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Vol. nr.

: II | Semestral

SCIENTIFIC JOURNAL OF

NATURAL
MEDICINE
REVISTA CIENTÍFICA DE MEDICINA NATURAL

JULHO / 2014

Centro de Investigação em Medicina Natural


Instituto Português de Naturologia
notas prévias

Índice
SCIENTIFIC JOURNAL OF NATURAL MEDICINE

F
REVISTA CIENTÍFICA DE MEDICINA NATURAL
Notas Prévias Diretor:
oi divulgado, pela OMS, no início deste ano de 2014, um importante documento intitulado
Maria Manuela N. da Costa Maia da Silva 3 Professora Doutora Maria Manuela N. da Costa Maia da Silva – WHO Traditional Medicine Strategy 2014-2023 – ( "Estratégia da OMS para a Medicina
Tradicional 2014-2023" ). Neste documento assinala-se, entre outros aspetos, a necessidade de
Conselho Científico: "estimular a pesquisa estratégica em MT&C, através da disponibilização de apoio para projetos de
Professora Doutora Ana Cláudia Barreira Nunes
Editorial Professora Doutora Ana Cristina Esteves
investigação clínica sobre segurança e eficácia".
Rui Miguel Freitas Gonçalves 4 Professora Doutora Ana Cristina Estrela de O. C. Cordeiro
Professor Doutor António José Afonso Marcos Ainda, de acordo com este documento, no que se refere à formação e pesquisa científica, faz cons-
Professor Doutor Arménio Jorge Moura Barbosa tar que o número de Estados Membros que oferecem programas de formação de nível superior em
Professor Doutor Carlos Manuel Moreira Mota Cardoso
Hábitos de Ingestão de Água Professor Doutor João Paulo Ferreira Leal
MT&C, incluindo licenciatura, mestrado e doutoramento, de nível universitário, aumentaram de ape-
Em crianças do 3º e 4º ano do 1º ciclo do Doutor José Maria Robles Robles nas alguns, para 39 EM, representando 30% dos países participantes do documento (129 países mem-
Concelho de Santarém 5 Professor Doutor Luis Alberto Coelho Rebelo Maia bros). Quanto aos Estados Membros que desenvolvem pesquisa científica em MT&C, em institutos
Professora Doutora Maria Isabel do Amaral A.V. P. de Leão nacionais, o aumento foi de 19 Estados em 1999 para 73 Estados Membros, em 2012.
Professora Doutora Maria Manuela N. da Costa Maia da Silva
Professor Doutor Miguel Tato Diogo
O Papel da Fáscia na Medicina Chinesa Doutor Rui Miguel Freitas Gonçalves Em Portugal, assinala-se a regulamentação das Terapêuticas Não Convencionais, que vêm reconhecer
Parte 1 16 a autonomia científica e profissional em determinadas áreas naturológicas.
Editor:
Doutor Rui Miguel Freitas Gonçalves Estamos, sem dúvida, a atravessar tempos de grande mudança na história da Medicina Natural. Esta-
Aplicação da Anestesia com Acupuntura Depósito legal:
mos crentes que esta revista está no bom caminho no que se refere à dignificação do estudo e da práti-
numa Endodontia - Estudo de Caso 30 Os artigos são da responsabilidade dos seus autores. ca clínica em MT&C. Aberto a todos os investigadores e clínicos estudiosos, o Centro de Investigação
São reservados todos os direitos. em Medicina Natural, a que está associada a Revista, está pronto para aceitar os futuros desafios da
Toda a reprodução, desta revista, seja qual for o meio, sem nova era da abordagem da saúde.
prévia autorização, é ilícita e incorre em responsabilidade
A Acupuntura no Tratamento de DTM civil e criminal.
e Dor Orofacial 38
Julho/2014 Agradecemos a todos os colaboradores e desafiamos os especialistas em Medicina Natural em inves-
Publicação Semestral tigar e partilhar o conhecimento para que possamos fazer parte dos números a apresentar em 2023,
A Acupuntura Anestésica 60 Edições: Centro de Investigação em Medicina Natural
pela OMS.
Instituto Português de Naturologia
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(Resumo Curricular) 85 E-mail: sjnaturalmedicine@gmail.com Está lançado o desafio.

Parceiros e Projetos:

Normas para Publicação 88


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A Diretora
Maria Manuela Nunes da Costa Maia da Silva

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editorial

HáBITOS DE INGESTÃO DE ÁGUA


Em Crianças do 3 e 4º ano do 1º ciclo do Concelho de Santarém

Catarina Maia, Fernanda Reis, Diogo Maia, Eunice Figueiredo, Hélio Simões, Ana Martins,
André Carvalho, Tatiana Brito e Ana Sofia Mil-Homens *
aslmh@live.com.pt
“Knowledge is power. Information is
liberating. Education is the premise of pro-
Resumo:
gress, in every society, in every family.”
Objectivo: caracterizar os hábitos de ingestão de água em crianças do 3º e 4º ano do 1ºciclo do con-
celho de Santarém.
(Kofi Annan) Metodologia: A população do estudo foi constituída pelas das crianças inscritas nos 3.º e 4.ºs anos, do
1.º ciclo das escolas do concelho de Santarém. Foi constituído um questionário de administração dire-
ta, de natureza confidencial com respostas fechadas. A análise estatística foi realizada através do pro-
grama Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) para Windows, após a recolha de todos os dados.

A
Resultados: Participaram 485 crianças, 96,3% com as idades compreendidas entre os 8 e os 10 anos e
necessidade humana de conhecimento é, por resultar da constante evolução humana, em si 3,5% com mais de 10 anos (um inquirido não respondeu, correspondendo a 0,2%). Dos inquiridos,
mesma infindável. Assim sendo é de forma orgulhosa que lançamos o segundo número da 51,6% eram do sexo masculino e 48,2% do sexo feminino (um inquirido não respondeu, correspon-
Scientific Journal of Natural Medicine. Continuamos a pretender erguer o edifício do conhe- dendo a 0,2%). Verificou-se que a maioria das crianças não tem noção da quantidade de água ingerida
diariamente, bem como a totalidade dos inquiridos não bebe quantidade adequada e suficiente de
cimento na área da Medicina Natural e com isto contribuir para a informação do publico em geral con-
água por dia. Constatou-se um baixo consumo de água fora de casa, nomeadamente na escola, assim
tribuindo para a evolução no que diz respeito à sua implementação na sociedade Portuguesa e Europeia. como baixa ingestão de água na hora do exercício físico.
Conclusões: A implementação de programas de informação e sensibilização, junto da aludida comu-
nidade escolar poderá prevenir eventuais repercussões de uma deficiente hidratação.
Neste número podemos contar com trabalhos de investigação de alta qualidade sobre problemáticas atuais
e relevantes na prática clínica em Medicina Natural, produzidos por profissionais reconhecidos da área.
É com entusiasmo que acolhemos trabalhos originais que visem elucidar os profissionais de saúde, a
comunidade científica e o público geral acerca da avaliação, validação, desenvolvimento e integração da
Medicina Natural com recurso a estratégias científicas robustas em que o rigor metodológico e formal é
de suma importância. * Síntese curricular:

Catarina Maia, Fernanda Reis, Diogo Maia, Eunice Figueiredo, Hélio Simões, Ana Martins e André Carvalho
Alunos 2º ano de Naturopatia do Instituto Português Naturologia (IPN) - Pólo Lisboa
Aguardamos a sua contribuição,
Tatiana Brito
Docente de Naturopatia e Coordenadora no Instituto Português Naturologia (IPN) - Pólo Lisboa
O Editor
Rui M. Gonçalves, PhD Ana Sofia Mil-Homens
Nutricionista, Docente Responsável pela disciplina de Dietoterapia e Nutrição do Instituto Português Naturologia (IPN) -
Polo Lisboa

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■■ Introdução Consequências de um consumo A correcção da hidratação traz de volta a energia tornando-se menos permeáveis às trocas gasosas
de água deficiente e a estamina perdidas; e mais sensíveis aos ataques por agentes externos.
A água é uma substância química indispensável à O resultado é uma propensão para tosses, alergias
vida. As adaptações críticas atravessam uma ma- Segundo o European Hydratation Institute, os hu- Obstipação – na presença de desidratação cróni- e outros distúrbios respiratórios que desaparecem
triz de espécies, incluindo o homem. Sem água, manos nem sempre respondem a sinais fisiológi- ca, o reaproveitamento normal de líquidos do bolo uma vez que se optimize a hidratação.
os seres humanos podem sobreviver apenas por cos de sede, expondo-se, desse modo, aos nefastos fecal nos intestinos pode ser excessiva, a fim de
alguns dias. O organismo humano é formado em efeitos da desidratação. Esse facto pode depender compensar as deficiências hídricas do organismo. Desequilíbrio ácido-base – de maneira a que
média por cerca de 70 % de água, sendo a água de vários fatores como o desconhecimento das Quando isto acontece, as fezes tornam-se duras e o organismo trabalhe da melhor forma possível,
representativa de 75% do peso médio nas crianças vantagens da ingestão de líquidos; esquecimento difíceis de serem eliminadas. Com o aumento da deve haver um balanço interno entre substân-
e 55% do peso médio em idosos (Evaristo Eduar- de ingerir líquidos; não gostar do sabor da água; ingestão diária de água, é recuperada a humidade cias ácidas e alcalinas. O estilo de vida e dieta da
do de Miranda, 2004). É portanto essencial para a ausência de sede; falta de água para beber; neces- normal necessária para uma eliminação eficiente. maioria das pessoas têm a tendência a acidificar o
vida e a para a hemóstase célula (Barry M. Popkin, sidade frequente de urinar e perturbações no local ambiente interno celular do corpo, o que pode ori-
D’Anci E. Kristene Irwin H. Rosenberg, 2010). de trabalho/escola. (European Hydration Institu- Distúrbios digestivos – o corpo produz cerca de ginar inúmeros problemas de saúde. Esta acidifi-
Sem água o organismo não funciona, uma vez que te, 2014; Professor Simon Thornton Université de 7 litros de sucos digestivos diariamente. No caso cação é tornada pior com o consumo insuficiente
a mesma é utilizada em várias funções fisiológi- Lorraine), France, 2010) A desidratação pode ter de desidratação crónica, as secreções são menos de água, que limita a redução de substâncias aci-
cas, nomeadamente na digestão, na absorção e no influência nas capacidades físicas e cognitivas dos abundantes e os processos digestivos não se ope- dificante e produtos metabólicos normais, pelos
transporte de nutrientes, na realização de reacções indivíduos. Uma perda de líquido equivalente a 1% ram adequadamente, o que pode resultar em indi- órgãos excretórios.
químicas e como solvente para os resíduos do or- do peso corporal pode ser considerada suficiente gestão, gases, distensão abdominal, dor, náusea e
ganismo. A diluição dos resíduos permite reduzir para diminuir as funções biológicas em 10%, uma perda de apetite. Neste caso, beber água durante Excesso de peso e obesidade – uma teoria,
a sua toxicidade, facilitando o processo de ex- perda de 2% do peso corporal poderá resultar o dia e antes das refeições assegura que existem poucas vezes mencionada, para o que leva um in-
creção desses mesmos compostos do organismo numa diminuição de 20% e, por conseguinte, até líquidos suficientes para a produção de sucos di- divíduo a comer mais do que as suas necessidades
(Barry M. Popkin, D’Anci E. Kristene Irwin H. aos 10% de peso corporal, poderá ocorrer uma gestivos. fisiológicas, é a sede. Existem duas opções para sa-
Rosenberg, 2010). perda de consciência no limite a morte (Vasey, tisfazer a sensação de sede, beber líquidos ou co-
Christopher, 2006). Alguns estudos sobre a dis- Gastrite e Úlceras – a fim de proteger as mem- mer alimentos ricos em água. Se o indivíduo optar
A água, para além de fundamental na manuten- ponibilização de água, a crianças em idade escolar, branas mucosas dos ácidos digestivos, o estômago pela segunda, vai receber os líquidos necessários
ção da temperatura corporal, constitui a base do demostram a sua influência na atenção e atividade secreta uma camada grossa de muco. Esta camada mas também um excesso de substâncias nutritivas
sangue e de todas as secreções líquidas, como as cognitiva. (European Hydration Institute, 2014) é constituída por 98% de água e 2% de bicarbo- de que não precisa e que vão contribuir para o
lágrimas, a saliva e os sucos gástricos. O resulta- As pesquisas que envolveram crianças às quais foi nato de sódio. Devido às suas propriedades alcali- aumento do peso. É dito que muitas vezes a sede é
do da sua ingestão insuficiente é a desidratação da administrada água, nas quantidades adequadas, nas, o bicarbonato neutraliza os ácidos que tentam confundida com a fome, uma razão possível para
pele, o enfraquecimento dos cabelos, as alterações mostram melhorias na atenção visual. No estudo corroer esta barreira protectora. Num estado de tal é que ao comermos, podemos também saciar
ao nível do funcionamento do trato digestivo, bem realizado por Benton e Burgess, a memória e o desidratação, o estômago não tem à sua disposi- a sede, o que pode gerar um ciclo vicioso, pois
como, por acumulação de substâncias, formação desempenho foram melhorados com a hidratação ção água suficiente para produzir o muco, fazen- quantos mais alimentos forem ingeridos, maior
de cálculos renais, biliares e hipertensão (Kathleen das crianças. do com que as membranas fiquem vulneráveis à é a necessidade de água para produção de sucos
M. Zelman, 2008). No caso particular das crianças, Algumas patologias poderão ter a sua origem na acção dos ácidos digestivos, provocando primeiro digestivos e reação enzimática de transformação
as suas necessidades hídricas diárias destinam-se a falta ou deficiência do consumo adequado de uma inflamação e por fim, uma lesão nos tecidos desses alimentos. Além de redução do volume de
repor as perdas sensíveis, como a urina e fezes, e água, ao nivel das crianças, nomeadamente: ou úlcera. comida, uma maior ingestão diária de água vai tra-
insensíveis, como a água perdida por evaporação duzir-se numa estimulação dos processos metabó-
através dos pulmões e da pele, decorrente de uma Fadiga – a desidratação é responsável por um Problemas respiratórios – as membranas muco- licos normais, que vão promover a perda de peso.
actividade diaria com exercicio fisico (Gina Rubi, abrandamento das reacções enzimáticas respon- sas do trato respiratório são levemente humede-
Manuel Salgado, 2009). sáveis pela produção de energia. O efeito não é cidas como protecção contra partículas estranhas Eczema – as glândulas sudoríparas eliminam dia-
só sentido fisicamente com lassitude e prostração, (como pólen e pó) mas também para humedecer riamente entre 6 a 7 decilítros de suor, a quanti-
como também se reflecte no estado mental, carac- o ar inspirado quando este é muito seco. Na de- dade necessária para diluir as toxinas segregadas
terizado por falta de entusiasmo e alegria de viver. sidratação, porções do trato respiratório secam, de forma a não irritarem a pele. No caso de desi-

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dratação crónica, o volume necessário para a pro- diminuídas. Com um volume sanguíneo reduzido, substâncias e elementos naturais, onde se inclui a guesas fornecerem estimativas do consumo, a
dução de suor é insuficiente, dando origem a um os vasos vão ser forçados a realizarem a contrac- água. A ingestão de água, em jejum, permite cor- partir das disponibilidades dos alimentos e dos
suor mais concentrado e agressivo, tendo como ção, uma necessidade que pode ser diminuída com rigir uma possível desidratação desencadeada no Inquéritos Nacionais de Saúde fornecerem
consequência irritação e inflamação cutânea, uma maior ingestão de água, de forma espaçada, período de sono. Cerca de 30 minutos antes das informação sobre o consumo alimentar indi-
acompanhada de vermelhidão, comichão, borbu- de maneira a não sobretaxar o sistema circulatório. refeições e/ ou após as refeições (cerca de duas vidual de alguns alimentos, estas informações
lhas e microlesões na pele. horas e meia depois de uma refeição) poderá auxi- são insuficientes para se conhecer a real ten-
Problemas articulares – a cartilagem é um tecido liar o funcionamento do aparelho digestivo, faci- dência do consumo e dos padrões alimentares
Hipercolesterolemia – o colesterol, necessário com um elevado teor de água. A sua função é pro- litar a transformação e assimilação dos nutrientes. da população portuguesa, no caso particular
para a construção das membranas celulares, é teger as superfícies dos ossos, impedido que nos A hidratação antes e durante o exercício permite relativamente ao consumo de água (Lopes et
constantemente requerido pelas células. No caso movimentos, haja fricção e dano. Um indivíduo repor as perdas resultantes do desgaste muscular e al., 2006).
de desidratação, essa necessidade irá aumentar cronicamente desidratado irá, desenvolver uma suor (José Macieira, 2009).
substancialmente para evitar que as células percam cartilagem mais fina. O resultado é um aumento ■■ Material e Métodos
fluido intercelular excessivamente. Ainda que este de atrito entre os ossos, causando inflamação e ■■ Objectivos do Trabalho
mecanismo compensatório evite males maiores, dor. Para além disso, o aumento da concentração Foi elaborado um questionário de administração
um efeito secundário indesejável é o aumento de de metabolitos tóxicos na circulação sanguínea e O presente estudo surge no âmbito do trabalho direta, de natureza confidencial e com respostas
colesterol na circulação sanguínea e todos os pro- nos tecidos celulares, causados pela desidratação, final da disciplina de Dietoterapia e Nutrição, do fechadas, o qual foi aplicado aos alunos dos 3.º
blemas de saúde relacionados. vão aumentar a exposição das articulações a toxi- curso de Naturopatia, do Instituto Português de e 4.ºs anos, do 1.º ciclo das escolas do concelho
nas e outras substâncias irritantes. Naturologia – Polo de Lisboa. O estudo foi re- de Santarém. A seleção do concelho seleccionado
Cistite e Infecções urinárias – caso as toxinas O equilíbrio hídrico das crianças depende da ac- alizado pelos alunos do 2º ano, com o objectivo para o desenvolvimento deste estudo prendeu-se
contidas na urina não estejam devidamente dilu- ção da aldosterona e da hormona antidiurética. de caracterizar os hábitos de ingestão de água com conveniência de residência dos alunos des-
ídas, podem prejudicar as membranas urinárias, Esta é responsável pela manutenção da osmola- em crianças do 3º e 4ºanos do 1º ciclo do Con- tacando-se a excelente colaboração e empenho,
criando microlesões que são por sua vez atacadas lidade plasmática entre 285 e 295 mOsm/Kg. (G celho de Santarém. manifestados pela Câmara Municipal de Santa-
por germes, que se multiplicam no local afectado Rubino, M Salgado, 2009). De acordo com as re- Algumas considerações foram tomadas em con- rém, nomeadamente pela Divisão de Educação e
e originam infecções dolorosas. comendações Autoridade Europeia de Segurança sideração na definição do objectivo deste estudo, Juventude, contribuindo desse modo, para o êxito
Alimentar (EFSA, 2010), as crianças com as ida- designadamente: do trabalho realizado.
Hipo e Hipertensão arterial – é graças à ca- des compreendidas no presente estudo, deverão a) As crianças ativas que brincam quando está O trabalho de campo realizou-se no período com-
pacidade de vasoconstrição e vasodilatação dos realizar um consumo diário de 1600 ml/dia para calor, podem perder grandes quantidades de preendido entre os dias 26 de Maio e 5 de Junho
vasos sanguíneos que o sistema circulatório é tão rapazes e raparigas entre os 4 e 8 anos, bem como água, através do suor, e por vezes estão tão dis- de 2014, tendo sido efetuado um pedido de au-
bem adaptado a mudanças no volume de sangue. 2100 ml/dia para rapazes e1900 ml para raparigas, traídas a brincar e esquecem-se de ingerir água; torização prévia aos respetivos Agrupamentos de
No entanto, estas capacidades podem ser usadas ambos entre os 9 e 13 anos. b) Alguns estudos (European Hydration Ins- Escolas e tendo-se obtido o consentimento por
de forma exagerada, o que pode resultar em pro- titute, 2014); indicam que a ingestão adequa- parte dos encarregados de educação. Foram distri-
blemas de saúde. Quando o corpo lida com um A ingestão de água do ponto de vista das Terapias da de agua pelas crianças pode ajudá-las a ter buídos 1000 questionários, tendo sido recolhidos
volume sanguíneo diminuído causado por desi- Complementares melhores resultados a nivel da aprendizagem, 485, que correspondem aos alunos cujos encarre-
dratação, os vasos contraem-se fortemente. Isto A Medicina Ortomolecular e a Naturopatia atuam aumentando os niveis de concentração e me- gados de educação autorizaram a participação no
assegura que o volume é suficiente para preencher essencialmente ao nivel da prevenção primária e mória em curto prazo; presente estudo.
os vasos e capilares de forma a não haverem es- encaram o paciente como um todo, ou seja, como c) A Autoridade Europeia para a Segurança A amostra não inclui crianças com idades inferio-
paços vazios. Mas esta vasoconstrição defensiva sendo um conjunto que deve funcionar em har- dos Alimentos (European Food Safety Au- res a 6-7 anos, na medida em que, em idades mais
pode tornar-se permanente se o corpo sofrer uma monia. Dessa forma é possível encontrar a origem thority – EFSA, 2010) concluiu que a ingestão jovens, as crianças não conseguem conceptualizar
desidratação crónica e o resultado é a hiperten- dos problemas e encontrar o caminho para a ho- de água recomendada em crianças entre 4 e 8 a noção real de tempo e por isso a avaliação do
são crónica. Embora a falta de líquidos possa meostase. Quando existem alterações metabólicas anos é de 1,600 ml/dia e de 2,100 ml/dias para seu consumo alimentar tem que ser recordada
originar hipertensão, o mesmo se pode dizer do (desequilíbrios orgânicos) que levam ao quadro de rapazes e 1,900 ml para meninas, ambos entre através das suas famílias (Livingstone, Robson,
contrário, com a hipotensão. Esta condição aflige “doença”, os nutrientes são utilizados de forma a 9 e 13 anos. & Wallace, 2004). Para além disso, embora tenho
pessoas cujas capacidades vasoconstritoras estão restabelecer o equilíbrio, através da utilização de d) Apesar de as Balanças Alimentares Portu- sido contemplado o parâmetro da idades superior

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a 10 anos, este fator foi limitado com a determi-  31,8% das crianças inquiridas desconhecem a bebem leite e 2 (2%) bebem refrigerantes; ças não ingerem água engarrafada.
nação do ano escolar, pois acima desta faixa etária quantidade de água ingerida. -9 anos de idade: 171 (71,5%) crianças bebem -10 anos de idade: 117 (92,9%) crianças bebem
as necessidades energéticas e nutricionais e hídri- Caracterização da amostra por idade: água, 48 (20,1%) bebem sumos e néctares, 15 água sem gás, 3 (2,4%) crianças bebem água
cas aumentam consideravelmente ((Wrieden et al., -8 anos de idade: 11 (10,8%) crianças bebem 2 co- (6,3%) bebem refrigerantes, 3 (1,3%) não bebem com gás, 2 (1,6%) crianças responderam que inge-
2008). A análise estatística dos dados foi realizada pos de água (0,4L), 25 (24,5%) crianças bebem 4 às refeições e 2 (0,8%) bebem leite; rem água com sabores, 1 (0,8%) crianças ingerem
através do programa Statistical Package for the Social copos de água (0,7L), 17 (16,7%) crianças be- -10 anos de idade: 84 (66,7%) crianças bebem bebidas desportivas. Neste grupo, 3 (2,4%) crian-
Sciences (SPSS). bem 6 copos de água (1L), 17 (16,7%) crianças água, 21 (16,7%) bebem sumos e néctares, 18 ças não ingerem água engarrafada.
No questionário foram colocadas 16 perguntas bebem 8 copos de água (1,5L); (14,3%) bebem refrigerantes, 2 (1,6%) bebem leite ->10 anos de idade: 14 (82,4%) crianças bebem
fechadas (cada uma, de escolha múltipla): Idade/ -9 anos de idade: 35 (14,6%) crianças bebem 2 co- e apenas 1 (0,8%) não bebe às refeições; água sem gás, 1 (5,9%) crianças responderam
Sexo/ Bebes água?/Se não bebes água, que bebi- pos de água (0,4L), 49 (20,5%) crianças bebem 4 -> 10 anos de idade: 9 (52,9%) crianças bebem que ingerem água com sabores, 1 (5,9%) crianças
das bebes?/ Qual a água que bebes mais?/ Qual é copos de água (0,7L), 43 (18%) crianças bebem 6 água, 4 (23,5%) bebem sumos e néctares, 3 ingerem bebidas desportivas, 1 (5,9%) crianças
a água que gostas mais?/ Qual a quantidade, mais copos de água (1L), 31 (13%) crianças bebem 8 (17,6%) bebem refrigerantes, e apenas 1 (5,9%) não ingerem água engarrafada.
ou menos, de água que bebes por dia?/ Onde copos de água (1,5L); não bebe às refeições; Caracterização da amostra por género:
bebes mais água?/ Qual a altura do dia em que -10 anos de idade: 11 (8,7%) crianças bebem 2 co- Caracterização da amostra por género: -masculino: 214 (85,6%) crianças bebem água
bebes mais?/ O que é que bebes às refeições?/ pos de água (0,4L), 22 (17,5%) crianças bebem 4 -masculino: 166 (66,7%) crianças bebem água, sem gás, 7 (2,8%) crianças ingerem água com
Costumas beber água da torneira em casa?/ Cos- copos de água (0,7L), 39 (31%) crianças bebem 6 53 (21,3%) bebem sumos e néctares, 21 (8,4%) be- gás, 6 (2,4%) crianças bebem água com sabores,
tumas beber água engarrafada em casa?/ Das copos de água (1L), 18 (14,3%) crianças bebem bem refrigerantes, 6 (2,4%) bebem leite e 3 (1,2%) 10 (4%) crianças ingerem bebidas desportivas e 13
águas engarrafadas que existem, quais são as que 8 copos de água (1,5L); não bebem às refeições; (5,2%) não bebe água engarrafada.
mais bebes?/ Escolhes sempre a mesma marca -> 10 anos de idade: 2 (11,8%) crianças bebem 2 -feminino: 180 (76,9%) crianças bebem água, 35 -feminino: 208 (88,9%) crianças bebem água
de água engarrafada?/ Costumas encher garrafas copos de água (0,4L), 2 (11,8%) crianças bebem 4 (15%) bebem sumos e néctares, 17 (7,3%) bebem sem gás, 3 (1,3%) ingerem água com gás, 2
com água da torneira para levares contigo?/ Na copos de água (0,7L), 4 (23,5%) crianças bebem 6 refrigerantes e 2 (0,9%) não bebem às refeições. (0,9%) água com sabores, 5 (2,1%) crianças inge-
tua casa bebes água da torneira filtrada? copos de água (1L), 4 (23,5%) crianças bebem 8 rem bebidas desportivas, 16 (6,8%) não bebe água
copos de água (1,5L);  À pergunta “Se não bebes água, que bebidas engarrafada.
■■ Resultados e Discussão Caracterização da amostra por género: bebes?”: 121 (24,9%) bebem leite. 83 (17,1%) be-
-masculino: 34 (13,6%) crianças bebem 2 copos bem sumos e néctares, 28 (5,8%) bebem refri-  Inquiridos sobre o número de vezes que en-
Das 485 crianças participantes, 250 (51,6%) eram de água (0,4L), 46 (18,4%) crianças bebem 4 co- gerantes, 7 (1,4%) bebem chá e 7 (1,4%) bebem chiam a garrafa de água em casa: 72 (28,8%)
do sexo masculino e 234 (48,2%) do sexo femi- pos de água (0,7L), 57 (22,8%) crianças bebem 6 outras bebidas. rapazes responderam que enchiam a garrafa de
nino (1 criança, correspondente a 0,2% não res- copos de água (1L), 42 (16,8%) crianças bebem água muitas vezes, 89 (35,6%) responderam às
pondeu), bem como 96% das crianças apresentava 8 copos de água (1,5L);  Inquiridos sobre o tipo de água engarrafada vezes, 50 (20%) enchem a garrafa poucas vezes
idades compreendidas entre os 8 e os 10 anos e -feminino: 25 (10,7%) crianças bebem 2 copos de que mais ingerem: 423 (87,2%) crianças respon- e 39 (15,6%) nunca enchem a garrafa com água.
4% tinha mais de 10 anos. água (0,4L), 52 (22,2%) crianças bebem 4 copos deram – água sem gás. Em relação às meninas: 83 (35,5%) enchem a
 À pergunta “Bebes água?”: Das 485 crianças, de água (0,7L), 47 (20,1%) crianças bebem 6 Caracterização da amostra por idade: garrafa com água muitas vezes; 66 (28,2%) en-
472 (97,5%) responderam afirmativamente e ape- copos de água (1L), 28 (12%) crianças bebem 8 -8 anos de idade: 94 (92,2%) crianças bebem chem apenas às vezes, 51 (21,8%) enchem poucas
nas 12 (2,5%) responderam que não. copos de água (1,5L); água sem gás, 2 (2%) crianças bebem água com vezes e 34 (14,5%) nunca enchem.
Caracterização da amostra por idade: gás, 1 criança respondeu que bebe água com sabo-
-8 anos de idade: 100 (98%) crianças bebem  À pergunta “O que bebes às refeições?”: 347 res e apenas 1 criança ingere bebidas desportivas.  Para aquelas crianças que responderam ter
água e apenas 2 (2%), não bebem; (71,5%) bebem água, 88 (18,1%) bebem sumos e Neste grupo, apenas 4 crianças não ingerem água água filtrada em casa, foi-lhes perguntado onde
-9 anos de idade: 229 (95,8%) crianças bebem néctares, 38 (7,8%) bebem refrigerantes, 6 (1,2%) engarrafada. bebiam mais água: 150 (71,9%) responderam
água e 10 (4,2%) não bebem; bebem leite e 5 (1%) não bebem às refeições (1 -9 anos de idade: 197 (82,4%) crianças bebem que bebiam mais água em casa, 54 (24,4%) res-
-todas as crianças com 10 anos de idade (126), as- não respondeu correspondendo a 0,2%). água sem gás, 5 (2,1%) crianças bebem água ponderam na escola, apenas 8 (3,6%) ingerem
sim como as crianças com mais de 10 anos de ida- Caracterização da amostra por idade: com gás, 4 (1,7%) crianças responderam que inge- água, noutros locais.
de (17), responderam afirmativamente à pergunta. -8 anos de idade: 82 (81,2%) crianças bebem rem água com sabores, 12 (5%) crianças ingerem
água, 15 (14,9%) bebem sumos e néctares, 2 (2%) bebidas desportivas. Neste grupo, 21 (8,8%) crian-

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Considerando as recomendações da EFSA, que preconizam um consumo diário de água, para as crianças “em casa”, sendo que, apenas 24,02% afirmaram beber mais água na escola. Este facto suscita a necessidade
com as idades compreendidas no presente estudo, de 1600 ml/dia para rapazes e raparigas entre os 4 e 8 de uma análise mais cuidada deste assunto. Considerando que uma boa hidratação é importante para a saúde
anos, bem como 2100 ml/dia para rapazes e 1900 ml para raparigas, ambos entre os 9 e 13 anos. O presente física e mental, e que o cérebro representa apenas 2% do peso corporal, mas recebe 20% do fluxo sanguíneo
estudo verificou que uma grande parte dos participantes (31,8%) não tem noção da quantidade de água in- (European Hydration Institute, 2014); quando o organismo se encontra desidratado, o volume de sangue
gerida diariamente e, por outro, a totalidade dos participantes não bebe quantidade adequada e suficiente de diminui, existindo uma possivel diminuição da quantidade de oxigénio e dos nutrientes vitais ao cérebro.
água por dia, como se pode ver no gráfico apresentado em baixo. Assim, a realização de tarefas físicas e mentais poderá ser afetada negativamente. De acordo com (European
Hydration Institute, 2014), a perda de cerca de 1-2% do peso corporal – desde 500 ml a 2 litros – pode fazer
com que as crianças se sintam menos alerta, com dificuldades de concentração, mais cansadas e com cefaleias.
Um dado relevante do estudo prende-se com a ingestão de água durante o exercício físico. No âmbito da
pergunta: “em que altura do dia bebes mais água”, embora 47,11% dos inquiridos afirmasse beber água
durante todo o dia, apenas 18,8% das crianças afirmaram fazê-lo durante o exercício físico, como se pode
constatar no Gráfico 2.

Gráfico 1 – Distribuição de respostas à pergunta


“Qual a quantidade, mais ou menos, de água que bebes por dia? (n=485)”

Torna-se ainda importante referir, neste contexto, que, de acordo com o European Hydratation Institute, a
avaliação cognitiva da disponibilidade de instalações sanitárias pode desempenhar um papel na decisão sobre Gráfico 2 – Distribuição de respostas à pergunta
quando e onde ingerir líquidos, apesar da presença dos sinais fisiológicos da sede. “Qual a altura do dia em que bebes mais? (n=485)”
Estudos recentes (Simon Thornton, 2010; Bonnet F et al, 2012; Stookey JD et al, 2012) demonstram que
uma elevada osmolaridade urinária, em crianças em idade escolar quando chegam à escola, constitui um Como referido, a desidratação que se produz durante o exercício físico, pode ser reduzida ou evitada através
sinal de desidratação, sugerindo que um acesso limitado às instalações sanitárias poderá ser um dos factores da ingestão de quantidades suficientes de água durante ou antes das atividades físicas, momento em que se
que influencia as crianças quanto à altura de ingestão de líquidos. Poderá sugerir-se que, nos seres humanos, produz a perda de água. Durante o exercício, a ingestão de líquidos deve ser regular, mas a frequência da in-
parece existir uma forma de controlo cognitivo na resposta aos sinais de sede e que talvez esta capacidade de gestão e a quantidade consumida dependem de fatores, como a intensidade e duração do exercício e as condi-
se sobrepor aos sinais de sede leve a que, a longo prazo, exista uma incapacidade de detetar os sinais de sede ções meteorológicas, bem como as características físicas do indivíduo, incluindo o peso corporal e as caracte-
corretamente, fazendo com que alguns indivíduos permaneçam hipohidratados durante longos períodos de rísticas individuais de sudação (European Hydration Institute, 2014); Em climas muito quentes e húmidos, os
tempo ao longo da vida (Simon Thornton, 2010). De acordo com os resultados obtidos neste estudo, rela- desportos de exterior devem ser realizados no início da manhã ou no final da tarde, e é recomendável evitar
tivamente à questão sobre o local onde os participantes bebem mais água, 72,05% das crianças respondeu esforços físicos desnecessários durante as horas mais quentes do dia (European Hydration Institute, 2014).

12 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 13
Estes dados serão relevantes no âmbito do plane- car onde é possível efectuar melhorias (Comissão
amento das aulas de educação fisica nos horarios Europeia, 2014) ║║ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
escolares. Quando se pratica exercício por curtos A constatação, no presente estudo, de um baixo
períodos de tempo ou a baixa intensidade, como consumo de água fora de casa, nomeadamente • Barry M. Popkin, D’Anci E. Kristene Irwin H. Rosenberg , 2010, Water, hydration, and health ,
é o caso das crianças que compõem o universo do na escola, da baixa ingestão de água na hora do Nutrition Reviews, Volume 68, Issue 8, pages 439–458, August 2010, disponível em http://www.
inquérito aqui analisado, a ingestão de água é uma exercício físico e do facto de a maioria dos inquiri- microsofttranslator.com/bv.aspx?from=&to=pt&a=http%3A%2F%2Fwww.ncbi.nlm.nih.gov%
opção perfeitamente adequada. dos não ter noção da quantia de ingestão diária de 2Fpmc%2Farticles%2FPMC2908954%2F%23R1
água, poderá constituir um indicador da necessi- • Batmanghelidj, Fereydoon. You’re Not Sick, You’re Thirsty!: Water for Health, for Healing, for
dade de um reforço de informação e sensilibiliza- Life. Warne5 Books, New York, 2003
■■ Conclusão ção para este tema, junto da comunidade escolar, • Bonnet F, Lepicard EM, Cathrin L, Letellier C, Constant F, Hawili N, Friedlander G. French chil-
de forma a prevenir eventuais repercussões de dren start their school day with a hydration deficit. Ann Nutr Metab 2012;
Apesar das limitações do presente estudo, nome- uma deficiente hidratação. • Comissão Europeia, Relatório de síntese sobre a qualidade da água para consumo humano na UE,
adamente, a falta de caracterização social, econó- O acompanhamento aos alunos e respectivas fa- que analisa os relatórios dos Estados-Membros para o período de 2008-2010, em conformidade
mica e grau de escolaridade dos projenitores dos mílias, no que respeita aos hábitos de ingestão de com a Diretiva 98/83/CE, COM(2014) 363 final, disponível em:http://ec.europa.eu/environ-
inquiridos, a limitação da amostra a uma determi- água e o planeamento do consumo de água em pe- ment/water/waterdrink/pdf/report2014;
nada área geográfica e terem sido consideradas vá- ríodos em que se acentue a actividade física e men- • EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition, and Allergies (NDA); Scientific Opinion on Dietary
lidas todas as respostas dos inquiridos, foi possível tal, poderá constituir uma aposta numa estratégia reference values for water. EFSA Journal 2010; 8(3):1459. [48 pp.]. doi:10.2903/j.efsa.2010.1459.
constatar a relevância do tema junto desta faixa eficaz de promoção da ingestão adequada de água Disponível em: www.efsa.europa.eu
etária. Não se pretende, que o presente estudo se entre as faixas etárias dos alunos do 3ºe 4º anos • Evaristo Eduardo de Miranda, Água na natureza, na vida e no coração dos homens. Campinas,
baste a si mesmo, muito pelo contrário. Pretende- do 1º ciclo, inclusivamente através da inclusão 2004;
mos que ele seja um ponto de partida para poste- deste tema nos programas curriculares, associan- • Gina Rubi, Manuel Salgado, O equilíbrio da água no organismo, 2009;
riores estudos e investigações sobre uma matéria do a actividades estimulantes, e ao mesmo tempo • José Macieira, Calor, Desidratação e Degradação Muscular no Exercício, 2009;
que pautamos de particular importância, quer na educativas nesta área. Deste modo um Naturopata • Kathleen M. Zelman,6 Reasons To Drink Water, WebMD Archive, 2008;
área da prevenção, quer do tratamento de diversas poderá surgir como elemento contribuinte na deli- • Livingstone, M. B. E., Robson, P. J., Wallace, J. M. W. (2004). Issues in dietary intake assessment of
patologias. Esta preocupação tem vindo a ser ma- neação, implementação e avaliação dessas mesmas children and adolescents. British Journal of Nutrition, 92 (Suppl 2), S213-S222;
nifestada ao nivel da Europa, estando a Comissão estratégias. • Lopes, C., Oliveira, A., Santos, A. C., Ramos, E., Gaio, A. R., Severo, M., Barros, H. (2006). Con-
Europeia, a levar a efeito uma consulta sobre a sumo alimentar no Porto. Porto: Carla Lopes;
política da água potável da UE, de forma a verifi- • O equilíbrio da água no organismo, Gina Rubi, Manuel Salgado, pag.99., 2009
• Simon Thornton, Professor in Neurosciences at the Faculty of Sciences, University of Lorraine,
Nancy, France, 2010;
• Stookey JD, Brass B, Holliday A, Arieff A. What is the cell hydration status of healthy children in
the USA, Preliminary data on urine osmolality and water intake. Public Health Nutr 2012;
• Vasey, Christopher. The Water Prescription: For Health, Vitality, and Rejuvenation. Healing Arts
PALAVRAS-CHAVE: Press, Vermont, 2006.
Água, Crianças, Hábitos de consumo, Nutrição, Naturopatia. • Website da European Hydratation Institute, 2014
• Wrieden, W. L., Longbottom, P. J., Adamson, A. J., Ogston, S. A, Payne, A., Haleem, M. A., Bar-
ton, K. L. (2008). Estimation of typical food portion sizes for children of different ages in Great
Britain. British Journal of Nutrition, 99, 1344-1353;

14 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 15
O PAPEL DA FÁSCIA Nas últimas décadas do século XX, a quantidade
de estudos sobre a fáscia aumentou significativa-
mecanismo de funcionamento da acupunctura no
organismo, sem conseguir esclarecer totalmente

na Medicina Chinesa mente, sendo que estes estudos nos mostraram


que este tecido tem um papel bastante mais com-
este mecanismo.
Não é nenhuma surpresa que o Ocidente tenha
Parte 1 plexo e abranjente no organismo, sendo essencial dificuldade em aceitar qualquer metodologia que
para o crescimento e suporte do mesmo. No pri- não possa ser explicada em termos palpáveis. Li
Paola Augusta Kemenes meiro International Fascia Research Congress em 2007, Ping, em seu livro “El Gran Libro de la Medici-
paola_augusta@hotmail.com a fáscia foi definida como: “a componente de tecido na China” diz sobre este assunto: “enquanto no
mole do tecido conjuntivo que permeia o corpo, formando Oriente os conceitos podem ser abstratos, no Oci-
uma matriz contínua, tridimensional que dá suporte es- dente existe uma necessidade de bases palpáveis e
Resumo: trutural a todo o corpo. Ele interpenetra e envolve todos científicas para que qualquer método de trabalho
os órgãos, músculos, ossos e fibras nervosas, criando uma tenha credibilidade” (Li Ping, 2002)
Durante décadas a comunidade científica vem buscando encontrar a explicação científica para o fun- integração para o funcionamento dos sistemas do corpo.” A fáscia, segundo mostram os estudos mais re-
cionamento da acupunctura, e a falta de respostas durante este tempo trouxe a esta prática milenar (Findley & Shalwala, 2013) centes (Myers, 2009; Findley, 2012; Langevin,
um olhar de desconfiança do Ocidente. Na última década, com a evolução dos estudos sobre o tecido A fáscia promove suporte mecânico, movimento, 2009), pode ser uma espécie de “elo perdido” nos
conjuntivo e seu papel no organismo, muitos pontos começam a ser esclarecidos. Esta revisão mostra
transporte de fluidos, transporte celular, contro- estudos sobre o funcionamento da acupunctura,
em 2 partes, as mais recentes descobertas que colocam a fáscia como a base física e energética para
o funcionamento da acupunctura. Nesta 1ª parte apresentam-se os estudos sobre o papel da fáscia la o metabolismo em outros tecidos e fornece esclarecendo alguns conceitos em uma lingua-
no DeQi e na localização dos pontos de acupunctura e em uma próxima edição a 2ª parte mostrará ao corpo globalidade. Ao conectar todo o corpo gem palpável, de fácil compreenssão para a mente
a revisão sobre o trajecto dos meridianos. Com esta informação, mostra-se a acupunctura por uma em uma rede única sem interrupções, a fáscia é ocidental, o que auxilia sobremaneira a aceitação
visão palpável e compreensível para a mente ocidental relacionando esta prática milenar a estruturas o tecido capaz de transmitir informações a lon- desta metodologia nos países Ocidentais, especial-
anatómicas, mostrando assim que o uso da acupunctura pode estar perfeitamente inserido na prática ga distância. O equilíbrio e a integridade da fáscia mente pela comunidade médica.
da medicina moderna. refletem-se na homeostase do organismo ou no Com os dados obtidos nestes estudos mais recen-
desequilíbrio do mesmo. tes, pode-se dizer que a fáscia (rede de tecido con-
Provavelmente o termo globalidade, ou rede única juntivo) é a estrutura física por onde passa o Qi. É
sem interrupções, ou ainda outros termos indi- sobre este tecido que estão localizados os canais
cando a capacidade deste tecido percorrer todo o energéticos ou meridianos, e quando algo não está
■■ Introdução termo “fáscia” significa banda (um longo e estrei- corpo chamou a atenção de alguns membros da bem com a fáscia o organismo irá estar em dese-
to pedaço de material). classe científica, especialmente os ligados a estu- quilíbrio (Langevin e Yandow, 2002).
Há mais de 100 anos atrás, quando o Ocidente O estudo da fáscia não avançou durante muito dos de circulação de energia no corpo e os ligados Em condições normais a fáscia deve ser flexivel e
descobriu a Medicina Tradicional Chinesa, ou tempo já que sua observação em cadáveres estava a terapias manuais e holísticas. deslizante. As restrições e aderências na fáscia que
quando Andrew Taylor Still fundou a Osteopa- longe de refletir a complexidade do seu papel no Em 2000, em seu livro Energy Medicine, James Osh- podem ocorrer por stress, traumatismos, más pos-
tia (Still abriu a American School of Osteopathy em organismo. Na verdade a própria fragilidade da man diz que a trama do tecido conjuntivo é uma turas, etc, tornam a fáscia mais rígida e encurtada,
1892), a fáscia era vista somente como um tecido fáscia, sendo um tecido finíssimo tornava quase rede de comunicação semicondutora que pode levando a dor, restrição de movimentos e mau
de proteção e sustentação, um tecido que envolvia impossível um estudo mais aprofundado. transportar sinais entre todas as partes do corpo, funcionamento dos órgãos. Qualquer problema
outros tecidos. Na verdade, em latim clássico o e ainda tem a capacidade de gerar energia já que na fáscia afeta e muitas vezes cria problemas de
cada movimento e cada compressão do corpo faz saúde para os quais não existe qualquer explicação
com que a grade cristalina do tecido conjuntivo dentro dos métodos de diagnóstico da Medicina
gere sinais bioelétricos. Assim qualquer movimen- Ocidental.
* Síntese curricular: to do corpo produz e faz circular energia e infor- Os desequilíbrios da fáscia não aparecem em exa-
mações. (Oschman, 2000) mes e métodos complementares de diagnósticos,
Licenciada em Engenharia Zootécnica pela Universidade Estadual Paulista Especialização pela Universidade do Arizona. Esta capacidade condutora da fáscia desperta a e podem ser a razão pela qual, já há milhares de
Mestrado em Genética Molecular pela Universidade de São Paulo. Diplomada em Massagem e Medicina Chinesa pelo Ins- atenção de outro grupo de pesquisadores: aque- anos a Medicina Chinesa saber avaliar os desequi-
tituto Português de Naturologia. Terapeuta da área de massagem e acupunctura. les que há décadas vinham tentando perceber o líbrios do corpo antes mesmo destes tornarem-se

16 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 17
perceptíveis. Assim, apesar da acupunctura e das cas demonstraram que nas regiões dos acu- outras vias de transmissão (Mattos, 2010). do lacunar. Com exceção do líquido lacunar, todas
descobertas mais recentes sobre o tecido conjun- puntos existem numerosos ramos nervosos, Uma série de estudos no final do século XX se- as outras substâncias são sintetizadas pelas célu-
tivo e seu papel no corpo estarem separados por plexos e terminações neurais. Estes estudos guem mostrando o papel do tecido fascial na acu- las do próprio tecido conjuntivo, os blastos, cuja
milhares de anos, a acupunctura e a fáscia parecem falharam porém na compreenção das estrutu- punctura, e os cientistas viram aqui uma possibili- nomenclatura varia dependendo da localização do
estar intimamente relacionadas. ras envolvendo os meridianos. dade de através desta relação responder a dúvidas tecido (osteoblastos, fibroblastos, condroblastos,
no mecanismo de funcionamento da acupunctura etc.) (Bienfait, 2004; Culav et al., 1999).
■■ A Acupunctura e o Ocidente – A 2. Modelo neuroquimico ou neurohumoral que nunca tinham ficado totalmente clarificadas A matriz extracelular formada então pelas proteí-
Necessidade de Confirmação – envolve o efeito mais estudado da acupunc- nos modelos de estudo usados anteriormente. nas estruturais fibrosas (colágeno e elastina), pelas
tura, o efeito analgésico. Este modelo mostra Esta revisão pretende mostrar estes novos concei- glicoproteínas adesivas e pelo gel de proteinogli-
A acupunctura começou a ser praticada com mais que a acupunctura estimula a produção de tos e novas relações entre o conhecimento Oci- canos, é mais abundante que as próprias células
ênfase no ocidente a partir da década de 60, e a substâncias como endorfinas e serotoninas ou dental e a filosofia Oriental. do tecido conjuntivo. É a matriz que determina as
medida que a acupunctura vai conquistando espa- estimula a ligação destas substâncias a seus re- propriedades físicas do tecido e a forma do mes-
ço como uma opção terapêutica, cresce o interesse ceptores, no entanto, a sua explicação para os ■■ A Fáscia mo em cada local e regula a actividade de suas
e a necessidade de explicar esta metodologia em efeitos sistémicos da acupunctura carece ainda próprias células. Essencial ainda é que a matriz
termos científicos. No ocidente o método cientí- de confirmação. A palavra fáscia, usada no singular por ser um te- extracelular distribui as tensões dos movimentos e
fico visa dar objetividade as nossas observações cido único, representa um conjunto membranoso da gravidade pelo corpo, gerando equilíbrio ou de-
empregando a experimentação com controlo de 3. Modelo bioelétrico – este modelo surgiu muito extenso no qual tudo está ligado em conti- sequilíbrio, ou na linguagem da Medicina Chinesa
alguns parâmetros enquanto se investigam outras quando as análises anatomicas foram incapa- nuidade, uma entidade funcional que traz globa- saúde ou doença.
variáveis. zes de explicar os meridianos da acupunctura lidade ao organismo. Este tecido se espalha por
Na área da saúde normalmente os estudos seguem e seu trajecto. O modelo bioelétrico revelou todo o corpo, formando uma rede ou teia contí- ■■ Colágeno e Elastina
duas linhas: o estudo dos mecanismos de ação e que as áreas cutâneas onde se situam os pon- nua desde o alto da cabeça até a ponta dos dedos
a eficácia terapêutica, e no caso da acupunctura tos de acupuntura, assim como a trajetória dos dos pés, envolvendo fibras musculares, grupos O colágeno e a elastina são as duas fibras prin-
ambos trouxeram grandes dificuldades para a co- canais energéticos, apresentam maior conduti- musculares, vasos sanguíneos, nervos, e todos os cipais da matriz extracelular. A proporção entre
munidade científica. Neste trabalho nos interessa vidade elétrica. A base deste modelo foi a já componentes do corpo, desde grandes órgãos até colágeno e elastina varia dependendo da localiza-
o papel da fáscia no mecanismo de ação da acu- descoberta ligação dos pontos de acupunctura a mais pequena célula formando o tecido conjun- ção do tecido conjuntivo, sua função principal e
punctura e por isso os trabalhos sobre a eficácia com áreas de concentração do sistema nervo- tivo, que representa 70% dos tecidos do corpo estímulos externos sobre este tecido.
terapêutica poderão ser consultados em outras so. O funcionamento do sistema nervoso, cria humano (Bienfait, 2004). Promove suporte me- A elastina, proteína de longa duração, é estável e
fontes. um campo eletromagnético, pois a condução cânico, movimento, transporte de fluidos, trans- tem baixa taxa de renovação. É responsável pela
Até antes de 2000, os trabalhos existentes podem dos impulsos nervosos envolve uma grande porte celular, controla o metabolismo em outros maior parte da elasticidade dos tecidos permitindo
a grosso modo ser divididos em 3 grandes grupos: movimentação de íons a pequenas distâncias e tecidos e fornece ao corpo globalidade. É preciso aos seus filamentos deformarem-se quando ten-
os estudos de anatomia; o modelo neuroquímico cargas elétricas oscilando que geram um cam- ter a noção inequivoca que este tecido fornece in- sionados, podendo estender-se 150% e retomar
e o modelo bioelétrico (Jayasurya, 1995; Lewith, po eletromagnético. tegridade ao organismo, sem a qual seríamos um sua forma anterior. Não é conhecido qualquer
1985): aglomerado de células e tecidos desorganizados e mecanismo que estimule a produção de elastina,
Apesar de estes modelos de estudo evidenciarem sem comunicação entre si. mas sabe-se que a quantidade de elastina encon-
1. Estudos de anatomia – envolvendo normal- e esclarecerem algumas das propriedades terapêu- O tecido conjuntivo é formado pelas células do trada no tecido reflete a quantidade de stress me-
mente dissecação anatómica, onde os cientis- ticas da acupunctura, longe estão de substanciar tecido conjuntivo e por sua matriz extracelular, cânico imposto a este e a solicitação de deforma-
tas procuraram relacionar a anatomia do cor- muitos dos resultados obtidos pelos acupuntores. sendo que ao contrário de outros tecidos como ção reversível (Culav et al., 1999).
po, tanto macroscópica como microscópica, Por exemplo, o modelo bioeléctrico não é capaz a pele, ou os músculos que dependem prioritaria- O colágeno, proteína de curta duração, modifi-
em busca de estruturas que correspondessem de explicar porque o sinal causado pela estimula- mente das suas células constituintes, as proprie- ca-se a vida toda. É secretado de acordo com a
aos meridianos e aos pontos de acupunctura. ção de um ponto de acupunctura chega ao córtex dades do tecido conjuntivo dependem principal- tensão produzida pelo tecido. Tensões mais pro-
Diversos trabalhos conseguiram relacionar visual no cérebro mais rapidamente do que seria mente da quantidade, tipo e organização da sua longadas levam a deposição de colágeno em série
grande parte dos pontos de acupunctura com capaz através dos circuitos neurológicos conheci- matriz extracelular, formada por fibras (colágeno e assim os feixes de tecido conjuntivo ficam mais
o sistema nervoso. Observações microscópi- dos, mostrando que provavelmente o sinal utiliza e elastina), proteinoglicanos, glicoproteinas e líqui- longos, já tensões curtas e intermitentes densifi-

18 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 19
cam o colágeno e sua deposição dá-se em para- no tecido. O tecido conjuntivo vai ter mais destas ■■ Fluido Intersticial e Circulação efeito biomecânico do De Qi pode ser chamado
lelo formando feixes conjuntivos mais resistentes cadeias de glicoproteínas e portanto mais hidrata- de Água Livre de compressão da agulha (needle grasp 1) (Helms,
e compactos, porém com menos elasticidade. ção quanto mais sujeito for a cargas de compres- 1995).
Quanto mais feixes de colágeno o tecido tiver, são como é por exemplo o caso das articulações. O fluido intersticial preenche todos os espaços Durante algum tempo a explicação fisiológica para
menos elástico ele será. De qualquer forma a ca- Desta forma os proteinoglicanos tem a função de livres entre as células do tecido conjuntivo, entre a compressão da agulha era a contração da mus-
pacidade de alongamento do colágeno é bastante dar rigidez a matriz extracelular, resistindo a com- os feixes de colágeno e entre a rede de elastina. culatura esquelética (Gunn e Milbrandt, 1977) o
restrita, menos de 10% (Mattos, 2010). pressão e preenchendo espaços. Este líquido, possui intensa actividade metabólica que entretanto não era suportado pelos resultados
Esta capacidade de modificação das fibras de Existem fortes evidências mostrando que a altera- com importante papel na nutrição dos tecidos e na quantitativos das pesquisas, já que a compressão
colágeno parece ser a grande responsável pelos ção da fisiologia do tecido conjuntivo associada ao eliminação de substâncias. É a partir deste líquido da agulha acontecia mesmo em locais onde não
desequilíbrios no organismo, já que uma das ca- stress mecânico, provoca uma mudança da quan- que se forma a linfa (Moore e Persaud, 2005). há musculatura esquelética como no pulso ou em
racterísticas fundamentais da fáscia é que o menor tidade e do tipo de cadeias de proteinoglicanos, Como foi colocado anteriormente, a densifica- punturas superficiais apenas atingindo a pele. No
tensionamento, seja ele activo ou passivo, repercu- o que altera também a forma habitual do tecido ção dos feixes de colágeno em resposta a tensões início dos anos 2000, Helene Langevin e sua equi-
te sobre o conjunto. Todas as peças anatómicas do (Bienfait, 2004). constantes, reduz o espaço extracelular e conse- pa na Universidade de Vermont, começaram a tra-
corpo desta forma estão ligadas entre si. As fibras quentemente o volume disponível para a circula- balhar com uma nova proposta: a de que o tecido
de colágeno tornam-se mais densas numa tenta- ■■ Glicoproteínas e Integrinas ção do fluido intersticial. envolvido na compressão da agulha era o tecido
tiva de defenderem o tecido de tensões, e desta Pelo fluido intersticial ocorre a circulação de água conjuntivo (Langevin et al., 2001).
forma o tecido fica mais sólido e menos elástico, As glicoproteínas assim como os proteinoglicanos livre, diferente da circulação de fluidos chamada Langevin propôs que a compressão da agulha
deixando de cumprir sua função mecânica e rece- possuem papel estrutural e metabólico no tecido circulação de água associada. A circulação de água se dá porque as fibras de colágeno e elastina do
bendo desta forma uma maior carga de tensões, conjuntivo. Formam o muco de tecidos e secre- livre é uma circulação rápida, que ocorre utilizan- tecido conjuntivo se enrolam e comprimem a
voltando a se densificar. Além da redução na mo- ções. Estas moléculas tem um importante papel do as mucinas hidrófilas dos feixes de colágeno agulha durante a rotação da mesma. Desta forma
bilidade e na elasticidade, a densificação do colá- em promover a conecção entre os componentes como “conductos”, uma vez que a fisiologia das uma ligação mecânica entre tecido e agulha é es-
geno deixa as fibras mais largas e reduz o espaço da matriz celular e entre o interior das células e a mucinas permite trocas osmóticas mediante alte- tabelecida e um sinal mecânico é transmitido. A
extracelular prejudicando a circulação dos fluidos matriz extracelular. Através deste papel, tem uma ração de densidade no meio interno. Marcell Bien- subsequente tradução deste sinal mecânico para a
(Culav et al., 1999). importante função de regulação, sendo capazes de fait diz sobre esta circulação: “...Não é ridículo resposta celular pode explicar os efeitos locais e
promover mudanças não só no formato das célu- pensarmos que essa circulação vital poderia ser distais da acupunctura.
■■ Proteinoglicanos las, como na proliferação e diferenciação celular a circulação energética dos acupuntores. Ambas O enrolar das fibras do tecido conjuntivo ao redor
(Ingber, 1998). as circulações de água livre e de água associada, da agulha, resulta numa grande ampliação da co-
Segundo componente mais abundante na matriz As integrinas constituem a principal família de dependem do movimento da fáscia e confirmam nexão mecânica entre a agulha e o tecido conjun-
extracelular. São macromoléculas solúveis com receptores da superfície celular que intervém na a noção de globalidade deste tecido” (Bienfait, tivo no local da inserção. Existe porém logo
um papel estrutural e metabólico. Algumas fun- fixação da célula à matriz extracelular. A impor- 2004). no início da inserção, uma força que estimula as
ções metabólicas importantes destas moléculas tância das integrinas é reforçada pelas funções fibras a começarem a se enrolar na agulha, sen-
são a hidratação da matriz, a manutenção da esta- que desempenham numa ampla variedade de ■■ A Fáscia e a Sensação de De Qi do que esta força parece ser derivada da tensão
bilidade da rede de colágeno e assim a habilidade processos bilógicos. As integrinas transmitem superficial da agulha, somada a atração elétrica
de resistir a forças de compressão (Bienfait, 2004; informações de tensão e compressão da matriz Um dos fenômenos ligados a prática da acupunc- (Langevin et al., 2001). Uma vez que o tecido
Culav et al., 1999). extracelular para o interior das células inclusive tura e que intriga os cientistas há décadas é a cha- conectivo é formado por células envolvidas pela
Os proteinoglicanos ligam-se de forma covalente para o núcleo, e com isso regulam a organização mada sensação de De Qi. Esta sensação é descrita matriz extracelular contendo fibras de colágeno
a uma ou mais cadeias de glicosaminoglicanos. As do citoesqueleto e modulam processos celulares de muitas formas pelos pacientes: na forma de e elastina associadas a glicoproteinas e proteino-
cadeias de glicosaminoglicanos tem carga negati- como proliferação e diferenciação celular, migra- ardor, pressão, choque, calor, etc e muitos auto- glicanos de carga negativa (Aumailley e Gayraud,
va e criam um potencial osmótico que faz com ção e posicionamento das células, ou simpesmente res consideram o De Qi essencial para o resultado 1998), a atração elétrica deve ocorrer entre o metal
que a matriz extracelular absorva água das áreas o tamanho e formado das mesmas (Dieter, 2005). positivo da prática da acupunctura. Enquanto o da agulha e as cargas do tecido. Esta força de atra-
envolventes o que auxilia na manutenção da hidra- paciente sente o De Qi, o terapeuta sente como se
1 Nos trabalhos científicos utilizados neste capítulo o termo utilizado
tação da matriz, sendo que o grau de absorção vai o tecido em volta da agulha se tivesse contraído e pelos autores é “needle grasp”, que traduzi como compressão da agulha
na falta de um termo mais correcto, já que o termo grasp ilustra melhor
depender do número de cadeias de glicoproteínas segurasse a agulha com mais força, sendo que este a capacidade do tecido em envolver a agulha durante o estímulo da acu-
punctura.

20 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 21
ção é fraca, mas com força suficiente para iniciar o enrolamento das fibras na agulha especialmente dado ao
pequeno diâmetro da mesma.

Uma vez que a agulha de acupunctura esteja acoplada ao tecido, os movimentos feitos na agulha enviam
um sinal através do tecido conjuntivo pela deformação da matriz extracelular como mostra a Figura 1 e a
Figura 2.

Langevin observou que depois da manipulação da agulha, as fibras de colágeno estavam mais retas, mais pró-
ximas e mais paralelas. É esta alteração no formato das fibras que causa uma transmissão de sinal mecânico
através da matriz extracelular e através do citoesqueleto dos fibroblastos e de outras células do tecido que
sofrem uma reorganização activa, este sinal atinge o interior das células, o que deve contribuir para os efeitos
terapêuticos da acupunctura (Lavengin et al, 2007). A reorganização do citoesqueleto em resposta ao sinal
mecânico recebido pela matriz extracelular pode induzir contração celular, migração ou síntese de proteínas
(Maniotis et al., 1997). Figura 2: Formação de uma espiral no tecido conjuntivo com a rotação da agulha em tecido conjuntivo observado ao
microscópio. Os números de 0 a 7 mostram o número de rotações efectuadas na agulha (Langevin e Yandow, 2002).
A tradução do sinal mecânico para o interior das células com a subsequente resposta celular e seus efeitos em
cadeia, podem explicar o porquê dos tratamentos de acupunctura terem efeitos que duram por muitos dias
ou semanas, ou mesmo resolvem o problema de forma permanente. Além da acupunctura, outras formas de terapia manual tem a capacidade de causar deformação no tecido
conjuntivo, e assim produzir um sinal mecânico pelo tecido. Uma das técnicas dentro da Medicina Chinesa
com esta capacidade além da acupunctura é o Gua Sha, usado pelos terapeutas para aplicar força de com-
pressão ao paciente. Esta aplicação de força concentrada e localizada não é possível apenas com as mãos. A
estimulação mecânica feita neste caso nos tecidos moles, resulta em uma produção de factores mecânicos de
crescimento que activam e modificam células musculares e o tecido conjuntivo (Findley et al., 2012)

■■ A Fáscia e os Pontos de Acupunctura

O ideograma Chinês que representa o ponto de acupunctura também significa “buraco”, o que dá a idéia
que os pontos são como fendas no tecido onde a agulha pode penetrar mais profundamente e ter acesso a
componentes mais profundos do tecido (O’Connor e Bensky, 1981) (Figura 3).

Figura 1: A imagem da esquerda mostra a inserção da agulha no tecido conjuntivo e a


direita mostra que com a rotação da agulha as fibras de colágeno representadas pelo ama-
relo enrolam-se na agulha. Os fibroblastos são atraídos por este sinal mecânico e o sinal chega ao
citoesqueleto representado pela área rosa escuro da figura (Langevin et al., 2001).

Figura 3: ideograma Shu simplificado, usado de


maneira geral para representar todos os pontos do
corpo. O termo Shu tem diversas representações e
diversos significados. (Zhang, 2006)

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Os textos de acupunctura mais recentes relacionam a localização dos pontos a estruturas anatómicas e me- ■■ A Fáscia e o Trajecto dos Meri- dianos” ou trilhos miofasciais formam linhas pelo
didas específicas, mas apesar destas referências a melhor forma de encontrar o ponto exacto é através da dianos corpo por onde são distribuidas trações, tensões,
palpação, durante a qual o acupuntor procura por uma depressão leve ou mesmo pela sensação de ceder do fixações, compensações e a maioria dos movimen-
tecido a uma pressão suave (Langevin e Yandow, 2002). Os meridianos tão procurados por anatomistas, tos do corpo. Ao todo Myers descreve 12 linha
parecem afinal estar relacionados a linhas miofas- tensionais que se interconectam e dão sustentação
Tradicionalmente a acupunctura é feita em pontos específicos do corpo, os pontos de acupunctura ao longo ciais de tensão criadas ao longo do corpo. biomecanica a todo corpo2. (Myers, 2009)
de meridianos descritos á milhares de anos. Muitos destes locais como os estudos anteriores mostram resi- Este tema ficará para a 2ª parte desta revisão, onde Um dos fundamentos básicos utilizados por
dem sobre lâminas de tecido fascial entre os músculos ou entre músculos e tendões. Seguindo esta estrutura, se irá destacar o trabalho de dois autores que pa- Myers para definir os trilhos miofasciais foi a di-
quando a agulha é inserida no ponto correcto, irá penetrar primeiro através da derme e tecido subcutâneo recem ser se não os únicos, mas os primeiros a recção e profundidade das fibras fasciais encon-
e em seguida no tecido conjuntivo intersticial, enquanto que por outro lado se a agulha for inserida fora do desenvolver um conceito mais profundo relacio- tradas. Segundo ele, os trilhos miofasciais devem
ponto correcto irá penetrar a derme e o tecido subcutâneo e depois chegar a uma estrutura como um osso nando a fáscia com a regulação e movimentação prosseguir em uma direção e profundidade con-
ou um músculo, como mostra a imagem na Figura 3 do corpo, assim como com o equilíbrio do corpo sistente através de conexão directa pela membra-
de forma global. na fibrosa ou indirecta, conectadas por meio de
Phillip Beach é um Osteopata australiano que na uma junção óssea interposta. Mudanças bruscas
década de 80 começou a estudar Medicina Tra- de direção ou profundidade acabariam por anular
dicional Chinesa e desenvolveu alguns conceitos a capacidade do trilho miofascial em transmitir a
interessantes sobre os meridianos da acupunctura. tensão para o próximo elo da cadeia. Segundo a
Em seu livro “Muscles an Meridians – The Manipu- noção de globalidade da fáscia, qualquer lesão no
lation of Shape”, Beach diz que os meridianos são trilho miofascial pode gerar problemas em toda a
linhas que parecem não seguir nenhuma estrutura cadeia e atrapalhar a transmissão de tensão. Em
anatómica, alguns seguem em linha reta, outros termos clínicos, ele conduz a um entendimento
em zigue-zague. Nesta altura este autor já suge- diretamente aplicável de como problemas doloro-
ria que os meridianos deveriam seguir as linhas da sos em uma área do corpo podem estar ligados
fáscia, porém ele próprio comenta que uma vez a uma região totalmente “silenciosa” e até certo
que a fáscia está em toda a parte, naquela altura ponto distante desse problema. Dessa forma o co-
Figura 3: O ponto VB 32 (Zhongdu) situado no tecido conjuntivo de conexão entre os músculos esta afirmação acabava significando zero. (Beach, nhecimento dos trilhos permite ao terapeuta defi-
bíceps femoral e vasto lateral, e em preto o ponto de controle. Da mesma forma na figura da 2010) nir uma estratégia de tratamento global em todo o
direita o IG 14 (Binao) entre os planos fasciais e o ponto de controle (Lavegin e Yandow , 2002) Uma década depois, outro terapeuta, Thomas trilho afetado, uma estratégia holística.
Myers que nos anos 90 ensinava Anatomia Mio- O conceito de que a fáscia conecta o corpo como
Helene Lavegin analisou imagens de cortes transversais do braço com a localização de pontos dos 3 me- fascial no Instituto Rolf começou a exclarecer o um todo em uma trama sem fim não é antagô-
ridianos Yin que por aí passam (Coração, Pulmão e Pericárdio) e dos 3 meridianos Yang (Intestino Grosso, paradigma de Beach e mostrar que apesar da fáscia nico ao conceito músculo – osso apresentado na
Intestino Delgado e Sanjiao) e verificou que 80% dos pontos de acupunctura deste meridianos localizam-se estar em todo o corpo e em cada célula, a pos- descrição anatómica usual, ao contrário, é comple-
em clivagens de planos fasciais, onde a agulha ao ser inserida encontrará uma maior quantidade de tecido sibilidade de relação com os meridianos da acu- mentar. Quando uma parte do corpo se movimen-
conjuntivo em relação aos pontos de controle. punctura era real. Myers começou a desenvolver ta, o corpo responde como um todo e funcional-
James Fox junto com Helene Lavegin, em 2008 (Fox et al., 2008) fez um estudo através de imagens de ul- junto com seus alunos um trabalho exaustivo na mente o único tecido ao qual se pode atribuir essa
trasom durante a puntura no ponto VB 32 (Zhongdu) e num ponto controle próximo (Figura 3). Para evitar área das cadeia miofascia. Nesta altura todos os resposta é o tecido conjuntivo.
qualquer alteração mecânica na puntura, a mesma foi feita de forma computadorizada, por isso sempre igual livros mostravam a teoria de músculos individual- Phillip Beach corrobora este conceito em sua te-
em todos os locais. mente, mas Ida Rolf dizia sempre que tudo estava oria de “campos contrácteis”, onde desenvolve
Os resultados deste trabalho mostraram que a capacidade das fibras do tecido conjuntivo se enrolarem na conectado através da fáscia. Este trabalho resul- um modelo de compreensão biomecânica de todo
agulha de acupunctura é maior no ponto de acupunctura em relação ao ponto controle, e que o estímulo tou na publicação em 2001 da primeira edição de o corpo, não só da musculatura, mostrando que
mecânico criado pela agulha, se propaga por mais tempo e a maior distância no ponto de acupunctura. seu livro “ Anatomy Trains”. Myers, desenvolveu as
relações diretas e indiretas entre músculos e movi- 2 Para evitar equivocos, uma vez que Myers chama suas linhas de me-
ridianos miofasciais, neste trabalho as linhas de Myers receberão o nome
mentos, e no seu trabalho mostra que estes “meri- de trilhos e o uso do termo meridianos será exclusivamente para os me-
ridianos da medicina chinesa.

24 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 25
cada célula individual tem elementos contrácteis, Partindo-se do princípio que mesmo uma ener- imobilizada, pode afetar outras áreas ou mesmo A acupunctura é capaz de proporcionar uma al-
já que tudo está envolvido pela fáscia, sugerindo gia subtil precisa de um meio físico para fluir e afetar o corpo inteiro já que o suave fluxo de Qi teração no tecido fascial através do enrolamento
que desde a pressão sanguínea até a função dos se manifestar, e baseado nos estudos que foram ficará comprometido. Da mesma forma quando das fibras de colágeno ao redor da agulha e da ca-
rins afeta os padrões de movimento e forma do apresentados, pode-se definir que a fáscia é a base um bloqueio ou uma cicatriz é tratada, ela libera deia de eventos gerados por esta transmissão de
corpo. Desta forma o modelo de Beach segue me- física por onde o Qi circula, e suas fibras são es- o fluxo de energia, transmissão nervosa e circula- sinal mecânico. Ainda está por ser determinado a
nos a anatomia da fáscia (como o de Myers) e mais senciais para a transmissão do sinal de acupunctu- ção sanguínea. maneira como cada uma das diferentes formas de
a lógica dos movimentos, relacionando posturas ra tanto em termos locais como à distância, pode- A circulação de água pela fáscia é essencial para manipulação da agulha de acupunctura afecta as
corporais com a facilidade em palpar os pontos mos dizer que a condição da fáscia será essencial a saúde do próprio organismo, assim como a hi- diferentes respostas celulares possíveis.
correspondentes a determinados meridianos da para um bom fluxo de Qi no organismo. dratação da própria fáscia, uma vez que a matriz A conexão entre mente e corpo tão importante na
acupunctura e sua relação superficial e profun- Em termos funcionais, a fáscia molda e dá forma extracelular deve estar banhada pelo fuido inters- Medicina Chinesa e por tanto tempo deixada de
da. Em seu trabalho Beach mostra ainda como a ao corpo. A estrutura da fáscia aumenta a resis- ticial. Assim quando este aspecto do corpo não lado pela medicina Ocidental é fundamental para
punctura de certos pontos altera a posição subtil tência, melhora a circulação sanguínea e absorve está bem, surgem bloqueios e com eles sinais de o bom funcionamento da fáscia e consequente-
do corpo e diz que a escolha dos pontos é uma choques, além de manter o corpo estruturado, desequilíbrio do organismo. Edemas que surgem mente a boa circulação do Qi. Imagine-se no papel
maneira de manipular a forma, sendo que forma e protegido e lubrificado. Permite que a estrutura pela imobilização, manchas na pele, espinhas, fu- dos pulmões tentando respirar plenamente numa
função estão profundamente correlacionadas. corpórea se mova facilmente, deslizando as lâmi- rúnculos, vermelhidão, são exemplos de estase do pessoa deprimida, curvada, sobre tensão. Imagi-
Ambos os autores citam-se mutuamente em seus nas fasciais uma sobre a outra à medida que nos líquido lacunar; dores agudas sem gravidade, do- ne-se no papel dos rins tentando filtrar o sangue
trabalhos e comentam não só a estreita relação dobramos e nos movemos. res que se irradiam ou ‘queimam’, a retração e o quando os seus ductos e vasos internos tem o es-
entre os conceitos que desenvolveram sugerindo- As restrições e aderências na fáscia e entre os te- encurtamento muscular, são bloqueios da fáscia. paço limitado porque a postura está contraída ou
-os como complementares, como ainda a relação cidos adjacentes, como no caso de traumatismos, Marcell Bienfait diz que a osteoartrose (densifi- o corpo caído para baixo. Imagine-se no papel do
entre seus trabalhos e a Medicina Chinesa. stress, processos inflamatórios, cirurgias, más pos- cação, calcificação e degeneração da cartilagem) fígado tentando purificar o sangue e eliminar de-
turas, etc, torna a fáscia mais sólida e encurtada, ocorre pelo mal funcionamento da bomba articu- tritos tóxicos ou metabólicos enquanto seu dono
■■ Conclusão criando pressões em áreas sensíveis, levando à dor, lar causada pela perda da elasticidade cápsulo-liga- está frustrado, enrijecido e afundado na cadeira.
restrições de movimento e mau funcionamento mentar-comum no processo de envelhecimento e Ajustar a postura corporal, trabalhar a mente de
Nesta primeira parte da revisão sobre o papel dos órgãos. Num trauma ou irritação o corpo cria pela ociosidade do homem moderno. De facto o forma positiva otimiza todos os aspectos do fluxo
da fáscia na Medicina Chinesa, pode-se ver que um tecido cicatricial para ajudar a reparar e a imo- próprio processo de envelhecimento do homem natural interior, o fluxo de Qi melhora quando se
apesar de a acupunctura e as descobertas mais bilizar a área, tal qual uma bandagem. Ela liga as é a densificação progressiva do tecido conjun- relaxa a postura corporal e aquieta a consciência e
recentes sobre o tecido conjuntivo e seu papel no estruturas como se fosse uma cola e se torna parte tivo, reduzindo o volume dos espaços lacunares esta capacidade de trabalhar em conjunto corpo
corpo estarem separados por milhares de anos, a estrutural da fáscia. A porção da fáscia que forne- e a circulação dos fluídos (Bienfait, 2004), o que e mente é fundamental na Medicina Chinesa, nas
acupunctura e a fáscia parecem estar intimamente ce lubrificação para a mobilidade, agora pode tor- na Medicina Chinesa chamamos de vazio de Yin Artes Marciais e em todas as terapias holísticas.
relacionadas. nar-se uma substância pegajosa e sólida. Isto pode causado pela idade e esgotamento dos fluidos or-
Actualmente os estudos mostram que funcional- inibir a circulação do sangue e da linfa, reduzir os gânicos.
mente a rede de tecido conjuntivo não promove movimentos do corpo, inibir a força dos músculos
apenas suporte para o corpo, mas também man- e comprometer as funções orgânicas. O fluxo de
tém o balanço do organismo ao regular os reflexos Qi será debilitado ou irregular e desequilíbrios irão
neurais, a actividade neuroendócrina, a imunidade e aparecer no organismo. Estudos mostraram que
através da reparação de danos em células e tecidos. pacientes com dores lombares crônicas possuem PALAVRAS-CHAVE:
Desta forma coloca-se a hipótese de que existe um a fáscia na região lombar mais densa e com fibras Fascia, Tecido conjuntivo, Meridianos, Tensegridade, De-Qi.
sistema de auto vigilância no corpo humano que mais desorganizadas do que pacientes sem dor
difere essencialmente dos nove sistemas funcionais lombar (Langevin et al., 2009).
(sistema digestivo, nervoso, respiratório, circulató-
rio, estrutural, glandular, urinario, imunológico e Temos que nos lembrar que a fáscia é continua
linfático) que regula através da fáscia o equilíbrio e ao longo do corpo, assim como a circulação de
a homeostase do organismo (Wang, 2007). Qi, assim quando uma seção dela se retrai ou fica

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28 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 29
■■ estudo de caso ■■ Definição de endodontia par craniano. A dor da NT afeta de maneira dra-
mática a qualidade de vida dos pacientes acometi-

Aplicação da anestesia Endodontia é a ciência que envolve a etiologia, a


prevenção, o diagnóstico e o tratamento das alte-
dos (Alves, 2004).
A dor é desencadeada por toque em determinados

com acupuntura numa rações patológicas da polpa dentária e das suas re-
percussões na região periapical e, por consequên-
pontos, pontos gatilho, ou por ações como lavar
os dentes, mastigar ou pode mesmo ser espontâ-

endodontia cia, no organismo (Leonardo, M.R., 2008).


Do ponto de vista etimológico, endodontia é
nea. Pode ter uma frequência elevada, sendo capaz
de repetir até 100 vezes por dia, o que leva a uma
a especialidade da odontologia que se ocupa do incapacidade total. A maioria dos pacientes define
Paciente com nevralgia do trigémeo (NT) bilateral interior do dente, mais especificamente, de um a dor como que relâmpagos que atacam a face,
tecido conectivo muito especifico que só se en- nomeadamente a zona da maça do rosto, perto do
Nuno Pacheco, André Santos * contra nos dentes, conhecido por polpa dentária nariz ou área da mandibula.
profnunopacheco@gmail.com, andresantos_ref@hotmail.com (Rodrigues-Ponce, 2003). É na parte da polpa, Muitas teorias foram propostas para explicar a fi-
onde se encontram as terminações nervosas e a ir- siopatologia da NT, mas nenhuma explica todos
rigação sanguínea do dente, que se centra o maior os aspetos clínicos desta condição. (Alves, 2004).
Resumo: interesse da endodontia, também conhecida por A NT tem um diagnóstico difícil, pois a ausên-
desvitalização, termo que por vezes está incorreto, cia de testes laboratoriais e anátomo-fisiológicos
A paciente, uma mulher de 51 anos, apresentava um quadro clinico com diagnóstico raro de nevral- pois o dente já não tem vida. objetivos e o amplo espetro de síndromes de dor
gia do trigémeo (NT) bilateral com sintomatologia dolorosa na zona do dente 17. Foi realizada a O elevado grau de conhecimentos sobre as ca- facial, tornam esta patologia difícil de diagnosti-
endodontia com a técnica anestésica por acupuntura e electroestimulação. Nenhuma outra forma de racterísticas anatómicas dos dentes e o aperfei- car para não-especialistas (Alves, 2004). Segundo
anestesia química foi utilizada neste procedimento. çoamento da técnica manual para compensar a Alves (Alves,2004), o diagnóstico da NT depende
Tendo como base a teoria básica da MTC, o protocolo utilizado foi: ID18 (Quanliao), E3 (Juliao),
inacessibilidade visual que se tem do local a tra- estritamente da história clinica e pelo preenchi-
4IG (Hegu), ponto 20 VG (Baihui) e o ponto dente e Shenemen de auriculoterapia. A corrente elé-
trica escolhida foi a denso-dispersa, própria para analgesia. balhar, exige que a endodontia implique uma série mento dos critérios da IHS – International Hea-
Após 15 minutos, foram feitos os testes de sensibilidade (negativos), iniciou-se o procedimento en- de fases que, a serem ignoradas, podem tornar um dache Society (Quadro I) e da IASP – Internatio-
dodôntico. A zona a tratar estava analgesiada e a dor da NT não foi ativada. tratamento endodôntico aparentemente simples, nal Association for the Study of Pain.
Conseguiu-se uma analgesia completa da zona a tratar, permitindo assim que o tratamento em causa em algo difícil e, muitas vezes, impraticável. (Bra- No caso em estudo, a NT bilateral ainda é mais
fosse realizado. Não foram registados os efeitos adversos da anestesia química por infiltração, nome- mante, M.B.,2004). rara, o que torna a recolha bibliográfica ainda mais
adamente, a boca dormente, alergia à anestesia química, dor pós operatória. É de salientar que qualquer tratamento endodôn- difícil. O tratamento médico da NT utiliza medi-
Num caso complexo como este de NT bilateral, a anestesia por electroacupuntura, foi a opção mais tico pode apresentar complicações ou mesmo aci- camentos antiepileticos (carbamazepina e oxcar-
vantajosa para a paciente. dentes, que necessitarão de outro tipo de interven- bazepina, os de primeira escolha) e caso falhem,
ções (Andretta, 2009). poder-se-á recorrer a procedimentos cirúrgicos.

* Síntese curricular:
■■ Nevralgia do trigémeo (NT): ■■ Acupuntura e analgesia
breve resumo
Nuno Pacheco - Licenciado em Ciências religiosas, pela UCP, Diplomado em MTC, Aromoterapia, reflexologia, Auriculo- Embora sendo uma medicina milenar, a acupun-
terapia, pelo IPN, Formador na Área de MTC, às disciplinas de Estrutura de meridianos e localização de Pontos (EMLP) e A nevralgia ou neuralgia do trigémeo apresenta tura não se pôde incorporar no arsenal terapêutico
Nutrição e Dietética, na perspetiva oriental(NUD). Exerce funções de terapeuta de MTC em várias Clinicas Médicas e de um quadro clinico típico e característico, que é di- ocidental até relativamente pouco tempo (Gau-
medicina Dentária, palestrante em congressos da área das terapêuticas não convencionais, autor de artigos em revistas da
fícil confundir com odontalgias (Loeser, 1985;Tei- dy,2006).
especialidade, vice-Presidente da Assembleia Geral da Apsana.
xeira, 1997; Siqueira, 2003). Os tempos mudaram e a pesquisa científica, alia-
André Santos - Diplomado em MTC, Shiatsu, reflexologia, Auriculoterapia, pelo IPN, Formador na Área de MTC às discipli- A NT é uma síndrome de dor cronica, carateriza- da à publicação de vários estudos, fazem, hoje, da
nas de auriculoterapia, Shiatsu e acupuntura. Pós-graduação em acupuntura pelo IPN. Exerce funções de terapeuta de MTC da por paroxismos de dor excruciante nos lábios, acupuntura uma ferramenta eficaz e de grande
em várias Clinicas Médicas e de medicina Dentária, palestrante em congressos da área das terapêuticas não convencionais, gengivas, bochechas, queixo e muito raramente na utilidade no campo da anestesia e, com particular
autor de artigos em revistas da especialidade; Presidente da Assembleia Geral da Apsana.
região enervada pela divisão oftálmica do quinto interesse e eficácia, na medicina dentária.

30 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 31
Reconhecida quer pela OMS quer por outros or- de se realizar a anestesia com acupuntura, facto nais de saída, com 3 correntes pré-defenidas: corrente de tonificação, corrente de dispersão e corrente denso-
ganismos internacionais, a acupuntura e a sua apli- que a paciente aceitou. De seguida os terapeutas -dispersa, a utilizada neste caso. O modelo em causa é dos mais atuais do mercado e ofereceu as garantias
cação na analgesia tem vindo a crescer e os relatos de acupuntura explicaram todo o procedimento, exigidas neste trabalho em clinica.
apresentados confirmam, mostrando evidências detalhadamente. Notou-se alguma apreensão ini-
científicas, a sua eficácia. Graças ao trabalho de- cial na paciente, que rapidamente, após a explica- Protocolo de pontos selecionados
senvolvido nos últimos anos, à realização de estu- ção de todo o procedimento, ficou mais descon- A seleção de pontos foi criteriosa, tendo em conta o objetivo principal, a analgesia. Contudo, o facto de a
dos e publicações de estudos efetuados segundo traída e confiante no tratamento. De realçar que a paciente sofrer de nevralgia do trigémeo bilateral, também pesou na escolha dos pontos de acupuntura.
as exigências da medicina baseada em evidências paciente nunca tinha realizado nenhum tratamen- Tal como diz Jeremy Ross (Ross,2005) a combinação de pontos aqui escolhida não tem a intenção de ser uma
(que, contudo, já não deve ter a pretensão de va- to de acupuntura e o seu desconhecimento sobre fórmula fixa. São dadas como diretrizes passíveis de modificação de acordo com as necessidades individuais
lidar tudo: só reúne 20% do consenso médico) se a terapia poderia ter ajudado a um “ certo medo”,( do paciente e estilo do terapeuta (Ross, 2005).
pôde incorporar a acupuntura em consultas hos- palavras da paciente) e alguma desconfiança. Certo é que a combinação proposta tem como princípios teóricos de combinação a base da teoria da me-
pitalares e médicas (Gaudy, 2006). Já na sala onde se iria realizar a endodontia, fo- dicina tradicional chinesa (MTC). Foi ainda utilizado pontos da auriculoterapia, como auxiliar da analgesia.
Não querendo fazer deste trabalho uma longa ram colocadas as agulhas de acupuntura e ligadas O protocolo por nós proposto é o seguinte:
abordagem científica exaustiva, tentaremos mos- à máquina de electroestimulação. Foi aplicada ID18 (Quanliao), E3 (Juliao) , 4IG (Hegu), ponto 20 VG (Baihui) e o ponto dente e shenemen de auricu-
trar, através deste caso prático, a aplicabilidade, uma corrente denso-dispersa/analgesia. Durante loterapia.
com sucesso, da anestesia com acupuntura, na 15 minutos a corrente foi sendo aumentada até
endodontia, numa paciente com nevralgia do tri- a paciente referir formigueiro na zona a tratar e
gémeo bilateral. uma certa dormência (Ver correntes no ponto
Segundo a MTC a nevralgia do trigémeo pode 4.3). Neste momento a médica dentista começou
ter a sua origem na invasão de vento frio na face, a realizar alguns testes de sensibilidade e perante
que pode ser facilitada por uma condição preexis- os resultados iniciou o procedimento endodônti-
tente de deficiência de Qi e Xue (ROSS,2005). A co no dente 17. Durante todo o procedimento foi
sua origem pode estar relacionada, também, com realizado shiatsu craniano à paciente, para relaxar.
problemas de dentes. Segundo Ferreira, (Ferrei-
ra, 2011), a MTC inclui a NT na dor facial e na Material Utilizado
odontalgia, sendo consideradas na sua etiologia O material utilizado foi escolhido pelas suas carac-
as agressões pelas energias perversas vento/frio e terísticas mais especificas, nomeadamente o tipo
vento/calor ou por subida à extremidade cefáli- de agulha e a máquina de electroestimulação. Não
ca do fogo interno que origina uma obstrução na apresentaremos o material necessário para a parte
circulação de Qi e de Xue, causando dor; fogo de dentária, nem o material de esterilização, pois é su-
fígado ou fogo de estômago, associados a raiva re- posto a sua utilização em qualquer procedimento
primida e preocupação, deficiência de Yin de Rim endodôntico, tais como luvas, máscaras e demais
ou a hábitos alimentares irregulares (Ross,2005). acessórios.
O seu tratamento em MTC deve ter em conta O tipo de agulha utilizada foram agulhas filifor-
simultaneamente quer as ramificações do nervo mes com cânula da medida 0,25x25 mm e 0,13x18
trigémeo e quer as causas da nevralgia de base do mm de liga metálica e com revestimento de co-
diagnóstico em MTC. bre, porque a condutividade é melhor, da marca Foto 1: Localização dos pontos de acupuntura (imagem real do caso em estudo)
TEWA, de fabrico chinês e controlo de qualidade
Preparação da paciente alemão. Esta agulha permite uma inserção rápida, A escolha destes pontos teve como principal preocupação a analgesia e a patologia da paciente, Nevralgia
Após a recolha de dados da grelha elaborada, pas- indolor, na maioria dos casos, de grande resistên- do Trigémeo bilateral. Porque se trata de uma área anatómica restrita, não utilizamos muitos mais pontos
samos para a preparação da paciente, tarefa levada cia e com uma condutividade excelente. que, segundo as suas ações em MTC, poderiam ser úteis num tratamento distinto da patologia da paciente.
a cabo pela equipa. Numa primeira fase a medica A máquina de electroestimulação utilizada foi da Como pontos locais, escolhemos o ponto 18 do ID e o ponto 3 do E.
dentista abordou a paciente para a possibilidade marca Hwato, modelo SDZ-IV, digital, de seis ca- O ponto 18ID – Quanliao - tem a sua localização na borda inferior do arco zigomático, perpendicular-

32 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 33
mente abaixo do ângulo externo do olho, na mar- tomas (Jarney, 2010)). Este ponto é considerado
gem anterior do músculo masséter (Jarney, 2010). um dos pontos mais importantes do corpo para frequência intensidade tempo
A profundidade de inserção foi de 0,3 a 0,5 Cun, a anestesia (combinado com pontos nas orelhas),
(Yu-Lin Lian,2005) obliqua, em direção à zona a pois move fortemente o Qi estagnado e descende
analgesiar. Este ponto tem como indicações a sín- o yang excessivo, aliviando, dessa forma, a dor e Corrente
10 hz 10 hz 5 MIN.
drome dolorosa miofascial (síndrome de Costen), acalma a mente (Jarney, 2010). Trata-se do ponto Denso-dispersa
nevralgia do trigémeo, espasmo facial, dor dentá- distal mais poderoso para tratar desordens da face,
ria, sinusite maxilar, transtornos gnatológicos. Na boca e órgãos sensoriais (Jarney, 2010). Nas suas
Primeiros sinais de
MTC a sua ação torna-o importante nos transtor- capacidades de tratamento podemos incluir uma 30 hz 15 hz 5 MIN.
formigueiro
nos faciais do vento-frio e vento-calor e alivia a lista bastante alargada de ações. Aqui apresenta-
dor (Ross, 2005). remos as que mais se adequam a este caso: dor
Efeito analgésico ativo.
facial, nevralgia do trigémeo (Ross, 2005), dor de
Inicio do procedimento 50 hz 20 hz 7 MIN.
O ponto 3 do E - Juliao localiza-se abaixo do dente, dor e rigidez da mandíbula (Jarney, 2010). endodôntico
arco zigomático, diretamente abaixo do 1E, ao A inserção foi de 0,5 a 0,8 cun perpendicular (Yu-
nível da extremidade inferior da asa do nariz, no -Lin Lian,2005).
músculo zigomático menor e, mais profunda- 60 hz 25 hz 5 MIN.
mente, no levantador do ângulo da boca (Yu-Lin Electroestimulação:
Lian,2005) (Jarney, 2010). A inserção foi de 0,2 a tipo de correntes e
0,5 cun, obliqua em direção à zona a analgesiar. frequências e duração Até final do
30 hz (tOLERADA procedimento
80 hz
As suas principais indicações são: congestão na- A partir de 1934 são efetuados os primeiros testes PELA PACIENTE)
endodôntico
sal, sinusite e dor na bochecha (Jarney, 2010), no de acupuntura com electroestimulação. Na década
entanto, pode ser utilizado na paralisia facial e na de 40 e 50, médicos japoneses começam a traba-
nevralgia do trigémeo (Ross, 2005). lhar com a electroacupuntura. Segundo Silvério- No início do processo, a corrente foi baixa para que a paciente se ambientasse, subindo gradualmente até à
-Lopes( Silvério-Lopes,2007), a justificativa, é a primeira sensação de formigueiro na zona a tratar. Após os primeiros 10 minutos de electroestimulação a pa-
O ponto 4 IG – HEGU, ponto Yuan – fonte, premissa de que somados os estímulos da agulha ciente referiu os primeiros sinais de formigueiro, aumentando-se a frequência e a intensidade para valores de
tem inúmeras variações para a localização, sendo e da electricidade há um maior efeito analgésico, 50hz e 20hz, respetivamente. Após 15 minutos de electroestimulação, foram realizados os primeiros testes de
recomendada a palpação da área inteira à procura mediado por opióides endógenos. O desenvol- sensibilidade: toque, frio. Os testes foram negativos à sensibilidade. Iniciou-se o procedimento endodôntico
dos pontos mais reativos (Jarney, 2010). No en- vimento desta técnica evolui muito nas últimas aos 20 minutos já com uma frequência e intensidade de 60hz e 25hz, respetivamente.
tanto a localização padrão mais comum é nas cos- décadas, sendo cada vez mais utilizada a electro- O procedimento endodôntico decorreu sem problema, a paciente nunca referiu dor nem desconforto. A fre-
tas da mão, ao lado do ponto médio do segundo acupuntura nas mais diversas áreas: dor, estética, quência e a intensidade foram aumentadas até ao limite de 80hz e 30hz, respetivamente. A electroestimulação
osso metacárpico, no músculo abdutor do polegar psiquiatria, anestesia. A corrente usada neste caso foi desligada após a conclusão do procedimento endodôntico.
(Yu-Lin Lian,2005). Segundo Jarney ,2010, a lo- foi a Denso-Dispersa, a mais apropriada para a A corrente denso-dispersa garantiu que todo o tratamento decorresse dentro dos parâmetros normais de
calização padrão é o centro do músculo, entre o analgesia. Trata-se de uma corrente com dois tipos analgesia, isto é, não foi sentida qualquer dor, nem desconforto. Em relação à NT, não houve sinais de ativa-
primeiro e o segundo osso metacárpico, no ponto de pulsos, onde um utiliza uma corrente tonifica- ção, nem antes nem depois do procedimento endodôntico.
mais alto da saliência do músculo interósseo dor- dora e outro, uma corrente que dispersa, sendo a
sal quando o polegar está aduzido, no nível do sensação no paciente, um período de estímulo e Resultados verificados
ponto médio do segundo osso metacárpico (Jar- outro de repouso, provocando assim uma maior Os resultados verificados confirmaram que a anestesia através da acupuntura funcionou. A paciente nunca
ney, 2010). libertação de opióides ou neuropétideos opióides revelou dor, mantendo-se durante todo o tratamento bem, confiante e sem revelar qualquer tipo de descon-
endógenos que modelam o processo bioquímico forto. A dor de ativação da NT não foi registada.
Por causa desse efeito extremamente poderoso da analgesia(Silvério-Lopes, 2007). De salientar que não foi usada qualquer anestesia química, ou qualquer outro método anestésico, à exceção
sobre o corpo e a mente, o IG4 talvez seja o pon- Sendo um processo gradual, de baixa intensidade da anestesia por acupuntura e electroacupuntura, em todo o procedimento endodôntico.
to de acupuntura mais usado de todo o corpo e e frequência até atingir a analgesia, definimos o Este decorreu sem intercorrências e foram realizadas todas as técnicas necessárias e especificas estabelecidas,
tem sido empregue na maioria das doenças e sin- procedimento segundo o quadro seguinte: a priori, para este tratamento.

34 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 35
■■ Conclusão
║║ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
A anestesia através da acupuntura e electroacupuntura permitiu realizar o procedimento endodôntico pro-
posto para este caso clinico. Foi conseguida uma anestesia completa da zona a tratar e não foi ativada a dor da • ALVES, T.C.A, AZEVEDO, G.S, CARVALHO,E.S., Tratamento farmacológico da Neuralgia
NT. Não foram registados os efeitos adversos da anestesia por infiltração, nomeadamente, a boca dormente, do trigémeo: Revisão Sistemática e Metanalise, Revista Brasileira de Anestesiologia, Vol.54, nº 6,
alergia à anestesia química, dor pós operatória. Novembro-Dezembro, 2004
Torna-se claro, que analisando em profundidade o caso a tratar, a anestesia por electroacupuntura, poderá • ANDRETTA, R., Endodontia clínica e considerações bibliográficas:a especialidade sustentada
ser uma solução bastante eficaz e sem os efeitos adversos da anestesia química por infiltração. Serão precisos pela literatura, Porto Alegre,2009.
mais casos para que os conhecimentos dos seus efeitos sejam divulgados e postos em prática. Uma dose • AUTEROCHE, B.;NAVAILH,P. O Diagnóstico na medicina chinesa, S.Paulo: Andrei, 1996
grande de desconhecimento, ou muitas vezes, falta de vontade, leva a que estes procedimentos anestésicos • BRAMANTE, M.B. et al. Acidentes e Complicações no Tratamento Endodontico – Soluções
complementares, sejam postos de parte. E nem se trata de um acréscimo significativo no valor monetário Clínicas, ed.2, 2004
dos tratamentos. • ERNST, T.; WHITE A., Acupuntura. Uma Avaliação científica. S.Paulo: Manole,2001
A anestesia através da acupuntura e electroacupuntura mostrou-se uma ferramenta de tratamento anestésico, • FERREIRA, António Almeida, Acupuntura Craniana na pratica clinica, Lidel, Lisboa 2001
em odontologia, capaz de obter resultados bem significativos, merecedores de novos aprofundamentos e • GAUDY, J.F, ARRETO C.D, Manual de anestesia en Odontoestomatologia, Masson, Elsevier,
novas áreas de aplicação. 2006
Num caso complexo como este de NT bilateral, a anestesia por electroacupuntura, foi a opção que mais • IASP, International Association for de study of pain, Ano Global contra a dor oro facial, Nevral-
vantagens trouxeram para a paciente. Os resultados obtidos são bastante animadores e capazes de, por si só, gia do Trigèmeo,2014ª.
merecerem mais atenção dos especialistas em odontologia. • JARMEY, C,; BOURANTINOS, I.; Pontos de Acupuntura, um guia pratico, SP, Manole, 2010
• LEONARDO M.R. Endodontia: tratamento de canais radiculares, princípios técnicos e
biológicos,v.2, 1ª reimpressão corrigida da 1ª ed., 2008, editora artes médicas Lda, São Paulo, 2008.
• LOESER, J.D. Tic doulourex and atypical facial pain. J Canadian Dent Assoc, v.15, 1985
• SIQUEIRA,J.T.T, CHING,L.H., Neuralgia idopática do trigémeo: diagnostico diferencial com dor
de origem dentária. JBA, Curitiba,v.3,n.10,abr/jun, 2003.
• MACIOCIA,G. Os Fundamentos da Medicina Chinesa, S.Paulo, Roca, 1997
• MACIOCIA,G. O diagnóstico em Medicina Chinesa, S.Paulo, Roca, 2006
• RODRIGUES-PONCE, A. Endodoncia.Consideraciones actuales, ALMOCA, CARACAS,2003
• ROSS, J., Combinações de Pontos de acupuntura: a chave para o êxito Clínico,ROCA, S.Paulo,
2003.
• SILVÉRIO-LOPES, S.M., Influencia da frequência estimulatória envolvida nos efeitos analgésicos
induzidos por electroacupuntura em cervicalgia tensional, Dissertação de Mestrado em tecnolo-
gias em saúde,Pontificia Universidade Católica do Paraná, Curitiba, PR,2007
• TEIXEIRA,M.J. Critérios de diagnóstico da dor facial atípica, In: SIMBIDOR,3,1997, São Paulo:
Simbidor, 1997
• YU-LIN LIAN, et al, Atlas Gráfico de acupuntura, um manual ilustrado dos pontos de acupun-
tura, Marburg, Konemann, 2005

PALAVRAS-CHAVE:
Analgesia Dentária, Acupuntura, Eletroacupuntura, Nevralgia do Trigêmeo, Endodontia.

36 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 37
A ACUPUNTURA NO ■■ Introdução cionar a terapêutica adequada a cada caso, com
base nos princípios de tratamento da Acupuntura

TRATAMENTO DE DTM E DOR Avaliação do problema


e sua relevância
como especialidade coadjuvante, registar e analisar
os respetivos resultados.

OROFACIAL Os distúrbios temporomandibulares (DTM) e a


dor orofacial são problemas que atingem grande ■■ Revisão de Literatura
parte da população e são causa, cada vez mais fre-
Luís M. S. Viegas quente, de consulta médica. A anatomia que envolve
luisv61@gmail.com Por definição, dor orofacial é toda a dor associada DTM e Dor Orofacial
Sérgio Ferreira a tecidos moles (pele, vasos sanguíneos, glândulas, Sumariamente, e reportando-nos apenas aos cons-
sergioferreira.naturologia@gmail.com músculos, estruturas nervosas) e mineralizados tituintes ósseos, a articulação temporomandibular
João Carlos Pinho (ossos, dentes) da cavidade oral e da face. A dor (ATM) é formada pela fossa mandibular e emi-
jpinho@fmd.up.pt relacionada com os DTM é um subgrupo comum nência articular (vertente posterior do túberculo
da dor orofacial, que com frequência é incorreta- articular) do osso temporal e pelo côndilo da man-
mente referida como síndrome da ATM. De facto, díbula, sendo considerada a mais complexa do
Resumo:
o termo DTM refere-se a problemas relacionados corpo humano. É classificada como uma diartrose
com a ATM e / ou estruturas associadas (De bicondílea pois é constituída por duas articula-
Os distúrbios temporomandibulares (DTM) e a dor orofacial são problemas que atingem grande
parte da população, relacionando-se quer com a região da articulação temporomandibular (ATM), Leeuw, 2013; Ferreira, 2010). Usualmente, essa ções, direita e esquerda, que não podem funcionar
quer com outras estruturas da cabeça, face, pescoço e da cavidade oral. dor pode ser referida na região da cabeça e / ou separadamente.
O objetivo deste trabalho foi estudar a ação da Acupuntura, como especialidade coadjuvante, no pescoço ou mesmo estar associada a cervicalgias, Como permite, ao mesmo tempo, executar movi-
tratamento de DTM e dores orofaciais. Pretendeu-se verificar os principais sintomas num grupo de cefaleias primárias e doenças sistémicas como fi- mentos de rotação e de translação, também clas-
pacientes com DTM e dores orofaciais, selecionar a terapêutica adequada a cada caso, com base nos bromialgia e artrite reumatoide. (De Leeuw, 2013) sificada como uma articulação ginglemoartroidal
princípios de tratamento da Acupuntura – MTC, registando os resultados obtidos. Ficou demonstra- O tratamento inapropriado da dor aguda pode (Okeson, 2013).
do que a Acupuntura, quando direcionada para cada indivíduo, conduz a resultados satisfatórios no levar à dor crónica, mais complexa de resolver Anatomicamente, a ATM é constituída por várias
tratamento dos DTM e dores orofaciais.
com a terapêutica convencional. Com o objetivo estruturas, nomeadamente, côndilo mandibular,
de otimizar o tratamento da dor crónica, torna- fossa mandibular, eminência articular do tempo-
-se importante perceber os mecanismos da dor, a ral, disco articular, cápsula articular, ligamentos e
sua etiologia e patogénese, (De Leeuw, 2013) bem músculos que se relacionam e/ou afetam a sua di-
como a utilização de tratamentos não convencio- nâmica (músculos elevadores, depressores e pos-
Síntese curricular: nais, tais como a Acupunctura, especialidade in- turais). É a única articulação que possui no seu
tegrante da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). interior um músculo, o pterigóideo lateral superior
Luís M. S. Viegas (Okeson, 2013; Dawson, 2007).
Terapeuta/Profissional de Terapias Não Convencionais; Formação académica em Economia e Gestão; Diplomado em
Medicina Tradicional Chinesa, Biopuntura Homeopática, Aromaterapia, Massagem Ocidental e Desportiva, Shiatsu pelo
Objetivos
Instituto Português de Naturologia (IPN); Mestre de Reiki Essencial - sistema Usui; Formador na área das Terapias Não A realização deste trabalho de investigação foi Distúrbio Temporomandibular
Convencionais. norteada pelo objetivo de provar a relevância do e Dor Orofacial
papel da Acupuntura como especialidade coadju- Definição de DTM e Dor Orofacial
Sérgio Ferreira
Diplomado em Medicina Tradicional Chinesa na especialidade de Acupuntura, Instituto Português de Naturologia (IPN);
vante no tratamento de DTM e dores orofaciais. É consensual que os DTM têm uma etiologia mul-
Doutor em Acupuntura, World Federation of Chinese Medicine Societies (WFCMS); Pós graduado em Acupuntura Na referida investigação pretendeu-se verificar, de tifatorial e podem comprometer a função mastiga-
e Moxibustão, Associação Médica Chinesa; Diplomado em Osteopatia, IPN; Diretor do Departamento de Medicina entre os utentes da clínica da FMDUP, da Unidade tória, a deglutição e a fala. Esta multifatoriedade
Chinesa do IPN e docente nesta instituição. Curricular de Oclusão, ATM e Dor Orofacial, e etiológica deve-se à atuação só, ou em combina-
João Carlos Pinho
nos pacientes que se propuseram participar (em ção, de vários fatores que podem ser definidos
Regente das Unidades Curriculares de Oclusão, ATM e Dor Orofacial da Faculdade de Medicina Dentária da Univer- diferentes graus), os principais sinais e sintomas como fatores predisponentes, iniciantes ou perpe-
sidade do Porto; Professor Associado com Agregação da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto. relacionados com DTM e dores orofaciais, sele- tuantes. Dependendo das circunstâncias, um fator

38 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 39
pode integrar mais do que uma destas categorias Abordagens terapêuticas para o tratamento que tem vindo a ter um papel cada vez mais rele- ■■ Material e Métodos
e/ou, num DTM ser um fator perpetuante. En- de DTM e Dor Orofacial vante, é a Acupuntura.
quanto noutro poderá ser um fator predisponente, O tratamento para os DTM e para a dor orofacial Materiais utilizados
etc. Como fatores etiológicos, e no estado atual do não tem reunido um grande consenso. Não exis- Tratamento do DTM e Dor Orofacial pela Para este trabalho foram utilizados os seguintes
conhecimento, podem mencionar-se fatores oclu- te uma forma única de os tratar, sendo necessária Acupuntura materiais:
sais, trauma, stress emocional, dor profunda e pa- uma abordagem multidisciplinar (Dionne, 2006; Em MTC não existe especificamente uma defini- • Agulhas filiformes de acupuntura descartá-
rafunção, para além dos fatores genéticos, biológi- Okeson, 2013; De Leeuw, 2013). ção de DTM e dor orofacial conforme existe na veis, com as medidas 0,22x25 mm e 0,25x40
cos e hormonais (Okeson, 2013; Prakash A, et al). A terapêutica farmacológica para o tratamento da Medicina Convencional. Daí a necessidade de se mm (Huan Qiu / Suzhou Huanqiu Acu-
Dos sinais e sintomas que podem ser observados sintomatologia dolorosa é muito comum, embora fazer o seu enquadramento segundo alguns prin- puncture Medical Aplliance Co. Lda.);
nos DTM, a dor e a disfunção são os principais. o uso incorreto e abusivo seja uma preocupação cípios básicos que fundamentam a Medicina Tra- • Recipiente de contenção para deposição das
A dor orofacial pode apresentar multiplas origens (Dionne, 2006). A medicação mais frequentemen- dicional Chinesa. agulhas de acupuntura (Quick Box / Rigling
podendo estar associada a condições físicas (do- te usada no tratamento dos DTM inclui analgé- A Acupuntura pode e deve fazer parte do proces- GmbH);
res somáticas ou neuropáticas) e/ou associada a sicos, AINES, corticosteroides, relaxantes mus- so de reabilitação dos pacientes que apresentem • Charutos de moxa para realização de moxi-
condições psicológicas. A dor muscular é a prin- culares, ansiolíticos e suplementos nutricionais DTM e dores orofaciais. bustão local (Moxa Roll Pure / Green Na-
cipal queixa dos pacientes com patologia funcio- como o magnésio, a glucosamina e a condroitina Do ponto de vista da Acupuntura, a região da face ture Co. Ltd.);
nal muscular, em que poderá existir restrição dos (Dionne, 2006). e da ATM é privilegiada pela confluência e riqueza • Cilindros de moxa para realização da moxi-
movimentos mandibulares, podendo haver altera- Sempre que possível, os sintomas crónicos dos dos pontos que ostenta. Vemos que praticamente bustão sobre a agulha de acupuntura (Moxa
ção da posição postural da mandíbula. Pode estar DTM devem ser controlados através de terapêu- todos os canais Yang (com exceção do da Bexiga) Roll / Green Nature Co. Ltd.);
associada à função (mastigação, deglutição e fala), tica não farmacológica, como é o caso das tera- têm relação de proximidade com a ATM e com a • Material para a assepsia (algodão hidrófilo,
que pode ser agravada pela palpação manual dos pêuticas comportamentais e terapêuticas oclusais mandíbula (Ferreira, 2010). álcool a 70º);
músculos. Existem diversos tipos de distúrbios não invasivas, nomeadamente goteiras oclusais de A identificação do padrão de síndrome, de acordo • Luvas latex descartáveis;
musculares relacionados com os DTM, nomeada- estabilização (Wright, 2005). com os meridianos, é um dos mais antigos mé- • Óleo vegetal de grainha de uva 100% bio-
mente co-contração de proteção, miosite, mialgia todos de diagnóstico. Permite-nos distinguir os lógico de 1ª pressão a frio e óleo essencial
de mediação central, miospasmo, e dor miofascial Existem outras terapêuticas que podem coadjuvar sinais e sintomas patológicos de acordo com o de lavanda 100% biológico (Florame / Flo-
(originada por pontos de gatilho musculares). o tratamento da sintomatologia dos DTM como meridiano envolvido (Maciocia, 2007). rame);
No que diz respeito à disfunção mastigatória, é o caso das terapias de relaxamento. O paciente A teoria dos meridianos, para além de ser uma • Aparelho de electroestimulação (inno-
a sua causa mais comum pode estar relacionada pode ser treinado a relaxar os músculos sintomáti- base de diagnóstico, permite, também, elaborar o TENS-SD / Heller - Medizintechnik);
com desarranjos internos do complexo côndilo/ cos, de modo a haver um maior aporte sanguíneo princípio de tratamento. Por exemplo, os pontos • Eletromiógrafo de superfície de oito canais,
disco, incompatibilidades estruturais das superfí- e, consequentemente um maior fluxo de oxigénio do meridiano do Estômago E6 (Jiache) e E7 (Xia- EMG2 BioResearch Inc. (USA) e respetivo
cies articulares e distúrbios inflamatórios da ATM e a eliminação das substâncias algogénicas, resul- guan) são pontos locais para problemas dos dentes, software de processamento de dados;
e estruturas associadas. tantes do processo metabólico, que estimulam os do queixo, da face, do pescoço e da garganta; para • Elétrodos descartáveis bipolares auto-ade-
Frequentemente surgem sinais, como os ruídos nociceptores, sejam eliminadas. tratar a artrite temporomandibular pode-se usar a sivos Ag/AgCl “nogel” BioFLEX EMG
articulares, antes de haver qualquer sintomatolo- A massagem é uma prática antiga que permite a combinação dos pontos E6 (Jiache), E7 (Xiaguan), Electrodes (BioResearch Inc. USA).
gia dolorosa, pelo que são, muitas vezes, ignorados inativação dos pontos de gatilho, promovendo E44 (Neiting) e IG4 (Hegu) (Ross, 2003); já os pon-
pelos pacientes. Nestas circunstâncias, por norma, uma diminuição da dor e um aumento da amplitu- tos E7 (Xiaguan), IG4 (Hegu), Sj17 (Yifeng) e E6 Métodos
não se efetua tratamento. No entanto, o doente de dos movimentos mandibulares. É considerada (Jiache) poderão ser usados para tratar problemas Apresentação da amostra
deve ser avaliado periodicamente e alertar o mé- um dos meios alternativos mais benéficos para o na mandíbula (Yamamura, 2001). Este estudo teve como amostra inicial dez indiví-
dico dentista, caso surja sintomatologia dolorosa tratamento dos DTM. Contudo, a melhoria da sin- Outro canal de energia afetado no distúrbio tem- duos, selecionados de entre os utentes da clínica
concomitante. tomatologia obtida a partir da massagem é tempo- poromandibular é o da Vesícula Biliar. A combi- da FMDUP, das Unidades Curriculares de Oclu-
rária, sendo necessário sessões regulares para que nação de pontos VB1 (Tongziliao), VB2 (Tinghui), são, ATM e Dor Orofacial, onde eram acompa-
os seus efeitos se mantenham (Wright, 1995). VB43 (Xiaxi), ID2 (Qiangu), ID17 (Tianrong), nhados por médicos dentistas e estudantes do úl-
Outra terapia benéfica no tratamento da sintoma- ID18 (Quanliao) e IG4 (Hegu) é utilizada na cefaleia timo ano do curso de Medicina Dentária. Destes,
tologia dos DTM e na dor músculo-esquelética, lateral e dor facial lateral (Ross, 2003). apenas cinco, de ambos os sexos e com idades

40 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 41
compreendidas entre os 25 e os 76 anos, vieram a constituir a amostra final deste estudo, uma vez que foram CORPO: afilado na
os que realizaram maior número de sessões relativamente ao tratamento estipulado. Estes cinco pacientes ponta, marcas laterais
apresentavam sintomas de DTM, nomeadamente níveis variados de limitação de abertura bucal e dores - Dor Orofacial de dentes, mais ver-
orofaciais, pelo que realizavam tratamentos convencionais (terapia comportamental, utilização de goteiras - DTM Profundo, rápido, melha lateralmente e
oclusais de estabilização e farmacoterapia). 3 -Fibrose ( por tra- tenso, escorregadio, na ponta, vasos sublin-   


tamento de radio- vazio em R guais pouco dilatados e
Recolha de dados para definição do diagnóstico terapia) púrpura.
Na primeira consulta, após esclarecimento do âmbito deste estudo, via oral e escrita (Explicação do Estudo), CAPA: praticamente
e a anuência de cada paciente em participar neste projeto, foi assinada, por cada um deles, a Declaração de inexistente.
Consentimento Informado.
Para a realização do diagnóstico, foram recolhidas, através do preenchimento da Ficha de Recolha de Dados, CORPO: vermelho
várias informações relativas ao historial clínico de cada paciente, queixa(s) principal(ais), sintomas gerais e de violáceo, marcas la-
MTC. Seguidamente, e para um diagnóstico mais preciso, solicitou-se a resposta às questões da Ficha de Dados terais de dentes, mais
de Avaliação do Distúrbio e da Ficha de Avaliação – Oclusão, que constituíram a anamnese. - Dor Orofacial Profundo, tenso, vermelha lateralmente
- DTM escorregadio, fino, e na ponta, vasos su-
mtc - 5 movimentos
4 - Bruxismo vazio em R blinguais dilatados e    
INDIVíDUO

mtc escuros.
QUEIXA (S) mtc
descrição CAPA: muito fina e
pRINCIPAL (ais) tipo de pulso

Md
da língua branca, inexistente la-

Mt

Àg
Fg

Tr
teralmente e na ponta.

CORPO: débil, um CORPO: um pouco


- Dor Orofacial pouco pálida, trémula, - Dor orofacial e débil, cor vermelha
- DTM Rápido, tenso, dé- algumas marcas laterais cervical; púrpura, mais verme-
- Dor a irradiar para bil, escorregadio de dentes, vasos - DTM; Tenso, escorrega- lha na ponta, marcas
1    
5   


a nuca e trapézios em C, vazio em R sublinguais dilatados e - Tensão nos tra- dio, débil laterais de dentes, vasos
púpura. pézios. sublinguais púrpura.
CAPA: fina e branca. CAPA: fina e branca,
Inexistente na ponta. inexistente na ponta.

CORPO: edemacia-
do, marcas laterias de Legenda:  - em excesso; - em défice; - muita deficiência; - Zang-Fu em oposição;
dentes, mais vermelha  -alterado
lateralmentee na ponta,
- Dor Orofacial Superficial, vasto, fissura central e vasos
Tabela 1 - Anamnese - MTC ( resumo)
2 - DTM tenso, escorregadio, sublinguais um pouco    

- Bruxismo débil em R diminuídos.


CAPA: um pouco
grossa, ligeiramente
amarelada na raíz e
aspeto gorduroso.

42 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 43
A partir da análise das respostas dadas pelos pacientes às fichas de recolha de dados anteriormente referidas
(resumo nas tabelas 1 e 2) e breve descrição oral dos sintomas e disfunções apresentados pelos médicos Diagnóstico, princípio de tratamento e descrição do tratamento
dentistas e / ou estudantes de medicina dentária que acompanhavam cada um dos casos, foi realizado o
diagnóstico para cada um dos pacientes. INDIVÍDUO 1
Paciente do sexo feminino, 34 anos, professora, altura 157 cm e peso 96 kg. Relatava dor orofacial mais acen-
tuada do lado esquerdo, com irradiação para a cervical e trapézios, DTM e bruxismo. Na palpação muscular
iNDIVÍDUOS apresentava dor ou desconforto nos músculos masseter, pterigóideo medial e trapézio. Sofria de estados de-
Questionário pressivos e dizia-se ansiosa. Referiu que por vezes tem refluxo gástrico e azia. Sentia-se cansada. Para analisar
1 2 3 4 5 os dados da língua e pulso, consulte-se a tabela 1.
De acordo com os dados obtidos, chegou-se ao seguinte diagnóstico por MTC: estagnação de Qi e Xuè do F,
1 - Sente dificuldade em abrir a boca? s s s s AV originando calor no E; vazio de Qi do R, com ascensão de calor ao C; retenção de Humidade no Jiao médio
e no C.
Princípio de Tratamento por MTC: drenar a estagnação de Qi e Xué no F, tonificando-o; tonificar o Qi do
2 - Sente dificuldade em mover a mandíbula para os lados? S S s N AV
R; acalmar o C.

3 - Tem cansaço/dor muscular quando mastiga? S S N S S Tratamento: O tratamento desenvolveu-se nas seis sessões previstas (ver tabela 3).

4 - Sente dores de cabeça com frequência? S N S S S

Yin Tang
pontos

ren17
vb20
VB34

VB21

ba6
pc6
Pc7
E36

E44

id3
IG4

R6
C7

r3
F3
E6
E7
5 - Sente dores na nuca ou torcicolo? S N S S AV
sessão

6 - Tem dores de ouvido ou próximo dele (ATM)? AV S N S AV 1a xe xe x x x x x x

7 - Já notou se tem ruído na ATM quando mastiga ou quando abre a


S S N S S 2a xe xe x x xm x x x x x
boca?

3a xe xe x x xm x x x x x
8 - Já observou se tem algum hábito como apertar ou ranger os dentes? S S N AV S

4a xe x xe x x x x x x x
9 - Sente que os seus dentes não se articulam bem? N S N N S

5a xe x xe x x x x x x x x
10 - Considera-se uma pessoa tensa/nervosa? S S AV S S
6a xe x x x xm x xe x x x x x
Índice de Sintomas de DTM 85 80 45 75 80
Legenda: x - ponto punturado; xe - punturado com electroestimulação; xm - punturado com moxa.

Legenda: S - Sim; Legenda: S - Sim; N - Não; Av - Às vezes;


Escala analógica para cálculo do índice de sintomas de DTM: Não - 0; Às vezes - 5; Sim - 10
Tabela 3 - Registo de pontos punturados no indivíduo 1, ao longo das sessões

Tabela 2- Anamnese – sintomas de DTM – Fase Inicial (resumo)

44 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 45
INDIVÍDUO 2 INDIVÍDUO 3
Paciente do sexo masculino, 63 anos, reformado, altura 164 cm e peso 69 kg. Relatava dor orofacial mais forte Paciente do sexo feminino, 58 anos, professora reformada, altura 160cm e peso 50kg. Relatava dor orofacial,
quando acorda devido ao bruxismo noturno e DTM. Na palpação muscular apresentava dor ou desconforto DTM e perda de mobilidade ao nível da cervical devido a fibrose formada durante tratamento de radiotera-
nos músculos masseter (mais intenso de manhã), temporal e trapézio. Sofreu de depressão traumática pós- pia. Há 16 anos que lhe fora detetado um carcinoma nasofaríngeo com metástases nos nódulos linfáticos cer-
-guerra e no momento da consulta referiu que tinha estados depressivos e de ansiedade; tomava medicação vicais, tendo sido sujeita a tratamento de radioterapia durante 5 anos. Com esse tipo de tratamento surgiram
para o efeito. Irritava-se com facilidade e era bastante agitado. Referiu que, por vezes, tinha refluxo gástrico e uma série de problemas: grande perda de audição e olfato, osteo-rádio-necrose a nível do maxilar, ausência
azia. Para analisar os dados da língua e pulso, consulte-se a tabela 1. de função salivar, grande dificuldade em falar, hipotiroidismo, fratura das vértebras C6 e C7, o que lhe trouxe
De acordo com os dados obtidos, chegou-se ao seguinte diagnóstico por MTC: estagnação de Qi e Xuè do F algumas dificuldades motoras no membro superior direito, danos na epiglote, impedindo o controlo da de-
gerando hiperatividade do Yang, com agressão ao E e C; vazio de Yin Qi do R; deficiência de Qi e Xuè do Ba. glutição e que por tal fazia a alimentação por sonda direta no estômago. Devido ao tratamento anteriormente
Princípio de Tratamento por MTC: drenar a estagnação de Qi e Xué no F; aclarar o calor no E e no C; toni- referido, toda a área do pescoço, cervical, músculos masseter, pterigóideo medial, esternocleidomastóideo
ficar o Qi do R; tonificar o Qi e Xuè do Ba. e trapézio se encontravam muito fibrosados, limitando-lhe imenso os movimentos normais da cabeça, seja
a nível das funções do pescoço, da fala ou mastigatórios. Sofria de estados depressivos, era ansiosa e costu-
Tratamento: O tratamento desenvolveu-se nas seis sessões previstas (ver tabela 4). mava sentir opressão torácica. Sentia défice emocional e energético. Para analisar os dados da língua e pulso,
consulte-se a tabela 1. De acordo com os dados obtidos, chegou-se ao seguinte diagnóstico por MTC: vazio
de Yin e Yang Qi do R com deficiência de Jing; estagnação de Qi e Xuè do F; deficiência de Qi e Xuè do Ba
Yin Tang

pontos com retenção de Humidade no Jiao médio.

bai hui

vb20
vb34

vb21
ba4
pc6
E36

e44
Princípio de Tratamento por MTC: tonificar Qi e Xuè do F e Ba e drenar Humidade do Jiao médio; tonificar
IG4

r6
c7

e8
r3
e7

f3
E6

o Jing – Yin e Yang do R; acalmar o C.


sessão Tratamento: O tratamento desenvolveu-se nas seis sessões previstas (ver tabela 5).

1a xe x x x xm x x x x x x x x

an mian
pontos

vb34
vb20

ba10
vb21

ba6
ba9

ba4
pc6
sj21
e36

e44
2

ig4
a

c7
r3
x x x x x x x x x x x x

e7

e4
f3
E6
xe
x m

3a
sessão
xe x x x xm x x x x x x
1a x x
4 a xe
x x e
x x m
x x x x x x x
2a xe xe x xm x x x x
5 a xe
x x x x m
x x x x x x x x
3a xe xe x xm x x x x x x
6 a xe x x x xm x x x x
4a xe xe x x x x x x x x
Legenda: x - ponto punturado; xe - punturado com electroestimulação; xm - punturado com moxa.

5a xe x x xm xe x x x x
Tabela 4 - Registo de pontos punturados no indivíduo 2, ao longo das sessões

6a xe x x xm xe x x x x x

Legenda: x - ponto punturado; xe - punturado com electroestimulação; xm - punturado com moxa.

Tabela 5 - Registo de pontos punturados no indivíduo 3, ao longo das sessões

46 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 47
INDIVÍDUO 4 INDIVÍDUO 5
Paciente do sexo feminino, 76 anos, reformada, altura 150 cm e peso 56 kg. Relatava dor orofacial constante, Paciente do sexo feminino, 25 anos, médica dentista, altura 160 cm e peso 49 kg. Relatava dor orofacial e cer-
tipo “moedeira”, com zumbidos, mais acentuada do lado direito, DTM e bruxismo. Na palpação muscular vical, DTM e episódios de bruxismo. Na palpação muscular apresentava dor ou desconforto nos músculos
apresentava dor ou desconforto nos músculos masseter, pterigóideo medial, trapézio e paravertebrais. Já fora masseter, temporal e trapézio. Dizia-se ansiosa, tensa e entrava em stress com facilidade. Tinha uma aparência
sujeita a intervenção cirúrgica ao peito para remoção de tumor (benigno). Sofria de dores na coluna, princi- pálida e sentia-se cansada. Sofria de cefaleias que afetavam áreas correspondentes ao meridiano da vesícula
palmente na cervical e lombar. Desde há 30 anos que sofria de estados depressivos e se dizia ansiosa. Tinha biliar. Para analisar os dados da língua e pulso, consulte-se a tabela 1.
uma aparência pálida e sentia-se cansada. Para analisar os dados da língua e pulso, consulte-se a tabela 1. De acordo com os dados obtidos, chegou-se ao seguinte diagnóstico por MTC: estagnação de Qi e Xué do
De acordo com os dados obtidos, chegou-se ao seguinte diagnóstico por MTC: vazio de Yin e Yang Qi do R F; deficiência de Qi e Xué do Ba; deficiência de Yang do R e do Ba.
com deficiência de Jing; deficiência de Yang Qi e Xuè do C; deficiência de Qi e Xuè no F e Ba com retenção Princípio de Tratamento por MTC: drenar o F; tonificar Qi e Xué do Ba; tonificar Yang e Qi do R e Ba.
de Humidade no Jiao médio.
Princípio de Tratamento por MTC: tonificar Qi e Xuè do F e Ba e drenar Humidade do Jiao médio; tonificar Tratamento: Das seis sessões previstas para o tratamento apenas ocorreram três (ver tabela 7).
Qi do C; tonificar o Jing – Yin e Yang do R.

Tratamento: Das seis sessões previstas para o tratamento apenas ocorreram cinco (ver tabela 6). pontos

vb20
vb21

vb2
ig4

c7
e7
e6
yin tang
pontos sessão

ren17
vb20
vb21

ba6
pc6
pc7

e40
sj21
e36
ig4

r6
c7

r7
r3

p7
e7
E6

1a xe xe x x x x
sessão

2a xe x xe x x
1a x xe x x x x x

3a xe x xe x x x x
2a xe xe xm x x x x x x x x x x x x

Legenda: x - ponto punturado; xe - punturado com electroestimulação; xm - punturado com moxa.


3a xe x xm x xe x x x x x x

Tabela 7- Registo de pontos punturados no indivíduo5, ao longo das sessões


4a xe x xm x xe x x x x x xe

5a xe x xm x x x x x x x x

Legenda: x - ponto punturado; xe - punturado com electroestimulação; xm - punturado com moxa.

Tabela 6 - Registo de pontos punturados no indivíduo 4, ao longo das sessões

48 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 49
ELETROMIOGRAFIA que pode produzir interferências, foi colocado na
A eletromiografia de superfície é um método não parte lateral esquerda do pescoço do doente.
invasivo, bem tolerado pelo doente, que não in- Este eletromiógrafo processa os sinais da ativi-
terfere com o normal funcionamento muscular. dade muscular, obtidos através dos elétrodos, e
Permite avaliar a terapêutica instituída, indepen- fornece, automaticamente, registos quantitativos
dentemente das impressões subjetivas sentidas do espectro de frequência desenvolvido pelos
pelos doentes. Como desvantagens, pode existir músculos estudados, que ficam armazenados no
uma sobreposição da atividade elétrica de múscu- disco rígido.
los vizinhos, (Basmajian, 1985; Widmalm, 1988) e
não poder registar a atividade elétrica dos múscu- Registo dos potenciais bioelétricos da ativida-
los profundos, por serem inacessíveis neste tipo de basal de repouso
de exame (Ferrario, 1993; Koole, 1991; Ferrario, Para efetuar este registo, o doente foi instruído
1991). para estar o mais relaxado possível, com a cabeça
O exame eletromiográfico foi efetuado numa sala erecta, com os dentes separados e os lábios ligei-
pequena (3,20 mt x 3,70 mt), com um só obser- ramente encostados, manter as pernas paralelas e
vador, tendo sido utilizada apenas a iluminação colocar os braços nos apoios laterais da cadeira, de
em que a fonte de luz estava dirigida para o chão, modo a manter sempre a mesma posição, durante
originando uma iluminação suave, de modo a pro- o exame (Shpuntoff, 1956; Mohl, 1984) e os olhos
porcionar ao doente um ambiente calmo e propí- fechados, sem esforço, para evitar a possível inter-
cio à descontração, fator extremamente importan- ferência provocada pelos músculos oculares, bem
te para registar a atividade basal de repouso. como quaisquer interferências ambientais. Fig. 1 - Eletromiografia nas fases de repouso e clench iniciais, antes do tratamento
Todos os registos foram obtidos com o doente Este teste, para além de determinar a atividade
sentado numa cadeira com apoio dorsal, com o bioelétrica basal de cada músculo, serve, também,
plano de Frankfort sensivelmente paralelo ao solo. para verificar a correta colocação dos elétrodos.
Os testes EMG foram todos realizados na mesma Foram efetuados vários registos, até se verificar
sessão, para evitar qualquer tipo de alteração, tan- que existia um padrão de registo idêntico, sendo
to técnico como emocional. Houve um descanso então gravado o registo com atividade muscular
de cinco minutos entre cada teste para permitir mais baixa.
um melhor relaxamento e evitar a fadiga psíquica
e muscular. Registo dos potenciais bioelétricos durante a
Os potenciais bioelétricos dos músculos do do- contração máxima voluntária (Clench)
ente, foram obtidos mediante a colocação de elé- Neste teste, o doente foi instruído para cerrar os
trodos, Ag/AgCl bipolares autoadesivos “nogel” dentes, com a máxima força possível, sem desper-
(Bio Research, USA), sobre a pele que recobre os tar dor, durante 10 segundos (que é o tempo do
músculos, previamente limpa com álcool a 70º, teste).
para reduzir a impedância da passagem da corren- Foi realizado um estudo eletromiográfico na se-
te elétrica. gunda sessão, com o objetivo de medir o grau de
A colocação destes elétrodos foi efetuada parale- tensão muscular ao nível do temporal, masseter
lamente à orientação das fibras musculares, após e trapézio, nas fases de relaxamento/ repouso e
palpação muscular, tendo em atenção as referên- contração máxima voluntária (clench) iniciais (an-
cias anatómicas (Ferrario, 1993). tes do tratamento) e finais (depois do tratamento),
O elétrodo de terra, situado no 1º canal do eletro- cujos resultados se poderão verificar nas fig. 1 e 2,
miógrafo, para derivação da eletricidade estática e no gráfico 1. Fig. 2 - Eletromiografia nas fases de repouso e clench finais, depois do tratamento

50 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 51
Após 1ª sessão: ligeiro alívio da tensão muscular e
dor orofacial; mais calma e dormiu melhor.
Sessões seguintes: dores orofaciais menos intensas,
ligeiras do lado direito, atrás do pavilhão auricular; no
4 final, sente que está muito melhor ao nível das dores
Ansiedade
orofaciais; sono mais regular nos dias a seguir ao
tratamento, sendo que para o final dorme bem; tem
sentido menos ansiedade.
Após 1ª sessão: menor dor orofacial e menor tensão
muscular do masséter; maior abertura bucal.
Tensão muscular e dor
5 Sessões seguintes: diminuição da tensão muscular
orofacial
e da dor, principalmente durante os primeiros quatro
dias após a sessão de tratamento.

Tabela 8- Resultados obtidos ao longo do tratamento, segundo relato dos pacientes

Gráfico 1 - Dados de eletromiografia realizada ao paciente 5


iNDIVÍDUOS
Questionário
■■ ANÁLISE DE RESULTADOS 1 2 3 4 5
Decidiu-se apresentar os resultados em forma de tabela de modo a garantir uma maior facilidade de leitura
1 - Sente dificuldade em abrir a boca? AV AV s AV AV
dos mesmos, uma vez que os registos efetuados tiveram em consideração descrições da evolução da sinto-
matologia pelos pacientes (tabela 8) e as respostas às questões de anamnese no final do tratamento (tabela
9). Finalmente, o gráfico 2 permite fazer a comparação entre os índices de sintomas de DTM no início e no 2 - Sente dificuldade em mover a mandíbula para os lados? N AV S AV AV
final do tratamento.
3 - Tem cansaço/dor muscular quando mastiga? n av N S av
SINTOMAS QUE SE
INDÍVIDUOS DESCRIÇÃO DA EVOLUÇÃO
MANTIVERAM
4 - Sente dores de cabeça com frequência? av N av av S
Após 1ª sessão: sem dores e sem grandes limitações na
abertura da boca durante quatro dias; depois regrediu.
1 Sessões seguintes: não voltou a sentir dores orofa-
Dores no trapézio 5 - Sente dores na nuca ou torcicolo? n N S av AV
ciais; a partir da quinta sessão passou a dormir bem.
Após 1ª sessão: a dor orofacial diminuiu um pouco. 6 - Tem dores de ouvido ou próximo dele (ATM)? n av N av AV
Sessões seguintes: passou gradualmente da situação
2 de acordar ainda com dor, para a de não ter dores na
Tensão muscular no trapézio
7 - Já notou se tem ruído na ATM quando mastiga ou quando abre a
face. av S s av S
boca?
Após 1ª sessão: menor tensão muscular e menor dor
orofacial. 8 - Já observou se tem algum hábito como apertar ou ranger os dentes? av S N AV av
Sessões seguintes: melhoras graduais mas lentas;
3 começou por sentir mais alívio nas dores e tensão Tensão muscular no trapézio
9 - Sente que os seus dentes não se articulam bem? N S N N S
apenas nos primeiros 2 a 3 dias, com sono irregular,
passando a sentir melhoras efetivas da tensão muscu-
lar e melhoras graduais na dor orofacial. 10 - Considera-se uma pessoa tensa/nervosa? S av AV S S

52 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 53
e na qualidade do sono, muitas delas sentidas logo nos diversos pacientes relativamente à melhoria da
Índice de Sintomas de DTM 30 55 50 55 70
após o primeiro tratamento. Do mesmo modo, a sintomatologia, pode ser pertinente refletir se as
tabela 9 e o gráfico 2 mostram que ocorreram me- mesmas não serão, também, o resultado dos di-
Legenda: S - Sim; Legenda: S - Sim; N - Não; Av - Às vezes; lhorias em todos os pacientes embora com graus ferentes tratamentos aplicados aos indivíduos que
Escala analógica para cálculo do índice de sintomas de DTM: Não - 0; Às vezes - 5; Sim - 10 diferentes e, no caso particular do individuo 3, constituíram a amostra. Urge então relembrar que
existir um agravamento da sintomatologia no final após a anamnese, realizada seguindo os princípios
Tabela 9 - Anamnese – sintomas de DTM – Fase Final (resumo) do tratamento. Neste paciente, o agravamento da da MTC, foi feito um diagnóstico individual e es-
sintomatologia pode considerar-se que é apenas tabelecido o respetivo princípio de tratamento de
aparente, atendendo a que o mesmo apresenta- acordo com as particularidades de cada um. Como
va, no início dos tratamentos, uma imobilização se constata neste estudo, apesar dos pacientes te-
severa que afetava a região da ATM e músculos rem chegado todos com queixas similares ao nível
paravertebrais cervicais, masseter, esternocleido- de dor orofacial e DTM, estes tiveram um diag-
mastóideo e trapézio (parcialmente), resultante nóstico e tratamentos diferenciados, como já foi
de tratamento de radioterapia que lhe provocou referido anteriormente, pois a origem dos proble-
a fibrose dos tecidos. Com a progressão do trata- mas é multifatorial.
mento, o paciente em causa foi adquirindo alguma
da mobilidade perdida e com isso revelaram-se Como todos os indivíduos apresentavam queixas
alguns sintomas provenientes dessa mobilidade de dor orofacial e DTM, foram sempre seleciona-
como ruídos na ATM. Assim, pode-se considerar dos pontos locais E6, E7, e pontos distais IG4,
que mesmo neste caso particular houve uma evo- E44, como pontos específicos no tratamento des-
lução positiva resultante do tratamento efetuado. tas sintomatologias.
Relativamente às diferenças na evolução das me- A MTC tem uma visão holística do ser humano
lhoras sentidas pelos pacientes, como se constata e, assim sendo, há uma interação entre todos os
na comparação estabelecida no gráfico 2, refira-se órgãos e estruturas com as emoções do indivíduo.
que tal poderá ficar a dever-se a diferentes estados De facto, todos os pacientes apresentaram uma
Gráfico 2 – Comparação do índice de sintomas de DTM, no início e no fim do tratamento, por indivíduo. emocionais e às diferentes sensibilidades de cada influência da área emocional sobre a patologia em
indivíduo à dor, pelo que as respostas às questões estudo. Todos revelaram ansiedade e tensão ao ní-
■■ Interpretação/Discussão dos Resultados da anamnese dependem destes e assim poderem vel dos músculos masseter e trapézio, e em alguns
apresentar alguma subjetividade; ao grau de seve- encontraram-se sintomas de estados depressivos,
A utilização da Acupuntura como especialidade coadjuvante no tratamento dos DTM e dores orofaciais ridade de cada caso que, apesar de apresentarem razão pela qual foram punturados pontos como
foi o princípio de orientação deste trabalho. Como tal, em todos os tratamentos efetuados procurou-se dar sintomas semelhantes, é diverso e tem origens di- C7, Bai Hui, Yin Tang, Ren17, entre outros.
prioridade ao problema apresentado como queixa principal: o DTM e a dor orofacial. Contudo, em MTC não ferentes; a alguns pacientes terem já sido sujeitos Pela análise das tabelas 3, 4, 5, 6 e 7 pode cons-
podemos dissociar um problema particular sem analisar o todo que constitui o indivíduo. a tratamentos convencionais (utilização de goteira tatar-se que, para além dos pontos comuns a to-
O estudo realizado implicou a análise simultânea de diversas variáveis, dado que os pacientes que participa- oclusal de estabilização e/ou fármacos) e conti- dos os pacientes, anteriormente referidos, foram
ram neste trabalho foram uma amostra de conveniência, não tendo havido possibilidade de uma seleção de nuarem a fazê-lo enquanto outros não. De referir, punturados outros, com funções de tratamento
forma a garantir uma amostra mais homogénea. Por outro lado, tal acabou por se tornar o mais adequado, ainda, que o número de sessões em que foi aplica- das especificidades de cada um. Nas referidas ta-
uma vez que esta amostra é mais similar com a diversidade/tipologia de pacientes que acorrem às clínicas do o tratamento também poderá ter contribuído belas pode também constatar-se que o tratamento
dentárias e/ou aos terapeutas de MTC. Também a duração do tratamento (nº de sessões) levou a uma seleção para os diferentes resultados, como se pode veri- foi sendo alterado / adaptado de sessão para ses-
dos indivíduos que constituíram a amostra final. Assim, todos os pacientes que constituíram a amostra final ficar no caso do indivíduo 5, que teve apenas três são. Tal ficou a dever-se ao facto de haver uma
procuraram ajuda na clínica da FMDUP, Unidade Curricular de Oclusão, ATM e Dor Orofacial por apresen- sessões, o que pode ter dificultado, para além das alteração e evolução da sintomatologia o que
tarem queixas relacionadas com o âmbito de intervenção desta Unidade Clínica. condicionantes referidas anteriormente, a obten- determinou o constante reajuste do tratamento.
Os resultados dos tratamentos aplicados a cada paciente vieram mostrar, como se pode verificar na tabela 8, ção de uma melhoria mais substancial dos sinto- Pode também verificar-se que foram utilizadas
que de sessão para sessão, ocorreram melhoras, nomeadamente ao nível da tensão muscular, na dor orofacial mas. Nesta altura, e face às diferenças verificadas outras técnicas associadas à acupuntura, como a

54 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 55
electroestimulação e a moxibustão, como forma investigação futuros nesta área, uma vez que per- nomeadamente na área odontológica.
de aumentar e potenciar o efeito terapêutico da mite a obtenção de dados quantitativos e, por isso, Para finalizar, pode dizer-se que este estudo pode ter dado o seu contributo para o reconhecimento da Acu-
Acupuntura. mais rigorosos, relativos à ação da Acupuntura no puntura como especialidade médica no mundo ocidental, de forma a que esta deixe de ser considerada um
Apesar da interpretação dos resultados obtidos tratamento de DTM e dor orofacial, anulando-se, “tratamento alternativo” e passe a ser vista como um complemento essencial no tratamento de DTM e dor
mostrarem que a Acupuntura altera de forma assim, o que se pode considerar, a par com o cur- orofacial a par com as terapias convencionais.
positiva as queixas relacionadas com DTM e dor to espaço de tempo, uma limitação deste estudo
orofacial, no final dos tratamentos os pacientes que foi a quantificação dos sintomas a partir da
referiram que ainda mantinham, embora mais opinião dos pacientes, o que pode ter introduzido
atenuados, alguns dos sintomas, nomeadamente alguma subjetividade.
tensão muscular no trapézio (indivíduos 1, 2, 3 e
5), ansiedade (indivíduo 4) e dor orofacial (indi- ■■ Conclusão
víduo 5).
O estudo realizado mostrou que após os tratamen-
A tensão muscular no trapézio sentida pelos indi- tos de Acupunctura, quando aplicada isoladamen-
víduos 1, 2 e 3, bem como a ansiedade assinalada te ou combinada com outras terapias de MTC, os
pelo indivíduo 4, poderiam ser melhoradas se o pacientes com queixas relacionadas com DTM e
estudo pudesse desenvolver-se durante mais tem- dor orofacial apresentaram melhoras, embora em
po e assim ter contemplado um maior número de graus diferenciados, quer ao nível do desconforto
sessões de tratamento de Acupuntura associada a provocado por este distúrbio (dor, tensão, entre
outras terapias de MTC. A manutenção de algu- outros), quer ao nível neuro-emocional, uma vez
ma tensão muscular e dor orofacial no indivíduo que o estado emocional do indivíduo tem um
5 pode justificar-se pelo facto deste não ter efe- papel preponderante no desencadear de muitas
tuado o número de sessões estabelecido, embo- patologias, nomeadamente o DTM, participan-
ra, tal como os restantes, julga-se que viria a ter do no equilíbrio energético do organismo. Ficou
necessidade de um tratamento mais prolongado. também claro que não existe um procedimento/
Ainda relativamente a este paciente, há a salien- protocolo clínico padrão no tratamento da pato-
tar que o mesmo, teve a possibilidade de realizar logia bem como na seleção de pontos de acupun-
uma eletromiografia. Este exame mede a ativida- tura a serem utilizados em cada tratamento, e de
de dos músculos do sistema estomatognático, em sessão para sessão, e que esta seleção tem de ir ao
repouso e em tensão, permitindo, pela sua aná- encontro das necessidades individuais dos pacien-
lise, avaliar quantitativamente a hiperatividade da tes e da evolução da sintomatologia ao longo do
musculatura a qual está diretamente relacionada tratamento.
com a dor orofacial. Ao efetuar-se a eletromio-
grafia antes e depois de uma sessão de tratamento Os resultados obtidos mostram haver compati-
pretendeu-se constatar até que ponto o mesmo bilidade entre os tratamentos convencionais e o
afetava o desempenho dos músculos do sistema levado a cabo pela Acupuntura, tendo-se verifica-
estomatognático. Como se pode verificar pelas fig. do claramente uma redução nas queixas dos pa- PALAVRAS-CHAVE:
1 e 2, e o gráfico 1, houve uma diminuição efetiva cientes, um aumento na mobilidade mandibular e Acupuntura; Distúrbio temporomandibular (DTM); Articulação temporomandibular (ATM); Dor oro-
da hiperatividade dos músculos testados após a uma melhora na qualidade do sono, em suma, na facial; Odontalgia; Bruxismo
aplicação do tratamento de Acupuntura com con- qualidade de vida dos indivíduos alvo.
sequente redução da dor orofacial. Apesar das conclusões obtidas, considera-se que
A oportunidade de se ter tido acesso a este exame o estudo da ação da Acupuntura é ainda um cam-
veio abrir novas possibilidades para trabalhos de po vasto a ser explorado em várias áreas da saúde,

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58 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 59
A ACUPUNTURA anestésica ■■ Introdução reconhecida pela Organização Mundial de Saúde
desde 1979, no caso da Acupunctura Anestésica
Na história da acupunctura verificamos que desde já se pratica em vários países e com uma taxa de
Teoria e Prática sempre existiu uma necessidade de se explicar e sucesso surpreendente. (World Health Organiza-
justificar o sistema de meridianos e a sua relação tion, 2003).
anatómica com o sistema nervoso, contudo várias
Olga Cristina da Silva Salgado
olga-salgado@hotmail.com
questões permanecem sem explicação científica. ■■ Descoberta da Acupunctura
Em M.T.C. todas essas perguntas têm resposta e Anestésica
estão relacionadas com o sistema de Ching Luo e
Vasco Filipe dos Santos Morais
Zang Fu, sendo fundamental esse conhecimento Uma das primeiras cirurgias realizada com A.A.
morais.vasco@gmail.com
na escolha de pontos na prática da acupunctura documentada para efeitos de pesquisa foi efectu-
anestésica. A descoberta da A.A. foi um desen- ada na Clínica ORL de Kwanchow. Um médico
volvimento natural, visto que a acupunctura tem com experiência em M.T.C., tendo conhecimen-
Resumo:
uma acção analgésica, contudo um conhecimento to que a acupunctura tinha um tratamento muito
profundo das técnicas de acupunctura é essencial, eficaz em casos de amigdalite aguda, (por aliviar
Pretendeu-se com o presente trabalho abordar a teoria e a prática da Acupunctura Anestésica, acom-
panhando vários casos práticos desde a cirurgia ao pós-operatório. A anestesia por acupunctura é porque sem a sensação de De-Qi a anestesia e a dor e reduzir a inflamação), resolveu após uma
um processo em desenvolvimento, onde médicos e cientistas aperfeiçoam os seus estudos teóricos e analgesia são inexistentes. amigdalectomia e perante um paciente em pós-
as suas bases práticas na busca da eficácia, aplicando métodos e conhecimentos da ciência moderna, Transversalmente na pesquisa clínica e nos estu- -operatório que se encontrava com fortes dores
com o intuito de os melhorar a experiência da Medicina Tradicional Chinesa (M.T.C.). dos publicados verificou-se que a acupunctura de garganta e sem possibilidade de se alimentar,
A Acupunctura Anestésica (A.A.) tem funções diferentes da acupunctura terapêutica, no campo ci- anestésica é um êxito, pois para além do efeito colocar uma agulha no ponto IG4 (Hegu), a dor
rúrgico o objectivo está relacionado com o cérebro e com as funções nervosas, com a capacidade anestésico e analgésico, proporciona um efeito re- desapareceu e o paciente conseguiu alimentar-se
de sentir ou não tudo o que está a acontecer na mesa de operações. Atualmente verifica-se que nem gulador influenciando num recobro mais rápido normalmente. Foi através destes resultados, que
todos os mecanismos de acção da acupunctura estão esclarecidos, o exercício de descrever as bases
sem efeitos secundários provocados pela anestesia membros desta equipa decidiram experimentar e
fisiológicas relacionadas com os efeitos da acupunctura é um processo que se tem desenvolvido ao
convencional. (Chien-hsiung, 1972). comprovar se seria possível utilizar apenas acu-
longo de vários anos, com trabalhos por investigadores diferentes. Infelizmente os com resultados
obtidos são inconclusivos, devido ao desenho do estudo, ao tamanho da amostra, ao uso de con- punctura anestésica na amigdalectomia suprimin-
trolos inapropriados, entre outros. Contudo, múltiplos são os estudos em que se apoiam as novas ■■ Objectivos do de forma completa a utilização de anestesia
descobertas. farmacológica. No início as experiências foram
O objectivo principal deste trabalho é dar a co- realizadas nos membros da equipa médica, utili-
nhecer a A.A. como uma alternativa à anestesia zando os pontos IG4 (Hegu) e E44 (Neiting), veri-
convencional. Aprofundar o conhecimento da ficaram uma diminuição da dor e foi num trabalho
acupunctura para além da utilidade que habitual- com acupunctores e médicos ocidentais que se re-
* Síntese curricular: mente lhe conferem e torná-la numa opção cre- alizou e se comprovou que era possível a primeira
dível, uma alternativa mais saudável, mais barata cirurgia de sucesso documentada utilizando ape-
Diplomada em Medicina Tradicional Chinesa pelo Instituto Português de Naturologia. Participação em diversos trabalhos
e disponível para todos os que querem usufruir nas acupunctura anestésica. (Chien-hsiung, 1972)
de investigação na área da Fitoterapia, dos quais Relaxen e Agiflex, publicados em revista da especialidade. Co-autora de
várias publicações e artigos da especialidade no Jornal de Matosinhos, nomeadamente: “Asma e Sinusite Tratamento pela dela. Através das pesquisas científicas, clinicas e Nas primeiras intervenções cirúrgicas ao tórax
Acupunctura”; “Dor Ciática e a Acupunctura”; “Hérnia Discal e a Acupunctura”; “Mudanças de Estação e a Acupunctura” trabalhos publicados, verifica-se que a A.A., está com A.A., realizaram-se em 1959, utilizavam-
e “Reumatismo e a Acupunctura”. Especializada em Hipnose, Craniopuntura, Terapia Floral, Aromaterapia, Geotermal. relacionada com o normal funcionamento do -se entre 90 a 100 agulhas nas extremidades dos
Sistema Nervoso Central, com a sua ligação aos pacientes, eram necessários 4 acupunctores para
Diplomado em Medicina Tradicional Chinesa pelo Instituto Português de Naturologia. Participação em diversos trabal-
Meridianos, aos pontos de acupunctura mais cor- manipularem e estimularem as agulhas constante-
hos de investigação na área da Fitoterapia, dos quais Relaxen e Agiflex, publicados em revista da especialidade. Co-autor
de várias publicações e artigos da especialidade no Jornal de Matosinhos, nomeadamente: “Asma e Sinusite Tratamento rectos dependendo da cirurgia e à capacidade de mente, mas com a experiência que iam adquirindo
pela Acupunctura”; “Dor Ciática e a Acupunctura”; “Hérnia Discal e a Acupunctura”; “Mudanças de Estação e a Acu- sentir a De-Qi. (Ho, S.; Lu, L., 2000). foram excluindo grande parte das agulhas e cons-
punctura” e “Reumatismo e a Acupunctura”. Especializado em Hipnose, Craniopuntura. De salientar o sucesso da Acupunctura ao longo tataram que o importante era localizar correcta-
de vários anos e o facto de já ser uma alternativa mente o ponto, sendo que actualmente o proto-

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colo utiliza apenas uma média de 2 pontos (ver encontrava repleto de agulhas. Nas intervenções curso ascendente do meridiano, a carência desta -se próximo dos nervos ou em regiões de elevada
tabela em anexo). No Instituto de Tuberculose seguintes as agulhas foram colocadas no braço explicação depende de interacções dentro do Sis- inervação, o que facilita a resposta dos impulsos
de Pequim verificaram que um número reduzido oposto obtendo-se resultados igualmente satisfa- tema Nervoso. (Stux; Hammerschlag, 2005). à estimulação mecânica ou eléctrica. Muitos dos
de agulhas e a localização correcta dos pontos de tórios… A abordagem da dor segundo a M.T.C. é oposta à pontos de acupunctura tradicionalmente seleccio-
acupunctura eram suficientes para a eficácia des- Em neurofisiologia este fenómeno não tem expli- da concepção ocidental, analisa o equilíbrio ener- nados e utilizados no tratamento de uma deter-
tas cirurgias, as poucas agulhas utilizadas tornam cação, pois o estímulo de um tronco nervoso só gético do corpo, o Qi deve fluir livremente, pois minada patologia localizam-se no tecido somático
a manipulação mais fácil e mais segura para os produz alteração na área abaixo do seu controlo, caso contrário estamos perante uma patologia... inervado pelos mesmos segmentos espinhais que
profissionais de saúde e paciente. Vários autores o que acontece quando se injecta um anestésico O tratamento fundamenta-se em dois pontos: a o órgão visceral causador do desequilíbrio. A uti-
actualmente referem que apenas 2 a 4 pontos no plexo braquial, só o membro superior do lado harmonização do corpo e da mente e aplicações lização da agulha desencadeia reacções endógenas
dentro desta selecção [IG4 (Hegu), IG11 (Quchi), injectado fica paralisado, sem qualquer efeito do das agulhas no local da dor. Um dos ensinamen- que habitualmente aparecem em situações fisioló-
SJ5 (Waiguan), Pc6 (Neiguan), E36 (Zusanli), BP6 lado oposto, nem no sentido ascendente. tos dos antigos mestres chineses era “…o efeito da gicas normais. Estes estímulos excitam os recep-
(Sanyinjiao), F3 (Taichong), R3 (Taixi)] são necessá- Nos pacientes com hemiplegia, a punctura do Acupunctura no alívio da dor seria tão rápido quanto o tores ou fibras nervosas do tecido manipulado – a
rios para que o efeito da anestesia seja generaliza- ponto IG4 (HeGu) no lado afectado não produzia aparecimento imediato da sombra no chão ao se estender utilização com agulha despoleta uma sensação es-
do. (Ho, S.; Lu, L., 2000). alterações na actividade eléctrica do cérebro, mas uma vara de bambu sob a luz do sol…”, a libertação pecífica (De-Qi), que é um sinal de activação das
o mesmo ponto do lado oposto e após a sensa- de endorfinas explica porque a acupunctura con- fibras nervosas (Stux; Hammerschlag, 2005).
■■ A Condutividade do Sistema ção de De-Qi verificaram-se alterações. Analises segue resultados tão bons no tratamento da dor, A acupunctura desencadeia a libertação de Pep-
Nervoso e dos Ching-Luo ao sangue efectuadas 2 horas após a acupunctura, seja ela crónica ou aguda (Wang, B., 2001). tídeos Opiódes Endógenos (P.O.E.) que desem-
revelaram um aumento significativo dos glóbulos Diversas pesquisas descobriram que o trajecto de penham um papel importante na indução de alte-
As experiências em laboratório e a prática clínica vermelhos e brancos, assim como uma alteração cada sinal sensorial é diferente e que o sinal da dor rações funcionais em diferentes sistemas. Vários
revelaram que existem fenómenos que a neurofi- nos níveis de glucose, tanto em sujeitos saudáveis é transmitido pelo tipo mais fino de fibra nervosa. tipos de opióides foram identificados, sendo de
siologia não consegue explicar, contudo são enten- como hemiplégicos tratados com agulhas do lado Os fundamentos da acupunctura são analisados maior interesse as encefalinas, endomorfinas, b-
didos a partir da teoria dos meridianos, sendo que saudável. Contudo não foram registadas altera- sob diversos aspectos, entre os quais: a função -endorfina e dinorfinas pela sua grande influência
o seu entendimento já é descrito no “Princípios de ções em hemiplégicos tratados do lado da paralisia analgésica da acupunctura como sendo conse- no controlo da dor, tendo-se verificado afinidade
Medicina Interna do Imperador Amarelo”. (Chinese Medical Journal, 1973). quência do choque entre as linhas bioquímicas da com diferentes receptores opióides. Associado
“Os Ching-Luo estabelecem comunicação entre o interno O feito de anestesia pela acupunctura pode ser acupunctura e as linhas do estímulo doloroso nos a este facto, percebeu-se que diferentes tipos de
e o externo e se encarregam da circulação de sangue e de provocado por pontos locais dolorosos ou por processos transmissores do S.N.C., as primeiras correntes, nomeadamente 2 Hz e 100 Hz sensibili-
energia (…) o sistema Ching-Luo apresenta-se como uma pontos distais de meridianos com acção e função anulam as segundas; fortalece os processos inibi- zam diferentes tipos de receptores opiáceos endó-
estreita união entre os órgãos internos e a estrutura externa de tratamento da patologia. Terapeutas antigos dores do córtex cerebral e eleva o limiar de dor; genos e a respectiva libertação de P.O.E., a electro-
do corpo. A principal função é o transporte e distribui- ilustram como os pontos eram unidos por meio esta técnica tem efeitos sobre as estruturas reticu- acupunctura a 2 Hz utiliza receptores µ e β cujos
ção de energia, a manutenção do corpo e a manutenção do de linhas, chamados de meridianos, onde se ve- lares do tronco cerebral e sobre o Sistema Límbi- seus P.O.E. são a endomorfina, a b-endorfina e a
equilíbrio indispensável à saúde”. Por este motivo, as rifica que a estimulação num determinado ponto, co; estimula os centros nervosos do hipotálamo e encefalina para induzir o efeito analgésico; a elec-
sensações produzidas pela agulha nos pontos de produz um efeito num local distante, provocando as suas funções são mediados pelos nervos simpá- troacupunctura a 100 Hz é mediada pelo receptor
inserção são transmitidas ao longo dos meridianos alterações no meridiano, órgão ou víscera corres- ticos; os efeitos da acupunctura são transmitidos opiáceo κ e pelo peptídeo dinorfina. Na electro-
correspondentes até aos órgãos que os regem. A pondente. por substâncias bioquímicas (os receptores para acupunctura denso-dispersa (alternada por 3 se-
partir dos pontos de acupunctura dos membros O facto da anestesia ocorrer com pontos dentro os opiáceos endógenos e para os opióides são ele- gundos de 2 Hz e 100 Hz) os 3 tipos de receptores
superiores obtém-se a anestesia necessária para ou fora de um meridiano levou a que fosse consi- mentos importantes da inibição da dor). A liberta- opiáceos são envolvidos (Agne, Jones., 2009).
operar áreas da cabeça, cara ou outras partes do derado que o efeito da acupunctura era produzido ção de endorfinas para o líquido cefalorraquidia-
corpo… por um estímulo num qualquer feixe nervoso que no durante a terapêutica e os consequentes efeitos ■■ Acupunctura Anestésica em Ci-
“Tratar a doença do lado direito com pontos do lado es- contenha fibras A-δ devido aos efeitos centrais analgésicos explicam algumas das conclusões. Os rurgia e Selecção de Pontos
querdo e vice-versa”, esta foi uma das primeiras te- dos controlos descendentes inibitórios. No entan- mecanismos subjacentes ao alívio das síndromes
orias a ser testada, pois existiu a necessidade de to, efeitos com maior destaque ocorrem quando dolorosas podem ser descritos e explicados com A A.A. tem funções diferentes da acupunctura
se arranjarem alternativas uma vez que se tornava são estimulados pontos de meridiano, onde se ob- uma base científica, desta forma os pontos de acu- terapêutica, no campo cirúrgico o objectivo está
difícil operar um dos membros quando este se tém analgesia no controlo descendente e no per- punctura definidos anatomicamente, localizam-- relacionado com o cérebro, com a capacidade de

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sentir ou não o que está a acontecer na mesa de (da víscera sobre a pele e os músculos). Sabendo cesa, acupunctura no nariz, crâniopunctura e acu- ia desaparecendo, surgindo assim a necessidade
operações. Numa tentativa de explicar como a que a selecção de pontos é fundamental para uma pressão… De salientar a administração de fenta- de uma manipulação ininterrupta das agulhas du-
acupunctura conseguia criar um efeito anestésico, anestesia completa, e tendo em consideração os nila ou óxido nitroso administrado em quantidade rante toda a operação e deste modo as restantes
estudaram em ratos, esta dinâmica no cérebro de pontos locais e regionais, os pontos de meridiano suficiente para promover a inconsciência, mas não cirurgias foram um êxito…
animais em laboratório. Ao aplicar um estímulo dentro do mesmo segmento, convém salientar a a analgesia (Ma-Tsue, 1972). Resumindo, na A.A., a sensação de De-Qi deve
doloroso numa parte do corpo, conseguiu-se ob- necessidade de se conhecer devidamente a origem manter-se constante e a manipulação das agulhas
servar através de um electroencefalograma a área segmentar do órgão ou víscera – viscerótomo; da ■■ De-Qi e a Acção sobre as Fun- nunca deve ser interrompida, devendo-se utilizar
do córtex cerebral que se alterava dependendo do pele – dermátomo; dos músculos – miótomo; e ções Nervosas os pontos com maior Chamada de Chi, sendo que
ponto tratado. A simulação de uma cirurgia com da parte óssea – periósteo, pois só com a combi- estes demonstraram ser os mais eficazes.
A.A. foi conseguida através da inserção da agu- nação destes diferentes saberes se consegue uma O primeiro passo para uma técnica de sucesso, A investigação nesta área começou a desenvolver-
lha, seguida da referida anestesia e seguidamente anestesia completa. Com a experiência clínica, consiste na escolha dos pontos apropriados con- -se e novas questões foram surgindo, nomeada-
aplicado um estímulo doloroso. Observaram-se adoptaram-se 5 regras na selecção dos pontos de soante o meridiano, a localização da cirurgia e a mente a cirurgia em paraplégicos, estes eram in-
as alterações no electroencefalograma no córtex acupunctura anestésicos: patologia. Quando o corpo é atacado por facto- capazes de sentir De-Qi nos membros inferiores,
cerebral e a inserção em determinados pontos 1. Pontos seleccionados pelo meridiano res patogénicos, estes propagam-se pelo sistema independentemente do número de pontos trata-
suprimia ou reduzia consideravelmente as alte- • Exemplo: E36 (Zusanli) em gastrectomias; de meridianos, à medida que a doença avança, dos nas extremidades inferiores ou da intensidade
rações no electroencefalograma produzidos pelo 2. Pontos situados nas concentrações das vias começamos a ter sinais e sintomas que nos reve- da manipulação da agulha, sendo que nos mem-
estímulo doloroso, havendo alteração se a esco- nervosas lam a extensão e gravidade da disseminação pe- bros superiores a sensação era quase imediata,
lha dos pontos fosse diferente, estes efeitos estão • Exemplo: IG18 (Futu) em tiroidectomias; los meridianos, órgãos ou tecidos afectados. Cada provando que existe uma estreita relação entre o
relacionados com os diferentes níveis do Sistema 3. Pontos situados nos músculos próximos ou à meridiano possui o seu próprio canal de circula- sistema nervoso e a sensação de De-Qi. De for-
Nervoso Central. Relativamente ao tálamo, este altura do campo operatório, ção e uma conexão única com o órgão, o factor ma a comprovar esta teoria realizaram-se várias
interage com dois tipos de impulsos aferentes, uns • Exemplo: IG14 (Binao) na cirurgia ao tórax; patogénico agride o órgão e os tecidos, compro- experiências com anestesia na área lombar com o
provenientes da área onde está a ser realizada a ci- 4. Pontos abaixo dos cotovelos e joelhos que metendo os restantes meridianos e prosseguindo intuito de provocar paralisia nos membros infe-
rurgia e outra de sensação de De-Qi da agulha. Es- provocam a sensação de De-Qi o seu percurso específico de penetração cada vez riores e observaram que para se obter a sensação
tudos experimentais e clínicos demonstraram que • Exemplo: IG4 (Hegu) e E36 (Zusanli) devi- mais profunda e grave para o organismo. Geral- de De-Qi é necessário que as funções nervosas de
os impulsos aferentes provenientes dos pontos de do ao De-Qi imediato e forte; mente as patologias que afectam um conjunto de encontrem normalizadas.
inserção diversamente localizados podem inibir 5. Pontos auriculares como o Shenmen, Simpá- meridianos são identificadas devido à natureza e à No Hospital Huan San de Shangai foi efectuado
completamente a dor, contudo os melhores resul- tico e Pulmão, com outros pontos correspon- localização da manifestação dos sinais e sintomas. um estudo com electromiografia da correlação da
tados são obtidos quando o paciente sente o De- dentes com a área da cirurgia. A selecção implica o conhecimento dos meridia- sensação das agulhas em pacientes com diversas
-Qi, caso contrário a inibição da dor pode não ser nos que mais se adequam à cirurgia em questão e patologias nervosas, incluindo lesões do plexo
completa; a localização do impulso é igualmente A A.A. utiliza 3 métodos para induzir a anestesia, a partir dessa escolha seleccionar os pontos mais braquial, sequelas de paralisia infantil, esclerose
importante, os impulsos aferentes provenientes sendo estes: manipulação manual (com movimen- indicados. Na teoria tradicional, a acupunctura só lateral amiotrófica, miodistrofia, miastenia grave,
de qualquer parte do corpo produzem inibição da tos de rotação até aos 200 por minuto); estímulo é eficaz quando as agulhas produzem no pacien- siringomielia, tabes dorsalis, entre outras. Os re-
dor no campo operatório, sendo que os impulsos eléctrico (realizada através de uma pequena des- te uma sensação especifica, fenómeno já descrito sultados deste estudo foram: pacientes com pato-
gerados no mesmo segmento do nervo espinal são carga eléctrica nas agulhas) e injecção de água des- no livro Princípios de Medicina Interna do Im- logias musculares ou com afecções dos neurónios
os que produzem uma inibição máxima e quanto tilada, soluções de vitamina B, entre outros, esta perador Amarelo “… o êxito se alcança quando apa- motores espinais experimentaram a sensação das
mais próximo do campo operatório se encontra o injecção é normalmente efectuada em pontos au- rece o De-Qi”. Esta sensação de Chamada de Chi agulhas quando submetidos a acupunctura nos
ponto, maior é o efeito anestésico obtido (Scientia xiliares e o seu objectivo é reforçar a acupunctura no início é forte como um choque, mas tende a membros afectados, em alguns casos verificou-se
Sinica, 1973). realizada nos pontos principais, eliminando assim desaparecer, foi o que verificaram nas primeiras uma melhoria das funções sensoriais gerais; nos
Na A.A. verificou-se que as aferências simpáticas a lacuna resultante da manipulação irregular da cirurgias ao tórax, que o efeito da anestesia se en- casos de siringomielia confirmou-se uma melhoria
viscerais e as aferências somáticas convergiam nos agulha (Hsing-tung, C., 1972). contrava no auge no início da operação, quando das sensações dolorosas e melhoria da sensibilida-
mesmos neurónios de corno dorsal, verificando- No início a A.A. era realizada apenas nos pontos as agulhas haviam sido inseridas e manipuladas. de térmica dos membros afectados; em pacientes
-se um reflexo somatovisceral (da pele e múscu- de Meridiano, contudo actualmente também se Contudo no decorrer da intervenção cirúrgica não de idade avançada, com historial de tabes dorsalis,
los sobre a víscera) e um reflexo viscerosomático utilizam pontos de auriculoterapia chinesa e fran- havendo continua estimulação da agulha o efeito a acupunctura produziu uma perda da sensação

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dolorosa, embora apenas durante a manipulação O efeito regulador – na acupunctura um dos e o córtex cerebral são minimizados pela aneste- acordado durante todo o procedimento cirúrgico,
das agulhas e a enquanto a sensação de De-Qi se objectivos principais é regular o organismo, o sia utilizada e o centro de controlo fica paralisado onde ouve e observa tudo o que está a acontecer
prologasse; na maioria dos casos, a sensação de mesmo ponto de acupunctura pode regular várias durante o qual deixa de regular de forma eficiente ao seu redor…
De-Qi foi acompanhada de actividade eléctrica do partes do organismo. A acupunctura é eficaz em as actividades orgânicas. Em contrapartida, a acu- O sistema modulador da dor é composto por es-
músculo tratado por acupunctura, nos casos de caso de inflamação pois é capaz de aumentar o nú- punctura acrescenta as actividades do córtex que truturas da espinal medula, do tronco encefálico,
distrofia, nos quais a resposta eléctrica dos mús- mero de glóbulos vermelhos e activar a fagocitose. pode regular as actividades orgânicas e superar as do sistema límbico, do tálamo e do córtex cere-
culos não se verificavam apesar da sensação da A cirurgia implica uma incisão na pele, a remoção alterações produzidas pelas feridas, contribuindo bral e pelos neurotransmissores como endorfinas
agulha ser aparentemente normal, em contrapar- de órgãos ou de tecidos doentes e a sutura da in- assim para uma maior segurança durante a ope- e serotonina, entre outros, que podem inibir ou
tida pacientes que experimentaram sensações do- cisão, estas podem alcançar vários centímetros e a ração e melhorias no pós-operatório. O paciente excitar sinapses que levam à informação dolorosa.
lorosas e térmicas perturbadas, nas sensações da cirurgia demorar várias horas, durante a qual são anestesiado com acupunctura permanece total- A modulação da dor ocorre pela integração de es-
agulha não se manifestaram, apesar das inserções provocados traumatismos múltiplos… mente consciente o que pode proporcionar uma tímulos periféricos a processos cognitivos e emo-
produzirem ondas electromiograficas de amplitu- Existe uma relação entre o efeito analgésico e o dinâmica entre o doente e o médico pois este sabe cionais. A espinal medula é uma estação de mo-
de média (Chinese Medical Journal, 1973). efeito regulador, devendo-se a estes fenómenos a quais as sensações vividas pelo paciente, levando dulação da dor. Na espinal medula os estímulos
Estes resultados reflectem que o canal condutor diminuição da sensibilidade dolorosa, o aumento a que a cirurgia possa ser mais precisa e sem risco dolorosos vindos da periferia interagem com os
das sensações das agulhas na espinal medula está da resistência física do paciente na intervenção de dano de outros tecidos neurocerebrais. Outra estímulos periféricos não nervosos (tacto e tem-
estritamente relacionado com o canal condutor da cirúrgica, pois a sua capacidade reguladora das das vantagens da A.A. é o facto de não requerer peratura) e com os estímulos nervosos descen-
sensação dolorosa e térmica. Em clínica demons- funções sistémicas por meio do córtex cerebral, instalações ou equipamentos complicados, a do- dentes de estruturas encefálicas (córtex e sistema
trou-se que, independentemente da localização aumenta a resistência corporal, deixando de existir sagem de químicos administrados pode não ser límbico). Os sistemas moduladores de dor des-
do tratamento por acupunctura, os estímulos são efeitos secundários e complicações pós-operatório necessária ou é significativamente inferior, o que cendentes são activados e sofrem interferência do
transmitidos na sua totalidade ao S.N.C. por via da anestesia química. Regula as suas funções sisté- facilita a sua aplicação, fazendo com que a cirurgia pensamento e do afecto (conceito individual sobre
das terminações nervosas sensitivas que produ- micas, respiração, pulso, pressão sanguínea, tensão seja muito menos dispendiosa, chegando a mais dor, apreciação da situação, experiências passadas,
zem o efeito analgésico, uma obstrução completa arterial, sendo por isso reguladora das funções do pessoas por ser bastante barata. medo, ansiedade, depressão, entre outras), de im-
afecta a eficácia da A.A.. A naloxona pode reverter corpo e “regulador da energia”. Esta acção reforça De ter em consideração o facto de existir um ele- pulsos não dolorosos oriundos da periferia (tacto
ou bloquear totalmente a analgesia induzida pela o poder de resistência e reduz a alteração causada vado número de desordens, tais como, hiperten- e temperatura) e de estímulos vindos dos órgãos
acupunctura, assim como o efeito de uma injecção pelo traumatismo da operação, das funções dos são, falência do fígado, rins, estômago e pulmões dos sentidos (sons, imagens e cheiros). Dessa in-
de anestésico local, como a bupivicaína no ponto tecidos e órgãos. que são incompatíveis com a anestesia química. teracção entre a periferia, a espinal medula e estru-
gatilho para alívio da dor, também é revertida. A No Hospital de Shanghai, através da utilização de Por outro lado, pacientes em estado crítico ou turas encefálicas é que a transmissão do impulso
injecção intracerebroventricular ou intratecal de diversos métodos para verificar as funções fisioló- com alergia à anestesia química, podem submeter- nervoso será modulada (abrindo ou fechando a
CCLK-8, reverte e bloqueia totalmente a analgesia gicas do cérebro, coração, pulmões, vasos sanguí- -se a intervenções cirúrgicas sob a A.A., pois esta é comporta) e, do corno posterior da medula, leva-
produzida tanto pela morfina, como pela electro- neos, músculos e pele dos pacientes submetidos a capaz de regular as funções dos órgãos e ajudar no da a estruturas subcorticais e corticais, envolvidas
acupunctura. Todos estes estudos provam que a A.A. e compará-las com outros pacientes subme- processo pós-operatório (Hsiang-tung, C., 1972). na percepção e na apreciação da dor.
acção da acupunctura é produzida pelo mecanis- tidos às mesmas intervenções sob anestesia quími- O ambiente do bloco operatório exerce um efeito
mo ópiode. ca, comparando a recuperação no pós-operatório ■■ Obstáculos que se Opõem à negativo sobre o sistema nervoso do paciente, al-
em ambos os grupos. Acupunctura Anestésica terando assim o efeito analgésico da acupunctura,
■■ Principais Efeitos Fisiológicos Os resultados mostraram que a “regulação de sendo que em certos casos existe a necessidade de
da Acupunctura Anestésica energia” é o efeito exercido sobre os diversos Apesar das cirurgias realizadas com A.A. serem administração de anestesia química. A interven-
órgãos (incluindo vísceras e tecidos), pelo córtex um êxito, este facto não se verifica em todos os ção cirúrgica sobre acupunctura anestésica com
O efeito analgésico e anestésico – a acupunc- cerebral, através do sistema nervoso, o córtex ce- casos, existe a excepção à regra, situações em que o paciente desperto é possível, contudo tem que
tura sempre foi utilizada para suprimir a dor, rebral actua como um “centro de controlo” do nem sempre é possível realizar a cirurgia com este haver sessões de preparação para esta anestesia,
produz resultados evidentes a suprimir a dor em corpo humano e possui poder regulador sobre método de anestesia até ao fim… o paciente tem que estar mentalmente preparado
pós-operatório, tendo inúmeros benefícios pois o os elementos que o compõem e o efeito de man- De salientar que um dos aspectos fundamentais e convencido da importância deste procedimento
organismo não necessita de fármacos e consegue ter as suas funções em óptimas condições. Com a ter em conta é a influência emocional do pa- e se sentir confiante para que a cirurgia seja um
recuperar melhor. anestesia química, as funções normais dos nervos ciente, durante a cirurgia, se o doente permanecer sucesso. Existem ainda as diferenças individuais

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referentes ao efeito da acupunctura anestésica, dor da zona da incisão; da incisão, com eléctrodos colocados a 3,75 cm do bordo da 2ª e 3ª vértebra lombar; e complementar com
sendo que a mesma intensidade de estímulo, o g) Injectar 10/20mg de lidocaína na raiz au- a inserção de 3 agulhas à volta do ponto auricular Sanjiao;
mesmo conjunto de pontos e mesmo tempo de ricular; e) Inserir agulhas nos pontos auriculares Simpático e Mio-relaxante;
indução utilizados para o mesmo tipo de cirurgia h) Injectar água destilada em ambos os extre- f) Electroacupunctura com estímulo de alta frequência nos 8º, 9º, 10º, 11º e 12º nervos intercostais;
produzem resultados diferentes, contudo estas di- mos da incisão e no ponto B25 (Dachangshu); g) Injectar 0,3mg de escopolamina nos pontos B23 (Shenshu) e B21 (Weishu);
ferenças não se observam nos efeitos analgésicos i) Na tiroidectomia, inserir profundamente h) Injecção intramuscular de 6 ml de glucose a 50% e de 6 ml de bicarbonato de sódio a 4% no local da
entre os vários métodos de acupunctura, produ- uma agulha no ponto IG18 (Futu), e a partir incisão, a reacção é imediata e provoca um longo período de relaxamento muscular.
zindo efeitos analgésicos em diferentes partes do deste inserir outra agulha subcutaneamente na
corpo (Chai-hsi, E., 2006). direcção da incisão; as agulhas profundas têm ■■ Pesquisa Clínica e Estudos Publicados
Existem outras situações em que a anestesia não a finalidade de reduzir a dor causada pela con-
é eficaz por si só, designa-se pelos Obstáculos à tracção, enquanto as subcutâneas diminuem a Considerando a revisão bilbiográfica da utilização de A.A., um dos trabalhos mais relevante é compilação e
Acupunctura Anestésica, sendo a Anestesia In- dor provocada pela incisão. tradução de “Medicine & Health Co”, realizada pelo Dr. S.T. Hu e Dr. L.K. Lu,. Dada a sua extrema aplica-
completa, a Reacção Indesejável da Contracção bilidade prática apresenta-se em seguida um resumo das conclusões dos estudos realizados. Numa tentativa
e o Relaxamento Abdominal Insuficiente. Existe Para combater a reacção indesejável da contracção: de se aprofundar todo o conhecimento existente em A.A., com o intuito de se verificar para cada uma das
um conjunto de medidas, incluindo fármacos au- a) Injectar 120mg de dolantina e electroa- cirurgias quais os pontos mais eficazes, sendo estes agrupados por conjuntos e realizada uma análise pos-
xiliares, métodos de acupunctura aperfeiçoados cupunctura nos pontos B17 (Geshu) e B21 terior de toda informação obtida. Nota: os pontos apresentados são puncturados do lado afectado apenas,
e melhores técnicas cirúrgicas, que ao longo do (Weishu); quando se verifica punctura no lado saudável existe indicação, em alguns casos existem pontos que não são
estudo se foram desenvolvendo com o intuito de b) Injectar de 15mg de dolantina e 0,3 mg de de acupunctura, mas correspondentes a áreas com maior irrigação nervosa e provocam igualmente anestesia,
minimizar os danos provocados aquando da ope- escopolamina no ponto E36 (Zusanli); para consulta de localização e acção dos pontos referido.
ração. Combater a Anestesia Incompleta: c) Puncturar os pontos auriculares Sanjiao,
a) Inserção de agulhas de 10 cm em ambos Abdómen, Supra-renais e Simpático; Cirurgia ao Cérebro
os lados ou em ambos os extremos da incisão, d) Aplicar electroacupunctura a raiz da língua Estudo realizado no Hospital Hua Shan de Shangai, realizado em 619 casos de neurocirurgia, dos quais 120
com transmissão de impulsos eléctricos de alta e Pc6 (Neiguan); intervenções à espinal medula e 499 craniotomias devido a tumores.
frequência enquanto se procede a incisão e à e) Puncturar o E36 (Zusanli) e manipular
sutura da pele; fortemente com movimentos oscilatórios e
Região Parietal e Região Frontal (Chinese Medical Journal, 1973)
b) Fixar eléctrodos de ambos os lados da inci- rotativos;
são e transmitir directamente os impulsos sem f) Injectar 0,3 mg de escopolamina em 6
Grupo 1: ID18 (Quanliao);
as agulhas; ml de solução salina no B21 (Weishu), B23
c) Estimular através de impulsos eléctricos a (Shenshu) e B17 (Geshu);
agulha situada junto das vértebras das vísceras g) Electroestimulação forte no ponto Pc6 ID18 (Quanliao), VB41 (Zulinqi), E43 (Xiangu),
Pontos Corporais: Grupo2:
que se vai operar; (Neiguan) para combater a contracção abdo- F3 (Taichong);
d) Nas cirurgias à orelha, olho, nariz e extre- minal;
midades, utilizar pontos do tronco nervoso h) Injectar novocaína a 1% no plexo do nervo B2 (Zanzhu), VB8 (Shuaigu), SJ22 (Erheliao),
respectivo em vez de pontos dos meridianos que alimenta os correspondentes dos órgãos Grupo 3:
VB12 (Wangu);
específicos, exemplo: nas operações das extre- operados.
midades superiores colocar agulhas no plexo Para facilitar o relaxamento muscular abdominal: inserção no Shenmen em direcção ao Rim, inserção
braquial, nas extremidades inferiores inserir na a) Electroacupunctura intensa no campo ope- Pontos Auriculares: no Tronco Cerebral em direcção ao Sub-cortex,
fossa poplítea ou na região inguinal; ratório e no peritoneu; ponto Simpático e Pulmão;
e) Como sedante e para intensificar a analge- b) Electroacupunctura no peritoneu com
sia, injectar 10/15mg de petidina em alguns eléctrodos no B21 (Weishu) e B17 (Geshu); IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), apenas do lado saudável
pontos; c) Electroacupunctura intensa nos pontos Combinação: e inserção no Shenmen em direcção ao Rim,
inserção no ponto Frontal até ao Occipital;
f) Injectar uma solução salina normal – 0,5 E36 (Zusanli) e BP6 (Sanyinjiao);
mg de adrenalina por 10 ml de solução ao re- d) Inserções subcutâneas em ambos os lados

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Região Temporal e Região Occipital Estrabotomia

inserção no Shenmen em direcção ao


Rim, inserção no Tronco Cerebral ou IG4 (Hegu), SJ6 (Zhigou), punctura do ponto E2 (Sibai)
Grupo 1: Pontos Corporais:
Occipital em direcção ao Sub-cortex, em direcção ao ponto E1 (Chengqi);
Pontos Auriculares: ponto Simpático e Pulmão;
Outras Cirurgias Oculares
Shenmen, inserção no ponto Occipital em
Grupo 2:
direcção ao Pescoço, ponto Rim e Fígado;
Grupo 1: IG4 (Hegu), SJ6 (Zhigou), VB37 (Guangming)

IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan) apenas do lado saudável,


inserção no ponto Occipital em direcção ao
Combinação:
Pescoço, inserção no ponto Pescoço em direcção Pontos Corporais: Grupo 2: IG4 (Hegu), SJ6 (Zhigou),
ao Occipital;

Grupo 3: IG4 (Hegu) bilateral, B1 (Jingming);


Cirurgia Ocular
Estudo realizado no Hospital do Trabalhador, do Soldado e do Camponês de Pequim e no Hospital da Es-
cola de Medicina Chung-shan de Cantão.
Shenmen, Simpático, Pulmão, inserção do
Grupo 1:
ponto Frontal ao ponto Olho;
Extirpação do Cristalino Pontos Auriculares:
IG4 (Hegu); punctura do ponto SJ5 Grupo 2: Shenmem e Pulmão;
Grupo 1: (Waiguan) em direcção ao ponto Pc6
(Neiguan);
Pontos Corporais: Grupo2: IG4 (Hegu), E2 (Sibai), B2 (Zanzhu);
Cirurgia em Otorrinolaringologia
Estudo realizado no Hospital do Primeiro Colégio de Medicina de Shangai, Departamento de Otorrinolarin-
Grupo 3: IG4 (Hegu), ID6 (Yanglao), ambos bilaterais;
gologia (Chinese Journal, 1973).

IG4 (Hegu), B2 (Zanzhu), auriculoterapia ponto


Combinação: Timpanotomia
Olho e Pulmão dos dois lados;

Escleroctomia Pontos Corporais: IG4 (Hegu) bilateral

IG4 (Hegu), auriculoterapia ponto Olho e Pulmão Mastoidectomia


Combinação:
dos dois lados;
IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), E44 (Neiting), todos
Pontos Corporais:
Iridotomia bilaterais;

cirurgia ao nariz
IG4 (Hegu), B2 (Zanzhu) em direcção ao ponto Yu-
Combinação:
Shang (acima do Yu-Yiao), E7 (Xianguan), E2 (Sibai);
E3 (Meichong) em direcção ao ponto E2 (Sibai), IG4
pONTOS CORPORAIS:
(Hegu), SJ6 (Zhigou);

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Maxilar em direcção ao ponto Frontal, do ponto Pontos Auriculares: Faringe, Amígdalas, ambos bilaterais;
Pontos AURICULAREs: Supra-renais em direcção Nariz Interno, do ponto
Shenmen em direcção ao ponto Simpático; Esofagoscopia, Traqueoscopia

Plásticas ao Nariz, Pólipos Nasais Grupo 1: IG4 (Hegu) bilateral;

Grupo 1: IG4 (Hegu) bilateral; Pontos Corporais:


Grupo 2: IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), ambos bilaterais;
Pontos Corporais: Grupo 2: IG4 (Hegu), IG20 (Yingxiang);

Cirurgia Facial e Bucal


Grupo 3: IG4 (Hegu), ID3 (Houxi) bilaterais;
Estudo realizado na Clinica Dental do Quarto Hospital de Si-na, no Nono Hospital do Povo de Shanghai e
Segundo Colégio de Medicina.
ponto Nariz Externo em direcção ao
Grupo 1:
ponto Nariz Interno, bilaterais;
Área Parótida
Pontos Auriculares:
Nariz Externo em direcção ao Nariz
Grupo 2: Interno, Vértice do Trago, Pulmão, E40 (Fenglong), VB38 (Yangfu), B59 (Fuyang), F3
Pontos Corporais:
Simpático; (Taichong), E43 (Xiangu), VB43 (Xiaxi);

Cirurgia ao Maxilar Superior Área Submaxilar

IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), IG20 (Yingxiang) todos E40 (Fenglong), VB38 (Yangfu), B59 (Fuyang), F3
Pontos Corporais: Pontos Corporais:
bilaterais; (Taichong), BP4 (Gongsun);

IG4 (Hegu) bilateral, Sj5 (Waiguan), pontos Cirurgia à mandíbula


Combinação:
auriculares do Maxilar, Rim, Simpático;
E40 (Fenglong), VB38 (Yangfu), B59 (Fuyang), F3
pONTOS CORPORAIS:
Extracção Cirúrgica da Laringe (Taichong), BP4 (Gongsun), IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan);

IG4 (Hegu), SJ6 (Zhigou), auriculoterapia punctura Cirurgia à articulação temporomandibular


do ponto Supra-renal em direcção ao ponto
Combinação: Laringe, do ponto Pescoço em direcção ao Ápice E40 (Fenglong), VB38 (Yangfu), B59 (Fuyang), F3
do Anti-trago, do ponto Shenmen em direcção ao Pontos Corporais: (Taichong), BP4 (Gongsun), IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan),
ponto Simpático, Pulmão, Rim, todos bilaterais; todos bilaterais;

IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), auriculoterapia pontos


Amigdalectomias cOMBINAÇÃO: correspondentes às áreas da cara, de acordo com a
cirurgia;
Grupo 1: IG4 (Hegu) bilateral;
Extracção Dentária
Grupo 2: SJ6 (Zhigou) bilateral;
Pontos Corporais: IG2 (Erjian), IG4 (Hegu) e mais um dos
Pontos Corporais: Grupo 1: conjuntos seguintes de acordo com o
ponto amígdalas (por baixo do maxilar, a dente a extrair;
Grupo 3:
1,5cm do ângulo da mandíbula) bilateral;

72 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 73
incisivo Du26 (Renzhong) em direcção ao IG2 Cirurgia ao Pescoço
superior (Erjian); Estudo realizado no Primeiro Hospital do Povo de Shanghai (Chinese Medical Journal,1973).

incisivo
Ren24 (Chengqiang), E3 (Meichong); Traqueotomia
inferior
IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), P1
canino Du26 (Renzhong) em direcção ao IG29, ID18 Grupo 1:
(Zhongfu), todos bilaterais;
superior (Quanliao); Pontos Corporais:
Grupo 2: IG18 (Futu) bilateral;
canino Ren24 (Chengqiang) em direcção ao E5
inferior (Daying), E6 (Jiache); Tiroidectomia
Pontos corporais:
Bicúspide Grupo 1: IG18 (Futu) bilateral;
E7 (Xianguan), ID18 (Quanliao);
superior

Bicúspide IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), ambos


Ren24 (Chengqiang), E6 (Jiache); Pontos Corporais: Grupo 2:
inferior bilaterais;

Molar IG4 (Hegu), E6 (Jiache) ou SJ17 (Yifeng),


ID18 (Quanliao), E6 (Jiache); Grupo 3:
superior: VB20 (Fengchi), todos bilaterais;

Molar Ren24 (Chengqiang), E6 (Jiache), Ren24 Shenmen, Pulmão, Subcortical, Faringe-Laringe,


Pontos Auriculares:
inferior: (Chengqiang), E7 (Xianguan); Pescoço, todos bilaterais;

IG3 (Sanjian) em direcção ao IG4 (Hegu) bilateral; Tirocarcinectomia radical


Combinação:
vértice do trago;
Pontos Corporais: IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), ambos bilaterais;

Um estudo realizado na Clinica Dentária do 4º Hospital de Si-na em 1250 casos divididos em 6 grupos, IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), ambos bilaterais;
consistiu na injecção de 0,5 a 1ml de solução salina em pontos de auriculoterapia com o intuito de produzir a auriculoterapia Shenmen, Simpático, Pulmão,
analgesia necessária para realizar uma extracção de dentes; a extracção foi efectuada 10 a 15 minutos depois, Combinação:
inserção do ponto Pescoço em direcção ao
verificando-se uma sensação de dormência, distensão e calor. ponto Clavícula, todos bilaterais;

Extracção Dentária

Grupo 1: Dente e Ómega;

Grupo2: Face e Lábios;

Grupo 3: Supra-renal;
Pontos Auriculares:
: Grupo 4: Anti-trago;

Grupo 5: Dente, Ómega, Supra-renal e Anti-trago;

todos os pontos e áreas acima


Grupo 6:
assinaladas;

74 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 75
Cirurgia ao Tórax Cirurgia Abdominal
Estudo realizado na Secção de Cirurgia ao Tórax do Grupo Coordenador de A.A. de Pequim, e no Primeiro Estudo realizado no Hospital do Povo de Ch’angshan (Chinese Medical Journal, 1973).
Hospital de Tuberculose de Shangai em Pneumotomia, Pneumonectomia, Toracotomia, Tracoplastia e Tora-
coneumoplastia (Chinese Medical Journal, 1973).
Gastrectomia subtotal e Gastrocolostomia

E36 (Zusanli), SJ17 (Yifeng), ambos


Cirurgia ao Tórax Grupo 1:
bilaterais ou apenas do lado esquerdo;
Grupo 1: IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan); Pontos Corporais: E36 (Zusanli), SJ17 (Yifeng), ambos
inserção do ponto SJ8 (Sanyangluo) em Grupo 2: bilaterais, e mais dois pontos, um em
Grupo 2:
direcção ao ponto Pc4 (Ximen); cada lado da incisão;
ponto extra Hsia Yi Feng (atrás do Estômago, Shenmen, Simpático; Pulmão, todos
Pontos Corporais: Pontos Auriculares:
lóbulo da orelha, 0,5cm abaixo da bilaterais ou apenas do lado esquerdo;
Grupo 3:
depressão situada entre a apófise
mastóide e a mandíbula); Esplenectomia
inserção do ponto IG14 (Binao) em E36 (Zusanli), BP6 (Sanyinjiao), Ren3 (Zhongji), todos
Grupo 4: Pontos Corporais:
direcção ao SJ14 (Jianliao); bilaterais;
Pontos Auriculares: Shenmen, Simpático, Pulmão, Asma, Rim e Tórax; BP4 (Gongsun), bilateral,
auriculoterapia ponto Baço, Sanjiao,
Cirurgia ao Coração – Hospital da Escola de Medicina de Hunan em Grupo 1:
Pulmão, Simpático, Shenmen, todos do
Changsha (Chinese Medical Journal, 1973). lado esquerdo;
Combinação:
IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), SJ6 (Zhigou), todos Ren15 (Jiuwei), F13 (Zhangmen), ambos do
Pontos Corporais:
bilaterais; Grupo 2: lado esquerdo, Pc4 (Ximen), IG4 (Hegu), E36
Shenmen, Tórax, Coração, Pulmão; todos do lado (Zusanli), todos bilaterais;
Pontos Auriculares:
esquerdo;
inserção do ponto Orelha em direcção ao baço,
Cirurgia Pericardíaca Pontos Nasais: inserção do ponto Pulmão em direcção ao baço,
Baço e Estômago;
IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), ambos do lado
Grupo 1: Colecistectomia
esquerdo com electroestimulação;
Pontos Corporais:
IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), ambos do lado Pontos Corporais: E36 (Zusanli), BP6 (Sanyinjiao), VB extra
Grupo 2: esquerdo com electroestimulação;
Du13 (Taodao), Du11 (Shenzhu); Pâncreas, Vesícula Biliar, Abdómen, Shenmen,
Pontos Auriculares:
Simpático, Pulmão, Subcortex, todos bilaterais;
Cirurgia ao Esófago
IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), auriculoterapia ponto
IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), ambos do lado Shenmen em direcção ao ponto Vesícula Biliar,
Grupo 1: Combinação:
esquerdo; Simpático, Pulmão, ponto extra entre o Estômago,
Pontos Corporais:
IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), IG14 (Binao), SJ10 Fígado e Baço;
Grupo 2:
(Tianjing), todos do lado esquerdo;
Enterectomia
Mastectomia
E36 (Zusanli), BP4 (Gongsun), F3 (Taichong), IG4
Pontos Corporais:
(Hegu), Pc6 (Neiguan), todos bilaterais;
Pontos Corporais: IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan);
inserção do ponto Shenmen em direcção ao ponto
Pontos Auriculares: Shenmen, Simpático, Endócrino, Tórax e Pulmão; Pontos Auriculares:
Abdómen;

76 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 77
Apendicectomia Nefrolitotomia, Uretrolitotomia
Pontos Corporais: E36 (Zusanli) bilateral, VB26 (Daimai); VB38 (Yangfu), B60 (Kunlun), R6 (Zhaohai), E43
Grupo 1: Apêndice e Boca; Pontos Corporais: (Xiangu), F3 (Taichong), BP3 (Taibai), IG4 (Hegu), SJ5
Pontos Auriculares: (Waiguan), ID3 (Houxi), Pc4 (Ximen);
Grupo 2: Abdómen, Pulmão e Shenmen;
Rim, Shenmen, Pulmão, Simpático, Sanjiao, Baço ou
Pontos Auriculares:
Cirurgia à Hérnia Inguinal Fígado;
E36 (Zusanli) bilateral ou do lado bilateralmente os pontos Shu correspondentes
Pontos Corporais: Grupo 1: aos níveis segmentares da área a operar;
afectado, VB28 (Weidai); Combinação:
auriculoterapia ponto Rim, Shenmen, Simpático,
B18 (Ganshu), B25 (Dachangshu), BP15
Grupo 2: Baço ou Fígado;
(Daheng), VB28 (Weidai);
ponto joelho em direcção ao ponto Abdómen, Cistolitotomia, Cistorrafia
Pontos Auriculares:
Simpático;
BP6 (Sanyinjiao) bilateral, Ren3 (Zhongji), Ren4
E36 (Zusanli), auriculoterapia Genitais Externos, Pontos Corporais:
Combinação: (Guanyuan);
Intestino Delgado, Simpático, Pulmão;
Pontos Auriculares: Bexiga, Abdómen, Shemen, Pulmão;
Salpingectomia E36 (Zusanli), BP6 (Sanyinjiao), auriculoterapia
Combinação: Bexiga, Shenmen, Subcortex direccionado a
E36 (Zusanli), F6 (Zhongfeng), ambos
Grupo 1: Pulmão;
bilaterais;
Pontos Corporais:
E36 (Zusanli), VB26 (Daimai), ambos Perineotomia
Grupo 2:
bilaterais;
Pontos Corporais: BP6 (Sanyinjiao), F3 (Taichong);
Pontos Auriculares: Ovários, Shenmen, Pulmão, todos bilaterais;
Circuncisão
E36 (Zusanli), auriculoterapia Genitais Externos,
Combinação:
Intestino Delgado, Simpático, Pulmão; BP6 (Sanyinjiao), F3 (Taichong) ambos bilaterais,
Pontos Corporais:
Ren3 (Zhongji), Ren4 (Guanyuan);
Cesariana
raiz do pénis, auriculoterapia ponto Genitais
E36 (Zusanli), BP6 (Sanyinjiao), VB26 (Daimai), ponto Combinação: Externos, Shenmen, Simpático, ponto Pulmão em
Pontos Corporais: extra anestésico (17,5 cm acima do maléolo direcção ao ponto Sub-cortex, todos bilaterais;
interno), todos bilaterais;
Hemorroidectomia
Útero, Abdómen, Shenmen, Simpático, Mio-
Pontos Auriculares:
relaxante; Pontos Corporais: B30 bilateral;
Histerossalpingo-ooforectomia B49 (Yishe) bilateral, auriculoterapia Recto,
Combinação:
Pulmão;
Du2 (Yaoshu), Du4 (Mingmen), VB26 (Daimai),
Grupo 1:
B33 (Zhongliao), B32 (Ciliao);
Pontos Corporais:
Du2 (Yaoshu), Du4 (Mingmen), VB26 (Daimai),
Grupo 2:
E36 (Zusanli), BP6 (Sanyinjiao);
Cistectomia do Ovário
Du2 (Yaoshu), Du4 (Mingmen), VB26 (Daimai), B32
Pontos Corporais:
(Ciliao), BP6 (Sanyinjiao) na direcção do meridiano;
BP9 (Yinlingquan), VB34 (Yanglingquan),
Combinação:
auriculoterapia ponto Rim e Coração;

78 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 79
Cirurgia aos Membros Superiores e Inferiores e Coluna Cubito e Rádio
IG11 (Quchi), SJ5 (Waiguan), P10 (Yuji), IG4 (Hegu), P2
Pontos corporais:
Clavícula (Yunmen), agulha no centro do músculo Deltóide;
IG4 (Hegu), IG11 (Quchi), IG15 (Jianyu),
Pc6 (Neiguan), IG18 (Futu), auriculoterapia SJ13 (Naohui), agulha no centro
Combinação:
Clavícula, Shenmen, Sub-cortex, todos bilaterais; Grupo 1: do antebraço entre os tendões,
auriculoterapia ponto cotovelo em
Articulação do Ombro direcção ao ponto Mão, Pulmão, Rim;
Combinação:
inserção do ponto ombro em direcção ao ponto Pc6 (Neiguan) em direcção ao ponto
Pontos Auriculares: SJ5 (Waiguan); auriculoterapia ponto
Articulação do Ombro, Shenmen, Simpático, Rim; Grupo 2:
Cotovelo em direcção ao ponto Mão,
IG4 (Hegu), P6 (Kongzui), auriculoterapia ponto Pulmão, Rim;
Ombro em direcção ao ponto Articulação do
Combinação:
Ombro, Pulmão, Rim, inserção do ponto Shenmen Transplante dos músculos da Mão
em direcção ao ponto Simpático;
Pontos corporais: IG17 (Tianding) em direcção ao plexo braquial;
Bolsa Articular do Ombro
Extracção de Tumores nos Glúteos
Pontos Corporais: SJ5 (Waiguan), Pc4 (Ximen), P6 (Kongzui), IG4 (Hegu);
E44 (Neiting), B33 (Zhongliao), R6 (Zhaohai),
Úmero Pontos corporais:
bilateralmente;
inserção do ponto Ombro em direcção ao ponto VB24 (Riyue), B40 (Weizhong), E36 (Zusanli),
Pontos Auriculares: Cotovelo, Shenmen, Simpático, Pulmão, Supra- auriculoterapia ponto Rim, Pulmão em direcção
Combinação:
renal, Rim; ao ponto Sub-cortex, ponto Shenmen em direcção
ao ponto Simpático;
todos os pontos da região anterior e posterior
do ombro, auriculoterapia ponto Ombro, Extracção de Tumores da Coxa
Combinação:
Articulação do Ombro, Shenmen, Occipital,
Pontos corporais: E36 (Zusanli), B60 (Kunlun), extra Hoting;
Vértice da Orelha;
Veia Safena
Articulação do Cotovelo
IG15 (Jianyu), IG4 (Hegu), SJ5 (Waiguan), IG11 (Quchi), Shenmen em direcção ao ponto Articulação
auriculoterapia inserção do ponto Cotovelo em Pontos auriculares: da Anca, ponto Abdómen em direcção ao ponto
Combinação: Joelho, Pulmão, Sub-cortex;
direcção ao ponto Ombro, Shenmen, inserção do
ponto Baço em direcção ao ponto Pulmão, Rim;
Implante de Prótese por Fractura da Cabeça do Fémur
Antebraço
E36 (Zusanli), B59 (Fuyang), VB36 (Waiqiu),
inserção do ponto IG11 (Quchi) em direcção ao Grupo 1: VB39 (Xuanzhong), BP6 (Sanyinjiao), E43
Pontos corporais: ponto C3 (Shaohai), P5 (Chize), IG4 (Hegu), uma (Xiangu);
agulha em cada lado cada artéria axilar; Vb34 (Yanglingquan), E40 (Fenglong),
Amputação do Antebraço F5 (Ligou), pontos situados a 1,25cm em
Grupo 2:
Pontos Corporais: ambos os lados das apófises espinhosas
P5 (Chize), C2 (Qingling), agulha no centro do da 12ª vertebra torácica e 1ª lombar;
Pontos corporais:
músculo Deltóide; VB24 (Riyue), VB39 (Xuanzhong), pontos
situados acima e abaixo de E4 (Dicang),
IG4 (Hegu), SJ3 (Zhongzhu), auriculoterapia ponto Grupo 3:
Combinação: do lado afectado, F6 (Zhongfeng)
mão, Shenmen, bilaterais; apenas do lado saudável;

80 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 81
Articulação da Anca em direcção ao ponto E41 (Jiexi), R6 (Zhaohai), E36 (Zusanli), BP6 (Sanyinjiao),
Pontos auriculares:
Calcanhar, Shenmen, Simpático, Rim, Supra-renais; E37 (Shangjuxu), todos bilaterais, auriculoterapia
Combinação:
ponto Calcanhar, Shenmen, Occipital, Pulmão,
Amputação de uma perna a altura da coxa inferior Simpático;
VB30 (Huantiao), B49 (Yishe), ponto a 1,25 cm ao
lado das apófises espinhosas da 3ª e 4ª vértebras Extracção de Discos Intervertebrais
Combinação:
lombares, auriculoterapia Joelho, Articulação da
IG4 (Hegu), SJ5 (Waiguan), ambos bilaterais, agulhas
Anca, Shenmen, Pulmão;
de ambos os lados da incisão, pontos dos
Pontos corporais:
Extracção de partes moles da Articulação do Joelho meridianos das costas, por cima e por baixo da
incisão;
3º nervo lombar próximo ao ponto B24
IG4 (Hegu), Pc6 (Neiguan), auriculoterapia
(Qihaishu), ponto do Nervo Femoral
Grupo 1: ponto Shenmen em direcção ao ponto
Grupo 1: próximo ao ponto E31 (Biguan), inserção
Simpático, Coluna, Pulmão, Rim;
subcutânea em ambos os lados da
Pontos Corporais: incisão; ponto extra (1,25 cm para fora do
Combinação: ponto Du4 – Mingmen), ID3 (Houxi), ambos
3º e 4º nervo lombar próximo ao ponto
bilaterais, auriculoterapia inserção
Grupo 2: B24 (Qihaishu) e B25 (Dachangshu), B51
Grupo 2: do ponto Shenmen em direcção ao
(Huangmen);
ponto Pulmão, inserção do ponto Baço
Amputação da parte inferior da Perna em direcção ao ponto Pulmão, ambos
bilaterais.
VB30 (Huantiao), B49 (Yishe), pontos situados a 1,25cm
de ambos os lados da 4ª e 5ª vértebras lombares,
Combinação:
auriculoterapia ponto Joelho em direcção ao
ponto Calcanhar, Shenmen, Pulmão;
Tíbia e Perónio
F3 (Taichong), BP9 (Yinlingquan), BP10 (XueHai),
B53 (BaoHuang), VB30 (Huantiao), E31 (Biguan),
Combinação:
auriculoterapia ponto Joelho em direcção ao
Calcanhar, Sub-cortex;
Metatarsectomia
BP6 (Sanyinjiao), VB38 (Yangfu), BP3 (Taibai),
Grupo 1:
F3 (Taichong);
Pontos Corporais:
F3 (Taichong), R6 (Zhaohai), VB39
Grupo 2:
(Xuanzhong);
Tendão de Aquiles
B54 (Zhishi), B57 (Chengshan), E36 (Zusanli), PALAVRAS-CHAVE:
Grupo 1:
Pontos Corporais: E44 (Neiting); Acupunctura. Anestesia. Analgesia. Medicina Tradicional Chinesa.
Grupo 2: B54 (Zhishi), B51 (Huangmen), E36 (Zusanli);

82 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 83
membros do conselho científico (resumo curricular)
Ana Cláudia Barreira Nunes António José Afonso Marcos
Farmacêutica, licenciada em Ciências Farmacêu- Professor Universitário. Mestre em Medicina Na-
║║ REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS ticas pela FFUP e doutorada em Química pela tural e Especialista em Dietética e Nutrição pela
FCUP. Curso de Plantas em Fitoterapia credi- Faculdade de Medicina da USC. Pós-graduado
• Agne, Jones., “Eu Sei Electroterapia”, 1ª edição, Sociedade Vicente Pallotti, Santa Maria, 2009. tado pela Ordem dos Farmacêuticos e SPFiTo; em Acupunctura e Moxibustão pela Associação
• Chai-hsi, E., “Acupuntura Anestésica”, Edicions Bellaterra, Barcelona, 2006 Coordenadora do Curso de Farmácia, na Escola Médica Chinesa. Diplomado em Acupunctura e
• Chien-hsiung, “Needling Anaesthesia” Ping Cheng Press, China, 1972. Superior de Saúde Jean Piaget de V.N.Gaia, onde em Naturopatia pela ESTP. Presidente do Institu-
• Chinese Medical Journal, “Analgesic Effect of Needling Quanliao Point in Neurosurgery”, Pe- é regente das Unidades Curriculares de Dermo- to Português de Naturologia. Membro consultor
quim, 1973. farmácia e Cosmética e Tecnologia de Produção em Comissões de elaboração de diplomas legais.
• Chinese Medical Journal, “Laryngectomy under Acupuncture Anaesthesia”, Pequim, 1973. em Farmácia. Organiza, regularmente Workshops Membro do Conselho Científico de várias revis-
• Chinese Medical Journal, “Acupuncture Anesthesia in Splenectomy”, Pequim, 1973 na área da Dermocosmética e participa como pa- tas científicas. Diretor do CTEC e Presidente do
• Chinese Medical Journal nº 2, “Acupuncture Anaesthesia in Cardiac Surgery”, Pequim, 1973. lestrante em diversos eventos da área. Realiza in- Conselho Científico da Universidade.
• Chinese Medical Journal nº 2, “Acupuncture Anaesthesia in Thoracic Surgery” e “Pulmonary Re- vestigação científica na área da Dermocosmética,
section under Acupuncture Anaesthesia”, Pequim, 1973. estudos de eficácia, em parceria com Laboratórios Arménio Jorge Moura Barbosa
• Chinese Medical Journal nº 2, “Acupuncture Anaesthesia in Thyroidectomy”, Pequim, 1973. Farmacêuticos. Licenciado em Bioquímica pela Universidade do
• Chinese Medical Journal, nº10, China, 1973. Porto em 2006 tendo participado no programa
• Chinese Medical Journal nº 10, “Acupuncture Sensation in Patients with Nervous Diseases”, Chi- Ana Cristina Esteves Erasmus na Universidade de Modena e Reggio
na, 1973 Licenciada e Biologia na Universidade de Avei- Emilia (Italia). Doutorado em 2010 pela Univer-
• Ho, S.; Lu, L. “The principles and pratical use of acupuncture anaesthesia”, Medicine & health ro (UA) em 1996 e doutorada em Biologia pela sidade de Modena e Reggio Emilia (Itália) em quí-
Publishing Co, Hong Kong, 2000. UA em colaboração com com o Centro de Neu- mica computacional, sobre a interação de ligandos
• Hsing-tung, C., “Eastern Horizons”, vol. XII, Pequim, 1972. rociência e Biologia da Célula, da Universidade com o recetor de serotonina 5-HT3. Em 2010 ini-
• Ma-Tsue, “The People’s Publishing Co”, 1972. de Coimbra, em 2002. Professora Convidada do ciou o Pos-doutoramento na área da descoberta
• Scientia Sinica vol. XVI, “Integrative Action of Thalamus in the Process of Acupuncture for Departamento de Biologia da Universidade de e desenvolvimento de fármacos anti-cancro, utili-
Analgesia”, China, 1973. Aveiro, bem como investigadora do CESAM-UA zando bases de dados de moléculas orgânicas de
• Stux; Hammerschlag, “Acupunctura Clínica”, 1ª edição, Editora Manole, Brasil, 2005. (Centre of Environmental and Marine Studies). origem sintética e natural. Participa anualmente
• Wang, B. “Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo”. Ícone Editora, São Paulo, A investigação é centrada na relação da interação em congressos internacionais apresentando resul-
2001. dos micro organismos com outros organismos e a tados para targets: epigeneticos, recetores GPCR,
• World Health Organization, “Acupuncture: Review and Analysis of Reports on Controlled Clini- sua resposta às alterações do ambiente. complexos proteína-RNA, recetores nucleares.
cal Trials”, 2003. Colabora com vários grupos de investigação na-
Ana Cristina Estrela de Oliveira C. Cordeiro cionais e internacionais e tem varias publicações
Bolseira de pós-doutoramento da FCT . Ligação à em revistas cientificas.
FMUP e ao IBMC. A área de investigação é a dor
visceral crónica, à qual se encontram associadas Carlos Manuel Moreira Mota Cardoso
patologias como o síndrome de cólon irritável, a Licenciatura em Medicina e Cirurgia, pela Facul-
cistite intersticial, entre outras doenças. Estudo so- dade de Medicina da Universidade do Porto. Títu-
bre os mecanismos pato-fisiológicos destas doen- lo de Especialista em Psiquiatria pela Ordem dos
ças, bem como arranjar novos tratamentos e ferra- Médicos. Bolseiro da Direcção Geral de Cuidados
mentas de diagnóstico. Percurso escolar na Escola de Saúde Primários para efectuar um estágio em
Superior de Biotecnologia da Universidade Cató- Trieste (Itália) no Hospital de S. Giovani (1985).
lica Portuguesa para obtenção da licenciatura em Grau de Mestre em Psicopatologia pela Universi-
Microbiologia. Passagem pelo IPATIMUP. Grau dade do Porto (Dissertação: A Clínica Psiquiátrica
de mestre em Toxicologia pela Universidade de de Urgência – 13 anos de experiência). Grau de
Aveiro. Grau de doutor em Biologia Humana, pela doutor em Psicologia pela Universidade do Por-
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. to (Dissertação: Os Caminhos da Esquizofrenia).

84 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 85
membros do conselho científico (resumo curricular) membros do conselho científico (resumo curricular)
Director do Hospital do Conde de Ferreira e Pre- Luis Alberto Coelho Rebelo Maia Maria Manuela Nunes da Costa Maia da Silva Rui Miguel Freitas Gonçalves
sidente do Conselho de Gerência, por vários man- Editor-in-Chief da “Iberian Journal of Clinical Licenciatura em Direito. 3.º Ciclo de Estudos Di- Licenciado em Bioquímica com especialização em
datos. Director do Centro de Saúde Mental do & Forensic Neuroscience” (ISSN - 2182 - 0290) reito pela Faculdade de Direito da Universidade Indústrias Alimentares pela Faculdade de Ciências
Norte. Membro eleito do Colégio Português de .Cédula Profissional da Ordem dos Psicólogos, n.º de Santiago de Compostela. Bolseira de Inves- da Universidade do Porto. Mestre em Tecnologia
Psiquiatria da Ordem dos Médicos. Coordenador 102. Professor Auxiliar - Beira Interior University. tigação da JNICT durante 4 anos, com estatuto Ciência e Segurança Alimentar pela Escola de En-
da Ordem dos Médicos para o Serviço Nacional Clinical Neuropsychologist, PhD (USAL - Spain). de Investigadora. Doutoramento Europeu em genharia da Universidade do Minho e pela Faculda-
de Saúde. Mandato no Colégio de psiquiatria da Neuroscientist, MsC (Medicine School of Lisbon Direito, pela Faculdade de Direito da Universida- de de Ciências da Universidade do Porto. Doutor
Ordem dos Médicos. Nomeado pelo Conselho - Portugal). Medico Legal Perit (Medicine Insti- de de Santiago de Compostela, reconhecido pela em Química pela Faculdade de Ciências da Univer-
Científico da Faculdade de Direito da Universida- tute Abel Salazar - Oporto, Portugal). Graduation Faculdade de Direito de Coimbra e publicado em sidade do Porto. Bolseiro do Instituto de Bebidas
de do Porto como docente convidado da Escola in Clinical Neuropsychology (USAL Spain). Gra- Diário da República. Mestre em Medicina Natural e Saúde – Unicer. Vencedor do Prémio de Exce-
Superior de Criminologia. Foi-lhe atribuído o títu- duation in Investigative Proficiency on Psycho- e Aplicação em Atenção Primária, pela Faculdade lência em Investigação Científica pelo Instituto de
lo académico de “Professor Afiliado”. Participa- biology (USAL-Spain).Clinical Psychologist (Mi- de Medicina da Universidade Santiago Composte- Bebidas e Saúde. Investigador na área da Química
ção em diversos trabalhos de investigação e autor nho University - Portugal). Associated Editor of la. Pós-graduação em Acupunctura e Moxibustão de Compostos Fenólicos e seu efeito nutricional
de várias publicações e artigos da especialidade. “Revista Psicologia e Educação” UBI. Integrated pela Associação Médica Chinesa, Beijing, China. com várias publicações em revistas internacionais
Researcher in CIDESD - Center for Investigation Diretora Geral do Instituto Português de Naturo- e apresentações em congressos nacionais e interna-
Jose Maria Robles Robles in Sports, Education and Health- UBI Portugal. logia. Professora Universitária. Exercício de vários cionais. Licenciado em Ciências Básicas da Medici-
Licenciado em Fisioterapia pela Universidade Europeia cargos de direção e reitoria em instituições de en- na pela Escola de Ciências da Saúde da Universi-
de Madrid. Diplomado em Ciências da Saúde, Fisio- Maria Isabel do Amaral A. Vaz Ponce de Leão sino superior. Presidente do Conselho Científico dade do Minho. Diplomado em Medicina Chinesa
terapia, da Universidade Alfonso X el Sabio, Madrid. Licenciatura em Filologia Românica pela Uni- de uma das universidades. Membro integrado do pelo Instituto Português de Naturologia. Formação
Doutorado em Acupuntura pelo Comitê Internacional versidade de Coimbra. 3.º Ciclo de Estudos em CLEPUL. Membro consultor em Comissões de complementar em Shiatsu Namikoshi. Formador
de Exames República Popular da China, pertencente Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela elaboração de diplomas legais. Membro de Con- na área da Medicina Chinesa.
ao Ministério da Saúde Pública. Formação em Terapias Faculdade de Filoloxia da Universidade de Santia- selho Científico de várias revistas científicas. Pre-
Alternativas: Acupuntura, Naturopatia, Osteopatia, Mas- go de Compostela. Doutoramento em Literaturas sidente da APSANA - Associação Europeia de
sagem. Formação em Medicinas Tradicionais pelas Uni- Hispânicas pela mesma Universidade (reconheci- Profissionais de Saúde Natural. Membro fundador de
versidades da China, Tailândia. Diretor da Academia de do pela Faculdade de Letras da Universidade de Centros de Investigação e membro atual de alguns Centros
Ciências da Saúde, em Barcelona. Coimbra, Portugal, com o n.º 1/98, com publica- de Investigação. Autora de várias publicações.
ção no Diário da República n.º 188 de 17.08.98).
João Paulo Ferreira Leal Agregação em 2009. Estatuto de formadora na Miguel F. Tato Diogo
Consultor científico independente, tendo desem- área e domínio C046 Português / Língua Portu- Licenciado em Engenharia de Minas pela Faculdade
penhado funções docentes ao longo de duas déca- guesa, concedido pelo Conselho Científico-Peda- de Engenharia da Universidade do Porto e Doutorado
das em instituições portuguesas de ensino superior gógico da Formação Contínua, conforme registo em Gestão de Recursos Naturais com apoio em Siste-
nas áreas letivas de Antropologia, Bioética, Ética, CCPFC/RFO-02956/97. Professora Catedrática mas de Informação Geográfica pela Universidade de
Deontologia Profissional, e Política. É licencia- da Universidade Fernando Pessoa. Membro inte- Vigo, Espanha. Professor da Faculdade de Engenharia
do em Antropologia, pós-graduado e mestre em grado do CLEPUL a cuja direcção pertence, e co- da Universidade do Porto. Membro (Investigador) do
Relações Internacionais (Ética em RI), DEA em laboradora do CIEC. Sócia fundadora e elemento CIGAR – Centro de Investigação em Geo-Ambiente e
Antropologia Social e doutorado em Psicologia da direcção do Circulo Literário Agustina Bessa- Recursos e do CERENA – Centro de Recuros Naturais
(Psicologia de Desenvolvimento Moral). Realizou -Luís. Coordenadora do projecto e-médico+. e Ambiente. Membro da Comissão Científica do Progra-
pós-doutoramento em Antropologia Médica, com Áreas de Investigação: Literatura Portuguesa Con- ma de Formação Contínua da FEUP. Membro (Vogal)
relatório de pesquisa orientado para os temas da temporânea, Literatura / artes / ciências. Discur- da Comissão Diretiva do Centro de Competências em
Antropologia do Corpo, da Doença e da Saúde. so de Imprensa. Autora de vários livros e artigos Envelhecimento Ativo e Saudável (UPorto Ageing Ne-
que incidem nas áreas acima referidas. twork) da Universidade do Porto, no grupo de trabalho,
“Fostering Innovation for Age-friendly Buildings, Cities
& Environments.

86 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 87
normas para publicação normas para publicação

1. A Scientific Journal of Natural Medicine, pretende ser um espaço de reflexão e trabalho no 7. Os textos propostos devem ser enviados para o e-mail para sjnaturalmedicine@gmail.com.
âmbito da saúde e, em especial, na Medicina Natural, fundada na ética e no rigor científico.
8. Os artigos são da responsabilidade dos respectivos autores e não serão devolvidos, independen-
2. Os autores interessados em submeter artigos para a publicação poderão contribuir com artigos de temente da sua publicação.
investigação, recensões, ou outro material de natureza e relevância científica.
9. A seleção dos artigos de investigação, para publicação, será realizada por revisão anónima por
3. Os interessados poderão, ainda, participar com trabalhos apresentados em encontros científicos, pares, preferencialmente por três membros do Conselho Científico da revista. Os direitos autoriais
congressos, comentários, reflexões e outras actividades de relevância. É um espaço de divulgação são propriedade da revista.
científica para profissionais de saúde, terapeutas e cientistas com o objetivo de avaliar, validar,
desenvolver e integrar as diversas áreas da Medicina Natural na sua vertente clínica e de conheci- 10. Cada autor poderá submeter, como autor principal, um artigo por cada edição da revista.
mento fundamental.
11. Os trabalhos a publicar deverão:
4. A revista apresenta investigação original com impacto direto nas terapias, protocolos terapêuticos,
abordagem aos doentes, estratégias de ensino e de trabalho com o objetivo último de melhorar a • Ser originais. A submissão de trabalhos à implica que o trabalho não tenha sido previamente
qualidade do processo terapêutico. publicado com exceção de comunicação oral ou poster em congresso, tese académica ou aula e
que não se encontra de momento sob apreciação em nenhuma outra publicação.
5. O âmbito da Revista de Medicina Natural inclui: • Ser escritos em Português e/ou Inglês. A aceitação de outra língua estará sujeita a aprovação do
editor. Não excedendo as 7000 palavras;
• Botânica Médica • Conter um resumo em português e inglês, com cerca de 80 a 120 palavras (abstract);
• Fitoterapia • Conter cinco palavras chave devidamente identificadas pelos autores, para fins de indexação;
• Farmacologia e metodologia analítica • Ser encabeçados pelo título, nome do autor, categoria profissional, instituição e contacto eletró-
• Naturopatia nico, breve resumo curricular com máximo de 5 linhas;
• Homeopatia • Os artigos deverão ser divididos em secções claramente identificadas com conteúdo e sequência
• Nutrição e suplementação alimentar coerente;
• Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa • Respeitar as regras da metodologia do trabalho científico, concernentes às formas de citar, or-
• Ayurveda ganizar a bibliografia.
• Yoga
• Tai Chi
• Qi Gong 12. A publicação do trabalho é aprovada por todos os autores e, de forma tácita ou explícita pela
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• Medicina Holística
• Filosofia Médica 13. A submissão de material assume a ausência de qualquer tipo de conflito de interesse entre todos os
• Ética Médica autores e o trabalho realizado. Na sua presença, esta deverá ser declarada e caracterizada aquando
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6. As secções tipologias dos trabalhos na Revista de Medicina Natural são: título informativo: um conflito de interesse em trabalho científico existe quando um participante no
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• Trabalhos originais de Patologia e Metodologia Terapêutica em sociedades financeiras, etc.) são consideradas as mais relevantes mas não devem ser excluídos o
financiamento do trabalho de investigação as ligações pessoais e as de competição académica.

88 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 Scientific Journal of Natural Medicine | Vol. 2 89
SCIENTIFIC JOURNAL OF NATURAL MEDICINE
REVISTA CIENTIFICA DE MEDICINA NATURAL
Julho 2014

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