Você está na página 1de 10

20 GRANDES ESCRITORAS BRASILEIRAS

Muito tempo passou desde a época da poeta Cora Coralina até a novíssima e talentosa geração da
romancista Luisa Geisler, mas pouca coisa mudou em nossa sociedade em relação aos direitos da
mulher. As nossas escritoras continuam lutando contra o preconceito para conquistar o seu lugar e
garantir direitos iguais para as futuras gerações. Esta lista, obviamente incompleta, é apenas uma
homenagem a todas as escritoras que contribuíram para transformar o
mundo em um lugar melhor para homens e mulheres.

(01) Cora Coralina (1889-1985)


Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nasceu a 20 de agosto de
1889, na antiga Vila Boa de Goyaz, hoje, Cidade de Goiás, Estado de
Goiás, declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2001. Aos 15
anos de idade, Ana, devido à repressão familiar, vira Cora, derivativo de coração. Coralina veio
depois, como uma soma de sonoridade e tradução literária. Ela só teve o seu primeiro livro publicado
em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de
idade e foi descoberta por Carlos Drummond de Andrade. Em 1982 – mesmo tendo estudado
somente até o equivalente ao 2º ano do Ensino Fundamental – recebeu o título de doutora Honoris
Causa pela Universidade Federal de Goiás e o Prêmio Intelectual do Ano, sendo, então, a primeira
mulher a receber o troféu Juca Pato.

(02) Cecília Meireles (1901-1964)


Cecília Meireles, codinome de Cecília Benevides de Carvalho Meireles,
foi poeta, ensaísta, cronista, folclorista, tradutora, educadora e pintora.
Principais prêmios: Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela
Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962; em 1963 o Prêmio
Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro Poemas de Israel,
concedido pela Câmara Brasileira do Livro; em 1964 recebeu o Jabuti
de poesia pelo livro Solombra; e em 1965, o Prêmio Machado de Assis,
da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Alguns de seus livros principais:"Canção
da Tarde no Campo", "Ou Isto ou Aquilo", "Viagem", "Criança, meu Amor","Poema dos
Poemas" e "Nunca mais".

(03) Rachel de Queiroz (1910-2003)

É surpreendente como Rachel de Queiroz escreveu o seu primeiro


romance, "O Quinze", que se transformou em um clássico do
modernismo, com apenas 19 anos. Foi a primeira mulher a ingressar
na Academia Brasileira de Letras e também a primeira a receber o
Prêmio Camões em 1993. "O Quinze" tem como título uma referência à
grande seca de 1915 no Ceará, vivenciada pela autora em sua
infância. É uma obra importante não somente como crítica aos
problemas de desigualdade social na Região Nordeste, mas também um marco da emancipação da
mulher brasileira. Algumas de suas obras são: "As três Marias", "Caminho de pedras","Memórias de

menina", "O galo de ouro", "Memorial de Maria Moura" e "Andira".

(04) Carolina de Jesus (1914-1977)


Carolina de Jesus enfrentou três grandes preconceitos: por ser
mulher, negra e pobre. Ela nasceu em Minas Gerais, numa
comunidade rural onde seus pais eram meeiros. Moradora da favela
do Canindé, zona norte de São Paulo, trabalhava como catadora e
registrava o cotidiano da comunidade em cadernos que encontrava no
lixo. Ela é considerada uma das primeiras e mais importantes
escritoras negras do Brasil. "Quarto de Despejo" é sua obra mais conhecida e narra o sofrimento da
população pobre em uma favela no período de 1955 a 1960. No entanto, mesmo com o grande
sucesso de seu primeiro livro, a autora acabou morrendo pobre e esquecida aos 62 anos, alguns
dizem que devido à sua personalidade forte.
(05) Zélia Gattai (1916-2008)
Talvez a menos feminista de todas as grandes escritoras, será
eternamente lembrada como o grande amor da vida de Jorge Amado,
com quem conviveu durante cinquenta e seis anos. Nasceu em 1916,
em São Paulo. Filha dos imigrantes italianos Angelina Da Col e Ernesto
Gattai, que chegaram ao Brasil no fim do século XIX, casou-se com
Jorge Amado em 1945. Em 2001 foi eleita para a Academia Brasileira
de Letras. Sua primeira e mais conhecida obra é um livro
memorialista: "Anarquistas, graças a Deus"que começou a escrever
aos 63 anos.

(06) Clarice Lispector (1920-1977)


Muito já se escreveu sobre Clarice, que "era parecida com Marlene
Dietrich e escrevia como Virginia Woolf", como destacou o tradutor
Gregory Rabassa, ou que"parecia uma loba" como disse Ferreira
Gullar, mas talvez um das melhores definições seja da escritora
francesa Hélène Cixous quando declarou que "Clarice Lispector era o
que Kafka teria sido se fosse mulher, ou se Rilke fosse uma judia
brasileira nascida na Ucrânia. Se Rimbaud fosse mãe, se tivesse
chegado aos cinquenta. Se Heidegger deixasse de ser alemão". A conclusão mais bonita é mesmo do
poeta Carlos Drummond de Andrade: "Clarice veio de um mistério, partiu para outro". A verdade é que
Clarice Lispector ajudou a criar a sua fama de misteriosa, feiticeira ou louca com declarações que já
fazem parte da história da literatura como: "Sou tão misteriosa que não me entendo" ou "viver não é

vivível". Dispensa maiores apresentações.

(07) Lygia Fagundes Telles (1923- )


Os contos de Lyigia se tornaram clássicos da literatura nacional que
justificam porque ela foi agraciada com o Prêmio Camões em 2005 e
que merecem muito bem ser incluídos em qualquer antologia universal.
A inspiração dos textos está na sensibilidade do olhar que revela os
impasses da existência nas grandes cidades, a solidão compartilhada
no desgaste dos casamentos falidos, o isolamento da vida em uma
sociedade injusta e desigual ou a perda das ilusões na busca da
felicidade a qualquer preço, enfim, todos os pequenos dramas anônimos da classe média. A
construção de cada narrativa é um exercício de originalidade onde a autora vai esboçando com
virtuosismo e sutileza as motivações e intenções dos personagens, sempre priorizando uma

abordagem psicológica em detrimento da ação.


(08) Hilda Hilst (1930-2004)
Hilda Hilst publicou seu primeiro livro de poesia, "Presságio", em
1950 e, a partir de 1954, passou a se dedicar integralmente à
literatura. Entre 1955 e 1962, publicou diversas obras de poesia,
entre elas "Balada do festival" e "Ode fragmentária". Entre 1965 e
1966 transferiu-se para Campinas, onde passou a morar na "Casa
do Sol", construção próxima à fazenda de sua mãe. Em 1968
escreveu peças teatrais, como"O visitante" e "O novo sistema". Dentre as diversas obras da autora,
destacam-se "A obscena senhora D", "Bufólicas", "Fluxo-floema", seu primeiro livro de ficção, e a
trilogia obscena composta pelos títulos "O caderno rosa de Lori Lamby", "Contos d'escárnio/Textos
grotescos" e "Cartas de um sedutor".

(09) Adélia Prado (1935- )


Adélia Luzia Prado de Freitas, mais conhecida como Adélia Prado é
poeta, professora, filósofa e contista. Em termos de literatura brasileira,
o surgimento da escritora representou a revalorização do feminino,
tendo-se em conta que Adélia incorpora os papéis de intelectual e de
mãe, esposa e dona-de-casa. Adélia fala de sua pequena cidade
Divinópolis e explica muito de sua literatura: "Alguns personagens de poemas são vazados de
pessoas da minha cidade, mas espero estejam transvazados no poema, nimbados de realidade. É
pretensioso? Mas a poesia não é a revelação do real? Eu só tenho o cotidiano e meu sentimento dele.
Não sei de alguém que tenha mais. O cotidiano em Divinópolis é igual ao de Hong-Kong, só que
vivido em português."

(10) Nélida Piñon (1937- )


Segundo os dados biográficos no site da Academia Brasileira de Letras
(ABL), onde estão relacionados os diversos prêmios nacionais e
internacionais da autora, Nélida Piñon nasceu no Rio de Janeiro,
descendente de Galegos, desde criança escolheu o oficio de escritor.
Ainda muito menina escrevia pequenas histórias e as vendia ao pai e
familiares. Formou-se no curso de Jornalismo, da Faculdade de
Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Com vasta bibliografia suas obras
foram traduzidas em mais de 30 países, e contemplam romances, contos, ensaios, discursos,
crônicas e memórias. "Dedicada e disciplinada entregou sua vida a literatura. É por ela que acorda
todas as manhãs e hesita em dormir todas as noites, alongando seus
dias pela palavra."

(11) Elvira Vigna (1947-2017)


Elvira Vigna desenvolveu uma longa carreira dedicada à literatura,
seja como escritora de livros infantis ou adultos, ilustradora e
jornalista. Recebeu o prêmio de ficção da Academia Brasileira de Letras e um Jabuti de literatura
infantil. Foi premiada também com um Jabuti na categoria de ilustração. Seu décimo e último
romance,"Como se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas", lançado em 2016, foi muito elogiado
pela crítica. Sinopse da Editora: "Dois estranhos se encontram num verão escaldante no Rio de
Janeiro. Ela é uma designer em busca de trabalho, ele foi contratado para informatizar uma editora
moribunda. O acaso junta os protagonistas numa sala, onde dia após dia ele relata a ela seus
encontros frequentes com prostitutas. Ela mais ouve do que fala, enquanto preenche na cabeça as
lacunas daquela narrativa."

(12) Ana Miranda (1951- )


A premiada romancista Ana Miranda nasceu em Fortaleza, em 1951. Morou em Brasília, no Rio de
Janeiro e em São Paulo. Hoje vive no Ceará. Estreou como romancista em 1989, com "Boca do
Inferno" (prêmio Jabuti de revelação). Entre seus principais
romances: "Desmundo" (1996), "Amrik" (1997) e "Dias e Dias" (2002, Jabuti de romance e prêmio da
Academia Brasileira de Letras). Foi escritora visitante em universidades como Stanford e Yale, nos
Estados Unidos, e representou o Brasil perante a União Latina, em Roma. Em 2015 recebeu o Prêmio
da Academia Brasileira de Letras - Ficção, para o romance "Musa Praguejadora".
(13) Ana Cristina Cesar (1952-1983)
Para falar da poeta, crítica literária e tradutora Ana Cristina Cesar, nada melhor do que selecionar um
trecho do seu poema afiado como navalha: "Olho muito tempo o corpo de um poema / até perder de
vista o que não seja corpo / e sentir separado dentre os dentes / um filete de sangue / nas
gengivas." Ana Cristina Cesar - "A teus Pés" (1982). Ela é considerada um dos principais nomes da
geração mimeógrafo da década de 1970, e também ao movimento de Poesia Marginal. Cometeu
suicídio aos trinta e um anos, atirando-se pela janela do apartamento dos pais, no sétimo andar de um
edifício da rua Toneleros, em Copacabana. Em 2016, foi homenageada na Festa Literária
Internacional de Paraty.

(14) Cíntia Moscovich (1958- )


Nascida na cidade de Porto Alegre, Cíntia Moscovich é escritora,
jornalista e mestre em Teoria Literária, tendo exercido atividades de professora, tradutora, consultora
literária, revisora e assessora de imprensa. Dentre vários prêmios literários conquistados, destaca-se
o primeiro lugar no Concurso de Contos Guimarães Rosa, instituído pelo Departamento de Línguas
Ibéricas da Radio France Internationale, de Paris, ao qual concorreu com mais de mil e cem outros
escritores de língua portuguesa. Em 2013, ganhou o primeiro lugar no Prêmio Literário Portugal
Telecom, na categoria contos/crônica. Também em 2013 foi a vencedora do Prêmio Clarice Lispector,
concedido pela Fundação Biblioteca Nacional.

(15) Carola Saavedra (1973- )


Nasceu em Santiago do Chile, em 1973, e veio com a família para o Brasil três anos depois. Morou na
Alemanha, onde concluiu um mestrado em comunicação, e também na Espanha e na França. Hoje
vive no Rio de Janeiro. É autora dos romances: "Toda terça" (2007), "Flores azuis" (2008, eleito
melhor romance pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, finalista dos prêmios São Paulo de
Literatura e Jabuti), e"Paisagem com dromedário" (2010, Prêmio Rachel de Queiroz na categoria
jovem autor, finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti), "O inventário das coisas
ausentes" (2014). Foi selecionada entre os vinte melhores jovens escritores brasileiros pela revista
Granta.
(16) Veronica Stigger (1973- )
É escritora, jornalista, professora e crítica de arte. Em 2014 Veronica Stigger ganhou o prêmio São
Paulo de Literatura e foi finalista do Portugal Telecom e Jabuti com o seu romance de estreia e título
difícil: Opisanie świata ("descrição do mundo" em polonês). A autora utiliza diferentes estilos
narrativos em primeira e terceira pessoa, linguagem fragmentada por anúncios de época e imagens
de cartões postais. É bom ressaltar que o trabalho de Veronica não é somente criativo na técnica,
mas também na pesquisa do argumento e na criação ou apropriação dos personagens, todos
"estrangeiros", mesmo o brasileiro Bopp, inspirado no poeta Raul Bopp, emprestado do nosso
movimento modernista, personagens sempre envolvidos em algum tipo de deslocamento ou
deslocados do meio em que vivem. Ler aqui a resenha completa do Mundo de K para o
romance Opisanie świata de Veronica Stigger.

(17) Andréa del Fuego (1975- )


Seguindo um caminho diferente de outros autores da nossa literatura contemporânea, Andrea del
Fuego, vencedora do prêmio José Saramago 2011, finalista do prêmio São Paulo de Literatura 2011 e
Jabuti 2011, se afasta dos grandes centros urbanos para focar a sua narrativa em regiões mágicas e
indefinidas do interior brasileiro, mas bem poderia ser ambientado em qualquer outro país porque o
que Andrea consegue, com sua linguagem única e cuidadosa, é chegar mais perto do universal
através das pequenas tragédias humanas. Ler aqui a resenha completa do Mundo de K para o
romance "Os Malaquias" de Andréa del Fuego.

(18) Tatiana Salem Levy (1979- )


O que me surpreendeu muito no romance de estreia de Tatiana Salam Levy, "A chave de
casa" (2007), foi a segurança e maturidade da escritora iniciante, lidando com sua"autoficção" e
estilhaços de memória em uma narrativa polifônica, ao estilo de Lobo Antunes. A autora/personagem
ganha de seu avô uma chave da casa em que ele morou na Turquia, antes de vir ao Brasil, e o pedido
de que retorne à cidade turca de Esmirna para encontrar a casa e parentes judeus. A narrativa passa
por épocas diferentes da vida da personagem: a chegada de seu avô ao Brasil, momentos dolorosos
de seus pais durante a ditadura militar, o seu relacionamento intenso com um homem violento, a sua
viagem à Turquia e a sofrida morte da mãe. Ler aqui a resenha completa do Mundo de K para o
romance "A chave de casa" de Tatiana Salem Levy.

(19) Carol Bensimon (1982- )


Se você gosta de road movies como Thelma e Louisie vai adorar o romance "Todos nós adorávamos
caubóis" (2013), mas se não for o caso irá gostar do mesmo jeito porque, além da narrativa
cinematográfica, Carol Bensimon sabe muito bem como contar uma história e parece não ter a menor
preocupação em perseguir um pretenso rigor literário ou acadêmico. Ela foi uma das integrantes da
edição "Os melhores jovens escritores brasileiros", da revista inglesa Granta. Ler aqui a resenha
completa do Mundo de K para o romance "Todos nós adorávamos caubóis" de Carol Bensimon.
(20) Luisa Geisler (1991- )
Me sinto péssimo por ainda não ter lido um romance de Luisa Geisler, apesar de acompanhar os
artigos dela no blog da Editora Companhia das Letras, se notarem bem é a única foto colorida dessa
postagem porque representa a renovação na literatura nacional. Nasceu em 1991 em Canoas, RS.
Seu livro de estreia, "Contos de mentira" , foi vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2010/2011 na
categoria conto. No ano seguinte, "Quiçá" recebeu o mesmo prêmio na categoria romance e foi
finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, categoria autor estreante. Em 2012, foi incluída na lista da
revista Granta dos vinte melhores jovens escritores brasileiros.