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APLICAÇÕES DO CO2 NO SETOR DE REFRIGERAÇÃO

COMERCIAL PARA SUPERMERCADOS

EDUARDO ALMEIDA ALESSANDRO DA SILVA


eduardo.almeida@bitzer.com.br aplicacao@bitzer.com.br

Bitzer Compressores Ltda – Av. João Paulo Ablas, 777 – Jd da Glória – Cotia – São Paulo

RESUMO
Devido à conscientização mundial referente aos assuntos ambientais, tais como o Aquecimento
Global (Efeito Estufa), o CO2 está sendo adotado cada vez mais como um refrigerante
ecologicamente correto, sendo um dos alternativos aos refrigerantes sintéticos convencionais (H)
CFC’s e HFC’s usados atualmente nos sistemas de refrigeração.

Graças as suas características ambientalmente satisfatórias, baixa toxidade e propriedades termo-


físicas favoráveis em operação subcrítica, o Dióxido de Carbono (R744) está progressivamente
sendo considerado um fluido refrigerante preferido para aplicação em sistema cascata para média e
baixa temperatura de evaporação nas instalações frigoríficas de supermercados.
Em comparação com outros sistemas convencionais utilizados nessas aplicações, a elevada
capacidade volumétrica de refrigeração do CO2 permite uma redução significativa do custo dos
compressores, da tubulação e da carga de refrigerante do sistema frigorífico. Mesmo sendo
aplicado em maiores solicitações de carga térmica, o potencial do CO2 resulta na utilização de
compressores de tamanhos normalmente encontrados em aplicações comerciais e industriais de
pequeno, médio e grande porte.
Por outro lado, sua elevada pressão de trabalho e mesmo quando o equipamento está parado,
exigirá que o projeto da instalação e das medidas de segurança sejam feitos com critério especial.
Este trabalho trata das propriedades termodinâmicas do CO2, seu uso como refrigerante, dos
componentes frigoríficos disponíveis atualmente e em particular, com maior atenção, das
aplicações dos compressores semi-herméticos utilizados na condição subcrítica com CO2 no setor
de refrigeração comercial para supermercados.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 1
INTRODUÇÃO
Após sua pequena importância no setor de refrigeração durante várias décadas, o CO2 volta a ter
suas aplicações re-descobertas principalmente por motivo ecológico. Ultimamente uma série de
sistemas cascata com CO2 em operação subcrítica têm sido empregados em instalações comerciais
de supermercados na Europa e Austrália. O CO2 tem propriedades termo-físicas favoráveis para
este tipo de aplicação, também é quimicamente inerte, não é inflamável e somente é prejudicial à
saúde em altas concentrações.

1 - PROPRIEDADES TERMODINÂMICAS DO CO2

1.1 Pressões de trabalho


A principal característica que condicionará o projeto de uma instalação com CO2 são as elevadas
pressões às que opera o sistema de refrigeração. Comparando o CO2 com outros refrigerantes
utilizados atualmente no campo da refrigeração comercial e industrial, observa-se que a pressão de
saturação deste está muito acima das faixas de temperaturas de qualquer outro refrigerante,
especialmente nas de condensação. (Figura 1.1)

80

70
Temperatura crítica 31.06°C

60
Pressão [bar]

50

CO2
40

30
R404A
20
R22
10

0
-60 -40 -20 0 20 40 60 80

Temperatura [°C]
Figura 1.1: Pressão de saturação em função da temperatura de saturação.

Por que, de acordo com o tipo de refrigerante, os dados obtidos estão limitados a diferentes
temperaturas de saturação?

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 2
Isto é devido à existência de pontos que limitam o processo de “condensação e evaporação”. Pela
parte inferior as curvas estão limitadas pelo ponto triplo, que marca o limite entre o equilíbrio
líquido/vapor e o equilíbrio sólido/vapor. Os processos de evaporação e condensação se referem às
mudanças de estado entre líquido e vapor. Pela parte superior as curvas se vêem limitadas pelo
ponto crítico, a partir do qual não se pode distinguir entre vapor e líquido. Por este motivo não
existe condensação. (Figuras 1.2 e 1.3)

Figura 1.2: Diagrama Log P e Entalpia do CO2.

Figura 1.3: Diagrama Pressão e Temperatura do CO2.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 3
1.2 Ponto crítico
Estado de pressão e temperatura a partir do qual não se pode distinguir entre líquido e vapor.
Exatamente nesse ponto, as densidades das duas fases são iguais. Caso continue aumentando a
pressão ou a temperatura, o fluido se encontrará em estado supercrítico.

1.3 Ponto triplo


Limite que coexistem as três fases. Cabe destacar a elevada pressão a que se encontra esta
condição para o CO2 (5,2 bar abs.). Abaixo do ponto triplo o CO2 continuará expandindo-se até a
pressão atmosférica (1 bar abs.) na fase “sólida e/ou vapor”. (Figura 1.4)

Figura 1.4: Curvas de equilíbrio líquido-vapor para diferentes refrigerantes.

Comparando as zonas de mudanças de fases para os diferentes refrigerantes observa-se que:


1 - A pressão da linha triplo para o CO2 é muito mais elevada comparada ao R404A ou a Amônia.
2 - A entalpia de evaporação para a Amônia em geral é muito mais elevada.

Particularidades da linha triplo

Qualquer vazamento de refrigerante para atmosfera representa uma expansão até uma pressão de 0
bar relativo (1 bar abs.). Este fato provocará a aparição da fase sólida do CO2 (conhecido como
gelo seco), fato que não ocorrerá com o R404A e Amônia.

1.3.1 Vazamento na tubulação de refrigerante

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 4
Caso seja comprovado um vazamento em uma linha de líquido (através de uma válvula esfera),
este por sua vez pode-se auto-selar devido à formação de sólido no processo de expansão CO2. Isso
ocorrerá somente com uma mínima fuga de refrigerante.

1.3.2 Alívio de pressão de CO2 através de válvula de segurança

Recomenda-se instalar válvula de segurança nos lados de alta e baixa pressão do sistema,
para aplicação em cascata recomenda-se utilizar válvulas com pressão de 25 bar no lado de
baixa e 40 bar no lado de alta. O alívio de pressão de CO2 ao ambiente em caso de
emergência representa uma expansão por abaixo do ponto triplo, resultando-se numa porção
de sólido. Para evitar a obstrução pela formação de gelo, não se recomenda instalar nenhuma
tubulação adicional após a válvula de segurança. Sua instalação poderá ser no próprio rack
ou fora da sala de máquina, sendo que neste caso será necessário prolongar a tubulação antes
da válvula pra evitar bloqueio pela formação de gelo na tubulação. (Fotos 1 e 2).

Foto 2: Válvulas de segurança instaladas fora da sala


Foto 1: Válvulas de segurança instaladas no rack. de máquinas, “sem tubulação na saída das válvulas
para evitar bloqueio por gelo”.

1.4 Segurança
O CO2 é mais denso que o ar, por isso sempre flui em direção ao piso (solo) em caso de
vazamento. Este fato pode ser muito perigoso (especialmente em espaços reduzidos), uma
vez que o CO2 não é auto-alarmante (como a Amônia), o mesmo poderá deslocar o oxigênio
até os limites prejudiciais à saúde. Isso necessita de uma especial atenção à detecção de
fugas e uma ventilação (exaustão) de emergência. Recomenda-se uma exaustão para
renovação do ar da sala de máquinas a cada 10 minutos em caso de vazamento de CO2.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 5
1.5 Entalpias de evaporação
Os valores observados nas diferentes curvas de mudança de fase podem-se comparar com os
valores de entalpias de evaporação em diferentes temperaturas. (Figura 1.5)

Temperatura de evaporação por Kg

Temperatura de evaporação (ºC)


Figura 1.5: Entalpia de evaporação para diferentes refrigerantes.

Densidade do CO2
A densidade do CO2 é muito mais elevada comparada com outros refrigerantes, este fato tem
diferentes conseqüências. Devido à maior densidade do vapor de CO2, o volume deslocado
para obter a mesma potência de refrigeração é muito menor. Como vantagens teremos:

- Compressores de menor tamanho (menor volume deslocado)


- Menor quantidade de refrigerante na instalação
- Menor tamanho de recipiente e linhas de refrigerante

Concentrações de CO2 no ar e seus efeitos

%..............Efeitos
0.04 %.......Concentração no ar atmosférico
2%.............50% de incremento no ritmo respiratório
3%.............Tempos curtos de 10 min de limite de duração, incrementam o ritmo respiratório
100%.
5%.............Incremento do ritmo respiratório 300%, depois de uma hora pode aparecer
dor de cabeça e suor.

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8%............Exposição limite a tempos muito curtos
8-10%.......Dor de cabeça depois de 10 ou 15 minutos. Enjôos, vertigem, zumbido de
ouvidos e aumento da tensão, pulso, excitação, vômitos.
10-18%.....Depois de uma exposição curta aparecem ataques epiléticos, perda da consciência
e choque (as vítimas se recuperam rapidamente com o ar fresco)
18-20%.....Sintomas similares aos de uma trombose.

1.6 Temperatura de descarga


A compressão de qualquer gás acarreta um aumento acima da sua temperatura de saturação.
A compressão do CO2 em um ciclo em cascata [-50/-5ºC], pode levá-lo a temperaturas de
descarga próximas aos 80ºC.

2 - USO DO CO2 COMO REFRIGERANTE

2.1 Projetos frigoríficos


As elevadas pressões de trabalho do CO2, tal como discutido no item 1, assim como seu
ponto crítico situado a 31,1ºC, levam à projetos frigoríficos substancialmente distintos dos
sistemas de refrigeração convencionais. Fundamentalmente os sistemas de refrigeração com
o CO2 se dividem em duas categorias:

1) Circuitos transcríticos: o lado de alta pressão do circuito se situa acima do ponto crítico.
Nessa aplicação o CO2 não se condensa, mas sim se dessuperaquece, ocorre o que
chamamos de “resfriamento gasoso”.
- As pressões do lado de alta se situam na ordem dos 100 a 120 bar.

2) Circuitos subcríticos: o lado de alta pressão do circuito se situa abaixo do ponto crítico.
Nesse caso o CO2 se condensa, esse processo é chamado de “condensação”.
- As pressões do lado de alta se situam na ordem de 25 bar (-12ºC) a 30 bar (-5ºC).

Através do exposto acima, os circuitos subcríticos são os mais utilizados hoje em dia devido
à tecnologia e conhecimentos atualmente disponíveis.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 7
2.1.1 Sistemas transcríticos
Nas fotos 3 e 4 respectivamente observa-se uma instalação e um compressor Bitzer para
aplicação transcrítica com CO2.

Foto 3: Rack com aplicação transcrítica de CO2. Foto 4: Compressor Bitzer para aplicação transcrítica de
CO2.

140
max. SH10 K
120
Pressão descarga [bar]

100
min. Sup. 20 K
80

60
Sup. 20 K
40

20
10 20 30 40 50 60
Pressão sucção [bar]
Figura 1.6: Limites de aplicação dos compressores para operação transcrítica de CO2.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 8
2.1.2 Sistemas subcríticos

2.1.2.1 CO2 como fluido secundário


Este tipo de sistema representa a forma mais simples de aplicação do CO2 com a tecnologia
atual, visto que neste tipo de sistema o CO2 é utilizado como um refrigerante secundário, já
que o mesmo é bombeado e não comprimido. Um sistema frigorífico (R404A, R717,...) é
encarregado de re-condensar o CO2 que se evapora parcialmente nos evaporadores, e uma
vez condensado, armazena-se em um tanque de acumulação de CO2.

Figura 1.7: Esquema de instalação de CO2 como fluido secundário

O sistema da figura 1.7 consta dos seguintes elementos principais:


(1) Estação de bombeamento do CO2.
(2) Sistema frigorífico para re-condensar o CO2.
(3) Tanque de acumulação de CO2.
(4) Evaporadores de CO2.

2.1.2.2 Instalações tipo cascata

A figura 1.8 mostra um exemplo de aplicação em cascata para o uso com o Dióxido de Carbono
(R744), no qual o mesmo é utilizado no sistema secundário para média e baixa temperatura de
evaporação. No sistema primário utilizado para condensar o CO2, o fluido refrigerante poderá ser

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do tipo natural (R290, R717, etc.) ou sintético (HFC’s, por exemplo: R134a, R404A, etc.), porém
em menor quantidade, pois estará confinado somente no circuito que envolve o compressor,
condensador e evaporador (trocador de calor cascata).

R717, R290,…
CO2 R134a, R404A,…

Figura 1.8: Sistema Cascata com CO2

De acordo com a figura 1.9, as aplicações de média temperatura nas instalações frigoríficas de
supermercados, são obtidas através de um sistema com re-circulação de líquido, nesse caso os
evaporadores trabalham inundados com CO2 líquido a –10ºC.

O sistema de baixa temperatura é realizado através de um ciclo de compressão a vapor utilizando


compressores semi-herméticos alternativos, operando com expansão direta evaporando a –30ºC,
na qual o CO2 é condensado na temperatura de aproximadamente –10ºC.

O sistema de média temperatura está incluído no ciclo, no qual o CO2 no estado líquido a -10ºC é
circulado através dos evaporadores de resfriados por uma bomba especialmente projetada para a
re-circulação desse fluido.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 10
Figura 1.9 - Sistema Cascata com CO2 / R404A: Evaporadores de baixa temperatura com expansão direta e os de
média temperatura com re-circulação de líquido.

Para obter vantagem da alta eficiência do refrigerante, o CO2 é usado no estágio de baixa pressão
em cascata onde o mesmo é condensado a –10ºC (condição subcrítica).

O estágio de baixa pressão é conectado a um sistema primário de refrigeração (R404A), no qual


transfere o calor absorvido dos evaporadores do sistema de média e baixa temperatura e o dissipa
a atmosfera através de um condensador resfriado a ar ou água.

Devido à alta densidade do vapor e a elevada eficiência volumétrica, os compressores aplicados


com CO2 geram economias de energia bem superiores comparados aos sistemas de
refrigeração convencionais.

O sistema cascata também tem a vantagem de obter um elevado grau de líquido sub-resfriado, que
resulta em reduções significativas no diâmetro das linhas e também na carga de refrigerante –
comparado com os refrigerantes convencionais.

Em geral, os diâmetros das linhas dos sistemas com CO2 podem ser reduzidos em até 70% do
diâmetro atualmente utilizado com R22 ou R404A para a mesma capacidade frigorífica.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 11
Devido ao preço de aquisição do CO2 ser muito mais barato do que os refrigerantes sintéticos
atualmente comercializados, o custo total da carga de refrigerante poderá ser significativamente
reduzido.

Embora o sistema de média temperatura - que é resfriado através da re-circulação de líquido - não
ofereça reduções significativas no custo energético, as economias substanciais podem ser obtidas
através da redução da carga de refrigerante e da redução real no custo do refrigerante.

Os benefícios adicionais também são obtidos através de evaporadores com menores áreas de troca
de calor, também pela rápida queda da temperatura devido à elevada transferência de calor gerada
pelos evaporadores inundados.

Os circuitos de média e baixa temperatura podem ser combinados em um sistema de tubulação


integrada, assim pode-se reduzir significativamente o tamanho do equipamento, tornando-o mais
compacto.

No coração do sistema está um tanque de líquido especialmente projetado que alimenta uma
bomba de CO2 líquido. Esta bomba alimenta todo o sistema (resfriados e congelados) com líquido
refrigerante – CO2.

O CO2 líquido, que está sendo bombeado através dos evaporadores de média temperatura, evapora
parcialmente e retorna ao tanque de líquido através de uma mistura “líquido / vapor”,
permanecendo ainda na temperatura de aproximadamente –10°C.

Os evaporadores de baixa temperatura também são alimentados pela bomba de CO2. Porém, neste
caso o refrigerante passa através de uma válvula de expansão, ao qual assegura que somente vapor
refrigerante superaquecido retorna aos compressores de baixa temperatura de evaporação.

O vapor refrigerante que chega na sucção dos compressores de baixa temperatura, é por sua vez
comprimido até a temperatura de condensação. Este gás comprimido é então enviado a um
trocador de calor a placa juntamente com o retorno do refrigerante proveniente dos evaporadores
de média temperatura, assim ambos são condensados e acumulados em um tanque de “Flash” -
com circulação por “Termo-Sifão” a uma temperatura de aproximadamente –10°C.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 12
Foto 5: Racks para operação subcrítica com CO2.

Foto 6: Rack para operação subcrítica com CO2 utilizando bomba de recirculação para os evaporadores de
média temperatura de evaporação.

2.2 Pressões de projeto de instalações frigoríficas com CO2


As pressões de projeto das instalações com CO2 dependem do tipo de aplicação a que se
destina, segundo a classificação comentada no item anterior. Não obstante, existe um certo
consenso entre os distintos fabricantes de componentes frigoríficos para o CO2 nas seguintes
pressões de projeto:

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 13
Pressão de Trabalho Lado de alta pressão Lado de baixa pressão
Sistema transcrítico 115 bar 25 bar (50 bar)
Sistema subcrítico 40 bar (50 bar) 25 bar (50 bar)

Nota: entre parêntese em caso de degelo por gás quente.

2.3 Tubulação para sistemas com CO2


O CO2 como gás inerte que é, resulta compatível com a totalidade dos metais, por isso a
tubulação para os sistemas com CO2 pode utilizar-se de:
- Cobre
- Aço carbono
- Aço Inoxidável

A única condição é que suporte as pressões de projeto indicadas no item anterior. A seguir
indicamos as pressões de trabalho em função de seu diâmetro nominal exterior e sua
espessura de parede. Segundo os valores indicados na tabela 1, os tubos padrões em cobre
podem ser utilizadas até um diâmetro de 1 1/8” em instalações com pressões de projeto de
40 bar no lado de alta pressão.

Tubo de Cobre
(tubo flexível)

Valores aproximados
Diâmetro (mm) espessura parede pressão trabalho pressão ruptura
3/8 0.91 7680 kPa 38240 kPa
1/2 0.91 5630 kPa 28660 kPa
5/8 0.91 4440 kPa 22900 kPa
7/8 0.91 3125 kPa 16375 kPa
1.22 4260 kPa 21950 kPa
1-1/8 1.22 3275 kPa 17080 kPa
1.63 4010 kPa 20500 kPa
1-3/8 1.22 2660 kPa 13975 kPa
1.63 3630 kPa 18670 kPa
1-5/8 1.22 1860 kPa 11825 kPa
1.63 3050 kPa 15800 kPa
2-1/8 1.63 2315 kPa 12080 kPa

Tabela 1: Diâmetros, espessura de parede, pressão de trabalho e pressão de ruptura dos tubos de cobre.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 14
Diâmetro

140

120 116 116

100
85 87 85 84
80
mm

60
45
40
40 35
25 26
18
20

0
Tube dia. to low temp Tube dia. from low temp Tube dia. to medium Tube dia. from medium
cab. cab. temp cab. temp cab

HFC DX System Indirect HFC System HFC CO2 Cascade System

Tabela 2: Comparação dos diâmetros da tubulação com sistema DX HFC x sistema indireto HFC x
sistema cascata CO2 / HFC.

Nota: os valores de pressão de trabalho da tabela 1 não devem ser confundidos com as
pressões de ruptura da tubulação de cobre, os quais se situam muito acima dos valores
tabulados.

2.4 Teste de vazamento nos sistemas com CO2


O teste de vazamento deverá ser realizado com uma pressão de Nitrogênio de
aproximadamente 40 bar no lado de alta e 25 bar no lado de baixa pressão do sistema
frigorífico. Solicitamos também consultar os respectivos fabricantes dos evaporadores e
intercambiadores de calor para saber qual a pressão de teste recomendada que deverá ser
utilizada nesses componentes para evitar danos de ruptura.

2.5 Evacuação nos sistemas com CO2


Após certificar-se de que o sistema não tem vazamento, a evacuação deverá ser realizada
com uma bomba de alto vácuo (dois estágios) nos lados de alta e baixa pressão do sistema
frigoríficos, inclusive nos evaporadores e intercambiadores de calor. Recomenda-se também

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 15
romper o vácuo com Nitrogênio seco quando o sistema atingir uma pressão de 500 mícron
de mercúrio, repetir essa operação pelo menos duas vezes, pois o nitrogênio ajudará a
remover a “umidade” do sistema mais rapidamente.

É muito importante chegar num menor nível de vácuo possível (mínimo recomendado: 250
mícron de mercúrio), pois a presença de água no sistema de CO2 é indesejável e pode
provocar a formação de ácido carbônico que ataca o aço. A ação do ácido carbônico sobre o
cobre é muito lenta e pode ser considerada desprezível. O aço inoxidável, pelo contrário, não
sofre a ação pelo ácido.

2.6 Carga de refrigerante nos sistemas de CO2

A carga de CO2 nos sistemas de refrigeração é um dos pontos mais importantes e devemos
ter muito cuidado durante esta operação. A atenção especial, como se comentou no item 1,
deve ser dada ao ponto triplo do CO2 que ocorre a uma pressão de 5,2 bar. Então, caso se
realize a carga de CO2 na fase líquida num sistema que estiver em “vácuo”, imediatamente
irá formar dentro do sistema uma “neve carbônica” no estado sólido, a qual nos impedirá de
continuar com essa operação. Por tal motivo, deve-se providenciar uma carga inicial no
sistema com o CO2 na fase gasosa, somente até superar o ponto triplo (5,2 bar abs).
Posteriormente, pode continuar com a carga em fase líquida diretamente no recipiente de
líquido. Devido à alta pressão que os cilindros de CO2 possuem, sempre deve realizar a
carga através de uma válvula reguladora de pressão para evitar acidentes (Foto 7). Caso
contrário, provocará uma alta evaporação do líquido refrigerante na saída do cilindro. Por
este motivo, recomenda-se resfriar o cilindro de CO2 durante a carga com líquido. Desta
forma teremos:
- Menor evaporação do líquido CO2.
- Menor aumento da pressão no sistema.

Para evitar um rápido aumento da pressão interna do sistema, recomenda-se colocar o


sistema frigorífico primário em funcionamento para realizar a condensação do CO2. O tipo
de Dióxido de Carbono recomendado para utilização na refrigeração é o “Food Grade”
(Grau Alimentício), que contém 5 ppm de umidade. Os cilindros de CO2 são muito
parecidos com os cilindros de Nitrogênio, os mesmos são comercializados em cilindros que

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 16
variam de 25 a 45 Kg, recomenda-se consultar os fabricantes como a BOC, White Martins,
etc.

Foto 7: Detalhe da válvula reguladora de pressão Foto 8: Detalhe do grau de CO2 recomendado para
instalada no cilindro de CO2. refrigeração: “Food Grade”.

2.7 Miscibilidade do óleo com o CO2


O óleo lubrificante utilizado nos sistemas de CO2 é do tipo Polioléster (POE): BSE60K para
operação subcrítica e BSE80K para transcrítica (fonte Bitzer). São óleos miscíveis com o
CO2, beneficiando o retorno ao compressor. Entretanto, a alta solubilidade (capacidade de
mistura com a fase gasosa) apresentada pelo CO2, requer cuidados especiais, tais como:
- Obrigatório o uso de resistências de cárter nos compressores.
- Temperatura do óleo mínima de 40ºC (cárter).

O POE utilizado com CO2 é um óleo higroscópico, portanto é necessário tomar as mesmas
precauções que com os óleos POE usados para os HFC’s.

3 - COMPONETES FRIGORÍFICOS PARA INSTALAÇÃO CASCATA COM O CO2


Neste item realizaremos uma análise dos distintos componentes frigoríficos necessários para
a realização de uma instalação frigorífica tipo cascata com o CO2.

3.1.- Compresores
3.1.1. Gama de compresores Bitzer Serie K.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 17
Foto 9: Detalhe do compressor semi-hermético Figura 2: Limites de aplicação dos compressores
alternativo Bitzer série K para aplicações semi-herméticos alternativos Bitzer série K para
subcríticas com CO2. aplicações subcríticas com CO2.

Características dos compressores para aplicação subcrítica com CO2

Atualmente a gama de compressores Bitzer Serie K para aplicações subcríticas com o CO2
abrange 16 modelos de compressor desde 2,71 a 46,9 m³/h de deslocamento. A potência
frigorífica vai desde 4,8 kW até 86,5 kW a –35/-5ºC. As características principais destes
compressores são:

- Sistema de lubrificação centrífuga por disco dinâmico.


- Amortecedor de pulsações (mufla) integrado no cabeçote para diminuir vibração e ruído.
- Placas de válvulas especialmente projetadas para o CO2.
- Sistema de transmissão resistente ao desgaste com buchas revestidas com PTFE (Teflon).
- Carga de óleo POE específico (BSE60K).
- Carcaça de alta resistência à pressão sem a tampa base para pressões de serviço máximas
de 40 bar (alta pressão).

3.2 Intercambiadores de calor

3.2.1 Evaporadores
Existem alguns fabricantes que oferecem uma gama de evaporadores preparadas para o CO2.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 18
Por exemplo, Güntner e Buffalo Trident

A Güntner oferece 2 séries de evaporadores:

a) Serie CXGHN: pressão de trabalho até 28 bar.


- Construção: cobre e alumínio
- Degelo: elétrico (possibilidade de reforçá-lo até –50ºC).
- Coeficiente K: 33 W/m²K a –40ºC
- Gama de 1 a 3 ventiladores com pás desde Ø400 até Ø800 mm.

b) Serie CPGHN: pressão de trabalho até 50 bar.


- Construção: aço inoxidável e alumínio.
- Degelo: elétrico, água e possível gás quente.
- Coeficiente K: 28 W/m2K a –40ºC.
- Gama de 1 a 3 ventiladores com pás desde Ø400 a Ø800 mm.

A Buffalo Trident oferece 3 séries de evaporadores:

a) Serie BRLC e BBLC: para baixa temperatura de evaporação variando de –20 a –40ºC.
- Construção: cobre e alumínio
- Degelo: elétrico
- Gama de 1 a 5 ventiladores com pás desde Ø300 até Ø500 mm.

b) Serie BRCLR: para média temperatura de evaporação com recirculação de líquido.


- Construção: cobre e alumínio.
- Degelo: natural
- Gama de 1 a 5 ventiladores com pás desde Ø300 a Ø500 mm.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 19
3.2.2 Condensadores

Como comentado no item 2, nos sistemas com CO2 tipo cascata, o condensador do CO2 é o
evaporador do sistema frigorífico primário que funciona com R404A, R717, etc. Por este
motivo, os condensadores de CO2 nestes sistemas são dos tipos:

- Multitubular.
- De placas.

- Tubo em tubo para pequenas potências.

Nos condensadores de placas ou de tubo em tubo, além das pressões de trabalho necessárias,
é muito importante levar em conta a pressão de ruptura dos tubos caso o CO2 circular por
fora deles.

3.2.3 Intercambiadores de calor

Nas instalações do tipo cascata com CO2 é muito importante à inclusão de um


intercambiador de calor entre a linha de líquido (sistema primário) e a de sucção (sistema
secundário). Os motivos são:

- Devido à temperatura negativa que temos inclusive no lado de média temperatura do


circuito de CO2, as entradas de calor na linha de líquido podem chegar a provocar flash-gas.
O intercambiador gera um sub-resfriamento adicional que evita este fenômeno.

- Pela alta solubilidade do refrigerante CO2 no óleo lubrificante, é necessário assegurar um


superaquecimento mínimo de 20K para evitar que o óleo seja muito diluído e perca suas
propriedades lubrificantes.

Os tipos de intercambiador usados preferentemente são os de placa.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 20
3.3 Válvulas de expansão

Foto 10: Detalhe da válvula de expansão eletrônica utilizada nos evaporadores de baixa temperatura (sistema de
congelados), com expansão seca.

Foto 11: Detalhe da válvula de expansão manual utilizada nos evaporadores de média temperatura (sistema de
resfriados), trabalha com re-circulação de CO2 líquido.

Devido às propriedades termodinâmicas particulares do CO2, considerado como fluido


criogênico, o mesmo requer um tempo de resposta muito rápido durante sua expansão nos
evaporadores de baixa temperatura de evaporação, sendo assim, somente as válvulas de
expansão tipo eletrônica são as que atendem esta exigência. Os fabricantes como a Danfoss,
Siemens e Carel possuem válvulas deste tipo preparadas exclusivamente para utilização com
CO2. O sistema de resfriados (média temperatura), como trabalha com re-circulação de CO2
líquido, é bem mais simples e, portanto, requer apenas válvulas manuais para o controle da
vazão de refrigerante, além do que, também se recomenda válvulas solenóides para o
bloqueio do fluxo refrigerante de acordo com as operações de comando.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 21
3.4 Recipientes de líquido
Os recipientes de líquido dos sistemas de CO2 são comparavelmente de menor volume que
nos sistemas com o HFC ou Amônia, esse fato é devido à menor vazão volumétrica que se
necessita para a mesma capacidade frigorífica. Os recipientes de líquido devem ser
projetados para as pressões de trabalho necessárias. Recomenda-se instalar no recipiente de
líquido uma serpentina “exterior”, esta por sua vez deverá estar conectada a uma unidade
condensadora acionada por gerador em caso de emergência, assim evitaremos o aumento da
pressão do sistema de CO2 em caso de falha elétrica. Outra possibilidade seria instalar o
recipiente de líquido dentro de uma das câmaras de congelados da instalação frigorífica,
assim poderemos manter o líquido de CO2 em baixas temperaturas por alguns dias (aprox. 3
á 5 dias) sem a elevação considerada da pressão.

Foto 12: Exemplo de aplicação da serpentina utilizada para manter o CO2 “frio” no tanque caso ocorra falha
da energia elétrica. A mesma deverá ser conectada a uma unidade condensadora acionada por gerador.

Foto 13: Detalhe do tanque de líquido montado no rack “isolado” termicamente.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 22
Alimentação de líquido para
os evaporadores de média e
baixa temperatura.
Retorno
Linha de sucção do úmido
estágio de alta

Vazão
Linha de líquido minima

Trocador de calor
inter-estágio

Liquido CO2 bombeado


Vazão máxima

Bomba

Figura 2.1: Detalhe do sistema de bombeamento de CO2 líquido.

Foto 13: Detalhe do rack com sistema de bombeamento do CO2 líquido.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 23
3.5 Sistema de controle do óleo

O sistema de controle óleo de uma central do CO2 tipo cascata é muito similar ao sistema de
óleo de uma central de compressores de pistões convencional. Consta dos seguintes
elementos:

- Separador de óleo (tipo centrífugo) + pulmão de óleo integrado (sistema de HP)


- Reguladores de nível de óleo tipo eletrônico (bóia).

Devido à alta solubilidade do CO2 no óleo, recomenda-se instalar separadores de óleo do


tipo centrífugo e pulmão de alta pressão, ambos incorporados numa única peça. Os
reguladores de nível de óleo tipo eletrônico contribuem para uma maior segurança de
operação dos compressores, além de controlar o nível de óleo de trabalho no cárter, controla
também um nível de alarme mínimo e máximo (evitando uma eventual inundação com
excesso de óleo no compressor).

Foto 15: Detalhe do regulador de nível de óleo eletrônico.

3.6 Válvulas e componentes de linha

Já existe hoje no mercado uma importante variedade de válvulas e componentes de linha


adaptados para o funcionamento com o CO2. Neste sentido, válvulas disponíveis com os
HFC’s e/ou amônia também são válidas para o uso em sistemas com pressão de projeto de
40 bar.

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 24
Referente aos componentes de linha:
- Filtros de líquido
- Visores
- Solenóides
- Válvulas esferas, etc.

É importante verificar com o fabricante sua compatibilidade com o CO2. É especialmente


importante à função do filtro secador, que deve ser de grande dimensão para assegurar uma
boa desidratação do circuito, caso contrário, pode provocar a formação de cristais de gelo e
posteriormente ácido carbônico.

3.7 Detectores de vazamento de CO2


O CO2 é um gás incolor e inodoro, sendo asfixiante por deslocamento do oxigênio. É mais
denso que o ar, por isso terá que ter especial cuidado nos ambientes fechados e garantir uma
ventilação suficiente. Por este motivo, também é importante dispor de detectores do CO2
estrategicamente colocados nos pontos onde o mesmo pode acumular-se, tais como: partes
baixas das salas de máquinas próximas ao piso, tetos falsos por onde passam os tubos do
CO2, etc.

Foto 16: Exemplo de detector de vazamento de CO2.

4 - Conclusão
As aplicações em cascata do CO2 na refrigeração comercial para supermercados já
realizadas na Europa e Austrália têm mostrado que, a tecnologia atual dos compressores

Aplicação CO2_Supermercados_Dez./07 25
semi-herméticos alternativo é bem favorável, mesmo com os compressores standard
existentes.

O projeto básico do compressor juntamente com medidas de segurança necessárias,


resulta-se em pressões de operação permissíveis. Além disso, com adaptações otimizadas
dos componentes dos compressores dentro de uma determinada série, superam as
necessidades especiais com relação à carga mecânica, potência e resfriamento do motor.

Os óleos polioléster (POE) especialmente formulados apresentam propriedades favoráveis


para a circulação através do sistema, possuem boas características de lubrificação com os
compressores. Entretanto, os testes práticos continuam sendo realizados para obtenção de
melhores lubrificantes que atendam ainda mais as exigências especiais na aplicação com
Dióxido de Carbono (CO2).

Devido à elevada capacidade de refrigeração volumétrica e da boa performance do CO2 -


resultando-se em projetos muito compacto e de baixo custo – há uma grande perspectiva
no futuro para diversificação de sua aplicação e de ser favorável economicamente nos
sistemas transcríticos. Sua aplicação já está em prática em alguns países da Europa e está
começando também sua utilização na Austrália.

É muito importante que intensivos testes sejam feitos nas mais variadas aplicações, para
que sejam coletadas informações necessárias sobre o comportamento dos compressores e
outros componentes do sistema ao longo do tempo.

Referências

1 - Catálogos e manuais técnicos CO2 - Bitzer - Brasil, Alemanha e Austrália


2 – Catálogos e boletins técnios CO2 – Danfoss - Dinamarca
3 – Catálogos e boletins técnicos CO2 – Buffalo Trident – Austrália
4 – Manual técnico CO2 Instituto Tafe – Austrália
5 – Papers CO2 – Pecomark – Espanha
6 – Catálogos técnicos CO2 - BOC – Austrália
7 – Boletin técnico CO2 – Linde Alemanha
8 – Catálogo técnico CO2 – Güntner - Alemanha

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