximas rodadas.

7
Art.2º da Lei n.º 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente) que será estudada em
rodadas a frente.
22
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de


qualquer forma, munição ou explosivo.

Este crime não oferece maiores dificuldades. Note, apenas, que as condutas

estão relacionadas, exclusivamente, à munição e a explosivos.

Comércio ilegal de arma de fogo

Comércio ilegal de arma de fogo

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter


em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à
venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no
.
exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo,
acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para


efeito deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação
ou comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.
.

O sujeito ativo deste crime é aquele que exerce atividade comercial, industrial

ou conduta equiparada (parágrafo único). Trata-se, portanto, de crime próprio.

Perceba que a atividade não precisa estar formalmente regularizada, podendo,

inclusive, ser o caso de negócio clandestino.

Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da


metade se for praticado por integrante dos órgãos e
empresas referidas nos art. 6o, 7o e 8o desta Lei
(voltaremos a este ponto adiante).

23
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

O objeto material deste tipo penal é arma de fogo, acessório ou munição, tanto
de uso permitido como restrito (repare que o tipo penal não faz qualquer restrição!).

ATENÇÃO! Caso a arma de fogo, o acessório ou a munição sejam uso proibido ou


restrito, a pena será aumentada da metade (art.19).

A consumação se dá com a prática de qualquer uma das condutas típicas,

independentemente da efetiva obtenção do proveito alheio ou próprio.

Este tipo também descreve múltiplas condutas (14 verbos típicos), de modo que

a prática de mais de uma delas, pelo mesmo agente, dentro do mesmo contexto fático,

configurará o cometimento de um único crime (ou seja, o agente não responderá pelo

concurso de crimes).

Tráfico internacional de arma de fogo

Tráfico internacional de arma de fogo

Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território


nacional, a qualquer título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem
autorização da autoridade competente:

Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

O sujeito ativo deste crime poderá ser qualquer pessoa. Ou seja, trata-se de

crime comum.

Ver art.20 - A pena deste crime é aumentada da


metade se for praticado por integrante dos órgãos e
empresas referidas nos art. 6o, 7o e 8o desta Lei
(voltaremos a este ponto adiante).

O objeto material deste tipo penal é arma de fogo, acessório ou munição, seja

24
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

de uso permitido ou restrito (o tipo penal não faz qualquer restrição).

ATENÇÃO! Caso a arma de fogo, o acessório ou a munição sejam uso proibido ou


restrito, a pena será aumentada da metade (art.19).

Perceba que entre as condutas típicas encontra-se o verbo “favorecer”. Logo,

aquele que favorecer a entrada ou saída do objeto material no território nacional não

responderá pelo crime na qualidade de partícipe8, mas sim como autor do crime.

A consumação se dá com a prática de qualquer das condutas típicas. No caso do

favorecimento, a conduta será punível independentemente da efetiva entrada ou

saída do material do território nacional. Basta que tenha sido praticado qualquer ato

que configure o favorecimento.

Não há necessidade de que a importação ou a exportação ocorram no exercício

de atividade comercial ou industrial, tal como previsto no art.17. Basta único ato de

importação ou exportação, sem a devida autorização da autoridade competente, para

que o crime esteja caracterizado.

Causas de aumento de pena

Os art.19 e 20 do Estatuto estabelecem causas de aumento de pena.

Basicamente, as causas de aumento são circunstâncias que, se presentes, fazem

com que incidam índices de soma ou multiplicação sobre a pena.

8
No concurso de pessoas, o agente que não comete nenhuma das condutas típicas,
mas que concorre, de alguma forma, para que estas sejam praticadas, responderá
pelo crime na qualidade de partícipe (art.29 do CP). Contudo, no caso do art.18 do
Estatuto do Desarmamento, o legislador tipificou também o “favorecimento”. Por essa
razão, aquele que “favorecer” a entrada ou saída responderá como autor do crime, e
não apenas como mero partícipe.
25
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada
da METADE se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido
ou restrito.

Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é
aumentada da METADE se forem praticados por integrante dos órgãos e
empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º desta Lei.

Os órgãos e empresas referidas nos arts. 6º, 7º e 8º do Estatuto são:

I – Forças armadas;

II – as “polícias” federais (Federal, Rodoviária federal, Ferroviária federal) e

estaduais (Civil, Militar), além dos corpos de bombeiros militares.

III e IV – Guardas municipais das capitais dos Estados e dos Municípios com mais de

50.000 (cinquenta mil) habitantes.

V – Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e Departamento de Segurança do

Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

VI – Polícias do Senado e da Câmara dos Deputados.

VII – Guardas prisionais, escoltas de presos e guardas portuárias.

VIII – as empresas de segurança privada e de transporte de valores constituídas.

IX – entidades de desporto legalmente constituídas, cujas atividades esportivas

demandem o uso de armas de fogo.

X - Receita Federal do Brasil (Auditor-Fiscal e Analista Tributário), além dos

Auditores-Fiscais do Trabalho.

XI - Tribunais do Poder Judiciário e os Ministérios Públicos da União e dos

Estados.

26
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Para facilitar a memorização das causas de aumento de pena, observe o

esquema abaixo:

CAUSA DE AUMENTO CRIME FRAÇÃO

Arma de fogo,
acessório ou
munição de uso  Comércio ilegal de arma de fogo. 1/2
proibido ou restrito.  Tráfico internacional de arma de fogo.

Crimes praticados  Comércio ilegal de arma de fogo.


por integrante dos
órgãos e empresas  Tráfico internacional de arma de fogo.
referidas nos art. 6º, 1/2
7º e 8º desta Lei +
(*).
 Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.

 Disparo de arma de fogo.

 Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso


restrito.

(*) Nessa causa de aumento de pena, ficam de fora apenas os crimes do art.12 (posse

ilegal) e art.13 (omissão de cautela).

Fiança e Liberdade Provisória

Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de


liberdade provisória. (Vide Adin 3.112-1)

27
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Este dispositivo foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento da ADIn

3.112-1, sob argumento que o legislador não poderia vedar, de antemão, a concessão

de liberdade provisória, sob pena de violação dos princípios constitucionais da ampla

defesa e do contraditório.

Ok, entendi. Mas o que devo guardar para nossa prova?

Com a declaração de inconstitucionalidade do art.21, e também dos parágrafos

únicos dos art.14 e 15 (já comentados anteriormente), todos os crimes previstos na Lei

n.º 10.826/03 passaram a ser suscetíveis de liberdade provisória, com ou sem fiança.

RESUMINDO! Em todos os crimes do Estatuto do Desarmamento, cabe fiança e

liberdade provisória. Isso, por óbvio, desde que atendidos os requisitos do Código de

Processo Penal.

Abolitio Criminis temporária

Art. 30. Os possuidores e proprietários de arma de fogo de uso


PERMITIDO ainda não registrada deverão solicitar seu registro até o dia
31 de dezembro de 2008, mediante apresentação de documento de
identificação pessoal e comprovante de residência fixa, acompanhados de
nota fiscal de compra ou comprovação da origem lícita da posse, pelos
meios de prova admitidos em direito, ou declaração firmada na qual
constem as características da arma e a sua condição de proprietário, ficando
este dispensado do pagamento de taxas e do cumprimento das demais
exigências constantes dos incisos I a III do caput do art. 4º desta Lei.

(Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)

28
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

(continuação)

Art. 32. Os possuidores e proprietários de arma de fogo poderão


entregá-la, espontaneamente, mediante recibo, e, presumindo-se de boa-fé,
serão indenizados, na forma do regulamento, ficando extinta a punibilidade
de eventual POSSE IRREGULAR da referida arma.

(Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)

De acordo com a redação original do art.30, os possuidores e proprietários de

armas de fogo não registradas deveriam, no prazo de 180 dias após a publicação da

Lei, solicitar o seu registro.

Em 2008, a Lei n.º 11.706 deu a esse dispositivo a redação atual, que passou a

contemplar apenas armas de fogo de uso permitido. E, finalmente, o prazo foi

prorrogado para 31/12/2009 pela Lei n.º 11.922/09.

Durante esse período, a Lei estabeleceu uma abolitio criminis9 que, por ser

limitada no tempo, foi chamada de temporária. Com essa medida o legislador

pretendeu “facilitar” a regularização das armas de uso permitido, sem que os seus

proprietários e possuidores fossem incriminados.

ATENÇÃO! A abolitio criminis não se aplicou para os crimes de porte (art.14 e

art.16).

Por fim, especificamente em relação à arma de fogo de uso permitido com

numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspados, suprimidos ou

adulterados, o STJ firmou o seguinte entendimento:

9
Ocorre quando uma nova lei descriminaliza uma conduta que, até então, era prevista
como crime. Veja o que dispõe o Art. 2º do Código Penal: Ninguém pode ser punido
por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela a
execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
29
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

JURISPRUDÊNCIA! Súmula 513/STJ - A 'abolitio criminis' temporária prevista na Lei n.

10.826/2003 aplica-se ao crime de POSSE de arma de fogo de uso PERMITIDO com

numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou

adulterado, praticado somente até 23/10/2005.

Esquematizando:

Abolitio criminis temporária (alcance)

Até 23/10/2005 24/10/2005 até 2009

 Posse de arma de uso permitido (art.12)  Posse de arma de uso


 Posse de arma de uso proibido (art.16). permitido (art.12), exceto
identificação raspada.

Os crimes de PORTE (art.14 e art.16) nunca foram alcançados pela Abolitio


criminis temporária.

VEJA COMO FOI COBRADO!

CESPE/2009 – PC/PB - Agente de Investigação e Agente de Polícia (adaptada)

Acerca do Estatuto do Desarmamento, julgue o item a seguir:

As condutas delituosas relacionadas ao porte e à posse de arma de fogo foram abarcadas


pela denominada abolitio criminis temporária, prevista na Lei n.º 10.826/2003.

Gabarito: Errado

Comentário: A abolitio criminis temporária prevista no Estatuto do Desarmamento, em


período algum, contemplou a conduta de porte.

30
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

b. Revisão 1 (questões)

1. CESPE/2016 – TRT/8ª Região - Analista Judiciário (adaptada)

O crime de porte ilegal de arma de fogo, classificado como delito de perigo

abstrato, não dispensa a prova pericial para estabelecer a sua eficiência na realização

de disparos, necessária para demonstrar o risco potencial à incolumidade física das

pessoas.

2. CESPE/2016 – PC/PE – Delegado de Polícia (adaptada)

Lucas, delegado de polícia de determinado estado da Federação, em dia de

folga, colidiu seu veículo contra outro veículo que estava parado em um sinal de

trânsito. Sem motivo justo, o delegado sacou sua arma de fogo e executou um disparo

para o alto. Imediatamente, Lucas foi abordado por autoridade policial que estava

próxima ao local onde ocorrera o fato. Nessa situação hipotética, a conduta de Lucas

poderá ser enquadrada como crime, com possibilidade de aumento de pena, devido

ao fato de ele ser delegado de polícia.

3. CESPE/2015 – TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada)

Júlio, detentor de porte de arma e proprietário de arma de fogo devidamente

registrada, vendeu para Tiago, de quatorze anos de idade, uma arma, devidamente

municiada, acompanhada do seu documento de registro. Nessa situação, ao permitir

que o adolescente se apoderasse da arma de fogo, Júlio praticou o delito de omissão

de cautela, previsto no Estatuto do Desarmamento.

31
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

4. CESPE/2015 – TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada)

Carlos foi preso em flagrante, durante o período de vigência da Lei n.º

10.826/2003 — prorrogada pela Lei n.º 11.922/2009 —, devido ao fato de a polícia ter

encontrado, em um armário de sua residência, uma arma de fogo de uso restrito.

Nessa situação, a conduta de Carlos caracterizou-se como atípica em razão da

incidência de abolitio criminis temporária.

5. CESPE/2015 – TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada)

André guardou em sua residência, de janeiro de 2015 até sua prisão em

flagrante, na presente data, uma arma de fogo de uso permitido, devidamente

municiada, mas com numeração de série suprimida. Nessa situação, André praticou o

crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido e, por isso, deve ser punido

com pena de detenção.

6. CESPE/2015 – STJ - Analista Judiciário – Área Administrativa

O ato de montar ou desmontar uma arma de fogo, munição ou um acessório de

uso restrito, sem autorização, no exercício de atividade comercial constitui crime de

comércio ilegal de arma de fogo, com a pena aumentada pela metade.

7. CESPE/2015 - MPU - Técnico do MPU - Segurança Institucional e Transporte

Se uma pessoa for flagrada portando um punhal que tenha mais de 12 cm e

dois gumes, ela poderá responder pelo crime de porte ilegal de arma, previsto no

Estatuto do Desarmamento.

32
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

8. CESPE/2014 - Câmara dos Deputados - Técnico Legislativo (adaptada)

O agente que atirar com um revólver em via pública no intuito de matar alguém

não responderá pelo crime de disparo de arma de fogo, mas tão somente pelo crime

que ele pretendia praticar, ou seja, crime doloso contra a vida.

9. CESPE/2014 - Câmara dos Deputados – Analista Legislativo

As armas de fogo de uso restrito devem ser registradas no órgão a que

pertencem.

10.CESPE/2014 – Polícia Federal – Agente Administrativo

Considere que, em uma briga de trânsito, Joaquim tenha sacado uma arma de

fogo e efetuado vários disparos contra Gilmar, com a intenção de matá-lo, e que

nenhum dos tiros tenha atingido o alvo. Nessa situação, Joaquim responderá tão

somente pela prática do crime de disparo de arma de fogo.

11.CESPE/2014 – Câmara dos Deputados – Analista Legislativo

Se um indivíduo que não possua porte de arma de fogo transportar, a pedido de

um amigo que possua o referido porte, munição de uma arma de fogo e, estando

sozinho nessas circunstâncias, for encontrado pela polícia, tal fato configurará crime

previsto em lei.

33
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

12.CESPE/2013 – PC/DF - Agente de Polícia

A conduta de uma pessoa que disparar arma de fogo, devidamente registrada e

com porte, em local ermo e desabitado será considerada atípica.

13.CESPE/2013 – PC/DPE – Defensor Público (adaptada)

Suponha que Lucas, maior, capaz, empregado de uma pedreira, seja abordado

por policiais militares, no trajeto para sua residência após o trabalho, sendo

encontrado em sua mochila um artefato explosivo conhecido como dinamite, sem a

devida autorização. Nesse caso, a conduta é atípica, uma vez que o estatuto prevê

apenas punição para o emprego de artefato explosivo sem autorização.

14.CESPE/2013 – TRF/5ª Região – Juiz Federal (adaptada)

Aquele que exerce a função de frentista em posto de combustíveis durante o

período noturno e possui certificado de registro de arma de fogo da qual é o legítimo

proprietário pode, sem incorrer em crime, mantê-la em seu local de trabalho, para

defesa pessoal.

15.CESPE/2013 – TRF/5ª Região – Juiz Federal (adaptada)

Modificar as características de uma arma de fogo, de forma a torná-la

equivalente a arma de fogo de uso restrito, constitui, por equiparação, crime de

comércio irregular de arma de fogo.

34
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

16.CESPE/2013 – Defensoria Pública/RR– Defensor Público (adaptada)

Constitui crime a omissão de cautela necessária para impedir o acesso de menor

ou deficiente mental a arma de fogo que esteja na posse ou propriedade do agente.

Incidirá agravante se a omissão for imputada a integrante das Forças Armadas, das

polícias ou a empregado de empresa de segurança privada.

17.CESPE/2012 – MPE/PI – Promotor de Justiça

O agente de segurança cuja arma seja furtada dentro do banco privado onde

trabalhe e que não registre ocorrência policial no prazo de vinte quatro horas estará

incurso no crime de omissão de cautela, previsto na Lei n. o 10.826/2003.

18.CESPE/2012 – Polícia Federal – Agente de Polícia Federal

Responderá pelo delito de omissão de cautela o proprietário ou o diretor

responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixar de registrar

ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal, nas primeiras vinte e quatro horas

depois de ocorrido o fato, a perda de munição que esteja sob sua guarda.

19.CESPE/2011 – PC/ES - Escrivão de Polícia

De acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o simples fato de

portar arma de fogo de uso permitido com numeração raspada viola o previsto no art.

16, da Lei n.º 10.826/2003, por se tratar de delito de mera conduta ou de perigo

abstrato, cujo objeto imediato é a segurança coletiva.

35
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

20.FUNCAB/2016 – PC/PA – Delegado (adaptada)

Entende-se como posse de arma de fogo a conduta de possuir ou manter arma

em casa ou local de trabalho, qualquer que seja ele, em desacordo com determinação

legal ou regulamentar.

36
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

c. Revisão 2 (questões)

21.FUNCAB/2016 – CODESA – Guarda Portuário (adaptada)

Há norma penal no Estatuto do Desarmamento tratando dos artefatos

explosivos, mas não dos incendiários.

22.IESES/2016 – TJ/PA – Titular de Serviços de Notas e Registros

A lei 10.826/03 (Lei do desarmamento), passou a tipificar a conduta consistente

em vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório,

munição ou explosivo a criança ou adolescente, derrogando disposição semelhante

prevista na Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente).

23.VUNESP/2015 – PC/CE - Escrivão de Polícia Civil

É cominada pena de detenção aos seguintes crimes da Lei n.º 10.826/03:

a) posse de arma de fogo de uso permitido e posse de arma de fogo de uso restrito.

b) disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido

c) posse irregular de arma de fogo de uso permitido e porte ilegal de arma de fogo de
uso permitido

d) posse irregular de arma de fogo de uso permitido e omissão de cautela.

e) disparo de arma de fogo e omissão de cautela.

24.VUNESP/2015 – PC/CE - Escrivão de Polícia Civil

37
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

O Estatuto do Desarmamento não pune o porte ou a posse de acessório ou

munição para armas de fogo.

25.FUNIVERSA/2015 – PC/DF – Perito Criminal

Quem vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo,

acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente, segundo o Estatuto do

Desarmamento, incide nas penas do crime de:

a) disparo de arma de fogo.

b) omissão de cautela.

c) porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.

d) posse irregular de arma de fogo de uso permitido.

e) posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

26.FUNCAB/2015 – PC/AC – Perito Criminal

O agente que importa ou exporta arma de fogo de uso permitido, sem

autorização da autoridade competente, comete o delito de contrabando.

27.UFPR/2014 – DPE/PR – Defensor Público (adaptada)

O crime de omissão de cautela (art. 13) se configura quando o possuidor ou

proprietário deixa de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 14

(quatorze) anos se apodere de arma de fogo.

38
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

28.FUNCAB/2014 – PC/RO– Delegado de Polícia

De acordo com a Lei n° 10.826/2003, Estatuto do Desarmamento, aquele que, em via

pública, porta arma de fogo de uso permitido com numeração suprimida responde:

a) como incurso nas penas do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido,

disposto no artigo 14 do referido Estatuto.

b) como incurso nas penas do crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso

restrito, disposto no artigo 16 do referido estatuto.

c) como incurso nas penas do crime de posse irregular de arma de fogo de uso

permitido, disposto no artigo 12 do referido Estatuto.

d) como incurso nas penas do crime de disparo de arma de fogo, disposto no artigo 15

do referido Estatuto.

e) como incurso nas penas do crime de omissão de cautela, disposto no artigo 13 do

referido Estatuto.

29.FCC/2014 – TRF/4ª Região – Técnico Judiciário

Em 2003, foi sancionado o Estatuto do Desarmamento que trouxe importantes

modificações na tipificação dos crimes relacionados com armas de fogo. Analisando-se

os crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, em havendo a utilização de armas

de fogo, acessórios ou munições de uso proibido ou restrito, terá a pena aumentada

da metade o crime de

a) suprimir ou alterar marca, numeração de arma de fogo.

b) omissão de cautela.

c) comércio ilegal de arma de fogo.

39
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

d) disparo de arma de fogo.

e) recarregar, sem autorização legal, de qualquer forma, munição ou explosivo.

30.IBFC/2013 – PC/RJ – Oficial de Cartório (adaptada)

O porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é crime inafiançável, salvo

quando a arma estiver registrada em nome do agente.

40
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

d. Revisão 3 (mapas mentais)

O Estatuto do Desarmamento trata apenas de armas de fogo, e não das chamadas


armas brancas (facas, machados, martelos, canivetes, etc.).

Certificado de REGISTRO, então, é o documento que autoriza o proprietário da


arma de fogo a mantê-la exclusivamente no interior de sua RESIDÊNCIA ou
domicílio, ou dependência desses, ou, ainda, no seu LOCAL DE TRABALHO, desde
que seja ele o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa.

Crime Lugar do Crime

POSSE IRREGULAR Casa e local de trabalho, desde que o agente seja


(uso permitido, art.12) o titular ou o responsável legal pelo
estabelecimento.

PORTE ILEGAL Fora dos locais e condições acima indicados


(uso permitido, art.14)

O crime do art.16, V não se confunde com o crime previsto no caput do art.13


(omissão de cautela). Neste último, a arma de fogo chega às mãos de pessoa
menor de 18 (dezoito) anos por descuido do agente (crime culposo).

CAUSA DE AUMENTO CRIME FRAÇÃO

Arma de fogo,
acessório ou munição

41
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

de uso proibido ou  Comércio ilegal de arma de fogo. 1/2


restrito.
 Tráfico internacional de arma de fogo.

Crimes praticados por  Comércio ilegal de arma de fogo.


integrante dos órgãos
e empresas referidas  Tráfico internacional de arma de fogo.
nos art. 6º, 7º e 8º 1/2
desta Lei (*). +
 Porte ilegal de arma de fogo de uso
permitido.

 Disparo de arma de fogo.

 Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso


restrito.

Aos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido (art.12) e de


omissão de cautela (art.13) são cominadas penas de detenção.

A TODOS os demais crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, a pena


cominada é reclusão.

Abolitio criminis temporária (alcance)

Até 23/10/2005 24/10/2005 até 2009

 Posse de arma de uso permitido (art.12)  Posse de arma de uso


 Posse de arma de uso proibido (art.16). permitido (art.12), exceto
identificação raspada.

Os crimes de PORTE (art.14 e art.16) nunca foram alcançados pela Abolitio criminis
temporária.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

e. Normas utilizadas (Lei n.º 10.826/03)

DO SISTEMA NACIONAL DE ARMAS

Art. 1o O Sistema Nacional de Armas – Sinarm, instituído no Ministério da

Justiça, no âmbito da Polícia Federal, tem circunscrição em todo o território nacional.

Art. 2o Ao Sinarm compete:

I – identificar as características e a propriedade de armas de fogo,

mediante cadastro;

II – cadastrar as armas de fogo produzidas, importadas e vendidas no País;

III – cadastrar as autorizações de porte de arma de fogo e as renovações

expedidas pela Polícia Federal;

IV – cadastrar as transferências de propriedade, extravio, furto, roubo e

outras ocorrências suscetíveis de alterar os dados cadastrais, inclusive as decorrentes

de fechamento de empresas de segurança privada e de transporte de valores;

V – identificar as modificações que alterem as características ou o

funcionamento de arma de fogo;

VI – integrar no cadastro os acervos policiais já existentes;

VII – cadastrar as apreensões de armas de fogo, inclusive as vinculadas a

procedimentos policiais e judiciais;

VIII – cadastrar os armeiros em atividade no País, bem como conceder

licença para exercer a atividade;

IX – cadastrar mediante registro os produtores, atacadistas, varejistas,

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

exportadores e importadores autorizados de armas de fogo, acessórios e munições;

X – cadastrar a identificação do cano da arma, as características das

impressões de raiamento e de microestriamento de projétil disparado, conforme

marcação e testes obrigatoriamente realizados pelo fabricante;

XI – informar às Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito

Federal os registros e autorizações de porte de armas de fogo nos respectivos

territórios, bem como manter o cadastro atualizado para consulta.

Parágrafo único. As disposições deste artigo não alcançam as armas de fogo

das Forças Armadas e Auxiliares, bem como as demais que constem dos seus registros

próprios.

DO REGISTRO

Art. 3o É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão competente.

Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas no

Comando do Exército, na forma do regulamento desta Lei.

Art. 5o O certificado de Registro de Arma de Fogo, com validade em todo o

território nacional, autoriza o seu proprietário a manter a arma de fogo

exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses,

ou, ainda, no seu local de trabalho, desde que seja ele o titular ou o responsável

legal pelo estabelecimento ou empresa.

§ 1o O certificado de registro de arma de fogo será expedido pela Polícia

Federal e será precedido de autorização do Sinarm.

DO PORTE

Art. 6o É proibido o porte de arma de fogo em todo o território nacional,

salvo para os casos previstos em legislação própria e para:


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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

I – os integrantes das Forças Armadas;

II – os integrantes de órgãos referidos nos incisos do caput do art. 144 da

Constituição Federal;

III – os integrantes das guardas municipais das capitais dos Estados e dos

Municípios com mais de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, nas condições

estabelecidas no regulamento desta Lei;

IV - os integrantes das guardas municipais dos Municípios com mais de

50.000 (cinqüenta mil) e menos de 500.000 (quinhentos mil) habitantes, quando em

serviço;

V – os agentes operacionais da Agência Brasileira de Inteligência e os

agentes do Departamento de Segurança do Gabinete de Segurança Institucional da

Presidência da República;

VI – os integrantes dos órgãos policiais referidos no art. 51, IV, e no art. 52,

XIII, da Constituição Federal;

VII – os integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais, os

integrantes das escoltas de presos e as guardas portuárias;

VIII – as empresas de segurança privada e de transporte de valores

constituídas, nos termos desta Lei;

IX – para os integrantes das entidades de desporto legalmente constituídas,

cujas atividades esportivas demandem o uso de armas de fogo, na forma do

regulamento desta Lei, observando-se, no que couber, a legislação ambiental.

X - integrantes das Carreiras de Auditoria da Receita Federal do Brasil e de

Auditoria-Fiscal do Trabalho, cargos de Auditor-Fiscal e Analista Tributário.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

XI - os tribunais do Poder Judiciário descritos no art. 92 da Constituição Federal e

os Ministérios Públicos da União e dos Estados, para uso exclusivo de servidores de

seus quadros pessoais que efetivamente estejam no exercício de funções de

segurança, na forma de regulamento a ser emitido pelo Conselho Nacional de Justiça -

CNJ e pelo Conselho Nacional do Ministério Público - CNMP.

Art. 7o (...).

§ 1o O proprietário ou diretor responsável de empresa de segurança

privada e de transporte de valores responderá pelo crime previsto no parágrafo

único do art. 13 desta Lei, sem prejuízo das demais sanções administrativas e civis, se

deixar de registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto,

roubo ou outras formas de extravio de armas de fogo, acessórios e munições que

estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de ocorrido o

fato.

DOS CRIMES E DAS PENAS

Posse irregular de arma de fogo de uso permitido

Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou

munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar,

no interior de sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho,

desde que seja o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa:

Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Omissão de cautela

Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor

de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma

de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade:

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor

responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de

registrar ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou

outras formas de extravio de arma de fogo, acessório ou munição que estejam sob sua

guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de ocorrido o fato.

Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido

Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,

transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter

sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem

autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando

a arma de fogo estiver registrada em nome do agente. (Vide Adin 3.112-1)

Disparo de arma de fogo

Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou

em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não

tenha como finalidade a prática de outro crime:

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável. (Vide Adin

3.112-1)

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter

sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou

restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:

I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação

de arma de fogo ou artefato;

II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la

equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de

qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz;

III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário,

sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar;

IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com

numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou

adulterado;

V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo,

acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e

VI – produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de

qualquer forma, munição ou explosivo.

Comércio ilegal de arma de fogo

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em

depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de

qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

comercial ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em

desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito

deste artigo, qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio

irregular ou clandestino, inclusive o exercido em residência.

Tráfico internacional de arma de fogo

Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território

nacional, a qualquer título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização

da autoridade competente:

Pena – reclusão de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da

metade se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.

Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é

aumentada da metade se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas

referidas nos arts. 6o, 7o e 8o desta Lei.

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de

liberdade provisória. (Vide Adin 3.112-1)

Art. 27. Caberá ao Comando do Exército autorizar, excepcionalmente, a

aquisição de armas de fogo de uso restrito.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

f. Gabarito

1 2 3 4 5

E C E E E

6 7 8 9 10

C E C E E

11 12 13 14 15

C C E E E

16 17 18 19 20

E E C C E

21 22 23 24 25

E C Letra D E Letra E

26 27 28 29 30

E E Letra B Letra C E

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

g. Breves comentários às questões:

1. CESPE/2016 – TRT/8ª Região - Analista Judiciário (adaptada)

O crime de porte ilegal de arma de fogo, classificado como delito de perigo

abstrato, não dispensa a prova pericial para estabelecer a sua eficiência na realização

de disparos, necessária para demonstrar o risco potencial à incolumidade física das

pessoas.

Comentário:

A jurisprudência do STF e do STJ é no sentido que o exame pericial não é

imprescindível (logo, é dispensável) para caracterização do porte ilegal de arma de fogo

(art.14), justamente por se tratar de crime de perigo abstrato. Basta apenas a prática do

ato de levar a arma consigo para a consumação do delito. Não há necessidade de prova do

risco, já que este é presumido.

Gabarito: Errado

2. CESPE/2016 – PC/PE – Delegado de Polícia (adaptada)

Lucas, delegado de polícia de determinado estado da Federação, em dia de

folga, colidiu seu veículo contra outro veículo que estava parado em um sinal de

trânsito. Sem motivo justo, o delegado sacou sua arma de fogo e executou um disparo

para o alto. Imediatamente, Lucas foi abordado por autoridade policial que estava

próxima ao local onde ocorrera o fato. Nessa situação hipotética, a conduta de Lucas

poderá ser enquadrada como crime, com possibilidade de aumento de pena, devido

ao fato de ele ser delegado de polícia.

Comentário:

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Questão simples, mas que exigiu “visão de jogo” do candidato!

A conduta praticada pelo delegado está prevista no art.15 do Estatuto do

Desarmamento (disparo de arma de fogo, em via pública). O aumento de pena está previsto

no art.20:

Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é

aumentada da metade se forem praticados por integrante dos órgãos e

empresas referidas nos arts. 6o, 7o e 8o desta Lei.

Já o art.20 faz referência ao art.6º:

Art. 6o É proibido o porte de arma de fogo em todo o território

nacional, salvo para os casos previstos em legislação própria e para:

(...)

II – os integrantes de órgãos referidos nos incisos do caput do art. 144

da Constituição Federal;

Por fim, o art.20 faz referência à Constituição da República:

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e

responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem

pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos

seguintes órgãos:

I - polícia federal;

II - polícia rodoviária federal;

III - polícia ferroviária federal;

IV - polícias civis;

V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

Gabarito: Certo
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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

3. CESPE/2015 – TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada)

Júlio, detentor de porte de arma e proprietário de arma de fogo devidamente

registrada, vendeu para Tiago, de quatorze anos de idade, uma arma, devidamente

municiada, acompanhada do seu documento de registro. Nessa situação, ao permitir

que o adolescente se apoderasse da arma de fogo, Júlio praticou o delito de omissão

de cautela, previsto no Estatuto do Desarmamento.

Comentário:

Trata-se do crime previsto no inciso V do parágrafo único do art.16 do Estatuto:

“vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório, munição

ou explosivo a criança ou adolescente”. Neste, o agente, de forma livre e consciente, faz

chegar às mãos de criança ou adolescente o objeto material do crime (arma de fogo,

acessório, munição ou explosivo).

Não se confunde com o crime previsto no art.13 do Estatuto do Desarmamento

(omissão de cautela), posto que lá o objeto chega às mãos de pessoa menor de 18 (dezoito)

anos por descuido do agente (crime culposo). Não foi esse o caso narrado no enunciado.

Gabarito: Errado

4. CESPE/2015 – TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada)

Carlos foi preso em flagrante, durante o período de vigência da Lei n.º

10.826/2003 — prorrogada pela Lei n.º 11.922/2009 —, devido ao fato de a polícia ter

encontrado, em um armário de sua residência, uma arma de fogo de uso restrito.

Nessa situação, a conduta de Carlos caracterizou-se como atípica em razão da

incidência de abolitio criminis temporária.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Comentário:

Parece difícil, ....mas não é! Notou o tipo de arma de fogo?

A abolitio criminis temporária, durante o período de vigência prorrogada pela Lei n.º

11.922/2009 (até 31/12/2009), alcançou apenas o crime de posse de arma de uso permitido

(art.12), exceto quando com a identificação raspada. Note que o enunciado da questão faz

referência à arma de fogo de uso restrito, o que a torna errada.

Gabarito: Errado

5. CESPE/2015 – TJ/DFT - Juiz de Direito Substituto (adaptada)

André guardou em sua residência, de janeiro de 2015 até sua prisão em

flagrante, na presente data, uma arma de fogo de uso permitido, devidamente

municiada, mas com numeração de série suprimida. Nessa situação, André praticou o

crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido e, por isso, deve ser punido

com pena de detenção.

Comentário:

A arma estava com a numeração de série suprimida. Logo, o crime cometido é o

previsto no art.16, IV, do Estatuto, bem mais grave que o do art.12 (posse irregular de arma

de fogo de uso permitido).

Gabarito: Errado

6. CESPE/2015 – STJ - Analista Judiciário – Área Administrativa

O ato de montar ou desmontar uma arma de fogo, munição ou um acessório de

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

uso restrito, sem autorização, no exercício de atividade comercial constitui crime de

comércio ilegal de arma de fogo, com a pena aumentada pela metade.

Comentário:

O art.17 do Estatuto do Desarmamento assim dispõe:

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar,

ter em depósito, desmontar, montar, remontar, adulterar, vender,

expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio

ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma

de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo

com determinação legal ou regulamentar:

Perceba que, entre os verbos típicos, encontram-se “montar” e “desmontar”,

narrados no enunciado. Também consta do enunciado que a arma de

fogo/munição/acessório seria de uso restrito.

Pois bem. O art.17 do Estatuto do Desarmamento estabelece causas de aumento de

pena:

Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada

da metade se a arma de fogo, acessório ou munição forem de uso

proibido ou restrito.

Conjugando-se os art.17 e 19, conclui-se que, de fato, a montagem ou desmontagem

de arma de fogo/munição/acessório, sem autorização, no exercício de atividade comercial,

constitui crime de comércio ilegal, cuja pena será aumentada pela metade.

Gabarito: Certo

7. CESPE/2015 - MPU - Técnico do MPU - Segurança Institucional e Transporte


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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Se uma pessoa for flagrada portando um punhal que tenha mais de 12 cm e

dois gumes, ela poderá responder pelo crime de porte ilegal de arma, previsto no

Estatuto do Desarmamento.

Comentário:

O Estatuto do Desarmamento trata apenas de armas de fogo, e não das chamadas

armas brancas (facas, machados, martelos, canivetes, punhais, etc.).

Gabarito: Errado

8. CESPE/2014 - Câmara dos Deputados - Técnico Legislativo (adaptada)

O agente que atirar com um revólver em via pública no intuito de matar alguém

não responderá pelo crime de disparo de arma de fogo, mas tão somente pelo crime

que ele pretendia praticar, ou seja, crime doloso contra a vida.

Comentário:

O crime de disparo de arma de fogo (art.15) é subsidiário (veja a redação do tipo:

“(...) desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime.”).

Isso significa que o crime do art.15 somente estará caracterizado caso o

disparo/acionamento não tenha por finalidade a prática de outro crime. Do contrário,

aplica-se o princípio da consunção, ficando o crime menos grave (no caso, o disparo do

art.15) absorvido pelo de maior gravidade. Na hipótese narrada no enunciado, o disparo

teve por finalidade cometer um homicídio. Logo, o disparo será absorvido por esse.

Gabarito: Certo

9. CESPE/2014 - Câmara dos Deputados – Analista Legislativo


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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

As armas de fogo de uso restrito devem ser registradas no órgão a que

pertencem.

Comentário:

As armas de fogo de uso restrito devem ser registradas no Comando do Exército, e

não no órgão a que pertençam (art.3º do Estatuto).

Art. 3o É obrigatório o registro de arma de fogo no órgão

competente.

Parágrafo único. As armas de fogo de uso restrito serão registradas

no Comando do Exército, na forma do regulamento desta Lei. (...)

Gabarito: Errado

10.CESPE/2014 – Polícia Federal – Agente Administrativo

Considere que, em uma briga de trânsito, Joaquim tenha sacado uma arma de

fogo e efetuado vários disparos contra Gilmar, com a intenção de matá-lo, e que

nenhum dos tiros tenha atingido o alvo. Nessa situação, Joaquim responderá tão

somente pela prática do crime de disparo de arma de fogo.

Comentário:

No caso, o disparo de arma de fogo teve por finalidade a prática de outro crime

(homicídio). Logo, aplica-se o princípio da consunção, ficando o crime menos grave (no

caso, o disparo do art.15) absorvido pelo de maior gravidade, o homicídio, na modalidade

tentada (art.121 do CP).

Gabarito: Errado

11.CESPE/2014 – Câmara dos Deputados – Analista Legislativo


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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Se um indivíduo que não possua porte de arma de fogo transportar, a pedido de

um amigo que possua o referido porte, munição de uma arma de fogo e, estando

sozinho nessas circunstâncias, for encontrado pela polícia, tal fato configurará crime

previsto em lei.

Comentário:

O porte de arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem

autorização, configura o crime do art.14 do Estatuto.

Gabarito: Certo

12.CESPE/2013 – PC/DF - Agente de Polícia

A conduta de uma pessoa que disparar arma de fogo, devidamente registrada e

com porte, em local ermo e desabitado será considerada atípica.

Comentário:

De acordo com o art. 15 do Estatuto do Desarmamento, disparar arma de fogo é fato

típico se efetuado em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção

a ela. E mesmo assim, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de

outro crime. No caso, o disparo foi efetuado em local ermo e desabitado, o que afasta a

tipicidade.

Perceba que o examinador foi cuidadoso ao informar que se tratava de arma de foto

registrada e com porte. Do contrário, poder-se-ia argumentar que a conduta seria típica em

razão do porte ilegal (art.14 ou art.16).

Gabarito: Certo.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

13. CESPE/2013 – PC/DPE – Defensor Público (adaptada)

Suponha que Lucas, maior, capaz, empregado de uma pedreira, seja abordado

por policiais militares, no trajeto para sua residência após o trabalho, sendo

encontrado em sua mochila um artefato explosivo conhecido como dinamite, sem a

devida autorização. Nesse caso, a conduta é atípica, uma vez que o estatuto prevê

apenas punição para o emprego de artefato explosivo sem autorização.

Comentário:

A questão está errada porque não apenas o emprego, mas também a posse do

artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação

legal ou regulamentar, configuram crime previsto no Estatuto (art.16, parágrafo único, III).

Gabarito: Errado.

14. CESPE/2013 – TRF/5ª Região – Juiz Federal (adaptada)

Aquele que exerce a função de frentista em posto de combustíveis durante o

período noturno e possui certificado de registro de arma de fogo da qual é o legítimo

proprietário pode, sem incorrer em crime, mantê-la em seu local de trabalho, para

defesa pessoal.

Comentário:

O Certificado de registro autoriza o proprietário da arma de fogo a mantê-la

exclusivamente no interior de sua residência ou domicílio, ou dependência desses, ou,

ainda, no seu LOCAL DE TRABALHO, desde que seja ele o titular ou o responsável legal pelo

estabelecimento ou empresa. Não é o caso do frentista do posto.

Gabarito: Errado.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

15. CESPE/2013 – TRF/5ª Região – Juiz Federal (adaptada)

Modificar as características de uma arma de fogo, de forma a torná-la

equivalente a arma de fogo de uso restrito, constitui, por equiparação, crime de

comércio irregular de arma de fogo.

Comentário:

A modificação descrita no enunciado constitui, por equiparação, crime de posse ou

porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (art.16, parágrafo único, II). Veja:

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em

depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar,

remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo,

acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em

desacordo com determinação legal ou regulamentar: (...)

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: (...)

II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la

equivalente a arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de

dificultar ou de qualquer modo induzir a erro autoridade policial, perito

ou juiz;

Gabarito: Errado.

16. CESPE/2013 – Defensoria Pública/RR– Defensor Público (adaptada)

Constitui crime a omissão de cautela necessária para impedir o acesso de menor

ou deficiente mental a arma de fogo que esteja na posse ou propriedade do agente.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Incidirá agravante se a omissão for imputada a integrante das Forças Armadas, das

polícias ou a empregado de empresa de segurança privada.

Comentário:

O erro do enunciado está no agravante. Lembre-se que o crime de omissão de

cautela (art.13) não está contemplado no rol do art.20.

Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é

aumentada da metade se forem praticados por integrante dos órgãos e

empresas referidas nos arts. 6o, 7o e 8º desta Lei.

Gabarito: Errado.

17.CESPE/2012 – MPE/PI – Promotor de Justiça

O agente de segurança cuja arma seja furtada dentro do banco privado onde

trabalhe e que não registre ocorrência policial no prazo de vinte quatro horas estará

incurso no crime de omissão de cautela, previsto na Lei n. o 10.826/2003.

Comentário:

Essa até poderia gerar alguma dúvida. Note bem: a responsabilidade pela

comunicação não é do agente de segurança, mas sim do proprietário ou diretor

responsável de empresa de segurança (art. 13, parágrafo, único, do Estatuto).

Gabarito: Errado.

18.CESPE/2012 – Polícia Federal – Agente de Polícia Federal

Responderá pelo delito de omissão de cautela o proprietário ou o diretor

61
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

responsável de empresa de segurança e transporte de valores que deixar de registrar

ocorrência policial e de comunicar à Polícia Federal, nas primeiras vinte e quatro horas

depois de ocorrido o fato, a perda de munição que esteja sob sua guarda.

Comentário:

Questão bem simples. Aplicação direta do art.7º§ 1º, combinado com o art.13 do

Estatuto:

Art. 7o § 1o O proprietário ou diretor responsável de empresa de

segurança privada e de transporte de valores responderá pelo crime

previsto no parágrafo único do art. 13 desta Lei, sem prejuízo das

demais sanções administrativas e civis, se deixar de registrar ocorrência

policial e de comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras

formas de extravio de armas de fogo, acessórios e munições que estejam

sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte e quatro) horas depois de

ocorrido o fato.

Gabarito: Certo.

19.CESPE/2011 – PC/ES - Escrivão de Polícia

De acordo com entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o simples fato de

portar arma de fogo de uso permitido com numeração raspada viola o previsto no art.

16, da Lei n.º 10.826/2003, por se tratar de delito de mera conduta ou de perigo

abstrato, cujo objeto imediato é a segurança coletiva.

Comentário:

No caso, a violação se dá ao inciso IV do parágrafo único do art.16. Trata-se de crime

de perigo presumido ou abstrato.

62
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

A dúvida que a questão poderia provocar reside no fato que o enunciado se refere à

arma de uso permitido. Contudo, vimos que a doutrina majoritária (e a jurisprudência dos

tribunais superiores), entende que os incisos do parágrafo único do art.16 são tipos penais

autônomos em relação ao caput. Por esta razão, os incisos se referem não apenas às

armas de uso restrito, mas também às de uso PERMITIDO, como é o caso da questão.

Gabarito: Certo.

20. FUNCAB/2016 – PC/PA – Delegado (adaptada)

Entende-se como posse de arma de fogo a conduta de possuir ou manter arma

em casa ou local de trabalho, qualquer que seja ele, em desacordo com determinação

legal ou regulamentar.

Comentário:

O enunciado está incompleto. Conforme já visto acima (art.5º), o registro da arma no

órgão competente autoriza seu proprietário a mantê-la no seu local de trabalho, desde que

seja o titular ou o responsável legal pelo estabelecimento ou empresa.

Gabarito: Errado

21. FUNCAB/2016 – CODESA – Guarda Portuário (adaptada)

Há norma penal no Estatuto do Desarmamento tratando dos artefatos

explosivos, mas não dos incendiários.

Comentário:

O Estatuto trata dos artefatos incendiários como conduta equiparada (“nas mesmas

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

penas incorre quem”) ao crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

(art.16, parágrafo único, III).

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em

depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar,

remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo,

acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em

desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: (...)

III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou

incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal

ou regulamentar;

Gabarito: Errado

22.IESES/2016 – TJ/PA – Titular de Serviços de Notas e Registros

A lei 10.826/03 (Lei do desarmamento), passou a tipificar a conduta consistente

em vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório,

munição ou explosivo a criança ou adolescente, derrogando disposição semelhante

prevista na Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Comentário:

O art.16, V, do Estatuto do Desarmamento derrogou (revogou parcialmente) o

art.242 da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA). Veja os dispositivos:

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em

depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar,

remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo,

acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e

em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: (...)

V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de

fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e

ECA

Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de

qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou

explosivo:

Gabarito: Certo

23. VUNESP/2015 – PC/CE - Escrivão de Polícia Civil

É cominada pena de detenção aos seguintes crimes da Lei n.º 10.826/03:

a) posse de arma de fogo de uso permitido e posse de arma de fogo de uso restrito.

b) disparo de arma de fogo e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido

c) posse irregular de arma de fogo de uso permitido e porte ilegal de arma de fogo de
uso permitido

d) posse irregular de arma de fogo de uso permitido e omissão de cautela.

e) disparo de arma de fogo e omissão de cautela.

Comentário:

65
LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Essa questão exige memorização do candidato. Contudo, tal tarefa pode ser

facilitada se notarmos que, dentre os crimes tipificados no Estatuto, não é difícil visualizar

que a posse irregular de arma permitida (art.12) e a omissão de cautela (art.13, caput e a

conduta equiparada prevista em seu parágrafo único) “parecem” ser os de menor potencial

lesivo. Daí a cominação de pena mais branda que, no caso, é a detenção.

Aos crimes de posse irregular de arma de fogo de uso

permitido (art.12) e de omissão de cautela (art.13, caput e

parágrafo único) são cominadas penas de detenção.

A todos os demais crimes previstos no Estatuto do

Desarmamento, a pena cominada é reclusão.

Gabarito: D

24. VUNESP/2015 – PC/CE - Escrivão de Polícia Civil

O Estatuto do Desarmamento não pune o porte ou a posse de acessório ou

munição para armas de fogo.

Comentário:

O porte ou a posse de acessório ou munição são objeto de crimes previstos no

Estatuto (art.12, 14 e 16).

Gabarito: Errado

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

25.FUNIVERSA/2015 – PC/DF – Perito Criminal

Quem vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo,

acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente, segundo o Estatuto do

Desarmamento, incide nas penas do crime de:

a) disparo de arma de fogo.

b) omissão de cautela.

c) porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.

d) posse irregular de arma de fogo de uso permitido.

e) posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

Comentário:

Art.16, V do Estatuto. Lembre-se que esta é uma conduta “equiparada” ao crime de

“posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito“.

Neste crime, o agente, de forma livre e consciente, faz chegar às mãos de criança ou

adolescente a arma de fogo, o acessório, a munição ou o explosivo, mesmo que

gratuitamente.

Gabarito: Letra “E”

26.FUNCAB/2015 – PC/AC – Perito Criminal

O agente que importa ou exporta arma de fogo de uso permitido, sem

autorização da autoridade competente, comete o delito de contrabando.

Comentário:

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Quem importa ou exporta arma de fogo (seja de uso permitido ou restrito), acessório

ou munição, sem autorização da autoridade competente, pratica tráfico internacional de

arma de fogo (art.18), e não contrabando.

Lembrar: caso a arma de fogo, o acessório ou a munição sejam uso proibido ou

restrito, a pena será aumentada da metade (art.19).

Gabarito: Errado

27.UFPR/2014 – DPE/PR – Defensor Público (adaptada)

O crime de omissão de cautela (art. 13) se configura quando o possuidor ou

proprietário deixa de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 14

(quatorze) anos se apodere de arma de fogo.

Comentário:

Art.13 do Estatuto:

Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que

menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência

mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que

seja de sua propriedade

Gabarito: Errado

28.FUNCAB/2014 – PC/RO– Delegado de Polícia

De acordo com a Lei n° 10.826/2003, Estatuto do Desarmamento, aquele que, em via

pública, porta arma de fogo de uso permitido com numeração suprimida responde:

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

a) como incurso nas penas do crime de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido,

disposto no artigo 14 do referido Estatuto.

b) como incurso nas penas do crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso

restrito, disposto no artigo 16 do referido estatuto.

c) como incurso nas penas do crime de posse irregular de arma de fogo de uso

permitido, disposto no artigo 12 do referido Estatuto.

d) como incurso nas penas do crime de disparo de arma de fogo, disposto no artigo 15

do referido Estatuto.

e) como incurso nas penas do crime de omissão de cautela, disposto no artigo 13 do

referido Estatuto.

Comentário:

A conduta narrada no enunciado, que está prevista no art.16, IV do Estatuto, é

equiparada ao crime previsto no caput do mesmo artigo:

Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em

depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar,

remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo,

acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em

desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:

IV – portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com

numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado,

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

suprimido ou adulterado;

Gabarito: Letra “B”

29.FCC/2014 – TRF/4ª Região – Técnico Judiciário

Em 2003, foi sancionado o Estatuto do Desarmamento que trouxe importantes

modificações na tipificação dos crimes relacionados com armas de fogo. Analisando-se

os crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, em havendo a utilização de armas

de fogo, acessórios ou munições de uso proibido ou restrito, terá a pena aumentada

da metade o crime de:

a) suprimir ou alterar marca, numeração de arma de fogo.

b) omissão de cautela.

c) comércio ilegal de arma de fogo.

d) disparo de arma de fogo.

e) recarregar, sem autorização legal, de qualquer forma, munição ou explosivo.

Comentário:

Lembre-se no nosso esquema:

CAUSA DE AUMENTO CRIME FRAÇÃO

Arma de fogo,
acessório ou munição
de uso proibido ou  Comércio ilegal de arma de fogo. 1/2
restrito.  Tráfico internacional de arma de fogo.

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LEGISLAÇÃO ESPECIAL

Crimes praticados por  Comércio ilegal de arma de fogo.


integrante dos órgãos
e empresas referidas  Tráfico internacional de arma de fogo.
nos art. 6º, 7º e 8º 1/2
desta Lei (*). +
 Porte ilegal de arma de fogo de uso
permitido.

 Disparo de arma de fogo.

 Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso


restrito.

Gabarito: Letra “C”

30.IBFC/2013 – PC/RJ – Oficial de Cartório (adaptada)

O porte ilegal de arma de fogo de uso permitido é crime inafiançável, salvo

quando a arma estiver registrada em nome do agente.

Comentário:

Com a declaração de inconstitucionalidade do art.21, e também dos parágrafos

únicos dos art.14 e 15, todos os crimes previstos na Lei n.º 10.826/03 passaram a ser

suscetíveis de fiança.

Gabarito: Errado

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