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leu algo e pensou: “Nossa, ele disse tudo que eu penso”.

Com certeza,
várias vezes. Temos aí a identificação de nossos pensamentos com os
pensamentos dos autores, mas para que aconteça, pelo menos não
1. Análise e interpretação de textos tenha preguiça de pensar, refletir, formar ideias e escrever quando
verbais e não verbais: compreensão puder e quiser.
geral do texto; elementos que compõem Tornar-se, portanto, alguém que escreve e que lê em nosso país é
uma narrativa; tipos de discurso; ponto uma tarefa árdua, mas acredite, valerá a pena para sua vida futura.
Mesmo que você diga que interpretar é difícil, você exercita isso a
de vista ou ideia central defendida pelo todo o momento. Exercita através de sua leitura de mundo. A todo e
autor; argumentação; elementos de qualquer tempo, em nossas vidas, interpretamos, argumentamos,
coesão e coerência textuais; expomos nossos pontos de vista. Mas, basta o(a) professor(a) dizer
intertextualidade; inferências; estrutura e “Vamos agora interpretar esse texto” para que as pessoas se calem.
organização do texto e dos parágrafos Ninguém sabe o que calado quer, pois ao se calar você perde
oportunidades valiosas de interagir e crescer no conhecimento.
Perca o medo de expor suas ideias. Faça isso como um exercício
diário e verá que antes que pense, o medo terá ido embora.
Caro(a) candidato(a), antes de iniciar nosso estudo, queremos
nos colocar à sua disposição, durante todo o prazo do concurso
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e relacionadas entre
para auxiliá-lo em suas dúvidas e receber suas sugestões. Muito
si, formando um todo significativo capaz de produzir interação
zelo e técnica foram empregados na edição desta obra. No entanto,
comunicativa (capacidade de codificar e decodificar).
podem ocorrer erros de digitação ou dúvida conceitual. Em
qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. Em cada
atendimento ao cliente para que possamos esclarecê-lo. Entre em
uma delas, há certa informação que a faz ligar-se com a anterior e/ou
contato conosco pelo e-mail: professores @maxieduca.com.br
com a posterior, criando condições para a estruturação do conteúdo
a ser transmitido. A essa interligação dá-se o nome de contexto. Nota-
Interpretação se que o relacionamento entre as frases é tão grande, que se uma
frase for retirada de seu contexto original e analisada
separadamente, poderá ter um significado diferente daquele inicial.
Cada vez mais, é comprovada a dificuldade dos estudantes, de
qualquer idade, e para qualquer finalidade de compreender o que se
pede em textos, e também dos enunciados. Qual a importância de Intertexto - comumente, os textos apresentam referências
entender um texto? diretas ou indiretas a outros autores através de citações. Esse tipo de
Quando se fala em texto, pensamos naqueles longos, com recurso denomina-se intertexto.
introdução, desenvolvimento e conclusão, onde depois temos que
responder uma ou várias questões sobre ele. Na verdade, texto pode Interpretação de Texto - o primeiro objetivo de uma
ser a questão em si, a leitura que fazemos antes de resolver o interpretação de um texto é a identificação de sua ideia principal. A
exercício. E como é possível cometer um erro numa simples leitura partir daí, localizam-se as ideias secundárias, ou fundamentações, as
de enunciado? Mais fácil de acontecer do que se imagina. Se na hora argumentações ou explicações que levem ao esclarecimento das
da leitura, deixamos de prestar atenção numa só palavra, como uma questões apresentadas na prova.
“não”, já muda a interpretação. Veja a diferença:
Normalmente, numa prova o candidato é convidado a:
Qual opção abaixo não pertence ao grupo?
Identificar - reconhecer os elementos fundamentais de uma
Qual opção abaixo pertence ao grupo? argumentação, de um processo, de uma época (neste caso, procuram-
se os verbos e os advérbios, os quais definem o tempo).
Isso já muda totalmente a questão, e se o leitor está desatento, vai
marcar a primeira opção que encontrar correta. Pode parecer Comparar - descobrir as relações de semelhança ou de
exagero pelo exemplo dado, mas tenha certeza que isso acontece diferenças entre as situações do texto.
mais do que imaginamos, ainda mais na pressão da prova, tempo
curto e muitas questões. Partindo desse princípio, se podemos errar Comentar - relacionar o conteúdo apresentado com uma
num simples enunciado, que é um texto curto, imagine os erros que realidade, opinando a respeito.
podemos cometer ao ler um texto maior, sem prestar devida atenção
aos detalhes. É por isso que é preciso melhorar a capacidade de Resumir - concentrar as ideias centrais e/ou secundárias em um
leitura e compreensão. só parágrafo.

A literatura é a arte de recriar através da língua escrita. Sendo Parafrasear - reescrever o texto com outras palavras.
assim, temos vários tipos de gêneros textuais, formas de escrita. Mas
a grande dificuldade encontrada pelas pessoas é a interpretação de Exemplo
textos. Muitos dizem que não sabem interpretar, ou que é muito
difícil. Se você tem pouca leitura, consequentemente terá pouca
argumentação, pouca visão, pouco ponto de vista e um grande medo
de interpretar. A interpretação é o alargamento dos horizontes. E
esse alargamento acontece justamente quando há leitura. Somos
fragmentos de nossos escritos, de nossos pensamentos, de nossas
histórias, muitas vezes contadas por outros. Quantas vezes você não
Título do Texto Paráfrases
A integração do mundo.
“O Homem A integração da humanidade.
Unido” A união do homem.
Homem + Homem = Mundo. Que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente. Mas
A macacada se uniu. (sátira) depende das condições da frase.
Condições Básicas para Interpretar Qual (neutro) idem ao anterior.
Quem (pessoa).
Faz-se necessário: Cujo (posse) - antes dele, aparece o possuidor e depois, o objeto
possuído.
Como (modo).
- Conhecimento Histórico – literário (escolas e gêneros
Onde (lugar).
literários, estrutura do texto), leitura e prática.
Quando (tempo).
- Conhecimento gramatical, estilístico (qualidades do texto) e
semântico. Na semântica (significado das palavras) incluem-se: Quanto (montante).
homônimos e parônimos, denotação e conotação, sinonímia e Exemplo:
antonímia, polissemia, figuras de linguagem, entre outros. Falou tudo quanto queria (correto).
- Capacidade de observação e de síntese. Falou tudo que queria (errado - antes do que, deveria aparecer o
- Capacidade de raciocínio. demonstrativo o).

Interpretar X Compreender Vícios de Linguagem – há os vícios de linguagem clássicos


(barbarismo, solecismo, cacofonia...); no dia a dia, porém, existem
expressões que são mal empregadas, e por força desse hábito
Interpretar Significa Compreender Significa
cometem-se erros graves como:
Explicar, comentar, julgar, Intelecção, entendimento, atenção - “Ele correu risco de vida”, quando a verdade o risco era de
tirar conclusões, deduzir. ao que realmente está escrito.
morte.
Tipos de enunciados: - Tipos de enunciados:
- “Senhor professor, eu lhe vi ontem”. Neste caso, o pronome
através do texto, inferese - o texto diz que... oblíquo átono correto é “o”.
que... - é sugerido pelo autor - “No bar: Me vê um café”. Além do erro de posição do
- é possível que... - de acordo com o texto, é pronome, há o mau uso.
deduzir que... - o autor correta ou errada a afirmação...
permite concluir que... - o narrador afirma...
- qual é a intenção Algumas dicas para interpretar um texto:
do autor ao afirmar que...
1. Leia bastante. Textos de diversas áreas, assuntos distintos
nos trazem diferentes formas de pensar.
Erros de Interpretação
2. Pratique com exercícios de interpretação. Questões
É muito comum, mais do que se imagina, a ocorrência de erros de
simples, mas que nos ajuda a ter certeza que estamos prestando
interpretação. Os mais frequentes são:
atenção na leitura.
- Extrapolação (viagem). Ocorre quando se sai do contexto,
acrescentado ideias que não estão no texto, quer por conhecimento
3. Cuidado com o “olho ninja”, aquele que quando damos
prévio do tema quer pela imaginação.
conta, já está no final da página, e nem lembramos o que lemos no
- Redução. É o oposto da extrapolação. Dá-se atenção apenas meio dela. Talvez seja hora de descansar um pouco, ou voltar a
a um aspecto, esquecendo que um texto é um conjunto de ideias, o leitura num ponto que estávamos prestando atenção, e reler.
que pode ser insuficiente para o total do entendimento do tema
desenvolvido.
4. Ative seu conhecimento prévio antes de iniciar o texto.
- Contradição. Não raro, o texto apresenta ideias contrárias
Qualquer informação, mínima que seja, nos ajuda a compreender
às do candidato, fazendo-o tirar conclusões equivocadas e,
melhor o assunto do texto.
consequentemente, errando a questão.
5. Faça uma primeira leitura superficial, para identificar a
Observação: Muitos pensam que há a ótica do escritor e a ótica do
ideia central do texto, e assim, levantar hipóteses e saber sobre o que
leitor. Pode ser que existam, mas numa prova de concurso o que deve
se fala.
ser levado em consideração é o que o autor diz e nada mais.
6. Leia as questões antes de fazer uma segunda leitura mais
Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que relacionam
detalhada. Assim, você economiza tempo se no meio da leitura
palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre si. Em outras
identificar uma possível resposta.
palavras, a coesão dá-se quando, através de um pronome relativo,
uma conjunção (nexos), ou um pronome oblíquo átono, há uma
relação correta entre o que se vai dizer e o que já foi dito. São muitos 7. Preste atenção nas informações não-verbais. Tudo que
os erros de coesão no dia a dia e, entre eles, está o mau uso do vem junto com o texto, é para ser usado ao seu favor. Por isso,
pronome relativo e do pronome oblíquo átono. Este depende da imagens, gráficos, tabelas, etc., servem para facilitar nossa leitura.
regência do verbo; aquele do seu antecedente. Não se pode esquecer
também de que os pronomes relativos têm cada um valor semântico, 8. Use o texto. Rabisque, anote, grife, circule... enfim, procure
por isso a necessidade de adequação ao antecedente. Os pronomes a melhor forma para você, pois cada um tem seu jeito de resumir e
relativos são muito importantes na interpretação de texto, pois seu pontuar melhor os assuntos de um texto.
uso incorreto traz erros de coesão. Assim sendo, deve-se levar em
consideração que existe um pronome relativo adequado a cada Além dessas dicas importantes, você também pode grifar
circunstância, a saber: palavras novas, e procurar seu significado para aumentar seu
vocabulário, fazer atividades como caça-palavras, ou cruzadinhas - Leia algumas vezes o texto, pois a primeira impressão pode
são uma distração, mas também um aprendizado. ser falsa. É preciso paciência para ler outras vezes. Antes de
Não se esqueça, além da prática da leitura aprimorar a responder as questões, retorne ao texto para sanar as dúvidas.
compreensão do texto e ajudar a aprovação, ela também estimula - Atenção ao que se pede. Às vezes a interpretação está
nossa imaginação, distrai, relaxa, informa, educa, atualiza, melhora voltada a uma linha do texto e por isso você deve voltar ao
nosso foco, cria perspectivas, nos torna reflexivos, pensantes, além parágrafo para localizar o que se afirma. Outras vezes, a questão
de melhorar nossa habilidade de fala, de escrita e de memória. está voltada à ideia geral do texto.
Então, foco na leitura, que tudo fica mais fácil! - Fique atento a leituras de texto de todas as áreas do
conhecimento, porque algumas perguntas extrapolam ao que
Organização do Texto e Ideia Central está escrito. Veja um exemplo disso:

Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias seletas e Texto:


organizadas, através dos parágrafos, composto pela ideia central,
argumentação e/ou desenvolvimento e a conclusão do texto. Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator
Podemos desenvolver um parágrafo de várias formas: obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. Os antigos
moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos
- Declaração inicial; colaboradores da indústria extrativa, na caça, na pesca, em
- Definição; - Divisão; - Alusão histórica. determinados ofícios mecânicos e na criação do gado. Dificilmente se
acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a
Serve para dividir o texto em pontos menores, tendo em vista os exploração dos canaviais. Sua tendência espontânea era para as
diversos enfoques. Convencionalmente, o parágrafo é indicado atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-se sem
através da mudança de linha e um espaçamento da margem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos.
esquerda. Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico
frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira clara e resumida. (Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)
Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo, asseguramos
um caminho que nos levará à compreensão do texto. Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram:
(A) os portugueses.
Os Tipos de Texto (B) os negros.
(C) os índios.
Basicamente, existem três tipos de texto: (D) tanto os índios quanto aos negros.
- Texto narrativo; - Texto descritivo; - Texto dissertativo. (E) a miscigenação de portugueses e índios.

Cada um desses textos possui características próprias de (Aquino, Renato. Interpretação de textos, 2ª edição. Rio de
construção, que pode ser estudado mais profundamente na tipologia Janeiro: Impetus, 2003.)
textual.
Resposta “C”. Apesar do autor não ter citado o nome dos índios, é
É comum encontrarmos queixas de que não sabem interpretar possível concluir pelas características apresentadas no texto. Essa
textos. Muitos têm aversão a exercícios nessa categoria. Acham resposta exige conhecimento que extrapola o texto.
monótono, sem graça, e outras vezes dizem: cada um tem o seu
próprio entendimento do texto ou cada um interpreta a sua maneira. - Tome cuidado com as vírgulas. Veja por exemplo a diferença de
No texto literário, essa ideia tem algum fundamento, tendo em vista sentido nas frases a seguir:
a linguagem conotativa, os símbolos criados, mas em texto não (1) Só, o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
literário isso é um equívoco. Diante desse problema, seguem algumas (2) Só o Diego da M110 fez o trabalho de artes.
dicas para você analisar, compreender e interpretar com mais (3) Os alunos dedicados passaram no vestibular.
proficiência. (4) Os alunos, dedicados, passaram no vestibular.
(5) Marcão, canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
- Crie o hábito da leitura e o gosto por ela. Quando nós (6) Marcão canta Garçom, de Reginaldo Rossi.
passamos a gostar de algo, compreendemos melhor seu
funcionamento. Nesse caso, as palavras tornam-se familiares a Explicações:
nós mesmos. Não se deixe levar pela falsa impressão de que ler (1) Diego fez sozinho o trabalho de artes.
não faz diferença. Leia tudo que tenha vontade, com o tempo você (2) Apenas o Diego fez o trabalho de artes.
se tornará mais seleto e perceberá que algumas leituras foram
(3) Havia, nesse caso, alunos dedicados e não dedicados
superficiais e, às vezes, até ridículas. Porém elas foram o ponto de
e passaram no vestibular somente os que se dedicaram,
partida e o estímulo para se chegar a uma leitura mais refinada. restringindo o grupo de alunos.
Existe tempo para cada momento de nossas vidas.
(4) Nesse outro caso, todos os alunos eram dedicados.
- Seja curioso, investigue as palavras que circulam em seu
(5) Marcão é chamado para cantar.
meio.
(6) Marcão pratica a ação de cantar.
- Aumente seu vocabulário e sua cultura. Além da leitura, um
bom exercício para ampliar o léxico é fazer palavras cruzadas.
Leia o trecho e analise a afirmação que foi feita sobre ele:
- Faça exercícios de sinônimos e antônimos.
“Sempre fez parte do desafio do magistério administrar
- Leia verdadeiramente.
adolescentes com hormônios em ebulição e com o desejo natural da
idade de desafiar as regras. A diferença é que, hoje, em muitos casos,
a relação comercial entre a escola e os pais se sobrepõe à autoridade Como o povo brasileiro é descuidado a respeito de alimentação!
do professor”. É o que exclamo depois de ler as recomendações de um nutricionista
americano, o dr. Maynard. Diz este: “A apatia, ou indiferença, é uma
Frase para análise. das causas principais das dietas inadequadas.” Certo, certíssimo.
Ainda ontem, vi toda uma família nordestina estendida em uma
Desafiar as regras é uma atitude própria do adolescente das calçada do centro da cidade, ali bem pertinho do restaurante
escolas privadas. E esse é o grande desafio do professor moderno. Vendôme, mas apática, sem a menor vontade de entrar e comer bem.
Ensina ainda o especialista: “Embora haja alimentos em quantidade
- Não é mencionado que a escola seja da rede privada. suficiente, as estatísticas continuam a demonstrar que muitas
pessoas não compreendem e não sabem selecionar os alimentos”. É
- O desafio não é apenas do professor atual, mas sempre fez
isso mesmo: quem der uma volta na feira ou no supermercado vê que
parte do desafio do magistério. Outra questão é que o grande
a maioria dos brasileiros compra, por exemplo, arroz, que é um
desafio não é só administrar os desafios às regras, isso é parte do
alimento pobre, deixando de lado uma série de alimentos ricos.
desafio, há também os hormônios em ebulição que fazem parte
Quando o nosso povo irá tomar juízo? Doutrina ainda o nutricionista
do desafio do magistério.
americano: “Uma boa dieta pode ser obtida de elementos tirados de
cada um dos seguintes grupos de alimentos: o leite constitui o
- Atenção ao uso da paráfrase (reescrita do texto sem prejuízo primeiro grupo, incluindo-se nele o queijo e o sorvete”. Embora
do sentido original). modestamente, sempre pensei também assim. No entanto, ali na
- A paráfrase pode ser construída de várias formas, veja praia do Pinto é evidente que as crianças estão desnutridas, pálidas,
algumas delas: substituição de locuções por palavras; uso de magras, roídas de verminoses. Por quê? Porque seus pais não sabem
sinônimos; mudança de discurso direto por indireto e vice-versa; selecionar o leite e o queijo entre os principais alimentos. A solução
converter a voz ativa para a passiva; emprego de antonomásias ou lógica seria dar-lhes sorvete, todas as crianças do mundo gostam de
perífrases (Rui Barbosa = A águia de Haia; o povo lusitano = sorvete. Engano: nem todas. Nas proximidades do Bob´s e do Morais
portugueses). há sempre bandos de meninos favelados que ficam só olhando os
adultos que descem dos carros e devoram sorvetes enormes.
Observe a mudança de posição de palavras ou de expressões nas Crianças apáticas, indiferentes. Citando ainda o ilustre médico: “A
frases. Exemplos: carne constitui o segundo grupo, recomendando-se dois ou mais
- Certos alunos no Brasil não convivem com a falta de pratos diários de bife, vitela, carneiro, galinha, peixe ou ovos”. Santo
professores. Maynard! Santos jornais brasileiros que divulgam as suas palavras
- Alunos certos no Brasil não convivem com a falta de redentoras! E dizer que o nosso povo faz ouvidos de mercador a seus
professores. ensinamentos, e continua a comer pouco, comer mal, às vezes até a
- Os alunos determinados pediram ajuda aos professores. não comer nada. Não sou mentiroso e posso dizer que já vi inúmeras
- Determinados alunos pediram ajuda aos professores. vezes, aqui no Rio, gente que prefere vasculhar uma lata de lixo a
entrar em um restaurante e pedir um filé à Chateaubriand. O dr.
Explicações: Maynard decerto ficaria muito aborrecido se visse um ser humano
- Certos alunos = qualquer aluno. escolher tão mal seus alimentos. Mas nós sabemos que é por causa
- Alunos certos = aluno correto. dessas e outras que o Brasil não vai pra frente.
- Alunos determinados = alunos decididos. CAMPOS, Paulo Mendes. De um caderno cinzento. São Paulo:
- Determinados alunos = qualquer aluno. Companhia das Letras, 2015. p. 40-42.

Questões 02. (Prefeitura do Rio de Janeiro – RJ Assistente


Administrativo - Prefeitura do Rio de Janeiro – RJ/2016)
01. (MPE-SC – Promotor de Justiça – MPE-SC/2016) O gênero crônica, em que se enquadra o texto, é frequentemente
escrito em primeira pessoa e reflete, muitas vezes, o posicionamento
pessoal de seu autor. Pode-se afirmar que, na crônica de Paulo
“A Família Schürmann, de navegadores brasileiros, chegou ao
Mendes Campos, o “eu” que fala:
ponto mais distante da Expedição Oriente, a cidade de Xangai, na
China. Depois de 30 anos de longas navegações, essa é a primeira vez (A) confunde-se com o autor, tecendo críticas ao dr. Maynard
que os Schürmann aportam em solo chinês. A negociação para ter a (B) distingue-se do autor, mostrando-se crítico e perspicaz (C)
autorização do país começou há mais de três anos, quando a distingue-se do autor, mostrando-se ingênuo e alienado
expedição estava em fase de planejamento. Essa também é a primeira (D) confunde-se com o autor, valorizando a divulgação científica
vez que um veleiro brasileiro recebe autorização para aportar em pelos jornais
solo chinês, de acordo com as autoridades do país.”
(http://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/03/bfamiliaschurman 03. (Prefeitura do Rio de Janeiro – RJ Assistente
nb-navega-pela-primeira-vez-na-antartica.html) Administrativo - Prefeitura do Rio de Janeiro – RJ/2016)
Pode-se afirmar que o texto de Paulo Mendes Campos é
Para ficar caracterizada a ideia de passado distante, a expressão argumentativo, uma vez que se caracteriza por:
“há mais de três anos” deve ser reescrita: “há mais de três anos atrás”. (A) encadear fatos que envolvem personagens
( ) Certo ( ) Errado (B) tentar convencer o leitor da validade de uma ideia
(C) caracterizar a composição de ambientes e de seres vivos
Leia o texto e responda as questões 02, 03 e 04. (D) oferecer instruções para o destinatário praticar uma ação

Crônica 04. (Prefeitura do Rio de Janeiro – RJ Assistente


Administrativo - Prefeitura do Rio de Janeiro – RJ/2016)
Em “Doutrina ainda o nutricionista americano...”, a palavra em Presencia-se na atualidade uma concepção difundida de que a
destaque pode ser substituída, sem prejuízo do sentido, por: lógica capitalista, com o auxílio da publicidade, especula a felicidade
(A) adestra, amestra, amansa como dependente da satisfação dos desejos materiais do homem.
(B) educa, corrige, repreende Tal fato contraria a ótica do início do século 20, como observa o
(C) catequiza, converte sociólogo Max Weber no livro A ética protestante e o espírito do
(D) formula, ensina capitalismo, onde eram as leis suntuárias que mostravam ao ser
humano o que deveria ser consumido e o que era preciso fazer para
05. (Prefeitura de Chapecó – SC – Engenheiro de Trânsito – ser feliz. Isso mostra como a sociedade moderna, por influência ou
IOBV/2016) não da publicidade comercial, pode se organizar diante da felicidade.
Nisto não parece haver implícita ideia religiosa que prometa o
paraíso na vida eterna. Pelo contrário, como evidencia o pai da
Por Jonas Valente*, especial para este blog.
psicanálise, Sigmund Freud, talvez a felicidade consista em poder do
narcisismo.
A Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Crimes Cibernéticos
Nesse contexto, podemos deduzir que o discurso publicitário leva
da Câmara dos Deputados divulgou seu relatório final. Nele,
muitas vezes o indivíduo a acreditar naquilo que é dito e a lutarem e
apresenta proposta de diversos projetos de lei com a justificativa de
buscarem todo o prazer proporcionado pelo consumo daquilo que é
combater delitos na rede. Mas o conteúdo dessas proposições é
anunciado. O significado das mercadorias associadas como valor de
explosivo e pode mudar a Internet como a conhecemos hoje no
uso, passa a ser disseminado como dizendo respeito a características
Brasil, criando um ambiente de censura na web, ampliando a
que representam o ideal de felicidade da sociedade, por exemplo.
repressão ao acesso a filmes, séries e outros conteúdos não oficiais,
Para a publicitária e mestre em Sociologia pela Universidade Federal
retirando direitos dos internautas e transformando redes sociais e
de Pernambuco (UFPE) Lívia Valença da Silva, “esta felicidade
outros aplicativos em máquinas de vigilância.
abrange uma realização pessoal e profissional que envolve boa
Não é de hoje que o discurso da segurança na Internet é usado aparência e desenvoltura, aprovação social, conforto e bem-estar,
para tentar atacar o caráter livre, plural e diverso da Internet. Como estabilidade econômica, status, sucesso no amor e no mercado de
há dificuldades de se apurar crimes na rede, as soluções buscam trabalho, entre tantos outros elementos”.
criminalizar o máximo possível e transformar a navegação em algo
controlado, violando o princípio da presunção da inocência previsto
Bens descartáveis
na Constituição Federal. No caso dos crimes contra a honra, a solução
adotada pode ter um impacto trágico para o debate democrático nas Seguindo essa linha de raciocínio, o psicanalista Jurandir Freire
redes sociais – atualmente tão importante quanto aquele realizado Costa, na obra A ética e o espelho da cultura, enfatiza que o homem
nas ruas e outros locais da vida off line. Além disso, as propostas tem muitas vezes a tendência de acompanhar as metamorfoses
mutilam o Marco Civil da Internet, lei aprovada depois de amplo sociais, e com todas as mudanças no cotidiano, acaba moldando-se as
debate na sociedade e que é referência internacional. mesmas, sem muitas vezes se questionarem. Mas, segundo o
(*BLOG DO SAKAMOTO, L. 04/04/2016) psicanalista, quando o sujeito se apercebe num emaranhado de
atribuições disseminados pela publicidade que nem sempre foram
pensadas e analisadas, é que chegam os conflitos e desamparos,
Após a leitura atenta do texto, analise as afirmações feitas:
porque perdem muitas vezes a noção de singularidade para serem
I. O jornalista Jonas Valente está fazendo um elogio à visão
mais um na multidão.
equilibrada e vanguardista da Comissão Parlamentar que legisla
Com efeito, o sociólogo Jean Baudrillard frisa que na cultura do
sobre crimes cibernéticos na Câmara dos Deputados.
consumo, na qual o homem contemporâneo se encontra inserido:
II. O Marco Civil da Internet é considerado um avanço em
“Como a ‘criança-lobo’ se torna lobo à força de com ele viver, também
todos os sentidos, e a referida Comissão Parlamentar está querendo
nós, pouco a pouco nos tornamos funcionais. Vivemos o tempo dos
cercear o direito à plena execução deste marco.
objetos; quero dizer que existimos segundo seu ritmo e em
III. Há o temor que o acesso a filmes, séries, informações em conformidade com sua sucessão permanente” (trecho extraído do
geral e o livre modo de se expressar venham a sofrer censura com a livro A sociedade do consumo).
nova lei que pode ser aprovada na Câmara dos Deputados.
Por conseguinte, e com todas as mudanças ocorridas no contexto
IV. A navegação na internet, como algo controlado, na visão do social vigente, bem como a produção de bens materiais em larga
jornalista, está longe de se concretizar através das leis a serem escala, muitas vezes se sofre a influência dos bens produzidos.
votadas no Congresso Nacional. Contudo, esses bens propagandeados afiguram-se cada vez mais
V. Combater os crimes da internet com a censura, para o descartáveis, pois já não se tem mais quem herde o sentido moral e
jornalista, está longe de ser uma estratégia correta, sendo mesmo emocional que eles no início do século 20 materializavam. Isso fez o
perversa e manipuladora. jornalista Arnaldo Jabor carecer que “o futuro virou uma promessa
de aperfeiçoamento de produtos com uma velocidade que fez do
Assinale a opção que contém todas as alternativas corretas. presente um arcaísmo em processo, uma espécie de passado ao vivo
(A) I, II, III. em decomposição”.
(B) II, III, IV.
(C) II, III, V. Sistema publicitário é um código
(D) II, IV, V. Ademais, atualmente o pensamento mais comumente evocado
parece com um gozo excessivo proporcionado pela conquista do
06. (Prefeitura de Ilhéus - BA – Auditor Fiscal – desejo de consumo aspirado pelo indivíduo. Isso tem tornado os
CONSULTEC/2016) homens vivenciadores de crises de referências, como bem atestam
alguns psicanalistas, à medida que percebem que não só a mídia
Como a sociedade moderna se organiza diante da felicidade (publicidade), mas, o meio que o cerca tem muitas vezes a capacidade
de artificializar as relações humanas, fazendo com que não tenha
Por Ronaldo Barbosa Lima em 26/06/2012 na edição 700
vontade própria, realizando o desejo e a vontade dos outros e não as Prazer, em se tratando da situação agradável de quando se ouve
suas. uma boa música ou se faz sexo. Já o engajamento é a profundidade de
(...) envolvimento da pessoa com sua vida. Finalmente o significado,
Nesse contexto, Freud se refere aos “mal-estares” da nossa como a sensação de que a vida faz parte de algo maior. Salienta
civilização, como nada mais que uma economia libidinal baseada no também em suas pesquisas, que um dos maiores erros das
gozar. Enquanto, por exemplo, a mais-valia sustenta a economia sociedades contemporâneas é concentrar a busca da felicidade em
capitalista em Karl Marx, o gozo sustenta a economia libidinal no apenas um dos três pilares, esquecendo os outros. Sendo que as
sujeito em Freud. Argumenta que o indivíduo enquanto goza, não só pessoas escolhem justo o mais fraco deles; o prazer. Enfatiza que o
no concernente a sexualidade, mas também na aquisição de bens de engajamento e o significado são elos indispensáveis na vida do ser
consumo, considera-se feliz. humano frente à felicidade.
Tendo em vista o anúncio cobiçoso como disseminador da
felicidade e, levando em consideração o desenvolvimento Fonte:
tecnocientífico que promete a felicidade através do Prozac, do http://observatoriodaimprensa.com.br/feitosdesfeitas/_ed700_co
apartamento à beira-mar, entre outras possibilidades, o psicólogo mo_a_sociedade_moderna_se_organiza_diante_ da_felicidade/
Martin Seligman, no livro Felicidade Autêntica, expressa algo muito
interessante. Diz que o homem, aceitando suas limitações diante da Felicidade
felicidade, esta pode estruturar-se, entre outras possibilidades, na Marcelo Jeneci
interface entre o prazer, o engajamento e o significado.

A história e as escolhas
Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz SINGER. O bem-sucedido. O fracassado. Disponível
Sentirá o ar sem se mexer em:<https://www.google.com.br/search?q=imagem+de+carro+co
Sem desejar como antes sempre quis mo+símbolo+de+felicidade&esp> . Acesso em: 1° mar. 2016
Você vai rir, sem perceber
Felicidade é só questão de ser Analisando-se a figura destacada, pode-se afirmar:
Quando chover, deixar molhar (A) A mensagem transmitida pelas imagens e seus títulos Pra receber o sol quando voltar
contradizem o conceito de felicidade abordado pelos textos de
Ronaldo Barbosa e de Marcelo Jeneci.
Lembrará os dias (B) Os elementos que compõem a primeira imagem
que você deixou passar sem ver a luz descontroem o sentido de narcisismo abordado no texto de
Se chorar, chorar é vão Ronaldo Barbosa.
porque os dias vão pra nunca mais (C) O título “O fracassado”, considerando-se os valores Melhor viver, meu bem cultivados na
pós-modernidade, constitui uma verdade configurada
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você socialmente.
Chorar, sorrir também e depois dançar (D) A palavra “bem- sucedido” está em desrespeito às normas da Na chuva quando a
chuva vem Nova Ortografia da Língua Portuguesa, pois o uso do hífen caiu em desuso.
Melhor viver, meu bem (E) A palavra “fracassado”, em relação ao processo de formação
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você das palavras, é uma derivação prefixal e sufixal, simultaneamente.
Chorar, sorrir também e dançar
Dançar na chuva quando a chuva vem 07. (Prefeitura de São Gonçalo – RJ – Analista de
Contabilidade – BIO-RIO/2016)
Tem vez que as coisas pesam mais TEXTO
Do que a gente acha que pode aguentar ÉDIPO- REI
Nessa hora fique firme
Pois tudo isso logo vai passar Diante do palácio de Édipo. Um grupo de crianças está ajoelhado nos degraus da entrada. Cada um
tem na mão um ramo de oliveira.
Você vai rir, sem perceber De pé, no meio delas, está o sacerdote de Zeus.
Felicidade é só questão de ser
Quando chover, deixar molhar (Edipo-Rei, Sófocles, RS: L&PM, 2013)
Pra receber o sol quando voltar
O texto é a parte introdutória de uma das maiores peças trágicas
Melhor viver, meu bem do teatro grego e exemplifica o modo descritivo de organização Pois há um lugar em que o sol brilha pra
você discursiva. O elemento abaixo que NÃO está presente nessa
Chorar, sorrir também e depois dançar descrição é:
Na chuva quando a chuva vem (A) a localização da cena descrita.
(B) a identificação dos personagens presentes.
Melhor viver, meu bem (C) a distribuição espacial dos personagens.
Pois há um lugar em que o sol brilha pra você (D) o processo descritivo das partes para o todo.
Chorar, sorrir também e dançar (E) a descrição de base visual.
Dançar na chuva quando a chuva vem
08. (MPE-RJ – Analista do Ministério Público - Processual –
Dançar na chuva quando a chuva vem FGV/2016)
Dançar na chuva quando a chuva
Dançar na chuva quando a chuva vem Texto 1 – Problemas Sociais Urbanos
Fonte: https://www.letras.mus.br/marcelo-jeneci/1524699/
Brasil escola

Dentre os problemas sociais urbanos, merece destaque a questão da segregação urbana, fruto da concentração de renda no espaço
das cidades e da falta de planejamento público que vise à promoção de políticas de controle ao crescimento desordenado das cidades. A
especulação imobiliária favorece o encarecimento dos locais mais próximos dos grandes centros, tornando-os inacessíveis à grande massa
populacional. Além disso, à medida que as cidades crescem, áreas que antes eram baratas e de fácil acesso tornam-se mais caras, o que
contribui para que a grande maioria da população pobre busque por moradias em regiões ainda mais distantes.
Essas pessoas sofrem com as grandes distâncias dos locais de residência com os centros comerciais e os locais onde trabalham, uma
vez que a esmagadora maioria dos habitantes que sofrem com esse processo são trabalhadores com baixos salários. Incluem-se a isso as
precárias condições de transporte público e a péssima infraestrutura dessas zonas segregadas, que às vezes não contam com saneamento
básico ou asfalto e apresentam elevados índices de
violência.
A especulação imobiliária também acentua um problema cada vez
maior no espaço das grandes, médias e até pequenas cidades: a
(E) um destaque de um dos problemas urbanos, seguido de sua
questão dos lotes vagos. Esse problema acontece por dois principais explicação histórica, motivo de crítica às atuais autoridades.
motivos: 1) falta de poder aquisitivo da população que possui
terrenos, mas que não possui condições de construir neles e 2) a 09. (MPE-RJ – Analista do Ministério Público - Processual –
espera pela valorização dos lotes para que esses se tornem mais caros FGV/2016)
para uma venda posterior. Esses lotes vagos geralmente apresentam
problemas como o acúmulo de lixo, mato alto, e acabam tornando-se
focos de doenças, como a dengue.

PENA, Rodolfo F. Alves. “Problemas socioambientais urbanos”;


Brasil Escola. Disponível em
http://brasilescola.uol.com.br/brasil/problemas-
ambientaissociais-decorrentes-urbanização.htm. Acesso em 14
de abril de
2016.

A estruturação do texto 1 é feita do seguinte modo:


(A) uma introdução definidora dos problemas sociais urbanos e
um desenvolvimento com destaque de alguns problemas;
(B) uma abordagem direta dos problemas com seleção e Sobre a charge acima, pode-se dizer que sua temática básica é:
explicação de um deles, visto como o mais importante; (A) a inadequação dos turistas no Rio de Janeiro;
(C) uma apresentação de caráter histórico seguida da (B) o excesso de eventos na capital carioca;
explicitação de alguns problemas ligados às grandes cidades; (C) a falta de segurança nas praias do Rio;
(D) uma referência imediata a um dos problemas sociais (D) a crítica ao calor excessivo no verão do Rio; (E) a crítica à
urbanos, sua explicitação, seguida da citação de um segundo poluição das águas no Rio.
problema;
10. (MPE-RJ – Técnico do
Ministério Público -
Administrativa – FGV/2016)

TEXTO 1 – O futuro da medicina

O avanço da tecnologia afetou as bases de boa parte das


profissões. As vítimas se contam às dezenas e incluem músicos,
jornalistas, carteiros etc. Um ofício relativamente poupado até aqui é
o de médico. Até aqui. A crer no médico e "geek" Eric Topol, autor de
"The Patient Will See You Now" (o paciente vai vê-lo agora), está no
forno uma revolução da qual os médicos não escaparão, mas que terá
impactos positivos para os pacientes.
Para Topol, o futuro está nos smartphones. O autor nos coloca a
par de incríveis tecnologias, já disponíveis ou muito próximas disso,
que terão grande impacto sobre a medicina. Já é possível, por
exemplo, fotografar pintas suspeitas e enviar as imagens a um Doutrina = conjunto coerente de ideias fundamentais a serem
algoritmo que as analisa e diz com mais precisão do que um transmitidas, ensinadas.
dermatologista se a mancha é inofensiva ou se pode ser um câncer, o
que exige medidas adicionais. 05. (C)
Está para chegar ao mercado um apetrecho que transforma o
celular num verdadeiro laboratório de análises clínicas, realizando 06. (C)
mais de 50 exames a uma fração do custo atual. Também é possível,
adquirindo lentes que custam centavos, transformar o smartphone 07. (D)
num supermicroscópio que permite fazer diagnósticos ainda mais
"a) a localização da cena descrita."
sofisticados.
"Diante do palácio de Édipo; nos degraus da entrada."
Tudo isso aliado à democratização do conhecimento, diz Topol,
"b) a identificação dos personagens presentes."
fará com que as pessoas administrem mais sua própria saúde,
recorrendo ao médico em menor número de ocasiões e de "Um grupo de crianças; De pé, no meio delas, está o sacerdote de
preferência por via eletrônica. É o momento, assegura o autor, de Zeus."
ampliar a autonomia do paciente e abandonar o paternalismo que c) a distribuição espacial dos personagens.
desde Hipócrates assombra a medicina. "Um grupo de crianças está ajoelhado nos degraus da entrada. De
Concordando com as linhas gerais do pensamento de Topol, mas pé, no meio delas,"
acho que, como todo entusiasta da tecnologia, ele provavelmente d) o processo descritivo das partes para o todo.
exagera. Acho improvável, por exemplo, que os hospitais caminhem Nesse item, resposta da questão, o que acontece é justamente o
para uma rápida extinção. Dando algum desconto para as previsões, contrário, do todo para as parte, senão, vejamos:
"The Patient..." é uma excelente leitura para os interessados nas "Diante do palácio de Édipo. Um grupo de crianças está ajoelhado
transformações da medicina. nos degraus da entrada. Cada um tem na mão um ramo de oliveira. De
pé, no meio delas, está o sacerdote de Zeus."
Folha de São Paulo online – Coluna Hélio Schwartsman – Palácio de Édipo (todo) > degraus da escada > ramo de oliveira na
17/01/2016. mão das crianças
e) a descrição de base visual.
Segundo o autor citado no texto 1, o futuro da medicina: (A) O texto nos passa uma descrição a qual se torna possível visualizar
encontra-se ameaçado pela alta tecnologia; "mentalmente" a situação descrita.
(B) deverá contar com o apoio positivo da tecnologia;
(C) levará à extinção da profissão de médico; 08. (B)
(D) independerá completamente dos médicos; (E) estará FGV costuma usar paralelismo entre as alternativas e a
limitado aos meios eletrônicos. geralmente a alternativa que sobra é o gabarito. Não são todas as
questões que possuem paralelismo.
Respostas a) uma introdução definidora dos problemas sociais urbanos e
um desenvolvimento com destaque de alguns problemas; >>> d) uma
01. Errado referência imediata a um dos problemas sociais urbanos, sua
O verbo haver já contém a ideia de passado. A adição do termo explicitação, seguida da citação de um segundo problema;
"atrás" caracteriza pleonasmo. c) uma apresentação de caráter histórico seguida da explicitação
de alguns problemas ligados às grandes cidades; >>> e) um
destaque de um dos problemas urbanos, seguido de sua explicação
02. (C)
histórica, motivo de crítica às atuais autoridades.
Dentro da crônica existe o " o Eu" introduzido pelo Autor Paulo
Mendes Diferença:
Sobrou a letra B.
1-"o Eu" se mostra ingênuo (Aquele que é inocente, sincero,
b) uma abordagem direta dos problemas com seleção e explicação
simples.) e alienado (1-Cedido a outro dono, ou o que
de um deles, visto como o mais importante;
enlouqueceu, 2-vendido.)
"Dentre os problemas sociais urbanos, merece destaque a
Um exemplo é quando ele diz: "É o que exclamo depois de ler as questão da segregação urbana, fruto da concentração de renda no
recomendações de um nutricionista americano, o dr. Maynard" espaço das cidades e da falta de planejamento público que vise à
2- O autor não se mostra ingênuo e nem alienado, uma vez que, promoção de políticas de controle ao crescimento desordenado das
ele mesmo é quem escreve a Crônica. cidades.

03. (B) 09. (C)


São características de textos: A charge demonstra a falta de segurança no RJ, pois o único
a) encadear fatos que envolvem personagens - elemento de segurança pública simbolizado na figura, à medida que
NARRATIVO novos jogos olímpicos vão surgindo, menos atenção ele dispensa a
b) tentar convencer o leitor da validade de uma ideia - essa questão, já que na última (2016) ele está embaixo do guarda sol,
DISSERTATIVO ARGUMENTATIVO pedindo "refri".
c) caracterizar a composição de ambientes e de seres
vivos - 10. (B)
DESCRITIVO As alternativas A, C, D, E não encontram respaldo no texto.
d) oferecer instruções para o destinatário praticar A assertiva B é praticamente uma reescritura do seguinte período:
uma ação - INJUNÇÃO/ INSTRUCIONAL Está no forno uma revolução da qual os médicos não escaparão,
mas que terá impactos positivos para os pacientes.
04. (D)
Nesse caso o narrador para citar que Tavares disse a Serafina, usa
o outro procedimento: não reproduz literalmente as palavras de
Discurso Direto, Indireto e Indireto Livre Tavares, mas comunica, com suas palavras, o que a personagem diz.
A fala de Tavares não chega ao leitor diretamente, mas por via
Num texto, as personagens falam, conversam entre si, expõem indireta, isto é, por meio das palavras do narrador. Por essa razão,
ideias. Quando o narrador conta o que elas disseram, insere na esse expediente é chamado discurso indireto.
narrativa uma fala que não é de sua autoria, cita o discurso alheio. Há As principais marcas do discurso indireto são:
três maneiras principais de reproduzir a fala das personagens: o
discurso direto, o discurso indireto e o discurso indireto livre. - As falas das personagens também vêm introduzidas por um
verbo de dizer;
Discurso Direto - As falas das personagens constituem oração subordinada
substantiva objetiva direta do verbo de dizer e, portanto, são
“Longe do olhos...” separadas da fala do narrador por uma partícula introdutória
normalmente “que” ou “se”;
- Meu pai! Disse João Aguiar com um tom de ressentimento que
fez pasmar o comendador. - Os pronomes pessoais, os tempos verbais e as palavras que
- Que é? Perguntou este. indicam espaço e tempo (como pronomes demonstrativos e
João Aguiar não respondeu. O comendador arrugou a testa e advérbios de lugar e de tempo) são usados em relação ao narrador,
interrogou o roto mudo do filho. Não leu, mais adivinhou alguma coisa ao momento em que ele fala e ao espaço em que está.
desastrosa; desastrosa, entenda-se, para os cálculos conjunto-políticos
ou políticos-conjugais, como melhor nome haja. Passagem do Discurso Direto para o Discurso Indireto
- Dar-se-á caso que... começou a dizer comendador.
- Que eu namore? Interrompeu galhofeiramente o filho. Pedro disse:
- Eu estarei aqui amanhã.
Machado de Assis. Contos. 26ª Ed. São Paulo, Ática, 2002, p. 43.
No discurso direto, o personagem Pedro diz “eu”; o “aqui” é o lugar
O narrador introduz a fala das personagens, um pai e um filho, e, em que a personagem está; “amanhã” é o dia seguinte ao que ele fala.
em seguida, como quem passa a palavra a elas e as deixa falar. Vemos Se passarmos essa frase para o discurso indireto ficará assim:
que as partes introdutórias pertencem ao narrador (por exemplo,
disse João Aguiar com um tom de ressentimento que faz pasmar o Pedro disse que estaria lá no dia seguinte.
comendador) e as falas, às personagens, (por exemplo, Meu pai!).
No discurso indireto, o “eu” passa a ele porque há alguém de quem
O discurso direto é o expediente de citação do discurso alheio pela o narrador fala; estaria é futuro do pretérito: é um tempo relacionado
qual o narrador introduz o discurso do outro e, depois, reproduz ao pretérito da fala do narrador (disse), e não ao presente da fala do
literalmente a fala dele. personagem, como estarei; lá é o espaço em que a personagem (e não
o narrador) havia de estar; no dia seguinte é o dia que vem após o
As marcas do discurso são: momento da fala da personagem designada por ele.
Na passagem do discurso direto para o indireto, deve-se observar
- A fala das personagens é, de princípio, anunciada por um as frases que no discurso direto tem as formas interrogativas,
verbo (disse e interrompeu no caso do filho e perguntou e começou a exclamativa ou imperativa convertem-se, no discurso indireto, em
dizer no caso do pai) denominado “verbo de dizer” (como: recrutar, orações declarativas.
retorquir, afirmar, declarar e outros do mesmo tipo), que pode vir
antes, no meio ou depois da fala das personagens (no nosso caso, veio Ela me perguntou: quem está ai?
depois); Ela me perguntou quem estava lá.
- A fala das personagens aparece nitidamente separada da
fala do narrador, por aspas, dois pontos, travessão ou vírgula; As interjeições e os vocativos do discurso direto desaparecem no
- Os pronomes pessoais, os tempos verbais e as palavras que discurso indireto ou tem seu valor semântico explicitado, isto é,
indicam espaço e tempo (por exemplo, pronomes demonstrativos e traduz-se o significado que elas expressam.
advérbios de lugar e de tempo) são usados em relação à pessoa da
personagem, ao momento em que ela fala diz “eu”, o espaço em que O papagaio disse: Oh! Lá vem a raposa.
ela se encontra é o aqui e o tempo em que fala é o agora. O papagaio disse admirado (explicitação do valor semântico da
interjeição oh!) que ao longe vinha a raposa.
Discurso Indireto
Se o discurso citado (fala da personagem) comporta um “eu” ou
Observemos um fragmento do mesmo conto de Machado de um “tu” que não se encontram entre as pessoas do discurso citante
(fala do narrador), eles são convertidos num “ele”, se o discurso
Assis:
citado contém um “aqui” não corresponde ao lugar em que foi
proferido o discurso citante, ele é convertido num “lá”.
“Um dia, Serafina recebeu uma carta de Tavares dizendo-lhe que
não voltaria mais à casa de seu pai, por este lhe haver mostrado má Pedro disse lá em Paris: - Aqui eu me sinto bem.
cara nas últimas vezes que ele lá estivera.”
Idem. Ibidem, p. 48.
Eu (pessoa do discurso citado que não se encontra no discurso
citante) converte-se em ele; aqui (espaço do discurso citado que é
diferente do lugar em que foi proferido o discurso citante) do significado, porém, pode-se pensar numa reclamação atribuída a
transforma-se em lá: ele.
Tomemos agora esse trecho: “Ele era bruto, sim senhor, via-se
- Pedro disse que lá ele se sentia bem. perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com certeza
havia um erro no papel do branco.” Pelo conteúdo de verdade é pelo
Se a pessoa do discurso citado, isto é, da fala da personagem (eu, modo de dizer, tudo nos induz a vislumbrar aí a voz de Fabiano
tu, ele) tem um correspondente no discurso citante, ela ocupa o ecoando por meio do discurso do narrador. É como se o narrador,
estatuto que tem nesse último. sem abandonar as marcas linguísticas próprias de sua fala, estivesse
incorporando as reclamações e suspeitas da personagem, a cuja
Maria declarou-me: - Eu te amo. linguagem pertencem expressões do tipo bruto, sim senhor e a
mulher tinha miolo. Até a repetição de palavras e certa entonação
presumivelmente exclamativa confirmam essa inferência.
O “te” do discurso citado corresponde ao “me” do citante. Por isso,
“te” passa a “me”: Para perceber melhor o que é o discurso indireto livre,
confrontemos uma frase do texto com a correspondente em discurso
- Maria declarou-me que me amava. direito e indireto:

- Discurso Indireto Livre Estava direito aquilo?


Discurso Direto – Discurso Indireto
Presente – Pretérito Imperfeito
- Discurso Direto
Pretérito Perfeito – Pretérito mais-que-perfeito
Fabiano perguntou: - Está direito isto?
Futuro do Presente – Futuro do Pretérito
No que se refere aos tempos, o mais comum é o que o verbo de - Discurso Indireto
dizer esteja no presente ou no pretérito perfeito. Quando o verbo de Fabiano perguntou se aquilo estava direito
dizer estiver no presente e o da fala da personagem estiver no
presente, pretérito ou futuro do presente, os tempos mantêm-se na
Essa forma de citação do discurso alheio tem características
passagem do discurso direto para o indireto. Se o verbo de dizer
próprias que são tanto do discurso direto quanto do indireto. As
estiver no pretérito perfeito, as alterações que ocorrerão na fala da
características do discurso indireto livre são:
personagem são as seguintes:
- Não há verbos de dizer anunciando as falas das personagens;
- Estas não são introduzidas por partículas como “que” e “se”
nem separadas por sinais de pontuação;
Joaquim disse: - Compro tudo isso.
- O discurso indireto livre contém, como o discurso direto,
- Joaquim disse que comprava tudo isso. orações interrogativas, imperativas e exclamativas, bem como
interjeições e outros elementos expressivos;
Joaquim disse: - Comprei tudo isso. - Os pronomes pessoais e demonstrativos, as palavras
- Joaquim disse que comprara tudo isso. indicadoras de espaço e de tempo são usadas da mesma forma que
no discurso indireto. Por isso, o verbo estar, do exemplo acima,
Joaquim disse: - Comprarei tudo isso. ocorre no pretérito imperfeito, e não no presente (está), como no
- Joaquim disse que compraria tudo isso. discurso direto. Da mesma forma o pronome demonstrativo
ocorre na forma aquilo, como no discurso indireto.
Discurso Indireto Livre
Funções dos diferentes modos de citar o discurso do outro
“(...) No dia seguinte Fabiano voltou à cidade, mas ao fechar o
negócio notou que as operações de Sinhá Vitória, como de costume, O discurso direto cria um efeito de sentido de verdade. Isso
diferiam das do patrão. Reclamou e obteve a explicação habitual: a porque o leitor ou ouvinte tem a impressão de que quem cita
diferença era proveniente de juros. preservou a integridade do discurso citado, ou seja, o que ele
Não se conformou: devia haver engano. Ele era bruto, sim senhor, reproduziu é autêntico. É como se ouvisse a pessoa citada com suas
via-se perfeitamente que era bruto, mas a mulher tinha miolo. Com próprias palavras e, portanto, com a mesma carga de subjetividade.
certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Essa modalidade de citação permite, por exemplo, que se use
Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida inteira assim no toco, variante linguística da personagem como forma de fornecer pistas
entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? para caracterizá-la. Sirva de exemplo o trecho que segue um diálogo
Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria!” entre personagens do meio rural, um farmacêutico e um agricultor,
cuja fala é transcrita em discurso direto pelo narrador:
Graciliano Ramos. Vidas secas. Um velho brônzeo apontou, em farrapos, à janela aberta o azul.
28ª Ed. São Paulo, Martins, 1971, p. 136. - Como vai, Elesbão?
- Sua bênção...
Nesse texto, duas vozes estão misturadas: a do narrador e a de - Cheio de doenças?
Fabiano. Não há indicadores que delimitem muito bem onde começa - Sim sinhô.
a fala do narrador e onde se inicia a da personagem. Não se tem - De dores, de dificuldades?
dúvida de que no período inicial está traduzida a fala do narrador. A
- Sim sinhô.
bem verdade, até não se conformou (início do segundo parágrafo), é
- De desgraças...
a voz do narrador que está comandando a narrativa. Na oração devia
O farmacêutico riu com um tímpano desmesurado. Você é o Brasil.
haver engano, já começa haver uma mistura de vozes: sob o ponto de
vista das marcas gramaticais, não há nenhuma pista para se concluir, Depois Indagou:
que a voz de Fabiano é que esteja sendo citada; sob o ponto de vista - O que você eu Elesbão?
- To precisando de uns dinheirinho e duns gênor. Meu
arroizinho tá bão, tá encanando bem. Preciso de uns mantimento Em síntese, demonstra um envolvimento tal do narrador com a
pra coiêta. O sinhô pode me arranjá com Nhô Salim. Depois eu personagem, que as vozes de ambos se misturam como se eles fossem
vendo o arroiz pra ele mermo. um só ou, falando de outro modo, como se o narrador tivesse vestido
- Você é sério, Elesbão? completamente a máscara da personagem, aproximando-a do leitor
- Sô sim sinhô! sem a marca da sua intermediação.
- Quanto é que você deve pro Nhô Salim? Veja-se como, neste trecho: “O tímido José”, de Antônio de
- Um tiquinho. Alcântara Machado, o narrador, valendo-se do discurso indireto livre,
Oswaldo de Andrade. Marco Zero. leva o leitor a partilhar do constrangimento da personagem,
2ª Ed. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1974, p. 7-8. simulando estar contaminado por ele:
Quanto ao discurso indireto, pode ser de dois tipos e cada um
deles cria um efeito de sentido diverso. (...) Mais depressa não podia andar. Garoar, garoava sempre. Mas
ali o nevoeiro já não era tanto felizmente. Decidiu. Iria indo no caminho
- Discurso Indireto que analisa o conteúdo: elimina os da Lapa. Se encontrasse a mulher bem. Se não encontrasse paciência.
elementos emocionais ou afetivos presentes no discurso direto, Não iria procurar. Iria é para casa. Afinal de contas era mesmo um
assim como as interrogações, exclamações ou formas trouxa. Quando podia não quis. Agora que era difícil queria.
imperativas, por isso produz um efeito de sentido de objetividade
analítica. Com efeito, nele o narrador revela somente o conteúdo Laranja-da-china. In: Novelas Paulistanas. 1ª Ed. Belo
do discurso da personagem, e não o modo como ela diz. Com isso Horizonte, Itatiaia/ São Paulo, Edusp, 1998, p. 184.
estabelece uma distância entre sua posição e a da personagem,
abrindo caminho para a réplica e o comentário. Esse tipo de
discurso indireto despersonaliza discurso citado em nome de Questões
uma objetividade analítica. Cria, assim, a impressão de que o
narrador analisa o discurso citado de maneira racional e isenta de 01. (SEDU/ES – Professor – Língua Portuguesa – FCC/2016)
envolvimento emocional. O discurso indireto, nesse caso, não se
interessa pela individualidade do falante no modo como ele diz as As enchentes de minha infância
coisas. Por isso é a forma preferida nos textos de natureza Rubem Braga
filosófica, científica, política, etc., quando se expõe as opiniões dos Sim, nossa casa era muito bonita, verde, com uma tamareira junto
outros com finalidade de criticá-las, rejeitá-las ou acolhê-las. à varanda, mas eu invejava os que moravam do outro lado da rua,
onde as casas dão fundos para o rio. Como a casa dos Martins, como a
- Discurso Indireto que analisa a expressão: serve para casa dos Leão, que depois foi dos Medeiros, depois de nossa tia, casa
destacar mais o modo de dizer do que o que se diz; por exemplo, com varanda fresquinha dando para o rio.
as palavras típicas do vocabulário da personagem citada, a sua Quando começavam as chuvas a gente ia toda manhã lá no quintal
maneira de pronunciá-las, etc. Nesse caso, as palavras ou deles ver até onde chegara a enchente. As águas barrentas subiam
expressões ressaltadas aparecem entre aspas. Veja-se este primeiro até a altura da cerca dos fundos, depois às bananeiras,
exemplo. De Eça de Queirós: vinham subindo o quintal, entravam pelo porão. Mais de uma vez, no
meio da noite, o volume do rio cresceu tanto que a família defronte
...descobrira de repente, uma manhã, eu não devia trair Amaro, teve medo.
“porque era papá do seu Carlinhos”. E disse-o ao abade; fez corar os Então vinham todos dormir em nossa casa. Isso para nós era uma
sessenta e quatro anos do bom velho (...). festa, aquela faina de arrumar camas nas salas, aquela intimidade
O crime do Padre Amaro. improvisada e alegre. Parecia que as pessoas ficavam todas
Porto, Lello e Irmão, s.d., vol. I, p. 314. contentes, riam muito; como se fazia café e se tomava café tarde da
noite! E às vezes o rio atravessava a rua, entrava pelo nosso porão, e
Imagine-se ainda que uma pessoa, querendo denunciar a forma me lembro que nós, os meninos, torcíamos para ele subir mais e mais.
deselegante com que fora atendida por um representante de uma Sim, éramos a favor da enchente, ficávamos tristes de manhãzinha
empresa, tenha dito o seguinte: quando, mal saltando da cama, íamos correndo para ver que o rio
baixara um palmo – aquilo era uma traição, uma fraqueza do
A certa altura, ele me respondeu que, se eu não estivesse satisfeito, Itapemirim. Às vezes chegava alguém a cavalo, dizia que lá, para cima
que fosse reclamar “para o bispo” e que ele já não estava “nem aí” com do Castelo, tinha caído chuva muita, anunciava águas nas cabeceiras,
“tipinhos” como eu. então dormíamos sonhando que a enchente ia outra vez crescer,
queríamos sempre que aquela fosse a maior de todas as enchentes.
Em ambos os casos, as aspas são utilizadas para dar destaque a
certas formas de dizer típicas das personagens citadas e para mostrar (BRAGA, Rubem. As enchentes de minha infância. In: Ai de ti,
o modo como o narrador as interpreta. No exemplo de Eça de Queirós, Copacabana. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1962, p. 157)
“porque era o papá de seu Carlinhos” contém uma expressão da Há a presença do discurso indireto em:
personagem Amélia e mostra certa dose de ironia e malícia do a) Eu invejava os que moravam do outro lado da rua,
narrador. No segundo exemplo, as aspas destacam a insatisfação do onde as
narrador com a deselegância e o desprezo do funcionário para com casas dão fundos para o rio.
os clientes. b) Quando começavam as chuvas a gente ia toda
manhã lá no
O discurso indireto livre fica a meio caminho da subjetividade e quintal deles ver até onde chegara a enchente.
da objetividade. Tem muitas funções. Por exemplo, dá c) Então vinham todos dormir em nossa casa.
verossimilhança a um texto que pretende manifestar pensamentos, d) Parecia que as pessoas ficavam todas contentes,
desejos, enfim, a vida interior de uma personagem. riam muito;
como se fazia café e se tomava café tarde da noite! Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario
e) Às vezes chegava alguém a cavalo, dizia que lá, para à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo
cima do Castelo, tinha caído chuva muita. sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva,
que volta a cair.
02. (MGS – Advogado – IBFC/2016)
No 11° parágrafo, tem -se “A última boca repete — Ele morreu, ele
Uma Vela para Dario morreu”. Nessa passagem, pode-se perceber um exemplo de
(Dalton Trevisan) discurso:
a) indireto
Dario vinha apressado, guarda-chuva no braço esquerdo e, assim b) direto
que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à c) indireto livre
parede de uma casa. Por ela escorregando, sentou-se na calçada, d) não-verbal
ainda úmida de chuva, e descansou na pedra o cachimbo.
Dois ou três passantes rodearam-no e indagaram se não se sentia 03. (Pref. de Natal/RN – Psicólogo – IDECAN/2016)
bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, não se ouviu resposta. O
senhor gordo, de branco, sugeriu que devia sofrer de ataque. Conheça Aris, que se divide entre socorrer e fotografar
Ele reclina-se mais um pouco, estendido agora na calçada, e o náufragos
cachimbo tinha apagado. O rapaz de bigode pediu aos outros que se
afastassem e o deixassem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a Profissional da AFP diz que a experiência de documentar o
gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, sofrimento dos refugiados deixou-o mais rígido com as próprias
bolhas de espuma surgiram no canto da boca. filhas.
Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver.
Os moradores da rua conversam de uma porta à outra, as crianças de O grego Aris Messinis é fotógrafo da agência AFP em Atenas.
pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se Cobriu guerras e os protestos da Primavera Árabe. Nos últimos
na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guarda- meses, tem se dedicado a registrar a onda de refugiados na Europa.
chuva na parede. Mas não se vê guarda-chuva ou cachimbo ao seu Ele conta em um blog da AFP, ilustrado com muitas fotos, como tem
lado. sido o trabalho na ilha de Lesbos, na Grécia, onde milhares de
A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um refugiados pisam pela primeira vez em território europeu. Mais de
grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, 700.000 refugiados e imigrantes clandestinos já desembarcaram no
protesta o motorista: quem pagaria a corrida? Concordam chamar a litoral grego este ano. As autoridades locais estão sendo acusadas de
ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede - não tem não dar apoio suficiente aos que chegam pelo mar, e há até a ameaça
os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata. de suspender o país do Acordo Schengen, que permite a livre
Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario circulação de pessoas entre os Estados-membros.
além da esquina; a farmácia é no fim do quarteirão e, além do mais, Messinis diz que o mais chocante do seu trabalho é retratar, em
muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas território pacífico, pessoas que trazem no rosto o sofrimento da
lhe cobre o rosto, sem que faça um gesto para espantá-las. guerra. “Só de saber que você não está em uma zona de guerra torna
Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente isso ainda mais emocional. E muito mais doloroso”, diz Messinis.
e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em Numa guerra, o fotógrafo também corre perigo, então, de certa forma,
sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso. está em pé de igualdade com as pessoas que protagonizam as cenas
Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados - com que ele documenta. Em Lesbos, não é assim. Ele está em absoluta
vários objetos - de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. segurança. As pessoas que chegam estão lutando por suas vidas. Não
Ficam sabendo do nome, idade; sinal de nascença. O endereço na são poucas as que morrem de hipotermia mesmo depois de pisar em
carteira é de outra cidade. terra firme, por falta de atendimento médico.
Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, Exatamente por causa dessa assimetria entre o fotojornalista e os
ocupam toda a rua e as calçadas: era a polícia. O carro negro investe protagonistas de suas fotos, muitas vezes Messinis deixa a câmera de
a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado lado e põe-se a ajudá-los. Ele se impressiona e se preocupa muito com
dezessete vezes. os bebês que chegam nos botes. Obviamente, são os mais vulneráveis
O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo — os aos perigos da travessia. Messinis fotografou os cadáveres de alguns
bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele deles nas pedras à beira-mar.
próprio quando vivo - só destacava molhando no sabonete. A polícia O fotógrafo grego diz que a experiência de ver o sofrimento das
decide chamar o rabecão. crianças refugiadas deixou-o mais rígido com as próprias filhas. As
A última boca repete — Ele morreu, ele morreu. A gente começa a maiores têm 9 e sete anos. A menor, 7 meses. Quando vê o que
se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acontece com as crianças que chegam nos botes, Messinis pensa em
acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar como suas filhas têm sorte de estarem vivas, de terem onde morar e
de um defunto. de viverem num país em paz. Elas não têm do que reclamar.
Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a
cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, (Por: Diogo Schelp 04/12/2015. Disponível em:
onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se http://veja.abril.com.br/blog/a-boa-e-velha-
espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores reportagem/conhecaaris-que-se-divide-entresocorrer-e-fotografar-
com almofadas para descansar os cotovelos. naufragos/.)
Um menino de cor e descalço veio com uma vela, que acende ao
lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um Dentre os recursos utilizados pelo autor, é correto afirmar acerca
morto desbotado pela chuva. do trecho “Só de saber que você não está em uma zona de guerra
torna isso ainda mais emocional. E muito mais doloroso” [...] (2º§), aves que iam comê-lo. Pensou na mulher e suspirou. Coitada de Sinhá
em discurso direto, que sua principal função é Vitória, novamente nos descampados, transportando o baú de folha."
a) conferir credibilidade ao texto e ampliar a informação
apresentada. O narrador desse texto mistura-se de tal forma à personagem
b) apresentar diferentes pontos de vista, além de um que dá a impressão de que não há diferença entre eles. A
conhecimento maior do assunto. personagem fala misturada à narração. Esse discurso é chamado:
c) destacar uma informação e caracterizá-la com um alto nível (A) discurso indireto livre
de (B) discurso direto
relevância para o leitor. (C) discurso indireto
d) despertar o interesse do leitor pelo assunto tratado, (D) discurso implícito
apresentando o fato objetivamente. (E) discurso explícito

04. Sobre o discurso indireto é correto afirmar, EXCETO: Respostas


(A) No discurso indireto, o narrador utiliza suas próprias
palavras para reproduzir a fala de um personagem. 01. Resposta E
(B) O narrador é o porta-voz das falas e dos pensamentos das Discurso direto - primeira pessoa - eu, me, mim, comigo, nós, nos,
personagens. conosco, meu, minha, nosso, nossa.
(C) Normalmente é escrito na terceira pessoa. As falas são Discurso indireto - terceira pessoa - ele, se, si, consigo, o, a, lhe,
iniciadas com o sujeito, mais o verbo de elocução seguido da fala da seu, sua.
personagem. Às vezes chegava alguém a cavalo, dizia (ELE) que lá, para cima do
(D) No discurso indireto as personagens são conhecidas através Castelo, tinha caído chuva muita.
de seu próprio discurso, ou seja, através de suas próprias palavras.
02.
05. Assinale a alternativa que melhor complete o seguinte trecho: São características marcantes no discurso direto o
No plano expressivo, a força da ____________ em _____________ provém Resposta B verbo
essencialmente de sua capacidade de _____________ o episódio, fazendo elocutivo que antecipa a fala da personagem, pontuações como dois-
______________ da situação a personagem, tornando-a viva para o pontos, aspas ou travessão marcando a própria fala.
ouvinte, à maneira de uma cena de teatro __________ o narrador
desempenha a mera função de indicador de falas. 03. Resposta A
(A) narração - discurso indireto - enfatizar - ressurgir – onde;
(B) narração - discurso onisciente - vivificar - demonstrar-se –
04. Resposta D
donde;
Apenas no discurso direto as personagens ganham voz. Para
(C) narração - discurso direto - atualizar - emergir - em que;
construirmos um discurso direto, devemos utilizar o travessão e os
(D) narração - discurso indireto livre - humanizar - imergir - na
chamados verbos de elocução, ou seja, verbos que indicam o que as
qual;
personagens falaram.
(E) dissertação - discurso direto e indireto - dinamizar -
Exemplo de verbo de elocução:
protagonizar - em que.
– Muita fome! – Lucas respondeu, passando sua mão pela barriga.
No exemplo acima, o verbo “respondeu” é o verbo de elocução.
06. Faça a associação entre os tipos de discurso e assinale a
sequência correta.
05. Resposta C
1- Reprodução fiel da fala da personagem, é demarcado pelo uso
de travessão, aspas ou dois pontos. Nesse tipo de discurso, as falas
vêm acompanhadas por um verbo de elocução, responsável por 06. Resposta B
indicar a fala da personagem.
2 - Ocorre quando o narrador utiliza as próprias palavras para 07. Resposta A
reproduzir a fala de um personagem. O discurso indireto livre é um tipo de discurso misto, em que se
3- Tipo de discurso misto no qual são associadas as características associam as características do discurso direto e do indireto.
de dois discursos para a produção de outro. Nele a fala da
personagem é inserida de maneira discreta no discurso do narrador. Ponto de Vista do Autor

( ) discurso indireto O Ponto de Vista na literatura é o ângulo sob o qual o autor irá
( ) discurso indireto livre narrar sua trama. Existem três formas básicas de mostrar uma
( ) discurso direto narração: primeira pessoa, segunda pessoa e terceira pessoa.

(A) 3, 2 e 1. 1. Primeira pessoa


(B) 2, 3 e 1. (C)
1, 2 e 3. Quando um personagem narra a história a partir de seu próprio
(D) 3, 1 e 2. ponto de vista, o escritor está usando a primeira pessoa. Nesse caso,
lemos o livro com a sensação de termos a visão do personagem
podendo também saber quais são seus pensamentos, o que causa
07. "Impossível dar cabo daquela praga. Estirou os olhos pela
uma leitura mais íntima. Da mesma maneira que acontece nas nossas
campina, achou-se isolado. Sozinho num mundo coberto de penas, de
vidas, existem algumas coisas das quais não temos conhecimento e só
descobrimos ao decorrer da história.
demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou, com
2. Segunda pessoa as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
Como você deve ter observado, nesse parágrafo, o narrador conta-
Na segunda pessoa, o autor costuma falar diretamente com o
leitor, como um diálogo. É um caso mais raro e faz com que o leitor se nos um fato acontecido com seu primo. É, pois, um parágrafo
sinta quase como outro personagem que participa da história. narrativo. Analisemos, agora, o parágrafo quanto à estrutura.

3. Terceira pessoa
As ideias foram organizadas da seguinte maneira:
Esse ponto de vista coloca o leitor numa posição externa, como se
apenas observasse a ação acontecer. Os diálogos não são como na Ideia principal:
narrativa em primeira pessoa, já que nesse caso o autor relata as
frases como alguém que estivesse apenas contando o que cada
personagem disse. Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro
quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte.

Ideias Principais e Ideias Secundárias


Ideias secundárias:
Para uma boa compreensão textual é necessário entender a
estrutura interna do texto, analisar as ideias primárias e secundárias1 Com isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás,
e verificar como elas se relacionam. mas, demonstrando grande presença de espírito, agachou-se, segurou,
As ideias principais estão relacionadas com o tema central, o
com as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo pendurado.
assunto núcleo; as ideias secundárias unem-se às ideias principais e
formam uma cadeia, ou seja, ocorre a explanação da ideia básica e, a A ideia principal, como você pode observar, refere-se a uma ação
seguir, o desdobramento dessa ideia nos parágrafos seguintes, a fim perigosa, agravada pelo aparecimento de um trem. As ideias
de aprofundar o assunto.
secundárias complementam a ideia principal, mostrando como o
primo do narrador conseguiu sair-se da perigosa situação em que se
encontrava.
Os parágrafos devem conter apenas uma ideia principal
Ideias secundárias:
acompanhado de ideias secundárias. Entretanto, é muito comum
Com isso, ele não teve tempo de correr para a encontrarmos, em parágrafos pequenos, apenas a ideia principal.
frente ou para trás, mas, demonstrando grande Veja o exemplo:
presença de espírito, agachou-se, segurou, com O dia amanhecera lindo na Fazenda Santo Inácio.
as mãos, um dos dormentes e deixou o corpo Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda,
pendurado. resolveram aproveitar o bom tempo. Pegaram um animal, montaram e
seguiram contentes pelos campos, levando um farto lanche, preparado
pela mãe.
A ideia principal refere-se ao a ação perigosa, agravada pelo
aparecimento do trem. Nesse trecho, há dois parágrafos.
No primeiro, só há uma ideia desenvolvida, que corresponde à
As ideias secundárias aparecem para complementar a ideia
principal. ideia principal do parágrafo: O dia amanhecera lindo na Fazenda
Santo Inácio.
Para treinarmos a redação de pequenos parágrafos narrativos, No segundo, já podemos perceber a relação ideia principal +
vamos nos colocar no papel de narradores, isto é, vamos contar fatos ideias secundárias. Observe:
com base na organização das ideias.
Leia o trecho abaixo: Ideia principal:
Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte de ferro Os dois filhos do sr. Soares, administrador da fazenda, resolveram
quando, de repente, um trem saiu da curva, a cem metros da ponte. Com aproveitar o bom tempo.
isso, ele não teve tempo de correr para a frente ou para trás, mas,
Ideia secundárias:

1
Fonte: http://portugues.camerapro.com.br/redacao-8-o-paragrafo-narrativoideia-
principal-e-ideia-secundaria/ (Adaptado) Meu primo já havia chegado à metade da perigosa ponte
de ferro quando, de repente, um trem saiu da curva, a
Ideia principal:
cem metros da ponte.
Pegaram um animal, montaram e seguiram contentes pelos 01. Assinale a alternativa cuja ideia não se relaciona com as
campos, levando um farto lanche, preparado pela mãe. outras ideias do parágrafo. Depois, complete o parágrafo
utilizando qualquer uma que possa completar a ideia dada.
Agora que já vimos alguns exemplos, você deve estar se
perguntando: “Afinal, de que tamanho é o parágrafo?” Havia no rosto de cada criança a expectativa de uma festa
maravilhosa.
Bem, o que podemos responder é que não há como apontar um
(A) a mesa, arrumada com todo carinho, estava repleta de
padrão, no que se refere ao tamanho ou extensão do parágrafo. docinhos e enfeites coloridos, reservando surpresas deliciosas para a
Há exemplos em que se veem parágrafos muito pequenos; outros, meninada.
em que são maiores e outros, ainda, muito extensos. (B) os palhaços entraram no palco, dando cambalhotas, fazendo
piruetas e alegrando a todos.
Também não há como dizer o que é certo ou errado em termos da (C) O dentista chegou e as foi chamando, uma a uma, para iniciar
extensão do parágrafo, pois o que é importante mesmo, é a o tratamento.
organização das ideias. No entanto, é sempre útil observar o que diz
02. Assinale a alternativa cuja ideia não se relaciona com as outras
o dito popular – “nem oito, nem oitenta…”.
ideias do parágrafo. Depois, complete o parágrafo utilizando
Assim como não é aconselhável escrevermos um texto, usando qualquer uma que possa completar a ideia dada.
apenas parágrafos muito curtos, também não é aconselhável
empregarmos os muito longos. Os peixes nadavam agilmente no aquário.
(A) na casa repleta, os animais viviam tranquilos e em harmonia.
Essas observações são muito úteis para quem está iniciando os (B) todos davam reviravoltas, iam até o fundo, subiam à tona
trabalhos de redação. Com o tempo, a prática dirá quando e como para pegar alimento, numa agitação encantadora.
usar parágrafos – pequenos, grandes ou muito grandes. (C) as crianças, num alegria contagiante, jogavam migalhas de
pão, e os peixes, muito agitados, vinham à tona para alcançá-las.
Até aqui, vimos que o parágrafo apresenta em sua estrutura, uma
ideia principal e outras secundárias. Isso não significa, no entanto, 03. Assinale a alternativa cuja ideia não se relaciona com as
que sempre a ideia principal apareça no início do parágrafo. Há casos outras ideias do parágrafo. Depois, complete o parágrafo
em que a ideia secundária inicia o parágrafo, sendo seguida pela ideia utilizando qualquer uma que possa completar a ideia dada.
principal. Veja o exemplo:
Na sala, a professora iniciava sua aula de Português.
As estacas da cabana tremiam fortemente, e duas ou três vezes, o (A) os alunos, atenciosos, iam arrumando o material de desenho
solo estremeceu violentamente sob meus pés. Logo percebi que se sobre as carteiras: régua, esquadro, compasso, lápis de cor, etc.
tratava de um terremoto. (B) os alunos, a pedido da professora, abriram os livros à pág.
40, e iniciaram a leitura silenciosa do texto.
Observe que a ideia mais importante está contida na frase: “Logo (C) todos os alunos abriram o livro e a professora iniciou a
percebi que se tratava de um terremoto”, que aparece no final do explicação do texto.
parágrafo. As outras frases (ou ideias) apenas explicam ou
04. Assinale a alternativa cuja ideia não se relaciona com as
comprovam a afirmação: “as estacas tremiam fortemente, e duas ou
outras ideias do parágrafo. Depois, complete o parágrafo
três vezes, o solo estremeceu violentamente sob meus pés” e estas estão utilizando qualquer uma que possa completar a ideia dada.
localizadas no início do parágrafo.
Então, a respeito da estrutura do parágrafo, concluímos que as O cantor popular iniciou o espetáculo musical.
(A) em seu repertório havia canções variadas com que ele
ideias podem organizar-se da seguinte maneira:
homenageava todos os Estados brasileiros.
Ideia principal + ideias secundárias ou (B) no teatro lotado, o povo assistia ao balé moderno.
Ideias secundárias + ideia principal (C) o som alegre dos instrumentos musicais misturava-se às
canções mais conhecidas da plateia.

É importante frisar, também, que a ideia principal e as ideias 05. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo no retângulo
secundárias não são ideias diferentes e, por isso, não podem ser uma ou mais ideias que estejam relacionadas com a ideia em dada.
separadas em parágrafos diferentes. Ao selecionarmos as ideias
secundárias devemos verificar as que realmente interessam ao Na avenida, interditada ao tráfego, os blocos carnavalescos
desenvolvimento da ideia principal e mantê-las juntas no mesmo desfilavam animadamente. ………………………………………………
parágrafo. Com isso, estaremos evitando e repetição de palavras e
(A) os ônibus passavam lotados de foliões.
assegurando a sua clareza. É importante, ao termos várias ideias (B) o povo, contagiado pela alegria do samba, cantava e dançava
secundárias, que sejam identificadas aquelas que realmente se (C) as fantasias dos sambistas eram um espetáculo
relacionam à ideia principal. Esse cuidado é de grande valia ao se maravilhoso.
redigir parágrafos sobre qualquer assunto.
06. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo no retângulo
uma ou mais ideias que estejam relacionadas com a ideia em dada.
Questões No meio da noite, despertei e ouvi vozes agitadas no corredor.
…………..
Você deve ter observado que a ideia inicial fala de um espetáculo
(A) o quarto estava claro e silencioso. musical. Por isso, não podemos dizer que a plateia assistia a um balé
(B) pelas frestas da janela entravam alguns raios de sol. moderno (alternativa B), que não é, essencialmente, um número
(C) a luz do lampião entrava por debaixo da porta. musical. As alternativas A e C se adequam perfeitamente à ideia do
Sentei-me na cama e fiquei a ouvir a discussão. parágrafo dado.
(D) na casa reinava silêncio absoluto.
05. Respostas B e C.
07. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo no retângulo A alternativa A (os ônibus passavam lotados de foliões) não pode
uma ou mais ideias que estejam relacionadas com a ideia em dada. ser utilizada para completar a ideia principal, pois há um detalhe, a
…………………………………………………. As pessoas procuravam uma avenida interditada ao tráfego, que a faria ficar incoerente. Pense
sombra que as abrigasse do sol do meio-dia. As crianças só queriam bem, se a avenida estava interditada ao tráfego, os ônibus não
brincadeiras com água. Os carrinhos de refrigerantes e picolés poderiam passar por lá, não é? As outras alternativas podem ser
estavam rodeados por uma pequena multidão. utilizadas pois se adequam à ideia do parágrafo dado.

(A) o calor estava ameno. 06. Resposta C.


(B) estava um dia abafado e quente. Se você observou bem, deve ter notado que tudo acontece no meio
(C) o sol nascera encoberto pelas nuvens e o vento frio da noite, portanto, não podemos dizer que o quarto estava claro e que
fazia tremer os lábios. pelas frestas das janelas entravam raios de sol. Outro fator a ser
(D) o final da tarde estava muito quente. observado é que se ouviam vozes agitadas, portanto a casa não estava
em silêncio absoluto. Nesse caso, apenas a alternativa C pode ser
utilizada para completar a ideia do parágrafo.
08. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo no retângulo
uma ou mais ideias que estejam relacionadas com a ideia em dada.
O baile estava animado. ………………………. A orquestra alternava 07. Resposta B.
sambas, valsas e tangos, num ritmo contagiante. A alternativa B é a mais adequada para fazer parte do parágrafo.
A razão porque não se pode utilizar as outras alternativas é simples:
(A) no salão, os pares rodopiavam ao som das músicas alegres. . As pessoas procuravam uma sombra que as abrigasse do sol do
(B) o salão estava repleto e a música eletrônica era alegre. meio-dia, por isso a ideia de que o final da tarde estava muito quente
(C) no salão vazio, alguns casais dançavam ao som dos discos. não pode ser usada aqui;
. Tudo leva a crer que o calor estava insuportável, portanto não
09. Complete os parágrafos a seguir, escolhendo no retângulo poderíamos dizer que o calor estava ameno ou que o sol nascera
uma ou mais ideias que estejam relacionadas com a ideia em dada. encoberto pelas nuvens e o vento frio fazia tremer os lábios.
O cavaleiro tentava domar o animal selvagem. O cavalo debatiase
para os lados, erguia a cabeça, empinava o peito e, em movimentos 08. Resposta A.
rápidos, levantava e abaixava as patas, tentando A melhor opção é a alternativa A porque:
derrubar o homem ao chão. No entanto, …………………………… . A orquestra alternava ritmos como o samba, valsas, tangos, portanto
não podemos dizer que os discos eram alegres, pois numa festa com
(A) o animal resistia bravamente orquestra os discos eletrônicos não são usados. . Se afirmamos que o
(B) o cavaleiro, perdendo o equilíbrio, soltou-se da sela. baile estava animado, não podemos dizer que o salão estava vazio.
(C) o cavaleiro, equilibrando-se habilmente na sela,
domou o animal. 09. Resposta C.
A alternativa C é a mais adequada para fazer parte do parágrafo.
Respostas Com certeza, você deve ter percebido que apesar das tentativas do
animal para derrubar o cavaleiro, ele conseguiu equilibrar-se,
dominando o cavalo. Essa é a ideia principal do texto. Por isso, não
01. Resposta C.
podemos dizer que o cavalo resistiu bravamente e que o cavaleiro,
A alternativa C é a única que não se adequa à ideia dada, pois as
perdendo o equilíbrio soltou-se da sela. O que faz a diferença aqui é a
crianças estavam em um ambiente de festa e não em um consultório
expressão no entanto.
dentário, esperando a vez de serem atendidas. As alternativas A e B
podem ser usadas para completar a ideia dada.
Argumentação
02. Resposta A.
O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma informação
A ideia principal do parágrafo é que os peixes nadavam no
a alguém. Quem comunica pretende criar uma imagem positiva de si
aquário. Portanto, a alternativa A é a única que não se adequa a essa
mesmo (por exemplo, a de um sujeito educado, ou inteligente, ou
ideia.
culto), quer ser aceito, deseja que o que diz seja admitido como
verdadeiro. Em síntese, tem a intenção de convencer, ou seja, tem o
03. Resposta A. desejo de que o ouvinte creia no que o texto diz e faça o que ele
Se a professora se preparava para uma aula de Português, os propõe.
alunos não deveriam estar com o material de desenho sobre a Se essa é a finalidade última de todo ato de comunicação, todo
carteira. Portanto, a alternativa A não se adequa à ideia contida no texto contém um componente argumentativo. A argumentação é o
parágrafo. As alternativas B e C podem ser usadas para completar a conjunto de recursos de natureza linguística destinados a persuadir
ideia dada. a pessoa a quem a comunicação se destina. Está presente em todo tipo
de texto e visa a promover adesão às teses e aos pontos de vista
04. Resposta B. defendidos.
As pessoas costumam pensar que o argumento seja apenas uma pessoas preferirem uma coisa a outra. Por isso, é importante
prova de verdade ou uma razão indiscutível para comprovar a entender bem como eles funcionam.
veracidade de um fato. O argumento é mais que isso: como se disse Já vimos diversas características dos argumentos. É preciso
acima, é um recurso de linguagem utilizado para levar o interlocutor acrescentar mais uma: o convencimento do interlocutor, o auditório,
a crer naquilo que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro o que que pode ser individual ou coletivo, será tanto mais fácil quanto mais
está sendo transmitido. A argumentação pertence ao domínio da os argumentos estiverem de acordo com suas crenças, suas
retórica, arte de persuadir as pessoas mediante o uso de recursos de expectativas, seus valores. Não se pode convencer um auditório
linguagem. pertencente a uma dada cultura enfatizando coisas que ele abomina.
Para compreender claramente o que é um argumento, é bom Será mais fácil convencê-lo valorizando coisas que ele considera
voltar ao que diz Aristóteles, filósofo grego do século lV a.C., numa positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja vem com frequência
obra intitulada “Tópicos: os argumentos são úteis quando se tem de associada ao futebol, ao gol, à paixão nacional. Nos Estados Unidos,
escolher entre duas ou mais coisas”. essa associação certamente não surtiria efeito, porque lá o futebol
Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma não é valorizado da mesma forma que no Brasil. O poder persuasivo
desvantajosa, como a saúde e a doença, não precisamos argumentar. de um argumento está vinculado ao que é valorizado ou
Suponhamos, no entanto, que tenhamos de escolher entre duas coisas desvalorizado numa dada cultura.
igualmente vantajosas, a riqueza e a saúde. Nesse caso, precisamos
argumentar sobre qual das duas é mais desejável. O argumento pode Tipos de Argumento
então ser definido como qualquer recurso que torna uma coisa mais
desejável que outra. Isso significa que ele atua no domínio do Já verificamos que qualquer recurso linguístico destinado a fazer
preferível. Ele é utilizado para fazer o interlocutor crer que, entre o interlocutor dar preferência à tese do enunciador é um argumento.
duas teses, uma é mais provável que a outra, mais possível que a Exemplo:
outra, mais desejável que a outra, é preferível à outra.
O objetivo da argumentação não é demonstrar a verdade de um Argumento de Autoridade
fato, mas levar o ouvinte a admitir como verdadeiro o que o
enunciador está propondo.
É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas pelo
Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a argumentação. O
auditório como autoridades em certo domínio do saber, para servir
primeiro opera no domínio do necessário, ou seja, pretende
de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Esse recurso produz
demonstrar que uma conclusão deriva necessariamente das
dois efeitos distintos: revela o conhecimento do produtor do texto a
premissas propostas, que se deduz obrigatoriamente dos postulados
respeito do assunto de que está tratando; dá ao texto a garantia do
admitidos. No raciocínio lógico, as conclusões não dependem de
autor citado. É preciso, no entanto, não fazer do texto um amontoado
crenças, de uma maneira de ver o mundo, mas apenas do
de citações. A citação precisa ser pertinente e verdadeira. Exemplo:
encadeamento de premissas e conclusões.
“A imaginação é mais importante do que o conhecimento.”
Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte encadeamento:
Quem disse a frase aí de cima não fui eu... Foi Einstein. Para ele,
A é igual a B.
uma coisa vem antes da outra: sem imaginação, não há conhecimento.
A é igual a C.
Nunca o inverso.
Então: C é igual a B.
Alex José Periscinoto.
Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigatoriamente, In: Folha de S. Paulo, 30/8/1993, p. 5-2
que C é igual a B.
A tese defendida nesse texto é que a imaginação é mais
Outro exemplo: importante do que o conhecimento. Para levar o auditório a aderir a
ela, o enunciador cita um dos mais célebres cientistas do mundo. Se
Todo ruminante é um mamífero. um físico de renome mundial disse isso, então as pessoas devem
A vaca é um ruminante. acreditar que é verdade.
Logo, a vaca é um mamífero.
Argumento de Quantidade
Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a conclusão
também será verdadeira. É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior número
No domínio da argumentação, as coisas são diferentes. Nele, a de pessoas, o que existe em maior número, o que tem maior duração,
conclusão não é necessária, não é obrigatória. Por isso, deve-se o que tem maior número de adeptos, etc. O fundamento desse tipo de
mostrar que ela é a mais desejável, a mais provável, a mais plausível. argumento é que mais = melhor. A publicidade faz largo uso do
Se o Banco do Brasil fizer uma propaganda dizendo-se mais confiável argumento de quantidade.
do que os concorrentes porque existe desde a chegada da família real
portuguesa ao Brasil, ele estará dizendo-nos que um banco com quase Argumento do Consenso
dois séculos de existência é sólido e, por isso, confiável. Embora não
haja relação necessária entre a solidez de uma instituição bancária e
É uma variante do argumento de quantidade. Fundamenta-se em
sua antiguidade, esta tem peso argumentativo na afirmação da
afirmações que, numa determinada época, são aceitas como
confiabilidade de um banco. Portanto é provável que se creia que um
verdadeiras e, portanto, dispensam comprovações, a menos que o
banco mais antigo seja mais confiável do que outro fundado há dois
objetivo do texto seja comprovar alguma delas. Parte da ideia de que
ou três anos.
o consenso, mesmo que equivocado, corresponde ao indiscutível, ao
Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase verdadeiro e, portanto, é melhor do que aquilo que não desfruta dele.
impossível, tantas são as formas de que nos valemos para fazer as
Em nossa época, são consensuais, por exemplo, as afirmações de que para a persuasão do que a segunda, pois esta produziria certa
o meio ambiente precisa ser protegido e de que as condições de vida estranheza e não criaria uma imagem de competência do médico:
são piores nos países subdesenvolvidos. Ao confiar no consenso,
porém, corre-se o risco de passar dos argumentos válidos para os - Para aumentar a confiabilidade do diagnóstico e levando em
lugares-comuns, os preconceitos e as frases carentes de qualquer conta o caráter invasivo de alguns exames, a equipe médica houve por
base científica. bem determinar o internamento do governador pelo período de três
dias, a partir de hoje, 4 de fevereiro de 2001.
Argumento de Existência - Para conseguir fazer exames com mais cuidado e porque
alguns deles são barras-pesadas, a gente botou o governador no
É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar hospital por três dias.
aquilo que comprovadamente existe do que aquilo que é apenas
provável, que é apenas possível. A sabedoria popular enuncia o Como dissemos antes, todo texto tem uma função argumentativa,
argumento de existência no provérbio “Mais vale um pássaro na mão porque ninguém fala para não ser levado a sério, para ser
do que dois voando”. ridicularizado, para ser desmentido: em todo ato de comunicação
Nesse tipo de argumento, incluem-se as provas documentais deseja-se influenciar alguém. Por mais neutro que pretenda ser, um
(fotos, estatísticas, depoimentos, gravações, etc.) ou provas texto tem sempre uma orientação argumentativa.
concretas, que tornam mais aceitável uma afirmação genérica. A orientação argumentativa é certa direção que o falante traça
Durante a invasão do Iraque, por exemplo, os jornais diziam que o para seu texto. Por exemplo, um jornalista, ao falar de um homem
exército americano era muito mais poderoso do que o iraquiano. Essa público, pode ter a intenção de criticá-lo, de ridicularizá-lo ou, ao
afirmação, sem ser acompanhada de provas concretas, poderia ser contrário, de mostrar sua grandeza.
vista como propagandística. No entanto, quando documentada pela O enunciador cria a orientação argumentativa de seu texto dando
comparação do número de canhões, de carros de combate, de navios, destaque a uns fatos e não a outros, omitindo certos episódios e
etc., ganhava credibilidade. revelando outros, escolhendo determinadas palavras e não outra.
Veja:
Argumento quase lógico
“O clima da festa era tão pacífico que até sogras e noras trocavam
É aquele que opera com base nas relações lógicas, como causa e abraços afetuosos.”
efeito, analogia, implicação, identidade, etc. Esses raciocínios são
chamados quase lógicos porque, diversamente dos raciocínios O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de que noras e
lógicos, eles não pretendem estabelecer relações necessárias entre os sogras não se toleram. Não fosse assim, não teria escolhido esse fato
elementos, mas sim instituir relações prováveis, possíveis, plausíveis. para ilustrar o clima da festa nem teria utilizado o termo até, que
Por exemplo, quando se diz “A é igual a B”, “B é igual a C”, “então A é serve para incluir no argumento alguma coisa inesperada.
igual a C”, estabelece-se uma relação de identidade lógica. Entretanto, Além dos defeitos de argumentação mencionados quando
quando se afirma “Amigo de amigo meu é meu amigo” não se institui tratamos de alguns tipos de argumentação, vamos citar outros:
uma identidade lógica, mas uma identidade provável. - Uso sem delimitação adequada de palavra de sentido tão
Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais facilmente amplo, que serve de argumento para um ponto de vista e seu
aceito do que um texto incoerente. Vários são os defeitos que contrário. São noções confusas, como paz, que, paradoxalmente, pode
concorrem para desqualificar o texto do ponto de vista lógico: fugir ser usada pelo agressor e pelo agredido. Essas palavras podem ter
do tema proposto, cair em contradição, tirar conclusões que não se valor positivo (paz, justiça, honestidade, democracia) ou vir
fundamentam nos dados apresentados, ilustrar afirmações gerais carregadas de valor negativo (autoritarismo, degradação do meio
com fatos inadequados, narrar um fato e dele extrair generalizações ambiente, injustiça, corrupção).
indevidas. - Uso de afirmações tão amplas, que podem ser derrubadas
por um único contra-exemplo. Quando se diz “Todos os políticos são
Argumento do Atributo ladrões”, basta um único exemplo de político honesto para destruir o
argumento.
É aquele que considera melhor o que tem proriedades típicas - Emprego de noções científicas sem nenhum rigor, fora do
daquilo que é mais valorizado socialmente, por exemplo, o mais raro contexto adequado, sem o significado apropriado, vulgarizando-as e
é melhor que o comum, o que é mais refinado é melhor que o que é atribuindo-lhes uma significação subjetiva e grosseira. É o caso, por
mais grosseiro, etc. exemplo, da frase “O imperialismo de certas indústrias não permite
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita frequência, que outras crescam”, em que o termo imperialismo é descabido, uma
celebridades recomendando prédios residenciais, produtos de vez que, a rigor, significa “ação de um Estado visando a reduzir outros
beleza, alimentos estéticos, etc., com base no fato de que o à sua dependência política e econômica”.
consumidor tende a associar o produto anunciado com atributos da
celebridade. A boa argumentação é aquela que está de acordo com a situação
Uma variante do argumento de atributo é o argumento da concreta do texto, que leva em conta os componentes envolvidos na
competência linguística. A utilização da variante culta e formal da discussão (o tipo de pessoa a quem se dirige a comunicação, o
língua que o produtor do texto conhece a norma linguística assunto, etc).
socialmente mais valorizada e, por conseguinte, deve produzir um Convém ainda alertar que não se convence ninguém com
texto em que se pode confiar. Nesse sentido é que se diz que o modo manifestações de sinceridade do autor (como eu, que não costumo
de dizer dá confiabilidade ao que se diz. mentir...) ou com declarações de certeza expressas em fórmulas feitas
Imagine-se que um médico deva falar sobre o estado de saúde de (como estou certo, creio firmemente, é claro, é óbvio, é evidente,
uma personalidade pública. Ele poderia fazê-lo das duas maneiras afirmo com toda a certeza, etc). Em vez de prometer, em seu texto,
indicadas abaixo, mas a primeira seria infinitamente mais adequada sinceridade e certeza, autenticidade e verdade, o enunciador deve
construir um texto que revele isso. Em outros termos, essas coisa, e pelo raciocínio torna-se possível chegar a conclusões
qualidades não se prometem, manifestam-se na ação. verdadeiras, desde que o assunto seja pesquisado em partes,
A argumentação é a exploração de recursos para fazer parecer começando-se pelas proposições mais simples até alcançar, por meio
verdadeiro aquilo que se diz num texto e, com isso, levar a pessoa a de deduções, a conclusão final. Para a linha de raciocínio cartesiana,
que texto é endereçado a crer naquilo que ele diz. é fundamental determinar o problema, dividi-lo em partes, ordenar
Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e expressa um os conceitos, simplificando-os, enumerar todos os seus elementos e
ponto de vista, acompanhado de certa fundamentação, que inclui a determinar o lugar de cada um no conjunto da dedução.
argumentação, questionamento, com o objetivo de persuadir. A lógica cartesiana, até os nossos dias, é fundamental para a
Argumentar é o processo pelo qual se estabelecem relações para argumentação dos trabalhos acadêmicos. Descartes propôs quatro
chegar à conclusão, com base em premissas. Persuadir é um processo regras básicas que constituem um conjunto de reflexos vitais, uma
de convencimento, por meio da argumentação, no qual se procura série de movimentos sucessivos e contínuos do espírito em busca da
convencer os outros, de modo a influenciar seu pensamento e seu verdade:
comportamento.
A persuasão pode ser válida e não válida. Na persuasão válida, - evidência;
expõem-se com clareza os fundamentos de uma ideia ou proposição, - divisão ou análise; -
e o interlocutor pode questionar cada passo do raciocínio empregado ordem ou dedução;
na argumentação. A persuasão não válida apoia-se em argumentos - enumeração.
subjetivos, apelos subliminares, chantagens sentimentais, com o
emprego de "apelações", como a inflexão de voz, a mímica e até o A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão e a
choro. incompreensão. Qualquer erro na enumeração pode quebrar o
Alguns autores classificam a dissertação em duas modalidades, encadeamento das ideias, indispensável para o processo dedutivo.
expositiva e argumentativa. Esta exige argumentação, razões a favor A forma de argumentação mais empregada na redação acadêmica
e contra uma ideia, ao passo que a outra é informativa, apresenta é o silogismo, raciocínio baseado nas regras cartesianas, que contém
dados sem a intenção de convencer. Na verdade, a escolha dos dados três proposições: duas premissas, maior e menor, e a conclusão. As
levantados, a maneira de expô-los no texto já revelam uma "tomada três proposições são encadeadas de tal forma, que a conclusão é
de posição", a adoção de um ponto de vista na dissertação, ainda que deduzida da maior por intermédio da menor. A premissa maior deve
sem a apresentação explícita de argumentos. Desse ponto de vista, a ser universal, emprega todo, nenhum, pois alguns não caracteriza a
dissertação pode ser definida como discussão, debate, universalidade.
questionamento, o que implica a liberdade de pensamento, a Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedução
possibilidade de discordar ou concordar parcialmente. A liberdade de (silogística), que parte do geral para o particular, e a indução, que vai
questionar é fundamental, mas não é suficiente para organizar um do particular para o geral. A expressão formal do método dedutivo é
texto dissertativo. É necessária também a exposição dos o silogismo. A dedução é o caminho das consequências, baseia-se em
fundamentos, os motivos, os porquês da defesa de um ponto de vista. uma conexão descendente (do geral para o particular) que leva à
Pode-se dizer que o homem vive em permanente atitude conclusão. Segundo esse método, partindo-se de teorias gerais, de
argumentativa. A argumentação está presente em qualquer tipo de verdades universais, pode-se chegar à previsão ou determinação de
discurso, porém, é no texto dissertativo que ela melhor se evidencia. fenômenos particulares. O percurso do raciocínio vai da causa para o
Para discutir um tema, para confrontar argumentos e posições, é efeito. Exemplo:
necessária a capacidade de conhecer outros pontos de vista e seus
respectivos argumentos. Uma discussão impõe, muitas vezes, a Todo homem é mortal (premissa maior = geral, universal)
análise de argumentos opostos, antagônicos. Como sempre, essa Fulano é homem (premissa menor = particular)
capacidade aprende-se com a prática. Um bom exercício para Logo, Fulano é mortal (conclusão)
aprender a argumentar e contra-argumentar consiste em
desenvolver as seguintes habilidades:
A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, baseia-se
- argumentação: anotar todos os argumentos a favor de uma em uma conexão ascendente, do particular para o geral. Nesse caso,
ideia ou fato; imaginar um interlocutor que adote a posição as constatações particulares levam às leis gerais, ou seja, parte de
totalmente contrária; fatos particulares conhecidos para os fatos gerais, desconhecidos. O
percurso do raciocínio se faz do efeito para a causa. Exemplo:
- contra-argumentação: imaginar um diálogo-debate e quais
os argumentos que essa pessoa imaginária possivelmente O calor dilata o ferro (particular)
apresentaria contra a argumentação proposta;
O calor dilata o bronze (particular)
O calor dilata o cobre (particular)
- refutação: argumentos e razões contra a argumentação
O ferro, o bronze, o cobre são metais
oposta.
Logo, o calor dilata metais (geral, universal)
A argumentação tem a finalidade de persuadir, portanto,
Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode ser válido e
argumentar consiste em estabelecer relações para tirar conclusões
verdadeiro; a conclusão será verdadeira se as duas premissas
válidas, como se procede no método dialético. O método dialético não
também o forem. Se há erro ou equívoco na apreciação dos fatos,
envolve apenas questões ideológicas, geradoras de polêmicas. Trata-
pode-se partir de premissas verdadeiras para chegar a uma
se de um método de investigação da realidade pelo estudo de sua ação
conclusão falsa. Tem-se, desse modo, o sofisma. Uma definição
recíproca, da contradição inerente ao fenômeno em questão e da
inexata, uma divisão incompleta, a ignorância da causa, a falsa
mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade.
analogia são algumas causas do sofisma. O sofisma pressupõe má fé,
Descartes (1596-1650), filósofo e pensador francês, criou o
intenção deliberada de enganar ou levar ao erro; quando o sofisma
método de raciocínio silogístico, baseado na dedução, que parte do
não tem essas intenções propositais, costuma-se chamar esse
simples para o complexo. Para ele, verdade e evidência são a mesma
processo de argumentação de paralogismo. Encontra-se um Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir.
exemplo simples de sofisma no seguinte diálogo:
A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias a
- Você concorda que possui uma coisa que não perdeu? respeito do tema proposto, de seu desdobramento e da criação de
- Lógico, concordo. abordagens possíveis. A síntese também é importante na escolha dos
- Você perdeu um brilhante de 40 quilates? elementos que farão parte do texto.
- Claro que não! Segundo Garcia (1973, p.300), a análise pode ser formal ou
- Então você possui um brilhante de 40 quilates... informal. A análise formal pode ser científica ou experimental; é
característica das ciências matemáticas, físico-naturais e
Exemplos de sofismas: experimentais. A análise informal é racional ou total, consiste em
“discernir” por vários atos distintos da atenção os elementos
constitutivos de um todo, os diferentes caracteres de um objeto ou
Dedução
fenômeno.
Todo professor tem um diploma (geral, universal)
A análise decompõe o todo em partes, a classificação estabelece
Fulano tem um diploma (particular)
as necessárias relações de dependência e hierarquia entre as partes.
Análise e classificação ligam-se intimamente, a ponto de se confundir
Logo, fulano é professor (geral – conclusão falsa) uma com a outra, contudo são procedimentos diversos: análise é
decomposição e classificação é hierarquisação.
Indução Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos e fenômenos
O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. por suas diferenças e semelhanças; fora das ciências naturais, a
(particular) classificação pode-se efetuar por meio de um processo mais ou
Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular) menos arbitrário, em que os caracteres comuns e diferenciadores são
Rio de Janeiro e Taubaté são cidades. empregados de modo mais ou menos convencional. A classificação,
Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. (geral – no reino animal, em ramos, classes, ordens, subordens, gêneros e
conclusão falsa) espécies, é um exemplo de classificação natural, pelas características
comuns e diferenciadoras. A classificação dos variados itens
Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a conclusão pode integrantes de uma lista mais ou menos caótica é artificial.
ser falsa. Nem todas as pessoas que têm diploma são professores; Exemplo: aquecedor, automóvel, barbeador, batata, caminhão,
nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo Redentor. Comete- canário, jipe, leite, ônibus, pão, pardal, pintassilgo, queijo, relógio,
se erro quando se faz generalizações apressadas ou infundadas. A sabiá, torradeira.
"simples inspeção" é a ausência de análise ou análise superficial dos
fatos, que leva a pronunciamentos subjetivos, baseados nos Aves: Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá.
sentimentos não ditados pela razão. Alimentos: Batata, Leite, Pão, Queijo.
Existem, ainda, outros métodos, subsidiários ou não Mecanismos: Aquecedor, Barbeador, Relógio, Torradeira.
fundamentais, que contribuem para a descoberta ou comprovação da Veículos: Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus.
verdade: análise, síntese, classificação e definição. Além desses,
existem outros métodos particulares de algumas ciências, que Os elementos desta lista foram classificados por ordem alfabética
adaptam os processos de dedução e indução à natureza de uma e pelas afinidades comuns entre eles. Estabelecer critérios de
realidade particular. Pode-se afirmar que cada ciência tem seu classificação das ideias e argumentos, pela ordem de importância, é
método próprio demonstrativo, comparativo, histórico etc. A análise, uma habilidade indispensável para elaborar o desenvolvimento de
a síntese, a classificação a definição são chamadas métodos uma redação. Tanto faz que a ordem seja crescente, do fato mais
sistemáticos, porque pela organização e ordenação das ideias visam importante para o menos importante, ou decrescente, primeiro o
sistematizar a pesquisa. menos importante e, no final, o impacto do mais importante; é
indispensável que haja uma lógica na classificação. A elaboração do
Análise e síntese são dois processos opostos, mas interligados; a plano compreende a classificação das partes e subdivisões, ou seja, os
análise parte do todo para as partes, a síntese, das partes para o todo. elementos do plano devem obedecer a uma hierarquização. (Garcia,
A análise precede a síntese, porém, de certo modo, uma depende da 1973, p. 302-304.)
outra. A análise decompõe o todo em partes, enquanto a síntese
recompõe o todo pela reunião das partes. Sabe-se, porém, que o todo Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo na
não é uma simples justaposição das partes. Se alguém reunisse todas introdução, os termos e conceitos sejam definidos, pois, para
as peças de um relógio, não significa que reconstruiu o relógio, pois expressar um questionamento, deve-se, de antemão, expor clara e
fez apenas um amontoado de partes. Só reconstruiria todo se as racionalmente as posições assumidas e os argumentos que as
partes estivessem organizadas, devidamente combinadas, seguida justificam. É muito importante deixar claro o campo da discussão e a
uma ordem de relações necessárias, funcionais, então, o relógio posição adotada, isto é, esclarecer não só o assunto, mas também os
estaria reconstruído. pontos de vista sobre ele.
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo por meio
da integração das partes, reunidas e relacionadas num conjunto. Toda A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da linguagem
síntese, por ser uma reconstrução, pressupõe a análise, que é a e consiste na enumeração das qualidades próprias de uma ideia,
decomposição. A análise, no entanto, exige uma decomposição palavra ou objeto. Definir é classificar o elemento conforme a espécie
organizada, é preciso saber como dividir o todo em partes. As a que pertence, demonstra: a característica que o diferencia dos
operações que se realizam na análise e na síntese podem ser assim outros elementos dessa mesma espécie.
relacionadas:
Entre os vários processos de exposição de ideias, a definição é um
Análise: penetrar, decompor, separar, dividir. dos mais importantes, sobretudo no âmbito das ciências. A definição
científica ou didática é denotativa, ou seja, atribui às palavras seu premissas/conclusões. Depois de reconhecer, verificar se tais
sentido usual ou consensual, enquanto a conotativa ou metafórica elementos são verdadeiros ou falsos; em seguida, avaliar se o
emprega palavras de sentido figurado. Segundo a lógica tradicional argumento está expresso corretamente; se há coerência e adequação
aristotélica, a definição consta de três elementos: entre seus elementos, ou se há contradição. Para isso é que se
aprendem os processos de raciocínio por dedução e por indução.
- o termo a ser definido; Admitindo-se que raciocinar é relacionar, conclui-se que o
- o gênero ou espécie; - argumento é um tipo específico de relação entre as premissas e a
a diferença específica. conclusão.

O que distingue o termo definido de outros elementos da mesma Procedimentos Argumentativos: Constituem os procedimentos
espécie. Exemplo: argumentativos mais empregados para comprovar uma afirmação:
Na frase: O homem é um animal racional exemplificação, explicitação, enumeração, comparação.
classifica-se:
Exemplificação: Procura justificar os pontos de vista por meio de
exemplos, hierarquizar afirmações. São expressões comuns nesse
tipo de procedimento: mais importante que, superior a, de maior
Elemento espécie diferença a relevância que. Empregam-se também dados estatísticos,
ser definido específica É muito acompanhados de expressões: considerando os dados; conforme os
comum formular definições de maneira dados apresentados. Faz-se a exemplificação, ainda, pela
defeituosa, por exemplo: Análise é quando a apresentação de causas e consequências, usando-se comumente as
gente decompõe o todo em partes. Esse tipo de expressões: porque, porquanto, pois que, uma vez que, visto que, por
definição é gramaticalmente incorreto; quando causa de, em virtude de, em vista de, por motivo de.
é advérbio de tempo, não representa o gênero,
a espécie, a gente é forma coloquial não Explicitação: O objetivo desse recurso argumentativo é explicar
adequada à redação acadêmica. Tão ou esclarecer os pontos de vista apresentados. Pode-se alcançar esse
importante é saber formular uma definição, objetivo pela definição, pelo testemunho e pela interpretação. Na
que se recorre a Garcia (1973, p.306), para explicitação por definição, empregam-se expressões como: quer
determinar os "requisitos da definição dizer, denomina-se, chama-se, na verdade, isto é, haja vista, ou melhor;
denotativa”. Para ser exata, a definição deve nos testemunhos são comuns as expressões: conforme, segundo, na
apresentar os seguintes requisitos: opinião de, no parecer de, consoante as ideias de, no entender de, no
- o termo deve realmente pertencer ao gênero ou classe em que pensamento de. A explicitação se faz também pela interpretação, em
está incluído: “mesa é um móvel” (classe em que ‘mesa’ está realmente que são comuns as seguintes expressões: parece, assim, desse ponto
incluída) e não “mesa é um instrumento ou ferramenta ou instalação”; de vista.
- o gênero deve ser suficientemente amplo para incluir todos os
exemplos específicos da coisa definida, e suficientemente restritos para Enumeração: Faz-se pela apresentação de uma sequência de
que a diferença possa ser percebida sem dificuldade; elementos que comprovam uma opinião, tais como a enumeração de
- deve ser obrigatoriamente afirmativa: não há, em verdade, pormenores, de fatos, em uma sequência de tempo, em que são
definição, quando se diz que o “triângulo não é um prisma”; frequentes as expressões: primeiro, segundo, por último, antes, depois,
- deve ser recíproca: “O homem é um ser vivo” não constitui ainda, em seguida, então, presentemente, antigamente, depois de, antes
definição exata, porque a recíproca, “Todo ser vivo é um homem” não é de, atualmente, hoje, no passado, sucessivamente, respectivamente. Na
verdadeira (o gato é ser vivo e não é homem); enumeração de fatos em uma sequência de espaço, empregam-se as
- deve ser breve (contida num só período). Quando a definição, seguintes expressões: cá, lá, acolá, ali, aí, além, adiante, perto de, ao
ou o que se pretenda como tal, é muito longa (séries de períodos ou de redor de, no Estado tal, na capital, no interior, nas grandes cidades, no
parágrafos), chama-se explicação, e também definição expandida; sul, no leste...
- deve ter uma estrutura gramatical rígida: sujeito (o termo) +
cópula (verbo de ligação ser) + predicativo (o gênero) + adjuntos (as Comparação: Analogia e contraste são as duas maneiras de se
diferenças). estabelecer a comparação, com a finalidade de comprovar uma ideia
ou opinião. Na analogia, são comuns as expressões: da mesma forma,
As definições dos dicionários de língua são feitas por meio de tal como, tanto quanto, assim como, igualmente. Para estabelecer
paráfrases definitórias, ou seja, uma operação metalinguística que contraste, empregam-se as expressões: mais que, menos que, melhor
consiste em estabelecer uma relação de equivalência entre a palavra que, pior que.
e seus significados.
A força do texto dissertativo está em sua fundamentação. Sempre Entre outros tipos de argumentos empregados para aumentar o
é fundamental procurar um porquê, uma razão verdadeira e poder de persuasão de um texto dissertativo encontram-se:
necessária. A verdade de um ponto de vista deve ser demonstrada
com argumentos válidos. O ponto de vista mais lógico e racional do
Argumento de autoridade: O saber notório de uma autoridade
mundo não tem valor, se não estiver acompanhado de uma
reconhecida em certa área do conhecimento dá apoio a uma
fundamentação coerente e adequada.
afirmação. Dessa maneira, procura-se trazer para o enunciado a
Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica clássica, credibilidade da autoridade citada. Lembre-se que as citações literais
que foram abordados anteriormente, auxiliam o julgamento da no corpo de um texto constituem argumentos de autoridade. Ao fazer
validade dos fatos. Às vezes, a argumentação é clara e pode uma citação, o enunciador situa os enunciados nela contidos na linha
reconhecer-se facilmente seus elementos e suas relações; outras de raciocínio que ele considera mais adequada para explicar ou
vezes, as premissas e as conclusões organizam-se de modo livre, justificar um fato ou fenômeno. Esse tipo de argumento tem mais
misturando-se na estrutura do argumento. Por isso, é preciso caráter confirmatório que comprobatório.
aprender a reconhecer os elementos que constituem um argumento:
Apoio na consensualidade: Certas afirmações dispensam Tema: O homem e a máquina: necessidade e riscos da evolução
explicação ou comprovação, pois seu conteúdo é aceito como válido tecnológica
por consenso, pelo menos em determinado espaço sociocultural.
Nesse caso, incluem-se: - Questionar o tema, transformá-lo em interrogação,
- A declaração que expressa uma verdade universal (o responder a interrogação (assumir um ponto de vista); dar o porquê
homem, mortal, aspira à imortalidade); da resposta, justificar, criando um argumento básico;
- A declaração que é evidente por si mesma (caso dos - Imaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e
postulados e axiomas); construir uma contra-argumentação; pensar a forma de refutação
- Quando escapam ao domínio intelectual, ou seja, é de que poderia ser feita ao argumento básico e tentar desqualificá-la
natureza subjetiva ou sentimental (o amor tem razões que a própria (rever tipos de argumentação);
razão desconhece); implica apreciação de ordem estética (gosto não - Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de ideias
se discute); diz respeito à fé religiosa, aos dogmas (creio, ainda que que estejam direta ou indiretamente ligadas ao tema (as ideias
parece absurdo). podem ser listadas livremente ou organizadas como causa e
consequência);
Comprovação pela experiência ou observação: A verdade de um - Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e com o
fato ou afirmação pode ser comprovada por meio de dados concretos, argumento básico;
estatísticos ou documentais. - Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo as que
poderão ser aproveitadas no texto; essas ideias transformam-se em
Comprovação pela fundamentação lógica: A comprovação se argumentos auxiliares, que explicam e corroboram a ideia do
realiza por meio de argumentos racionais, baseados na lógica: argumento básico;
causa/efeito; consequência/causa; condição/ocorrência. - Fazer um esboço do Plano de Redação, organizando uma
sequência na apresentação das ideias selecionadas, obedecendo às
Fatos não se discutem; discutem-se opiniões. As declarações, partes principais da estrutura do texto, que poderia ser mais ou
julgamento, pronunciamentos, apreciações que expressam opiniões menos a seguinte:
pessoais (não subjetivas) devem ter sua validade comprovada, e só os
fatos provam. Em resumo toda afirmação ou juízo que expresse uma Introdução
opinião pessoal só terá validade se fundamentada na evidência dos - função social da ciência e da tecnologia;
fatos, ou seja, se acompanhada de provas, validade dos argumentos, - definições de ciência e tecnologia;
porém, pode ser contestada por meio da contra-argumentação ou - indivíduo e sociedade perante o avanço tecnológico.
refutação. São vários os processos de contra-argumentação:
Desenvolvimento
Refutação pelo absurdo: refuta-se uma afirmação demonstrando - apresentação de aspectos positivos e negativos do
o absurdo da consequência. Exemplo clássico é a contra- desenvolvimento tecnológico;
argumentação do cordeiro, na conhecida fábula "O lobo e o cordeiro"; - como o desenvolvimento científico-tecnológico modificou as
condições de vida no mundo atual;
Refutação por exclusão: consiste em propor várias hipóteses - a tecnocracia: oposição entre uma sociedade
para eliminá-las, apresentando-se, então, aquela que se julga tecnologicamente desenvolvida e a dependência tecnológica dos
verdadeira; países subdesenvolvidos;
- enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento social;
Desqualificação do argumento: atribui-se o argumento à - comparar a vida de hoje com os diversos tipos de vida do
opinião pessoal subjetiva do enunciador, restringindo-se a passado; apontar semelhanças e diferenças;
universalidade da afirmação; - analisar as condições atuais de vida nos grandes centros
urbanos;
Ataque ao argumento pelo testemunho de autoridade: consiste - como se poderia usar a ciência e a tecnologia para
em refutar um argumento empregando os testemunhos de humanizar mais a sociedade.
autoridade que contrariam a afirmação apresentada;
Conclusão
Desqualificar dados concretos apresentados: consiste em - a tecnologia pode libertar ou
desautorizar dados reais, demonstrando que o enunciador baseou-se escravizar:
em dados corretos, mas tirou conclusões falsas ou inconsequentes. benefícios/consequências maléficas;
Por exemplo, se na argumentação afirmou-se, por meio de dados
- síntese interpretativa dos argumentos e contra-argumentos
estatísticos, que "o controle demográfico produz o desenvolvimento",
apresentados.
afirma-se que a conclusão é inconsequente, pois se baseia em uma
relação de causa-efeito difícil de ser comprovada. Para contra-
Naturalmente esse não é o único, nem o melhor plano de redação:
argumentar, propõe-se uma relação inversa: "o desenvolvimento é que
é um dos possíveis.
gera o controle demográfico".

Apresentam-se aqui sugestões, um dos roteiros possíveis para Questão


desenvolver um tema, que podem ser analisadas e adaptadas ao
desenvolvimento de outros temas. Elege-se um tema, e, em seguida, 1. (PC-PA – Escrivão de Polícia Civil – FUNCAB/2016) Texto
sugerem-se os procedimentos que devem ser adotados para a para responder à questão.
elaboração de um Plano de Redação. Dificilmente, em uma ciência-arte como a Psicologia-Psiquiatria,
há algo que se possa asseverar com 100% de certeza. Isso porque há
áreas bastante interpretativas, sujeitas a leituras diversas, a deve (e o que não se deve) escrever em cada parte constituinte do
depender do observador e do observado. Porém, existe um fato na texto, é preciso saber escrever obedecendo às normas de coerência e
Psicologia-Psiquiatria forense que é 100% de certeza e não está coesão. Antes de tudo, é necessário definir os termos: coerência diz
sujeito a interpretação ou a dissimulação por parte de quem está a respeito à articulação do texto, à compatibilidade das ideias, à lógica
ser examinado. E revela, objetivamente, dados do psiquismo da do raciocínio, a seu conteúdo. Coesão refere-se à expressão
pessoa ou, em outras palavras, mostra características linguística, ao nível gramatical, às estruturas frasais e ao emprego do
comportamentais indissimuláveis, claras e objetivas. O que pode ser vocabulário.
tão exato, em matéria de Psicologia-Psiquiatria, que não admite Coerência e coesão relacionam-se com o processo de produção e
variáveis? Resposta: todos os crimes, sem exceção, são como compreensão do texto, a coesão contribui para a coerência, mas nem
fotografias exatas e em cores do comportamento do indivíduo. E sempre um texto coerente apresenta coesão. Pode ocorrer que o texto
como o psiquismo é responsável pelo modo de agir, por conseguinte, sem coerência apresente coesão, ou que um texto tenha coesão sem
tem os em todos os crimes, obrigatoriamente e sempre, elementos coerência. Em outras palavras: um texto pode ser gramaticalmente
objetivos da mente de quem os praticou. bem construído, com frases bem estruturadas, vocabulário correto,
Por exemplo, o delito foi cometido com multiplicidade de golpes, mas apresentar ideias disparatadas, sem nexo, sem uma sequência
com ferocidade na execução, não houve ocultação de cadáver, não se lógica: há coesão, mas não coerência. Por outro lado, um texto pode
verifica cúmplice, premeditação etc. Registre-se que esses dados já apresentar ideias coerentes e bem encadeadas, sem que no plano da
aconteceram. Portanto, são insimuláveis, 100% objetivos. Basta expressão, as estruturas frasais sejam gramaticalmente aceitáveis: há
juntar essas características comportamentais que teremos algo do coerência, mas não coesão.
psiquismo de quem o praticou. Nesse caso específico, infere-se que a Na obra de Oswald de Andrade, por exemplo, encontram-se textos
pessoa é explosiva, impulsiva e sem freios, provável portadora de coerentes sem coesão, ou textos coesos, mas sem coerência. Em
algum transtorno ligado à disritmia psicocerebral, algum Carlos Drummond de Andrade, há inúmeros exemplos de textos
estreitamento de consciência, no qual o sentimento invadiu o coerentes, sem coesão gramatical no plano sintático. A linguagem
pensamento e determinou a conduta. literária admite essas liberdades, o que não vem ao caso, pois na
Em outro exemplo, temos homicídio praticado com um só golpe, linguagem acadêmica, referencial, a obediência às normas de
premeditado, com ocultação de cadáver, concurso de cúmplice etc. coerência e coesão são obrigatórias. Ainda assim, para melhor
Nesse caso, os dados apontam para o lado do criminoso comum, que esclarecimento do assunto, apresentam-se exemplos de coerência
entendia o que fazia. sem coesão e coesão sem coerência:
Claro que não é possível, apenas pela morfologia do crime,
saberse tudo do diagnóstico do criminoso. Mas, por outro lado, é na “Cidadezinha Qualquer”
maneira como o delito foi praticado que se encontram características
100% seguras da mente de quem o praticou, a evidenciar fatos, tal Casas entre bananeiras mulheres
qual a imagem fotográfica revela-nos exatamente algo, seja muito ou entre laranjeiras
pouco, do momento em que foi registrada. Em suma, a forma como as pomar amor cantar:
coisas foram feitas revela muito da pessoa que as fez.
Um homem vai devagar
PALOMBA, Guido Arturo. Rev. Psique: n° 100 (ed. Um cachorro vai devagar.
comemorativa), p. 82. Um burro vai devagar

Na argumentação desenvolvida, a expressão “Claro que...” (§4) Devagar.. as janelas olham.


tem como fim introduzir: Eta vida besta, meu Deus."
(Andrade, 1973, p. 67)
a) ponto de vista alternativo ementado para a mesma conclusão
do texto. Apesar da aparente falta de nexo, percebe-se nitidamente a
b) argumento em favor da tese que está sendo defendida. descrição de uma cidadezinha do interior: a paisagem rural, o estilo
c) conclusão relativa a argumentos apresentados anteriormente. de vida sossegado, o hábito de bisbilhotar, de vigiar das janelas tudo
d) concessão a ponto de vista divergente da tese defendida. o que se passa lá fora. No plano sintático, a primeira estrofe contém
e) justificativa ou explicação de ponto de vista anterior. apenas frases ou sintagmas nominais (cantar pode ser verbo ou
substantivo - os meu cantares = as minhas canções); as demais, não
Resposta apresentam coesão - uma frase não se relaciona com outra, mas, pela
forma de apresentação, colaboram para a coerência do texto.
1. (D)
Uma forma de encontrar a resposta correta é substituindo o “Do outro lado da parede”
termo "claro que" pela conjunção concessiva "embora", fazendo as
devidas alterações a fim de manter a concordância. Meu laço de botina.
O trecho reescrito fica assim: "Embora não seja possível, apenas Recebi a tua comunicação, escrita do beiral da viragem
pela morfologia do crime, saber-se tudo do diagnóstico..." sempieterna. Foi um tiro no alvo do coração, se bem que ele já esteja
Como não houve alteração no sentido, podemos concluir que a treinado.
expressão "claro que", neste contexto, transmite a ideia de concessão. A culpa de tudo quem tem-na é esse bandido desse coronel do
Exército Brasileiro que nos inflicitou.
Coerência e Coesão Reflete antes de te matares! Reflete Joaninha. Principalmente se
ainda é tempo! És uma tarada.
Quando te conheci, Chez Hippolyte querias falecer dia e noite. Enfim,
Não basta conhecer o conteúdo das partes de um trabalho:
adeus.
introdução, desenvolvimento e conclusão. Além de saber o que se
Nunca te esquecerei. Never more! Como dizem os corvos."oão da
Slavoni Coerência e coesão são responsáveis pela inteligibilidade ou
(Andrade, O., 1971, p. 201-202) compreensão do texto. Um texto bem redigido tem parágrafos bem
estruturados e articulados pelo encadeamento das ideias neles
Embora as frases sejam sintaticamente coesas, nota-se que, neste contidas. As estruturas frasais devem ser coerentes e
texto, não há coerência, não se observa uma linha lógica de raciocínio gramaticalmente corretas, no que respeita à sintaxe. O vocabulário
na expressão das ideias. Percebe-se vagamente que a personagem precisa ser adequado e essa adequação só se consegue pelo
João Slavonia teria recebido uma mensagem de Joaninha (Recebi a tua conhecimento dos significados possíveis de cada palavra. Talvez os
comunicação), ameaçando cometer suicídio (Reflete antes de te erros mais comuns de redaçao sejam devidos à impropriedade do
matares!). A última frase contém uma alusão ao poema "O corvo", de vocabulário e ao mau emprego dos conectivos (conjunções, que têm
Edgar Alan Poe. por função ligar uma frase ou período a outro). Eis alguns exemplos
de impropriedade do vocabulário, colhidos em redações sobre
A respeito das relações entre coerência e coesão, Guimarães diz: censura e os meios de comunicação e outras.

"O exposto autoriza-nos a seguinte conclusão: ainda que "Nosso direito é frisado na Constituição." Nosso
distinguiveis (a coesão diz respeito aos modos de interconexão dos direito é assegurado pela Constituição.
componentes textuais, a coerência refere-se aos modos como os
elementos subjacentes à superfície textual tecem a rede do sentido), "Estabelecer os limites as quais a programação deveria estar
trata-se de dois aspectos de um mesmo fenômeno - a coesão exposta."
funcionando como efeito da coerência, ambas cúmplices no Estabelecer os limites aos quais a programação deveria estar
processamento da articulação do texto." sujeita.

A coerência textual subjaz ao texto e é responsável pela “A censura deveria punir as notícias sensacionalistas.”
hierarquização dos elementos textuais, ou seja, ela tem origem nas A censura deveria proibir (ou coibir) as notícias sensacionalistas
estruturas profundas, no conhecimento do mundo de cada pessoa, ou punir os meios de comunicação que veiculam tais notícias.
aliada à competência linguística, que permitirá a expressão das ideias
percebidas e organizadas, no processo de codificação referido na “Retomada das rédeas da programação.”
página... Deduz-se daí que é difícil, senão impossível, ensinar Retomada das rédeas dos meios de comunicação, no que diz
coerência textual, intimamente ligada à visão de mundo, à origem das respeito a programação.
ideias no pensamento. A coesão, porém, refere-se à expressão
linguística, aos processos sintáticos e gramaticais do texto. “Os meios de comunicação estão sendo apelativos, vulgarizando e
deteriorando indivíduos.”
O seguinte resumo caracteriza coerência e coesão: Os meios de comunicação estão recorrendo a expedientes
grosseiros vulgarizando o nível dos programas e desrespeitando os
Coerência: rede de sintonia entre as partes e o todo de um texto. telespectadores.
Conjunto de unidades sistematizadas numa adequada relação
semântica, que se manifesta na compatibilidade entre as ideias. (Na “A discussão deste assunto é inerente à sociedade.”
linguagem popular: “dizer coisa com coisa” ou “uma coisa bate com A discussão deste assunto é tarefa da sociedade (compete à
outra”). sociedade).

Coesão: conjunto de elementos posicionados ao longo do texto, “Na verdade, daquele autor eles pegaram apenas a nomenclatura...”
numa linha de sequência e com os quais se estabelece um vínculo ou Na verdade, daquele autor eles adotaram (utilizaram) apenas a
conexão sequencial. Se o vínculo coesivo se faz via gramática, falase nomenclatura...
em coesão gramatical. Se se faz por meio do vocabulário, tem-se a
coesão lexical. “A ordem e forma de apresentação dos elementos das referências
bibliográficas são mostradas na NBR 6023 da ABNT” (são
Coerência regulamentadas pela NBR 6023 da ABNT).

- assenta-se no plano cognitivo, da inteligibilidade do texto; O emprego de vocabulário inadequado prejudica muitas vezes a
- situa-se na subjacência do texto; estabelece conexão compreensão das ideias. É importante, ao redigir, empregar palavras
conceitual; cujo significado seja conhecido pelo enunciador, e cujo emprego faça
- relaciona-se com a macroestrutura; trabalha com o todo, parte de seus conhecimentos linguísticos. Muitas vezes, quem redige
com o aspecto global do texto; conhece o significado de determinada palavra, mas não sabe
- estabelece relações de conteúdo entre palavras e frases. empregá-la adequadamente, isso ocorre frequentemente com o
emprego dos conectivos (preposições e conjunções). Não basta saber
Coesão que as preposições ligam nomes ou sintagmas nominais no interior
das frases e que as conjunções ligam frases dentro do período; é
- assenta-se no plano gramatical e no nível frasal; necessário empregar adequadamente tanto umas como outras. É bem
verdade que, na maioria das vezes, o emprego inadequado dos
- situa-se na superfície do texto, estabele conexão sequencial;
conectivos remete aos problemas de regência verbal e nominal.
- relaciona-se com a microestrutura, trabalha com as partes
componentes do texto;
Exemplos:
- Estabelece relações entre os vocábulos no interior das
frases.
“Coação aos meios de comunicação” tem o sentido de atuar contra “Pela manhã o carteiro chegou com um envelope para mim no
os meios de comunicação; os meios de comunicação sofrem a ação qual estava sem remetente”. (Chegou com um envelope que (o qual)
verbal, são coagidos. estava sem remetente).
“Coação dos meios de comunicação” significa que os meios de
comunicação é que exercem a ação de coagir. “Encontrei apenas belas palavras o qual não duvido da
sensibilidade...”
“Estar inteirada com os fatos” significa participação, interação. Encontrei belas palavras e não duvido da sensibilidade delas
“Estar inteirada dos fatos” significa ter conhecimento dos fatos, (palavras cheias de sensibilidade).
estar informada.
“Dentro do envelope havia apenas um papel em branco onde
“Ir de encontro” significa divergir, não concordar. atribui muitos significados”: havia apenas um papel em branco ao qual
“Ir ao encontro” quer dizer concordar. atribui muitos significados (onde significa lugar no qual).

“Havia recebido um envelope em meu nome e que não portava


“Ameaça de liberdade de expressão e transmissão de ideias”
destinatário, apesar que em seu conteúdo havia uma folha em branco.
significa a liberdade não é ameaça;
( .. )”
“Ameaça à liberdade de expressão e transmissão de ideias", isto é, a
liberdade fica ameaçada. Não se emprega apesar que, mas apesar de. E mais: apesar de não
ligar corretamente as duas frases, não faz sentido, as frases deveriam
ser coordenadas por e: não portava destinatário e em seu interior
“A princípio” indica um fato anterior (A princípio, ela aceitava as
havia uma folha ou: havia recebido um envelope em meu nome, que
desculpas que Mário lhe dava, mas depois deixou de acreditar nele).
não portava destinatário, cujo conteúdo era uma folha em branco.
“Em princípio” indica um fato de certeza provisória (Em princípio,
faremos a reunião na quarta-feira quer dizer que a reunião será na
quarta-feira, se todos concordarem, se houver possibilidade, porém Essas e outras frases foram observadas em redações, quando foi
admite a ideia de mudar a data). proposto o seguinte tema:
“Por princípio” indica crença ou convicção (Por princípio, sou “Imagine a seguinte situação:
contra o racismo). - hoje você está completando dezoito anos.
- Nesta data, você recebe pelo correio uma folha de papel em
branco, num envelope em seu nome, sem indicação do remetente.
Quanto à regência verbal, convém sempre consultar um
dicionário de verbos e regimes, pois muitos verbos admitem duas ou - Além disso, você ganha de presente um retrato seu e um disco.
Reflita sobre essa situação.
três regências diferentes; cada uma, porém, tem um significado
específico. Lembre-se, a propósito, de que as dúvidas sobre o A partir da reflexão feita, redija um texto em prosa, sem ultrapassar
emprego da crase decorrem do fato de considerar-se crase como sinal o espaço reservado para redação no caderno de respostas."
de acentuação apenas, quando o problema refere-se à regencia
nominal e verbal. Como de costume, muito se comentou, até nos jornais da época, a
Exemplos: falta de coerência, as frases sem clareza, pelo mau emprego dos
conectivos, como as seguintes:
O verbo assistir admite duas regências: “Primeiramente achei gozado aqueles dois presentes, pois concluo
que nunca deveria esquecer minha infância.”
assistir o/a (transitivo direto) significa dar ou prestar assistência
(O médico assiste o doente): Há falta de nexo entre as duas frases, pois uma não é conclusão da
outra, nem ao menos estão relacionadas e gozado deveria ser
Assistir ao (transitivo indireto): ser espectador (Assisti ao jogo da
substituído por engraçado ou estranho.
seleção).

“A folha pode estar amarrada num cesto de lixo mas o disco repete
Inteirar o/a (transitivo direto) significa completar (Inteirei o
sempre a mesma música.”
dinheiro do presente).
A primeira frase não tem sentido e a segunda não se relaciona com
Inteirar do (transitivo direto e indireto), significa informar alguém
a primeira. O conectivo “mas” deveria sugerir ideia de oposição, o que
de..., tomar ou dar conhecimento de algo para alguém (Quero inteirá-
não ocorre no exemplo anterior. Não se percebe relação entre “o disco
la dos fatos ocorridos...).
repete sempre a mesma música” e a primeira frase.
Pedir o (transitivo direto) significa solicitar, pleitear (Pedi o jornal
do dia).
“Mas, ao abrir a porta, era apenas o correio no qual viera trazer-me
Pedir que - contém uma ordem (A professora pediu que fizessem
uma encomenda.”
silêncio).
Observa-se o emprego de no qual por o qual, melhor ainda ficaria
Pedir para - pedir permissão (Pediu para sair da classe); significa
que, simplesmente: era apenas o correio que viera trazer-me uma
também pedir em favor de alguém (A Diretora pediu ajuda para os
encomenda.
alunos carentes) em favor dos alunos, pedir algo a alguém (para si):
(Pediu ao colega para ajudá-lo); pode significar ainda exigir, reclamar
(Os professores pedem aumento de salário). Por outro lado, não mereceram comentários nem apareceram nos
jornais boas redações como a que se segue:
“A vida hoje me cumprimentou, mandou-me minha fotografia de
O mau emprego dos pronomes relativos também pode levar à
garoto, com olhos em expectativa admirando o mundo. Este mundo sem
falta de coesão gramatical. Frequentemente, emprega-se no qual ou
respostas para os meus dezoito anos. Mundo - carta sem remetente,
ao qual em lugar do -que, com prejuízo da clareza do texto; outras
carta interrogativa para moço que aguarda o futuro, saboreando o
vezes, o emprego é desnecessário ou inadequado. Barbosa e Amaral
fruto do amanhã.
(colaboradora) apresentam os seguintes exemplos:
Recebi um disco, também, cuja música tem a sonoridade de passos
marchando para o futuro, ao som de melodias de cirandas esquecidas
do menino-moço de outrora, e do moço-homem de hoje, que completa (A) Em face de sua rápida adaptação ao solo e ao clima, o
dezoito anos. produto adquiriu importância no mercado, porém transformou-se
Sou agora a certeza de uma resposta à carta sem remetente que me em um dos principais itens de exportação, desde o Império até os dias
comunica a vida. Vejo, na fotografia de mim mesmo, o homem que atuais.
enfrentará a vida, que colherá com seu amor à luta e com seu espírito (B) O produto, em virtude de sua rápida adaptação ao solo e ao
ambicioso, os frutos do destino. clima, adquiriu importância no mercado e transformou-se em um dos
E a música dos passos-futuros na cadência do menino que deixou de principais itens de exportação, desde o Império até os dias atuais.
ser, está o ritmo da vitória sobre as dificuldades, a minha consagração (C) O produto, por sua rápida adaptação ao solo e ao clima,
futura do homem, que vencerá o destino e será uma afirmação dentro adquiriu importância no mercado, todavia, desde o Império até os
da sociedade." C. G. dias atuais, transformou-se, consequentemente, em um dos
Exemplo de: (Fonseca, 1981, p. 178) principais itens de exportação.
Para evitar a falta de coerência e coesão na articulação das frases, (D) Face sua rápida adaptação ao solo e ao clima, o produto
aconselha-se levar em conta as seguintes sugestões para o emprego adquiriu importância no mercado, e, conquanto, transformou-se em
correto dos articuladores sintáticos (conjunções, preposições, um dos principais itens de exportação, desde o Império até os dias
locuções prepositivas e locuções conjuntivas). atuais.
Para dar ideia de oposição ou contradição, a articulação sintática (E) O produto transformou-se, desde o Império até os dias
se faz por meio de conjunções adversativas: mas, porém, todavia, atuais, em um dos principais itens de exportação por que sua
contudo, no entanto, entretanto (nunca no entretanto). adaptação ao solo e ao clima foi rápida.
Podem também ser empregadas as conjunções concessivas e
locuções prepositivas para introduzir a ideia de oposição aliada à 2. (TJ-PA - MÉDICO PSIQUIATRA - VUNESP - 2014). Leia o
concessão: embora, ou muito embora, apesar de, ainda que, conquanto, trecho do primeiro parágrafo para responder à questão.
posto que, a despeito de, não obstante.
A articulação sintática de causa pode ser feita por meio de Meu amigo lusitano, Diniz, está traduzindo para o francês meus
conjunções e locuções conjuntivas: pois, porque, como, por isso que, dois primeiros romances, Os Éguas e Moscow. Temos trocado emails
visto que, uma vez que, já que. Também podem ser empregadas as muito interessantes, por conta de palavras e gírias comuns no meu
preposições e locuções prepositivas: por, por causa de, em vista de, em Pará e absolutamente sem sentido para ele. Às vezes é bem difícil
virtude de, devido a, em consequência de, por motivo de, por razões de. explicar, como na cena em que alguém empina papagaio e corta o
O principal articulador sintático de condição é o “se”: Se o time adversário “no gasgo”.
ganhar esse jogo, será campeão. Pode-se também expressar condição
pelo emprego dos conectivos: caso, contanto que, desde que, a menos Os termos muito e bem, em destaque, atribuem aos termos aos
que, a não ser que. quais se subordinam sentido de:
O emprego da preposição “para” é a maneira mais comum de (A) comparação.
expressar finalidade. “É necessário baixar as taxas de juros para que a (B) intensidade.
economia se estabilize” ou para a economia se estabilizar. “Teresa vai
(C) igualdade.
estudar bastante para fazer boa prova.” Há outros articuladores que
(D) dúvida.
expressam finalidade: afim de, com o propósito de, na finalidade de,
com a intenção de, com o objetivo de, com o fito de, com o intuito de. (E) quantidade.
A ideia de conclusão pode ser introduzida por meio dos
articuladores: assim, desse modo, então, logo, portanto, pois, por isso, 3. (TJ-PA - MÉDICO PSIQUIATRA - VUNESP - 2014). Assinale a
por conseguinte, de modo que, em vista disso. Para introduzir mais um alternativa em que a seguinte passagem – Mas o vento foi mais ágil e
argumento a favor de determinada conclusão emprega-se ainda. Os o papel se perdeu. (terceiro parágrafo) – está reescrita com o
articuladores, aliás, além do mais, além disso, além de tudo, acréscimo de um termo que estabelece uma relação de conclusão,
introduzem um argumento decisivo, cabal, apresentado como um consequência, entre as orações.
acréscimo, para justificar de forma incontestável o argumento (A) mas o vento foi mais ágil e, contudo, o papel se perdeu. (B)
contrário. mas o vento foi mais ágil e, assim, o papel se perdeu.
Para introduzir esclarecimentos, retificações ou desenvolvimento (C) mas o vento foi mais ágil e, todavia, o papel se perdeu
do que foi dito empregam-se os articuladores: isto é, quer dizer, ou (D) mas o vento foi mais ágil e, entretanto, o papel se perdeu.
seja, em outras palavras. A conjunção aditiva “e” anuncia não a (E) mas o vento foi mais ágil e, porém, o papel se perdeu.
repetição, mas o desenvolvimento do discurso, pois acrescenta uma
informação nova, um dado novo, e se não acrescentar nada, é pura 4. (PREFEITURA DE PAULISTA/PE – RECEPCIONISTA –
repetição e deve ser evitada. UPENET/2014). Observe o fragmento de texto abaixo:
Alguns articuladores servem para estabelecer uma gradação "Mas o que fazer quando o conteúdo não é lembrado justamente
entre os correspondentes de determinada escala. No alto dessa escala na hora da prova?"
acham-se: mesmo, até, até mesmo; outros situam-se no plano mais Sobre ele, analise as afirmativas abaixo:
baixo: ao menos, pelo menos, no mínimo.
I. O termo "Mas" é classificado como conjunção subordinativa
Questões e, nesse contexto, pode ser substituído por "desde que".
II. Classifica-se o termo "quando" como conjunção
1. (CONAB - CONTABILIDADE - IADES - 2014). Assinale a subordinativa que exprime circunstância temporal.
alternativa que preserva as relações morfossintáticas e semânticas III. Acentua-se o "u" tônico do hiato existente na palavra
do período “Diante de sua rápida adaptação ao solo e ao clima, o "conteúdo".
produto adquiriu importância no mercado, transformando-se em um IV. Os termos "conteúdo", "hora" e "prova" são palavras
dos principais itens de exportação, desde o Império até os dias invariáveis, classificadas como substantivos.
atuais.” (linhas de 3 a 6).
Está CORRETO apenas o que se afirma em: (B) as conclusões.
(A) I e III. (C) tais estudiosos.
(B) II e IV. (C) (D) apêndice de um aparelho.
I e IV. (E) o smartphone.
(D) II e III.
(E) I e II. 9. (METRÔ/SP – TÉCNICO SEGURANÇA DO TRABALHO –
FCC/2014 - adaptada). Atenção: Leia o texto abaixo para responder
5. (PREFEITURA DE OSASCO/SP - à questão de número 9.
MOTORISTA DE AMBULÂNCIA – FGV/2014).
O criador da mais conhecida e celebrada canção sertaneja,
Dificuldades no combate à dengue Tristeza do Jeca (1918), não era, como se poderia esperar, um
A epidemia da dengue tem feito estragos na cidade de São Paulo. sofredor habitante do campo, mas o dentista, escrivão de polícia e
Só este ano, já foram registrados cerca de 15 mil casos da doença, dono de loja Angelino Oliveira. Gravada por “caipiras” e “sertanejos”,
segundo dados da Prefeitura. nos “bons tempos do cururu autêntico”, assim como nos “tempos
As subprefeituras e a Vigilância Sanitária dizem que existe um modernos da música ‘americanizada’ dos rodeios”, Tristeza do Jeca é
protocolo para identificar os focos de reprodução do mosquito o grande exemplo da notável, embora pouco conhecida, fluidez que
transmissor, depois que uma pessoa é infectada. Mas quando alguém marca a transição entre os meios rural e urbano, pelo menos em
fica doente e avisa as autoridades, não é bem isso que acontece. termos de música brasileira.
(Saúde Uol). Num tempo em que homem só cantava em tom maior e voz grave,
o Jeca surge humilde e sem vergonha alguma da sua “falta de
“Só este ano...” O ano a que a reportagem se refere é o ano (A) masculinidade”, choroso, melancólico, lamentando não poder voltar
em que apareceu a dengue pela primeira vez. ao passado e, assim, “cada toada representa uma saudade”. O Jeca de
(B) em que o texto foi produzido. Oliveira não se interessa pelo meio rural da miséria, das catástrofes
(C) em que o leitor vai ler a reportagem. naturais, mas pelo íntimo e sentimental, e foi nesse seu tom que a
música, caipira ou sertaneja, ganhou forma.
(D) em que a dengue foi extinta na cidade de São Paulo.
“A canção popular conserva profunda nostalgia da roça. Moderna,
(E) em que começaram a ser registrados os casos da doença.
sofisticada e citadina, essa música foi e é igualmente roceira, matuta,
acanhada, rústica e sem trato com a área urbana, de tal forma que, em
6. (PREFEITURA DE OSASCO/SP - MOTORISTA DE todas essas composições, haja sempre a voz exemplar do migrante, a
AMBULÂNCIA – FGV/2014). “Se uma dupla com roupas que
qual se faz ouvir para registrar uma situação de desenraizamento, de
parecem de astronauta tocar a campainha da sua casa, não se
dependência e falta”, analisa a cientista política Heloísa Starling.
assuste.”
Acrescenta o antropólogo Allan de Paula Oliveira: “foi entre 1902
Nesse texto, o termo sublinhado tem por antecedente ou se refere e 1960 que a música sertaneja surgiu como um campo específico no
a: interior da MPB. Mas, se num período inicial, até 1930, ‘sertanejo’
(A) dupla. indicava indistintamente as músicas produzidas no interior do país,
(B) astronauta. (C) tendo como referência o Nordeste, a partir dos anos de 1930,
campainha. 'sertanejo' passou a significar o caipira do Centro-Sul. E, pouco mais
(D) roupas. tarde, de São Paulo. Assim, se Jararaca e Ratinho, ícones da passagem
(E) casa. do sertanejo nordestino para o ‘caipira’, trabalhavam no Rio, as
7. (CEFET/RJ - REVISOR DE TEXTOS – CESGRANRIO/2014). duplas dos anos 1940, como Tonico e Tinoco, trabalhariam em São
Em qual dos períodos abaixo, a troca de posição entre a palavra Paulo”.
sublinhada e o substantivo a que se refere mantém o sentido? (Adaptado de: HAAG, Carlos. “Saudades do Jeca no século XXI”.
(A) Algum autor desejava a minha opinião sobre o seu trabalho. In: Revista Fapesp, outubro de 2009, p. 80-5.)
(B) O mesmo porteiro me entregou o pacote na recepção do
hotel. Os pronomes “que” (1º parágrafo), “sua” (2º parágrafo) e “a qual”
(C) Meu pai procurou uma certa pessoa para me entregar o (3º parágrafo), referem-se, respectivamente, a: (A) exemplo − Jeca −
embrulho. composições
(D) Contar histórias é uma prazerosa forma de aproximar os (B) fluidez − Jeca − voz exemplar do migrante
indivíduos. (C) Tristeza do Jeca − homem − canção popular
(E) Grandes poemas épicos servem para perpetuar a cultura de (D) exemplo − homem − voz exemplar do migrante
um povo. (E) fluidez − homem − canção popular

8. (POLÍCIA MILITAR/SP – OFICIAL ADMINISTRATIVO – 10. (DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO –
VUNESP/2014 - adaptada). Leia o seguinte trecho do texto para TÉCNICO SUPERIOR ESPECIALIZADO EM BIBLIOTECONOMIA –
responder à questão. FGV/2014). “Se você quiser ir mais longe”; a única forma dessa frase
Se as pessoas insistem em ignorar as conclusões de tais que NÃO apresenta um equivalente semântico corretamente
estudiosos e não se importam de reduzir suas mentes à condição de expresso é
apêndice de um aparelho, talvez se assustem ao saber que o (A) caso você queira ir mais longe.
smartphone também as atinge em algo que ainda devem valorizar: o (B) na hipótese de você querer ir mais longe.
corpo. (C) no caso de você querer ir mais longe. (D) desde que você
queira ir mais longe.
O pronome as, em destaque no trecho, retoma a seguinte (E) conquanto você queira ir mais longe.
expressão:
(A) as pessoas. Respostas
afirmado na oração principal; embora, se bem que: Continuou
1. (B) trabalhando, conquanto exausto. Aparenta riqueza, conquanto seja
O item que reproduz o enunciado de maneira adequada é: O pobre.
produto, em virtude de sua rápida adaptação ao solo e ao clima, (fonte: http://www.dicio.com.br/conquanto/)
adquiriu importância no mercado e transformou-se em um dos
principais itens de exportação, desde o Império até os dias atuais.
Intertextualidade
2. (B)
Muito interessantes / bem difícil = ambos os advérbios mantêm A Intertextualidade pode ser definida como um diálogo entre dois
relação com adjetivos, dando-lhes noção de intensidade. textos. Observe os dois textos abaixo e note como Murilo Mendes
(século XX) faz referência ao texto de Gonçalves Dias (século XIX):
3. (B)
Nas alternativas A, C, D e E são apresentadas conjunções Canção do Exílio
adversativas – que nos dão ideia contrária à apresentada
anteriormente; já na B, temos uma conjunção conclusiva (assim). Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
4. (D) As aves, que aqui gorjeiam, Não
I. O termo "Mas" é classificado como conjunção subordinativa gorjeiam como lá.
= é conjunção coordenativa adversativa
II. Classifica-se o termo "quando" como conjunção Nosso céu tem mais estrelas,
subordinativa que exprime circunstância temporal = correta Nossas várzeas têm mais flores,
III. Acentua-se o "u" tônico do hiato existente na palavra Nossos bosques têm mais vida,
"conteúdo" = correta Nossa vida mais amores.
IV. "Os termos "conteúdo", "hora" e "prova" são palavras
invariáveis, classificadas como substantivos = são substantivos, mas Em cismar, sozinho, à noite,
variáveis (conteúdos, horas e provas. Lembrando que “prova” e Mais prazer encontro eu lá;
“provas” podem ser verbo: Ele prova todos os doces! Tu provas Minha terra tem palmeiras,
também?) Onde canta o Sabiá.

5. (B) Minha terra tem primores,


O ano em questão corresponde ao ano em que foi feita a matéria. Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
6. (D) Mais prazer encontro eu lá;
Questão fácil: o pronome relativo retoma o termo “roupas”. Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
7. (D)
Farei a inversão para facilitar sua compreensão: Não permita Deus que eu morra,
A) autor algum desejava a minha opinião sobre o seu trabalho Sem que eu volte para lá;
– mudamos o sentido da oração Sem que desfrute os primores
B) O porteiro mesmo me entregou o pacote na recepção do Que não encontro por cá;
hotel – mudança de sentido Sem qu’inda aviste as palmeiras,
C) Meu pai procurou uma pessoa certa para me entregar o Onde canta o Sabiá."
embrulho – houve mudança
D) Contar histórias é uma forma prazerosa de aproximar os (Gonçalves Dias)
indivíduos – mesmo sentido!
E) Poemas grandes épicos servem para perpetuar a cultura de Canção do Exílio
um povo – mudança de sentido
Minha terra tem macieiras da Califórnia onde
8. (A) cantam gaturamos de Veneza. Os poetas da
O termo destacado refere-se à palavra “pessoas”. minha terra são pretos que vivem em torres de
ametista, os sargentos do exército são
9. (B) monistas, cubistas, os filósofos são polacos
vendendo a prestações.
Recorramos ao texto: “que” (1º parágrafo) = fluidez que marca /
gente não pode dormir com os oradores e os
“sua” (2º parágrafo) = o Jeca surge humilde e sem vergonha alguma
da sua “falta de masculinidade” / “a qual” (3º parágrafo) = haja pernilongos. Os sururus em família têm por
sempre a voz exemplar do migrante, a qual se faz ouvir. testemunha a
Obtivemos: fluidez / Jeca / a voz exemplar do migrante. [Gioconda
Eu morro sufocado em terra
estrangeira. Nossas flores são
10. (E)
mais bonitas nossas frutas mais
gostosas mas custam cem mil réis
Conquanto = conjunção utilizada para relacionar duas orações, a dúzia.
sendo que a oração subordinada contém um fato contrário ao que foi
Ai quem me dera chupar uma carambola de Tipos de Intertextualidade
[verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade! Pode-se destacar sete tipos de intertextualidade: -
(Murilo Mendes) Epígrafe: constitui uma escrita introdutória.
- Citação: é uma transcrição do texto alheio, marcada por
Nota-se que há correspondência entre os dois textos. A aspas.
paródiapiadista de Murilo Mendes é um exemplo de - Paráfrase: é a reprodução do texto do outro com a palavra
intertextualidade, uma vez que seu texto foi criado tomando como do autor. Ela não se confunde com o plágio, pois o autor deixa
ponto de partida o texto de Gonçalves Dias. claro sua intenção e a fonte.
Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade é - Paródia: é uma forma de apropriação que, em lugar de
persistente. Sabemos que todo texto, seja ele literário ou não, é endossar o modelo retomado, rompe com ele, sutil ou
oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se abertamente. Ela perverte o texto anterior, visando à ironia ou a
refere a assuntos abordados em outros textos é exemplo de crítica.
intertextualização. - Pastiche: uma recorrência a um gênero.
A intertextualidade está presente também em outras áreas, como - Tradução: está no campo da intertextualidade porque
na pintura, veja as várias versões da famosa pintura de Leonardo da implica a recriação de um texto.
Vinci, Mona Lisa: - Referência e alusão.
Para ampliar esse conhecimento, vale trazer um exemplo de
Mona Lisa, Leonardo da Vinci. Óleo sobre tela, 1503. intertextualidade na literatura. Às vezes, a superposição de um texto
Mona Lisa, Marcel Duchamp, 1919. sobre outro pode provocar certa atualização ou modernização do
Mona Lisa, Fernando Botero, 1978. primeiro texto. Nota-se isso no livro “Mensagem”, de Fernando
Mona Lisa, propaganda publicitária. Pessoa, que retoma, por exemplo, com seu poema “O Monstrengo” o
episódio do Gigante Adamastor de “Os Lusíadas” de Camões. Ocorre
como que um diálogo entre os dois textos. Em alguns casos,
aproxima-se da paródia (canto paralelo), como o poema “Madrigal
Melancólico” de Manuel Bandeira, do livro “Ritmo Dissoluto”, que
seguramente serviu de inspiração e assim se refletiu no seguinte
poema:

Assim como Bandeira

O que amo em ti não são esses


olhos doces delicados nem esse
Pode-se definir, então, a intertextualidade como sendo a criação riso de anjo adolescente.
de um texto a partir de outro texto já existente. Dependendo da
situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem O que amo em ti não é só essa pele
muito dos textos/contextos em que ela é inserida. acetinada sempre pronta para a carícia
Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ligado ao renovada nem esse seio róseo e
"conhecimento do mundo", que deve ser compartilhado, ou seja, atrevido a desenhar-se sob o tecido.
comum ao produtor e ao receptor de textos. O diálogo pode ocorrer
em diversas áreas do conhecimento, não se restringindo única e O que amo em ti não é essa pressa
exclusivamente a textos literários. louca de viver cada vão momento
Na pintura tem-se, por exemplo, o quadro do pintor barroco nem a falta de memória para a dor.
italiano Caravaggio e a fotografia da americana Cindy Sherman, na
qual quem posa é ela mesma. O quadro de Caravaggio foi pintado no O que amo em ti não é apenas
final do século XVI, já o trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi essa voz leve que me envolve e
produzido quase quatrocentos anos mais tarde. Na foto, Sherman cria me consome
o mesmo ambiente e a mesma atmosfera sensual da pintura, nem o que deseja todo homem flor
reunindo um conjunto de elementos: a coroa de flores na cabeça, o definida e definitiva a abrir-se como boca
contraste entre claro e escuro, a sensualidade do ombro nu etc. A foto ou ferida nem mesmo essa juventude
de Sherman é uma recriação do quadro de Caravaggio e, portanto, é assim perdida.
um tipo de intertextualidade na pintura.
Na publicidade, por exemplo, a que vimos sobre anúncios do Bom O que amo em ti enigmática
Bril, o ator se veste e se posiciona como se fosse a Mona Lisa de e solidária:
Leonardo da Vinci e cujo slogan era "Mon Bijou deixa sua roupa uma É a Vida!
perfeita obra-prima". Esse enunciado sugere ao leitor que o produto (Geraldo Chacon, Meu Caderno de Poesia,
anunciado deixa a roupa bem macia e mais perfumada, ou seja, uma Flâmula, 2004, p. 37)
verdadeira obra-prima (se referindo ao quadro de Da Vinci). Nesse
caso pode-se dizer que a intertextualidade assume a função de não só Madrigal Melancólico
persuadir o leitor como também de difundir a cultura, uma vez que
se trata de uma relação com a arte (pintura, escultura, literatura etc).
O que eu adoro em ti não
Intertextualidade é a relação entre dois textos caracterizada por
é a tua beleza.
um citar o outro.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito. E a beleza é triste. Não é
triste em si, mas pelo que há nela de fragilidade e Texto Original
de incerteza. Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
(...) As aves que aqui gorjeiam Não
O que eu adoro em tua natureza, gorjeiam como lá.
não é o profundo instinto maternal em
teu flanco aberto como uma ferida. nem (Gonçalves Dias, “Canção do exílio”)
a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida. Paráfrase
(Manuel Bandeira, Estrela da Vida Inteira,
Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
José Olympio, 1980, p. 83)
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’. Como
era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
A relação intertextual é estabelecida, por exemplo, no texto de Eu tão esquecido de minha terra…
Oswald de Andrade, escrito no século XX, "Meus oito anos", quando Ai terra que tem palmeiras Onde
este cita o poema , do século XIX, de Casimiro de Abreu, de mesmo canta o sabiá!
nome.
(Carlos Drummond de Andrade, “Europa, França e Bahia”)
Meus oito anos Este texto de Gonçalves Dias, “Canção do Exílio”, é muito utilizado
como exemplo de paráfrase e de paródia, aqui o poeta Carlos
Oh! Que saudade que tenho Drummond de Andrade retoma o texto primitivo conservando suas
Da aurora da minha vida, ideias, não há mudança do sentido principal do texto que é a saudade
Da minha infância querida da terra natal.
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores A paródia é uma forma de contestar ou ridicularizar outros
Naquelas tardes fagueiras textos, há uma ruptura com as ideologias impostas e por isso é objeto
À sombra das bananeiras de interesse para os estudiosos da língua e das artes. Ocorre, aqui, um
Debaixo dos laranjais! choque de interpretação, a voz do texto original é retomada para
transformar seu sentido, leva o leitor a uma reflexão crítica de suas
(Casimiro de Abreu) verdades incontestadas anteriormente, com esse processo há uma
indagação sobre os dogmas estabelecidos e uma busca pela verdade
Meus oito anos real, concebida através do raciocínio e da crítica. Os programas
humorísticos fazem uso contínuo dessa arte, frequentemente os
Oh! Que saudade que tenho discursos de políticos são abordados de maneira cômica e
Da aurora da minha vida, contestadora, provocando risos e também reflexão a respeito da
Da minha infância querida demagogia praticada pela classe dominante. Com o mesmo texto
Que os anos não trazem mais utilizado anteriormente, teremos, agora, uma paródia.
Naquele quintal de terra
Da rua São Antonio Texto Original
Debaixo da bananeira Minha terra tem palmeiras
Sem nenhum laranjais! Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam Não
(Oswald de Andade) gorjeiam como lá.

A intertextualidade acontece quando há uma referência explícita (Gonçalves Dias, “Canção do exílio”)
ou implícita de um texto em outro. Também pode ocorrer com outras
formas além do texto, música, pintura, filme, novela etc. Toda vez que Paródia
uma obra fizer alusão à outra ocorre a intertextualidade. Minha terra tem palmares
Apresenta-se explicitamente quando o autor informa o objeto de onde gorjeia o mar os
sua citação. Num texto científico, por exemplo, o autor do texto citado passarinhos daqui não
é indicado, já na forma implícita, a indicação é oculta. Por isso é cantam como os de lá.
importante para o leitor o conhecimento de mundo, um saber prévio,
para reconhecer e identificar quando há um diálogo entre os textos. (Oswald de Andrade, “Canto de regresso à pátria”)
A intertextualidade pode ocorrer afirmando as mesmas ideias da
obra citada ou contestando-as. Vejamos duas das formas: a Paráfrase O nome Palmares, escrito com letra minúscula, substitui a palavra
e a Paródia. palmeiras, há um contexto histórico, social e racial neste texto,
Palmares é o quilombo liderado por Zumbi, foi dizimado em 1695, há
Na paráfrase as palavras são mudadas, porém a ideia do texto é uma inversão do sentido do texto primitivo que foi substituído pela
confirmada pelo novo texto, a alusão ocorre para atualizar, reafirmar crítica à escravidão existente no Brasil.
os sentidos ou alguns sentidos do texto citado. É dizer com outras Na literatura relativa à Linguística Textual, é frequente apontarse
palavras o que já foi dito. Temos um exemplo citado por Affonso como um dos fatores de textualidade a referência - explícita ou
Romano Sant’Anna em seu livro “Paródia, paráfrase & Cia”: implícita - a outros textos, tomados estes num sentido bem amplo
(orais, escritos, visuais - artes plásticas, cinema , música, propaganda implícitas (paráfrases, paródias etc.);
etc.) A esse “diálogo”entre textos dá-se o nome de intertextualidade.
Evidentemente, a intertextualidade está ligada ao “conhecimento - a que se associa ao caráter formal, que pode ou não estar
de mundo”, que deve ser compartilhado, ou seja, comum ao produtor ligado à tipologia textual como, por exemplo, textos que “imitam” a
e ao receptor de textos. linguagem bíblica, jurídica, linguagem de relatório etc. ou que
A intertextualidade pressupõe um universo cultural muito amplo procuram imitar o estilo de um autor, em que comenta o seriado da
e complexo, pois implica a identificação / o reconhecimento de TV Globo, baseado no livro de Guimarães Rosa, procurando manter
remissões a obras ou a textos / trechos mais, ou menos conhecidos, a linguagem e o estilo do escritor);
além de exigir do interlocutor a capacidade de interpretar a função
daquela citação ou alusão em questão. - a que remete a tipos textuais (ou “fatores tipológicos”),
Entre os variadíssimos tipos de referências, há provérbios, ditos ligados a modelos cognitivos globais, às estruturas e superestruturas
populares, frases bíblicas ou obras / trechos de obras ou a aspectos formais de caráter linguístico próprios de cada tipo de
constantemente citados, literalmente ou modificados, cujo discurso e/ou a cada tipo de texto: tipologias ligadas a estilos de
reconhecimento é facilmente perceptível pelos interlocutores em época. Por superestrutura entendem-se, entre outras, estruturas
geral. Por exemplo, uma revista brasileira adotou o slogan: “Dize-me argumentativas (Tese anterior), premissas - argumentos
o que lês e dir-te-ei quem és”. Voltada fundamentalmente para um (contraargumentos - síntese), conclusão (nova tese), estruturas
público de uma determinada classe sociocultural, o produtor do narrativas (situação - complicação - ação ou avaliação – resolução),
mencionado anúncio espera que os leitores reconheçam a frase da moral ou estado final etc.;
Bíblia (“Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”). Ao adaptar a
sentença, a intenção da propaganda é, evidentemente, angariar a Outro aspecto que é mencionado muito superficialmente é o da
confiança do leitor (e, consequentemente, a credibilidade das intertextualidade linguística. Ela está ligada ao que o linguista
informações contidas naquele periódico), pois a Bíblia costuma ser romeno, Eugenio Coseriu, chama de formas do “discurso repetido”:
tomada como um livro de pensamentos e ensinamentos considerados - “textemas” ou “unidades de textos”: provérbios, ditados
como “verdades” universalmente assentadas e aceitas por diversas populares; citações de vários tipos, consagradas pela tradição
comunidades. Outro tipo comum de intertextualidade é a introdução cultural de uma comunidade etc.;
em textos de provérbios ou ditos populares, que também inspiram
- “sintagmas estereotipados”: equivalentes a expressões
confiança, pois costumam conter mensagens reconhecidas como
idiomáticas;
verdadeiras. São aproveitados não só em propaganda, mas ainda em
- “perífrases léxicas”: unidades multivocabulares, empregadas
variados textos orais ou escritos, literários e não-literários. Por frequentemente, mas ainda não lexicalizadas (ex. “gravemente
exemplo, ao iniciar o poema “Tecendo a manhã”, João Cabral de Melo doente”, “dia útil”, “fazer misérias” etc.).
Neto defende uma ideia: “Um galo sozinho não tece uma manhã”. Não
é necessário muito esforço para reconhecer que por detrás dessas
A intertextualidade tem funções diferentes, dependendo dos
palavras está o ditado “Uma andorinha só não faz verão”. O verso
textos/contextos em que as referências (linguísticas ou culturais)
inicial funciona, pois, como uma espécie de “tese”, que o texto irá
estão inseridas. Chamo a isso “graus das funções da
tentar comprovar através de argumentação poética.
intertextualidade”.
Há, no entanto, certos tipos de citações (literais ou construídas) e
Didaticamente pode-se dizer que a referência cultural e/ou
de alusões muito sutis que só são compartilhadas por um pequeno
linguística pode servir apenas de pretexto, é o caso de “epígrafes”
número de pessoas. É o caso de referências utilizadas em textos
longinquamente vinculadas a um trabalho e/ou a um texto. Sem dizer
científicos ou jornalísticos (Seções de Economia, de Informática, por
com isso que todas as epígrafes funcionem apenas como pretextos.
exemplo) e em obras literárias, prosa ou poesia, que às vezes
Em geral, o produtor do texto elege algo pertinente e condizente com
remetem a uma forma e/ou a um conteúdo bastante específico(s),
a temática de que trata. Existam algumas, todavia, que estão ali
percebido(s) apenas por um leitor/interlocutor muito bem
apenas para mostrar “conhecimento” de frases famosas e/ou para
informado e/ou altamente letrado. Na literatura, podem-se citar,
servir de “decoração” no texto. Neste caso, o “intertexto” não tem um
entre muitos outros, autores estrangeiros, como James Joyce, T.S.
papel específico nem na construção nem na camada semântica do
Eliot, Umberto Eco.
texto.
A remissão a textos e paratextos do circuito cultural (mídia,
Outras vezes, o autor parte de uma frase ou de um verso que
propaganda, outdoors, nomes de marcas de produtos etc.) é
ocorreu a ele repentinamente (texto “A última crônica”, em que o
especialmente recorrente em autores chamados pós-modernos.
autor confessa estar sem assunto e tem de escrever). Afirma então:
Para ilustrar, pode-se mencionar, entre outros escritores brasileiros,
Ana Cristina Cesar, poetisa carioca, que usa e “abusa” da
“Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café,
intertextualidade em seus textos, a tal ponto que, sem a identificação
enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: assim eu quereria
das referências, o poema se torna, constantemente, ininteligível e
meu último poema.”
chega a ser considerado por algumas pessoas como um “amontoado
aleatório de enunciados”, sem coerência e, portanto, desprovido de
Descreve então uma cena passada em um botequim, em que um
sentido.
casal comemora modestamente o aniversário da filha, com um
pedaço de bolo, uma coca cola e três velinhas brancas. O pai parecia
Os teóricos costumam identificar tipos de intertextualidade, entre
satisfeito com o sucesso da celebração, até que fica perturbado por
os quais se destacam:
ter sido observado, mas acaba por sustentar a satisfação e se abre
- a que se liga ao conteúdo (por exemplo, matérias num sorriso. O autor termina a crônica, parafraseando o verso de
jornalísticas que se reportam a notícias veiculadas anteriormente na Manuel Bandeira: “Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse
imprensa falada e/ou escrita: textos literários ou não-literários que pura como esse sorriso”. O verso de Bandeira não pode ser
se referem a temas ou assuntos contidos em outros textos etc.). considerado, nessa crônica, um mero pretexto. A intertextualidade
Podem ser explícitas (citações entre aspas, com ou sem indicação da desempenha o papel de conferir certa “literariedade” à crônica, além
fonte) ou de explicar o título e servir de “fecho de ouro” para um texto que se
inicia sem um conteúdo previamente escolhido. Não é, contudo, escrupuloso, calculista e calculador: e as disciplinas humanas seriam
imprescindível à compreensão do texto. científicas!
O que parece importante é que não se encare a intertextualidade (Introdução às Ciências Humanas. Hilton Japiassu.
apenas como a “identificação” da fonte e, sim, que se procure estudála São Paulo, Letras e Letras, 1994, pp.89/90)
como um enriquecimento da leitura e da produção de textos e,
sobretudo, que se tente mostrar a função da sua presença na Comentário: Neste texto, temos um bom exemplo do que se define
construção e no(s) sentido(s) dos textos. como intertextualidade. As relações entre textos, a citação de um
Como afirmam Koch & Travaglia, “todas as questões ligadas à texto por outro, enfim, o diálogo entre textos. Muitas vezes, para
intertextualidade influenciam tanto o processo de produção como o entender um texto na sua totalidade, é preciso conhecer o(s) texto(s)
de compreensão de textos”. que nele fora(m) citado(s).
Considerada por alguns autores como uma das condições para a No trecho, por exemplo, em que se discute o papel das Ciências
existência de um texto, a intertextualidade se destaca por relacionar Humanas nos tempos atuais e o espaço que estão ocupando, é trazido
um texto concreto com a memória textual coletiva, a memória de um à tona o mito de Narciso. É preciso, então, dispor do conhecimento de
grupo ou de um indivíduo específico. que Narciso, jovem dotado de grande beleza, apaixonou-se por sua
Trata-se da possibilidade de os textos serem criados a partir de própria imagem quando a viu refletida na água de uma fonte onde foi
outros textos. As obras de caráter científico remetem explicitamente matar a sede. Suas tentativas de alcançar a bela imagem acabaram em
a autores reconhecidos, garantindo, assim, a veracidade das desespero e morte.
afirmações. Nossas conversas são entrelaçadas de alusões a inúmeras O último parágrafo, em que o mito de Narciso é citado, demonstra
considerações armazenadas em nossas mentes. O jornal está repleto que, dado o modo como as Ciências Humanas são vistas hoje, até o
de referências já supostamente conhecidas pelo leitor. A leitura de olhar de Narciso, antes "fascinado por sua própria beleza", seria
um romance, de um conto, novela, enfim, de qualquer obra literária, substituído por um "olhar frio, objetivo, escrupuloso, calculista e
nos aponta para outras obras, muitas vezes de forma implícita. calculador", ou seja, o olhar de Narciso perderia o seu tom de
A nossa compreensão de textos (considerados aqui da forma mais encantamento para se transformar em algo material, sem
abrangente) muito dependerá da nossa experiência de vida, das sentimentos. A comparação se estende às Ciências Humanas, que, de
nossas vivências, das nossas leituras. Determinadas obras só se humanas, nada mais teriam, transformando-se em disciplinas
revelam através do conhecimento de outras. Ao visitar um museu, científicas.
por exemplo, o nosso conhecimento prévio muito nos auxilia ao nos
depararmos com certas obras. Em vez das células, as cédulas
A noção de intertextualidade, da presença contínua de outros
textos em determinado texto, nos leva a refletir a respeito da Nesses tempos de clonagem, recomenda-se assistir ao
individualidade e da coletividade em termos de criação. Já vimos documentário Arquitetura da destruição, de Peter Cohen. A fantástica
anteriormente que a citação de outros textos se faz de forma implícita história de Dolly, a ovelha, parece saída do filme, que conta a aventura
ou explícita. Mas, com que objetivo? demente do nazismo, com seus sonhos de beleza e suas fantasias
Um texto remete a outro para defender as ideias nele contidas ou genéticas, seus experimentos de eugenia e purificação da raça.
para contestar tais ideias. Assim, para se definir diante de Os cientistas são engraçados: bons para inventar e péssimos para
determinado assunto, o autor do texto leva em consideração as ideias prever. Primeiro, descobrem; depois se assustam com o risco da
de outros "autores" e com eles dialoga no seu texto. descoberta e aí então passam a gritar "cuidado, perigo". Fizeram isso
Ainda ressaltando a importância da intertextualidade, remetemos com quase todos os inventos, inclusive com a fissão nuclear,
às considerações de Vigner: "Afirma-se aqui a importância do espantando-se quando "o átomo para a paz" tornou-se uma mortífera
fenômeno da intertextualidade como fator essencial à legibilidade do arma de guerra. E estão fazendo o mesmo agora.
texto literário, e, a nosso ver, de todos os outros textos. O texto não é (...) Desde muito tempo se discute o quanto a ciência, ao procurar
mais considerado só nas suas relações com um referente extra- o bem, pode provocar involuntariamente o mal. O que a Arquitetura
textual, mas primeiro na relação estabelecida com outros textos". da destruição mostra é como a arte e a estética são capazes de fazer o
Como exemplo, temos um texto "Questão da Objetividade" e uma mesmo, isto é, como a beleza pode servir à morte, à crueldade e à
crônica de Zuenir Ventura, "Em vez das células, as cédulas" para destruição.
concretizar um pouco mais o conceito de intertextualidade. Hitler julgava-se "o maior ator da Europa" e acreditava ser alguma
coisa como um "tirano-artista" nietzschiano ou um "ditador de gênio"
Questão da Objetividade wagneriano. Para ele, "a vida era arte," e o mundo, uma grandiosa
ópera da qual era diretor e protagonista.
As Ciências Humanas invadem hoje todo o nosso espaço mental. Até O documentário mostra como os rituais coletivos, os grandes
parece que nossa cultura assinou um contrato com tais disciplinas, espetáculos de massa, as tochas acesas (...) tudo isso constituía um
estipulando que lhes compete resolver tecnicamente boa parte dos culto estético - ainda que redundante (...) E o pior - todo esse aparato
conflitos gerados pela aceleração das atuais mudanças sociais. É em era posto a serviço da perversa utopia de Hitler: a manipulação
nome do conhecimento objetivo que elas se julgam no direito de genética, a possibilidade de purificação racial e de eliminação das
explicar os fenômenos humanos e de propor soluções de ordem ética, imperfeições, principalmente as físicas. Não importava que os mais
política, ideológica ou simplesmente humanitária, sem se darem conta ilustres exemplares nazistas, eles próprios, desmoralizassem o que
de que, fazendo isso, podem facilmente converter-se em "comodidades pregavam em termos de eugenia.
teóricas" para seus autores e em "comodidades práticas" para sua O que importava é que as pessoas queriam acreditar na insensatez
clientela. Também é em nome do rigor científico que tentam construir apesar dos insensatos, como ainda há quem continue acreditando. No
todo o seu campo teórico do fenômeno humano, mas através da ideia Brasil, felizmente, Dolly provoca mais piada do que ameaça. Já se
que gostariam de ter dele, visto terem renunciado aos seus apelos e às atribui isso ao fato de que a nossa arquitetura da destruição é a
suas significações. O equívoco olhar de Narciso, fascinado por sua corrupção. Somos craques mesmo é em clonagem financeira. O que
própria beleza, estaria substituído por um olhar frio, objetivo, seriam nossos laranjas e fantasmas senão clones e replicantes
virtuais? Aqui, em vez de células, estamos interessados é em Ideologia
manipular cédulas. Eu quero uma pra viver
O meu prazer
(Zuenir Ventura, JB, 1997) Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock ‘n’ roll
Comentário: Tendo como ponto de partida a alusão ao Eu vou pagar a conta do analista
documentário Arquitetura da destruição, o texto mantém sua Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
unidade de sentido na relação que estabelece com outros textos, com Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
dados da História. (Mudar o mundo)
Nesta crônica, duas propriedades do texto são facilmente Agora assiste a tudo em cima do muro
perceptíveis: a intertextualidade e a inserção histórica.
O texto se constrói, à medida que retoma fatos já conhecidos. Meus heróis morreram de overdose
Nesse sentido, quanto mais amplo for o repertório do leitor, o seu Meus inimigos estão no poder
acervo de conhecimentos, maior será a sua competência para
Ideologia
perceber como os textos "dialogam uns com os outros" por meio de
Eu quero uma pra viver
referências, alusões e citações.
Ideologia
Para perceber as intenções do autor desta crônica, ou seja, a sua
intencionalidade, é preciso que o leitor tenha conhecimento de fatos Eu quero uma pra viver
atuais, como as referências ao documentário recém lançado no (Cazuza e Roberto Frejat)
circuito cinematográfico, à ovelha clonada Dolly, aos "laranjas" e
"fantasmas", termos que dizem respeito aos envolvidos em E as ilusões estão todas perdidas (v. 3)
transações econômicas duvidosas. É preciso que conheça também o Este verso pode ser lido como uma alusão a um livro intitulado
que foi o nazismo, a figura de Hitler e sua obsessão pela raça pura, e Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac. Tal procedimento constitui o
ainda tenha conhecimento da existência do filósofo Nietzsche e do que se chama de:
compositor Wagner. a) intertextualidade
O vocabulário utilizado aponta para campos semânticos b) pertinência
relacionados à clonagem, à raça pura, aos binômios arte/beleza, c) pressuposição
arte/destruição, corrupção. d) metáfora
- Clonagem: experimentos, avanços genéticos, e) anáfora.
ovelhas, cientistas, inventos, células, clones replicantes, 02.
manipulação genética, descoberta. Hora do mergulho
- Raça Pura: aventura, demente do nazismo, fantasias
genéticas, experimentos de eugenia, utopia perversa, manipulação Feche a porta, esqueça o barulho feche os
genética, imperfeições físicas, eugenia. olhos, tome ar: é hora do mergulho
- Arte/Beleza - Arte/Destruição: estética, sonhos de beleza,
crueldade, tirano artista
eu sou moço, seu moço, e o poço não é tão fundo
ditador de gênio, nietzschiano, wagneriano, grandiosa ópera, diretor, super-homem não supera a superfície nós
protagonista, espetáculos de massa e tochas acesas. mortais viemos do fundo
- Corrupção: laranjas, clonagem financeira, cédulas, eu sou velho, meu velho, tão velho quanto o mundo
fantasmas.
Esses campos semânticos se entrecruzam, porque englobam eu quero paz: uma trégua do lilás-neon-
referências múltiplas dentro do texto. Las Vegas profundidade: 20.000 léguas
“se queres paz, te prepara para a guerra”
Questões “se não queres nada, descansa em paz”
“luz” - pediu o poeta
01. (UERJ) (últimas palavras, lucidez completa) depois:
silêncio
Ideologia
esqueça a luz... respire o fundo eu sou
Meu partido um déspota esclarecido nessa escura
É um coração partido e profunda mediocracia.
E as ilusões estão todas perdidas (Engenheiros do Hawaii, composição de Humberto Gessinger)
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito Na letra da canção, Humberto Gessinger faz referência a um
Eu nem acredito famoso provérbio latino: si uis pacem, para bellum, cuja tradução é Se
queres paz, te prepara para a guerra. Nesse tipo de citação,
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
encontramos o seguinte recurso:
(Mudar o mundo)
a) intertextualidade explícita.
Frequenta agora as festas do “Grand Monde”
b) intertextualidade implícita.
c) intertextualidade implícita e explícita.
Meus heróis morreram de overdose
d) tradução.
Meus inimigos estão no poder
e) referência e alusão.
Ideologia
Eu quero uma pra viver
03. (UEL) um recurso que deve ser evitado, pois privilegia o plágio dos
textosfonte em detrimento de elementos que confiram originalidade
à escrita.

05 .

Disponível em Super Interessante. Acesso em 10 out. 2014

O gordo é o novo fumante

Nunca houve tanta gente acima do peso – nem tanto preconceito


contra gordos.
De um lado, o que há por trás é uma positiva discussão sobre
saúde. Por outro, algo de podre: o nascimento de uma nova eugenia.
(Adaptado de: Super Interessante. Editora Abril. 306.ed. jul.
2012. p.21.)

Em relação ao texto, considere as afirmativas a seguir:


I. O código não verbal, principalmente no que se refere ao
segundo desenho, revela o discurso preconceituoso e,
consequentemente, um aspecto ideológico.
II. O sentido de proibição é captado por meio da
CAULOS. Vida de passarinho, 2ed. Porto Alegre LdPM, 1995 p.47
intertextualidade estabelecida entre os códigos não verbais a qual,
por sua vez, revela aspectos ligados ao gênero do humor.
A intertextualidade pode ser encontrada nos diversos gêneros
III. O conteúdo expresso na placa revela que, futuramente,
textuais, inclusive nas histórias em quadrinhos
indivíduos obesos sofrerão ainda mais discriminação social.
O cartum Vida de Passarinho, do cartunista Caulos, estabelece um
IV. O efeito de sentido expresso pelo conteúdo não verbal serve
interessante diálogo com um famoso texto-fonte de nossa literatura.
para reforçar o caráter polissêmico da placa.
Assinale a alternativa que cita esse texto-fonte:
a) Canção do exílio, de Gonçalves Dias.
Assinale a alternativa correta:
b) Erro de português, de Oswald de Andrade.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
c) No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
e) Não há vagas, de Ferreira Gullar.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) José, de Carlos Drummond de Andrade.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
Respostas
04. Sobre a intertextualidade, assinale a alternativa
incorreta: 01. (A)
a) A intertextualidade implícita não se encontra na superfície Entende-se por intertextualidade a criação de um texto a partir de
textual, visto que não fornece para o leitor elementos que possam ser outro preexistente, do qual são retirados elementos, como no caso da
imediatamente relacionados com algum outro tipo de textofonte. música Ideologia, em que Cazuza utiliza o título do livro de Honoré de
Balzac para ilustrar seu pessimismo.
b) Todo texto, em maior ou menor grau, é um intertexto, pois é
normal que durante o processo da escrita aconteçam relações 02. (B)
dialógicas entre o que estamos escrevendo e outros textos Na letra da canção há uma referência a um famoso provérbio
previamente lidos por nós. latino: si uis pacem, para bellum, cuja tradução é Se queres paz, te
c) Na intertextualidade explícita, ficam claras as fontes nas prepara para a guerra, exemplificando, assim, aquilo que chamamos
quais o texto baseou-se e acontece, obrigatoriamente, de maneira de intertextualidade implícita, pois não foi feita a citação do
intencional. Pode ser encontrada em textos do tipo resumo, resenhas, textofonte.
citações e traduções.
d) A intertextualidade sempre acontece de maneira proposital. 03. (D)
É
A alternativa IV está incorreta porque não há efeito polissêmico Na imagem há uma combinação de linguagem verbal e não verbal,
no conteúdo não verbal, uma vez que as placas devem ter um único juntas elas fornecem o insumo necessário para o bom entendimento
sentido para não confundir pedestres e motoristas. e compreensão da temática.

04. (D) Em uma leitura superficial, uma leitura sem inferências, o leitor
A intertextualidade pode acontecer de maneira proposital ou não, poderia cair no erro de não perceber a intenção real do autor, a
mas é certo que cada texto faz parte de uma corrente de produções denúncia sobre a violência. Portanto, para realizar uma boa
verbais e, conscientemente ou não, retomamos, ou contestamos, os interpretação é necessário atentar-se aos detalhes e fazer certos
chamados textos-fonte, fundamentais na memória coletiva de uma questionamentos como:
sociedade.
- Por que o Cristo Redentor sente-se “incomodado” e “exposto
05. (C) a riscos”?
Leia o poema e observe sua influência para a criação da história - O que significam as balas que o cercam por todos os lados?
em quadrinhos de Caulos: - Por que o Cristo Redentor está usando colete à prova de
No meio do caminho No meio do caminho balas?
tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do
caminho tinha uma pedra no meio do caminho A partir de questionamentos como os citados acima é possível
tinha uma pedra. Nunca me esquecerei desse adentrar no contexto social, Rio de Janeiro violento, que instaura
acontecimento na vida de minhas retinas tão críticas e denúncias a determinada realidade.
fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio
do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra Portanto, ao inferir, o leitor é capaz de constatar os detalhes
no meio do caminho no meio do caminho tinha ocultos que transformam a leitura simples em uma leitura reflexiva.
uma pedra.
Estruturação dos Textos e Parágrafos
Carlos Drummond de Andrade
Os elementos essenciais para a composição de um texto são:
Inferências introdução, desenvolvimento e conclusão2.
Analisemos cada uma das partes separadamente:
Com o advento das novas tecnologias a leitura e interpretação de
textos ganham novos significados e dimensões. Se antes liam-se Introdução
somente textos literários, hoje é possível encontrar uma imensa gama
Apresentação direta e objetiva da ideia central do texto.
de diferentes tipos de textos. Assim, o exercício da leitura demanda
Caracteriza-se por ser o parágrafo inicial.
cada vez mais o levantamento de hipóteses, comparações,
associações e inferências.
Desenvolvimento
De acordo com o dicionário Houaiss o termo “inferir” significa: Estruturalmente, é a maior parte contida no texto.
concluir pelo raciocínio, a partir de fatos, indícios; deduzir. No O desenvolvimento estabelece uma relação entre a introdução e a
contexto de interpretação de textos, a inferência enquadra-se na ação conclusão, pois é nesta etapa que as ideias, argumentos e
de analisar as informações implícitas e explícitas com o intuito de posicionamento do autor vão sendo formados e desenvolvidos com o
alcançar conclusões. intuito de dirigir a atenção do leitor para a conclusão.
Em um bom desenvolvimento as ideias devem ser claras e capazes
Segue abaixo uma ilustração para análise exemplificação. de fazer com que o leitor anteceda a conclusão.

Os três principais erros cometidos durante a elaboração do


desenvolvimento são:
1. Distanciamento do texto em relação à discussão inicial.
2. Concentrar-se em apenas um tópico do tema e esquecer os
demais.
3. Tecer muitas ideias ou informações e não conseguir
organizálas ou relacioná-las, dificultando, assim, a linha de
entendimento do leitor.

Conclusão
É o ponto de chegada de todas as argumentações elencadas no
desenvolvimento, ou seja, é o fechamento do texto e dos
questionamentos propostos pelo autor.
Na elaboração da conclusão deve-se evitar as construções
padrões como: “Portanto, como já dissemos antes...”, “Concluindo...”,
“Em conclusão, ...”.

2
Fonte: https://www.algosobre.com.br/redacao/a-unidade-basica-do-
textoestrutura-do-paragrafo.html
Parágrafo explorar a seleção do tema do texto, do assunto tratado, levantar
palavras-chave ligadas a esse tema/assunto, e exercitar inferências
Esteticamente, o parágrafo se caracteriza como um sutil recuo em sobre o texto.
relação à margem esquerda da folha; conceitualmente, o parágrafo (Espírito Santo (Estado). Secretaria da Educação. Ensino
completo deve dispor de introdução, desenvolvimento e conclusão. fundamental: anos finais: área de Linguagens e Códigos /
* Introdução – também denominada de tópico frasal, Secretaria da Educação. Vitória: SEDU, 2009, p. 69. v.1)
constitui-se pela apresentação da ideia principal, feita de maneira
sintética de acordo com os objetivos do autor... O ato de “exercitar inferências sobre o texto” pressupõe
* Desenvolvimento – fundamenta-se na ampliação do tópico desenvolver atividades pedagógicas que permitam ao leitor-aluno
frasal, atribuído pelas ideias secundárias, com vistas a reforçar e a) destacar o que é do seu interesse no texto.
conferir credibilidade na discussão. b) localizar informações explícitas no texto.
* Conclusão – caracteriza-se pela retomada da ideia central c) apreender informações implícitas no texto.
associando-a aos pressupostos mencionados no desenvolvimento, d) produzir novo texto com base no texto lido.
procurando arrematá-los. e) ler em voz alta o texto de leitura.

Exemplo de um parágrafo bem estruturado (com introdução, 03. (AL-GO - Analista Legislativo - Analista de Redes e
desenvolvimento e conclusão): Comunicação de Dados – CS-UFG/2015)
(Ideia-núcleo) A poluição que se verifica principalmente nas
capitais do país é um problema relevante, para cuja solução é
A armadilha da aceitação
necessária uma ação conjunta de toda a sociedade.
Existe um lugar quentinho e cômodo chamado aceitação. Olhando
de longe, parece agradável. Mais do que isso, é absolutamente
(Ideia secundária) O governo, por exemplo, deve rever sua tentador: os que ali repousam parecem confortáveis, acolhidos, até
legislação de proteção ao meio ambiente, ou fazer valer as leis em mesmo com um senso de poder, como se estivessem tirando um
vigor; o empresário pode dar sua contribuição, instalando filtro de cochilo plácido debaixo das asas de um dragão.
controle dos gases e líquidos expelidos, e a população, utilizando
“Elas estão por cima", é o que se pensa de quem encontrou seu
menos o transporte individual e aderindo aos programas de rodízio
espacinho sob a aba da aceitação. Porém, é preciso batalhar para ter
de automóveis e caminhões, como já ocorre em São Paulo.
um espaço ali. Esse dragão não aceita qualquer um; e sua aceitação,
como tudo nesta vida, tem um preço.
(Conclusão) Medidas que venham a excluir qualquer um desses
três setores da sociedade tendem a ser inócuas no combate à poluição
Para ser aceita, em primeiro lugar, você não pode querer destruir
e apenas onerar as contas públicas.
esse dragão. Óbvio. Você não pode atacá-lo, você não pode
ridicularizá-lo, você não pode falar para ou- traz pessoas o quanto
Questões seus dentes são perigosos, você não pode sequer fazer perguntas
constrangedoras a ele.
01. (Pref. De Teresina/PI – Professor Português
– Faça qualquer uma dessas coisas e você estará para sempre
NUCEPE/2016) riscada da lista VIP da aceitação. Ou, talvez, se você se humilhar o
suficiente, ele consiga se esquecer de tudo o que você fez e
Segundo o Inaf (Indicador de reconsidere o seu pedido por aceitação.
Alfabetismo
Funcional), analfabeto funcional é aquele que, mesmo sabendo ler A melhor coisa que você pode fazer para conseguir aceitação é
e escrever frases simples, não possui as habilidades necessárias para atacar as pessoas que querem destruir o generoso distribuidor deste
satisfazer as demandas do seu dia a dia e se desenvolver pessoal e privilégio. Uma boa forma de fazer isso é ridicularizando-as, e pode
profissionalmente. De acordo com as teorias de compreensão como ser bem divertido fingir que esse dragão sequer existe, embora ele
atividade inferencial, compreender o texto é, essencialmente, uma seja algo tão monstruosamente gigante que é quase como se sua
atividade de relacionar conhecimentos, experiências e ações em um existência estivesse sendo esfregada em nossas caras.
movimento interativo e negociado. Concebendo a compreensão como
processo, a leitura realiza-se a partir de diferentes horizontes. Nesse
sentido, é correto afirmar que o processo inferencial está: Reforçar o discurso desse dragão, ainda que você não saiba muito
a) no horizonte máximo da leitura. bem do que está falando, é o passo mais importante que você pode
b) no horizonte mínimo da leitura. dar em direção à tão esperada aceitação.
c) na falta de horizonte da leitura.
d) no horizonte problemático da leitura. Reproduzir esse discurso é bem simples: basta que a mensagem
e) no horizonte indevido da leitura. principal seja deixar tudo como está - e há várias formas de se dizer
isso, das mais rudimentares e manjadas às mais elaboradas e
02. (SEDU/ES – Professor – Língua Portuguesa – FCC/2016) inovadoras. Não dá pra reclamar de falta de opção.
Ensinar o leitor-aluno a fixar objetivos e a ter estratégias de leitura,
de modo a perceber que essa depende da articulação de várias partes Pode ter certeza que o dragão da aceitação dará cambalhotas de
que formam um todo. É, então, um pressuposto metodológico a ser felicidade. Nada o agrada mais do que ver gente impedindo que as
considerado. O leitor está inserido num contexto e precisa considerar coisas mudem.
isso para compreender os textos escritos. Em sala de aula, configuram-
se como estratégias de preparação para a leitura as ações de descobrir Uma vez aceita, você estará cercada de outras pessoas tão legais
conhecimentos prévios dos alunos, discutir o vocabulário do texto, quanto você, todas acolhidas nesse lugar quentinho chamado
aceitação. Ali, você irá acomodar a sua visão de mundo, como quem precisa agir junta para passar num teste ainda mais difícil que o da
coloca óculos escuros para relaxar a vista, e irá assistir numa boa às crise do euro. “O futuro da União Europeia será moldado pelo que
pessoas se dando mal lá fora. fizermos agora, alerta a primeira-ministra alemã.

É claro que elas só estão se dando tão mal por causa do tal dragão; (Mundo, outubro 2015)
mas se você não pode derrotá-lo, una-se a ele, não é o que dizem?
De alguns segmentos do texto o leitor pode fazer uma série de
O que ninguém diz quando você tenta a todo custo ser aceita é que inferências. A inferência inadequada do segmento “O precário
nem isso torna você imune. Ser aceita não é garantia nenhuma de ser equilíbrio rompeu-se de uma vez com o agravamento da guerra civil
poupada. na Síria" é:

Você pode tentar agradar ao dragão, você pode caprichar na a) já havia uma guerra civil na Síria há algum tempo.

armadilha-da-aceitacao-4820.html > . Embora simples, a pergunta não é trivial. Se sou capaz de achar

Acesso: 13 fev. 2015. (Adaptado). em mim a alegria, a vida será uma. Se ela precisa ser buscada fora,
permanentemente, será outra, provavelmente pior.
No texto, o uso das palavras “aceita” e “riscada”, no feminino, Penso no amor, fonte permanente de júbilo e apreensão.
conduz à inferência de que: Quando ele nos é subtraído, instala-se em nós uma tristeza sem tamanho e sem fim, que tem o rosto de quem nos
deixou. Ela vem de a) a forma nominal dessas palavras se restringe à flexão no fora, nos é imposta pelas circunstâncias, mas torna-se parte de
nós. feminino Um luto encarnado. Um milhão de carnavais seriam incapaz de b) essas palavras concordam em gênero com palavras a que se
iluminar a escuridão dessa noite se não houvesse, dentro de nós, referem. alguma fonte própria de alegria. Nem estaríamos na rua, se não
fosse c) os interlocutores imediatos do texto são do sexo feminino. por ela. Nem nos animaríamos a ver de perto a multidão. Ficaríamos
d) tais palavras concordam com o sexo da escritora do texto. em casa, esmagados por nossa tristeza, remoendo os detalhes do que 04.
(IF/RJ – Administrador – BIO-RIO/2015) não mais existe. Ao longe, ouviríamos a batucada, e ela nos pareceria remota e alheia.
Saltando as muralhas da Europa Nossa alegria existe, entretanto. Por isso somos capazes de cantar e dançar quando o
destino nos atinge.
De um lado está a Europa da abundância econômica e da Nossa alegria se manifesta como força e teimosia: ela nos põe de estabilidade
política. De outro, além do Mediterrâneo, uma extensa pé quando nem sairíamos da cama. Ela se expõe como esperança: faixa assolada pela
pobreza e por violentos conflitos. O precário acreditamos que o mundo nos trará algo melhor esta manhã; quem equilíbrio rompeu-se de uma
vez com o agravamento da guerra civil sabe esta noite; domingo, talvez. Ela nos torna sensível à beleza da na Síria. Da Síria, mas também do
Iraque e do Afeganistão, puseram- mulher estranha, ao sorriso feliz do amigo, à conversa simpática de
reprodução e perpetuação do discurso que o mantém acocorado b) existia um tênue equilíbrio nas tensões da região.
sobre este mundo, você pode até se estirar no chão para se fazer de c) haviam ocorrido rompimentos em países do local referido.
tapete de boas-vindas, mas nada disso irá adiantar, especialmente d) a guerra civil na Síria envolvia outros países vizinhos.
porque esse discurso só foi feito para destruir você. e) um conflito interno de um país pode afetar nações próximas.

E aí é que a aceitação se revela como uma armadilha. Tudo o que 05. (EBSERH – Advogado - Instituto AOCP/2015)
você faz para ser aceita por aquilo que es- maga as outras sem dó só
serve para deixar você mais perto da boca cheia de dentes que ainda [...] a alegria
vai te mastigar e te cuspir para fora. Pode demorar, mas vai. Porque Seu sintoma mais bonito é nos jogar para fora,
só tem uma coisa que esse dragão realmente aceita: dominar e de encontro ao mundo e a nós mesmos
oprimir.
IVAN
MARTINS
Então, se ele sorrir para você, não se engane: ele não está te
A alegria vem de dentro ou de fora de nós?
aceitando. Está apenas mostrando os dentes que vai usar para fazer
A pergunta me ocorre no meio de um bloco de carnaval, enquanto
você em pedaços depois.
berro os versos imortais de Roberto Carlos, cantados em ritmo de
VALEK,
samba: “Eu quero que você me aqueça neste inverno, e que tudo mais
Aline. Disponível em: <
vá pro inferno”.
http://www.cartacapital.com.br/blogs/escrito- rio-feminista/a-
Estou contente, claro. Ao meu redor há um grupo de amigos e uma
se em marcha os refugiados. Atrás deles, ou junto com eles, marcham
multidão ruidosa e colorida. Ainda assim, a resposta sobre a alegria
os migrantes econômicos da África e da Ásia. No maior fluxo
me ilude. Meu coração sorri em resposta a essa festa ou acha nela
migratório desde a Segunda Guerra Mundial, os desesperados e os
apenas um eco do seu próprio e inesperado contentamento? um
deserdados saltam as muralhas da União Europeia.
vizinho, aos problemas do colega de trabalho. Nossa alegria cria
Muralhas? Em tempos normais, os portais da União Europeia interesse pelo mundo e nos faz perceber que ele também se interessa
estão abertos para os refugiados, mas fechados para os imigrantes. por nós.
Não vivemos tempos normais. Os países da Europa Centro-Oriental,
Por mínima que seja, essa fonte de luz e energia é suficiente para
Hungria à frente, fazem eco à xenofobia da extrema-direita,
dar a largada e começar do zero. Um dia depois do outro. Todos os
levantando as pontes diante dos refugiados. Vergonhosamente, a Grã-
dias em que seja necessário.
Bretanha segue tal exemplo, ainda que com menos impudor.
Quando se está por baixo, muito caído, não é fácil achar o
A Alemanha, seguida hesitantemente pela França, insiste num
interruptor da nossa alegria. A gente tem a sensação de que alegria se
outro rumo, baseado na lógica demográfica e nos princípios
extinguiu e com ela o nosso desejo de transar e de viver, que
humanitários. Angela Merkel explica a seus parceiros que a Europa
costumam ser a mesma coisa. Mas a alegria está lá - feita de boas
memórias, do amor que nos deram, do carinho que a gente deu aos
outros. Existe como presença abstrata, mas calorosa, que nos dirige Tipos Textuais
aos outros, que nos faz olhar para fora. É isso a alegria: algo de dentro
que nos leva ao mundo e nos permite o gozo e a reconhecimento de Para escrever um texto, necessitamos de técnicas que implicam
nós mesmos, no rosto do outro. Empatia e simpatia. Amor. no domínio de capacidades linguísticas. Temos dois momentos: o de
Se a alegria vem de dentro ou de fora? De dentro, claro. Mas seu formular pensamentos (o que se quer dizer) e o de expressá-los por
sintoma mais bonito é nos jogar para fora, de encontro à música e à escrito (o escrever propriamente dito). Fazer um texto, seja ele de
dança do mundo, ao encontro de nós mesmos. que tipo for, não significa apenas escrever de forma correta, mas sim,
organizar ideias sobre determinado assunto.
Adaptado de http://epoca.globo.com/colunas-e- E para expressarmos por escrito, existem alguns modelos de
blogs/ivanmartins/noticia/2015/02/dentro-de-nos- expressão escrita: Descrição – Narração – Dissertação.
balegriab.html
Descrição
Em relação ao texto, é correto afirmar que:
a) somente por meio de inferência é possível concluir Expõe características dos seres ou das coisas, apresenta uma
que o visão;
questionamento inicial do texto é respondido. É um tipo de texto figurativo;
b) não há elementos linguísticos no texto que Retrato de pessoas, ambientes, objetos;
comprovem a
Predomínio de atributos;
resposta ao questionamento inicial que o autor faz.
Uso de verbos de ligação;
c) o questionamento inicial não é respondido no
decorrer do Frequente emprego de metáforas, comparações e outras figuras
texto, propositalmente, ficando como uma reflexão para o leitor. de linguagem;
d) no texto o autor responde explicitamente seu Tem como resultado a imagem física ou psicológica.
questionamento inicial.
e) não é possível, durante a leitura, definir se o
questionamento inicial do texto é respondido. Narração

Expõe um fato, relaciona mudanças de situação, aponta antes,


Respostas durante e depois dos acontecimentos (geralmente);
É um tipo de texto sequencial;
01. Resposta A Relato de fatos;
Questão parece difícil pois a redação não é muito boa. Perguntando Presença de narrador, personagens, enredo, cenário, tempo;
da seguinte forma fica mais fácil de entender: "É possível fazer uma
Apresentação de um conflito;
conclusão ou uma dedução do texto a partir de”...viu, ficou mais fácil
achar a resposta. Uso de verbos de ação;
Torna-se óbvio que só podemos deduzir um texto quando lemos o Geralmente, é mesclada de descrições;
máximo de seu argumento. O diálogo direto é frequente.

02. Resposta C
Inferir significa adivinhar, levantar hipóteses sobre determinado Dissertação
assunto. É isso que o aluno fará com o texto.
Expõe um tema, explica, avalia, classifica, analisa;
03. Resposta C É um tipo de texto argumentativo.
Interlocutor, significa cada uma das pessoas que participam de Defesa de um argumento:
uma conversa, de um diálogo. E estas palavras estão no feminino. Apresentação de uma tese que será defendida,
Desenvolvimento ou argumentação,
04. Resposta D
Fechamento;
GUERRA CIVIL subentende CONFLITOS INTERNOS, logo,
podese inferir que "a guerra civil na Síria NÃO envolvia outros Predomínio da linguagem objetiva;
países vizinhos". A alternativa "D" não apresenta este entendimento. Prevalece a denotação.
A inferência inadequada é dizer que "a guerra civil na Síria
envolvia outros países vizinhos".
Carta
05. Resposta D
Se a alegria vem de dentro ou de fora? De dentro, claro. Esse é um tipo de texto que se caracteriza por envolver um
remetente e um destinatário;
É normalmente escrita em primeira pessoa, e sempre visa um
tipo de leitor;

2. Tipologia e gênero textuais


É necessário que se utilize uma linguagem adequada com o tipo
de destinatário e que durante a carta não se perca a visão
daquele para quem o texto está sendo escrito.
o texto do fim para o começo: O mestre era mais severo com ele do
Descrição que conosco.
Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes...
É a representação com palavras de um objeto, lugar, situação ou
coisa, onde procuramos mostrar os traços mais particulares ou Evidentemente, quando se diz que a ordem dos enunciados pode
individuais do que se descreve. É qualquer elemento que seja ser invertida, está-se pensando apenas na ordem cronológica, pois,
apreendido pelos sentidos e transformado, com palavras, em como veremos adiante, a ordem em que os elementos são descritos
imagens. produz determinados efeitos de sentido.
Sempre que se expõe com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma Quando alteramos a ordem dos enunciados, precisamos fazer
paisagem a alguém, está fazendo uso da descrição. Não é necessário certas modificações no texto, pois este contém anafóricos (palavras
que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do observador varia que retomam o que foi dito antes, como ele, os, aquele, etc. ou
de acordo com seu grau de percepção. Dessa forma, o que será catafóricos (palavras que anunciam o que vai ser dito, como este,
importante ser analisado para um, não será para outro. etc.), que podem perder sua função e assim não ser compreendidos.
A vivência de quem descreve também influencia na hora de Se tomarmos uma descrição como As flores manifestavam todo o
transmitir a impressão alcançada sobre determinado objeto, pessoa, seu esplendor. O Sol fazia-as brilhar, ao invertermos a ordem das
animal, cena, ambiente, emoção vivida ou sentimento. frases, precisamos fazer algumas alterações, para que o texto possa
ser compreendido: O Sol fazia as flores brilhar. Elas manifestavam
Exemplos: todo o seu esplendor. Como, na versão original, o pronome oblíquo
as é um anafórico que retoma flores, se alterarmos a ordem das
(I) “De longe via a aleia onde a tarde era clara e redonda. Mas a frases ele perderá o sentido. Por isso, precisamos mudar a palavra
penumbra dos ramos cobria o atalho. flores para a primeira frase e retomá-la com o anafórico elas na
Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, pequenas segunda.
surpresas entre os cipós. Todo o jardim triturado pelos instantes já Por todas essas características, diz-se que o fragmento do conto
mais apressados da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo qual de Machado é descritivo. Descrição é o tipo de texto em que se
estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo era expõem características de seres concretos (pessoas, objetos,
estranho, suave demais, grande demais.” situações, etc.) consideradas fora da relação de anterioridade e de
posterioridade.
(extraído de “Amor”, Laços de Família, Clarice Lispector)
Características:
(II) Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado,
inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que - Ao fazer a descrição enumeramos características,
a outros levava apenas trinta ou cinquenta minutos; vencia com o comparações e inúmeros elementos sensoriais;
tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso grande - As personagens podem ser caracterizadas
medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente física e
estava alegre. Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes. O psicologicamente, ou pelas ações;
mestre era mais severo com ele do que conosco. - A descrição pode ser considerada um dos elementos
constitutivos da dissertação e da argumentação;
(Machado de Assis. "Conto de escola". Contos. 3ed. São Paulo, - é impossível separar narração de descrição;
Ática, 1974, págs. 31-32.) - O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, mas sim a
capacidade de observação que deve revelar aquele que a realiza;
Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do professor da - Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exemplo:
escola que o escritor frequentava. “(...) Ângela tinha cerca de vinte anos; parecia mais velha pelo
Deve-se notar: desenvolvimento das proporções. Grande, carnuda, sanguínea e
fogosa, era um desses exemplares excessivos do sexo que parecem
- que todas as frases expõem ocorrências simultâneas (ao conformados expressamente para esposas da multidão (...)” (Raul
mesmo tempo que gastava duas horas para reter aquilo que os outros Pompéia – O Ateneu);
levavam trinta ou cinquenta minutos, Raimundo tinha grande medo - Como na descrição o que se reproduz é simultâneo, não
ao pai); existe relação de anterioridade e posterioridade entre seus
- por isso, não existe uma ocorrência que possa ser enunciados;
considerada cronologicamente anterior a outra do ponto de vista do - Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, que se
relato (no nível dos acontecimentos, entrar na escola é usem então as formas nominais, o presente e o pretério imperfeito do
cronologicamente anterior a retirar-se dela; no nível do relato, indicativo, dando-se sempre preferência aos verbos que indiquem
porém, a ordem dessas duas ocorrências é indiferente: o que o estado ou fenômeno.
escritor quer é explicitar uma característica do menino, e não traçar - Todavia deve predominar o emprego das comparações, dos
a cronologia de suas ações); adjetivos e dos advérbios, que conferem colorido ao texto.
- ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-se), todas
elas estão no pretérito imperfeito, que indica concomitância em A característica fundamental de um texto descritivo é essa
relação a um marco temporal instalado no texto (no caso, o ano de inexistência de progressão temporal. Pode-se apresentar, numa
1840, em que o escritor frequentava a escola da Rua da Costa) e, descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que eles sejam
portanto, não denota nenhuma transformação de estado; sempre simultâneos, não indicando progressão de uma situação
- se invertêssemos a sequência dos enunciados, não anterior para outra posterior. Tanto é que uma das marcas
correríamos o risco de alterar nenhuma relação cronológica - linguísticas da descrição é o predomínio de verbos no presente ou no
poderíamos mesmo colocar o últímo período em primeiro lugar e ler pretérito imperfeito do indicativo: o primeiro expressa
concomitância em relação ao momento da fala; o segundo, em relação - A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez do texto.
a um marco temporal pretérito instalado no texto. Ex: Vida simples. Roupa simples. Tudo simples. O pessoal, muito
Para transformar uma descrição numa narração, bastaria crente.
introduzir um enunciado que indicasse a passagem de um estado
anterior para um posterior. No caso do texto II inicial, para A descrição pode ser apresentada sob duas formas:
transformá-lo em narração, bastaria dizer: Reunia a isso grande medo
do pai. Mais tarde, Iibertou-se desse medo... Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a passagem
Características Linguísticas: são apresentadas como realmente são, concretamente. Ex: "Sua
altura é 1,85m. Seu peso, 70 kg. Aparência atlética, ombros largos, pele
O enunciado narrativo, por ter a representação de um bronzeada. Moreno, olhos negros, cabelos negros e lisos".
acontecimento, fazer-transformador, é marcado pela temporalidade, Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento. Exemplo: “ A
na relação situação inicial e situação final, enquanto que o enunciado casa velha era enorme, toda em largura, com porta central que se
descritivo, não tendo transformação, é atemporal. alcançava por três degraus de pedra e quatro janelas de guilhotina
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintáticosemânticas para cada lado. Era feita de pau-a-pique barreado, dentro de uma
encontradas no texto que vão facilitar a compreensão: estrutura de cantos e apoios de madeira-de-lei. Telhado de quatro
- Predominância de verbos de estado, situação ou indicadores águas. Pintada de roxo-claro. Devia ser mais velha que Juiz de Fora,
de propriedades, atitudes, qualidades, usados principalmente no provavelmente sede de alguma fazenda que tivesse ficado, capricho
presente e no imperfeito do indicativo (ser, estar, haver, situar-se, da sorte, na linha de passagem da variante do Caminho Novo que veio
existir, ficar). a ser a Rua Principal, depois a Rua Direita – sobre a qual ela se punha
- Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que é um pouco de esguelha e fugindo ligeiramente do alinhamento
descrito; Exemplo: (...).” (Pedro Nava – Baú de Ossos)

"Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado Descrição Subjetiva: quando há maior participação da emoção,
num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando até ou seja, quando o objeto, o ser, a cena, a paisagem são transfigurados
à calva, vasta e polida, um pouco amolgado no alto; tingia os cabelos pela emoção de quem escreve, podendo opinar ou expressar seus
que de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele sentimentos. Ex: "Nas ocasiões de aparato é que se podia tomar pulso
preto lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não ao homem. Não só as condecorações gritavam-lhe no peito como uma
tingia o bigode; tinha-o grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era couraça de grilos. Ateneu! Ateneu! Aristarco todo era um anúncio; os
muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no gestos, calmos, soberanos, calmos, eram de um rei..." ("O Ateneu", Raul
queixo, e as orelhas grandes muito despegadas do crânio." Pompéia)
(Eça de Queiroz - O Primo Basílio) “(...) Quando conheceu Joca Ramiro, então achou outra esperança
maior: para ele, Joca Ramiro era único homem, par-de-frança, capaz
- Emprego de figuras (metáforas, metonímias, comparações, de tomar conta deste sertão nosso, mandando por lei, de
sinestesias). Exemplo: sobregoverno.”
(Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas)
"Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito gordo,
mas rolho e bojudo como um vaso chinês. Apesar de seu corpo Os efeitos de sentido criados pela disposição dos elementos
rechonchudo, tinha certa vivacidade buliçosa e saltitante que lhe descritivos:
dava petulância de rapaz e casava perfeitamente com os olhinhos de
azougue." Como se disse anteriormente, do ponto de vista da progressão
(José de Alencar - Senhora) temporal, a ordem dos enunciados na descrição é indiferente, uma
vez que eles indicam propriedades ou características que ocorrem
- Uso de advérbios de localização espacial. Exemplo: simultaneamente. No entanto, ela não é indiferente do ponto de vista
dos efeitos de sentido: descrever de cima para baixo ou vice-versa, do
"Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa detalhe para o todo ou do todo para o detalhe cria efeitos de sentido
era assim: na frente, uma grade de ferro; depois você entrava tinha distintos.
um jardinzinho; no final tinha uma escadinha que devia ter uns cinco Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio", de Bocage:
degraus; aí você entrava na sala da frente; dali tinha um corredor
comprido de onde saíam três portas; no final do corredor tinha a Magro, de olhos azuis, carão moreno,
cozinha, depois tinha uma escadinha que ia dar no quintal e atrás bem servido de pés, meão de altura,
ainda tinha um galpão, que era o lugar da bagunça..." triste de facha, o mesmo de figura,
(Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ) nariz alto no meio, e não pequeno.

Recursos: Incapaz de assistir num só terreno, mais


propenso ao furor do que à ternura;
bebendo em níveas mãos por taça escura
- Usar impressões cromáticas (cores) e sensações térmicas.
de zelos infernais letal veneno.
Ex: O dia transcorria amarelo, frio, ausente do calor alegre do sol.
- Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exatas,
Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão,
concretas. Ex: As criaturas humanas transpareciam um céu sereno,
uma pureza de cristal.
1968, pág. 497.
- As sensações de movimento e cor embelezam o poder da
natureza e a figura do homem. Ex: Era um verde transparente que
deslumbrava e enlouquecia qualquer um.
O poeta descreve-se das características físicas para as - Conclusão: comentários de caráter geral, concluindo acerca
características morais. Se fizesse o inverso, o sentido não seria o da impressão que a paisagem causa em quem a contempla.
mesmo, pois as características físicas perderiam qualquer relevo.
O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a visualizar uma Descrição de pessoas (I):
cena. É como traçar com palavras o retrato de um objeto, lugar,
pessoa etc., apontando suas características exteriores, facilmente - Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer
identificáveis (descrição objetiva), ou suas características aspecto de caráter geral.
psicológicas e até emocionais (descrição subjetiva). - Desenvolvimento: características físicas (altura, peso, cor da
Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de adjetivos, pele, idade, cabelos, olhos, nariz, boca, voz, roupas).
também denominado adjetivação. Para facilitar o aprendizado desta - Desenvolvimento: características psicológicas
técnica, sugere-se que o concursando, após escrever seu texto, (personalidade, temperamento, caráter, preferências, inclinações,
sublinhe todos os substantivos, acrescentando antes ou depois deste postura, objetivos).
um adjetivo ou uma locução adjetiva. - Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter
geral.

Descrição de objetos constituídos de uma só parte: Descrição de pessoas (II):

- Introdução: observações de caráter geral referentes à - Introdução: primeira impressão ou abordagem de qualquer
procedência ou localização do objeto descrito. aspecto de caráter geral.
- Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (comparação - Desenvolvimento: análise das características físicas,
com figuras geométricas e com objetos semelhantes); dimensões associadas às características psicológicas (1ª parte).
(largura, comprimento, altura, diâmetro etc.) - Desenvolvimento: análise das características físicas,
- Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso, associadas às características psicológicas (2ª parte).
cor/brilho, textura. - Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua geral.
utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o objeto como
um todo.
A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. É uma
estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais predominam.
Descrição de objetos constituídos por várias partes: Porque toda técnica descritiva implica contemplação e apreensão de
algo objetivo ou subjetivo, o redator, ao descrever, precisa possuir
- Introdução: observações de caráter geral referentes à certo grau de sensibilidade. Assim como o pintor capta o mundo
procedência ou localização do objeto descrito. exterior ou interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza
- Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentários das cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade.
partes que compõem o objeto, associados à explicação de como as
partes se agrupam para formar o todo. Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser nãoliterária
- Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um todo ou literária. Na descrição não-literária, há maior preocupação com a
(externamente) - formato, dimensões, material, peso, textura, cor e exatidão dos detalhes e a precisão vocabular. Por ser objetiva, há
brilho. predominância da denotação.
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua
utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o objeto em sua Textos descritivos não-literários: A descrição técnica é um tipo
totalidade. de descrição objetiva: ela recria o objeto usando uma linguagem
científica, precisa. Esse tipo de texto é usado para descrever
Descrição de ambientes: aparelhos, o seu funcionamento, as peças que os compõem, para
descrever experiências, processos, etc.
- Introdução: comentário de caráter geral. Exemplo:
- Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura global do Folheto de propaganda de carro
ambiente: paredes, janelas, portas, chão, teto, luminosidade e aroma Conforto interno - É impossível falar de conforto sem incluir o
(se houver). espaço interno. Os seus interiores são amplos, acomodando
- Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a objetos tranquilamente passageiros e bagagens. O Passat e o Passat Variant
lá existentes: móveis, eletrodomésticos, quadros, esculturas ou possuem direção hidráulica e ar condicionado de elevada capacidade,
quaisquer outros objetos. proporcionando a climatização perfeita do ambiente.
- Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira no Porta-malas - O compartimento de bagagens possui capacidade de
ambiente. 465 litros, que pode ser ampliada para até 1500 litros, com o encosto
do banco traseiro rebaixado.
Descrição de paisagens: Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em plástico
reciclável e posicionado entre as rodas traseiras, para evitar a
- Introdução: comentário sobre sua localização ou qualquer deformação em caso de colisão.
outra referência de caráter geral.
- Desenvolvimento: observação do plano de fundo Textos descritivos literários: Na descrição literária predomina
(explicação do que se vê ao longe). o aspecto subjetivo, com ênfase no conjunto de associações
- Desenvolvimento: observação dos elementos mais próximos conotativas que podem ser exploradas a partir de descrições de
do observador - explicação detalhada dos elementos que compõem a pessoas; cenários, paisagens, espaço; ambientes; situações e coisas.
paisagem, de acordo com determinada ordem.
Vale lembrar que textos descritivos também podem ocorrer tanto em - Tempo: época em que se passa a ação. Cronológico: o
prosa como em verso. tempo convencional (horas, dias, meses); Psicológico: o tempo
interior, subjetivo.
Narração
Elementos Estruturais (II):
A Narração é um tipo de texto que relata uma história real, fictícia
ou mescla dados reais e imaginários. O texto narrativo apresenta Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista Acontecimento -
personagens que atuam em um tempo e em um espaço, organizados O quê? Fato
por uma narração feita por um narrador. É uma série de fatos Tempo - Quando? Época em que ocorreu o fato
situados em um espaço e no tempo, tendo mudança de um estado Espaço - Onde? Lugar onde ocorreu o fato
para outro, segundo relações de sequencialidade e causalidade, e não Modo - Como? De que forma ocorreu o fato Causa
simultâneos como na descrição. Expressa as relações entre os - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato
indivíduos, os conflitos e as ligações afetivas entre esses indivíduos e Resultado - previsível ou imprevisível.
o mundo, utilizando situações que contêm essa vivência. Final - Fechado ou Aberto.
Todas as vezes que uma história é contada (é narrada), o narrador
acaba sempre contando onde, quando, como e com quem ocorreu o Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se de tal
episódio. É por isso que numa narração predomina a ação: o texto forma, que não é possível compreendê-los isoladamente, como
narrativo é um conjunto de ações; assim sendo, a maioria dos verbos simples exemplos de uma narração. Há uma relação de implicação
que compõem esse tipo de texto são os verbos de ação. O conjunto de mútua entre eles, para garantir coerência e verossimilhança à história
ações que compõem o texto narrativo, ou seja, a história que é narrada.
contada nesse tipo de texto recebe o nome de enredo. Quanto aos elementos da narrativa, esses não estão,
As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas obrigatoriamente sempre presentes no discurso, exceto as
personagens, que são justamente as pessoas envolvidas no episódio personagens ou o fato a ser narrado.
que está sendo contado. As personagens são identificadas
(nomeadas) no texto narrativo pelos substantivos próprios. Exemplo:
Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo sem
querer) ele acaba contando "onde" (em que lugar) as ações do enredo Porquinho-da-índia
foram realizadas pelas personagens. O lugar onde ocorre uma ação
ou ações é chamado de espaço, representado no texto pelos Quando eu tinha seis anos Ganhei
advérbios de lugar. um porquinho-da-índía.
Além de contar onde, o narrador também pode esclarecer Que dor de coração me dava
"quando" ocorreram as ações da história. Esse elemento da narrativa
Porque o bichinho só queria estar debaixo do
é o tempo, representado no texto narrativo através dos tempos
fogão!
verbais, mas principalmente pelos advérbios de tempo. É o tempo
Levava ele pra sala
que ordena as ações no texto narrativo: é ele que indica ao leitor
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos Ele
"como" o fato narrado aconteceu.
não gostava:
A história contada, por isso, passa por uma introdução (parte
Queria era estar debaixo do fogão.
inicial da história, também chamada de prólogo), pelo
desenvolvimento do enredo (é a história propriamente dita, o meio, Não fazia caso nenhum das minhas
o "miolo" da narrativa, também chamada de trama) e termina com a ternurinhas...
conclusão da história (é o final ou epílogo). Aquele que conta a - O meu porquinho-da-índia foi a minha
história é o narrador, que pode ser pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu) primeira namorada.
ou impessoal (narra em 3ª pessoa: Ele).
Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos de ação, Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira. 4ª ed. Rio de Janeiro,
por advérbios de tempo, por advérbios de lugar e pelos substantivos José Olympio, 1973, pág. 110.
que nomeiam as personagens, que são os agentes do texto, ou seja,
aquelas pessoas que fazem as ações expressas pelos verbos, Observe que, no texto acima, há um conjunto de transformações
formando uma rede: a própria história contada. de situação: ganhar um porquinho-da-índia é passar da situação de
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta a não ter o animalzinho para a de tê-lo; levá-lo para a sala ou para
história. outros lugares é passar da situação de ele estar debaixo do fogão para
a de estar em outros lugares; ele não gostava: “queria era estar
debaixo do fogão” implica a volta à situação anterior; “não fazia caso
Elementos Estruturais (I):
nenhum das minhas ternurinhas” dá a entender que o menino passava
de uma situação de não ser terno com o animalzinho para uma
- Enredo: desenrolar dos acontecimentos. situação de ser; no último verso tem-se a passagem da situação de
- Personagens: são seres que se movimentam, se relacionam não ter namorada para a de ter.
e dão lugar à trama que se estabelece na ação. Revelam-se por
Verifica-se, pois, que nesse texto há um grande conjunto de
meio de características físicas ou psicológicas. Os personagens
mudanças de situação. É isso que define o que se chama o
podem ser lineares (previsíveis), complexos, tipos sociais componente narrativo do texto, ou seja, narrativa é uma mudança de
(trabalhador, estudante, burguês etc.) ou tipos humanos (o estado pela ação de alguma personagem, é uma transformação de
medroso, o tímido, o avarento etc.), heróis ou anti-heróis,
situação. Mesmo que essa personagem não apareça no texto, ela está
protagonistas ou antagonistas.
logicamente implícita. Assim, por exemplo, se o menino ganhou um
- Narrador: é quem conta a história. porquinho-da-índia, é porque alguém lhe deu o animalzinho.
- Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico. Assim, há basicamente, dois tipos de mudança: aquele em que
alguém recebe alguma coisa (o menino passou a ter o porquinho-da
índia) e aquele alguém perde alguma coisa (o porquinho perdia, a Esse gaúcho desamotinado levou a existência inteira a cruzar os
cada vez que o menino o levava para outro lugar, o espaço confortável campos da fronteira; à luz do Sol, no desmaiado da Lua, na escuridão
de debaixo do fogão). Assim, temos dois tipos de narrativas: de das noites, na cerração das madrugadas...; ainda que chovesse
aquisição e de privação. reiúnos acolherados ou que ventasse como por alma de padre, nunca
errou vau, nunca perdeu atalho, nunca desandou cruzada! ...
Existem três tipos de foco narrativo: (...)
Aqui há poucos – coitado! – pousei no arranchamento dele.
- Narrador-personagem: é aquele que conta a história na Casado ou doutro jeito, afamilhado. Não nos víamos desde muito
qual é participante. Nesse caso ele é narrador e personagem ao tempo. (...)
mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa. Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na matança
- Narrador-observador: é aquele que conta a história como dos leitões e no tiramento dos assados com couro.”
alguém que observa tudo que acontece e transmite ao leitor, a (J. Simões Lopes Neto – Contrabandista)
história é contada em 3ª pessoa.
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo e as - Em 3ª pessoa:
personagens, revelando seus pensamentos e sentimentos íntimos.
Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, aparece misturada com Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira pessoa.
pensamentos dos personagens (discurso indireto livre). Exemplo:

Estrutura: “Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fantasiaram de


borboleta. Por isso não pôde defender-se. E saiu à rua com ar menos
- Apresentação: é a parte do texto em que são apresentados carnavalesco deste mundo, morrendo de vergonha da malha de
alguns personagens e expostas algumas circunstâncias da história, cetim, das asas e das antenas e, mais ainda, da cara à mostra, sem
como o momento e o lugar onde a ação se desenvolverá. máscara piedosa para disfarçar o sentimento impreciso de ridículo.”
- Complicação: é a parte do texto em que se inicia (Ilka Laurito. Sal do Lírico)
propriamente a ação. Encadeados, os episódios se sucedem,
conduzindo ao clímax. Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história como sendo
- Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu vista por uma câmara ou filmadora. Exemplo:
momento crítico, tornando o desfecho inevitável.
- Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações dos Festa
personagens.
Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental olha o crioulão
Tipos de Personagens: de roupa limpa e remendada, acompanhado de dois meninos de tênis
branco, um mais velho e outro mais novo, mas ambos com menos de
Os personagens têm muita importância na construção de um texto dez anos.
narrativo, são elementos vitais. Podem ser principais ou Os três atravessam o salão, cuidadosamente, mas resolutamente,
secundários, conforme o papel que desempenham no enredo, e se dirigem para o cômodo dos fundos, onde há seis mesas desertas.
podem ser apresentados direta ou indiretamente. O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O homem
A apresentação direta acontece quando o personagem aparece de pergunta em quanto fica uma cerveja, dois guaranás e dois pãezinhos.
forma clara no texto, retratando suas características físicas e/ou __ Duzentos e vinte.
psicológicas, já a apresentação indireta se dá quando os personagens O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido.
aparecem aos poucos e o leitor vai construindo a sua imagem com o __Que tal o pão com molho? – sugere o rapaz.
desenrolar do enredo, ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai __ Como?
fazendo e do modo como vai fazendo. __ Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito mais gostoso.
O homem olha para os meninos.
- Em 1ª pessoa: __ O preço é o mesmo – informa o rapaz.
__ Está certo.
Personagem Principal: há um “eu” participante que conta a Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra, como se
história e é o protagonista. Exemplo: o estivessem fazendo pela primeira vez na vida.
O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e, em seguida,
“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o num pratinho, os dois pães com meia almôndega cada um. O homem
coração parecendo querer sair-me pela boca fora. Não me atrevia a e (mais do que ele) os meninos olham para dentro dos pães, enquanto
descer à chácara, e passar ao quintal vizinho. Comecei a andar de um o rapaz cúmplice se retira.
lado para outro, estacando para amparar-me, e andava outra vez e
Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene o copo de
estacava.”
cerveja até a boca, depois cada um prova o seu guaraná e morde o
(Machado de Assis. Dom Casmurro) primeiro bocado do pão.
O homem toma a cerveja em pequenos goles, observando
Observador: é como se dissesse: É verdade, pode acreditar, eu criteriosamente o menino mais velho e o menino mais novo
estava lá e vi. Exemplo: absorvidos com o sanduíche e a bebida.
Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois meninos. E
“Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre teso do Jango permanecem para sempre, humanos e indestrutíveis, sentados
Jorge, um que foi capitão duma maloca de contrabandista que fez naquela mesa.
cancha nos banhados do Brocai. (Wander Piroli)
Tipos de Discurso: Discurso Indireto-Livre: ocorre uma fusão entre a fala do
personagem e a fala do narrador. É um recurso relativamente recente.
Discurso Direto: o narrador passa a palavra diretamente para o Surgiu com romancistas inovadores do século XX. Exemplo:
personagem, sem a sua interferência. Exemplo:
A Morte da Porta-Estandarte
Caso de Desquite
Que ninguém o incomode agora. Larguem os seus braços. Rosinha
__ Vexame de incomodar o doutor (a mão trêmula na boca). Veja, está dormindo. Não acordem Rosinha. Não é preciso segurálo, que ele
doutor, este velho caducando. Bisavô, um neto casado. Agora com não está bêbado... O céu baixou, se abriu... Esse temporal assim é bom,
mania de mulher. Todo velho é sem-vergonha. porque Rosinha não sai. Tenham paciência... Largar Rosinha ali, ele
__ Dobre a língua, mulher. O hominho é muito bom. Só não me pise, não larga não... Não! E esses tambores? Ui! Que venham... É guerra...
fico uma jararaca. ele vai se espalhar... Por que não está malhando em sua cabeça? ... (...)
__ Se quer sair de casa, doutor, pague uma pensão. Ele vai tirar Rosinha da cama... Ele está dormindo, Rosinha... Fugir
__ Essa aí tem filho emancipado. Criei um por um, está bom? Ela com ela, para o fundo do País... Abraçá-la no alto de uma colina...
não contribuiu com nada, doutor. Só deu de mamar no primeiro mês. (Aníbal Machado)
__Você desempregado, quem é que fazia roça?
__ Isso naquele tempo. O hominho aqui se espalhava. Fui jogado Sequência Narrativa:
na estrada, doutor. Desde onze anos estou no mundo sem ninguém
por mim. O céu lá em cima, noite e dia o hominho aqui na carroça. Uma narrativa não tem uma única mudança, mas várias: uma
Sempre o mais sacrificado, está bom? coordena-se a outra, uma implica a outra, uma subordina-se a outra.
__ Se ficar doente, Severino, quem é que o atende? A narrativa típica tem quatro mudanças de situação:
__ O doutor já viu urubu comer defunto? Ninguém morre só. - uma em que uma personagem passa a ter um querer ou um
Sempre tem um cristão que enterra o pobre. dever (um desejo ou uma necessidade de fazer algo);
__ Na sua idade, sem os cuidados de uma mulher... - uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma
__ Eu arranjo. competência para fazer algo);
__ Só a troco de dinheiro elas querem você. Agora tem dois cavalos. - uma em que a personagem executa aquilo que queria ou
A carroça e os dois cavalos, o que há de melhor. Vai me deixar sem devia fazer (é a mudança principal da narrativa);
nada? - uma em que se constata que uma transformação se deu e em
__ Você tinha a mula e a potranca. A mula vendeu e a potranca, que se podem atribuir prêmios ou castigos às personagens
deixou morrer. Tenho culpa? Só quero paz, um prato de comida e (geralmente os prêmios são para os bons, e os castigos, para os
roupa lavada. maus).
__ Para onde foi a lavadeira?
__ Quem? Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se
__ A mulata. pressupõem logicamente. Com efeito, quando se constata a realização
(...) de uma mudança é porque ela se verificou, e ela efetua-se porque
quem a realiza pode, sabe, quer ou deve fazê-la. Tomemos, por
(Dalton Trevisan – A guerra Conjugal)
exemplo, o ato de comprar um apartamento: quando se assina a
escritura, realiza-se o ato de compra; para isso, é necessário poder
Discurso Indireto: o narrador conta o que o personagem diz, sem
(ter dinheiro) e querer ou dever comprar (respectivamente, querer
lhe passar diretamente a palavra. Exemplo:
deixar de pagar aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter sido
Frio despejado, por exemplo).
Algumas mudanças são necessárias para que outras se deem.
O menino tinha só dez anos. Assim, para apanhar uma fruta, é necessário apanhar um bambu ou
Quase meia hora andando. No começo pensou num bonde. Mas outro instrumento para derrubá-la. Para ter um carro, é preciso antes
lembrou-se do embrulhinho branco e bem feito que trazia, afastou a conseguir o dinheiro.
ideia como se estivesse fazendo uma coisa errada. (Nos bondes,
àquela hora da noite, poderiam roubá-lo, sem que percebesse; e
Narrativa e Narração
depois? ... Que é que diria a Paraná?)
Andando. Paraná mandara-lhe não ficar observando as vitrines,
Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narratividade é um
os prédios, as coisas. Como fazia nos dias comuns. Ia firme e
componente narrativo que pode existir em textos que não são
esforçando-se para não pensar em nada, nem olhar muito para nada.
narrações. A narrativa é a transformação de situações. Por exemplo,
__ Olho vivo – como dizia Paraná.
quando se diz “Depois da abolição, incentivou-se a imigração de
Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das ruas. Ele ia
europeus”, temos um texto dissertativo, que, no entanto, apresenta
pelas beiradas. Quando em quando, assomava um guarda nas
um componente narrativo, pois contém uma mudança de situação: do
esquinas. O seu coraçãozinho se apertava.
não incentivo ao incentivo da imigração européia.
Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma mulher.
Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de texto, o
Sempre ficam mulheres vagabundeando por ali, à noite. Pelo jardim,
que é narração?
pelos escuros da Alameda Cleveland. Ela lhe deu, ele seguiu. Ignorava
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três características:
a exatidão de seus cálculos, mas provavelmente faltava mais ou
menos uma hora para chegar em casa. Os bondes passavam. - é um conjunto de transformações de situação (o texto de
Manuel Bandeira – “Porquinho-da-índia”, como vimos, preenche essa
(João Antônio – Malagueta, Perus e Bacanaço)
condição);
- é um texto figurativo, isto é, opera com personagens e fatos Considerarei longamente meu pequeno deserto, a redondeza
concretos (o texto "Porquinho-da-índia" preenche também esse escura e uniforme dos seixos. Seria o leito seco de algum rio. Não
requisito); havia, em todo o caso, como negar-lhe a insipidez."
- as mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal
que, entre elas, existe sempre uma relação de anterioridade e (Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann. Porto Alegre:
posterioridade (no texto "Porquinho-da-índia" o fato de ganhar o Movimento, 1981, p. 51)
animal é anterior ao de ele estar debaixo do fogão, que por sua vez é
anterior ao de o menino levá-lo para a sala, que por seu turno é Exemplo - Tempo
anterior ao de o porquinho-da-índia voltar ao fogão).
“Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-se: a mulher
Essa relação de anterioridade e posterioridade é sempre lhe pediu que a chamasse cedo."
pertinente num texto narrativo, mesmo que a sequência linear da
temporalidade apareça alterada. Assim, por exemplo, no romance (Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados. p.4)
machadiano Memórias póstumas de Brás Cubas, quando o narrador
começa contando sua morte para em seguida relatar sua vida, a Tipologia da Narrativa Ficcional:
sequência temporal foi modificada. No entanto, o leitor reconstitui, ao
longo da leitura, as relações de anterioridade e de posterioridade.
- Romance
Resumindo: na narração, as três características explicadas acima
- Conto
(transformação de situações, figuratividade e relações de
- Crônica
anterioridade e posterioridade entre os episódios relatados) devem
estar presentes conjuntamente. Um texto que tenha só uma ou duas - Fábula
dessas características não é uma narração. - Lenda
- Parábola
Esquema que pode facilitar a elaboração de seu texto narrativo: - Anedota
- Poema Épico
- Introdução: citar o fato, o tempo e o lugar, ou seja, o que
aconteceu, quando e onde. Tipologia da Narrativa Não-Ficcional:
- Desenvolvimento: causa do fato e apresentação dos
personagens. - Memorialismo
- Desenvolvimento: detalhes do fato. - Notícias
- Conclusão: consequências do fato. - Relatos
- História da Civilização
Caracterização Formal:
Apresentação da Narrativa:
Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O aspecto narrativo
apresenta, até certo ponto, alguma subjetividade, porquanto a criação - visual: texto escrito; legendas + desenhos (história em
e o colorido do contexto estão em função da individualidade e do quadrinhos) e desenhos.
estilo do narrador. Dependendo do enfoque do redator, a narração - auditiva: narrativas radiofonizadas; fitas gravadas e discos.
terá diversas abordagens. Assim é de grande importância saber se o - audiovisual: cinema; teatro e narrativas televisionadas.
relato é feito em primeira pessoa ou terceira pessoa. No primeiro
caso, há a participação do narrador; segundo, há uma inferência do Dissertação
último através da onipresença e onisciência.
Quanto à temporalidade, não há rigor na ordenação dos A dissertação é uma exposição, discussão ou interpretação de uma
acontecimentos: esses podem oscilar no tempo, transgredindo o determinada ideia. É, sobretudo, analisar algum tema. Pressupõe um
aspecto linear e constituindo o que se denomina “flashback”. O exame crítico do assunto, lógica, raciocínio, clareza, coerência,
narrador que usa essa técnica (característica comum no cinema objetividade na exposição, um planejamento de trabalho e uma
moderno) demonstra maior criatividade e originalidade, podendo habilidade de expressão.
observar as ações ziguezagueando no tempo e no espaço. É em função da capacidade crítica que se questionam pontos da
realidade social, histórica e psicológica do mundo e dos semelhantes.
Vemos também, que a dissertação no seu significado diz respeito a
Exemplo - Personagens um tipo de texto em que a exposição de uma ideia, através de
argumentos, é feita com a finalidade de desenvolver um conteúdo
"Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr. Amâncio científico, doutrinário ou artístico.
não viu a mulher chegar. Exemplo:
- Não quer que se carpa o quintal, moço?
Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face Há três métodos pelos quais pode um homem chegar a ser
escalavrada. Mas os olhos... (sempre guardam alguma coisa do primeiro-ministro. O primeiro é saber, com prudência, como servir-
passado, os olhos)." se de uma pessoa, de uma filha ou de uma irmã; o segundo, como trair
(Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre: Mercado ou solapar os predecessores; e o terceiro, como clamar, com zelo
Aberto, p. 5O) furioso, contra a corrupção da corte. Mas um príncipe discreto
prefere nomear os que se valem do último desses métodos, pois os
Exemplo - Espaço tais fanáticos sempre se revelam os mais obsequiosos e subservientes
à vontade e às paixões do amo. Tendo à sua disposição todos os
cargos, conservam-se no poder esses ministros subordinando a
maioria do senado, ou grande conselho, e, afinal, por via de um - Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona a um
expediente chamado anistia (cuja natureza lhe expliquei), garantem- fato presente. Ex: “A crise econômica que teve início no começo dos
se contra futuras prestações de contas e retiram-se da vida pública anos 80, com os conhecidos altos índices de inflação que a década
carregados com os despojos da nação. colecionou, agravou vários dos históricos problemas sociais do país.
Entre eles, a violência, principalmente a urbana, cuja escalada tem
Jonathan Swift. Viagens de Gulliver. São sido facilmente identificada pela população brasileira.” -
Paulo, Abril Cultural, 1979, p. 234-235. Proposição: o autor explicita seus objetivos.
- Convite: proposta ao leitor para que participe de alguma
Esse texto explica os três métodos pelos quais um homem chega coisa apresentada no texto. Ex: Você quer estar “na sua”? Quer se
a ser primeiro-ministro, aconselha o príncipe discreto a escolhê-lo sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não entre pelo cano! Faça
entre os que clamam contra a corrupção na corte e justifica esse parte desse time de vencedores desde a escolha desse momento!
conselho. - Contestação: contestar uma ideia ou uma situação. Ex: “É
Observe-se que: importante que o cidadão saiba que portar arma de fogo não é a
- o texto é temático, pois analisa e interpreta a realidade com solução no combate à insegurança.”
conceitos abstratos e genéricos (não se fala de um homem particular - Características: caracterização de espaços ou aspectos.
e do que faz para chegar a ser primeiro-ministro, mas do homem em - Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex: “Em
geral e de todos os métodos para atingir o poder); 1982, eram 15,8 milhões os domicílios brasileiros com televisores.
- existe mudança de situação no texto (por exemplo, a Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque de aparelhos receptores
mudança de atitude dos que clamam contra a corrupção da corte no instalados do mundo). Ao todo, existem no país 257 emissoras
momento em que se tornam primeiros-ministros); (aquelas capazes de gerar programas) e 2.624 repetidoras (que
- a progressão temporal dos enunciados não tem importância, apenas retransmitem sinais recebidos). (...)”
pois o que importa é a relação de implicação (clamar contra a - Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato.
corrupção da corte implica ser corrupto depois da nomeação para - Citação: opinião de alguém de destaque sobre o assunto do
primeiro-ministro). texto. Ex: “A principal característica do déspota encontra-se no fato
de ser ele o autor único e exclusivo das normas e das regras que
Características: definem a vida familiar, isto é, o espaço privado. Seu poder, escreve
Aristóteles, é arbitrário, pois decorre exclusivamente de sua vontade,
de seu prazer e de suas necessidades.”
- ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é
temático; - Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos que
compõem o texto.
- como o texto narrativo, ele mostra mudanças de situação;
- Interrogação: questionamento. Ex: “Volta e meia se faz a
- ao contrário do texto narrativo, nele as relações de
pergunta de praxe: afinal de contas, todo esse entusiasmo pelo
anterioridade e de posterioridade dos enunciados não têm maior futebol não é uma prova de alienação?”
importância - o que importa são suas relações lógicas: analogia, - Suspense: alguma informação que faça aumentar a
pertinência, causalidade, coexistência, correspondência, implicação, curiosidade do leitor.
etc.
- Comparação: social e geográfica.
- a estética e a gramática são comuns a todos os tipos de
- Enumeração: enumerar as informações. Ex: “Ação à
redação. Já a estrutura, o conteúdo e a estilística possuem
distância, velocidade, comunicação, linha de montagem, triunfo das
características próprias a cada tipo de texto.
massas, Holocausto: através das metáforas e das realidades que
marcaram esses 100 últimos anos, aparece a verdadeira doença do
Dissertação Expositiva e Argumentativa: século...” - Narração: narrar um fato.

A dissertação expositiva é voltada para aqueles fatos que estão Desenvolvimento: é a argumentação da ideia inicial, de forma
sendo focados e discutidos pela grande mídia. É um tipo de organizada e progressiva. É a parte maior e mais importante do texto.
acontecimento inquestionável, mesmo porque todos os detalhes já Podem ser desenvolvidos de várias formas:
foram expostos na televisão, rádio e novas mídias.
Já o texto dissertativo argumentativo vai fazer uma reflexão maior - Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova com
sobre os temas. Os pontos de vista devem ser declarados em terceira este tipo de abordagem.
pessoa, há interações entre os fatos que se aborda. Tais fatos
- Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar a ideia
precisam ser esclarecidos para que o leitor se sinta convencido por
principal ao máximo, esclarecendo o conceito ou a definição.
tal escrita. Quem escreve uma dissertação argumentativa deve saber
- Comparação: estabelecer analogias, confrontar situações
persuadir a partir de sua crítica de determinado assunto. A linguagem
distintas.
jamais poderá deixar de ser objetiva, com fatos reais, evidências e
- Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta pontos
concretudes.
favoráveis e desfavoráveis.
- Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato ou
São partes da dissertação: Introdução / Desenvolvimento /
descrever uma cena.
Conclusão.
- Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados estatísticos.
- Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para
Introdução: em que se apresenta o assunto; se apresenta a ideia
prováveis resultados.
principal, sem, no entanto, antecipar seu desenvolvimento. Tipos:
- Interrogação: Toda sucessão de interrogações deve
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem discutidos.
apresentar questionamento e reflexão.
Ex: “Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de
- Refutação: questiona-se praticamente tudo: conceitos,
dentro para fora, outra que olha de fora para dentro...”
valores, juízos.
- Causa e Consequência: estruturar o texto através dos C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro dado da
porquês de uma determinada situação. realidade.
- Oposição: abordar um assunto de forma dialética. D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade de quem
- Exemplificação: dar exemplos. propõe soluções.

Conclusão: é uma avaliação final do assunto, um fechamento E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição.
integrado de tudo que se argumentou. Para ela convergem todas as
ideias anteriormente desenvolvidas. 7º Parágrafo: Conclusão
F. Uma possível solução é apresentada.
- Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese. G. O texto conclui que desigualdade não se casa com
- Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um modernidade.
pensamento ou faz uma proposta, incentivando a reflexão de quem
lê. É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar sobre o
que não se conhece. A leitura de bons textos é um dos recursos que
Exemplo: permite uma segurança maior no momento de dissertar sobre algum
assunto. Debater e pesquisar são atitudes que favorecem o senso
Direito de Trabalho crítico, essencial no desenvolvimento de um texto dissertativo.

Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um novo modelo Ainda temos:
econômico: o capitalismo, que até o século XX agia por meio da
inclusão de trabalhadores e hoje passou a agir por meio da exclusão. Tema: compreende o assunto proposto para discussão, o assunto
(A) que vai ser abordado.
A tendência do mundo contemporâneo é tornar todo o trabalho Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo discutido.
automático, devido à evolução tecnológica e a necessidade de Argumentação: é um conjunto de procedimentos linguísticos
qualificação cada vez maior, o que provoca o desemprego. Outro fator com os quais a pessoa que escreve sustenta suas opiniões, de forma a
que também leva ao desemprego de um sem número de torná-las aceitáveis pelo leitor. É fornecer argumentos, ou seja,
trabalhadores é a contenção de despesas, de gastos. (B) razões a favor ou contra uma determinada tese.
Segundo a Constituição, “preocupada” com essa crise social que
provém dessa automatização e qualificação, obriga que seja feita uma Estes assuntos serão vistos com mais afinco posteriormente.
lei, em que será dada absoluta garantia aos trabalhadores, de que,
mesmo que as empresas sejam automatizadas, não perderão Alguns pontos essenciais desse tipo de texto são:
eles seu mercado de trabalho. (C) Não
é uma utopia?!
- toda dissertação é uma demonstração, daí a necessidade de
Um exemplo vivo são os boias-frias que trabalham na colheita da pleno domínio do assunto e habilidade de argumentação;
cana de açúcar que devido ao avanço tecnológico e a lei do
- em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao tema;
governador Geraldo Alkmin, defendendo o meio ambiente, proibindo
- a coerência é tida como regra de ouro da dissertação;
a queima da cana de açúcar para a colheita e substituindoos então
pelas máquinas, desemprega milhares deles. (D) - impõem-se sempre o raciocínio lógico;
Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão cursos de - a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer
cabelereiro, marcenaria, eletricista, para não perderem o mercado de ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na demonstração do
trabalho, aumentando, com isso, a classe de trabalhos informais. que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural, original, nobre,
correta gramaticalmente. O discurso deve ser impessoal (evitar-
Como ficam então aqueles trabalhadores que passaram à vida
se o uso da primeira pessoa).
estudando, se especializando, para se diferenciarem e ainda estão
desempregados? como vimos no último concurso da prefeitura do Rio
de Janeiro para “gari”, havia até advogado na fila de inscrição. (E) O parágrafo é a unidade mínima do texto e deve apresentar: uma
Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos têm o frase contendo a ideia principal (frase nuclear) e uma ou mais frases
direito de trabalho, cabe aos governantes desse país, que almeja um que explicitem tal ideia.
futuro brilhante, deter, com urgência esse processo de desníveis Exemplo: “A televisão mostra uma realidade idealizada (ideia
gritantes e criar soluções eficazes para combater a crise generalizada central) porque oculta os problemas sociais realmente graves. (ideia
secundária)”.
(F), pois a uma nação doente, miserável e desigual, não
Vejamos:
compete a tão sonhada modernidade. (G)
Ideia central: A poluição atmosférica deve ser combatida
urgentemente.
1º Parágrafo – Introdução
Desenvolvimento: A poluição atmosférica deve ser combatida
A. Tema: Desemprego no Brasil.
urgentemente, pois a alta concentração de elementos tóxicos põe em
Contextualização: decorrência de um processo histórico risco a vida de milhares de pessoas, sobretudo daquelas que sofrem
problemático. de problemas respiratórios:

2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento - A propaganda intensiva de cigarros e bebidas tem levado


muita gente ao vício.
B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que - A televisão é um dos mais eficazes meios de comunicação
remetem a uma análise do tema em questão. criados pelo homem.
- A violência tem aumentado assustadoramente nas cidades e
hoje parece claro que esse problema não pode ser resolvido apenas - O homem, dia a dia, perde a dimensão de humanidade que
pela polícia. abriga em si, porque os seus olhos teimam apenas em ver as coisas
- O diálogo entre pais e filhos parece estar em crise imediatistas e lucrativas que o rodeiam.
atualmente.
- O problema dos sem-terra preocupa cada vez mais a - O espírito competitivo foi excessivamente exercido entre
sociedade brasileira. nós, de modo que hoje somos obrigados a viver numa sociedade fria
e inamistosa.
O parágrafo pode processar-se de diferentes maneiras:
Tempo e Espaço: Muitos parágrafos dissertativos marcam
Enumeração: Caracteriza-se pela exposição de uma série de temporal e espacialmente a evolução de ideias, processos.
coisas, uma a uma. Presta-se bem à indicação de características, Exemplos:
funções, processos, situações, sempre oferecendo o complemento
necessário à afirmação estabelecida na frase nuclear. Pode-se Tempo - A comunicação de massas é resultado de uma lenta
enumerar, seguindo-se os critérios de importância, preferência, evolução. Primeiro, o homem aprendeu a grunhir. Depois deu um
classificação ou aleatoriamente. significado a cada grunhido. Muito depois, inventou a escrita e só
Exemplo: muitos séculos mais tarde é que passou à comunicação de massa.
Espaço - O solo é influenciado pelo clima. Nos climas úmidos, os
1- O adolescente moderno está se tornando obeso por várias solos são profundos. Existe nessas regiões uma forte decomposição
causas: alimentação inadequada, falta de exercícios sistemáticos e de rochas, isto é, uma forte transformação da rocha em terra pela
demasiada permanência diante de computadores e aparelhos de umidade e calor. Nas regiões temperadas e ainda nas mais frias, a
Televisão. camada do solo é pouco profunda. (Melhem Adas)

2- Devido à expansão das igrejas evangélicas, é grande o Explicitação: Num parágrafo dissertativo pode-se conceituar,
número de emissoras que dedicam parte da sua programação à exemplificar e aclarar as ideias para torná-las mais compreensíveis.
veiculação de programas religiosos de crenças variadas. Exemplo: “Artéria é um vaso que leva sangue proveniente do
coração para irrigar os tecidos. Exceto no cordão umbilical e na
3- ligação entre os pulmões e o coração, todas as artérias contém sangue
- A Santa Missa em seu lar. vermelho-vivo, recém-oxigenado. Na artéria pulmonar, porém, corre
- Terço Bizantino. sangue venoso, mais escuro e desoxigenado, que o coração remete
- Despertar da Fé. para os pulmões para receber oxigênio e liberar gás carbônico”.
- Palavra de Vida.
- Igreja da Graça no Lar. Antes de se iniciar a elaboração de uma dissertação, deve
delimitar-se o tema que será desenvolvido e que poderá ser enfocado
4- sob diversos aspectos. Se, por exemplo, o tema é a questão indígena,
ela poderá ser desenvolvida a partir das seguintes ideias:
- Inúmeras são as dificuldades com que se defronta o governo
brasileiro diante de tantos desmatamentos, desequilíbrios
sociológicos e poluição. - A violência contra os povos indígenas é uma constante na
- Existem várias razões que levam um homem a enveredar história do Brasil.
pelos caminhos do crime. - O surgimento de várias entidades de defesa das populações
- A gravidez na adolescência é um problema seríssimo, indígenas.
porque pode trazer muitas consequências indesejáveis. - A visão idealizada que o europeu ainda tem do índio
- O lazer é uma necessidade do cidadão para a sua brasileiro.
sobrevivência no mundo atual e vários são os tipos de lazer. - A invasão da Amazônia e a perda da cultura indígena.
- O Novo Código Nacional de trânsito divide as faltas em
várias categorias. Depois de delimitar o tema que você vai desenvolver, deve fazer a
estruturação do texto.
Comparação: A frase nuclear pode-se desenvolver através da
comparação, que confronta ideias, fatos, fenômenos e apresentalhes A estrutura do texto dissertativo constitui-se de:
a semelhança ou dessemelhança.
Exemplo: Introdução: deve conter a ideia principal a ser desenvolvida
(geralmente um ou dois parágrafos). É a abertura do texto, por isso é
“A juventude é uma infatigável aspiração de felicidade; a velhice, fundamental. Deve ser clara e chamar a atenção para dois itens
pelo contrário, é dominada por um vago e persistente sentimento de básicos: os objetivos do texto e o plano do desenvolvimento. Contém
dor, porque já estamos nos convencendo de que a felicidade é uma a proposição do tema, seus limites, ângulo de análise e a hipótese ou
ilusão, que só o sofrimento é real”. a tese a ser defendida.
(Arthur Schopenhauer) Desenvolvimento: exposição de elementos que vão fundamentar
a ideia principal que pode vir especificada através da argumentação,
Causa e Consequência: A frase nuclear, muitas vezes, encontra de pormenores, da ilustração, da causa e da consequência, das
no seu desenvolvimento um segmento causal (fato motivador) e, em definições, dos dados estatísticos, da ordenação cronológica, da
outras situações, um segmento indicando consequências (fatos interrogação e da citação. No desenvolvimento são usados tantos
decorrentes). parágrafos quantos forem necessários para a completa exposição da
Exemplos:
ideia. E esses parágrafos podem ser estruturados das cinco maneiras Como cuidar de seu dinheiro em 2015
expostas acima.
Gustavo Cerbasi.
Conclusão: é a retomada da ideia principal, que agora deve
aparecer de forma muito mais convincente, uma vez que já foi Em 2015, cuidarei bem do meu dinheiro. Organizarei bem os
fundamentada durante o desenvolvimento da dissertação (um números e as verbas. Esses números mudarão bastante ao longo do
parágrafo). Deve, pois, conter de forma sintética, o objetivo proposto ano. Um monstro chamado inflação ronda o país. Só que, agora, ele
na instrução, a confirmação da hipótese ou da tese, acrescida da usa um manto da invisibilidade, que ganhou de seu criador, o
argumentação básica empregada no desenvolvimento. governo. Quando morder meu bolso, eu nem saberei de onde terá
vindo o ataque, não terei tempo de me defender. Por isso, deixarei
Injunção boas gorduras no orçamento para atirar a ele, quando aparecer. Essas
Os textos injuntivos têm por finalidade instruir o interlocutor, gorduras serão chamadas de verba para lazer e reservas de
utilizando verbos no imperativo para atingir seu intuito. Os gêneros emergência.
que se apropriam da estrutura injuntiva são: manual de instruções, Em 2015, não farei apostas. Já há gente demais apostando em
receitas culinárias, bulas, regulamentos, editais etc. imóveis, ações e outros investimentos especulativos. Farei escolhas
“[...] Não instale nem use o computador em locais muito quentes, certeiras. Deixarei a maior parte de meu investimento na renda fixa.
frios, empoeirados, úmidos ou que estejam sujeitos a vibrações. Não Ela está com uma generosidade única no mundo. Enquanto isso,
exponha o computador a choques, pancadas ou vibrações, e evite que estudo o desespero de especuladores que aguardarão a improvável
ele caia, para não prejudicar as peças internas [...]”. (Manual de recuperação dos imóveis, da Petrobras, da credibilidade dos
instruções de um computador). mercados. Quando esses especuladores jogarem a toalha, usarei
parte de minhas reservas para fazer investimentos bons e baratos.
Questões Mas não na Petrobras.
Muita gente fala que, com a inflação e a recessão, pode perder o
01. (SHDIAS – ANALISTA ADMINISTRATIVO JÚNIOR – emprego ou os clientes. Faltará renda, faltarão consumidores. O ano
IMA/2015) de 2015 será, mais uma vez, ruim para quem vende. Será um ano bom
para quem pensa em comprar. Estarei atento aos bons negócios para
quem tem dinheiro na mão. Se a renda fixa paga bem, a compra à vista
(...) Há um pôr-do-sol de primavera e uma velha casa
tende a me dar descontos maiores. É por esse mesmo motivo que, em
abandonada. Está em ruínas.
2015, evitarei as dívidas. Os juros estão altos e isso me convida a
A velha casa não mais abriga vidas em seu interior. poupar, e não a alugar dinheiro dos bancos. Dívidas de longo prazo
Tudo é passado. Tudo é lembrança. Hoje, apenas são corrigidas pela inflação, também em alta. Por isso, aproveitarei os
almas juvenis brincam despreocupadas e felizes ganhos extras de fim de ano para liquidar dívidas e me policiar para
entre suas paredes trêmulas. não contrair novas.
Em seu chão, despido da madeira polida que a No ano que começa, também não quero fazer papel de otário e
cobriam, brotam ervas daninhas. Entre a vegetação
deixar nas mãos do governo mais impostos do que preciso. Não
que busca minimizar as doces recordações do
sonegarei. Mas aproveitarei o fim do ano para organizar meus papéis
passado, surge a figura amarela e suave da
e comprovantes, planejar a declaração de Imposto de Renda de março
margarida, flor-mulher. As nuanças de suas cores
e tentar a maior restituição que puder, ou o mínimo pagamento
sorriem e denunciam lembranças de seus
ocupantes. necessário. Listarei meus gastos com dependentes, educação e saúde,
A velha casa está em ruínas. Pássaros saltitam e doarei para instituições que fazem o bem, aplicarei num PGBL o que
gorjeiam nas amuradas que a cercam. Seus trinados for necessário para o máximo benefício. Entregarei minha declaração
são melodias no altar do tempo à espera de quanto antes, no início de março. Quero ver minha restituição na
redentoras orações. Raízes vorazes de grandes conta mais cedo, já que 2015 será um ano bom para quem tiver
árvores infiltraram-se entre as pedras do alicerce e dinheiro na mão.
abalam suas estruturas. Para quem lamenta, recomendo cuidado com o monstro e com o
Agoniza a velha casa. Agora, somente imagens governo. Para quem está atento às oportunidades, desejo boas
desfilam, ao longo das noites. As janelas são bocas compras.
escancaradas. A casa velha em ruínas clama por
vozes e movimentos... (Disponívelem:http://epoca.globo.com/colunas‐eblogs/gustavo‐
(Geraldo M. de Carvalho) cerbasi/noticia/2015/01/como‐cuidar‐de‐bseudinheirob‐em‐
2015.html Acesso em: 06/02/2015.)
De acordo com a tipologia textual, o texto acima:
(A) é descritivo, com traços dissertativos compondo De acordo com a tipologia textual, o objetivo principal do autor é:
um ambiente nostálgico. (A) narrar.
(B) possui descrição subjetiva apenas no trecho "A (B) instruir.
velha casa não mais abriga vidas em seu interior. Tudo é passado. (C) descrever.
Tudo é lembrança." (D) argumentar.
(C) ocorre uma descrição objetiva narrativa no trecho
todo. 03. (UFRJ – Assistente em Administração – PR-4 CONCURSOS
(D) é formado basicamente de descrições subjetivas. /2015)

02. (PREFEITURA DE RIO NOVO DO SUL/ES – AGENTE FISCAL


– IDECAN/2015)
Objetividade – Análise, crítica imparcial, opinar sem interferir no
assunto, linguagem predominantemente dissertativa.
“Ao final dos anos 80, a Petrobras se encontrava diante do desafio
de produzir petróleo em águas abaixo de 500 metros, feito não Subjetividade – Analisar um fato, criticar, escrever sobre algo
conseguido então por nenhuma companhia no mundo. Num gesto de emitindo sua opinião pessoal ou seu sentimento sobre o assunto em
ousadia, decidiu desenvolver no Brasil a tecnologia necessária para questão, o que vem de dentro do narrador.
produzir em águas até mil metros. O sucesso foi total. Menos de uma
década depois, a Petrobras dispõe de tecnologia comprovada para 02. Resposta D
produção de petróleo em águas muito profundas. O último recorde Argumentar é expressar uma convicção, um ponto de vista, que é
foi obtido em janeiro de 1999 no campo de Roncador, na bacia de desenvolvido e explicado de forma a persuadir o ouvinte/leitor. Para
Campos, produzindo a 1.853 metros de profundidade. Mas a escalada isso é necessário que apresentemos um raciocínio coerente e
não para. Ao encerrar-se a década, a empresa prepara-se para convincente, baseado na verdade, e que influencie o outro, levandoo
superar, mais uma vez, seus próprios limites. A meta, agora, são os 3 a agir/pensar em conformidade com os nossos objetivos.
mil metros de profundidade, a serem alcançados mediante projetos
que aliam a inovação tecnológica à
03. Resposta: A.
redução de custos. “
Narrar é contar um fato, e como todo fato ocorre em determinado
tempo, em toda narração há sempre um começo um meio e um fim.
Exposição PETROBRAS em 60 momentos. Agência Petrobras
São requisitos básicos para que a narração esteja completa.
(CORRETA)
O tipo textual predominante que caracteriza o texto é a: (A)
Predição: Processo de determinação de acontecimentos futuros
narração.
com base em dados subjetivos.
(B) predição (C)
Instrução é explicação, esclarecimentos dados para uso especial:
instrução (D)
leiam as instruções da bula, antes de tomar o remédio.
descrição.
(E) argumentação Descrição: sempre que você expõe com detalhes um objeto, uma
pessoa ou uma paisagem a alguém, está fazendo uso da descrição.
Argumentar é a capacidade de relacionar fatos, teses, estudos,
04. (ELETROBRAS – Eletricista/Motorista – IADES /2015)
opiniões, problemas e possíveis soluções a fim de embasar
determinado pensamento ou ideia.
Por isso foi à luz de uma vela mortiça
Que li, inserto na cama,
04. Resposta: A.
O que estava à mão para ler --
É possível perceber no poema uma sutil ideia de sucessão
(...)
temporal, caracterizando-o, assim, como narração. Gêneros Textuais
Em torno de mim o sossego excessivo de noite de província Fazia
um grande Barulho ao contrário,
O gênero textual é a forma como a língua é empregada nos textos
Dava-me uma tendência do choro para a desolação.
em suas diversas situações de comunicação, de acordo com o seu uso
A “Primeira Epístola aos Coríntios” ...
temos gêneros textuais diferentes. É importante lembrar que um
Relia-a à luz de uma vela subitamente antiquíssima, E
texto não precisa ter apenas um gênero textual, porém há apenas um
um grande mar de emoção ouvia-se dentro de mim...
que se sobressai.
Sou nada...
Os textos, tanto orais quanto escritos, que têm o objetivo de
Sou uma ficção... estabelecer algum tipo de comunicação, possuem algumas
Que ando eu a querer de mim ou de tudo neste mundo? características básicas que fazem com que possamos saber em qual
“Se eu não tivesse a caridade.” gênero textual o texto se encaixa. Algumas dessas características são:
E a soberana luz manda, e do alto dos séculos, A o tipo de assunto abordado, quem está falando, para quem está
grande mensagem com que a alma é livre... falando, qual a finalidade do texto, qual o tipo do texto (narrativo,
“Se eu não tivesse a caridade...” argumentativo, instrucional, etc.).
Meu Deus, e eu que não tenho a caridade.
Distinguindo
CAMPOS, Álvaro de. (Heterônimo de Fernando Pessoa). Ali não
havia eletricidade. In: “Poemas”. Disponível em:< http://
É essencial saber distinguir o que é gênero textual, gênero
www.citador.pt/poemas/>. Acesso em: 5 jan. 2015, com
adaptações. literário e tipo textual. Cada uma dessas classificações é referente aos
textos, porém é preciso ter atenção, cada uma possui um significado
totalmente diferente da outra. Veja uma breve descrição do que é um
A respeito da tipologia textual, é correto afirmar que o poema
gênero literário e um tipo textual:
representa uma
(A) narração.
Gênero Literário – nestes os textos abordados são apenas os
(B) argumentação. (C)
literários, diferente do gênero textual, que abrange todo tipo de texto.
descrição.
O gênero literário é classificado de acordo com a sua forma, podendo
(D) caracterização.
ser do gênero líricos, dramático, épico, narrativo e etc.
(E) dissertação.
Tipo textual – este é a forma como o texto se apresenta, podendo
Respostas
ser classificado como narrativo, argumentativo, dissertativo,
descritivo, informativo ou injuntivo. Cada uma dessas classificações
01. Resposta D
varia de acordo como o texto se apresenta e com a finalidade para o Épico (ou Epopeia): os textos épicos são geralmente longos e
qual foi escrito. narram histórias de um povo ou de uma nação, envolvem aventuras,
guerras, viagens, gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um
Os gêneros textuais são infinitos e cada um deles possui o seu tom de exaltação, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos.
próprio estilo de escrita e de estrutura. Desta forma fica mais fácil Dois exemplos são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisseia, de
compreender as diferenças entre cada um deles e poder classificalos Homero.
de acordo com suas características.
Romance: é um texto completo, com tempo, espaço e
Exemplos de gêneros textuais3 personagens bem definidos e de caráter mais verossímil. Também
conta as façanhas de um herói, mas principalmente uma história de
amor vivida por ele e uma mulher, muitas vezes, “proibida” para ele.
Diário – é escrito em linguagem informal, sempre consta a data e
Apesar dos obstáculos que o separam, o casal vive sua paixão
não há um destinatário específico, geralmente, é para a própria
proibida, física, adúltera, pecaminosa e, por isso, costuma ser punido
pessoa que está escrevendo, é um relato dos acontecimentos do dia.
O objetivo desse tipo de texto é guardar as lembranças e em alguns
momentos desabafar. Veja um exemplo:
“Domingo, 14 de junho de 1942 http://www.estudopratico.com.br/generos-textuais/
Vou começar a partir do momento em que ganhei você, quando o
vi na mesa, no meio dos meus outros presentes de aniversário. (Eu no final. É o tipo de narrativa mais comum na Idade Média.
estava junto quando você foi comprado, e com isso eu não contava.) Ex: Tristão e Isolda.

Na sexta-feira, 12 de junho, acordei às seis horas, o que não é de Novela: é um texto caracterizado por ser intermediário entre a
espantar; afinal, era meu aniversário. Mas não me deixam levantar a longevidade do romance e a brevidade do conto. Como exemplos de
essa hora; por isso, tive de controlar minha curiosidade até quinze novelas, podem ser citadas as obras O Alienista, de Machado de Assis,
para as sete. Quando não dava mais para esperar, fui até a sala de e A Metamorfose, de Kafka.
jantar, onde Moortje (a gata) me deu as boas-vindas, esfregando-se
em minhas pernas.” Conto: é um texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em
Trecho retirado do livro “Diário de Anne Frank”. prosa, que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores.
Inicialmente, fazia parte da literatura oral. Boccacio foi o primeiro a
Carta – esta, dependendo do destinatário pode ser informal, reproduzi-lo de forma escrita com a publicação de Decamerão.
quando é destinada a algum amigo ou pessoa com quem se tem Diversos tipos do gênero textual conto surgiram na tipologia textual
intimidade. E formal quando destinada a alguém mais culto ou que narrativa: conto de fadas, que envolve personagens do mundo da
não se tenha intimidade. Dependendo do objetivo da carta a mesma fantasia; contos de aventura, que envolvem personagens em um
terá diferentes estilos de escrita, podendo ser dissertativa, narrativa contexto mais próximo da realidade; contos folclóricos (conto
ou descritiva. As cartas se iniciam com a data, em seguida vem a popular); contos de terror ou assombração, que se desenrolam em
saudação, o corpo da carta e para finalizar a despedida. um contexto sombrio e objetivam causar medo no expectador; contos
de mistério, que envolvem o suspense e a solução de um mistério.
Propaganda – este gênero geralmente aparece na forma oral,
diferente da maioria dos outros gêneros. Suas principais Fábula: é um texto de caráter fantástico que busca ser
características são a linguagem argumentativa e expositiva, pois a inverossímil. As personagens principais são não humanos e a
intenção da propaganda é fazer com que o destinatário se interesse finalidade é transmitir alguma lição de moral.
pelo produto da propaganda. O texto pode conter algum tipo de
descrição e sempre é claro e objetivo. Crônica: é uma narrativa informal, breve, ligada à vida cotidiana,
com linguagem coloquial. Pode ter um tom humorístico ou um toque
Notícia – este é um dos tipos de texto que é mais fácil de de crítica indireta, especialmente, quando aparece em seção ou artigo
identificar. Sua linguagem é narrativa e descritiva e o objetivo desse de jornal, revistas e programas da TV...
texto é informar algo que aconteceu.
Crônica narrativo-descritiva: Apresenta alternância entre os
Gêneros literários momentos narrativos e manifestos descritivos.

Gênero Narrativo: Ensaio: é um texto literário breve, situado entre o poético e o


didático, expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram respeito de certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado.
apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos, o gênero Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo
épico passou a ser considerado apenas uma variante do gênero sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultural,
literário narrativo, devido ao surgimento de concepções de prosa moral, comportamental, etc.), sem que se paute em formalidades
com características diferentes: o romance, a novela, o conto, a como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter
crônica, a fábula. Porém, praticamente todas as obras narrativas científico. Exemplo: Ensaio sobre a tolerância, de John Locke.
possuem elementos estruturais e estilísticos em comum e devem
responder a questionamentos, como: quem? o que? quando? onde? Gênero Dramático:
por quê? Vejamos a seguir:

3
Fonte: http://www.portuguesxconcursos.com.br/p/tipologia-textual-tipos-generos.html
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse tipo Acróstico: (akros = extremidade; stikos = linha), composição
de texto, não há um narrador contando a história. Ela “acontece” no lírica na qual as letras iniciais de cada verso formam uma palavra ou
palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os papéis das frase;
personagens nas cenas.
Balada: uma das mais primitivas manifestações poéticas, são
Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de cantigas de amigo (elegias) com ritmo característico e refrão vocal
provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era que se destinam à dança;
"uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa,
em linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando Canção (ou Cantiga, Trova): poema oral com acompanhamento
dó e terror". Ex: Romeu e Julieta, de Shakespeare. musical;

Farsa: A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego Gazal (ou Gazel): poesia amorosa dos persas e árabes; odes do
de processos como o absurdo, as incongruências, os equívocos, a oriente médio;
caricatura, o humor primário, as situações ridículas e, em especial, o
engano.
Haicai: expressão japonesa que significa “versos cômicos”
(=sátira). E o poema japonês formado de três versos que somam 17
Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no sílabas assim distribuídas: 1° verso= 5 sílabas; 2° verso = 7 sílabas; 3°
sentimento comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada às verso 5 sílabas;
festas populares. Soneto: é um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois
quartetos e dois tercetos, com rima geralmente em a-ba-b a-b-b-a
Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos cd-c d-c-d.
trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com
o imaginário. Vilancete: são as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas
de escárnio e de maldizer); satíricas, portanto.
Poesia de cordel: texto tipicamente brasileiro em que se retrata,
com forte apelo linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da Questões
sociedade e da realidade vivida por este povo.
1. (UFSC – Assistente em – UFSC/2016) A respeito do gênero do
Gênero Lírico: Texto 3, é CORRETO afirmar que se trata de:

É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poema


e que nem sempre corresponde à do autor) exprime suas emoções,
ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente os
pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da
função emotiva da linguagem.

Elegia: é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a


morte é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa
tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema
melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e Yufa, de William
Shakespeare.

Epitalâmia: é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja,


noites românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de
epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.

Ode (ou hino): é o poema lírico em que o emissor faz uma


homenagem à pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher
amada, ou a alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode
com acompanhamento musical;

Idílio (ou écloga): é o poema lírico em que o emissor expressa a) uma poesia, pois faz uso das funções enfática e expressiva
uma homenagem à natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao da linguagem para homenagear as mães em virtude da passagem do
homem. É o poema bucólico, ou seja, que expressa o desejo de Dia das Mães.
desfrutar de tais belezas e riquezas ao lado da amada (pastora), que b) um anúncio publicitário, caracterizado pelo uso da função
enriquece ainda mais a paisagem, espaço ideal para a paixão. A conativa da linguagem. Tem como finalidade seduzir o leitor para
écloga é um idílio com diálogos (muito rara); convencê-lo a comprar um determinado produto.
c) uma reportagem, caracterizada por ser publicada em
Sátira: é o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém periódico, ter a função básica de aprofundar as informações acerca
ou a algo, em tom sério ou irônico. de um tema relevante, apresentar ao leitor fatos e considerações e
Acalanto: ou canção de ninar; utilizar uma linguagem referencial, preferencialmente objetiva.
d) uma notícia, uma vez que se caracteriza por ser publicada
em jornal, relatar um fato recente, explicitando os envolvidos e as
circunstâncias em que se deu um fato, e por ser de relevância social acordo com o momento histórico, pode nascer um gênero novo,
para um grande público, apontando causas e consequências. podem desaparecer gêneros de pouco uso ou, ainda, um gênero pode
e) um editorial, caracterizado por emitir a posição de um sofrer mudanças.
jornal ou revista acerca de um produto, embora sem indicação de Numa situação de interação verbal, a escolha do gênero textual é
autoria, utilizando uma linguagem subjetiva e expressiva. feita de acordo com os diferentes elementos que fazem o contexto,
tais como: quem está falando ou escrevendo; para quem; com que
2. (IF SUL – MG – Técnico de Tecnologia da Informação – IF finalidade; em que momento histórico etc. Os gêneros estão ligados a
SUL – MG/2016) esferas de circulação da linguagem. Assim, por exemplo, na esfera
jornalística, são comuns gêneros como notícias, reportagens,
Leia o texto a seguir para responder a esta questão.
editoriais, entrevistas; na esfera da divulgação científica, são comuns
gêneros como verbete de dicionário ou de enciclopédia, artigo ou
O artigo objetiva contribuir para as análises referentes ao ensaio científico, seminário, conferência etc.
Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego Desse modo, os gêneros de texto que circulam na sociedade têm
(PRONATEC) proposto pelo MEC em 2011 e pertencente à Política uma grande vinculação com o momento histórico-cultural de cada
de Educação Profissional Técnica de nível médio. (I) Problematiza contexto.
um dos pressupostos do Programa: o de que a qualificação pretendida
implica na melhoria da qualidade do Ensino Médio Público. (II)
Apresenta, como bases de análise, o contexto do Decreto nº 5154/04, (William Cereja; Thereza Cochar; Ciley Cleto. Interpretação de
a atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação textos. São Paulo: Editora Atual, 2009, p. 29. Adaptado)
Profissional e as do Ensino Médio e referencial teórico baseado nos Interprete o seguinte trecho do Texto 1: “Esses textos
conceitos de Estado ampliado e de capitalismo dependente. (III) O constituem os chamados gêneros textuais e foram
PRONATEC ao priorizar a qualificação profissional concomitante ao historicamente criados pelas pessoas”. Assinale a
Ensino Médio Público, mediante parcerias público/privado fragmenta alternativa em que o sentido global desse trecho está
os insuficientes recursos públicos, e promove a descontinuidade em mantido.
relação à concepção progressista de integração entre Ensino Médio e a) Esses textos constituem os chamados gêneros textuais uma
Educação Profissional. (IV) Paraliza o processo de travessia para a vez que foram historicamente criados pelas pessoas.
escola unitária e não enfrenta a problemática complexa da qualidade b) Esses textos constituem os chamados gêneros textuais, como
na escola pública. foram historicamente criados pelas pessoas.
c) Esses textos constituem os chamados gêneros textuais
(Fragmento adaptado) Disponível conforme foram historicamente criados pelas pessoas.
em:<www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsu d) Esses textos não só constituem os chamados gêneros textuais,
l/paper/view/1713/141>. Acesso em: 02 maio2016. mas também foram historicamente criados pelas pessoas.
e) Esses textos constituem os chamados gêneros textuais, porém
O fragmento em questão é o resumo de um artigo científico. foram historicamente criados pelas pessoas.
Considerando que, nesse gênero, o uso da língua padrão é necessário,
verifica-se que, nos trechos em destaque no próprio texto, houve Respostas
observância desse uso no trecho:
a) IV. 1. (B)
b) III. A função conativa é o mesmo que apelativa; centrada no receptor,
c) II. no destinatário. Exemplo: Propagandas.
d) I.
2. (C)
3. (UFRPE – Assistente em Administração – SUGEP – UFRPE / A questão pede o uso da norma padrão da língua, os erros dos
2016) trechos são:
I) O verbo implicar no sentido de "acarretar", "ocasionar" é
A Linguagem verbal e os textos transitivo DIRETO.
http://portugues.uol.com.br/gramatica/verbo-implicar.html
As diferenças que podem ser observadas entre os textos dizem II) Correta -> letra c
respeito à sua situação de produção e de circulação, inclusive a III) Uso da vírgula errado, a primeira vírgula está
finalidade a que se destinam. São os chamados gêneros de texto. Por separando sujeito do verbo.
exemplo: se o locutor quer instruir seu interlocutor, ele indica passo IV) Escreve-se paraliSa e não paraliZa
a passo o que deve ser feito para a obtenção de um bom resultado,
como ocorre numa receita de bolo. Se quer persuadir alguém a 3. (D)
consumir um produto, ele argumenta, como faz em um anúncio de Qual o sentido global que apresenta o texto? De adição, note ali a
chocolate. Se quer contar fatos reais, ele pode escrever uma notícia. conjunção aditiva "e". Para que mantenhamos o trecho com seu
Se quer contar uma história ficcional, ele pode produzir um conto. Se sentido global, temos que substituir a conjunção aditiva por outra
quer transmitir conhecimentos, ele deve construir um texto em que conjunção aditiva.
exponha com clareza os saberes relacionados ao objeto em foco.
a) Errada; Esses textos constituem os chamados
Ou seja, quando interagimos com outras pessoas por meio da gêneros
linguagem, seja ela oral ou escrita, produzimos certos textos que, com
textuais uma vez que foram historicamente criados pelas pessoas.
poucas variações, se repetem no tipo de conteúdo, no tipo de
Aqui temos uma conjunção CAUSAL.
linguagem e de estrutura. Esses textos constituem os chamados
‘gêneros textuais’ e foram historicamente criados pelas pessoas a fim b) Errada; Esses textos constituem os chamados
de atender a determinadas necessidades de interação social. De gêneros
textuais, como foram historicamente criados pelas pessoas. “Vem pra Caixa você também.”
Conjunção COMPARARTIVA.
c) Errada. Esses textos constituem os chamados Essa frase fazia parte de uma campanha destinada a aumentar o
gêneros número de correntistas da Caixa Econômica Federal. Para persuadir
textuais conforme foram historicamente criados pelas pessoas. o público alvo da propaganda a adotar esse comportamento,
Conjunção CONFORMATIVA formulou-se um convite com uma linguagem bastante coloquial,
d) Gabarito. Esses textos não só constituem os usando, por exemplo, a forma vem, de segunda pessoa do imperativo,
chamados gêneros textuais, mas também foram historicamente em lugar de venha, forma de terceira pessoa prescrita pela norma
criados pelas pessoas. culta quando se usa você.
GABARITO. Não só... Mas também - Conjunção aditiva Pela linguagem, as pessoas são induzidas a fazer determinadas
coisas, a crer em determinadas ideias, a sentir determinadas
e) Errada. Esses textos constituem os chamados
emoções, a ter determinados estados de alma (amor, desprezo,
gêneros
desdém, raiva, etc.). Por isso, pode-se dizer que ela modela atitudes,
textuais, porém foram historicamente criados pelas pessoas.
convicções, sentimentos, emoções, paixões. Quem ouve desavisada e
Conjunção ADVERSATIVA reiteradamente a palavra “negro”, pronunciada em tom desdenhoso,
aprende a ter sentimentos racistas; se a todo momento nos dizem,
num tom pejorativo, “Isso é coisa de mulher”, aprendemos os
3. Funções da linguagem preconceitos contra a mulher.
Não se interfere no comportamento das pessoas apenas com a
ordem, o pedido, a súplica. Há textos que nos influenciam de maneira
bastante sutil, com tentações e seduções, como os anúncios
publicitários que nos dizem como seremos bem sucedidos, atraentes
e charmosos se usarmos determinadas marcas, se consumirmos
certos produtos.
Quando se pergunta a alguém para que serve a linguagem, a Com essa função, a linguagem modela tanto bons cidadãos, que
resposta mais comum é que ela serve para comunicar. Isso está colocam o respeito ao outro acima de tudo, quanto espertalhões, que
correto. No entanto, comunicar não é apenas transmitir informações. só pensam em levar vantagem, e indivíduos atemorizados, que se
É também exprimir emoções, dar ordens, falar apenas para não haver deixam conduzir sem questionar.
silêncio. Para que serve a linguagem? Emprega-se a expressão função conativa da linguagem quando
esta é usada para interferir no comportamento das pessoas por meio
A linguagem serve para informar: Função Referencial. de uma ordem, um pedido ou uma sugestão. A palavra conativo é
proveniente de um verbo latino (conari) que significa “esforçar-se”
“Estados Unidos invadem o Iraque” (para obter algo).

Essa frase, numa manchete de jornal, informa-nos sobre um


acontecimento do mundo. A linguagem serve para expressar a subjetividade: Função
Com a linguagem, armazenamos conhecimentos na memória, Emotiva.
transmitimos esses conhecimentos a outras pessoas, ficamos
sabendo de experiências bem-sucedidas, somos prevenidos contra as “Eu fico possesso com isso!”
tentativas mal sucedidas de fazer alguma coisa. Graças à linguagem,
um ser humano recebe de outro conhecimentos, aperfeiçoa-os e Nessa frase, quem fala está exprimindo sua indignação com
transmite-os. alguma coisa que aconteceu. Com palavras, objetivamos e
Condillac, um pensador francês, diz: “Quereis aprender ciências expressamos nossos sentimentos e nossas emoções. Exprimimos a
com facilidade? Começai a aprender vossa própria língua!” Com efeito, revolta e a alegria, sussurramos palavras de amor e explodimos de
a linguagem é a maneira como aprendemos desde as mais banais raiva, manifestamos desespero, desdém, desprezo, admiração, dor,
informações do dia a dia até as teorias científicas, as expressões tristeza. Muitas vezes, falamos para exprimir poder ou para
artísticas e os sistemas filosóficos mais avançados. afirmarmo-nos socialmente. Durante o governo do presidente
A função informativa da linguagem tem importância central na Fernando Henrique Cardoso, ouvíamos certos políticos dizerem “A
vida das pessoas, consideradas individualmente ou como grupo intenção do Fernando é levar o país à prosperidade” ou “O Fernando
social. Para cada indivíduo, ela permite conhecer o mundo; para o tem mudado o país”. Essa maneira informal de se referirem ao
grupo social, possibilita o acúmulo de conhecimentos e a presidente era, na verdade, uma maneira de insinuarem intimidade
transferência de experiências. Por meio dessa função, a linguagem com ele e, portanto, de exprimirem a importância que lhes seria
modela o intelecto. atribuída pela proximidade com o poder. Inúmeras vezes, contamos
É a função informativa que permite a realização do trabalho coisas que fizemos para afirmarmo-nos perante o grupo, para
coletivo. Operar bem essa função da linguagem possibilita que cada mostrar nossa valentia ou nossa erudição, nossa capacidade
indivíduo continue sempre a aprender. intelectual ou nossa competência na conquista amorosa.
A função informativa costuma ser chamada também de função Por meio do tipo de linguagem que usamos, do tom de voz que
referencial, pois seu principal propósito é fazer com que as palavras empregamos, etc., transmitimos uma imagem nossa, não raro
revelem da maneira mais clara possível as coisas ou os eventos a que inconscientemente.
fazem referência. Emprega-se a expressão função emotiva para designar a
utilização da linguagem para a manifestação do enunciador, isto é,
A linguagem serve para influenciar e ser influenciado: Função daquele que fala.
Conativa.
A linguagem serve para criar e manter laços sociais: Função aventuras. Nessa outra realidade, os homens são gentis, a vida não é
Fática. monótona, o amor nunca diminui e assim por diante.

__Que calorão, hein? A linguagem serve como fonte de prazer: Função Poética.
__Também, tem chovido tão pouco.
__Acho que este ano tem feito mais calor do que nos outros. Brincamos com as palavras. Os jogos com o sentido e os sons são
__Eu não me lembro de já ter sentido tanto calor. formas de tornar a linguagem um lugar de prazer. Divertimo-nos com
eles. Manipulamos as palavras para delas extrairmos satisfação.
Esse é um típico diálogo de pessoas que se encontram num Oswald de Andrade, em seu “Manifesto antropófago”, diz “Tupi or
elevador e devem manter uma conversa nos poucos instantes em que not tupi”; trata-se de um jogo com a frase shakespeariana “To be or
estão juntas. Falam para nada dizer, apenas porque o silêncio poderia not to be”. Conta-se que o poeta Emílio de Menezes, quando soube que
ser constrangedor ou parecer hostil. uma mulher muito gorda se sentara no banco de um ônibus e este
Quando estamos num grupo, numa festa, não podemos manternos quebrara, fez o seguinte trocadilho: “É a primeira vez que vejo um
em silêncio, olhando uns para os outros. Nessas ocasiões, a banco quebrar por excesso de fundos”. A palavra banco está usada em
conversação é obrigatória. Por isso, quando não se tem assunto, falase dois sentidos: “móvel comprido para sentar-se” e “casa bancária”.
do tempo, repetem-se histórias que todos conhecem, contam-se Também está empregado em dois sentidos o termo fundos:
anedotas velhas. A linguagem, nesse caso, não tem nenhuma função “nádegas” e “capital”, “dinheiro”.
que não seja manter os laços sociais. Quando encontramos alguém e Observe-se o uso do verbo bater, em expressões diversas, com
lhe perguntamos “Tudo bem?”, em geral não queremos, de fato, saber significados diferentes, nesta frase do deputado Virgílio Guimarães:
se nosso interlocutor está bem, se está doente, se está com “ACM bate boca porque está acostumado a bater: bateu continência
problemas. A fórmula é uma maneira de estabelecer um vínculo para os militares, bateu palmas para o Collor e quer bater chapa em
social. 2002. Mas o que falta é que lhe bata uma dor de consciência e bata em
Também os hinos têm a função de criar vínculos, seja entre alunos retirada.”
de uma escola, entre torcedores de um time de futebol ou entre os (Folha de S. Paulo)
habitantes de um país. Não importa que as pessoas não entendam
bem o significado da letra do Hino Nacional, pois ele não tem função Verifica-se que a linguagem pode ser usada utilitariamente ou
informativa: o importante é que, ao cantá-lo, sentimonos esteticamente. No primeiro caso, ela é utilizada para informar, para
participantes da comunidade de brasileiros. influenciar, para manter os laços sociais, etc. No segundo, para
Na nomenclatura da linguística, usa-se a expressão função fática produzir um efeito prazeroso de descoberta de sentidos. Em função
para indicar a utilização da linguagem para estabelecer ou manter estética, o mais importante é como se diz, pois o sentido também é
aberta a comunicação entre um falante e seu interlocutor. criado pelo ritmo, pelo arranjo dos sons, pela disposição das palavras,
etc.
A linguagem serve para falar sobre a própria linguagem: Na estrofe abaixo, retirada do poema “A Cavalgada”, de Raimundo
Função Metalinguística. Correia, a sucessão dos sons oclusivos /p/, /t/, /k/, /b/, /d/, /g/
sugere o patear dos cavalos:
Quando dizemos frases como “A palavra ‘cão’ é um substantivo”;
“É errado dizer ‘a gente viemos’”; “Estou usando o termo ‘direção’ em E o bosque estala, move-se, estremece... Da
dois sentidos”; “Não é muito elegante usar palavrões”, não estamos cavalgada o estrépito que aumenta Perde-
falando de acontecimentos do mundo, mas estamos tecendo se após no centro da montanha...
comentários sobre a própria linguagem. É o que chama função
metalinguística. A atividade metalinguística é inseparável da fala. Apud: Lêdo Ivo. Raimundo Correia: Poesia. 4ª ed.
Falamos sobre o mundo exterior e o mundo interior e ao mesmo Rio de Janeiro, Agir, p. 29. Coleção Nossos Clássicos.
tempo, fazemos comentários sobre a nossa fala e a dos outros.
Quando afirmamos como diz o outro, estamos comentando o que Observe-se que a maior concentração de sons oclusivos ocorre no
declaramos: é um modo de esclarecer que não temos o hábito de dizer segundo verso, quando se afirma que o barulho dos cavalos aumenta.
uma coisa tão trivial como a que estamos enunciando; inversamente, Quando se usam recursos da própria língua para acrescentar
podemos usar a metalinguagem como recurso para valorizar nosso sentidos ao conteúdo transmitido por ela, diz-se que estamos usando
modo de dizer. É o que se dá quando dizemos, por exemplo, a linguagem em sua função poética.
Parodiando o padre Vieira ou Para usar uma expressão clássica, vou
dizer que “peixes se pescam, homens é que se não podem pescar”. Para melhor compreensão das funções de linguagem, torna-se
necessário o estudo dos elementos da comunicação.
A linguagem serve para criar outros universos. Antigamente, tinha-se a ideia que o diálogo era desenvolvido de
maneira "sistematizada" (alguém pergunta - alguém espera ouvir a
A linguagem não fala apenas daquilo que existe, fala também do pergunta, daí responde, enquanto outro escuta em silêncio, etc).
que nunca existiu. Com ela, imaginamos novos mundos, outras Exemplo:
realidades. Essa é a grande função da arte: mostrar que outros modos
de ser são possíveis, que outros universos podem existir. O filme de ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO
Woody Allen “A rosa púrpura do Cairo” (1985) mostra isso de maneira
bem expressiva. Nele, conta-se a história de uma mulher que, para Emissor emite, codifica a mensagem
consolar-se do cotidiano sofrido e dos maus-tratos infligidos pelo Receptor recebe, decodifica a mensagem
marido, refugia-se no cinema, assistindo inúmeras vezes a um filme
de amor em que a vida é glamorosa, e o galã é carinhoso e romântico. Mensagem conteúdo transmitido pelo emissor
Um dia, ele sai da tela e ambos vão viver juntos uma série de conjunto de signos usado na transmissão
Código
e recepção da mensagem
Referente contexto relacionado a emissor e receptor
Canal meio pelo qual circula a mensagem
Alô, alô, Marciano
Aqui quem fala é da Terra
Porém, com recentes estudos linguísticos, tal teoria sofreu certa Pra variar, estamos em guerra
modificação, pois, chegou-se a conclusão de que ao se tratar da parole Você não imagina a loucura
(sentido individual da língua), entende-se que é um veículo O ser humano tá na maior fissura porque
democrático (observe a função fática), assim, admite-se um novo Tá cada vez mais down o high society [...]
formato de locução, ou, interlocução (diálogo interativo): LEE, Rita. CARVALHO, Roberto de. Disponível em:
http://www.vagalume.com.br/ Acesso em: 30 mar. 2014.
Locutor quem fala (e responde) Os dois primeiros versos do texto fazem referência à função da
linguagem cujo objetivo dos emissores é apenas estabelecer ou
Locutário quem ouve e responde
manter contato de comunicação com seus receptores. Nesses versos,
Interlocução diálogo a linguagem está empregada em função (A) expressiva. (B) apelativa.
(C) referencial.
As respostas, dos "interlocutores" podem ser gestuais, faciais etc. (D) poética.
por isso a mudança (aprimoração) na teoria. (E) fática.
As atitudes e reações dos comunicantes são também referentes e
exercem influência sobre a comunicação 02. (PREFEITURA DE IGUARAÇU/PR –
TÉCNICO EM
Lembramo-nos: ENFERMAGEM – FAFIPA/2014)
- Emotiva (ou expressiva): a mensagem centra-se no "eu" do
emissor, é carregada de subjetividade. Ligada a esta função está, por
SONETO DE MAIO
norma, a poesia lírica.
(Vinícius de Moraes)
- Função apelativa (imperativa): com este tipo de
mensagem, o emissor atua sobre o receptor, afim de que este assuma
determinado comportamento; há frequente uso do vocativo e do Suavemente Maio se insinua
imperativo. Esta função da linguagem é frequentemente usada por Por entre os véus de Abril, o mês cruel
oradores e agentes de publicidade. E lava o ar de anil, alegra a rua
Alumbra os astros e aproxima o céu.
- Função metalinguística: função usada quando a língua
explica a própria linguagem (exemplo: quando, na análise de um Até a lua, a casta e branca lua
texto, investigamos os seus aspectos morfo-sintáticos e/ou Esquecido o pudor, baixa o dossel
semânticos). E em seu leito de plumas fica nua A
- Função informativa (ou referencial): função usada destilar seu luminoso mel.
quando o emissor informa objetivamente o receptor de uma Raia a aurora tão tímida e tão frágil
realidade, ou acontecimento. Que através do seu corpo transparente
- Função fática: pretende conseguir e manter a atenção dos Dir-se-ia poder-se ver o rosto
interlocutores, muito usada em discursos políticos e textos Carregado de inveja e de presságio Dos
publicitários (centra-se no canal de comunicação). irmãos Junho e Julho, friamente
- Função poética: embeleza, enriquecendo a mensagem com Preparando as catástrofes de Agosto...
figuras de estilo, palavras belas, expressivas, ritmos agradáveis, etc. Disponível em: http://www.viniciusdemoraes.com.br

Também podemos pensar que as primeiras falas conscientes da Em um poema, é possível afirmar que a função de linguagem está
raça humana ocorreu quando os sons emitidos evoluiram para o que centrada na:
podemos reconhecer como “interjeições”. As primeiras ferramentas (A) Função fática.
da fala humana. (B) Função emotiva ou expressiva.
(C) Função conativa ou apelativa.
A função biológica e cerebral da linguagem é aquilo que mais (D) Função denotativa ou referencial.
profundamente distingue o homem dos outros animais.
Podemos considerar que o desenvolvimento desta função 03. O exercício da crônica
cerebral ocorre em estreita ligação com a bipedia e a libertação da Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz
mão, que permitiram o aumento do volume do cérebro, a par do um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado meio
desenvolvimento de órgãos fonadores e da mímica facial. a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou porque
Devido a estas capacidades, para além da linguagem falada e quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino. Senta-se ele
escrita, o homem, aprendendo pela observação de animais, diante de sua máquina, olha através da janela e busca fundo em sua
desenvolveu a língua de sinais adaptada pelos surdos em diferentes imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário
países, não só para melhorar a comunicação entre surdos, mas matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares,
também para utilizar em situações especiais, como no teatro e entre possa injetar um sangue novo. Se nada houver, resta-lhe o recurso de
navios ou pessoas e não animais que se encontram fora do alcance do olhar em torno e esperar que, através de um processo associativo,
ouvido, mas que se podem observar entre si. surja-lhe de repente a crônica, provinda dos fatos e feitos de sua vida
emocionalmente despertados pela concentração. Ou então, em última
Questões instância, recorrer ao assunto da falta de assunto, já bastante gasto,
mas do qual, no ato de escrever, pode surgir o inesperado.
01. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS/AL – TÉCNICO DE MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São
LABORATÓRIO – ANATOMIA E NECROPSIA – COPEVE/2014 - Paulo: Cia. das Letras, 1991.
adaptada)
Predomina nesse texto a função da linguagem que se constitui (A) pontuação, como reticências, pontos de exclamação, bem como o uso
nas diferenças entre o cronista e o ficcionista. de onomatopeias e interjeições.
(B) nos elementos que servem de inspiração ao Na “C” – “função fática” - O objetivo do emissor é estabelecer o
cronista. contato, verificar se o receptor está recebendo a mensagem de forma
(C) nos assuntos que podem ser tratados em uma autêntica, ou ainda visando prolongar o contato. Há o predomínio de
crônica. expressões usadas nos cumprimentos como: bom dia, Oi!. Ao telefone
(D) no papel da vida do cronista no processo de escrita (Pronto! Alô!) e em outras situações em que se testa o canal de
da crônica. comunicação (Está me ouvindo?).
(E) nas dificuldades de se escrever uma crônica por
meio de uma crônica.

04. (Prefeitura de Cantagalo/RJ - Oficial Administrativo – 4. Semântica: sinonímia e antonímia;


CEPERJ/2011) Sempre que há comunicação há uma intenção, o que homonímia e paronímia; conotação e
determina que a linguagem varie, assumindo funções. A função da
linguagem predominante no texto com a respectiva característica denotação; ambiguidade; polissemia
está expressa em:
(A) referencial – presença de termos científicos e técnicos
(B) expressiva – predominância da 1ª pessoa do singular
(C) fática – uso de cumprimentos e saudações
(D) apelativa – emprego de verbos flexionados no imperativo
Sinônimos: são palavras de sentido igual ou aproximado.
Respostas Exemplo:
- Alfabeto, abecedário.
01. Resposta E - Brado, grito, clamor.
A função da linguagem que é utilizada para estabelecer contato - Extinguir, apagar, abolir, suprimir.
com o interlocutor - verificando se o emissor está sendo ouvido, - Justo, certo, exato, reto, íntegro, imparcial.
entendido - é a fática.
Na maioria das vezes não é indiferente usar um sinônimo pelo
02. Resposta B outro. Embora irmanados pelo sentido comum, os sinônimos
diferenciam-se, entretanto, uns dos outros, por matizes de
A função da linguagem utilizada nos poemas, geralmente, é a
significação e certas propriedades que o escritor não pode
poética – valorização da mensagem em si, revelando um cuidado
desconhecer. Com efeito, estes têm sentido mais amplo, aqueles, mais
especial com o ritmo das frases, com a sonoridade das palavras, com
restrito (animal e quadrúpede); uns são próprios da fala corrente,
o jogo de ideias. Mas, como não há tal opção nas alternativas, a que
desataviada, vulgar, outros, ao invés, pertencem à esfera da
mais se relaciona com o poema é a emotiva - valorização do “eu”; a
linguagem culta, literária, científica ou poética (orador e tribuno,
linguagem está centrada no próprio emissor, revelando seus
oculista e oftalmologista, cinzento e cinéreo).
sentimentos, suas emoções.

03. Resposta E A contribuição Greco-latina é responsável pela existência, em


nossa língua, de numerosos pares de sinônimos. Exemplos:
Sem dúvida, Vinícius ao falar sobre as dificuldades de se escrever
- Adversário e antagonista.
uma crônica, faz, ele também uma crônica, uma vez que esta é um
gênero narrativo, no qual o narrador aborda um tema cotidiano e - Translúcido e diáfano.
atual sob um olhar diferente. - Semicírculo e hemiciclo.
- Contraveneno e antídoto.
04. Resposta D - Moral e ética.
A alternativa “D” é a correta porque a “função apelativa” chama - Colóquio e diálogo.
a atenção do leitor. A ênfase está diretamente vinculada ao receptor, - Transformação e metamorfose.
na qual o discurso visa persuadi-lo, conduzindo-o a assumir um - Oposição e antítese.
determinado comportamento. A presente modalidade encontra-se
presente na linguagem publicitária de uma forma geral e traz como O fato linguístico de existirem sinônimos chama-se sinonímia,
característica principal, o emprego dos verbos no modo imperativo. palavra que também designa o emprego de sinônimos.
Na “A” “função referencial” - Ocorre quando o objetivo do
emissor é traduzir a realidade visando à informação. Sua Antônimos: são palavras de significação oposta. Exemplos:
predominância atém-se a textos científicos, técnicos ou didáticos, - Ordem e anarquia.
alguns gêneros do cotidiano jornalístico, documentos oficiais e - Soberba e humildade.
correspondências comerciais. A linguagem neste caso é - Louvar e censurar. - Mal e bem.
essencialmente objetiva, razão pela qual os verbos são retratados na
3ª pessoa do singular, conferindo-lhe total impessoalidade por parte A antonímia pode originar-se de um prefixo de sentido oposto ou
do emissor. negativo. Exemplos: bendizer/maldizer, simpático/antipático,
Na “B” “função expressiva” - há um envolvimento pessoal do progredir/regredir, concórdia/discórdia, explícito/implícito,
emissor, que comunica seus sentimentos, emoções, inquietações e ativo/inativo, esperar/desesperar, comunista/anticomunista,
opiniões centradas na expressão do próprio “eu”, levando em simétrico/assimétrico, pré-nupcial/pós-nupcial.
consideração o seu mundo interior. Para tal, são utilizados verbos e
pronomes em 1ª pessoa, muitas vezes acompanhados de sinais de
Homônimos: são palavras que têm a mesma pronúncia, e às vezes - Pena: pluma; peça de metal para escrever; punição; dó.
a mesma grafia, mas significação diferente. Exemplos: - Velar: cobrir com véu; ocultar; vigiar; cuidar; relativo ao véu
- São (sadio), são (forma do verbo ser) e são (santo). do palato.
- Aço (substantivo) e asso (verbo). Podemos citar ainda, como exemplos de palavras polissêmicas, o
verbo dar e os substantivos linha e ponto, que têm dezenas de
Só o contexto é que determina a significação dos homônimos. A acepções.
homonímia pode ser causa de ambiguidade, por isso é considerada
uma deficiência dos idiomas. Sentido Próprio e Sentido Figurado: as palavras podem ser
O que chama a atenção nos homônimos é o seu aspecto fônico empregadas no sentido próprio ou no sentido figurado. Exemplos:
(som) e o gráfico (grafia). Daí serem divididos em: - Construí um muro de pedra. (sentido próprio).
1. Homógrafos Heterofônicos: iguais na escrita e diferentes no - Ênio tem um coração de pedra. (sentido figurado).
timbre ou na intensidade das vogais. - As águas pingavam da torneira, (sentido próprio).
- Rego (substantivo) e rego (verbo). - As horas iam pingando lentamente, (sentido figurado).
- Colher (verbo) e colher (substantivo).
- Jogo (substantivo) e jogo (verbo). Denotação e Conotação: Observe as palavras em destaque nos
- Apoio (verbo) e apoio (substantivo). seguintes exemplos:
- Para (verbo parar) e para (preposição). - Comprei uma correntinha de ouro.
- Providência (substantivo) e providencia (verbo). - Fulano nadava em ouro.
- Às (substantivo), às (contração) e as (artigo).
- Pelo (substantivo), pelo (verbo) e pelo (contração de per+o). No primeiro exemplo, a palavra ouro denota ou designa
simplesmente o conhecido metal precioso, tem sentido próprio, real,
2. Homófonos Heterográficos: iguais na pronúncia e diferentes denotativo.
na escrita. No segundo exemplo, ouro sugere ou evoca riquezas, poder,
- Acender (atear, pôr fogo) e ascender (subir). glória, luxo, ostentação; tem o sentido conotativo, possui várias
- Concertar (harmonizar) e consertar (reparar, emendar). conotações (ideias associadas, sentimentos, evocações que irradiam
- Concerto (harmonia, sessão musical) e conserto (ato de da palavra).
consertar).
- Cegar (tornar cego) e segar (cortar, ceifar). Ambiguidade
- Apreçar (determinar o preço, avaliar) e apressar (acelerar).
- Cela (pequeno quarto), sela (arreio) e sela (verbo selar). A ambiguidade surge quando algo que está sendo dito admite
- Censo (recenseamento) e senso (juízo). mais de um sentido, comprometendo a compreensão do conteúdo.
- Cerrar (fechar) e serrar (cortar). Isso pode suscitar dúvidas no leitor e levá-lo a conclusões
- Paço (palácio) e passo (andar). equivocadas na interpretação do texto. A ambiguidade é um dos
problemas que podem ser evitados.
- Hera (trepadeira) e era (época), era (verbo).
A inadequação ou a má colocação de elementos como pronomes,
- Caça (ato de caçar), cassa (tecido) e cassa (verbo cassar =
adjuntos adverbiais, expressões e até mesmo enunciados inteiros
anular).
podem acarretar em duplo sentido, comprometendo a clareza do
- Cessão (ato de ceder), seção (divisão, repartição) e sessão
texto. Observe os exemplos que seguem:
(tempo de uma reunião ou espetáculo).
"O professor falou com o aluno parado na sala"
Neste caso, a ambiguidade decorre da má construção sintática
3. Homófonos Homográficos: iguais na escrita e na pronúncia. -
deste enunciado. Quem estava parado na sala? O aluno ou o
Caminhada (substantivo), caminhada (verbo).
professor? A solução é, mais uma vez, colocar "parado na sala" logo
- Cedo (verbo), cedo (advérbio).
ao lado do termo a que se refere: "Parado na sala, o professor falou
- Somem (verbo somar), somem (verbo sumir). com o aluno"; ou "O professor falou com o aluno, que estava parado
- Livre (adjetivo), livre (verbo livrar). na sala".
- Pomos (substantivo), pomos (verbo pôr).
- Alude (avalancha), alude (verbo aludir). "A polícia cercou o ladrão do banco na Rua Santos."

Parônimos: são palavras parecidas na escrita e na pronúncia: O banco ficava na Rua Santos, ou a polícia cercou o ladrão nessa
coro e couro, cesta e sesta, eminente e iminente, degradar e rua? A ambiguidade resulta da má colocação do adjunto adverbial.
degredar, cético e séptico, prescrever e proscrever, Para evitar isso, coloque "na Rua Santos" mais perto do núcleo de
descrição e discrição, infligir (aplicar) e infringir sentido a que se refere: “Na rua Santos, a polícia cercou o ladrão”; ou
(transgredir), sede (vontade de beber) e cede (verbo ceder),
“A polícia cercou o ladrão do banco que localiza-se na rua Santos”.
comprimento e cumprimento,
deferir (conceder, dar deferimento) e diferir (ser diferente,
"Pessoas que consomem bebidas alcoólicas com frequência
divergir, adiar), ratificar (confirmar) e retificar (tornar reto, corrigir),
apresentam sintomas de irritabilidade e depressão."
vultoso (volumoso, muito grande: soma vultosa) e vultuoso
(congestionado: rosto vultuoso).
Mais uma vez a duplicidade de sentido é provocada pela má
colocação do adjunto adverbial. Assim, pode-se entender que "As
Polissemia: Uma palavra pode ter mais de uma significação. A
pessoas que, com frequência, consomem bebidas alcoólicas apresentam
esse fato linguístico dá-se o nome de polissemia. Exemplos:
sintomas de irritabilidade e depressão" ou que "As pessoas que
- Mangueira: tubo de borracha ou plástico para regar as
consomem bebidas alcoólicas apresentam, com frequência, sintomas de
plantas ou apagar incêndios; árvore frutífera; grande curral de
irritabilidade e depressão".
gado.
identificar e estimar parâmetros, aprender a extrair informações
Em certos casos, a ambiguidade pode se transformar num relevantes de um conjunto finito de observações e reconhecer a
importante recurso estilístico na construção do sentido do texto. O organização geral da rede de que participam.
apelo a esse recurso pode ser fundamental para provocar o efeito O fluxo de informação que percorre as artérias das redes sociais é
polissêmico do texto. Os textos literários, de maneira geral (como um poderoso fármaco viciante. Um dos neologismos recentes
romances, poemas ou crônicas), são textos com predomínio da vinculados à dependência cada vez maior dos jovens a esses
linguagem conotativa (figurada). Nesse caso, o caráter metafórico dispositivos é a “nomobofobia” (ou “pavor de ficar sem conexão no
pode derivar do emprego deliberado da ambiguidade. telefone celular”), descrito como a ansiedade e o sentimento de
Podemos verificar a presença da ambiguidade como recurso pânico experimentados por um número crescente de pessoas quando
literário analisando a letra da canção "Jack Soul Brasileiro", do acaba a bateria do dispositivo móvel ou quando ficam sem conexão
compositor Lenine. com a Internet. Essa informação, como toda nova droga, ao embotar
a razão e abrir os poros da sensibilidade, pode tanto ser um remédio
Já que sou brasileiro quanto um veneno para o espírito.
E que o som do pandeiro é certeiro e tem direção
Já que subi nesse ringue (Vinicius Romanini, Tudo azul no universo das redes. Revista
E o país do suingue é o país da contradição USP, no 92. Adaptado)
Eu canto pro rei da levada
Na lei da embolada, na língua da percussão As expressões destacadas nos trechos – meter o bedelho /
A dança, a muganga, o dengo A estimar parâmetros / embotar a razão – têm sinônimos adequados
ginga do mamulengo respectivamente em:
O charme dessa nação (...) a) procurar / gostar de / ilustrar
b) imiscuir-se / avaliar / enfraquecer
Podemos observar que o primeiro verso ("Já que sou brasileiro") c) interferir / propor / embrutecer
permite até três interpretações diferentes. A primeira delas d) intrometer-se / prezar / esclarecer
corresponde ao sentido literal do texto, em que o poeta afirma-se e) contrapor-se / consolidar / iluminar
como brasileiro de fato. A segunda interpretação permite pensar em
uma referência ao cantor e compositor Jackson do Pandeiro - o "Zé 02. (Pref. de Itaquitinga/PE – Psicólogo – IDHTEC/2016)
Jack" -, um dos maiores ritmistas de todos os tempos, considerado um A entrada dos prisioneiros foi comovedora (...) Os combatentes
ícone da história da música popular brasileira, de quem Lenine se diz contemplavam-nos entristecidos. Surpreendiam-se; comoviam-se. O
seguidor. A terceira leitura para esse verso seria a referência à "soul arraial, in extremis, punhalhes adiante, naquele armistício
music" norte-americana, que teve grande influência na música transitório, uma legião desarmada, mutilada faminta e claudicante,
brasileira a partir da década de 1960. num assalto mais duro que o das trincheiras em fogo. Custava-lhes
admitir que toda aquela gente inútil e frágil saísse tão numerosa
Na publicidade, é possível observar o "uso e o abuso" da linguagem ainda dos casebres bombardeados durante três meses.
plurissignificante, por meio dos trocadilhos e jogos de palavras. Esse Contemplando-lhes os rostos baços, os arcabouços esmirrados e
procedimento visa chamar a atenção do interlocutor para a sujos, cujos molambos em tiras não encobriam lanhos, escaras e
mensagem. Para entender melhor, vamos analisar a seguir um escalavros – a vitória tão longamente apetecida decaía de súbito.
anúncio publicitário veiculado por várias revistas importantes. Repugnava aquele triunfo. Envergonhava. Era, com efeito,
contraproducente compensação a tão luxuosos gastos de combates,
Sempre presente - Ferracini Calçados de reveses e de milhares de vidas, o apresamento daquela caqueirada
humana – do mesmo passo angulhenta e sinistra, entre trágica e
O slogan "Sempre presente" pode apresentar, de início, duas imunda, passando-lhes pelos olhos, num longo enxurro de carcaças e
leituras possíveis: o calçado Ferracini é sempre uma boa opção para molambos...
presentear alguém; ou, ainda, o calçado Ferracini está sempre Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma arma,
presente em qualquer ocasião, já que, supõe-se, pode ser usado no dia nem um peito resfolegante de campeador domado: mulheres, sem-
a dia ou em uma ocasião especial. número de mulheres, velhas espectrais, moças envelhecidas, velhas e
moças indistintas na mesma fealdade, escaveiradas e sujas, filhos
Questões escanchados nos quadris desnalgados, filhos encarapitados às costas,
filhos suspensos aos peitos murchos, filhos arrastados pelos braços,
01. (MPE/SP – Biólogo – VUNESP/2016) passando; crianças, sem-número de crianças; velhos, semnúmero de
velhos; raros homens, enfermos opilados, faces túmidas e mortas, de
McLuhan já alertava que a aldeia global resultante das mídias
cera, bustos dobrados, andar cambaleante.
eletrônicas não implica necessariamente harmonia, implica, sim, que
cada participante das novas mídias terá um envolvimento gigantesco
na vida dos demais membros, que terá a chance de meter o bedelho (CUNHA, Euclides da. Os sertões: campanha de Canudos. Edição
onde bem quiser e fazer o uso que quiser das informações que Especial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.)
conseguir. A aclamada transparência da coisa pública carrega consigo
o risco de fim da privacidade e a superexposição de nossas pequenas Em qual das alternativas abaixo NÃO há um par de sinônimos? a)
ou grandes fraquezas morais ao julgamento da comunidade de que Armistício – destruição
escolhemos participar. b) Claudicante – manco
Não faz sentido falar de dia e noite das redes sociais, apenas em c) Reveses – infortúnios
número de atualizações nas páginas e na capacidade dos usuários de d) Fealdade – feiura
distinguir essas variações como relevantes no conjunto virtualmente e) Opilados – desnutridos
infinito das possibilidades das redes. Para achar o fio de Ariadne no 03. (Pref. de Lauro Muller/SC – Auxiliar Administrativo –
labirinto das redes sociais, os usuários precisam ter a habilidade de FAEPESUL/2016)
Atento ao emprego dos Homônimos, analise as palavras a) Que existe intrinsecamente num indivíduo ou coisa.
sublinhadas e identifique a alternativa CORRETA: b) Brusco; violento; difícil.
a) Ainda vivemos no Brasil a descriminação racial. c) Que não é tradicional, comum ou usual.
Isso é crime! d) Que exige destreza, perícia ou coragem.
b) Com a crise política, a renúncia já parecia eminente.
c) Descobertas as manobras fiscais, os políticos irão
agora expiar seus crimes. 07. (UNESP – Assistente Administrativo I – VUNESP/2016)
d) Em todos os momentos, para agir corretamente, é
preciso o O gavião
bom censo.
e) Prefiro macarronada com molho, mas sem estrato Gente olhando para o céu: não é mais disco voador. Disco
de tomate. voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a lua.
Olhamos todos para o céu em busca de algo mais sensacional e
04. (Pref. de Cruzeiro/SP – Instrutor de Desenho Técnico e comovente – o gavião malvado, que mata pombas.
Mecânico – Instituto Excelência/2016) O centro da cidade do Rio de Janeiro retorna assim à
Assinale a alternativa em que as palavras podem servir de contemplação de um drama bem antigo, e há o partido das pombas e
exemplos de parônimos: o partido do gavião. Os pombistas ou pombeiros (qualquer palavra é
a) Cavaleiro (Homem a cavalo) – Cavalheiro (Homem gentil). melhor que “columbófilo”) querem matar o gavião. Os amigos deste
b) São (sadio) – São (Forma reduzida de Santo). dizem que ele não é malvado tal; na verdade come a sua pombinha
c) Acento (sinal gráfico) – Assento (superfície onde se senta). com a mesma inocência com que a pomba come seu grão de milho.
d) Nenhuma das alternativas. Não tomarei partido; admiro a túrgida inocência das pombas e
também o lance magnífico em que o gavião se despenca sobre uma
05. (TJ/MT – Analista Judiciário – Ciências Contábeis – delas. Comer pombas é, como diria Saint-Exupéry, “a verdade do
UFMT/2016) gavião”, mas matar um gavião no ar com um belo tiro pode também
Na língua portuguesa, há muitas palavras parecidas, seja no modo ser a verdade do caçador.
de falar ou no de escrever. A palavra sessão, por exemplo, assemelha- Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente o
se às palavras cessão e seção, mas cada uma apresenta sentido gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate, pode lhe
diferente. Esse caso, mesmo som, grafias diferentes, denomina-se suceder que ele encontre seu gavião em outro homem.
homônimo homófono. Assinale a alternativa em que todas as palavras
se encontram nesse caso. (Rubem Braga. Ai de ti, Copacabana, 1999. Adaptado)
a) taxa, cesta, assento
b) conserto, pleito, ótico O termo gavião, destacado em sua última ocorrência no texto –
c) cheque, descrição, manga … pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro homem. –
d) serrar, ratificar, emergir , é empregado com sentido
a) próprio, equivalendo a inspiração.
06. (TJ/MT – Analista Judiciário – Direito – UFMT/2016 ) b) próprio, equivalendo a conquistador.
c) figurado, equivalendo a ave de rapina.
A fuga dos rinocerontes d) figurado, equivalendo a alimento.
Espécie ameaçada de extinção escapa dos caçadores da maneira e) figurado, equivalendo a predador.
mais radical possível – pelo céu.
08. (IPSMI – Procurador – VUNESP/2016)
Os rinocerontes-negros estão entre os bichos mais visados da
África, pois sua espécie é uma das preferidas pelo turismo de caça. CONTRATEMPOS
Para tentar salvar alguns dos 4.500 espécimes que ainda restam na
natureza, duas ONG ambientais apelaram para uma solução extrema: Ele nunca entendeu o tédio, essa impressão de que existem mais
transportar os rinocerontes de helicóptero. A ação utilizou horas do que coisas para se fazer com elas. Sempre faltou tempo para
helicópteros militares para remover 19 espécimes – com 1,4 tanta coisa: faltou minuto para tanta música, faltou dia para tanto sol,
toneladas cada um – de seu habitat original, na província de Cabo faltou domingo para tanta praia, faltou noite para tanto filme, faltou
Oriental, no sudeste da África do Sul, e transferi-los para a província ano para tanta vida.
de Lampopo, no norte do país, a 1.500 quilômetros de distância, onde Existem dois tipos de pessoa. As pessoas com mais coisa que
viverão longe dos caçadores. Como o trajeto tem áreas inacessíveis tempo e as pessoas com mais tempo que coisas para fazer com o
de carro, os rinocerontes tiveram de voar por 24 quilômetros. tempo.
Sedados e de olhos vendados (para evitar sustos caso acordassem), As pessoas com menos tempo que coisa são as que buzinam
os rinocerontes foram içados pelos tornozelos e voaram entre 10 e 20 assim que o sinal fica verde, e ficam em pé no avião esperando a porta
minutos. Parece meio brutal? Os responsáveis pela operação dizem se abrir, e empurram e atropelam as outras para entrar primeiro no
que, além de mais eficiente para levar os paquidermes a locais de vagão do trem, e leem livros que enumeram os “livros que você tem
difícil acesso, o procedimento é mais gentil. (BADÔ, F. A que ler antes de morrer” ao invés de ler diretamente os livros que
fuga dos rinocerontes. você tem de ler antes de morrer.
Superinteressante, nº 229, 2011.) Esse é o caso dele, que chega ao trabalho perguntando onde é a
festa, e chega à festa querendo saber onde é a próxima, e chega à
A palavra radical pode ser empregada com várias acepções, por próxima festa pedindo táxi para a outra, e chega à outra percebendo
isso denomina-se polissêmica. Assinale o sentido dicionarizado que é que era melhor ter ficado na primeira, e quando chega a casa já está
mais adequado no contexto acima. na hora de ir para o trabalho.
Ela sempre pertenceu ao segundo tipo de pessoa. Sempre teve Especial. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.)
tempo de sobra, por isso sempre leu romances longos, e passou
tardes longas vendo pela milésima vez a segunda temporada de Em qual dos trechos foi empregada palavra ou expressão em
“Grey’s Anatomy” mas, por ter tempo demais, acabava sobrando sentido conotativo?
tempo demais para se preocupar com uma hérnia imaginária, ou para a) “A entrada dos prisioneiros foi comovedora”
tentar fazer as pazes com pessoas que nem sabiam que estavam b) “Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma
brigadas com ela, ou escrever cartas longas dentro da cabeça para o arma, nem um peito resfolegante...”
ex-namorado, os pais, o país, ou culpar o sol ou a chuva, ou comentar c) “Era, com efeito, contraproducente compensação a tão
“e esse calor dos infernos?”, achando que a culpa é do mau tempo luxuosos gastos de combates...”
quando na verdade a culpa é da sobra de tempo, porque se ela não d) “...os arcabouços esmirrados e sujos...”
tivesse tanto tempo não teria nem tempo para falar do tempo. e) “faces túmidas e mortas, de cera, bustos dobrados, andar
Quando se conheceram, ele percebeu que não adiantava correr cambaleante”
atrás do tempo porque o tempo sempre vai correr mais rápido, e ela
percebeu que às vezes é bom correr para pensar menos, e pensar 10. (Pref. de Florianópolis/SC – Auxiliar de Sala –
menos é uma maneira de ser feliz, e ambos perceberam que a FEPESE/2016)
felicidade é uma questão de tempo. Questão de ter tempo o suficiente O termo (ou expressão) em destaque, que está empregado em seu
para ser feliz, mas não o bastante para perceber que essa felicidade sentido próprio, denotativo, ocorre em:
não faz o menor sentido. a) Estou morta de cansada.
b) Aquela mulher fala mal de todos na vizinhança! É uma cobra.
(Gregório Duvivier. Folha de S.
c) Todo cuidado é pouco. As paredes têm ouvidos.
Paulo, 30.11.2015. Adaptado)
d) Reclusa desde que seu cachorrinho morreu, Filomena
finalmente saiu de casa ontem.
É correto afirmar que o título do texto tem sentido
e) Minha amiga é tão agitada! A bateria dela nunca acaba!
a) próprio, indicando os obstáculos que cada
personagem
Respostas
encontra quando depara com o tempo.
b) próprio, fazendo referência às reações das pessoas
às atitudes 01. Resposta B
das personagens. Imiscuir: tomar parte em, dar opinião sobre (algo) que não lhe diz
c) figurado, indicando que o tempo é intangível, pouco respeito; intrometer-se, interferir
importando as consequências de subestimá-lo. Embotar: tirar ou perder o vigor; enfraquecer(-se).
d) figurado, indicando o contraste na maneira como as
personagens se relacionam com o tempo. 02. Resposta A
e) figurado, se associado a “ele”, mas próprio, se Armistício é um acordo formal, segundo o qual, partes envolvidas
associado a “ela”, pois se trata do tempo real. em conflito armado concordam em parar de lutar. Não
necessariamente é o fim da guerra, uma vez que pode ser apenas um
09. (Pref. de Itaquitinga/PE – Psicólogo – IDHTEC/2016) cessar-fogo enquanto tenta-se realizar um tratado de paz.
A entrada dos prisioneiros foi comovedora (...) Os combatentes
contemplavam-nos entristecidos. Surpreendiam-se; comoviam-se. O 03. Resposta C
arraial, in extremis, punhalhes adiante, naquele armistício a) Discriminação é um substantivo feminino que
transitório, uma legião desarmada, mutilada faminta e claudicante, significa
num assalto mais duro que o das trincheiras em fogo. Custava-lhes distinguir ou diferenciar.
admitir que toda aquela gente inútil e frágil saísse tão numerosa b) Eminente é o que se destaca por sua qualidade ou
ainda dos casebres bombardeados durante três meses. importância; excelente, superior. Iminente é o que está prestes a
Contemplando-lhes os rostos baços, os arcabouços esmirrados e acontecer.
sujos, cujos molambos em tiras não encobriam lanhos, escaras e c)Correta
escalavros – a vitória tão longamente apetecida decaía de súbito. d) Bom senso é um conceito usado na argumentação
Repugnava aquele triunfo. Envergonhava. Era, com efeito, que está
contraproducente compensação a tão luxuosos gastos de combates, estritamente ligado às noções de sabedoria e de razoabilidade.
de reveses e de milhares de vidas, o apresamento daquela caqueirada e) Estrato se refere a uma camada, uma faixa. Extrato
humana – do mesmo passo angulhenta e sinistra, entre trágica e se refere, principalmente, a alguma coisa que foi retirada de outra,
imunda, passando-lhes pelos olhos, num longo enxurro de carcaças e ou seja, extraída de outra.
molambos...
Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma arma, 04. Resposta A
nem um peito resfolegante de campeador domado: mulheres, sem-
a) CORRETA. Paronímia “é a relação que se
número de mulheres, velhas espectrais, moças envelhecidas, velhas e
estabelece entre duas ou mais palavras que possuem significados
moças indistintas na mesma fealdade, escaveiradas e sujas, filhos
diferentes, mas são muito parecidas na pronúncia e na escrita, isto
escanchados nos quadris desnalgados, filhos encarapitados às costas,
é, os parônimos”. Exemplos: Cavaleiro – cavalheiro
filhos suspensos aos peitos murchos, filhos arrastados pelos braços,
Absolver – absorver
passando; crianças, sem-número de crianças; velhos, semnúmero de
Comprimento – cumprimento.
velhos; raros homens, enfermos opilados, faces túmidas e mortas, de
cera, bustos dobrados, andar cambaleante.
b) INCORRETA. Tais palavras são homófonas e
homógrafas, ou
(CUNHA, Euclides da. Os sertões: campanha de Canudos. Edição
seja, possuem grafia e pronúncia iguais. c) Todo cuidado é pouco. As paredes têm ouvidos. FIGURADO
Outro exemplo é: Cura (verbo) e Cura (substantivo). d) Reclusa desde que seu cachorrinho morreu, Filomena
finalmente saiu de casa ontem. DENOTATIVO
e) Minha amiga é tão agitada! A bateria dela nunca acaba!
c)INCORRETA. Tais palavras são homófonas, ou seja, apesar FIGURADO
de
possuírem a mesma pronúncia, são diferentes na escrita.
Outro exemplo é: cela (substantivo) e sela (verbo) 5. Emprego dos pronomes
demonstrativos
05. Resposta A
a) taxa, cesta, assento
TAXA/TACHA(verbo) - homônimo homófono
CESTA/SEXTA = homônimo homófono ASSENTO/ACENTO
= homônimo homófono
b) conserto, pleito, ótico É a palavra que acompanha ou substitui o nome, relacionando-o a
CONCERTO/CONSERTO = homônimo homófono uma das três pessoas do discurso. As três pessoas do discurso são: 1ª
PLEITO/PREITO = parônimos (parecidas) pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou emissor;
ÓTICO/OPTICO = Ótico: relativo aos ouvidos/Óptico: relativo aos 2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se fala ou
olhos = parônimos receptor;
c) cheque, descrição, manga 3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de quem
CHEQUE/XEQUE = homônimos homófonos se fala ou referente.
DESCRIÇÃO/DISCRIÇÃO=parônimos Dependendo da função de substituir ou acompanhar o nome, o
MANGA (roupa)/MANGA(fruta) = homônimos perfeitos pronome é, respectivamente: pronome substantivo ou pronome
d) serrar, ratificar, emergir adjetivo.
CERRAR/SERRAR = homônimos homófonos Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento,
possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos.
RATIFICAR/RETIFICAR = parônimos
EMERGIR/IMERGIR = parônimos
Pronomes Pessoais: Os pronomes pessoais dividem-se em:
- retos - exercem a função de sujeito da oração: eu, tu, ele, nós,
06. Resposta C
vós, eles:
Polissemia: “Trata da pluralidade significativa de um mesmo
- oblíquos - exercem a função de complemento do verbo
vocábulo, que, a depender do contexto, terá uma significação diversa.
(objeto direto / objeto indireto) ou as, lhes. - Ela não vai conosco. (ela-
Em palavras mais simples: a palavra polissêmica é aquela que,
pronome reto / vai-verbo / conosco complemento nominal. São:
dependendo do contexto, muda de sentido (mas não muda de classe
tônicos com preposição: mim, comigo, ti, contigo,si, consigo, conosco,
gramatical!). “A Gramática para concursos públicos, 2º edição, 2015,
convosco; átonos sem preposição: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os,-
p. 81)
pronome oblíquo) - Eu dou atenção a ela. (eu-pronome reto / dou-
Os rinocerontes fugiram de helicóptero, concordam que é uma verbo / atenção-nome / ela-pronome oblíquo)
maneira incomum? Não é algo que se ver diariamente, por isso a
alternativa que se encaixa melhor no contexto é a letra "c".
Pronomes de Tratamento: São usados no trato com as pessoas.
Dependendo da pessoa a quem nos dirigimos, do seu cargo, idade,
07. Resposta E título, o tratamento será familiar ou cerimonioso: Vossa Alteza-
"Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente o V.A.príncipes, duques; Vossa Eminência-V.Ema-cardeais; Vossa
gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate, pode Excelência-V.Ex.a-altas autoridades, presidente, oficiais; Vossa
lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro homem." Magnificência-V.Mag.a-reitores de universidades; Vossa
MajestadeV.M.-reis, imperadores; Vossa Santidade-V.S.-Papa; Vossa
O trecho indica que na ausência de um outro predador para o Senhoria-
homem (alguém que lhe mate - ideia substituída no texto pela V.Sa-tratamento cerimonioso.
associação com o gavião, em sentido figurado), pode acontecer de ser - São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, a
outro homem o responsável por tal ato. senhorita, dona, você.
- Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico.
08. Resposta D Nas comunicações oficiais devem ser utilizados somente dois fechos:
O contexto é determinante para que atribuamos este ou aquele - Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive
sentido a uma palavra. para o presidente da República.
- Atenciosamente: para autoridades de mesmahierarquia
09. Resposta E oude hierarquia inferior.
"face túmidas e mortas" dá o sentido figurado. - A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada quando
se fala com a própria pessoa: Vossa Senhoria não compareceu à
10. Resposta D reunião dos sem-terra? (falando com a pessoa)
CONOTATIVO- SENTIDO FIGURADO - A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando se
DENOTATIVO - sentido real (dicionário) a) fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o cardeal, viajouparaum
Estou morta de cansada. Congresso. (falando a respeito do cardeal)
b) Aquela mulher fala mal de todos na vizinhança! É uma cobra. - Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria,
FIGURADO Excelência, Eminência, Majestade), embora indiquem a 2ª pessoa
(com quem se fala), exigem que outros pronomes e o verbo sejam
usados na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que seus ministros o
apoiarão.

Pronomes Possessivos: São os pronomes que indicam posse em


relação às pessoas da fala.
Singular: 1ª pessoa: meu, meus, minha, minhas; 2ª pessoa: teu,
teus, tua, tuas; 3ª pessoa: seu, seus, sua, suas;
Plural: 1ª pessoa: nosso/os nossa/as, 2ª pessoa: vosso/os vossa/as.
3ª pessoa: seu, seus, sua, suas.

Pronomes Demonstrativos: Indicam a posição dos seres


designados em relação às pessoas do discurso, situando-os no espaço
ou no tempo. Apresentam-se em formas variáveis e invariáveis.

- Em relação ao espaço:
Este (s), esta (s), isto: indicam o ser ou objeto que está próximo da
pessoa que fala. Exemplo: Este é o meu primeiro celular, amigos.

Esse (s), essa (s), isso: designam a pessoa ou a coisa próxima


daquela com quem falamos ou para quem escrevemos. Exemplo:
Senhor, quanto custa esse pacote de milho?

Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam o ser ou objeto que está
longe de quem fala e da pessoa de quem se fala (3ª pessoa). Exemplo:
Você pode me emprestar aquele livro de matemática?

Observação:
Os pronomes “Aquele(s)”, “Aquela(s)” também podem indicar
afastamento temporal. Exemplos:
Aqueles belos tempos que não voltam mais.
Naquela época eram todas unidas.

- Em relação ao tempo:
Este (s), esta (s), isto: indicam o tempo presente em relação ao
momento em que se fala. Exemplo: Este mês termina o prazo das
inscrições para o vestibular da FAL.

Apostila gerada especialmente para: Mailton Martins de Brito 106.232.004-22


Esse (s), essa (s), isso: designam tempo no passado ou no futuro.

6
Exemplos: Onde você esteve essa semana toda? / Sei que serei - Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade? (interrogativa
aprovado e, quando chegar esse momento, serei feliz! direta, com o ponto de interrogação)
- Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade.
Aquele (s), aquela (s), aquilo: indicam um tempo distante em (interrogativa indireta, sem a interrogação)
relação ao momento em que se fala. Exemplo: Bons tempos aqueles em
que brincávamos descalços na rua... Questões

- dependendo do contexto, também são considerados 01. (IF Sul – MG - Assistente em Administração – IF Sul-
pronomes demonstrativos o, a, os, as, mesmo, próprio, semelhante, tal, MG/2016)
equivalendo a aquele, aquela, aquilo. O próprio homem destrói a
natureza; Depois de muito procurar, achei o que queria; O professor
Vício em internet: quando o acesso à web se torna uma
fez a mesma observação; Estranhei semelhante coincidência; Tal
doença
atitude é inexplicável.
- para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e
Acredite ou não: o conceito de dependência em internet começou
variações) para o elemento que foi referido em 1º Iugar e este (e
variações) para o que foi referido em último lugar. Pais e mães vieram como uma piada. Em 1995, o psiquiatra norte-americano Ivan
Goldberg publicou um artigo satírico em seu site pessoal no qual ele
à festa de encerramento; aqueles, sérios e orgulhosos, estas, elegantes
descrevia um problema recém-descoberto e batizado como IAD (sigla
e risonhas.
para Internet Addiction Disorder, ou Desordem do Vício em Internet).
- dependendo do contexto os demonstrativos também servem
O que Goldberg não imaginava era que a imprensa e a
como palavras de função intensificadora ou depreciativa. Júlia fez o
exercício com aquela calma! (=expressão intensificadora). Não se comunidade científica passariam a tratar o IAD como um problema
real, usando como gancho os rápidos avanços tecnológicos ocorridos
preocupe; aquilo é uma tranqueira! (=expressão depreciativa)
na década de 90. Com o advento dos navegadores, buscadores e
- as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de então
computadores pessoais, era natural que tal assunto chamasse
ou nesse momento. A festa estava desanimada; nisso, a orquestra tocou
atenção até mesmo dos leigos.
um samba e todos caíram na dança.
Ainda que não seja mencionado na versão mais recente do Manual
- os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5, datado de
elemento anteriormente expresso. Ninguém ligou para o incidente,
2013), os profissionais de psiquiatria e psicologia do mundo inteiro
mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo.
são unânimes: o vício em internet existe e é uma doença bastante
perigosa. Hoje em dia temos milhares de casos em todo o planeta,
Pronomes Indefinidos: São aqueles que se referem à 3ª pessoa do incluindo no Brasil, onde ainda é bastante difícil encontrar
discurso de modo vago indefinido, impreciso: Alguém disse que Paulo tratamento especializado para quem sofre desse mal.
César seria o vencedor. Alguns desses pronomes são variáveis em
Assim como outros transtornos psicológicos, a dependência em
gênero e número; outros são invariáveis.
internet pode afetar qualquer pessoa, mas alguns indivíduos
Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, certo, vários, possuem maior predisposição a desenvolverem a doença. De acordo
tanto, quanto, um, bastante, qualquer. com a psicóloga Daniela Faertes, especialista em mudança de
comportamento, pessoas introvertidas e que têm dificuldades em
manter relações interpessoais são as que possuem maior tendência a
60 se tornarem viciadas.
Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, algo, quem, nada, cada, Os fanáticos pela internet geralmente são afetados por problemas
mais, menos, demais. pessoais ou familiares, incluindo bullying, exclusão social,
frustrações profissionais, conturbações no casamento e até mesmo
Locuções Pronominais Indefinidas: São locuções pronominais dificuldades financeiras. Tendo isso em mente, o acesso frenético à
indefinidas duas ou mais palavras que equiva em ao pronome internet pode ser entendido como uma válvula de escape desse
indefinido: cada qual / cada um / quem quer que seja / seja quem for indivíduo – um local confortável que acaba tomando o lugar do
/ qualquer um / todo aquele que / um ou outro / tal qual (=certo) mundo real.
/ tal e, ou qual / Para Daniela Faertes, é necessário que haja um autocontrole dos
horários em que se acessa a internet e utiliza o telefone celular. “Uma
Pronomes Relativos: São aqueles que representam, numa 2ª das grandes questões é que, mesmo não sendo dependente, a internet
oração, alguma palavra que já apareceu na oração anterior. Essa provoca uma percepção distorcida da passagem do tempo e, como a
palavra da oração anterior chama-se antecedente: Comprei um carro gama de assuntos que pode ser acessada por ela é infinita, é necessário
que é movido a álcool e à gasolina. É Flex Power. Percebe-se que o colocar um limite pessoal”, observa.
pronome relativo que, substitui na 2ª oração, o carro, por isso a
palavra que é um pronome relativo. Dica: substituir que por o, a, os, Disponível em: <http://goo.gl/hFSm5J>. Acesso em: 30 abr 2016
as, qual / quais. (com adaptações).
Os pronomes relativos estão divididos em variáveis e invariáveis.
Variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja, cujas, As expressões destacadas dos trechos “no qual ele descrevia um
quanto, quantos; problema” e “para quem sofre desse mal” pertencem a uma categoria de
Invariáveis: que, quem, quando, como, onde. palavras da língua que têm por função:
a) Indicar a retomada de informações introduzidas previamente
Pronomes Interrogativos: São os pronomes em frases em outras passagens do texto.
ínterrogativas diretas ou indiretas. Os principais interrogativos são: b) Sinalizar as relações (temporais, causais, adversativas, por
que, quem, qual, quanto: exemplo) existentes entre blocos de informações.
c) Apresentar um cenário em cujo interior informações

6
subsequentes devem ser interpretadas. c) I, II e IV.
d) Sintetizar as novas informações constantes no parágrafo d) I e IV.
seguinte. e) III e IV.

02. (IF-PA - Auxiliar em Administração – FUNRIO/2016) 04. (Pref. de Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo –
O emprego do pronome relativo está de acordo com as normas da IDHTEC/2016)
língua-padrão em:
a) Finalmente aprovaram o decreto que lutamos tanto
por ele.
b) Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo que
tenho direito.
c) Eu aprovaria o texto daquele parecer que o relator
apresentou
ontem.
d) Existe um escritor brasileiro que todos os brasileiros
nos
orgulhamos.
e) Na política, às vezes acontecem traições onde
mostram muita
sordidez.

03. (ELETROBRAS-ELETROSUL - Técnico de Segurança do


Trabalho – FCC/2016)
O emprego do pronome “aquela” na charge: a)
Dá uma conotação irônica à frase.
Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a
b) Representa uma forma indireta de se dirigir ao casal.
energia solar
c) Permite situar no espaço aquilo a que se refere.
Bem no meio do deserto, há um lugar onde o calor é extremo. Sessenta
d) Indica posse do falante.
e três graus ou até mais no verão. E foi exatamente por causa da
e) Evita a repetição do verbo.
temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das maiores usinas de
energia solar do mundo.
Os Emirados Árabes estão investindo em fontes energéticas renováveis. 05. (Pref. de Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala –
Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra por mais 100 anos pelo FEPESE/2016)
menos. O que pretendem é diversificar e poluir menos. Uma aposta no Analise a frase abaixo:
futuro.
A preocupação com o planeta levou Abu Dhabi a tirar do papel a cidade “O professor discutiu............mesmos a respeito da desavença entre
sustentável de Masdar. Dez por cento do planejado está pronto. Um .........e ........ .
traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de fora. Lá só se anda a pé
ou de bicicleta. As ruas são bem estreitas para que um prédio faça sombra Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do
no outro. É perfeito para o deserto. Os revestimentos das paredes isolam o texto.
calor. E a direção dos ventos foi estudada para criar corredores de brisa. a) com nós • eu • ti
b) conosco • eu • tu
(Adaptado de: “Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido c) conosco • mim • ti
a energia solar”. Disponível d) conosco • mim • tu
em:http://g1.globo.com/globoreporter/noticia/2016/04/abudha e) com nós • mim • ti
bi-constroi-cidade-do-futuro-com-tudo-movido-energia-
solar.html) 06. (COMLURB - Técnico de Segurança do Trabalho –
IBFC/2016)
Considere as seguintes passagens do texto: Das opções abaixo, assinale a única que apresenta corretamente a
I. E foi exatamente por causa da temperatura que foi construída colocação do pronome.
em Abu Dhabi uma das maiores usinas de energia solar do mundo. (1º a) Esqueci de te contar que vi ele na rua.
parágrafo) b) Nunca pode-se falar mal de quem não conhece-se
II. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra por mais 100 c) Esta situação se-refere a assuntos empresariais.
anos pelo menos. (2º parágrafo) d) Precisa-se de bons funcionários.
III. Um traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de fora. (3º 07. (MPE-RS - Agente Administrativo – MPE-RS/2016)
parágrafo) Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as
IV. As ruas são bem estreitas para que um prédio faça sombra no lacunas dos enunciados abaixo.
outro. (3º parágrafo) 1. Quanto ao pedido do Senhor Secretário, a secretaria deverá
________ que ainda não há disponibilidade de recursos.
O termo “que” é pronome e pode ser substituído por “o qual” 2. Apesar de o regimento não exigir uma sindicância neste tipo de
APENAS em situação, a gravidade da ocorrência ________, sem dúvida.
a) I e II. 3. Embora os novos artigos limitem o alcance da lei, eles não
b) II e III. ________.

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corporal de todas nós, e para que os homens sejam educados a respeitá-
a) informar-lhe – a justificaria – revogam-na la.
b) informar-lhe – justificá-la-ia – a revogam Adaptado de Joanna Burigo - Revista Carta Capital, 02/03/2016.
c) informá-lo – justificar-lhe-ia – a revogam
d) informá-lo – a justificaria – lhe revogam Na oração “ao invés de culpar as mulheres”, a substituição do
e) informar-lhe – justificá-la-ia – revogam-na elemento destacado pelo pronome oblíquo correspondente está
correta em:
08. (MPE-SC - Promotor de Justiça – Vespertina – MPE- a) ao invés de culpá-las
SC/2016) b) ao invés de culpar-lhe
c) ao invés de culpar-nas
“As emoções não são um privilégio humano. Os bichos também d) ao invés de lhes culpar
sentem tristeza, alegria, raiva, amor. Para compreender ainda mais o e) ao invés de culpar-lhes
comportamento deles, os zoólogos tentam decifrar esses estados
emocionais, estudando as suas expressões corporais. 10. (IBGE - Analista - Processos Administrativos
Os elefantes são considerados excelentes modelos para o estudo dos e
sentimentos animais, pois parecem estar sempre com a emoção à flor da Disciplinares – FGV/2016)
pele. Quando um deles morre, os outros fazem verdadeiros rituais
fúnebres, formando um círculo em torno do cadáver, sobre o qual Texto – A eficácia das palavras certas
depositam folhas e galhos, enquanto choram copiosamente.”
(http:/super.abril.com.br/ciência/sentimento-animal) Havia um cego sentado numa calçada em Paris. A seus pés, um
boné e um cartaz em madeira escrito com giz branco gritava: “Por
Em “Para compreender ainda mais o comportamento deles" a favor, ajude-me. Sou cego”. Um publicitário da área de criação, que
expressão sublinhada equivale a “o seu comportamento”. passava em frente a ele, parou e viu umas poucas moedas no boné.
( ) Certo ( ) Errado Sem pedir licença, pegou o cartaz e com o giz escreveu outro conceito.
Colocou o pedaço de madeira aos pés do cego e foi embora.
09. (Prefeitura de Trindade/GO - Professor P − III Ao cair da tarde, o publicitário voltou a passar em frente ao cego
(Pedagogo) - FUNRIO/2016) que pedia esmola. Seu boné, agora, estava cheio de notas e moedas. O
cego reconheceu as pegadas do publicitário e perguntou se havia sido
NÃO É A PEÇA, É O QUE ELA REPRESENTA ele quem reescrevera o cartaz, sobretudo querendo saber o que ele
havia escrito.
O abaixo-assinado Vai ter shortinho sim, feito por alunas de um O publicitário respondeu: “Nada que não esteja de acordo com o
conceito original, mas com outras palavras”. E, sorrindo, continuou o
colégio tradicional, em Porto Alegre, fez verão na mídia do sul durante
seu caminho. O cego nunca soube o que estava escrito, mas seu novo
toda a última semana. No manifesto que acompanha a petição − que já
cartaz dizia: “Hoje é primavera em Paris e eu não posso vê-la”.
conta com mais de 20 mil apoiadores − as gurias exigem que algumas
(Produção de Texto, Maria Luíza M. Abaurre e Maria Bernadete
regras do vestuário sejam alteradas pela escola. No comovente
M. Abaurre)
manifesto, meninas entre 13 e 18 anos exigem que a escola se ocupe de
ensinar respeito em vez de ditar o que elas podem ou não vestir,
explicam que regulações acerca da indumentária feminina reforçam a A frase abaixo em que o emprego do demonstrativo sublinhado está
ideia de que assediar é da natureza do homem, e pedem que a escola inadequado é:
abandone a mentalidade de que cabe às mulheres a prevenção da a) “As capas deste livro que você leva são muito separadas”.
violência sexual. “Ao invés de humilhar meninas pelos seus corpos, (Ambrose Bierce);
ensinem os meninos que elas não são objetos sexuais”, diz o manifesto. b) “Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é
O argumento aqui é simples: abaixo o controle dos corpos das mulheres porque um dos dois é burro”. (Mário Quintana);
− controle que, historicamente, se manifesta com força na seara das c) “Claro que a vida é bizarra. O único modo de encarar isso é
modas. Em O Segundo Sexo (1949), Simone de Beauvoir relata como as fazer pipoca e desfrutar o show”. (David Gerrold);
roupas podem ser ferramentas da opressão das mulheres, mas é bom d) “Não há nenhum lugar nessa Terra tão distante quanto
lembrar que o foco da crítica feminista é o machismo, more ele na ontem”. (Robert Nathan);
diferença salarial, na pouca representatividade política, em alguma e) “Escritor original não é aquele que não imita ninguém, é
vestimenta específica... ou em sua proibição. E a proibição, que é aquele que ninguém pode imitar”. (Chateaubriand).
exclusiva para as meninas, só existe por causa de uma suposta falta de
controle da sexualidade masculina. O manifesto não é pelo direito de Respostas
usar uma roupa X, mas pelo direito de usar essa roupa sabendo que a
responsabilidade pelo que ela supostamente provocaria nos rapazes é 01. Resposta A
dos rapazes. A confusão acerca dessa petição tem origem na falta de O pronome ele, de acordo com o comando da questão, está
entendimento a respeito do argumento central do feminismo, que é a retomando um termo anterior - Anáfora, assim como a palavra desse.
erradicação da opressão das mulheres em todas as suas formas − o que,
necessariamente, exige que os homens tomem responsabilidade por 02. Resposta C
suas ações ao invés de culpar as mulheres quando eles “perdem o a) Finalmente aprovaram o decreto que lutamos tanto por ele.
controle”. Raramente as objeções que fazemos dizem respeito apenas Quem luta, luta por algo.
aos objetos que aparecem como foco das nossas demandas. Assim, a
Forma correta: Finalmente aprovaram o decreto pelo qual lutamos
campanha #vaitershortinhosim não é apenas sobre o direito de usar ou
tanto.
não shortinho na escola, mas também serve para promover a autonomia

6
b) Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo que tenho c) Esta situação REFERE-SE a assuntos empresariais. Estaria
direito. CORRETO!
Tem direito a algo. d) Precisa-se de bons funcionários. A colocação do pronome está
Forma correta: Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo a que correta de acordo com a regra.
tenho direito.
c) (GABARITO) Eu aprovaria o texto daquele parecer que o 07. Resposta B
relator apresentou ontem. 1. Quanto ao pedido do Senhor Secretário, a secretaria deverá
Apresentar: VTD. INFORMAR-LHE que ainda não há disponibilidade de recursos. O
d) Existe um escritor brasileiro que todos os brasileiros pronome LHE caracteriza um objeto indireto, que no caso é o Senhor
nos orgulhamos. Secretário; o objeto direto é:"que ainda não há disponibilidade de
Orgulhar de algo ou de alguém. recursos".
Forma correta: Existe um escritor brasileiro do qual todos os 2. Apesar de o regimento não exigir uma sindicância neste tipo
brasileiros nos orgulhamos. de situação, a gravidade da ocorrência
e) Na política, às vezes acontecem traições onde mostram muita JUSTIFICÁ-LA-IA, sem dúvida. Se o verbo estiver no futuro do
presente ou no futuro do pretérito, ocorrerá a mesóclise, desde que
sordidez.
não haja palavra atrativa Ex: “a gravidade da ocorrência NÃO A
Onde é usado para substituir termos que contenham a noção de justificaria".
lugar. Nesse caso não deveria ser usado onde e sim as quais,
3. Embora os novos artigos limitem o alcance da lei, eles não A
concordando com traições.
revogam. O advérbio de negação NÃO atrai o pronome oblíquo A
Forma correta: Na política, às vezes acontecem traições as quais causando uma próclise.
mostram muita sordidez.
08. Certo
Questão de interpretação: O comportamento é um só.
03. Resposta B
O que são deles? O comportamento. O seu comportamento....
QUE = o qual(s) a qual(s), é pronome relativo.
I. E foi justamente por causa da temperatura O QUAL foi
09. Resposta A
construída... (errado, a temperatura A qual)
Os pronomes o, os, a, as assumem formas especiais depois de
II. Não vão substituir o petróleo, O QUAL eles têm de sobra...
certas terminações verbais. Quando o verbo termina em -z, -s ou -r, o
(certo, o petróleo tem de sobra, o qual)
pronome assume a forma lo, los, la ou las, ao mesmo tempo que a
III. Um traçado urbanístico ousado, O QUAL deixa os carros...
terminação verbal é suprimida. Por exemplo:
(certo, o traçado deixa os carros, o qual)
fiz + o = fi-lo fazeis +
IV. As ruas são bem estreitas para ISSO.... (Conjunção integrante).
o = fazei-lo
dizer + a = dizê-la
04. Resposta C
“O pronome demonstrativo é utilizado em três situações. Pode se
10. Resposta A
referir a espaço, ideias ou elementos”.
Exemplos de pronomes demonstrativos: a) “As capas desse livro que você leva são muito separadas”.
(Ambrose Bierce);
Primeira pessoa: este, estes, estas (variáveis); isto (invariável).
Este - próximo do falante / esse - próximo do ouvinte / aquele -
Segunda pessoa: esse, essa, esses, essas (variáveis); isso (invariável).
longe do ouvinte e do falante.
Terceira pessoa: aquele, aquela, aquelas (variáveis); aquilo
b) “Quando alguém pergunta a um autor o que este (aqui está
(invariável).
implícito autor) quis dizer, é porque um dos dois é burro”. (Mário
Quintana);
05. Resposta E
c) “Claro que a vida é bizarra. O único modo de encarar isso
Os pronomes conosco e convosco devem ser substituídos por com (refere-se a vida) é fazer pipoca e desfrutar o show”. (David
nós e com vós, respectivamente, quando aparecem seguidos de Gerrold);
palavras enfáticas como mesmos, próprios, todos, outros, ambos, ou d) “Não há nenhum lugar nessa (refere-se a lugar) terra tão
de numeral: distante quanto ontem”. (Robert Nathan);
O diretor implicou com nós dois. e) “Escritor original não é aquele (termo distante de quem fala e
Senhores deputados, quero falar com vós mesmos. com quem eu falo) que não imita ninguém, é aquele (termo distante de
O pronome regido pela preposição entre deve aparecer na forma quem fala e com quem eu falo) que ninguém pode imitar”.
oblíqua. Assim, é correto dizer entre mim e ele, entre ela e ti, entre mim e (Chateaubriand).
ti. Os pronomes pessoais do caso oblíquo funcionam como
complementos: Isso não convém a mim, Foram embora sem ti, Olhou
para mim. Os pronomes pessoais do caso reto exercem a função de
sujeito na oração. Dessa forma, os pronomes eu e tu estão empregados
corretamente nos seguintes casos: Pediu que eu fizesse as compras,
Saberão só quando tu partires, Trouxeram o documento para eu assinar. 6. Colocação pronominal

06. Resposta D
a) Esqueci - me de te contar que vi ele na rua. - Estaria CORRETO
b) Nunca SE pode falar mal de quem não conhece-se. Estaria
CORRETO
c) Esta situação se-refere a assuntos empresariais. ERRADO!

6
Um dos aspectos da harmonia da frase refere-se à colocação dos
pronomes oblíquos átonos. Tais pronomes situam-se em três - Imperativo Afirmativo: Prezado amigo, informe-se de seus
posições: compromissos.

- Antes do verbo (próclise): Não te conheço. - Gerúndio não precedido da preposição “em” ou de
- No meio do verbo (mesóclise): Avisar-te-ei. partícula negativa: Falando-se de comércio exterior, progredimos
- Depois do verbo (ênclise): Sente-se, por favor. muito.

Próclise Mas
Em se plantando no Brasil, tudo dá.
Por atração: usa-se a próclise quando o verbo vem precedido das Não se falando em futebol, ninguém briga.
seguintes partículas atrativas: Ninguém me provocando, fico em paz.
- Palavras ou expressões negativas: Não te afastes de mim.
- Advérbios: Agora se negam a depor. Se houver pausa (na - Infinitivo Impessoal: Não era minha intenção magoar-te.
escrita, vírgula) entre o advérbio e o verbo, usa-se a ênclise: Agora, Se o infinitivo vier precedido de palavra atrativa, ocorre tanto a
negam-se a depor. próclise quanto a ênclise.
- Pronomes Relativos: Apresentaram-se duas pessoas que se Espero com isto não te magoar.
identificaram com rapidez. Espero com isto não magoar-te.
- Pronomes Indefinidos: Poucos se negaram ao trabalho.
- Conjunções subordinativas: Soube que me dariam a - No início de frases ou depois de pausa: Vão-se os anéis,
autorização solicitada. ficam os dedos. Decorre daí a afirmação de que, na variante culta
escrita, não se inicia frase com pronome oblíquo átono. Causou-me
Com certas frases: há casos em que a próclise é motivada pelo surpresa a tua reação.
próprio tipo de frase em que se localiza o pronome.
- Frases Interrogativas: Quem se atreveria a isso? O Pronome Oblíquo Átono nas Locuções Verbais
- Frases Exclamativas: Quanto te arriscas com esse
procedimento! - Com palavras atrativas: quando a locução vem precedida
- Frases Optativas (exprimem desejo): Deus nos proteja. Se, nas de palavra atrativa, o pronome se coloca antes do verbo auxiliar ou
frases optativas, o sujeito vem depois do verbo, usa-se a ênclise: depois do verbo principal. Exemplo: Nunca te posso negar isso;
Proteja-nos Deus. Nunca posso negar-te isso. É possível, nesses casos, o uso da próclise
antes do verbo principal. Nesse caso, o pronome não se liga por hífen
Com certos verbos: a próclise pode ser motivada também pela forma ao verbo auxiliar: Nunca posso te negar isso.
verbal a que se prende o pronome.
- Com o gerúndio precedido de preposição ou de negação: Em se - No início da oração ou depois de pausa: quando a locução
ausentando, complicou-se; Não se satisfazendo com os resultados, se situa no início da oração, não se usa o pronome antes do verbo
mudou de método. auxiliar. Exemplo: Posso-lhe dar garantia total; Posso dar-lhe
- Com o infinito pessoal precedido de preposição: Por se garantia total. A mesma norma é válida para os casos em que a
acharem infalíveis, caíram no ridículo. locução verbal vem precedida de pausa. Exemplo: Em dias de lua
Mesóclise cheia, pode-se ver a estrada mesmo com faróis apagados; Em dias de
lua cheia, pode ver-se a estrada mesmo com os faróis apagados.
Usa-se a mesóclise tão somente com duas formas verbais, o futuro
do presente e o futuro do pretérito, assim quando não vierem - Sem atração nem pausa: quando a locução verbal não vem
precedidos de palavras atrativas. Exemplos: precedida de palavra atrativa nem de pausa, admite-se qualquer
colocação do pronome.
Exemplos:
Confrontar-se-ão os resultados.
A vida lhe pode trazer surpresas.
Confrontar-se-iam os resultados.
A vida pode-lhe trazer surpresas.
A vida pode trazer-lhe surpresas.
Mas:
Não se confrontarão os resultados.
Observações
Não se confrontariam os resultados.
- Quando o verbo auxiliar de uma locução verbal estiver no
Não se usa a ênclise com o futuro do presente ou com o futuro do
futuro do presente ou no futuro do pretérito, o pronome pode vir em
pretérito sob hipótese alguma. Será contrária à norma culta escrita,
mesóclise em relação a ele: Ter-nos-ia aconselhado a partir.
portanto, uma colocação do tipo:
- Nas locuções verbais, jamais se usa pronome oblíquo átono
Diria-se que as coisas melhoraram. (errado)
depois do particípio. Não o haviam convidado. (correto); Não haviam
Dir-se-ia que as coisas melhoraram. (correto)
convidado-o. (errado).

Ênclise
- Há uma colocação pronominal, restrita a contextos literários,
que deve ser conhecida: Há males que se não curam com remédios.
Usa-se a ênclise nos seguintes casos: Quando há duas partículas atraindo o pronome oblíquo átono, este pode

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vir entre elas. Poderíamos dizer também: Há males que não se curam localizadas no município de Jacobina e duas em Santa Luz, estando todas
com remédios. sob constante vigilância da Departamento
Nacional de Produção Mineral.”
- Os pronomes oblíquos átonos combinam-se entre si em casos
como estes: me + o/a = mo/ma te + o/a = to/ta lhe + o/a = lho/lha nos (http://www.tribunafeirense.com.br/noticias/11162/porpedroameri
+ o/a = no-lo/no-la vos + o/a = vo-lo/vo-la co-lopes-e-preciso-aprender-com-os-desastres.html)

Tais combinações podem vir: Em qual das alternativas houve erro na colocação pronominal
- Proclítica: Eu não vo-lo disse? a) “Desconhecido pela maioria dos turistas, um impressionante
- Mesoclítica: Dir-vo-lo-ei já. caldeirão de chamas amarelo brilhante e sem fumaça nunca se apaga.”
- Enclítica: A correspondência, entregaram-lha há muito tempo. b) “Delicadeza é aquilo que nos alcança sem nos tocar. É a melodia
que nos embala mesmo em silêncio. É quando a boca empresta um
Segundo a norma culta, a regra é a ênclise, ou seja, o pronome após sorriso aos olhos sem que nenhuma cobrança seja feita.”
o verbo. Isso tem origem em Portugal, onde essa colocação é mais c) “Concentre-se naquilo que você é bom, delegue todo o resto.”
comum. No Brasil, o uso da próclise é mais frequente, por apresentar d) “Ao final, se chegou ao livro digital, com textos e dezenas de
maior informalidade. Mas, como devemos abordar os aspectos formais imagens coloridas.”
da língua, a regra será ênclise, usando próclise em situações e) “Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a
excepcionais, que são: autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua
- Palavras invariáveis (advérbios, alguns pronomes, conjunção) a coisa”
atraem o pronome. Por “palavras invariáveis”, entendemos os
advérbios, as conjunções, alguns pronomes que não se flexionam, 02. (Pref. de Florianópolis/SC – Auxiliar de Sala –
como o pronome relativo que, os pronomes indefinidos quanto/como, FEPESE/2016)
os pronomes demonstrativos isso, aquilo, isto. Exemplos: “Ele não se Analise a frase abaixo:
encontrou com a namorada.” – próclise obrigatória por força do
advérbio de negação. “Quando se encontra com a namorada, ele fica “O professor discutiu............mesmos a respeito da desavença entre
muito feliz.” – próclise obrigatória por força da conjunção; .........e ........ .
- Orações exclamativas (“Vou te matar!”) ou que expressam
desejo, chamadas de optativas (“Que Deus o abençoe!”) – próclise Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do
obrigatória. texto.
- Orações subordinadas – (“... e é por isso que nele se acentua o a) com nós • eu • ti
pensador político” – uma oração subordinada causal, como a da questão, b) conosco • eu • tu
exige a próclise.). c) conosco • mim • ti
d) conosco • mim • tu
Emprego Proibido: e) com nós • mim • ti
- Iniciar período com pronome (a forma correta é: Dá-me um
copo d’água; Permita-me fazer uma observação.); 03. (Transpetro – Auditor Júnior – CESGRANRIO/2016)
- Após verbo no particípio, no futuro do presente e no futuro do
pretérito. Com essas formas verbais, usa-se a próclise (desde que não A função da arte
caia na proibição acima), modifica-se a estrutura (troca o “me” por “a
mim”) ou, no caso dos futuros, emprega-se o pronome em mesóclise. Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para
Exemplos: “Concedida a mim a licença, pude começar a trabalhar.” (Não que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do
poderia ser “concedida-me” – após particípio é proibido - nem “me outro lado das dunas altas, esperando.
concedida” – iniciar período com pronome é proibido). “Recolher-me-ei Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de
à minha insignificância” (Não poderia ser “recolherei-me” nem “Me areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos.
recolherei”). E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino
ficou mudo de beleza.
Questões E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu
ao pai: - Me ajuda a olhar!
01. (Pref. de Itaquitinga/PE – Psicólogo – IDHTEC/2016)
“A tragédia que iniciou com o rompimento da barragem de rejeitos GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre:L&PM, 2002.
de minérios em Mariana-MG e se estendeu até o Leste do Espírito Santo, P.12.
mar adentro, nos faz refletir quais ações poderiam ter sido executadas
para evitar esse desastre. No que se refere à colocação pronominal, respeita-se a normapadrão
A maioria dos especialistas afirma que rompimentos de barragens em:
são eventos muito lentos, que sinais já haviam sido detectados sobre o a) Queria que admira-me-ssem na velhice.
problema em Mariana. Todos dizem que houve negligência e b) Me seduziria poder ser jovem a vida toda.
consequentemente o desastre; agora, a maioria das informações sobre o c) A aposentadoria, esperarei-a com ansiedade.
que realmente aconteceu não foram ainda disponibilizadas, mesmo d) Nunca senti-me tão velho como hoje.
após tantos dias.
e) Ninguém o observava com a mesma atenção que eu.
Ao olharmos para o estado da Bahia, temos vinte e quatro barragens
de rejeitos semelhantes à Barragem do Fundão. E com informações de
04. (Pref. de Caucaia/CE – Agente de Suporte a Fiscalização
que quatro delas apresentam dano potencial elevado, sendo duas
– CETREDE/2016)

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Marque a opção em que ocorre ênclise. a) b) No Brasil, vê-se que o número de refugiados não é tão
Disseram-me a verdade. grande. Aceita-os, sem restrição, boa parte da população.
b) Não nos comunicaram o fato. c) Se veem imagens dramáticas dos refugiados na TV.
c) Dir-se-ia que tal construção não é correta. Não trata-
d) A moça se penteou. se de ficção: é a pura realidade.
e) Contar-me-ão a verdade? d) Têm visto-se turbilhões de refugiados. O mundo os vê
se
05. (MPE/RS – Agente Administrativo – MPE-RS/2016) deslocarem em busca de uma vida melhor.
Assinale a alternativa que preenche correta e respectivamente as e) Os refugiados buscam uma vida melhor.
lacunas dos enunciados abaixo. Discriminaria-os
1. Quanto ao pedido do Senhor Secretário, a secretaria deverá aqueles que desconhecem a solidariedade.
________ que ainda não há disponibilidade de recursos.
2. Apesar de o regimento não exigir uma sindicância neste tipo de 07. (Câmara de Marília/SP – Procurador Jurídico –
situação, a gravidade da ocorrência ________, sem dúvida. VUNESP/2016)
3. Embora os novos artigos limitem o alcance da lei, eles não
________. Uma noite no mar Cáspio

a) informar-lhe – a justificaria – revogam-na Na semana passada, uma aluna da Sorbonne foi encarregada de fazer
b) informar-lhe – justificá-la-ia – a revogam um estudo sobre a literatura latino-americana, mal informada de tudo,
c) informá-lo – justificar-lhe-ia – a revogam inclusive sobre a América Latina. Veio entrevistar algumas pessoas e,
d) informá-lo – a justificaria – lhe revogam não sei por que, pediu-me que a recebesse para uma conversa que
e) informar-lhe – justificá-la-ia – revogam-na pudesse explicar o Brasil com apenas um título que serviria de roteiro
para o trabalho que deveria apresentar.
06. (Pref. de São Paulo/SP – Analista Fiscal de Serviços
VUNESP/2016) Já me pediram coisas extravagantes, recusei algumas, aceitei outras.
Aleguei minha incompetência para titular qualquer coisa.
O mundo vive hoje um turbilhão de sentimentos e reações no que diz
Mas não quis decepcionar a moça. Pensando na atual crise política,
respeito aos refugiados. Trata-se de uma enorme tragédia humana, à
sugeri “Garruchas e punhais” – era o nome da briga entre os meninos da
qual temos assistido pela TV no conforto de nossas casas.
rua Cabuçu contra os meninos da rua Lins de Vasconcelos. Morei nas
Imagens dramáticas mostram famílias inteiras, jovens, crianças e
duas e era considerado um espião a soldo de uma ou de outra. O que no
idosos chegando à Europa em busca de um lugar supostamente mais
fundo era verdade, considerava idiotas os dois lados.
seguro para viver. Embora os refugiados da Síria tenham ganhado maior
destaque, existem ainda os refugiados africanos e os latino-americanos.
A moça riu mas não gostou. Todos os países têm garruchas e
Dentro da América Latina, vemos grandes migrações, uma marcha
punhais. Dei outra sugestão: “O mosteiro de tijolos de feltro”. Ela não
de pessoas que buscam o refúgio, mas que terminam em uma espécie de
gostou – nem eu. Parti então para uma terceira via, por sinal, a mais
exílio.
estúpida. Pensou um pouco, inicialmente recusou. Olhou bem para
O Brasil, que sempre se destacou por sua capacidade de acolher
mim e aprovou: “Uma noite no mar Cáspio”. Para meu espanto, ela
diferentes culturas, apresenta uma das sociedades com maior
aceitou.
diversidade. Podemos afirmar nossa capacidade de lidar com o
multiculturalismo com bastante naturalidade, embora, muitas vezes, a
questão seja tratada de maneira superficial. Por outro lado, o Acredito que os professores da Sorbonne também gostarão. E eu
preconceito existente, antes disfarçado, deixou de ser tímido e passou a nem sei onde fica o mar Cáspio, embora também não saiba onde fica
se manifestar de forma aberta e hostil. o Brasil.
Comparado a outros países, o Brasil não recebe um número elevado
de refugiados, e a maioria da sociedade brasileira aceita-os, acreditando (Carlos Heitor Cony. Folha de S.Paulo, 26.01.2016. Adaptado)
que é possível fazer algo para ajudá-los, mesmo diante do momento
crítico da economia e da política. ________ uma aluna da Sorbonne que a recebesse para uma
Diante desse cenário, destacam-se as iniciativas de solidariedade, de conversa que pudesse explicar o Brasil com apenas um título que _____
forma objetiva e praticada por jovens estudantes de nossas de roteiro para o trabalho que deveria apresentar. Já me pediram
universidades. Com a cabeça aberta e o respeito ao diferente, muitos coisas extravagantes, recusei algumas, aceitei outras. Mas não
deles manifestam uma visão de mundo que permite acreditar em _________.
transformações sociais de base.
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas da frase devem
(Soraia Smaili, Refugiados no Brasil: entre o exílio e a solidariedade. ser preenchidas, respectivamente, com:
Em: cartacapital.com.br. 02.02.2016. Adaptado)
a) Pediu-me … serviria-lhe … lhe quis decepcionar
Assinale a alternativa correta quanto à colocação pronominal, b) Me pediu … servir-lhe-ia … quis decepcioná-la
conforme a norma-padrão. c) Pediu-me … lhe serviria … a quis decepcionar
a) Quando dão-se conta da situação dos refugiados, as d) Me pediu … o serviria … quis decepcionar-lhe
pessoas já e) Pediu-me … serviria-o … quis decepcioná-la
põem-se a acolhê-los sem discriminação.
08. (IPSMI – Procurador – VUNESP/2016)

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Assinale a alternativa em que a colocação pronominal e a conjugação 02. Resposta E
dos verbos estão de acordo com a norma-padrão. O pronome regido pela preposição entre deve aparecer na forma
oblíqua. Assim, é correto dizer entre mim e ele, entre ela e ti, entre mim e
a) Eles se disporão a colaborar comigo, se verem que não ti. Os pronomes pessoais do caso oblíquo funcionam como
prejudicarei-os nos negócios. complementos: Isso não convém a mim, Foram embora sem ti, Olhou
b) Propusemo-nos ajudá-lo, desde que se mantivesse calado. para mim. Os pronomes pessoais do caso reto exercem a função de
c) Tendo avisado-as do perigo que corriam, esperava que elas se sujeito na oração. Dessa forma, os pronomes eu e tu estão empregados
contessem ao dirigir na estrada. corretamente nos seguintes casos: Pediu que eu fizesse as compras,
d) Todos ali se predisporam a ajudar-nos, para que nos Saberão só quando tu partires, Trouxeram o documento para eu assinar.
sentíssemos à vontade.
e) Os que nunca enganaram-se são poucos, mas gostam de que 03. Resposta E
se alardeiem seus méritos. PA- palavra atrativa (invariável) - atrai o pronome a)
Queria que (PA) ME admirassem na velhice.
09. (BAHIAGÁS - Analista de Processos Organizacionais - b) seduzir - ME - ia poder ser jovem a vida toda. Não se inicia a
Administração e Psicologia – IESES/2016) frase com pronome obliquo, e no futuro deve se usar a mesóclise
Assinale a opção em que a colocação dos pronomes átonos está c) A aposentadoria, esperar -LA-ei com ansiedade. No futuro
INCORRETA: deve se usar a mesóclise
d) Nunca (PA) ME senti tão velho como hoje.
a) Não considero-me uma pessoa de sorte; me considero e) Ninguém (PA) o observava com a mesma atenção que eu.
uma pessoa que trabalha para se sustentar e esforça-se para se CERTO
colocar bem na vida.
b) Pagar-lhes-ei tudo o que lhes devo, mas no devido 04. Resposta A
tempo e na Não se usa ênclise com verbos: no particípio e com verbos nos
devida forma. futuros do presente e do pretérito.
c) A situação não é melhor na Rússia, onde os antigos LEMBRANDO
servos tornaram-se mujiques famintos, nem nos países Próclise: antes
mediterrâneos, onde os campos sobrecarregados de homens são Mesóclise: no meio
incapazes de alimentá-los. Ênclise: na frente
d) Deus me livre desse maldito mosquito! Nem me falem
nessas 05. Resposta B
doenças que ele transmite! 1. Quanto ao pedido do Senhor Secretário, a secretaria deverá
e) Pede a Deus que te proteja e dê muita vida e saúde a INFORMAR-LHE que ainda não há disponibilidade de recursos. O
teus pais. pronome LHE caracteriza um objeto indireto, que no caso é o Senhor
Secretário; o objeto direto é:"que ainda não há disponibilidade de
recursos".
10. (TRT – 14ª Região – Técnico Judiciário – Área Administrativa 2. Apesar de o regimento não exigir uma sindicância neste tipo de
– FCC/2016) situação, a gravidade da ocorrência JUSTIFICÁ-LA-IA, sem dúvida. Se o
verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito, ocorrerá
a mesóclise, desde que não haja palavra atrativa Ex:"a gravidade da
ocorrência NÃO A justificaria".
3. Embora os novos artigos limitem o alcance da lei, eles não A
revogam. O advérbio de negação NÃO atrai o pronome oblíquo A
causando uma próclise.

06. Resposta B
A) Quando dão-se conta da situação dos refugiados, as pessoas
já põem-se a acolhê-los sem discriminação.
No que se refere ao emprego do acento indicativo de crase e à ERRADA: Conjunções subordinativas (quando) e advérbios
colocação do pronome, a alternativa que completa corretamente a frase (já) são palavras atrativas que obrigam a próclise.
O palestrante deu um conselho... é:
a) à alguns jovens que escutavam-no.
B) No Brasil, vê-se que o número de refugiados não é tão
b) à estes jovens que o escutavam.
grande. Aceita-os, sem restrição, boa parte da população.
c) àqueles jovens que o escutavam
CORRETA
d) à juventude que escutava-o.
e) à uma porção de jovens que o escutava.
C) Se veem imagens dramáticas dos refugiados na TV. Não
trata-se de ficção: é a pura realidade.
Respostas
ERRADA: Não se usa pronome oblíquo átono no início de
frase (SE) e palavras de sentido negativo (não) obrigam a
01. Resposta D próclise.
O correto seria: “Ao final, chegou-se ao livro digital, com textos e
dezenas de imagens coloridas. ”
D) Têm visto-se turbilhões de refugiados. O mundo os vê se
deslocarem em busca de uma vida melhor.

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ERRADA: Não se usa ênclise com verbos no particípio (visto). Crase - apresenta erro, pois não há crase antes de artigo
indefinido;
E) Os refugiados buscam uma vida melhor. Discriminariaos Coloc. pronominal - correto.
aqueles que desconhecem a solidariedade.
ERRADA: Não se usa ênclise com verbos no futuro do pretérito
(discriminaria).

07. Resposta C 7. Sintaxe da oração e do período


____1____ uma aluna da Sorbonne que a recebesse para uma
conversa que pudesse explicar o Brasil com apenas um título que
___2__ de roteiro para o trabalho que deveria apresentar. Já me
pediram coisas extravagantes, recusei algumas, aceitei outras. Mas
não ____3_____.
1. não se inicia frase com pronome oblíquo átono - erradas letra
b e d. A Análise Sintática examina a estrutura do período, divide e
2. o "que" atrai o pronome oblíquo, ou seja, a próclise irá classifica as orações que o constituem e reconhece a função sintática dos
prevalecer mesmo que o verbo esteja no futuro. Errada letra a. termos de cada oração.
3. o "não" é palavra atrativa assim cabe próclise obrigatória. Daremos uma ideia do que seja frase, oração, período, termo, função
Diante de palavra atrativa não caberá ênclise. Errada letra e. sintática e núcleo de um termo da oração.
As palavras, tanto na expressão escrita como na oral, são reunidas e
a)Pediu-me … serviria-lhe (errado ) … lhe quis decepcionar ordenadas em frases. Pela frase é que se alcança o objetivo do discurso,
b)Me pediu(errado) … servir-lhe-ia (errado)… quis decepcionála ou seja, da atividade linguística: a comunicação com o ouvinte ou o
c)Pediu-me … lhe serviria … a quis decepcionar - CERTA leitor.
d)Me pediu (errado) … o serviria … quis decepcionar-lhe Frase, Oração e Período são fatores constituintes de qualquer texto
e)Pediu-me … serviria-o … quis decepcioná-la (errada) escrito em prosa, pois o mesmo compõe-se de uma sequência lógica de
ideias, todas organizadas e dispostas em parágrafos minuciosamente
08. Resposta B construídos.
a) Eles se DISPUSERAM a colaborar comigo, se VIREM
que não (PALAVRA ATRATIVA) OS prejudicarei nos negócios. Frase: é todo enunciado capaz de transmitir, a quem nos ouve ou lê,
b) Propusemo-nos ajudá-lo, desde que se mantivesse tudo o que pensamos, queremos ou sentimos. Pode revestir as mais
calado. variadas formas, desde a simples palavra até o período mais complexo,
(CORRETO) elaborado segundo os padrões sintáticos do idioma. São exemplos de
c) Tendo AS avisado (proibido após particípio) do frases:
perigo que
corriam, esperava que elas se CONTIVESSEM ao dirigir na estrada. Socorro!
d) Todos ali se PREDISPUSERAM a ajudar-nos, para que Muito obrigado!
nos Que horror!
sentíssemos à vontade. Sentinela, alerta!
e) Os que nunca (palavra atrativa) SE enganaram são Cada um por si e Deus por todos.
poucos, Grande nau, grande tormenta.
mas gostam de que se alardeiem seus méritos. . Por que agridem a natureza?
“Tudo seco em redor.” (Graciliano Ramos)
09. Resposta A “Boa tarde, mãe Margarida!” (Graciliano Ramos)
Usamos a regra da próclise, pois não é uma palavra atrativa. “Fumaça nas chaminés, o céu tranquilo, limpo o terreiro.”
(Adonias Filho)
10. Resposta C A) “As luzes da cidade estavam amortecidas.” (Érico Veríssimo)
Errado: “Tropas do exército regular do Sul, ajustadas pelos seus aliados
brancos de além mar, tinham sido levadas em helicópteros para o
Crase - apresenta erro, pois não há ocorrência de crase antes de
lugar onde se presumia estivesse o inimigo, mas este se havia
pronomes indefinidos;
sumido por completo.” (Érico Veríssimo)
Coloc. pronominal - apresenta erro, pois o pronome relativo
"QUE" atrai o pronome oblíquo. B) Errado:
As frases são proferidas com entoação e pausas especiais,
Crase - apresenta erro, pois não há ocorrência de crase antes de
indicadas na escrita pelos sinais de pontuação. Muitas frases,
pronomes demonstrativos;
principalmente as que se desviam do esquema sujeito + predicado, só
Coloc. pronominal - correto. C) podem ser entendidas dentro do contexto (= o escrito em que
Correto: figuram) e na situação (= o ambiente, as circunstâncias) em que o
Crase - correto - o termo regente exige preposição (A) e o termo falante se encontra. Chamam-se frases nominais as que se
regido (AQUELES) é um pronome demonstrativo admite crase. apresentam sem o verbo. Exemplo: Tudo parado e morto.
Coloc. pronominal - correto - o pronome relativo "QUE" atrai o
pronome oblíquo. D) Errado: Quanto ao sentido, as frases podem ser:
Crase - correto;
Coloc. pronominal - apresenta erro, pois o pronome relativo
"QUE" atrai o pronome oblíquo. E) Errado:

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Declarativas: aquela através da qual se enuncia algo, de forma Olavo esteve aqui?!
afirmativa ou negativa. Encerram a declaração ou enunciação de um Olavo esteve aqui!
juízo acerca de alguém ou de alguma coisa:
Paulo parece inteligente. (afirmativa) Frases Fragmentadas
A retificação da velha estrada é uma obra inadiável. (afirmativa)
Nunca te esquecerei. (negativa) Quando você pontua uma oração subordinada ou uma simples
Neli não quis montar o cavalo velho, de pelo ruço. (negativa) locução como se fosse uma frase completa, a argumentação fica
comprometida pela quebra da linha de pensamento.
Interrogativas: aquela da qual se pergunta algo, direta (com ponto Ora, se a oração é subordinada, deve estar atrelada a uma principal,
de interrogação) ou indiretamente (sem ponto sem a qual o leitor terá rompida a visualização do encadeamento das
de interrogação). São uma pergunta, uma interrogação: ideias.
Por que chegaste tão tarde? Exemplo: Eu estava perdida em São Paulo. (oração principal)
Gostaria de saber que horas são. Mesmo consultando o mapa da cidade. (oração subordinada
“Por que faço eu sempre o que não queria” (Fernando Pessoa) fragmentada) Quando você me telefonou. (outra oração subordinada
“Não sabe, ao menos, o nome do pequeno?” (Machado de Assis) fragmentada)
Correção: Eu estava perdida em São Paulo, mesmo consultando o
Imperativas: aquela através da qual expressamos uma ordem, mapa da cidade, (oração subordinada adverbial concessiva) quando
pedido ou súplica, de forma afirmativa ou negativa. Contêm uma você me telefonou. (oração subordinada adverbial temporal)
ordem, proibição, exortação ou pedido:
“Cale-se! Respeite este templo.” (afirmativa) Questões
Não cometa imprudências. (negativa)
“Vamos, meu filho, ande depressa!” (afirmativa) 01. Marque apenas as frases nominais: (A)
“Segue teu rumo e canta em paz.” (afirmativa) Que voz estranha!
“Não me leves para o mar.” (negativa) (B) A lanterna produzia boa claridade.
(C) As risadas não eram normais.
Exclamativas: aquela através da qual externamos uma admiração.
(D) Luisinho, não!
Traduzem admiração, surpresa, arrependimento, etc.:
02. Classifique as frases em declarativa, interrogativa, exclamativa,
Como eles são audaciosos!
optativa ou imperativa. (A) Você está bem?
Não voltaram mais!
(B) Não olhe; não olhe, Luisinho!
“Uma senhora instruída meter-se nestas bibocas!” (Graciliano
(C) Que alívio!
Ramos)
(D) Tomara que Luisinho não fique impressionado!
(E) Você se machucou?
Optativas: É aquela através da qual se exprime um desejo:
(F) A luz jorrou na caverna.
Bons ventos o levem!
(G) Agora suma, seu monstro!
Oxalá não sejam vãos tantos sacrifícios!
(H) O túnel ficava cada vez mais escuro.
“E queira Deus que te não enganes, menino!” (Carlos de Laet)
“Quem me dera ser como Casimiro Lopes!” (Graciliano Ramos)
03. Transforme a frase declarativa em imperativa. Siga o modelo:
Imprecativas: Encerram uma imprecação (praga, maldição): Luisinho ficou pra trás. (declarativa)
“Esta luz me falte, se eu minto, senhor!” (Camilo Castelo Branco) Lusinho, fique para trás. (imperativa)
“Não encontres amor nas mulheres!” (Gonçalves Dias)
“Maldito seja quem arme ciladas no seu caminho!” (Domingos (A) Eugênio e Marcelo caminhavam juntos. (B)
Carvalho da Silva) Luisinho procurou os fósforos no bolso.
(C) Os meninos olharam à sua volta.
Como se vê dos exemplos citados, os diversos tipos de frase
podem encerrar uma afirmação ou uma negação. No primeiro caso, a 04. Sabemos que frases verbais são aquelas que têm verbos.
frase é afirmativa, no segundo, negativa. O que caracteriza e distingue Assinale, pois, as frases verbais:
esses diferentes tipos de frase é a entoação, ora ascendente ora (A) Deus te guarde!
descendente. (B) As risadas não eram normais.
Muitas vezes, as frases assumem sentidos que só podem ser (C) Que ideia absurda!
integralmente captados se atentarmos para o contexto em que são (D) O fósforo quebrou – se em três pedacinhos.
empregadas. É o caso, por exemplo, das situações em que se explora (E) Tão preta como o túnel!
a ironia. Pense, por exemplo, na frase "Que educação!", usada quando (F) Quem bom!
se vê alguém invadindo, com seu carro, a faixa de pedestres. Nesse (G) As ovelhas são mansas e pacientes.
caso, ela expressa exatamente o contrário do que aparentemente diz. (H) Que espírito irônico e livre!
A entoação é um elemento muito importante da frase falada, pois nos
dá uma ampla possibilidade de expressão. Dependendo de como é dita,
05. Escreva para cada frase o tipo a que pertence: declarativa,
uma frase simples como "É ela." pode indicar constatação, dúvida,
interrogativa, imperativa e exclamativa:
surpresa, indignação, decepção, etc.
(A) Que flores tão aromáticas!
A mesma frase pode assumir sentidos diferentes, conforme o tom
(B) Por que é que não vais ao teatro mais vezes?
com que a proferimos. Observe:
(C) Devemos manter a nossa escola limpa.
Olavo esteve aqui.
(D) Respeitem os limites de velocidade.
Olavo esteve aqui?

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(E) Já alguma vez foste ao Museu da Ciência?
(F) Atravessem a rua com cuidado. Já na frase: Os rapazes jogam futebol. O sujeito é "Os rapazes", que
(G) Como é bom sentir a alegria de um dever cumprido! identificamos por ser o termo que concorda em número e pessoa com o
(H) Antes de tomar banho no mar, deve-se olhar para a cor verbo "jogam". O predicado é "jogam futebol".
da bandeira.
(I) Não te quero ver mais aqui! Núcleo de um termo é a palavra principal (geralmente um
(J) Hoje saímos mais cedo. substantivo, pronome ou verbo), que encerra a essência de sua
significação. Nos exemplos seguintes, as palavras amigo e revestiu são o
Respostas núcleo do sujeito e do predicado, respectivamente:
“O amigo retardatário do presidente prepara-se para desembarcar.”
01. “a” e “d” (Aníbal Machado)
A avezinha revestiu o interior do ninho com macias plumas.
02. a) interrogativa; b) imperativa; c) exclamativa; d) optativa;
e) interrogativa; f) declarativa; g) imperativa; h) declarativa Os termos da oração da língua portuguesa são classificados em três
grandes níveis:
03. a) Eugênio e Marcelo, caminhem juntos!; b) Luisinho, procure - Termos Essenciais da Oração: Sujeito e Predicado.
os fósforos no bolso!; c) Meninos, olhem à sua volta! - Termos Integrantes da Oração: Complemento Nominal e
Complementos Verbais (Objeto Direto, Objeto indireto e Agente da
Passiva).
04. a = guarde / b = eram / d = quebrou / g = são
- Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal, Adjunto
Adverbial, Aposto e Vocativo.
05. a) exclamativa; b) interrogativa; c) declarativa; d) imperativa;
e) interrogativa; f) imperativa; g) exclamativa; h) declarativa; i)
imperativa; j) declarativa Termos Essenciais da Oração: São dois os termos essenciais (ou
fundamentais) da oração: sujeito e predicado. Exemplos:
Oração: é todo enunciado linguístico dotado de sentido, porém
há, necessariamente, a presença do verbo. A oração encerra uma Sujeito Predicado
frase (ou segmento de frase), várias frases ou um período, Pobreza não é vileza.
completando um pensamento e concluindo o enunciado através de
Os sertanistas capturavam os índios.
ponto final, interrogação, exclamação e, em alguns casos, através de
reticências. Um vento áspero sacudia as árvores.
Em toda oração há um verbo ou locução verbal (às vezes
elípticos). Não têm estrutura sintática, portanto não são orações, não Sujeito: é equivocado dizer que o sujeito é aquele que pratica uma
podem ser analisadas sintaticamente frases como: ação ou é aquele (ou aquilo) do qual se diz alguma coisa. Ao fazer tal
Socorro! afirmação estamos considerando o aspecto semântico do sujeito (agente
Com licença! de uma ação) ou o seu aspecto estilístico (o tópico da sentença). Já que
Que rapaz impertinente! o sujeito é depreendido de uma análise sintática, vamos restringir a
Muito riso, pouco siso. definição apenas ao seu papel sintático na sentença: aquele que
“A bênção, mãe Nácia!” (Raquel de Queirós) estabelece concordância com o núcleo do predicado. Quando se trata de
predicado verbal, o núcleo é sempre um verbo; sendo um predicado
Na oração as palavras estão relacionadas entre si, como partes de nominal, o núcleo é sempre um nome. Então têm por características
um conjunto harmônico: elas formam os termos ou as unidades básicas:
sintáticas da oração. Cada termo da oração desempenha uma função - estabelecer concordância com o núcleo do predicado;
sintática. Geralmente apresentam dois grupos de palavras: um grupo - apresentar-se como elemento determinante em relação ao
sobre o qual se declara alguma coisa (o sujeito), e um grupo que predicado;
apresenta uma declaração (o predicado), e, excepcionalmente, só o - constituir-se de um substantivo, ou pronome substantivo ou,
predicado. Exemplo: ainda, qualquer palavra substantivada.

A menina banhou-se na cachoeira. A Exemplos:


menina – sujeito
banhou-se na cachoeira – predicado Choveu A padaria está fechada hoje.
durante a noite. (a oração toda predicado) está fechada hoje: predicado nominal fechada:
nome adjetivo = núcleo do predicado a padaria:
O sujeito é o termo da frase que concorda com o verbo em número sujeito
e pessoa. É normalmente o "ser de quem se declara algo", "o tema do padaria: núcleo do sujeito - nome feminino singular
que se vai comunicar".
O predicado é a parte da oração que contém "a informação nova Nós mentimos sobre nossa idade para você. mentimos sobre
para o ouvinte". Normalmente, ele se refere ao sujeito, constituindo a nossa idade para você: predicado verbal mentimos: verbo =
declaração do que se atribui ao sujeito. núcleo do predicado
nós: sujeito
Observe: O amor é eterno. O tema, o ser de quem se declara algo, o
sujeito, é "O amor". A declaração referente à "o amor", ou seja, o No interior de uma sentença, o sujeito é o termo determinante, ao
predicado, é "é eterno". passo que o predicado é o termo determinado. Essa posição de

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determinante do sujeito em relação ao predicado adquire sentido com o eu, que se deduz da desinência do verbo); “Um soldado saltou para a
fato de ser possível, na língua portuguesa, uma sentença sem sujeito, calçada e aproximou-se.” (o sujeito, soldado, está expresso na
mas nunca uma sentença sem predicado. primeira oração e elíptico na segunda: e (ele) aproximou-se.);
Exemplos: Crianças, guardem os brinquedos. (sujeito: vocês)

As formigas invadiram minha casa. as formigas: sujeito Agente: se faz a ação expressa pelo verbo da voz ativa: O Nilo
= termo determinante invadiram minha casa: predicado fertiliza o Egito.
= termo determinado Paciente: quando sofre ou recebe os efeitos da ação expressa pelo
verbo passivo: O criminoso é atormentado pelo remorso; Muitos
Há formigas na minha casa. há formigas na minha casa: sertanistas foram mortos pelos índios; Construíram-se açudes. (=
predicado = termo determinado Açudes foram construídos.)
sujeito: inexistente Agente e Paciente: quando o sujeito realiza a ação expressa por um
verbo reflexivo e ele mesmo sofre ou recebe os efeitos dessa ação: O
O sujeito sempre se manifesta em termos de sintagma nominal, operário feriu-se durante o trabalho; Regina trancou-se no quarto.
isto é, seu núcleo é sempre um nome. Quando esse nome se refere a Indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal:
objetos das primeira e segunda pessoas, o sujeito é representado por Atropelaram uma senhora na esquina. (Quem atropelou a senhora? Não
um pronome pessoal do caso reto (eu, tu, ele, etc.). Se o sujeito se se diz, não se sabe quem a atropelou.); Come-se bem naquele
refere a um objeto da terceira pessoa, sua representação pode ser restaurante.
feita através de um substantivo, de um pronome substantivo ou de
qualquer conjunto de palavras, cujo núcleo funcione, na sentença, Observações:
como um substantivo. - Não confundir sujeito indeterminado com sujeito oculto.
Exemplos: - Sujeito formado por pronome indefinido não é indeterminado,
Eu acompanho você até o guichê. mas expresso: Alguém me ensinará o caminho. Ninguém lhe telefonou.
eu: sujeito = pronome pessoal de primeira pessoa Vocês - Assinala-se a indeterminação do sujeito usando-se o verbo na
disseram alguma coisa? 3ª pessoa do plural, sem referência a qualquer agente já expresso nas
vocês: sujeito = pronome pessoal de segunda pessoa orações anteriores: Na rua olhavam-no com admiração; “Bateram
Marcos tem um fã-clube no seu bairro. Marcos: palmas no portãozinho da frente.”; “De qualquer modo, foi uma judiação
sujeito = substantivo próprio Ninguém entra na sala matarem a moça.”
agora. - Assinala-se a indeterminação do sujeito com um verbo ativo na
ninguém: sujeito = pronome substantivo O 3ª pessoa do singular, acompanhado do pronome se. O pronome se,
andar deve ser uma atividade diária. neste caso, é índice de indeterminação do sujeito. Pode ser omitido junto
o andar: sujeito = núcleo: verbo substantivado nessa oração de infinitivos.
Aqui vive-se bem.
Além dessas formas, o sujeito também pode se constituir de uma Devagar se vai ao longe.
oração inteira. Nesse caso, a oração recebe o nome de oração Quando se é jovem, a memória é mais vivaz.
substantiva subjetiva: Trata-se de fenômenos que nem a ciência sabe explicar.

É difícil optar por esse ou aquele doce... É - Assinala-se a indeterminação do sujeito deixando-se o verbo no
difícil: oração principal infinitivo impessoal: Era penoso carregar aqueles fardos enormes; É
optar por esse ou aquele doce: oração substantiva subjetiva triste assistir a estas cenas repulsivas.

O sujeito é constituído por um substantivo ou pronome, ou por uma Normalmente, o sujeito antecede o predicado; todavia, a posposição
palavra ou expressão substantivada. Exemplos: do sujeito ao verbo é fato corriqueiro em nossa língua.
Exemplos:
O sino era grande. É fácil este problema!
Ela tem uma educação fina. Vão-se os anéis, fiquem os dedos.
Vossa Excelência agiu com imparcialidade. “Breve desapareceram os dois guerreiros entre as árvores.” (José
Isto não me agrada. de Alencar)
“Foi ouvida por Deus a súplica do condenado.” (Ramalho Ortigão)
O núcleo (isto é, a palavra base) do sujeito é, pois, um substantivo “Mas terás tu paciência por duas horas?” (Camilo Castelo
ou pronome. Em torno do núcleo podem aparecer palavras secundárias Branco)
(artigos, adjetivos, locuções adjetivas, etc.).
Exemplo: “Todos os ligeiros rumores da mata tinham uma voz para Sem Sujeito: constituem a enunciação pura e absoluta de um fato,
a selvagem filha do sertão.” (José de Alencar) através do predicado; o conteúdo verbal não é atribuído a nenhum ser.
São construídas com os verbos impessoais, na 3ª pessoa do singular:
O sujeito pode ser: Havia ratos no porão; Choveu durante o jogo.
Simples: quando tem um só núcleo: As rosas têm espinhos; “Um Observação: São verbos impessoais: Haver (nos sentidos de existir,
bando de galinhas-d’angola atravessa a rua em fila indiana.” acontecer, realizar-se, decorrer), Fazer, passar, ser e estar, com
Composto: quando tem mais de um núcleo: “O burro e o cavalo referência ao tempo e Chover, ventar, nevar, gear, relampejar,
nadavam ao lado da canoa.” amanhecer, anoitecer e outros que exprimem fenômenos
Expresso: quando está explícito, enunciado: Eu viajarei amanhã. meteorológicos.
Oculto (ou elíptico): quando está implícito, isto é, quando não
está expresso, mas se deduz do contexto: Viajarei amanhã. (sujeito:

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Predicado: assim como o sujeito, o predicado é um segmento
extraído da estrutura interna das orações ou das frases, sendo, por isso, Nos predicados verbais e verbo-nominais o verbo é responsável
fruto de uma análise sintática. Nesse sentido, o predicado é também por definir os tipos de elementos que aparecerão no
sintaticamente o segmento linguístico que estabelece concordância com segmento. Em alguns casos o verbo sozinho basta para compor o
outro termo essencial da oração, o sujeito, sendo este o termo predicado (verbo intransitivo). Em outros casos é necessário um
determinante (ou subordinado) e o predicado o termo determinado (ou complemento que, juntamente com o verbo, constituem a nova
principal). Não se trata, portanto, de definir o predicado como "aquilo informação sobre o sujeito. De qualquer forma, esses complementos
que se diz do sujeito" como fazem certas gramáticas da língua do verbo não interferem na tipologia do predicado.
portuguesa, mas sim estabelecer a importância do fenômeno da Entretanto, é muito comum a elipse (ou omissão) do verbo,
concordância entre esses dois termos essenciais da oração. Então têm quando este puder ser facilmente subentendido, em geral por estar
por características básicas: apresentar-se como elemento determinado expresso ou implícito na oração anterior. Exemplos:
em relação ao sujeito; apontar um atributo ou acrescentar nova “A fraqueza de Pilatos é enorme, a ferocidade dos algozes
informação ao sujeito. inexcedível.” (Machado de Assis) (Está subentendido o verbo é depois
Exemplos: de algozes)
“Mas o sal está no Norte, o peixe, no Sul” (Paulo Moreira da Silva)
Carolina conhece os índios da Amazônia. sujeito: (Subentende-se o verbo está depois de peixe)
Carolina = termo determinante “A cidade parecia mais alegre; o povo, mais contente.” (Povina
predicado: conhece os índios da Amazônia = termo determinado Cavalcante) (isto é: o povo parecia mais contente)

Todos nós fazemos parte da quadrilha de São João. sujeito: Chama-se predicação verbal o modo pelo qual o verbo forma o
todos nós = termo determinante predicado: fazemos parte da predicado.
quadrilha de São João = termo Há verbos que, por natureza, tem sentido completo, podendo, por si
determinado mesmos, constituir o predicado: são os verbos de predicação completa
denominados intransitivos. Exemplo:
Nesses exemplos podemos observar que a concordância é
estabelecida entre algumas poucas palavras dos dois termos As flores murcharam.
essenciais. No primeiro exemplo, entre "Carolina" e "conhece"; no Os animais correm.
segundo exemplo, entre "nós" e "fazemos". Isso se dá porque a As folhas caem.
concordância é centrada nas palavras que são núcleos, isto é, que são “Os inimigos de Moreiras rejubilaram.” (Graciliano Ramos)
responsáveis pela principal informação naquele segmento. No
predicado o núcleo pode ser de dois tipos: um nome, quase sempre Outros verbos há, pelo contrário, que para integrarem o predicado
um atributo que se refere ao sujeito da oração, ou um verbo (ou necessitam de outros termos: são os verbos de predicação incompleta,
locução verbal). No primeiro caso, temos um predicado nominal denominados transitivos. Exemplos:
(seu núcleo significativo é um nome, substantivo, adjetivo, pronome,
ligado ao sujeito por um verbo de ligação) e no segundo um João puxou a rede.
predicado verbal (seu núcleo é um verbo, seguido, ou não, de “Não invejo os ricos, nem aspiro à riqueza.” (Oto Lara Resende)
complemento(s) ou termos acessórios). Quando, num mesmo “Não simpatizava com as pessoas investidas no poder.” (Camilo
segmento o nome e o verbo são de igual importância, ambos Castelo Branco)
constituem o núcleo do predicado e resultam no tipo de predicado
verbo-nominal (tem dois núcleos significativos: um verbo e um Observe que, sem os seus complementos, os verbos puxou, invejo,
nome). Exemplos: aspiro, etc., não transmitiriam informações completas: puxou o quê?
Não invejo a quem? Não aspiro a quê?
Minha empregada é desastrada. Os verbos de predicação completa denominam-se intransitivos e os
predicado: é desastrada de predicação incompleta, transitivos. Os verbos transitivos
núcleo do predicado: desastrada = atributo do sujeito tipo subdividem-se em: transitivos diretos, transitivos indiretos e
de predicado: nominal transitivos diretos e indiretos (bitransitivos).
Além dos verbos transitivos e intransitivos, quem encerram uma
O núcleo do predicado nominal chama-se predicativo do sujeito, noção definida, um conteúdo significativo, existem os de ligação, verbos
porque atribui ao sujeito uma qualidade ou característica. Os verbos que entram na formação do predicado nominal, relacionando o
de ligação (ser, estar, parecer, etc.) funcionam como um elo entre o predicativo com o sujeito.
sujeito e o predicado. Quanto à predicação classificam-se, pois os verbos em:

A empreiteira demoliu nosso antigo prédio. predicado: Intransitivos: são os que não precisam de complemento, pois têm
demoliu nosso antigo prédio núcleo do predicado: sentido completo.
demoliu = nova informação sobre o “Três contos bastavam, insistiu ele.” (Machado de Assis)
sujeito tipo de predicado: “Os guerreiros Tabajaras dormem.” (José de Alencar)
verbal “A pobreza e a preguiça andam sempre em companhia.”
(Marquês de Maricá)
Os manifestantes desciam a rua desesperados.
predicado: desciam a rua desesperados núcleos do Observações: Os verbos intransitivos podem vir acompanhados de
predicado: desciam = nova informação sobre o um adjunto adverbial e mesmo de um predicativo (qualidade,
sujeito; desesperados = atributo do sujeito características): Fui cedo; Passeamos pela cidade; Cheguei atrasado;
tipo de predicado: verbo-nominal Entrei em casa aborrecido. As orações formadas com verbos

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intransitivos não podem “transitar” (= passar) para a voz passiva. Em princípio, verbos transitivos indiretos não comportam a
Verbos intransitivos passam, ocasionalmente, a transitivos quando forma passiva. Excetuam-se pagar, perdoar, obedecer, e pouco mais,
construídos com o objeto direto ou indireto. usados também como transitivos diretos: João paga (perdoa,
- “Inutilmente a minha alma o chora!” (Cabral do Nascimento) obedece) o médico. O médico é pago (perdoado, obedecido) por João.
- “Depois me deitei e dormi um sono pesado.” (Luís Jardim) Há verbos transitivos indiretos, como atirar, investir, contentar-se,
- “Morrerás morte vil da mão de um forte.” (Gonçalves Dias) etc., que admitem mais de uma preposição, sem mudança de sentido.
- “Inútil tentativa de viajar o passado, penetrar no mundo que Outros mudam de sentido com a troca da preposição, como nestes
já morreu...” (Ciro dos Anjos) exemplos: Trate de sua vida. (tratar=cuidar). É desagradável tratar
com gente grosseira. (tratar=lidar). Verbos como aspirar, assistir,
Alguns verbos essencialmente intransitivos: anoitecer, crescer, dispor, servir, etc., variam de significação conforme sejam usados
brilhar, ir, agir, sair, nascer, latir, rir, tremer, brincar, chegar, vir, mentir, como transitivos diretos ou indiretos.
suar, adoecer, etc.
Transitivos Diretos e Indiretos: são os que se usam com dois
Transitivos Diretos: são os que pedem um objeto direto, isto é, um objetos: um direto, outro indireto, concomitantemente. Exemplos:
complemento sem preposição. Pertencem a esse grupo: julgar, chamar, No inverno, Dona Cléia dava roupas aos pobres.
nomear, eleger, proclamar, designar, considerar, declarar, adotar, ter, A empresa fornece comida aos trabalhadores. Oferecemos
fazer, etc. Exemplos: flores à noiva.
Comprei um terreno e construí a casa.
“Trabalho honesto produz riqueza honrada.” (Marquês de Ceda o lugar aos mais velhos.
Maricá)
“Então, solenemente Maria acendia a lâmpada de sábado.” De Ligação: Os que ligam ao sujeito uma palavra ou expressão
(Guedes de Amorim) chamada predicativo. Esses verbos, entram na formação do predicado
nominal. Exemplos:
Dentre os verbos transitivos diretos merecem destaque os que A Terra é móvel.
formam o predicado verbo nominal e se constrói com o complemento A água está fria.
acompanhado de predicativo. Exemplos: O moço anda (=está) triste.
Consideramos o caso extraordinário. Mário encontra-se doente.
Inês trazia as mãos sempre limpas. A Lua parecia um disco.
O povo chamava-os de anarquistas.
Julgo Marcelo incapaz disso. Observações: Os verbos de ligação não servem apenas de anexo, mas
exprimem ainda os diversos aspectos sob os quais se considera a
Observações: Os verbos transitivos diretos, em geral, podem ser qualidade atribuída ao sujeito. O verbo ser, por exemplo, traduz aspecto
usados também na voz passiva; Outra característica desses verbos é permanente e o verbo estar, aspecto transitório: Ele é doente. (aspecto
a de poderem receber como objeto direto, os pronomes o, a, os, as: permanente); Ele está doente. (aspecto transitório). Muitos desses
convido-o, encontro-os, incomodo-a, conheço-as; Os verbos verbos passam à categoria dos intransitivos em frases como: Era
transitivos diretos podem ser construídos acidentalmente com =existia) uma vez uma princesa.; Eu não estava em casa.; Fiquei à
preposição, a qual lhes acrescenta novo matiz semântico: arrancar da sombra.; Anda com dificuldades.; Parece que vai chover.
espada; puxar da faca; pegar de uma ferramenta; tomar do lápis;
cumprir com o dever; Alguns verbos transitivos diretos: abençoar, Os verbos, relativamente à predicação, não têm classificação fixa,
achar, colher, avisar, abraçar, comprar, castigar, contrariar, convidar, imutável. Conforme a regência e o sentido que apresentam na frase,
desculpar, dizer, estimar, elogiar, entristecer, encontrar, ferir, imitar, podem pertencer ora a um grupo, ora a outro. Exemplos:
levar, perseguir, prejudicar, receber, saldar, socorrer, ter, unir, ver,
O homem anda. (intransitivo)
etc.
O homem anda triste. (de ligação)
Transitivos Indiretos: são os que reclamam um complemento
O cego não vê. (intransitivo)
regido de preposição, chamado objeto indireto. Exemplos:
“Ninguém perdoa ao quarentão que se apaixona por uma O cego não vê o obstáculo. (transitivo direto)
adolescente.” (Ciro dos Anjos)
“Populares assistiam à cena aparentemente apáticos e neutros.” Deram 12 horas. (intransitivo)
(Érico Veríssimo) A terra dá bons frutos. (transitivo direto)
“Lúcio não atinava com essa mudança instantânea.” (José Américo)
“Do que eu mais gostava era do tempo do retiro espiritual.” (José Não dei com a chave do enigma. (transitivo indireto)
Geraldo Vieira) Os pais dão conselhos aos filhos. (transitivo direto e indireto)

Observações: Entre os verbos transitivos indiretos importa Predicativo: Há o predicativo do sujeito e o predicativo do objeto.
distinguir os que se constroem com os pronomes objetivos lhe, lhes.
Em geral são verbos que exigem a preposição a: agradar-lhe, Predicativo do Sujeito: é o termo que exprime um atributo, um
agradeço-lhe, apraz-lhe, bate-lhe, desagrada-lhe, desobedecem-lhe, estado ou modo de ser do sujeito, ao qual se prende por um verbo de
etc. Entre os verbos transitivos indiretos importa distinguir os que ligação, no predicado nominal. Exemplos:
não admitem para objeto indireto as formas oblíquas lhe, lhes, A bandeira é o símbolo da Pátria.
construindo-se com os pronomes retos precedidos de preposição:
A mesa era de mármore.
aludir a ele, anuir a ele, assistir a ela, atentar nele, depender dele,
O mar estava agitado.
investir contra ele, não ligar para ele, etc.
A ilha parecia um monstro.

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Não me convidas?; Ela nos chama.; Avisamo-lo a tempo.; Procuram-
Além desse tipo de predicativo, outro existe que entra na na em toda parte.; Meu Deus, eu vos amo.; “Marchei resolutamente
constituição do predicado verbo-nominal. Exemplos: O trem chegou para a maluca e intimei-a a ficar quieta.”; “Vós haveis de crescer,
atrasado. (=O trem chegou e estava atrasado.) O menino abriu a porta perdervos-ei de vista.”
ansioso. - Por qualquer pronome substantivo: Não vi ninguém na
Todos partiram alegres. loja.; A árvore que plantei floresceu. (que: objeto direto de plantei);
Marta entrou séria. Onde foi que você achou isso? Quando vira as folhas do livro, ela o faz
com
Observações: O predicativo subjetivo às vezes está preposicionado; cuidado.; “Que teria o homem percebido nos meus escritos?”
Pode o predicativo preceder o sujeito e até mesmo ao verbo: São
horríveis essas coisas!; Que linda estava Amélia!; Completamente feliz Frequentemente transitivam-se verbos intransitivos, dando-
ninguém é.; Raros são os verdadeiros líderes.; Quem são esses selhes por objeto direto uma palavra cognata ou da mesma esfera
homens?; Lentos e tristes, os retirantes iam passando.; Novo ainda, eu semântica:
não entendia certas coisas.; Onde está a criança que fui? “Viveu José Joaquim Alves vida tranquila e patriarcal.” (Vivaldo
Coaraci)
Predicativo do Objeto: é o termo que se refere ao objeto de um “Pela primeira vez chorou o choro da tristeza.” (Aníbal Machado)
verbo transitivo. Exemplos: “Nenhum de nós pelejou a batalha de Salamina.” (Machado de
O juiz declarou o réu inocente. Assis)
O povo elegeu-o deputado. Em tais construções é de rigor que o objeto venha acompanhado de
um adjunto.
As paixões tornam os homens cegos.
Nós julgamos o fato milagroso.
Objeto Direto Preposicionado: Há casos em que o objeto direto, isto
é, o complemento de verbos transitivos diretos, vem precedido de
Observações: O predicativo objetivo, como vemos dos exemplos
preposição, geralmente a preposição a.
acima, às vezes vem regido de preposição. Esta, em certos casos, é
Isto ocorre principalmente:
facultativa; O predicativo objetivo geralmente se refere ao objeto
direto. Excepcionalmente, pode referir-se ao objeto indireto do verbo - Quando o objeto direto é um pronome pessoal tônico: Deste
chamar. Chamavam-lhe poeta; Podemos antepor o predicativo a seu modo, prejudicas a ti e a ela.; “Mas dona Carolina amava mais a ele do
objeto: O advogado considerava indiscutíveis os direitos da que aos outros filhos.”; “Pareceu-me que Roberto hostilizava antes a
herdeira.; Julgo inoportuna essa viagem.; “E até embriagado o vi mim do que à ideia.”; “Ricardina lastimava o seu amigo como a si
muitas vezes.”; “Tinha estendida a seus pés uma planta rústica da própria.”; “Amava-a tanto como a nós”.
cidade.”; “Sentia ainda muito abertos os ferimentos que aquele - Quando o objeto é o pronome relativo quem: “Pedro Severiano
choque com o mundo me causara.” tinha um filho a quem idolatrava.”; “Abraçou a todos; deu um beijo em
Adelaide, a quem felicitou pelo desenvolvimento das suas graças.”;
“Agora sabia que podia manobrar com ele, com aquele homem a quem
Termos Integrantes da Oração na realidade também temia, como todos ali”.
- Quando precisamos assegurar a clareza da frase, evitando que
Chamam-se termos integrantes da oração os que completam a o objeto direto seja tomado como sujeito, impedindo construções
significação transitiva dos verbos e nomes. Integram (inteiram, ambíguas: Convence, enfim, ao pai o filho amado.; “Vence o mal ao
completam) o sentido da oração, sendo por isso indispensável à remédio.”; “Tratava-me sem cerimônia, como a um irmão.”; A qual
compreensão do enunciado. São os seguintes: delas iria homenagear o cavaleiro?
- Complemento Verbais (Objeto Direto e Objeto Indireto); - - Em expressões de reciprocidade, para garantir a clareza e a
Complemento Nominal; - Agente da Passiva. eufonia da frase: “Os tigres despedaçam-se uns aos outros.”; “As
companheiras convidavam-se umas às outras.”; “Era o abraço de duas
Objeto Direto: é o complemento dos verbos de predicação criaturas que só tinham uma à outra”.
incompleta, não regido, normalmente, de preposição. Exemplos: - Com nomes próprios ou comuns, referentes a pessoas,
As plantas purificaram o ar. principalmente na expressão dos sentimentos ou por amor da eufonia
“Nunca mais ele arpoara um peixe-boi.” (Ferreira Castro) Procurei da frase: Judas traiu a Cristo.; Amemos a Deus sobre todas as coisas.
o livro, mas não o encontrei. “Provavelmente, enganavam é a Pedro.”; “O estrangeiro foi quem
Ninguém me visitou. ofendeu a Tupã”.
- Em construções enfáticas, nas quais antecipamos o objeto
O objeto direto tem as seguintes características: direto para dar-lhe realce: A você é que não enganam!; Ao médico,
- Completa a significação dos verbos transitivos diretos; confessor e letrado nunca enganes.; “A este confrade conheço desde
- Normalmente, não vem regido de preposição; os seus mais tenros anos”.
- Traduz o ser sobre o qual recai a ação expressa por um verbo - Sendo objeto direto o numeral ambos(as): “O aguaceiro caiu,
ativo: Caim matou Abel. molhou a ambos.”; “Se eu previsse que os matava a ambos...”.
- Torna-se sujeito da oração na voz passiva: Abel foi morto por - Com certos pronomes indefinidos, sobretudo referentes a
Caim. pessoas: Se todos são teus irmãos, por que amas a uns e odeias a
outros?; Aumente a sua felicidade, tornando felizes também aos
outros.; A quantos a vida ilude!.
O objeto direto pode ser constituído:
- Em certas construções enfáticas, como puxar (ou arrancar) da
- Por um substantivo ou expressão substantivada: O lavrador
espada, pegar da pena, cumprir com o dever, atirar com os livros sobre
cultiva a terra.; Unimos o útil ao agradável.
a mesa, etc.: “Arrancam das espadas de aço fino...”; “Chegou a
- Pelos pronomes oblíquos o, a, os, as, me, te, se, nos, vos:
costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a
Esperoo na estação.; Estimo-os muito.; Sílvia olhou-se ao espelho.;
linha na agulha e entrou a coser.”; “Imagina-se a consternação de

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Itaguaí, quando soube do caso.” pelos pronomes. As preposições que o ligam ao verbo são: a, com,
contra, de, em, para e por.
Observações: Nos quatro primeiros casos estudados a preposição é
de rigor, nos cinco outros, facultativa; A substituição do objeto direto Objeto Indireto Pleonástico: à semelhança do objeto direto, o
preposicionado pelo pronome oblíquo átono, quando possível, se faz objeto indireto pode vir repetido ou reforçado, por ênfase. Exemplos:
com as formas o(s), a(s) e não lhe, lhes: amar a Deus (amá-lo); convencer “A mim o que me deu foi pena.”; “Que me importa a mim o destino
ao amigo (convencê-lo); O objeto direto preposicionado, é obvio, só de uma mulher tísica...? “E, aos brigões, incapazes de se moverem,
ocorre com verbo transitivo direto; Podem resumir-se em três as razões basta-lhes xingarem-se a distância.”
ou finalidades do emprego do objeto direto preposicionado: a clareza da
frase; a harmonia da frase; a ênfase ou a força da expressão. Complemento Nominal: é o termo complementar reclamado pela
significação transitiva, incompleta, de certos substantivos, adjetivos
Objeto Direto Pleonástico: Quando queremos dar destaque ou e advérbios. Vem sempre regido de preposição. Exemplos: A defesa
ênfase à ideia contida no objeto direto, colocamo-lo no início da frase e da pátria; Assistência às aulas; “O ódio ao mal é amor do bem, e a
depois o repetimos ou reforçamos por meio do pronome oblíquo. A esse ira contra o mal, entusiasmo divino.”; “Ah, não fosse ele surdo à
objeto repetido sob forma pronominal chama-se pleonástico, enfático minha voz!”
ou redundante. Exemplos:
O dinheiro, Jaime o trazia escondido nas mangas da camisa. Observações: O complemento nominal representa o recebedor, o
O bem, muitos o louvam, mas poucos o seguem. paciente, o alvo da declaração expressa por um nome: amor a Deus,
“Seus cavalos, ela os montava em pelo.” (Jorge Amado) a condenação da violência, o medo de assaltos, a remessa de cartas,
útil ao homem, compositor de músicas, etc. É regido pelas mesmas
Objeto Indireto: É o complemento verbal regido de preposição preposições usadas no objeto indireto. Difere deste apenas porque,
necessária e sem valor circunstancial. Representa, ordinariamente, o ser em vez de complementar verbos, complementa nomes (substantivos,
a que se destina ou se refere à ação verbal: “Nunca desobedeci a meu adjetivos) e alguns advérbios em –mente. Os nomes que requerem
pai”. O objeto indireto completa a significação dos verbos: complemento nominal correspondem, geralmente, a verbos de
mesmo radical: amor ao próximo, amar o próximo; perdão das
- Transitivos Indiretos: Assisti ao jogo; Assistimos à missa e injúrias, perdoar as injúrias; obediente aos pais, obedecer aos pais;
à festa; Aludiu ao fato; Aspiro a uma vida calma. regresso à pátria, regressar à pátria; etc.

- Transitivos Diretos e Indiretos (na voz ativa ou passiva):


Dou graças a Deus; Ceda o lugar aos mais velhos; Dedicou sua vida Agente da Passiva: é o complemento de um verbo na voz passiva.
aos doentes e aos pobres; Disse-lhe a verdade. (Disse a verdade ao Representa o ser que pratica a ação expressa pelo verbo passivo. Vem
moço.) regido comumente pela preposição por, e menos frequentemente pela
preposição de: Alfredo é estimado pelos colegas; A cidade estava
O objeto indireto pode ainda acompanhar verbos de outras cercada pelo exército romano; “Era conhecida de todo mundo a fama
categorias, os quais, no caso, são considerados acidentalmente de suas riquezas.”
transitivos indiretos: A bom entendedor meia palavra basta;
Sobram-lhe qualidades e recursos. (lhe=a ele); Isto não lhe convém; O agente da passiva pode ser expresso pelos substantivos ou pelos
A proposta pareceu-lhe aceitável. pronomes:
As flores são umedecidas pelo orvalho.
Observações: Há verbos que podem construir-se com dois objetos A carta foi cuidadosamente corrigida por mim.
indiretos, regidos de preposições diferentes: Rogue a Deus por nós.; Muitos já estavam dominados por ele.
Ela queixou-se de mim a seu pai.; Pedirei para ti a meu senhor um
rico presente; Não confundir o objeto direto com o complemento O agente da passiva corresponde ao sujeito da oração na voz ativa:
nominal nem com o adjunto adverbial; Em frases como “Para mim A rainha era chamada pela multidão. (voz passiva)
tudo eram alegrias”, “Para ele nada é impossível”, os pronomes em A multidão aclamava a rainha. (voz ativa)
destaque podem ser considerados adjuntos adverbiais. Ele será acompanhado por ti. (voz passiva)
Tu o acompanharás. (voz ativa)
O objeto indireto é sempre regido de preposição, expressa ou
implícita. A preposição está implícita nos pronomes objetivos Observações: Frase de forma passiva analítica sem complemento
indiretos (átonos) me, te, se, lhe, nos, vos, lhes. Exemplos: agente expresso, ao passar para a ativa, terá sujeito indeterminado e o
Obedeceme. (=Obedece a mim.); Isto te pertence. (=Isto pertence a verbo na 3ª pessoa do plural: Ele foi expulso da cidade. (Expulsaram-
ti.); Rogolhe que fique. (=Rogo a você...); Peço-vos isto. (=Peço isto a no da cidade.); As florestas são devastadas. (Devastam as florestas.);
vós.). Nos demais casos a preposição é expressa, como característica Na passiva pronominal não se declara o agente: Nas ruas assobiavam-
do objeto indireto: Recorro a Deus.; Dê isto a (ou para) ele.; se as canções dele pelos pedestres. (errado); Nas ruas eram assobiadas
Contentase com pouco.; Ele só pensa em si.; Esperei por ti.; Falou as canções dele pelos pedestres. (certo); Assobiavam-se as canções
contra nós.; Conto com você.; Não preciso disto.; O filme a que dele nas ruas. (certo)
assisti agradou ao público.; Assisti ao desenrolar da luta.; A coisa de
que mais gosto é pescar.; A pessoa a quem me refiro você a conhece.;
Termos Acessórios da Oração
Os obstáculos contra os quais luto são muitos.; As pessoas com
quem conto são poucas.
Termos acessórios são os que desempenham na oração uma função
secundária, qual seja a de caracterizar um ser, determinar os
Como atestam os exemplos acima, o objeto indireto é
substantivos, exprimir alguma circunstância. São três os termos
representado pelos substantivos (ou expressões substantivas) ou
acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto.

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“No fundo do mato virgem nasceu Macunaíma, herói de nossa
Adjunto adnominal: É o termo que caracteriza ou determina os gente.” (Mário de Andrade)
substantivos. Exemplo: Meu irmão veste roupas vistosas. (Meu
determina o substantivo irmão: é um adjunto adnominal – vistosas O núcleo do aposto é um substantivo ou um pronome substantivo:
caracteriza o substantivo roupas: é também adjunto adnominal). Foram os dois, ele e ela.
O adjunto adnominal pode ser expresso: Pelos adjetivos: água Só não tenho um retrato: o de minha irmã.
fresca, terras férteis, animal feroz; Pelos artigos: o mundo, as ruas, um O dia amanheceu chuvoso, o que me obrigou a ficar em casa.
rapaz; Pelos pronomes adjetivos: nosso tio, este lugar, pouco sal,
muitas rãs, país cuja história conheço, que rua?; Pelos numerais: dois O aposto não pode ser formado por adjetivos. Nas frases seguintes,
pés, quinto ano, capítulo sexto; Pelas locuções ou expressões adjetivas por exemplo, não há aposto, mas predicativo do sujeito:
que exprimem qualidade, posse, origem, fim ou outra especificação: Audaciosos, os dois surfistas atiraram-se às ondas.
- presente de rei (=régio): qualidade As borboletas, leves e graciosas, esvoaçavam num balé de cores.
- livro do mestre, as mãos dele: posse, pertença
- água da fonte, filho de fazendeiros: origem Os apostos, em geral, destacam-se por pausas, indicadas, na
- fio de aço, casa de madeira: matéria escrita, por vírgulas, dois pontos ou travessões. Não havendo pausa,
- casa de ensino, aulas de inglês: fim, especialidade não haverá vírgula, como nestes exemplos:
- homem sem escrúpulos (=inescrupuloso): qualidade Minha irmã Beatriz; o escritor João Ribeiro; o romance Tróia; o
- criança com febre (=febril): característica rio Amazonas; a Rua Osvaldo Cruz; o Colégio Tiradentes, etc.
- aviso do diretor: agente “Onde estariam os descendentes de Amaro vaqueiro?”
(Graciliano Ramos)
Observações: Não confundir o adjunto adnominal formado por
locução adjetiva com complemento nominal. Este representa o alvo da O aposto pode preceder o termo a que se refere, o qual, às vezes, está
ação expressa por um nome transitivo: a eleição do presidente, aviso elíptico. Exemplos:
de perigo, declaração de guerra, empréstimo de dinheiro, plantio de Rapaz impulsivo, Mário não se conteve.
árvores, colheita de trigo, destruidor de matas, descoberta de Mensageira da ideia, a palavra é a mais bela expressão da alma
petróleo, amor ao próximo, etc. O adjunto adnominal formado por humana.
locução adjetiva representa o agente da ação, ou a origem, pertença, “Irmão do mar, do espaço, amei as solidões sobre os rochedos
qualidade de alguém ou de alguma coisa: o discurso do presidente, ásperos.” (Cabral do Nascimento) (refere-se ao sujeito oculto eu).
aviso de amigo, declaração do ministro, empréstimo do banco, a casa
do fazendeiro, folhas de árvores, farinha de trigo, beleza das matas, O aposto, às vezes, refere-se a toda uma oração. Exemplos:
cheiro de petróleo, amor de mãe. Nuvens escuras borravam os espaços silenciosos, sinal de
tempestade iminente.
Adjunto adverbial: É o termo que exprime uma circunstância (de O espaço é incomensurável, fato que me deixa atônito.
tempo, lugar, modo, etc.) ou, em outras palavras, que modifica o Simão era muito espirituoso, o que me levava a preferir sua
sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio. Exemplo: “Meninas numa companhia.
tarde brincavam de roda na praça”. O adjunto adverbial é expresso:
Pelos advérbios: Cheguei cedo.; Ande devagar.; Maria é mais alta.;
Um aposto pode referir-se a outro aposto:
Não durma ao volante.; Moramos aqui.; Ele fala bem, fala
“Serafim Gonçalves casou-se com Lígia Tavares, filha do velho
corretamente.; Volte bem depressa.; Talvez esteja enganado.; Pelas
coronel Tavares, senhor de engenho.” (Ledo Ivo)
locuções ou expressões adverbiais: Às vezes viajava de trem.;
Compreendo sem esforço.; Saí com meu pai.; Júlio reside em
Niterói.; Errei por distração.; Escureceu de repente. O aposto pode vir precedido das expressões explicativas isto é, a
saber, ou da preposição acidental como:
Observações: Pode ocorrer a elipse da preposição antes de Dois países sul-americanos, isto é, a Bolívia e o Paraguai, não são
adjuntos adverbiais de tempo e modo: Aquela noite, não dormi. banhados pelo mar.
(=Naquela noite...); Domingo que vem não sairei. (=No domingo...); Este escritor, como romancista, nunca foi superado.
Ouvidos atentos, aproximei-me da porta. (=De ouvidos atentos...);
Os adjuntos adverbiais classificam-se de acordo com as O aposto que se refere a objeto indireto, complemento nominal ou
circunstâncias que exprimem: adjunto adverbial de lugar, modo, adjunto adverbial vem precedido de preposição:
tempo, intensidade, causa, companhia, meio, assunto, negação, etc. É O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado.
importante saber distinguir adjunto adverbial de adjunto adnominal, “Acho que adoeci disso, de beleza, da intensidade das coisas.”
de objeto indireto e de complemento nominal: sair do mar (ad.adv.); (Raquel Jardim)
água do mar (adj.adn.); gosta do mar (obj.indir.); ter medo do mar De cobras, morcegos, bichos, de tudo ela tinha medo.
(compl.nom.).
Vocativo: (do latim vocare = chamar) é o termo (nome, título,
Aposto: É uma palavra ou expressão que explica ou esclarece, apelido) usado para chamar ou interpelar a pessoa, o animal ou a coisa
desenvolve ou resume outro termo da oração. Exemplos: personificada a que nos dirigimos:
D. Pedro II, imperador do Brasil, foi um monarca sábio. “Elesbão? Ó Elesbão! Venha ajudar-nos, por favor!” (Maria de
“Nicanor, ascensorista, expôs-me seu caso de consciência.” (Carlos Lourdes Teixeira)
Drummond de Andrade) “A ordem, meus amigos, é a base do governo.” (Machado de
“No Brasil, região do ouro e dos escravos, encontramos a Assis)
felicidade.” (Camilo Castelo Branco) “Correi, correi, ó lágrimas saudosas!” (Fagundes Varela)
“Ei-lo, o teu defensor, ó Liberdade!” (Mendes Leal)

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Acharam um artigo indefinido em sua bagagem.
Observação: Profere-se o vocativo com entoação exclamativa. Na A interjeição do bigode declinava partículas expletivas,
escrita é separado por vírgula(s). No exemplo inicial, os pontos conectivos e agentes da passiva, o tempo todo.
interrogativo e exclamativo indicam um chamado alto e prolongado. O Um dia, matei-o com um objeto direto na cabeça.
vocativo se refere sempre à 2ª pessoa do discurso, que pode ser uma
pessoa, um animal, uma coisa real ou entidade abstrata personificada. Na frase “Entre uma oração subordinada e um adjunto adverbial”,
Podemos antepor-lhe uma interjeição de apelo (ó, olá, eh!): o autor faz referência à oração subordinada. Assinale a alternativa
“Tem compaixão de nós, ó Cristo!” (Alexandre Herculano) que NÃO corresponde corretamente à compreensão da relação entre
“Ó Dr. Nogueira, mande-me cá o Padilha, amanhã!” (Graciliano orações:
Ramos) a) Oração subordinada é o nome que se dá ao tipo de
“Esconde-te, ó sol de maio, ó alegria do mundo!” (Camilo oração que
Castelo Branco) é indispensável para a compreensão da oração principal.
b) Diferentemente da coordenada, a oração
O vocativo é um tempo à parte. Não pertence à estrutura da oração, subordinada é a que complementa o sentido da oração principal,
por isso não se anexa ao sujeito nem ao predicado. não sendo possível compreender individualmente nenhuma das
orações, pois há uma relação de dependência do sentido.
Questões c) Subordinação refere-se a “estar ordenado sob”,
sendo indiferente a classificação de uma oração coordenada ou
01. (Pref. De Caucaia/CE – Agente de Suporte e Fiscalização subordinada, pois as duas têm a mesma validade.
– CETREDE/2016) d) A oração principal é aquela rege a oração
TEXTO II subordinada, não
Dos rituais sendo possível seu entendimento sem o complemento.

No primeiro contato com os selvagens, que medo nos dá de infringir 03. (EMSERH – Auxiliar Operacional de Serviços Gerais –
os rituais, de violar um tabu! FUNCAB/2016)
É todo um meticuloso cerimonial, cuja infração eles não nos
perdoam. A carta de amor
Eu estava falando nos selvagens? Mas com os civilizados é o mesmo.
Ou pior até. No momento em que Malvina ia pôr a frigideira no fogo, entrou a
Quando você estiver metido entre grã-finos, é preciso ter muito, cozinheira com um envelope na mão. Isso bastou para que ela se
muito cuidado: eles são tão primitivos! tornasse nervosa. Seu coração pôs-se a bater precipitadamente e seu
rosto se afogueou. Abriu-o com gesto decisivo e extraiu um papel
Mário Quintana verde-mar, sobre o qual se liam, em caracteres energéticos,
masculinos, estas palavras: “Você será amada...”.
Em relação à oração “eles são tão primitivos!”, assinale o item Malvina empalideceu, apesar de já conhecer o conteúdo dessa
INCORRETO. carta verde-mar, que recebia todos os dias, havia já uma semana.
a) Refere-se a grã-finos. Malvina estava apaixonada por um ente invisível, por um papel
b) O sujeito é indeterminado. verde-mar, por três palavras e três pontos de reticências: “Você será
c) O predicado é nominal. amada...”. Há uma semana que vivia como ébria.
d) Tem verbo de ligação Olhava para a rua e qualquer olhar de homem que se cruzasse com
o seu, lhe fazia palpitar tumultuosamente o coração. Se o telefone
e) Apresenta predicativo do sujeito.
tilintava, seu pensamento corria célere: talvez fosse “ele”. Se não
conhecesse a causa desse transtorno, por certo Malvina já teria ido
02. (CISMEPAR/PR – Advogado – FAUEL/2016). consultar um médico de doenças nervosas. Mandara examinar por
um grafólogo a letra dessa carta. Fora em todas as papelarias à
O assassino era o escriba procura desse papel verde-mar e, inconscientemente, fora até o
correio ver se descobria o remetente no ato de atirar o envelope na
Paulo Leminsky caixa.
Tudo em vão. Quem escrevia conseguia manter-se incógnito. Malvina
Meu professor de análise sintática era o tipo do sujeito teria feito tudo quanto ele quisesse. Nenhum empecilho para com o
inexistente. desconhecido. Mas para que ela pudesse realizar o seu sonho, era
Um pleonasmo, o principal predicado da sua vida, regular preciso que ele se tornasse homem de carne e osso. Malvina imaginava-
como um paradigma da 1ª conjugação. o alto, moreno, com grandes olhos negros, forte e espadaúdo.
Entre uma oração subordinada e um adjunto O seu cérebro trabalhava: seria ele casado? Não, não o era. Seria
adverbial, pobre? Não podia ser. Seria um grande industrial? Quem sabe?
ele não tinha dúvidas: sempre achava um jeito As cartas de amor, verde-mar, haviam surgido na vida de Malvina
assindético de nos torturar com um aposto. como o dilúvio, transformando-lhe o cérebro.
Casou com uma regência. Afinal, no décimo dia, chegou a explicação do enigma. Foi uma coisa
Foi infeliz. tão dramática, tão original, tão crível, que Malvina não teve nem um
Era possessivo como um pronome. ataque de histerismo, nem uma crise de cólera. Ficou apenas petrificada.
E ela era bitransitiva. “Você será amada... se usar, pela manhã, o creme de beleza Lua Cheia.
Tentou ir para os EUA. O creme Lua Cheia é vendido em todas as farmácias e drogarias.
Não deu. Ninguém resistirá a você, se usar o creme Lua Cheia.

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Era o que continha o papel verde-mar, escrito em enérgicos Os portugueses se interrogavam: onde desencantava ele tão
caracteres masculinos. maravilhosas criaturas? onde, se eles tinham já desbravado os mais
Ao voltar a si, Malvina arrastou-se até o telefone: extensos matos?
-Alô! É Jorge quem está falando? Já pensei e resolvi casar-me com O vendedor se segredava, respondendo um riso. Os senhores
você. Sim, Jorge, amo-o! Ora, que pergunta! Pode vir. receavam as suas próprias suspeições - teria aquele negro direito a
A voz de Jorge estava rouca de felicidade! ingressar num mundo onde eles careciam de acesso? Mas logo se
E nunca soube a que devia tanta sorte! aprontavam a diminuir-lhe os méritos: o tipo dormia nas árvores, em
André plena passarada. Eles se igualam aos bichos silvestres, concluíam.
Sinoldi Fosse por desdenho dos grandes ou por glória dos pequenos, a
verdade é que, aos pouco-poucos, o passarinheiro foi virando assunto
Se a oração escrita na carta estivesse completa, como em “Você será no bairro do cimento. Sua presença foi enchendo durações,
amada POR MIM”, o termo destacado funcionaria como: insuspeitos vazios. Conforme dele se comprava, as casas mais se
a) complemento nominal. repletavam de doces cantos. Aquela música se estranhava nos
b) objeto direto. moradores, mostrando que aquele bairro não pertencia àquela terra.
Afinal, os pássaros desautenticavam os residentes,
c) agente da passiva.
estrangeirandolhes? [...] O comerciante devia saber que seus passos
d) objeto indireto.
descalços não cabiam naquelas ruas. Os brancos se inquietavam com
e) adjunto nominal. aquela desobediência, acusando o tempo. [...]
As crianças emigravam de sua condição, desdobrando-se em outras
04. (EMSERH – Enfermeiro – FUNCAB/2016) felizes existências. E todos se familiavam, parentes aparentes.
Assinale a alternativa correspondente ao período onde há [...]
predicativo do sujeito: Os pais lhes queriam fechar o sonho, sua pequena e infinita alma.
Surgiu o mando: a rua vos está proibida, vocês não saem mais.
O embondeiro que sonhava pássaros Correram-se as cortinas, as casas fecharam suas pálpebras.

Esse homem sempre vai ficar de sombra: nenhuma memória será COUTO, Mia. Cada homem é uma raça: contos/ Mia Couto - 1ª ed.
bastante para lhe salvar do escuro. Em verdade, seu astro não era o Sol. - São Paulo: Companhia das Letras, 2013. p.63 - 71. (Fragmento).
Nem seu país não era a vida. Talvez, por razão disso, ele habitasse com
cautela de um estranho. O vendedor de pássaros não tinha sequer o Sobre os elementos destacados do fragmento “Em verdade, seu astro
abrigo de um nome. Chamavam-lhe o passarinheiro. não era o Sol. Nem seu país não era a vida.”, leia as afirmativas.
Todas manhãs ele passava nos bairros dos brancos carregando suas I. A expressão EM VERDADE pode ser substituída, sem alteração
enormes gaiolas. Ele mesmo fabricava aquelas jaulas, de tão leve de sentido por COM EFEITO.
material que nem pareciam servir de prisão. Parecia eram gaiolas II. ERA O SOL formam o predicado verbal da primeira
aladas, voláteis. Dentro delas, os pássaros esvoavam suas cores oração.
repentinas. À volta do vendedeiro, era uma nuvem de pios, tantos que III. NEM, no contexto, é uma conjunção coordenativa.
faziam mexer as janelas:
- Mãe, olha o homem dos passarinheiros! Está correto apenas o que se afirma em:
E os meninos inundavam as ruas. As alegrias se intercambiavam: a a) I e III.
gritaria das aves e o chilreio das crianças. O homem puxava de uma b) III.
muska e harmonicava sonâmbulas melodias. O mundo inteiro se
c) I e II.
fabulava.
d) I.
Por trás das cortinas, os colonos reprovavam aqueles abusos.
e) II e III.
Ensinavam suspeitas aos seus pequenos filhos - aquele preto quem era?
Alguém conhecia recomendações dele? Quem autorizara aqueles pés
descalços a sujarem o bairro? Não, não e não. O negro que voltasse ao 05. (EMSERH – Auxiliar Administrativo – FUNCAB/2016)
seu devido lugar. Contudo, os pássaros tão encantantes que são -
insistiam os meninos. Os pais se agravavam: Como seremos amanhã?
estava dito.
Mas aquela ordem pouco seria desempenhada. Estar aberto às novidades é estar vivo. Fechar-se a elas é morrer
[...] estando vivo. Um certo equilíbrio entre as duas atitudes ajuda a nem ser
O homem então se decidia a sair, juntar as suas raivas com os antiquado demais nem ser superavançadinho, correndo o perigo de
demais colonos. No clube, eles todos se aclamavam: era preciso confusões ou ridículo.
acabar com as visitas do passarinheiro. Que a medida não podia ser Sempre me fascinaram as mudanças - às vezes avanço, às vezes
de morte matada, nem coisa que ofendesse a vista das senhoras e retorno à caverna. Hoje andam incrivelmente rápidas, atingindo usos e
seus filhos. 6 remédio, enfim, se haveria de pensar. costumes, ciência e tecnologia, com reflexos nas mais sofisticadas e nas
No dia seguinte, o vendedor repetiu a sua alegre invasão. Afinal, menores coisas com que lidamos. Nossa visão de mundo se transforma,
os colonos ainda que hesitaram: aquele negro trazia aves de belezas mas penso que não no mesmo ritmo; então, de vez em quando nos
jamais vistas. Ninguém podia resistir às suas cores, seus chilreios. pegamos dizendo, como nossas mães ou avós tanto tempo atrás: “Nossa!
Nem aquilo parecia coisa deste verídico mundo. O vendedor se Como tudo mudou!”
anonimava, em humilde desaparecimento de si: Nos usos e costumes a coisa é séria e nos afeta a todos: crianças
- Esses são pássaros muito excelentes, desses com as asas todas de muito precocemente sexualizadas pela moda, pela televisão, muitas
fora. vezes por mães alienadas. [...]
Na saúde, acho que melhorou. Sou de uma infância sem antibióticos.
A gente sobrevivia sob os cuidados de mãe, pai, avó, médico de família,

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aquele que atendia do parto à cirurgia mais complexa para aqueles dias. De modo efetivo, seu astro não era o Sol (...)". Logo concluímos que
Dieta, que hoje se tornou obsessão, era impensável, sobretudo para a substituição de uma pela outra está correta.
crianças, e eu pré- adolescente gordinha, não podia nem falar em
“regime” que minha mãe arrancava os cabelos e o médico sacudia a 2) O termo "nem", no contexto em que está inserido, é sem
cabeça: “Nem pensar”. dúvida uma conjunção coordenativa, pois, lembremos, as orações
Em breve estaremos menos doentes: célula-tronco e chips vão nos coordenadas, cada uma, separadamente, possuem sentido
consertar de imediato, ou evitar os males. Teremos de descobrir o que completo, assim determina a gramática normativa de LP. Vejamos o
fazer com tanto tempo de vida a mais que nos será concedido... desmembramento delas, nesse caso:
[...] - "seu astro não era o Sol" (Oração 1) -
Quem sabe nos mataremos menos, se as drogas forem controladas e "seu país não era a vida" (Oração 2)
a miséria extinta. Não creio em igualdade, mas em dignidade para todos. Notem que ambas, quando separadas, continuam possuindo um
Talvez haja menos guerras, porque de alguma forma seremos menos sentido (significado) completo. Trazem informações inteligíveis para
violentos. que as leem.
[...] O que não acontece com as orações SUBORDINADAS que, como o
As crianças terão outras memórias, outras brincadeiras, outras próprio nome prenuncia, tem seu prejudicado caso seja separada.
alegrias; os adultos, novas sensações e possibilidades. Mas as emoções Aquilo que é subordinado não "sobrevive" separadamente,
humanas, estas eu penso que vão demorar a mudar. Todos vão continuar lembrem-se disso.
querendo mais ou menos o mesmo: afeto, presença, sentido para a vida, As coordenadas sim, elas apenas estão interligadas para comporem
alegria. Desta, por mais modernos, avançados, biônicos, quânticos, juntas um sentido maior.
incríveis, não podemos esquecer. Ou não valerá a pena nem um só ano a
mais, saúde a mais, brinquedinhos a mais. 05. Resposta C
Seremos uns robôs cinzentos e sem graça! “Quem sabe nos mataremos menos, SE as drogas forem controladas
e a miséria extinta.”
Lya Luft, Veja. São Paulo, 2 de março, 2011, p.24 “Quem sabe nos mataremos menos, CASO as drogas forem
controladas e a miséria extinta.”
A conjunção destacada em: “Quem sabe nos mataremos menos, SE as se (caso) a troca dê certo = condicional
drogas forem controladas e a miséria extinta.” introduz uma oração que
expressa ideia de: Período: Toda frase com uma ou mais orações constitui um
a) causa. período, que se encerra com ponto de exclamação, ponto de
b) comparação. interrogação ou com reticências.
c) condição. O período é simples quando só traz uma oração, chamada
d) conformidade absoluta; o período é composto quando traz mais de uma oração.
e) consequência. Exemplo: Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absoluta.);
Quero que você aprenda. (Período composto.)
Respostas
Existe uma maneira prática de saber quantas orações há num
01. Reposta B período: é contar os verbos ou locuções verbais. Num período haverá
A - C=> Refere-se a grã-finos B - E tantas orações quantos forem os verbos ou as locuções verbais nele
=> O sujeito é grã finos existentes. Exemplos:
C - O predicado está ligado ao nome. Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração)
D - Verbos de ligação: Ser, estar, parecer... Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações)
E - Primitivos caracteriza o sujeito. Está pegando fogo no prédio. (uma locução verbal, uma oração)
Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas locuções
verbais, duas orações)
02. Resposta C
Como a própria resposta diz, Subordinação refere-se a “estar
Há três tipos de período composto: por coordenação, por
ordenado sob”.
subordinação e por coordenação e subordinação ao mesmo tempo
(também chamada de misto).
03. Resposta: C Vamos lá:
- O agente da passiva é um termo preposicionado (por, pelo, de).
Período Composto por Coordenação – Orações Coordenadas
- Só ocorre na voz passiva; em caso de dúvida é só transformar
na voz ativa.
Considere, por exemplo, este período composto:
- Se relaciona com o particípio (tanto o regular, quanto o
irregular).
Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os tempos de
Voz ativa: Eu amarei você.
infância.
Voz passiva: Você será amada (particípio) por mim (agente da
1ª oração: Passeamos pela praia
passiva. Note que está preposicionado)
2ª oração: brincamos
04. Resposta A
3ª oração: recordamos os tempos de infância
1) A locução "Em verdade" tem sentido equivalente a
expressão "Com efeito", ambas significam 'De modo efetivo'. Vejam
como faz sentido: As três orações que compõem esse período têm sentido próprio e
não mantêm entre si nenhuma dependência sintática: elas são

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independentes. Há entre elas, é claro, uma relação de sentido, mas, como Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que
já dissemos, uma não depende da outra sintaticamente. expressa ideia de conclusão de um fato enunciado na oração anterior,
As orações independentes de um período são chamadas de orações ou seja, por uma conjunção coordenativa conclusiva.
coordenadas (OC), e o período formado só de orações coordenadas é
chamado de período composto por coordenação. Vives mentindo; logo, não mereces fé.
As orações coordenadas são classificadas em assindéticas e Ele é teu pai: respeita-lhe, pois, a vontade.
sindéticas. Raimundo é homem são, portanto deve trabalhar.

- As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando não - Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou, ou... ou,
vêm introduzidas por conjunção. Exemplo: ora... ora, seja... seja, quer... quer.
Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram. Seja mais educado / ou retire-se da reunião!
OCA OCA OCA OCA OCS Alternativa

“Inclinei-me, apanhei o embrulho e segui.” (Machado de Assis) Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que
“A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta.” (Antônio estabelece uma relação de alternância ou escolha com referência à
Olavo Pereira) oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa alternativa.
“O ferro mata apenas; o ouro infama, avilta, desonra.” (Coelho
Neto)
Venha agora ou perderá a vez.
“Jacinta não vinha à sala, ou retirava-se logo.” (Machado de Assis)
- As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando vêm
“Em aviação, tudo precisa ser bem feito ou custará preço muito
introduzidas por conjunção coordenativa. Exemplo: caro.” (Renato Inácio da Silva)
O homem saiu do carro / e entrou na casa. “A louca ora o acariciava, ora o rasgava freneticamente.”
OCA OCS (Luís Jardim)

As orações coordenadas sindéticas são classificadas de acordo com - Orações coordenadas sindéticas explicativas: que, porque, pois,
o sentido expresso pelas conjunções coordenativas que as introduzem. porquanto.
Pode ser:
Vamos andar depressa / que estamos atrasados.
OCA OCS Explicativa
- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não só... mas
também, não só... mas ainda.
Observe que a 2ª oração é introduzida por uma conjunção que
Saí da escola / e fui à lanchonete.
expressa ideia de explicação, de justificativa em relação à oração
OCA OCS Aditiva anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa explicativa.

Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que Leve-lhe uma lembrança, que ela aniversaria amanhã.
expressa ideia de acréscimo ou adição com referência à oração anterior,
“A mim ninguém engana, que não nasci ontem.” (Érico Veríssimo)
ou seja, por uma conjunção coordenativa aditiva.
“Qualquer que seja a tua infância, conquista-a, que te abençoo.”
(Fernando Sabino)
A doença vem a cavalo e volta a pé.
O cavalo estava cansado, pois arfava muito.
As pessoas não se mexiam nem falavam.
“Não só findaram as queixas contra o alienista, mas até nenhum
Período Composto por Subordinação
ressentimento ficou dos atos que ele praticara.” (Machado de Assis)
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, porém,
todavia, contudo, entretanto, no entanto. Observe os termos destacados em cada uma destas orações:
Estudei bastante / mas não passei no teste. Vi uma cena triste. (adjunto adnominal)
OCA OCS Adversativa Todos querem sua participação. (objeto direto)
Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de causa)
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma conjunção que
expressa ideia de oposição à oração anterior, ou seja, por uma conjunção Veja, agora, como podemos transformar esses termos em orações
coordenativa adversativa. com a mesma função sintática:
Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada com função
A espada vence, mas não convence. “É dura a vida, de adjunto adnominal)
mas aceitam-na.” (Cecília Meireles) Tens razão, Todos querem / que você participe. (oração subordinada com
contudo não te exaltes. função de objeto direto)
Havia muito serviço, entretanto ninguém trabalhava. Não pude sair / porque estava chovendo. (oração subordinada com
função de adjunto adverbial de causa)
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto, por
isso, pois, logo. Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma certa
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão. função sintática em relação à primeira, sendo, portanto, subordinada
OCA OCS Conclusiva a ela. Quando um período é constituído de pelo menos um conjunto
de duas orações em que uma delas (a subordinada) depende
sintaticamente da outra (principal), ele é classificado como período
composto por subordinação. As orações subordinadas são

8
classificadas de acordo com a função que exercem: adverbiais,
substantivas e adjetivas. Formiga, quando quer se perder, cria asas.
“Lá pelas sete da noite, quando escurecia, as casas se esvaziam.”
Orações Subordinadas Adverbiais (Carlos Povina Cavalcânti)
“Quando os tiranos caem, os povos se levantam.” (Marquês de
As orações subordinadas adverbiais (OSA) são aquelas que Maricá)
exercem a função de adjunto adverbial da oração principal (OP). São Enquanto foi rico, todos o procuravam.
classificadas de acordo com a conjunção subordinativa que as introduz:
- Finais: Expressam a finalidade ou o objetivo do que foi
- Causais: Expressam a causa do fato enunciado na oração principal. enunciado na oração principal. Conjunções: para que, a fim de que,
Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que, visto que. porque (=para que), que.
Não fui à escola / porque fiquei doente. Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar.
OP OSA Causal OP OSA Final

O tambor soa porque é oco. “O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos.” (Marquês de
Como não me atendessem, repreendi-os severamente. Maricá)
Como ele estava armado, ninguém ousou reagir. Aproximei-me dele a fim de que me ouvisse melhor.
“Faltou à reunião, visto que esteve doente.” (Arlindo de Sousa) “Fiz-lhe sinal que se calasse.” (Machado de Assis) (que = para que)
“Instara muito comigo não deixasse de frequentar as recepções
- Condicionais: Expressam hipóteses ou condição para a ocorrência da mulher.” (Machado de Assis) (não deixasse = para
do que foi enunciado na principal. Conjunções: se, contanto que, a menos que não deixasse)
que, a não ser que, desde que. Irei à sua casa / se não chover.
OP OSA Condicional - Consecutivas: Expressam a consequência do que foi
enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como (=
porque), pois que, visto que.
Deus só nos perdoará se perdoarmos aos nossos ofensores.
A chuva foi tão forte / que inundou a cidade.
Se o conhecesses, não o condenarias.
OP OSA Consecutiva
“Que diria o pai se soubesse disso?” (Carlos Drummond de
Andrade)
A cápsula do satélite será recuperada, caso a experiência tenha Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos.
êxito. “A fumaça era tanta que eu mal podia abrir os olhos.” (José J.
Veiga)
- Concessivas: Expressam ideia ou fato contrário ao da oração De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais.
principal, sem, no entanto, impedir sua realização. Conjunções: As notícias de casa eram boas, de maneira que pude prolongar
embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais que, mesmo que. minha viagem.
Ela saiu à noite / embora estivesse doente.
OP OSA Concessiva - Comparativas: Expressam ideia de comparação com referência à
oração principal. Conjunções: como, assim como, tal como, (tão)...
Admirava-o muito, embora (ou conquanto ou posto que ou se como, tanto como, tal qual, que (combinado com menos ou mais).
bem que) não o conhecesse pessoalmente. Ela é bonita / como a mãe.
Embora não possuísse informações seguras, ainda assim arriscou OP OSA Comparativa
uma opinião.
Cumpriremos nosso dever, ainda que (ou mesmo quando ou A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro.”
ainda quando ou mesmo que) todos nos critiquem. (Marquês de Maricá)
Por mais que gritasse, não me ouviram. Ela o atraía irresistivelmente, como o imã atrai o ferro.
Os retirantes deixaram a cidade tão pobres como vieram.
- Conformativas: Expressam a conformidade de um fato com Como a flor se abre ao Sol, assim minha alma se abriu à luz daquele
outro. Conjunções: conforme, como (=conforme), segundo. olhar.
O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado.
OP OSA Conformativa Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam
claramente o verbo, como no exemplo acima, em que está
O homem age conforme pensa. subentendido o verbo ser (como a mãe é).
Relatei os fatos como (ou conforme) os ouvi.
- Proporcionais: Expressam uma ideia que se relaciona
Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas.
proporcionalmente ao que foi enunciado na principal. Conjunções: à
O jornal, como sabemos, é um grande veículo de informação.
medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto
menos.
- Temporais: Acrescentam uma circunstância de tempo ao
Quanto mais reclamava / menos atenção recebia.
que foi expresso na oração principal. Conjunções: quando, assim que,
OSA Proporcional OP
logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal (=assim que).
À medida que se vive, mais se aprende.
Ele saiu da sala / assim que eu cheguei.
À proporção que avançávamos, as casas iam rareando.
OP OSA Temporal
O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai diminuindo.

8
Sou favorável a que o prendam. (= Sou favorável à prisão dele.)
Orações Subordinadas Substantivas Estava ansioso por que voltasses.
Sê grato a quem te ensina.
As orações subordinadas substantivas (OSS) são aquelas que, “Fabiano tinha a certeza de que não se acabaria tão cedo.”
num período, exercem funções sintáticas próprias de substantivos, (Graciliano Ramos)
geralmente são introduzidas pelas conjunções integrantes que e se.
Elas podem ser: - Oração Subordinada Substantiva Predicativa: É aquela que
exerce a função de predicativo do sujeito da oração principal, vindo
sempre depois do verbo ser. Observe: O importante é sua felicidade.
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: É aquela que (predicativo)
exerce a função de objeto direto do verbo da oração principal. O importante é / que você seja feliz.
Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto) O OP OSS Predicativa
grupo quer / que você ajude.
OP OSS Objetiva Direta Seu receio era que chovesse. (Seu receio era a chuva.) Minha
esperança era que ele desistisse.
O mestre exigia que todos estivessem presentes. (= O mestre Meu maior desejo agora é que me deixem em paz.
exigia a presença de todos.) Não sou quem você pensa.
Mariana esperou que o marido voltasse.
Ninguém pode dizer: Desta água não beberei. - Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela que
O fiscal verificou se tudo estava em ordem. exerce a função de aposto de um termo da oração principal. Observe:
Ele tinha um sonho: a união de todos em benefício do país.
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: É aquela (aposto)
que exerce a função de objeto indireto do verbo da oração principal. Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício do país.
Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto indireto) Necessito / OP OSS Apositiva
de que você me ajude.
OP OSS Objetiva Indireta Só desejo uma coisa: que vivam felizes. (Só desejo uma coisa: a sua
felicidade)
Não me oponho a que você viaje. (= Não me oponho à sua viagem.) Só lhe peço isto: honre o nosso nome.
Aconselha-o a que trabalhe mais. “Talvez o que eu houvesse sentido fosse o presságio disto: de que
Daremos o prêmio a quem o merecer. virias a morrer...” (Osmã Lins)
Lembre-se de que a vida é breve. “Mas diga-me uma cousa, essa proposta traz algum motivo
oculto?” (Machado de Assis)
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: É aquela que
exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. Observe: É As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de doispontos.
importante sua colaboração. (sujeito) É importante / que você Podem vir, também, entre vírgulas, intercaladas à oração principal.
colabore. Exemplo: Seu desejo, que o filho recuperasse a saúde, tornou-se
realidade.
OP OSS Subjetiva

Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as orações


A oração subjetiva geralmente vem:
substantivas podem ser introduzidas por outros conectivos, tais
- depois de um verbo de ligação + predicativo, em construções
como quando, como, quanto, etc. Exemplos:
do tipo é bom, é útil, é certo, é conveniente, etc. Ex.: É certo que ele
Não sei quando ele chegou.
voltará amanhã.
- depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta-se, Diga-me como resolver esse problema.
diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu da cidade.
- depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir, ocorrer, Orações Subordinadas Adjetivas
quando empregados na 3ª pessoa do singular e seguidos das conjunções
que ou se. Ex.: Convém que todos participem da reunião. As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a função de
adjunto adnominal de algum termo da oração principal. Observe
É necessário que você colabore. (= Sua colaboração é necessária.) como podemos transformar um adjunto adnominal em oração
Parece que a situação melhorou. subordinada adjetiva:
Aconteceu que não o encontrei em casa. Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal)
Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada adjetiva)
Importa que saibas isso bem.

As orações subordinadas adjetivas são sempre introduzidas por


- Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal: É
um pronome relativo (que , qual, cujo, quem, etc.) e podem ser
aquela que exerce a função de complemento nominal de um termo da
classificadas em:
oração principal. Observe: Estou convencido de sua inocência.
(complemento nominal)
- Subordinadas Adjetivas Restritivas: São restritivas quando
Estou convencido / de que ele é inocente.
restringem ou especificam o sentido da palavra a que se referem.
OP OSS Completiva Nominal
Exemplo:

8
O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar.
OP OSA Restritiva Reduzida: Não enviando o relatório a tempo, perdeu a bolsa de
estudos.
Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica o Desenvolvida: Porque não enviou o relatório a tempo, perdeu a
sentido do substantivo cantor, indicando que o público não aplaudiu bolsa de estudos. (Oração Subordinada Adverbial Causal)
qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º lugar.
Reduzida: Respeitando as normas, não terão problemas.
Pedra que rola não cria limo. Desenvolvida: Desde que respeitem as normas, não terão
Os animais que se alimentam de carne chamam-se carnívoros. problemas. (Oração Subordinada Adverbial Condicional)
Rubem Braga é um dos cronistas que mais belas páginas
escreveram. O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem orações
“Há saudades que a gente nunca esquece.” (Olegário Mariano) reduzidas quando fazem parte de uma locução verbal.

- Subordinadas Adjetivas Explicativas: São explicativas quando Exemplos:


apenas acrescentam uma qualidade à palavra a que se referem, Preciso terminar este exercício.
esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem restringi-lo ou Ele está jantando na sala.
especificá-lo. Exemplo:
Questões
O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um novo livro.
OP OSA Explicativa OP 01. (TRF – 3ª Região – Analista Judiciário – Área Administrativa
- FCC/2016)
Deus, que é nosso pai, nos salvará. Depois que se tinha fartado de ouro, o mundo teve fome de açúcar,
Valério, que nasceu rico, acabou na miséria. mas o açúcar consumia escravos. O esgotamento das minas − que de
Ele tem amor às plantas, que cultiva com carinho. resto foi precedido pelo das florestas que forneciam o combustível para
Alguém, que passe por ali à noite, poderá ser assaltado. os fornos −, a abolição da escravatura e, finalmente, uma procura
mundial crescente, orientam São Paulo e o seu porto de Santos para o
Orações Reduzidas café. De amarelo, passando pelo branco, o ouro tornou-se negro.
As orações reduzidas são caracterizadas por possuírem o verbo nas Mas, apesar de terem ocorrido essas transformações que
formas de gerúndio, particípio ou infinitivo. Ao contrário das demais tornaram Santos num dos centros do comércio internacional, o local
orações subordinadas, as orações reduzidas não são ligadas através dos conserva uma beleza secreta; à medida que o barco penetra
conectivos lentamente por entre as ilhas, experimento aqui o primeiro
sobressalto dos trópicos. Estamos encerrados num canal verdejante.
Há três tipos de orações reduzidas: - Quase podíamos, só com estender a mão, agarrar essas plantas que o
Orações reduzidas de infinitivo - Rio ainda mantinha à distância nas suas estufas empoleiradas lá no
Orações reduzidas de gerúndio alto. Aqui se estabelece, num palco mais modesto, o contato com a
- Orações reduzidas de particípio paisagem.
O arrabalde de Santos, uma planície inundada, crivada de lagoas e
Orações Reduzidas de Infinitivo: pântanos, entrecortada por riachos estreitos e canais, cujos
contornos são perpetuamente esbatidos por uma bruma nacarada,
Infinitivo: terminações –ar, -er, -ir.
assemelha-se à própria Terra, emergindo no começo da criação. As
plantações de bananeiras que a cobrem são do verde mais jovem e
Reduzida: É preciso comer frutas e legumes. terno que se possa imaginar: mais agudo que o ouro verde dos
Desenvolvida: É preciso que se coma frutas e legumes. (Oração campos de juta no delta do Bramaputra, com o qual gosto de o
Subordinada Substantiva Subjetiva) associar na minha recordação; mas é que a própria fragilidade do
matiz, a sua gracilidade inquieta, comparada com a suntuosidade
Reduzida: Meu desejo era ganhar uma viagem. tranquila da outra, contribuem para criar uma atmosfera primordial.
Desenvolvida: Meu desejo era que eu ganhasse uma viagem. Durante cerca de meia hora, rolamos por entre bananeiras, mais
(Oração Subordinada Substantiva Predicativa) plantas mastodontes do que árvores anãs, com troncos plenos de
seiva que terminam numa girândola de folhas elásticas por sobre
Orações Reduzidas de Particípio: uma mão de 100 dedos que sai de um enorme lótus castanho e
Particípio: terminações –ado, -ido. rosado. A seguir, a estrada eleva-se até os 800 metros de altitude, o
cume da serra. Como acontece em toda parte nessa costa, escarpas
Reduzida: Temos apenas um filho, criado com muito amor. abruptas protegeram dos ataques do homem essa floresta virgem tão
Desenvolvida: Temos apenas um filho, que criamos com muito rica que para encontrarmos igual a ela teríamos de percorrer vários
amor. (Oração Subordinada Adjetiva Explicativa) milhares de quilômetros para norte, junto da bacia amazônica.
Enquanto o carro geme em curvas que já nem poderíamos
qualificar como “cabeças de alfinete”, de tal modo se sucedem em
Reduzida: A criança sequestrada foi resgatada.
espiral, por entre um nevoeiro que imita a alta montanha de outros
Desenvolvida: A criança que sequestraram foi resgatada.
climas, posso examinar à vontade as árvores e as plantas estendendo-
(Oração Subordinada Adjetiva Restritiva)
se perante o meu olhar como espécimes de museu.

Orações Reduzidas de Gerúndio: (Adaptado de: LÉVI-STRAUSS, Claude. Tristes Trópicos.


Gerúndio: terminação –ndo. Coimbra, Edições 70, 1979, p. 82-3)

8
d) um substantivo, e pode ser considerada como interrogativa
No primeiro período do segundo parágrafo, as duas orações que não direta.
se subordinam a nenhuma outra contêm os seguintes verbos: e) um advérbio, e pode ser considerada como interrogativa
a) conserva − experimento indireta.
b) terem ocorrido − conserva
c) tornaram − penetra 03. (ANAC – Analista Administrativo – ESAF/2016)
d) tornaram − experimento Assinale a opção que apresenta explicação correta para a inserção de
e) conserva − penetra "que é" antes do segmento grifado no texto.

02. (TRF – 3ª Região – Analista Judiciário – Área A Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República divulgou
Administrativa - FCC/2016) recentemente a pesquisa O Brasil que voa – Perfil dos Passageiros,
Aeroportos e Rotas do Brasil, o mais completo levantamento sobre
O museu é considerado um instrumento de neutralização – e transporte aéreo de passageiros do País. Mais de 150 mil passageiros,
talvez o seja de fato. Os objetos que nele se encontram reunidos ouvidos durante 2014 nos 65 aeroportos responsáveis por 98% da
trazem o testemunho de disputas sociais, de conflitos políticos e movimentação aérea do País, revelaram um perfil inédito do setor.
religiosos. Muitas obras antigas celebram vitórias militares e
conquistas: a maior parte presta homenagem às potências <http://www.anac.gov.br/Noticia.aspx?ttCD_CHAVE=1957&slC D_
dominantes, suas financiadoras. As obras modernas são, mais ORIGEM=29>. Acesso em: 13/12/2015 (com adaptações).
genericamente, animadas pelo espírito crítico: elas protestam contra
os fatos da realidade, os poderes, o estado das coisas. O museu reúne a) Prejudica a correção gramatical do período, pois
todas essas manifestações de sentido oposto. Expõe tudo junto em provoca
nome de um valor que se presume partilhado por elas: a qualidade truncamento sintático.
artística. Suas diferenças funcionais, suas divergências políticas são b) Transforma o aposto em oração subordinada adjetiva
apagadas. A violência de que participavam, ou que combatiam, é explicativa.
esquecida. O museu parece assim desempenhar um papel de c) Altera a oração subordinada explicativa para oração
pacificação social. A guerra das imagens extingue-se na pacificação restritiva.
dos museus.
d) Transforma o segmento grifado em oração principal
Todos os objetos reunidos ali têm como princípio o fato de terem do
sido retirados de seu contexto. Desde então, dois pontos de vista
período.
concorrentes são possíveis. De acordo com o primeiro, o museu é por
e) Corrige erro de estrutura sintática inserido no
excelência o lugar de advento da Arte enquanto tal, separada de seus
período.
pretextos, libertada de suas sujeições. Para o segundo, e pela mesma
razão, é um "depósito de despojos". Por um lado, o museu facilita o 04. (TRE/RR - Técnico Judiciário - Operação de Computadores
acesso das obras a um status estético que as exalta. Por outro, as reduz - FCC/2015)
a um destino igualmente estético, mas, desta vez, concebido como um É indiscutível que no mundo contemporâneo o ambiente do
estado letárgico. futebol é dos mais intensos do ponto de vista psicológico. Nos
A colocação em museu foi descrita e denunciada frequentemente estádios a concentração é total. Vive-se ali situação de incessante
como uma desvitalização do simbólico, e a musealização progressiva dialética entre o metafórico e o literal, entre o lúdico e o real. O que
dos objetos de uso como outros tantos escândalos sucessivos. Ainda varia conforme o indivíduo considerado é a passagem de uma
seria preciso perguntar sobre a razão do "escândalo". Para que haja condição a outra. Passagem rápida no caso do torcedor, cuja
escândalo, é necessário que tenha havido atentado ao sagrado. Diante regressão psíquica do lúdico dura algumas horas e funciona como
de cada crítica escandalizada dirigida ao museu, seria interessante escape para as pressões do cotidiano. Passagem lenta no caso do
desvendar que valor foi previamente sacralizado. A Religião? A Arte? A futebolista profissional, que vive quinze ou vinte anos em ambiente
singularidade absoluta da obra? A Revolta? A Vida autêntica? A de fantasia, que geralmente torna difícil a inserção na realidade
integridade do Contexto original? Estranha inversão de perspectiva. global quando termina a carreira. A solução para muitos é a
Porque, simultaneamente, a crítica mais comum contra o museu reconversão em técnico, que os mantém sob holofote. Lothar
apresenta-o como sendo, ele próprio, um órgão de sacralização. O Matthäus, por exemplo, recordista de partidas em Copas do Mundo,
museu, por retirar as obras de sua origem, é realmente "o lugar com a seleção alemã, Ballon d’Or de 1990, tornou-se técnico porque
simbólico onde o trabalho de abstração assume seu caráter mais “na verdade, para mim, o futebol é mais importante do que a família”.
violento e mais ultrajante". Porém, esse trabalho de abstração e esse [...]
efeito de alienação operam em toda parte. É a ação do tempo, conjugada Sendo esporte coletivo, o futebol tem implicações e significações
com nossa ilusão da presença mantida e da arte conservada. psicológicas coletivas, porém calcadas, pelo menos em parte, nas
individualidades que o compõem. O jogo é coletivo, como a vida social,
(Adaptado de: GALARD, Jean. Beleza Exorbitante. São Paulo, porém num e noutra a atuação de um só indivíduo pode repercutir
Fap.-Unifesp, 2012, p. 68-71) sobre o todo. Como em qualquer sociedade, na do futebol vive-se o
Na frase Diante de cada crítica escandalizada dirigida ao museu, tempo inteiro em equilíbrio precário entre o indivíduo e o grupo. O
seria interessante desvendar que valor foi previamente sacralizado jogador busca o sucesso pessoal, para o qual depende em grande parte
dos companheiros; há um sentimento de equipe, que depende das
(3°parágrafo), a oração sublinhada complementa o sentido de
qualidades pessoais de seus membros. O torcedor lúcido busca o
a) um substantivo, e pode ser considerada como interrogativa
prazer do jogo preservando sua individualidade; todavia, a própria
indireta.
condição de torcedor acaba por diluí-lo na massa.
b) um verbo, e pode ser considerada como interrogativa direta.
c) um verbo, e pode ser considerada como interrogativa indireta.
(JÚNIOR, Hilário
Franco. A dança dos deuses: futebol, cultura, sociedade.

9
São Paulo:
Companhia das letras, 2007, p. 303-304, com adaptações) 01. Resposta A
No primeiro período do segundo parágrafo, as duas orações que não
*Ballon d’Or 1990 - prêmio de melhor jogador do ano se subordinam (são orações principais, ou seja, não possuem
conjunção, nem pronome relativo) a nenhuma outra contêm os
O jogador busca o sucesso pessoal ... seguintes verbos:
Mas, apesar de terem ocorrido essas transformações (oração
A mesma relação sintática entre verbo e complemento, sublinhados subordinada) / que (pronome relativo- oração subordinada adjetiva)
acima, está em: tornaram Santos num dos centros do comércio internacional, o local
(A) É indiscutível que no mundo contemporâneo... conserva uma beleza secreta (oração principal);
(B) ... o futebol tem implicações e significações à medida que o barco penetra lentamente por entre as ilhas (oração
psicológicas coletivas ... subordinada), experimento aqui o primeiro sobressalto dos trópicos
(C) ... e funciona como escape para as pressões do (oração principal).
cotidiano.
(D) A solução para muitos é a reconversão em técnico ... 02. Resposta C
(E) ... que depende das qualidades pessoais de seus A oração sublinhada realmente é uma Oração Sub. Substantiva
membros. Subjetiva (pois tem função de sujeito), porém ela completa o sentido
do verbo "desvendar" e é uma interrogativa indireta, pois não há
05. (MPE/PB - Técnico ministerial - diligências e apoio interrogação.
administrativo - FCC/2015)
03. Resposta B
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Do modo como está, trata-se de um aposto explicativo, aquele que
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia explica ou esclarece algo; no caso explicando o que é a pesquisa O
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. Brasil que voa.
Se colocarmos um QUE É antes, ficaria assim: A Secretaria de
Aviação Civil da Presidência da República divulgou recentemente a
O Tejo tem grandes navios
pesquisa O Brasil que voa – Perfil dos Passageiros, Aeroportos e Rotas do
E navega nele ainda, Brasil, que é o mais completo levantamento sobre transporte aéreo
Para aqueles que veem em tudo o que lá não está, A de passageiros do País.
memória das naus. Logo, a oração em destaque é uma oração subordinada adjetiva
EXPLICATIVA, que é aquela isolada por vírgula e que tem valor de
O Tejo desce de Espanha adjetivo.
E o Tejo entra no mar em Portugal Toda Outro exemplo: Meu irmão, que sempre aprontou, casou-se.
a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia 04. Resposta B
E para onde ele vai O jogador busca o sucesso pessoal ... SUJEITO - VERBO
E donde ele vem TRANSITIVO DIRETO - OBJETO DIRETO
E por isso, porque pertence a menos gente, a) É indiscutível que no mundo contemporâneo... VERBO DE
É mais livre e maior o rio da minha aldeia. LIGAÇÃO - PREDICATIVO DO SUJEITO - SUJEITO ORACIONAL.
-->b) ... o futebol tem implicações e significações psicológicas
Pelo Tejo vai-se para o Mundo coletivas ... SUJEITO - VERBO TRANST. DIRETO - OBJETO DIRETO.
Para além do Tejo há a América c) e funciona como escape para as pressões do cotidiano.
E a fortuna daqueles que a encontram Ninguém SUJEITO - VERBO TRANS. INDIRETO - OBJETO INDIRETO
nunca pensou no que há para além Do rio da d) A solução para muitos é a reconversão em técnico ... SUJEITO
minha aldeia. - VERBO DE LIGAÇÃO -
e) que depende das qualidades pessoais de seus membros.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
SUJEITO - VERBO TRANS. INDIRETO - OBJ. INDIRETO
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
05. Resposta B
(Alberto Caeiro)
"O fragmento O TEJO TEM GRANDES NAVIOS E NAVEGA NELE
AINDA, PARA AQUELES QUE VEEM EM TUDO O QUE LÁ NÃO ESTÁ, A
E o Tejo entra no mar em Portugal
MEMÓRIA DAS NAUS está em ordem indireta. Ao inserir A MEMÓRIA
DAS NAUS entre a conjunção E e o verbo NAVEGA, temse: O TEJO TEM
O elemento que exerce a mesma função sintática que o sublinhado GRANDES NAVIOS E A MEMÓRIA DAS NAUS NAVEGA NELE AINDA.
acima encontra-se em Constrói-se, pois, a função sintática de sujeito."
(A) a fortuna. (4a estrofe)
(B) A memória das naus. (2a estrofe)
(C) grandes navios. (2a estrofe)
(D) menos gente. (3a estrofe)
(E) a América. (4a estrofe)
8. Vozes verbais
Respostas

9
Ele fez o trabalho. (Pretérito perfeito do indicativo)
Os verbos podem assumir diferentes formas nas orações. A O trabalho foi feito por ele. (Pretérito perfeito do indicativo)
maneira como são apresentadas as ações expressas pelo verbo
indicam se a frase apresenta voz ativa, voz passiva ou voz reflexiva. Ele faz o trabalho. (Presente do indicativo)
O trabalho é feito por ele. (Presente do indicativo)
Observe os exemplos abaixo:
Ele fará o trabalho. (Futuro do presente)
(1) Amanda maquiava Clarice. VOZ ATIVA O trabalho será feito por ele. (Futuro do presente)
(2) Clarice era maquiada por Amanda. VOZ PASSIVA
(3) Amanda maquiava-se. VOZ REFLEXIVA ****Nas frases com locuções verbais, o verbo “ser” assume o mesmo
tempo e modo do verbo principal da voz ativa. Observe a transformação
- Voz Ativa: sujeito pratica a ação expressa pelo verbo, ele é da frase seguinte: O vento ia levando as folhas.
agente. (Gerúndio); As folhas iam sendo levadas pelo vento. (Gerúndio)
O grupo de arquitetos elaborou a maquete.
(O grupo de arquitetos – sujeito agente) (elaborou – ação) (a *****É menos frequente a construção da voz passiva analítica com
maquete – objeto paciente) outros verbos que podem eventualmente funcionar como auxiliares: A
aluna ficou marcada pela piada.
- Voz Passiva: sujeito é paciente, recebe a ação expressa pelo verbo.
A maquete foi elaborada pelo grupo de arquitetos. Voz Passiva Sintética: verbo na 3ª pessoa, seguido do pronome
(A maquete – sujeito paciente) (foi elaborada – ação) (pelo grupo de apassivador “se”:
arquitetas – agente da passiva) Abriram-se as portas do estabelecimento.
Vendeu-se o prédio da escola.
- Voz Reflexiva: Há dois tipos:
*O agente não costuma vir expresso na voz passiva sintética.
Reflexiva: Recebe apenas a nomenclatura de “reflexiva” quando o
sujeito praticar a ação sobre si mesmo. Transformação da Voz Ativa na Voz Passiva
Exemplos: O objeto da voz ativa será o sujeito voz passiva. O sujeito da ativa
- Pedro machucou-se. passará a agente da passiva. O verbo assumirá a forma passiva,
- Ela cortou-se com a faca. conservando-se o tempo verbal.
- Roberta olhava-se no espelho do carro.
Gutenberg inventou a imprensa. (Voz Ativa)
Reflexiva Recíproca: Recebe a nomenclatura de “reflexiva Gutenberg – sujeito da Ativa a imprensa –
recíproca” quando houver dois elementos como sujeito: um pratica a Objeto Direto
ação sobre o outro, que pratica a ação sobre o primeiro = ação mútua.
A imprensa foi inventada por Gutenberg (Voz Passiva)
Exemplos: A imprensa – Sujeito da Passiva
- Marta e Renato amam-se. por Gutenberg – Agente da Passiva
- Os rivais agrediram-se durante a festa.
- Os jovens abraçaram-se. Os professores têm orientado os alunos.
Os alunos têm sido orientados pelos professores.
Eu o acompanharei.
Formação da Voz Passiva
Ele será acompanhado por mim.

A voz passiva pode ser formada por dois processos: Analítico e


Observações:
Sintético.
*Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não haverá
complemento agente na passiva.
Voz Passiva Analítica: Verbo Ser + particípio (-ado / -ido) do verbo
Exemplo: Enganaram-nos - Fomos enganados
principal.
O relógio será substituído.
**Os verbos que não são ativos nem passivos ou reflexivos, são
O trabalho foi finalizado. chamados de neutros.
Exemplos: O suco é bom; Aqui não neva.
*O agente da passiva geralmente é acompanhado da preposição por,
mas pode ocorrer a construção com a preposição de: A casa ficou ***Os verbos chamar-se, batizar-se, operar-se (no sentido
cercada de soldados. cirúrgico) e vacinar-se são considerados passivos, logo o sujeito é
paciente.
**Pode acontecer ainda que o agente da passiva não esteja explícito Chamo-me Felipe.
na frase: A exposição será aberta amanhã.
Batizei-me na Igreja matriz.
Operou-se no período da manhã. Vacinaram-se
***A variação temporal é indicada pelo verbo auxiliar “ser”, pois o contra o tétano.
seu particípio é invariável.
Observe a transformação das frases seguintes:

9
Questões Essa oração está corretamente reescrita na voz passiva em: a)
Isola o calor os revestimentos das paredes.
01. (Copebrás/PE – Analista Administrador – FCC/2016) b) O calor é isolado pelos revestimentos das paredes.
c) Isolam-se o calor ao ser revestido as paredes.
A velhinha contrabandista d) O calor é que isola os revestimentos das paredes.
e) Os revestimentos das paredes são isolado do calor.
Todos os dias uma velhinha atravessava a ponte entre dois países,
de bicicleta e carregando uma bolsa. E todos os dias era revistada pelos 03. (Pref. De Caucaia/CE – Agente de Suporte a Fiscalização
guardas da fronteira, à procura de contrabando. Os guardas tinham – CETREDE/2016)
certeza que a velhinha era contrabandista, mas revistavam a velhinha, O período “Fazem-se unhas” é sintaticamente igual a a) faz-
revistavam a sua bolsa e nunca encontravam nada. Todos os dias a se unhas.
mesma coisa: nada. Até que um dia um dos guardas decidiu seguir a b) precisa-se de empregados.
velhinha, para flagrá-la vendendo a muamba, ficar sabendo o que ela c) trabalha-se muito.
contrabandeava e, principalmente, como. E seguiu a velhinha até o seu d) compram-se livros.
próspero comércio de bicicletas e bolsas.
e) unhas são feitas.
Como todas as fábulas, esta traz uma lição, só nos cabendo
descobrir qual. Significa que quem se concentra no mal aparentemente
04. (Pref. De Carpina – Assistente Administrativo –
disfarçado descuida do mal disfarçado de aparente, ou que muita
atenção ao detalhe atrapalha a percepção do todo, ou que o hábito de CONPASS/2016)
só pensar o óbvio é a pior forma de distração. Identifique a alternativa que apresenta o verbo na voz reflexiva: a)
Os pais contemplam-se nos filhos.
(VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro. Rio de b) Desejo comprar um livro.
Janeiro: Objetiva, 2008, p. 41) c) As cidades serão enfeitadas.
d) Abrir-se-ão novas escolas.
Transpondo-se para a voz passiva a frase Um dos guardas seguia e) As despesas foram pagas por mim.
a velhinha para que a flagrasse como contrabandista, as formas
verbais resultantes deverão ser 05. (MPE/RJ – Técnico do
a) era seguida − fosse flagrada Ministério Público –
b) tinha seguido − vir a flagrá-la Administrativa – FGV/2016)
c) tinha sido seguida − se flagrasse TEXTO 1 – O futuro da medicina
d) estava seguindo − se tivesse flagrado
e) teria seguido − tivesse sido flagrada O avanço da tecnologia afetou as bases de boa parte das profissões.
As vítimas se contam às dezenas e incluem músicos, jornalistas,
02. (ELETROBRÁS-ELETROSUL – Técnico de Segurança do carteiros etc. Um ofício relativamente poupado até aqui é o de médico.
Trabalho – FCC/2016) A questão Até aqui. A crer no médico e "geek" Eric Topol, autor de "The Patient Will
refere-se ao texto abaixo. See You Now" (o paciente vai vê-lo agora), está no forno uma revolução
Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a da qual os médicos não escaparão, mas que terá impactos positivos para
energia solar os pacientes.
Para Topol, o futuro está nos smartphones. O autor nos coloca a par
Bem no meio do deserto, há um lugar onde o calor é extremo. de incríveis tecnologias, já disponíveis ou muito próximas disso, que
Sessenta e três graus ou até mais no verão. E foi exatamente por causa terão grande impacto sobre a medicina. Já é possível, por exemplo,
da temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das maiores fotografar pintas suspeitas e enviar as imagens a um algoritmo que as
usinas de energia solar do mundo. analisa e diz com mais precisão do que um dermatologista se a mancha
Os Emirados Árabes estão investindo em fontes energéticas é inofensiva ou se pode ser um câncer, o que exige medidas adicionais.
renováveis. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra por Está para chegar ao mercado um apetrecho que transforma o celular
mais 100 anos pelo menos. O que pretendem é diversificar e poluir num verdadeiro laboratório de análises clínicas, realizando mais de 50
menos. Uma aposta no futuro. exames a uma fração do custo atual. Também é possível, adquirindo
A preocupação com o planeta levou Abu Dhabi a tirar do papel a lentes que custam centavos, transformar o smartphone num
cidade sustentável de Masdar. Dez por cento do planejado está supermicroscópio que permite fazer diagnósticos ainda mais
pronto. Um traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de fora. sofisticados.
Lá só se anda a pé ou de bicicleta. As ruas são bem estreitas para que Tudo isso aliado à democratização do conhecimento, diz Topol, fará
um prédio faça sombra no outro. É perfeito para o deserto. Os com que as pessoas administrem mais sua própria saúde, recorrendo ao
revestimentos das paredes isolam o calor. E a direção dos ventos foi médico em menor número de ocasiões e de preferência por via
estudada para criar corredores de brisa. eletrônica. É o momento, assegura o autor, de ampliar a autonomia do
paciente e abandonar o paternalismo que desde Hipócrates assombra a
(Adaptado de: “Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido medicina.
a energia solar”. Disponível em: Concordando com as linhas gerais do pensamento de Topol, mas
http://g1.globo.com/globoreporter/noticia/2016/04/abu- acho que, como todo entusiasta da tecnologia, ele provavelmente
dhabiconstroi-cidade-do-futuro-com-tudo-movido-energia- exagera. Acho improvável, por exemplo, que os hospitais caminhem
solar.html) para uma rápida extinção. Dando algum desconto para as previsões,
"The Patient..." é uma excelente leitura para os interessados nas
Os revestimentos das paredes isolam o calor. (3º parágrafo) transformações da medicina.

9
Folha de São Paulo online – Coluna Hélio Schwartsman – Coimbra, Edições 70, 1979, p. 82-3)
17/01/2016.
A alteração da voz do verbo poder, nas duas vezes em que ocorre no
“O autor nos coloca a par de incríveis tecnologias, já disponíveis último parágrafo, deverá resultar nas seguintes formas,
ou muito próximas disso, que terão grande impacto sobre a medicina. respectivamente:
Já é possível, por exemplo, fotografar pintas suspeitas e enviar as a) se poderia − se pode
imagens a um algoritmo que as analisa e diz com mais precisão do b) poder-se-ia − podem-se
que um dermatologista se a mancha é inofensiva ou se pode ser um c) poderiam-se − pode-se
câncer, o que exige medidas adicionais”. d) se poderiam − podem-se
Esse segmento do texto 1 está realizado em voz ativa; a forma e) se poderiam − se pode
verbal passiva correspondente que é indicada de forma inadequada
é: 07. (TRF-3ª Região – Analista Judiciário – Área Administrativa –
a) “o autor nos coloca a par” / somos colocados a par pelo autor; FCC/2016)
b) “que terão grande impacto” / grande impacto será tido; O museu é considerado um instrumento de neutralização – e talvez
c) “fotografar pintas suspeitas” / pintas suspeitas serão o seja de fato. Os objetos que nele se encontram reunidos trazem o
fotografadas; testemunho de disputas sociais, de conflitos políticos e religiosos.
d) “que as analisa” / em que elas são analisadas; Muitas obras antigas celebram vitórias militares e conquistas: a maior
e) “que exige medidas adicionais” / em que medidas adicionais são parte presta homenagem às potências dominantes, suas financiadoras.
exigidas. As obras modernas são, mais genericamente, animadas pelo espírito
crítico: elas protestam contra os fatos da realidade, os poderes, o estado
06. (TRF-3ª Região – Analista Judiciário – Área Administrativa – das coisas. O museu reúne todas essas manifestações de sentido oposto.
FCC/2016) Expõe tudo junto em nome de um valor que se presume partilhado por
Depois que se tinha fartado de ouro, o mundo teve fome de açúcar, elas: a qualidade artística. Suas diferenças funcionais, suas divergências
mas o açúcar consumia escravos. O esgotamento das minas − que de políticas são apagadas. A violência de que participavam, ou que
resto foi precedido pelo das florestas que forneciam o combustível combatiam, é esquecida. O museu parece assim desempenhar um papel
para os fornos −, a abolição da escravatura e, finalmente, uma procura de pacificação social. A guerra das imagens extingue-se na pacificação
mundial crescente, orientam São Paulo e o seu porto de Santos para dos museus.
o café. De amarelo, passando pelo branco, o ouro tornou-se negro. Todos os objetos reunidos ali têm como princípio o fato de terem
Mas, apesar de terem ocorrido essas transformações que sido retirados de seu contexto. Desde então, dois pontos de vista
tornaram Santos num dos centros do comércio internacional, o local concorrentes são possíveis. De acordo com o primeiro, o museu é por
conserva uma beleza secreta; à medida que o barco penetra excelência o lugar de advento da Arte enquanto tal, separada de seus
lentamente por entre as ilhas, experimento aqui o primeiro pretextos, libertada de suas sujeições. Para o segundo, e pela mesma
sobressalto dos trópicos. Estamos encerrados num canal verdejante. razão, é um "depósito de despojos". Por um lado, o museu facilita o
Quase podíamos, só com estender a mão, agarrar essas plantas que o acesso das obras a um status estético que as exalta. Por outro, as reduz
Rio ainda mantinha à distância nas suas estufas empoleiradas lá no a um destino igualmente estético, mas, desta vez, concebido como um
alto. Aqui se estabelece, num palco mais modesto, o contato com a estado letárgico.
paisagem. A colocação em museu foi descrita e denunciada frequentemente
O arrabalde de Santos, uma planície inundada, crivada de lagoas e como uma desvitalização do simbólico, e a musealização progressiva
pântanos, entrecortada por riachos estreitos e canais, cujos dos objetos de uso como outros tantos escândalos sucessivos. Ainda
contornos são perpetuamente esbatidos por uma bruma nacarada, seria preciso perguntar sobre a razão do "escândalo". Para que haja
assemelha-se à própria Terra, emergindo no começo da criação. As escândalo, é necessário que tenha havido atentado ao sagrado. Diante
plantações de bananeiras que a cobrem são do verde mais jovem e de cada crítica escandalizada dirigida ao museu, seria interessante
terno que se possa imaginar: mais agudo que o ouro verde dos desvendar que valor foi previamente sacralizado. A Religião? A Arte? A
campos de juta no delta do Bramaputra, com o qual gosto de o singularidade absoluta da obra? A Revolta? A Vida autêntica? A
associar na minha recordação; mas é que a própria fragilidade do integridade do Contexto original? Estranha inversão de perspectiva.
matiz, a sua gracilidade inquieta, comparada com a suntuosidade Porque, simultaneamente, a crítica mais comum contra o museu
tranquila da outra, contribuem para criar uma atmosfera primordial. apresenta-o como sendo, ele próprio, um órgão de sacralização. O
Durante cerca de meia hora, rolamos por entre bananeiras, mais museu, por retirar as obras de sua origem, é realmente "o lugar
plantas mastodontes do que árvores anãs, com troncos plenos de simbólico onde o trabalho de abstração assume seu caráter mais
seiva que terminam numa girândola de folhas elásticas por sobre violento e mais ultrajante". Porém, esse trabalho de abstração e esse
uma mão de 100 dedos que sai de um enorme lótus castanho e efeito de alienação operam em toda parte. É a ação do tempo, conjugada
rosado. A seguir, a estrada eleva-se até os 800 metros de altitude, o com nossa ilusão da presença mantida e da arte conservada.
cume da serra. Como acontece em toda parte nessa costa, escarpas
abruptas protegeram dos ataques do homem essa floresta virgem tão (Adaptado de: GALARD, Jean. Beleza Exorbitante. São Paulo,
rica que para encontrarmos igual a ela teríamos de percorrer vários Fap. -Unifesp, 2012, p. 68-71)
milhares de quilômetros para norte, junto da bacia amazônica.
A frase que NÃO admite transposição para a voz passiva encontra-se
Enquanto o carro geme em curvas que já nem poderíamos qualificar em:
como “cabeças de alfinete”, de tal modo se sucedem em espiral, por entre a) ... o acesso das obras a um status estético que as exalta. (2°
um nevoeiro que imita a alta montanha de outros climas, posso parágrafo)
examinar à vontade as árvores e as plantas estendendo-se perante o b) ... elas protestam contra os fatos da realidade, os poderes...
meu olhar como espécimes de museu. (1°parágrafo)
c) Muitas obras antigas celebram vitórias militares e conquistas...
(Adaptado de: LÉVI-STRAUSS, Claude. Tristes Trópicos.

9
(1°parágrafo) c) vendeu-se.
d) O museu, por retirar as obras de sua origem... (3° parágrafo) d) vendia-se.
e) ... a crítica mais comum contra o museu apresenta-o.... (3° e) vende-se.
parágrafo)
09. (CONFERE – Assistente Administrativo VII – INSTITUTO
CIDADES/2016)
08. (EMSERH – Auxiliar Operacional de Serviços Gerais) Texto

A carta de amor AQUECIMENTO GLOBAL (com adaptações)

No momento em que Malvina ia por a frigideira no fogo, entrou a Todos os dias acompanhamos na televisão, nos jornais e revistas as
cozinheira com um envelope na mão. Isso bastou para que ela se catástrofes climáticas e as mudanças que estão ocorrendo, rapidamente,
tornasse nervosa. Seu coração pôs-se a bater precipitadamente e seu no clima mundial. Nunca se viu mudanças tão rápidas e com efeitos
rosto se afogueou. Abriu-o com gesto decisivo e extraiu um papel devastadores como tem ocorrido nos últimos anos.
verde-mar, sobre o qual se liam, em caracteres energéticos, A Europa tem sido castigada por ondas de calor de até 40 graus
masculinos, estas palavras: “Você será amada...”. centígrados, ciclones atingem o Brasil (principalmente a costa sul e
Malvina empalideceu, apesar de já conhecer o conteúdo dessa sudeste), o número de desertos aumenta a cada dia, fortes furacões
carta verde-mar, que recebia todos os dias, havia já uma semana. causam mortes e destruição em várias regiões do planeta e as calotas
Malvina estava apaixonada por um ente invisível, por um papel polares estão derretendo (fator que pode ocasionar o avanço dos
verde-mar, por três palavras e três pontos de reticências: “Você será oceanos sobre cidades litorâneas). O que pode estar provocando tudo
amada...”. Há uma semana que vivia como ébria. isso? Os cientistas são unânimes em afirmar que o aquecimento global
Olhava para a rua e qualquer olhar de homem que se cruzasse está relacionado a todos estes acontecimentos.
com o seu, lhe fazia palpitar tumultuosamente o coração. Se o telefone Pesquisadores do clima mundial afirmam que este aquecimento
tilintava, seu pensamento corria célere: talvez fosse “ele”. Se não global está ocorrendo em função do aumento da emissão de gases
conhecesse a causa desse transtorno, por certo Malvina já teria ido poluentes, principalmente, derivados da queima de combustíveis fósseis
consultar um médico de doenças nervosas. Mandara examinar por (gasolina, diesel, etc), na atmosfera. Estes gases (ozônio, dióxido de
um grafólogo a letra dessa carta. Fora em todas as papelarias à carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono) formam uma
procura desse papel verde-mar e, inconscientemente, fora até o camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o famoso efeito
correio ver se descobria o remetente no ato de atirar o envelope na estufa. Este fenômeno ocorre, pois estes gases absorvem grande parte
caixa. da radiação infravermelha emitida pela Terra, dificultando a dispersão
Tudo em vão. Quem escrevia conseguia manter-se incógnito. do calor.
Malvina teria feito tudo quanto ele quisesse. Nenhum empecilho para O desmatamento e a queimada de florestas e matas também colabora
com o desconhecido. Mas para que ela pudesse realizar o seu sonho, para este processo. Os raios do Sol atingem o solo e irradiam calor na
era preciso que ele se tornasse homem de carne e osso. Malvina atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a dispersão do
imaginava-o alto, moreno, com grandes olhos negros, forte e calor, o resultado é o aumento da temperatura global. Embora este
espadaúdo. fenômeno ocorra de forma mais evidente nas grandes cidades, já se
O seu cérebro trabalhava: seria ele casado? Não, não o era. Seria verificam suas consequências em nível global.
pobre? Não podia ser. Seria um grande industrial? Quem sabe? (...)
As cartas de amor, verde-mar, haviam surgido na vida de Malvina O protocolo de Kioto é um acordo internacional que visa à redução
como o dilúvio, transformando-lhe o cérebro. da emissão dos poluentes que aumentam o efeito estufa no planeta.
Afinal, no décimo dia, chegou a explicação do enigma. Foi uma Entrou em vigor em 16 fevereiro de 2005. O principal objetivo é que
coisa tão dramática, tão original, tão crível, que Malvina não teve nem ocorra a diminuição da temperatura global nos próximos anos.
um ataque de histerismo, nem uma crise de cólera. Ficou apenas Infelizmente os Estados Unidos, país que mais emite poluentes no
petrificada. mundo, não aceitou o acordo, pois afirmou que ele prejudicaria o
“Você será amada... se usar, pela manhã, o creme de beleza Lua desenvolvimento industrial do país.
Cheia. O creme Lua Cheia é vendido em todas as farmácias e (...)
drogarias. Ninguém resistirá a você, se usar o creme Lua Cheia.
Era o que continha o papel verde-mar, escrito em enérgicos Respostas
caracteres masculinos.
Ao voltar a si, Malvina arrastou-se até o telefone: 01. Resposta A
-Alô! É Jorge quem está falando? Já pensei e resolvi casar-me com Passando a frase para a voz passiva, ficaria assim: A velhinha era
você. Sim, Jorge, amo-o! Ora, que pergunta! Pode vir. seguida por um dos guardas para que fosse flagrada como
A voz de Jorge estava rouca de felicidade! contrabandista.
E nunca soube a que devia tanta sorte!
André 02. Resposta B
Sinoldi
Os revestimentos das paredes isolam o calor
Sujeito VTD OD
A frase: “O creme Lua Cheia É VENDIDO em todas as farmácias”
apresenta verbo na voz passiva analítica. Ao ser passada para a
passiva sintética, a forma verbal deve apresentar a forma: O calor é isolado pelos revestimentos das paredes.
a) vendera-se Sujeito VL Predicativo
b) vender-se.
03. Resposta D

9
“Fazem-se (partícula apassivadora) unhas” - A (INCORRETO) o acesso das obras a um status estético que as
-- voz passiva. - quando o verbo que vier acompanhado do "se" for exalta. QUEM EXALTA, EXALTA ALGO.
transitivo direto, a partícula "se" será apassivador e o que era B (CORRETO) elas protestam contra os fatos da realidade, os
para ser objeto direito será sujeito paciente. -- unhas- sujeito poderes. QUEM PROTESTA, PROTESTA CONTRA ALGO OU ALGUEM.
paciente. (O verbo concorda com o sujeito) C (INCORRETO) Muitas obras antigas celebram vitórias
a) faz-se unhas. Errada porque o verbo tem que militares e conquistas. QUEM CELEBRA, CELEBRA ALGO.
concordar D (INCORRETO) museu, por retirar as obras de sua origem.
com o sujeito (unhas), deveria estar no plural. QUEM RETIRA, RETIRA ALGO.
b) precisa-se de empregados. Verbo transitivo indireto E (INCORRETO) a crítica mais comum contra o museu
quando vem com "se", este será partícula indeterminadora do apresenta-o. QUEM APRESENTA, APRESENTA ALGO.
sujeito. Sujeito indeterminado.
c)trabalha-se muito. Verbo intransitivo, muito é adjunto 08. Resposta E
adverbial de modo. Voz Passiva Sintética
d) compram-se livros. ****verbo transitivo direto, o A voz passiva sintética ou pronominal constroi-se com o verbo na 3ª
"se" será partícula apassivadora e livros será sujeito paciente – pessoa, seguido do pronome apassivador SE.
o verbo concordou com o sujeito - É A RESPOSTA.
e) unhas são feitas. Verbo de ligação. 09. Resposta B
A Europa tem sido castigada por ondas de calor. (voz passiva)
Ondas de calor têm castigado a Europa. (Voz ativa)
04. Resposta A
Voz Reflexiva: Nela o sujeito pratica e sofre a ação ao mesmo 10. Resposta B
tempo, seja sozinho ou reciprocamente com outro indivíduo. - As a) Campanha contra o mosquito transmissor da dengue e zika é
crianças deram-se as mãos. - As manequins maquiavam-se uma de reforçada pela ANS. b) GABARITO.
cada vez. - Olhei-me no espelho e vi como estava cansado. - Os dois c) -
falaram-se rapidamente. - Os pais contemplam-se nos filhos. d) Campanha contra o mosquito transmissor da dengue e zika é
Estrutura da Voz Reflexiva: Sujeito + Verbo + se (+ complemento reforçada pela ANS.
verbal). e) Reforça-se campanha contra o mosquito transmissor da dengue e
zika.
05. Resposta C
Para passar da ativa pra passiva, transforme o verbo da oração
na voz ativa para o particípio. E acrescente o verbo ser conjugado
no mesmo tempo que estava o verbo da oração na voz ativa.

tempo verbal foi a letra C.


(http://www.suapesquisa.com/geografia/aquecimento_global.htm Já É possível, por exemplo, fotografar pintas suspeitas …. )
(Presente)
Pintas suspeitas serão fotografadas; (futuro)
A voz verbal ativa correspondente a voz passiva destacada em “A
Europa tem sido castigada por ondas de calor” é: 06. Resposta D
a) Castigaram. 1ª ocorrência: Enquanto o carro geme em curvas que já
b) Têm castigado. nem poderíamos qualificar como “cabeças de alfinete”
c) Castigam. Reescrevendo:
d) Tinha castigado. Na ordem direta: nem poderíamos qualificar as curvas como
"cabeças de alfinete";
10. (JUCEPAR/PR – Assistente Administrativo – FAU/2016) Na voz passiva analítica: as curvas nem poderiam ser
No período: “ANS reforça campanha contra o mosquito qualificadas como "cabeças de alfinete" transmissor da dengue e zika". O verbo em
destaque apresenta-se: Na voz passiva sintética: nem se poderiam qualificar as curvas
a) Na voz passiva. como "cabeças de alfinete" (RESPOSTA DA QUESTÃO)
b) Na voz ativa.
c) Na voz reflexiva. 2ª ocorrência: posso examinar à vontade as árvores e as plantas
d) Na voz passiva analítica. (já está na ordem direta) e) Na voz passiva sintética.
Assim, a única alternativa em que houve mudança de 9. Emprego do acento indicativo da crase

Na voz passiva analítica: as árvores e as plantas podem ser


examinadas à vontade
Na voz passiva sintética: podem-se examinar à vontade as árvores
e as plantas (RESPOSTA DA QUESTÃO)
Crase é a superposição de dois “a”, geralmente a preposição “a” e o
07. Resposta B artigo a(s), podendo ser também a preposição “a” e o pronome
demonstrativo a(s) ou a preposição “a” e o “a” inicial dos pronomes
ADMITE VOZ PASSIVA: verbo transitivo direto, direto e indireto.

9
demonstrativos aqueles(s), aquela(s) e aquilo. Essa superposição é repouso, a tratamento prolongado, etc.); Prefiro terninho a saia e
marcada por um acento grave (`). blusa (no masc. = prefiro terninho a vestido).
Assim, em vez de escrevermos “entregamos a mercadoria a a
vendedora”, “esta blusa é igual a a que compraste” ou “eles deveriam ter - Antes de pronome interrogativo, não ocorre crase: A que
comparecido a aquela festa”, devemos sobrepor os dois “a” e indicar artista te referes?
esse fato com um acento grave: “Entregamos a mercadoria à
vendedora”. “Esta blusa é igual à que compraste”. “Eles deveriam ter
comparecido àquela festa.” - Na expressão valer a pena (no sentido de valer o
sacrifício, o esforço), não ocorre crase, pois o “a” é artigo definido:
O acento grave que aparece sobre o “a” não constitui, pois, a crase,
mas é um mero sinal gráfico que indica ter havido a união de dois “a” Parodiando Fernando Pessoa, tudo vale a pena quando a alma não é
pequena...
(crase).
A Crase é Facultativa
Para haver crase, é indispensável a presença da preposição “a”, que
é um problema de regência. Por isso, quanto mais conhecer a regência
de certos verbos e nomes, mais fácil será para ele ter o domínio sobre a - Antes de nomes próprios feminino: Enviamos um
crase. telegrama à Marisa; Enviamos um telegrama a Marisa. Em português,
antes de um nome de pessoa, pode-se ou não empregar o artigo “a”
Não existe Crase (“A Marisa é uma boa menina”. Ou “Marisa é uma boa menina”). Por
isso, mesmo que a preposição esteja presente, a crase é facultativa.
- Antes de palavra masculina: Chegou a tempo ao trabalho;
Quando o nome próprio feminino vier acompanhado de uma
Vieram a pé; Vende-se a prazo.
expressão que o determine, haverá crase porque o artigo definido
- Antes de verbo: Ficamos a admirá-los; Ele começou a ter
estará presente. Dedico esta canção à Candinha do Major Quevedo.
alucinações.
[A (artigo) Candinha do Major Quevedo é fanática por seresta.]
- Antes de artigo indefinido: Levamos a mercadoria a uma
- Antes de pronome adjetivo possessivo feminino singular:
firma; Refiro-me a uma pessoa educada.
Pediu informações à minha secretária; Pediu informações a minha
secretária. A explicação é idêntica à do item anterior: o pronome
- Antes de expressão de tratamento introduzida pelos adjetivo possessivo aceita artigo, mas não o exige (“Minha secretária é
pronomes possessivos Vossa ou Sua ou ainda da expressão Você, exigente.” Ou: “A minha secretária é exigente”). Portanto, mesmo com a
forma reduzida de Vossa Mercê: Enviei dois ofícios a Vossa
presença da preposição, a crase é facultativa.
Senhoria; Traremos a Sua Majestade, o rei Hubertus, uma mensagem
de paz; Eles queriam oferecer flores a você.
Casos Especiais
- Antes dos pronomes demonstrativos esta e essa: Não me
refiro a esta carta; Os críticos não deram importância a essa obra. - Nomes de localidades: Dentre as localidades, há as que
admitem artigo antes de si e as que não o admitem. Por aí se deduz que,
diante das primeiras, desde que comprovada a presença de preposição,
- Antes dos pronomes pessoais: Nada revelei a ela; Dirigiu-
pode ocorrer crase; diante das segundas, não. Para se saber se o nome
se a mim com ironia.
de uma localidade aceita artigo, deve-se substituir o verbo da frase pelos
verbos estar ou vir. Se ocorrer a combinação “na” com o verbo estar ou
- Antes dos pronomes indefinidos com exceção de outra: “da” com o verbo vir, haverá crase com o “a” da frase original. Se ocorrer
Direi isso a qualquer pessoa; A entrada é vedada a toda pessoa “em” ou “de”, não haverá crase: Enviou seus representantes à Paraíba
estranha. Com o pronome indefinido outra(s), pode haver crase (estou na Paraíba; vim da Paraíba); O avião dirigia-se a Santa Catarina
porque ele, às vezes, aceita o artigo definido a(s): As cartas estavam (estou em Santa Catarina; vim de Santa Catarina); Pretendo ir à Europa
colocadas umas às outras (no masculino, ficaria “os cartões estavam (estou na Europa; vim da Europa). Os nomes de localidades que não
colocados uns aos outros”). admitem artigo passarão a admiti-lo, quando vierem determinados.
Porto Alegre indeterminadamente não aceita artigo: Vou a Porto Alegre
- Quando o “a” estiver no singular e a palavra seguinte (estou em Porto Alegre; vim de Porto Alegre); Mas, acompanhandose de
estiver no plural: Falei a vendedoras desta firma; Refiro-me a uma expressão que a determine, passará a admiti-lo: Vou à grande Porto
pessoas curiosas. Alegre (estou na grande Porto Alegre; vim da grande Porto Alegre);
Iríamos a Madri para ficar três dias; Iríamos à Madri das touradas para
- Quando, antes do “a”, existir preposição: Ela compareceu ficar três dias.
perante a direção da empresa; Os papéis estavam sob a mesa.
Exceção feita, às vezes, para até, por motivo de clareza: A água - Pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), aquilo:
inundou a rua até à casa de Maria (= a água chegou perto da casa); se quando a preposição “a” surge diante desses demonstrativos, devemos
não houvesse o sinal da crase, o sentido ficaria ambíguo: a água sobrepor essa preposição à primeira letra dos demonstrativos e indicar
inundou a rua até a casa de Maria (= inundou inclusive a casa). o fenômeno mediante um acento grave: Enviei convites àquela
Quando até significa “perto de”, é preposição; quando significa sociedade (= a + aquela); A solução não se relaciona àqueles problemas
“inclusive”, é partícula de inclusão. (= a + aqueles); Não dei atenção àquilo (= a + aquilo). A simples
interpretação da frase já nos faz concluir se o “a” inicial do
- Com expressões repetitivas: Tomamos o remédio gota a demonstrativo é simples ou duplo. Entretanto, para maior segurança,
gota; Enfrentaram-se cara a cara. podemos usar o seguinte artifício: Substituir os demonstrativos
aquele(s), aquela(s), aquilo pelos demonstrativos este(s), esta(s), isto,
- Com expressões tomadas de maneira indeterminada: O respectivamente. Se, antes destes últimos, surgir a preposição “a”, estará
doente foi submetido a dieta leve (no masc. = foi submetido a comprovada a hipótese do acento de crase sobre o “a” inicial dos
pronomes aquele(s), aquela(s), aquilo. Se não surgir a preposição “a”,

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estará negada a hipótese de crase. Enviei cartas àquela empresa./ Enviei quando ela saiu, o relógio marcava 1 hora); Pedro saiu daqui há uma
cartas a esta empresa; A solução não se relaciona àqueles problemas./ hora (= faz 60 minutos que ele saiu).
A solução não se relaciona a estes problemas; Não dei atenção àquilo./
Não dei atenção a isto; A solução era aquela apresentada ontem./ A - Quando a expressão “à moda de” (ou “à maneira de”) estiver
solução era esta apresentada ontem. subentendida: Nesse caso, mesmo que a palavra subsequente seja
masculina, haverá crase: No banquete, serviram lagosta à Termidor;
- Palavra “casa”: quando a expressão casa significa “lar”, Nos anos 60, as mulheres se apaixonavam por homens que tinham olhos
“domicílio” e não vem acompanhada de adjetivo ou locução adjetiva, não à Alain Delon.
há crase: Chegamos alegres a casa; Assim que saiu do escritório, dirigiu-
se a casa; Iremos a casa à noitinha. Mas, se a palavra casa estiver - Quando as expressões “rua”, “loja”, “estação de rádio”, etc.
modificada por adjetivo ou locução adjetiva, então haverá crase: estiverem subentendidas: Dirigiu-se à Marechal Floriano (= dirigiu-se
Levaram-me à casa de Lúcia; Dirigiram-se à casa das máquinas; Iremos à Rua Marechal Floriano); Fomos à Renner (fomos à loja Renner);
à encantadora casa de campo da família Sousa. Telefonem à Guaíba (= telefonem à rádio Guaíba).

- Palavra “terra”: Não há crase, quando a palavra terra significa - Quando está implícita uma palavra feminina: Esta religião é
o oposto a “mar”, “ar” ou “bordo”: Os marinheiros ficaram felizes, pois semelhante à dos hindus (= à religião dos hindus).
resolveram ir a terra; Os astronautas desceram a terra na hora prevista.
Há crase, quando a palavra significa “solo”, “planeta” ou “lugar onde a - Com o pronome substantivo possessivo feminino no singular
pessoa nasceu”: O colono dedicou à terra os melhores anos de sua vida; ou plural, o uso de acento indicativo de crase não é facultativo
Voltei à terra onde nasci; Viriam à Terra os marcianos? (conforme o caso será proibido ou obrigatório): A minha cidade é
melhor que a tua. O acento indicativo de crase é proibido porque, no
- Palavra “distância”: Não se usa crase diante da palavra masculino, ficaria assim: O meu sítio é melhor que o teu (não há
distância, a menos que se trate de distância determinada: Via-se um preposição, apenas o artigo definido). Esta gravura é semelhante à
monstro marinho à distância de quinhentos metros; Estávamos à nossa. O acento indicativo de crase é obrigatório porque, no masculino,
distância de dois quilômetros do sítio, quando aconteceu o acidente. ficaria assim: Este quadro é semelhante ao nosso (presença de
Mas: A distância, via-se um barco pesqueiro; Olhava-nos a distância. preposição + artigo definido).

- Pronome Relativo: Todo pronome relativo tem um


substantivo (expresso ou implícito) como antecedente. Para saber se - Não confundir devido com dado (a, os, as): a primeira
existe crase ou não diante de um pronome relativo, deve-se substituir expressão pede preposição “a”, havendo crase antes de palavra feminina
esse antecedente por um substantivo masculino. Se o “a” se transforma determinada pelo artigo definido. Devido à discussão de ontem, houve
em “ao”, há crase diante do relativo. Mas, se o “a” permanece inalterado um mal-estar no ambiente (= devido ao barulho de ontem, houve...); A
ou se transforma em “o”, então não há crase: é preposição pura ou segunda expressão não aceita preposição “a” (o “a” que aparece é artigo
pronome demonstrativo: A fábrica a que me refiro precisa de definido, não havendo, pois, crase): Dada a questão primordial
empregados. (O escritório a que me refiro precisa de empregados.); A envolvendo tal fato (= dado o problema primordial...); Dadas as
carreira à qual aspiro é almejada por muitos. (O trabalho ao qual aspiro respostas, o aluno conferiu a prova (= dados os resultados...).
é almejado por muitos.). Na passagem do antecedente para o masculino,
o pronome relativo não pode ser substituído, sob pena de falsear o Excluída a hipótese de se tratar de qualquer um dos casos anteriores,
resultado: A festa a que compareci estava linda (no masculino = o baile devemos substituir a palavra feminina por outra masculina da mesma
a que compareci estava lindo). Como se viu, substituímos festa por baile, função sintática. Se ocorrer “ao” no masculino, haverá crase no “a” do
mas o pronome relativo que não foi substituído por nenhum outro (o feminino. Se ocorrer “a” ou “o” no masculino, não haverá crase no “a” do
qual etc.). feminino. O problema, para muitos, consiste em descobrir o masculino
de certas palavras como
A Crase é Obrigatória “conclusão”, “vezes”, “certeza”, “morte”, etc. É necessário então frisar
que não há necessidade alguma de que a palavra masculina tenha
- Sempre haverá crase em locuções prepositivas, locuções qualquer relação de sentido com a palavra feminina: deve apenas ter a
adverbiais ou locuções conjuntivas que tenham como núcleo um mesma função sintática: Fomos à cidade comprar carne. (ao
substantivo feminino: à queima-roupa, à maneira de, às cegas, à noite, supermercado); Pedimos um favor à diretora. (ao diretor); Muitos são
às tontas, à força de, às vezes, às escuras, à medida que, às pressas, à incensíveis à dor alheia. (ao sofrimento); Os empregados deixam a
custa de, à vontade (de), à moda de, às mil maravilhas, à tarde, às oito fábrica. (o escritório); O perfume cheira a rosa. (a cravo); O professor
horas, às dezesseis horas, etc. É bom não confundir a locução adverbial chamou a aluna. (o aluno).
às vezes com a expressão fazer as vezes de, em que não há crase
porque o “as” é artigo definido puro: Ele se aborrece às vezes (= ele se Questões
aborrece de vez em quando); Quando o maestro falta ao ensaio, o
violinista faz as vezes de regente (= o violinista substitui o maestro). 01. (Pref. De Itaquitinga/PE – Técnico em Enfermagem –
IDHTEC/2016)
- Sempre haverá crase em locuções que exprimem hora
determinada: Ele saiu às treze horas e trinta minutos; Chegamos à uma MAMÃ NEGRA (Canto de esperança)
hora. Cuidado para não confundir a, à e há com a expressão uma hora:
Disseram-me que, daqui a uma hora, Teresa telefonará de São Paulo (=
Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça, Drama de carne
faltam 60 minutos para o telefonema de Teresa); Paula saiu daqui à uma
e sangue Que a Vida escreveu com a pena dos séculos! Pelo teu regaço,
hora; duas horas depois, já tinha mudado todos os seus planos (=
minha Mãe, Outras gentes embaladas à voz da ternura ninadas do teu
leite alimentadas de bondade e poesia de música ritmo e graça... santos

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poetas e sábios... Outras gentes... não teus filhos, que estes nascendo O quadro de Segurança do Trabalho de uma empresa compõe-se
alimárias semoventes, coisas várias, mais são filhos da desgraça: a de uma equipe multidisciplinar composta por Técnico de Segurança
enxada é o seu brinquedo trabalho escravo - folguedo... Pelos teus olhos, do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Médico do
minha Mãe Vejo oceanos de dor Claridades de sol-posto, paisagens Trabalho e Enfermeiro do Trabalho. Estes profissionais formam o que
Roxas paisagens Mas vejo (Oh! se vejo!...) mas vejo também que a luz chamamos de SESMT - Serviço Especializado em Engenharia de
roubada aos teus [olhos, ora esplende demoniacamente tentadora - Segurança e Medicina do Trabalho. Também os empregados da
como a Certeza... cintilantemente firme - como a Esperança... em nós empresa constituem a CIPA - Comissão Interna de Prevenção de
outros, teus filhos, gerando, formando, anunciando -o dia da Acidentes, que tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças
humanidade. decorrentes do trabalho, de modo a tomar compatível
permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a
(Viriato da Cruz. Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do promoção da saúde do trabalhador.
Império) A Segurança do Trabalho é definida por normas e leis. No Brasil, a
Em qual das alternativas o acento grave foi mal empregado, pois não Legislação de Segurança do Trabalho compõe-se de Normas
houve crase? Regulamentadoras, leis complementares, como portarias e decretos
a) “Milena Nogueira foi pela primeira vez à quadra da e também as convenções Internacionais da Organização
escola de Internacional do Trabalho, ratificadas pelo Brasil.
samba Império Serrano, na Zona Norte do Rio.”
b) "Os relatos dos casos mostram repetidas violações dos http://www.areasea.com/sea/ - acesso em 24/04/2016
direitos à moradia, a um trabalho digno, à integridade cultural, a vida
e ao território." Leia o texto abaixo e identifique qual das alternativas apresenta
c) “O corpo de Lucilene foi encontrado próximo à ponte correta aplicação de crase, seguindo a mesma lógica do texto.
do Moa “A Segurança do Trabalho estuda diversas disciplinas como
no dia 11 de maio.” Introdução à Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho, Prevenção
d) “Fifa afirma que Blatter e Valcke enriqueceram às
e Controle de Riscos em Máquinas, Equipamentos e Instalações...”
custas da
entidade.”
e) “Doriva saiu e Milton Cruz fez às vezes de técnico até a a) O curso de português discute assuntos associados à
chegada gramática, à literatura e à produção de textos.
de Edgardo Bauza no fim do ano passado.” b) O professor fez correções à respeito dos erros de
ortografia
02. (Pref. De Itaquitinga/PE – Assistente Administrativo – presentes no texto.
IDHTEC/2016) c) O referido texto apresenta informações de grande
Em qual dos trechos abaixo o emprego do acento grave foi omitido importância à alunos de Engenharia.
quando houve ocorrência de crase? d) A literatura sobre Segurança do Trabalho presente na
faculdade apresenta informações importantes à seus alunos.
a) “O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco decidiu
suspender a paralisação que faria a partir das 16h desta quartafeira.” 04. (MPE/SC – Promotor de Justiça – MPE/SC/2016)
b) “Pela manhã, em nota, a categoria informou que cruzaria os Em relação ao emprego do sinal de crase, estão corretas as frases:
braços só retornando às atividades normais as 5h desta quintafeira.” a) Solicito a Vossa Excelência o exame do presente
c) “Nesta quarta-feira, às 21h, acontece o "clássico das documento.
multidões" entre Sport e Santa Cruz, no Estádio do Arruda.” b) A redação do contrato compete à Diretoria de
d) “Após a ameaça de greve, o sindicato foi procurado pela CBTU Orçamento e Finanças.
e pela PM que prometeram um reforço no esquema de segurança.”
e) “A categoria se queixa de casos de agressões, vandalismo e ( ) Certo ( ) Errado
depredações e da falta de segurança nas estações.”
05. (MPE/SC – Promotor de Justiça – MPE/SC/2016)
03. (COMLURB – Técnico de Segurança do Trabalho – “O americano Jackson Katz, 55, é um homem feminista – definição
IBFC/2016) que lhe agrada. Dedica praticamente todo o seu tempo a combater a
violência contra a mulher e a promover a igualdade entre os gêneros.
Que é Segurança do Trabalho? (...) Em 1997, idealizou o primeiro projeto de prevenção à violência de
gênero na história dos marines americanos. Katz – casado e pai de um
Segurança do trabalho pode ser entendida como os conjuntos de filho – já prestou consultoria à Organização Mundial de Saúde e ao
medidas que são adotadas visando minimizar os acidentes de Exército americano.”
trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a (In: Veja, Rio de Janeiro: Abril, ano 49, n.2, p.
capacidade de trabalho do trabalhador. 13, jan. 2016.)
A Segurança do Trabalho estuda diversas disciplinas como
Introdução à Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho, Prevenção No texto acima, o sinal indicativo de crase foi empregado
e Controle de Riscos em Máquinas, Equipamentos e Instalações, corretamente, em todas as situações. Poderia ter ocorrido também
Psicologia na Engenharia de Segurança, Comunicação e Treinamento, diante dos verbos combater e promover, uma vez que o emprego desse
Administração aplicada à Engenharia de Segurança, O Ambiente e as acento é facultativo antes de verbos.
Doenças do Trabalho, Higiene do Trabalho, Metodologia de Pesquisa, ( ) Certo ( ) Errado
Legislação, Normas Técnicas, Responsabilidade Civil e Criminal,
Perícias, Proteção do Meio Ambiente, Ergonomia e Iluminação, 06. (MPE/RJ – Analista do Ministério Público – FGV/2016)
Proteção contra Incêndios e Explosões e Gerência de Riscos.

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Texto 1 – Problemas Sociais Urbanos Dentro da América Latina, vemos grandes migrações, uma
marcha de pessoas que buscam o refúgio, mas que terminam em uma
Brasil escola espécie de exílio.
O Brasil, que sempre se destacou por sua capacidade de acolher
Dentre os problemas sociais urbanos, merece destaque a questão da diferentes culturas, apresenta uma das sociedades com maior
segregação urbana, fruto da concentração de renda no espaço das diversidade. Podemos afirmar nossa capacidade de lidar com o
cidades e da falta de planejamento público que vise à promoção de multiculturalismo com bastante naturalidade, embora, muitas vezes,
políticas de controle ao crescimento desordenado das cidades. A a questão seja tratada de maneira superficial. Por outro lado, o
especulação imobiliária favorece o encarecimento dos locais mais preconceito existente, antes disfarçado, deixou de ser tímido e passou
próximos dos grandes centros, tornando-os inacessíveis à grande massa a se manifestar de forma aberta e hostil.
populacional. Além disso, à medida que as cidades crescem, áreas que Comparado a outros países, o Brasil não recebe um número
antes eram baratas e de fácil acesso tornam-se mais caras, o que elevado de refugiados, e a maioria da sociedade brasileira aceita-os,
contribui para que a grande maioria da população pobre busque por acreditando que é possível fazer algo para ajudá-los, mesmo diante
moradias em regiões ainda mais distantes. do momento crítico da economia e da política.
Essas pessoas sofrem com as grandes distâncias dos locais de Diante desse cenário, destacam-se as iniciativas de solidariedade,
residência com os centros comerciais e os locais onde trabalham, uma de forma objetiva e praticada por jovens estudantes de nossas
vez que a esmagadora maioria dos habitantes que sofrem com esse universidades. Com a cabeça aberta e o respeito ao diferente, muitos
processo são trabalhadores com baixos salários. Incluem-se a isso as deles manifestam uma visão de mundo que permite acreditar em
precárias condições de transporte público e a péssima infraestrutura transformações sociais de base.
dessas zonas segregadas, que às vezes não contam com saneamento
básico ou asfalto e apresentam elevados índices de violência. (Soraia Smaili, Refugiados no Brasil: entre o exílio e a solidariedade.
A especulação imobiliária também acentua um problema cada vez Em: cartacapital.com.br. 02.02.2016. Adaptado)
maior no espaço das grandes, médias e até pequenas cidades: a questão
dos lotes vagos. Esse problema acontece por dois principais motivos: 1) Nas universidades, as iniciativas de solidariedade visam oferecer
falta de poder aquisitivo da população que possui terrenos, mas que não apoio_____ precisa, com respeito___ diferenças, entendendo-se que
possui condições de construir neles e 2) a espera pela valorização dos não se deve negar_____ um refugiado______esperança por uma vida
lotes para que esses se tornem mais caros para uma venda posterior. melhor.
Esses lotes vagos geralmente apresentam problemas como o acúmulo De acordo com a norma-padrão, as lacunas da frase devem ser
de lixo, mato alto, e acabam tornando-se focos de doenças, como a preenchidas, respectivamente, com:
dengue. a) aquele que … à … a … à
b) àquele que … às … a … a
PENA, Rodolfo F. Alves. “Problemas socioambientais urbanos”; c) à quem … às … à … à
Brasil Escola. Disponível d) a quem … as … à … a
em http://brasilescola.uol.com.br/brasil/problemas- e) àquele que … as … a … à
ambientaissociais-decorrentes-urbanização.htm. Acesso em 14 de abril
de 2016. 08. (TRF-3ª Região – Técnico Judiciário – Informática –
FCC/2016)
No texto 1, há quatro ocorrências do acento grave indicativo da O sinal indicativo de crase está empregado corretamente em:
crase: “vise à promoção de políticas de controle” (1), “tornando-os a) Não era uma felicidade eufórica, semelhava-se mais à
inacessíveis à grande massa populacional” (2), “Além disso, à medida uma
que as cidades crescem” (3) e “que às vezes não contam com
brisa de contentamento.
saneamento básico” (4).
Os casos de crase que correspondem à união de preposição + artigo b) O vinho certamente me induziu àquela súbita vontade
definido são: de
abraçar uma árvore gigante.
a) 1 e 2; c) Antes do fim da manhã, dediquei-me à escrever tudo o
que me propusera para o dia.
b) 1 e 4;
c) 2 e 3;
d) 3 e 4; d) A paineira sobreviverá a todas às 18 milhões de
pessoas que
e) todos eles.
hoje vivem em São Paulo.
07. (Pref. De São Paulo/SP – Analista Fiscal de Serviços –
VUNESP/2016) e) Acho importante esclarecer que não sou afeito à essa
tradição
de se abraçar árvore.
O mundo vive hoje um turbilhão de sentimentos e reações no que
diz respeito aos refugiados. Trata-se de uma enorme tragédia
humana, à qual temos assistido pela TV no conforto de nossas casas. 09. (TRF-3ª Região – Analista Judiciário - Biblioteconomia –
FCC/2016)
Imagens dramáticas mostram famílias inteiras, jovens, crianças e
idosos chegando à Europa em busca de um lugar supostamente mais
seguro para viver. Embora os refugiados da Síria tenham ganhado Sem exceção, homens e mulheres de todas as idades, culturas e níveis
maior destaque, existem ainda os refugiados africanos e os latino- de instrução têm emoções, cultivam passatempos que manipulam as
americanos. emoções, atentam para as emoções dos outros, e em grande medida
governam suas vidas buscando uma emoção, a felicidade, e procurando
evitar emoções desagradáveis. À primeira vista, não existe nada

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caracteristicamente humano nas emoções, pois numerosas criaturas 1. O seu talento só era comparável à sua bondade.
não humanas têm emoções em abundância; entretanto, existe algo 2. Não pôde comparecer à cerimônia de posse na
acentuadamente característico no modo como as emoções vincularam- Prefeitura.
se a ideias, valores, princípios e juízos complexos que só os seres 3. Quem se vir em apuros, deve recorrer à coordenação
humanos podem ter. De fato, a emoção humana é desencadeada até local de provas.
mesmo por uma música e por filmes banais cujo poder não devemos 4. Dia a dia, vou vencendo às batalhas que a vida me
subestimar. apresenta.
Embora a composição e a dinâmica precisas das reações 5. Daqui à meia hora, chegarei a estação; peça para me
emocionais sejam moldadas em cada indivíduo pelo meio e por um aguardarem.
desenvolvimento único, há indícios de que a maioria das reações
emocionais, se não todas, resulta de longos ajustes evolutivos. As a) São corretas apenas as frases 1 e 4.
emoções são parte dos mecanismos biorreguladores com os quais b) São corretas apenas as frases 3 e 4.
nascemos, visando à sobrevivência. Foi por isso que Darwin conseguiu
c) São corretas apenas as frases 1, 2 e 3.
catalogar as expressões emocionais de tantas espécies e encontrar
d) São corretas apenas as frases 2, 3 e 4.
consistência nessas expressões, e é por isso que em diferentes culturas
as emoções são tão facilmente reconhecidas. É bem verdade que as e) São corretas apenas as frases 2, 4 e 5.
expressões variam, assim como varia a configuração exata dos estímulos
que podem induzir uma emoção. Mas o que causa admiração quando se Respostas
observa o mundo do alto é a semelhança, e não a diferença. Aliás, é essa
semelhança que permite que a arte cruze fronteiras. 01. Resposta E
As emoções podem ser induzidas indiretamente, e o indutor pode Às vezes / As vezes
bloquear o progresso de uma emoção que já estava presente. O efeito Ocorrerá a crase somente quando “às vezes” for uma locução
purificador (catártico) que toda boa tragédia deve produzir, segundo adverbial de tempo (= de vez em quando, em algumas vezes).
Aristóteles, tem por base a suspensão de um estado sistematicamente Quando a expressão “as vezes” não trouxer o significado citado não
induzido de medo e compaixão. acontecerá crase.
Não precisamos ter consciência de uma emoção, com frequência
não temos e somos incapazes de controlar intencionalmente as 02. Resposta B
emoções. Você pode perceber-se num estado de tristeza ou de felicidade Indicação de horas especificadas ocorre crase:
e ainda assim não ter ideia dos motivos responsáveis por esse estado Chegaremos às sete horas
específico. Uma investigação cuidadosa pode revelar causas possíveis, Saímos às dez horas
porém frequentemente não se consegue ter certeza. O acionamento
inconsciente de emoções também explica por que não é fácil imitá-las 03. Resposta A
voluntariamente. O sorriso nascido de um prazer genuíno é produto de Letra B - Errado antes de masculino não usa-se crase - O
estruturas cerebrais localizadas em uma região profunda do tronco RESPEITO
cerebral. A imitação voluntária feita por quem não é um ator exímio é
Letra C - Errado antes de masculino não usa-se crase - ALUNOS
facilmente detectada como fingimento – alguma coisa sempre falha,
Letra D - Antes de possessivo a crase é facultativa - isso se - o
quer na configuração dos músculos faciais, quer no tom de voz.
antecedente exigir a preposição a como no caso de "importantes".
Associados requer a preposição A
(Adaptado de: DAMÁSIO, Antonio. O mistério da consciência.
Trad. Laura Teixeira Motta. São Paulo, Cia das letras, 2015, 2.ed, p.
04. Certo
39-49)
Em relação ás assertivas:
Ao se reescrever um segmento do texto, o sinal indicativo de crase a) Não se emprega o sinal da crase antes de pronomes de
foi empregado de modo correto em: tratamento, salvo: senhora, senhorita e dona.
a) Frequentemente não temos consciência de uma b) A redação do contrado compete á diretoria de orçamentos e
emoção, pois finanças.
somos incapazes de à controlar propositadamente. Ao trocar-mos o substantivo feminino:
b) Essa é, à propósito, a semelhança que permite que a diretoria pelo substantivo masculino Diretor:
arte cruze Compete ao diretor de orçamentos e finaças. ( a=preposição +
fronteiras. o=artigo)
c) Por sinal, à essa semelhança imputa-se a causa da arte
ser 05. Errado
capaz de cruzar fronteiras. NÃO se usa crase antes de verbo!
d) A partir dessa semelhança, permite-se à arte cruzar
fronteiras. 06. Resposta A
e) À uma região profunda do tronco cerebral atribui-se o O acento grave empregado nas locuções adverbiais, conjuntivas e
ponto de partida de reações como um sorriso nascido de um prazer prepositivas não provém de uma relação regencial, mas sim do fato
genuíno. de essas locuções virem precedidas de preposições que, comumente,
possuem algum valor semântico. Desta feita diferencia-se através do
10. (Pref. De Criciúma/SC – Engenheiro acento grave os significados dos dois períodos abaixo:
Civil – A noite chegou a nossa fazenda. ("a noite" é sujeito)
FEPESE/2016) À noite ele chegou a nossa fazenda. ("à noite" é locução adverbial de
Analise as frases quanto ao uso correto da crase. tempo)

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07. Resposta B
Segundo Saconni - Nossa Gramatica Completa e Segundo Luft -
Dicionário de Regência Nominal A concordância consiste no mecanismo que leva as palavras a
Apoio requer a preposição a + aquele = àquele que adequarem-se umas às outras harmonicamente na construção frasal. É
Respeito requer a preposição a + as diferenças= às o princípio sintático segundo o qual as palavras dependentes se
Negar requer a preposição a, todavia antes de artigo indefinido não harmonizam, nas suas flexões, com as palavras de que dependem.
se usa a crase “Concordar” significa “estar de acordo com”. Assim, na concordância,
Refugiado requer a preposição contra, em - logo o a não é craseado- tanto nominal quanto verbal, os elementos que compõem a frase devem
Luft estar em consonância uns com os outros.
Essa concordância poderá ser feita de duas formas: gramatical ou
08. Resposta B lógica (segue os padrões gramaticais vigentes); atrativa ou ideológica
(dá ênfase a apenas um dos vários elementos, com valor estilístico).
a) Não ocorre crase antes do artigo indefinido "uma"
b) CORRETA (crase obrigatória diante de
Concordância Nominal: adequação entre o substantivo e os
pronomes
elementos que a ele se referem (artigo, pronome, adjetivo).
demonstrativos "aquela, aquela, aquilo")
Concordância Verbal: variação do verbo, conformando-se ao
c) Não ocorre crase antes de verbo no infinitivo
número e à pessoa do sujeito.
d) Não ocorre crase antes de numerais
e) Não ocorre crase antes de pronomes demonstrativos
Concordância Nominal
09. Resposta D
Concordância do adjetivo adjunto adnominal: a concordância
a) Não utiliza-se crase antes de verbo. (Controlar). do adjetivo, com a função de adjunto adnominal, efetua-se de acordo
b) Não utiliza-se crase em expressões no masculino. com as seguintes regras gerais:
(Propósito O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se
é uma palavra masculina - O propósito). refere. Exemplo: O alto ipê cobre-se de flores amarelas.
c) Não utiliza-se crase antes de pronomes O adjetivo que se refere a mais de um substantivo de gênero ou
demonstrativos. (Essa). número diferentes, quando posposto, poderá concordar no
d) Alternativa CORRETA. Regência do verbo (quem masculino plural (concordância mais aconselhada), ou com o
permite, substantivo mais próximo. Exemplo:
permite algo A alguém) + se une com o A da palavra arte (A arte -
palavra feminina). - No masculino plural:
e) Não utiliza-se crase antes de artigo indefinido. “Tinha as espáduas e o colo feitos de encomenda para os vestidos
decotados.” (Machado de Assis)
10. Resposta C “Os arreios e as bagagens espalhados no chão, em roda.” (Herman
1. O seu talento só era comparável à sua bondade. Lima)
Nos casos de pronome possessivo, a crase é FACULTATIVA. “Ainda assim, apareci com o rosto e as mãos muito marcados.”
2. Não pôde comparecer à cerimônia de posse na (Carlos Povina Cavalcânti)
Prefeitura. “...grande número de camareiros e camareiras nativos.” (Érico
Não há o que discutir: quem comparece, comparece a algo. Veríssimo)
Logo, VTI, exige crase.
3. Quem se vir em apuros, deve recorrer à coordenação - Com o substantivo mais próximo:
local de provas. A Marinha e o Exército brasileiro estavam alerta.
O mesmo caso do item anterior, VTI. Quem recorre, recorre a Músicos e bailarinas ciganas animavam a festa.
algo ou a alguém. “...toda ela (a casa) cheirando ainda a cal, a tinta e a barro fresco.”
4. Dia a dia, vou vencendo às batalhas que a vida me (Humberto de Campos)
apresenta. “Meu primo estava saudoso dos tempos da infância e falava dos
irmãos e irmãs falecidas.” (Luís Henrique Tavares)
Uso incorreto da crase, pois quem vence, vence algo e não a algo.
Logo, é VTD, não exigindo crase.
- Anteposto aos substantivos, o adjetivo concorda, em
5. Daqui à meia hora, chegarei a estação; peça para me
geral, com o mais próximo:
aguardarem.
“Escolhestes mau lugar e hora...” (Alexandre Herculano)
Não confundir com exemplos como "às 13 horas", semelhante a
“...acerca do possível ladrão ou ladrões.” (Antônio Calado)
"ao meio dia". Neste caso, usando-se o bizu da substituição fica:
Velhas revistas e livros enchiam as prateleiras.
"daqui a 10 minutos". Vê-se que a crase é desnecessária.
Velhos livros e revistas enchiam as prateleiras.

Seguem esta regra os pronomes adjetivos: A sua idade, sexo e


profissão.; Seus planos e tentativas.; Aqueles vícios e ambições.; Por
que tanto ódio e perversidade?; “Seu Príncipe e filhos”. Muitas vezes
10. Concordâncias verbal e nominal é facultativa a escolha desta ou daquela concordância, mas em todos
os casos deve subordinar-se às exigências da eufonia, da clareza e do
bom gosto.

1
- Quando dois ou mais adjetivos se referem ao mesmo Observe-se que em tais casos o sujeito não vem determinado pelo
substantivo determinado pelo artigo, ocorrem dois tipos de artigo e a concordância se faz não com a forma gramatical da palavra,
construção, um e outro legítimos. Exemplos: mas com o fato que se tem em mente:
Estudo as línguas inglesa e francesa. Tomar hormônios às refeições não é mau.
Estudo a língua inglesa e a francesa. É necessário ter muita fé.
Os dedos indicador e médio estavam feridos.
O dedo indicador e o médio estavam feridos. Havendo determinação do sujeito, ou sendo preciso realçar o
predicativo, efetua-se a concordância normalmente:
- Os adjetivos regidos da preposição de, que se referem a É necessária a tua presença aqui. (= indispensável)
pronomes neutros indefinidos (nada, muito, algo, tanto, que, etc.), “Se eram necessárias obras, que se fizessem e largamente.” (Eça de
normalmente ficam no masculino singular: Queirós)
Sua vida nada tem de misterioso. Seus “Seriam precisos outros três homens.” (Aníbal Machado)
olhos têm algo de sedutor. “São precisos também os nomes dos admiradores.” (Carlos de
Laet)
Todavia, por atração, podem esses adjetivos concordar com o
substantivo (ou pronome) sujeito: Concordância do predicativo com o objeto: A concordância do
“Elas nada tinham de ingênuas.” (José Gualda Dantas) adjetivo predicativo com o objeto direto ou indireto subordina-se às
seguintes regras gerais:
Concordância do adjetivo predicativo com o sujeito: a
concordância do adjetivo predicativo com o sujeito realiza-se consoante - O adjetivo concorda em gênero e número com o objeto quando
as seguintes normas: este é simples:
Vi ancorados na baía os navios petrolíferos.
- O predicativo concorda em gênero e número com o “Olhou para suas terras e viu-as incultas e maninhas.” (Carlos de
sujeito simples: Laet)
A ciência sem consciência é desastrosa. O tribunal qualificou de ilegais as nomeações do ex-prefeito.
Os campos estavam floridos, as colheitas seriam fartas. A noite torna visíveis os astros no céu límpido.
É proibida a caça nesta reserva.
- Quando o objeto é composto e constituído por elementos do
- Quando o sujeito é composto e constituído por substantivos do mesmo gênero, o adjetivo se flexiona no plural e no gênero dos
mesmo gênero, o predicativo deve concordar no plural e no gênero elementos:
deles: A justiça declarou criminosos o empresário e seus auxiliares.
O mar e o céu estavam serenos. Deixe bem fechadas a porta e as janelas.
A ciência e a virtude são necessárias.
“Torvos e ferozes eram o gesto e os meneios destes homens sem - Sendo o objeto composto e formado de elementos de gênero
disciplina,” (Alexandre Herculano) diversos, o adjetivo predicativo concordará no masculino plural:
Tomei emprestados a régua e o compasso.
- Sendo o sujeito composto e constituído por substantivos de Achei muito simpáticos o príncipe e sua filha. “Vi
gêneros diversos, o predicativo concordará no masculino plural: O setas e carcás espedaçados”. (Gonçalves Dias)
vale e a montanha são frescos. Encontrei jogados no chão o álbum e as cartas.
“O céu e as árvores ficariam assombrados.” (Machado de Assis)
Longos eram os dias e as noites para o prisioneiro. - Se anteposto ao objeto, poderá o predicativo, neste caso,
“O César e a irmã são louros.” (Antônio Olinto) concordar com o núcleo mais próximo:
É preciso que se mantenham limpas as ruas e os jardins.
- Se o sujeito for representado por um pronome de Segue as mesmas regras o predicativo expresso pelos
tratamento, a concordância se efetua com o sexo da pessoa a quem substantivos variáveis em gênero e número: Temiam que as
nos referimos: tomassem por malfeitoras; Considero autores do crime o
Vossa Senhoria ficará satisfeito, eu lhe garanto. comerciante e sua empregada.
“Vossa Excelência está enganado, Doutor Juiz.” (Ariano Suassuna)
Vossas Excelências, senhores Ministros, são merecedores de nossa Concordância do particípio passivo: Na voz passiva, o particípio
confiança. concorda em gênero e número com o sujeito, como os adjetivos:
Vossa Alteza foi bondoso. (com referência a um príncipe) Foi escolhida a rainha da festa.
Foi feita a entrega dos convites.
O predicativo aparece às vezes na forma do masculino singular nas Os jogadores tinham sido convocados.
estereotipadas locuções é bom, é necessário, é preciso, etc., embora o O governo avisa que não serão permitidas invasões de
sujeito seja substantivo feminino ou plural: propriedades.
Bebida alcoólica não é bom para o fígado.
“Água de melissa é muito bom.” (Machado de Assis) Quando o núcleo do sujeito é, como no último exemplo, um
“É preciso cautela com semelhantes doutrinas.” (Camilo Castelo coletivo numérico, pode-se, em geral, efetuar a concordância com o
Branco) substantivo que o acompanha: Centenas de rapazes foram vistos
“Hormônios, às refeições, não é mau.” (Aníbal Machado) pedalando nas ruas; Dezenas de soldados foram feridos em combate.
Referindo-se a dois ou mais substantivos de gênero diferentes, o
particípio concordará no masculino plural: Atingidos por mísseis, a

1
corveta e o navio foram a pique; “Mas achei natural que o clube e suas - Só. Como adjetivo, só [sozinho, único] concorda em número
ilusões fossem leiloados.” (Carlos Drummond de Andrade) com o substantivo. Como palavra denotativa de limitação, equivalente
de apenas, somente, é invariável.
Concordância do pronome com o nome: Eles estavam sós, na sala iluminada.
Esses dois livros, por si sós, bastariam para torná-los célebre.
- O pronome, quando se flexiona, concorda em gênero e número Elas só passeiam de carro.
com o substantivo a que se refere: Só eles estavam na sala.
“Martim quebrou um ramo de murta, a folha da tristeza, e deitouo
no jazido de sua esposa”. (José de Alencar) Forma a locução a sós [=sem mais companhia, sozinho]: Estávamos
“O velho abriu as pálpebras e cerrou-as logo.” (José de Alencar) a sós. Jesus despediu a multidão e subiu ao monte para orar a sós.

- O pronome que se refere a dois ou mais substantivos de - Possível. Usado em expressões superlativas, este adjetivo ora
gêneros diferentes, flexiona-se no masculino plural: aparece invariável, ora flexionado:
“Salas e coração habita-os a saudade”” (Alberto de Oliveira) “A volta, esperava-nos sempre o almoço com os pratos mais
“A generosidade, o esforço e o amor, ensinaste-os tu em toda a sua requintados possível.” (Maria Helena Cardoso)
sublimidade.” (Alexandre Herculano) “Estas frutas são as mais saborosas possível.” (Carlos Góis)
Conheci naquela escola ótimos rapazes e moças, com os quais fiz “A mania de Alice era colecionar os enfeites de louça mais grotescos
boas amizades. possíveis.” (ledo Ivo)
“Referi-me à catedral de Notre-Dame e ao Vesúvio familiarmente, “... e o resultado obtido foi uma apresentação com movimentos os
como se os tivesse visto.” (Graciliano Ramos) mais espontâneos possíveis.” (Ronaldo Miranda)

Os substantivos sendo sinônimos, o pronome concorda com o mais Como se vê dos exemplos citados, há nítida tendência, no português
próximo: “Ó mortais, que cegueira e desatino é o nosso!” (Manuel de hoje, para se usar, neste caso, o adjetivo possível no plural. O singular
Bernardes) é de rigor quando a expressão superlativa inicia com a partícula o (o
- Os pronomes um... outro, quando se referem a substantivos de mais, o menos, o maior, o menor, etc.) Os prédios devem ficar o mais
gênero diferentes, concordam no masculino: afastados possível.
Marido e mulher viviam em boa harmonia e ajudavam-se um ao Ele trazia sempre as unhas o mais bem aparadas possível.
outro. O médico atendeu o maior número de pacientes possível.
“Repousavam bem perto um do outro a matéria e o espírito.”
(Alexandre Herculano) - Adjetivos adverbiados. Certos adjetivos, como sério, claro,
Nito e Sônia casaram cedo: um por amor, o outro, por interesse. caro, barato, alto, raro, etc., quando usados com a função de advérbios
terminados em – mente, ficam invariáveis: Vamos falar sério. [sério
A locução um e outro, referida a indivíduos de sexos diferentes, = seriamente] Penso que falei bem claro, disse a secretária.
permanece também no masculino: “A mulher do colchoeiro escovou- Esses produtos passam a custar mais caro. [ou mais barato]
lhe o chapéu; e, quando ele [Rubião] saiu, um e outro agradeceram-lhe Estas aves voam alto. [ou baixo]
muito o benefício da salvação do filho.” (Machado de Assis)
Junto e direto ora funcionam como adjetivos, ora como advérbios:
O substantivo que se segue às locuções um e outro e nem outro fica “Jorge e Dante saltaram juntos do carro.” (José Louzeiro)
no singular. Exemplos: Um e outro livro me agradaram; Nem um nem “Era como se tivessem estado juntos na véspera.” (Autram
outro livro me agradaram. Dourado).
“Elas moram junto há algum tempo.” (José Gualda Dantas)
Outros casos de concordância nominal: Registramos aqui alguns “Foram direto ao galpão do engenheiro-
casos especiais de concordância nominal: chefe.” (Josué
Guimarães)
- Anexo, incluso, leso. Como adjetivos, concordam com o
substantivo em gênero e número: - Todo. No sentido de inteiramente, completamente,
Anexa à presente, vai a relação das mercadorias. costuma-se flexionar, embora seja advérbio:
Vão anexos os pareceres das comissões técnicas. Esses índios andam todos nus.
Remeto-lhe, anexas, duas cópias do contrato. Geou durante a noite e a planície ficou toda (ou todo) branca.
Remeto-lhe, inclusa, uma fotocópia do recibo. As meninas iam todas de branco.
Os crimes de lesa-majestade eram punidos com a morte. A casinha ficava sob duas mangueiras, que a cobriam toda.
Ajudar esses espiões seria crime de lesa-pátria.
Mas admite-se também a forma invariável:
Observação: Evite a locução em anexo. Fiquei com os cabelos todo sujos de terá.
Suas mãos estavam todo ensanguentadas.
- A olhos vistos. Locução adverbial invariável. Significa
visivelmente. - Alerta. Pela sua origem, alerta (=atentamente, de prontidão, em
“Lúcia emagrecia a olhos vistos”. (Coelho Neto) estado de vigilância) é advérbio e, portanto, invariável:
“Zito envelhecia a olhos vistos.” (Autren Dourado) Estamos alerta.
Os soldados ficaram alerta.
“Todos os sentidos alerta funcionam.” (Carlos Drummond de
Andrade)

1
“Os brasileiros não podem deixar de estar sempre alerta.” 03. (SAAEB – Engenheiro de Segurança do Trabalho –
(Martins de Aguiar) FAFIPA/2016)
Indique a alternativa que NÃO apresenta erro de concordância
Contudo, esta palavra é, atualmente, sentida antes como adjetivo, nominal.
sendo, por isso, flexionada no plural: a) O acontecimento derrubou a bolsa brasileira, argentina e a
Nossos chefes estão alertas. (=vigilantes) Papa espanhola.
diz aos cristãos que se mantenham alertas. b) Naquele lugar ainda vivia uma pseuda-aristocracia.
“Uma sentinela de guarda, olhos abertos e sentidos alertas, c) Como não tinham outra companhia, os irmãos viajaram só.
esperando pelo desconhecido...” (Assis Brasil, Os Crocodilos, p. 25) d) Simpáticos malabaristas e dançarinos animavam a festa.

- Meio. Usada como advérbio, no sentido de um pouco, esta palavra 04. (CASAN – Técnico de Laboratório – INSTITUTO
é invariável. Exemplos: AOCP/2016)
A porta estava meio aberta.
As meninas ficaram meio nervosas.
“Estamos Enlouquecendo Nossas Crianças!
Os sapatos eram meio velhos, mas serviam. Estímulos Demais... Concentração de Menos"

- Bastante. Varia quando adjetivo, sinônimo de suficiente: 31 Maio 2015 em Bem-Estar, filhos
Não havia provas bastantes para condenar o réu.
Duas malas não eram bastantes para as roupas da atriz. Vivemos tempos frenéticos. A cada década que passa o modo de vida
de 10 anos atrás parece ficar mais distante: 10 anos viraram 30, e logo
Fica invariável quando advérbio, caso em que modifica um adjetivo: teremos a sensação de ter se passado 50 anos a cada 5. E o mundo
As cordas eram bastante fortes para sustentar o peso. infantil foi atingido em cheio por essas mudanças: já não se educa (ou
Os emissários voltaram bastante otimistas. brinca, alimenta, veste, entretêm, cuida, consola, protege, ampara e
“Levi está inquieto com a economia do Brasil. Vê que se aproximam satisfaz) crianças como antigamente!
dias bastante escuros.” (Austregésilo de Ataíde) O iPad, por exemplo, já é companheiro imprescindível nas refeições
de milhares de crianças. Em muitas casas a(s) TV(s) fica(m) ligada(s) o
- Menos. É palavra invariável: tempo todo na programação infantil – naqueles canais cujo volume
Gaste menos água. aumenta consideravelmente durante os comerciais – mesmo quando
À noite, há menos pessoas na praça. elas estão comendo com o iPad à mesa.
Muitas e muitas crianças têm atividades extracurriculares pelo
Questões menos três vezes por semana, algumas somam mais de 50 horas
semanais de atividades, entre escola, cursos, esportes e reforços
01. (Pref. de Lauro Muller/SC – Auxiliar Administrativo – escolares.
FAEPESUL/2016) Existe em quase todas as casas uma profusão de brinquedos,
Marque a alternativa em que a concordância nominal esteja aparelhos, recursos e pessoas disponíveis o tempo todo para garantir
CORRETA: que a criança “aprenda coisas" e não “morra de tédio". As pré- escolas
têm o mesmo método de ensino dos cursos prévestibulares.
a) Desde que comprovadas as faltas, sofrerá punições as
instituições que não respeitarem a lei vigente. Tudo está sendo feito para que, no final, possamos ocupar,
aproveitar, espremer, sugar, potencializar, otimizar e, finalmente,
b) Novas taxas de juro, segundo os economistas
capitalizar todo o tempo disponível para impor às nossas crianças uma
internacionais,
preparação praticamente militar, visando seu “sucesso". O ar nas casas
será anunciado na próxima semana.
onde essa preocupação é latente chega a ser denso, tamanha a pressão
c) Foi inaugurada ontem, depois de vários
que as crianças sofrem por desenvolver uma boa competitividade.
cancelamentos, novas
Porém, o excesso de estímulos sonoros, visuais, físicos e informativos
obras da administração local. impedem que a criança organize seus pensamentos e atitudes, de
d) Prossegue implacável as denúncias contra verdade: fica tudo muito confuso e nebuloso, e as próprias informações
governantes e se misturam fazendo com que a criança mal saiba descrever o que
empreiteiros do nosso país. acabou de ouvir, ver ou fazer.
e) Não estão previstas, até o momento, novas datas para Além disso, aptidões que devem ser estimuladas estão sendo
a deixadas de lado: Crianças não sabem conversar. Não olham nos
realização das provas. olhos de seus interlocutores. Não conseguem focar em uma
brincadeira ou atividade de cada vez (na verdade a maioria sequer
02. (Pref. de Nova Veneza/SC – Psicólogo – FAEPESUL/2016) sabe brincar sem a orientação de um adulto!). Não conseguem ler um
A alternativa que está coerente com as regras da concordância livro, por menor que seja. Não aceitam regras. Não sabem o que é
nominal é: autoridade. Pior e principalmente: não sabem esperar.
a) Ternos marrons-claros. Todas essas qualidades são fundamentais na construção de um
b) Tratados lusos-brasileiros. ser humano íntegro, independente e pleno, e devem ser aprendidas
c) Aulas teórico-práticas. em casa, em suas rotinas.
d) Sapatos azul-marinhos. Precisamos pausar. Parar e olhar em volta. Colocar a mão na
e) Camisas verdes-escuras. consciência, tirá-la um pouco da carteira, do telefone e do volante:
estamos enlouquecendo nossas crianças, e as estamos impedindo de
entender e saber lidar com seus tempos, seus desejos, suas qualidades
e talentos. Estamos roubando o tempo precioso que nossos filhos

1
tanto precisam para processar a quantidade enorme de informações d) Prossegue (Prosseguem implacáveis)
e estímulos que nós e o mundo estamos lhes dando. implacável as
Calma, gente. Muita calma. Não corramos para cima da criança denúncias contra governantes e empreiteiros do nosso país.
com um iPad na mão a cada vez que ela reclama ou achamos que ela e) Não estão previstas, até o momento, novas datas para
está sofrendo de “tédio". Não obriguemos a babá a ter um repertório a
mágico, que nem mesmo palhaços profissionais têm, para manter a realização das provas.
criança entretida o tempo todo. O “tédio" nada mais é que a
oportunidade de estarmos em contato conosco, de estimular o 02. Resposta C
pensamento, a fantasia e a concentração.
Quanto à letra "e", tem-se que o primeiro elemento do adjetivo
Sugiro que leiamos todos, pais ou não, “O Ócio Criativo" de composto permanecerá invariável: Camisa verde-escura, então
Domenico di Masi, para que entendamos a importância do uso observe: plural do substantivo camisa é camisas verde é adjetivo, como
consciente do nosso tempo. se trata de adjetivo composto, no caso verde-escura, apenas o segundo
E já que resvalamos o assunto para a leitura: nossas crianças não adjetivo, vai ao plural.
leem mais. Muitos livros infantis estão disponíveis para tablets e Ficando assim: Camisas verde - escuras.
iPads, cuja resposta é imediata ao menor estímulo e descaracteriza a
principal função do livro: parar para ler, para fazer a mente respirar,
03. Resposta D
aprender a juntar uma palavra com outra, paulatinamente formando
frases e sentenças, e, finalmente, concluir um raciocínio ou uma a) Errado - A bolsa brasileira, A argentina e A espanhola
estória. b) Errado - Pseuda-aristocracia, deveria ser Pseudo
Cerquem suas crianças de livros e leiam com elas, por amor. c) Errado - Os irmãos viajaram Sós.
Deixem que se esparramem em almofadas e façam sua imaginação d) Correta - A concordância deste adjetivo poderá ser com
voar! mais próximo ou com os dois
04. Resposta E
(Fonte: http://www.saudecuriosa.com.br/estamosenlouquecendo- UMA - Artigo Indefinido feminino singular
nossas-criancas-estimulos-demais-concentracao- BOA - Adjetivo feminino singular
de-menos/) COMPETITIVIDADE - Substantivo feminino singular

No sintagma “uma boa competitividade", a concordância nominal se 05. Resposta A


dá porque
''Meias verdades'' está correto, pois a palavra ''meia'' está
a) temos uma preposição seguida de dois substantivos femininos
concordando com o substantivo ''verdades''. Porém, no trecho
singulares.
''pessoa meia honesta'' está incorreto o emprego, posto que a
b) temos uma preposição, um advérbio e um substantivo palavra ''meia'' é invariável diante de um adjetivo. O correto,
masculino singular. portanto, seria:
c) temos um artigo definido feminino singular, um adjetivo ''Meias verdades são como mentiras inteiras: uma pessoa
feminino singular e um substantivo masculino singular. meio honesta é pior que uma mentirosa inteira.'''
d) temos um artigo definido feminino singular, um adjetivo
feminino singular e um substantivo feminino singular. Concordância Verbal
e) temos um artigo indefinido feminino singular, um adjetivo
feminino singular e um substantivo feminino singular. O verbo concorda com o sujeito, em harmonia com as seguintes
regras gerais:
05. (CISMEPAR/PR – Advogado – FAUEL/2016)
A respeito de concordância verbal e nominal, assinale a - O sujeito é simples: O sujeito sendo simples, com ele
alternativa cuja frase NÃO realiza a concordância de acordo com a concordará o verbo em número e pessoa. Exemplos:
norma padrão da Língua Portuguesa:
a) Meias verdades são como mentiras inteiras: uma pessoa meia Verbo depois do sujeito:
honesta é pior que uma mentirosa inteira. “As saúvas eram uma praga.” (Carlos Povina Cavalcânti)
b) Sonhar, plantar e colher: eis o segredo para alcançar seus “Tu não és inimiga dele, não? (Camilo Castelo Branco)
objetivos. “Vós fostes chamados à liberdade, irmãos.” (São Paulo)
c) Para o sucesso, não há outro caminho: quanto mais distante o
alvo, maior a dedicação. Verbo antes do sujeito:
d) Não é com apenas uma tentativa que se alcança o que se quer. Acontecem tantas desgraças neste planeta!
Não faltarão pessoas que nos queiram ajudar. A
Respostas quem pertencem essas terras?
- O sujeito é composto e da 3ª pessoa
01. Resposta E
a) Desde que comprovadas as faltas, sofrerá (sofrerão) O sujeito, sendo composto e anteposto ao verbo, leva geralmente este
punições as instituições que não respeitarem a lei vigente. para o plural. Exemplos:
b) Novas taxas de juro, segundo os economistas “A esposa e o amigo seguem sua marcha.” (José de Alencar)
internacionais, “Poti e seus guerreiros o acompanharam.” (José de Alencar)
será (serão)anunciadas na próxima semana. “Vida, graça, novidade, escorriam-lhe da alma como de uma fonte
perene.” (Machado de Assis)
c) Foi (foram)inaugurada ontem, depois de vários
É licito (mas não obrigatório) deixar o verbo no singular:
cancelamentos, novas obras da administração local.

1
- Quando o núcleo dos sujeitos são sinônimos: - O verbo irá para o plural se a ideia por ele expressa se referir ou puder
“A decência e honestidade ainda reinava.” (Mário Barreto) ser atribuída a todos os núcleos do sujeito:
“A coragem e afoiteza com que lhe respondi, perturbou-o...” (Camilo “Era tão pequena a cidade, que um grito ou gargalhada forte a
Castelo Branco) atravessavam de ponta a ponta.” (Aníbal Machado) (Tanto um grito,
“Que barulho, que revolução será capaz de perturbar esta como uma gargalhada, atravessavam a cidade.)
serenidade?” (Graciliano Ramos) “Naquela crise, só Deus ou Nossa Senhora podiam acudir-lhe.”
(Camilo Castelo Branco)
- Quando os núcleos do sujeito formam sequência gradativa:
Uma ânsia, uma aflição, uma angústia repentina começou a me Há, no entanto, em bons autores, ocorrência de verbo no singular:
apertar à alma. “A glória ou a vergonha da estirpe provinha de atos individuais.”
(Vivaldo Coaraci)
Sendo o sujeito composto e posposto ao verbo, este poderá concordar “Há dessas reminiscências que não descansam antes que a pena ou a
no plural ou com o substantivo mais próximo: língua as publique.” (Machado de Assis)
“Não fossem o rádio de pilha e as revistas, que seria de Elisa?” (Jorge “Um príncipe ou uma princesa não casa sem um vultoso dote.”
Amado) (Viriato Correia)
“Enquanto ele não vinha, apareceram um jornal e uma vela.”
(Ricardo Ramos) - Núcleos do sujeito unidos pela preposição com: Usa-se mais
“Ali estavam o rio e as suas lavadeiras.” (Carlos Povina Cavalcânti) frequentemente o verbo no plural quando se atribui a mesma
... casa abençoada onde paravam Deus e o primeiro dos seus importância, no processo verbal, aos elementos do sujeito unidos pela
ministros.” (Carlos de Laet) preposição com. Exemplos:
Manuel com seu compadre construíram o barracão.
Aconselhamos, nesse caso, usar o verbo no plural. “Eu com outros romeiros vínhamos de Vigo...” (Camilo Castelo
Branco)
- O sujeito é composto e de pessoas diferentes “Ele com mais dois acercaram-se da porta.” (Camilo Castelo
Branco)
Se o sujeito composto for de pessoas diversas, o verbo se flexiona no
plural e na pessoa que tiver prevalência. (A 1ª pessoa prevalece sobre a Pode se usar o verbo no singular quando se deseja dar relevância ao
2ª e a 3ª; a 2ª prevalece sobre a 3ª): primeiro elemento do sujeito e também quando o verbo vier antes deste.
“Foi o que fizemos Capitu e eu.” (Machado de Assis) (ela e eu = nós) Exemplos:
“Tu e ele partireis juntos.” (Mário Barreto) (tu e ele = vós) O bispo, com dois sacerdotes, iniciou solenemente a missa.
Você e meu irmão não me compreendem. (você e ele = vocês) O presidente, com sua comitiva, chegou a Paris às 5h da tarde.
“Já num sublime e público teatro se assenta o rei inglês com toda a
Muitas vezes os escritores quebram a rigidez dessa regra: corte.” (Luís de Camões)
- Ora fazendo concordar o verbo com o sujeito mais próximo,
quando este se pospõe ao verbo: - Núcleos do sujeito unidos por nem: Quando o sujeito é
formado por núcleos no singular unidos pela conjunção nem, usase,
“O que resta da felicidade passada és tu e eles.” (Camilo Castelo comumente, o verbo no plural. Exemplos:
Branco) Nem a riqueza nem o poder o livraram de seus inimigos.
“Faze uma arca de madeira; entra nela tu, tua mulher e teus filhos.” Nem eu nem ele o convidamos.
(Machado de Assis) “Nem o mundo, nem Deus teriam força para me constranger a
tanto.” (Alexandre Herculano)
- Ora preferindo a 3ª pessoa na concorrência tu + ele (tu + ele = “Nem a Bíblia nem a respeitabilidade lhe permitem praguejar alto.”
vocês em vez de tu + ele = vós): (Eça de Queirós)

“...Deus e tu são testemunhas...” (Almeida Garrett) É preferível a concordância no singular:


“Juro que tu e tua mulher me pagam.” (Coelho Neto)
- Quando o verbo precede o sujeito:
As normas que a seguir traçamos têm, muitas vezes, valor “Não lhe valeu a imensidade azul, nem a alegria das flores, nem a
relativo, porquanto a escolha desta ou daquela concordância pompa das folhas verdes...” (Machado de Assis) Não o convidei eu nem
depende, frequentemente, do contexto, da situação e do clima minha esposa.
emocional que envolvem o falante ou o escrevente. “Na fazenda, atualmente, não se recusa trabalho, nem dinheiro, nem
nada a ninguém.” (Guimarães Rosa)
- Núcleos do sujeito unidos por ou
- Quando há exclusão, isto é, quando o fato só pode ser atribuído
Há duas situações a considerar: a um dos elementos do sujeito:
Nem Berlim nem Moscou sediará a próxima Olimpíada. (Só uma
cidade pode sediar a Olimpíada.)
Nem Paulo nem João será eleito governador do Acre. (Só um
- Se a conjunção ou indicar exclusão ou retificação, o verbo
candidato pode ser eleito governador.)
concordará com o núcleo do sujeito mais próximo:
Paulo ou Antônio será o presidente.
- Núcleos do sujeito correlacionados: O verbo vai para o
O ladrão ou os ladrões não deixaram nenhum vestígio.
plural quando os elementos do sujeito composto estão ligados por
Ainda não foi encontrado o autor ou os autores do crime.

1
uma das expressões correlativas não só... mas também, não só como “Reconheceu que era um par de besouros que zumbiam no ar.”
também, tanto...como, etc. Exemplos: (Machado de Assis)
Não só a nação mas também o príncipe estariam pobres.” “Havia na União um grupo de meninos que praticavam esse
(Alexandre Herculano) divertimento com uma pertinácia admirável.” (Carlos Povina
“Tanto a Igreja como o Estado eram até certo ponto inocentes.” Cavalcânti)
(Alexandre Herculano)
“Tanto Noêmia como Reinaldo só mantinham relações de amizade - A maior parte de, grande número de, etc.: Sendo o sujeito uma
com um grupo muito reduzido de pessoas.” (José Condé) das expressões quantitativas a maior parte de, parte de, a maioria de,
“Tanto a lavoura como a indústria da criação de gado não o grande número de, etc., seguida de substantivo ou pronome no plural, o
demovem do seu objetivo.” (Cassiano Ricardo) verbo, quando posposto ao sujeito, pode ir para o singular ou para o
plural, conforme se queira efetuar uma concordância estritamente
- Sujeitos resumidos por tudo, nada, ninguém: Quando o gramatical (com o coletivo singular) ou uma concordância enfática,
sujeito composto vem resumido por um dos pronomes, tudo, nada, expressiva, com a ideia de pluralidade sugerida pelo sujeito. Exemplos:
ninguém, etc. o verbo concorda, no singular, com o pronome A maior parte dos indígenas respeitavam os pajés.” (Gilberto
resumidor. Exemplos: Freire)
Jogos, espetáculos, viagens, diversões, nada pôde satisfazê-lo. “A maior parte dos doidos ali metidos estão em seu perfeito juízo.”
“O entusiasmo, alguns goles de vinho, o gênio imperioso, (Machado de Assis)
estouvado, tudo isso me levou a fazer uma coisa única.” (Machado de “A maior parte das pessoas pedem uma sopa, um prato de carne e
Assis) um prato de legumes.” (Ramalho Ortigão)
Jogadores, árbitro, assistentes, ninguém saiu do campo. “A maior parte dos nomes podem ser empregados em sentido
definido ou em sentido indefinido.” (Mário Barreto)
- Núcleos do sujeito designando a mesma pessoa ou coisa:
O verbo concorda no singular quando os núcleos do sujeito designam Quando o verbo precede o sujeito, como nos dois últimos exemplos,
a mesma pessoa ou o mesmo ser. Exemplos: a concordância se efetua no singular. Como se vê dos exemplos
“Aleluia! O brasileiro comum, o homem do povo, o João-ninguém, supracitados, as duas concordâncias são igualmente legítimas, porque
agora é cédula de Cr$ 500,00!” (Carlos Drummond Andrade) têm tradição na língua. Cabe a quem fala ou escreve escolher a que julgar
“Embora sabendo que tudo vai continuar como está, fica o registro, mais adequada à situação. Pode-se, portanto, no caso em foco, usar o
o protesto, em nome dos telespectadores.” (Valério verbo no plural, efetuando a concordância não com a forma gramatical
Andrade) das palavras, mas com a ideia de pluralidade que elas encerram e
Advogado e membro da instituição afirma que ela é corrupta. sugerem à nossa mente. Essa concordância ideológica é bem mais
expressiva que a gramatical, como se pode perceber relendo as frases
- Núcleos do sujeito são infinitivos: O verbo concordará no citadas de Machado de Assis, Ramalho Ortigão, Ondina Ferreira e
plural se os infinitivos forem determinados pelo artigo ou Aurélio Buarque de Holanda, e cotejando-as com as dos autores que
exprimirem ideias opostas; caso contrário, tanto é lícito usar o verbo usaram o verbo no singular.
no singular como no plural. Exemplos:
O comer e o beber são necessários. - Um e outro, nem um nem outro: O sujeito sendo uma dessas
Rir e chorar fazem parte da vida expressões, o verbo concorda, de preferência, no plural. Exemplos:
Montar brinquedos e desmontá-los divertiam muito o menino. “Um e outro gênero se destinavam ao conhecimento...” (Hernâni
Cidade)
“Já tinha ouvido que plantar e colher feijão não dava trabalho.”
“Um e outro descendiam de velhas famílias do Norte.” (Machado de
(Carlos Povina Cavalcânti) (ou davam) Assis)
Uma e outra família tinham (ou tinha) parentes no Rio.
- Sujeito oracional: Concorda no singular o verbo cujo sujeito é “Depois nem um nem outro acharam novo motivo para diálogo.”
uma oração: (Fernando Namora)
Ainda falta / comprar os cartões.
Predicado Sujeito Oracional - Um ou outro: O verbo concorda no singular com o sujeito um
ou outro:
Estas são realidades que não adianta esconder. “Respondi-lhe que um ou outro colar lhe ficava bem.” (Machado de
Sujeito de adianta: esconder que (as realidades) Assis)
“Uma ou outra pode dar lugar a dissentimentos.” (Machado de Assis)
- Sujeito Coletivo: O verbo concorda no singular com o sujeito “Sempre tem um ou outro que vai dando um vintém.” (Raquel de
coletivo no singular. Exemplos: Queirós)
A multidão vociferava ameaças.
O exército dos aliados desembarcou no sul da Itália. - Um dos que, uma das que: Quando, em orações adjetivas
Uma junta de bois tirou o automóvel do atoleiro. restritivas, o pronome que vem antecedido de um dos ou expressão
Um bloco de foliões animava o centro da cidade. análoga, o verbo da oração adjetiva flexiona-se, em regra, no plural:
Se o coletivo vier seguido de substantivo plural que o especifique “O príncipe foi um dos que despertaram mais cedo.” (Alexandre
e anteceder ao verbo, este poderá ir para o plural, quando se quer Herculano)
salientar não a ação do conjunto, mas a dos indivíduos, efetuando-se “A baronesa era uma das pessoas que mais desconfiavam de nós.”
uma concordância não gramatical, mas ideológica: (Machado de Assis)
“Uma grande multidão de crianças, de velhos, de mulheres “Areteu da Capadócia era um dos muitos médicos gregos que viviam
penetraram na caverna...” (Alexandre Herculano) em Roma.” (Moacyr Scliar)
“Uma grande vara de porcos que se afogaram de escantilhão no Ele é desses charlatães que exploram a crendice humana.
mar....” (Camilo Castelo Branco)

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Essa é a concordância lógica, geralmente preferida pelos escritores Qual de nós falará primeiro?
modernos. Todavia, não é prática condenável fugir ao rigor da lógica
gramatical e usar o verbo da oração adjetiva no singular (fazendo-o
concordar com a palavra um), quando se deseja destacar o indivíduo do - Pronomes quem, que, como sujeitos: O verbo concordará, em
grupo, dando-se a entender que ele sobressaiu ou sobressai aos demais: regra, na 3ª pessoa, com os pronomes quem e que, em frases como estas:
Ele é um desses parasitas que vive à custa dos outros. Sou eu quem responde pelos meus atos.
“Foi um dos poucos do seu tempo que reconheceu a Somos nós quem leva o prejuízo.
originalidade e importância da literatura brasileira.” (João Ribeiro) Eram elas quem fazia a limpeza da casa.
“Eras tu quem tinha o dom de encantar-me.” (Osmã Lins)
Há gramáticas que condenam tal concordância. Por coerência,
deveriam condenar também a comumente aceita em construções Todavia, a linguagem enfática justifica a concordância com o sujeito
anormais do tipo: Quais de vós sois isentos de culpa? Quantos de nós da oração principal:
somos completamente felizes? O verbo fica obrigatoriamente no “Sou eu quem prendo aos céus a terra.” (Gonçalves Dias)
singular quando se aplica apenas ao indivíduo de que se fala, como no “Não sou eu quem faço a perspectiva encolhida.” (Ricardo
exemplo: Ramos)
Jairo é um dos meus empregados que não sabe ler. (Jairo é o único “És tu quem dás frescor à mansa brisa.” (Gonçalves Dias)
empregado que não sabe ler.) “Nós somos os galegos que levamos a barrica.” (Camilo Castelo
Branco)
Ressalte-se, porém, que nesse caso é preferível construir a frase de
outro modo: A concordância do verbo precedido do pronome relativo que farse-á
Jairo é um empregado meu que não sabe ler. obrigatoriamente com o sujeito do verbo (ser) da oração principal, em
Dos meus empregados, só Jairo não sabe ler. frases do tipo: Sou eu que pago.
És tu que vens conosco?
Na linguagem culta formal, ao empregar as expressões em foco, o Somos nós que cozinhamos.
mais acertado é usar no plural o verbo da oração adjetiva: Eram eles que mais reclamavam.
O Japão é um dos países que mais investem em tecnologia.
Gandhi foi um dos que mais lutaram pela paz. Em construções desse tipo, é lícito considerar o verbo ser e a palavra
O sertão cearense é uma das áreas que mais sofrem com as secas. que como elementos expletivos ou enfatizantes, portanto não
Heráclito foi um dos empresários que conseguiram superar a crise. necessários ao enunciado. Assim:
Sou eu que pago. (=Eu pago)
Embora o caso seja diferente, é oportuno lembrar que, nas Somos nós que cozinhamos. (=Nós cozinhamos)
orações adjetivas explicativas, nas quais o pronome que é separado Foram os bombeiros que a salvaram. (= Os bombeiros a salvaram.)
de seu antecedente por pausa e vírgula, a concordância é Seja qual for a interpretação, o importante é saber que, neste caso,
determinada pelo sentido da frase: tanto o verbo ser como o outro devem concordar com o pronome ou
Um dos meninos, que estava sentado à porta da casa, foi chamar o substantivo que precede a palavra que.
pai. (Só um menino estava sentado.)
Um dos cinco homens, que assistiam àquela cena estupefatos, - Concordância com os pronomes de tratamento: Os pronomes
soltou um grito de protesto. (Todos os cinco homens assistiam à de tratamento exigem o verbo na 3ª pessoa, embora se refira à 2ª pessoa
cena.) do discurso:
Vossa Excelência agiu com moderação.
- Mais de um: O verbo concorda, em regra, no singular. O Vossas Excelências não ficarão surdos à voz do povo.
plural será de rigor se o verbo exprimir reciprocidade, ou se o “Espero que V.S.ª. não me faça mal.” (Camilo Castelo Branco)
numeral for superior a um. Exemplos: “Vossa Majestade não pode consentir que os touros lhe matem o
Mais de um excursionista já perdeu a vida nesta montanha. tempo e os vassalos.” (Rebelo da Silva)
Mais de um dos circunstantes se entreolharam com espanto.
Devem ter fugido mais de vinte presos. - Concordância com certos substantivos próprios no plural:
Certos substantivos próprios de forma plural, como Estados Unidos,
- Quais de vós? Alguns de nós: Sendo o sujeito um dos Andes, Campinas, Lusíadas, etc., levam o verbo para o plural quando se
pronomes interrogativos quais? quantos? Ou um dos indefinidos usam com o artigo; caso contrário, o verbo concorda no singular.
alguns, muitos, poucos, etc., seguidos dos pronomes nós ou vós, o “Os Estados Unidos são o país mais rico do mundo.” (Eduardo
verbo concordará, por atração, com estes últimos, ou, o que é mais Prado)
lógico, na 3ª pessoa do plural: Os Andes se estendem da Venezuela à Terra do Fogo.
“Quantos dentre nós a conhecemos?” (Rogério César Cerqueira) “Os Lusíadas” imortalizaram Luís de Camões.
“Quais de vós sois, como eu, desterrados...?” (Alexandre Herculano) Campinas orgulha-se de ter sido o berço de Carlos Gomes.
“...quantos dentre vós estudam conscienciosamente o passado?”
(José de Alencar)
Tratando-se de títulos de obras, é comum deixar o verbo no singular,
Alguns de nós vieram (ou viemos) de longe. sobretudo com o verbo ser seguido de predicativo no singular:
“As Férias de El-Rei é o título da novela.” (Rebelo da Silva)
Estando o pronome no singular (3ª pessoa) ficará o verbo: “As Valkírias mostra claramente o homem que existe por detrás do
Qual de vós testemunhou o fato? mago.” (Paulo Coelho)
Nenhuma de nós a conhece. “Os Sertões é um ensaio sociológico e histórico...” (Celso Luft)
Nenhum de vós a viu?

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A concordância, neste caso, não é gramatical, mas ideológica, porque - Também fica invariável na 3ª pessoa do singular o verbo que
se efetua não com a palavra (Valkírias, Sertões, Férias de ElRei), mas forma locução com os verbos impessoais haver ou fazer:
com a ideia por ela sugerida (obra ou livro). Ressalte-se, porém, que é Deverá haver cinco anos que ocorreu o incêndio.
também correto usar o verbo no plural: Vai haver grandes festas.
As Valkírias mostram claramente o homem... Há de haver, sem dúvida, fortíssimas razões para ele não aceitar o
“Os Sertões são um livro de ciência e de paixão, de análise e de cargo.
protesto.” (Alfredo Bosi) Começou a haver abusos na nova administração.

- Concordância do verbo passivo: Quando apassivado pelo - O verbo chover, no sentido figurado (= cair ou sobrevir em
pronome apassivador se, o verbo concordará normalmente com o grande quantidade), deixa de ser impessoal e, portanto concordará com
sujeito: o sujeito:
Vende-se a casa e compram-se dois apartamentos. Choviam pétalas de flores.
Gastaram-se milhões, sem que se vissem resultados concretos. “Sou aquele sobre quem mais têm chovido elogios e diatribes.”
“Correram-se as cortinas da tribuna real.” (Rebelo da Silva) (Carlos de Laet)
“Aperfeiçoavam-se as aspas, cravavam-se pregos necessários à “Choveram comentários e palpites.” (Carlos Drummond de
segurança dos postes...” (Camilo Castelo Branco) Andrade)
“E nem lá (na Lua) chovem meteoritos, permanentemente.”
Na literatura moderna há exemplos em contrário, mas que não (Raquel de Queirós)
devem ser seguidos:
“Vendia-se seiscentos convites e aquilo ficava cheio.” (Ricardo - Na língua popular brasileira é generalizado o uso de ter,
Ramos) impessoal, por haver, existir. Nem faltam exemplos em escritores
“Em Paris há coisas que não se entende bem.” (Rubem Braga) modernos:
“No centro do pátio tem uma figueira velhíssima, com um banco
Nas locuções verbais formadas com os verbos auxiliares poder e embaixo.” (José Geraldo Vieira)
dever, na voz passiva sintética, o verbo auxiliar concordará com o “Soube que tem um cavalo morto, no quintal.” (Carlos Drummond de
sujeito. Exemplos: Andrade)
Não se podem cortar essas árvores. (sujeito: árvores; locução
verbal: podem cortar) - Existir não é verbo impessoal. Portanto:
Devem-se ler bons livros. (=Devem ser lidos bons livros) (sujeito: Nesta cidade existem (e não existe) bons médicos.
livros; locução verbal: devem-se ler) Não deviam (e não devia) existir crianças abandonadas.
“Nem de outra forma se poderiam imaginar façanhas
memoráveis como a do fabuloso Aleixo Garcia.” (Sérgio Buarque de - Concordância do verbo ser: O verbo de ligação ser concorda
Holanda) com o predicativo nos seguintes casos:
“Em Santarém há poucas casas particulares que se possam dizer
verdadeiramente antigas.” (Almeida Garrett)
- Quando o sujeito é um dos pronomes tudo, o, isto, isso, ou aquilo:
“Tudo eram hipóteses.” (Ledo Ivo)
Entretanto, pode-se considerar sujeito do verbo principal a
“Tudo isto eram sintomas graves.” (Machado de Assis) Na
oração iniciada pelo infinitivo e, nesse caso, não há locução verbal e o
mocidade tudo são esperanças.
verbo auxiliar concordará no singular. Assim:
“Não, nem tudo são dessemelhanças e contrastes entre Brasil e
Não se pode cortar essas árvores. (sujeito: cortar essas árvores;
Estados Unidos.” (Viana Moog)
predicado: não se pode)
Deve-se ler bons livros. (sujeito: ler bons livros; predicado:
A concordância com o sujeito, embora menos comum, é também
deve-se)
lícita:
“Tudo é flores no presente.” (Gonçalves Dias)
Em síntese: de acordo com a interpretação que se escolher, tanto é “O que de mim posso oferecer-lhe é espinhos da minha coroa.”
lícito usar o verbo auxiliar no singular como no plural. Portanto: (Camilo Castelo Branco)
Não se podem (ou pode) cortar essas árvores.
Devem-se (ou deve-se) ler bons livros. O verbo ser fica no singular quando o predicativo é formado de dois
“Quando se joga, deve-se aceitar as regras.” (Ledo Ivo) núcleos no singular:
“Concluo que não se devem abolir as loterias.” (Machado de “Tudo o mais é soledade e silêncio.” (Ferreira de Castro)
Assis)
- Quando o sujeito é um nome de coisa, no singular, e o predicativo um
- Verbos impessoais: Os verbos haver, fazer (na indicação do substantivo plural:
tempo), passar de (na indicação de horas), chover e outros que “A cama são umas palhas.” (Camilo Castelo Branco)
exprimem fenômenos meteorológicos, quando usados como “A causa eram os seus projetos.” (Machado de Assis) “Vida
impessoais, ficam na 3ª pessoa do singular: de craque não são rosas.” (Raquel de Queirós) Sua salvação
“Não havia ali vizinhos naquele deserto.” (Monteiro Lobato) foram aquelas ervas.
“Havia já dois anos que nós não nos víamos.” (Machado de Assis)
“Aqui faz verões terríveis.” (Camilo Castelo Branco)
O sujeito sendo nome de pessoa, com ele concordará o verbo ser:
“Faz hoje ao certo dois meses que morreu na forca o tal malvado...”
Emília é os encantos de sua avó.
(Camilo Castelo Branco)
Abílio era só problemas.

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Dá-se também a concordância no singular com o sujeito que: - O verbo passar, referente a horas, fica na 3ª pessoa do
“Ergo-me hoje para escrever mais uma página neste Diário que singular, em frases como: Quando o trem chegou, passava das sete
breve será cinzas como eu.” (Camilo Castelo Branco) horas.

- Quando o sujeito é uma palavra ou expressão de sentido coletivo ou - Locução de realce é que: O verbo ser permanece invariável na
partitivo, e o predicativo um substantivo no plural: “A maioria eram expressão expletiva ou de realce é que:
rapazes.” (Aníbal Machado) A maior parte eram famílias pobres.
Eu é que mantenho a ordem aqui. (= Sou eu que mantenho a ordem
O resto (ou o mais) são trastes velhos.
aqui.)
“A maior parte dessa multidão são mendigos.” (Eça de Queirós)
Nós é que trabalhávamos. (= Éramos nós que trabalhávamos)
As mães é que devem educá-los. (= São as mães que devem educá-
- Quando o predicativo é um pronome pessoal ou um substantivo,
los.)
e o sujeito não é pronome pessoal reto:
Os astros é que os guiavam. (= Eram os astros que os guiavam.)
“O Brasil, senhores, sois vós.” (Rui Barbosa)
“Nas minhas terras o rei sou eu.” (Alexandre Herculano)
“O dono da fazenda serás tu.” (Said Ali) Da mesma forma se diz, com ênfase:
“...mas a minha riqueza eras tu.” (Camilo Castelo Branco) “Vocês são muito é atrevidos.” (Raquel de Queirós)
“Sentia era vontade de ir também sentar-me numa cadeira junto do
Mas: Eu não sou ele. Vós não sois eles. Tu não és ele. palco.” (Graciliano Ramos)
“Por que era que ele usava chapéu sem aba?” (Graciliano Ramos)
- Quando o predicativo é o pronome demonstrativo o ou a palavra
coisa: Observação: O verbo ser é impessoal e invariável em construções
enfáticas como:
Divertimentos é o que não lhe falta.
“Os bastidores é só o que me toca.” (Correia Garção)
“Mentiras, era o que me pediam, sempre mentiras.” (Fernando Era aqui onde se açoitavam os escravos. (= Aqui se açoitavam os
Namora) escravos.)
“Os responsórios e os sinos é coisa importuna em Tibães.” Foi então que os dois se desentenderam. (= Então os dois se
(Camilo Castelo Branco) desentenderam.)

- Nas locuções é muito, é pouco, é suficiente, é demais, é mais que - Era uma vez: Por tradição, mantém-se invariável a expressão
(ou do que), é menos que (ou do que), etc., cujo sujeito exprime quantidade, inicial de histórias era uma vez, ainda quando seguida de substantivo
preço, medida, etc.: plural: Era uma vez dois cavaleiros andantes.
“Seis anos era muito.” (Camilo Castelo Branco) Dois
mil dólares é pouco. - A não ser: É geralmente considerada locução invariável,
Cinco mil dólares era quanto bastava para a viagem. equivalente a exceto, salvo, senão. Exemplos:
Doze metros de fio é demais. Nada restou do edifício, a não ser escombros.
A não ser alguns pescadores, ninguém conhecia aquela praia.
- Na indicação das horas, datas e distância o verbo ser é impessoal “Nunca pensara no que podia sair do papel e do lápis, a não ser
(não tem sujeito) e concordará com a expressão designativa de hora, data bonecos sem pescoço...” (Carlos Drummond de Andrade)
ou distância:
Era uma hora da tarde. Mas não constitui erro usar o verbo ser no plural, fazendo-o
“Era hora e meia, foi pôr o chapéu.” (Eça de Queirós) concordar com o substantivo seguinte, convertido em sujeito da oração
“Seriam seis e meia da tarde.” (Raquel de Queirós) infinitiva. Exemplos:
“Eram duas horas da tarde.” (Machado de Assis) “As dissipações não produzem nada, a não serem dívidas e
desgostos.” (Machado de Assis)
OBSERVAÇÕES: “A não serem os antigos companheiros de mocidade, ninguém o
tratava pelo nome próprio.” (Álvaro Lins)
- Pode-se, entretanto na linguagem espontânea, deixar o “A não serem os críticos e eruditos, pouca gente manuseia hoje...
verbo no singular, concordando com a ideia implícita de “dia”: aquela obra.” (Latino Coelho)
“Hoje é seis de março.” (J. Matoso Câmara Jr.) (Hoje é dia seis
de março.) - Haja vista: A expressão correta é haja vista, e não haja visto.
“Hoje é dez de janeiro.” (Celso Luft) Pode ser construída de três modos:
Hajam vista os livros desse autor. (= tenham vista, vejam-se)
- Estando a expressão que designa horas precedida da Haja vista os livros desse autor. (= por exemplo, veja)
locução perto de, hesitam os escritores entre o plural e o singular: Haja vista aos livros desse autor. (= olhe-se para, atente-se para os
“Eram perto de oito horas.” (Machado de Assis) livros)
“Era perto de duas horas quando saiu da janela.” (Machado
de A primeira construção (que é a mais lógica) analisa-se deste modo.
Assis) Sujeito: os livros; verbo hajam (=tenham); objeto direto: vista.
“...era perto das cinco quando saí.” (Eça de Queirós) A situação é preocupante; hajam vista os incidentes de sábado.
Seguida de substantivo (ou pronome) singular, a expressão,
evidentemente, permanece invariável: A situação é preocupante; haja
vista o incidente de sábado.

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- Bem haja. Mal haja: Bem haja e mal haja usam-se em frases São viáveis as reformas que se intenta implantar?
optativas e imprecativas, respectivamente. O verbo concordará
normalmente com o sujeito, que vem sempre posposto: “Bem haja Sua - Concordância com sujeito indeterminado: O pronome se
Majestade!” (Camilo Castelo Branco) Bem hajam os promovedores pode funcionar como índice de indeterminação do sujeito. Nesse
dessa campanha! caso, o verbo concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular.
“Mal hajam as desgraças da minha vida...” (Camilo Castelo Exemplos;
Branco) Em casa, fica-se mais à vontade.
Detesta-se (e não detestam-se) aos indivíduos falsos. Acabe-se
- Concordância dos verbos bater, dar e soar: Referindo-se às de vez com esses abusos!
horas, os três verbos acima concordam regularmente com o sujeito, que Para ir de São Paulo a Curitiba, levava-se doze horas.
pode ser hora, horas (claro ou oculto), badaladas ou relógio:
“Nisto, deu três horas o relógio da botica.” (Camilo Castelo Branco) - Concordância com os numerais milhão, bilhão e trilhão:
“Bateram quatro da manhã em três torres há um tempo...” (Mário Estes substantivos numéricos, quando seguidos de substantivo no
Barreto) plural, levam, de preferência, o verbo ao plural. Exemplos:
“Tinham batido quatro horas no cartório do tabelião Vaz Um milhão de fiéis agruparam-se em procissão.
Nunes.” (Machado de Assis) São gastos ainda um milhão de dólares por ano para a manutenção
“Deu uma e meia.” (Said Ali) de cada Ciep.
Meio milhão de refugiados se aproximam da fronteira do Irã.
Passar, com referência à horas, no sentido de ser mais de, é verbo
Meio milhão de pessoas foram às ruas para reverenciar os mártires
impessoal, por isso fica na 3ª pessoa do singular: Quando chegamos ao
da resistência.
aeroporto, passava das 16 horas; Vamos, já passa das oito horas –
disse ela ao filho.
Milhão, bilhão e milhar são substantivos masculinos. Por isso,
devem concordar no masculino os artigos, numerais e pronomes que
- Concordância do verbo parecer: Em construções com o verbo
os precedem: os dois milhões de pessoas; os três milhares de
parecer seguido de infinitivo, pode-se flexionar o verbo parecer ou o
plantas; alguns milhares de telhas; esses bilhões de criaturas, etc.
infinitivo que o acompanha:
As paredes pareciam estremecer. (construção corrente)
Se o sujeito da oração for milhões, o particípio ou o adjetivo podem
As paredes parecia estremecerem. (construção literária) concordar, no masculino, com milhões, ou, por atração, no feminino, com
o substantivo feminino plural: Dois milhões de sacas de soja estão ali
Análise da construção dois: parecia: oração principal; as paredes armazenados (ou armazenadas) no próximo ano. Foram colhidos três
estremeceram: oração subordinada substantiva subjetiva. milhões de sacas de trigo. Os dois milhões de árvores plantadas estão
Outros exemplos: altas e bonitas.
“Nervos... que pareciam estourar no minuto seguinte.” (Fernando
Namora) - Concordância com numerais fracionários: De regra, a
“Referiu-me circunstâncias que parece justificarem o concordância do verbo efetua-se com o numerador. Exemplos:
procedimento do soberano.” (Latino Coelho)
“Mais ou menos um terço dos guerrilheiros ficou atocaiado perto...”
“As lágrimas e os soluços parecia não a deixarem prosseguir.” (Autran Dourado)
(Alexandre Herculano)
“Um quinto dos bens cabe ao menino.” (José Gualda Dantas) Dois
“...quando as estrelas, em ritmo moroso, parecia caminharem no terços da população vivem da agricultura.
céu.” (Graça Aranha)
Não nos parece, entretanto, incorreto usar o verbo no plural, quando
Usando-se a oração desenvolvida, parecer concordará no singular:
o número fracionário, seguido de substantivo no plural, tem o
“Mesmo os doentes parece que são mais felizes.” (Cecília Meireles)
numerador 1, como nos exemplos:
“Outros, de aparência acabadiça, parecia que não podiam com a
Um terço das mortes violentas no campo acontecem no sul do Pará.
enxada.” (José Américo)
“As notícias parece que têm asas.” (Oto Lara Resende) (Isto é: Um quinto dos homens eram de cor escura.
Parece que as notícias têm asas.)
- Concordância com percentuais: O verbo deve concordar com
Essa dualidade de sintaxe verifica-se também com o verbo ver na o número expresso na porcentagem:
voz passiva: “Viam-se entrar mulheres e crianças.” Ou “Via-se Só 1% dos eleitores se absteve de votar.
entrarem mulheres e crianças.” Só 2% dos eleitores se abstiveram de votar.
Foram destruídos 20% da mata.
- Concordância com o sujeito oracional: O verbo cujo sujeito “Cerca de 40% do território ficam abaixo de 200 metros.”
é uma oração concorda obrigatoriamente na 3ª pessoa do singular: (Antônio Hauaiss)
Parecia / que os dois homens estavam bêbedos.
Verbo sujeito (oração subjetiva) Faltava Em casos como o da última frase, a concordância efetua-se, pela
/ dar os últimos retoques. lógica, no feminino (oitenta e duas entre cem mulheres), ou, seguindo o
Verbo sujeito (oração subjetiva) uso geral, no masculino, por se considerar a porcentagem um conjunto
numérico invariável em gênero.
Outros exemplos, com o sujeito oracional em destaque:
Não me interessa ouvir essas parlendas. - Concordância com o pronome nós subentendido: O verbo
Anotei os livros que faltava adquirir. (faltava adquirir os livros) concorda com o pronome subentendido nós em frases do tipo:
Esses fatos, importa (ou convém) não esquecê-los.

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Todos estávamos preocupados. (= Todos nós estávamos
preocupados.) 02. (TRT - 14ª Região (RO e AC) - Analista Judiciário - Oficial de
Os dois vivíamos felizes. (=Nós dois vivíamos felizes.) Justiça Avaliador Federal – FCC/2016)
“Ficamos por aqui, insatisfeitos, os seus amigos.” (Carlos
Drummond de Andrade) Revolução

- Não restam senão ruínas: Em frases negativas em que senão Notícias de homens processados nos Estados Unidos por assédio
equivale a mais que, a não ser, e vem seguido de substantivo no plural, sexual quando só o que fizeram foi uma gracinha ou um gesto são
costuma-se usar o verbo no plural, fazendo-o concordar com o sujeito vistas aqui como muito escândalo por pouca coisa e mais uma prova
oculto outras coisas. Exemplos: da hipocrisia americana em matéria de sexo. A hipocrisia existe, mas
Do antigo templo grego não restam senão ruínas. (Isto é: não o aparente exagero tem a ver com a luta da mulher americana para
restam outras coisas senão ruínas.) mudar um quadro de pressupostos e tabus tão machistas lá quanto
Da velha casa não sobraram senão escombros. em qualquer país latino, e que só nos parece exagerada porque ainda
“Para os lados do sul e poente, não se viam senão edifícios não chegou aqui com a mesma força. As mulheres americanas não
queimados.” (Alexandre Herculano) estão mais para brincadeira, em nenhum sentido.
“Por toda a parte não se ouviam senão gemidos ou clamores.” A definição de estupro é a grande questão atual. Discute-se, por
(Rebelo da Silva) exemplo, o que chamam de date rape, que não é o ataque sexual de
um estranho ou sexo à força, mas o programa entre namorados ou
Segundo alguns autores, pode-se, em tais frases, efetuar a conhecidos que acaba em sexo com o consentimento relutante da
concordância do verbo no singular com o sujeito subentendido nada: mulher. Ou seja, sedução também pode ser estupro. Isso não é apenas
Do antigo templo grego não resta senão ruínas. (Ou seja: não resta uma novidade, é uma revolução. O homem que se criou convencido
nada, senão ruínas.) de que a mulher resiste apenas para não parecer “fácil" não está
Ali não se via senão (ou mais que) escombros. preparado para aceitar que a insistência, a promessa e a chantagem
As duas interpretações são boas, mas só a primeira tem tradição na sentimental ou profissional são etapas numa escalada em que o uso
língua. da força, se tudo o mais falhar, está implícito. E que muitas vezes ele
está estuprando quem pensava estar convencionalmente
- Concordância com formas gramaticais: Palavras no plural conquistando. No dia em que o homem brasileiro aceitar isso, a
com sentido gramatical e função de sujeito exigem o verbo no singular: revolução estará feita e só teremos de dar graças a Deus por ela não
ser retroativa.
“Elas” é um pronome pessoal. (= A palavra elas é um pronome
pessoal.) A verdadeira questão para as mulheres americanas é que o
homem pode recorrer a tudo na sociedade − desde a moral
Na placa estava “veiculos”, sem acento.
dominante até as estruturas corporativas e de poder − para seduzilas,
“Contudo, mercadores não tem a força de vendilhões.” (Machado de que toda essa civilização é no fundo um álibi montado para o estupro,
Assis) e que elas só contam com um “não" desacreditado para se defender.
Estão certas.
- Mais de, menos de: O verbo concorda com o substantivo que (VERISSIMO, Luis Fernando. Sexo na cabeça. Rio de Janeiro:
se segue a essas expressões: Objetiva, 2002, p. 143)
Mais de cem pessoas perderam suas casas, na enchente.
Sobrou mais de uma cesta de pães. As exigências quanto à concordância verbal estão plenamente
Gastaram-se menos de dois galões de tinta. atendidas na frase:
Menos de dez homens fariam a colheita das uvas.
a) A muitos poderá parecer um excesso as lutas travadas pelas
Questões mulheres americanas contra a prática de graves atitudes machistas.
b) Acaba por se constituir numa grande hipocrisia as atitudes de
01. (TRF – 3ª Região – Analista quem se diz reger por determinada moral e pratica outra, inteiramente
Judiciário-Área diversa.
Administrativa – FCC/2016) c) É comum que aos homens ocorra estar no exercício de um
A respeito da concordância verbal, é correto afirmar: direito quando, em suas práticas amorosas, impõem às mulheres o que
as humilha e as desonra.
a) Em "A aquisição de novas obras devem trazer benefícios a d) Couberam às mulheres americanas, cansadas de se
todos os frequentadores", a concordância está correta por se tratar submeterem aos machistas, travar duras lutas contra o assédio sexual e
de expressão partitiva. outras práticas que as vitimam.
b) Em "Existe atualmente, no Brasil, cerca de 60 museus", a e) A maioria dos homens não costuma levar a sério o “não” que,
concordância está correta, uma vez que o núcleo do sujeito é "cerca". saindo das bocas das namoradas, ressoam como se fosse tão somente
c) Na frase "Hão de se garantir as condições necessárias à uma fingida evasiva.
conservação das obras de arte", o verbo "haver" deveria estar no
singular, uma vez que é impessoal. 03. (MPE-SP – Oficial de Promotoria I – VUNESP/2016)
d) Em "Acredita-se que 25% da população frequentem
ambientes culturais", a concordância está correta, uma vez que a Fora do jogo
porcentagem é o núcleo do segmento nominal.
e) Na frase "A maioria das pessoas não frequentam o museu", Quando a economia muda de direção, há variáveis que logo se
o verbo encontra-se no plural por concordar com "pessoas", ainda alteram, como o tamanho das jornadas de trabalho e o pagamento de
que pudesse, no singular, concordar com "maioria". horas extras, e outras que respondem de forma mais lenta, como o

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emprego e o mercado de crédito. Tendências negativas nesses últimos fósseis (gasolina, diesel, etc.), na atmosfera. Estes gases (ozônio,
indicadores, por isso mesmo, costumam ser duradouras. dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono)
Daí por que são preocupantes os dados mais recentes da Associação formam uma camada de poluentes, de difícil dispersão, causando o
Nacional dos Birôs de Crédito, que congrega empresas do setor de famoso efeito estufa. Este fenômeno ocorre, pois estes gases
crédito e financiamento. absorvem grande parte da radiação infravermelha emitida pela
Segundo a entidade, havia, em outubro, 59 milhões de consumidores Terra, dificultando a dispersão do calor.
impedidos de obter novos créditos por não estarem em dia com suas O desmatamento e a queimada de florestas e matas também
obrigações. Trata-se de alta de 1,8 milhão em dois meses. colabora para este processo. Os raios do Sol atingem o solo e irradiam
Causa consternação conhecer a principal razão citada pelos calor na atmosfera. Como esta camada de poluentes dificulta a
consumidores para deixar de pagar as dívidas: a perda de emprego, que dispersão do calor, o resultado é o aumento da temperatura global.
tem forte correlação com a capacidade de pagamento das famílias. Embora este fenômeno ocorra de forma mais evidente nas grandes
Até há pouco, as empresas evitavam demitir, pois tendem a perder cidades, já se verificam suas consequências em nível global.
investimentos em treinamento e incorrer em custos trabalhistas. Dado (...)
o colapso da atividade econômica, porém, jogaram a toalha. O protocolo de Kioto é um acordo internacional que visa à
O impacto negativo da disponibilidade de crédito é imediato. O redução da emissão dos poluentes que aumentam o efeito estufa no
indivíduo não só perde a capacidade de pagamento mas também planeta. Entrou em vigor em 16 fevereiro de 2005. O principal
enfrenta grande dificuldade para obter novos recursos, pois não possui objetivo é que ocorra a diminuição da temperatura global nos
carteira de trabalho assinada. próximos anos. Infelizmente os Estados Unidos, país que mais emite
Tem-se aí outro aspecto perverso da recessão, que se soma às muitas poluentes no mundo, não aceitou o acordo, pois afirmou que ele
evidências de reversão de padrões positivos da última década – o prejudicaria o desenvolvimento industrial do país.
aumento da informalidade, o retorno de jovens ao mercado de trabalho (...)
e a alta do desemprego.
( http://www.suapesquisa.com/geografia/aquecimento_global.htm
(Folha de S.Paulo, 08.12.2015. Adaptado) )

Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal. Marque a opção em que há total observância às regras de
concordância verbal:
a) A mudança de direção da economia fazem com que se a) “Pesquisadores do clima mundial afirmam que este
altere o aquecimento global está ocorrendo em função”
tamanho das jornadas de trabalho, por exemplo. b) “Nunca se viu mudanças tão rápidas e com efeitos
b) Existe indivíduos que, sem carteira de trabalho devastadores”
assinada, c) “O desmatamento e a queimada de florestas e matas
também
enfrentam grande dificuldade para obter novos recursos.
colabora para este processo”
c) Os investimentos realizados e os custos trabalhistas
d) “Infelizmente os Estados Unidos, país que mais emite
fizeram
poluentes no mundo, não aceitou o acordo”
com que muitas empresas optassem por manter seus funcionários.
d) São as dívidas que faz com que grande número dos
05. (COPEL – Contador Júnior - NC-UFPR/2016)
consumidores não estejam em dia com suas obrigações.
Assinale a alternativa em que os verbos sublinhados estão
e) Dados recentes da Associação Nacional dos Birôs de corretamente flexionados quanto à concordância verbal
Crédito mostra que 59 milhões de consumidores não pode obter
a) A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou recentemente a
novos créditos.
nova edição do relatório Smoke-free movies (Filmes sem cigarro), em
que recomenda que os filmes que exibem imagens de pessoas fumando
04. (CONFERE – Assistente Administrativo VII – INSTITUTO
deveria receber classificação indicativa para adultos.
CIDADES/2016) b) Pesquisas mostram que os filmes produzidos em seis países
europeus, que alcançaram bilheterias elevadas (incluindo alemães,
AQUECIMENTO GLOBAL (com adaptações) ingleses e italianos), continha cenas de pessoas fumando em filmes
classificados para menores de 18 anos.
Todos os dias acompanhamos na televisão, nos jornais e revistas c) Para ela, a indústria do tabaco está usando a “telona” como uma
as catástrofes climáticas e as mudanças que estão ocorrendo, espécie de última fronteira para anúncios, mensagens subliminares e
rapidamente, no clima mundial. Nunca se viu mudanças tão rápidas e patrocínios, já que uma série de medidas em diversos países passou a
com efeitos devastadores como tem ocorrido nos últimos anos. restringir a publicidade do tabaco.
A Europa tem sido castigada por ondas de calor de até 40 graus d) E 90% dos filmes argentinos também exibiu imagens de fumo
centígrados, ciclones atingem o Brasil (principalmente a costa sul e em filmes para jovens.
sudeste), o número de desertos aumenta a cada dia, fortes furacões e) Os especialistas da organização citam estudos que mostram
causam mortes e destruição em várias regiões do planeta e as calotas que quatro em cada dez crianças começa a fumar depois de ver atores
polares estão derretendo (fator que pode ocasionar o avanço dos famosos dando suas “pitadas” nos filmes.
oceanos sobre cidades litorâneas). O que pode estar provocando tudo
isso? Os cientistas são unânimes em afirmar que o aquecimento Respostas
global está relacionado a todos estes acontecimentos.
Pesquisadores do clima mundial afirmam que este aquecimento 01. Resposta E
global está ocorrendo em função do aumento da emissão de gases
Aqui temos um caso de coletivo partitivo, ou seja, quando o sujeito
poluentes, principalmente, derivados da queima de combustíveis
é um coletivo ou partitivo (exército, alcateia, rebanho, a maior parte

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de, a maioria dos etc.) seguido de complemento plural, a concordância subliminares e patrocínios, já que uma série de medidas em diversos
verbal pode ser feita com o verbo no singular (concordando com o países passou a restringir a publicidade do tabaco.
núcleo do coletivo partitivo) ou no plural (concordando com o d) E 90% dos filmes argentinos também exibiram imagens de
complemento). ex: A maioria dos viciados não consegue/conseguem fumo em filmes para jovens.
libertar-se da dependência. e) Os especialistas da organização citam estudos que mostram
que quatro em cada dez crianças começam a fumar depois de ver
02. Resposta C atores famosos dando suas “pitadas” nos filmes.
A (INCORRETO): A muitos poderá (PODERÃO) parecer um
excesso as lutas travadas pelas mulheres americanas contra a
prática de graves atitudes machistas.
B (INCORRETO): Acaba (ACABAM) por se constituir numa
grande hipocrisia as atitudes de quem se diz reger por
11. Regências verbal e nominal
determinada moral e pratica outra, inteiramente diversa. C
(GABARITO): É comum que aos homens ocorra estar no
exercício de um direito quando, em suas práticas amorosas,
impõem às mulheres o que as humilha e as desonra.
D (INCORRETA): Couberam (COUBE) às mulheres
americanas, cansadas de se submeterem aos machistas, travar
duras lutas contra o assédio sexual e outras práticas que as Regência Nominal
vitimam.
E (INCORRETA): A maioria dos homens não costuma levar a Regência nominal é a relação de dependência que se estabelece
sério o “não” que, saindo das bocas das namoradas, ressoam entre o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e o termo por ele
(RESSOA) como se fosse tão somente uma fingida evasiva. regido. Certos substantivos e adjetivos admitem mais de uma
regência. Na regência nominal o principal papel é desempenhado
03. Resposta C pela preposição.
A) A mudança de direção da economia FAZ com que se altere o
tamanho das jornadas de trabalho, por exemplo. No estudo da regência nominal, é preciso levar em conta que
B) EXISTEM indivíduos que, sem carteira de trabalho assinada, vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos
enfrentam grande dificuldade para obter novos recursos. de que derivam. Conhecer o regime de um verbo significa, nesses
D) São as dívidas que FAZEM com que grande número casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo:
dos consumidores não estejam em dia com suas obrigações.
E) Dados recentes da Associação Nacional dos Birôs de Verbo obedecer e os nomes correspondentes: todos regem
Crédito MOSTRAM que 59 milhões de consumidores não pode obter complementos introduzidos pela preposição "a".
novos créditos.
Obedecer a algo/ a alguém.
04. Resposta A Obediente a algo/ a alguém.
b) “Nunca se VIRAM mudanças tão rápidas e com efeitos
devastadores” (Mudanças são vistas) Apresentamos a seguir vários nomes acompanhados da
preposição ou preposições que os regem. Observe-os atentamente e
c) “O desmatamento e a queimada de florestas e matas
procure, sempre que possível, associar esses nomes entre si ou a
também colaboram para este processo”
algum verbo cuja regência você conhece.
d) “Infelizmente os Estados Unidos, país que mais emite
poluentes no mundo, não ACEITARAM o acordo” (OS ESTADOS
Este cargo não é acessível a
UNIDOS). Acessível A
todos
Com artigo no singular ou SEM ARTIGO > SINGULAR. A O acesso para a região ficou
Acesso
EX: Minas Gerais é um lindo estado! PARA impossível
Com artigo plural, o verbo fica no plural: A Todos estavam