Você está na página 1de 3

Notas de Enfermagem

4ª Edição Abril de 1980


Editores: Ana Rita Garcia; Ana Natacha Gaspar; Catarina Pedro; Inês Neves; Inês
Lourenço; Marlene Santo; Manuela Cerqueira; Sebastião Macias; Sara Ribeiro

Pontos de interes-
se especiais:
Antes da “Revolução dos Cravos”…
• Perspectiva Social Até há seis anos, a de forma a responder Relativamente ao ensino,
sobre os Enfermei- Enfermagem exercia-se melhor à evolução da os docentes do curso
ros antes e após o entre más condições de medicina, estabelecen- eram médicos e enfer-
trabalho e salários redu- do-se, no entanto, a dife- meiros (estes ensinavam
25 de Abril zidos. O ambiente entre rença entre os auxilia- a prática, sendo chama-
• Alterações nas prá- os profissionais era de res de enfermagem e os dos de monitores, e eram
ticas de Enfermagem desânimo e revolta.. enfermeiros. O grupo bastante reconhecidos
profissional em constru- pela sociedade) e as esco-
antes e após o 25 Do ponto de vista social, ção era maioritariamen- las mantinham-se na
de Abril a Enfermagem era consi- te constituído por auxi- dependência dos hospi-
derada uma profissão de liares, existindo cinco tais (as escolas eram
• O ensino de Enfer- mulheres, visto que se auxiliares para um como serviços dos hospi-
magem antes e após associava o género femi- enfermeiro. Os enfer- tais). A duração do curso
nino a qualidades como meiros tinham como era de três anos e as con-
o 25 de Abril sensibilidade e paciên- funções o desenvolvi- dições de admissão eram
cia. Na realidade, esta mento das tarefas de o 2º ano do liceu ou equi-
lei permitia aos médicos administração e organi- valente. Foram definidos
exercer o seu poder de zação de serviços, o que objectivos pedagógicos
dominação sobre as os aproximava dos pode- com maior preocupação
mulheres, perpetuando, res institucionais com o estatuto do aluno,
assim, a sobreposição da (administrativo e médi- que era considerando
Medicina sobre a Enfer- co) mas afastava-os da aprendiz e os alunos
magem. Existia uma prática de cuidados, aproximaram-se dos alu-
preferência pelas mulhe- enquanto os auxiliares nos do nível técnico de
res, entre os 18 e os 30 eram os que estavam formação. Passou a exis-
Nesta edição: anos e, como condição de próximos do doente, tir uma maior focaliza-
admissão, chegou-se sendo portadores de ção na disciplina de
Antes da “Revolução 1 mesmo a exigir o estado informação e, conse- enfermagem. Durante o
dos Cravos” de solteira ou viúva, sem quentemente, isso abria estágio, que correspondia
filhos. Esta medida aca- o canal directo no rela- a 2/3 de prática e 1/3 de
6 anos depois, o que 2 bou por ser abolida em cionamento com os teoria, os alunos eram
mudou ? 1963, terminando, assim, médicos. No entanto, acompanhados por enfer-
a proibição de casamento era questionado se a meiros monitores, sendo
Passatempos 3 das enfermeiras, o que formação os qualificava defendida a participação
permitiu que estas cons- para esta função. O fac- activa do aluno. O curso
tituíssem família formal- to de a maioria dos pro- de enfermagem não inte-
mente. Para o acesso ao fissionais serem auxilia- grava o sistema educati-
curso, a qualificação era res, contribuiu para um vo nacional. Em 1967, é
baixa uma vez que não constrangimento no pro- criou-se a Escola de
eram pedidos pré- cesso de autonomização Ensino e Administração
requisitos, visto que e profissionalização. de Enfermagem, em
havia uma grande falta Quanto à estruturação 1973, realizou-se o 1º
de Enfermeiros, em Por- da profissão, a Enferma- Congresso Nacional de
tugal. gem, que até então era Enfermagem e concluiu-
Na realidade, tornava-se constituída por uma se, ainda na reunião
necessário melhorar a única área, passou a ter magna dos enfermeiros,
formação/preparação do três carreiras (Saúde que os profissionais de
pessoal de enfermagem, Publica, Hospitalar e enfermagem reconhe-
Cartaz do 25 de Abril Ensino).
PÁGINA 2 NO T A S D E E NF E R MA G E M 4ª EDIÇÃO

ciam que a evolução da profissão leves de mudança, num cenário


tinha sido prejudicada pela falta difícil”.
de prestígio, o que afectou em
especial o recrutamento e a reali-
zação pessoal e profissional dos
seus membros.

Portanto, apesar de se notarem


algumas alterações na Enferma-
gem, apenas se verificam “traços

6 anos depois da Revolução, o que mudou?


O clima era de tensão… Qualquer ção em enfermagem aumentasse datos ao curso de enfermagem
coisa de estranho estava a ocor- consideravelmente. A profissão geral motivada pelos poucos atrac-
rer… Na rádio ouvia-se “Grândola começou a ser reconhecida social- tivos da profissão. Numa tentativa
Vila Morena, Terra de Fraternida- mente, tornando-se mais autóno- de solucionar a carência de enfer-
de, o Povo é quem mais ordena, ma e passando a fazer parte das meiros, o Governo fomentou a pre-
dentro de ti, ó cidade..” Tocava a profissões pertencentes à função paração de pessoal menos qualifi-
canção Grândola Vila Morena, de pública. Houve um aumento dos cado e menos dispendioso tanto no
Paulo de Carva- vencimentos e processo de formação como na
lho, e dava-se o das condições remuneração”.
aviso: “Aqui no “(…) para o vulgo, o grande público, o de trabalho.
posto de comando enfermeiro continua a ser qualquer No entanto, Quanto ao Ensino, houve um apelo
do movimento s e g u n d o para que as escolas, agora inde-
indivíduo que faz “qualquer coisa”
das Forças Arma- Alberto Mou- pendentes dos Hospitais, se tor-
das. As Forças junto dos doentes num hospital, que
rão, “(…) para nassem mais abertas à comunida-
Armadas apelam trabalha num consultório para o vulgo, o de, mais democráticas, mais inte-
no sentido de se grande públi- ractivas, contudo, os valores que
«ajudar» o médico ou que vai de casa
recolherem nas co, o enfer- orientavam, ainda nessa altura, a
em casa dando injecções” actuação das enfermeiras, eram
suas casas , nas meiro conti-
quais se devem nua a ser inerentes à sua condição de mães.
conservar com a máxima calma. qualquer indivíduo que faz Verificou-se uma maior ênfase na
Esperamos, sinceramente, que a “qualquer coisa” junto dos doentes saúde e nas ciências sociais e
gravidade da hora que vivemos num hospital, que trabalha num humanas. O Ensino de Enferma-
não seja tristemente assinalada consultório para «ajudar» o médico gem passou a ter um departamen-
por qualquer acidente pessoal pelo ou que vai de casa em casa dando to específico inserido no Instituto
que apelamos para o bom senso injecções”. Nacional de Saúde — Departa-
dos Comandos das Forças Militari- mento de Ensino de Enfermagem,
zadas no sentido de serem evitados Os Enfermeiros e os Auxiliares de constituído por Enfermeiros.
quaisquer confrontos com as For- Enfermagem decidiram lutar, por
ças Armadas. Apelamos para o um único nível de formação e con- O curso de Enfermagem Geral
espírito cívico e profissional da seguiram com que os Enfermeiros tinha a duração de 3 anos e, como
classe médica, esperando a sua passassem a exercer funções de condições de admissão dos candi-
ocorrência aos hospitais a fim de prestação de cuidados ao doente e datos, exigia-se o curso comple-
prestar eventual colaboração que os Auxiliares de Enfermagem fos- mentar do ensino secundário ou
seja, aliás, que se deseja, sincera- sem promovidos a Enfermeiros de equivalente legal. A justificação
mente, desnecessária.” Iniciava-se, terceira classe, mediante o exercí- para esta subida de habilitações,
assim, a revolução de 25 de Abril cio da profissão de três anos, tendo entre outros factores de ordem
de 1974, também conhecida por sido criado o novo curso de Promo- mais geral, parece estar relaciona-
“Revolução dos Cravos”, que veio ção dos Auxiliares de Enfermagem, da com a quantidade de candidatos
alterar o país e também a profissão com uma duração de 8 meses, para que queriam iniciar o curso de
de Enfermagem. os enfermeiros de 3ª classe. Enfermagem e também com a pos-
“Questiona-se sobre as razões que sibilidade de, a curto prazo, o curso
Socialmente, o facto de ocorrer a teriam levado o Governo Português passar a ser de ensino superior.
revolução, se dar o fim da guerra a extinguir o curso de auxiliares de Relativamente ao género, verifica-
colonial, implicando também o enfermagem em 1974, após uma se a admissão do primeiro homem
regresso dos colonos e a crise eco- luta reivindicativa destes profissio- na Escola Técnica de Enfermagem,
nómica sentida na Europa, fize- nais. Assistia-se à falta de candi-
ram com que a procura pela forma-
4ª EDIÇÃO NO T A S D E E NF E R MA G E M PÁGINA 3

em 1979, após 39 anos da sua exis-


tência.

Gritos de luta e contestação fize-


ram-se ouvir por toda a Baixa Lis-
boeta, estava consumada a Revolu-
ção e uma nova esperança para a
25 de Abril de 1974
Enfermagem.

Passatempos
Sopa de Enfermagem
Encontre, nesta sopa de letras, os 14 temas relacionados com a História da Enfermagem. Pode encontrar as pala-
vras a negrito em qualquer direcção
1. Florence Nightingale
N A C E L I B A T O A S D F G P R S
I Q W E R T Y U F E N W I C K A U I 2. Ethel Bedford Fenwick

G Z X C V B B X N N M Q A Z W R F N 3. Virgínia Henderson
H S D F G H J I J F F D C F G A G D 4. Mariana Diniz de Sousa
T E D G F D D L R E S E N D E Q G I
5. Escola de Enfermagem do Hospital
I F N R H F D I G R G D R G H U F C Sta Maria
N S D D G D R A E M E E R F E E F A 6. ESE Artur Ravara
G J G F E R O R D E M R R E Q D B L
7. Escola Técnica de Enfermeiras
A U P Ç M R S E S I W F T A H I H I
8. ESE Maria Fernanda Resende
L I R B A Y S S E R E N M R O S B S
E Ç Q Y B G W O U A A R R A N T I M 9. O Celibato das Enfermeiras

Q K H Y U F G G N S F Y I V Ç A D O 10. Enfermeiras Paraquedistas


S Q W E R T Y U I O P P K A L K J G 11. Auxiliares de Enfermagem
S T A M A R I A D E T M A R I A N A
12. 25 de Abril – Impacto na Enfermagem

13. O Sindicalismo em Enfermagem

Enfermagem Cruzada 14. Ordem dos Enfermeiros

1. Anos de duração do curso (numeral).

2. Responsáveis pelo ensino teórico de enfermagem na década 5 7


de 60 (nome).
6 A
3. Prestavam cuidados ao doente antes do 25 Abril. (nome). B
R 2 9 3
4. “ (…) Mas, para o vulgo, o grande público, enfermeiro conti-
nua a ser qualquer indivíduo que faz “qualquer coisa” junto I
dos doentes num hospital, que trabalha num consultório para 4 L -
«ajudar» o médico ou que vai de casa em casa dando injec-
ções.” (nome próprio).
8
5. Escola Técnica de Enfermagem (sigla).

6. Novo estatuto do aluno (nome).


1
7. Ao fim de 39 anos, do curso de enfermagem, é admitido o 1º…
(nome).

8. Condições de trabalho antes do 25 de Abril (adjectivo).

9. As carreiras de enfermagem eram ensino, saúde pública e


saúde … (adjectivo).