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TECENDO

LINGUAGENS
LÍNGUA PORTUGUESA
TANIA AMARAL OLIVEIRA
Formada em Letras, Pedagogia e Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP).
Mestra em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Formadora
de educadores nas áreas de Língua Portuguesa e de Comunicação. Professora do Ensino
Fundamental das redes pública e privada de ensino de São Paulo.

ELIZABETH GAVIOLI DE OLIVEIRA SILVA


Bacharel e licenciada em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade de
São Paulo (USP). Professora do Ensino Fundamental e da Educação de Jovens
e Adultos. Autora de livros didáticos de Língua Portuguesa e de Letramento e
Alfabetização (Ensino Fundamental e EJA). Professora do Ensino Fundamental
da rede particular de ensino de São Paulo.

CÍCERO DE OLIVEIRA SILVA


Bacharel em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo (PUC-SP). Graduando em Linguística e Língua Portuguesa pela

6
Universidade de São Paulo (USP). Autor de livros didáticos de Língua Portuguesa
e de Letramento e Alfabetização (Ensino Fundamental e EJA). Educador em

o
projetos sociais nas áreas de Comunicação e Educação para a Cidadania.

LUCY APARECIDA MELO ARAÚJO


Bacharel e licenciada em Língua Portuguesa e Linguística pela Universidade de
São Paulo (USP). Especialista em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP). Mestranda em Língua Portuguesa pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora do Ensino Fundamental
da rede particular de ensino de São Paulo.

ano

ENSINO FUNDAMENTAL
LÍNGUA PORTUGUESA
MANUAL DO PROFESSOR

4a edição
São Paulo
2015

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Coleção Tecendo Linguagens
Língua Portuguesa – 6o ano
© IBEP, 2015

Diretor superintendente Jorge Yunes


Diretora adjunta editorial Célia de Assis
Gerente editorial Maria Rocha
Coordenadora editorial Simone Silva
Editora Fabiana Panhosi Marsaro
Assistente editorial Karina Danza
Revisora técnica Márcia Chiréia
Coordenadora de revisão Helô Beraldo
Revisores Beatriz Hrycylo, Cássio Dias Pelin, Luiz Gustavo Bazana,
Salvine Maciel, Sheila Saad, Thiago Dias
Secretaria editorial Fredson Sampaio
Assistentes de secretaria editorial Carla Marques, Karyna Sacristan, Mayara Silva
Coordenadora de arte Karina Monteiro
Assistentes de arte Aline Martins, Gustavo Prado Ramos,
Marilia Vilela, Thaynara Macário
Coordenadora de iconografia Neuza Faccin
Assistentes de iconografia Bruna Ishihara, Camila Marques
Victoria Lopes, Wilson de Castilho
Ilustradores Jótah e Renato Arlem
Produção gráfica Ary Lopes
Assistentes de produção gráfica Elaine Souza, Eliane M. M. Ferreira
Processos editoriais e tecnologia Elza Mizue Hata Fujihara
Projeto gráfico e capa Departamento de Arte – IBEP
Imagens da capa Fabio Colombini, Lisa F. Young/Shutterstock
Diagramação Bertolucci Estúdio Gráfico

Os textos e as imagens reproduzidos nesta coleção têm fins exclusivamente didáticos


e não representam qualquer tipo de recomendação de produtos ou
empresas por parte do(s) autor(es) ou da editora.

4a edição – São Paulo – 2015


Todos os direitos reservados.

Av. Alexandre Mackenzie, 619 – Jaguaré


São Paulo – SP – 05322-000 – Brasil – Tel.: (11) 2799-7799
www.ibep-nacional.com.br editoras@ibep-nacional.com.br

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APRESENTAÇÃO

Caro aluno e cara aluna,


Não sabemos quem vocês são, mas imaginamos que estejam
curiosos para saber o que lhes trazem as páginas deste livro. Por
isso adiantamos algumas respostas. Esta obra foi escrita especial-
mente para vocês que gostam de fazer descobertas por meio de
trabalhos individuais ou em grupo e de se relacionar com as pessoas
ao seu redor.
Para vocês que gostam de falar, de trocar ideias, de expor suas
opiniões, impressões pessoais, de ler, de criar e escrever, foram pre-
paradas atividades que, certamente, farão com que gostem mais de
estudar Língua Portuguesa. Estão duvidando disso? Aguardem os
próximos capítulos e verão que estamos certos.
Este livro traz algumas ferramentas para tornar as aulas bem mo-
vimentadas, cheias de surpresas. Vocês terão oportunidade de ler e
interpretar textos dos mais variados gêneros: causos, mitos e lendas
do Brasil e de outras regiões do planeta, textos teatrais, poemas,
textos retirados de revistas e jornais, textos instrucionais, histórias
em quadrinhos e muito mais.
Mas não estamos rodeados apenas de textos escritos. Vivemos em
um mundo em que a imagem, o som e a palavra falada ou escrita se
juntam para construir atos de comunicação. Por isso, precisamos des-
vendar o sentido de todas essas linguagens que nos rodeiam para me-
lhor interagir com as pessoas e com o mundo em que vivemos. Assim,
descobriremos os múltiplos caminhos para nos comunicar.
Acreditem: vocês têm uma capacidade infinita e, por isso, a res-
ponsabilidade de desenvolvê-la. Pesquisem, expressem suas ideias,
sentimentos, sensações; registrem suas vivências; construam e
reconstruam suas histórias; sonhem, emocionem-se, divirtam-se,
leiam por prazer; lutem por seus ideais e aprendam a defender as
suas opiniões, oralmente e por escrito. Não sejam espectadores na
sala de aula, mas agentes, alunos atuantes. Assim, darão mais senti-
do às atividades escolares, melhorarão seu desempenho nessa área
e, com certeza, descobrirão a alegria de aprender.

Um abraço!

Os autores

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CONhEÇA SEu livRO

Para começo de conversa

Momento inicial de cada capítulo, que propõe uma discussão prévia sobre o gênero ou o tema a
ser estudado.

Prática de leitura

Momento de ler textos verbais e não verbais e desenvolver a competência leitora.

ANTES DE LER
Momento de explorar os conhecimentos prévios dos alunos sobre determinado tema ou
gênero, levantar hipóteses e fazer inferências.

POR DENTRO DO TEXTO


Momento de verificar se o texto e as informações que ele apresenta foram compreendidos e
de interpretar também aquilo que não está escrito.

TROCANDO IDEIAS
Momento de discutir oralmente sobre os aspectos apresentados pelo texto e de dividir com os
colegas o que cada um compreendeu, as hipóteses e as opiniões.

CONFRONTANDO TEXTOS
Momento de comparar os textos já lidos ou esses textos e outros apresentados na seção.

TEXTO E CONSTRUÇÃO
Momento de organizar a aprendizagem sobre os textos, sua construção, forma, seus conceitos e
sua definição.

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TEXTO E CONTEXTO
Momento de ampliar a leitura e estabelecer relações entre texto e contexto.

Momento de ouvir

Momento em que o professor fará a leitura de textos para a turma.

De olho na ortografia

Momento de conhecer os aspectos ortográficos da língua e aprender a


escrita correta das palavras.

Reflexão sobre o uso da língua

Momento de estudar e refletir sobre os aspectos gramaticais da língua escrita e oral.

DE OLHO NO VOCABULÁRIO
Momento de conhecer os aspectos semânticos da língua e de usar o dicionário.

APLICANDO CONHECIMENTOS
Momento de colocar em prática aquilo que foi estudado.

APRENDER BRINCANDO
Momento de fixar os novos conhecimentos por meio de atividades lúdicas variadas.

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Hora da pesquisa

Momento de aprender de maneira mais autônoma por meio de pesquisas orientadas.

Atividade de criação

Momento de produzir colagens, ilustrações e pequenos textos.

Na trilha da oralidade

Momento de analisar questões próprias da língua oral.

Produção de texto
\’
Momento de produzir textos orais e escritos.

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Projetos em ação
Momento de realizar um conjunto de atividades que resultam na elaboração de um produto
final comum à turma ou a um grupo de alunos.

iMPORTANTE SABER

Momento de organizar, ampliar e sistematizar os


conhecimentos.

PARA vOCÊ QuE É CuRiOSO

Momento de ler curiosidades e informações interessantes


sobre os gêneros ou os temas abordados no capítulo.

leia mais
Momento de conferir sugestões para ampliar as
leituras feitas no capítulo.

Preparando-se para o próximo capítulo

Momento de realizar atividades que exploram o tema


do capítulo seguinte.

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SuMáRiO

uNidAdE 1
SER E dESCOBRiR-SE 13
Capítulo 1 Capítulo 2
QuEM É vOCÊ? ............................................................... 14 POETA APRENdiz ......................................................... 37
XXPara começo de conversa ................................... 14 XXPara começo de conversa ................................... 37
TROCANDO IDEIAS ..................................................... 15 XXPrática de leitura .................................................... 38
XXPrática de leitura .................................................... 15 Texto 1 – Conto ......................................................... 38
(A incapacidade de ser verdadeiro, Carlos Drummond
Texto 1 – Tela ............................................................ 15 de Andrade)
(Velázquez, 2000, Rodrigo Cunha)
POR DENTRO DO TExTO ............................................. 39
POR DENTRO DO TExTO ............................................. 15
TExTO E CONSTRuçãO .............................................. 39
XXPrática de leitura .................................................... 17 DE OLHO NO VOCABuLáRIO ....................................... 39
Texto 2 – Romance (fragmento) .............................. 17 XXPrática de leitura .................................................... 41
(O menino no espelho, Fernando Sabino)
Texto 2 – Poema ....................................................... 41
POR DENTRO DO TExTO ............................................. 18 (Ouriço, ulisses Tavares)
MOMENTO DE OuVIR ................................................. 19 POR DENTRO DO TExTO ............................................ 41
XXReflexão sobre o uso da língua ........................ 20 XXPrática de leitura .................................................... 42
Substantivo Texto 3 – Poema ..................................................42
Substantivos próprio e comum (Identidade, Pedro Bandeira)
APLICANDO CONHECIMENTOS .................................. 22 TROCANDO IDEIAS...................................................... 43
APRENDER BRINCANDO ............................................. 23 POR DENTRO DO TExTO ............................................. 43
XXAtividade de criação ............................................ 23 TExTO E CONTExTO ................................................... 44
TExTO E CONSTRuçãO ............................................. 45
Meu nome
APLICANDO CONHECIMENTOS ................................... 45
XXPrática de leitura ................................................... 23
XXProdução de texto ................................................ 46
Texto 3 – Crônica ..................................................... 23
(De quem são os meninos de rua?, Marina Colasanti) Poema
TROCANDO IDEIAS ..................................................... 25 XXReflexão sobre o uso da língua ....................... 47
POR DENTRO DO TExTO ............................................ 25 Adjetivo
TExTO E CONSTRuçãO ............................................. 25 APLICANDO CONHECIMENTOS ................................... 48
CONFRONTANDO TExTOS ......................................... 26 APRENDER BRINCANDO ............................................. 48

XXReflexão sobre o uso da língua ........................ 27 XXAtividade de criação ............................................. 49


Substantivos simples e composto, primitivo e deri- Poema ilustrado
vado, concreto e abstrato XXPrática de leitura .................................................... 50
DE OLHO NO VOCABuLáRIO ...................................... 30 Texto 4 – Poema ...................................................... 50
APRENDER BRINCANDO .............................................. 31 (O poeta aprendiz, Vinicius de Moraes)
POR DENTRO DO TExTO ............................................. 50
XXPrática de leitura .................................................... 31
TExTO E CONSTRuçãO ............................................. 51
Texto 4 – Retrato falado .......................................... 31
(Projeto UpDown) XXReflexão sobre o uso da língua ........................ 53
POR DENTRO DO TExTO ............................................ 32 Locução adjetiva
APLICANDO CONHECIMENTOS ................................... 55
XXNa trilha da oralidade .......................................... 33
Entrevista XXNa trilha da oralidade ......................................... 57
Entonação
XXReflexão sobre o uso da língua ........................ 34
XXPrática de leitura .................................................... 59
Flexão do substantivo (gênero, número e grau)
Texto 5 – Trovas populares ..................................... 59
XXProdução de texto ................................................ 35 (“Fui ao mato...”, Vera Aguiar)
Retrato falado TExTO E CONSTRuçãO ............................................. 59
XXLeia mais ................................................................. 36 XXProdução de texto ................................................. 60
XXPreparando-se para o próximo capítulo ........ 36 Livros de poemas da turma

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Trova CONFRONTANDO TExTOS .......................................... 63
XXPrática de leitura .................................................... 62 XXProjetos em ação .................................................. 63
Texto 6 – Poema visual ............................................ 62 Dia da poesia
(Xadrez, Sérgio Capparelli e Ana Gruszynski) XXLeia mais .................................................................. 64
POR DENTRO DO TExTO ............................................. 62
XXPreparando-se para o próximo capítulo ......... 64

uNidAdE 2

SER E CONvivER 65
Capítulo 1 POR DENTRO DO TExTO ............................................. 91
TExTO E CONTExTO ................................................... 92
dA ESCOlA QuE TEMOS à ESCOlA CONFRONTANDO TExTOS ......................................... 93
QuE QuEREMOS ............................................................ 66 XXProdução de texto ................................................. 93
XXPara começo de conversa ................................... 66 Relato de memórias
POR DENTRO DO TExTO ............................................. 67 XXPrática de leitura .................................................... 95
XXPrática de leitura .................................................... 67 Texto 6 – Romance (fragmento) .............................. 95
Texto 1 – Crônica ...................................................... 67 (A bolsa amarela, Lygia Bojunga)
(Na escola, Carlos Drummond de Andrade) POR DENTRO DO TExTO ............................................. 96
POR DENTRO DO TExTO ............................................. 70 XXReflexão sobre o uso da língua ........................ 97
TExTO E CONSTRuçãO ............................................. 70 Numeral
TExTO E CONTExTO ................................................... 72 APLICANDO CONHECIMENTOS .................................. 99
CONFRONTANDO TExTOS .......................................... 72 APRENDER BRINCANDO ............................................ 101
TROCANDO IDEIAS...................................................... 73
XXLeia mais ............................................................... 101
DE OLHO NO VOCABuLáRIO ....................................... 73
XXPreparando-se para o próximo capítulo ....... 102
XXReflexão sobre o uso da língua ....................... 74
Variedade linguística
Níveis de linguagem: formal e informal Capítulo 2
XXDe olho na ortografia .......................................... 76 NOSSOS RElACiONAMENTOS ............................103
Por que, porque, por quê, porquê XXPara começo de conversa ................................. 103
APLICANDO CONHECIMENTOS ................................... 77
XXPrática de leitura .................................................. 104
XXPrática de leitura .................................................... 78 Texto 1 – Charge .................................................... 104
Texto 2 – Romance (fragmento I) ............................ 78 (Rede social, Ivan Cabral)
(Infância, Graciliano Ramos) POR DENTRO DO TExTO ........................................... 104
POR DENTRO DO TExTO ............................................. 79 CONFRONTANDO TExTOS ....................................... 105
TROCANDO IDEIAS...................................................... 79
XXPrática de leitura .................................................. 107
XXPrática de leitura .................................................... 79 Texto 2 – Letra de canção .................................. 107
Texto 3 – Romance (fragmento II)........................... 79 (Loadeando, Marcelo D2)
(Infância, Graciliano Ramos) POR DENTRO DO TExTO ........................................... 108
POR DENTRO DO TExTO ............................................ 81 TROCANDO IDEIAS.................................................... 110
APLICANDO CONHECIMENTOS .................................. 83 XXNa trilha da oralidade ..........................................111
XXReflexão sobre o uso da língua ........................ 83 Marcas de conversação
Artigo DE OLHO NO VOCABuLáRIO .................................... 112
APLICANDO CONHECIMENTOS ................................... 84 XXPrática de leitura .................................................. 112
XXMomento de ouvir ................................................ 86 Texto 3 – Classificado poético .......................... 112
XXPrática de leitura .................................................... 86 (Agenda poética, Telma Guimarães)
Texto 4 – Romance (fragmento)...........................86 POR DENTRO DO TExTO ........................................... 113
(Gabriel Ternura, Edson Gabriel Garcia) XXPrática de leitura .................................................. 114
POR DENTRO DO TExTO ............................................ 88 Texto 4 – Classificado de imóvel .......................... 114
CONFRONTANDO TExTOS ......................................... 88 (Apartamento amplo e reformado)
TExTO E CONSTRuçãO ............................................. 88 CONFRONTANDO TExTOS ........................................ 114
XXAtividade de criação ............................................ 89 XXAtividade de criação ........................................... 115
Descrição Classificado poético
XXPrática de leitura .................................................... 90 XXPrática de leitura .................................................. 115
Texto 5 – Relato de memórias ................................ 90 Texto 5 – Página de agenda .................................. 115
(Sua presença em minha vida foi fundamental, Ziraldo) (A agenda de Carol, Inês Stanisiere)

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Por dentro do texto ........................................... 117 XXreflexão sobre o uso da língua ....................... 141
trocando ideias.................................................... 117 Verbo (i)
texto e construção ............................................ 117 aPlicando conhecimentos ................................. 143
XXreflexão sobre o uso da língua ....................... 119 XXPrática de leitura .................................................. 144
Pronomes pessoal e possessivo Texto 9 – Verbete ................................................... 144
aPlicando conhecimentos ................................. 123 (Taj Mahal, um palácio oriental)
XXPrática de leitura .................................................. 125 Por dentro do texto ........................................... 145
Texto 6 – Poema .................................................... 125 texto e construção ............................................ 146
(Bilhete ao pai adotivo, haydée s. hostin lima) texto e contexto ................................................. 147
Por dentro do texto ........................................... 125 XXPrática de leitura .................................................. 147
trocando ideias.................................................... 126 Texto 10 – capa de revista .................................... 147
confrontando textos ........................................ 126 (revista Toda Teen)
XXatividade de criação ........................................... 126 Por dentro do texto ........................................... 147
diário íntimo texto e contexto ................................................ 147
XXPrática de leitura .................................................. 127 trocando ideias.................................................... 148
Texto 7 – romance (fragmento) ............................ 127 XXPrática de leitura .................................................. 148
(O pequeno príncipe, antoine de saint-exupéry) Texto 11 – depoimento ..................................... 148
Por dentro do texto ........................................... 130 (Garotos contam: quando o virtual se torna real?, capricho)
texto e contexto ................................................. 131 Por dentro do texto ........................................... 149
trocando ideias ................................................... 132 texto e construção ............................................ 149
texto e construção ............................................ 132
XXreflexão sobre o uso da língua ....................... 150
XXatividade de criação ........................................... 133
Pontuação
diálogo
XXatividade de criação ........................................... 151
XXreflexão sobre o uso da língua ....................... 134
depoimento pessoal
Pronomes pessoal do caso reto
XXPrática de leitura .................................................. 151
e de tratamento (revisão)
Texto 12 – texto didático-científico...................... 151
aPlicando conhecimentos ................................. 135
(O primeiro amor é vivido em fantasia, flávio Gikovate)
XXreflexão sobre o uso da língua ...................... 137
Por dentro do texto ........................................... 152
formação de palavras – sufixo texto e contexto ................................................. 153
XXde olho na ortografia ........................................ 138
XXatividade de criação ........................................... 155
Palavras terminadas em -oso/-osa ...................... 138 Poema
XXPrática de leitura .................................................. 139
XXProjetos em ação ................................................. 155
Texto 8 – conto ...................................................... 139
exposição sobre a história do bairro
(Uma lição inesperada, João anzanello carrascoza)
Por dentro do texto ........................................... 141 XXleia mais ................................................................ 156
trocando ideias ................................................... 141 XXPreparando-se para o próximo capítulo ....... 156

unidade 3

aprendendo Com a sabedoria popular 157


Capítulo 1 XXmomento de ouvir............................................... 166
XXPrática de leitura .................................................. 167
histórias que o povo Conta...................... 158
Texto 2 – causo...................................................... 167
XXPara começo de conversa ................................. 158 (O defunto vivo, revista Dr Eco e Companhia)
XXPrática de leitura .................................................. 159 confrontando textos ........................................ 167
Texto 1 – causo ............................................................ 159
XXreflexão sobre o uso da língua ....................... 168
(Num rancho às margens do Rio Pardo, equipe
xico da Kafua) Verbo (iii)
Por dentro do texto ........................................... 160 aPlicando conhecimentos ................................. 169
de olho no Vocabulário ..................................... 160 XXPrática de leitura .................................................. 169
XXna trilha da oralidade ......................................... 161 Texto 3 – causo...................................................... 169
linguagem oral e escrita (Aquele animal estranho, mário Quintana)
XXreflexão sobre o uso da língua ....................... 163 Por dentro do texto ........................................... 171
Verbo (ii) texto e contexto ................................................. 171
aPlicando conhecimentos ................................. 164 de olho no Vocabulário .................................... 171

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XXNa trilha da oralidade ......................................... 171 XXAtividade de criação ........................................... 181
Contação de causo Versão para o final de uma fábula
XXProdução de texto ............................................... 172 XXPrática de leitura .................................................. 181
Causo Texto 3 – Fábula ..................................................... 181
(Quem tem razão? A lebre ou o leão?, Estadinho)
XXLeiamais ................................................................ 173 POR DENTRO DO TExTO ........................................... 183
XXPreparando-se para o próximo capítulo ....... 173
XXNa trilha da oralidade ......................................... 186
Debate regrado
Capítulo 2 XXReflexão sobre o uso da língua ...................... 187

hiSTóRiAS QuE ENSiNAM .................................... 174 Verbo (V)


APLICANDO CONHECIMENTOS ................................. 188
XXPara começo de conversa ................................. 174
XXDe olho na ortografia ......................................... 189
XXPrática de leitura .................................................. 174 Acentuação das oxítonas, paroxítonas e
Texto 1 – Fábula ...................................................... 174 proparoxítonas
(A cigarra e as formigas, Esopo)
APLICANDO CONHECIMENTOS ................................. 190
POR DENTRO DO TExTO ........................................... 175
APRENDER BRINCANDO ............................................ 191
TExTO E CONTExTO ................................................. 175
XXMomento de ouvir............................................... 191
TROCANDO IDEIAS.................................................... 176
XXProdução de texto ............................................... 191
XXPrática de leitura .................................................. 177
Fábula
Texto 2 – Cordel ..................................................... 177
(A cigarra e a formiga, Severino José) XXProjetos em ação ................................................. 193

CONFRONTANDO TExTOS ........................................ 177 XXColetânea de histórias que o povo conta


XXReflexão sobre o uso da língua ....................... 179 Sarau literário
Verbo (IV) XXLeia mais ................................................................ 194
APLICANDO CONHECIMENTOS ................................. 180 XXPreparando-se para o próximo capítulo ....... 194

uNidAdE 4

NATuREzA E CulTuRA EM CANTOS E iMAgENS 195


Capítulo 1 Texto 3 – História em quadrinhos ........................ 204
(Ecologia em quadrinhos, Luca Novelli)
CONSTRuiNdO uM MuNdO lEgAl .............. 196 POR DENTRO DO TExTO .......................................... 205
XXPara começo de conversa ................................. 196 TExTO E CONSTRuçãO ............................................ 206
XXPrática de leitura .................................................. 197 TROCANDO IDEIAS ................................................... 207
Texto 1 – Tira em quadrinhos................................ 197 XXNa trilha da oralidade ......................................... 207
(Tem alguma coisa babando embaixo da cama,
Exposição oral
Bill Watterson)
POR DENTRO DO TExTO ......................................... 198 XXPrática de leitura .................................................. 209
XXReflexão sobre o uso da língua ...................... 198 Texto 4 – Tiras em quadrinhos ............................. 209
(Papa-Capim e Chico Bento, Mauricio de Sousa)
Interjeição
APRENDER BRINCANDO .......................................... 199 POR DENTRO DO TExTO ........................................... 209
TExTO E CONSTRuçãO ............................................ 209
XXPrática de leitura .................................................. 200
Texto 2 – História em quadrinhos ........................ 200 XXPrática de leitura .................................................. 210
(Yukon Ho!, Bill Watterson) Texto 5 – Tira em quadrinhos ............................... 210
POR DENTRO DO TExTO ......................................... 200 (Toda Mafalda, Quino)
TExTO E CONSTRuçãO ............................................ 201 POR DENTRO DO TExTO ........................................... 211
TROCANDO IDEIAS ................................................... 201 XXPrática de leitura .................................................. 211
XXReflexão sobre o uso da língua ..................... 202 Texto 6 – Charge .................................................... 211
Verbo (VI) (Ipad? Ai fome!, Erasmo)
APLICANDO CONHECIMENTOS ................................. 203 POR DENTRO DO TExTO ......................................... 212
XXPrática de leitura .................................................. 204 CONFRONTANDO TExTOS ........................................ 212

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XXProdução de texto ............................................... 214 POR DENTRO DO TExTO ......................................... 227
História em quadrinhos (HQ) XXHora da pesquisa ................................................. 228
XXLeia mais ................................................................ 216 Músicas preferidas da turma
XXPreparando-se para o próximo capítulo ....... 216 XXPrática de leitura .................................................. 229
Texto 5 – Letra de canção ...................................... 229
(Manguetown, Chico Science, Lúcio e Dengue)
Capítulo 2
POR DENTRO DO TExTO ......................................... 230
O POvO CANTA A ARTE E A CulTuRA ......... 217 DE OLHO NO VOCABuLáRIO ................................... 230
XXPara começo de conversa ................................. 217 XXReflexão sobre o uso da língua ....................... 231
XXPrática de leitura .................................................. 219 Pronome demonstrativo
Texto 1 – Letra de canção ...................................... 219 APLICANDO CONHECIMENTOS ............................... 232
(Avião avuadô, Carlos Farias e Coral das Lavadeiras)
XXPrática de leitura .................................................. 233
POR DENTRO DO TExTO ......................................... 220
Texto 6 – Letra de canção ...................................... 233
XXNa trilha da oralidade ......................................... 220 (Rapaz caipira, Renato Teixeira)
Marcas de oralidade POR DENTRO DO TExTO ......................................... 233
XXPrática de leitura .................................................. 221 TExTO E CONSTRuçãO .......................................... 234
Texto 2 – Letra de canção ..................................... 221 XXReflexão sobre o uso da língua ....................... 234
(Sabiá de Melão, Vavá Machado e Marcolino)
Frase
POR DENTRO DO TExTO ......................................... 221
APLICANDO CONHECIMENTOS ............................... 235
XXNa trilha da oralidade ......................................... 222
XXPrática de leitura .................................................. 236
Variação linguística
Texto 7 – Letra de canção ...................................... 236
XXPrática de leitura .................................................. 222 (Três cirandas de Pernambuco, Domínio público)
Texto 3 – Partitura ................................................. 222 POR DENTRO DO TExTO ......................................... 236
(Princípio da Marcha Turca (opus n. 11), Mozart)
CONFRONTANDO TExTOS ........................................ 237
TExTO E CONSTRuçãO .......................................... 223
XXProdução de texto ............................................... 238
XXDe olho na ortografia ......................................... 224
Verbete
Acentuação das oxítonas
APLICANDO CONHECIMENTOS ............................... 225 XXProjetos em ação ................................................. 239
XXPrática de leitura .................................................. 226 HQ sobre o meio ambiente
Texto 4 – Letra de canção ...................................... 226 Campanha informativa “A natureza é da gente”
(Reisado, Teddy Vieira) Quem conhece um artista popular?

XXApêndice ..........................................................................................................................................................241
XXGlossário ..........................................................................................................................................................267
XXIndicações de leituras complementares ..................................................................................................269

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Unidade

Ser e deScobrir-Se
1
Às vezes, você se sente corajoso(a), às vezes, um(a) grande
medroso(a)? Pois saiba que é assim com todo mundo. Nas próximas
páginas, você vai pensar e discutir sobre isso com seus colegas.
Poderá se apresentar, falar sobre seus desejos, seus sentimen-
tos. Você ainda terá a oportunidade de conhecer um pouco mais
sobre seus colegas e, assim, quem sabe, fazer novas amizades.
Você gosta de desvendar charadas? E de participar de jogos?
Então prepare-se para fazer tudo isso. Depois da leitura dos textos
desta unidade, você vai refletir sobre vários aspectos do funciona-
mento da língua.
E que tal conhecer melhor as características de um texto
poético? Lendo muitos poemas, observando o ritmo, o trabalho
especial com as palavras, os sons, você ficará com uma ideia mais
clara do que sejam os poemas, aprenderá a apreciá-los e poderá
até mesmo escrever alguns. Existe ainda um estudo sobre tro-
vas populares, poesias cantadas pelo povo Brasil afora. Prepare-se
para se emocionar e, quem sabe, descobrir que você também é
um poeta.
Que a alegria de aprender seja a sua companheira!
Bom trabalho!

13

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capítulo

1 Para começo de conversa


QUeM É VocÊ?

Você já ouviu falar no Menino Maluquinho? O que


Resposta pessoal. Professor, se necessário, informe aos alunos que o Menino
Maluquinho é uma personagem criada pelo escritor e cartunista Ziraldo Alves
Pinto, em 1980, e protagoniza um livro com seu nome. A obra apresenta histórias
de um menino alegre e sapeca que caiu no gosto dos brasileiros, e serviu de
inspiração para uma peça teatral, filmes, histórias em quadrinhos e uma série de
TV. Uma das principais características dessa personagem é usar uma panela
sabe sobre ele? como chapéu. Veja mais informações sobre Ziraldo no
Manual do Professor (de agora em diante, referido ape-
nas como Manual).
Leia a seguinte história em quadrinhos e divirta-se com as invenções da personagem.

Ziraldo

ZirALDO. As melhores tiradas do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2000.

Professor, sugerimos que as atividades a seguir sejam respondidas pelos alunos organizados em duplas ou em pequenos grupos.

1. A personagem principal dessa história vive um conflito. Qual é ele?


Tem dificuldade para escolher um visual para sair.

2. O Menino Maluquinho, ao escolher o boné, acaba optando por um visual mais antigo ou mais mo-
derno? Por que você acha que ele fez essa opção?
Resposta possível: Ele opta por um visual mais moderno. Provavelmente, porque bonés são muito usados pelos garotos de sua geração.

3. Ao usar o boné por cima da panela, o que a personagem mostra?


Resposta possível: Mostra que, mesmo usando um visual novo, ele não deixa de ser quem é, ou seja, afirma sua identidade.

4. No texto, a mãe do Menino Maluquinho emite uma opinião sobre as escolhas do filho.
a) Transcreva do texto o(s) trecho(s) em que a mãe dá sua opinião.
“Graças a Deus ele vai deixar de andar por aí feito um maluco!”
b) De acordo com o que você entendeu do texto, o Menino Maluquinho se deixou influenciar pela
opinião da mãe? Como você concluiu isso?
Não, porque, mesmo a mãe demonstrando um incômodo com a maneira diferente de ser do menino, Maluquinho mantém o seu comportamento e gosto pessoal.

14

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5. Em sua opinião, Maluquinho gosta de ser quem é? Por quê?
Resposta possível: Sim, pois, apesar de querer inovar um pouco o visual, não deixou de lado aquilo que já é
sua marca, que já faz parte de sua identidade, aquilo que também o torna o Menino Maluquinho.
6. Observe com atenção os gestos e as expressões faciais de Maluquinho nos seis primeiros quadri-
nhos. O movimento dos braços se altera? O que a posição dos braços e das mãos sugere sobre a
personagem? Explique. Sim, a cada quadrinho os braços e as mãos se encontram em uma posição diferente.
As diferentes posições sugerem que a personagem está em dúvida sobre alguma coisa.

7. As expressões faciais do garoto combinam com o que ele está dizendo? Explique sua resposta
com base no que acontece em um dos quadrinhos. está
Sim. Uma das mãos na boca (2 e 3 quadrinhos) significa que a personagem
o o

refletindo sobre o seu visual, Maluquinho observa atentamente o que vê


no espelho.

8. Para construir esse texto, o autor usou imagens e palavras. Em sua opinião, se as imagens fossem
retiradas, o texto transmitiria as mesmas ideias? Por quê?
Não. Apenas as falas das personagens não alcançariam o sentido que a história completa transmite. Por exemplo, quando Maluquinho se
refere ao visual, dizendo que não está bom, não seria possível saber a que visual ou mesmo a que personagem a história se refere.
9. Um leitor que ainda não conhece o Menino Maluquinho consegue identificar, pelo texto, o nome
da personagem? Por quê? Sim, pois o nome da personagem aparece como uma espécie de título, do lado esquerdo dos quadrinhos.

TROCANDO IDEIAS
1. Às vezes você também se sente como o Menino Maluquinho? Por quê?

2. Como os adultos costumam tratá-lo?

3. Como você reage ao receber esse tratamento dos adultos?

4. Observando a si mesmo e aos colegas, que conflitos você considera comuns na sua faixa etária?
Respostas pessoais. Professor, estimule a turma a compartilhar suas vivências. Aproveite esse momento para conversar com os alunos sobre questões relacionadas à
transição da infância para a adolescência e sobre a passagem do 5o para o 6o ano, que costuma ser uma fase bastante delicada para alguns deles.

Prática de leitura
Professor, os alunos terão mais elementos para fazer a
dedução se antes forem levantadas, com eles, outras
Texto 1 – Tela palavras que comecem com o prefixo auto. Sugerimos

Coleção Particular
que esse levantamento seja feito oralmente em sala de
aula antes que respondam à questão 2.

ANTES DE LER

1. Para você, o que é uma obra artística? Dê


exemplos de uma obra de arte que você
conhece. Resposta pessoal.
2. Você sabe o que é um autorretrato? Sabe
o que significa essa palavra? Resposta pessoal.

1. Resposta possível: A imagem de um rapaz refletida no espelho e a parte inferior do seu cor-
po, com uma das mãos segurando uma caixa com tintas; há outros elementos que compõem
a cena, como latas de tinta embaixo do espelho, um copo de água e um livro do pintor Veláz-
quez sobre um móvel, o chão de ma-
POR DENTRO DO TEXTO deira. Professor, incentive os alunos
a observar os detalhes da tela, pois são importantes para compreender o sentido da imagem.

1. O que você vê na imagem da tela?

2. É possível saber como é a pessoa que está


com o suporte de tintas na mão? O que você
acha que ela está fazendo? Sim, pois a sua imagem está refletida no
espelho. Ela está pintando a si própria.

3. Para você, o que representa a imagem na tela? Velázquez, 2000 (1976), de rodrigo Cunha.
Expresse sua opinião e procure saber o que Acrílica sobre tela, 202 cm × 143 cm.
pensam seus colegas de turma.
Resposta possível: Esse quadro poderia ser uma tela em um cavalete
no qual o artista pinta seu autorretrato ou um espelho.
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IMPORTANTE SABER

Autorretrato é o retrato que uma pessoa faz de si mesma em forma de desenho, pintura, gravu-
ra ou descrição escrita ou oral.
Como o autorretrato é a representação que o artista faz de si mesmo, ele registra a seu modo
como se vê ou como gostaria de ser visto.

4. É possível afirmar que essa tela é um autorretrato? Por quê?


Sim. Porque revela a imagem de um artista pintando a si próprio.

5. Pela imagem, podemos deduzir se o artista está sério ou bem à vontade, se é jovem, triste, calmo
etc.? Que expressões ele transmite? Resposta possível: Sim, a imagem revela um artista jovem, que demonstra estar calmo e à vonta-
de, pintando seu autorretrato. A tela não revela sentimentos de tristeza ou alegria.

6. Na imagem, há elementos estáticos, parados, e elementos que revelam movimento, atividade.


Quais são? Resposta possível: Há elementos estáticos (os que estão ao redor do espelho),
que contrastam com a atividade, o movimento do artista pintando a tela.

7. Que impressões ou sensações sugerem a você as cores escolhidas pelo artista? Resposta pessoal.

8. O artista se preocupou em apenas retratar a sua imagem na tela? Ou ele quis mostrar o ambiente
em que se encontra? Ele quis mostrar também o ambiente de trabalho dele, a sua própria atividade e como ele a realiza.

9. Na tela aparece parcialmente o nome de outro pintor: Velázquez. identifique o objeto presente no
ambiente da tela que faz referência a esse pintor.
O livro, que está sobre um móvel e tem o título Velázquez.

10. Você sabe quem foi Velázquez? Leia o próximo texto.

Diego Rodríguez de Silva Velázquez (1599-1660)

real Academia de Bellas Artes de San Carlos de Valencia


Pintor barroco, nascido em Sevilha, Espanha, manifestou des-
de muito cedo seu talento para a pintura. Velázquez é considerado
um pintor de grande maestria técnica. Ele ganhou prestígio como
um mestre pintor de retratos e influenciou outros pintores que
vieram depois dele.
As meninas é considerada sua obra mais importante.

Autorretrato (1640), de Diego Velázquez.


Óleo sobre tela, 45 cm × 38 cm.

11. Para responder às questões seguintes, releia as informações apresentadas na legenda e no crédito
da tela do texto 1.

a) O segundo nome que aparece refere-se ao pintor da tela. Copie-o no caderno. Rodrigo Cunha.

b) A expressão “acrílica sobre tela” traz uma informação sobre a pintura. Qual?
A expressão refere-se à técnica usada na pintura: a tinta acrílica sobre tela.

c) Você sabe em que lugares costumam ser expostas as telas dos pintores?
Em museus ou galerias de arte.

d) Pelas informações, a tela está exposta em algum desses lugares? A quem pertence essa obra?
Pelas informações do texto, a tela não está exposta nesses lugares, é de coleção particular, mas não se revela o nome do proprietário.

12. E você, já observou a sua imagem no espelho durante algum tempo? Por que você acha que mui-
tos jovens se preocupam em fazer isso? Resposta pessoal.

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13. Você se vê da mesma forma que as pessoas o enxergam? Por quê? Resposta pessoal.

IMPORTANTE SABER

Você observou que o texto “O Menino Maluquinho” e o texto 1 foram nomeados, respectivamente,
de história em quadrinhos e tela?
“O Menino Maluquinho” apresenta imagens e palavras. Já o texto 1 não apresenta palavras, só
imagem. Embora eles sejam diferentes, foi possível interpretar o que cada um deles quis transmitir.
Por esse motivo, podemos dizer que fizemos uma leitura da história em quadrinhos e também da tela.
Quando um texto possui imagens e não possui palavras, dizemos que ele é um texto não verbal
ou visual. Quando possui apenas palavras, é chamado texto verbal.
O texto composto de imagens e palavras ao mesmo tempo é chamado verbal e não verbal ou
icônico-verbal.

14. responda:

a) Que texto lido anteriormente é apenas visual? A tela.

b) Qual é o texto verbal e não verbal lido até agora? A história em quadrinhos.

Prática de leitura

Texto 2 – romance (fragmento)

ANTES DE LER

1. Observe as características do próximo texto. Ele é um texto verbal, visual ou ambos?


Explique. Ele apresenta apenas palavras; então, é um texto verbal.
2. Leia apenas o título do próximo texto e faça sua hipótese: De que assunto a história vai tratar?
Que personagens você supõe que ela irá apresentar? Resposta pessoal. Professor, neste momento o objetivo é apenas fazer o le-
vantamento de hipóteses dos alunos. Elas serão retomadas durante a leitura.

O menino no espelho
Levantava a perna, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os braços e ele fazia o mes-
mo. Coçava a orelha, e ele também.
Mas o que mais me intrigava era a única diferença entre nós dois. Sim, porque um dia descobri,
com pasmo, que, enquanto eu levantava a perna esquerda, ele levantava a direita; enquanto eu co-
çava a orelha direita, ele coçava a esquerda. Reparando bem, descobria outras diferenças. O escudo
da escola, por exemplo, que eu trazia colado no bolsinho esquerdo do uniforme, na blusa dele era no
direito.
Para testar, coloco a mão direita espalmada sobre o espelho. Como era de se esperar, ele ao
mesmo tempo vem com a sua mão esquerda, encostando-a na minha. Sorrio para ele e ele para
mim. Mais do que nunca me vem a sensação de que é alguém idêntico a mim que está ali dentro do

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espelho, se divertindo em me imitar. Che-
go a ter a impressão de sentir o calor da
palma da mão dele contra a minha. Fico
sério, a imaginar o que aconteceria se isso
fosse verdade. Quando volto a olhá-lo no
rosto, vejo assombrado que ele continua
a sorrir. Como, se agora estou absoluta-
mente sério?
Um calafrio me corre pela espinha,
arrepiando a pele: há alguém vivo dentro
do espelho! Um outro eu, o meu duplo,
realmente existe! Não é imaginação, pois
ele ainda está sorrindo, e sinto o conta-
to de sua mão na minha, seus dedos aos
poucos entrelaçarem os meus.
Puxo a mão com cuidado, descolando-a
renato Arlem

do espelho. Em vez da outra mão se afas-


tar, ela vem para fora, presa à minha. Afas-
to-me um passo, sempre a puxar a figura
do espelho, até que ela se destaque de todo,
já dentro do meu quarto, e fique à minha
frente, palpável, de carne e osso, como ou-
tro menino exatamente igual a mim.
– Você também se chama Fernando? – pergunto, mal conseguindo acreditar nos meus olhos.
– Odnanref – responde ele, e era como se eu próprio tivesse falado: sua voz era igual à minha.
– Odnanref?
– Sim, Odnanref. Fernando de trás para diante.
[…]
SABINO, Fernando. O menino no espelho. 44. ed.
Rio de Janeiro: Record, 2004.
Professor, dados biográficos sobre Fernando Sabino podem ser encontrados no Manual.

POR DENTRO DO TEXTO

1. O que o menino vê no espelho?


Vê a sua imagem, o seu reflexo.

2. É normal que um espelho reflita imagens invertidas?


Sim.

3. Um dos parágrafos do texto revela que o espelho reflete a imagem de maneira invertida. Localize
esse parágrafo e transcreva no caderno um trecho que comprove essa afirmação.
“[...] um dia descobri, com pasmo, que, enquanto eu levantava a perna esquerda, ele levantava a direita; enquanto eu coçava a orelha direita, ele coçava a esquerda.
Reparando bem, descobria outras diferenças. O escudo da escola, por exemplo, que eu trazia colado no bolsinho esquerdo do uniforme, na blusa dele era no direito.”.
4. releia o trecho a seguir:

[...] Quando volto a olhá-lo no rosto, vejo assombrado que ele continua a sorrir. Como, se
agora estou absolutamente sério?

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a) O que foi narrado no trecho anterior acontece normalmente? Ou seja, quando alguém está sério
diante do espelho o reflexo o mostra sorrindo? Não.
Sim, porque não se trata de algo que acontece normalmente, as imagens do menino
b) Esse fato surpreende o menino? Por quê? que ele vê refletido não acompanham os movimentos que ele faz diante do espelho.

c) Transcreva do texto um trecho que mostre o estranhamento do menino diante do outro que está
dentro do espelho. “Como, se agora estou absolutamente sério?”.

5. No texto, o fato de a imagem do espelho ser a sua própria, mas agir de outra maneira, possibilita
uma relação entre o menino e o outro que está dentro do espelho?
Sim, conforme o que é narrado no final do texto, ele e a imagem do espelho conversam.

6. Mesmo agindo de maneira diferente, o outro que está dentro do espelho é o próprio menino. Na
vida real, não é possível conversarmos conosco da maneira como o texto propõe. Nessa história,
porém, o menino pode fazer isso.

a) O texto narra um fato que pode acontecer na realidade ou é uma ficção, criada pela imaginação
do autor? É uma ficção, pois, na realidade, é impossível que uma imagem do espelho converse com alguém.

b) Em sua opinião, o fato de o menino poder conversar consigo próprio no espelho, como se
estivesse conversando com outra pessoa, fez com que ele pudesse se ver de uma maneira
diferente? Por quê? Resposta pessoal.

c) O que você achou da ideia de uma personagem conversar com a sua imagem refletida no espe-
lho? Você já conhecia uma história assim? Resposta pessoal.

7. Copie em seu caderno a afirmativa que responde à seguinte questão: Qual foi a intenção do texto
ao dar à personagem uma possibilidade que não existe na vida real? Alternativa “b”.

a) Mostrar que todos podem conversar consigo mesmo no espelho.

b) Mostrar que é possível alguém se ver de uma maneira diferente.

c) revelar que as coisas são vistas sempre do mesmo jeito.

8. releia este diálogo do texto:

– Você também se chama Fernando? – pergunto, mal conseguindo acreditar nos meus olhos.
– Odnanref – responde ele, e era como se eu próprio tivesse falado: sua voz era igual à minha.
– Odnanref?
– Sim, Odnanref. Fernando de trás para diante.

• Ao ver sua imagem no espelho, o menino percebe que ela conversa com ele. Embora os diálo-
gos aconteçam entre pessoas diferentes, o menino se reconhece no outro que está no espelho.
Que trecho do diálogo confirma isso? “[...] e era como se eu próprio tivesse falado: sua voz era igual à minha.”
Professor, você encontra no final do Manual uma coletânea de textos, separados por
unidades e capítulos. Leia ou conte essas histórias para os alunos, ou escolha outros
textos para desenvolver essa prática. Crie ou recrie esse costume de ouvir histórias, tão
apreciado pelos alunos. Depois de ler a continuação de “O menino no espelho”que está
Momento de ouvir no Manual, faça perguntas aos alunos, estimulando manifestações espontâneas. Por fim,
é interessante incentivar os alunos a ler o livro completo de Fernando Sabino.

Você quer conhecer um pouco mais sobre Fernando, o menino que se vê no espelho? Seu profes-
sor vai ler a continuação da história. Preste bastante atenção à leitura. Aproveite a oportunidade
para desenvolver a sua habilidade de ouvir.

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Reflexão sobre o uso da língua

Substantivo
1. Leia o trecho a seguir, extraído do texto:

Levantava a perna, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os braços e ele fazia o
mesmo. Coçava a orelha, e ele também.
Mas o que mais me intrigava era a única diferença entre nós dois. Sim, porque um dia
descobri, com pasmo, que, enquanto eu levantava a perna esquerda, ele levantava a direita;
enquanto eu coçava a orelha direita, ele coçava a esquerda.

a) Localize e copie do trecho acima o que o menino faz diante do espelho.


“Levantava e perna, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os braços e ele fazia o mesmo. Coçava a orelha, e ele também.”.
b) Que partes do corpo dele são citadas nesses parágrafos? Pernas, braços e orelhas.

c) As palavras que você citou no item “b” são nomes ou ações? São nomes.

2. releia o mesmo parágrafo sem algumas palavras:

Levantava a ▲, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os ▲ e ele fazia o mesmo.
Coçava a ▲, e ele também.
Mas o que mais me intrigava era a única diferença entre nós dois. Sim, porque um dia des-
cobri, com pasmo, que, enquanto eu levantava a ▲ esquerda, ele levantava a direita; enquanto
eu coçava a ▲ direita, ele coçava a esquerda.

a) E agora, é possível saber por completo o que o menino faz? Por quê?
Não, porque não é possível saber o que ele levantava, abria e coçava.
b) As palavras que faltam são importantes para construir o sentido do texto? Por quê?
Sim, porque trazem informações essenciais ao leitor. A falta dessas informações prejudica a compreensão e trunca o sentido do texto.

3. Localize no texto e anote em seu caderno:


a) As palavras e expressões que dão nome aos elementos do corpo do menino.
“Perna”, “braços”, “orelha”, “mão”, “palma da mão”, “espinha”, “pele”, “dedos”, “carne”, “osso”, “olhos”.
b) A palavra que dá nome ao menino que está diante do espelho.
“Fernando” (ou Odnanref, nome escrito de trás para frente).
c) As palavras que dão nome ao que faz parte da blusa do menino.
“Escudo”, “bolsinho”.
d) A palavra que dá nome ao local da casa em que o menino está.
“Quarto”.

e) Seria possível compreender o texto sem as palavras que você anotou em seu caderno? Por quê?
Não, porque elas identificam tudo aquilo que é citado no texto, inclusive o nome da personagem principal, que tem uma relação fundamental com o que a história conta.
f) Você sabe como são chamadas as palavras que dão nome a esses elementos?
Resposta pessoal.

IMPORTANTE SABER

A palavra que dá nome a algo ou a alguém é chamada substantivo. O substantivo nomeia pes-
soas, animais, ações, sensações, sentimentos, ideias, desejos etc.

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Substantivos próprio e comum
Há substantivos que dão nome a seres ou coisas que são identificados por traços de semelhança.
Por exemplo, quando dizemos “gato”, estamos nos referindo a um animal mamífero, que tem pelos,
bigode, rabo, quatro patas, além de outros traços que o diferenciam de outro animal. Todos os gatos
poderão ser identificados por essa palavra. Mas, se alguém quiser diferenciar o seu gato de outro gato,
dará a ele um nome próprio. Veja como a mãe de Franjinha se refere a ele e ao seu cachorro, Bidu.

Mauricio de Sousa Produções


Nesse caso, a mãe do menino se referiu a ele pelo nome próprio: Franjinha. Mas, ao se referir a Bidu,
usou o nome comum: cachorro.
Veja, na tira a seguir, os nomes “Bidu” e “Floquinho”.

Mauricio de Sousa Produções


Professor, se for necessário, explique o que é tira: história em quadrinhos (ou fragmento dela),
com dois ou mais quadros, apresentada em jornais ou revistas em uma só faixa horizontal.

Nessa tira, foram usados os nomes próprios “Bidu” e “Floquinho” para identificar os dois cachorros
e diferenciá-los de outros cachorros. Da mesma forma, na tira anterior, foi usado o nome “Franjinha”
para identificar um menino entre outros meninos.

IMPORTANTE SABER

As palavras “Bidu”, “Floquinho” e “Franjinha” são substantivos próprios. As palavras “cachorro”


e “menino” são substantivos comuns.
Para escrever nomes próprios, como “Bidu”, “Floquinho” e “Franjinha”, usamos letra maiúscula no
início das palavras. Veja mais exemplos sobre esse assunto consultando o Apêndice.

4. Volte ao texto O menino no espelho e responda:


a) Que nomes retirados do texto e copiados em seu caderno foram escritos com letra inicial maiúscula?
“Fernando” e “Odnanref”.
b) Explique por que essas palavras foram escritas com letra inicial maiúscula.
Porque são nomes próprios, nomes de pessoas.

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APLICANDO CONHECIMENTOS
1. Observe o trecho a seguir:

– Você também se chama Fernando? – pergunto, mal conseguindo acreditar nos meus olhos.

A palavra em destaque é um nome de pessoa. Como você já sabe, ela faz parte de um grupo
de palavras que recebe o nome de substantivo.
• Observe mais um trecho:

Um calafrio me corre pela espinha, arrepiando a pele: há alguém vivo dentro do espelho!
Um outro eu, o meu duplo, realmente existe! Não é imaginação, pois ele ainda está sorrindo, e
sinto o contato de sua mão na minha, seus dedos aos poucos entrelaçarem os meus.

a) As palavras em destaque no trecho anterior também são substantivos? Por quê?


Sim, elas são substantivos porque dão nome a uma sensação (calafrio) e ao ato de imaginar (imaginação).

b) Qual é a diferença entre as palavras destacadas no primeiro e no segundo trecho?


A palavra “Fernando”, do primeiro trecho, é um substantivo próprio. Já as palavras “calafrio” e “imaginação”, do segundo trecho, são substantivos comuns.
2. Leia a seguinte tira de Angeli:

Angeli
ANGELi. Chiclete com banana. Folha de S.Paulo, São Paulo, 22 jul. 2005.

a) Copie da tira todos os substantivos próprios.


“Alancastro”, “Belnário”, “Dedé Zambini”, “Corriola”.

b) Copie todos os substantivos comuns. e) Com letras maiúsculas: “Alancastro”, “Belnário”,


“Artes”, “advogado”, “curso”, “paisagismo”, “flanelinha”. “Dedé Zambini”, “Corriola”. Com letras minúsculas:
“artes”, “advogado”, “curso”, “paisagismo”, “flane-
c) Por que os substantivos próprios são importantes nesse texto? linha”. Professor, é possível que os alunos tenham
Porque identificam, dão nome às pessoas. copiado um dos substantivos comuns com maiúscula
por se tratar da primeira palavra que aparece no iní-
d) E os comuns, por que são importantes? cio da resposta: nesse caso, vale a pena esclarecer
aos alunos que eles foram escritos dessa maneira
Porque são nomes que identificam a área profissional em que as três primeiras personagens estão se forman- por causa da sua posição na frase.
do. No caso da quarta personagem, o substantivo “flanelinha” indica a atividade profissional em que ela atua.
e) Que substantivos da tira você copiou com letra maiúscula no início? E com letra minúscula? Jus-
tifique por que você usou letra maiúscula ou minúscula para escrever esses substantivos.

3. Em seu caderno, escreva o nome e a profissão de cinco pessoas que você conhece. Depois, gri-
fe os substantivos próprios e circule os substantivos comuns. Em seguida, confira se usou letra
maiúscula ou minúscula de maneira adequada. Resposta pessoal.

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APRENDER BRINCANDO
Forme um grupo com mais dois colegas para fazer uma leitura dramatizada.
Enquanto um aluno lê o texto “O menino no espelho”, os outros interpretam a leitura por meio de
gestos e expressões faciais.
Em seguida, façam uma avaliação da atividade.
• A leitura dramatizada tornou mais claro o sentido do texto? Por quê?
• Que sensações e ideias o texto despertou em vocês? Respostas pessoais.

Atividade de criação
Meu nome Professor, sugerimos que as atividades 1 e 2 sejam respondidas oralmente.

1. Você gosta do seu nome? Sabe o que ele significa?


2. Você sabe quem lhe deu esse nome?
3. Apresente-se à turma, ilustrando e colorindo seu nome em uma folha em branco. Procure criar
ilustrações com as letras que o compõem. Utilize cores e formas que possam expressar um
pouco do seu mundo, sem que, para isso, você necessite utilizar palavras. Se preferir, brinque
com o seu nome, escrevendo-o de trás para a frente, como o menino do espelho.
Depois de apresentar seu trabalho à turma, divulgue-o no mural da sala ou da escola, de acordo
com a orientação do professor.

Prática de leitura
Professor, o gênero crônica será explorado em profundidade em outro momento.
Texto 3 – crônica A escolha do texto teve como finalidade principal a exploração do tema.

ANTES DE LER
Não são apenas os gostos pessoais que revelam a identidade de uma pessoa, mas também
a condição social, a maneira como vive, aquilo que aprende, as opiniões e decisões. Na sequên-
cia de atividades a seguir, você lerá dois textos que têm em comum a infância como temática.
Leia os títulos destes textos:

“De quem são os Meninos de Rua?”


“Esta é a minha vida”

Agora que você leu os títulos, escreva em seu caderno o que você espera encontrar em
cada um dos textos. Resposta pessoal. Professor, se preferir, realize a atividade oralmente.

De quem são os Meninos de Rua?


Eu, na rua, com pressa, e o menino segurou no meu braço, falou qualquer coisa que não entendi. Fui
logo dizendo que não tinha, certa de que ele estava pedindo dinheiro. Não estava. Queria saber a hora.
Talvez não fosse um Menino de Família, mas também não era um Menino de Rua. É assim que a
gente divide. Menino de Família é aquele bem-vestido com tênis da moda e camiseta de marca, que
usa relógio e a mãe dá outro se o dele for roubado por um Menino de Rua. Menino de Rua é aquele que
quando a gente passa perto segura a bolsa com força porque pensa que ele é pivete, trombadinha, ladrão.

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Ouvindo essas expressões tem-se a impressão de que as coisas se passam muito naturalmente, uns
nascendo De Família, outros nascendo De Rua. Como se a rua, e não uma família, não um pai e uma
mãe, ou mesmo apenas uma mãe, os tivesse gerado, sendo eles filhos diretos dos paralelepípedos e das
calçadas, diferentes, portanto, das outras crianças, e excluídos das preocupações que temos com elas. É por
isso, talvez, que, se vemos uma criança bem-vestida chorando sozinha num shopping center ou num su-
permercado, logo nos acercamos protetores, perguntando se está perdida ou precisando de alguma coisa.
Mas se vemos uma criança maltrapilha chorando num sinal com uma caixa de chicletes na mão,
engrenamos a primeira no carro e nos afastamos pensando vagamente no seu abandono.
Na verdade, não existem Meninos de Rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um menino
está NA rua é porque alguém o botou lá. Os meninos não vão sozinhos aos lugares. Assim como são
postos no mundo, durante muitos anos também são postos onde quer que estejam. Resta ver quem
os põe na rua. E por quê.
No Brasil temos 36 milhões de crianças carentes. Na China existem 35 milhões de crianças super-
protegidas. São filhos únicos resultantes da campanha “Cada Casal um Filho”, criada pelo governo
em 1979 para evitar o crescimento populacional. O filho único, por receber afeto “em demasia”, torna-
-se egoísta, preguiçoso, dependente, e seu rendimento é inferior ao de uma criança com irmãos. Para
contornar o problema, já existem na China 30 mil escolas especiais. Mas os educadores admitem que
“ainda não foram desenvolvidos métodos eficazes para eliminar as deficiências dos filhos únicos”.
O Brasil está mais adiantado. Nossos educadores sabem perfeitamente o que seria necessário
para eliminar as deficiências das crianças carentes. Mas aqui também os “métodos ainda não foram
desenvolvidos”.
Quando eu era criança, ouvi contar muitas vezes a história de João e Maria, dois irmãos, filhos de po-
bres lenhadores, em cuja casa a fome chegou a um ponto em que, não havendo mais comida nenhuma,
foram levados pelo pai ao bosque, e ali abandonados. Não creio que os 7 milhões de crianças brasileiras
abandonadas conheçam a história de João e Maria. Se conhecessem, talvez nem vissem a semelhança.
Pois João e Maria tinham uma casa de verdade, um casal de pais, roupas e sapatos. João e Maria tinham
começado a vida como Meninos de Família, e pelas mãos do pai foram levados ao abandono.
Quem leva nossas crianças ao abandono? Quando dizemos “crianças abandonadas” subenten-
demos que foram abandonadas pela família, pelos pais. E, embora penalizados, circunscrevemos o
problema ao âmbito familiar, de uma família gigantesca e generalizada, à qual não pertencemos e
com a qual não queremos nos meter. Apaziguamos assim nossa consciência enquanto tratamos, isso
sim, de cuidar amorosamente de nossos próprios filhos, aqueles que “nos pertencem”.
Mas, embora uma criança possa ser abandonada pelos pais, ou duas ou dez crianças possam ser
abandonadas pela família, 7 milhões de crianças só podem ser abandonadas pela coletividade. Até
recentemente, tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo, e responsabilizá-lo. Mas,
em tempos de Nova República, quan-
AFNr/Shutterstock

do queremos que os cidadãos sejam o


governo, já não podemos apenas pas-
sar adiante a responsabilidade. A hora
chegou, portanto, de irmos ao bosque,
buscar as crianças brasileiras que ali
foram deixadas.
COLASANTI, Marina. A casa das palavras.
São Paulo: Ática, 2002.

“Na verdade, não existem Meninos


de rua. Existem meninos NA rua.”.

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TROCANDO IDEIAS
1. Que sentimentos esse texto despertou em você? Respostas pessoais.

2. Você gostou do texto? Por quê?

3. Após terminar a leitura, suas hipóteses sobre o texto se confirmaram? Explique.

POR DENTRO DO TEXTO


1. Que fato narrado no primeiro parágrafo desencadeou a reflexão desenvolvida ao longo do texto?
O fato de o narrador-personagem ter sido abordado por um menino na rua. Inicialmente, ele nem o ouviu direito
e achou que o menino pedia algo. No entanto, o garoto só queria saber as horas.
2. No texto, a categoria “meninos” é dividida em dois grandes grupos.

a) Quais são esses grupos? “Menino de Família” e “Menino de Rua”.

b) Como eles são diferenciados no texto?


O “Menino de Família” é bem-vestido, tem mãe. O “Menino de Rua” geralmente rouba o
relógio do “Menino de Família” e é visto como uma ameaça; é um trombadinha, pivete, ladrão.
c) Em sua opinião, o texto pode ser considerado preconceituoso por estabelecer essa divisão?
Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba que o texto não tem caráter preconceituoso. Na verdade, ele propõe uma reflexão pela qual a autora
transmite uma visão da sociedade que, por sua vez, pode ser considerada preconceituosa.
d) O menino a quem o narrador se refere no início da crônica se encaixa em qual dos dois grupos?
Justifique sua resposta transcrevendo um trecho do texto.
Não se encaixa em nenhum, como pode ser confirmado no trecho “Talvez não fosse um Menino de Família, mas também não era um Menino de Rua.”.

3. A crônica descreve a diferença no comportamento das pessoas diante de uma criança bem-vestida
chorando e de uma criança maltrapilha fazendo o mesmo.

a) Qual é essa diferença? Uma criança bem-vestida chorando recebe atenção, proteção, enquanto uma maltrapilha é ignorada.

b) Em sua opinião, por que acontece essa diferença de comportamento? Resposta pessoal.

c) O que, provavelmente, a autora quis dizer ao usar a expressão “filhos diretos dos paralelepípe-
dos e das calçadas”? Provavelmente, ela quis dizer que as crianças são consideradas filhas da rua,
como se ninguém as tivesse gerado, como se não tivessem família.

4. O texto estabelece um paralelo entre as 36 milhões de crianças carentes do Brasil e as 35 milhões


de crianças superprotegidas da China, associando alguns problemas a cada uma dessas realidades.

a) O que gerou, na China, 35 milhões de crianças superprotegidas?


A política do filho único, implantada na China na década de 1970, como forma de controlar o crescimento populacional. Professor, se
julgar necessário, solicite aos alunos uma pesquisa que ajude a contextualizar historicamente a política de natalidade chinesa.
b) Quais problemas são associados aos filhos únicos da China?
O filho único, por receber afeto “em demasia”, torna-se egoísta, preguiçoso, de-
pendente, e seu rendimento é inferior ao de uma criança com irmãos.
c) Levante uma hipótese: O que pode ter gerado, no Brasil, 36 milhões de crianças carentes?
Resposta pessoal. Professor, discuta com os alunos as muitas causas do problema: Má distribuição
de renda, desigualdade social, pouco investimento em saúde e educação, entre outros.
d) Aponte um problema do Brasil que, em sua opinião, pode ser associado ao grande número de cri-
anças carentes. Resposta pessoal. Sugestões: Violência, mortalidade infantil, defasagem na educação, falta de profissionais capacitados, entre outros.

5. releia o último parágrafo do texto e conclua: A culpa do abandono das crianças brasileiras é atribuí-
da apenas ao governo? Por quê? Não. O texto aponta toda a sociedade como responsável, pois vivemos em uma democracia
e temos participação nas escolhas que geram esse tipo de problema.
Professor, se houver interesse da turma, a reflexão sobre a crônica pode dar origem a um trabalho interdisciplinar
com História. Sugira aos alunos que pesquisem o que vem a ser a “Nova República” (período da História do Brasil
que se seguiu ao fim da ditadura militar, caracterizado pela democratização política do Brasil e sua estabilização
TEXTO E CONSTRUÇÃO econômica) e qual a relação entre democracia e o fato de a população também ser responsabilizada pelo aban-
dono das crianças que estão na rua. Com base nessa pesquisa, discuta com a turma a importância da responsabi-
lidade social, do direito ao voto, entre outros temas.
1. Em sua opinião, por que foi utilizada a letra inicial maiúscula nos termos destacados no trecho a seguir?
Professor, espera-se que o aluno perceba que “Menino de Família” e “Menino de Rua” são substantivos próprios que nomeiam dois grupos específicos de meninos.

Talvez não fosse um Menino de Família, mas também não era um Menino de Rua.

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2. releia:

Na verdade, não existem Meninos de Rua. Existem meninos NA rua. E toda vez que um
menino está NA rua é porque alguém o botou lá. [...]

• Qual é a diferença de sentido entre os termos destacados? Qual é o efeito de sentido gerado
pelo uso desses termos no trecho? Enquanto “de Rua” caracteriza “meninos”, “NA rua” dá a ideia de um estado momentâneo. O uso
desses termos permite dizer que estar na rua não é a condição dos meninos, pelo contrário, é como
se eles tivessem sido colocados lá.

3. Para abordar o tema das crianças abandonadas, o texto estabelece uma comparação com um con-
hecido conto de fadas.

a) Que conto é esse? “João e Maria”, conhecido pela versão dos Irmãos Grimm.

b) Por que essa história foi escolhida? Porque se trata de uma história em que duas crianças são abandonadas pelos pais, pois eles não
tinham condições de criá-las.

4. No penúltimo parágrafo, há uma pergunta que leva o leitor a refletir. releia:

Quem leva nossas crianças ao abandono?

a) Qual é a resposta sugerida para essa pergunta no restante do texto?


Que todos nós, enquanto coletividade, somos responsáveis pelo abandono dessas crianças.
b) Você concorda com esse posicionamento? Resposta pessoal.

5. releia a última frase do texto:

[...] A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as crianças brasileiras que ali foram
deixadas.

A última frase do texto convoca o leitor e toda a sociedade a


• Que chamado ela faz ao leitor e à sociedade, de forma geral? assumir a responsabilidade pelas crianças abandonadas e a
resgatá-las da situação em que estão.

CONFRONTANDO TEXTOS

Leia agora o breve relato de um aluno do 6o ano:

Esta é a minha vida


Meu nome é Gleyson. Eu tenho 13 anos e estou no 6o ano. Faço muitas coisas que qualquer um
não pode fazer: montar a cavalo, jogar bola, soltar pipa, jogar bolinha de gude.
Nasci no Nordeste, no Piauí, por isso tenho este apelido – Piauí – entre meus colegas.
Eu não tinha condições de morar lá, por causa da seca. Então, o meu pai pensou em vir para São
Paulo e aqui ele conseguiu um emprego. Agora, nós não estamos passando mais aquele mesmo
sufoco que passávamos lá.
Eu me divirto como qualquer outra criança. Brinco e faço coisas como as outras. Leio gibis, a
Bíblia e as lendas do folclore.
Esse sou eu...
SOAReS, Gleyson Willians da Silva. 6o B. eMeF Antenor Nascentes, São Paulo/SP.

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1. Anteriormente, você havia lido apenas o título desse texto. Após a leitura integral do relato, as ex-
pectativas que você tinha sobre ele foram confirmadas? Por quê? Resposta pessoal.

2. Gleyson, autor do relato, pode ser enquadrado no grupo dos “Meninos de Família” ou no dos
“Meninos de rua”, propostos no texto “De quem são os Meninos de rua?”? Por quê?
Ele se enquadra no grupo dos “Meninos de Família”, porque, apesar de enfrentar algumas dificuldades, vive com uma
família, tem uma casa, frequenta uma escola, tem uma rotina considerada normal para uma criança.
3. Por que o menino Gleyson diz que faz muitas coisas que qualquer um não pode fazer?
Porque ele diz que sabe montar a cavalo, jogar bola, soltar pipa, jogar bolinha de gude.

4. Você acha que o relato do menino Gleyson seria o mesmo se ele estivesse na situação de um
“Menino de rua”? Por quê? Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba que o relato de Gleyson seria comple-
tamente diferente se ele estivesse na rua, pois sua rotina não seria a esperada para uma criança.

5. Assim como no texto “De quem são os Meninos de rua?”, é possível estabelecer algumas com-
parações entre o relato de Gleyson e o conto de fadas “João e Maria”.

a) Aponte a principal semelhança entre o relato e o conto de fadas.


Assim como João e Maria, Gleyson passou muitas dificuldades com seus pais.
b) Aponte a principal diferença entre os dois textos.
Mesmo enfrentando dificuldades, Gleyson não foi abandonado pelos pais. A família buscou uma solução para o problema e acabou mudando de cidade, à procura
de melhores oportunidades.

Reflexão sobre o uso da língua

Substantivos simples e composto; primitivo e derivado;


concreto e abstrato
1. Leia a tira em quadrinhos a seguir:

Fernando Gonsales

a) O que é um “vira-latas”? É um cão ou gato sem raça definida.

b) O que significa o termo “dedo-duro”? O termo é usado para fazer referência àquele que denuncia alguém, que trai a confiança de alguém.

c) No último quadrinho, quem seria o “dedo-duro” a que se refere o cachorro?


O perdigueiro, que dedurou os colegas para o cão policial.
d) Quantas palavras formam os termos “vira-latas” e “dedo-duro”? Duas.

e) Leia esta frase:

Se estiver com fome, meu cachorro vira latas de lixo em busca de alimento.

• “Vira latas”, na frase, tem o mesmo significado de “vira-latas”, na tirinha? Explique.


Não. Na tirinha, “vira-latas” é o termo que faz referência a cachorros sem raça definida.
Na frase, a expressão “vira latas” refere-se à ação de tombar latas, de derrubá-las.
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IMPORTANTE SABER

Substantivo simples é aquele formado de apenas uma palavra. “Cão” e “polícia” são substan-
tivos simples.
Substantivo composto é aquele formado de duas ou mais palavras. “Vira-latas” e “dedo-duro”
são substantivos compostos.
Veja mais exemplos sobre esse assunto consultando o Apêndice.

2. Leia esta outra tira:

Mauricio de Sousa Produções


Magali queria que Mônica, ao se assustar, saltasse para cima da
a) Qual foi a intenção de Magali ao assustar Mônica? macieira, de onde poderia lhe jogar maçãs.

b) Leia esta frase, baseada na narrativa da tirinha:

Mônica estava lendo um livro quando Magali a assustou.

• Quais substantivos foram usados na frase? “Mônica”, “livro” e “Magali”.

c) Formule outra frase baseada na narrativa da tirinha, desta vez usando um substantivo derivado
da palavra “maçã”. Resposta pessoal.

3. Em seu caderno, separe as palavras a seguir em dois grupos observando as semelhanças e as


diferenças entre elas. éProfessor, espera-se que os alunos formem os seguinte grupos: 1 – cientista, científico, ciência; 2 – lixeiro, lixo, lixeira. Professor,
importante garantir que os alunos percebam o agrupamento de acordo com o radical das palavras para que possam prosseguir
na reflexão propostas nas atividades seguintes.

cientista lixo ciência

lixeiro científico lixeira

a) Explique por que você separou as palavras dessa maneira. O que fez com que você percebesse
que elas são semelhantes? Professor, espera-se que os alunos tenham agrupado as palavras pelo radical (ou parte) comum (ou igual) e pelos
significadores semelhantes.

b) Em cada grupo, é possível separar uma parte da palavra que aparece em todas as palavras que
você agrupou. Qual é essa parte em cada grupo? É possível separar lix- e cien-.

c) No grupo 1, qual palavra você supõe que tenha dado origem às outras? E no grupo 2?
No grupo 1 a palavra “ciência” e no grupo 2 a palavra “lixo” deu origem às outras.
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Professor, caso julgue necessário aprofundar este estudo, no Apêndice
IMPORTANTE SABER você encontrará mais exemplos dos tipos de substantivos.

Substantivo primitivo é a palavra que dá origem a outra(s) palavra(s).


Substantivo derivado é aquele formado de outra palavra. Ele deriva da palavra primitiva.
Veja um exemplo:
cavalo cavaleiro

substantivo primitivo substantivo derivado


Veja mais exemplos sobre esse assunto consultando o Apêndice.

4. releia este trecho do texto:

João e Maria tinham começado a vida como Meninos de Família,


e pelas mãos do pai foram levados ao abandono.

a) A que situação João e Maria foram levados? Ao abandono.

b) Que palavra dá nome a essa situação? “Abandono”.

c) Quem levou João e Maria a essa situação? O pai.

d) Sem essa pessoa, João e Maria poderiam estar nessa situação? Ou seja, ela poderia existir por
si só, independentemente de quem a realiza? Não.

5. As palavras a seguir foram retiradas do texto. Transcreva no caderno aquelas que, como “abando-
no”, também expressam algo que depende de um ser para existir. “Afeto”, “preocupações”.

rua afeto relógio preocupações casa

6. releia esta frase retirada do texto, observando a palavra em destaque:

Pois João e Maria tinham uma casa de verdade, um casal de pais,


roupas e sapatos.

• O substantivo “casa” depende de outras pessoas para existir? Não.

Professor, em razão do nível de abstração que envolve a compreensão do que é substantivo concreto e abstrato,
julgamos que este não é o momento de aprofundar esse conteúdo, pois os alunos terão a oportunidade de
IMPORTANTE SABER estudá-lo, na prática, quando aparecer em textos posteriores.

Substantivo concreto é aquele que indica um ser que não depende de outro para existir. Por
exemplo: casa, roupas, sapatos.
Substantivo abstrato é a palavra que dá nome a qualidades, ações e sentimentos que precisam
de outro ser para existir. Por exemplo: abandono, amizade, confiança.
Veja mais exemplos sobre esse assunto consultando o Apêndice.

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DE OLHO NO VOCABULÁRIO
1. Leia o trecho a seguir, prestando atenção à palavra em destaque. Que sentido você atribui a ela
nesse contexto? Resposta pessoal.

Até recentemente, tínhamos o direito de atribuir esse abandono ao governo,


e responsabilizá-lo. Mas, em tempos de Nova República, quando queremos que
os cidadãos sejam o governo, já não podemos apenas passar adiante a respon-
sabilidade. A hora chegou, portanto, de irmos ao bosque, buscar as crianças
brasileiras que ali foram deixadas.

2. Você sabe o que é um verbete? Leia esta definição:

Verbete é a palavra de entrada em um dicionário, glossário ou enciclopédia


seguida das informações e explicações que se referem a ela.

• Leia a seguir os significados da palavra “buscar”, de acordo com o verbete de dicionário.

buscar (bus.car) v. 1 Fazer diligência para achar ou encontrar alguém ou algu-


ma coisa; diligenciar. 2 Recorrer a; procurar. 3 Tratar de trazer ou levar alguém
ou alguma coisa. 4 Ir ter a alguma parte; dirigir-se para. 5 Revistar; esquadri-
nhar. 6 Examinar; investigar; pesquisar. 7 Empenhar-se em; esforçar-se por;
procurar. 8 Imaginar; idear; inventar.
Fonte: ACADeMIA Brasileira de Letras. Dicionário escolar da língua portuguesa.
São Paulo: Companhia editora Nacional, 2008.

a) Em que sentido essa palavra foi usada no trecho transcrito na atividade 1?


No sentido 3: tratar de trazer ou levar alguém ou alguma coisa.
b) Apenas uma das frases a seguir usa a palavra “buscar” com o mesmo sentido empregado no
texto. identifique-a e transcreva-a no caderno.
• É preciso sempre buscar as causas das controvérsias.
• Foi buscar a filha no aeroporto.
• Ela vivia a buscar desculpas.
• Saía cedo todos os dias para buscar trabalho. A segunda frase: “Foi buscar a filha no aeroporto.”.

3. Você sabe como encontrar uma palavra no dicionário? A ordem em que as palavras aparecem nes-
se tipo de obra obedece a uma regra simples. Para testar seus conhecimentos sobre o assunto,
faça as atividades a seguir.

a) Leia estes verbetes:

buscador bus.ca.dor adj (buscar+dor) Que busca. sm. 1 Aquele ou aquilo que


busca. 2 Seletor telegráfico.
buscante bus.can.te adj m+f (de buscar) Que busca.
MICHAeLIS moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2009.

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b) Sem consultar o dicionário, responda:
• Os verbetes que você leu aparecem no dicionário antes ou depois do verbete “buscar”? Aparecem antes.
• O verbete “busca” aparece no dicionário antes ou depois desses verbetes? Aparece antes.

c) Por que não foi preciso consutar o dicionário para responder às questões anteriores?
Porque bastou seguir a ordem alfabética

d) Com base no que você observou, conclua a regra de organização das palavras no dicionário.
As palavras estão organizadas no dicionário em ordem alfabética. Quando duas palavras iniciam-se com a mesma letra, deve-se observar a ordem alfabética nas
letras seguintes, uma após a outra, até que elas se diferenciem.
e) Agora, use essa regra para organizar as palavras a seguir na ordem em que aparecem no dicionário.
Trabalhador, trancado, transtornado, trepadeira, tribuna, tripulação.

trabalhador trepadeira trancado tribuna tripulação transtornado

Professor, o objetivo dessa atividade é retomar os procedimentos de uso do dicionário utilizando a ordem alfabé-
tica. O jogo proposto possibilita que os alunos troquem conhecimentos sobre o assunto de forma lúdica. Sugira
APRENDER BRINCANDO palavras iniciadas pelas mesmas letras ou que tenham várias letras repetidas em seu interior, para que os alunos
exercitem a observação da ordem alfabética no interior das palavras.
Organizem-se em duplas, cada uma com seu dicionário, e preparem-se para um jogo! O desafio
é encontrar no dicionário todas as palavras sugeridas pelo professor. A dupla vencedora será aquela que
encontrar as palavras no menor tempo possível. Quando encontrarem uma palavra, você e seu colega
devem levantar as mãos e ler o significado para o restante da turma. Vocês podem pensar em um prê-
mio para a dupla vencedora. Combinem tudo com o professor.

Professor, este gênero de texto costuma ser nomeado de ficha-retrato ou retrato fala-
Prática de leitura do em diferentes mídias: tevê, jornal, revista, site etc. Mas também pode receber outras
denominações, outros nomes, como “bate-bola”, “jogo rápido”, “pingue-pongue”. Consi-
deramos o nome “retrato falado” mais adequado à abordagem que vínhamos fazendo no
capítulo, que faz referência a outras formas de retrato.

Texto 4 – retrato falado


Ao longo desta unidade, você leu textos com características muito diferentes, mas com algo em
comum: todos traçavam o retrato de alguém. Veja mais uma maneira de fazer isso, lendo o texto que
faz parte da apresentação do elenco de uma webnovela produzida pelos alunos da Escola Municipal de
Ensino Fundamental Santos Dumont, localizada em Campo Bom, rio Grande do Sul. Textos como esse
são conhecidos como retratos falados e são comuns em sites, blogs, revistas, jornais etc.

Projeto UpDown
Nome: Gabriela Boiaski – Prato preferido: Lasanha
Samuel Borges Photography/Shutterstock

no papel de Clara Fruta: Uva


Data de nascimento: 27/7/1999 Filme: Onde está a felicidade?
Local: Campo Bom (RS) Hobby: Navegar na internet
Signo: Leão Um lugar: Praia
Animal de estimação: Cachorro Time: Internacional
Ator: Taylor Lautner Mania: Ficar conectada
Atriz: Thaís Melchior Qualidade: Humilde
Cantor: David Guetta Defeito: Tagarela
Cantora: Rihanna Roupas: Batas, jeans, All Star
Banda: NX Zero Futuro: Ser atriz profissional
Cor: Vermelho

Disponível em: <http://projetoupdown.wordpress.com/2012/04/28/


perfil-do-elenco/>. Acesso em: 29 jan. 2015.

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POR DENTRO DO TEXTO
1. identifique e transcreva o nome e a data de nascimento da menina do retrato falado.
Gabriela Boiaski; 27/7/1999.

2. Esse texto apresenta linguagem visual e verbal. Explique por quê.


O texto apresenta uma foto (linguagem visual) e é composto por palavras (linguagem verbal).

3. As respostas da menina são dadas a partir de alguns temas. identifique e transcreva cinco desses temas.
Os temas das perguntas revelam preferências da menina. Sugestão de resposta: Animal de estimação, ator, time, prato, fruta.

4. A maioria das preferências da menina reflete as experiências vividas por ela no passado. Por quê?
Porque foi por causa das experiências vividas que ela construiu uma opinião sobre cada tema.

5. O tema de um dos itens do retrato falado relaciona-se a um sonho da menina. Transcreva esse item.
“Futuro: Ser atriz profissional.”.

6. Leia este outro retrato falado:

Sobre o cantor Luan Santana (Gurizinho):


Cor: Vermelho
Ernesto rodrigues/Folhapress

Prato preferido: Bife acebolado


Fruta: Melancia
Filme: Matrix
Sapato: 40
Manequim: 40
Hobby: Jogar futebol
Um lugar: Pantanal
Time: Corinthians
Pais: Amarildo Aparecido de Santana e
Nome: Luan Rafael Domingos Santana Marizete Cristina Domingos Santana
Data de nascimento: 13/3/1991 Irmã: Bruna Domingos Santana
Local: Campo Grande (MS) Mania: Passar a mão nos cabelos
Signo: Peixes Qualidade: Sinceridade
Altura: 1,75 m Defeito: Muito quieto
Peso: 66 kg Perfume: Hugo Boss
Animal de estimação: Cachorro Roupas: Calça jeans, camiseta e tênis
Ator: Wagner Moura Frase: “Tentar algo e fracassar é, pelo menos, apren-
Atriz: Camila Pitanga der. Não fazer a tentativa é sofrer a inestimável
Cantor: Zezé di Camargo perda do que poderia ter sido” (Geraldo Eustáquio).
Cantora: Ivete Sangalo Futuro: Dar o melhor de mim para crescer cada
Dupla: Zezé di Camargo e Luciano vez mais...

Disponível em: <http://www.vagalume.com.br/luan-santana/


biografia/#ixzz3NtTTzl8z>. Acesso em: 3 jan. 2015.

• identifique as semelhanças e as diferenças entre o retrato falado de Luan Santana e o da menina


Gabriela Boiaski quanto aos seguintes aspectos:
O retrato falado de Gabriela Boiaski dirige-se principalmente ao público da escola e às pessoas que se
identificam com o projeto da webnovela. O retrato falado de Luan Santana dirige-se aos fãs do cantor, um
a) O público a que o texto se dirige. público predominantemente infantojuvenil.

b) O formato do texto. Os dois textos têm o mesmo formato: são organizados em itens e apresentam temas e
respostas relacionados às características e gostos de cada pessoa retratada.

c) A faixa etária da pessoa retratada. A faixa etária é diferente. Gabriela é pré-adolescente e Luan Santana é um jovem adulto.

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O retrato falado de Gabriela Boiaski foi retirado de um blog (<projetoupdown.wordpress.
d) O suporte do qual o texto foi retirado. com>) e o retrato falado de Luan Santana foi retirado de um site (<www.vagalume.com.br>).

O retrato falado de Gabriela Boiaski tem como principal finalidade apresentar a menina, estudante que faz parte da
e) A finalidade de cada texto. webnovela UpDown, no papel da personagem Clara. O retrato falado de Luan Santana, além de apresentar o cantor,
tem a finalidade de atrair seus fãs e divulgar o site em que o texto foi publicado.

7. Qual item revela um gosto que Gabriela Boiaski e Luan Santana têm em comum?
A cor. Os dois gostam de vermelho.

8. Em um dos itens, Gabriela e Luan têm opiniões diferentes no que se refere a uma falha na perso-
nalidade. Aponte essa diferença. Como defeito Gabriela indica o fato de ser tagarela, enquanto Luan Santana considera-se muito quieto.
As duas características se opõem.

9. Que função tem a foto que acompanha o retrato falado? Ilustrar o texto e mostrar para o leitor a imagem da pessoa retratada.
6. d) Professor, sugerimos esclarecer aos alunos a diferença entre blog e site,
que está mais na programação do que no conteúdo. Um blog, quase sempre, tem
caráter mais pessoal, pode ser organizado cronologicamente ou por assunto e

Na trilha da oralidade preza pela interatividade com os leitores. Qualquer pessoa pode facilmente criar e
manter um blog, geralmente de forma gratuita. Já os sites têm caráter mais insti-
tucional, são organizados por páginas de conteúdo e precisam de um profissional
para montá-lo e alimentá-lo, que pode ser um programador ou webdesigner.

entrevista Professor, a atividade proposta ajuda a promover a integração entre os alunos.

Vamos fazer uma entrevista? Elabore algumas perguntas para fazer a um colega de sua turma a
fim de conhecê-lo melhor. Sente-se com o escolhido e, conforme a orientação do professor, faça
a entrevista. Depois, será a vez de o colega fazer perguntas a você.

ORIENTAÇÕES
• Para ser um bom entrevistador, você precisa fazer uma pergunta de cada vez e prestar muita
atenção na resposta do entrevistado. Se desejar, pode fazer perguntas que não estejam no
roteiro de questões que você montou desde que consiga, com elas, alcançar o objetivo maior
dessa tarefa, que é conhecer melhor o seu colega.
• Quando for transcrever uma pergunta ou uma resposta, coloque o nome do entrevistado e
o do entrevistador antes da fala. Assim, o leitor de seu texto saberá facilmente quem está
falando em cada momento.
• Depois de anotar as respostas de seu colega, você irá apresentá-lo para a turma, orientando-
-se pelas respostas dadas na entrevista.

SUgeSTão de roTeiro
ORIENTAÇÕES
1. Qual é o seu nome?
2. Em que estado você nasceu?
3. Quem nasce nesse estado, como é chamado?
4. Você tem parentes que vieram de outras regiões do Brasil ou do mundo? Quem são eles? De
onde vieram?
5. Você estuda há quanto tempo nesta escola?
6. Qual é a matéria que você gosta mais de estudar? Por quê?
7. Qual é a hora do dia que lhe agrada mais?
8. Que manias você tem?
9. O que lhe dá mais medo na vida?
10. O que o deixa irritado?
11. O que o deixa emocionado?
12. Cite o nome de um grande amigo.

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Reflexão sobre o uso da língua

Flexão do substantivo (gênero, número e grau)


releia um trecho do retrato falado de Luan Santana:

Sobre o cantor Luan Santana (Gurizinho):


[...]
Mania: Passar a mão nos cabelos
Qualidade: Sinceridade
Defeito: Muito quieto
Perfume: Hugo Boss
Roupas: Calça jeans, camiseta e tênis
Frase: “Tentar algo e fracassar é, pelo menos, aprender. Não fazer a tentativa é sofrer a ines-
timável perda do que poderia ter sido” (Geraldo Eustáquio).

1. No trecho, foram destacados alguns substantivos. Em seu caderno, transcreva:

a) Os substantivos destacados que podem ser precedidos apenas por “o”. “Gurizinho”, “defeito”, “tênis”.

b) Os substantivos destacados que podem ser precedidos apenas por “a”. “Sinceridade”, “mania”.

c) O substantivo destacado que dá a ideia de plural (mais de um ou de uma). “Cabelos”.

d) O substantivo destacado que pode ser precedido tanto por “o” quanto por “os”. “Tênis”. Professor,
explique que, apesar da terminação em “s”, a palavra “tênis” é invariável. O que define se uma palavra é singular ou plural são os termos que a acompanham.

IMPORTANTE SABER

• Os substantivos variam em gênero: podem ser masculinos ou femininos.


O defeito A mania

substantivo masculino substantivo feminino

• Os substantivos variam em número: podem aparecer no singular ou no plural.


Passar a mão nos cabelos. Passar a mão no cabelo.

substantivo no plural substantivo no singular

2. Luan Santana é chamado de “Gurizinho” no título do retrato falado. O termo é muito utilizado no
sul do Brasil para se referir a “menino”. éProfessor, se achar pertinente explique que “Gurizinho” é o apelido do cantor. Gurizinho também
o nome dado ao primeiro álbum de Luan Santana, de produção independente, lançado em 2008.

a) O fato de o cantor ter sido chamado de “Gurizinho” significa que o autor do retrato falado o con-
sidera um menino pequeno? Provavelmente, não. É apenas uma forma carinhosa de se referir ao cantor.

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b) Agora, observe o uso desse substantivo em outros dois contextos:

Cássio é um gurizinho insuportável.

O bebê de minha prima é um gurizinho com menos de dois quilos, por isso está na incubadora.

• O emprego do substantivo “gurizinho” produz o mesmo efeito nos dois exemplos? Explique.
Não. No primeiro caso, expressa desprezo. No segundo, tamanho.

IMPORTANTE SABER Professor, caso queira aprofundar esse trabalho, há mais detalhes desse conteúdo no Apêndice.

• Os substantivos variam em grau: podem aparecer no diminutivo ou no aumentativo.


Luan Santana era um gurizinho quando começou a cantar.

grau diminutivo do substantivo

Vi um gurizão brincando no parque.

grau aumentativo do substantivo

3. O fato de os substantivos terem aparecido de maneiras variadas no retrato falado contribuiu para
que Luan Santana conseguisse transmitir suas ideias no texto? Por quê? Sim. No retrato falado apresentado, o en-
trevistado precisou expressar ideias de
Professor, espera-se que o aluno reconheça a importância de flexionar adequadamente os substantivos para criar re-
lações coerentes dentro dos enunciados e construir o sentido dos textos. Oriente os alunos sobre esse papel da flexão. gênero, número e grau.
4. Experimente ler os itens a seguir de outra maneira:

Qualidades: Sinceridade
Defeitos: Muito quieto

a) Com essa flexão dos substantivos, a resposta de Luan Santana ficou adequada? Não.
b) Se os substantivos “qualidades” e “defeitos” fossem mantidos no plural, que resposta seria
esperada do entrevistado? Dê um exemplo. OPorentrevistado deveria ter citado mais de um exemplo de qualidade e de defeito.
exemplo: Sinceridade e carisma; muito quieto e desajeitado.

5. Se você estivesse no lugar de Luan Santana, como responderia aos itens apresentados na questão
anterior? Resposta pessoal.

Produção de texto

retrato falado
Que tal preparar o seu retrato falado para colocar em um mural na sala de aula? Desse modo,
você e seus colegas poderão se apresentar melhor para a turma. Para produzi-lo, você poderá criar
mais itens, diferentes dos que apareceram no texto 4. Com seus colegas, decida se cada aluno irá
ou não colocar a sua foto. Se preferir, ilustre o texto conforme seu gosto.

PLANEJE SEU TEXTO


Copie no caderno os itens do quadro e responda a cada um deles como modo de planejamento.
Amplie o número de itens, se precisar. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto.

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Para escrever o retrato falado
1. Qual é o público leitor do texto? Meus colegas de turma.

2. Que linguagem vou empregar? Nível informal.


O formato é um conjunto de tópicos que servem de dicas para as respostas,
3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? acompanhados das respostas da pessoa indicada no título. Cada tópico deve-
rá estar em uma linha diferente para melhor organização desses itens.

4. Onde o texto vai circular? Em um mural, na sala de aula.

ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO


1. Verifique que tópicos (assuntos que servem como perguntas) vão compor o seu texto. Você
pode se basear nos que estão nos textos lidos, pesquisar outros lendo novos textos desse
gênero e ampliar a lista.
2. As respostas de um retrato falado são breves, portanto, escreva respostas objetivas.
3. Como os leitores de seu texto são seus colegas de turma e o retrato falado será um meio para
que eles a conheçam melhor, escolha itens que possam cumprir essa finalidade.
4. Combinem com o professor o tamanho da folha em que o texto será passado a limpo, pois é
preciso que você planeje a organização do texto e, se for o caso, da imagem.
5. Se você decidir colocar uma imagem em seu retrato falado, providencie uma foto sua que tenha
um tamanho adequado.

AVALIAÇÃO E REESCRITA
1. Verifique se as respostas atendem objetivamente aos tópicos apresentados, se estão interes-
santes ao público leitor.
2. As respostas são breves e objetivas?
3. Antes de passar o texto a limpo na folha definitiva, faça uma correção ortográfica, consultando
o dicionário quando for necessário.
4. Passe o texto a limpo, cuidando de ocupar a página distribuindo o conteúdo de modo a garantir
harmonia entre texto e imagem.
Por fim, combinem com o professor de que modo você e sua turma montarão o mural.

Leia mais
Na internet e em revistas impressas, você encontrará outros textos semelhantes na estrutura ou
com a mesma finalidade do retrato falado. Busque informações sobre pessoas conhecidas que você
admira ou sobre as quais quer conhecer um pouco mais e leia novos textos desse gênero.

Professor, determine a data de apresentação


Preparando-se para o próximo capítulo conforme seu planejamento e oriente os alunos
a lerem com expressividade.

Pesquise em livros e revistas ou tente se lembrar de poemas que você considera bonitos, agra-
dáveis de ler, capazes de emocioná-lo. Prepare a leitura de um desses textos, que será apresenta-
do na data solicitada pelo professor. Treine sua expressão oral de modo a transmitir a emoção que
o poema escolhido provoca em você.

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capítulo

2 Poeta aPrendiz

Para começo de conversa


Professor, depois da leitura dos próximos poemas será proposta uma atividade
de declamação dos textos que os alunos pesquisaram no final do Capítulo 1 des-
ta unidade. Para introduzir o estudo da linguagem poética, o aluno lerá dois tex-
tos que falam sobre a figura do poeta. Depois, será proposta a leitura de vários
poemas, escritos em variedades linguísticas diversas e que utilizam diferentes
recursos poéticos, que apoiarão a construção de conceitos básicos relativos ao
estudo da linguagem poética e do poema. Se julgar adequado, antecipe essas
informações a seus alunos.

1. Você conhece alguns poemas? Quais? Você gosta de poemas? Por quê?
Respostas pessoais.

2. Já sentiu vontade de se colocar no lugar de um poeta e escrever palavras no papel para expressar
o que sentia em determinado momento de sua vida?
• A respeito de ser poeta, veja o que nos conta Manoel de Barros.

Hoje eu completei oitenta e cinco


anos. O poeta nasceu de treze. Naquela

Renato Arlem
ocasião escrevi uma carta aos meus pais,
que moravam na fazenda, contando que
eu já decidira o que queria ser no meu fu-
turo. Que eu não queria ser doutor. Nem
doutor de curar nem doutor de fazer casa
nem doutor de medir terras. Que eu que-
ria era ser fraseador. Meu pai ficou meio
vago, depois de ler a carta. Minha mãe in-
clinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e
não doutor. Então, o meu irmão mais ve-
lho perguntou: Mas esse tal de fraseador
bota mantimento em casa? Eu não que-
ria ser doutor, eu só queria ser fraseador.
Meu irmão insistiu: Mas se fraseador não
bota mantimento em casa, nós temos que
botar uma enxada na mão desse menino
pra ele deixar de variar. A mãe baixou a
cabeça um pouco mais. O pai continuou
meio vago. Mas não botou enxada.
BARROS, Manoel de. Memórias inventadas:
a infância. São Paulo: Planeta do Brasil, 2003.

3. O poeta Manoel de Barros diz que, desde cedo, já queria ser fraseador. O que ele quis dizer com
essa afirmação?
Ele quis dizer que desde menino já queria ser poeta.

4. Que frase do texto confirma que Manoel de Barros descobriu-se poeta quando era adolescente?
“O poeta nasceu de treze.”.
5. Ao receberem a carta, pai, mãe e irmão tiveram reações diferentes. Identifique a reação de cada um.
O pai ficou meio vago, a mãe abaixou a cabeça e o irmão questionou a possibilidade de se ganhar a vida como poeta. Professor, é importante verificar se os alunos com-
preenderam o que quer dizer “ficar meio vago” e também a atitude da mãe de baixar a cabeça: o pai fica confuso, meio desconcertado com a notícia e a mãe não apoia
nem reprova a decisão do filho. O texto dá a entender que a mãe fica resignada, pensativa, decepcionada.
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6. Releia esta pergunta do irmão do poeta: “Mas esse tal de fraseador bota mantimento em casa?”.

a) Ao fazer essa pergunta, que tipo de preocupação o irmão manifesta?


Manifesta preocupação com a remuneração do trabalho e como essa remuneração pode garantir a sobrevivência.

b) Ao manifestar essa preocupação, o irmão de Manoel também revela o modo como considera o
trabalho dele. O que provavelmente pensa o irmão sobre o trabalho dos poetas?
Provavelmente considera que esse trabalho não remunera ou não remunera o suficiente para garantir a sobrevivência de quem o pratica e dos que dele eventualmen-
te dependem. Pode até considerar como um não trabalho. Professor, a atividade a seguir aprofunda a discussão que a atividade 6 – b introduz.
7. Na sociedade em que vivemos, há quem considere o poeta um artista, uma pessoa de grande
sensibilidade, alguém que lida bem com as palavras, mas há também aqueles que o consideram
sonhador, alguém que não tem os pés no chão, ou até mesmo julgam sua atividade irrelevante. O
que você pensa sobre esse assunto? Resposta pessoal. Professor, a leitura da fábula “A cigarra e a formiga”, versão de Monteiro Lobato
para a história de La Fontaine, pode ampliar a discussão sobre esse assunto, permitindo que se trate
da função social da arte. Na fábula, o assunto é a música e seu possível papel na vida das pessoas.
Ver em Fábulas. 51. ed. São Paulo: Brasiliense, 1995.
8. O pai seguiu o conselho do irmão do poeta? O que representou a atitude do pai?
Não. Com essa atitude, o pai demonstrou respeitar a decisão do filho.

Prática de leitura

texto 1 – Conto
ANTES DE LER
O próximo texto nos fala sobre a descoberta de outro menino poeta: Carlos Drummond de An-
drade, um grande poeta da nossa língua.
Observe apenas o título e responda: O que você compreende da expressão “A incapacidade
de ser verdadeiro”? Resposta pessoal. Professor, provavelmente, sem a leitura do texto, os alunos dirão
que a expressão compreende a ideia de alguém não ser capaz de dizer a verdade.

A incapacidade de ser verdadeiro


Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa
dizendo que vira no campo dois dragões da indepen-

Jótah
dência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte
ele veio contando que caíra no pátio da escola um pe-
daço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo,
e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo
não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jo-
gar futebol durante quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as
borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá
Elpídia e queriam formar um tapete voador para trans-
portá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico.
Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
– Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é
mesmo um caso de poesia.
AndRAde, Carlos drummond de.
Contos plausíveis. 7. ed. Rio de Janeiro: Record, 2006.

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POR DENTRO DO TEXTO
1. Que motivos conduziram as pessoas a achar que Paulo era mentiroso?
Ele chegava em casa relatando que viu seres imaginários, falando coisas improváveis, mencionando acontecimentos fantásticos – considerando-se a realidade concreta,
ele falava coisas improcedentes.
2. Apesar de ser castigado, Paulo continua relatando à mãe situações fantasiosas. Por que você acha
que isso ocorre? Professor, espera-se que o aluno reconheça que Paulo tem uma imaginação fértil e que,
possivelmente, como escritor, gosta de imaginar situações, inventar histórias.

3. Releia o diagnóstico do médico:

– Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia.

• A afirmação do médico confirma a ideia de que Paulo é mentiroso? Explique sua resposta.
Não, o médico acha normal a imaginação criadora do menino e diz que ele tem dons poéticos.

4. Depois de ler o texto, explique por que Paulo é incapaz de ser verdadeiro.
O menino é incapaz de ser verdadeiro conforme o que a mãe julgava correto. Ele criava outra realidade, a “realidade” da fantasia, do sonho, da imaginação. Professor, o
título revela a capacidade da personagem de ir além de uma visão comum das coisas. O poeta é alguém que dá outro significado às palavras e à forma de ver o mundo.
5. Que outro título poderia ter o texto?
Um título possível seria: “Poeta por natureza”.

6. Você costuma escrever textos poéticos? Já mostrou para alguém? Por quê? Resposta pessoal.

TEXTO E CONSTRUÇÃO

1. Ao escrever a expressão “caso de poesia”, o autor fez referência a outra expressão muito usada pelas
pessoas no dia a dia. Ele reescreveu uma expressão conhecida, dando-lhe um novo sentido
de acordo com as ideias do texto. Você sabe que expressão é essa? Escreva-a. “Caso de polícia”.

2. Assim como acontece no texto de Drummond, muitas outras expressões são recriadas no dia a
dia. Leia algumas e, em seguida, escreva no caderno as frases que lhes deram origem.

a) Água mole em pedra dura tanto bate até que molha tudo. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

b) Devo, não pago. Nego enquanto puder. Devo, não nego. Pago quando puder.

c) Depois da tempestade, o trânsito para! Depois da tempestade, a bonança!


d) Devagar... nunca se chega. Devagar se vai ao longe.
e) Os últimos serão desclassificados. Os últimos serão os primeiros.

f) Em terra de cego quem tem olho é caolho. Em terra de cego quem tem olho é rei.

DE OLHO NO VOCABULÁRIO

1. Como você já sabe, às vezes, uma mesma palavra pode ter vários significados. O sentido só pode
ser determinado pelo contexto, isto é, de acordo com a situação em que a palavra foi usada.
• Observe a definição da palavra “fama” no dicionário:

fa.ma s.f. 1 renome; notoriedade: O cantor alcançou a fama rapidamente. 2 reputação; conceito:
Meu avô tem fama de ranzinza.
CegAllA, domingos Paschoal. Dicionário escolar da língua portuguesa.
São Paulo: Companhia editora nacional, 2013.

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• Em que sentido foi usada a palavra “fama” no texto 1, de Carlos Drummond de Andrade? O que
no contexto, significa voz geral, voz pública, reputação, conceito.
significa dizer que alguém “tem fama de mentiroso”? “Fama”,
Quando alguém tem fama de mentiroso, isso quer dizer que é voz geral, é
sabido de todos que é mentiroso. Portanto, a definição 2.

2. Releia a fala do médico no texto “A incapacidade de ser verdadeiro” e responda: O que você en-
tendeu por “poesia”? Resposta pessoal.

3. Procure no dicionário o significado da palavra “poesia”. Transcreva para o seu caderno e compare
com a sua resposta. Que semelhanças e diferenças há entre as duas definições?
Professor, é importante acompanhar esse trabalho e explicar aos alunos que as definições encontradas no verbete
não se referem apenas ao poema, mas ampliam essa noção. Uma delas refere-se ao belo, ao que comove, emociona.
4. Reescreva no caderno os trechos abaixo, dando um sentido contrário às palavras destacadas.

a) “Paulo tinha fama de mentiroso.” Sincero, verdadeiro.

b) “A incapacidade de ser verdadeiro.” Capacidade.

5. Observe o uso do prefixo in- ou de sua variação i- nas palavras a seguir:

i + legal = ilegal

in + adequado = inadequado

a) O que aconteceu com o sentido das palavras ao receberem esse prefixo e sua variação?
As palavras passaram a ter um sentido contrário.
Professor, comente com os alunos que o prefixo in- e sua variação i- têm sentido próprio de negação.
b) Utilizando o prefixo in- ou sua variação i-, forme outras palavras com sentido oposto às dos qua-
dros a seguir: Intolerante, impossível, indelicado, irreal, inafiançável, impaciente, indiscreto, irregular, impróprio, irresponsável.

tolerante paciente possível

discreto delicado regular real

próprio afiançável responsável

c) Em quais das palavras formadas o prefixo in- sofreu alteração para im-? Por que houve essa
alteração? Nas palavras “impossível”, “impaciente” e “impróprio”. A alteração foi por causa da
consoante “p”, porque na língua portuguesa usa-se sempre “m” antes de “p” e “b”.

d) Em quais das palavras formadas o prefixo in- sofreu alteração para ir-? Explique essa alteração.
Nas palavras “irreal”, “irregular” e “irresponsável”. A alteração ocorreu por
causa da consoante “r”, que é duplicada entre vogais para notar o som “forte”.

IMPORTANTE SABER

As palavras e expressões com sentidos opostos, contrários entre si, são chamadas antônimos.
“Possível” e “impossível” são antônimos.

6. Pesquise outras cinco palavras iniciadas com o prefixo in- ou uma de suas variações e forme uma
frase com cada uma delas. Resposta pessoal. Sugestões: Infeliz, inadmissível, incapaz, imbatível, inflexível, indesejável, indiscreto, imprevisto.

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Professor, um dos objetivos do trabalho com o poema a seguir é fazer a construção

Prática de leitura
do conceito de eu poético. As atividades de compreensão do texto procuram ofere-
cer pistas para o aluno chegar a esse conceito, que será sistematizado depois da
última atividade. Essa definição é importante para a realização de outras leituras,
como a do poema “Identidade”, de Pedro Bandeira, que virá na sequência. Caso
julgue necessário, apresente outros exemplos aos alunos.

texto 2 – Poema

Abramov Timur/Shutterstock
Ouriço
sei não,
do jeito que me dão conselho
dá pra desconfiar à beça,
ou estou sempre errado
ou eles não entendem nada de conversa.
TAvAReS, Ulisses. Caindo na real: poemas.
São Paulo: Moderna, 2004.

O ouriço é um animal que


arrepia seus espinhos quando
se sente ameaçado.

POR DENTRO DO TEXTO


Quem fala no texto se incomoda com o excesso de conselhos
1. Qual é o problema de quem fala, no poema? dados por outras pessoas e não sabe como agir.

2. Quem fala, no poema, desconfia do fato de muitas pessoas darem conselhos a ele. Transcreva os
versos que expressam essa desconfiança. “sei não, / do jeito que me dão conselho / dá pra desconfiar à beça [...]”.

3. Que expressão indica essa cisma, essa desconfiança? A expressão “sei não”.

4. Em sua opinião, quem são “eles” a que se faz referência no poema? Como você chegou a essa
conclusão? Professor, espera-se que o aluno reconheça que o “eles” se refere aos adultos, que sempre vivem aconselhando, pois acreditam que sabem mais da vida.

5. O ouriço é um tipo de animal cheio de espinhos que, para se proteger quando se sente ameaçado
por predadores, arrepia seus espinhos e prepara-se para soltá-los na direção da ameaça. Com base
nessa informação, explique por que o título do texto é “Ouriço”.
As pessoas geralmente têm uma reação semelhante à de um ouriço quando se sentem pressionadas ou incomodadas com a opinião alheia.

6. O tipo de desconfiança, de reclamação apresentado no texto combina mais com a fala de um jo-
vem ou de um adulto? Por quê? Combina mais com a fala de um jovem reclamando dos adultos. Esse fato é bastante
comum na vida do jovem, assim como o comportamento dele em se proteger (ou se
isolar) quando se sente incomodado (assim como ocorre com o ouriço).

7. Você já se sentiu incomodado como quem fala no poema? Explique sua resposta. Resposta pessoal.

8. Leia a fonte que indica o livro do qual esse poema foi retirado e responda às questões a seguir.

a) De que livro esse poema foi retirado? Do livro Caindo na real: poemas.

b) Qual é o nome do autor do poema? Ulisses Tavares.

9. Ulisses Tavares é um autor adulto. Mas a voz que fala no poema não é a de um adulto. Consideran-
do essa afirmação, responda: A quem podemos atribuir a fala do texto?
A voz que fala no poema é a de um adolescente, um jovem.

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IMPORTANTE SABER

Damos o nome de eu poético à voz que fala no poema.


Há poetas adultos que escrevem como se estivessem no lugar de uma criança ou de um adoles-
cente; de um homem ou de uma mulher. Para fazer isso, o poeta imagina o que esse outro sente,
pensa e expressa de acordo com as características que atribui a ele.
No poema a fala também pode ser de um animal, uma planta e até de um objeto. Os poetas
também podem assumir uma profissão, um gosto, um hábito ou uma história que não tem relação
com a sua vida pessoal.
Por isso, atenção: é importante não confundir o autor do texto – quem escreveu o poema – com
o eu poético – a voz que fala no poema.

Professor, essa é uma sugestão para a primeira leitura do poema, que focaliza o conflito
de quem fala no texto. Os alunos poderão ler em voz alta o texto completo para tirar dele
Prática de leitura apenas uma ideia global sobre esse assunto. A questão do conflito será retomada aos
poucos durante as atividades de compreensão, enquanto se reconstrói o sentido do
texto por meio do estudo de suas metáforas, jogo de oposição de ideias, organização
do texto etc. Portanto, neste momento, não será preciso aprofundar esse tema; basta
apenas levantar essa questão de leitura prévia.
texto 3 – Poema
ANTES DE LER
Conflito pode significar choque de opiniões, de sentimentos, de interesses etc. O conflito
pode acontecer entre duas pessoas ou até consigo mesmo, referindo-se a assuntos ou emoções
diversas. Observe os dois primeiros versos do poema e responda: Que conflito você acha que o
eu poético está vivendo? Ao se comparar a Sansão e Hércules, o menino, às vezes, se considera forte como
um herói e, ao se comparar com uma pulga, sente-se fraco e pequenino.

Professor, as palavras foram destacadas porque os alunos deverão prestar atenção a elas em atividade proposta adiante. O original do poema não apresenta nenhuma palavra
destacada. Se julgar adequado, comente isso com os alunos.

Identidade
1 Às vezes nem eu mesmo 20 Mas o que importa
2 sei quem sou. 21 o que pensam de mim?
3 Às vezes sou 22 Eu sou quem sou,
4 “o meu queridinho”, 23 eu sou eu,
5 às vezes sou 24 sou assim,
Professor, dados biográficos sobre Pedro
6 “moleque malcriado”. 25 sou menino. Bandeira podem ser encontrados no Manual.
7 Para mim BAndeiRA, Pedro. Cavalgando o arco-íris.
8 tem vezes que eu sou rei, 3. ed. São Paulo: Moderna, 2002.
9 herói voador,
Jótah

10 caubói lutador,
11 jogador campeão.
12 Às vezes sou pulga,
13 sou mosca também,
14 que voa e se esconde
15 de medo e de vergonha.
16 Às vezes eu sou Hércules,
17 Sansão vencedor,
18 peito de aço,
19 goleador.

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Professor, as atividades a seguir têm como objetivo, entre outros aspectos, reconstruir o sentido do poema a partir da sua organização, que não é gratuita. Essa proposta permite
que o aluno perceba melhor os recursos de construção do texto e como cada parte contribui para a elaboração do sentido geral do poema. No primeiro momento, o eu poético
lança o conflito, depois mostra como os adultos o veem, em seguida como ele se vê (suas identificações por meio de compara-
TROCANDO IDEIAS ções), retoma a tensão do conflito nos versos 20 e 21 e, por fim, nos quatro últimos versos, afirma sua identidade. É importante
que o aluno perceba esse percurso de uma maneira mais simples, expressando com as próprias palavras o que compreendeu,
sem que seja necessário o uso de termos muito complexos.
1. Que sentimentos esse texto despertou em você?
Respostas pessoais.

2. Você gostou do texto? Por quê?

Renato Arlem
POR DENTRO DO TEXTO
1. Copie o poema no caderno.

2. Identifique e grife, no poema que copiou, o trecho que indica que o menino não sabe quem é.
“Às vezes nem eu mesmo / sei quem sou.”.

3. Leia as seguintes expressões retiradas do poema.

“o meu queridinho”

“moleque malcriado”

• Essas expressões apresentam uma opinião sobre o menino. Quem as poderia ter dito?
Provavelmente, seus familiares ou conhecidos. E muito provavelmente adultos. Professor, é importante destacar que as aspas presentes no texto introduzem a
fala de alguém diferente do eu poético.
4. No caderno, copie as frases a seguir ao lado da parte do poema a que cada uma delas corresponde.

Como os outros veem o menino.


Corresponde ao trecho que vai do verso 3 ao 6.

Como o menino se vê.


Corresponde ao trecho que vai do verso 7 ao 19.

O menino rejeita a opinião dos outros a seu respeito.


Corresponde ao 20o e 21o versos.

O menino se aceita como é.


Corresponde aos quatro últimos versos.

5. No poema copiado em seu caderno, circule a expressão que indica que o menino vai falar sobre
como ele se vê. O aluno deverá circular a expressão “Para mim”.

6. O menino fala que é “rei”, “herói”, “caubói”, “mosca”.

a) Essas identidades fazem parte da imaginação ou da realidade do menino? Por quê?


Elas povoam a imaginação dele, pois são identidades irreais.

b) Podemos dizer que essas palavras estão relacionadas à identidade dele? Por quê?
Sim, pois o eu poético revela que se vê dessa maneira: como rei, herói, caubói, mosca.

c) Você atribuiria alguma dessas identidades a si mesmo? Explique. Resposta pessoal.

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7. Você sabe quem foram Hércules e Sansão? Conhecer essas personagens é importante para com-
preender melhor o texto. Leia um pouco sobre eles: Professor, se possível e se houver interesse da turma, amplie a atividade, solicitando
aos alunos que pesquisem outras esculturas ou pinturas que tenham Hércules e
Sansão como tema. Procure contextualizar as obras que os alunos pesquisarem, fornecendo informações sobre o artista e/ou sobre o movimento artístico do qual fazem parte. Procure
chamar a atenção da turma para as variadas possibilidades de significação em diferentes linguagens e para a intertextualidade existente entre o poema lido e as obras artísticas analisadas.
AKG/Stock Photos

Coleções de arte de Weimar, Alemanha


Hércules (cópia Sansão e o leão
de uma estátua (1525), de Lucas
perdida atribuída Cranach, o Velho.
à Greek Lysippus Óleo sobre painel.
e descoberta em A história de
1546). Estátua Sansão é narrada
exposta no Museu no Antigo
Arqueológico Testamento da
Nacional de Bíblia, no livro
Nápoles, na Itália. Juízes. Sansão
Na mitologia grega, era um homem
Hércules é filho de extraordinária
de Zeus (o maior força, que lhe foi
dos deuses). Teria dada por Deus.
nascido em Tebas, Ele tinha um
era invencível e o segredo: essa
mais valente herói força estava nos
de seu tempo. seus cabelos.

• Agora, responda: Por que o menino se compara a Hércules e Sansão?


Ao se comparar a Hércules e Sansão, o menino, às vezes, se considera forte como um herói.

8. Explique o que o menino quis dizer com os versos a seguir:


a) b)
Às vezes sou pulga, eu sou eu,
[...] sou assim,
Às vezes eu sou Hércules, sou menino.
Nem sempre ele se sente um grande herói, como foi Hércules; há Em meio a tantas dúvidas, ele acaba por se reconhecer como um me-
momentos em que ele se julga pequeno como uma pulga. nino de sua idade, que vive conflitos próprios de quem está crescendo.
9. Se o título do poema fosse “O menino sem dúvidas”, ele estaria de acordo com o texto? Por quê?
Não, pois o menino sobre o qual o poema fala mostra-se de diferentes maneiras, vivendo
um conflito típico da fase da pré-adolescência, que é cheia de dúvidas e descobertas.
10. Por que o poema tem o título “Identidade”?
Porque, por meio dele, o eu poético descreve seus sentimentos, como se percebe no mundo.

TEXTO E CONTEXTO
1. Qual é o sexo e a idade aproximada do eu poético? Justifique sua resposta.
Resposta possível: Um pré-adolescente. O poema fala de alguém que, em alguns momentos, ainda se vê como criança, mas em outros se sente forte,
pronto para enfrentar situações difíceis. Para dar essa ideia, o autor do poema cria um texto em que o menino se compara a diferentes personagens.
2. Releia este trecho do texto:

Às vezes sou pulga,


sou mosca também,
que voa e se esconde
de medo e de vergonha.

• Medo e vergonha são sentimentos comuns às pessoas dessa idade? Por quê? Resposta pessoal.

3. O eu poético vive um conflito de identidade, ou seja, às vezes não sabe quem é. Em sua opinião,
é comum esse tipo de dúvida na idade do eu poético? Por quê? Resposta pessoal.

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TEXTO E CONSTRUÇÃO
1. Quantas linhas tem o poema “Identidade”? Vinte e cinco linhas.

2. Essas linhas encontram-se agrupadas ou separadas por espaços em branco?


Encontram-se agrupadas.

IMPORTANTE SABER

Um texto pode ser escrito em prosa ou em verso. O texto em prosa se caracteriza por ocupar
toda a extensão da linha. Cada conjunto de linhas escritas é chamado parágrafo. Geralmente, no
início de cada parágrafo, deve-se fazer uma margem, ou seja, deve-se deixar um espaço em branco.
Já o poema é escrito em versos. Cada verso corresponde a uma linha do poema. Cada conjunto
de versos é chamado estrofe.

3. Quantos versos formam o poema “Identidade”? E quantas estrofes? O poema é formado por 25 versos e uma estrofe.

4. No poema, o menino diz: “Às vezes nem eu mesmo / sei quem sou”.
A instabilidade própria da idade traz sensações de
a) Por que ele diz isso? incerteza, de confusão, de abandono, de vazio.

b) Ao descrever-se, você já viu que o eu poético expõe opiniões contraditórias sobre si mesmo,
sejam elas visões que os outros têm dele ou que ele tem de si mesmo. Identifique no poema
esses versos. Expressões de sentidos contrários: “O meu queridinho” × “moleque malcriado” e “sou rei, herói voador” × “sou pulga, sou mosca também”.

5. Por que o menino fala sobre si de maneiras tão diferentes? Porque se sente em conflito, o que é próprio da idade.

APLICANDO CONHECIMENTOS
1. No poema “Identidade”, o eu poético usa algumas palavras para se descrever. No texto, essas
palavras são usadas com sentido diferente daquele que apresentam normalmente. Observe:

tem vezes que eu sou rei sou mosca também

a) O que, provavelmente, o eu poético quis expressar com o uso da palavra “rei”?


Provavelmente, quis mostrar que há momentos em que se sente poderoso, grandioso, importante.
b) Transcreva em seu caderno, do quadro a seguir, a palavra que melhor expressa o significado que
“mosca” tem no poema. “Insignificante”.

perigoso insignificante necessário ameaçador

IMPORTANTE SABER

As palavras podem ser usadas no sentido figurado, que é diferente do sentido próprio, literal.
Para compreender o significado de uma palavra usada em sentido figurado, ela não deve ser toma-
da “ao pé da letra”, mas em relação ao contexto. Observe o exemplo:
A festa de aniversário da Ana foi um sonho! Todos adoraram!
A palavra “sonho”, nesse caso, foi empregada fora do seu sentido próprio, literal. Nesse
contexto, o uso da palavra “sonho” dá a entender que o aniversário de Ana foi maravilhoso, fan-
tástico, tão bom ou bonito quanto um sonho.

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2. Leia a tira a seguir:

Alexandre Beck
a) A palavra “nata” aparece no segundo e no terceiro quadrinhos. Em qual deles ela foi usada em
sentido figurado? Por quê? No segundo quadrinho, porque nele “nata” refere-se à elite, à camada de maior prestígio em um grupo social.

b) Podemos afirmar que ao usar a palavra “nata”, no terceiro quadrinho, o menino mostra ter en-
Não. Porque ele se refere à nata como a parte
tendido o que a menina quis dizer no quadrinho anterior? Explique. gordurosa do leite, em um sentido diferente
daquele utilizado pela menina.

3. Forme frases com as palavras a seguir, usando-as no sentido próprio e no sentido figurado.
Sugestões:
a) fogo b) crânio a) A floresta pegou fogo. / Minha irmã é fogo! c) ouro
b) Ele fraturou o crânio no acidente. / Heitor é o crânio de nossa sala.
c) Ganhei um colar de ouro. / Meu filho vale ouro.

Produção de texto
Poema
Reescreva o poema “Identidade”, de Pedro Bandeira, substituindo o símbolo ▲ por uma ou
mais palavras dos quadros, considerando o sentido e o ritmo dos versos.

extrovertido – tímido calmo – agitado corajoso – medroso

conciliador – briguento organizado – desorganizado adolescente – criança

Sugestão de resposta: Identidade


Às vezes nem eu mesmo sou mosca também,
sei quem sou. que voa e se esconde
Às vezes sou de medo e de vergonha.
▲ organizado   Às vezes eu sou Hércules,
às vezes sou Sansão vencedor,
▲. desorganizado peito de aço,
Para mim goleador.
tem vezes que eu sou ▲, extrovertido Mas o que importa
herói ▲, corajoso o que pensam de mim?
caubói ▲, conciliador Eu sou quem sou,
jogador ▲. calmo eu sou eu,
Às vezes sou ▲, agitado sou assim,
sou ▲. adolescente
BAndeiRA, Pedro. Cavalgando o arco-íris. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2002.

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Reflexão sobre o uso da língua

adjetivo
1. Releia o poema “Identidade” e responda às próximas questões.

a) Escreva as palavras do poema a que os termos a seguir se referem. “Herói”, “Sansão”, “moleque”.

voador vencedor malcriado

b) Por que os substantivos “Sansão”, “Hércules”, “herói”, “caubói”, “pulga” e “mosca” são impor-
tantes para construir o sentido do poema? Resposta possível: Porque são palavras que contêm informações importantes
para definir como o menino é ou como se sente em diferentes momentos.

c) Que palavras do poema dão características aos termos “caubói” e “jogador”? As palavras “lutador” e “campeão”.

IMPORTANTE SABER

Como vimos no poema “Identidade”, palavras como “lutador” e “malcriado” alteram o sentido do
texto, caracterizando o “caubói” e o “moleque”. Não está se falando de qualquer caubói, nem de
qualquer moleque. Essas palavras são chamadas adjetivos.
Os adjetivos são palavras que modificam outras palavras, atribuindo-lhes características. Veja:
“Às vezes sou moleque malcriado”.

adjetivo
No poema, o adjetivo “malcriado” foi usado para falar sobre o moleque. Ele atribuiu uma carac-
terística à palavra “moleque”. Assim como acontece com o substantivo, o adjetivo também é uma
palavra variável.
• O adjetivo varia em gênero.
herói voador mosca voadora

adjetivo masculino adjetivo feminino


Há adjetivos que apresentam uma só forma. Esse tipo de adjetivo serve tanto para caracterizar
palavras femininas quanto masculinas. Veja:
Era um menino valente. Era uma menina valente.
Ele é feliz. Ela é feliz.
• O adjetivo varia em número de acordo com a palavra que caracteriza.
heróis voadores moleques malcriados

plural do adjetivo plural do adjetivo


• O adjetivo varia em grau.
menino queridíssimo

grau aumentativo do adjetivo


Saiba mais sobre esse assunto consultando o Apêndice.

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2. Volte ao poema e leia as palavras em destaque. Observe a função dessas palavras nos versos. Leia
o poema sem esses termos e, em seguida, responda: Qual é a importância dessas palavras para a
construção do poema? Professor, espera-se que os alunos percebam que essas palavras são fundamentais para dar sentido ao poema, pois, sem
elas, saberíamos apenas que o menino se vê como um caubói, mas não como um caubói lutador, que o menino é definido pelos
outros como um moleque, mas não saberíamos que ele é visto como como um moleque malcriado. Ao empregar os termos
• Você sabe como são chamadas essas palavras? destacados, o eu poético imprime um sentido mais preciso ao texto, que ganha,
por isso, um efeito de sentido diferente daquele que teria se não fossem usadas
Adjetivos. essas palavras.

3. Você conseguiu perceber para que servem as palavras destacadas no texto? Escreva sua conclusão.
Espera-se que o aluno escreva que as palavras destacadas no texto servem para caracterizar, imprimir precisão, o que contribui para compor o sentido do texto.

4. Preste atenção aos versos a seguir:

às vezes sou
“moleque malcriado”.
Para mim
tem vezes que eu sou rei,
herói voador,
caubói lutador,
jogador campeão.

• Que palavras ou expressões podem substituir os termos em destaque sem mudar o sentido do texto?
Malcriado: “mal-educado”, “impertinente”; “campeão”: “vencedor”.

APLICANDO CONHECIMENTOS
A seguir, releia o título e o início do texto 1:

A incapacidade de ser verdadeiro


Paulo tinha fama de mentiroso. [...]

1. Qual é o adjetivo usado para caracterizar a personagem na primeira frase do texto? “Mentiroso”.
Professor, podemos dizer também que o
2. Nessa frase, o sentido desse adjetivo é positivo ou negativo? Explique. adjetivo “mentiroso”, nesse contexto, é
pejorativo, depreciativo, ou seja, o con-
É negativo. O menino tinha fama de contar mentiras, por isso a família não o considerou normal e o levou ao médico. trário de “elogioso”, “apreciativo”.
3. Qual adjetivo presente no título é antônimo de “mentiroso”? “Verdadeiro”.

4. Considerando todo o texto, quando o título afirma que Paulo era incapaz de ser verdadeiro, quis
dizer que ele era de fato mentiroso? Explique sua resposta. Não. De acordo com o contexto, o título quis se referir ao fato de
o menino ser imaginativo, sonhador, um aprendiz de poeta, e não
alguém que inventa mentiras.

APRENDER BRINCANDO

Atividade 1 Professor, escolha alguns alunos para participarem da atividade. Se preferir,


ela pode ser realizada em grupos, assim todos terão chance de participar.

• Pense em uma pessoa, em um objeto ou em um animal que todos os colegas conheçam.


• Escreva, no caderno, três adjetivos que caracterizem o elemento que você escolheu.
• De acordo com a orientação do professor, você poderá ser escolhido para ir à frente da sala e re-
presentar na forma de mímica o que escolheu. As únicas palavras que poderá pronunciar serão os
adjetivos escritos no caderno.
• A turma tentará adivinhar o significado de seus gestos e o nome daquilo ou de quem está sendo
caracterizado pelos adjetivos apresentados.

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Atividade 2

• Leia e decifre esta adivinha em versos:

O que é, o que é?
Redonda como um biscoito,

Editoria de Arte
rasa como um prato,
nem todos os rios do mundo
poderiam enchê-la de fato.
A peneira. domínio público.

• Agora é a sua vez de criar uma charada, baseando-se na adivinha em versos que acabou de de-
cifrar. Siga as orientações a seguir:

a) Escolha um objeto e elabore alguns versos, descrevendo-o.

b) Nos versos, dê algumas dicas sobre o objeto, mas sem revelar qual é.

c) Mantenha a estrutura da adivinha lida: Seu texto deve ter cinco versos e a última palavra do ter-
ceiro e do quinto versos devem rimar.

d) Depois de elaborar sua adivinha, apresente-a oralmente para que seus colegas tentem descobrir
qual foi o objeto escolhido por você. Combinem tudo com o professor.

Atividade de criação Professor, na seção Preparando-se para o próximo capítulo, no final do Capítulo 1, há
uma sugestão de pesquisa de poemas. Seria interessante retomá-la nesta atividade.

Poema ilustrado
Vamos fazer um varal de poemas ilustrados? Siga as orientações.
• Escolha um poema de que você goste muito, dentre os que pesquisou no fim do capítulo anterior.
• Copie-o em uma folha, deixando espaço para ilustrá-lo.
• Você mesmo cuidará da ilustração. Essa ilustração pode ser feita por meio de colagem de mate-
riais diversos, desenho, pintura ou qualquer outro recurso que você queira utilizar.
• Depois de terminar o trabalho, organize com o professor uma roda de leitura de poemas. Prepa-
re com antecedência a leitura do texto que você escolheu. Antes de apresentá-lo, leia-o várias
vezes em voz alta.
• Com sua turma, monte o varal com os poemas ilustrados. Pendure-o num local em que outras
pessoas possam apreciar os poemas e as ilustrações.

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Prática de leitura

texto 4 – Poema

O poeta aprendiz
Ele era um menino Em bola de meia
Valente e caprino Jogando de meia-direita ou de ponta
Um pequeno infante Passava da conta
Sadio e grimpante De tanto driblar
Anos tinha dez [...]
E asas nos pés MORAeS, vinicius de. Livro de letras.
São Paulo: Companhia das letras, 2005.
Com chumbo e bodoque
Era plic e ploc

Natee K Jindakum/Shutterstock
O olhar verde-gaio
Parecia um raio
Para tangerina
Pião ou menina
Seu corpo moreno
Vivia correndo
Pulava no escuro
Não importa que muro
Saltava de anjo
Melhor que marmanjo
E dava o mergulho
Sem fazer barulho “Passava da conta / De tanto driblar [...]”.

POR DENTRO DO TEXTO


1. Leia os versos a seguir e preste atenção na palavra “caprino”:

Ele era um menino


Valente e caprino.

a) Leia agora a definição do dicionário para “caprino”:

ca.pri.no s.m.pl. 1 nome genérico para cabras e bodes, ovelhas e carneiros, considerados
como espécie; ovinos: É criador de caprinos. adj. 2 relativo a cabra ou bode: carne caprina.
CegAllA, domingos Paschoal. Dicionário escolar da língua portuguesa.
São Paulo: Companhia editora nacional, 2013.

b) O que fazia o menino para ser qualificado como “caprino”?


O menino vivia saltitando, pulando por todos os lados, brincando e correndo “sem parar”.

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2. Que outras características, além de caprino, são dadas ao menino no poema?
O menino era valente, sadio e grimpante, tinha dez anos, parecia um raio, era moreno, vivia correndo e pulando.

3. As expressões “asas nos pés” e “saltava de anjo” ressaltam que característica do menino?
Sua agilidade.

4. A descrição feita no poema leva o leitor a formar uma imagem do menino. Qual é ela?
A maior parte das características expostas no texto traça o perfil de uma criança esperta, ativa.

5. Releia:

O olhar verde-gaio
Parecia um raio
Para tangerina
Pião ou menina

• Explique a comparação entre “olhar” e “raio” feita no poema.


A comparação sugere que o olhar do menino tem o mesmo brilho, a mesma força, a mesma “rapidez” que um raio.
O termo “verde-gaio” caracteriza o olhar do garoto como esperto, alegre e, neste caso, representa o próprio menino.
6. Localize no poema as palavras que correspondem aos brinquedos e às brincadeiras do menino e
transcreva-as. As palavras e expressões são: ”bodoque”, “plic e ploc”, “pião”, “correndo”, “saltava”, “bola de meia”, “jogando” e “driblar”.
• Que versos destacam a habilidade do menino com brinquedos?
“Era plic e ploc” / “E dava o mergulho / Sem fazer barulho / Em bola de meia / Jogando de meia-direita ou de ponta”.

7. Copie o trecho do poema de que você mais gostou. Justifique sua escolha. Resposta pessoal.
Resposta possível: Para o garoto, a vida era poesia. Como um
8. Escreva no caderno uma justificativa para o título do poema. poeta se expressa das mais variadas maneiras com palavras e
gosta do que faz, o menino também extravasa de mil maneiras
o que ele curte.

TEXTO E CONSTRUÇÃO

1. Observe as duplas de palavras a seguir:

dez – pés pião – corpo escuro – muro

verde – olhar tangerina – menina

a) Copie em seu caderno os pares de palavras que apresentam sons parecidos no final.
dez – pés; escuro – muro; tangerina – menina.

IMPORTANTE SABER

A rima ocorre quando, no fim ou no meio de versos de um poema, há palavras que terminam
com sons iguais ou semelhantes.
As rimas podem ocorrer em versos diferentes ou dentro de um mesmo verso.

b) Além das duplas de palavras citadas, o poema apresenta outras rimas. Transcreva duas em seu
caderno. Em quase todo o poema, os versos rimam dois a dois: menino – caprino; infante – grimpante;
bodoque – plic e ploc; gaio – raio; moreno – correndo; anjo – marmanjo; ponta – conta.

2. Observe a ordem das palavras no seguinte verso:

Anos tinha dez.

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• As palavras estão na ordem que costumamos usar? Explique sua resposta.
Não, as palavras estão na ordem inversa. Comumente não falamos ou escrevemos assim.

3. Reescreva o verso destacado na atividade anterior, ordenando-o de outra forma. Depois, localize
o trecho em que se encontra esse verso e releia-o de acordo com a sua versão. Observe o que
mudou com essa reconstrução.
“Tinha dez anos”. Nessa ordem, a ordem direta, a rima fica deslocada para o meio do verso e não dá o efeito desejado.

4. Com base no que observou na atividade 3, responda:

a) O que mudou no poema com a reescrita do verso? O efeito sonoro é o mesmo? Por quê?
O ritmo ficou diferente e a rima ficou deslocada. O efeito sonoro não é o mesmo. O poema perde a musicalidade, o ritmo.

b) Com que intenção o autor do poema usou essa ordem das palavras na elaboração do verso?
Ele procurou construir rimas.

5. Leia os próximos versos do poema e experimente ler com mais força a parte que está em desta-
que em cada palavra.

Seu corpo moreno


Vivia correndo
Pulava no escuro
Não importa que muro
Saltava de anjo
Melhor que marmanjo

• Ao ler o poema dessa maneira, é possível dizer que as palavras parecem pular como o menino.
Explique por quê. Professor, além das rimas, chame a atenção do aluno para o ritmo dos versos, criado a partir da disposição das sílabas fracas e
fortes em cada verso. Ele poderá perceber como as palavras, nesse poema, parecem pular tanto quanto “o poeta aprendiz”. Nas
próximas atividades, esse aspecto será acentuado.

6. Observe que em um verso do poema as palavras reproduzem o som de um objeto.

a) Identifique essas palavras. “Plic” e “ploc”.

b) O que esse som representa? Representa o barulho do bodoque.

7. É possível afirmar que esse poema foi escrito com a intenção de emocionar, tocar a sensibilidade
do leitor? Explique por quê. Resposta possível: O texto foi escrito com intenção de emocionar, tocar a sensibilidade do leitor. A linguagem escolhida
por quem o escreveu é, ao mesmo tempo, simples e poética. O autor combinou as palavras construindo rimas, o que
causa um efeito sonoro agradável.

IMPORTANTE SABER

O poema é um gênero textual estruturado em versos, podendo ou não ter rimas.


Como vimos, cada linha do poema corresponde a um verso. Ao conjunto de versos damos o no-
me de estrofe.
As palavras ou expressões utilizadas nos poemas podem ter vários significados, ou seja, em geral
empregam uma linguagem figurada, sendo necessária a interpretação do que querem expressar.
A intenção de um poema pode ser a de emocionar o leitor, propor uma reflexão, apresentar os
sentimentos, as ideias e as emoções do poeta diante das situações da vida.
Poeta é o autor que escreve poemas. O poeta é diferente do eu poético, a voz que fala no poema.
E por que não considerar que um poema pode trazer em seus versos as coisas “desimportantes”,
como costuma dizer o poeta Manoel de Barros? Ao ler poemas, você poderá perceber o quanto as
coisas do cotidiano parecem novas e originais nos versos dos poetas...

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8. Que tal voltar a alguns textos lidos até aqui e observar suas características e o que eles têm de
semelhante e de diferente? Em seu caderno, copie o quadro a seguir com as características de
cada texto, completando-o.

“a incapacidade de “o poeta
“identidade”
ser verdadeiro” aprendiz”
Estrutura
Foi escrito em versos Em parágrafos. Em versos. Em versos.

ou em parágrafos?
Sobre a identidade
Assunto Resposta possível: Sobre um menino
do menino que fala Resposta possível: Sobre um jovem
que descobre sua identidade de poe-
Sobre o que o texto muito imaginativo que é mal compreen- no poema e sobre o ta. Sobre um jovem que curte a vida da
dido pelas pessoas. mesma maneira que um poeta curte
está falando? conflito que vive o seus poemas e as palavras.
eu poético.

Gênero do texto
Conto. Poema. Poema.
Que texto é esse?

Reflexão sobre o uso da língua

Locução adjetiva
1. Releia estes versos do poema:

E dava o mergulho / Sem fazer barulho / Em bola de meia

a) A bola mencionada nos versos é uma bola específica. Explique essa afirmação.
O verso faz referência a uma bola feita de meia.

b) Que outros tipos de bola você conhece?


Resposta pessoal. O aluno poderá citar: bola de gude, bola de capotão, bola de futebol, bola de boliche etc.

c) Que expressão do poema, formada por mais de uma palavra, caracteriza o tipo de bola usada
pelo menino? A expressão “de meia”.

d) Ao informar que a bola é “de meia”, o poema nos permite tirar outras conclusões sobre o meni-
no. Quais? Ovelmente,
poema nos dá mais informações sobre o menino, já que as bolas de meia não costumam ser compradas em loja. Isso significa que, prova-
o menino ou alguém de seu convívio confeccionou a bola, o que nos permite concluir que as condições financeiras do menino não eram
boas. Ele devia levar uma vida simples.

2. Leia a tira a seguir:


Adão Iturrusgarai

ITURRUSGARAI, Adão. Folha de S.Paulo, São Paulo, 15 jun. 2005.

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a) Quem a personagem disse que sorriu para ela? A vida.

b) Ao dizer isso, ela usou uma linguagem figurada? Por quê?


Usou uma linguagem figurada, pois a vida não é um ser animado que tem dentes.

c) A personagem se refere ao sorriso destacando a falta de dois dentes. Que dentes são esses?
Os dentes da frente.
Resposta possível: Quis dizer que, para ela, a vida não está completa, que
d) O que a personagem quis dizer com essas falas? está faltando alguma coisa. A tira revela os sentimentos da personagem
diante da vida.

e) Qual é a expressão que especifica, caracteriza o tipo de dente?


A expressão “da frente”.

f) Transcreva a expressão que, no quadrinho, pode substituir “da frente”.


Frontais. Professor, se os alunos tiverem dificuldade quanto ao significado das palavras “lateral”, “frontal” ou “superior”, oriente-os a consultar o dicionário.

laterais frontais superiores

g) A palavra escolhida por você para substituir a expressão “da frente” serve para caracterizar o
substantivo “dentes”. Essa palavra é um adjetivo ou um substantivo? É um adjetivo. Professor, é interessante que
os alunos percebam que há locuções adjetivas que têm um adjetivo correspondente (com o mesmo significado). A expressão “da frente”, no exemplo que demos, pode
ser substituída pelo adjetivo “frontal”. Já no caso de “bola de meia”, não há adjetivo que corresponda à expressão “de meia”.

IMPORTANTE SABER

Como vimos, os adjetivos qualificam, caracterizam, especificam outras palavras. Por exemplo:

Ele era um menino valente e caprino.

substantivo adjetivo adjetivo

Há também expressões que equivalem a um adjeti-

Adão Iturrusgarai
vo, caracterizando, qualificando outras palavras. Veja:

Bola de meia

Dentes da frente

A expressão “de meia” tem a função de caracterizar


o tipo de bola que o menino usa para jogar. E a ex-
pressão “da frente” tem a função de especificar a que
dentes a personagem dos quadrinhos está se referindo.
A expressão formada por duas ou mais palavras que
equivale a um adjetivo é chamada locução adjetiva.
“De meia” e “da frente” são exemplos de locuções adjetivas.

Substantivo ou adjetivo?
A mesma palavra pode assumir mais de uma classificação, dependendo da frase (o contexto).
Assim, por exemplo, uma palavra pode ser substantivo, se estiver dando nome a um ser; ou adje-
tivo, se estiver caracterizando o substantivo.
Observe:
a) O escuro amedronta as crianças. (substantivo)
b) Um dia escuro traz tristeza. (adjetivo)

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APLICANDO CONHECIMENTOS

Leia o texto a seguir:

Longa história curta


Numa estrada estreita e escura, havia uma casa de porta larga e clara. Ali morava uma velha magra
e pálida, com sua filha bonita e corada.
Um dia, a velha magra e pálida e a filha bonita e corada atrelaram seu burro preto e velho numa
carroça branca e nova, fecharam a porta larga e clara, pegaram a estrada estreita e escura e foram para
uma cidade grande e sossegada, onde havia uma feira pequena, mas movimentada.
Ali chegando, a velha magra e pálida e sua filha bonita e corada desceram da carroça branca e
nova e amarraram o burro preto e velho num poste fino e comprido com uma corda grossa e curta.
Depois, a velha magra e pálida e sua filha bonita e corada foram comprar frutas belas e cheirosas de
um feirante feio e fedido. Pegaram sua sacola grande e cheia, porém a carteira, pequena, estava vazia.
Então a velha magra e pálida e sua filha bonita e corada puseram às costas o saco com as frutas belas
e cheirosas e fugiram do feirante feio e fedido.
Mas, quando a velha magra e pálida e sua filha bonita e corada chegaram à carroça branca e nova,
viram que o burro preto e velho, mal amarrado ao poste fino e comprido com a corda grossa e curta,
havia escapulido.
Então correram todos: o fedido e feio feirante atrás das cheirosas e belas frutas, atrás da pálida e
magra velha e da corada e bonita filha, atrás da nova e branca carroça, atrás do velho e preto burro até
chegarem à larga e clara porta da casa da escura e estreita estrada para acabar esta longa história curta.
PAMPlOnA, Rosane. Contos de enrolar. São Paulo: elementar, 2010.

1. Por que, provavelmente, o texto recebeu o título “Longa história curta”?


Provavelmente, porque a história poderia ser curta, mas a repetição de tantos
substantivos e adjetivos acabou transformando-a em uma história longa.
2. Vários substantivos e adjetivos foram repetidos ao longo do texto.
Professor, espera-se que o aluno perceba que
foram propositais, pois contribuem para a cons-
a) Você acha que essas repetições foram propositais ou não? Por quê? trução do texto. Além disso, elas podem ser ex-
plicadas pelo título.

b) Releia o primeiro e o segundo parágrafos e transcreva os substantivos que se repetem ao longo


do texto. Estrada, casa, velha, filha, burro, carroça, porta, estrada, cidade, feira.

c) Agora, releia o último parágrafo e transcreva os adjetivos que acompanham os substantivos


usados nessa parte do texto. Fedido, feio, cheirosas, belas, pálida, magra, corada, bonita, nova,
branca, velho, preto, larga, clara, escura, estreita, longa e curta.

3. Observe, ao longo dos parágrafos do texto, a posição dos adjetivos em relação aos substantivos
que acompanham.

a) No último parágrafo do texto, pode ser observada uma alteração no posicionamento dos adje-
tivos. Qual é ela? No último parágrafo, ao contrário dos anteriores, os adjetivos antecedem os substantivos. Além disso, cada dupla de adjetivos aparece
em ordem diferente no último parágrafo: “velha magra e pálida” / “pálida e magra velha”. O primeiro substantivo usado no início do
texto é um dos últimos a serem repetidos no último parágrafo.
b) Levante uma hipótese: Qual pode ter sido a intenção da autora ao fazer essa alteração?
Professor, espera-se que o aluno perceba que, com a inversão no posicionamento dos adjetivos e substantivos, a autora parece querer mostrar a ida e a volta das
personagens na história.
4. Por que o uso dos adjetivos e o seu posicionamento são importantes para a construção do texto?
Professor, se necessário, por meio de sua mediação, leve os alunos a concluírem que os adjetivos contribuíram para a construção do sentido do
texto. Eles foram responsáveis por tornar longa uma história que poderia ser curta e ajudaram a construir a ideia de ida e vinda das personagens.
5. O que poderíamos esperar do texto se o título fosse “Curta história longa”?
Resposta pessoal. Sugestão: Provavelmente, seria uma história com muitos acontecimentos contados de forma resumi-
da ou uma história em que fatos ocorridos ao longo de muitos anos seriam contados de forma rápida, em poucas linhas.

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IMPORTANTE SABER

Vimos que a mesma palavra pode assumir o papel de adjetivo ou de substantivo, dependendo do
contexto. Além disso, é importante perceber que a posição dos adjetivos e substantivos também
pode alterar seu sentido.
Alguns adjetivos podem ser deslocados de sua posição em relação ao substantivo, ora ficando
antes, ora depois dele. Esse deslocamento pode alterar ou não o sentido do adjetivo. Observe os
pares de frases.

A personagem da história é uma mulher pobre.


A personagem da história é uma pobre mulher.

A mulher roubou frutas deliciosas.


A mulher roubou deliciosas frutas.

No primeiro par de frases, há alteração no sentido do adjetivo “pobre” quando ele é usado antes
ou depois do substantivo “mulher”. Na primeira frase, “pobre” significa “sem recursos financeiros”;
na segunda, “pobre” significa “infeliz”.
No segundo par de frases, a troca de posição do adjetivo “deliciosas” não gerou alteração de sentido.

6. Leia o par de frases a seguir:

O presidente da empresa é um grande homem.


O presidente da empresa é um homem grande.

• Explique: A troca na posição dos adjetivos gerou alteração de sentido?


Houve alteração de sentido. No primeiro caso, o adjetivo “grande” expressa o senti-
do de notável, importante, admirável. No segundo, refere-se à altura.
7. Leia as frases a seguir:
I. Antônio é um professor simples.
II. Minha mãe é uma delicada mulher.
III. Adoro ler histórias divertidas.

a) Indique em qual das frases a troca na posição do adjetivo em relação ao substantivo acarretaria
Professor, questione os alunos sobre novos exemplos. Se achar necessário, peça
mudança de sentido. Na frase I. que anotem no caderno outras frases, esclarecendo as diferentes possibilidades de
significação do adjetivo, de acordo com a sua posição em relação ao substantivo.
b) Explique os dois sentidos possíveis para o adjetivo na frase indicada.
“Professor simples” expressa o sentido de modesto. “Simples professor” transmite a ideia de “um professor qualquer”.

8. Em seu caderno, determine se as palavras destacadas nas frases a seguir são adjetivos ou substantivos.
a) “Ali morava uma velha magra e pálida.” Substantivo.
b) “[...] amarraram o burro preto e velho num poste [...]” Adjetivo.
c) A mulher velha tinha uma filha bonita. Adjetivo.
d) O velho era dono do burro. Substantivo.
e) “[...] fugiram do feirante feio e fedido [...]” Substantivo.
f) Ela tem um marido feirante. Adjetivo.

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9. Em seu caderno, reescreva o texto a seguir, substituindo os ▲ por adjetivos que contribuam para a
construção de uma nova versão do texto “Uma longa história curta”.
Respostas pessoais. Professor, é necessário observar a coerência na escolha dos termos.

Numa escola ▲ e ▲, havia uma sala ▲ e ▲. Ali dava aula uma professora ▲ e ▲ a seus
alunos ▲ e ▲.
Um dia, a professora ▲ e ▲ e os alunos ▲ e ▲ saíram em uma excursão ▲ e ▲ num ônibus
▲ e ▲. Pegaram uma estrada ▲ e ▲ e foram para um sítio ▲ e ▲.
Lá chegando, a professora ▲ e ▲ e seus alunos ▲ e ▲ foram comer as frutas ▲ e ▲ no
pomar ▲ e ▲. Mas, quando iam apanhar as frutas, viram que um enxame de abelhas ▲ e ▲
voava em direção a eles. Então, todos saíram correndo sem experimentar as frutas ▲ e ▲, que
tinham ficado no pomar ▲ e ▲. Então se agitaram todos: as abelhas ▲ e ▲, atrás da professo-
ra ▲ e ▲, que seguia os alunos ▲ e ▲. Ao alcançarem o ônibus ▲ e ▲, entraram correndo e
fecharam bem a porta e as janelas para acabar esta longa história curta.

Na trilha da oralidade
entonação
Antes de conversar com toda a turma sobre as atividades propostas a seguir, sente-se com
um colega e procure responder às questões com base na leitura da tira do Menino Maluquinho.
Depois, com a orientação do professor, partilhem as respostas com os outros colegas.

Ziraldo
ZIRALDO. As melhores tiradas do Menino Maluquinho. São Paulo: Melhoramentos, 2000.

1. As palavras de Maluquinho se dirigiam à menina? Como você percebeu isso?


Não. Porque ele passa direto por ela e se dirige às flores.

2. Então, o que fez a menina se enganar?


A maneira como ele fala e as palavras que usa, além do fato de passar muito perto dela, esticando os braços na direção da garota.

3. A fala de Maluquinho faz você se lembrar de que tipo de declaração?


Uma declaração de amor.

4. Além da fala, que outros elementos levam o leitor a concluir que se trata de uma declaração do
tipo que você identificou na atividade 3?
As palavras e a expressão física: gestos, maneira de andar e olhar, a emoção representada pelas palavras em destaque nos quadrinhos, o ponto de exclamação etc.
5. Leia em voz alta o primeiro quadrinho. Como foi que a maioria dos seus colegas leu a frase?
Professor, seria importante que vários alunos lessem a frase, cada um a seu tempo. Seria importante também que todos os alunos se ouvissem e prestassem atenção
ao modo como a maioria leu a fala do quadrinho. Supõe-se que os alunos lerão em tom quase declamatório, em voz mais alta que a normal. O objetivo da atividade
6. Leia novamente a primeira fala de Maluquinho modificada: édizer levar os alunos a perceberem que a entonação, o modo de
algo também constrói seu significado.

Amor? Amor?

a) Nesse caso, você acha que a menina continuaria a entender da mesma maneira o que o me-
nino diz? Por quê? Professor, espera-se que o aluno reconheça que não. Ao usar essas palavras em tom de interrogação, a menina não poderia
tomá-las como uma declaração de amor.

b) O que faz com que possamos compreender o que os outros querem dizer são somente as
Não são apenas as palavras, mas como elas são ditas, por exemplo, a ento-
palavras? Explique sua resposta. nação, a combinação delas, a expressão facial e corporal de quem falou e
até mesmo a situação de comunicação em que foram usadas.

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Professor, comente com os alunos sobre outros recursos expressivos utilizados para marcar a enton-
ação na escrita, como o uso de letras maiúsculas “Estou MUITO brava com você!” ou a repetição de
letras no interior das palavras “Estou muuuuuuuuuuito brava com você!”. Questione os alunos sobre
IMPORTANTE SABER outros exemplos que conheçam e sobre os contextos em que são utilizados.

A entonação é a mudança no tom de voz que indica se o que falamos é uma afirmação,
uma pergunta, um pedido, uma ordem. A entonação também pode indicar se a pessoa que
fala está contente, triste, brava, surpresa, apaixonada etc.
Na escrita, geralmente, a entonação é representada por meio dos sinais de pontuação.

Vamos aplicar esses conhecimentos sobre entonação?


Para isso, você conhecerá e declamará outros poemas. Prepara-se para se emocionar!
Seguindo a orientação do professor, cada aluno declamará para a turma um dos poemas do
varal literário. Lembre-se de que não lemos um texto poético da mesma maneira que lemos uma
notícia de jornal ou qualquer texto na forma de prosa. Capriche na entonação das palavras, de
acordo com o ritmo dos versos.
Seu professor irá montar algumas equipes de observação para anotar alguns itens da apresen-
tação dos seus colegas.

ORIENTAÇÕES
Enquanto um grupo se apresenta, os outros grupos receberão a tarefa de observar os amigos
apresentando seus poemas. Para responder às próximas questões, será preciso observar bem
como falam os seus colegas enquanto declamam os versos. Seu professor vai orientá-los sobre o
que cada grupo vai observar. Fique bem atento!
O professor vai organizar a ordem das apresentações e atribuir um número a cada grupo.
Cada grupo prestará atenção e observará apenas aquilo que foi determinado para o seu grupo.

Grupo 1:
• Quais foram as expressões faciais de seus amigos enquanto declamavam?
• Elas acompanharam o sentido do texto?
• Mudaram constantemente ou seu colega permaneceu sempre com a mesma expressão?

Grupo 2:
• Ao se apresentarem, seus colegas fizeram gestos? Quais?

Grupo 3:
• Seus amigos declamaram os poemas com uma entonação adequada? Por quê?

Grupo 4:
• As pessoas memorizaram os poemas ou usaram material escrito? Quem usou papel ficou à
vontade? E quem memorizou o poema?
Professor, cada grupo observará sempre a mesma coisa em todas as apresentações, ou seja, o grupo 1 observará as expressões faciais
em todos os grupos de colegas; o grupo 2, se quem declamou fez gestos e se estavam adequados, e assim sucessivamente. A cada
AVALIAÇÃO E REESCRITAapresentação, os grupos partilham com a turma o que acabaram de observar. Assim poderão refletir coletivamente sobre os resultados
obtidos por outros grupos. Para que essa atividade possa ser concluída, procure reservar um tempo mais longo da aula, de modo que os
comentários a respeito de todos os grupos possam ser feitos.

1. De qual dos poemas apresentados você gostou mais? Resposta pessoal.


2. O que achou da atividade? Por quê? Resposta pessoal.

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Prática de leitura

texto 5 – trovas populares


Você sabe o que é uma trova popular? São quadras, isto é, estrofes formadas por quatro versos que
tratam de temas populares. Observe o ritmo e a musicalidade desse tipo de composição.

Fui ao mato cortar lenha Fui à feira comprar uva,


O capim cortou meu pé, Encontrei uma coruja:
Amarrei com fita verde Eu pisei na cauda dela,
Cabelinho de José. Me chamou de cara suja.

AgUiAR, vera (Coord.); ASSUMPçãO, Simone; JACOBy, Sissa. Poesia fora da estante.
Porto Alegre: ed. Projeto/CPl-PUCRS, 1999.

TEXTO E CONSTRUÇÃO Professor, sugerimos que esta atividade seja oral, coletiva e mediada por você.

1. Quantas quadras aparecem no texto 5? Duas quadras.

2. Nas quadras existem rimas. Quais são? As rimas são: quadra 1: pé – José; quadra 2: coruja – suja.

3. Experimente ler esta quadra em voz alta, enfatizando na leitura as sílabas destacadas. Depois, leia
novamente e, batendo as mãos, tente imitar o ritmo dos versos. Bata mais forte nas partes dos
versos que estão em destaque.

Fui ao mato cortar lenha


O capim cortou meu pé,
Amarrei com fita verde
Cabelinho de José.

Professor, espera-se que o aluno perceba a alternância de trechos fortes e fracos nos versos. É
• Agora, responda às questões seguintes: possível que os alunos expliquem como perceberam isso a partir da experiência deles. É importante
incentivá-los a escreverem o conceito da maneira como entenderam e acolher suas respostas, pois a
seguir eles poderão lê-las e compará-las com a definição do quadro Importante saber.
a) Ao ler o texto, você observou o ritmo dessa quadra? Para você, o que é ritmo?

IMPORTANTE SABER

O ritmo de um poema é formado pela alternância entre sílabas fortes e fracas nos versos, crian-
do uma cadência. Quando os versos apresentam um ritmo constante, que se repete, dizemos que
o poema tem uma cadência regular.

b) Para obedecer a uma cadência regular, os versos podem ter muita diferença no seu tamanho?
Por quê? Não, porque se forem muito diferentes não construirão movimentos parecidos (que se repetem).

c) Em sua opinião, o que produz ritmo e musicalidade nesses versos?


O ritmo e a musicalidade são criados por meio de rimas e pelas palavras escolhidas e sua combinação nos versos. Também pela cadência regular nos versos.

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Produção de texto

Proposta 1

Livro de poemas da turma


Para construir um livro de poemas da turma, cada aluno produzirá o próprio poema sobre a tela
a seguir:

Museu Nacional de Belas Artes/Rio de Janeiro


Professor, se o aluno optar por escrever sobre outra pintura
O circo (1955), de Djanira. Guache sobre papel, 33 cm × 47 cm. ou fotografia, oriente-o a indicar a obra escolhida em sua
produção, prestando atenção às referências da imagem: Título, ano, autor, técnica, dimensão etc. Se for possível e houver interesse, solicite que os alunos pesquisem o
autor e/ou o movimento artístico do qual a obra faz parte e produzam pequenos textos informativos, que poderão ser selecionados para compor a introdução do livro de
poemas, em uma seção intitulada “Sobre as obras escolhidas para as produções”.
Você também pode basear seu poema em outra pintura ou em uma fotografia. Caso decida por
essa opção, peça orientação ao professor.

Proposta 2

trova
Reescreva uma trova em seu caderno, modificando versos e palavras, sem alterar o compasso.
Não deixe de fazer rimas. Veja no exemplo a seguir como o ritmo foi criado:

Você diz que sabe muito


Papagaio sabe mais:
Papagaio fala versos
Coisa que você não faz.

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As trovas também poderão fazer parte do livro de poemas da turma. Vocês poderão optar por
fazer um livro somente com as trovas produzidas.

PLANEJE SEU TEXTO


Copie no caderno os itens do quadro e responda a cada um deles como modo de planejamento.
Amplie o número de itens, se precisar. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto.

Para escrever o poema ou a trova


1. Qual é o público leitor do texto? Meus colegas de turma, familiares e amigos.
Professor, no caso do poema, é frequente o uso de linguagem figurada. Quanto
2. Que linguagem vou empregar? ao grau de formalidade, oriente os alunos a empregarem a linguagem de acordo
com os propósitos comunicativos do texto que vai produzir.

3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? Organização em versos.

Os textos produzidos vão compor um livro que circulará entre colegas, familiares
4. Onde o texto vai circular? e amigos, portanto, dentro e fora da escola.

ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO


1. Para a primeira proposta, tome a imagem como ponto de partida para a escrita do poema.
2. Experimente as sensações e ideias que a imagem lhe sugere e, com essa experiência, escreva
alguns versos, buscando perceber a seleção e combinação dos sons e das palavras.
3. Depois, organize os versos e verifique se eles produzem os efeitos que deseja quanto ao sen-
tido, à sonoridade e ao ritmo do poema. Utilize os recursos estudados neste capítulo e lembre-
-se de que um poema não precisa necessariamente ter rimas.
4. Organize a escrita do texto no espaço da folha: você já sabe que a forma usada para escrever
um poema não obedece à organização em parágrafos, mas à organização em versos.
5. A linguagem figurada é muito empregada nesse gênero de texto. Reveja alguns exemplos
estudados e lance mão desse recurso para construir os versos.
6. Para a segunda proposta, lembre-se de pesquisar várias trovas e escolher algumas para fazer
a reescrita, modificando palavras que resultem em um texto com sentido geral semelhante ou
em um texto que traga o mesmo tema, mas que resulte em sentido totalmente diverso. Por
exemplo: se a trova fala sobre “amizade”, você poderá ler o que ela quer comunicar e reescre-
vê-la para dizer a mesma coisa, só que usando novas palavras. Outra opção é criar uma trova
nova que expresse as suas ideias sobre esse mesmo tema.
7. Combine com seus colegas de turma e com o professor como será composto o livro: páginas,
capa, se haverá ilustrações, dedicatória, como aparecerá o nome dos autores, se cada aluno-autor
assinará o livro, que materiais usarão para confeccionar a capa, qual o tipo e tamanho de letra a
ser usado.
8. Decidam coletivamente qual será a melhor maneira de divulgar o livro. Seria interessante que
os familiares dos alunos pudessem ler as produções.
9. O livro de poemas poderá ser levado para casa a fim de que seus familiares e amigos possam
lê-lo. Para isso, o livro pode ser reproduzido para que cada aluno tenha um exemplar ou, se
isso não for possível, o professor combinará com a turma uma dinâmica que permita a todos
os alunos levar o livro para casa.
10. Por fim, caso julguem interessante, o livro poderá ser doado para a biblioteca da escola para
que outras pessoas possam ter acesso aos belos poemas produzidos por sua turma.

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AVALIAÇÃO E REESCRITA
1. Faça uma leitura do poema em voz alta e verifique se quer retomá-lo, alterar as palavras e a
combinação delas, acrescentar ou retirar versos, continuar o texto.
2. Verifique se o ritmo do poema ficou agradável. No caso da trova, veja se a rima produziu o efeito
sonoro desejado.
3. Proceda com as modificações até concluir seus objetivos.
4. Faça uma revisão em seu texto, observando e, se necessário, corrigindo ortografia, acentuação,
pontuação, repetições de palavras ou ideias.
5. Passe o texto a limpo e o entregue ao professor antes de a turma iniciar a confecção do livro. Se
você optou por realizar a primeira sugestão, entregue ao professor a reprodução da imagem da
qual você partiu para produzir o poema.

Prática de leitura

texto 6 – Poema visual


Até agora, nós lemos e apreciamos vários poemas que nos levaram às mais diversas emoções, sensa-
ções, reflexões... Mas você já ouviu dizer que há poemas que também são para serem vistos? Vamos ver?

Xadrez
Global

CAPPARELLI, Sérgio;
GRUSZyNSKI, Ana Cláudia.
Poesia visual. São Paulo:
Global, 2002.

POR DENTRO DO TEXTO


1. A imagem do poema sugere determinado objeto. Qual? Para que ele é usado?
Resposta possível: Há algo semelhante a um tabuleiro de xadrez ou damas.

2. O que esperamos encontrar nesse objeto?


No tabuleiro, normalmente, são colocadas peças (peões) para jogar. Nesse poema visual encontramos palavras.

3. O fato de a palavra “amor” estar sobre o tabuleiro de jogo tem algum significado? Por quê?
Sim. Colocar a palavra “amor” sobre o tabuleiro é como colocar as peças para jogar. Então, em linguagem figurada,
significa dizer que o “amor” faz parte de um jogo de estratégias, de sorte, azar, em que o resultado é imprevisível.
4. Nesse contexto, o do jogo, que relação as palavras “ardor” e “dor” estabelecem com “amor”?
“Ardor” e “dor” rimam com “amor”, o que cria uma relação do amor com essas palavras. Ou o amor pressupõe
sentir ardor e dor. Assim como as peças, as sílabas das palavras se movem no poema e constroem o jogo do amor.
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5. A borda vermelha do tabuleiro tem também alguma relação com a palavra “amor”?
Geralmente, o amor é representado na cor vermelha.

6. Se tirássemos o tabuleiro e deixássemos só as palavras, entenderíamos o poema do mesmo jeito?


Justifique. Não, pois é o conjunto, a relação entre as palavras e os elementos visuais que forma o significado do poema.

CONFRONTANDO TEXTOS
1. A imagem do poema despertou sensações, sentimentos e emoções em você? Resposta pessoal.
2. Observe o poema a seguir, escrito por um aluno.

André Quicé
ALMEIDA, Flávio P. Arte, magia e sonhos II.
Brasília: André Quicé, 1977.
O poema constrói sentido (um veleiro navegando) não só por meio das palavras, mas por meio da imagem
a) Qual é a intenção desse poema? criada com essas mesmas palavras, que desenham o contorno de um veleiro. O poema também usou um
outro recurso bastante empregado nesse tipo de texto: a repetição de palavras e de sons, que reforçam a mensagem, tornam-no mais expressivo, mais ritmado.

b) Existe alguma semelhança entre o poema desse aluno e o poema “Xadrez”? Explique sua resposta.
Sim, os dois poemas usaram as palavras para construir uma imagem significativa relacionada ao sentido que
cada texto constrói. Ambos lançaram mão de recursos expressivos, como ritmo, rima e linguagem visual.

Projetos em ação Professor, veja os objetivos das atividades no Manual.

dia da poesia
Neste capítulo foi analisada uma série de recursos da linguagem poética. Que tal colocá-los em práti-
ca, construindo os próprios poemas, organizando uma apresentação das criações da turma e de outros
poemas de que os alunos tenham gostado? Quem sabe possam também incluí-los no livro da turma.
Escolha uma das propostas a seguir.

Proposta 1

Poema visual
• Escolha o tema de que vai tratar e crie uma maneira de representá-lo visualmente, combinando
imagem e palavra de modo a produzir sentido.
• Se desejar, para construir o texto ou para complementar o que ele quer expressar, forme imagens
com as palavras.
• Verifique se o poema está conseguindo atingir o objetivo pretendido: observe se o texto está disposto
na folha de uma maneira significativa. A ocupação da folha é livre, mas não é ocasional: em um poema
desse tipo, a distribuição das palavras no espaço em branco do papel busca provocar efeitos de sentido.
• Caso julgue necessário, você poderá colorir o poema e usar outros recursos artísticos em sua
composição.
• Monte com seus colegas um varal de poemas visuais fora do espaço da sala de aula. Combine
com seu professor um local possível para essa montagem.
• Seu professor vai ajudá-los a escrever um texto coletivo que descreva o processo de composição
dos poemas e dê informações teóricas sobre o assunto. Esse texto também vai compor a expo-
sição e servirá de orientação para as pessoas que ainda não conhecem esse tipo de poema. Para
fazer essa apresentação geral, use seus conhecimentos a respeito de poema visual.

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• Passem a limpo o texto de apresentação do varal em uma cartolina ou outro tipo de papel grande,
de forma que ele fique bem visível. Convidem as pessoas a visitar os trabalhos e observem as
reações que um poema visual pode despertar.

Proposta 2

Poema tradicional
Escolha cinco substantivos e cinco adjetivos que, para você, estejam relacionados a um dos temas a seguir:
“família”, “amizade”, “escola” e “medo”. Se preferir, escolha outro tema com o qual você se identifique mais.
• Usando o tema e as palavras escolhidas, escreva um poema em que o eu poético expresse suas
emoções.
• Seu poema deverá ser estruturado em versos e estrofes.
• Crie associações entre ideias e imagens e use a linguagem figurada para construir o sentido do texto.
• Se quiser, utilize rimas.

Proposta 3

Poema narrativo
Os poemas são textos que, além de expressar sentimentos, também podem contar histórias ou
descrever pessoas. Um exemplo é o texto “O poeta aprendiz”, do qual lemos um trecho nesta unidade.
• Escolha uma história conhecida ou, se preferir, invente uma.
• Usando versos e rimas, narre essa história.
• Se optar por uma história que já existe, você pode manter as ideias principais ou transformá-las,
para criar novos sentidos, efeitos de humor etc. Por exemplo: Em um poema narrativo baseado no
conto “Chapeuzinho Vermelho”, a personagem principal pode ser caracterizada como uma adoles-
cente que se apaixona pelo Lobo Mau.

aPresentação dos Poemas


ORIENTAÇÕES
Depois de comporem seus poemas, que tal organizarem um evento que poderia receber o nome de
“O Dia da poesia”?
Nesse dia, vocês poderão apresentar um recital de poesias, declamando poemas de autores
consagrados e de sua região, bem como os próprios textos poéticos. Além disso, poderão montar var-
ais de poesias, divulgando suas criações artísticas e os poemas que mais gostaram de ler, de modo que
todos os convidados possam lê-los.

Leia mais
Não são poucos os suportes em que podemos encontrar poemas. Na modalidade escrita ou oral,
eles estão por toda a parte. Seja você também um leitor de poemas, procure-os por toda a parte e
divulgue aos seus colegas aqueles de que mais gostar.

Preparando-se para o próximo capítulo Professor, é interessante programar a exposição


desses materiais para o início do próximo capítulo.

Converse com alguém de sua família ou algum vizinho com mais de 50 anos a respeito da situação
das escolas de trinta anos atrás. Anote o que eles disserem em folhas avulsas e, se possível, consiga
fotos que retratem essas escolas. Traga esses materiais para a aula, conforme a orientação do professor.

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Unidade

SER E ConvivER
2
Nesta unidade, a palavra é “conviver”.
O Capítulo 1 trata da escola como um espaço de convivência
e aprendizagem. Professores, alunos, pais e funcionários “vivem
em conjunto” – esse é o significado de “conviver”. Mas como
será que era a escola há algumas décadas? Você já pensou sobre
isso? E como será no futuro? É possível melhorar o espaço esco-
lar, deixá-lo mais agradável?
O Capítulo 2 trata de relacionamentos. Você lerá a letra de uma
canção que fala sobre pai e filho e um classificado poético muito
engraçado, que põe os pais à venda. Você ainda analisará uma
charge, uma foto e a agenda de uma adolescente.
Também lerá textos que falam de amor e amizade. Nesse capítulo,
você poderá perceber a importância da descrição, da narração e da
argumentação em diferentes gêneros de texto.
Dizem que, ao participarmos de atividades coletivas, sentimo-nos
mais responsáveis e nossas ações fazem mais sentido para
nós. Será que isso é verdade? Você poderá testar essa afirmati-
va, pois, ao final da unidade, terá a oportunidade de pensar sobre
isso. Fique ligado(a)!

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capítulo

1 DA ESCoLA QUE TEMoS


À ESCoLA QUE QUEREMoS
Professor, um dos objetivos deste capítulo é apresentar ao aluno os tipos textuais narração, argumentação e descrição, levando em conta que eles podem estar presentes, simultaneamente, nos
mais diversos gêneros de texto. Fazemos na obra uma distinção entre os tipos de texto e os gêneros de texto, conforme teoria exposta no Manual. Julgamos que essa diferenciação é importante
para que os alunos possam perceber de que maneiras e com que recursos os textos de diferentes gêneros são construídos. Contudo, a nomenclatura “tipos textuais” caberá apenas ao professor.
Nesse momento, a estrutura da narrativa foi apresentada de maneira mais detalhada. Já o tipo argumentativo foi apresentado e sistematizado, mas deverá ser aprofundado no decorrer da obra, assim
como o que ocorre com a descrição. Professor, no final da Unidade 1 foi feita uma sugestão de pesquisa. Seria interessante solicitar aos alunos que compartilhem os resultados neste momento.

Para começo de conversa

1. O texto a seguir é formado por gráficos. Qual é a finalidade desse tipo de texto?
Os gráficos são uma forma de apresentar um conjunto de informações ou dados por meio de representação visual, de modo que estes possam ser comparados e mais
rapidamente compreendidos.
2. Quando e em qual veículo de comunicação esses gráficos foram divulgados?
Em 26 de setembro de 2014, no site do jornal Folha de S. Paulo.

3. Esses gráficos tratam de qual assunto?


Tratam do nível de aprendizagem dos alunos dos anos iniciais em relação à leitura, escrita e matemática em todos os estados brasileiros.

4. Qual é a importância dos títulos e subtítulos para a leitura dos gráficos?


Os títulos e subtítulos permitem identificar o assunto tratado pelo gráfico e as informações que ele apresenta.

Folhapress

FOREQUE, Flávia. Nível de leitura de alunos de 8 anos é considerado baixo em 22 estados. Folha de S.Paulo,
26 set. 2014. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2014/09/1522654-nivel-de-leitura-de-
-alunos-de-8-anos-e-considerado-baixo-em-22-estados.shtml>. Acesso em: 2 fev. 2015.

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POR DENTRO DO TEXTO

Gráficos são textos que representam informações visualmente de modo que sua compreensão pos-
sa ser feita de modo rápido. São usados em diferentes gêneros de textos e em meios variados. Os grá-
ficos que você acabou de ler foram criados para complementar informações veiculadas em um jornal.
Faça uma leitura mais detalhada desses gráficos e depois responda às questões a seguir.

1. O que as barras coloridas representam? O percentual de alunos nos níveis mais baixos de aprendizagem de leitura, escrita e matemática.
Eles indicam, numericamente, o percentual de alunos
2. O que os números ao lado de cada barra colorida indicam? com desempenho ruim em cada uma das habilidades.

3. Copie a tabela a seguir em seu caderno e complete-a com informações dos gráficos.

Leitura Escrita Matemática


Estado Percentual Estado Percentual Estado Percentual
Alagoas 81,56% Maranhão 61,13% Maranhão 83,11%
Três piores
Maranhão 80,89% Paraíba 60,2% Amapá 82,8%
desempenhos
Sergipe 80,65% Sergipe 59,54% Alagoas 81,27%

Minas Gerais 38,66% Santa Catarina 21,57% Santa Catarina 37,99%

Três melhores Santa Catarina 39,43% Paraná 26,08% Minas Gerais 40,55%
desempenhos
São Paulo 42,53% São Paulo 28,05% São Paulo 40,95%

4. Considerando os percentuais apresentados nos gráficos, qual das três habilidades avaliadas teve o
pior resultado? Matemática. Professor, é possível ampliar essa atividade, mobilizando
conhecimentos das disciplinas de História e Geografia.
Por meio de pesquisas e discussões, estimule a turma a
5. Nos gráficos, os resultados de um estado aparecem destacados. observar as características dos estados e regiões brasi-
leiros, levantando as possíveis causas para as diferen-
ças no desempenho dos alunos do país.
a) Que estado é esse? São Paulo.

b) Que recurso visual é utilizado para destacar os resultados desse estado no gráfico?
As cores das barras com os percentuais desse estado são mais escuras.

c) Por que os resultados desse estado foram destacados?


Provavelmente porque o jornal que publicou os gráficos é do estado de São Paulo.

Prática de leitura

Texto 1 – Crônica
ANTES DE LER

1. Você sabe o que significa a palavra “democrata”? Escreva o que você sabe sobre ela. Resposta pessoal.
2. Será que as pessoas que convivem com você sabem o significado dessa palavra? Realize
uma pesquisa. Faça a várias pessoas próximas a você (familiares, vizinhos, professores etc.)
as seguintes questões:
a) O que significa ser democrata?
b) Você se considera democrata? Por quê?

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Na escola
Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de uma rua que não vou contar, e
mesmo o nome de Dona Amarílis é inventado, mas o caso aconteceu.
Ela se virou para os alunos, no começo da aula, e falou assim:
– Hoje eu preciso que vocês resolvam uma coisa muito importante. Pode ser?
– Pode – a garotada respondeu em coro.
– Muito bem. Será uma espécie de plebiscito. A palavra é complicada, mas a coisa é simples. Cada um
dá sua opinião, a gente soma as opiniões e a maioria é que decide. Na hora de dar opinião, não falem
todos de uma vez só, porque senão vai ser muito difícil eu saber o que é que cada um pensa. Está bem?
– Está – respondeu o coro, interessadíssimo.
– Ótimo. Então, vamos ao assunto. Surgiu um movimento para as professoras poderem usar
calça comprida nas escolas. O governo disse que deixa, a diretora também, mas no meu caso eu
não quero decidir por mim. O que se faz na sala de aula deve ser de acordo com os alunos. Para
todos ficarem satisfeitos e um não dizer que não gostou. Assim não tem problema. Bem, vou come-
çar pelo Renato Carlos. Renato Carlos, você acha que sua professora deve ou não deve usar calça
comprida na escola?
– Acho que não deve – respondeu, baixando os olhos.
– Por quê?
– Porque é melhor não usar.
– E por que é melhor não usar?
– Porque minissaia é muito mais bacana.
– Perfeito. Um voto contra. Marilena, me faz um favor, anote aí no seu caderno os votos contra. E
você, Leonardo, por obséquio, anote os votos a favor, se houver. Agora quem vai responder é Inesita.
– Claro que deve, professora. Lá fora a senhora usa, por que vai deixar de usar aqui dentro?
– Mas aqui dentro é outro lugar.
– É a mesma coisa. A senhora tem uma roxo-cardeal que eu vi outro dia na rua, aquela é bárbara.
– Um a favor. E você, Aparecida?
– Posso ser sincera, professora?
– Pode, não. Deve.
– Eu, se fosse a senhora, não usava.
– Por quê?
– O quadril, sabe? Fica meio saliente...
– Obrigada, Aparecida. Você anotou, Marilena? Agora você, Edmundo.
– Eu acho que Aparecida não tem razão, professora. A senhora deve ficar muito bacana de calça
comprida. O seu quadril é certinho.
– Meu quadril não está em votação, Edmundo. A calça, sim. Você é contra ou a favor da calça?
– A favor 100%.
– Você, Peter?
– Pra mim tanto faz.
– Não tem preferência?
– Sei lá. Negócio de mulher eu não me meto, professora.
– Uma abstenção. Mônica, você fica encarregada de tomar nota dos votos iguais ao de Peter: nem
contra nem a favor, antes pelo contrário.
Assim iam todos votando, como se escolhessem o Presidente da República, tarefa que talvez, quem
sabe? no futuro sejam chamados a desempenhar. Com a maior circunspeção. A vez de Rinalda:
– Ah, cada um na sua.

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– Na sua, como?

Jótah
– Eu na minha, a senhora na sua, cada
um na dele, entende?
– Explique melhor.
– Negócio seguinte. Se a senhora quer
vir de pantalona, venha. Eu quero vir de
midi, de máxi, de short, venho. Uniforme
é papo-furado.
– Você foi além da pergunta, Rinalda.
Então é a favor?
– Evidente. Cada um curtindo à vontade.
– Legal! – exclamou Jorgito. – Uniforme
está superado, professora. A senhora vem
de calça comprida, e a gente aparecemos
de qualquer jeito.
– Não pode – refutou Gilberto. – Vira
bagunça. Lá em casa ninguém anda de pi-
jama ou de camisa aberta na sala. A gente
tem de respeitar o uniforme.
Respeita, não respeita, a discussão es-
quentou, Dona Amarílis pedia ordem, or-
dem, assim não é possível, mas os grupos se
haviam extremado, falavam todos ao mesmo
tempo, ninguém se fazia ouvir, pelo que,
com quatro votos a favor de calça comprida,
dois contra, e um tanto-faz, e antes que fos-
se decretada por maioria absoluta a abolição
do uniforme escolar, a professora achou pru-
dente declarar encerrado o plebiscito, e pas-
sou à lição de História do Brasil.
AndrAde, Carlos drummond de. na escola. Crônicas.
14. ed. São Paulo: Ática, 1995. (Para gostar de ler v. 2. – Crônicas).

PARA VOCÊ QUE É CURIOSO

Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores escritores brasileiros, nasceu em Itabira (MG), em
1902, e morreu no Rio de Janeiro, em 1987.
Em 1918, mudou-se para Nova Friburgo (RJ) e passou a estudar no internato do Colégio
Anchieta. Um ano depois, foi expulso após um incidente com o professor de Língua Portuguesa.
Drummond formou-se em Farmácia por exigência da família, mas nunca exerceu essa profissão:
lecionava História e Geografia.
Em 1934, assumiu um cargo público no governo de Getúlio Vargas e aposentou-se em 1962.
Além de cronista, foi autor de contos e de livros infantis. Mas é como poeta que ele se destacou.
Algumas de suas obras: Alguma poesia; Sentimento do mundo; A rosa do povo; Fazendeiro do ar
e Poesia até agora; Antologia poética; A bolsa e a vida; Amor, amores; entre muitas outras.

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POR DENTRO DO TEXTO

1. Você gostou do texto “Na escola”? O que mais chamou a sua atenção nessa leitura? Resposta pessoal.

2. O texto que você acabou de ler conta uma história.

a) Quem são as personagens? A professora e os alunos.

b) No geral, o que as personagens estão fazendo? As personagens estão discutindo (tomando partido) sobre um assunto proposto.

c) Onde ocorrem os fatos? Os fatos ocorrem na sala de aula, apesar de haver alusões à rua, à casa.

3. Que fatos ocorridos no texto podem acontecer no dia a dia de uma sala de aula?
Muitos deles: um debate sobre um tema polêmico, a diferença de opiniões, a votação etc.

4. Você entendeu a explicação de Dona Amarílis sobre plebiscito? Explique, então, do que se trata.
É a participação popular (democrática) numa decisão ou escolha.

5. Em seu caderno, caracterize, com as palavras ou expressões a seguir, cada um dos alunos, com
base na opinião manifestada no plebiscito. No geral, as respostas giram em torno de conservadorismo, inovação, liberdade, estética.

avançado(a) inovador(a)

Renato – avançado; Inesita – inovadora;


Aparecida – preocupada com o lado estéti-
co; Edmundo – preocupado com o lado esté- preocupado(a) com o lado estético
tico; Peter – indiferente; Rinalda – avançada;
Jorgito – avançado; Gilberto – conservador.

indiferente conservador(a)

6. Explique o que a professora quis dizer com as seguintes palavras: “Você foi além da pergunta, Rinalda”.
Quis dizer que Rinalda emitiu opinião sobre algo que não estava em votação, ou seja, que não lhe foi perguntado.

TEXTO E CONSTRUÇÃO

1. Releia a opinião de Inesita e responda às questões.

a) Ela foi a favor ou contra o uso de calça comprida pela professora? A favor.

b) Que argumento, ou seja, que justificativa ela usou para defender sua opinião?
O argumento de que, se a professora usa calça comprida fora da escola, também pode usar dentro dela.

2. Renato Carlos e Aparecida votaram contra o uso de calça comprida. Que argumento cada um deles
usou para justificar sua opinião? Renato Carlos acha que minissaia é mais bacana. Já Aparecida acha que a calça deixa os quadris salientes.

IMPORTANTE SABER

Argumento é o recurso que utilizamos para justificar uma afirmação ou para convencer alguém a
mudar de opinião ou de comportamento. Fatos, ideias, razões ou provas são exemplos de argumentos.
A argumentação pode aparecer em diferentes gêneros orais ou escritos. Por exemplo, as pessoas
podem defender ideias em um debate, em um artigo de opinião ou até mesmo em uma conversa-
ção espontânea.
Por isso, é importante saber que, para argumentar, é preciso conhecer bem o assunto sobre o
qual estamos falando ou escrevendo. Desse modo, ficará mais fácil organizar as ideias e elaborar
argumentos adequados e eficientes.

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3. Releia a opinião de Rinalda:

[...] A vez de Rinalda:


– Ah, cada um na sua.
– Na sua, como?
– Eu na minha, a senhora na sua, cada um na dele, entende?
– Explique melhor.
– Negócio seguinte. Se a senhora quer vir de pantalona, venha. Eu quero vir de midi, de
máxi, de short, venho. Uniforme é papo-furado.
– Você foi além da pergunta, Rinalda. Então é a favor?
– Evidente. Cada um curtindo à vontade.

a) Em seu caderno, transcreva a afirmativa correta sobre Rinalda: Alternativa “I”.

I. Ela desviou do assunto que estava em votação.


II. Ela não foi sincera com a professora.
III. Ela não quis participar da votação.
b) As falas de Rinalda dão a entender que ela é a favor ou contra o uso de calça comprida pelas
professoras? Explique. As falas de Rinalda dão a entender que ela é a favor, já que, de acordo com a aluna, cada um deve usar o que tiver vontade.
c) Qual foi o novo assunto colocado em discussão por Rinalda? O uso de uniforme na escola.
d) Qual é a sua opinião sobre esse assunto? Justifique sua resposta com um argumento.
Resposta pessoal. Espera-se que o aluno se posicione sobre o uso de uniforme na escola, apresentando um argumento consistente para sustentar sua opinião.

4. Releia os diferentes argumentos apresentados pelos alunos de Dona Amarílis. Depois, escolha
aquele que, em sua opinião, foi o mais coerente. Justifique sua escolha. Resposta pessoal.

5. Até aqui, você já teve a oportunidade de ler textos bastante diferentes. Provavelmente, você percebeu
que cada texto abordou determinado conteúdo, organizou-se de um jeito próprio e apresentou diferen-
tes intenções e linguagens específicas. O texto “Na escola” é uma crônica. Em seu caderno, transcre-
va a alternativa que melhor revela a característica predominante na construção desse texto. Alternativa “b“.
a) O texto teve como predominância a descrição de diferentes comportamentos diante de um mesmo fato.
b) O texto teve como predominância a narração de fatos ocorridos em uma situação cotidiana.
c) O texto teve como predominância argumentos contrários ao uso de uniforme escolar.

IMPORTANTE SABER

Pelo conteúdo, pela organização, linguagem e pelas intenções de um texto, é possível reconhecer
o que é uma carta e perceber a diferença entre uma carta, um bilhete, um poema. Ao conjunto de
textos orais e escritos, com características específicas, damos o nome de gêneros. Ao se produzir
um texto, em determinado gênero, devemos nos perguntar:
• por que e para que escrevemos (intenção comunicativa);
• a quem o texto se destina (interlocutor);
• como o texto deve estar organizado;
• quais são os tipos de linguagem utilizados: verbal, não verbal e mista;
• como adequar vocabulário, combinação de palavras, pontuação etc. às intenções do texto; em
que suporte o texto circulará.
Sendo assim, é importante considerar os itens acima quando for construir o seu texto.

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TEXTO E CONTEXTO

1. Basicamente, a crônica traz duas discussões: uma em torno do uso de calça comprida por profes-
soras e outra sobre o uso ou não de uniforme.
O uso do uniforme gerou mais polêmica, provavelmente porque envolvia o contexto
a) Qual delas gerou mais polêmica? Por quê? dos alunos, que passaram a discutir algo relacionado à sua vivência.

b) Em sua opinião, hoje essas discussões ainda poderiam gerar polêmica na escola? Por quê?
Espera-se que o aluno perceba que apenas a discussão sobre o uso do uniforme poderia gerar polêmica atualmente, já que
ainda é uma questão presente. O uso de calça comprida por professoras no contexto escolar é muito comum nos dias atuais.
c) Como você imagina que as mulheres se vestiam na época retratada no texto? Resposta pessoal.
Professor, embora o texto não informe a data em que se passa a crônica, pode-se supor que, na época retratada, não era comum o uso de calça comprida pelas mulheres. No
Brasil, o uso de calças popularizou-se a partir da década de 1960 entre a população feminina. Aproveite a oportunidade para discutir com os alunos sobre a simbologia do uso
2. Releia o início da crônica: de calças compridas na luta pela emancipação feminina. Se houver interesse, amplie a discussão para as questões de igualdade entre
gêneros. Você também pode solicitar uma pesquisa sobre o tema aos alunos.

Democrata é Dona Amarílis, professora na escola pública de


uma rua que não vou contar, e mesmo o nome de Dona Amarílis
é inventado, mas o caso aconteceu.

a) Qual foi a atitude de Dona Amarílis quando os alunos começaram a discutir um assunto do
interesse deles? Ela tratou de mudar de assunto, encerrando a votação para que a discussão não se estendesse.

b) A professora agiu de forma democrática ao declarar o plebiscito encerrado? Explique.


Espera-se que os alunos percebam que a atitude da professora não foi democrática, já que ela
encerrou uma discussão do interesse dos alunos. Ela impôs sua decisão de forma intransigente.
c) Ironia é expressar o contrário do que se quer dar a entender. Com base nessa informação,
podemos dizer que o narrador foi irônico ao caracterizar Dona Amarílis como democrata, logo no
início da crônica? Sim. Espera-se que os alunos percebam que o narrador foi irônico, já que a professora só deu
oportunidade para os alunos discutirem e opinarem sobre um assunto que interessava apenas a ela.

CONFRONTANDO TEXTOS
Leia o texto a seguir:

Roupa ou uniforme: vantagens e desvantagens


Conheça argumentos contrários e favoráveis ao uso do
uniforme escolar e se posicione sobre esse tema polêmico

20/01/2015 11:50
Texto Lígia Menezes
[...]
Alguns argumentos favoráveis ao uso do uniforme
1. É prático
2. Preserva a infância
3. Inibe o consumismo
4. Minimiza a vaidade
5. É econômico
6. Diminui o risco de bullying
7. Proporciona segurança na hora de brincar
8. Impõe disciplina
9. Equilibra as diferenças sociais
10. Confere responsabilidade

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Alguns argumentos contrários ao uso do uniforme
1. Tira a individualidade
2. Não passa noções de como se vestir
3. Dificulta a formação de grupos
4. Padroniza a diferença
5. Dificulta a busca da identidade
MenezeS, Lígia. roupa ou uniforme: vantagens e desvantagens. Educar para crescer,
21 jan. 2014. disponível em: <http://educarparacrescer.abril.com.br/
comportamento/uniforme-635532.shtml>. Acesso em: 9 jan. 2015.

1. Qual é a relação entre o assunto tratado nesse texto e a crônica “Na escola”?
Ambos tratam de temas relacionados ao ambiente escolar. O texto lido mostra argumentos a favor e contra o uso do uniforme, assunto que também foi abordado na crônica.

2. Em sua opinião, qual dos argumentos contrários apresentados no texto “Roupa ou uniforme: vantagens
e desvantagens” está de acordo com a opinião de Rinalda, na crônica “Na escola”? Explique.
Espera-se que o aluno perceba que os argumentos apresentados nos itens 1 e 5 (“Tira a individualidade” e “Dificulta a busca da identidade”, respectivamente) são coerentes com
a opinião de Rinalda. A menina considera que cada um deve vestir-se como quer e os argumentos apresentados nos itens mencionados referem-se à individualidade.
3. Qual das personagens da crônica “Na escola” é favorável ao uso do uniforme? Gilberto.

4. A explicação dada por essa personagem para justificar sua opinião aproxima-se de algum dos ar-
gumentos favoráveis apresentados no texto “Roupa ou uniforme: vantagens e desvantagens”?
Aproxima-se do argumento apresentado no item 8 (“Impõe disciplina”). Na crônica, Gilberto afirma que sem uniforme “vira
Qual? Justifique. bagunça” e por isso ele deve ser respeitado. A explicação do menino relaciona-se à disciplina imposta pelo uso do uniforme.

TROCANDO IDEIAS
1. Em sua opinião, o problema da professora era caso para um plebiscito? Justifique. Resposta pessoal.

2. Você já participou de um plebiscito? Em caso afirmativo, explique como foi a experiência. Resposta pessoal.

3. É comum haver plebiscito nas escolas? Por quê? Resposta pessoal.

4. Que plebiscito você gostaria que ocorresse na sua escola? E na sua sala de aula?
Resposta pessoal. Professor, seria interessante, nesse momento, que se abrisse um plebiscito na sala de aula para discussão e votação, com base em um dos temas
propostos pelos alunos. Solicite-lhes que levantem e listem as características desse gênero oral com base na leitura do texto. São as seguintes: saber ouvir, falar um de
cada vez, respeitar as opiniões dos colegas, construir argumentos para justificar as opiniões e a opção do voto.

DE OLHO NO VOCABULÁRIO
1. Leia a seguir o verbete “abster”, tal como aparece em um dicionário. Preste atenção nas informa-
ções que ele nos traz.

abster [Do lat. abstenere, por abstinere.] V. t. d. e i. 1 Privar; impedir: A doença abstém-na de andar.
P. 2 Conter-se, refrear-se: “Considerando o formulário para declaração de imposto de renda
algo assimilável aos textos em caracteres cuneiformes, sempre me abstive religiosamente de
preenchê-lo”. (Carlos Drummond de Andrade, Cadeira de balanço, p. 35.) 3 Deixar de intervir.
4 Privar-se (de alimento, álcool, tabaco etc.); fazer abstinência. [Irreg. Conjug.: v. conter.]
HoLAndA, Aurélio Buarque de. Novo dicionário da língua portuguesa.
2. ed. rio de Janeiro: nova Fronteira, 1986.

a) Encontre no verbete a origem da palavra “abster”. “Abster” vem do latim: abstenere, abstinere.

b) Encontre o significado para a expressão “abster-se de votar”. O terceiro sentido do verbete atende ao sentido usado no texto.

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Reflexão sobre o uso da língua

variedade linguística
1. Observe a maneira como um personagem do texto expôs sua opinião e responda às próximas
questões. Assim,
Professor, ainda nesta sequência, haverá uma sistematização a respeito da variedade da língua mais prestigiada e das menos prestigiadas socialmente.
os alunos compreenderão que a língua tem variedades. O texto do quadro Importante saber oferece explicações sobre esse assunto.

A senhora vem de calça comprida, e a gente aparecemos de qualquer jeito.


As normas urbanas de prestígio desfrutam de maior prestígio político, social e cultural, mas é fundamental que os alunos comecem a perceber que essa discussão
não pode se dar em torno do que é certo ou errado.
a) A construção destacada no trecho está de acordo com as regras gramaticais? Por quê?
Não, pois não há concordância verbal entre o sujeito (“a gente”) e o verbo (“aparecemos”).

b) Construções como essa em destaque podem aparecer na fala das pessoas quando elas se co-
Professor, acolha as hipóteses dos alunos. Explique a eles que há pessoas
municam? Por que você acha que isso acontece? que usam uma variedade da língua em que há regras de concordância con-
vencionadas de acordo com a norma-padrão. Mas que há também pessoas que usam uma variedade da língua que nem sempre segue as regras da norma-padrão.
E que, na fala, as pessoas podem, eventualmente, usar a língua sem as concordâncias previstas na norma-padrão.

IMPORTANTE SABER

Em nossa sociedade, há falares mais prestigiados e outros menos.


Os falares urbanos que desfrutam de maior prestígio político, social e cultural são conhecidos co-
mo normas urbanas de prestígio.
As normas urbanas de prestígio correspondem aos usos da língua mais associados à escrita, à
tradição literária e a instituições como o Estado, a escola, as igrejas e a imprensa.
Mas a língua pode se manifestar em outras variedades, ou seja, em outras maneiras de falar e
escrever tão legítimas quanto as normas urbanas de prestígio.
Por ser dinâmica, a língua passa por processos naturais de mudança e seu uso se modifica de
acordo com a situação, variando conforme o tempo em que se vive, o lugar onde se mora, a idade,
a circunstância em que a produzimos etc. A essas diferentes maneiras de falar e escrever chamamos
variedades linguísticas.
Já a norma-padrão é um modelo idealizado de língua correspondente a um conjunto de regras
ditadas pela gramática normativa. Ela serve de referência geral para os usuários da língua e é es-
tudada na escola para que as pessoas possam usá-la de acordo com a sua necessidade e interesse.

níveis de linguagem: formal e informal


2. Vamos continuar a reflexão: Assim como ocorre com a maneira de se vestir, você acha que é pos-
sível perceber quando o jeito de falar de alguém é formal ou informal? Como?
Sim, a linguagem formal é mais cuidada, mais séria. Já a linguagem informal é mais espontânea, mais descontraída. Professor, sugerimos que as próximas questões
sejam feitas oralmente.
3. No texto “Na escola”, encontramos palavras e expressões que costumam ser usadas em situa-
ções informais de comunicação. Veja:

[...] Uniforme é papo-furado. [...]


– Porque minissaia é muito mais bacana. [...]
– Ah, cada um na sua.

• Agora, reflita e responda:

a) Você acha que as expressões em destaque foram empregadas adequadamente pelas persona-
gens na situação de comunicação? Por quê? Espera-se que o aluno reconheça que sim, pois as personagens (alunos jovens) estão
em situação informal em sala de aula. Nesse contexto, os estudantes se expressam
na linguagem que costumam usar espontaneamente no dia a dia.
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b) Se você estivesse apresentando um trabalho sobre o uso do uniforme em um seminário organi-
zado por várias escolas, seria adequado dizer “uniforme é papo-furado”? Por quê?
Não. A linguagem deve ser adequada aos interlocutores e à situação de comunicação em que é empregada. O seminário
organizado entre várias escolas pressupõe um grau de formalidade em que o uso de gírias seria inadequado.
c) Em que situações de comunicação não é adequado usar a expressão “papo-furado”? Em seu
caderno, anote e justifique as suas respostas. Respostas “I” e “IV”. Não é adequado usar a expressão
“papo-furado” em situações de maior formalidade.

I. Audiência com um juiz.


II. Bate-papo com os amigos.
III. Entrevista em programa de TV destinado ao público jovem.
IV. Entrevista de emprego.

d) E se você tivesse de reescrever as frases do quadro em uma linguagem mais formal, como ficariam?
Respostas possíveis: “Uniforme está fora de moda, não se usa mais.”; “Porque minissaia é muito mais bonita.”; “Cada um com suas opiniões.”; “Cada um com suas
preferências.”.

IMPORTANTE SABER

De acordo com a situação e a circunstância em que nos encontramos, falamos ou escrevemos de for-
mas diferentes. Para adequar nossa linguagem à situação de comunicação, devemos considerar: o
assunto que está sendo tratado, o estado emocional de quem se comunica, o grau de intimidade e o
tipo de relação entre as pessoas (falante/ouvinte – escritor/leitor), o lugar em que se encontram etc.
Dependendo da situação de comunicação, usamos:
Linguagem formal – presente em situações mais sérias, de maior formalidade. É elaborada;
apresenta, geralmente, um conteúdo mais complexo e vocabulário técnico. Na linguagem formal,
há maior preocupação com a norma-padrão.
Linguagem informal – é adequada para a fala imediata, do dia a dia. A linguagem informal é
simples, espontânea. É bastante usada com familiares e pessoas íntimas.

4. Leia um trecho da letra da canção “Mina do condomínio”:

Mina do condomínio
Tô namorando aquela mina
Mas não sei se ela me namora
Mina maneira do condomínio
Lá do bairro onde eu moro
[...]
MourA, Gabriel; Seu JorGe. Mina do condomínio. Vagalume.
disponível em: <http://www.vagalume.com.br/seu-jorge/
mina-do-condominio.html>. Acesso em: 7 jan. 2015.

a) Na canção “Mina do condomínio”, há um “eu” que diz que namora uma “mina”. O que ele quis dizer
com a palavra “mina”? Professor, espera-se que o aluno identifique que “mina”, nesse contexto, significa menina, garota, guria etc.

b) Você conhece alguém que fala de um jeito parecido com o do eu poético? Comente com a turma.
Resposta pessoal.
c) A linguagem empregada na canção é formal ou informal? Informal.

5. Na canção “Mina do condomínio”, você achou adequada a maneira como o compositor usou a
língua? Por quê? Resposta pessoal. Professor, explique para os alunos que a linguagem é múltipla e variada, e deve ser adequada ao contexto em
que é empregada – na canção de Seu Jorge, a informalidade é proposital e usada para caracterizar um determinado contexto.

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6. Leia esta charge e, em seguida, responda às questões propostas.

Roberto Kroll
Disponível em: <http://www.robertokroll.com.br/>. Acesso em: 3 fev. 2015.

• Tanto o texto não verbal (a imagem) quanto o texto verbal (a fala da personagem) causam estra-
nhamento por não estarem, de alguma forma, adequados ao contexto.

a) Onde estão as personagens? Em uma praia.

b) O que as personagens provavelmente farão? Provavelmente irão surfar.

c) Qual das duas personagens está vestida de forma inadequada para o local? Por quê?
O homem de terno e gravata está vestido inadequadamente, uma vez que não está com roupas apropriadas para a praia, muito menos para surfar.
d) Por que a fala do homem de terno e gravata causou estranhamento no surfista?
Porque sua fala não estava adequada àquela situação de comunicação. Ele usou uma fala muito formal em um momento informal, descontraído.
e) Você considera adequada a maneira como o homem de terno e gravata usou a língua? Por quê?
Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba a inadequação da fala da personagem diante do contexto, apesar de a construção não apresentar nenhuma incor-
reção do ponto de vista gramatical.
Professor, aproveite o momento para discutir com os alunos a importância de adequar a linguagem ao interlocutor e ao contexto.

De olho na ortografia

Por que, porque, por quê, porquê


Observe como os diferentes porquês foram empregados neste trecho do diálogo entre Dona Ama-
rílis e um dos seus alunos no texto “Na escola”.

– Acho que não deve – respondeu, baixando os olhos.


– Por quê?
– Porque é melhor não usar.
– E por que é melhor não usar?
– Porque minissaia é muito mais bacana.

A professora empregou as formas por que e por quê para fazer perguntas. O aluno empregou
porque para dar respostas.

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Agora, leia estas frases.

– As crianças não fazem perguntas nem precisam saber os porquês?

O porquê (junto e com acento) aparece como sinônimo de motivo, razão; normalmente acompanha-
do de artigo.

– [...] Por que a professora não conversa? Quem manda? Onde?


Por quê? Como?

Emprega-se por quê (separado e com acento) no final da frase.


Vivemos querendo saber “os porquês”, o que é muito importante. Mas precisamos também saber
grafá-los corretamente.

APLICANDO CONHECIMENTOS

1. Depois de ter observado os exemplos e as explicações do uso dos porquês, copie, em seu cader-
no, as afirmativas abaixo, e complete-as com a forma adequada.

a) Usamos ▲ quando a expressão aparece no início de uma frase interrogativa.

b) Usamos ▲ em respostas, quando damos uma explicação.

c) Usamos ▲ em perguntas, quando vier isolado no final da frase. por que – porque – por quê

2. Copie, em seu caderno, as frases a seguir, empregando adequadamente por que, porque,
por quê, porquê.

a) ▲ você sorri azul?

b) A professora não respondeu à pergunta de Gabriel. Não ▲ não queria, mas ▲ não sabia.

c) ▲ eu estou sentado aqui?

d) Eu queria saber o ▲ de eu estar sentado aqui.

e) Eu estou sentado aqui, ▲?

f) ▲ é você quem manda?

g) As crianças fazem muitas perguntas. ▲?


a) “Por que”; b) “porque”, “porque”; c) “Por que”; d) “porquê”;
h) Você não precisa saber o ▲. e) “por quê”; f) “Por que”; g) “Por quê”; h) “porquê”.

3. Escreva, em seu caderno, duas perguntas para as quais você gostaria de ter respostas, utilizando
a expressão “por que”. Peça a um colega que as responda. Resposta pessoal.

4. Elabore, em uma folha avulsa, duas perguntas para um adulto em que a expressão “por que” inicie
a questão. Peça a alguém que as responda. Verifique se a pessoa questionada argumentou sua
resposta. Observe que o emprego do “porque” indica que o locutor da resposta está apresentando
Professor, você poderá pedir aos alunos que leiam as perguntas e respos-
seus argumentos sobre determinado assunto. tas anotadas caso perceba que não haverá constrangimento na apresen-
tação dessa atividade. Ou, dependendo do tipo de questão que o aluno tenha elaborado (o que poderá pesquisar durante o trabalho em sala de aula), talvez seja
melhor escolher algumas dessas perguntas e apresentá-las oralmente para a turma sem revelar quem as escreveu. Talvez se eles souberem que não precisarão
revelar a identidade, possam fazer perguntas importantes para conhecer melhor quem são esses alunos, que angústia os atormenta ou que curiosidades têm etc. 77

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Prática de leitura

Texto 2 – Romance (fragmento – i)


Agora, você vai ler a história de um menino que conta como foi a sua experiência nos primeiros anos
de escola. A escola onde ele esperava aprender a ler. Ele nos conta como era essa escola, a sua profes-
sora e o ensino. Mas o que será que aconteceu com ele naquele lugar? Foi lá que ele aprendeu a ler?

[...] Aos nove anos, eu era quase analfabeto. E achava-me inferior aos Mota Lima, nossos vizi-
nhos, muito inferior, construído de maneira diversa. Esses garotos felizes, para mim eram perfeitos:
andavam limpos, riam alto, frequentavam escola decente e possuíam máquinas que rodavam na
calçada como trens. Eu vestia roupas ordinárias, usava tamancos, enlameava-me no quintal, enge-
nhando bonecos de barro, falava pouco.
Na minha escola de ponta de rua, alguns desgraçadinhos cochilavam em bancos estreitos e sem
encosto, que às vezes se raspavam e lavavam. Nesses dias nós nos sentávamos na madeira molhada.
A professora tinha mãe e filha. A mãe, caduca, fazia renda, batendo os bilros, com a almofada entre
as pernas. A filha mulata, sarará, enjoada e enxerida, nos ensinava as lições, mas ensinava de tal
forma que percebemos nela tanta ignorância como em nós. Perto da mesa havia uma esteira, onde
as mulheres se agachavam, cortavam panos e cosiam. [...]
O lugar de estudo era isso. Os alunos se imobilizavam nos bancos: cinco horas de suplício, uma
crucificação. Certo dia vi moscas na cara de um, roendo o canto de olho, entrando no olho. E o olho
sem mexer, como se o menino estivesse morto. Não há prisão pior que uma escola primária do in-
terior. A imobilidade e a insensibilidade me aterraram. Abandonei os cadernos e as auréolas, não
deixei que as moscas me comessem. Assim, aos nove anos ainda não sabia ler.
Ora, uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da
cama. Novidade: meu velho nunca se dirigia a mim. E eu, engolido o café, beijava-lhe a mão, porque
isto era praxe, mergulhava na rede e adormecia. Espantado, entrei
no quarto, peguei com repugnância o antipático objeto e voltei à
sala de jantar. Aí recebi ordem para me sentar e abrir o volume.
Renato Arlem

Obedeci, engulhando, com a vaga esperança de que uma visita me


interrompesse. Ninguém nos visitou naquela noite extraordinária.
Meu pai determinou que eu principiasse a leitura. Principiei.
Mastigando as palavras, gaguejando, gemendo uma cantilena
medonha, indiferente à pontuação, saltando linhas e repisando
linhas, alcancei o fim da página, sem ouvir gritos. Parei sur-
preendido, virei a folha, continuei a arrastar-me na gemedeira,
como um carro em estrada cheia de buracos.
Com certeza o negociante recebera alguma dívida perdida:
no meio do capítulo pôs-se a conversar comigo, perguntou-me
se eu estava compreendendo o que lia. Explicou-me que se tratava
de uma história, um romance, exigiu atenção e resumiu a parte já
lida. Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno,
perseguidos por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr,
essas criaturas chegavam à cabana de um lenhador. Era eu ou não era?
Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias.
Animei-me a parolar. Sim, realmente havia alguma coisa no livro, mas era
difícil conhecer tudo. [...]
rAMoS, Graciliano. Infância. rio de Janeiro: record, 2006.

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POR DENTRO DO TEXTO Porque, para o menino, os Mota Lima eram garotos felizes, perfeitos: “an-
davam limpos, riam alto, frequentavam escola decente e possuíam máqui-
nas que rodavam na calçada como trens” [brinquedos]. Já o menino “vestia
1. Por que o menino se achava inferior aos Mota Lima? roupas ordinárias, usava tamancos, enlameava[-se] no quintal, engenhando
bonecos de barro, falava pouco”.
A escola tinha bancos estreitos e sem encosto, que às vezes eram raspados e lavados. Os
2. Como era a escola em que ele estudava? alunos se sentavam na madeira molhada. A professora era malpreparada. Os alunos não se
mexiam nos bancos e havia até moscas no rosto deles.

3. No começo do primeiro parágrafo e no final do terceiro, o menino fala sobre um problema que o
incomoda. Qual é esse problema? Ele não sabia ler.

4. Quem é o narrador do texto, ou seja, quem conta a história? O menino.

5. Você acha que o texto já terminou? Como chegou a essa conclusão?


Professor, espera-se que os alunos respondam que não, pois o problema a ser resolvido ainda não foi solucionado.
Além disso, no final do texto há o uso de uma marca de supressão: [...].
6. Releia o texto. Em seguida, copie o trecho em que uma história aparece interferindo na narrativa
do menino. “Um casal com filhos andava numa floresta, em noite de inverno, perseguidos por lobos, cachorros selvagens. Depois de muito correr, essas criaturas
chegavam à cabana de um lenhador.”.

TROCANDO IDEIAS
1. O que você pensa a respeito da escola em que o menino estudava? Resposta pessoal.

2. Você acha que existem escolas como aquela em que o garoto do texto estudava? Converse com a
turma e com seu professor sobre esse assunto.
Professor, espera-se que os alunos conversem coletivamente a respeito dos problemas relacionados à realidade das escolas do nosso país. Eles podem falar de experiên-
cias vividas por eles ou pelas pessoas com quem convivem; também podem falar sobre alguma reportagem que leram ou a que assistiram. O importante é acolher suas ideias
e aproveitar o momento para discuti-las de maneira crítica. Se for viável, seria interessante envolver professores de História e Geografia nessa discussão. Se puderem,
organizem uma atividade de pesquisa e debate sobre as condições das escolas na região em que vivem.

Prática de leitura

Texto 3 – Romance (fragmento – ii)


ANTES DE LER
Você sabe o que é uma narrativa? Professor, a intenção aqui é levantar os conhecimentos prévios dos alunos a respeito da narrativa.

Leia agora mais um fragmento do romance Infância, de Graciliano Ramos, para descobrir o que acon-
teceu com o menino que queria tanto aprender a ler.

[...] Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi


com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs, à
tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas.
À noite meu pai me pediu novamente o volume, e a cena da véspera se reproduziu: leitura emper-
rada, mal-entendidos, explicações.
Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso. E
no dia seguinte, quando me preparei para moer a narrativa, afastou-me com um gesto, carrancudo.
Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito pre-
ciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de me haver
ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sensação de perda
e ruína, em seguida uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto eram boas demais
para mim e não podiam durar.

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Findas, porém, as manifestações secretas de mágoa, refleti, achei que o mal tinha remédio e
expliquei o negócio a Emília, minha excelente prima. O rosto sereno, largos olhos pretos, um ar de
seriedade – linda moça. [...]
Confessei, pois, a Emília o meu desgosto e propus-lhe que me dirigisse a leitura. Esforcei-me por
interessá-la contando-lhe a escuridão na mata, os lobos, os meninos apavorados, a conversa em casa
do lenhador, o aparecimento de uma sujeita que se chamava Águeda. [...] Assim, era necessário que
a priminha lesse comigo o romance e me auxiliasse na decifração dele.
Emília respondeu com uma pergunta que me espantou. Por que não me arriscava a tentar a lei-
tura sozinho?
Longamente lhe expus a minha fraqueza mental, a impossibilidade de compreender as palavras
difíceis, sobretudo na ordem terrível em que se juntavam. Se eu fosse como os outros, bem; mas era
bruto em demasia, todos me achavam bruto em demasia.
Emília combateu a minha convicção, falou-me dos astrônomos, indivíduos que liam o céu, per-
cebiam tudo quanto há no céu. Não no céu onde moram Deus Nosso Senhor e a Virgem Maria. Esse
ninguém tinha visto. Mas o outro, o que fica por baixo, o do sol, da lua, das estrelas, os astrônomos
conheciam perfeitamente. Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu
adivinhar a página aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e
formar palavras?
Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos, que doidice! Ler as coisas do céu, quem
havia de supor?
E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os pequenos,
a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as partes que se
esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros. Personagens diminutas cresciam,
vagarosamente me penetravam a inteligência espessa. Vagarosamente.
Os astrônomos eram formidáveis. Eu, pobre de mim, não desvendaria os segredos do céu. Preso
à terra, sensibilizar-me-ia com histórias tristes em que há homens perseguidos, mulheres e crianças
abandonadas, escuridão e animais ferozes.
rAMoS, Graciliano. Infância. rio de Janeiro: record, 2006.

Sidney Observatory

Constelação do Cruzeiro do Sul, cuja formação se assemelha a uma cruz: uma das mais
conhecidas no Brasil.

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POR DENTRO DO TEXTO
No início, o pai é dedicado e o menino fica encantado
com a leitura, mas depois o pai age de maneira rude, o
1. O que acontece quando o pai do menino tenta ensiná-lo a ler? que afasta e desencanta o garoto, impedindo-o de con-
tinuar aprendendo.

2. Apesar de sua decepção com o pai, o menino continua buscando uma solução para o seu problema.
Como? Ele procura a ajuda de sua prima Emília e pede a ela que continue ensinando-o.

3. Releia este trecho do texto:

[...] Recolhi-me preocupado: os fugitivos, os lobos e o lenhador agitaram-me o sono. Dormi


com eles, acordei com eles. As horas voaram. Alheio à escola, aos brinquedos de minhas irmãs,
à tagarelice dos moleques, vivi com essas criaturas de sonho, incompletas e misteriosas.

a) O texto fala sobre os fugitivos, os lobos e o lenhador. Você acha que eles são personagens reais
que conviviam com o menino? Como você percebeu isso? Eles não são personagens reais. Os fugitivos, os lobos e o
lenhador são personagens da história que o menino está
começando a ler. Como o menino não estava compreendendo direito a história, não sabia se ele mesmo estava envolvido nela.
b) Por que o menino diz que dormia e acordava com os fugitivos, os lobos e o lenhador?
Resposta possível: Porque não conseguia se desligar da história, estava encantado com a nova experiência, então continuava a pensar sobre as personagens
até mesmo na hora de dormir.
c) O que faz com que o menino deixe de lado os brinquedos e a tagarelice dos moleques?
O seu interesse pela descoberta da leitura.

4. O menino desabafa com a prima a respeito de sua dificuldade para ler, mas ela conta a ele sobre
os astrônomos. Veja como o menino reflete sobre eles:

[...] Ora, se eles enxergavam coisas tão distantes, por que não conseguiria eu adivinhar a página
aberta diante dos meus olhos? Não distinguia as letras? Não sabia reuni-las e formar palavras?
Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos, que doidice! Ler as coisas do céu, quem
havia de supor?
E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, os peque-
nos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. [...]

a) Você também acha que os astrônomos leem o céu? Por quê? Resposta pessoal.
A prima lhe mostra que, se os astrônomos leem o céu,
b) O que estimulou o menino a enfrentar sua dificuldade de ler? que está tão distante e nunca foi visto por ninguém, logo
ele poderia ler o que está bem próximo a ele.

c) O que o narrador quis dizer com a frase: “E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os
lobos, o homem, a mulher, os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador.”?
O narrador está querendo dizer que se retirou, se isolou para tentar ler sozinho, para mergulhar na história que desejava compreender.

5. Releia mais um trecho da história:

[...] Reli as folhas já percorridas. E as partes que se esclareciam derramavam escassa luz
sobre os pontos obscuros. Personagens diminutas cresciam, vagarosamente me penetravam a
inteligência espessa. Vagarosamente.

• Após a leitura do trecho, descreva como o menino aprendeu a ler. Copie do texto a palavra que
melhor confirma sua resposta. Ele aprende aos poucos. A palavra que confirma essa ideia é “vagarosamente”.

6. Qual é, em sua opinião, a personagem principal dessa história? O menino que narra a história.

7. Desde a primeira parte do texto aparecem várias personagens. Algumas delas convivem com o
menino, outras fazem parte do livro que ele lê. Identifique-as, separando-as em dois grupos.
As personagens que convivem com o menino são: os Mota Lima, a professora, o pai e a prima Emília. As personagens do livro que ele lê são: homem, mulher,
meninos pequenos, lenhador e uma sujeita que se chamava Águeda.
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8. Reproduza com vocabulário próprio a cena que mostra o menino livre do problema que o incomodava.
Resposta pessoal. Professor, para criar a resposta, o aluno poderá se basear nos dois últimos parágrafos do texto.

IMPORTANTE SABER

Narrar é contar uma história.


Em geral, nas histórias há um narrador que relata fatos que envolvem personagens que agem e
dialogam em um espaço e durante um tempo.
Damos o nome de espaço ao ambiente onde os fatos acontecem.
A história pode ser contada na ordem dos acontecimentos ou não, dependendo da escolha de
quem a narra.
Quanto ao narrador, ele pode contar a história em primeira pessoa (eu) ou na terceira pessoa
(ele/ela). Se ele participa da história, ou seja, se ele também é personagem, narrará em primeira
pessoa (eu); mas, se ele for apenas observador, ou estiver contando algo em que não está envolvi-
do, narrará em terceira pessoa (ele/ela).
Ao conjunto de episódios que compõem a narrativa damos o nome de enredo.
As personagens das histórias podem ser reais ou imaginárias (inventadas).
O que faz com que as narrativas comecem é o conflito, também chamado de situação-problema.
O conflito não é a mesma coisa que uma briga ou uma discussão, mas uma situação dentro da his-
tória que gera outros fatos e que faz com que a história caminhe para uma solução.
A solução também não precisa ser sempre positiva; há muitas histórias que têm um desfecho trá-
gico ou inesperado. O desfecho é o final da história.
Esses são os elementos principais de uma narrativa. Eles aparecem em muitos contos, histórias
em quadrinhos, textos teatrais, lendas, fábulas, mitos, entre outros. Experimente observar como
esses elementos estão presentes nesses diferentes gêneros.

9. Veja um quadro-resumo com os elementos principais da narrativa (fragmentos I e II). Copie-o em


seu caderno e complete-o com as informações que estão faltando.

a) Personagem principal O narrador – menino que conta sua história de vida.

b) outras personagens Os Mota Lima, o pai, a professora, sua mãe e filha, e Emília, a prima.

Locais onde acontecem os fatos: escola, casa e quintal


c) Espaço
da casa.

d) Tempo Infância do narrador, aos nove anos.

e) Conflito ou situação-problema O menino sente-se inferiorizado e deseja aprender a ler.

f) Solução Emília o ajuda depois da decepção que ele tem com o pai. Ela lhe fala sobre os astrônomos e
propõe que ele tente ler sozinho.

O menino consegue resolver o seu problema: acaba


g) Desfecho
finalmente aprendendo a ler.

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APLICANDO CONHECIMENTOS

Conforme a orientação de seu professor, você e um grupo de colegas vão fazer a análise completa
de uma história. Professor, a próxima atividade, além de favorecer o contato dos alunos com várias histórias, tem como objetivo a aplicação dos conteúdos estudados
a respeito da estrutura da narrativa. A seleção dos textos para esse momento pode ser feita tanto pelos alunos quanto pelo professor. Caso os alunos
encontrem dificuldade para fazer a seleção, oriente a pesquisa sugerindo obras que apresentem os gêneros mencionados na atividade.

• Escolham uma história para ler em grupo. Pode ser uma fábula, um conto, uma história em qua-
drinhos, uma lenda etc.

• Depois da leitura, identifiquem as personagens, o ambiente, a situação-problema.

• Verifiquem como o conflito da história foi resolvido e o que acontece no final.

• Para organizar essas observações, vocês poderão fazer um quadro semelhante ao que foi apre-
sentado na atividade 9. Veja o modelo:

a) Personagem principal Respostas pessoais.

b) outras personagens
c) Espaço
d) Tempo
e) Conflito ou situação-problema
f) Solução
g) Desfecho

• Por último, leiam a história para a turma e partilhem com seus colegas o quadro que fizeram. Ve-
rifique se seus colegas concordam com as informações que vocês anotaram.

• Confiram as respostas com o professor e aproveitem para tirar as dúvidas sobre esse assunto.

Reflexão sobre o uso da língua


Professor, o trabalho com a classe gramatical “artigo”, que vem a seguir, propõe aos alunos uma reflexão mais complexa. Seria interessante que eles fizessem
Artigo em dupla as atividades 1 e 2 desta seção. Enquanto resolvem cada atividade, você pode fazer interferências nas respostas partilhadas oralmente. Primeiro,
eles escrevem a resposta em dupla; depois, respondem em voz alta para confirmar as hipóteses. Dessa maneira, a construção do conceito pode ser feita e
partilhada no grupo, passo a passo.
Releia o trecho a seguir para responder às questões.

[...] Aí recebi ordem para me sentar e abrir o volume. Obedeci, engulhando, com a vaga espe-
rança de que uma visita me interrompesse. Ninguém nos visitou naquela noite extraordinária.

1. O narrador tinha esperança de ser interrompido por uma visita. Você acha que ele estava se referindo
a qualquer visita, não importasse quem fosse, ou à visita de alguém que ele já sabia que iria chegar?
Espera-se que o aluno perceba que a presença do artigo indefinido demonstra que o
narrador tinha esperança de que qualquer visita interrompesse a atividade.
2. Observe a transformação ocorrida na frase.

Obedeci, engulhando, com a vaga esperança de que a visita me interrompesse.

• Que efeito de sentido a mudança provocou na frase?


O artigo “a” expressa a ideia de que o narrador já sabia quem iria visitá-los naquela noite.

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IMPORTANTE SABER

As palavras “o”, “a”, “os”, “as”, “um”, “uma”, “uns”, “umas”, que acompanham substantivos, no
singular ou plural, no masculino ou feminino, são chamadas artigos. Os artigos podem particula-
rizar ou generalizar um ser de determinado grupo.
Os artigos que particularizam são chamados definidos.
São artigos definidos: o, a, os, as.
Os artigos que generalizam são chamados indefinidos.
São artigos indefinidos: um, uma, uns, umas.
Os artigos definidos podem particularizar um ser dentro de determinado grupo ou referir-se a um
ser já conhecido.
Veja:
A professora tinha mãe e filha. A mãe, caduca, fazia renda, batendo os bilros [...].

Neste caso, há a informação Aqui, o artigo “a” indica


de que se trata de uma profes- a mãe da professora, que
sora em particular dentre tan- é um ser conhecido, pois
tos professores que existem: a já foi mencionado ante-
professora do menino. riormente.
Ora, uma noite, depois do café, meu pai me mandou buscar um livro que deixara na cabeceira da cama.

O artigo indica uma Aqui, o artigo refere-se a


noite qualquer entre um livro que não é citado
várias noites. anteriormente.

Os artigos variam em gênero e número, de acordo com os substantivos que eles acompanham:
o livro os livros
o professor a professora
Saiba mais sobre esse assunto consultando o Apêndice.

APLICANDO CONHECIMENTOS

1. Reescreva o texto no caderno, substituindo os ▲ por um artigo.

Woo Sing e o espelho (uma lenda chinesa)


Recontada por Mary Davis e Cheow-Leung.
▲ dia, o pai de Woo Sing chegou em casa com ▲ espelho trazido da cidade grande.
Woo Sing nunca tinha visto ▲ espelho na vida. Dependuraram-no na sala enquanto ele estava
brincando lá fora; quando voltou não compreendeu o que era aquilo, pensando estar na presença de
▲ outro menino.
Ficou muito alegre achando que ▲ menino viera brincar com ele.
Ele falou muito amigavelmente com ▲ desconhecido, mas não teve resposta.
Riu e acenou para ▲ menino no vidro, que fazia ▲ mesma coisa, exatamente da mesma maneira.
Então, Woo Sing pensou: “Vou chegar mais perto. Pode ser que ele não esteja me escutando”.
Mas, quando começou a andar, o outro menino logo o imitou.

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Woo Sing estacou e ficou pensando naquele estranho comportamento. E disse para si mesmo:
“Esse menino está zombando de mim, faz tudo o que eu faço!” E quanto mais pensava, mais zanga-
do ficava. E logo reparou que ▲ menino estava zangado também.
Isso acabou de exasperar Woo Sing! Deu ▲ tapa no menino, mas só conseguiu machucar ▲ mão
e foi chorando até seu pai. Este lhe disse:
– ▲ menino que você viu era ▲ sua própria imagem. Isso deve ensinar a você uma importante
lição, meu filho. Tente não perder ▲ cabeça com ▲ outras pessoas. Você bateu no menino no vidro e
só conseguiu machucar a si mesmo. Por isso, lembre-se: na vida real, quando se agride sem motivo,
▲ mais magoado é você mesmo.
Um, um, um, um, o, o, o, a, o, um, a, O, a, a, as, o. Pro-
fessor, aproveite o texto da atividade e aborde valores disponível em: <http://www.botucatu.sp.gov.br/eventos/2007/contHistorias/
como: julgamento precipitado, tolerância, não violência bauhistorias/Woo%20Sing%20e%20o%20espelho.pdf>. Acesso em: 27 jan. 2015.
e outras questões que os alunos levantarem.

Professor, as atividades a seguir abordam outras funções dos artigos, diferentes daquelas estudadas até aqui (a ideia é ampliar a visão dos alunos sobre os usos e as funções
dessa classe gramatical). Se achar necessário, explicite esse fato aos alunos.
2. Observe a capa desta revista:

Globo
a) Nas frases que compõem a chamada principal
da capa, foram usados artigos definidos ou
indefinidos? Transcreva-os em seu caderno.
Foram usados artigos definidos: “O segredo”, “Os pais”.

b) Quais substantivos foram acompanhados por


esses artigos? “Segredo” e “pais”.
2. c) Em “O segredo”, o artigo particulariza o substantivo, dando a entender que se
c) Esses artigos generalizam ou particularizam os
substantivos que os acompanham? Por quê?
trata de um segredo determinado, que só há um. Já em “Os pais”, o artigo genera-
liza o substantivo, mostrando que todos os pais atrapalham.
d) Você concorda com a ideia de que todos os pais
atrapalham os filhos adolescentes em seu pro-
cesso de crescimento? Resposta pessoal.

e) Em sua opinião, o que explica a forma como


essa frase foi construída?

f) Se no lugar de “Os pais atrapalham” fosse


usada a expressão “Uns pais atrapalham”, o
sentido da chamada seria o mesmo? Explique
sua resposta.
Época, São Paulo, Globo, ed. 862, 6 dez. 2014.
g) Releia as três chamadas que aparecem na 2.indefinido,
f) Não. Ocorreria alteração de sentido, pois, com a mudança do artigo definido para
a chamada passaria a expressar que apenas alguns pais atrapalham. O uso
parte superior da capa. Em seu caderno, título“uns”,
de nesse caso, não estaria generalizando, mas indeterminando a quais pais o
se refere. Além disso, a frase perderia muito de seu impacto.
transcreva aquela em que foi usado um artigo indefinido.
“Segurança: ‘Haverá um banho de sangue se a UPP acabar’, afirma o secretário de Segurança do Rio, Beltrame”.

h) O artigo indefinido usado na chamada que você transcreveu poderia ser substituído por um arti-
go definido? Por quê? Não, porque o banho de sangue ao qual o texto se refere não foi definido.
2. e) Resposta pessoal. Professor, comente com os alunos que o uso de frases curtas e diretas nas capas de revista tem a intenção de tornar a leitura mais rápida, além de chamar a atenção
do leitor. Isso explica a construção não usual dessa frase. É importante que os alunos percebam que esse tipo de construção muitas vezes acarreta generalização.
3. Leia a frase a seguir:

Este homem fez um grande governo.

a) O artigo “um” está se referindo a que palavra? “Governo”.

b) A que classe gramatical ela pertence? Substantivo.


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c) Mesmo estando ao lado da palavra “grande”, o artigo “um” também se refere à palavra “gover-
no”. Como é possível perceber isso? “um”
“Grande” é o adjetivo que caracteriza o substantivo “governo”; sem a palavra “grande” o artigo
continua existindo, pois está relacionado ao substantivo “governo”.

d) Nesse caso, o artigo “um” é usado para fazer referência a um governo qualquer ou a um governo
em particular? O artigo é usado para fazer referência a um governo em particular.

4. Observe as frases a seguir:

Meu pai é um grande homem.

Meu pai é um homem grande.

a) Qual é a diferença entre as duas frases?


Na primeira, “grande” antecede o substantivo “homem”. Na segunda, “grande” aparece depois do substantivo “homem”.

b) Explique se há mudança de sentido entre elas.


Sim. Na primeira, “grande” refere-se a como o homem é considerado. Na segunda, ao seu tamanho.

c) Como você organizaria as palavras a seguir para expressar que a turma de Marcos o considera um herói?
Resposta: Marcos é o grande herói da turma.
Professor, convide os alunos a experimen-
tar outras organizações das palavras para
verificarem que, se o artigo acompanhar a
palavra “herói” e a palavra “grande” for
herói Marcos turma é o grande da
colocada depois, o sentido da frase mu-
dará. Estaremos falando do tamanho de
Marcos e não de como a turma o considera. Veja: Marcos é o herói grande da turma.
5. Explique no caderno, com suas palavras, o que é artigo definido e artigo indefinido. Utilize, para
cada caso, uma frase que sirva de exemplo, para deixar sua explicação ainda mais clara.
Resposta pessoal.

Momento de ouvir Professor, este texto encontra-se no Manual.

O texto que seu professor vai ler conta a história de vida de uma professora. Ela faz um relato de
sua trajetória por meio de uma carta a um aluno. Vamos conhecer essa história?

Prática de leitura

Texto 4 – Romance (fragmento)

Gabriel Ternura
Gabriel, Rafa e os filhos do homem que trabalhava no computador entraram para a escola.
O prédio era feio, velho, sujo e malcuidado. Em nenhum lugar poder-se-ia encontrar maior des-
mazelo. As paredes haviam perdido a cor; o reboco, em algumas partes caído, deixava à vista os tijo-
los desanimados pelo peso das telhas. Os móveis jaziam sem vontade de receber as crianças. Mesmo
a professora, ranzinza e doente dos pulmões, dava a impressão de total desarranjo e desinteresse
pelo trabalho. Nenhum cartaz ou mural quebrava o pesado ar de decadência da escola.
Apesar da aparência, eles quiseram frequentar essa escola.
Logo nos primeiros instantes de participação na escola, Gabriel estranhou que a professora não con-
versava nem olhava para as crianças. Todas estavam quietas, mudas, sem interesse por tudo que rodeava o

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ambiente. Tampouco as crianças pergun-

Jótah
tavam alguma coisa para a professora. Ele
quis saber o motivo e perguntou à mestra:
– As crianças não fazem perguntas
nem precisam saber os porquês?
– Os adultos sabem por elas e seus
manuais trazem tudo pronto e respon-
dido. A elas cabe apenas a tarefa de
conviver uma com a outra.
– Conviver?! A senhora chama isto
de conviver?? Como?? Alguém aqui sabe
quem é o colega do lado e o que ele faz aqui?
A professora não respondeu ao co-
mentário-pergunta de Gabriel. Não
porque não queria, mas porque não sa-
bia. Cansada pelo esforço que seu fraco
pulmão fizera para responder à pergun-
ta, nem levantou os olhos para Gabriel.
Gabriel pegou a aquarela e com o pin-
cel desenhou sobre a mesa um lindo ramalhete de margaridas que ofereceu à desconfiada professora.
Ela o pegou e agradeceu. Olhou admirada e com desconfiança para aquelas flores brancas e sim-
paticamente bonitas.
No instante seguinte, Gabriel deu vida amarela e azul ao velho prédio da escola. Pintou trepa-
deiras nas paredes e um abacateiro carregadinho de frutas na porta de entrada. As plantas davam
novo alento ao ambiente. O ventinho leve do balanço das folhas trazia pequenas doses de satisfação
à criançada ali presente. O verde da trepadeira esparramava-se nos buracos da parede cobrindo o
desânimo dos tijolos. Mas faltava ainda alguma coisa.
– Os risos, Rafa! – lembrou Gabriel.
Rafa saiu um instante e voltou com os alegres companheiros do Depósito de Risos: ali estavam,
para voltar aos lábios das crianças, os sorrisos, os risos, as risadas e as gargalhadas. A professora
nada entendia, acostumada que era com o passar monótono e pacato dos dias. Menos ainda enten-
deu quando seus discípulos começaram a sorrir à boca aberta e a sala coloriu-se de um azul suave
vindo do rosto de Rafa. Entusiasmada, esquecida dos pulmões doentes, gritou:
– Oba! Como você fez isto?
– Com amor, professora – respondeu Gabriel.
– Ah! – fez ela, coçando o birote dos cabelos, continuando a não entender coisa alguma.
E em meio a toda aquela algazarra de alegria e colorido, Gabriel abriu o gargalo da garrafa e dei-
xou as bocas voltarem aos seus donos.
– Por que você sorri azul? Quem é você?
– Por que eu estou sentado aqui? Como vim parar aqui? Que livro é este? Por que esta cor?
– Por que a professora não conversa?
– Quem manda? Onde? Por quê? Como?
E a escola voltou a sorrir e a responder às perguntas das crianças. “Isso é muito bom” – pensou Gabriel.
É a escola que começa a responder às primeiras inquietações espirituais dos futuros homens e
criar outras perguntas que a própria vida responderá.
GArCiA, edson Gabriel. Gabriel Ternura. São Paulo: Loyola, 1982.

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POR DENTRO DO TEXTO
• Faça uma ilustração que, para você, represente as ideias principais do texto e o que você sentiu
e pensou ao lê-lo. Professor, mais adiante, haverá um estudo mais sistemático sobre o que é ideia central. Neste momento, a intenção é que o aluno
manifeste sua percepção por meio de imagens. Essas imagens poderão ser retomadas no momento do estudo desse conteúdo para
que eles verifiquem se de fato ilustraram a ideia principal.

CONFRONTANDO TEXTOS
1. a) A professora do texto “Na escola” tem uma relação mais afetiva com
1. Compare o texto “Gabriel Ternura” com “Na escola”. seus alunos e permite que estes se relacionem entre si. Entretanto, a profes-
sora do texto “Gabriel Ternura” não tem interesse nos problemas que afligem
as crianças e não dá sequer oportunidade para elas se relacionarem.
a) O que há de semelhante e de diferente entre as ações das duas professoras?

b) A linguagem formal predomina em qual dos textos? Como você chegou a essa conclusão?
No texto “Na escola” há registro de linguagem coloquial, do dia a dia dos alunos, inclusive com o uso de gírias e construções frasais que contrariam a norma-padrão.
O texto “Gabriel Ternura” está escrito em uma linguagem formal, sem o tom coloquial, sem gírias e apresenta um vocabulário bem-cuidado.
2. De que texto você gostou mais? Por quê? Resposta pessoal.

TEXTO E CONSTRUÇÃO
1. Releia o seguinte parágrafo, em que se apresentam as descrições da escola e da professora:

O prédio era feio, velho, sujo e malcuidado. Em nenhum lugar poder-se-ia encontrar maior
desmazelo. As paredes haviam perdido a cor; o reboco, em algumas partes caído, deixava à vista
os tijolos desanimados pelo peso das telhas. Os móveis jaziam sem vontade de receber as crianças.
Mesmo a professora, ranzinza e doente dos pulmões, dava a impressão de total desarranjo e de-
sinteresse pelo trabalho. Nenhum cartaz ou mural quebrava o pesado ar de decadência da escola.

a) No texto há, várias expressões usadas no sentido figurado. Identifique-as.


“Tijolos desanimados”; “móveis sem vontade”; “pesado ar”.

b) Por que podemos dizer que essas expressões estão em sentido figurado?
Porque as palavras “desanimados”, “vontade” e “pesado” foram usadas em sentido que vai além do usual, comum, direto.
c) Que efeitos de sentido essas expressões figuradas provocaram no texto?
Essas expressões humanizam a escola, pejorativamente. Os seres inanimados parecem participar da história e do cenário como se fossem pessoas tristes, sem vida, desanimadas.
d) A que classe gramatical pertencem as palavras “feio”, “velho”, “sujo” e “malcuidado”, usadas
na primeira frase desse parágrafo? Para que servem as palavras dessa classe gramatical?
São adjetivos. Os adjetivos conferem características aos substantivos.

2. Esse parágrafo foi construído para que o leitor visualizasse a escola e a professora. Que tipos de
palavras mais colaboraram para que esse objetivo fosse atingido? Dê exemplos.
As palavras que caracterizam ou descrevem o ambiente e as pessoas: “feio”, “velho”, “sujo”, “malcuidado”, “desanimados”, “ranzinza”, “doente”, “pesado”.
• O trecho do texto em destaque é predominantemente descritivo ou narrativo? Justifique sua resposta.
Ele é descritivo, já que o objetivo é levar o leitor a imaginar o espaço e a personagem.

3. Copie o esquema a seguir em seu caderno, aumentando os espaços para escrever as informações
retiradas do trecho que você releu na atividade 1.
Professor, é importante
explicar aos alunos que o feio
esquema é uma maneira
de mostrar a organização
das ideias de um texto, a C o prédio velho
maneira como o texto foi sujo
construído, de modo que O
isso fique bem visível no malcuidado
papel. Existem muitas ma-
neiras de esquematizar
M
as próprias ideias ou as
ideias de um texto. Pode-
O Haviam perdido a cor.
mos fazer isso por meio de
as paredes
Tinha algumas partes do reboco
quadros, listas ou por dife- caído, com tijolos à vista.
rentes tipos de esquema.
E
Jaziam sem vontade de receber as
R os móveis crianças.
A
M a professora Era ranzinza, doente dos pulmões
e dava a impressão de total desar-
ranjo e desinteresse pelo trabalho.

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IMPORTANTE SABER

As descrições são importantes em vários gêneros de texto.


Em um conto, por exemplo, por meio da descrição, o autor apresenta as características do lu-
gar, das personagens, de tudo o que é importante para a criação do clima da narrativa: imagens,
sentimentos etc. Assim ele cria expectativas, “prende” o leitor à história, envolvendo-o na trama.
Um texto pode ser mais descritivo ou mais narrativo. O tipo de texto dependerá da intenção de seu autor.
Observe o esquema da atividade anterior a respeito do texto “Gabriel Ternura”.
Em primeiro lugar, o texto expressa uma ideia geral do ambiente (feio, velho e sujo). Em seguida,
o texto começa a descrever cada parte desse mesmo ambiente a fim de que o leitor tenha uma ima-
gem mais clara do lugar. Ele parte do mais geral (prédio) para os aspectos mais particulares (pare-
des, móveis). Depois descreve a personagem que está nesse ambiente, compondo o mesmo quadro
de abandono do lugar. Como conclusão, retoma a ideia geral apresentada no início do parágrafo,
chamando a atenção para o estado de decadência da escola.
Portanto, nem sempre basta dizer que “um ambiente é feio ou bonito”; ao se fazer uma descrição,
é preciso dar detalhes do lugar, para que o leitor consiga imaginá-lo. E, para que você não se perca
na hora de escrever, faça um plano, um pequeno esquema. Quando estiver sem ideias, escreva tudo
que vier ao pensamento. Depois selecione o que você achou mais interessante. Em seguida coloque
as frases em ordem e desenvolva em um parágrafo cada uma das ideias selecionadas.

4. O trecho organizado no esquema que você completou é mais descritivo ou narrativo? Explique por quê.
O trecho é mais descritivo, pois apresenta dados a respeito de como eram as paredes, o prédio, os móveis e a professora.

Atividade de criação

Descrição
A observação é uma das habilidades essenciais para se elaborar uma boa descrição. Exercite-a,
fazendo a próxima tarefa.

ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO


• Observe a imagem a seguir em todos os seus detalhes – cor, ambiente, personagens – e
reproduza-a por meio de palavras.
• Enumere o máximo de características possíveis e, depois, organize essas características de
tal maneira que qualquer leitor seja capaz de recriar a imagem na tela do pensamento.
• Faça uso da linguagem figurada. Lembre-se
também de expressar as sensações provo-
Galeria Jacques Ardies/São Paulo

cadas pelos órgãos dos sentidos (visão, olfa-


to, audição, tato e paladar).
• Depois, sob a orientação do professor, leia seu
texto para a turma. Será interessante divulgar
o que cada um priorizou na imagem.
• Em seguida, se você achar necessário,
reescreva seu texto, e depois o entregue
ao professor.
Brincando (2007), de Barbara Rochlitz.
Óleo sobre tela, 30 cm × 50 cm.

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Prática de leitura

Texto 5 – Relato de memórias

ANTES DE LER Resposta pessoal. Professor, converse com os alunos sobre relato de memórias, explique
que é um depoimento pessoal sobre a vida ou determinada parte da vida de uma pessoa.

Você sabe o que é um relato de memórias? Converse com seus colegas e professor para
levantar algumas ideias.
Agora, leia um relato de memórias do escritor e desenhista Ziraldo, conhecido pela criação de
personagens famosos, como o Menino Maluquinho.

Sua presença em minha vida foi fundamental


Engraçado, eu não tenho um professor inesquecível. Tenho muitos
Acervo pessoal

professores inesquecíveis. A primeira professora que minha memória


grava não tinha carinho comigo. Botava todos os meninos branquinhos
no colo, mas a mim, não. Um dia, sentei no colo dela por minha conta e
ela me botou no chão. (Deve ser por isso que até hoje sou maluco por colo
feminino...) Era uma escola particular, papai não tinha como pagar as
mensalidades, era o patrão dele quem pagava. Vai ver, daí vinha minha
falta de prestígio com a professora. Devia ter esquecido o nome dela, mas
não esqueci. Ela se chamava Dulce, mas não era nada doce.
Felizmente, não fiquei muito tempo nessa escola, mas, por causa
O escritor e desenhista dela, vim vindo pela vida curtindo uma enorme carência afetiva. Que
Ziraldo, criador do Menino consegui transformar em desenhos, livros, peças de teatro, logotipos,
Maluquinho. cartazes e ilustrações – tudo a preços módicos. (Pelo menos no início.
Agora, depois da fama, a preços mais condizentes. Com a fama...)
Minha segunda professora marcante foi dona Glorinha d’Ávila, mãe do poeta e escritor mineiro João
Ettiene Filho. Ela era discípula de Helena Antipoff, que revolucionou o ensino básico de Minas na dé-
cada de 40. Dona Helena percebeu logo que não dava pra mudar a cabeça das professoras mineiras,
que tinham ainda penduradas na parede da sala de aula as assustadoras palmatórias. Então, formou
150 jovens idealistas e as espalhou por Minas Gerais, com a missão de mudar a escola por dentro. Uma
dessas jovens era a dona Glorinha, que, entre outras coisas e contra a vontade das velhas professoras do
Grupo Escolar e de sua rabugenta diretora, retirou a palmatória furadinha da parede de minha classe. Só
mais tarde foi que percebi a luta de dona Glorinha. Que ela venceu. Descobrindo – bem mais tarde – que
sua presença em minha vida tinha sido fundamental para que não a perdesse por aí. A vida, digo. Um
domingo, fiz a primeira comunhão e não ganhei santinho. Na segunda-feira, ela mandou me chamar na
secretaria. “Você fez primeira comunhão ontem, não fez?” Como é, meu Deus, que uma pessoa adulta,
tão importante, pôde prestar atenção num menininho pardo fazendo primeira comunhão naquela cate-
dral tão grande? (Pois minha cidadezinha tinha catedral...) Ela aí perguntou: “Você ganhou um santinho
de recordação?” Não havia ganho, não. Aí, ela abriu a gaveta, tirou um santinho lindo e escreveu uma
dedicatória onde li as palavras “brilhante” e “futuro” que, na hora, não fizeram o menor sentido para
mim. Somente um pouco mais tarde descobri que ela sabia tudo da minha vida, vinha me observando
no meio de centenas de alunos do velho Grupo e até já havia mandado chamar meu pai pra conversar...
Engraçado, agora, remoendo essas lembranças, descubro que tive uma professora maluquinha,
sim. Foi a dona Glorinha d’Ávila, tão pequeninha, tão frágil, tão bonitinha...
Nova Escola, São Paulo, ed. Abril, set. 1998.

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POR DENTRO DO TEXTO

1. Como você deve ter percebido, o relato foi organizado em ordem linear, ou seja, Ziraldo relatou os fatos
na mesma ordem em que aconteceram. Em seu caderno, numere os itens a seguir, que resumem o
relato do escritor, ordenando-os de acordo com a sequência em que são mencionados no texto.
a) O desenhista informa que ficou pouco tempo na escola em que trabalhava a professora Dulce,
porém deve ao lugar uma enorme carência afetiva, que foi positivamente transformada em obras.
b) Dona Glória foi responsável por tirar a palmatória furadinha da sala de aula do escritor.
c) Ziraldo relata que a primeira professora de quem se lembra foi negativamente marcante. Ele
achava não ter muito prestígio com ela, provavelmente porque era o patrão de seu pai quem
pagava a mensalidade da escola.
d) Ao remoer as lembranças, o desenhista afirma ter descoberto que Dona Glorinha foi sua profes-
sora maluquinha.
e) Ziraldo conta que, na igreja, após sua primeira comunhão, ao contrário dos outros meninos, ele
não recebeu um santinho como recordação.
f) A segunda professora marcante na vida do escritor foi discípula de Helena Antipoff, que revolu-
cionou o ensino básico mineiro por se opor às palmatórias.
g) Em seu relato, Ziraldo diz ter descoberto que a presença de dona Glorinha em sua vida foi fundamental.
h) Dona Glorinha viu o descaso com Ziraldo na igreja e, no outro dia, deu-lhe um lindo santinho com
uma dedicatória. 1-c; 2-a; 3-f; 4-b; 5-g; 6-e; 7-h; 8-d.

2. Por que a primeira professora do narrador é inesquecível para ele?


Porque ela deixou marcas negativas (impressões negativas) na vida dele.

3. A professora Helena Antipoff revolucionou o ensino básico de Minas na década de 1940.

a) Com que objetivo ela provocou essa revolução?


Helena queria mudar a forma do ensino em Minas, que ainda estava no tempo da palmatória. Professor, você poderá pedir aos alunos que façam uma pesqui-
sa na internet sobre Helena Wladimirna Antipoff (Grodno, 1892 - Ibirité, 1974), psicóloga e pedagoga russa que se fixou no Brasil em 1929.
b) Como ela conseguiu atingir seu objetivo?
Ela percebeu que não podia mudar nem a mentalidade nem o modo de ação dos educadores com experiência, então formou 150 jovens idealistas,
que ficariam encarregadas de mudar as escolas mineiras por dentro.
4. Além dos adjetivos “maluquinha”, “pequeninha”, “frágil” e “bonitinha” apresentados por Ziraldo
no último parágrafo de seu texto, podemos perceber por meio do contexto outras características
de dona Glorinha. Releia o relato de Ziraldo e escreva outros dois adjetivos que possam descrever
dona Glorinha. Justifique suas escolhas.
Resposta pessoal. Respostas possíveis: dona Glorinha pode ser considerada uma pessoa generosa, interessada em seus alunos (dedicada) e atenta a suas necessidades
(atenciosa) – percebeu que Ziraldo não havia ganhado um santinho de primeira comunhão e deu um a ele.
5. Observe a frase abaixo, em que Ziraldo se refere a dona Glorinha.

[...] Só mais tarde foi que percebi a luta de dona Glorinha. Que ela venceu. Descobrindo
– bem mais tarde – que sua presença em minha vida tinha sido fundamental para que não a
perdesse por aí. A vida, digo. [...]

a) Por que o narrador afirma que dona Glorinha venceu?


Ziraldo se refere ao fato de dona Glorinha ter sido responsável por profundas transformações na escola, especialmente à atitude da professora de ter eliminado a
palmatória de sua sala de aula.
b) Que atitudes dessa professora fizeram com que ela fosse fundamental na vida dele?
Ter-se preocupado com ele na ocasião de sua primeira comunhão. Ela o notou na catedral, sabia que não havia ganho um santinho como todos os outros, então o
presenteou com um e escreveu uma dedicatória em que profetizava as glórias do narrador.
c) No trecho acima, quando o narrador diz: “para que não a perdesse por aí”, ele se refere à profes-
sora ou à vida? Explique sua resposta com um trecho do texto.
Ele se refere à vida. No texto, após a frase, há a expressão: “A vida, digo”, para esclarecer que, no momento, o narrador fala da própria vida e não da vida da professora.

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6. Compare: Em que aspectos se diferenciam as professoras Dulce e Glorinha?
Dulce, como o próprio narrador diz, não era nada doce. O texto relata fatos que permitem percebê-la como uma pessoa preconceituosa e pouco atenciosa com ele.
Já Glorinha é descrita como uma pessoa inovadora, atenciosa, sensível e afetiva.
7. O narrador, ao contar com detalhes os fatos relacionados às professoras Dulce e Glorinha, também
as descreve? Justifique sua resposta. Sim, por meio da narração dos fatos, Ziraldo acaba caracterizando as professoras: a primeira
não tinha carinho com ele, era preconceituosa, pois preferia os alunos branquinhos, e colocou
no chão o menino pardo (Ziraldo) no momento em que ele buscou o seu colo. A segunda era
mãe de um poeta, recebeu formação profissional na equipe de Helena Antipoff, deu atenção a
8. Releia outro trecho do texto: Ziraldo e percebeu os seus talentos, o que nos permite caracterizá-la como inovadora, afetiva
e sensível à realidade dos alunos. Portanto, ao narrar os fatos, o narrador revela, descreve
como eram as professoras.

[...] Somente um pouco mais tarde descobri que ela sabia tudo da minha vida, vinha me
observando no meio de centenas de alunos do velho Grupo e até já havia mandado chamar
meu pai pra conversar...

• Que ação da professora, além da descrita acima, confirma que ela já intuíra que o narrador teria
um futuro promissor? Ter escrito as palavras “futuro” e “brilhante” no santinho que ofereceu ao menino. Essas palavras estão relacionadas ao
futuro brilhante que ele veio a ter. Ao usar essas palavras, de certo modo, a professora antecipou algo que ainda ia acontecer,
demonstrando acreditar em seu potencial criativo.

9. Embora o texto seja um relato das experiências escolares do narrador, a descrição das professoras
foi importante. Ao descrever as professoras, o narrador pôde expressar melhor o que elas representaram em sua vida. As descrições caracterizam quem
são as professoras inesquecíveis, citadas logo no início do texto. Professor, é importante dizer que o texto se estrutura dessa maneira porque
não haveria sentido ele apenas dizer que teve duas professoras inesquecíveis e não continuar o relato descrevendo-as.
• Qual é a contribuição dos trechos descritivos ao relato?
A intenção da revista Nova Escola foi a de publicar um relato em que Ziraldo revelasse se teve um professor inesquecível. O início do texto comprova isso, pois ele
começa dizendo “[...] eu não tenho um professor inesquecível. Tenho muitos professores inesquecíveis.”
10. No texto, o narrador dá sua opinião sobre as professoras. Localize esses trechos e transcreva-os
em seu caderno. Enquanto narra e descreve sua vida escolar e as professoras, o narrador vai emitindo suas opiniões. Algumas respostas possíveis são:
“Ela se chamava Dulce, mas não era nada doce.”; “[...] por causa dela, vim vindo pela vida curtindo uma enorme carência afetiva.”; “[...]
descubro que tive uma professora maluquinha, sim. Foi a dona Glorinha D’Ávila, tão pequeninha, tão frágil, tão bonitinha...”.
11. Retire do texto as palavras ou expressões que indicam que o narrador conta fatos que aconteceram
no passado. “Um dia”, “Era uma escola”, “papai não tinha como pagar as mensalidades”, “devia ter esquecido o nome dela, mas não esqueci.” Profes-
sor, sugerimos localizar com os alunos os verbos que estão no passado, as expressões que indicam tempo, as palavras que fazem referência
às memórias do narrador, mesmo sem ainda nomear verbos e advérbios.
12. O narrador, no desenvolvimento do texto, lança mão de um recurso de pontuação pouco frequente:
colocar algumas frases entre parênteses. Observe:

(Deve ser por isso que até hoje sou maluco por colo feminino...)

(Pois minha cidadezinha tinha catedral...)

(Pelo menos no início. Agora, depois da fama, a preços mais condizen-


tes. Com a fama...)

• Em sua opinião, qual é o objetivo do narrador ao empregar esse recurso?


O narrador aproveita esse expediente para se dirigir ao leitor, mostrar a ele que está presente na obra, além de dar um tom humorístico ao texto.
Por tudo isso, ele interrompe o que está dizendo, faz um comentário paralelo e retoma o assunto novamente.

TEXTO E CONTEXTO
1. Em sua opinião, por que as pessoas costumam produzir relatos orais ou escritos?
Para contar fatos ou acontecimentos ocorridos consigo e/ou com outras pessoas. Professor, os relatos servem para colocar em destaque algum assunto ou aconteci-
mento específico.
2. Que tipos de preconceitos podemos identificar no texto? Faça um comentário sobre isso.
Preconceito racial (dona Dulce só colocava no colo os alunos branquinhos) e econômico (o narrador achava que não tinha prestígio com a professora porque seu pai
não podia pagar a escola).
3. Em sua opinião, que características possui um professor que o tornam inesquecível? Por quê?
Resposta pessoal.

4. Além dos conteúdos de sua área de conhecimento, o que mais um professor pode nos ensinar de
importante?
Resposta pessoal.

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CONFRONTANDO TEXTOS

Observe a capa do livro a seguir:

Melhoramentos

ZIRALDO. Uma professora muito


maluquinha. 12. ed. São Paulo:
Melhoramentos,1995.

1. Que detalhes na figura da professora nos levam a concluir que ela era mesmo maluquinha?
O chapéu, o lápis no cabelo, a piscada de olho e a língua de fora, a pose que faz imitando o imperador francês Napoleão Bonaparte.

2. O que o título do livro faz você lembrar?


Resposta possível: Uma professora descontraída e alegre. O diminutivo “maluquinha” é carinhoso e denota simplicidade.

3. Quem é o autor do livro? Ziraldo.

4. No texto 5, Ziraldo faz uma alusão ao título desse livro. Identifique o trecho em que isso acontece
e explique por que ele faz essa referência.
O trecho é: “Engraçado, agora, remoendo essas lembranças, descubro que tive uma professora maluquinha, sim. Foi a dona Glorinha d’Ávila, tão pequeninha, tão frágil,
tão bonitinha...”. A professora Glorinha é a que se aproxima do que Ziraldo considera uma professora maluquinha: ela é diferente e inovadora.

Produção de texto

Relato de memórias
Ziraldo fez um relato sobre seus mestres inesquecíveis. E você, de que professores se lembra
até hoje? Qual foi a importância dele(s) na sua vida?
Faça você também um relato de memórias. Fale sobre o momento que você vivia na escola e des-
creva seu professor, indicando as suas características, o seu jeito de ser e como eram as suas aulas.
Além de descrevê-lo, procure também relatar uma experiência significativa com esse professor.
Os relatos produzidos podem ser lidos em uma roda de leitura e, depois, reunidos em uma pas-
ta. Uma ideia interessante é que essa pasta circule na sala dos professores no mês de outubro, em
que se comemora o Dia do Professor. Um dos relatos pode ser escolhido pelos professores para
ser enviado a uma revista especializada em educação.

PLANEJE SEU TEXTO


Copie no caderno os itens do quadro e responda a cada um deles como modo de planejamento.
Amplie o número de itens se precisar. Verifique se cumpriu o planejado na hora de avaliar o texto.

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Para escrever o relato de memórias
Colegas de turma, professores, leitores de revista (caso o texto seja enviado a
1. Qual é o público leitor do texto? uma revista especializada e publicado).
A linguagem empregada pode tender à informalidade. Professor, oriente os alunos a
2. Que linguagem vou empregar? empregar a linguagem de acordo com os propósitos comunicativos do texto, lembrando
que o público leitor não é apenas o adolescente.

3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? Organização em parágrafos.

Roda de leitura, sala dos professores e, se for enviado e publicado, em uma


4. Onde o texto vai circular? revista especializada em educação.

ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO

1. Ao elaborar seu texto, você vai escrever de acordo com as características do gênero que vai
produzir. Nesse caso, você produzirá um relato de memórias.
2. É importante fazer sempre um planejamento, ou seja, organizar as ideias no papel. Da mesma
forma que um engenheiro precisa de uma planta para construir um prédio, você precisa de um
plano de trabalho para construir o próprio texto. Assim, anote em uma folha os fatos que achar
importante relatar. Decida em que ordem pretende contá-los.
3. Verifique que elementos precisam de uma descrição mais detalhada para que o leitor possa
compreender o que você quer transmitir. Às vezes, são as personagens que participam da
narrativa, outras são os espaços que precisam ser destacados, como a escola, como vimos
no texto “Gabriel Ternura”. Também podem ser situações interessantes: comoventes, inusitadas,
engraçadas etc.
4. Escreva o texto em primeira pessoa (eu). Procure expressar seus sentimentos e suas opiniões
em relação ao que relata.
5. Observe se está localizando os fatos no tempo e no espaço, quando isso for importante.

AVALIAÇÃO E REESCRITA

1. Vá fazendo uma avaliação do texto no decorrer de sua produção e confira:


a) Seu texto está sendo produzido com base nos itens do quadro de planejamento? Foi escrito
em primeira pessoa?
b) A ordem em que os fatos estão sendo apresentados, no tempo e no espaço, torna-o um
texto coerente?
c) Verifique se detalhou alguns fatos ou pessoas que merecem destaque no relato.
d) Há algum fato importante que você tenha esquecido de relatar? Caso isso tenha ocorrido,
faça mudanças no texto que possibilitem essa inclusão.
2. Não se esqueça: o seu texto tem o objetivo de comunicar algo. Verifique se está conseguindo
cumprir o que planejou.

3. Faça uma revisão ortográfica usando o dicionário para conferir a grafia das palavras.

4. Orientado pelo professor, verifique se organizou o texto em parágrafos, revise a pontuação.

5. Depois, passe a limpo a sua produção, leia-a e divulgue-a, conforme o meio de circulação com-
binado com o professor.

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Prática de leitura

Texto 6 – Romance (fragmento)


No próximo texto, a personagem fala sobre certa bolsa amarela e conta com detalhes como ela era.
Vamos ler o texto?

A bolsa por fora


Era amarela. Achei isso genial: pra mim o amarelo é a cor mais bonita que existe. Mas não era um
amarelo sempre igual: às vezes era forte, mas depois ficava fraco: não sei se porque ele já tinha des-
botado um pouco ou porque já nasceu assim mesmo, resolvendo que ser sempre igual é muito chato.
Ela era grande: tinha até mais tamanho de sacola do que de bolsa. Mas vai ver ela era que nem
eu: achava que ser pequena não dá pé.
A bolsa não era sozinha: tinha uma alça também. Foi só pendurar a alça no ombro que a bolsa
arrastou no chão. Resolveu o problema. E ficou com mais bossa também.
Não sei o nome da fazenda que fez a bolsa amarela. Mas
era uma fazenda grossa, e se a gente passava a mão arra-
Veja como a narradora des-
nhava um pouco. Olhei bem de perto e vi os fios da fazenda
creve, ou seja, diz como era
passando um por cima do outro: mas direitinho; sem fazer
a fazenda, o tecido da bolsa
bagunça nem nada. Achei legal. Mas o que eu achei mais le-
amarela... Neste trecho há uma
descrição da bolsa. gal foi ver que a fazenda esticava: “vai dar pra guardar um
bocado de coisa aí dentro”.

A bolsa por dentro


Abri devagarinho. Com um medo danado de ser tudo vazio. Espiei. Nem acreditei. Espiei melhor.
– Mas que curtição! – berrei. E ainda bem que só berrei pensando: ninguém encostou nem olhou.
A bolsa tinha sete filhos! Eu sempre achei que bolso de
Aqui a narradora conta sobre bolsa é filho da bolsa. E os sete moravam assim:
a sua descoberta dos bolsos e Em cima, um grandão de cada lado, os dois com zíper:
também o que fez quando viu abri-fechei, abri-fechei, abri-fechei, os dois funcionando que
o zíper. Ela está contando, nar- só vendo. Logo embaixo tinha mais dois bolsos menores que
rando a história. fechavam com botão. Num dos
lados tinha um outro – tão
amargo e tão comprido que eu fiquei pensando o que é que eu
Jótah

podia guardar ali dentro (um guarda-chuva? um martelo? um


cabide de pé?). No outro lado tinha um bolso pequeno, feito de
fazenda franzidinha, que esticou todo quando eu botei a mão
dentro dele; botei duas mãos, esticou ainda mais: era um
bolso com mania de sanfona. Como eu ia dar coisa pra ele
guardar! E por último tinha um bem pequenininho, que
eu logo achei que era o bebê da bolsa.
Comecei a pensar em tudo o que eu ia esconder na
bolsa amarela. Puxa vida, tava até parecendo o quintal da
minha casa, com tanto esconderijo bom, que fecha, que es-
tica, que é pequeno, que é grande. E tinha uma vantagem: a
bolsa eu podia levar sempre a tiracolo, o quintal não.

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O fecho
A bolsa amarela não tinha fecho. Já pensou? Resolvi que naquele dia mesmo eu ia arranjar um
fecho pra ela.
Peguei um dinheiro que eu vinha economizando e fui numa casa que conserta e reforma bolsas.
Falei que queria um fecho e o vendedor me mostrou um, dizendo que era o melhor que ele tinha.
Custava muito caro, meu dinheiro não dava.
– E aquele? – apontei. Era um fecho meio pobre, mas bri-
lhando que só vendo. Observe a narradora argu-
mentando, dando sua opinião.
O homem fez cara de pouco caso, disse que não era bom.
Experimentei.
– Mas ele abre e fecha bem.
O homem disse que o fecho era muito barato: ia enguiçar. Vibrei! Era isso mesmo que eu estava
querendo: um fecho com vontade de enguiçar. Pedi pro vendedor atender outro freguês enquanto eu
pensava um pouco. Virei pro fecho e passei uma cantada nele:
– Escuta aqui, fecho, eu quero guardar umas coisas bem guardadas aqui dentro dessa bolsa.
Mas você sabe como é que é, não é? Às vezes vão abrindo a bolsa da gente assim sem mais nem
menos; se isso acontecer, você precisa enguiçar, viu? Você enguiça quando eu pensar “enguiça!”,
enguiça? – O fecho ficou olhando pra minha cara. Não disse que sim nem que não. Eu vi que ele
tava querendo uma coisa em troca.
– Olha, eu já vi que você tem mania de brilhar. Se você enguiçar na hora que precisa, eu prometo
viver polindo você pra te deixar com essa pinta de espelho. Certo?
O fecho falou um clique bem baixinho com todo o jeito de “certo”. Chamei o vendedor e pedi pra
ele botar o fecho na bolsa. Cheguei em casa e arrumei tudo o que eu queria na bolsa amarela.
Peguei os nomes que eu vinha juntando e botei no bolso sanfona. O bolso comprido eu deixei
vazio, esperando uma coisa bem magra pra esconder lá dentro. No bolso bebê eu guardei um al-
finete de fralda que eu tinha achado na rua, e no bolso de botão escondi os retratos do quintal da
minha casa, uns desenhos que eu tinha feito, e umas coisas que eu andava pensando. Abri um zíper;
escondi fundo minha vontade de escrever; fechei. No outro fundo de botão espremi a vontade de ter
nascido garoto (ela andava muito grande, foi um custo pro botão fechar).
Pronto! A arrumação tinha ficado legal. Minhas vontades tavam presas na bolsa amarela, nin-
guém mais ia ver a cara delas.
BoJunGA, Lygia. A bolsa amarela. rio de Janeiro: Casa Lygia Bojunga, 2003.

POR DENTRO DO TEXTO

1. Qual é o assunto sobre o qual a narradora fala na primeira parte do texto?


A narradora fala sobre como era a bolsa amarela por fora.

2. Quantos parágrafos existem nessa primeira parte?


Quatro parágrafos.

3. Como você justificaria a divisão dos parágrafos do texto?


Resposta possível: Os parágrafos estão divididos para organizar melhor as ideias do texto. Cada parágrafo corresponde a um assunto diferente. Professor, esse texto oferece
a oportunidade de visualização dos tópicos de cada parágrafo. É interessante chamar a atenção do aluno para essa informação e retomar com eles o conceito de parágrafo.
4. Identifique o assunto tratado em cada parágrafo dessa parte.
1a parte – A bolsa por fora. Parágrafo 1: a cor da bolsa.
Parágrafo 2: o tamanho da bolsa amarela. Parágrafo 3: a alça da bolsa. Parágrafo 4: sobre o tecido (fazenda com que a bolsa é confeccionada).
5. Estudando a organização em parágrafos, você já pôde notar como esse texto se organiza na página
e por que isso acontece. Que tal agora estudar qual é o papel da narração, da descrição e da argu-
mentação dentro dele? Sente-se com um colega para fazer essa atividade.

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• Leiam nos quadros ao lado do texto a indicação dos três tipos textuais presentes no trecho que
você leu: a narração, a descrição e a argumentação. Depois, conversem e anotem as dúvidas
a respeito do que vocês não compreenderam. Conforme a orientação do professor, partilhem
suas conclusões com os colegas.

6. Considere que o texto de Lygia Bojunga é parte de uma história. Procure nele os trechos que exem-
plifiquem os três tipos textuais.
“A bolsa amarela não tinha fecho. Já pensou? Resolvi que naquele dia mesmo eu ia arranjar um
fecho pra ela. Peguei um dinheiro que eu vinha economizando e fui numa casa que conserta e
a) narração (alguém contando a história); reforma bolsas.”

“Logo embaixo tinha mais dois bolsos menores que fechavam com botão. Num dos lados tinha um outro – tão
b) descrição (como era a bolsa?); amargo e tão comprido que eu fiquei pensando o que é que eu podia guardar ali dentro (um guarda-chuva? um
martelo? um cabide de pé?). No outro lado tinha um bolso pequeno, feito de fazenda franzidinha, que esticou todo
quando eu botei a mão dentro dele; botei duas mãos, esticou ainda mais: era um bolso com mania de sanfona.”
c) argumentação (a opinião da personagem, a defesa de uma ideia).
“O homem disse que o fecho era muito barato: ia enguiçar.”
Professor, essas são apenas respostas possíveis; o aluno poderá escolher outras que encontrar.
7. Você já tinha percebido que, em um mesmo texto, é possível narrar, descrever e dar opinião?
Comente sua resposta. Resposta pessoal. Professor, seria interessante voltar à crônica “Na escola” e mostrar aos alunos que o texto apresenta os
três tipos textuais (modos do discurso, tramas textuais). Caso julgue importante, retome com eles um dos poemas da unidade
anterior para mostrar como esses tipos textuais podem aparecer em um mesmo texto. Essas estratégias podem facilitar a
produção de texto dos alunos, em diferentes gêneros, inclusive com a utilização dos diferentes tipos textuais.

Reflexão sobre o uso da língua

numeral
1. Releia o próximo trecho, retirado do texto de Lygia Bojunga:

A bolsa tinha sete filhos! Eu sempre achei que bolso de bolsa é filho da bolsa. E os sete mo-
ravam assim:
Em cima, um grandão de cada lado, os dois com zíper: abri-fechei, abri-fechei, abri-fechei,
os dois funcionando que só vendo. Logo embaixo tinha mais dois bolsos menores que fecha-
vam com botão. [...]

a) Copie em seu caderno as palavras do trecho acima que indicam as seguintes quantidades:
• quantos filhos (bolsos) a bolsa tinha; Sete.

• quantos bolsos com zíper havia; Dois.

• quantos bolsos menores com botão ficavam logo embaixo. Dois.

b) No texto, essas palavras apresentam que informação sobre a bolsa amarela?


Elas servem para indicar a quantidade de bolsos que havia na bolsa amarela.

2. As palavras que você usou como resposta ao item “a” da atividade anterior acrescentam detalhes
importantes à bolsa? Por quê? Sim, porque esse trecho do texto focaliza os bolsos e sua utilidade para o narrador – guardar suas vontades; a cada
bolso, de acordo com sua característica, coube um desejo.

3. Releia estas frases retiradas do relato de Ziraldo:

[...] A primeira professora que minha memória grava não tinha carinho comigo. [...]
Minha segunda professora marcante foi dona Glorinha d’Ávila, mãe do poeta e escritor
mineiro João Ettiene Filho.

• As palavras destacadas indicam o quê?


A ordem em que as professoras apareceram na vida de Ziraldo.

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4. Ao estudar matemática, você já deve ter se deparado com situações-problema parecidas com a
apresentada a seguir:

Paula ganha o triplo do que ganha Janete. Carlos, no entanto, ganha o dobro de Paula.
Quanto ganha Carlos em relação a Janete?
Superinteressante, São Paulo, ed. Abril, out. 1991.

a) Que palavras do problema de matemática indicam multiplicação? As palavras “triplo” e “dobro”.

b) Responda à questão proposta no problema. Carlos ganha seis vezes mais que Janete.

IMPORTANTE SABER

• As palavras que indicam número pertencem à classe gramatical dos numerais. Ao indicar
quantidade, são chamadas de numerais cardinais. Por exemplo:
A bolsa tinha sete filhos.
• Há casos em que o numeral indica ordem. São os numerais ordinais. Veja um exemplo:
Na terceira noite fui buscar o livro espontaneamente, mas o velho estava sombrio e silencioso.
• Os numerais também podem indicar multiplicação. São chamados numerais multiplicativos.
Exemplo:
Paula ganha o triplo do que ganha Janete.
• E fração, quando indicam parte de um todo. São os numerais fracionários:
Paula ganha metade do que ganha Carlos.
Janete ganha um terço do que Paula ganha.
Portanto, os numerais podem ser cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários.
Saiba mais sobre esse assunto consultando o Apêndice.

5. Observe as palavras em destaque ao ler as próximas frases.


Frase I

No bolso bebê eu guardei um alfinete de fralda que eu tinha achado na rua [...]

Frase II

A bolsa tinha apenas um zíper.

• Em qual das duas frases a palavra “um” indica quantidade? Como você chegou a essa conclusão?
A palavra “um” indica quantidade na frase II. A palavra “apenas”, que aparece na frase II, oferece a pista de que a narradora está quantificando.
Professor, é importante explicar aos alunos que, na primeira frase, a palavra “um” está determinando uma espécie de objeto.

IMPORTANTE SABER

A palavra “um” nem sempre é um artigo indefinido. Essa palavra também pode ser um numeral
quando servir para indicar quantidade, como vimos na frase II.

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6. Releia estes trechos retirados do relato de Ziraldo:

Ela era discípula de Helena Antipoff, que revolucionou o ensino


básico de Minas na década de 40.

Na segunda-feira, ela mandou me chamar na secretaria. “Você


fez primeira comunhão ontem, não fez?”

a) A que o narrador se refere quando usa a expressão “década de 40”?


Aos dez anos que correspondem ao período de 1940 a 1949.

b) Transcreva do segundo trecho as palavras que indicam posição em uma sequência. “Primeira” e “segunda“.

c) Como se classifica o numeral encontrado no segundo trecho? Numeral ordinal.

APLICANDO CONHECIMENTOS

Sente-se com um colega para resolver as próximas atividades. Depois de realizá-las, troque o cader-
no com um colega de outra dupla e verifique se as respostas dele são parecidas com as suas; pegue
de volta o seu caderno. Depois da comparação, reveja com seu colega de dupla a atividade, faça as
modificações que julgarem necessárias e confira as respostas com o professor.

1. Observe a folha de cheque a seguir, verificando para que servem os numerais e as informações
que aparecem nele.
Editoria de Arte

• Em seu caderno, elabore uma folha de cheque tomando como modelo a da figura. Crie nome e
endereço para o banco e os números que aparecem no alto do cheque. Mas você tem alguns
desafios para cumprir:

a) O número do cheque deve corresponder (seguindo a ordem) ao número seguinte daquele apre-
sentado na folha-modelo.

b) O CPF deve conter a mesma quantidade de números.

c) O cheque deve ser preenchido com o dobro do valor indicado na folha-modelo.

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d) A data deve ser o décimo dia do segundo mês do ano 13 do século XXI.

e) Os números da agência e da conta devem ser menores do que os apresentados na folha-modelo.


Professor, é interessante chamar a atenção dos alunos para o algarismo
f) Desenhe a parte do canhoto e preencha-o. romano que aparece no item “d”, perguntando a eles em que situações
costumamos encontrá-lo. Há mais informações sobre os algarismos ro-
manos e outros tipos de numerais no Apêndice.
2. Você ainda não pode usar cheques, mas se tivesse de preencher algumas folhas deles, como es-
creveria por extenso os próximos valores? Faça essa atividade em seu caderno.

R$ 100,10 R$ 314,65 R$ 1.650,25 R$ 99,19

Cem reais e dez centavos. Trezentos e catorze reais e sessenta e cinco centavos. Mil seiscentos e cinquenta reais e vinte e cinco
centavos. Noventa e nove reais e dezenove centavos.
3. Observe os gráficos a seguir, publicados três anos antes dos gráficos que você leu anteriormente,
na seção Para começo de conversa, e que também divulgam dados sobre o nível dos alunos
brasileiros nas habilidades de leitura, escrita e matemática.

Arte/Estadão Conteúdo
Professor, procure contextualizar os
dados apresentados nos gráficos lidos,
mobilizando conhecimentos históricos
e geográficos que permitam explicar os
resultados e seus impactos do ponto de
vista político, econômico, social etc.

MANDELLI, Mariana. Avaliação mostra que metade dos alunos de 8 anos não aprende o mínimo. O Estado
de S. Paulo, 26 ago. 2011. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,avaliacao-mostra-
-que-metade-dos-alunos-de-8-anos-nao-aprende-o-minimo,763848,0.htm>. Acesso em: 12 jan. 2015.

a) O que os números nas bases dos gráficos indicam em relação aos alunos de 3o ano?
Indicam a porcentagem de alunos que aprendeu o esperado para o 3o ano.

b) Qual região apresenta maiores problemas relacionados à leitura e à escrita?


A Região Nordeste.

c) Qual região apresenta maiores dificuldades em relação à matemática? A Região Norte.


Professor, proponha aos alunos que façam uma pesquisa sobre possíveis mudanças nesse quadro geral e que avaliem que ações têm sido tomadas de modo mais
particular, pelas escolas, para alterar as situações dessas regiões.
d) Compare os dados dos gráficos lidos com os apresentados anteriormente, na seção Para come-
ço de conversa, e responda: Houve mudanças significativas nos dados apresentados? Explique.
Espera-se que o aluno observe que os estados do Norte e do Nordeste continuam com resultados inferiores em relação aos demais estados do país.

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4. Você observou quantos textos deste capítulo trazem numerais? Releia o final da crônica “Na
escola” e continue refletindo sobre o papel que essa classe de palavras pode ter em um texto.

Respeita, não respeita, a discussão esquentou, Dona Amarílis pedia ordem, ordem, assim não
é possível, mas os grupos se haviam extremado, falavam todos ao mesmo tempo, ninguém se
fazia ouvir, pelo que, com quatro votos a favor de calça comprida, dois contra, e um tanto-faz,
e antes que fosse decretada por maioria absoluta a abolição do uniforme escolar, a professora
achou prudente declarar encerrado o plebiscito, e passou à lição de História do Brasil.

a) Quando Dona Amarílis pede “Ordem, ordem!”, está se referindo à falta de organização dos alu-
nos para falar. Que tipo de ordem poderia ser sugerida para o plebiscito? Falar um aluno de cada vez.

b) Que numerais poderiam servir para que a professora indicasse quem deveria começar a falar e
quem continuaria na sequência? Resposta possível: o primeiro que vai falar é X. O segundo é Y, e assim por diante.

c) Que numerais serviram para indicar o resultado da votação do plebiscito? De que tipo eles são?
Os numerais cardinais quatro, dois e um, no trecho: “[...] com quatro votos a favor de calça comprida, dois contra, e um tanto-faz, e antes que fosse decretada por
maioria absoluta a abolição do uniforme escolar, a professora achou prudente declarar encerrado o plebiscito [...]”.

APRENDER BRINCANDO

Ed. Abril
Forme dupla com um colega e
leiam o problema ao lado.
• Agora, em seu caderno, copie
do texto os seguintes numerais:

a) Dois numerais cardinais.


Quatro, três.

b) Um numeral multiplicativo.
Dobro.

Superinteressante, São Paulo, Ed. Abril, ano 12, n. 8, ago. 1998.

• Depois de localizar e transcrever os numerais, tente resolver o problema com seu colega de
turma. Em seguida, confira o resultado com o professor. Professor, a resposta está no Manual.

Leia mais
Neste capítulo, você leu um texto da autora Lygia Bojunga. Trata-se de uma autora renomada,
com trabalho reconhecido no Brasil e no exterior. É uma escritora que se destaca pela singularida-
de com que usa a palavra e encanta o leitor. Pesquise outros livros dessa autora. Vale a pena ler
mais obras dela.
O mesmo vale para a obra de Ziraldo e, no contexto da temática do capítulo, experimente conhe-
cer mais sobre a “Professora Maluquinha”, uma das personagens criada por esse cartunista cheio
de ideias.
Por fim, se você gostou de ler relatos de memória, procure ler biografias e autobiografias. Há mui-
tas, sobre pessoas que fizeram a diferença no mundo da ciência, da educação, na área de direitos
humanos, no mundo das artes. Converse com seus colegas sobre as leituras que eles estão fazendo
para obter mais informações de livros e textos interessantes.

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Preparando-se para o próximo capítulo
Você gosta de ver fotografias? Então, divirta-se e emocione-se com a próxima tarefa.
Escolha, dentre os álbuns de fotografias de sua família, duas fotos que retratem um encontro
familiar (aniversários, casamentos etc.). Escolha uma foto bem antiga (antes do seu nascimento) e
outra mais atual, em que você esteja presente.
Pergunte a seus pais ou avós a respeito das fotos, principalmente sobre a mais antiga. Peça-lhes
também para contar a história dessas fotos e anote o relato em seu caderno, colocando como título
“Álbum de família”.
Aproveite a oportunidade para ouvir histórias vividas por sua família. Faça perguntas a eles so-
bre o ano de nascimento deles e sobre o lugar onde nasceram, como foi a infância deles, como e
quando seus pais ou avós se conheceram. Peça-lhes que contem um fato marcante na vida deles
e um grande sonho que ainda gostariam de realizar. Coloque toda a sua curiosidade em ação... e
divirta-se com as histórias familiares!
Acervo pessoal de Olívio Jekupé

Jordi C/Shutterstock
Escritor indígena Olívio Jekupé e família, Aldeia Família nigeriana posando para foto usando suas
Krukutu, Parelheiros, São Paulo, 2012. roupas tradicionais. Ondo, Nigéria, 2012.

Acervo Jussara B. Erter/Arquivo Público-ES

Família de imigrantes italianos no Espírito Santo, 1888.

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capítulo
Imagens: Shutterstock

2 nossos relacionamentos
Professor, neste capítulo, abordamos o tema dos relacionamentos interpessoais, que abrange as relações familiares, de amizade e
amorosas. Antes de iniciar este capítulo, peça aos alunos que tragam as fotos solicitadas no final do Capítulo 1 desta unidade. Se o aluno
não possuir fotos antigas ou não conviver com os pais, peça que traga alguma foto das pessoas que considera próximas.

Para começo de conversa

Júlio Brasília Célio Ana Paula

Edmundo Edna

Vítor
1. Com quem você mora? Quem são as pessoas que você considera como parte de sua família?
Resposta pessoal.

2. Em seu caderno, descreva um de seus familiares ou uma das pessoas que cuidam de você. Podem ser
seus pais ou avós, se você os conhece e convive com eles, ou outras pessoas que considera próximas.
Resposta pessoal. Professor, caso o aluno não tenha conhecido os pais ou não conviva com um deles ou com ambos, sugerimos pedir-lhe que descreva o adulto que ele
considera mais próximo.
3. Observando a imagem, é possível saber quem são os avós maternos e paternos de Vítor? Como
você percebeu isso?
Sim, pois suas fotos e nomes aparecem em uma posição que nos permite relacioná-los ao pai (lado esquerdo) e à mãe (lado direito).

4. Quem são os avós maternos e paternos da criança?


Os maternos são Célio e Ana Paula e os paternos, Júlio e Brasília.

5. É possível afirmar que esse texto estabelece uma relação entre o passado e o presente? Explique.
Sim, pois ele retrata pessoas da mesma família de gerações diferentes.

6. Alguém já lhe falou sobre os costumes das famílias de antigamente? Conte o que você sabe sobre isso.
Resposta pessoal.

7. Você acha que os hábitos das famílias mudam com o tempo? Por quê? Resposta pessoal.

8. Você sabe qual é o significado da palavra “genealogia”? Pesquise o significado dessa palavra e
depois escreva o que entendeu por árvore genealógica.
Genealogia é o estudo de ascendência e de relações familiares. É também o estudo das origens e da evolução. (Dicionário escolar, Domingos P. Cegalla).
Professor, caso julgue interessante, sugerimos solicitar aos alunos que façam a sua árvore genealógica.
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Prática de leitura

texto 1 – charge
O próximo texto que você lerá é uma charge do cartunista Ivan Cabral. Charge é um “desenho hu-
morístico, com ou sem legenda ou balão, geralmente veiculado pela imprensa e tendo por tema algum
acontecimento atual, que comporta crítica e focaliza, por meio de caricaturas, uma ou mais persona-
gens envolvidas” (Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001).

Ivan Cabral

Ivan Cabral, 1 jun. 2011.

Agora, com um colega de turma, conversem sobre as próximas questões e anotem as respostas no
caderno. Depois que fizerem isso, partilhem com a turma as conclusões a que chegaram.
Professor, é importante que a partilha das respostas seja oral e dirigida. Algumas atividades desta obra têm esse tipo de sugestão para que todos os alunos possam efetiva-
mente participar da reflexão e da partilha de conhecimentos. Se a atividade tiver apenas o momento coletivo, é possível que alguns alunos mais calados deixem de participar.
Desse modo, sugerimos esse encaminhamento didático.
POR DENTRO DO TEXTO
1. Descreva o que você vê na charge, considerando as seguintes questões:

a) Quantas pessoas aparecem na imagem? Dez pessoas.

b) O que elas estão fazendo? Estão descansando em uma rede.

c) Que tipo de relacionamento essas pessoas parecem ter? Parecem ser pais e filhos.
Provavelmente na casa em que moram (“aqui em casa“). A rede contém remendos e um
d) Em que lugar se encontram? Descreva-o. furo; a parede está rachada e parece ter a pintura descascada em alguns lugares.

2. Converse com seus colegas e com seu professor sobre os dois diferentes sentidos do termo “rede
social” em que nos faz pensar a charge.
Professor, converse com os alunos sobre a ironia da charge, que brinca com o duplo sentido de “rede social”: meio de comunicação entre usuários da internet e uma
rede física, de tecido, que é dividida pelos diversos membros de uma família – o “social” do termo.
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CONFRONTANDO TEXTOS
1. Observe esta foto:
Arquivo da família Ordoñez, São Paulo

Fotografia do álbum da família Ordoñez, São Paulo, 1913.

a) Quais são as diferenças que se pode perceber entre a família retratada na charge e na fotografia?
A família retratada na charge parece ser contemporânea, enquanto a família da fotografia é antiga. A família da charge parece ser pobre e a família da fotografia,
não. Na charge, os pais e mais oito filhos dividem uma única rede, toda remendada. A família da foto, por outro lado, parece usar roupas de uma classe social mais
rica, embora não se possa afirmar isso com certeza.
b) Quanto ao número de filhos, há alguma diferença entre os casais representados? Explique.
Sim. O casal da charge tem oito filhos na rede, enquanto o casal da fotografia está acompanhado de quatro crianças.

2. Leia com atenção as informações da notícia a seguir:

18/09/2014 10h00 – Atualizado em 18/09/2014 11h08

Idosos já são 13% da população e país


tem menos crianças, diz Pnad
A pesquisa de 2013 mostra tendência de envelhecimento da população.
Mulheres chegam a 51,5% da população e são maioria entre mais velhos
Do G1, em São Paulo

A população brasileira, estimada em 201,5 milhões de pessoas, está vendo diminuir o núme-
ro de crianças e aumentar o de idosos. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad)
de 2013, que foi divulgada nesta quinta-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-
tística (IBGE), mostra a tendência de envelhecimento do país.

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Gabo Morales/Folhapress

Casal de idosos
dança em baile da
terceira idade no
Instituto da Melhor
Idade Estação Vida.
Parque da Água
Branca, São Paulo,
2012.

O estudo do IBGE investiga dados sobre população, migração, educação, trabalho, famílias, do-
micílios e rendimento. Foram ouvidas 362 555 pessoas em 1 100 municípios. Uma das comparações
foi feita no espaço de 12 anos: a proporção de crianças de 0 a 9 anos caiu de 18,7% do total de habi-
tantes, em 2001, para 13,9% em 2013. 
Essa faixa etária somou 28,3 milhões de brasileiros no ano passado. Também caiu a proporção de
crianças e adolescentes de 10 a 19 anos de idade, também na comparação entre 2001 e 2013: desceu
de 15,9% para 13,4% do total dos brasileiros.
O número de pessoas no Brasil acima de 60 anos (definição de “idosos” dentro da pesquisa)
continua crescendo: de 12,6% da população, em 2012, passou para 13% no ano passado. Já são 
26,1 milhões de idosos no país.
E aumentou a população dos que tem mais de 40 anos: esta faixa registrou na pesquisa 75,7 mi-
lhões de pessoas contra as 62,3 milhões de crianças e adolescentes (faixa de 0 a 19 anos).
A região com mais idosos ainda é a Sul, onde eles chegaram a 14,4% do total. O Norte tem menos,
com 8,8% de idosos.
Disponível em: <http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/09/
idosos-ja-sao-13-da-populacao-e-pais-tem-menos-criancas-diz-pnad.html>. Acesso em: 17 jan. 2015.

a) Qual é a principal informação trazida por essa notícia?


Que o número de crianças e de adolescentes brasileiros está diminuindo e o de idosos, aumentando.

b) Quais podem ser as causas para os dados apresentados na notícia? E as consequências?


A diminuição das taxas de natalidade e o aumento na expectativa de vida que vêm sendo observados no Brasil há algum tempo. Entre as conse-
quências, estão o surgimento de um novo quadro social e, de forma mais geral, a diminuição da população mundial.
c) Considerando a leitura da notícia e sua resposta ao item anterior, por que a família representada
na foto da seção Confrontando textos não pode ser considerada moderna?
Porque a família da foto tem várias crianças, dois adultos e nenhum idoso. Considerando-se a notícia, é possível observar que esse não é mais o perfil das famílias
brasileiras, já que a população do país é composta, em sua maioria, por pessoas acima de 40 anos.
d) A família representada na charge lida no início da seção Prática de leitura parece moderna ou
antiga? O que o levou a essa conclusão? Éusoumadafamília moderna. Isso pode ser percebido pelas roupas e pelo
expressão “redes sociais”, comum nos tempos atuais.

e) A família representada na charge está de acordo com os dados divulgados na notícia? Por quê?
Não está de acordo. Apesar de ser moderna, a família representada na charge tem muitos filhos. Ao contrário, os dados divulgados na notícia mostram que o número
de crianças brasileiras está diminuindo, o que indica que as famílias estão tendo menos filhos.
3. E você, tem irmãos? Quantos?
Resposta pessoal.

4. Compare a foto da página anterior com um dos retratos de sua família. Indique as semelhanças e
as diferenças entre eles. Resposta pessoal. Professor, esse é o momento em que os alunos poderão falar das fotos que trouxeram. É importante
propiciar um ambiente favorável a essa partilha.
2. b) Professor, a mudança do quadro populacional brasileiro cria a necessidade de compreensão do processo de envelhecimento e de estímulo ao res-
peito e à valorização do idoso. Chame a atenção dos alunos para o fato de que nosso país tem um conjunto de leis específico para assegurar os direitos
106 dos idosos, o chamado Estatuto do Idoso, em vigor desde 1o de janeiro de 2004.

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Prática de leitura

texto 2 – letra de canção

ANTES DE LER 2. Respostas pessoais. Sim, é possível afirmar que a letra de canção se estrutura em forma de diálogo, pois há dois interlocutores
“conversando”, um se dirigindo ao outro. No trecho apresentado, uma pista é o uso de travessão no início de cada fala. No restante da
letra, pai e filho utilizam diferentes vocativos para dirigirem-se um ao outro: “E aí, pai, beleza?”; “Beleza, filho.”
1. Leia os versos a seguir, que foram retirados de uma letra de canção:

– É! Tu sabe que a vida não tá mole pra toda família, que segue firme e forte na correria. 
– Me lembro! É só olhar pra trás. Mas pra vida melhorar, como é que faz? 
– Não fico parado, esperando a ajuda da Unesco. Na minha vida ando pra frente, sempre
em passo gigantesco. 

a) Que relação esses versos têm com o assunto que estamos discutindo neste capítulo?
Os versos tematizam a família, que é o assunto dos textos analisados até o momento. Professor, como já foi mencionado, a charge, a foto e o gráfico
do primeiro capítulo são considerados textos.
b) Há alguma informação neles que se relaciona com a vida da sua família? Resposta pessoal.

c) O eu poético emite uma opinião sobre a vida em família. Transcreva o verso que comprova
essa afirmação. “É! Tu sabe que a vida não tá mole pra toda família, que segue firme e forte na correria.” 
2. Pelo trecho que você leu, é possível afirmar que essa letra de canção tem a estrutura de um
diálogo? O trecho apresenta alguma pista para que você perceba isso? Se sim, explique.
Como você já deve ter percebido, essa letra de canção é diferente. Ela pertence a um gênero
chamado rap. Esse estilo musical usa uma batida sobre a qual o rapper cria seus versos, misturando
partes faladas e cantadas. Leia todo o texto a seguir, para fazer outras descobertas.

Loadeando
– E aí, pai, beleza?

Álvaro Riveros/Folhapress
– Beleza, filho. E tu? Tudo certo?
– Certo. E você? À procura da batida perfeita? 
– Sempre, rapaz. E aí? Como é que tá o colégio?
– Ah! O colégio tá bem! Eu que... você sabe como
é que é, né?
– O jogo começou, aperta o start, na vida você
ganha, cê perde, meu filho. Faz parte. 
– Ih! É ruim, eu não gosto de perder. Nem me
lembro há quanto tempo que eu não perco pra você. 
– Calma, filho, cê ainda tem que crescer. O jogo
apenas começou e cê tem muito pra aprender. 
– É! Eu sei. Tava só zoando. Você que loadeou e
eu tô jogando. 

Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho.  Marcelo D2 e seu filho Stephan Peixoto durante
Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. (BIS) festa no Posto 6, Copacabana, Rio de Janeiro, 2011.

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– Se o papo for futebol? 
– Ah! Isso é comigo. 
– E se o assunto é Playstation? 
– Tudo bem, contigo. A evolução aqui é de pai pra filho. 
– A família é Peixoto e representa o Rio. Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. Mas aquele
passeio à Disney, quando a gente vai, hein? 
– Ih! Sabia. Tava demorando. Deixa o dólar dá uma baixada e nós vamos, certo? 
– Ih! Beleza. A comida tá na mesa. Mas pro dólar dá uma baixada é uma tristeza.
– É! Tu sabe que a vida não tá mole pra toda família, que segue firme e forte na correria. 
– Me lembro! É só olhar pra trás. Mas pra vida melhorar, como é que faz? 
– Não fico parado, esperando a ajuda da Unesco. Na minha vida ando pra frente, sempre em
passo gigantesco. 

Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho. 


Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. (BIS) 

– O pensamento é rápido. Não enrola. Três pra frente, “x”, diagonal pra cima e bola. 
– É! Já vi que tu tem o poder. O controle tá na tua mão e o jogo é pra você. Mas a persistência é o
que leva à perfeição. Eu que loadiei, você joga e é exemplo pro teu irmão. 
– Você é o reflexo do espelho do seu pai. Eu também. Uma coisa eu aprendi, planto o amor pra
colher o bem. 
– Ah, moleque! Assim que é meu filho. Assim você me deixa orgulhoso. Uma coisa que a gente
tem que ter muito no coração é amor. E é por essas e outras que...

Professor, se possível, providencie para  que seus alunos ouçam a


Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho.  música e, assim, possam se familiarizar com o gênero rap e responder
às questões de forma mais contextualizada. Se houver possibilidade, é
Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai. (4x) interessante que assistam ao clipe (Disponível em: <http://www.youtube.
com/watch?v=BqT8q-IA4Fo>. Acesso em: 4 fev. 2015).

– É assim que tem que ser rapaziada: amor... No final o bem vai vencer, no final o bem vai
vencer, é assim que tem que ser, é assim que é... Já é, já é...
D2, Marcelo. À procura da batida perfeita. São Paulo: Sony Music, 2005.

POR DENTRO DO TEXTO


1. A letra da canção que você leu é um diálogo entre duas pessoas. Qual é a relação de parentesco
entre elas? Relação de pai e filho. Professor, informe aos alunos que “Loadeando” é interpretada pelo rapper Marcelo D2 e por seu filho, Stephan.

2. Como se organiza a conversa das pessoas que falam na canção?


Há um revezamento das falas; cada um tem a sua vez de falar.
• Esse tipo de revezamento também pode ocorrer em um jogo de videogame? Explique.
Sim. Há jogos de videogame que podem ser jogados em dupla, nos quais cada um tem a sua vez de jogar.

3. Agora observe este trecho do diálogo entre o pai e o filho:

– O jogo começou, aperta o start, na vida você ganha, cê perde, meu filho. Faz parte.
– Ih! É ruim, eu não gosto de perder. Nem me lembro há quanto tempo que eu não perco pra você.

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a) No texto, há uma comparação. Identifique os elementos que são comparados. Vida e jogo.

b) Explique por que é possível essa comparação.


É possível porque, como no jogo, na vida ora você ganha, ora você perde; para tudo há a alternância.

c) Em sua opinião, a estrutura do texto em diálogo também confirma a ideia de que cada um tem
sua vez (ganhar ou perder) na vida e no jogo? Justifique sua resposta.
Resposta pessoal. Espera-se que o aluno entenda a ideia de alternância que permeia todo o texto, inclusive sua estrutura.

4. Leia no Glossário o significado de “loadeou”, e copie em seu caderno a alternativa que melhor
justifica a escolha do título da canção.

a) Pai e filho, por meio da conversa, vão se conhecendo mutuamente, um aprendendo com o outro.

b) O pai ensina ao filho que a vida é um jogo: quem participa tem a oportunidade de marcar pontos,
ter sucesso.

c) O filho ensina ao pai que ele é de outra época, e para poderem conversar o pai precisa se adaptar
às mudanças.

d) O pai trouxe o filho ao mundo, mas a vida é do garoto, seu sucesso está em suas mãos, é o filho
quem joga. Alternativa “d”.

5. Por que, em sua opinião, o pai escolheu justamente o jogo de videogame para falar sobre a vida
com o filho? Porque é o jogo que interessa ao filho.
• Se fosse com você, que jogo seria mais interessante para conversar sobre a vida? Resposta pessoal.

6. De acordo com o texto, quem se dá melhor no futebol, pai ou filho? E no videogame?


No futebol, o pai, e no videogame, o filho.

7. Destaque trechos do texto que confirmem que, apesar das diferenças, pai e filho aprendem um
com o outro. Respostas possíveis: “A evolução aqui é de pai pra filho” e “Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho. Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai”.
8. b) Espera-se que o aluno perceba que, assim como em um jogo, na vida também de-
vemos ser persistentes, já que somos responsáveis por nossas ações. Devemos lutar
8. Releia este trecho do diálogo entre pai e filho: para alcançar a vitória. Professor, considere outras possibilidades de resposta, desde
que sejam coerentes.

– O pensamento é rápido. Não enrola. Três pra frente, “x”, diagonal pra cima e bola. 
– É! Já vi que tu tem o poder. O controle tá na tua mão e o jogo é pra você. Mas a persistência
é o que leva à perfeição. Eu que loadiei, você joga e é exemplo pro teu irmão. 
– Você é o reflexo do espelho do seu pai. Eu também. Uma coisa eu aprendi, planto o amor
pra colher o bem. 
– Ah, moleque! Assim que é meu filho. Assim você me deixa orgulhoso. Uma coisa que a
gente tem que ter muito no coração é amor. E é por essas e outras que...

a) A primeira fala desse fragmento é de Stephan, o filho de Marcelo D2. Nesse trecho, o menino
descreve algumas ações. A que elas se referem? do As ações descritas pelo menino referem-se a comandos
controle do videogame.

b) Em resposta ao filho, na segunda fala do trecho, Marcelo D2 estabelece uma comparação entre
o jogo e a vida, dando um ensinamento. Que ensinamento poderia ser esse?

c) Na frase “O controle tá na tua mão [...]”, é possível dizer que a palavra “controle” tem dois sig-
nificados. Explique-os. Um refere-se ao controle do videogame e o outro, ao controle da própria vida.

d) “Você é o reflexo do espelho do seu pai.“ O que você entende por essa afirmação?
Que o pai aprendeu com o exemplo do avô.

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e) Copie em seu caderno os provérbios que combinam com a fala do garoto.
“Filho de peixe, peixinho é” e “Tal pai, tal filho”.

Quem não tem cão caça com gato.

Tal pai, tal filho.

Filho de peixe, peixinho é.

Pau que nasce torto morre torto.

9. Retire do texto um trecho que confirme que o filho também aprendeu com o exemplo do pai.
“Você é o reflexo do espelho do seu pai. Eu também. Uma coisa eu aprendi, planto o amor pra colher o bem”.

TROCANDO IDEIAS

1. Você também compararia a vida a um jogo? Por quê? Respostas pessoais.

2. Você concorda que os filhos são sempre o reflexo, o espelho dos pais?

3. Identifique o refrão da canção e comente-o: Você concorda que é possível evoluir com as pessoas
de sua família? Por quê?

IMPORTANTE SABER

Refrão é o trecho que se repete no decorrer de uma letra de canção ou de um poema.

4. Em sua opinião, o que de mais importante um filho pode aprender com a família?

PARA VOCÊ QUE É CURIOSO

A palavra rap vem da expressão “Rhythm And Poetry” (“ritmo e poesia”, em inglês) e nomeia um
gênero musical que faz parte do movimento hip-hop. A junção da batida mixada pelo DJ (disco-
-jóquei) à fala ritmada e poética do MC (mestre de cerimônias) surge na Jamaica, na década de
1960. O estilo foi levado para os Estados Unidos nessa mesma época, quando grandes líderes
populares, como Martin Luther King e Malcom X, lutavam por uma sociedade mais justa e igualitária.
Com o break, dança criada pelos porto-riquenhos para manifestar sua crítica à Guerra do Vietnã,
e o grafite, forma de expressão plástica, o rap passou a ter um importante papel na expressão de
grupos marginalizados e desfavorecidos e também na conscientização sociopolítica.
O movimento hip-hop e, consequentemente, o rap, chegam ao Brasil na década de 1980, na ci-
dade de São Paulo. Somente na década de 1990 o gênero ganha visibilidade e começa a ser to-
cado nas rádios, fazendo sucesso entre o público das grandes cidades.
O rap tem uma batida rápida e acelerada. As letras (mais faladas do que cantadas) denunciam
as dificuldades e injustiças enfrentadas pela população mais desassistida em relação à informação,
cultura e benefícios. Os versos, muitas vezes, são acrescidos de improvisos e trazem gírias comuns
entre aqueles que os compõem e interpretam. Os cantores de rap também podem ser chamados
de rappers.

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Na trilha da oralidade
marcas de conversação
1. Releia este trecho do texto e responda à próxima questão:

– E aí, pai, beleza?


– Beleza, filho. E tu? Tudo certo?
– Certo. E você? À procura da batida perfeita?
– Sempre, rapaz. E aí? Como é que tá o colégio?
– Ah! O colégio tá bem! Eu que... você sabe como é que é, né?

• Esse trecho se refere ao início, ao meio ou ao final do diálogo entre pai e filho? Como você
concluiu isso? Ao início, porque primeiro eles se cumprimentam para depois continuar a conversa.
2. Nessa canção, há o emprego de uma linguagem formal ou informal?
Uma linguagem informal, pois é o retrato de um diálogo entre um pai, compositor de rap, e seu filho. O contexto é de total informalidade.

3. Há no diálogo uma frase que o filho não terminou de dizer. Identifique-a. “Eu que... você sabe como é que é, né?”
• Complete a frase, levando em conta quem a produziu e o contexto de produção.
Possivelmente, a frase seria completada com algum insucesso na escola, alguma tarefa não cumprida etc.
4. Quando dialogamos com alguém, é normal deixarmos uma frase ou uma palavra incompleta.
O aluno pode supor que essas suspensões ou interrupções se dão por varia-
a) Formule uma hipótese: Por que isso acontece? dos motivos: porque quem fala não sabe o que dizer ou como continuar, tem
dificuldade de tratar do assunto da conversa, pressupõe que o outro entendeu o que ele queria dizer etc.
b) Você se lembra de ter feito isso alguma vez? Viu alguém que já interrompeu uma frase no meio?
Resposta pessoal.
5. Observe as expressões em destaque no trecho da canção reproduzido na atividade 1 e reescre-
va-o, retirando todas elas. das
Professor, caso julgue necessário, reveja o trabalho com a retextualização
marcas da oralidade no Manual.
a) O texto continua fazendo sentido sem essas expressões? Sim.
b) Encontre em outro trecho do texto uma marca de oralidade frequente em conversações.
Copie-o em seu caderno. Resposta possível: “Ih! Sabia. Tava demorando. Deixa o dólar dá uma baixada e nós vamos, certo?”
Professor, sugerimos reler a canção, observando com os alunos como as
IMPORTANTE SABER palavras destacadas constroem as marcas de oralidade da linguagem.

As palavras em destaque no texto são muito empregadas quando estamos conversando. Elas são
marcas típicas da língua falada. Você já percebeu que, quando dialogamos, costumamos usar ex-
pressões como: “né”?, “viu?”, “então”, “eu acho que”, “entendeu?”, “daí”, “percebe?”, “sabe?”.
Essas marcas da conversação ajudam a construir o texto falado, estabelecendo a ligação entre as
palavras e as ideias que nele aparecem. Servem também para marcar a comunicação entre as pessoas
que participam da conversa. Note que, quando você quer saber se a pessoa com quem conversa en-
tendeu o que falou ou se está prestando atenção ao que está dizendo, costuma empregar expressões
como: “né?”, “viu?”, “entende?”, “compreende?”. Há autores que as empregam também nos textos
escritos, em diferentes situações, para tornar as conversações literárias mais parecidas com as reais.

6. Em duplas, reescrevam o trecho do diálogo apresentado no início da seção, adaptando-o para a


Sugestão: Olá, pai, como está? / Estou bem, filho. E você, como vai? / Também estou bem. O senhor
linguagem formal. ainda está à procura da melhor melodia? / Obviamente, rapaz. Como está o colégio? / O colégio
está bem! Eu é que... Certamente o senhor me entende, não é mesmo?
a) Agora, leia o diálogo produzido, alternando as falas com a sua dupla.
b) Qual dos dois diálogos você considera mais adequado? O criado pelo rapper ou o elaborado
por você e sua dupla? Por quê? Espera-se que o aluno perceba que o diálogo do rapper está mais adequado para
uma conversa entre pai e filho, em que geralmente não há tanta formalidade.

7. Como você viu, o rap apresenta uma característica particular: muitos trechos são falados, não
cantados. Por que você acha que essa é uma das características desse gênero musical?
Professor, abra a discussão para toda a turma. No rap, a melodia não é o mais importante, mas sim as batidas e as rimas que dão origem aos versos
criados pelos rappers. As letras são fundamentais no rap, pois são instrumento de crítica e denúncia. Além disso, muitas vezes, o rapper cria os versos de
improviso, acompanhando a base do rap, de responsabilidade do DJ. O fato de a letra ser falada em vez de cantada facilita essa improvisação.
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DE OLHO NO VOCABULÁRIO

1. A palavra “loadeando” foi criada com base no verbo to load (em inglês, “carregar”, “baixar”). É
possível saber em que tempo verbal foi empregada a palavra “loadeou”? Como você chegou a
essa conclusão? Sim. Ela foi empregada no passado. É possível perceber isso porque ela termina em “ou”.

2. Que outras palavras em inglês foram usadas no texto? Copie-as em seu caderno e grife aquelas
que você já conhecia. Start, Playstation e Disney.

3. Playstation é uma marca de videogame. Esse termo é formado pela união de duas palavras em
inglês: play (jogar, jogo) + station (estação).

a) Sabendo disso, responda: Qual é o significado dessa palavra traduzida para o português? Estação de jogos.

b) Você acha que é preciso saber o que a palavra playstation significa em inglês para compreender
o que ela quer dizer na canção? Por quê? informações
Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba que, por meio de outras
presentes na canção (ou seja, o contexto), acabam sendo oferecidas pistas
para o esclarecimento do significado dessa palavra. Muitas pessoas acabam sabendo
o significado dessa palavra pelo uso que ela tem no cotidiano, mas podem não saber o
que ela significa na língua inglesa. Após a correção da atividade, você poderá dizer aos
Prática de leitura alunos que a palavra inglesa Playstation pode ser traduzida como “estação do jogo”.

texto 3 – classificado poético


No livro Agenda poética, a personagem Cecília encontrou uma forma curiosa de descrever seus pais.
Leia e descubra esse jeito todo especial nos textos A e B.

Qualquer coisa
22 Quarta Maio
Wednesday May

A
Vende-se, Aluga-se, Troca-se

Renato Arlem
Pai usado, em estado de novo, pouco cabelo branco,
sem vícios, movido a gasolina (álcool de jeito nenhum),
pega na primeira partida, não para nunca, está sempre de
boa vontade, cara legal, nunca te deixa na mão, engata na
primeira, segunda, terceira, quarta, quinta e até na sexta
se você topar. Nunca falha aos domingos. Dá marcha à ré
sempre que for preciso, deixa bater o maior vento em você,
liberdade total. Faço doação no caso de nenhum interes-
sado.

B
Vende-se, Aluga-se, Troca-se
Mãe usada, em estado de nova, cabelos pintados recentemente, sem vícios, movida a diesel, pega
na subida e na descida, topa tudo sem reclamar, te deixa folgar legal. Se te deixar na mão é porque
você esqueceu da água, de dar uma passada no posto, de conferir esses detalhes comuns. Tem um
belo estofamento, freios perfeitos, breque em cima, direção de piloto de fórmula um.
Faço doação no caso de nenhum interessado.
AnDrADe, Telma Guimarães Castro. Agenda poética. São Paulo: Scipione, 1997.

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POR DENTRO DO TEXTO Professor, sugerimos que as questões de 1 a 6 sejam respondidas oralmente.

1. A primeira frase, nas duas partes do texto “Qualquer coisa”, é: “Vende-se, Aluga-se, Troca-se”.
• Transcreva no caderno a alternativa que indica a intenção com que essas expressões são usadas
normalmente. Alternativa “c“.

a) convidar

b) contar uma história

c) anunciar algo

2. Aparentemente, qual é o objetivo do texto?


Vender, alugar ou trocar o pai e/ou a mãe do eu poético.

3. No texto, lemos as expressões “em estado de novo”, “movido a gasolina”, “pega na primeira par-
tida”, “Dá marcha à ré”, “freios perfeitos”, “breque em cima”, “direção de piloto de fórmula um”.

a) A que geralmente essas expressões se referem?


Geralmente se referem a automóveis, veículos automotores.
b) A quem as expressões estão se referindo no texto A e no texto B?
No texto A, referem-se ao pai da anunciante. No texto B, à mãe.
c) Faça, em seu caderno, uma lista com as expressões do texto que são comuns em anúncios
classificados e outra com as que não são comuns. As expressões comuns: “em estado de novo”, “movido a gasolina”. Não são
comuns as expressões: “pega na primeira partida”, “Dá marcha à ré”, “freios
perfeitos”, “breque em cima”, “direção de piloto de fórmula um”.

4. A partir da descrição realizada no classificado, podemos dizer que os pais apresentam mais defei-
tos ou qualidades? Mais qualidades.

5. Releia a frase a seguir.

Dá marcha à ré sempre que for preciso [...].

• O que essa frase diz sobre o pai?


Ela informa que o pai é capaz de voltar atrás quando necessário.

6. Esta frase se refere à mãe.

Tem [...] freios perfeitos, breque em cima, direção de piloto de fórmula um.

• Que característica(s) dessa personagem ela ressalta?


A mãe sabe o momento em que deve colocar limites. Ela dirige as coisas de maneira muito precisa, certeira.

7. Como você pôde perceber, o texto emprega a linguagem figurada. Esse tipo de linguagem é co-
mum em classificados? Explique. Não. Em classificados costuma-se encontrar a linguagem literal, que apresenta um produto real como ele é de
fato. A linguagem figurada é usada principalmente em gêneros literários.

8. Como se trata de um classificado poético, a linguagem figurada é adequada? Justifique sua resposta.
Sim, porque, como o nome diz, trata-se de um poema, e não de um classificado comum.

9. Observe a descrição dos pais anunciados no texto. Levante uma hipótese: Por que o eu poético
teria a intenção de se desfazer deles? Resposta pessoal. Resposta possível: Porque o que o eu poético quer anunciar, de fato, não é a
venda dos pais, mas a boa relação que tem com eles.

10. Em que veículos de comunicação os classificados costumam aparecer?


Em jornais, sites e revistas, especialmente as especializadas.

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Prática de leitura
texto 4 – classificado de imóvel

Apartamento amplo e reformado


Apartamento à venda – Barra Funda, São Paulo
Destaque
Quartos: 3 Banheiros: 1 Vaga de garagem
220 m² de área total 157,7 m² de área útil Condomínio: R$ 900,00

Condições comerciais
• Aceita financiamento • Entrada facilitada

Descrição
Tomislav Pinter/Shutterstock

Sala ampla e bem iluminada; reformado; três dormitórios, sendo uma suíte
enorme com armários embutidos, quarto/escritório com estante e armário
embutido, quarto com armários embutidos, quarto de empregada ou closet
da suíte; cozinha, área de serviço, banheiro de empregada e banheiro so-
cial com armários. Corredor com amplos armários, 2 por andar, uma vaga
na garagem, perto metrô e várias linhas de ônibus, prédio tranquilo.
Fonte: <http://www.imoveis.net/imovel/
apartamento-amplo-e-reformado/>. Acesso em: 17 jan. 2015.

3. As linguagens dos dois textos são parecidas, com uso acentuado de adjetivos (ainda que o texto “Qualquer coi-
sa” utilize algumas expressões que não costumam aparecer em anúncios). Resposta pessoal. Professor, mostre
CONFRONTANDO TEXTOS para os alunos que essa similaridade é intencional por parte da autora de “Qualquer coisa”, que quis fazer uma
brincadeira ao escrever um poema num formato inusitado, usando a estrutura de um gênero bastante conhecido
e diferente da poesia: o classificado.
1. Em que veículo de comunicação foi publicado o classificado de imóveis? Em um site de anúncios da internet.
2. Quanto à intenção de produção, que diferenças se podem observar entre o texto “Qualquer coisa”
e esse classificado de imóvel? Oa forma
classificado de imóvel tem uma intenção real de venda de alguma coisa, é literal. O texto “Qualquer coisa” adota
de um anúncio classificado para passar uma mensagem poética.

3. Compare a linguagem dos dois textos. Elas são parecidas ou diferentes? Por que você acha que
isso acontece?
4. Releia o texto 4 observando o emprego de adjetivos.
Respostas possíveis: Útil, facilitada, iluminada, reformado,
enorme, embutidos, social, amplos, tranquilo. Professor, há
a) Localize e copie pelo menos cinco adjetivos desse texto. algumas locuções adjetivas (de cozinha, de empregada, de
serviço) que devem ser consideradas.
b) Qual é a intenção do anunciante ao usar tantos adjetivos?
Enaltecer as qualidades do objeto (no caso, o apartamento) que procura vender.

5. Leia o texto a seguir:

BELA VISTA
100 m² AU – 2 suítes – 1 vaga.
Lindo, reformado, living, terraço, dep. empr., seg. 24 horas, próx. ao
metrô e comércio, lazer completo. F: (11) 1111.1111.

a) Geralmente, onde textos como esses são encontrados? Em jornais impressos, na seção de classificados.
b) Se ele for comparado ao anúncio anterior, podemos perceber que se trata de um texto mais
curto. Por que você acha que isso acontece? Resposta pessoal. Professor, comente com os alunos que os veículos impressos cos-
tumam cobrar pelo espaço de publicação, inclusive para os classificados, o que leva o
anunciante a ser conciso na informação.
6. Qual dos dois classificados mais se assemelha ao texto “Qualquer coisa”? Justifique sua resposta.
O texto 4, com mais adjetivos e uma descrição mais detalhada do objeto que está sendo anunciado, como no texto “Qualquer coisa”.

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Atividade de criação
classificado poético
Crie um classificado poético, parecido com o texto “Qualquer coisa”, anunciando alguém de sua
família ou que conviva com você. Depois de pronto, você vai passá-lo a limpo e expô-lo em um mural.
Professor, incentive os alunos a escreverem também uma cópia do texto para presentear a pessoa de quem eles estão falando.

ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO


• Inicie o texto com os termos: “vende-se”, “compra-se”, “troca-se”. Mas atenção: a continu-
ação desse classificado vai ser diferente daqueles que aparecem nos jornais todos os dias.
• Procure fazer comparações, usar a linguagem figurada.
• Procure também brincar com as palavras como fez a autora, Telma Guimarães.
• Para compreender bem como isso pode acontecer, releia o texto “Qualquer coisa”. Depois,
solte as palavras!

AVALIAÇÃO E REESCRITA
• Que tipo de recurso(s) você usou para tornar o seu texto interessante ao leitor? Empregou lin-
guagem figurada? Há humor em seu texto? Efeito de surpresa? Palavras com duplo sentido?
Grife as partes em que usou os recursos de linguagem.
• Você sentiu dificuldades para fazer comparações?
• Você gostou de brincar com as palavras, dando novos significados a elas?

aPresentação
ORIENTAÇÕES
Passe a limpo o seu texto ou digite-o. Se puder, imite a diagramação de um classificado de
jornal. Exponha seu classificado poético em um mural, com os textos de seus colegas, para que
outras pessoas possam apreciá-lo. Professor, sugerimos que a montagem do mural seja feita após a reescrita do texto. No Manual, há consi-
derações sobre a refacção textual.

Prática de leitura

texto 5 – Página de agenda


ANTES DE LER

1. Observe os detalhes da página do texto. Você conhece esse tipo de página? De qual suporte
você acha que ela foi retirada? Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno reconheça a página de uma agenda, na qual a autora
escreve um texto semelhante ao de um diário.

2. Há algum lugar onde você escreve os seus segredos? O que acha do hábito de escrever em
um lugar só seu, a que ninguém mais tem acesso? Resposta pessoal.
3. Você já escreveu textos para falar de seus sentimentos? Em caso afirmativo, de que senti-
mentos costuma falar? Resposta pessoal.

Na leitura que você fará agora, a personagem principal chama-se Carol. Ela é uma adolescente muito
inquieta e esperta. Com certeza, você gostará de conhecê-la. Quem sabe não vai se identificar com ela.

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Leitura

STANISIERE, Inês. A agenda de Carol. Belo Horizonte: Leitura, 2007.

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POR DENTRO DO TEXTO

1. Em seu caderno, descreva como você imagina Carol fisicamente. Resposta pessoal.

2. Como se sentia Carol, nessa segunda-feira, ao escrever? Explique.


Quando ela escreveu, na segunda-feira, estava aliviada, porque sua mãe já tinha escrito uma carta para fazer as pazes com a filha. A mãe havia entrado no quarto de
Carol, mexido em seus objetos e encontrado a sua agenda pessoal, onde a menina escrevia seus segredos.
3. De acordo com a carta da mãe de Carol, a menina teve os seus segredos descobertos? Por quê?
Não, na carta, a mãe afirma que não leu nada que estava escrito na agenda.

4. Observe esta capa de livro:


Quinteto

ANDRADE, Telma Guimarães Castro.


Segredos de agenda. São Paulo: Quinteto, 2003.

a) A ilustração dessa capa forma um sinal de pontuação. Que sinal é esse? O ponto de interrogação.

b) Qual é a relação desse sinal de pontuação com o título do livro?


Resposta possível: A interrogação representa o desconhecido, no caso, os segredos da agenda da personagem que a
escreveu ou as dúvidas comuns a toda adolescente.
c) O título desse livro tem alguma relação com os fatos ocorridos com Carol, principalmente com
a raiva que sentiu da mãe? Por quê? Resposta possível: Sim, a briga de Carol com a mãe aconteceu porque ela não queria que a mãe lesse
sua agenda e descobrisse os segredos que estavam guardados nela. Carol sentiu-se desconfortável
com a possibilidade de a mãe ter descoberto sua intimidade.

TROCANDO IDEIAS
1. Em sua opinião, a adolescente tinha razão? Por quê?
Resposta pessoal. Professor, provavelmente, os alunos responderão que sim, pois normalmente o adolescente tem vergonha de falar dos seus sentimentos, de se expor.
Escrevendo, sente-se seguro e fica ofendido se alguém descobre “seus segredos”.
2. Você já vivenciou alguma situação semelhante ao que aconteceu com Carol? Se desejar, conte
para a sua turma. Resposta pessoal.

TEXTO E CONSTRUÇÃO

1. Que elementos aparecem na página da agenda, além do texto escrito?


Uma embalagem de bombom e a carta de sua mãe, ambos presos por um clipe.
2. Por que eles estão presentes na página da agenda de Carol? Em sua opinião, por que Carol afixou
a carta da mãe na agenda? Respostas possíveis: Porque os adolescentes costumam anexar elementos a suas agendas, principalmente os relaciona-
dos às situações do cotidiano. A carta da mãe foi colada porque era importante para Carol. Professor, pergunte aos alunos
se possuem agenda e o que costumam anexar a elas.

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3. Em uma agenda, costuma-se registrar os compromissos do dia a dia. É isso o que está anotado na
agenda de Carol? Por quê? Não. Mais que compromissos ou lembretes do dia a dia, ali estão regis-
trados sentimentos e episódios importantes da vida da menina.

• Como você chamaria esse texto? Espera-se que o aluno reconheça que Carol escreve um diário na agenda.

4. Ao escrever, Carol usou parágrafos ou versos? Por quê? Parágrafos. Porque não pretende escrever um poema.

5. E o texto da mãe dela, como está organizado? Também está organizado em parágrafos.

6. Ao escrever, Carol se dirige a alguém? Copie do texto o trecho que confirma a sua resposta.
Carol não fala propriamente com uma pessoa. Ela está se dirigindo ao seu diário: “Viu só, diário, que maneiro?” ou “Bom, agora, você me dá licença, diário, que eu vou
atacar esses bombons”.
7. Os textos de Carol e os da mãe foram escritos com o mesmo objetivo, ou seja, com a mesma
intenção? Explique sua resposta. Não, o texto de Carol foi escrito como relato íntimo; a menina não tinha intenção de enviá-lo a alguém. Já a
mãe escreveu o texto para enviar à filha.

8. A linguagem utilizada na agenda é formal ou informal? Copie exemplos que justifiquem sua resposta.
A linguagem é informal. Exemplos de trechos que confirmam a resposta: “[...] um monte de bombons da loja de que eu mais gosto. / [...] Viu só, diário, que maneiro?”.

IMPORTANTE SABER

O diário íntimo é um gênero de texto no qual quem escreve conta os acontecimentos do seu dia
a dia. Recebe esse nome justamente por isso. Hoje em dia, os adolescentes costumam escrever tex-
tos desse tipo em suas agendas.
No texto apresentado, Carol usa a página da agenda para contar sobre os sentimentos, as emo-
ções e a razão de seu desentendimento com a mãe no dia anterior. Seu texto foi organizado em
parágrafos e a data não foi colocada por quem escreveu porque já aparece na agenda.
O diário costuma ser escrito na linguagem informal.
Professor, você poderá solicitar aos alunos que tiverem diário ou agenda que falem um pouco sobre o que costumam escrever neles. Há pessoas que escrevem sobre o seu dia, anotam
frases, poemas e canções, colam fotos e embalagens de bombom ou bala, figurinhas, ingressos de parque, cinema e teatro e até ilustram os textos produzidos. O diário é íntimo e não
costuma ser partilhado, mas, caso alguém queira mostrar o seu, é importante acolher e valorizar a produção do aluno. De qualquer forma, há mais um texto como esse no Manual.
9. Em seu caderno, transcreva do texto de Carol trechos que expressam as emoções e os sentimen-
tos solicitados a seguir:

a) alegria; “Viu só, diário, que maneiro?/A mamãe comprou todos os meus favoritos!!!”

b) descontentamento; “E da minha agenda, ela não podia nem ter chegado perto! Foi a maior invasão do mundo!! Achei péssimo!”

c) alívio. “Eu confesso que também estava triste, não gosto de ficar brigada com a minha mãe.”

10. Ao transcrever os trechos, você usou aspas? Por quê?


Professor, aproveite esta atividade para chamar a atenção dos alunos a respeito do uso das aspas para transcrição de trechos de textos de autoria de terceiros.

11. Copie, da carta da mãe, os seguintes elementos:


“Pensei no que aconteceu e queria lhe
a) a saudação inicial; c) o pedido de desculpas; pedir desculpas.”
“Minha filhota querida [...].”

b) a assinatura; d) a despedida.
“Eugênia”. “De sua mãe que muito adora você, [...]”

IMPORTANTE SABER

Argumentar é justificar uma afirmação para convencer alguém a mudar de opinião ou compor-
tamento. Fatos, ideias, razões ou provas são exemplos de argumentos.

• Na carta que a mãe fez para a menina, existe argumentação? Explique sua resposta e retire do
texto um trecho que a comprove. Sim, pois a mãe explica as razões de ter tomado a atitude que deixou a filha triste, com raiva. “Mas você
tem razão, Carol, o seu quarto é o seu espaço e deve ser do jeito que você quer. Só queria que você não deixasse bagunçado demais porque incomoda. Foi só uma
curiosidade, de mãe que se preocupa com a filha. Não sabia que você ia ficar com tanta raiva.”
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Reflexão sobre o uso da língua

Pronomes pessoal e possessivo


1. Observe as palavras destacadas na carta da mãe de Carol. Essas palavras estão se referindo a
nomes. Mas a que nomes? Para responder, leia as perguntas a seguir:

a) De quem era a briga? c) A palavra “comigo” se


refere à mãe ou a Carol?

b) No texto, “você” está


no lugar de que palavra? d) Pedir desculpas a quem?
Leitura

e) Incomoda
a quem?

f) Quem promete?

STANISIERE, Inês.
A agenda de Carol.
Belo Horizonte:
Leitura, 2007.

g) De quem era o quarto? h) Mãe de quem? i) Adora a quem?


a) A palavra “nossa” se refere a Carol e à mãe; b) a Carol; c) à mãe;
d) a Carol; e) à mãe; f) a mãe; g) de Carol; h) de Carol; i) a Carol.
2. As palavras em destaque na carta são chamadas de pronomes. De acordo com o que você pôde
perceber, por que elas são importantes?
Resposta pessoal. Espera-se que os alunos levantem suas hipóteses, que serão retomadas logo a seguir.

3. Leia a tirinha a seguir:


Fernando Gonsales

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a) A leitura do primeiro quadrinho gera uma expectativa sobre o que vai acontecer no restante da
tira. Pela lógica, o que provavelmente deveria aparecer no quadrinho seguinte?
A partir da expectativa gerada no primeiro quadrinho, o mais esperado seria que o segundo quadrinho ilustrasse uma jiboia dormindo após se alimentar.
b) A expectativa gerada no primeiro quadrinho é quebrada no segundo, o que gera um efeito de
humor na tira. Explique como esse efeito é construído.
No segundo quadrinho, não há uma jiboia dormindo, mas sim uma jiboia insone. Ela está com olheiras e, pelos espinhos em sua barriga, podemos supor que engoliu um porco-
-espinho. A fala do animal confirma essa hipótese.
c) A quem se referem os pronomes “ela” e “me”, usados nos quadrinhos? Referem-se à jiboia.
d) O pronome “ela”, usado no primeiro quadrinho, refere-se à pessoa que fala ou à pessoa de quem
se fala? Refere-se à pessoa de quem se fala.
e) Por que, no segundo quadrinho, a personagem usou o pronome “me”? Porque ela se referiu a si mesma.

IMPORTANTE SABER

As palavras que servem para se referir a nomes, para representá-los ou substituí-los são chama-
das de pronomes.
São pronomes pessoais do caso reto:
Eu – 1a pessoa do singular Nós – 1a pessoa do plural
Tu – 2a pessoa do singular Vós – 2a pessoa do plural
Ele – 3a pessoa do singular Eles – 3a pessoa do plural
Nas situações de comunicação, os pronomes servem para indicar a(s) pessoa(s) que fala(m)
(1a pessoa do singular e do plural), a(s) pessoa(s) com quem se fala (2a pessoa do singular e do plu-
ral) e de quem ou de que se fala (3a pessoa do singular e do plural).
Veja:
Eu gosto muito dela. No fundo, ela é bem legal.

Pessoa que fala. Pessoa de quem se fala.

Veja alguns exemplos retirados da canção “Loadeando”:


– E aí, pai, beleza?
– Beleza, filho. E tu? Tudo certo? Pessoa com quem se fala.

São pronomes pessoais do caso oblíquo:


Me, mim, comigo – 1a pessoa do singular
Te, ti, contigo – 2a pessoa do singular
Se, si, consigo, o, a, lhe – 3a pessoa do singular
Nos, conosco – 1a pessoa do plural
Vos, convosco – 2a pessoa do plural
Se, si, consigo, os, as, lhes – 3a pessoa do plural

– Se o papo for futebol? Pronome pessoal do


caso oblíquo – 1a
– Ah! Isso é comigo. pessoa do singular
– E se o assunto é Playstation?
Pronome pessoal do
– Tudo bem, contigo. A evolução aqui é de pai pra filho. caso oblíquo – 2a
pessoa do singular

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1. Os pronomes oblíquos o, a, os, as, quando vêm ligados a uma forma verbal terminada por
-r, -s ou -z, assumem as formas lo, la, los, las.
Não posso levar-o. Não posso levá-lo.
Levamos-as. Levamo-la.
Fiz-a. Fi-la.
2. Quando a forma verbal termina em -m, -ão, -õe, recebe as formas pronominais no, na, nos, nas.
Pegaram-o. Pegaram-no.
Contarão-os. Contar-nos-ão.
Supõe-a. Supõe-na.

4. Releia este trecho da página da agenda de Carol:

[...] Pensei no que aconteceu e queria lhe pedir desculpas. [...] seu quarto
é o seu espaço e deve ser do jeito que você quer.

a) Quem é o locutor, ou seja, quem produz essa mensagem? Provavelmente, a mãe de Carol.

b) Os pronomes destacados referem-se a qual das personagens? Referem-se à Carol.

c) Por que foram usados pronomes em vez do nome da personagem ao qual se referem?
Para evitar repetições, deixando o texto mais fluido.

5. Como você pôde perceber, os pronomes pessoais substituem os nomes a fim de evitar que o
texto fique repetitivo. Reescreva as frases, substituindo os termos destacados por pronomes retos
ou oblíquos de maneira coerente.

a) Encontrei a garota quando cheguei à escola.


Encontrei-a quando cheguei à escola.

b) Não quero que a garota descubra o meu segredo.


Não quero que ela descubra-o.

c) O filho confessou sua dificuldade ao pai.


Ele confessou sua dificuldade ao pai.

d) O filho confessou sua dificuldade ao pai.


O filho confessou-a ao pai.

e) O filho confessou ao pai sua dificuldade.


O filho confessou-lhe sua dificuldade.

6. Leia atentamente o parágrafo a seguir e indique quais termos foram substituídos pelos pronomes
pessoais em destaque.

Todos os garotos estavam preocupados com a prova que seria realizada no dia seguinte. A
professora havia avisado que ela seria bem extensa e trabalhosa. Eles, então, decidiram que
iriam estudar em grupo.

Ela: a prova. Eles: os garotos.

IMPORTANTE SABER

Como você observou nas atividades anteriores, para evitar repetições de palavras ou expressões
desnecessárias em um texto, os pronomes podem substituí-las ou se referir àquelas que já foram usadas.
Leia sempre os textos que produzir, veja se repetiu alguma palavra ou expressão sem necessidade
e troque-a por outra que comunique o que você quer.

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7. Releia este outro trecho do texto “A agenda de Carol”:

Cheguei do vôlei e tinha uma surpresa na minha cama.

• Qual é a função da palavra em destaque na frase?


A palavra indica que a cama pertence à menina.

8. Identifique no texto escrito por Carol outras palavras com a mesma função da palavra “minha”.
Depois, copie-as em seu caderno.
Meu quarto, minha agenda, minha mãe, espaço que é só meu, minhas coisas íntimas, meus favoritos.

9. A mãe de Carol chama a filha de “Minha filhota querida”. Essa frase quer expressar a afetividade
da mãe em relação à filha. Você conhece outros exemplos de expressões, semelhantes a essa,
usadas para indicar afeto por algo ou alguém? Escreva-as em seu caderno. Resposta pessoal.

IMPORTANTE SABER

Os pronomes possessivos estão relacionados às pessoas do discurso e servem para indicar a


ideia de posse. Observe:

Fiquei muito chateada com a nossa briga.

indica de quem foi a briga


Os pronomes possessivos também servem para indicar afetividade, respeito, frequência de um
acontecimento. Veja alguns exemplos.
Um beijo e um abraço,
Da sua Carol. (afetividade)

Minha escola fica longe daqui. (lugar que se frequenta com assiduidade)
Meu senhor, sente-se por favor. (respeito)
Os pronomes pessoais podem acompanhar ou substituir um substantivo. Veja:
Você fica com os seus amigos e eu fico com os meus.

acompanha o substantivo substitui o substantivo

Pronomes pessoais do caso reto Pronomes possessivos


Eu – 1a pessoa do singular meu, minha, meus, minhas
Tu – 2a pessoa do singular teu, tua, teus, tuas
Ele – 3a pessoa do singular seu, sua, seus, suas
Nós – 1a pessoa do plural nosso, nossa, nossos, nossas
Vós – 2a pessoa do plural vosso, vossa, vossos, vossas
Eles – 3a pessoa do plural seu, sua, seus, suas

10. Em seu caderno, conte o que aconteceu com Carol. Para isso, copie o texto, substituindo os pronomes
que estão na primeira pessoa por pronomes em terceira pessoa. Veja como você deve iniciar o texto:
“Carol chegou do vôlei e tinha uma surpresa em sua cama.”
Professor, embora as palavras “dele”, “dela”, “deles”, “delas“ não sejam pronomes, elas podem ser empregadas com essa função na reescrita desse texto.

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APLICANDO CONHECIMENTOS
1. Releia esta frase retirada da canção “Loadeando”:

– Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho.

• Veja como ficaria se Marcelo estivesse falando de outra pessoa.

Frase I

Ele se desenvolve e evolui com o seu filho.

Frase II

Ele se desenvolve e evolui com o filho dele.

• Em qual das duas frases a palavra em destaque pode causar dúvida a respeito de quem é o filho?
Explique sua resposta. Na frase I, porque não se sabe se o filho é da pessoa de quem ele fala ou da pessoa com quem ele fala.

2. Leia o cartaz a seguir:

Ministério da Saúde
FIQUE ATENTO AOS
LOCAIS QUE PODEM
ACUMULAR ÁGUA
E MANTENHA-OS
SEMPRE LIMPOS E
FECHADOS.
Combater a dengue
é simples. Evite que
locais e utensílios sirvam
como foco do mosquito.
Junte a família e os
amigos e monte um time
para afastar essa doença
de sua casa e vizinhança.
E se sentir febre com
dor de cabeça, dor atrás
dos olhos, no corpo
e nas juntas, procure
imediatamente uma
unidade de saúde. Pode
ser dengue.

Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/wp-content/uploads/2014/03/Dengue.jpg>.


Acesso em: 3 fev. 2015.

a) Qual é o objetivo desse texto? Mobilizar a população no combate à dengue.

b) Na imagem do cartaz, aparece uma pessoa famosa. Quem é ela?


Cafu, o ex-jogador de futebol. Professor, Cafu está de pé, ao lado do rapaz de boné.
Provavelmente porque as personalidades costumam ter
c) Por que você acha que essa personalidade aparece no cartaz? apelo junto ao público, o que pode aumentar a eficácia
da mensagem do cartaz.

d) Que relações o texto e a imagem do cartaz estabelecem com a personalidade que aparece nele?
O texto do cartaz compara a mobilização popular no combate à dengue à formação de um time. Na imagem, Cafu e as outras personagens aparecem posicionados
como os jogadores costumam posar antes do início de uma partida de futebol. Assim, fazendo associações com elementos do futebol, o cartaz procura mobilizar o
leitor no combate à doença, o que justifica a escolha de um conhecido ex-jogador desse esporte para fazer parte da campanha. Professor, lembre os alunos de que
2014 foi o ano da realização da Copa do Mundo no Brasil, o que pode ter motivado a escolha desse tema para a campanha. 123

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e) Releia a frase: “Fique atento aos locais que podem acumular água e mantenha-os sempre limpos
e fechados”.
• Que pronome foi empregado nessa frase? O pronome “os”.
• A qual termo esse pronome se refere? Refere-se ao termo “locais (que podem acumular água)”.
• Por que o uso desse pronome foi importante para a construção da frase?
Porque, com o uso do pronome, evitou-se a repetição de termos na frase. Professor, enfatize a importância dos pronomes na construção da coesão textual.
• Se, na frase, em vez de “locais” fosse usado o termo “localidades”, o pronome também teria
que ser alterado? Por quê? Sim, se o substantivo masculino fosse substituído por outro feminino, o
pronome utilizado deveria ser “as” em vez de “os”: “mantenha-as”.

f) Releia esta outra frase: “Junte a família e os amigos e monte um time para afastar essa doença
de sua vizinhança”. Agora, responda:
• Que pronome possessivo foi usado na frase? O pronome “sua”.

Professor, comente a importância da proximidade com o leitor na construção


• A quem se refere esse pronome? Refere-se ao leitor. da linguagem persuasiva característica dos textos da esfera publicitária.

• Imagine que o interlocutor quisesse se incluir na mensagem. Nesse caso, que pronome deveria ser
usado na frase? O pronome “nossa”: “Junte a família e os amigos e monte um time para afastar essa doença de nossa vizinhança”.

3. Identifique os pronomes possessivos nas tiras a seguir e indique a ideia que eles expressam. Jus-
tifique cada uma de suas respostas.

a)

“Minha” (bolacha), “meu” (caramelo), “meu” (carro). Ideia de posse. Fernando Gonsales, 10 jan. 2012. Fernando Gonsales

b)
Fernando Gonsales

“Meu” (ovo), “minha” (aula de tai-chi). O primeiro indica posse, o segundo indica uma Fernando Gonsales, 13 jan. 2012.
aula/lugar que se frequenta assiduamente.

4. Passe para o plural os pronomes em destaque nas frases. Faça as concordâncias necessárias.

a) Eu quero me sentar perto de você.


Nós queremos nos sentar perto de você.

b) Ele quer viajar comigo ainda hoje.


Eles querem viajar conosco ainda hoje.

c) Você vai levá-la consigo?


Vocês vão levá-las consigo?

d) Eu não a convidei para a festa e ela ficou chateada.


Nós não as convidamos para a festa e elas ficaram chateadas.

e) Eu vou levá-la comigo para Santos.


Nós vamos levá-las conosco para Santos.
5. Por que os pronomes são importantes em um texto? A que conclusão você chegou a respeito disso?
Professor, espera-se que os alunos tenham compreendido o que foi explicado anteriormente.

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Prática de leitura

texto 6 – Poema

Bilhete ao pai adotivo

utterstock
Eu não estava
no porta-retratos

Sh
Imagens:
de ninguém
vagava desnudo
nos corredores da solidão.

Um dia teus braços amarrados


soltaram-se e acolheram-me.

Surpreso, fui ao teu encontro,


vacilante criança,
sonegada de amor.

Alimentado pelo teu colo


bebi tua água
mastiguei teu pão.

Teu amor de pai


me fez corado, tranquilo
feliz e menino.

Hoje sou “Hoje sou / o teu retrato.”


o teu retrato.
LIMA, Haydée S. Hostin. Disponível em: <http://www.mundojovem.com.br/
poesias-poemas/pai/bilhete-ao-pai-adotivo>. Acesso em: 19 jan. 2015.

POR DENTRO DO TEXTO


1. Que características do texto aproximam-no de um bilhete e justificam seu título?
O eu poético refere-se ao pai, seu interlocutor, como se estivesse se comunicando diretamente com ele, em uma mensagem relativamente curta.

2. Em seu caderno, transcreva qual dos substantivos a seguir melhor resume o sentimento expresso pelo
eu poético em relação ao pai adotivo. Lembre-se de que o eu poético é a voz que fala no poema.
gratidão

revolta gratidão rejeição felicidade

3. Releia estes versos: “Eu não estava / no porta-retratos / de ninguém”. Que sentimento, provavel-
mente, o eu poético pretendeu expressar? Espera-se que o aluno perceba o sentimento de solidão, de
abandono, do fato de não ter família expresso pelos versos.

4. O poema nos leva a perceber que o eu poético se sentiu temeroso nos primeiros momentos com o
pai adotivo, apesar de acolhê-lo posteriormente. Encontre e transcreva o verso que comprova essa
afirmação. “vacilante criança,”

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5. Releia estes outros versos: “Alimentado pelo teu colo / bebi tua água / mastiguei teu pão”.

a) O que o eu poético expressa nesses versos? Espera-se que o aluno perceba que, além de receber alimento,
o eu poético sentiu-se amado pelo pai adotivo.

b) Você concorda que podemos nos alimentar também de sentimentos? Explique. Resposta pessoal.

6. O poema nos conta uma história. Você concorda com essa afirmação? Explique.
Espera-se que o aluno reconheça que, apesar de estar escrito em versos, o poema apresenta elementos próprios de um texto narrativo, que são: personagem, tempo,
enredo, conflito, solução do conflito e desfecho.
7. Você gostou do poema? Justifique sua opinião. Resposta pessoal.

TROCANDO IDEIAS

1. Em sua opinião, um pai adotivo pode ser tão “legal” quanto um pai biológico? Explique.
Resposta pessoal.
2. Alguma situação que envolve pai adotivo lhe causou admiração, surpresa? Conte qual foi ela e ex-
plique sua reação.
Resposta pessoal.
3. Escreva um parágrafo ou uma frase falando sobre o que é ser pai. Resposta pessoal.
Professor, se julgar pertinente, amplie a discussão, conversando com a turma sobre os diferentes arranjos familiares que podem ser
observados, atualmente, na sociedade brasileira. Estimule o compartilhamento da vivência dos alunos de forma ética e respeitosa.

CONFRONTANDO TEXTOS

Escreva em seu caderno as semelhanças e diferenças entre os textos “A agenda de Carol” e “Bilhe-
te ao pai adotivo”, segundo os seguintes critérios.
a) Forma de apresentação: verso ou prosa.
b) Gênero do texto: diário, carta, bilhete, poema, classificado, crônica etc.
c) Assunto.
d) Linguagem: formal ou informal.
Sugerimos que você faça essa comparação em um quadro. Dessa maneira, você organizará melhor
suas ideias. Veja o modelo que apresentamos a seguir e que você poderá copiar no caderno:

“a agenda de carol” “Bilhete ao pai adotivo”


apresentação Em prosa Em versos

Gênero Diário íntimo Poema

assunto Desentendimento com a mãe Reconhecimento ao pai adotivo

linguagem Informal Formal

Atividade de criação

Diário íntimo
Neste capítulo, você conheceu as ideias e os sentimentos da personagem Carol por meio de
um gênero textual chamado diário íntimo. Agora, é você quem vai preencher uma folha em bran-
co com suas ideias e emoções, registrando um fato marcante do seu dia a dia.
Para isso, use como suporte uma folha de agenda. Caso não tenha uma agenda, ilustre uma
folha de seu caderno, como se fosse essa página.

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ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO

• O gênero diário íntimo, como o nome diz, é pessoal, portanto os acontecimentos devem ser
narrados em primeira pessoa.

• O diário deve registrar a data em que o texto foi escrito.

• Ao narrar, você deverá situar o leitor a respeito do tempo (quando) e do espaço (onde) em que
os fatos ocorreram.

• Em textos desse gênero, o autor costuma se dirigir ao próprio diário, como se estivesse con-
versando com ele, usando expressões como “querido diário”, “meu diário”, “amigo diário”...
Caso queira, você poderá lançar mão desse recurso.

• O diário é seu! Crie à vontade, fazendo colagens, elaborando ilustrações, poemas, frases etc.

AVALIAÇÃO E REESCRITA
Você já sabe que, para evitar repetições, pode usar os pronomes para substituir ou se referir a
outras palavras do texto. Observe atentamente o seu texto, verificando se utilizou adequadamente
esse recurso da língua.
Caso deseje compartilhar o seu diário com um amigo, revise-o antes. Se necessário, peça ori-
entação ao seu professor. Depois, verifique outros aspectos do texto, como pontuação, ortografia,
uso de parágrafos, letra maiúscula para escrever nomes próprios e fique atento(a) a todas as orien-
tações para a produção.

Prática de leitura
Professor, a leitura do fragmento do romance O pequeno príncipe introduz o tema das
relações de amizade. No Manual, há uma atividade complementar sobre o mesmo tema,
texto 7 – romance (fragmento) que pode ser fotocopiada para os alunos.

O próximo texto conta a história de um principezinho que habitava um planeta (o asteroide B 612), pouco
maior que ele. Um dia, resolveu sair da sua terra natal em busca de amigos. Para isso, visitou vários planetas,
inclusive a Terra, onde encontrou um animal que lhe deu uma grande lição sobre a amizade.

O pequeno príncipe
[...]
– Bom dia – disse a raposa.
– Bom dia – respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
– Eu estou aqui – disse a voz –, debaixo da macieira...
– Quem és tu? – perguntou o principezinho. – Tu és bem bonita...
– Sou uma raposa – disse a raposa.
– Vem brincar comigo – propôs o principezinho. – Estou tão triste...
– Eu não posso brincar contigo – disse a raposa. – Não me cativaram ainda.
– Ah! desculpa – disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
– Que quer dizer “cativar”?

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Antoine de Saint-Exupéry
Ilustração do livro O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.

– Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?


– Procuro os homens – disse o principezinho. – Que quer dizer “cativar”?
– Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É
a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
– Não – disse o principezinho. – Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
– É uma coisa muito esquecida – disse a raposa. – Significa “criar laços”...
– Criar laços?
– Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a
cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim.
Não passo, a teus olhos, de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós te-
remos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
– Começo a compreender – disse o principezinho. – Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
– É possível – disse a raposa. – Vê-se tanta coisa na Terra...
– Oh! não foi na Terra – disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
– Num outro planeta?
– Sim.
– Há caçadores nesse planeta?
– Não.
– Que bom! E galinhas?
– Também não.
– Nada é perfeito – suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua ideia.
– Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se
parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se me

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cativares, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será dife-
rente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora
da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão.
O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu
tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é doura-
do, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
– Por favor... cativa-me! – disse ela.
– Bem quisera – disse o principezinho –, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir
e muitas coisas a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa. – Os homens não têm mais tempo
de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos,
os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
– Que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.
– É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim,
assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de
mal-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.
– Teria sido melhor voltares à mesma hora – disse a raposa.
– Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz.
Quanto mais a hora for che-

Antoine de Saint-Exupéry
gando, mais eu me sentirei feliz.
Às quatro horas, então, esta-
rei inquieta e agitada: descobrirei
o preço da felicidade! Mas, se tu
vens a qualquer momento, nunca
saberei a hora de preparar o cora-
ção... É preciso ritos.
– Que é um rito? – perguntou
o principezinho.
– É uma coisa muito esquecida
também – disse a raposa. – É o
que faz com que um dia seja dife-
rente dos outros dias; uma hora,
das outras horas. Os meus caça-
dores, por exemplo, possuem um
rito. Dançam na quinta-feira com
as moças da aldeia. A quinta-
-feira então é o dia maravilhoso!
Vou passear até a vinha. Se os ca-
çadores dançassem qualquer dia,
os dias seriam todos iguais, e eu
não teria férias!
Assim o principezinho cati-
vou a raposa. [...] Ilustração do livro O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.

SAInT-exuPéry, Antoine de. O pequeno príncipe. Tradução de Dom Marcos Barbosa. 41. ed.
rio de Janeiro: Agir, 1994.
Professor, dados biográficos sobre Antoine de Saint-Exupéry podem ser encontrados no Manual.

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POR DENTRO DO TEXTO
1. Quais são as personagens da história?
As personagens da narrativa são o principezinho e a raposa.

2. O narrador da história é também uma personagem? Como você chegou a essa conclusão?
O narrador não é personagem. Ele não participa da história, que está narrada em terceira pessoa.

3. Na história do pequeno príncipe, a raposa é um animal personificado: sente, pensa e fala como ser
humano. Você já havia lido algum texto cujas personagens também eram personificadas? Conte
para a sua turma. As fábulas geralmente têm, como personagens, animais que pensam e agem como seres humanos. Professor, lembre aos alunos que
esse tipo de texto procura transmitir algum ensinamento moral.

Como um entendimento mútuo, amigo é aquele que desperta no outro a necessidade de sua presença.
4. Como a raposa definia a amizade? Os amigos se cativam uns aos outros.
Cativar – ganhar a simpatia, a estima; seduzir, atrair.
Rito – regras que se devem observar numa cerimônia
5. Releia o trecho em que aparecem as palavras “cativar” e “rito”. religiosa. Qualquer cerimônia ou prática que segue
normas preestabelecidas. No texto, os ritos se refe-
rem aos comportamentos, às ações que se repetem.
a) Escreva no caderno o significado que essas palavras têm no texto.

b) Procure as palavras no dicionário e confira a sua resposta.

6. Segundo a raposa, o que é preciso para cativar um amigo?


Para cativar um amigo, é preciso ser paciente e estar com o amigo com certa frequência, passar a fazer parte de sua vida, aos poucos, inicialmente sem nada dizer.

7. A raposa valoriza o silêncio nos primeiros encontros entre os amigos. E justifica seu ponto de vista
com a afirmação: “A linguagem é fonte de mal-entendidos”.
Muitas vezes, os interlocutores não se compreendem bem, gerando
• O que você entendeu dessa afirmação da raposa? situações de conflitos e desentendimentos entre eles.

8. Em outro momento, a mesma personagem afirma: “descobrirei o preço da felicidade”. Sabemos


que a palavra “preço” em seu sentido próprio significa “valor, custo de algo que se vende”. No
contexto em que ocorre a fala da raposa, qual é o significado da palavra “preço”?
Preço, nesse contexto, significa: sacrifício em troca de recompensa.

9. Como o príncipe reagiu diante das explicações e dos ensinamentos da raposa?


O principezinho reagiu com curiosidade, mostrando interesse em compreender o que ela dizia, fazendo perguntas para entender melhor as ideias da raposa.

10. Releia um trecho da narrativa em que a raposa está explicando ao príncipe o que é cativar. Lembre-
-se do que estudou a respeito da função dos artigos nos textos e responda às questões a seguir.

[...] – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garo-
tos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo,
a teus olhos, de uma raposa igual a cem mil outras raposas. [...]

a) Que artigos foram usados para indicar que a raposa e o garoto ainda não se diferenciavam de
outros seres de sua espécie (raposa e garoto)? Os artigos indefinidos “um” e “uma”.

b) Por que, nesse momento da narrativa, tanto o menino quanto a raposa ainda não se diferencia-
vam um para o outro? Porque ainda não havia uma relação de amizade entre as personagens que as diferenciassem, que as tornassem especiais.
Professor, se achar adequado, observe com os alunos como nessa fala da raposa o artigo indefinido contribui para ressaltar
a indiferença da relação entre ela e o príncipe.
c) Releia a continuação da fala da raposa:

[...] Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no
mundo. E eu serei para ti única no mundo...

• Esse trecho confirma as respostas que você deu anteriormente? De que maneira?
Sim, agora a raposa diz que, com a amizade entre os dois, eles passam a se diferenciar entre os outros seres.

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11. Veja como a raposa conclui a sua explicação sobre o que é cativar:

Mas a raposa voltou à sua ideia.


– Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas
se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas,
se me cativares, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que
será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chama-
rá para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu
não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E
isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cati-
vado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...

a) A raposa explica ao principezinho como a amizade entre eles transformará o ponto de vista dela
em relação a tudo o que está à sua volta. Em seu caderno, construa uma tabela, observando as
possíveis mudanças, no mundo da raposa, ao ser cativada pelo pequeno príncipe. Veja o modelo:

o mundo da raposa antes de o mundo da raposa depois de


ser cativada ser cativada pelo príncipe

Vida monótona. A vida torna-se cheia de sol.

Ao ouvir passos, entra debaixo da terra. Os sons dos passos se tornarão música para ela.

Considera o trigo inútil e triste. O trigo trará lembranças alegres.

b) O que a raposa quis dizer com a expressão “minha vida será como que cheia de sol”?
Quis dizer que um amigo dará à vida dela mais brilho, alegria, calor.

c) Ao falar com o príncipe, a raposa usa palavras e expressões como: “sol”, “trigo”, “cor de ouro”
e “dourado”. O que elas têm em comum?
O que elas têm em comum é a cor; todas estão relacionadas à cor amarela.

d) Compare a característica do trigo com as do principezinho. Que relação há entre elas?


Os cabelos da personagem são da mesma cor do trigo. A raposa se lembraria do príncipe ao olhar para os campos de trigo.

e) O que faria o trigo deixar de ser inútil para a raposa?


O príncipe resolver criar laços afetivos com ela. A amizade lhe daria um novo significado, por causa da semelhança entre os cabelos cor de ouro do príncipe e o
dourado dos campos de trigo.
f) O uso dessa comparação no texto produz efeito poético. Por quê?
Porque, para comparar, além da maneira de combinar as palavras, associando-as pela cor, o leitor pode imaginar o que é descrito pela raposa. Além disso, no texto
usa-se o sentido figurado para se referir aos sentimentos que a raposa passaria a ter pelo príncipe caso ele a cativasse.
12. A amizade, segundo a raposa, aguça os órgãos dos sentidos (visão, olfato, tato, audição e paladar)
dos que estão cativos.

a) Quais desses órgãos serão estimulados se ela e o príncipe se tornarem amigos? A audição e a visão.

b) Transcreva os trechos que confirmem sua resposta anterior.


“E eu amarei o barulho do vento no trigo” (audição) e “O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti” (visão).

13. O que você entendeu a respeito da palavra “rito”? Por que a raposa considerava importante ter rito?
Resposta possível: Porque o rito dava um significado mais importante ao seu dia.

14. Que título você daria a esse trecho do livro de Saint-Exupéry?


Resposta pessoal. Professor, neste capítulo, a compreensão da ideia central como habilidade de leitura será trabalhada e sistematizada. Esse tipo de atividade, além de outras que
vão aparecer, requer do aluno a síntese do que foi lido. A atividade de compreensão de texto, de reconstrução do seu sentido, contribui para o desenvolvimento dessa habilidade.

TEXTO E CONTEXTO

1. A raposa diz que “cativar é uma coisa muito esquecida“. Considere suas relações, sua experiência
pessoal e responda: Você concorda com essa afirmação? Por quê? Resposta pessoal.

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2. Releia o trecho a seguir:

[...] Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A


linguagem é uma fonte de mal-entendidos. [...]

• Para a raposa, quando se trata de conquista, o que é mais importante, o olhar ou a palavra?
A raposa acha que o olhar vale mais que a palavra, que pode levar a mal-entendidos, isto é, ser mal interpretada.

3. E você, acha que o olhar é mais fácil de interpretar do que a palavra? Resposta pessoal.

TROCANDO IDEIAS

1. Você acha difícil conquistar um amigo? Por quê? Respostas pessoais.


2. Em sua opinião, é mais difícil conquistar ou conservar uma amizade? Por quê?
3. Relate uma situação em que você fez um novo amigo. Como se desenvolveram os laços afetivos
entre vocês?

TEXTO E CONSTRUÇÃO Professor, sugerimos que esta atividade seja feita oralmente, com sua mediação.

O pequeno príncipe apresenta alguns trechos construídos com diálogos. Observe como esses diá-
logos foram organizados.

• Nesta primeira forma, aparece primeiro a fala do narrador e depois a da personagem. Observe:

Neste exemplo, o narrador anuncia Os dois-pontos indicam que,


a fala da personagem, empregando logo após o verbo “acrescentou”,
um verbo: “acrescentou”. aparecerá a fala da personagem.

Após uma reflexão, acrescentou:


– Que quer dizer “cativar”?

O travessão introduz a fala do príncipe.

• Nesta segunda forma, a fala do narrador aparece no meio da fala da personagem.

– Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam.

Aqui, a fala do narrador aparece no meio da fala da


personagem, separada por dois travessões.

• Nesta terceira forma, aparece primeiro a fala da personagem e depois a do narrador. Veja:

– Ah! desculpa – disse o principezinho.

Fala da personagem Fala do narrador

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Como você pôde observar, há diferentes formas de organizar as falas das personagens.

1. Agora, registre no caderno: Quais são as três formas de o narrador indicar a fala das personagens?
Dê outros exemplos. Primeira forma: o narrador aparece antes da fala da personagem, anunciando-a. Segunda forma: o narrador interrompe a fala da per-
sonagem para explicar quem está falando. Terceira forma: a personagem fala e o narrador aparece em seguida, explicando quem falou.

Em todas as formas, há a presença de um verbo que mostra ao leitor exatamente como a persona-
gem produziu sua fala. Esses verbos se chamam verbos dicendi.
Observe outros exemplos de verbos dicendi retirados do texto:

– Nada é perfeito – suspirou a raposa. [...]


– Que é um rito? – perguntou o principezinho.

2. Com seu professor e com seus colegas, crie uma lista de verbos dicendi.
Resposta pessoal. Sugestões: Dizer, afirmar, declarar, perguntar, indagar, interrogar, contestar, negar, objetar, exortar,
concordar, assentir, anuir, exclamar, gritar, bradar, pedir, solicitar, rogar, animar, aconselhar, ordenar, mandar, determinar.

Atividade de criação

Diálogo
Sua tarefa agora será elaborar um texto empregando aquilo que você aprendeu sobre a constru-
ção de diálogos. Siga as orientações a seguir.

ORIENTAÇÕES
• Conforme orientação do professor, você e seus colegas vão se organizar em duplas.
• Conversem sobre seus amigos, seus familiares, suas preferências (time de futebol, jogos e
brincadeiras etc.) durante cinco minutos. Para isso, façam perguntas um ao outro.
• No caderno, anotem as questões e as respostas.
• Em seguida, a partir dessa conversa, elaborem um diálogo fictício, baseado nos temas sobre
os quais vocês conversaram.
• Criem personagens e empreguem, se desejarem, a voz do narrador como forma de introduzir
as falas.
• Fiquem atentos ao emprego dos sinais de pontuação e aos verbos dicendi adequados ao
contexto.
• Procurem evitar a repetição de palavras, usando os pronomes estudados.
• Com os colegas, colabore com o professor na tarefa de reescrever, no quadro, os diálogos
produzidos por uma dupla.

AVALIAÇÃO E REESCRITA
Depois de ampliar seus conhecimentos sobre a forma de estruturar um diálogo, avalie sua pro-
dução anterior com o colega que trabalhou com você. Observe se vocês usaram o travessão para
introduzir a fala de cada um e se organizaram os parágrafos adequadamente. Depois, respondam
às questões a seguir:
Professor, depois de ter reescrito um diálogo, a
1. O que você aprendeu com a atividade anterior? Respostas pessoais. turma, com sua orientação, já sabe que aspectos
devem ser observados. Seria interessante propor
que cada aluno retomasse seu diálogo e, com seu
2. Que dificuldades encontrou ao reproduzir o diálogo por escrito? companheiro, reescrevesse o texto.

3. Que sinais de pontuação você usou para escrever esse texto?

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Reflexão sobre o uso da língua

Pronomes pessoal do caso reto e de tratamento (revisão)

1. Releia os trechos a seguir:

– Eu estou aqui – disse a voz –, debaixo da macieira... [...]


– Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras? [...]
– Começo a compreender – disse o principezinho. – existe uma
flor... eu creio que ela me cativou...

a) A quem se referem as palavras “eu”, “tu” e “ela” destacadas nesses trechos?


“Eu”: à raposa; “tu”: ao principezinho; “ela”: à flor.

b) Veja como ficaria uma das falas se a personagem não tivesse utilizado o pronome “ela”:
A palavra “ela” substitui,
retoma o substantivo “flor”,
evitando repetição. Trata-
-se de um pronome que – Existe uma flor... eu creio que a flor me cativou...
está substituindo o nome a
que a personagem já havia
se referido. Por isso, chamamos esses pronomes (eu, tu, ele, nós, vós, eles) de palavras de referência: elas se referem a termos anteriores do
texto. Ao empregarmos os pronomes pessoais, evitamos a repetição de palavras sem prejudicar a unidade de conteúdo do texto.
• Que função tem o pronome “ela”, empregado no texto original?

2. Releia outro trecho do texto:

– Os homens [...] têm fuzis e caçam. [...] Criam galinhas também. É


a única coisa interessante que eles fazem [...]

a) A quem a raposa se refere nesse trecho? Aos homens.

b) A expressão “os homens” ou a palavra “eles” poderia aparecer antes da palavra “criam”. Por
que nenhuma delas foi empregada nesse trecho?
O autor preferiu usar o pronome “eles” no trecho seguinte para se referir à expressão “os homens”. Deixou de usar antes da palavra
“criam” para evitar repetição desnecessária, uma vez que o contexto permite ao leitor identificar a quem o verbo se refere.
3. Você deve ter observado na história que a raposa se dirige ao seu interlocutor (o príncipe) empre-
gando a 2a pessoa do discurso – “tu”.
a) Que outro pronome a raposa poderia usar sem alterar o sentido da sua fala? Você.
b, c, d, e: respostas pessoais.
b) O uso do pronome “tu” é comum em sua região?
c) Na fala do dia a dia, as pessoas do lugar onde você vive empregam o pronome “tu”, o pronome
“você” ou ambos?
d) Será que existe diferença de uso para os pronomes “tu” e “você” em sua região?
e) Há um pronome mais usado em situações formais ou informais, de intimidade? Explique.

IMPORTANTE SABER

Em muitas regiões do Brasil, a palavra “você” é usada em situações informais. Mas há falantes de
algumas regiões do país que empregam o “tu” para situações de intimidade. Já em Portugal, é a for-
ma “tu”, e não a forma “você”, que é empregada em situações familiares e profissionais de intimidade.

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Origem do pronome “você”
O pronome “você” sofreu algumas transformações no decorrer do tempo. O pronome de tratamento
que deu origem a ele é “Vossa Mercê”, que foi se transformando com o tempo e chegou à forma “você”.

4. Você conhece os pronomes de tratamento? Pesquise-os em uma gramática ou no Apêndice no


final do livro e descubra o pronome que é empregado para se dirigir às pessoas relacionadas.

a) uma autoridade do governo;


Professor, caso julgue necessário, você poderá aprofundar o estudo dos pronomes de tratamento
ou recorrer à tabela do final do livro sempre que eles surgirem nos textos lidos no decorrer da obra.
b) um príncipe; Esses pronomes serão retomados durante o estudo de outros gêneros de texto.

c) uma pessoa mais velha;


a) Excelentíssimo (Exmo); b) Vossa Alteza (V.A.); c) Senhor, Senhora (Sr./Sra); d) Vossa Majestade
(V.M.); e) Vossa Senhoria (V.Sa), Ilustríssimo (Ilmo); f) Você; g) Vossa Santidade (V.S.). O uso de “você”
torna a relação leitor-autor mais próxima, mais íntima. Professor, há exemplos do uso do pronome
d) um rei; “você” aproximando e revelando o grau de intimidade dos interlocutores no texto “Qualquer coisa”.
Se quiser, poderá retomá-lo para dar exemplo de uso desse tipo de situação comunicativa.

e) um diretor de uma empresa;

f) um amigo;

g) o papa.

5. Observe com atenção o emprego dos pronomes de tratamento nas diferentes situações:
Situação I

O secretário abre a porta do gabinete do governador do Estado e pergunta:


– Vossa Excelência aceita um café?

Situação II

O secretário do governador comunica à copeira:


– Sua Excelência quer um café.

• Por que, na situação I, o secretário emprega “Vossa Excelência” e, na situação II, “Sua Excelência”?
Porque na primeira situação o secretário se dirige ao governador diretamente e, na segunda situação, o secretário fala com a copeira sobre o desejo do governador.

APLICANDO CONHECIMENTOS

1. Reescreva o trecho a seguir, utilizando outro pronome de tratamento no lugar das palavras em
destaque. Faça as alterações necessárias na frase. Você não é... – necessidade de você – E você não tem...

[...] – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garo-
tos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim.

2. Imagine que as frases abaixo fossem produzidas por mais de uma raposa e dirigidas a mais de um
principezinho. Como elas ficariam? Faça as alterações necessárias.
Professor, se os alunos, em sua maioria, apresentarem dificuldades quanto ao uso do plural,
a) “E eu serei para ti única no mundo.” é conveniente retomar esse assunto e solicitar mais atividades. Há mais uma sugestão de
atividade no Manual.
E nós seremos para vós únicas no mundo.

b) “Eu não como pão. O trigo para mim é inútil.”


Nós não comemos pão. O trigo para nós é inútil.

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3. e) As imagens do Zé Gotinha, caracterizado como pirata, e de um navio estabelecem relação com o termo “tesouro”. No
3. Leia o seguinte cartaz: imaginário popular, os piratas são identificados como pessoas que se aventuravam nos mares em busca de riquezas, pilhando
outros navios. Ao fazer essas associações, o cartaz procura mostrar que os filhos são muito valiosos para os pais e estes que
devem protegê-los com a vacinação.
a) O que está sendo divul-

Ministério da Saúde
gado no cartaz?
A campanha de vacinação contra a poliomielite
e tríplice viral.
b) A quem se dirige o cartaz?
Aos pais de crianças entre 6 meses e 5 anos
de idade.
c) A qual tesouro o cartaz se
refere?
Aos filhos, que devem ser vacinados.

d) Quem é a personagem
que aparece caracterizada
como um pirata no cartaz?
A personagem é o Zé Gotinha.

e) Qual é a relação entre as


imagens e o texto princi-
pal desse cartaz?

f) Na frase principal do car-


taz, há um pronome de 3. d) Professor, se achar necessário, informe aos alunos de que essa
personagem foi criada em 1986 pelo artista plástico Darlan Rosa, para a
tratamento implícito. Qual é esse pronome? “Você”. campanha de vacinação contra o vírus da poliomielite (paralisia infan-
til), realizada pelo Ministério da Saúde.

g) Provavelmente, com qual intenção esse pronome foi utilizado, mesmo que implicitamente?
Provavelmente, com a intenção de estabelecer uma relação informal com os interlocutores, gerando certa proximidade, que é importante para a função apelativa do cartaz.

4. Reescreva os trechos a seguir, utilizando uma outra forma para indicar a fala das personagens. Se
necessário, consulte o que você estudou sobre esse assunto neste capítulo.

a) “– Que é preciso fazer? – perguntou o principezinho.”


O principezinho perguntou: – Que é preciso fazer?

b) “– Que é um rito? – perguntou o principezinho.”


O principezinho perguntou: – Que é um rito?

c) A raposa disse: – Os homens têm fuzis e caçam.


– Os homens têm fuzis e caçam – disse a raposa.

d) O principezinho propôs: – Vem brincar comigo. Estou tão triste...


– Vem brincar comigo. Estou tão triste... – propôs o principezinho.
5. Leia a próxima tira e escreva, em seu caderno, o diálogo apresentado nos balões, empregando as
formas de pontuação estudadas. Se necessário, introduza a voz do narrador ou use outras expres-
sões para dar sentido ao texto.
Sugestão de resposta: Hamlet estava lendo quando a garota que estava ao seu lado perguntou: / “– Hamlet, o
que é amor? / Ele respondeu: / – ‘Amor’ é um substantivo. – e acrescentou: / – Simples, masculino, abstrato. /
Entusiasmada, a garota declarou: / – Você é tão romântico!”
Dik Browne

BROwNE, Dik. O melhor de Hagar, o Horrível. Porto Alegre: L&PM, 1997.

• O humor da tira está na reação da personagem no último quadrinho. Explique por que motivo a
fala “Você é tão romântico!” produz humor.
O humor está no fato de Hamlet dar uma definição gramatical de amor, algo nada romântico.

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Reflexão sobre o uso da língua

Formação de palavras – sufixo

1. Leia esta tirinha:

André Dahmer
Folha de S.Paulo, 15 jan. 2015. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/
ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#15/1/2015>. Acesso em: 25 jan. 2015.

a) Qual é a diferença entre o mundo ser “perigoso” e ser “perigosíssimo”?


Ser perigosíssimo é pior que ser perigoso, pois quer dizer que é mais perigoso.

b) A terminação -íssimo interferiu no significado da palavra “perigoso”. Que ideia essa terminação
atribuiu à palavra? A ideia de “muito”.

c) De acordo com a personagem, por qual motivo o mundo ficou ainda mais perigoso?
Por causa do advento da tecnologia.
d) Você concorda com a personagem? Explique. Resposta pessoal.

2. Observe as palavras a seguir:

lindo gostoso delicado

a) A qual classe gramatical pertencem essas palavras? À classe dos adjetivos.

b) Acrescente às palavras do quadro a terminação -íssimo, fazendo as adaptações necessárias.


Depois, indique se houve alteração de sentido e de classe gramatical.
Lindíssimo, gostosíssimo, delicadíssimo. Houve alteração de sentido, pois, com o acréscimo da terminação -íssimo, as palavras tiveram seu sentido
intensificado (mais lindo, mais gostoso, mais delicado). Não houve, porém, alteração na classe gramatical, pois elas continuam sendo adjetivos.
3. Releia estes trechos de O pequeno príncipe e substitua as palavras destacadas por outras palavras
ou expressões com sentido semelhante.
Exatamente: isso mesmo, precisamente certo; inteiramente: totalmente, por inteiro, completamente.

– Exatamente – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto


inteiramente igual [...]

Polidamente: de modo educado, de modo polido, educadamente.

– Bom dia – respondeu polidamente [...]

a) Observe a escrita das palavras destacadas. O que há em comum entre elas? Que parte das pa-
lavras é semelhante? Todas terminam em -mente.

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IMPORTANTE SABER

Tanto -íssimo quanto -mente são exemplos de partículas que se unem ao final de uma palavra,
alterando o seu significado e podendo alterar também sua classe gramatical. Essas partículas acres-
centadas ao final das palavras são chamadas de sufixos.

b) A que palavras a terminação -mente se uniu na atividade anterior? À forma feminina das palavras “exato”, “inteiro” e “polido”.

c) A que classe gramatical essas palavras pertencem? À classe dos adjetivos.

d) As palavras “exatamente”, “inteiramente” e “polidamente” pertencem à mesma classe gramati-


cal que as palavras “exato”, “inteiro” e “polido”? Se necessário, faça uma pesquisa em gramáticas
e dicionários e anote suas conclusões no caderno.
Não. Professor, ainda que não reconheçam as palavras “exatamente”, “inteiramente” e “polidamente” como advérbios, espera-se que os alunos percebam que elas
não são adjetivos como as palavras “exato”, “inteiro” e “polido”.
e) Que ideia a terminação -mente acrescentou às palavras destacadas?
Nessas palavras, a terminação -mente deu uma ideia de modo, da maneira como as ações foram realizadas.
f) Você conhece outras palavras formadas pela terminação -mente? Anote algumas delas no ca-
derno e escreva seu significado. Se necessário, consulte um dicionário.
Resposta pessoal. Sugestões: Rapidamente: de modo rápido; calmamente: de forma calma; interessantemente: de maneira interessante.

4. Leia esta outra tirinha.

Fernando Gonsales
a) Uma das palavras da tira é formada por um sufixo que indica diminuição. Transcreva-a. “Pintinho”.

b) O acréscimo do sufixo alterou a classe gramatical da palavra que você transcreveu? Explique.
Não, o acréscimo do sufixo -inho à palavra “pinto” não alterou sua classe gramatical. “Pintinho” continuou a ser um substantivo.

c) A palavra “cantoria” deriva de “cantar”. Nesse caso, o acréscimo do sufixo alterou a classe gra-
matical da palavra? Explique. Sim, pois “cantar” é verbo e “cantoria”, substantivo.

d) Que sentido foi atribuído pelo sufixo -ria ao verbo “cantar”? O sentido de muita canção, de coro de vozes.

e) Nas palavras “padaria”, “sorveteria” e “peixaria”, o sufixo -ria expressa o mesmo sentido que
em “cantoria”? Explique. Não. Nessas palavras, o sufixo atribui o sentido de lugar em que se comercializa algo.

De olho na ortografia

Palavras terminadas em -oso/-osa


1. Observe as palavras a seguir:

bondoso – bondosa

• Lembre-se de outras palavras que terminam em -oso/-osa e escreva-as no caderno.


Alguns exemplos: “saborosa”, “cheirosa”, “horroroso”, “trabalhoso” etc.

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2. Leia este diálogo:
Por quê?

Suas palavras são


Ó Lobo Mau, você é tão tão fabulosas, Chapeuzinho
carinhoso, gracioso, cheiroso, mentirosa!
bondoso, maravilhoso!
Ilustrações: Renato Arlem

a) Copie do texto as palavras com -oso e -osa(s).


“Carinhoso”, “gracioso”, “cheiroso”, “bondoso”, “maravilhoso”, “fabulosas” e “mentirosa”.

b) A palavra “maravilhoso” foi formada a partir da palavra “maravilha”. A partir de quais palavras as
outras foram formadas? A partir das palavras “carinho”, “graça”, “cheiro”, “bondade”, “fábula” e “mentira”.
No primeiro balão, elas dão características ao Lobo Mau e, no se-
c) Qual é a função dessas palavras nas frases dos balões? gundo, “fabulosas” caracteriza o que Chapeuzinho falou. A palavra
“mentirosa” caracteriza a própria Chapeuzinho. São adjetivos.

d) As partículas -oso e -osa podem ser consideradas sufixos? Por quê?


Sim, são sufixos porque são terminações acrescidas ao final das palavras, modificando-as. Professor, embora as atividades mencionem a definição do sufixo, o
importante é que os alunos percebam a mudança semântica das palavras que são por ele modificadas.

Prática de leitura

texto 8 – conto

ANTES DE LER

1. Em seu caderno, transcreva a alternativa que combina com você quando vê alguém pela
primeira vez.
a) Deixa-se levar pela primeira impressão, seja boa ou ruim.
b) Desconfia logo à primeira vista e prefere aguardar a convivência para descobrir com quem
está lidando.
c) Costuma simpatizar com qualquer pessoa à primeira vista.
d) Tem receio de se relacionar com desconhecidos.
Resposta pessoal.
2. Você já chegou a um lugar onde não conhecia ninguém? O que sentiu e fez nessa situação?
Resposta pessoal.
3. Leia apenas o título do texto a seguir e observe a ilustração que o acompanha.
Respostas pessoais. Professor, essas são
questões de antecipação do texto por meio
a) Em que ambiente você imagina que a próxima história se passa? de dedução de alguns de seus aspectos
composicionais. Os alunos farão a confir-
b) A que tipo de lição o título do texto pode estar se referindo? mação das hipóteses durante a seção Por
dentro do texto.

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Uma lição inesperada
No último dia de férias, Lilico nem dormiu direito. Não via a hora de voltar à escola e rever
os amigos. Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao
encontro deles. Abraçou-os à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara de Natal, contou
sobre sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles, o coração
latejando de alegria. Aos poucos, foi matando a saudade das descobertas que fazia ali, das meninas
ruidosas, do azul e branco dos uniformes, daquele burburinho à beira do portão. Sentia-se como
um peixe de volta ao mar. Mas, quando o sino anunciou o início das aulas, Lilico descobriu que caíra
numa classe onde não havia nenhum de seus amigos. Encontrou lá só gente estranha, que o obser-
vava dos pés à cabeça, em silêncio. Viu-se perdido e o sorriso que iluminava seu rosto se apagou.
Antes de começar, a professora pediu que cada aluno se apresentasse. Aborrecido, Lilico estudava
seus novos companheiros. Tinha um japonês de cabelos espetados com jeito de nerd. Uma garota
de olhos azuis, vinda do Sul, pareceu-lhe fria e arrogante. Um menino alto, que quase bateu no teto
quando se ergueu, dava toda a pinta de ser um bobo. E a menina que morava no sítio? A coitada
comia palavras, olhava-os assustada, igual um bicho do mato. O mulato, filho de pescador, falava
arrastado, estalando a língua, com sotaque de malandro. E havia uns garotos com tatuagens, umas
meninas usando óculos de lentes grossas, todos esquisitos aos olhos de Lilico. A professora? Tão
diferente das que ele conhecera... Logo que soou o sinal para o recreio, Lilico saiu a mil por hora, à
procura de seus antigos colegas. Surpreendeu-se ao vê-los em roda, animados, junto aos estudantes
que haviam conhecido horas antes. De volta à sala de aula, a professora passou uma tarefa em gru-
po. Lilico caiu com o japonês, a menina gaúcha, o mulato e o grandalhão. Começaram a conversar
cheios de cautela, mas paulatinamente foram se soltando, a ponto de, ao fim do exercício, parecer
que se conheciam há anos. Lilico descobriu que o japonês não era nerd, não: era ótimo em Matemáti-
ca, mas tinha dificuldade em Português. A gaúcha, que lhe parecera tão metida, era gentil e o mirava
ternamente com seus lindos olhos azuis. O mulato era um caiçara responsável, ajudava o pai desde
criança e prometeu ensinar a todos os segredos de uma boa pescaria. O grandalhão não tinha nada
de bobo. Raciocinava rapidamente e,
com aquele tamanho, seria legal jogar
basquete no time dele.
Lilico descobriu mais. Inclusive
que o haviam achado mal-humorado
quando ele se apresentara, mas já não
Jótah
pensavam assim. Então, mirou a me-
nina do sítio e pensou no quanto seria
bom conhecê-la. Devia saber tudo de
passarinhos. Sim, justamen-
te porque eram diferentes
havia encanto nas pessoas.
Se ele descobrira aquilo no
primeiro dia de aula, quan-
tas descobertas não haveria
de fazer no ano inteiro? E,
como um lápis deslizando
numa folha de papel, um
sorriso se desenhou nova-
mente no rosto de Lilico.
CArrASCozA, João Anzanello.
Nova Escola, São Paulo,
ed. Abril, dez. 2000.

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POR DENTRO DO TEXTO
1. Anote todos os sentimentos e emoções vividos pela personagem Lilico.
Resposta possível: Parágrafo 1: ansiedade, felicidade, animação, desorientação, decepção, aborrecimento, desconfiança
(cautela), conforto (sentiu-se à vontade), surpresa, admiração. Parágrafo 2: curiosidade, animação.
2. O narrador conta que Lilico chega alegre à escola. O que o fez sentir-se diferente?
Ele fica decepcionado pelo fato de não ter caído na classe dos colegas conhecidos.

3. Releia este trecho que revela os primeiros pensamentos de Lilico sobre os novos colegas:

[...] Aborrecido, Lilico estudava seus novos companheiros. Tinha um japonês de cabelos
espetados com jeito de nerd. Uma garota de olhos azuis, vinda do Sul, pareceu-lhe fria e arro-
gante. Um menino alto, que quase bateu no teto quando se ergueu, dava toda a pinta de ser um
bobo. E a menina que morava no sítio? A coitada comia palavras, olhava-os assustada, igual
um bicho do mato. O mulato, filho de pescador, falava arrastado, estalando a língua, com sota-
que de malandro. E havia uns garotos com tatuagens, umas meninas usando óculos de lentes
grossas, todos esquisitos aos olhos de Lilico. [...]

• O trecho acima revela alguns tipos de preconceitos. Quais são eles?


Lilico julga as pessoas pela aparência (características físicas) e pelo comportamento delas. O menino revela preconceito contra quem parece ser “bobo” ou “bitolado”,
“nerd ” (estudioso demais). Preconceito linguístico, social e preconceito quanto à maneira de as pessoas se apresentarem (uso de: roupas, acessórios, tatuagens).
4. Qual foi a oportunidade que Lilico teve para mudar sua visão a respeito dos novos colegas?
O trabalho em grupo sugerido pela professora.

5. Lilico descobriu que seus novos colegas tinham características positivas e, portanto, cada um tinha
uma contribuição importante para o grupo.
a) O que a menina que morava no sítio tinha a oferecer para a turma? Ela devia conhecer tudo sobre passarinhos.

b) E o colega alto? Seria um bom jogador de basquete.

c) E o filho de pescadores? O que poderia ensinar aos meninos da turma?


Resposta pessoal. Espera-se que os alunos percebam que esse menino, por já trabalhar, era mais amadurecido que os demais. Também conhecia tudo sobre pescaria.
d) O que o surpreendeu na garota gaúcha?
Ela era gentil e não “metida”.

6. Qual é a relação entre o desfecho da história e o título do texto?


O desfecho da história revela que Lilico, preconceituoso no início, acaba aprendendo uma lição, não uma lição como estava acostumado na escola: de Matemática
ou História ou de outra matéria, mas uma lição de vida – não julgar pelas aparências. Lilico foi surpreendido com essa lição, por isso o título “Uma lição inesperada”.

TROCANDO IDEIAS
1. A reação de Lilico ao voltar para a escola no primeiro dia de aula após as férias é comum? Por quê?
Respostas pessoais.

2. Você acha que poderia ter a mesma reação de Lilico se, após as férias, ao voltar para a escola,
fosse para uma turma diferente? Por quê?

3. Você já teve sentimentos ou atitudes semelhantes aos de Lilico? Conte-os para sua turma.

Reflexão sobre o uso da língua

Verbo (i)
1. Releia o trecho abaixo, retirado do texto “Uma lição inesperada”, para responder às questões a seguir.

[...] Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou sua mochila e foi ao en-
contro deles. Abraçou-os à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara de Natal, contou
sobre sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles [...].

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Como aprendemos na unidade anterior, nas histórias há um narrador que relata fatos, envolvendo
personagens que agem e dialogam em um espaço e durante um período de tempo.

a) Quais são as palavras que expressam as ações da personagem no trecho extraído?


“Acordou”, “tomou”, “pegou”, “foi”, “abraçou”, “mostrou”, “ganhara”, “contou”, “ouviu”, “divertiu-se”.

b) É possível perceber se as ações acontecem no presente, no passado ou no futuro? Justifique


sua resposta. Pela terminação dos verbos, podemos perceber que as ações ocorrem no passado.

c) Se as ações de Lilico ainda não tivessem acontecido e o narrador fosse nos contar suas ações futu-
ras, como ficaria a frase abaixo? Reescreva-a em seu caderno, fazendo as alterações necessárias.

[...] Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou


sua mochila e foi ao encontro deles. [...]
Acordará feliz da vida, tomará o café da manhã às pressas, pegará sua mochila e irá ao encontro deles. Professor, caso os alunos respondam utilizando a forma composta do
tempo futuro – vai acordar, vai tomar, vai pegar –, é interessante enfatizar que elas são bastante comuns na linguagem informal, e as citadas como respostas, em situações formais.
Com essas atividades, você pôde perceber que as palavras que expressaram as ações das perso-
nagens – “acordou”, “tomou”, “pegou”, “foi”, “abraçou”, “mostrou”, “ganhara”, “contou”, “ouviu”,
“divertiu-se” – sofreram alterações na forma quando quisemos mudar o tempo do passado para o futuro.

2. Releia este outro trecho do texto, do qual foram omitidas algumas palavras:

[...] Aos poucos, a saudade das descobertas que ali, das meninas ruidosas, do azul e branco
dos uniformes, daquele burburinho à beira do portão. Como um peixe de volta ao mar. Mas,
quando o sino o início das aulas, Lilico que numa classe onde não nenhum de seus amigos. [...]

a) A omissão das palavras possibilitou a compreensão adequada e total desse trecho? Por quê?
Não, pois o sentido do texto ficou prejudicado.

b) As palavras que permaneceram no texto indicam alguma ação das personagens, sugerindo tam-
bém o tempo em que ocorreram? Não.

c) Em sua opinião, por que as palavras omitidas prejudicam o sentido do texto?


Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba a função dos verbos no trecho. Sua omissão prejudica a construção de sentido,
pois impede a identificação das ações realizadas pelas personagens e do tempo em que ocorreram.

IMPORTANTE SABER

As palavras que exprimem ações que acontecem em determinado tempo fazem parte de uma clas-
se gramatical chamada verbo.

3. Agora, observe novamente este trecho:

[...] Acordou feliz da vida, tomou o café da manhã às pressas, pegou


sua mochila e foi ao encontro deles. [...]

a) Se quiséssemos acrescentar um pronome pessoal do caso reto no início desse trecho, que
pronome utilizaríamos? O pronome “ele”.

b) A que pessoa do discurso esse pronome se refere? Refere-se à 3 a


pessoa do singular.

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4. Se a história fosse contada por Lilico, ou seja, se fosse contada por um narrador-personagem,
como ficaria o trecho abaixo? Reescreva-o em seu caderno, fazendo as alterações necessárias.
Abracei-os à entrada da escola, mostrei o relógio que ganhara de Natal, contei sobre minha viagem ao litoral. Depois ouvi as histórias dos amigos e diverti-me com eles [...].

[...] Abraçou-os à entrada da escola, mostrou o relógio que ganhara de Natal, contou
sobre sua viagem ao litoral. Depois ouviu as histórias dos amigos e divertiu-se com eles [...]
Professor, é importante salientar aos alunos que, além da alteração sofrida pelos verbos, por causa da mudança da 3a pessoa para
a 1a pessoa do singular, houve também a alteração dos pronomes possessivo (minha) e pessoal do caso oblíquo (me).

IMPORTANTE SABER Professor, se achar necessário, aprofunde esse assunto com o auxílio do Apêndice.

Os verbos sofrem variações de acordo com o tempo em que as ações acontecem (passado, pre-
sente, futuro). Observe os exemplos:

Lilico acordou feliz da vida naquele dia.


Lilico acorda feliz da vida todos os dias.
Lilico acordará feliz da vida amanhã.

Os verbos sofrem variações de acordo com as pessoas do discurso às quais estão relacionados.
1a pessoa do singular: eu tomei o café da manhã às pressas.
2a pessoa do singular: tu tomaste o café da manhã às pressas.
3a pessoa do singular: ele tomou o café da manhã às pressas.
1a pessoa do plural: nós tomamos o café da manhã às pressas.
2a pessoa do plural: vós tomastes o café da manhã às pressas.
3a pessoa do plural: eles tomaram o café da manhã às pressas.

APLICANDO CONHECIMENTOS

1. Escreva um pequeno parágrafo contando como é o seu dia a dia. Comece com a expressão “Todos
os dias eu...”.
• Depois de elaborar o texto, responda oralmente: Que tempo verbal você usou para construir o
parágrafo? Por quê? Supõe-se que o aluno use o tempo presente. A expressão “todos os dias”, acompanhada
do verbo no presente, indica hábito, frequência das atividades descritas.

2. Copie a história a seguir em seu caderno, substituindo os símbolos pelos verbos do quadro.

retrucou secou viviam chegaram foram disse

As rãs e o sapo
viviam secou foram
Duas rãs ▲ num pântano. Mas no verão o pântano ▲ e elas ▲ procurar outro lugar para
Chegaram disse
morar. ▲ perto de um poço. Uma ▲: “Parece um lugar gostoso e úmido. Vamos pular e fazer
retrucou
a nossa casa.” Mas a outra ▲ : “Vamos com calma, amiga. Se este poço secar, como vamos
sair e pular?” [...]
BenneTT, William J. O livro das virtudes I. rio de Janeiro: nova Fronteira, 1996.

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3. Em seu caderno, reescreva o trecho a seguir, colocando os verbos no tempo presente:
Duas rãs vivem num pântano. Mas no verão o pântano seca [...]
Duas rãs viviam num pântano. Mas no verão o pântano secou [...]

• A mudança do tempo dos verbos modificou o sentido do texto. Explique qual foi a mudança.
A ideia de que o pântano sempre seca no verão, ou seja, que isso costuma acontecer com frequência nessa estação do ano.

4. Releia o seguinte trecho do texto “Uma lição inesperada”:

[...] Lilico estudava seus novos companheiros. Tinha um japonês de cabelos espetados com
jeito de nerd. Uma garota de olhos azuis, vinda do Sul, pareceu-lhe fria e arrogante.

a) Nesse trecho, aparecem quatro verbos. Encontre-os e transcreva-os. “Estudava”, “tinha”, “vinda”, “pareceu”.

b) Como vimos, a maioria dos verbos indica ação. Porém, há aqueles que também podem indicar
um estado. Nesse fragmento, qual dos verbos indica estado? “Pareceu”.

c) A qual personagem esse verbo se refere? Refere-se à garota de olhos azuis.

d) Com qual finalidade esse verbo foi utilizado? Espera-se que o aluno perceba que o verbo foi utilizado para caracterizar a personagem.

e) Na frase “Lilico estudava seus novos companheiros”, o verbo destacado teria outro sentido se
estivesse acompanhado da palavra “com”? Explique.
Sim. Sem a palavra, no sentido em que está sendo usado, o verbo “estudar” significa “analisar”; acompanhado da palavra “com” (estudar com), passaria a significar
que a personagem tinha a companhia dos colegas para estudar.

Prática de leitura

texto 9 – Verbete
ANTES DE LER

1. Leia apenas o trecho em azul no texto e compare as informações dessa parte com a imagem.
A qual elemento da imagem elas se referem? Elas se referem à imagem do palácio.
2. Pela imagem, o que é possível deduzir do assunto do texto?
Espera-se que os alunos percebam que o texto traz informações sobre um palácio chamado Taj Mahal e sua construção.

Taj Mahal, um palácio oriental


Um comprido espelho-d’água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se
aproximam. Quatro torres laterais protegem a construção. Ao centro, o grande palácio de mármore
branco. O Taj Mahal, uma das construções mais belas do mundo, é um palácio de estilo oriental.
Sua maior cúpula, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se al-
guém tivesse assoprado seu interior. Duas cúpulas pequenas ficam ao lado dessa principal. As duas
pequenas lembram grandes turbantes árabes.
O enorme Taj Mahal, na cidade de Agra, na Índia, parece que vai se desprender da terra e sair
voando como um tapete mágico.
A construção do palácio começou no fim de uma linda história de amor. O príncipe persa Shah
Jahan era muito poderoso e namoradeiro. Ele tinha um harém: eram mais de trezentas moças à
disposição do príncipe! A cada noite ele escolhia uma mulher diferente para namorar.

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Certo dia, quando estava com 21 anos, Shah Jahan se apaixonou por uma dessas namoradas, chamada
Arjumand Begum. De uma hora para outra, nenhuma de suas trezentas namoradas o fazia feliz. O prín-
cipe não queria saber de mais ninguém. Shah Jahan e a bela Arjumand casaram-se e tiveram 13 filhos!
Mas um acontecimento trágico pôs fim a essa história de amor, e deu origem a um dos mais
lindos palácios do mundo... [...]
Quando o 14o filho de Shah Jahan e Arjumand estava nascendo, ela não suportou as dores do par-
to e morreu. O príncipe se desesperou e quase morreu também, de tristeza e desgosto. Para abrigar
o corpo de sua amada, ele decidiu construir um palácio. Shah Jahan convidou os maiores artistas e
arquitetos dos impérios persa e mongol,

Danm12/Shutterstock
mandou comprar os melhores mármores,
encomendou rubis e jades para decorar o
mais belo túmulo que alguém poderia ter.
O Taj Mahal demorou 22 anos para ser
construído e ficou pronto em 1653. Shah
Jahan resolveu então construir um novo
palácio, onde ele próprio seria enterrado.
Mas seus filhos não deixaram o príncipe
cometer mais essa loucura e o prende-
ram em uma fortaleza. Quando ele mor-
reu, também foi enterrado no Taj Mahal,
ao lado do seu amor. Shah Jahan e Arju-
mand Begum dormem juntos para sem-
pre no mais lindo palácio do mundo.
Disponível em: <http://www.canalkids.com.
br/viagem/mundo/tajmahal.htm>. Fachada do Taj Mahal, palácio monumental situado em
Acesso em: 29 jan. 2015. Agra, na Índia.

POR DENTRO DO TEXTO


1. O texto foi dividido em cinco partes, representadas por diferentes cores. Em seu caderno, relacio-
ne cada quadro a seguir com os trechos do texto correspondentes ao assunto tratado. Identifique-
-os pelo nome das cores. Respostas: I-verde, II-vermelho, III-azul, IV-cinza, V-marrom.

I. História que motivou a construção do palácio indiano.

II. Tempo de duração da construção.

III. Descrição do palácio.

IV. Acontecimentos ocorridos depois da construção do Taj Mahal.

V. Localização do Taj Mahal no espaço e no tempo.

2. Identifique no texto as informações a que se referem os trechos a seguir e anote as respostas em


seu caderno.

a) “A construção do palácio começou no fim de uma linda história de amor.”


O trecho se refere à história de amor entre Shah Jahan e Arjumand Begum. Após a morte da amada, Shah mandou construir um palácio em sua homenagem.

b) “Um comprido espelho-d’água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se
aproximam.” Odasespelho-d’água faz parte do cenário do Taj Mahal, o palácio descrito com detalhes no texto. Ele fica no pátio do palácio e reflete a imagem
pessoas que visitam esse lugar.

c) “Shah Jahan e Arjumand Begum dormem juntos para sempre no mais lindo palácio do mundo.”
Após sua morte, Shah também foi enterrado no Taj Mahal, ao lado de sua esposa Arjumand.

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TEXTO E CONSTRUÇÃO
1. Todo texto é produzido com uma intenção. Leia os quadros a seguir e identifique a intenção do
texto 9. Transcreva-a em seu caderno. Expor informações, transmitir conhecimentos sobre determinado assunto.

Debater sobre um problema social.

Instruir alguém para realizar uma ação.

Expor informações, transmitir conhecimentos sobre determinado assunto.

Vender um produto.

2. Para apresentar o assunto do texto, foi necessária a construção de trechos descritivos. Em seu
caderno, transcreva do texto um trecho que comprove essa afirmação.
“Sua maior cúpula, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se alguém tivesse assoprado seu interior. Duas cúpulas pequenas ficam ao lado
dessa principal. As duas pequenas lembram grandes turbantes árabes.”
3. Além de trechos descritivos, o texto apresenta também trechos narrativos.
• Que informações a narrativa da história de Shah e Arjumand acrescentam ao leitor sobre o as-
sunto exposto? Explique sua resposta. Sem conhecer a história, não é possível compreender
por que um palácio tão majestoso foi construído.

4. O trecho reproduzido a seguir é a parte verde do texto 9, sobre o Taj Mahal. Observe que esse
trecho narra o início da história de amor entre Shah Jahan e Arjumand Begun. Releia-o:

O príncipe persa Shah Jahan era muito poderoso e namoradeiro. Ele tinha um ha-
rém: eram mais de trezentas moças à disposição do príncipe! A cada noite ele escolhia
uma mulher diferente para namorar.
Certo dia, quando estava com 21 anos, Shah Jahan se apaixonou por uma dessas
namoradas, chamada Arjumand Begum. De uma hora para outra, nenhuma de suas
trezentas namoradas o fazia feliz. O príncipe não queria saber de mais ninguém. Shah
Jahan e a bela Arjumand casaram-se e tiveram 13 filhos!
Mas um acontecimento trágico pôs fim a essa história de amor e deu origem a um dos
mais lindos palácios do mundo... [...]
Quando o 14o filho de Shah Jahan e Arjumand estava nascendo, ela não suportou as
dores do parto e morreu. O príncipe se desesperou e quase morreu também, de tristeza
e desgosto. Para abrigar o corpo de sua amada, ele decidiu construir um palácio. Shah
Jahan convidou os maiores artistas e arquitetos dos impérios persa e mongol, mandou
comprar os melhores mármores, encomendou rubis e jades para decorar o mais belo
túmulo que alguém poderia ter.
Sugestão para a continuidade do texto: A construção do palácio começou no fim desta linda história de amor. O enorme Taj Mahal, na cidade de Agra, na Índia, parece que
vai se desprender da terra e sair voando como um tapete mágico. Um comprido espelho-d’água no centro de um pátio reflete a imagem dos visitantes que se aproximam.
Quatro torres laterais protegem a construção. Ao centro, o grande palácio de mármore branco. O Taj Mahal, uma das construções mais belas do mundo, é um palácio de estilo
Agora, em seu caderno, escreva uma continuação para o trecho, reorganizando as informações do
texto 9 em uma nova ordem. Para isso, oriental. Sua maior cúpula, no centro do palácio, é arredondada e tem a forma de um balão, como se
alguém tivesse assoprado seu interior. Duas cúpulas pequenas ficam ao lado dessa principal. As duas
pequenas lembram grandes turbantes árabes. O Taj Mahal demorou 22 anos para ser construído e ficou
• releia as outras partes do texto, que estão em cores diferentes; pronto em 1653. Shah Jahan resolveu então construir um
novo palácio, onde ele próprio seria enterrado. Mas seus
filhos não deixaram o príncipe cometer mais essa loucu-
• reorganize essas partes, dando sequência ao início da história; ra e o prenderam em uma fortaleza. Quando ele morreu,
também foi enterrado no Taj Mahal, ao lado do seu amor.
• mantenha a coerência do novo texto, fazendo adaptações quando necessário. Shah Jahan e Arjumand Begum
dormem juntos para sempre no
mais lindo palácio do mundo.

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TEXTO E CONTEXTO

1. Você conhece outra história de amor parecida com a de Shah e Arjumand? Qual? Respostas pessoais.

2. Conhece alguma grande obra produzida em homenagem a alguém? Caso não conheça, pesquise
sobre o assunto, anote o que descobriu em seu caderno e partilhe com a sua turma.

Prática de leitura

texto 10 – capa de revista

Alto Astral

Todateen, São Paulo, Alto Astral, ano 19, n. 227, out. 2014.

POR DENTRO DO TEXTO

1. Os assuntos tratados na capa da revista nos permitem reconhecer especificamente qual é seu
público-alvo. Qual é esse público? O público feminino jovem (pré-adolescentes e adolescentes, principalmente).

2. A linguagem usada nas frases dessa capa é formal ou informal? Justifique com palavras ou ex-
pressões retiradas do texto. Informal, o que pode ser percebido pelo uso de palavras e expressões como “mandar bem”, “BV”, “pra”, “sua”, “você”, “PFVR”.

TEXTO E CONTEXTO
1. A partir da leitura da capa, é possível sabermos qual é o destaque da edição de uma revista. No
caso dessa capa, qual é o destaque dessa edição? Como você chegou a essa conclusão?
A matéria “Guia do beijo” é o destaque. A chamada para essa matéria recebe destaque tipográfico e está disposta de modo a chamar
mais a atenção do leitor que as outras. Além disso, a quantidade de subtópicos mostra que esse assunto será aprofundado na edição.
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2. A moça que aparece na capa é a cantora, atriz e compositora norte-americana Demi Lovato, muito
conhecida pelo público infantojuvenil.

a) Demi é considerada uma pessoa famosa. Identifique e transcreva no caderno a manchete da


capa que nos permite confirmar essa informação. “Demi pra copiar: looks e makes para virar diva.” Professor, o uso do termo
“diva” para se referir à cantora indica que ela é uma pessoa famosa.

b) Um dos adjetivos que aparecem na manchete que você transcreveu nos mostra como a atriz e
cantora é vista por seus fãs. Que adjetivo é esse? Qual é o significado dele?
O adjetivo é “diva”, que significa “deusa”, “ídolo”.
c) Levante uma hipótese: Por que razão essa cantora e atriz foi escolhida para ilustrar a capa da
revista? Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que é comum que fotos de artistas ou pessoas famosas sejam usadas para ilustrar capas de revistas,
de modo a atrair um possível leitor que se interesse por informações sobre aquela pessoa.

TROCANDO IDEIAS

1. Releia a manchete a seguir:

Menos timidez PFVR! Como ter mais atitude

a) O que significa “PFVR”? Significa “por favor”.

b) Em que situação de comunicação o uso desse tipo de linguagem é mais comum?


Geralmente em conversas informais na internet, sobretudo em redes sociais e mensagens de texto.

c) Qual é a sua opinião sobre o uso desse tipo de linguagem?


Resposta pessoal. Professor, essa é uma boa oportunidade para comentar com os alunos sobre a importân-
cia da adequação da linguagem aos diferentes contextos e interlocutores.
d) A que atitude a manchete está provavelmente se referindo?
Provavelmente, a manchete faz referência ao fato de as meninas tomarem a frente nas conquistas amorosas, não esperando pelos meninos.

e) Você concorda com a sugestão feita na manchete? Justifique. Resposta pessoal.


Professor, é possível ampliar a discussão sobre o item “e”, abordando questões de gênero. Questione os alunos sobre o papel geralmente submisso
atribuído às mulheres em relação aos homens durante a conquista amorosa e sobre os estereótipos e preconceitos que esse posicionamento implica.
2. Leia novamente esta manchete:
a) Qual recurso visual ajuda a compor a palavra “beijo”
Alto Astral

nessa manchete? Por que você acha que ele foi utilizado?
No subtítulo, a letra “o” da palavra “beijo” foi substituída pela silhueta de um beijo
de batom. Provavelmente, esse recurso foi utilizado para chamar a atenção do leitor.
b) O que significa “BV”?
“BV” é a sigla para “boca virgem”, usada para fazer referência a alguém que nunca beijou.

c) Você acha que uma pessoa “aprende” a beijar com as


dicas de um guia? Resposta pessoal.

Professor, no Manual você encontra mais sugestões para a análise crítica de revistas
para adolescentes. Consulte-as com antecedência, caso deseje realizar esse trabalho
complementar com os alunos.

Prática de leitura

texto 11 – Depoimento
ANTES DE LER

1. Você acredita que um namoro virtual possa se tornar real? Por quê? Respostas pessoais.
2. Em sua opinião, por que muitas pessoas mantêm relacionamentos virtuais?

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Garotos contam: quando o virtual se torna real?
Você não consegue desgrudar do computador só para não perder a oportunidade de passar horas
conversando com ele? A gente entende! Mas, quando será que eles sentem vontade de transformar
o virtual em real?
@NateRodrigues – 17 anos, Imbituba (SC) “Dá para saber que está na hora de conhecer a garota
quando tudo o que você quer é conversar com ela! Isso sem falar que, na real, a coisa precisa acon-
tecer naturalmente. Primeiro internet, depois SMS, telefone...”
@fellipegoulartt – 18 anos, Porto Alegre (RS) “Se torna real para o cara quando checar as redes
sociais da menina é a primeira coisa que ele faz quando acorda, só para ver se ela postou algo novo.”
@mateusmcosta – 16 anos, Campina Grande (PB) “Sabe quando você passa o tempo todo pen-
sando naquela pessoa e sente que conversar com ela só pela internet não é mais o bastante? Eu
já passei por isso. Durante 6 meses fiquei teclando com
Getty Images/Comstock

uma menina e acabei me apaixonando por ela.”


@lluuqq – 17 anos, São Paulo (SP) “É simples: suge-
rimos a saída a partir do momento em que ela é a única
coisa que vem na cabeça quando deitamos!”
@FeCostaScoolta – 16 anos, São Paulo (SP) “Mesmo
que o lance role através de uma tela de computador, os
sentimentos são reais. Acho que o ciúme é um grande
sinal: quando ele aparecer, é hora de dar um bom abraço
na menina!”
PoLo, rafaela. Garotos contam: quando o virtual se torna real?
Capricho, São Paulo, ed. Abril, 13 jan. 2012. Disponível em:
“Sabe quando você passa o tempo todo <http://capricho.abril.com.br/garotos/garotos-contam-quando-
pensando naquela pessoa [...]?”. -virtual-se-torna-real-665987.shtml>. Acesso em: 8 jan. 2015.

POR DENTRO DO TEXTO

Sente-se com um colega para conversar sobre as próximas atividades. Depois, escrevam as respos-
tas em seus cadernos. De acordo com as orientações do professor, compartilhem as ideias com a turma.

1. Qual dos depoimentos você achou mais convincente?


Resposta pessoal.

2. Para você, quando um relacionamento virtual pode se tornar real?


Resposta pessoal.

3. Quais são suas maiores dúvidas sobre relacionamentos virtuais?


Resposta pessoal.

4. Você conhece alguma história de namoro que começou pela internet?


Resposta pessoal.

5. Pode haver algum perigo nesse tipo de contato? Discuta com seus colegas e professor.
Resposta pessoal. Professor, discuta com os alunos sobre o perigo de contato com pessoas desconhecidas.

TEXTO E CONSTRUÇÃO
1. Observe a maneira como o texto foi organizado e responda:

a) Como o texto está dividido?


Em parágrafos, cada um com um comentário de um rapaz diferente.

b) O que indica o símbolo @ no início dos parágrafos?


O símbolo da arroba (@) indica que as respostas foram dadas na internet.
c) Por que há nomes de pessoas em destaque após o símbolo @?
Os nomes após o símbolo @ são a identificação do usuário que escreve, seu nickname.

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2. Qual é a intenção do texto?
A intenção do texto é verificar as opiniões de adolescentes do sexo masculino sobre determinado assunto.

3. A linguagem usada nesse texto é mais formal ou mais informal, espontânea, coloquial? Por que
você acha que foi usado esse tipo de linguagem?
A linguagem é mais informal. Resposta pessoal. Professor, aponte para os alunos que o tipo de publicação permite essa informalidade, que é característica tanto do leitor
quanto dos próprios autores dos trechos. Esse uso informal aproxima e cria familiaridade, portanto, entre leitor e revista.
4. Como você pôde perceber, o texto apresenta a opinião de diferentes garotos sobre o momento de
conhecer pessoalmente uma garota.

a) Em que situações de fala ou escrita podemos observar opiniões diferentes sobre um mesmo assunto?
Em debates, discussões, conversas em grupo, reportagens, entrevistas, artigos de opinião, relatos etc.
b) Você acha importante ler textos em que são expressas opiniões diferentes?
Resposta pessoal. Professor, aproveite a oportunidade para incentivar a leitura entre os alunos. Ler diferentes opiniões sobre um mesmo tema nos torna mais aptos a
julgar uma situação, permitindo que nos posicionemos de modo mais crítico perante os acontecimentos do mundo.

IMPORTANTE SABER

Damos o nome de depoimento às declarações feitas pelas pessoas com base nas experiências que
viveram. Os textos de depoimento podem conter narrações de fatos, opiniões, aconselhamentos,
explicações. Os depoimentos são textos individuais, mas, ao mesmo tempo, revelam um retrato so-
cial e cultural. Por esse motivo, alguns depoimentos servem, muitas vezes, para documentar fatos
históricos, além de revelarem o momento presente vivido por quem os produziu.
Professor, no decorrer desta obra apresentaremos outras espécies de depoimentos, para ampliar as informações sobre esse gênero de texto. Converse com os alunos sobre a im-
portância de depoimentos como fontes históricas, por meio dos quais são registradas muitas informações importantes e significativas para a compreensão da sociedade. É importante
lembrar que depoimentos partem da linguagem oral. Assim, o entrevistado demonstra com maior clareza suas representações sociais, deixando registradas as marcas de uma época.

Reflexão sobre o uso da língua

Pontuação
1. Leia a história em quadrinhos:

Laerte

LAErtE. Suriá, a garota do circo. São Paulo: Devir/Jacarandá, 2000.

a) As personagens dessa história em quadrinhos sabem, de fato, o que significa namorar? Por quê?
Não sabem. Isso se confirma pelo fato de elas precisarem observar os adultos para entenderem o significado de um namoro.

b) As perguntas que aparecem nas falas das personagens confirmam sua resposta anterior?
Confirmam, pois as perguntas indicam dúvidas sobre o que é namorar.

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c) No terceiro quadrinho, as personagens observam um casal de namorados em um carro. Ao
optar por essa ilustração, em sua opinião, o autor do texto expressa o verdadeiro sentido de um
namoro? Explique. convivência
Resposta pessoal. Espera-se que o aluno perceba que o namoro vai muito além do contato físico. A
sadia e o crescimento pessoal também são importantes para os relacionamentos.

d) Quantas perguntas há no texto? Quantas respostas? Duas perguntas e duas respostas.

2. Observe a pontuação das frases da história em quadrinhos e responda:

a) Quando o autor deseja expressar uma grande emoção, qual sinal de pontuação costuma usar?
O ponto de exclamação.

b) Quando se tem dúvida e se deseja fazer uma pergunta, que tipo de pontuação é usada?
Pode-se usar o ponto de interrogação (às vezes, as reticências).
c) Se no segundo quadrinho as falas das personagens expressassem uma certeza sobre o fato que
comentam, que pontuação deveria ter sido usada? O ponto-final.

d) Justifique a pontuação usada nos dois últimos quadrinhos da história.


No penúltimo quadrinho, a personagem mostra que encontrou o que procurava e, por isso, aparece o ponto-final no final da fala. No último quadrinho, a menina faz
uma pergunta, portanto aparece o ponto de interrogação; e o menino faz uma constatação, o que justifica o ponto de exclamação.

Atividade de criação

Depoimento pessoal
Você e sua turma vão colher depoimentos de adolescentes a respeito do tema “Qual é a hora
certa para deixar de ser BV?”, para montar um painel que apresente aos alunos da escola diferen-
tes opiniões sobre o assunto.

ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO


• Escreva um depoimento pessoal a respeito do tema proposto. O objetivo do depoimento é
expor a sua opinião sobre esse assunto.
• Combine com o professor e a turma se os alunos se identificarão no depoimento. Em caso
afirmativo, não se esqueça de colocar nome e idade no final do texto.
• Orientado por seu professor, forme um grupo com, mais ou menos, cinco colegas. Em grupo,
selecione os depoimentos mais interessantes. Procure eliminar as opiniões que se repetem.
Depois da seleção de todos os grupos da turma, organize, com o professor, um mural com
os depoimentos.
• Eles podem ser escritos em uma folha colorida criada por vocês. Essa página deverá ser
atraente ao público jovem. Não se esqueça de colocar um título bem criativo para esse mural.
• O mural deve ser exposto em um lugar em que outros alunos da escola possam ler. Mãos à obra!
Professor, incentive os alunos a incluírem, em seus depoimentos, argumentos que justifiquem sua própria opinião. Os depoimentos podem ser selecionados para exposição,
tendo como critério a boa argumentação. Se achar interessante, proponha um debate sobre o assunto. Esse gênero oral será abordado de forma sistematizada na Unidade 3.

Prática de leitura

texto 12 – texto didático-científico


ANTES DE LER
Leia apenas as palavras em destaque no próximo texto e elabore sua hipótese: De que
assunto esse texto vai tratar? Resposta pessoal. Espera-se que os alunos percebam que se trata de “estar apaixonado”.

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O primeiro amor é vivido em fantasia

Ridofrans/iStock
Como regra geral, nosso primeiro grande
amor é uma espécie de sonho. A pessoa que des-
perta em nós todo o sentimento, toda a vontade
de agradar e de se dedicar nos mínimos detalhes,
toda a vontade de aconchegar e ser aconchegado,
na maior parte das vezes nem sabe do nosso
amor por ela. Não temos coragem de contar, pois
morremos de medo da rejeição. Não queremos
também, contudo, a aceitação, pois isso nos le-
varia a um relacionamento real para o qual não
estamos preparados. Ou seja, não contar interes-
sa nos dois casos. Se algum amigo superíntimo “O amor é o prazer da companhia [...]”.
fica sabendo e faz alguma brincadeira a respeito,
ficamos com o rosto vermelho, negamos tudo e rino: uns preferem a montanha, outros a praia.
fingimos indignação. A outra pessoa, a amada, Uns preferem saias rodadas, outros as calças
fica sem saber se é gozação ou se é de verdade. jeans. O amor é o prazer da companhia, os elo-
Melhor assim. Tudo se passará apenas na cabeça gios que esse prazer costuma trazer para nossos
da gente, longe dos riscos da vida real. lábios, e também a insegurança – o medo de per-
No sonho é claro que somos correspondidos. der a pessoa que nos traz toda a felicidade. Assim
Beijamos e somos beijados. Beijos de ternura. sendo, uma parte do discurso é de reassegura-
O sexo, na maioria dos casos, está em segundo mento: “Vou amar você para sempre. Vou dizer
plano. Passeamos, de mãos dadas, por jardins toda hora que amo você. Se você me largar, eu
floridos. Sentamos na grama e nos olhamos com morro” etc. Sempre que vivemos o amor, o faze-
olhar de enlevo próprio do encantamento amo- mos como se estivéssemos vivendo uma história
roso. Dizemos coisas bonitas para o outro, fa- extraordinária. A verdade, no entanto, é que é
lamos das virtudes do outro. Não cansamos de uma “história extraordinária” exatamente igual
elogiar a pessoa amada. a todas as outras histórias de amor! E isso não faz
[...] Se pensarmos bem, o sonho romântico mal algum, porque é bom do mesmo jeito!
não é muito criativo. Quase sempre é a mesma GIkovATe, Flávio. Namoro: relação de amor e sexo.
história. As variações são mais de cenário e figu- São Paulo: Moderna, 1993.

POR DENTRO DO TEXTO


1. Esse texto o ajudou a pensar melhor sobre os sentimentos do adolescente? De que maneira?
Resposta pessoal.

2. Segundo o texto, como é vivido o primeiro amor?


De acordo com o texto, o nosso primeiro grande amor é vivido em fantasia, é uma espécie de sonho.

a) Por que, quando ocorre o primeiro amor, muitos de nós não têm coragem de contar?
Por medo de serem rejeitados e terem que despertar do sonho.

b) Como o texto descreve o sonho fantasioso da pessoa que ama pela primeira vez?
Resposta possível: No sonho, somos correspondidos pela pessoa amada: beijamos e somos beijados, passeamos de mãos dadas por diferentes cenários, ao
gosto do sonhador. Para a pessoa amada, fazemos elogios, dizemos coisas bonitas e não cansamos de dizer que estamos apaixonados. Professor, o texto
traz muitas informações sobre essa questão; o aluno poderá formular essa resposta de muitas maneiras diferentes.
3. De acordo com o texto, quando o amor é vivido em fantasia, o discurso de quem ama pela primeira
vez é o seguinte:

[...] Vou amar você para sempre. Vou dizer toda hora que amo você. [...]

• Segundo o texto, qual é a justificativa desse discurso próprio de quem ama pela primeira vez?
Esse discurso dá segurança a quem ama. É como se, pela insistência, pelo reforço das expressões, as pessoas sentissem que nunca vão perder o ser
amado e o próprio sentimento do amor.
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4. Releia o trecho a seguir:

[...] Sempre que vivemos o amor, o fazemos como se estivéssemos vivendo uma história
extraordinária. A verdade, no entanto, é que é uma “história extraordinária” exatamente igual
a todas as outras histórias de amor! E isso não faz mal algum, porque é bom do mesmo jeito!

a) Procure no dicionário o significado da palavra “extraordinária” e escreva-o em seu caderno.


Professor, o verbete encontra-se no Manual.

b) Segundo o texto, é possível existir uma história de amor extraordinária? Explique.


Não, pois o comportamento do ser humano se repete quando o assunto é o amor.
c) Que expressão do trecho confirma sua resposta anterior? “exatamente igual”

5. Leia outro trecho do livro de Flávio Gikovate:

[...] toda a vivência do amor em fantasia, do amor não correspondido, pode ser entendida
como um treino. Através da fantasia romântica, estão se preparando para refazer a ligação forte
com outra pessoa sem perder totalmente a individualidade.

a) Conforme esse trecho, por que é importante viver a fase da fantasia romântica?
Porque ela é um momento de preparação para as relações que serão vividas depois, sem que se perca a individualidade.

b) E você, acha importante passar por essa experiência? Resposta pessoal.

6. Você já viveu ou conhece alguém que tenha vivido uma “dor de amor”? Conte como foi. Resposta pessoal.

TEXTO E CONTEXTO
Esse texto foi escrito com a intenção de informar, esclarecer as pessoas sobre os assuntos
1. Com que intenção esse texto foi escrito? referentes aos relacionamentos humanos. Ele trata especificamente do momento em que o
adolescente vive a experiência do primeiro amor.

Sim. Os esclarecimentos e as explicações são


2. É possível afirmar que esse é um texto que expõe ideias? Por quê? feitos por meio da exposição de ideias.

3. Reproduzimos a seguir a folha de rosto do livro do qual esse texto foi retirado. Folha de rosto é a
primeira página que aparece assim que abrimos a capa. Leia-a:
Moderna

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a) Qual é o título do livro? Namoro: relação de amor e sexo.

b) Quem é o autor? Flávio Gikovate.

c) É possível saber qual é a área profissional do autor? Sim, psiquiatria e psicoterapia.

4. Copie do texto um trecho em que o autor faz uma explicação.


Resposta possível: “O amor é o prazer da companhia, os elogios que esse prazer costuma trazer para nossos
lábios, e também a insegurança – o medo de perder a pessoa que nos traz toda a felicidade”.
5. Esse texto apresenta um conjunto de conhecimentos que foi construído com o tempo.
Espera-se que o aluno perceba que é preciso anos de estudo e formação científica para que um autor escreva
• Por que é possível afirmar isso? um texto como esse, ou seja, ele não inventou esse conteúdo instantaneamente; esses conhecimentos são
fruto de muita pesquisa e vivência profissional.

6. Em seu caderno, copie o primeiro parágrafo do texto.

a) Com lápis azul, grife as informações que considera mais importantes nesse parágrafo.
Espera-se que o aluno grife o trecho “Como regra geral, nosso primeiro grande amor é uma espécie de sonho”.

b) Com lápis verde, grife o trecho em que o autor explica por que contar sobre os sentimentos não
interessa a quem está apaixonado. Grifar o trecho: “Não temos coragem de contar, pois morremos de medo da rejeição. Não queremos
também, contudo, a aceitação, pois isso nos levaria a um relacionamento real para o qual não estamos
preparados”.

c) Identifique no parágrafo qual é a ideia principal.


• Faça a seguinte pergunta: A respeito de que esse parágrafo está falando?
Esse parágrafo está falando sobre o primeiro amor vivido intimamente, em fantasia.

d) O parágrafo dá mais detalhes sobre a ideia principal? Escreva sua resposta recorrendo às ideias
Sim, ele não apenas menciona que esse amor não é revelado, mas explica por que as pessoas
expostas nessa parte do texto. não o revelam. Ele também dá exemplos de situações que envolvem esse tipo de comportamento.

IMPORTANTE SABER

A ideia principal de um texto é o tema central sobre o qual o texto fala. Quando se pergunta
“sobre o que o texto está tratando?”, busca-se encontrar sua ideia principal, também chamada
ideia central.
Ligadas à ideia principal estão outras informações: as ideias secundárias. Cada parágrafo ou
cada parte de um texto pode conter um tópico (assunto) principal com outras informações relacio-
nadas a ele.
Nem sempre a ideia principal aparece claramente em um texto. Às vezes, é preciso encontrá-la
lendo todo o texto e prestando atenção a cada informação.
As palavras que fazem a ligação entre as ideias e até mesmo o título do texto podem oferecer
pistas para a compreensão da ideia principal e das secundárias.

7. A ideia principal do parágrafo que você copiou tem relação com o título do texto? Por quê?
Sim, o assunto presente no primeiro parágrafo equivale ao que é dito no título do texto: ambos estão falando sobre o primeiro amor, que é vivido em sonho, em fantasia.

8. Neste capítulo, você leu vários textos. Identifique a ideia central de alguns deles.

a) Poema “Bilhete ao pai adotivo”. O poema narra os sentimentos vivenciados por uma criança que foi adotada.

b) Trecho do romance O pequeno príncipe.


A importância da criação de laços de amizade entre os seres e dos ritos para que se viva mais intensamente.

c) Depoimentos do texto “Garotos contam: quando o virtual se torna real?”.


Motivos para que os relacionamentos virtuais tornem-se reais.

9. Qual é o tema comum dos textos que você leu neste capítulo?
Todos eles tratam de relacionamentos interpessoais.

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Atividade de criação

Poema
Leia cada conjunto de palavras. A que ideia cada um deles se refere?

carta de amor encontro paixão saudade emoções


Namoro.

pai mãe avô avó primos tios


Família.

estrela lua escuro sereno sono


Noite.

carinho laços amigo admiração troca de confidências


Amizade.

ORIENTAÇÕES
• Escolha uma ou mais palavras descobertas nas respostas anteriores e, com elas, produza
um poema. Você não precisa usar as palavras da atividade, mas contemplar a ideia central
identificada no conjunto de palavras.
• Não se esqueça de empregar os recursos poéticos que conheceu neste capítulo. Você poderá
produzir um poema com uma ou mais estrofes, um poema de cordel, um poema visual... Pode-
rá também lançar mão dos conhecimentos sobre ritmo, linguagem figurada, sonoridade e rima.
• Ilustre o poema e o envie para um de seus colegas como brincadeira de amigo-secreto. Seu
professor lhe dará as orientações necessárias para essa brincadeira.

Professor, a brincadeira do amigo-secreto (amigo-oculto ou amigo invisível) é muito conhecida, mas, caso não seja de seu conhecimento,
AVALIAÇÃO EháREESCRITA
orientações sobre os procedimentos no Manual. Peça aos alunos que, no dia da entrega do poema ao amigo, tragam ou confeccionem
um envelope.
Você já conhece os elementos que compõem um poema, não é mesmo?
Anote no caderno que elementos a seguir você utilizou.
1. Organizou o poema em versos?
2. Usou linguagem figurada?
3. Criou efeitos de sentido por meio da combinação de palavras?
4. Construiu seus versos com rimas? Lembre-se de que as rimas nem sempre aparecem em
textos poéticos, portanto seu poema pode ou não apresentá-las.

Projetos em ação
Professor, veja no Manual os objetivos desta atividade.

exposição sobre a história do bairro


O tema que abordamos neste capítulo foi a relação entre as pessoas.
Para ilustrarmos um pouco essa temática, que tal fazermos uma exposição sobre os relacionamen-
tos vivenciados em nosso bairro?
Oriente-se pela sequência apresentada a seguir para realizar esse projeto.

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ORIENTAÇÕES

Etapa 1

coleta de informações
• Faça uma coletânea de depoimentos de pessoas que morem há bastante tempo em seu bairro. Ten-
te descobrir, se possível, se há vizinhos que morem nele há mais de vinte anos. Você pode pedir que
lhe contem um pouco da história do lugar: como eram as casas, o comércio local, as relações entre
os vizinhos, as brincadeiras de rua etc.
• Você pode gravar a conversa e depois transcrevê-la, fazer anotações enquanto conversa ou, ainda,
pedir, caso seu vizinho não se importe, que ele lhe escreva um breve relato, registrando algo que
considere importante.
• Fotografe pessoas e lugares. Se puder, também colete fotos antigas que possam contar a história de
seu bairro. Peça-as emprestadas, tire uma cópia e devolva as fotos originais, para que elas não pre-
cisem ser manuseadas muitas vezes, pois poderiam ser amassadas e rasgadas. Seria interessante
montar um painel com cópias de fotos novas e antigas, para que as pessoas pudessem perceber as
mudanças na paisagem.

Professor, incentive o aluno a buscar depoimentos de pessoas de idades variadas, explorando dife-
Etapa 2 rentes tipos de relação: familiar, amorosa, de amizade, profissional etc.

montagem da exposição
• Com a ajuda de seu professor e de seus colegas, monte um painel com os trechos dos relatos que
achar mais significativos para a apresentação do bairro. Se houver mais colegas da turma que mo-
rem no mesmo bairro, eles podem formar um grupo. Mãos à obra!
• A seguir, acrescente ao painel as fotos que conseguiu. Não se esqueça de colocar legenda nas fotos
para que as pessoas possam saber a que se refere a imagem, o que se pretendeu destacar com ela.
Se forem muitos relatos e muitas fotos, vocês podem criar mais de um painel.
• Pergunte a seus vizinhos se eles gostariam de participar da exposição, emprestando objetos antigos:
roupas, cartas, brinquedos, moedas, aparelhos domésticos etc.
• A turma deve organizar o espaço e, se possível, convidar pessoas da comunidade para a exposição.
Quanto mais pessoas visitarem o espaço, maior a certeza de que a história dos bairros representa-
dos será conhecida e preservada.

Leia mais
Nesta unidade, um dos temas presentes nos textos foi o da amizade. Em livros, jornais, revistas
e sites há textos que tratam sobre esse tema: mensagens, frases, poemas.
Que tal coletar alguns desses textos, selecionar aquele que você considerou melhor para oferecer
a um amigo e escrevê-lo ou anexá-lo a um e-mail para enviar a ele?

Preparando-se para o próximo capítulo


Converse com as pessoas de sua casa e, em seu caderno, anote o nome de três elementos
que, na opinião de sua família, fazem parte da cultura do homem do campo, da vida rural. Podem
ser elementos relacionados a alimentação, música, festas, dança, trabalho, lazer, maneira de falar.
Leia suas anotações no início do próximo capítulo, antes da seção Para começo de conversa.

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Unidade
APRENDENDO COM A
SABEDORIA POPULAR
3
Muitas histórias nos são passadas por meio da tradição oral, ou
seja, de boca em boca, de geração para geração. Nesta unidade,
você vai estudar vários causos, histórias populares contadas pelo
povo do interior que, em geral, chegam até nós oralmente.
Também vai estudar outro tipo muito antigo de história da tra-
dição oral, do “tempo em que os animais falavam”: a fábula.
Elas passaram a ser registradas por escrito somente após muitos
anos, por importantes fabulistas como Jean de La Fontaine.
Você perceberá que seus pais, avós, amigos, vizinhos e todas
as pessoas de gerações anteriores à sua preservam uma cultu-
ra muito importante. Aprenderá que toda comunidade possui um
legado cultural e que, conhecendo-o, você poderá fazer parte des-
sa corrente do saber e ajudará a preservá-lo.

Bom trabalho!

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capítulo

1 Para começo de conversa


HISTÓRIAS QUE
O POVO CONTA

Observe a imagem a seguir:

PAM Filmes/Amácio Mazzaropi

Ator Mazzaropi, caracterizado como Jeca Tatu, caipira ingênuo que divertiu inúmeras plateias em
filmes produzidos no Brasil principalmente nas décadas de 1950 e 1960.

1. Que palavras vêm a seu pensamento ao observar essa foto?


Resposta pessoal.

2. A personagem representada na foto vive em um ambiente rural, onde é comum as pessoas con-
tarem histórias em volta da fogueira, perto do fogão a lenha etc.

a) Pense em uma história que essa personagem poderia contar.

b) Que tipo de história seria essa?


Resposta pessoal. Os alunos poderão citar lendas, causos, histórias de assombração etc.

3. Você gosta de ouvir histórias? Histórias reais ou fictícias? Por quê?


Resposta pessoal.

4. Leia a história a seguir e verifique se ela é parecida com aquela que você imaginou ao responder
à atividade 2.
Professor, depois dessas questões, é interessante ler a biografia de Mazzaropi (foto) que está no Manual.

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Prática de leitura

Texto 1 – Causo

Num rancho às margens do Rio Pardo


Era um matuto dos bons e vivia num rancho às mar-
gens do Rio Pardo, perto de Cajuru. Seu Ico era o ape-

Jótah
lido dele. Acreditava em tudo que via e ouvia. E tinha
opiniões muito firmes sobre coisas misteriosas. Adora-
va contar casos de assombração e outros bichos:
– Fui numa caçada de veado no primeiro dia da qua-
resma! Ai, ai, ai! Num pode caçá na quaresma, mas eu
num sabia. Aí apareceu a assombração! Arma penada
do otro mundo. E os cachorro disparô. Foro tudo pro
corgo pra modi fugi da bicha... Veado que é bão nem nu
pensamento, pruque eis tamém pressintiru a penuria
passanu ali pertu!
– Mas era assombração mesmo, seu Ico?
– Pois u que havera di sê? Esse mundo é surtido!
Pois no mundo sortido do seu Ico também tinha saci!
– Quando é que o senhor viu saci, seu Ico?
– Ara! Vi a famia toda, num foi um saci só... Tinha o
saci, a sacia gravi (ele queria dizer grávida), e os sacizim
em riba da mãe, tudo pulano numa perna...
– E o que eles fizeram ou disseram pro senhor?
– Nada... O saci cachaço inda ofereceu brasa pro
meu paiero (tradução: o saci-pai acendeu o cigarro de
palha dele). Gardicido!, eu disse... e entrei pa dentro
modi num vê mais as tranquera...
E mula sem cabeça? Ah, seu Ico garante que existe:
– Essa eu nunca vi, mas ouvi o rinchado dela umas par
de veis... E otro que eu tamém vi foi o tar de lobisome!
Ê bicho fei! Mai num feis nada... desvirô num cachorro
preto e sumiu presse mundão de meu Deus. Agora, em
dia de pescaria, aparece muito é caboco-d’água. Um ca-
boquim pretim e jeitado que mora dentro do rio... Ah,
e tem que vê tamém o caapora. Grandão qui nem ele
só, com um corpo peludo. Bichu fei! E o curupira! Vichi
Maria, é fei dimais, tem pé virado pa trais...
– E com tudo isso o senhor ainda se arrisca a ir pro
meio do mato, seu Ico?
– Pois vô sem medo! Qué sabê? – Dá uma gar-
galhada rouca e faz um ar maroto. – Qual! Tenho muito,
mais muito mais medo é de gente vivo!
EquipE Xico da Kafua, 24 nov. 2007. Disponível em: <http://www.xicodakafua.com.br/
causos_detalhe.php?cod=9>. Acesso em: 8 jan. 2015.

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POR DENTRO DO TEXTO
1. Copie a afirmativa a seguir no caderno e complete-a com as informações corretas sobre o texto.

Nesse texto, um narrador fala sobre seu ▲, um homem do ▲


que diz ter visto diferentes tipos de ▲. Para descrever o matuto, o
narrador apresenta sua conversa com ele. Ico, interior, assombrações.

2. Releia as perguntas ou comentários que o narrador dirige a seu Ico.

– Mas era assombração mesmo, seu Ico? [...]


– Quando é que o senhor viu saci, seu Ico? [...]
– E o que eles fizeram ou disseram pro senhor?

• Qual é a intenção do narrador ao fazer essas perguntas?


Ele faz perguntas a seu Ico para direcionar a conversa, estimular o contador a falar sobre diferentes assuntos ou aprofundar a descrição do que ele já está contando.

3. O narrador, além de mostrar ao leitor os causos de seu Ico, retrata-o como uma personagem bem
interiorana. Destaque palavras, expressões ou frases que identifiquem seu Ico como tal.
“Um matuto dos bons”; “vivia num rancho”; “acreditava em tudo que via e ouvia”; “tinha opiniões muito firmes sobre coisas miste-
riosas”; “adorava contar casos de assombração e outros bichos”.
4. É possível dizer que há dois narradores no texto que você leu: um que conta a história de seu Ico
e outro que é o próprio Ico – personagem que também narra suas histórias ao longo do texto.
• Considerando essas informações, responda: Qual dos dois narradores pode ser considerado um
“contador de causos”? Seu Ico, pois é ele quem narra histórias que envolvem assombrações e personagens lendárias.

5. Quais são os seres sobrenaturais citados por seu Ico?


Assombração (alma penada), família de sacis, mula sem cabeça, lobisomem, caboclo-d’água, caipora e curupira.

IMPORTANTE SABER

O texto “Num rancho às margens do Rio Pardo” fala sobre os seres criados pela rica imaginação
popular: o saci, a mula sem cabeça, o lobisomem.
As histórias que contam fatos sobre esses seres são chamadas lendas.

6. Releia o trecho a seguir e responda às próximas questões.

– Fui numa caçada de veado no primeiro dia da quaresma! Ai, ai, ai! Num
pode caçá na quaresma, mas eu num sabia. Aí apareceu a assombração!

a) Seu Ico faz referência a uma crendice popular relacionada a um fato religioso. Qual é ela?
Atividades que não podem ser realizadas durante a quaresma (quarenta dias que antecedem a Páscoa cristã), como caçar.

b) As crendices populares estão presentes no cotidiano. Cite algumas que você conhece.
Resposta pessoal. Possibilidades: acreditar que atitudes como passar embaixo de escada, ver gato preto em noite de sexta-feira, quebrar espelho trazem azar.

7. Você já viu um contador de causo pessoalmente ou pela TV? Conte para seus colegas.
Resposta pessoal. Professor, incentive a socialização das vivências.

DE OLHO NO VOCABULÁRIO
• Em seu caderno, copie, das frases a seguir, as palavras cujo significado você desconheça. Pri-
meiro, tente descobrir o sentido dos termos, observando a relação que estabelecem com outras

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palavras. Depois, pesquise as palavras no dicionário e anote o significado que seja mais adequa-
do ao contexto.

a) “Era um matuto dos bons [...]” Era um caipira dos mais típicos, dos mais autênticos, original.

b) “Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto.” Dá uma gargalhada rouca e faz um ar de esperto, brejeiro.

IMPORTANTE SABER

Os causos são histórias de tradição oral, contadas, geralmente, em uma linguagem espontânea,
que registra o jeito de falar típico de determinada região ou localidade. Envolvem fatos pitorescos,
reais, fictícios ou ambos; e podem ou não envolver o narrador.
Os contadores de causos apresentam vários recursos que costumam prender a atenção de seus
ouvintes, como entonação, gestos, suspense, efeitos de surpresa, humor etc. Características como
sotaque e vocabulário da região são naturais a muitos deles.

Na trilha da oralidade

Linguagem oral e escrita


1. Observe a maneira como seu Ico fala, lendo as frases destacadas no texto na cor roxa. A fala
de seu Ico é mais comum no meio rural ou no meio urbano? Professor, durante a realização de todas as atividades
No meio rural. desta sequência, é fundamental reforçar com os alunos a
importância da compreensão das diferentes variantes lin-
guísticas (regional, cultural, histórica, sociocultural etc.) e
• Que informação do texto confirma a resposta anterior? do respeito às suas origens e contextos de produção.
“[...] vivia num rancho às margens do Rio Pardo, perto de Cajuru.”
Professor, se possível, leve um atlas para a sala e peça aos alunos que localizem o Rio Pardo.

IMPORTANTE SABER

No texto, seu Ico conta seus causos em uma linguagem que busca representar o jeito de falar
próprio de certas regiões do interior do estado de São Paulo: o caipira. Esse falar não é regis-
trado na escrita exatamente da mesma maneira como o povo o emprega, pois um texto escrito
não pode reproduzir o jeito como as pessoas falam, ele apenas o representa.

2. Explique o que você entendeu destas expressões de seu Ico:


a) “Foro tudo pro corgo pra modi fugi da bicha...”
Foram todos para o córrego para fugir da assombração.
b) “[...] e os sacizim em riba da mãe, tudo pulano numa perna...”
... e os pequenos sacis em cima da mãe, todos pulando numa perna só.
c) “[...] Gardicido!, eu disse...” Professor, o objetivo dessa atividade é desvendar o significado dessas palavras
Agradecido, eu disse... e construções que podem ser desconhecidas dos alunos, para que eles possam
d) “Esse mundo é surtido!” compreendê-las melhor. A atividade não visa a uma transposição da fala caipira
para as normas urbanas de prestígio, visto que isso descaracterizaria o texto.
Esse mundo é sortido, variado, tem coisas de todo tipo.
3. Será que todas as expressões usadas por seu Ico são empregadas apenas no falar caipira? Leia
as frases a seguir:

Não pode caçá neste lugar. Qué sabê?

Pois vô sem medo. Disparô o alarme do carro!

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a) Você identificou se alguma dessas palavras faz parte do seu jeito de falar?
Resposta pessoal. Professor, espera-se que o aluno perceba que a supressão do u e r finais é comum na fala dos brasileiros.

b) Quando conversamos, é comum não pronunciarmos o r nem o u finais. Por exemplo: em vez
de dizer “caçar”, dizemos caçá; em vez de dizermos “disparou”, dizemos disparô. Por que
Na língua falada (principalmente em situações informais), é natural que não pronunciemos
isso acontece? todos os fonemas (sons) das palavras.

c) O falar caipira pode ser considerado incorreto? Por quê?


Não. Professor, espera-se que, depois de ter refletido a respeito da variação linguística, o aluno compreenda que o falar caipira é uma variedade da língua e não um
erro. Se necessário, retome o assunto para que não haja confusão.

4. O texto das falas de seu Ico teria o mesmo efeito se fosse passado para as normas urbanas de
prestígio da língua portuguesa? Converse sobre isso com seus colegas.
Não. Ele perderia a sua originalidade e naturalidade. A personagem ficaria bastante descaracterizada.

5. Você acha que um contador de causo nordestino ou gaúcho contaria essa história da mesma
maneira? Por quê?
Não, pois, embora haja algumas expressões usadas de maneira semelhante por esses falantes, as variedades regionais, o sotaque e o jeito de se expressar são diferentes.

6. No último parágrafo do texto, o narrador descreve a expressão de seu Ico. Transcreva em seu
caderno o trecho em que isso aparece.
“Dá uma gargalhada rouca e faz um ar maroto.”

7. Os gestos, a entonação da voz, o jeito de olhar, as pausas e risadas são importantes para um
contador de causos? Por quê?
Sim, porque todos esses elementos contribuem para dar mais informações ao ouvinte (interlocutor) sobre o causo. São formas não verbais de comunicação que reforçam
a língua oral.

IMPORTANTE SABER

As marcas da linguagem oral não se restringem às palavras. Outros recursos costumam


fazer parte dela, como gestos, expressões faciais, olhar, risos, pausas, movimentos de cabeça
do falante. Esses recursos podem ser empregados para tornar a comunicação mais eficiente.

8. Releia a última fala de seu Ico:

– Qual! Tenho muito, mais muito mais medo é de gente vivo!

• Escolha, dentre as alternativas a seguir, a que melhor descreve seu Ico. Copie a escolhida
em seu caderno.

a) Seu Ico é um verdadeiro contador de causos, que busca convencer o ouvinte de que não
tem medo de assombração e de seres misteriosos e de que eles existem.

b) Seu Ico é o tipo de pessoa que acredita desacreditando.

c) Seu Ico é um verdadeiro contador de causos porque acredita nas histórias que conta. Alternativa “c”.

9. Você conhece alguém que goste de contar causos, histórias divertidas ou assustadoras? Se
conhece, como é o jeito como essa pessoa fala? Ela usa uma linguagem parecida com a lingua-
gem usada pelas pessoas do campo ou da cidade? Converse com o professor e os colegas.
Professor, estimule o compartilhamento positivo das vivências da turma.

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Reflexão sobre o uso da língua

Verbo (II)
1. Observe a frase a seguir:

[...] o saci-pai acendeu o cigarro de palha dele [...]

a) Que ação é apresentada nesse trecho? A ação de acender o cigarro.

b) Quem pratica essa ação? O saci-pai.

c) O fato relatado já ocorreu ou está ocorrendo? Como você chegou a essa conclusão?
Já aconteceu. A palavra “acendeu” indica tempo passado.

2. Observe o tempo dos verbos no trecho a seguir:

E mula sem cabeça? Ah, seu Ico garante que existe [...]

a) Eles estão no presente, no passado ou no futuro? Estão no presente.

Resposta possível: O uso desse tempo verbal


b) Por que o narrador empregou esse tempo do verbo nesse trecho? quer passar a impressão de que a conversa
está acontecendo no momento atual.
Professor, é importante ressaltar que o narrador, ao usar o tempo presente, atualiza a fala
de seu Ico, como se ele garantisse ainda hoje a existência dos seres citados no texto.

IMPORTANTE SABER

Os verbos sofrem variações de acordo com o tempo e com as pessoas do discurso aos quais
estão relacionados.

3. Leia as frases a seguir e responda ao que se pede.

Esse mundo é surtido!

3a pessoa do singular (ele)

Seu Ico era um matuto dos bons.

3a pessoa do singular (ele)

Eu era um ouvinte atento dos “causos” de seu ico.

1a pessoa do singular (eu)

a) Que tempo expressam os termos “é” e “era”?


Expressam tempo presente e tempo passado, respectivamente.

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b) A que expressões eles estão relacionados?
Às expressões “esse mundo” e “seu Ico”, correspondentes à 3a pessoa do discurso nas duas primeiras frases, e a “eu” (o narrador), na terceira frase.

c) Pensando nas respostas que você deu, é possível afirmar que as palavras “é” e “era” são ver-
bos? Por quê?
Sim, porque variam de acordo com o tempo e com as pessoas do discurso.

d) As palavras “é” e “era” indicam ação ou modo de ser? Explique sua resposta.
Indicam modo de ser porque dão uma característica ao “mundo”, ao “seu Ico” e ao “eu”.

IMPORTANTE SABER

Além de expressar ações, os verbos podem indicar modos de ser, estado e fenômeno da natureza.
Leia este trecho de canção:
Amanheceu, peguei a viola
botei na sacola e fui viajar.
Sou cantador
e tudo nesse mundo
vale pra que eu cante e possa praticar.
TEiXEiRA, Renato. Amanheceu, peguei a viola. Amizade sincera.
São paulo: Sony BMG Music Entertainment, 1990. CD. Disponível em:
<http://letras.mus.br/renato-teixeira/298328/>. Acesso em: 30 jan. 2015.

“Amanhecer” é um verbo que expressa fenômeno da natureza.


“Pegar”, “botar”, “viajar”, “cantar” e “praticar” são verbos que expressam ações.
“Ser” é um verbo que expressa o modo de ser.
Quando dois ou mais verbos se unem para expressar uma ideia, temos uma locução verbal.
Veja:

Amanheceu, peguei a viola / botei na sacola e fui viajar .

locução verbal
Sou cantador / e tudo nesse mundo / vale pra que eu cante e possa praticar .

locução verbal

APLICANDO CONHECIMENTOS

1. Em seu caderno, passe para o plural os termos em destaque, fazendo as adaptações necessárias.
a) Você sabe o que é um azucrim? Vocês sabem o que é um azucrim?
b) Esta é a forma usada também nas peças de Gil Vicente. Estas são as formas usadas também nas peças de Gil Vicente.
c) Como é que o caipira diz “amanhã”? Como é que os caipiras dizem “amanhã”?
d) O caipira fala muito certo. Os caipiras falam muito certo.
e) E, se for a um circo, o caipira vai ver os “alifantes”. E, se forem a um circo, os caipiras vão ver os “alifantes”.
f) Ele também é contador de causos? Eles também são contadores de causos?
g) Meu irmão não tem medo de assombração. Meus irmãos não têm medo de assombração.

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h) A viola também faz parte da cultura brasileira. As violas também fazem parte da cultura brasileira.

i) O contador de causos precisa cativar os ouvintes. Os contadores de causos precisam cativar os ouvintes.

j) Eu sou especialista em cultura caipira. Nós somos especialistas em cultura caipira.

k) Você nasceu no interior? Vocês nasceram no interior?

2. Que mudanças tiveram de ser feitas na forma do verbo das frases da atividade 1? Por quê?
A forma de todos os verbos mudou; foram flexionados para o plural para concordarem com o termo a que essas formas se referem.

3. Leia este texto:

Revista Kalunga

Revista Kalunga. São Paulo, ano XXXIII, n. 179, dez. 2005.

a) Que relação é possível estabelecer entre Rolando Boldrin e seu Ico? Ambos são contadores de causos.

b) Que palavras do texto buscam representar o jeito de falar do caipira? “Causo”, “contadô”, “cantadô”, “proseando”.
c) Qual você acha que é a intenção do autor em dar ao texto o título “O Brasil de ‘causo’ pensado”?
Criar um trocadilho entre as palavras “caso“ e “causo“, pois tratará da importância dos causos.

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d) Podemos observar que a maioria dos verbos utilizados no texto está no tempo passado. Por que
o narrador optou por usar os verbos nesse tempo? Copie do último parágrafo a frase que confir-
ma a sua resposta. Porque todas essas ações ocorreram no passado, fazem parte do passado de Rolando
Boldrin. A frase que confirma a resposta é: “Hoje, isso é passado, mas seus ‘causos’ não”.

e) O texto relata acontecimentos da vida de Rolando Boldrin. Identifique uma sequência de aconte-
cimentos e destaque a palavra que mais informa sobre cada acontecimento.
Possibilidade: Depois de viver oito anos na vizinha Guaíra, retornou à terra natal e pegou a estrada para tentar a vida. “Viver”, “retornou” e “pegou”.
f) O que você compreendeu da expressão “tirar o Brasil da gaveta”?
Resposta pessoal. Professor, verifique se o aluno teve uma compreensão coerente da expressão figurada, que pode
ser entendida como resgatar, trazer à tona elementos da cultura brasileira que estavam esquecidos.
4. Agora leia outro texto:

Revista Kalunga
Revista Kalunga. São Paulo, ano XXXIII, n. 179, dez. 2005.

• O texto acima é um anúncio publicitário, cuja intenção é divulgar o lançamento da coleção de


CDs “Vamos tirar o Brasil da gaveta!”.
a) Com base nessa informação, que novo sentido pode ser atribuído à expressão “tirando o Brasil
da gaveta” no texto da atividade 3? No texto da atividade 3, o autor se refere, também, ao nome da coleção de Rolando Boldrin, pois tinha
conhecimento do lançamento dos CDs. Professor, ao mesmo tempo em que a expressão é usada para
dizer que Rolando Boldrin está resgatando a cultura, também serve para se referir ao lançamento,
b) Copie no caderno uma locução verbal que aparece no texto acima. à divulgação da coleção de CDs.
“Vamos tirar”.
c) O uso dessa locução verbal revela a intenção do anúncio. Qual é ela?
Fazer um convite aos leitores para que tirem o Brasil da gaveta, ou seja, para que entrem em contato com o cancioneiro popular comprando a coleção de CDs.

Momento de ouvir
Quem já não ouviu dizer que “quem conta um conto aumenta um ponto”? É esta a origem do
causo, uma história curta – real ou inventada –, contada por alguém que, para impressionar quem
está ouvindo, acrescenta uma boa dose de exagero e imaginação...
Existem causos de terror, causos de humor...
Contá-los é uma diversão popular no interior do Brasil, onde os compadres – em vez de se jun-
tarem em torno da televisão – ainda apreciam se reunir para trocar suas histórias. Algumas delas
já foram ouvidas muitas e muitas vezes, mas quem se importa? A graça do causo está na maneira
como ele é contado. Quer ver? Professor, a história encontra-se na Coletânea de textos do Manual. Durante a leitura,
chame a atenção dos alunos para as características da linguagem utilizada no texto.

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Prática de leitura

Texto 2 – Causo

ANTES DE LER
Substitua os símbolos distribuídos no texto a seguir pelas palavras do quadro para completar
seu sentido. Escreva as frases que foram completadas no caderno.

acordou resolveu parou encontrou levava pediu perguntou

O defunto vivo
levava
Um homem dirigia um caminhão que ▲ um caixão de defunto para ser entregue numa cidade
pediu
próxima. No caminho, um sujeito ▲ carona e o motorista respondeu que ele poderia viajar na parte
de trás, junto com o caixão. Foi quando começou a chover, e o caroneiro, não tendo onde se escon-
resolveu
der da chuva, ▲ abrigar-se dentro do

Jótah
caixão. Com o balanço da viagem, ele
acabou pegando no sono.
Ao longo do caminho o motorista
encontrou
▲ mais pessoas pedindo carona, e re-
colheu a todas. Num momento em que
a carroceria já estava apinhada de gente,
o caminhão deu um solavanco ao passar
acordou
por um buraco na estrada. A sacudida ▲
o dorminhoco, que abriu a tampa do
perguntou parou
caixão e ▲: “Será que já ▲ de chover?”
Foi um deus nos acuda. As pessoas
se jogaram do caminhão e dizem que
até hoje ainda tem gente correndo...
Dr. Eco e Companhia. São paulo:
paulus, ago. 1996.

CONFRONTANDO TEXTOS

1. Compare o causo sobre seu Ico (texto 1) com “O defunto vivo” e identifique qual deles apresenta
o falar caipira e qual apresenta uma linguagem mais próxima das normas urbanas de prestígio.
O causo sobre seu Ico apresenta o falar caipira. Já o causo “O defunto vivo” apresenta uma linguagem mais próxima das normas urbanas de prestígio.

2. Compare agora a estrutura dos dois textos. Copie em seu caderno só os aspectos que são co-
muns a ambos os textos. O aluno não deve copiar os itens “c” e “e”, que só ocorrem no texto do seu Ico.
a) A maioria dos verbos no passado.
b) Palavras ou expressões localizam os fatos no tempo e no espaço.
c) O narrador envolvido na história.
d) Humor.

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e) Um título que expressa o humor do texto.
f) Fala de personagens.

3. De que maneira cada um dos textos provoca humor?


No primeiro, o humor é provocado pela maneira como seu Ico conta a história (o contador tem a intenção de provocar risos,
ressaltando o modo como seu Ico “enfeita” a história); no segundo, os fatos da história é que são engraçados.

Reflexão sobre o uso da língua

Verbo (III)
1. Nos causos que você leu, são usados alguns recursos para situar os fatos no tempo ou para in-
formar sobre ações das personagens ou, ainda, para dar continuidade ao fato narrado, enfim, para
ajudar a construir a história.
• Em seu caderno, copie, do texto 2, as palavras ou expressões que indicam os elementos solicitados:
a) personagens da história; “Um homem”, “um sujeito”, “o motorista”, “o caroneiro”, “pessoas”, “o dorminhoco”.
b) tempo em que os fatos ocorrem; “Foi quando”, “num momento”, “até hoje”.

c) diferentes lugares onde os fatos ocorreram; “Numa cidade próxima”, “no caminho”, “dentro do caixão”.
d) ações feitas pelas personagens (copie algumas delas). “Dirigia”, “levava”, “pediu”, “encontrou”, “acordou” etc.

2. Releia o texto “O defunto vivo” e, depois, observe os verbos a seguir. Copie em seu caderno aqueles
que não expressam ideia de tempo, ou seja, aqueles que não localizam os fatos no tempo.
Abrigar, chover e dirigir.

abrigar levava pediu respondeu

correndo chover dirigir

a) Agora, verifique se as palavras que você copiou podem ser localizadas no dicionário. Sim.
b) As palavras que não foram copiadas podem ser localizadas no dicionário da maneira como estão
escritas? Como você as encontra no dicionário?
Não é possível localizá-las no dicionário, pois se tratam de verbos na forma conjugada. Para encontrá-las, é preciso procurá-los no infinitivo.
Professor, é interessante fazer a leitura do próximo quadro com os alunos para que eles possam perceber que somente os verbos no infinitivo podem ser en-
contrados no dicionário.

IMPORTANTE SABER

Quando o verbo não se refere a nenhuma pessoa ou tempo verbal, dizemos que ele está no infinitivo.
Em português, todos os verbos pertencem a três conjugações e, para identificar a que conjugação
um verbo pertence, é preciso colocá-lo no infinitivo e examinar sua terminação.

1a conjugação: AR 2a conjugação: ER 3a conjugação: IR

abrigar responder pedir

levar correr dirigir

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APLICANDO CONHECIMENTOS

1. Escreva no infinitivo os verbos em destaque no trecho a seguir e indique a conjugação a que per-
tencem. Encontrar – 1 conjugação; pedir – 3 conjugação; recolher – 2 conjugação; estar – 1 conjugação; dar – 1 conjugação.
a a a a a

Ao longo do caminho o motorista encontrou mais pessoas pedindo carona,


e recolheu a todas. Num momento em que a carroceria já estava apinhada de
gente, o caminhão deu um solavanco ao passar por um buraco na estrada.

2. Um verbo da 2a conjugação que aparece no texto “O defunto vivo” expressa um fenômeno da


natureza. Qual é esse fenômeno? Chover.

Prática de leitura

Texto 3 – Causo
ANTES DE LER
Vista aérea da Floresta Amazônica.

A seguir, você vai ler uma história curiosa 2

Wagner Santos/Kino
que se passa nos Pampas gaúchos.
Você conhece essa região do país? Indi-
que em seu caderno qual foto representa
essa área e justifique sua resposta.
Foto 1. Resposta pessoal.

1
Marco Antonio Sá/Kino

3
Haroldo Palo Jr./Kino

Gaúcho nos pampas.

Caatinga em Jaicós, Piauí.

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Agora, leia e divirta-se com o próximo texto escrito, pelo grande escritor gaúcho Mário Quintana. Ele
retrata, de forma bem-humorada, o espanto e a reação da população de uma pequena cidade diante da
chegada inesperada de “um bicho estranho”: o automóvel.
Trata-se de uma história curta, repleta de palavras e expressões típicas do Rio Grande do Sul. Por
isso, para entendê-la, consulte o Glossário.

Aquele animal estranho


Os do Alegrete dizem que o causo se deu em Itaqui, os de Itaqui dizem que foi no Alegrete,
outros juram que só poderia ter acontecido em Uruguaiana. Eu não afirmo nada: sou neutro.
Mas, pelo que me contaram, o primeiro automóvel que apareceu entre aquela brava indiada, eles
o mataram a pau, pensando que fosse um bicho. A história foi assim como já lhes conto, metade
pelo que ouvi dizer, metade pelo que inventei, e a outra metade que sucedeu às deveras. Viram? É
uma história tão extraordinária mesmo que até tem três metades... Bem, deixemos de filosofanças e
vamos ao que importa. A coisa foi assim, como eu tinha começado a lhes contar.
Ia um piazinho estrada fora no seu petiço – trop, trop, trop – (este é o barulho do trote) – quando,
de repente, ouviu – fufufupubum! fufufupubum chiiiipum!
E eis que a “coisa”, até então invisível, apontou por detrás de um capão, bufando que nem touro
brigão, saltando que nem pipoca, se traqueando que nem velha coroca, chiando que nem chaleira
derramada e largando fumo pelas ventas como a mula sem cabeça.
“Minha Nossa Senhora!”
O piazinho deu meia-volta e largou numa disparada louca rumo da cidade, com os olhos do ta-
manho de um pires e os dentes rilhando, mas bem cerrados para que o coração aos corcoveios não
lhe saltasse pela boca. É claro que o petiço ganhou luz do bicho, pois no tempo dos primeiros autos
eles perdiam para qualquer matungo.
Chegado que foi, o piazinho contou a história como pôde, mal e mal e depressa, que o tempo era
pouco e não dava para maiores explicações, pois já se ouvia o barulho do bicho que se aproximava.
Pois bem, minha gente: quando este apareceu na entrada da cidade, caiu aquele montão de povo
em cima dele, os homens uns com porretes, outros com garruchas que nem tinham tido tempo de
carregar de pólvora, outros com boleadeiras, mas
todos de pé, porque também nem houvera tempo
para montar, e as mulheres umas empunhando as
Jótah

suas vassouras, outras as suas pás de mexer mar-


melada, e os guris, de longe, se divertindo com os
seus bodoques, cujos tiros iam acertar em cheio
nas costas dos combatentes. E tudo abaixo de gritos
e pragas que nem lhes posso repetir aqui.
Até que enfim houve uma pausa para respiração.
O povo se afastou, resfolegante, e abriu-se uma
clareira, no meio da qual se viu o auto emborcado,
amassado, quebrado, escangalhado, e não digo que
morto porque as rodas ainda giravam no ar, nos úl-
timos transes de uma teimosa agonia. E, quando as
rodas pararam, as pobres, eis que o motorista, mila-
grosamente salvo, saiu penosamente engatinhando
por debaixo dos escombros de seu ex-automóvel.
– A la pucha! – exclamou então um guasca, en-
tre espantado e penalizado – o animal deu cria!
quinTAnA, Mário. Sapo amarelo. São paulo: Global, 2006.

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POR DENTRO DO TEXTO
1. O que mais chamou a sua atenção na história? Resposta pessoal.

2. O narrador do causo ora se apresenta como uma personagem da história, ora como alguém que
apenas observa a cena (narrador-observador) sem estar envolvido nos acontecimentos. Localize no
texto o que se pede.
a) Um trecho que comprova a participação do narrador na história. “Eu não afirmo nada: sou neutro.”
b) Um trecho em que o narrador aparece como observador. “O piazinho deu meia-volta e largou numa disparada louca [...]“

3. No quarto parágrafo, o piazinho encontra “a coisa”. Fica muito assustado e ruma para a cidade.
a) Faça duas listas: em uma, relacione as ações da “coisa” e, na outra, as ações dos moradores da
Ações da coisa: bufando, saltando traqueando, chiando, largando. Ações dos moradores da cidade: ho-
cidade quando a “coisa” lá chegou. mens, mulheres e crianças tomaram suas armas e bateram no carro, atiraram nele, enquanto praguejavam.

b) Dê dois exemplos de comparações feitas pelo narrador para descrever “a coisa”.


Possibilidades: “[...] bufando que nem um touro brigão [...]”; “[...] saltando que nem pipoca [...]” ; “[...] traqueando que nem velha coroca [...] “; “[...] chiando que nem
chaleira [...]”; “[...] largando fumo pelas ventas como a mula sem cabeça“.
c) Quem usou a expressão “Minha Nossa Senhora!” no texto? O piazinho usou essa expressão.

d) O que o uso dessa expressão indica sobre a personagem no momento de sua enunciação?
A expressão indica que, no momento da fala, a personagem ficou com medo, levou um susto.

TEXTO E CONTEXTO
1. Você acha que essa história poderia ter ocorrido na realidade? Por quê? Respostas pessoais.

2. Você já ouviu alguma história sobre o espanto de uma ou várias pessoas diante de um fato novo,
de uma nova invenção? Conte para os colegas.

3. Você acha que novas descobertas podem mudar a vida das pessoas, o modo de elas pensarem e
agirem? Dê um exemplo.

DE OLHO NO VOCABULÁRIO
Observe os trechos a seguir. Como você transmitiria as mesmas ideias, utilizando expressões típi-
cas de sua região? Escreva em seu caderno. Respostas pessoais de acordo com os falares das regiões onde os alunos vivem.
a) “[...] eles o mataram a pau.”

b) “Ia um piazinho estrada fora no seu petiço [...]”

c) “O povo se afastou, resfolegante [...]”

d) “A la pucha! – exclamou então um guasca, entre espantado e penalizado – o animal deu cria!”

Na trilha da oralidade

Contação de causo
Forme um grupo com quatro ou cinco colegas para realizar a pesquisa e o registro de um
causo. Se não conhecerem nenhum, pesquisem junto a familiares, amigos e vizinhos. Depois,
escolham um dos participantes do grupo para contar o causo para os demais alunos da turma,
de acordo com a programação estabelecida pelo professor. Para a “contação”, sigam as etapas
apresentadas a seguir.

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ORIENTAÇÕES
1. Se possível, assistam à apresentação de um contador de histórias ao vivo ou em vídeo. Iden-
tifiquem os recursos empregados pelo contador: efeitos sonoros; adereços, figurinos; cenário,
se houver (fundo ou objetos que o compõem); desempenho do contador (entonação da voz,
expressões faciais, dança, canto, entre outros). Observe também se a linguagem usada foi
entendida pelo público, se houve interação com a plateia, situações de humor etc.
2. Com base nos recursos estudados, preparem a apresentação considerando as orientações:
• Contar uma história não é fazer leitura dramatizada, não é ler o texto em voz alta, nem re-
presentar uma peça teatral: é contar a história usando o seu estilo pessoal, empregando
diferentes recursos para incrementá-la.
• Para decidir que recursos irão usar na apresentação, selecionem trechos marcantes do
causo, que servirão de inspiração para destacar: nesses trechos, explore as expressões
gestuais, faça pausas para criar suspense, module a voz para imitar o falar das personagens.
• Utilize os verbos no presente para dar um tom de novidade aos fatos narrados.
• Se for possível conseguir um aparelho de som, selecione uma música para acompanhar sua
apresentação ou trechos delas.
3. Para atrair a atenção da plateia, o contador precisa planejar com antecedência:
• a memorização da sequência da história;
• o uso de comentários de humor e interação com o público;
• se fará uso de algum figurino ou adereço para providenciá-lo com antecedência.
4. Para preparar a apresentação, o contador precisa ensaiar várias vezes, ajudado pela observação
dos integrantes do grupo. Professor, sugerimos que acompanhe os ensaios dos contadores, dando a eles orientações com-
plementares, de acordo com as dificuldades apresentadas na preparação desse gênero oral.

Produção de texto

Causo
Escolha um dos causos contados em sua sala de aula para registrá-lo por escrito. Depois desse
registro, a oralização dos novos textos pode ser realizada em uma roda de leitura.
Professor, esta seção não tem como objetivo a produção de texto de autoria, mas a produção de um novo texto a partir
de um texto oral, isto é, uma retextualização. No Manual, há considerações sobre os diversos tipos de retextualização.
PLANEJE SEU TEXTO Sugerimos que o consulte antes de orientar a atividade a seguir.

Copie no caderno as questões apresentadas a seguir e responda a cada uma como modo de
planejamento. Amplie o número de questões se julgar necessário. Verifique se cumpriu o plane-
jado na hora de avaliar o texto.

Para escrever o causo


1. Qual é o público leitor do texto? Colegas da sala e de outras turmas.

2. Que linguagem vou empregar? Linguagem informal com marcas de oralidade.

Organização em parágrafos; estrutura de discurso direto para os diálogos (caso


3. Qual é a estrutura que o texto vai ter? eles apareçam no texto).

4. Onde o texto vai circular? Em uma roda de leitura.

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ORIENTAÇÕES PARA A PRODUÇÃO
1. Como, provavelmente, a origem de seu texto será um causo popular, terá muitas palavras e
expressões usadas na língua oral. Assim como ocorre no texto “Num rancho às margens do
Rio Pardo”, é possível representar por escrito algumas palavras e expressões usadas pelas
personagens ou pelos próprios contadores. Você se lembra das palavras e expressões típicas
das conversações espontâneas, como eu acho que, aí, né, então, viu etc.? Elas podem ser
usadas em seu texto, na fala das personagens, para fazer com que se aproximem do jeito de
falar usado em determinadas situações.
2. O narrador pode relatar os gestos e as expressões faciais das personagens... Esse recurso torna
a cena mais viva para o leitor. No texto “Num rancho às margens do Rio Pardo”, por exemplo,
o narrador conta como foi o riso da personagem e indica sua expressão nesse momento: “Dá
uma gargalhada rouca e faz um ar maroto”.
3. Se as personagens tiverem nomes, registre-os na história; se não tiverem, você poderá criá-los
de acordo com o ambiente e a situação narrada ou descrita.
4. Não se esqueça de usar as pontuações de diálogo caso seja necessário representar a fala das
personagens. Professor, sugerimos que escolha um dos textos para analisar de que modo o aluno fez a retextualização do oral para o escrito. Verifique se há
algum aluno que gostaria de ceder seu texto para estudo dessa atividade na sala de aula. Reproduza o texto (ou um trecho dele) em transparência
ou no quadro de giz e analise com os alunos as marcas de oralidade que foram acomodadas no texto escrito. Estabeleça a relação dessas marcas
com a ocorrência delas no causo realizado oralmente. Vá fazendo esse paralelo também com outros elementos do texto oral e escrito (retex-
tualizado) que possam ter correspondência entre si. Na roda de leitura, aproveite para apresentar as diferenças
AVALIAÇÃO E REESCRITA que existem entre o texto lido nessa roda (leitura em voz alta) e a contação do causo (em que se empregam mais
recursos expressivos do que na leitura em voz alta).
1. Se houver palavras no texto com a função de representar a fala ou determinado termo usado
em uma variedade linguística específica, mantenha-as no texto escrito, buscando encontrar
um modo de registrá-las. Para ver exemplos desse tipo de representação, releia os causos do
capítulo que apresentam marcas de oralidade e variantes linguísticas. Depois dessa consulta,
verifique se seu texto empregou, na medida do possível, essas marcas.
2. Você fez uso da pontuação adequada para os trechos em que o discurso direto está presente?
3. Você deu um título ao texto?
4. Depois de revisá-lo, passe o texto a limpo e entregue-o ao professor.
5. Quando o professor devolver o texto, combinem um dia para a apresentação dos causos na roda
de leitura.

Leia mais
Uma das formas de divulgação da cultura popular em geral são os almanaques. Os almanaques
são uma espécie de periódico (folheto, livreto ou revista) com temas e informações variados: textos
de curiosidades, jogos, charadas, artigos diversificados. Esse tipo de material impresso, muito popu-
lar nas gerações passadas, voltou a povoar as bancas e pode ser encontrado também na internet.
Portanto, se você quiser ter acesso a esse universo de assuntos variados e muitas vezes curiosos,
procure os almanaques, informe-se e divirta-se.

Preparando-se para o próximo capítulo


Escolha um destes autores para pesquisar sobre ele: La Fontaine; Monteiro Lobato; Esopo.
Descubra a época em que essa pessoa viveu, o que ela fazia e por que ficou conhecida. Depois,
conte o resultado da pesquisa para a turma quando o professor solicitar.

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capítulo

2 Para começo de conversa


HISTÓRIAS QUE ENSINAM

Depois de ter estudado os causos populares, que tal conhecer mais sobre outras maneiras de con-
tar histórias? Você já percebeu que algumas histórias têm versões diferentes, isto é, são contadas de
formas diferentes? Pois bem, sempre há quem queira continuá-las, modificá-las, contá-las de outra
maneira. Vamos fazer essa experiência?

1. O ser humano sempre gostou de contar e ouvir histórias. Durante muitos séculos, as histórias
eram transmitidas apenas oralmente, passando de pais para filhos. Muitas tinham como objetivo
transmitir uma lição de vida. Você conhece alguma história desse tipo? Conte para os colegas.
Resposta pessoal.

2. Cite uma história que você considera inesquecível.


Resposta pessoal.

3. Em que tipo de história os animais são personagens?


Os alunos poderão responder que os animais aparecem em muitos tipos de história. É possível que alguns alunos se lembrem das fábulas, histórias em que os animais
falam e se comportam como seres humanos.
4. Há certo tipo de história que frequentemente acontece “no tempo em que os animais falavam”.
Você conhece histórias assim? Conte para seus colegas.
Resposta pessoal.

5. Você sabe o que é uma fábula? Você conhece alguma dessas histórias? Conte para os colegas.
Resposta pessoal.

Prática de leitura

Texto 1 – Fábula

A cigarra e as formigas
Num belo dia de inverno as formigas estavam tendo o
maior trabalho para secar suas reservas de trigo. Depois
de uma chuvarada, os grãos tinham ficado completamen-
te molhados. De repente aparece uma cigarra:
Jótah

– Por favor, formiguinhas, me deem um pouco de tri-


go! Estou com uma fome danada, acho que vou morrer.
As formigas pararam de trabalhar, coisa que era contra
os princípios delas, e perguntaram:
– Mas por quê? O que você fez durante o verão? Por
acaso não se lembrou de guardar comida para o inverno?
– Para falar a verdade, não tive tempo – respondeu a
cigarra. – Passei o verão cantando!

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– Bom... Se você passou o verão cantando, que tal passar o inverno dançando? – disseram as for-
migas, e voltaram para o trabalho dando risada.
Moral: Os preguiçosos colhem o que merecem.
Ash, Russell; higton, Bernard. Fábulas de Esopo. 7. ed. são Paulo: Companhia das Letrinhas, 1994.

POR DENTRO DO TEXTO


1. Identifique na história os elementos indicados:
a) personagens; A cigarra e as formigas.
b) situação-problema a ser resolvida pela cigarra; A cigarra não tem alimento e resolve pedi-lo para as formigas.

c) palavras ou expressões do texto que indicam o tempo e a duração dos acontecimentos da história.
“Num belo dia de inverno” / “durante o verão”.

2. A cigarra tem sucesso ao tentar resolver seu problema? Por quê?


Não, porque as formigas julgam que a cigarra deveria ter trabalhado para conseguir seus alimentos em vez de passar os dias cantando.
3. Identifique o trecho que contém a lição que a fábula quer ensinar.
“Moral: Os preguiçosos colhem o que merecem.”
4. Copie, no caderno, a afirmativa que informa o tempo em que se passa a fábula “A cigarra e as formigas”.
O aluno deve copiar a afirmativa do último quadro.

A cigarra e as formigas conversam no verão sobre acontecimentos que ocorreram no inverno.

As cenas da história perpassam as quatro estações do ano.

O diálogo entre a cigarra e as formigas se passa no inverno. Elas conversam sobre fatos já
ocorridos; sobre acontecimentos que ocorreram no verão.

O diálogo entre a cigarra e as formigas se passa no inverno. Elas conversam sobre fatos que
estão ocorrendo ainda no inverno.

5. É possível afirmar que essa fábula é um gênero textual que apresenta os principais elementos da
narrativa? Explique. Sim, a fábula apresenta personagens que agem em determinado tempo, a duração dos fatos, uma situação-problema (conflito),
a resolução do conflito e o desfecho.
Professor, para recordar esse assunto, os alunos poderão voltar ao quadro Importante saber apresentado no Capítulo 1 da Unidade 2.

TEXTO E CONTEXTO
1. Você acha que é possível comparar os acontecimentos dessa fábula com os que vivemos no dia a
dia? Explique. Resposta pessoal. Professor, a resposta é pessoal, mas é importante que o aluno perceba que o conteúdo da fábula pode ser
contextualizado, trazido para os dias atuais.

IMPORTANTE SABER

A fábula apresenta uma situação-problema ou conflito que permite ao leitor refletir sobre fatos,
situações ou atitudes. A intenção da fábula é aconselhar ou ensinar, criticar uma situação, apon-
tar atitudes incoerentes ou contraditórias das pessoas e da sociedade. Toda fábula tem uma moral.
A moral da fábula é geralmente expressa em uma frase curta que resume sua intenção. Há fá-
bulas em que os provérbios ou ditados populares aparecem como moral da história. Quando você
produzir sua fábula, verifique se há algum provérbio que combine com o ensinamento ou com a
crítica que seu texto quis transmitir.

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2. Escolha, dentre os provérbios a seguir, aquele que expressa o mesmo ensinamento moral da fábu-
la “A cigarra e as formigas”. Em seguida, copie-o em seu caderno.

a) Quem tudo quer, tudo perde.

b) Sem trabalho não há recompensa.

c) Devagar se vai ao longe.

d) Quem semeia vento colhe tempestade. Alternativa “b”.

3. Cada uma das alternativas a seguir apresenta dois provérbios. Indique aquela em que ambos reme-
tem a um mesmo ensinamento.

a) “Quem diz o que quer, ouve o que não quer” e “Quem ama o feio, bonito lhe parece”.

b) “Devagar se vai ao longe” e “De grão em grão, a galinha enche o papo”.

c) “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando” e “Não se deve atirar pérolas aos porcos”.

d) “Quem casa quer casa” e “Santo de casa não faz milagre”.

e) “Quem com ferro fere, com ferro será ferido” e “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Alternativa “b”.
Professor, sugerimos discutir com os alunos sobre o significado de cada um dos provérbios apresentados na atividade. Se achar interessante, desafie-os a ilustrar
os provérbios em seu sentido literal ou a escrever pequenas narrativas que sejam coerentes com as ideias transmitidas.

TROCANDO IDEIAS

1. Dê a sua opinião sobre a moral da fábula “A cigarra e as formigas”. Você concorda com ela?
Resposta pessoal.

2. Em sua opinião, nos dias atuais, que tipos de pessoas representariam a cigarra e a formiga?
Resposta pessoal. Professor, é interessante que os alunos percebam que muitas fábulas podem revelar uma mo-
ral preconceituosa, que reflete o pensamento da sociedade da época em que foram escritas. Isso também ocorre
com os provérbios populares. Por esse motivo, é muito importante que o trabalho com esses textos seja feito de
forma crítica e contextualizada, evitando que desses preconceitos sejam perpetuados. Antes de ler o próximo PARA VOCÊ QUE É CURIOSO
texto, retome com os alunos a pesquisa sobre os fabulistas solicitada no final do capítulo anterior.

As origens da fábula
As fábulas são contadas há mais ou menos 2 800 anos. Orais ou escritas, elas têm a intenção de
dar um conselho, alertar sobre algo que pode acontecer na vida real, transmitir algum ensinamen-
to, fazer alguma crítica, uma ironia etc.
A maioria dessas histórias trata de certas atitudes humanas, como a disputa entre fortes e fracos,
a esperteza de alguns, a ganância, a gratidão, o ser bondoso, o não ser tolo etc. Esses são alguns
dos temas das fábulas.
As fábulas são tão antigas quanto as conversas humanas. Como foram transmitidas oralmente,
não sabemos quem as criou. De qualquer forma, conhecemos algumas fábulas que foram escritas
no século VIII antes de Cristo (800 anos antes do ano número 1!). Sabemos também que fábulas
muito antigas, do Oriente, foram difundidas na Grécia no século VI a.C., há 2 600 anos, por um
escravo chamado Esopo.
Nos anos que se seguiram, elas continuaram a ser contadas e foram também escritas. Mais tarde,
nos anos de 1600 (século XVII), o escritor francês Jean de La Fontaine, um nome muito importante
no mundo das fábulas, reescreveu e adaptou as fábulas de Esopo, além de criar novas.
Muitos outros escritores escreveram fábulas no mundo inteiro. No Brasil, um dos escritores mais
importantes que reescreveu antigas fábulas e criou novas foi Monteiro Lobato. Seus primeiros livros
dirigidos às crianças foram publicados em 1921.
Fonte: SuCAr, Monica Teresinha Ottoboni. Trabalhando com os gêneros do discurso – fábulas. São Paulo: FTD, 2001.

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Prática de leitura

Texto 2 – Cordel

A cigarra e a formiga
Aquele que trabalha À casa da formiga foi ter
E guarda para o futuro Pediu-lhe com voz sumida
Quando chega o tempo ruim Alguma coisa pra comer
Nunca fica no escuro Porque a sua situação
Durante todo o verão Estava dura de roer
A cigarra só cantava A formiga então lhe disse
Nem percebeu que ligeiro Com um arzinho sorridente
O inverno já chegava Se no verão só cantavas
E quando abriu os olhos Com sua voz estridente
A fome já lhe esperava Agora aproveitas o ritmo
E com toda humildade E dance um samba bem quente.
José, severino. Cordel. são Paulo: hedra, 2001.

Renato Arlem

CONFRONTANDO TEXTOS

1. Os textos 1 e 2 narram a mesma história, entretanto organizam a mensagem de maneira diferente.


Indique como cada texto organiza a fábula da cigarra e da formiga.
No segundo texto, a história foi contada na forma de versos com rimas, e a moral da história não aparece em destaque no final. Já no
primeiro, o texto está escrito em prosa, organizado em parágrafos, e a moral é destacada no final.
2. Copie no caderno os versos do texto 2 que apresentam a moral da história.
“Aquele que trabalha / E guarda para o futuro / Quando chega o tempo ruim / Nunca fica no escuro”. A moral está logo no início do poema.

IMPORTANTE SABER

O texto apresentado, que conta a história da cigarra e da formiga em versos, é um exemplo de


poema de cordel.

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3. Leia mais um texto desse gênero e conheça sua origem.

A história da literatura de cordel


... cuidado, cantor, pra não dizer palavra errada...
[...] Para lhes deixar a par O cordel introduzido
Sobre esta literatura No Brasil foi gradual
Que é a mais popular Maior parte dos folhetos
E ainda hoje perdura Como patrimônio oral
Vamos direto ao começo Ingressou principalmente
Donde vem esta cultura Como histórias de sarau

Sua primeira feitura Foi o Nordeste o local


Na Europa aconteceu Que lhe brasileirizou
Tipógrafos do anonimato Nos sertões familiares
Botaram o folheto seu Dos sertões onde chegou
Pra ser vendido na feira Levando alegria ao povo
E assim se sucedeu Pela voz do cantador

Foi Portugal que lhe deu Conduzia o rumor


Este nome de cordel De histórias da redondeza
Por ser vendido na feira Noticiadas em versos
Em cordões a pleno céu Dadas com toda clareza
Histórias comuns, romances A uma população
Produzidos a granel Que se tornava freguesa
Fabio Colombini

Desde as casas de riqueza


Nas varandas das fazendas
Até os dias de feira
Entre os escombros de vendas
Histórias eram cantadas
De verdadeiras a lendas

Sempre em versão cantada


Assim o cordel viveu
Antes de 1900
Primeira edição se deu
De lá pra cá permanece
Mantendo o legado seu [...]
CAmPos, Abdias. Folheto de cordel. Recife, 2005.
Folhetos de literatura de cordel à venda em Pernambuco.

a) Qual é a finalidade desse cordel? Narrar fatos que ilustram a história da literatura de cordel.

b) De acordo com o texto, onde surgiu a literatura de cordel? Na Europa.


Os folhetos produzidos para serem vendidos na feira eram expostos em cordões
c) Como se explica a origem do termo “cordel”? a céu aberto. O termo “cordel”, portanto, vem de corda, cordão.

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d) Que textos são publicados nos folhetos de cordel? Narrativas reais ou fictícias.

e) Quando os cordéis passaram a ser impressos no Brasil? A partir de 1900.

f) Qual foi o diferencial do cordel brasileiro em relação ao europeu? No Brasil, o cordel ganhou uma grande dimensão oral.

g) Qual região brasileira tornou a literatura de cordel conhecida no restante do país? A Região Nordeste.
Professor, seria interessante solicitar aos alunos uma pesquisa que os levasse a identificar quais causas colaboraram para que o cordel se popularizasse no Nordeste, tornando-
-se parte da cultura oral dessa região. Em discussão, procure mobilizar conhecimentos históricos e geográficos que contextualizem as informações descobertas pela turma.
h) Observe a estrutura do texto e responda: Como uma história contada em cordel deve ser estruturada?
O cordel deve ser escrito em versos curtos e ter rimas.

i) O texto que você leu foi organizado em versos. Releia-o e, com o professor e os colegas, escreva um
texto em prosa que retome a sequência dos fatos que compõem a história da literatura de cordel.
Resposta pessoal. Professor, sugerimos retomar o conceito de ideia principal trabalhado no Capítulo 2 da Unidade 2. A atividade de retextualização proposta contribui
para que o aluno perceba que um mesmo tema pode ser desenvolvido de diferentes formas, com estruturas e objetivos distintos.

Reflexão sobre o uso da língua

Verbo (IV)

1. Leia atentamente as frases a seguir, observando os verbos destacados.

I. Quem semeia vento colhe tempestade.

II. Se você semeasse vento, colheria tempestade.

III. Não semeie vento, para não colher tempestade.


• Agora, indique em seu caderno:

a) a frase em que os verbos destacados exprimem a certeza sobre a realização da ação; Frase “I”.

b) a frase em que o verbo destacado exprime a incerteza sobre a possibilidade de realização da ação;
Frase “II”.

c) a frase em que o verbo destacado exprime uma ordem, um conselho. Frase “III”.
Professor, a frase I corresponde a um provérbio popular. Seria interessante pedir aos alunos que, coletivamente, construíssem o seu sentido. É oportuno lembrar a
eles que os provérbios populares, muitas vezes, são utilizados como a moral das fábulas, gênero abordado no capítulo.
2. Agora, leia esta tira em quadrinhos:

Garfield, Jim Davis © 2015 Paws, Inc. All


Rights Reserved/Dist. Universal Uclick

Garfield. Folha de S.Paulo, São Paulo, 23 jan. 2015. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/
ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#23/1/2015>. Acesso em: 24 jan. 2015.

a) Transcreva o termo que aparece repetidamente no primeiro e no segundo quadrinhos. “Mastiga”.

b) Explique o uso desse termo na tira, considerando o contexto.


O termo “mastiga”, apresentado repetidas vezes, funciona como uma onomatopeia e faz referência ao barulho que Garfield emite ao comer pipoca.

c) Que tipo de balão foi utilizado no último quadrinho? Balão de pensamento.

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d) Considerando o contexto da tira e as personagens que aparecem nela, podemos dizer que esse
Não. Professor, espera-se que o aluno perceba que os balões de pen-
tipo de balão foi utilizado em sua função mais usual? samento, na verdade, acomodam falas das personagens. Informe a turma
que nas tiras de Garfield, de Jim Davis, esse recurso é utilizado pelo cartunista para representar as falas das personagens animais, enquanto o balão de fala tradi-
cional corresponde às falas das personagens humanas.
e) A resposta dada por Garfield indica uma resposta positiva ou negativa em relação ao pedido feito
pela gatinha? Por quê? É uma resposta negativa. Ele prefere terminar o namoro a dar-lhe pipoca.

f) A frase usada por ele indica uma certeza ou uma possibilidade? Indica uma possibilidade.

g) Quais palavras usadas na frase confirmam sua resposta anterior? “Talvez” e o verbo “ser” no subjuntivo.

h) O sentido seria diferente se ele tivesse dito “É hora de darmos um tempo no namoro”? Sim, pois,
dessa forma, a frase indicaria uma certeza em relação a dar um tempo no namoro.

IMPORTANTE SABER

Os verbos expressam, além do tempo, o modo como as ações acontecem; ou seja, a forma como
são flexionados também revela a atitude ou intenção do falante em relação ao fato expresso.
Os verbos apresentam três modos:
• Modo indicativo: é o modo que expressa um fato real, uma certeza.
Exemplo: A namorada de Garfield quer pipoca.
• Modo subjuntivo: é o modo que expressa uma dúvida, uma possibilidade.
Exemplo: Se a namorada de Garfield pegasse pipoca, o namoro terminaria.
• Modo imperativo: é o modo que expressa uma ordem, um pedido, um conselho, um convite.
Exemplo: Não pegue minha pipoca!

APLICANDO CONHECIMENTOS

1. Leia os provérbios a seguir. Depois, copie-os em seu caderno e indique o modo dos verbos em destaque.
a) Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Bate e fura: modo indicativo.

b) Se a vida lhe der um limão, faça uma limonada. Der: modo subjuntivo; faça: modo imperativo.

c) Nunca digas: desta água não beberei. Digas: modo imperativo; beberei: modo indicativo.

2. Leia atentamente o texto a seguir:

Virgem
Rotina: junto aos amigos, evite que suas palavras sejam mal interpretadas
Brumaria/Shutterstock

e controle os seus impulsos e reações. Interesses: dia positivo com acon-


tecimentos benéficos de ordem financeira que podem se concretizar no
período da tarde. Intimidade: quadro propício aos seus assuntos afetivos.
gazeta Digital. horóscopo, 29 jan. 2015. Disponível em:
<http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/56/materia/
441088/t/confira-a-previsao-do-horoscopo>. Acesso em: 17 fev. 2015.

Aos leitores de horóscopo, especialmente aos virginianos


a) A que leitor se dirige o texto anterior? ou àqueles que se interessam por esse signo.

b) Você já sabe que todo texto tem uma finalidade. Qual é a finalidade desse texto?
Aconselhar comportamentos favoráveis para os nascidos sob o signo de virgem e, muitas vezes, avisar sobre acontecimentos futuros.

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IMPORTANTE SABER

Os textos que instruem o leitor a adotar determinados comportamentos – como receita de bolo,
regra de jogo, horóscopo etc. – são chamados textos instrucionais.

3. Os textos de horóscopo apresentam elementos próprios desse gênero textual. Indique tais ele-
mentos no texto anterior. Há a indicação de um signo do zodíaco (virgem), uma previsão dos acontecimentos
do dia e uma breve orientação quanto a um comportamento a ser adotado.

4. Copie em seu caderno o trecho em que os verbos foram conjugados no modo imperativo e respon-
da: Qual é a intenção do uso do modo imperativo no gênero horóscopo?
“[...] evite que suas palavras sejam mal interpretadas e controle os seus impulsos e reações [...]”.
Professor, é importante enfatizar aqui a intenção comunicativa dos modos verbais, retomando o quadro anterior. Seria interessante pesquisar com os alunos outros gêneros
em que o modo imperativo aparece com frequência – como receitas culinárias, anúncios publicitários etc. – sempre com a intenção de orientar as ações do leitor/ouvinte.

Atividade de criação
Versão para o final de uma fábula
Que tal criar um novo final para a fábula “A cigarra e as formigas”?
Recrie a fábula, dando-lhe o título “A formiga boa”. Observe que será necessário criar também
uma nova moral da história.
Professor, após a escrita do texto, seria interessante pedir aos alunos uma pesquisa sobre a versão de Monteiro Lobato, que apresenta
a formiga boa como personagem, e compará-la à versão que os alunos construíram. A versão de Monteiro Lobato está em Fábulas. São
AVALIAÇÃO E REESCRITA Paulo: Brasiliense, 1995. Sugerimos criar, coletivamente, um quadro no qual o aluno possa comparar as personagens e seus respectivos
comportamentos, bem como o tempo e o espaço no qual ocorrem as ações, o conflito, a complicação, o clímax e o desfecho das histórias.

1. Há em seu texto uma indicação sobre o tempo em que ocorrem os fatos?


2. As personagens enfrentam um problema e buscam solução?
3. As ações das personagens e/ou suas falas ensinam um comportamento ao leitor?
4. Há uma moral destacada no fim do texto?
5. O que mudou na moral da história original em relação à versão que você criou? Explique.
Respostas pessoais.

Prática de leitura

Texto 3 – Fábula
ANTES DE LER

1. No texto “Quem tem razão? A lebre ou o leão?”, que você vai ler em seguida, alguns trechos
estão destacados. Leia apenas esses trechos e, depois, passe para a atividade 2.
2. As informações seguintes sobre o texto podem ser falsas ou verdadeiras. Com base na
leitura que você fez, apenas dos trechos destacados, copie no caderno a que você supõe
verdadeira. Alternativa “b”. Professor, é importante não apresentar a resposta correta neste momento para que os alunos só confirmem suas
hipóteses depois da leitura na íntegra, conforme o que é solicitado na atividade a seguir.

a) O texto apresenta apenas uma personagem contando a própria história.


b) Acontece uma assembleia durante a qual se realiza um debate.
c) O texto vai apresentar uma notícia de jornal.

3. Agora, leia o texto na íntegra e descubra se a alternativa que você escolheu é verdadeira.

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Quem tem razão? A lebre ou o leão?
Naquela floresta calma e tranquila alguma coisa diferente estava acontecendo. Ouvia-se o som
de vozes numa conversa animada como se fosse uma boa discussão.
– Eu não concordo com o título de que o leão é o rei dos animais – reclamava a lebre, muito nervosa.
Isso me deixa muito contrariada porque, afinal, ele já leva a fama há tanto tempo e nunca mais alguém
propôs uma discussão sobre o assunto. Que tal convocarmos uma assembleia? – propôs a danada aos
outros animais. – Seria uma ótima oportunidade de encontrarmos os colegas e discutirmos o assunto.
– Mas... assembleia? – disse o macaco. – Eu nem sei o que é isso.
– É uma reunião onde todos os participantes falam e expressam suas ideias de uma maneira or-
ganizada e bem educada, isto é, sem ofensas e brigas – explicou a lebre.
– Tudo bem – concordaram os demais – mas quando?
– Talvez depois de amanhã, para que haja tempo de avisarmos todos os animais – concluiu a lebre.
– Ok, está combinado: sábado, embaixo da mangueira e neste mesmo horário, ao nascer do sol
– responderam os elefantes.
– Até lá, meus amigos! – continuou a lebre, agora mais satisfeita.
O burburinho era geral, pois, embora o macaco, o tatu, a cotia, a zebra e o papagaio e muitos
outros animais tivessem gostado da ideia, eles ainda não sabiam muito bem o que iria acontecer.
Mesmo assim os convites prosseguiram. Era tatu avisando minhoca e papagaio na casa da arara, to-
dos ajudando a lebre a organizar a tal assembleia. E a cada convite surgia novamente a dúvida. Mas
o que será que vamos discutir? Eles não conseguiam saber o que a lebre iria dizer ao leão.
Bem, chegando o dia e a hora, todos estavam curiosos e agitados.
Para dar início à reunião, a lebre, como é pequenininha, pediu ajuda à girafa para poder explicar
sua proposta lá do alto.
– Eu, lebre da floresta, tenho uma proposta para vocês. Gostaria de discutir o título dado ao leão
como “Rei dos Animais”. Este título já foi dado a ele há muito tempo e precisamos voltar a discuti-
-lo, afinal, os tempos mudaram. Vocês concordam com a minha ideia?
Os animais se olharam e mesmo meio apavorados demonstraram concordar balançando afir-
mativamente as cabeças.
Assim que os animais se manifestaram, o leão soltou um rugido daqueles tão fortes que mais da
metade da bicharada saiu correndo de medo. Os outros animais ficaram olhando surpresos para a
lebre, esperando o que ela iria dizer. Ela não teve dúvidas.
– Sr. Leão, o senhor acha mesmo que com esse rugido
vai assustar todo mundo e continuar a ser o
rei? Pois então vamos lá!
Chamou de volta todos os animais
que tinham fugido e garantiu a eles que
Jótah

ficassem sossegados, pois a conversa


estava apenas começando.
– Já que o senhor tem uma voz tão
forte, por que não promovemos um
concurso de canto? Quem se can-
didata? – continuou a lebre.
Imediatamente um pássa-
ro se apresentou e iniciou a
cantoria. Os animais da pla-
teia não paravam de elogiá-
-lo. Foi um sucesso!

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– Agora é a sua vez, Sr. Leão.
Ele rugiu tão alto e desafinado como se fos-
se um disco riscado tocando no máximo volu-

Jótah
me. Desta vez a plateia não gostou, mas ficou
imóvel de medo.
– Então, meus amigos – disse a
lebre – se o rei dos animais fosse
escolhido pelo canto, segundo as
reações de vocês, o pássaro seria
o vencedor.
– Apoiada, Sra. Lebre – disse-
ram os animais, agora mais sa-
tisfeitos e tranquilos.
– Então vamos a outra prova:
“Tamanho não é documento” – propôs
a organizadora.
– Essa eu não tenho dúvida de que vencerei – falou o
leão. – Quem me enfrentará? Mesmo que seja um elefante grandão e pesado, eu o derrubo em um
só golpe, vamos ver.
– Espere, Sr. Leão – disse a lebre.
E, para espanto de todos, a lebre convidou uma formiga para participar da prova.
Vocês têm ideia do que aconteceu?
A formiguinha subiu na juba do leão e começou a passear tão de levinho que ele sentiu cócegas e
se “derreteu” todo, chegando a deitar-se no chão para curtir o carinho da formiguinha.
– E, então, Sr. Leão, vamos continuar?
– Acho que já entendi sua ideia, Sra. Lebre. A senhora quis mostrar aos animais dessa floresta
que não devemos achar que somos os melhores em tudo, porque isso não existe. Cada um pode ser
bom em alguma coisa, depende do ponto de vista. Certo? – disse o leão.
Os animais ficaram surpresos e contentes com a fala do leão. Acharam que a lebre foi muito es-
perta nessa assembleia.
– Mas, Sra. Lebre, só para terminar eu gostaria de lhe fazer uma perguntinha.
– Pois não, Sr. Leão.
– Como é mesmo aquela história da corrida entre a lebre e a tartaruga?
mARtins, Valdenise do nascimento. A compreensão da leitura de fábulas.
O professor e os desafios da escola pública paranaense. Produção didático-pedagógica.
Paranaguá, 2012, v. 2, p. 16-18. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.
pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_pde/2012/2012_
fafipar_port_pdp_valdenilse_do_nascimento_martins.pdf>. Acesso em: 30 jan. 2015.

Professor, o estudo desse texto apresenta sequência didática própria. Primeiro, o aluno fará atividades de leitura
para compreender o que é uma assembleia, um debate, no contexto da narrativa. As questões de compreensão
do texto encontram-se entrelaçadas ao estudo da fábula, nesta seção, porque o final da sequência culminará na
POR DENTRO DO TEXTO preparação de um debate. Assim, o estudo do texto possibilita que o aluno reflita sobre a organização das falas
em um debate ou assembleia, orientando-o para a fala pública nesses contextos comunicativos.

1. Com base na leitura do texto, explique o que é uma assembleia. Resposta pessoal.

2. Que proposta foi feita pela lebre da floresta? Fazer uma assembleia para rever o título de rei das selvas dado ao leão.

3. Qual frase usada pela lebre indica que ela se interessa em ouvir a opinião dos outros animais?
“Vocês concordam com a minha ideia?”
• O que você achou da atitude da lebre de procurar conhecer a opinião dos colegas? Justifique
sua opinião. Resposta pessoal.

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4. Retire do texto uma fala de personagem que contenha argumentação.
Resposta possível: “Gostaria de discutir o título dado ao leão como ‘Rei dos Animais’. Esse título já foi dado a ele há muito tempo e precisamos voltar a discuti-lo, afinal, os
tempos mudaram. Vocês concordam com a minha ideia?” Professor, se necessário, retome com os alunos o Capítulo 1 da Unidade 2 deste volume, que apresenta esse tema.
5. Releia este trecho do texto:

Assim que os animais se manifestaram, o leão soltou um rugido daqueles tão


fortes que mais da metade da bicharada saiu correndo de medo.

a) Nesse trecho, o leão usou argumentos? Explique sua resposta.


Não, o leão agiu usando a força de seu rugido para intimidar os outros animais.

b) Em situações reais, há pessoas que, para vencer um debate, agem de maneira semelhante ao
Resposta possível: Sim, há pessoas que, quando não conseguem convencer o outro a aceitar suas ideias, esbravejam e até
leão? Dê um exemplo. mesmo partem para a agressão.

c) O que você pensa sobre esse tipo de atitude? Resposta pessoal.

6. No debate entre os animais, alguma personagem demonstra concordar com a opinião de outro
animal? Caso afirmativo, transcreva do texto a fala que comprova sua resposta.
Resposta possível: “– Ok, está combinado: sábado, embaixo da mangueira e neste mesmo horário, ao nascer do sol – responderam os elefantes.”

7. Qual foi o assunto discutido pela assembleia dos animais? O direito de o leão ser majestade para sempre.

• Houve opiniões diferentes sobre esse assunto? Sim, a opinião da lebre era diferente da de outros animais.

8. Em sua opinião, qual foi a melhor “ideia” apresentada na assembleia dos animais? Apresente-a
para a turma. Preste atenção nas opiniões dos colegas e procure defender a sua, justificando-a.
Resposta pessoal.

9. Existe alguma relação entre o título do texto e o motivo pelo qual a assembleia foi realizada?
Sim, a assembleia foi realizada para discutir o título rei dos animais atribuído ao leão, com o que a lebre não concorda. Os animais foram convocados a dar a opinião deles
sobre o assunto e decidir quem tinha razão, se a lebre – que contestava o título – ou o leão – que o ostentava e defendia.

IMPORTANTE SABER

Assembleia é um evento organizado para as pessoas discutirem tema(s) de interesse coletivo.


Durante a assembleia, um grupo de pessoas debate suas ideias, argumentando e defendendo
oralmente suas opiniões. Após as discussões, as decisões são tomadas por meio de votação.
Debate também é um gênero oral organizado para as pessoas discutirem um assunto, dar sua
opinião, contestar ou apoiar ideias por meio de argumentos.
O debate pode ter um mediador. O papel do mediador é apresentar o tema a ser debatido, organizar
a ordem das falas, controlar o tempo de fala de cada um, dar a palavra para a pessoa que tem direi-
to de resposta. No debate, porém, não há votação e tomada de decisões, como ocorre na assembleia.

10. No Capítulo 1 da Unidade 2, você aprendeu o que é ser democrata. O conceito de assembleia se
relaciona com o conceito de democracia? Discuta com os colegas.
Espera-se que os alunos percebam que sim, pois a assembleia tem a função de discutir os problemas coletivos e
decidir sobre eles por meio de votação; dessa forma, a opinião da maioria é respeitada.
11. Releia o trecho em que a lebre explica o que é uma assembleia:

– É uma reunião onde todos os participantes falam e expressam suas ideias de uma
maneira organizada e bem-educada, isto é, sem ofensas e brigas – explicou a lebre.

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a) A explicação da lebre está mais de acordo com a definição de assembleia ou de debate?
Com a definição de debate.

b) Há possibilidade de se realizar uma assembleia sem um debate de ideias? Explique sua resposta.
Não, pois, para tomar decisões e votar, é preciso discutir coletivamente os problemas. Isso normalmente se dá por meio de um debate de ideias.

c) O que falta na explicação da lebre para completar a definição de assembleia, conforme as infor-
mações que você leu no quadro sobre esse gênero?
• Em seu caderno, complete a fala da lebre com uma das alternativas a seguir. Alternativa “II”.

I. Nessa reunião, as pessoas brigam muito.

II. Nessa reunião, as pessoas tomam decisões com base nas opiniões discutidas.

III. Nessa reunião, ninguém vota.

12. De acordo com o final do texto, você acha que a discussão foi concluída pelos animais? Houve
votação e tomada de decisões? Por quê?
Não houve votação. A discussão foi concluída porque o leão fingiu aceitar os argumentos da lebre, mas levantou nova discussão.

13. Que outra fábula conhecida foi mencionada no último parágrafo do texto? “A lebre e a tartaruga”.
Professor, seria interessante perguntar aos alunos se eles conhecem essa fábula. Se algum aluno tiver conhecimento da fábula, poderá contá-la para os colegas.

14. As personagens do texto se comunicaram quase só pela fala. Mas há momentos em que a comu-
nicação acontece de outra forma. Em seu caderno, copie do texto um trecho que mostre esse fato.
“Os animais se olharam e mesmo meio apavorados demonstraram concordar balançando afirmativamente as cabeças.”.

15. Em seu caderno:


• Copie as frases a seguir:

I. – Que tal convocarmos uma assembleia?

II. – É uma reunião onde todos os participantes falam e expressam suas


ideias de uma maneira organizada e bem-educada, isto é, sem ofensas e
brigas – explicou a lebre.

III. – Acho que já entendi sua ideia, Sra. Lebre.

IV. – Cada um pode ser bom em alguma coisa, depende do ponto de vista.
Certo?

• Agora transcreva, ao lado de cada frase copiada o sentido dos termos destacados, de acordo
com os itens a seguir: I-c; II-a; III-b; IV-d.

a) Explicação do que foi dito antes.

b) Indicação de que a personagem compreendeu algo.

c) Sugestão, convite.

d) Verificação da opinião do outro.

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Na trilha da oralidade
Professor, sugerimos que seja feito, com os alunos, um levantamento de temas sobre os quais eles gostariam de discutir. Em
Debate regrado seguida, proponha uma votação para eleger o tema do debate. Sugestões: “Benefícios (ou malefícios) das redes sociais”, “Lei da
Palmada”, “Causas da violência urbana”, “Amizade entre meninos e meninas” e “Importância da sustentabilidade”. Se houver
interesse da turma, retome temas abordados anteriormente neste volume, como a discussão “Qual é a hora certa para deixar de
ser BV?”, proposta na Unidade 2.
Proposta 1

Que tal assumir o lugar das personagens do texto? Na sala de aula, discutam o tema levantado
pela lebre, realizando um debate.

Proposta 2

Para realizar um debate, escolham um assunto que costuma gerar diferentes opiniões e que
seja de interesse da turma.

ORIENTAÇÕES

1. Para apresentar sua ideias em um debate, você precisa se preparar. Se a turma optou pela
proposta 2, procure se inteirar do assunto a ser debatido
2. Em seu caderno, anote as principais ideias que quer defender.
3. No decorrer do debate, você poderá acrescentar novas ideias a sua lista, dependendo do anda-
mento da discussão.
4. É importante observar atitudes adequadas para que todos possam participar do debate. Leia a
seguir algumas delas:
• Ouvir os colegas.
• Respeitar suas opiniões.
• Refletir antes de falar.
• Expor seus argumentos de maneira clara. Observar se os outros alunos estão compreenden-
do o que você diz.
• Esperar a sua vez de falar.
• Prestar atenção nos argumentos usados pelas outras pessoas.
• Contestar as ideias dos outros por meio do emprego de novos argumentos.

5. Seu professor poderá fazer o papel do mediador: aquele que organiza o debate, dá a palavra aos
participantes, combina e controla o tempo que cada grupo terá para falar.
6. Depois do debate, faça com seus colegas uma avaliação de como cada participante atuou no
momento da discussão.

IMPORTANTE SABER

Debater não é discutir com impulsividade, agressividade ou intolerância. A emoção faz


parte da discussão, mas ela não pode tomar o lugar das ideias, dos argumentos.

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Reflexão sobre o uso da língua

Verbo (V)
1. Reescreva as frases a seguir em seu caderno, flexionando todos os verbos no passado. Lembre-se
de observar o contexto de produção das falas. a) Eu, lebre da floresta, tinha uma proposta para vocês.
b) Quem se candidatou?

a) “– Eu, lebre da floresta, tenho uma proposta para vocês.”

b) “Quem se candidata?”

2. As mudanças nas falas da atividade 1 provocaram alteração no sentido do texto? Explique.


Sim, na frase “a”, com o verbo empregado no presente, a lebre informa aos animais que tem uma proposta. Com o verbo no passado, pode-se entender que a lebre tinha
uma proposta, mas não tem mais. Na frase “b”, “Quem se candidata?”, há um convite. Ao usar o verbo no passado – “Quem se candidatou?” –, a frase passa a ser uma
pergunta sobre que pessoas se candidataram para algo.
3. Neste capítulo, lemos diversas histórias em prosa ou em versos. E, para narrar essas histórias, foi
preciso, muitas vezes, empregar várias formas do verbo no passado. Leia um exemplo disso na
estrofe a seguir:

Durante todo o verão


A cigarra só cantava
Nem percebeu que ligeiro
O inverno já chegava
E quando abriu os olhos
A fome já lhe esperava

a) Copie, em seu caderno, os verbos que indicam ações ocorridas no passado.


Cantava, percebeu, chegava, abriu, esperava.

b) Os verbos destacados na atividade anterior, embora estejam todos no passado, dão informa-
ções diferentes sobre esse tempo verbal. Reescreva-os, em seu caderno, separando-os em
duas colunas, de acordo com as seguintes características: indicam ações que se repetiam no
passado e indicam ações que ocorrem uma vez no passado.
Primeira coluna: cantava, chegava e esperava; segunda coluna: percebeu e abriu.

4. Agora, compare os trechos a seguir:

I. A formiguinha subiu na juba do leão e começou a passear tão de levinho


que ele sentiu cócegas e se “derreteu” todo [...].

II. A formiguinha subia na juba do leão e começava a passear tão de levinho


que ele sentia cócegas e se “derretia” todo.

a) Os verbos destacados nos trechos I e II estão no passado. Em qual dos trechos esses verbos
indicam ações que já terminaram? No trecho I.
b) Em qual dos trechos o verbo indica uma ação que acontecia no passado com frequência?
No trecho II.
c) O tempo verbal usado em cada um dos trechos altera o sentido da informação? Explique.
Sim, há alteração de sentido. No primeiro trecho, entende-se que as ações da formiga e do leão aconteceram apenas em um determinado momento do
passado. Já no segundo trecho, percebe-se que as ações ocorreram mais de uma vez no passado, ou seja, percebe-se que, apesar de já terem ocorrido,
elas eram constantes.
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IMPORTANTE SABER

Quando se diz que um verbo está no passado é o mesmo que dizer que ele está no pretérito.
Essas palavras têm o mesmo significado.
Quando desejamos nos referir a algo que já aconteceu e que está totalmente acabado, usamos
o pretérito perfeito. Isso significa que os fatos foram perfeitamente concluídos. Observe que, no
trecho II da atividade anterior, os atos de subir, começar, sentir e derreter já foram encerrados.
Quando desejamos nos referir a uma ação que acontecia no passado com frequência, de forma
contínua, ou indicar que um fato estava acontecendo antes que outro o interrompesse, usamos o
pretérito imperfeito.

5. Observe a seguir duas maneiras de conjugar o verbo “subir” no pretérito. Escreva em seu caderno
a que tempo verbal corresponde cada quadro.

Quadro I I: pretérito perfeito. Quadro II II: pretérito imperfeito.

Eu subi Eu subia
Tu subiste Tu subias
Ele subiu Ele subia
Nós subimos Nós subíamos
Vós subistes Vós subíeis
Eles subiram Eles subiam

APLICANDO CONHECIMENTOS
1. Em seu caderno:

a) Elabore cinco frases que descrevam ações que você praticou durante o dia de ontem.
Resposta pessoal. Professor, é interessante pedir a alguns alunos que leiam
suas frases a fim de registrar os verbos utilizados no
b) Identifique os verbos utilizados nas frases que você elaborou. quadro de giz para que a turma observe vários exemplos
Resposta pessoal. Espera-se que os alunos tenham utilizado verbos no pretérito perfeito. de uso do pretérito perfeito.

c) Que tipo de ação é indicada pelos verbos que você empregou? Selecione uma das opções a
seguir e copie-a.
I. Ações que ocorriam frequentemente no passado (pretérito imperfeito).
II. Ações ocorridas antes de outras, também já concluídas (pretérito mais-que-perfeito).
III. Ações perfeitamente concluídas (pretérito perfeito). Alternativa “III“. As ações realizadas foram perfeitamente concluí-
das. Os verbos, portanto, estão conjugados no pretérito perfeito.

2. Agora, elabore um pequeno texto relatando atividades, brincadeiras e hábitos de sua infância. O
que você gostava de fazer? Qual era a sua rotina? Resposta pessoal.

a) Identifique em que tempo verbal estão os verbos empregados em seu relato.


Resposta pessoal. Espera-se que o aluno tenha utilizado verbos no pretérito imperfeito. Professor, assim como na atividade anterior, é interessante pedir a
alguns alunos que leiam seus relatos a fim de registrar os verbos utilizados, para que a turma observe vários exemplos de uso do pretérito imperfeito.
b) Releia as opções do item “c” na atividade 1 e responda: Que tipo de ação é indicada pelos ver-
bos utilizados em seu relato? Ações que ocorriam frequentemente no passado (pretérito imperfeito).

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3. Na fábula a seguir, os verbos foram apenas indicados entre parênteses, no infinitivo. Em seu caderno,
reescreva o texto substituindo os símbolos ▲ pelos verbos conjugados no tempo verbal adequado.
Não se esqueça de estabelecer concordância entre os verbos e os nomes a que se referem.

A baleia e o tubarão
Certo dia de outono, a baleia brincava no preparou-se
mar. O tubarão aproximou-se e, com cuidado, rodeou a
baleia para mordê-la de modo fatal. Sinuoso, ▲ (preparar-se) para o bote. Chegando a uma distância
gritou
razoável do ouvido da baleia, ▲ (gritar), com voz fina e doce, bem inadequada para um tubarão:
– Cara amiga, permita-me brincar com você nesse belo dia! Vamos alegrar-nos juntos!
olhou
A baleia ▲ (olhar) desconfiada, pois tubarão e baleia não têm boa
respondeu reagiu
vizinhança, nem as mesmas
brincadeiras. Mas, como tinha boa índole, não ▲ (responder) e não ▲ (reagir).
conseguiu
Tão logo o tubarão ▲ (conseguir) aproximar-
mordeu

Jótah
-se, ▲ (morder) o pescoço da baleia com força.
Todavia, uma crosta de conchas e corais que se
quebrou
grudara na pele da baleia ▲ (quebrar) os dentes
do tubarão. Choroso e sangrando, ele fugiu com
dores atrozes.
A baleia, calmamente, olhou com desdém o in-
pensou
gênuo tubarãosãoem fuga e ▲ (pensar) que os seres
muito furiosos ▲ (ser) sempre pouco atentos.
gAZoLLA, Raquel. Fábulas nuas e cruas.
são Paulo: Parábola, 2005.

4. Releia a fábula e elabore uma moral para ela. Lembre-se de que ela deve estar de acordo com o
ensinamento que o texto busca transmitir. Depois, compartilhe-a com a turma e, juntos, elejam
aquelas que se mostrarem mais adequadas à fábula.
Resposta pessoal. Sugestões: “A má intenção vem acompanhada de decepção”; “A precipitação é má conselheira”.

De olho na ortografia
Acentuação das oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas
Observe a acentuação das palavras a seguir, retiradas da fábula “A baleia e o tubarão”:

distância índole desdém

1. Em seu caderno, separe as sílabas dessas palavras e verifique se o acento recai na última, na
penúltima ou na antepenúltima sílaba. Dis-tân-cia: penúltima sílaba; ín-do-le: antepenúltima sílaba; des-dém: última sílaba.

2. Qual é a importância do acento gráfico nessas palavras?


O acento gráfico indica a posição da sílaba tônica nessas palavras e a forma como elas devem ser pronunciadas.

3. Por que nem todas as palavras que conhecemos têm um acento gráfico?
Existem regras de acentuação que determinam quais palavras devem ser acentuadas. Professor, enfatize com o aluno a importância de se conhecer
as regras de acentuação, pois elas contribuem para que não haja problemas quanto à pronúncia das palavras.
4. Pesquise: De acordo com a posição da sílaba tônica – a sílaba pronunciada com maior intensidade –,
essas palavras são oxítonas, paroxítonas ou proparoxítonas?
Dis-tân-cia: paroxítona; ín-do-le: proparoxítona; des-dém: oxítona.

5. Escreva outras palavras proparoxítonas que você conheça.


Professor, faça uma lista no quadro de giz com as palavras levantadas pelos alunos. Cada aluno poderá escrever uma palavra no quadro de giz a
fim de que fique mais fácil depreender a regra de acentuação.
6. Agora, escreva com suas palavras a regra de acentuação das proparoxítonas.
Todas as proparoxítonas são acentuadas.

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IMPORTANTE SABER

Na língua portuguesa, as palavras se classificam quanto à posição da sílaba tônica em:


• Oxítona: a tonicidade recai na última sílaba. Por exemplo: café, saci, parabéns.
• Paroxítona: a tonicidade recai na penúltima sílaba. Por exemplo: cama, táxi, caráter.
• Proparoxítona: a tonicidade recai na antepenúltima sílaba. Por exemplo: mágico, lâmpada,
estático.
A maioria das palavras da língua portuguesa é paroxítona. Por isso, quando uma palavra é
proparoxítona, ela precisa ser acentuada. Caso contrário, não saberemos que a sílaba tônica é
a antepenúltima, e não a penúltima, como estamos acostumados.
Saiba mais sobre esse assunto consultando o Apêndice.

APLICANDO CONHECIMENTOS
1. As palavras destacadas no texto a seguir são proparoxítonas e não estão acentuadas. Leia o texto
e, em seguida, corrija essas palavras em seu caderno. “África”, “histórico” e “históricos”.

A descoberta
Estavam os dois caçadores bem no centro da Africa quando, por trás de uma colina, de
dentro de uma gruta, da escuridão de uma mata, do seio de uma grota, surgiu um tigre-dentes-
-de-sabre. Disse um dos caçadores: Um animal pré-historico! O mais terrível e o mais precioso
dos animais pré-historicos! Que vamos fazer? Vamos fazer o seguinte – sugeriu o outro caça-
dor, preparando-se para correr: – Você fica aqui e aguenta o bicho, que eu vou espalhar a notícia
pela Africa inteira.
FERnAnDEs, millôr. Fábulas fabulosas. 14. ed. Rio de Janeiro: nórdica, 1997.

2. Responda:

a) Quem são as personagens da história? Dois caçadores.

b) Que moral você daria à fábula? Professor, a moral dada à fábula dependerá da visão do aluno sobre as atitudes das personagens. Uma pos-
sibilidade é “O mundo é dos espertos”.

c) A moral dessa história está relacionada com o humor do texto? Explique o que provoca esse
humor. Sim. O humor do texto é garantido pelo efeito surpresa provocado pela resposta cheia de esperteza de uma das personagens para fugir do ataque do tigre.

3. Compare essa fábula com a fábula “A cigarra e as formigas”. Escreva em seu caderno as diferen-
ças e semelhanças entre elas, observando os elementos a seguir:

a) personagens; Na fábula de Esopo, as personagens são animais; na fábula “A descoberta”, são pessoas.

b) ambiente em que a história se passa; A fábula “A cigarra e as formigas” não menciona espaço; já a fábula “A descoberta” se passa
em um ambiente natural no centro da África.

c) tempo de duração dos fatos narrados; Os fatos narrados na história “A cigarra e as formigas” se passam entre o verão e o inverno. Na
fábula “A descoberta”, a cena narra